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Governo Lula adota cautela com Venezuela e vê acordo Trump-Delcy afastando dano político
Após uma primeira reação enérgica, o presidente Lula (PT) baixou o tom e tem evitado falar publicamente sobre a atuação dos Estados Unidos na Venezuela. Ainda assim, o governo avalia que a aproximação dos presidentes dos dois países, Donald Trump e Delcy Rodríguez, esvazia a exploração política da aliança histórica do PT com o chavismo.
Auxiliares de Lula preveem uma influência reduzida de temas internacionais na campanha presidencial deste ano, não só em relação à Venezuela. Entre as razões, está o entendimento de que temas internacionais muitas vezes são ignorados pela opinião pública porque não afetam o cotidiano do brasileiro.
A aposta do PT hoje é que os protestos e a repressão no Irã e as sucessivas crises causadas por Trump, por exemplo, tenham baixa ressonância junto ao eleitorado em outubro.
A proximidade do governo e do partido com a Venezuela sempre foi um flanco que a oposição explorou em ataques a Lula. Um dos motes do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por exemplo, era afirmar que o Brasil seguiria o colapso social e econômico do país vizinho em caso de vitória do petista nas eleições.
Aliados de Lula, porém, dizem que ele iniciou um movimento de afastamento de Nicolás Maduro ainda em 2024, quando não reconheceu abertamente a vitória do ditador na última eleição na Venezuela. O pleito foi recheado de denúncias de fraude.
Apesar de o Itamaraty classificar a captura de Maduro o ato como um "sequestro", houve cuidado para não passar uma mensagem que pudesse ser lida como endosso ao regime do venezuelano.
Nos bastidores, aliados de Lula entendem que a saída de cena do ditador, retirado da Venezuela por militares norte-americanos e levado para julgamento nos EUA, deixa o petista numa situação politicamente mais confortável, uma vez que esvazia tentativas de associação entre os dois líderes.
O fato de Trump reconhecer Delcy —que era vice-presidente do país— como a principal interlocutora de Washington na Venezuela e ter escanteado a opositora María Corina Machado também diminui a pressão sobre Lula, ainda segundo auxiliares.
Para o PT, a oposição tentará levantar a relação de Lula com o chavismo na Venezuela para anular ganhos eleitorais em áreas que o partido considera pontos fortes do governo. Os petistas querem destacar medidas como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000.
Outra aposta está em propostas que mexem com o trabalho dos brasileiros, como o fim da escala 6x1 e a tarifa zero para transporte público.
O plano de petistas é que a relação bilateral entre Brasil e EUA entre na campanha a partir da reação de Lula ao tarifaço imposto pelo republicano em 2025. A ideia é mostrar que o presidente conseguiu reverter a situação sem abrir mão da soberania nacional.
Interferência na eleição
O principal temor em relação ao cenário internacional para a eleição continua sendo uma possível interferência dos Estados Unidos —não apenas do governo, mas das plataformas digitais.
A expectativa é que a relação positiva que se instalou entre Lula e Trump desde o primeiro encontro entre os dois na Assembleia-Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em setembro passado, reduza a probabilidade de uma ingerência direta de Washington. A imprevisibilidade do americano e a volatilidade do cenário internacional, no entanto, deixam aliados apreensivos.
O Brasil conta com a possibilidade de Trump usar no Brasil a mesma estratégia adotada nas eleições da Argentina e de Honduras neste ano. Na eleição legislativa argentina, Trump condicionou a concessão de um pacote de ajuda financeira ao país de US$ 20 bilhões a um bom desempenho do partido de Milei no pleito.
Na eleição presidencial hondurenha, Trump apoiou abertamente o candidato da ultradireita, Nasry "Tito" Asfura.
Clima azeda ainda mais após decisão de Toffoli indicando peritos sem consultar PF; decisão é incomum
Ministro atropelou rito padrão ao selecionar nomes à revelia da direção da polícia. Movimento foi lido na corporação como recado de desconfiança institucional, apesar da alta qualificação técnica dos escolhidos.
A decisão do ministro Dias Toffoli de indicar nominalmente quatro peritos da Polícia Federal para atuar no caso Banco Master azedou de vez a relação entre a corporação e o Supremo Tribunal Federal (STF).
Nos bastidores, o movimento foi lido pela cúpula da polícia como um recado duro: "Não quero a participação institucional de vocês".
O procedimento adotado pelo ministro é considerado incomum. O rito burocrático padrão seria o STF encaminhar a demanda ao Instituto Nacional de Criminalística, que possui um corpo de mais de 200 peritos, para que a própria direção do órgão designasse os profissionais de acordo com a especialidade necessária.
Ao chegar com uma lista pronta de quatro nomes, sem consultar a direção-geral, Toffoli atropelou a autonomia administrativa da polícia, gerando forte mal-estar.
Apesar do ruído político, a apuração do blog confirma que os nomes selecionados à revelia da direção possuem a mais alta qualificação técnica para a complexidade do caso.
O destaque da lista é o atual chefe da área de perícia em informática. Ele é o criador de um sistema revolucionário chamado IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais).
O IPED é considerado o cérebro das grandes operações hoje (como a Lava Jato e os atos de 8 de janeiro). O software funciona como um agregador universal de provas: quando a polícia apreende um celular, o sistema processa todas as plataformas (WhatsApp, e-mails, galeria de fotos) e indexa o conteúdo em uma base única
Isso permite que os investigadores façam uma busca por palavras-chave em milhares de arquivos simultaneamente, cruzando dados que estariam dispersos em aplicativos diferentes.
Quem são os peritos escolhidos
A lista elaborada por Toffoli pinça quadros técnicos de alta especialização dentro da Polícia Federal:
O primeiro indicado é o chefe da área de informática da PF. Ele é uma referência no setor por ter criado o IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais). Esse software é a ferramenta mais poderosa da polícia hoje: ele indexa todo o conteúdo de um celular apreendido (fotos, chats, e-mails) e permite buscas por palavras-chave, cruzando dados de forma rápida.
O segundo nome é o subchefe da mesma área de perícia em informática, que atua diretamente com o desenvolvedor do software.
O terceiro perito tem currículo voltado para a economia e mercado financeiro, indicando um foco na complexidade das transações bancárias do caso Master.
Há ainda um quarto nome na lista cuja especialização específica não ficou clara para interlocutores da área.
Por Julia DuailibiJulia Duailibi é comentarista de política da GloboNews.
Dino proíbe emendas para ONGs comandadas por parentes de parlamentares
Ministro mandou órgãos federais elaborarem nota sobre execução de recursos
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Flávio Dino, proibiu que deputados e senadores destinem emendas parlamentares para ONGs (organizações não governamentais) que possuem parentes em seu quadro administrativo. A proibição de "nepotismo" na escolha do envio de verbas do Congresso consta em decisão expedida nesta quinta-feira (15).
De acordo com a decisão, fica proibida a "destinação e execução de recursos oriundos de emendas parlamentares em favor de entidades do terceiro setor" que "tenham, em seus quadros diretivos e administrativos, cônjuge, companheiro ou parente, em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, de parlamentar responsável pela indicação da emenda".
A regra também vale para parentes de assessores vinculados ao congressista autor da indicação. Não fica claro, porém, como fica a situação das emendas de comissão ou de bancadas estaduais, que são assinadas coletivamente por parlamentares.
O ministro menciona uma reportagem do jornal O Globo que mostra um crescimento de dez vezes nos repasses de emendas parlamentares a ONGs desde 2019, atingindo o recorde de R$ 1,7 bilhão em 2025. O jornal aponta também que uma entidade usou a verba para pagar o aluguel de um imóvel de um parente da ex-deputada Tereza Nelma (PSD-AL).
Na medida, Dino também barra o envio de emendas a entidades que "realizem contratação, subcontratação ou intermediação de pessoas físicas ou jurídicas" que tenham participação ou ligação contratual com parentes ou empresas de familiares dos parlamentares ou assessores. O ministro quer impedir subcontratações para driblar a decisão.
Além de fazer uma ofensiva contra possíveis casos de nepotismo e improbidade administrativa, Dino determinou no mesmo documento que os ministérios do Desenvolvimento Regional e da Gestão e da Inovação, além da Controladoria-Geral da União, elaborem uma nota técnica sobre execução de emendas pelo Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas) e pela estatal Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba).
Os dois órgãos públicos costumam ser visados pelos parlamentares pela sua capilaridade em bases eleitorais.
Dino determina que o documento seja feito em até 60 dias. O ministro aponta "problemas crônicos de execução evidenciados por sucessivas operações policiais, em desproporção verificada em relação a outras áreas do Governo".
Ofensiva sobre emendas
Dino é relator de uma ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) que questiona a falta de transparência na indicação e execução das emendas parlamentares. Trata-se de uma verba que deputados e senadores enviam às suas bases eleitorais, cujo valor cresceu diante de uma hipertrofia do Congresso.
Em 2026, o valor previsto para emendas com pagamento obrigatório pelo governo chegou a R$ 37,8 bilhões. Desde 2024, Dino tem dado decisões que contrariam o Congresso, exigindo mais transparência e metodologia para indicação desses valores, principalmente das rubricas de comissões temáticas e bancadas estaduais, que são assinadas coletivamente.
Dino chegou a suspender o pagamento de emendas Pix, que caem direto no caixa das prefeituras, e bloqueou a liberação de rubricas de comissões temáticas. Tais atitudes levaram a um clima de disputa entre o STF e o Congresso.
Por Augusto Tenório/Folhapress
Após vídeo de Malafaia, Damares divulga lista de igrejas e pastores citados na CPI do INSS
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) divulgou, nesta quarta-feira (14), uma lista de igrejas e líderes evangélicos que tiveram pedidos de convocação, convite ou transferência de sigilo apresentados na Comissão Parlamentar Mista Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Em entrevista ao SBT News no último domingo (11), a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) revelou que os documentos obtidos na comissão expõem a participação de “grandes igrejas” e “grandes pastores” nos desvios de dinheiro obtido por meio de descontos ilegais nos benefícios dos aposentados.
A senadora divulgou a lista logo após a declaração do líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Silas Malafaia, nesta quarta-feira (14). Na ocasião, o líder religioso cobrou, por meio de um vídeo nas redes sociais, a apresentação de provas e nomes que comprovasse a denúncia que ele chamou de “afronta”.
Segundo a senadora, todos os requerimentos foram apresentados com base em indícios identificados em documentos oficiais, especialmente Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) e informações da Receita Federal. Segundo informações divulgadas pelo g1, entre os pastores que possuem requerimento para comparecer à CPMI está Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Na publicação, Damares afirmou ainda que a eventual participação de igrejas ou líderes religiosos em esquemas de fraude no INSS lhe causa "profundo desconforto e tristeza", mas que, ainda assim, a CPMI tem o dever constitucional de apurar os fatos com responsabilidade, imparcialidade e base documental. Nos pedidos solicitados, alguns já foram aprovados e outros ainda precisam passar pela análise dos membros da comissão.
Confira a lista completa:
IGREJAS
Transferência de sigilo da Adoração Church;
Transferência de sigilo da Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo;
Transferência de sigilo do Ministério Deus é Fiel Church (SeteChurch);
Transferência de sigilo da Igreja Evangélica Campo de Anatote.
PASTORES
Convite a Fabiano Campos Zettel, empresário e líder religioso, para comparecer à CPMI;
Convite a Cesar Belucci do Nascimento, líder religioso;
Convocação de André Machado Valadão, líder religioso, para prestar depoimento;
Transferência de sigilo de André Machado Valadão;
Convite a Péricles Albino Gonçalves, líder religioso;
Convite a André Fernandes, líder religioso.
Por Redação
Lula tem reunião com Moraes, Receita e PF após Supremo abrir inquérito que apura vazamento
Oficialmente, encontro tratou do combate ao crime organizado
O presidente Lula (PT) teve uma reunião nesta quinta-feira (15) com autoridades ligadas ao caso Master e o novo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, com a justificativa de conversar sobre o combate ao crime organizado.
O encontro colocou na mesma sala o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, e o diretor da Receita, Robinson Barreirinhas, dias após o magistrado abrir uma investigação para apurar eventuais vazamentos no Fisco de informações sobre sua família relacionadas ao banco Master.
De acordo com Wellington, foi firmado um compromisso de ação conjunta entre as instituições de combate ao crime organizado, e que as investigações em torno do Banco Master não foram o principal assunto da conversa.
"O tema foi tratado como eixo. É uma diretriz de órgãos de Estado que não se preocupa com nenhuma particularidade específica. Por outro lado, não vai deixar de atuar contra todos aqueles que se ajustem a esse perfil", declarou.
Também participaram o ministro Fernando Haddad (Fazenda), do diretor do Banco Central, Gabriel Galípolo, do ministro-chefe da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, do procurador-geral da República, Paulo Gonet, do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan.
A centralização das diretrizes de segurança e gerência sobre forças policiais do país por parte do governo federal já foi alvo de discussão e atrito entre o governo Lula e governadores, durante as discussões sobre a PEC da Segurança, proposta do então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.
Segundo o novo chefe da pasta, o compromisso irá respeitar as autonomias de cada instituição. Wellington negou, ainda, que o presidente Lula tenha convocado a reunião por entender que havia "ruído" nas atuações de combate ao crime,
"Eu acho que há uma constatação de que o tamanho do problema justifica e merece uma conjugação de esforços dessa escala", disse ele.
O compromisso não estava detalhado na agenda oficial do presidente Lula, e foi atualizado após o final da reunião.
Oficialmente, o encontro tratou do combate ao crime organizado. Embora o Master não tenha sido o tema central, a reunião colocou no mesmo ambiente autoridades do Supremo, do governo e da Polícia Federal em meio a desconfianças mútuas entre integrantes da mais alta corte e de órgãos federais e de investigação.
Sem especificar novas ações que serão tomadas, o ministro disse que o compromisso firmado entre os órgãos tem o objetivo de aumentar a efetividade das medidas aplicadas contra o crime organizado e garantir que a população seja preservada.
"Na prática significa dizer que a Receita Federal e a Polícia Federal atuam num primeiro momento na persecução, no combate contra esses crimes, mas num determinado instante, o Ministério Público precisa entrar, o Judiciário precisa se pronunciar e ajustar essa sintonia de como isso acontecer, como uniformizamos procedimentos, respeitadas as garantias e respeitada a autonomia de cada um desses órgão", afirmou.
O novo ministro irá se reunir na parte da tarde com secretários especiais para tratar da atividade conjunta entre os Poderes e demais instituições.
"Nós não podemos falar de racionalidade, de articulação, de integração, se estabelecemos um teto baixo para essas iniciativas. A única forma de viabilizar que essa racionalização, essa integração, essa articulação tenha um longo alcance é envolvendo esses parceiros, parceiros de estados que são fundamentalmente comprometidos com esse propósito", disse ainda.
Leia também: Alexandre de Moraes abre inquérito para apurar se Receita e Coaf vazaram dados de ministros do STF
Por Mariana Brasil/Folhapress
Toffoli se incomoda com PF e pressiona corporação em meio a desconfianças sobre caso Master
A nova fase da investigação sobre o Banco Master marcou uma reação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli às cobranças a respeito de sua atuação no caso.
Relator do inquérito na corte, o magistrado autorizou uma operação contra 42 alvos nesta quarta-feira (14), concentrou poder sobre as provas apreendidas e fez críticas abertas (e também nos bastidores) à Polícia Federal. Toffoli, segundo relatos, tem desconfianças quanto à atuação de autoridades do governo Lula envolvidas na apuração, principalmente a Polícia Federal.
Em conversas reservadas, o magistrado avaliou que a conduta de investigadores pode ter contribuído para desgastar sua imagem e até mesmo a de seus pares, ao passar a percepção de que haveria inércia na investigação sobre o Master no STF.
As notícias que vieram a público, como o contrato do escritório da família do ministro Alexandre de Moraes com o Master e a sociedade dos irmãos de Toffoli com um fundo ligado a Vorcaro, são usadas por autoridades não ligadas ao caso para pôr em xeque a atuação dos ministros.
Toffoli também relatou a pessoas próximas estar incomodado com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que declarou nesta semana que o caso inspira muito cuidado porque "o Brasil pode estar diante da maior fraude bancária da história".
Autoridades que acompanham as apurações avaliam que, ao autorizar a segunda fase da operação Compliance Zero, o magistrado tentou, ao menos publicamente, passar uma mensagem de que o caso não seria interrompido sob sua supervisão e que não estaria protegendo o dono do Master, Daniel Vorcaro.
O ministro permanece, no entanto, como alvo de questionamentos em relação à condução do inquérito. Toffoli manteve o processo em sigilo e tomou decisões questionadas pela opinião pública e no mercado financeiro, que se uniu em defesa do Banco Central. A leitura desses críticos é que Toffoli estaria blindando o dono do Master, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, com a pressão sobre o trabalho do BC e da PF.
Toffoli ficou sob pressão desde que assumiu o controle do inquérito, em 3 de dezembro do ano passado. Houve questionamentos sobre o sigilo que ele impôs sobre a investigação e a acareação que ele determinou entre os investigados e o diretor do Banco Central responsável pela fiscalização bancária.
O caso Master foi parar no Supremo depois que advogados de Vorcaro recorreram ao STF, argumentando que a investigação deveria ficar concentrada na corte devido à citação de um negócio imobiliário entre Vorcaro e o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA).
No despacho assinado na terça-feira (13), em que determinou novas buscas contra Vorcaro e o empresário Nelson Tanure, além da prisão temporária do cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel, Toffoli criticou a PF e exigiu explicações do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, pelo não cumprimento dos prazos determinados por ele na segunda fase da operação Compliance Zero.
O pedido da Procuradoria-Geral da República para a segunda fase da operação foi feito há pouco mais de uma semana, em 6 de janeiro. No dia seguinte, Toffoli autorizou a execução das medidas, mas a ação só ocorreu nesta quarta-feira (14).
De acordo com investigadores, ações dessa natureza exigem preparação, como a coleta de endereços dos alvos e outras avaliações de risco.
Toffoli faz uma primeira cobrança à PF na última segunda-feira (12) para que a operação fosse deflagrada, dando um prazo de 24 horas para o cumprimento das medidas. No dia seguinte, ele se queixou que a PF não havia cumprido o prazo estabelecido.
Um dos argumentos apresentados informalmente ao ministro é que outra operação seria deflagrada e por isso não havia tempo hábil para as providências da ação contra o Master.
A demora foi mencionada como a gota d'água, uma vez que o ministro já estava insatisfeito com as perguntas feitas pela PF na acareação e também com a ausência de interrogatório preliminar.
No dia 11, um dia antes das queixas de Toffoli à PF, reportagem da Folha mostrou a sociedade de parentes do ministro a um fundo da teia financeira que, segundo investigadores, teria favorecido o Master.
O resultado da operação desta quarta-feira (14), segundo interlocutores do ministro, é que embora ele tenha dado seguimento à investigação, Toffoli também redobrou sua autoridade sobre o caso ao determinar que as provas fiquem lacradas e sob custódia da PGR. Um integrante da PF viu nesse gesto a hipótese de que Toffoli desconfia de vazamentos por parte da corporação.
Na visão de dois investigadores, ouvidos pela Folha na condição de anonimato, Toffoli estaria tentando mostrar para Daniel Vorcaro que tem o poder de apertar mais ou menos a pressão sobre o ex-banqueiro.
Por Adriana Fernandes e Julia Chaib/Folhapress
Moraes abre inquérito sigiloso para apurar se Receita e Coaf vazaram dados de ministros
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a abertura de um inquérito para apurar o vazamento de dados fiscais de ao menos dois ministros da corte. Pela decisão, a investigação vai apurar se houve quebra de sigilo na Receita Federal ou no Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) de integrantes da corte e familiares.
Aberta de ofício —ou seja, sem a provocação de órgãos investigativos—, a apuração correrá sob sigilo.
Procurados, Receita e Coaf ainda não se manifestaram formalmente. A informação foi divulgada inicialmente pelo Poder360 e confirmada pela Folha.
O Coaf é um órgão vinculado administrativamente ao Banco Central, embora disponha de autonomia técnica e operacional. Tem papel central no combate à lavagem de dinheiro, por meio da elaboração de relatórios de movimentações financeiras atípicas.
A instauração do inquérito ocorre, segundo pessoas a par do caso ouvidas pela Folha, após a divulgação de informações no âmbito do caso Master envolvendo Moraes e o colega Dias Toffoli, relator do processo sobre o banco na corte.
Reportagem do jornal O Globo mostrou em dezembro que o Banco Master contratou o escritório de familiares de Moraes por R$ 3,6 milhões mensais para auxiliar na defesa dos interesses da instituição.
No último fim de semana, a Folha revelou que duas empresas ligadas a parentes do ministro Dias Toffoli tiveram como sócio um fundo de investimentos conectado à teia usada pelo banco em fraudes investigadas por autoridades, de acordo com documentos e dados oficiais.
A Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que mira o Master, foi deflagrada em novembro com o objetivo de combater a criação de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional. Segundo as investigações, o BRB pagou ao Master R$ 12,2 bilhões em operações dessa natureza.
Nesta quarta (14), a PF deflagrou uma nova fase da operação contra pessoas supostamente envolvidas em fraudes realizadas pelo banco por meio de fundos de investimento, incluindo empresários.
O banqueiro Daniel Vorcaro ficou 12 dias preso em novembro e hoje é monitorado com tornozeleira eletrônica. Ele também foi um dos alvos da operação deflagrada nesta quarta, que cumpriu 42 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a ele, parentes e donos de empresas, além de sequestrar e bloquear bens no valor de R$ 5,7 bilhões.
Por Ana Pompeu/Folhapress
Filho de Lula se hospeda em mansão utilizada por sócia do Careca do INSS, diz coluna
O filho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, teria se hospedado numa mansão no Lago Sul alugada pela lobista Roberta Luchsinger. O endereço é considerado um dos pontos onde Lulinha se encontra todas as vezes que vem ao Brasil. O local é classificado como “QG” dele na capital federal.
Segundo a coluna Andreza Matais, do Metrópoles, o espaço também já foi utilizado pelo presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda. Anteriormente, o aluguel do espaço era de R$ 25 mil mensais. De acordo com a coluna, uma pessoa que se apresenta como “secretário” do filho do presidente, continua utilizando a residência durante a morada de Lulinha na Europa.
A responsável pelo aluguel, Luchsinger, teria, segundo a coluna, relação com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Em abril do ano passado, foram encontrados uma ordem dela, para que ele jogasse fora aparelhos de celular. “Antônio, some com esses telefones. Joga fora”, diz ela ao Careca em 29 de abril passado.
De acordo com a coluna, em 5 de maio, Luchsinger menciona Lulinha em outra mensagem ao Careca. “Na época do Fábio, falaram de Friboi, de um monte de coisa, o (sic) maior… igual agora com você”, disse ela.
Luchsinger e Careca estiveram juntos no Ministério da Saúde por diferentes momentos representando uma empresa de serviços de telemedicina, a DuoSystem. Conforme a publicação, a proximidade de Luchsinger com o filho de Lula é publicada pela própria lobista nas redes sociais. Em março de 2024, ela mostrou uma tatuagem de “melhores amigas” com Renata Abreu Moreira, esposa de Lulinha.
“Minha BFF e eu eternizadas na pele e no coração!”, escreveu. Rooberta é considerada pessoa-chave e intermediadora na possível aproximação entre o filho do presidente e o “Careca”.
Por Redação
Opinião: "República do Dendê" amplia influência no Planalto, mas expõe Lula a experiências pouco frutíferas na Bahia
As razões para a saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça e Segurança Pública já não são mais tão secretas. Desde a carta de demissão, surgiram os rumores não negados de que Lewandowski viveu embates com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, que anseava pelo controle da segurança pública - e contava com o apoio de Sidônio Palmeira na comunicação. O problema, para Rui, não só foi resolvido, como também gerou um bônus: a chegada de Wellington Cesar Lima e Silva para a vaga.
Ex-procurador-geral do Ministério Público da Bahia, Wellington Cesar ganhou o apelido de "o Breve", após a nomeação e exoneração relâmpago após tentar acumular a função de procurador do MP e ministro. Desde então, circula como um ministeriável (perdão pelo neologismo) todas as vezes que Rui tenta influenciar a indicação de Lula. Dessa vez, junto com o líder do governo no Congresso, Jaques Wagner, a República do Dendê atingiu seu intento e colocou Wellington no cargo de uma das áreas mais sensíveis dos governos por todo o
"Oxigênio", podem argumentar. "Sintonia" vai ser outra justificativa. Em resumo, a ampliação da influência dos baianos no Palácio do Planalto fica mais que evidente - para não classificar como explícita. Mas essa pode ser realmente a solução para um governo que precisa tratar a segurança pública - uma área ainda anexa ao Ministério da Justiça - como crucial até mesmo como plataforma eleitoral? É uma perguntada arriscada de responder, especialmente no contexto da experiência das figuras envolvidas no enfrentamento à violência na Bahia.
Durante o período em que comandou o MP-BA, no segundo mandato de Jaques Wagner, Wellington Cesar participou da fundação do "Pacto Pela Vida", uma iniciativa importada de Pernambuco e formada por uma coalisão envolvendo instituições do sistema de Justiça, do Executivo e da sociedade civil. De lá pra cá, o retrato da violência não melhorou (para não ser classificados como pessimistas ao falar que piorou). A escalada dos números de homicídios e de crimes, que antes se concentravam nas grandes cidades, tornou-se tão evidente que virou plataforma de campanha da oposição. Até mesmo o freio de arrumação, tentado especialmente pelo atual titular da Secretaria de Segurança Pública, Marcelo Werner, ainda não foi perceptível para o cidadão médio. Mas, ainda assim, a República do Dendê achou de bom tom reunir forças para dar protagonismo à Bahia na área.
Longe de torcer contra. Entretanto é preciso ter cautela ao mostrar que detém influência ou que é capaz de gerar impacto dentro das esferas de poder. Por mais que Wellington Cesar tenha um currículo próximo ao petismo da Bahia - leia-se Wagner e Rui -, colocá-lo nesse posto para ampliar a ascendência dos baianos na segurança pública, que inclui a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição que "subiu no telhado" segundo líderes do governo na Câmara, é um risco exagerado mesmo para quem se comporta desinteressado nas reações da opinião pública. Pegando o exemplo do enfrentamento à violência que a Bahia tem feito nos últimos 15 anos, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva ganhou motivos para se preocupar ainda mais com a área. E, convenhamos, talvez por mero capricho de alguns aliados...
Por: Bahia noticias/Por Fernando Duarte
Lula reage ao Congresso, decide vetar R$ 400 milhões em emendas e remaneja R$ 7 bi do Orçamento
O presidente Lula (PT) decidiu vetar cerca de R$ 400 milhões carimbados pelo Congresso Nacional para inflar emendas no Orçamento de 2026 sem acordo prévio com o governo.
Além disso, pouco mais de R$ 7 bilhões em emendas serão remanejados por meio de atos do Executivo, sem necessidade de aprovação do Legislativo. Outros R$ 3 bilhões, aproximadamente, também ficarão travados à espera do envio de um projeto de lei ao Congresso para recompor as ações desidratadas. Nesse caso, será necessário negociar a mudança com os parlamentares.
O objetivo do governo Lula é repor a verba de políticas sociais que foram alvo de uma tesourada dos parlamentares, que redirecionaram os recursos para ações de seu interesse em ano eleitoral. Ao todo, o valor movimentado pelos congressistas chegou a R$ 11,5 bilhões.
Como mostrou a Folha de S.Paulo, o corte atingiu benefícios como Pé-de-Meia e Auxílio Gás, entre outras políticas prioritárias para o governo. Na época, a avaliação foi a de que as programações indicadas pelo Executivo foram "depenadas".
O prazo para sanção do Orçamento de 2026 se encerra nesta quarta-feira (14), daí a necessidade de decidir manter ou não os recursos carimbados.
Segundo um integrante da equipe econômica, a estratégia de recomposição dos valores foi traçada de forma a tentar evitar que um veto puro e simples seja futuramente derrubado pelos parlamentares, dificultando ou até inviabilizando a reposição das verbas.
Para colocá-la em prática, o governo vai lançar mão do dispositivo da própria LOA (Lei Orçamentária Anual) que autoriza a anulação de até 30% dos valores de despesas discricionárias para suplementar outras ações.
Durante a tramitação, o relator da proposta, deputado Isnaldo Bulhões (MDB-AL), chegou a cogitar um percentual menor, de 10%, o que limitaria a ação da equipe econômica. Mas o governo acabou assegurando a aprovação do dispositivo, o que agora lhe dá maior margem de manobra sem necessidade de aval do Legislativo.
O veto de cerca de R$ 400 milhões, por sua vez, terá como fundamento a lei complementar 210, que formalizou o acordo entre governo, Congresso e STF (Supremo Tribunal Federal) em torno da execução de emendas parlamentares, após questionamentos sobre a falta de transparência na aplicação dos recursos.
A norma disciplina um limite máximo de verbas carimbadas para os deputados e senadores. Também proíbe o cancelamento de despesas discricionárias do Executivo -usadas para financiar contratos de custeio e investimentos, chamadas de "RP2" no jargão orçamentário- para redirecionar a verba a outras ações com localização ou destinatário específico.
Pela lei, o limite em 2026 será de R$ 26,6 bilhões para emendas individuais, R$ 15,2 bilhões para as de bancada (dos quais R$ 4 bilhões foram remanejados para o fundo eleitoral) e R$ 12,1 bilhões para as emendas de comissão.
Os R$ 11,5 bilhões foram remanejados para além desses valores. Dentro desse montante, o governo identificou cerca de R$ 400 milhões inseridos com destinatário ou localização específica, infringindo a legislação. Daí a necessidade de veto.
A possibilidade de o governo vetar ou bloquear os recursos carimbados pelos parlamentares já havia sido antecipada pela Folha de S.Paulo em dezembro.
A decisão ocorre após o relator do Orçamento reduzir R$ 436 milhões do programa Pé-de-Meia, que paga bolsas de incentivo à permanência de alunos no ensino médio. A ação já havia perdido outros R$ 105,5 milhões durante a tramitação das contas de 2026 na CMO (Comissão Mista de Orçamento). Assim, os recursos reservados caíram de R$ 12 bilhões para R$ 11,46 bilhões.
Isnaldo tirou outros R$ 300,7 milhões do programa Auxílio Gás dos Brasileiros, que paga a famílias de baixa renda o valor equivalente a um botijão de gás de cozinha de 13 kg.
Essa política também já havia perdido recursos nos relatórios setoriais da CMO. No saldo final, o valor reservado caiu de R$ 5,1 bilhões para R$ 4,73 bilhões.
Também houve cortes de R$ 391,2 milhões no seguro-desemprego, R$ 262 milhões em bolsas da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), R$ 207 milhões no abono salarial e R$ 72 milhões em bolsas do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).
Na Previdência, o relator fez um corte de R$ 6,2 bilhões no valor destinado aos benefícios. Com a mudança, os recursos reservados caíram de R$ 1,134 trilhão para R$ 1,128 trilhão.
Segundo técnicos do governo, essa redução se deu porque o governo reviu a projeção do INPC, indicador de inflação que é referência na correção do salário mínimo. O problema é que o Executivo indicou as ações para as quais os recursos deveriam ser remanejados, o que não foi seguido pelos parlamentares.
Por Idiana Tomazelli / Folhapress
Damares diz que escândalo do INSS atinge igrejas e líderes religiosos e que CPMI "vai colocar muita gente na cadeia"
Em entrevista ao SBT News no último domingo (11), a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) revelou que a CPMI do INSS possui documentos que envolvem “grandes igrejas” e “grandes pastores” nos desvios de dinheiro obtido por meio de descontos ilegais nos benefícios dos aposentados.
Segundo a senadora do Distrito Federal, que foi ministra no governo Jair Bolsonaro, por conta disso, a identificação da participação de líderes religiosos nos esquemas fraudulentos vem fazendo com que os trabalhos da comissão de inquérito sejam prejudicados por lobbies que não querem o avanço das investigações.
“Vou falar algo que me machuca muito. Nós estamos identificando igrejas nos esquemas de fraudes aos aposentados. E quando se fala de um grande pastor, vem a comunidade: não falem, não digam, não investiguem, porque os fiéis vão ficar muito tristes”, disse Damares Alves após ser questionada se há tentativas de prejudicar os trabalhos da comissão.
A senadora, que é titular da CPMI do INSS, se referiu na entrevista à investigação que os membros da comissão estão fazendo a partir de documentos que foram enviados por órgãos como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e Receita Federal. Esses documentos revelam transferências de recursos financeiros obtidos por meio dos descontos indevidos, e que abasteceram contas de igrejas, líderes religiosos e pessoas vinculadas a eles.
“Essa CPMI do INSS está chegando em lugares que a gente jamais imaginava. Grandes igrejas do Brasil estão sendo apontadas. Isso me machuca muito”, frisou Damares, que atualmente é presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado.
A CPMI do INSS é presidida pelo senador Carlos Vianna, do Podemos de Minas Gerais, e deve retomar seus trabalhos a partir do início do ano legislativo, em 2 de fevereiro. Vianna é presidente da Frente Parlamentar Evangélica do Senado.
Ainda na entrevista ao SBT News, a senadora Damares Alves disse que a investigação da CPMI do INSS irá avançar também no tema do Banco Master. De acordo com a senadora do Republicanos, muitos aposentados e pensionistas, além dos descontos ilegais de entidades associativas, sofreram prejuízos com empréstimos consignados que não tinham conhecimento.
“A CPMI do INSS vai colocar muita gente na cadeia. Essa CPMI marca uma nova era das comissões parlamentares no Congresso. Vai fazer entregas. Pega de esquerda a direita, e vai pegar muitos governos. O banco Master é o maior escândalo de tráfico de influência do mundo”, afirmou Damares Alves.
Por Edu Mota, de Brasília
Mais 880 mil aposentados ainda não aderiram ao acordo de devolução de descontos indevidos do INSS
Do total de aposentados e pensionistas aptos à devolução de descontos indevidos do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), 4.174.542 já aderiram ao acordo, enquanto 887.372 ainda não fizeram a adesão.
Segundo o INSS, a consulta e contestação dos valores vai até o dia 14 de fevereiro. Mesmo após essa data, a adesão continuará disponível para quem tiver direito. O pagamento integral, corrigido pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), começou em 24 de julho. Segundo o instituto, R$ 2,8 bilhões já foram devolvidos.
A adesão ao acordo é obrigatória para quem deseja receber os valores de forma administrativa diretamente na conta em que recebe a aposentadoria ou pensão sem recorrer à Justiça.
O pagamento é integral, mas condicionado à desistência de eventual ação judicial contra o INSS com pedido de indenização por danos morais ou devolução em dobro. Ainda será possível, no entanto, acionar judicialmente a entidade que realizou o desconto.
O valor a ser recebido pode ser consultado antes da adesão, tanto pelo aplicativo ou site Meu INSS quanto presencialmente em uma agência dos Correios. A assinatura do acordo é gratuita, não exige envio de documentos e deve ser feita exclusivamente por esses dois canais.
A Central 135 está disponível apenas para informações e para o registro de contestações, mas não é possível aderir ao acordo por telefone.
DEVOLUÇÃO DOS DESCONTOS POR ESTADO
ESTADO - QUANTIDADE - VALOR
AC - 25.694 - R$ 19,42 milhões
AL - 94.435 - R$ 62,55 milhões
AM - 71.300 - R$ 55,40 milhões
AP - 14.469 - R$ 11,89 milhões
BA - 406.556 - R$ 266,19 milhões
CE - 274.626 - R$ 181,17 milhões
DF - 40.955 - R$ 29,12 milhões
ES - 81.408 - R$ 48,86 milhões
GO - 100.404 - R$ 67,74 milhões
MA - 229.257 - R$ 163,18 milhões
MG - 436.365 - R$ 289,66 milhões
MS - 59.248 - R$ 42,08 milhões
MT - 53.584 - R$ 40,46 milhões
PA - 167.245 - R$ 131,19 milhões
PB - 131.164 - R$ 77,87 milhões
PE - 214.960 - R$ 149,78 milhões
PI - 85.766 - R$ 56,64 milhões
PR - 139.573 - R$ 82,35 milhões
RJ - 296.067 - R$ 206,62 milhões
RN - 138.711 - R$ 93,95 milhões
RO - 24.669 - R$ 14,68 milhões
RR - 8.588 - R$ 7,57 milhões
RS - 184.532 - R$ 111,96 milhões
SC - 98.867 - R$ 60,44 milhões
SE - 53.470 - R$ 32,82 milhões
SP - 712.247 - R$ 517,67 milhões
TO - 34.344 - R$ 26,93 milhões
TOTAL - 4,17 MILHÕES - R$ 2,84 BILHÕES
QUEM PODE ADERIR E QUAIS SÃO AS CONDIÇÕES DO ACORDO?
O acordo permite que aposentados e pensionistas que sofreram descontos indevidos entre março de 2020 e março de 2025 recebam os valores de volta por via administrativa.
O aposentado que optar por aderir ao acordo aceitará receber o dinheiro administrativamente, mas abrirá mão do direito de cobrar indenização por dano moral do INSS, segundo as regras aprovadas no plano de devolução elaborado por diversos órgãos e homologado pelo STF. O plano também prevê que a ação individual ou coletiva que o aposentado tiver na Justiça será extinta se ele optar por receber via acordo.
TENHO UMA AÇÃO EM ANDAMENTO. POSSO ADERIR AO ACORDO?
Sim. Se ainda não recebeu valores pela via judicial, o beneficiário pode optar pelo acordo administrativo.
Quem entrou na Justiça para receber o ressarcimento deverá desistir da ação contra o INSS, que se compromete a pagar 5% de honorários advocatícios nas ações individuais propostas antes de 23 de abril de 2025.
COMO ACEITAR O ACORDO PELO MEU INSS?
1 - Acesse o aplicativo Meu INSS com CPF e senha;
2 - Vá até "Consultar Pedidos" e clique em "Cumprir Exigência"; o procedimento deve ser feito em cada pedido, se houver mais de um;
3 - Role a tela até o último comentário, leia com atenção e, no campo "Aceito receber", selecione "Sim";
4 - Clique em "Enviar". É preciso, então, aguardar o pagamento.
COMO PEDIR A DEVOLUÇÃO DE DESCONTOS INDEVIDOS?
Pelo Meu INSS:
- Entre no site ou aplicativo Meu INSS
- Informe seu CPF e a senha cadastrada
- Siga para "Do que você precisa?"
- Digite: "Consultar descontos de entidades"
- Caso tenha descontos, marque se foram ou não autorizados
- Informe email e telefone para contato
- Declare se os dados são verdadeiros
- Confirme no botão "Enviar Declarações"
Presencialmente:
Aposentados também podem procurar agências dos Correios para buscar ajuda com a consulta e o pedido de devolução de descontos indevidos.
Por Júlia Galvão / Folhapress
Raissa Soares lança campanha do Disque 100 por direitos de Bolsonaro
Médica e pré-candidata a deputada federal pela Bahia (PL) alerta para possível violação de direitos humanos contra idoso em situação de privação de liberdade
A médica Raissa Soares lançou uma campanha pública incentivando o uso do Disque 100, canal oficial de denúncias de violações de direitos humanos, diante do que classifica como possível violação dos direitos de um idoso no caso envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo Raissa, a iniciativa tem caráter humanitário e legal, com foco no direito à saúde de pessoas idosas privadas de liberdade. O Estatuto do Idoso assegura tratamento digno e acompanhamento médico adequado a todo cidadão a partir dos 60 anos de idade, independentemente de sua condição jurídica.
No caso citado, a médica aponta um quadro clínico delicado, com histórico cirúrgico grave, oito cirurgias, sendo três recentes, além de traumatismo craniano, uso de medicamentos que afetam o equilíbrio e a necessidade de monitoramento médico contínuo no pós-operatório.
Através de suas redes sociais, Raissa Soares afirmou:
“Estamos falando de um idoso de 70 anos, em pós-operatório, com histórico cirúrgico grave e traumatismo craniano. Todo idoso privado de liberdade tem os mesmos direitos de um idoso em liberdade, especialmente no que diz respeito à saúde. Diante da ausência de cuidados compatíveis, vamos usar os instrumentos legais disponíveis, como o Disque 100, para verificar se os direitos humanos estão sendo respeitados ou se estamos diante de uma tirania disfarçada de justiça.”
A campanha orienta cidadãos a utilizarem o Disque 100, opção 2, destacando que a denúncia é legal, sigilosa e não identifica o denunciante. O objetivo é acionar os mecanismos institucionais de proteção aos direitos fundamentais diante de possíveis omissões no cuidado com a saúde de idosos privados de liberdade.
Em seu perfil no Instagram (@doutoraraissasoaresoficial), a publicação ultrapassou 244 mil curtidas e registrou mais de 2,4 milhões de visualizações.
Por Redação
Empresas de irmãos e primo de Toffoli tiveram como sócio fundo ligado a suspeitas no caso Master
Duas empresas ligadas a parentes do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), tiveram como sócio um fundo de investimentos conectado à teia usada pelo Banco Master em fraudes investigadas por autoridades, de acordo com documentos e dados oficiais analisados pela Folha.
O Arleen Fundo de Investimentos teve, ao menos até maio de 2025, ações da Tayayá Administração e Participações, responsável por um resort em Ribeirão Claro (PR) que pertencia em parte à família de Toffoli, e também participação direta na DGEP Empreendimentos, incorporadora imobiliária da mesma cidade que tinha como um de seus sócios um primo do ministro.
A conexão com o caso Master se dá por uma cadeia de fundos. O Arleen foi um dos cotistas do RWM Plus, que por sua vez também recebeu investimentos de fundos ligados ao Maia 95, um dos seis apontados pelo Banco Central como integrantes da suposta teia de fraudes do banco de Daniel Vorcaro. O fundo Arleen em si não é alvo de investigação.
O Arleen e todos os demais fundos da teia têm como administradora a Reag, que administrava também fundos ligados a Vorcaro e é investigada na operação Carbono Oculto, por suspeita de lavar dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital).
A Folha procurou a assessoria do STF e perguntou se Dias Toffoli tinha conhecimento dessas conexões e se ele considera que as informações criam algum empecilho para a condução do caso, mas o ministro não respondeu até a publicação desta reportagem. Parentes do ministro também não se manifestaram. A Reag não comentou o caso.
Em nota enviada após a publicação da reportagem, a defesa de Vorcaro negou qualquer irregularidade ou envolvimento do Master com fraudes, fundos ilícitos ou operações destinadas a beneficiar terceiros. Disse que a reportagem estabelece "conexões inexistentes e distorce fatos ao sugerir vínculo entre o banco, seus executivos e investimentos mencionados".
"O banco nunca foi gestor, administrador ou cotista dos referidos fundos", declarou a defesa, que disse ainda seguir colaborando integralmente com as autoridades.
Com apenas um cotista, o Arleen foi encerrado no fim do ano passado. De acordo com balanço de maio de 2025, ele tinha apenas quatro investimentos: em duas empresas ligadas à família Toffoli (Tayayá e DGEP), em uma holding que não aparece em bases de dados oficiais, e no RWM Plus.
De acordo com investigadores, uma cadeia de fundos administrados pela Reag era usada para desviar dinheiro emprestado pelo Master, com a cumplicidade do banco. Isso acontecia por meio da aplicação dos recursos desses empréstimos.
A partir daí, o dinheiro transitava por uma teia de fundos comprando ativos podres que serviam para inflar artificialmente o valor de ativos, entre outras operações suspeitas.
Dias Toffoli é o relator do inquérito que investiga as fraudes do Master. Ele se tornou responsável pelo caso, no início de dezembro, depois que advogados de Vorcaro recorreram ao STF, argumentando que a investigação deveria ficar concentrada na corte devido à citação de um negócio imobiliário entre Vorcaro e o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA).
O ministro manteve a condução do inquérito em sigilo e tomou decisões questionadas no mundo político e no mercado financeiro. Além do segredo imposto ao caso, Toffoli convocou uma acareação entre os investigados e um diretor do Banco Central, responsável pela fiscalização do sistema bancário. Parte das perguntas preparadas por seu gabinete ao tomar os depoimentos apontavam para eventual precipitação do BC na liquidação do Master, como argumenta a defesa de Vorcaro.
O resort Tayayá foi inaugurado em 2008 e teve participações acionárias de diversos integrantes da família Toffoli nos últimos anos. O empreendimento fica às margens do rio Itararé, que separa o Paraná de São Paulo. O hotel tem 4 estrelas e 58 mil metros quadrados.
Em 2017, o ministro recebeu uma homenagem da Câmara de Vereadores local por ter "colaborado para o desenvolvimento e incremento turístico do Município de Ribeirão Claro, notadamente por meio do apoio decisivo na implantação da empresa Tayayá Aquaparque Hotel e Resort".
Dados de 2020 da Junta Comercial do Paraná mostram que a empresa que administra o empreendimento era controlada por Mario Umberto Degani, primo do ministro, e pelo advogado Euclides Gava Junior.
Em dezembro daquele ano, tornou-se sócia do resort a firma Maridt Participações, aberta quatro meses antes por José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro do STF. Degani, Gava e a Maridt passaram a deter um terço da empresa cada. A entrada dos irmãos no negócio foi noticiada pelo site O Antagonista.
A composição da Tayayá mudou ao longo dos anos seguintes. Segundo dados da Receita Federal de abril de 2025, permaneciam como sócios o primo Mario Umberto Degani e a PHB Holding, do empresário goiano Paulo Humberto Barbosa. Degani deixou a sociedade desde então. Hoje, a administradora da Tayayá é controlada por Barbosa e por duas empresas ligadas a ele.
Barbosa não respondeu às perguntas feitas pela reportagem. Euclides Gava Junior, que foi sócio de Degani, se apresenta como diretor do Tayayá Resort em seu perfil no LinkedIn. Ele não quis se manifestar.
Os nomes dos sócios das empresas constam em informações oficiais da base de dados da Receita Federal compiladas pela Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) na plataforma Cruza-Grafos, que exibe as relações entre todas as firmas do país e seus donos. Os parentes de Toffoli aparecem em informações compiladas em abril de 2025, as mais recentes disponíveis na plataforma. A família deixou as empresas desde então.
Já as relações entre os diferentes fundos estão documentadas em papéis da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), responsável por monitorar esse mercado.
O Arleen foi criado em 2021 e tinha ações do Tayayá entre os seus ativos desde que foi constituído. Em novembro daquele ano, uma participação de R$ 20 milhões representava 99% da carteira do fundo. Em 31 de maio de 2025, data do último balanço disponível, a participação do Arleen no Tayayá era de R$ 4,4 milhões.
Uma segunda empresa ligada a um parente de Toffoli aparece no balanço de maio de 2022 da Arleen. Na ocasião, o fundo tinha uma participação de R$ 16,1 milhões na DGEP Empreendimentos. A empresa tinha como sócio, além do Arleen, o primo de Toffoli que também participou do Tayayá, Mario Umberto Degani.
Em maio de 2025, a participação do Arleen na DGEP era de R$ 16,4 milhões.
A DGEP é uma empresa de incorporação imobiliária. Sua sede registrada na Receita Federal fica no mesmo endereço do resort Tayayá, e o email informado na criação da empresa foi gerencia@tayaya.com.br.
Apurações da Polícia Federal e do Banco Central apontam para o uso de múltiplos fundos para inflar o patrimônio do Master. Uma operação da PF com base nessas investigações prendeu o banqueiro Daniel Vorcaro em 18 de novembro, quando ele se preparava para deixar o país.
Treze dias antes, em 5 de novembro, uma assembleia geral do Arleen resolveu liquidar o fundo dali a dois dias, em 7 de novembro. Uma outra assembleia realizada em 1º de dezembro do ano passado postergou essa data para 22 de dezembro. Quando o fundo foi criado, em junho de 2021, o prazo previsto de duração era de 20 anos.
Documentos registrados na CVM desenham a conexão entre o Arleen e um dos fundos investigados no caso Master.
O Maia 95, um dos focos da fraude investigada pelo Banco Central, é dono de cotas do Murren 41, que por sua vez era cotista do Money Market. O Money Market e o Arleen tinham cotas de participação no mesmo fundo, o RWM Plus.
Numa auditoria feita no Arleen e registrada na CVM em maio de 2025, a empresa Next Auditores se absteve de emitir um parecer sobre o fundo, apontando falta de documentação societária, confirmações de saldo e demonstrações contábeis. Isso quer dizer que a Next não conseguiu fazer o trabalho de checagem das contas do fundo.
Por Lucas Marchesini e José Marques / Folhapress
Tornado atinge região metropolitana de Curitiba e causa destruição
Um tornado atingiu neste sábado (10) um bairro de São José dos Pinhais (PR), cidade da região metropolitana de Curitiba. O fenômeno causou danos a telhas, arvores e muros da localidade.
Dois meteorologistas do Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná) visitam neste domingo (11) o bairro Guatupê para definir a classificação do tornado. Houve danos a telhados, árvores, muros e à rede de distribuição de energia do local.
Segundo balanço divulgado pela Defesa Civil estadual, 350 residências foram atingidas, impactando 1.200 pessoas. Moradores de duas casas ficaram desalojados. Duas pessaos tiveram ferimentos leves e foram atendidas em unidades de saúde da cidade.
De acordo com o órgão, os ventos alcançaram 68,5 km/h às 17h35 no aeroporto internacional Afonso Pena, localizado na cidade. Em Curitiba, o registro atingiu 70,2 km/h no bairro Jaridim das Américas.
Imagens nas redes sociais mostram a ventania formando um cone e destalhando casas.
"A equipe de meteorologistas vai avaliar uma série de informações para enquadrar o fenômeno dentro da escala Fujita, que vai até o nível 5 (F5). A escala é a mesma aplicada em Rio Bonito do Iguaçu em novembro, quando um tornado F4, penúltimo nível da avaliação, foi confirmado pelo Simepar no município do Sudoeste", afirmou o governo estadual.
A Defesa Civil do estado afirma que a área de baixa pressão se afasta em direção ao oceano, mas a instabilidade permanece, causando risco de temporais em todo Paraná.
Destruição recente
Em novembro, o Paraná registrou mortes após passagem de um tornado. O tempo instável foi provocado por um ciclone extratropical que atingiu especialmente a região Sul do país na sexta. No Paraná, os tornados foram registrados nas cidades de Rio Bonito do Iguaçu, Turvo e Guarapuava.
Em Rio Bonito do Iguaçu, onde cinco pessoas morreram, os ventos chegaram a 330 km/h, em uma estimativa divulgada pelo Simepar. Outra vítima morreu na zona rural de Guarapuava.
O que é um tornado?
É uma nuvem em formato de funil ou tromba, que se conecta com uma nuvem de tempestade maior. Eles são menores em tamanho —têm diâmetros de algumas dezenas de metros, normalmente— e duram por alguns minutos.
O tornado pode se formar numa circunstância de ciclone extratropical, mas não se restringe a esse tipo de situação. Outros tipos de tempestade também podem levar à formação de tornados.
O tornado também se forma quando há choque de massas de ar quente e frio. Quando há grande variação de temperatura em mais de uma direção.
Por Folhapress
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