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PGR endossa decisão de Moraes sobre quebra de sigilo da fonte de jornalista do Maranhão

Gonet afirmou que a liberdade de imprensa exige o que chamou de 'resposta aos excessos'

A PGR (Procuradoria-Geral da República) endossou decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), para quebrar o sigilo de fonte do jornalista Luís Pablo, que publicou informações sobre o uso de carros oficiais pela família do também ministro do STF Flávio Dino.

O caso está relacionado ao inquérito das fake news, que, em uma de suas investigações, apura possível monitoramento de Dino pelo ex-secretário de Assuntos Legislativos do Maranhão Raimundo Cutrim.

Com base em publicação do jornalista Luís Pablo em seu blog no Maranhão, o ministro Alexandre de Moraes havia determinado, em agosto, que fosse quebrado o sigilo de seu celular para identificar a fonte da informação.

Luís Pablo publicou uma série de reportagens indicando que Dino utilizava carros do TJ-MA (Tribunal de Justiça do Maranhão) para fins pessoais. Cutrim, que mandou fotos do ministro para Luís Pablo, está sob prisão domiciliar.

Em outro inquérito, Cutrim é investigado sob a suspeita de tentar interferir em investigação que liga um assassinato a integrantes do governo do estado. Um dos principais alvos é Daniel Brandão, sobrinho do governador Carlos Brandão e presidente afastado do TCE-MA (Tribunal de Contas do Estado do Maranhão).

Com o encaminhamento do inquérito das fake news para a presidência do STF, exercida pelo ministro Edson Fachin, a PGR apresentou nova manifestação validando as apurações da Polícia Federal que identificaram a fonte de Luís Pablo.

No parecer, o procurador-geral Paulo Gonet afirmou que o blog de Luís Pablo noticiou as informações sobre o uso dos carros por Dino para expor dados que poderiam "comprometer a segurança do ministro".

Gonet afirmou que a liberdade de imprensa exige o que chamou de "resposta aos excessos". A PGR cita o entendimento do STF de que é possível intervir diante de "prática abusiva da prerrogativa de informar" com o sigilo da fonte.

"A reconstituição do caminho percorrido pelas informações, desde sua obtenção até a divulgação, revela-se, assim, necessária para esclarecer os atos de perseguição a que se referiu o Ministro Flávio Dino na sua representação", declarou a PGR.

Segundo o parecer, os procedimentos autorizados por Moraes, então relator, estão dentro da legalidade e não permitem indicar possível anulação da investigação.

Moraes ignorou um alerta da PF (Polícia Federal) de que a quebra do sigilo da fonte de um jornalista investigado iria ferir uma garantia constitucional. Em um inquérito sob sua relatoria, o ministro determinou que informações resguardadas por tal proteção fossem juntadas aos autos.

A decisão de Moraes motivou críticas de entidades do jornalismo e do direito, além de preocupações e dúvidas entre estudiosos do assunto.
Por Nino Guimarães/Folhapress

Entidades repudiam listas de boicote por divergência política

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil/Arquivo
A disseminação de listas que identificam empresas, comerciantes, profissionais liberais e trabalhadores com o objetivo de boicotá-los em razão de suas preferências políticas tem provocado reação de entidades representativas e órgãos ligados ao sistema de Justiça.

Nas últimas semanas, organizações empresariais, seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Ministério Público do Trabalho (MPT) passaram a alertar para os riscos jurídicos e democráticos associados a iniciativas que incentivam o boicote econômico ou a perseguição profissional por razões político-partidárias.

A mobilização ocorre em meio ao aumento dos relatos de constrangimentos, discriminação e retaliações registrados após as eleições de 2026.

Bares e restaurantes
O setor de bares e restaurantes está entre os mais afetados por esse tipo de lista – o que levou a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) a ser uma das primeiras entidades empresariais a se manifestar oficialmente sobre o tema.

Em nota intitulada "Abrasel repudia listas de boicote e discurso de ódio após as eleições", a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes condenou a circulação de listas que associam estabelecimentos a determinados posicionamentos políticos e incentivam consumidores a deixar de frequentá-los.

A associação lembra que os empresários têm diferentes convicções políticas e que a diversidade de opiniões deve ser respeitada.

Alertou também que campanhas voltadas a prejudicar economicamente empresas e trabalhadores podem gerar responsabilização civil e judicial – e que iniciativas desse tipo afetam não apenas os proprietários dos negócios, mas também os funcionários que dependem da atividade econômica para obtenção de renda.

“A divulgação dessas listas pode configurar ato ilícito e sujeitar os responsáveis a ações na Justiça. Do mesmo modo, o consumidor é livre para escolher onde vai comer e beber. Nenhum estabelecimento pode discriminar ou se recusar a atender alguém em função de seu posicionamento político ou ideológico”, diz a nota.

OAB
Houve também reações de entidades que representam a advocacia. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) divulgou, em suas redes sociais, em Tocantins, nota de repúdio a listas que expõem empresas, profissionais e cidadãos em razão de suas preferências políticas.

A entidade ressaltou que a liberdade de manifestação e a pluralidade de ideias constituem pilares do Estado Democrático de Direito e advertiu que atos de discriminação ou constrangimento podem resultar em responsabilização legal.

Na avaliação da seccional, divergências eleitorais não podem servir de justificativa para perseguição econômica, exposição pública ou restrição de direitos.
Ministério Público do Trabalho

O Ministério Público do Trabalho tem identificado situações em que plataformas digitais são utilizadas para forçar empresários a “vigiar, expor, deixar de contratar e demitir funcionários por causa do voto”.

Diante dessa situação, os procuradores entraram com ação civil pública cobrando da Meta (dona de plataformas como Instagram, Facebook e Threads) que retire do ar esse tipo de publicação. Segundo o MPT, após o segundo turno das eleições, perfis nas plataformas passaram a convocar empregadores nesse sentido.

“Publicações de empresários, influenciadores e até parlamentares orientam vasculhar as redes sociais de trabalhadores para descobrir em quem votaram e, no caso de a opção ser diferente do patrão, mandá-los embora”, disse o MPT.

O procurador do trabalho Maurício de Mello informou que o MPT recebeu, apenas nos três dias posteriores ao pleito, 1.140 denúncias de assédio eleitoral, de um total de 3.080 registradas desde o início da campanha.

Segundo ele, os dados demonstram que parte significativa das ocorrências ocorreu após a definição do resultado das urnas. “Quase 30% das denúncias ocorreram pós-processo eleitoral. Isso é uma preocupação muito grande”, disse.

O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, afirmou que os efeitos dessas práticas atingem não apenas trabalhadores assalariados, mas também profissionais autônomos e pequenos estabelecimentos comerciais que manifestaram posicionamentos políticos.

Prática autoritária
A organização de listas de boicote a empresas levou a ex-deputada federal gaúcha Manuela d'Ávila (PCdoB) a divulgar um vídeo no qual compara a circulação de listas de boicote por posicionamento político à perseguição econômica promovida contra comerciantes judeus na Alemanha nazista.

Segundo ela, a identificação pública de empresas e profissionais para estimular prejuízos econômicos em razão de suas convicções políticas constitui uma prática autoritária e deve ser combatida ainda em seu estágio inicial.

“Sabe como começou o boicote aos judeus na Alemanha nazista? Com listas. Em 1933, os nazistas organizaram um boicote nacional contra estabelecimentos e profissionais judeus. Eles identificavam quem eram essas pessoas, onde trabalhavam e quais lojas e negócios lhes pertenciam”, disse a ex-deputada.

Processo de fascistização
Professor de História Contemporânea da UFRJ e da Escola de Comando do Estado-Maior do Exército, Francisco Carlos Teixeira confirma a referência histórica citada por Manuela d’Ávila.

Segundo ele, a organização de listas como estas é uma “prática comum” a todos os regimes autoritários, às ditaduras e ao fascismo. Foi inclusive adotada durante a ditadura militar brasileira, tendo resultado em cassações, exílios e até mortes.

“Na Alemanha nazista, esse processo foi claramente colocado em prática e nós o chamamos, historicamente, de processo de fascistização: a ocupação das instituições a partir do expurgo de pessoas consideradas perigosas para o regime”, explicou.

Por Agência Brasil

Fachin tenta conter divisão no STF, mas decisão sobre INSS incomoda aliados de Moraes

Relatoria de fraudes em apostentadorias voltou para Mendonça, enquanto caso Master segue com a presidência por pelo menos mais 90 dias
Ao devolver as investigações do escândalo do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) para o ministro André Mendonça, mas manter consigo o caso Master por mais 90 dias, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, buscou um meio-termo que não provocasse mais um capítulo de erosão interna na corte.

A decisão, entretanto, agradou mais ao grupo de Mendonça —que voltou a poder despachar no processo das fraudes previdenciárias, com possibilidade ainda em aberto de retomar a relatoria do Master no futuro— do que a aliados do ministro Alexandre de Moraes, que defendem a redistribuição imediata e definitiva do caso para outro ministro.

Fachin se reuniu com colegas ao longo das últimas semanas para conversar sobre o assunto e colher impressões. Em um desses encontros, o ministro Gilmar Mendes, aliado de Moraes junto a Flávio Dino e Cristiano Zanin, sugeriu ao presidente do STF que a investigação sobre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro passe a ser julgada pelo plenário da corte.

O decano disse a Fachin que a Primeira Turma está "contaminada" pelo caso Master, com dois dos integrantes, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques, declaradamente impedidos de julgar os casos, e com Mendonça sob suspeita de enviesar as investigações. Ao ouvir essa ponderação, o presidente do STF não esboçou reação, segundo relatos feitos à Folha.

Gilmar também reforçou a proposta, revelada pela Folha, de proibir delegados da Polícia Federal de atuar nos gabinetes dos ministros no Supremo e pediu a Fachin para levar isso em conta. O decano afirmou ao presidente do STF que não há como garantir o sucesso de uma investigação se o relator está em "crise aberta" com o diretor-geral da corporação, o qual tentou afastar do cargo.

Já o grupo de Mendonça, apoiado principalmente por Kassio e Luiz Fux, defende que o caso Master volte para a relatoria do ministro após o prazo de 90 dias estabelecido por Fachin, para prosseguimento regular da investigação. Nas conversas com o presidente do STF, o apelo é que o caso permaneça na Turma, pois a competência para casos criminais seria dos colegiados menores, não do plenário.

Fachin puxou os processos para si em setembro e paralisou novas decisões de Mendonça enquanto o STF vivia o auge da crise entre os magistrados, evidenciada na "sessão-bomba" marcada por brigas e bate-bocas públicos entre magistrados. Na decisão de quinta-feira (29), ele devolveu o processo do INSS para Mendonça, mas decidiu ficar com o caso Master por mais um período.

Os 90 dias podem ser revistos caso o colegiado conclua o julgamento sobre o relatório das mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes. A análise foi suspensa em 15 de setembro por pedido de vista de Flávio Dino, que deve devolver o processo em meados de dezembro. A corte não chegou a debater o mérito dos diálogos.

Fachin também sinalizou que pode rever esse prazo depois de a PF entregar os relatórios do Master que eventualmente apontem o envolvimento de ministros da corte, documentos ainda em fase de elaboração. O presidente do STF quer analisar esses relatórios antes de tomar sua decisão sobre o futuro da relatoria da investigação.

Um dos pontos de atenção, segundo interlocutores de Fachin, é o grau de suspeita em relação a cada ministro. Há no celular de Vorcaro, por exemplo, citações a convites feitos ao ex-banqueiro pelo Instituto Iter, fundado por Mendonça, além de um encontro entre os dois fora das agendas oficiais. O ministro nega qualquer tipo de relação indevida.

Também vão entrar no radar de Fachin o peso dos negócios familiares de Toffoli com empresas ligadas à rede de Vorcaro, o contrato milionário do banco com o escritório de advocacia da mulher de Moraes, a suspeita de que o ex-banqueiro tenha bancado uma festa com garotas de programa para Kassio e as relações do empresário com o filho de Fux.

Há cerca de duas semanas, Mendonça enviou um ofício a Fachin cobrando que ele decidisse sobre a relatoria dos casos Master e INSS, pois a indefinição vinha criando um impasse: os pedidos de advogados para libertação de investigados, desbloqueio de bens ou medidas mais simples, como o aval para exames médicos, empacaram, já que o relator original não podia decidir e o presidente do STF também não agiu.

Agora, Fachin estabeleceu que ele próprio poderá, ainda que temporariamente, despachar em questões consideradas urgentes e "que não admitam adiamento", como a revisão de prisões preventivas decretadas no âmbito do caso Master. A decisão está sujeita a referendo do plenário, mas ainda não há uma data definida.

Por Luísa Martins, Folhapres

Nikolas ignora carta golpista de Flávio Bolsonaro e defende boicote a empresas de petistas

Deputado, principal rosto da campanha de Flávio no segundo turno, brincou com autoproclamação do senador como presidente
Foto: Vittor Sales/Divulgação/PL/Arquivo
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) evitou criticar a carta golpista de Flávio Bolsonaro (PL) e usa as redes sociais para defender o boicote a estabelecimentos supostamente ligados à esquerda após a vitória de Lula (PT) no domingo (25).

A postura vai na contramão da adotada por aliados do filho de Jair. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse que ninguém aprovou a carta e que o partido quer seguir em frente. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, afirmou que nem ele nem o partido podem dizer que houve fraude nas eleições por falta de provas.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), um dos principais fiadores de Flávio, disse entender a indignação do aliado, mas afirmou que o caminho é respeitar o resultado das urnas. A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura de Jair Bolsonaro, também defendeu o respeito ao resultado.

Depois de ser criticado pelo ex-deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL) pela suposta falta de engajamento, Nikolas foi o principal rosto da campanha de Flávio no segundo turno. Os atos de rua impulsionados por ele, com trios elétricos e jingles, foram batizados de Bloco do 22 e passaram a concentrar boa parte da agenda do senador na reta final.

Procurado via assessoria de imprensa, o deputado não respondeu até a publicação da reportagem.

Na carta, divulgada após a chegada a Miami, Flávio se apresentou como "verdadeiro presidente eleito", em gesto que remete ao de Juan Guaidó, líder da oposição venezuelana, em 2019. Depois, em uma nova versão da carta publicada nas redes sociais, trocou a expressão por "líder do Brasil".

Ao se referir ao documento, o deputado fez piada. Na quarta-feira (28), escreveu que a esquerda zombava de Flávio por ter se "autodeclarado" presidente e perguntou se estaria liberado zombar de quem se autodeclara alguma coisa. A publicação teve mais de 6 milhões de visualizações e 127 mil curtidas no X.

No Instagram, Nikolas publicou um vídeo em apoio ao boicote a empresas de eleitores de Lula, e chegou a 2,9 milhões de curtidas. No X, na quinta-feira (29), divulgou um vídeo de 19 segundos com a frase "faz o L e engole o choro", em resposta a uma conta de paródia que mostrava uma mulher, apresentada como esquerdista, reclamando que clientes de direita deixaram de frequentar seu comércio.

Antes, Nikolas já havia incentivado comerciantes de esquerda a colocar uma bandeira do PT na entrada de seus estabelecimentos, de modo a identificar os negócios a serem boicotados. O empresário Facundo Guerra, do Grupo Vegas, criticou o post e comparou a prática a perseguições do período nazista.

As publicações ocorrem em meio à circulação de listas de boicote divulgadas por apoiadores de Flávio. O Ministério da Justiça notificou ao menos quatro empresas que teriam recusado atendimento a apoiadores de Lula e afirma que os casos podem configurar prática abusiva e publicidade discriminatória.

Também na quarta, o deputado afirmou que o ministro que queria impedir a saída de Flávio do Brasil seria o mesmo consultado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para deixar o país. O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes determinou a entrega dos passaportes, a pedido da Polícia Federal.

Flávio deixou o país sem entregar os passaportes. Ele é alvo de investigação sobre recursos recebidos de Vorcaro para financiar "Dark Horse", filme sobre a vida do pai, e nega irregularidades.

O senador chegou com a mulher e duas filhas a Miami nesta quarta-feira (28). A carta de Flávio nos EUA teve ao menos quatro versões, duas publicadas pelo próprio senador em rede social e duas por aliados próximos da família Bolsonaro —uma das quais chegou a trazer um brasão com a palavra "Brazil", escrita com z.

A teoria golpista, sem fundamento ou provas, repete o que dizem bolsonaristas nas redes. Flávio já havia dito no domingo que não reconhecia a vitória do rival porque a Justiça Eleitoral aceitou esticar em duas horas o horário de votação, algo que seu próprio partido também pediu em algumas localidades. Na segunda, porém, antes da fuga do Brasil, havia modulado o discurso, falando em liderar a oposição.

No período da prorrogação da votação, pouco mais de 34 mil votos foram computados, e por fim o PL desistiu de protocolar ação pedindo a nulidade do pleito.

Por Luana Lisboa, Folhapress

Lula tenta evitar que caso Flávio Bolsonaro vire crise diplomática por ajuda de Trump em fuga

O presidente Lula (PT) decidiu não se envolver no enredo político da fuga de Flávio Bolsonaro (PL), senador e candidato derrotado ao Planalto, para os Estados Unidos.

A avaliação no Planalto é de que uma intervenção do petista seria despropositada, porque Flávio estaria se desgastando com a história e, por isso, não haveria sentido em arriscar uma crise diplomática com o presidente americano, Donald Trump, por causa do adversário político.

A determinação foi mantida mesmo depois de os jornais americanos The Wall Street Journal e The New York Times afirmarem que Trump ajudou Flávio a fugir para os EUA.

O jato particular em que Flávio viajou foi providenciado, segundo as duas publicações, por Jason Miller, funcionário de comunicação da Casa Branca —informação também sustentada por um aliado de Flávio à Folha.

Miller estreitou laços com a família Bolsonaro quando esteve no comando da Gettr, rede social conservadora. Em setembro de 2021, chegou a ser interrogado pela Polícia Federal no aeroporto de Brasília, em investigação sobre atos golpistas conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, após participar de conferência organizada por Eduardo Bolsonaro, na qual também se encontrou com Jair Bolsonaro, então presidente da República.

Flávio partiu rumo aos Estados Unidos após ser intimado pela Polícia Federal na segunda-feira (26) a entregar seus passaportes —ele é alvo de inquérito que apura seu envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro com bets. O senador passou por Argentina e Equador antes de chegar ao território norte-americano.

Auxiliares de Lula têm repetido que eventuais providências relacionadas à fuga de Flávio cabem ao Judiciário, não à Presidência da República. O chefe do governo tem demonstrado, em conversas internas, preferir dedicar seu tempo a outros assuntos –ele acaba de ser reeleito e precisa esquadrinhar sua nova gestão. Também tenta evitar que as negociações sobre o tarifaço fiquem ainda mais difíceis.

Um integrante do alto escalão diz que a fuga foi tão absurda que não deveria ser elemento com potencial de desencadear qualquer crise para Lula.

O governo brasileiro pretende preservar a relação comercial com os Estados Unidos e manter as negociações em curso, mesmo com as notícias que ligam o governo americano à fuga de Flávio. A avaliação interna é de que não convém colocar o episódio no centro da relação entre os dois governos.

Como mostrou a Folha, aliados do petista avaliam que Flávio Bolsonaro tenta atrair Lula para uma armadilha para sabotar a relação entre o petista e Trump, descrita como boa por ambos. Por esse raciocínio, o candidato derrotado busca provocar o presidente brasileiro para que ele tome uma atitude ou dê uma declaração que estresse sua relação com o presidente americano.

Na quarta-feira (28), o senador do PL divulgou uma carta em que se proclamava "verdadeiro presidente do Brasil". Depois, atualizou o documento e referiu-se a si mesmo como "líder do Brasil". Ele afirma, sem apresentar prova nenhuma, que a eleição brasileira foi fraudada. Na segunda (26), Flávio havia dito que desistiria de anular a eleição na Justiça e declarou que não fugiria do país.

Trump até o momento não reconheceu explicitamente a vitória de Lula e disse que a eleição brasileira foi uma vergonha. Apesar disso, ele afirma que conversará com o brasileiro. De acordo com Trump, o próprio Lula pediu que ele não tomasse lado na disputa.

A orientação dada aos auxiliares de Lula é não alimentar uma polêmica em torno da fuga de Flávio e manter uma postura pragmática. Integrantes do governo avaliam que Lula saiu fortalecido da reeleição e não precisa cobrar de Trump o reconhecimento da vitória, ainda não expressado pelo presidente americano.

Na avaliação de um auxiliar do Planalto, cobrar publicamente o reconhecimento poderia transmitir uma imagem de fragilidade que o Brasil não precisa assumir. Um diplomata do Itamaraty afirma que, neste momento, as providências relacionadas à saída de Flávio do país cabem ao Judiciário, e não ao presidente da República.

O governo também considera relevante o fato de partidos de diferentes espectros políticos, inclusive o PL, terem reconhecido a vitória de Lula. Outro reconhecimento considerado importante pelo governo foi o do presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, indicado ao STF por Jair Bolsonaro.

O grupo político do chefe do governo brasileiro diz acreditar que a ida do adversário para o exterior tende a dispersar seu eleitorado. No domingo (25), Flávio Bolsonaro teve 59,8 milhões de votos para presidente da República e perdeu para Lula por 3,6 pontos percentuais.

Diversos aliados de Lula relataram à Folha a avaliação de que a fuga de Flávio Bolsonaro é benéfica para o presidente reeleito. Em seu aniversário de 81 anos, o petista citou o episódio como um dos mais vergonhosos da história do Brasil.

A análise é de que o senador abandonou um patrimônio eleitoral imenso e desorganizou a oposição, que agora precisará construir uma nova opção de poder –ou seja, um nome forte e incontestável em seu campo político para disputar a próxima eleição presidencial contra o grupo de Lula.

Por Caio Spechoto, Mariana Brasil e Catia Seabra/Folhapress

Alcolumbre viu excesso em ordem para apreensão de passaporte de Flávio e procurou STF para reclamar

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), reclamou com pelo menos três aliados sobre o cancelamento do passaporte do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo STF (Supremo Tribunal Federal), disse que recorreria à corte para anular essa decisão e procurou o decano Gilmar Mendes na segunda-feira (26) para tentar uma saída mediada.

O movimento acabou abortado pela fuga de Flávio do país na terça-feira (27), o que fez com que o recurso ao STF perdesse o sentido, na avaliação de interlocutores do presidente do Senado. Flávio tinha até meio-dia de terça para entregar os passaportes à PF (Polícia Federal), mas não cumpriu a decisão e viajou para os Estados Unidos.

Procurado pela Folha, Alcolumbre negou a conversa em nota. "Não houve essa ligação do presidente Davi ao ministro Gilmar Mendes", disse sua assessoria. Gilmar também respondeu que eles não se falaram.

Três parlamentares aliados dele, no entanto, dizem que Alcolumbre contou ter ligado para o decano do Supremo na segunda para buscar uma solução negociada para o cancelamento do passaporte de Flávio. Ele argumentou que esse foi um ato desnecessário e que atingia o Senado Federal, já que o filho mais velho de Jair Bolsonaro tem mandato até fevereiro.

O presidente do Senado disse a um interlocutor que entraria com recurso no STF em nome da Casa para defender a legitimidade do senador de manter seus passaportes, mas que antes iria conversar com o ministro Alexandre de Moraes para defender que a medida tencionava ainda mais o clima político no país e dava munição aos bolsonaristas.

Moraes determinou o cancelamento e apreensão dos passaportes após o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) proclamar a vitória do presidente Lula (PT) na eleição presidencial. Ele atendeu a um pedido da Polícia Federal, que apontou "risco concreto de evasão do território nacional" por parte de Flávio, para evitar uma possível prisão devido aos processos nos quais é investigado no STF.

A decisão foi usada pelo senador para justificar a fuga do país, dizendo-se perseguido e alegando, sem apresentar provas, que houve fraude na eleição em que foi derrotado. Ele chegou a publicar uma carta nas redes sociais afirmando ser o "verdadeiro presidente" do Brasil, mas recuou depois, alterando a carta para se dizer "líder do Brasil".

A reclamação de Alcolumbre com a decisão visa diminuir a tensão entre o Senado e o STF. O senador quer se reeleger na presidência da Casa em 2027, mas enfrenta uma bancada de direita dilatada e eleita com a promessa de dar andamento ao impeachment de ministros. Ele é contra e tenta apaziguar os ânimos entre os Poderes.

Como mostrou a Folha, uma das promessas é propor que seja concedido um indulto ou anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso desde agosto de 2025 pela participação numa tentativa de golpe de Estado.

Alcolumbre afirmou a aliados que vai conversar com o presidente Lula para defender que ele assine um indulto humanitário a Bolsonaro. Se o petista não aceitar, ele vai defender a aprovação de uma anistia pelo Congresso e tentar convencer o presidente a não vetar.

A oposição, por sua vez, deu de ombros à iniciativa de Alcolumbre. Embora alguns senadores afirmem nos bastidores que esse primeiro gesto poderia levar a uma reaproximação, a maioria defende que não há chance de apoiar a reeleição do amapaense.

Por Raphael Di Cunto/Folhapress

Câmara de SP aprova análise de impeachment contra Ricardo Nunes

Foi aprovada nesta quarta-feira (28), na Câmara Municipal de São Paulo, a instalação de uma Comissão Especial para analisar o pedido de impeachment do prefeito Ricardo Nunes (MDB). A denúncia foi protocolada no domingo (25) pelos vereadores Amanda Paschoal (PSOL-SP), Celso Giannazi (PSOL-SP) e Silvia da Bancada Feminista (PSOL-SP) por "infrações político-administrativas e crimes de responsabilidade".

A vereadora argumenta que Nunes descumpriu a ordem judicial da 1ª Zona Eleitoral em disponibilizar 100% da frota dos ônibus municipais para o pleito do segundo turno. Ela argumenta que 30% da frota de ônibus ficou retida nas garagens, prejudicando o deslocamento dos eleitores pela cidade.

As denúncias se baseiam no artigo 73 da Lei Orgânica do Município e no Decreto-Lei nº 201/1967, por "antentar" contra a probidade administrativa e o cumprimento de decisões judiciais.

Paschoal também aponta para o assédio eleitoral e abuso de poder cometido pelo prefeito contra servidores comissionados da Prefeitura. Os pedidos, conforme expõe a denúncia, eram acompanhados de ameaças de exoneração para trabalharem em atos de campanha política.

À CNN Brasil, Paschoal disse que espera apoio popular para o prosseguimento da Comissão. Conforme levantamento feito pela reportagem, foram marcados três atos pedindo o impeachment de Ricardo Nunes. Um desses atos acontece ainda nesta quarta-feira, em frente à Prefeitura, enquantos os outros dois serão na Praça Roosevelt e no Largo da Batata para a próxima sexta-feira (30) e o próximo sábado (31).

"Espero que nós consigamos, através da pressão popular, da ocupação das ruas, tanto na prefeitura, ter uma melhor analise [do pedido de impeachment", disse Paschoal.

A comissão de sete vereadores começará os trabalhos na quinta-feira (29) e, segundo o regimento interno da Câmara dos Vereadores, o pedido de impeachment deve ser lido na sessão subsequente à denúncia e ser despachada avaliação da comissão especial, composta por Luana Alves (PSOL), Rubinho Nunes (União Brasil), Hélio Rodrigues (PT), Kenji Ito (Podemos), Major Palumbo (PP), Sandra Tadeu (PL) e Sandra Santana (MDB).

O parecer de admissibilidade do pedido terá de ser expedido pela comissão em até dez dias. Caso seja admitido, precisará ser votado em plenário para avançar. Caso contrário, será arquivado. https://www.msn.com/

Valdemar critica carta de Flávio Bolsonaro com teor golpista: “Não gostei”- Por Redação

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quinta-feira (29) que não gostou da carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro, candidato derrotado à Presidência, na qual ele se declarou inicialmente o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. A declaração foi dada antes de uma reunião com o ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Valdemar disse que pretende discutir “muitas novidades” e a situação política com o aliado. A informação é da CNN.

Na carta, Flávio manteve acusações de fraude eleitoral sem apresentar provas e afirmou que pretende liderar a oposição ao governo Lula a partir do exterior. Após publicar a primeira versão do texto, o senador apagou a postagem e divulgou outra, na qual se definiu como “líder” do país. A manifestação contrariou a posição oficial do PL, que reconheceu o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio.

A reunião entre Valdemar e Jair Bolsonaro ocorre em meio à reorganização do partido após a derrota eleitoral e à repercussão da saída de Flávio do Brasil. O senador deixou o país na terça-feira (27), passou pela Argentina e pelo Equador e desembarcou em Miami, nos Estados Unidos, segundo dados do FlightRadar24. A viagem surpreendeu integrantes da cúpula do PL, e Valdemar convocou dirigentes estaduais para alinhar o discurso e discutir os próximos passos da legenda.

PF investiga se Flávio Bolsonaro teve ajuda de empresários e políticos para deixar o Brasil-Por Redação

A Polícia Federal investiga se o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência, contou com o apoio de empresários e políticos de direita para deixar o Brasil e seguir para os Estados Unidos. Segundo relatos obtidos pela CNN Brasil, os investigadores apuram quem são os proprietários dos carros e aviões utilizados no deslocamento e não descartam solicitar a quebra de sigilos telefônicos e telemáticos para esclarecer as circunstâncias da viagem.

Flávio seguiu inicialmente para a fronteira com a Argentina, onde embarcou em um avião que fez uma parada para reabastecimento no Equador antes de continuar para os Estados Unidos. A PF já monitorava uma possível fuga antes do resultado do segundo turno. De acordo com relatos à CNN, o plano teria o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), do ex-deputado Eduardo Bolsonaro e do advogado e empresário Willer Tomaz, os dois últimos atualmente nos Estados Unidos.

A investigação também considera a hipótese de que o envio de recursos para fundos no exterior, provenientes da arrecadação com o filme Dark Horse, faça parte de uma estratégia para viabilizar a permanência de Flávio fora do país. O senador é investigado por evasão de divisas em dois inquéritos da PF, sendo um deles relacionado a transferências de dinheiro realizadas também por meio de negócios com Willer Tomaz. Após a derrota eleitoral, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia determinado a apreensão dos passaportes do candidato do PL.

Auxílio de Milei para fuga de Flávio Bolsonaro agrava deterioração da relação do Brasil com a Argentina

Foto: Reprodução/Arquivo/Instagram
As revelações de que o governo de Javier Milei prestou auxílio ao plano de fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) devem agravar ainda mais a deterioração da relação entre Brasil e Argentina —que já se encontra em um dos piores momentos nas últimas décadas.

Segundo reportagens da imprensa argentina, a Casa Rosada atuou para facilitar a operação que resultou no embarque de Flávio e familiares em Porto Iguaçu, na Argentina, com destino a Miami, nos Estados Unidos. O senador fugiu do Brasil após perder a eleição para o presidente Lula (PT) e ser alvo de uma ordem judicial que determinou a entrega de seus passaportes.

Meios de comunicação do país vizinho relataram que Santiago Caputo, assessor especial de Milei, estava em Iguaçu no momento da decolagem e, além disso, que teria sido colocado à disposição do senador o veículo que o levou à aeronave.

No discurso divulgado nesta quarta-feira (28), Flávio agradeceu a Milei "pela coragem, senso de justiça e legalidade".

Para integrantes do governo Lula ouvidos pela Folha, a sucessão de acontecimentos corrói ainda mais a pouca confiança que existia entre autoridades dos dois países.

Havia a expectativa de que a eleição no Brasil pudesse representar uma oportunidade para restabelecer condições mínimas para um relacionamento político, mas, segundo auxiliares de Lula, as recentes ações do governo Milei apontam para o congelamento do status quo, que deve se prolongar até, pelo menos, o pleito argentino de outubro de 2027.

De acordo com esses auxiliares, o retorno dos embaixadores às respectivas capitais torna-se, no atual contexto, hipótese extremamente improvável.

Em agosto, o governo Lula orientou o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, a voltar a Buenos Aires. Ao mesmo tempo, o Palácio do Planalto decidiu que o embaixador na Argentina, Julio Bitelli, permaneceria no Brasil.

As medidas, inéditas na relação moderna entre os países vizinhos, ocorreram em resposta a ataques de Milei contra o petista. Presente no lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, Milei se referiu a Lula como ladrão e presidiário e chamou de "lixo careca" o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

Do lado brasileiro, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamou o portenho de "palhaço", e o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), classificou o argentino como "caricatura patética" e puxa-saco de Donald Trump.

Nas semanas seguintes, Milei proferiu diversas ofensas a Lula nas redes sociais.

Na madrugada desta quarta-feira (28), a Direção Nacional de Migrações da Argentina informou, no X (ex-Twitter), que Flávio, a esposa dele e as duas filhas cruzaram a fronteira terrestre pela Ponte Internacional Tancredo Neves às 22h50 de terça-feira (27).

"Às 23h30, a comitiva que chegava embarcou em um voo privado operado pela companhia Baires Fly S.A., com destino à cidade de Guayaquil, no Equador, conforme informado no plano de voo", disse o comunicado.

Ao longo de terça, segundo integrantes do governo Lula ouvidos pela Folha, houve intensa comunicação com autoridades argentinas, que reiteravam que, até aquele momento, não havia qualquer registro da entrada de Flávio Bolsonaro no país vizinho.

Para o lado brasileiro, a dificuldade de comunicação com autoridades argentinas no caso Flávio é vista como um reflexo do péssimo momento que a relação bilateral atravessa.

O auxílio ao senador não foi o único episódio que contribuiu para azedar o relacionamento entre Brasil e Argentina.

Também na terça, o porta-voz de Milei, Adrian Ravier, afirmou a jornalistas que o governo argentino não faria nenhum tipo de comunicado sobre a vitória eleitoral de Lula. Ele disse que, em 2023, Lula também teria ignorado a eleição de Milei. A justificativa de Ravier, porém, é falsa, uma vez que o petista parabenizou as instituições e o povo argentino pela condução do processo eleitoral.

Por Ricardo Della Coletta/Folhapress

Fuga de Flávio precipita ascensão de Tarcísio, e direita aposta em nomes do Senado para liderar oposição

Foto: Pablo Jacob/Arquivo/Governo de SP
A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL), nesta terça-feira (27), após a derrota para o presidente Lula (PT), deve antecipar a liderança nacional do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e levar ao enfraquecimento do clã Bolsonaro, segundo integrantes da direita.

Quando questionados a respeito da fuga, políticos bolsonaristas disseram sob reserva que o sentimento majoritário no grupo, mesmo entre os considerados mais moderados, era de compreensão com a decisão de Flávio de deixar o Brasil pelo que veem como "perseguição" à direita.

Após Flávio divulgar uma carta golpista nesta quarta-feira (28), partidos e políticos se distanciaram mais do senador, reiterando o resultado das urnas —foi o caso de Tarcísio e de Rogério Marinho (PL-RN), que endossaram ainda assim o sentimento de injustiça de Flávio.

Alguns deputados do PL, como Gustavo Gayer (PL-GO), por outro lado, compartilharam o documento.

Congressistas afirmam que o senador não terá condições práticas ou até morais de se tornar um líder morando nos Estados Unidos e que o vácuo de poder será natural e gradualmente ocupado por Tarcísio.

Após a carta golpista, o governador declarou que entende o sentimento de indignação e revolta de Flávio, mas que "o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente". Na tarde de segunda, Flávio foi aconselhado pelo governador e pela cúpula da campanha a desistir de contestar o resultado das urnas.

Nessa reunião, que teve também a presença de Marinho e de advogados, o grupo buscou convencer Flávio de que o discurso inflamado não era um bom caminho, e que o questionamento da eleição poderia passar pelo uso da máquina por Lula, mas não pela votação em si.

Depois da fuga de Flávio, na terça, Tarcísio também já tinha se pronunciado em vídeo —com fala lida por alguns políticos como uma forma de preencher o espaço deixado por Flávio e como uma espécie de crítica. O governador começou, por exemplo, agradecendo a cada um dos quase 60 milhões de eleitores que votaram em Flávio.

Integrantes do PL afirmam que, mesmo no exterior, Flávio terá influência sobre a oposição, mas admitem que os embates diários vão exigir nomes que possam orientar o grupo estando no país, principalmente no Congresso.

Nesse contexto, são mencionados senadores como o próprio Marinho, Michelle Bolsonaro (PL-DF) e Tereza Cristina (PP-MS). Por isso, a fuga de Flávio também aumentou a pressão —principalmente no PL— sobre a presidência do Senado.

Parlamentares e governadores bolsonaristas dizem ser fundamental eleger o próximo presidente da Casa para conseguir organizar a direita e fazer frente ao presidente Lula e ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Eles argumentam que, mesmo que Tarcísio se consolide como o principal candidato da direita para 2030, só com a Presidência do Senado será possível fazer um contraponto em Brasília e implementar a agenda deste campo.

A ideia inicial era que Flávio unificasse os papéis de líder nacional e de articulador da direita no Congresso.

Na véspera da fuga, ele foi aconselhado a abandonar o tom golpista de domingo (25), aceitar o resultado da eleição e assumir essa liderança da oposição no Brasil. Segundo relatos, aliados ressaltaram a Flávio que ele superou o próprio pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em número de votos, o que não era trivial.

Mas Flávio decidiu fugir para os Estados Unidos e divulgou uma carta golpista em que se autoproclamava "verdadeiro presidente do Brasil". A versão original foi alterada cerca de uma hora depois, quando o trecho de "presidente" foi mudado para "líder do Brasil".

Apesar da frustração do plano de que Flávio ficasse no país para organizar a direita, o senador tem sido tratado por correligionários como um perseguido político, e não como covarde ou fugitivo.

Os bolsonaristas no Brasil dizem que, se até uma pessoa que saiu das urnas com quase 60 milhões de votos, como Flávio, continua sendo alvo de Alexandre de Moraes, não haverá qualquer sinal de conciliação por parte do STF ou de Lula.

Foi o caso de Marinho, que coordenou a campanha de Flávio. "Nós evidentemente não fomos informados [da fuga], mas até compreendo", afirmou antes da chegada de Flávio a Miami.

Para o congressista, a atuação de Moraes indica perseguição. "Numa democracia é muito estranho que um candidato à Presidência da República, após a proclamação do resultado, seja objeto de medida cautelar", comentou.

Depois da carta golpista, porém, Marinho reiterou que não houve fraude nas eleições. "Suponho que seja desabafo de alguém que está se sentindo injustiçado", disse.

O senador e governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), disse que "no contexto, Flávio deixar o país é compreensível". "Em que tipo de país o candidato da oposição à Presidência, que teve 59 milhões de votos, tem o seu passaporte apreendido no dia seguinte à eleição? O Brasil segue longe da normalidade institucional", afirmou.

Um senador eleito da direita afirmou que a decisão de tomar o passaporte de Flávio logo após sua derrota é algo típico de ditaduras.

Como mostrou a Folha, integrantes da cúpula da campanha do Flávio negaram terem sido informados por ele da fuga e, inclusive, demonstraram desconforto com a situação nos bastidores.

Um deles foi o próprio Tarcísio. Segundo aliados, o governador não tinha informações do paradeiro e ficou irritado com a mudança de postura do senador, que horas antes havia ouvido os conselhos de moderação dele e de auxiliares próximos. Em reação, Tarcísio divulgou vídeo em suas redes sociais em que se posiciona como líder da direita e cobra responsabilidade com a votação recebida pela oposição.

Depois de lembrar o tamanho da votação do aliado, emenda: "A direita brasileira recebeu das urnas uma responsabilidade. Recebeu força no Congresso e nos estados".

"Agora é hora de unidade, de uma oposição vigilante que cobre responsabilidade fiscal, que propõe aquilo que melhora a vida das pessoas e que fiscalize de perto quem governa pelos próximos quatro anos", disse ainda, repetindo seis vezes que a eleição passou.

Ainda na tarde de segunda, Flávio tinha divulgado um vídeo no tom pedido pelos aliados, reconhecendo tacitamente a derrota e se colocando como líder da oposição. No mesmo vídeo, ele diz que vai entregar os passaportes. "Nunca pensei em sair do país", afirma. Em seguida, deixou o país, surpreendendo esses aliados que o haviam aconselhado de forma contrária.

"Eu vou reunir os deputados e senadores eleitos pra organizar a nossa estratégia e fazer da Câmara e do Senado a nossa fortaleza contra a barbárie que já tá desenhada. [...] Não vamos desistir do nosso Brasil", disse.

Por Thaísa Oliveira e Carolina Linhares/Folhapress

'Nem eu nem PL podemos dizer que houve fraude nas eleições', diz chefe de campanha de Flávio

Rogério Marinho classifica carta com teor golpista como 'desabafo' de candidato derrotado à Presidência
O coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), Rogério Marinho (PL-RN), afirmou nesta quarta-feira (28) que nem ele nem o PL podem afirmar que houve fraudes nas eleições deste ano, como disse o candidato derrotado à Presidência em uma carta com teor golpista, porque "não há provas nesse sentido".

Em entrevista a jornalistas no Senado, Marinho disse que Flávio "está fazendo um desabafo" diante de um resultado "inesperado" no segundo turno. "É evidente que, se você faz alguma afirmação, precisa trazer provas. Eu não posso fazer essa afirmação, não tenho provas e eu acabei de dizer que [a carta] é um desabafo de alguém. Suponho que seja desabafo de alguém que está se sentindo injustiçado", declarou.

Flávio Bolsonaro trocou a expressão "verdadeiro presidente" por "líder do Brasil" na abertura de um texto golpista divulgado nesta quarta. Ele fugiu para os Estados Unidos após perder o segundo turno das eleições para Lula (PT) no domingo (27), com 48,21% dos votos válidos, contra 51,79% do petista. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e o próprio PL reconheceram o resultado das urnas.

Ao menos quatro versões do documento de Flávio circularam, mas apenas as duas últimas foram publicadas pelo próprio senador. "Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil", afirmava a abertura das versões divulgadas pelos aliados.

Líder da oposição no Senado, Rogério Marinho negou ter tido conhecimento prévio sobre o documento e, perguntado sobre a mudança das expressões, limitou-se a dizer que "deve ter havido algum problema na confecção da carta" e que a versão publicada por último, em que Flávio recua, é a oficial.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura, enviou uma nota em que prega respeito ao resultado das urnas, afirma que a eleição acabou e que é hora de a direita unir esforços.

"O atual momento exige serenidade e respeito ao resultado das urnas. A eleição acabou, e agora é hora de olhar para a frente e cuidar do Brasil que queremos construir. Seguiremos trabalhando e fiscalizando as ações do governo. É hora de a direita unir esforços, defender os interesses de milhões de brasileiros e manter o compromisso com o futuro do nosso país", disse a senadora.

Um congressista de direita disse, com a condição de não ser identificado, que não vê apoio à carta de Flávio na ala mais moderada do PL e que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), deve ter cada vez mais espaço como líder do grupo, mesmo filiado a outro partido.

Segundo ele, a dúvida ainda paira sobre aqueles que estão na ala mais radical do PL —e que, em muitos casos, também fizeram coro ao ataque golpista de 8 de Janeiro.


Nas redes sociais, a carta de Flávio foi ignorada por diversos aliados que costumam compartilhar as publicações do senador. Um dos poucos que divulgou o texto foi o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), que está foragido, e o deputado federal e senador eleito Gustavo Gayer (PL-GO).

O ex-ministro de Jair Bolsonaro Adolfo Sachsida, coordenador econômico da campanha de Flávio e era cotado para o Ministério da Fazenda em caso de vitória, foi questionado pela reportagem sobre a carta, mas não respondeu.

O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que é general do Exército da reserva e foi vice-presidente no governo de Jair Bolsonaro (PL), disse que o texto de Flávio é "pura ação política", e não há apoio ao tom de golpe empregado no documento.

Partidos de centro também se manifestaram poucas horas após a divulgação da carta, sem citá-la diretamente. Dois deles, o União Brasil e o MDB, apoiaram o candidato do PL, mas deixaram clara a posição de respeito ao resultado de domingo.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi questionado por jornalistas a respeito do texto, mas não deu declarações.

Na entrevista, Rogério Marinho também relatou ter tido um contato com Flávio no início da noite desta quarta por meio de um advogado, o qual não citou o nome, e que deve voltar a conversar com ele com mais regularidade a partir desta quinta-feira (29). Disse, porém, que não discutiu com o senador sobre como ele irá fazer oposição dos Estados Unidos ou sobre quais seriam as condições para retornar ao país.

O líder da oposição no Senado ainda voltou a negar ter tido conhecimento da fuga do candidato derrotado. Aliados de Flávio Bolsonaro afirmaram reiteradamente desconhecer onde estava o candidato, enquanto outra parte confirmava que ele já estava nos Estados Unidos na terça-feira (27). Ele chegou ao país nesta manhã, depois de cruzar a fronteira pela Argentina e fazer escala no Equador até Miami, na Flórida.

"Tentei contactá-lo no começo da manhã de ontem, porque estive com ele pela última vez às 16h, 16h e pouco da tarde da segunda-feira [26] até ele gravar um vídeo. Estava lá com um grupo de pessoas. E, como não consegui contato com ele, tentei através das pessoas que estavam em seu entorno. Ele me mandou uma breve mensagem de texto, 8h20, 8h30, e depois não tive mais contato com ele", declarou Marinho.

Na carta, o bolsonarista agradece os presidentes da Argentina, Javier Milei, e dos EUA, Donald Trump. O republicano, no entanto, disse que não vai se envolver na situação política do Brasil, mas confirmou que autorizou a entrada de Flávio no país –onde ingressou com registro humanitário de até um ano de vigência.

Marinho minimizou a declaração de Trump: "[O presidente dos EUA] Tem direito de opinar sobre eleições, mas eu espero, de fato, que não haja nenhuma intervenção no processo interno do Brasil".

O senador também afirmou que a equipe da campanha vai insistir nas ações apresentadas ao TSE que acusa a chapa de Lula e Geraldo Alckmin (PSB) de abuso de poder econômico por iniciativas consideradas eleitoreiras, como o perdão de cerca de R$ 15 bilhões em dívidas de microempreendedores.

CENTRÃO ISOLA NARRATIVA DE FLÁVIO

O MDB publicou em seu perfil no X, o antigo Twitter, que "reafirma sua total confiança no sistema eleitoral brasileiro e, portanto, na legitimidade do resultado do pleito".

O presidente do União Brasil, o deputado eleito Antônio Rueda, publicou uma declaração em seu Instagram. O partido declarou que a democracia é "um valor inegociável" e "não depende de quem vence ou perde uma eleição, mas do compromisso de todos com o veredito das urnas".

O PP, que está federado com o União Brasil e também apoiou Flávio Bolsonaro, não se manifestou até o momento. "A eleição de 25 de outubro transcorreu com lisura e o seu resultado deve ser respeitado", completou Rueda.

O PSD de Gilberto Kassab reafirmou, após a carta com teor golpista, o reconhecimento da eleição do presidente Lula. O candidato do partido à Presidência, Ronaldo Caiado, apoiou Flávio Bolsonaro, mas a legenda permaneceu neutra.

Por Isadora Albernaz/Thaísa Oliveira/Augusto Tenório/Folhapress

Malafaia diz achar fuga de Flávio 'corretíssima', e Rodovalho compara o senador a Cristo- Por Redação

A tentativa de transformar a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para Lula (PT) em perseguição política à direita encontra respostas distintas entre pastores que apoiaram a candidatura do senador à Presidência.

Se na terça-feira (27), Silas Malafaia divulgou vídeo para prestar sua gratidão ao presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, pela devolução de seu passaporte, o pastor gravou nova fala nesta quarta (28), desta vez para encorpar a tese de que a família Bolsonaro é alvo de uma ofensiva da corte capitaneada por Alexandre de Moraes, a quem gosta de se referir como "ditador da toga".

Já Cláudio Duarte, um dos pastores com maior apelo digital no país, procurou se afastar da disputa. O bispo Robson Rodovalho, da igreja Sara Nossa Terra, justificou a evasão do país com uma alusão ao messias cristão. "Até Jesus Cristo ensinou a se proteger debaixo de perseguições."

A reação dos religiosos ocorre em meio à repercussão da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, após Moraes determinar a apreensão do passaporte do senador e proibi-lo de deixar o país. Ele fugiu para os Estados Unidos, para onde seu pai também foi após perder a eleição de 2022 para Lula e onde seu irmão está desde o ano passado.

Também alegando ser alvo de perseguição política no Brasil, Eduardo Bolsonaro (PL) atuou junto ao governo Donald Trump para pressionar autoridades brasileiras e tentar barrar o julgamento de Jair Bolsonaro, condenado pelo STF.

A Polícia Federal solicitou a medida contra Flávio minutos depois de o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) confirmar a vitória de Lula no domingo (25). A PF apontou risco de evasão do território nacional e citou vínculos financeiros investigados e uma declaração de Eduardo Bolsonaro favorável à saída do senador do país caso perdesse o pleito.

Malafaia, um dos principais aliados da família Bolsonaro, reagiu à circulação de um vídeo antigo no qual criticava a decisão de Jair Bolsonaro de ir para os Estados Unidos após perder para Lula quatro anos atrás.

O pastor chamou de "esquerdopatas canalhas" os que resgataram a entrevista para confrontá-la com a situação atual, no que julga ser uma distorção —como se ele estivesse falando de Flávio em vez de Jair.

Disse que, se antes achava que Jair deveria ter ficado no país para liderar a oposição a Lula, agora revê sua posição. "Na época eu pensava assim. Depois vi que, se Bolsonaro ficasse aqui, ia ser preso lá atrás."

Malafaia acusa Moraes de atuar como "agente político", e não como magistrado imparcial. Achou "corretíssima" a decisão do candidato derrotado nas urnas em deixar o Brasil. "Estou vendo a esquerda espernear. Queria que Flávio ficasse aqui pra ser preso sem o devido processo legal?"

O pastor afirma ainda ter conversado com Flávio na manhã de segunda-feira (26), mas nega que o senador tenha mencionado a intenção de sair do Brasil. Segundo ele, a conversa se limitou à avaliação do resultado eleitoral.

"Falamos sobre o porquê da derrota, eu fazendo conjecturas com ele. Onde é que nós erramos e tal. Foi só sobre isso. Não comentou nada comigo."

No dia seguinte, Malafaia recebeu a notícia de que seu passaporte, retido em agosto de 2025, seria devolvido.

O passaporte foi apreendido por determinação de Moraes, no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de coação no curso do processo e obstrução de Justiça relacionadas à tentativa de pressionar o Judiciário durante o julgamento de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

Áudios vazados da conversa entre Malafaia e Bolsonaro tiveram relação direta com a investigação. Extraídos do celular do ex-presidente, eles mostravam o pastor discutindo estratégias de comunicação e pressão política, inclusive em meio às sanções anunciadas pelo governo Trump contra o Brasil, e criticando Eduardo Bolsonaro, a quem chamou de "babaca", "inexperiente", "idiota" e "estúpido de marca maior".

Para a PF, as conversas indicavam possível articulação para constranger ministros do Supremo e interferir no processo. Malafaia contestou a investigação e criticou a divulgação das conversas privadas.

O posicionamento de Malafaia sobre a fuga de Flávio contrasta com o de Cláudio Duarte, que apoiou o primogênito de Jair com entusiasmo durante a campanha, mas publicou nesta quarta-feira (28) um vídeo em que se distancia da disputa política.

"Quem venceu, venceu, quem perdeu, perdeu", afirmou. Disse ainda que o triunfo lulista não interfere em sua vida e evitou aderir à narrativa de perseguição que circula entre setores do bolsonarismo.

"Eu não quero que Lula faça um mau governo. Eu quero que o país cresça, quero que você hoje que está feliz com essa vitória que permaneça feliz."

A posição do pastor aponta para uma tentativa de encerrar o embate eleitoral e preservar a relação com fiéis de diferentes preferências políticas, sem prolongar a polarização após o resultado das urnas.

Rodovalho, por sua vez, disse que recebeu com "grande surpresa" a notícia de que o ex-presidenciável havia trocado o Brasil pelos EUA. Mas disse entender Flávio.

"Acho que é natural garantir sua integridade física. Até Jesus Cristo ensinou a se proteger debaixo de perseguições. Vamos aguardar se existem causas que justificam esses atos do STF. Na luz que temos agora, foi agressivo e desnecessário apreender seu passaporte."