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TSE avalia que governo Lula errou ao barrar entrada de funcionários de Trump---Por Redação
Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) avaliam que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) errou ao negar vistos para dois funcionários do governo dos Estados Unidos que pretendiam visitar o Brasil para tratar de liberdade de expressão e eleições. Segundo integrantes da Corte ouvidos reservadamente, a decisão teria sido diplomaticamente ruim e contribuído para aumentar as tensões entre o Palácio do Planalto e a Casa Branca. A informação é do jornal O Globo.
Os funcionários Riley M. Barnes e Samuel D. Samson, do Departamento de Estado americano, seriam enviados ao Brasil para discutir a integridade das urnas eletrônicas. O Itamaraty, porém, afirma que os vistos foram recusados antes de a imprensa americana divulgar a missão e sustenta que havia informações de que o objetivo seria disseminar desinformação sobre o sistema eleitoral brasileiro e provocar instabilidade institucional.
O episódio ocorre às vésperas das eleições de 2026 e em meio à preparação de um novo encontro do TSE com embaixadores, marcado para agosto, para explicar o funcionamento das urnas. A Corte avalia que o diálogo poderia ser uma alternativa para esclarecer eventuais dúvidas dos representantes americanos, enquanto o governo Lula defende que a decisão de barrar os funcionários foi necessária para proteger o sistema eleitoral brasileiro.
PF aponta 74 ligações entre Jaques Wagner e ex-sócio do Banco Master Por Redação 31/07/2026 às 08:35
A Polícia Federal identificou 74 ligações telefônicas entre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master e um dos investigados na Operação Compliance Zero. Segundo relatório que embasou a operação, os dois conversaram por cerca de cinco horas e meia entre novembro de 2023 e maio de 2025, com registros de contatos frequentes e, em alguns casos, várias chamadas no mesmo dia. A reportagem é do Estadão.
Os documentos indicam ainda que a PF passou a monitorar movimentações relacionadas ao senador após suspeitas de vazamento da operação. A investigação apura possíveis pagamentos de propina envolvendo o Banco Master e Wagner, incluindo a suposta aquisição de um apartamento de R$ 2,5 milhões por meio de um esquema que teria semelhanças com a compra de imóveis atribuída a outro investigado, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa.
A PF também aponta que o banqueiro Daniel Vorcaro teria se encontrado com Wagner no Senado, disponibilizado um avião para o senador e mencionado, em conversa, que Wagner poderia atuar como intermediário para transmitir recados ao presidente Lula. A defesa do senador ainda não havia se manifestado sobre as novas informações. Quando a operação foi deflagrada, Wagner negou ter atuado em favor do banqueiro.
Por Redação Politica Livre 31/07/2026 às 08:35
PF pede para investigar Lulinha sob suspeita de tráfico de influência e cita gabinete presidencial
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| Foto: Reprodução/Arquivo |
A Polícia Federal pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) a abertura de um inquérito para investigar suspeitas envolvendo o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula (PT).
A solicitação feita na última sexta-feira (24) foi distribuída nesta quarta-feira (29) ao ministro André Mendonça, que vai decidir se abre o procedimento.
De acordo com informações obtidas pela Folha, os investigadores querem apurar os crimes de corrupção e tráfico de influência na autorização da comercialização de cannabis medicinal, em programas ligados ao Ministério da Saúde.
Lulinha tem atuação no ramo em parceria com a empresária Roberta Luchsinger, sua amiga, e o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.
O pedido de abertura de inquérito também cita contatos entre os alvos e servidores, inclusive do gabinete de Lula. A suspeita é de que o tráfico de influência tenha sido exercido junto ao Ministério da Saúde e ao gabinete da Presidência, de acordo com informações da PF.
Segundo os investigadores, há suspeita de que Lulinha tenha atuado com Roberta no mercado de canabidiol a favor da empresa World Cannabis, ligada ao Careca do INSS.
Advogados de Lulinha, Luchsinger e Antunes foram procurados na tarde desta quinta-feira (30) para comentar o pedido da PF, mas não responderam até a publicação desta reportagem. O Palácio do Planalto também foi procurado, mas ainda não se manifestou.
Nos últimos meses, os citados vêm negando irregularidades em sua atuação no ramo da cannabis medicinal.
Os advogados de Lulinha afirmaram anteriormente que o filho do presidente não participou de negociações, não investiu trabalho ou valores "e tampouco recebeu convite para associação, participação ou compra de cotas" no projeto comercial da World Cannabis.
Em março, a defesa de Lulinha admitiu que ele teve despesas pagas pelo Careca do INSS em uma viagem para Portugal em 2024.
Roberta Luchsinger disse que prestou uma consultoria para o Careca do INSS na área de canabidiol e que apresentou o lobista a Lulinha em um "contexto social". Disse ainda que seu contrato não previa a comercialização de nenhuma substância.
O Careca do INSS está preso desde setembro de 2025. Em depoimento à CPI do INSS no ano passado, ele disse ser um empresário cuja prosperidade é "fruto de trabalho honesto e dedicado" e que não possui "patrimônio oriundo de roubo ou de qualquer prática ilícita".
O documento enviado pela PF ao Supremo afirma que teriam sido identificados pagamentos do lobista para a RL Consultoria, de Roberta Luchsinger. A investigação tentará esclarecer se houve o pagamento para agentes públicos.
Os investigadores pedem à corte a autorização do compartilhamento de provas colhidas na Operação Sem Desconto, que mira uma quadrilha responsável por desvios no INSS e que tem Careca como um dos alvos.
O pedido de investigação foi enviado ao STF na última sexta, durante o recesso do Judiciário. A PF remeteu o caso à presidência do Supremo por considerar que os fatos não são relacionados à Operação Sem Desconto, que envolve fraudes no INSS e que está sob relatoria de Mendonça.
O caso foi analisado por Alexandre de Moraes, que substituía Edson Fachin na presidência da corte em regime de plantão.
No mesmo dia, o ministro pediu um parecer da PGR (Procuradoria-Geral da República), que afirmou que as quebras de sigilo apresentadas pelos investigadores "revelaram a prática de crime" sem relação com a Operação Sem Desconto, opinando pelo sorteio de um novo relator para o caso. O escolhido foi André Mendonça.
No fim do ano passado, Lula chegou a afirmar que o filho deveria ser investigado se houvesse envolvimento dele em irregularidades.
"Ninguém ficará livre. Se tiver filho meu metido nisso será investigado. Se tiver o [ministro da Fazenda Fernando] Haddad, vai ser investigado, o [ministro-chefe da Casa Civil] Rui Costa com essa seriedade, vai ser investigado", afirmou.
Por Constança Rezende, Folhapress
Presidente do partido, Marcos Pereira, não convidou candidato do PL
A presença de Flávio Bolsonaro (PL) na convenção de Tarcísio de Freitas, no próximo sábado (1º), gerou mal-estar com o Republicanos, partido do governador.
Presidente nacional da legenda, Marcos Pereira não convidou o candidato presidencial para o evento.
Aliados do dirigente dizem que o clima entre Republicanos e PL está ruim há muito tempo, por uma série de fatores. Um exemplo são as sucessivas tentativas do PL de filiar o governador nos últimos anos.
Também são lembradas as críticas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) ao Republicanos, que chegou a chamá-lo de partido de esquerda.
Há contrariedade ainda com o fato de Flávio buscar uma coligação com o partido, mas tentar emplacar na vaga a ex-presidente da Caixa Daniella Marques, que é recém-filiada à legenda.
Por fim, existe a avaliação de que a sucessão de crises na campanha presidencial pode respingar no governador.
Apesar da resistência do comando do Republicanos, a previsão inicial é de que Flávio esteja na convenção, por pedido do próprio Tarcísio, que publicamente vem fazendo gestos de apoio ao senador do PL.
Por Fábio Zanini/Carlos Petrocilo/Folhapress
Lula reclama de corporativismo de juízes e procuradores e prega reforma de instituições
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| Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil |
O presidente Lula (PT) criticou nesta quarta-feira (29) o corporativismo de juízes e procuradores e afirmou que é necessária uma reforma das instituições. Ele deu as declarações durante a cerimônia de sanção de projetos destinados à defesa das mulheres, em Brasília. |
Lula mencionou especificamente o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e o CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), órgãos criados em seu primeiro governo para fiscalizar o Judiciário e o Ministério Público.
"Quando nós criamos o Conselho Nacional de Justiça, eu imaginei que a gente estava fazendo uma revolução. A verdade é que a gente fez muito pouco, porque ficou uma corporação tomando conta da corporação. Quando a gente criou o Conselho Nacional do Ministério Público, também. Eu achei que a gente estava fazendo uma revolução e a gente estava criando uma coisa mais poderosa para dar mais força à corporação", declarou o petista.
Lula concorrerá à reeleição neste ano. Seu partido tem defendido uma reforma do Judiciário. As propostas têm como pano de fundo o desgaste na imagem da Justiça causado pelo caso do Banco Master.
Os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, que estava presente na solenidade onde Lula discursou nesta quarta, foram citados, de formas diferentes no escândalo. O CNJ não tem poder sobre o STF.
Moraes foi criticado no caso Master porque sua mulher, Viviane Barci, lidera um escritório de advocacia que recebeu R$ 80 milhões do Master em dois anos; e Dias Toffoli foi sócio, por meio de uma empresa familiar, de um fundo de investimentos ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que era dono do Master.
No início do ano, quando as acusações contra Moraes e Toffoli estavam mais presentes no debate público, a cúpula do governo notou uma contaminação da própria popularidade pelo desgaste do STF. O motivo, na análise feita à época, era que a proximidade entre o petista e o Judiciário fazia com que ele também arcasse com os prejuízos de imagem.
Nesta quarta, o presidente da República defendeu uma reforma nas instituições, incluindo o próprio Poder Executivo como passível de mudanças.
"Vamos ter que fazer novas reformas em todas as instituições para que a gente possa conseguir o tipo de sociedade que nós todos queremos ter. E a gente vai ter que mudar. A gente vai ter que mudar o comportamento do Congresso Nacional, o comportamento do Poder Judiciário, o comportamento do Executivo, o comportamento da polícia", declarou o petista.
A reforma do Judiciário já foi defendida em público pelo presidente do PT, Edinho Silva. "Fulanizar é muito fácil. As pessoas são falíveis. O importante é você ter instituições fortes", disse ele em abril.
Outro líder petista que tocou no assunto neste ano foi o ex-ministro José Dirceu, um dos nomes mais influentes do partido. Ele disse, em entrevista à Folha, que o Supremo precisa de reformas porque "o rei está nu".
Lula será oficialmente escolhido pelo PT como candidato a presidente no domingo (2), em convenção que será realizada em São Paulo.
Pesquisa Datafolha divulgada na última semana mostra o petista com 48% das intenções de voto para o segundo turno, contra 43% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário na eleição.
Por Caio Spechoto, Folhapress
Dino intima Congresso e questiona como parlamentares serão punidos por desvios nas emendas
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), intimou o governo e o Congresso a especificarem como deputados e senadores podem ser punidos em caso de irregularidades na destinação de emendas parlamentares. O despacho foi proferido nesta quarta-feira, 29, em nova ação movida pela Rede Sustentabilidade que defende o aumento da responsabilização dos parlamentares na execução dos repasses.
O prazo fixado pelo ministro é de dez dias, mas vence somente em 19 de agosto devido ao recesso do Judiciário. O Executivo, a Câmara dos Deputados e o Senado deverão apresentar qual é a atuação de cada agente em todas as etapas do ciclo da despesa, informando de que forma o parlamentar autor da emenda pode ser responsabilizado.
Na ação, a legenda sustenta que os parlamentares passaram a ter maior poder na destinação dos recursos públicos sem se submeter ao mesmo regime de controle que incide sobre os agentes públicos ordenadores de despesas.
Ou seja, segundo o partido, deputados e senadores têm o "bônus" de indicar as emendas sem o "ônus" de prestar contas. No caso de crimes de improbidade administrativa no Executivo, os ordenadores de despesas podem ser condenados à inelegibilidade e ter seus direitos políticos suspensos.
No despacho, Dino disse considerar "contraditório" que o parlamentar permaneça "imune aos mecanismos de controle quando sua própria atuação interfere diretamente na destinação e execução dessas verbas".
"Aquele que exerce poder sobre o ciclo da despesa não pode invocar independência ou prerrogativa do mandato parlamentar para se afastar dos mecanismos constitucionais e legais de controle", destacou.
O ministro ainda frisou que o Tribunal de Contas da União (TCU) é o responsável por julgar, no caso de recursos federais, as contas daqueles que geram prejuízo ao erário público. "Extrai-se de tal dispositivo que o dever de prestar contas recai sobre todos aqueles que, de algum modo, administram ou assumem responsabilidade pela gestão e aplicação de recursos públicos", acrescentou.
Rede quer equivalência entre parlamentares e ordenadores de despesas
No processo movido no Supremo, a Rede pede que a Corte reconheça que o parlamentar que indica emendas parlamentares impositivas exerce atribuição equivalente à do ordenador de despesas, submetendo-se aos mesmos deveres de transparência, motivação, declaração de inexistência de conflito de interesses e prestação de contas.
Também pede a suspensão da destinação de recursos a entidades privadas indicadas por parlamentares sem a prévia observância dos procedimentos públicos de seleção, como a licitação.
Por Lavínia Kaucz, Folhapress
Dificuldade para obter dados sobre honorários da AGU gera reclamação até no governo
Integrantes do alto escalão do governo federal têm se queixado da dificuldade para ter acesso aos dados sobre os honorários de sucumbência distribuídos às carreiras jurídicas do Executivo.
Segundo um servidor graduado que acompanha a área, as informações são uma "caixa preta".
Como mostrou o Painel, a AGU (Advocacia Geral da União), responsável pelas carreiras jurídicas do Executivo, vem resistindo à tentativa de dar transparência aos dados. O órgão enviou pedido à Controladoria-Geral da União (CGU) pedindo para que seja negado acesso feito pela ONG Transparência Brasil.
Os honorários de sucumbência da AGU foram criados em 2016 e implementados em 2017 como uma espécie de bônus pago aos servidores da área jurídica do Executivo pela atuação na defesa dos interesses do governo federal. Eles beneficiam advogados da União e procuradores da PGF (Procuradoria-Geral Federal), da PGFN (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional) e do Banco Central.
O repasse é feito pelo CCHA (Conselho Curador dos Honorários Advocatícios), entidade de natureza privada gerida por representantes das próprias carreiras beneficiadas.
De acordo com o integrante do governo, os dados são enviados à CGU e ao Ministério da Gestão sem atender a critérios adequados de transparência.
Membros da AGU receberam R$ 6,1 bilhões em honorários de sucumbência em 2025, um recorde.
Por Fábio Zanini/Folhapress
Lula e Xi falam por telefone e concordam em acelerar tratativa de acordo China-Mercosul, diz Planalto
A necessidade de acelerar o início das tratativas de um acordo entre o Mercosul e a China foi um dos principais assuntos tratados no telefonema que ocorreu neste domingo (26) entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder do regime chinês Xi Jinping.
Segundo relato do Planalto, os líderes concordaram que era necessário acelerar o início da negociação, com "as flexibilidades necessárias". A publicação da mídia estatal chinesa não tratou do tema.
A conversa durou mais de uma hora e partiu do lado brasileiro.
O telefonema acontece cerca de quatro dias após o início da nova tarifa imposta pelos Estados Unidos ao Brasil, criando uma alíquota adicional de 25% sobre cerca de 3.000 produtos brasileiros. A decisão do governo de Donald Trump foi tomada a partir de uma investigação da Seção 301, feita pelo USTR (Escritório do Representante do Comércio dos EUA), que examina práticas comerciais consideradas injustas.
As informações divulgadas pelo Planalto e pela mídia estatal chinesa não afirmam se o novo tarifaço foi ou não tratado no telefonema. Ao mesmo tempo, Xi declarou que apoia o Brasil "na defesa de sua soberania e independência, na oposição à interferência externa e na contribuição para a manutenção da paz e da estabilidade regional e mundial".
A fala faz eco ao posicionamento da chancelaria chinesa feito após o estabelecimento das tarifas. Na ocasião, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, declarou que "as guerras tarifárias não têm vencedores e não servem aos interesses de ninguém".
"A China está pronta para trabalhar com o Brasil e outros países para defender o regime multilateral de comércio, que tem a OMC como pilar central, e para promover a equidade e a justiça internacionais", disse.
Xi e Lula também trataram do fortalecimento do Brics, com o líder chinês afirmando que a cooperação entre os membros do bloco auxilia a "manter o ímpeto da unidade, alcançar mais resultados e escrever um novo capítulo de solidariedade e autossuficiência para o Sul Global", segundo Pequim.
Ao enumerar o que faz de 2026 um ano particular para os dois países, Xi citou o 105º aniversário de fundação do Partido Comunista Chinês, o início ciclo de metas de cinco anos que organiza o planejamento econômico do país asiático, e o fato de que o Brasil terá pela frente uma agenda política doméstica decisiva –não nomeou, porém, a eleição presidencial de outubro.
Foi nesse enquadramento que o líder chinês afirmou estar disposto a reforçar a coordenação estratégica com o Brasil tanto no plano bilateral quanto no multilateral, e disse que Pequim dá alto valor à posição e à influência internacionais do país.
A nota do Planalto é mais específica sobre o conteúdo bilateral. Segundo o texto, os dois reiteraram o propósito de ampliar a cooperação em áreas estratégicas e de alta tecnologia, entre elas inteligência artificial, satélites, beneficiamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes.
O presidente brasileiro ressaltou que seu governo "segue comprometido com a diversificação de mercados e parceiros comerciais", diz o documento, no trecho em que o documento aproxima a conversa do impasse com Washington.
Os dois também destacaram os resultados do comércio bilateral, o efeito das jornadas culturais em curso neste ano nos dois países, como o ano cultural Brasil-China, e o acordo de isenção de vistos de curta duração, que segundo o Planalto deve ampliar o fluxo de turistas e as oportunidades de negócio.
Os líderes também discutiram a proliferação de conflitos no mundo e seus efeitos sobre a segurança alimentar e energética global, além das perdas humanas e materiais.
Sobre o Oriente Médio, concordaram que as restrições à livre navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb têm efeitos negativos sobre a economia mundial, e expressaram ainda preocupação com a continuidade da situação humanitária em Gaza.
Quanto à Ucrânia, apontaram o Grupo de Amigos da Paz, iniciativa lançada por Brasil e China, como caminho possível para a retomada das negociações.
Os dois líderes criticaram a incapacidade do Conselho de Segurança das ONU (Organização das Nações Unidas) de responder a essas crises e observaram que o próximo secretário-geral da organização enfrentará um cenário desafiador.
Ao fim, segundo a mídia estatal chinesa, Xi ampliou o quadro. Disse que China e Brasil, como membros importantes do Sul Global, devem se posicionar firmemente do lado certo da história e do lado do progresso da civilização, e ter papel construtivo maior na reforma do sistema de governança global.
Por Victoria Damasceno/Folhapress
Kassab critica ofensa de Milei a Moraes diz que argentino deveria ser mais comedido
Gilberto Kassab ao lado de Ronaldo Caiado na convenção nacional do PSD
Presidente do PSD e candidato a vice-presidente, Gilberto Kassab criticou os ataques de Javier Milei ao ministro Alexandre de Moraes (STF) na convenção do PL, que foi chamado pelo argentino de "careca lixo".
"Eu acho que ele [Milei], como presidente da República, deveria ter um pouquinho mais de comedimento", disse Kassab ao Painel durante convenção que lançou Ronaldo Caiado (PSD) à Presidência, neste domingo (26), em São Paulo.
Kassab ressalvou, no entanto, que Milei tem o direito de vir ao Brasil para fazer campanha. No evento, o líder argentino fez duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defendeu a eleição de Flávio Bolsonaro (PL).
O dirigente disse ainda que apenas Caiado tem se preocupado em discutir propostas, ao contrário de Lula e Flávio.
"Esse é o diferencial na candidatura do Caiado, nós realmente estamos concentrados em apresentar para o Brasil um bom candidato, com propostas, história, credibilidade", declarou.
Por Fábio Zanini, Folhapress
Flávio lança candidatura ao Planalto e mira memória de Jair Bolsonaro em fala ao lado de Milei e Tarcísio
O PL oficializou a escolha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o filho 01 de Jair Bolsonaro (PL), como candidato à Presidência da República em uma convenção verde-amarela no Pacaembu, em São Paulo, neste sábado (25).
O discurso de Flávio foi em grande parte dedicado a menções ao pai, com referências a si próprio como "o filho mais velho do capitão".
No telão, foi transmitida uma reprodução de inteligência artificial do ex-presidente, com um recado de apoio ao filho. "Peço que vocês recebam de braços abertos a pessoa que escolhi para me substituir, sangue do meu sangue, meu filho Flávio", disse o Bolsonaro de conteúdo sintético.
O senador chorou ao começar a falar do ex-presidente, ao mesmo tempo que a produção do evento colocou uma música triste para tocar.
Flávio disse que o pai é perseguido, injustiçado e vítima "da maior farsa" da história do país. "Faço questão de dizer a cada um de vocês que sei exatamente o tamanho da responsabilidade que meu nome carrega, o filho mais velho do capitão, o homem que defendeu a liberdade com a própria vida."
O presidenciável do PL disse que, se Lula for reeleito, o Brasil vai caminhar para a ditadura. "Imagina ele indicando [ao STF] mais quatro Alexandres de Moraes para onde o Brasil vai?", questionou. Defendeu também que os "poderes voltem a respeitar a Constituição e sejam independentes e harmônicos entre si".
Flávio resumiu suas propostas ao dizer que filhos devem ser "estudantes e não militantes", que o agro deve ser "respeitado e não endividado" e que o salário vai voltar a durar até o fim do mês. Também defendeu castração química para estupradores de crianças e que fiquem mais tempo presos os que "enfiam o cacete em mulher".
Também foi transmitido no telão um recado de Binyamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, que afirmou que Flávio é um grande defensor do Brasil. "Você é um campeão da amizade entre nossos povos (...) Eu sei que você conduzirá o Brasil a patamares cada vez mais elevados", disse.
No palco, Flávio, que tenta diminuir a rejeição das mulheres à sua candidatura, se cercou de figuras femininas: sua mãe, Rogéria; sua mulher, Fernanda, que deve ganhar protagonismo na campanha; e sua aliada e nome preferido para a vice, Daniella Marques (Republicanos). "Você é muito mais que só meu pilar, você é minha coluna vertebral", afirmou à mulher.
O presidente da Argentina, Javier Milei, veio ao Brasil especialmente para a convenção, que teve também a participação do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e do coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), além de uma série de congressistas e candidatos do PL.
Milei chamou o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes de "lixo" por não ter autorizado que ele visitasse Bolsonaro. Também exaltou a liberdade, criticou o socialismo e disse a Flávio que se prepare para uma grande batalha.
Apesar da festa, os sinais de isolamento de Flávio ficaram evidentes no evento, que não teve a presença de nenhum presidente nacional de outros partidos. O PL quer repetir a coligação de Bolsonaro em 2022 com a federação União Brasil-PP e o Republicanos, mas as legendas indicam preferir a neutralidade desta vez.
A falta de uma coligação deixou Flávio sem um candidato a vice a ser apresentado em sua convenção —a expectativa era de que partidos aliados indicassem um nome, de preferência uma mulher. A campanha quer bater o martelo até 5 de agosto, prazo final das convenções.
Em seu discurso, Tarcísio, que foi preterido por Bolsonaro para o Planalto, disse que "Flávio está aqui não pelo sobrenome". Afirmou ainda que a esperança está com Flávio, "uma pessoa que vai honrar o pai e o legado" e será "o maior presidente da história".
Tarcísio criticou o PT e disse que "São Paulo prospera porque nunca foi governado pela esquerda". Ele pediu ao público que busque votos e convença os indecisos: "não tem espaço mais para o cansaço, a gente não pode mais se poupar, são 70 dias de trabalho e sacrifício".
Estavam no palco ainda o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e candidatos a governador pelo PL, como Sergio Moro (PR), e ao Senado, como André do Prado (SP). O evento começou com o hino nacional e 22 segundos de silêncio em alusão à suposta tentativa de calar a direita no Brasil, nas palavras do cerimonialista.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) participou por meio de um recado em vídeo. Ela afirmou que não pode estar no evento por estar em casa cuidando do "seu galego". Seu discurso foi voltado para a importância da participação das mulheres na política, assim como o desenvolvimento do PL Mulher, do qual ela deixou a presidência em meio ao conflito público com o enteado.
Michelle não elogiou Flávio diretamente, mas pediu "que Deus abençoe e proteja" sua candidatura e desejou força para a família dele para cumprir a missão "com a lealdade que nosso povo merece". "Quando mulheres e homens de bens se unem para fazer o que é certo nenhuma dificuldade é maior que nossa coragem."
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL), que disse não ter conseguido comparecer ao evento por não ter conseguido decolar devido ao mau tempo, também enviou um recado de vídeo apoiando Flávio.
O evento ocorreu num centro de convenções no interior do estádio do Pacaembu, na região central de São Paulo, com a presença de milhares de apoiadores vestidos de verde e amarelo. Havia algumas pessoas com roupas ou bandeiras que faziam referência a Israel, aos Estados Unidos e ao presidente americano Donald Trump. Nas bandeiras, aparecia o slogan "Vem com fé que o Brasil vai prosperar", numa alusão ao jingle da campanha de Flávio.
Havia também bonecos de papelão do ex-presidente Bolsonaro, de Flávio, do candidato do PL ao Senado por SP, deputado André do Prado (PL), e de Michelle, com quem o candidato à Presidência trocou gestos de reconciliação há dois dias.
Em meio ao discurso de Flávio, cerca de duas horas após o início do evento, grupos de apoiadores começaram a deixar o centro de convenções, que foi ganhando espaços vazios.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que mora nos EUA alegando ser perseguido, enviou um recado em vídeo, em tom mais radical. Disse que "vai ser todo dia estressante" e que tem gente da direita que acredita "que a gente tenha feito um acordo com o sistema".
Ele afirmou que a missão do irmão é "combater essa corja do Foro de São Paulo" e "soltar Bolsonaro e os presos do 8 de Janeiro", fazendo a onda azul da América Latina chegar ao Brasil.
Pré-candidato ao Senado em Santa Catarina, Carlos Bolsonaro (PL) também participou por vídeo. "Como qualquer família, tivemos momentos de concordância e divergência", disse em um discurso que fez o irmão chorar.
Carlos disse que foi seu pai quem "abriu os olhos das pessoas para a força do sistema e o que ele faz contra quem se levanta contra ele".
Rogério Marinho afirmou em seu discurso que, "mais do que nunca", é preciso "radicalizar". "Somos acusados de radicais porque defendemos o direito de propriedade, porque radicalizamos a defesa dos valores que inspiram a sociedade brasileira."
Disse, também, que o grupo será o porta-voz da mensagem de Bolsonaro e que a "grande responsabilidade" assumida por Flávio será compartilhada por todos, para que o "fardo" se torne mais leve. "Tentaram calar Bolsonaro, mas nós seremos a sua voz."
Em sua fala, André do Prado procurou Flávio e o deputado federal Guilherme Derrite (PP), que também disputa o Senado em SP, para darem as mãos.
Pupilo de Valdemar que vem buscando validação no meio bolsonarista, André afirmou que "ninguém está acima da lei" e, em referência ao Judiciário, disse que "se cometeu crime de responsabilidade tem que arcar com as consequências". A direita bolsonarista tem a expectativa de fazer uma grande bancada no Senado para pautar o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.
Na véspera da convenção, o Datafolha mostrou um cenário de estabilidade na intenção de votos, com Lula (PT) à frente, marcando 48% num eventual segundo turno contra Flávio, que tem 43%.
A convenção partidária é o ato formal em que partidos e federações se reúnem para escolher os candidatos que disputarão os cargos em outubro. Os candidatos escolhidos têm que ser registrados na Justiça Eleitoral até 15 de agosto, e a campanha começa oficialmente no dia seguinte.
Por Ana Luiza Albuquerque e Carolina Linhares, Folhapress
Trump tenta enviar assessores ao Brasil para questionar eleições, mas Itamaraty nega vistos
O governo Lula e o Itamaraty ligaram o alerta, temendo a instrumentalização da viagem
O Itamaraty negou o visto a dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos que viajariam ao Brasil nos próximos dias.
Segundo revelou o The Washington Post neste sábado (25), o presidente americano, Donald Trump, planejava mandar os auxiliares para lançar dúvidas sobre a integridade e a transparência do processo eleitoral brasileiro, segundo quatro funcionários americanos e brasileiros ouvidos pelo jornal.
À Folha, integrantes do corpo diplomático brasileiro afirmaram que a decisão de negar o visto foi tomada após detectarem uma possível ligação entre o ataque às urnas promovido pelo pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) e o governo Donald Trump.
Os vistos foram solicitados no dia 20 de julho pelo secretário-assistente Riley M. Barnes e o subsecretário-assistente Samuel Samson. A divulgação de informação falsa sobre as urnas por Flávio ocorreu no dia 21, e a negativa do Itamaraty foi na sexta-feira (24).
A intenção dos funcionários do governo americano era chegar ao Brasil semanas antes do primeiro turno, que acontecerá no dia 4 de outubro. O governo Lula e o Itamaraty ligaram o alerta, temendo a instrumentalização da viagem.
A avaliação é que quando Flávio Bolsonaro repetiu uma informação falsa citando a CIA (sigla para Agência Central de Inteligência dos EUA), estava preparando seu discurso para caso de derrota na eleição. Isso poderia fomentar uma tentativa de intervenção.
Durante uma conversa com embaixadores na segunda-feira, Flávio afirmou: "Há poucos dias, por coincidência, há uma denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na Venezuela. [...] Muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma... Têm a mesma origem dessa empresa venezuelana".
Na convenção estadual do PT, neste sábado (25), Lula disse: "Quem de fora quiser vir se meter nas eleições brasileiras, já vou avisando logo, vai apanhar muito nas eleições".
"É uma manobra completamente incompatível com a democracia brasileira", disse uma autoridade ao Washington Post, que falou sob condição de anonimato porque não estava autorizada a dar entrevista.
O Departamento de Estado confirmou, em comunicado, que a viagem ao Brasil está na agenda de Barnes e Samson, mas não deu detalhes sobre o motivo da visita.
Nem Barnes nem Samson responderam à reportagem do Post solicitando comentários.
Esta é a segunda vez que o Itamaraty nega vistos a funcionários dos EUA neste ano. Em março, o governo Lula proibiu a entrada no país de Darren Beattie, conselheiro de Trump para o Brasil. À época, Beattie pediu para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão, mas o pedido foi negado. Integrantes do governo viram uma tentativa de tumultuar o processo pré-eleitoral no Brasil.
Além disso, segundo próprio presidente Lula disse à época, o cancelamento do visto de Beattie era uma resposta ao cancelamento do visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
"Aquele cara americano [Darren Beattie] que disse que vinha para cá para visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar [Bolsonaro] e eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar o visto do meu ministro da Saúde, que está bloqueado", disse Lula na época.
Riley M. Barnes, natural de Uvalde, Texas, é cientista político pela Universidade de Washington, e Lee é mestre em relações internacionais pela Escola Bush de Serviço Público e Governança do Texas.
Barnes ocupa o cargo de secretário-assistente de Estado para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL, na sigla em inglês). Foi designado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, em fevereiro deste ano, para atuar também como coordenador especial do governo americano no Tibet. Em abril, o secretário delegou a ele as atribuições de embaixador itinerante para a Liberdade Religiosa Internaciona, além de ter sido indicado para presidir a agência Corpos da Paz.
Já Samuel D. Samson, natural de Boston, Massachusetts, diz ser um "texano orgulhoso". Nomeado para o cargo de subsecretário-assistente do DRL, sua função inclui a proteção de direitos naturais e o desenvolvimento de políticas para preservar a herança das sociedades ocidentais, incluindo os Estados Unidos, de acordo com sua biografia na página do Departamento de Estado.
Ele é autor de textos que falam sobre a importância de "preservar civilizações ocidentais", formar parcerias entre os Estados Unidos e países da Europa e o "combate a governos que transformam instituições políticas em armas contra seus próprios cidadãos e nossa herança em comum". Samson afirma que a "Europa se transformou em um foco de censura digital, migração em massa, restrições à liberdade religiosa e inúmeros ataques à autogovernança democrática".
A sua agenda global inclui visitar países, sobretudo do continente africano, em defesa da "América em primeiro lugar", principal bandeira de Trump a seus apoiadores.
Por Augusto Tenório e Ana Bottallo, Folhapress
Renan Santos denuncia cantora à PF por fala interpretada como incitação à violência
A campanha do candidato Renan Santos (Missão) acionou a Polícia Federal (PF) por uma suposta incitação à violência. A denúncia trata de manifestação da cantora Sophia Chablau em palco de casa de shows na cidade de São Paulo (SP) na última quarta-feira, 22.
"A gente vê um vice-candidato à Presidência [Renan é candidato a presidente] que não deveria ser nem síndico de prédio, tocando nas mesmas casas de show independentes que a gente luta, e que a gente faz questão de tocar principalmente para encontrar a uma galera. É nesse momento que a gente tem de fazer certos divisores de água. Vocês no canto de vocês, cada vez mais longe, cada vez mais mortos, e nós cada vez mais vivos no nosso canto", disse a cantora.
A denúncia foi enviada à PF na noite de quinta-feira, 23. "Repasso nossa preocupação para que em novos shows, principalmente em grandes capitais, tenha pessoas que queiram causar alguma situação contra o Renan", afirma a denúncia.
A cantora Sophia Chablau foi procurada, mas não havia dado um retorno à reportagem até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.
Renan Santos é integrante da banda Limão Rosa, que se apresenta em casas de show como a em que Sophia fez a fala. Segundo o candidato, o grupo batizado de Limão Rosa sofre com tentativas de boicote, apesar de não tratar de temas políticos no palco.
Em 16 de julho, em nota encaminhada à imprensa, o candidato afirmou que apresentação no Rio de Janeiro foi cancelada depois de o estabelecimento sofrer pressão nas redes sociais. Para Renan, existem "campanhas promovidas por militantes de esquerda", que "estariam pressionando estabelecimentos a cancelar apresentações da banda".
Por Guilherme Matos, Estadão Conteúdo
Após cerco contra penduricalhos no STF, gastos com “vantagens eventuais” despencam 75% na folha do TJ-BA
Em março deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) estabeleceu uma série de regras para o pagamento de verbas indenizatórias ou complementares no âmbito do Judiciário brasileiro. Desde então, no Tribunal de Justiça da Bahia, que é o sexto maior do país, o orçamento dedicado ao pagamento da folha mensal de desembargadores despencou cerca de 75%. Isso é o que apontam os dados do Portal da Transparência da Corte.
O Bahia Notícias analisou a folha de pagamento de março de 2026, última folha de pagamento que ainda não contava com as regras fixadas pelo Supremo, e junho, último relatório disponibilizado, três meses depois da decisão do STF.
No dia 25 de março, o Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para limitar em 35% acima do teto constitucional o pagamento dos “penduricalhos” a membros do Judiciário e do Ministério Público em todo o país. Considerando que o teto constitucional está fixado em R$ 46,3 mil, o principal ponto da tese é o escalonamento das verbas que podem ser pagas acima do subsídio mensal.
O Tribunal definiu que a soma de todas as vantagens não pode exceder o limite de 70% do valor do teto, sendo este dividido em dois blocos de 35%: um deles por antiguidade, parcela paga como valorização do tempo de carreira, com aumento de 5% a cada cinco anos, limitada ao teto de 35 anos de exercício; e verbas indenizatórias, soma das diárias, ajudas de custo, gratificações, férias não gozadas e auxílios.
Os pagamentos retroativos a fevereiro de 2026 também ficaram suspensos. A decisão de caráter estrutural ficou sob a fiscalização da Presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). As novas regras começaram a valer já no mês-base de abril, impactando a remuneração a ser paga em maio.
A decisão foi revista em junho deste ano. Após a decisão de março, os penduricalhos ficaram limitados a até R$ 16.228,16, considerando todos os penduricalhos e pagamentos extras. Já nesta nova votação, passou a ser permitido, por exemplo, o pagamento em dinheiro de férias, licenças-prêmio e plantões acumulados antes do julgamento. O impacto dessa decisão, no entanto, só deve ser sentido na folha de julho ou de agosto.
COMO SÃO FEITOS OS PAGAMENTOS?
As tabelas exibem informações minuciosas sobre os rendimentos brutos, incluindo salários-base, gratificações e diversas indenizações – que são os chamados penduricalhos – recebidos pelos magistrados. O levantamento desconsidera os ganhos individuais dos magistrados e destaca os gastos do Tribunal com os pagamentos em cada categoria.
Os valores descritos nesses relatórios de pagamentos do Tribunal são divididos em rendimentos, débitos, valores finais e outros.
Nos rendimentos, ou créditos, constam a Remuneração Paradigma, os valores destinados com base no salário-base ou inicial dos desembargadores, sem as verbas indenizatórias ou diárias; Vantagens Pessoais, adicional por tempo de serviço, quintos, décimos, entre outros; Indenizações, que são valores destinados a ressarcimentos, como auxílio-alimentação e ajudas de custo; Vantagens Eventuais, que são pagamentos não fixos, como o abono constitucional de 1/3 de férias e indenização, por exemplo, que são os chamados penduricalhos; e Gratificações.
Nos débitos, ou descontos, estão inseridas as categorias que são pagas pelo Tribunal para pagamento de impostos ou fundos sobre a folha de pagamento. As categorias são: Previdência Pública; Imposto de Renda; Descontos Diversos, que são extraordinários; e Retenção por Teto Constitucional, que são os valores descontados por excederem o limite remuneratório.
Já os valores finais e outros são os Rendimentos Líquidos, parte dos valores que é diretamente paga aos desembargadores; Remunerações do Órgão de Origem, pagas aos magistrados ou servidores cedidos a outras unidades; e as Diárias, pagamento de natureza indenizatória por afastamento motivado por serviço.
QUEDA MILIONÁRIA
Na análise dos pagamentos do TJ-BA, com relação aos penduricalhos, foram consideradas apenas cinco categorias de pagamentos: a Remuneração Paradigma, as Vantagens Eventuais, o Total de Créditos – total de gastos da Corte, que inclui a Remuneração Paradigma e as Vantagens Eventuais – e o Rendimento Líquido.
Quando observada a remuneração paradigma entre os meses de março e junho, os valores se mantêm praticamente inalterados: R$ 2,929 milhões em março e R$ 2,845 milhões em junho. O que chama a atenção, no entanto, são justamente as vantagens eventuais, que podem ser atribuídas como penduricalhos.
Em março de 2026, as vantagens eventuais somavam R$ 7,3 milhões; já em junho, após as diretrizes do STF, esse valor desabou para R$ 1,77 milhão. Entre os meses, a queda, de mais de R$ 5,54 milhões, representa mais de 75% de redução.
O resultado dessa queda aparece diretamente no total de gastos do Tribunal de Justiça da Bahia. No mês em que as diretrizes do STF foram estabelecidas, mas ainda não aplicadas, o valor total gasto pelo TJ-BA foi de R$ 10,852 milhões, considerando o que foi pago aos desembargadores e os impostos e os encargos desses pagamentos. Três meses depois, o valor caiu quase pela metade: foram registrados R$ 5,490 milhões em pagamentos.
O que diferencia ambos os meses é justamente o valor dos penduricalhos e das diárias pagas aos magistrados: em março, o Tribunal baiano desembolsou R$ 56 mil em diárias indenizatórias aos desembargadores, e em junho o valor mais que triplicou para R$ 171,7 mil.
No fim, a parte desse valor que foi embolsada pelos desembargadores, ou seja, o Rendimento Líquido, foi de R$ 9,111 milhões em março e R$ 3,790 milhões em junho.
Para garantir mais transparência na análise, o Bahia Notícias também comparou os pagamentos de março e junho de 2025, quando o tema dos penduricalhos ainda não havia sido debatido pelo Supremo. Essa observação tem como objetivo considerar as flutuações comuns de pagamentos entre os meses, considerando os recessos do Judiciário e outros pagamentos sazonais.
No ano passado, a remuneração paradigma foi a mesma nos dois meses: R$ 2,887 milhões. Assim, o destaque segue sendo o valor destinado às vantagens eventuais. Em março de 2025, estes pagamentos somaram R$ 6,1 milhões em gastos para o Tribunal de Justiça da Bahia, enquanto em junho o valor foi de R$ 3,4 milhões, uma queda relevante de 43,75%, mas bem menor do que a apontada em 2026.
Uma possibilidade de análise é observar que, no início do ano, o Judiciário volta de um recesso entre dezembro e janeiro, o que pode impactar os pagamentos posteriores, além dos regimes especiais de plantão de Carnaval, por exemplo.
No fim, o pico de gastos de 2025 ainda seria menor do que o visto em 2026. Em março de 2025, o valor total desembolsado pelo TJ-BA – considerando a folha completa – foi de R$ 9,56 milhões, um valor 13,48% menor do que foi pago em 2026, mas foi 27,79% maior que o que foi pago em junho do mesmo ano, quando a folha fechou em R$ 6,90 milhões.
Já a comparação entre junho de 2025, com o valor de R$ 6,90 milhões, seria 20,48% maior que o valor final desembolsado pela Corte baiana em junho de 2026.
Para mapear o impacto financeiro e institucional da medida, o Bahia Notícias entrou em contato com o STF e o TJ-BA. Ao Supremo, foram solicitados dados sobre a economia nacional pós-corte e o monitoramento do cumprimento das regras pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Já ao tribunal baiano, os questionamentos miraram a estimativa anual de recursos poupados, o número exato de magistrados atingidos pela limitação do teto e a destinação dessa verba economizada. O espaço segue aberto para a manifestação dos órgãos.
Renan Santos aciona PF após artista dizer que o quer 'cada vez mais morto'
Declaração ocorreu durante show de Sophia Chablau em SP, na última quarta-feira (22)
O candidato a presidente da República Renan Santos (Missão
A campanha presidencial de Renan Santos (Missão) acionou a Polícia Federal após uma artista ter desejado que o candidato esteja "cada vez mais morto", em um show na última quarta-feira (22), em São Paulo.
"A gente vê um vice-candidato à Presidência [na verdade, a presidente] que não deveria ser nem síndico de prédio, tocando nas mesmas casas de show independentes que a gente luta, e que a gente faz questão de tocar, e é nesse momento que a gente tem de fazer certos divisores de água. Vocês no canto de vocês, cada vez mais longe, cada vez mais mortos, e nós cada vez mais vivos no nosso canto", disse a vocalista Sophia Chablau, durante evento na Casa de Francisca, na região central da cidade.
A referência dela foi ao cancelamento de um show da banda Limão Rosa, que tem Renan como vocalista, na semana passada, por uma casa de espetáculos no Rio de Janeiro.
A justificativa do local foi de que não queria ter a imagem associada à disputa política, mas o candidato atribuiu o veto à pressão de setores da esquerda.
Em email à PF, a campanha diz que a artista "incita violência por parte de grupos mais à esquerda contra Renan".
O candidato do Missão conta com proteção do órgão federal desde que oficializou sua candidatura, na última segunda-feira (20). Ele tem dito que sofre crescente número de ameaças desde que se apresentou para a disputa.
Procurada, a assessoria da artista não quis se manifestar.
Por Fábio Zanini/Folhapress
Milei chega a São Paulo para dar apoio a Flávio em meio a avanço da direita na América do Sul
Ultraliberal pretendia se encontrar com Jair Bolsonaro, mas Moraes vetou visitaO presidente da
Argentina, Javier Milei, chegou a São Paulo na noite desta sexta-feira (24) para o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, que deve concorrer à Presidência pelo PL nas eleições de outubro.
O encontro ocorre após o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro ir a Buenos Aires no final de junho para se reunir com o aliado. "A onda azul está chegando ao Brasil pelas mãos de Flávio Bolsonaro", afirmou o argentino na rede social X após o encontro.
Após a "onda rosa" do início dos anos 2000, que colocou diversos líderes de esquerda no poder na América do Sul, a região é palco do avanço da direita, o que vem sendo chamado de "onda azul" e tem em Milei um de seus mais vocais entusiastas.
Quando José Antonio Kast venceu as eleições no Chile, em dezembro do ano passado, o ultraliberal publicou em sua conta no Instagram um mapa no qual Brasil, Colômbia, Guiana, Uruguai, Suriname e Venezuela, todos governados pela esquerda, estavam preenchidos por uma imagem de favela. Em contraposição, o restante dos países, governados pela direita, era representado por um cenário futurista.
Desde então, o mapa ideológico da região mudou —há pouco mais de um mês, a Colômbia, governada pelo primeiro presidente de esquerda da história do país, Gustavo Petro, elegeu o ultradireitista Abelardo de la Espriella. O Peru, que já era governado pela direita, votou por Keiko Fujimori, filha do ditador Alberto Fujimori. A Venezuela, por fim, está desde janeiro sob tutela dos Estados Unidos, embora os chavistas ainda estejam no poder após a captura de Nicolás Maduro por Washington.
Quando Milei publicou a provocação, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu. "Com o presidente Lula na Presidência, o Brasil se moderniza e enfrenta seus problemas sociais, não os varre para baixo do tapete", afirmou o chanceler Mauro Vieira, citando dados em uma clara comparação com o país vizinho.
A rusga não foi a pior entre os dois governos. Em junho de 2024, por exemplo, Lula sugeriu que Milei pedisse desculpas por ofensas que ocorreram ao longo da campanha no país vizinho, ao que o argentino respondeu que havia coisas mais importantes do que "o ego inflado de algum esquerdinha".
Os dois estavam às vésperas de se encontrar na cúpula do G20 no Rio de Janeiro —um dos únicos eventos em que os dois se viram ao vivo, uma tendência que deve se manter.
Não há previsão de que os líderes se vejam nesta viagem. Milei, aliás, queria encontrar Bolsonaro, mas foi impedido por uma decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, que negou pedido da defesa do ex-presidente, em prisão domiciliar em Brasília, para receber o aliado.
Após a visita ao Brasil, Milei vai emendar outras duas viagens a aliados. No dia 28 de julho, estará no Peru para a cerimônia de posse de Keiko; em 7 de agosto, vai para Bogotá prestigiar o início do governo de Espriella.
São destinos incomuns para o ultraliberal, que até agora focou a sua diplomacia em Israel e nos EUA —para este país, foram 16 visitas ao longo de seu mandato até agora. É de interesse do argentino que a "onda azul" se mantenha pelos próximos anos, tendo em vista as eleições presidenciais no país vizinho, em outubro de 2027.
Por Daniela Arcanjo/Folhapress
Ações do governo Lula somam R$ 256,9 bilhões em medidas de crédito e programas em 2026 /Por Redação
Medidas de crédito, programas sociais e ações extraordinárias do governo federal lançadas ou ampliadas em 2026 já movimentam ao menos R$ 256,9 bilhões, segundo levantamento da CNN Brasil. O cálculo reúne iniciativas como linhas de financiamento, ampliação de programas sociais, liberação de recursos do FGTS e medidas adotadas para enfrentar impactos de conflitos internacionais e do tarifaço sobre produtos brasileiros. A reportagem é da CNN.
Entre as principais ações estão os programas de crédito para empresas exportadoras, indústria, agronegócio, caminhoneiros, motoristas de aplicativos e trabalhadores do setor privado. O levantamento também inclui a ampliação da isenção do Imposto de Renda, programas habitacionais, o Gás do Povo, o Luz do Povo, medidas de renegociação de dívidas e ações de apoio ao setor rural. Parte dos recursos é classificada como despesa financeira ou extraorçamentária e, por isso, não impacta diretamente o limite de despesas primárias ou o resultado primário.
Especialistas, no entanto, questionam os efeitos dessas operações sobre a dívida pública e a transparência fiscal, argumentando que recursos que não aparecem diretamente no resultado primário também podem gerar impacto sobre as contas públicas. O governo afirma que as medidas têm base legal, estão previstas no orçamento e são contabilizadas e auditáveis. Segundo estudo técnico do Ministério do Planejamento e Orçamento, parte das iniciativas pode contribuir para um incremento de cerca de R$ 110 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB), com efeitos sobre emprego, renda e arrecadação.
Cinco das dez cidades mais violentas do país estão na Bahia, aponta estudo
Presença de grupos criminosos explica alto índice de mortes violentas
As dez cidades mais violentas do Brasil estão na região Nordeste, apontam os dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23). O relatório produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública reúne os principais dados sobre as ocorrências criminais registradas no país em de 2025. 



A lista reúne as cidades com as maiores taxas de Mortes Violentas Intencionais (MVI) a cada 100 mil habitantes. A Bahia possui cinco cidades no ranking e o Ceará, três. Pernambuco e Paraíba contam com um município na lista, cada. A categoria MVI inclui homicídio doloso, feminicídio, roubo seguidos de morte (latrocínio), lesão corporal seguida de morte, morte decorrente de intervenções policiais e morte de policiais em serviço e fora do horário de trabalho.
Confira a lista das 10 cidades com maior número de mortes violentas
- Maranguape (CE) - (100,3)
- Eunápolis (BA) - (85,1)
- Maracanaú (CE) - (80,7)
- Porto Seguro (BA) - (71,2)
- Simões Filho (BA) - (58,1)
- Jequié (BA) - (57,4)
- Caucaia (CE) - (56,6)
- Cabo de Santo Agostinho (PE) - (55,1)
- Santa Rita (PB) - (50,9)
- Juazeiro (BA) - (55,8)
Tráfico de drogas
De acordo com o Fórum, o principal fator que contribui para o alto índice de violência nessas cidades é a disputa entre grupos criminosos pelo controle do tráfico de drogas.
Maranguape lidera o ranking nacional e registra taxa de mortes cinco vezes superior à média do país. O local se tornou atrativo para organizações criminosas devido à sua localização estratégica perto de importantes eixos rodoviários da região, como a BR-22 e a CE065. Maracanaú, terceira na lista das mais violentas, é vizinha à Maranguape e está mais próxima do Aeroporto Internacional de Fortaleza.
Já a segunda do ranking, Eunápolis, no extremo sul da Bahia, conta com uma taxa de 85,1 casos por 100 mil habitantes. A cidade também enfrenta um cenário de disputas por grupos faccionados distintos e representa um ponto estratégico para o transporte de drogas, sendo cruzada por duas rodovias nacionais. No anuário do ano passado, a cidade não figurava nem entre as 20 cidades com os maiores índices por morte violenta.
Cenário nacional
A 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostra que o número de mortes violentas intencionais (MVI) no Brasil caiu de 20,6 casos por 100 mil habitantes em 2024, para 19,1 casos por 100 mil habitantes, em 2025 – uma diminuição de 8,2%.
Esse é o menor patamar registrado desde 2012, quando o índice começou a ser medido. Em números absolutos, foram registradas 40.775 mortes violentas intencionais no ano passado ante 44.127 em 2024.
Por Agência Brasil
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