Master gastou R$ 60 milhões com autoridades da República em Londres, Nova York e Lisboa

"Ministro do STF Alexandre de Moraes fala em painel do Fórum Jurídico Brasil de Ideias, em Londres, em abril de 2024; evento do Grupo Voto, que recebeu quase R$ 40 milhões do Master, incluiu entretenimento suntuoso em endereços de luxo"

Quando banqueiro, no comando do Master, Daniel Vorcaro acompanhou pessoalmente o desembolso de US$ 11,5 milhões, equivalentes a R$ 60 milhões pela cotação atual, para financiar eventos internacionais de alto padrão, repletos de autoridades, que ocorreram em três momentos de 2024.

As despesas, descritas em documentos coletados pela Polícia Federal, incluem jatinhos para Brasília, shows com dançarinas, troféus de cristal, degustação e distribuição de uísque e muito mais.

Em 2024, o Master bancou toda a agenda do 1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias, em Londres, de 24 a 26 de abril. Menos de um mês depois, estava prestigiando a semana do Brasil em Nova York, de 12 a 18 de maio. A equipe de Vorcaro também atuou em eventos sociais paralelos à 12ª edição do Fórum Jurídico de Lisboa, de 26 a 28 de junho, mais conhecido como Gilmarpalooza, numa referência ao idealizador, ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

À reportagem, a defesa de Vorcaro disse que não se manifestaria sobre os eventos.

O mais custoso foi o de Londres. Vorcaro desembolsou cerca de US$ 7,5 milhões (R$ 38,7 milhões na cotação atual). Vazamento inicial sobre quem seriam os patrocinadores desse evento chegou a apontar que o principal deles era o Grupo FS, da área de cibersegurança. A Folha apurou que a FS na verdade entrou com R$ 500 mil.

Oficialmente, o fórum foi promovido pelo Grupo Voto para debater contribuições jurídicas em temas como democracia, segurança e estabilidade institucional, e a imprensa não teve acesso às discussões.

Procurado pela Folha, o Grupo Voto disse que não tinha responsabilidade pelo entretenimento em paralelo ao fórum. No entanto, pessoas que participaram do evento afirmaram à reportagem que a agenda para socialização dos painelistas, seus familiares e convidados sempre constou da programação, como é de praxe nesses encontros.

O que chamou a atenção foi o nível de ostentação. O local escolhido para as discussões e a hospedagem foi o hotel Península, endereço sofisticado que custa acima da média até para o padrão de Londres, que já é conhecida como uma das cidades mais caras do mundo.

O orçamento descreve que Vorcaro pagou a locação da área da conferência e também salas de reuniões no hotel, além de acomodações para os convidados. O Master cuidou das despesas para 70 pessoas, das quais 25 participavam do fórum.

O banqueiro ficou responsável por uma noite de homenagem, na véspera da abertura, que ocorreu no Wallace Collection, um museu que tem espaço para recepções de alto nível. A despesa incluiu troféus de cristal. O grande homenageado da noite foi o ex-presidente Michel Temer —que era um dos painelistas na longa lista de altas autoridades.

O banqueiro recepcionou três ministros do STF, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, então presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), e mais cinco ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça): Antonio Saldanha Palheiro, Benedito Gonçalves, Luis Felipe Salomão, Mauro Campbell Marques e Raul Araújo.

Também estavam presentes o ministro Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública), o advogado-geral da União, Jorge Messias, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o presidente do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) à época, Alexandre Cordeiro.

Representando o Legislativo estavam Hugo Motta, que agora preside a Câmara, e o senador Ciro Nogueira, presidente do PP. A iniciativa privada tinha dois painelistas, o fundador do Grupo FS, Alberto Leite, e Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações de Jair Bolsonaro, representando o banco BTG Pactual.

Vorcaro discursou na abertura, que contou com show do cantor britânico Seal. Um dos almoços do evento financiado pelo Master ocorreu no Brooklands, restaurante de atmosfera sofisticada, com duas estrelas Michelin, que fica no oitavo andar do Península. Ao longo da semana, Vorcaro também ofereceu outros encontros em locais luxuosos da cidade, como o Gaia, um restaurante de alta gastronomia com inspiração mediterrânea.

Um profissional que acompanhou a agenda, e falou na condição de não ter o nome citado, disse à Folha que a ostentação foi particularmente impactante no Annabel's, um dos clubes privados mais exclusivos de Londres.

A exuberância da decoração, que mistura rococó francês e art déco, somada às apresentações artísticas montadas pela equipe de Vorcaro, fazia o ambiente parecer cenário da série Bridgerton, da Netflix, que narra a vida social da aristocracia britânica.

O roteiro também incluiu degustação de uísque Macallan, no refinado George Club para os homens, e visita a museu para mulheres. Reportagem do site Poder 360 mostrou que estavam presentes nesse encontro os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

A colunista Mônica Bergamo antecipou na Folha que trocas de mensagens em documentos do caso Master reunidos pela PF mostram que Vorcaro combinava detalhes desse evento em Londres diretamente com o ministro Alexandre de Moraes.

Na viagem seguinte focada em autoridades, na semana do Brasil em Nova York, o Master desembolsou US$ 2,5 milhões (cerca de R$ 13 milhões). Além de novamente circular em eventos oficiais em que atuou como patrocinador, com inúmeras autoridades, Daniel Vorcaro ofereceu encontros paralelos.

Houve nova rodada de degustações, desta vez no Carnegie Club, especializado em uísque e charutos. A prestação de contas detalha que, além dos custos com o open bar, foram gastos US$ 121 mil (R$ 625 mil) com 25 garrafas de uísque Macallan 30 anos para presentear convidados.

Apesar de outros profissionais do Master terem feito a viagem em voo de carreira, Vorcaro mobilizou dois jatinhos que, juntos, podem levar até 28 passageiros. Para esses voos, desembolsou US$ 3.600 (R$ 18,6 mil) só com alimentação.

Em Portugal, o custo ficou em US$ 1,6 milhão (R$ 8,3 milhões), e o roteiro de luxo se repetiu, com DJs, dançarinas, restaurantes e até compras em shopping. A despesa ainda abarcou a locação de dois jatinhos fretados de Lisboa para Brasília, por US$ 232,6 mil (R$ 1,2 milhão), nos dias 28 e 29 de junho. Os jatos foram utilizados por outros participantes do evento, uma vez que Vorcaro seguiu no dia 28 para os EUA.

TEIA DE CONEXÕES

Além dos gastos suntuosos, o avanço de investigações do caso Master tem revelado que Vorcaro estreitou relações, não apenas profissionais, mas também pessoais, com muitas das autoridades que participaram desses encontros —e até com seus familiares.

Tomando como exemplo as presenças no evento de Londres, o Master tinha contrato de R$ 129 milhões com o escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes —Viviane Barci de Moraes—, que segundo participantes do evento em Londres, acompanhou o marido.

A família do ministro Dias Toffoli foi sócia do resort Tayayá por meio da empresa Maridt, que detinha participação relevante no empreendimento. Entre 2021 e 2025, essa fatia foi vendida a fundos de investimento ligados ao entorno de Vorcaro, incluindo estruturas associadas ao Banco Master.

A Folha também mostrou que Moraes, Viviane e Toffoli utilizavam jatos da empresa Prime, ligada a Vorcaro.

A reportagem fez contato com os painelistas, por meio das instituições que representavam, para que comentassem sobre o risco de conflito de interesse. Nesses eventos, as agendas pública e privada se misturam em ambientes informais e com entretenimento suntuoso.

As assessorias do STF, do STJ, da AGU, do Ministério da Justiça, do BTG, do senador Nogueira, do empresário Leite e de Faria não enviaram manifestações.

Em nota, a assessoria da PGR afirmou que o procurador-geral da República foi ao evento como palestrante, integrando a programação ao lado de autoridades do Judiciário e de acadêmicos do Brasil e do exterior, e que o convite não mencionou detalhes da organização.

A assessoria do deputado Hugo Motta disse que participação em eventos institucionais é própria da atividade política. "Cabe a cada parlamentar decidir, em cada caso em que é convidado, pela sua presença, independentemente de quem os organiza e promove: seja órgão da mídia, empresas, instituições financeiras ou acadêmicas", afirmou o texto.

Por meio da assessoria de imprensa, Lewandowski disse que foi a Londres como painelista, e que, como então ministro da Justiça, aproveitou a viagem para cumprir agendas de interesse da pasta. Lá, firmou com autoridades inglesas um acordo para o combate ao crime organizado, incluindo corrupção e lavagem de dinheiro.

A assessoria da PF, em nota, destacou que o diretor-geral da instituição também cumpriu agendas oficiais, e que participou como painelista, sem acompanhante familiar. "Os resultados das ações da Polícia Federal evidenciam que a participação do diretor-geral em eventos dessa natureza em nada afeta o cumprimento das atribuições constitucionais e legais da Instituição", disse o texto.

O Cade enviou nota afirmando que faz parte de suas atribuições como órgão da concorrência estar presente em eventos institucionais que tratem de suas funções.

A assessoria do ex-presidente informou que Michel Temer exige saber a fonte pagadora quando contratado para os eventos, mas que no caso do fórum em Londres foi a convite e também homenageado.

O Grupo Voto, em nota, disse que foi responsável apenas pela organização e curadoria e que os patrocinadores, como ocorre nesse tipo de evento, arcaram com as despesas. "Ressaltamos que este foi o único projeto realizado com o patrocínio do Master e que, à época, não havia qualquer suspeita pública sobre a instituição financeira, cujas investigações só vieram à tona no final de 2025", afirmou o texto.Por Alexa Salomão, Joana Cunha e Dani Braga, Folhapress

Ibirataia: Sandro Futuca avança em articulação para fortalecer segurança pública no município

Prefeito se reúne com comando da CIPE/Central e define ações estratégicas para ampliar proteção da população
Com foco no fortalecimento da segurança pública em Ibirataia, o prefeito Sandro Futuca se reuniu, na manhã desta quinta-feira (09), na sede do Executivo Municipal, com o Major Hélio Henrique, comandante da CIPE/Central.

O encontro teve como objetivo alinhar estratégias e discutir ações conjuntas que contribuam para o aumento da segurança no município, além de reforçar o papel de Ibirataia como referência regional na área. Durante a reunião, foram debatidas iniciativas que visam ampliar a atuação das forças de segurança e garantir mais tranquilidade à população.

A articulação evidencia o compromisso da gestão municipal com a proteção da sociedade e o fortalecimento das políticas públicas voltadas à segurança. A parceria com a Polícia Militar, por meio da CIPE/Central, é vista como fundamental para o desenvolvimento de ações mais eficazes no combate à criminalidade.

Segundo a gestão, as primeiras medidas e resultados desse alinhamento estratégico devem ser apresentados em breve, consolidando mais um avanço importante para Ibirataia.

A iniciativa reforça a atuação do prefeito Sandro Futuca na busca por soluções que garantam mais segurança, qualidade de vida e bem-estar para toda a população do município.

Ciro Nogueira voou oito vezes em avião de sócio da JBS

Ciro Nogueira
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) fez oito voos em 2025 no avião de um sócio da JBS na subsidiária de terminais marítimos da empresa, indicam documentos obtidos pela Folha.

O avião utilizado pelo parlamentar é um Embraer 500 prefixo PR-VEL que pertence à empresa Aerovista, registrada em Santa Catarina. Dados da junta comercial do estado mostram que ela pertence ao advogado Roberto Carlos Castagnaro, sócio da JBS Terminais.

Ciro Nogueira não quis comentar.

A JBS disse em nota que não dispõe de informações sobre aeronaves que não lhe pertencem e sobre as quais não exerce qualquer controle. "A Companhia aguarda que a reportagem esclareça qual seria o nexo causal entre suas operações e o fato relatado, dado que o objeto da apuração é totalmente alheio à JBS."

Castagnaro confirmou por meio de sua assessoria de imprensa que emprestou o avião para o senador. "O Castagnaro não tem negócio algum com o setor público. O Ciro não pode fazer favor algum pro Roberto. Agora, o senador é um cara muito querido. Quem pode ajudar ele, ajuda", afirmou sua assessoria.

O advogado virou sócio da JBS no negócio por ter visto a oportunidade e juntado as pontas, explicou. Com isso, ficou com 15% da operação. Ele tem outros negócios, como rádios em Santa Catarina.

A Aerovista foi criada em 19 de agosto de 2024. O único acionista da empresa é a RCC Administração Patrimonial, que pertence a Castagnaro.

A RCC comprou o avião PR-VEL por R$ 12,5 milhões em 25 de novembro de 2024. Quem vendeu o jato foi a empresa Fraction 033, que pertence à Prime Aviation, empresa que tinha como sócio Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master.

O avião estava com a subsidiária da Prime Aviation desde março de 2024, primeiro como arrendadora e, a partir de novembro do mesmo ano, como proprietária ao pagar o saldo devedor de R$ 5,1 milhões.

No mesmo dia que comprou o avião da Fraction 033, a RCC passou o avião para sua subsidiária, a Aerovista, com quem permanece até hoje.

Os registros de entrada no terminal executivo de Brasília mostram que outros parlamentares pegaram carona nos voos realizados pelo ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro (PL) no avião de Castagnaro.

O que mais aparece é o deputado federal Julio Arcoverde (PP-PI), aliado de Ciro Nogueira. Ele esteve com o senador em quatro voos diferentes.

Já os deputados Dudu da Fonte (PP-PE), Lula da Fonte (PP-PE) e Atila Lira (PP-PI), a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, viajaram uma vez cada um com Nogueira.

Arcoverde disse que não falaria porque não sabia de quem era o avião Os demais parlamentares não responderam aos questionamentos da reportagem.

O primeiro voo aconteceu em 2 de fevereiro, um domingo. Não é comum parlamentares estarem em Brasília no fim de semana, mas no dia anterior, ocorreram as eleições para a presidência do Senado e da Câmara dos Deputados.

Ciro Nogueira e Julio Arcoverde entraram às 17h30 no terminal e o jato PR-VEL decolou para Teresina (PI) às 17h42.

Em 14 de março, uma sexta-feira, Nogueira e Arcoverde chegam no terminal às 7h30. Eles estão acompanhados dos deputados Dudu da Fonte e Lula da Fonte, que são pai e filho, respectivamente.

O jato utilizado recorrentemente por Ciro decolou às 7h58 para Araripina (PE), cidade perto da fronteira entre Pernambuco e Piauí. De lá, ele seguiu para Teresina.

Em 24 de abril, também uma sexta-feira, Nogueira chega às 9h30 no terminal. No mesmo horário estão registradas as entradas de Arcoverde e Atila Lira. O jatinho PR-VEL decola às 9h57 para Teresina

O avião viajou novamente para Teresina em 5 de junho, uma quinta-feira. Ele decolou às 7h28. O senador chegou no terminal às 7h.

No mesmo mês, em 27 de junho, uma sexta-feira, Nogueira chegou às 5h30 no aeroporto e o avião da Embraer decolou às 5h49.

O senador utilizou o avião em 10 de julho, uma quinta-feira, para ir ao aniversário do ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), em Uberaba. Nogueira e Rueda chegaram no aeroporto às 18h30 e o avião PR-VEL decolou às 18h49.

Em 21 de agosto, Nogueira utilizou o jato para um evento político do PP em Cuiabá. Ele e a senadora Tereza Cristina (PP-MS), cotada para vice na chapa presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), chegaram no terminal às 9h. O jato PR-VEL decolou às 9h21 para o Mato Grosso.

No mês seguinte, em 30 de outubro, o terminal executivo do aeroporto de Brasília registram a entrada de Nogueira e o deputado Julio Arcoverde às 8h45. O jato da Aerovista decolou às 9h07 para Teresina.

O último voo de Nogueira no avião saindo de Brasília aconteceu em 11 de dezembro. Ele chegou às 12h30 daquele dia no terminal e o avião decolou às 12h35 com destino a Araripina (PE) e em seguida a Teresina (PI).

Por Lucas Marchesini e Mônica Bergamo/Folhapress
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Haddad vira aposta do mercado financeiro para substituir Lula na eleição

Fernando Haddad
A possibilidade de Fernando Haddad (PT-SP) substituir Lula como candidato a presidente da República anima integrantes do mercado financeiro. Banqueiros e executivos já chegaram a abordar lideranças do PT e o próprio ex-ministro para falar sobre o tema.

As declarações dúbias de Lula sobre a própria candidatura estimulam a movimentação. Na quarta (8), por exemplo, o presidente disse em entrevista ao portal ICL Notícias que "ainda" não decidiu se vai "ser candidato".

Na sequência, afirmou que tem "o acúmulo de experiência que ninguém tem nesse país", sinalizando que a maior probabilidade é a de que ele concorra à reeleição.

As lideranças do PT que já foram abordadas e o próprio Haddad descartam a possibilidade de Lula desistir da candidatura, mesmo diante de números eleitorais que mostram que deve enfrentar uma campanha dura contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Lideranças do setor financeiro, no entanto, ainda mantêm o que pode ser definido como esperança, já que preferem um governo de Haddad a uma continuidade de Lula na presidência.

Como revelou a coluna no começo de março, Haddad empata tecnicamente com o Flávio em um cenário de disputa de segundo turno nas eleições presidenciais. Ele tem 41% dos votos, contra 43% do filho de Bolsonaro.

O fato de o ex-ministro ser competitivo como candidato a presidente levou lideranças do partido a enxergarem nele um plano B viável caso Lula, em um cenário considerado improvável, mas não impossível, desista de concorrer à Presidência.

Lula é considerado o mais forte candidato que a legenda poderia apresentar ao eleitorado. Uma eventual candidatura de Haddad, por outro lado, representaria uma grande novidade nas eleições, enquanto o presidente estaria disputando o seu quarto mandato.

A rejeição a Lula é de 46%, enquanto a de Haddad é de 27%.

O tema é considerado tabu no PT e foi sempre discutido de forma mais do que reservada —e, segundo um dirigente, em voz baixa.

Por Mônica Bergamo/Folhapress

Ipiaú: Suspeito de ameaçar moradores do distrito de Córrego de Pedras morre em confronto com a PM

Um homem identificado até o momento pelo apelido de “Gordo” morreu após um confronto com policiais militares no distrito de Córrego de Pedras, município de Ipiaú, no início da manhã desta quinta-feira (9). De acordo com informações apuradas pelo GIRO, o suspeito estaria ameaçando moradores da localidade com o uso de arma de fogo e, inclusive, teria agredido algumas pessoas antes da chegada da polícia.

Ainda conforme as informações, a Polícia Militar foi acionada após denúncias de que o indivíduo, juntamente com outros comparsas, estaria se preparando para realizar um roubo em uma fazenda da região. Com a chegada da guarnição, o plano criminoso foi frustrado.
Durante a tentativa de abordagem, o suspeito teria resistido e efetuado disparos contra os policiais, que reagiram. O homem acabou sendo baleado durante o confronto. Ele foi socorrido pelos próprios policiais e encaminhado ao Hospital Geral de Ipiaú, mas não resistiu aos ferimentos. Mais detalhes da operação devem ser divulgados ainda na manhã desta quinta-feira pela 55ª CIPM. A Polícia Militar reforçou a importância da colaboração da população por meio de denúncias, destacando que o anonimato do denunciante é garantido. Fonte: Giro Ipiaú

Brasil ganhou 9 milhões de novos inadimplentes desde o fim do Desenrola

O governo agora debate a reedição de um programa voltado para endividados
O alívio foi temporário. Quase dois anos após o fim do Desenrola, programa de renegociação de dívidas criado pelo governo federal em julho de 2023, o Brasil ganhou 9 milhões de novos inadimplentes, e convive com um calote do consumidor no maior patamar desde 2012. Hoje há um contingente de 81,7 milhões de pessoas que estão com contas atrasadas.

O governo agora debate a reedição de um programa voltado para endividados que, para especialistas, foi pensado desde o início para atacar os sintomas e não a raiz do superendividamento.

Promessa de campanha do governo Lula, o Desenrola foi lançado com o objetivo de combater a inadimplência crescente do pós-pandemia. Na época, o número de inadimplentes estava no patamar recorde de 71,4 milhões, segundo dados da Serasa, e a inadimplência era de 4,14% (índice de contas com mais de 90 dias em atraso).

O programa durou cerca de 10 meses e conseguiu reduzir o número de inadimplentes que ganhavam até dois salários mínimos ou eram inscritos no Cadastro Único de 25,2 milhões para 23,1 milhões quando terminou, em maio de 2024. Esse era o público-alvo do Desenrola.

O número total de devedores, de todas as faixas de renda, subiu a 72,5 milhões, enquanto o calote acima de 90 dias se reduziu a 3,69%.

Segundo especialistas, o programa ajudou a controlar um crescimento que poderia ser ainda maior do superendividamento. Passado esse efeito pontual, a inadimplência voltou a crescer com força, impulsionada pelos juros cada vez maiores, pela oferta agressiva de crédito pelas instituições financeiras e pela explosão das bets.

Esse cenário levou o número de inadimplentes a alcançar quase 82 milhões de indivíduos em fevereiro deste ano, enquanto a inadimplência da carteira de crédito total das pessoas físicas (incluindo os empréstimos imobiliários) alcançou 5,24%, a maior em 14 anos.

"O governo tomou uma medida paliativa, que não interrompeu o ciclo que promove o endividamento", diz a economista Ione Amorim, consultora de serviços financeiros do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor). "Parte dos consumidores saiu temporariamente das estatísticas, mas isso não quer dizer que não estavam mais endividados."

Para ela, a proposta do Desenrola foi reabilitar a situação financeira dos brasileiros para que voltassem a consumir. Ela lembra que a primeira medida do programa foi excluir os negativados com dívidas de até R$ 100 dos cadastros dos birôs de crédito.

"Quem teve o nome limpo foi pegar crédito, mas houve um rebote, com a inadimplência voltando a crescer de forma acelerada", afirma a economista.

Atualmente, a maior parte das dívidas são com bancos, principalmente de cartão de crédito (26,7% do total), seguidos por contas de consumo, como água e luz (21,3%) e dívidas com financeiras (20,3%), segundo dados da Serasa.

DIFICULDADE DE ACESSO À PLATAFORMA

Quando foi encerrado, o Desenrola havia atendido 15 milhões de pessoas com dívidas de R$ 53,2 bilhões. O Ministério da Fazenda afirmou, por meio da sua assessoria de imprensa, que a pasta avalia que o Desenrola atingiu seu objetivo. "O valor negociado corresponde a 0,5% do Produto Interno Bruto", afirmou.

Um número preliminar previa alcançar até 30 milhões de indivíduos. O resultado ficou abaixo do esperado, na avaliação de especialistas, por erros de implementação principalmente na segunda fase do programa.

A primeira se concentrou nos devedores com renda até R$ 20 mil, que renegociaram dívidas diretamente com as instituições financeiras. Já a segunda etapa, com foco na população de baixa renda, exigia que os inadimplentes entrassem na plataforma digital criada para o programa.

Isso se revelou uma barreira, já que a plataforma demandava que o devedor possuísse contas ouro e prata no portal Gov.br para acesso. Posteriormente, a exigência foi reduzida para contas do nível bronze.

"Isso deixou a adesão mais lenta", aponta Lauro Gonzalez, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira da FGV. Entre os pontos positivos do programa ele cita a limitação da taxa de juros do crédito renegociado e a construção da plataforma do governo para renegociação de dívidas, que pode ser usada futuramente.

"Não me parece que houve uma preocupação com as causas estruturais do superendividamento", afirma.

O salto do número de endividados nos últimos anos pode ser explicado, segundo ele, por uma oferta agressiva de crédito. "Hoje há uma combinação de mais atores atuando no mercado de crédito digital, oferecendo empréstimos de forma quase automática. Os juros altos são a cereja do bolo", diz.

É a mesma avaliação de André Sacconato, economista da FecomercioSP. "Isso, somado à baixa educação financeira e altas taxas de juros, levou ao crescimento do endividamento."

Para Fabio Bentes, economista-chefe da CNC (Confederação Nacional do Comércio), o pano de fundo da elevação do superendividamento é a alta na taxa básica de juros, que subiu de 10,50% ao ano, patamar de quando o Desenrola foi encerrado, a 14,75% ao ano hoje.

"O Desenrola teve boas intenções, mas não resolveu o problema nem de longe. Quando o paciente tem uma doença grave e você dá uma aspirina para ele, não vai resolver", diz.

O Ministério da Fazenda estuda hoje um novo programa, cujo objetivo é renegociar principalmente dívidas de modalidades mais caras, como cartão, cheque especial e crédito pessoal sem garantia, oferecendo abatimentos de até 80% e refinanciamento do restante.

Os especialistas avaliam que a nova renegociação corre o risco de cometer os mesmos erros se o foco for em uma solução apenas emergencial.

O governo avalia estipular contrapartidas para quem acessar a ajuda federal —entre elas uma restrição a apostas em bets e a necessidade de se fazer um curso de educação financeira, como mostrou a Folha.

Gonzalez, da FGV, acredita que é preciso aprimorar a regulação da oferta do crédito digital. "Quando um imóvel vai ser financiado, por exemplo, existe uma limitação do quanto o crédito vai representar da renda da pessoa. Essa limitação poderia ser pensada para outras modalidades."
Por Maeli Prado/Folhapress

Sandro Futuca lidera transformação na educação com entrega histórica em Ibirataia

Investimentos incluem kits, mochilas, fardamentos e novos mobiliários para toda a rede
A manhã desta terça-feira (08) foi marcada por um importante avanço na educação de Ibirataia. A quadra da Escola Mariane Andrade Meira sediou uma das maiores entregas já realizadas pela gestão municipal voltadas à rede pública de ensino.
O prefeito Sandro Futuca, ao lado do vice-prefeito e secretário de Educação, Caio Pina, conduziu a entrega de 3.800 fardamentos, 3.000 kits escolares e 2.000 mochilas, beneficiando milhares de alunos em todo o município. A ação reforça o compromisso da gestão com a valorização da educação e com a garantia de melhores condições de aprendizagem para os estudantes.

A entrega dos fardamentos acontece pelo segundo ano consecutivo na atual gestão, consolidando uma política pública que tem contribuído para a padronização dos alunos e para o alívio financeiro das famílias.
Além dos materiais destinados diretamente aos estudantes, também foram entregues novos mobiliários para as unidades escolares, incluindo mesas, cadeiras e armários. Os itens irão contribuir para a melhoria da estrutura física das escolas, proporcionando ambientes mais organizados, confortáveis e adequados ao desenvolvimento das atividades pedagógicas.
O evento reuniu secretários municipais, vereadores, profissionais da educação e membros da comunidade escolar, consolidando um momento de grande importância para o município. A iniciativa representa um investimento significativo na educação, garantindo mais dignidade aos alunos e melhores condições de trabalho para professores e servidores.
Durante a solenidade, o secretário de Educação, Caio Pina, destacou os avanços obtidos na área, especialmente no índice de alfabetização das crianças.

“O nosso município deu um salto histórico na alfabetização. Em 2024, tínhamos pouco mais de 33% das nossas crianças alfabetizadas na idade certa. Em 2025, avançamos para mais de 63,5%, alcançando um crescimento superior a 69% em um ano”, afirmou.

A ação tem como objetivo ampliar o acesso a recursos essenciais, promover mais organização no ambiente escolar e assegurar que os estudantes estejam devidamente equipados para o ano letivo. A entrega dos kits e fardamentos também contribui para a padronização e fortalecimento da identidade estudantil na rede municipal.
Fotos: Ascom/Prefeitura Municipal de Ibirataia.
Fonte: Ascom/Prefeitura Municipal de Ibirataia.

Ibirataia é reconhecida nacionalmente com o Selo FNAS 2025

O município de Ibirataia foi contemplado com o Selo FNAS – Edição 2025, concedido pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, por meio da Secretaria Nacional de Assistência Social e do Fundo Nacional de Assistência Social.

O reconhecimento destaca a qualidade da gestão municipal dos recursos da assistência social, evidenciando transparência, organização e eficiência na execução das ações do Sistema Único de Assistência Social (SUAS).

A certificação reafirma o compromisso da gestão municipal, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania (SEDESC), com a condução responsável dos recursos públicos e o fortalecimento contínuo da política de Assistência Social no município.
“Receber o Selo FNAS é motivo de grande orgulho para o nosso município. Esse reconhecimento demonstra que Ibirataia tem conduzido a política de assistência social com responsabilidade, planejamento e transparência. É uma conquista coletiva que reforça nosso compromisso em continuar aprimorando os serviços e garantindo mais dignidade e proteção social para a nossa população”, destacou a secretária.

O Selo FNAS é concedido a municípios que demonstram boas práticas na gestão dos recursos do fundo, sendo um importante indicador de responsabilidade administrativa e alinhamento às normativas nacionais do SUAS.

Lula faz cobrança pública a integrantes do STF e diz que ministro não pode querer ser milionário

Presidente mostra afastamento do tribunal em meio a investigações do caso Master
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou publicamente ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) nesta quarta-feira (8) e disse que integrantes da corte não podem ficar milionários. A fala mostra um afastamento do tribunal, do qual o petista foi próximo ao longo do atual mandato.

A declaração do petista foi dada em um contexto de desgaste da corte causado pelo caso do Banco Master. Os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli são citados no escândalo.

"Quando se vai para a Suprema Corte, tem que fazer um compromisso quase religioso. Ele não está lá para ganhar dinheiro", disse o presidente da República. "Se o cara quer ficar milionário, não pode ser ministro do Supremo", afirmou Lula.

O chefe do governo também defendeu que os ministros expliquem quando são publicamente ligados a irregularidades. O petista deu as declarações em entrevista ao ICL Notícias.

"É preciso uma explicação convincente para a população. Se tem algum membro do Supremo que cometeu um desvio, que esse cidadão pague. Não a instituição", declarou Lula.

O chefe do governo defende que a Constituição determine as exigências de conduta para os integrantes do Supremo, em vez de um código com regras internas. O presidente do tribunal, Edson Fachin, tem defendido a criação de um código de conduta para os ministros.

"Você tem que ter na Constituição melhor quais exigências se faz para ser ministro do Supremo", declarou o chefe do governo.

Lula está irritado há meses com o desgaste político causado pelo Banco Master. O chefe do governo avalia que tem arcado com a perda de popularidade mesmo sem ter nada a ver com o escândalo.

O presidente cultivou uma relação próxima com o Supremo Tribunal Federal ao longo do seu atual mandato, e teve na corte uma de suas principais fontes de apoio. Por isso a exposição de seu descontentamento tem significado político amplificado.

Na entrevista desta quarta-feira, ele também criticou as frequentes viagens de ministros da corte para participar de eventos no exterior. E afirmou ter conversado com Alexandre de Moraes sobre o caso Master.

Lula, de acordo com o próprio relato, disse a Moraes que ele teve um papel importante no processo da trama golpista e que ele precisa preservar a própria biografia.

Como mostrou a Folha em janeiro, a irritação do petista com as ligações expostas entre ministros do Supremo e o Banco Master é tamanha que ele chegou a afirmar, em conversas reservadas, que Dias Toffoli deveria deixar o supremo.

Moraes passou a ser citado no escândalo do Banco Master depois de um contrato entre a empresa e o escritório da advogada Vivane Barci, mulher do ministro, chegar ao conhecimento público. No caso de Toffoli, o elo seria o resort Tayayá.

Por Caio Spechoto, Folhapress

Comissão do Senado aprova fim da aposentadoria compulsória para juízes

A senadora Eliziane Gama (PSD-MA), relatora do texto na CCJ do Senado
A CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) do Senado aprovou nesta quarta-feira (8) uma PEC (proposta de emenda à Constituição) que determina o fim da aposentadoria compulsória como punição para juízes, desembargadores e membros do Ministério Público que cometerem crimes.

A PEC é de autoria do então senador Flávio Dino, que hoje é ministro do STF. A proposta foi aprovada em votação simbólica, sem contagem de votos, e agora segue para o plenário.

O texto, relatado pela senadora Eliziane Gama (PSD-MA), acatou emendas que estabelecem que o magistrado passará por uma ação cível, para julgar a suposta infração e determinar a demissão. Nesse período da ação, que terá um prazo de até 30 dias para ser proposta, o servidor será afastado do cargo e terá remuneração suspensa.

O texto original obrigava ainda militares que cometessem infrações a serem demitidos. No entanto, após destaque de emenda do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), os membros das Forças Armadas ficaram de fora da proposta.

Hoje, a aposentadoria compulsória é a punição máxima mais comum aplicada a membros de Poder que cometerem infrações. A demissão também pode ocorrer, mas apenas após decisão judicial transitada em julgado —no geral, referente a crime comum. Isso porque magistrados e membros do Ministério Público têm direito a vitaliciedade, adquirida após dois anos de exercício.

Com a aposentadoria, esses membros de Poder têm direito a receber salário proporcional ao período em que atuaram. Como mostrou reportagem da Folha, juízes que sofrem com essa punição recebem, em média, R$ 54.441. Apenas 1% das punições a juízes resultam em demissão.

Segundo a justificativa da PEC, essa punição é um desvio da finalidade da aposentadoria.

"A aposentadoria, portanto, assume caráter de sanção, o que corresponde ao desvio de finalidade dessa espécie de benefício previdenciário que visa assegurar ao trabalhador condições dignas de vida quando não mais for possível o desenvolvimento de atividade laboral."

Uma das preocupações da categoria era a inserção de texto que possibilitaria o fim da garantia da vitaliciedade para esses servidores. O tema também repercutiu entre associações de juízes, desembargadores e membros do MP, que tentaram frear o avanço da proposta.

A ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) afirmou, em nota pública, que sugestões de adendos à proposta podem avançar "sobre o núcleo da garantia constitucional da vitaliciedade dos membros do Ministério Público e da magistratura".

Na terça-feira (7), entidades da categoria estiveram na CCJ para se posicionar contra o fim da aposentadoria compulsória.

O texto foi debatido pela relatora Eliziane Gama e o senador Sergio Moro (PL-PR). Na última sessão, em março, Moro havia pedido vista para avaliar a matéria.

No STF, o ministro Flávio Dino também tomou a decisão de dar fim à aposentadoria compulsória como punição a magistrados. A PGR recorreu da determinação do ministro no fim de março.

Em tese, a determinação se aplica apenas ao caso concreto do processo em que ele proferiu a ordem, segundo especialistas consultados pela Folha. Mas o despacho de Dino pode abrir precedente para outros órgãos, deixando de aplicar esse tipo de punição. Como não passou pelo plenário, a decisão é menos robusta.

Por Luany Galdeano, Folhapress

Master declarou pagamentos a Temer, Rueda, Mantega, Lewandowski e ACM Neto

Sede do Banco Master, em São Paulo
Documentos enviados pela Receita Federal à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado apontam repasses milionários do Banco Master, de Daniel Vorcaro, a escritórios de advocacia e empresas ligadas a Michel Temer (MDB), Antônio Rueda (União Brasil), Ratinho Junior (PSD), ACM Neto (União Brasil) e os ex-ministros Guido Mantega, Fabio Wajngarten, Henrique Meirelles e Ricardo Lewandowski.

Os dados obtidos pela Folha indicam que, de 2024 a 2025, o Master pagou R$ 18,5 milhões a Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central nos primeiros mandatos de Lula (PT) e ex-titular da Fazenda de Temer, e R$ 14 milhões à Pollaris Consultoria, empresa de Guido Mantega, ex-ministro na pasta econômica em gestões petistas.

O banco também informou pagamento de R$ 10 milhões ao escritório de advocacia de Temer em 2025 e R$ 6,4 milhões, desde 2023, a dois escritórios de Rueda, presidente nacional do União Brasil.

Duas empresas da família Massa, do apresentador Ratinho e do governador do Paraná, Ratinho Junior, também aparecem nos dados do Master produzidos pela Receita. A Gralha Azul Empreendimentos e Participações, ligada ao governador, recebeu R$ 3 milhões em 2022, segundo o Master. Já a Massa Intermediação, de Ratinho, recebeu R$ 21 milhões de 2022 até 2025. O apresentador era um dos garotos propaganda do cartão de consignado do banco, o CredCesta.

Em nota, a assessoria de imprensa do Grupo Massa afirmou que "construiu uma trajetória pautada por práticas amplamente reconhecidas pelo mercado com rendimentos declarados à Receita Federal, incluindo campanhas publicitárias e parcerias com diversas marcas e empresas". "Sua atuação não
se confunde com a conduta de terceiros com os quais manteve relações contratuais", acrescentou. Ratinho Junior não respondeu aos contatos feitos pela Folha.

Já Meirelles afirmou que prestou consultoria ao Master e encerrou seu contrato em julho de 2025. Temer afirmou ter recebido uma quantia menor por serviços prestados, e Rueda não respondeu. A reportagem enviou mensagens ao telefone de Mantega no final da manhã desta quarta-feira (8) e também tentou contato por ligação, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.

Constam ainda nos documentos da Receita pagamentos de 2022 a 2025 no valor de R$ 12 milhões à BN Financeira, empresa de Bonnie Bonilha, nora do líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

O senador também aparece na lista com o pagamento de uma quantia menor, de R$ 289 mil, como pessoa física. Wagner afirma que o valor é referente a rendimento de aplicação em conta de pessoa física, que não possui CNPJ e que nunca recebeu qualquer pagamento do Master. A BN Financeira diz que prestou serviços ao Banco Master mediante emissão de nota fiscal, entre 2022 e 2025.

Os dados da Receita mostram valores pagos pelo Master desde 2022, sem correção pela inflação, incluindo cerca de R$ 80 milhões em 2024 e 2025 para o escritório da mulher do ministro do STF Alexandre de Moraes, o Barci de Moraes Sociedade de Advogados, como revelou a Folha. Parte dos valores repassados pelo Master às empresas e políticos ficou retido por cobrança de impostos retidos na fonte.

A defesa de Vorcaro foi procurada, mas não se manifestou até a publicação deste texto.

A Lewandowski Advocacia recebeu ao menos R$ 6,1 milhões em pagamentos, que começaram em novembro de 2023. O escritório tem como sócios um filho e a mulher de Ricardo Lewandowski, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal e da Justiça do governo Lula. Ele deixou a sociedade em janeiro de 2024, dias antes de entrar no governo. O ex-ministro diz que o escritório prestou serviços de consultoria jurídica ao Master.

O banco de Vorcaro pagou ainda R$ 5,45 milhões para a A&M Consultoria Ltda, empresa do ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao Governo da Bahia ACM Neto, de 2023 até o último ano. A consultoria afirma que os serviços foram devidamente prestados e que não pode validar os valores mencionados.

A WF Comunicação, que pertence ao ex-secretário de Comunicação Social do governo de Jair Bolsonaro (PL), Fabio Wajngarten, recebeu ao menos R$ 3,8 milhões do banco de Vorcaro em 2025. Ele também é considerado por Aldo Rebelo (DC) como possível vice em uma chapa à Presidência. Wajngarten diz que integra a equipe de defesa de Vorcaro e que presta serviços para o ex-banqueiro.

A Folha procurou todos os nomes citados na reportagem como beneficiários de pagamentos declarados pelo Master. Temer afirmou que prestou serviços de mediação ao ser contratado pelo banco e que recebeu dois pagamentos, de R$ 5 milhões e de R$ 2,5 milhões.

A assessoria de Rueda foi contatada por meio de mensagens às 7h30 e às 9h39. O presidente do União Brasil também foi procurado por ligações entre 9h30 e 10h, mas não respondeu.

Meirelles afirmou que seu contrato tinha o objetivo de prestar consultoria em assuntos de macroeconomia e de mercado financeiro. "Eu não tinha o menor conhecimento das operações do banco, fiquei sabendo pelos jornais. No começo, eles demandavam mais meus serviços, depois passaram a demandar pouco e eu rescindi o contrato em julho de 2025", disse.

Em nota, a assessoria do ex-ministro Lewandowski diz que ele retornou à advocacia após deixar o STF, em abril de 2023, e se retirou do escritório ao assumir o Ministério da Justiça no ano seguinte. O escritório passou a ser controlado por sua família e manteve contrato com o Master.

"Além de vários outros clientes, prestava serviços de consultoria jurídica ao Banco Master. Ao ser convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir o Ministério da Justiça de Segurança Pública, em janeiro de 2024, Lewandowski retirou-se de seu escritório de advocacia e suspendeu o seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil, como determina a legislação vigente", afirma.

A assessoria da empresa de ACM Neto, a A&M Consultoria, afirma que "os serviços mencionados pelo jornal foram contratados de maneira lícita, transparente, e devidamente prestados" e que não pode confirmar os valores "supostamente declarados à Receita Federal por não ter tido acesso a esses dados".

A nota afirma ainda que o contrato foi firmado quando os sócios da A&M não ocupavam cargos públicos. "Foi apresentada petição à PGR (Procuradoria-Geral da República) e ao STF na qual a A&M se coloca à disposição para prestar eventuais esclarecimentos e detalhes dos serviços prestados, assim como requereu que se apurasse o vazamento de dados fiscais sigilosos", diz.

Wajngarten afirmou à Folha que foi apresentado a Vorcaro no primeiro semestre de 2025 por meio dos advogados do ex-banqueiro dele e passou a integrar a equipe de defesa, da qual faz parte até o momento. O contrato tem cláusula de confidencialidade e, por isso, não foi tornado público.

A empresa de Bonnie Bonilha, BN Financeira, afirma que os serviços ao Master "tiveram por objetivo a prospecção e indicação de operações e convênios de crédito público e privado", mediante prestação de nota, e que os dois únicos sócios são Moisés Dantas e Bonnie Bonilha.

"Não existe qualquer investigação ou apuração policial quanto ao tema, pois não existe qualquer irregularidade. ⁠⁠Todos os recursos recebidos pela BN Financeira se deram de forma oficial, contabilizada e mediante emissão de nota fiscal, distribuídos formalmente aos sócios e declarados à Receita Federal", afirma em nota.

Vorcaro foi preso pela segunda vez no começo de março pela Polícia Federal sob suspeita de comandar um esquema de fraude e ameaças. Ele negocia um acordo de delação premiada

Por Folhapress

Operação Vento Norte avança e prende liderança política investigada por ligação com tráfico

           Na Bahia, a ação foi realizada nos municípios de Eunápolis, Guaratinga e Itagimirim

O avanço das investigações da Operação Vento Norte resultou, nesta quarta-feira (8), no cumprimento de 12 mandados de prisão e oito mandados de busca e apreensão nos municípios de Eunápolis, Guaratinga e Itagimirim, no sul da Bahia. Foram sete prisões temporárias realizadas nos bairros Pequi, Juca Rosa e Sapucaieira, em Eunápolis, e nos bairros Centro e Novo Horizonte, em Guaratinga. Outros cinco mandados de prisão foram cumpridos no sistema prisional, sendo dois no estado do Espírito Santo, um em Minas Gerais, um no Rio de Janeiro e um na Bahia, onde os investigados já se encontravam custodiados.
Entre os presos está um vereador de 38 anos, do município de Guaratinga, que também foi autuado em flagrante por posse ilegal de arma de fogo. O investigado é apontado como integrante de organização criminosa ligada ao tráfico de drogas, com atuação na região sul do estado.

As diligências também resultaram no cumprimento de oito mandados de busca e apreensão domiciliar, ocasião em que foram apreendidos uma pistola, aparelhos celulares e documentos que irão subsidiar o aprofundamento das investigações.

A ação é um desdobramento da operação deflagrada pela Polícia Civil da Bahia, em atuação integrada com o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), que também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 3,8 milhões distribuídos em 26 contas bancárias vinculadas aos investigados.

As apurações tiveram início na Delegacia Territorial de Belmonte e identificaram a atuação estruturada do grupo criminoso, com indícios de envolvimento nos crimes de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e associação criminosa, além da utilização de contas bancárias para movimentação de recursos de origem ilícita.

De acordo com o delegado Evy Paternosto, diretor da Diretoria Regional de Polícia do Interior Sul (DIRPIN/Sul), a operação representa um avanço significativo no enfrentamento à criminalidade organizada na região. “As investigações permitiram identificar o modo de atuação do grupo e alcançar alvos relevantes da estrutura criminosa. As diligências continuam para aprofundar a apuração, identificar outros envolvidos e fortalecer a responsabilização penal de todos os integrantes”, destacou.

A Operação Vento Norte contou com a participação de cerca de 70 policiais civis da 23ª Coorpin, equipes do Gaeco, além de equipes que atuaram no cumprimento das medidas judiciais nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
Fonte: Pedro Moraes / Ascom-PCBA

Presidente da Câmara de cidade baiana é preso em operação contra facção criminosa

O presidente da Câmara Municipal de Guaratinga, Paulo Silva de Oliveira, de 38 anos, conhecido como Paulo Chiclete (PSD), foi preso na manhã desta quarta-feira (8) durante a Operação Vento Norte, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas. Outras seis pessoas também foram detidas na ação. Eleito em 2024 para o primeiro mandato, Paulo Chiclete foi o segundo vereador mais votado do município. À época da candidatura, não declarou bens à Justiça Eleitoral.

A operação foi deflagrada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), em conjunto com a Polícia Civil, e tem como foco a atuação de um grupo criminoso com suposta ligação à facção Comando Vermelho, originária do Rio de Janeiro. Segundo as investigações, a organização utilizava plataformas financeiras digitais (fintechs) para movimentar recursos ilícitos.
Além dos mandados de prisão, a Justiça autorizou o cumprimento de dez mandados de busca e apreensão, bem como o bloqueio de aproximadamente R$ 3,8 milhões em contas bancárias dos investigados. As apurações apontam que o volume financeiro movimentado pelo grupo pode ultrapassar R$ 500 milhões nos últimos cinco anos.

Os mandados foram cumpridos nos municípios baianos de Eunápolis, Itagimirim e Guaratinga, além de ações realizadas nos estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. De acordo com o MP-BA, apenas uma das plataformas investigadas registrou movimentações superiores a R$ 20 milhões, reforçando a complexidade do esquema financeiro.

As investigações seguem em andamento com o objetivo de identificar outros envolvidos e aprofundar o rastreamento das operações financeiras atribuídas à organização criminosa.
Informações: Giro Ipiaú.

Vaca é resgatada após cair em galeria de esgoto em Ipiaú

Uma vaca foi resgatada na manhã desta quarta-feira (8) após cair em uma galeria da rede de esgoto na Rua Amâncio Félix, no bairro Euclides Neto, em Ipiaú. De acordo com moradores, o animal pode ter caído no local durante a madrugada. A suspeita é de que a estrutura da laje que cobre a rede de esgotamento sanitário tenha sido comprometida após as fortes chuvas registradas no município nas últimas semanas, abrindo um buraco na via.
O Corpo de Bombeiros foi acionado e realizou a retirada do animal, com o apoio de equipes da Prefeitura. Após o resgate, a vaca foi encaminhada para um curral. Apesar do susto, não há informações sobre ferimentos graves no animal. Moradores da localidade cobram a recuperação da estrutura para evitar novos acidentes, Por Giro Ipiaú.

Trump reivindica "vitória total e completa" após cessar-fogo com Irã

Em entrevista à agência AFP, após anúncio do acordo, presidente dos EUA não detalhou se ameaças à infraestrutura civil iraniana serão mantidas

“Vitória total e completa. 100%. Sem dúvida”, disse ele em entrevista à agência de notícias AFP na noite de terça-feira (8).

Trump não quis dizer se planeja cumprir suas ameaças anteriores de destruir a infraestrutura civil do Irã caso Teerã descumpra o acordo.
“Vocês terão que esperar para ver”, continuou ele à AFP.

O presidente também insistiu que o material nuclear iraniano estaria coberto por qualquer acordo de paz, segundo a reportagem.

"Isso será perfeitamente resolvido, ou eu não teria aceitado o acordo", afirmou ele à agência, sem dar detalhes sobre o que aconteceria com o urânio.

Trump, que tem apresentado objetivos e cronogramas variáveis ​​para a guerra, reiterou que considerava que os objetivos de Washington foram alcançados.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, também classificou o cessar-fogo de duas semanas como “uma vitória para os Estados Unidos”, ao elogiar os esforços militares americanos na guerra contra o Irã.

“Alcançamos e superamos nossos principais objetivos militares em 38 dias”, disse ela nas redes sociais. “O sucesso de nossas forças armadas criou a máxima influência, permitindo que o presidente Trump e sua equipe se envolvessem em negociações difíceis que agora abriram caminho para uma solução diplomática e uma paz duradoura. Além disso, o presidente Trump conseguiu a reabertura do Estreito de Ormuz.”

“Nunca subestime a capacidade do presidente Trump de promover com sucesso os interesses dos Estados Unidos e mediar a paz”, acrescentou Leavitt.

*Com informações da agência de notícias Reuters
Lex Harvey, da CNN

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