Mostrando postagens com marcador Brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Brasil. Mostrar todas as postagens

Caso Master: Planalto desaprova estratégia usada por Wagner de tentar usar Lula como escudo na crise

Auxiliares do presidente dizem que permanência do senador na liderança do governo pode ficar insustentável
O senador Jaques Wagner (PT)
O Palácio do Planalto desaprovou a estratégia usada pelo senador Jaques Wagner (PT) de usar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como escudo para se defender das acusações que pesam contra ele. Ao dizer em entrevista à BandNews que Lula não vai tirá-lo da liderança do governo no Senado, nesta quinta-feira, 28, Wagner procurou demonstrar a total confiança do amigo-presidente.

Auxiliares diretos de Lula afirmaram, porém, que a situação de Wagner caminha para ficar insustentável. O argumento é que não dá para o presidente colar no senador Flávio Bolsonaro (PL), seu principal rival, a pecha de “Bolsomaster”, por causa das ligações dele com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e, ao mesmo tempo, manter o líder do governo no Senado depois de tudo o que a Polícia Federal descobriu.

Interlocutores do presidente no Planalto demostraram irritação com o fato de Wagner ter afirmado, na entrevista, que Lula lhe disse: “Fique firme; essa é uma tentativa de desestabilizar você, mas conte com minha confiança”.

O governo fará o que for necessário para não permitir que o escândalo do Master atinja Lula às vésperas das eleições. Diante desse cenário, se Wagner precisar ser rifado, será, mesmo a contragosto do presidente, seu amigo há quatro décadas.

Lula telefonou para o senador nesta quinta-feira para lhe prestar solidariedade, mas pediu que ele se defendesse em público e esclarecesse as acusações o mais rápido possível.

Wagner foi alvo da Operação Compliance Zero, que investiga a suspeita de que ele tenha recebido um imóvel de R$ 2,5 milhões, em Salvador, do banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. Além disso, a Polícia Federal apura pagamentos que teriam sido feitos a ele como propina por meio de uma empresa ligada à sua nora.

Na entrevista, Wagner negou todas essas acusações. Disse nunca ter recebido dinheiro do Master, mas admitiu que pediu para Augusto Lima comprar um apartamento, sob a condição de que ele o recompraria mais tarde.

“Eu tinha interesse de dar, de ajudar a minha filha a comprar um apartamento desses”, afirmou o senador, que demonstrou intimidade com Augusto Lima ao chamá-lo pelo apelido. “Como Guga, o Augusto Lima, é um investidor, eu disse a ele: ‘Você pode comprar? Depois eu vou recomprar’. Porque o apartamento está em construção e eu teria que vender o apartamento de minha filha para poder complementar o apartamento ou ela financiar”.

A explicação não foi considerada convincente por três auxiliares de Lula ouvidos pelo jornal O Estado de São Paulo. O senador também disse que os US$ 55 mil e 33 mil euros encontrados pela Polícia Federal em endereços ligados a ele eram fruto de diárias pagas pelo Senado, declaradas e não utilizadas em missões internacionais.

Lula acompanhou a entrevista de Wagner à tarde, no Palácio da Alvorada, ao lado do ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira. O presidente chegou a Brasília na madrugada desta quinta-feira, vindo de uma viagem a Évian-les-Bains, na França, após participar do G-7, grupo que reúne as sete maiores economias do mundo.

Como informou o Estadão, o discurso de Lula sobre a nova crise será o de que, sob seu comando, a Polícia Federal tem autonomia para investigar quem quer que seja, doa a quem doer. Ao afirmar que o presidente disse a ele que as acusações foram feitas apenas para tentar desestabilizá-lo, Wagner assumiu um tom que não interessa ao governo.

Por Vera Rosa/Estadão

Apreensão de dinheiro em endereços de Jaques Wagner supera em mais de R$ 130 mil diárias recebidas

             Senador diz que parte do valor encontrado foi adquirido por ele próprio para fazer viagens

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT)
O dinheiro em espécie encontrado pela PF (Polícia Federal) em endereços ligados ao líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), supera em R$ 134 mil os valores das diárias pagas pelo Senado por viagens feitas pelo parlamentar no atual mandato.


Segundo dados do site do Senado Federal, de 2019 para cá, o senador gastou quase R$ 337 mil com diárias. O valor foi reembolsado pela Casa.

Mas nesta quinta (18), em endereços ligados ao senador, a PF encontrou ainda mais dinheiro: US$ 55 mil e 33,5 mil euros, o que totaliza pouco mais de R$ 471 mil.

Na entrevista, o senador afirmou que recebeu parte do Senado e comprou outra parte para realizar as viagens.

"Eu recebi de diárias aproximadamente US$ 70 mil e, outras vezes que fui viajar eu comprei, via Banco do Brasil, onde tenho conta, dólares ou euros para fazer as viagens. Então não tenho nenhuma coisa a esconder", afirmou.

A assessoria do senador confirmou que a diferença dos valores encontrados em endereços de Wagner se deve do fato de ele ter comprado parte disso por conta própria.

A Polícia Federal apura suspeitas de que o senador baiano tenha recebido pagamentos ligados ao banco Master por meio da empresa da mulher do enteado dele, além de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões.
Por Gabriela Echenique/Folhapress

Entenda a Operação Compliance Zero, que investiga fraudes envolvendo o Banco Master

Deflagrada pela primeira vez em novembro de 2025, a operação Compliance Zero, da PF (Polícia Federal), apura um esquema bilionário de fraudes financeiras do Banco Master, que teria usado estruturas do mercado de capitais para desviar recursos e mascarar prejuízos.

As investigações tiveram início em 2024, após requisição do MPF (Ministério Público Federal). No centro das apurações está o banco de Daniel Vorcaro, além de gestores e empresários ligados a operações com carteiras de crédito e fundos de investimento. A operação inclui a investigação de crimes como gestão fraudulenta, organização criminosa, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro. Agentes também investigam envolvimento de empresários e políticos.

Nesta quinta-feira (18), a nona fase mira o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado e o empresário Augusto Lima, que foi sócio de Vorcaro no Master.

A Compliance Zero mira crimes como corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. No mercado financeiro entraram no alvo a emissão de títulos de crédito falsos e a criação de uma "ciranda financeira" para ocultar o desvio de ativos. Segundo a PF, o esquema envolvia a fabricação de carteiras de crédito inexistentes que eram vendidas a outras instituições.

Primeira prisão de Vorcaro

A Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro pela primeira vez na noite de 17 de novembro, quando se preparava para embarcar num voo para o exterior partindo de São Paulo. O sócio dele, Augusto Lima, também chegou a ser detido.

Foi apurada a venda de cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado apontadas pela investigação como fraudulentas ao BRB (Banco de Brasília). Entre os itens apreendidos nessa etapa, o de maior valor foi um jatinho do ex-banqueiro avaliado em R$ 200 milhões, que estava no aeroporto de Guarulhos, onde o dono do Master foi detido, além de R$ 2 milhões em dinheiro vivo, relógios, joias e obras de arte.

A Polícia Federal identificou que o dono do Banco Master tinha pelo menos três planos de voo diferentes antes de ser preso quando se preparava para embarcar para o exterior. A defesa de Vorcaro chamou à época de especulações as informações sobre uma tentativa de fuga.

Ciranda financeira

Na segunda fase, deflagrada em janeiro de 2026, a PF mirou o uso de fundos de investimento para a compra de "ativos podres", como certificados de ações do extinto Besc (Banco do Estado de Santa Catarina).

Investigado por seu papel na tentativa de compra do Master pelo BRB e na compra de carteiras oferecidas pelo banco de Vorcaro, o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa foi preso em abril também na operação, investigado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Nova prisão de Vorcaro

Vorcaro, voltou a ser preso no dia 4 de março em nova fase da operação policial Compliance Zero que também atingiu dois servidores do Banco Central, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, um policial aposentado, entre outros. A Polícia Federal encontrou no celular do ex-banqueiro mensagens que citam intenção de forjar um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, como forma de intimidação. Segundo as investigações, o ex-banqueiro mantinha uma milícia privada chamada A Turma com o objetivo de coagir e ameaçar seus desafetos.

Mesada de Ciro Nogueira

No início de maio, o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, foi o alvo de nova fase da Compliance Zero, sob a acusação de receber mesada de Vorcaro. Segundo documentos da investigação sobre o caso, o senador Ciro Nogueira recebeu ao menos R$ 6 milhões em mesadas do ex-dono do Master, entre 2024 e 2025. Os dados constam de documentos da investigação cujo sigilo foi retirado pelo ministro André Mendonça, do STF.

Os meninos de Vorcaro

Hackers que faziam parte de um grupo chamado de Os Meninos, que prestavam serviços para A Turma, foram alvos de mandado de prisão em maio, na sexta fase da Compliance Zero. Segundo as investigações, eles receberam dinheiro para derrubar perfis de redes sociais com críticas a Vorcaro e ao Master, além de invadirem dispositivos e contas de opositores. Os Meninos foram apontados pela PF como o braço digital da organização.

Previdência de servidores

Aplicações financeiras no Master, feitas por fundos de previdência de servidores entraram na mira da oitava fase da Compliance Zero. Aplicações em letras financeiras não têm cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), como ocorreu com os CDBs de até R$ 250 mil após a liquidação do Master.

A PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL), com investigações sobre aplicações de mais de R$ 3 bilhões do Rioprevidência, fundo de pensão dos servidores do estado, no Banco Master.

Jaques Wagner e Credcesta

Na nona fase, a Polícia Federal apura suspeitas de Jaques Wagner (PT-BA) teria recebido pagamentos ligados ao Master, por meio da empresa da esposa do enteado, além de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões, segundo as investigações.
Por Folhapress

Justiça Federal manda governo Lula suspender anúncios sobre o fim da jornada 6x1 nas redes

Decisão atende pedido do deputado Carlos Jordy (PL-RJ) e vale para Youtube, Instagram, Facebook e X

Foto: Divulgação

Governo Lula faz propaganda no WhatsApp pelo fim da escala 6x1A Justiça Federal no Distrito Federal atendeu a um pedido do deputado Carlos Jordy (PL-RJ) e mandou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) suspender anúncios pelo fim da escala 6x1 nas redes sociais. O prazo para cumprir a determinação é de 48 horas, sob pena de multa, cujo valor não estipulado.

A decisão liminar —provisória— acolhe parte da solicitação feita em ação popular do deputado e envolve impulsionamentos no YouTube, Instagram, Facebook e X. O WhatsApp ficou fora e, com isso, o governo manteve sua campanha em favor da mudança de escala, uma das maiores bandeiras do petista e aposta para a reeleição.

A Câmara dos Deputados aprovou, em 27 de maio, PEC (proposta de emenda à Constituição) pelo fim da escala 6x1, com redução da jornada de 44 horas semanais para 42 horas em 60 dias, e para 40 horas, em 2027, criando a escala 5x2. A medida precisa, no entanto, passar pelo Senado.

A AGU, que representa o governo na Justiça, informou por meio de nota que ainda não foi comunicada da decisão e "avaliará as medidas jurídicas relativas ao caso".

Em sua decisão, a juíza Pollyanna Kelly Maciel Medeiros Martins Alves afirma que a medida não impede que haja "veiculação orgânica (não patrocinada) de conteúdo institucional, nem alcança pronunciamentos presidenciais em cadeia nacional de radiodifusão ou qualquer outro meio de comunicação".

O deputado Carlos Jordy solicitava, além da suspensão de anúncios pelo fim da escala no caso dos que tratam diretamente da proposta em debate no Legislativo, que o presidente fosse punido por ter feito pronunciamentos em favor da diminuição da jornada nos dias 7 de março —pelo Dia Internacional da Mulher— e 30 de abril, pelo 1º de Maio, Dia do Trabalho.

Jordy pediu que Lula, a Secom (Secretaria de Comunicação), o ministro-chefe da Secom, Sidônio Palmeira, e a União fossem multados. À causa foi atribuído o valor de R$ 1,5 milhão, o mesmo que teria sido gasto em pagamentos às empresas digitais para impulsionamento de propagandas, segundo o processo.

Na ação, o deputado detalha os gastos com base em dados extraídos da Meta Ad Library —ferramenta pública de transparência publicitária da plataforma Meta. Do total, R$ 881 mil teriam sido investidos entre os dias 15 e 18 de abril de 2026, quando a PEC estava sendo debatida na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados.

"Essa concomitância enfraquece a tese do caráter meramente informativo e evidencia, em cognição sumária, aparente incompatibilidade com a finalidade constitucional no processo legislativo, com uso potencialmente irregular de recursos públicos", diz a juíza.

Na ação, a União afirma que o autor não demonstrou haver ilegalidade, alega ainda que o presidente da República não deveria ter sido citado, assim como Palmeira e que a Justiça Federal não seria o foro adequado, já que há outra ação similar na Justiça Eleitoral.

A juíza entendeu que o debate deve ser feito na Justiça Federal por se tratar de recursos públicos e decidiu limitar os pedidos feitos por Jordy, negando parte deles. Para ela, os pronunciamentos de Lula em rede nacional já ocorreram e não há como barrá-los. Também entendeu não haver motivo para multa por má-fé.

"Os pronunciamentos em cadeia nacional de 07/03/2026 e 30/04/2026 constituem atos já consumados e exauridos no tempo. Não há providência liminar útil a ser deferida quanto a eles, pois não se suspende o que já se exauriu", diz na decisão.

Em nota, a assessoria do deputado confirmou a concessão da liminar e o conteúdo da decisão. "Restou esclarecido que a medida não impede a veiculação orgânica de conteúdo institucional, nem alcança pronunciamentos presidenciais em cadeia nacional de radiodifusão ou qualquer outro meio de comunicação que não o impulsionamento pago nas plataformas digitais".

Por Cristiane Gercina/Folhapress

PF aponta suposto caixa paralelo de Daniel Vorcaro com movimentação milionária

Relatórios da Polícia Federal indicam que o banqueiro Daniel Vorcaro mantinha um suposto caixa paralelo utilizado para custear despesas com aeronaves, imóveis de luxo, obras de arte e outros gastos que, em alguns períodos de 2025, teriam alcançado R$ 114,6 milhões. As informações constam em planilhas de controle financeiro enviadas ao empresário por pessoas apontadas pelos investigadores como operadores de confiança do grupo. A reportagem é do jornal O Globo.

Segundo a PF, os documentos registram pagamentos milionários a galerias de arte, despesas com jatinhos particulares e repasses periódicos a Luiz Phillipi Machado de Morão, conhecido pelo apelido de “Sicário”. As investigações apontam que ele integrava um grupo responsável por monitorar e intimidar desafetos do banqueiro. Os investigadores também apuram se obras de arte e viagens aéreas teriam sido utilizadas para ocultar recursos ou viabilizar favorecimentos indevidos.

A apuração identifica ainda a empresa Super Empreendimentos como uma das estruturas usadas para movimentar recursos e realizar investimentos em imóveis de alto padrão, incluindo uma mansão em Brasília. Vorcaro, seu cunhado Fabiano Zettel e outros investigados são alvo de medidas judiciais no âmbito da Operação Compliance Zero. As acusações seguem sob investigação e as defesas dos citados não haviam se manifestado até a publicação da reportagem. Por Redação

Entenda a relação entre Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro em 6 pontos

Documentos da Polícia Federal revelaram novos vínculos entre o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. As informações fazem parte da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraude financeira, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o conglomerado bancário.

Os documentos descrevem uma relação marcada por "elevado grau de intimidade, confiança e proximidade", com registros que vão de hospedagens em hotéis de luxo na Europa a repasses milionários.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), também aparece nos documentos como beneficiário de hospedagens custeadas por Vorcaro. Ciro Nogueira não se manifestou sobre nenhuma das acusações até a publicação desta matéria.

1. AS HOSPEDAGENS PAGAS POR VORCARO EM LISBOA

Em junho de 2024, Vorcaro bancou as hospedagens de Ciro Nogueira e de Hugo Motta no hotel Four Seasons Ritz Lisboa. Em mensagem enviada no dia 18 de junho a um auxiliar, o ex-banqueiro informou que precisaria de reservas em Lisboa entre os dias 24 e 30, para ele próprio e "mais dois quartos para Ciro e Hugo". Foram cinco diárias em suítes júnior para cada um dos parlamentares, com custo total de aproximadamente R$ 91,3 mil por hóspede —cerca de R$ 18 mil por noite.

Questionado sobre o episódio nesta terça-feira (16), Hugo Motta disse não ver problema na hospedagem custeada pelo ex-banqueiro. "É um evento corporativo, um encontro jurídico que inclusive participei neste ano como presidente da Câmara, então não vejo problema algum", afirmou. O deputado acrescentou ter tranquilidade sobre suas relações e defendeu que as investigações possam seguir seu curso.

Ciro Nogueira, por sua vez, não se manifestou. A hospedagem em Lisboa, no entanto, não foi um episódio isolado para o senador. Ela se insere em um padrão de benefícios identificado pela PF ao longo de toda a investigação, no qual Vorcaro custeava despesas pessoais do parlamentar de forma sistemática, mantendo o nome de Ciro fora das faturas diretas.

2. O PAGAMENTO DE R$ 350 MIL EM DINHEIRO VIVO

Para além das hospedagens, a PF encontrou mensagens que indicam pagamentos em espécie ao senador. Em agosto de 2025, Vorcaro ordenou ao seu cunhado, Fabiano Zettel —operador do esquema e ex-pastor da Igreja Lagoinha —que resolvesse uma lista de pendências financeiras. Entre os itens constava o registro "Espécie Ciro 350k", identificado pelos investigadores como referência a um pagamento em dinheiro vivo.

A PF inicialmente tentou correlacionar esse pagamento a um voo de aeronave que, segundo reportagem do portal ICL, teria como destinatário Ciro Nogueira. O piloto relatou que um dos passageiros mencionou diversas vezes o nome do senador e, após o desembarque, quis saber se ele aguardava a chegada da aeronave. Posteriormente, porém, a investigação afastou a correlação temporal direta, já que o voo ocorreu em 2024, um ano antes da troca de mensagens.

Ainda assim, a PF reafirma o teor das conversas e mantém o registro como parte do conjunto de indícios que apontam para repasses irregulares ao parlamentar. A polícia diz, contudo, que não há comprovação de que o valor tenha sido efetivamente entregue a Ciro.

3. AS VIAGENS DE LUXO POR PARIS E OS ALPES FRANCESES

Os documentos apreendidos pela PF registram uma sequência de viagens internacionais custeadas por Vorcaro em benefício do senador. Em abril de 2024, de acordo com os documentos, Ciro jantou no restaurante italiano Gigi, em Paris, com conta de US$ 1.981. Mensagens mostram que Vorcaro orientou expressamente seu auxiliar para que o senador não arcasse com a despesa: "Não vai deixar eles pagarem, ok?". No mês seguinte, o senador participou do Lide Brazil Investment Forum, em Nova York, hospedado por seis noites no Park Hyatt em suíte royal, com custo total de US$ 47,7 mil.

Hugo Motta também esteve em Lisboa no mesmo período em que Vorcaro organizava as movimentações internacionais com o grupo. Embora os documentos da PF não detalhem outras viagens do presidente da Câmara custeadas pelo ex-banqueiro além da hospedagem portuguesa, sua presença no mesmo hotel e no mesmo evento reforça, segundo os investigadores, o alcance da rede de relacionamentos mantida por Vorcaro com parlamentares.

Em janeiro de 2025, os gastos chegaram aos Alpes franceses. A PF identificou despesas em Courchevel na França, estação de esqui de luxo, com R$ 63,6 mil em um restaurante e R$ 58,5 mil em outro. Registros de cartões de Vorcaro na região somam R$ 1,85 milhão, incluindo compras na grife italiana Loro Piana. No total, apenas os benefícios diretos em viagens internacionais atribuídos a Ciro somam R$ 468,7 mil, sem contar os deslocamentos em jatos particulares.

4. O EVENTO SECRETO EM LISBOA COM POLÍTICOS

O mesmo período das hospedagens em Lisboa foi marcado por um evento organizado por Vorcaro com acesso estritamente controlado. Em mensagem de áudio a um auxiliar, o ex-banqueiro foi explícito: "Pode ser o papa que não pode entrar ninguém que não esteja na lista." Ele pediu ainda que o espaço em frente ao restaurante fosse privatizado para impedir qualquer visualização externa. O encontro coincidiu com o Fórum Jurídico de Lisboa, o chamado Gilmarpalooza, capitaneado pelo ministro do STF Gilmar Mendes.

A lista de convidados confirmados por Vorcaro ao auxiliar incluía Ciro Nogueira, Hugo Motta, o ex-ministro Fábio Faria e o líder do PP na Câmara, Dr. Luizinho (RJ). O ex-banqueiro indicou que os demais convidados seriam informados posteriormente. Fábio Faria afirmou não ter viajado a Lisboa em 2024. Ciro, Motta e Luizinho não se manifestaram quando procurados.

5. A "EMENDA MASTER" E O PAPEL DE CIRO NO SENADO

A relação entre Ciro e Vorcaro não se limitou a benefícios pessoais. Em 2024, o senador apresentou no Congresso uma proposta para ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura de investimentos garantidos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Segundo a PF, o texto da proposta reproduzia na íntegra um documento produzido pelo próprio Banco Master — instituição que se beneficiaria diretamente da medida, pois vendia CDBs de alta remuneração usando a cobertura do FGC como atrativo para captar recursos.

Mensagens apreendidas mostram que Vorcaro acompanhava a tramitação com expectativa. Um ex-diretor jurídico do banco chegou a dizer: "Você sextuplica seu negócio. Bora." Um ex-diretor do Banco Central também disse a Vorcaro, em mensagem, que o mercado financeiro associava a emenda ao nome do ex-banqueiro e ao então presidente do BC, Roberto Campos Neto.

A proposta foi rejeitada. A assessoria de Campos Neto afirmou que ele atuou institucionalmente contra a medida desde que tomou conhecimento de sua existência, tendo determinado uma força-tarefa interna para fundamentar uma manifestação técnica contrária —na mesma linha da Febraban e do próprio FGC.

6. AS MESADAS MENSAIS E OS INDÍCIOS DE LAVAGEM DE DINHEIRO

O conjunto de benefícios identificado pela PF chega ao que os investigadores descrevem como o núcleo central da relação entre Ciro e Vorcaro: repasses milionários. Entre 2024 e 2025, o ex-banqueiro transferiu ao menos R$ 6 milhões ao senador por meio de empresas ligadas às duas famílias. Os valores começaram em R$ 300 mil mensais e chegaram a R$ 500 mil. Em troca de mensagens, o primo de Vorcaro questiona se deve "continuar os 500k ou pode ser os 300k?", sugerindo aumento nos repasses.

Os investigadores identificaram indícios de lavagem de dinheiro nessas operações. Empresas da família do senador, como a CN Motos e a CNLF Empreendimentos Imobiliários, teriam sido usadas para ocultar os recursos, com depósitos fracionados em espécie —padrão associado pela PF a tentativas de burlar mecanismos de controle financeiro.

A PF aponta indícios dos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, organização criminosa, lavagem de dinheiro e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. O caso segue sob relatoria do ministro André Mendonça no STF, onde nesta terça-feira (16) a Segunda Turma manteve, por maioria, as prisões do pai e do primo de Vorcaro. O ministro Gilmar Mendes foi o único a votar pela soltura dos dois, ficando vencido.

Por Christian Policeno/Folhapress

Ciro Nogueira usou família, servidores e dinheiro vivo para ocultar mesada de Vorcaro, diz PF

Uma rede de empresas ligadas ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) utilizou familiares, servidores públicos, beneficiários de programas sociais e dinheiro vivo para esconder recursos ilícitos, parte dos quais a Polícia Federal (PF) acredita que tenha origem no ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e na mesada paga por ele ao parlamentar.

A teia é descrita por investigadores em uma análise de Relatórios de Inteligência Financeira (RFIs) do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) sobre a movimentação do grupo ligado ao clã do senador e que atua no Piauí e no Maranhão.

A PF aponta a existência de um "circuito integrado" de movimentação financeira entre empresas das famílias Nogueira e Vorcaro, em especial a CNLF, do senador, e a BRGD, controlada por Vorcaro e seus parentes.

Foi por meio deste fluxo que o ex-banqueiro pagou uma mesada ao senador que soma ao menos R$ 6 milhões entre 2024 e 2025, período que coincide com o agravamento dos problemas do Master e as tentativas de salvar o negócio de Vorcaro.

A PF aponta então para uma estratégia de lavagem de dinheiro por meio de "estruturas recorrentes e interligadas, utilizadas, em tese, para a ocultação, dissimulação e reinserção de recursos de origem incompatível com a capacidade econômico-financeira formal dos envolvidos, tendo como possível beneficiário final o senador Ciro Nogueira".

"Tais estruturas não se apresentam de forma isolada, mas operam de modo articulado, por meio de empresas do núcleo familiar, circulação intragrupo, uso intensivo de numerário [dinheiro] em espécie e interposição de terceiros, inclusive agentes públicos", conclui a investigação.

A Folha procurou Ciro Nogueira, por meio de sua assessoria de imprensa, no final da tarde desta terça-feira (16), mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. Também tentou contato com a defesa de Vorcaro, por email e WhatsApp, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.

As investigações já identificaram diversos indícios da relação próxima entre Ciro e Vorcaro. Por exemplo, o pagamento de diárias em hotéis de luxo em Nova York e na Europa, viagens juntos e repasses feitos em dinheiro vivo. Além disso, o banqueiro se referia ao parlamentar como "grande amigo de vida".

Segundo a PF, a estrutura funcionaria da seguinte forma: os recursos eram repassados ao clã Nogueira por meio da BRGD, administrada por Felipe Vorcaro (primo de Daniel), por meio de uma fintech chamada PJBank.

Os investigadores apontam que, no período analisado, entre 2020 e 2025, a fintech enviou R$ 3 milhões ao grupo do senador, mesmo sem ter autorização do Banco Central para esse tipo de transação.

A Folha enviou um email para a assessoria de imprensa da instituição financeira, na noite desta terça-feira (16), mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

A partir daí, entravam em ação duas empresas da família Nogueira, a CNLF e a CN Motos, que atua na venda de motocicletas.

A primeira companhia tem como sócios o senador e mais quatro familiares, enquanto a segunda, ele e mais dois.

As duas serviriam para receber os montantes ilícitos, segundo a PF, então misturá-los aos recursos legítimos das companhias e depois redistribuí-los dentro do clã do senador e sua rede de empresas.

Neste fluxo, a PF destaca uma série de relatórios do Coaf que citam especificamente o senador e que, segundo a reportagem contabilizou, somam mais de R$ 13 milhões em movimentações financeiras suspeitas, envolvendo a teia investigada.

"Em síntese", conclui a PF, os dados do Coaf mostram um "circuito integrado" entre o aporte de recursos pela BRGD (que pagava a mesada), PJBank e dinheiro em espécie, que depois passam pelas companhias do clã do senador.

As duas companhias ligadas ao parlamentar mesclam os recursos com o dinheiro lícito e fazem a "redistribuição de valores dentro do grupo familiar/econômico, tendo Ciro Nogueira como possível beneficiário final".

No caso da CN Motos, por exemplo, a polícia chama atenção para o fato de que um dos funcionários da empresa, chamado Bernardo, realizou R$ 3,5 milhões em depósitos em espécie para a empresa, "em períodos coincidentes com transferências subsequentes da empresa à pessoa física do senador".

Segundo os registros do Coaf, a empresa de venda de motocicletas recebeu ao menos R$ 1,2 milhão vindo de servidores públicos que atuam no Piauí, no Maranhão e em estruturas da União.

"Esse padrão indica possível utilização de terceiros como instrumento de ocultação do real beneficiário das despesas e dos fluxos financeiros, reduzindo a exposição direta do agente político principal", dizem os investigadores.

A PF aponta para o fato de que alguns desses integrantes teriam salário baixo e inclusive teriam sido beneficiários de programas sociais do governo federal, o que motiva a suspeita de que poderiam ter sido usados como laranjas.

Um deles, por exemplo, recebia um pagamento de R$ 2.000 mensais, mas transferiu R$ 90 mil para a CN Motos em um ano.

Outro, que recebeu auxílio emergencial durante a pandemia da Covid-19, pagou R$ 143 mil para a empresa no mesmo período de tempo.

No fluxo contrário, a CN Motos repassou R$ 412 mil a uma pequena empresa em Teresina, capital do Piauí, que tem capital social de apenas R$ 20 mil e como única sócia uma funcionária da assembleia legislativa do estado cujo salário atualmente gira em torno dos R$ 4.000.

Também houve transações entre parlamentares, como o deputado federal Jadyel Alencar (Republicanos-PI), que pagou R$ 357 mil à empresa.

Procurado, ele afirmou que o montante se refere a parte da compra de um avião.

Por João Gabriel , José Marques , Luísa Martins , Nathalia Garcia , Mateus Vargas , Constança Rezende e Raphael Di Cunto/Folhapress

Irmã de 'Sicário' ameaça 'acabar com a família' de Vorcaro em recados a pai de ex-banqueiro

Joana Mourão diz em diálogos analisados pela PF que ela e a mãe receberam ameaças e passam por dificuldades

A irmã de Luiz Phillipi Mourão, o "Sicário", ameaçou Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, de "acabar com a família inteira" dele caso persistissem os problemas financeiros que atingiram ela e a mãe depois da morte do irmão na prisão.

Para Joana Mourão, pai e o filho estariam "vivendo como reis" enquanto ela e a mãe passam por dificuldades, e estaria chegando a hora de ambos "pagarem essa conta". Os diálogos foram enviados pela PF (Polícia Federal) ao STF (Supremo Tribunal Federal).

"Sicário", que integraria um grupo a serviço de Vorcaro para ameaçar e intimidar adversários do dono do Banco Master, morreu no dia 6 de março. Segundo a PF (Polícia Federal), ele se enforcou na cela.

Joana Mourão enviou os recados a Henrique Vorcaro um mês depois, por meio de Manoel Mendes Rodrigues, o Manolo, apontado como operador do jogo do bicho e líder de um braço armado que atuaria a serviço da família do ex-banqueiro.

"A dor e a ausência dele [Sicário] são insuportáveis. Não tem como. Estou pesando 45 kg. Não durmo", diz ela em mensagem enviada a Manolo. "HV [Henrique Vorcaro, segundo a polícia] não se manifesta com nada $ [dinheiro]. Eu estou muito perto do abismo. E se eu for, tenho como levar ele [o pai do ex-banqueiro] junto. Acabo com a delação do filho, do cunhado e ainda jogo ele atrás das grades tbm [também]" segue.

Em outra mensagem, ela afirma: "Eu tenho material para acabar com a família inteira. E já estou no meu limite".

Manoel tenta acalmá-la: "Vamos conversar pessoalmente para você não se prejudicar".

Em conversa com um primo, Keysom Silveira Moreira, a irmã de Vorcaro se queixa de que "Henrique não me responde. Em 5 dias bate R$ 40 mil de financiamento na minha conta. Em 18 dias tem a prestação da casa. Estou desesperada já."

O primo de "Sicário", Keysom Silveira Moreira, conversa com Manolo e alerta que a prima "passou a noite em claro abrindo o iCloud dele ["Sicário"] e aí viu coisa demais".

Diz ainda que a prima "é doida" e fala demais.

Manoel responde que a família de "Sicário" tinha problema "do mais alto nível" e que, para Vorcaro envolvê-la em uma delação e "destruir a menina de vez, não custa".

Dois dias depois, no entanto, ele se encontra com a família e discute soluções para os problemas econômicos.

De acordo com relatório da PF, "é possível verificar que Manoel Mendes Rodrigues, até a data da sua prisão, estava atuando, de maneira ativa, para viabilizar o repasse à família do Sicário de recursos financeiros a fim de fazer cessar a situação de dificuldade financeira em que se encontram e, consequentemente, evitar que Joana passe a colaborar com as investigações".

O empresário dá satisfações a Henrique Vorcaro sobre as conversas com a família de Sicário, afirmando que estava conversando com Joana e com a mãe dela para "passar os contratos dos ativos pertinentes ao nosso amigo, no nome dela mãe, para resolver a questão". O pai do ex-banqueiro pergunta se o diálogo com a família foi bom, e Manolo responde que sim.

Um dia depois do encontro com o representante da família de Daniel Vorcaro, a irmã de "Sicário" escreve uma mensagem a ele afirmando: "Obrigada por tudo! A vc e ao André! Que Deus abençoe e ilumine abundantemente a vida de vcs e que Ele [Deus] possa me trazer sabedoria para arrancar esse ódio do meu coração!".

Em outros diálogos de Joana com o primo e Manolo, a PF afirma que Joana revela que ela e a mãe "estariam sofrendo ameaças de serem presas, de sofrerem golpes e estariam recebendo ameaças de morte por meio de vídeos com fuzil, além de toda dificuldade financeira que estariam enfrentando".

Diz que a família Vorcaro estariam "vivendo como reis" e que, muito embora o irmão tenha sido leal a eles a vida inteira, não havia da parte de ambos nenhuma consideração

"A vida do meu irmão, eles tiraram de mim. Mas isso não vai ficar assim. Está na hora de eles começarem a pagar essa conta", diz ela Joana em outros diálogos.

"Os malditos Vorcaro, a quem ele foi leal a vida inteira, estão vivendo como reis ainda. Não se manifestaram, não tiveram a dignidade de mandar uma única msg [mensagem], uma flor que fosse no velório dele", afirma Joana a Manolo.
Por Mônica Bergamo/Folhapress

Vorcaro bancou suítes em hotel de Lisboa para Hugo Motta e Ciro Nogueira, diz PF

                   O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB)
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, bancou a hospedagem do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do senador Ciro Nogueira (PP-PI), em Lisboa, no fim de junho de 2024, e pediu a um auxiliar reforço na privacidade dos hóspedes, de acordo com análise de material apreendido pela Polícia Federal.

À época, aconteceriam eventos na capital portuguesa como o Fórum Jurídico de Lisboa, conhecido como Gilmarpalooza, por ser capitaneado pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes.

No dia 18 de junho, Vorcaro informou a um auxiliar que precisaria de reservas em Lisboa para os dias 24 a 30, para ele próprio e também mais dois quartos para "Ciro e Hugo".

Procurados por meio da assessoria por Whatsapp às 13h30, o presidente da Câmara e o senador ainda não se manifestaram.

Foram reservadas suítes no hotel Four Seasons. Ao assistente, Vorcaro demonstrou, segundo a PF, "acentuada preocupação com a privacidade do evento, ressaltando, inclusive, a necessidade de privatização do espaço localizado em frente ao local, a fim de impedir qualquer visualização do que ocorresse em seu interior".

"Preciso muito que você dê uma atenção na questão de segurança. Cidade está lotada, eu tive lá no lugar agora. Tive uma reunião lá no clube. Tem que ter certeza que o lugar em frente ao restaurante também esteja privatizado porque senão dá pra ver tudo lá dentro", disse Vorcaro, em áudio.

"Pode ser o papa que não pode entrar ninguém que não esteja na lista."

Em maio, a PF cumpriu mandado de busca e apreensão em endereços de Ciro, que é presidente do PP, em uma fase da Operação Compliance Zero.

Entre as principais suspeitas da PF estava a de que o senador, que foi ministro da Casa Civil na gestão Jair Bolsonaro (PL), recebia quantias repassadas por Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro.

Além disso, de acordo com as investigações, haveria o pagamento de outras despesas pessoais do parlamentar, como viagens de jatinho.

Felipe teria feito uma parceria "ligada aos pagamentos mensais em favor do senador, correspondentes, inicialmente, ao valor de R$ 300 mil, com indícios de que teriam sido posteriormente aumentados para a importância de R$ 500 mil". O primo de Vorcaro foi preso temporariamente.

Felipe está preso e o STF analisa se ele deve continuar detido ou ficar livre, com medidas cautelares. À época da operação, Ciro negou ter cometido qualquer irregularidade.

Por Folhapress

Vorcaro mandou R$ 350 mil em espécie para Ciro Nogueira em avião com Beto Louco, diz PF

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, mandou R$ 350 mil em espécie para o senador Ciro Nogueira (PP-PI) em um jato executivo que transportava o empresário Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, suspeito de manter relações com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

A informação consta em uma representação da Polícia Federal (PF) tornada pública nesta terça-feira (16) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso Master. Os investigadores creem que o malote foi transportado em um jato Gulfstream G150 de prefiro PR-SMG da Táxi Aéreo Piracicaba (TAP), também na mira da Operação Carbono Oculto, que apura o esquema de fraudes no setor de combustíveis liderado por Beto Louco e Mohamad Hussein Mourad, o Primo.

Os investigadores encontraram diálogos trocados entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, tido como seu operador financeiro, cobrando o pagamento do valor ao senador e presidente nacional do PP em 6 de agosto de 2025, quando o Master ainda tentava vender parte de seus ativos para o Banco BRB.

“Resolve Ciro e galerias hoje. Manda agora lá”, escreveu o então CEO do banco.

Zettel, então, reclama que uma transferência TED não havia chegado e detalha os valores pendentes, que incluem textualmente “Nota Ciro mais impostos 2” e “Espécie Ciro 350k”.

Vorcaro, então, afirma que fará parte das transferências naquele momento e orienta que o cunhado priorize as pendências referentes ao senador e outros gastos referentes a “galerias”.

A PF cruzou a data da conversa com o relato do piloto Mauro Caputti Mattosinho, que trabalhou até setembro do ano passado na Táxi Aéreo Piracicaba, à imprensa de que teria transportado um malote – presumivelmente com dinheiro – no mesmo dia, 6 de agosto, em um voo que tinha Beto Louco entre seus passageiros e se deslocou entre São Paulo e Brasília.

Os investigadores destacam na representação que Mattosinho declarou nas entrevistas que o empresário mencionou Ciro diversas vezes durante o trajeto, perguntando, por exemplo, se “estava tudo certo com o Ciro” e se “o Ciro já estava os aguardando”.

Um dos principais alvos da Operação Carbono Oculto, Beto Louco está foragido e tenta há meses negociar uma delação com a Justiça brasileira. Seu último paradeiro rastreado pela PF foi a Líbia, país no norte da África.

Ainda de acordo com a PF, outras mensagens obtidas no celular de Daniel Vorcaro demonstraram que o dono do Banco Master usou o mesmo jato Gulfstream G150 em diversas ocasiões “para viagens de seus interesses”.

Para a Polícia Federal, o cruzamento das informações “indica fortemente a prática dos crimes de corrupção passiva e ativa”.

Em entrevista aos sites Metrópoles, UOL e ICL em 2025, Mattosinho disse ter ouvido dos superiores na empresa que os aviões pertenciam na verdade a Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil, partido que forma uma federação com o PP de Ciro Nogueira.

Como revelamos no blog em setembro passado, diversas agendas do dirigente do União coincidiram com trajetos de um jato Gulfstream G200, jato com autonomia para viagens intercontinentais que, segundo o piloto, teria sido incorporado à frota da TAP com dinheiro de um grupo “encabeçado por Rueda”.

Entre os compromissos mapeados pela equipe da coluna estava o aniversário de 50 anos do presidente do União na ilha de Mykonos, na Grécia, o Gilmarpalooza, o fórum jurídico organizado por Gilmar Mendes em Lisboa, e a Brazilian Week, em Nova York, todos no ano passado.

O dirigente partidário admitiu à equipe do blog na ocasião ter usado o avião em uma das viagens, mas não revelou qual, disse que viajou de carona e não quis revelar quem o convidou ou quem é o dono do jato. Rueda nega ser proprietário das aeronaves em nome da Táxi Aéreo Piracicaba.

O piloto Mauro Caputti Mattosinho também relatou aos investigadores da PF que transportou em diversas ocasiões tanto Beto Louco como Mohamad Hussein Mourad, o Primo. Ambos são apontados como líderes do esquema de fraudes no setor de combustíveis em conluio com o PCC no âmbito da Operação Carbono Oculto.

Por Johanns Eller, O Globo

Delação de Vorcaro causa briga na defesa; investigadores dizem que não vão aceitar mentiras

 Advogado afirmou a ex-banqueiro que situação deve se agravar sem confissão completa dos crimes; ex-defensor e cliente não se manifestara

Foto: Divulgação/Polícia Federal/Arquivo

A tentativa frustrada de Daniel Vorcaro de negociar uma colaboração premiada causou problemas tanto com as autoridades quanto com a própria equipe de defesa do dono do Master. Integrantes da equipe de investigadores consideraram a proposta fraca e afirmam não aceitar mentiras por parte do investigado.

Um dos pontos de desavença foi quanto à relação de Vorcaro com o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP. Envolvidos nas negociações afirmaram, sob reserva, que o ex-banqueiro ainda não deu explicações satisfatórias sobre o tema, que já tem material colhido de forma independente.

Apesar de a investigação já ter alcançado o parlamentar, Vorcaro segue afirmando, segundo esses interlocutores, que manteve a relação financeira com Ciro apenas por amizade. O parlamentar nega qualquer ilícito. "Nunca recebi nenhum valor ilícito ou cometi qualquer irregularidade que seja, nesse caso ou em qualquer outro", disse após ser alvo de operação no mês passado.

Diante disso, duas pessoas a par da negociação afirmaram ao jornal Folha de São Paulo que a delação é uma prerrogativa de defesa mas, para funcionar, o ex-banqueiro precisa querer entregar "para valer" e não mentir.

A fragilidade dos relatos que o ex-banqueiro fez até o momento provocou também uma briga com seu advogado anterior. José Luis Oliveira Lima, o Juca, deixou o caso em 22 de maio. Ele relatou a pessoas próximas uma discussão com Vorcaro pouco antes de oficializar a saída, na qual o defensor teria dito que o ex-banqueiro não havia entendido ainda a gravidade da situação em que se encontra.

Procurado no início da manhã desta segunda-feira (15), Oliveira Lima preferiu não se manifestar. A defesa de Vorcaro ainda não se pronunciou.

Na última quinta (11), a PF comunicou ao STF (Supremo Tribunal Federal) a rejeição, pela segunda vez em menos de um mês, da proposta de delação premiada apresentada por Vorcaro. A corporação avaliou que Vorcaro não apresentou novidades em relação ao que já foi descoberto nas investigações e não apontou crimes cometidos por parceiros.

Entre as principais suspeitas da PF está a de que o senador Ciro Nogueira, que foi ministro da Casa Civil na gestão Jair Bolsonaro (PL), recebia quantias repassadas por Felipe Vorcaro, primo de Daniel. Além disso, de acordo com as apurações, haveria o pagamento de outras despesas pessoais do parlamentar, como viagens e caronas em avião particular.

Segundo a PF, Felipe teria feito uma parceria "ligada aos pagamentos mensais em favor do senador, correspondentes, inicialmente, ao valor de R$ 300 mil, com indícios de que teriam sido posteriormente aumentados para a importância de R$ 500 mil". O primo de Vorcaro foi preso temporariamente.

Para assinar um acordo de delação, um investigado precisa confessar crimes e apresentar provas do que revelar às autoridades, incluindo a indicação de outras figuras importantes envolvidas, como dirigentes e políticos, e material de corroboração, como registros de conversas e documentos.

O argumento da PF é de que ainda há extenso volume de material a ser analisado, oriundo das buscas e apreensões e de quebras de sigilo. Um dos integrantes da equipe afirmou que a operação não chegou sequer à metade.

A reportagem apurou com investigadores que Mendonça informou que deve estender o prazo das investigações até a conclusão dos trabalhos.

Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro passado, quando tentava embarcar para o exterior, no Aeroporto de Guarulhos. A PF desconfia que ele tentava fugir do país, mas ele argumenta que viajaria para encontrar investidores interessados em comprar o Banco Master. Desde então, ao menos três dos advogados mais conhecidos do país saíram de sua equipe de defesa.

Na mesma conversa em que se desentendeu com Vorcaro, Juca também teria alertado o ex-banqueiro de que a situação dele poderia se agravar caso não contasse a história completa dos crimes cometidos e dos envolvidos no esquema.

O relato chegou inclusive a gabinetes do Supremo e ao próprio relator do caso na corte, ministro André Mendonça.

Oliveira Lima atuou formalmente no caso por pouco mais de dois meses —assumiu em 13 de março e foi o último advogado a deixar a representação de Vorcaro.

Além da dificuldade com o próprio cliente, Juca sofreu a contrariedade de Mendonça. O ministro deixou de conversar com o advogado depois de uma discussão pouco antes da apresentação da primeira proposta de colaboração.

Na ocasião, o relator demonstrou aborrecimento com os rumos da negociação, e o advogado respondeu que poderia recorrer à Segunda Turma da corte. O colegiado tem quatro votantes para o caso, o que poderia gerar um empate e, assim, favorecer Vorcaro. Dias Toffoli, que integra a turma, se declarou suspeito para o caso Master.

Tanto os desentendimentos com Vorcaro quanto as portas fechadas do gabinete na corte teriam tornado a permanência de Juca no caso inviável.

O advogado já conduziu delações premiadas delicadas, como a do ex-presidente da OAS, Leo Pinheiro, no auge da Operação Lava Jato. Ele defendeu também o ex-ministro José Dirceu na época do escândalo do mensalão, em 2012, e representou o general Braga Netto, ex-ministro de Jair Bolsonaro, no processo da tentativa de golpe de Estado no Brasil.

Oliveira Lima advogava para o Banco Master antes da liquidação da instituição pelo Banco Central, em novembro.

Além dele, Walfrido Warde foi um dos representantes do exército de escritórios que atuou para Vorcaro desde antes da deflagração da primeira operação. Em 21 de janeiro, ele se desligou da equipe. O advogado era apontado como um dos principais articuladores de uma estratégia agressiva para tentar suspender a liquidação do banco no STF ou no TCU (Tribunal de Contas da União).

Em 13 de março, foi a vez de Pierpaolo Bottini se afastar do time, quando Vorcaro partiu para a primeira tentativa de negociação. Ele alegou motivos pessoais para a decisão. Ele já a interlocutores afirmava que não participaria de negociação para delação do ex-banqueiro. Roberto Podval também deixou de advogar para Vorcaro.

Por Ana Pompeu/Folhapress

Lula no G7 gera expectativa por tarifa dos EUA e veto à carne pela UE

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (13) para a cidade de Évian-les-Bains
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (13) para a cidade de Évian-les-Bains, na França, onde participará, como convidado, da Cúpula do G7, o fórum que reúne sete das maiores economias industrializadas do planeta.

É a 10ª vez que Lula participa deste encontro, ao longo de seus três mandatos. São membros plenos do grupo: Canadá, Estados Unidos (EUA), Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Japão. A União Europeia (UE) também participa como membro institucional.

A ida de Lula acende a expectativa para possíveis interações com o presidente dos EUA, Donald Trump, em um momento de novo tensionamento entre os dois países, duas semanas após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) indicar a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras.

O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano pelo governo de Trump contra supostas "práticas desleais" do Brasil no comércio com os EUA. Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar "injustamente" empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o WhatsApp Pay.

Até o momento, não houve confirmação sobre uma possível reunião bilateral entre Lula e Trump. Se algum encontro entre os dois líderes ocorrer na França, será pouco mais de um mês da última reunião de ambos, na Casa Branca, em Washington, no início de maio.

Na ocasião, segundo Lula, equipes dos dois governos foram orientadas a apresentar uma proposta para resolver o impasse sobre tarifas de exportação e da investigação comercial do USTR, o que efetivamente ainda não aconteceu.

"Isso [encontro entre Lula e Trump] não está definido. Com os Estados Unidos os contatos seguem, por enquanto é o que eu posso dizer, e que estão em andamento de uma forma intensa, desde sempre, e isso continua acontecendo", afirmou o embaixador Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores (MRE), em entrevista a jornalistas nesta quarta-feira (10).

Este também vai ser o primeiro contato entre Lula e Trump após o governo norte-americano passar a designar formalmente as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês).

O governo brasileiro vinha tentando, nos últimos meses, evitar essa designação por avaliar que isso poderia abrir caminho para uma ação militar dos EUA no Brasil ou para a aplicação de sanções severas em setores econômicos e financeiros.

Veto à carne brasileira
Outro foco de atenção na viagem de Lula ao G7 passa pela relação com a União Europeia. Há uma semana, o bloco oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.

Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial do dia 5 de junho.

Também não há definição sobre um possível encontro de Lula com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

"Obviamente que eu acho que o recado principal que nós queremos passar aos europeus é que ficamos assim um pouco surpresos da maneira como foi. Nós estamos vendo algumas medidas da União Europeia que nos causam alguma preocupação. E o tom da discussão, se houver, ou em outros momentos, não necessariamente no G7, vai ser esse, com uma certa preocupação por esses últimos desdobramentos e ver o que a gente pode fazer para resolver as questões", apontou o embaixador Philip Fox-Drummond Gough, que acompanha diretamente as tratativas.

Brasil e Japão
Enquanto não se confirmam as reuniões bilaterais de Lula durante a cúpula do G7, um encontro que já está certo na agenda será com a primeira-ministra do Japão é Sanae Takaichi. Ela fez história ao se tornar a primeira mulher a assumir o principal cargo do Executivo no país asiático, tomando posse em outubro de 2025.

Este será o primeiro encontro oficial entre ambos e há uma expectativa de se abrir negociações em torno de um futuro acordo do Japão com o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai).

A cúpula do G7 deste ano, presidida pela França, ocorre de 15 a 17 de junho. Além do Brasil, o grupo convidou líderes de outros países importantes, como Índia, Quênia, Coreia do Sul e Egito. Outra provável reunião bilateral de Lula deverá ser com o anfitrião do evento, o presidente francês Emmanuel Macron.

Sessões deliberativas
O Itamaraty confirmou que Lula participará de três eventos durante o G7.

O primeiro, no dia 16, é uma sessão de líderes em que o presidente brasileiro discursará sobre parcerias internacionais para o desenvolvimento. A expectativa é que Lula cobre a ampliação da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD). A chamada AOD, que no inglês é Official Development Assistance (ODA), refere-se a repasses financeiros realizados pelos países mais industrializados do mundo para promover o bem-estar e o desenvolvimento econômico de países em situação de mais vulnerabilidade.

No dia 17, em outra sessão de líderes, Lula vai abordar o tema do crescimento econômico equilibrado, ocasião em que falará com ênfase sobre a necessidade de reforma da governança global, especialmente instituições como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a própria Organização das Nações Unidas (ONU).

Ainda no dia 17, a comitiva brasileira participará de um almoço que terá como tema central a Inteligência Artificial (IA).

Por Pedro Rafael Vilela/Agência Brasil

De volta ao palco do tetra, Brasil inicia contra Marrocos a busca pelo hexa

Brasileiros nos Estados Unidos
No último jogo de Copa do Mundo de que participou, Carlo Ancelotti estava no banco de reservas da Itália. Auxiliar técnico de Arrigo Sacchi, viu Roberto Baggio bater por cima o pênalti que deu ao Brasil o tetra, em 1994, nos Estados Unidos.

BRASIL x MARROCOS

East Rutherford (Nova Jersey), 19h (de Brasília)Globo, SBT, SporTV, CazéTV, ge tv e N Sports

De volta ao Mundial após mais de três décadas –novamente em território americano, mas agora como comandante verde-amarelo–, o italiano espera repetir o que conseguiu a seleção brasileira de Carlos Alberto Parreira. Sua estratégia tem semelhanças com a adotada pela equipe campeã há 32 anos, com uma aposta em duas sólidas linhas de quatro marcadores.

O primeiro teste na América do Norte é o teórico duelo mais difícil do Grupo C, contra a respeitável formação de Marrocos, semifinalista do torneio em 2022. O embate está marcado para a noite de sábado (13), no MetLife Stadium, em East Rutherford, nos arredores de Nova York —a competição tem também sedes no México e no Canadá, mas o Brasil disputa a primeira fase nos Estados Unidos, onde permanecerá se avançar em primeiro.

"É uma seleção muito boa, uma das melhores gerações deles, com grandes jogadores. Vieram de uma Copa Africana de Nações boa, respeitamos demais. Para a gente, é um jogo-chave para começar bem, com o pé direito. O primeiro passo é começar bem, com vitória", afirmou o volante Bruno Guimarães.

Para isso, o Brasil vai adotar um sistema híbrido. "Defensivamente, é o 4-4-2, isso não muda", afirmou Ancelotti. Com a bola, embora exista uma organização estabelecida, os jogadores têm liberdade para buscar o gol e o posicionamento que mais lhes agrada. Mas não se assuste se Marrocos tiver mais a bola do que o time pentacampeão.

"A posse de bola é um aspecto do jogo, importante, mas não é o mais importante. Se falamos de estatísticas, o mais importante é a quantidade de gols marcados e sofridos. A ideia é que sejamos fortes quando tivermos a bola. Quando não a tivermos, que sejamos compactos, porque todos os rivais, assim como Marrocos, têm qualidade e podem criar problemas", disse o técnico.

O desenho tático e a disposição para os contra-ataques são pensados particularmente para tirar o máximo de Vinicius Junior, que ainda não conseguiu repetir na seleção brasileira o nível de suas atuações no Real Madrid. Ninguém parece mais bem preparado para a tarefa do que o italiano, responsável por fazer o menino de São Gonçalo desabrochar no próprio time espanhol.

Foi sob comando de Carletto que o atacante conquistou duas edições da Liga dos Campeões, com gols em ambas as decisões, e entrou na briga pelo posto de melhor jogador do mundo, na temporada 2023/24. Na prestigiada Bola de Ouro, oferecida pela revista France Football, ficou em segundo, atrás do espanhol Rodri. No prêmio da Fifa (Federação Internacional de Futebol), foi apontado como o número um.

No reencontro, o técnico procurou tirar parte do peso das costas do atleta, hoje com 25 anos. Na ausência de Neymar –que teve lesões em sequência, ficou fora do grupo por quase três anos e ainda não tem condições de jogar–, o fluminense passou a ser a principal referência técnica da seleção, pressionado a assumir o protagonismo.

"É óbvio que todos temos muita responsabilidade e muita pressão. Como vamos fazer para ter menos pressão? Uma coisa só: compartilhá-la. Não pode ser uma responsabilidade individual. Fala-se muito que o Brasil neste momento não tem uma estrela. Pode ser verdade. Não temos um Pelé, um Romário, um Ronaldo. Mas podemos ter uma responsabilidade compartilhada", disse Ancelotti.

Nessa divisão de responsabilidades, Vinicius tem poucas defensivas. Ele participa somente da pressão inicial quando a equipe tenta roubar a bola no campo de ataque. Fora isso, fica solto, pronto para usar sua velocidade e sua habilidade nas oportunidades de contragolpe.

Com a bola, há uma inversão. Matheus Cunha, que tem a tarefa de fechar a segunda linha de marcadores pelo lado esquerdo, parte para o meio. E Junior ganha espaço para ocupar o setor no qual se sente mais confortável, encarando os defensores na ponta esquerda.

"Acredito que a gente tenha se adaptado muito bem às características dos jogadores que nós temos. Agora, como vamos jogar não posso falar, Marrocos pode ver e saber nosso planejamento. Mas não importa como o time vai entrar em campo. Vamos estar preparados para fazer uma grande Copa do Mundo", afirmou o atacante.

Até que chegasse ao desenho atual, Ancelotti precisou correr. Ele assumiu a seleção há pouco mais de um ano, no fim de um ciclo caótico rumo ao Mundial, e tem apenas 12 jogos no ainda recente emprego. Antes dele, dirigiram o time Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior, com resultados ruins.

Sob comando do interino Ramon, em seu primeiro compromisso após a Copa de 2022, o Brasil teve uma amostra do que pode ocorrer a um time desorganizado diante de Marrocos. Em Tânger, em amistoso realizado em março de 2023, os donos da casa venceram por 2 a 1.

De lá para cá, a equipe do norte da África mostrou que sua campanha no Qatar não foi um acidente. Conquistou o Campeonato Africano de Nações e a Copa Árabe. No mais importante torneio de seu continente, a Copa Africana de Nações, perdeu uma turbulenta decisão para o Senegal, que chegou a abandonar o campo em protesto contra a arbitragem e foi declarado vice-campeão.

Marrocos herdou o título e hoje ocupa a sétima colocação no ranking da Fifa, apenas uma atrás do Brasil. Mas a derrota em campo custou o emprego de Walid Regragui, substituído por Mohamed Ouahbi, de ótimos resultados na seleção marroquina sub-20.

Oficialmente, como foi considerado vencedor da decisão africana por WO, o time está invicto há 29 jogos. E conta com jogadores de destaque no futebol europeu, caso do lateral direito Hakimi, do Paris Saint-Germain, do meia Brahim Díaz, do Real Madrid, e do jovem atacante Ismael Saibari, que deve trocar o PSV pelo Bayern.

"Eles não têm medo, assim como nós não temos medo. Ninguém tem medo, o que existe é respeito", afirmou Ouahbi.

Ancelotti, pouco depois, na mesma cadeira na sala de entrevistas do MetLife Stadium, na véspera do jogo, tratou de desmenti-lo. E reconheceu o seu temor.

"Medo é algo importante da vida. Se você não tem medo, o leão lhe parece um gato. Medo é importante para salvar vidas."

Ficha técnica

BRASIL x EGITO (Copa do Mundo - Grupo C)

Data: 13 de junho de 2026 (sábado), às 19h
Local: estádio MetLife, em East Rutherford, nos Estados Unidos
Transmissão: Globo, SBT, CazéTV, Ge TV (Globoplay), SporTV e NSports
Árbitro: Slavko Vincic (Eslovênia)
Assistentes: Tomaz Klancnik (ESL), Andraz Kovacic (ESL), Sandro Schaerer (SUÍ)
VAR: Bastian Dankert (ALE)

Brasil
Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Alex Sandro; Casemiro, Bruno Magalhães, Lucas Paquetá e Matheus Cunha; Raphinha e Vinicius Jr.
Técnico: Carlo Ancelotti

Marrocos
Bono; Hakimi, Diop, Riad e Mazraoui; Amrabat, El Aynaoui e Ounahi; Brahim Díaz, Saibari e Rahimi
Técnico: Mohamed Ouahbi

Por Marcos Guedes e Luciano Trindade/Folhapress

Destaques