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Renan Santos pede ao TSE suspensão de reajuste do Bolsa Família anunciado

O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a suspensão do reajuste de 15% no Bolsa Família, determinado por decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ação, apresentada na quinta-feira (17), sustenta que a medida, anunciada a 17 dias do primeiro turno, seria ilegal e inconstitucional e poderia desequilibrar a disputa eleitoral.

Os advogados de Renan Santos e do Missão também pedem multa e a cassação do registro ou diploma de Lula caso ele seja eleito. A solicitação foi encaminhada ao ministro André Mendonça, que na quarta-feira (16) arquivou, sem analisar o mérito, uma ação semelhante apresentada pelo deputado Zé Trovão (PL-SC), por considerar que o parlamentar não tinha legitimidade para questionar um candidato à Presidência.

A Advocacia-Geral da União (AGU) afirmou que o reajuste representa apenas a reposição da inflação acumulada entre março de 2023 e agosto de 2026, sem aumento real. Com a medida, o piso do Bolsa Família passará de R$ 600 para R$ 691, enquanto o benefício médio chegará a R$ 777. Segundo o governo, o impacto será de R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22 bilhões em 2027.

por Lula Por Redação

Vorcaro contratou ex-cunhado de Gilmar enquanto ministro decidia sobre faculdades privadas

Diálogos indicam que o empresário Francisco Feitosa, conhecido como Chiquinho e ex-cunhado de Gilmar Mendes, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), foi contratado em 2024 pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro e tratou de interesses do dono do Banco Master relacionados a universidades privadas.

As conversas de Vorcaro e um número de telefone atribuído a Chiquinho se deram ao menos de abril de 2024 até junho de 2025, período em que Gilmar relatava ações no Supremo sobre a abertura de novos cursos de medicina. O telefone do ex-banqueiro foi apreendido em investigação pela PF.

Questionado sobre os diálogos, Gilmar afirmou, por meio de sua assessoria, que nunca tratou de nenhuma pauta relacionada ao MEC com Vorcaro ou Chiquinho e que votou a favor do governo, não das universidades, na ação sobre os novos cursos.

Em nota, o ex-cunhado de Gilmar confirmou ter assinado um contrato com a Super Empreendimentos. A empresa é investigada pela Polícia Federal por supostamente servir de canal para pagamentos de Vorcaro a uma milícia privada e também a agentes públicos. Ele negou, porém, que tenha atuado para aproximar Gilmar e Vorcaro.

Chiquinho não informou os valores envolvidos e serviços que seriam prestados. Disse que a consultoria se deu por "curto período" e que a Super atuava em "vários segmentos".

As conversas apontam que Vorcaro negociou, em setembro de 2024, contrato de R$ 500 mil mensais pelos serviços de Chiquinho. O contrato também previa uma parcela extra de R$ 800 mil no primeiro pagamento.

"Não fui contratado para promover ou intermediar a aproximação entre quaisquer pessoas, ou muito menos o ministro Gilmar Mendes", disse ainda Chiquinho, que já foi deputado e senador pelo Ceará.

Chiquinho disse que marcou uma reunião com Guiomar, sua irmã e ex-esposa de Gilmar, a pedido de Vorcaro. "Ele ficou de trazer para ela números de processos, coisa que nunca aconteceu."

Gilmar e Guiomar anunciaram o divórcio em novembro de 2025.

Os diálogos também sugerem que, em abril de 2024, Francisco aconselhou Vorcaro a se aproximar de Gilmar durante evento em Londres. "Você tem que começar uma relação direta com ele! É importante para o futuro!", disse o usuário do telefone atribuído ao então cunhado do ministro.

No mês seguinte, diálogo aponta que Chiquinho estava jantando com Gilmar e com o ministro Cristiano Zanin e que havia conversado com eles sobre assuntos "de nosso interesse".

Na nota, porém, o ex-cunhado de Gilmar disse que nunca esteve com Zanin e que "isso não consta em nenhuma mensagem que tenha partido do meu telefone".

A coluna Mônica Bergamo mostrou que Vorcaro se reuniu com Gilmar em 11 de abril de 2024 para pedir que ele votasse a favor de uma causa bilionária envolvendo usinas do setor sucroalcooleiro que o beneficiariam diretamente. Gilmar, no entanto, votou contra a tese de Vorcaro.

Segundo o ex-cunhado, o serviço também não envolveu interesses de Vorcaro junto ao MEC ou a Camilo Santana, ex-ministro da Educação e atual senador pelo PT do Ceará.

Os diálogos com Vorcaro, porém, têm menções a atividades no Ministério da Educação.

No mesmo mês em que negociou o contrato, diálogo no número do então cunhado de Gilmar cita ao ex-banqueiro: "MEC: Andando na velocidade esperada". Há também menção, no diálogo atribuído ao ex-cunhado, que "uma pessoa minha" já havia enviado o contrato para "assinarmos e emitir a nota do dia 15, conforme combinamos".

Também há menção a tentativas de encontro, além de agendas que o consultor teria tido com Camilo Santana, ministro da Educação à época, sem deixar claro quais assuntos teriam sido tratados. Em abril de 2024, uma conversa agendada com Camilo teria sido cancelada. Em junho, diálogo atribuído ao então cunhado do magistrado cita que estava em Fortaleza no aniversário de Camilo com Gilmar. Há pedido para Vorcaro telefonar, "para vc falar com os dois".

Vorcaro, porém, disse que estava no meio de um voo e não poderia telefonar, mas escreveu: "Mande um abraço pro Camilo".

Procurado, Camilo disse que não recebeu, por meio de Chiquinho, pedidos de Vorcaro e que jamais atuaria contra princípios elementares da administração pública.

Em agosto de 2024, o interlocutor do telefone atribuído ao cunhado de Gilmar também envia um ofício identificado como sendo do MEC, com título "padrão decisório cursos de medicina".

Meses antes, o ex-banqueiro havia compartilhado com o interlocutor um contato que seria ligado à Ulbra (Universidade Luterana do Brasil), que teve participações do Master.

Chiquinho disse à reportagem que se encontrou com pessoa indicada por Vorcaro ligada à universidade gaúcha, "com o objetivo" de ouvi-la. Disse também que o documento do MEC enviado ao ex-banqueiro estava no site da universidade e era uma informação pública.

Por Mateus Vargas e Constança Rezende/Folhapress

Filha de deputada do PL é pega com 600 mil reais em dinheiro vivo pela PF

Uma ação da Polícia Federal contra crimes eleitorais terminou com a apreensão de R$ 600 mil em dinheiro vivo que estavam com Priscila Santos, filha da deputada federal Soraya Santos (PL-RJ), candidata à reeleição.

A abordagem ocorreu em Piratininga, Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Além dos R$ 600 mil, os agentes apreenderam documentos e planilhas, que também passaram a integrar a apuração.

Segundo a PF, as investigações agora buscam esclarecer principalmente a origem do dinheiro e qual seria sua destinação.

O que está confirmado até o momento, é que a apreensão ocorreu durante uma ação voltada à apuração de crimes eleitorais.

Defesa diz que dinheiro é de empresa da família

A defesa de Soraya Santos afirma que há uma explicação empresarial para os R$ 600 mil em espécie.

Segundo os advogados, o dinheiro pertence a uma empresa da família e havia sido reservado uma semana antes, por meios oficiais, para o pagamento de fornecedores.

“A defesa esclarece que o valor já havia sido reservado há uma semana, pelos meios oficiais, para pagamento de fornecedores da empresa que pertence à família. Esclarece que as atividades lícitas do grupo empresarial não se confundem com a estrutura e organização de qualquer campanha eleitoral.”

Priscila, o dinheiro e os documentos apreendidos foram encaminhados à Delegacia da Polícia Federal em Niterói para esclarecimentos e demais providências.

Quem é Soraya Santos

Soraya Santos tenta conquistar neste ano seu quarto mandato consecutivo como deputada federal pelo Rio de Janeiro.

Advogada, ela chegou à Câmara dos Deputados após as eleições de 2014 e foi reeleita em 2018 e 2022. Atualmente filiada ao PL, já ocupou cargos de destaque na Casa, entre eles o de primeira-secretária.

No caso dos R$ 600 mil, a investigação permanece em andamento. A Polícia Federal afirma que pretende aprofundar as apurações para determinar de onde veio e para onde seria levado o dinheiro encontrado com a filha da deputada.
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Quem é Milton Leite, ex-vereador de São Paulo alvo de operação que investiga PCC

Foto: Richard Lourenço/Arquivo/Câmara de SP
O ex-vereador Milton Leite (União), alvo de uma operação do Ministério Público e da Polícia Civil que apura infiltração da facção PCC no transporte paulistano, é considerado figura influente da política paulistana, com eixo de atuação que vem da zona sul da cidade.

Ele foi o presidente mais longevo da Câmara desde a redemocratização, comandando o Legislativo da cidade em 2017 e 2018 e de 2021 a 2024 —quando decidiu não disputar um novo mandato de vereador.

Nas redes sociais, os últimos meses de Milton Leite têm sido de campanha pelos filhos Alexandre Leite, que concorre a deputado estadual, e Milton Leite Filho, a federal. Alexandre foi secretário de Relações Institucionais da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), cargo que deixou para disputar o pleito de outubro.

Apesar de não estar mais no cotidiano da Câmara, Leite mantém atuação política. Em novembro de 2025, por exemplo, a Folha noticiou que ele havia convocado parlamentares da bancada para reforçar o desejo de que o afilhado Silvão Leite (União) assumisse a presidência da Casa. Em dezembro, o vereador Ricardo Teixeira (União), mais próximo do prefeito, foi reeleito para o cargo.

Em junho de 2025, a Alesp (Assembleia Legislativa de SP) concedeu a Milton Leite o Colar de Honra ao Mérito Legislativo, considerada a maior honraria da Casa.

O colar foi entregue "em reconhecimento às contribuições de Leite em pautas como preservação de mananciais, desenvolvimento urbano e habitação, com foco em regiões da periferia paulistana, sobretudo na zona sul", como descreveu a publicação oficial em site da assembleia.

O que diz a investigação

A decisão judicial que autorizou a operação, assinada pelo desembargador Sérgio Ribas, aponta que Leite seria "o dono de fato" da Transwolff, acusada de lavar dinheiro para o PCC. A Transwolff nega a acusação.

O nome do político havia aparecido em um inquérito da Corregedoria da Polícia Militar que apontava supostas conexões com PMs presos por trabalharem na escolta particular de dirigentes da empresa.

Na ocasião, em fevereiro, Leite foi chamado de "chefe" pelo sargento da PM Nereu Aparecido Alves em uma mensagem enviada a Cícero de Oliveira, diretor da Transwolff.

O inquérito apontava supostas relações financeiras e políticas entre o ex-vereador e a empresa de ônibus municipal Transwolff, que teve o contrato cancelado após a Operação Fim da Linha, do Ministério Público, como mostrou a Folha.

Em fevereiro, Leite afirmou que não conhecia o sargento e que ele nunca trabalhou em sua escolta

Segundo depoimentos de policiais, a escolta pessoal de dirigentes da empresa era organizada pelo capitão Alexandre Paulino Vieira, que atuava na Assessoria Policial Militar da Câmara desde outubro de 2014.

Em interrogatório no dia 4 de fevereiro, um dos policiais presos em operação da Corregedoria —o sargento Alexandre Aleixo Romano Cezario— disse que acreditava que o capitão Alexandre havia sido indicado para coordenar a segurança de dirigentes da Transwolff por Milton Leite.

Relatório da Corregedoria também cita "estreitas ligações" do vereador com o capitão Alexandre, pelo período em que ele trabalhou no Legislativo municipal. Questionado na data, Leite afirmou que nunca indicou PMs para prestação do serviço na empresa e disse que o manteve no cargo após ele ter permanecido ali por outras duas gestões da Câmara Municipal.

O que diz Milton Leite

Em conversa com a Folha por telefone, o ex-vereador afirmou que está fora de São Paulo e que não está foragido. "Vou me entregar em 24 horas. Estou me organizando com meus advogados", disse. Leite negou todas as acusações, como a de que seria o proprietário da empresa de ônibus Transwolf.

"Nego veementemente, não conheço ninguém do PCC nessa vida. A minha relação com o setor (de transportes) foi institucional, a pedido do então prefeito Bruno Covas. Não há nenhuma hipótese de eu ser dono [da Transwolf]. Nunca tive um carro. A Transwolf tem 600 cooperados, como eu sou dono de um grupo de 600 cooperados?", disse.

Trump exigiu participação de opositores nas eleições de 2026- Por Redação

O governo de Donald Trump exigiu que o Brasil garantisse a participação de “dissidentes políticos” nas eleições presidenciais de 2026 como parte das negociações diplomáticas após o tarifaço de 50% imposto ao país. A exigência constava de um documento enviado por representantes americanos ao governo brasileiro em outubro de 2025, com 21 demandas, e previa o compromisso de realizar eleições “livres e justas”. A informação é do Estadão.

Segundo o documento obtido pelo Estadão, os Estados Unidos pediram que o Brasil não detivesse, prendesse ou restringisse “arbitrariamente” a participação de dissidentes no processo eleitoral. Embora o texto não citasse Jair Bolsonaro, integrantes do governo brasileiro ouvidos pela reportagem interpretaram a exigência como relacionada à participação do ex-presidente, que havia sido condenado pelo STF e já estava inelegível até 2030.

A lista americana incluía ainda outras quatro demandas de caráter político-institucional, envolvendo liberdade de expressão, decisões sobre plataformas digitais e aplicação de sanções financeiras dos EUA. O chanceler Mauro Vieira considerou o documento “inaceitável” e determinou que a equipe brasileira não o levasse para discussão formal. O Itamaraty e autoridades americanas não comentaram oficialmente o conteúdo da proposta.

Lula diz a aliados que sessão do STF foi um show de horrores e que vai procurar Fachin para conversa

Foto: Reprodução/Arquivo/YouTube
O presidente Lula (PT) classificou como um show de horrores a sessão da terça-feira (15) em que, em meio a troca de ofensas entre magistrados, o STF (Supremo Tribunal Federal) acabou por suspender o debate sobre abertura de investigação contra Alexandre de Moraes no caso Master.

Ainda segundo seus aliados, Lula pretende procurar o presidente do tribunal, ministro Edson Fachin, na busca de alternativa capaz de reverter um adiamento prolongado da decisão.

O chefe do Executivo, de acordo com esses relatos, alimentava a expectativa de abertura de investigação já na terça, na esperança de que a crise interna na cúpula do Judiciário não contaminasse a reta final do primeiro turno das eleições.

Na avaliação de colaboradores do presidente, o adiamento perpetua uma briga na corte e ofusca um debate sobre as propostas dos candidatos para o país. Apoiadores de Lula argumentam que a crise tem beneficiado o candidato do PL, senador Flávio Bolsonaro, que empunha a crítica a Moraes como bandeira eleitoral.

Por isso, dizem os aliados, não faria sentido supor que Lula tenha exercido qualquer ingerência na suspensão do julgamento. Esse argumento não impede que adversários explorem o fato de a sessão ter sido suspensa após pedido de vista de Flávio Dino. A atuação direta de seu ex-ministro da Justiça no adiamento pode ser usada por opositores como prova de apoio do presidente a Moraes.

Essa é, ainda segundo aliados, uma das causas da frustração de Lula. De acordo com esses interlocutores, o presidente avalia que ministros alinhados a Moraes priorizaram a preservação do colega, num movimento corporativista, em detrimento da pacificação na Praça dos Três Poderes.

De acordo com os relatos, o presidente admitiu preocupação com a participação de Dino, Gilmar Mendes e até de seu ex-advogado, Cristiano Zanin, para o desfecho da sessão.

Um atenuante estaria na retirada parcial do sigilo sobre a rede de pagamentos do Banco Master e inquéritos. O acesso de ministros aos dados impediria, na opinião de petistas, um vazamento seletivo de informações por parte de Mendonça, relator do caso.

Em entrevista nesta quarta (16), o presidente disse que, com o conteúdo do celular de Daniel Vorcaro agora em poder de mais ministros do STF, será possível que a sociedade descubra "quem foi fazer suruba". Também disse que "gente famosa" agenciava mulheres, agindo como o "cafetão da turma". Ao canal Desce a Letra Show, no YouTube, Lula criticou a sessão do STF.

Segundo o presidente, a imagem do Judiciário não está boa e é preciso uma reforma no sistema de Justiça. "Acho que não tem como não discutir mais isso."

Na entrevista, Lula elogiou a atuação de Moraes em defesa da democracia. A declaração fez com que a equipe da campanha à reeleição se apressasse para explicar que essa não era uma expressão de apoio incondicional ao ministro do STF.

Coordenador da campanha de Lula em São Paulo, o advogado Marco Aurélio afirma que o presidente avalia que Moraes é criticado por bolsonaristas pelo que fez de correto —que foi a defesa da democracia— e não por eventual envolvimento com Vorcaro.

Marco Aurélio afirma que, na opinião de Lula, ninguém está acima da lei. A atuação de Moraes em defesa da democracia não lhe confere um direito extraordinário de não se explicar.

"É importante que o Alexandre se explique. Temos uma crise sem precedentes na história do nosso sistema de Justiça. E o Poder Judiciário tem que ter a dimensão da gravidade dessa crise", disse.

O coordenador do grupo Prerrogativas afirma ainda que essa não é uma crise do Executivo e enfatiza o argumento de que o esquema do Master foi estruturado no governo Bolsonaro e desmontado por Lula.

Apesar desse discurso, o presidente tem manifestado, em suas conversas, preocupação com o desdobramento do caso e reflexos na sua candidatura à reeleição. Tanto que, na manhã de terça, procurou ao menos um ministro em busca de informações sobre o que esperar da sessão do STF. Em resposta, ouviu que era imprevisível.

A exposição pública, com transmissão televisiva, do racha na Suprema Corte se estendeu por mais de cinco horas de discursos —e um total de quase oito horas dedicadas ao tema, incluindo um intervalo para almoço.

Após ouvir críticas dos colegas à condução do processo e não conseguir chegar à votação do tema proposto, Fachin suspendeu a discussão após pedido de vista (mais tempo para análise) de Dino, que pode durar até 90 dias, com tendência de retomada apenas após as eleições.

A sessão foi marcada para avaliar um relatório da Polícia Federal que cita mensagens enviadas por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a Moraes.

O debate terminou por abordar também supostas irregularidades por parte de Mendonça na condução do caso Master, tema previsto para ser analisado em sessão do dia 23.

Por Catia Seabra/Folhapress

Caso Master: Conselho do MPF marca julgamento de Gonet após mensagens de Vorcaro

As mensagens retiradas do celular de Daniel Vorcaro, que já provocaram um duro embate no Supremo Tribunal Federal (STF), agora também produzem desdobramentos dentro do Ministério Público Federal (MPF).

O Conselho Superior do MPF marcou para 25 de setembro uma discussão sobre a situação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, após seu nome aparecer em conversas relacionadas ao ex-controlador do Banco Master. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (16) pela Agência Brasil.

O colegiado deverá avaliar se as referências encontradas no material levantam questões sobre a atuação de Gonet nos processos relacionados ao caso Master.

Por que Gonet foi citado?

Uma das mensagens analisadas pela Polícia Federal mostra Vorcaro dizendo:


“Não podemos reverter isso com Paulo e Andrei.”

Para os investigadores da Operação Compliance Zero, os nomes seriam referências a Paulo Gonet e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O procurador-geral também aparece em conversas de Vorcaro com o advogado Ciro Soares.

Porém, as mensagens não comprovam que Gonet tenha atendido a pedidos de Vorcaro, interferido nas investigações ou cometido alguma irregularidade.

Gonet nega proximidade com Vorcaro

Em manifestação apresentada na terça-feira (15), Gonet negou qualquer relação de amizade ou interesse pessoal envolvendo Vorcaro.

O procurador-geral afirmou não ter “com o Sr. Daniel Vorcaro relação de amizade alguma, nem muito menos interesse pessoal nos processos em que ele conste como parte ou investigado”.

Gonet reconheceu ter encontrado Vorcaro uma única vez, durante um evento jurídico realizado em Londres e patrocinado, entre outras empresas, pelo Banco Master. Segundo ele, o contato foi “brevíssimo e banal” e não havia conhecimento prévio sobre os patrocinadores.

O procurador-geral também argumenta que não foram encontrados contatos diretos entre ele e Vorcaro no telefone do ex-banqueiro.

Depois de colocar o STF sob forte pressão, o conteúdo extraído do celular de Vorcaro chega agora ao próprio Ministério Público Federal.

Em 25 de setembro, caberá ao Conselho Superior discutir se as referências encontradas nas mensagens têm algum efeito sobre a atuação de Gonet nos processos relacionados ao caso Master.

Relatoria de Fachin e tese de grupo pró-Moraes em sessão do STF são questionadas por especialistas

Foto: Gustavo Moreno/Arquivo/STF
Tanto a posição do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, de ter se colocado na relatoria do processo que foi analisado nesta terça-feira (15) quanto a tese do grupo que se colocou pró-Alexandre de Moraes para reunir num mesmo procedimento os casos contra o ministro e contra André Mendonça têm problemas, segundo especialistas consultados pela Folha.

No sábado (12), ao se colocar no lugar de Mendonça na relatoria do procedimento que apura a ligação entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Fachin argumentou que haveria possibilidade de o caso levar ao reconhecimento de impedimento ou suspeição de algum ministro, e que, pelo regimento da corte, é atribuição do presidente relatar esse tipo de processo.

Alvo de questionamento feito pela ala pró-Moraes, que reuniu Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, a medida é vista também por especialistas como problemática.

Já quanto a outro debate jurídico que permeou a sessão, esses especialistas têm uma visão contrária ao que foi defendido pelo grupo que se contrapôs a Fachin. Eles discordam do entendimento de que as suspeitas a respeito de Moraes e sobre a atuação de Mendonça deveriam, necessariamente, ser julgadas em conjunto.

A questão de ordem trazida pelo grupo se fundamentava no argumento de que a análise em separado poderia levar a decisões contraditórias entre si.

Segundo Marcelo Crespo, professor e coordenador do curso de direito da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), há problemas na interpretação usada por Fachin para assumir a relatoria do caso. Ele explica, porém, que tecnicamente o termo "avocatória" usado por Dino não se aplicaria ao caso. Historicamente, a expressão se refere ao ato de um tribunal superior chamar para si um processo que tramita em uma instância inferior.

"Uma coisa é existir uma arguição de impedimento ou suspeição contra um ministro. Nesse caso, faz sentido o presidente atuar porque o regimento prevê isso. Outra coisa é dizer: ‘Esse julgamento pode, no futuro, gerar um impedimento; então eu já assumo agora a relatoria do processo’", afirma ele.

Crespo argumenta que praticamente qualquer processo mais complexo pode acabar gerando uma questão de impedimento ou suspeição de algum ministro. "Cria-se uma cláusula extremamente aberta para alterar a distribuição natural dos processos."

Por outro lado, ele discorda da tese defendida pelo grupo pró-Moraes de que os casos deveriam ser julgados de forma conjunta, apontando que um caso é para avaliar se há elementos mínimos para investigar Moraes, e outro sobre a condução de Mendonça.

Rubens Glezer, professor da FGV Direito SP, vê uma fragilidade jurídica no ato de Fachin e diz que ele precisou ser esclarecido ao longo da sessão com uma justificativa diferente da possibilidade de impedimento ou suspeição.

No final, segundo ele, o argumento usado foi o de que a transferência foi feita ao presidente do STF como representante institucional do plenário, que seria o responsável por dirimir atos contraditórios. "Por isso [esse entendimento] não se aplicaria diretamente para esses outros casos de simples impedimento ou suspeição, que dependem de fato de uma arguição."

Glezer diz, porém, que isso ficou "mal discutido" e classificou como um "entendimento ainda por se construir."

"Uma avocatória seria esse poder amplo e discricionário do presidente chamar para si qualquer processo pelo fato de ter interesse nele, e não foi isso que aconteceu. Há um excesso ao se chamar de avocatória, mas [há] um debate muito pertinente sobre um ato que tem uma margem de questionabilidade", diz.

Glezer também contesta, por outro lado, a tese de união dos casos. "Eles são próximos, as matérias são próximas, mas eles podem ter resultados completamente independentes um do outro. Um não é determinante para o resultado do outro, e por isso acho que não seria caso de conexão."

Gustavo Badaró, que é professor da USP (Universidade de São Paulo) e advogado criminalista, avalia que Fachin não poderia ser o relator do caso que se refere ao ministro Moraes nem das acusações contra Mendonça. "Nessas situações, o que se faz é, por sorteio, atribuir um relator para essas investigações", diz.

Ele também critica o modo como o ministro lidou com as investigações do INSS e do caso do Banco Master, paralisando o andamento de ambas. "Quem vai decidir hoje ou amanhã, se tiver que decidir alguma coisa do inquérito do Master?"

Para ele, por outro lado, não se sustentam os argumentos dos ministros que defendem que os questionamentos sobre Moraes e Mendonça sejam tratados na mesma sessão.

Ana Laura Barbosa, professora da FGV Direito e do Insper, diz não fazer sentido o argumento de que a existência de conexão justifica um julgamento conjunto.

"A conexão só determina a reunião em um único relator. Se houver razões para um julgamento cindido, ele deve ser. Nesse caso, todos os elementos apontam para a necessidade de cindir a deliberação."

"Lamentável que a estratégia diversionista dos ministros tenha sido bem sucedida em frustrar a deliberação", afirma.

Professor de direito do Insper, Ivar Hartmann diz que a decisão de Fachin assumir a relatoria ainda pode ser justificada pelo fato de ser prudente aguardar o resultado da votação antes de redistribuir o processo, sob pena de tornar qualquer medida inócua a depender do desfecho. Se, porém, ficar definido que o caso vai seguir, o correto seria o sorteio, afirma ele.

Hartmann pondera que ainda é preciso esclarecer juridicamente como Mendonça, relator original, poderia ter sido afastado, o que, segundo ele, não ficou claro na fundamentação do presidente da corte.

Mas também contesta a linha argumentativa de Gilmar e Dino sobre a avocatória e diz que a discussão está mais próxima de uma "forçação de barra" do que "preocupação real com a rigidez do processo". Para ele, foi mais um recurso no sentido de criar obstáculos para evitar que o plenário chegasse na votação da abertura ou não de inquérito contra Moraes.
Por Arthur Guimarães de Oliveira, Renata Galf e João Pedro Abdo/Folhapress

Mensagens em celular de Vorcaro indicam pagamento de R$ 500 mil a filho de Nunes Marques

BRASÍLIA – As mensagens trocadas por WhatsApp pelo banqueiro Daniel Vorcaro indicam pagamento de R$ 500 mil ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A informação aparece em conversa de Vorcaro com o então diretor jurídico do Banco Master, Luiz Rennó, em julho de 2025. O Estadão teve acesso às mensagens, que fazem parte da íntegra do conteúdo do celular do banqueiro, apreendido pela Polícia Federal.

Em nota, a assessoria de Kevin Marques afirmou que o advogado “não prestou serviço ao Banco Master nem recebeu dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro”.

Procurado, o ministro afirmou que “nunca votou a favor do Banco Master, e o filho nunca recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro” (leia mais abaixo). Ele deve se declarar impedido no julgamento desta terça-feira, 15.

Em 4 de julho de 2025, Rennó enviou o contato de Kevin Marques a Vorcaro escreveu, uma sequência de quatro mensagens: “Esse aqui _ 500 mil mês - mantém? Kkkkkkkk. Então esse aqui já era né Kkkkk”. Vorcaro respondeu: “Kkkk”.
No dia 8 do mês seguinte, Rennó escreveu a Vorcaro: “Dos pagamentos essenciais está faltando a consult”. Em seguida, enviou o contato de Kevin Marques com a indicação “Aqui” e complementou: “Esse aí. Único ‘meu’ que faltou”.

Leia também

Como revelou o Estadão em março, Kevin Marques recebeu R$ 281,6 mil da empresa Consult Inteligência entre agosto de 2024 e julho de 2025. Essa firma havia recebido R$ 6,6 milhões do Banco Master e outros R$ 11,3 milhões da JBS, controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista.

A assessoria de Kevin Marques afirmou que o pagamento da Consult é relacionado a prestação de “serviços jurídicos especializados na área tributária administrativa”. “A atuação profissional do advogado Kevin Marques em favor da Consult não tem qualquer relação com o Supremo Tribunal Federal”, frisou.

A PF também encontrou mensagens de Vorcaro com a advogada Camilla Ewerton Ramos nas quais o banqueiro a direciona para serviços de voos privados, em novembro de 2025.

Naquele mês, como revelou o Estadão, Nunes Marques viajou de Brasília para Maceió com sua mulher em avião particular que pertence a empresa que administra os bens do banqueiro Daniel Vorcaro, a Prime You.

O magistrado foi a uma festa de aniversário na capital alagoana a convite da advogada Camilla Ramos, que atua judicialmente para o Banco Master e assumiu ser a responsável por arcar com os custos da viagem.

O Estadão também mostrou que em abril do ano passado, a advogada deu carona em um voo privado para Trancoso, na Bahia, a dois filhos do ministro Kassio Nunes Marques.
Mulher cobrou Vorcaro por ‘amiga’ que ‘ficou com Kassio’

No celular de Daniel Vorcaro também foram encontradas mensagens enviadas por uma mulher que informou ao banqueiro, em 28 de fevereiro de 2025, que “as meninas estão prontas” e pediu um endereço.

Em 7 de março, a mulher, identificada na conversa como Rayanna, mandou outras mensagens a Vorcaro: “A minha amiga lá aquele dia ! Deu certo né ? Ela disse que ficou com o kassio! Ela tá me cobrando aqui”.
Vorcaro pediu para que ela enviasse “dados e valor”. Antes de enviar uma chave Pix ao banqueiro, a mulher escreveu: “10 né! Ela ficou com ele”.

A assessoria do ministro informou que ele “não tem conhecimento sobre o contexto” das mensagens de Vorcaro com Rayanna.
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Reforma trabalhista não é lei honesta, diz presidente do TST

Ministro Vieira de Mello rebate críticas de ativismo judicial, defende CLT e fala em distorções da reforma

"O presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho), ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho"

A reforma trabalhista de 2017, que alterou mais de cem pontos da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) não é uma lei honesta na opinião do presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho), ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho.

Para ele, a aprovação não ocorreu de forma republicana e, com isso, houve distorções que têm levado muitos pontos a ser discutidos no Judiciário.

"A reforma trabalhista foi bilateral. [...] Isso para mim não é uma lei honesta, com todo respeito", afirmou durante debate na Fundação FHC (Fernando Henrique Cardoso) nesta segunda-feira (14).

"Foi absolutamente surpreendente, porque foi desarquivado um projeto que tinha sete artigos e fizeram uma reforma que tinha quase 200, sem diálogo com os trabalhadores. Isso para mim não é uma lei honesta, com todo respeito", disse.

Segundo ele, não se trata de ser contra ou a favor da reforma, mas o Brasil não teria seguido as normas preconizadas pelas convenções da OIT [Organização Internacional do Trabalho] da qual é signatário, de "diálogo coletivo", necessitando de discussões entre empresas, empregados e Congresso.

"Chamaram as entidades profissionais para falar num evento dentro da Câmara e no dia seguinte já estava tudo votado [reforma trabalhista]. Por isso que nós talvez estejamos discutindo uma distorção. Porque se ela fosse negociada, se ela fosse trabalhada, se ela fosse pensada republicanamente nós não teríamos essa distorção".

O ministro criticou a predominância da lógica econômica sobre a social nos debates legislativos ou até mesmo no Judiciário brasileiro. "Não pode ser com a supremacia da ideia econômica. Eu tenho que conciliar a ideia econômica com a ideia social", disse, citando a Constituição, que prevê a livre iniciativa e a valorização do trabalho humano.

Uberização e ativismo judicial

Um dos principais pontos do debate foi quando Mello Filho rebateu críticas de ativismo judicial. Segundo ele, a ausência de uma lei específica tem levado a Justiça do Trabalho a julgar casos de motoristas de aplicativo com base na CLT, diferentemente do entendimento do STF, que julga como autônomo.

Ele defende uma legislação que traga proteção a esses trabalhadores, e disse ter ido ao Congresso para tentar que fosse aprovado projeto de lei neste sentido, que não avançou por conta de impasse entre o valor mínimo paga por entrega no delivery.

"Se for subordinado só tem uma lei para aplicar, que é a CLT. A culpa é da Justiça do Trabalho? Isso de responsabilizar: 'Os juízes do trabalho estão configurando a relação de emprego'. Poxa, com todas as vênias, isso é uma omissão legislativa que não foi suprida em nenhum momento, há anos. O que nós estamos dizendo é que essas pessoas precisam de proteção".

Ele alertou ainda para os impactos previdenciários da falta de proteção. Segundo o ministro, trabalhadores sem recolhimento podem deixar para o SUS (Sistema Único de Saúde) e para a Previdência Social os custos de acidentes, incapacidade e velhice.

Para ele, é preciso garantir um "patamar mínimo civilizatório" e construir uma legislação capaz de acompanhar as transformações do mercado de trabalho. O ministro defende que a Justiça do Trabalho é a antessala da Justiça criminal, e aproveitou para alfinetar o STF (Supremo Tribunal Federal).

"Como que um tribunal vai legislar sobre uma lei que até nós juízes do Trabalho temos dificuldade de lidar com ela?", disse, se referindo mais uma vez ao STF.

Terceirização e outras polêmicas

Vieira de Mello tratou de outros pontos polêmicos para a Justiça do Trabalho, como uberização, pejotização, terceirização, Justiça gratuita e assédio eleitoral. Rebateu as críticas de que há ativismo no Judiciário trabalhista e alfinetou o STF (Supremo Tribunal Federal) que, segundo ele, tem legislado.

As disputas entre as duas cortes têm se intensificado nos últimos anos, em especial por conta da votação de pontos da reforma trabalhista, nos quais há divergência entre os dois tribunais, a pejotização e a uberização.

O último embate ocorreu na limitação do direito à Justiça do Trabalho gratuita por parte do STF, que derrubou entendimento do TST. Os ministros do Supremo decidiram que o direito à gratuidade é limitado a quem ganha até R$ 5.000, acatando tese de Gilmar Mendes.

Para ele, a reforma trabalhista trouxe distorções por ter sido feita sem que houvesse discussões mais amplas.

Dentre as distorções, Vieira de Mello Filho destacou ainda a terceirização. Neste momento, chamou o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) de golpe.

"Quando houve o golpe recentemente agora, nós tínhamos um patamar de formalidade que gerava 5,2% de emprego naquela época, 5,6%, 6,2%. Ou seja, uma formalidade. Depois, aquilo explodiu. Nós chegamos quase a 13% de informalidade, onde ficou uma espécie de limbo aí jurídico de proteção", disse.

O presidente do TST disse ainda não ser contra debater reformas. "Todas as leis têm uma atualização diante das transformações do mundo, e a nossa também [lei trababalhista]. Agora, a gente tem de fazer isso de uma forma equilibrada, de uma forma republicanada, é o que eu acho que falta no país para tudo."

Também participaram do André Portela, professor de políticas públicas da FGV EESP (Escola de Economia de São Paulo), e Olívia Pasqualeto, professora da FGV Direito (Escola de Direito de São Paulo), ambas da Fundação Getulio Vargas. A mediação foi de Sergio Fausto, diretor-geral da Fundação FHC.Por Cristiane Gercina/Folhapress

Malafaia acusa Fachin de atuar contra Mendonça no STF

                         Pastor afirma que ministro age sem imparcialidade no Supremo

O pastor Silas Malafaia criticou o ministro Edson Fachin, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), em vídeo que foi distribuído em suas redes. Ele questionou a imparcialidade do magistrado e o acusou de atuar em conjunto com outros integrantes da corte para beneficiar o governo Lula e atingir o ministro André Mendonça

"Vocês acham que Fachin é isento?", questiona Malafaia no vídeo. "Se Fachin fosse isento, mandava Flávio Dino parar com essas cortinas de fumaça para desviar o foco, tentar atingir o André Mendonça."

Malafaia é uma das principais lideranças evangélicas alinhadas à direita brasileira e mantém uma relação próxima com o bolsonarismo. Nas eleições de 2022, apoiou Jair Bolsonaro e, neste ano, declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência.

Dino autorizou nesta segunda uma operação da Polícia Federal contra o deputado Cezinha de Madureira (PL-SP), aliado de Mendonça.

Na semana passada, Dino também havia suspendido uma decisão de Mendonça que determinava o afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da PF.

Fachin interveio no caso e suspendeu tanto o afastamento determinado por Mendonça quanto a reintegração de Rodrigues determinada por Dino. Com isso, o diretor-geral permaneceu no cargo até que o STF decida sobre o conflito entre as duas determinações.

Malafaia, porém, interpreta a intervenção do presidente do STF como parte de uma articulação contra Mendonça. "O que que Fachin tem que fazer? Cancelar a decisão de Flávio Dino e manter a decisão de André Mendonça, que é o relator do caso", afirma. "O que que ele faz? Ele anula também a decisão de Mendonça".

O pastor ainda critica Fachin pela decisão de assumir processos relacionados ao Banco Master e ao INSS. A mudança ocorreu em 12 de setembro, depois que Fachin havia determinado a suspensão temporária de procedimentos de investigação envolvendo ministros do Supremo.

"Fachin determinou que André Mendonça suspenda a investigação do INSS, onde o filho de Lula tá enrolado na lama e chega lá pertinho do gabinete de Lula", diz Malafaia.

O pastor questiona por que Fachin não teria adotado a mesma postura em relação a Dino. "Por que Fachin não manda Flávio Dino suspender o que tá fazendo e deixa Flávio Dino continuar operando?", afirma.

Malafaia também acusa Fachin, Moraes, Dino, Lula e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, de integrarem uma suposta articulação para proteger Moraes. "Estão todos juntos nessa confraria para tentar livrar a cara da lama em que Alexandre de Moraes está metido", afirma.

O pastor retoma a atuação de Fachin nos processos que levaram à anulação das condenações de Lula na Lava Jato. Ele diz que o ministro "só tá no STF porque era cabo eleitoral de Dilma" e afirma que Fachin "na caneta, numa das maiores vergonhas, descondena Lula".

Malafaia diz ainda que é alvo de dois inquéritos sob relatoria de Moraes e que sabe que pode sofrer retaliações por suas críticas. "Eu sei da maldade que podem fazer contra mim, mas eu creio na Bíblia e creio em Deus", afirma.

Ao final, o pastor diz esperar que a sessão do STF marcada para esta terça-feira (15) confirme, segundo sua interpretação, as articulações que denuncia. "Vamos ver o teatro que vão tentar fazer amanhã", afirma.
Por Mônica Bergamo/Folhapress

BRB afasta ex-diretores após investigação do caso Master segunda-feira, Por Thaísa Oliveira | Folhapress



Foto: Reprodução / Agência Brasil
O BRB afastou cinco empregados, incluindo dois ex-diretores, como consequência de investigações relacionadas ao Banco Master. Esse é o primeiro afastamento decorrente da apuração interna sobre as operações do banco estatal de Brasília com Daniel Vorcaro.

O BRB não informou quais servidores foram afastados nem quando. Mas, segundo pessoas a par do assunto, os afastamentos ocorreram há cerca de três semanas e tiveram como alvo executivos que trabalharam na gestão do ex-presidente Paulo Henrique Costa, que está em prisão preventiva.

Em nota, o BRB disse que os afastamentos foram autorizados pelo Conselho de Administração a pedido da corregedoria "no âmbito das investigações internas relacionadas ao ecossistema Master".

"O banco reforça que os afastamentos são cautelares e não representam antecipação de juízo em relação ao mérito das investigações", afirmou.

A lista inclui o ex-diretor de finanças e controladoria Dario Oswaldo Garcia Júnior. Como mostrou a Folha de S.Paulo, Dario havia sido desligado da diretoria e deslocado para uma agência bancária do BRB após a operação que liquidou o Master.

A corregedoria também determinou o afastamento da ex-diretora de controles e riscos Luana de Andrade Ribeiro. Ela foi destituída do cargo em janeiro e, assim como Dario, estava trabalhando desde então em uma agência do BRB.

A Polícia Federal encontrou na agenda dela uma anotação em que afirmava que o então presidente do BRB teria determinado a compra de carteiras de crédito para salvar o Master.

"Presidente afirmou novamente que faz-se necessário efetuar as compras de carteiras, afirmando que esses créditos foram verificados e que, se não houver, o Master vai quebrar", dizia a anotação de 11 de julho do ano passado sobre a reunião de diretoria do BRB.

A reportagem procurou Luana na quinta (10) e na sexta-feira (11), mas não houve resposta. A defesa de Dario não quis se manifestar.

Em abril, o BRB afastou do cargo a então superintendente de Controle Institucional, Morganna Lisboa. Apesar das apurações relacionadas às operações com o Master, a medida foi adotada por suposto assédio moral.

Na época, o banco desmentiu a afirmação de que a auditoria independente havia identificado 31 empregados supostamente envolvidos nas operações com o Master e sugerido punições.

Em 24 de agosto, os acionistas do BRB aprovaram autorização para que o banco possa acionar na Justiça ex-administradores que sejam identificados como responsáveis por prejuízos causados à instituição financeira.

A Polícia Federal disse ter encontrado suspeitas sobre mais diretores do banco no inquérito que investiga a compra de carteiras de crédito fraudulentas do Master e pediu mais 60 dias ao STF (Supremo Tribunal Federal) para concluir a investigação.

Relatório final da auditoria independente entregue em abril à PF aponta que as operações de compra de carteiras do Master eram tratadas internamente como "negócio do presidente" e conduzidas sob pressão e urgência.

Ao todo, o BRB comprou R$ 21,9 bilhões em carteiras do banco de Vorcaro. Parte relevante desses ativos, cerca de R$ 12,3 bilhões, apresenta indícios de ausência de lastro, inconsistências estruturais e vícios documentais.

Costa está preso desde 16 de abril. A investigação indica que ele teria recebido de Vorcaro seis imóveis de luxo como propina, quatro em São Paulo e dois em Brasília, avaliados em R$ 146,5 milhões. Cerca de R$ 74,6 milhões já teriam sido efetivamente pagos.

Desde que veio à tona o escândalo Master, o BRB ainda não apresentou nenhum relatório operacional, como as demonstrações dos resultados de 2025 e do primeiro semestre deste ano.

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), tem insistido em um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos), tendo como garantia recursos de bancos privados, para bancar o rombo no BRB. Os bancos consideram a operação arriscada, ainda que o DF tenha oferecido recursos que receberá da União em FPE (Fundo de Participação dos Estados) e FPM (Fundo de Participação dos Municípios).

Na quarta-feira (9), o ministro do STF Luiz Fux deu 15 dias para que o governo federal, o Banco Central e o FGC se manifestem sobre o pedido feito pelo Governo do Distrito Federal.

Ciro Nogueira oferece terreno de valor contestado para tentar reaver jatinho, BMW e R$ 10 mi bloqueados

Foto: Waldemir Barreto/Arquivo/Agência Senado
A defesa do senador Ciro Nogueira (PP-PI) tenta reaver um veículo BMW e um jatinho apreendidos pela Polícia Federal (PF), além de R$ 10 milhões bloqueados pelas autoridades. Em troca, oferece um imóvel em Teresina (PI) e mais R$ 3 milhões.

Os bens foram apreendidos e bloqueados na operação Compliance Zero, que apura se Ciro Nogueira, ministro da Casa Civil na gestão Jair Bolsonaro (PL) e presidente do PP, recebia uma mesada de R$ 500 mil do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master. Vorcaro está preso por suspeita de uma fraude bilionária ao sistema financeiro.

O pedido para tentar liberar o dinheiro e os bens apreendidos foi feito em junho deste ano ao ministro André Mendonça, relator da investigação contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF). Ainda não houve resposta.

Segundo a sugestão feita pela defesa do senador, o terreno, composto por quatro lotes, é avaliado em cerca de R$ 19 milhões.

A PGR (Procuradoria-Geral da República), porém, contesta esse valor. O órgão vê uma "expressiva disparidade entre os valores descritos nas escrituras de compra e venda e nas avaliações unilaterais produzidas pelos requerentes".

A Folha teve acesso aos documentos de compra e venda dos imóveis. Em 2023, a CNFL, empresa de Ciro, pagou R$ 3,3 milhões pelos quatro lotes, já inclusa uma casa construída no local.

O valor descrito por Ciro na oferta de desbloqueio de bens é quase seis vezes maior do que custou a compra do terreno três anos atrás.

A reportagem enviou questionamentos à assessoria de imprensa do senador pouco antes das 15h deste domingo (13), mas ele não respondeu.

No processo, a troca é proposta tanto pela defesa de Ciro, como pelos advogados da CNFL, que também foi alvo da Polícia Federal. Os escritórios que representam cada um são diferentes, mas as propostas são idênticas: o mesmo terreno em Teresina, as mesmas avaliações de mercado e o acréscimo de R$ 3 milhões.

A defesa de Ciro Nogueira pede a restituição de uma BMW modelo M440I, um jatinho Beechcraft King Air B200 com lugar para até sete passageiros, as contas bancárias, seus ativos e todos os outros terrenos em seu nome —sem dar detalhes de quais são, onde ficam ou quanto valem.

A investigação da PF aponta que Ciro tentou beneficiar Vorcaro por meio de sua atuação no Congresso, inclusive com a apresentação da chamada "emenda Master", proposta que potencializaria a oferta de ativos pelo banco. O texto não foi aprovado.

À época, o senador afirmou que a operação era uma tentativa de manchar sua honra.

Mendonça determinou o bloqueio das contas de Ciro, da CNFL e de uma série de outros personagens envolvidos no caso, além da apreensão de aeronaves, imóveis, automóveis, ativos e embarcações.

O ministro determinou que, para cada um desses casos, a restrição poderia alcançar o valor máximo de R$ 18,5 milhões.

Durante a operação, a PF apreendeu uma motocicleta e uma BMW na casa de Ciro, em Brasília. Já a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) identificou e bloqueou um jatinho de sete lugares, que constava no nome de Ciro Nogueira.

Nos autos, até aqui, não há um consolidado dos itens bloqueados na operação.

Em um relatório do início de agosto, a PF diz que "até o momento, foram efetivados bloqueios financeiros superiores a R$ 10,2 milhões em face do Senador Ciro Nogueira, abrangendo contas bancárias, aplicações financeiras e ações".

"A medida atingiu a totalidade da frota de veículos e imóveis dos investigados no país", diz o documento, em referência à BMW e ao jatinho.

Outro documento, também do mesmo período, aponta que a CNFL teve bloqueados um consórcio e mais R$ 300 mil que constavam em sua conta bancária.

A Procuradoria-Geral da República se manifestou contra a troca proposta pela defesa do senador.

O procurador-geral, Paulo Gonet, aponta a "ausência de liquidez dos bens imóveis ofertados", lembra que o bloqueio visa "inibir a própria continuidade da atividade delitiva" e cita a gravidade das ações relativas ao Caso Master.

Em 15 de junho, a defesa da CNFL protocolou um pedido contra um "excesso de bloqueio".

O argumento é de que o total restringido ultrapassa os R$ 18,5 milhões estipulado por Mendonça —mas a peça em nenhum momento detalha o total de bens bloqueados, nem seus valores, nem como essa soma pode ultrapassar o valor determinado pelo ministro do STF.

No dia seguinte, a defesa de Ciro Nogueira entrou com o mesmo pedido, também sem detalhar a conta. "O excesso de bloqueio concretizado é inequívoco, pois que o valor dos bens indisponibilizados extrapola, em muitas vezes, o limite judicialmente fixado", afirmou.

Os advogados sugerem que seja mantido o bloqueio apenas do terreno em Teresina, e sejam liberados todos os outros imóveis, bens e ativos.

Os dois pedidos, da defesa de Ciro e da CNFL, apresentam como contrapartida o terreno com área de 6,9 mil m². Ambas as peças apresentam as mesmas três avaliações de mercado para o imóvel, e concluem que o valor médio para ele seria de R$ 19 milhões.

As ofertas extra de mais R$ 3 milhões é para o caso de o valor do imóvel não seja considerado suficiente para cumprir com a determinação de Mendonça. Para a PGR, porém, as propostas "são insuficientes para garantir o valor dos danos causados".

Por João Gabriel e Carolina Linhares/Folha 

Ministro da Justiça é vítima de fogo amigo e fez muito pela segurança, diz sociólogo

Wellington Lima e Silva-Foto: Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil
Um dos responsáveis pelo programa de governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o sociólogo Benedito Mariano saiu em defesa do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, e disse que ele é alvo de "fogo amigo".

Como mostrou o Painel, Silva vem sendo criticado por Lula, que o considera apagado e inoperante no atual momento da crise sem precedentes que afeta o Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal. Uma troca no momento, no entanto, é considerada pouco provável.

Segundo Mariano, Silva foi o ministro que mais fez pela área de segurança dos três que ocuparam a pasta no atual governo –os outros foram Flávio Dino e Ricardo Lewandowski.

"O programa Brasil contra o Crime Organizado, lançado pelo presidente Lula e idealizado pelo ministro Wellington, é o mais consistente de enfrentamento ao crime organizado lançado nas últimas décadas", diz o sociólogo.

Ele defende que Silva seja considerado por Lula como opção para o Ministério da Segurança Pública, caso a pasta seja criada após a aprovação da PEC da Segurança, atualmente no Senado. "O ministro Wellington tem estatura para ser o futuro ministro da Segurança Pública", afirma Mariano.

Por Fábio Zanini/Folhapress

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