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Presidente da CPI do INSS rebate Moraes e diz que comissão não vazou conversas do ministro

Presidente da CPI do INSS, o senador Carlos Viana (Podemos-MG) rebateu nesta sexta-feira, 6, a nota divulgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a pedido do ministro Alexandre de Moraes e afirmou que a comissão parlamentar não divulgou material sigiloso envolvendo integrantes da Corte.

A manifestação foi publicada nas redes sociais após a nota a pedido de Moraes afirmar que conversas encontradas no celular do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no dia em que foi preso foram tornadas públicas pela CPI do INSS. No comunicado, Moraes nega que prints de mensagens atribuídos ao banqueiro tenham sido enviados a ele.

Segundo Viana, a comissão atuou dentro dos limites legais e não foi responsável pelo vazamento de qualquer conteúdo sigiloso. "A CPMI sempre atuou dentro dos limites legais e regimentais", escreveu o senador. Ele acrescentou que é necessário identificar a origem das informações divulgadas antes de atribuir responsabilidade ao Parlamento.

O texto, divulgado pela Secretaria de Comunicação do STF, afirma que uma análise técnica constatou que o diálogo divulgado foi travado com outra pessoa, e que "as mensagens (prints) estão vinculadas a outros contatos telefônicos no computador de Daniel Vorcaro, jamais ao Ministro Alexandre de Moraes".

Na nota, o ministro não nega, porém, que tenha conversado com Vorcaro em 17 de novembro do ano passado, dia no qual o banqueiro foi preso pela primeira vez - na primeira fase da Operação Compliance Zero. Pessoas ouvidas pelo Estadão confirmam que houve troca de mensagens entre ambos neste dia.

A troca de mensagens se dava com prints no modo visualização única. Para manter o sigilo, tanto Vorcaro quanto Moraes escreviam textos em seus blocos de notas, capturavam a tela e enviavam as imagens com o recurso que só permite uma única visualização antes de apagar o arquivo.

Como mostrou o Estadão, várias dúvidas pairam no ar depois que a nota veio a público:

- Moraes afirma que não foi o destinatário das mensagens de Vorcaro vazadas, mas não nega, na nota, que tenha conversado com banqueiro no dia em que ele foi preso, em 17 de novembro do ano passado.

- Se Moraes não era o destinatário das mensagens nas quais Vorcaro pede ajuda para tentar salvar o Master, sobre qual tema ambos conversaram no dia 17 de novembro, data da prisão do banqueiro?

- Quem realizou a análise técnica dos dados telemáticos do banqueiro? A nota do STF não menciona o autor da perícia.

- Como o ministro teve acesso ao material que estava sob sigilo para proceder à análise dos dados?

- Os contatos dentro das mesmas pastas com os prints do bloco de notas de Vorcaro são dos destinatários das mensagens de Vorcaro, segundo a análise citada pelo ministro?

- Na troca de mensagens, as respostas do ministro a Vorcaro não são conhecidas por se tratarem de prints de visualização única. No entanto, em resposta à última comunicação do banqueiro registrada, às 20h48, Moraes responde com um emoji de "joinha", em suposta concordância. Sobre o que ele concordou ou deu uma resposta afirmativa?

- O ministro avalia como coincidência o fato de o horário dos prints de blocos de notas de Vorcaro ser muito próximo ou até o mesmo do registrado no envio das mensagens do banqueiro a Moraes no dia 17 de novembro, segundo registros obtidos pelo jornal O Globo?

- Se Moraes conversou com Vorcaro - o que ele não nega -, por que se comunicou com mensagem de visualização única, que some após o interlocutor abri-la?

- Por que um ministro do STF tinha contato pelo WhatsApp com um banqueiro que, publicamente, já era investigado pela PF?

Questionada sobre esses pontos pela reportagem, a Secretaria de Comunicação do STF afirmou que a manifestação se restringe à nota divulgada mais cedo a pedido de Moraes.

O conteúdo das mensagens

Segundo informações da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, confirmadas pelo Estadão, Vorcaro e Moraes trocaram mensagens pelo WhatsApp durante todo o dia 17 de novembro de 2025, data em que o banqueiro foi preso pela Polícia Federal pela primeira vez.

Dados extraídos do celular do executivo indicam que ele prestava contas ao ministro sobre negociações de venda do banco e sugerem diálogos a respeito de um inquérito sigiloso que tramitava na Justiça Federal de Brasília.

A defesa do banqueiro apresentou ao STF um pedido para investigar o vazamento de informações do conteúdo de seu celular, incluindo "conversas íntimas" e "supostos diálogos com autoridades e até com o ministro do STF Alexandre de Moraes". O pedido foi acolhido pelo ministro André Mendonça, relator do caso na Corte.

Nesta sexta-feira, Mendonça determinou que a Polícia Federal (PF) abra um inquérito para apurar a origem do vazamento de dados sigilosos de Vorcaro. As informações estavam sob a custódia da PF e foram compartilhadas com a CPI do INSS.

O Estadão confirmou com fontes ligadas ao caso que Vorcaro efetivamente trocou mensagens com Moraes naquele dia por meio de fotos de visualização única. Na extração de dados do celular do banqueiro, há sete imagens de rascunhos com mensagens sobre negociações do Master com o Banco Central. Em alguns desses arquivos, o horário de criação é próximo ao horário de envio das mensagens de Vorcaro ao ministro.

Nos textos, o banqueiro relata ter antecipado o negócio com o grupo Fictor para tentar salvar o banco e menciona que um possível vazamento de informações seria prejudicial, mas poderia servir de gancho para entrar no circuito do processo. Vorcaro questionou o magistrado por duas vezes se havia alguma novidade e chegou a perguntar diretamente: "Conseguiu bloquear?".

Um dos prints do bloco de anotações do celular de Vorcaro, registrado às 18h32, traz a pergunta: "Conseguiu ter notícia ou bloquear?".

A cronologia dos fatos indica que, enquanto falava com o ministro, o banqueiro monitorava o avanço das investigações. Segundo a PF, Vorcaro teria obtido informações sigilosas por meio de um acesso ilegal aos sistemas da própria corporação e tentou peticionar na 10ª Vara Federal de Brasília apenas 18 minutos após a decretação de sua prisão, em uma tentativa de barrar medidas cautelares.

Na última comunicação registrada, às 20h48, Vorcaro respondeu a uma possível dúvida sobre os negócios e afirmou que a movimentação poderia inibir algo não detalhado. Antes de encerrar, avisou que estava indo assinar com investidores estrangeiros, momento em que Moraes teria reagido apenas com um emoji de polegar levantado.

O executivo acabou preso pela PF por volta das 22h, antes de decolar rumo a Malta, de onde seguiria para Dubai.

Mendonça manda PF investigar vazamento

Carlos Viana também reagiu à decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no STF, que determinou a abertura de investigação para apurar eventual vazamento de dados relacionados à CPI.

O senador afirmou receber a medida "com serenidade e respeito institucional", mas ressaltou que o Congresso possui prerrogativas constitucionais próprias para conduzir investigações.

Por João Pedro Bitencourt, Estadão Conteúdo

Dono do Master dá entrada no sistema prisional e aparece de cabelo e barba raspados

Ex-banqueiro foi transferido nesta sexta (6) para um presídio federal de segurança máxima em Brasília
Foto: Divulgação
Já circulam nas redes sociais fotos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, após a prisão na terceira fase da Operação Compliance Zero. Depois de ser detido na última quarta-feira (4), o ex-banqueiro ficou no CDP 2 (Centro de Detenção Provisória) de Guarulhos (SP) e depois em um presídio de Potim, no interior do Estado.

As imagens registradas no sistema prisional paulista mostram o empresário já na condição de detento, com os cabelos e barba cortados e de camiseta branca.

Nesta sexta-feira (6), Vorcaro está sendo transferido para uma penitenciária federal de Brasília, onde está o principal líder da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e Marcos Roberto de Almeida, apontado como seu sucessor. Nicola Assisi, integrante da máfia italiana 'Ndrangheta, também está na unidade.

O dono do Banco Master foi preso na quarta-feira (4), em São Paulo. Segundo investigações, dono do Banco mantinha milícia privada com o objetivo de coagir e ameaçar seus desafetos

Na quinta (5), a Polícia Federal pediu ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que Vorcaro fosse transferido para uma penitenciária federal por, segundo a corporação, haver necessidade "premente de tutela da integridade física do custodiado". De acordo com a PF, as peculiaridades do caso exigem cautela redobrada.

Vorcaro e o cunhado Fabiano Zettel, também alvo da operação, estavam desde a manhã de quinta na Penitenciária 2 de Potim, a 195 quilômetros de São Paulo. A unidade tem capacidade para 844 pessoas, sendo 472 reeducandos
Por Rogério Pagnan/Ana Paula Branco/Folhapress

Entenda elos de Lulinha com escândalo do INSS e o que se sabe até agora

Menções a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT) nas investigações sobre o escândalo de fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) têm desgastado o governo e provocado embates com a oposição.

As investigações, conduzidas pela Polícia Federal por meio da Operação Sem Desconto, chegaram ao filho do presidente por meio de um lobista preso no âmbito do caso, o Careca do INSS, e de uma empresária próxima a Lulinha.

Embora não seja indiciado, Lulinha teve seus sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados por ordem do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), a pedido da própria PF. A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do INSS, instalada no Congresso, também aprovou a quebra.

Entenda a ligação de Lulinha com o escândalo do INSS e o que se sabe sobre o caso até agora.

O que é o escândalo do INSS?

A Operação Sem Desconto, conduzida pela PF em parceria com a CGU (Controladoria-Geral da União), apura um esquema de fraudes que teria desviado cerca de R$ 6,3 bilhões de beneficiários do INSS entre 2019 e 2024. A fraude consistia em descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões —cobranças feitas por entidades de fachada que não prestavam os serviços prometidos, como convênios médicos ou auxílio funerário.

O modelo que permitiu a fraude está previsto em lei desde 1991, mas cresceu de forma desproporcional a partir de 2019. O cenário se agravou em 2022, quando o Congresso eliminou a exigência de revalidação periódica da autorização dos beneficiários —o que permitiu que cobranças irregulares fossem mantidas por tempo indeterminado.

O ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto foi preso preventivamente em novembro. Ele é investigado por ter mantido em cargos estratégicos servidores ligados ao grupo suspeito, mesmo após denúncias internas. A prisão foi autorizada por Mendonça, relator do inquérito no STF. Stefanutto nega participação direta no esquema.

O que a PF investiga sobre Lulinha?

A PF apura citações feitas a Lulinha nas investigações da operação. Uma das linhas de investigação é a possibilidade de que ele tenha sido sócio oculto do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS e apontado como um dos operadores centrais do esquema de fraudes.

O nome de Lulinha também apareceu na CPI do INSS após reportagem do portal Poder360 mostrar que uma testemunha contou em depoimento à PF que o filho do presidente recebia mesada de R$ 300 mil do Careca do INSS.

Além disso, o empresário teria recebido, segundo essa mesma testemunha, a quantia de 25 milhões (não se sabe em qual moeda) do Careca do INSS e feito viagens com o lobista para Portugal. A testemunha é Edson Claro, ex-funcionário do Careca.

Quem é o Careca do INSS?

Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, é o lobista apontado pela PF como um dos operadores centrais do esquema de fraudes nos descontos de aposentadorias. Ele foi preso pela PF em setembro passado.

Em mensagem apreendida pela PF, Antunes pede a um operador que transfira R$ 300 mil a uma empresa em nome de Roberta Luchsinger, empresária próxima de Lulinha. Ao ser questionado sobre o destinatário do dinheiro, Antunes responde que seria "o filho do rapaz". A corporação investiga se a expressão se referia a Fábio Luís.

No total, a empresária teria recebido R$ 1,5 milhão do lobista, em parcelas. A PF aponta que a empresa que fez os repasses, a Brasília Consultoria Empresarial Ltda., é "empresa de fachada do grupo de Antônio Camilo Antunes".

A defesa de Antonio Carlos Camilo Antunes afirma que ele é inocente.

Quem é Roberta Luchsinger?

Roberta Moreira Luchsinger é empresária, sócia da RL Consultoria e Intermediações, e figura como um dos elos entre Lulinha e o Careca do INSS nas investigações. Segundo a PF, a empresária teria recebido, em parcelas, R$ 1,5 milhão do lobista. Ela foi alvo de busca e apreensão em seu endereço no bairro de Higienópolis, em São Paulo, em dezembro.

A PF descreve sua atuação como "essencial para a ocultação de patrimônio, movimentação de valores e gestão de contas bancárias e estruturas empresariais utilizadas como instrumentos da lavagem de capitais". Em mensagens apreendidas, por exemplo, ela orienta Antunes a descartar telefones após uma busca e apreensão.

Luchsinger é herdeira de um ex-acionista do antigo banco Credit Suisse. É amiga de Lulinha. Em 2017, anunciou que faria uma doação milionária a Lula, então investigado pela Operação Lava Jato. Ela se candidatou a deputada estadual em São Paulo pelo PT em 2018, mas não se elegeu.

A defesa de Roberta afirma que as transferências recebidas não têm relação com o INSS, mas decorrem de um projeto na área de canabidiol desenvolvido com o lobista. Segundo a defesa, as tratativas foram apenas iniciais, não chegaram a prosperar e ocorreram antes das revelações sobre os desvios nas aposentadorias.

Por que o sigilo bancário de Lulinha foi quebrado?

A quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, a pedido da própria PF —que enviou o requerimento cerca de um mês antes de ele se tornar público. A medida foi motivada pelas citações a Lulinha nas investigações da operação, em especial a possibilidade de sociedade oculta com o Careca do INSS.

No último dia 26, a CPI mista do INSS também aprovou a quebra de sigilos fiscal e bancário de Lulinha, em sessão contestada pelos governistas, que acusaram o presidente da comissão, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), de ter conduzido a votação de forma irregular. A bancada governista protocolou pedido de anulação.

O ministro Flávio Dino, do STF, decidiu suspender a quebra de sigilo. As informações de movimentação financeira, porém, vazaram antes.

O que a quebra do sigilo revelou?

Segundo as informações recebidas pela CPI, que foram divulgadas pelo portal Metrópoles e confirmadas pela Folha, Lulinha movimentou R$ 19,5 milhões em quatro anos. Ao todo, foram R$ 9,774 milhões em entradas e R$ 9,758 milhões em saídas de uma conta de Lulinha no Banco do Brasil entre 3 de janeiro de 2022 e 30 de janeiro deste ano.

Entre os valores recebidos estão R$ 721 mil de seu pai, o presidente Lula. Desse total, R$ 384 mil foram pagos em 22 de julho de 2022. Outras duas transferências aconteceram em 27 de dezembro de 2023.

A maior parte do dinheiro que entrou na conta de Lulinha vem dos rendimentos de duas empresas que ele possuí, a LLF Tech Participações e G4 Entretenimento e Tecnologia. Foram R$ 2,3 milhões em movimentações com a primeira e R$ 772 mil com a segunda.

O dono do sítio em Atibaia frequentado por Lula, Jonas Suassuna Filho, recebeu R$ 704 mil em parcelas mensais de R$ 10 mil.

A defesa de Lulinha afirmou que "o vazamento [da quebra do seu sigilo] configura crime grave, que está sendo imediatamente comunicado a todas as autoridades competentes". "Não pouparemos esforços para apurar e punir os responsáveis", afirmou.

O que o STF decidiu sobre a quebra de sigilo?

O ministro Flávio Dino suspendeu, em caráter liminar (provisório), a quebra de sigilo aprovada pela CPI do INSS contra Roberta Luchsinger. A decisão se baseou no fato de a comissão ter aprovado 87 requerimentos de uma só vez, em votação "em globo", sem apresentar fundamentação individualizada para cada medida.

Para Dino, "não é cabível o afastamento de direitos constitucionais no atacado". A medida suspendeu os efeitos da decisão da CPI e impediu o compartilhamento dos dados com outros órgãos.

Horas depois da decisão, a defesa de Lulinha aproveitou o precedente e pediu a extensão do benefício ao filho do presidente, com os mesmos argumentos. Ao menos outros cinco pedidos semelhantes foram apresentados por investigados no mesmo dia.

Segundo a liminar de Dino, a CPI poderá refazer a análise dos pedidos, desde que apresente fundamentação concreta e votação individualizada para cada requerimento. A decisão foi enviada para referendo do plenário do STF.

O que Lula disse sobre o caso?

O presidente Lula adotou publicamente uma postura de não interferência. Em entrevista em dezembro, afirmou que "ninguém ficará livre" de investigação se estiver envolvido —incluindo o próprio filho. "Se tiver filho meu metido nisso será investigado. Se tiver o Haddad vai ser investigado, o Rui Costa com essa seriedade vai ser investigado", disse.

O presidente também relatou ter chamado Lulinha a Brasília para cobrar explicações pessoalmente. Segundo relatos, a conversa ocorreu em dezembro. Lulinha disse ao pai estar "100% tranquilo" e ironizou rumores sobre suposta evolução patrimonial. Lula recomendou que o filho se defendesse.

Nos bastidores, auxiliares do presidente reconhecem preocupação com o impacto político do caso na campanha à reeleição. A blindagem de familiares de Lula era considerada estratégica pelos governistas na CPI —estratégia que não se sustentou.

Por Folhapress

Mensagens de Vorcaro mostram trânsito entre STF, Congresso, governo e empresários

Mensagens obtidas pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) a partir da quebra de sigilo telefônico do ex-banqueiro Daniel Vorcaro revelam que o dono do Banco Master mantinha interlocução com autoridades dos três Poderes e com grandes empresários, segundo diálogos trocados com sua então namorada, a influenciadora Martha Graeff.

O material, enviado pela Polícia Federal ao Congresso e obtido pela Folha, traz relatos de encontros com ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), líderes do Senado e da Câmara dos Deputados, integrantes do governo federal e integrantes do setor produtivo.

O ministro do Supremo André Mendonça liberou em 20 de fevereiro o acesso do colegiado aos arquivos decorrentes de quebra de sigilo. As conversas abrangem o período entre 2024 e agosto de 2025, três meses antes da liquidação do Master pelo Banco Central e da primeira prisão de Vorcaro.

As mensagens (leia abaixo) mencionam políticos influentes do Congresso. Vorcaro se refere ao presidente do PP e senador Ciro Nogueira (PI) como "um dos meus grandes amigos de vida" e comemorou, em agosto de 2024, a apresentação de uma proposta do parlamentar para ampliar a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF.

A iniciativa ficou conhecida como "emenda Master" por favorecer o banco e foi engavetada após resistência do setor bancário. Os CDBs do Master ofereciam taxas que chegaram a 140% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) e usavam em sua campanha de marketing a cobertura pelo FGC para sugerir que estava livre de riscos.

Procurado, o senador afirmou que mantém diálogo com "centenas de pessoas" e disse nunca ter mantido qualquer conduta inadequada relacionada ao caso.

O ex-banqueiro também relatou encontros com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Em mensagem de fevereiro de 2025, disse que participava de um jantar com Motta e seis empresários na residência oficial da Câmara, pouco depois da eleição do parlamentar para o comando da Casa.

Em outro diálogo, afirmou que Motta e Nogueira haviam chegado a uma reunião para falar com alguém chamado "Alexandre". A reportagem não obteve retorno da equipe de Motta.

Vorcaro também afirma que se encontraria com o ministro do Supremo Alexandre de Moraes em abril de 2025. Em conversa com a namorada, o então banqueiro escreveu que estava "indo encontrar Alexandre [de] Moraes aqui perto de casa", ao que ela perguntou se o ministro estava "em Campos".

Posteriormente, Graeff voltou a mencionar um encontro entre os dois e perguntou se Moraes havia gostado da casa. Vorcaro responde que sim. Procurado pela assessoria do STF, o ministro não se manifestou.

Outras conversas mostram a proximidade de Vorcaro com autoridades do Executivo. Em dezembro de 2024, ele relatou à namorada que teve uma reunião "ótima" com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Palácio do Planalto.

Segundo o relato, o petista chamou para a conversa o então diretor do Banco Central Gabriel Galípolo, hoje presidente da autarquia, além de três ministros do governo. Na ocasião, Vorcaro teria reclamado da concentração do mercado bancário no país.

O material também traz referências a encontros políticos ligados ao negócio frustrado de venda do Banco Master. O banqueiro disse à namorada ter se reunido com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), em agosto de 2025 para definir uma "estratégia de guerra" quando o Banco Central avaliava a compra da instituição pelo BRB, banco estatal do DF.

O governador afirma que nunca discutiu a aquisição com Vorcaro e que os encontros entre eles foram rápidos.

A agenda telefônica de Vorcaro continha os contatos do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e diversos senadores, Hugo Motta, os ministros Alexandre de Moraes, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli, ministros do governo Lula, além de políticos relevantes sem mandato, como o ex-governador João Doria e o dirigente petista José Dirceu.

No campo empresarial, as mensagens mencionam disputas com o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual. Vorcaro disse que se reuniu com ele a pedido do Banco Central para ouvir uma proposta envolvendo o Master.

Segundo o relato, Esteves teria afirmado que o ex-banqueiro deveria "agradecer a Deus" pela oferta e abandonar negociações com o BRB. Em nota, o BTG disse nunca ter tido interesse em comprar o banco, limitando-se a adquirir ativos específicos em momentos de falta de liquidez.

No material há também menção a pelo menos uma visita à casa de Joesley Batista, bilionário brasileiro e um dos donos do conglomerado da carne JBS. Joesley e seu irmão Wesley também estão na agenda de Vorcaro.

As conversas revelam ainda contatos com figuras como o ex-governador de São Paulo João Doria, que em maio de 2025 o alertou sobre rumores negativos envolvendo o banco e sugeriu que reagisse publicamente. Doria afirmou à reportagem que a mensagem foi apenas um gesto cordial, enviado antes de qualquer investigação formal contra o empresário.

Vorcaro foi preso pela Polícia Federal nesta quarta-feira (4) em nova fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraude financeira e tentativa de obstrução de investigações.

Segundo seus advogados, "o cumprimento do mandado de prisão preventiva ocorreu sem que a defesa tivesse acesso prévio aos elementos que fundamentaram a medida".

Trocas de mensagens de Vorcaro com a namorada, Martha Graeff

Sobre Ciro Nogueira, presidente do PP e senador (PI):

Maio de 2024:

Vorcaro: "Quero te apresentar. Um dos meus grandes amigos de vida"

Agosto de 2024:

Vorcaro: "Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica no mercado financeiro!". "Ajuda os bancos médios e diminui poder dos grandes! Está todo mundo louco", diz ele após senador apresentar emenda, depois engavetada, para aumentar a garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão

Sobre encontro com Alexandre de Moraes, ministro do STF

19 de abril de 2025

Vorcaro: "Indo encontrar Alexandre [de] Moraes aqui perto de casa"

Martha: "Como assim amor. Ele está em Campos???? Ou foi pra te ver?"

Vorcaro: "Ele tá passando feriado"

29 de abril de 2025

Martha: "quem era o primeiro cara [?]"

Vorcaro: "Alexandre [de] Moraes"

Martha: "Morri. Ele gostou da casa amor!?? Tá muito mais astral"

Vorcaro: "Sin [sic]. Falou que é [sic] bem melhor. E ele adorava apto [apartamento]"

Sobre jantar com Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, na residência oficial

Fevereiro de 2025:

Vorcaro: "Tô num jantar na residência oficial com Hugo [Motta, eleito presidente da Câmara no início daquele mês] e seis empresários".

Março de 2025:

Martha: "Me manda mensagem quando acabar aí. Você está com gente aí? Ou está me ignorando de propósito?"

Vorcaro: "Estou sim, acabou chegando Hugo e Ciro aqui pra falarem com Alexandre. Não deve demorar. Mas se vc for dormir eu saio e te chamo (sic)".

Sobre jantar na residência oficial do Senado

Agosto de 2025

Vorcaro: "Foi bom". "Terça teremos outra", diz ele, sem citar nominalmente o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).

Sobre encontro com André Esteves, sócio do BTG Pactual

Abril de 2025:

Vorcaro, após encontro para tratar de suposta proposta sobre o Banco Master: "André disse que era o maior banqueiro do mundo. E ele era Deus que apareceu na nossa vida. Que tínhamos que agradecer a Deus a proposta dele. E esquecer o BRB"

Sobre encontro com Ibaneis Rocha (MDB), governador do Distrito Federal

Agosto de 2025:

Vorcaro, quando o BRB, banco estatal do DF, negociava a compra do Master: "[Combinar] Uma estratégia de guerra."

Vorcaro: "A partir de segunda iremos para o ataque."

Mensagens a João Doria, empresário e ex-governador de São Paulo

Maio de 2025:

Doria: "Tenho escutado coisas que vão precisar de reação sua. Sempre com equilíbrio e ponderação. Mas jamais com silêncio. Vamos agendar um café?"

Vorcaro: "Com relação a que?"

Doria: "A você. Ao Maurício. Ao banco"

Por Folhapress

André Mendonça determina transferência de Vorcaro para penitenciária federal em Brasília

Decisão atende pedido da Polícia Federal por questão de segurança
O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nesta quinta-feira (5) a transferência do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, para a Penitenciária Federal em Brasília.

A decisão foi dada em resposta a pedido da Polícia Federal, que afirmou haver necessidade "premente de tutela da integridade física do custodiado".

Vorcaro foi preso na quarta-feira (4) por suposta tentativa de atrapalhar as investigações. Isso aconteceria a partir de uma milícia comandada por ele com objetivo de coagir e ameaçar seus desafetos.

Ele está em presídio estadual em São Paulo. De acordo com a PF, no entanto, as peculiaridades do caso pedem cautela redobrada.

"Elementos informativos coligidos ao longo da investigação indicam que o referido investigado detém significativa capacidade de articulação e influência sobre diversos atores situados em diferentes esferas do poder público e do setor privado, circunstância que, inclusive, constituiu um dos fundamentos que justificaram a adoção de medidas cautelares de natureza pessoal no presente caso", disse a PF ao ministro.
Por Ana Pompeu/Folhapress

Advogado contesta PF em MG e diz que ‘Sicário’ de Vorcaro está vivo, sem protocolo de morte cerebral

Defesa afirma que estado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão segue grave no Hospital João XXIII

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado como “sicário” de Daniel Vorcaro

O advogado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado como “sicário” de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, contestou informações divulgadas pela Polícia Federal de Minas Gerais e afirmou que não foi aberto protocolo de morte cerebral para o cliente. Apesar disso, a defesa classificou o estado de saúde de Mourão como grave.

“De acordo com o boletim médico divulgado hoje à tarde, o estado de saúde de Luiz Phillipi continua grave e ele permanece em monitoramento no CTI do Hospital João XXIII. Não houve alteração de ontem para hoje e não estão presentes, até o momento, os requisitos clínicos que autorizem o início do protocolo de morte cerebral. Amanhã, no horário de visitas, entre 14h30 e 15h30, teremos informações atualizadas”, afirmou o advogado Robson Lucas, que representa Mourão.

A Polícia Federal de Minas Gerais chegou a informar que Mourão teria cometido suicídio na quarta-feira, 4. Uma nota nacional da corporação não confirmava o óbito. Segundo a corporação, o ‘Sicário’ foi encontrado desacordado na cela em que estava custodiado na Superintendência Regional da PF no Estado. A tentativa ocorreu enquanto Mourão permanecia preso no local após ser detido na terceira fase da Operação Compliance Zero.

Em nota, a PF afirmou que, ao tomarem conhecimento da situação, policiais federais prestaram socorro imediato. “Foram iniciados procedimentos de reanimação e acionado o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu)”, informou a corporação.

De acordo com fontes da investigação, Mourão teria se enforcado usando a própria camiseta. Ele foi inicialmente reanimado por cerca de 30 minutos pelo Grupo de Pronta Intervenção da PF em Minas Gerais (GPI) e, em seguida, encaminhado ao Hospital João XXIII pela equipe do Samu.

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, é apontado nas investigações como responsável pela obtenção de informações sigilosas, monitoramento de adversários e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Por Hugo Henud/Estadão

Caso Master deve invadir período de campanha, e centrão vê Mendonça como peça-chave na eleição

          O ministro André Mendonça, em sessão plenária do STF (Supremo Tribunal Federal)
As investigações sobre o Banco Master devem invadir o período de campanha e levar o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), a proferir decisões que podem embaralhar o xadrez político às vésperas das eleições gerais.

Auxiliares do magistrado já admitem que esse é um cenário inevitável, diante do potencial envolvimento de autoridades com foro nas fraudes financeiras.

No Congresso Nacional, a nova prisão do banqueiro Daniel Vorcaro e o avanço do inquérito do INSS (Instituto Nacional da Seguridade Social) sobre um dos filhos do presidente Lula (PT) reforçaram, entre políticos do centrão, a percepção de que o magistrado —relator dos dois casos— terá papel decisivo no pleito de outubro.

Mensagens interceptadas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro mostram que o empresário tinha relações com diversas pessoas do mundo político.

Ele fez referência ao presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), como um "grande amigo de vida", narrou um jantar na residência oficial do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e diz que "foi ótimo" um encontro com Lula.

Governo e oposição apostam numa disputa apertada entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que já aparecem empatados no segundo turno em algumas pesquisas de intenção de voto. O resultado, na avaliação de políticos em Brasília, é a de que a margem será próxima da eleição presidencial de 2022, quando o petista venceu Jair Bolsonaro por 50,9% dos votos válidos a 49,1%.

Nesse cenário, qualquer fato pode influenciar a eleição, e Mendonça tem sob seu escrutínio os dois inquéritos que mais causam inquietação na República atualmente, avaliam parlamentares. Um deputado da cúpula do centrão resume dizendo que, enquanto alguns ministros possuem metralhadoras e fuzis, Mendonça tem duas bombas atômicas.

Mendonça tem afirmado a interlocutores que, no cenário ideal, decisões de grande impacto —ordens de prisão preventiva, por exemplo— devem ser evitadas durante o período eleitoral. Contudo, como os crimes apurados no âmbito dos casos Master e INSS são considerados de extrema gravidade, o ministro tem dito que estaria disposto a enfrentá-los, ainda que suas determinações possam vir a ser exploradas politicamente.

Ao assumir a relatoria da investigação sobre o Master em substituição ao ministro Dias Toffoli, em 12 de fevereiro, Mendonça constatou que 111 celulares apreendidos pela Polícia Federal na operação Compliance Zero estavam praticamente intocados. Isso reforçou no magistrado a leitura de que ainda há muito material pendente de análise, ou seja, de que apurações estão longe de um desfecho.

A reação inicial dos parlamentares do centrão à nova prisão do dono do Banco Master foi mista: parte demonstra receio de que as eleições sejam conduzidas por operações policiais e interferência do Judiciário –e que pode afetar também as cúpulas de União Brasil e PP– e outra parte acredita que Vorcaro não tardará a ameaçar com uma delação premiada, que teria como principal alvo o próprio STF.

Isso porque a PF encontrou menções a Toffoli em um celular de Vorcaro. O episódio levou a corporação a apontar a suspeição do ministro, antigo relator do caso Master. O Supremo afastou essa possibilidade, mas, pressionado, o magistrado acabou optando por deixar o processo. Ele nega ter recebido dinheiro do banqueiro ou ter com o empresário qualquer relação de amizade.

Outro desgaste do caso Master para a imagem do Supremo foi o contrato de R$ 3,6 milhões mensais firmado pela instituição financeira com o escritório da advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes.

O ministro afirma que magistrados estão formalmente impedidos de julgar qualquer caso para o qual seus parentes advoguem.

Parlamentares do centrão dizem que eventuais denúncias contra o Supremo, no curto prazo, prejudicariam o PT eleitoralmente, devido à narrativa bolsonarista de que os ministros mais afetados são aliados do governo Lula e também pelo impacto que a percepção geral de corrupção no país pode ter sobre a imagem do governo.

Um petista ouvido pela Folha admite que esse discurso não é positivo para Lula, por colocar sob suspeição o Supremo e, por consequência, reforçar a teoria da direita de que o julgamento de Bolsonaro pela tentativa de um golpe de Estado teve motivação poítica. O ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão.

Outra consequência negativa para o governo, de acordo com políticos do centrão e da esquerda, é manter elevado o clima de tensão em Brasília. Diferentemente do que ocorreu nos primeiros anos de governo Lula, ministros do STF têm feito críticas ao presidente nos bastidores. Além disso, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), cujos aliados são investigados pela PF por investimentos do fundo de previdência do Amapá no Banco Master, imprimiu recentes derrotas ao Executivo.

Mendonça, avaliam políticos do centrão, terá poder para influenciar a eleição presidencial na medida em que pode ditar o ritmo da investigação e da divulgação de informações sobre a cúpula do poder em Brasília.

O ministro foi indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mantém relação próxima com lideranças conservadoras e religiosas da direita, que o ajudaram a chegar ao cargo mesmo com a oposição aberta de Alcolumbre, que travou sua sabatina por meses na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

Petistas se fiam no perfil moderado de Mendonça para dizer que não haverá perseguição e que é a própria imagem do STF que está em jogo. Alguns afirmam, no entanto, que o ministro não está imune a influências políticas, como quando pediu vista da ação penal contra o deputado Silas Câmara (Republicanos-AM), líder da bancada evangélica que era acusado de ficar com parte do salários dos assessores, abrindo margem para o processo prescrever.

Há preocupação entre os petistas, por exemplo, sobre a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para apurar se ele recebeu dinheiro de um dos pivôs do escândalo do INSS, o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

Sob relatoria de Mendonça, a PF terá informações para saber qual das versões é a verdadeira: a da denúncia, de que ele teria recebido R$ 300 mil mensais como sócio oculto do lobista, ou a dos advogados, de que nunca houve pagamentos —e de que Lulinha tinha outros negócios com o Careca do INSS que não envolviam dinheiro público, mas uma atuação na regulação do setor de canabidiol.

Um dirigente petista minimiza os danos das operações sobre Lula e afirma que o presidente tem a seu favor o discurso de que deixou a PF investigar livremente e que seu governo não foi conivente com a corrupção nem quando as apurações chegaram perto de seu filho.
Por Luísa Martins e Raphael Di Cunto, Folhapress

Crise cria 'tempestade perfeita' e abre caminho para delação de Vorcaro com aval de Mendonça, PF e sem a PGR

Nos bastidores da investigação, mudança na relatoria do caso no STF e ausência de apoio da PGR às medidas mais duras da operação reforçam avaliação de que eventual colaboração premiada dependerá da Polícia Federal e da decisão do próprio banqueiro.

Nos bastidores da investigação que levou o banqueiro Daniel Vorcaro de volta à cadeia, um entendimento começa a se consolidar entre interlocutores do caso. A crise do Banco Master já não é vista apenas como um problema de um grupo ou de outro. Para quem acompanha de perto as apurações, trata-se de uma crise que expõe o próprio sistema.

Sem o apoio da Procuradoria-Geral da República (PGR) às medidas mais duras da operação, o recado institucional que emerge no dia seguinte é diferente — e ajuda a explicar os movimentos que já começaram fora dos autos.

A discussão sobre uma eventual delação premiada de Vorcaro ainda é considerada precoce. Mas, entre aliados e advogados, a leitura já é clara: com o ministro Dias Toffoli, a única saída possível para o banqueiro seria pela política. Já com o ministro André Mendonça, que autorizou a operação atendendo a pedidos da Polícia Federal (PF) a saída passaria por outro caminho — e dependeria do próprio investigado.

Ou seja: qualquer saída jurídica para Vorcaro teria de ser construída pelo próprio Vorcaro. Na prática, isso recoloca a delação premiada no radar.

Essa avaliação ganhou força nas últimas horas por dois sinais observados nos bastidores.

O primeiro é a movimentação em torno da defesa. Já há conversas sobre quem assumiria o caso, e alguns advogados procurados disseram que não aceitariam conduzir uma estratégia baseada em delação premiada. Esse tipo de recusa, neste momento, costuma ser visto por investigadores como um indicativo relevante sobre qual linha de defesa está sendo considerada.

O segundo ponto envolve justamente a ausência de apoio da PGR às medidas pedidas pela Polícia Federal. Na decisão que autorizou a operação, Mendonça registrou que considerou lamentável o fato de a Procuradoria não ter apontado urgência para as medidas solicitadas pelos investigadores.

Nos bastidores da investigação, o episódio não é tratado como um fato isolado. Integrantes do caso lembram que a PGR, sob comando de Paulo Gonet, já tomou outras decisões que foram interpretadas como sinais importantes dentro desse contexto.

Entre elas, o entendimento de que não havia irregularidade no contrato da mulher do ministro Alexandre de Moraes com o Master — um acordo de cerca de R$ 530 milhões — e a avaliação de que Dias Toffoli não era suspeito para seguir na relatoria do caso.

Quando essas peças são colocadas lado a lado, dizem interlocutores da investigação, o quadro começa a ficar mais claro.

A pergunta central passa a ser outra: se houver negociação de colaboração premiada, quem conduziria esse processo?

A resposta está na própria investigação. A Polícia Federal poderia assumir esse papel — possibilidade que já conta com respaldo em decisões do Supremo Tribunal Federal. O ponto sensível sempre foi quem daria a chancela jurídica final, já que a homologação precisa ser feita pela Justiça.

 https://g1.globo.com/politica/video/crise-cria-tempestade-perfeita-e-abre-caminho-para-delacao-de-vorcaro-14402094.ghtml

Com Toffoli na relatoria, investigadores avaliavam que seria difícil haver esse aval.

Com Mendonça, dizem fontes da investigação, esse caminho passa a ser visto como mais viável. O entendimento que circula entre investigadores, juristas e também no entorno de Vorcaro é de que o ministro tem sinalizado apoio à condução da investigação pela Polícia Federal.

Na prática, a mensagem interpretada por quem acompanha o caso é direta: se houver colaboração, ela dependerá menos de articulações políticas e mais da disposição do próprio Vorcaro em negociar com os investigadores.

E, se decidir falar, dizem investigadores, ele terá de entregar algo além do que já está nas mãos da polícia.

Segundo integrantes da apuração, a Polícia Federal já reuniu um volume significativo de material na investigação. O desafio, em uma eventual delação, seria justamente apresentar informações novas capazes de abrir outros desdobramentos envolvendo políticos, autoridades e personagens que ainda não apareceram formalmente no caso.


https://g1.globo.com/politica

Desabamento de asilo deixa três mortos e pessoas soterradas em Belo Horizonte

Vítimas estavam debaixo dos escombros por volta das 6h desta quinta-feira (5). Bombeiros trabalham no resgate do imóvel que desmoronou no começo da madrugada.
Um lar de idosos desabou na madrugada desta quinta-feira (5) no bairro Jardim Vitória, na Região Nordeste de Belo Horizonte, deixando três pessoas mortas e outras soterradas nos escombros. Por volta das 6h, equipes do Corpo de Bombeiros e do Samu trabalhavam no local nas buscas por vítimas.
  • Três pessoas morreram
  • 8 socorridas com vida
  • Nove seguem sob os escombros
"Temos vítimas que nós estamos conseguindo fazer o contato com elas, então nós estamos trabalhando incessantemente para o quanto antes conseguimos fazer o resgate aí com a maior segurança", explicou o tenente coronel do Corpo de Bombeiros Viana.

O imóvel de quatro pavimentos desmoronou por volta de 1h30. Vizinhos, ao ouvirem o barulho muito intenso, se mobilizaram para ajudar as vítimas. O Corpo de Bombeiros chegou ao local, meia hora depois.

Os bombeiros isolaram a área e apitos são usados para tentar localizar as vítimas.
A Defesa Civil de Belo Horizonte foi acionada e informou que casas próximas não correm risco. Não chovia na hora do acidente e há a suspeita de problema estrutural.

"O que chama atenção que não tava chovendo no momento do acidente. Aqui não é uma região de risco. Historicamente não tem registro de atendimento aqui no local", explicou o subsecretário de Proteção e Defesa Civil de Belo Horizonte, Elcione Menezes Alves.

A situação do Lar de idosos

Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, o Lar de Longa Permanência de Idosos possui autorização para funcionar e o alvará é válido até 2030. Além disso, possui também o alvará sanitário válido e a última vistoria feita pela Vigilância Sanitária foi em janeiro deste ano.

A Polícia Civil informou que a perícia e o rabecão foram acionados e uma equipe irá ao local assim que forem concluídos os trabalhos de busca e salvamento realizados pelo Corpo de Bombeiros. Uma investigação foi aberta e outras informações poderão ser repassadas após a realização dos primeiros levantamentos no local.

* Esta reportagem está em atualização
Por Suellen Fernandes, Ana Carolina Ferreira, Thiago Silva, g1 MG / TV Globo

Vorcaro ofertou helicóptero para Ciro Nogueira e Rueda em evento de Fórmula 1

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, ofereceu helicóptero para os presidentes do PP, o senador Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antônio Rueda, saírem da corrida de Fórmula 1 de Interlagos, em 2024. O banqueiro, preso pela PF sob suspeita de comandar um esquema de fraude e ameaças, fretou o voo um dia antes do evento.

De acordo com a quebra de sigilo telefônico de Vorcaro, obtido pela Folha, Vorcaro recebeu no dia 2 de novembro um email da Prime You, empresa de compartilhamento de helicópteros e jatos da qual foi sócio, confirmando a solicitação de três voos do Kartódromo Ayrton Senna para o Aeroporto de Congonhas. O deslocamento estava previsto para o fim da tarde do dia 3, após a corrida.

O primeiro voo estava reservado para Rueda e sete convidados, o segundo para o banqueiro e outros sete convidados, e o terceiro somente para Nogueira. O modelo reservado foi um helicóptero EC 155 B1, considerado de uma linha de "transporte VIP", segundo sites especializados.

Vorcaro teve participação na Prime You por meio de um fundo de investimento. Na campanha eleitoral de 2022, um jato da companhia foi utilizado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), no segundo turno das eleições. A aeronave passou por todas as capitais nordestinas e por cidades do interior mineiro entre 20 e 28 de outubro.

Como mostrou a Folha, mensagens trocadas por Daniel Vorcaro com sua namorada, a influenciadora Martha Graeff, indicam relação próxima do banqueiro com Ciro. O empresário se refere ao senador como "muito amigo meu". "Quero te apresentar. Um dos meus grandes amigos de vida", diz a mensagem, enviada em maio de 2024.

Em agosto do mesmo ano, Vorcaro escreve a Martha que "Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica no mercado financeiro!". "Ajuda os bancos médios e diminui poder dos grandes! Está todo mundo louco", continua ele.

Na ocasião, Ciro havia apresentado uma emenda para aumentar a garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. O texto foi apresentado na PEC (proposta de emenda à Constituição) sobre a autonomia do Banco Central.

A emenda ficou conhecida como "emenda Master" por favorecer o banco. Os CDBs do Master ofereciam taxas que chegaram a 140% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) e usavam em sua campanha de marketing a cobertura pelo FGC, para sugerir que estava livre de riscos. A proposta de Nogueira foi engavetada após resistência das principais entidades ligadas ao setor bancário.

Em outra conversa com Martha, Vorcaro fala sobre o casamento de Duda Nogueira, filha de Ciro, e diz que gostaria que a namorada o acompanhasse na festa, ocorrida em agosto de 2024.

Nas mensagens trocadas em julho de 2024, Martha pergunta qual é o sobrenome do Ciro e se ele era pai da Duda, ao que Vorcaro responde que sim. "A Carla conhece a filha [Duda]", continua Martha.

"Ela vai [ao] casamento?", pergunta Vorcaro. "Eu queria que vc fosse comigo. Se vc ficar dá pra ir", segue.

No fim do mesmo mês, Vorcaro diz a Martha que irá conversar com Fabíola, sua ex-mulher. "Que ótimo, amor, eu tava pensando nisso, inclusive de você falar também do casamento da filha do Ciro abertamente, pra evitar uma situação chata de antemão. Não vai ser uma conversa fácil. Boa sorte, amor. Aqui torcendo", diz a namorada.

Por Folhapress

Responsável por monitorar adversários de Vorcaro, 'Sicário' tenta se matar após ser preso pela PF

Em nota, corporação disse que policiais fizeram 'procedimento de reanimação' e o encaminharam a um hospital

'Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como 'Sicário' ou 'Mexerica' e comparsa de Daniel Vorcaro'

Preso nesta quarta, 4, pela Polícia Federal na terceira fase da Operação Compliance Zero, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o ‘Sicário’ de Daniel Vorcaro, tentou se suicidar enquanto estava sob custódia dos federais na Superintendência Regional do órgão em Minas Gerais. A informação foi divulgada pela própria corporação, que não detalhou como ‘Sicário’ tentou tirar a própria vida.

“Ao tomarem conhecimento da situação, policiais federais que estavam no local prestaram socorro imediato, iniciando procedimentos de reanimação e acionando o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). A equipe médica deu continuidade ao atendimento no local, e o custodiado será encaminhado a rede hospitalar para avaliação e para atendimento médico”, disse a PF em nota.

Do latim “Sicarius”, homem da adaga, o apelido ‘Sicário’ não era apenas simbólico para Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, responsável pela obtenção de informações sigilosas, monitoramento de adversários e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses de Vorcaro, dono do Banco Master.

Segundo o relatório, Vorcaro teria solicitado a ‘Sicário’ que o jornalista Lauro Jardim, do O Globo, fosse agredido e tivesse “todos os dentes quebrados” em um assalto forjado.

De acordo com a PF, o “Sicário” teria acessado indevidamente sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais, como o FBI e a Interpol, para monitorar adversários e desafetos do banqueiro.

Para os investigadores, mensagens interceptadas indicam que Vorcaro acionava Luiz Phillipi para monitorar e intimidar funcionários que se opunham às suas ordens e vontades.

Em um dos diálogos, o banqueiro relata que estaria sendo ameaçado por uma funcionária e ordenou que Sicário “moesse essa vagabunda”.

Em outro bate-papo no WhatsApp, Mourão se oferece para mobilizar “A Turma”, estrutura usada para coleta de informações, a fim de constranger um empregado que teria feito uma gravação indesejada de Vorcaro.

As conversas incluem ainda troca de dados pessoais e pedidos para “levantar tudo” sobre dois funcionários, incluindo um chef de cozinha.

Para a Polícia Federal, há fortes indícios de que Mourão recebia R$ 1 milhão de Daniel Vorcaro por intermédio do cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel, que se apresentou aos federais nesta quarta após não ser localizado nos endereços alvo de busca.

Nas mensagens de WhatsApp trocadas entre “Sicário” e Vorcaro, o operador pede que Zettel deposite o dinheiro prometido.

“Bom dia. O Fabiano não mandou este mês e a turma está perguntando. Dá uma olhada com ele por favor. Obrigado”, disse “Sicário”.

Ao ser indagado por Vorcaro sobre os dados para o pagamento e sobre o valor exato, Mourão respondeu: “Ele (Zettel) manda o mensal e eu divido entre a turma. Mando pra eles. 400 divido entre 6. Os meninos mando 75 pra cada, o meu. O DCM e mais dois editores. É este o mensal. Ele manda 1 e quando você manda bônus eu divido entre os meninos e a turma”, explicou “Sicário”.

Em outro diálogo, dessa vez entre Ana Cláudia – funcionária do banqueiro – e Vorcaro, a secretária pergunta:

“Vai ser 1 mm como normalmente?”

“Sim.”

Em seguida, Ana Cláudia faz a transferência bancária e junta o comprovante de pagamento de R$ 1 milhão na conta indicada por Mourão.

As investigações indicam que Vorcaro “manteve relação contratual com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, responsável pela coordenação de atividades voltadas à obtenção de informações, monitoramento de pessoas e levantamento de dados considerados relevantes para os interesses do grupo”.

“Nesse contexto, foram identificadas tratativas relativas à execução dessas atividades e à mobilização de equipes responsáveis pela extração e coleta dos dados de interesse do grupo criminoso”, diz o relatório da Polícia Federal.

Sobre a tentativa de suicídio de ‘Sicário’, a Polícia Federal informou o ocorrido ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, e entregará os registros em vídeo que demonstram a dinâmica do ocorrido.

A corporação afirmou que será aberto “procedimento apuratório para esclarecer as circunstâncias do fato”.

Por Felipe de Paula/Aguirre Talento/Estadão

Mensagens indicam ordens de Vorcaro para intimidar funcionários

Mensagens de WhatsApp obtidas pela Polícia Federal apontam que o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria determinado ações de intimidação contra funcionários, uma empregada e o jornalista Lauro Jardim. O material integra a investigação da Operação Compliance Zero, que levou à nova prisão do banqueiro por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a apuração, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão atuaria como executor das ordens. As conversas mostram monitoramento de ex-funcionários, troca de dados pessoais e orientações para pressionar pessoas ligadas ao banqueiro. Em um dos diálogos, Vorcaro sugere intimidar um chefe de cozinha para assustar outro funcionário. Em outro trecho, pede que sejam levantadas informações, como endereço, de uma empregada após relatar ter sido ameaçado por ela. “Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda", escveveu.

Por Redação

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