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Ronnie Lessa revela pela primeira vez como foi feita proposta para matar Marielle Franco: "Eu tremi"

O último episódio da terceira temporada do Doc Investigação, no ar nesta quinta-feira, 27 de agosto, traz uma entrevista exclusiva e inédita com Ronnie Lessa, condenado pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Pela primeira vez, Ronnie Lessa aceita falar diante das câmeras e fica frente a frente com a apresentadora do programa, Thais Furlan, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. O programa traça um perfil de Lessa e reconstrói sua trajetória em busca de respostas para uma questão central: como um policial da tropa de elite do Rio de Janeiro se tornou um matador de aluguel. “Em que momento você passa para o lado de lá? Em que momento começa a trabalhar para o crime?“, questiona a jornalista.

Com entrevistas exclusivas, análises de especialistas, o programa revisita um dos crimes políticos mais emblemáticos da história recente do país e aborda os desdobramentos mais recentes do caso, incluindo os acordos de colaboração firmados pelos condenados e as acusações envolvendo os mandantes do assassinato, apontados nas investigações da Polícia Federal.

Morte de Marielle Franco

Lessa disse à Polícia Federal que os irmãos Chiquinho Brazão – ex-deputado federal – e Domingos Brazão – conselheiro afastado do TCE do Rio de Janeiro – encomendaram a morte de Marielle por conta de um território na zona oeste da cidade, onde seria instalada uma milícia. Lessa faz revelações sobre o acordo na entrevista à Thais Furlan.

“O que o Domingos me passou foi o seguinte: ‘Ela não vai deixar a gente botar o condomínio lá. Então, ela tem que sair do caminho’. Só que agora, agora eu vou dizer: R$ 25 milhões que era a minha parte, para dividir para quatro. Eu balancei. Aí eu tremi”, diz Lessa. “Eu estava cego, estava entorpecido. Eu estava sob uma overdose de ganância, overdose de ambição. Dinheiro”, completa o matador.

A reportagem mostra como a investigação do assassinato de Marielle Franco ajudou a expor estruturas do crime organizado na zona oeste do Rio de Janeiro e suas conexões com grupos ligados ao poder. O Doc Investigação relembra detalhes do crime e mostra a trajetória de Ronnie Lessa, que passou de membro da elite da polícia a matador de aluguel.

Revelação de Ronnie Lessa

Na entrevista, Lessa também faz declarações sobre sua atuação nas forças de segurança destacando o número de mortes que causou enquanto usava farda. “É muito provável que eu tenha participado de operações em que, no final da história, se somar durante 20 anos, mil [pessoas] é pouco. Você está entendendo? Mil acaba sendo pouco”, afirma. “Então, quando surgiu essa situação de Lessa matador… Lessa matador? Tudo bem, mas matador da polícia“, declara.

História de Fernando Melo

Lula diz que acusações contra filho ainda são ilações e chama lobista amiga de Lulinha de pilantra

Presidente disse que não é juiz nem procurador e compara investigação com acusações da Lava Jato

O presidente Lula (PT) afirmou nesta quinta-feira (27) que as acusações contra seu filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, são "ilações" e que ele precisa se defender.

"São ilações, ilações e ilações tirados de telefonemas", disse Lula. "Eu conheço isso muito bem porque já vivi isso", disse, em referência aos processos da Operação Lava Jato.

Ao ser questionado sobre conversas da empresária Roberta Luchsinger, o presidente disse: "Se eu pegasse o seu celular e for investigar tudo o que você falou só tem coisas certas ou coisas corretas? O que uma pilantra pode fazer num telefone ou um cara qualquer pode fazer num telefone? Estou dizendo para você que o fato de ter pego conversa num telefone não justifica absolutamente nada".

As declarações foram dadas na sabatina de presidenciáveis da TV Globo. Lula é o quarto candidato a Presidência a participar. Antes disso, o programa recebeu Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão). A sabatina de Flávio Bolsonaro (PL), que deve ser o principal rival do petista nas urnas, está marcada para sexta (28).

Lula confirmou a ida à tradicional sabatina promovida pelo programa após faltar ao primeiro debate presidencial —esse realizado pela rede Bandeirantes. Sua ausência foi usada como justificativa por Flávio e Zema para também faltarem ao evento.

No momento, o presidente se vê diante de investigações que miram aliados com potencial de impacto em sua disputa pela reeleição. As revelações sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e sobre o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, colocaram a campanha em seu pior momento, segundo aliados.

A Polícia Federal investiga um suposto tráfico de influência por parte do filho mais velho do presidente. A PF o aponta como beneficiário indireto da lobista Roberta Luchsinger, que atuou na busca de contatos políticos para facilitar a venda de um medicamento junto ao governo federal.

As investigações contra Fábio Luis também apuram se o filho do presidente teria beneficiado Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, envolvido nos escândalos de desvio dos benefícios.

Já no caso de Marcola, hoje a investigação aponta que a lobista pagou R$ 217 mil em faturas de cartão de crédito, financiamento de um veículo e outras despesas do ex-assessor.

Após a revelação do caso pelo Poder360, Marcola confirmou ter recebido pagamentos de Luchsinger. "Nunca tive nenhuma relação que caracterize qualquer ilegalidade no exercício de minha função", disse em nota enviada na época.

Por ora, um dos pilares da estratégia do PT sobre o caso Lulinha é dizer que a PF tem liberdade para investigar neste atual governo. A ideia é fazer uma contraposição a gestão de Jair Bolsonaro, que acumulou denúncias de interferência para proteger seus filhos, inclusive o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que também disputa a Presidência neste ano.

Lula já havia defendido o prosseguimento das investigações contra seu filho. No último domingo (23), em entrevista à Record, o presidente afirmou que "ninguém está acima da lei", ao responder sobre o caso, e que o filho precisa se defender. O presidente voltou a afirmar que a PF tem independência para investigar Lulinha.

"Eu não sou um presidente que tenta proibir investigação. Eu não ameaço mandar ministro embora. Eu não ameaço punir delegado. Investigue-se. E todo mundo tem o direito de provar se é inocente. Se isso acontecer, eles serão perdoados", disse Lula.

Em entrevista anterior a essa, ao podcast Não Inviabilize, Lula chegou a dizer "não saber a verdade" sobre o caso que envolve seu filho.

"Só ele sabe a verdade. Só ele. Eu não sei a verdade. Ele sabe se fez ou não fez. Ele jura que não fez. Se não fez, então brigue", afirmou o petista. "Se meu filho tiver culpa, ele pagará. Agora, ele já foi acusado de muitas coisas. Toda eleição aparece o meu filho", disse. O petista também declarou ter instruído os advogados a não pedir o "fechamento" dos processos.
Por Mariana Brasil/Mateus Vargas/Folhapress

Depoimento de Vorcaro à PF é adiado após problema técnico

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, durante depoimento à Polícia Federal em 30 de dezembro, em Brasília
Um depoimento do Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, à Polícia Federal previsto para esta quinta-feira (27) foi adiado após problemas técnicos.

Vorcaro, que está preso na chamada Papudinha, no Distrito Federal, falaria por vidoconferência no inquérito que trata de suspeitas sobre servidores do Banco Central investigados por receber pagamentos do ex-banqueiro.

Seria o primeiro depoimento de Vorcaro após a recusa de suas duas propostas de delação premiada e com a atual equipe de advogados, liderada por Sérgio Leonardo e Daniel Bialski.

Em nota a defesa disse que aguardou "o restabelecimento do sinal estável para realização da audiência virtual, o que não foi possível. Desta forma, será designada nova data quando nosso cliente será ouvido sobre os fatos".


Uma nova tentativa de tomar o depoimento de Vorcaro deve acontecer nesta sexta-feira (28).

Na investigação, são apuradas suspeitas sobre Belline Santana, ex-chefe de Supervisão Bancária do BC, e de Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização.

Os dois servidores já afirmaram, por meio de suas defesas, que não adotaram medidas de favorecimento ao ex-banqueiro.

Segundo investigações, os servidores do BC são suspeitos de terem atuado como consultores informais de Vorcaro em troca de vantagens indevidas. A evolução patrimonial dos ex-gestores foi o gatilho para a abertura de uma investigação interna no BC.

O Banco Central decretou a liquidação do Master em 18 de novembro do ano passado. Hoje, os bens estão sob controle do liquidante designado pela autoridade. Os custos da quebra do banco superam os R$ 57 bilhões até o momento.

Por José Marques, Folhapress

Lulinha desce a lenha em Janja e bota o dedo na ferida: "Barraqueira"

Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do Presidente da República Federativa do Brasil, o excelentíssimo senhor Luiz Inácio Lula da Silva, do PT SP (Partido dos Trabalhadores pelo estado de São Paulo), desceu a lenha em Rosângela Lula da Silva (Janja) e criticou que ela é barraqueira.

A Polícia Federal investiga, por tráfico de influência no governo de seu pai. As mensagens anexadas ao inquérito foram obtidas pela revista VEJA.

A lobista Roberta Luchsinger relatou ao filho do presidente que Kalil Bittar, sócio de Lulinha, teria criado um perfil falso nas redes sociais para atacar a primeira-dama, Janja.


Segundo a PF, Roberta, Lulinha e Fernando Bittar (irmão de Kalil) fariam parte de uma sociedade oculta, com atuação coordenada e permanente voltada à interlocução de interesses privados junto a órgãos públicos.

As mensagens mostram que Kalil estaria usando o nome de Lulinha e sua proximidade com ele para tentar fechar contratos com a Telebras, vendendo facilidades e alegando ser sócio de Lulinha.


A lobista disse ter procurado interlocutores próximos ao presidente da Telebras para desmentir Kalil, afirmando que ele não falava por Lulinha e que Janja o detestava. Também relatou que Kalil seria “persona non grata” no Palácio se sua atuação chegasse ao conhecimento da primeira-dama.

Roberta contou a Lulinha que Kalil havia criado “baixaria” ao inventar o perfil fake para falar mal da beldade, o que gerou indignação no filho do presidente.

“Eu disse que sou sua assessora e q isso eh mentira. Que ele (Kalil) nem ninguém fala por vc. Que a Janja inclusive odeia ele. E q se chegar no Palácio isso, ele será persona non grata”, disse Roberta para Lulinha. “Contei da baixaria q ele criou perfil fake p falar mal da first”, seguiu ela, fazendo referência à expressão “first lady” (primeira-dama em inglês). “Barraqueiraaaaaaaaaa”, replicou Fábio.

História de Vinícius Carvalho • 19 h •

2 minutos de leitura

Alcolumbre promete votação da MP da 'taxa das blusinhas' no Congresso: 'Não vai caducar'

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), anunciou nesta quarta-feira (26) que o Congresso Nacional deliberará na próxima semana sobre a medida provisória (MP) que encerra a chamada "taxa das blusinhas". O texto, que gerou divisões no governo e desgaste para a imagem do presidente Lula da Silva (PT), expira no próximo dia 8 de setembro, caso não seja votado pelas duas Casas legislativas.

De acordo com Alcolumbre, a comissão mista responsável por analisar a proposta será instalada na terça-feira (02). Composta por deputados e senadores, a comissão precisa aprovar a matéria antes de seu encaminhamento aos plenários da Câmara e do Senado.

"Ela (a MP) precisa ser deliberada na comissão, no plenário da Câmara e do Senado. O senhor está certo. Eu faço o compromisso com o senhor e com o Brasil e brasileiros que precisam dessa matéria em vigência, que na semana que vem, no tempo curto de esforço concentrado, no meio do processo eleitoral, vamos deliberar para o senhor sancionar essa lei. Essa MP não vai caducar", promete Alcolumbre

Ao lado de Lula e do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos). Motta detalhou que a presidência do colegiado será ocupada por indicação da Câmara e a relatoria, pelo Senado, seguindo o revezamento regimental. No esforço concentrado anterior, o impasse sobre a definição desses cargos impediu a instalação da comissão.

"A finalidade é aproveitarmos a janela do esforço concentrado da próxima semana para votarmos no plenário da Câmara e em seguida no Senado", acrescenta Motta.
OUTRAS PAUTAS
O presidente Lula convocou a reunião com os líderes do Congresso para articular a aprovação de matérias consideradas cruciais para sua campanha de reeleição. Além da MP das blusinhas, integram a pauta prioritária do Palácio do Planalto:
  • A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala de trabalho 6x1;
  • A PEC da Segurança Pública;
  • O projeto de lei sobre minerais críticos.
"A decisão de outra é extremamente importante. Votar essas coisas é uma prioridade do povo brasileiro. Ninguém está pedindo que não tenhamos divergência em algumas coisas; o importante é que a gente tenha dimensão do que é mais importante, principal e prioridade. "E essas coisas são uma prioridade do Brasil e do povo brasileiro", alega Lula em tom cordial.

A articulação política do Executivo busca acelerar a votação antes que os parlamentares se voltem integralmente às campanhas estaduais. Pelo calendário do Congresso, a próxima semana concentra a última rodada de votações antes do primeiro turno das eleições.

A isenção da taxa de 20% para compras do exterior de até US$ 50 foi implementada por MP após o governo identificar impactos eleitorais negativos. Se a MP caducar até 8 de setembro sem a devida votação, a alíquota voltará a ser cobrada. Articuladores governamentais tentam garantir que os cargos da comissão mista fiquem com aliados para evitar alterações de mérito ou a rejeição da matéria pela oposição.

Lula reavalia rota e pode subir tom sobre Lulinha

O PT pressiona Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a adotar uma postura mais incisiva em relação às investigações que envolvem seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O assunto passou a ocupar o centro das reuniões da coordenação de campanha do governo, segundo apuração da analista de Política da CNN Clarissa Oliveira, ao Live CNN.

De acordo com informações obtidas nos bastidores do Palácio do Planalto, Lula está em processo de recálculo de rota para definir se mudará o tom em relação ao que vem a público sobre a atuação do filho.

A avaliação interna é de que chegou o momento de ele ser mais duro e direto sobre o tema, especialmente diante da proximidade de uma sabatina considerada estratégica na TV Globo, dado o alcance do Jornal Nacional.

Postura atual e possível mudança de abordagem

Até o momento, Lula tem repetido que, caso haja algo de errado, o filho será investigado, que não haverá interferência na atuação da Polícia Federal para beneficiar ninguém e que acredita na palavra de Fábio Luís, que afirma não ter cometido irregularidades.

Uma das linhas em discussão internamente seria o pai declarar publicamente que não pode ser responsabilizado pelos atos de um filho adulto, ressaltando que cada um deve responder pelos próprios atos — sempre com a ressalva de que a presunção de inocência deve ser respeitada e que a investigação deve correr de forma independente.

A ideia seria que Lula passasse a dizer de forma mais enfática que não compactua com qualquer tipo de irregularidade, tráfico de influência ou comportamento antiético, e que, seja qual for o resultado das investigações, seu governo não tolerará corrupção de nenhuma espécie.

Constrangimento nos bastidores

Um interlocutor próximo ao presidente resumiu o sentimento interno com a seguinte expressão: "O que a gente está passando é um tremendo de um constrangimento." A avaliação leva em conta que, depois de polêmicas anteriores envolvendo Lulinha — como o caso Gamecorp —, uma nova história do mesmo tipo surge no contexto de uma eleição presidencial.

Segundo as informações disponíveis até o momento para a Polícia Federal, Roberta Luchsinger e seus sócios ou parceiros teriam tentado firmar negócios com o Ministério da Saúde relacionados ao canabidiol, com ao menos três tentativas de selar um contrato,

A defesa de Lulinha sustenta que ele se isenta dessa articulação e que, se Roberta agiu dessa forma, ela deve se explicar, pois teria agido sem nenhuma anuência do filho do presidente. Não há, até o momento, um contrato ou fato concreto que comprove que o alegado tráfico de influência foi bem-sucedido ou que beneficiou alguém de forma direta.

Vídeo com inteligência artificial e derrota judicial

Paralelamente, a defesa de Lulinha também enfrentou uma derrota judicial ao tentar retirar do ar um vídeo produzido com inteligência artificial que o retratava de forma humorística no contexto das investigações.

Em nota, a defesa argumentou que "a roupagem humorística não elimina a natureza difamatória dessas imputações" e que "uma acusação desonrosa não se converte em opinião apenas porque é inserida em charge, desenho, paródia ou animação." Apesar disso, a tentativa de remover o conteúdo não foi bem-sucedida.

História de Da CNN Brasil

Ronaldo Caiado compara anistia a Bolsonaro a anulação de sentenças de Lula pelo STF

            Presidenciável falou à Rede Globo em programa especial sobre as eleições de 2026
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, candidato à Presidência pelo PSD, comparou nesta terça-feira (25) uma anistia ampla e geral aos golpistas do 8 de Janeiro à anulação de sentenças por corrupção do presidente Lula (PT).

A fala se deu na Rede Globo, em programa especial sobre as eleições de 2026 com Renata Vasconcellos e César Tralli, do Jornal Nacional.

Caiado afirmou que vai dar uma anistia geral e irrestrita aos golpistas como forma, segundo ele, de pacificar o país.

O goiano ressaltou nunca ter contestado o resultado de eleições e se disse democrata, mas falou que "o traço do brasileiro não é de construir o ódio", citando outras anistias que ocorreram no país como justificativa para perdoar golpistas do 8 de Janeiro. Ele citou como exemplo anistia concedida pelo presidente Juscelino Kubitschek, nos anos 1950.

Segundo ele, a anistia seria o mesmo que o ocorrido nas condenações de Lula. Por isso, afirmou que vai encaminhar um projeto de perdão amplo, "da mesma maneira que, de uma forma especial, o Supremo também concedeu ao presidente Lula".

O petista não foi anistiado pelo STF, que anulou as condenações por identificar nulidades nos processos da Operação Lava Jato, em 2021.

Na entrevista à Globo, Caiado foi questionado sobre medidas na economia, mas não respondeu diretamente aos jornalistas se vai alterar a idade das aposentadorias e nem como vai fazer ajuste fiscal. "Não tenho condição de detalhar minúcias."

Segundo o candidato , a intenção é atrelar as despesas públicas para que elas sejam, no máximo, 50% do PIB (Produto Interno Bruto), corrigida a inflação. Ele afirma que vai fazer isso via emenda a ser encaminhada no primeiro dia de governo.

O presidenciável também voltou a defender seu programa de segurança, com a criação de uma polícia com países vizinhos do Brasil, que ele chamou de SulPol, aos moldes da Europol, agência da União Europeia para a cooperação policial. "Vou propor com presidentes de países limítrofes que prisões sejam feitas", afirmou.

Ele também voltou a criticar o governo Lula no combate ao narcotráfico, dizendo que o PT é conivente com o crime.

Ao final da entrevista, Caiado também pediu ao STF que abra o sigilo dos casos do INSS e do Banco Master para que o eleitorado não seja "surpreendido" na eleição neste ano.

Caiado é o segundo a ser entrevistado pelo programa, que começou na segunda-feira (24), com Romeu Zema (Novo). Também foram convidados outros quatro presidenciáveis que pontuam melhor nas pesquisas, com a ordem dos programas definidas por sorteio.

Na quarta-feira (26), a sabatina é com Renan Santos (Missão) e, na quinta-feira (27), com o presidente Lula (PT). Flávio Bolsonaro (PL) fala na sexta-feira (28), seguido por Augusto Cury (Avante) no sábado (29).

No último Datafolha, o goiano marcou 5% das intenções de voto no primeiro turno, contra 39% de Lula e 33% de Flávio Bolsonaro, seus principais concorrentes. Renan Santos fez 4%, Romeu Zema, 3% e Augusto Cury (Avante), 2%.

Zema, Eduardo Leite e Ratinho Júnior

Na manhã desta terça, em evento da ABDIB (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), Caiado negou que o PSD esteja negociando com Zema para que o mineiro desista da candidatura para apoiá-lo.

"De maneira alguma existe qualquer fala nesse sentido. Eu respeito o meu colega —o ex-governador de Minas Gerais, Zema— e não existe nenhuma conversa nesse sentido", disse Caiado.

Ao jornal Folha de São Paulo a campanha do mineiro também negou o rumor, atrelado à desistência do ex-governador de participar no debate presidencial da Band, no domingo (23). "Não faz sentido. Chance zero disso acontecer [desistir da candidatura]", afirmou a assessoria.

Também na ABDIB, Caiado afirmou que vai adotar estratégia na propaganda eleitoral para demonstrar que tem "muito a mostrar e nada a esconder", a fim de convencer o eleitor a votar nele, não em Flávio Bolsonaro, o representante da direita com mais intenção de voto.

"Não estou envolvido em rachadinha, não estou envolvido em petrolão, não estou envolvido em INSS, não estou envolvido em assalto pelo Banco Master. Sou uma pessoa que, realmente, tenho condições reais de poder mostrar para o Brasil que [a próxima eleição] é o grande divisor de águas", afirmou em referência a Flávio e Lula.

Já na segunda (24), durante evento em São Paulo, o goiano afirmou que quer levar os governadores Eduardo Leite (PSD), do Rio Grande do Sul, e Ratinho Júnior (PSD), do Paraná, para sua gestão como presidente. Segundo Caiado, ambos os políticos, que disputaram com ele a vaga de presidenciável pelo PSD, "são exemplo" de governantes.

"Eduardo Leite estará comigo governando o país, você pode ter certeza disso. Isso não é questão de compromisso com ele, é questão de bom senso em avaliar o que ele fez no Rio Grande do Sul e com as dificuldades que ele enfrentou com cinco períodos de estiagem, com enchentes", disse.

Caiado também afirmou que Leite "estará governando ao meu lado. Eu não abro mão da presença dele, muito menos do Ratinho, que são dois governantes que são exemplo hoje do que fizeram nos seus estados. Eles estarão comigo no governo".
Por Ana Gabriela Oliveira Lima/Folhapress

Lula faz novo aceno às Forças Armadas em evento no Exército e não responde sobre Lulinha e Marcola

Presidente participou de cerimônia do Dia do Soldado, destacou ingresso de mulheres no Exército e afirmou que País precisa se preparar para defender território, riquezas e população

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta terça-feira (25), da cerimônia em homenagem ao Dia do Soldado, realizada no Quartel-General do Exército, em Brasília. A presença do presidente no evento ocorre como mais um aceno às Forças Armadas.

Lula afirmou que o Brasil precisa ampliar a atenção à Defesa e criticou a ideia de que investimentos no setor devam ocorrer apenas quando houver recursos disponíveis. “Defesa não pode ser uma coisa para quando sobrar dinheiro”, disse o candidato do PT à reeleição.

Após breve pronunciamento a jornalistas, Lula não respondeu a perguntas sobre o impacto das investigações sobre seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e de seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, em sua campanha eleitoral. Os dois são investigados pela Polícia Federal por suposto tráfico de influência.

Ao citar a extensão das fronteiras brasileiras, as reservas naturais e minerais e as riquezas existentes no território nacional, o presidente afirmou que o País precisa estar preparado para proteger seus interesses.

“Nós temos que priorizar, preparar este País não para a guerra, preparar este País para a paz, preparar este País para defender o nosso território, as nossas riquezas e o nosso povo”, disse Lula.

Em outro aceno, desta vez ao público feminino, Lula ressaltou a entrada de mulheres no Exército brasileiro e a participação delas num desfile militar. Disse que se trata de uma “revolução comportamental dos homens, que estão dizendo (às mulheres): ‘Vocês não devem nada a nós, entrem e disputem’”.

“Elas são as primeiras recrutas do Exército, que entraram neste ano, e estão preparadas para mostrar que mulher pode estar em qualquer lugar, fazer qualquer coisa, desde que ela queira fazer”, disse.

Segundo Lula, a presença feminina nas Forças Armadas representa uma mudança de comportamento em uma instituição marcada historicamente pela predominância masculina. Ele citou ainda a chegada da primeira mulher ao posto de general do Exército como exemplo dessa transformação.

“Hoje é um dia glorioso por conta da inclusão das mulheres. Graças a Deus, as mulheres estão ganhando espaço, mostrando a cada dia que passa que as mulheres não têm que pedir licença para ninguém para fazer o que ela quer fazer”, afirmou.

Lula também fez referência à trajetória profissional de mulheres em áreas que, segundo ele, eram tradicionalmente ocupadas por homens. “Parece pouca coisa, mas para um país com uma cultura machista, com as Forças Armadas com a cultura machista, isso é mais do que uma evolução, é uma revolução comportamental dos homens”, declarou.

Neste ano, a participação de integrantes das Forças Armadas em atividades político-partidárias caiu 71,6% em comparação com 2022, quando o então presidente Jair Bolsonaro, capitão reformado do Exército, disputou a reeleição.

Apesar do discurso de maior atenção à área, os números do orçamento indicam que Lula destinou menos recursos para investimentos nas Forças Armadas do que Bolsonaro em seus respectivos primeiros quatro anos de governo. Dados do sistema Siga Brasil apontam que, entre 2023 e 2026, foram reservados R$ 40,7 bilhões para investimentos no Exército, na Marinha e na Aeronáutica. No período de 2019 a 2022, a gestão Bolsonaro destinou R$ 45,7 bilhões para a mesma finalidade, uma diferença de aproximadamente 11%.

A Defesa ganhou espaço no discurso de Lula durante a convenção nacional do PT, realizada no início deste mês, em São Paulo, quando sua candidatura à Presidência foi oficializada. Na ocasião, o presidente fez uma cobrança ao próprio campo político e defendeu que a esquerda trate a área como uma prioridade estratégica.

“A questão da Defesa... Quero pedir para a esquerda parar com essa bobagem, de achar que a gente não tem que ter preocupação com a Defesa. Este País tem 16,8 mil quilômetros de fronteira seca, 8 mil quilômetros de fronteira marítima. Este País tem a maior floresta tropical do planeta. Este País tem 12% da água doce do mundo. Nós precisamos investir na defesa”, afirmou Lula.

Por Fabrícia Braga/Gabriel Hirabahasi/Folhapress

Lobista recebeu 'significativas' quantias em espécie e pagou em dinheiro passagens de Lulinha, diz PF

Defesa do filho do presidente afirma que setores da PF tentam interferir em eleição; advogado de Roberta Luchsinger não se manifesta

Investigação da Polícia Federal afirma que a lobista Roberta Luchsinger fazia "significativas movimentações de dinheiro em espécie" e que usou uma parte desses valores para pagar uma agência de turismo que bancou viagem de Fábio Luís Lula da Silva, o filho mais velho do presidente Lula (PT).

Em documento que fundamentou a abertura de um inquérito contra Lulinha, como Fábio Luís é conhecido, a PF destaca que em 25 de junho do ano passado o motorista de Roberta fez "duas coletas em espécie com terceiro desconhecido" nos valores de R$ 100 mil e R$ 200 mil.

Desse total, diz o órgão no texto ao qual a Folha teve acesso, R$ 50 mil foram repassados a uma agência de viagens que havia emitido passagens para Lulinha e Roberta —nesse mesmo dia, o serviço da agência foi usado para pagar passagens no valor de R$ 2.000 para os dois, de Brasília ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo.


Procurada, a defesa de Lulinha disse que "setores da PF instrumentalizados por interesses políticos-eleitorais seguem tentando interferir nas eleições de 2026" e diz que não é provado nos autos que esse dinheiro foi usado para pagar as passagens.

"É um verdadeiro quebra-cabeça de ilações fruto da irresponsabilidade daqueles que não têm um verdadeiro projeto ou programa para o país. Isso nos remete ao pior que ocorria durante a época da finada Operação Lava Jato", afirma o advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho.

Também procurada, a defesa de Roberta Luchsinger disse que não iria comentar "conversas que supostamente são retiradas de um relatório que está sob sigilo".

Em representação que trata de investigação sobre Lulinha por suspeita de tráfico de influência, a PF afirma que Roberta usava seu motorista, Ulisses Barbosa Viana Júnior, "para realizar significativas movimentações de dinheiro em espécie".

A polícia destaca o recebimento dos R$ 300 mil em 2025. Na ocasião, Roberta diz a Ulisses: "Quando você pegar o dinheiro me avisa".

Ele responde: "Acabei de pegar tudo, tô levando pra sua residência. Não contei... pq está em pacotes lacrados". "Chegando na residência eu passo o valor total. Uns 20 min", diz o motorista, que, em seguida, afirma que são "100 + 200".

Roberta pede para ele depositar R$ 50 mil na conta da consultoria dela e R$ 50 mil na conta da agência de viagens. Também pede para tirar outros valores e dar a pessoas não identificadas pela PF.

Ulisses responde "ok", depois manda uma foto de um armário e diz: "Restante tá atrás das roupas".

A lobista também manda ao motorista uma captura de tela com o bilhete eletrônico do voo que fará com Lulinha. Ela diz que chegará com ele pela entrada das autoridades às 16h30, e avisa: "cê esteja lá, por favor".

A PF não menciona a qual casa se refere Roberta no diálogo de agosto, mas ela alugava uma em Brasília que também era usada por Lulinha, segundo um processo trabalhista apresentado contra a lobista.

A PF apontou que Lulinha atuava em "comunhão de interesses econômicos" e conduzia negócios em conjunto Roberta, que trabalhava para obter contratos com o governo federal.

O órgão indicou a suspeita de que Lulinha, Roberta e Fernando Bittar —empresário que era um dos donos do sítio de Atibaia (SP) investigado na Lava Jato— mantiveram uma "sociedade oculta" em negócios relacionados à Cannabis medicinal, que tentaram vender ao Ministério da Saúde.

O inquérito da PF trata de suspeitas dos crimes de corrupção e tráfico de influência nas tentativas de obter autorização para a comercialização com a pasta e está sob relatoria do ministro André Mendonça, do STF. As investidas no Ministério da Saúde não prosperaram. Lulinha é alvo de outros dois inquéritos na corte.

A investigação da PF também aponta que a lobista Roberta Luchsinger pagou R$ 217 mil em faturas de cartão de crédito, financiamento de um veículo e outras despesas para Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula.

Os pagamentos ocorreram em 2024, mesmo período em que, de acordo com a PF, ela trabalhava para obter contratos relacionados à Cannabis medicinal.

A defesa de Marcola disse que ele "jamais encaminhou qualquer documento referente a compras ou licitações no âmbito do Ministério da Saúde ou da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)", e que os valores são relativos a um empréstimo pessoal.
Por José Marques/Folhapress

Verba extra de R$ 7,7 bi da Saúde é tratada como emenda, e recurso escapa de controle do Supremo

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil/Arquivo

Ministério nega interferência política e diz que avalia propostas por critérios técnicos

O governo Lula (PT) acelerou neste ano a liberação de uma verba extra do Ministério da Saúde a estados e municípios que já soma R$ 7,7 bilhões.

Apesar de não ser um recurso reservado a indicação de parlamentares, ao menos parte da verba é tratada por deputados e senadores, também em documentos oficiais, como uma emenda ao Orçamento.

O recurso escapa do controle imposto pelo STF (Supremo Tribunal Federal) sobre as emendas, como a exigência de divulgar o padrinho político e abrir conta específica para conseguir rastrear cada repasse.

Sem essa camada de transparência, não é possível afirmar qual valor foi liberado por intermediação do Congresso.

A verba liberada até o começo de julho —ou seja, antes de a legislação eleitoral impor obstáculos para os repasses da União às prefeituras e governos estaduais— é próxima ao total distribuído no ano passado.

O Ministério da Saúde nega que exista negociação política e diz que avalia tecnicamente as propostas dos governos locais e que esse tipo de repasse existe desde a década de 1990 para complemento "emergencial" do custeio.

A pasta diz que não existe envolvimento do Palácio do Planalto ou de parlamentares nas decisões. Afirma que são "incabíveis, portanto, quaisquer comparações com a liberação de emendas" e que tentar atribuir a influência política gera desinformação.

O ministério também diz que "parlamentares e atores políticos" têm acesso às informações públicas dos repasses e que essa atuação é legítima e não representa acordo prévio ou interferência na análise da pasta.

O líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), porém, gravou vídeos afirmando que atuou pela liberação de parte desses recursos.

Em um dos casos, ele diz que "agilizou" repasse de R$ 200 mil para o município de Santa Cruz do Sul. Pimenta também afirma, em outra gravação, que "assumiu o compromisso" e garantiu que fossem pagos R$ 300 mil a Benjamin Constant do Sul.

Ao jornal Minuano, de Bagé (RS), o prefeito Luiz Fernando Mainardi (PT) agradeceu a Pimenta pela destinação de R$ 5 milhões no mesmo tipo de repasse.

Em nota, o deputado Paulo Pimenta disse que prefeitos de parte das cidades beneficiadas são da oposição, o que mostra que não há "apadrinhamento político" da verba. "Não se trata de emendas, esses recursos de ações dos ministérios, no caso, o da Saúde. Como deputado federal, acompanho os municípios em suas reivindicações", disse ele.

Em outro caso, a Prefeitura de Planalto (PR) disse nas redes que recebeu "emenda individual" da deputada Gleisi Hoffmann (PT) de R$ 600 mil, mas a verba, na verdade, é do Orçamento próprio da Saúde.

Publicações em redes sociais e sites oficiais ainda mencionam apoio de parlamentares de diferentes posições políticas.

A Câmara de Vereadores de Chapada (RS), por exemplo, publicou que o município recebeu cerca de R$ 200 mil por indicação do senador Luis Carlos Heinze (PP-RS). O prefeito de Mineiros (GO), Aleomar Rezende (MDB), afirmou nas redes sociais que o senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO) destinou R$ 1,3 milhão ao município da mesma verba da Saúde.

A verba extra da Saúde é oficialmente classificada neste ano como uma "parcela suplementar". A liberação exige que os governos locais insiram no sistema InvestSUS propostas de uso da verba.

O ministério também cobra que parte do dinheiro seja aplicado em programas prioritários do ministério, como o Agora Tem Especialistas.

Documentos internos de estados e municípios, porém, mostram que as Secretarias de Saúde só elaboram parte das propostas depois de receber ofícios em que parlamentares informam que determinado valor está disponível.

A ex-deputada Lenir de Assis (PT-PR) informou ao governo de Londrina que havia destinado R$ 400 mil ao município "por intermédio" do Ministério da Saúde. Meses mais tarde, ela publicou nas redes sociais que a verba foi liberada como recurso "extra" para um hospital da cidade.

Uma planilha da Prefeitura de Londrina obtida pelo jornal Folha de São Paulo também aponta que foram protocolados pedidos de R$ 16,55 milhões em parcela suplementar da Saúde, sendo que o deputado Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR) teria indicado duas ações somando R$ 5 milhões. A verba já foi paga, segundo dados da Saúde.

A reportagem também localizou um ofício em que a deputada Daiana Santos (PC do B-RS) disse para a Prefeitura de Canoas que obteve R$ 400 mil para a cidade. Após receber o documento, a prefeitura protocolou a proposta de uso da verba, que já foi paga pelo governo federal.

A Prefeitura de Canoas disse à reportagem que buscou recursos destinados à manutenção dos serviços públicos de saúde por causa do "cenário excepcional" causado pelas enchentes dos últimos anos. Diz ainda que a verba não é uma emenda parlamentar, mas repasse previsto em portaria da Saúde, "acessível aos municípios que atendem aos critérios estabelecidos".

Documento interno do Governo do Distrito Federal de fevereiro também registrou que o gabinete da deputada Erika Kokay (PT-DF) informou por telefone que havia destinado R$ 3 milhões para um hospital público. Desde então, o governo local tem trabalhado em uma proposta para protocolar no Ministério da Saúde.

A deputada confirmou à reportagem que havia procurado o ministério para obter o recurso. Disse que a pasta "verificou a disponibilidade de verba extraordinária" e que também indicou outra ação de R$ 2 milhões.

O Governo do DF disse que é "legítimo e esperado" que parlamentares "articulem junto ao governo federal a priorização de recursos", mas que a liberação da verba exige a apresentação de proposta. A gestão da capital federal também disse que pede a liberação de mais de R$ 1 bilhão ao ministério.

Cerca de 90% da verba extra liberada neste ano foi destinada aos fundos municipais. As prefeituras da Bahia foram as principais beneficiadas, concentrando R$ 671,25 milhões, sendo seguidas pelas do estado do Rio de Janeiro, com R$ 646,67 milhões.

O município de Duque de Caxias (RJ) é o que mais recebeu recursos desse tipo, R$ 116,71 milhões, seguido de Campina Grande (PB), com R$ 96,7 milhões.

Já o fundo estadual de São Paulo é o que mais recebeu verbas em parcelas suplementares entre as unidades da federação, somando R$ 223,77 milhões. Em seguida, o Governo do Amapá recebeu R$ 150 milhões.

Em nota, o Ministério da Saúde afirma que a verba foi distribuída a todos os estados e 3.438 prefeituras. "Ou seja, a 61% das cidades do país, mesmo que sejam administradas por partidos de oposição ao governo", diz a pasta.
Por Mateus Vargas/Folapress

Relator da escala 6x1 promete texto na quinta (27) e avalia mudança na versão da Câmara

Foto: Geraldo Magela/ Agência Senado/Arquivo
O relator da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do fim da escala 6x1, o senador Omar Aziz (PSD-AM), afirmou à Folha que pretende entregar o parecer do projeto na quinta-feira (27). O parlamentar atende à expectativa de celeridade do governo Lula, mas não prometeu manter o texto aprovado pela Câmara.

"Quero apresentar o relatório na quinta, para podermos votar na outra quarta-feira [na CCJ]. Ainda vou analisar a proposta, não decidi se manterei ou não [o texto da Câmara", afirmou Aziz nesta segunda-feira (24).

Para a PEC ser votada em plenário, precisa primeiro passar pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). O colegiado é presidido por Otto Alencar (PSD-BA), que, como Aziz, é considerado um aliado do Planalto no Senado.

O fim da escala 6x1 se tornou tema central na campanha do presidente Lula (PT) à reeleição. Dessa forma, o governo tem pressa para aprová-la antes do pleito de outubro.

Devido à campanha eleitoral, o Congresso só terá uma semana de votações, entre 31 de agosto e 4 de setembro, até o pleito. Por isso, o governo opera para aprovar o texto na CCJ e, se possível, no plenário no mesmo dia.

Como mostrou a Folha, a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência é contra votar o fim da 6x1 antes da eleição e defende uma proposta que prevê livre negociação entre patrões e empregados, com pagamento por hora trabalhada.

Nesse sentido, o governo traça estratégias para impedir que a oposição atrase a tramitação. Uma das possibilidades é reduzir o tempo de eventual pedido de vista. A ideia é garantir que todos os senadores possam ler o parecer da PEC, mas não deixar adiarem a votação para o dia 3.

A ideia do governo com a votação do fim da 6x1 é, justamente, constranger os opositores a votarem contra uma proposta considerada popular. Segundo pesquisa Datafolha de março, 71% dos brasileiros defendem a redução na escala de trabalho.

Mudar o texto aprovado pela Câmara em maio, porém, pode representar um problema para o governo. Caso o Senado aprove o texto com alterações, a PEC retorna para a análise dos deputados, o que dificultaria sua promulgação antes da eleição.

Nesta quarta-feira (26), o presidente Lula se reúne com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O assunto oficial é a MP (Medida Provisória) que acaba com a chamada taxa das blusinhas, mas o petista deve tentar um acordo entre as duas Casas sobre o fim da escala 6x1.

O fim da escala 6x1estava parado no Senado, e sua tramitação só foi destravada após Lula retomar a relação com Alcolumbre, no início do mês. Eles estavam rompidos desde abril, quando a Casa rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Alcolumbre, então, passou a represar pautas de interesse do governo. Além do fim da escala 6x1 e da PEC da Segurança Pública, ele segurou o projeto que cria a política nacional dos minerais críticos, as chamadas terras raras, que é tratado por Lula como "um novo pré-sal".

Lula e Alcolumbre se encontraram no início de agosto, num primeiro gesto de reaproximação, após insistência de aliados do petista. A campanha pela bandeira branca contou com a líder do governo no Senado, Teresa Leitão, o ministro José Guimarães (Relações Institucionais) e o líder do PT, Camilo Santana (CE).

Além de destravar o fim da escala 6x1, Alcolumbre também enviou à CCJ a PEC da Segurança Pública, outra proposta prioritária de Lula. Nesse caso, o governo também emplacou um aliado na relatoria, o senador Rogério Carvalho (PT-SE).

Por Augusto Tenório, Folhapress

Lula falta ao debate e aborda investigação sobre Lulinha e relação com Trump/ Por Redação

Ausente do primeiro debate presidencial promovido pela Band e pelo Estadão, Lula teve uma entrevista exibida no mesmo horário pela Record. Na conversa, o presidente falou sobre as investigações envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e afirmou que não interfere nas apurações. Segundo Lula, caso o filho tenha cometido algum erro, deverá ser investigado e responsabilizado, acrescentando que ele precisa provar sua inocência. A reportagem é do Estadão.

Lula também comentou a relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e as negociações em torno do tarifaço. Segundo o presidente, a conversa com Trump foi positiva e o Brasil está disposto a colaborar no combate ao crime organizado, mas sem aceitar interferência estrangeira em assuntos internos. Na entrevista, Lula ainda defendeu medidas para a segurança pública, combate ao feminicídio e mudanças na jornada de trabalho 6x1.

Na área econômica, Lula afirmou que a inflação está melhor do que no governo anterior e defendeu maior educação financeira. O presidente também anunciou o fim da chamada “taxa das blusinhas” e disse esperar avanços na redução da jornada 6x1 e na PEC da Segurança Pública. A ausência no debate, assim como a de Flávio Bolsonaro e Romeu Zema, foi criticada por adversários, que apontaram a perda de uma oportunidade de confronto direto entre os candidatos.

Lobista diz em mensagem no celular que Lulinha marcou reunião de governador do MA no Planalto

A lobista Roberta Luchsinger afirmou em mensagens encontradas no celular dela pela Polícia Federal que Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi responsável por marcar uma reunião no Palácio do Planalto para o governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), e que Lula ia "prosseguir com liberação da obra dele" no Estado.

A investigação sobre suspeitas de tráfico de influência de Roberta Luchsinger e Lulinha, como o filho do presidente é conhecido, detectou que a lobista intermediou a contratação, por órgãos vinculados ao governo do Maranhão, de uma empresa de informática do empresário Cléber Ribas. Ela também atuava em favor dele junto ao governo federal.

A PF também apontou, a partir da quebra de sigilos, que Roberta mantinha diálogos sobre negócios com o governador Carlos Brandão

Em 22 de maio de 2024, a lobista enviou uma mensagem de áudio a Lulinha informando que seria realizada naquele dia uma reunião do governador do Maranhão com o então chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.

"Ó, só pro cê saber. Brandão hoje vai lá no palácio, que seu pai falou que vai prosseguir com aquela liberação da obra dele. Aí o Marcola vai receber ele 16 horas. Eu já avisei o Brandão que você conseguiu a agenda, então se quiser falar com o governador, tá confirmado às 16h, fazer uma moral, tá?", disse ela na mensagem, conforme transcrição da PF.

Em seguida, ela afirmou a Lulinha: "E eu vou me encontrar com ele pra mim (sic) falar os outros assuntos". No diálogo, Lulinha sugere que seria melhor se concentrarem nos "outros assuntos" durante as tratativas com Carlos Brandão.

Procurado, Carlos Brandão negou relação com Roberta Luchsinger e disse que sua agenda "não depende da articulação de terceiros".

Ele disse que Lula "é um grande aliado do Maranhão, onde grandes obras estão sendo executadas a partir da parceria com o Governo Federal, em diversas áreas".

A defesa de Cleber Ribas informou que ele contratou Roberta Luchsinger para "serviços de assessoria em questões de captação de clientes e identificação de oportunidades de negócio no ramo de tecnologia, atividade absolutamente lícita e comum no mercado".

O Palácio do Planalto foi procurado e não se manifestou até o fechamento deste texto. A defesa de Lulinha criticou o que chamou de vazamentos seletivos que visam interferir no processo eleitoral.

A reunião de Brandão no Planalto, citada por Roberta em mensagem de áudio a Lulinha, efetivamente ocorreu. A agenda de Marco Aurélio Santana Ribeiro registra, às 17h40 daquele dia, um encontro com o governador, com a presença de dois outros assessores presidenciais. O tema da reunião é descrito apenas como "Reunião Executiva".

Em 21 de junho de 2024, um mês depois da reunião citada por Roberta, o presidente Lula foi a São Luís (MA) e anunciou um pacote de R$ 59 bilhões em obras para o Maranhão dentro do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Entre as medidas anunciadas, a renovação da concessão do Porto do Itaqui, a construção de um novo berço do terminal e a implantação de um novo corredor de transporte na Avenida Litorânea, uma das principais da capital maranhense.

Lobista intermediou R$ 5,8 milhões em contratos no MA

A 3Structure, empresa de Ribas, fechou contratos de R$ 5,8 milhões com o governo do Maranhão em 2024. Os negócios foram firmados junto ao Porto de Itaqui e à Secretaria de Fazenda.

A PF identificou que Cléber Ribas firmou contrato com Roberta Luchsinger para defesa dos seus interesses e pagou ao menos R$ 2,5 milhões à lobista entre março de 2024 e dezembro de 2025.

Como mostrou o Estadão, Roberta também defendia interesses de Cleber Ribas junto ao Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e outros órgãos do governo federal, conforme ela expôs em mensagem trocada com ele em junho de 2023. Em dezembro de 2023 e abril de 2024, a 3Structure obteve dois contratos de R$ 14,4 milhões e R$ 19,2 milhões com a pasta do governo Lula.

Amiga de Lulinha recebeu R$ 4,4 milhões via hospital

No Maranhão, Roberta Luchsinger também recebeu outros R$ 4,4 milhões da HSLZ Ltda, empresa contratada pelo governo do Maranhão para manter o Hospital dos Servidores Públicos do Maranhão, com recursos públicos do Estado. Os dados foram obtidos pela investigação por meio de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Questionado sobre esse pagamento, o governo do Maranhão afirmou que "não possui ingerência sobre quaisquer empresas privadas".

A reportagem perguntou ao diretor-geral do hospital, Plinio Tuzzolo, o motivo do repasse para a lobista. Ele se recusou a dar explicações.

Em nota enviada pela diretoria financeira, o HSLZ disse que "não divulgamos nem comentamos publicamente informações comerciais individualizadas relativas aos contratos privados mantidos com fornecedores e prestadores de serviços, inclusive quanto a valores, condições comerciais e demais disposições contratuais"

As relações de Roberta e Lulinha com a política maranhense

Em outras conversas encontradas no celular de Roberta Luchsinger, ela demonstra ter relações e acesso com políticos e autoridades do governo estadual.

Em mensagens a Cleber Ribas sobre a intermediação dos contratos, ela disse ao empresário que "o presidente do Porto" o havia elogiado e dito "vamos tocar". Roberta contou que Gilberto teria escrito a ela e que "o gov autorizou tb", de acordo com informações transcritas pela PF.

Segundo a PF, a referência é a Gilberto Lins e Neto, então presidente da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), afastado da função em outubro de 2024 pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Roberta e Lulinha também mantiveram relação pessoal com o deputado federal Fabio Macedo (Podemos-MA), um dos principais aliados de Carlos Brandão na bancada estadual, e coma mulher do parlamentar, Lorena Macedo.

Ela atuava como subsecretária de Representação Institucional do Maranhão, cargo que tem como uma das atribuições defender interesses do Estado em Brasília.

O governo mantém uma casa no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, para essa finalidade. O imóvel está situado a menos de cinco quilômetros do endereço que servia como posto avançado de Roberta e Lulinha na capital federal.

Uma foto obtida pelo Estadão mostra um momento de descontração, no município de Barreirinhas (MA), porta de entrada do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, um dos principais destinos turísticos do Brasil.

Na imagem aparecem o deputado Fabio, Roberta, Lulinha e Cleber Ribas. Todos estão acompanhados por seus respectivos cônjuges.

Em seu perfil no Instagram, Roberta também publicou fotos em que ela aparece em shows com Lorena e Renata de Abreu Moreira, mulher de Lulinha.

Procurada pela reportagem, a defesa de Cleber Ribas se manifestou por meio de nota, que pode ser conferida abaixo:

"Nem Cleber Ribas nem a 3Structure possuem ou possuíram contrato com a Dataprev, objeto do inquérito citado. Nenhum deles tampouco mantém ou manteve qualquer relação comercial com Fábio Luís Lula da Silva.

Esclareça-se, ainda, que RL Consultoria e Intermediações foi contratada para a prestação de serviços de assessoria em questões de captação de clientes e identificação de oportunidades de negócio no ramo de tecnologia, atividade absolutamente lícita e comum no mercado.

Dito isso, não se pode tecer comentários sobre supostas mensagens sem acesso prévio aos dados brutos da interceptação telemática ou à totalidade das investigações em curso. Os vazamentos de fragmentos selecionados das comunicações e de interpretações feitas a partir desses trechos, todos vagos e descontextualizados, impossibilitam a efetiva atividade defensiva.

Reiteramos que os contratos celebrados com o Governo Federal foram firmados com a mais absoluta transparência, depois dos procedimentos administrativos previstos em lei e sem o favorecimento de quem quer que seja."

Por Aguirre Talento, Gustavo Côrtes e Vinícius Valfré, Estadão Conteúdo

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