Erradicação de maconha pela Polícia Civil gera prejuízo de R$ 4 milhões

Segundo as investigações, a ação representa um prejuízo estimado em R$ 4 milhões para o grupo criminoso
A Polícia Civil (PC) erradicou uma plantação com cerca de 20 mil pés de maconha no município de Mulungu do Morro, durante a Operação Erva Daninha, deflagrada na quarta-feira (5).
Segundo as investigações, a ação representa um prejuízo estimado em R$ 4 milhões para o grupo criminoso responsável pelo cultivo.

No local, foram encontrados equipamentos usados para secagem, separação e embalagem da droga, que, juntamente com todo o plantio e insumos, foram destruídos.

Um inquérito policial foi instaurado para identificar os envolvidos e apurar as circunstâncias do crime. A operação contou com equipes da 5ª Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (DTE/Irecê) e do Grupo de Apoio Técnico e Tático à Investigação (GATTI Chapada).Redação

Elmar Nascimento se declara preto após ser pardo e branco nas últimas eleições

O deputado federal Elmar Nascimento (União-BA), candidato à reeleição pela Bahia, se autodeclarou preto no registro da candidatura ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

A autodeclaração chama ainda mais atenção porque, em 2022, ele registrou a candidatura com a raça parda. Em 2018, também como candidato a federal, se autodeclarou branco.

Procurada pela coluna, a assessoria do parlamentar afirmou que houve um erro de digitação do jurídico da campanha, mas que já fez um pedido à Justiça Eleitoral para correção.

A mesma justificativa foi usada pela candidata a vice-governadora do Rio Grande do Norte, Larissa Rosado (PSB-RN). Como mostrou o Painel, ela se declarou parda, mas recuou após ser questionada pela coluna.

A lei eleitoral determina que 30% dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanhas (FEFC) e do Fundo Partidário sejam repassados a candidaturas de pessoas pretas e pardas.

Por Gabriela Echenique/Folhapress

Lula diz que buscará conversar com Trump na próxima semana em meio à tensão entre Brasil e EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou a aliados que pretende conversar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na próxima semana. A declaração foi feita durante reunião com parlamentares do PSOL e da Rede, no Palácio da Alvorada, após o petista relatar que já conversou recentemente com os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, sobre a guerra na Ucrânia. A reportagem é do jornal O Globo.

Segundo participantes do encontro, Lula defendeu uma atuação mais efetiva do Conselho de Segurança da ONU para buscar uma solução negociada para o conflito e disse que pretende fazer o mesmo apelo a Trump. O presidente, no entanto, não informou se aproveitará o contato para tratar das recentes tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, marcadas pela imposição de tarifas a produtos brasileiros e outras medidas adotadas pelo governo americano.

Na reunião, Lula também avaliou que a disputa eleitoral será difícil, pediu mobilização da militância e voltou a demonstrar preocupação com uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. O presidente ainda defendeu mudanças na relação entre Executivo e Congresso, criticou o modelo de distribuição de emendas parlamentares e afirmou que, em um eventual novo mandato, pretende priorizar áreas como educação, ciência, tecnologia, defesa e políticas voltadas à população idosa.

Por Carolina Brígido/Estadão Conteúdo

Sem marca nem legado específico, Jerônimo enfrenta pior campanha petista, por Raul Monteiro* Por Raul Monteiro*

Se algum dia a teve, o governo perdeu a fé cega na reeleição de Jerônimo Rodrigues (PT) ao Palácio de Ondina. As pesquisas realizadas até agora, mesmo acusadas pelos jogadores de terem seus vieses, conduzem à percepção de que o cenário é bastante desafiador para o incumbente, que não conseguiu construir uma marca nestes quase quatro anos de gestão à qual possa recorrer agora para tocar sua comunicação. Afinal, porque o eleitor deve votar de novo em Jerônimo, dar-lhe a oportunidade de continuar governando a Bahia? Foram perguntas que a maioria que escolheu os líderes petistas conseguiu responder com facilidade na renovação das duas primeiras gestões petistas.

Na primeira delas, o então governador Jaques Wagner buscava, com o segundo mandato, mudar o padrão político autocrático com que a Bahia fora governada por cerca de duas décadas pelo senador Antônio Carlos Magalhães. Fraco de gestão, Wagner conseguira projetar a ideia de que as dificuldades que enfrentava na administração decorriam da grande mudança de cultura que construía para a Bahia ao derrotar o carlismo, legando um patrimônio imaterial para o Estado, cansado da mão de ferro com que ACM governava e da panelinha que se formara em torno dele, como a campanha que levou o petista à primeira vitória soube muito bem explorar.

Assim, conseguiu não apenas o passe para governar nos quatro anos seguintes como a chance de fazer Rui Costa seu sucessor. Com o segundo petista que comandou o Estado o momento de renovar o mandato não foi diferente. Com a percepção clara de que Wagner representara uma ruptura com o passado político recente da Bahia, mas não conseguira moldar a imagem de gestor que um Estado grande e problemático demandava, Rui se auto-cunhou logo nos primeiros meses do governo o apelido de "Correria", transformando a preocupação com as contas públicas e com a resolutividade das decisões da administração em sua principal marca.

Também lograria se reeleger com a mão nas costas, contra um candidato escolhido pela oposição de última hora, conseguindo ainda fazer de Jerônimo, com o apoio de todo o grupo, o governador seguinte do PT. Ocorre que a taça chegou nas mãos da terceira liderança petista escolhida pelo eleitor para comandar o Estado, mas por falhas desde o princípio na comunicação, na dificuldade que tem para se concentrar no enfrentamento dos graves problemas vividos pelo Estado e na fadiga de material que um partido que está no governo há duas décadas protagoniza, Jerônimo tem hoje à sua frente infinitamente mais dificuldades do que os antecessores tiveram.

É claro que o governador ainda espera contar com a mão salvadora de Lula, em que, desde a primeira eleição de Wagner, todos os petistas se fiaram na Bahia até agora. Mas o presidente vive pela primeira vez os efeitos de um desgaste monumental que ameaçam a sua própria reeleição, precisa se concentrar na tarefa de ganhar o pleito e de aliados que, no comando de seus Estados, mais o ajudem mais do que dele dependam. Jerônimo teve quatro anos para se preparar para as dificuldades que começa a ver se avolumarem à sua frente agora e, a despeito de todos os alertas, inclusive de Rui e Wagner, as desconsiderou, transformando sua reeleição num peso.

* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.

Eleição será a primeira deste século sem mulheres em chapas presidenciais competitivas

A eleição presidencial de 2026 será a primeira deste século a não ter mulheres nas chapas presidenciais competitivas. Desde 2002, ao menos uma mulher foi candidata a presidente ou a vice-presidente nessas chapas, segundo levantamento da Folha.

A reportagem considerou como competitivas as duplas cujo partido do candidato ao cargo de presidente tinha representante no Congresso Nacional e que conseguiram ao menos 1% dos votos no primeiro turno.

Atualmente, apenas duas mulheres compõem uma chapa presidencial com ao menos 1% de intenção de voto em pesquisas como o último Datafolha, do fim de julho: Samara Martins, candidata a presidente pela UP (Unidade Popular), e sua vice, Raquel Bricio, do mesmo partido. A UP não tem representantes na Câmara e no Senado.

Havia a expectativa de que ao menos mais uma mulher compusesse as chapas fechadas para as eleições de 2026. O senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aventou mulheres de vice para diminuir a rejeição junto ao eleitorado feminino, mas definiu nesta quarta-feira (5) o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como parceiro na disputa.

A falta de mulheres com candidaturas para os cargos marca um ano eleitoral no qual a participação feminina na política foi alvo de figuras públicas de direita, como Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro que fez declarações questionando o voto feminino, na esteira de investidas contra esse direito no Brasil e nos Estados Unidos.

Nas eleições presidenciais de 2022, três mulheres estiveram em chapas competitivas. Simone Tebet foi candidata a presidente pelo MDB, mas recebeu menos de 5% dos votos no primeiro turno, que disputou ao lado da vice Mara Gabrilli, então no PSDB.

Tebet se tornou ministra do Planejamento no governo Lula (PT) e atualmente é candidata ao Senado por São Paulo pelo PSB.

Também foi vice Ana Paula Matos, na chapa de Ciro Gomes, ambos pelo PDT. Eles tiveram 3% dos votos no primeiro turno.

Já 2018 foi o ano com mais vices mulheres nas chapas presidenciais competitivas. Pelo PC do B, Manuela d'Ávila compôs com Fernando Haddad (PT) a chapa que chegou ao segundo turno, mas perdeu para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), marcado na vida pública por ataques a mulheres.

Ciro Gomes disputou também naquele ano na companhia de uma mulher, dessa vez Kátia Abreu, pelo PDT. Eles ficaram em terceiro lugar no primeiro turno, com 12,47% dos votos, em cenário no qual parte dos eleitores tentava uma alternativa a Bolsonaro e à candidatura petista.

Foram também candidatas a vice Ana Amélia Lemos, pelo PP, na chapa com Geraldo Alckmin, então no PSDB, e Suelene Balduino, vice de Cabo Daciolo, pelo partido Patriota.

Já Marina Silva, atualmente concorrendo ao Senado por São Paulo, tentou a presidência pela Rede, quando fez 1%.

O ano de 2014 foi marcado pelo feito singular de três mulheres na cabeça de chapas competitivas. Dilma Rousseff (PT) conseguiu a reeleição, mas sofreu impeachment menos de dois anos depois em um processo no qual ela acusou adversários de machismo.

Ela teve como concorrentes Marina Silva, que fez pelo PSB 21,32% dos votos no primeiro turno, e Luciana Genro, com menos de 2% pelo PSOL.

As duas principais concorrentes mulheres também tinham se confrontado em 2010, ano com Dilma e Marina disputando o cargo de presidente da República. A petista fez 46,91% no primeiro turno, contra 19,33% de Marina, que não foi para a segunda rodada da disputa, vencida por Dilma contra José Serra (PSDB).

Em 2006, a única mulher nas chapas competitivas foi Heloísa Helena. Ela fez, pelo PSOL, 6,85% dos votos, ficando em terceiro lugar na disputa. Por fim, 2002 teve uma candidata a vice-presidente: Rita Camata, do PMDB, foi vice de José Serra (PSDB). Eles fizeram 23,2% dos votos no primeiro turno, mas perderam para Lula e José Alencar no segundo.

Por Ana Gabriela Oliveira Lima/Folhapress

Ipiaú: Jovem de 20 anos é executado a tiros dentro de casa no Cantinho do Céu

O município de Ipiaú voltou a registrar um homicídio após mais de dois meses sem ocorrências de crimes violentos letais na cidade. Na madrugada desta quinta-feira (6), um jovem de 20 anos foi morto a tiros dentro de uma residência localizada na Rua São Bartolomeu, região conhecida como Cantinho do Céu, no bairro Euclides Neto.
Foto: Giro Ipiaú
A vítima foi identificada como Riquelme dos Santos Almeida. Conforme as informações apuradas, ele estava sozinho na residência de seu pai de santo quando o imóvel foi invadido e o jovem executado a tiros em um dos cômodos do imóvel. Moradores da localidade ouviram os disparos e acionaram a Polícia Militar. Uma guarnição esteve no local e isolou a área até a chegada do Departamento de Polícia Técnica (DPT), responsável pela perícia e remoção do corpo para o Instituto Médico Legal (IML). Até o momento, não há informações sobre a autoria nem sobre a motivação do crime. O homicídio será investigado pela Polícia Civil. *Por Giro Ipiaú
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Especial dia dos pais no Pague Levinho do Bairro ACM


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Lula tem encontro com Alcolumbre, em gesto de aproximação três meses após rejeição de Messias

                  Agenda ocorreu na terça-feira, na casa do ministro do STF Alexandre de Moraes

O presidente Lula (PT) encontrou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), na noite desta terça-feira (3), após três meses de apelos de aliados para que eles reatassem a relação. Os chefes do Executivo e do Legislativo estavam rompidos desde a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF (Supremo Tribunal Federal), no final de abril.

Segundo interlocutores, o encontro aconteceu na casa do ministro Alexandre de Moraes, acompanhado também por Cristiano Zanin, indicado por Lula à corte. Não houve deliberação alguma sobre uma nova indicação de Messias, mas segundo pessoas a par da conversa, Lula deixou claro que qualquer movimento sobre o assunto ficará para depois das eleições de outubro.

De acordo com aliados de Lula, o encontro foi resultado de sequenciais apelos dos líderes do PT e do governo no Senado, Camilo Santana (CE) e Teresa Leitão (PE), respectivamente. Eles reforçaram um esforço do ministro de Relações Institucionais, José Guimarães (PT), que vinha insistindo sem sucesso junto ao presidente da República por uma agenda com Alcolumbre. O presidente resistia, porém, por ter ficado contrariado com a rejeição de Messias, atribuída pelo petista a uma articulação do presidente do Senado.

Na segunda-feira (3), Lula avisou a interlocutores que havia aceitado se encontrar com Alcolumbre. Ainda inconformado com a derrota da indicação de Messias, o presidente indicou que não queria normalizar a rejeição do indicado, mas sim virar a página sobre o episódio e tratar de projetos do interesse do governo no Congresso.

Integrantes do Planalto tentavam convencê-lo a encontrar Alcolumbre com o argumento de que o governo tem propostas que carecem de aprovação na Casa, e que elas não poderiam ser sacrificadas porque os presidentes da República e do Senado não estão conversando.

No topo da prioridade está o fim da escala 6x1, proposta já aprovada na Câmara, mas que ficou engavetada no Senado. Lula defendeu a importância da proposta, e Alcolumbre indicou que voltaria a analisar o tema também após as eleições.

O senador, segundo aliados, segurou a proposta justamente para fazer com que Lula voltasse à mesa de negociações, após o rompimento causado pela rejeição de Messias no Senado. O tema, dessa forma, não deve ser analisado durante as duas semanas de funcionamento do Congresso durante o recesso.

Segundo interlocutores, não houve deliberação sobre votações, mas o encontro serviu para destravar o diálogo entre Planalto e Senado. As conversas dos líderes com a cúpula da Casa estavam travadas, justamente, pela indisposição de Lula para conversar com o senador.

Novas conversas da cúpula do governo com Alcolumbre devem ocorrer, mesmo durante o recesso. O tom desse diálogo ditará, justamente, como o PT vai abordar o fim da escala 6x1 e a pendência da votação durante a campanha eleitoral.

Ele nega, mas senadores apontam participação direta de Alcolumbre na derrota histórica para o governo. Eles indicam que o senador tentou fazer um gesto ao bolsonarismo num momento de baixa do petista nas pesquisas eleitorais.

O PL de Flávio Bolsonaro, porém, logo deixou claro que seus planos para a presidência do Senado não envolviam a continuidade de Alcolumbre no cargo. O grupo trabalha com a candidatura dos senadores Rogério Marinho (PL-RN) ou Tereza Cristina (PP-MS) para chefiar a Casa.

Nesse sentido, Alcolumbre pediu pelo menos três vezes, por meio de interlocutores, uma agenda com o presidente Lula. Ele sustenta que a rejeição de Messias foi resultado de uma insatisfação espontânea do Senado, que tinha preferência pela indicação do ex-presidente da Casa Rodrigo Pacheco (PSB-MG) à corte.
Por Augusto Tenório/Folhapress

CNJ aprova fim da aposentadoria compulsória como punição máxima para juízes

Foto: Gustavo Moreno / CNJ.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou novas regras disciplinares que substituem a aposentadoria compulsória como pena máxima administrativa para juízes. Agora, em casos graves, será aplicada a disponibilidade com proposta de perda do cargo, abrindo caminho para o demissão definitiva por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Com a mudança, o magistrado punido é afastado imediatamente e passa a receber salário proporcional ao tempo de contribuição enquanto aguarda o desfecho processual.

O novo rito para infrações gravíssimas seguirá quatro etapas:
  1. Processo Administrativo (PAD): Julgado pelo tribunal de origem;
  2. Reexame Obrigatório: Análise e confirmação pelo plenário do CNJ;
  3. Ação Judicial: Envio dos autos à AGU para propor ação de perda do cargo no STF;
  4. Decisão Final: Julgamento definitivo pelo STF.
A sanção se aplica a casos de negligência grave, recebimento de vantagens indevidas, conduta incompatível com a função e atuação político-partidária. Sempre que aplicada, cópias do processo serão enviadas ao Ministério Público para apuração de eventuais crimes.

A norma não é retroativa, aplica-se a processos novos ou em andamento e entra em vigor na data de sua publicação

Seis suspeitos morrem após confronto com policiais em Una; armas e drogas são apreendidas

Seis homens apontados como integrantes de uma organização criminosa morreram após um confronto com equipes das polícias Militar e Civil, na terça-feira (4), no bairro da Sucupira, no município de Una, no sul da Bahia. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA), entre os suspeitos estava um homem identificado como líder do tráfico de drogas na localidade.

A corporação informou que o grupo foi localizado durante um patrulhamento ostensivo realizado por equipes da 71ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) e da 7ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin).

De acordo com a polícia, os suspeitos teriam atirado contra as guarnições ao perceberem a aproximação dos agentes, dando início ao confronto. Após a troca de tiros, os seis homens foram encontrados feridos, socorridos para uma unidade de saúde da região, mas não resistiram aos ferimentos.

Durante a ação, os policiais apreenderam cinco revólveres, uma submetralhadora, uma arma de fabricação artesanal, além de porções de maconha, cocaína, crack e frascos de lança-perfume.

As armas e os entorpecentes foram apresentados à Polícia Civil, que ficará responsável pela investigação e pelos procedimentos relacionados à ocorrência.

Ex-chefe de gabinete de Lula pede para deixar campanha após contas pagas por empresária alvo da PF

O ex-chefe de gabinete de Lula (PT), Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, pediu para deixar a equipe de campanha do presidente da República. Ele estava sob pressão após virem à tona informações sobre o pagamento de despesas suas pela empresária Roberta Luchsinger.

Ainda não houve um comunicado oficial do pedido de saída de Marcola. Até a noite de terça-feira (4), aliados de Lula avaliavam que ele continuaria na equipe, a não ser que pedisse para sair.

Marcola afirmou ter tomado um empréstimo de R$ 249 mil de Roberta Luchsinger. Roberta é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, também alvo de apurações da PF.

Em nota divulgada à imprensa, ele afirmou que jamais houve nada além do empréstimo pessoal que obteve junto a ela e que esta foi uma movimentação "de natureza estritamente privada".

Ele também declarou que seus sigilos bancário e fiscal estão integralmente à disposição da Justiça e que constituiu advogado e o orientou a fazer uso de todos os documentos a fim de esclarecer os fatos.

Por Caio Spechoto/Folhapress

Relator da CPMI do INSS, Alfredo Gaspar é anunciado como vice de Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acaba de anunciar o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente em sua chapa na disputa pelo Palácio do Planalto nas eleições deste ano.

A escolha encerra uma sequência de articulações e especulações dentro do PL sobre quem ocuparia a vaga. Nas últimas horas, o nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro chegou a ser cogitado com força nos bastidores, enquanto o senador Rogério Marinho (PL-RN) também figurava entre as alternativas consideradas.

Gaspar chega à chapa após ter sido lançado, até então, como candidato ao Senado por Alagoas. Nesta terça-feira (4), veículos alagoanos chegaram a noticiar a oficialização de sua candidatura ao Senado, evidenciando a mudança de rota provocada pela escolha para a disputa nacional.

O parlamentar se filiou ao PL em março deste ano, após deixar o União Brasil, e assumiu o comando estadual da legenda em Alagoas a convite de Flávio. Procurador de Justiça de carreira, Alfredo Gaspar também já comandou a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas e ganhou projeção nacional no Congresso com sua atuação como relator da CPMI do INSS.

Por Política Livre

Prefeita Laryssa atualiza prioridades da Gestão em reunião com a comunidade da Fazenda do Povo

A prefeita Laryssa Dias esteve reunida, na tarde desta terça-feira (4), com moradores da comunidade da Fazenda do Povo para apresentar o andamento das ações da gestão municipal, ouvir novas demandas e alinhar as próximas prioridades para a região. O encontro contou com a participação de secretários municipais, assessores e representantes da comunidade.

Durante a reunião, foram apresentadas as ações já realizadas e os investimentos previstos nas áreas de Saúde, Assistência Social, Educação, Agricultura e Infraestrutura.

A Fazenda do Povo já colhe os resultados de importantes investimentos, como o asfaltamento da principal via de acesso à comunidade, a disponibilização de internet gratuita na praça e a futura implantação da Fábrica de Chocolate Artesanal, iniciativa que irá fortalecer a agricultura familiar, gerar emprego, renda e impulsionar o desenvolvimento econômico da região.

Na área da Educação, a prefeita junto com a Secretaria anunciou a implantação de Salas de Atendimento Educacional Especializado (AEE) para atender os estudantes das escolas da Fazenda do Povo e comunidades vizinhas, ampliando a inclusão e garantindo mais suporte aos alunos que necessitam desse acompanhamento. Outro destaque foi o reconhecimento da comunidade ao novo Sistema Municipal de Ensino, que vem proporcionando melhorias no aprendizado, na organização pedagógica e na qualidade da educação ofertada aos estudantes da rede municipal.

Para a prefeita Laryssa, manter esse diálogo permanente com a população é uma das principais marcas da gestão.

“A responsabilidade de uma gestão passa pela atualização constante das demandas e por uma escuta qualificada da população. Estamos aqui para ouvir quem vive o dia a dia da comunidade, entender suas necessidades e construir soluções junto com as pessoas. É assim, com diálogo, participação e trabalho, que seguimos construindo a Ipiaú que queremos para hoje e para o futuro.”

Ao final do encontro, a prefeita também anunciou que a Fazenda do Povo receberá, no mês de setembro, uma edição especial do Programa Avança Ipiaú, reunindo as principais secretarias operacionais do município para intensificar serviços, executar melhorias e acelerar novas ações na comunidade.

Advogado ligado a Jaques Wagner é apontado como sócio indireto de empresa ligada ao consignado do Banco Master

Uma reportagem do UOL afirma que o advogado Ângelo Rezende, que atua para o senador Jaques Wagner, possui participação indireta na PKL One, empresa que detém os direitos de exploração do cartão consignado Credcesta, programa operado pelo Banco Master e alvo de investigações sobre suspeitas de fraudes envolvendo aposentados do INSS e servidores públicos. Segundo a publicação, a participação ocorre por meio de uma cadeia de fundos de investimento.

Ainda de acordo com a reportagem, a estrutura societária da PKL One reúne pessoas próximas a Wagner, entre elas o empresário Augusto Lima, apontado como responsável pela empresa e citado em investigações da Polícia Federal por sua relação com o senador. O UOL informa que procurou Jaques Wagner, Ângelo Rezende, Augusto Lima e outros citados, mas não obteve resposta até a publicação da matéria.

A reportagem também destaca que a PKL One obteve, em 2018, um contrato de exclusividade de 15 anos com o governo da Bahia para administrar o Credcesta, período em que Wagner era secretário estadual de Desenvolvimento Econômico. O contrato foi posteriormente transferido ao Banco Master e integra o contexto das investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre supostas irregularidades envolvendo o banco e pessoas ligadas ao senador. Até o momento, não há decisão judicial atribuindo responsabilidade criminal aos citados em relação aos fatos narrados na reportagem.
Por Redação

Referência constante: saiba quem o senador Jaques Wagner costuma citar sempre/ Por Política Livre

Na mira da imprensa desde que suas relações e de seu enteado com o Banco Master vieram à tona, o senador Jaques Wagner (PT) acaba de revelar, de público, uma de suas mais constantes referências: o filme "O Poderoso Chefão" (Godfather), do diretor norte-americano Francis Ford Coppola.

A declaração foi dada em entrevista à rádio Baiana FM, quando Wagner comentava o episódio em que o governo, do qual era então líder no Senado, viu cair a indicação de Jorge Messias, Advogado-Geral da União, a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), numa de suas maiores derrotas políticas.

"Ganhou, ganhou, perdeu, perdeu. Porque eu cito sempre o filme O Poderoso Chefão, que é um filme clássico. E o Poderoso Chefão, que era o Marlon Brando, eu esqueço o nome do filho dele. O nome dele era Dom Corleone. É que era o Marlon Brando. Ele está numa estrada e é metralhado o carro dele. Ele vai para o hospital. Aí o filho, que depois ele vai e ele diz, no meu enterro, o primeiro que vier lhe dar as condolências é esse aí o culpado", contou Wagner.

Considerado um dos mais bem realizados da história, o filme aborda a vida da poderosa família mafiosa Corleone, que domina parte do crime organizado em Nova York no período seguinte à Segunda Guerra Mundial.

Don Corleone, o patriarca, é respeitado por sua inteligência, diplomacia e a forma como exerce o poder. Ao se negar a entrar no negócio lucrativo das drogas, desencadeia uma guerra entre as famílias mafiosas.

Wagner deixou a liderança do governo Lula no final de junho pressionado pelo forte noticiário a respeito de seu envolvimento com o ex-banqueiro baiano Guga Lima, sócio de Daniel Vorcaro, dono do Master.

Alvo da 9ª fase da Compliance Zero, operação que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a instituição financeira, Wagner foi apontado pela Polícia Federal como "suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas, figurando como agente público em favor de quem teriam sido estruturados pagamentos, benefícios e aquisições patrimoniais".
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Amiga de Lulinha visitou ministérios e Planalto 40 vezes fora da agenda oficial

Defesa de Roberta Luchsinger, investigada pela PF, diz que se manifestará nos autos em respeito à Justiça

A empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, fez ao menos 40 visitas a ministérios e à Presidência entre 2023 e 2024. Dessas, apenas uma está registrada oficialmente nas agendas públicas de autoridades, apesar da obrigação legal.

A informação foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Folha de São Paulo.

Das 40 visitas, 17 foram ao Ministério do Desenvolvimento Social, enquanto 15 tiveram como destino o Ministério da Saúde. A empresária também esteve ao menos oito vezes no Palácio do Planalto. Os registros foram divulgados por meio da LAI (Lei de Acesso à Informação).

Em alguns casos, a empresária esteve acompanhada por outros empresários, como representantes das empresas Duosystem e Grupo Bringel.

Roberta Luchsinger é investigada pela Polícia Federal, que apura o vínculo entre o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e Lulinha, filho do presidente Lula.

Questionada pela reportagem por WhatsApp, a defesa de Roberta disse que "em respeito à Justiça, a partir de agora trataremos desse assunto nos autos, com muita tranquilidade". O filho do presidente nega envolvimento em irregularidades.

No Ministério do Desenvolvimento Social, Roberta registrou o gabinete do ministro Wellington Dias como o principal destino, tendo também se encontrado com o secretário-executivo adjunto, Rannier Costa Ciríaco.

Quatro vezes ela esteve acompanhada por Efraín Saavedra, que representa a Duosystem. A empresa desenvolve tecnologias de saúde digital, como para regular o acesso a medicamentos e marcar consultas.

Em uma das visitas que fez sozinha, em março de 2023, Roberta entregou a Dias presentes avaliados pelo ministério em R$ 360 e tirou fotos com o ministro. Na ocasião, ela o presenteou com uma edição de colecionador do livro "O Alquimista", de Paulo Coelho, com dedicatória, além de uma caixa de bombons.

O ministério disse por LAI que a visita não teve pauta e durou aproximadamente cinco minutos, sendo considerada uma cortesia, em razão da posse do ministro no cargo.

Já no Ministério de Saúde, o foco foi a Secretaria Executiva, então coordenada por Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger.

Do total de 15, apenas uma reunião foi registrada em agendas públicas. Em 23 de outubro, Roberta foi ao ministério para, de acordo com os registros, apresentar um sistema de gestão da saúde e regulação da Duosystem ao lado de representantes da empresa.

Estiveram presentes o então chefe da Secretaria de Atenção Primária à Saúde, Nésio Fernandes, a secretária de Informação e Saúde Digital, Ana Estela Haddad, e o então secretário-executivo adjunto Elton Bandeira.

No Planalto, Roberta fez oito visitas, das quais três foram acompanhadas por Sérgio Bringel, CEO do Grupo Bringel. De acordo com apuração do jornal O Estado de S. Paulo, o visitado foi o então ministro da SRI (Secretaria de Relações Institucionais), Alexandre Padilha, que atualmente é ministro da Saúde.

A Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência) afirmou à reportagem que as audiências ocorreram com servidores e seguiram as normas da administração pública. Além disso, disse que reuniões com sociedade civil, setor produtivo e outros segmentos são parte da rotina.

"Essas agendas não produziram qualquer desdobramento administrativo, contratual ou regulatório decorrente desses encontros", completou a pasta.

O Ministério da Saúde afirmou que seus gestores "recebem, em acordo com as regras da administração pública, representantes de diversos setores da saúde para apresentação de novas tecnologias e soluções".

Sobre a Duosystem, disse que a companhia "apresentou à pasta proposta para regulação da atenção especializada, utilizada em São Paulo e em alguns outros estados". "Por falta de interesse do Ministério da Saúde, não houve qualquer andamento".

O Ministério de Desenvolvimento Social não respondeu aos contatos, feitos por email e ligação ao longo desta terça-feira (4). A reportagem ligou para os números registrados no site do Grupo Bringel, mas também não houve resposta.

Em maio deste ano, Roberta Luchsinger disse à PF que foi responsável por apresentar Lulinha para o lobista conhecido como Careca do INSS. Em dezembro, havia sido alvo de buscas em fase da Operação Sem Desconto, que investiga esquema que teria descontado mais de R$ 6 bilhões dos beneficiários do INSS de 2019 a 2024. A fraude consistia em débitos não autorizados em aposentadorias e pensões e se tornou tema de desgaste do atual governo.

A polícia apontou, em dezembro, a atuação de Roberta como "essencial para a ocultação de patrimônio, movimentação de valores e gestão de contas bancárias e estruturas empresariais utilizadas como instrumentos da lavagem de capitais".

Nesta terça-feira (4), o ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a abertura de um terceiro inquérito contra Lulinha para apurar suspeitas de tráfico de influência, após pedido da PF.

Assim como as duas primeiras, a investigação também envolve a suspeita de atuação de Roberta Luchsinger em favor de uma empresa junto a um órgão público.

Por Laura Scofield/Folhapress

Alta da dívida gera pressão de aliados para que Lula defenda ajuste fiscal na campanha

A escalada da dívida pública intensificou o apoio de petistas para que o presidente Lula (PT) assuma publicamente o compromisso de manutenção de um arcabouço fiscal em um eventual quarto mandato.

O impacto dos números divulgados na sexta-feira (31) precipitou o debate entre articuladores da pré-campanha do presidente. Ao longo de três anos e meio do governo Lula 3, o estoque da dívida bruta saltou 10,2 pontos percentuais, para 81,9% do PIB (Produto Interno Bruto) em junho deste ano, alcançando R$ 10,8 trilhões.

Antes restrita a uma ala do PT, a ideia de sinalização pública de Lula em favor do ajuste vem ganhando adesões. Aliados do presidente afirmam que Lula está cada vez mais convencido da necessidade de um ajuste mais rigoroso nas contas públicas a partir do ano que vem.

Um grupo de pessoas no entorno do presidente defende que essas propostas sejam colocadas em prática já neste ano, depois da eleição, caso o chefe do governo seja reeleito.

Outra ala de aliados que não está no círculo mais próximo de Lula defende que ele tenha reuniões presenciais com representantes do mercado financeiro para acalmar os operadores.

Em reunião na manhã desta terça-feira (4), Lula aprovou as diretrizes do plano de governo. Não constará a expressão "ajuste". A ideia será falar em compromissos de controle da inflação, associado à melhoria da trajetória de resultados fiscais, "com vistas à redução da taxa de juros e consequente atração de investimentos privados".

A expectativa é que Lula reafirme a promessa de responsabilidade fiscal ao discursar no lançamento oficial de sua candidatura, no próximo dia 16 em São Paulo. Sem usar a palavra "ajuste", a ideia é que ele use termos associados à organização da casa.

A repercussão negativa no mercado financeiro nos últimos dias, além do destaque dado aos números no noticiário, deixou aliados do presidente preocupados neste início da campanha eleitoral com o risco de alimentar uma piora dos preços de ativos, como o dólar e os juros.

A trajetória de aceleração do endividamento público será um tema de pressão por candidatos de direita durante a disputa, na tentativa de colocar o carimbo do governo Lula como fiscalmente irresponsável. Investidores, economistas e gestores também têm manifestado preocupação com o futuro do endividamento do país sob a gestão do atual presidente.

Na sexta-feira, o Banco Central divulgou números ruins do resultado da dívida bruta, que saltou 0,9 ponto percentual do PIB (Produto Interno Bruto) num único mês —valor acima do esperado. O estoque fechou o mês de junho em 81,9% do PIB ante 81% no mês anterior.

Trata-se do maior patamar desde 2021, durante a pandemia da Covid-19, e um incremento de 10,2 pontos percentuais ao longo de três anos e meio do governo Lula 3.

Escalado para essa interlocução no mercado financeiro e com representantes do agronegócio, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, encomendou dois estudos técnicos para os secretários Rogério Ceron (Executivo) e Débora Freire (Política Econômica) sobre o cenário para apresentar a Lula.

Com o apoio do presidente do PT, Edinho Silva, Durigan foi encarregado de falar ao mercado após reação negativa a declarações à Folha do coordenador de programa de governo, José Sérgio Gabrielli, afirmando que o ajuste fiscal não é o único instrumento de contenção da inflação.

Ex-ministro da Fazenda e candidato ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad telefonou a Gabrielli para reclamar da entrevista. Além de se queixar de não ter sido ouvido sobre as propostas do plano de governo para a economia, Haddad afirmou que Gabrielli ajudava o principal adversário de Lula, Flávio Bolsonaro (PL), ao afugentar parte do empresariado e de agentes do mercado com suas declarações.

Ainda segundo relatos, Haddad disse que a política econômica conduzida por ele tinha garantido crescimento com responsabilidade fiscal. As queixas de Haddad chegaram a Lula, que desautorizou Gabrielli durante reunião com a coordenação da pré-campanha.

Em junho, Lula determinou que Durigan fosse consultado sobre o plano de governo e que o programa fosse submetido a Haddad antes de sua divulgação. Ainda de acordo com quatro participantes da reunião, Lula disse que quem define a política econômica é ele próprio.

A repercussão das declarações de Gabrielli fez com que Durigan fizesse um périplo para redução de danos entre agentes do mercado. Nessas reuniões, o ministro da Fazenda defendeu uma redução do limite de correção dos gastos do arcabouço fiscal (de 2,5% para 1,5%) na largada de um Lula 4, além de gatilhos (acionamento automático de medidas) extras para conter a alta das despesas obrigatórias.

Nas últimas semanas, ele teve conversas no BTG, XP, Itaú Unibanco e Necton Investimentos. Nessas reuniões, Durigan se vê obrigado a responder se fala em nome do presidente ou se essa é uma opinião pessoal. De acordo com relatos, Durigan diz que representa Lula, mas essas dúvidas vêm reforçando o esforço para que o próprio presidente se manifeste em defesa do arcabouço.

Em conversas com empresários e políticos, Durigan também frequentemente é questionado se é filiado ao PT (ele não é). Como mostrou a Folha, uma ala do governo e do PT é crítica ao ministro acenar ao mercado com medidas específicas.

Lula, geralmente, resiste à proposta de afiançar o compromisso com ajuste, sob o argumento de que seus governos são a demonstração de responsabilidade fiscal. Mas esse está longe de ser um consenso. Por isso, colaboradores do presidente têm insistido para que ele fale nos próximos dias sobre esses compromissos.

Um desses auxiliares aponta esse gesto do presidente como um passo em busca de reeleição. Na avaliação desse interlocutor, esse aceno pacificaria setores da economia extremamente inseguros quanto a condições de Flávio Bolsonaro (PL) conduzir o país.

Principal adversário do presidente Lula na corrida presidencial, o senador tem sido aconselhado a não falar sobre medidas de ajuste fiscal. Ele chegou a contestar reportagem da Folha que, em abril, mostrou que a equipe dele considerava politicamente viável um ajuste fiscal inicial da ordem de dois pontos percentuais do PIB (Produto Interno Bruto).

Para isso, teria como planos reajustar aposentadorias e despesas com saúde e educação só pela inflação, medidas que os analistas do mercado financeiro cobram do presidente Lula para reduzir a dívida pública.

Em entrevista à GloboNews, a coordenadora de economia da campanha do PL, Daniella Marques, acenou que faria um ajuste de até 1,5% do PIB sem detalhar as medidas, se resumindo a dizer que o primeiro passo seria a criação de um conselho superior de governança fiscal. Essa era uma proposta de Paulo Guedes, ex-ministro de Jair Bolsonaro, que não avançou.

Outro conselheiro de Lula chega a dizer, na condição de anonimato, que uma declaração do presidente nesse sentido já viria tarde e propõe que medidas de arrocho sejam implementadas já no final deste mandato, em uma tentativa de arrefecimento de juros no país.

Por Catia Seabra, Adriana Fernandes e Caio Spechoto/Folhapress

Presidente da Câmara de Salvador, Carlos Muniz confirma apoio a ACM Neto: “Irei lutar voto a voto na sua campanha”

Carlos Muniz Filho, Carlos Muniz, João Roma, ACM Neto e Bruno Reis no evento “Sua Voz é Nossa Voz”
O presidente da Câmara Municipal de Salvador, vereador Carlos Muniz (PSDB), confirmou apoio à candidatura de ACM Neto (União Brasil) ao governo da Bahia, nesta terça-feira (4), durante o programa de escuta popular “Sua Voz é Nossa Voz”, realizado no Subúrbio Ferroviário da capital baiana. Muniz destacou que a decisão será acompanhada por todo o seu grupo político e exaltou a relação histórica de duas décadas com Neto e com o prefeito Bruno Reis (União Brasil).

“Durante esses 20 anos eles estiveram ao meu lado com todas as dificuldades que nós tivemos na política, não só em Salvador, mas na Bahia. Eu sempre fui, meu governador, um homem de grupo, sempre tomei decisões em grupo e dessa vez não poderia ser diferente. Eu não poderia tomar uma decisão pensando só em Carlos Muniz, essa foi uma decisão de todo grupo político que me acompanha durante esses 20 anos”.

Nas eleições de 2022, Carlos Muniz apoiou a candidatura de Jerônimo Rodrigues. Para este ano, o grupo do governador especulava que Muniz poderia novamente marchar com o grupo petista, o que não ocorreu. O presidente da Câmara afirmou que estará integralmente envolvido na campanha de ACM Neto e dos candidatos ao Senado da chapa majoritária, João Roma e Angelo Coronel.

“Havia muitas especulações em relação a esse apoio que hoje está decidido e você pode ter certeza de uma coisa: eu irei lutar voto a voto na sua campanha, na campanha dos senadores João Roma, do senador Coronel, como se estivesse pedindo voto para meu filho Carlos Muniz, pré-candidato a deputado federal”, declarou o presidente da Câmara.
Por Redação/Politica Livre

Pela 1ª vez em 70 anos Cuba tem como derrubar ditadura, diz líder da diáspora nos EUA

Rosa María Payá, filha do ativista Oswaldo Payá, fala em Miami sobre a pressão americana e a crise humanitária na ilha

Foto: Reprodução/Instagram

Há uma figura para ser acompanhada com atenção diante do agravamento da crise humanitária em Cuba e da possibilidade de que alguma mudança ocorra na ilha: Rosa María Payá, 37, líder da diáspora cubana nos Estados Unidos, desde 2013 em Miami, na Flórida.

Apoiadora de Donald Trump e próxima ao secretário de Estado, Marco Rúbio, Rosa María carrega na história da família a luta pela abertura política. Seu pai era Oswaldo Payá Sardiñas, quiçá o maior opositor do regime castrista que vivia na ilha, não no exílio, como tornou-se comum. Ele morreu em 2012 em um acidente de trânsito, aos 60 anos.

Um ano depois, Rosa María e a família se exilaram em Miami, o bastião da comunidade cubana nos EUA. As circunstâncias da morte de seu pai são nebulosas. A família acusa o regime de ter provocado o acidente, e um relatório da CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos) indicou responsabilidade do Estado.

Hoje Rosa María faz parte da mesma comissão. Por indicação de Rubio, ela assumiu em janeiro passado uma das sete cadeiras de comissários da CIDH. Uma das figuras mais jovens entre as vozes protagonistas da diáspora cubana, e uma das poucas que nasceu de fato na ilha (em vez de ter nascido nos EUA de pais exilados), ela é uma —se não a— das mais próximas à Casa Branca.

Seu pai liderou o que ficou conhecido como Projeto Varela, um pedido popular com mais de 35 mil assinaturas no início dos anos 2000. A iniciativa queria um referendo para transformar em lei direitos que são previstos na Constituição, mas não exercidos, como o direito à liberdade de expressão, de imprensa e de associação. A repressão silenciou a mobilização.

Oswaldo ganhou prêmios internacionais e se tornou mundialmente conhecido. Ele dizia não apoiar o embargo exercido sobre Cuba. Rosa María tem posição distinta. Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, ela refuta a ideia de que a crise humanitária arrasadora na ilha seja intensificada pelas sanções americanas.

Neste ano, ela liderou a assinatura de um acordo entre diferentes grupos da diáspora para tentar chegar a um consenso para uma transição democrática na ilha em caso de queda do regime. Algo raro, dado que a oposição cubana fracassou diversas vezes em se unificar.

A senhora acha que a pressão que os EUA exercem afeta apenas o regime ou também as pessoas? Temos muitos relatos de fome. Há contradição nesta pressão econômica?

O que essencialmente afeta a vida dos cubanos e o que levou nossas famílias a viver a catástrofe humanitária que está acontecendo em Cuba é o regime cubano. Essa crise não começou em 3 de janeiro com as restrições ao petróleo.

Até 3 de janeiro [dia da captura do ditador Nicolás Maduro], o regime cubano estava recebendo centenas de milhares de barris de petróleo da Venezuela, que foram usados para enriquecer o conglomerado militar da Gaesa [Grupo de Administração Empresarial S.A., liderado pelos militares, com controle de empresas de turismo, estações de gás, supermercado, transferência de dinheiro e outros], que hoje possui bilhões de dólares.

Não podemos cair em dissonâncias cognitivas quando sabemos que há um regime cujas empresas, que são praticamente privadas, têm bilhões de dólares, e o povo está passando fome, não tem medicamentos, não tem energia e, além disso, está sob os níveis de repressão mais altos que já viveu ou tão altos quanto os vividos nesses 67 anos.

A resposta mais clara a essa realidade foi dada pelo próprio povo, que sai para protestar todos os dias, embora não vejamos protestos massivos porque cortam a eletricidade e porque o regime sai para prender e bater nos manifestantes. E o povo não está gritando "abaixo o embargo", está gritando "abaixo a ditadura".

Como fazer a mudança? Com uma invasão militar, com uma revolta social?

Vimos os cubanos saírem às ruas de forma épica em julho de 2021 e sofrerem os níveis repressivos mais elevados da história, com milhares de prisioneiros políticos e praticamente nenhuma solidariedade internacional.

O que está acontecendo hoje, que é qualitativamente diferente, é o que nós identificamos como os três elementos que se combinam e que podem provocar a mudança de sistema.

O primeiro é a demanda por mudança sistêmica. Os cubanos não têm eleições livres há mais de 70 anos. Se há algo que neste momento é eloquente e inegável é que a população está exigindo uma mudança e deve ser protagonista dela.

Há um segundo elemento que é fundamental, porque vivemos um regime totalitário que tem as armas e que as usa todos os dias contra os corpos dos cubanos, que é a pressão internacional. E, pela primeira vez em décadas, o governo dos Estados Unidos está disposto a exercer essa pressão sobre quem precisa ser pressionado, que são os criminosos que estão no poder: os generais, a família Castro, os donos da Gaesa, os donos dessas empresas bilionárias.

E o terceiro, a alternativa democrática. Em março, assinamos o acordo de libertação que reúne a maior parte das forças democráticas cubanas dentro e fora da ilha. Alguns desses líderes estão presos hoje na ilha e fazem parte deste acordo que desenha um plano de transição em fases: libertação, estabilização e reconstrução, e democratização, ou seja, eleições livres, a devolução da soberania ao povo cubano.

Tenho que insistir. Vê como possibilidade uma invasão, como ocorreu na Venezuela?

Não existe, nem é necessária, uma Delcy Rodríguez em Cuba. O cenário venezuelano e o cenário cubano são bem distintos. Nossos destinos estiveram ligados porque o regime cubano praticamente colonizou a Venezuela e foi um elemento fundamental no colapso da democracia e na manutenção do regime de Chávez e de Maduro.

A última gota que fará o copo transbordar e provocará a fratura no poder em Cuba pode variar. Definitivamente, é necessária a pressão que o governo dos EUA está fazendo, e tomara que isso se transforme em um movimento de solidariedade do Ocidente, incluindo as democracias latino-americanas, porque a América Latina foi uma das mais afetadas pela ditadura cubana.

A maneira pela qual a família Castro sairá do poder neste momento depende sobretudo deles.

A senhora falou da América Latina. Como vê o papel do Brasil?

O Brasil, junto com México e Espanha, fez declarações que, sobretudo, parecem apoiar a ditadura, mas que terminam defendendo o direito da soberania para o povo cubano. Bom, isso é precisamente o que nós estamos exigindo.

Então, gostaríamos de ver do governo do Brasil, do governo do senhor Lula, coerência com relação a essa declaração.

E isso significaria apoiar eleições livres em Cuba, que requerem um processo de transição que nós estamos preparando. O Brasil, que aliás teve a experiência do que significa lidar economicamente com uma ditadura como a cubana —o porto de Mariel foi construído com dinheiro brasileiro, e o regime cubano deve mais de US$ 600 milhões—, para poder ter uma relação normal, inclusive uma relação comercial mutuamente benéfica, precisa apoiar uma mudança.

Alguns cubanos dizem que muitas gerações não têm uma cultura democrática, porque não foram acostumadas a isso. A senhora concorda? Uma parte dos cubanos poderia aceitar que os EUA exerçam uma tutela em Cuba, como fazem na Venezuela?

Os cubanos vêm de 67 anos de comunismo. E isso é traumatizante, claro.

Mas os cubanos, em qualquer lugar do mundo democrático ao qual chegaram, foram comunidades bem-sucedidas, desde na política até nas artes e no mundo empresarial. A única coisa que os cubanos precisam para prosperar é serem livres.

A ação americana na Venezuela é ligada ao interesse muito amplo no petróleo. Em Cuba, é diferente. Não pergunto somente pelo interesse dos EUA, mas, para ter de novo uma economia funcional, o que é preciso fazer na ilha?

Recapitalizar o povo cubano. A economia cubana foi sistematicamente destruída pelo comunismo. Agora, nós, cubanos, temos dois elementos importantes: primeiro, o talento e capacidade de empreendedorismo que o cubano tem mesmo no meio do comunismo.

Segundo, um exílio que é quase 40% da população, que está organizado, que é poderoso economicamente e nunca se desconectou da ilha, e que está chamado a fazer parte do processo de recuperação econômica.

Em caso de eleições, quer tentar um cargo?

Isso é prematuro. Neste momento, nosso esforço é para que os cubanos escolham os nomes que vão ocupar os cargos. Se meu nome estará aí ou não, será decidido no devido tempo.
Por Mayara Paixão/Folhapress

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