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Lulinha atuou como assessor da Fictor, alvo de operação da PF

Advogado confirma que filho do presidente conhece ex-sócio do grupo, mas nega relação de trabalho com empresa e favorecimento a empresário
Foto: Reprodução/Redes sociais
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), é próximo do empresário Luiz Phillippe Rubini, ex-sócio da Fictor, e atuou como consultor do grupo. Nesta quarta-feira (25), Rubini e acionistas da Fictor foram alvos de uma operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de fraudes bancárias associadas ao Comando Vermelho.

A relação de Lulinha com a Fictor foi mais próxima em 2024, segundo relato de duas pessoas que trabalharam para empresas do grupo e falaram na condição de não terem o nome citado. Contam que, para não chamar a atenção, Lulinha até restringiu visitas aos escritórios. No entanto, ainda foi visto na empresa no ano passado.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Fictor afirmou que esse tema deve ser tratado com Rubini. A assessoria do executivo, por sua vez, disse que ele não vai comentar sobre esse assunto.

A reportagem também fez contato com a Presidência da República, que não respondeu até a publicação deste texto.

Segundo esses executivos, Lulinha foi contratado para fazer a aproximação da Fictor com o governo. Eles também afirmam que foi a partir desse trabalho que Rubini foi indicado para integrar o chamado Conselhão, o CDESS (Conselho do Desenvolvimento Econômico Social Sustentável), um órgão consultivo da presidência da República.

A relação com o filho do presidente também abriu caminho para Rubini participar do Grupo Parlamentar de Relacionamento com o Brics no Senado. Por transitar no mercado financeiro, foi visto como uma pessoa importante para contribuir com temas dessa área.

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que defende o filho do presidente nas investigações sobre fraudes no INSS, confirmou à reportagem que Lulinha conhece Rubini, mas negou que ele tenha tido relações de trabalho com a Fictor ou intercedido para que Rubini ocupasse cargos no setor público.

"Essa é mais uma tentativa de colocar Fábio no meio de um escândalo", afirmou. Carvalho disse ainda que Lulinha vive na Espanha desde 2024.

Rubini ficou como sócio e no comando da Fictor Invest, braço de investimentos do conglomerado, até abril de 2025 e permaneceu como conselheiro até outubro.

Em novembro, a Fictor anunciou uma tentativa de compra do Banco Master, na véspera de o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ser preso pela primeira vez.

O grupo entrou em recuperação judicial no dia 2 de fevereiro deste ano, declarando dívidas acima de R$ 4,2 bilhões.Por Alexa Salomão/Folhapress

Senador do Podemos é flagrado pela polícia dirigindo carro sem placas e com giroflex em SP

Alexandre Luiz Giordano também estava com a CNH vencida e tentou fugir da abordagem, segundo a polícia
Foto: Carlos Moura/Agência Senad
O senador Alexandre Luiz Giordano (Podemos-SP)
O senador Alexandre Luiz Giordano (Podemos-SP) foi flagrado na manhã de segunda-feira (23) dirigindo com a CNH vencida, usando um carro sem as placas com luzes estroboscópicas, imitando o giroflex de viaturas, em Santana, na zona norte de São Paulo. Ele tentou fugir da abordagem policial, mas foi parado e autuado.

Após ser multado pelas irregularidades, o senador foi liberado. A reportagem tentou contato com o parlamentar na manhã desta quarta (25) por email e pelo perfil dele nas redes sociais, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem.

Também nesta quarta, ele participou de um evento com o presidente Lula (PT) em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. O parlamentar não falou com a imprensa.

Empresário, Giordano assumiu o cargo de senador ao herdar a cadeira de Major Olímpio (do antigo PSL) que morreu por Covid em 2021.

A reportagem teve acesso ao registro da ocorrência policial, que relata que uma equipe da PM se deparou com um veículo, um Land Rover, sem as placas trafegando com luzes estroboscópicas ligadas na alameda Afonso Schimidt por volta das 8h de segunda-feira.

Os policiais então pararam o carro e pediram para que o condutor descesse do veículo. Giordano se recusou a sair e se identificou como "federal".

Depois da insistência dos policiais, Giordano acabou saindo do veículo e se identificou como "senador da República". Ao perceber que a gravação das câmeras corporais dos agentes foi iniciada, ele começou a ameaçar os PMs, de acordo com os agentes.

"Você está gravando? Então você vai ver", ameaçou o senador, segundo relato dos policiais no registro da ocorrência. Os PMs solicitaram os documentos de identidade, mas Giordano se negou a apresentá-los e voltou a ameaçar os agentes, dizendo que iria "falar com o coronel Henguel", em referência a Henguel Ricardo Pereira, secretário-executivo da pasta de Segurança Pública do estado.

A equipe então solicitou reforço. Neste momento, Giordano voltou a ameaçar os policiais, dizendo "você vai para a reciclagem, é isso que vai acontecer", segundo consta no registro da ocorrência.

Depois de várias tentativas, os policiais conseguiram abrir o porta-malas do veículo, onde identificaram as placas do automóvel.

Após os policiais localizarem as placas, Giordano entrou no carro na tentativa de fugir da abordagem. Ele subiu na calçada, de acordo com os agentes, quase atropelando um dos policiais que havia se posicionado em frente ao veículo para evitar que fosse retirado do local.

Os policiais acionaram apoio via rádio sobre o destino do veículo em fuga e conseguiram abordá-lo poucas quadras depois, no cruzamento da rua Doutor César com a avenida Braz Leme.

Com a chegada de outras equipes, o senador foi novamente abordado e, desta vez, autuado por conduzir o veículo sem emplacamento, com a CNH vencida e pela utilização indevida das luzes estroboscópicas. Em seguida, o senador e o veículo foram liberados.
Por Clayton Castelani/Isabela Palhares/Folhapress

Cunhado de Vorcaro troca de advogados para tentar fazer delação premiada

Fabiano Zettel é apontado como operador financeiro de fraudes do Banco Master
Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e também preso durante investigações contra as fraudes do Banco Master, trocou sua equipe de defesa e mira conseguir fechar um acordo de delação premiada.

Em nota divulgada nesta quarta-feira (25), os advogados Maurício Campos Jr., Juliano Brasileiro e João Victor Assunção anunciaram que deixaram seus postos.

Quem assume a defesa de Zettel no Supremo Tribunal Federal (STF) é Celso Vilardi, que também é advogado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e já atuou em casos do Mensalão e da Lava Jato.

Recentemente, Daniel Vorcaro também começou a negociar com as autoridades um possível acordo de delação premiada.

Zettel foi pastor da Igreja Batista da Lagoinha e diretor do Banco Master. É casado com Natália Vorcaro, irmã do ex-banqueiro.

Como mostrou a Folha, a PF (Polícia Federal) vê o cunhado de Daniel Vorcaro como uma peça-chave no esquema de fraude bilionária ao sistema financeiro.

O pastor recebeu R$ 485 milhões da Super Empreendimentos, empresa investigada pela PF sob a suspeita de servir de canal de pagamentos a uma suposta milícia privada do grupo e a agentes públicos.

Os repasses foram feitos entre julho de 2022 e janeiro deste ano. Só no ano passado, Zettel recebeu R$ 160 milhões da Super, originados de 264 transferências. Os maiores repasses foram feitos entre fevereiro e abril, de R$ 5 milhões cada.

Zettel é apontado como o principal operador financeiro do ex-banqueiro e a análise da rede financeira ligada a ele é vista por investigadores como peça central para a abertura de novos flancos nas investigações do Master.

A partir de um cruzamento entre o diálogo dele e de Vorcaro e das movimentações financeiras obtidas nas quebras de sigilo, a polícia tenta identificar se, de fato, esses pagamentos ocorreram.

Se sim, irão avaliar se eles são legítimos —e têm relação com alguma prestação de serviço— ou se há indícios de irregularidades.

Como a Folha mostrou, já há suspeitas de crimes financeiros em fundos de Zettel ligados ao resort Tayayá, do qual uma empresa da família do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), foi sócia.

Zettel foi preso duas vezes. A primeira delas, de forma temporária, por ordem de Dias Toffoli em 14 de janeiro. A segunda, em março, já com a operação sob a supervisão de André Mendonça.

O pastor ganhou projeção no meio empresarial como fundador e CEO da Moriah Asset, gestora que se apresenta como o primeiro e maior private equity focado em bem-estar no Brasil.

Por meio da Moriah, tornou-se sócio de negócios como o Grupo Frutaria (Frutaria São Paulo, Empório Frutaria e Néctar), da rede de açaí Oakberry, da academia de luxo Les Cinq, da Desinchá e da Super Nutrition, marca de suplementos como creatina.

Em 2022, ele foi o maior doador das campanhas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do governador Tarcísior de Freitas (Republicanos-SP), com cerca de R$ 5 milhões no total —R$ 3 milhões para Bolsonaro e R$ 2 milhões para Tarcísio.
Por José Marques, Folhapress

TSE condena Cláudio Castro por 5 a 2, e ex-governador do RJ fica inelegível até 2030

Ex-governador manifesta 'grande inconformismo' e afirma que caso não alterou resultado da eleição
O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL)
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decidiu nesta terça-feira (24) condenar à inelegibilidade do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) no processo em que é acusado de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.

Os ministros Floriano de Azevedo Marques, Estela Aranha e Cármen Lúcia acompanharam os votos de Isabel Galloti e Antônio Carlos, somando cinco votos contra o ex-governador.

O ministro Kassio Nunes Marques votou para absolver Castro, por considerar que não foi comprovado impacto no resultado do pleito. Já André Mendonça considerou que o ex-governador teve benefícios eleitorais, mas não teve sua participação comprovada nas infrações apontadas.

Em relação ao presidente afastado da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), Rodrigo Bacellar (União Brasil), Mendonça votou pela condenação, registrando o placar de 6 a 1.

Em nota, Castro afirmou que recebeu "com grande inconformismo a decisão". "Reitero meu absoluto respeito aos ministros do TSE e ao devido processo legal, mas é importante que se diga que todas as acusações apontadas no processo se referem a questões anteriores ao período eleitoral de 2022 e não tiveram qualquer influência na expressiva votação que recebi", afirmou ele.

A condenação à inelegibilidade por oito anos, a contar a partir de 2022, deve afetar os planos de Castro de concorrer ao Senado. Aliados afirmam que ele tentará recorrer por meio de recursos ou liminar.

Ele renunciou ao cargo de governador nesta segunda-feira (23), véspera da retomada do julgamento, a fim de evitar a pena de cassação. O objetivo foi garantir a realização de uma eleição indireta para o mandato-tampão no estado, que vai até o fim deste ano. A retirada do cargo pelo TSE poderia levar à realização de um pleito direto, reduzindo o poder de influência do governador sobre sua sucessão imediata.

O julgamento no TSE foi retomado após Kassio pedir vista na sessão do último dia 10, quando o processo voltava à pauta após quatro meses parado para vista do ministro Antônio Carlos.

Cármen Lúcia, criticou o fato de Castro ter renunciado na véspera da retomada do julgamento —o prazo de desincompatibilização para disputar as eleições se encerra apenas em 4 de abril.

"Tem sido continuado os casos em que governantes do Rio não terminam, ou saem dos cargos como agora, na véspera de um julgamento iniciado desde o ano passado, tendo em vista exatamente o exame e a conclusão sobre práticas absolutamente contrárias ao que se põe na Constituição, na minha compreensão", disse ela.

Em seu voto, Mendonça afirmou que votaria pela cassação de Castro, mas não aplicou a pena em razão da renúncia.

"Embora tenha colhido os dividendos eleitorais, o que de fato justificaria a sua cassação caso não tivesse havido a renúncia ocorrida na data de ontem, não se aplica aqui a sanção de inelegibilidade por insuficiência probatória da sua efetiva participação nas condutas ilícitas", disse ele.

A ação eleitoral teve como origem o chamado escândalo da "folha secreta de pagamento", revelado pelo UOL em junho de 2022. O caso se refere ao uso da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e da Fundação Ceperj para o pagamento de funcionários de projetos sociais em dinheiro vivo e sem a divulgação de seus nomes.

Uma investigação do Ministério Público do Rio descobriu saques de dinheiro vivo na "boca do caixa". Ao todo, R$ 248 milhões foram retirados em agências bancárias por dezenas de milhares de pessoas que integrariam o suposto esquema. As contratações só foram interrompidas em agosto, após a ação civil pública do Ministério Público estadual.

O caso gerou duas ações de investigação judicial eleitoral, uma movida pela chapa de Marcelo Freixo (PT), derrotado na eleição, e outra pela Procuradoria Eleitoral. Castro foi absolvido no TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro) em maio de 2024 em votação apertada, por 4 a 3. O Ministério Público Eleitoral levou o caso ao TSE, ao recorrer da decisão.

Na retomada do julgamento, Kassio afirmou também que não foi comprovado que a reeleição de Castro ocorreu em razão do esquema. O ex-governador foi eleito no primeiro turno com 58,67% dos votos válidos.

"É extremo de dúvida que as cifras envolvidas neste caso concreto são superlativas. [...] Ocorre que os elementos existentes não se traduzem em um grau de certeza que permita apenar os integrantes da chapa eleita no pleito de 2022 para o governo do estado do Rio de Janeiro, tampouco demais recorridos, com as duras penas", declarou o ministro.

Floriano, logo em seguida, questionou a necessidade de comprovação direta sobre o resultado.

"O abuso é ilícito em si. Independe da obtenção de eventual resultado ou da necessidade deste resultado para a disputa eleitoral. Já se decidiu nesta corte que a margem de votos daquele vencedor que praticou um abuso é irrelevante para desnaturar a característica ou o atributo de abusividade das condutas", declarou o ministro.

Kassio, por sua vez, considerou que não há prova suficiente no processo que permita a condenação de Castro e os demais acusados na ação eleitoral sobre o chamado escândalo da "folha secreta de pagamento". Ele considerou como "relatos pontuais" testemunhas que apontaram o uso eleitoreiro de projetos sociais do governo.

"É de se indagar como a existência de apenas três depoimentos em um universo de 27 mil contratações seria suficiente para comprovar a intenção de impactar o pleito que ocorreria em 2022", disse o ministro.

Floriano, porém, considerou que "as irregularidades abundam" e que "há elementos de prova sólidos e harmônicos" no processo para demonstrar um "mecanismo para alavancar candidaturas dos investigados e das alianças políticas no pleito de 2022".

"O descaso administrativo, marcado pela informalidade dos procedimentos adotados, falta de critério na contratação e definição das atribuições, caráter genérico dos projetos a serem desenvolvidos, pagamento na boca do caixa, serviu ao propósito de escamotear a verdadeira finalidade das ações, que era o benefício eleitoral", afirmou o ministro.

Mendonça, por sua vez, afirmou que Castro obteve dividendos eleitorais, mas não pode ser responsabilizado por atos que não cometeu.

"Embora tenha colhido os dividendos eleitorais, o que de fato justificaria a sua cassação, caso não tivesse havido a renúncia ocorrida na data de ontem, não se aplica aqui a sanção de inelegibilidade, por insuficiência probatória da sua efetiva participação nas condutas ilícitas".
Por Italo Nogueira/Ana Pompeu/Folhapress

Alexandre de Moraes autoriza Bolsonaro a ir para prisão domiciliar por 90 dias

O ex-presidente Jair Bolsonaro
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a prisão domiciliar humanitária temporária do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A decisão fixa prazo inicial de três meses, a contar da data da alta médica, para fins de recuperação de broncopneumonia.

Os filhos e os advogados de Bolsonaro poderão visitá-lo "nas mesmas condições legais do estabelecimento prisional, ou seja, às quarta-feiras e sábados, em um dos seguintes horários: 8h às 10h, 11h às 13h e 14h às 16h". E decidiu pela "suspensão de todas as demais visitas pelo prazo de 90 (noventa) dias, correspondente ao período de recuperação do custodiado".

Ele não poderá usar celular nem acessar redes sociais ou gravar vídeos.

Após esse período, o ministro determina que seja reavaliada a presença dos requisitos para a manutenção da medida, inclusive com perícia médica, se necessário.

O despacho estabelece ainda que a prisão domiciliar será cumprida no endereço residencial do custodiado, com condições e medidas cautelares.

Na segunda (23), a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestou a favor do pedido de prisão domiciliar protocolado pela defesa de Jair Bolsonaro (PL).

O ex-presidente foi condenado no processo da trama golpista a mais de 27 anos de prisão e vinha cumprindo pena na Papudinha, mas precisou ser transferido para um hospital em 13 de março após passar mal. Na segunda, Bolsonaro recebeu alta da UTI (unidade de terapia intensiva).
Por Mônica Bergamo e Diego Alejandro, Folhapress

Equipe do Ministério Público na comissão do STF sobre penduricalhos também ganha acima do teto

Sede da Procuradoria-Geral da República (PGR)
Os dois representantes da Procuradoria-Geral da República (PGR) na comissão do Supremo Tribunal Federal (STF) que discutiu os penduricalhos no serviço público recebem acima do teto constitucional de R$ 43,3 mil. A procuradora Eliana Peres ganhou em média R$ 10,8 mil extrateto nos últimos quatro meses. O procurador Ubiratan Cazetta auferiu uma média de R$ 7,4 mil a mais do que o limite imposto pela Constituição, segundo levantamento da Coluna do Estadão em dados da PGR.

Procurada, a PGR afirmou que as verbas pagas têm base legal e que o teto constitucional é “estritamente respeitado”. Peres e Cazetta não responderam. Leia o comunicado da PGR ao fim da reportagem.

O levantamento não contabilizou o terço de férias, garantido pela Constituição, ou a gratificação natalina, uma espécie de 13° salário.

A procuradora Eliana Peres, secretária-geral do Ministério Público da União, recebeu R$ 56,9 mil em novembro passado, R$ 57,8 mil em dezembro passado, R$ 56,9 mil em janeiro, e R$ 56,9 mil em fevereiro. Em média, o teto foi ultrapassado em R$ 10,8 mil em cada mês.

Já o procurador Ubiratan Cazetta, chefe de gabinete do procurador-geral da República, Paulo Gonet, ganhou R$ 53,7 mil em cada um dos quatro últimos meses, R$ 7,4 mil acima do limite constitucional.

Como mostrou a Coluna, Gonet obtém em média R$ 8 mil de salário extrateto. O vice da PGR, Hindemburgo Chateaubriand, ganhou R$ 5,2 mil acima do teto em janeiro.

A Constituição determina que nenhum servidor público pode ganhar mais que R$ 46,3 mil mensais, remuneração de um ministro do STF. Na prática, contudo, diversas carreiras driblam a regra por meio dos penduricalhos. Além de obter supersalários com as “verbas indenizatórias”, essas autoridades escapam de pagar Imposto de Renda sobre esses recursos.

A comissão com representantes dos três Poderes criada pelo STF para discutir os pagamentos acima do teto constitucional apresentou um relatório nessa segunda-feira, 23. O documento servirá de base para o julgamento do plenário do Supremo sobre o tema, na próxima quarta-feira, 25.

O colegiado estimou que o gasto total com verbas acima do teto salarial esteja em torno de R$ 9,8 bilhões na magistratura, e em R$ 7,2 bilhões no Ministério Público.

O relatório não sugeriu um limite para as verbas indenizatórias, mas apresentou cenários que variam entre 30% e 70% em relação ao teto.

O grupo recomendou o uso da lei que rege o Imposto de Renda para definir o que é, de fato, verba indenizatória, com um rol restrito de parcelas indenizáveis.

“Todas as verbas pagas pelo Ministério Público Federal têm por base normas nacionais, a saber, leis federais, Resoluções do Conselho Nacional do Ministério Público e decisões do STF e STJ. O teto constitucional aplica-se a verbas de natureza remuneratória e é estritamente respeitado pelo MPF", diz o comunicado da PGR.

Por Eduardo Barretto / Estadão

Entenda os próximos passos da delação de Daniel Vorcaro

Daniel Vorcaro sendo transferido de SP para Brasília
Após firmar um termo de confidencialidade —primeira etapa do processo de delação premiada—, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, inicia agora a negociação com a PGR (Procuradoria-Geral da República) e a Polícia Federal sobre os termos do acordo.

Nessa fase, serão definidos quais informações e provas o ex-banqueiro pretende apresentar, bem como os benefícios que poderá receber.

Vorcaro foi transferido na quinta-feira (19) para a superintendência da Polícia Federal em Brasília, de onde passou a conduzir as tratativas.

As conversas são protegidas pelo termo de confidencialidade. Caso o acordo não avance, as informações apresentadas não poderão ser usadas na investigação.

A legislação prevê que essa negociação inicial seja conduzida pela PGR, embora haja precedentes de acordos firmados diretamente pela Polícia Federal, segundo o advogado criminalista Wander Barbosa. Participam dessa etapa investigadores e membros do Ministério Público, sem envolvimento direto do Judiciário.

A defesa de Vorcaro, representada pelo advogado José Luis Oliveira Lima, deve apresentar uma proposta formal descrevendo os fatos investigados na operação Compliance Zero.

O documento precisa indicar outros possíveis envolvidos, detalhar as infrações penais atribuídas a eles e explicar a estrutura e a divisão de tarefas do grupo.

Segundo Barbosa, o acordo só avança se as autoridades avaliarem que as informações trazem elementos novos e relevantes para a investigação. Caso contrário, a proposta pode ser rejeitada.

O advogado Luiz Flávio Borges D’Urso afirma que a delação funciona como um contrato entre as partes e não tem prazo definido. "Pode demorar até um ano. Há muitas particularidades, especialmente em casos complexos, com diversos detalhes a serem ajustados", diz.

Se houver concordância, as partes assinam o termo de acordo, que deve incluir o relato da colaboração, seus possíveis resultados e as condições negociadas, além de eventuais medidas de proteção ao colaborador e à sua família.

O documento é então enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal) para homologação —neste caso, sob relatoria do ministro André Mendonça. Cabe ao Judiciário verificar se a colaboração foi feita de forma voluntária e se respeita os requisitos legais. O papel da Justiça é uma espécie de fiscal das condições que a lei da delação estabelece, segundo D’Urso.

O ministro pode recusar a homologação, por exemplo, se identificar coação ou considerar os termos insuficientes. Nesse caso, o acordo pode retornar às partes para ajustes.

Se homologada, a colaboração pode resultar em benefícios como perdão judicial, redução de pena ou sua substituição por outras medidas.

Mesmo assim, Vorcaro poderá ser condenado e, eventualmente, cumprir pena de prisão, ainda que em condições diferenciadas.

Vorcaro foi preso duas vezes. A primeira ocorreu em 17 de novembro, no Aeroporto de Guarulhos, quando se preparava para viajar ao exterior. A Polícia Federal suspeitou de tentativa de fuga, hipótese negada pelo empresário, que afirmou ter um encontro com investidores.

Ele foi solto dez dias depois, mas voltou a ser preso em 4 de março deste ano, em nova fase da operação Compliance Zero.

Após a segunda prisão, a defesa foi substituída e passou a ser conduzida por José Luis Oliveira Lima, que já atuou em acordos de delação premiada, como o do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, na Operação Lava Jato.

Por Felipe Gutierrez / Folha de São Paulo

Lula sanciona lei que autoriza funcionamento de farmácias dentro de supermercados no Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que permite a instalação de farmácias e drogarias dentro de supermercados em todo o país. A norma foi publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (23). Pela legislação, as unidades devem funcionar de forma independente dos demais setores, com estrutura própria para recebimento, armazenamento e controle de temperatura e umidade dos medicamentos.

A lei também proíbe a exposição de remédios em gôndolas externas ou áreas de livre acesso fora do espaço da farmácia e torna obrigatória a presença de um farmacêutico habilitado durante todo o horário de funcionamento. No caso de medicamentos de controle especial, a entrega ao consumidor só poderá ocorrer após o pagamento ou com o produto devidamente lacrado e identificado até o caixa.

Além disso, a legislação autoriza o uso de canais digitais e plataformas de comércio eletrônico para logística e entrega, desde que respeitadas as normas sanitárias. Relator da proposta, o senador Humberto Costa afirmou que o objetivo é ampliar a concorrência e facilitar o acesso da população a medicamentos com preços mais acessíveis.

Lula vê risco eleitoral e discute com ministros reação política a caso Master e endividamento das famílias

O presidente Lula (PT) discutiu com a cúpula do governo respostas para o que identificam como fontes de desgaste político e eleitoral: o alto endividamento das famílias e escândalos de corrupção.

Durante reunião na noite da quarta-feira (18), no Palácio do Planalto, Lula e seus ministros reconheceram que o nível de endividamento do brasileiro neutralizaria os esforços do governo em busca de sensação de bem-estar social, como reajuste do salário mínimo e aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda.

Na reunião, a taxa de juros praticada pelo Banco Central foi, mais uma vez, alvo de críticas. No dia seguinte, Lula reclamou publicamente da política monetária, mostrando-se frustrado com a redução de apenas 0,25 ponto porcentual, para 14,75%, da taxa Selic pelo Copom (Comitê de Política Monetária). O presidente esperava que a taxa a essa altura do ano já estivesse em 14%.

Lula também disse que o caso do Banco Master é "ovo da servente" da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de Roberto Campos Neto na chefia do BC.

Os participantes da reunião admitiram ainda que, embora herdados de gestões passadas e investigados em seu governo, os escândalos de corrupção do Master e das fraudes do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) estão caindo na conta de Lula.

O presidente, segundo relatos, manifesta frustração com o desgaste sofrido por fraudes que têm envolvimento de seus opositores e que só vieram à tona graças às investigações encorajadas por ele na CGU (Controladoria-Geral da União), na Polícia Federal e no BC.

Lula e seus auxiliares reconheceram a dificuldade de combater a estratégia de comunicação bolsonarista, que usa os desdobramentos das investigações para afirmar que o governo é palco de corrupção, o que tem ajudado o pré-candidato à Presidência do PL, senador Flávio Bolsonaro, a avançar nas pesquisas eleitorais.

Os participantes da reunião defenderam a necessidade de repisar que os escândalos do Master e do INSS tiveram origem na gestão bolsonarista.

Na avaliação de um participante, o trabalho de combater a corrupção realizado pela Polícia Federal, Banco Central e CGU não tem sido convertido em ativo político. O diagnóstico é que a comunicação não está conseguindo mostrar que o governo está atuando contra as fraudes.

Presente à reunião, o ministro da Secom, Sidônio Palmeira, respondeu à avaliação, alegando que reagir a esses ataques não é tarefa da comunicação oficial de um governo. Apesar de convocada para discussão de uma pauta de governo, a reunião foi encerrada com essa análise da conjuntura política.

Além das críticas aos juros, há também no governo uma frustração com a não adesão do presidente do BC, Gabriel Galípolo, à estratégia de responsabilização do seu antecessor no cargo, Roberto Campos Neto, pela crise do Master.

Desde o anúncio da compra do Master pelo BRB (Banco de Brasília), Galípolo não endossou em nenhum momento as críticas a Campos Neto, encabeçadas pelo ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT).

O desapontamento com Galípolo também se estende ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao ministro da CGU, Vinicius Carvalho. Lula ficou chateado por Carvalho não ter comunicado antecipadamente sobre as fraudes dos descontos dos aposentados do INSS, que vieram a público em 2025, para que o governo pudesse adotar medidas com mais agilidade.

No caso da PF, aliados do presidente costumam criticar o vazamento de informações por agentes da corporação, com objetivo de afetar o governo. Eles enxergam a ação de bolsonaristas na PF para desgastar o presidente.

Integrantes da Polícia Federal avaliam, no entanto, que o governo não está sabendo utilizar a investigação do Master de maneira eficiente em prol da sua popularidade.

Em entrevista à Folha na última semana, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas, verbalizou a opinião de ministros palacianos ao fazer duras críticas ao trabalho da PF e na defesa Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, que vem sendo investigado por suposta ligação com as fraudes do INSS.

Amigo de Lula, o advogado disse que a PF está em disputa. Mas acredita que Andrei Rodrigues "vai tomar providências bastante enérgicas para se livrar desses elementos que colocam em xeque a credibilidade da instituição".

Procurado pela Folha, o chefe da PF disse que o órgão atua com autonomia técnica e independência, asseguradas desde o primeiro dia de governo pelo presidente da República. "O combate à corrupção é uma diretriz do governo federal, que tem reafirmado a importância da atuação firme da Polícia Federal nessa área. As investigações são conduzidas com base na lei, com responsabilidade e respeito ao devido processo legal", afirmou.

Já os defensores da política do BC avaliam que a guerra no Irã tem mostrado que as críticas dentro do governo à cautela na redução dos juros envelheceram rápido com os efeitos dos desdobramentos da alta do petróleo na economia mundial.

Questionados pela Folha, BC e CGU não se manifestaram.

Por Catia Seabra e Adriana Fernandes / Folha de São Paulo

Vorcaro é transferido e ocupa cela onde Bolsonaro ficou preso na PF

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi transferido de cela na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Ele ocupa agora o espaço onde ficou detido o ex-presidente Jair Bolsonaro, antes de ele ser levado para a Papudinha.

A nova cela tem cama, banheiro privativo e uma mesa de trabalho. Conta ainda com televisão e frigobar, além de ar-condicionado. Vorcaro foi transferido para a PF na última quinta-feira (19) para negociar uma delação premiada.

O espaço é reservado a autoridades e outras figuras públicas, caso do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, preso em 2024 sob suspeita de posse ilegal de arma de fogo durante operação da PF sobre a trama golpista.

A nova cela é maior e tem mais equipamentos do que o espaço que Vorcaro ocupava até então, uma cela comum com cama e banheiro e cercada por grades.

Antes de ser transferido para a Papudinha, Bolsonaro se queixou da cela. Disse que o ar-condicionado fazia ruído e a defesa repassou a reclamação ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Em janeiro, a PF informou ao Supremo que não seria possível reduzir o ruído.

Isso porque, segundo a PF, a sala de Estado-Maior, onde Bolsonaro e agora Vorcaro foram detidos, está próxima a áreas destinadas à instalação e ao funcionamento de equipamentos do sistema de climatização do edifício.

"Em razão dessa proximidade com as áreas técnicas, há nível de ruído no ambiente. Contudo, é importante destacar que não é possível eliminar ou reduzir significativamente esse ruído por meio de medidas simples ou pontuais", disse a PF em ofício.
Por Folha de São Paulo

André Mendonça determina prorrogação da CPI do INSS após pedido de presidente do colegiado

                         Ministro do STF não definiu um prazo para o fim do grupo
Foto: Victor Piemonte/STF
O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal)
O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nesta segunda-feira (23) a prorrogação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista criada para apurar as fraudes do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), mas não definiu um prazo para o fim do grupo.

O magistrado atendeu a um pedido do presidente do colegiado, Carlos Viana (Podemos-MG). O relatório final da CPI seria apresentado na quarta (25).
Por Isadora Albernaz/Folhapress

PGR se manifesta a favor da prisão domiciliar de Bolsonaro

Jair Bolsonaro
A PGR (Procuradoria-Geral da República) opinou, nesta segunda-feira (23), em favor do pedido de prisão domiciliar protocolado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O ex-presidente está preso no processo da trama golpista, mas precisou ser transferido para um hospital em 13 de março após passar mal. Ele foi diagnosticado com um quadro de broncopneumonia.

"Ao ver da Procuradoria-Geral da República, está positivada a necessidade da prisão domiciliar, ensejadora dos cuidados indispensáveis ao monitoramento, em tempo integral, do estado de saúde do ex-Presidente, que se acha, comprovadamente, sujeito a súbitas e imprevisíveis alterações perniciosas de um momento para o outro", escreveu o Procurador-Geral, Paulo Gonet, na manifestação.

Na quarta-feira (18), o Ministro Alexandre de Moraes, do STF, pediu ao hospital DF Star, onde Bolsonaro está internado, informações sobre o quadro clínico do ex-presidente. A instituição enviou ao ministro os boletins médicos e um prontuário completo.

O ex-presidente trata uma pneumonia bacteriana decorrente de um episódio de broncoaspiração. Apesar de o hospital afirmar que o quadro é de "boa evolução", ainda não há previsão de alta.

Como mostrou a Folha, a ofensiva pela domiciliar teve a participação de Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, da bancada bolsonarista no Congresso Nacional e de ministros do STF.

Um argumento utilizado por políticos e por outros ministros junto a Moraes foi o risco de que a eventual morte de Bolsonaro fosse encarada politicamente como responsabilidade do Supremo.

Pelo menos metade da composição atual da corte entende que deixar Bolsonaro cumprir a pena em casa, mediante a aplicação de outras medidas cautelares, é a melhor opção.

Ao atender Bolsonaro na manhã em que ele teve a crise de saúde, a equipe médica de plantão na Papudinha citou "risco de morte" do ex-presidente como motivo para a transferência ao hospital.

Ao solicitar a domiciliar para Bolsonaro, a defesa afirmou que houve uma piora no seu quadro de saúde e que a Papudinha é incompatível com a preservação da saúde e da integridade física do ex-presidente.

A internação foi colocada pelos advogados como um fato superveniente à decisão de Moraes que, em 2 de março, havia negado a domiciliar. Por isso, foi requerida uma reconsideração.
Por Luísa Martins e Ana Pompeu / Folha de São Paulo

Suplente acusado de lavar dinheiro para Careca do INSS pagou boleto de R$ 51 mil de senador

Alvo de tornozeleira eletrônica sob suspeita de atuar na lavagem de dinheiro de desvios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Erik Janson Marinho pagou um boleto de R$ 51 mil para o senador Efraim Filho (PB), líder do União Brasil no Senado. Erik é segundo suplente de Efraim e foi alvo da Polícia Federal em uma das fases da Operação Sem Desconto.

A transação apareceu em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) produzido dentro da investigação. Efraim Filho não é investigado pelos desvios no INSS.

Procurado, ele afirmou que pediu ao seu segundo suplente “ajuda” para quitar o boleto porque não tinha o valor em conta no dia do vencimento. “Se trata de um boleto de um contrato privado meu. No dia do vencimento, eu não tinha o valor em conta. Pela nossa relação de suplente, perguntei se ele podia me ajudar a quitar o boleto, e ele disse que sim, e assim o fez”, afirmou o senador ao Estadão.

Questionado se havia ressarcido o valor, Efraim disse que seu suplente não quis cobrar a dívida. “Quis pagar, mas acredito que pela relação de suplente, ele nunca decidiu me cobrar até hoje”, afirmou.

Erik Marinho foi alvo de uma das fases da Operação Sem Desconto em dezembro e é suspeito de auxiliar o Careca do INSS na lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial.

Segundo a PF, ele e a esposa abriram empresas com capital social irrisório que serviam para ocultar a propriedade de aeronaves do empresário.

“Já é possível afirmar que ERIK MARINHO se vinculou a ANTONIO em etapas relevantes do processo de lavagem de capitais, inserindo-se em fases específicas destinadas à ocultação e dissimulação de bens e valores”, escreveu a PF em relatório da investigação. A defesa de Erik Marinho não retornou aos contatos.

O senador Efraim Filho não foi alvo, nem é investigado na operação, mas seu nome apareceu em um relatório do Coaf sobre as movimentações financeiras de seu segundo suplente.

Diz o relatório: “Identificamos a realização de pagamentos de boletos de cobrança em nome de terceiros. Por amostragem, demonstramos os principais sacados: (...) 51.632,64 01 Efraim de Araújo Morais Filho”.

Por Aguirre Talento / Estadão

Alcolumbre se irrita com cúpula de CPMI do INSS e reclama de vazamento de conteúdo íntimo de Vorcaro

Davi Alcolumbre
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), demonstrou irritação com a cúpula da CPMI do INSS e reclamou do vazamento de mensagens íntimas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Pessoas próximas ao senador afirmam que, na visão dele, o próprio Congresso ficou desmoralizado com a situação dos últimos dias, quando as conversas entre Vorcaro e a ex-noiva Martha Graeff chegaram ao conhecimento de milhares de brasileiros e viraram piada nas redes sociais.

A vida sexual de Vorcaro (e de alguns amigos políticos) ficou ainda mais exposta depois que a CPMI teve acesso a fotos que estavam armazenadas em equipamentos da marca Apple usados por ele. O conteúdo foi retirado do Congresso por ordem do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça na última segunda (16).

Segundo relatos, Alcolumbre tem afirmado que a CPMI virou um espetáculo com interesses meramente eleitoreiros. Tanto o presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), como o relator, deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), vão disputar as eleições neste ano.

A comissão deve votar o relatório final de Gaspar nesta semana. Alcolumbre ignorou os pedidos de prorrogação. Tampouco houve resposta de Mendonça, acionado pelos parlamentares para obrigar o presidente do Senado a estender o colegiado.

Aberta para investigar os descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), a CPMI mirou a atuação do Master após a operação que prendeu Vorcaro e passou por diferentes personagens.

O empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT), se tornou um dos principais alvos da oposição pelo contato com o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

No mês passado, parlamentares protagonizaram uma briga generalizada depois que Viana anunciou a quebra de sigilo bancário e fiscal de Lulinha, ignorando o placar verdadeiro. A quebra foi suspensa pelo ministro do STF Flávio Dino.

O ministro também mandou Viana e o Senado se manifestarem judicialmente sobre o envio de R$ 3,6 milhões em emendas parlamentares para a Fundação Oasis, ligada à Igreja Batista da Lagoinha, de Belo Horizonte. O Painel procurou Viana neste domingo (22), mas não conseguiu contato.

Por Thaísa Oliveira / Folha de São Paulo

Dino fala em anomalias em emendas enviadas à Codevasf e Dnocs e dá prazo para aprimorar fiscalização

Ministro destaca que Dnocs apresenta quadro de anomalias, descontroles e víciosO ministro Flávio

Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal)

O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), fixou neste domingo (22) novos prazos para que órgãos aprimorem os mecanismos de controle sobre a execução de emendas parlamentares. As datas foram determinadas depois de o governo federal enviar à corte uma nota técnica sobre um plano de trabalho em relação às emendas.


A AGU (Advocacia-Geral da União), Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba), Dnocs (Departamento Nacional de Obras contra a Seca) e DenaSus (Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde), especialmente, têm novas respostas a dar ao ministro até o fim do semestre.

"Realço que a maioria das medidas definidas na Nota Técnica deve estar concretizada até 30/05/2026, especialmente no âmbito do Dnocs, em que —aparentemente— reina um quadro de mais anomalias, descontroles e vícios", disse o ministro.

A partir de então, a Codevasf tem 60 dias para instaurar procedimento de apuração e ressarcimento de valores aplicados irregularmente. Trata-se das TCEs (Tomadas de Contas Especiais), um processo para quando se constata desfalque, desvios, omissão na prestação de contas ou não comprovação da aplicação correta de recursos.

Na decisão, o relator renovou exigências de cumprimento das decisões do Supremo de transparência e rastreabilidade das emendas.

Em relação ao Dnocs, há orientações detalhadas, como priorizar contratos de repasse em vez de convênios para aumentar o controle, exigir memórias de cálculo e ensaios técnicos para comprovar a qualidade e quantidade dos serviços faturados, estabelecer critérios objetivos para a escolha de vias a serem pavimentadas.

Para a continuidade do acompanhamento do plano de trabalho encaminhado pelo Executivo e pelo Legislativo, o ministro fixou a data de 10 de junho para que os Poderes prestem novas informações, sobretudo sobre as emendas de relator e as de comissão.

Além disso, o relator voltar a reforçar determinação pela reestruturação do Denasus para garantir auditorias eficazes sobre as verbas destinadas à saúde pública. Dino deu mais 30 dias para a apresentação de um plano emergencial de recomposição dos quadros do órgão para melhorar a capacidade de fiscalização dos valores.

A primeira decisão nesse sentido foi dada em 16 de janeiro.

"Caso não haja a recomposição do Denasus em prazo razoável, serão adotadas imediatas medidas excepcionais de auditoria e fiscalização, já que um segmento como a Saúde Pública não pode permanecer executando dezenas de bilhões de reais em emendas parlamentares (e outras transferências) sem os controles estabelecidos na Constituição Federal", afirmou.

A decisão também prorroga prazos para que diversos ministérios ajustem suas normas internas, visando alinhar as indicações políticas ao planejamento estratégico do governo federal.

Dino é relator de uma ADPF (arguição de descumprimento de preceito fundamental) que trata da falta de transparência e de rastreabilidade na indicação e execução das emendas parlamentares. Trata-se de uma verba que deputados e senadores enviam às suas bases eleitorais, cujo valor cresceu diante de uma hipertrofia do Congresso.

Em 2026, o valor previsto para emendas com pagamento obrigatório pelo governo chegou a R$ 37,8 bilhões. Desde 2024, Dino tem dado decisões que contrariam o Congresso, exigindo mais transparência e metodologia para indicação desses valores, principalmente das rubricas de comissões temáticas e bancadas estaduais, que são assinadas coletivamente.
Por Ana Pompeu/Folhapress

Dia Mundial da Água: desigualdades no acesso ainda são profundas

Os dados mais recentes da Agência Nacional de Água e Saneamento Básico (ANA) sobre o comprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 6 da Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que o Brasil realizou avanços importantes, mas mantém desigualdades profundas no acesso à água e ao saneamento.

O Objetivo 6 da ONU, para 2030, prevê que o país deva assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos.

No acesso à água, os dados mais recentes mostram que, em 2023, 98,1% da população brasileira tinha acesso à água potável segura. Porém, segundo a ANA, o índice não evidencia desigualdades relevantes: em áreas rurais, o acesso cai para 88% e atinge números ainda menores nas regiões Norte (79,4%) e Nordeste (81,9%). As diferenças também aparecem no recorte racial, com menores níveis de acesso entre a população não branca.

Já em relação ao saneamento, os dados mostram que, em 2023, apenas 59,9% da população contava com esgotamento sanitário seguro. Na Região Norte, esse percentual era de apenas 39,6%. O Brasil trata apenas 57,6% do esgoto gerado, o que, na prática, significa que quase metade dos resíduos ainda é descartada sem tratamento adequado, com impactos diretos sobre a saúde, o meio ambiente e a segurança hídrica do país.

“Mais do que uma questão de cobertura, o problema está em quem ainda fica para trás. Populações em áreas rurais, periferias urbanas e territórios historicamente excluídos concentram os maiores déficits de acesso à água, ao saneamento e à higiene”, destacou a ANA, em nota.
Mulheres

De acordo com a Agência, os impactos da ausência desses serviços recaem de forma desproporcional sobre mulheres e meninas.

“Sem água na torneira, são elas as principais responsáveis pela coleta de água e pelos cuidados com a casa e com a família – tarefas que se tornam mais difíceis, demoradas e exaustivas quando faltam serviços adequados. Sobrecarregadas, ainda são expostas a graves riscos sanitários e de violência nesse contexto de vulnerabilidade”, acrescentou a Agência.

A ANA ressalta ainda que a falta de acesso à água torna a equidade de gênero uma meta inatingível, porque prejudica diretamente a saúde, a dignidade e as oportunidades das mulheres, ampliando a carga de trabalho não remunerado e limitando o acesso delas à educação e à geração de renda. “Sem água e sem saneamento, a desigualdade se perpetua”, frisou a agência.

“Não há mais espaço para tratar água, saneamento, clima e justiça social como agendas separadas. Garantir acesso seguro à água e ao esgotamento sanitário, fortalecer a gestão dos recursos hídricos e avançar na adaptação à mudança do clima são ações que precisam caminhar juntas”, acrescentou a ANA.
Protagonismo feminino

Segundo a professora da Universidade de Brasília (UNB) e ecopedagoga Vera Lessa Catalão, a preservação dos recursos hídricos no país passa obrigatoriamente por uma mudança no padrão de consumo e pelo reconhecimento do papel central das mulheres na gestão da água.

Segundo a educadora, a gestão da água para as mulheres não é um conceito abstrato, mas uma realidade cotidiana e concreta. São elas as principais responsáveis por garantir o recurso para a saúde e a higiene da família, especialmente em regiões onde o acesso é precário, como em comunidades ribeirinhas e periferias urbanas.

“Elas que providenciam ou que reclamam do direito à água para lavar as roupas, para mandar seus filhos para a escola. Elas fazem uma gestão mais consciente da água, da importância da água como direito. Eu acho que a mulher sente isso fortemente. Para ela não é uma abstração, é um fato concreto. E por isso eu acho que nós, mulheres, somos as principais convidadas a pensar que cuidados precisamos ter para que a água nossa de cada dia não nos falte”, destacou Catalão, em entrevista no programa Viva Maria, da Rádio Nacional.
Economia e educação

Para a presidente executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, o cenário atual de desigualdade no saneamento básico reflete diretamente no futuro econômico e educacional do país. Segundo ela, os mais afetados, novamente, são os grupos mais vulneráveis.

“A escolaridade média hoje de uma criança que teve acesso ao saneamento é de 9,5 anos. Uma criança que não teve acesso ao saneamento é de 7,5 anos, ou seja, a criança que tem acesso ao saneamento, ela estuda dois anos a mais. E isso pode impactar depois na renda média, na possibilidade de ingressar numa faculdade”, disse em entrevista à Rádio Nacional.

“E o perfil hoje de quem não tem acesso ao saneamento são pessoas pretas, pardas, indígenas, pessoas jovens de até 20 anos de idade, pessoas com escolaridade média baixa, e pessoas com uma renda média baixa”, acrescentou.

Bruno Bocchini - Repórter da Agência Brasil

Delação de Vorcaro põe classe política e STF sob pressão em ano eleitoral

Ex-dono do Master negocia com PF e PGR entregar informações contra integrantes dos 3 Poderes.
O banqueiro Daniel Vorcaro
A informação de que o banqueiro Daniel Vorcaro negocia com a Polícia Federal e a PGR (Procuradoria-Geral da República) um acordo de delação premiada aumentou o clima de tensão em Brasília com possíveis novas revelações sobre o escândalo do Banco Master.

A avaliação na classe política, jurídica e empresarial é a de que as revelações podem provocar danos em todas as vertentes. A eventual delação tem potencial de atingir integrantes do governo Lula (PT), do Congresso, da cúpula dos partidos do centrão, da oposição e do STF (Supremo Tribunal Federal), além de outras instâncias do Judiciário.

Entre os políticos, a principal preocupação é que as investigações invadam o período de campanha e que as repercussões da delação afetem o xadrez eleitoral, com denúncias e operações policiais ao longo do pleito. O ministro André Mendonça, relator do processo no STF, já afirmou a auxiliares que não pretende suspender as apurações durante a eleição.

No Congresso e no Judiciário, há críticas sobre o que veem como vazamentos seletivos de informações por parte da polícia, como forma de ganhar apoio popular para investigar autoridades. Há a percepção de que revelações sobre as festas luxuosas de Vorcaro, com gastos milionários, popularizaram e atraíram atenção para o escândalo, que, até então, era de conhecimento restrito a quem acompanha o mercado financeiro.

Congressistas ouvidos pela reportagem preveem que os presidentes dos dois maiores partidos do centrão devem ser atingidos: Antônio Rueda, do União Brasil, e Ciro Nogueira, do PP. Em conversas com aliados, eles confirmam as relações pessoais com Vorcaro —já explicitadas pela quebra de sigilo telefônico do banqueiro—, mas negam transações financeiras.

De acordo com relatos, Nogueira e Rueda defendem em conversas reservadas que a participação em festas não é crime e que todos os políticos desejavam se aproximar de Vorcaro na época. O ex-banqueiro participava e patrocinava eventos com autoridades.

Há um receio, no entanto, de vazamento de fotos e conversas pessoais que podem ser exploradas por adversários para constrangê-los na campanha.

Ao jornal Folha de São Paulo Rueda disse que não comenta fofocas nem supostas delações. "Nunca fiz qualquer intermediação, não recebi vantagem e não tenho relação de natureza negocial com quem quer que seja nesse caso. Qualquer tentativa de me envolver é especulativa", afirmou.

Nogueira não respondeu à reportagem.

Aliados do presidente Lula também buscam blindá-lo e investem no discurso de que foi seu governo que desbaratou esquemas herdados da gestão Jair Bolsonaro. Na quinta-feira (19), ele disse em discurso: "Esse Banco Master é obra, é o ovo da serpente, do Bolsonaro e do Roberto Campos [Neto], ex-presidente do Banco Central".

Colaboradores do presidente alimentam expectativa de uma atuação técnica do ministro André Mendonça. Na visão de aliados, ainda que haja uma tentativa de responsabilização do governo Lula, é impossível poupar a administração anterior.

Ainda segundo auxiliares, Lula afirma que, mesmo que viesse à tona a participação de algum aliado, seria uma gota em um oceano de bolsonaristas. Ministros do governo lembram que o presidente incentivou as investigações e sugeriu que os citados se explicassem.

Um deles minimiza o risco de Vorcaro proteger amigos em eventual delação e lembra que o banqueiro terá que fundamentar suas acusações. Apesar desses argumentos, uma ala do governo admite que acusações de Vorcaro podem causar danos eleitorais.

Entre políticos da direita e bolsonaristas, a negociação para a delação foi comemorada e a esperança é de que sejam atingidos nomes do centrão e da esquerda, mas principalmente ministros do STF. O discurso de membros do PL, por exemplo, é o mesmo que embasou os pedidos de CPI do Master protocolados por esse campo —de que tudo deve ser investigado.

O pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, escreveu: "Por favor, Vorcaro, delate todo mundo! Sejam políticos, pastores, empresários, ministros do STF etc. Em nome de Jesus".

Parte do bolsonarismo desconfia, porém, que Vorcaro pode tentar poupar as relações com ministros da Suprema Corte e entregar apenas políticos. Também há receio de que uma delação que implique o STF ou a própria PGR não seja homologada, numa tentativa de blindagem às autoridades.

Parlamentares do PL que mantêm uma briga antiga com o Supremo, especialmente com o ministro Alexandre de Moraes, veem na delação uma oportunidade de expor o que consideram corrupção na corte e, assim, fortalecer o discurso pró-impeachment de ministros.

Nomes da direita também minimizam revelações que possam surgir a respeito da Igreja Batista da Lagoinha e do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que usou um avião ligado ao dono do Master em agendas no segundo turno de 2022. Em suas redes, Nikolas comemorou uma notícia da delação dizendo que Vorcaro não pouparia ninguém.
Por Raphael Di Cunto/Augusto Tenório/Catia Seabra/Carolina Linhares/Folhapress

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