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Lula cobra união de países da América Latina contra 'intervenções militares ilegais' na região
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta quarta-feira (28) que os países latino-americanos e caribenhos se integrem e criticou o uso da força nas relações internacionais. As declarações ocorreram em discurso proferido durante sua viagem ao Panamá, onde participa do Fórum Econômico Internacional da América Latina.
A fala se refere ao contexto de tensão no continente. Liderados por Donald Trump, os Estados Unidos capturaram o agora ex-ditador da Venezuela Nicolás Maduro e o levaram para ser julgado em solo americano. Washington também tem pressionado para reduzir o acesso da China canal do Panamá, ligação entre os oceanos Pacífico e Atlântico fundamental para o trânsito de mercadorias vendidas no mercado internacional.
"Não há nenhuma possibilidade de qualquer país da América Latina sozinho achar que vai resolver os problemas", disse. "Guiados pelo pragmatismo, podemos superar divergências ideológicas e construir parcerias sólidas e positivas dentro e fora da região. Essa é a única doutrina que nos convém. Seguir divididos nos torna todos mais frágeis."
O presidente tem manifestado preocupação com o esvaziamento de espaços de discussão e deliberação entre países da região. Diversos países da região elegeram governos à direita e que dão menos ênfase às relações com os vizinhos –o principal exemplo é a Argentina de Javier Milei.
No Panamá, Lula citou como exemplo da falta de integração a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos. "A Celac não consegue produzir nem mesmo uma única declaração contra intervenções militares ilegais que abalam nossa região", disse.
"A história mostra que o uso da força jamais pavimentará o caminho para superar as mazelas que afligem esse hemisfério que é de todos nós. A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos, constituem gestos anacrônicos e retrocessos históricos."
Lula também mencionou "corolários e doutrinas", em referência à Doutrina Monroe e ao Corolário Roosevelt, ideias propostas pelos ex-presidentes americanos James Monroe e Theodore Roosevelt que foram determinantes para os americanos imporem suas vontades sobre o resto do continente.
O presidente Donald Trump tenta, inclusive, emplacar uma nova versão da doutrina, rebatizando-a com uma mistura que inclui seu próprio nome —Doutrina Donroe.
Lula fez em seu discurso, porém, uma ressalva sobre épocas em que Washington foi parceira dos vizinhos latino-americanos e caribenhos. A referência foi ao governo de Franklin Delano Roosevelt, época em que os EUA adotaram uma política de "boa vizinhança" com os países próximos.
O presidente brasileiro terá uma série de compromissos no Panamá antes de voltar ao Brasil, ainda nesta quarta. Lula já teve uma reunião com o presidente eleito do Chile, o direitista José Antonio Kast. Também terá reunião bilateral com o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz.
O novo chefe de governo boliviano era um opositor dos movimentos de esquerda, próximos a Lula, que ganharam força na Bolívia no início deste século. Além disso, Lula conversará com o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, entre outros compromissos.
Por Caio Spechoto, Folhapress
Senador que relata CPI do Crime Organizado quer apurar ligação entre Master e ministros do STF
Senador Alessandro Vieira (MDB-SE) diz que vai pedir quebra de sigilo de empresas de familiares dos ministros.
O relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirma que vai apresentar pedidos de quebra de sigilo de empresas ligadas aos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli para identificar possíveis movimentações financeiras ligadas ao Banco Master.
"Vamos aproveitar a CPI que já está em andamento, considerando que o caso do Banco Master é crime organizado com reflexo nos três Poderes", disse ao jornal Folha de São Paulo.
Vieira pretende apresentar os requerimentos nesta semana para que os membros da CPI possam deliberar sobre as quebras de sigilo na próxima reunião da comissão, que deve ocorrer na terça-feira (3). A CPI foi instaurada em novembro do ano passado e tem duração prevista até abril.
Entre os alvos de pedidos de quebra de sigilo, estará o escritório de advocacia da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, que foi contratado pelo Banco Master por R$ 3,6 milhões mensais para auxiliar na defesa dos interesses da instituição.
O senador também quer investigar potenciais conflitos de interesse de Toffoli com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Dois irmãos e um primo do ministro foram sócios do cunhado de Vorcaro no Resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR).
"Caso se confirme que houve movimentação de altos volumes de dinheiro do Banco Master para familiares dos ministros da Suprema Corte, vamos apurar se houve alguma contrapartida irregular. E, se não houve, vamos ouvir as pessoas para identificar o real objetivo dessas transferências", disse ainda.
Na avaliação do relator, a maioria dos membros da CPI será favorável à inclusão do caso Master no escopo da apuração. "Me parece ser um caso que exige apuração. Há indícios veementes de, no mínimo, compra de influência e acesso".
Por Folhapress
Motta reúne líderes sob pressão para pautar propostas anti-STF e bandeiras do governo
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem nesta quarta-feira (28) a primeira reunião com os líderes de bancadas para definir as prioridades de votação deste ano. Enquanto tenta estabelecer um novo marco para evitar em 2026 a repetição das crises do ano passado, o chefe da Casa terá de lidar com demandas conflitantes de governo e oposição, que querem usar suas pautas na eleição de outubro.
O encontro acontece menos de uma semana antes da volta das atividades legislativas e demonstra o interesse dos parlamentares de dar celeridade a votações importantes. Os deputados ressaltam que as principais pautas devem ser votadas até junho, por causa das eleições.
De acordo com líderes ouvidos pela Folha, a oposição chega para a primeira reunião do ano visando pressionar Motta a instaurar a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Abuso de Autoridade. A criação do colegiado ganhou força com as reportagens que mostraram elos dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com o caso Banco Master.
Além disso, o grupo deve cobrar explicações sobre as cassações dos deputados Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ), que ocorreram durante o recesso. Eduardo foi cassado por excesso de faltas e Ramagem, em função da condenação por tentativa de golpe de Estado.
A oposição também deve pedir a Motta para interceder, junto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), por duas pautas.
A primeira é a derrubada do veto do presidente Lula (PT) ao projeto da Dosimetria, que diminuiria a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e demais envolvidos na trama golpista. A segunda é a instauração da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) sobre o Banco Master.
Já o governo Lula chega com interesses divergentes. Um dos responsáveis pela articulação afirma que a base vai lutar para manter o veto de Lula à Dosimetria e para impedir a instalação de CPIs. O cálculo é que esse instrumento serve à oposição e atrapalha o ritmo de votações do Congresso, principalmente em um calendário curto.
A ideia do Planalto é conseguir pautar para terça-feira (3) a MP (Medida Provisória) do Gás do Povo, que precisa ser aprovada até o Carnaval para não perder validade. O programa oferece gratuidade na compra de gás de cozinha ou custeará parte dos gastos com o produto por famílias de baixa renda.
O governo também defende a votação ainda em fevereiro da MP do Piso dos Professores, também considerada uma prioridade da base para o início do ano legislativo.
Outro ponto de discórdia que Motta precisará mediar envolve o Projeto de Lei Antifacção e a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública. Os temas são considerados "espinhosos" por parlamentares. Ambas são propostas do governo que foram desconfiguradas pela oposição ao longo de sua tramitação, e os dois grupos prometem briga pela versão que irá à votação.
Na PEC da Segurança, o governo mapeou pontos do relatório do deputado Mendonça Filho (União Brasil-PE) para serem derrubados ou alterados. No PL Antifacção, a luta do Planalto será para manter o relatório do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), aprovado pelo Senado em dezembro.
A oposição insistirá em manter a maior parte do relatório do deputado Guilherme Derrite (PP-SP), que deixou o cargo de secretário da Segurança Pública do governo de Tarcísio de Freitas, de São Paulo, para relatar o texto. O projeto havia sido aprovado na Câmara em novembro, mas, em função das mudanças de Vieira, precisará ser reanalisado pelo plenário.
A regulação da inteligência artificial também deve ser discutida na reunião com Motta, apontou um líder ouvido pela reportagem. Ele avalia que a Câmara tem sido pressionada pelo STF a abordar o tema, que também está em debate no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Aprovado pelo Senado no fim de 2024 após compromisso pessoal do então presidente, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), de pautar o tema, o projeto de IA está em tramitação na Comissão Especial sobre Inteligência Artificial da Câmara, presidida pela deputada Luísa Canziani (PSD-PR).
O governo ainda deve levar para avaliação dos líderes a discussão sobre a implementação da tarifa zero no transporte público e o fim da escala de trabalho 6x1. A última proposta reduz a jornada de trabalho máxima e foi incluída nas prioridades do PT ainda no ano passado.
A discussão sobre a redução da escala de trabalho começou com uma PEC da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), mas o Planalto decidiu apoiar a proposição com maior possibilidade de um andamento rápido no Congresso –neste caso, um projeto de lei. A proposta selecionada é do deputado Léo Prates (PDT-BA), que assumiu a relatoria do projeto.
Por Augusto Tenório e Laura Scofield/Folhapres
Banco Pleno, de ex-Master, usa Credcesta para atrair investidor
Ganhou força no mercado nos últimos dias a informação de que o Banco Pleno, ex-banco Voiter, busca um comprador. A instituição financeira pertence a Augusto Lima, investigado no caso do Banco Master e ex-sócio de Daniel Vorcaro. À Folha a assessoria de imprensa do banco informou que a busca é por um parceiro.
"O Banco Pleno segue rigorosamente o plano de negócios aprovado pelo Banco Central e avalia oportunidades de parcerias estratégicas para o fortalecimento de sua operação", informou em nota.
Executivos do setor de crédito consignado afirmaram à reportagem, na condição de não terem o nome citado, que, para tornar o ativo mais atraente, a proposta é fazer um negócio casado. Quem eventualmente investir no Pleno também poderá atuar na operação do Credcesta, o cartão de benefício consignado.
O investidor teria de aportar ao menos R$ 1 bilhão. Pessoas que acompanham o setor estimam que o Pleno precisaria ainda de outros R$ 2 bilhões para operar com mais tranquilidade. O FGC (Fundo Garantidor de Créditos) também poderia ajudar no processo, por meio de uma linha emergencial de crédito ou subsidiando o negócio, de acordo com pessoas ouvidas pelas reportagem.
O BC (Banco Central) autorizou a venda da instituição para Lima em julho do ano passado. Quatro meses depois, o banqueiro foi preso na Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeita de fraudes na venda de carteiras do Master ao BRB (Banco Regional de Brasília). Ele foi solto e passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica.
Profissionais que acompanham a movimentação no segmento de crédito consignado afirmam que o negócio tem sido oferecido a muitos investidores, incluindo a J&F, holding da família Batista, dona da JBS.
Os irmãos Joesley e Wesley Batista têm interesse em crescer no crédito consignado. O grupo contratou um dos maiores especialistas da área, Márcio Alaor, ex-BMG, e avalia aquisições. Com presença em 24 estados e 176 municípios, o Credcesta é visto como uma vantagem e seria um atalho nesta almejada expansão.
No entanto, o mesmo não se aplica ao Pleno, que é avaliado no mercado como problemático. Por determinação do BC, o Pleno está proibido de emitir novos CDBs (Certificados de Depósito Bancário) para se financiar, conforme mostrou a Folha. No mercado secundário, os títulos chegaram a ser negociados a 165% do CDI ao fim de 2025.
Segundo as últimas informações disponibilizadas na base do BC, referentes a junho de 2025, o ex-Voiter tinha um patrimônio líquido de R$ 672,6 milhões e um lucro líquido de R$ 169,3 milhões. Na outra ponta, porém, o passivo era de R$ 6,68 bilhões. Dessa dívida, a maior parte é de CDBs , que correspondiam a R$ 5,4 bilhões.
Sem se financiar pela emissão de novos CDBs, o pagamento de compromissos do banco fica mais difícil.
A J&F, porém, prefere se concentrar no IPO (oferta inicial de ações) do PicPay antes de avaliar qualquer outro ativo. À reportagem a assessoria de imprensa enviou nota afirmando que "o grupo J&F não tem interesse em nenhum dos ativos mencionados".
Os problemas do Pleno o acompanham há anos, desde a época em que o nome era Indusval e tinha outros controladores. Voltado ao financiamento de empresas e do agronegócio, o banco passou por várias reestruturações em meio a prejuízos. Em 2019, passou a se chamar Voiter, num plano de transformação digital.
Sem sucesso, a Capital Consig fez uma oferta para adquirir o Voiter em 2023. A operação não foi para frente e, em fevereiro de 2024, o Master levou a instituição.
Em julho de 2025, o BC aprovou a transferência do Voiter para Lima, que mudou o nome da instituição para Pleno.
A assessoria de imprensa do Pleno também reforçou à reportagem que a instituição é devidamente autorizada a funcionar pelo BC, cumpre integralmente todos os requisitos do CMN (Conselho Monetário Nacional (CMN), comprovando capacidade técnica e financeira, reputação ilibada de seus controladores e origem lícita dos recursos.
"Desde o início de suas atividades, a exposição do Banco Pleno ao FGC vem sendo reduzida, em linha com a evolução de sua estrutura operacional e de capital", disse a nota. O texto ainda destaca que o Pleno não é alvo de qualquer investigação, processo ou questionamento de órgãos reguladores, e atua dentro da legislação vigente.
Por Alexa Salomão e Júlia Moura/Folhapress
Baiano, ex-Master ergueu império do Credcesta com conexões políticas e teias empresariais
Com uma calça preta e camiseta branca, Augusto Lima subiu ao palco no Museu de Arte Moderna da Bahia, em Salvador, ao lado da esposa Flávia Péres. A orquestra Neojibá, xodó das gestões petistas no estado, embalava os convidados que bebericavam copos de uísque.
Era novembro de 2023 e o casal lançava o Instituto Terra Firme na presença de secretários, deputados, procuradores, conselheiros de contas, empresários e artistas. O governador Jerônimo Rodrigues (PT) anunciou uma parceria com a entidade, e o prefeito Bruno Reis (União Brasil) lembrou que ele e Lima estudaram no mesmo colégio.
O evento foi uma demonstração de poder e prestígio de um banqueiro embalado pelo sucesso de sua sociedade no Banco Master.
A trajetória de Augusto Lima é marcada por uma rápida ascensão. Em menos de uma década, a partir da criação do Credcesta, em 2018, saiu da Bahia, ganhou espaço na Faria Lima, expandiu o negócio do consignado por 24 estados e 176 municípios. Em novembro de 2025, foi preso na Operação Compliance Zero, que investiga a suspeita de fraudes em carteiras de créditos que o Master vendeu ao BRB (Banco Regional de Brasília).
Lima está em casa, com tornozeleira eletrônica, e foi convocado a prestar depoimento nesta semana. Sua defesa disse que não comentaria detalhes desta reportagem.
Segundo reconstituição da Folha, com base em documentos e relato de pessoas próximas ao empresário, a trilha que colocou Lima no centro do maior escândalo financeiro em décadas inclui estruturas empresariais opacas, teias societárias complexas e costuras políticas.
Nesse caminho, Lima utilizou muitos fundos em seus negócios e criou fortes laços com a Reag, a gestora de recursos que foi alvo em agosto de 2025 da Operação Carbono Oculto, por suspeita de operar para o PCC, e foi liquidada pelo Banco Central.
A PKL One, empresa dona do Credcesta, recebeu aumento de capital de um fundo chamado Reag 34, depois rebatizado de Diamond. Esse fundo detém o controle da empresa e está sob a gestão da WNT, que foi citada na segunda fase da operação Compliance Zero.
O fundador da Reag, João Carlos Falbo Mansur, figura, na pessoa física, como representante de sócio em outra empresa conectada à cadeia de relacionamentos de Lima, a Consiglog. Especializada em fornecer sistemas para gestão de empréstimos consignados, é ela que atua com o Credcesta.
Entre os imóveis apontados como ligados a ele está a Ilha do Topete, na baía de Todos-os-Santos. O direito de uso da ilha está em nome da RC Participações, que consta como ativo de um fundo gerido pela Reag.
Lima também declarou ganhos milionários em operação envolvendo ações da Akaa Empreendimentos e cotas do Murrien 41, que receberam investimentos do Hans 95, um dos fundos que foram alvo da Carbono Oculto.
DO CARNAVAL AO MERCADO FINANCEIRO
Nascido em uma família de classe média de Salvador, Guga, como é chamado entre amigos, cursou economia em uma universidade particular. Formou-se em 2002 com um trabalho final sobre a indústria do Carnaval.
Trabalhou com venda de abadás até entrar no setor financeiro com a Terra Firme da Bahia, fundada em 2001 para atuar como correspondente de instituições financeiras.
Nos anos seguintes, fundou outras empresas neste segmento e ajudou a criar as associações de servidores Asteba e Asseba, que prestavam serviços, inclusive financeiros, aos funcionários públicos.
Aproximou-se dos governos do PT na Bahia a partir de 2017, quando Rui Costa, hoje ministro da Casa Civil, era governador, e o senador Jaques Wagner era secretário de Desenvolvimento Econômico.
Wagner conduziu a privatização da Ebal, a estatal responsável pela rede de supermercados Cesta do Povo, que operava com um cartão de compras. Os dois primeiros leilões ficaram vazios, e Lima levou a Wagner a solução para tornar o negócio mais atraente: de mero instrumento para compras, o cartão passaria a agregar um combo de benefícios para os servidores, inclusive serviços financeiros.
A Ebal foi arrematada em abril de 2018 por R$ 15 milhões pela única empresa que apareceu, a NGV SPE Empreendimentos e Participações. Lima não está entre os sócios, e nem apareceu no leilão.
O representante foi o espanhol Ignacio Morales –diretor da Ginso, entidade assistencial que já havia se reunido com Lima e o governo baiano em fevereiro e firmou contrato com a gestão Rui Costa.
Na mesma época, o governo baiano aprovou uma proposta da gestora Reag para estruturar um fundo para construir um novo Centro de Convenções da Bahia. O projeto não avançou.
A diretora da NGV, então, era a advogada Nayanne Britto –que depois atuaria no Banco Master e é diretora jurídica do instituto fundado por Lima.
Um email datado de 3 de março, revelado em reportagem do UOL, mostrou Lima organizando a NGV junto com a Cartos –a empresa de Henrique Souza e Silva Peretto, que em 2025 seria apontada como parte no esquema de venda de carteiras fraudulentas ao BRB. Ele foi preso no mesmo dia que Lima e também está na lista de depoentes desta semana.
Rapidamente a NGV transferiu os direitos de exploração comercial do cartão para a PKL One. Lima também não aparece na PKL. Entre os diretores responsáveis pela PKL estão executivos ligados ao grupo Terra Firme, esse sim, de Lima, como Andrea Novaes Lima e Ana Paula de Almeida Pithon.
À Folha Wagner afirmou que, apesar de ter conhecido Lima em um ambiente institucional, se tornaram amigos, e que a venda da estatal foi um bom negócio para a Bahia: além de ser incomum um governo possuir uma rede de supermercados, naquele período a Cesta do Povo enfrentava dificuldades financeiras.
Confirmou que negociações para compra da Ebal foram feitas com Augusto Lima e Ignacio Morales, mas diz desconhecer detalhes de uma eventual sociedade entre ambos. Destacou ainda que a licitação teve o aval dos órgãos de controle.
Lima foi a São Paulo buscar um banco para viabilizar o cartão Credcesta. Bateu na porta do BMG com o advogado André Kruschewsky Lima, que orbitou em negócios no entorno do banqueiro. Foi sócio da Consiglog e diretor no Master. Já Luiá Kruschewsky Monteiro aparece como sócia-diretora da Ebal.
Os relatos divergem sobre a recepção do BMG. Uma versão é que o banco declinou do Credcesta porque não queria sócio num segmento em que já era forte. Outra é que identificou riscos no pacote do cartão de benefício.
O Credcesta tem exclusividade de 15 anos no governo da Bahia, com taxa de juros na casa de 4,7%, ocupando um adicional de 30% de comprometimento da renda. Isso elevou para 75% o comprometimento da renda de um servidor na Bahia. Ele também pode empenhar outros 33% com empréstimo em qualquer instituição autorizada pelo governo (e muitos fizeram também com o Master) e mais 12% via entidade sindical (incluindo aquelas com ligações com Lima).
Lima foi, então, apresentado à equipe de Daniel Vorcaro quando o Master ainda tinha o nome Banco Máxima. Foi empolgação instantânea. Em poucas semanas já estava de pé um acordo em que a PKL e o banco firmaram uma parceria dividindo os ganhos com a operação do Credcesta.
CONEXÕES POLÍTICAS
Daniel Vorcaro e Augusto Lima são descritos como homens de personalidades até antagônicas. Quem trabalhou com ambos diz que, se o mineiro preferia festas exuberantes e ternos vistosos, o baiano era simples, evitando extravagâncias. Recusava até convite para happy hour no bar para não aborrecer a esposa.
A união da influência política da dupla, no entanto, escalou o Credcesta, que depende de negociação com governos. O produto se espalhou pelo país, com taxas de juros ainda maiores. Em junho de 2021, o governo Claudio Castro (PL) no Rio de Janeiro autorizou margem de 20% de comprometimento da renda e juros de 5,5%, com exclusividade –que só foi suspensa no final do ano passado.
O Master ainda conseguiu autorização para operar também com o consignado do INSS. Na ponta, a modalidade era apresentada ao consumidor como mais uma vantagem do Credcesta.
Diferentes pessoas que trabalharam com Lima contam que ele mantinha controle sobre a operação do Credcesta – diziam que tinha ciúme de sua criação. Entrou na sociedade do Master em maio de 2020 e ampliou a operação.
Pessoas que acompanham o Master contam que ao assinar o acordo para sair, em maio de 2024, Lima estava disposto a deixar a marca Credcesta, mas mediante o pagamento de R$ 1,5 bilhão e um banco. Como Vorcaro protelava o pagamento, Lima foi ficando. Manteve o escritório no Master e o controle sobre a operação do Credcesta. Em abril de 2025, por exemplo, representava o Master em uma premiação para parceiros dentro da sede do próprio banco. Há fotos do evento.
O que se conta é que só se afastou quando conseguiu aprovação do Banco Central para ficar com o banco Voiter, que ele rebatizou de Pleno, e levou o Credcesta.
Com os ganhos do cartão benefício nesses anos todos, Lima comprou carros, aeronaves, fazendas e passou a ser anfitrião de festas badaladas na Bahia. Também expandiu outros negócios no estado.
Em fevereiro de 2025, a Pharos 71 Empreendimento Imobiliário participou de um polêmico leilão da prefeitura de Salvador por uma área no Morro Ipiranga. Lima não aparece como sócio da firma, mas sua administradora é Andrea, a mesma da PKL.
No campo pessoal, o círculo de amizades se estendeu mais à direita também. Ficou próximo de João Roma, ministro da Cidadania de Bolsonaro entre 2021 e 2022. Atraiu a atenção do senador Ciro Nogueira, presidente do PP, e do presidente do União Brasil, Antônio Rueda.
Foi por intermédio desse grupo que conheceu Flávia Péres, deputada federal pelo PP e ministra de Bolsonaro. Pessoas próximas contam que foi um match instantâneo. Lima deixou a esposa em 2023. O casamento com Flávia foi celebrado na Ilha dos Frades, em janeiro de 2024, e os convidados não puderam fazer fotos ou postagens em redes sociais.
Ao lado de Lima, Flávia recebeu o título de cidadã baiana proposto pelo deputado estadual Vitor Azevedo (PL). Em seu discurso na ocasião, Lima chamou de amigos políticos como João Roma, Otto Alencar Filho, Cacá Leão, José Ronaldo, Sandro Régis, todos presentes.
Quando montou a equipe do banco Pleno, Lima convidou para a diretoria Ronaldo Vieira Bento, sucessor de Roma no ministério da Cidadania em 2022. Roma nega tê-lo indicado para o banco.
Dias antes da prisão, em dezembro, a rede de conexões políticas do banqueiro seguia a todo vapor. Conforme revelado pelo site Metrópoles, um helicóptero de Lima foi usado por João Roma, pelo ex-prefeito ACM Neto e pelo prefeito Bruno Reis, que rumaram para o interior da Bahia. Procurado, o prefeito afirma que a viagem foi feita dentro da legalidade.
Quem frequenta o círculo próximo a Lima afirma que, se Vorcaro parece abandonado por muitos, os amigos de Lima nunca foram tão fiéis.
Por Alexa Salomão e João Pedro Pitombo/Folhapress
Acorda Brasil: Capitão Alden participa de ato em Brasília que marca encerramento da Caminhada pela Liberdade
O deputado federal Capitão Alden (PL-BA) participa neste domingo (25), em Brasília, do ato organizado pelo também deputado federal Nicolas Ferreira (PL-MG), que marca o encerramento da Caminhada pela Liberdade.
O parlamentar baiano se juntou ao movimento que teve início em Paracatu (MG), na última
segunda-feira (18), e terminou na capital federal. Ao todo, foram cerca de 240 quilômetros percorridos a pé em protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Durante o ato, Alden afirmou que se uniu a aliados para repudiar, de forma simbólica, o que considera uma das maiores injustiças da política brasileira.
“Esta caminhada não foi apenas um ato simbólico. Ela mostra que estamos atentos a toda injustiça cometida contra Bolsonaro, que está preso após ser vítima de um julgamento político. Um idoso, com condições de saúde frágeis, passando por toda essa injustiça”, afirmou.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão na Papudinha, em Brasília, após condenação por tentativa de golpe de Estado.
“É um absurdo. Querem acabar com a vida do maior líder da oposição a qualquer custo. Vamos lutar pela liberdade e pela anistia dos injustiçados”, concluiu.
O parlamentar baiano esteve caminhando ao lado dos principais nomes da Direita no Brasil: Gustavo Gayer, Sargento Fahur, Sargento Gonçalves, André Fernandes, Bia Kicis entre outros.
(Politica Livre)
Vídeo: raio atinge praça onde acontecia ato de Nikolas Ferreira em Brasília
Incidente ocorreu na Praça do Cruzeiro durante manifestação política sob forte chuva; Corpo de Bombeiros confirmou 34 feridos Um raio atingiu as proximidades da Praça do Cruzeiro, em Brasília, deixando 34 pessoas feridas na tarde deste domingo (25). O incidente aconteceu durante o encerramento de um ato organizado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que mobilizou apoiadores em uma caminhada rumo à capital federal
As imagens foram cedidas pelo jornal O Povo, produzidas por João Paulo Biage e cedidas à CNN Brasil.
A PRF (Polícia Rodoviária Federal) já havia emitido alertas anteriores sobre riscos operacionais e de segurança viária da caminhada, uma vez que as autoridades de trânsito não teriam sido informadas oficialmente sobre o planejamento do deslocamento.
O ato, iniciado na última segunda-feira (19), reuniu parlamentares e eleitores em oposição às condenações referentes aos atos de 8 de janeiro.
Segundo o Corpo de Bombeiros, as vítimas que estavam no local receberam atendimento imediato das equipes de resgate.
A descarga elétrica ocorreu em um período de fortes chuvas no Distrito Federal, fator que já havia impedido o encerramento formal da manifestação, inicialmente previsto para as 12h.
Os manifestantes percorreram cerca de 240 quilômetros desde a cidade de Paracatu (MG), em um movimento intitulado "Caminhada pela Liberdade". O objetivo do grupo é protestar contra decisões do STF e prestar apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os manifestantes percorreram cerca de 240 quilômetros desde a cidade de Paracatu (MG), em um movimento intitulado "Caminhada pela Liberdade". O objetivo do grupo é protestar contra decisões do STF e prestar apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Saiba quem dos baianos chegou primeiro, por último e quem já foi embora da caminhada do Nikolas
Três parlamentares baianos que aparecem levantando a bandeira do bolsonarismo estão marcando presença na chamada “Caminhada pela Paz” que é liderada por Nikolas Ferreira (PL-MG). O ato início no município de Paracatu, em Minas, e deve chegar amanhã (25) em Brasília.
O primeiro a chegar, já no segundo dia de caminhada, foi o deputado estadual Leandro de Jesus (PL). O parlamentar, que nas redes sociais foi atualizando os seu seguidores sobre o caminho até o encontro ao deputado mineiro, já retratou que recebeu algumas ameaças nesta semana por aderir ao movimento.
“Estamos aqui pela nossa liberdade, pelo nosso futuro, pela liberdade dos preso políticos do 8 de janeiro e pelo nosso presidente Jair Bolsonaro. O Brasil não aguenta mais o PT e os desmandos e escândalos do STF. É por isso que estamos aqui reunidos, é por isso que voltaremos às ruas”, disse o deputado.
Leandro também revelou que chegou a se machucar, sem gravidade, mas que estará chegando até o final do movimento, em Brasília. Ele, na Bahia, é um dos mobilizadores de atos contra o PT e o STF, e prometeu que organizará manifestações no estado muito em breve.
O segundo a registrar ida foi o ex-ministro da Cidadania e presidente do PL na Bahia, João Roma. No entanto, Roma só permaneceu por dois dias. Já na sexta-feira (23) foi registrado na última homenagem ao deputado estadual Alan Sanches (União), na missa de sétimo dia na Igreja da Conceição da Praia. A sua esposa, a deputada federal Roberta Roma, não participou da caminhada, nem publicou nada sobre a manifestação nas redes.
Quando já se iam mais de 150 km de caminhada, os deputados Capitão Alden (federal) e Diego Castro (estadual) registraram chegada ao ato de Nikolas apenas nesta sexta-feira (23), quatro dias após do início. Os dois viajaram juntos e estão postando sobre a manifestação praticamente em tempo real.
Além das pautas já conhecidas como a anistia ampla, geral e irrestrita, os bolsonaristas pedem maiores investigações no caso Banco Master e punição aos envolvido nas fraudes do INSS.
Até o momento as autoridades não divulgaram qualquer levantamento que mostra a participação do público. Nas redes, o próprio Nikolas tem mostrado surpresa com a chegada de centenas de pessoas ao movimento. A expectativa é de que no domingo milhares de pessoas estejam reunidas na Praça do Cruzeiro, em Brasília.
Por Política Livre
Michelle articula prisão domiciliar de Bolsonaro no STF e acirra disputa familiar por 2026
A atuação de Michelle Bolsonaro nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF), em defesa da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, aprofundou o distanciamento entre ela e os filhos do ex-presidente e reacendeu a disputa interna pelo comando do bolsonarismo em 2026. Aliados interpretam o movimento como uma tentativa de reduzir o protagonismo do senador Flávio Bolsonaro e recolocar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, no centro da sucessão presidencial. Michelle não comentou publicamente as articulações. A informação é do jornal O Globo.
Interlocutores relatam que a ex-primeira-dama passou a se apresentar como uma espécie de “porta-voz institucional” do bolsonarismo, buscando ampliar sua influência política ao negociar melhorias nas condições de custódia e, posteriormente, a domiciliar por razões de saúde. Dentro da família, porém, o gesto é visto como estratégico e com impacto direto no desenho eleitoral, abrindo espaço para uma reorganização da direita caso Bolsonaro volte ao convívio doméstico.
O movimento gerou reações sobretudo de Carlos Bolsonaro, que tem feito críticas veladas nas redes sociais, interpretadas como recados à madrasta. Já Flávio reforça que é o pré-candidato indicado pelo pai, citando uma carta manuscrita divulgada no fim de 2025. Apesar disso, aliados admitem que o cenário ainda pode mudar, enquanto Tarcísio tenta se manter cauteloso, reafirma a intenção de disputar a reeleição em São Paulo e evita se comprometer em meio à disputa familiar.
Direita prepara ato em Brasília sem Michelle e Flávio, mas com Malafaia
A direita organiza em Brasília, para este domingo (25), um ato de recepção à caminhada do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), e espera reunir milhares de pessoas para pressionar o STF (Supremo Tribunal Federal) a mudar o regime de prisão fechado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Embora a manifestação esteja programada para ocorrer longe da Esplanada dos Ministérios, a segurança do Palácio do Planalto foi reforçada neste sábado (24). Ainda pela manhã, o local foi cercado para evitar invasões.
O ato terá a participação do pastor Silas Malafaia, mas outras figuras proeminentes devem ficar de fora. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, por exemplo, não deve ir. Os organizadores planejam justificar sua ausência, argumentando que Michelle precisa focar nos cuidados diários a Bolsonaro, inclusive o preparo de refeições.
Em paralelo, aliados dizem que ela não participará para evitar desgastes com o ministro do STF Alexandre de Moraes, com quem conversou antes da transferência de Bolsonaro da sede da PF (Polícia Federal) para a Papudinha. No encontro, Michelle fez um apelo para que o ministro autorize a prisão domiciliar do ex-presidente.
Outro ponto de atenção é uma possível participação remota do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, que está em Israel. Segundo aliados, ele pode falar brevemente ao telefone, a depender do desenrolar das suas agendas e do fuso horário, que é de cinco horas a mais em relação a Brasília.
Ainda não foi definido quem discursará. Além do próprio Nikolas, os organizadores apostam no pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, para tentar engordar o ato. Considerado um guru religioso do bolsonarismo, ele tem resistido à candidatura de Flávio e entende que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) tem mais condições de derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Malafaia diz que Nikolas está de parabéns e "acertou", por isso faz questão de comparecer ao encerramento da caminhada. "Eu vou estar lá, claro."
Um bom líder, segundo o pastor, é como "o comandante de um navio". Na falta de Bolsonaro, "que é a maior expressão da direita na América Latina", mas está preso, Nikolas soube se posicionar, diz. "Ele tem uma capilaridade gigantesca, então ninguém melhor do que ele para este momento em que Bolsonaro está ausente", e "o povo, indignado com essa esculhambação promovida pelo governo Lula, por Dias Toffoli, por Alexandre de Moraes, Banco Master e INSS".
Malafaia diz que coordenou as manifestações para Bolsonaro a pedido do ex-presidente. Agora, é a vez de Nikolas entrar em ação. "Nada melhor do que um cara jovem, guerreiro, que não tem medo, tem uma rede social gigante."
Segundo aliados, espera-se que o pastor não aborde a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, mas pessoas próximas destacam o perfil imprevisível de Malafaia. Nesta semana, a cisão entre o grupo de Tarcísio e a família Bolsonaro chegou ao ápice com o cancelamento da visita do governador ao ex-presidente, que está preso em Brasília. O gesto foi entendido como uma recusa a aceitar Flávio como candidato definitivo.
A situação foi contornada e uma nova visita foi agendada para o dia 29 de janeiro, já autorizada pelo STF. Após o entendimento, lideranças bolsonaristas saíram em defesa de Tarcísio, afirmando que ele "tem palavra" e é confiável. O próprio governador foi às redes sociais e reconheceu a candidatura de Flávio à Presidência.
Aconselhado por aliados, Tarcísio não participará da manifestação. Interlocutores afirmam que é preciso deixar o rescaldo do recente atrito passar. Segundo pessoas próximas à organização, não foram disparados convites para pré-candidatos da direita ou caciques políticos. A ideia é deixar a adesão espontânea, com foco nos que participaram da caminhada.
A manifestação
O deputado Nikolas Ferreira, liderança digital do bolsonarismo, iniciou uma caminhada de Belo Horizonte a Brasília na última segunda-feira (19). Trata-se de uma manifestação em defesa da anistia a Bolsonaro e aos presos do 8 de Janeiro.
Pelo caminho, lideranças bolsonaristas aderiram ao movimento, como os deputados Carlos Jordy (PL-RJ), Luciano Zucco (PL-RS) e Rodrigo Valadares (União-SE), além do senador Magno Malta (PL-ES). Há relatos de exaustão entre apoiadores. O ex-vereador de São Paulo Fernando Holliday machucou o joelho.
Segundo pessoas a par da organização, o ato ocorrerá durante a tarde na Praça do Cruzeiro, região central de Brasília, e deve contar com estrutura modesta. Não há previsão de carros de som ou telão.
Espera-se que a caminhada chegue no fim da tarde pela BR-040 (Via Epia), nas imediações da antiga Rodoferroviária, seguindo pela subida ao Eixo Monumental. Os participantes serão recepcionados pela deputada federal Bia Kicis (PL-DF), uma das organizadoras do evento.
Por Augusto Tenório e Anna Virginia Balloussier/Folhapress
GSI reinstala grades no Planalto antes de manifestação liderada por Nikolas Ferreira
O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) reinstalou grades de proteção no entorno do Palácio do Planalto neste sábado como medida preventiva diante da manifestação organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). O protesto, que critica a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e de envolvidos nos atos de 8 de Janeiro, chega ao sexto dia e tem previsão de término em Brasília após um percurso de cerca de 240 quilômetros iniciado em Minas Gerais. A informação é do jornal O Globo.
Em nota, o GSI informou que a ação segue protocolos de segurança aplicados sempre que há possibilidade de atos próximos à sede do Executivo. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) também emitiu alertas sobre riscos de aglomeração ao longo do trajeto e relatou reclamações de ferimentos entre participantes, cobrando do parlamentar medidas para mitigar problemas de segurança.
Na sexta-feira, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a retirada de acampamentos de apoiadores de Bolsonaro nas proximidades do Complexo Penitenciário da Papuda, após pedido da PGR. A decisão ocorreu depois da instalação de barracas e faixas pedindo anistia, em meio à transferência do ex-presidente para um batalhão da PM vizinho ao complexo.
Por Redação
Banco Master teria contratado Guido Mantega por R$ 1 milhão ao mês após articulação de Jaques Wagner
O Banco Master contratou o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega para atuar como assessor, por indicação do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). A remuneração acertada teria sido de R$ 1 milhão por mês, segundo apuração da coluna de Andreza Matais, do portal Metrópoles.
A contratação ocorre em contraste com declarações recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante evento em Maceió (AL), na sexta-feira (23), Lula fez duras críticas ao Master — sem citar o banco nominalmente — ao acusar o controlador da instituição, Daniel Vorcaro, de promover um “golpe de mais de R$ 40 bilhões” e cobrar “falta de vergonha na cara” de quem o defende. O discurso destoou das ligações mantidas anteriormente entre integrantes do núcleo petista e o grupo financeiro.
Mantega só chegou ao Master após a intervenção direta de Jaques Wagner. Antes disso, o governo havia recuado da indicação do ex-ministro para o Conselho de Administração da Vale, após questionamentos do mercado. Apesar de privatizada, a mineradora ainda sofre influência do governo federal por meio de concessões públicas e de investimentos realizados por fundos de pensão de estatais. Interlocutores do mercado chegaram a classificar a indicação de Mantega como uma interferência indevida do presidente Lula na empresa.
No Banco Master, a principal missão de Mantega era facilitar a venda da instituição controlada por Vorcaro ao BRB. Ele prestou serviços de consultoria até poucas semanas antes de o Banco Central decretar a liquidação do Master, em novembro do ano passado. Os valores pagos ao ex-ministro teriam alcançado ao menos R$ 11 milhões.
Dentro do banco, a relação política mais próxima de Jaques Wagner era com Augusto Lima, sócio de Vorcaro e ex-CEO da instituição. Lima também mantém amizade com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e esteve presente no palanque do evento em que Lula fez as críticas ao banco, reforçando os vínculos entre os envolvidos.
Em meio a essas articulações, Mantega esteve ao menos quatro vezes no Palácio do Planalto em 2024, sempre recebido pelo chefe de gabinete de Lula, Marcola. As visitas ocorreram nos dias 22 de janeiro, 1º de abril, 29 de outubro e 4 de dezembro, no 3º andar do prédio. As agendas oficiais registraram apenas a expressão “encaminhamento de pauta”, sem detalhamento.
Credito: Bahia noticias
Lula diz que "falta vergonha na cara" a quem defende dono do Master
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| Foto: Ricardo Stuckert/PR |
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (23) que muita gente por “falta de vergonha na cara” defende o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. A declaração foi durante cerimônia em Maceió, Alagoas, para a entrega de 1.337 moradias do Minha Casa, Minha Vida no município e para celebrar a marca de 2 milhões de contratações do programa desde 2023, meta estabelecida pelo governo para este terceiro mandato de Lula.
Sem citar o nome do banqueiro Daniel Vorcaro, foi a primeira vez que Lula se pronunciou sobre o escândalo envolvendo o Banco Master.
"Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado, enquanto um cidadão, como esse do Banco Master, que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões. E quem vai pagar? São os bancos. É o Banco do Brasil, é a Caixa Econômica Federal, é o Itaú. Um cidadão que deu um desfalque de quase R$ 40 bilhões nesse país", afirmou o presidente se referindo aos recursos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que serão usados para pagar os credores.
"Então, companheiros, e tem gente que defende porque também está cheio de gente que falta um pouco de vergonha na cara neste país", completou.
Durante a cerimônia, o presidente citou resultados do seu terceiro governo, como a queda na inflação, que em outubro do ano passado atingiu o menor patamar em 27 anos, e o aumento no número de empregos, com 5 milhões com carteira assinada no acumulado desde 2023.
Lula disse que 2026 será o ano da comparação e que vai comparar as realizações de seus três anos de governo, com as dos governos dos ex-presidentes Michel Temer e Jair Bolsonaro.
“Tivemos dois anos de reconstrução, porque encontramos esse país desmantelado”, disse, acrescentando que “esse ano vamos fazer o ano da comparação”.
“Vamos comparar cada coisa que fizemos nesses três anos com o governo Temer e o Bolsonaro que, juntos, são quase oito anos de governo. Vamos comparar quem mais cuidou das estradas, quem fez mais estradas, quem mais cuidou da saúde, quem fez mais universidades, mais institutos federais, quem colocou mais estudantes nas universidades”, discursou.
Lula alertou que as pessoas devem tomar cuidado com as fake news espalhadas, principalmente nas redes sociais.
“A gente sabe que a mentira voa e a verdade anda. Não podemos permitir que a mentira volte a governar”, afirmou. “Não passem mentira para frente, aprendam a distinguir o que é verdade e o que é mentira. Esse país precisa acabar com o ódio e a gente precisa voltar a ter mais fraternidade, amor, a ser mais amigo dos nossos amigos”, concluiu.
O presidente fez um apelo para que os homens se envolvam no combate da violência contra as mulheres. Lula lembrou que o número de casos de feminicídio no país é alto e que é preciso enfrentar o problema.
“Eu quero dizer para os homens, somos nós homens que temos que ter coragem e dignidade de assumir a defesa da luta contra a violência voltada para as mulheres. Porque quem é violento somos nós. Você não tem histórico de mulher batendo no marido, mas todo dia aparece homem querendo matar a mulher, a namorada” disse.
Por Agência Brasil
Pressionado, Ibaneis estuda aporte ou empréstimo do FGC com garantia do DF ao BRB e convoca reunião
Governador chamou a base aliada para encontro na próxima quinta-feira, 29, para tentar dirimir a crise e já negociar a solução para o banco estatal
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| Foto: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo |
O governo do Distrito Federal avalia fazer um aporte no Banco de Brasília (BRB) ou oferecer garantias para que a instituição busque um empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e cubra possíveis prejuízos com o Banco Master.
O valor do aporte ou do empréstimo ainda não está definido. O Banco Central enviou um ofício ao BRB determinando provisão de R$ 2,6 bilhões para reequilibrar o balanço após a compra de carteiras de crédito falsas do Master.
Procurados, o governo do DF, o BRB e o FGC não se manifestaram.
A pressão sobre o governador Ibaneis Rocha (MDB) aumentou após o Estadão revelar que o banqueiro Daniel Vorcaro afirmou à Polícia Federal que conversou “algumas vezes” com o governador do DF sobre a venda do Banco Master ao BRB, incluindo em sua casa. O governador confirmou que se reuniu com o banqueiro, mas negou ter tratado sobre a negociação.
A oposição preparou um pedido de impeachment contra o governador por conta do depoimento de Vorcaro. Ibaneis chamou uma reunião com a base aliada para a próxima quinta-feira, 29, para tentar dirimir a crise e já negociar a solução para o BRB, que, a depender da proposta, terá que passar pela Câmara Legislativa do DF.
A estratégia do BRB é recompor capital. Os investigadores suspeitam de fraude na venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito falsas do Master adquiridas pelo Banco de Brasília durante as negociações.
As alternativas na mesa
Segundo apurou a reportagem, os recursos para o BRB poderão vir do governo do Distrito Federal ou de outras negociações, como a venda de uma carteira de empréstimos com garantias da União negociada com os bancos Itaú e Bradesco, como o Estadão revelou.
O aporte governamental já estava na mesa, mas uma nova opção começou a ser discutida e considerada mais benéfica por auxiliares do governador Ibaneis Rocha (MDB): o BRB buscaria um empréstimo por meio de uma uma linha de liquidez do FGC oferecendo ativos do governo do DF como garantia.
O FGC possui um Fundo de Resolução para oferecer assistência e suporte financeiro aos bancos associados, como é o caso do BRB. Nesse caso, o fundo concederia um empréstimo para o Banco de Brasília, que por sua vez ofereceria as garantias para assegurar o pagamento da dívida. Os deputados distritais precisariam aprovar a concessão desse aval.
O governo Ibaneis estuda oferecer como garantia imóveis e ações da Companhia Energética de Brasília (CEB). Interlocutores do governador dizem que o empréstimo representaria um risco menor para o FGC do que o acionamento das garantias para investidores em uma situação extrema como liquidação ou federalização. A proposta final, porém, não está fechada.
Nos últimos dias, Ibaneis tem dito que o governo do Distrito Federal possui R$ 200 bilhões em imóveis que poderiam ser vendidos para bancar o aporte no BRB. Agora, esses imóveis também são avaliados como garantias para um empréstimo.
Por Daniel Weterman/EstadãoBolsonarismo muda estratégia e aposta na segurança pública para pressionar governo Lula
O bolsonarismo promoveu uma mudança estratégica de discurso de olho no cenário eleitoral e passou a reduzir a ênfase na pauta de costumes no Congresso, priorizando o tema da segurança pública. A avaliação entre parlamentares da oposição é que a área representa um ponto sensível do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pode gerar maior desgaste junto ao eleitorado. A nova orientação deve ganhar força com a retomada dos trabalhos legislativos, em fevereiro. A informação é do jornal O Globo.
Levantamento mostra queda significativa no número de propostas ligadas a temas conservadores, como aborto, linguagem neutra e ideologia de gênero, enquanto a oposição concentrou esforços em embates legislativos ligados à segurança. Entre eles estão mudanças no projeto de lei Antifacção e a discussão da PEC da Segurança Pública, idealizada pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. Projetos simbólicos da pauta de costumes que avançaram em 2024 acabaram paralisados ou perderam espaço em 2025.
Parlamentares e analistas avaliam que a perda de fôlego da agenda conservadora se deve tanto à fragmentação da direita quanto à priorização da anistia aos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro, tema que dominou a articulação do PL. Especialistas apontam ainda que há limites de aceitação social para pautas mais radicais e que esses temas tendem a reaparecer mais fortemente no discurso eleitoral de 2026, especialmente entre parlamentares evangélicos, ainda que com menor protagonismo legislativo.
Ministros do STF defendem envio do caso Master à 1ª instância como 'saída honrosa' para Toffoli
Para contornar a crise de imagem enfrentada atualmente pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em razão dos desdobramentos do caso Master, integrantes da corte passaram a defender o envio da investigação à primeira instância como uma "saída honrosa" para o ministro Dias Toffoli. Ele, no entanto, resiste a deixar a condução das apurações.
Toffoli está sob pressão interna devido à sua postura na supervisão do inquérito. As críticas começaram com o severo regime de sigilo imposto ao caso, seguido pela viagem de jatinho com um dos advogados da causa e por negócios que associam seus familiares a um fundo de investimentos ligado ao Master, como revelou a Folha.
A operação Compliance Zero —cujo principal alvo é o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro — começou na Justiça Federal em Brasília, mas subiu para o Supremo depois que a PF apreendeu um documento que cita o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), detentor de foro privilegiado.
Outra investigação, que se iniciou no âmbito da Justiça Federal em São Paulo, também foi enviada ao STF e fundamentou a segunda fase da operação, deflagrada no último dia 14, e que apura suspeitas de fraudes realizadas no Master por meio de fundos de investimento, incluindo empresários.
Contudo, até agora, não há qualquer linha de apuração que aponte para o envolvimento do parlamentar nas fraudes bancárias, segundo investigadores a par do caso. Bacelar afirma que participou de um fundo para a construção de um condomínio na Bahia e que Vorcaro havia demonstrado interesse em adquirir parte do projeto, mas a transação não foi adiante.
Uma ala da corte afirma que Toffoli poderia aproveitar a falta de evidências contra Bacelar para devolver os autos ao primeiro grau —seria uma maneira de tirar o STF do foco da crise, afastar as alegações de suspeição e manter válidos todos os atos assinados pelo ministro até aqui.
Nessa hipótese, os termos dos depoimentos dos investigados, a ata da acareação entre banqueiros e os resultados dos mandados de busca e apreensão cumpridos pela PF (Polícia Federal) na semana passada seriam compartilhados com a Justiça Federal e a investigação não precisaria voltar à estaca zero.
O envio do processo à primeira instância também é defendido por integrantes do MPF (Ministério Público Federal), por pessoas próximas a Toffoli e por advogados que acompanham o caso, embora tenha sido a defesa de Vorcaro a autora do requerimento para que a investigação fosse supervisionada pelo STF.
Apesar desses apelos, Toffoli descarta abandonar a relatoria das investigações, como mostrou a Folha. A interlocutores, o ministro afirmou que não existe razão para abdicar do processo, pois não se enquadra nas hipóteses objetivas de impedimento previstas em lei, nem tem qualquer motivo de foro íntimo para se declarar suspeito.
O Código de Processo Penal prevê que o juiz está impedido de atuar nas ações em que seu cônjuge ou parente tenha participado; em que ele próprio tenha atuado no passado (como advogado ou juiz de instância inferior); ou em que ele ou seus familiares forem "diretamente interessados".
Já a suspeição tem caráter subjetivo e diz respeito a situações, por exemplo, em que o ministro é amigo íntimo das partes ou dos advogados, recebe presentes de pessoas interessadas na causa ou aconselha as partes. Se houver motivo de foro íntimo, ele não é obrigado a detalhá-lo.
Toffoli sinalizou que essas variáveis não estão em jogo e argumentou que a sua imparcialidade não está comprometida. O ministro também tem afirmado que, na primeira instância, as informações estariam mais sujeitas a vazamentos, o que deve ser evitado a todo custo em uma investigação dessa natureza.
Ao mesmo tempo, Toffoli indica a auxiliares que só com novos avanços das apurações será possível definir com clareza se o caso fica no Supremo, se volta à primeira instância ou se o caminho é um meio-termo —um desmembramento da investigação, em que o ministro fica responsável por autoridades com foro e a Justiça Federal, pelos demais investigados.
Desde o início, o ministro tem tentado acelerar procedimentos da investigação, enquanto mantém controle completo sobre os seus rumos, o que já causou atritos com a PF. A acareação que ocorreu em 30 de dezembro entre Vorcaro e o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa, por exemplo, foi marcada antes de serem tomados os depoimentos dos investigados.
Toffoli acabou definindo que os dois fossem ouvidos pela delegada do caso nas horas que antecederam a acareação. Ele também determinou que ela fizesse aos banqueiros mais de 80 perguntas elaboradas pelo seu próprio gabinete.
Na última semana, Toffoli também decidiu que a PF, que pretendia tomar outros depoimentos do inquérito nas semanas entre o final de janeiro e o início de fevereiro, resumisse esse procedimento a dois dias. O cronograma ficou definido para os próximos dias 26 e 27.
Além disso, o ministro definiu, por conta própria, os peritos que vão analisar as provas obtidas na última fase da Compliance Zero, o que fez a própria PF pedir ajuda ao governo para questionar a decisão. A associação de delegados da corporação disse que as decisões do ministro são uma "afronta às prerrogativas" da categoria.
Por Luísa Martins, José Marques e Adriana Fernandes/Folhapress
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