Vantagem de Lula sobre os Bolsonaro cai em 98% das cidades do Nordeste
Lula mantém força, mas militância de direita ganha ruas e reforça campanha no interior
Na rodovia que leva ao centro de Dom Macedo Costa, município de 4.407 habitantes do Recôncavo Baiano, bandeiras verde e amarelas estão penduradas nas portas das casas. Um comitê instalado na praça central, junto à prefeitura, distribui adesivos a apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL).
A cena era inimaginável em 2022, quando Lula (PT) chegou a 71,5% dos votos na cidade contra 23,5% de Jair Bolsonaro (PL). Mas o cenário eleitoral local foi reconfigurado: Lula ainda ganhou em 2026, com 59,3% dos votos, mas Flávio chegou a 35%. Uma diferença que era de 48 pontos caiu para 23,7.
O cenário se repetiu em outras cidades nordestinas. Levantamento da Folha aponta que a diferença de votos entre Lula e os candidatos da família Bolsonaro caiu em 98% dos municípios do Nordeste, comparando os primeiros turnos das eleições de 2022 e 2026.
A região segue como principal reduto do petista, que teve 21,5 milhões de votos nos nove estados nordestinos. Mas Flávio cresceu comparado a Jair e chegou a 10,4 milhões de votos, um avanço de 18,3%.
A diferença de Lula frente aos Bolsonaro teve uma queda maior em cidades pequenas e médias com influência do agronegócio. A queda de Lula e ascensão de Flávio também aconteceram em municípios que passaram a ser comandados por prefeitos de oposição do PT.
Foi o caso de Caldeirão Grande, de 13 mil habitantes, no sertão baiano, onde o prefeito Pedro Henrique Bezerra (PP) apoiou Flávio Bolsonaro e o ajudou a ampliar sua votação comparada à do pai.
Há quatro anos, Lula teve quase 79,5% na cidade, ante 15,5% de Jair Bolsonaro. Agora, o petista teve 68%, contra 28,5% de Flávio. Assim, a vantagem que era de 64 pontos percentuais caiu para 39.
O cenário foi parecido em localidades com a influência do agronegócio. A vantagem petista caiu em municípios como Formosa do Rio Perto e Baianópolis, produtoras de grãos no oeste do estado, e em Barra da Estiva, cidade da Chapada Diamantina conhecida pela produção de morangos.
Em Dom Macedo Costa, no Recôncavo, o prefeito Tote Fróes (União Brasil) apoiou Flávio no primeiro turno e agora trabalha para ampliar o percentual de votos do aliado na cidade.
"Graças a Deus a gente fez um bom trabalho. E também tem o desgaste do PT, são 20 anos no poder e tudo tem um limite, né? Agora está na hora de mudar", afirmou o prefeito. Ele foi eleito para a prefeitura em 2024 após um ciclo de oito anos de gestão do PT na cidade.
Prefeito de 2017 a 2024, o agente comunitário de saúde Guito (PT) afirma que o crescimento de Flávio na cidade foi impulsionado pelo poder econômico do adversário. "Esse grupo político tem muito dinheiro. A gente não tem recurso e fez uma campanha de porta em porta, conversando com as pessoas", afirma.
Dom Macedo Costa é uma cidade com as contas públicas fortemente dependentes de transferências governamentais. Em 2025, a prefeitura teve receita de R$ 35,1 milhões, sendo R$ 1,1 milhão com a arrecadação com impostos e taxas municipais.
A base da economia é a pecuária, a agricultura de subsistência. Ao todo, 850 famílias da cidade são atendidas pelo programa Bolsa Família.
Na zona urbana, o eleitorado é mais conservador. O mecânico Manuel Fróes, 40, que trabalha com venda de autopeças, votou no PT até 2006, quando passou a se alinhar com candidatos da direita. Era uma minoria entre os eleitores de Dom Macedo Costa, mas agora vê uma cidade mais dividida.
"O que falta é gente com peito dizer assim: ‘minha posição é essa’. Porque o petista tem a posição dele, bota a bandeira dele, a estrela, e sai. A direita também tem que botar a sua bandeira", avalia.
Na comunidade Pinga Fogo, na zona rural da cidade, eleitores do PT têm adesivos do partido colados na parede de suas casas. A lavradora Jacilene Oliveira dos Santos, 38, diz que o voto em Lula é uma escolha consolidada na família, associada à redução da pobreza.
Ela demonstra preocupação com eventuais cortes de benefícios sociais e diz que os mais jovens não compreendem os efeitos de um possível retorno da família Bolsonaro à Presidência: "Essa mocidade é inocente, não sabe nem o que é a vida ainda. Temos que olhar pelos nossos filhos."
No mesmo povoado, a dona de casa Eliete Bahia, 45, votou em Flávio Bolsonaro por desejar mudanças nas políticas de segurança pública. Beneficiária do Bolsa Família, ela diz não temer que o programa seja interrompido caso Lula deixe a Presidência: "Quem entrar, continua tudo a mesma coisa".
Na casa vizinha, Mércia Pires Oliveira, 40, tem uma bandeira do PT hasteada na porta de sua casa, mas votou em Flávio Bolsonaro no primeiro turno —o petista da família é o marido dela. Agora, diz que vai votar em branco. "Não quero me responsabilizar por nada que aconteça", afirma.
No centro da cidade, o comitê do União Brasil que fez campanha para o candidato ao governo ACM Neto foi transformado no quartel-general de Flávio Bolsonaro. Na quarta-feira (14), o prefeito recebeu deputados aliados e prometeu engajamento na campanha.
Ao todo, somente 9 dos 417 prefeitos da Bahia apoiaram Flávio no primeiro turno. Agora, o número de gestores municipais aliados passa de 40, aponta o presidente estadual do PL, João Roma, ex-ministro de Bolsonaro.
Por João Pedro Pitombo, Marina Pinhoni e Nicholas Pretto, Folhapress
Com 5.606 armas apreendidas em 2026, Forças de Segurança da Bahia superam número de 2025
A retirada dos armamentos garantiu, no mês de setembro, o registro do menor número de mortes violentas dos últimos 14 anos.
Com 5.606 armas apreendidas em 2026, as Forças de Segurança Pública da Bahia superaram o número contabilizado no mesmo período de 2025. Os armamentos ilícitos foram localizados em ações das Polícias Militar e Civil, além das operações integradas com a Polícia Federal, a FICCO Bahia e a Polícia Rodoviária Federal.A retirada dos armamentos garantiu, no mês de setembro, o registro do menor número de mortes violentas dos últimos 14 anos. No acumulado do ano, a Polícia registra redução de 20% das ocorrências de homicídio, latrocínio e lesão dolosa seguida de morte.
Em números percentuais, na comparação entre os meses janeiro e setembro, o aumento das apreensões de armas de fogo é de aproximadamente 1%. No ano passado foram encontradas 5.566 armas de fogo no mesmo período.
"A implantação da doutrina do Policiamento Orientado pela Inteligência (POI) e a integração entre as Forças Estaduais, Federais e Municipais proporcionaram esse aumento de produtividade e, consequentemente, a redução das mortes violentas na Bahia”, destacou o secretário da Segurança Pública, Marcelo Werner.
O delegado federal acrescentou ainda que o combate às facções continuará intensificado em todo o território baiano, com ações também em outros estados e países. “O nosso trabalho é incansável. Estamos atentos e operando diuturnamente", enfatizou Werner.
Fonte
Alberto Maraux
Capitais têm atos pró-Lula uma semana antes do segundo turno
"Ato pró-Lula ocorre no Largo da Batata, em São Paulo, neste domingo (18)"
Apoiadores da reeleição do presidente Lula (PT) promovem atos a favor do candidato em cidades brasileiras e, neste domingo (18), dezenas de mobilizações estão previstas no país.
Em Brasília, Maceió e Rio de Janeiro, as manifestações já começaram pela manhã. Apoiadores em Salvador e Curitiba começam a se reunir no início desta tarde.
O cantor e compositor Chico Buarque participou do ato a favor de Lula no centro do Rio de Janeiro. O público ocupa um quarteirão da avenida Presidente Vargas, na altura da igreja da Candelária. O artista foi saudado pelo público no local.
"Estamos aqui contra a truculência e contra a subserviência. Viva os estudantes, viva a democracia e viva o presidente Lula", afirmou.
O ato é organizado pela UNE (União Nacional dos Estudantes) e tem apoio de partidos como PT e PDT.
No Rio, um segundo ato acontece às 16h na zona sul da cidade. A mobilização está sendo chamada de "ato musical em defesa da democracia" e foi convocada pelo cantor Caetano Veloso em Copacabana.
Na capital federal, manifestantes se concentraram na Esplanada dos Ministérios. A aglomeração de apoiadores ocorre em frente ao Museu da República, que fica próximo da rodoviária central e da catedral de Brasília.
Por volta das 12h, o grupo passou a seguir em caminhada até o Congresso Nacional, em meio ao forte calor.
A mobilização ocorre uma semana antes do segundo turno, marcado para o próximo domingo (25), e integra uma sequência de manifestações populares em apoio ao petista pelo país.
Na última terça-feira (13), milhares de pessoas já haviam ocupado a Esplanada em um ato convocado pelo DCE (Diretório Central dos Estudantes) da UnB (Universidade de Brasília), com apoio da UNE.
A Secretaria de Segurança Pública disse à Folha que não realiza estimativas de público nestes atos.
Atos também estão marcados em cidades de outros estados, como Acre, Amapá, Pará, Tocantins, Piauí, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo e Minas Gerais.
Em Salvador, os cantores Gilberto Gil e Daniela Mercury, além de outros artistas, também participarão de um ato em apoio a Lula, no Clube Espanhol. A mobilização já começou neste início de tarde.
Outras duas capitais, Curitiba e Porto Alegre, também fazem atos pró-Lula. Na capital do Paraná, a concentração começou às 13h na praça 19 de Dezembro.
Na capital do Rio Grande do Sul, o ato está marcado para as 14h, na Redenção, e também terá apresentações de artistas.
Mobilizações semelhantes, nas ruas, estão acontecendo em diferentes cidades do país desde o resultado das urnas em 4 de outubro, quando o candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) obteve mais votos do que Lula.
O eleitorado do petista começou a se organizar pelas redes sociais —parte expressiva da iniciativa veio de grupos de estudantes— e surpreendeu o meio político.
Um dos principais atos foi na avenida Paulista, dia 11 de outubro, e contou com a presença de Lula. A via chegou a ser ocupada por 12 quarteirões, na maior parte de seus 2,8 km.
Em São Paulo, grupos petistas devem se concentrar em atos nas periferias da cidade, a partir das 15h. O mote é "Botar pra virar! Domingo é nas periferias!".
Por Catarina Scortecci e André Borges Yuri Eiras, Folhapress
Vídeo: Mau tempo impede viagem de ACM Neto e vice de Flávio Bolsonaro para carreata em Jequié Por Política Livre
ACM Neto explicou que as condições climáticas desfavoráveis inviabilizaram o deslocamento aéreo
O mau tempo impediu, neste domingo (18), a viagem de ACM Neto (União), do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL), e de outras lideranças políticas para Jequié, no sudoeste baiano, onde participariam de uma carreata em apoio ao presidenciável.
Em vídeo gravado ao lado de Alfredo Gaspar, João Roma (PL), do senador Angelo Coronel (Republicanos) e do deputado federal Leur Lomanto Júnior (União), ACM Neto explicou que as condições climáticas desfavoráveis, com o tempo fechado em Salvador, inviabilizaram o deslocamento aéreo. Segundo ele, não havia teto suficiente para o pouso da aeronave em Jequié.
Apesar da ausência do grupo, a carreata foi realizada, sob a liderança do ex-prefeito e candidato a vice da oposição Zé Cocá (PP), que mobilizou apoiadores de Flávio Bolsonaro na cidade.
Veja vídeo:
Por Política Livre
Relação com Lula nunca foi comercial, e sim institucional, afirma lobista a 8 dias do 2º turno
A empresária e lobista Roberta Luchsinger
A oito dias da eleição de segundo turno no Brasil, a empresária e lobista Roberta Luchsinger - investigada por corrupção e tráfico de influência em conjunto com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha - afirmou à CNN Brasil que sua relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nunca foi profissional nem comercial, e sim institucional.
Ainda assim, criticou Lula repetidas vezes e disse que "um presidente da República que não sabe o que está acontecendo na antessala dele ou é mentiroso, ou senil". Isso após dizer que Lulinha se encontrou com diversos ministros do governo federal e que até viajou para a casa do ex-ministro da Educação Camilo Santana, no Ceará.
Luchsinger, que chegou a se descrever como "melhor amiga" de Lulinha, encerrou a entrevista dizendo que a partir do momento em que Lulinha se cala e não a defende do próprio pai, ela que é a vítima da situação e eles, cúmplices.
A lobista fez referência às vezes em que Lula a chamou de "pilantra" no Podcast Flow e em entrevista à TV Globo, o que, segundo ela, ocasionou em ameaças de morte para ela e para as filhas.
Relação com Antônio Carlos Camilo Antunes
A lobista afirmou que conheceu o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", para prestar um serviço de revisão de Resoluções da Diretoria Colegiada (RDCs) da Anvisa, focando em melhorias para a área de saúde, e o apresentou para Lulinha. Depois disso, Luchsinger alega que só soube da relação entre ambos a partir da mídia, de que teriam ficado amigos e viajado.
Em relação às fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Luchsinger disse que rompeu contrato do serviço com Antônio Camilo assim que soube do esquema. Acrescentou que seu inquérito da PF é público e que, nele, fica claro que ela não teria relação com o escândalo do INSS.
Por Caroline Aragaki, Estadão Conteúdo
Seleção de Ibirataia empata com Jequié na Copa Inter Vale Master
Confronto pela Copa Intervale Master foi marcado por equilíbrio e emoção até o apito final.
A Seleção de Ibirataia empatou com a Seleção de Jequié em um confronto equilibrado pela 3ª edição da Copa Intervale Master, realizado neste domingo (18), no Estádio O Tesourão, em Ibirataia.
Diante da torcida, a equipe ibirataense protagonizou uma partida disputada do início ao fim, com chances para os dois lados e emoção até o apito final.
Com o resultado, a definição continua ainda com outros jogos na fase de grupos. O duelo reforçou o equilíbrio da competição e a importância do apoio da torcida ao futebol regional.
Fonte: DECOM-PMI
Fonte: DECOM-PMI
Flávio Bolsonaro reúne apoiadores na Paulista para manifestação "Videos Mostram a multidão na Paulista"
Apoiadores de Flávio Bolsonaro se reúnem na Avenida Paulista neste domingo (18)
Apoiadores do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) se reúnem na avenida Paulista na manhã deste domingo (18) para um comício do candidato.
O ato foi convocado após a manifestação da esquerda, a favor do presidente Lula (PT), no mesmo local no domingo passado (11). O evento, na ocasião, ocupou 12 quarteirões da avenida.
Flávio chegou ao evento por volta das 11h15 e fará seu discurso sobre um dos carros de som que está no local. O trio elétrico do candidato percorre um trecho da avenida nas proximidades do Masp.
Na noite deste domingo, ele vai comparecer a debate promovido pela Band e outros veículos de imprensa, também em São Paulo.
Por volta das 11h, a avenida Paulista tinha mais manifestantes concentrados em trecho perto da rua Augusta. O ponto da principal concentração, no restaurante McDonald's, é quase intransitável para pedestres com a aglomeração.
Bloqueios nas proximidades do parque Mario Covas impedem as pessoas de chegar perto, provocando um vaivém.
O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também comparece. Estão no carro de som aliados como os senadores eleitos Deltan Dallagnol (Novo-PR), Marcel van Hattem (Novo-RS) e André do Prado (PL-SP). Um dos organizadores é o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), também presente.
Funk e palavras de ordem animam o público, composto por muitas pessoas de meia-idade, idosos e também famílias.
"Quem ficar parado é petista disfarçado" é o refrão mais cantado, um tipo de sinal ao qual os manifestantes respondem com pulinhos e acenos.
Por Clayton Castelani e Jullia Gouveia, Folhapress
Paris registra protestos e confrontos; brasileiros relatam clima de tensão na capital francesa Por Política Livre
As autoridades também registraram aproximadamente 1.800 detenções.
Paris amanheceu neste domingo (18) após um sábado marcado por protestos e confrontos na França. As manifestações contra o alto custo de vida, a inflação e os cortes nos serviços públicos terminaram com registros de depredações e saques.
Brasileiros que moram na capital francesa encaminharam ao Política Livre fotos e vídeos exclusivos que mostram a situação nas ruas da cidade.
“Dia tenso hoje em Paris, muito quebra-quebra e sinal de guerra”, relatou um dos leitores ao site.
Segundo o Ministério do Interior francês, cerca de 550 mil pessoas participaram dos protestos realizados no sábado (17). Os organizadores estimaram a presença de 800 mil manifestantes. As autoridades também registraram aproximadamente 1.800 detenções.
Em Paris, houve registros de veículos incendiados, lojas saqueadas e confrontos com a polícia. O presidente Emmanuel Macron condenou os atos de violência e afirmou que os responsáveis pelas depredações serão punidos.
Veja vídeos abaixo:
Por Política Livre
De olho em 2028, Ana Paula Matos e Léo Prates ficam fora de ato de Flávio Bolsonaro em Salvador- Por Política Livre
A vice-prefeita Ana Paula Matos (PDT) e o deputado federal Léo Prates (Republicanos)
Dois nomes que disputam espaço no grupo político de ACM Neto (União) e do prefeito Bruno Reis (União) de olho na Prefeitura de Salvador em 2028 não foram vistos no ato de campanha de Flávio Bolsonaro (PL), realizado neste sábado (17), na Barra. O deputado federal Léo Prates (Republicanos) e a vice-prefeita Ana Paula Matos (PDT) ficaram de fora dos registros públicos da mobilização, diferentemente dos seus liderados, respectivamente o antecessor e o atual gestor, de secretários municipais e de dirigentes ligados à administração da capital.
A ausência dos dois chama atenção pelo contexto eleitoral. Tanto Ana Paula quanto Léo alimentam o desejo de disputar a sucessão de Bruno Reis, mas precisam considerar o perfil do eleitorado soteropolitano, que deu maioria dos votos ao presidente Lula (PT). Nesse cenário, uma associação direta à campanha de Flávio Bolsonaro poderia representar um desgaste junto a setores do eleitorado que poderão ser decisivos na eleição municipal de 2028.
No caso de Ana Paula, a situação é ainda mais delicada por ocupar a vice-prefeitura e integrar diretamente a administração de Bruno Reis. Embora faça parte do mesmo grupo político de ACM Neto, a pedetista não acompanhou publicamente o movimento de aproximação com o candidato do PL. A ausência no evento permite a interpretação de que ela busca preservar sua identidade política e evitar uma vinculação mais explícita ao bolsonarismo.
Léo Prates também adotou uma postura diferente da de seu principal líder político. Enquanto ACM Neto declarou apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno e participou ativamente da organização do ato, o deputado do Republicanos não anunciou adesão pública à candidatura presidencial. O silêncio pode ser interpretado como uma tentativa de manter abertas diferentes possibilidades políticas para 2028, sem comprometer sua relação com eleitores que não se identificam com o bolsonarismo. Valeu lembrar que o presidente da sigla, deputado federal Márcio Marinho, esteve no evento.
Léo, aliás, não esconde a disposição de disputar a Prefeitura de Salvador, mesmo que isso signifique contrariar os planos de ACM Neto e Bruno Reis. Em diferentes momentos, ele já sinalizou que poderia seguir um caminho próprio caso não fosse escolhido pelo grupo. Até agora, entretanto, nunca levou essa possibilidade às últimas consequências, preferindo tensionar a relação com seus padrinhos políticos sem efetivamente romper com eles.
A rivalidade entre Léo e Ana Paula voltou a aparecer nas eleições deste ano. A vice-prefeita apoiou a candidatura de Cacá Leão (PP) à Câmara dos Deputados, deixando de caminhar com Léo Prates, que também disputou e conquistou a reeleição. O episódio reforçou a existência de projetos políticos distintos dentro de um mesmo grupo, apesar da aliança administrativa na Prefeitura.
A ausência dos dois no ato deste sábado, portanto, pode ter ido além de uma simples questão de agenda. Enquanto ACM Neto e Bruno Reis assumiram publicamente a campanha de Flávio Bolsonaro, Ana Paula e Léo evitaram, ao menos naquele evento, uma exposição que poderia cobrar seu preço político daqui a dois anos. Resta saber até quando conseguirão manter essa distância sem provocar novos atritos com as principais lideranças do grupo.
Por Política Livre
Moraes ignorou aviso da PF sobre risco de quebrar sigilo da fonte em caso de blogueiro do Maranhão
O jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida, que assina um blog com seu nome e foi alvo de busca e apreensão em investigação por suspeita de perseguição após publicações contrárias a Flávio Dino
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), ignorou um alerta da PF (Polícia Federal) de que a quebra do sigilo da fonte de um jornalista investigado iria ferir uma garantia constitucional. Em um inquérito sob sua relatoria, o ministro determinou que informações resguardadas por tal proteção fossem juntadas aos autos.
Trata-se da investigação sobre suposta perseguição contra o também ministro do STF Flávio Dino. Moraes determinou a apreensão de celulares e notebook do jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida, que publicou em seu blog reportagens sobre o uso de veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares de Dino.
Em agosto, cinco meses após a PF apreender os equipamentos de Luís Pablo, Moraes determinou operação de busca e apreensão contra informantes do jornalista. Ou seja, permitiu que fosse quebrado o sigilo da fonte, cláusula pétrea da Constituição Federal.
As decisões motivaram críticas de entidades do jornalismo e do direito, além de preocupações e dúvidas entre estudiosos do assunto.
Depois da apreensão do material do jornalista —mas antes da busca e apreensão sobre seus informantes—, o delegado Antônio Carlos Knoll de Carvalho, da Polícia Federal, enviou, em 8 de abril, um ofício a Moraes informando que não havia juntado aos autos diálogos que revelariam as fontes do jornalista.
"Da análise das mensagens pode-se identificar o provável fornecedor de informações para o investigado, tendo sido tal pessoa responsável por encaminhar ao jornalista as fotografias, filmagens e os dados dos veículos que foram publicadas por Luís Pablo nas reportagens em seu blog", escreveu o delegado.
"Tendo em vista o disposto no Art. 5º, inciso XIV, da Constituição Federal, que resguarda o sigilo da fonte, e havendo a possibilidade, em tese, de as conversas acima mencionadas estarem resguardadas por tal preceito, a IPJ [Informação de Polícia Judiciária] nº 1466253/2006 não foi, neste momento, juntada aos autos."
Em um despacho no mesmo dia, Moraes não compartilhou da preocupação do delegado. O ministro reconheceu que a "Constituição Federal, ao proclamar a inviolabilidade do sigilo da fonte, tem por finalidade garantir a toda a sociedade a ampla e total divulgação dos fatos e notícias de interesse público".
Mas considerou que aquela situação configurava uma exceção. "No caso dos autos, entretanto, há indícios relevantes de que o investigado Luís Pablo Conceição Almeida incorreu na prática de crime previsto no Art. 147-A do Código Penal [crime de perseguição] sem prejuízo de outras condutas eventualmente relacionadas, a partir de publicações realizadas na internet e em redes sociais, atentando contra ministro do Supremo Tribunal Federal", escreveu o magistrado.
"Desse modo", acrescentou Moraes, "é indispensável a juntada das provas aos autos, de modo que seja regularmente analisada a sua licitude pelo Poder Judiciário no contexto da existência de indícios de crimes."
Diante disso, o ministro determinou que a PF juntasse as provas nos autos no prazo de 48 horas.
Um dos alvos de busca e apreensão da operação determinada em agosto por Moraes foi o delegado da PF aposentado Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança do Maranhão e que era secretário extraordinário de Assuntos Legislativos do governo Carlos Brandão (MDB). Ele ocupou o cargo até ser afastado e ter prisão domiciliar decretada por uma decisão de julho do ministro Flávio Dino em outro inquérito que corre no STF, sobre os desdobramentos de um assassinato à luz do dia num centro comercial de São Luís.
Segundo a PF, Cutrim conseguiu informações sobre o uso do carro oficial por familiares de Dino em sistemas de acesso restrito e as repassou para Luís Pablo.
Com base em dados obtidos na operação de março contra o jornalista, a PF concluiu que Cutrim era informante dele, a partir de conversas entre os dois pelo WhatsApp.
Três meses após o ministro determinar a juntada dos diálogos aos autos, em 15 de julho, o mesmo delegado Antonio Knoll solicitou a Moraes a expedição do mandado de busca e apreensão contra Cutrim.
Nessa mesma busca, Moraes autorizou medidas contra o advogado Diogo Diniz Lima, também apontado como informante e que, segundo a investigação, fez pagamentos de R$ 100 mil a Luís Pablo para a quitação de um imóvel. A PF, porém, informou a Moraes não ser possível afirmar que o jornalista recebeu pagamento para fazer reportagens contra Dino
Luís Pablo, que é réu num processo de 2017 acusado de integrar uma rede de extorsão a políticos e empresários do estado, nega ter monitorado Dino e seus familiares.
O advogado de Cutrim, José Berilo de Freitas Leite Filho, chamou de "aberração jurídica, que contraria entendimento do próprio STF" a quebra de sigilo da fonte do jornalista que permitiu a busca e apreensão contra seu cliente. Também disse que Moraes cometeu um "erro grotesco" ao quebrar uma cláusula pétrea da Constituição por meio de um despacho.
Quando o caso veio à tona, Moraes, acossado por críticas, afirmou que defende a liberdade de imprensa, mas que o sigilo da fonte para jornalistas não deve servir como escudo para práticas criminosas.
"Sigilo de fonte é uma garantia constitucional consagrada por essa Suprema Corte, mas que nunca se confundiu e nunca jamais se confundirá com escudo protetivo para a prática de atividades ilícitas. Sigilo da fonte é uma garantia essencial para a defesa da democracia, e não um instrumento oculto para associações criminosas praticarem impunemente diversas infrações penais."
Procurado pela Folha, Moraes não se manifestou. A assessoria do ministro disse que ele já havia tratado do tema.
A assessoria de Dino negou irregularidades no uso dos veículos do TJ-MA, afirmando que o STF solicitou ao tribunal maranhense aparato de segurança para o ministro e seus familiares quando estivessem no estado. Afirmou que Dino é alvo de agressões e ameaças, que ele e parentes foram monitorados e seguidos e que a investigação mostrou o "acesso ilegal, por funcionário público, a informações sigilosas de segurança, que foram utilizadas em um monitoramento clandestino e ilegal".
Os inquéritos envolvendo Luís Pablo e Raimundo Cutrim tiveram desdobramentos importantes em meio à campanha eleitoral e à guerra entre o grupo do governador Carlos Brandão (de quem Cutrim é aliado) e os chamados "dinistas", que trabalharam no governo Dino (do qual Brandão foi vice) e depois romperam com a atual gestão.
Algumas das ações relativas ao Maranhão no STF estão sob a relatoria de Dino e têm entre os investigados Brandão e aliados. O governador se queixa de não ter tido acesso aos autos de um dos casos e acusa Dino de usar a toga para perseguir adversários.
Dino afirmou, via sua assessoria, que está afastado da política desde que tomou posse no STF e que não tem motivos para se declarar impedido de julgar os processos.
Por Fabio Victor, Folhapress
Ampliar mandato em PEC do fim da reeleição pode ser inconstitucional, dizem especialistas
Flávio Bolsonaro defendeu que proposta que veta novo mandato valeria já para si mesmo, se eleito, e que Congresso definiria se seria de 4 ou 5 anos
Ao defender que a Constituição seja alterada para dar fim à possibilidade de reeleição, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse que tal medida deveria valer para ele mesmo, caso seja eleito, e sinalizou que caberia ao Congresso definir qual seria a duração de seu mandato –se de quatro ou cinco anos.
Professores de direito constitucional ouvidos pela Folha dizem que, apesar de não haver problema em que o Congresso aumente o tempo de mandato do presidente em um ano por si só, determinar que essa mudança valeria para aquele que já está no cargo poderia ser declarado inconstitucional pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
Há, por outro lado, quem diga que esse tipo de medida está em uma zona cinzenta, embora seja consenso que o mais adequado seria prever uma regra de transição.
"Uma proposta nesse caso me seria inconstitucional porque ela violaria as cláusulas pétreas, especificamente em relação ao significado do que é o voto direto, secreto, universal e periódico", afirma Emilio Peluso Neder Meyer, professor de direito constitucional da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).
"Significaria um eleitorado soberanamente decidir, outorgar a alguém um mandato presidencial de quatro anos e, quando vê, a pessoa está exercendo cinco", diz ele.
Ana Laura Barbosa, professora de direito constitucional do Insper e da FGV Direito SP concorda: "Quando o povo vai às urnas eleger um presidente, ele vai sabendo a duração do mandato para o qual ele votou".
"Sem uma regra de transição, uma emenda constitucional desse tipo aplicando-se ao incumbente de imediato seria inconstitucional, justamente porque muda as regras de duração de mandato no meio do jogo."
Rubens Beçak, professor de direito constitucional na Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da USP, tem entendimento semelhante. "Quem está conferindo o mandato eventual para o presidente eleito está trabalhando com as regras do jogo, de quatro anos", diz. "Então o Congresso, numa eventualidade de aprovação de aumento do período presidencial, estaria ampliando a vontade do eleitor, e eu tenho dúvida se isso é possível."
Daniel Sarmento, professor de direito constitucional da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), por sua vez, avalia que o tema é complexo, não sendo possível afirmar com certeza que se trata de uma medida constitucional ou não.
"É uma zona cinzenta", diz ele. "Idealmente, quando você faz uma mudança sobre extensão do mandato, ela não deveria se aplicar ao proponente dessa mudança ou ao mandato atual. Deveria se aplicar ao outro. Agora, dizer que o ideal corresponde à redação da cláusula pétrea demanda um esforço argumentativo."
O entendimento de Sarmento é que não tem nenhuma cláusula pétrea na Constituição que trate exatamente desse assunto, e que falar em restrição ao direito do voto pelo aumento de mandato de um ano não é algo evidente. "Não está se falando em algo como dobrar o mandato, não é algo abolindo uma eleição."
Ele aponta inclusive o precedente da reforma de 1997 que passou a permitir a reeleição, algo de maior impacto, e que já valeu para o mandato do então presidente Fernando Henrique Cardoso.
Em março deste ano, o senador Flávio Bolsonaro apresentou uma PEC propondo o fim da reeleição para a Presidência. O texto não abordava a questão do tempo de mandato.
Neste mês, após sair à frente nos resultados das urnas no primeiro turno, Flávio disse defender que o fim da reeleição tenha validade já para o seu mandato e sinalizou que o Congresso poderia definir uma alteração no mandato.
"Eu sou autor da PEC e vou usar o capital político que um presidente recém-eleito tem para conseguir aprovar isso no Congresso para que sirva já no meu mandato. E aí, se vai ser quatro ou cinco anos, se vale para governador, prefeito, o processo legislativo é que vai dizer", afirmou.
Em 1994, a emenda que alterou o tempo do presidente no cargo de cinco para quatro anos estabeleceu que ela só entraria em vigor no ano seguinte –quando haveria troca de mandato.
A própria PEC que está em tramitação no Congresso que trata do fim da reeleição, além de uma série de outros pontos, prevê regra de transição no que se refere ao tempo no cargo.
O relatório aprovado na CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) do Senado em 2025 diz, por exemplo, que o mandato do presidente e dos governadores eleitos em 2026 e 2030 seria de quatro anos. E apenas a partir de 2034 aumentaria para cinco anos.
Regras sobre parentes
Ao falar sobre a proposta do fim da reeleição, Flávio também defendeu que ela deveria incluir uma vedação para que parentes imediatos disputem o mesmo cargo.
"É o Congresso que faz a lei. Mas inclusive para a questão de parentes até terceiro grau, não sou só eu, é o meu pai inclusive. Houve uma fala desencaixada de que o [Jair] Bolsonaro poderia ser candidato a vice-presidente. Não. Se eu for presidente da República a partir de 2027, nenhum parente meu pode ser candidato", afirmou o senador.
Emilio Peluso Meyer aponta que, pela atual jurisprudência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), parentes só podem concorrer ao mesmo cargo quando aquele que estava no posto ainda teria direito à reeleição. Nesse caso, portanto, segundo as regras atuais, o presidente teria que renunciar ao posto seis meses antes do pleito, de modo que seus parentes pudessem se candidatar.
Por Renata Galf, Folhapress
Vorcaro encomendou vídeos apócrifos difamando Malu Gaspar e Lauro Jardim, diz jornal
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em imagens feitas no Complexo Penal II de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro encomendou vídeos apócrifos contra os jornalistas Malu Gaspar e Lauro Jardim, do jornal O Globo, de modo a descredibilizar a cobertura a respeito do Banco Master feita por eles. A informação foi revelada pelo jornal O Estado de S.Paulo.
A estratégia de difamação, colocada em prática por meio de vídeos que não indicavam a respectiva autoria, veio à tona por meio de conversas encontradas pela Polícia Federal entre Vorcaro e a então superintendente de comunicação e marketing do banco, Ana Lúcia Matos.
Ana Lúcia disse ao jornal O Estado de S.Paulo que não teve acesso ao material original e que não tem como verificar sua autenticidade. Acrescentou ainda que tem sido submetida à exposição pública sem acesso aos elementos necessários para exercer plenamente sua defesa.
A defesa de Vorcaro negou, em nota no mês passado, que ele tenha praticado, determinado ou se envolvido "em qualquer ato de violência, intimidação, perseguição ou ameaça contra quem quer que seja".
O jornal O Globo afirmou repudiar veementemente a campanha de difamação planejada contra os dois jornalistas, acrescentando que Malu e Lauro são dois dos mais respeitados profissionais do país.
"Trata-se de mais uma tentativa de intimidar a imprensa e desacreditar o jornalismo profissional, pilar fundamental da democracia. O Globo e seus jornalistas não se intimidarão e seguirão apurando e noticiando, com rigor e independência, os fatos de interesse público", afirmou o veículo.
Nas mensagens obtidas pelos investigadores, a executiva Ana Lúcia Matos enviou roteiros e rascunhos de vídeos para a aprovação de Vorcaro. Em um dos trechos, o banqueiro diz para "tirar Globo" do texto e "atacar a física", com o objetivo direcionar os ataques diretamente aos profissionais, pessoas físicas, e poupar o veículo. "Vou atrás de montar isso. Eu adoraria cutucar o Globo junto", respondeu ela.
Um dos textos escritos por Ana Lúcia Matos dizia que "a Malu Gaspar é a Mãe Diná da Faria Lima". "Faz matérias com toda a certeza do mundo… pena que quase nunca se confirmam. E as fontes? Só podem ser disco voador: todo mundo fala, mas ninguém nunca viu!"
Já sobre Lauro Jardim, a superintendente propôs escrever: "Engraçado, né? O jornalista do Globo parece ter até crachá de acesso ao prédio do Malzoni, em São Paulo —praticamente um colaborador fixo do BTG". No edifício citado na mensagem, fica localizada a sede do BTG Pactual.
"O que será que ele faz tanto lá, gente?", segue o texto. "Café com vista pro Faria Lima? Brainstorm de pauta? Porque, curioso mesmo, é que nas notas dele… do BTG a gente não vê nada."
"O Lauro de crachá vai viralizar. Vira figurinha", disse Ana a Vorcaro.
Segundo a Polícia Federal, Daniel Vorcaro mantinha uma milícia privada visando coagir e ameaçar seus desafetos.
Em março, soube-se que ele chegou a planejar um assalto forjado contra Lauro Jardim como forma de intimidação, em mensagens de WhatsApp. "Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto", escreveu Vorcaro, segundo trecho reproduzido no processo.
De acordo com os advogados do ex-banqueiro, as falas no grupo "foram proferidas em momentos de indignação".
Também se tornou público, em julho, que o ex-banqueiro e o publicitário Thiago Miranda, da agência Mithi, promoveram uma busca por dados privados de Malu Gaspar. Em mensagens obtidas pela PF, Vorcaro afirma a Miranda que eles teriam que "tentar pegar algo dessa mulher no pessoal", ao que este responde: "Exatamente. Ela joga baixo. Vou revirar a vida dela".
Posteriormente, o publicitário dá um panorama a Vorcaro sobre seus achados a respeito da jornalista e afirma: "Nem multa na CNH dela encontrei". Miranda nega ter cometido irregularidades. Sua defesa já afirmou que ele não participou de condutas destinadas a intimidar, coagir, constranger ou violar direitos de terceiros.
Por Folhapress
Pacote eleitoral de Lula alcança R$ 290 bi e gera pressão sobre dívida pública
Planejamento destaca ações para reduzir efeitos de guerra e nega uso político; Fazenda diz que medidas respeitarão regras fiscais
A lista de medidas adotadas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de olho nas eleições alcançou R$ 290 bilhões, considerando valores previstos para 2026 e 2027, e gera pressão sobre a dívida pública.
Embora algumas iniciativas não afetem as regras fiscais —algumas delas, como os recursos para financiar empréstimos, são consideradas despesas financeiras—, boa parte acaba tendo impacto no endividamento do país. Em agosto, a DBGG (dívida bruta do governo geral) alcançou 82,9% do PIB (Produto Interno Bruto), o maior patamar em cinco anos.
A trajetória de crescimento da dívida está no centro das preocupações de economistas, que veem necessidade de um ajuste nas contas públicas de pelo menos R$ 250 bilhões no próximo mandato para estabilizar o indicador. Sem um esforço desta envergadura, os investidores podem continuar cobrando taxas de juros elevadas para financiar o país.
Cálculos preliminares da IFI (Instituição Fiscal Independente) do Senado apontam que o pacote de Lula pode gerar um aumento de 1,2 ponto percentual na DBGG até o fim do ano que vem, considerando a projeção anterior, divulgada em junho. Na ocasião, o órgão previa que o indicador chegaria a 86,4% do PIB em dezembro de 2027, já contabilizando uma parte das medidas anunciadas até então.
A lista de ações inclui subsídios aos preços de combustíveis, anunciados em março após a eclosão da Guerra no Irã e renovados ao longo dos últimos meses, e linhas de crédito para socorrer setores econômicos, facilitar a compra da casa própria e incentivar a aquisição de carros e caminhões.
Também contempla as últimas promessas de Lula, como a expansão do programa Pé-de-Meia para universitários, o repasse de um Pix de R$ 5.000 para MEIs (microempreendedores individuais) e a tarifa zero no transporte público nos finais de semana.
O MPO (Ministério do Planejamento e Orçamento) disse, em nota, que as iniciativas listadas têm diferentes naturezas, fontes de financiamento e períodos de execução —por isso, na visão da pasta, não deveriam ser somadas. O órgão ressaltou ainda que parte representa ações emergenciais adotadas para mitigar os efeitos de guerras em curso sobre o dia a dia da população, como é o caso dos subsídios aos combustíveis.
A pasta defendeu a atuação do Estado para minimizar esses impactos e prover políticas públicas para a população, "com respeito a legislação fiscal e ao processo de consolidação das contas públicas". "A realização das eleições não suspende as responsabilidades do Estado nem seu dever de proteger a população, garantir direitos e promover o desenvolvimento do país", disse a pasta. "A execução de políticas públicas não pode ser confundida, por si só, com aumento de gastos motivado pelo calendário eleitoral."
Em nota, o Ministério da Fazenda informou que "os valores das medidas anunciadas não representam, integralmente, um impacto adicional no Orçamento de 2027". "Após a designação do relator, o governo encaminhará ao Congresso os ajustes necessários, considerando as particularidades de cada medida", afirmou. Segundo a pasta, os ajustes vão respeitar a meta fiscal e o arcabouço.
Ainda assim, o custo com as políticas anunciadas até o momento deve alcançar R$ 234,9 bilhões neste ano e R$ 55,1 bilhões em 2027 —ou seja, ficará a cargo do presidente que for eleito. Algumas das ações terão impactos também nos anos seguintes, como o reajuste do Bolsa Família, a ampliação do limite de faturamento para MEIs e o perdão de dívidas para esse público.
O presidente também propôs, ao longo do seu governo, outras medidas que acabaram sendo implementadas apenas em ano eleitoral, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 por mês. A medida foi anunciada no fim de 2024 e aprovada pelos parlamentares em novembro 2025, com impacto nos salários dos eleitores a partir de janeiro deste ano.
A renúncia de receitas com a medida foi estimada em R$ 28 bilhões neste ano. O valor seria compensado pela retenção do IR sobre dividendos, mas a arrecadação esperada de R$ 29,9 bilhões foi reduzida a R$ 10,5 bilhões devido à frustração nas receitas efetivamente observadas.
Para chegar aos valores, a Folha considerou os gastos já autorizados, as projeções divulgadas pelo Executivo em entrevistas, documentos oficiais do governo e cálculos preliminares da área econômica (no caso de medidas mais recentes).
Algumas ações envolvem despesas diretas, com impacto no resultado primário (saldo entre receitas e despesas não financeiras), gastos financeiros e renúncias de receitas.
Em alguns casos, não há impacto no endividamento porque a medida é bancada por meio de remanejamento no próprio Orçamento. É o caso, por exemplo, do reajuste dos benefícios do Bolsa Família. A despesa está dentro do limite do arcabouço fiscal, então o gasto total permanecerá igual. Ainda assim, outras ações perderão recursos para dar lugar à medida.
Só no Orçamento de 2027, será necessário ajustar ao menos R$ 39,9 bilhões, já que o texto foi enviado ao Congresso no fim de agosto, antes do anúncio de parte das últimas bondades.
Assessores econômicos da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), adversário do petista no segundo turno das eleições, têm criticado a condução da política fiscal de Lula e prometem mudanças, embora não detalhem as medidas de ajuste por medo da impopularidade.
Nas últimas semanas, porém, o candidato se comprometeu com bandeiras que representam mais gastos, como a garantia de aumento real para aposentados, ou menos receitas, como o tesouraço nos impostos. Seus assessores também afirmaram que, em caso de vitória, manterão reajustes para servidores e a realização de novos concursos públicos.
Na equipe econômica de Lula, também há preocupação com a trajetória da dívida, e o presidente tem sido aconselhado a demonstrar compromisso com a busca de superávit primário (economia que ajuda a pagar os juros da dívida). Mas a desvantagem no placar do primeiro turno das eleições acabou despertando a reação da campanha petista, que reforçou os anúncios de benesses nessa reta final.
Para Alexandre Andrade, diretor da IFI e autor da estimativa dos impactos das medidas na dívida, a criação de despesas de caráter continuado em 2026 traz desafios a um quadro fiscal já apertado e que vai exigir remanejamento de despesas no Orçamento de 2027.
"O arcabouço limita o crescimento da despesa. Arrecadar mais ajuda a cumprir a meta, mas não abre espaço no limite. Se entram despesas obrigatórias novas, algo precisa sair, em geral investimento e custeio, já comprimidos", afirmou. "As saídas são rever despesas obrigatórias, rever renúncias ou mudar a regra. Todas exigem decisão política e transparência", acrescentou.
"Os impactos agregados das novas medidas do governo mostram que se torna ainda mais relevante o ajuste fiscal no pós-eleições", avaliou o economista Felipe Salto, da Warren Rena.
De acordo com ele, não há descumprimento da Lei Eleitoral e da Lei de Responsabilidade Fiscal com as medidas anunciadas, "mas os efeitos contratados ensejariam uma discussão sobre a modernização dessas leis, ampliando as restrições" com a proximidade do período eleitoral.
Por Idiana Tomazelli e Guilherme Pimenta, Folhapress
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