Lula liga para Trump e diz que tarifaço contra Brasil é baseado em alegações infundadas Por Isadora Albernaz, Ricardo Della Coletta eCaio Spechoto, Folhapress

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) telefonou nesta sexta-feira (21) para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e disse que o mais recente tarifaço aplicado contra o Brasil é baseado em "alegações infundadas".

Segundo o comunicado do Planalto, a ligação durou uma hora e vinte minutos e ocorreu "em tom amistoso e cordial" entre Lula e Trump, que teria sugerido que os negociadores dos dois países voltassem a se reunir "o mais brevemente possível" —sem detalhar uma data.

A conversa ocorre em um momento em que autoridades do governo Lula, que é candidato à reeleição, têm repetido que temem uma interferência estrangeira dos EUA nas eleições brasileiras de outubro. A gestão Trump é próxima do principal rival do petista, o candidato à Presidência do PL, Flávio Bolsonaro.

Em julho, os EUA impuseram duas tarifas sobre o Brasil. Uma, com alíquota, de 12,5%, tem por base acusações de falhas no controle de importação de produtos feitos com o uso trabalho forçado. Outras dezenas de países também foram tarifadas.

O Brasil já estava sujeito à aplicação de uma sobretaxa de 25%. A sanção, adotada após uma investigação sobre práticas comerciais supostamente injustas, atinge milhares de produtos brasileiros, mas isenta itens estratégicos para a pauta exportadora, como carne bovina e café.

Essa sobretaxa foi imposta com base numa apuração do USTR (Escritório do Representante Comercial) dos EUA que acusa o Banco Central de privilegiar o Pix em detrimento de empresas americanas de meios de pagamentos. Os americanos também disseram, na investigação, que o Brasil aplica tarifas injustas para o etanol americano e falha no combate à corrupção.

Em alguns casos, as tarifas são somadas, chegando a 37,5% de alíquota.

Na conversa, Lula disse a Trump que as tarifas afetam negativamente tanto o Brasil quanto os Estados Unidos e defendeu que as negociações entre os países continuem.

"Reiterou a importância de trabalhar juntos para que os Estados Unidos continuem sendo um dos principais parceiros comerciais do Brasil", diz outro trecho da nota do governo brasileiro.

Já o presidente americano, de acordo com o relato do Planalto, teria concordado "com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes".

Ainda segundo o Planalto, Lula conversou com Trump sobre a recente designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. O Planalto era contra essa classificação e tentou convencer o governo americano a não adotá-la, sem sucesso.

"Afirmou que o Brasil tem instrumentos para enfrentar essas organizações [gruipos criminosos] sem precisar de classificação especial para designá-las. Informou sobre a estratégia do país de asfixiar financeiramente a criminalidade, que já resultou na apreensão de cerca de 17 bilhões de reais, e sobre os planos de transformar 138 presídios em prisões de segurança máxima", disse o Planalto, em nota.

Segundo o governo brasileiro, Trump se dispôs a reforçar a cooperação na área.

Por Isadora Albernaz, Ricardo Della Coletta eCaio Spechoto, Folhapress

Justiça americana diz que é falso documento dos EUA usado pelo STF para prender Filipe Martins

Foto: Filipe Martins, ex-assessor para assuntos internacionais da Presidência no governo Jair Bolsonaro (PL)
Um juiz federal nos Estados Unidos concluiu que o registro de imigração americano utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), para decretar a prisão preventiva de Filipe Martins em 2024 era fraudulento. O magistrado Gregory A. Presnell, nomeado pelo ex-presidente democrata Bill Clinton, criticou duramente as agências americanas por esse registro falso e por se recusarem a revelar quem foi o responsável.

O juiz emitiu essas conclusões e determinou a entrega à Justiça dos documentos que permitam identificar o modo como esse registro aconteceu e quais são os envolvidos no caso, durante audiência realizada em março. A transcrição oficial da audiência foi obtida pela Folha.

Em janeiro passado, Martins, ex-assessor de assuntos internacionais do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), moveu uma ação contra o Departamento de Estado norte-americano e a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP, na sigla em inglês) com base na Lei de Liberdade de Informação dos EUA (Foia). O objetivo era descobrir quem criou o registro falso que indicava sua entrada no país em 30 de outubro de 2022, a mesma data em que Bolsonaro viajou para Orlando, na Flórida, no avião presidencial.
 
Em fevereiro de 2024, Moraes determinou a prisão preventiva do ex-assessor com base na premissa de que ele teria viajado para os EUA ao lado de Bolsonaro, apoiando-se nesse registro migratório. O ministro alegou que Martins havia entrado em território americano e não retornado ao Brasil, o que demonstraria intenção de fugir da Justiça e justificaria a prisão no âmbito das investigações sobre a trama golpista.

Martins permaneceu preso preventivamente por quase seis meses em 2024. A defesa do ex-assessor, contudo, apresentou um conjunto de provas para demonstrar que ele esteve no Brasil durante todo o período e que o dado inserido no sistema de imigração dos EUA era falso. Entre os documentos apresentados estava a confirmação da companhia aérea Latam de que Martins realizou um voo doméstico no Brasil no dia seguinte à suposta viagem com o ex-presidente.

Logo após a decretação da prisão, a Procuradoria-Geral da República (PGR) –autora do pedido inicial de detenção– defendeu a soltura do ex-assessor, mas Moraes rejeitou a solicitação. Em agosto, a PGR reiterou o pedido, destacando a ausência de evidências de que Martins tivesse deixado o país ou tentado fugir. O ministro determinou a soltura em 8 de agosto daquele ano.

Em outubro passado, a própria CBP divulgou uma nota pública admitindo que "o sr. Martins não entrou nos EUA" na data indicada pelo registro de imigração, e que sua "constatação contradiz diretamente as alegações feitas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal brasileiro Alexandre de Moraes". A agência reconheceu: "O ministro de Moraes citou um registro errôneo para justificar a prisão de vários meses do sr. Martins".

Na audiência, o juiz Presnell fez duras críticas aos advogados do governo dos EUA diante da recusa em fornecer os dados, destacando a gravidade do episódio. O magistrado ressaltou que a premissa central de Martins –de que o registro é falso– não apenas é incontroversa, mas foi admitida pelo próprio governo americano.

"Houve um registro falso feito nos sistemas da Patrulha de Fronteira que afetou uma pessoa de forma considerável. O governo reconhece a falsidade e a gravidade disso", declarou o juiz. Ele acrescentou que Martins foi "preso em decorrência" desse dado incorreto e, portanto, "tem o direito de saber como isso aconteceu e quem deu causa a isso".

O magistrado afirmou ainda que, "se um ato foi praticado intencionalmente no âmbito do governo de modo a prejudicar alguém, é exatamente esse tipo de situação que a Foia foi criada para esclarecer". Presnell reiterou sua avaliação de que "um registro falso envolvendo a Alfândega e Proteção de Fronteiras causou danos consideráveis" ao ex-assessor.

O juiz demonstrou inquietação com a retenção dos documentos pelo governo norte-americano. "Acredito que o governo retém todos esses documentos e me preocupo com a legalidade, a necessidade e a propriedade dessa atitude." Diante das justificativas da defesa do governo para não entregar o material, o magistrado classificou os argumentos como "sem sentido" e "absurdos".

Ao final, Presnell determinou que a CBP forneça todos os documentos que identifiquem "quem quer que esteja envolvido neste registro e onde quer que essa ou essas pessoas residam". Procurada, a CBP não respondeu aos pedidos de posicionamento.

As primeiras menções à suposta viagem de Martins surgiram em outubro de 2023 em uma reportagem do portal Metrópoles, posteriormente retratada, sob o título: "Investigado, ex-assessor de Bolsonaro foi a Orlando em 2022 e evaporou".

No mesmo mês, o portal publicou novo texto –sob a manchete "Nem Alexandre de Moraes tem notícias sobre paradeiro de Filipe Martins"–, relatando que o ministro do STF afirmava a parlamentares que o ex-assessor havia fugido. "Moraes comentou que soube pela imprensa que Martins havia viajado para o exterior e que o paradeiro do ex-assessor era desconhecido", dizia o texto. Semanas depois, o ministro decretou a prisão com base na suspeita de fuga.

Em dezembro passado, Martins foi condenado pela Primeira Turma do STF a 21 anos de prisão por participação na trama golpista. Ele cumpria prisão domiciliar enquanto aguardava o julgamento de recursos. Mas em janeiro, Moraes determinou novamente sua prisão preventiva após interpretar o uso do LinkedIn por advogados do ex-assessor como descumprimento da medida cautelar que o proibia de acessar redes sociais.

Por Glenn Greenwald, Folhapress

Lobista pagou cartão e carro de ex-chefe de gabinete de Lula enquanto negociava com governo, diz PF

Investigação da Polícia Federal aponta que a lobista Roberta Luchsinger pagou R$ 217 mil em faturas de cartão de crédito, financiamento de um veículo e outras despesas para Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula (PT).

Os pagamentos ocorreram em 2024, mesmo período em que, de acordo com a PF, ela trabalhava para obter contratos com o Ministério da Saúde relacionados a Cannabis medicinal. Roberta é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que é investigado sob suspeita de ser sócio oculto nos negócios da lobista.

Os detalhes desses pagamentos constam em representações da PF que fundamentaram a abertura de inquéritos, sob a relatoria do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), sobre o filho do presidente. Outro ministro, Flávio Dino, também relata um inquérito relacionado a Lulinha.

Procurada, a defesa de Marcola af irmou que não teve acesso à íntegra dos autos e ao inquérito e que o vazamento dos conteúdos tem "objetivo de distorcer os fatos e interferir no processo eleitoral".

"Marco Aurélio Santana Ribeiro jamais encaminhou qualquer documento referente a compras ou licitações no âmbito do Ministério da Saúde ou da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os valores mencionados na reportagem foram todos integralmente quitados, uma vez que são referentes a um empréstimo pessoal", diz a defesa, em nota. Os advogados de Roberta dizem que só se manifestarão nos autos.

A defesa de Lulinha diz que não há garantia sobre a veracidade do material colhido pela PF e que há interesse político na instauração do inquérito. "Nessas investigações não tem autoridade com foro, não tem desvio de dinheiro público, não tem ato de ofício, não tem relação direta ou indireta com o INSS", diz o advogado Marco Aurélio de Carvalho.

Entre os valores pagos por Roberta em 2024, estão as joias de diamantes no valor de R$ 9.000 que ela presenteou a Marcola. Além disso, há R$ 95 mil pagos em um cartão de crédito do Banco do Brasil, R$ 36 mil em boletos de financiamento e R$ 48 mil em um consórcio, R$ 25 mil em um Pix, entre outros.

O financiamento tem como beneficiário o banco Toyota, e a PF aponta que Marcola tem em seu nome um Corolla Cross, da mesma marca, que estava sendo financiado.

"As conversas entre Roberta e Marco permitem comprovar uma série de pagamentos em favor do chefe do gabinete da Presidência da República. Verifica-se que Marco encaminha a Roberta diversos boletos registrados em seu nome", diz a PF, em representação obtida pela Folha.

"Ela, por sua vez, realiza os pagamentos e encaminha os comprovantes a ele. Por vezes, no mesmo contexto dessas interações, Roberta menciona a necessidade de contato com Berger."

Berger é como é conhecido o então secretário-executivo do Ministério da Saúde Swedenberger Barbosa. Roberta cobrou de Marcola uma reunião com o então secretário em julho de 2024.

Swedenberger não tem se manifestado sobre o caso. A interlocutores, tem dito que uma de suas funções era receber pessoas e dar encaminhamento a demandas para análise técnica e posterior decisão. Ele frisa que não deu andamento à proposta apresentada por ela.

A representação policial diz que "significativa parcela dos pagamentos ocorre sem maiores tratativas entre os interlocutores".

"Somente em duas oportunidades Marco classifica os pagamentos de maneira especial. Em 15 de julho de 2024, pede a Roberta que pague ao menos uma parcela da fatura de cartão e qualifica a manobra como presente de aniversário de sua filha. Na sequência, emenda: 'E tem um de consórcio que só está disponível amanhã. Daí já completa o presente que vai nos dar'. Trata-se do boleto pago no dia 18 daquele mês", relata a PF.

"Outrossim, relativamente ao Pix [de R$ 25 mil] realizado em 26 de novembro de 2024, ele diz a Roberta: 'Depois nos acertamos e te pago'."

O documento da PF, assinado por três delegados, destaca que as despesas abrangem gastos de natureza pessoal, "sem que, até o presente momento, tenham sido identificados elementos capazes de esclarecer satisfatoriamente a origem da obrigação, a causa jurídica subjacente ou a efetiva finalidade dos pagamentos realizados por Roberta em favor de Marco Aurélio".

"Embora exista uma única referência à possibilidade de restituição de determinado valor, os elementos atualmente disponíveis não permitem compreender, de forma abrangente, a natureza da relação financeira estabelecida entre ambos."

O inquérito da PF ligado ao documento obtido trata de suspeitas dos crimes de corrupção e tráfico de influência nas tentativas de obter autorização para a comercialização da Cannabis medicinal no Ministério da Saúde.
Por José Marques/Folhapress

Delegado da Polícia Civil aponta legislação penal "branda e antiga" como raiz da impunidade

Em entrevista concedida ao programa Bahia Notícias no Ar, da rádio Antena 1 Salvador, o delegado geral adjunto de operações da Polícia Civil da Bahia, Jorge Figueiredo, afirmou que a desatualização da legislação brasileira é o principal obstáculo para a eficácia da segurança pública e da justiça.

Questionado pela bancada sobre a frustração gerada quando o trabalho das polícias Civil e Militar esbarra em decisões judiciais que resultam na rápida soltura de criminosos e chefes de facções, Figueiredo defendeu que o problema central não está na atuação dos juízes, mas sim no Código Penal. Segundo o delegado, a legislação atual é "muito branda" e ainda não se moldou às necessidades da sociedade moderna.

"Acaba que não é uma culpa dos atores, mas a legislação penal brasileira tem que mudar muito ainda", explicou o delegado. Ele ressaltou que tanto as forças policiais quanto o poder judiciário são apenas operadores da lei e precisam cumpri-la rigorosamente, o que muitas vezes engessa ações mais contundentes.

"Acaba que não é uma culpa dos atores, mas a legislação penal brasileira tem que mudar muito ainda", explicou o delegado. Ele ressaltou que tanto as forças policiais quanto o poder judiciário são apenas operadores da lei e precisam cumpri-la rigorosamente, o que muitas vezes engessa ações mais contundentes.

CRIMES VIRTUAIS E IMPUNIDADE

Figueiredo utilizou o avanço dos crimes cibernéticos e do estelionato como exemplos práticos dessa defasagem legal. Ele destacou o contraste entre a dinâmica rápida dos delitos e a burocracia do sistema:

Velocidade do crime: O golpe acontece e o dinheiro é desviado e sacado quase instantaneamente pelas redes criminosas.

Lentidão processual: A polícia precisa investigar, representar ao judiciário e aguardar um parecer e uma decisão judicial, tempo no qual o prejuízo já foi consolidado.

Punições leves: A atual tipificação penal para esses crimes frequentemente resulta em penas alternativas. Segundo o delegado, é comum que o indivíduo pague apenas uma cesta básica e saia "dando risada", o que retroalimenta o sentimento de impunidade.

O delegado concluiu sua participação afirmando que a sociedade como um todo precisa começar a cobrar mudanças efetivas na legislação penal para adequá-la aos dias atuais.

Confira a entrevista comleta:

 

Por Mauricio Leiro / Rebeca Menezes / Daniel Araújo

Homem é condenado a 24 anos de prisão por morte de mulher trans

O Conselho de Sentença do 2° Tribunal do Júri da Capital do Rio de Janeiro condenou Vitor Teodoro Cossich a 24 anos de reclusão pelo homicídio de Bárbara Vergetti Martins de Souza, mulher trans, de 34 anos.

O motivo decorreu de desentendimento financeiro entre os envolvidos. A condenação dessa quinta-feira (20) tem a agravante de ser por motivo torpe e meio cruel.

O condenado também terá de pagar indenização no valor de R$ 30 mil aos familiares da vítima a título de reparação por danos morais. O julgamento foi presidido pelo juiz Renan de Freitas Ongaratto.

O crime ocorreu na madrugada de 30 de outubro de 2024, na casa de Vitor.

De acordo com a denúncia, ele agrediu e estrangulou Bárbara, então estudante de Ciências Sociais na Universidade Federal Fluminense até a morte, após desentendimento sobre pagamento após relação sexual.

Para conter e matar a vítima, ele usou arma de fogo falsa, um fio e um pano.
Douglas Corrêa - Repórter da Agência Brasil

Eleições reacendem disputa entre Lula e Congresso pelo controle das emendas -Por Redação

A campanha eleitoral reacendeu o conflito entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Congresso Nacional pelo controle do Orçamento da União. As emendas parlamentares somam R$ 49,9 bilhões em 2026, cerca de um quinto das despesas discricionárias do governo. Em seu plano de reeleição, Lula defende mudanças no modelo atual, que considera uma distorção na elaboração e gestão do orçamento, e promete recuperar espaço do Executivo na definição dos recursos. A reportagem é do Estadão.

A disputa também envolve o Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Flávio Dino, relator de ações sobre emendas, determinou investigações da Polícia Federal sobre cerca de 100 indicações e apontou indícios de problemas relacionados à transparência, aos critérios de distribuição e à aplicação dos recursos. O governo passou a usar decisões do STF para bloquear parte das emendas e cumprir as regras fiscais; atualmente, R$ 3,8 bilhões estão contingenciados.

Apesar da ofensiva de Lula, a proposta enfrenta resistência no Congresso, inclusive entre aliados. As emendas de comissão, que somam R$ 12 bilhões em 2026 e são associadas ao antigo orçamento secreto, estão entre os principais pontos de conflito. Enquanto Lula defende o fim do modelo atual, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, propõe aumentar a transparência e o controle das emendas, sem defender sua extinção. Para parlamentares, uma mudança profunda dependerá do resultado das eleições e da composição do próximo Congresso.

Foguete sul-coreano desvia da rota e é derrubado pela FAB no Maranhão

Missão de teste do SEBIT partiu do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, mas foi interrompida cerca de 35 segundos depois da decolagem. Veículo caiu em uma área marítima de segurança, sem deixar feridos ou provocar danos

Durou poucos segundos o primeiro voo de teste do foguete sul-coreano SEBIT a partir do Brasil. Lançado na quarta-feira (19), no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, o veículo apresentou uma alteração na trajetória e teve a missão encerrada por razões de segurança.

O foguete deixou a plataforma normalmente às 16h30, mas uma anomalia foi identificada durante o voo. Cerca de 35 segundos após a decolagem, a Força Aérea Brasileira (FAB) acionou o Sistema de Terminação de Voo, mecanismo utilizado para interromper uma missão quando o veículo deixa a rota prevista.

Depois da interrupção, o SEBIT caiu no mar, dentro de uma zona de segurança previamente determinada. Não houve registro de feridos nem de danos às instalações do centro de lançamento.

Empresa vai investigar causa do desvio

A Innospace, empresa sul-coreana responsável pelo foguete, informou que os dados obtidos durante a missão serão analisados para determinar o que provocou a mudança de trajetória.

Mesmo sem concluir todo o voo programado, a companhia conseguiu reunir informações dos sistemas de propulsão, orientação, navegação, controle e rastreamento.

Segundo a empresa, "o teste forneceu dados de voo valiosos de sistemas-chave".

O lançamento foi realizado em cooperação com a Alada, estatal brasileira criada para ampliar a utilização comercial da infraestrutura aeroespacial do país.

SEBIT fazia seu primeiro voo de teste

O SEBIT é um foguete suborbital multipropósito desenvolvido pela Innospace para testar tecnologias e obter informações que poderão ser utilizadas em futuras missões.

Antes do lançamento no Maranhão, o veículo havia concluído uma série de testes em solo na Coreia do Sul. Em 3 de agosto, a empresa realizou uma queima de 83 segundos de seu motor híbrido, com empuxo de três toneladas, etapa considerada a última grande qualificação antes do voo inaugural.

A missão desta semana tinha como objetivo avaliar, em condições reais, o desempenho do motor, as características de voo, os sistemas de orientação, navegação e controle, além dos procedimentos de segurança e das operações em solo.

Innospace mantém novo lançamento para novembro

O problema com o SEBIT não alterou, até o momento, o planejamento da Innospace para outra missão a partir do Maranhão.

A empresa mantém para novembro a previsão de uma nova tentativa de lançamento do HANBIT-Nano, veículo destinado à colocação de pequenos satélites em órbita. A operação também deverá partir do Centro de Lançamento de Alcântara.

A Innospace informou que seguirá analisando os dados coletados no voo do SEBIT para identificar a origem da anomalia e aprimorar a confiabilidade das próximas missões.

Operação prende casal suspeito de integrar organização criminosa em Feira sexta-feira, Por Redação

Um homem, de 24 anos, e uma mulher, de 30, foram presos na manhã desta sexta-feira (21) em Feira de Santana. As prisões ocorreram no bairro Novo Horizonte e fazem parte da Operação Redenção, que está em andamento.

Deflagrada pela Polícia Civil, a operação mira uma organização criminosa suspeita de envolvimento com o tráfico de drogas. O casal é suspeito ainda de posse ilegal de arma de fogo e uso de documento falso.

A operação cumpre mandados de busca e apreensão em diferentes bairros de Feira de Santana.

Ainda segundo a polícia, a Operação Redenção mobiliza 11 equipes do Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (Denarc).

Suspeito morre em confronto com a PM e fuzil é apreendido em Camamu

Um homem suspeito de envolvimento com atividades criminosas morreu após um confronto com policiais militares na tarde desta quinta-feira (20), na zona rural de Camamu, no sul da Bahia. Durante a ocorrência, as equipes apreenderam um fuzil e uma espingarda. A ação foi realizada de forma integrada por equipes da CIPE Cacaueira, Grupamento Aéreo da Polícia Militar (GRAER), CIPE Recôncavo, CIPT Recôncavo e 31º Batalhão da Polícia Militar, sediado em Valença.

De acordo com informações da Polícia Militar, as equipes realizavam incursões em uma região de difícil acesso quando se depararam com cerca de quatro homens armados. Conforme a versão apresentada pela corporação, houve troca de tiros entre os suspeitos e os policiais.
Após o confronto, um dos homens foi encontrado ferido. Nas proximidades dele, os policiais localizaram um fuzil calibre 5,56 mm e uma espingarda calibre 12. O suspeito chegou a ser socorrido e encaminhado ao Hospital de Camamu, mas não resistiu aos ferimentos.

Na operação, foram apreendidos um fuzil calibre 5,56 mm, 16 munições do mesmo calibre, uma espingarda calibre 12 e uma munição calibre 12. As armas e munições apreendidas foram apresentadas na Delegacia Territorial de Valença, onde a ocorrência foi registrada. Os demais suspeitos envolvidos no confronto não foram localizados.

Mendonça vai usar precedentes do STF para manter caso Lulinha na corte

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça pretende usar precedentes firmados pela corte para manter as investigações contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, sob sua alçada.

O argumento é o da conexão fático probatória, já que as provas obtidas pela PF (Polícia Federal) se iniciaram na investigação contra pessoas com foro privilegiado no STF. A partir daí, surgiram os indícios contra o filho do presidente Lula.

Foi assim que o caso do 8 de janeiro acabou sendo julgado pela Suprema Corte. Os investigados não tinham foro, mas o argumento usado era de que autoridades com foro no STF tinham algum envolvimento nos ataques.

Outro caso parecido é o que investiga ex-deputados estaduais do Rio de Janeiro por suposto envolvimento com facções criminosas. Os investigados também não têm foro no Supremo.

Como mostrou a Folha, a tendência é que Mendonça rejeite o pedido feito pela PGR (Procuradoria-Geral da República) para levar o caso que investiga o filho do presidente Lula à 1ª instância.

Por Gabriela Echenique/Folhapress

BNDES desembolsa maior valor para crédito no 1º semestre desde governo Dilma

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) desembolsou R$ 75,6 bilhões em crédito no primeiro semestre de 2026, alta de 31,2% ante igual período do ano passado.

Os dados são da série histórica que o banco público disponibiliza em valores constantes –corrigidos pela inflação.

A quantia liberada é a maior para o intervalo de janeiro a junho desde 2015 (R$ 124,3 bilhões), no segundo governo Dilma Rousseff (PT).

Para uma parcela dos analistas, o estímulo à economia gerado pela alta nas operações pode representar um desafio para a política do BC (Banco Central) de combate à inflação. O BNDES rebate esse argumento.

Os desembolsos são a última fase do fluxo de financiamentos do banco. São os recursos liberados para as diferentes atividades econômicas.

O recorte setorial mostra que a instituição desembolsou quase R$ 28,5 bilhões para infraestrutura no primeiro semestre, o equivalente a 37,6% do total. É o principal valor entre as quatro atividades detalhadas pelo BNDES.

Agropecuária (R$ 17,7 bilhões), indústria (R$ 15,6 bilhões) e comércio e serviços (R$ 13,8 bilhões) vieram na sequência. Os quatro segmentos tiveram alta nos desembolsos ante o primeiro semestre de 2025.

O valor direcionado para infraestrutura aumentou 48,3%. Dentro desse setor, o transporte rodoviário foi a área que mais recebeu financiamentos –quase R$ 15 bilhões, um avanço de 190,4%.

Ao comentar a expansão dos desembolsos, o diretor de planejamento e relações institucionais do BNDES, Nelson Barbosa, diz existir uma recuperação dos investimentos em infraestrutura no país, puxados por concessões, especialmente de rodovias. Ele também lembra que o banco passou a operar programa de renovação da frota de caminhões e ônibus.

O diretor ainda cita o impacto de iniciativas como a política industrial do governo Lula (PT), os empréstimos após o tarifaço de Donald Trump e as enchentes no Rio Grande do Sul, os financiamentos a exportações da Embraer e os repasses a micro, pequenas e médias empresas.

Outra métrica que mostrou alta no primeiro semestre foi a das aprovações. É nessa etapa em que ocorre o aval do BNDES para a liberação dos recursos, antecedendo os repasses. Ou seja, as aprovações tendem a virar desembolsos ao longo do tempo.

De janeiro a junho, os pedidos de crédito aprovados somaram R$ 111,7 bilhões em valores constantes, alta de 44,9% ante igual período do ano passado. O montante é o maior para o primeiro semestre desde 2014 (R$ 168 bilhões), no primeiro mandato de Dilma.

IMPULSO É MENOR DO QUE NO PASSADO

O BNDES afirma que, no acumulado dos 12 meses até junho, as aprovações alcançaram o patamar equivalente a 2,1% do PIB (Produto Interno Bruto), enquanto os desembolsos chegaram a 1,4%.

As proporções subiram ao longo do terceiro governo Lula, mas seguem abaixo dos níveis verificados em gestões anteriores do PT. As aprovações ultrapassaram 5% do PIB em 2009, 2010 e 2012, e os desembolsos ficaram acima de 4% em 2009 e 2010.

Para o economista-chefe da consultoria MB Associados, Sergio Vale, os dados indicam que o atual incentivo do banco à economia não tem a mesma intensidade do passado petista. A ampliação das operações, porém, coloca "um pouco de preocupação" no cenário antes das eleições, diz ele.

O alerta, segundo Vale, ocorre porque a aceleração do crédito destoa da atuação do BC no momento. O BC recorre a uma taxa básica de juros (Selic) de dois dígitos para tentar esfriar a economia e, assim, conter a inflação.

"O BNDES está trabalhando de forma conjunta com o [lado] fiscal [do governo] para tentar manter um estímulo à economia no momento em que o Banco Central está tentando seguir no caminho contrário", diz.

"A gente está revivendo um pouco do passado, em um grau menor", acrescenta.

Barbosa afirma que o BNDES está aberto a essa discussão e que os questionamentos são legítimos. Ele, contudo, diz considerar "infundadas" as preocupações no momento.

O diretor menciona que os desembolsos saíram da faixa de 1% do PIB no final de 2022 –último ano do governo Jair Bolsonaro (PL)– para perto de 1,5%. Na visão de Barbosa, esse impulso à demanda, diluído em quatro anos, não é significativo a ponto de pressionar a Selic.

Para ele, o BNDES complementa recursos do mercado privado e contribui para a ampliação da capacidade produtiva da economia. Isso, diz, aumenta a oferta de bens e serviços no longo prazo, ajudando a conter a inflação.

Segundo o diretor, quase dois terços dos desembolsos da instituição ocorrem por meio de taxas de mercado. "O BNDES é muito mais afetado pela política monetária do que afeta a política monetária", afirma Barbosa, que foi ministro da Fazenda e do Planejamento no segundo governo Dilma.

Luis Miguel Santacreu, analista de instituições financeiras da Austin Rating, diz que o financiamento de longo prazo para infraestrutura é uma das marcas históricas do banco.

Nos últimos anos, porém, debêntures incentivadas também ganharam força como opção para a captação de recursos por empresas, aponta ele. As debêntures são títulos de dívida emitidos pelas companhias para financiar seus projetos.

"Se a gente comparar a época Dilma com hoje, o BNDES era meio hegemônico nesse segmento de infraestrutura. Todo mundo tinha que bater na porta da avenida do Chile [endereço da sede do banco no Rio]", afirma Santacreu.

"De lá para cá, teve um crescimento muito forte dos bancos privados e, principalmente, do mercado de capitais, através das debêntures de infraestrutura. Isso não substituiu o BNDES, mas também virou uma alternativa."

Por Leonardo Vieceli/Folhapress

Assembleia abre apuração sobre possível quebra de decoro do deputado Diego Castro após episódio na UFBA

Foto: Reprodução
                   O deputado estadual Diego Castro (PL) bate boca com estudante da UFBA
A Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) informou nesta quinta-feira (20) que foi formalizada uma representação para apurar uma possível quebra de decoro parlamentar envolvendo o deputado estadual Diego Castro (PL), após um episódio ocorrido no campus da Universidade Federal da Bahia (UFBA), na manhã de hoje.

Em nota, a Assembleia afirmou que a conduta atribuída ao parlamentar não representa o posicionamento institucional da Casa.

Segundo a Assembleia, a representação será analisada inicialmente pela Mesa Diretora e, após o cumprimento das etapas previstas no Regimento Interno, poderá ser encaminhada ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar.

O órgão será responsável pela análise do caso, com garantia do devido processo legal e do direito à ampla defesa.

A Assembleia afirmou ainda que reafirma o compromisso com o respeito às instituições, às normas regimentais e às prerrogativas constitucionais do Parlamento.

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Rui Costa diz que pesquisas eleitorais são usadas para influenciar o eleitor

O ex-ministro da Casa Civil e candidato ao Senado, Rui Costa (PT)
  
Em entrevista à rádio Alvorada FM nesta quinta-feira (20), o ex-ministro da Casa Civil e candidato ao Senado, Rui Costa (PT), minimizou a realização e a divulgação de pesquisas eleitorais. Para ele, a encomenda de pesquisas acontece dos dois lados e tem como objetivo influenciar o eleitor a escolher o candidato que está mais à frente.

“Na minha opinião, o eleitor deveria tomar a decisão sem olhar pesquisas. Ele tem que comparar os candidatos, ver o que eles fizeram pelo Brasil, pela Bahia. Quais as prioridades dessa pessoa se for eleita? Isso é o que importa”, declarou.

Para defender sua tese, o petista destacou que pesquisas eleitorais são fotografias de um momento e que os resultados podem mudar a depender do período em que são realizadas.

“Em 2014, pesquisas mostravam que eu estava com 4% das intenções de voto e ganhei no primeiro turno. Pesquisa é a fotografia do momento, se ela for bem-feita sai nítida, se for malfeita sai embaçada. Mas o que vale é o dia, o momento da eleição, a pesquisa foi feita para induzir o eleitor a quem votar”, concluiu.

Por Reinaldo Oliveira, Política Livre

Homem é preso após esfaquear irmão durante briga por R$ 50

Um homem foi preso nesta quinta-feira (20), na zona rural de Capela do Alto Alegre, no interior da Bahia, suspeito de tentar matar o próprio irmão durante uma discussão envolvendo R$ 50. A vítima foi atingida com uma facada no abdômen em frente à própria residência e ficou em estado grave.

De acordo com a Polícia Civil, o crime aconteceu em junho, durante o período dos festejos juninos. Após ser ferida, a vítima precisou ser internada e permaneceu vários dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital.

As investigações conduzidas pela Delegacia Territorial de Capela do Alto Alegre apontaram que a tentativa de homicídio teria sido motivada por uma discussão entre os irmãos relacionada ao valor de R$ 50.

Diante dos elementos reunidos durante a apuração, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva do investigado. O pedido foi aceito pela Justiça, que expediu o mandado cumprido nesta quinta-feira no Povoado de Conceição, na zona rural do município.

Após a prisão, o homem foi levado para a unidade policial, onde passou pelos procedimentos legais e permanece custodiado à disposição do Poder Judiciário.

Governo amplia a R$ 200 mil teto de financiamento para motoristas de apps de olho em eleição Por Fernanda Brigatti, Folhapress

Baixa adesão leva Planalto a rever critérios; somente 11% do valor destinado ao programa foi concedido
O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu aumentar o teto de preço dos veículos que podem ser financiados por motoristas de aplicativos e táxis. Dos atuais R$ 150 mil, o valor passa a R$ 200 mil e inclui também veículos híbridos elétricos.

A mudança busca aumentar a abrangência do programa, em um aceno de Lula em meio à campanha eleitoral. A portaria dos ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) com as alterações nas regras foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União desta quarta (19).

Como mostrou a Folha, até agora apenas 11% dos R$ 30 bilhões disponível para o Move Aplicativos foi liberado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), o que levou o governo a criticar os grandes bancos, que estariam superdimensionando o risco de crédito dos motoristas de aplicativo.

O anúncio do crédito para a categirua é parte de uma série de ações de Lula para aumentar sua popularidade em ano eleitoral. Desde o início de seu terceiro mandato, o petista vem tentando atrair esses profissionais, que são vistos como mais afeitos ao campo bolsonarista, para sua base de apoio.

As mudanças no programa devem ampliar de 63% para 88% o alcance no mercado. Internamente, o Mdic considerou que a elevação do teto aumentará a ofertas de modelos, a concorrência e as opções disponíveis.

Com isso, espera chegar a categorias, dentro dos aplicativos, de padrão superior, como Uber Comfort, Uber Black e 99Plus.

Podem buscar financiamento por meio do Move taxistas e motoristas de aplicativos com cadastro ativo há pelo menos um ano e, no mínimo, cem corridas no período na plataforma.

O veículo a ser financiado precisa ser de montadora habilitada no programa Mover (Volks, Fiat, Renault, GM, Honda, Hyundai, Nissan, Peugeot, Toyota, BMW, BYD e GWM). Ele também ser enquadrado como sustentável, ser flex, híbrido ou híbrido a etanol.

Além da elevação do teto para R$ 200 mil, o goveno também mudou redação da norma para o conceito de veículo híbrido, o que deve garantir também a inclusão de carros que usem eletricidade e algum outro combustível, como gasolina ou etanol.

A medida provisória que criou o programa foi publicada em junho e vale até 15 de setembro.

Um dos pontos de resistência pelo setor bancário ao programa foi a fixação de uma taxa de juros abaixo da praticada no mercado em financiamentos automotivos.

O Move Brasil tem taxa fixada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) em 12,6% ao ano para homens e 11,5% para mulheres. No mercado, a taxa média para financiamento de automóveis é de 28% ao ano, segundo informações monitoradas pelo próprio governo.

Desde que o programa foi lançado, o presidente Lula vinha cobrando que bancos públicos federais destravassem a concessão de crédito no âmbito do Move.

Motoristas de plataformas como Uber e 99 enfrentam dificuldade para acessar o programa. Eles relatam negativas na concessão do crédito e redução na pontuação do Serasa após múltiplas consultas em diferentes bancos.

Por Fernanda Brigatti, Folhapress

Para 81% dos brasileiros, é fundamental que candidato acredite em Deus -Por Agência Brasil

Oito em cada dez brasileiros e brasileiras (81%) afirmam ser fundamental que seus (suas) candidatos (as) nas eleições acreditem em Deus. Essa percepção é mais aguçada entre classes mais pobres (89% das pessoas cujos rendimentos não passam de um salário mínimo) do que entre os mais ricos (57%, entre aqueles que ganham de 10 a 20 salários mínimos mensais).

Os dados integram levantamento inédito do Laboratório de Estudos Socioantropológicos em Política, Arte e Religião (LePar), da Universidade Federal Fluminense (UFF), apresentado nessa quarta-feira (19) na abertura do 1º Congresso Internacional e Multidisciplinar sobre Sociedade: religião, política e valores, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A análise mostra a figura do Deus cristão, sobretudo nos estratos mais pobres. Sete em cada dez pessoas ouvidas (74%) concordam que Deus faz as pessoas serem melhores (entre os que ganham até um salário mínimo, a taxa é de 86%). Já 82% defendem que as escolas devem ensinar crianças e adolescentes a acreditar em Deus.

“Mas, curiosamente, essa valorização significativa de Deus não se traduz em mais confiança nas instituições religiosas, sobretudo igrejas, que costuram o cotidiano religioso”, afirmou a socióloga Christina Vital, do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFF.

No estudo, 56% das pessoas disseram que confiam na Igreja Católica – a instituição com mais credibilidade no Brasil. Depois, apareceram as igrejas protestantes (51%) e os centros kardecistas (19%).

Christina avaliou que isso atinge a própria ideia de Estado: metade (54%) da amostra da pesquisa defende que o Estado não seja laico. “Existe confusão sobre o que é laicidade. Quando perguntadas sobre isso, ouvimos muitas coisas diferentes e que não se relacionam com a separação entre religião e Estado”, disse.

Para Michel Gherman, que lidera o Observatório das Crises das Democracias das Américas (UNLP) da UFRJ, esses números apontam como as extremas direitas instrumentalizaram as religiões a partir do desejo de retorno a uma espécie de tempo sagrado.

Diesel da refinaria de Mataripe sobe mesmo com subvenção; gasolina cai com demanda menor

Mesmo após aderir ao programa de subvenção dos combustíveis do governo, o preço do diesel S-10 produzido pela Refinaria de Mataripe, na Bahia, teve reajuste médio de 8,2% a partir desta quinta-feira, enquanto a gasolina caiu 6,5% em média. O preço do diesel S-10 com subvenção atingiu R$ 4,88 o litro, contra R$ 4,51 o litro na semana passada.

Sem a subvenção, o preço do diesel S-10 da refinaria baiana seria de R$ 6,05 o litro, de acordo com dados publicados pela Acelen, braço do fundo de investimentos árabe Mubadala no Brasil que controla Mataripe. O diesel S-500 não teve o preço alterado

Já a gasolina fez o caminho contrário, seguindo a tendência global de queda devido à redução de consumo. O preço médio caiu de R$ 3,43 o litro na semana passada, com subvenção, para R$ 3,21 o litro, também com o desconto. Sem a subvenção, o preço da gasolina na Bahia seria de R$ 3,65 o litro, informou a Acelen.

O baixo preço do etanol tem sido competitivo com a gasolina no Brasil, também favorecendo a queda de preços do combustível fóssil no mercado interno.

Apesar de acompanhar o preço de paridade de importação (PPI), a Acelen também registra, no momento, preços defasados em relação ao mercado internacional, em patamares bem abaixo dos registrados pelos combustíveis da Petrobras.

O diesel negociado pela Acelen, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), fechou a quarta-feira, 19, com defasagem de 24% em relação ao mercado internacional, enquanto a gasolina está com o preço 17% defasado

Segundo a Abicom, os preços do diesel da Petrobras estão com defasagem de 85% - chegando a 88% no polo de importação de Suape -, e a gasolina com preços 48% inferiores ao Golfo do México, região usada como parâmetro pelos importadores. A estatal também aderiu à subvenção do governo, para evitar que a alta volatilidade do setor provocada pelos conflitos no Oriente Médio atinja o bolso do consumidor brasileiro.

O petróleo tipo Brent operava pela manhã nesta quinta em alta de mais de 3%, cotado acima de US$ 94 o barril, depois de ter retomado o patamar de US$ 70 o barril no início de agosto.

Por Denise Luna, Estadão Conteúdo

Empresa prestadora de serviços à Prefeitura Municipal está sendo acusada de realizar o descarte irregular de entulhos e resíduos de obras nas margens do Rio Água Branca,

Uma situação alarmante vem causando indignação aos moradores de Ipiaú. Uma empresa prestadora de serviços à Prefeitura Municipal está sendo acusada de realizar o descarte irregular de entulhos e resíduos de obras diretamente nas margens do Rio Água Branca, um dos importantes recursos hídricos da região.

Flagrantes feitos por moradores da localidade mostram caminhões e máquinas descarregando restos de construção, materiais plásticos e outros detritos na vegetação nativa que margeia o rio. Além do impacto visual e do acúmulo de sujeira, a prática representa um severo crime ambiental, pois contribui para o assoreamento do leito do rio, a poluição das águas e o risco acrescido de alagamentos nos períodos de chuva.

Agressão ao meio ambiente e à saúde pública

A população local cobra respostas imediatas do Poder Público e dos órgãos de fiscalização ambiental. Moradores relatam que o local se tornou um ponto crônico de descarte, atraindo vetores de doenças e degradando a fauna e flora locais.

"É inacreditável ver uma empresa que deveria estar prestando um serviço para a melhoria da cidade agindo de forma totalmente irresponsável com o nosso meio ambiente", desabafou um morador da área.

Caçamba com entulhos para descartar

O que diz a legislação

O descarte inadequado de resíduos sólidos em áreas de preservação permanente (APP), como as margens de rios, viola a Lei de Crimes Ambientais (Lei Nº 9.605/1998) e a Política Nacional de Resíduos Sólidos. A responsabilidade se estende tanto à empresa executora do serviço quanto ao contratante, que tem o dever de fiscalizar o destino final do material descartado.

 

A reportagem deixa o espaço aberto para que a Prefeitura de Ipiaú e a empresa prestadora de serviços apresentem seus esclarecimentos e informem quais medidas serão tomadas para a remoção dos entulhos e a recuperação da área afetada.
www.ipiauurgente.com.br (IU)

Empresas preveem crescimento menor e até recessão para 2027, com juro alto e inadimplência

"A pouco mais de quatro meses da virada do ano, grandes empresas e bancos do Ibovespa preveem um cenário pouco animador para a economia do país em 2027"

A pouco mais de quatro meses da virada do ano, grandes empresas e bancos do Ibovespa preveem um cenário pouco animador para a economia do país em 2027.

Segundo levantamento feito pela Folha com as 76 companhias listadas no índice da Bolsa, a expectativa de parte delas é que a economia cresça menos no próximo ano e que o juro alto afete ainda mais as operações na comparação com 2026. Os dados levam em conta o conteúdo das teleconferências de resultados do segundo trimestre deste ano.

O aumento do endividamento das famílias tem respingado até nas contas básicas, como água e luz. Empresas do setor, como CPFL Energia e Copasa, têm intensificado o corte no fornecimento de serviços.

"Há um desafio no pagamento das contas de energia, que reflete na última linha no aumento da nossa inadimplência", apontou Gustavo Estrela, CEO da CPFL Energia, ao comentar a alta do indicador: de 0,82%, no segundo trimestre de 2025, para 1,08% este ano. "Nossa principal ferramenta de controle de inadimplência são as ações de corte", afirmou.

Para a Copasa, que também classifica como desafiador o nível de endividamento das famílias, a estratégia tem sido também adotar mecanismos antecipados de cobrança e "mexer nas réguas de negociação", afirmou o CEO, Cleyson Jacomini.

"Além dos pagamentos eletrônicos, como Google Pay e Apple Pay, estamos trabalhando para ampliar a forma de execução e aumentar a vigilância e a ação de cobrança, com cortes no caso de inadimplência, para reverter essa tendência."

O cenário, segundo Marcelo Kfoury, professor de economia do Insper, mostra como o alto endividamento vira uma bola de neve mesmo em meio às mínimas históricas de desemprego.

"Alguém começa a pagar cheque especial, rotativo do cartão de crédito, e não consegue pagar as contas que tem. A pessoa recebe R$ 2.000 por mês, paga R$ 1.000 de prestação, e o resto sobra para comer, e não sobra para pagar energia e nem água. Ela vai escolhendo o que ela paga", diz Kfoury.

No setor varejista, Lojas Renner e Assaí falam em pressão no consumo diante da Selic (taxa básica de juros) maior do que a esperada. CPFL Energia e Copasa, de serviços básicos, mencionam calotes em contas de água e luz diante do endividamento recorde das famílias.

Alfredo Setubal, CEO da holding Itaúsa, chegou a falar em "pequena recessão", fazendo coro a Armínio Fraga, economista e ex-presidente do Banco Central, no início do mês. A holding agrupa empresas de diversos setores, como bancos (Itaú Unibanco), calçados (Alpargatas), concessões rodoviárias (Motiva) e saneamento (Aegea).

Segundo o executivo, a economia tem desacelerado "apesar de todos os incentivos que o governo tem dado para o aumento de consumo e para renegociações de dívidas".

"Isso se refletirá em um menor consumo das famílias, que já apresentam um nível de endividamento bastante elevado. Estamos orientando as empresas investidas para ter um orçamento mais moderado e mais cauteloso também", disse.

O setor bancário também deu sinais de alerta na divulgação dos resultados. BTG Pactual e Santander indicaram que o ambiente mais complexo de 2027 está se tornando um consenso no mercado, com a inadimplência do crédito como principal ponto de atenção.

"O cenário mais desafiador de 2027 está se tornando um consenso. O nível de endividamento do governo e das famílias é muito alto, a taxa de juros está muito alta, e vai chegar um momento em que tudo isso vai impactar a economia", afirmou Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual.

Nas projeções do Boletim Focus desta semana, a Selic terminará 2027 em 12% ao ano, e o PIB, com crescimento de 1,5%. Para 2026, os especialistas consultados seguem vendo expansão de 1,98%.

Empresas do varejo também indicaram cautela. O Assaí Atacadista enxerga um "cenário de pressão de consumo" que deve perdurar e reajustou a rota diante da Selic elevada.

"A companhia está muito focada em desalavancar, então reduzimos níveis de investimento e seguramos uma série de projetos [devido à Selic alta]", disse Belmiro de Figueiredo Gomes, CEO do grupo.

Ele afirmou que o novo modelo de negócios a ser expandido será o que inclui farmácias e até eletropostos nas unidades.

A Yduqs, de educação, também projeta que o cenário de 2027 será desafiador, "muito parecido com o que foi 2026" na perspectiva macroeconômica, com "renda muito apertada" e endividamento elevado.

A perspectiva da empresa, no entanto, é positiva para o setor educacional, já que o próximo ano não será marcado por eventos que distraem o consumo ou geram incerteza, como a Copa do Mundo e as eleições presidenciais.

SELIC NAS ALTURAS

A cautela dos executivos tem relação com o ciclo de queda mais curto do que o esperado da taxa Selic. Hoje em 14% ao ano, o juro básico opera nos dois dígitos desde o início de 2022, para levar a inflação à meta de 3% do Banco Central. Até o começo do ano, a projeção era que a taxa caísse mais rapidamente, e alguns gestores chegaram a especular que os juros chegariam a "no mínimo" 11% ao fim de 2026.

Mas a guerra no Irã e o subsequente choque no mercado de petróleo rapidamente rebalancearam as projeções sobre o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), devido aos preços mais altos dos combustíveis.

Os incentivos do governo Lula (PT) em ano eleitoral tampouco ajudaram a baixar a Selic: ao oferecer alternativas para a tomada de crédito, o Executivo mantém o consumo aquecido, pressionando a inflação.

O brasileiro continua muito endividado. Segundo a CNC (Confederação Nacional do Comércio), o endividamento das famílias atingiu o recorde de 82% em julho –desse total, cerca de 30% estão inadimplentes e 12% declaram não ter condições de pagar o que devem.

Como mostrou a Folha, esse cenário pode levar a uma perda de ritmo do consumo em 2027, em um efeito rebote que, para economistas, embute o risco de uma desaceleração mais forte que o esperado da atividade econômica. Para as empresas, o efeito é em todas as pontas: fica mais difícil financiar as operações e gerar receitas com consumidores que estão com o bolso mais apertado.

"A Selic alta há bastante tempo cria um cenário desafiador para as empresas, já que afeta as decisões de investimento e o custo das dívidas. E afeta a receita, porque o consumo das famílias também está comprometido", diz Joelson Sampaio, professor de finanças da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Por Tamara Nassif e Maria Clara Matos/Folhapress

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