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Empresas de irmãos e primo de Toffoli tiveram como sócio fundo ligado a suspeitas no caso Master
Duas empresas ligadas a parentes do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), tiveram como sócio um fundo de investimentos conectado à teia usada pelo Banco Master em fraudes investigadas por autoridades, de acordo com documentos e dados oficiais analisados pela Folha.
O Arleen Fundo de Investimentos teve, ao menos até maio de 2025, ações da Tayayá Administração e Participações, responsável por um resort em Ribeirão Claro (PR) que pertencia em parte à família de Toffoli, e também participação direta na DGEP Empreendimentos, incorporadora imobiliária da mesma cidade que tinha como um de seus sócios um primo do ministro.
A conexão com o caso Master se dá por uma cadeia de fundos. O Arleen foi um dos cotistas do RWM Plus, que por sua vez também recebeu investimentos de fundos ligados ao Maia 95, um dos seis apontados pelo Banco Central como integrantes da suposta teia de fraudes do banco de Daniel Vorcaro. O fundo Arleen em si não é alvo de investigação.
O Arleen e todos os demais fundos da teia têm como administradora a Reag, que administrava também fundos ligados a Vorcaro e é investigada na operação Carbono Oculto, por suspeita de lavar dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital).
A Folha procurou a assessoria do STF e perguntou se Dias Toffoli tinha conhecimento dessas conexões e se ele considera que as informações criam algum empecilho para a condução do caso, mas o ministro não respondeu até a publicação desta reportagem. Parentes do ministro também não se manifestaram. A Reag não comentou o caso.
Em nota enviada após a publicação da reportagem, a defesa de Vorcaro negou qualquer irregularidade ou envolvimento do Master com fraudes, fundos ilícitos ou operações destinadas a beneficiar terceiros. Disse que a reportagem estabelece "conexões inexistentes e distorce fatos ao sugerir vínculo entre o banco, seus executivos e investimentos mencionados".
"O banco nunca foi gestor, administrador ou cotista dos referidos fundos", declarou a defesa, que disse ainda seguir colaborando integralmente com as autoridades.
Com apenas um cotista, o Arleen foi encerrado no fim do ano passado. De acordo com balanço de maio de 2025, ele tinha apenas quatro investimentos: em duas empresas ligadas à família Toffoli (Tayayá e DGEP), em uma holding que não aparece em bases de dados oficiais, e no RWM Plus.
De acordo com investigadores, uma cadeia de fundos administrados pela Reag era usada para desviar dinheiro emprestado pelo Master, com a cumplicidade do banco. Isso acontecia por meio da aplicação dos recursos desses empréstimos.
A partir daí, o dinheiro transitava por uma teia de fundos comprando ativos podres que serviam para inflar artificialmente o valor de ativos, entre outras operações suspeitas.
Dias Toffoli é o relator do inquérito que investiga as fraudes do Master. Ele se tornou responsável pelo caso, no início de dezembro, depois que advogados de Vorcaro recorreram ao STF, argumentando que a investigação deveria ficar concentrada na corte devido à citação de um negócio imobiliário entre Vorcaro e o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA).
O ministro manteve a condução do inquérito em sigilo e tomou decisões questionadas no mundo político e no mercado financeiro. Além do segredo imposto ao caso, Toffoli convocou uma acareação entre os investigados e um diretor do Banco Central, responsável pela fiscalização do sistema bancário. Parte das perguntas preparadas por seu gabinete ao tomar os depoimentos apontavam para eventual precipitação do BC na liquidação do Master, como argumenta a defesa de Vorcaro.
O resort Tayayá foi inaugurado em 2008 e teve participações acionárias de diversos integrantes da família Toffoli nos últimos anos. O empreendimento fica às margens do rio Itararé, que separa o Paraná de São Paulo. O hotel tem 4 estrelas e 58 mil metros quadrados.
Em 2017, o ministro recebeu uma homenagem da Câmara de Vereadores local por ter "colaborado para o desenvolvimento e incremento turístico do Município de Ribeirão Claro, notadamente por meio do apoio decisivo na implantação da empresa Tayayá Aquaparque Hotel e Resort".
Dados de 2020 da Junta Comercial do Paraná mostram que a empresa que administra o empreendimento era controlada por Mario Umberto Degani, primo do ministro, e pelo advogado Euclides Gava Junior.
Em dezembro daquele ano, tornou-se sócia do resort a firma Maridt Participações, aberta quatro meses antes por José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro do STF. Degani, Gava e a Maridt passaram a deter um terço da empresa cada. A entrada dos irmãos no negócio foi noticiada pelo site O Antagonista.
A composição da Tayayá mudou ao longo dos anos seguintes. Segundo dados da Receita Federal de abril de 2025, permaneciam como sócios o primo Mario Umberto Degani e a PHB Holding, do empresário goiano Paulo Humberto Barbosa. Degani deixou a sociedade desde então. Hoje, a administradora da Tayayá é controlada por Barbosa e por duas empresas ligadas a ele.
Barbosa não respondeu às perguntas feitas pela reportagem. Euclides Gava Junior, que foi sócio de Degani, se apresenta como diretor do Tayayá Resort em seu perfil no LinkedIn. Ele não quis se manifestar.
Os nomes dos sócios das empresas constam em informações oficiais da base de dados da Receita Federal compiladas pela Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) na plataforma Cruza-Grafos, que exibe as relações entre todas as firmas do país e seus donos. Os parentes de Toffoli aparecem em informações compiladas em abril de 2025, as mais recentes disponíveis na plataforma. A família deixou as empresas desde então.
Já as relações entre os diferentes fundos estão documentadas em papéis da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), responsável por monitorar esse mercado.
O Arleen foi criado em 2021 e tinha ações do Tayayá entre os seus ativos desde que foi constituído. Em novembro daquele ano, uma participação de R$ 20 milhões representava 99% da carteira do fundo. Em 31 de maio de 2025, data do último balanço disponível, a participação do Arleen no Tayayá era de R$ 4,4 milhões.
Uma segunda empresa ligada a um parente de Toffoli aparece no balanço de maio de 2022 da Arleen. Na ocasião, o fundo tinha uma participação de R$ 16,1 milhões na DGEP Empreendimentos. A empresa tinha como sócio, além do Arleen, o primo de Toffoli que também participou do Tayayá, Mario Umberto Degani.
Em maio de 2025, a participação do Arleen na DGEP era de R$ 16,4 milhões.
A DGEP é uma empresa de incorporação imobiliária. Sua sede registrada na Receita Federal fica no mesmo endereço do resort Tayayá, e o email informado na criação da empresa foi gerencia@tayaya.com.br.
Apurações da Polícia Federal e do Banco Central apontam para o uso de múltiplos fundos para inflar o patrimônio do Master. Uma operação da PF com base nessas investigações prendeu o banqueiro Daniel Vorcaro em 18 de novembro, quando ele se preparava para deixar o país.
Treze dias antes, em 5 de novembro, uma assembleia geral do Arleen resolveu liquidar o fundo dali a dois dias, em 7 de novembro. Uma outra assembleia realizada em 1º de dezembro do ano passado postergou essa data para 22 de dezembro. Quando o fundo foi criado, em junho de 2021, o prazo previsto de duração era de 20 anos.
Documentos registrados na CVM desenham a conexão entre o Arleen e um dos fundos investigados no caso Master.
O Maia 95, um dos focos da fraude investigada pelo Banco Central, é dono de cotas do Murren 41, que por sua vez era cotista do Money Market. O Money Market e o Arleen tinham cotas de participação no mesmo fundo, o RWM Plus.
Numa auditoria feita no Arleen e registrada na CVM em maio de 2025, a empresa Next Auditores se absteve de emitir um parecer sobre o fundo, apontando falta de documentação societária, confirmações de saldo e demonstrações contábeis. Isso quer dizer que a Next não conseguiu fazer o trabalho de checagem das contas do fundo.
Por Lucas Marchesini e José Marques / Folhapress
Tornado atinge região metropolitana de Curitiba e causa destruição
Um tornado atingiu neste sábado (10) um bairro de São José dos Pinhais (PR), cidade da região metropolitana de Curitiba. O fenômeno causou danos a telhas, arvores e muros da localidade.
Dois meteorologistas do Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná) visitam neste domingo (11) o bairro Guatupê para definir a classificação do tornado. Houve danos a telhados, árvores, muros e à rede de distribuição de energia do local.
Segundo balanço divulgado pela Defesa Civil estadual, 350 residências foram atingidas, impactando 1.200 pessoas. Moradores de duas casas ficaram desalojados. Duas pessaos tiveram ferimentos leves e foram atendidas em unidades de saúde da cidade.
De acordo com o órgão, os ventos alcançaram 68,5 km/h às 17h35 no aeroporto internacional Afonso Pena, localizado na cidade. Em Curitiba, o registro atingiu 70,2 km/h no bairro Jaridim das Américas.
Imagens nas redes sociais mostram a ventania formando um cone e destalhando casas.
"A equipe de meteorologistas vai avaliar uma série de informações para enquadrar o fenômeno dentro da escala Fujita, que vai até o nível 5 (F5). A escala é a mesma aplicada em Rio Bonito do Iguaçu em novembro, quando um tornado F4, penúltimo nível da avaliação, foi confirmado pelo Simepar no município do Sudoeste", afirmou o governo estadual.
A Defesa Civil do estado afirma que a área de baixa pressão se afasta em direção ao oceano, mas a instabilidade permanece, causando risco de temporais em todo Paraná.
Destruição recente
Em novembro, o Paraná registrou mortes após passagem de um tornado. O tempo instável foi provocado por um ciclone extratropical que atingiu especialmente a região Sul do país na sexta. No Paraná, os tornados foram registrados nas cidades de Rio Bonito do Iguaçu, Turvo e Guarapuava.
Em Rio Bonito do Iguaçu, onde cinco pessoas morreram, os ventos chegaram a 330 km/h, em uma estimativa divulgada pelo Simepar. Outra vítima morreu na zona rural de Guarapuava.
O que é um tornado?
É uma nuvem em formato de funil ou tromba, que se conecta com uma nuvem de tempestade maior. Eles são menores em tamanho —têm diâmetros de algumas dezenas de metros, normalmente— e duram por alguns minutos.
O tornado pode se formar numa circunstância de ciclone extratropical, mas não se restringe a esse tipo de situação. Outros tipos de tempestade também podem levar à formação de tornados.
O tornado também se forma quando há choque de massas de ar quente e frio. Quando há grande variação de temperatura em mais de uma direção.
Por FolhapressAfastamentos por burnout disparam e gastos com auxílios pressionam Previdência
Benefício por esgotamento no trabalho cresce 493% entre 2021 e 2024; governo monitora situação
A empresária e hoje criadora de conteúdo Carla Ramalho, 34, passou meses ignorando sinais de que algo não ia bem. Olho tremendo, insônia, lapsos e perda de memória, irritabilidade e queda de desempenho viraram parte da rotina enquanto trabalhava como gerente de marketing em uma multinacional. "Eu acordava mais cansada do que quando ia dormir."
O diagnóstico de burnout veio depois de um longo período de esgotamento tratado como normal. Afastada por 15 dias, tentou voltar ao trabalho, mas teve uma crise de pânico e se demitiu.
Os afastamentos por burnout —síndrome do esgotamento profissional— se multiplicaram por 6 em quatro anos e passaram a pressionar os gastos da Previdência Social.
Dados do MPS (Ministério da Previdência Social) apontam alta de 493% nos auxílios-doença por esgotamento no trabalho e falta de lazer, saltando de 823 casos em 2021 para 4.880 em 2024. Nos seis primeiros meses de 2025, os registros chegaram a 3.494, representando 71,6% dos afastamentos do ano anterior.
Os números podem estar subnotificados. O esgotamento no trabalho não é fácil de ser identificado e pode levar o profissional a ser afastado por outras doenças. Além disso, trabalhadores informais não contribuem com o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e ficam fora das estatísticas.
"A irritabilidade foi o sintoma mais latente para mim. Entreguei por meses [o trabalho] na força do ódio, ignorando totalmente os sintomas", diz Carla.
Em 2024, o INSS concedeu 472,3 mil auxílios-doença relacionados à saúde mental —o que inclui depressão, ansiedade e outras síndromes— de um total de 3,6 milhões de afastamentos. No ano anterior, foram 283,5 mil.
Em 2025, os transtornos por saúde mental geraram 271.076 afastamentos de janeiro a junho, de um total de mais de 2 milhões de auxílios e já representam 1 em cada 7 afastamentos, aproximando-se das concessões por problemas ósseos e musculares, que lideram as doenças no INSS.
Carla não recebeu auxílio-doença, pago depois de 15 dias de afastamento —nesse período, para quem tem carteira assinada, o valor é pago pela empresa—, e reconhece que só melhorou por ter rede de apoio e vida financeira estável.
Ela destaca o preconceito e o medo de ser visto como fraco como fatores que fazem o trabalhador não buscar ajuda e fugir do afastamento. Em vídeo na internet, explica as diferenças entre ter síndrome de burnout —adoecimento crônico— e um burnout pontual. A trabalhadora viveu os dois casos.
As despesas com auxílio têm crescido mais do que as com outros benefícios e passaram de R$ 18,9 bilhões em 2022 para R$ 31,8 bilhões em 2024, alta de 68%. Já os gastos totais da Previdência subiram de R$ 734,3 bilhões, em 2022, para R$ 802,2 bilhões em 2023 —alta de 9,2%— e chegaram a R$ 876,9 bilhões em 2024, crescimento de 19,4% ante 2022.
"Não é questão de não aguentar o tranco. É questão de adoecer. Se fosse um relacionamento amoroso que te levasse a esse estado, todo mundo diria para terminar. Burnout não é frescura, não é desculpa. É um problema de saúde reconhecido pela OMS [Organização Mundial da Saúde]", diz Carla.
O avanço acelerado dos afastamentos por transtornos mentais acendeu um alerta no governo. Estudos de impacto começaram ainda na gestão de transição, em 2022, quando já se observavam efeitos prolongados do pós-pandemia.
A ampliação do home office, o aumento do tempo conectado e o crescimento da informalidade e da chamada uberização passaram a ser considerados pontos-chave do novo cenário de adoecimento.
MULTA POR FALTA DE MAPEAMENTO DE RISCO COMEÇA EM MAIO
Em 2023, normativa do Ministério da Saúde reforçou o burnout como doença ocupacional, consolidando o direito ao auxílio-doença que dá estabilidade na volta ao trabalho. No ano seguinte, o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) passou a exigir o mapeamento de riscos psicossociais nas empresas. Mas a pressão de empregadores fez o governo adiar para maio de 2026 o início das multas a quem descumprir a norma.
A historiadora e jornalista Ana Carolina Rangel, 44, viveu por anos em estado de exaustão permanente, sem perceber que estava doente. Dormia com dois celulares e ficava disponível para a empresa quase 24 horas por dia. Teve uma hérnia de disco, infecções de ouvido e garganta, e sofreu dois abortos.
Foi na pandemia de Covid-19 que a exaustão chegou ao limite e veio o diagnóstico: síndrome de burnout. "Em nenhum momento consegui identificar o que realmente era. Não cheguei a verbalizar na empresa, porque esse tipo de vulnerabilidade era ainda menos aceita do que hoje. Era como se eu estivesse em um deserto interno", diz.
Ana Carolina, hoje especialista em felicidade corporativa, atribui o aumento do cansaço entre os trabalhadores à intensificação de fatores já existentes, como longas jornadas e dificuldades de transporte, somados ao crescimento da ansiedade, impulsionado pela internet e pela sensação de disponibilidade permanente.
Outro fator, segundo ela, é a precarização do trabalho. "Eu vejo muitas pessoas da base da pirâmide [social] tendo que complementar a renda com trabalhos informais, como trabalho com aplicativos."
A especialista diz que é difícil para o trabalhador identificar sozinho o burnout ou sair dele. Em meio a isso, outras doenças relacionadas ao esgotamento começam a surgir, confundindo ainda mais os sintomas. "Com cansaço e falta de sono, a imunidade cai."
Segundo o MTE, estudos mostram que o impacto do adoecimento mental no trabalho não se limita ao período de afastamento. Benefícios por doenças ocupacionais não exigem carência no INSS —não é preciso ter um mínimo de contribuições para ter direito, como nos auxílios comuns—, o que amplia a base de trabalhadores. Além disso, as contribuições deixam de ser pagas.
O profissional continua com depósitos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) pela empresa e tem estabilidade de 12 meses após voltar ao trabalho. Caso seja considerado auxílio previdenciário —por doença comum—, esses direitos não estão previstos.
Para Leonardo Rolim, ex-ministro da Previdência e ex-presidente do INSS, o crescimento dos afastamentos por transtornos mentais é um fenômeno estrutural e de longa duração, que se intensificou no início dos anos 2000 e ganhou força após a pandemia com mudanças no mercado de trabalho.
Rolim diz que setores como o bancário já apresentavam altos índices de adoecimento psíquico há mais de uma década, com pressão por metas e outros fatores.
Outro ponto que ele destaca é o fato de que auxílios comuns duram três ou quatro meses, mas os relacionados à saúde mental podem se estender por seis meses ou mais. "O impacto maior não é apenas na despesa previdenciária, mas na produtividade do país e na vida das pessoas", diz.
IMPACTO NA JUSTIÇA DO TRABALHO
A advogada Priscila Arraes Reino, especializada em Previdência, afirma ser perceptível o crescimento de processos na Justiça envolvendo síndrome de burnout, tanto em volume quanto em gravidade. Segundo ela, o que chega ao Judiciário é resultado de exposições prolongadas a ambientes de trabalho que estão adoecendo as pessoas.
Levantamento do escritório Trench Rossi Watanabe mostra que o número de ações trabalhistas pela síndrome segue em trajetória de alta. O termo aparece em 17,2 mil processos distribuídos em 2024 em petições iniciais, sentenças, acórdãos e decisões do TST (Tribunal Superior do Trabalho).
Em 2025, foram 20,1 mil menções, segundo a advogada Priscila Kirchhoff, sócia do escritório. O total representa alta de 16,9%. "Em 2025, as ações trabalhistas que mencionam burnout somaram um passivo de R$ 3,63 bilhões para as empresas. O valor médio das causas por processo foi de R$ 286 mil."
Para Arraes, o burnout, reconhecido como doença do trabalho no Brasil desde 1999, deve ser compreendido como problema estrutural do trabalho contemporâneo, e não como fragilidade individual.
A advogada diz que os gastos para a Previdência são altos, mas o impacto para o trabalhador pode ser irreparável. "O benefício por incapacidade, em regra, é inferior à remuneração habitual, gerando perda de renda, instabilidade financeira e dificuldades para custear tratamento e medicação, muitas vezes de uso contínuo e alto custo", diz.
Para conseguir o auxílio no INSS, o trabalhador deve apresentar atestado médico com a CID (Classificação Internacional de Doenças) e ter laudos que comprovem que o adoecimento está ligado ao trabalho. O pedido é feito pela Central 135 ou pelo aplicativo ou site Meu INSS.
Por Cristiane Gercina e Júlia Galvão, Folhapress
Profissão multimídia prejudica jornalista e radialista, diz sindicato
Associação de emissoras de TV e rádio vê medida como avanço
A profissão de multimídia foi reconhecida oficialmente na quarta-feira (7) com a publicação da Lei nº 15.325/2026 no Diário Oficial da União. Ela prevê que um mesmo profissional acumule atividades de produção, edição e distribuição de conteúdos audiovisuais e digitais.
Para os sindicatos, a legislação traz prejuízos para jornalistas e radialistas. Já a associação de emissoras de TV e rádio defende que ela permite “atuação transversal dos profissionais”. O projeto de origem é da deputada Simone Marquetto (MDB-SP) e teve aprovação da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), seus 31 sindicatos filiados e o Movimento Nacional dos Radialistas (MNR) criticaram duramente a sanção da lei. Para as entidades, a nova norma “ataca diretamente jornalistas e radialistas”, cria insegurança jurídica e beneficia empresários do setor de comunicação.
Faltou diálogo
A nota conjunta diz que não houve diálogo com as entidades representativas das categorias. Também destacou que as funções atribuídas ao profissional multimídia já são exclusivas, por legislação específica, das profissões de jornalista e radialista. A crítica aponta ainda que o texto não prevê carga horária, registro e formação específica para a nova profissão.
“As entidades representativas vão tomar as medidas legais necessárias para preservar as profissões frente a mais essa aberração legislativa”, diz o comunicado.
Elas também criticaram o que chamam de tentativa de “desregulamentar, à força, o trabalho de jornalistas e radialistas”, ao criar um “sombreamento legal que só beneficia os empresários”. A Fenaj afirma ter estranhado que “o governo Lula, de origem no movimento dos trabalhadores”, tenha sancionado a proposta sem vetos.
Abert
Em sentido oposto, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert) avaliou positivamente a lei. Para a entidade, é “um avanço relevante ao conferir clareza e reconhecimento profissional às atividades exercidas em um ambiente cada vez mais marcado pela convergência de mídias” e “múltiplas plataformas”.
“A nova lei está plenamente alinhada à convergência tecnológica do setor de comunicação, que exige atuação transversal dos profissionais, adaptação constante às inovações tecnológicas e atualização permanente para atender às demandas de um mercado de trabalho em contínua transformação”, disse o presidente-executivo da Abert, Cristiano Lobato Flôres.
Lei nº 15.325/2026
A nova legislação define como multimídia o profissional multifuncional, de nível superior ou técnico, apto a atuar na criação, produção, captação, edição, planejamento, gestão, programação, publicação e distribuição de conteúdos de sons, imagens, animações, vídeos e textos em mídias eletrônicas e digitais.
Entre as atribuições listadas estão a criação de portais, sites, redes sociais, animações, jogos eletrônicos, aplicativos, além da produção, edição, direção e gestão de conteúdos audiovisuais e digitais.
A lei estabelece que o profissional multimídia atue em empresas e instituições públicas ou privadas, incluindo emissoras de radiodifusão, produtoras de conteúdo, provedores de aplicações de internet e agências de publicidade. A norma também assegura que profissionais de outras categorias possam, com concordância do empregador, celebrar aditivo contratual para exercer atividades de multimídia.
Por Agência Brasil
PT tenta usar crise na Venezuela contra a direita e reaviva divisões internas
Catalisador de emoções, discurso sobre a Venezuela marca radicalidade em debates internos do PT
Há pelo menos duas décadas, o Brasil corre o risco de virar uma Venezuela. É o que a direita repete a cada eleição, em contraponto à relação amistosa entre o PT e o regime chavista. Pois o fantasma está novamente à solta. Com a invasão dos Estados Unidos à Venezuela, e a decorrente deposição do ditador Nicolás Maduro, a direita quer amedrontar os petistas. Mas eles dizem que já não acreditam em assombrações,
Integrantes do PT tentam usar a crise venezuelana contra o bolsonarismo, com o discurso da soberania nacional. A estratégia, dizem parlamentares da base do governo, é mostrar que a oposição tem pretensões entreguistas para o Brasil. Contudo, a Venezuela ainda é um assunto incômodo para o partido, porque ressuscita divisões internas sobre o conceito de democracia e, sobretudo, o reconhecimento de uma ditadura no país vizinho.
"Essa coisa de Brasil virar Venezuela nunca pegou. O que vai pegar nas eleições é a bandeira da paz na América do Sul. A direita está atacando a democracia e defendendo uma intervenção aqui", diz o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do partido na Câmara.
Lindbergh refere-se à montagem compartilhada pela internet pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), no mesmo dia da captura do ditador venezuelano. Nela, o presidente Lula (PT) aparece sendo preso pelo Exército americano.
Em seguida, parlamentares de esquerda acionaram a PGR (Procuradoria-Geral da República) contra Nikolas. Em outubro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que hoje é o candidato da direita ao Planalto, havia feito outra postagem, dando margem para acusações de entreguismo. Em sua conta no X, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sugeriu, em uma publicação do secretário de Defesa do governo Donald Trump, que os Estados Unidos fizessem uma operação, no Rio de Janeiro, contra o narcotráfico.
Com o avanço das investigações da trama golpista, os apelos do bolsonarismo à política externa tornaram-se constantes. Segundo a Polícia Federal, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), à época ainda exercendo mandato como deputado, pressionou o governo Trump a aplicar sanções contra o Brasil. De acordo com a denúncia da PF, o objetivo era coagir o Judiciário brasileiro durante o processo que acabou por condenar seu pai a 27 anos de prisão. Ao reverter o tarifaço de Trump, o Planalto incorporou o discurso pela soberania.
"A direita vai se enrolar novamente, assim como ocorreu com as tarifas. Eles se iludem achando que têm protagonismo com Trump, mas o presidente americano só está interessado numa política imperialista", afirma Lindbergh.
Em meio às incertezas sobre o futuro da Venezuela, PT, PSOL e MST fundaram uma frente em solidariedade à população vizinha. Lula e a bancada do partido escreveram notas criticando a intervenção dos EUA.
Em contraste, os governadores de direita, entre os quais o de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), comemoraram a ação. Em um vídeo, Tarcísio usou a imagem de Lula abraçado a Maduro para relacionar o episódio com a chance de uma derrota da esquerda nas eleições de outubro. O governador reavivou, assim, as comparações entre o PT e o chavismo, antiga tática resumida numa famosa sentença: o Brasil vai virar uma Venezuela. A frase se apoia na recusa do PT em reconhecer a ditadura daquele país.
Um relatório da ONG Human Rights Watch, de 2017, já denunciava a concentração de poder no Executivo, as violações dos direitos humanos e a censura à mídia. Em 2024, a vitória de Maduro não foi reconhecida por observadores, como o Carter Center, nem pela OEA (Organização dos Estados Americanos). Lula não reconheceu a lisura daquele pleito, mas, naquele ano, disse que a Venezuela não era uma ditadura, mas apenas um "regime desagradável". Já o PT afirmou que a eleição de Maduro havia sido democrática. O hoje líder do governo Lula no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), divergiu e chamou à época o regime de ditadura.
A postura hesitante espelha as divisões internas do PT e suas respectivas visões sobre autoritarismo. Tais diferenças foram expostas com a crise dos últimos dias. Presidente da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial, o deputado Reimont (PT-RJ) diz que o regime venezuelano é uma ditadura e, assim como Israel e Honduras, viola os direitos humanos.
Reimont afirma que a frente de esquerda não é a favor de Maduro, mas em solidariedade à população local. "Compreendemos que a Venezuela deve resolver os problemas por conta própria", conta ele, integrante da CNB (Construindo Um Novo Brasil), corrente majoritária da sigla, liderada pelo próprio Lula.
Reimont reconhece que a direita deve despertar, nas eleições, o fantasma da Venezuela, sugerindo que o PT apoia criminosos. Contudo ele diz ter agora elementos de contra-ataque. "A nossa estratégia na eleição precisa estar ligada à comparação, porque a direita tem nada a apresentar. Então, eles usam esse terrorismo. Mas temos frases de efeito agora, do tipo 'como Deus está acima de tudo e Trump está acima da América Latina?'".
A visão de Reimont sobre a Venezuela, no entanto, não é unânime no partido. Alinhado à corrente Articulação de Esquerda, o historiador Valter Pomar diz que a direita, comparando Brasil à Venezuela, mostra desejo por uma intervenção externa. Ele nega a caracterização de Maduro como ditador.
"Se a Venezuela fosse uma ditadura, Trump não teria sequestrado Maduro. Ademais, nosso problema real hoje não é a caracterização do chavismo. O problema real é saber se a América Latina será dos Estados Unidos ou será dos latino-americanos", diz Pomar, diretor de cooperação internacional da Fundação Perseu Abramo e professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC.
Pomar defende ainda a aproximação do Brasil com a Venezuela, porque o futuro, afirma ele, por um fortalecimento regional. "Contra Trump, seguiremos fazendo as alianças que forem necessárias."
Ainda no início dos anos 2000, Lula e Chávez integraram a chamada onda rosa de governos de esquerda. A afinidade entre os dois líderes ficou evidente com a criação de diferentes grupos de cooperação e instituições políticas. O petista gravou depoimentos para as campanhas de TV do aliado e, posteriormente, de Maduro. Professora de ciência política da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Mayra Goulart diz que Lula e Chávez compartilharam um projeto de desenvolvimento social e econômico da América Latina.
Com o tempo, o sonho ficou distante, porque as crises na Venezuela e a redução do preço das commodities tornaram os recursos financeiros mais escassos. Em paralelo, conta a professora, o regime chavista se fechou cada vez em seu próprio militarismo, o que gerou desconfiança das esquerdas. Em termos de política brasileira, a Venezuela, diz Goulart, preenche o lugar que Cuba, durante a Guerra Fria, ocupou no imaginário social. O chavismo representa, ao mesmo tempo, o socialismo e o antissocialismo nas Américas.
"A Venezuela é um marcador de radicalidade. É menos o PT precisar dela do que esse país ser um catalisador de emoções a partir da ideia de comunismo", afirma.
Por Gustavo Zeitel, Folhapress
Lula grava vídeo na praia e fala em 'acabar com preconceito entre esquerda e direita'
A primeira-dama Janja da Silva divulgou neste sábado (10) um vídeo gravado durante dias de folga do presidente Lula (PT) no litoral do Rio de Janeiro.
Na gravação que foi ao ar em rede social, Lula aparece de sunga e boné com o brasão da República, ao lado da esposa.
O presidente ensaia uma metáfora política ao falar sobre a movimentação das águas em um extremo da Restinga de Marambaia, onde passou o Ano-Novo.
Diz que, nesse ponto da localidade, as ondas vêm dos dois lados, em um "milagre da natureza".
"Essa é uma demonstração extraordinária, sabe? Até para acabar com o preconceito entre esquerda e direita. Aqui, a onda que vem da direita se junta com a onda que vem da esquerda e constrói o mar."
Ele complementa afirmando que a natureza "faz aquilo que a gente não imagina que seja possível ser feito".
Na eleição de 2022, Lula se elegeu fazendo diversos acenos ao eleitorado de centro, na disputa vencida contra Jair Bolsonaro (PL). Ao longo do mandato, foi criticado por deixar de lado o discurso chamado à época de "frente ampla".
Lula permaneceu na base militar da Restinga de Marambaia por cerca de dez dias. Na postagem, a primeira-dama disse que os dois recarregaram energias no local e voltam com "com disposição, diálogo e Brasil no coração".
Luiz Bacci grava vídeos atacando Banco Central e defendendo Master, de Daniel Vorcaro
O ex-apresentador Luiz Bacci publicou ao menos quatro vídeos no último mês em que critica o Banco Central (BC), defende o Banco Master e questiona a decisão que levou à liquidez da instituição controlada por Daniel Vorcaro. Procurado, ele não respondeu.
Uma série de comunicadores têm embarcado numa campanha de descredibilização do BC. Nos últimos dias, um vereador e uma influenciadora denunciaram terem recebido propostas de agências de comunicação para a produção de conteúdo crítico à autarquia federal.
Em 18 de dezembro, Bacci repercutiu a notícia de que o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jhonatan de Jesus, relator do caso Master na Corte, pediu explicações ao BC sobre o que julgou serem indícios de precipitação na liquidação do Master.
Seria o primeiro de quatro vídeos veiculados em sua conta do Instagram em que ele levanta suspeição sobre a lisura do processo e sugere um complô para prejudicar o banco de Vorcaro. Bacci tem 24,1 milhões de seguidores na rede social.
"Ninguém conseguiu engolir algo como uma fraude bilionária onde não apareceu nenhum cliente sequer reclamando, dizendo que o Banco Master está devendo para ele. Como alguém consegue fazer uma fraude bilionário estando sujeito às regras do Banco Central? Quem teve interesse de liquidar um banco de uma hora para outra? Quem teve interesse de, no dia para a noite, simplesmente liquidar um banco? Há suspeita de uma manobra política de algum grupo financeiro, político, para desestabilizar o Banco Master", afirmou Bacci naquele dia.
Em 29 de dezembro, ele publicou outro vídeo em que diz que a liquidação foi feita "na surdina, na calada da noite". Ao contrário do que ele diz, análise do caso pelo BC durou mais de cinco meses e a decisão da liquidação foi comunicada logo que foi decretada.
"E essa série de escândalos envolvendo o Banco Central? O que que é isso? Um escândalo sem precedentes que envolve a liquidação na surdina, na calada da noite, que envolve o Banco Master. Pelo que estou entendendo estão suspeitando que tem mutreta na tal liquidação do Banco Master. Se o TCU deu 72 horas para o Banco Central se manifestar, por que está calado? Por que um monte de pergunta sem resposta? Tem medo do quê?", declarou.
Na mesma publicação, Bacci sugere contaminação política pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e coloca suspeição, sem provas, na definição da taxa básica de juros da economia, a Selic.
"Ora, o Banco Central é uma instituição de muita credibilidade. A gente quer acreditar que é um órgão regulador idôneo. O presidente foi escolhido pelo Lula. Como é que pode estar no alvo de tanto escândalo? Daqui a pouco a população brasileira vai desconfiar, e com toda a razão, se a taxa de juros altíssima, que não para de bater recorde, é honesta, se está sendo definida de maneira transparente. Já já o povo brasileiro vai começar a achar que tem mutreta também", disse ele.
O terceiro vídeo, publicado em 1º de janeiro, replica os argumentos dados por Vorcaro para se defender das acusações, em depoimento à Polícia Federal. Bacci afirmou que, segundo uma fonte, "Vorcaro foi enfático, negou qualquer tipo de irregularidade, afirmou que não houve fraude, e que os fatos divulgados até agora estão distorcidos e apresentados fora de contexto". E que "todas as operações do Master foram conduzidas de acordo com as regras".
Na sequência, ele levanta dúvidas sobre o fato de, segundo uma reportagem citada por Bacci, a Polícia Federal ter prendido Vorcaro 42 minutos depois de ele comunicar a venda do Master para um fundo, que injetaria R$ 3 bilhões e resolveria o problema de liquidez do banco.
O curto período de tempo entre os acontecimentos, segundo integrantes do governo relataram ao Estadão/Broadcast, se deu em razão da suspeita de que a proposta se trataria de uma "bomba de fumaça" para que o banqueiro ganhasse tempo para fugir do País. Vorcaro foi detido no aeroporto de Guarulhos, quando se preparava para viajar para Dubai. Segundo sua defesa, se tratava de uma viagem de negócios.
Toda a linha do tempo do processo que levou à liquidação extrajudicial do Master, em 18 de novembro, foi apresentada, por exemplo, na documentação que está com o TCU.
Em 5 de janeiro, por fim, Bacci abre outro vídeo questionando a razão "dessa histeria toda contra a abertura da caixa-preta do Banco Central". Ele diz haver a instituição compromete sua credibilidade ao "evitar a fiscalização" e gera um "ambiente de desconfiança".
"O TCU não está fazendo uma devassa. Ele está fazendo a única coisa que resta de digno neste País, acendendo a luz. É justamente por isso que as baratas estão correndo pelos corredores. É a maior confissão de culpa, que não querem que você veja", declarou.
Campanha difamatória
A campanha difamatória contra o BC trouxe à tona acusações, defesas e uma variedade de agências e comunicadores envolvidos no escândalo.
O caso começou a ser exposto a partir de um vídeo publicado pelo vereador Rony Gabriel (PL-RS), de Erechim, que diz ter recebido uma proposta intitulada "projeto DV", as iniciais de Daniel Vorcaro, para publicar conteúdo em defesa da instituição.
Instituições e autoridades envolvidas com a liquidação do Banco Master sofreram uma série de ataques nas redes sociais pouco antes da virada do ano, segundo monitoramento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).
Diversos perfis publicaram os ataques nos últimos dias. O Estadão analisou o conteúdo, os horários das publicações e os pontos em comum entre os materiais publicados.
Apesar de diferenças na maneira do pronunciamento nos vídeos, as postagens apresentam elementos em comum. Todos os influenciadores publicaram conteúdos no final de dezembro, tendo como referência o mesmo conteúdo, que seria uma possível revisão da liquidação do Master.
Outra semelhança é que, embora adaptado ao estilo de cada perfil, o discurso compartilhado nas redes sociais sugere desconfiança sobre a atuação dos órgãos reguladores e questiona a "rapidez" da decisão - que, na verdade, durou mais de cinco meses. Em nenhum dos casos, as publicações foram identificadas como publicidade.
Por Estadão Conteúdo
Sem consenso no Senado, Wagner diz que Jorge Messias terá votos para chegar ao STF
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), admitiu na quinta-feira, 8, que ainda não há consenso na Casa para aprovar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar do impasse, Wagner afirmou acreditar que Messias reunirá votos suficientes para assumir a vaga aberta com a saída de Luís Roberto Barroso da Corte.
Para ser confirmado ministro do STF, o nome indicado pelo presidente da República precisa ser aprovado na sabatina da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, posteriormente, no plenário do Senado, onde são necessários ao menos 41 votos dos 81 senadores.
“Não tem acordo. Eu estou trabalhando os votos, mas acho que ele (Messias) terá os votos para ser aprovado”, afirmou Wagner durante evento dos três anos dos atos golpistas do 8 de Janeiro.
Messias foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 20 de novembro para ocupar a cadeira deixada por Barroso. A escolha, no entanto, provocou reação negativa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que defendia a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga.
Lula anunciou o nome de Messias sem consultar Alcolumbre. Contrariado, o presidente do Senado marcou a sabatina do advogado-geral da União na CCJ para o dia 10 de dezembro.
Diante do movimento contrário à indicação, o presidente da República deixou de enviar ao Senado a mensagem oficial com o nome de Messias, documento necessário para a tramitação formal da escolha. Sem o envio, a sabatina acabou sendo adiada.
A expectativa do governo é que a sabatina seja remarcada para o início de fevereiro de 2026, após o recesso parlamentar.
Por Vanessa Araújo/Estadão
Governo implementa renovação automática de CNH sem infrações; 370 mil devem ser contemplados
O ministro dos Transportes, Renan Filho, assinou nesta sexta-feira a medida administrativa que autoriza a renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para condutores classificados como bons motoristas. Parte do programa CNH do Brasil, lançado no ano passado.
Motoristas cadastrados no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC), ou seja, que não possuem infrações registradas nos últimos 12 meses, terão a CNH atualizada diretamente no sistema quando o documento vencer. O público apto será notificado diretamente pelo governo.
A estimativa do Ministério dos Transportes é que a renovação automática deve contemplar, de imediato, 370 mil motoristas. Sem as taxas que seriam pagas aos Detrans e eventuais exames médicos, esse público somará estimados R$ 120 milhões em economia.
"É separar o bom do mau condutor. Para o bom condutor, não será preciso pagar novas taxas do Detran ou novos exames", afirmou Renan Filho durante o evento de assinatura. "Isso afeta a vida real do cidadão. Atualmente, milhões de brasileiros atrasam a renovação da CNH, andam com documento vencido ou atrasam a obtenção da primeira CNH para evitar os preços e burocracias."
O processo será totalmente automático e digital, pelo sistema da Senatran, com a atualização disponível no aplicativo da CNH do Brasil. A automatização das renovações é viabilizada por sistema criado com apoio do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro).
"Com isso, será possível também olhar de forma mais atenta ao mau condutor. Será possível nos comunicar com esse mau condutor, mostrando que ele marcou muitos pontos", disse o ministro dos Transportes, avaliando que haverá um incentivo para que esse público busque também evitar infrações para que tenham direito à renovação sem custos.
As renovações automáticas são aplicáveis aos motoristas de até 70 anos, quando voltam a ser obrigados a fazer exames periódicos
CNH do Brasil
Além da renovação automática, a nova política muda várias regras para baratear a obtenção da carteira de habilitação. Entre os dispositivos, acaba com a obrigatoriedade de aulas em autoescolas e passam a disponibilizar gratuitamente, no aplicativo do governo, todo o conteúdo teórico, sem exigência de carga horária mínima.
"Havia um desincentivo à produção geral da população sobre educação de trânsito. Por que vou ensinar o filho as placas, as regras de trânsito, se inevitavelmente vou ter que fazer um curso para tirar a habilitação? A bibliografia e a produção de conhecimento sobre o setor eram escassas justamente por isso", comentou Renan Filho.
Por Luiz Araújo, Estadão Coteúdo
Entenda o caso do Banco Master e veja quem são os envolvidos
A investigação sobre o Banco Master tem envolvido diversas figuras e órgãos públicos. Para além de Banco Central, Polícia Federal e Ministério Público Federal, que investigam a instituição e seu dono, Daniel Vorcaro, por supostas fraudes ao sistema financeiro, o caso se alastrou ao TCU (Tribunal de Contas da União) e ao STF (Supremo Tribunal Federal), envolvendo ministros, autoridades do governo Lula e até influencers.
Antes de ser preso, Vorcaro cultivou diversas conexões com figuras importantes. Ele se aproximou do senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, e de Antonio Rueda, presidente do União Brasil. Além disso, o banco contratou o escritório de familiares do ministro Alexandre de Moraes (STF) no valor de R$ 3,6 milhões mensais para auxiliar na defesa dos interesses da instituição financeira.
Além disso, o Master chegou a contratar como consultores Ricardo Lewandowski, entre o intervalo de sua aposentadoria no STF e o comando do Ministério da Justiça, Gustavo Loyola e Henrique Meirelles, ex-presidentes do Banco Central, e Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda, que marcou encontro de Vorcaro com o presidente Lula (PT).
Vorcaro também se aproximou de empresários que têm trânsito e influência no meio político, como João Camargo, do grupo Esfera Brasil, João Doria, do Lide, e Karim Miskulin, do grupo Voto. Nos últimos três anos, alguns dos eventos realizados por esses grupos, reunindo empresários e políticos, receberam financiamento do Master.
Mais recentemente, o banco contou com o ex-presidente Michel Temer (MDB) para tentar destravar o negócio com o BRB (Banco de Brasília), barrado pelo Banco Central. Temer foi procurado inicialmente pelo seu correligionário, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e por dirigentes da instituição
brasiliense.
1. COMO O BANCO MASTER SURGIU?
Vorcaro, controlador do Master, comprou uma participação no Banco Máxima, em 2017. Ele assumiu o controle da instituição financeira em 2019 e a rebatizou como Master em 2021.
Antes de ingressar no Master, Vorcaro trabalhou por oito anos na empresa de seu pai, o Grupo Multipar, como diretor financeiro e presidente. A companhia do setor imobiliário sediada em Belo Horizonte atua na gestão, aquisição e venda de ativos imobiliários e empresariais.
Vorcaro fez com que o Master crescesse nos últimos anos usando estratégia considerada agressiva de venda de CDBs com alta remuneração a aplicadores. Em agosto deste ano, o banco vendia CDBs com retorno de 120% do CDI -remuneração bem acima das taxas de mercado.
Pressionado, o Master aceitou uma proposta de compra pelo BRB (Banco de Brasília) em março deste ano. Em setembro, contudo, a compra foi rejeitada pelo BC (Banco Central), que disse ter levado em conta o risco de sucessão para vetar o negócio.
2. QUEM É DANIEL VORCARO?
O banqueiro atraiu a atenção do mercado financeiro após comprar 80% do projeto Fasano Itaim, que reúne hotel, torre residencial e restaurantes, no fim de 2022. Em 2024, voltou a surpreender o setor com a aquisição do Banco Voiter e do Will Bank.
Seu nome costumava repercutir no noticiário pela realização de eventos luxuosos, que incluem conferências com ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) no exterior e a festa de 15 anos da filha com show do DJ Alok.
Além dos negócios do banco, Vorcaro investiu R$ 300 milhões na SAF (Sociedade Anônima do Futebol) do Atlético-MG, o que lhe rendeu 27% de participação.
3. INVESTIGAÇÃO APONTA FRAUDE BILIONÁRIA NO BANCO
A operação da Polícia Federal que prendeu Vorcaro e mirou o Master envolve uma fraude estimada em R$ 12 bilhões, afirmou o diretor-geral da instituição, Andrei Passos. A operação tem o objetivo de combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional.
A suspeita dos investigadores é de que o Master tenha usado o negócio com o BRB (Banco de Brasília) para esconder a fabricação de carteiras falsas de crédito consignado. Isso inflou o balanço do Master, ainda de acordo com as investigações.
As carteiras de consignado, formadas com tomadores de crédito inexistentes, teriam sido vendidas ao banco de Vorcaro e, por fim, compradas pelo BRB.
Investigadores ainda querem apurar se houve pressão de políticos para que a negociação entre BRB (Banco de Brasília) e Banco Master se concretizasse.
A proposta de compra do Master pela Fictor Holding Financeira, divulgada antes de Vorcaro ser preso, também entrou na mira dos investigadores da PF. Segundo eles, há suspeita de que a ação tenha sido uma espécie de simulacro para facilitar a fuga do banqueiro do país.
Outra descoberta dos investigadores é que boa parte dos ativos podres comprados por fundos de investimentos da gestora Reag para sustentar o esquema de operações fraudulentas atribuídas ao Banco Master era composta por certificados de ações do extinto Besc (Banco do Estado de Santa Catarina).
Os gestores dos fundos compravam esses títulos, que têm valor baixo, como se valessem milhões para inflar esses fundos, justificando retiradas para investimentos em outros fundos também da Reag.
Conforme a Folha mostrou anteriormente, a suspeita é que esses recursos que passaram pelos fundos tenham sido desviados para "laranjas" ligados ao dono do Master.
4. LIQUIDAÇÃO
Horas depois de Vorcaro ser preso e de a proposta da Fictor se tornar pública, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master. Na prática, a liquidação é adotada quando o BC avalia que a situação da instituição financeira é irrecuperável. Nesse caso, o funcionamento da instituição é interrompido e ela é retirada do sistema financeiro nacional.
O BC afirmou em comunicado que a decisão foi motivada "pela grave crise de liquidez do conglomerado Master" e por "graves violações às normas que regem a atividade das instituições integrantes do SFN [sistema financeiro nacional]".
Na véspera, a Fictor Holding Financeira, pouco conhecida no mercado, havia anunciado uma proposta de compra, em consórcio com investidores dos Emirados Árabes, que não tiveram a identidade revelada.
A proposta incluiria um aporte de R$ 3 bilhões, quantia que, segundo a Fictor, seria destinada ao fortalecimento da estrutura de capital do banco.
Segundo pessoas a par das tratativas, havia desconfiança com relação às negociações entre Vorcaro e os árabes, e o anúncio foi interpretado como uma estratégia do banqueiro para evitar a liquidação do banco.
5. MAIOR RESGATE DA HISTÓRIA DO FGC
A liquidação do Banco Master pelo BC representará a maior operação de resgate da história do FGC, que precisará honrar R$ 41 bilhões para cerca de 1,6 milhão de credores com depósitos e investimentos elegíveis ao pagamento da garantia (de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ).
Até então, o maior desembolso foi o do Bamerindus, em 1997, de cerca de R$ 20 bilhões em valores atuais. A avaliação é que o caso não traz risco para o sistema financeiro, uma vez que o FGC tem R$ 122 bilhões em caixa.
Para levantar recursos para suas operações, o Master vendia CDBs (Certificados de Depósito Bancário), que são assegurados pelo FGC, com remuneração acima da média do mercado. LCIs (Letras de Crédito Imobiliário LCIs), LFs (Letra Financeira) e CDBs (Certificado de Depósito Interbancário) são garantidos pelo FGC.
6. QUESTIONAMENTO POR PARTE DO TCU
O ministro Jhonatan de Jesus (TCU) é relator na apuração da conduta do BC na liquidação do Master. Ele havia requisitado uma inspeção in loco, mas voltou atrás após pressão
Ele foi instado a se manifestar publicamente afastando o risco de reversão da liquidação. A avaliação de seus pares é que a sua decisão de determinar uma inspeção in loco no BC em meio à uma investigação que questiona a conduta do banco no caso Master acabou colocando todo o TCU em exposição política.
7. ATAQUES NAS REDES SOCIAIS
Pelo menos 46 perfis em redes sociais fazem um bombardeio digital com ataques simultâneos contra o Banco Central e investigadores no caso Master.
A prática já vinha sendo observada durante o processo de análise pelo órgão regulador da venda do banco para o BRB (Banco de Brasília), mas cresceu nos últimos dias em meio à guerra jurídica no STF (Supremo Tribunal Federal) e no TCU ) travada entre os investigadores e os advogados do Master.
Os influenciadores vêm publicando posts com informações enviesadas sobre os acontecimentos em torno da liquidação do Master, com críticas à atuação do BC e à liquidação do Master.
Procurados por meio de sua assessoria, o Banco Master e Vorcaro não se manifestaram.
Por Folhapress
Alcolumbre deve segurar votação de nome indicado por Lula à CVM e contesta apadrinhamento
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), avisou a aliados que pretende segurar a votação do nome indicado pelo presidente Lula (PT) para a presidência da CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Em conversas reservadas, o parlamentar contesta informações de que ele seria responsável pela indicação de Otto Lobo, que provocou reação negativa no mercado financeiro.
Otto era presidente interino da autarquia desde o fim de julho. Uma semana após assumir o cargo, na contramão da área técnica, ele tomou uma decisão favorável ao Banco Master, que livrou o banco e os empresários Nelson Tanure e Tércio Borlenghi Junior de um inquérito que apurava suposta "ação orquestrada" para elevar o preço das ações da Ambipar, empresa de gestão de resíduos.
Alcolumbre disse a parlamentares que não levará o nome de Lobo a votação no Senado enquanto não forem revelados aqueles que seriam os verdadeiros padrinhos da indicação. O Ministério da Fazenda se opôs à indicação e trabalhou contra o nome de Lobo, e a escolha do nome dele representa uma derrota para Fernando Haddad.
Segundo relatos de quatro pessoas que atuam no governo e no mercado financeiro, com forte interlocução em Brasília, a indicação de Lobo se deve a um consórcio formado entre parlamentares próximos do banqueiro Daniel Vorcaro, que controlava o liquidado Banco Master, e o empresário Wesley Batista, do grupo J&F. Procurada, a J&F diz que a informação não procede.
Alcolumbre indicou que não pretende assumir a responsabilidade pela escolha de Lobo. Ele teria manifestado a parlamentares próximos que ficou irritado com a atribuição do apadrinhamento, responsabilizando o governo Lula pela informação.
Lobo chegou à CVM em 2022, com indicação atribuída ao presidente do PP, Ciro Nogueira, que também foi relator de sua indicação no Senado. Ciro é também citado como uma das lideranças políticas mais próximas de Vorcaro na teia de influência política que o dono do Master sustentou nos últimos anos.
No mundo político, a decisão de Lula pela indicação de Lobo foi vista como uma tentativa de agradar ao Senado e tentar destravar a indicação de Jorge Messias para o STF (Supremo Tribunal federal). Alcolumbre negou essa leitura nas conversas que teve com aliados.
Em circunstâncias normais, a mensagem com a indicação de Lobo poderia começar a tramitar no Senado em fevereiro, após o fim do recesso parlamentar. O nome seria levado à CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) para uma sabatina e uma votação, e depois para o plenário.
Otto Eduardo Fonseca de Albuquerque Lobo, 58, é um advogado carioca especializado em direito societário, do mercado de capitais, arbitragem e insolvência. Ele é o atual presidente interino da CVM e foi indicado por Lula na quarta-feira (7) para ocupar o posto de maneira efetiva.
Em sua presidência interina, a CVM teve que lidar com escândalos, como o Banco Master, a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) na Faria Lima e a crise da Ambipar.
Em novembro, o governo do Distrito Federal foi citado e se tornou réu em processo iniciado pela autarquia referente ao BRB (Banco de Brasília) no âmbito dos negócios com o Master.
Lobo não estava entre os mais cotados ao posto de forma definitiva pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Como mostrou a Folha, a aposta inicial estava nos advogados Igor Muniz, Marina Copola e André Pitta.
Muniz é presidente da Comissão Especial de Mercado de Capitais da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e advogado da Petrobras, e tinha apoio de senadores e de integrantes da Casa Civil.
Pitta é um dos sócios do escritório Trindade Sociedade de Advogados e conta com um perfil de atuação considerado amplo no mercado de capitais, advogando com direito societário de companhia aberta e com passagem pela B3.
Copola é diretora da CVM, indicada pelo ministro Fernando Haddad (Fazenda), com mandato até dezembro de 2028.
Vinculada ao Ministério da Fazenda, a CVM é responsável pela fiscalização de cerca de R$ 16,7 trilhões em ativos negociados no mercado, como ações, fundos de investimentos e debêntures.
Lobo está na CVM desde 2022, após indicação do então presidente Jair Bolsonaro (PL). Com a renúncia de João Pedro Barroso do Nascimento do comando da autarquia, em julho de 2025, o advogado, que era o diretor mais antigo da autarquia, passou a ocupar a presidência do órgão de forma interina.
Nascimento renunciou ao cargo em julho do ano passado e Lobo, diretor mais antigo da autarquia até então, foi indicado interinamente para a presidência da CVM na época.
Como a Folha de S.Paulo mostrou, a renúncia do presidente da CVM escancarou pressões políticas que cercam casos polêmicos no órgão regulador do mercado de capitais brasileiros, colocando o colegiado numa crise inédita.
Apadrinhado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), JP, como é conhecido, deixou o cargo em julho do ano passado, a dois anos de terminar o mandato, aumentando o desfalque na diretoria da autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda responsável pela fiscalização de cerca de R$ 16,7 trilhões em ativos negociados no mercado, como ações, fundos de investimentos e debêntures.
Há ainda uma vaga a ser preenchida no colegiado da CVM. Um dos cotados, com influência política, é André Vasconcellos, diretor da Fictor Alimentos. A empresa é vinculada à Fictor Holding, que informou ao mercado uma proposta de compra do Master horas antes de Vorcaro ser preso pela Polícia Federal.
Vasconcellos afirmou à Folha que seu nome estava sendo cotado para a diretoria da CVM antes mesmo de assumir o cargo de Relações com investidores da Fictor Alimentos. Segundo ele, caso seja efetivamente indicado e empossado, se declarará imediatamente impedido de julgar qualquer questão envolvendo o Grupo Fictor e ainda o Banco Master, assim como seus controladores e administradores.
A Abrasca (associação das companhias abertas) considerou as indicações de Lobo e Muniz como positivas. "Como é esperado, são dois nomes bastante técnicos, com vasta experiência no mercado e amplamente conhecidos", afirmou Pablo Cesário, presidente-executivo da Abrasca.
Por Adriana Fernandes e Mariana Carneiro / Folhapress
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