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Michelle diz que Bolsonaro vive ‘dias mais difíceis’ após Damares relatar que ele passou mal

Ex-primeira-dama e candidata ao Senado no DF afirma que marido enfrenta períodos de ansiedade e oscilações

Foto: Alan Santos/PR/Arquivo

Michelle Bolsonaro, candidata ao Senado pelo Distrito Federal, não participou presencialmente de um evento de campanha nesta sexta-feira, 2, em Brasília. Segundo a senadora Damares Alves (PL-DF), a ausência ocorreu porque o ex-presidente Jair Bolsonaro passou mal enquanto permanecia em casa, onde cumpre prisão por condenação relacionada à tentativa de golpe de Estado.

Após a declaração de Damares, Michelle afirmou que Bolsonaro não teve exatamente um mal-estar, mas vem enfrentando “dias mais difíceis”. Segundo a ex-primeira-dama, ele apresentou um quadro de ansiedade e tem passado por oscilações. “Não é que ele passou mal, ele tem tido dias mais difíceis”, afirmou.

A ex-primeira-dama também falou sobre a rotina de cuidados com o marido e sobre as dificuldades de conciliar essa tarefa com a campanha eleitoral. Segundo Michelle, Bolsonaro tem apresentado oscilações relacionadas à ansiedade.

“Estou presa com meu marido, todo mundo sabe, tenho horário pra sair e horário para voltar. Não é fácil ter que associar também uma campanha com os cuidados de casa e estar ali também dando todo apoio para ele, que está ansioso, oscila bastante”, disse.

Michelle afirmou ainda que a reta final da campanha tem contribuído para o aumento da ansiedade e contou que, naquele momento, havia pedido orações a líderes religiosos e pastores.

“Hoje saiu uma matéria da Damares, foi o momento que a gente pediu oração para os nossos líderes e nossos pastores, porque essa reta final também tem causado uma ansiedade e então ele oscila. Não é que ele passou mal, ele tem tido dias mais difíceis”, afirmou.

Damares afirmou que Michelle participou do encontro por meio de uma transmissão de vídeo. Segundo a senadora, a ex-primeira-dama aparentava estar abatida durante a participação virtual. “Hoje, à uma da tarde, nós tínhamos um evento aqui em Brasília com a Michelle, os últimos eventos de campanha. A Michelle não conseguiu ir porque o presidente Bolsonaro não passou bem”, declarou Damares.

Na sequência, a senadora fez críticas à situação judicial do ex-presidente e atribuiu a Bolsonaro a condição de vítima de perseguição política. Damares também afirmou que Michelle teria um papel fundamental nos cuidados prestados ao marido.

“O ministro Alexandre de Moraes prendeu ao mesmo tempo o Bolsonaro e prendeu a Michelle, pois ele não tem direito a um cuidador. A Michelle é a carcereira do Bolsonaro”, disse. Damares também afirmou que uma eventual derrota eleitoral poderia levar Bolsonaro a morrer na prisão.

Relatório médico aponta estabilidade

A declaração da senadora ocorre no mesmo dia em que foi divulgado um relatório semanal sobre o estado de saúde de Bolsonaro. O documento informa que o ex-presidente, de 71 anos, permanece sob acompanhamento médico domiciliar e apresenta quadro clínico estável.

Segundo o relatório, houve redução significativa na frequência e na intensidade dos episódios de soluços após um ajuste recente na medicação. A pressão arterial está controlada, enquanto a avaliação cardíaca é descrita como normal.

O documento registra ainda uma alteração residual na base do pulmão esquerdo. Apesar disso, os médicos afirmam que Bolsonaro mantém estabilidade hemodinâmica e cardiorrespiratória.

O relatório também aponta a permanência de efeitos secundários associados a medicamentos de ação central, entre eles instabilidade crônica no equilíbrio corporal e sonolência durante o dia. Por esse motivo, são recomendados cuidados preventivos para diminuir o risco de quedas.

A orientação médica inclui ainda a manutenção de atividades físicas voltadas ao fortalecimento muscular. Bolsonaro mantém, segundo o documento, uma dieta com baixo teor de acidez e de sódio, além de cuidados para reduzir riscos relacionados ao refluxo gastroesofágico.
Por Fabrícia Braga/Estadão

Embaixada dos EUA no Brasil fechou devido a ameaça de bomba em rede social sexta-feira,

Foto: Reprodução / Vinícius Schmidt / Metrópoles
Um perfil em rede social dizendo que colocaria uma bomba na embaixada americana foi o motivo que levou os Estados Unidos a fecharem sua embaixada e consulados no Brasil, segundo apurou a Folha com autoridades envolvidas na investigação.

Uma operação policial chegou até o autor da ameaça e não encontrou nada.

Segundo diplomatas americanos ouvidos pela reportagem, é bastante comum que haja mensagens com ameaças nas redes sociais a consulados e embaixadas americanas ao redor do mundo e elas são levadas muito a sério, dado o histórico de atentados contra o país. Mas não necessariamente levam a fechamento de todas as unidades diplomáticas dentro de um país.

O governo dos Estados Unidos suspendeu o atendimento em suas representações no Brasil a partir desta sexta-feira (2). O comunicado, publicado na véspera, diz que a decisão se dá por questões de segurança, sem citar mais detalhes sobre a motivação da medida.

Não há, por ora, previsão para o retorno dos atendimentos presenciais.

"Cidadãos americanos que precisarem de assistência emergencial durante esse período não devem comparecer à embaixada, aos consulados ou a outras instalações diplomáticas dos Estados Unidos", diz a nota divulgada. A orientação dada é entrar em contato com o oficial de plantão responsável pelo atendimento.

Em nota, aPolícia Federal disse não ter encontrado elementos que confirmem um suposto planejamento de atos que poderiam colocar em risco instalações diplomáticas dos Estados Unidos no Brasil. A corporação cumpriu nesta sexta dois mandados de busca e apreensão em São Paulo e no entorno do Distrito Federal para apurar o caso.

Por Patrícia Campos Mello | Folhapress

Servidor que mudou para o governo federal pode escolher regime de aposentadoria, decide STF Por Guilherme Matos, Folhapress

Servidores que deixaram cargos estaduais ou municipais para assumir posições no governo federal após 2013 e entraram no atual sistema de previdência complementar poderão escolher o regime anterior, decidiu o STF (Supremo Tribunal Federal) na quarta-feira (30).

Quem tomou posse após fevereiro de 2013 tem a aposentadoria limitada ao teto do INSS, com a possibilidade de complementar a renda futura aderindo ao Funpresp-Exe (Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal do Poder Executivo), que funciona como uma previdência complementar.

No regime anterior, o benefício não fica sujeito ao teto do INSS, apenas ao constitucional, mas seu cálculo depende das regras de aposentadoria aplicáveis ao servidor, inclusive das regras de transição. Ele continua valendo para quem ingressou no serviço público federal antes de fevereiro de 2013, data na qual a Funpresp-Exe passou a operar.

A controvérsia envolvia quem já era servidor de estado, município ou Distrito Federal e passou a ocupar cargo na União após 2013, sem romper o vínculo com o poder público. A União tratava esses casos como ingresso novo e os enquadrava na previdência complementar. Com a decisão do STF, o servidor passa a ter direito de optar entre os dois regimes, cabendo avaliar qual alternativa é mais adequada ao seu histórico de contribuições.

Para Diego Cherulli, diretor do IBDP (Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário), a decisão pacifica uma discussão que se arrasta há 13 anos.

"Existem casos de servidores que tinham 20 anos de contribuição acima do teto do INSS em cargos anteriores nos estados e municípios. Só por assumir uma nova função no poder público federal essa pessoa perderia todo o histórico previdenciário", disse.

Segundo Cherulli, o regime anterior não é necessariamente o melhor para todos, e o servidor precisa elaborar um planejamento previdenciário antes de decidir. A conta depende da capacidade de contribuição, do histórico em cargos anteriores e do salário que a pessoa recebia antes de assumir o emprego federal.

A decisão protege os cofres públicos, diz Cherulli, de gastar com ressarcimento de servidores que contribuíram acima do teto e de perder arrecadação.

"Se o Supremo mudasse a jurisprudência, teríamos um problema tributário gigantesco. Esses setores teriam que receber de volta o que contribuíram acima do teto em razão da decisão. Imagine a [taxa] Selic corrigindo tudo isso com juros", afirmou.

Para Cherulli, o julgamento do STF ajuda a reduzir a judicialização na Previdência uma das mais altas do mundo.

"O Supremo, nesse caso específico, compreendeu o risco que é o Poder Executivo ficar interpretando normas de forma extensiva para restringir direitos", disse.

A regra definida pelo STF vale apenas para quem não rompeu o vínculo com o serviço público.

Marcel Cordeiro, sócio da área de Direito Trabalhista e Previdenciário do Miguel Neto Advogados, afirma que o STF não fixou prazo máximo, em dias, para considerar que o vínculo não foi rompido.

No caso do julgamento, o intervalo foi de um dia. O autor do recurso ingressou no serviço público em 2008 e ocupou cargo municipal até 16 de maio de 2013. No dia seguinte, tomou posse no Instituto Federal do Rio Grande do Sul. Como a posse na União foi após 4 de fevereiro de 2013, quando a Funpresp-Exe passou a operar, ele foi enquadrado na previdência complementar.

A tese fala apenas em ocupação anterior de cargo efetivo "sem rompimento de vínculo com a administração pública". Segundo Cordeiro, intervalos maiores, férias entre cargos e exoneração sem posse imediata não foram dimensionados no julgamento. Cada situação, afirma, vai exigir prova de continuidade.

A decisão foi tomada em julgamento de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida (tema 1.071), e o entendimento será aplicado a todos os processos similares em todas as instâncias da Justiça. O relator foi o ministro Edson Fachin.

Por Guilherme Matos, Folhapress

Portas fechadas EUA e Austrália suspendem atendimento nas embaixadas brasileiras

Governo norte-americano não detalhou motivo da medida. Atendimento presencial não será feito nesta sexta-feira (2). Embaixada da Austrália disse que ficará fechada também nesta sexta.

Os Estados Unidos suspenderam o atendimento presencial na Embaixada dos EUA em Brasília e nos consulados do país em todo o Brasil nesta sexta-feira (2) por questões de segurança. A decisão foi anunciada na quinta-feira (1º) em um comunicado.

Na nota, o governo norte-americano não especificou as supostas ameaças que motivaram a medida.

O governo dos EUA não deixou claro que tipo de serviços consulares fornecidos pela embaixada foram suspensos. Também não especificou se seguirá emitindo vistos e passaportes no período.

A Embaixada orientou cidadãos norte-americanos que precisem de assistência emergencial a não comparecerem às instalações diplomáticas. Nesses casos, a recomendação é entrar em contato com o oficial de plantão responsável pelo atendimento.

Nesta manhã, a Embaixada da Austrália anunciou que ficará fechada ao longo desta sexta-feira. Em um comunicado, o governo australiano também alegou "'questões de segurança".

Consulados amanheceram fechados em cidades como Brasília e São Paulo. Na capital paulista, pessoas que haviam viajado para tirar o visto dos EUA encontraram o edifício fechado.


Após a Embaixada dos EUA emitir o comunicado, o Departamento de Estado dos EUA afirmou que a medida foi tomada seguindo uma orientação do governo de Donald Trump para priorizar a "segurança e a proteção dos cidadãos americanos".

Um porta-voz do departamento afirmou que embaixadas e consulados dos EUA usam um sistema de mensagens para enviar alertas a cidadãos norte-americanos sobre "ameaças, eventos e mudanças relevantes no Brasil". Mas não afirmou se o serviço foi acionado.

“Estamos trabalhando em estreita cooperação com contrapartes brasileiras para tratar de questões de segurança”, afirmou o porta-voz.

Ao jornalista Ricardo Abreu, da TV Globo, uma fonte do governo norte-americano mencionou uma ameaça de bomba, mas não deixou claro se a ameaça foi direcionada para a própria embaixada ou outro local em Brasília.

A fonte afirmou, no entanto, que os funcionários da embaixada trabalhariam de casa nesta sexta-feira.

A Secretária de Segurança Pública de Brasília disse não ter detectado nenhuma ameaça de segurança na capital.

"⁠Até o momento, não há indicativo ou ação concreta de risco identificada. Caso surjam informações relevantes e passíveis de compartilhamento, a PMDF realizará as devidas atualizações, mantendo as medidas preventivas pertinentes", disse a Polícia Militar do Distrito Federal, em comunicado.

Associações de imprensa manifestam 'profunda indignação' com intervenção judicial em regras do debate da Globo

Após receber duas intimações judiciais, a Globo decidiu cancelar o debate, programado para a noite desta quinta-feira (1º).

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) manifestaram, nesta quinta-feira (1º), em nota conjunta, "profunda indignação com a intervenção judicial nas regras previamente definidas" no debate que a Globo faria com os candidatos à Presidência da República.

"As entidades entendem que a interferência não se trata apenas de uma imposição de obrigações, sem previsões em lei, contra uma emissora privada. É, sobretudo, uma agressão à liberdade de imprensa ao forçar a condução do debate em desrespeito a regras acordadas há meses entre a emissora e os partidos", diz a nota.

Após receber duas intimações judiciais, 
A primeira foi assinada pela ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e atendeu a um pedido da coligação da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A segunda intimação recebida pela emissora foi referente a uma decisão proferida pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em resposta a um pedido feito pelo partido Solidariedade sobre a participação de Renan Santos (Missão) no debate.

Em outra decisão, da última terça-feira (29), o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, alterou entendimento da própria Corte eleitoral sobre a contagem de parlamentares no Congresso Nacional para fins de debate e decidiu que Romeu Zema (Novo) teria o direito de participar.

As associações disseram que os "excessos judiciais" impediram o acesso ao debate de propostas dos candidatos.

"Infelizmente, os excessos judiciais atropelaram o direito de os cidadãos terem acesso às propostas dos candidatos que, conforme prevê a lei eleitoral, já tinham sido convidados e se dispuseram a participar do debate", acrescenta o posicionamento divulgado pelas associações.
Os candidatos que haviam confirmado presença no debate da Globo lamentaram o cancelamento do encontro. Veja o que eles disseram aqui.

Leia a nota na íntegra:

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) se solidarizam com a TV Globo e manifestam profunda indignação com a intervenção judicial nas regras previamente definidas que levou ao cancelamento do último debate presidencial do primeiro turno.

As entidades entendem que a interferência não se trata apenas de uma imposição de obrigações, sem previsões em lei, contra uma emissora privada. É, sobretudo, uma agressão à liberdade de imprensa ao forçar a condução do debate em desrespeito a regras acordadas há meses entre a emissora e os partidos.

Infelizmente, os excessos judiciais atropelaram o direito de os cidadãos terem acesso às propostas dos candidatos que, conforme prevê a lei eleitoral, já tinham sido convidados e se dispuseram a participar do debate.

Brasília, 1º de outubro de 2026.
Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão
Associação Nacional de Editores de Revistas
Associação Nacional de Jornais

Por Redação g1, Brasília
https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/10/01/associacoes-de-imprensa-manifestam-profunda-indignacao-com-intervencao-judicial-em-regras-do-debate-da-globo.ghtml

Governo Trump quer enviar US$ 1 milhão para financiar grupos contrários ao STF, diz jornal britânico

O governo de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, planeja destinar US$ 1 milhão (aproximadamente R$ 5,2 milhões) em dinheiro público a grupos contrários ao STF (Supremo Tribunal Federal) sob a acusação de que a Corte extrapola as atribuições judiciais e impõe censura no Brasil, segundo reportagem do jornal britânico The Guardian.

O valor sairia do Fundo de Direitos Humanos e Democracia do Departamento de Estado em um pacote de US$ 176,9 milhões (cerca de R$ 916,4 milhões) para fortalecer iniciativas voltadas à direita e ao conservadorismo em diversos países.

A lei que autoriza o fundo determina que a verba seja destinada até 30 de setembro, e o governo Trump pressionou para fazer os repasses a poucas horas do fim do prazo.

No documento ao qual o veículo teve acesso, o projeto é chamado de "combate ao uso abusivo do sistema de Justiça e à censura no Brasil". Há 43 subsídios previstos do plano de Washington, incluindo US$ 2 milhões (R$ 10,4 milhões) a um programa supostamente destinado a proteger cristãos na Nigéria —Trump acusa a nação de perseguir o grupo e ordenou um ataque a Abuja em dezembro do ano passado.

Outros US$ 2 milhões seriam destinados ao combate ao que o governo americano classifica de "ideologia de gênero" na Polônia, na Eslováquia, na República Tcheca, na Hungria e nos Bálcãs. Há ações contrárias à imigração na Europa, projetos de combate a um suposto racismo contra brancos na África do Sul e iniciativas cujo objetivo é contestar a credibilidade de veículos de imprensa.

A Victims of Communism Memorial Foundation ("Fundação Memorial das Vítimas do Comunismo", em tradução livre), organização americana anticomunista ligada a um ex-funcionário da Casa Branca, receberia US$ 40 milhões (R$ 207,2 milhões).

"As propostas do governo Trump usariam dinheiro dos contribuintes para promover organizações e programas de extrema-direita em democracias consolidadas. Isso é um desperdício de recursos e enfraquece os valores dos EUA e suas relações com parceiros democráticos, inclusive aliados na Europa", disse ao Guardian a democrata Jeanne Shaheen, da Comissão de Relações Exteriores do Senado dos EUA.

A senadora manteve dez bloqueios impostos sobre os subsídios voltados ao Brasil, à África do Sul, à Nigéria e à Europa, mas o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, assinou um memorando ordenando que as restrições fossem desconsideradas e os recursos, empenhados, segundo um assessor do Congresso americano.

Questionado pelo jornal britânico, o Departamento de Estado não respondeu se realmente ignorou os entraves. O órgão também não comentou os subsídios de forma individual, mas afirmou que os programas ainda estão em "deliberação ativa", que os beneficiários atendem às diretrizes americanas para verbas federais e que as iniciativas passariam por um "processo rigoroso de verificação".

A reportagem do Guardian aponta que os subsídios listados demonstram que o governo Trump busca redefinir o que é considerado como ação de direitos humanos e o que deve receber auxílio dos EUA. Segundo fonte ouvida pelo jornal britânico e envolvida nas discussões sobre as verbas, os projetos listados recebem atenção dos mais altos escalões do governo americano e têm aval da Casa Branca.

A reportagem é publicada em meio ao temor de que os Estados Unidos interfiram nas eleições, marcadas para domingo (4), a favor do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) —cujo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi condenado e está preso por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Autoridades da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) apontaram supostas intervenções dos EUA e da Rússia antes das eleições durante uma visita das delegações da França e da Alemanha a Brasília em setembro, segundo fontes e documentos consultados pela agência de notícias Reuters.

Conforme um relatório das reuniões elaborado por um dos participantes, membros da Abin teriam afirmado que a ingerência americana iria "da instrumentalização do sistema jurídico à interferência admitida abertamente". Não há detalhes sobre a suposta interferência russa.

A questão foi abordada também no discurso do presidente Lula (PT), que concorre à reeleição, na Assembleia-Geral da ONU (Organização das Nações Unidas). Sem citar Washington, o petista mencionou interferências praticadas pela "maior potência militar do mundo".

"Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais", disse o mandatário. "Diferenças ideológicas não devem ser obstáculo para integração entre vizinhos. A democracia está em xeque."

Em sua fala, Lula fez também uma referência indireta à relação da família Bolsonaro com Trump: "Sabemos que alguns abusam dessa liberdade [de expressão dos candidatos durante o pleito] para se associar a interesses estrangeiros contrários ao país".

Flávio se encontrou com Trump em maio, ocasião em que disse ter pedido ao presidente americano para que as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) fossem classificadas de organizações terroristas pelos EUA.

Na época, a campanha do candidato do PL lidava com o auge do desgaste provocado pela revelação de que Flávio pediu dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme "Dark Horse", sobre a vida de Jair Bolsonaro.

Em julho, ao lado do irmão e ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o senador participou de uma audiência promovida pelo Escritório de Comércio dos EUA, na qual defendeu que Trump adiasse a taxação de produtos brasileiros para depois das eleições.

Eduardo foi condenado em junho deste ano no STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação durante o processo em que era réu por ter atuado nos Estados Unidos para intimidar o Judiciário brasileiro e impedir a análise da trama golpista. Seu mandato foi cassado pela Câmara em dezembro de 2025.

Como a Folha mostrou em setembro, uma série de contas estrangeiras ligadas ao ecossistema de Trump têm, publicado conteúdo pago para divulgar a disparada de Flávionas apostas da empresa americana Polymarket, bloqueada desde abril no Brasil.

A lei eleitoral veda o impulsionamento de propaganda para qualquer candidato por terceiros e proíbe doações (em dinheiro ou estimáveis) de entidades estrangeiras. Questionada, a campanha de Flávio respondeu que não tem conhecimento sobre os anúncios.

Por Marina Costa, Folhapress

Lula liga ao vivo para Dino, do STF, e é questionado por Flávio Bolsonaro Por UOL/Folhapress 30/09/2026 às 07:30

O presidente Lula (PT) ligou para o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino nesta terça-feira (29), durante evento do governo federal em Belém, antes de sancionar um projeto de lei. O momento foi transmitido ao vivo, mas Dino não foi ouvido no ato.

A ligação repercutiu e gerou críticas de Flávio Bolsonaro (PL), adversário do petista na corrida ao Palácio do Planalto. O senador perguntou se o magistrado segue subordinado ao presidente por ter sido ministro da Justiça de 2023 a 2024.

Lula telefonou para Dino durante uma visita ao Hospital João de Deus, na capital paraense. O presidente sancionou um projeto que o ministro apresentou quando era senador.

O texto cria uma estratégia nacional de controle e avaliação da qualidade da assistência à saúde prestada pela iniciativa privada, estendida à rede pública. Quem não cumprir as regras pode receber multas entre R$ 5.000 e R$ 500 mil.

O então congressista protocolou a proposta após a morte do filho de 13 anos, em 2012, em decorrência de um quadro de asma. A família entrou na Justiça contra o Hospital Santa Lúcia, em Brasília, por suposta negligência médica.

"Ô, Flávio [Dino], deixa eu lhe falar uma coisa. Eu estou aqui em Belém, vou sancionar a lei da dor de um pai, o projeto de lei que você fez e foi aprovado por conta da morte do seu filho de 13 anos", disse Lula. "Então, estou te ligando. Estou ao vivo aqui. Eu não queria sancionar sem falar com você", acrescentou.

Não foi possível ouvir a resposta de Dino. Lula queria transmitir a resposta, mas depois deixou isso de lado.

Flávio Bolsonaro questionou, em post nas redes sociais, se Dino é subordinado do petista no Supremo. "Lula ligou para Flávio Dino como se fosse um político subordinado de seu governo. Será que Dino continua sendo subordinado do Lula no STF?", escreveu o senador no X (ex-Twitter).

Lula indicou Dino à Suprema Corte brasileira em 2023. Antes, foi deputado federal, governador do Maranhão e senador.

No ano passado, ele fez uma homenagem ao filho no Instagram, com a imagem de um peixinho, apelido do garoto. Também informou que doaria o valor da indenização, de R$ 1,2 milhão. O ministro entrou na Justiça e venceu ação sobre o caso após 13 anos.

"O que a gente está fazendo agora é o seguinte, a gente está dizendo que, nesse país, as pessoas serão tratadas com dignidade, independente do berço em que nasceram, do hospital em que nasceram. Se nasceu de parteiro ou nasceu em um hospital mais rico, as pessoas vão ser tratadas do mesmo jeito", apontou Lula.

Por UOL/Folhapress

Clubes cogitam paralisar o Brasileiro em protesto contra o fim das bets

                Ação conjunta tem como objetivo pressionar o governo federal a rever MP

Dirigentes de alguns dos principais clubes da elite do futebol brasileiro debateram nos últimos dias ações conjuntas para reverter ou minimizar os efeitos da medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que baniu a operação das casas de apostas no país, as maiores patrocinadoras do futebol na atualidade.

Entre as possibilidades levantadas pelos cartolas, há uma medida considerada extrema, com a paralisação do Campeonato Brasileiro —a última vez que o certame ficou suspenso ocorreu entre março e agosto de 2020, no auge da pandemia de Covid-19.

A ideia passou a ser discutida durante conversas entre os dirigentes na véspera da reunião convocada pelo governo federal e intermediada pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) a pedido do Planalto. O encontro estava marcado para esta terça-feira (29), mas foi cancelado pelo risco de boicote dos clubes. A ausência seria a primeira sinalização de pressão ao governo.

A possibilidade de parar o Brasileiro reforça esse movimento. A ideia é buscar junto ao governo federal uma solução que vá além do plano apresentado até agora, com uma linha de crédito com juros mais baixos. Os clubes pleiteiam um período de transição antes do fim das bets, com o argumento de que a suspensão abrupta compromete não só o orçamento de 2026, mas também os compromissos previstos para 2027.

Na segunda-feira (28), ao sancionar um projeto com diretrizes para o desenvolvimento do futebol feminino no Brasil, Lula voltou a criticar as bets e afirmou que o esporte viveu momentos de glória sem depender do dinheiro do setor.

"Esse negócio da gente ter acabado com as bets não traz nenhum prejuízo para o futebol", afirmou Lula. "Os melhores momentos da história do futebol brasileiro, não existia a bets", acrescentou.

Em 2025, o patrocínio somado das bets aos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro somou cerca de R$ 1,03 bilhão, um crescimento de aproximadamente 66% em relação aos R$ 618 milhões aportados pelas empresas do setor no ano anterior, de acordo com levantamento da consultoria Convocados.

A ameaça de não entrar em campo também tem como objetivo fazer a CBF ser mais ativa no debate sobre o fim das bets. A entidade, inclusive, é diretamente afetada pela MP, já que mantém contrato com o site de apostas Betano.

Até o momento, a entidade máxima do futebol brasileiro tem evitado se expor nesse debate. Procurada nos últimos dias para comentar sobre a MP, a CBF limitou-se a dizer que não iria se manifestar. Nesta terça, em meio à possibilidade de boicote ao Nacional, a entidade foi novamente procurada pela reportagem, mas voltou a manter a postura.

A entidade, contudo, já havia informado que foi acionada pelo governo federal para atuar como intermediadora da discussão com times das Séries A, B, C e D do Campeonato Brasileiro.

A escolha da CBF como interlocutora também ocorre em uma entidade cuja atual cúpula reúne dirigentes com vínculos diretos com a política. Entre os oito vice-presidentes, por exemplo, está Gustavo Dias Henrique, responsável pela articulação política da confederação e primeiro suplente de Renan Calheiros (MDB) na disputa pelo Senado por Alagoas.

Nos bastidores, um dos nomes também apontados como influentes na atual gestão é Francisco Schertel Mendes, filho do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes, vice-presidente da FMF (Federação Mato-Grossense de Futebol) e integrante da assembleia da CBF.

Por Gabriel Vaquer/Luciano Trindade/Folhapress

Lula é questionado sobre whisky que ganhou de Daniel Vorcaro e diz: "já bebi"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou em entrevista à BandNews neste domingo, 27 de setembro, que, caso tenha recebido de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, o whisky citado pelo advogado Walfrido Warde em mensagens, já consumiu a bebida.

Questionado pelo jornalista da BandNews, Lula afirmou: “Se me deu whisky, já bebi. Eu ganho muita coisa, lembrança, sabe? Não sei me deu, mas se deu já bebi, pode ficar certo”, afirmou o presidente Lula.

O comentário aconteceu após a Polícia Federal revelar na semana passada mensagens nas quais Walfrido Warde, que integrava a defesa do ex-banqueiro, trocou com Vorcaro dizendo que havia conversado com Lula e que o presidente teria agradecido novamente pelo whisky recebido de Vorcaro.

“Querido, estive com o PR [Presidente da República] hoje. Ele me perguntou se você estava bem e mais tranquilo. Eu lhe disse que sim. Ele agradeceu mais uma vez o whisky e mandou um abraço. Outros detalhes eu conto pessoalmente”, escreveu Warde a Vorcaro. O ex-banqueiro respondeu com um emoji de coração.

Vale lembrar que a mensagem foi enviada em 22 de janeiro de 2025, 49 dias depois de uma reunião entre Lula e o então dono do Banco Master no Palácio do Planalto. Na entrevista, Lula foi questionado sobre a atuação de Warde na tentativa de estabelecer uma interlocução entre Vorcaro e o governo.

O presidente disse não saber o que o advogado teria afirmado a terceiros. “O lobista fala bom dia para você, ele fala que dormiu com você. Eu recebi o cara [Vorcaro]. A conversa do Walfrido eu nego, eu não sei o que que ele falou. […] Você acredita em tudo que advogado lobista fala? Como é que eu posso controlar a língua de advogado?”, completou.

Lula também comentou sobre o encontro com Vorcaro, ocorrido em dezembro de 2024. O presidente afirmou que o então dono do Banco Master apareceu no gabinete acompanhado de Augusto Lima, que era sócio do banco, e disse que estava sendo perseguido e que havia uma tentativa de quebrar a instituição.

De acordo com Lula, Gabriel Galípolo, então diretor de Política Monetária do Banco Central (BC) e atual presidente da instituição, também participou da conversa.

“Olha esse cidadão apareceu junto com outro cidadão chamado Augusto, acho que era o sócio dele, apareceu no meu gabinete, tava lá a duas ou três pessoas, tava inclusive o Galípolo, porque eu chamei para participar da conversa, me dizendo que tava sendo perseguido e que estavam querendo quebrar o banco dele. Eu falei o seguinte: ‘Olha, não vai ter perseguição política’. Você pode ficar certo que no meu governo não tem perseguição política. Você tá tendo chance de se defender. Nós vamos apurar. Se você tiver errado, você paga o preço. Se não tiver errado, você não paga. Ele que tava errado, pagou. Tá preso”, disse o presidente.

A reunião ocorreu em 04 de dezembro de 2024 e não estava previamente agendada, segundo a Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República).

Torcida do Flamengo se enfurece após deboche de Lula e enquete mostra percentual de rejeição surreal

Torcida do Flamengo se enfurece após deboche de Lula e enquete mostra percentual de rejeição surreal
Uma enquete publicada pelo perfil iSempreFlamengo no X terminou com 93% dos votos para Flávio Bolsonaro (PL) e 7% para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após perguntar aos seguidores em quem votariam para presidente. A votação, encerrada com 25.823 participações, circulou nas redes sociais em meio às recentes críticas de alguns torcedores do Flamengo ao governo federal após a proibição das bets no país.

A publicação ocorre após a discussão entre o governo e clubes de futebol sobre o fim das casas de apostas ganhar espaço nas redes sociais. Alguns torcedores identificados com o Flamengo fizeram críticas a Lula após a medida, enquanto clubes haviam pedido prazo de 90 dias para se adaptar ao encerramento dos patrocínios de empresas do setor.O tema já vinha provocando repercussão antes da enquete. Entre 14 e 21 de setembro, publicações relacionadas às restrições às bets somaram 654,8 mil posts e 9,3 milhões de interações nas redes sociais, segundo levantamento do Instituto DX divulgado pela Folha de S.Paulo. A análise encontrou tanto críticas aos clubes quanto manifestações sobre os impactos da proibição.

A dimensão da torcida rubro-negra também tem sido mencionada no debate. Pesquisa Datafolha realizada em julho mostrou que 22% dos brasileiros entrevistados declararam torcer para o Flamengo, o maior percentual entre os clubes. O levantamento ouviu 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 139 municípios e tem margem de erro de dois pontos percentuais.

Consultoria da Faria Lima auxiliou registro de Rockbridge, grupo conservador dos EUA, no Brasil

Criação do que seria o braço brasileiro do grupo cofundado pelo vice-presidente JD Vance tem assinatura de advogado que atua em São Paulo

Uma consultoria jurídica com escritório na avenida Brigadeiro Faria Lima, centro financeiro de São Paulo, auxiliou no registro, nos Estados Unidos, do que seria o braço brasileiro do grupo conservador americano Rockbridge, alvo de representações do PT na Justiça Eleitoral por suposta intervenção a favor da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), denúncia feita também pelo partido Missão.


A Rockbridge Brazil LCC foi aberta em maio, no estado do Wyoming (EUA), sob responsabilidade de Chris Applegate, um assessor do vice-presidente JD Vance.

A Rockbridge Network é um grupo cofundado por Vance, que conta com a participação de empresários do Vale do Silício como o bilionário Peter Thiel, e que defende pautas da direita radical.

Grupo começou um processo de instalação no Brasil, interrompido por causa da eleição. Seus representantes fizeram contato com empresários e políticos brasileiros.

No órgão equivalente à junta comercial do Wyoming, uma empresa especializada em serviços de representação comercial, a Cogency Global, foi registrada como representante da Rockbridge Brazil. Applegate aparece como "organizer", figura que no Brasil poderia ser advogado, contador ou despachante. A legislação do Wyoming não exige que o dono da empresa seja identificado em seu registro.

O e-mail de contato de Applegate é do advogado Stephen Wade Angus, sócio do escritório Jones Day, que tem uma filial no quinto andar do edifício Plaza Iguatemi, na Faria Lima.

O advogado é especialista em fusões e aquisições e já trabalhou com empresas do setor agrícola, sucroenergérico, industrial e financeiro. Na junta comercial paulista, ele é listado também como diretor da Jones Day Serviços de Consultoria Ltda, empresa constituída em 2009.

Angus é membro do conselho diretor da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, segundo site da instituição.

A reportagem enviou perguntas a Angus e ao escritório paulistano do Jones Day sobre os serviços prestados à Rockbridge Brazil, mas não teve resposta.

Uma reportagem do jornal The New York Times publicada em abril descreve Chris Applegate como o assessor que supervisiona relacionamentos de Vance com doadores e assessora o Comitê Nacional Republicano, a Rockbridge e a Casa Branca.

No começo deste mês, o candidato à Presidência Renan Santos (Missão) publicou mensagens em sua conta na rede social X afirmando que o empresário carioca Pedro Sang seria um dos associados ao grupo e que estaria trabalhando na campanha de Flávio.

Na sabatina Folha/UOL realizada na manhã seguinte, Renan reafirmou as acusações. Ele diz que a Rockbridge atua na campanha de Flávio Bolsonaro por interesse em terras raras, e aponta Tallis Gomes, fundador da Easy Taxi e da G4 Educação, como elo do grupo no Brasil.

Em nota, Gomes confirmou que faz parte do Rockbridge, mas disse que não exerce funções de gestão ou representação. Disse também que não integra a campanha de Flávio Bolsonaro ou de outros candidatos, não arrecadou nem doou recursos eleitorais e que suas manifestações sobre a eleição são pessoais, sem relação com o G4.

Pedro Sang negou ter se associado à Rockbridge, embora tenha sido apresentado ao grupo em outubro do ano passado por André Marinho, seu amigo e candidato ao Governo do Rio de Janeiro pelo Novo. Ele disse que a intenção de trazer o grupo ao país está suspensa desde maio.

A campanha de Flávio negou que recursos estrangeiros tenham sido usados na sua campanha -- prática vedada pela legislação eleitoral.

Outra suspeita levantada pelo candidato do Missão foi a de que apoiadores do presidente Donald Trump estariam usando as redes sociais para propagandear a eleição de Flávio.

Uma série de influenciadores trumpistas passaram a divulgar mensagens patrocinadas no exterior com resultados de site de apostas como o Polymarket, entre outras notícias, que apontam vitória de Flávio na eleição. O Polymarket é proibido no Brasil desde abril.

A partir das reportagens, o PT ingressou com ações no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e o no STF (Supremo Tribunal Federal) contra a campanha de Flávio, pedindo instauração de inquérito e expedição de ofícios aos citados para esclarecimentos. Também solicitou que o Brasil busque por colaboração internacional para apurar os pagamentos das mensagens patrocinadas.

A campanha de Flávio afirma que não recebeu nenhum auxílio do exterior e que desconhece as publicações que divulgaram, de forma paga, sua disparada no site de apostas norte-americano.Por Bruno Ribeiro/Folhapress

Nossa Senhora Aparecida, o massacre de Maria Cristina e o silêncio cúmplice da imprensa e entidades de jornalistas

Nossa Senhora Aparecida, o massacre de Maria Cristina e o silêncio cúmplice da Imprensa e entidades de jornalistas
A @mcfernandes é uma das melhores jornalistas da mídia tradicional. Faz um trabalho absolutamente sério e não inventou uma fake news. Fez uma consideração perspicaz, aliás, e muito provavelmente baseada em apuração com gente de dentro da Igreja Católica. Antes dela eu já havia falado na TV Fórum que estava estranhando o movimento de bispos e padres nas redes defendendo a democracia e a soberania e que deixavam claro em postagens nas redes que parte da Igreja estava se posicionando contra a candidatura de Flávio Bolsonaro. Um vídeo de bispos da região amazônica foi o que me chamou a atenção para isso. Mas depois dele surgiram vários outros.

O Pastor Zé Barbosa explicou esse movimento. Havia uma reação a declaração de Flávio de que seu primeiro ato seria entregar o país ao senhor Jesus. Lideranças da Igreja entenderam aquela declaração como anti-católica por conta da valorização que a Igreja dá a Maria e a Nossa Senhora Aparecida, nesse último caso, especialmente no Brasil.

O fato de a Igreja Católica ter santos é algo tradicionalmente combatido pela ampla maioria das denominações evangélicas e a Maria Cristina não inventou o projeto de um ex-deputado bolsonarista que está disputando as eleições. Ele existe. Está arquivado e pode ser desarquivado a qualquer momento. Fontes da Igreja podem tê-la alertado para isso.

O que me espanta nisso tudo é que apesar do massacre que a colega de profissão está submetida tenham sido poucos os jornalistas que saíram em sua defesa. Ou preferiram o silêncio ou estão dizendo que ela produziu uma fake news. Em casos muito menos graves de ataques muitos deles e delas foram pras redes e usaram seus espaços para defender a liberdade de imprensa e de expressão. Agora se juntam à turba que provavelmente vai lhes cercear a voz se o seu candidato for eleito.

O mesmo silêncio se dá com as entidades profissionais de jornalistas. Estão quietas.

É absolutamente repugnante o que estão fazendo com uma excelente profissional.

Nada mais covarde e vergonhoso.

Como também se calaram diante da decisão do ministro terrivelmente evangélico de censurar as redes de centenas de pessoas. Numa decisão que ele demorou 40 minutos para tomar.

Espero que esse silêncio e esse massacre a Maria Cristina não custe a democracia no Brasil. Porque se isso acontecer esses colegas jornalistas terão sido cúmplices junto com as suas entidades.
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Tragédia interrompe agenda de Caiado neste sábado

O candidato ao planalto Ronaldo Caiado (Reprodução: TV Globo)
O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) cancelou os compromissos de campanha previstos para este sábado (26/09). Isso porque o deputado estadual Amilton Filho (MDB), de 41 anos, faleceu em um acidente de trânsito. O parlamentar morreu durante a madrugada em na BR-050, próximo a Cristalina (GO).

Caiado cancela agendas de campanha após morte

Dessa forma, a agenda de Caiado previa uma carreata em Cristalina, além de atos em Luziânia, Valparaíso de Goiás e Águas Lindas de Goiás. A suspensão foi comunicada pela assessoria de imprensa do candidato.

Deputado ficou preso entre as ferragens

Em suma, Amilton voltava de uma agenda eleitoral quando o carro em que estava bateu contra uma carreta estacionada, por volta de 1h30. Segundo o Corpo de Bombeiros, o político ficou preso às ferragens. Além dele, outras pessoas estavam no veículo, e as equipes de resgate as socorreram. As autoridades vão investigar as circunstâncias da colisão.

O deputado estava no segundo mandato na Assembleia Legislativa de Goiás e disputava a reeleição. Inclusive, ele também presidia a Comissão de Constituição, Justiça e Redação da Casa. O parlamentar deixa esposa e dois filhos.

Por fim, o velório deve ocorrer em Anápolis, cidade natal do político. A Assembleia Legislativa de Goiás decretou luto oficial de cinco dias.

Senador chama Carlos de “estrupício” e cobra presença em debate

O senador Esperidião Amin (PP-SC), candidato à reeleição, partiu pra cima de Carlos Bolsonaro (PL). Em um vídeo publicado nas redes sociais, ele não poupou críticas ao ex-vereador do Rio de Janeiro. “Carlos, sempre ouvi falar da tua fama de estrupício. Mas…“.

Deputada aciona PF e STF sobre sumiço de esposa de 'Sicário', 'testemunha-chave' do caso Master

Deputada aciona PF e STF sobre sumiço de esposa de ‘Sicário’, ‘testemunha-chave’ do caso Master 
A deputada estadual Bella Gonçalves (PT-MG) protocolou, nesta terça-feira (22/09), pedidos de esclarecimentos à Polícia Federal e ao Supremo Tribunal Federal sobre o paradeiro de Nathana Lopes Figueiredo, esposa de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como ‘Sicário do Vorcaro’, que estava com ele durante sua prisão no âmbito da Operação Compliance Zero.

Considerada pela própria Polícia Federal uma “testemunha-chave” das circunstâncias relacionadas a Sicário, Nathana recebeu autorização do ministro André Mendonça, relator do caso no STF, para deixar o Brasil e viajar para Dubai. Nathana havia se comprometido a prestar depoimento por videoconferência após a viagem. A deputada quer saber, portanto, se o depoimento efetivamente ocorreu, quais informações foram fornecidas e onde Nathana se encontra atualmente.

Documentos públicos citado na petição mostram que não há informações se Nathana efetivamente embarcou, onde está atualmente ou se prestou o depoimento prometido. A defesa dela afirma que Nathana não participou dos crimes investigados, não foi indiciada e não está submetida a medidas cautelares.

“O que estamos cobrando é transparência. Existem perguntas objetivas que precisam ser respondidas pelas autoridades responsáveis pela investigação: onde está uma testemunha considerada chave pela própria Polícia Federal? Ela prestou o depoimento que havia prometido? As provas apreendidas foram periciadas? E quais informações foram obtidas antes e depois da morte de Sicário? A sociedade precisa ter acesso às respostas, respeitando, evidentemente, os sigilos que ainda forem necessários à investigação”, afirma Bella Gonçalves.
PF tentou impedir que Nathana deixasse o país

Na petição encaminhada ao ministro André Mendonça, Bella Gonçalves questiona quais foram os fundamentos para a autorização da viagem e quais medidas foram adotadas para garantir que a saída do país não prejudicasse a produção de provas. A parlamentar solicita ainda que o STF informe quais dessas medidas já foram cumpridas, quais permanecem pendentes e quais foram as conclusões obtidas a partir das diligências relacionadas a Nathana.

Segundo a documentação apresentada pela deputada, a PF havia solicitado que Nathana fosse impedida de deixar o país justamente porque considerava que a viagem poderia comprometer a apuração. O pedido de retenção do passaporte, entretanto, foi negado por Mendonça, sob o argumento de que ela havia demonstrado disposição para colaborar com as investigações.
O que aconteceu no apartamento onde Sicário foi preso?

Bella também cobra informações sobre as diligências realizadas no apartamento de alto padrão em Belo Horizonte onde Sicário foi preso. De acordo com a petição, os documentos apontam que não havia roupas em quantidade que demonstrasse que o imóvel era utilizado como residência fixa do investigado.

A deputada quer saber se a propriedade do imóvel foi identificada e se as imagens das câmeras de segurança do condomínio foram analisadas. Durante a operação, a PF apreendeu o equipamento que armazenava as imagens e havia uma câmera no hall do apartamento.

Outro ponto levantado por Bella é a perícia dos três aparelhos celulares apreendidos com Sicário e Nathana. A deputada pede que a PF informe se os telefones foram periciados e quais provas ou informações foram obtidas a partir deles.
Informações sobre a morte de Sicário

Além das questões envolvendo Nathana, a petição enviada à Polícia Federal pede esclarecimentos sobre a morte de Sicário, que ocorreu dois dias depois de sua prisão, quando ele estava sob custódia da PF em Minas Gerais.

A deputada quer saber se o inquérito que apurou as circunstâncias da morte foi formalmente arquivado, em que data, por qual autoridade e com quais fundamentos. A deputada também solicita informações sobre eventuais procedimentos ainda em andamento relacionados às atividades atribuídas a Sicário no caso Banco Master e pergunta se ele prestou depoimento antes de morrer e quais informações teriam sido colhidas.

Sicário aparece nas investigações como integrante de uma estrutura denominada “A Turma”, apontada pela PF como responsável por atividades de vigilância, obtenção de informações e monitoramento de pessoas. A decisão judicial que descreve as investigações também aponta uma relação de prestação de serviços entre Mourão e Daniel Vorcaro.
Transparência sobre o caso Master

Nos dois documentos protocolados, Bella Gonçalves sustenta que os esclarecimentos são necessários para garantir transparência sobre elementos da Operação Compliance Zero e pede acesso aos documentos pertinentes, preservando eventuais informações que permaneçam sob sigilo legal.

Entre os pontos encaminhados pela deputada estão:
  • A condição de Nathana no processo, como testemunha ou investigada;
  • Se ela prestou depoimento após a prisão de Sicário ou por videoconferência em Dubai;
  • Seu atual paradeiro e eventual contribuição para as investigações;
  • Se a saída do país comprometeu a apuração;
  • A análise das câmeras de segurança do imóvel;
  • A perícia dos celulares apreendidos;
  • O fundamento da autorização para a viagem internacional;
  • As medidas cautelares determinadas e seu cumprimento;
  • A situação do inquérito sobre a morte de Sicário;
  • E as diligências ainda pendentes relacionadas ao caso.
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'Nova direita nasceu porque ninguém mais aguentava Caetano Veloso', diz cineasta Josias Teófilo

Em entrevista ao podcast A Máquina, diretor de documentário sobre Olavo de Carvalho afirma que comunicação da direita está muito agressiva e isso é perigoso

"A nova direita nasceu porque ninguém mais aguentava o Caetano Veloso." É assim que o cineasta conservador Josias Teófilo resume a reação da direita contra uma suposta hegemonia da esquerda na cultura. Teófilo dirigiu documentários sobre Olavo de Carvalho, "Jardim das Aflições", e sobre a ascensão do bolsonarismo, "Nem tudo se desfaz".

Em entrevista ao podcast A Máquina, ele diz que a internet permitiu romper a hegemonia da esquerda, mas que a comunicação digital da direita está ficando muito agressiva e isso é perigoso. E ele critica "Dark Horse", o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. "Achei péssimo (trailer). O projeto do filme é uma desculpa para arrecadar dinheiro para um grupo político".

No seu último filme, "Nem Tudo se Desfaz", o senhor discute o papel dos memes e das redes sociais na ascensão da nova direita. Qual foi a importância deles?

O bolsonarismo é um fenômeno de internet, seria impensável antes da internet. E aí temos uma interseção entre o olavismo e o bolsonarismo. No começo dos anos 2000, a imprensa foi se fechando em variações da esquerda. Então Olavo [de Carvalho] perdeu as colunas que ele tinha e não tinha matéria nenhuma sobre ele. Isso se manteve até quando eu fiz o filme [documentário 'Jardim das Aflições', de 2017]. Olavo precisava pagar as contas nos Estados Unidos, então criou um curso online pioneiro, em 2008. Para divulgar, ele criou o True Outspeak, que é a ideia genial de juntar Aristóteles com Alborghetti [jornalista policial e ex-deputado estadual paranaense].

Parece piada, mas era essa a ideia mesmo: aquele jeito de falar do Alborghetti e temas aristotélicos. Ele falava muito palavrão, ofendia, coisas que não se falavam em canais. Esse é um elemento fundamental da nova direita, a ideia da polêmica como iniciação. Chamar a atenção através da polêmica virou um modelo de negócios. O True Outspeak trazia muita gente para dentro do curso online de Filosofia, que chegou a ter cinco mil alunos. E formou várias pessoas que viriam a participar do governo Bolsonaro.

Um grupo específico tem grande relevância. Aqueles meninos da periferia de Fortaleza [José Mateus Salles Gomes e Mateus Matos Diniz] eram alunos do Olavo, viam o programa True Outspeak, e colocaram essas ideias em prática para criar uma página de memes pro Bolsonaro, o Bolsonaro Zoeiro.

Eles depois foram trabalhar na Presidência de Bolsonaro, naquele que ficou conhecido como o "gabinete do ódio"...

Eu não concordo com o nome. Não duvido que exista uma rede de difamação aí, existe até hoje. Mas não acho que seja desses rapazes. Eles estavam ali para fazer memes mesmo e moldaram a imagem do bolsonarismo. Carlos Bolsonaro chamou essas pessoas. Não à toa Carlos foi colocado no Rolls-Royce presidencial junto com o Bolsonaro e a Michelle [Bolsonaro]. Ele é importantíssimo, criou a imagem e a comunicação do bolsonarismo.

O que mudou na comunicação da nova direita desde Olavo de Carvalho?

Alguns elementos permanecem, como o uso massivo de memes e a comunicação bastante agressiva. Acho que a mudança principal é de IA, que me desagrada um pouco, porque é muito artificial, mas eles estão usando bastante.

A principal característica é usar todas as modas da internet. Apareceu o TikTok, vamos usar o TikTok. Apareceu IA, vamos usar. A esquerda é muito mais conservadora na comunicação. Aliás, é uma característica: a esquerda no Brasil é reacionária e a direita é revolucionária. A esquerda tem as instituições, o establishment, e a direita tem o uso da internet.

Agora, estou notando um aumento da agressividade. Tem muito candidato usando os embates diretos, vai para a Avenida Paulista, a gente não sabe onde é que vai parar. Acho perigoso, mas tem a ver com as coisas que o Olavo começou. Na verdade, tem a ver com o Bruno Tolentino (poeta e escritor de direita, tema de filme de Teófilo), que estabeleceu um novo grau de hostilidade. Tem o livro "Sapos de Ontem", em que ele critica os irmãos [Augusto e Haroldo de] Campos.

Quais os erros de comunicação da esquerda?

A esquerda não sabe fazer meme. Ela quer explicar demais. A linguagem tem que ser visual, não pode ser baseada no texto. Mas ela não sabe porque não precisa fazer. Ela tem os movimentos sociais, toda essa capilaridade social que a direita não tem, então não precisa.

O senhor assistiu ao trailer do filme "Dark Horse" sobre Jair Bolsonaro. O que achou?

Achei péssimo. É um filme que está errado desde o começo, filmado em inglês, diz que é "produção hollywoodiana", não tem nada de hollywoodiana. O projeto do filme é uma desculpa para arrecadar dinheiro para um grupo político. Custou caríssimo e a gente não vê esse valor de produção no filme. Realmente, é de se pensar onde foi parar esse dinheiro.

O senhor faria um filme sobre o Bolsonaro?

Esse filme aí não, jamais. Se você faz um filme para louvar um personagem assim, tem grandes chances de dar errado. Eu tive grande cuidado no "Nem Tudo se Desfaz" para que não se tornasse uma coisa, não digo nem partidária, mas retórica.

No final do seu filme, há uma fala do pesquisador João Cezar de Castro Rocha dizendo que Lula foi o bode expiatório das massas digitais após ter sido o presidente mais popular da história, e que as massas digitais precisam de sangue e elegerão um novo bode expiatório. Depois que seu filme saiu, em 2021, Bolsonaro foi julgado e preso. Quem será o próximo bode expiatório?

A gente precisaria é de um Napoleão, alguém que pegue esse processo revolucionário e dê uma forma estável. Os ganhos da revolução têm que ficar estabelecidos, a gente precisa parar com isso, e Flávio Bolsonaro não está com cara de ser essa figura. Acho que continua o processo revolucionário de busca por um bode expiatório. E aí ficam os dois lados tentando que o outro vire o bode expiatório indefinidamente.

O lado da esquerda não é nem Lula, eu acho que é o STF, porque o presidente muda de quatro em quatro anos, mas o ministro do STF fica. O problema é o seguinte: quando vai parar? É preciso ter uma estabilidade institucional e periga parar só com o fim da Nova República. A Nova República se estabeleceu muito formatada pela esquerda, com a Constituição Cidadã e no âmbito da cultura. Bruno Tolentino (poeta e escritor de direita, tema do próximo filme de Teófilo) veio para o Brasil em 1992 e quando chegou aqui ficou chocado com a hegemonia da esquerda.

A nova direita tem vários mitos fundadores. Um deles foi a entrevista que Tolentino deu à Veja, em que disse "Quero o país de volta". Ele criticou o establishment cultural da esquerda, a academia, a USP, a Folha. Tudo isso viria a ser o caldo da nova direita. E principalmente Caetano Veloso. A nova direita nasceu porque ninguém aguentava mais o Caetano Veloso. A nova direita tem militar, republicano, tem bolsonarista e antibolsonarista, como o MBL, tem todo tipo de gente, mas o que tem em comum é odiar o establishment cultural da esquerda. Caetano Veloso, Gilberto Gil, toda aquela cultura que foi elevada à cultura brasileira para exportação no governo Lula.

Outro mito fundador da nova direita foi o [filme] Tropa de Elite, que existe no nosso imaginário até hoje. O [diretor José] Padilha sabia que ele ia atingir um público de direita, conservador. Wagner Moura tá tentando fugir desse fantasma até hoje, mas não consegue. Então os mitos fundadores são: a entrevista de Bruno Tolentino, Tropa de Elite e a obra de Olavo. Tudo isso não chegou a ser expresso no Ministério da Cultura (secretaria) do governo Bolsonaro. Nem chegaram a saber quem é Bruno Tolentino, a colocar em prática as ideias de Olavo. Olavo morreu muito desgostoso com o governo Bolsonaro.

A cultura no governo Bolsonaro foi uma decepção?

Foi uma decepção profunda. Bolsonaro colaborou muito com a hegemonia da esquerda na cultura. Regina Duarte me falou uma vez que ele tinha um trauma na cultura por causa da facada, porque muita gente da cultura comemorou. Não todo mundo, evidentemente. Tem gente de direita, de esquerda, de centro, liberal, conservador, inclusive no cinema produzindo. Só que existe uma sub-representação do pessoal da direita, porque para não haver confusão, as pessoas acabam não falando de política. Muita gente não se expõe. Até eu, durante muito tempo, não me expus.

O senhor criou a associação Artistas Livres para lutar contra o que vê como viés de esquerda na cultura.

Criei junto com o (cineasta) Newton Cannito, que foi secretário do audiovisual do governo Lula, para lutar pela liberdade na arte, porque existe a censura oficial, gente de direita que não consegue aprovar um projeto no edital, porque há uma hegemonia da esquerda dentro das comissões, mas existe uma coisa velada também.

A gente está participando das conversas sobre os programas de cultura de vários candidatos. Temos diálogo com o governo do Estado e com a prefeitura de São Paulo. Existe muito espaço aí para pensar o que pode ser uma gestão que abra espaço para os cristãos, para os católicos, para os evangélicos.

A ideia é tirar um suposto viés woke da cultura ou das licitações?

Principalmente as cotas. Quem é homem, branco e heterossexual tem grande dificuldade de aprovar projeto, porque tem cotas. Já conversei com [Ronaldo] Caiado, com [Romeu] Zema, e tenho conversado também com a equipe do Flávio, mas estou um pouco desgostoso porque já vi que o caminho do Mário Frias está sendo seguido. Não acho que o Mário Frias volta, acho que ele volta é para a cadeia, não para secretaria nenhuma. Mas ainda acho que podem repetir todos os erros. Não atuar na cultura é não deixar um legado.

Numa gestão cultural anti-woke, quais seriam os temas privilegiados?

O principal é resgatar personagens da nossa história que foram negligenciados, como Gilberto Freyre e José Geraldo Vieira. Não tem um filme sobre Dom Pedro 2°, não tem um filme relevante sobre José Bonifácio.

Quem pode ocupar o espaço de Olavo de Carvalho como pensador da nova direita?

Tem o [escritor e acadêmico] Ronald Robson, um excelente pensador, que está continuando o trabalho do Olavo. Tem o Juliano Cazarré, tem o [diretor] Breno Moreira. Mas o pessoal confunde cultura na direita com marketing digital. E marketing digital é uma coisa efêmera, você vende o produto e isso não repercute.

Por Patrícia Campos Mello/Folhapress

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