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Conselho do MPF abre procedimento sobre Gonet, que deve negar interferência no caso Master
O Conselho Superior do Ministério Público Federal abriu, nesta quinta-feira (3), um procedimento para apurar as menções ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, em mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O pedido foi feito pelo partido Novo e terá o subprocurador Francisco de Assis Sanseverino como relator.
O PGR quer utilizar o caso para rebater alegações de suspeição.
Nos bastidores, integrantes próximos a Gonet avaliam que a medida é oportuna para que o Conselho marque uma sessão e o chefe da Procuradoria possa se manifestar. Gonet deve negar interferências na investigação e relação de proximidade com o ex-dono do Banco Master.
Como mostrou a Folha, há um desconforto generalizado na classe com o episódio, tanto entre aqueles que preferiam vê-lo afastado do comando do caso como entre procuradores que o apoiam e não veem problema no que foi divulgado até aqui. Os dois grupos entendem que, em qualquer cenário, pode haver prejuízo coletivo à reputação da categoria.
Por Ana Pompeu, Folhapress
Fachin promete fim do inquérito das fake news, aberto no STF há 7 anos sob relatoria de Moraes
Edson Fachin e Lula durante encontro para sanção da lei que cria o Fundo Especial da Justiça Federal e o Fundo Especial do STJ
Ministro comentou a crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF) durante a última semana. Disse que a resposta será 'firme e rigorosa' e prometeu a adoção de um Código de Ética para a Corte.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, afirmou nesta sexta-feira (4) que a crise recente na Corte demonstra a urgência do cumprimento de três metas da gestão dele: a adoção de um código de Ética, o fim do inquérito das fake news e a modernização do sistema de Justiça.
O ministro também destacou que os fatos "graves" da "crise Master" que atinge o STF estão em apuração e que nenhuma autoridade está acima da Constituição Federal.
"A gravidade dos fatos não autoriza atalhos. Ao contrário, quanto maior o desafio, maior deve ser o compromisso com a legalidade, o devido processo legal e as garantias constitucionais. Não haverá precipitação, tampouco omissão. A resposta institucional será firme, proporcional e rigorosa".
"Os acontecimentos recentes demonstram o acerto e a urgência de três metas de nossa gestão: a adoção de um Código de Ética, o fim do inquérito das fake news e a modernização do sistema de Justiça", prosseguiu Fachin.
O Inquérito das Fake News é uma investigação aberta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2019 para apurar a existência de notícias fraudulentas, falsas comunicações de crimes, denúncias caluniosas, ameaças e outros ataques contra o STF, seus ministros e familiares. Ele está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
Fachin deu a declaração durante evento no Palácio do Planalto sobre fundos direcionados ao sistema de Justiça, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do procurador-geral da República, Paulo Gonet e do advogado-geral da União, Jorge Messias.
Crise 'Master' no STF
A fala de Fachin faz referência à crise envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal em torno das investigações relacionadas ao Banco Master.
Mais cedo, o presidente do STF retirou do inquérito das fake news o pedido de investigação apresentado pelo ministro Alexandre de Moraes contra o também ministro André Mendonça.
Com isso, os dois inquéritos que envolvem ministros da Corte passam a ser conduzidos por Fachin.
Mendonça retirou o sigilo do relatório da Polícia Federal (PF), feito por sua determinação, que expôs mensagens e contatos entre Moraes e Daniel Vorcaro, e pediu que a Corte dê prosseguimento à investigação;
Dias depois, Moraes pediu a abertura de uma investigação contra Mendonça, após um documento da PF, sem caráter probatório, indicar que houve assimetria em ações do ministro contra políticos no âmbito do caso Master.
O pedido de Moraes havia sido feito no âmbito do inquérito das fake news, do qual o ministro é relator. No entanto, como os dois ministros pediram que o presidente da Corte tome providências sobre os fatos apresentados, os dois casos passaram a ser responsabilidade de Fachin.
Isso significa que é o presidente da Corte quem vai definir os procedimentos que devem ser adotados. Por exemplo, se os casos serão, de fato, levados ao plenário como pedido dos ministros; e qual vai ser o rito para essas análises.
Pedido de investigação
O ministro Alexandre de Moraes encaminhou na noite dessa quinta-feira (3) ao presidente da Corte um pedido de investigação contra o Mendonça.
Na petição, Moraes disse que há presença de fortes indícios da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e favorecimento a determinados grupos políticos no exercício da relatoria dos casos Master e INSS.
No entanto, ele cita um relatório da PF em que os investigadores apontam a ressalva de que o documento é de uso restrito, não tem poder de decisão, não pode ser usado como prova e não pode ser usado para fundamentar representação ou ser citado "como fonte em documento externo".
Na prática, isso indica que o material de inteligência produzido pela PF não teria validade legal para servir como prova de um processo. Isso porque não cumpriria requisitos formais.
Relatórios de inteligência em geral, por sua natureza, não são feitos para serem usados em processos judiciais. É por isso que, nesse caso, seu conteúdo é tratado como indício.
Mas, com base nas informações citadas pela PF, Moraes afirmou que Mendonça teria usurpado as autoridades policiais da direção das investigações, conduzido irregularmente tratativas de eventual delação e direcionado, por “motivos pessoais e políticos", a investigação de determinados alvos, e cita seu próprio nome, e o do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP)
Moraes citou a Constituição Federal e o regimento do STF, que afirmam ser de competência de órgão colegiado analisar a possível prática de crime comum por parte de magistrados.
Segundo Moraes, o relatório da PF indica medidas tomadas por Mendonça “com flagrante perda de imparcialidade”.
Por Ana Flávia Castro, Gustavo Garcia, Kellen Barreto, Caetano Tonet, Mariana Laboissière, g1 — Brasília
Bolsonaristas saem em defesa de Mendonça contra Moraes; Flávio fala em derrota de 'ministro de Lula'
Bolsonaristas reagiram ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que pediu, nesta quinta (3), que o colega André Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso do Banco Master e do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
O despacho foi assinado no âmbito do inquérito das fake news e encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin, para providências.
O presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) tentou vincular o magistrado a seu principal adversário na campanha, o presidente Lula (PT). "O Brasil é muito maior do que o ministro do Lula. Sim, Lula e Moraes vão perder porque o Brasil vai vencer", escreveu em rede social.
Posteriormente, escreveu, sem apresentar provas, que haveria articulação para uma "ação ilegal" contra ele, por parte do senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), de Moraes e do ministro Flávio Dino. "Caso se confirme, é a comprovação de que o Brasil virou uma várzea, terra sem lei, onde os que se acham donos do país armam farsas contra seus adversários."
Irmão do presidenciável, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), que foi condenado no Supremo neste ano por coação, disse que Moraes comprova que a "única utilidade do inquérito das fake news" é perseguir. "Ditadores antes de cair sempre dobram a aposta. Não é novidade. É chegado o momento de extirpar este câncer do Brasil e mandá-lo para a cadeia pelos seus abusos de poder", disse, em rede social.
O candidato à Presidência do Novo, Romeu Zema, que tem feito campanha em cima de críticas ao Supremo, falou em "ditadura de Alexandre de Moraes" e que qualquer um que ameace o poder dele é rapidamente aniquilado. Também defendeu a prisão do magistrado.
"O mimadinho de Moraes tá nervoso. Patético", afirmou em rede social o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), ao reagir à notícia do pedido de investigação. "Mendonça tem que dar voz de prisão ao Moraes em plenário", escreveu, em seguida.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), que é coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, disse em rede social que Moraes transforma um inquérito aberto há sete anos "em instrumento de poder pessoal".
Para Marinho, o ministro "recorre ao mesmo inquérito para avançar contra André Mendonça justamente quando o ministro conduz apurações que alcançam fatos graves envolvendo o próprio Moraes".
"É uma inversão intolerável de valores: quem deveria prestar esclarecimentos às instituições e ao povo brasileiro utiliza poderes investigativos excepcionais sob seu comando para constranger quem supervisiona uma investigação séria."
Outro aliado do bolsonarismo que criticou Moraes foi o ex-procurador Deltan Dallagnol, que é candidato ao Senado no Paraná pelo partido Novo. Ele postou que "o Brasil está colapsando diante dos nossos olhos".
"Estamos em um momento crítico da nossa República. Isso jamais aconteceu no Brasil. Moraes está usando um inquérito ilegal relatado por ele mesmo e em benefício próprio para acusar de crimes o ministro André Mendonça, o que é absolutamente ilegal", escreveu.
O pastor evangélico Silas Malafaia, também alvo de Moraes no Supremo, disse que "ou o Supremo Tribunal Federal dá um basta nesse cara ou então acabou a República".
"Quer dizer que o criminoso é André Mendonça e não Alexandre de Moraes?", disse o pastor Silas Malafaia. "Quem é o criminoso na história? Alexandre de Moraes. Comprado por R$ 130 milhões."
Nesta quinta, o presidente Lula falou pela primeira vez sobre as acusações envolvendo Moraes desde que mais conversas de Daniel Vorcaro foram reveladas, na terça (1º). Disse que chegou a hora de pessoas que atuam na vida colocarem o compromisso público à frente de seus interesses pessoais, mas não citou nomes.
"Diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente da Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República liderem com um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações", disse.
O PT tenta se distanciar do caso para evitar consequências na campanha eleitoral. O presidente do partido, Edinho Silva, afirmou na quarta (2) que a população "não suporta mais para viver nesse sistema de corrupção e privilégios". "Ninguém está acima da lei, seja um cidadão comum, um governante, um parlamentar ou até um integrante do Poder Judiciário."
Por Folhapress
Servidores da PGR relatam clima de tensão e 'debocham' de Gonet no WhatsApp
Funcionários falaram em ‘revanchismo’ a chefe da Procuradoria Geral da República por se sentirem desprestigiados por Paulo Gonet
Um dia depois de virem à tona conversas que mostraram relação de proximidade entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, servidores da Procuradoria Geral da República (PGR) relataram à Coluna do Estadão um clima tenso nas dependências da PGR, em Brasília, ao longo desta quarta-feira, 2.
Enquanto em pequenas rodas durante o expediente funcionários questionavam os possíveis desdobramentos do caso e debatiam detalhes das revelações do Estadão, havia apreensão com a possibilidade de represália em caso de vazamento de informações sobre o chefe. “Só se fala nisso”, contou à Coluna um servidor sob condição de anonimato. Segundo ele, o clima no órgão era de tensão e muitos com “medo de perseguição”, citando como exemplo a investigação que a PGR abriu contra funcionários que criticaram o pagamento de penduricalhos a procuradores.
O jornal O Estado de São Paulo revelou conversas que expuseram a proximidade entre Vorcaro e o procurador-geral, que atua no processo em que o empresário é réu. O banqueiro utilizou um emissário, o advogado Ciro Soares, para conversar com Gonet e incluí-lo no seleto rol de convidados de uma degustação de charutos e do uísque Macallan realizada em Londres. A autoridade aceitou.
“Oba!!!! Tomara que tenha charuto e macalan”, disse o procurador em mensagem que foi encaminhada por Soares a Vorcaro, que prometeu atender as expectativas do convidado. “Agora vai ter que ter plantação de charuto e barril de macalan”.
Tom jocoso com Gonet em grupos de WhatsApp
Os grupos de WhatsApp de servidores da PGR também ficaram em polvorosa nesta quarta-feira. Servidores ouvidos pela Coluna contaram que havia um “tom de gozação” a Gonet nas mensagens por conta das conversas com Vorcaro, especialmente as que falam sobre charutos e uísque.
Relataram ainda um “clima de revanchismo” nas conversas virtuais, o que teria ocorrido, segundo eles, por se sentirem desprestigiados pelo chefe da PGR. O principal motivo seria a demora de Gonet em conseguir a paridade de salário entre os servidores da PGR e os do Judiciário, o que aconteceu em outubro de 2025.
Nos grupos de WhatsApp, alguns citavam, de maneira jocosa, que a exposição da relação do chefe do MP com o Vorcaro era uma “penalização” pelo que consideram “desprestigio” com os servidores.
Por Leticia Fernandes/Estadão
Cassação de Flávio Bolsonaro entra no radar após novas revelações sobre Vorcaro e Dark Horse
Cassação de Flávio Bolsonaro entra no radar após novas revelações sobre Vorcaro e Dark Horse
O Partido dos Trabalhadores protocolou no Conselho de Ética do Senado, nesta quarta-feira (2), uma representação contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pedindo a perda do mandato por quebra de decoro parlamentar. A iniciativa ocorre após novas revelações envolvendo a relação do parlamentar com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
O documento, assinado pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, sustenta que o caso deve ser analisado pelo Senado sob a perspectiva da conduta parlamentar, independentemente de eventual responsabilização criminal.
Segundo a representação, o Conselho de Ética tem a atribuição de avaliar a integridade e a dignidade da atuação dos parlamentares, que, na avaliação do partido, teriam sido “gravemente maculadas” por uma “teia de mentiras” construída por Flávio Bolsonaro sobre sua relação com Vorcaro.
O PT afirma que não cabe ao colegiado realizar uma investigação criminal sobre o financiamento do filme ou sobre a atuação do banqueiro, mas analisar a conduta política do senador.
“Qualquer juízo de culpa criminal será proferido pelo Poder Judiciário, observadas todas as garantias constitucionais no processo”, afirma a representação.
Áudio com pedido de R$ 134 milhões e mudança de versão
Um dos principais pontos apresentados pelo PT é um áudio em que Flávio Bolsonaro aparece pedindo R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro.
Segundo o partido, inicialmente o senador negou a existência da negociação. Após a divulgação do áudio, Flávio passou a afirmar que se tratava de uma tentativa de obter um financiamento privado para o projeto.
Para o PT, a questão central não seria apenas a origem dos recursos, mas as diferentes versões apresentadas pelo senador e a relação entre o exercício do mandato e tratativas privadas envolvendo valores milionários.
A representação afirma que, “pela magnitude do aporte, da identidade do financiador, da natureza político-eleitoral da obra e, sobretudo, do contraste entre a atuação direta documentada e as versões públicas apresentadas pelo Representado”, haveria elementos para a análise de uma possível quebra de decoro parlamentar.
O partido também questiona as declarações de Flávio Bolsonaro sobre sua proximidade com Vorcaro. Segundo a representação, documentos e registros divulgados posteriormente indicariam uma relação mais próxima entre os dois do que aquela admitida publicamente pelo senador.
Mentira sobre pagamentos de Dark Horse
Outro ponto citado pelo PT envolve o financiamento do filme Dark Horse, que conta a trajetória de Jair Bolsonaro. Em entrevista à GloboNews, Flávio Bolsonaro afirmou que o último pagamento feito por Vorcaro para o projeto havia ocorrido em maio de 2025.
A representação menciona reportagem da revista piauí que revelou um novo repasse realizado em setembro daquele ano. O pagamento teria sido de US$ 1,6 milhão, transferido para o fundo Havengate, responsável pela gestão financeira do filme.
Para o PT, a diferença entre a declaração pública do senador e a informação divulgada posteriormente reforça a necessidade de análise pelo Conselho de Ética.
A legenda também afirma que Flávio Bolsonaro prometeu transparência sobre o financiamento do projeto, mas não apresentou o contrato com o Banco Master, a relação completa dos investidores nem a destinação detalhada dos recursos.
PT cita casos de Luiz Estévão e Demóstenes Torres
Para sustentar o pedido de perda de mandato, o PT recorreu a precedentes do Senado envolvendo cassações por quebra de decoro parlamentar.
A representação cita o caso do ex-senador Luiz Estévão, cassado em 28 de junho de 2000 por 52 votos a 18, com 10 abstenções. Segundo o documento, Estévão perdeu o mandato após apresentar declarações consideradas falsas à CPI do Judiciário sobre suas relações com a empresa Incal.
Também é citado o caso do ex-senador Demóstenes Torres, que perdeu o mandato em 2012 após processo no Conselho de Ética relacionado ao seu relacionamento com o empresário Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, e à suspeita de atuação do mandato em favor de interesses particulares.
Na avaliação do PT, esses casos demonstram que o julgamento político sobre decoro parlamentar pode ocorrer independentemente de uma condenação criminal.
“A utilização da autoridade política do cargo em tratativas privadas de grande vulto, seguida de negativas ou explicações conscientemente desconformes com documentos, constitui irregularidade grave no desempenho do mandato e violação do dever de dignidade e respeito à coisa pública e à vontade popular”, afirma a representação.
Senado terá de avaliar pedido
O pedido apresentado pelo PT será analisado pelas instâncias responsáveis do Senado, que deverão decidir sobre a tramitação da representação e eventual abertura de processo no Conselho de Ética.
A legenda argumenta que imunidades parlamentares não impedem a responsabilização política quando a conduta de um senador for considerada incompatível com o decoro exigido pelo cargo.
“Claramente as imunidades parlamentares não constituem direito absoluto. A própria Constituição determina a perda do mandato eletivo do parlamentar cujo procedimento for declarado incompatível com o decoro parlamentar”, afirma o partido no documento.
Vorcaro diz ao STF que relação com diretor-geral da PF o deixou desconfortável para negociar delação
O banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, do STF, que se sente desconfortável em apresentar uma nova proposta de delação premiada à Polícia Federal por ter mantido uma relação que classificou como “cordial” com o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. Segundo Vorcaro, os dois participaram de eventos ligados ao Banco Master e tiveram contatos em ocasiões sociais, embora ele tenha ressaltado que não se tratava de uma amizade. Andrei, por sua vez, nega proximidade e afirma ter encontrado Vorcaro apenas uma vez, em um evento em Londres. A reportagem é do jornal O Globo.
Realizado em 27 de agosto, o depoimento ocorreu sem a presença de integrantes da PF e durou cerca de 1h40. Vorcaro alegou que possui informações sobre irregularidades envolvendo pessoas ligadas ao atual governo e afirmou acreditar que suas tentativas anteriores de colaboração não avançaram por causa de possíveis interesses políticos. Ele também disse ter sofrido ameaças durante a prisão e afirmou que poderia citar Andrei e outras pessoas de um suposto núcleo político em uma eventual delação, sem, contudo, detalhar naquele momento quais seriam as condutas ilícitas.
A Polícia Federal rejeita a versão e afirma que Vorcaro não apresentou fatos novos ou elementos de prova que demonstrassem a utilidade de uma colaboração. O gabinete de Mendonça justificou a oitiva sem policiais como uma medida de proteção ao depoente, diante das alegações de intimidação, e afirmou que a audiência foi solicitada pela defesa. O episódio ocorre em meio a um desgaste entre a cúpula da PF e o ministro, após Mendonça determinar medidas relacionadas ao acompanhamento das investigações envolvendo Vorcaro, o que levou integrantes da corporação a questionarem uma possível interferência na autonomia administrativa da instituição.
Por Redação/Folha
Operador de Vorcaro fecha delação com PGR e relata repasses a fundo ligado a aliado de Eduardo Bolsonaro
Antônio Carlos Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos e apontado como operador financeiro do banqueiro Daniel Vorcaro, assinou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo o Estadão, ele entregou aos investigadores informações sobre operações financeiras ilícitas realizadas a pedido de Vorcaro, incluindo transferências para um fundo nos Estados Unidos administrado por Paulo Calixto, advogado e aliado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. O acordo prevê multa de cerca de R$ 2 bilhões e foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do STF, mas ainda não foi homologado. A reportagem é do Estadão.
Um dos principais pontos da colaboração envolve pagamentos ao fundo Havengate, sediado no Texas. De acordo com a delação, Freixo Júnior apresentou extratos e comprovantes de transferências feitas a pedido de Vorcaro, relacionadas a recursos que teriam sido destinados ao financiamento de um filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Mensagens e documentos apreendidos no celular de Vorcaro registraram pagamentos de pelo menos US$ 10 milhões ao fundo, valor que correspondia a cerca de R$ 61 milhões na época. O delator afirmou, porém, não saber qual foi a destinação final do dinheiro.
Além dos repasses ao fundo, Freixo Júnior relatou ter realizado outras operações financeiras e pagamentos em dinheiro vivo a mando de Vorcaro. Segundo o empresário, algumas transações envolveram uma estrutura que poderia ser caracterizada como evasão de divisas. A defesa dele não foi localizada para comentar o caso, e a delação ainda depende de homologação judicial para produzir efeitos jurídicos como meio de prova.
Por Redação/Folha
Vorcaro diz a Mendonça que quer delatar pessoas do ‘atual governo’ e citaria relação com chefe da PF
Banqueiro pediu audiência com equipe do ministro do STF para relatar dificuldade em retomar acordo de delação
O banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em depoimento prestado à equipe do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que quer delatar integrantes do “atual governo” do presidente Lula e citar nessa delação a realização de viagem com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Ele, porém, não deu detalhes nem indicou provas dessa relação.
Procurado, o diretor da PF disse que não tinha relação com o dono do Banco Master.
O jornal O Estado de São Paulo teve acesso com exclusividade aos detalhes do depoimento do banqueiro, prestado na semana passada e mantido sob sigilo. O depoimento foi visto com desconfiança pelos investigadores, que veem na iniciativa uma ação de Vorcaro para tentar tumultuar a apuração e forçar a retomada da negociação de uma terceira delação premiada.
A defesa de Vorcaro pediu a realização desse depoimento a André Mendonça sob argumento de que ele estava sendo alvo de ameaças da PF para não fazer sua delação premiada. A PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitaram duas propostas de delação apresentadas pelo banqueiro, sob o entendimento de que ele escondeu informações e não entregou provas novas.
Agora, Vorcaro diz ao gabinete de Mendonça que sua delação não foi adiante porque os policiais federais queriam blindar Andrei Rodrigues de menções.
“Toda a minha colaboração, ela, no que tange a pessoas, são pessoas do núcleo do atual governo, que eu acabei fazendo relação para me proteger dos ataques que eu estava sofrendo. E aí, nesses momentos, teve uns casos que foram cruzadas linhas de moralidade, linhas de ilicitude, que esses eu pretendia relatar. Eu pretendia.... Na minha opinião, os fatos estão tão diferentes da realidade, doutor, que só a verdade hoje vai me libertar. Então, eu quero muito, desde... tem alguns meses que eu quero falar a verdade. Eu não sou perfeito, eu errei, eu errei mesmo, eu quero falar no que eu errei. Porque eu não era a pessoa e nem os fatos que estão sendo relatados ali. E envolve todo esse núcleo. E eu, desde o começo, sempre fui muito resistente, reticente. Fiquei, inclusive, surpreso com a própria PGR, com a atuação que foi proativa de tentar saber, entender a realidade. Mas isso não aconteceu, desde o começo, com a polícia”, afirmou Vorcaro.
Ao ser questionado sobre os fatos envolvendo o diretor-geral da PF, o banqueiro citou que Andrei “viajou para eventos comigo” e tinha uma relação com ele anterior às investigações da Operação Compliance Zero. Não apresentou provas nem deu detalhes sobre essas viagens nem citou se foram bancadas pelo Banco Master.
Vorcaro reclamou que os delegados da PF responsáveis por negociar a colaboração não demonstraram interesse na proposta. Os investigadores, porém, consideraram que as provas entregues não eram inéditas e que Vorcaro foi seletivo na proposta.
“No meu entendimento, com muita franqueza, a própria PGR, como o gabinete, como eu, nós estamos sendo levados por membros de uma Polícia Federal que está levando o caso para um lado e usando a mídia, com vazamento seletivo desde o começo, para intimidar todos”, afirmou o banqueiro.
Por Aguirre Talento/Estadão
PF vê omissão da AGU em crise com Mendonça, e orgão de Messias diz que evitou risco à investigação
Troca de acusações acirra disputa institucional entre órgãos após divulgação de conversas de Moraes O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o ministro da AGU, Jorge Messias
Integrantes da cúpula da Polícia Federal dizem ver omissão da AGU (Advocacia-Geral da União) na crise que culminou na ordem do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), para elaboração de um relatório que expôs trocas de mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.
O órgão comandado por Jorge Messias, por sua vez, tem apontado que a PF propõe medidas que poderiam resultar na anulação de investigações sobre o Banco Master.
A troca de acusações é o último capítulo da disputa que escalou entre a AGU e a PF nos últimos meses. O embate começou quando a Polícia Federal passou a demandar que a AGU atuasse perante o Supremo para tentar reduzir o controle do ministro Dias Toffoli sobre os inquéritos do qual ele era relator.
A AGU, responsável por representar juridicamente a União, tem se manifestado de forma contrária esse tipo de demanda.
Messias já tentou articular uma solução consensual para o conflito e marcou em agosto uma reunião entre Mendonça e o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, não esteve no encontro.
Os atritos começaram ainda no período em que Dias Toffoli era o relator dos inquéritos do Master no STF.
Em janeiro deste ano, a Polícia Federal pediu que a AGU acionasse o Supremo para questionar a decisão de Toffoli de definir os peritos que atuariam na análise das provas do caso.
À época, a AGU argumentou que não cabia a ela tratar de assuntos de competência criminal e que o caso Master não era um tema de governo.
Em fevereiro, Toffoli deixou o caso Master após a revelação de que houve trocas de mensagens entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, em que ambos discutem pagamentos para a empresa Maridt, que tem o ministro entre seus sócios. O caso foi então sorteado para Mendonça.
O ministro acabou acumulando os inquéritos ao de outra importante operação, a Sem Desconto, que trata de suspeitas de desvios em benefícios do INSS. Reservadamente, passou a manifestar desconfianças sobre investigadores.
Ele restringiu o acesso da cúpula da PF a informações dos inquéritos na medida em que as investigações avançavam sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Em julho, Mendonça determinou que todos os atos da investigação sobre fraudes no INSS fossem juntados ao processo que tramita em seu gabinete.
Deste modo, essas informações não poderiam passar mais por outros departamentos da PF, como a Coordenação-Geral de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro.
Mendonça também determinou que qualquer afastamento de policiais da equipe de investigadores seja comunicado previamente a ele e que a remessa de todas as extrações de dados seja enviada a seu gabinete.
As medidas foram interpretadas na PF como uma uma intromissão do magistrado na gestão de suas equipes e uma violação às competências da corporação. A polícia pediu à AGU que encontrasse algum remédio judicial para rebater a determinação do ministro, o que não aconteceu.
Na semana passada, em mais um dos episódios decorrentes da crise entre instituições, Mendonça ordenou que a PF fizesse a análise e identificasse em 72 horas todas as pessoas mencionadas em determinadas mensagens que estavam no celular de Vorcaro.
Essas mensagens eram trocadas com Alexandre de Moraes e incluíam menções a Andrei e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A ordem do ministro foi vista com desconforto por setores da Polícia Federal, que avaliaram a decisão como uma tentativa de conduzir a investigação, que cabe à corporação.
Mas ela também acirrou os ânimos desses setores da PF em relação à AGU. A situação se agrava por Messias poder ser indicado ao Supremo novamente, com o apoio de André Mendonça.
Dentro da AGU, o entendimento é de que não houve omissão e de que o órgão não pretende abrir um flanco para que a validade desses inquéritos seja colocada em xeque por advogados dos alvos.
O entendimento é que, ao convidar Mendonça e Wellington para a reunião, Messias tentou dar uma solução política e de consenso ao caso, e que a chefia da PF também deveria ter procurado o ministro do STF.
O material elaborado pela PF sobre Alexandre de Moraes, que teve o sigilo retirado nesta terça-feira (1º), mostrou uma série de envio de mensagens de Vorcaro para Moraes, inclusive uma na qual o ex-banqueiro questiona se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso ao tentar viajar para o exterior.
Por José Marques/Folhapress
Otto Alencar provoca Rogério Marinho e oferece ‘remédio tarja preta’ a opositor; veja vídeo
O presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, Otto Alencar (PSD)
Durante a discussão da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, nesta quarta-feira (2), o presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, Otto Alencar (PSD), provocou o senador Rogério Marinho (PL) ao oferecer Lexotan ao colega, sob a justificativa de que Marinho estaria “muito nervoso” durante a sessão. O medicamento é de tarja preta e atua no sistema nervoso central, podendo causar dependência e, por isso, exige prescrição médica e controle na comercialização.
A situação aconteceu após o liberal apresentar uma questão de ordem ao presidente da CCJ. Ao responder ao parlamentar, o pessedista fez a primeira provocação.
“Eu estou passando para vossa excelência. Vossa excelência está muito nervoso hoje. Eu trouxe até Lexotan, se o senhor quiser. Quer o Lexotan?”, indagou.
O oposicionista agradeceu a oferta, no entanto, o cacique do PSD na Bahia continuou com a brincadeira e citou outros medicamentos que, de acordo com ele, também estavam em seu bolso.
“Se quiser Lexotan, eu lhe dou agora. Eu me preocupei, eu trouxe hoje Lexotan, Adalat sublingual para pressão alta e Isordil para infarto. Está tudo no bolso. Se vossa excelência quiser, eu sirvo agora mesmo”, continuou.
A “brincadeira” ganhou a participação do senador Zequinha Marinho (Podemos), que acrescentou outro medicamento à provocação feita por Otto.
“Uma bandinha de Rivotril, não é, presidente?”, disse Zequinha.
Marinho então encerrou a troca de comentários classificando como diversificado o conjunto de medicamentos apresentado pelo presidente da CCJ.
“Para muitos gostos”, afirmou o senador.
Por Reinaldo Oliveira, Política Livre
Polícia Federal estaria montando articulação para “dar troco” em André Mendonça
Uma ala da Polícia Federal estaria se articulando para “dar troco” no ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação, do colunista Lauro Jardim no O Globo, aponta que, na PF, cresceu o sentimento de vingança por uma suposta tentativa de desmoralizar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Segundo um grupo interno, o ministro estaria em uma “cruzada” contra o gestor da corporação. À coluna de Jardim, um delegado da PF teria dito que “o troco não vai tardar”.
Esses "trocos" estariam relacionados ao que uma ala da PF costuma repetir sobre uma suposta blindagem que Mendonça teria feito ao longo do último ano em investigados próximos ao bolsonarismo, como o ex-governador Cláudio Castro
Por Redação/Bahia noticias
Gonet pede anulação de relatório da PF sobre Moraes e Vorcaro
| Foto: Antonio Augusto/STF/Arquivo |
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu nesta terça-feira (1º) a anulação do relatório da Polícia Federal que traz conversas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e um interlocutor apontado como sendo o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.Gonet, que também é citado no relatório, diz que o ministro André Mendonça, relator do caso na corte, "impôs a investigação" do colega.
"Ao juiz não cabe acusar, menos ainda ao juiz cabe realizar investigações pré-processuais", disse. Segundo ele, o relator "se valeu da polícia" para exercer "atividades que não lhe foram assinaladas".
"A ordem dada à autoridade policial para investigar pessoas específicas, sem pedido do Ministério Público e sem iniciativa da autoridade policial, é nula, por exceder os limites de competência do magistrado na fase pré-processual", afirma.
Uma série de mensagens, minutas de contratos e metadados obtidos pela PF no celular de Vorcaro ampliou as informações conhecidas sobre a relação do ex-dono do Master com autoridades.
Vorcaro procurou Moraes enquanto tentava salvar o banco e acompanhar as investigações que levariam à prisão do ex-banqueiro. O material também registra pedidos para que fossem acionados o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e Gonet.
Outros documentos tratam de um contrato de cerca de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e de uma segunda proposta, de R$ 50 milhões, que previa o pagamento com cotas de um jatinho e de um helicóptero.
Por Luísa Martins/Folhapres
Vorcaro autorizou cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para filhos de Moraes, aponta mensagem
Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, filhos do ministro do STF e advogados do escritório que firmou contrato de R$ 131 milhões com o Banco Master, tiveram cartões autorizados pelo próprio banqueiro, indicam diálogos de seu WhatsApp
O Banco Master emitiu, em outubro de 2025, cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, filhos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A emissão dos cartões foi solicitada pelo escritório Barci de Moraes, comandado pela mulher do ministro, Viviane Barci, que firmou um contrato de R$ 131 milhões com o banco de Daniel Vorcaro.
Ao jornal O Estado de São Paulo, o escritório Barci de Moraes confirmou que os cartões de crédito foram oferecidos pelo Master, mas “jamais usados por qualquer advogado ou pessoa do escritório”.
As mensagens do celular do banqueiro indicam que, em 2 de outubro de 2025 – 15 dias antes de sua prisão no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos –, o administrador do escritório Barci de Moraes, Guilherme de Toledo Benazzi, entrou em contato com Vorcaro para tratar da emissão dos cartões.
‘Pqp. Não pagaram Barci de Moraes. Vamos ter problemas’, reclamou Vorcaro de parcelas atrasadas
‘Acha que 2ª tenho que estar fora?’, pergunta Vorcaro a Moraes sobre sair do País a 2 dias de prisão
Moraes editou contrato de R$ 131 milhões de Viviane Moraes com Vorcaro, indicam registros
“Bom dia Daniel, é o Guilherme, que trabalha com a Viviane, tudo bom? Quer me passar algum contato para falar a respeito do cartão de crédito da Giuliana e Alexandre?”.
O próprio Vorcaro respondeu ao administrador do Barci de Moraes enviando o contato de Adriana Solano, superintendente executiva comercial do Master.
No mesmo dia, às 14h05, Adriana Solano enviou mensagem a Vorcaro questionando se poderia seguir com a emissão dos cartões de crédito para os filhos do ministro.
“O Guilherme que trabalha com a dra Viviane (Moraes) me ligou para emitir cartão para os filhos dela.... limite de 300 pra cada... posso seguir?”, perguntou a executiva do Master. “Ok”, consentiu Vorcaro.
Por Fausto Macedo/Felipe de Paula/Aguirre Talento/Estadão
‘Pqp. Não pagaram Barci de Moraes. Vamos ter problemas’, reclamou Vorcaro de parcelas atrasadas
Diálogos inéditos mostram que banqueiro demonstrou preocupação com atraso em pagamento para mulher de ministro Alexandre de Moraes
Mensagens extraídas do telefone celular do banqueiro Daniel Vorcaro mostram que ele demonstrou preocupação e reclamou com executivos do Banco Master sobre atrasos nos pagamentos ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Nas conversas, ele afirmou que se tratava do “contrato mais importante que temos” e pediu para não haver atrasos. “Esse Barci de Moraes por favor não deixe atrasar um dia, coloca no seu controle. É o pgto mais importante que temos”, orientou o banqueiro.Procurados, o ministro e a defesa de Vorcaro não se manifestaram.
Firmado em janeiro de 2024, o contrato de R$ 131 milhões que previa a atuação do escritório comandado por Viviane junto ao Banco Central, à Receita Federal e ao Congresso, em defesa dos interesses do Banco Master, teve o pagamento atrasado pela equipe do banqueiro já no primeiro mês de vigência. De acordo com a 11.ª cláusula do contrato, os R$ 3 milhões líquidos deveriam ser quitados até o quinto dia útil de cada mês, o que não ocorreu em fevereiro.
Nas conversas do seu celular, Vorcaro disparou cobranças para vários interlocutores e funcionários sobre os pagamentos.
A primeira cobrança foi dirigida a Fabiano Zettel, alvo da Operação Compliance Zero e homem de confiança do ex-controlador do Master. Casado com Natalia Vorcaro, irmã do banqueiro, Zettel está preso desde março. Ele nega envolvimento nas fraudes.
Em 8 de fevereiro de 2024, Vorcaro escolheu Zettel para a primeira cobrança sobre o atraso: “Me manda Barci de Moraes assinado? Quando era o primeiro pagamento?”
Zettel encaminhou um arquivo com o contrato assinado. “Até o 5 dia útil”, respondeu.
“Então já passou. Não foi feito?”, questionou Vorcaro. “Confirma com Ângelo se não foi pago”, seguiu o banqueiro, em referência a Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, que era tesoureiro do Master e também é investigado pela Polícia Federal.
No mesmo dia, Vorcaro perguntou a Ângelo. “Pagou aquele contrato 3mm?”
“Este que o Fabiano me passou mais cedo... sim...”, respondeu o tesoureiro, enviando o comprovante de pagamento ao escritório Barci de Moraes no valor de R$ 3.422.268,14.
Pouco mais de um mês depois, em 15 de março de 2024, às 15h07, o ex-ministro das Comunicações do governo Bolsonaro Fábio Faria – apontado como responsável pela aproximação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro – procurou o banqueiro do Master para tratar dos pagamentos atrasados.
Na sequência, Faria pediu a Vorcaro o contato do funcionário do Banco Master responsável por efetuar os repasses relativos ao contrato com o escritório Barci de Moraes. O banqueiro então enviou o contato de Ângelo.
Faria respondeu: “Passei pra ele”. De acordo com investigadores, o número de Ângelo da Silva teria sido repassado por Faria ao próprio ministro.
‘Vamos ter problemas’
Imediatamente após a cobrança de Fábio Faria, Vorcaro cobrou Ângelo com oito mensagens seguidas ressaltando que o contrato com o Barci de Moraes é o “mais importante que temos”.
“Angelo. Pqp. Não pagaram Barci de Moraes. Não to entendendo isso. Contrato mais importante que temos te pedi pra não falhar. Surreal. Vamos ter problemas”, advertiu o banqueiro.
“Pagamento. ADV? Vou checar”, respondeu Ângelo. “Manda pagar agora”, ordenou Vorcaro ao tesoureiro do Master.
‘Pode pagar sempre, sem nota’
Minutos depois da cobrança de Vorcaro em conversa com Ângelo, o banqueiro diz a uma funcionária do Master, Romy Goerck Gentina Klenquen, superintendente de Back Office de Tesouraria, que o pagamento mensal de R$ 3 milhões para o Barci de Moraes não pode “atrasar um dia”.
“Romy esse Barci de Moraes por favor não deixe atrasar um dia, coloca no seu controle. É o pgto mais importante que temos”, escreveu Vorcaro.
“Pode deixar, estou fazendo direto por aqui. Neste instante”, respondeu Romy Goerck. “Mas todo mês acompanha isso pra mim. Pode pagar sempre, sem nota. Do jeito que for”, orientou o banqueiro.
‘Ninguém ter acesso’
Em abril de 2025, Vorcaro questionou o tesoureiro Ângelo Silva sobre onde estaria o contrato físico do escritório Barci de Moraes firmado com o Banco Master e deu ordens para que o documento não fosse compartilhado com ninguém.
“Oi. Contrato Barci de Moraes. Ta onde? É algo que pessoal tem acesso”, questionou o banqueiro.
“Tenho q ver... O q precisa”, retornou Ângelo.
“Ninguém ter acesso. Vc pegar e não deixar ninguém ter acesso a isso!”, orientou Vorcaro. “Ok. Vou localizar amanhã”, escreveu o tesoureiro.
‘Não faz barci pix né’
Em outubro de 2025, um mês antes de ser preso pela Polícia Federal, Daniel Vorcaro recomendou em diálogos com o superintendente-executivo de tesouraria do Master, Alberto Felix de Oliveira Neto, que os pagamentos ao escritório Barci de Moraes não deveriam ser feitos via Pix. A conversa não explica o motivo dessa cautela.
“Mas não faz barci pix ne? Fez?”, questionou Vorcaro.
“Fez, não pode? Foi pix para os mesmos dados da ted”, explicou Alberto Felix. “Não é bom”, conclui Vorcaro.
Até outubro de 2025, o escritório de Viviane recebeu do Banco Master R$ 80.223.653,84. O valor consta na declaração de Imposto de Renda da instituição financeira, enviada em abril à CPI do Crime Organizado, do Senado.
Por Fausto Macedo/Felipe de Paula/Aguirre Talento/Estadão
Vorcaro autorizou cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para filhos de Moraes, aponta mensagem
Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, filhos do ministro do STF e advogados do escritório que firmou contrato de R$ 131 milhões com o Banco Master, tiveram cartões autorizados pelo próprio banqueiro, indicam diálogos de seu WhatsApp
O Banco Master emitiu, em outubro de 2025, cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, filhos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A emissão dos cartões foi solicitada pelo escritório Barci de Moraes, comandado pela mulher do ministro, Viviane Barci, que firmou um contrato de R$ 131 milhões com o banco de Daniel Vorcaro.
Ao jornal O Estado de São Paulo, o escritório Barci de Moraes confirmou que os cartões de crédito foram oferecidos pelo Master, mas “jamais usados por qualquer advogado ou pessoa do escritório”.
As mensagens do celular do banqueiro indicam que, em 2 de outubro de 2025 – 15 dias antes de sua prisão no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos –, o administrador do escritório Barci de Moraes, Guilherme de Toledo Benazzi, entrou em contato com Vorcaro para tratar da emissão dos cartões.
‘Pqp. Não pagaram Barci de Moraes. Vamos ter problemas’, reclamou Vorcaro de parcelas atrasadas
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Moraes editou contrato de R$ 131 milhões de Viviane Moraes com Vorcaro, indicam registros
“Bom dia Daniel, é o Guilherme, que trabalha com a Viviane, tudo bom? Quer me passar algum contato para falar a respeito do cartão de crédito da Giuliana e Alexandre?”.
O próprio Vorcaro respondeu ao administrador do Barci de Moraes enviando o contato de Adriana Solano, superintendente executiva comercial do Master.
No mesmo dia, às 14h05, Adriana Solano enviou mensagem a Vorcaro questionando se poderia seguir com a emissão dos cartões de crédito para os filhos do ministro.
“O Guilherme que trabalha com a dra Viviane (Moraes) me ligou para emitir cartão para os filhos dela.... limite de 300 pra cada... posso seguir?”, perguntou a executiva do Master. “Ok”, consentiu Vorcaro.
Por Fausto Macedo/Felipe de Paula/Aguirre Talento/Estadão
Vorcaro pediu intervenção na PF para adiar operação e evitar falência do Banco Master, aponta perícia
A Polícia Federal (PF) identificou, em relatório pericial, uma mensagem enviada pelo empresário Daniel Vorcaro ao contato cadastrado em seu celular como "Alexandre de Moraes BRASILIA", na qual o controlador do Banco Master pede que seja feita uma interlocução junto à direção da própria PF para adiar uma medida policial que, segundo ele, poderia levar a instituição à quebra.
O documento que estava em sigilo de justiça, obtido pelo Bahia Notícias (BN), registra a recuperação de uma imagem enviada por meio do recurso de visualização única do WhatsApp.
Na captura de tela, extraída pela perícia do aparelho de Vorcaro, aparece um texto redigido pelo empresário em seu bloco de notas em 16 de novembro de 2025: "Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco nao quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possivel" [a grafia original foi apresentada integralmente].
De acordo com o relatório da PF, a referência a "Andrei" diz respeito a Andrei Passos, diretor-geral da Polícia Federal. Na avaliação dos investigadores, a mensagem demonstra um pedido para que o destinatário tentasse sensibilizar a chefia da corporação a adiar o cumprimento de uma medida policial iminente contra o banco.
No próprio texto, Vorcaro afirma que o adiamento, somado ao feriado subsequente, no dia 20 de novembro, evitaria a quebra da instituição financeira.
ENTRE 25 SEGUNDOS
Para comprovar a autenticidade e a autoria da mensagem, os peritos cruzaram registros do sistema operacional do aparelho com vestígios deixados pelos aplicativos utilizados pelo empresário. Segundo o relatório, o intervalo entre a criação do conteúdo e o envio da imagem foi de apenas 25 segundos.
A cronologia reconstruída no texto pela perícia aponta:
- 16h56min40s (19h56min40s UTC): Daniel Vorcaro abre o aplicativo Bloco de Notas do iPhone e digita a mensagem.
- 16h57min22s (19h57min22s UTC): o empresário realiza uma captura de tela do conteúdo. O sistema iOS registra automaticamente o horário da ação.
- 16h57min26s (19h57min26s UTC): Vorcaro encerra o Bloco de Notas e abre o WhatsApp.
- 16h57min47s (19h57min47s UTC): a imagem é enviada, por meio do WhatsApp, ao contato identificado como "Alexandre de Moraes BRASILIA."
- 16h57min50s (19h57min50s UTC): o aplicativo é fechado no dispositivo.
Segundo os investigadores, o uso de uma captura de tela enviada por visualização única dificultava a preservação do conteúdo no histórico convencional das conversas. Embora o recurso apague a imagem do dispositivo do destinatário após a abertura, os peritos afirmam ter comprovado a transmissão por meio de duas frentes técnicas:
- Registros de conectividade (logs): o software de perícia forense IPED identificou o envio de dados pelo WhatsApp ao destinatário no exato momento registrado na cronologia do aparelho.
- Recuperação de arquivos temporários: a captura de tela gerou vestígios em áreas temporárias do sistema iOS. A equipe técnica conseguiu extrair a imagem original e seus metadados diretamente da memória do telefone de Vorcaro.
Por Fernando Duarte / Ronne Oliveir
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