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Toffoli se declara suspeito para julgar pedido de CPI do Master

Magistrado alegou motivo de foro íntimo para não julgar

Foto: Rosinei Coutinho/STF/Arquivo

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffol
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli se declarou suspeito para julgar o pedido de instalação da CPI do Banco Master.

"Declaro minha suspeição por motivo de foro íntimo", afirmou ele em seu despacho.

O pedido à Corte para que determine a instalação da CPI foi feito pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF).

Ele alega que, apesar de 201 deputados terem assinado o pedido de instalação da comissão, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, se recusa a instalá-la, alegando que ela tem que entrar em uma fila de pedidos de CPI antes de ser efetivada.

No texto, Toffoli ressalta inicialmente que os ministros do STF já declararam que ele não é suspeito para julgar casos que envolvam oBanco Master.

"Foram definitivamente afastadas, por decisão transitada em julgado, quaisquer hipóteses de suspeição ou de impedimento da minha atuação nos processos da chamada 'Operação Compliance Zero'", afirma ele, referindo-se a reunião do dia 12 de fevereiro em que os magisrados do Supremo afirmaram que ele poderia participar de qualquer julgamento.

Toffoli havia sido sorteado no fim do ano passado para relatar o processo contra o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no Supremo.

Ele deixou a relatoria do caso, no entanto, depois que a PF (Policia Federal) apresentou um relatório ao presidente da Corte, Edson Fachin, afirmando ter encontrado menções a Toffoli no celular de Vorcaro e mensagens apontando para pagamentos feitos à empresa Maridt, que tem o magistrado entre seus sócios.

A Maridt era dona do resort Tayayá, que fica no Paraná e que foi vendido para um fundo ligado ao ex-banqueiro.
Por Mônica Bergamo/Folhapress

Procurador junto ao TCU pede afastamento de Marcio Pochmann, presidente do IBGE

Marcio Pochmann
O procurador Júlio Marcelo de Oliveira, do Ministério Público junto ao TCU (Tribunal de Contas da União), pediu o afastamento do presidente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Marcio Pochmann.

O documento cita supostas irregularidades na gestão de Pochmann, incluindo sucessivas exonerações de servidores de carreira, tentativa de criação da Fundação IBGE+ sem lei específica autorizadora e manutenção de ambiente de conflito com o corpo técnico responsável por áreas sensíveis.

O IBGE foi procurado por email na noite desta segunda-feira (10), fora do horário comercial, e ainda não respondeu à reportagem. Também não houve manifestação pública da instituição sobre a situação.

O procurador argumenta que práticas da atual gestão do IBGE prejudicaram a credibilidade dos dados produzidos pela instituição e tiveram "potencial de causar dano ao Erário". O documento afirma que a confiança de agentes econômicos é fundamental para o funcionamento de mercados e contas públicas e que "a credibilidade dos indicadores oficiais está associada a juros mais baixos e estabilidade fiscal".

"Embora seja muito difícil, ou mesmo inviável mensurar prejuízos ao Tesouro Nacional ocasionados pela crise de credibilidade no IBGE, a teoria econômica e o histórico de crises de confiança indicam uma relação causal evidente", diz o texto. O procurador afirma que quando instituições responsáveis por dados oficiais perdem credibilidade, isso pode elevar o custo de financiamento da dívida pública.

"A perda de confiança nos dados oficiais compromete diretamente a arrecadação projetada, a formulação de políticas públicas e a estabilidade macroeconômica, configurando ameaça concreta ao patrimônio público", afirma Oliveira.

Pochmann, economista que também já presidiu o Ipea, assumiu o comando do IBGE em agosto de 2023. A crise, por sua vez, se arrasta desde o ano seguinte, e voltou a chamar a atenção em janeiro deste ano, quando a direção confirmou a exoneração de duas servidoras, incluindo Rebeca Palis, coordenadora de contas nacionais, setor responsável pelo cálculo do PIB (Produto Interno Bruto). A decisão pegou técnicos de surpresa às vésperas da divulgação do indicador, que aconteceu no dia 3 de março.

A criação do IBGE+, que o procurador também cita entre os problemas da gestão, é considerada um ponto central do início da crise na entidade. À época, servidores relataram que o quadro técnico não foi ouvido para a elaboração da proposta da fundação, que seria pública de direito privado e era chamada por alguns de "IBGE paralelo". A proposta foi suspensa pelo governo em janeiro de 2025.

Por Helena Schuster/Folhapress

Moraes autoriza conselheiro de Trump a visitar Bolsonaro na Papudinha

         Ministro do STF liberou ainda a ida de um intérprete para o encontro
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal) autorizou nesta terça-feira (10) a visita do conselheiro para relações com o Brasil nos Estados Unidos, Darren Beattie, ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso na Papudinha, em Brasília.

O ministro liberou ainda a ida de um intérprete para o encontro.

O pedido foi feito pela defesa de Bolsonaro na terça. No documento, o advogado Paulo da Cunha Bueno solicitou que o encontro com o ex-presidente pudesse ser realizado na próxima semana, em dias excepcionais, devido "ao curto período" de Beattie na capital federal.

Pelas regras de visitação na Papudinha, batalhão da Polícia Militar ao lado do Complexo Penitenciário da Papuda, Bolsonaro só pode receber visitas às quartas-feiras e aos sábados. A defesa do ex-presidente, no entanto, solicitou o encontro na segunda ou na terça-feira.

"Diante dessa limitação objetiva de agenda —comum em compromissos de natureza diplomática—, requer-se autorização excepcional para que a visita possa ocorrer no dia 16 de março, no período da tarde, ou no dia 17 de março, no período da manhã ou início da tarde, observadas todas as demais regras de segurança e controle do estabelecimento custodiante", diz o requerimento.

Darren Beattie é crítico do governo Lula e de Alexandre de Moraes. Ele já chamou o ministro de "principal arquiteto do complexo de censura e perseguição" contra Bolsonaro, além de ser próximo do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que o agradeceu após a imposição de sanções da Lei Magnitsky sobre Moraes.

O conselheiro de Trump estará em São Paulo e em Brasília para entender o funcionamento do sistema eleitoral brasileiro, segundo apurou a reportagem, e deve se encontrar com o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).

Beattie também vai tratar de decisões judiciais que determinaram o bloqueio de perfis em redes sociais no âmbito dos inquéritos sobre "fake news" e milícias digitais conduzidos pelo Supremo.

Ele ainda deve ter uma ampla agenda com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que a partir de junho será comandado por indicados de Bolsonaro, com o ministro Kássio Nunes Marques na presidência e André Mendonça como vice.
Por Luísa Martins/Isadora Albernaz/Folhapress

Barroso diz que 'nunca tinha ouvido falar' de Vorcaro e que STF vive 'momento difícil'

O ministro aposentado do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso disse terça (11) que a corte vive um "momento difícil" em meio à crise do Banco Master. Ele afirmou que "nunca tinha ouvido falar" de Daniel Vorcaro, dono do banco liquidado, e que pretende esperar o andamento das investigações sobre o tema antes de emitir juízo a respeito.

O ministro deu uma entrevista ao canal GloboNews.

O escândalo financeiro atinge dois de seus ex-colegas, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Na semana passada, vieram à tona mensagens trocadas por Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Master, no dia em que este foi preso pela primeira vez. O ministro nega ter recebido as mensagens.

Toffoli deixou a relatoria do caso após revelar que é sócio de uma empresa que vendeu participação no resort Tayayá, no Paraná, a fundos ligados a Vorcaro.

"Há uma percepção crítica real. Eu leio jornal, eu vou à farmácia, eu tenho amigos. Portanto, é um momento difícil. Mas, como eu disse, acho que a gente não deve fazer juízos precipitados."

O ministro aposentado também elogiou a postura do presidente da corte, Edson Fachin, e do relator do caso Master, André Mendonça, e afirmou que pode ter havido algo "criticável", mas que não fará pré-julgamentos.

O entrevistador, Roberto D'Ávila, perguntou posteriormente em tom de brincadeira se o ministro aposentado apagava mensagens, e Barroso disse que não, emendando: "Não percebi a maldade da sua pergunta".

Na entrevista, o ex-presidente do STF também disse ver com simpatia a criação de código de ética na corte, como defende Fachin, mas que o "timing" talvez não tenha sido "feliz".

Ele afirmou que chegou a cogitar a articulação de um código do tipo durante seu período na presidência do tribunal, mas que não levou adiante porque entendeu que a ideia "era muito divisiva" dentro da corte. Porém afirma que hoje se trata de "uma demanda da sociedade".

"Não vejo problema em sistematizar isso em um código."

Ele disse que votou de maneira contrária à atuação de ministros em processos que envolvam clientes defendidos por parentes. Mas afirmou que não condena quem tem posicionamento diferente.

Barroso também falou sobre a polêmica dos penduricalhos pagos no Judiciário, atualmente na mira de ministros como Flávio Dino e Gilmar Mendes.

Disse que "há coisas erradas" que é preciso enfrentar, mas afirmou que há pagamentos acima do teto constitucional "que são legítimos". "Uma das coisas que erradas que havia era o reconhecimento administrativo de atrasados."

O ex-presidente do STF deixou a corte em outubro, após 12 anos no cargo. A vaga dele está em aberto desde então. O presidente Lula indicou para o posto o ministro da AGU (Advocacia-Geral da União) Jorge Messias, que até hoje ainda não passou por sabatina no Senado.

Barroso disse que Messias tem "as qualidades necessárias" e que espera que ele seja aprovado.

O ministro também disse que um dos motivos para deixar o cargo na corte foi que "a exposição pública vai se tornando insuportável". Defendeu mandatos fixos na corte, como acontece em outros países.

Ele também falou a respeito da retaliação do governo Donald Trump à corte —o americano cassou vistos dos magistrados do STF. Barroso disse que "é uma chateação" ter o visto suspenso, pois o documento faz falta, e que lamenta a medida. "Espero que resolva."

Por Folhapress

Deputados discutem reverter mudanças do governo na CNH e reduzir idade legal para dirigir

Governo Lula reduziu número de horas-aula de 20 para 2 e permitiu ensino fora das autoescolas
Comissão da Câmara é instalada para discutir mudanças na CNH implementadas pelo governo
A Câmara dos Deputados instalou uma comissão para reverter parte das mudanças adotadas pelo governo Lula (PT) para diminuir os custos de obtenção da CNH (Carteira Nacional de Habilitação), com a redução da quantidade de aulas e criação da profissão de instrutor autônomo credenciado, desvinculado das autoescolas.

O movimento é liderado pelas autoescolas, que perderam receita com as mudanças, e conta com apoio da CNC (Confederação Nacional do Comércio e Serviços) e de parlamentares. Eles argumentam que estão em risco mais de 15 mil empresas do setor, com 300 mil empregos vinculados, e que o trânsito ficará mais inseguro com a redução de aulas para os novos condutores.

O relator da comissão, deputado Áureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), afirmou à reportagem que parte das alterações feitas pelo governo é meritória, para diminuir a burocracia e os custos para os brasileiros, e que o debate será técnico. "Foi uma medida boa. Mas precisa dar segurança para quem vai estar nas ruas. Vamos debater muito para chegar num ponto de equilíbrio, garantir um exame rigoroso", disse.

Um dos pontos que ele questiona é o fim do exame de baliza e de rampa durante as provas. O relator antecipou que também pretende colocar em discussão uma proposta para reduzir a idade mínima para dirigir, de 18 anos para 16 anos. "Se pode votar com 16 anos, por que não pode dirigir?", questiona. Segundo ele, serão debatidas regras para isso, como estar acompanhado de um adulto.

Um dos possíveis entraves a essa alteração é que a Constituição estabelece que menores de 18 anos são penalmente inimputáveis, ou seja, não responderiam criminalmente por atos como dirigir após ingerir bebida alcoólica ou se atropelarem alguém.

O plano de trabalho será apresentado nesta quarta (11) à comissão, com previsão de divulgar o parecer em 45 dias, antes da eleição. O colegiado foi criado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), após pedidos de deputados próximos de proprietários de autoescolas.

A intenção, de acordo com deputados governistas, é buscar alternativas para a manutenção dos empregos e empresas do setor. Ainda não existiria uma fórmula definida para isso.

Uma das alternativas, proposta pelo deputado Zé Neto (PT-BA), é que as autoescolas recebam parte da arrecadação do governo com multas, para oferta de CNHs para pessoas de baixa renda, inscritas no CadÚnico da União –o cadastro usado para os programas sociais. Uma medida com este objetivo já foi aprovada pelo Congresso ano passado, da CNH Social.

Diretora de Relações Institucionais da CNC, Nara de Deus Vieira foi convidada a falar já na abertura da comissão. "A gente não sabe ainda precisar, em cada estado, quantas demissões ocorreram. Temos que entender que a segurança das empresas, dos empregos, é fundamental para o país. Através da aprovação deste projeto também a gente vai ter esta resposta", disse.

Na reunião de instalação, o tom foi de críticas ao governo. Representantes de autoescolas foram convidados a discursar. "Essa Casa não vai se abaixar para o os desmandes de um ministro que quer resolver tudo numa canetada", afirmou Iomara Pinheiro, apresentada como representante de autoescolas de Santa Catarina.

O deputado Fausto Pinato (PP-SP) foi na mesma linha e criticou que o Congresso ficou alijado das discussões sobre a mudança na formação dos condutores. "A cada dia vamos perdendo poder neste país. Temos 513 deputados, 81 senadores, e pasmem, quem legisla sobre trânsito é o Contran, que nem sei quem que é e que muda de dois em dois anos a sua composição", afirmou.

O presidente da comissão, deputado coronel Meira (PL-PE), orientou os representantes das autoescolas a lotarem os plenários durante as audiências públicas, para pressionar os parlamentares. "O nosso inimigo é exatamente o ministro Renan [Filho, dos Transportes]", disse. Ele sugeriu uma legislação sobre educação no trânsito e criticou os desempregos no setor causados pelas mudanças.

Apesar de fazer parte da base do governo, o deputado Leônidas Cristino (PDT-CE) disse que o governo errou e que é preciso garantir mais segurança no trânsito, com maior qualificação dos condutores. "Como é que você vai melhorar a educação fechando a escola?", questionou o pedetista.

"Nós temos que baratear a carteira. A carteira é cara, não dá para aceitar esse preço. Mas nós não podemos é desqualificar o condutor, entregar o carro nas mãos de um condutor desinformado, desqualificado ou que não tem a formação, a qualificação fundamental e necessária", disse o deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), que também faz parte da base do governo.

De acordo com integrantes da comissão, um dos debates nos bastidores é impor restrições aos instrutores autônomos, que vão disputar mercado com as autoescolas. Uma das emendas apresentadas quer exigir o vínculo a uma autoescola, e a liberação desta atividade apenas nas cidades onde não existir uma autoescola credenciada pelo departamento de trânsito estadual.

Veja o que mudou
  • Curso teórico gratuito e 100% digital, flexibilização de aulas práticas e abertura para instrutores credenciados pelos Detrans
  • Renovação automática e gratuita para quem não teve infrações no ano anterior
  • Aulas práticas com carga horária mínima de 2 horas. A exigência de 20 horas-aula será eliminada.
  • Candidato poderá escolher entre autoescolas tradicionais, instrutores autônomos credenciados pelos Detrans ou se preparar de forma personalizada, conforme necessidades pessoais.
  • Presença passa a ser essencial somente nas etapas obrigatórias, como coleta biométrica e exame médico. O restante poderá ser feito digitalmente
Por Raphael Di Cunto/Folhapress

Governo Lula teme impacto eleitoral e age para evitar que EUA designem CV e PCC como terroristas

O presidente Lula (PT)
O presidente Lula (PT) manifestou a aliados preocupação com os efeitos políticos e econômicos que uma possível designação do CV (Comando Vermelho) e do PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas pelos Estados Unidos pode causar. O Planalto age para ao menos postergar essa decisão pelos americanos.

Desde segunda-feira (9), o presidente se dedica a reuniões em busca de uma alternativa à proposta americana, que permitiria intervenções em território brasileiro. O governo teme ainda a exploração política dos bolsonaristas e tenta traçar uma estratégia de comunicação para explicar por que resiste à ideia.

Colaboradores do presidente atribuem à controvérsia o cancelamento da viagem de Lula ao Chile. Apesar do incômodo com o convite ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), potencial adversário de Lula nas próximas eleições, o argumento desses auxiliares foi o de que a negociação com os EUA é emergencial.

Pessoas que acompanham o tema falam em diversos riscos na mudança de classificação, entre eles o potencial de afetar a economia e a competitividade do Brasil no cenário internacional.

Uma das preocupações está no interesse do presidente dos EUA nas transações financeiras feitas por Pix. Há quem tema uma tentativa americana de controle dessas operações, sob o argumento de que são usadas pelo crime organizado.

Na noite de segunda-feira, o presidente do PT, Edinho Silva, divulgou um vídeo em que alertou para os perigos dessa proposta. Nele, Edinho disse que o Brasil não é um puxadinho de Trump. Afirmou ainda que o governo americano poderia invadir o país e aplicar sanções econômicas ao Brasil. Segundo ele, seria uma agressão à soberania brasileira.

A discussão nos EUA sobre designar as duas organizações como terroristas ocorre desde o ano passado. Uma ala no Departamento de Estado, órgão análogo ao Ministério das Relações Exteriores, defende dar essa classificação às facções nos moldes do que fizeram com outras quadrilhas da América Latina, como o Cartel de Jalisco, no México.

Esse debate foi impulsionado nos EUA com a atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) em 2025 e desde então o governo Lula atua para brecar essa iniciativa. Na última semana, porém, como revelou o UOL no domingo (8), o governo americano bateu o martelo e preparou toda a documentação para encaminhar ao Congresso e designar as facções como organizações terroristas.

O governo Lula agiu de imediato. Ainda na noite de domingo, o ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores) telefonou ao seu homólogo, Marco Rubio. Segundo relatos obtidos pela Folha, um dos argumentos usados por Vieira foi o de que os americanos deveriam aguardar o encontro presencial entre Lula e Donald Trump para tomar a decisão.

Outros ministros também entraram em campo para tentar contornar a situação. O governo brasileiro acreditava que essa designação ocorreria ainda nesta segunda e, por isso, montou uma força-tarefa para debelar a movimentação. Auxiliares do presidente, porém, avaliam que o fato de ainda não ter havido anúncio significa apenas que o Brasil conseguiu ganhar tempo, e será necessário manter as negociações.

Entre as opções oferecidas pelo Brasil está a criação de uma cooperação na área do crime organizado. Integrantes do governo Trump, porém, avaliam que isso não é suficiente e que Lula atua para proteger as facções, segundo um conselheiro do presidente americano disse à Folha.

Como a Folha mostrou em uma série de reportagens, o CV e o PCC já estão presentes em todos os estados brasileiros e exercem hegemonia em ao menos 13 deles. As facções também expandiram sua atuação para além das fronteiras: o CV mantém negócios com ao menos oito países da América Latina, enquanto o PCC tem presença em ao menos 16 países de todo o mu ndo.

Por Catia Seabra, Raquel Lopes e Idiana Tomazelli, Folhapress

CPI do INSS recorre contra decisões de Dino que barraram quebras de sigilo como a de Lulinha

O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana
A CPI do INSS decidiu recorrer da decisão do ministro do STF Flávio Dino que suspendeu, no último dia 5, quebras de sigilos bancário e fiscal aprovados pelo grupo, como o de Fabio Luis Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula.

Em ofício elaborado pela advocacia do Senado, nesta segunda-feira (9), a comissão alega que, ao contrário do que disse o ministro, as quebras foram regularmente motivadas e estão no escopo das investigações da CPI.

Assim, o grupo pede que Dino reconsidere a sua liminar e, caso o pedido seja negado, que seja enviado com prioridade para julgamento do colegiado do Supremo, já que os trabalhos da comissão estão próximos do fim.

A medida de Dino foi uma extensão de sua decisão, também favorável, à empresária Roberta Moreira Luchsinger, amiga de Lulinha e que seria ligada ao lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, segundo a CPI.

Na semana passada, Viana também apresentou um pedido de comparecimento de Dino para falar sobre as justificativas que embasaram as suas decisões na comissão.

O requerimento, que precisa ser aprovado pela CPI, será apresentado na forma de convite, quando a pessoa endereçada não tem a obrigação de ir.

A decisão de Dino ocorreu no momento em que já circulavam publicamente dados bancários de Lulinha.

Embora não seja indiciado, ele teve seus sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados por ordem do ministro André Mendonça, a pedido da Polícia Federal. A CPI também havia aprovado a quebra.

De acordo com os dados bancários enviados à CPMI, Lulinha movimentou R$ 19,5 milhões em quatro anos. As informações foram divulgadas pelo portal Metrópoles e confirmadas pela Folha.

A defesa do filho do presidente alegou que o vazamento configura crime grave e que comunicaria o fato a todas as autoridades competentes.

A PF apura citações feitas a Lulinha nas investigações da operação. Uma das linhas é a possibilidade de que ele tenha sido sócio oculto do Careca do INSS, apontado como um dos operadores centrais do esquema de fraudes nas aposentadorias.

O nome de Lulinha também apareceu na CPI do INSS após reportagem do portal Poder360 mostrar que uma testemunha contou em depoimento à PF que o filho do presidente recebia mesada de R$ 300 mil do Careca do INSS.

Além disso, o empresário teria recebido, segundo essa mesma testemunha, a quantia de 25 milhões (não se sabe em qual moeda) do Careca do INSS e feito viagens com o lobista para Portugal. A testemunha é Edson Claro, ex-funcionário do Careca.

Por Constança Rezende, Folhapress

Vorcaro deixou pistas ao capturar imagem do bloco de notas, dizem funcionários de WhatsApp e Signal

O ministro Alexandre de Moraes durante sessão do STF
Os prints do bloco de notas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, permitiram que as autoridades periciassem as mensagens de visualização única enviadas ao telefone do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, segundo funcionários de WhatsApp e Signal (um concorrente que fornece tecnologia ao WhatsApp) ouvidos pela Folha sob condição de anonimato.

A captura de tela deixa vestígios no aparelho em várias etapas: quando é tirado, quando é copiado e quando é colado em uma conversa. Caso Vorcaro tivesse tirado uma foto de uma anotação ou gravado um áudio usando as ferramentas do próprio app, o conteúdo não ficaria salvo no aparelho e teria sido criptografado de ponta à ponta —isto é, dependeria de uma chave para ser visualizado.

Procurado desde segunda-feira (9), o WhatsApp não se pronunciou sobre o relatório da Polícia Federal que liga as imagens do bloco de notas de Vorcaro às mensagens de visualização única enviadas a Moraes. O app promete que as mensagens de visualização única "desapareceriam da conversa" depois de ser aberta.

Esses profissionais de WhatsApp e Signal dizem que, embora seja improvável recuperar no aplicativo a imagem enviada no modo de visualização única, as autoridades podem ter evidências o suficiente para ter uma conclusão pericial precisa.

Nas perícias de smartphones, a PF usa um software israelense chamado Cellebrite, que dá acesso a dados ocultos de iPhones e smartphones Android. A ferramenta, de uso restrito às forças policiais quando há decisão judicial, garante acesso privilegiado aos cartões de armazenamento do dispositivo.

Desta forma, as autoridades conseguem recuperar a base de mensagens, a chave de criptografia para revelá-las, além de interlocutores do investigado e a hora das mensagens. Mesmo arquivos apagados podem ser recuperados.

Esse acesso só é possível se as autoridades obtiverem o aparelho —por isso, não se sabe o conteúdo das mensagens que Moraes teria enviado, por exemplo, já que o telefone dele não foi apreendido.

Isso, contudo, é entregue em uma grande lista de dados. A PF, então, usa um software próprio, chamado Iped, que organiza todos os arquivos usando as informações dos aplicativos como referência para gerar relatórios. Assim, as autoridades conseguem inferir quais foram as mensagens enviadas no modo de visualização única.

Com as duas ferramentas, a Polícia Federal consegue juntar as informações sobre a mensagem no WhatsApp —tipo (texto ou mídia), o número do contato que recebeu, o status e o horário de envio— e os arquivos que estão na galeria de Vorcaro. O próprio bloco de notas tem marcações temporais. A ferramenta de copiar também indica o que foi copiado e a hora da cópia.

Nos sistemas operacionais dos aparelhos mais recentes, é quase impossível apagar um arquivo completamente. O sistema, na verdade, exclui o caminho para aquele arquivo, mas preserva o arquivo em si. "Se o smartphone precisar gravar algo, pode usar aquele espaço como se nada houvesse ali", explica Marco Simplicio, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e especialista em criptografia.

Diferentemente do sistema operacional, que recorre à tabela de caminhos para os arquivos, a ferramenta forense faz uma varredura em tudo o que está gravado no disco rígido ou no cartão de memória. É a mesma técnica usada para recuperar fotos ou vídeos apagados de um HD corrompido.

Os policiais federais conseguem acessar os chamados metadados dos aplicativos —as informações de como o usuário estava usando o aparelho. Isso só é possível com acesso privilegiado, que consegue chegar à parte posterior da interface do sistema operacional.

De acordo com o perito judicial Rodrigo Passerini, as técnicas de perícia digital atuais protegem a cadeia de custódia, garantem reprodutibilidade da investigação e entregam evidências confiáveis e auditáveis. Cadeia de custódia é organização cronológica das evidências encontradas na investigação.

O diretor-executivo do ITS-Rio (Instituto Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro), Fabro Steibel, afirma que o envio de uma mensagem única torna bastante difícil, senão impossível, apontar qual foi a mensagem já visualizada de maneira categórica —o que serviria de prova material.

"Se, para além do WhatsApp, o usuário usou outros programas, é possível encontrar evidências circunstanciais", diz Steibel.

Além de dar acesso aos dados de comunicação, a PF também sabe se a mensagem foi visualizada ou não, além de dados como a rede wifi de acesso e a localização. Cada informação pode ser útil no reforço da tese das autoridades.

Por Pedro S. Teixeira, Folhapress

Vorcaro pagou degustação de whisky em Londres com Moraes, Gonet, Toffoli e diretor-geral da PF

O empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, pagou uma degustação de whisky em Londres, para autoridades de Brasília quando ele financiou um fórum jurídico na capital britânica, em abril de 2024.

Entre os participantes do convescote, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

A informação foi publicada pelo site Poder360, que cruzou duas informações. A dos dados do celular de Daniel Vorcaro recuperados pela PF e enviados à CPI do INSS e dos registros obtidos na sessão secreta realizada pelo STF em 12 de fevereiro para tratar do afastamento do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Master.

Segundo o Poder360, estiveram na degustação de Whisky:

No conjunto de dados do celular de Vorcaro há emails com relatórios de custos do I Fórum Jurídico Brasil de Ideias, evento organizado pelo Grupo Voto, entre 23 e 27 de abril de 2024, com o financiamento do Banco Master

A anotação aponta a contratação de um “serviço de degustação Macallan no George Club”. Trata-se de um prestigiado whisky escocês que na internet aparece vendido com preços que variam entre R$ 800 e R$ 5 mil, a depender da versão da bebida.

O custo da degustação está registrado por US$ 640.831,88. Convertendo com base no valor do dólar da época, o montante equivale a R$ 3,3 milhões.

Os emails não fazem referência aos participantes da degustação. O site Poder360 afirmou que o próprio ministro Alexandre de Moraes fez uma citação ao evento durante a sessão secreta do STF.

“Nesse encontro [em Londres], vários estávamos lá. Eu estava lá. Andrei Rodrigues estava lá. Depois fomos todos juntos a um pub, tomamos Macallan [o whisky escocês]”, disse.

O site já havia publicado transcrições literais das afirmações feitas por ministros durante a reunião do dia 12 de fevereiro que resultou no afastamento de Toffoli do caso.

O fórum jurídico teve uma série de empresários e autoridades na lista de palestrantes e na plateia.

Entre os debatedores, o ex-presidente Michel Temer, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) como Luis Felipe Salomão e Antonio Saldanha Palheiro.

Moraes, Toffoli e Andrei Rodrigues também participaram como debatedores, além do ministro Gilmar Mendes, do STF.

O evento contou ainda com o então presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), com o então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.

Ao definir a lista de convidados para a plateia do fórum, Daniel Vorcaro consultou Alexandre de Moraes. O magistrado determinou que o empresário Joesley Batista, da J&F, fosse “bloqueado” do evento, e Vorcaro levou a determinação à organização do fórum.

O veto aparece em uma das trocas de mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro. Em conversa com o jornalista Márcio Chaer, diretor do portal de notícias jurídicas (ConJur), o banqueiro recebe uma lista de possíveis convidados e responde, em uma sequência de três mensagens:

“Boa. Só Joesley foi bloqueado. Não comentou os demais. Entendo que aprovou. Ainda assim, reperguntei. Possível que ele não queira explicitar a concordância. Mas concordo ao afastar um só nome”, disse Vorcaro ao jornalista, que mediou as mesas de debates.

Por Estadão Conteúdo

PF faz operação no Rio para prender policiais civis suspeitos de extorquir traficantes

A Polícia Federal realiza na manhã desta terça (10) uma operação contra um suposto grupo criminoso formado por policiais civis do Rio de Janeiro e operadores financeiros. A ação é mais uma fase da Operação Anomalia, que na segunda (9) prendeu o delegado federal Fabrizio Romando sob suspeita no caso envolvendo o ex-deputado TH Joias, ligado ao Comando Vermelho.

Quarenta policiais federais cumprem quatro mandados de prisão preventiva e três mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Segundo a Polícia Federal, o grupo é investigado por usar a estrutura do Estado para extorquir integrantes do Comando Vermelho, além de praticar corrupção e lavagem de dinheiro.

O STF determinou também o afastamento dos policiais investigados de suas funções e a suspensão do exercício das atividades empresariais das pessoas jurídicas que seriam usadas na organização criminosa, além do bloqueio de valores em contas bancárias e de criptoativos.

A investigação mostra que os policiais intimavam traficantes para coagi-los, exigindo o pagamento de propinas. Eles fariam cobranças incisivas, inclusive com a imposição de prazos, com a ajuda de dois intermediários.

"A inteligência financeira da PF detectou que os policiais investigados apresentam movimentação patrimonial milionária e incompatível com seus vencimentos lícitos", diz nota da polícia.

Uma rede de empresas de fachada, registradas em nome de familiares dos envolvidos, seria usada para lavar os valores recebidos.

Por Folhapress

Relação de Vorcaro com políticos arrasta nomes de direita e esquerda para escândalo do Banco Master

O escândalo do Banco Master tem provocado intensa troca de ataques entre governistas e opositores, que se acusam de envolvimento com os negócios suspeitos de Daniel Vorcaro, preso novamente na última quarta-feira (4).

Desde o ano passado, quando o banco foi liquidado, já foram citadas no caso, direta ou indiretamente, lideranças políticas dos dois lados, incluindo nomes do Congresso, governadores, ex-ministros e prefeitos —sem falar nos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

A proposta de uma CPI sobre a instituição financeira foi apresentada, mas o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) já indicou que não vai abrir a comissão.

Veja o que já se sabe sobre as relações do banqueiro com líderes políticos e autoridades à direita e à esquerda:

Nomes ligados a Vorcaro

Antônio Rueda

Ciro Nogueira

Cláudio Castro

Davi Alcolumbre

Guido Mantega

Ibaneis Rocha

Jair Bolsonaro

Jaques Wagner

João Carlos Bacelar

João Henrique Caldas

Lula

Nikolas Ferreira

Ricardo Lewandowski

Roberto Campos Neto

Rui Costa

Tarcísio de Freitas

Antônio Rueda

A quebra de sigilo do telefone de Vorcaro revelou que ele ofereceu carona de helicóptero para Antônio Rueda, presidente do União Brasil, durante o Grande Prêmio de Fórmula 1 em Interlagos, em 2024, e também para o presidente do PP, Ciro Nogueira. Rueda não se manifestou sobre o tema.

Ciro Nogueira

Vorcaro se referiu ao presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), como "grande amigo de vida" em mensagem de celular. O parlamentar apresentou em 2024 no Congresso uma proposta que foi apelidada de "emenda Master". Ela aumentaria a garantia de cobertura de correntistas no FGC (Fundo Garantidor de Créditos) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão em caso de liquidação da instituição financeira.

O senador diz que "não mantém nem nunca manteve qualquer conduta inadequada relacionada ao caso em apuração".

Cláudio Castro

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), foi arrastado para o escândalo com a Operação Barco de Papel, da Polícia Federal, relativa a suspeitas no fundo de previdência dos servidores do estado, o Rioprevidência, que aplicou recursos no Master.

O TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro) também instaurou apuração sobre os investimentos da Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro) no banco.

Em janeiro, o governador exonerou Deivis Marcon Antunes, então diretor-presidente do Rioprevidência, disse que o governo realiza procedimento interno para apurar os fatos e que a intenção é reforçar o "compromisso com a proteção do patrimônio previdenciário do funcionalismo".

Davi Alcolumbre

O dono do Banco Master disse em mensagens que teve uma reunião na residência oficial do Senado em agosto passado, sem citar nominalmente o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Além disso, as investigações sobre o Master têm como um dos alvos Jocildo Silva Lemos, que dirigiu a Amprev (Amapá Previdência). Lemos foi nomeado para a instituição em 2023 pelo governador Clécio Luís (União Brasil), mas foi indicado por Alcolumbre, de quem foi tesoureiro na campanha das eleições de 2022.

A Polícia Federal apura investimentos realizados pela autarquia estadual em letras financeiras emitidas pelo Master, com acusações de gestão temerária. Documentos mostram que, em menos de 20 dias, foram aprovadas e executadas três aplicações sucessivas, que totalizam quase R$ 400 milhões.

Alcolumbre foi procurado por meio da assessoria, mas não se manifestou sobre o caso.

Guido Mantega

Ministro da Fazenda de 2006 a 2014 (governos Lula e Dilma Rousseff), Mantega foi contratado para ser consultor do Master. Segundo o próprio Lula afirmou, foi o ex-ministro quem intermediou um encontro entre o presidente e Vorcaro em 2024, no Palácio do Planalto.

Ibaneis Rocha

Em março de 2025, o BRB (Banco de Brasília), vinculado ao Governo do Distrito Federal, anunciou a aquisição de 58% das ações do Master. A iniciativa acabou na mira de órgãos de controle, e, em novembro, foi deflagrada operação da PF para apurar a venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado fraudulentas à instituição do DF.

Vorcaro já afirmou ter discutido a compra do banco com Ibaneis Rocha (MDB), que confirmou ter se encontrado com o empresário, mas disse não ter debatido o tema.

Jair Bolsonaro

O ex-presidente teve como maior doador na eleição de 2022 o pastor da Igreja Lagoinha Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, que deu R$ 3 milhões à campanha de Bolsonaro.

Zettel foi preso na última quarta-feira. Segundo a PF, ele integrava grupo de Vorcaro responsável por intimidar adversários e pessoas ligadas às investigações.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, minimizou a importância do repasse, durante entrevista à GloboNews: "Todo mundo doa, esse pessoal doa pela força e pelo prestígio do Bolsonaro."

Jaques Wagner

Líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) confirmou ter indicado Ricardo Lewandowski como consultor do Banco Master depois que o ex-ministro do STF deixou a corte.

Além disso, o parlamentar era secretário de Desenvolvimento Econômico na Bahia quando conduziu a privatização da estatal Ebal. A partir de um dos ativos vendidos, Augusto Lima, que foi sócio do Master, criou o Credcesta, um cartão de benefício consignado usado pelo banco. Lima e Wagner se tornaram amigos.

O senador tem afirmado que a privatização foi um bom negócio para a Bahia.

João Carlos Bacelar

O deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA) foi o elo que levou o caso Master ao Supremo, ainda em 2025. O parlamentar aparece em documento apreendido com Vorcaro sobre um negócio imobiliário em Trancoso, na Bahia. Segundo o deputado, o documento fazia referência à criação de um fundo destinado à construção do empreendimento.

Vorcaro teria demonstrado interesse na aquisição de parte do projeto, mas a transação não avançou, de acordo com o deputado.

João Henrique Caldas

Há investigação em Maceió (AL), capital administrada por João Henrique Caldas (PL), em razão de aplicação, feita pelo instituto de previdência local, de R$ 97 milhões em letras financeiras do Master. O Maceió Previdência afirma que os investimentos são regulares e que, à época, o Master estava habilitado no Banco Central e no Ministério da Previdência.

O Ministério Público também faz investigação em outras cidades, como Aparecida de Goiânia (GO). O fundo do município aplicou R$ 40 milhões no Master. A Folha tentou contato com a prefeitura, de Leandro Vilela (MDB), e com o fundo, mas não teve retorno.

Lula

O presidente da República se encontrou com Vorcaro fora de sua agenda oficial em dezembro de 2024, antes de as acusações contra o banco virem a público.

O mandatário justificou o encontro dizendo receber todos os bancos no mandato, sendo a reunião um pedido do ex-ministro Guido Mantega. Também afirmou que convidou o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, para a reunião.

Segundo o presidente, na ocasião da conversa entre eles, o banqueiro disse que estava sendo alvo de "perseguição" e que "tinha gente interessada" em derrubá-lo.

"O que eu disse para ele? Não haverá posição política pró ou contra o Banco Master. O que haverá será uma investigação técnica feita pelo Banco Central. Foi essa a conversa", disse Lula, em entrevista em fevereiro.

Em mensagens trocadas com a sua namorada, a influenciadora Martha Graeff, Vorcaro elogiou a reunião: "Foi ótimo".

O dono do Master esteve outras vezes no Planalto. Há ao menos três registros de entrada do banqueiro na portaria da Secretaria de Relações Institucionais, responsável pela articulação política do governo.

Nikolas Ferreira

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) usou um jatinho ligado a Vorcaro para fazer campanha pelo então presidente Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2022. O avião passou por todas as capitais nordestinas e por cidades do interior mineiro entre 20 e 28 de outubro de 2022.

Nikolas afirmou que não sabia quem era o dono da aeronave e que, naquela época, não existia suspeita sobre Vorcaro.

Ricardo Lewandowski

Ricardo Lewandowski prestou serviços ao banco, segundo ele, no hiato entre deixar o Supremo, em 2023, e virar ministro da Justiça de Lula, em 2024. Porém seu escritório de advocacia, a cargo da esposa e um filho, seguiu prestando serviços ao Master até agosto de 2025. O Ministério da Justiça é o responsável pela Polícia Federal, que investiga o banco.

Na época em que a informação foi revelada, Lewandowski afirmou que, ao ser convidado para assumir a pasta de Lula, "retirou-se de seu escritório de advocacia e suspendeu o seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), deixando de atuar em todos os casos".

Roberto Campos Neto

Foi na gestão do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto que o Banco Master foi criado e cresceu em meio a fraudes, fato usado pela oposição para atrelar o escândalo a Bolsonaro, presidente que indicou Campos Neto para o cargo.

O ex-presidente do BC nega inércia no caso e argumenta que a autoridade monetária fez alertas ao Master para que ajustasse as condutas às regras vigentes.

Na última semana, a Polícia Federal cumpriu mandados na casa do ex-diretor do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza, que cumpriu a função entre 2019 e 2023, na gestão Campos Neto. O ministro André Mendonça afirmou, ao autorizar os mandados, que Souza atuou como uma "espécie de empregado/consultor" de Vorcaro.

Rui Costa

O nome de Rui Costa (PT), ministro da Casa Civil, aparece na teia de relações do Banco Master porque o Credcesta, benefício consignado usado pelo banco, teve contrato de exclusividade de 15 anos durante a gestão do petista na Bahia, o que beneficiou o produto.

O Credcesta se expandiu pelo país, chegando a 24 estados e 176 municípios no final de 2024. Agora, o benefício está envolto em acusações de irregularidade.

Tarcísio de Freitas

Fabiano Zettel também foi o maior doador da campanha do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em 2022. Zettel repassou R$ 2 milhões para a candidatura de Tarcísio.

Lula conversa com filho e pede que ele ele 'puxe para si' investigação e não deixe respingar no governo

O presidente Lula (PT) ligou para o filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, na semana passada, e voltou a pedir que ele preste os esclarecimentos necessários em relação a qualquer envolvimento com nomes investigados nas fraudes do INSS.

A ligação ocorreu na última terça-feira (3), dias após Lulinha ter tido os sigilos quebrados pela CPMI do INSS. Foi a segunda conversa que os dois tiveram em meio às investigações.

Fontes a par do assunto disseram, sob reserva, que Lula tratou de pedir que o filho "puxe pra si" toda a responsabilidade do caso. A ordem, no Palácio do Planalto, é evitar que o assunto respingue no presidente.

O entorno de Lula sabe que o tema será usado pela oposição durante a campanha eleitoral. A avaliação, portanto, é que quanto mais rápido o filho do presidente esclarecer o que tiver que ser esclarecido, melhor. Aliados dizem que é fundamental evitar ao máximo a exploração do assunto pelos adversários.

Depois que os dois tiveram a primeira conversa, Lula foi a público dizer que o filho vai pagar o preço se tiver feito alguma coisa. No ano passado, já tinha dito que o filho dele não seria poupado, caso tivesse qualquer envolvimento.

O nome de Fábio Luís Lula da Silva aparece nas investigações de fraudes do INSS. Ele não é investigado, mas a suspeita é de uma suposta ligação dele com o lobista Antonio Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS".

Por Gabriela Echenique, Folhapress

Senador obtém número mínimo de 27 assinaturas para abrir CPI contra Moraes e Toffoli por caso Master

Alessandro Vieira coletará mais assinaturas para fazer protocolo: ‘Vamos realizar investigação para resgatar a confiança dos brasileiros nas instituições’
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE)
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) disse que reuniu, nesta segunda-feira, 9, o número mínimo de assinaturas para protocolar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as condutas dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli no escândalo do Banco Master. São necessários 27 apoiamentos para protocolar o texto e, até a tarde desta segunda, já eram 29 assinaturas.

Mensagens obtidas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro mostram que ele mantinha conversas com Moraes. O jornal o Estado de São Paulo mostrou a ligação de um empreendimento de familiares de Dias Toffoli com fundos ligados ao Master, de Vorcaro.

O senador diz que continuará a coleta dos apoios para protocolar o pedido quando tiver um “número mais seguro”.

“Sem condenação antecipada, mas com muita firmeza, vamos realizar uma investigação absolutamente necessária para resgatar a confiança dos brasileiros nas instituições”, disse Vieira. “O Brasil só será uma verdadeira República democrática quando todos estiverem submetidos ao mesmo rigor da lei.”

A oposição no Senado Federal é quem move a linha de frente contra os dois ministros do Supremo. Apesar disso, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, só assinou o requerimento depois que os 27 apoiamentos mínimos já haviam sido obtidos. A assinatura de Flávio foi a 29ª da lista. Flávio vinha sendo cobrado, sobretudo nas redes sociais, para que prestasse seu apoio ao requerimento.

Nesta mesma segunda-feira, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) irá protocolar pedido de impeachment contra Moraes.

Será o décimo pedido de impeachment de ministro do STF protocolado no Senado apenas neste ano. Moraes já foi alvo de um desses requerimentos, baseado na revelação do jornal O Globo sobre a existência de um contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci, mulher de Alexandre de Moraes.

No dia seguinte deverá haver o décimo primeiro. O líder da oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), disse que irá protocolar outro pedido na terça-feira, 10.

Os outros oito pedidos já protocolados no período pedem o impeachment de Dias Toffoli, também com acusações sobre a proximidade do ministro e o banco de Vorcaro.

Segundo a lei brasileira, os pedidos de impeachments de ministros são analisados pelo Senado. Cabe ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), determinar a abertura ou não do processo.

Dados extraídos do celular de Vorcaro revelam que ele prestava contas a Moraes sobre as negociações de venda do banco e sugerem diálogos a respeito do inquérito sigiloso que tramitava na Justiça Federal de Brasília.

Outras mensagens mostram que Vorcaro consultou Moraes sobre a lista de convidados para um fórum jurídico realizado em Londres, em abril de 2024. O magistrado determinou que o empresário Joesley Batista, da J&F, fosse “bloqueado” do evento, e Vorcaro levou o tema à organização do fórum.

Para manter o sigilo, Vorcaro e Moraes usavam o recurso de visualização única. Por essa razão, as respostas do ministro não estão disponíveis, mas as notas do dono do Master permaneceram acessíveis no histórico do aparelho celular do banqueiro.

Veja quem assinou a lista pedindo a CPI:

  1. Alessandro Vieira (MDB-SE)
  2. Astronauta Marcos Pontes (PL-SP)
  3. Eduardo Girão (Novo-CE)
  4. Magno Malta (PL-ES)
  5. Luis Carlos Heinze (PP-RS)
  6. Sergio Moro (União-PR)
  7. Esperidião Amin (PP-SC)
  8. Carlos portinho (PL-RJ)
  9. Styvenson Valentim (PSDB-RN)
  10. Marcio Bittar (PL-AC)
  11. Plínio Valério (PSDB-AM)
  12. Jaime Bagattoli (PL-RO)
  13. Oriovisto Guimarães (PSDB-PR)
  14. Damares Alves (Republicanos-DF)
  15. Cleitinho (Republicanos-MG)
  16. Hamilton Mourão (Republicanos-RS)
  17. Vanderlan Cardoso (PSD-GO)
  18. Jorge Kajuru (PSB-GO)
  19. Margareth BUzetti (PP-MT)
  20. Alan Rick (Republicanos-AC)
  21. Wilder Morais (PL-GO)
  22. Izalci Lucas (PL-DF)
  23. Mara Gabrilli (PSD-SP)
  24. Marcos do Val (Podemos-ES)
  25. Rogério Marinho (PL-RN)
  26. Flávio Arns (PSB-PR)
  27. Laércio Oliveira (PP-SE)
  28. Dr. Hian (PP-RR)
  29. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) 
      Por Levy Teles/Estadão

Operação mira fraudes bancárias do Comando Vermelho que movimentaram R$ 136 milhões

                Polícia em casa de suspeito em Rio das Ostras, região dos Lagos do Rio de Janeiro
A Polícia Civil do Rio de Janeiro iniciou nesta segunda-feira (9) uma operação em dois estados contra um esquema de fraudes bancárias e lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho (CV), que teria movimentado ao menos R$ 136 milhões em um ano.

Em nota, a corporação afirmou que, além do Rio de Janeiro, há mandados no sul do país. "Os agentes cumprem 38 mandados de busca e apreensão em endereços na capital fluminense, na Região Metropolitana, na Região dos Lagos e também no estado do Rio Grande do Sul. Além das medidas de busca e apreensão, também foi determinado o bloqueio de bens, imóveis de luxo do grupo e contas bancárias dos envolvidos", disse.

No estado do Rio, na garagem de uma casa localizada na Baixada Fluminense, os agentes encontraram um carro Jaguar roubado. O suspeito, que estava na Região dos Lagos, acabou preso em flagrante.

A investigação começou após uma instituição financeira denunciar irregularidades na abertura de contas empresariais e na concessão fraudulenta de crédito, o que inicialmente gerou um prejuízo de R$ 5,2 milhões.

Com o avanço das apurações e a análise de relatórios de inteligência financeira, os agentes identificaram movimentações de valores elevados e incompatíveis com a renda declarada pelos investigados. Segundo os policiais, foi descoberto um esquema para movimentar e ocultar grandes quantias de dinheiro de origem ilícita.

Ainda de acordo com a polícia, o principal operador financeiro do grupo movimentou o montante de R$ 136 milhões em apenas dez meses, mas a corporação não informou o ano em que isso ocorreu. Ele já era investigado anteriormente por aplicar golpes contra seguradoras.

Durante as diligências desta segunda-feira, as equipes buscam apreender documentos, dispositivos eletrônicos, registros contábeis, dinheiro e bens de alto valor que possam estar relacionados às atividades ilegais.

Por Bruna Fantti, Folhapress

Ex-namorada de Vorcaro contrata assessoria e advogado e age para se desvincular do banqueiro

Daniel Vorccaro e a influenciadora Martha Graeff
A influenciadora Martha Graeff, ex-namorada de Daniel Vorcaro, contratou uma assessoria e um advogado e faz questão de se desvincular do banqueiro, de quem diz ter se separado há meses. Vorcaro foi preso pela segunda vez na última quarta-feira, 4, e está preso na Penitenciária Federal em Brasília.

Vorcaro foi alvo da na terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades na gestão do banco. A Polícia Federal diz que ele comanda uma organização criminosa, tinha 'braço armado' e só poderia ser neutralizado com prisão.

Martha Graeff não foi alvo da operação e seu nome veio a público em razão de terem vindo a público trocas de mensagens entre eles presentes no telefone celular de Vorcaro, que foi periciado pela PF. Nos diálogos, em meio a mensagens de caráter pessoal, Vorcaro fala de encontros com autoridades e cita políticos e o ministro do STF Alexandre de Moraes.

A nova assessoria contratada por Martha Graeff buscou a imprensa para informar que ela e Vorcaro já não está juntos "há alguns meses". Além disso, enfatizou que o relacionamento entre eles teria se dado à distância.

"Martha vive fora do Brasil há cerca de 20 anos, atualmente em Miami, e também não vai ao Brasil há alguns meses", diz a assessoria.

Além disso, Martha Graeff destaca que não tinha qualquer relação com os negócios de Vorcaro, agora sob investigação.

"As mensagens que vêm sendo mencionadas publicamente referem-se a conversas privadas trocadas durante o período em que estavam em um relacionamento, em um contexto estritamente pessoal, como qualquer casal que compartilha aspectos do seu dia a dia. Martha nunca participou ou teve qualquer envolvimento com os negócios ou atividades profissionais de Daniel Vorcaro", diz uma nota da assessoria.

Em outra nota, o advogado Lúcio de Constantino diz que Martha Graeff "resta consternada em face da grave violência que vem sofrendo, considerando a exposição manifestamente ilegal e impressionantemente inútil de mensagens fragmentadas trocadas no sagrado ambiente restrito da intimidade de casal." Ele também fala em valer-se de medidas judiciais e extrajudiciais para salvaguardar os direitos da cliente.

Como mostrou o Estadão, Vorcaro fez uma festa de noivado de luxo em Roma, na Itália, e planejou um festival milionário com Coldplay para celebrar o momento com Martha Graeff. O dono do Master chegou a planejar evento de R$ 200 milhões com artistas internacionais em cenário de "O Poderoso Chefão".

Além disso, Vorcaro e ex-namorada fizeram planos para carnaval no Rio com a filha de Trump. Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram que Martha tem proximidade com Ivanka Trump: "Ela não para de mandar mensagem sobre o carnaval".

Veja a nota da assessoria de Martha Graeff:

"Martha Graeff e Daniel Vorcaro não estão mais juntos há alguns meses.

O relacionamento entre eles foi à distância. Martha vive fora do Brasil há cerca de 20 anos, atualmente em Miami, e também não vai ao Brasil há alguns meses.

As mensagens que vêm sendo mencionadas publicamente referem-se a conversas privadas trocadas durante o período em que estavam em um relacionamento, em um contexto estritamente pessoal, como qualquer casal que compartilha aspectos do seu dia a dia. Martha nunca participou ou teve qualquer envolvimento com os negócios ou atividades profissionais de Daniel Vorcaro."

Veja a nota do advogado de Martha Graeff:

"Sra. Martha Graeff, através de seu advogado, informa que resta consternada em face da grave violência que vem sofrendo, considerando a exposição manifestamente ilegal e impressionantemente inútil de mensagens fragmentadas trocadas no sagrado ambiente restrito da intimidade de casal.

Importa destacar que a Sra. Martha Graeff não mantém relacionamento com o Sr. Daniel Vorcaro há meses, sendo imperioso ressaltar que ela jamais esteve envolvida em qualquer tipo de ilicitude penal.

Entrementes, a referida publicização, eivada de manifesto desvio de finalidade, mostra-se não apenas inócua a qualquer procedimento investigativo penal, mas subversiva aos valores morais e garantias constitucionais que asseguram a inviolabilidade da intimidade. Na realidade, tal difusão serve mais à desregrada vilipendiação da esfera privada feminina, que no contexto brasileiro ainda é tema que merece prudente atenção, não havendo falar em recreação com devassamento da vida privada de uma mulher.

Dessarte, a presente serve para comunicar que a Sra. Martha Graeff adotará, com a presteza necessária, todas as providências cabíveis para a salvaguarda de seus direitos, não hesitando em valer-se das medidas judiciais e extrajudiciais pertinentes em face daqueles que venham atentar contra a sua integridade ou privacidade.

Lúcio de Constantino

Advogado"

Por O Estado de S. Paulo

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