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AGU cria força-tarefa para dar suporte jurídico à UFPE após incêndio de R$ 100 mi sexta-feira,

Fotos: Reprodução / Agência Brasil / Redes Sociais
A Advocacia-Geral da União (AGU) criou uma força-tarefa para prestar apoio jurídico à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) após um incêndio de grandes proporções atingir um prédio de laboratórios no campus do Recife, na quarta-feira (7). O grupo também acompanhará as investigações criminais

O incêndio foi o terceiro registrado na universidade em um intervalo de oito dias. As causas ainda são desconhecidas, mas há suspeitas sobre a origem das chamas e relatos de ameaças feitas por estudantes, segundo a AGU.

A medida foi publicada nesta sexta-feira (9) no Diário Oficial da União.

O fogo atingiu um prédio que abrigava laboratórios das áreas de fármacos, informática e genética. Os prejuízos com equipamentos, insumos e materiais de pesquisa são estimados em R$ 100 milhões. Mais de 80 estudantes de iniciação científica, mestrado e doutorado perderam trabalhos desenvolvidos ao longo de anos.

A força-tarefa terá como atribuições prestar consultoria jurídica à universidade, auxiliar na adoção de medidas para reduzir os danos e dar suporte à recuperação da infraestrutura de pesquisa e à continuidade das atividades científicas.

A Polícia Federal (PF) vai instaurar inquérito para investigar a causa do incêndio. A corporação ainda não informa se o incêndio foi acidental ou criminoso. "Todos os fatos que forem trazidos oficialmente para dentro das investigações serão alvos de análise", afirma a corporação.

Na esfera criminal, o grupo poderá requerer diligências durante as investigações e atuar como assistente da acusação caso seja apresentada uma ação penal.

A equipe também ficará responsável por reunir a documentação dos prejuízos causados ao patrimônio público, com o objetivo de subsidiar eventuais ações judiciais para ressarcimento dos danos.

Coordenada pelo gabinete da Procuradoria-Geral Federal, a força-tarefa reunirá representantes de diferentes setores da AGU, incluindo a Procuradoria Federal junto à UFPE e áreas responsáveis por consultoria jurídica, contencioso e recuperação de créditos.

O grupo terá prazo inicial de atuação de 60 dias, que poderá ser prorrogado por mais 60 mediante justificativa.

Por Raquel Lopes | Folhapress

Vorcaro acusa ter pago R$ 30 milhões por fora para financiar documentário sobre Lula

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou em áudio e documentos obtidos pela revista Veja ter destinado cerca de R$ 30 milhões em dinheiro vivo ao Instituto Lula para custear despesas de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o relato, os pagamentos teriam sido negociados com o ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto e realizados fora dos canais oficiais. Vorcaro também mencionou valores adicionais repassados diretamente ao instituto, sem especificar a quantia. A reportagem é da Veja.

De acordo com o banqueiro, a articulação teria envolvido seu então sócio e ex-CEO do Master, Augusto Lima, e o senador Jaques Wagner (PT-BA), apontado como intermediário no primeiro encontro com Vaccari. Em contrapartida, os recursos teriam sido vinculados à tentativa de obter credenciamento junto a fundos de pensão de servidores federais ligados ao Banco do Brasil, à Caixa Asset e à Previ. O documentário citado é Lula, dirigido por Oliver Stone, que reúne depoimentos de amigos e aliados do presidente.

Vorcaro afirmou ter reunido as informações em um anexo encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) em junho, mas o caso não avançou. Segundo a reportagem, a Procuradoria justificou a decisão pela falta de provas dos pagamentos, que teriam sido feitos em espécie. A defesa do banqueiro argumentou que existiriam mensagens, registros de saques e informações sobre as rotas utilizadas nas entregas. As acusações relatadas pela revista não constituem, por si só, comprovação de irregularidades por parte dos citados.

Por Redação/Politica Livre/A reportagem é da Veja.

Janja espalha fake news contra Flávio Bolsonaro

Janja – Foto: Reprodução/Instagram
Depois de espalhar uma fake news envolvendo Nossa Senhora Aparecida, a primeira-dama Janja volta às redes sociais para tentar emplacar uma novas notícias falsa sobre Flávio Bolsonaro (PL).

Através de um vídeo, Janja disse que Flávio Bolsonaro, caso eleito, vai ‘enterrar’ a PEC que acaba com a escala de trabalho 6 por 1 e ‘destruir’ os direitos das mulheres. A esposa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda afirmou que o candidato do PL vai acabar com o programa Farmácia Popular, o que não é verdade!

“Não podemos deixar os brasileiros e brasileiras perderem seus direitos básicos. Os direitos das mulheres, que demoramos tanto tempo para conquistar, Flávio Bolsonaro vai destruir. Sabe o fim da escala 6 por1? Ele vai enterrar, acabar. Nós queremos que você descanse, que tenha tempo com a sua família. Ele quer que você trabalhe sete dias por semana“, espalhou ela.


“E o Farmácia Popular? Flávio Bolsonaro vai acabar. E o crime organizado, com Flávio Bolsonaro na presidência, ele vai dominar o Brasil, as armas voltarão para dentro das suas casas. Se acontecer uma nova pandemia, teremos novamente covas abertas. E é isso que queremos pro futuro do nosso país? Jamais”, disse Janja em um vídeo do Instagram.

“Não podemos voltar às trevas que a família Bolsonaro deixou o Brasil há 4 anos atrás. Não vamos deixar nosso país nas mãos de quem vai entregar nossas maiores riquezas aos Estados Unidos. Nós vamos ganhar”, continuou.

Diante de tantas fake news, o PL desmentiu a notícia que Flávio planeje acabar com o programa Farmácia Popular. “Com Flávio Bolsonaro os remédios gratuitos vão continuar sendo distribuídos pelo programa Farmácia Popular. A esquerda mente e manipula! Não caia em FAKE NEWS!”, publicou o partido no X.
Isso Janja continua disseminando FAKE NEWS, é exatamente por isso que o povo está CANSADO! CHEGA DE NARRATIVAS MENTIROSAS, CHEGA!

Estado de saúde de Rogério Marinho, coordenador de campanha de Flávio, é revelado

Rogério Marinho – Foto: Reprodução/CNN Brasil
O senador Rogério Marinho (PL-RN) acabou sendo levado às pressas para um hospital particular em Brasília, na tarde de terça-feira, 06 de outubro, para fazer exames após um ‘mal-estar’.

Rogério Marinho é um dos coordenadores da campanha do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL). Em um boletim médico divulgado nesta manhã de quarta-feira, 07 de outubro, o DF Star informou que Rogério Marinho teve um ‘quadro de febre associado a mal-estar’.

“No momento, encontra-se internado para realização de exames e tratamento clínico“, informou o hospital no documento assinado por três médicos.


De acordo com a equipe do político, os sintomas foram percebidos quando o político voava de volta a Brasília, após um ato em Goiânia com Flávio, o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) – derrotado no primeiro turno da eleição presidencial – e o governador reeleito, Daniel Vilela (MDB).

Em nota divulgada antes do boletim médico, o gabinete afirmou que Marinho foi levado ao hospital ‘por precaução’ e que ‘passa bem’.

O que acontecerá com o Bolsa Família?

Em um vídeo divulgado pelo Partido Liberal nas redes sociais, Flávio Bolsonaro garante que o Bolsa Família será prioridade em seu governo caso eleito presidente, garantindo que vai apenas diminuir impostos sobre o mesmo, trazendo mais benefícios ao povo mais pobre.

Na legenda do vídeo, o PL ainda explicou: “O Bolsa Família será prioridade no governo de Flávio Bolsonaro! O que vai diminuir é o imposto, para garantir que o dinheiro das mães guerreiras renda mais no mercado e que elas tenham cada vez mais oportunidades de crescer e conquistar uma vida melhor. Com melhorias e mais oportunidades, o Brasil continuará tendo Bolsa Família. Dia 25, vote 22!“, pediram.

PF investiga ligação de policiais com facção criminosa

 A Polícia Federal (PF) cumpre, nesta quarta-feira (7), sete mandados de prisão preventiva
A Polícia Federal (PF) cumpre, nesta quarta-feira (7), sete mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão contra um grupo acusado de ligações com facção criminosa do Rio de Janeiro. A PF investiga crimes como venda ilegal de fuzis e vazamento de informações sigilosas para a organização que atua no Complexo de Israel, na zona norte da capital fluminense, além de lavagem de dinheiro

Entre os alvos da operação Magen estão um policial civil, um policial militar e ex-policiais. A investigação, feita pelo Grupo de Investigações Sensíveis da PF (GISE) e pelo Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal do Ministério Público do Rio (MPRJ), identificou que a organização criminosa mantinha um núcleo estruturado para obtenção, transporte e revenda clandestina de armas.

Segundo a PF, o grupo comercializava fuzis de uso restrito, revólveres, pistolas, carregadores e munições. A investigação apontou indícios de que os alvos da operação chegaram a fornecer dez fuzis AR-15 diretamente à principal liderança criminosa do Complexo de Israel.

Os policiais e ex-policiais conseguiam acessar sistemas restritos da Administração Pública e repassavam aos líderes da facção criminosa dados sigilosos referentes a mandados de prisão em aberto, endereços, registros de veículos e alvos de ações policiais em andamento.

Com isso, conseguiram alertar os criminosos que atuam no complexo de favelas e evitar a repressão policial. As informações sigilosas também eram usadas para conduzir investigações clandestinas que tinham como objetivo extorquir criminosos.

A lavagem do dinheiro obtido com o esquema criminoso era feita por meio de sucessivas manobras de dissimulação. Mais de R$ 100 milhões foram movimentados em um intervalo de quatro anos, entre contas pessoais e de empresas de fachada.
Por Vitor Abdala/Agência Brasil

'Canetada do TSE foi mortal para Lula e afetou eleições nos estados', diz marqueteiro de Douglas Ruas

O publicitário Paulo Vasconcelos, responsável pela campanha do presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), Douglas Ruas (PL), afirma que a decisão da ministra Estela Aranha, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), de alterar regras do debate da TV Globo afetou o resultados das urnas em favor do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e de seus aliados nos estados.

Ele compara o efeito da decisão judicial à cena da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP) com arma em punho nas ruas de São Paulo na véspera do segundo turno da eleição presidencial de 2022.

"Acho que a canetada de agora foi a Zambelli de 2022. O [ex-presidente Jair] Bolsonaro creditou à Zambelli, naquela época, o desgaste dele. Só estou juntando as pontas, porque acredito que o cancelamento de debate mexeu num voto que estava acomodado", afirmou.

Ex-integrante da campanha de Ronaldo Caiado (PSD), ele afirma que a força das redes sociais dos candidatos é "um mito que morre nesta eleição". "O tráfego pago é o segredo das redes sociais. As redes orgânicas você fala para convertido."

O resultado no Rio de Janeiro surpreendeu?
A campanha do Rio tem uma tipicidade diferente de outras tantas. Outras figuras estiveram muito atrás e depois ganharam. Essa onda de reta final é difícil dizer de onde veio. Vejo um voto de protesto, impacto dos movimentos de reta final, ausência de debates e a censura feita no debate da Globo.

O sr. fala da disputa presidencial.
Aquilo repercutiu para tudo quanto é lado. Tem se associado ao presidente um alinhamento mais forte ao Judiciário. E à direita uma oposição mais dura ao Judiciário. Marqueteiramente, o desgaste do Judiciário é uma força da direita. A caneta da juíza dá aquele voto de censura, mudando completamente o que se via em todos os debates históricos, que é, quando o candidato falta, fica lá o púlpito. Para piorar, a Globo cancela o debate. Todo mundo ficou sabendo disso porque o debate da Globo, que não tem a audiência que já teve no passado, é muito simbólico. É como se fosse a final de campeonato. Esse fato político foi a onda.

Uma onda não só na presidencial?
Primeiro que o Flávio é do Rio. Segundo, tem um bom alinhamento com Douglas. Terceiro que ele terminaria as agendas dele no Rio de Janeiro. Então isso tudo gera a onda, esse voto inconformado de reta final.

Afetou também as disputas estaduais?
Acho que afetou a todos. O Cleitinho [governador eleito de Minas Gerais], que estava parado em 30 e poucos pontos, subiu. O Douglas ganhou 10 pontos na reta final, e assim sucessivamente. Sergio Moro no Paraná. Eu acho que a canetada de agora foi a Zambelli de 22. É um chiste. Não consigo medir a força de uma nem de outra. O Bolsonaro creditou à Zambelli o desgaste dele. Só estou juntando as pontas, porque acredito que o cancelamento do debate mexeu num voto que estava acomodado, ainda pendente de decisão. Virou um voto de protesto. A canetada da juíza foi mortal para Lula.

O cenário é reversível para o Lula?
Tudo é reversível. Primeira coisa que se tem que fazer sempre é autocrítica, mesmo quem tiver indo para o segundo turno à frente.

O sr. trabalhou com Caiado. Houve algum erro desse grupo de candidatos que se esvaziou?
Era um grupo de direita buscando espaço. Houve uma escolha [de Caiado], mesmo sabendo que o [Romeu] Zema tinha derretido por ter precipitadamente atacado Flávio, de fazer o mesmo, muito mais encantado com o barulho das redes sociais. Para você fazer partir para o ataque, tem que ter um mínimo de reconhecimento no eleitor. Senão você passa a ser visto pelo eleitor de direita, não só bolsonarista, como um inimigo da causa.

Houve a decisão estratégica de se fazer essa crítica e de atender aos anseios das redes sociais que gostam de guerra. Só que o eleitor não quer guerra, ele não quer briga. Há um cansaço em relação à briga. Isso começa um pouco antes, onde famílias levantavam da mesa porque faziam oposição uns aos outros, amigos que se separam, grupos de WhatsApp que são desligados. Todos nós sabemos o que é essa polarização radical. Isso levou a uma estafa, porque isso não botou comida no prato de ninguém.

Vivemos um período de muitas denúncias contra Flávio Bolsonaro, e o que se fala é que elas não colam nele. Seria esse cansaço?
Eu acho que o cansaço ajuda. Essa eleição tinha dois preditores, o STF e o [Daniel] Vorcaro. O assunto Vorcaro se juntou ao STF, e, potencialmente, ficou uma coisa muito maior lá. O que aconteceu debaixo disso foram questões pontuais, umas muito relevantes, outras menos.

Falo como homem de comunicação. O STF chupou esse assunto e ele ficou muito maior no STF, com muito mais visibilidade, mais repercussão na mídia do que um contato de A, um telefonema de B, um telefonema de C. O cansaço das pessoas fez com que elas meio que desprezassem esse "trash".

E uma coisa que potencializou foi uma visão de menos compreensão sobre o poder das redes sociais. Na verdade, as redes sociais afastaram a política. Especialmente em época de eleição, é mentira de um lado, mentira do outro. Elas deixaram de ser um canal de comunicação confortável, compreensível para o eleitor.

O que funcionou foi o tráfego pago. Aí sim, as redes sociais têm uma potência grande como canal de propaganda. Falar com mulheres que são mães, por exemplo, de crianças autistas. É a capacidade de chegar em públicos muito específicos que só as redes permitem.

As redes orgânicas falam para convertido. Ou você tem ele desde antes por causas, ou por fama, ou por outro motivo qualquer, ou não. É um mito que morre nessa eleição.

Por que a experiência dos governos Cláudio Castro e Wilson Witzel não colou no Douglas Ruas?
Todas as duas candidaturas se misturavam nesse jogo político. O ex-vice de Cláudio Castro, Washington Reis, agora apoiava Eduardo Paes, e a vice [Jane Reis] era irmã dele. Não existia um lado branco e um lado preto. Os dois lados traziam manchas. Deixou de ser força, porque uma coisa neutralizava a outra.

O que que foi força? A novidade. Uma campanha propositiva, por mais que isso pareça poliana. As pessoas estão cansadas de pancadaria, de ter que escolher entre o menos pior. Nossa estratégia foi apresentar uma solução nova, com um olhar mais popular, mais moderno de uma política fluminense que está acostumada com as mesmas figuras há mais de 20 anos.

Por que a indicação da família Bolsonaro ainda pesa no Rio depois desse histórico de aparentes erros?
Nós apresentamos uma novidade e ficamos batendo nessa tecla o tempo todo. A indicação, o bolsonarismo raiz, esquenta a campanha de Douglas quando já tinha 30 pontos, com uma percepção de uma renovação.

Não é que a indicação falhou ou deixou de falhar. O eleitor olhou para essa cena e falou: "Tem uma velha política, tem uma nova política, independente das relações que se estabeleceram no passado". Parece uma grande incoerência, mas não é. Como o Douglas era muito desconhecido, o eleitor não tinha essa percepção de uma aliança, de uma relação pessoal, como por exemplo tinham da relação pessoal do Paes com o Castro, por exemplo. Foi um grandíssimo exagero imaginar que o Castro fosse uma bigorna.

Por quê?
Mesmo ele passando por esse corredor polonês, ele não fez parte da eleição.
Por Italo Nogueira/Folhapress

Eleita com quase 2 milhões, deputada diz que feminicídio 'não existe'

Eduarda Campopiano (PL), eleita deputada estadual por São Paulo com 1.956.238 votos, declara-se antifeminista e afirma que o feminicídio "não existe". Aos 23 anos, a parlamentar também se posiciona contra o aborto e a criminalização da misoginia e promete combater propostas ligadas ao feminismo na Alesp

Eleita deputada estadual com quase 2 milhões de votos, Eduarda Campopiano (PL) chegará à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) tendo como uma de suas principais bandeiras justamente o combate ao feminismo. Aos 23 anos, a parlamentar já afirmou que o feminicídio "não existe", posicionou-se contra a criminalização da misoginia e promete atuar para dificultar o acesso ao aborto.

Campopiano recebeu 1.956.238 votos nas eleições de domingo (4), tornando-se a candidata a deputada estadual mais votada de São Paulo em 2026. A votação foi a segunda maior da história para uma cadeira na Alesp, atrás apenas de Janaína Paschoal, que ultrapassou os 2 milhões de votos em 2018.

A ascensão foi rápida. Em 2024, Campopiano havia sido eleita vereadora de Praia Grande, no litoral paulista, com apenas 3.583 votos. Dois anos depois, multiplicou exponencialmente seu eleitorado e conquistou uma cadeira na maior Assembleia Legislativa do país.

"Eu não acho que feminicídio seja algo que exista"

A oposição ao feminismo ocupa posição central no discurso político de Campopiano. Ela própria já se apresentou como "a maior inimiga das feministas de São Paulo".

Uma das declarações que mais provocaram repercussão ocorreu durante um debate com a deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL), quando a então vereadora discutia uma proposta de criminalização da misoginia.

"Eu não acho que feminicídio seja algo que exista", afirmou Campopiano.

A parlamentar defende que crimes desse tipo possam ser tratados como crimes passionais. Ao mesmo tempo, afirma ser favorável à existência de agravantes quando um homem utiliza sua superioridade física para agredir uma mulher, mas sustenta que a regra deveria ser aplicada também a outras situações semelhantes.

O feminicídio, porém, é uma categoria prevista na legislação brasileira para homicídios de mulheres motivados por violência doméstica e familiar ou por menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

"Sou antifeminista. E não vou dar para trás"

Campopiano não trata o antifeminismo apenas como uma posição pessoal. O tema se tornou uma das principais marcas de sua atuação política e de sua presença nas redes sociais.

"Sou antifeminista. E não vou dar para trás", declarou durante um debate.

Em outra ocasião, apresentou-se de forma ainda mais explícita: "Sou do PL, sou uma mulher conservadora, antifeminista".

Depois de conquistar quase 2 milhões de votos, Campopiano afirmou à Folha de S.Paulo que pretende manter esse posicionamento durante seu mandato na Alesp.

"A guerra tá só começando", disse ao falar sobre o confronto político que pretende travar com parlamentares feministas.

A deputada eleita também rejeita a ideia de que conquistas individuais de mulheres devam ser atribuídas ao movimento feminista.

"Todo mérito que qualquer mulher conquista, as feministas tentam usurpar para elas. Eu discordo disso, eu acredito que o mérito é individual", afirmou.

Aborto também será alvo do mandato

O aborto é outra das pautas que Campopiano pretende priorizar na Assembleia Legislativa.

A deputada eleita defende a vida desde a concepção e diz que pretende atuar para que mulheres desistam de interromper uma gravidez. Também se posiciona contra propostas de parlamentares feministas que considera "absurdas".

Entre os exemplos citados por ela está a proposta de criminalização da misoginia, tema que tramita no Congresso Nacional.

Embora Campopiano vá exercer um mandato estadual, e mudanças na legislação penal sejam competência do Congresso, ela afirma que pretende usar sua atuação política para combater o feminismo e pautas relacionadas ao movimento.

Armas para mulheres

Nem todas as propostas de Campopiano relacionadas às mulheres envolvem retirar ou rejeitar políticas específicas. Na área de segurança, por exemplo, ela defende que mulheres tenham acesso ao porte de armas de fogo como instrumento de proteção.

A parlamentar argumenta que uma mulher armada teria melhores condições de se defender de situações de violência doméstica e urbana.

Campopiano também se posiciona contra o reconhecimento da prostituição como profissão e contra políticas de cotas raciais.

Declaração sobre feminicídio provoca reação

As declarações da deputada eleita sobre feminicídio ganharam nova repercussão depois das eleições.

Nesta segunda-feira (5), a jornalista Adriana Araújo, âncora do "Jornal da Band" e da BandNews FM, se emocionou ao comentar as posições da parlamentar.

A apresentadora classificou como "gravíssima" a declaração de Campopiano sobre a inexistência do feminicídio e argumentou que esse tipo de discurso ignora a realidade enfrentada por vítimas de violência contra a mulher.

"Enquanto ela repete esses bordões que viralizam nas redes sociais e nos grupos de ódio às mulheres, mulheres reais estão sentindo dor na pele", afirmou Adriana.

A jornalista também destacou que movimentos organizados por mulheres participaram historicamente da conquista de direitos políticos que hoje permitem que Campopiano ocupe um cargo eletivo.

Das redes sociais à votação histórica

Maria Eduarda Campopiano Monteiro nasceu em Campinas, em 22 de julho de 2003, e começou a produzir conteúdo político nas redes sociais aos 18 anos.

Antes de disputar eleições, participou de programas de debate e integrou equipes de comentaristas. Em 2024, concorreu pela primeira vez a um cargo público e foi eleita vereadora de Praia Grande aos 21 anos.

Sua projeção nacional foi construída principalmente nas redes sociais, com conteúdos direcionados ao público conservador e discussões sobre feminismo, aborto, gênero, segurança pública e costumes.

Dois anos depois de conquistar 3.583 votos para vereadora, Campopiano chegou a 1.956.238 votos na disputa pela Alesp. por Notícias ao Minuto

Bancada de Flávio no Senado já tem votos e deve esvaziar STF tirando da Corte casos criminais Por Mônica Bergamo/Folhapress

A bancada bolsonarista no Senado vai propor o esvaziamento dos poderes do STF (Supremo Tribunal Federal) por meio de uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que retira da Corte seus principais poderes.

A principal proposta será deslocar do STF os julgamentos de processos criminais de autoridades, transferindo essas ações para outras instâncias, como o STJ (Superior Tribunal de Justiça) os TRFs (Tribunais Regionais Federais).

O impacto da reforma atingirá o STF de maneira muito mais profunda do que até mesmo o impeachment de um dos magistrados.

O tribunal se transformaria em uma Corte exclusivamente constitucional e os magistrados, portanto, perderiam suas principais fontes de poder.

Contabilizados os votos de senadores que permanecem em seus mandatos com os dos 35 que foram eleitos neste domingo (4), a bancada bolsonarista terá pelo menos 49 votos favoráveis ao impeachment.

É um número insuficiente para aprovar o afastamento de ministros, para o qual são necessários 54 votos. É o suficiente, no entanto, para aprovar emenda constitucional modificando a Carta Magna e retirando os poderes do Supremo.

O pacote de reformas do judiciário deve ser encaminhada de imediato no Senado, assim que os novos parlamentares tomarem posse.

Se Flávio Bolsonaro for eleito presidente, a proposta de impeachment de Alexandre de Moraes deve ganhar impulso também, o que exigirá de qualquer forma mobilização política e confronto com a Corte para a conquista dos 5 votos que faltam no Senado para afastar o ministro.

Com Lula eleito, o impeachment dificilmente prosperará. Mas as reformas dos poderes do STF devem caminhar.

As propostas já estão inclusive no programa de governo de Flávio Bolsonaro.

Durante a campanha ele propôs o fim das competências criminais originárias do STF, o fim do foro privilegiado para autoridades na Corte, a limitação de decisões monocráticas de ministros e novas restrição para a atuação de parentes de magistrados nos tribunais em que seus familiares são juízes.

Por Mônica Bergamo/Folhapress

Dilma Rousseff é vaiada ao chegar para votar em Belo Horizonte Por O Estado de S. Paulo

A ex-presidente Dilma Rousseff, de 78 anos, foi vaiada enquanto votava em Belo Horizonte (MG) neste domingo, 4. As vaias começaram enquanto Dilma aguardava na fila, quando eleitores vestidos com a camisa da seleção brasileira começaram os insultos.

Em defesa da ex-presidente, eleitores vestidos de vermelho começaram a gritar: "Olê, olê, olê, olá, Dilma. Dilma". Houve um princípio de empurra-empurra, que foi logo apartado por apoiadores da ex-presidente. Dilma foi chamada de "ladra" por opositores e de "mãe da pátria brasileira" por simpatizantes. Quando parecia que a situação poderia escalar, ela foi levada para a sala de votação.

Vestida de vermelho, Dilma cumprimentou os mesários de sua seção eleitoral no Colégio Santa Marcelina, na Pampulha. A economista estava acompanhada do sobrinho-neto Pedro Rousseff (PT), que é candidato a deputado federal.

Dilma Rousseff foi eleita presidente duas vezes, em 2010 e 2014. Ela sofreu impeachment em 2016.
Por O Estado de S. Paulo

Deputados e senadores recebem 54% mais emendas e dificultam renovação no Congresso

O pagamento de emendas parlamentares cresceu 54% em relação ao ciclo eleitoral anterior (2019 a agosto de 2022), de acordo com dados do Siga Brasil, portal do Senado. O volume de recursos torna mais difícil a eleição de quem não tem mandato e ajuda a blindar os atuais deputados e senadores por votos impopulares em projetos de lei e outras matérias em discussão no Congresso, segundo especialistas.

As emendas são verbas incluídas pelos parlamentares no Orçamento para destinar recursos a investimentos e custeio em suas bases eleitorais. Além do ganho político das obras entregues, o dinheiro também se transformou na principal forma de fidelizar o apoio de prefeitos, que dependem desses repasses para reforçar o caixa do município e melhorar sua própria aprovação.

Na atual legislatura, o volume de emendas pagas pelo governo federal chegou ao valor recorde de R$ 165,4 bilhões (de janeiro de 2023 a agosto de 2026). A conta inclui restos a pagar de anos anteriores, já que parte dos convênios demora a ser executada por entraves da burocracia estatal.

No mandato anterior, foram R$ 107 bilhões nos três anos e oito meses que antecederam as eleições, em valores já corrigidos pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). De 2015 a agosto de 2018, o governo pagou R$ 24,4 bilhões –número que, hoje, é menor do que o quitado pela União em um único ano.

Bruno Bondarovsky, gestor da organização Central das Emendas e pesquisador associado da PUC-Rio, afirma que esta eleição consolidou o modelo de cooptação de prefeitos pelos atuais parlamentares com base na distribuição de verbas e numa atuação que seria, na verdade, do Poder Executivo. "A imagem do parlamentar começa a ir para a de uma pessoa que entrega produtos e serviços para a população", diz.

Ele aponta ainda que mais de R$ 2 bilhões em emendas foram direcionados para organizações da sociedade civil e entidades do terceiro setor, nem sempre aplicados corretamente. "É muito dinheiro e tem muitas histórias que a gente encontra nas auditorias de ONGs usadas só como meio de contratação de cabo eleitoral ou de compra de voto", afirma.

O Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) projeta que a renovação da Câmara será de 35% a 40%, abaixo da média histórica de 46%, devido a emendas, ao fundo eleitoral concentrado em quem já tem mandato e à redução do número de candidatos e partidos, afirma o analista político Neuriberg Dias, que coordenou um estudo sobre as eleições para deputado federal.

Dias afirma que a campanha do governo Lula (PT) de "Congresso inimigo do povo" e a mobilização popular para rejeitar a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que blindava os parlamentares contra investigações criminais terão pouco efeito sobre o resultado eleitoral.

"As emendas criam uma distorção. O voto não passa mais a ser vinculado a como ele vota nas matérias. É mais destinado a que benefício o parlamentar traz para a prefeitura", diz.

O pagamento de emendas em anos eleitorais também é um tópico sensível para deputados e senadores, que usam a verba para amarrar o apoio nas bases eleitorais. Nesse sentido, o de 2026 se destaca. De janeiro a agosto deste ano, foram liberados R$ 35,2 bilhões, um aumento de 21% em relação ao valor pago no mesmo período em 2022.

Em 2018, antes do crescimento explosivo no valor das emendas, o governo quitou R$ 10,6 bilhões de janeiro a agosto. Em 2019, com a eleição de Jair Bolsonaro (PL) para a Presidência, o Congresso criou a chamada emenda de relator ao Orçamento e passou a controlar um volume ainda maior de verbas, distribuídas sem transparência sobre o real autor e sem critérios técnicos.

Essas emendas de transparência opaca irrigaram municípios pelo país e fortaleceram os então deputados e senadores. Mas o crescimento maior no ritmo de pagamentos na atual legislatura indica que, em muitos casos, as obras demoraram a chegar para a população devido a entraves da burocracia estatal, e seus efeitos serão sentidos com mais força na atual eleição.

O valor empenhado (termo que significa que a despesa foi autorizada pelo governo) cresceu na metade do ritmo dos pagamentos. Foi de R$ 138,4 bilhões no período de janeiro de 2019 a agosto de 2022 para R$ 178 bilhões desde 2023, alta de 28%. No caso dos pagamentos, o valor cresceu 54%, reforçando seu uso como mote da campanha dos políticos do centrão, que destacam nas redes as obras entregues aos municípios.

O cientista político Fenelon Rocha, que atuou na comunicação de mais de 40 campanhas, afirma que as emendas também são hoje a principal fonte de caixa dois das candidaturas, com indícios de desvios das verbas para uso nas eleições. "O principal gasto é com a compra de lideranças. Aqui no Piauí, a estimativa é que as campanhas para deputado federal custarão R$ 30 milhões cada, dez vezes o teto [autorizado pela lei]", diz.

O volume de recursos deu impulso ainda a novas candidaturas: 503 parlamentares que foram autores de emendas individuais ao Orçamento concorrem a cargos eletivos neste ano, segundo levantamento da Folha com dados do Siga Brasil e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

As emendas individuais são uma das modalidades que existem, além das emendas de bancada estadual (em que não consta o nome do real autor) e das emendas de comissão (em que o nome do autor só passou a ser obrigatório a partir de 2024, e mesmo assim, com falhas na divulgação).

Só de emendas individuais, esses 503 parlamentares que disputam as eleições somam R$ 62,8 bilhões pagos na atual legislatura. São 44 senadores e 459 deputados. O levantamento considera titulares e suplentes, desde que tenham indicado emendas.

Por Raphael Di Cunto e Augusto Tenório/Folhapress

Michelle diz que Bolsonaro vive ‘dias mais difíceis’ após Damares relatar que ele passou mal

Ex-primeira-dama e candidata ao Senado no DF afirma que marido enfrenta períodos de ansiedade e oscilações

Foto: Alan Santos/PR/Arquivo

Michelle Bolsonaro, candidata ao Senado pelo Distrito Federal, não participou presencialmente de um evento de campanha nesta sexta-feira, 2, em Brasília. Segundo a senadora Damares Alves (PL-DF), a ausência ocorreu porque o ex-presidente Jair Bolsonaro passou mal enquanto permanecia em casa, onde cumpre prisão por condenação relacionada à tentativa de golpe de Estado.

Após a declaração de Damares, Michelle afirmou que Bolsonaro não teve exatamente um mal-estar, mas vem enfrentando “dias mais difíceis”. Segundo a ex-primeira-dama, ele apresentou um quadro de ansiedade e tem passado por oscilações. “Não é que ele passou mal, ele tem tido dias mais difíceis”, afirmou.

A ex-primeira-dama também falou sobre a rotina de cuidados com o marido e sobre as dificuldades de conciliar essa tarefa com a campanha eleitoral. Segundo Michelle, Bolsonaro tem apresentado oscilações relacionadas à ansiedade.

“Estou presa com meu marido, todo mundo sabe, tenho horário pra sair e horário para voltar. Não é fácil ter que associar também uma campanha com os cuidados de casa e estar ali também dando todo apoio para ele, que está ansioso, oscila bastante”, disse.

Michelle afirmou ainda que a reta final da campanha tem contribuído para o aumento da ansiedade e contou que, naquele momento, havia pedido orações a líderes religiosos e pastores.

“Hoje saiu uma matéria da Damares, foi o momento que a gente pediu oração para os nossos líderes e nossos pastores, porque essa reta final também tem causado uma ansiedade e então ele oscila. Não é que ele passou mal, ele tem tido dias mais difíceis”, afirmou.

Damares afirmou que Michelle participou do encontro por meio de uma transmissão de vídeo. Segundo a senadora, a ex-primeira-dama aparentava estar abatida durante a participação virtual. “Hoje, à uma da tarde, nós tínhamos um evento aqui em Brasília com a Michelle, os últimos eventos de campanha. A Michelle não conseguiu ir porque o presidente Bolsonaro não passou bem”, declarou Damares.

Na sequência, a senadora fez críticas à situação judicial do ex-presidente e atribuiu a Bolsonaro a condição de vítima de perseguição política. Damares também afirmou que Michelle teria um papel fundamental nos cuidados prestados ao marido.

“O ministro Alexandre de Moraes prendeu ao mesmo tempo o Bolsonaro e prendeu a Michelle, pois ele não tem direito a um cuidador. A Michelle é a carcereira do Bolsonaro”, disse. Damares também afirmou que uma eventual derrota eleitoral poderia levar Bolsonaro a morrer na prisão.

Relatório médico aponta estabilidade

A declaração da senadora ocorre no mesmo dia em que foi divulgado um relatório semanal sobre o estado de saúde de Bolsonaro. O documento informa que o ex-presidente, de 71 anos, permanece sob acompanhamento médico domiciliar e apresenta quadro clínico estável.

Segundo o relatório, houve redução significativa na frequência e na intensidade dos episódios de soluços após um ajuste recente na medicação. A pressão arterial está controlada, enquanto a avaliação cardíaca é descrita como normal.

O documento registra ainda uma alteração residual na base do pulmão esquerdo. Apesar disso, os médicos afirmam que Bolsonaro mantém estabilidade hemodinâmica e cardiorrespiratória.

O relatório também aponta a permanência de efeitos secundários associados a medicamentos de ação central, entre eles instabilidade crônica no equilíbrio corporal e sonolência durante o dia. Por esse motivo, são recomendados cuidados preventivos para diminuir o risco de quedas.

A orientação médica inclui ainda a manutenção de atividades físicas voltadas ao fortalecimento muscular. Bolsonaro mantém, segundo o documento, uma dieta com baixo teor de acidez e de sódio, além de cuidados para reduzir riscos relacionados ao refluxo gastroesofágico.
Por Fabrícia Braga/Estadão

Embaixada dos EUA no Brasil fechou devido a ameaça de bomba em rede social sexta-feira,

Foto: Reprodução / Vinícius Schmidt / Metrópoles
Um perfil em rede social dizendo que colocaria uma bomba na embaixada americana foi o motivo que levou os Estados Unidos a fecharem sua embaixada e consulados no Brasil, segundo apurou a Folha com autoridades envolvidas na investigação.

Uma operação policial chegou até o autor da ameaça e não encontrou nada.

Segundo diplomatas americanos ouvidos pela reportagem, é bastante comum que haja mensagens com ameaças nas redes sociais a consulados e embaixadas americanas ao redor do mundo e elas são levadas muito a sério, dado o histórico de atentados contra o país. Mas não necessariamente levam a fechamento de todas as unidades diplomáticas dentro de um país.

O governo dos Estados Unidos suspendeu o atendimento em suas representações no Brasil a partir desta sexta-feira (2). O comunicado, publicado na véspera, diz que a decisão se dá por questões de segurança, sem citar mais detalhes sobre a motivação da medida.

Não há, por ora, previsão para o retorno dos atendimentos presenciais.

"Cidadãos americanos que precisarem de assistência emergencial durante esse período não devem comparecer à embaixada, aos consulados ou a outras instalações diplomáticas dos Estados Unidos", diz a nota divulgada. A orientação dada é entrar em contato com o oficial de plantão responsável pelo atendimento.

Em nota, aPolícia Federal disse não ter encontrado elementos que confirmem um suposto planejamento de atos que poderiam colocar em risco instalações diplomáticas dos Estados Unidos no Brasil. A corporação cumpriu nesta sexta dois mandados de busca e apreensão em São Paulo e no entorno do Distrito Federal para apurar o caso.

Por Patrícia Campos Mello | Folhapress

Servidor que mudou para o governo federal pode escolher regime de aposentadoria, decide STF Por Guilherme Matos, Folhapress

Servidores que deixaram cargos estaduais ou municipais para assumir posições no governo federal após 2013 e entraram no atual sistema de previdência complementar poderão escolher o regime anterior, decidiu o STF (Supremo Tribunal Federal) na quarta-feira (30).

Quem tomou posse após fevereiro de 2013 tem a aposentadoria limitada ao teto do INSS, com a possibilidade de complementar a renda futura aderindo ao Funpresp-Exe (Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal do Poder Executivo), que funciona como uma previdência complementar.

No regime anterior, o benefício não fica sujeito ao teto do INSS, apenas ao constitucional, mas seu cálculo depende das regras de aposentadoria aplicáveis ao servidor, inclusive das regras de transição. Ele continua valendo para quem ingressou no serviço público federal antes de fevereiro de 2013, data na qual a Funpresp-Exe passou a operar.

A controvérsia envolvia quem já era servidor de estado, município ou Distrito Federal e passou a ocupar cargo na União após 2013, sem romper o vínculo com o poder público. A União tratava esses casos como ingresso novo e os enquadrava na previdência complementar. Com a decisão do STF, o servidor passa a ter direito de optar entre os dois regimes, cabendo avaliar qual alternativa é mais adequada ao seu histórico de contribuições.

Para Diego Cherulli, diretor do IBDP (Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário), a decisão pacifica uma discussão que se arrasta há 13 anos.

"Existem casos de servidores que tinham 20 anos de contribuição acima do teto do INSS em cargos anteriores nos estados e municípios. Só por assumir uma nova função no poder público federal essa pessoa perderia todo o histórico previdenciário", disse.

Segundo Cherulli, o regime anterior não é necessariamente o melhor para todos, e o servidor precisa elaborar um planejamento previdenciário antes de decidir. A conta depende da capacidade de contribuição, do histórico em cargos anteriores e do salário que a pessoa recebia antes de assumir o emprego federal.

A decisão protege os cofres públicos, diz Cherulli, de gastar com ressarcimento de servidores que contribuíram acima do teto e de perder arrecadação.

"Se o Supremo mudasse a jurisprudência, teríamos um problema tributário gigantesco. Esses setores teriam que receber de volta o que contribuíram acima do teto em razão da decisão. Imagine a [taxa] Selic corrigindo tudo isso com juros", afirmou.

Para Cherulli, o julgamento do STF ajuda a reduzir a judicialização na Previdência uma das mais altas do mundo.

"O Supremo, nesse caso específico, compreendeu o risco que é o Poder Executivo ficar interpretando normas de forma extensiva para restringir direitos", disse.

A regra definida pelo STF vale apenas para quem não rompeu o vínculo com o serviço público.

Marcel Cordeiro, sócio da área de Direito Trabalhista e Previdenciário do Miguel Neto Advogados, afirma que o STF não fixou prazo máximo, em dias, para considerar que o vínculo não foi rompido.

No caso do julgamento, o intervalo foi de um dia. O autor do recurso ingressou no serviço público em 2008 e ocupou cargo municipal até 16 de maio de 2013. No dia seguinte, tomou posse no Instituto Federal do Rio Grande do Sul. Como a posse na União foi após 4 de fevereiro de 2013, quando a Funpresp-Exe passou a operar, ele foi enquadrado na previdência complementar.

A tese fala apenas em ocupação anterior de cargo efetivo "sem rompimento de vínculo com a administração pública". Segundo Cordeiro, intervalos maiores, férias entre cargos e exoneração sem posse imediata não foram dimensionados no julgamento. Cada situação, afirma, vai exigir prova de continuidade.

A decisão foi tomada em julgamento de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida (tema 1.071), e o entendimento será aplicado a todos os processos similares em todas as instâncias da Justiça. O relator foi o ministro Edson Fachin.

Por Guilherme Matos, Folhapress

Portas fechadas EUA e Austrália suspendem atendimento nas embaixadas brasileiras

Governo norte-americano não detalhou motivo da medida. Atendimento presencial não será feito nesta sexta-feira (2). Embaixada da Austrália disse que ficará fechada também nesta sexta.

Os Estados Unidos suspenderam o atendimento presencial na Embaixada dos EUA em Brasília e nos consulados do país em todo o Brasil nesta sexta-feira (2) por questões de segurança. A decisão foi anunciada na quinta-feira (1º) em um comunicado.

Na nota, o governo norte-americano não especificou as supostas ameaças que motivaram a medida.

O governo dos EUA não deixou claro que tipo de serviços consulares fornecidos pela embaixada foram suspensos. Também não especificou se seguirá emitindo vistos e passaportes no período.

A Embaixada orientou cidadãos norte-americanos que precisem de assistência emergencial a não comparecerem às instalações diplomáticas. Nesses casos, a recomendação é entrar em contato com o oficial de plantão responsável pelo atendimento.

Nesta manhã, a Embaixada da Austrália anunciou que ficará fechada ao longo desta sexta-feira. Em um comunicado, o governo australiano também alegou "'questões de segurança".

Consulados amanheceram fechados em cidades como Brasília e São Paulo. Na capital paulista, pessoas que haviam viajado para tirar o visto dos EUA encontraram o edifício fechado.


Após a Embaixada dos EUA emitir o comunicado, o Departamento de Estado dos EUA afirmou que a medida foi tomada seguindo uma orientação do governo de Donald Trump para priorizar a "segurança e a proteção dos cidadãos americanos".

Um porta-voz do departamento afirmou que embaixadas e consulados dos EUA usam um sistema de mensagens para enviar alertas a cidadãos norte-americanos sobre "ameaças, eventos e mudanças relevantes no Brasil". Mas não afirmou se o serviço foi acionado.

“Estamos trabalhando em estreita cooperação com contrapartes brasileiras para tratar de questões de segurança”, afirmou o porta-voz.

Ao jornalista Ricardo Abreu, da TV Globo, uma fonte do governo norte-americano mencionou uma ameaça de bomba, mas não deixou claro se a ameaça foi direcionada para a própria embaixada ou outro local em Brasília.

A fonte afirmou, no entanto, que os funcionários da embaixada trabalhariam de casa nesta sexta-feira.

A Secretária de Segurança Pública de Brasília disse não ter detectado nenhuma ameaça de segurança na capital.

"⁠Até o momento, não há indicativo ou ação concreta de risco identificada. Caso surjam informações relevantes e passíveis de compartilhamento, a PMDF realizará as devidas atualizações, mantendo as medidas preventivas pertinentes", disse a Polícia Militar do Distrito Federal, em comunicado.

Associações de imprensa manifestam 'profunda indignação' com intervenção judicial em regras do debate da Globo

Após receber duas intimações judiciais, a Globo decidiu cancelar o debate, programado para a noite desta quinta-feira (1º).

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) manifestaram, nesta quinta-feira (1º), em nota conjunta, "profunda indignação com a intervenção judicial nas regras previamente definidas" no debate que a Globo faria com os candidatos à Presidência da República.

"As entidades entendem que a interferência não se trata apenas de uma imposição de obrigações, sem previsões em lei, contra uma emissora privada. É, sobretudo, uma agressão à liberdade de imprensa ao forçar a condução do debate em desrespeito a regras acordadas há meses entre a emissora e os partidos", diz a nota.

Após receber duas intimações judiciais, 
A primeira foi assinada pela ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e atendeu a um pedido da coligação da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A segunda intimação recebida pela emissora foi referente a uma decisão proferida pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em resposta a um pedido feito pelo partido Solidariedade sobre a participação de Renan Santos (Missão) no debate.

Em outra decisão, da última terça-feira (29), o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, alterou entendimento da própria Corte eleitoral sobre a contagem de parlamentares no Congresso Nacional para fins de debate e decidiu que Romeu Zema (Novo) teria o direito de participar.

As associações disseram que os "excessos judiciais" impediram o acesso ao debate de propostas dos candidatos.

"Infelizmente, os excessos judiciais atropelaram o direito de os cidadãos terem acesso às propostas dos candidatos que, conforme prevê a lei eleitoral, já tinham sido convidados e se dispuseram a participar do debate", acrescenta o posicionamento divulgado pelas associações.
Os candidatos que haviam confirmado presença no debate da Globo lamentaram o cancelamento do encontro. Veja o que eles disseram aqui.

Leia a nota na íntegra:

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) se solidarizam com a TV Globo e manifestam profunda indignação com a intervenção judicial nas regras previamente definidas que levou ao cancelamento do último debate presidencial do primeiro turno.

As entidades entendem que a interferência não se trata apenas de uma imposição de obrigações, sem previsões em lei, contra uma emissora privada. É, sobretudo, uma agressão à liberdade de imprensa ao forçar a condução do debate em desrespeito a regras acordadas há meses entre a emissora e os partidos.

Infelizmente, os excessos judiciais atropelaram o direito de os cidadãos terem acesso às propostas dos candidatos que, conforme prevê a lei eleitoral, já tinham sido convidados e se dispuseram a participar do debate.

Brasília, 1º de outubro de 2026.
Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão
Associação Nacional de Editores de Revistas
Associação Nacional de Jornais

Por Redação g1, Brasília
https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/10/01/associacoes-de-imprensa-manifestam-profunda-indignacao-com-intervencao-judicial-em-regras-do-debate-da-globo.ghtml

Governo Trump quer enviar US$ 1 milhão para financiar grupos contrários ao STF, diz jornal britânico

O governo de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, planeja destinar US$ 1 milhão (aproximadamente R$ 5,2 milhões) em dinheiro público a grupos contrários ao STF (Supremo Tribunal Federal) sob a acusação de que a Corte extrapola as atribuições judiciais e impõe censura no Brasil, segundo reportagem do jornal britânico The Guardian.

O valor sairia do Fundo de Direitos Humanos e Democracia do Departamento de Estado em um pacote de US$ 176,9 milhões (cerca de R$ 916,4 milhões) para fortalecer iniciativas voltadas à direita e ao conservadorismo em diversos países.

A lei que autoriza o fundo determina que a verba seja destinada até 30 de setembro, e o governo Trump pressionou para fazer os repasses a poucas horas do fim do prazo.

No documento ao qual o veículo teve acesso, o projeto é chamado de "combate ao uso abusivo do sistema de Justiça e à censura no Brasil". Há 43 subsídios previstos do plano de Washington, incluindo US$ 2 milhões (R$ 10,4 milhões) a um programa supostamente destinado a proteger cristãos na Nigéria —Trump acusa a nação de perseguir o grupo e ordenou um ataque a Abuja em dezembro do ano passado.

Outros US$ 2 milhões seriam destinados ao combate ao que o governo americano classifica de "ideologia de gênero" na Polônia, na Eslováquia, na República Tcheca, na Hungria e nos Bálcãs. Há ações contrárias à imigração na Europa, projetos de combate a um suposto racismo contra brancos na África do Sul e iniciativas cujo objetivo é contestar a credibilidade de veículos de imprensa.

A Victims of Communism Memorial Foundation ("Fundação Memorial das Vítimas do Comunismo", em tradução livre), organização americana anticomunista ligada a um ex-funcionário da Casa Branca, receberia US$ 40 milhões (R$ 207,2 milhões).

"As propostas do governo Trump usariam dinheiro dos contribuintes para promover organizações e programas de extrema-direita em democracias consolidadas. Isso é um desperdício de recursos e enfraquece os valores dos EUA e suas relações com parceiros democráticos, inclusive aliados na Europa", disse ao Guardian a democrata Jeanne Shaheen, da Comissão de Relações Exteriores do Senado dos EUA.

A senadora manteve dez bloqueios impostos sobre os subsídios voltados ao Brasil, à África do Sul, à Nigéria e à Europa, mas o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, assinou um memorando ordenando que as restrições fossem desconsideradas e os recursos, empenhados, segundo um assessor do Congresso americano.

Questionado pelo jornal britânico, o Departamento de Estado não respondeu se realmente ignorou os entraves. O órgão também não comentou os subsídios de forma individual, mas afirmou que os programas ainda estão em "deliberação ativa", que os beneficiários atendem às diretrizes americanas para verbas federais e que as iniciativas passariam por um "processo rigoroso de verificação".

A reportagem do Guardian aponta que os subsídios listados demonstram que o governo Trump busca redefinir o que é considerado como ação de direitos humanos e o que deve receber auxílio dos EUA. Segundo fonte ouvida pelo jornal britânico e envolvida nas discussões sobre as verbas, os projetos listados recebem atenção dos mais altos escalões do governo americano e têm aval da Casa Branca.

A reportagem é publicada em meio ao temor de que os Estados Unidos interfiram nas eleições, marcadas para domingo (4), a favor do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) —cujo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi condenado e está preso por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Autoridades da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) apontaram supostas intervenções dos EUA e da Rússia antes das eleições durante uma visita das delegações da França e da Alemanha a Brasília em setembro, segundo fontes e documentos consultados pela agência de notícias Reuters.

Conforme um relatório das reuniões elaborado por um dos participantes, membros da Abin teriam afirmado que a ingerência americana iria "da instrumentalização do sistema jurídico à interferência admitida abertamente". Não há detalhes sobre a suposta interferência russa.

A questão foi abordada também no discurso do presidente Lula (PT), que concorre à reeleição, na Assembleia-Geral da ONU (Organização das Nações Unidas). Sem citar Washington, o petista mencionou interferências praticadas pela "maior potência militar do mundo".

"Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais", disse o mandatário. "Diferenças ideológicas não devem ser obstáculo para integração entre vizinhos. A democracia está em xeque."

Em sua fala, Lula fez também uma referência indireta à relação da família Bolsonaro com Trump: "Sabemos que alguns abusam dessa liberdade [de expressão dos candidatos durante o pleito] para se associar a interesses estrangeiros contrários ao país".

Flávio se encontrou com Trump em maio, ocasião em que disse ter pedido ao presidente americano para que as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) fossem classificadas de organizações terroristas pelos EUA.

Na época, a campanha do candidato do PL lidava com o auge do desgaste provocado pela revelação de que Flávio pediu dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme "Dark Horse", sobre a vida de Jair Bolsonaro.

Em julho, ao lado do irmão e ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o senador participou de uma audiência promovida pelo Escritório de Comércio dos EUA, na qual defendeu que Trump adiasse a taxação de produtos brasileiros para depois das eleições.

Eduardo foi condenado em junho deste ano no STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação durante o processo em que era réu por ter atuado nos Estados Unidos para intimidar o Judiciário brasileiro e impedir a análise da trama golpista. Seu mandato foi cassado pela Câmara em dezembro de 2025.

Como a Folha mostrou em setembro, uma série de contas estrangeiras ligadas ao ecossistema de Trump têm, publicado conteúdo pago para divulgar a disparada de Flávionas apostas da empresa americana Polymarket, bloqueada desde abril no Brasil.

A lei eleitoral veda o impulsionamento de propaganda para qualquer candidato por terceiros e proíbe doações (em dinheiro ou estimáveis) de entidades estrangeiras. Questionada, a campanha de Flávio respondeu que não tem conhecimento sobre os anúncios.

Por Marina Costa, Folhapress

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