'Filho do pedreiro não quer mais ser pedreiro', diz CEO de construtora para público de altíssimo padrão

Executivo enviou equipe de dez pessoas à China para buscar tecnologias que substituam trabalhadores.

Luciano Amaral, CEO da Benx Incorporadora
Luciano Amaral, CEO da Benx, ecoa uma queixa recorrente na construção civil. O setor afirma que não há mão de obra suficiente para sustentar o boom do setor imobiliário nas capitais.

O problema estaria afetando o lançamento dos prédios e o prazo das obras, segundo o executivo.

A companhia que ele comanda investe no altíssimo luxo para desviar da competição acirrada nas faixas econômicas aquecidas pelo programa Minha Casa, Minha Vida e do impacto conjuntural na classe média.

Qual problema é maior para o setor? Juros ou mão de obra?

A falta de mão de obra é muito preocupante. Ainda não conseguimos desenvolver tecnologias em massa que substituam essa mão de obra. O filho do pedreiro não quer mais ser pedreiro, o filho do mestre não quer mais ser mestre. Tenho feito reuniões para buscar soluções. Fizemos uma incursão recente com dez pessoas na China, visitando obras, para tentar trazer alguma tecnologia de lá em parceria com fornecedores.

A que o sr. atribui essa falta de mão de obra?

É bem claro que as pessoas não querem mais. O mundo mudou. É um trabalho muito pesado, de muito esforço físico. Hoje, em vez disso, é possível fazer um curso técnico. Podem ser Uber, há muitas opções que não existiam. Outro fator é o boom imobiliário. Não formamos profissionais e aumentamos a produção. Como é que faz? Falta mão de obra.

E o possível fim da escala 6x1? Com que olhos o sr. enxerga?

O governo não pode tomar uma medida assim, de repente. Precisa pensar e tratar as consequências. O que eu mais ouço é que o país não investe em educação e não investe em produtividade, que está caindo no Brasil. Se a produtividade está caindo e você ainda diminui o tempo de trabalho, é preciso pensar como isso influencia na vida das pessoas, nos custos, na inflação.

A Benx se afastou da classe média. O movimento é uma guinada permanente ou é um porto temporário?

Nada é permanente. O mercado imobiliário é muito cíclico. Estamos num momento de explosão imobiliária, baseada no Minha Casa, Minha Vida, mas a classe média é sempre muito forte no consumo. Uma empresa do tamanho da nossa tem que revisitar o planejamento estratégico todos os anos. Até porque o Brasil é país no qual os juros vão de 2% a 15%, de 15% a 10%, não dá para ter uma estabilidade com essas taxas.

Vocês esperam que as unidades do 280 Art, projeto no Itaim, cheguem a até R$ 180 milhões. O aumento de preços no mercado se deve a um aumento real da riqueza e da demanda ou vivemos uma bolha especulativa em regiões específicas?

Não é uma bolha. Há riqueza em São Paulo. No agro há riqueza, mas é setorizado. Se pegamos dez ou 15 indústrias brasileiras, vemos quantos executivos elas geraram. Cada prédio de altíssimo padrão tem 20, 25 apartamentos, 30 é o máximo. Não é como se fizéssemos 200 unidades. Basta olhar o mercado financeiro, que têm crescido uns 500 mil executivos ganhando dinheiro. Para dar vazão, você precisa de vários prédios.

O Parque Global demorou 21 anos para sair do papel, em grande parte devido a imbróglios judiciais. Ainda pensa em investir no modelo bairro planejado?

O Parque Global é um "case" sob todos os ângulos. A insegurança jurídica é o problema mais grave do país. Essa á uma opinião compartilhada por muita gente. O modelo de bairro, no entanto, é tão forte, que saiu vencedor depois desse problema de insegurança jurídica.

A marca Arbórea é aposta para o segmento de luxo. Há espaço para empresa nativa brasileira?

Não tenho nada contra o brand residence, acho que é mercado importante, mas depende do local e do público para funcionar. Nem todo brand residence vai atingir altíssimo padrão. Nós decidimos criar essa marca agora e temos três projetos direcionados para esse cliente.
Por Luana Franzão/Folhapress
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Ibirataia: Sandro Futuca reinaugura posto de saúde e garante médico fixo para Tesourinhas

Unidade passa por ampla reestruturação e garantirá atendimento médico semanal, fortalecendo a assistência à população local.

A reinauguração do Posto de Saúde da Vila de Tesourinhas, em Ibirataia, realizada na tarde da última sexta-feira (21), marcou um momento histórico para os moradores da comunidade, simbolizando não apenas a entrega de uma unidade totalmente requalificada, mas também o avanço concreto na oferta de serviços de saúde. Durante a cerimônia, o prefeito Sandro Futuca anunciou uma importante novidade: a unidade contará, a partir de agora, com médico fixo todas as semanas.
O atendimento médico será realizado pelo jovem profissional Dr. Gabriel Leal, que estará presente na unidade às terças e quartas-feiras, garantindo assistência regular e mais acessível à população local. Gabriel carrega também uma forte ligação com a história política do município. Ele é filho dos ex-prefeitos Júlio Leal (in memoriam) e Ana Cléia, nomes que tiveram atuação marcante em Ibirataia.

Além dos investimentos na área da saúde, a Vila de Tesourinhas também vem sendo contemplada com ações na educação. Em 2025, a escola da comunidade passou por uma reforma completa, incluindo climatização das salas e reestruturação do espaço físico. As melhorias garantiram melhores condições de ensino e aprendizagem, beneficiando alunos, professores e toda a comunidade escolar.

A cerimônia de reinauguração reuniu vereadores, secretários municipais, profissionais da saúde e moradores da localidade.

Com as melhorias na unidade escolar e, agora, na área da saúde, a Vila de Tesourinhas vive um novo momento, marcado por desenvolvimento e atenção às necessidades da população.
Fonte: Decom/Prefeitura Municipal de Ibirataia.

Justiça manda derrubar perfis ligados a Jerônimo e PT por uso de deepfake e determina citação do governador

O governador Jerônimo Rodrigues (PT)
O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou, em decisão liminar proferida na sexta-feira (20), a suspensão imediata dos perfis anônimos “@prefakesalvador” e “@acmmasterbahia” no Instagram. A decisão também manda que a plataforma forneça, em até cinco dias, os dados cadastrais e registros eletrônicos que permitam identificar os criadores e administradores das contas.

A ação foi ajuizada pelo diretório estadual do União Brasil contra o governador Jerônimo Rodrigues e contra os responsáveis pelos dois perfis, sob a alegação de que havia uma campanha sistemática de propaganda eleitoral antecipada negativa contra o ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo do Estado, ACM Neto. Segundo a representação, os conteúdos publicados buscavam atacar a honra e a imagem do adversário político e, por consequência, beneficiar Jerônimo.

Na decisão, a Justiça afirma que os elementos apresentados indicam, em análise preliminar, indícios de irregularidade eleitoral. A decisão destaca que os perfis não apresentavam identificação clara dos responsáveis e que o material divulgado extrapolava os limites da crítica política legítima, ao associar o pré-candidato a situações criminosas e ao uso de montagens ofensivas.

Um dos pontos centrais da decisão é o uso de inteligência artificial. A decisão cita que a legislação passou a vedar o emprego de conteúdo fabricado ou manipulado para difundir fatos sabidamente inverídicos ou gravemente descontextualizados, inclusive com uso de deepfakes para prejudicar ou favorecer candidaturas.

Ao deferir a tutela de urgência, o TRE ressaltou que, em redes sociais, a velocidade de disseminação de conteúdos polêmicos e visualmente impactantes amplia o risco de dano contínuo e de difícil reparação à imagem do pré-candidato. Por isso, determinou que o Facebook Serviços Online do Brasil, responsável pelo Instagram, retire os dois perfis do ar no prazo de 24 horas, sob pena de multa diária de R$ 10 mil por perfil mantido ativo.

A decisão também determina a citação de Jerônimo Rodrigues para apresentação de defesa no prazo de dois dias. Após a identificação dos administradores dos perfis, os responsáveis também deverão ser citados para se manifestar. Em seguida, o processo será encaminhado ao Ministério Público Eleitoral.

Clique aqui e leia na íntegra a decisão do TRE-BA

Cunhado de Vorcaro recebeu R$ 485 milhões de empresa investigada pela PF em caso Master

Super Empreendimentos teria sido utilizada para pagar suposta milícia privada do grupo e agentes públicos
Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, do Banco Master,
Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, do Banco Master, recebeu R$ 485 milhões da Super Empreendimentos, empresa investigada pela PF (Polícia Federal) sob a suspeita de servir de canal de pagamentos a uma suposta milícia privada do grupo e a agentes públicos.

As informações estão no extrato de uma conta de Zettel obtido pelo jornal Folha de São Paulo. Os repasses foram feitos entre julho de 2022 e janeiro deste ano. Só no ano passado, Zettel recebeu R$ 160 milhões da Super, originados de 264 transferências. Os maiores repasses foram feitos entre fevereiro e abril, de R$ 5 milhões cada.

Procuradas, as defesas de Zettel e Vorcaro não quiseram responder aos questionamentos da reportagem. Zettel é apontado nas investigações como o responsável por intermediar e operacionalizar pagamentos relacionados às possíveis atividades ilegais do Master.

De acordo com integrantes da PF, a atuação do cunhado de Vorcaro seria central no esquema para viabilizar financeiramente as atividades ilícitas do grupo. A polícia ainda analisa mensagens trocadas entre ele e o dono do Master em que há ordens de pagamentos e citações a transações financeiras com menções a políticos.

O empresário é pastor afastado da Igreja Batista da Lagoinha e teve sua prisão preventiva decretada junto com a de Vorcaro, na terceira fase da Compliance Zero. Na ocasião, seus advogados, Maurício Campos e Juliano Brasileiro, disseram que Zettel estava à inteira disposição das autoridades.

Casado com Natalia Vorcaro, ele ganhou projeção no meio empresarial como fundador e CEO da Moriah Asset, gestora que se apresenta como o primeiro e maior private equity focado em bem-estar no Brasil.

Por meio da Moriah, tornou-se sócio de negócios como o Grupo Frutaria (Frutaria São Paulo, Empório Frutaria e Néctar), da rede de açaí Oakberry, da academia de luxo Les Cinq, da Desinchá e da Super Nutrition, marca de suplementos como creatina.

Em 2022, ele foi o maior doador das campanhas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do governado Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), com cerca de R$ 5 milhões no total —R$ 3 milhões para Bolsonaro e R$ 2 milhões para Tarcísio.

Já a Super é citada como parte da engenharia financeira para movimentar o dinheiro que era desviado do Master. Ela teria sido utilizada para tomar empréstimos fraudulentos do banco. O Master venderia esses financiamentos para fundos de investimento, limpando o seu balanço.

O dinheiro era usado tanto para adquirir bens quanto para alimentar uma rede de fundos responsável por desviar recursos do banco e retroalimentar o próprio Master a partir da compra de CDBs (Certificados de Depósito Bancário).

De acordo com a PF, a empresa também teria sido usada para o pagamento ilícito feito por Vorcaro a dois ex-funcionários do Banco Central investigados no esquema de desvios do Master, o ex-diretor de fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-chefe do departamento de supervisão bancária Belline Santana.

Segundo decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, ambos atuavam como consultores privados de Vorcaro para assuntos relacionados ao BC e recebiam propina por isso. Entre os pagamentos, a decisão menciona uma viagem à Disney feita por Souza, cujo guia foi pago pelo dono do Master.

Além disso, está no nome da Super a casa de R$ 36 milhões em Brasília onde o banqueiro recebeu políticos como o senador Ciro Nogueira (PP) e o deputado Hugo Motta (Republicanos). Segundo a assessoria de Vorcaro, ele é inquilino do imóvel.

Hoje, a casa está em nome da Prime Aviation, empresa de aluguel de bens de luxo que já teve Vorcaro entre seus sócios.

O ex-banqueiro também declarou à Receita Federal ter feito pagamentos de R$ 68 milhões em 2023 à empresa. Os valores quitaram dívidas de Vorcaro com a Super na compra de imóveis e outros investimentos.

Na decisão em que determinou a prisão preventiva de Vorcaro, no começo de março, Mendonça apontou que a Super foi também utilizada para os pagamentos do grupo chamado de "A Turma", encarregada de monitorar e pressionar pessoas consideradas adversárias do banqueiro ou ligadas às apurações sobre o banco. O ministro também determinou a suspensão das atividades da empresa.

Zettel deixou a diretoria da Super em julho de 2024. Empresas dele e de Vorcaro aparecem registradas no mesmo endereço comercial em Belo Horizonte, segundo dados da Receita. Sua sócia Ana Cláudia Queiroz de Paiva segue como diretora da instituição.

Em dezembro, a assessoria de imprensa de Vorcaro confirmou que o cunhado Zettel era um dos sócios da Super, mas destacou que a relação entre Vorcaro e a Super era meramente comercial.
Por Constança Rezende/Lucas Marchesini/Folhapress

PGR denuncia Silvio Almeida sob acusação de importunação sexual à ministra Anielle Franco

Defesa disse que o caso segue sigiloso e reafirmou notas anteriores em que o ex-ministro negou as acusações
Silvio Almeida, ex-ministro dos Direitos Humanos do governo Lula
A PGR (Procuradoria-Geral da República) denunciou Silvio Almeida, ex-ministro dos Direitos Humanos do governo Lula, ao STF (Supremo Tribunal Federal) sob acusação de importunação sexual à ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.

A denúncia foi apresentada em 4 de março e é assinada pelo procurador-geral, Paulo Gonet. O processo corre sob sigilo no STF e é conduzido pelo ministro André Mendonça.

Na peça, Gonet afirma que há indícios que respaldam o relato de Anielle. Dentre os depoimentos que corroboram as declarações da ministra está o do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Procurada, a defesa do ex-ministro afirmou que o caso permanece sigiloso e reafirmou declarações anteriores. Silvio Almeida vem argumentando que as acusações não têm materialidade e tratam de ilações.

Andrei participou da reunião de maio de 2023 na sede do Ministério da Igualdade Racial na qual Almeida teria assediado Anielle. O diretor-geral foi ouvido no caso e, segundo a PGR, deu um relato em consonância com o descrito pela ministra.

De acordo com a denúncia, Andrei diz ter sentido Anielle muito abatida depois da reunião e teria feito comentários fortes, como "não aguentar mais". Na ocasião, ela não teria citado o nome de Almeida, mas saiu chateada do encontro, relatando desconfortos.

A corregedora-geral da PF, Aletea Vega Marona Kunde, esteve presente no encontro e, também ouvida no inquérito, deu relato semelhante. Há, ainda, relatos de amigas com quem Anielle conversou na época sobre o momento que vivia.

O indiciamento de Silvio Almeida ocorreu em novembro passado pela PF e foi embasado na suspeita de importunação sexual contra Anielle e a professora Isabel Rodrigues. A denúncia da PGR, no entanto, aborda apenas o caso de Anielle.

Segundo o entendimento apontado pela Procuradoria, o segundo caso foi enviado à primeira instância para seguir a jurisprudência do STF, já que, à época dos fatos relacionados à professora, Almeida não era ministro.

De acordo com informações de pessoas que tiveram acesso ao documento, a PF considerou que houve prescrição em relação a outros casos suspeitos —quando o Estado não pode mais punir alguém pela prática de um crime ou executar uma pena pelo tempo passado desde o fato.

Somadas, as penas podem resultar em dez anos de prisão.

O indiciamento foi encaminhado à corte após investigação que apurou acusações de assédio sexual. No início de 2025, durante as investigações, Silvio Almeida chegou a depor por mais de duas horas à Polícia Federal.

Em depoimento à PF, Anielle disse que as "abordagens inadequadas" do colega foram escalando até a importunação física.

À revista Veja a ministra disse que houve "atitudes inconvenientes" por parte de Almeida, como toques inapropriados e convites impertinentes, mas que ela não reportou os episódios por "medo do descrédito e dos julgamentos", além da sensação de que a culpa era da vítima, não do agressor.

No caso da professora, ela publicou um vídeo em setembro passado acusando o ex-ministro de tê-la tocado sem consentimento durante um almoço na presença de outras pessoas, em 2019, antes de ele se tornar ministro dos Direitos Humanos do governo Lula.

Silvio Almeida chegou a dizer, em entrevista ao UOL, em 2025, que Anielle teria "se perdido no personagem" e caído em uma armadilha política.

O ex-ministro negou ter feito comentários indevidos a Anielle e passado a mão nas pernas dela em reunião ministerial, como é acusado. Disse que naquela ocasião houve encontro tenso e que surgiram divergências entre o que os dois propunham.

Também negou outros supostos casos de assédio. "Dou aula há 20 anos. Tive, aproximadamente, 40 mil alunos. Metade disso são mulheres. Em todas as universidades que passei, isso está dito de maneira oficial, nunca tive nenhum tipo de acusação".

"Não fiz isso. Não sei por que as pessoas mentem. E quem mente tem responsabilidade".

Na época, o ex-ministro publicou um manifesto nas redes sociais no qual afirmou que retomaria suas atividades públicas. "Estou vivo, continuo indignado e não quero compaixão nem 'segunda chance'. Eu quero justiça."

O caso levou o presidente Lula a demitir Silvio Almeida um dia após a revelação das denúncias, em setembro de 2024. Antes da decisão, o petista se reuniu separadamente com Almeida e, após publicar a demissão, com Anielle Franco. Desde então, a pasta dos Direitos Humanos é comandada por Macaé Evaristo.

No comunicado oficial da demissão, o governo informava que o presidente considerava "insustentável" a manutenção do ministro no cargo considerando a natureza das acusações de assédio sexual.

O caso também está em apuração pela Comissão de Ética Pública da Presidência, sob sigilo. O órgão apura os fatos na esfera administrativa, por envolver um agente público.

Por Ana Pompeu/Folhapress

Desânimo, insegurança e medo do futuro dominam humor antes de eleição, indica pesquisa Datafolha

                Sentimentos negativos são mais intensos entre quem desaprova governo Lula
Pesquisa aponta que sentimento negativo prevalece no Brasil a sete meses das eleições
Um sentimento negativo prevalece no Brasil a sete meses das eleições. A maioria se diz insegura, desanimada e com medo do futuro quando pensa no país, mostra pesquisa Datafolha.

Segundo o levantamento, o sentimento mais predominante é a insegurança, citado por 69% dos entrevistados, enquanto 29% afirmaram se sentir seguros. Outros 2% declararam não saber.

Também são majoritárias as sensações de tristeza (59%), desânimo (61%) e medo do futuro (61%) em comparação com os índices de felicidade (38%), animação (37%) e confiança no futuro (37%).

Em geral, segundo o Datafolha, existe uma correlação entre sentimentos sobre o Brasil e a aprovação presidencial, com maior intensidade na relação entre desaprovação e humor negativo.

Entre aqueles que desaprovam o trabalho de Lula (PT), 93% se dizem inseguros (7%, seguros), 88%, desanimados (12%, animados), e 87%, tristes (contra 12% de felizes).

Já no grupo daqueles que aprovam o trabalho do presidente, a lógica se inverte: 53% afirmam se sentir seguros (44%, inseguros), 66%, animados (32%, desanimados), e 66%, felizes (31%, tristes).

O mesmo ocorre no cruzamento com a intenção de voto para presidente. Entre quem prefere Flávio Bolsonaro (PL), 89% afirmam se sentir inseguros, contra 41% de quem espera votar em Lula.

Em relação ao voto passado em 2022, 90% dos eleitores de Jair Bolsonaro se dizem inseguros, ante 46% daqueles que declararam ter votado no petista.

O fato de sentimentos negativos aparecerem de forma mais intensa entre quem desaprova o governo, votou em Bolsonaro ou pretende votar em Flávio indica um humor atravessado pela polarização.

O índice é alto também entre quem pretende outro caminho: entre quem declara voto em Ratinho Junior (PSD), 88% se dizem inseguros; em Romeu Zema (partido Novo), 81%; e em branco, nulo ou nenhum, 87%.

A percepção dos brasileiros em relação à economia do país piorou nos últimos meses, revertendo em parte melhora registrada em pesquisa feita no final de 2025.

De acordo com o levantamento, o percentual de quem acredita que houve piora na situação econômica do país subiu de 41% para 46% de dezembro passado a março.

Também existem mais entrevistados pessimistas sobre o futuro, inclusive em relação à própria condição financeira, e que preveem aumento da inflação e do desemprego —hoje nas mínimas históricas.

Os dados provêm de pesquisa realizada de 3 a 5 de março com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais. Ela está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-03715/2026.

O levantamento incluiu seis questões apresentadas em pares de alternativas opostas. A margem de erro máxima para o total da amostra é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

O sentimento majoritariamente negativo é um padrão na série histórica, mas recuou, em especial em relação a outubro de 2018, ou ao menos registrou níveis próximos aos já captados em anos anteriores.

Por exemplo, naquele ano, 88% dos brasileiros se diziam inseguros ao pensar no país, 79% relatavam tristeza, e 78% desânimo —acima do observado hoje, apesar das percepções continuarem majoritariamente negativas.

Naquela época, Lula estava preso, o Brasil se encontrava no final do governo de Michel Temer (MDB) e estava prestes a entrar em uma turbulenta eleição presidencial que alçou Jair Bolsonaro ao poder.

Já os números de maio de 2020, no início da pandemia de Covid-19, não diferem tanto em relação aos atuais. A insegurança batia 69%, o desânimo era o sentimento de 59% e o medo do futuro, de 57%.

As únicas respostas que atualmente dividem os brasileiros são a raiva (49%) em contraposição com a tranquilidade (47%) e mais medo que esperança (51%) contra mais esperança que medo (48%).
Por Arthur Guimarães de Oliveira/Folhapress

Futuro motorista poderá fazer exame prático de CNH em outra cidade

O futuro motorista que fez as aulas para tirar a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) na cidade onde mora poderá fazer o exame prático em outro município. A novidade faz parte de algumas mudanças promovidas neste mês pelo Detran (Departamento de Trânsito) no estado de São Paulo.

Segundo o órgão, o agendamento do exame poderá ser feito em outro município no caso de falta de vagas no original.

Se o candidato tiver feito as aulas por meio de autoescola, a instituição deverá disponibilizar veículo para realização do exame na outra cidade —desde o fim do ano passado, motoristas podem contratar instrutores particulares e usarem o próprio carro, inclusive com câmbio automático.

Outra mudança é que será possível fazer a prova de direção de duas categorias diferentes no mesmo dia: carro e moto, por exemplo —segundo o Detran, até então isso não estava sendo permitido.

A partir de agora, pessoas com deficiência passam a contar com o apoio de tablet para registro de resultados da Junta Médica Especial e da prova.

"O uso do tablet, pelo acesso direto ao sistema do Detran-SP, torna o processo mais rápido e eficaz" diz o órgão de trânsito.

Também foram adequados em São Paulo neste mês novos critérios para exames práticos de direção estabelecidos por uma resolução do Contran (Conselho Nacional de Trânsito) do fim do ano passado.

A prova prática não tem mais faltas eliminatórias automáticas. Agora, o candidato terá pontos somados para cada conduta que corresponder a uma infração de trânsito.

Para ser aprovado, não pode ultrapassar o limite de dez pontos, de acordo com os seguintes pesos:

- 1: infração leve

- 2: infração média

- 4: infração grave

- 6: infração gravíssima

"Na prática, as condutas observadas durante o exame passam a ser registradas como infrações de trânsito, o que aproxima a avaliação da realidade da circulação nas vias", diz o Detran.

As questões utilizadas nos exames teóricos de habilitação também foram atualizadas, passando a adotar o Banco Nacional de Questões, elaborado pela Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito).

Ao todo são 1.500 questões e, independentemente do estado onde o candidato fizer a prova, elas são as mesmas.

Devido à prova ter 30 perguntas e um mínimo de acerto de 20, a distribuição das questões é randômica.

Além das novas regras, em janeiro, as provas de baliza foram retiradas dos exames práticos para quem vai tirar a CNH.

O fim da baliza é previsto na resolução do Contran de dezembro do ano passado e é obrigatória para todo o país

Sem a prova, na qual o motorista estaciona o veículo, o exame passa a concentrar a avaliação na etapa de circulação, diz o Detran.

O trajeto do exame prático permanece conforme o modelo atual, contemplando, entre outros aspectos, as conversões à direita e à esquerda, o uso correto de seta, a realização do procedimento de "parada" em local permitido, bem como a condução segura e responsável no trânsito.

Com a retirada do exame da baliza, duas das dez faltas eliminatórias que existiam no sistema anterior foram excluídas.a delas era não colocar o veículo na área balizada, em no máximo, três tentativas e no tempo estabelecido.

A outra, avançar sobre o balizamento demarcado no estacionamento do veículo na vaga.

Em dezembro do ano passado, o governo federal anunciou uma série de medidas para facilitar o acesso à carteira de habilitação.

Motoristas que não somarem pontos em seus prontuários de multas de trânsito durante os últimos 12 meses renovarão a CNH automaticamente. A medida não é válida para quem tem idade igual ou superior a 70 anos.

Por Fábio Pescarini | Folhapress

Homem é preso em flagrante por tráfico de drogas em Jiquiriçá

Um homem de 22 anos foi preso em flagrante, nesta sexta-feira (20), no município de Jiquiriçá, suspeito de tráfico de drogas e posse de arma de fogo de uso.

A prisão ocorreu durante ação conjunta entre policiais civis da Delegacia Territorial local e policiais militares, após atividades de inteligência e levantamentos investigativos que contribuíram para a identificação e abordagem do investigado no Loteamento Alto da Torre.

Durante a diligência, os policiais encontraram aproximadamente 205 gramas de maconha, sementes da mesma substância, pinos plásticos utilizados para acondicionamento de drogas, dois pinos contendo cocaína com características, além de uma espingarda artesanal, chumbo e pólvora.

O suspeito foi conduzido à unidade policial, onde foi autuado em flagrante. Após os procedimentos legais, ele permanecerá à disposição da Justiça, passando por audiência de custódia.
Fonte
Marcela Correia/Ascom PCBA

Impeachment imediato de Toffoli é defendido por 49,3%; outros 33,7% apoiam medida após investigações, aponta pesquisa

São apenas 12,8% os brasileiros contrários ao impedimento do ministro do STF, segundo pesquisa AtlasIntel/Estadão
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli
Pesquisa AtlasIntel/Estadão mostra que 49,3% dos brasileiros acreditam que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli deveria sofrer imediatamente o impeachment por suspeitas de ligação com o caso do Banco Master. Outros 33,7% avaliam que a medida só deveria ocorrer e e quando houver comprovação de envolvimento, enquanto 12,8% são contrários ao afastamento e 4,1% dizem não saber.

Os dados indicam que a maior parte da população defende algum tipo de responsabilização do ministro, seja de forma imediata ou condicionada ao avanço das investigações. Somadas, as duas posições representam mais de 80% dos entrevistados.

Para o jurista e ex-desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), Walter Maierovitch, o resultado reflete o impacto das revelações recentes envolvendo o caso do Banco Master, que colocou Dias Toffoli no centro de questionamentos após decisões tomadas no âmbito do inquérito e a divulgação de possíveis conexões com investigados. “É um resultado esperado depois de todas essas revelações. Se ele cometeu ilícitos e se existem indicativos, tem que ser apurado”, diz.

As críticas à sua atuação se intensificaram desde que Toffoli assumiu a relatoria do inquérito envolvendo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central diante de suspeitas de fraudes financeiras.

Desde então, o ministro adotou uma série de medidas que foram alvo de questionamentos por investigadores e por integrantes do meio jurídico, como a determinação de que materiais apreendidos na Operação Compliance Zero permanecessem sob custódia do STF, além da realização de acareações em fase inicial do inquérito, da definição direta de peritos e da fixação de prazos considerados exíguos para análise de provas. “Isso tudo gera esse descrédito”, completa Maierovitch.

Na sequência, o Estadão revelou que irmãos do ministro haviam cedido participação no resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), ao fundo Arleen, ligado à Reag Investimentos, investigada por abrigar estruturas associadas ao Banco Master. O negócio ocorreu por meio da empresa Maridt, da qual Toffoli depois admitiu ser sócio, enquanto seus irmãos, José Carlos Dias Toffoli Cônego e José Eugênio Dias Toffoli, aparecem como administradores.

O jornal também mostrou que o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, é o responsável pelos fundos que adquiriram parte dessas cotas, avaliadas, à época, em R$ 6,6 milhões.

Além das revelações, um relatório produzido pela Polícia Federal, com base em dados extraídos do celular de Vorcaro, apontou possíveis conexões entre o empresário e o ministro e contribuiu para que Toffoli deixasse a relatoria do caso.

No Congresso, a repercussão do episódio levou senadores a apresentar, em fevereiro, pedidos de impeachment contra o ministro. Ao todo, já são dez solicitações protocoladas no Senado.

Em outra frente, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado aprovou a quebra de sigilos relacionados ao caso. As medidas, no entanto, foram posteriormente anuladas por decisão do ministro Gilmar Mendes, o que gerou críticas entre parlamentares.

Nesta semana, o decano do Supremo voltou a suspender deliberações da comissão que previam novas quebras de sigilo no âmbito da investigação, relacionadas ao fundo Arleen.

O levantamento AtlasIntel/Estadão mostra que Toffoli e Gilmar são justamente os dois ministros com a pior avaliação na Corte. O primeiro tem atuação considerada positiva por apenas 9% dos brasileiros, enquanto 81% a avaliam como negativa. No caso de Gilmar os índices são de 20% e 67% respectivamente.

A pesquisa AtlasIntel/Estadão ouviu 2.090 brasileiros adultos entre os dias 16 e 19 de março de 2026, por meio de questionários aplicados pela internet. O levantamento tem margem de erro de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.


Por Hugo Henud/Estadão

Detran-BA esclarece instabilidade no sistema e afirma que emissão de CNH foi normalizada

Blitz do Detran-BA
(Foto: Divulgação/Arquivo)
Em nota enviada a este Política Livre, nesta sexta-feira (20), o Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (Detran-BA) informa que a instabilidade recentemente identificada no sistema de lançamento de exames, que estava travando a emissão de Carteiras Nacionais de Habilitação (CNH), "ocorreu em decorrência do processo natural de transição para uma plataforma mais moderna e responsiva, que está sendo implantada de forma progressiva, inicialmente em Salvador, com posterior expansão para todo o Estado".

De acordo com a nota, assim que tomou conhecimento da situação, o órgão adotou as providências necessárias, acionando prontamente o suporte técnico da empresa responsável pelo sistema. Segundo o Detran, a falha já foi devidamente corrigida.

O órgão destaca ainda que, na última semana, foi realizada uma reunião com representantes das clínicas credenciadas, ocasião em que foram apresentados os avanços proporcionados pela nova plataforma, além do reforço de que a empresa prestadora de serviço permanece disponível para oferecer suporte técnico contínuo, garantindo a rápida resolução de eventuais instabilidades.

Por fim, o órgão esclarece que o sistema encontra-se atualmente em pleno funcionamento, assegurando a continuidade e a qualidade dos serviços prestados pelo Detran à população.

Desconfiança com o STF chega a 60% depois do caso Master, aponta pesquisa AtlasIntel/Estadão

Porcentual de pessoas que não confiam na Corte é o mais alto da série histórica da pesquisa, iniciada em janeiro de 2023
Plenário do Supremo Tribunal Federal
A condução do inquérito do Banco Master pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e as suspeitas de que integrantes da Corte teriam se beneficiado financeiramente da relação com o banqueiro Daniel Vorcaro produziram um efeito negativo na imagem da instituição: a maioria da população não confia no tribunal, avalia que os magistrados não julgam com imparcialidade e que há envolvimento direto de alguns deles no escândalo.

As conclusões constam na pesquisa AtlasIntel/Estadão divulgada nesta sexta-feira, 20, que mostra a confiança dos brasileiros nas instituições. Segundo o levantamento, 60% dizem não confiar na Corte, ante 34% que dizem confiar. Outros 6% não têm posição clara sobre a mais alta instância do Poder Judiciário.

O porcentual de desconfiança é o mais alto da série histórica da pesquisa, iniciada em janeiro de 2023. Na época, os dois números estavam no mesmo patamar: 45% diziam confiar no Supremo, enquanto 44% respondiam o contrário.

Em agosto de 2025, a maior quantidade de críticos já era observada no levantamento, mas o número negativo estava 8,7 pontos porcentuais abaixo do atual. Eram 51,3%. A confiança era maior, 48,5% – 14,5 pontos acima do que é hoje.

“A autoridade dos tribunais está ligada a três elementos fundamentais: independência, imparcialidade e capacidade de decidir com objetividade. Quando você questiona um dos pilares da autoridade do Supremo, que é a sua imparcialidade, ou seja, sua equidistância em relação às partes, evidentemente isso afeta a confiança”, disse o professor de direito constitucional Oscar Vilhena, da Fundação Getulio Vargas (FGV).

A AtlasIntel ouviu 2.090 pessoas entre os dias 16 e 19 março, após o desgaste do Supremo atingir o seu auge com revelações de que o ministro Alexandre de Moraes mantinha contato com Vorcaro, inclusive com suspeitas de que teriam conversado no dia em que o banqueiro foi preso pela primeira vez em novembro do ano passado. A margem de erro do levantamento é de dois pontos porcentuais e a confiança é de 95%.

Para 66,1% das pessoas ouvidas, há envolvimento direto de ministros do STF no caso Master. O número de pessoas que dizem não ter opinião sobre o tema é 18,9%, maior do que os 14,9% que acreditam que não há ministros ligados aos crimes cometidos por Vorcaro.

Além de Moraes, há indícios de relacionamento de outros ministros da Corte com o banco investigado por fraudes financeiras.

O ministro Dias Toffoli é sócio anônimo de empresa que recebeu pagamento do cunhado de Daniel Vorcaro pela venda da participação no resort Tayayá, no interior do Paraná.

O banco Master e a JBS repassaram R$ 18 milhões a uma empresa de consultoria que fez pagamentos ao filho do ministro Kassio Nunes Marques.

A percepção sobre o envolvimento de integrantes do Supremo no caso se conecta com a avaliação de 76,9% dos entrevistados de que há “muita influência externa (de políticos, partidos e grupos poderosos) no julgamento”. Outros 13% dizem enxergar alguma ação externa para interferir no processo, enquanto 6,1% avaliam que os procedimentos estão sendo feitos de forma técnica e baseados na lei. Já 3,9% não sabem opinar sobre o tema.

Para 53% dos entrevistados, o processo de liquidação do Master não deve ser julgado pelo STF. Em contraposição, 36,9% dizem que o caso deve ser analisado pela Corte. Enquanto 10,1% não sabem se a investigação deve ser analisada no tribunal.

Os dados demográficos mostram que o STF tem maior confiança entre as camadas da população com maior renda familiar. A faixa de quem ganha acima de R$ 10 mil é a única em que o porcentual positivo é maior que o negativo. Segundo o levantamento, 48,5% dizem confiar na Corte, enquanto 45,3% desconfiam.

As pessoas com renda familiar entre R$ 3 mil e R$ 5 mil são as menos confiam na instituição, 69,6%. Os que dizem confiar são 27,8%.

Ao analisar o posicionamento do ponto de vista eleitoral, 96,5% das pessoas que votaram no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno em 2022 dizem não confiar no Supremo, enquanto 0,7% relatam confiança na instituição. O cenário é o oposto entre os votantes no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). São 71,4% os que confiam, ante 23,1% que não confiam.

De acordo Oscar Vilhena, da FGV, as percepções dos eleitores de Lula e Bolsonaro e a desconfiança majoritária dos entrevistados em relação ao STF estão diretamente conectadas. Segundo o professor, a queda na confiança do tribunal pode ser explicada pela polarização na sociedade brasileira e pelo protagonismo exacerbado da instituição em grandes questões nacionais.

“Em um ambiente bastante polarizado, como é o brasileiro ou o americano, quando se tem Cortes muito proeminentes, ou seja, que se manifestam sobre questões políticas de maneira muito reiterada, é natural que elas sejam capturadas por essa polarização”, afirmou. “Nós temos uma Corte muito ativa, que eu chamo de supremocrática. Então, é lógico que as pessoas vão dizer coisas boas ou ruins do tribunal dependendo de como elas veem o posicionamento da instituição em relação às causas em que acredita”.

Wallace Corbo, professor de direito constitucional da FGV, avalia que a queda de confiança do Supremo pode estar associada à dificuldade do tribunal em se desvencilhar da percepção de parte da população que atua de forma política.

“A população espera de um tribunal que ele não seja visto como uma parte integrante da política. Então, as pessoas tendem a dar menos apoio para um tribunal cujos integrantes não veem mais como juízes, mas como políticos. E, nesse ponto, o Supremo teve algumas dificuldades contra isso”, disse.

“As pessoas tendem a perder a confiança quando elas entendem que o tribunal não está seguindo padrões de imparcialidade, ou mesmo de comportamento, esperados de juízes. Todo tipo de notícia que envolve potenciais conflitos de interesse ou que envolvam decisões que não passam pelo colegiado pode afetar efetivamente a visão de um tribunal”, completou.

Código de ética tem apoio da maioria da população

A crise que atinge a Corte tem tido como principal proposta de mitigação o código de ética encampado pelo presidente do STF, Edson Fachin. O conjunto de regras a serem criadas sob responsabilidade da relatora Cármen Lúcia tem o apoio de 57% dos entrevistados, que consideram a medida como extremamente importante e que deveria ser a prioridade do STF.

Outros 18,6% avaliam que o código de ética é importante, mas não deve ser a prioridade do Supremo. Já 8,9% dizem que o texto não é nada importante e 6,1% que é pouco importante. Dentre os entrevistados, 9,4% dizem não saber se as normas podem contribuir para preservar a integridade moral e confiança pública do tribunal.
Por Weslley Galzo/Estadão

Rui Costa confirma saída da Casa Civil no dia 30 para disputar o Senado

O ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT) e o senador Jaques Wagner (PT)
O ministro da Casa Civil do governo Lula, Rui Costa (PT), confirmou que deixará o cargo no próximo dia 30 de março para disputar uma das duas vagas no Senado nas eleições de outubro. Em entrevista à rádio 93 FM de Jequié, nesta sexta-feira (20), ele fez um balanço da sua atuação no governo federal e ressaltou os resultados alcançados durante sua gestão, iniciada em janeiro de 2023.

A desincompatibilização do cargo atende a determinação da Justiça Eleitoral que prevê afastamento seis meses antes das eleições, com contagem a partir de 4 de abril.

Na entrevista, Rui Costa destacou o papel estratégico da pasta e a relação direta com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Eu ficarei lá até o meu último dia de trabalho, dia 30 deste mês, como ministro. É um trabalho de coordenação dos outros ministérios. É um trabalho junto ao Presidente da República, cotidianamente, todos os dias. Então, isso significa um voto de confiança enorme. E isso não foi um voto de confiança dado somente a mim, pessoa física. Foi dado à Bahia, aos baianos e ao nosso grupo político. Então, eu fico muito orgulhoso disso, do presidente ter me dado essa missão e eu concluo dia 30 muito orgulhoso do resultado que nós alcançamos”, afirmou Rui Costa, que esteve em Jequié para autorizar o início das obras na BR-330 com recursos de R$57 milhões do Novo PAC, programa sob sua coordenação.

O ex-governador da Bahia também disse ter apresentado na última reunião com os ministros comparativos entre o atual governo e a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), destacando avanços em diversas áreas.

“Fiz uma comparação inclusive no período de três anos, de 2019 a 2021, do governo passado; e dos três anos do nosso governo, de janeiro de 2023 a dezembro de 2025. Três anos contra três anos. Os números são N vezes maiores. Tem número que é dez vezes maior em termos de desempenho. Se você olhar a execução de estradas federais é quase dez vezes mais o volume de investimento. Você olha a construção de casa, você olha a construção de escola, de creche, etc. Ou seja, os números são muito maiores, infinitamente maiores do que os do governo passado”, pontuou.
Por Carine Andrade, Política Livre

Governo publica tabela de preços para subvenção do diesel; mercado ainda analisa

Valores funcionam como teto para empresas que quiserem ganhar subsídio de R$ 0,32 por litro
O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou nesta sexta-feira (20) a tabela de preços do diesel para o programa de subvenção criado para enfrentar a alta das cotações internacionais do petróleo após o início da guerra no Irã.

Esses valores funcionarão como um preço teto para garantir a subvenção: só receberá os R$ 0,32 por litro do governo quem vender diesel mais barato do que a tabela.

São dois tipos de preço de comercialização: um para diesel importado ou refinado no país com petróleo importado e outro para diesel produzido no país com petróleo nacional. Em cada caso, há valores para cada região brasileira.

O preço para diesel importado ou refinado com petróleo importado varia entre R$ 5,294 por litro no Sudeste e R$ 5,510 por litro no Nordeste. O preço para o combustível nacional varia entre R$ 3,509 por litro no Nordeste e R$ 3,864 por litro no Centro-Oeste.

Os valores consideram o preço de venda às distribuidoras e não ao consumidor final —que é acrescido de biodiesel, impostos e margens. Nas bombas, o diesel hoje custa, em média, R$ 6,80 por litro.

Os valores definidos para o diesel importado são mais caros do que os preços médios praticados pela Petrobras, mas ainda abaixo das cotações internacionais.

Na abertura do mercado desta sexta, o preço de paridade de importação medido pela Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis) variava entre R$ 6,183 por litro no porto de Itaqui, no Maranhão, e R$ 6,474 por litro em Paulínia (SP).

A reportagem procurou a Abicom para comentar as diferenças, mas o presidente da entidade, Sergio Araújo, disse que ainda estava avaliando.

Os preços para o diesel refinado no Brasil estão bem próximos aos preços de venda da Petrobras, o que indica que a estatal não poderá fazer novos reajustes caso queira ganhar o subsídio. Em Paulínia, a empresa vende o diesel em torno de R$ 3,60 por litro, dependendo do formato de entrega.

Por outro lado, ganhou margem para vender o diesel que importa a preços mais altos do que os praticados em suas refinarias e, mesmo assim, obter a subvenção do governo. Atualmente, cerca de 30% do mercado nacional de diesel é abastecido por importações.

O preço de comercialização de diesel refinado no Brasil com petróleo nacional para a região Sudeste é de R$ 3,664 por litro. A Petrobras também não havia respondido ao pedido de entrevista até a publicação deste texto.

Já a dona da maior refinaria privada brasileira, a Acelen, pratica hoje preços superiores ao preço de comercialização que dá direito ao subsídio a refinadores que usam petróleo importado. Seu preço de venda atual varia entre R$ 5,431 por litro e R$ 5,642 por litro.

A Refina Brasil, associação que representa as refinadoras privadas, também foi procurada e ainda não se manifestou.

Por Nicola Pamplona, Folhapress

Sandro Futuca reúne lideranças e garante climatização de paróquia em Ibirataia

Iniciativa coletiva reúne prefeito, vice, deputados e ex-prefeito em benefício da comunidade católica
O aniversário do prefeito de Ibirataia, Sandro Futuca, foi marcado por um gesto que transformou a data em um presente coletivo para a comunidade católica do município. Durante a missa solene em louvor a São José, padroeiro da cidade, o gestor anunciou e oficializou a doação de equipamentos de climatização para a Paróquia de São José.
Coincidentemente realizada na mesma data do aniversário do prefeito, a ocasião ganhou um significado ainda mais especial ao transformar a comemoração pessoal do gestor em um benefício direto para a população.
Ao final da missa, Futuca realizou a entrega de dois aparelhos de ar-condicionado de 60 mil BTUs, destinados à climatização da igreja matriz. A doação é fruto de uma ação conjunta que reuniu importantes lideranças políticas, dentre elas o prefeito Sandro Futuca, o vice-prefeito Caio, os deputados Patrick Lopes e Eduardo Salles, além dos ex-prefeitos Marcos Aurélio e Ana Cléia.
A instalação dos novos equipamentos, visa tornar o ambiente mais acolhedor e adequado para receber os fiéis, incentivando ainda mais a participação nas atividades religiosas e fortalecendo a vivência da fé no município.

A Missa Solene, foi conduzida pelo pároco Romenic Pereira e contou com a presença do bispo diocesano de Ilhéus, Dom Giovanni Crippa.
O evento também reuniu diversas autoridades, entre elas o presidente da Câmara, Antonio Santos de Jesus, os vereadores Fala da Banca, Marcio Fatel e Hueris da Pax, além do ex-prefeito Marcos Aurélio e dos deputados Eduardo Salles e Patrick Lopes. Secretários municipais também estiveram presentes, acompanhando a celebração.
Fonte: Decom/Prefeitura de Ibirataia. 

O diretor do Departamento de Polícia Metropolitana (Depom), delegado Moisés Damasceno, deu detalhes sobre as investigações sobre o desaparecimento da adolescente Thaimiris Pereira, de 14 anos, em coletiva de imprensa na noite desta quinta-feira (19).

O diretor do Departamento de Polícia Metropolitana (Depom), delegado Moisés Damasceno, deu detalhes sobre as investigações sobre o desaparecimento da adolescente Thaimiris Pereira, de 14 anos, em coletiva de imprensa na noite desta quinta-feira (19).

De acordo com o delegado, a menina teria sido morta por “vingança” após ser atribuída a uma denúncia que levou à prisão de um traficante da região do Jardim das Margaridas.
Damasceno também detalhou que foram cumpridos dois mandados de prisão nesta quinta, sendo um contra um vizinho de Thamiris e outro contra um traficante já preso desde o dia 20 de fevereiro, por violência doméstica. O criminoso, de dentro do presídio, teria orquestrado o sequestro e morte da jovem por considerar que ela teria acionado a polícia durante as agressões.

“A investigação indica que houve uma prisão no dia 20 de fevereiro de um dos líderes do tráfico de drogas daquela região e este indivíduo que foi preso, não por tráfico, mas por violência doméstica, teria atribuído a Thamiris o acionamento da polícia para prendê-lo. Então esse indivíduo já se encontra preso e hoje cumprimos um outro mandado de prisão”, afirmou o delegado.

O diretor do Depom também informou que o vizinho de Thamiris é suspeito de atraí-la para posteriormente matá-la. Ainda segundo Damascedo, o corpo foi encontrado após um popular sentir o mau cheiro no local onde o cadáver estava, em uma região de mata no bairro do Cassange.

“Quem atraiu Thamiris para o local queria matá-la. Esse indivíduo que foi preso hoje teria chamado Thamiris para passar lá. Por isso, quando ela chegou a determinado ponto, em vez dela virar para a cada dela, ela virou para o lado contrário, para a casa desse cidadão onde pode ter acontecido o crime. (...) Um popular passando pelo local sentiu o mal cheiro e visualizou o corpo, então esse popular ligou para o 190 e o Cicom acionou o Serviço de Investigação de Local de Crime. Agora estamos aguardando a perícia para confirmar se é ou não o corpo da adolescente”, detalhou Damasceno.

 Siga o @bahianoticias e fique bem informada(o)
 Paulo Dourado/ Bahia Notícias

13º do INSS é antecipado oficialmente; veja os meses de pagamento

Antecipação do abono salarial de 2026 deverá injetar R$ 78.2 milhões na economia do país, consideradas as duas parcelas, segundo cálculos do governo (Por Marcia Bessa Martins) - foto reprodução -
INSS já definiu os meses para o adiantamento do décimo-terceiro salário.

O governo federal publicou decreto, nesta quinta-feira (19), antecipando o pagamento do 13º salário para aposentados e pensionistas do INSS.

O abano salarial de 2026 aos beneficiários e dependentes será pago àqueles que, durante o ano passado, tenham recebido auxílio por incapacidade temporária, auxílio-acidente, aposentadoria, pensão por morte ou auxílio-reclusão.

O decreto foi publicado nesta quinta-feira, 19 de março, em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).

O iG já havia adiantado a possibilidade de antecipação do pagamento que, neste ano, excepcionalmente, ocorrerá em duas parcelas.

Abril e maio
A primeira parcela será correspondente a 50% sobre o valor do benefício devido em abril, juntamente com os benefícios do mês.

A segunda parcela corresponderá à diferença entre o valor total do abono anual e o valor da parcela antecipada e será paga da mesma forma, em maio.

Nos anos anteriores em que o abono foi antecipado, as datas de pagamento seguiram o final do cartão do NIS. É o que dever ocorrer novamente, mas o Ministério da Previdência Social (MPS) ainda não divulgou essas datas.

De acordo com o MPS, o objetivo dessa medida é antecipar a renda dos beneficiários que têm direito ao abono, o que deverá injetar R$ 78.2 milhões na economia do país, consideradas as duas parcelas.

O decreto ainda destaca que, na hipótese de interrupção programada do benefício antes de 31 de dezembro de 2026, o valor do abono anual será calculado proporcionalmente ao período utilizado.

O texto também aponta que haverá o encontro de contas entre o valor recebido pelo beneficiário e o efetivamente pago, caso haja interrupção antes da data programada para os benefícios temporários, ou antes de 31 de dezembro de 2026, para os benefícios permanentes. (Fonte: iG Economia)

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