Mostrando postagens com marcador Brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Brasil. Mostrar todas as postagens

PF faz operação contra publicitário contratado por Vorcaro que fez devassa contra jornalista

Thiago Miranda atuou em projeto de gestão de crise do ex-banqueiro, que envolveu também ataques ao Banco Central

Foto: Divulgação/Arquivo

A Polícia Federal fez uma operação de busca e apreensão, nesta quinta-feira (9), contra o publicitário Thiago Miranda, dono da agência Mithi, contratado para o projeto de gestão de crise de Daniel Vorcaro, do Banco Master, que envolveu ataques ao Banco Central.

Diálogos entre o ex-banqueiro e Miranda, entre março e abril de 2025, também mostraram que os dois queriam "frear" o trabalho da jornalista Malu Gaspar, colunista do jornal O Globo, realizando uma busca por seus dados privados.

O publicitário foi procurado pela reportagem, mas não respondeu até a publicação deste texto.

Foram apreendidos celulares e demais equipamentos eletrônicos utilizados pelo publicitário em sua residência. De acordo com a PF, a ação apura a atuação coordenada em redes sociais voltada, em tese, a comprometer a credibilidade da atuação do Banco Central do Brasil.

As investigações apuram, ainda, a atuação de possível organização criminosa dedicada à intimidação de jornalistas, ao monitoramento ilícito de pessoas ligadas a autoridades públicas, à obtenção indevida de informações sigilosas e à adoção de medidas destinadas a interferir em investigações criminais.

Segundo a PF, os fatos investigados podem, em tese, configurar crimes contra o sistema financeiro nacional, organização criminosa, embaraço à investigação de organização criminosa, além de outros delitos correlatos, incluindo possíveis violações de dados e de dispositivos informáticos.

Diálogos entre o ex-banqueiro e Miranda, em 2025, mostraram que os dois queriam intimidar a jornalista. As conversas foram divulgadas pelo site Fatos on-line e confirmados pelo jornal Folha de São Paulo. Num deles, Vorcaro afirma a Miranda que eles teriam que "tentar pegar algo dessa mulher no pessoal", ao que este responde: "Exatamente. Ela joga baixo. Vou revirar a vida dela".

Posteriormente, o publicitário dá um panorama a Vorcaro sobre seus achados a respeito da jornalista e afirma: "Nem multa na CNH dela encontrei".

O publicitário também estaria por trás, segundo as suspeitas dos investigadores, dos ataques coordenados contra o BC e o ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução da autarquia, Renato Gomes.

Os ataques seguiram uma cartilha com instruções e direcionamentos elaborados pelo projeto de gestão de crise de Vorcaro.

As informações estão em documentos do chamado "Projeto DV", aos quais a reportagem teve acesso. O nome faz alusão às iniciais do ex-banqueiro.

Os contratos com os influenciadores foram firmados pela agência Mithi. Somados, chegavam a R$ 8 milhões, mas a maior parte foi interrompida após a PF começar a investigar o bombardeio contra o BC, em janeiro.

O Banco Central virou alvo ao rejeitar a compra do Master pelo BRB (Banco de Brasília). A PF identificou cerca de 40 perfis que teriam sido contratados por Vorcaro para integrar o projeto.
Por Constança Rezende/Folhapress

Moraes assume investigação sobre grupo suspeito de pistolagem e de espionar autoridades

                     Armas apreendidas em operação do ano passado pela Polícia Federal
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), se tornou responsável pela investigação sobre um grupo suspeito de cobrar para espionar autoridades e de cometer homicídios sob encomenda, que se autointitulava Comando C4 ("Caça Comunistas, Corruptos e Criminosos").

Menções a esse grupo foram descobertas pela Polícia Federal em apuração sobre a relação entre o assassinato de um advogado em Cuiabá e um esquema de vendas de decisões judiciais. Os inquéritos desse caso eram relatados pelo ministro Cristiano Zanin.

A pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República), Zanin decidiu enviar o material sobre o Comando C4 para Moraes, com o objetivo de juntá-lo às investigações dos inquéritos das Fake News e das Milícias Digitais, usados nos últimos anos para investigar atos antidemocráticos e ameaças às instituições, sobretudo por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O que conecta as investigações é a indicação de que o C4 tinha relação com movimentos de apoio a Bolsonaro que incentivavam indisciplina militar e, segundo a apuração, animosidade contra os Poderes.

Em março deste ano, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a Zanin que as investigações sobre o assassinato do advogado, chamado Roberto Zampieri, fosse enviado para o âmbito do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, por não ter relação com autoridades com foro no Supremo.

Mas a investigação sobre o Comando C4 deveria, para o PGR, ser enviadas a Moraes, por conexão com os outros inquéritos relatados pelo ministro.

"As investigações acerca das condutas do grupo ‘Comando C4’ no âmbito do eixo de doutrinação ideológica revelaram não apenas a propagação de discursos de animosidade contra os Poderes Constitucionais, mas também a estruturação de uma organização paramilitar voltada a atentar contra a integridade de agentes públicos", disse Gonet, em manifestação de março, que está sob sigilo e foi obtida pela Folha.

"Tais atos integrariam uma ofensiva sistemática destinada a desestabilizar as instituições democráticas e fomentar um estado de insurgência contra a ordem estabelecida. Os eventos parecem guardar conexão com os fatos investigados, em âmbito mais abrangente, sobre condutas atentatórias à Suprema Corte, o Inquérito n. 4.781 [Fake News], além da prática de infrações criminais atentatórias ao Estado Democrático de Direito, investigadas no Inquérito n. 4.874 [Milícias Digitais]."

A primeira menção pública ao Comando C4 apareceu em uma operação da PF autorizada por Zanin que cumpriu mandados de prisão contra cinco pessoas.

As investigações diziam que esse grupo, composto por militares da ativa e da reserva, se dedicava "à prática de crimes graves, especialmente espionagem e homicídios sob encomenda".

Um documento apreendido mencionava cobranças de R$ 50 mil para atuar contra "figuras normais", R$ 100 mil contra deputados, R$ 150 mil contra senadores e R$ 250 mil contra "ministros/Judiciário".

Uma das pessoas citadas nas anotações de uma das pessoas do grupo era o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG), citado sob o tópico "vigilância armada". Também havia citações a Moraes e Zanin, mas sem contexto que permitia aos investigadores saber do que se tratava.

A PF trata como líder do C4 o coronel reformado do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, que foi preso à época da operação.

Além de liderar o grupo, diz a PF, Caçadini participava de um grupo chamado de FAP (Frente Ampla Patriótica) que era usado, até 2023, para "propagar discursos ultraconservadores e incitar a animosidade contra os Poderes Constitucionais, além de incentivar a indisciplina militar".

De acordo com a PGR, os projetos dos grupos de Caçadini planejavam "a execução de ações cibernéticas e monitoramento físico de autoridades públicas ao longo de 2022 e 2023, demonstrando que a letalidade do grupo estava intrinsecamente ligada a sua capacidade de monetizar 'missões', os crimes mercenários sob encomenda".

Procurada, a defesa de Caçadini não se manifestou. Anteriormente, eles disseram que confiam "nas autoridades e somos contra qualquer ataque contra nossas autoridades e contra o Estado democrático de Direito".

Em maio, o Ministério Público de Mato Grosso denunciou Caçadini e outras oito pessoas pelo homicídio de Zampieri. A denúncia foi aceita em junho pela Justiça e ele e as demais pessoas se tornaram réus.

Zampieri foi morto dentro do carro, com dez tiros, em frente ao seu escritório em Cuiabá. Em seu celular, foram encontradas trocas de mensagens com desembargadores, empresários e um lobista que intermediava as negociações de decisões com servidores do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e de outras cortes.
Por José Marques, Folhapress

Senado aprova proposta que cria 'PIX Pensão Alimentícia', com transferências automáticas para beneficiários

Proposta altera a legislação para permitir que quem recebe pensão alimentícia peça ao juiz a transferência automática do valor devido diretamente para conta bancária.

O Senado Federal aprovou nesta terça-feira (7) projeto que cria um sistema de transferência automática da pensão alimentícia, batizado de "PIX Pensão". Com a aprovação, o texto segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A proposta altera a legislação para permitir que quem recebe pensão alimentícia peça ao juiz a transferência automática, mês a mês, do valor devido diretamente para sua conta bancária ou a de um representante legal.

Pelo texto, cabe à instituição financeira fazer o débito na conta de quem paga a pensão nas datas definidas pela Justiça.

Caso não haja saldo suficiente, o banco deve informar a autoridade supervisora, que torna indisponíveis outros ativos financeiros do devedor até o valor da dívida atualizada. A regra prevê inclusive a indisponibilidade dos ativos caso a pessoa seja empresário individual.

O projeto também determina que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publique estatísticas periódicas sobre ações de pensão alimentícia, incluindo o perfil de quem recebe e de quem paga, respeitado o anonimato dos dados, a fim de criar mais transparência.

A autora da proposta, deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), defendeu o mecanismo automático como uma alternativa mais barata e eficaz do que depender apenas da prisão civil do devedor, hoje o principal instrumento coercitivo previsto em lei para esses casos.

"O Pix Pensão reduz o trabalho do Estado e beneficia os alimentandos, dificulta a vida do inadimplente contumaz e, como benefício adicional, sinaliza à sociedade que não é mais possível ter um filho sem ter responsabilidade sobre ele. Trata-se de relevante inovação para beneficiar alimentandos", afirmou Amaral

A relatora no Senado propôs dois ajustes de redação ao texto que havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados — sem mudar o conteúdo da proposta.

A relatora da proposta, senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA), enalteceu a proposta e destacou que a transferência automática reduz a necessidade de o credor voltar à Justiça a cada mês em que o devedor deixa de pagar.

"A medida também contribui para reduzir a inadimplência estratégica, aumentar a previsibilidade financeira do alimentando e desestimular o uso de expedientes destinados a dificultar o pagamento da pensão", disse Lobato.

Por Vinícius Cassela, g1 — Brasília

Quem criou o Pix? Entenda como surgiu o sistema em meio à disputa entre Lula e Flávio


O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou na terça-feira (7) de audiência promovida pelo governo dos Estados Unidos sobre o novo tarifaço proposto ao Brasil, e afirmou que o Pix não é "um problema, mas é uma solução" lançada durante a gestão Bolsonaro e que poderia favorecer empresas americanas.

O debate retoma a pergunta que acompanha o sistema desde seu lançamento: quem criou o Pix?

Lançado em novembro de 2020, o Pix foi desenvolvido pelo Banco Central ao longo de cerca de 31 meses, em um projeto que começou em 2018, durante o governo Michel Temer (MDB), e atravessou a gestão de Jair Bolsonaro (PL). O trabalho envolveu dezenas de técnicos da autoridade monetária e representantes de mais de 130 instituições financeiras, empresas de tecnologia, fintechs e associações do setor.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirma que "o Pix é do Brasil", mas Flávio diz que o sistema "é do Bolsonaro" por ter sido lançado em seu governo. Na Justiça, uma professora reivindica ter desenvolvido a tecnologia que deu origem ao sistema e cobra indenização da autoridade monetária.

COMO SURGIU O PIX

As primeiras discussões sobre um sistema brasileiro de pagamentos instantâneos aparecem em documentos do Banco Central de 2014, quando a autoridade monetária passou a estudar formas de tornar as transferências eletrônicas mais rápidas e baratas. Na época, TED e DOC ainda eram os principais meios para envio de dinheiro entre bancos, com limitações de horário e cobrança de tarifas.

Em 2016, a Agenda BC+, programa criado para modernizar o sistema financeiro, passou a prever medidas voltadas aos pagamentos instantâneos. O então presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, já defendia a criação de uma infraestrutura nacional inspirada em experiências internacionais.

O projeto ganhou forma em maio de 2018, quando o Banco Central instituiu, por meio da portaria nº 97.909, o Grupo de Trabalho de Pagamentos Instantâneos. Naquele momento, o nome Pix ainda não existia, mas o objetivo já era desenvolver uma infraestrutura que permitisse transferências de recursos em poucos segundos, disponíveis 24 horas por dia, sete dias por semana.

Segundo o BC, cerca de 130 instituições participaram das discussões, entre bancos, cooperativas, fintechs, empresas de tecnologia, associações do setor financeiro, marketplaces e órgãos públicos. O grupo debateu aspectos como segurança, liquidação das operações, experiência dos usuários e regras de funcionamento do futuro sistema.

Em dezembro de 2018, o Banco Central publicou os requisitos fundamentais dos pagamentos instantâneos e assumiu oficialmente a liderança do desenvolvimento da infraestrutura. No documento, a instituição afirmou que o mercado, sozinho, não conseguiria construir um sistema aberto e interoperável, razão pela qual a autoridade monetária passaria a coordenar sua implementação.

Já durante o governo Bolsonaro, o projeto entrou na fase de desenvolvimento tecnológico. Em fevereiro de 2020, o BC apresentou a marca Pix, cujo nome faz referência às palavras "pixel", "tecnologia" e "transação", segundo a própria instituição.

Em outubro daquele ano começou o cadastramento das chaves pelos primeiros usuários. O sistema entrou em operação restrita em 3 de novembro e foi liberado para toda a população em 16 de novembro de 2020.

Desde então, o Pix se tornou o principal meio de pagamento eletrônico do país. Segundo o Banco Central, mais de 170 milhões de pessoas físicas já utilizaram o sistema, que movimenta trilhões de reais por mês e registrou recorde de 313 milhões de transações em um único dia, em dezembro de 2025.

A discussão voltou ao centro do debate público após o Pix passar a integrar a investigação comercial aberta pelo governo Donald Trump contra o Brasil. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) afirma que políticas públicas relacionadas ao sistema favoreceriam o Pix em prejuízo de concorrentes privados.

No início de junho, Lula exibiu um cartaz com a frase "O Pix é do Brasil" durante um evento em Goiás e criticou as investidas do governo americano contra o sistema de pagamentos.

Um dia depois, Flávio Bolsonaro apareceu com outro cartaz afirmando que "O Pix é do Brasil e do Bolsonaro".

Na primeira audiência promovida pelo governo americano, realizada na segunda-feira (6), especialistas brasileiros e americanos contestaram as críticas ao sistema. Os participantes classificaram o Pix como uma infraestrutura pública de pagamentos que ampliou a concorrência, reduziu custos para consumidores e empresas e criou oportunidades de negócios também para companhias americanas que atuam no Brasil.

PROFESSORA DIZ QUE PROJETO INSPIROU CRIAÇÃO DO PIX

Desde 2024, a professora e empreendedora Anette Vernaschi Toppan move uma ação contra o Banco Central na qual pede o reconhecimento de que é autora da tecnologia que teria dado origem ao Pix. Ela também cobra indenização por danos morais, danos materiais, lucros cessantes e royalties pela suposta utilização indevida de sua propriedade intelectual.

Na ação, Anette afirma que desenvolveu, ao longo de sua atuação como professora de inglês, um sistema para comercializar produtos digitais e receber pagamentos por telefone celular. O projeto, inicialmente chamado CellToken, utilizava créditos pré-pagos para permitir pagamentos e transferências de valores por meio de celular.

Segundo a autora, o sistema evoluiu posteriormente para uma plataforma denominada "Tá Pago", desenvolvida em parceria com uma empresa do setor. Ela afirma que, durante o processo para obtenção de autorização de funcionamento da fintech junto ao Banco Central, apresentou documentos técnicos detalhando o funcionamento da tecnologia.

A professora sustenta que essas informações teriam sido utilizadas pela autoridade monetária na criação do Pix sem sua autorização. Ela afirma ainda que registrou a obra na Biblioteca Nacional em 2014, o que, em sua avaliação, comprovaria a autoria sobre a metodologia empregada pelo sistema de pagamentos.

Na petição inicial, Anette chegou a pedir que a Justiça suspendesse o funcionamento do Pix em todo o território nacional até o julgamento da ação.

O Banco Central rejeita as alegações. Na contestação apresentada ao processo, a instituição afirma que sistemas de pagamentos móveis já existiam antes do projeto desenvolvido pela professora e sustenta que o Pix foi resultado de um processo próprio de desenvolvimento técnico e regulatório conduzido pela autoridade monetária ao longo de vários anos.

O BC também argumenta que a discussão não envolve patente de invenção, mas uma alegação de violação de direitos autorais, e nega que tenha utilizado qualquer projeto da autora para desenvolver o sistema.

Em uma das primeiras decisões do processo, a Justiça determinou que a professora comprovasse os requisitos para obtenção da gratuidade judicial antes de analisar os demais pedidos.

Mais recentemente, o juiz responsável pelo caso negou o pedido da autora para produção de perícia técnica e para apresentação de documentos adicionais pelo BC. Na decisão, entendeu que os documentos já reunidos no processo são suficientes para análise da controvérsia e que a discussão poderá ser resolvida com base nas provas existentes.

O magistrado determinou que o Banco Central apresente traduções juramentadas de documentos em língua estrangeira anexados à defesa, para que possam ser considerados no julgamento.

Por Gabriela Cecchin/Folhapress

Unha e Carne: ex-prefeito de Belford Roxo e ex-secretário da Polícia Civil são alvo da PF; grupo movimentou R$ 7,6 bilhões, aponta relatório do Coaf

Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, e o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil, são alvo de buscas. Agentes cumprem 19 mandados nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende, e na capital fluminense.

A Polícia Federal (PF) iniciou nesta terça-feira (7) a 6ª fase da Operação Unha e Carne, que investiga conexões de agentes públicos com grupos criminosos que atuam no RJ. Desta vez, o alvo é uma rede de postos de combustíveis no Grande Rio que movimentou R$ 7,6 bilhões em um suposto esquema de lavagem de dinheiro, com anuência de políticos.

Entre os alvos de buscas estão Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, e o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil — outros agentes da ativa da instituição também são investigados.

Canella foi levado em um carro da PF para a Superintendência Regional a fim de prestar esclarecimentos.

Outro alvo é o ex-PM e miliciano Juracy Alves Prudêncio, o Jura, citado no relatório final da CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), de novembro de 2008, como chefe de um grupo paramilitar que agia em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. No ano seguinte, ele condenado e preso sob acusação de homicídio e associação criminosa.

Também sofreu buscas o inspetor da Polícia Civil Pablo Jukia Felix Ferreira, o Pablo Russo, que integrou a equipe do ex-secretário Marcus Amim em diversas delegacias. Dados da PF mostram que ele é dono, através de laranjas, de uma rede de postos de gasolina. Entre empresas ativas e inativas, mais de 80 estão ligadas a parentes do policial.

O g1 tenta contato com as defesas.

Agentes saíram para cumprir, no total, 19 mandados de busca e apreensão nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende, além da capital fluminense.

Na casa de um PM, em Niterói, a PF apreendeu armas, joias e dinheiro, além de carros de luxo.

A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão de atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo investigado.

Alerta do Coaf

As investigações começaram com um relatório de inteligência enviado à PF pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O documento apontou que o grupo movimentou R$ 7,6 bilhões nos últimos 6 anos.

“Além do crime de organização criminosa, os investigados poderão responder por contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro, além de outros que poderão surgir no decorrer das investigações”, disse a PF.

A ação se insere no contexto da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito do julgamento da ADPF 635/RJ, a ADPF das Favelas, que, dentre outras providências, determinou que a Polícia Federal conduzisse investigações sobre relações de agentes públicos com facções criminosas.

Dono de postos foi alvo da 5ª fase



O g1 apurou que as buscas tinham como objetivo esclarecer as ligações de Trabach com Castro e com o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) Rodrigo Bacellar.

A prestação de contas apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que a campanha gastou R$ 478 mil na compra de cerca de 70 mil litros de diesel. Dez dos 12 postos que forneceram o combustível pertenciam ao empresário. Os pagamentos foram feitos em 12 transferências de R$ 39,9 mil cada.

Após a posse de Castro, empresas ligadas a Trabach passaram a firmar contratos com o governo do estado.

O empresário também já foi investigado pelo Ministério Público do Rio por suspeita de integrar uma organização criminosa. Na ocasião, sua defesa era feita pelo então advogado Rodrigo Bacellar.

Quem são os alvos
À esquerda, o ex-deputado Márcio Canella (União) coloca a Medalha Tiradentes no delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do RJ, em 2018 

Márcio Canella foi eleito vereador de Belford Roxo em 2012. Em 2015, se elegeu deputado estadual em 2015 e por 3 mandados ficou na Alerj.

Nesse período, Canella se licenciou para ser vice do prefeito Waguinho, de Belford Roxo, de 2017 a 2019.

Os antigos aliados se afastaram depois das eleições presidenciais de 2022. À época, Canella apoiou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e Waguinho optou por Lula.

Em 2024, Canella foi eleito prefeito de Belford Roxo. O principal adversário dele era o ex-secretário municipal Matheus do Waguinho (Republicanos), sobrinho de Waguinho.

No início de abril de 2026, Canella renunciou ao cargo de prefeito para concorrer ao Senado. Ele é apoiado pelo senador Flávio Bolsonaro e pelo deputado estadual Douglas Ruas. Em seu lugar, assumiu a então vice-prefeita Mariana Malta.

O delegado Marcus Vinícius Amim ficou à frente da Polícia Civil do RJ entre outubro de 2023 e agosto de 2024. Sua nomeação dependeu da aprovação de um projeto de lei na Alerj para permitir que delegados com menos de 15 anos na função assumissem o comando da Secretaria de Polícia Civil.

Em 2018, o então deputado Canella propôs a concessão da Medalha Tiradentes, principal honraria da Assembleia, ao delegado Amim.

As outras 5 fases

A Operação Unha e Carne teve 5 fases desde dezembro de 2025 e apurava, no início, um suposto vazamento de informações sigilosas de ações policiais contra o Comando Vermelho (CV).

Segundo a PF, os dados sensíveis compartilhados teriam comprometido operações e beneficiado investigados ligados à facção criminosa.

A 1ª etapa da operação foi deflagrada em dezembro de 2025 e teve como alvo o então presidente da Alerj, o deputado Rodrigo Bacellar, hoje cassado e preso.

Márcio Canella foi eleito vereador de Belford Roxo em 2012. Em 2015, se elegeu deputado estadual em 2015 e por 3 mandados ficou na Alerj.

Nesse período, Canella se licenciou para ser vice do prefeito Waguinho, de Belford Roxo, de 2017 a 2019.

Os antigos aliados se afastaram depois das eleições presidenciais de 2022. À época, Canella apoiou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e Waguinho optou por Lula.

Em 2024, Canella foi eleito prefeito de Belford Roxo. O principal adversário dele era o ex-secretário municipal Matheus do Waguinho (Republicanos), sobrinho de Waguinho.

No início de abril de 2026, Canella renunciou ao cargo de prefeito para concorrer ao Senado. Ele é apoiado pelo senador Flávio Bolsonaro e pelo deputado estadual Douglas Ruas. Em seu lugar, assumiu a então vice-prefeita Mariana Malta.

O delegado Marcus Vinícius Amim ficou à frente da Polícia Civil do RJ entre outubro de 2023 e agosto de 2024. Sua nomeação dependeu da aprovação de um projeto de lei na Alerj para permitir que delegados com menos de 15 anos na função assumissem o comando da Secretaria de Polícia Civil.

Em 2018, o então deputado Canella propôs a concessão da Medalha Tiradentes, principal honraria da Assembleia, ao delegado Amim.

As outras 5 fases

A Operação Unha e Carne teve 5 fases desde dezembro de 2025 e apurava, no início, um suposto vazamento de informações sigilosas de ações policiais contra o Comando Vermelho (CV).

Segundo a PF, os dados sensíveis compartilhados teriam comprometido operações e beneficiado investigados ligados à facção criminosa.

A 1ª etapa da operação foi deflagrada em dezembro de 2025 e teve como alvo o então presidente da Alerj, o deputado Rodrigo Bacellar, hoje cassado e preso.
A 3ª fase foi deflagrada em 27 de março de 2026. Nessa etapa, Rodrigo Bacellar foi preso novamente, desta vez em casa, em Teresópolis, na Região Serrana do Rio.

A nova prisão foi determinada por Alexandre de Moraes após a cassação do mandato do político pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no caso conhecido como escândalo da Ceperj, e após denúncia formal apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em 16 de março.

Na 3ª fase, a Polícia Federal também passou a relacionar diretamente o caso à ADPF 635, apontando que as condutas investigadas poderiam comprometer ações do Estado no combate ao crime organizado no Rio.

A denúncia da PGR inclui, além de Bacellar, TH Joias, o desembargador Macário Júdice Neto e outros investigados. Segundo o órgão, há indícios de uma cadeia de proteção institucional ao crime organizado.
Na 4ª fase, de 5 de maio de 2026, o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) foi preso, suspeito de comandar um esquema de fraudes em procedimentos de compra de materiais e de aquisição de serviços, como obras para reformas, no âmbito da Secretaria Estadual de Educação do RJ (Seeduc).

As irregularidades foram mostradas em uma série de reportagens no RJ2. As apurações que levaram à 4ª etapa revelaram direcionamentos das contratações realizadas por escolas estaduais vinculadas à Diretoria Regional Noroeste da Seeduc — segundo a PF, uma zona de influência política de Rangel — para empresas previamente selecionadas e vinculadas ao esquema.

Na 5ª fase, deflagrada na quinta-feira da semana passada (2), a PF prendeu o pastor Márcio Poncio, investigado por ligação com a Máfia do Cigarro.

Também foram cumpridos mandados de prisão contra o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e contra Rodrigo Bacellar — ambos já estavam encarcerados.

As investigações que levaram a essa etapa começaram em 2021 e miraram Adilsinho. Uma delas foi a Operação Smoke Free, de novembro de 2022. Em um dos endereços de Adilsinho, a PF encontrou listas de políticos — a TV Globo apurou que eram pelo menos 25. Os documentos estavam dentro de uma mala de couro na cabeceira da cama do bicheiro.

O Blog do Octavio Guedes, no g1, apurou que o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) aparece em uma das relações. Outro nome é o ex-deputado Alexandre Ramagem.

A PF não revelou nenhum nome, mas disse que esses agentes políticos são investigados por suspeita de receber doações de Adilsinho para a campanha de 2022.

Segundo a PF, as planilhas indicam “a existência de registros relacionados a supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de capitais”.

“As listas chamaram a atenção dos investigadores por apontarem possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do Estado do Rio de Janeiro”, afirmou a Polícia Federal.


➡️ Como o g1 mostrou em 2024, a Máfia do Cigarro controlava, na época, ao menos 45 dos 92 municípios do Rio de Janeiro. Nesses lugares, só os maços produzidos pela quadrilha podiam ser vendidos.
Por Rafael Nascimento, g1 Rio

Justiça de Goiás reduz seguranças de Caiado de 51 para 4 policiais militares

                     Decisão é provisória e prevê multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento

O então governador Ronaldo Caiado (PSD) com policiais do Estado de Goiás

O juiz Vinícius Caldas da Gama e Abreu, da 2ª Vara da Fazenda Pública do Estado de Goiás, decidiu nesta segunda-feira (6), em tutela provisória, que o presidenciável Ronaldo Caiado (PSD) deve reduzir a quantidade de seguranças dele e de familiares para quatro policiais militares do estado.

Em junho, o jornal Folha de São Paulo mostrou que o ex-governador de Goiás contava com um grupo de 51 agentes para fazer a segurança dele e de familiares.

Caiado afirma que necessita do efetivo em decorrência de ações contra o crime organizado enquanto foi governador.

O Ministério Público de Goiás entrou com uma ação por improbidade administrativa contra Caiado, a ex-primeira-dama, Gracinha Caiado, que também usa os serviços, e o coronel Marco Aurélio Godinho, secretário-chefe da Casa Militar de Goiás que assinou uma portaria estendendo o benefício a familiares de ex-governadores.

O Ministério Público pediu ressarcimento dos danos ao erário, declaração de inconstitucionalidade da portaria de Godinho e limitação do quantitativo a quatro agentes para o ex-governador, sem extensão aos familiares.

O juiz Vinícius Caldas da Gama e Abreu atendeu parcialmente o pedido. Ele entendeu que os policiais podem ser usados na segurança dos familiares, mas que o valor total não pode se sobrepor a quatro.

O magistrado afirmou que, embora haja coerência na extensão da segurança institucional a familiares de ex-governador, uma vez que eles também podem ser alvos de ataques, "isso não significa autorização para estrutura ilimitada, autônoma, cumulativa ou desproporcional. A extensão aos familiares, como toda medida de segurança, submete-se à proporcionalidade e aos limites constantes da legislação de regência".

O juiz afirmou que o Estado de Goiás não negou que a Constituição limita o quantitativo a quatro agentes, mas que sustentou que "esse número não deve ser compreendido, necessariamente, como quatro pessoas físicas empregadas de modo permanente e sem substituição, mas como referência operacional compatível com escalas, turnos, rendições, descanso e revezamento".

Para o juiz, entretanto, o limite corresponde a quatro policiais militares disponibilizados no total, e não a quatro agentes em atuação simultânea.

"Caso seja necessária a proteção de familiares sem que haja a presença do ex-governador, será necessário o destacamento de policiais desse contingente de 4. Dessa forma, é possível preservar a proteção pessoal de ex-governador e seus familiares, impedindo-se apenas a criação de equipes próprias, paralelas ou cumulativas em favor dos familiares, situação que poderia tirar diversos policiais das ruas, causando prejuízo à segurança pública, e gerar evidente prejuízo ao erário".

O juiz também determinou que Godinho adeque a equipe no prazo de cinco dias, período em que a Secretaria de Estado da Casa Militar de Goiás também precisa enviar "relatório contendo a relação das diárias, passagens, hospedagens, combustíveis, veículos funcionais, aeronaves e demais despesas" com o serviço associado a Caiado.

O descumprimento injustificado da decisão gera multa diária de R$ 10 mil, limitada inicialmente a R$ 300 mil, "sem prejuízo de posterior revisão do valor, adoção de outras medidas executivas necessárias e apuração de eventual responsabilidade da autoridade competente".

O estado de Goiás sustenta que as medidas estão em acordo com a legislação e não configuram ato doloso ou de má-fé. Ronaldo Caiado já afirmou que 'escolta não é mordomia' e falou da necessidade de segurança em razão de sua gestão ter combatido o crime organizado.
Por Ana Gabriela Oliveira Lima/Folhapress

Equiparação de PCC e CV como terroristas dos EUA causa 'risco de uso da força', diz Itamaraty

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/Arquivo
O Ministério das Relações Exteriores do governo Lula disse, em ofício enviado à Câmara dos Deputados, que a classificação de organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como terroristas, feita pelo governo dos Estados Unidos, pode implicar em risco de uso da força militar americana contra o Brasil.

A pasta também adicionou que a medida americana pode ter "impactos relevantes tanto no plano econômico como no da soberania nacional" e não "trará benefícios concretos para a cooperação internacional" entre os dois países no enfrentamento ao crime organizado.

"A referida classificação unilateral poderia ser invocada como justificativa para ações extraterritoriais sobre instituições brasileiras, em particular no âmbito financeiro, migratório e penal. Há, ademais, o risco de uso da força militar dos EUA contra o território nacional", disse a pasta, em resposta a requerimento de informação pedido pelo deputado federal Evair Vieira de Melo (PP-ES).

Nesse ofício, assinado pelo ministro das Relações Mauro Vieira, o Itamaraty explica outros receios com a decisão americana. "A designação pode ser para que autoridades estadunidenses apliquem medidas administrativas e judiciais de caráter unilateral e extraterritorial contra pessoas ou organizações brasileiras, inclusive contra aquelas sem vínculos diretos com os EUA ou cuja ligação com os grupos designados seja indireta ou meramente involuntária", afirmou. Essa resposta chegou à Câmara na última quinta-feira, 2.

No começo de junho, os EUA classificaram CV e PCC como terroristas. A medida foi divulgada à revelia do governo Luiz Inácio Lula da Silva, e após pedido expresso e apoio político do pré-candidato de oposição ao Palácio do Planalto e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O governo brasileiro já havia avaliado que a designação permitiria, no limite, que os EUA promovessem uma operação militar em território nacional.

Na decisão publicada no Diário Oficial Americano, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, escreve que PCC e CV "são estrangeiros que cometeram ou tentaram cometer, representam um risco significativo de cometer, ou participaram de treinamento para cometer atos de terrorismo que ameaçam a segurança de cidadãos norte-americanos ou a segurança nacional, a política externa ou a economia dos Estados Unidos".

O secretário autoriza, sem aviso prévio, o bloqueio de bens e de fundos pertencentes a essas organizações nos EUA. O documento afirma que a designação foi adotada em concordância com a Procuradoria-Geral e o Secretaria do Tesouro dos EUA.

À Câmara, o Itamaraty afirmou que a posição brasileira tem base no entendimento de "órgãos de segurança pública, inteligência e justiça" e informou que os Estados Unidos não comunicou formalmente o Brasil sobre a decisão.

A pasta também disse que não houve notas diplomáticas ou comunicações ao governo brasileiro sobre o tema em razão do entendimento do Itamaraty que a classificação feita pelo país americano é "auto unilateral que, portanto, não requer manifestação formal do governo brasileiro".

"O governo brasileiro tem reiterado sua posição de que tal classificação não traz benefícios concretos ao combate ao crime organizado, e vem buscando reforçar o diálogo bilateral para incrementar a cooperação na matéria, com base no respeito ao Estado de Direito e à soberania nacional", disse.
Por Levy Teles, Estadão Conteúdo

Alcolumbre prorroga por 60 dias medida que autoriza subsídios aos combustíveis -Por Redação

O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, prorrogou por mais 60 dias a vigência da Medida Provisória nº 1.358/2026, que autoriza o governo federal a conceder subsídios a produtores e importadores de combustíveis derivados de petróleo. Editada em maio, a MP foi criada para amenizar os impactos da alta internacional dos preços da energia provocada pelo conflito no Oriente Médio. A informação é do jornal O Globo.

Embora o governo tenha iniciado a retirada gradual dos incentivos, com o fim da subvenção de R$ 0,35 por litro de diesel desde 1º de julho, a prorrogação mantém o instrumento legal disponível para que novos subsídios possam ser concedidos, caso haja nova elevação dos preços internacionais do petróleo.

Além de tratar dos combustíveis, a medida provisória também promove alterações na MP nº 1.355/2026, que institui o Novo Desenrola, programa voltado à renegociação de dívidas de pessoas físicas, pequenas empresas e estudantes com financiamento do Fies.

VÍDEO: três pessoas morrem após carro pegar fogo e explodir em acidente na Rodovia Castello Branco, em Osasco

As vítimas, dois adultos e uma criança de 5 anos, ficaram presas às ferragens e não conseguiram sair do veículo. O motorista do outro veículo recusou passar pelo bafômetro.
Três pessoas morreram em um acidente envolvendo dois carros na Rodovia Castello Branco (SP-280), na altura do quilômetro 17,6, altura de Osasco, na Grande São Paulo, no fim da noite do domingo (6).

Segundo as informações iniciais, um Honda Civic bateu na traseira de um Renault Kwid no sentido da capital. De acordo com a polícia, testemunhas relataram que o motorista do Civic trafegava em alta velocidade. Com o impacto da batida, o tanque do Kwid pegou fogo, e o carro explodiu. As vítimas ficaram presas às ferragens e não conseguiram sair do veículo.
As três vítimas que estavam no Kwid, dois adultos e uma criança de 5 anos, morreram.
O motorista do Honda Civic sofreu um corte na cabeça e foi encaminhado, sob escolta policial, ao hospital de Osasco. Segundo a polícia, ele se recusou a fazer o teste do bafômetro.

O incêndio foi controlado, e o Renault Kwid, removido do local. Os corpos das vítimas foram retirados pela funerária por volta das 4h.

A ocorrência mobilizou equipes de perícia e de remoção, com interdições de faixas e do acostamento durante a madrugada para os trabalhos de atendimento e limpeza da via.

Após a ocorrência, o Honda Civic foi levado para a Delegacia de Osasco, enquanto o Renault Kwid foi encaminhado para a base da Polícia Militar Rodoviária em Barueri, na Grande São Paulo.


Por Redação g1 SP e TV Globo — São Paulo

Avião da Aerolíneas Argentinas tem motor amassado em colisão com drone durante pouso no Rio de Janeiro

Avião da Aerolíneas Argentinas atingido por drone foi rebocado e passou por inspeções detalhadas

Incidente ocorreu durante voo AR-1268, que vinha de Buenos Aires
Um fragmento compatível com uma peça de drone foi encontrado no motor número 1 de uma aeronave da Aerolíneas Argentinas durante uma inspeção realizada no voo AR-1268, que operava a rota entre Buenos Aires e o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (Galeão). O incidente ocorreu na noite de 1º de junho.

A inspeção revelou que a peça causou dano a uma das palhetas do motor, além de uma amassadura no inlet cowl, componente que envolve a entrada de ar do motor.

O comandante da aeronave não soube informar se a colisão ocorreu durante a aproximação do pouso.

Como medida de segurança, a fiscalização aeroportuária realizou um monitoramento especial na pista 15/33 entre 21h35 e 21h42. Não foi identificado qualquer objeto ou vestígio relacionado ao incidente.

O voo foi cancelado e a aeronave rebocada para a posição 110, onde passou por inspeções mais detalhadas.

O fragmento recolhido encontra-se sob custódia na sala de manutenção da Aerolíneas Argentinas localizada no píer sul do Aeroporto Internacional do Galeão.

As autoridades responsáveis pela segurança do aeroporto foram informadas sobre o ocorrido para garantir a investigação e o acompanhamento do caso. O Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) registrou a situação como incidente.
Por Carlos Ferreira/Folhapress

Mais brasileiros preferem pagar menos impostos do que receber serviços públicos gratuitos

50% preferem pagar menos impostos e contratar serviços particulares de educação e saúde; 44% defendem pagar mais e receber serviços gratuitos

A preferência por pagar menos impostos e contratar serviços particulares de educação e saúde supera a opção por pagar mais impostos para receber serviços gratuitos, segundo a nova rodada da matriz ideológica do Datafolha.

A primeira alternativa foi escolhida por 50% dos entrevistados, ante 44% que optaram pela segunda. Outros 6% não souberam responder.

Em 2022, as duas posições estavam em empate técnico: 46% preferiam pagar menos impostos e contratar serviços particulares, enquanto 48% defendiam pagar mais impostos e receber serviços gratuitos de educação e saúde.

O recorte por gênero mostra diferença entre homens e mulheres. Entre homens, 56% preferem pagar menos impostos, ante 39% que defendem pagar mais. Entre mulheres, 44% optam por pagar menos impostos, e 50%, por pagar mais.

A divisão também aparece por religião. Entre evangélicos, 56% preferem pagar menos impostos, e 37%, pagar mais. Entre católicos, as duas alternativas aparecem empatadas, com 47% cada uma.

No recorte por intenção de voto presidencial no primeiro turno estimulado, a opção por pagar menos impostos é escolhida por 35% dos eleitores de Lula (PT) e por 65% dos eleitores de Flávio Bolsonaro (PL). A alternativa de pagar mais impostos e receber serviços gratuitos tem 59% entre os eleitores do petista e 29% entre os de Flávio.

A pergunta integra o eixo econômico da matriz ideológica do Datafolha. A escala inclui ainda questões sobre atuação do governo na economia, dependência de benefícios públicos, ajuda estatal a grandes empresas, leis trabalhistas e responsabilidade por investir no país.

O Datafolha ouviu presencialmente 2.004 eleitores de 16 anos ou mais em 139 municípios, nos dias 17 e 18 de junho de 2026. A margem de erro máxima para o total da amostra é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%. Nos estratos, a margem varia conforme a base. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-09956/2026.

Por Laura Intrieri/Folhapress
Vagas de empregos

Após recuo registrado em 2022, direita volta a superar a esquerda no Brasil, mostra Datafolha

Matriz ideológica classifica 44% dos entrevistados à direita e 39% à esquerda; em 2022, eram 34% e 49%

Foto: Agência Brasil/Arquivo

Bolsonaristas fazem manifestação em São Paulo

A identificação dos brasileiros com a direita voltou a ficar à frente da identificação com a esquerda na matriz ideológica calculada pelo Datafolha. Em nova rodada de pesquisa realizada pelo instituto, 44% dos brasileiros com 16 anos ou mais foram classificados à direita ou centro-direita, ante 39% à esquerda ou centro-esquerda. Outros 17% ficaram no centro.

A diferença de cinco pontos percentuais fica fora da margem de erro geral, de dois pontos para mais ou para menos. O resultado, apurado durante gestão do presidente Lula (PT), inverte o quadro de 2022, quando a esquerda somava 49%, e a direita, 34%, sob governo de Jair Bolsonaro (PL).

Esta é a primeira vez desde 2014 que a direita aparece à frente na série. Naquele ano, com Dilma Rousseff (PT) na Presidência, a direita reunia 45%, contra 35% da esquerda. Houve empate técnico nas edições de 2013, com 39% à direita e 41% à esquerda, e de 2017, com 40% e 41%, respectivamente.

Na divisão em cinco grupos, 15% estão à direita, 29% na centro-direita, 17% no centro, 26% na centro-esquerda e 13% à esquerda. Em 2022, os percentuais eram, na mesma ordem, 9%, 24%, 17%, 32% e 17%.

A classificação não resulta de uma pergunta direta sobre como o entrevistado se define. Para chegar ao resultado, o instituto consulta os entrevistados sobre uma série de questões envolvendo valores sociais, políticos, culturais e econômicos. A partir daí, posiciona-os em escalas de comportamento e pensamento econômico.

São dez questões de comportamento, sobre temas como armas, pobreza, criminalidade, homossexualidade e religião, e seis de economia, que tratam de impostos, leis trabalhistas e atuação do governo. Embora tenham quantidades diferentes de perguntas, os dois eixos recebem o mesmo peso na composição da matriz geral.

A mudança em relação a 2022 se concentra no comportamento. Nesse eixo, a direita soma agora 52%, ante 29% da esquerda e 20% do centro. Há quatro anos, direita e esquerda estavam em empate técnico, com 39% e 42%, respectivamente.

A maior alteração entre as perguntas comportamentais ocorreu na visão sobre a pobreza. A parcela que a associa à "preguiça de pessoas que não querem trabalhar" foi de 22% para 40%. Já os que atribuem a pobreza à falta de oportunidades iguais passaram de 76% para 58%, posição que ainda é majoritária.

Também houve deslocamentos em temas de segurança e costumes. O apoio ao direito de possuir uma arma legalizada foi de 35% para 41%, enquanto a defesa da proibição da posse passou de 63% para 55%.

A fatia que afirma que a homossexualidade deve ser aceita pela sociedade foi de 79% para 72%. Já 70% defendem que adolescentes que cometem crimes sejam punidos como adultos, ante 65% em 2022.

Na economia, a concordância com bandeiras da esquerda continua à frente. Ela reúne 46%, contra 28% da direita e 26% do centro. Em 2022, os percentuais eram de 50%, 25% e 25%, respectivamente.

As respostas na área econômica, porém, não seguem direção única. A parcela que diz que depender menos do governo melhora a vida chegou a 65%, maior valor da série, e 50% preferem pagar menos impostos e contratar serviços particulares de saúde e educação. A alternativa de pagar mais impostos para receber serviços públicos gratuitos tem 44%.

Ao mesmo tempo, 71% afirmam que o governo deve ser o maior responsável por investir no país e fazer a economia crescer. Outros 56% dizem que as leis trabalhistas protegem mais os trabalhadores do que atrapalham as empresas e que parte de seus benefícios deveria ser ampliada.

O perfil também varia entre grupos da população. Entre homens, 50% são classificados à direita, e 33%, à esquerda. Entre mulheres, a esquerda fica à frente, com 44%, ante 37% da direita.

A diferença é mais acentuada entre evangélicos —52% ficam à direita, 30% à esquerda e 18% no centro— do que entre católicos. Neste último segmento, direita e esquerda estão em empate técnico, com 43% e 39%, respectivamente, dada a margem de erro de três pontos para o segmento, e 18% aparecem no centro.

No eixo de comportamento, a direita chega a 61% entre evangélicos e a 52% entre católicos. Na economia, a esquerda reúne 47% entre católicos. Entre evangélicos, os 39% da esquerda e os 33% da direita configuram empate técnico, considerada a margem de cinco pontos do estrato.

A pesquisa foi feita presencialmente nos dias 17 e 18 de junho com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais em 139 municípios. A margem de erro máxima para o total da amostra é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. As margens são maiores nos recortes da população.

O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-09956/2026.
Por Laura Intrieri/Folhapress

Vá para os EUA para ver se você tem isso [saúde gratuita] e ambulância de graça, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira, 3, que o Sistema Único de Saúde (SUS) é um exemplo para os Estados Unidos. Ao citar o caso do filho de um jornalista americano que teve um acidente e que teve o atendimento gratuito fornecido, Lula questionou se isso ocorreria no país governado por Donald Trump.

"Nenhum país do mundo tem um programa como o SUS. (...) Vá nos Estados Unidos ver se você pega ambulância de graça", afirmou o presidente.

Nesta sexta, Lula inaugurou 10 novos campi de institutos federais, além de anunciar investimentos de R$ 464,8 milhões para fortalecer o Sistema Único de Saúde. O presidente também entregou simultaneamente 1.619 moradias do Minha Casa, Minha Vida em seis Estados, que vão beneficiar 6.476 pessoas.

O evento desta sexta-feira, realizado no Palácio do Planalto, foi o último de entregas do governo federal antes das eleições, o que motivou a consolidação de diversos temas por parte do Executivo. A partir deste sábado, 4, entra em vigor o defeso eleitoral, que impede Lula de inaugurar obras ou programas para não causar disparidade ante outros candidatos à Presidência da República.

Por Gabriel de Sousa e Gabriel Hirabahasi, Estadão Conteúdo

Destaques