PL turbina candidatos ao Senado após Bolsonaro mirar STF e repassa quase o dobro que PT

Foto: Ton Molina/Arquivo/Agência Senado
O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, repassou R$ 91,6 milhões aos candidatos da sigla ao Senado desde o início da campanha. O valor é quase o dobro dos R$ 48,2 milhões repassados pelo PT, segundo levantamento feito a partir das prestações de contas das legendas à Justiça Eleitoral.

O montante foi repassado a 30 candidatos distribuídos em 24 unidades federativas. É a sigla com maior número de beneficiados por repasses da direção nacional na disputa pelo Senado e também com a maior capilaridade. O PT distribuiu recursos para 18 candidatos em 15 estados mais o Distrito Federal.

Entre os 15 candidatos ao Senado que mais receberam recursos das direções nacionais, nove são do PL, espalhados por oito estados. O dinheiro, porém, se concentra sobretudo no Sudeste: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais reúnem 9 dos 15 nomes.

São Paulo se destaca ainda por combinar concentração financeira e diversidade partidária, com quatro candidatos de quatro siglas diferentes entre os maiores beneficiários.

Simone Tebet (PSB), concorrente a uma das duas vagas pelo Senado em São Paulo, é dona da maior fatia dos repasses feitos pelos diretórios nacionais, com R$ 6,5 milhões. Em segundo lugar, outro concorrente pelo mesmo estado, André do Prado (PL), aparece com R$ 6 milhões.

Nestas eleições, o PL dispõe da maior fatia do Fundo Eleitoral, com R$ 881,7 milhões, cerca de 17,8% do total. O PT ficou com a segunda maior parcela, de R$ 615,4 milhões.

No Senado, 54 das 81 vagas estarão em disputa, maior número desde 2018. Cada estado e o Distrito Federal irão eleger dois representantes, com mandatos de oito anos. No total, 315 candidatos disputam as vagas.

Desses, 32 são senadores em exercício que disputam a reeleição. A média nacional é de 5,8 candidatos por vaga, mas esse dado muda entre os estados; em São Paulo, são 15 candidatos para duas vagas, enquanto o Piauí tem 20 postulantes para duas cadeiras.

Ao todo, as direções nacionais analisadas já repassaram ao menos R$ 365,1 milhões às campanhas para senador. O montante equivale a cerca de R$ 6,8 milhões para cada uma das 54 cadeiras em disputa.

A disputa por cadeiras na Casa para pautar pedidos de impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) é uma das prioridades de Bolsonaro. O movimento ocorre após a decisão da Suprema Corte que o condenou à prisão pela trama golpista, em setembro do ano passado.

Os pedidos de impeachment de ministros do STF tramitam no Senado. Após o protocolo, o pedido passa pela análise da Casa antes de poder ser submetido aos senadores. Por decisão liminar do ministro Gilmar Mendes, do STF, atualmente em vigor, são necessários dois terços dos integrantes do Senado, ou 54 votos, para a abertura do processo. O mesmo quórum é exigido para uma eventual condenação.

Diante disso, o ex-presidente teve papel central na escolha das candidaturas do PL ao Senado, o que inclui integrantes de sua família, como a mulher Michelle, candidata do partido pelo DF, e o filho Carlos por Santa Catarina.

A oposição a ministros do STF voltou ao centro do debate da campanha eleitoral diante de novos desdobramentos do caso Master, após a divulgação de mensagens e encontros envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro e da revelação de um encontro do ex-banqueiro com André Mendonça.

Pesquisas Datafolha e Quaest realizadas na segunda quinzena de agosto mostraram que quatro candidatos do PL lideram isolados na disputa pela primeira vaga em seus estados. É o caso de Michelle Bolsonaro (DF), Reinaldo Azambuja (MS), Eduardo Gomes (TO) e Fernando Máximo (RO).

A análise da prestação de contas das direções partidárias como doadoras de campanha disponível na Justiça Eleitoral evidencia estratégias de outras siglas para conquistar uma cadeira no Senado.

Há também transferências entre siglas. A direção nacional do União Brasil, por exemplo, repassou recursos para candidatos filiados ao Republicanos, PP e PL. O Cidadania destinou R$ 1,5 milhão a uma candidata do PSDB e R$ 400 mil a João Roma (PL). O PCdoB transferiu R$ 200 mil para Eliziane Gama (PT). Já o PSOL destinou R$ 1,1 milhão a Marina Silva (Rede), além de R$ 50 mil a Leila Barros (PDT) e R$ 50 mil a Erika Kokay (PT).

Por sua vez, o PDT, sexto colocado em volume de recursos, repartiu seus R$ 24,5 milhões entre nove candidatos. Entre os filiados à legenda, Marília Arraes recebeu R$ 4 milhões, Leila Barros, R$ 3,75 milhões, e Rafael Motta, R$ 3,7 milhões.

No PT, os maiores repasses da direção nacional foram para Benedita da Silva (RJ) e Marília Campos (MG), com cerca de R$ 5,34 milhões cada, seguidas por Eliziane Gama (MA), com R$ 4,25 milhões; Gleisi Hoffmann (PR), com R$ 4 milhões; e Erika Kokay (DF) e Samanda Alves (RN), com R$ 3,43 milhões cada.

São Paulo aparece como o estado que mais concentra dinheiro das direções nacionais entre as candidaturas analisadas, com cerca de R$ 27,6 milhões. Depois aparecem o Rio de Janeiro, com R$ 24,8 milhões, Minas Gerais (R$ 21,9 milhões), Distrito Federal (R$ 17,2 milhões) e Rio Grande do Sul (R$ 16,6 milhões).

Na disputa por uma das duas vagas no Senado por São Paulo, o ex-secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP) recebeu R$ 5,9 milhões da direção nacional do partido.

Em 2022, o senador Marcos Pontes (PL-SP) foi eleito com despesas de campanha declaradas em R$ 4,5 milhões (R$ 5,3 milhões em valores atualizados pela inflação). No mesmo pleito, o senador Romário (PL-RJ) foi reeleito após gastar R$ 5 milhões (R$ 6 milhões atualizados).

Por Mariana Zylberkan/Folhapress

Ibirataia: Prefeitura através da SEMUS inicia transição da insulina NPH para Glargina e fortalece assistência a pacientes diabéticos

A Prefeitura de Ibirataia, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, está conduzindo o processo de transição da insulina NPH para a insulina Glargina, reforçando as ações voltadas ao cuidado com pacientes diabéticos no município. A iniciativa integra a política de assistência farmacêutica e busca garantir um atendimento mais organizado, seguro e alinhado às diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). O processo também contempla orientações técnicas e acompanhamento dos usuários durante a mudança terapêutica.
Como parte dessa estratégia, a Secretaria de Saúde instituiu a Comissão de Farmácia e Terapêutica, responsável por analisar protocolos, acompanhar notificações relacionadas ao uso de medicamentos e fortalecer a assistência farmacêutica municipal. A comissão atuará na avaliação técnica das condutas, contribuindo para a promoção do uso racional de medicamentos, a segurança dos pacientes e a qualificação contínua dos serviços prestados à população.

O Secretário de Saúde Elmo Lopes destacou a importância da iniciativa para a saúde pública do município. "Nosso compromisso é oferecer um atendimento cada vez mais humanizado e eficiente. A transição para a insulina Glargina, aliada ao fortalecimento da assistência farmacêutica, demonstra o cuidado da gestão em garantir mais qualidade de vida e segurança aos pacientes que dependem desse tratamento." A ação reafirma o compromisso da administração municipal com o fortalecimento da atenção à saúde e a melhoria contínua dos serviços oferecidos à comunidade.

Três homens são presos por porte ilegal de arma de fogo na BR-330, em Barra do Rocha

Três homens foram presos por porte ilegal de arma de fogo na BR-330, no município de Barra do Rocha, durante uma ação conjunta entre a Polícia Militar e a Polícia Civil.

A guarnição da PM realizava patrulhamento na região quando foi acionada por um investigador da Polícia Civil para prestar apoio a uma abordagem policial. Durante a vistoria aos suspeitos, as equipes encontraram dois revólveres calibre .38 e um revólver calibre .32 — todos municiados com seis cartuchos intactos cada.

Após a localização do armamento, os suspeitos indicaram um ponto próximo onde haviam escondido outros materiais. Em varredura realizada nas imediações de uma árvore (pé de jaca), os policiais localizaram vestígios e um recipiente contendo gasolina.

Material apreendido:

  • 02 revólveres calibre .38 (com 6 cartuchos intactos cada)

  • 01 revólver calibre .32 (com 6 cartuchos intactos)

  • 01 aparelho celular Samsung

  • 02 aparelhos celulares Redmi

  • R$ 75,00 em espécie

  • Recipiente com gasolina e vestígios correlatos

Os três suspeitos (identificados pelas iniciais V. S. S., G. S. O. e M. P. O.) e todo o material apreendido foram encaminhados e apresentados na Delegacia Territorial de Barra do Rocha para a adoção das medidas cabíveis.

FONTE: ASCOM / 55ª CIPM PMBA, uma Força a serviço do cidadão!

Caso Master: Conselho do MPF marca julgamento de Gonet após mensagens de Vorcaro

As mensagens retiradas do celular de Daniel Vorcaro, que já provocaram um duro embate no Supremo Tribunal Federal (STF), agora também produzem desdobramentos dentro do Ministério Público Federal (MPF).

O Conselho Superior do MPF marcou para 25 de setembro uma discussão sobre a situação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, após seu nome aparecer em conversas relacionadas ao ex-controlador do Banco Master. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (16) pela Agência Brasil.

O colegiado deverá avaliar se as referências encontradas no material levantam questões sobre a atuação de Gonet nos processos relacionados ao caso Master.

Por que Gonet foi citado?

Uma das mensagens analisadas pela Polícia Federal mostra Vorcaro dizendo:


“Não podemos reverter isso com Paulo e Andrei.”

Para os investigadores da Operação Compliance Zero, os nomes seriam referências a Paulo Gonet e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O procurador-geral também aparece em conversas de Vorcaro com o advogado Ciro Soares.

Porém, as mensagens não comprovam que Gonet tenha atendido a pedidos de Vorcaro, interferido nas investigações ou cometido alguma irregularidade.

Gonet nega proximidade com Vorcaro

Em manifestação apresentada na terça-feira (15), Gonet negou qualquer relação de amizade ou interesse pessoal envolvendo Vorcaro.

O procurador-geral afirmou não ter “com o Sr. Daniel Vorcaro relação de amizade alguma, nem muito menos interesse pessoal nos processos em que ele conste como parte ou investigado”.

Gonet reconheceu ter encontrado Vorcaro uma única vez, durante um evento jurídico realizado em Londres e patrocinado, entre outras empresas, pelo Banco Master. Segundo ele, o contato foi “brevíssimo e banal” e não havia conhecimento prévio sobre os patrocinadores.

O procurador-geral também argumenta que não foram encontrados contatos diretos entre ele e Vorcaro no telefone do ex-banqueiro.

Depois de colocar o STF sob forte pressão, o conteúdo extraído do celular de Vorcaro chega agora ao próprio Ministério Público Federal.

Em 25 de setembro, caberá ao Conselho Superior discutir se as referências encontradas nas mensagens têm algum efeito sobre a atuação de Gonet nos processos relacionados ao caso Master.

Ônibus que fazia trajeto de SP a Senhor do Bonfim bate em carreta e deixa seis mortos na BR-116, em MG

Outras 31 pessoas ficaram feridas, segundo a PRF; Corpo de Bombeiros diz que 43 pessoas estavam envolvidas na colisão
Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação
Ônibus de turismo ficou destruído após colisão com uma carreta no km 25 da BR-116, em Cachoeira de Pajéu (MG)

Seis pessoas morreram e outras 31 ficaram feridas após a batida entre um ônibus de turismo e uma carreta na BR-116, na noite desta terça-feira (15). As informações são da PRF (Polícia Rodoviária Federal).

O acidente ocorreu no km 25 da rodovia federal, na altura de Cachoeira do Pajeú, no norte de Minas Gerais.

Segundo a Polícia Civil do estado, cinco pessoas morreram no local do acidente e uma no hospital. As identidades das vítimas ainda não foram divulgadas.

Conforme informações do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, 43 pessoas estavam envolvidas no acidente. Algumas das vítimas foram encaminhadas para hospitais de Divisa Alegre, Itaobim e Salinas. Outras sofreram apenas ferimentos leves e dispensaram atendimento.

O ônibus de turismo estava retornando de São Paulo em direção a Senhor do Bonfim (BA) e, segundo os bombeiros, estava carregado de mercadorias. O veículo teria perdido o freio após passar pelo trevo do Cariri, que liga as rodovias BR-251 e BR-116, e atingido o caminhão.

A carreta vinha de Conselheiro Pena (MG) e estava sem carga —o veículo tinha deixado um carregamento de queijo em Senhor do Bonfim antes da colisão.

Os dois veículos capotaram após o choque. Os condutores do ônibus e do caminhão não tiveram ferimentos graves.

A Polícia Civil instaurou inquérito para descobrir as circunstâncias e as causas do acidente.

Segundo a PRF (Polícia Rodoviária Federal), o acidente ocorreu por volta das 20h30 e deixou a pista interditada por cerca de quatro horas, até as 00h35 desta quarta (16)

Por Gabriel Araújo/Folhapress

Supremo é maior do que todos os seus ministros, diz Celso de Mello

Em texto divulgado antes da sessão de terça (15), ministro defende separação entre instituição e pessoas
O ministro aposentado do STF (Supremo Tribunal Federal) Celso de Mello afirmou, em texto divulgado na segunda-feira (14), que é necessário separar o tribunal, como instituição, de seus membros. Ele defende a necessidade de individualizar as condutas dos ministros.

Segundo Mello, a importância da corte transcende a "individualidade de cada um de seus membros". As suspeitas de caráter pessoal não devem ser generalizadas e servir à desqualificação do tribunal, afirma o ministro.

Sem citar nomes, ele também diz que a defesa da corte não pode servir para proteger interesses individuais e evitar a apuração de eventuais desvios. O texto foi publicado antes da sessão mais recente do STF.

"Se não é admissível projetar sobre a instituição, indistintamente, a sombra de suspeitas que recaem sobre determinados integrantes, tampouco se revela legítimo invocar a defesa institucional do Supremo como obstáculo ao esclarecimento de fatos ou como expediente de proteção pessoal", afirma Mello.

Ele pondera, entretanto, que a gravidade das suspeitas não as transforma em provas e defende que proteger o STF e apurar suspeitas individuais de ministros são exigências convergentes de uma mesma ética republicana.

"A presunção de inocência, o devido processo legal e a exigência de elementos probatórios consistentes devem coexistir com o dever de esclarecimento, sem favorecimentos, sem perseguições e sem concessões ao clamor circunstancial", disse.

O ministro aposentado reafirma que a separação entre instituição e pessoas não poder servir à impunidade. Ele também defende que ficar em silêncio ante suspeitas "pode aprofundar o desgaste que pretende conter".

"Nenhum deles [ministros] pode pretender que a preservação de sua própria imagem se confunda com a defesa da corte, pois a instituição pertence à República, e à República devem responder aqueles que a integram", conclui Mello.

O STF vive uma crise inédita, agravada após sessão tumultuada que debateu o relatório da Polícia Federal na terça (15). O documento aponta Alexandre de Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O dono do Banco Master teria perguntado ao ministro se deveria deixar o país antes de ser preso pela PF.

As suspeitas vieram à tona após André Mendonça, então relator do caso no STF, tornar públicas as mensagens. Moraes acusou o colega de motivação política e pediu a investigação por abuso de autoridade.

O presidente do Supremo, Edson Fachin, assumiu a relatoria e chamou para si a responsabilidade pelo caso. As críticas a esse medida dominaram a sessão de terça, que terminou obstruída pelos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes.

O grupo, que também inclui Moraes, defendeu que a legalidade do relatório fosse julgada na mesma sessão que deve analisar suspeitas sobre a atuação de Mendonça, marcada para o dia 23 de setembro.

Dino também classificou a manobra de Fachin como "avocatória", instituto jurídico associado à ditadura militar que consistia na possibilidade do presidente do STF assumir a relatoria de casos discricionariamente.

Por João Pedro Abdo/Folhapress

Funcionários que atuam no HGE protestam contra atraso de salário em Salvador

Foto: Divulgação
Funcionários do Instituto de Gestão e Humanização (IGH) que prestam serviços ao Hospital Geral do Estado (HGE) realizaram um protesto na manhã desta quarta-feira (16), em frente à unidade, em Salvador. Eles afirmam que ainda não receberam o salário referente a agosto, cujo pagamento, segundo a categoria, estava previsto nos contracheques para o dia 5 de setembro. O ato teve a participação do Sindicato dos Enfermeiros do Estado da Bahia (SEEE).

Os trabalhadores relatam que o atraso tem comprometido o pagamento de despesas como aluguel e faturas de cartão de crédito. Eles também denunciam demora no recebimento das férias, que, de acordo com os relatos, estariam sendo pagas cerca de um mês depois do retorno ao trabalho.

Segundo os manifestantes, representantes do IGH informaram durante o ato que os salários seriam depositados na tarde desta quarta-feira. A categoria, porém, afirma que já recebeu promessas semelhantes e diz que manterá a mobilização até a efetiva regularização dos valores.

Os funcionários cobram ainda transparência sobre os pagamentos e o cumprimento dos prazos. A quitação anunciada para esta tarde não estava confirmada nas informações disponibilizadas para esta matéria.

Lula cita acesso de ministros do STF a celular de Vorcaro e diz que país saberá 'quem foi fazer suruba'

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante cerimônia no Palácio do Planalto
O presidente Lula (PT) disse nesta quarta-feira (16) que o escândalo do Banco Master foi "orgia pura", e que a sociedade descobrirá "quem foi fazer suruba". Ele também afirmou que virão à tona informações sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu adversário na eleição presidencial.

O presidente mencionou o fato de diversos ministros do Supremo agora terem acesso ao conteúdo do celular de Daniel Vorcaro. A Polícia Federal entregou cópia do material na segunda-feira (14) aos gabinetes de Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal) e disse em nota que o envio foi feito observadas as "cautelas de sigilo aplicáveis".

Nesta terça-feira (15), pouco antes da sessão que deliberou sobre possível investigação a Moraes, vieram a público mensagens que apontam contatos e relações de Vorcaro com o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça e com os filhos dos ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux.

Lula se refere a eventos que o antigo dono do Master, Daniel Vorcaro, promovia para agradar políticos. As festas teriam participações de garotas de programa, incluindo mulheres estrangeiras.

"Agora a gente vai saber quem é que estava com mulher, quem foi fazer suruba", disse o presidente da República. "Porque foi isso que aconteceu, orgia pura", declarou. "Tem gente famosa que era agenciador, que era o cafetão da turma. Tudo isso vai aparecer agora", afirmou o chefe do governo.

"Ele [Flávio Bolsonaro] está nervosinho porque vão aparecer todas as falcatruas dele com o Vorcaro, os churrasco, as bebidas, as mulheres e os R$ 130 milhões que ele pegou com o Vorcaro para poder financiar o filme do pai", declarou o petista.

O filme ao qual Lula se refere é "Dark Horse", que conta a história de Jair Bolsonaro (PL), pai de Fávio, sob a ótica bolsonarista. Em maio, foi divulgado um áudio em que o senador pedia dinheiro a Vorcaro para finalizar a produção. O caso enfraqueceu a então pré-campanha do senador.

Ele conseguiu recuperar popularidade e agora, a menos de três semanas da eleição, aparece empatado com Lula nas intenções de voto para o segundo turno. Pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (14) mostrou o senador numericamente à frente do petista: 42% contra 40%.

O grupo político do petista afirma que, quando o material estava sob poder do ministro André Mendonça, as informações eram vazadas ou omitidas para beneficiar a candidatura de Flávio Bolsonaro.

Por Caio Spechoto, Folhapress

'Isso não é sério', diz Rui Costa sobre pesquisa que aponta liderança de ACM Neto

Em entrevista à rádio Piatã FM, o ex-ministro da Casa Civil e candidato ao Senado, Rui Costa (PT)
Em entrevista à rádio Piatã FM, o ex-ministro da Casa Civil e candidato ao Senado, Rui Costa (PT), rechaçou um levantamento divulgado nesta quarta-feira (16) pelo instituto Séculus que aponta o ex-prefeito de Salvador e candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), com 47,23% das intenções de voto. O também ex-governador da Bahia considerou os números “uma piada” e disse que a equipe jurídica de sua campanha vai analisar possíveis medidas contra a divulgação dos dados.

“Eu acho graça desse tipo de pesquisa, isso não é sério. Me desculpe quem contratou, que por sinal tem demonstrado um viés ideológico e uma preferência de candidaturas de forma sistemática”, declarou.

Para o petista, a pesquisa desrespeita a dinâmica do cenário eleitoral no estado e distorce a percepção da população.

“Nós temos um grupo de advogados para analisar se cabe, na Justiça, uma ação opinativa nesse período eleitoral. Caso contrário, você está induzindo o eleitor tomando conta de números que são uma piada”, continuou.

Para defender sua tese, o candidato ao Senado recorreu aos levantamentos do instituto AtlasIntel, ressaltando a precisão do órgão em pleitos anteriores para argumentar que a disputa pelo Governo da Bahia permanece acirrada.

“O que nós temos de pesquisa séria, inclusive publicada pelo Atlas — instituto que acertou o resultado da última eleição —, é que a disputa para governador está apertada, independentemente de quem esteja ligeiramente à frente ou atrás. Mas esses números de agora são uma piada, não dá para levar a sério”, finalizou.

Por Reinaldo Oliveira, Política Livre

Deputado rebate Rui Costa e relembra caso dos Respiradores: “Pegaram 100% do dinheiro do povo e não devolveram”

O deputado estadual Robinho (União Brasil) rebateu nesta quarta-feira (16) as declarações do ex-ministro Rui Costa (PT) sobre o Banco Master e afirmou que o petista tenta criar em uma cortina de fumaça para desviar a atenção das relações de integrantes do próprio grupo político com o banco.

Robinho também relembrou o escândalo dos respiradores comprados pelo Consórcio Nordeste durante a pandemia, período em que Rui presidia a entidade. Foram pagos antecipadamente R$ 48,7 milhões à empresa Hempcare pela aquisição de 300 equipamentos. Os respiradores nunca foram entregues e o dinheiro adiantado não foi restituído.

“Rui agora resolveu falar em 10%. Dez por cento de quê? De uma acusação que não virou acordo de delação, que foi rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. Se ele gosta tanto de falar em porcentagem, deveria explicar os respiradores. Pegaram 100% do dinheiro do povo e não devolveram. Foram quase R$ 50 milhões pagos antecipadamente e nenhum respirador entregue. E até hoje os 100% seguem desaparecidos”, afirmou.

O parlamentar afirmou ainda que, enquanto Rui tenta associar adversários ao Master, há fatos documentados envolvendo decisões tomadas pelo próprio governo petista da Bahia relacionadas ao CredCesta. Em janeiro de 2022, quando Rui ainda era governador, um decreto estadual restringiu a portabilidade de operações de crédito consignado vinculadas ao programa, então operado pelo Banco Master.

“Rui deveria ter muito cuidado antes de transformar o Master em seu principal assunto de campanha. Quando se começa a puxar esse fio, ele chega ao governo dele, ao Credcesta e aos seus próprios aliados. Parece que Rui está empenhado em lembrar diariamente aos baianos de uma história que pode ser muito mais desconfortável para o PT do que para os seus adversários”, afirmou.

O deputado ainda afirmou que os verdadeiros alvos do caso Master são companheiros de Rui Costa. Ele citou o senador Jaques Wagner, que teria recebido vantagens para beneficiar o banco e já foi alvo de operação da Polícia Federal. Além disso, o atual secretário do Meio Ambiente da Bahia, Eduardo Sodré, integrante da gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT), também foi alvo da PF na operação.

Robinho pontuou também que Rui sempre parte para o ataque toda vez que não consegue prestar contas dos seus atos nem sobre o desempenho de suas funções públicas.

“Para terminar, eu queria perguntar ao ex-ministro qual a obra estruturante durante o mandato do [Luiz] Inácio veio para a Bahia? Ele foi o chefe da Casa Civil, o ministério mais importante do Governo Federal, qual obra estruturante trouxe para a Bahia?”, questionou o parlamentar, ao citar, por exemplo, a promessa não cumprida de entregar uma nova ponte sobre o Rio Jequitinhonha.

Politica Livre

VLT inicia operação entre as Estações São Joaquim e Calçada

Novo trecho amplia ligação do Subúrbio com outras regiões de Salvador e facilita o acesso à Feira de São Joaquim

O Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Salvador e Região Metropolitana iniciou, nesta quarta-feira (16), a operação entre as Estações São Joaquim e Calçada. O novo trecho entrou em funcionamento após a conclusão das obras no Largo da Calçada e amplia a ligação do Subúrbio com outras regiões da cidade. Nesta etapa inicial, estão programadas três viagens pela manhã e três à tarde, com possibilidade de conexão, na Calçada, com o VLT que segue em direção à Parada Marisqueiras.
A operação começou de forma assistida e reduzida, com acompanhamento das equipes da Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB) para orientar os passageiros durante a adaptação ao novo modal. A chegada do VLT à Feira de São Joaquim também é acompanhada com expectativa por feirantes e comerciantes do entorno, que esperam maior movimentação e facilidade de acesso à região.

O trecho entre a Estação Calçada e a Parada Marisqueiras funciona de segunda a sexta-feira, das 6h30 às 16h, e aos sábados e domingos, das 9h às 12h. Desde o início do serviço foram registradas 130 mil passagens. A primeira viagem do novo trecho também contou com a participação de estudantes convidados da Escola Técnica de São Joaquim. Com a extensão do sistema, ele passa a operar em sete quilômetros e avança para a próxima etapa de expansão, que prevê a chegada ao Comércio. Atualmente, o VLT já chega até Itacaranha.
Repórter: Tácio Santos/GOVBA

Câmara Setorial do Cacau debate integração entre polos produtivos e fortalecimento do cooperativismo na Bahia

Encontro reuniu produtores, representantes do setor e gestores estaduais para definir caminhos para organização da cadeia 

O apoio do Estado da Bahia à integração entre a produção de cacau nas regiões Sul e Oeste do estado e à criação de uma cooperativa do setor foi discutido durante a Reunião da Câmara Setorial do Cacau. O encontro foi realizado nesta terça-feira (15), na sede da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), em Barreiras, e reuniu produtores, lideranças do setor, pesquisadores e gestores estaduais e federais para discutir os desafios e as perspectivas de expansão da cacauicultura baiana
O Estado da Bahia foi representado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri) e pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE). A parceria entre o Estado e o setor produtivo é fortalecida com a realização de ações voltadas ao enfrentamento da concorrência internacional, às oscilações de preços no mercado e à valorização da produção local.

Durante o encontro, a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) apresentou os programas desenvolvidos para apoio ao setor. Também foram elencadas medidas para a retomada da produção cacaueira no estado, que enfrenta desafios há cerca de 40 anos. Entre as propostas estão: a retomada das operações do Porto de Ilhéus para a exportação de cacau, a criação de uma cooperativa para fortalecer o setor e contribuir para a valorização do preço do produto, além da instalação de um galpão com capacidade para armazenar 30 mil sacas de cacau no Sul da Bahia.

A programação abordou ainda temas como a conjuntura econômica da cadeia do cacau e chocolate, políticas públicas, pesquisa, assistência técnica, crédito rural, segurança jurídica e desenvolvimento de novas áreas de produção. Visitas técnicas completaram a agenda.

Fonte: Ascom/Seagri e SDE

“Tenho 20 anos de vida limpa”, rebate Robinho após ataques do prefeito de Campo Alegre de Lourdes

Deputado contesta críticas sobre visitas de helicóptero ao município, defende histórico na vida pública e desafia adversários políticos para o embate.
O deputado Robinho (União Brasil) reagiu com veemência nesta terça-feira (15) aos questionamentos e ataques disparados contra ele por adversários políticos em Campo Alegre de Lourdes, município do Norte baiano administrado pelo prefeito Tadeu Dias (PT). Em manifestação divulgada após ser alvo de publicações que criticavam o uso de uma aeronave para visitar a zona rural da cidade, o parlamentar defendeu sua trajetória de duas décadas na política e afirmou que não recuará diante de pressões locais.

A polêmica ganhou força após páginas locais noticiarem a chegada de Robinho em um helicóptero no distrito de Angico dos Dias, questionando a regularidade de suas agendas no município e seu histórico de votação em 2022. O deputado rechaçou as insinuações e explicou que o deslocamento aéreo é um recurso logístico pontual diante da distância geográfica. “Eu fui de helicóptero aí já umas três vezes. Eu vou em Campo Alegre quatro vezes por ano. Certo? Vou nas comunidades rurais, visito as pessoas, converso, bato papo”, pontuou, sustentando que mantém presença contínua junto às famílias do campo.

Ao contra-atacar as declarações do grupo governista de Tadeu Dias, Robinho cobrou transparência sobre a gestão financeira do município e sustentou que sua vida pública é pautada pela retidão. “Se ele quiser ir pro embate comigo, eu tenho cinco mandatos, eu tenho vinte anos de vida pública, de vida limpa. Agora, se ele quiser ir pro embate comigo, que venha. Eu não vou me amedrontar não com ameaça”, disparou o parlamentar, que exerceu dois mandatos como prefeito de Nova Viçosa antes de chegar ao Legislativo.

Campanha de Robinho 4444 mobiliza apoiadores em Itagi e Itagibá

 Ato político na região contou com a presença de lideranças locais, pautando o debate sobre o desenvolvimento regional.

A caminhada do candidato a deputado federal Robinho (4444) tem gerado movimentação política nos municípios de Itagi e Itagibá com atos públicos na região.

O encontro político contou com a presença de autoridades e lideranças da região. Entre os participantes, estiveram o vice-governador Zé Cocá, o presidente da Câmara de Vereadores do município, Aleandro, e o vereador Alvaro Moreira.
A articulação política na região busca consolidar apoios e apresentar as propostas da candidatura para os municípios do interior baiano.

Juízas enviam flores e carta a Cármen Lúcia por crise no STF: 'A senhora não está sozinha' Por Karina Matias/Folhapress

Coletivos de juízas de tribunais de diferentes estados do país enviaram na manhã desta quarta (16) para a ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) Cármen Lúcia 12 buquês de flores e uma carta de apoio pela atuação da magistrada na sessão inédita da corte que avaliaria a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes no caso do Banco Master.

No texto, elas afirmam que a ministra "não está sozinha".

Última a votar, Cármen Lúcia pediu desculpas ao povo brasileiro e disse que estava em estado de "profunda consternação" e "tristeza" diante da crise no STF.

"Ouvimos ontem sua voz, sua tristeza, sua consternação. E ouvimos quando a senhora buscou em Clarice Lispector as palavras para traduzir um sentimento que talvez já não coubesse inteiramente nas palavras", afirma trecho da carta.

O texto é assinado por 12 coletivos: Antígona TJPR, Candangas TJDFT, Catarina TJSC, EsperançaR TJRO, Sankofa TJSP TRF3, Nísia Floresta TJMT, Paraibanas TJPB, Teia Trt15, Movimento Nacional pela Paridade no Judiciário, Comitê de Incentivo à Participação Feminina do TJGO, Grupo Maria Firmina TJMA e Cotovia TJRN

As juízas dizem que tiveram vontade de escrever a carta após ouvirem Cármen se questionar se poderia ter feito mais para a evitar a situação na corte.

"Há uma diferença imensa entre sentir responsabilidade e transformar esse sentimento em culpa. Talvez nós, mulheres, conheçamos particularmente bem esse lugar: o de, diante de uma ruptura que não produzimos sozinhas, procurarmos primeiro dentro de nós aquilo que poderíamos ter feito diferente. O de nos perguntarmos se faltou alguma palavra, algum gesto, alguma tentativa a mais", afirmam.

"Por isso, ministra, estas flores não chegam para lhe pedir explicações ou respostas. Chegam para lhe dizer, com carinho: não transforme em culpa pessoal a tristeza de quem ainda se importa profundamente", acrescentam.

Leia a íntegra da carta

"Hoje, estas flores chegam de diferentes Tribunais, trazidas por mulheres que quiseram lhe dizer uma coisa muito simples: a senhora não está sozinha.

Ouvimos ontem sua voz, sua tristeza, sua consternação. E ouvimos quando a senhora buscou em Clarice Lispector as palavras para traduzir um sentimento que talvez já não coubesse inteiramente nas palavras.

Foi à Clarice de Mineirinho que a senhora recorreu — justamente a Clarice que se inquieta diante da Justiça e que, ao olhar para a dor do outro, também olha para dentro de si:

'Eu não me perdi, mas experimentei a perdição.'

Talvez tenha sido justamente nesse instante, quando a Ministra recorreu à literatura para conseguir falar, que muitas de nós enxergamos mais claramente a mulher.

A mulher que existe antes da toga e para além dela.

A menina de Minas que cresceu ouvindo da mãe que, para chegar ao mesmo lugar que os homens, as mulheres precisariam trabalhar mais.

A filha que aprendeu com o pai o tamanho do compromisso de ser juíza.

A mulher que trabalhou, estudou, persistiu e chegou a um lugar que, antes dela, pouquíssimas mulheres haviam alcançado.

E talvez por conhecermos um pouco dessa história tenha nos tocado tanto ouvi-la pedir desculpas.

A senhora se perguntou se poderia ter feito mais. Se poderia ter ajudado mais. Se poderia ter contribuído para devolver serenidade a um momento tão difícil.

E foi então que sentimos vontade de lhe responder.

Há uma diferença imensa entre sentir responsabilidade e transformar esse sentimento em culpa.

Talvez nós, mulheres, conheçamos particularmente bem esse lugar: o de, diante de uma ruptura que não produzimos sozinhas, procurarmos primeiro dentro de nós aquilo que poderíamos ter feito diferente. O de nos perguntarmos se faltou alguma palavra, algum gesto, alguma tentativa a mais.

Por isso, ministra, estas flores não chegam para lhe pedir explicações ou respostas.

Chegam para lhe dizer, com carinho: não transforme em culpa pessoal a tristeza de quem ainda se importa profundamente.

Ontem, a senhora nos levou a Clarice.

E nós voltamos a ela procurando alguma coisa que pudéssemos lhe devolver.

Encontramos, em 'A Paixão Segundo G.H':

'Estou tão assustada que só poderei aceitar que me perdi se imaginar que alguém me está dando a mão.'

Talvez estas flores sejam exatamente isso.

Uma mão.

Na verdade, muitas.

Mãos de mulheres que também vestem toga.

Não nos cabe, nesta carta, falar de processos, votos ou divergências. Cabe-nos falar da mulher que, em meio a tudo isso, ainda se permitiu sentir.

Mulheres de diferentes cidades, diferentes tribunais, diferentes histórias, que reconheceram ontem não apenas a Ministra do Supremo Tribunal Federal, mas uma mulher profundamente tocada pelo peso do lugar que ocupa.

Mulheres que conhecem, cada uma à sua maneira, o peso de decidir. Que sabem o que é entrar em espaços onde, durante tanto tempo, quase todas as cadeiras foram ocupadas por homens. Que conhecem a cobrança de acertar, de resistir, de manter a serenidade e, tantas vezes, de parecer mais fortes do que realmente se sentem.

Hoje, porém, não queremos lhe pedir força.

A senhora já precisou ser forte muitas vezes.

Não queremos que procure mais uma vez dentro de si aquilo que poderia ter feito.

Talvez, por algumas horas, a senhora possa simplesmente deixar de ser a Ministra que precisa encontrar a palavra certa, a juíza que precisa solucionar, a mulher que sente que deveria ter conseguido fazer mais.

Pode simplesmente ser Cármen.

A filha de Anésia e Florival.

A menina de Minas.

A mulher que chegou tão longe e que, depois de tantos anos, ainda conserva algo que nenhuma toga deveria nos retirar: a capacidade de se importar, de se entristecer e de se comover.

Talvez tenha sido exatamente isso que vimos ontem.

Não uma confissão de culpa.

Humanidade.

E foi a essa humanidade que quisemos responder.

Clarice precisou imaginar que alguém lhe dava a mão para conseguir atravessar a experiência que narrava.

A senhora, ministra, não precisa imaginar.

Estamos aqui.

Por trás de cada uma destas flores existe uma mulher estendendo a mão.

E, se ontem a senhora experimentou a perdição, hoje queremos apenas lhe lembrar que não precisa atravessá-la em solidão.

Receba estas flores como aquilo que elas pretendem ser: presença.

E receba, junto delas, o carinho e o abraço de mulheres que, de diferentes lugares do Brasil, quiseram chegar um pouco mais perto da senhora hoje.

Com carinho, respeito e gratidão,"

Por Karina Matias/Folhapress

Lula tenta se afastar de STF e Moraes, e Flávio Bolsonaro busca carimbar crise no governo

O presidente Lula (PT), candidato à reeleição, buscou se descolar da crise de imagem do STF (Supremo Tribunal Federal) e de Alexandre de Moraes no dia da sessão inédita da corte para avaliar a abertura de investigação contra o ministro desgastado pelo escândalo do Banco Master.

Já o principal adversário do petista, o senador Flávio Bolsonaro (PL), reforçou a tentava de carimbar a crise do Supremo na figura de Lula e seu governo.

Em entrevista à Record nesta terça (15), Lula acusou o ministro André Mendonça, indicado ao STF por Jair Bolsonaro (PL), de vazamento seletivo nas investigações, mas buscou se dissociar do Judiciário dizendo que "a Suprema Corte precisa ser exemplo e não contribuir com a desconfiança da sociedade".

Lula disse que "quem fez tem que ser punido, julgado" e que "não há como o povo brasileiro ficar vendo uma Suprema Corte perder credibilidade na sociedade". "A instância máxima da Justiça brasileira precisa ser exemplo. Então que se apure com todo o rigor, abra-se o sigilo de telefone de todo mundo."

"Aquilo que o André Mendonça tinha guardado como segredo de Estado e só soltando o que interessava a ele, agora pode ser aberto para toda a sociedade saber quem tava metido nisso. [Saber] por que o [Dias] Toffoli não votou, por que que o Kassio [Nunes Marques] não votou, quem participou dessa trama do Vorcaro", disse Lula.

Aliados de Lula alimentavam a expectativa de que ele endurecesse o tom, embora sem ataques do petista contra Moraes. Ainda há pessoas no entorno do chefe de governo que defendem o ministro, mas a avaliação é a de que é necessário reduzir o desgaste do presidente da República.

Esses auxiliares de Lula manifestaram, sob reserva, contrariedade com a sessão do STF desta terça. Na avaliação de petistas, os ministros estavam mais interessados em preservar seus cargos em vez da instituição.

Questionado sobre o mal-estar com a crise no STF, o advogado Marco Aurélio Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo, disse que, apesar do reconhecimento pelo papel constitucional de Moraes em defesa da democracia após os ataques do 8 de Janeiro, isso não lhe dava direito de não se explicar.

"Reconheço o papel do ministro Alexandre de Moraes no cumprimento da obrigação constitucional da defesa da democracia. Mas isso não é um salvo-conduto."

Interlocutores de Lula lamentavam, sob reserva, a dificuldade de deixar claro que Moraes não foi indicado por Lula para o tribunal, mas por Michel Temer, a quem petistas chamam de golpistas. Eles estavam particularmente incomodados com a exploração que o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, faz da crise.

O candidato do PL busca aproveitar que o assunto está em alta no debate público para aumentar o desgaste de Lula.

Nesta terça, Flávio levou à televisão um programa eleitoral na TV em forma de pronunciamento, no qual diz estar interrompendo a campanha "diante da gravidade de tudo o que está acontecendo". O vídeo também foi reproduzido nas redes sociais. A peça busca colar a imagem de Lula à de Moraes.

"O atual governo criou um desequilíbrio institucional, decidiu governar ao lado de uma parte do Supremo Tribunal Federal que descumpriu a lei. Não é à toa que isso tudo está acontecendo, é porque o atual governo faz parte desse sistema que está apodrecido", afirmou Flávio.

"O atual presidente dividiu o seu poder com Alexandre de Moraes, e no fim o Brasil ficou sem presidente nenhum. Sem comando", declarou o candidato a presidente.

Flávio é investigado no caso Master. De acordo com uma mensagem de celular encontrada pela PF, ele pediu dinheiro a Daniel Vorcaro para concluir o filme "Dark Horse", sobre seu pai, Jair Bolsonaro.

Outros candidatos

O candidato do PSD, Ronaldo Caiado, disse nesta terça que há uma "degradação moral completa" no país e que o STF está em fase procrastinatória, ou seja, adiando a análise do mérito. Ele defendeu que Moraes seja investigado e criticou o que chamou de inação do Legislativo.

"A Câmara e o Senado se calam diante de uma situação como essa, é um momento em que você vê a irresponsabilidade e a imoralidade alcançando a vida política e jurídica, e levando à deterioração da democracia brasileira", declarou ele em Aparecida de Goiânia (GO).

Romeu Zema (Novo) promoveu um ato na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, contra Moraes e o STF. Ele defendeu o impeachment de ministros do Supremo. "Nós vamos ter um inquérito aberto contra um ministro do Supremo. Espero que seja apenas o primeiro, porque sabemos que tem mais frutas podres. E espero que um queira investigar o outro, estamos vendo que a podridão está aflorando", disse Zema.

Candidato do Missão, Renan Santos fez uma live após o fim da sessão no qual apareceu comendo pizza para ironizar o pedido de vista feito por Flávio Dino. Ele criticou Kassio Nunes Marques por ter deixado a sessão após se declarar impedido e disse que o ministro é "fruto da fraqueza de Jair Bolsonaro" por não ter indicado um nome "forte e independente" que poderia ter enquadrado Moraes.

"Não está tendo debate presidencial, porque esse foi o debate presidencial", disse. "Flávio e Lula não estão indo aos debates porque os representantes deles estavam fazendo um debate", acrescentou.

Augusto Cury (Avante), após conversar com eleitores na avenida Paulista, em São Paulo, cobrou agilidade, transparência e discrição dos ministros. "Não adiem esse julgamento, porque se vocês o fizerem, vocês não vão dar condições para os eleitores analisarem em quem vão votar no dia 4 de outubro", disse ele.

Por Catia Seabra , Caio Spechoto , Mariana Brasil e Juliana Arreguy/Fohapress

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