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Janja é 1ª primeira-dama a desfilar em escola de samba do Rio de Janeiro
Nunca antes nesse país uma primeira-dama desfilou na Sapucaí. Rosângela Lula da Silva, a Janja, será a primeira anfitriã do Palácio da Alvorada a desfilar por uma escola de samba do Rio de Janeiro. Janja estará em um carro alegórico da Acadêmicos de Niterói no domingo de Carnaval, 15 de fevereiro, no enredo que homenageará o presidente Lula (PT). O petista estará no camarote da prefeitura para assistir ao desfile.
"Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil" é o enredo da agremiação de Niterói, que retrata a trajetória do presidente desde sua infância até a chegada à Presidência da República .
Além da atual primeira-dama, a agremiação também presta tributo à ex-primeira-dama Marisa Letícia (1950-2017), que será representada pela atriz Juliana Baroni. Em 2012, Marisa desfilou em São Paulo pela Gaviões da Fiel, que apresentou o enredo "Verás que Um Filho Teu Não Foge à Luta – Lula, o Retrato de uma Nação", mas ela não era mais primeira-dama. O presidente havia concluído seu segundo mandato no ano anterior.
Outros presidentes, como Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, já foram homenageados em sambas-enredo, em 1956 e 1981, respectivamente. Ambos os desfiles foram comandados pela Estação Primeira de Mangueira e se deram na Avenida Presidente Vargas, no centro do Rio de Janeiro, e na própria rua Marquês de Sapucaí, antes da construção do Sambódromo, inaugurado em 1984.
Além disso, outros mandatários foram representados como sátiras nos enredos da Sapucaí. A Acadêmicos de Niterói escalou o humorista Marcelo Adnet para interpretar o ex-presidente Jair Bolsonaro durante a apresentação de 2026, segundo o portal Metrópoles.
Em 2020, a Acadêmicos do Vigário Geral desfilou na série Ouro, a segunda divisão do carnaval carioca, com um carro alegórico que fazia alusão a Bolsonaro, pintado como palhaço. Já em 2018, foi a vez de Michel Temer, que foi satirizado pela Paraíso do Tuiuti num desfile do grupo Especial, a primeira divisão, em que aparecia como vampiro.
A primeira-dama Scylla Médici (1907-2003), esposa do general Emílio Garrastazu Médici, foi representada por um motivo inusitado pela União de Maricá em 2025, na série Ouro. O enredo "O Cavalo de Santíssimo e a Coroa do Seu 7", assinado pelo carnavalesco Leandro Vieira, fazia homenagem à figura de Seu 7 da Lira, um Exu da umbanda carioca. A aparição do casal no desfile fez referência à crença popular de que a ex-primeira-dama teria incorporado a entidade na década de 1970.
Em 1996, a então primeira-dama Ruth Cardoso (1930-2008), esposa de Fernando Henrique Cardoso, foi homenageada pelo bloco Segura a Coisa, integrado por defensores da liberação da maconha, em Olinda (PE). Semanas antes, a então primeira-dama havia se manifestado a favor da descriminalização da maconha no Programa Livre, comandado por Serginho Groisman no SBT.
TSE
Nesta quinta-feira (12), o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decidiu rejeitar as representações contra o desfile em homenagem a Lula por propaganda eleitoral antecipada, mas alertou sobre possíveis ilegalidades no evento.
A presidente da corte, Cármen Lúcia afirmou que o do Carnaval não pode ser "fresta" para crimes eleitorais e que há um "risco muito concreto, plausível, de que venha acontecer algum ilícito" no caso, o que seria analisado pela Justiça Eleitoral.
"Esse não parece ser um cenário de areias claras de uma praia, parece mais ser o cenário de areia movediça. Quem entra entra sabendo que pode afundar", disse a presidente do TSE.
Por Jullia Gouveia/Folhapress
‘Esdrúxula’, diz Reale sobre estratégia do STF para preservar Toffoli na saída do caso Master
A saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Master, sem que o Supremo Tribunal Federal o declarasse suspeito, provocou reação entre juristas que criticam a medida. “Esdrúxula a solução pois se afasta sem motivo da relatoria, pois não se considera nem é declarado suspeito. O faz atendendo a pedidos”, declarou o professor Miguel Reale Júnior.
Para ele, ‘a solução é excepcional e não deverá ter impacto institucional a não ser a já imprevisibilidade de decisões marcadas pela conveniência do resultado do que lastreada em regras estabelecidas’.
O ministro Celso de Mello, aposentado e ex-presidente do STF, entende que ‘em ética pública e legitimidade institucional, a mera aparência de impropriedade pode produzir dano equivalente ao da impropriedade efetiva e real’.
“Ainda que não se demonstre, em dado caso, desvio material de conduta, a formação de dúvida razoável sobre a isenção do julgador já compromete o crédito moral da instituição, enfraquece a autoridade de suas decisões e corrói a confiança cívica que sustenta o Estado de Direito.
A cientista política Maria Tereza Sadek, que dirigiu o Departamento de Pesquisas Judiciárias do CNJ (2016-2018), diz que o presidente do STF, ministro Edson Fachin, “ficou pressionado”.
“Toffolli resistiu até o final, apesar de tantos atos indefensáveis”, analisa Sadek. “As evidências se acumularam, mas mesmo assim ele se recusava a ceder. A reunião deve ter sido extremamente tensa”, anotou, em referência à reunião fechada dos dez ministros da Corte nesta quinta, 12, quando a sorte de Toffoli foi selada.
Ela supõe que “deve haver mais evidências envolvendo não apenas Toffolli, mas também políticos”.
“Caso contrário”, diz Sadek, “os pedidos de suspeição e de impeachment no Senado teriam sido acolhidos.”
Para ela, “os graus de confiança na Justiça e especialmente no Supremo estão baixos”. “A situação é preocupante.”
O desembargador José Renato Nalini, aposentado, ex-presidente do Tribunal de Justiça, disse que “o primeiro juiz da suspeição é o próprio juiz sobre o qual recai a dúvida”. “A ética irrepreensível recomenda imediato afastamento, desnecessária qualquer medida do Tribunal.”
Nalini adverte que “relacionamentos promíscuos geram dúvidas que maculam a higidez do sistema Justiça”. “Não se justificam em qualquer esfera e são inadmissíveis no órgão que é o guardião de uma norma fundante amparada pela moralidade.”
O procurador de Justiça César Dario Mariano, do Ministério Público de São Paulo, em artigo publicado no blog nesta sexta, 13, avalia que ‘algumas decisões são tomadas não com base jurídica, mas por pura política, visando, dentre outros motivos, não ferir a imagem de um tribunal e/ou para não se chegar a resultados ainda mais gravosos, mesmo que elas sejam despidas de lógica e de tecnicidade’.
Ele questiona. “Ora, se Toffoli não era impedido ou suspeito, por que então foi afastado ou se afastou do caso?”
No entendimento do procurador, ficou claro que a Corte contornou uma crise mais acentuada ainda ao não reconhecer a suspeição do ministro, apesar de evidências de crimes apontadas em relatório da Polícia Federal. Se isso tivesse ocorrido, uma ação penal por crime de responsabilidade poderia ser instaurada para investigar Toffoli, o que provocaria a abertura de um processo de impeachment no Senado.
“É muito fácil de entender. Até hoje nenhum ministro do STF foi considerado suspeito ou impedido, haja vista que a suspeição é uma das situações em que há crime de responsabilidade pelo ministro do Supremo Tribunal Federal e pode ser instaurado processo de impeachment”, pontua César Mariano.
Ele considera que ‘todos os atos decisórios do processo ou procedimento investigatório seriam declarados nulos, com evidente prejuízo para o esclarecimento dos fatos’.
Para o criminalista Renato Stanziola Vieira, ex-presidente do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais, “o reconhecimento de vícios na condução” do inquérito “acarretaria a nulidade dos atos praticados pelo ministro tido por suspeito ou impedido”.
“Esses vícios são radicais ao bom funcionamento do processo, são pressupostos mesmo de validade, o exercício da jurisdição por juiz imparcial, e se a resposta da Corte reconhecesse a parcialidade de Dias Toffoli, a investigação correria altíssimo risco de ser anulada”, conclui Stanziola.
Por Fausto Macedo e Felipe de Paula/Estadão Conteúdo
Entenda os próximos passos do caso Master no STF após saída de Dias Toffoli
Forma com que o ministro deixou a relatoria permite que caso não volte à estaca zero.
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, deixou a relatoria do caso do Banco Master nesta quinta-feira (12). A atuação do magistrado no caso acumulava críticas desde o ano passado, gerando uma crise que se intensificou com as investigações da Polícia Federal.
Toffoli vinha defendendo sua manutenção no comando do caso no Supremo. No entanto, o desgaste da situação culminou em sua saída da relatoria, decidida em conjunto pelos ministros do STF durante reunião de portas fechadas nesta quinta-feira (12).
O QUE ACONTECE AGORA?
A partir de agora, o ministro André Mendonça será o novo relator do caso Master na corte.
A decisão de designar um novo ministro para cuidar do caso foi definida na mesma reunião em que ficou acertada a saída de Toffoli. Mendonça foi escolhido relator por sorteio, que deixou de fora apenas o próprio Toffoli e o presidente do tribunal, Edson Fachin.
A forma com que se deu a saída de Toffoli do caso permite que a investigação em torno do Banco Master não volte à estaca zero. Os dez magistrados da corte concordaram em preservar todas as provas e e atos relacionadas ao processo como forma de manter a apuração e também de rechaçar a ideia de que Toffoli possa ter maculado o processo.
Depois da reunião, os magistrados assinaram uma nota conjunta em defesa de Toffoli e afirmaram "não ser caso de cabimento para arguição de suspeição".
Se ele fosse considerado suspeito ou impedido, todas as decisões assinadas até aqui seriam automaticamente anuladas. Os depoimentos já colhidos, a acareação entre banqueiros e os mandados de busca cumpridos não teriam mais validade.
Relatório da PF entregue ao STF também aponta indícios de crimes que podem ter sido cometidos pelo ministro. O magistrado nega ter recebido dinheiro de Daniel Vorcaro, dono do Master, e diz que nunca teve relação de amizade com ele.
A PF entregou o relatório com os achados sobre o magistrado à corte nesta semana. Para levar o caso ao Supremo, os investigadores se basearam no artigo 33 da Loman (Lei Orgânica da Magistratura) sobre a prerrogativa de juízes que prevê o envio dos autos às respectivas cortes em caso de suspeitas.
"Quando, no curso de investigação, houver indício da prática de crime por parte do magistrado, a autoridade policial, civil ou militar, remeterá os respectivos autos ao tribunal ou órgão especial competente para o julgamento, a fim de que prossiga na investigação", diz o artigo.
A continuidade do processo, no entanto, não garante que Toffoli será investigado, uma vez que a polícia não pode prosseguir com uma investigação envolvendo um integrante da corte sem autorização do próprio Supremo.
A apuração da PF sobre Toffoli gerou críticas de outros ministros. Para os magistrados, o relatório entregue pela corporação a Fachin deixa evidente que os indícios apresentados pela PF contra Toffoli não foram encontrados por acaso pelos agentes.
Houve, na verdade, cruzamento de dados e pesquisas inclusive em juntas comerciais.
Por Folhapress
André Mendonça vira novo relator do caso Master após Toffoli se afastar de investigação
STF fez novo sorteio nesta quinta-feira após reunião com todos os ministros
O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), foi designado o novo relator do caso Master na corte.
A decisão de designar um novo ministro para cuidar do caso foi definida em reunião com todos os magistrados nesta quinta-feira (12), em que ficou acertado que Dias Toffoli deixaria a relatoria do caso.
Mendonça foi escolhido relator por sorteio, que deixou de fora apenas o próprio Toffoli e o presidente do tribunal, Edson Fachin.
Mendonça também é responsável por outro inquérito de grande repercussão e com impactos políticos diretos sobre o mundo político: a investigação sobre fraudes em descontos de aposentados e pensionistas do INSS.
A saída de Toffoli ocorreu após ele tomar uma série de decisões polêmicas na condução do caso, incluindo a imposição de sigilo severo sobre provas e a revelação de ligações do magistrado com pessoas interessadas no caso, como o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.
Empresas ligadas a parentes de Toffoli tiveram como sócio um fundo de investimentos conectado à teia usada pelo Master em fraudes. Nesta quinta, o magistrado confirmou ser sócio de firma que foi dona de resort no Paraná e vendeu cotas do negócio a um fundo ligado às investigações sobre Vorcaro.
A saída de Toffoli do caso impede que a investigação em torno do banco volte à estaca zero. Se ele fosse considerado suspeito ou impedido, todas as decisões assinadas até aqui seriam automaticamente anuladas. Os depoimentos já colhidos, a acareação entre banqueiros e os mandados de busca cumpridos não teriam mais validade.
Por Julia Chaib/Folhapress
Provas contra Toffoli levam disputa entre ministro e PF a clima de guerra fria institucional
Investigadores do caso argumentam nos bastidores que a atuação do ministro no caso criou prejuízos à apuração
A descoberta de transações e diálogos entre Dias Toffoli e o banqueiro Daniel Vorcaro, ampliou um embate que vem sendo descrito por integrantes dos três Poderes como um conflito institucional entre o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) e a Polícia Federal nas investigações do escândalo de fraudes do Banco Master.
Investigadores do caso argumentam nos bastidores que a atuação do ministro no caso criou prejuízos à apuração.
Autoridades ouvidas pela reportagem relataram temor de ruptura institucional no STF, que estaria assistindo desde o final do ano passado, quando Toffoli puxou o caso para a corte, a uma espiral da crise sem capacidade de reação. Na noite desta quinta (12), o ministro aceitou deixar a relatoria do caso.
A percepção geral é a de que o caso Master desencadeou uma guerra fria com ataques e contra-ataques entre atores políticos e órgãos públicos, com desdobramentos que já não podem mais ser controlados em Brasília e nos estados onde há investigações.
Em nota divulgada na quinta-feira, o ministro afirmou que "jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro". Toffoli disse ainda que "jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel".
Procurado para comentar por meio da assessoria do STF, ele não se manifestou.
A pressão sobre a Polícia Federal aumentou após a operação da semana passada que mirou aliados no Amapá do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Políticos e autoridades de Brasília passaram a reclamar que a PF estaria sem freios, demandando uma "contenção" no trabalho já avançado das investigações.
Um dos focos de pressão contra a PF é a apuração de vazamento de informações que estão sob sigilo dos inquéritos do Master. A própria defesa de Vorcaro pediu ao ministro do STF investigações sobre os vazamentos.
Diante da gravidade dos achados no celular de Vorcaro, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregou, na última segunda-feira (9), ao presidente ao presidente do STF, Edson Fachin, relatório apontando mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, em que ambos discutem pagamentos para a empresa Maridt, que tem entre seus sócios o ministro Dias Toffoli.
O ministro confirmou, em nota, que "faz parte do quadro societário" da empresa Maridt, que foi uma das donas do resort Tayayá, no Paraná. Ele nega, contudo, ser amigo de Vorcaro e ter recebido valores do ex-banqueiro.
Para investigadores, que falaram na condição de anonimato, os pagamentos seriam a razão da motivação da conduta de Toffoli, uma vez que podem acionar um processo de suspeição que o afaste do caso. Uma das preocupações é que isso possa invalidar provas, sob a alegação de erro processual, e provoque a nulidade de partes do processo.
O acesso às provas apreendidas na segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes relacionadas ao Banco Master, é assunto delicado nos corredores da PF. Ninguém quis se comprometer a dizer que os peritos não receberam as provas, mas também não confirmam se tiveram acesso.
Toffoli foi quem escolheu os peritos após um vaivém sobre o destino das provas da operação. O ministro primeiro determinou que todo o material fosse lacrado e guardado no STF, não na PF, como seria praxe, e depois autorizou que as provas ficassem sob a guarda da Procuradoria-Geral da República.
Em meio à escalada da crise, autoridades em Brasília alertaram para o risco de os demais ministros do STF virarem indiretamente "sócios" da crise do resort Tayayá e dar munição ao discurso de lideranças bolsonaristas contra a corte. No limite, isso poderia levar a uma espécie de ressignificação dos atos de 8 de janeiro de 2023.
Autoridades que acompanham os desdobramentos do caso avaliaram que o ministro deveria mostrar o seu sigilo bancário e telefônico e comprovar os pagamentos para a Maridt.
Em nota divulgada após a reunião que selou a saída de Toffoli do caso Master, os ministros do Supremo expressaram "apoio pessoal" ao colega e citaram "a inexistência de suspeição ou de impedimento". O texto diz que a mudança da relatoria ocorreu a pedido do magistrado, considerando "os altos interesses institucionais".
Por Adriana Fernandes/Folhapress
Relator de CPI prevê impacto do caso Toffoli em depoimento de Vorcaro sobre consignados
Relator da CPMI do INSS, o deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL) diz que o depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro à comissão, previsto para o dia 26 de fevereiro, manterá o foco nos empréstimos consignados oferecidos pelo Master.
O relator afirmou, no entanto, que as revelações sobre ligações de Vorcaro com o ministro Dias Toffoli (STF) trarão "novos desdobramentos" ao depoimento.
"Vorcaro vai ser ouvido sobre os empréstimos consignados. A estratégia do depoimento não muda absolutamente nada em relação às investigações", disse Gaspar. Segundo ele, o depoimento segue mantido para a data agendada.
"Evidentemente que esses fatos [referentes a Vorcaro] colocam mais holofote ainda no momento de chegada dele à CPMI. Tem todo um desdobramento que é natural, mas sempre com um foco nos empréstimos consignados", afirmou.
Parlamentares preveem ser inevitável que, além da questão do consignado, o banqueiro também seja questionado sobre as denúncias referentes a Toffoli.
Gaspar aproveitou para pedir que o ministro deixe a relatoria do caso Master e compartilhe com a CPMI dados dos sigilos quebrados de Vorcaro que possam ajudar no trabalho da comissão.
"Espero que o ministro Toffoli se averbe suspeito ou imediatamente devolva à CPMI o pleno conhecimento do material que teve o sigilo afastado relacionado ao Vorcaro, como sigilo telemático e o sigilo telefônico", disse o relator.
Por Fábio Zanini, Folhapress
Toffoli deixa relatoria do caso Master
O ministro Dias Toffoli deixará a relatoria do processo que investiga irregularidades no Banco Master.
A decisão foi tomada por unanimidade pelos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) depois de tensas reuniões realizadas nesta quinta (12).
Para que se chegasse a um consenso, foi necessário um acordo em que os ministros rejeitaram a arguição de suspeição contra ele, e consideraram que todos os atos do magistrado no processo eram legítimos.
Depois disso, ele declarou que então sairá do caso, que vinha gerando um desgaste inédito contra o tribunal.
A situação do magistrado se agravou depois que a Polícia Federal (PF) entregou ao presidente da Corte um relatóro mostrando uma troca de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e seu cunhado, Fabiano Zettel, em que ambos discutem pagamentos para a empresa Maridt, que tem o ministro entre seus sócios.
Casado com Natália Vorcaro, irmã do banqueiro, Zettel chegou a ser detido pela PF. Ele funcionava como uma espécie de gerente do caixa do cunhado.
Nas mensagens, Vorcaro e Zettel citam o nome do magistrado e combinam as transferências, que seriam pagamentos pela compra de um resort que tinha a Maridt como sócia. Há menções a pagamentos recentes, feitos em 2025, ano em que o negócio foi concluído.
Toffoli declarou aos colegas que não era suspeito e que gostaria de permanecer na relatoria. Ele, no entanto, foi pressionado pelos ministros para deixar o caso.
Os magistrados assinaram uma nota conjunta em que afirmam que "os dez Ministros do Supremo Tribunal Federal, reunidos em 12 de fevereiro de 2026, considerando o contido no processo de número 244 AS, declaram não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição, em virtude do disposto no art. 107 do Código de Processo Penal e no art. 280 do Regimento Interno do STF.
Reconhecem, assim, a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli na relatoria da Reclamação n. 88.121 e de todos os processos a ela vinculados por dependência.
Expressam, neste ato, apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento. Anote-se que Sua Excelência atendeu a todos os pedidos formulados pela PF e PGR.
Registram, ainda, que a pedido do Ministro Dias Toffoli, levando em conta a sua faculdade de submeter à Presidência do Tribunal questões para o bom andamento dos processos (RISTF, art. 21, III) e considerados os altos interesses institucionais, a Presidência do Supremo Tribunal Federal, ouvidos todos os Ministros, acolhe comunicação de Sua Excelência quanto ao envio dos feitos respectivos sob a sua Relatoria para que a Presidência promova a livre redistribuição.
A Presidência adotará as providências processuais necessárias, para a extinção da AS e para remessa dos autos ao novo Relator."
Como antecipou a coluna, depois que a PF entregou o relatório o ministro reconheceu que era acionista da Maridt, sócia do resort Tayayá.
Em nota, o ministro Dias Toffoli confirmou então que "faz parte do quadro societário" da empresa Maridt.
No texto, ele confirma ainda que a empresa "foi integrante do grupo Tayaya Ribeirão Claro" até 21 de fevereiro de 2025. E que vendeu cotas do negócio ao fundo Arleen, que faz parte da teia do banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por supostas irregularidades na condução do Banco Master.
A venda da participação da Maridt foi concretizada em 27 de setembro de 2021, segundo o ministro, que recebia dividendos da empresa.
Ele afirma, no entanto, que nunca soube quem era o gestor do fundo Arleen. E acrescenta, na nota, que "jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro".
Toffoli diz também "jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel".
Por Mônica Bergamo, Folhapress
Com Jerônimo na comitiva, Lula embarca para Ásia com 10 ministros e 315 empresários
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca na próxima segunda-feira (17) para uma viagem de oito dias à Ásia, com passagens pela Coreia do Sul e pela Índia. A comitiva contará com pelo menos 10 ministros de Estado, 315 empresários brasileiros e o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT).
Segundo informações divulgadas pela imprensa nacional, integram a delegação os ministros Carlos Fávaro (Agricultura), Alexandre Padilha (Saúde), Mauro Vieira (Relações Exteriores), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário), Esther Dweck (Gestão) e Frederico Siqueira (Comunicações), entre outros integrantes da Esplanada. O retorno ao Brasil está previsto para o dia 24.
Além do governador baiano, Lula convidou os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), respectivamente, mas ambos não devem participar da viagem.
A agenda internacional terá três eixos principais: a participação do presidente na cúpula global sobre Inteligência Artificial (IA), na Índia; a abertura de novos mercados para produtos brasileiros; e o fortalecimento das relações diplomáticas e comerciais com as duas potências asiáticas.
A cúpula sobre IA será realizada nos dias 19 e 20 de fevereiro, em Nova Délhi, e deve reunir cerca de 40 mil participantes de 50 países já confirmados entre os 100 convidados. Será a primeira vez que um presidente brasileiro participa de um evento global de alto nível voltado exclusivamente ao tema da inteligência artificial.
Congresso aponta artilharia pra Toffoli, pressiona por CPI e pretende pautar quebra de sigilo
Integrantes do Congresso Nacional reagem e centram artilharia contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli após a Polícia Federal (PF) pedir a suspeição da suspeição dele, que é relator da investigação do caso do Banco Master. A PF encontrou conversas e menções a Toffoli no celular apreendido do banqueiro Daniel Vorcaro.
Há a possibilidade de convocação do ministro e quebra de sigilo a pedido da CPI do Crime Organizado e solicitação para que o STF determine a abertura de uma comissão para investigar o Banco Master. Parlamentares também pedem a quebra do sigilo das conversas apreendidas no celular de Vorcaro.
O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), foi um dos primeiros a comentar as revelações sobre os contatos do ministro com Vorcaro.
"O Tofollão é um escândalo tão grande que não dá para esconder nas artimanhas do sistema. Na semana posterior ao carnaval, a CPI do Crime Organizado votará os requerimentos de quebra de sigilo e convocações dos envolvidos. O Brasil só será uma República com todos sob a mesma lei" afirmou.
Vieira já tinha apresentado à CPI dois requerimentos que pretendem convocar os irmãos do ministro, José Carlos e José Eugênio, a prestar depoimento.
Para fundamentar, o senador cita ainda reportagem do Estadão, que mostrou que a casa de José Eugênio Dias Toffoli aparece como sede da empresa que vendeu a fundo de cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Master, parte de resort no Paraná por R$ 3 milhões. No local, a mulher do irmão do ministro afirmou que o marido nunca foi dono de resort.
O requerimento também baseia-se em "indícios que conectam transações imobiliárias e societárias a elementos sob investigação no âmbito da segurança pública e do sistema financeiro".
Toffoli é acionista da Maridt, empresa que tem como dirigentes seus irmãos José Eugênio e José Carlos Dias Toffoli. A Maridt é uma sociedade anônima de "livro", cujos donos não são identificados em registros públicos. Suas identidades ficam anotadas em documentos da própria empresa. A sede da Maridt é a residência do engenheiro José Eugênio Dias Toffoli.
O Estadão mostrou que Toffoli recebeu dinheiro de empresa que fez negócios com fundo de cunhado de Vorcaro.
Em nota divulgada nesta quinta-feira, 12, Toffoli confirmou que é sócio e recebeu dividendo dessa empresa, mas negou ter "relação de amizade" com Vorcaro e disse que "jamais recebeu qualquer valor" pago pelo banqueiro.
Na Câmara, o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) também articula uma outra frente para pressionar o ministro e Vorcaro. Ele pede para que o STF libere integralmente o conteúdo das conversas do banqueiro.
"É fundamental que o Supremo determina o fim do sigilo sobre essa investigação, e possa revelar todos os diálogos que tem no telefone do Vorcaro. Acho até para evitar vazamentos seletivos, abertura total. A população brasileira tem o direito de saber o que foi conversado, se houve intervenção política. É colocar luzes sobre o tema", afirmou.
O deputado foi o primeiro a protocolar pedido de instalação de CPI. O requerimento do parlamentar foi apresentado logo na retomada dos trabalhos parlamentares, no dia 2 de fevereiro.
Esse requerimento centra em apurar os R$ 12,2 bilhões pagos pelo Banco de Brasília (BRB) ao Master entre janeiro a junho de 2025, sendo R$ 6,7 bilhões pelas carteiras falsas e mais R$ 5,5 bilhões de prêmio. Rollemberg é opositor de Ibaneis Rocha (MDB), governador do Distrito Federal, que é controlador do BRB.
"É preciso tornar óbvio que é necessário instalar a CPI. Qualquer ação no sentido de não instalar a CPI vai trazer uma mensagem muito ruim para o conjunto da população brasileira, de que a Câmara estaria abrindo mão da responsabilidade de investigar um escândalo", disse o deputado.
Ele afirmou à reportagem que vai pedir ao STF que determine a instalação da comissão. A medida ocorreu, por exemplo, na CPI da Covid, durante a pandemia.
Esse não é o único requerimento de CPI que avança no Congresso. No dia seguinte ao protocolo de Rollemberg, a oposição apresentou pedido de instalação de CPI Mista no Congresso.
Essa tática é geralmente usada pelo grupo para driblar a fila de outras CPIs, argumento geralmente usado pelos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para não instalar colegiados. Motta já argumentou que a comissão sobre o Master vai "entrar na fila" de requerimentos.
Paralelamente, o senador Eduardo Girão (Novo-CE), e a deputada Heloísa Helena (Rede-RJ), também coletam assinaturas para protocolar seus requerimentos de criação de CPI do Master.
Por Levy Teles/Estadão Conteúdo
Relatório da PF sobre Toffoli tem Vorcaro combinando pagamentos para empresa do ministro
O relatório entregue pela PF (Polícia Federal) ao presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin tem mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, em que ambos discutem pagamentos para a empresa Maridt, que tem entre seus sócios o ministro Dias Toffoli.
Casado com Natália Vorcaro, irmã do banqueiro, Zettel chegou a ser detido pela PF. Ele funcionava como uma espécie de gerente do caixa do cunhado.
Nas mensagens, Vorcaro e Zettel citam o nome do magistrado e combinam as transferências, que seriam pagamentos pela compra de um resort que tinha a Maridt como sócia. Há menções a pagamentos recentes, feitos em 2025, ano em que o negócio foi concluído.
Há também mensagens entre Toffoli e Vorcaro. Os dois, segundo uma pessoa que teve acesso ao relatório, não tratam de negócios nem de recursos. Apenas combinam de se encontrar.
Há ainda referências a festas e confraternizações para as quais outras autoridades, que não são do STF, são convidadas.
O conteúdo foi compartilhado por Fachin com outros ministros.
A PF sustenta que Toffoli é suspeito para seguir na relatoria do processo contra o banco. Fachin já notificou o ministro para que ele dê explicações sobre os fatos apontados no documento.
Como revelou a coluna, o próprio ministro admitiu que recebeu recursos da Maridt quando ela vendeu sua participação no resort Tayayá em 2021 para um fundo da teia do banqueiro Daniel Vorcaro.
Ele disse que isso ocorreu, naquela época, por ser sócio da empresa junto a outros familiares.
A explicação foi dada por ele a interlocutores do STF depois que a Polícia Federal informou à Corte que passou a apurar a transferência de recursos para o magistrado.
Foi a primeira vez que o magistrado detalha seu envolvimento com o resort e a companhia dos irmãos.
De acordo com a explicação dada por Toffoli, ele é sócio há vários anos da Maridt, que seria uma típica empresa familiar.
Seu nome não aparece nos documentos públicos da empresa, no entanto, porque ela é uma Sociedade Anônima de livro —em que o nome dos acionistas não é acessível a terceiros, como nas companhias abertas.
Por isso apenas o nome de dois de seus irmãos são públicos, por serem eles os administradores da empresa.
De acordo ainda com Toffoli, todas as transferências de recursos, feitas ao longo de diversos anos, foram lícitas e declaradas à Receita Federal. Têm origem e destino rastreáveis.
A Maridt era dona de 33% do resort Tayayá, que foi vendido em 2021 para o fundo Arleen, parte de uma teia controlada pelo banco Master.
O ministro afirmou a interlocutores também que o próprio fundo já vendeu as ações para terceiros, e com lucro.
O negócio, portanto, teria sido lícito. Na época, Vorcaro não frequentava as páginas policiais e era considerado um banqueiro em ascensão.
O ministro apontou também nos diálogos que todos os pedidos feitos pela Polícia Federal contra Vorcaro foram deferidos por ele —entre outros, novas buscas e apreensões nas investigações que apuram irregularidades na condução do Master.
Por Mônica Bergamo/Folhapress
Toffoli diz que recebeu dinheiro por ser sócio da empresa que vendeu resort a fundo de Vorcaro
Nome de ministro não aparece na companhia porque ela é uma Sociedade Anônima.
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, recebeu dinheiro da Maridt, que vendeu sua participação no resort Tayayá para um fundo da teia do banqueiro Daniel Vorcaro.
Ele disse que isso ocorreu por ser sócio da empresa junto a outros familiares.
A explicação foi dada por ele a interlocutores depois que a Polícia Federal passou a apurar a transferência de recursos para o magistrado.
É a primeira vez que o magistrado detalha seu envolvimento com o resort e a companhia dos irmãos.
De acordo com a explicação dada por Toffoli, ele é sócio há vários anos da Maridt.
Seu nome não aparece nos documentos públicos da empresa, no entanto, porque ela é uma Sociedade Anônima de livro _em que o nome dos acionistas não é acessível a terceiros, como nas companhias abertas.
Por isso apenas o nome de dois de seus irmãos são públicos, por serem eles os administradores da empresa.
De acordo ainda com Toffoli, todas as transferências de recursos, feitas ao longo de diversos anos, foram lícitas e declaradas à Receita Federal. Têm origem e destino rastreáveis.
A Maridt era dona de 33% do resort Tayayá, que foi vendido em 2021 para o fundo Arleen, parte de uma teia controlada pelo banco Master.
O ministro afirmou a interlocutores também que o próprio fundo já vendeu as ações para terceiros, e com lucro. O negócio, portanto, teria sido lícito.
Na época, Vorcaro não frequentava as páginas policiais e era considerado um banqueiro em ascensão.
O ministro apontou também nos diálogos que todos os pedidos feitos pela Polícia Federal contra Vorcaro foram deferidos por ele —entre outros, novas buscas e apreensões nas investigações que apuram irregularidades na condução do Master.
Renan Calheiros diz que Jhonatan de Jesus, do TCU, foi pressionado pelo centrão a 'desliquidar' Master
Senador e colegas se reuniram nesta quarta (11) com o presidente do STF para discutir o caso
O senador Renan Calheiros (MDB-AL) disse nesta quarta-feira (11) que o ministro Jhonatan de Jesus, do TCU (Tribunal de Contas da União), foi pressionado pelo centrão para que revertesse a liquidação do Banco Master. O procedimento determinado pelo Banco Central em novembro de 2025 é alvo de inspeção na corte de contas a pedido do ministro Jhonatan.
Renan e outros senadores da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado se reuniram com o ministro Edson Fachin, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), para falar da criação de um grupo de trabalho parlamentar para acompanhar as investigações do caso Master.
"Contei para o ministro Fachin o clima de constrangimento no Tribunal de Contas da União", disse Renan. "O centrão chantageou o ministro do Tribunal de Contas para que ele acabasse com a liquidação do Banco Central. Ele hoje decretou sigilo das informações para o Banco Central e para os próprios ministros do Tribunal de Contas da União", afirmou o senador.
Jhonatan de Jesus colocou sob sigilo o relatório elaborado pela área técnica da corte após inspeção sobre a conduta no BC na liquidação. O acesso da autarquia aos documentos no procedimento também foi restringido.
O movimento foi recebido com preocupação por membros da autoridade monetária, que temem que a falta de transparência abra espaço para manobras do relator em seu voto. A tendência, segundo pessoas a par da investigação, é de que o ministro dê parecer favorável à conduta do Banco Central.
Em nota, Jhonatan de Jesus disse que o processo teve a classificação de confidencialidade alterada de "sigiloso" para "sigiloso com exigência de autorização específica de leitura" com o objetivo de evitar vazamentos, inclusive de informações classificadas como sigilosas pelo próprio BC.
"Tal procedimento não é inédito, pois já foi aplicado em outros processos no TCU. A solicitação [feita pela Secretaria-Geral de Controle Externo] foi deferida pelo relator do processo e contou com a ciência do Banco Central. O TCU esclarece que o Banco Central terá acesso a todas as peças processuais sempre que necessário, não havendo qualquer prejuízo ao órgão jurisdicionado", disse.
Renan Calheiros preside a CAE e montou, dentro da comissão, esse grupo de trabalho para acompanhar as investigações. O senador tem dito que apoia as propostas de instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), mas que o trabalho da comissão é permanente.
No início da semana, o grupo aprovou 19 requerimentos de informações e de comparecimento. Receberão convites o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e seu ex-sócio, Augusto Lima. O presidente da comissão diz que gostaria de começar as oitivas por eles. Como o GT não tem prerrogativas de CPI, nenhum dos convidados é obrigado a comparecer.
No STF, os senadores teriam ouvidos do ministro Fachin a concordância com críticas ao sigilo do inquérito do Master. "O presidente [do STF] não apenas concordou,como exaltou essa diretriz", disse Renan.
Além do presidente da CAE, estiveram com Fachin os senadores Damares Alves (Republicanos-DF), Soraya Thronicke (Podemos-MS), Leila Barros (PDT-DF), Esperidião Amim (PP-SC), Izalci Lucas (PL-DF) e Fernando Farias (MDB-AL).
Antes, eles estiveram com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, a quem também entregaram um convite para falar no grupo de trabalho. O mesmo convite deverá ser levado ao procurador-geral da República Paulo Gonet, que está viajando.
Segundo Renan Calheiros, a conversa com Rodrigues também serviu para demonstrar apoio ao trabalho da PF, que estaria sujeita à pressões. "Não é fácil, essa gente tinha ramificações em todos os poderes da República e isso precisa ser investigado."
O grupo de trabalho pediu à PF acesso às operações ligadas ao caso, como a Compliance, mas também à Carbono Oculto, que investiga laços do crime organizado com fundos de investimentos, e a apurações em estados.
O presidente da Comissão de Assunto Econômicos quer, ao fim dos trabalhos do grupo, propor mudanças na legislação. "Ao fim e ao cabo, nosso papel é fazer o aprimoramento da regulação, da fiscalização, compreender o papel da CVM [Comissão de Valores Mobiliários], o que a CVM significou nesse processo como um todo."
Renan já disse que um desses aprimoramentos poderá ser a expansão do perímetro de fiscalização que cabe ao BC, que poderia passar a ser responsável também por fundos. Esse trabalho cabe hoje à CVM.
Por Fernanda Brigatti/Folhapress
PF pede suspeição de Toffoli no caso Master após encontrar menções a ministro em celular de Vorcaro
Toffoli diz a pessoas próximas estar tranquilo e que diálogo não teria sido entre ele e o investigado
A Polícia Federal pediu ao presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, a suspeição do ministro Dias Toffoli como relator das investigações sobre o Banco Master. Fachin já intimou Toffoli a se manifestar sobre o requerimento.
A solicitação da PF tem como base conversas apreendidas no celular do empresário Daniel Vorcaro, dono do Master, que mencionam Toffoli. A informação sobre os achados da polícia foram reveladas pelo portal UOL.
A auxiliares, o ministro segue afirmando não ver razão para se afastar do caso.
Um pedido semelhante já havia sido feito pela PF à PGR (Procuradoria-Geral da República), mas o procurador-geral, Paulo Gonet, não deu andamento porque já havia negado o afestamento de Toffoli em requerimento semelhante feito por parlamentares de oposição.
Gonet afirmou na ocasião que o caso da instituição financeira "já é objeto de apuração perante o Supremo Tribunal Federal, com atuação regular da Procuradoria-Geral da República". Sendo assim, prossegue ele, "não há qualquer providência a ser adotada no momento".
No Supremo, ministros avaliam que a arguição de suspeição é uma prerrogativa exclusiva da PGR —sendo assim, a PF não teria legitimidade para entrar com esse tipo de processo. Ainda assim, Fachin cumpriu o rito de notificar Toffoli a responder.
Na ocasião da negativa da PGR, o ministro Gilmar Mendes classificou como madura a decisão de Gonet e prestou solidariedade a Toffoli.
"A rigor, ele atendeu a todas as considerações da PF e da Procuradoria-Geral [da República]. Não há razão para qualquer questionamento sobre sua conduta", disse Gilmar ao jornal Folha de São Paulo.
Em uma rede social, o decano do STF afirmou que "em um Estado de Direito, a preservação do devido processo legal e a observância das garantias institucionais constituem condições essenciais para a estabilidade democrática e para a confiança da sociedade nas instituições".
Toffoli está sob pressão interna devido à sua postura na supervisão do inquérito do Master. As críticas começaram com o severo regime de sigilo imposto ao caso, seguido pela viagem de jatinho com um dos advogados da causa e por negócios como o do resort Tayayá, que associam seus familiares a um fundo de investimentos ligado ao Master.
Além disso, a conduta do ministro à frente do caso tem sido questionada publicamente pela PF e interpretada como incomum por integrantes do BC (Banco Central), da PGR (Procuradoria-Geral da República) e do próprio Supremo, que já admite internamente viver uma crise de imagem.
Para contornar a situação, integrantes da corte passaram a defender o envio da investigação à primeira instância como uma "saída honrosa" para Toffoli. Ele, no entanto, resiste a deixar a condução das apurações.
Toffoli sinalizou que essas variáveis não estão em jogo e argumentou que a sua imparcialidade não está comprometida. O ministro também tem afirmado que, na primeira instância, as informações estariam mais sujeitas a vazamentos, o que deve ser evitado a todo custo em uma investigação dessa natureza.
Ao mesmo tempo, Toffoli indica a auxiliares que só com novos avanços das apurações será possível definir com clareza se o caso fica no Supremo, se volta à primeira instância ou se o caminho é um meio-termo —um desmembramento da investigação, em que o ministro fica responsável por autoridades com foro e a Justiça Federal, pelos demais investigados.
O Código de Processo Penal prevê que um juiz está impedido de atuar nas ações em que seu cônjuge ou parente tenha participado; em que ele próprio tenha atuado no passado (como advogado ou juiz de instância inferior); ou em que ele ou seus familiares forem "diretamente interessados".
Já a suspeição tem caráter subjetivo e diz respeito a situações, por exemplo, em que o ministro é amigo íntimo das partes ou dos advogados, recebe presentes de pessoas interessadas na causa ou aconselha as partes. Se houver motivo de foro íntimo, ele não é obrigado a detalhá-lo.
Se Toffoli se declarasse suspeito ou impedido, todas as decisões assinadas até aqui seriam automaticamente anuladas, e a investigação voltaria à estaca zero. Os depoimentos já colhidos, a acareação entre banqueiros e os mandados de busca cumpridos na semana passada não teriam mais validade.
Por Luísa Martins/Folhapress
TRE julga ação que pode determinar a perda do mandato de Nikolas Ferreira
Deputado federal é acusado de promover ataques contra as urnas eletrônicas e o sistema eleitoral em 2022
O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) julga, nesta quarta-feira (11), uma ação que pode causar a cassação do mandato do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). O parlamentar é réu em uma ação, após ter feito postagens com ataques às urnas eletrônicas e difundindo informações falsas sobre o sistema eleitoral.
As acusações remontam a 2022 quando Nikolas, então vereador de Belo Horizonte, concorria como deputado federal. As ações contra ele foram protocoladas pela ex-candidata ao Senado do PSOL Sara Azevedo e da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV).
Os autores pedem a condenação por uso indevido das redes sociais e dos meios de comunicação, além de abuso de poder político e econômico.
Segundo Sara Azevedo, as postagens de Nikolas, que na época já tinham grande repercussão nas redes sociais, colocaram em dúvida a integridade do processo eleitoral, com conteúdos sabidamente inverídicos. A ex-candidata ainda apontou que, devido às postagens, movimentos anti-democráticos ocorreram.
A defesa do parlamentar argumentou que as postagens foram espontâneas e sem intenções de disseminar informações falsas ou atacar o sistema eleitoral. A defesa ainda afirmou que Nikolas apenas defendeu uma investigação sobre as urnas eletrônicas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com base em supostas denúncias.
Desfile de Carnaval em homenagem a Lula gera risco de condenação eleitoral, dizem especialistas
O desfile de Carnaval em homenagem ao presidente Lula (PT), feito pela escola de samba Acadêmicos de Niterói, tem potencial de gerar condenação na Justiça Eleitoral a depender do que acontecer no dia do evento, na opinião de especialistas ouvidos pela Folha.
Embora achem que o samba-enredo não tem elementos suficientes para configurar propaganda eleitoral antecipada, parte deles cita trechos da canção que ficariam no limite da legalidade e fala na possibilidade da configuração de abuso de poder —o que poderia gerar a inelegibilidade e, caso reeleito, a perda do novo mandato do presidente. Outra parte não vê qualquer ilegalidade no tema do desfile, que ocorrerá no domingo (15).
O tema é alvo da oposição, que acionou o Ministério Público Eleitoral e o procurador-geral da República alegando, entre outros pontos, propaganda antecipada e violação do princípio de igualdade de oportunidades entre os futuros candidatos à Presidência nas eleições de 2026.
Lula, que já confirmou tentar a reeleição, vai ser homenageado pela Acadêmicos de Niterói, estreante do Grupo Especial de escolas de samba do Rio de Janeiro. O enredo "Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil" exalta a trajetória do mandatário e traz trechos como o grito de guerra "olê, olê, olá, Lula! Lula!", o mote "o amor venceu o medo" e referência ao número do PT nas urnas ("por ironia, 13 noites, 13 dias").
Deputados do Novo fizeram uma representação ao TCU (Tribunal de Contas da União) pedindo a devolução de dinheiro público entregue à escola ou que o desfile fosse impedido. Um técnico do tribunal recomendou a suspensão do repasse da verba, negado pelo ministro relator Aroldo Cedraz. O magistrado, entretanto, aceitou a representação, que está em andamento.
O recurso questionado vem de verba de R$ 12 milhões da Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo) entregues à Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro) para repasse de R$ 1 milhão para cada uma das escolas do Grupo Especial, dentre elas a Acadêmicos de Niterói.
Lula deve ver o evento na Sapucaí. Segundo especialistas ouvidos pela Folha, o contexto é inédito e tem brecha para contestação da oposição.
Segundo Raquel Cavalcanti Machado, professora de direito eleitoral da UFC (Universidade Federal do Ceará), são considerados propaganda eleitoral antecipada o pedido explícito de voto e o uso de "palavras mágicas", expressões semanticamente similares ao pedido expresso, como "apoie" ou "ele é o melhor para o cargo".
Para Machado, a letra do samba-enredo não resvala em nenhum dos casos, embora o trecho que faz referência ao número da sigla possa comprometê-la. Outro problema, afirma, pode vir de manifestação mais contundente no dia do desfile.
"Pode ser que frases mais apelativas terminem sendo ditas [na Sapucaí]. Isso por si só já traz um risco. As pessoas vão ter que se conter ". A multa por propaganda eleitoral antecipada é de até R$ 25 mil ou correspondente ao custo da propaganda, se mais caro.
Também poderia derivar do desfile a acusação de abuso de poder, caso o ato fosse entendido como promoção de candidato, custeada pelo poder público. A pena é de inelegibilidade e, em caso de candidato eleito, perda do mandato.
Ela acha pouco provável a classificação do evento como abuso de poder, mas diz que o argumento é "carta na mesa que pode ser usada pela oposição, diante de uma situação tão cinzenta".
Segundo Fernandes Neto, especialista em direito eleitoral e coordenador acadêmico da Abradep (Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político), o enredo não é propaganda antecipada porque não tem pedido explícito de voto, mas tem trecho no "limiar da legalidade" ao reproduzir o grito de guerra de Lula.
Para ele, há a possibilidade de se classificar o ato como abuso de poder, avaliação subjetiva que passaria pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e precisa considerar se o ato é "grave, com repercussão reprovável".
"Há uma destinação de valores públicos que pode ser interpretada como violando o princípio da impessoalidade e que pode gerar consequências de um abuso de poder político, econômico e de meios de comunicação, porque poderia, em tese, significar uma desigualdade no pleito", diz Fernandes Neto.
"Nesse sentido, eu considero muito preocupante para a candidatura e para o Lula, porque de fato colocaria o TSE em uma saia muito justa. Acho que nunca tivemos um problema desse em relação ao presidente da República".
Fernando Neisser, professor de direito eleitoral da FGV São Paulo, não identifica qualquer ilegalidade no samba-enredo. Ele tampouco vê problemas na verba concedida à escola, já que não há indícios de qualquer movimento por parte do presidente "para que essa homenagem acontecesse".
Vitor Rhein Schirato, professor de direito administrativo da USP, afirma que o valor idêntico entregue às escolas do Grupo Especial é compatível com o princípio da impessoalidade na administração pública. O que não pode acontecer, diz, é uma escola ser beneficiada, ou penalizada, pelo enredo que escolher. Por isso, ele não vê ilegalidade no uso do recurso público.
Secom nega ingerência na escolha de enredo
A Secretaria de Comunicação da Presidência da República negou "qualquer irregularidade ou caráter eleitoral" no desfile. Por meio de nota à Folha, afirmou que a verba é a mesma do ano anterior, distribuída de maneira igualitária, e que "não houve qualquer ingerência na escolha do enredo".
"A Secom-PR respeita a autonomia artística das escolas e entende que questionar o tema de um samba-enredo carece de base legal e pode refletir preconceito contra manifestações culturais."
A Embratur reforçou a destinação igualitária do valor às escolas do Grupo Especial e disse que "não interfere na escolha de sambas-enredo, respeitando a autonomia artística e a liberdade de expressão das agremiações".
A Acadêmicos de Niterói não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre como se deu a escolha do tema e os planos para evitar a propaganda eleitoral antecipada no dia do desfile.
Por Ana Gabriela Oliveira Lima/Folhapress
Mansão do lobby: como a Fictor tentou gerir recursos de Itaipu e fraudar depoimento na CPI do INSS
Casa de 500 metros quadrados alugada por ex-sócio da Fictor no Lago Sul, em Brasília, foi palco de encontros com ministros do governo Lula e de montagem de dossiê fraudulento contra testemunha em CPI
| Foto: Reprodução/X |
Investigada pela Polícia Federal e com dívidas de R$ 4 bilhões, a empresa de investimentos Fictor alugou uma mansão no Lago Sul, em Brasília, que foi usada para aproximação com o governo federal e abrigou pelo menos um evento com a presença de ministros do governo Lula. O local também foi palco de uma reunião para montar um dossiê contra uma testemunha da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e abastecer a bancada governista no colegiado.
A Fictor era uma relativamente desconhecida empresa do mercado financeiro que ganhou algum holofote por patrocinar o Palmeiras. Mas ficou famosa, mesmo, em novembro de 2025, quando anunciou um acordo para a compra do Master em consórcio com investidores dos Emirados Árabes - até hoje desconhecidos. No dia seguinte a esse anúncio, porém, o Master foi liquidado, o dono do banco, Daniel Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal e investigadores entraram no rastro da Fictor.
Antes disso tudo, a empresa vinha tentando se aproximar de políticos em Brasília para fazer negócios. Em um dos episódios descobertos pelo jornal O Estado de São Paulo, um consultor da Fictor, Felipe Alcântara, reuniu o deputado federal Paulo Pimenta (PT), líder da bancada do PT na CPMI, e o ex-policial civil Rogério Giglio, que havia gravado o advogado Eli Cohen e o acusou, na CPMI, de cobrar dinheiro da bancada bolsonarista para prestar um depoimento, também na comissão, contra o governo federal.
Giglio se retratou posteriormente, em cartório, do depoimento sobre Cohen. Em entrevista ao Estadão, disse ter sido pago por representantes da Fictor para mentir sobre Cohen e gravá-lo para abastecer o PT na CPMI. Pimenta disse que não sabia que a casa era da Fictor e se disse desconfiado do depoimento do policial que incriminava Cohen (leia mais abaixo).
Em outra ocasião, o mesmo consultor da Fictor tentou aproximar a empresa de Itaipu, para gerir recursos da hidrelétrica - o que acabou não acontecendo. A casa chegou a ser emprestada a petistas para a realização de um evento. O diretor-geral de Itaipu, Ênio Verri, esteve presente ao lado de próceres do partido, como a então presidente da legenda, Gleisi Hoffmann, e o então ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha. Gleisi disse ter participado do encontro, mas negou ter recebido proposta. Padilha negou ter ido a eventos nos quais recebesse propostas da Fictor. Procurado pela reportagem, Verri não quis se pronunciar.
A mansão
A casa de 497 metros quadrados fica na quadra 22 do Lago Sul, bairro de residências de alto padrão de Brasília. Ela foi alugada pelo ex-sócio da Fictor, Luis Phillippi Rubini, até dezembro de 2025. Hoje, Rubini é credor da Fictor em R$ 35 milhões em contratos de mútuo com a própria empresa. A casa era usada pela empresa e teve seu portão pintado de verde, cor usada pela Fictor em sua identidade visual. O próprio wi-fi, para quem adentrasse e quisesse usar internet, era batizado de “Piscina Fictor”.
Além dele, quem frequentava a mansão e tentou captar investidores para a empresa foi o consultor Felipe Alcântara. Ele afirmou ao Estadão que recebia um valor simbólico da empresa, de R$ 2,5 mil mensais, com a promessa de participação porcentual em contratos fechados.
Alcântara diz ter levado clientes privados à Fictor. Também afirma ter usado a casa para aproximação com políticos. “O Rubini me falou: Pô, olha, Você conhece bastante gente, pode trazer captação e você ganha aqui, acho que é 0,20% ou 0,30% sobre rendimento, pode ser uma boa para você. Ele me colocou lá”, disse Alcântara. Por meio de nota, Rubini respondeu que deixou a Fictor em dezembro de 2024 e negou “veementemente qualquer envolvimento com os fatos mencionados”.
A testemunha da CPMI
Em um dos episódios apurados pelo Estadão, a casa foi usada para uma articulação relacionada à CPMI do INSS. O objetivo era fazer um dossiê contra o advogado Eli Cohen, que foi um dos denunciantes da atuação de associações ligadas a um mesmo empresário que foi preso pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto, que investiga as fraudes bilionárias no INSS.
Além de expor o caso específico do empresário preso pela PF, Cohen criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), teve altercações com petistas e foi tido por eles como uma testemunha alinhada a bolsonaristas na comissão. Passou, então, a ser duramente questionado por governistas, que acusaram-no de mentir à CPMI e pediram uma nova convocação ao colegiado.
A reunião com Pimenta
No dia 24 de setembro de 2025, Alcântara reuniu o deputado federal Paulo Pimenta com o ex-policial civil de São Paulo Rogério Giglio, que havia trabalhado para Eli Cohen no passado.
Àquela altura, Giglio havia gravado Eli Cohen sem sua autorização em uma conversa informal em seu escritório. Também produziu um vídeo no qual acusa o advogado de pedir R$ 5 milhões para a bancada da oposição para depor de maneira desfavorável ao governo Lula na CPMI. Hoje, Giglio afirma que suas declarações eram mentirosas, que nunca houve extorsão, e assume ter feito o material falso sob encomenda da Fictor.
No encontro, segundo Giglio e Alcântara, Paulo Pimenta afirmou que suas declarações eram fortes, mas que não tinham boa corroboração em provas. Isso não impediria, porém, que Pimenta usasse o áudio gravado por Giglio para pedir uma nova convocação de Eli Cohen no mês seguinte, em outubro de 2025. Outros petistas também torpedearam Cohen na CPMI com uso da gravação, que foi publicada em veículos de imprensa, e com o uso de um depoimento de Giglio em cartório.
Ao Estadão, Alcântara afirma que foi apresentado a Giglio por um advogado de Rubini, ex-sócio da Fictor, e que tentou usar a situação para oferecê-la aos petistas. “Cara, eu conheço todo mundo, não tenho amizade com todo mundo, mas consigo chegar. Só que tinha que realmente comprovar irregularidade. Aí eu consegui através de relação que eu tinha, marquei esse encontro lá nessa casa mesmo e aí esse policial foi lá, chegou lá, ele relatou diversas coisas”, afirma Alcântara. Ele diz que Pimenta reclamou da falta de provas que confirmassem seu depoimento - o que o próprio petista confirmou em entrevista ao Estadão.
O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) afirmou ter participado do encontro, mas disse não ter sido informado que o imóvel era alugado por um executivo da Fictor. Ele afirma que foi levado à casa por um advogado de sua proximidade, que prometeu apresentá-lo a uma pessoa que “tinha interesse em apressar informações” que seriam relevantes sobre o depoimento que Cohen havia prestado à CPMI. Ele afirma preferir não expor o advogado que o levou à casa.
Também afirmou que Alcântara, o consultor, não se apresentou como representante do grupo. “Em nenhum momento esse senhor Felipe (Alcântara) se apresentou como sendo da Fictor. Estou sabendo agora dessa informação”, disse.
O parlamentar teria sido levado à reunião por um amigo com o objetivo de se reunir com Giglio. Na ocasião, pediu ao policial que oficializasse seu relato em depoimento à Polícia Federal e opinou que o vídeo da conversa com Cohen não tinha valor legal.
“Esse Rogério (Giglio) apresentou para mim um vídeo. Eu disse para ele que aquilo ali, sem um depoimento formal, não tinha qualquer valor. Um vídeo gravado com falas de uma pessoa não tem nenhum valor jurídico. Para nós, só teria interesse se houvesse uma formalização através de um depoimento na Polícia Federal”, disse.
À reportagem, Rogério Giglio afirmou que, no dia 4 de setembro de 2025, três dias após o depoimento de Cohen à CPMI, foi chamado pelo advogado Renato de Matteo Reginatto, a quem conhecia havia anos, ao seu escritório, no Itaim Bibi, em São Paulo. O advogado teria lhe oferecido um emprego para fazer trabalho de inteligência para a Fictor. Parte do trabalho seria de reunir informações sobre Cohen. Giglio afirma que receberia até R$ 30 mil mensais por um período de dois anos.
Gigilio relata que foi pressionado para prestar um depoimento mentiroso. “Foi totalmente direcionado. Eu assinei um depoimento com a versão que eles queriam. Ditaram, falaram para eu dizer que o Eli pediu dinheiro. Ele nunca pediu”, disse. Ele disse ter recebido de Alcântara a passagem para se encontrar com Pimenta em Brasília.
Reginatto, o advogado citado como contratante, nega a história. Diz que é advogado de Luiz Philippe Rubini, ex-sócio da Fictor, e também do próprio Giglio. Afirmou que não pode falar sobre o caso porque envolve clientes e qualquer declaração implicaria em ferir seu sigilo profissional, mas rechaçou que tenha oferecido emprego a Giglio. Ele afirma que “não tem interesse em Eli Cohen e suas disputas com Rogério Giglio Gomes”.
Por meio de nota, o ex-sócio da Fictor Luiz Philippe Rubini afirmou nunca ter conhecido Giglio e, quanto a Reginatto, seu advogado, disse que ele “prestou apenas serviços de consultoria a uma das empresas investidas da Fictor, sem qualquer relação com agendas políticas”.
Foi o consultor da Fictor, Felipe Alcântara, quem disse ao Estadão ter falado em cifras com o ex-policial. “Eu sabia que ele não tinha provas. E aí eu blefei, falei: ‘Olha, me entrega todos os fatos realmente que o Eli é um cara que tá em conluio com a direita, falsificando informação, que eu te garanto R$ 50 mil por mês. Se você fizer isso, tá garantido’. Essa foi a minha fala, entendeu?”, relatou.
Reginatto tem uma história antiga com Cohen. Ele foi alvo da Operação Encilhamento, da Polícia Federal, que investigou desvios em fundos de pensão municipais. Cohen era denunciante. A Justiça, em 2019, chegou a expedir mandado de prisão contra Reginatto, que acabou absolvido em novembro de 2025, por falta de provas.
Evento com petistas e Itaipu
Foi Alcântara que consultou a Usina Hidrelétrica de Itaipu sobre a possibilidade de a Fictor indicar uma gestora para gerir um fundo de reserva da empresa binacional. Pessoas que conhecem a negociação afirmam ao Estadão, em condição de anonimato, que a ideia seria a Fictor gerir até R$ 1 bilhão de Itaipu e partiu de Rubini.
A empreitada não andou porque havia impedimentos legais. Itaipu alegou que somente poderia aplicar esses recursos em bancos públicos, como a Caixa e o Banco do Brasil. “Foi feito um agendamento técnico. Tem e-mail trocado sobre isso. Foi tratado com o jurídico de Itaipu”, disse Alcântara.
O ex-deputado pelo PT e hoje dirigente de Itaipu indicado pelo governo federal, Ênio Verri, esteve presente mais de uma vez na mansão. Em uma delas, foi em um evento recheado de correligionários. Entre eles, o então ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e a então deputada federal e presidente do PT, Gleisi Hoffmann - hoje, sucessora de Padilha na pasta. Alcântara relatou ao Estadão que petistas ficaram desconfortáveis, depois, com o uso da casa da Fictor, e cortaram relações.
O presidente de Itaipu não quis se manifestar. Pessoas próximas afirmaram ao Estadão que ele de fato esteve na casa. A ministra Gleisi Hoffmann afirmou que “se recorda de ter sido convidada para um encontro com pessoas do Fictor, juntamente com outros parlamentares, durante o qual não ouviu, não discutiu nem encaminhou qualquer proposta de interesse do grupo”.
Alexandre Padilha afirma que “nunca participou de reuniões ou encontros em que este tema foi tratado, incluindo o período em que foi ministro de Relações Institucionais”.
Eli Cohen afirmou ao Estadão que “se forem confirmadas essas narrativas, os fatos revelam um quadro de extrema gravidade institucional, envolvendo fabricação de versões e provas, indevida provocação da Polícia Federal contra um advogado no exercício regular da advocacia, coação de depoentes, obstrução da Justiça e uso de estruturas políticas e econômicas para promover o linchamento reputacional de quem teve a coragem de denunciar o esquema de fraude contra os aposentados”. “Devemos exigir a apuração rigorosa e a responsabilização de todos os envolvidos”, diz.
Por Luiz Vassallo/Gustavo Côrtes/Carlos Eduardo Valim/Estadão
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