Delegado revisa inquérito e conclui pela segunda vez que não houve interferência de Bolsonaro na PF

Reabertura do caso havia sido determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, que agora encaminhou o processo à PGR

O ex-presidente Jair Bolsonaro
A atual gestão da Polícia Federal revisou a conclusão do inquérito que tinha apurado interferências indevidas do então presidente da República Jair Bolsonaro na corporação e concluiu, pela segunda vez, que não há provas do cometimento de crimes no caso.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes havia determinado a reabertura do caso, que tinha sido instaurado após o pedido de demissão de Sergio Moro do Ministério da Justiça, quando ele disse ter sofrido pressão do presidente para trocar cargos de comando da corporação. Um dos motivos seria um receio de Bolsonaro com o avanço do inquérito das fake news contra seus aliados. A PF sob Bolsonaro concluiu que não houve interferência indevida e o então procurador-geral da República Augusto Aras havia pedido o arquivamento da investigação.

Agora, sob o governo Lula, a PF fez uma revisão das provas colhidas e reiterou a conclusão de que não há provas para justificar uma imputação penal no inquérito.

“Merece ser mencionado que o IPL 2021.0031208 –CCINT/CGCINT/DIP/PF apurou objeto específico, que, sob a ótica das diligências tomadas em contemporaneidade com os fatos, não revelou informações capazes de justificar imputações penais", escreveu o delegado Carlos Henrique Pinheiro de Melo, vinculado à Diretoria de Inteligência Policial (DIP).

O delegado cita, por exemplo, que a PF solicitou compartilhamento de provas do inquérito das fake news com o ministro Alexandre de Moraes que indicassem a ocorrência de interferências indevidas, mas que o ministro havia respondido que não havia provas disso naquele inquérito.

A conclusão diz ainda que eventuais atos de interferência detectados nos inquéritos de relatoria do ministro Alexandre de Moraes podem ser apurados diretamente nesses procedimentos de investigação.

Após receber esse relatório complementar, Moraes enviou o processo para análise do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Ele pode indicar novas diligências a ser tomadas ou requisitar o arquivamento definitivo do caso.
Por Aguirre Talento/Estadão

Documentos da Receita Federal mostram pagamentos do Banco Master a empresa de filho de Otto Alencar

Um levantamento obtido pelo O Globo junto à Receita Federal aprofunda as conexões entre o Banco Master, instituição financeira de Daniel Vorcaro, e figuras influentes da política baiana. Entre os nomes que surgem nos registros de pagamento está o de Otto Alencar Filho, filho do senador Otto Alencar (PSD-BA), um dos principais aliados do PT no estado.

Segundo os documentos, a empresa Mollitiam Financeira, da qual Otto Filho é sócio por meio da M&A Participação, recebeu R$ 12 milhões do Banco Master entre 2022 e 2025.

Ex-deputado federal e atualmente conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA), Otto Alencar Filho afirmou, em nota, que a M&A Participação detém ações em diversas empresas de diferentes setores e que todos os serviços foram devidamente faturados, contabilizados e tiveram os impostos pagos, respeitando a legislação e as boas práticas de mercado. Ele ressaltou ainda que sua empresa não exerce função de administradora de nenhuma das companhias nas quais possui participação acionária.

Os documentos da Receita Federal também revelam pagamentos a outros políticos e assessores ligados a diferentes espectros partidários na Bahia, evidenciando uma capilaridade do banco que atravessa governo, Centrão e oposição. Entre os beneficiários está o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), pré-candidato ao governo do estado, cuja empresa de consultoria recebeu R$ 5,4 milhões entre 2023 e 2025.

Em nota, ACM Neto disse não poder validar os valores por não ter tido acesso direto aos dados, mas afirmou que a relação com o Master foi firmada em momento em que nenhum dos sócios de sua empresa ocupava cargo público. Ele disse que prestava análise da agenda político-econômica nacional e se colocou à disposição do Supremo Tribunal Federal e da Procuradoria-Geral da República para esclarecimentos, ao mesmo tempo em que pediu apuração sobre o vazamento de dados fiscais sigilosos.

Outro vínculo expressivo identificado na documentação envolve a BN Financeira, empresa cuja sócia Bonnie Toaldo Bonilha é casada com um enteado do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. A empresa recebeu R$ 14 milhões do Banco Master entre 2022 e 2025, sendo R$ 7 milhões apenas no último ano. O contrato foi firmado em 2021.

Procurada, a BN Financeira negou qualquer ligação com o senador, afirmou que foi fundada em 2021 e que prestou serviços de prospecção e indicação de operações e convênios de crédito público e privado ao Master entre 2022 e 2025. A empresa destacou que todos os recursos foram recebidos de forma oficial, contabilizados, com emissão de notas fiscais e declaração à Receita Federal, e que não há qualquer investigação ou apuração policial sobre o tema.

Os registros incluem ainda pagamentos à Meta Consultoria, empresa do ex-ministro da Cidadania Ronaldo Bento, que atuou no governo Jair Bolsonaro como principal auxiliar do então ministro João Roma — este último pré-candidato ao Senado. Segundo os documentos, a empresa recebeu R$ 6,2 milhões do Banco Master somente em 2025. Bento chegou a ter convocação aprovada pela CPI do Crime Organizado por sua atuação como diretor no Banco Pleno, instituição ligada a Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro no Master.

A origem da relação do Banco Master com a Bahia remonta à entrada de Augusto Ferreira Lima no quadro societário da instituição. Empresário preso durante a Operação Compliance Zero, em novembro do ano passado, Lima viu seus negócios dispararem após a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), durante o governo de Rui Costa, atual ministro da Casa Civil de Lula.

Na ocasião, Lima adquiriu o Credcesta, um cartão de benefícios inicialmente voltado para servidores públicos da Bahia, cuja operação se expandiu nacionalmente em parceria com o Banco Master. Lima também circula com desenvoltura em Brasília: em janeiro do ano passado, casou-se com Flávia Peres, ex-ministra do governo Bolsonaro, ex-deputada federal e ex-esposa do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda.

Diante da exposição, interlocutores políticos de ambos os campos na Bahia avaliaram que explorar o caso Master na campanha eleitoral poderia render desgastes tanto a ACM Neto quanto ao grupo do governador Jerônimo Rodrigues (PT), apoiado por Jaques Wagner. A avaliação levou os dois grupos adversários a costurar um acordo nos bastidores para que o assunto não seja utilizado como arma política nas eleições.

Procurado para comentar o negócio envolvendo a Ebal, o ministro Rui Costa defendeu, em fevereiro, a decisão tomada à época em que era governador, argumentando que a operação de cartão de crédito consignado foi o que viabilizou o negócio
Informações: Bahia noticias

Trabalhador poderá sacar até 20% do FGTS para pagar dívidas, afirma ministro da Fazenda

Dario Durigan diz que pacote inclui ainda linhas para caminhões, motoristas de aplicativo e taxistas.
O ministro Dario Durigan (Fazenda)
No comando do Ministério da Fazenda há menos de um mês, Dario Durigan disse em entrevista ao jornal Folha de São Paulo que trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105) poderão sacar até 20% de seu saldo no FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) para quitar dívidas.

A medida deve liberar mais R$ 7 bilhões e será um dos elementos de um programa de renegociação que prevê também um desconto mínimo concedido pelos bancos e uma garantia do governo para refinanciar o saldo restante, com taxa de juros pactuada ou limitada.

O pacote, uma demanda do presidente Lula (PT), deve contar também com linhas para caminhoneiros, motoristas de aplicativos e taxistas, e apoio a setores como construção civil e fertilizantes. Ele nega que as medidas sejam eleitoreiras. "A gente está lidando com os problemas concretos."

Durigan afirma que o atual governo deixa uma situação equilibrada na economia e nas finanças públicas, quadro distinto do "descalabro" ocorrido em 2022, quando Jair Bolsonaro (PL) tentou a reeleição. "Não estamos deixando nenhuma bomba amarrada".

A pauta do governo no momento são as medidas para reduzir o endividamento. O cenário é preocupante?

Depois do primeiro Desenrola, teve o começo de corte da Selic, em agosto de 2023, e uma queda do endividamento. No fim de 2024 e durante 2025, a relação é diretamente proporcional entre o aumento da taxa de juros e o endividamento das famílias, dos informais, das pequenas empresas e das grandes.

O importante para as pessoas é que elas tomem crédito sustentável. A expectativa é que a gente dê um estímulo agora nessa virada de chave e deixe medidas estruturantes. Vai ter uma limitação na possibilidade de essa pessoa continuar jogando nas bets, uma espécie de quarentena para quem aderir.

Por quanto tempo?

O presidente vai arbitrar. A gente tem trabalhado com um prazo de seis meses.

Quais serão as ferramentas de estímulo?

Não há gasto público direto. A ideia é que as próprias instituições financeiras façam uma redução da dívida e haja um refinanciamento com uma taxa de juros menor. E aí entra o governo garantindo a inadimplência eventual nessa segunda operação.

O governo não vai pagar a dívida das pessoas, mas vai garantir [o crédito] de modo que os bancos façam uma taxa de juros menor. E a gente vai usar o FGO [Fundo de Garantia de Operações] para isso.

As pessoas também vão poder fazer um saque extraordinário no FGTS para pagar dívidas mais caras. Como vai funcionar?

Tem duas discussões. O ministro [do Trabalho, Luiz] Marinho identificou uma interpretação inconsistente da Caixa em relação à devolução que já foi feita para as pessoas demitidas e que fizeram a opção do saque-aniversário com consignado. Para corrigir essa interpretação, seria uma devolução de R$ 7 bilhões.

A segunda medida envolve um saque limitado do FGTS. O que estamos discutindo? Quanto a gente pode limitar esse saque sem comprometer a sustentabilidade do fundo.

Esse 'quanto' está em que faixa?

A gente tem trabalhado com um limite de 20% de saque da conta individual. É o número que está sendo discutido e que tem um impacto contido no fundo.

Todos os trabalhadores terão acesso?

Os trabalhadores que ganhem até cinco salários mínimos e que fizerem jus às demais regras. Quem ganha até cinco salários mínimos representa 92% dos brasileiros. Acima disso, tem muito menos gente e dívidas maiores. Não deveríamos mobilizar fundos ou opções de saque para esses casos, o que não impede as instituições de oferecerem refinanciamento.

O desconto vai ser de quanto?

Espero que de até 90%. Um exemplo: tem uma dívida de R$ 10 mil a juros de 8% ao mês. É impagável. Dá-se um desconto de 90%, fica com uma dívida de R$ 1.000. E, com a garantia da FGO, essa dívida pode ser rolada a 2% ou 2,5% ao mês. Muito menor e pagável.

Vamos ter que exigir um desconto mínimo. Estamos calibrando, mas espero que chegue a 90%.

Vai ter limite de juros?

Como vai ter garantia pública, acho importante ter um juro pactuado ou limitado.

Seriam esses 2,5%?

É um exemplo do que a gente tem perseguido, mas em diálogo com o sistema financeiro.

Quantas pessoas serão atendidas?

Temos uma expectativa de atender a mais de 30 milhões de pessoas.

Quanto vai tirar do fundo? Setores de habitação e de infraestrutura veem os saques com preocupação.

A gente não vai comprometer a sustentabilidade nem as políticas financiadas pelo fundo. Vamos fazer de maneira bem limitada e opcional.

Falam em saque entre R$ 7 bilhões e R$ 10 bilhões.

Nossa estimativa é por aí. Mais para R$ 7 [bilhões].

Após o Desenrola, houve aumento de 9 milhões de pessoas inadimplentes. O programa fracassou?

Não, ao contrário. O Desenrola cumpriu seu papel. Havia uma expectativa no começo de 2024 de que houvesse cortes na taxa de juros, a gente não viu isso. O que a gente viu foi um novo endividamento a partir de 2025.

Como de novo estamos na expectativa de um corte da taxa de juros, é preciso que as famílias também possam viver com uma taxa de juros mais razoável nas dívidas pessoais.

E para as empresas?

O programa tem três grandes frentes. Estamos falando das famílias. Os trabalhadores informais devem ter uma linha garantida também, porque tomam dívida mais cara. E as empresas vão poder tomar créditos, mas é uma coisa menor, focalizada para pequenas e MEIs [microempreendedores individuais].

Como será a linha para informais?

Vamos refinanciar dívidas dos informais, que não têm garantia de salário, muitas vezes não têm patrimônio, um faturamento sólido e recorrente. O FGO também vai entrar para diminuir a taxa de juros.

O FGI [Fundo Garantidor para Investimentos] pode ter aumento para as linhas do Peac [programa de crédito para micro, pequenas e médias empresas]?

Estamos discutindo outras medidas na economia, que não são de estímulo ao consumo. Visam a endereçar questões pontuais de alguns setores. Depende de um aporte do governo para capitalizar o FGI.

As linhas que já são previstas dentro do Fundo Clima, do Fundo Social, podem também ser mobilizadas. Pode ter uma linha de estímulo à construção civil. Podemos ter uma linha como foi a de financiamento de caminhões no fim do ano, estendida para motoristas de aplicativos e taxistas.

Qual é a bússola nessas discussões? É o temor de desaceleração da economia, ou um cenário eleitoral mais desafiador para o presidente Lula?

É uma avaliação econômica do que pode estar disfuncional no país. O endividamento das famílias é preocupante, e estamos endereçando isso. No caso dos setores específicos, existem alguns que sofrem mais com os juros ou com a questão geopolítica. O tema dos fertilizantes, por exemplo, pode ser objeto de uma dessas linhas.

Há receio no mercado de que seja o início de um saco de bondades do presidente em ano eleitoral.

Não se trata de uma questão eleitoral. A gente está lidando com problemas concretos. Não vamos deixar de atender à questão da guerra nos combustíveis e o endividamento das pessoas, questões fundamentais para a economia do país.

Nos combustíveis, preveem alguma nova medida?

Não. Vamos aguardar até o fim de maio para uma reavaliação.

O imposto de exportação foi suspenso. Era a fonte de compensação de todas as medidas. Como vão fazer?

O juiz que deferiu a liminar cita supostos dispositivos da medida provisória que não existem. É uma medida absurda. A gente recorreu ao Tribunal de Justiça do Rio, que negou o efeito que a União pediu, mas sem entrar na discussão. É inadmissível.

Vão ao Supremo Tribunal Federal?

Até onde for preciso. Se isso não for corrigido, tem que buscar outras receitas.

O Congresso avançou na discussão de projetos considerados pautas-bomba. A questão dos agentes comunitários, o novo mínimo da assistência social. Vê ímpeto eleitoral?

Tenho dito a todos os líderes, ao presidente Hugo [Motta, da Câmara], ao presidente Davi [Alcolumbre, do Senado], que estamos enfrentando uma situação de guerra. Estamos fazendo um esforço fiscal para proteger o país. Esse esforço não pode ser desvirtuado ou desviado em outras questões que não nos interessam agora.

Tenho pedido a sensibilidade do Congresso. Reforço aqui o pedido para que a gente não avance nessas pautas problemáticas.

A guerra é um fator de incerteza, e o Banco Central diminuiu o ritmo de corte dos juros. Como vê a decisão?

A parte da Fazenda, a gente vem fazendo. Adotar medidas que garantam a neutralidade fiscal e que minimizem o aumento de preço no país ajuda a tomada de direção do BC.

O BC fala em cautela.

Eu falo também. Não vamos deixar pauta-bomba do Executivo para as próximas gestões, como aconteceu em 2022. Não vamos repetir esse cenário para 2027.

Não estamos empurrando para frente o tema dos precatórios, um [aumento no] Fundeb [fundo da educação básica]. Eu não estou tirando IPI ou IOF do próximo governo. Nós recompusemos a estrutura fiscal do país. Tudo isso colabora com a política monetária.

Mas como avalia a política do presidente do BC, Gabriel Galípolo?

Eu não vou comentar o papel do BC porque tem a sua competência. O que estou dizendo é, do lado da Fazenda, com todas as dificuldades políticas, são várias decisões que a gente está colocando na mesa. Reforma tributária, rever o Perse [programa de benefícios para o setor de eventos], corte linear de 10% nos benefícios tributários. Isso tudo fortalece o fiscal.

O fiscal não seria um motivo para o BC colocar o pé no freio?

O fiscal não é motivo.

Há duas indicações abertas na diretoria do BC. Já levou algum nome para o presidente?

Não tive a oportunidade de tratar com o presidente Lula sobre isso.

O governo pode fazer algum ajuste para o BRB não quebrar?

A orientação é que não deve haver ajuda federal. Os bancos federais, atuando como bancos, podem avaliar o interesse em comprar carteira, operação, imóvel. Os bancos privados estão avaliando. O que a gente não pode perder de vista é que a responsabilidade é do governo do Distrito Federal, acionista do BRB.

O governo encaminhará o PLDO [Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias] de 2027, primeiro ano do próximo presidente. Qual será a sinalização?

De estabilidade. Isso vale para além da questão orçamentária e econômica, vale para a questão política. O ano de 2022 é um exemplo negativo para o país.

Digo para quem me procura do mercado: é estranho o mercado apoiar tanto as forças políticas que estavam governando em 2022, porque foi um ano de descalabro nas contas públicas. Estou falando seja do ponto de vista econômico, seja da mensagem de falta de respeito institucional, de se namorar com o golpe de Estado.

O ano de 2026 vai ser diferente. Vamos deixar as contas públicas em ordem, para que em 2027 não haja sustos como a gente tomou em 2023.

Vai ter um escrutínio de comparação. A oposição está catalogando números, o próprio ex-ministro Paulo Guedes vai lançar um livro.

É bem-vinda a comparação. Não estamos deixando nenhuma bomba amarrada dentro do governo para o próximo. Vamos respeitar as instituições. É um trabalho muito diferente. Não teve populismo em conta pública. A gente tem um limite de gasto que controlou as despesas e tivemos uma recomposição da receita.

Há ceticismo em relação ao arcabouço, e a Fazenda já reconheceu que precisará reforçá-lo.

Se o próximo governo fizer um ajuste de 2% do PIB, como a gente fez, vai chegar no fim do próximo ciclo com uma situação muito melhor.

É preciso limitar as despesas obrigatórias. Isso vai precisar avançar, sem ficar empurrando o problema para frente, com discurso que divide o país, mas trazendo todo mundo para a mesa, chegando a acordos.

É limitar o BPC [Benefício de Prestação Continuada], ou mexer nos pisos de saúde e educação?

Vários debates têm que ser enfrentados, como a gente fez no fim de 2024. As alterações feitas pelo governo Bolsonaro em 2021 [flexibilização das regras] tiraram o BPC de uma boa política eficiente. É preciso rever isso. Estamos agora discutindo o seguro-defeso [benefício para pescadores artesanais] no Congresso.

Na hipótese de reeleição do presidente Lula, há chance de discutir a unificação dos programas sociais?

Existe essa possibilidade, sim, de racionalizar, trazer eficiência, diminuir a burocracia. Quando a gente discute biometria, acompanhamento dos cadastros, mais filtros, isso só não basta. Mas isso precisa ser feito. Não dá para acontecer como no governo passado, de repente desliga a máquina pública, desliga os controles e olha só para a questão eleitoral. Isso não será feito.
Por Adriana Fernandes/Idiana Tomazelli/Folhapress

Ex-modelo brasileira ameaça expor 'sistema' de Melania e chama Trump de 'pedófilo'

Amanda Ungaro foi esposa de Paolo Zampolli, hoje enviado especial dos EUA para parcerias globais.

A primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump
Após a primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, negar qualquer relação com o abusador sexual Jeffrey Epstein na quinta-feira (9), um perfil no X atribuído à ex-modelo brasileira Amanda Ungaro, 41, ameaçou "expor tudo" sobre ela e o presidente americano, Donald Trump —a quem chamou de "pedófilo", ameaçando tomar medidas legais contra o casal.

"Vou destruir seu sistema corrupto, mesmo que seja a última coisa que eu faça na minha vida. Vou até o fim —não tenho medo. Talvez você devesse ter medo do que eu sei sobre quem você é e quem é o seu marido. Não tenho mais nada a perder na minha vida. [...] Tome cuidado comigo", escreveu a conta atribuída a Ungaro, da qual todos os posts foram apagados após as acusações.

Amanda Ungaro foi esposa de Paolo Zampolli, ex-agente de modelos e aliado de Trump que, segundo o jornal americano The New York Times, teria descoberto que a ex-mulher estava presa em Miami sob acusações de fraude e entrado em contato com David Venturella, alto funcionário do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega), para denunciar que ela estava ilegalmente nos EUA.

Após a interferência do ex-marido italiano, que hoje é enviado especial de Trump para parcerias globais, Ungaro foi deportada em outubro de 2025. Ao New York Times, Zampolli negou ter pedido ao ICE qualquer favor relacionado a ela e disse ter conversado com Venturella para entender o caso.

O Departamento de Segurança Interna, responsável pelo ICE, emitiu nota afirmando que Ungaro foi deportada por estar com o visto vencido há muito tempo. "Qualquer sugestão de que ela foi presa e removida por razões políticas ou favoritismo é falsa".

"Eu te conheço há 20 anos", escreveu Ungaro nas publicações, se dirigindo a Melania. "Você sabia que eu estava detida no ICE. Você esteve presente na minha vida —todos os anos no aniversário do meu filho, inclusive mandando o Serviço Secreto e sendo a primeira a parabenizá-lo, lá em 2016. Claramente havia algo errado, mas não faço parte de nenhuma missão maligna envolvendo crianças. Então o que você fez, Melania? Você tentou me envolver, mas falhou —porque eu tenho caráter", acusou o perfil no X atribuído à ex-modelo.

O presidente americano e a primeira-dama eram amigos de Zampolli e Ungaro, de acordo com o jornal americano. Em nota, um porta-voz de Melania afirmou que ela "não tem conhecimento nem envolvimento nos assuntos pessoais de Zampolli e de Ungaro" e "não teve nenhum contato ou envolvimento" com o ICE.

A ex-modelo brasileira contou em entrevista ao jornal O Globo que viajou no avião de Jeffrey Epstein em 2002, aos 17 anos, ocasião em que teria visto cerca de 30 meninas que classificou de "bonitas e bem novinhas", mas "mais parecidas com estudantes do que com modelos", com o bilionário e sua então companheira, Ghislaine Maxwell.

O relacionamento com Zampolli começou pouco tempo depois da viagem e durou quase duas décadas. Hoje, ela acusa o italiano de abuso sexual e violência doméstica, e o ex-casal disputa a guarda do filho, um adolescente de 15 anos, na Justiça americana.
Por Folhapress

Mais ruidoso gestor do país antecipou esquema do Master, afirma estar quebrado

Ex-jogador de rúgbi, Vladimir Timerman é alvo de incontáveis processos, condenado em 2 e vitorioso em 14.
O investidor Vladimir Timerman
Na noite do último dia 19, ao encerrar o expediente depois de uma entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o investidor Vladimir Timerman, 46 anos, tinha à sua espera, na portaria do seu escritório em São Paulo, um guarda-costa de quase dois metros.

Gestor de fundos na Esh Capital, Timerman voltou a andar com segurança particular por um pedido de amigos, que se juntaram para pagar as despesas. Se dependesse só dele, continuaria sem a proteção —em parte porque diz não ter o que temer, mas também porque alega não poder pagar.

"Estou quebrado", contou, atribuindo a situação financeira ao bloqueio judicial de fundos da Esh Capital. Na véspera, o investidor estava em Brasília, depondo, na condição de testemunha, à CPI do Crime Organizado, onde repetiu as denúncias sobre malfeitos de investidores e a incúria de órgãos de controle.

Timerman estava ali por causa do caso do Banco Master. Relatou que o verdadeiro dono da liquidada instituição não é Daniel Vorcaro, mas o empresário Nelson Tanure, um dos alvos da Operação Compliance Zero.

Tanure disse que Timerman apresentou "ilações" aos senadores da CPI e que "nunca foi sócio, controlador ou beneficiário, direto ou indireto" do Master.

Timerman e Tanure travam disputas desde 2021, em torno das ações da Alliança Saúde (então Alliar). O primeiro integrava o grupo dos minoritários, e o segundo comprou uma fatia que lhe permitiria controlar a empresa. Timerman denunciou à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que Tanure praticava insider trading (uso de informação privilegiada), mas a denúncia foi arquivada.

Na Alliança, Timerman praticou o que já fizera com sucesso em empresas como Smiles/Gol, Dimed/Panvel, buscando interferir na gestão a partir de participações minoritárias, modalidade chamada no mercado de "ativismo". Nos últimos anos, o dono da Esh tornou-se o mais ruidoso gestor ativista do país.

Timerman ilustra assim sua linha de atuação: "Você pode ser passageiro e ficar à mercê de quem dirige o carro ou sentar no banco do motorista. O gestor ativista é aquele que quer participar das decisões, tomar os rumos e implementar melhorias dentro de uma empresa".

Depois da Alliança, a Esh entraria em novo embate com outra empresa controlada por Tanure, a Gafisa. Houve danos para os dois lados: numa ação da construtora —alegando greenmail, espécie de chantagem sobre os administradores—, a Justiça deferiu uma medida cautelar (preventiva e provisória, mas em vigor há dois anos) bloqueando o fundo Esh Theta, o principal da gestora de Timerman.

O valor sob gestão da Esh estava em R$ 12,5 milhões em fevereiro, segundo dados da Anbima. Reportagem de 2021 do Valor informou que, somando o fundo principal e outros exclusivos, a Esh se aproximava de R$ 1 bilhão sob gestão —apenas o Esh Theta chegou perto de R$ 200 milhões. A queda, diz Timerman, se deve à desvalorização das ações da Gafisa, ao dano reputacional que levou a resgates e perdas com outros investimentos e custos

Além disso, a medida judicial bloqueou o patrimônio dos cotistas do Esh Theta e proibiu novos aportes.

Por sua vez, o gestor voltou a denunciar Tanure por "insider trading". Em janeiro passado, após a Justiça acatar denúncia do Ministério Público Federal, Tanure virou réu por suposto uso de informação privilegiada na operação de compra da incorporadora Upcon pela Gafisa. A defesa de Tanure chamou de "açodada" a denúncia do MPF.

No meio da guerra, Tanure processou Timerman por stalking (perseguição), por mensagens publicadas no então Twitter (hoje X). Sem mencionar o nome de Tanure, Timerman usou termos como "vagabundo", "bandido" e "corno". Disse que não se referia ao desafeto.

Nessa ação, Timerman foi condenado em primeira instância, em março de 2025, a pena de um ano, 10 meses e 15 dias de prisão, substituída por prestação de serviços comunitários. O gestor está recorrendo.

"Ele [Timerman] nunca ligou pro Tanure, nunca mandou um email, nunca mandou uma DM no X. Que stalking é esse? Ficou chateado de ser xingado? Entra com uma queixa-crime por injúria", disse o advogado Davi Tangerino, que defende Timerman. Ele cobra "um marco normativo mais claro de proteção aos denunciantes minoritários nas companhias de capital aberto".

Outra medida cautelar impede o gestor de falar sobre Tanure e a Gafisa.

Durante o embate com a construtora, Timerman conectou a empresa ao Master, dizendo que parte do dinheiro da Gafisa fora desviado para o banco. Desde 2023, alertou Banco Central e Polícia Federal sobre os problemas. Por isso foi convocado a depor na CPI.

Na justificativa, o relator da comissão, o senador e ex-delegado Alessandro Vieira (MDB-SE), escreveu que o depoimento de Timerman "revela-se peça indispensável para a instrução dos trabalhos", dado o "conhecimento técnico e histórico profundo" do gestor sobre o esquema do Master.

Afirmou ainda que por anos Timerman denunciou fraudes e manipulação do banco, "quando tais alertas eram tratados como meras excentricidades". "Contudo", disse o senador, "a deflagração da Operação Compliance Zero (...) e a liquidação do Master (...) validaram o foco das denúncias de Timerman (...)".

Vieira ecoou o que poucos no mercado se arriscaram a falar. Num artigo publicado em fevereiro em sua newsletter, o analista e consultor Ricardo Schweitzer classificou o gestor como "anti-herói" e "o homem que disse isso antes de todo mundo".

"Não me peça para dizer que Timerman é um santo. Ele não é. Não me peça para dizer que seus métodos são irrepreensíveis. Não são. Não me peça para dizer que eu teria feito o que ele fez. Eu não fiz. O que eu posso dizer é que, quando o mercado inteiro preferiu o silêncio, ele preferiu o barulho. E o barulho, desta vez, ressoou", escreveu Schweitzer.

Em outras palavras, o dono da Esh já era conhecido na Faria Lima muito antes do escândalo do Master, mas, por óbvio, o caso aumentou exponencialmente sua notoriedade. Numa fase aguda do embate com Tanure/Gafisa, em 2024, Timerman afirma ter recebido ameaças anônimas de morte. Valeu-se de segurança particular pela primeira vez, também pago por um amigo, segundo conta. A proteção cessou, diz, porque o apoiador passou por dificuldades financeiras.

Dessa vez, descreve, a exposição do caso Master e da CPI ressuscitou o receio do grupo que fez a vaquinha para pagar o guarda-costas. Timerman comenta que sua família, seus amigos e seus sócios "estão apavorados". "[Falam]: ‘Vão te matar’, e eu digo, do que adianta me matar? Todas as informações que eu tenho meus advogados e meus sócios têm, não adianta me matar".

É um momento tenso, mas não tanto quanto o do final de 2024, quando, após uma denúncia anônima de que teria desviado dinheiro do seu próprio fundo e enviado a uma offshore em Malta, Timerman foi alvo de um mandado de busca e apreensão —a polícia esteve em sua casa e em seu escritório.

"Nunca tive conta offshore. Tomaram meu passaporte, foi o pior momento da minha vida. É uma violência a polícia entrar na tua casa. Minha família foi muito afetada, eu fiquei muito mal", recorda. O inquérito não encontrou indícios de crime, e o processo foi arquivado.

Timerman calcula ter respondido a "dezenas" de ações judiciais nos últimos anos, a maioria arquivadas. Além da por perseguição a Tanure, foi condenado noutra por calúnia contra o gestor Daniel Alberini, da CTM Investimentos, da qual também está recorrendo.

Segundo levantamento do UOL, ele responde a nove processos —entre civis e criminais, incluindo as duas condenações que tenta reverter em segunda instância— e soma 14 vitórias, incluindo numa queixa-crime por calúnia movida por Daniel Vorcaro. Neste processo, o banqueiro do Master foi defendido por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF —no mesmo período, Moraes negou um recurso de Timerman na corte.

Sobre tantas querelas, Timerman interpreta: "O objetivo foi me quebrar financeiramente na [pessoa] física, inviabilizar meu negócio e acabar com minha reputação". São investidas inúteis, ele afirma. "Tenho um dever com meus clientes de ir até o final, eles confiaram a mim seu dinheiro. Vou falar, ‘desculpa, bateram muito forte em mim, estou com medo’? Não sou essa pessoa, [sou] jogador de rúgbi", diz, em referência ao esporte praticado na juventude. Arremata com uma de suas muitas boutades: "O bom de já ter ido para o inferno é que você conhece o caminho de volta".

Ele conta que tirou do rúgbi lições para a carreira de gestor. "Não desistir nunca, ser duro, mas leal. E confiar nas pessoas. Mas confiança só se perde uma vez".

Mesmo com os fundos bloqueados judicialmente, afirma que montou uma consultoria de contencioso estratégico e investigação e cobrança, o que lhe teria permitido começar "a tirar a cabeça da lama nos últimos meses".

Não é só o ativismo fervoroso que diferencia Timerman de um "farialimer" convencional. Ao depôr na CPI, envergou o único terno que tem no armário —o mesmo com que se casou. Costuma vestir jeans e camisas surradas e ficar descalço no escritório. Sua barba é desgrenhada. Fuma desbragadamente.

Filho do infectologista Artur Timerman, um progressista humanista (e um dos fundadores da torcida corintiana Gaviões da Fiel), recebeu seu nome como homenagem a Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura, e foi criado sem ortodoxia —o que ajuda a entender como optou por um ofício liberal. Já se definiu como "o mais comunista entre os capitalistas".

"Tive uma educação socialista, mas aprendi a pensar com a minha cabeça. Um psicanalista amigo nosso diz que só fui para o mercado financeiro para contrariar meu pai", brinca.

Mais velho de três filhos, formado em engenharia elétrica pela USP, Vladimir é irmão da psiquiatra, psicoterapeuta e escritora Natalia Timerman, autora dos romances "Copo Vazio" e "As pequenas Chances", e da engenheira naval Gabriela Timerman. Em "As Pequenas Chances", Natalia trata da morte do pai —os dias finais, a elaboração do luto.

Vladimir diz que o romance é a versão da irmã sobre aquele momento, mas não a sua, e foi contrário à publicação. Por isso, no livro, o nome do primogênito foi trocado (ele vira Simon) —os dos outros parentes foram mantidos como na vida real.

A autora-narradora de "As Pequenas Chances" conta que, no leito de morte, o pai disse a Simon que "parasse de fumar, que se cuidasse, que ficasse tranquilo".

O primogênito atendeu aos pedidos? "Cara, eu parei um bom tempo de fumar. Voltei quando estourou esse negócio. Da parte de ser mais tranquilo... eu sou tranquilo, sou resolvido. Depois da CPI, me disseram: o teu pai deve estar orgulhoso de você. Somos humanos, demasiadamente humanos. Eu não sou perfeito".

Por Fabio Victor/Folhapress

Negociações entre EUA e Irã fracassam; futuro do cessar-fogo é incerto

Vice de Trump, J. D. Vance diz que voltará ao seu país sem acordo e tendo feito uma 'oferta final' aos iranianos.

O vice-presidente dos EUA, J. D. Vance
As negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã chegaram ao fim sem um acordo, jogando na incerteza o futuro do frágil cessar-fogo entre os dois países adversários na guerra no Oriente Médio.

O vice-presidente americano, J. D. Vance, disse em entrevista coletiva neste sábado (11), já manhã de domingo (12) no Paquistão, ter feito uma oferta final ao Irã nas conversas —e afirmou que voltará ao seu país.

"Conversamos por 21 horas", disse o vice de Donald Trump em breve declaração à imprensa em um hotel de Islamabad, capital paquistanesa, país que serve de mediador no conflito. "Voltaremos aos EUA sem um acordo. Deixamos muito claro quais são nossos limites, no que poderíamos ceder e no que não poderíamos, e eles escolheram não aceitar nossos termos".

A fala contradiz declarações anteriores da delegação iraniana, que dizia esperar mais discussões no domingo. Após a entrevista de Vance, entretanto, a TV estatal do país persa confirmou o fim das negociações, colocando a culpa do fracasso em "exigências excessivas" dos EUA.

"A boa notícia é que tivemos discussões significativas com os iranianos. A má notícia é que não chegamos a um acordo, e acho que é uma notícia muito pior para o Irã do que para os EUA", disse o vice-presidente americano. Não está claro se haverá nova rodada de discussões em outro momento ou se os países retomarão os bombardeios na guerra, que já matou milhares de pessoas em toda a região.

"Precisamos ver um compromisso [do Irã] de que não buscarão uma arma nuclear e de que não buscarão ferramentas que tornem possível o desenvolvimento de uma arma nuclear", afirmou Vance —o Irã sempre negou desejar a bomba, embora tenha enriquecido urânio a níveis muito superiores do necessário para usos civis.

"Fomos muito flexíveis, mas, infelizmente, não tivemos progresso", disse o vice de Trump. "Vamos embora daqui com uma proposta muito simples, um método de entendimento que é a nossa melhor e última oferta. Veremos se os iranianos aceitam", concluiu Vance, que falou à imprensa ao lado do enviado de Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e do genro do presidente, Jared Kushner.

No sábado, naquele que foi o encontro de mais alto nível entre Washington e Teerã desde a Revolução Islâmica de 1979, as delegações realizaram três rodadas de conversas —a terceira só terminou na madrugada de domingo (12), noite de sábado no Brasil.

A delegação iraniana era composta por mais de 70 membros e encabeçada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Ghalibaf, e pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi. Os iranianos chegaram no Paquistão ainda na sexta-feira (10) com vestes pretas em sinal de luto pela morte do aiatolá Ali Khamenei. Eles levaram sapatos e bolsas de estudantes mortas durante o bombardeio dos EUA a uma escola para meninas próxima a um complexo militar.

As conversas aconteceram no hotel cinco estrelas Serena, com jardins e arquitetura mourisca, que é um dos edifícios mais fortificados de Islamabad e tem o próprio esquema de segurança. O endereço fica nas proximidades do hotel Marriott, palco de um dos piores ataques terroristas do Paquistão, em 2008, quando um caminhão que carregava 600 kg de explosivos abriu um buraco de sete metros de profundidade e deixou, entre os mortos, o embaixador da República Tcheca.

Islamabad reforçou o esquema de segurança com milhares de agentes na cidade, incluindo tropas paramilitares e do Exército, que montaram postos de controle e bloqueios por toda a capital. Lojas e escritórios foram fechados.

Também no sábado, a emissora estatal iraniana afirmou que a delegação de Teerã apresentou demandas relacionadas ao estreito de Hormuz, à liberação de ativos iranianos bloqueados, ao pagamento de reparações para cobrir danos causados pela guerra e um cessar-fogo que alcance toda a região.

A última vez em que EUA e Irã negociaram olho no olho foi na costura do acordo nuclear de 2015, que trocou o fim de sanções à teocracia por um intrincado esquema de verificações segundo o qual seria restringida a capacidade de enriquecimento de urânio do país por 15 anos, visando coibir a busca pela bomba atômica.

Trump cancelou o acordo nuclear em 2018, durante seu primeiro mandato. Naquele ano, Khamenei proibiu novas conversas diretas entre autoridades dos EUA e do Irã.

Na sexta, o americano publicou nas redes sociais que a única razão pela qual os iranianos ainda estavam vivos era para negociar um acordo. "Os iranianos parecem não perceber que não têm cartas na manga, a não ser a extorquir o mundo por meio de vias navegáveis internacionais. A única razão pela qual eles ainda estão vivos hoje é para negociar!"
Por Victor Lacombe/Folhapress

Liderança de tráfico é preso em Itabuna

Equipes da Polícia Civil da Bahia prenderam nesta terça-feira (9), um homem de 30 anos investigado pelo crime de tráfico de drogas. O suspeito, que foi localizado na Rua Senhor dos Passos, bairro Corbiniano Freire, município de Itabuna, teve o mandado de prisão preventiva cumprido. Na ação dois celulares também foram apreendidos e serão periciados.

As diligências integram a continuidade da Operação Pau Caído, deflagrada em maio deste ano, que visa combater a comercialização de entorpecentes na localidade. O investigado é apontado como liderança local e responsável pela logística, armazenamento e distribuição de drogas como maconha, cocaína e crack, além da coordenação de entregas e recebimento de valores.

A operação foi realizada por equipes da 6ª Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (DTE/ Itabuna), com apoio da 6ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin/Itabuna).
Fonte: Marcela Correia/Ascom PCBA

Fux revê voto sobre 8/1 e absolve sete réus: ‘Injustiças que a consciência não me permite sustentar’

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux votou para reverter a condenação de dez réus acusados de participação nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. Fux integrou a maioria pela condenação nas votações iniciais. Agora, decidiu rever seu entendimento na análise dos recursos apresentados pelas defesas.

Nos votos, o ministro afirmou que seu “entendimento anterior, embora amparado pela lógica da urgência, incorreu em injustiças que o tempo e a consciência já não me permitem sustentar”. Os recursos são analisados em plenário virtual em votação que se encerra na próxima sexta-feira, 17.

A posição de Fux não deve resultar em mudança de ordem prática para os condenados, porque apenas outros dois ministros tinham adotado essa posição originalmente: Kassio Nunes Marques e André Mendonça. A votação dos réus foi realizada logo depois dos atos golpistas em plenário, com onze ministros presentes.

Dos dez casos, Fux votou pela absolvição total de sete réus. Eram pessoas que estavam acampadas em frente ao quartel-general do Exército, em Brasília, e foram condenadas por incitação ao crime e associação criminosa. As penas aplicadas foram de um a dois anos e meio de prisão.

Em outros três casos, os réus foram condenados por cinco crimes — dentre os quais, golpe de Estado —, com punição de 13 anos e seis meses. Essas pessoas participaram das invasões às sedes dos Três Poderes. Para esses réus, Fux votou pela absolvição parcial, com condenação apenas pelo crime de deterioração de patrimônio tombado, com pena de um ano e seis meses.

Lula perde vantagem e empata com Flávio, Caiado e Zema no 2º turno, aponta Datafolha

No retrato de abril, Flávio Bolsonaro tem 46% e Lula, 45%; Zema e Caiado fariam 42% contra presidente.
Os pré-candidatos Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema
O presidente Lula (PT) perdeu vantagem em um segundo turno da eleição deste ano, aponta o Datafolha. Ele foi ultrapassado numericamente pela primeira vez por Flávio Bolsonaro (PL), que atingiu 46% ante 45% do petista. Quando o rival é Ronaldo Caiado (PSD) ou Romeu Zema (Novo), o mandatário marca 45% a 42%.

Todos os resultados configuram empates dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou menos do levantamento, que ouviu 2.004 eleitores em 137 cidades de terça (7) a quinta (9). Ele está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o código BR-03770/2026.

Esta é a primeira pesquisa com a depuração do quadro de pré-candidatos a partir da escolha do ex-governador de Goiás pelo PSD, na semana passada.

Entre os rivais de Lula num segundo turno, Caiado foi quem mais ganhou fôlego ante o levantamento passado, do começo de março. Ele disputa um voto na mesma raia de Flávio e Zema, à direita no espectro político, eliminando assim a ideia de terceira via centrista no pleito.

Na rodada passada, o goiano perdia de 46% a 36% para Lula, e agora a diferença caiu oito pontos. O senador fluminense Flávio, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, subiu três pontos. Já Zema foi avaliado neste cenário pela primeira vez.

A esta altura, o segundo turno é o cenário mais provável. Quando se excluem os nulos e brancos, que é a forma com que a Justiça Eleitoral contabiliza resultados de pleitos, Lula soma 45% das intenções em votos válidos. Já seus adversários somados têm 55%, considerando arredondamentos. Para vencer a disputa, é preciso ter, no mínimo, 50% mais um dos votos válidos.

O dado precisa ser visto com cautela, contudo, devido à distância da eleição. O índice de votos brancos e nulos e de indecisos tende a cair perto do pleito.

Já a simulação do primeiro turno, agora reduzida a apenas uma e por isso só comparável à sua análoga na rodada anterior, repete a cristalização de uma polarização entre Lula e Flávio neste estágio inicial da corrida eleitoral.

O senador avançou quatro pontos em menções espontâneas, indo de 12% para 16%. Lula ainda lidera o quesito, quando o entrevistado não tem acesso à lista de pré-candidatos, oscilando de 25% para 26% ante a pesquisa anterior. Caiado aparece pela primeira vez, com 2% de citações.

Quando os nomes são mostrados pelo pesquisador, Lula repete os 39% da liderança, mas viu Flávio oscilar positivamente dois pontos, de 33% para 35% —o que desenha uma tendência de empate técnico no limite da margem de erro, o que favorece estatisticamente quem está na frente. Mas a curva do senador é ascendente e a do presidente, estagnada.

Já Caiado não agregou apoio significativo após sua confirmação pela sigla comandada por Gilberto Kassab, indo de 4% para 5%. O favorito do PSD para a postulação, o governador paranaense Ratinho Junior, marcava um pouco acima, mas desistiu da disputa.

Zema empata com Caiado, oscilando de 5% para 4%, se iguala na margem com o ex-governador mineiro Renan Santos (Missão), que foi de 3% para 2%, enquanto Aldo Rebelo (DC) oscilou de 2% para 1%. Cabo Daciolo (Mobiliza), que não tinha sido lançado, estreia com 1%. Declaram votar em branco ou nulo 10%, e 4% dizem não saber quem escolher.

A rejeição também segue estável e os números mostram o lado reverso da polarização: os mais desejados pelo eleitor também são os mais rejeitados pela torcida do candidato adversário, restando poucos e decisivos votos no meio do caminho.

Com efeito, dizem não votar de forma alguma no atual presidente 48%, enquanto 46% rejeitam o filho de Bolsonaro liminarmente. Confirmando a firmeza dessas opiniões, 99% dizem conhecer Lula e 93%, Flávio.

Neste quesito se saem melhor Zema e Caiado. O mineiro é desconhecido para 56% dos eleitores e tem um índice de rejeição de apenas 17%. O goiano quase repete os números: 54% e 16%, respectivamente.

Em relação ao perfil do eleitorado, pouca surpresa. Lula tem intenção de voto acima de sua média entre os 28% menos instruídos (50%), os 47% mais pobres (44%) e os 26% de nordestinos (55%). São todos estratos com margens de erro próxima da geral, por serem volumosos.

O senador tem 49% entre os 2% mais ricos, mas ali a margem é de 13 pontos. Vai melhor, com 41%, no segmento de classe média mais alto, que ganha de 5 a 10 salários mínimos (9% da amostra, com 8 pontos de margem).

Mantendo um padrão que vem desde quando seu pai concorreu em 2018, Flávio vence entre os 29% de evangélicos, com 49% das intenções ante 25% das de Lula. Quando o entrevistado faz parte dos 49% de católicos, o petista marca 43% e o senador, 30%. A margem é, respectivamente, de 4 e 3 pontos.

Em relação ao pelotão seguinte de pré-candidatos, a distribuição de sua votação é no geral homogênea. Caiado se destaca em seu Norte/Centro-Oeste de origem, com 12% de intenções numa área com 16% da população do país e 6 pontos de margem. O goiano marca o mesmo no segmento de 5 a 10 mínimos.

Zema só tem um desempenho diferente, com 9% de intenções, entre os mais ricos, que ganham acima de 10 mínimos, com a alta margem já apontada.

Por Igor Gielow/Folhapres

Navios da Marinha dos EUA começam a retirar minas do Estreito de Ormuz

Comando Central americano fala em estabelecer nova passagem para incentivar o livre comércio

O Comando Central dos EUA disse neste sábado (11) que dois navios contratorpedeiros guiados da Marinha começaram a remover minas no Estreito de Ormuz, já que alguns navios ainda não conseguem passar pela via crítica apesar do cessar-fogo.

O USS Frank E. Peterson e o USS Michael Murphy "atravessaram o Estreito de Ormuz e operaram no golfo Pérsico como parte de uma missão mais ampla para garantir que o estreito esteja totalmente livre de minas marítimas anteriormente colocadas pelo Corpo dos Guardas Revolucionários Islâmicos do Irã", disse o CENTCOM em um post sobre X.

"Hoje, iniciamos o processo de estabelecimento de uma nova passagem e em breve compartilharemos esse caminho seguro com a indústria marítima para incentivar o livre fluxo do comércio", disse o almirante Brad Cooper, comandante do CENTCOM

Enquanto o esforço tenta resolver a ameaça das minas, o Irã ainda poderia lançar mísseis, que combinados com as minas tornaram mais difícil para os Estados Unidos ou outros defenderem navios ou protegerem o estreito militarmente.

O presidente Donald Trump disse no início deste sábado (11), em uma postagem na Truth Social, que os Estados Unidos estão "iniciando o processo de limpeza do estreito de Ormuz como um favor a países de todo o mundo".

CNN informou que, desde que o cessar-fogo foi alcançado no início desta semana, apenas cerca de 30 navios passaram pelo estreito.

.Kaanita Iyer, da CNN

Flávio diz que Jair Bolsonaro e demais ‘perseguidos’ vão subir rampa do Planalto se vencer eleição

Segundo o senador, anistia valeria para todos os condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmou que, se vencer a eleição deste ano, o seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), vai “subir a rampa” do Palácio do Planalto com “todas as pessoas perseguidas” em janeiro do ano que vem.

As declarações ocorreram neste sábado, 11, em entrevista a jornalistas em Porto Alegre (RS). “Se Deus permitir, nós vamos vencer essa eleição no 1º turno. Há projetos tramitando no Congresso Nacional, não é uma anistia, mas é zerar o jogo de verdade, para fazer justiça não só ao presidente Bolsonaro, mas à Débora do Batom”, declarou Flávio, ao mencionar a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, condenada a 14 anos de prisão pela participação nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

O senador prosseguiu: “O Congresso entende isso, só que, ainda, uma parte dele tem um certo medo de votar um projeto como esse. Porque claramente não é inconstitucional. A anistia é de competência exclusiva do Congresso Nacional”.

Na sequência, Flávio disse acreditar que, após as eleições de outubro, o Congresso vai aprovar a anistia aos condenados pelos atos golpistas. “É por isso que eu falo: não apenas o presidente Bolsonaro, mas todas as pessoas que foram perseguidas vão subir a rampa junto com a gente em janeiro do ano que vem”, afirmou.

Flávio está na capital gaúcha por ocasião do lançamento da pré-candidatura do deputado federal Zucco (PL-RS) ao governo estadual. Mais cedo, ele também participou de um café da manhã com mulheres e disse que o PT vai ser “irrelevante” a partir do ano que vem.

Além de apoiar Zucco, Flávio Bolsonaro também endossa as pré-candidaturas dos deputados Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Sanderson (PL-RS) para o Senado.
Por Victor Ohana/Estadão

Prefeitura de Ipiaú promoverá audiência pública da LDO 2027

Na manhã da próxima segunda-feira, 13 de abril, às 10 horas, a Prefeitura de Ipiaú, realizará no Salão do Plenário da Câmara Municipal, uma Audiência Pública para a elaboração da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) referente ao exercício administrativo de 2027.

O evento objetiva promover a participação da sociedade na definição das prioridades e metas da Administração Municipal, bem como coletar sugestões para a elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA) que define o orçamento público municipal, estimando as receitas e fixando as despesas para o próximo ano.

As manifestações da população subsidiarão a definição das prioridades e metas da administração pública municipal e contribuirão para a transparência dos atos de gestão fiscal no âmbito Municipal. Poderão participar da audiência as entidades da sociedade civil, conselhos municipais, associações comunitárias, representantes do setor produtivo , instituições acadêmicas e demais interessados.

As sugestões provenientes desses setores da comunidade poderão ser apresentadas verbalmente, no decorrer da audiência, por meio de formulário físico distribuído no local ou por formulário eletrônico no portal oficial do município através do link https://forms.gle/5veFz5StsGVGaVYaA

Além de está aberta à participação presencial dos interessados, a Audiencia Pública da LDO será transmitida simultaneamente na Internet através dos canais de divulgação da Prefeitura Municipal de Ipiaú.

Vale ressaltar que a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), serve como orientação para a elaboração do orçamento público do ano seguinte. Embora não defina as despesas que serão executadas, a LDO define metas e prioridades para o próximo orçamento, inclusive de controle da dívida pública. Assim, a LDO serve como um “roteiro” da lei do orçamento anual. (José Américo Castro/Decom-PMI).

Oito times disputam a Copa Mané Grande a partir deste sábado

Em mais uma realização da Prefeitura  de Ipiaú no sentido de promover o avanço e desenvolvimento dos esportes neste município, tem início neste sábado, 11, a Copa Mané Grande de futebol sub 20.

A disputa na Arena Mané Grande envolverá oito equipes com rodadas duplas sempre nas tardes de sábado. A competição  e prolonga-se até o dia 3 de maio quando acontece a decisão do título pelos times finalistas.

O primeiro jogo será entre os times do Sitio e do Internacional, com início previsto para as 15 horas. Em seguida  estarão se confrontando as   equipes do D. Craque e Arte D.

Os demais times envolvidos na competição são: Renascer, Jitaúna, Guerreiros e Os Trogo. Confira a tabela da copa e compareça à Arena Mané Grande para prestigiar o futebol de base que visa a revelação de grandes atletas. (José Américo Castro/Decom-PMI).

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