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PF faz operação no Rio para prender policiais civis suspeitos de extorquir traficantes

A Polícia Federal realiza na manhã desta terça (10) uma operação contra um suposto grupo criminoso formado por policiais civis do Rio de Janeiro e operadores financeiros. A ação é mais uma fase da Operação Anomalia, que na segunda (9) prendeu o delegado federal Fabrizio Romando sob suspeita no caso envolvendo o ex-deputado TH Joias, ligado ao Comando Vermelho.

Quarenta policiais federais cumprem quatro mandados de prisão preventiva e três mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Segundo a Polícia Federal, o grupo é investigado por usar a estrutura do Estado para extorquir integrantes do Comando Vermelho, além de praticar corrupção e lavagem de dinheiro.

O STF determinou também o afastamento dos policiais investigados de suas funções e a suspensão do exercício das atividades empresariais das pessoas jurídicas que seriam usadas na organização criminosa, além do bloqueio de valores em contas bancárias e de criptoativos.

A investigação mostra que os policiais intimavam traficantes para coagi-los, exigindo o pagamento de propinas. Eles fariam cobranças incisivas, inclusive com a imposição de prazos, com a ajuda de dois intermediários.

"A inteligência financeira da PF detectou que os policiais investigados apresentam movimentação patrimonial milionária e incompatível com seus vencimentos lícitos", diz nota da polícia.

Uma rede de empresas de fachada, registradas em nome de familiares dos envolvidos, seria usada para lavar os valores recebidos.

Por Folhapress

Relação de Vorcaro com políticos arrasta nomes de direita e esquerda para escândalo do Banco Master

O escândalo do Banco Master tem provocado intensa troca de ataques entre governistas e opositores, que se acusam de envolvimento com os negócios suspeitos de Daniel Vorcaro, preso novamente na última quarta-feira (4).

Desde o ano passado, quando o banco foi liquidado, já foram citadas no caso, direta ou indiretamente, lideranças políticas dos dois lados, incluindo nomes do Congresso, governadores, ex-ministros e prefeitos —sem falar nos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

A proposta de uma CPI sobre a instituição financeira foi apresentada, mas o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) já indicou que não vai abrir a comissão.

Veja o que já se sabe sobre as relações do banqueiro com líderes políticos e autoridades à direita e à esquerda:

Nomes ligados a Vorcaro

Antônio Rueda

Ciro Nogueira

Cláudio Castro

Davi Alcolumbre

Guido Mantega

Ibaneis Rocha

Jair Bolsonaro

Jaques Wagner

João Carlos Bacelar

João Henrique Caldas

Lula

Nikolas Ferreira

Ricardo Lewandowski

Roberto Campos Neto

Rui Costa

Tarcísio de Freitas

Antônio Rueda

A quebra de sigilo do telefone de Vorcaro revelou que ele ofereceu carona de helicóptero para Antônio Rueda, presidente do União Brasil, durante o Grande Prêmio de Fórmula 1 em Interlagos, em 2024, e também para o presidente do PP, Ciro Nogueira. Rueda não se manifestou sobre o tema.

Ciro Nogueira

Vorcaro se referiu ao presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), como "grande amigo de vida" em mensagem de celular. O parlamentar apresentou em 2024 no Congresso uma proposta que foi apelidada de "emenda Master". Ela aumentaria a garantia de cobertura de correntistas no FGC (Fundo Garantidor de Créditos) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão em caso de liquidação da instituição financeira.

O senador diz que "não mantém nem nunca manteve qualquer conduta inadequada relacionada ao caso em apuração".

Cláudio Castro

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), foi arrastado para o escândalo com a Operação Barco de Papel, da Polícia Federal, relativa a suspeitas no fundo de previdência dos servidores do estado, o Rioprevidência, que aplicou recursos no Master.

O TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro) também instaurou apuração sobre os investimentos da Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro) no banco.

Em janeiro, o governador exonerou Deivis Marcon Antunes, então diretor-presidente do Rioprevidência, disse que o governo realiza procedimento interno para apurar os fatos e que a intenção é reforçar o "compromisso com a proteção do patrimônio previdenciário do funcionalismo".

Davi Alcolumbre

O dono do Banco Master disse em mensagens que teve uma reunião na residência oficial do Senado em agosto passado, sem citar nominalmente o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Além disso, as investigações sobre o Master têm como um dos alvos Jocildo Silva Lemos, que dirigiu a Amprev (Amapá Previdência). Lemos foi nomeado para a instituição em 2023 pelo governador Clécio Luís (União Brasil), mas foi indicado por Alcolumbre, de quem foi tesoureiro na campanha das eleições de 2022.

A Polícia Federal apura investimentos realizados pela autarquia estadual em letras financeiras emitidas pelo Master, com acusações de gestão temerária. Documentos mostram que, em menos de 20 dias, foram aprovadas e executadas três aplicações sucessivas, que totalizam quase R$ 400 milhões.

Alcolumbre foi procurado por meio da assessoria, mas não se manifestou sobre o caso.

Guido Mantega

Ministro da Fazenda de 2006 a 2014 (governos Lula e Dilma Rousseff), Mantega foi contratado para ser consultor do Master. Segundo o próprio Lula afirmou, foi o ex-ministro quem intermediou um encontro entre o presidente e Vorcaro em 2024, no Palácio do Planalto.

Ibaneis Rocha

Em março de 2025, o BRB (Banco de Brasília), vinculado ao Governo do Distrito Federal, anunciou a aquisição de 58% das ações do Master. A iniciativa acabou na mira de órgãos de controle, e, em novembro, foi deflagrada operação da PF para apurar a venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado fraudulentas à instituição do DF.

Vorcaro já afirmou ter discutido a compra do banco com Ibaneis Rocha (MDB), que confirmou ter se encontrado com o empresário, mas disse não ter debatido o tema.

Jair Bolsonaro

O ex-presidente teve como maior doador na eleição de 2022 o pastor da Igreja Lagoinha Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, que deu R$ 3 milhões à campanha de Bolsonaro.

Zettel foi preso na última quarta-feira. Segundo a PF, ele integrava grupo de Vorcaro responsável por intimidar adversários e pessoas ligadas às investigações.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, minimizou a importância do repasse, durante entrevista à GloboNews: "Todo mundo doa, esse pessoal doa pela força e pelo prestígio do Bolsonaro."

Jaques Wagner

Líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) confirmou ter indicado Ricardo Lewandowski como consultor do Banco Master depois que o ex-ministro do STF deixou a corte.

Além disso, o parlamentar era secretário de Desenvolvimento Econômico na Bahia quando conduziu a privatização da estatal Ebal. A partir de um dos ativos vendidos, Augusto Lima, que foi sócio do Master, criou o Credcesta, um cartão de benefício consignado usado pelo banco. Lima e Wagner se tornaram amigos.

O senador tem afirmado que a privatização foi um bom negócio para a Bahia.

João Carlos Bacelar

O deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA) foi o elo que levou o caso Master ao Supremo, ainda em 2025. O parlamentar aparece em documento apreendido com Vorcaro sobre um negócio imobiliário em Trancoso, na Bahia. Segundo o deputado, o documento fazia referência à criação de um fundo destinado à construção do empreendimento.

Vorcaro teria demonstrado interesse na aquisição de parte do projeto, mas a transação não avançou, de acordo com o deputado.

João Henrique Caldas

Há investigação em Maceió (AL), capital administrada por João Henrique Caldas (PL), em razão de aplicação, feita pelo instituto de previdência local, de R$ 97 milhões em letras financeiras do Master. O Maceió Previdência afirma que os investimentos são regulares e que, à época, o Master estava habilitado no Banco Central e no Ministério da Previdência.

O Ministério Público também faz investigação em outras cidades, como Aparecida de Goiânia (GO). O fundo do município aplicou R$ 40 milhões no Master. A Folha tentou contato com a prefeitura, de Leandro Vilela (MDB), e com o fundo, mas não teve retorno.

Lula

O presidente da República se encontrou com Vorcaro fora de sua agenda oficial em dezembro de 2024, antes de as acusações contra o banco virem a público.

O mandatário justificou o encontro dizendo receber todos os bancos no mandato, sendo a reunião um pedido do ex-ministro Guido Mantega. Também afirmou que convidou o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, para a reunião.

Segundo o presidente, na ocasião da conversa entre eles, o banqueiro disse que estava sendo alvo de "perseguição" e que "tinha gente interessada" em derrubá-lo.

"O que eu disse para ele? Não haverá posição política pró ou contra o Banco Master. O que haverá será uma investigação técnica feita pelo Banco Central. Foi essa a conversa", disse Lula, em entrevista em fevereiro.

Em mensagens trocadas com a sua namorada, a influenciadora Martha Graeff, Vorcaro elogiou a reunião: "Foi ótimo".

O dono do Master esteve outras vezes no Planalto. Há ao menos três registros de entrada do banqueiro na portaria da Secretaria de Relações Institucionais, responsável pela articulação política do governo.

Nikolas Ferreira

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) usou um jatinho ligado a Vorcaro para fazer campanha pelo então presidente Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2022. O avião passou por todas as capitais nordestinas e por cidades do interior mineiro entre 20 e 28 de outubro de 2022.

Nikolas afirmou que não sabia quem era o dono da aeronave e que, naquela época, não existia suspeita sobre Vorcaro.

Ricardo Lewandowski

Ricardo Lewandowski prestou serviços ao banco, segundo ele, no hiato entre deixar o Supremo, em 2023, e virar ministro da Justiça de Lula, em 2024. Porém seu escritório de advocacia, a cargo da esposa e um filho, seguiu prestando serviços ao Master até agosto de 2025. O Ministério da Justiça é o responsável pela Polícia Federal, que investiga o banco.

Na época em que a informação foi revelada, Lewandowski afirmou que, ao ser convidado para assumir a pasta de Lula, "retirou-se de seu escritório de advocacia e suspendeu o seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), deixando de atuar em todos os casos".

Roberto Campos Neto

Foi na gestão do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto que o Banco Master foi criado e cresceu em meio a fraudes, fato usado pela oposição para atrelar o escândalo a Bolsonaro, presidente que indicou Campos Neto para o cargo.

O ex-presidente do BC nega inércia no caso e argumenta que a autoridade monetária fez alertas ao Master para que ajustasse as condutas às regras vigentes.

Na última semana, a Polícia Federal cumpriu mandados na casa do ex-diretor do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza, que cumpriu a função entre 2019 e 2023, na gestão Campos Neto. O ministro André Mendonça afirmou, ao autorizar os mandados, que Souza atuou como uma "espécie de empregado/consultor" de Vorcaro.

Rui Costa

O nome de Rui Costa (PT), ministro da Casa Civil, aparece na teia de relações do Banco Master porque o Credcesta, benefício consignado usado pelo banco, teve contrato de exclusividade de 15 anos durante a gestão do petista na Bahia, o que beneficiou o produto.

O Credcesta se expandiu pelo país, chegando a 24 estados e 176 municípios no final de 2024. Agora, o benefício está envolto em acusações de irregularidade.

Tarcísio de Freitas

Fabiano Zettel também foi o maior doador da campanha do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em 2022. Zettel repassou R$ 2 milhões para a candidatura de Tarcísio.

Lula conversa com filho e pede que ele ele 'puxe para si' investigação e não deixe respingar no governo

O presidente Lula (PT) ligou para o filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, na semana passada, e voltou a pedir que ele preste os esclarecimentos necessários em relação a qualquer envolvimento com nomes investigados nas fraudes do INSS.

A ligação ocorreu na última terça-feira (3), dias após Lulinha ter tido os sigilos quebrados pela CPMI do INSS. Foi a segunda conversa que os dois tiveram em meio às investigações.

Fontes a par do assunto disseram, sob reserva, que Lula tratou de pedir que o filho "puxe pra si" toda a responsabilidade do caso. A ordem, no Palácio do Planalto, é evitar que o assunto respingue no presidente.

O entorno de Lula sabe que o tema será usado pela oposição durante a campanha eleitoral. A avaliação, portanto, é que quanto mais rápido o filho do presidente esclarecer o que tiver que ser esclarecido, melhor. Aliados dizem que é fundamental evitar ao máximo a exploração do assunto pelos adversários.

Depois que os dois tiveram a primeira conversa, Lula foi a público dizer que o filho vai pagar o preço se tiver feito alguma coisa. No ano passado, já tinha dito que o filho dele não seria poupado, caso tivesse qualquer envolvimento.

O nome de Fábio Luís Lula da Silva aparece nas investigações de fraudes do INSS. Ele não é investigado, mas a suspeita é de uma suposta ligação dele com o lobista Antonio Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS".

Por Gabriela Echenique, Folhapress

Senador obtém número mínimo de 27 assinaturas para abrir CPI contra Moraes e Toffoli por caso Master

Alessandro Vieira coletará mais assinaturas para fazer protocolo: ‘Vamos realizar investigação para resgatar a confiança dos brasileiros nas instituições’
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE)
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) disse que reuniu, nesta segunda-feira, 9, o número mínimo de assinaturas para protocolar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as condutas dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli no escândalo do Banco Master. São necessários 27 apoiamentos para protocolar o texto e, até a tarde desta segunda, já eram 29 assinaturas.

Mensagens obtidas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro mostram que ele mantinha conversas com Moraes. O jornal o Estado de São Paulo mostrou a ligação de um empreendimento de familiares de Dias Toffoli com fundos ligados ao Master, de Vorcaro.

O senador diz que continuará a coleta dos apoios para protocolar o pedido quando tiver um “número mais seguro”.

“Sem condenação antecipada, mas com muita firmeza, vamos realizar uma investigação absolutamente necessária para resgatar a confiança dos brasileiros nas instituições”, disse Vieira. “O Brasil só será uma verdadeira República democrática quando todos estiverem submetidos ao mesmo rigor da lei.”

A oposição no Senado Federal é quem move a linha de frente contra os dois ministros do Supremo. Apesar disso, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, só assinou o requerimento depois que os 27 apoiamentos mínimos já haviam sido obtidos. A assinatura de Flávio foi a 29ª da lista. Flávio vinha sendo cobrado, sobretudo nas redes sociais, para que prestasse seu apoio ao requerimento.

Nesta mesma segunda-feira, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) irá protocolar pedido de impeachment contra Moraes.

Será o décimo pedido de impeachment de ministro do STF protocolado no Senado apenas neste ano. Moraes já foi alvo de um desses requerimentos, baseado na revelação do jornal O Globo sobre a existência de um contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci, mulher de Alexandre de Moraes.

No dia seguinte deverá haver o décimo primeiro. O líder da oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), disse que irá protocolar outro pedido na terça-feira, 10.

Os outros oito pedidos já protocolados no período pedem o impeachment de Dias Toffoli, também com acusações sobre a proximidade do ministro e o banco de Vorcaro.

Segundo a lei brasileira, os pedidos de impeachments de ministros são analisados pelo Senado. Cabe ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), determinar a abertura ou não do processo.

Dados extraídos do celular de Vorcaro revelam que ele prestava contas a Moraes sobre as negociações de venda do banco e sugerem diálogos a respeito do inquérito sigiloso que tramitava na Justiça Federal de Brasília.

Outras mensagens mostram que Vorcaro consultou Moraes sobre a lista de convidados para um fórum jurídico realizado em Londres, em abril de 2024. O magistrado determinou que o empresário Joesley Batista, da J&F, fosse “bloqueado” do evento, e Vorcaro levou o tema à organização do fórum.

Para manter o sigilo, Vorcaro e Moraes usavam o recurso de visualização única. Por essa razão, as respostas do ministro não estão disponíveis, mas as notas do dono do Master permaneceram acessíveis no histórico do aparelho celular do banqueiro.

Veja quem assinou a lista pedindo a CPI:

  1. Alessandro Vieira (MDB-SE)
  2. Astronauta Marcos Pontes (PL-SP)
  3. Eduardo Girão (Novo-CE)
  4. Magno Malta (PL-ES)
  5. Luis Carlos Heinze (PP-RS)
  6. Sergio Moro (União-PR)
  7. Esperidião Amin (PP-SC)
  8. Carlos portinho (PL-RJ)
  9. Styvenson Valentim (PSDB-RN)
  10. Marcio Bittar (PL-AC)
  11. Plínio Valério (PSDB-AM)
  12. Jaime Bagattoli (PL-RO)
  13. Oriovisto Guimarães (PSDB-PR)
  14. Damares Alves (Republicanos-DF)
  15. Cleitinho (Republicanos-MG)
  16. Hamilton Mourão (Republicanos-RS)
  17. Vanderlan Cardoso (PSD-GO)
  18. Jorge Kajuru (PSB-GO)
  19. Margareth BUzetti (PP-MT)
  20. Alan Rick (Republicanos-AC)
  21. Wilder Morais (PL-GO)
  22. Izalci Lucas (PL-DF)
  23. Mara Gabrilli (PSD-SP)
  24. Marcos do Val (Podemos-ES)
  25. Rogério Marinho (PL-RN)
  26. Flávio Arns (PSB-PR)
  27. Laércio Oliveira (PP-SE)
  28. Dr. Hian (PP-RR)
  29. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) 
      Por Levy Teles/Estadão

Operação mira fraudes bancárias do Comando Vermelho que movimentaram R$ 136 milhões

                Polícia em casa de suspeito em Rio das Ostras, região dos Lagos do Rio de Janeiro
A Polícia Civil do Rio de Janeiro iniciou nesta segunda-feira (9) uma operação em dois estados contra um esquema de fraudes bancárias e lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho (CV), que teria movimentado ao menos R$ 136 milhões em um ano.

Em nota, a corporação afirmou que, além do Rio de Janeiro, há mandados no sul do país. "Os agentes cumprem 38 mandados de busca e apreensão em endereços na capital fluminense, na Região Metropolitana, na Região dos Lagos e também no estado do Rio Grande do Sul. Além das medidas de busca e apreensão, também foi determinado o bloqueio de bens, imóveis de luxo do grupo e contas bancárias dos envolvidos", disse.

No estado do Rio, na garagem de uma casa localizada na Baixada Fluminense, os agentes encontraram um carro Jaguar roubado. O suspeito, que estava na Região dos Lagos, acabou preso em flagrante.

A investigação começou após uma instituição financeira denunciar irregularidades na abertura de contas empresariais e na concessão fraudulenta de crédito, o que inicialmente gerou um prejuízo de R$ 5,2 milhões.

Com o avanço das apurações e a análise de relatórios de inteligência financeira, os agentes identificaram movimentações de valores elevados e incompatíveis com a renda declarada pelos investigados. Segundo os policiais, foi descoberto um esquema para movimentar e ocultar grandes quantias de dinheiro de origem ilícita.

Ainda de acordo com a polícia, o principal operador financeiro do grupo movimentou o montante de R$ 136 milhões em apenas dez meses, mas a corporação não informou o ano em que isso ocorreu. Ele já era investigado anteriormente por aplicar golpes contra seguradoras.

Durante as diligências desta segunda-feira, as equipes buscam apreender documentos, dispositivos eletrônicos, registros contábeis, dinheiro e bens de alto valor que possam estar relacionados às atividades ilegais.

Por Bruna Fantti, Folhapress

Ex-namorada de Vorcaro contrata assessoria e advogado e age para se desvincular do banqueiro

Daniel Vorccaro e a influenciadora Martha Graeff
A influenciadora Martha Graeff, ex-namorada de Daniel Vorcaro, contratou uma assessoria e um advogado e faz questão de se desvincular do banqueiro, de quem diz ter se separado há meses. Vorcaro foi preso pela segunda vez na última quarta-feira, 4, e está preso na Penitenciária Federal em Brasília.

Vorcaro foi alvo da na terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades na gestão do banco. A Polícia Federal diz que ele comanda uma organização criminosa, tinha 'braço armado' e só poderia ser neutralizado com prisão.

Martha Graeff não foi alvo da operação e seu nome veio a público em razão de terem vindo a público trocas de mensagens entre eles presentes no telefone celular de Vorcaro, que foi periciado pela PF. Nos diálogos, em meio a mensagens de caráter pessoal, Vorcaro fala de encontros com autoridades e cita políticos e o ministro do STF Alexandre de Moraes.

A nova assessoria contratada por Martha Graeff buscou a imprensa para informar que ela e Vorcaro já não está juntos "há alguns meses". Além disso, enfatizou que o relacionamento entre eles teria se dado à distância.

"Martha vive fora do Brasil há cerca de 20 anos, atualmente em Miami, e também não vai ao Brasil há alguns meses", diz a assessoria.

Além disso, Martha Graeff destaca que não tinha qualquer relação com os negócios de Vorcaro, agora sob investigação.

"As mensagens que vêm sendo mencionadas publicamente referem-se a conversas privadas trocadas durante o período em que estavam em um relacionamento, em um contexto estritamente pessoal, como qualquer casal que compartilha aspectos do seu dia a dia. Martha nunca participou ou teve qualquer envolvimento com os negócios ou atividades profissionais de Daniel Vorcaro", diz uma nota da assessoria.

Em outra nota, o advogado Lúcio de Constantino diz que Martha Graeff "resta consternada em face da grave violência que vem sofrendo, considerando a exposição manifestamente ilegal e impressionantemente inútil de mensagens fragmentadas trocadas no sagrado ambiente restrito da intimidade de casal." Ele também fala em valer-se de medidas judiciais e extrajudiciais para salvaguardar os direitos da cliente.

Como mostrou o Estadão, Vorcaro fez uma festa de noivado de luxo em Roma, na Itália, e planejou um festival milionário com Coldplay para celebrar o momento com Martha Graeff. O dono do Master chegou a planejar evento de R$ 200 milhões com artistas internacionais em cenário de "O Poderoso Chefão".

Além disso, Vorcaro e ex-namorada fizeram planos para carnaval no Rio com a filha de Trump. Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram que Martha tem proximidade com Ivanka Trump: "Ela não para de mandar mensagem sobre o carnaval".

Veja a nota da assessoria de Martha Graeff:

"Martha Graeff e Daniel Vorcaro não estão mais juntos há alguns meses.

O relacionamento entre eles foi à distância. Martha vive fora do Brasil há cerca de 20 anos, atualmente em Miami, e também não vai ao Brasil há alguns meses.

As mensagens que vêm sendo mencionadas publicamente referem-se a conversas privadas trocadas durante o período em que estavam em um relacionamento, em um contexto estritamente pessoal, como qualquer casal que compartilha aspectos do seu dia a dia. Martha nunca participou ou teve qualquer envolvimento com os negócios ou atividades profissionais de Daniel Vorcaro."

Veja a nota do advogado de Martha Graeff:

"Sra. Martha Graeff, através de seu advogado, informa que resta consternada em face da grave violência que vem sofrendo, considerando a exposição manifestamente ilegal e impressionantemente inútil de mensagens fragmentadas trocadas no sagrado ambiente restrito da intimidade de casal.

Importa destacar que a Sra. Martha Graeff não mantém relacionamento com o Sr. Daniel Vorcaro há meses, sendo imperioso ressaltar que ela jamais esteve envolvida em qualquer tipo de ilicitude penal.

Entrementes, a referida publicização, eivada de manifesto desvio de finalidade, mostra-se não apenas inócua a qualquer procedimento investigativo penal, mas subversiva aos valores morais e garantias constitucionais que asseguram a inviolabilidade da intimidade. Na realidade, tal difusão serve mais à desregrada vilipendiação da esfera privada feminina, que no contexto brasileiro ainda é tema que merece prudente atenção, não havendo falar em recreação com devassamento da vida privada de uma mulher.

Dessarte, a presente serve para comunicar que a Sra. Martha Graeff adotará, com a presteza necessária, todas as providências cabíveis para a salvaguarda de seus direitos, não hesitando em valer-se das medidas judiciais e extrajudiciais pertinentes em face daqueles que venham atentar contra a sua integridade ou privacidade.

Lúcio de Constantino

Advogado"

Por O Estado de S. Paulo

Esposa de Alexandre de Moraes nega ter recebido mensagens de Vorcaro e contradiz marido

A advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, negou ter recebido mensagens do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, no dia de sua primeira prisão, nas quais falava sobre o processo contra ele.

Divulgada pela assessoria de imprensa da advogada, a afirmação contradiz a de Moraes. As mensagens estão salvas como imagens em mais de uma pasta. Na maior parte dessas pastas, não há outros arquivos, nem contatos. Em três delas, há contatos salvos, mas não existem registros que demonstrem que os prints têm relação com aqueles contatos.

"No conteúdo extraído do celular do executivo pelos investigadores, os prints dessas mensagens enviadas por Vorcaro estão vinculados a pastas de outras pessoas de sua lista de contatos e não constam como direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes", disse o ministro em nota.

Uma das imagens, com a pergunta "Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?" está na mesma pasta onde está o contato de "Vivi Moraes".

Uma outra está salva na mesma pasta onde aparece o contato do senador Irajá Abreu (PSD-TO).

O parlamentar negou que tenha recebido a mensagem do dono do Master. "A informação que Daniel Vorcaro enviou qualquer mensagem ao senador Irajá é completamente inverídica", afirmou a assessoria do parlamentar.

Além disso, três técnicos e peritos criminais ouvidos pela Folha contradizeram a explicação apresentada pelo ministro. Segundo os especialistas ouvidos pela reportagem, porém, a forma como arquivos aparecem organizados após a extração de dados de um celular não permite concluir automaticamente quem seria o destinatário de uma mensagem.

São sete mensagens ao todo que foram enviadas no dia 17 de novembro de 2025. Para evitar monitoramentos, os textos eram escritos no bloco de notas do celular e um print da tela era enviado como mensagem de visualização única. Assim, não aparecem em quebras de sigilo telemático.

A PF (Polícia Federal) recuperou os prints tirados por Vorcaro. De acordo com o jornal O Globo, o destinatário era o ministro Alexandre de Moraes. A Folha confirmou que a PF encontrou no celular de Vorcaro ligações e troca de mensagens com Moraes.

Sua esposa, Viviane, tinha um contrato com o Master. Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo em 9 de dezembro, o Banco Master contratou, no início de 2024, o escritório de familiares de Moraes, por R$ 3,6 milhões mensais para auxiliar na defesa dos interesses da instituição. Os familiares do ministro que integram o escritório são a esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e dois filhos do casal.

Segundo o jornal O Globo, no dia 17, Vorcaro narrou a Moraes negociações para tentar salvar o Master, com o que parecem ser referências a tratativas com a financeira Fictor, cujo acordo seria anunciado na tarde daquele dia.

"Estou tentando antecipar os investidores e tenho chances de conseguir assinar e anunciar ainda hoje uma parte", disse Vorcaro em um dos textos enviados.

O comunicado da oferta da Fictor pelo Master tinha a indicação de que o negócio teria a participação de consórcio dos Emirados Árabes, mas a identidade dos investidores nunca foi revelada.

Duas vezes, Vorcaro cobra atualizações de Moraes, sem especificar a qual assunto se refere. "Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?", diz uma das mensagens, enviada às 17h26, segundo a reportagem.

Investigadores da PF afirmam que, até o momento, os diálogos analisados não são razão para investigar ou incluir o ministro Moraes em relatórios da apuração.
Por Lucas Marchesini, Folhapress

Como Vorcaro desviava dinheiro do Master para familiares, segundo investigações

O Banco Master foi liquidado no ano passado
A mistura do biodiesel no diesel deveria ter aumentado de 15 para 16% no dia 1º de março. Mas, para começar a valer, a medida ainda depende de aprovação do Conselho Nacional de Política Energética, o CNPE, vinculado ao Ministério de Minas e Energia.

As investigações identificaram uma conta bancária de Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-banqueiro, com um saldo de mais de R$ 2,2 bilhões, conforme informação que faz parte da decisão judicial que autorizou as operações da PF realizadas na última quarta-feira (4). Vorcaro, que já tinha ido para a prisão em novembro, foi preso pela segunda vez neste mês.

A defesa de Henrique Vorcaro declarou, na ocasião, que "são incorretas as informações divulgadas no sentido de que a conta mencionada na decisão do STF seja de sua titularidade".

Além de Henrique, estão entre os destinatários dos recursos desviados do Master a irmã do banqueiro, Natalia, um primo, Felipe, e três parentes de João Carlos Mansur, o dono da administradora de recursos Reag, na qual o Master abrigava fundos de investimento, de acordo com as apurações.

Procurada, a defesa de Daniel Vorcaro disse que não comentaria o caso. A Folha enviou mensagens para um dos advogados de Mansur, e emails para Natalia e Felipe Vorcaro, mas não obteve retorno. A defesa de Henrique Vorcaro não se manifestou até a publicação desta reportagem. Todos foram procurados na última quarta-feira, por volta das 18h40.
A ENGRENAGEM
A engrenagem para transferir o dinheiro do Master para as pessoas investigadas se utilizava da venda de CDBs (Certificados de Depósito Bancário), falsos empréstimos a empresas controladas por laranjas e fundos de investimento, numa logística em que o dinheiro saía dos cofres do banco e beneficiava pessoas ligadas ao ex-banqueiro.

O esquema começava com a venda de CDBs, via plataformas de investimento voltadas a pessoas físicas, com uma promessa de remuneração muito acima da média de outros bancos. Essa foi a principal forma de captação de recursos do conglomerado Master, somando mais de R$ 50 bilhões.

Esse dinheiro atraído por meio de CDBs tinha como destino fundos de crédito que possuíam como único investidor o próprio Master, segundo as investigações. Já dentro do fundo, esses recursos eram usados para conceder uma espécie de empréstimo a empresas.

Por trás de uma aparente transação financeira rotineira de um fundo se escondia um desvio de recursos. Esses empréstimos iam para empresas ligadas a Vorcaro, sua família e sócios, indicando uma operação falsa de crédito porque o dinheiro não tinha como destino investimentos nos negócios, como na expansão de uma fábrica, por exemplo.

Ou seja, o dinheiro saía do Master e ia para companhias ligadas a pessoas do círculo de Vorcaro depois de passar por um fundo que tinha como único cotista o próprio banco.

Por meio desse esquema, dos mais de R$ 3,5 bilhões investidos pelo Master em fundos em que o banco é o único cotista, R$ 1,8 bilhão teve como destino empresas ligadas aos próprios sócios do banco, indica a PF.

É o caso da Clínica Mais Médico, um pequeno empreendimento que recebeu cerca de R$ 361,1 milhões de um fundo controlado pelo Master. Por trás dessa clínica estava um laranja que, por sua vez, tinha dado uma procuração a uma pessoa ligada à família do dono do Master.

Em outro exemplo de como os desvios de recursos funcionavam, os relatórios da PF mostram que esses fundos usados para desviar dinheiro do Master também aplicavam seu próprio dinheiro em CDBs do Master. É como se o dinheiro saísse do Master e voltasse quase inteiramente para ele. Só que esses CDBs eram lentamente resgatados pelos fundos, fazendo com que o dinheiro do banco chegasse às mãos de pessoas ligadas a Vorcaro, depois de percorrer uma longa trilha de CNPJs dos fundos. Ao longo desse trajeto, parte do dinheiro também ia sendo desviada.

Com esses recursos, essas pessoas transferiram o dinheiro para uma conta bancária mantida no Master por uma empresa ligada a Vorcaro, a Super Empreendimentos e Participações.

"A extensão e a complexidade destas cadeias de transações apresentam indícios de que as operações foram estruturadas mediante a participação coordenada do Banco Master e da Reag DTVM, possuindo o objetivo comum de desviar recursos do conglomerado Master para outros veículos com destinação alheia aos interesses da instituição", mostra a investigação.
MÁQUINA DE INFLAR
O processo de fabricação de dinheiro no Master também envolveu a prática de inflar os ativos do banco, o conjunto de bens da instituição, como imóveis, aplicações e a carteira de crédito.

"A informação policial demonstrou o aproveitamento de vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização, com o uso de fundos de investimento para circulação de ativos sem liquidez, artificialmente precificados, e reiteradas operações entre partes relacionadas", cita a investigação.

Reportagem da Folha mostrou que os empréstimos dados a empresas eram repassados a fundos de investimento sob o comando da Reag, que compravam certificados de ações do extinto Besc (Banco do Estado de Santa Catarina), um papel praticamente sem valor.

As chamadas cártulas eram adquiridas por fundos que inflavam o preço delas. Como os fundos pertenciam ao Master, essa valorização fictícia beneficiava o próprio banco, que via seus ativos crescerem de forma rápida e artificial. Isso possibilitava a emissão de mais e mais CDBs.

O advogado Adilson Bolico, do Mortari Bolico Advogados, diz que quando um banco capta dinheiro de pessoas físicas e direciona esses recursos para empréstimos fictícios, empresas de fachada e fundos controlados por laranjas, configura-se gestão fraudulenta de instituição financeira. Também caracteriza lavagem de dinheiro.

Previstos em lei, crimes que envolvem gestão fraudulenta recebem pena de reclusão de 3 a 12 anos, além de multa. Nos casos de lavagem de dinheiro, a pena é de reclusão de 3 a 10 anos, e multa, com a possibilidade de aumentar a pena se o crime for cometido de forma reiterada ou por meio de organização criminosa.
Por Carolina Mandl e Diego Felix, Folhapress

Presidente da CPI do INSS rebate Moraes e diz que comissão não vazou conversas do ministro

Presidente da CPI do INSS, o senador Carlos Viana (Podemos-MG) rebateu nesta sexta-feira, 6, a nota divulgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a pedido do ministro Alexandre de Moraes e afirmou que a comissão parlamentar não divulgou material sigiloso envolvendo integrantes da Corte.

A manifestação foi publicada nas redes sociais após a nota a pedido de Moraes afirmar que conversas encontradas no celular do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no dia em que foi preso foram tornadas públicas pela CPI do INSS. No comunicado, Moraes nega que prints de mensagens atribuídos ao banqueiro tenham sido enviados a ele.

Segundo Viana, a comissão atuou dentro dos limites legais e não foi responsável pelo vazamento de qualquer conteúdo sigiloso. "A CPMI sempre atuou dentro dos limites legais e regimentais", escreveu o senador. Ele acrescentou que é necessário identificar a origem das informações divulgadas antes de atribuir responsabilidade ao Parlamento.

O texto, divulgado pela Secretaria de Comunicação do STF, afirma que uma análise técnica constatou que o diálogo divulgado foi travado com outra pessoa, e que "as mensagens (prints) estão vinculadas a outros contatos telefônicos no computador de Daniel Vorcaro, jamais ao Ministro Alexandre de Moraes".

Na nota, o ministro não nega, porém, que tenha conversado com Vorcaro em 17 de novembro do ano passado, dia no qual o banqueiro foi preso pela primeira vez - na primeira fase da Operação Compliance Zero. Pessoas ouvidas pelo Estadão confirmam que houve troca de mensagens entre ambos neste dia.

A troca de mensagens se dava com prints no modo visualização única. Para manter o sigilo, tanto Vorcaro quanto Moraes escreviam textos em seus blocos de notas, capturavam a tela e enviavam as imagens com o recurso que só permite uma única visualização antes de apagar o arquivo.

Como mostrou o Estadão, várias dúvidas pairam no ar depois que a nota veio a público:

- Moraes afirma que não foi o destinatário das mensagens de Vorcaro vazadas, mas não nega, na nota, que tenha conversado com banqueiro no dia em que ele foi preso, em 17 de novembro do ano passado.

- Se Moraes não era o destinatário das mensagens nas quais Vorcaro pede ajuda para tentar salvar o Master, sobre qual tema ambos conversaram no dia 17 de novembro, data da prisão do banqueiro?

- Quem realizou a análise técnica dos dados telemáticos do banqueiro? A nota do STF não menciona o autor da perícia.

- Como o ministro teve acesso ao material que estava sob sigilo para proceder à análise dos dados?

- Os contatos dentro das mesmas pastas com os prints do bloco de notas de Vorcaro são dos destinatários das mensagens de Vorcaro, segundo a análise citada pelo ministro?

- Na troca de mensagens, as respostas do ministro a Vorcaro não são conhecidas por se tratarem de prints de visualização única. No entanto, em resposta à última comunicação do banqueiro registrada, às 20h48, Moraes responde com um emoji de "joinha", em suposta concordância. Sobre o que ele concordou ou deu uma resposta afirmativa?

- O ministro avalia como coincidência o fato de o horário dos prints de blocos de notas de Vorcaro ser muito próximo ou até o mesmo do registrado no envio das mensagens do banqueiro a Moraes no dia 17 de novembro, segundo registros obtidos pelo jornal O Globo?

- Se Moraes conversou com Vorcaro - o que ele não nega -, por que se comunicou com mensagem de visualização única, que some após o interlocutor abri-la?

- Por que um ministro do STF tinha contato pelo WhatsApp com um banqueiro que, publicamente, já era investigado pela PF?

Questionada sobre esses pontos pela reportagem, a Secretaria de Comunicação do STF afirmou que a manifestação se restringe à nota divulgada mais cedo a pedido de Moraes.

O conteúdo das mensagens

Segundo informações da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, confirmadas pelo Estadão, Vorcaro e Moraes trocaram mensagens pelo WhatsApp durante todo o dia 17 de novembro de 2025, data em que o banqueiro foi preso pela Polícia Federal pela primeira vez.

Dados extraídos do celular do executivo indicam que ele prestava contas ao ministro sobre negociações de venda do banco e sugerem diálogos a respeito de um inquérito sigiloso que tramitava na Justiça Federal de Brasília.

A defesa do banqueiro apresentou ao STF um pedido para investigar o vazamento de informações do conteúdo de seu celular, incluindo "conversas íntimas" e "supostos diálogos com autoridades e até com o ministro do STF Alexandre de Moraes". O pedido foi acolhido pelo ministro André Mendonça, relator do caso na Corte.

Nesta sexta-feira, Mendonça determinou que a Polícia Federal (PF) abra um inquérito para apurar a origem do vazamento de dados sigilosos de Vorcaro. As informações estavam sob a custódia da PF e foram compartilhadas com a CPI do INSS.

O Estadão confirmou com fontes ligadas ao caso que Vorcaro efetivamente trocou mensagens com Moraes naquele dia por meio de fotos de visualização única. Na extração de dados do celular do banqueiro, há sete imagens de rascunhos com mensagens sobre negociações do Master com o Banco Central. Em alguns desses arquivos, o horário de criação é próximo ao horário de envio das mensagens de Vorcaro ao ministro.

Nos textos, o banqueiro relata ter antecipado o negócio com o grupo Fictor para tentar salvar o banco e menciona que um possível vazamento de informações seria prejudicial, mas poderia servir de gancho para entrar no circuito do processo. Vorcaro questionou o magistrado por duas vezes se havia alguma novidade e chegou a perguntar diretamente: "Conseguiu bloquear?".

Um dos prints do bloco de anotações do celular de Vorcaro, registrado às 18h32, traz a pergunta: "Conseguiu ter notícia ou bloquear?".

A cronologia dos fatos indica que, enquanto falava com o ministro, o banqueiro monitorava o avanço das investigações. Segundo a PF, Vorcaro teria obtido informações sigilosas por meio de um acesso ilegal aos sistemas da própria corporação e tentou peticionar na 10ª Vara Federal de Brasília apenas 18 minutos após a decretação de sua prisão, em uma tentativa de barrar medidas cautelares.

Na última comunicação registrada, às 20h48, Vorcaro respondeu a uma possível dúvida sobre os negócios e afirmou que a movimentação poderia inibir algo não detalhado. Antes de encerrar, avisou que estava indo assinar com investidores estrangeiros, momento em que Moraes teria reagido apenas com um emoji de polegar levantado.

O executivo acabou preso pela PF por volta das 22h, antes de decolar rumo a Malta, de onde seguiria para Dubai.

Mendonça manda PF investigar vazamento

Carlos Viana também reagiu à decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no STF, que determinou a abertura de investigação para apurar eventual vazamento de dados relacionados à CPI.

O senador afirmou receber a medida "com serenidade e respeito institucional", mas ressaltou que o Congresso possui prerrogativas constitucionais próprias para conduzir investigações.

Por João Pedro Bitencourt, Estadão Conteúdo

Dono do Master dá entrada no sistema prisional e aparece de cabelo e barba raspados

Ex-banqueiro foi transferido nesta sexta (6) para um presídio federal de segurança máxima em Brasília
Foto: Divulgação
Já circulam nas redes sociais fotos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, após a prisão na terceira fase da Operação Compliance Zero. Depois de ser detido na última quarta-feira (4), o ex-banqueiro ficou no CDP 2 (Centro de Detenção Provisória) de Guarulhos (SP) e depois em um presídio de Potim, no interior do Estado.

As imagens registradas no sistema prisional paulista mostram o empresário já na condição de detento, com os cabelos e barba cortados e de camiseta branca.

Nesta sexta-feira (6), Vorcaro está sendo transferido para uma penitenciária federal de Brasília, onde está o principal líder da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e Marcos Roberto de Almeida, apontado como seu sucessor. Nicola Assisi, integrante da máfia italiana 'Ndrangheta, também está na unidade.

O dono do Banco Master foi preso na quarta-feira (4), em São Paulo. Segundo investigações, dono do Banco mantinha milícia privada com o objetivo de coagir e ameaçar seus desafetos

Na quinta (5), a Polícia Federal pediu ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que Vorcaro fosse transferido para uma penitenciária federal por, segundo a corporação, haver necessidade "premente de tutela da integridade física do custodiado". De acordo com a PF, as peculiaridades do caso exigem cautela redobrada.

Vorcaro e o cunhado Fabiano Zettel, também alvo da operação, estavam desde a manhã de quinta na Penitenciária 2 de Potim, a 195 quilômetros de São Paulo. A unidade tem capacidade para 844 pessoas, sendo 472 reeducandos
Por Rogério Pagnan/Ana Paula Branco/Folhapress

Entenda elos de Lulinha com escândalo do INSS e o que se sabe até agora

Menções a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT) nas investigações sobre o escândalo de fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) têm desgastado o governo e provocado embates com a oposição.

As investigações, conduzidas pela Polícia Federal por meio da Operação Sem Desconto, chegaram ao filho do presidente por meio de um lobista preso no âmbito do caso, o Careca do INSS, e de uma empresária próxima a Lulinha.

Embora não seja indiciado, Lulinha teve seus sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados por ordem do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), a pedido da própria PF. A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do INSS, instalada no Congresso, também aprovou a quebra.

Entenda a ligação de Lulinha com o escândalo do INSS e o que se sabe sobre o caso até agora.

O que é o escândalo do INSS?

A Operação Sem Desconto, conduzida pela PF em parceria com a CGU (Controladoria-Geral da União), apura um esquema de fraudes que teria desviado cerca de R$ 6,3 bilhões de beneficiários do INSS entre 2019 e 2024. A fraude consistia em descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões —cobranças feitas por entidades de fachada que não prestavam os serviços prometidos, como convênios médicos ou auxílio funerário.

O modelo que permitiu a fraude está previsto em lei desde 1991, mas cresceu de forma desproporcional a partir de 2019. O cenário se agravou em 2022, quando o Congresso eliminou a exigência de revalidação periódica da autorização dos beneficiários —o que permitiu que cobranças irregulares fossem mantidas por tempo indeterminado.

O ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto foi preso preventivamente em novembro. Ele é investigado por ter mantido em cargos estratégicos servidores ligados ao grupo suspeito, mesmo após denúncias internas. A prisão foi autorizada por Mendonça, relator do inquérito no STF. Stefanutto nega participação direta no esquema.

O que a PF investiga sobre Lulinha?

A PF apura citações feitas a Lulinha nas investigações da operação. Uma das linhas de investigação é a possibilidade de que ele tenha sido sócio oculto do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS e apontado como um dos operadores centrais do esquema de fraudes.

O nome de Lulinha também apareceu na CPI do INSS após reportagem do portal Poder360 mostrar que uma testemunha contou em depoimento à PF que o filho do presidente recebia mesada de R$ 300 mil do Careca do INSS.

Além disso, o empresário teria recebido, segundo essa mesma testemunha, a quantia de 25 milhões (não se sabe em qual moeda) do Careca do INSS e feito viagens com o lobista para Portugal. A testemunha é Edson Claro, ex-funcionário do Careca.

Quem é o Careca do INSS?

Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, é o lobista apontado pela PF como um dos operadores centrais do esquema de fraudes nos descontos de aposentadorias. Ele foi preso pela PF em setembro passado.

Em mensagem apreendida pela PF, Antunes pede a um operador que transfira R$ 300 mil a uma empresa em nome de Roberta Luchsinger, empresária próxima de Lulinha. Ao ser questionado sobre o destinatário do dinheiro, Antunes responde que seria "o filho do rapaz". A corporação investiga se a expressão se referia a Fábio Luís.

No total, a empresária teria recebido R$ 1,5 milhão do lobista, em parcelas. A PF aponta que a empresa que fez os repasses, a Brasília Consultoria Empresarial Ltda., é "empresa de fachada do grupo de Antônio Camilo Antunes".

A defesa de Antonio Carlos Camilo Antunes afirma que ele é inocente.

Quem é Roberta Luchsinger?

Roberta Moreira Luchsinger é empresária, sócia da RL Consultoria e Intermediações, e figura como um dos elos entre Lulinha e o Careca do INSS nas investigações. Segundo a PF, a empresária teria recebido, em parcelas, R$ 1,5 milhão do lobista. Ela foi alvo de busca e apreensão em seu endereço no bairro de Higienópolis, em São Paulo, em dezembro.

A PF descreve sua atuação como "essencial para a ocultação de patrimônio, movimentação de valores e gestão de contas bancárias e estruturas empresariais utilizadas como instrumentos da lavagem de capitais". Em mensagens apreendidas, por exemplo, ela orienta Antunes a descartar telefones após uma busca e apreensão.

Luchsinger é herdeira de um ex-acionista do antigo banco Credit Suisse. É amiga de Lulinha. Em 2017, anunciou que faria uma doação milionária a Lula, então investigado pela Operação Lava Jato. Ela se candidatou a deputada estadual em São Paulo pelo PT em 2018, mas não se elegeu.

A defesa de Roberta afirma que as transferências recebidas não têm relação com o INSS, mas decorrem de um projeto na área de canabidiol desenvolvido com o lobista. Segundo a defesa, as tratativas foram apenas iniciais, não chegaram a prosperar e ocorreram antes das revelações sobre os desvios nas aposentadorias.

Por que o sigilo bancário de Lulinha foi quebrado?

A quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, a pedido da própria PF —que enviou o requerimento cerca de um mês antes de ele se tornar público. A medida foi motivada pelas citações a Lulinha nas investigações da operação, em especial a possibilidade de sociedade oculta com o Careca do INSS.

No último dia 26, a CPI mista do INSS também aprovou a quebra de sigilos fiscal e bancário de Lulinha, em sessão contestada pelos governistas, que acusaram o presidente da comissão, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), de ter conduzido a votação de forma irregular. A bancada governista protocolou pedido de anulação.

O ministro Flávio Dino, do STF, decidiu suspender a quebra de sigilo. As informações de movimentação financeira, porém, vazaram antes.

O que a quebra do sigilo revelou?

Segundo as informações recebidas pela CPI, que foram divulgadas pelo portal Metrópoles e confirmadas pela Folha, Lulinha movimentou R$ 19,5 milhões em quatro anos. Ao todo, foram R$ 9,774 milhões em entradas e R$ 9,758 milhões em saídas de uma conta de Lulinha no Banco do Brasil entre 3 de janeiro de 2022 e 30 de janeiro deste ano.

Entre os valores recebidos estão R$ 721 mil de seu pai, o presidente Lula. Desse total, R$ 384 mil foram pagos em 22 de julho de 2022. Outras duas transferências aconteceram em 27 de dezembro de 2023.

A maior parte do dinheiro que entrou na conta de Lulinha vem dos rendimentos de duas empresas que ele possuí, a LLF Tech Participações e G4 Entretenimento e Tecnologia. Foram R$ 2,3 milhões em movimentações com a primeira e R$ 772 mil com a segunda.

O dono do sítio em Atibaia frequentado por Lula, Jonas Suassuna Filho, recebeu R$ 704 mil em parcelas mensais de R$ 10 mil.

A defesa de Lulinha afirmou que "o vazamento [da quebra do seu sigilo] configura crime grave, que está sendo imediatamente comunicado a todas as autoridades competentes". "Não pouparemos esforços para apurar e punir os responsáveis", afirmou.

O que o STF decidiu sobre a quebra de sigilo?

O ministro Flávio Dino suspendeu, em caráter liminar (provisório), a quebra de sigilo aprovada pela CPI do INSS contra Roberta Luchsinger. A decisão se baseou no fato de a comissão ter aprovado 87 requerimentos de uma só vez, em votação "em globo", sem apresentar fundamentação individualizada para cada medida.

Para Dino, "não é cabível o afastamento de direitos constitucionais no atacado". A medida suspendeu os efeitos da decisão da CPI e impediu o compartilhamento dos dados com outros órgãos.

Horas depois da decisão, a defesa de Lulinha aproveitou o precedente e pediu a extensão do benefício ao filho do presidente, com os mesmos argumentos. Ao menos outros cinco pedidos semelhantes foram apresentados por investigados no mesmo dia.

Segundo a liminar de Dino, a CPI poderá refazer a análise dos pedidos, desde que apresente fundamentação concreta e votação individualizada para cada requerimento. A decisão foi enviada para referendo do plenário do STF.

O que Lula disse sobre o caso?

O presidente Lula adotou publicamente uma postura de não interferência. Em entrevista em dezembro, afirmou que "ninguém ficará livre" de investigação se estiver envolvido —incluindo o próprio filho. "Se tiver filho meu metido nisso será investigado. Se tiver o Haddad vai ser investigado, o Rui Costa com essa seriedade vai ser investigado", disse.

O presidente também relatou ter chamado Lulinha a Brasília para cobrar explicações pessoalmente. Segundo relatos, a conversa ocorreu em dezembro. Lulinha disse ao pai estar "100% tranquilo" e ironizou rumores sobre suposta evolução patrimonial. Lula recomendou que o filho se defendesse.

Nos bastidores, auxiliares do presidente reconhecem preocupação com o impacto político do caso na campanha à reeleição. A blindagem de familiares de Lula era considerada estratégica pelos governistas na CPI —estratégia que não se sustentou.

Por Folhapress

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