Mostrando postagens com marcador Brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Brasil. Mostrar todas as postagens
CPI do Crime Organizado: Relator pede indiciamento de ministros do STF
Parecer inclui Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral Paulo Gonet.
O senador Alessandro Vieira apresentou, nesta terça-feira (14), o relatório final da CPI do Crime Organizado com pedidos de indiciamento dos ministros do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República Paulo Gonet, por crimes de responsabilidade.
Segundo o relatório, os pedidos de indiciamento se baseiam em condutas consideradas incompatíveis com o exercício das funções, como suspeição em julgamentos, possíveis conflitos de interesse e decisões que teriam impactado investigações. No caso do procurador-geral, o texto aponta omissão diante de indícios considerados relevantes.
Entre os pontos abordados, o documento cita o caso Banco Master, com referência a indícios de irregularidades financeiras e possível relação com esquemas de lavagem de dinheiro. O tema, segundo o relator, deve ser aprofundado em investigação específica.
O documento, com mais de 200 páginas, consolida os trabalhos da comissão ao longo de 120 dias, com 18 reuniões realizadas, 312 requerimentos apresentados e análise de 134 documentos. A CPI investigou a atuação, estrutura e expansão de organizações criminosas no país.
O relatório também registra decisões judiciais que suspenderam medidas aprovadas pela comissão, converteram convocações em convites e restringiram o acesso a informações financeiras.
O texto apresenta ainda propostas legislativas voltadas ao combate ao crime organizado, como ampliação de instrumentos de bloqueio de ativos, aumento de penas para lavagem de dinheiro e medidas de transparência financeira.
O relatório será encaminhado aos órgãos competentes para análise e eventuais providências.
Fonte: CNN
Demitido do INSS culpa ministério por fila no órgão
Agência do INSS
O agora ex-presidente do INSS Gilberto Waller Junior, exonerado nesta segunda-feira (13), diz que o Ministério da Previdência deveria ser responsabilizado pelo tamanho da fila atual de beneficiários do órgão.
"Se for a fila, quem teria quer ser exonerado não era ninguém do INSS. A maioria dos que esperam há mais de 45 dias depende de perícia médica, que é de responsabilidade do ministério", disse ao Painel.
A fala é uma resposta ao Ministério da Previdência Social, que diz que a troca no comando do órgão vai "acelerar a análise de benefícios".
Waller discorda e afirma que quase zerou a fila das pessoas que esperam há mais de 45 dias por um benefício.
Segundo dados do INSS, a maior parte das pessoas nesta situação ainda depende de perícia médica, que é de responsabilidade do ministério. São mais de 821 mil pessoas.
Atualmente, 2,7 milhões de pessoas aguardam por um benefício. O presidente Lula prometeu zerar a fila ainda neste mandato, mas ainda sem sucesso.
Agora fora do órgão, Waller fez um balanço da gestão, disse que reduziu a fila desde quando chegou e que fez uma "limpeza" no órgão em meio às fraudes.
"Estou tranquilo, saio de consciência tranquila. Hoje, a fila é menor do que quando assumi, em abril de 2025, mesmo com aumento de requerimentos por mês. E deixo o órgão sem problemas no sistema", afirmou ao Painel.
Waller disse que o órgão bateu um recorde histórico de concessões num único mês, com 890 mil benefícios em março.
Além disso, no mesmo mês, foram concluídas as análises de 1,6 milhão de benefícios.
Como antecipou o Painel, Waller foi comunicado da demissão pelo secretário-executivo do ministério da Previdência, Felipe Cavalcante.
Nem o ministro, Wolney Queiroz (PDT-PE), nem o presidente Lula entraram em contato com ele. Apenas o advogado-geral da União, Jorge Messias, que o indicou no ano passado.
Em nota, o Ministério da Previdência afirmou que a redução da fila, em março, é reflexo do trabalho que vem sendo feito pela pasta e citou ações como mutirões, a contratação de 500 peritos, perícia por telemedicina e o novo Atestmed.
Por Gabriela Echenique/Folhapress
Datafolha: Moraes é ministro do STF mais conhecido; Mendonça e Cármen têm melhor avaliação
Alexandre de Moraes
O ministro Alexandre de Moraes é, de longe, o mais conhecido membro do STF (Supremo Tribunal Federal), aponta pesquisa Datafolha.
Aqueles que têm melhor índice de avaliação, por sua vez, segundo cálculo do instituto, são os ministros André Mendonça, Cármen Lúcia e, na sequência Luiz Fux. Enquanto os que pontuam pior, neste quesito, são Dias Toffoli e Gilmar Mendes, seguidos pelo próprio Moraes.
Foram entrevistadas pelo instituto 2.004 pessoas de 7 a 9 de abril, em 137 municípios pelo Brasil. A margem de erro para a amostra total é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no TSE sob o número BR-03770/2026.
Relator de diversos inquéritos que miram o bolsonarismo, alvo preferencial do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e agora também dono de um dos principais tetos de vidro da corte diante do caso do Banco Master, Moraes, que está no tribunal desde 2017, é conhecido por 89% da população, segundo o levantamento.
Cármen Lúcia vem na sequência. No STF por quase o dobro de tempo de Moraes, desde 2006, a ministra é conhecida por 68% dos entrevistados. Ela é seguida pelo decano, o ministro Gilmar Mendes, que tomou posse em 2002 e é conhecido por 62%.
Seis dos 10 ministros são conhecidos, ao menos só de ouvir falar, pela maioria da população.
Como essas perguntas foram realizadas pela primeira vez pelo instituto, não há dados comparativos anteriores.
Entre os menos conhecidos estão também, de modo geral, aqueles com menos tempo no Supremo.
Os indicados pelo ex-presidente Bolsonaro, Kassio Nunes Marques, no STF desde o fim de 2020, e André Mendonça, desde o fim de 2021, são conhecidos por 30% e 42% da população, respectivamente. Enquanto Cristiano Zanin, penúltimo indicado por Lula (PT) a tomar posse, em 2023, marca 37%.
Todos esses são os percentuais medidos nas respostas estimuladas, em que os nomes dos integrantes do tribunal foram citados um a um. Na pergunta espontânea, em que os entrevistados eram instados a dizer quais nomes de ministros vinham à mente, 49% lembraram o nome de pelo menos um membro da corte.
Na pergunta espontânea, de modo semelhante ao que foi medido na questão estimulada, Moraes foi disparado o mais lembrado. No agregado, ele foi citado por 39% dos respondentes, seguido por Cármen, com 10%, e Flávio Dino, com 8%.
Aqueles que disseram conhecer determinado ministro também foram questionados sobre como avaliavam seu desempenho. Como as amostras para cada pergunta foram distintas, a depender do nível de conhecimento de cada magistrado, também variam as margens de erro.
A partir de conta que considera a taxa de menções positivas menos a taxa de menções negativas, o Datafolha calculou um índice de avaliação dos magistrados.
André Mendonça, apesar de não ser tão conhecido, é quem tem o melhor índice de avaliação, com 26. Para 39% dos que o conhecem, ele é ótimo ou bom, enquanto apenas 13% o classificam como ruim ou péssimo.
Sorteado em fevereiro para assumir a relatoria do processo sobre o Banco Master, após semanas de desgaste que culminaram na saída de Dias Toffoli da condução do caso, Mendonça foi quem ordenou que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro fosse preso novamente.
Seu antecessor no posto, Toffoli é avaliado como ótimo ou bom por apenas 19% e como ruim ou péssimo por 35%, tendo o pior índice de avaliação, de -16.
Apesar de ter sido um dos principais motivos de críticas contra a corte recentemente, devido às suspeitas de suas ligações com o Master e que colocaram em dúvida sua parcialidade para estar à frente do processo, Toffoli é conhecido por pouco mais da metade da população, 54% —patamar bastante inferior ao de Moraes.
Também sob pressão no caso Master, especialmente depois da revelação de que o escritório de sua esposa tinha um contrato milionário com banco e de mensagens suas com Vorcaro, o que o ministro nega, Moraes ainda sustenta um nível de avaliação melhor do que o de Toffoli: com 33% de ótimo ou bom e 41% de ruim ou péssimo, tem um índice de -8.
No STF desde 2017, Moraes passou a ter grande relevo público com o protagonismo assumido em medidas em defesa do tribunal e de seus membros e em investigações mirando o bolsonarismo.
Entre os entrevistados que declaram intenção de votar em Lula nas eleições deste ano, o percentual de ótimo ou bom de Moraes vai para 66%, enquanto o de ruim ou péssimo cai para 7%.
Cenário invertido se dá entre os que dizem que votarão em Flávio Bolsonaro (PL): nesse grupo, a avaliação positiva de Moraes é de 7%, enquanto a negativa atinge 74%. Entre quem afirma que vai votar em branco, nulo ou em nenhum candidato, o índice de ruim ou péssimo é de 37%, contra 21% de bom ou ótimo.
Entre os que declaram voto em Flávio, os ministros mais bem avaliados são Mendonça, com 50% de ótimo ou bom, seguido por Luiz Fux, que chega a 32%, e que foi o único a votar a favor do pai dele em julgamento da trama golpista na Primeira Turma do STF. Kassio Nunes Marques, por sua vez, tem 18% de avaliação positiva neste grupo.
Única mulher na corte e no final de seu mandato com presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Cármen Lúcia tem o segundo melhor índice de aprovação geral, com 42% de avaliação positiva, e 25% de ruim ou péssimo, formando um índice de 17. Entre os que votam em Flávio, sua avaliação positiva cai para 13%, enquanto é de 72% entre os que preferem Lula.
Por Renata Galf/Folhapress
Oposição tenta unificar candidaturas de direita ao TCU e Motta pressiona por voto em petista
Reuniões contam com participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, e buscam aglutinar indicações para apoiar parlamentar de direita “melhor posicionado”
Plenário da Câmara dos Deputados
Faltando um dia para os deputados federais escolherem o próximo ministro do Tribunal de Contas da União, a oposição tenta unificar os seis nomes de direita que disputam a vaga para impor uma derrota ao petista Odair Cunha (MG), apoiado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Motta tenta impedir traições ao petista e cumprir acordo feito com o PT em 2024 em troca de apoio à sua candidatura à Presidência da Câmara. Nos últimos dias, Motta ligou para parlamentares para pedir voto em Odair, segundo deputados ouvidos pelo jornal O Estado de São Paulo.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o influenciador Pablo Marçal, recém-filiado ao União, entraram em campo para tentar convencer os deputados menos competitivos a desistirem de suas candidaturas. Enquanto a sigla de Flávio apoia Soraya Santos (PL-RJ), a de Marçal está com Elmar Nascimento (União Brasil).
Flávio deve se reunir com os deputados na noite desta segunda-feira, 13, para articular o movimento. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), disse que mapeia os deputados indicados que teriam disposição para abrir mão da candidatura em nome daquele que estiver “melhor posicionado”.
“Alguns já concordaram em se juntar e vão se submeter à decisão do Flávio Bolsonaro”, afirmou, sem citar nomes. “Mas hoje faremos novas reuniões.”
Elmar Nascimento defendeu a unificação das candidaturas: “Senta o líder do PL, o líder do meu partido, do PSDB, do Podemos, do Novo, de todos os que estão divergindo desse acordo. E eu acato o que decidirem para que a gente se una em torno de apenas uma candidatura, para dar ao Brasil uma candidatura independente de verdade".
Já Marçal telefonou para um dos candidatos nos últimos dias, segundo relato feito à reportagem, para pressionar pela desistência. O movimento aconteceu dias após ele vir a Brasília para uma reunião com a bancada e os dirigentes de seu novo partido.
O influenciador entrou com tudo na campanha. Ele publicou no fim de semana um vídeo para cobrar os parlamentares a impedirem que o governo Lula consiga emplacar Odair. A publicação atingiu 35 milhões de visualizações nesta segunda-feira.
“Você que é líder de partido, de bancada, de maioria, você precisa se posicionar porque se não vai ficar aí sobre as suas costas. O voto é secreto, mas a gente nunca vai esquecer da sua covardia, tá?”, diz no vídeo.
A eleição no plenário está marcada para esta terça-feira, 14. Nesta segunda, a Comissão de Finanças e Tributação sabatinou os sete indicados à vaga aberta com a aposentadoria do ministro Aroldo Cedraz.
Além de Odair e Elmar, concorrem Danilo Forte (PP-CE), Hugo Leal (PSD-RJ), Gilson Daniel (Podemos-ES), Soraya Santos (PL-RJ) e Adriana Ventura (Novo-SP). As candidaturas foram aprovadas por unanimidade pelos parlamentares que participaram da sabatina, em votação que ocorreu em bloco. Foram 37 votos a favor e nenhum contrário.
Em seu discurso, Odair, apoiado por 12 partidos, tentou se distanciar da polarização e afirmou que sua candidatura “não pertence ao governo, não pertence ao meu partido, não pertence à oposição”.
“Não podemos fazer falsos dilemas quando estamos tratando de um órgão técnico e sério, como o Tribunal de Contas da União. Esta candidatura pertence ao conjunto dos senhores deputados e deputadas que eu espero que votem majoritariamente em mim amanhã”, afirmou.
O acordo firmado por Motta foi atacado por candidatos. Danilo Forte reconheceu que acordos políticos são importantes e necessários para a vida pública, mas ressaltou que “precisam passar pelo universo das instituições”. “As próprias instituições estão em jogo, enfraquecidas diante de uma disputa de poder que é presente no Brasil de hoje”, disse.
Elmar Nascimento, por sua vez, afirmou entender o posicionamento de Motta e disse entender que ele “está cumprindo esse acordo de empenhar o seu apoio. “Mas eu não concordo. Nós estamos tratando de um cargo que é vitalício", afirmou.
Soraya Santos fez menção ao acordo ao questionar se as mulheres participaram da negociação.
“A representatividade feminina é uma exigência da justiça, porque ela qualifica a avaliação de impactos sociais nas decisões de controle”, disse. “Ela fortalece a capacidade constitucional e aprimora o diálogo do colegiado. A diversidade, portanto, contribui para um controle externo mais abrangente, responsivo e alinhado com as demandas contemporâneas da sociedade”.
Gilson Daniel, do Podemos, buscou se apresentar como um candidato independente. “Nós temos hoje um grande conflito ideológico no nosso País. Eu me apresento como candidato fora das questões ideológicas, capaz de atender à esquerda, à direita e ao centro”, afirmou.
Candidata do Novo, Adriana Ventura também ressaltou sua eventual independência no cargo. “Aqui eu quero também frisar que, na fiscalização, não se escolhe governo. A gente fiscalizou tanto o governo passado, que foi o meu primeiro mandato, como este governo”, disse.
O histórico do PT nas últimas eleições ao TCU é desfavorável a Odair. O próprio Cedraz (PFL) foi eleito em 2006 em uma disputa que tinha um petista como candidato do governo – Paulo Delgado (PT-MG). Ele obteve 172 votos, ante 148 do adversário.
Em 2005, Augusto Nardes (PP-RS) recebeu 203 votos, enquanto José Pimentel (PT-CE) obteve 137.
Como não há segundo turno na eleição e a vitória se dá por maioria simples, a leitura é que muitas candidaturas de direita contra uma do PT poderiam pulverizar os votos e sacramentar a vitória de Odair Cunha.
O Tribunal de Contas da União é composto por nove ministros. Seis deles são indicados pelo Congresso Nacional; os outros três são nomeados pelo Palácio do Planalto. A Corte é responsável, entre outras coisas, por analisar a prestação de contas do presidente da República e realizar inspeções e auditorias das contas da Câmara e do Senado.
Por Danielle Brant/Guilherme Caetano/Estadão
Cármen Lúcia reconhece tensão no STF em meio a caso Master e diz: 'Eu não faço nada errado'
'Da minha parte, digo: podem dormir tranquilos. Não há uma linha minha que esteja fora da lei', declarou a magistradaA ministra Cármen Lúcia, do STF (Supremo Tribunal Federal)
Em um momento em que ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) recebem atenção pública pelo comportamento em casos como do Banco Master e de relatos de estranhamento entre os magistrados, a ministra Cármen Lúcia disse ter ciência da tensão que a corte vive e que, embora não possa falar em nome de todo o Supremo por não ser a presidente, consegue assegurar que ela não faz nada fora da lei.
"Da minha parte, digo: podem dormir tranquilos. Não há uma linha minha que esteja fora da lei", afirmou nesta segunda-feira (13), durante palestra na Fundação FHC, no centro de São Paulo.
"Eu não faço nada errado", completou. "Tenho ciência da tensão que vivemos".
Cármen disse que o Brasil vive um momento de desconfiança generalizada, o que justifica em parte a crise do tribunal. Declarou, entretanto, que o STF precisa "mostrar ao povo que estamos ali para servir" e falou da necessidade de transparência das ações dos ministros fora de Brasília.
A ministra avalia ser saudável que os magistrados saiam de seus gabinetes para ouvir a sociedade, mas que o movimento precisa ser divulgado e explicado. "Tem que saber como sair, para onde ir e como torna isso transparente. Todo mundo sabe, no Brasil hoje, que eu estou aqui agora de manhã. Minhas agendas são públicas", exemplificou.
A magistrada falou que essa transparência ajuda o Poder Judiciário, o STF e, principalmente, a convivência entre os ministros. "Nesse momento de maior tensão, em que se questiona tanto o próprio Supremo na sua dinâmica, uma parte do que eu escuto é fato: mais tenso, muito mais difícil a vida de todos".
Cármen Lúcia disse que a corte vive fase de "questionamento". Afirmou também receber, como ministra, "críticas ácidas" e que nesses momentos repete para si mesma: "Cármen, lembra, você faz direito, não milagres".
A magistrada afirmou também ser alvo de discurso "sexista, machista e desmoralizante" e que familiares já sugeriram que deixasse o cargo.
Questionada sobre sugestão de mudanças no STF reunidas por especialistas em um documento organizado pela Fundação FHC e entregue à corte, a ministra sinalizou que algumas propostas podem não ser condizentes com os desafios internos do tribunal, marcado pelo excesso de demanda.
Ela criticou o volume de ações que chegam ao Supremo, dizendo que a corte tem rotina marcada por muitas atribuições. Citou também mudanças tecnológicas, como as redes sociais, para explicar que os juízes não têm respostas prontas para problemas inéditos, o que aumentaria o desafio da corte na atualidade. "Cada manhã nós temos uma indagação nunca feita antes na história da humanidade. Por exemplo, sobre as redes sociais".
A ministra falou ainda sobre a dificuldade no exercício de ser presidente do STF. "Sei o que é estar na presidência tentando acertar. Não é simples. Não tem facilidade nenhuma".
A fala da magistrada se deu durante palestra na Fundação FHC, em evento que faz parte de um ciclo de debates com lideranças públicas sobre os desafios do Brasil. Mediaram a conversa Celso Lafer, ex-ministro das Relações Exteriores, Oscar Vilhena, professor da FGV Direito SP e colunista da Folha, e o cientista político Sergio Fausto.
Por Ana Gabriela Oliveira Lima/Folhapess
Governo Lula demite presidente do INSS e anuncia servidora no comando do órgão
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu demitir o presidente do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), Gilberto Waller Jr., que havia assumido o órgão no fim de abril de 2025, após a Operação Sem Desconto, voltada à investigação de fraudes nos descontos associativos de beneficiários.
A troca foi anunciada em nota pelo ministro Wolney Queiroz (Previdência) nesta segunda-feira (13). O INSS é formalmente ligado ao Ministério da Previdência, mas Queiroz e Waller Jr. mantiveram uma relação conturbada no tempo em que conviveram em seus respectivos cargos.
Para substituí-lo, o ministro anunciou Ana Cristina Viana Silveira. Segundo a pasta, "ela assume a presidência do órgão com a missão estratégica de acelerar a análise de benefícios e simplificar os processos internos do Instituto".
Por Idiana Tomazelli/Folhapress
Delegado revisa inquérito e conclui pela segunda vez que não houve interferência de Bolsonaro na PF
Reabertura do caso havia sido determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, que agora encaminhou o processo à PGR
O ex-presidente Jair Bolsonaro
A atual gestão da Polícia Federal revisou a conclusão do inquérito que tinha apurado interferências indevidas do então presidente da República Jair Bolsonaro na corporação e concluiu, pela segunda vez, que não há provas do cometimento de crimes no caso.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes havia determinado a reabertura do caso, que tinha sido instaurado após o pedido de demissão de Sergio Moro do Ministério da Justiça, quando ele disse ter sofrido pressão do presidente para trocar cargos de comando da corporação. Um dos motivos seria um receio de Bolsonaro com o avanço do inquérito das fake news contra seus aliados. A PF sob Bolsonaro concluiu que não houve interferência indevida e o então procurador-geral da República Augusto Aras havia pedido o arquivamento da investigação.
Agora, sob o governo Lula, a PF fez uma revisão das provas colhidas e reiterou a conclusão de que não há provas para justificar uma imputação penal no inquérito.
“Merece ser mencionado que o IPL 2021.0031208 –CCINT/CGCINT/DIP/PF apurou objeto específico, que, sob a ótica das diligências tomadas em contemporaneidade com os fatos, não revelou informações capazes de justificar imputações penais", escreveu o delegado Carlos Henrique Pinheiro de Melo, vinculado à Diretoria de Inteligência Policial (DIP).
O delegado cita, por exemplo, que a PF solicitou compartilhamento de provas do inquérito das fake news com o ministro Alexandre de Moraes que indicassem a ocorrência de interferências indevidas, mas que o ministro havia respondido que não havia provas disso naquele inquérito.
A conclusão diz ainda que eventuais atos de interferência detectados nos inquéritos de relatoria do ministro Alexandre de Moraes podem ser apurados diretamente nesses procedimentos de investigação.
Após receber esse relatório complementar, Moraes enviou o processo para análise do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Ele pode indicar novas diligências a ser tomadas ou requisitar o arquivamento definitivo do caso.
Por Aguirre Talento/Estadão
Petistas criticam STF por menos desgaste com caso Master
Lula defendeu mais critérios na Constituição para escolha de ministros da corte e falou em estabelecer mandatos.
Plenário do Supremo Tribunal FederalAs críticas do presidente Lula (PT) e de alguns de seus aliados ao STF (Supremo Tribunal Federal) nos últimos dias foram uma forma do grupo político tentar conter o desgaste político causado pelo escândalo do Banco Master.O caso, que abalou a imagem da corte junto ao eleitorado, tem sido explorado por setores de direita que já atacavam o tribunal. Lula e seus aliados buscam uma forma de não deixar seus adversários transformarem o escândalo em uma vantagem para as eleições deste ano.
Nesta semana, o petista sugeriu que a Constituição fosse alterada para detalhar melhor os parâmetros para indicação de ministros e mencionou a possibilidade de ser estabelecido um mandato para integrantes da corte.
Senadores aliados de Lula, capitaneados por Renan Calheiros (MDB-AL), articulam uma PEC (proposta de emenda à Constituição) para disciplinar o que ministros do Supremo podem e não podem fazer.
O petista, porém, receia que um projeto do tipo seja sequestrado pela oposição bolsonarista. Nesse cenário, uma PEC poderia dar carona para facilitar, por exemplo, impeachment de integrantes do STF –recentemente, o governo propôs uma PEC sobre segurança pública que teve o conteúdo desfigurado ao longo da tramitação.
Apesar de hesitar sobre uma proposta nessa seara, reservadamente Lula demonstra interesse no tema.
Um auxiliar conta que, em suas conversas, Lula manifesta curiosidade sobre como se dá em outros países o controle das condutas dos juízes das cortes constitucionais, como o dispositivo recém-criado nos EUA. Também pede informações sobre projetos como o apresentado pela OAB.
As críticas de aliados do presidente ao STF estariam reproduzindo o conteúdo dessas conversas. Colaboradores dizem que as falas convergentes de petistas sobre o Supremo não foram orquestradas., mas reproduzem o conteúdo dessas conversas.
Eles afirmam que Lula faz críticas severas a atitudes que vieram à tona no escândalo do Master. Por meses o petista evitou manifestar essas opiniões publicamente para evitar desgastes institucionais e para não alimentar a contestação da legitimidade do tribunal por condenar Jair Bolsonaro (PL) no processo da trama golpista.
Prevaleceu, porém, o argumento de que ele não poderia virar as costas para uma crise que já está em debate na sociedade. A necessidade de controle do Judiciário foi pautada pela população, na avaliação de um aliado do presidente.
O chefe do governo pretende se apresentar na campanha eleitoral como um político que se contrapõe à elite econômica. Para isso, é importante se afastar do desgaste de uma fraude financeira.
Segundo resume outro auxiliar de Lula, o governo não pode ser visto como parte do problema criado por ministros do STF.
Ainda de acordo com esse aliado, o presidente não pretende enviar projetos nesse sentido ao Congresso, nem mesmo apoiar iniciativas internas de outro poder. A intenção foi se posicionar.
Lula julga que seu governo não tem relação com o escândalo, apesar de gestões petistas na Bahia serem citadas no caso. Mesmo achando que não está envolvido, o presidente e seus aliados consideram que o caso tem desgastado sua gestão porque a população teria a tendência de associar a corrupção ao Executivo.
"Tem que ter na própria Constituição uma definição melhor de quais as exigências que você faz para alguém ser ministro da Suprema Corte", disse Lula na quarta-feira (8) em entrevista ao ICL Notícias.
"Precisamos pensar como a gente regula isso na Constituição. Vai ter mandato? De quanto tempo será o mandato?", disse o presidente da República.
Na quinta (9), foi a vez do presidente do PT, Edinho Silva, falar sobre o tema. "Deveríamos estar debatendo reforma do Poder Judiciário para que as falhas deixem de acontecer", declarou.
Antes, o líder histórico do PT José Dirceu afirmou, em entrevista à colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de São Paulo, que "o rei está nu". Segundo ele, o tribunal precisa se auto reformar. "Daqui a pouco se forma uma maioria e ele vai ser reformado pelo Parlamento. Vai ser pior", afirmou Dirceu.
"O STF não é intocável, mas também não pode ser alvo de ataques desonestos", disse o coordenador do grupo de advogado Prerrogativas, Marco Aurélio de Carvalho, um dos principais interlocutores do PT com o mundo jurídico.
"Existe uma demanda legítima por mais clareza, transparência e responsabilidade institucional", disse.
Por Catia Seabra/Caio Spechoto/Folhapress
Governo gasta R$ 2 milhões com cachês para influenciadores
Dira Paes (R$ 470 mil) e Milton Cunha (R$ 310 mil) lideram; influenciadores ganham de R$ 1.000 a R$ 125 mil.
O presidente Lula
O governo Lula (PT) pagou cerca de R$ 2 milhões para influenciadores digitais e artistas participarem de campanhas publicitárias desde 2025, quando Sidônio Palmeira assumiu o comando da Secom (Secretaria de Comunicação Social).
Os maiores cachês foram desembolsados para a atriz Dira Paes, que recebeu R$ 470 mil por ação de publicidade do programa Celular Seguro, e para o carnavalesco Milton Cunha, contratado por R$ 310 mil para divulgar o Agora Tem Especialistas, do Ministério da Saúde.
O governo ainda pagou de R$ 1.000 a R$ 124,9 mil em cachês para ao menos 55 influenciadores digitais divulgarem vídeos sobre bandeiras e ações do governo ou para protagonizarem propagandas produzidas pelas agências de comunicação que têm contratos com a Secom.
Outros 12 nomes participaram das ações sem receber pagamentos federais ou por meio de parceria com big techs contratadas pela Secom, lista que inclui o apresentador João Kleber. Ele protagonizou propaganda do governo sobre "Teste de Fidelidade ao Brasil".
A participação de João Kleber foi oferecida pelo Kwai, empresa que recebeu ao menos R$ 19,5 milhões em anúncios da Secom e ministérios no último ano.
A Secom afirma que a contratação dos influenciadores reflete os novos hábitos de consumo de mídia dos brasileiros na hora de buscar informações, "com aumento significativo do tempo dedicado à navegação nas redes sociais e do engajamento da audiência nas publicações desse perfil".
A pasta diz ainda que eles são remunerados com a verba de produção das campanhas e por meio das agências que foram licitadas pelo governo.
O governo Jair Bolsonaro (PL) também contratou influenciadores de 2019 a 2021, pagando ao menos R$ 670 mil, considerando valores corrigidos pela inflação. A gestão passada interrompeu a prática após ser questionada, entre outros pontos, pela produção de conteúdo defendendo o "cuidado precoce" sobre a Covid-19, ou seja, um discurso que integrava a abordagem negacionista e antivacina de Bolsonaro sobre a pandemia.
Outra forma de explorar nomes com projeção da mídia que é adotada por diferentes governos se dá por merchandising em programas de TV e rádio. A gestão passada adotou esse formato para pagar o apresentador bolsonarista Sikêra Jr., por exemplo, enquanto a Secom de Lula contratou Ratinho para defender bandeiras do governo petista.
A aposta nos influenciadores contrasta com a do antecessor de Sidônio, Paulo Pimenta (PT), que chegou a afirmar em reunião na Câmara dos Deputados de 2023 que o governo não trabalhava com "influenciadores pagos".
Sob Sidônio, a Secom também passou a direcionar mais de 30% da verba publicitária para sites e plataformas digitais, contra cerca de 20% na gestão anterior. Com a mudança, os canais digitais receberam ao menos R$ 234,8 milhões dos cerca de R$ 681 milhões distribuídos em anúncios pela secretaria e ministérios no último ano.
Os cachês foram apresentados à reportagem por meio de pedido baseado na Lei de Acesso à Informação. Nas primeiras etapas do processo a Secom mostrou apenas nomes dos influenciadores. Após ordem da CGU (Controladoria-Geral da União), dada em recurso de terceira instância, a secretaria divulgou os pagamentos.
A atriz Dira Paes protagonizou, no ano passado, a campanha sobre o aplicativo Celular Seguro, que permite o bloqueio dos aparelhos de vítimas de furto ou extravio. Atriz da TV Globo, ela integra o CDESS (Conselho do Desenvolvimento Econômico Social Sustentável) do governo Lula, conhecido como "Conselhão". Também atuou como a mãe do presidente da República, dona Lindu, no desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval 2026.
Em nota, a assessoria da atriz confirmou o valor e disse que a campanha teve veiculação nacional durante um ano na TV, rádio e na internet.
Já Milton Cunha gravou dois vídeos voltadas ao público do Rio de Janeiro e exaltando o aumento de cirurgias no SUS. A Globo retirou o carnavalesco da apresentação do quadro Enredo e Samba, exibido no RJ1, telejornal local da emissora na capital fluminense, depois da gravação. A assessoria de Cunha foi procurada, mas não se manifestou.
A Secom também permitiu, em 2025, que produtores de conteúdo em plataformas digitais se cadastrem no Midiacad, que é um sistema da pasta que centraliza veículos de comunicação que podem receber publicidade federal.
Para entrar no sistema, os influenciadores devem apresentar dados sobre volume de seguidores e acessos das suas redes, além de um relatório de entregas de mídia. A Secom orienta que o produtor, "ao retratar uma experiência pessoal, seja genuíno e contenha apresentação verdadeira do produto ou serviço anunciado".
Segundo os valores divulgados pela Secom, o professor de história e comediante Matheus Buente recebeu a maior soma em pagamentos (R$ 124,9 mil) entre os influenciadores. Ele foi o protagonista de vídeos sobre a saída do Brasil do Mapa da Fome e sobre o Pix.
O governo também pagou para os influenciadores Morgana Camila (R$ 119,25 mil), Vitor DiCastro (R$ 90 mil), Anaterra Oliveira (R$ 50 mil) e Rodrigo Góes (R$ 50 mil) atuarem em campanhas publicitárias. Gabriela Ferreira, Giovana Fagundes e Matheus Sodré receberam R$ 40 mil cada, segundo a Secom.
Matheus Buente disse que o valor foi pago para a produção e divulgação de dois vídeos e que os conteúdos tiveram como objetivo "explicar, de forma acessível" as políticas públicas. Ele disse que recebeu "total liberdade criativa" na elaboração do material.
O influenciador Rodrigo Góes afirmou que participou de campanhas do Ministério da Saúde sobre vacinação e doação de sangue, sendo que a última foi feita sem remuneração. Disse que o pagamento está alinhado com as práticas do mercado e que a campanha foi construída com base na linguagem que ele utiliza nas redes, sem perder o caráter informativo.
A atriz e comediante Giovana Fagundes afirmou que segue as boas práticas do mercado e identifica conteúdos patrocinados. Também disse que seleciona trabalhos alinhados com seus princípios e com instituições e marcas que conhece e acredita.
A Secom afirma que a influenciadora Laura Sabino recebeu R$ 40 mil para produção de quatro vídeos. Procurada, ela disse que o valor está incorreto, mas não informou quanto recebeu. Laura disse que os trabalhos realizados não tinham o objetivo de promover o presidente Lula ou defender o governo, mas de orientar e contribuir para que os direitos cheguem a quem precisa.
Os demais influenciadores mencionados foram procurados, mas não se manifestaram.
Influenciadores e atores com maiores cachês desde 2025
Valores divulgados pela Secom por meio da Lei de Acesso à Informação
Dira Paes: R$ 470 mil
Milton Cunha: R$ 310 mil
Matheus Buente: R$ 124,98 mil
Morgana Camila: R$ 119,25 mil
Vitor diCastro: R$ 90 mil
Anaterra Oliveira: R$ 50 mil
Rodrigo Góes: R$ 50 mil
Gabriela de Oliveira Ferreira: R$ 40 mil
Giovana Fagundes: R$ 40 mil
Matheus Sodré: R$ 40 mil
*Secom informa que a influenciadora Laura Sabino recebeu R$ 40 mil por 4 vídeos. Ela disse que o valor está incorreto, mas não confirmou quanto recebeu. Outros 46 influenciadores receberam de R$ 1.000 a R$ 35 mil.
Por Mateus Vargas/Folhapress
Lula afirma que Trump não ameaçaria o Brasil se soubesse 'o que é nordestino nervoso'
Presidente afirma que o americano ameaça o mundo e que brasileiro quer paz
O presidente Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (10) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está ameaçando o mundo e que, se ele conhecesse "um nordestino nervoso", não o faria com o Brasil.
A declaração foi feita em discurso em Sorocaba, no interior de São Paulo, onde Lula inaugurou um campus do IFSP (Instituto Federal de São Paulo).
"Trump não sabe o que é pernambucano, senão ele não fazia ameaça nunca aqui. Se ele soubesse o que é um nordestino nervoso, ele não brincaria com o Brasil. Se ele quiser guerra, que vá para outro lado do planeta, porque aqui nós queremos paz", disse Lula ao final do discurso.
A fala ocorre em um momento em que o governo brasileiro acompanha com atenção movimentos recentes de Donald Trump no cenário internacional. Nesta sexta, o americano afirmou que pode usar o poder econômico dos Estados Unidos para apoiar o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, que disputa uma eleição considerada acirrada neste fim de semana.
A atuação de Trump em favor de Orbán é vista por integrantes do governo Lula como um teste de interferência externa em processos eleitorais, com potencial impacto sobre estratégias brasileiras para as eleições de 2026. A gestão petista também observa eleições em outros países da América Latina sob essa perspectiva.
A declaração também ocorre em meio à escalada de tensões globais, com conflitos envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel no Oriente Médio, além da guerra entre Rússia e Ucrânia. O avanço dos confrontos preocupa o governo brasileiro, inclusive pelo impacto econômico — como a alta no preço do petróleo e seus efeitos sobre inflação e combustíveis.
O cenário internacional também tem afetado a relação bilateral. Um encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, discutido desde o início do ano, ainda não tem data definida e pode não ocorrer em 2026 caso não seja viabilizado até o meio do ano, diante do calendário eleitoral brasileiro.
Interlocutores do Planalto apontam que o agravamento da guerra no Oriente Médio dificultou o avanço da agenda entre os dois países. Lula, por sua vez, tem adotado posição crítica à atuação americana no conflito e defendido soluções negociadas.
Apesar do tom desafiador ao mencionar Trump, o presidente voltou a defender no discurso em Sorocaba uma agenda de paz e cooperação internacional. "Nós não queremos guerra, nós queremos paz", afirmou, ao dizer que o Brasil busca desenvolvimento, acesso à educação e bem-estar.
Por Aléxia Sousa/Nicole Bonentti/Folhapress
Exército prende militares condenados por trama golpista após ordem de Moraes
Alexandre de Moraes
O Exército cumpre nesta sexta-feira (10) quatro mandados de prisão contra membros da corporação condenados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) pela trama golpista.
As prisões foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes.
Já foram presos Ângelo Denicoli, major da reserva do Exército; Giancarlo Rodrigues, subtenente da ativa; e Guilherme Almeida, tenente-coronel da ativa.
O primeiro foi preso em Vila Velha, no Espírito Santo, e os dois últimos foram presos em Brasília, no Distrito Federal.
Além disso, estão foragidos Reginaldo Abreu, coronel da reseva do Exército, e Carlos César Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal.
O STF oficializou em novembro do ano passado o fim do processo e o início do cumprimento da pena dos condenados da trama golpista.
Os presos dessa operação foram condenados por participar do núcleo da desinformação da trama golpista.
O grupo foi acusado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) de difundir informações falsas sobre as urnas eletrônicas e promover ataques contra os chefes das Forças Armadas contrários ao golpe de Estado.
Além dos cinco com mandados de prisão, fazem parte do núcleo Ailton Barros (major expulso do Exército), e Marcelo Bormevet (policial federal).
O núcleo é formado por ex-integrantes do governo Bolsonaro de escalões inferiores, militares do Exército e acusados de disseminar desinformação sobre as eleições.
Segundo a denúncia, os ex-integrantes da Abin Giancarlo Rodrigues e Marcelo Bormevet participaram de uma estrutura paralela da agência para a produção e disseminação de notícias falsas e ataques contra opositores políticos de Bolsonaro.
Gonet diz que o major e ex-assessor do Ministério da Saúde Ângelo Denicoli atuou com o ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem nos "ataques sistemáticos de Jair Bolsonaro ao processo eleitoral".
Já o tenente-coronel Guilherme Almeida é acusado de difundir o material falso sobre fraude nas eleições presidenciais, e o coronel Reginaldo Vieira de Abreu teria tentado interferir no relatório das Forças Armadas sobre o sistema eletrônico de votação.
Carlos Cesar Rocha teria sido o responsável por produzir um "relatório técnico maliciosamente manipulado" pelo Instituto Voto Legal para o Partido Liberal.
Segundo Moraes, Rocha fraudou o documento técnico para viabilizar uma representação eleitoral do PL para pedir a anulação de votos e declarar a vitória de Bolsonaro na disputa eleitoral de 2022.
Na ocasião, Moraes disse que a acusação demonstrou a participação de Rocha nos ataques à Justiça Eleitoral, configurando os crimes de abolição do Estado Democrático de Direito e organização criminosa. O ministro, porém, votou pela absolvição do réu pelos crimes de golpe de Estado, dano qualificado ao patrimônio público e deterioração do patrimônio tombado.
O major da reserva Ailton Barros, por fim, é acusado de promover ataques virtuais contra os chefes das Forças Armadas que foram contrários à tentativa de golpe. Os alvos teriam sido determinados pelo ex-ministro Braga Netto, como mostram mensagens obtidas pela investigação.
Veja as penas estipuladas para o núcleo:
Ângelo Denicoli (major da reserva do Exército): 17 anos de prisão, em regime inicial fechado, além de 120 dias-multa, sendo um salário mínimo cada dia-multa.
Reginaldo Vieira de Abreu (coronel do Exército): 15 anos e seis meses de prisão, em regime inicial fechado, além de 120 dias-multa, sendo um salário mínimo cada dia-multa.
Marcelo Bormevet (policial federal): 14 anos e seis meses de prisão, em regime inicial fechado, além de 120 dias-multa, sendo um salário mínimo cada dia-multa.
Giancarlo Gomes Rodrigues (sargento do Exército): 14 anos de prisão em regime inicial fechado, além de 120 dias-multa, sendo um salário mínimo cada dia-multa.
Ailton Barros (major expulso do Exército): 13 anos e seis meses de prisão, em regime inicial fechado, além de 120 dias-multa, sendo um salário mínimo cada dia-multa.
Guilherme Marques de Almeida (tenente-coronel do Exército): 13 anos e seis meses de prisão, em regime inicial fechado, além de 120 dias-multa, sendo um salário mínimo cada dia-multa.
Carlos Cesar Rocha (presidente do Instituto Voto Legal): 7 anos e seis meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, além de 40 dias-multa, sendo um salário mínimo cada dia-multa.
Por Folhapress
Ex-sócio do Master estrutura fundo para manter operação do Credcesta
O empresário Augusto Ferreira Lima durante sessão da Assembleia Legislativa da Bahia
Sem conseguir parceiro no sistema financeiro para manter o Credcesta com escala nacional, Augusto Lima, criador desse cartão consignado com benefícios para servidores e ex-sócio do Banco Master, está estruturando um fundo para continuar com a operação na Bahia, único estado onde mantém a exclusividade para trabalhar com esse tipo de produto até 2033.
O Credcesta oferece vários produtos e serviços, entre eles crédito com desconto em folha de pagamento. Pelo último balanço do Master, referente ao ano de 2024, chegou a operar em 24 estados e 176 municípios.
Profissionais com experiência no setor de consignado explicaram à reportagem que, apesar dessa abrangência e de a marca ser consolidada e bem-sucedida, neste momento nenhuma instituição quer enfrentar o risco de reputação e fazer parceria ou mesmo comprar um produto que foi ligado ao Master e seus acionistas.
Nesse tipo de negócio, o giro de recursos precisa ser constante e ter parceria com banco ou fintech faz parte da estratégia. Sem uma instituição financeira para dar suporte, fica difícil manter a escala na renovação da oferta de crédito aos antigos clientes e, mais ainda, captar novos. A operação míngua.
Boa parte das carteiras do Credcesta já tinha sido revendida a outras instituições. À medida que o financiamento original está sendo pago, a própria instituição que detém a carteira oferece algum produto e serviço para reter o cliente do Credcesta. Nesse movimento, o mercado vive uma reconfiguração nacional.
Na Bahia, porém, o Credcesta tem exclusividade até 2033, e a percepção de quem acompanha o produto é que o uso de um fundo pode manter o negócio funcionando.
Executivos que acompanham a criação do novo instrumento contaram à Folha, na condição de não terem os nomes divulgados, que a proposta é montar um Fidc (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios), que começaria a operar com aporte de R$ 500 milhões captados junto a investidores institucionais. Para manter a operação em nível nacional seria necessário fazer uma largada bem mais robusta, aportando, por baixo, R$ 2 bilhões.
A estratégia é ganhar tempo para que, passada a fase aguda de investigações do caso Master, mais à frente, será possível retomar a prospecção de parcerias.
Procurada pela Folha, a assessoria de imprensa dos advogados de Augusto Lima disse que ele não iria comentar a operação.
Lima criou o Credcesta a partir de um cartão de compras da rede de supermercados Cesta do Povo, da estatal Ebal, que foi privatizada em 2018, ampliando os benefícios que ele já oferecia. Na época, o governador da Bahia era Rui Costa (PT), que acaba de deixar o ministério da Casa Civil, e o secretário de Desenvolvimento Econômico era Jaques Wagner, atual líder do governo Lula no Senado.
O contrato de privatização manteve a exclusividade por 15 anos para a operação do cartão benefício consignado para servidores do governo do estado. Depois, outras mudanças, aprovadas pelo Legislativo baiano, limitaram a portabilidade.
Naquele mesmo 2018, Lima firmou acordo com o banco de Daniel Vorcaro para colocar o Credcesta de pé e, depois, expandir o produto por diferentes estados e municípios. Em julho de 2025, Lima teve aprovação do Banco Central para ficar com o banco Voiter, instituição ligada ao Master, que ele transformou em Banco Pleno, e manteve nele a operação do Credcesta.
Em 17 de novembro do ano passado, Lima foi preso na Operação Compliance Zero, junto com Vorcaro e outros executivos do Master, deflagrando uma crise de confiança em relação à sua instituição. Em fevereiro deste ano, o Pleno foi liquidado.
O governo do Rio de Janeiro suspendeu a exclusividade do Credcesta no estado no final do ano passado, após as prisões e a liquidação do Master. A Bahia manteve a exclusividade mesmo após a liquidação do Pleno, que cortou a oferta de recursos para o Credcesta.
Entre os executivos do setor de consignado, a percepção é que o governo da Bahia está dando tempo para Lima se organizar, por causa dos laços que o empresário desenvolveu com políticos. Apesar de ser próximo de expoentes do centrão e casado com Flavia Lima, ex-ministra do governo de Jair Bolsonaro e ex-deputada federal pelo PL, o empresário também mantém contato com quadros históricos do PT.
Algumas conexões chamaram a atenção. Documentos enviados pela Receita Federal à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado, por exemplo, apontam repasses de R$ 12 milhões do Master, entre 2022 e 2025, à BN Financeira, empresa de Bonnie Bonilha, nora de Jaques Wagner. O senador também aparece na lista com o pagamento de uma quantia menor, de R$ 289 mil, como pessoa física.
Wagner afirma que o valor é referente a rendimento de aplicação em conta de pessoa física, que não possui CNPJ e que nunca recebeu qualquer pagamento do Master. A BN Financeira diz que prestou serviços ao Master mediante emissão de nota fiscal, entre 2022 e 2025.
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), afirmou à Folha que não descarta a suspensão do contrato de operação do Credcesta, caso exista o entendimento de que não há como manter a operação, e diz que aguarda um parecer da PGE (Procuradoria-Geral do Estado).
"A PGE está analisando o que significa para a gente ter um banco nessa situação. Se o banco não tem condições de operar, a lógica é rever contrato e tomar decisões", afirmou.
Em nota, a Procuradoria-Geral do Estado informou que os aspectos jurídicos relacionados ao contrato firmado pelo Estado para operação do Credcesta estão em fase de análise.
O ex-ministro Rui Costa evitou opinar sobre o assunto e disse que cabe ao governo estadual avaliar a pertinência econômica, técnica e jurídica de manter o contrato.
O petista afirmou ainda que o Banco Central pode definir se os entes públicos devem encerrar seus contratos com o Credcesta.
Por Aexa Salomão João Pedro Pitombo, Folhapress
Beto Louco entrega proposta de delação e denuncia magistrados na Carbono Oculto
A delação não envolve pessoas com foro privilegiado em Brasília
O empresário Roberto Leme, conhecido como "Beto Louco", já finalizou e entregou ao Ministério Público de SP os anexos de sua proposta de delação premiada.
Nos documentos, ele se propõe a revelar inclusive a participação de servidores e magistrados do Estado no esquema bilionário de fraudes fiscais, sonegação e lavagem de dinheiro descobertos pela megaoperação Carbono Oculto no ano passado.
Junto com os documentos, Beto Louco entregou dados de corroboração e dezenas de celulares que usava, e de onde, garantiram seus advogados, os investigadores poderão extrair dados para comprovar os crimes que relata.
A delação não envolve pessoas com foro privilegiado em Brasília.
No ano passado, a PGR (Procuradoria-Geral da República), comandada por Paulo Gonet, rejeitou a delação de Beto Louco, que citava, entre outros políticos, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Na época, o noticiário mostrava o envolvimento dele com o parlamentar, a quem teria presenteado com canetas mounjaro e com um show de Roberto Carlos no estado do Amapá.
Os mimos teriam sido dados em troca do apoio do presidente do Senado para reverter decisões da ANP (Agência Nacional de Petróleo) contra a empresa de petróleo do empresário, a Copape —o que Alcolumbre nega.
Deflagrada em agosto de 2025, a Carbono Oculto investiga a infiltração do crime organizado em negócios regulares da economia formal, como postos de gasolina, padarias e fintechs.
Foragido, Beto Louco passou as últimas semanas, de domingo a domingo, segundo disse a interlocutores, conversando com seus advogados no Brasil para preparar os anexos —documentos preliminares que são apresentados para a promotoria com uma espécie de rascunho sobre o que pode ser a delação.
Concordou também com o que é considerado o mais difícil em uma negociação de colaboração: o pagamento de milhões como ressarcimento ao Estado pelos crimes que cometeu.
É neste ponto que as delações costumam empacar.
Advogados familiarizados com a negociação afirmam que a delação pode ser um jogo de ganha-ganha: Beto Louco garante os benefícios da Justiça, e em troca o Estado recebe de volta recursos milionários e mantém os empregos dos setores em que as empresas seguiriam atuando, agora de forma regular.
A decisão final sobre a delação será do procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sergio de Oliveira e Costa, que deve ser reconduzido nesta sexta (10) ao cargo.
Por Mônica Bergamo/Folhapress
Investigadores avisaram a Vorcaro que delação deve trazer novas provas além de mensagens do celular
Daniel Vorcaro
Os investigadores da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR) avisaram à defesa do banqueiro Daniel Vorcaro que sua proposta de delação premiada deve apresentar um conjunto de provas inédito, além do que já foi encontrado no celular dele, e têm dito que a negociação vai durar o tempo que for necessário.
O acordo de Vorcaro tem sido visto com ceticismo por investigadores e ainda há dúvidas se ele conseguirá apresentar novas informações relevantes, diante da grande quantidade de provas já colhidas até o momento.
Preso no dia 4 de março, ele começou a desenhar seu acordo de delação premiada no dia 19, quando foi transferido para a Superintendência da PF em Brasília. Vorcaro assinou um termo de confidencialidade, que dá início ao processo, mas ainda tem que apresentar os anexos da delação para começar a negociar o acordo propriamente dito.
Como mostrou o Estadão, de acordo com pessoas com acesso às tratativas, três tópicos hoje são considerados mais problemáticos para fechar o acordo: o tempo de prisão que Vorcaro terá que cumprir, o valor total do ressarcimento e a inclusão de informações sobre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no cardápio da delação.
Nas últimas semanas, os advogados do banqueiro têm ido diariamente ao local para colher seu relato e construir esses anexos — uma espécie de cardápio dos assuntos a serem abordados nos depoimentos.
A extração de diálogos do celular de Vorcaro, apreendido pela PF em novembro na primeira fase da Operação Compliance Zero, tem sido um dos pontos de partida para a delação. Mas, nas conversas iniciais que tiveram com a defesa, os investigadores disseram que apenas explicar os diálogos do celular não seria suficiente para justificar a assinatura do acordo.
Na avaliação deles, o celular de Vorcaro é o “piso” da delação — a partir dele, a defesa do banqueiro deve apresentar informações e provas novas, com informações até agora desconhecidas e que não fazem parte do acervo dos celulares e documentos apreendidos.
Interlocutores da família de Vorcaro avaliam que será difícil cumprir o prazo inicial estipulado pela defesa, de 45 dias para apresentar os anexos e colher formalmente os depoimentos dele. Os advogados têm pressa para entregar esses anexos porque isso abriria a negociação do acordo propriamente dito, com a definição do tempo de pena e ressarcimento de dinheiro. É nesse momento que a defesa deve pedir que Vorcaro seja liberado para retornar à sua casa — o que é considerado improvável para integrantes da PF e da PGR.
Mas os investigadores avaliam que a negociação deve demorar mais tempo do que isso e dizem não ter pressa com esse processo. O prazo a ser seguido, afirmam, será aquele que for necessário para fechar um conjunto de provas relevante e robusto. Por isso, a estimativa é que o processo se arraste ainda por alguns meses.
Um dos pontos considerados problemáticos ainda nem começou a ser negociado: os valores que Vorcaro terá que ressarcir aos cofres públicos.
Os investigadores avaliam que o banqueiro precisará indicar o tamanho de seu patrimônio atual, incluindo contas ocultas no exterior, para um cálculo eficiente dessa devolução. A PF e a PGR entendem, por exemplo, que não pode ser estipulado um valor excessivamente alto e impossível de ser pago, mas o ressarcimento deve ser compatível com os danos causados ao patrimônio do Banco Regional de Brasília (BRB), que ainda está sendo estimado, e também ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que gastou mais de R$ 50 bilhões para pagar os credores do Master.
Por Aguirre Talento/Estadão Conteúdo
Assinar:
Comentários (Atom)
Destaques
Pague Leves: Ofertas Arrasadoras/Ipiaú e Ibirataia
Mercadinho Deus te Ama
Promoção na Visite Viana Artes
Av. Getúlio Vargas, 90
Vende-se contato: (73) 99833-2176
Lojão da Construção: Ofertas Imperdíveis
RC Crédito
Ótica São Lucas
Pires Publicidade.
Copy Center
Postagens mais visitadas
- Homem morre após confronto com a RONDESP em Dário Meira
- Ipiaú: Suspeito de ameaçar moradores do distrito de Córrego de Pedras morre em confronto com a PM
- Itagibá: Polícia cumpre mandados de busca e apreensão contra investigados por tráfico de drogas
- Estamos avançando com propósito, planejamento e compromisso com a nossa gente.



.jpg)



.jpg)





