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Garotinho nega que Flávio Bolsonaro apareça em vídeo na festa de Vorcaro

Ex-governador do Rio diz que "noite das astronautas" teve senadores, deputados e governadores, mas sem a presença do presidenciável

O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho

O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho publicou um vídeo nesta quinta-feira (2) para esclarecer que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não aparece nas gravações de uma festa organizada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Segundo Garotinho, a gravação de 12 minutos mostra uma festa de Vorcaro apelidada de "a noite das astronautas", com homens pelados e mulheres nuas e de capacetes. O registro traria empresários e autoridades de Brasília dos três Poderes que publicamente "defendem a família".

A manifestação do ex-governador foi um esforço para desmentir boatos de que Flávio estava na festa. Isso ocorreu após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro trazer o assunto de volta à tona.

Na segunda-feira (29), Michelle repostou em suas redes sociais um vídeo de 29 de maio de Garotinho comentando o evento. Ela compartilhou o registro a partir do perfil da jornalista Julie Milk, com o título "a verdade de Jesus vai prevalecer".

A postagem de Michelle gerou críticas de aliados de Flávio Bolsonaro, que viram o gesto como uma provocação. O senador virou alvo do escândalo do Master por pedir dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse", que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Garotinho criticou o uso político de sua fala e disse que o vídeo foi gravado para denunciar desvios no governo do Rio e farras no exterior, sem relação com Flávio. "Não há citação, não há nome algum, nos 12 minutos que eu tenho de gravação da festa dos astronautas, repito, com mulheres e homens pelados, não há nenhuma imagem do senador Flávio Bolsonaro. Eu nunca disse que tinha e nem disse que não tinha. Hoje eu estou dizendo que não tem nas gravações que eu tenho".

O ex-governador ressaltou que não vai se envolver na briga familiar: "Essa confusão entre Michelle e Flávio Bolsonaro, eu não vou me meter. Se ele esteve e não foi filmado, isso é problema de outra pessoa", disse. Ele também diz que a festa não aconteceu em Nova York.

Segundo Garotinho, o material bruto está guardado sob segredo de Justiça na "sala cofre" do STF (Supremo Tribunal Federal), sob a relatoria do ministro André Mendonça.

Segundo o político, as imagens mostram outras figuras públicas de Brasília que costumam adotar um discurso moralista. "Estavam lá autoridades do poder Executivo, Legislativo e Judiciário. Senadores, deputados federais, governadores, ex-governadores e muitos secretários", disse.

Garotinho explicou que, por razões legais, não divulgará os nomes das autoridades filmadas nem o conteúdo bruto da gravação enquanto a Justiça proteger o processo.
Por Mariana Grasso/Folhapress

ANJ cobra apuração sobre quebra de sigilo da jornalista Malu Gaspar

O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro
A ANJ (Associação Nacional de Jornais) cobrou investigação imediata sobre o teor dos diálogos que mostraram que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o publicitário Thiago Miranda, dono da agência Mithi, fizeram uma devassa em dados pessoais da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo.

Mensagens obtidas pela Polícia Federal indicam que, a pedido de Vorcaro, o publicitário repassou informações pessoais e financeiras da jornalista em uma tentativa de "frear" suas apurações sobre o Banco Master. Os diálogos, extraídos do celular do ex-banqueiro, foram divulgados pelo site Fatos on-line e confirmados pela Folha.

A associação, em nota divulgada nesta quinta-feira (2), disse que recebeu "com indignação" a informação de que o ex-banqueiro e o publicitário "atuaram com métodos mafiosos para tentar intimidar a colunista".

"Além de condenar com veemência a tentativa de intimidação ao livre trabalho jornalístico, a ANJ espera a imediata investigação sobre o acesso a dados pessoais da jornalista, que, como todos os cidadãos, deveria estar sob proteção legal dos órgãos oficiais e da LGPD [Lei Geral de Proteção de Dados]."

Os diálogos entre o ex-banqueiro e o publicitário ocorreram entre março e abril de 2025. Conforme as mensagens, ao fazer busca de dados financeiros da jornalista, eles mapearam transações de seus cartões e a média de sua renda, ao que Miranda conclui a Vorcaro: "Realmente meu amigo, não tem absolutamente NADA".

Mesmo assim, o publicitário afirma que precisa "arrumar uma forma de calar essa mulher". Surge então a ideia de tentar contratá-la "por uma proposta milionária" pela revista IstoÉ, que é do grupo que controla a Entre Investimentos. A empresa teria sido utilizada por Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Ainda conforme a troca de mensagens, eles desistem da ideia e pensam, então, em oferecer um contrato pelo Grupo Leo Dias, do qual Miranda era CEO até junho de 2025. As propostas não vão adiante.

O jornal O Globo publicou nota, na quarta (1º), afirmando que "repudia a devassa ordenada pelo investigado na vida da colunista Malu Gaspar, uma das mais respeitadas jornalistas do país" e que a ação "visava calar a voz da imprensa e revela um modus operandi do grupo criminoso".

A defesa do ex-banqueiro ainda não se manifestou sobre o assunto. Vorcaro está preso desde março na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes operadas pelo Master.

O ex-banqueiro contratou Miranda para planejar direcionamentos de sua gestão de crise. Perfis que receberam repasses de sua agência promoveram ataques coordenados contra o BC (Banco Central) e o ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução da autarquia, Renato Gomes.

Os contratos com os influenciadores foram firmados pela agência Mithi. Somados, eles chegavam a R$ 8 milhões, mas a maioria foi interrompida após a PF começar a investigar a onda de postagens contra o BC, em janeiro.
Por Folhapress

Lula propõe que população escolha destino de emendas e cria novo atrito com Congresso

Proposta autoriza Executivo a cancelar recursos de emendas parlamentares para população escolher destino do dinheiro a partir de 2027

Foto: Ricardo Stuckert/PR/Arquivo

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quer destinar o dinheiro de emendas parlamentares para o chamado orçamento participativo, em que a população escolhe o que fazer com o recurso. A proposta começou a ser debatida no Congresso Nacional e enfrenta resistências.

O Poder Executivo encaminhou um ofício ao Legislativo para alterar o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027. A medida autoriza o governo a instituir um processo de orçamento participativo para a alocação de recursos da União.

Um dos dispositivos permite que emendas individuais, aquelas indicadas por cada deputado e senador, sejam canceladas para as ações selecionadas pelo processo participativo.

Para isso acontecer, o parlamentar teria que concordar com o cancelamento de sua emenda. Além disso, poderia escolher que município receberia o recurso, mas não em que o dinheiro seria usado.

O governo ainda terá que definir como vai construir o orçamento participativo e quais ações serão contempladas no Orçamento de 2027, a ser enviado ao Congresso Nacional até o dia 31 de dezembro deste ano.

A proposta do governo divide parlamentares até mesmo dentro da base aliada do presidente Lula. “Devolver ao governo as rédeas do Legislativo? Acho muito difícil ser aprovado”, afirmou o líder do PDT na Câmara, Mário Heringer (MG).

Caberá ao Congresso Nacional, na votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias, decidir se aceita ou não a medida proposta pelo governo. Se aceitar, os parlamentares ainda terão que autorizar o cancelamento de suas emendas em 2027.

“Todo orçamento público tem que ser participativo. Essa ideia vai acabar o desejo daqueles que querem ser deputados só para administrarem emendas parlamentares. Apoio a ideia em 100%”, afirmou o deputado Hildo Rocha (MDB-MA), vice-líder do governo no Congresso.

Emendas são recursos indicados por congressistas no Orçamento da União. O parlamentar escolhe para onde vai o dinheiro e no que será gasto. Cabe ao governo pagar conforme a vontade do político.

Desde as eleições de 2022, Lula se queixa do crescimento dos recursos controlados pelo Congresso e tentou recuperar nacos do Orçamento capturado pelo Legislativo, mas não reverteu o fenômeno e se tornou o presidente que mais pagou emendas na história.

Em 2026, as emendas parlamentares devem somar R$ 50 bilhões no Orçamento da União. O valor representa 20% de tudo que a União tem para gastar com investimentos e manutenção da máquina pública. O Congresso chegou a aprovar um montante de R$ 60 bilhões, por meio de emendas paralelas e “disfarçadas”, mas o governo acabou cancelando uma fatia e destinando para programas prioritários dos ministérios.

Só as emendas individuais totalizam R$ 26,6 bilhões neste ano. O governo controla o momento da liberação, mas é obrigado a executar o dinheiro conforme a vontade do parlamentar. A mudança proposta para 2027 abriria um caminho para o congressista abrir mão de definir a política pública que receberá a verba.

A ideia do Poder Executivo é criar uma reserva de recursos no Orçamento do ano que vem para bancar as ações do orçamento participativo. Como o Orçamento da União é limitado, a consequência seria diminuir o financiamento de outras programações.

“A população escolhe quando escolhe seus representantes. Se não tá bom, é só mudar seus representantes”, declarou o líder do PSDB no Senado, Plínio Valério (AM).

Segundo o ofício assinado pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, “a proposta busca incluir o Orçamento Participativo na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027 e ancorar o mecanismo de remanejamento na Lei Orçamentária Anual de 2027”, que será enviada até o dia 31 de agosto deste ano.

O Orçamento Participativo Federal já está previsto no Plano Plurianual 2024-2027 e a proposta viabilizaria a instituição do programa, de acordo com a Secretaria-Geral da Presidência da República, que sugeriu a mudança.

Para Juliana Sakai, diretora executiva da Transparência Brasil, a proposta é um sintoma do desequilíbrio entre os Poderes da República, diante do volume de emendas parlamentares no Orçamento da União.

“O governo não é capaz mais de direcionar recursos para uma política participativa que gostaria de promover, dependendo do parlamentar concordar em utilizar parte do seu cheque em branco para esta finalidade, em uma dinâmica clientelista, já que o recurso não é mais de um governo, mas sim de um parlamentar individualmente”, afirma a especialista.
Por Daniel Weterman/Estadão

Alcolumbre pauta PEC da aposentadoria especial e governo teme impacto de R$ 30 bilhões- Por Redação


O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, incluiu na pauta desta terça-feira a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate às endemias. A proposta, já aprovada pela Câmara e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, é vista pelo governo como uma "pauta-bomba" devido ao impacto estimado de R$ 30 bilhões nas contas da Previdência ao longo de dez anos. A reportagem é do jornal O Globo.

O texto prevê aposentadoria aos 57 anos para mulheres e aos 60 anos para homens, desde que cumpridos 25 anos de contribuição e de exercício na função. A PEC também estabelece regras de transição para servidores que já atuam na carreira e amplia o benefício para agentes indígenas de saúde e de saneamento. Senadores articulam concluir os dois turnos de votação no mesmo dia para acelerar a aprovação.

A equipe econômica argumenta que a proposta cria uma nova exceção às regras da Reforma da Previdência de 2019 e aumenta a pressão sobre as contas públicas. Apesar da resistência do governo, a expectativa é de que a PEC seja aprovada com ampla maioria no Senado, repetindo o resultado obtido na Câmara dos Deputados.

Lula libera R$ 520 mi para propaganda antes da eleição, mais que o dobro de Bolsonaro em 2022

O governo Lula (PT) ampliou despesas em propaganda no primeiro semestre deste ano, às vésperas do início da campanha do presidente à reeleição, e destinou mais que o dobro dos gastos do governo Jair Bolsonaro (PL) no mesmo período de 2022.

A gestão petista já empenhou R$ 520 milhões para a ação do Orçamento que é usada principalmente para custear as campanhas publicitárias da Secom (Secretaria de Comunicação Social) de janeiro a junho, antes de o calendário eleitoral impor travas aos gastos com comunicação. No ano da última disputa à Presidência, Bolsonaro encaminhou R$ 213,5 milhões no período.

Em anos eleitorais, a propaganda oficial fica concentrada principalmente no primeiro semestre porque a lei determina suspensão da publicidade institucional durante o período conhecido como defeso, que neste ano começa em 4 de julho. Ficam liberadas apenas exceções, como campanhas que a Justiça Eleitoral reconhece como de "grave e urgente necessidade pública".

A legislação também impõe limites de verba que os governos podem empenhar no primeiro semestre. A cifra é calculada a partir dos valores empenhados nos três anos anteriores com diversos tipos de ações de comunicação, incluindo a Secom.

Na mesma ação do Orçamento que custeia propagandas, o governo também destinou cerca de R$ 7,6 milhões para contratar pesquisas de opinião. Em nota, o governo afirmou que segue os limites de despesas estabelecidos por lei.

"Eventuais comparações entre exercícios distintos devem considerar as especificidades de cada período, as políticas públicas desenvolvidas, o planejamento anual de comunicação e as necessidades de campanhas de utilidade pública, não sendo adequada a comparação isolada de valores empenhados entre anos sem a devida contextualização", disse a Secom.

O levantamento feito pela Folha considera valores atualizados pela inflação e destinados à ação orçamentária de "comunicação institucional", que é totalmente destinada para a Secom encomendar peças de propaganda sobre programas do governo. Foi contabilizado o valor empenhado, que representa a fatia do orçamento reservada oficialmente para pagar uma determinada despesa.

A gestão federal também tem verbas de "publicidade de utilidade pública", que servem principalmente para campanhas do Ministério da Saúde. Elas também ficam travadas durante o período de defeso eleitoral, ressalvadas campanhas informativas e ligadas a temas como vacinação, com vedação ao uso de slogans do governo e menções a candidatos.

A campanha do governo de maior valor até aqui tem custo estimado em R$ 150 milhões e o slogan "conectando entregas e futuro". É uma propaganda classificada como de posicionamento, com objetivo de distribuir anúncios sobre diversas bandeiras da gestão petista.

A Secom também empenhou ao menos R$ 80 milhões para a campanha sobre o fim da escala 6x1, em que seis dias de trabalho são seguidos de um dia de descanso.

Os recursos foram usados para produzir a campanha com o mote "tempo com a família", lançada no começo de maio. A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a escala foi aprovada pela Câmara e ainda precisa passar pelo Senado.

O governo Lula destinou R$ 45 milhões para promover a nova edição do Desenrola Brasil, que prevê renegociação de dívidas.

Como a Folha mostrou, a verba empenhada para campanhas de utilidade pública e para propaganda do governo atingiu cerca de R$ 1,6 bilhão no ano passado, o maior valor desde 2017. A Secom consumiu a principal fatia (R$ 968 milhões), enquanto o restante foi utilizado principalmente pelo Ministério da Saúde.

O Orçamento total de 2026 prevê menos despesas com propaganda em comparação com o ano passado, cerca de R$ 1,5 bilhão, sendo que a maior fatia foi destinada às ações de interesse público (R$ 825,3 milhões).

Neste mandato, o governo Lula ampliou de cerca de 20% para mais de 30% a fatia de gastos com campanhas publicitárias na internet. Com a mudança, o recurso destinado para Google e Meta (dona do Facebook, Instagram e WhatsApp) superou pela primeira vez, no ano passado, o valor em anúncios pagos nas redes de televisão SBT e Band.

O governo também tem contratado influenciadores digitais para promover as suas bandeiras. A Secom ainda contratou no último ano três agências —a Briviacom Comunicação e Marketing, a Binder Comunicação e a BKR Agência de Publicidade— para gestão de uma conta de R$ 100 milhões destinada à produção de vídeos, podcasts e outras propagandas do governo.

Os valores das campanhas publicitárias não são detalhados no Portal da Transparência. O site mostra de forma genérica quanto cada agência recebeu. A Secom tem um portal próprio com informações sobre a distribuição dos anúncios, mas com atualização defasada.

A Folha levantou os custos de parte das propagandas a partir de informações registradas em notas de empenho no Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira) e de dados obtidos com pessoas que acompanham a execução das campanhas federais. Os valores foram depois confirmados pela Secom.

Na quarta-feira (24), o PL, partido do senador Flávio Bolsonaro (RJ), pediu ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a suspensão de todas as campanhas publicitárias do governo Lula, sob argumento de que a gestão federal já ultrapassou o teto de gastos com publicidade no primeiro semestre do ano eleitoral (que é calculado com base na média mensal dos anos anteriores à eleição). O ministro André Mendonça é relator do caso.

No último dia 17, a Justiça Federal no Distrito Federal atendeu a um pedido do deputado Carlos Jordy (PL-RJ) e mandou o governo suspender, especificamente, anúncios nas redes da campanha pelo fim da escala 6x1.

A Secom informou que apresentará à Justiça "os esclarecimentos técnicos e jurídicos que se fizerem necessários".

Em 2022, o governo Bolsonaro pagou ao menos R$ 20 milhões para uma campanha sobre o bicentenário da Independência —o uso eleitoral da cerimônia motivaria uma das condenações em que o ex-presidente foi punido com inelegibilidade pelo TSE.

Um acórdão de 2024 do TCU (Tribunal de Contas da União) ainda apontou que campanhas de alto valor feitas em 2022 tiveram temática mal delimitada, como uma de R$ 100 milhões para "prestação de contas e balanço", além de outra de R$ 120 milhões classificada como "always on", estratégia voltada a manter por mais tempo na mídia diferentes mensagens do governo.

Parte destas campanhas do último ano do governo Bolsonaro foi empenhada após o período eleitoral, quando ele já havia sido derrotado.

Por Mateus Vargas/Folhapress

Ministério Público do Trabalho investiga denúncia de agressão a empregado em fábrica da Midea

Empresa afirma que adotou providências e que afastou gestor envolvido no caso

Trabalhadores participam de ato em frente à fábrica da Midea, em Pouso Alegre (MG)

O MPT-MG (Ministério Público do Trabalho em Minas Gerais) apura uma denúncia de agressão contra um funcionário da fábrica da Midea em Pouso Alegre, no sul do estado.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Pouso Alegre, o trabalhador, do setor de qualidade, foi agredido durante o expediente por um gerente no dia 15 de junho. A entidade afirma que ele recebeu socos na região das costelas e foi atingido com uma borracha de vedação de geladeiras, conhecida como gaxeta, produzida na própria fábrica.

Em nota, a Midea informou que adotou providências imediatas após tomar conhecimento do caso, incluindo o afastamento do gestor.

"Desde que tomou conhecimento do episódio ocorrido na unidade de Pouso Alegre, a Midea Indústria do Brasil adotou de forma imediata as providências cabíveis para apuração e tratamento da ocorrência, incluindo o afastamento do gestor", disse a empresa.

Interlocutor da empresa ouvido pela reportagem afirma que houve uma agressão envolvendo um gestor e um colaborador, mas não nas dimensões descritas pela entidade. Diz ainda que a investigação interna sobre o episódio segue em andamento.

O MPT informou que recebeu denúncia sobre o caso e que ela já foi distribuída para apuração. O órgão não deu detalhes sobre o procedimento.

A denúncia levou o Sindicato dos Metalúrgicos de Pouso Alegre a realizar, na noite de 23 de junho, uma mobilização em frente à fábrica. Segundo a entidade, cerca de 1.200 trabalhadores participaram de uma paralisação em protesto contra a agressão e contra supostos casos de assédio moral e más condições de trabalho.

A Midea nega que tenha havido paralisação na unidade.

Em comunicado divulgado nas redes sociais, o sindicato afirma que vinha recebendo, nos últimos meses, denúncias de assédio moral, assédio sexual, pressão excessiva por produção e restrições ao uso de banheiros na fábrica.

O sindicato cobra medidas para garantir a segurança dos trabalhadores, entre elas estabilidade provisória ao funcionário agredido, suporte psicológico aos envolvidos e a responsabilização do gestor apontado na denúncia.
Por Folhapress

Aliado de Lula posta Wagner “enrolado” e detona entrevista do baiano após caso Master: “persiste em argumentos que não ajudam ao governo que julga defender”

O deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ), da base do presidente Lula na Câmara dos Deputados, chamou de “atitude intempestiva” a entrevista concedida pelo senador Jaques Wagner (PT) à Folha de São Paulo após o baiano ter sido retirado da liderança dão governo no Senado por consequências das investigações relativas ao Banco Master.

Em texto divulgado nas redes sociais, acompanhado de uma charge do cartunista Clayton Rebouças que retrata Wagner "enrolado", Alencar diz que as falas de Wagner causaram “estranheza geral”.

“No conteúdo das respostas, insiste e persiste em argumentos que não ajudam a continuidade das investigações, nem ao governo que julga defender e até a ele próprio. Faz lembrar a máxima do Barão de Itararé, segundo o qual o problema não está “na falta de persistência, mas na persistência da falta”.

O parlamentar também contestou a declaração de Wagner de que a Polícia Federal estaria tentando construir uma narrativa contra o PT. "Ao insinuar que a Polícia Federal 'tenta construir uma narrativa para envolver o PT', se contrapõe a um trunfo do Governo Federal, para quem a polícia é uma instituição do Estado. Que alcança prestigio popular exatamente por não ser pretoriana, que só investiga os 'inimigos' dos poderosos do momento", emenda o psolista.

Alencar ainda criticou a justificativa apresentada pelo senador para manter relações com empresários investigados, fazendo menção indireta aos achados da PF no caso de Wagner.

"Ao dizer: 'desconheço um prefeito ou um governador que não converse com empresários', repete juízo comum a todos os que se lambuzam na geleia geral. Nada contra conversar com empresários, desde que o assunto não seja ingressos para show, carona em jatinhos ou recompra de apartamentos luxuosos".

Na avaliação do deputado, a entrevista representou uma tentativa de minimizar a gravidade das suspeitas investigadas.

"Ao negar com argumentos precários irregularidades patentes, a entrevista desastrosa ocupa lugar de destaque na tentativa de normalizar relações incestuosas com o Comando Vorcaro. Ataca os investigadores e defende os que precisam ser investigados. Para estes, valei-nos de novo o Barão de Itararé: 'quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lugar lhe vem’”, ilustra.

"A ética e a política são invenções humanas de importância decisiva para o ordenamento da vida em comum. A relação entre as duas, com a crise que se espalha nos tentáculos do Escândalo Master, está na ordem do dia. O futuro da democracia se define, hoje mais do que nunca, pelo lugar da ética na política", conclui.
Por Política Livre

Datafolha: maioria dos brasileiros diz não saber ou não lembrar o nome de nenhum parlamentar

A maioria dos brasileiros diz não lembrar ou não saber citar o nome de um deputado federal ou senador em exercício. Perguntas inéditas feitas pelo Datafolha mostram que 68% não mencionam um integrante da Câmara dos Deputados, e 75%, nenhum do Senado.

A maior parte também diz não lembrar também em quem votou há quatro anos —67% no caso de deputado federal e 66% no das escolhas de senador e deputado estadual.

A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O Datafolha ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 139 cidades nos dias 17 e 18 de junho. A pesquisa está registrada no TSE (Superior Tribunal Eleitoral) com o número BR-09956/2026.

Para as perguntas específicas sobre os votos em 2022, foram ouvidos 1.898 eleitores com 20 anos ou mais, ou seja, aqueles que já tinham idade mínima para votar nas eleições passadas.

O instituto questionou os entrevistados se eles se lembravam do nome de algum parlamentar que faça parte do Congresso atualmente. Caso a resposta fosse sim, eles deveriam responder quem e se citariam mais alguém.

Ao todo, 36% disseram não se lembrar de nenhum nome de deputado federal, e outros 32% afirmaram não saber.

Apenas 6 dos 513 deputados federais foram citados. O mais lembrado foi Nikolas Ferreira (PL-MG), com 6% das respostas, seguido de Érika Hilton (PSOL-SP), com 4%. Os demais ficaram com 1%: Gustavo Gayer (PL-GO), Kim Kataguiri (Missão-SP), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Sâmia Bomfim (PSOL-SP).

Cleitinho (Republicanos-MG) também foi mencionado, embora seja senador. Eduardo Bolsonaro (PL-SP) também, mas seu mandato de deputado federal foi cassado em dezembro passado, após se mudar para os Estados Unidos e ser acusado de coação a autoridades brasileiras.

A mesma pergunta sobre a lembrança de algum nome foi feita sobre os senadores: 40% responderam que não se recordavam de nenhum, e 35% disseram não saber.

Dos 81 senadores, 15 foram lembrados. Em primeiro lugar, com 3%, aparece Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que está em plena pré-campanha para a Presidência. Com 2%, empatam o ex-jogador Romário (PL-RJ), que comenta atualmente a Copa, Cleitinho e Sergio Moro (PL-PR).

No pelotão de 1%, estão Damares Alves (Republicanos-DF), Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), Eduardo Braga (MDB-AM), Eduardo Girão (Novo-CE), Esperidião Amin (PP-SC), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Jader Barbalho (MDB-PA), Marcos Pontes (PL-SP), Otto Alencar (PSD-BA), Renan Calheiros (MDB-AL) e Rogério Marinho (PL-RN). Como Cleitinho, Nikolas foi citado erroneamente, como se fosse senador.

Para Beatriz Rey, cientista política e pesquisadora na Universidade de Lisboa, não há um trabalho de conscientização no Brasil sobre o papel do Legislativo, o que colabora para que os eleitores foquem mais os candidatos ao Executivo —o Datafolha mostra que a maioria lembra em quem votou para governador e presidente.

"Esses dados refletem a cultura de valorização das eleições presidenciais e a subvalorização das legislativas por uma falta, talvez, de clareza sobre quem está definindo os rumos da política no país, mesmo com um Congresso cada vez mais poderoso", diz.

Segundo o Datafolha, apenas 7% dos entrevistados não lembram em quem votou para presidente em 2022. Rey observa que a quantidade de cargos no Legislativo contribui para a maior confusão da população.

Nestas eleições, as candidaturas ao Senado ganharam maior peso nas discussões públicas após bolsonaristas indicarem a Casa como uma prioridade nas campanhas, já que senadores podem pautar o impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) por crime de responsabilidade.

Outro tema que permeia o Legislativo é a liberação vultosa de emendas. Como mostrou a Folha, somente em maio o governo Lula (PT) repassou R$ 16,1 bilhões em emendas a deputados e senadores para aprovar o fim da escala 6x1 antes das eleições.

Recortes

A falta de lembrança sobre o voto legislativo é maior entre as mulheres (75% no caso das escolhas ao Senado e 74% para deputados estadual e federal) e entre os eleitores que têm preferência pelo PT (70% no caso de votos para senador e 69% para deputados).

O índice de esquecimento é menor entre os homens (59% para deputados estaduais e federais e 56% para senadores) e entre os entrevistados com maior identificação com o PL (63% para deputado federal, 61% para estadual e 56% para senador).

Governador e presidente

Mais de um terço da população brasileira diz não se lembrar em quem votou para governador em 2022, mostra pesquisa Datafolha.

Segundo o instituto, 38% dos eleitores dizem não se recordar da escolha para o Executivo estadual, 9% afirmam não ter votado em ninguém, e 54% declararam se lembrar dos respectivos votos na eleição passada. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Um grupo menor de entrevistados afirmou não lembrar em quem votou para presidente em 2022: foram 7%. Outros 85% disseram que se recordam, e 8% declararam não ter votado em ninguém.

O levantamento mostra que o esquecimento do voto para governador é maior entre as mulheres (46%) do que entre os homens (28%) e também maior na faixa etária dos 20 aos 24 anos (45%).

O grupo etário com maior índice de lembrança do voto para o governo estadual é o dos 45 aos 59 anos (63%).

Entre os eleitores que declaram preferência no PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, 76% disseram se recordar do voto para governador, contra 52% que manifestaram preferência no PT, sigla do presidente Lula.

Em 2022, as eleições ao governo estadual avançaram ao segundo turno em 12 das 27 unidades federativas.

Afirmaram se recordar de suas escolhas para a Presidência 97% dos simpatizantes do PL e 90% dos do PT.

As últimas eleições foram marcadas pela forte polarização entre Lula e Bolsonaro, com a vitória do petista por um apertado resultado de 50,9% a 49,1%. O atual presidente teve 2,1 milhões de votos a mais que o adversário.

Dos entrevistados que disseram que pretendem votar em Lula em 2026, 87% afirmaram se lembrar de quem votaram em 2022. O índice é de 93% entre os que declararam voto no senador Flávio Bolsonaro (PL).

De acordo com a pesquisa divulgada pelo Datafolha na semana passada, Lula apresentou 41% de intenção de votos à Presidência no primeiro turno, contra 31% de Flávio Bolsonaro.
Por Juliana Arreguy/Folhapress
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Quarto voo brasileiro para Venezuela decola com bombeiros e donativos -Por Agência Brasil



                Dois grandes terremotos atingiram o país e deixaram milhares de mortos
O Brasil enviou nesse domingo (28) um quarto avião com ajuda humanitária para a Venezuela, que sofre com a destruição provocada por dois grandes terremotos seguidos.

O novo voo levou 35 bombeiros de São Paulo e Minas Gerais para a cidade de La Guaira, epicentro dos abalos e região mais afetada. Eles vão ajudar no resgate às vítimas.

O voo partiu do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.

Segundo o balanço mais recente das autoridades venezuelanas, o número de mortos já chegou a 1.450. Dois deles são brasileiros, segundo o Itamaraty. Já os feridos passam de 3 mil pessoas.

Esses números ainda podem aumentar, à medida que as equipes avançam na busca de pessoas que seguem desaparecidas.

Os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 na escala Richter, foram seguidos de cerca de 20 réplicas, e provocaram destruição e desabamentos, na capital Caracas e várias outras cidades.

Baiano é preso com 500 kg de cocaina em veleiro na Espanha

Operação da polícia espanhola prende dois brasileiros em veleiro com 500 quilos de cocaína
Dois brasileiros foram presos na Espanha sob suspeita de tráfico de drogas durante uma operação internacional no oceano Atlântico.

A prisão foi realizada no dia 17 de junho a cerca de 750 quilômetros ao sul das Ilhas Canárias, território da Espanha.

A embarcação foi localizada pelo navio de Operações Especiais ‘Petrel I’ do Serviço de Vigilância Aduaneira da Espanha, em operação conjunta com a Guarda Civil e a Polícia Nacional.

Os nomes dos tripulantes não foram divulgados, mas a Folha apurou que um dos brasileiros detidos é o empresário baiano Marcelo Nabuco Zollinger, 36, sócio de uma empresa de equipamentos hospitalares.

Em nota divulgada por seus advogados, Zollinger negou de forma categórica todas as acusações que serão "enfrentadas e devidamente esclarecidas no curso da instrução criminal", que ainda não foi iniciada.

Os advogados Sérgio Habib e Thales Habib, responsáveis pela defesa, citaram o princípio constitucional da presunção de inocência e criticaram as tentativas de condenação antecipada ou de julgamento prévio promovido pela opinião pública.

A defesa ainda não teve acesso aos autos da investigação.

Marcelo Nabuco Zollinger é filho do médico Marcelo Zollinger, referência na área de cirurgia bariátrica na Bahia. Em nota divulgada pelo advogado, o médico informou que "jamais manteve qualquer vínculo com as atividades empresariais desenvolvidas pelo filho."

Além dos dois brasileiros, foi detido um terceiro tripulante de origem marroquina. Os três suspeitos foram levados para Madri.

Por Redação

Uso de IA no trabalho cresce, e medo de substituição cai entre os brasileiros, diz Datafolha

Uso profissional de ferramenta avança para 24%; 79% da população rejeitam automação em contratações
À medida que os brasileiros aumentaram a familiaridade com chatbots de inteligência artificial, como ChatGPT e Claude, o medo de que as máquinas substituam seus empregos recuou em um ano, segundo pesquisa Datafolha feita em junho.

Entre os entrevistados que já ouviram falar em inteligência artificial, 48% afirmam ter muito ou um pouco de medo de que a profissão seja substituída pela IA. Há um ano, esse índice era de 56%. Enquanto isso, a parcela dos que não têm nenhum medo de substituição subiu de 41% para 49%.

Ao mesmo tempo, entre as pessoas que já ouviram falar sobre IA, a parcela que já usou a tecnologia para o trabalho avançou de 17% para 24%. Também é corrente o uso da tecnologia em pesquisas na internet (25%), estudos (17%) e na criação de vídeos e imagens (4%).

A pesquisa do Datafolha foi realizada nos dias 17 e 18 de junho de 2026, com 2.004 entrevistas presenciais em 139 municípios, com população de 16 anos ou mais de todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

A impressão da população sobre os impactos da tecnologia no mundo do trabalho vai na contramão do que pensam alguns dos maiores empresários do setor.

Neste mês, por exemplo, o CEO da Anthropic (empresa por trás do chatbot Claude), Dario Amodei, publicou um documento pedindo políticas de estímulo a contratações para conter o risco de desemprego em massa devido à inteligência artificial. Amodei é conhecido no Vale do Silício como um "catastrofista", perfil associado à crença de que o avanço tecnológico possa causar extinção em massa ou disruptura social.

Para economistas ouvidos pela Folha, o recuo no medo de substituição pela tecnologia tem mais a ver com um rebote do catastrofismo inicial com a IA do que com o cenário real, em que os primeiros trabalhadores começam a ser trocados por robôs. "As pessoas ouviram que iria acabar o emprego de todo mundo, mas ainda existe trabalho no mercado", diz Daniel Duque, pesquisador do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas).

O cenário de divisão na opinião dos trabalhadores se assemelha mais ao diagnóstico de incerteza feito pelo vencedor do Nobel de economia Daron Acemoglu. Para ele, a IA não deve eliminar empregos na mesma proporção em que sua adoção avança.

Ao mesmo tempo em que a tecnologia pode substituir trabalhadores em tarefas específicas, reduzindo a demanda por mão de obra, também pode diminuir os custos de produção e aumentar a eficiência. Com a redução de preços, aumentaria a procura por outros bens, o que criaria novas tarefas e empregos. É difícil avaliar em que medida as duas tendências vão se equilibrar, porque os ganhos de produtividade ainda são incertos.

Um estudo do FGV Ibre, com base em metodologia da OIT (Organização Internacional do Trabalho), concluiu que quase 30 milhões de trabalhadores no Brasil estavam em ocupações com algum grau de exposição à IA generativa no terceiro trimestre do ano passado. Isso é equivalente a 29,6% da população ocupada.

Desse total, cerca de 5,2 milhões estavam no nível mais elevado de exposição, em especial os mais jovens, mais escolarizados, na região Sudeste e trabalhando no setor de serviços, com destaque para informação, comunicação e serviços financeiros.

O economista Tomás Aguirre e a equipe da Governance AI, grupo acadêmico com foco nas implicações políticas do avanço da tecnologia, mostram outro lado da moeda: a maior parte das carreiras amplamente afetadas pela IA tem mais chances de se adaptar à nova economia, seja por especialização técnica, por ter maior poupança para suavizar a transição ou por ser mais jovem.

Com base em dados demográficos dos EUA, o grupo mostra que, na verdade, os profissionais em trabalho de escritório são os mais vulneráveis, uma vez que engenheiros da computação e advogados, por exemplo, estão muito expostos à IA, mas também teriam mais recursos para se adaptar após a demissão. O artigo divide a exposição à tecnologia em duas situações: substituição e complementaridade.

O cenário do Brasil é mais grave, diz Aguirre. O país tem grande taxa de trabalhadores expostos à substituição e menor poupança. "O risco que eu vejo está na classe média: ela pode ficar descoberta, porque a proteção social, pensando no Bolsa Família, não é desenhada para ela", afirma o economista.

Entre os brasileiros, por uma questão de escolaridade e perfil da economia, com maior peso para o funcionalismo e serviços menos intensivos em tecnologia, há mais ocupações ligadas a tarefas repetitivas, como área de recursos humanos ou composição de jingles. Serão áreas como essas em que haverá um enxugamento da força de trabalho, de acordo com Duque, do FGV Ibre.

"Toda revolução tecnológica tem seus perdedores de curto prazo", diz o economista do FGV Ibre. Os dados, segundo ele, mostram que os jovens, neste primeiro momento, são as principais vítimas.

Para Duque, cargos gerenciais associados a pessoas mais experientes são menos vulneráveis. "A IA não toma decisões, e quanto mais a pessoa cresce em um cargo, mais aumenta a atribuição de tomar decisões", afirma.

A pesquisa do Datafolha mostra que a maior parte da população brasileira é contra o uso de automação na tomada de decisões. Para 79% dos entrevistados, por exemplo, o uso de modelos de IA em contratações e demissões é inadequado.

A adoção da tecnologia é frequente tanto em plataformas de recrutamento, como Gupy e Infojobs, quanto nos departamentos internos de recursos humanos, responsáveis por definir cortes durante anúncios de demissão.

Mais de dois terços da população (68%) também desaprova o uso de IA em decisões sobre tratamentos médicos. No mesmo patamar, 67% são contrários a decisões automatizadas na concessão de crédito, prática comum no ambiente bancário.

Por Pedro S. Teixeira, Folhapress

Mais da metade dos medicamentos pedidos na Justiça já deveria estar no SUS

Estudo mostra que remédios aprovados levam até três anos para chegar à rede pública e lideram judicialização
Mais da metade dos medicamentos solicitados por pacientes em ações judiciais no Brasil já havia recebido recomendação favorável para incorporação ao SUS (Sistema Único de Saúde) ou deveria estar disponível na rede pública.

A conclusão é de um estudo da Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa) apresentado neste mês no principal congresso mundial sobre avaliação de tecnologias em saúde, realizado em Istambul, na Turquia. O levantamento foi premiado como melhor pôster do evento.

A pesquisa analisou decisões judiciais registradas entre janeiro de 2022 e abril de 2025 e identificou que 57,5% dos medicamentos demandados já tinham aval da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) para serem ofertados na rede pública.

Para os autores, o dado mostra que a judicialização não está restrita a pedidos de tratamentos novos, ainda sem avaliação do governo, mas também revela falhas na etapa posterior à incorporação, quando uma decisão técnica precisa se transformar em acesso efetivo ao paciente.

O estudo reuniu 3.049 processos judiciais e 4.637 petições envolvendo 1.402 moléculas diferentes. Segundo a análise, o intervalo entre a recomendação de incorporação pela Conitec e a chegada do medicamento ao paciente pode superar dois anos.

A pesquisa integra uma linha de investigação da entidade sobre o chamado "tempo de acesso" —período entre o registro de um medicamento, a aprovação de preço, a decisão de incorporação ao SUS e a oferta na rede.

Segundo Helaine Capucho, diretora de Acesso da Interfarma e uma das autoras do estudo, levantamento anterior da entidade já havia identificado gargalos nesse processo. "Os seis meses previstos para que uma tecnologia incorporada esteja disponível não acontecem para boa parte dos medicamentos", afirma.

Na análise sobre tempo de acesso, a entidade verificou que medicamentos já aprovados pela Conitec levavam, em média, cerca de 30 meses para chegar aos pacientes, contra os seis meses previstos pela legislação.

Parte do atraso está relacionada à elaboração ou atualização dos PCDTs (Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas), que definem os critérios de uso dos medicamentos no SUS. "O PCDT é um instrumento importante para o uso racional da tecnologia, mas existe um atraso nesse processo", diz.

Depois dessa etapa, ainda há a compra e a organização da oferta pelos gestores públicos. O resultado é que tratamentos aprovados tecnicamente permanecem inacessíveis para parte dos pacientes.

Entre os medicamentos mais judicializados no período analisado havia predomínio de produtos que já contam com genéricos, similares ou biossimilares disponíveis no mercado brasileiro. A oncologia aparece como uma das áreas de maior demanda judicial.

De acordo com a psicóloga Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia e representante de pacientes nas reuniões da Conitec, há tratamentos incorporados há anos que ainda não chegam de forma efetiva a quem tem indicação médica. "A gente está falando de medicamentos que têm nove, dez, 11 anos desde a aprovação", diz.

Segundo ela, a demora entre a decisão da Conitec e a implementação da oferta transfere ao cidadão uma responsabilidade que deveria estar organizada no SUS. "O que não dá é o paciente ter o ‘sim’ da Conitec e a gente não resolver o financiamento e a disponibilização. Acaba gerando uma enorme judicialização."

Com diagnóstico de câncer de mama em fevereiro de 2023, a fisioterapeuta Luciana Valejo, 53, de Londrina (PR), fez mastectomia e 15 sessões de quimioterapia pelo SUS. Mas, ao receber indicação médica para o medicamento trastuzumabe entansina, indicado para evitar recidiva do tumor, não teve acesso na rede pública.

A medicação já tinha sido incorporada pela Conitec e deveria estar disponível em março de 2023. Em janeiro de 2024, Luciana ingressou com uma ação judicial reivindicando o remédio, que tinha custo de quase R$ 20 mil mensais, e só conseguiu a tutela para recebê-lo na segunda audiência.

Ela usou o remédio até fevereiro de 2025. "Agora estou super bem, graças a Deus. Farei a reconstrução da mama pelo SUS no mês vem. Estou sem doença e em remissão", afirma.

No ano passado, o Ministério da Saúde anunciou mudanças no modelo de financiamento da assistência oncológica. A compra dos medicamentos de alto custo deixa de ser responsabilidade exclusiva dos hospitais e passa a ser feita de forma centralizada e coordenada pela pasta e pelas secretarias estaduais de Saúde, utilizando um orçamento federal unificado.

Com isso, há uma expectativa de ampliar o acesso a drogas já incorporadas. "Mas precisa sair do papel", afirma Holtz. "Hoje os impactos vão além dos processos judiciais. O número de vidas perdidas pela falta de acesso, infelizmente, a gente não tem", diz.

A presidente do Oncoguia também alerta para barreiras enfrentadas por pacientes que tentam recorrer à Justiça, mas não conseguem nem sequer a prescrição do remédio pelo médico que os acompanha no SUS, quando o medicamento não faz parte da rotina da rede pública.

Para Capucho, da Interfarma, reduzir a judicialização depende de maior transparência na etapa entre a decisão da Conitec e a oferta efetiva. "Hoje não sabemos exatamente em que fase está cada tecnologia."

Outra mudança defendida pela pesquisadora é antecipar as negociações de preço para antes da incorporação. Segundo ela, alguns países adotam modelos em que avaliação técnica, análise econômica e negociação com fabricantes ocorrem de forma paralela.

"A ideia é trazer precocemente a discussão do comitê de negociação. Primeiro você avalia se aquela tecnologia faz sentido para a população, e depois, na fase econômica, introduz a negociação de preço", explica.

O Brasil também estuda um modelo adotado em outros países em que o preço negociado permanece sob sigilo entre governo e fabricantes, permitindo maior flexibilidade nas negociações.

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que a atual gestão iniciou a oferta de mais de 50 novos medicamentos e tecnologias no SUS após incorporação pela Conitec.

Segundo a pasta, neste ano começam a ser disponibilizados mais 23 medicamentos de alta tecnologia para tratamento do câncer, alguns deles com até 12 anos de espera. A medida representa aumento de 35% na oferta de medicamentos oncológicos na rede pública e beneficiará 112 mil pacientes, com custeio integral pelo governo federal.

O ministério disse ainda que firmou, em abril, acordo de cooperação técnica com o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e a AGU (Advocacia-Geral da União) para criar fluxos de conciliação, mediação e resolução consensual de casos de medicamentos judicializados que já foram incorporados ao SUS.

Por Cláudia Collucci, Folhapress

PF rebate versão de Wagner sobre dólares apreendidos em hotel= Por Política Livre

US$ 55 mil e 33 mil euros apreendidos em um hotel de Brasília durante a 9ª fase da Operação Compliance Zero
O senador Jaques Wagner (PT) teve contestada pela Polícia Federal a versão apresentada para explicar os US$ 55 mil e 33 mil euros apreendidos em um hotel de Brasília durante a 9ª fase da Operação Compliance Zero.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Wagner afirmou que os valores correspondiam a diárias acumuladas ao longo dos anos e que estavam guardados em envelopes do Senado. “Seguramente abriram o envelope do Senado onde estavam minhas diárias, botaram lá na caminha e fotografaram”, declarou.

Segundo apuração de Malu Gaspar, do Globo, fontes da PF que acompanham o caso afirmam que não havia qualquer envelope do Senado no local da apreensão. Os investigadores também apontam que o valor encontrado supera o total de diárias internacionais recebidas pelo senador desde 2019.

A operação investiga a relação de Wagner com o Banco Master. Entre os pontos apurados estão pagamentos à empresa da nora do senador, viagens em aeronaves ligadas ao empresário Augusto Lima e a aquisição de um imóvel em Salvador.

À Folha, Wagner negou ter recebido recursos de terceiros. “A pergunta deles é se eu recebi dólar de alguém. Não recebi de ninguém”, afirmou.

Comissão do Senado pede que Itamaraty viabiliza telemedicina brasileira aos venezuelanos

Proposta é que médicos brasileiros atendam os atingidos pelos terremotos sem custo                                                           

A presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, Damares Alves (Republicanos-DF), enviou um ofício ao Itamaraty pedindo que o governo viabilize a telemedicina brasileira às vítimas dos terremotos venezuelanos.

O ofício foi enviado nesta sexta-feira (26) ao ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira. O pedido é para que médicos brasileiros façam o atendimento à distância sem qualquer custo ao governo ou às vítimas.

O pedido atende à demanda feita pela Associação Brasil pela Cura (Acura Brasil) que também pediu a liberação da validade local para as prescrições médicas emitidas, inclusive para medidas que exijam receita especial.

A proposta prevê a operação na plataforma Doctor8 por dois mil especialistas voluntários - médicos e psicólogos.

A entidade diz que possui capacidade de mobilização e cita experiências anteriores como o atendimento a 12 mil famílias de durante a pandemia e assistência a seis mil famílias nas enchentes do Rio Grande do Sul.

A comissão pediu que o Itamaraty preste informações sobre o andamento das tratativas e da real possibilidade da ajuda humanitária.

Por Gabriela Echenique, Folhapress

Na mira da PF, Ciro Nogueira tenta blindar projeto de reeleição e intensifica campanha no Piauí

                
                   O senador Ciro Nogueira (PP) em agendas de campanha pelo interior do Piauí
Pressionado após ser alvo de operação da Polícia Federal no caso do Banco Master, o senador Ciro Nogueira, um dos principais líderes do centrão e presidente nacional do PP, intensifica agenda política no Piauí e tenta blindar seu projeto de reeleição ao Senado.

Ciro Nogueira sofreu busca e apreensão durante operação da PF em 7 de maio. A investigação apura se o senador recebeu de Daniel Vorcaro, do Master, pagamentos mensais recorrentes, além de outras vantagens, sob suspeita de troca de favores. Ele nega as acusações e diz ser vítima de "ataque fabricado".

O senador, que chegou a ser cotado para a vaga de vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), tem evitado contato com a imprensa e buscado consolidar redutos que construiu no Piauí, principalmente com prefeitos eleitos e lideranças regionais.

Ciro Nogueira chegou a visitar seis municípios em um único dia neste mês e, nos próximos dez dias, participando de sessões virtualmente, pretende fazer uma maratona de atividades no interior do estado em busca de apoios políticos. Ele participará de solenidades de inaugurações e visitará obras.

No Piauí, Ciro Nogueira faz oposição ao governador Rafael Fonteles (PT), que tenta a reeleição, e lançou como adversário ao petista o ex-prefeito de Floriano, Joel Rodrigues (PP).

Na capital, o senador conta com o apoio do prefeito de Teresina, Silvio Mendes (União Brasil).

No estado, um recuo governista pode favorecer a reeleição dele. Lideranças petistas avaliam que a desistência da pré-candidatura de Iasmin Dias (PT), filha do ministro Wellington Dias, como suplente ao Senado fortalece a pré-candidatura de Ciro Nogueira.

O nome de Iasmin Dias era visto como o principal contraponto de peso para evitar que lideranças governistas, com interferência de Wellington Dias, votem em Ciro Nogueira.

A arquiteta e empresária era cotada para ser primeira suplente de Júlio César, deputado federal do PSD e pré-candidato ao Senado na chapa do governador Rafael Fonteles. Mas, na semana passada, Iasmin anunciou que não será mais candidata.

João de Deus, ex-presidente do PT, diz não crer nessa tese de vantagem a Ciro Nogueira. "É uma questão já resolvida. O ministro Wellington Dias conversou com o presidente do partido, Fábio Novo, declarou o seu apoio à candidatura de Júlio César e disse que vai se engajar na campanha", afirmou.

Ele disse ainda que o PT e Wellington Dias concordaram em indicar o nome da ex-vereadora Rosário Bezerra (PT) como primeira suplente de Júlio César.

No Piauí, Ciro Nogueira conta com apoio de pelo menos 200 prefeitos, incluindo gestores petistas e da base governista, como MDB e PSD. Nas eleições municipais, o PP elegeu 34 prefeitos nos 224 municípios existentes.

O senador tem evitado atrelar sua imagem à dos bolsonaristas no Piauí. O PL, de Flávio Bolsonaro, lançou candidatura própria ao Governo do Piauí com o nome do jornalista Toni Rodrigues. Mesmo com o alinhamento político de oposição aos petistas, o PP e PL vão para as eleições em palanques diferentes no estado.

Por Yala Sena, Folhapress

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