Do PSD, ex-candidato a prefeito de Jussiape declara apoio a ACM Neto -Por Redação

ACM Neto recebe apoio do ex-candidato a prefeito de Jussiape Robertão e de lideranças da região
O candidato a governador da Bahia ACM Neto (União Brasil) recebeu, no sábado (29), o apoio do ex-candidato a prefeito de Jussiape Robertão, filiado ao PSD, partido que integra a base do governador Jerônimo Rodrigues (PT). O anúncio ocorreu durante agenda de campanha de Neto em Vitória da Conquista, no sudoeste baiano.

Robertão é uma das principais lideranças políticas de Jussiape e disputou a Prefeitura do município nas eleições de 2024. Na ocasião, protagonizou uma eleição bastante apertada e ficou a menos de 100 votos de conquistar o comando do Executivo municipal.

De acordo com a campanha do ex-prefeito de Salvador, a adesão reforça o movimento de lideranças do interior em direção à candidatura de ACM Neto, inclusive de nomes ligados a partidos que integram a base governista estadual. Nas últimas semanas, prefeitos, vice-prefeitos, ex-prefeitos e outras lideranças de diferentes regiões da Bahia anunciaram apoio ao candidato da coligação Unidos Para Mudar a Bahia.

Em Vitória da Conquista, Neto participou de uma caminhada pelas ruas da cidade ao lado do candidato a vice-governador Zé Cocá (PP), dos candidatos ao Senado Angelo Coronel (Republicanos) e João Roma (PL), além de postulantes a deputado estadual e federal e lideranças.

Mensagens, viagens e proximidade com lobistas são principais elementos em inquéritos contra Lulinha

Defesa de filho do presidente tem questionado higidez das provas e afirmado que PF faz 'quebra-cabeça de ilações'

            "Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente Lula"

Trocas de mensagens e viagens pagas, associadas a movimentações financeiras da lobista Roberta Luchsinger, foram os principais elementos usados pela Polícia Federal para pedir a abertura de inquéritos contra Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente Lula (PT).

Três inquéritos, que estão sob responsabilidade dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça e Flávio Dino, foram abertos a partir de elementos encontrados nas buscas e quebras de sigilo da Operação Sem Desconto, que investiga suspeitas de desvios em aposentadorias e pensões do INSS.

São apurados supostos crimes de tráfico de influência e corrupção. Roberta é amiga de Lulinha e atuava em prol de interesses do também lobista Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

Os inquéritos cujas informações já foram divulgadas até o momento mostram apenas tentativas de contratações que não foram fechadas pelo governo federal. A defesa de Lulinha não nega a amizade com Roberta, afirma que não houve ilegalidades e tem questionado a higidez das mensagens obtidas pela PF.

Procuradas ao longo da última semana, as defesas de Roberta e de Antônio Camilo não têm se manifestado.

Ao justificar os pedidos de abertura dos inquéritos de forma separada ao caso da Sem Desconto, a PF argumentou ao STF que, na análise, "foram obtidos elementos informativos que revelaram, por serendipidade, indícios da prática de outros crimes sem relação direta com as fraudes perpetradas em desfavor do INSS ou com o objeto originário da Operação Sem Desconto".

Os dois inquéritos relatados por Mendonça tratam, respectivamente, da tentativa do grupo investigado de fechar negócio com o Ministério da Saúde e a estatal Dataprev. Ainda não há informações sobre a investigação supervisionada por Dino.

A PF suspeita que a lobista atuava em parceria com dois sócios ocultos: Lulinha e Fernando Bittar —empresário que era um dos donos do sítio de Atibaia (SP) investigado na Operação Lava Jato.

Em mensagens trocadas por Roberta, ela fala que "Fefe, fabio e eu somos uma coisa só. Se um fala vai, tds vão" e que o dinheiro oriundo de um possível contrato com o governo será dividido entre "eu e meus dois gordinhos minha empresa". A PF interpreta que ela se refere, nas mensagens, a Bittar e Lulinha.

Roberta diz: "Eu aviso tudo. Toco o que a gente combina". O filho do presidente responde: "Sim. Falei dele".

A PF interpreta essa conversa como um desabafo de Lulinha que revela "o modo de operar da sociedade".

"'Falei dele' se refere a Fernando [Bittar], visto ser ele, entre os três sócios, o interlocutor ausente na conversa", diz a PF em documento que pede a abertura de investigação.

"O conteúdo obtido na nuvem de Roberta permite inferir que a atividade da supramencionada sociedade consistia, em essência, na realização de interlocuções junto a agentes e órgãos governamentais com o objetivo de defender interesses privados."

Desde que as mensagens foram divulgadas, a defesa de Lulinha tem afirmado não ter garantia da veracidade do material colhido pela PF e aponta suspeita de interesse político na instauração do inquérito.

"Deu para perceber que nessas investigações não tem autoridade com foro, não tem desvio de dinheiro público, não tem ato de ofício, não tem relação direta ou indireta com o INSS. Se o Fábio não fosse filho do presidente, esses inquéritos já estariam arquivados", disse o advogado Marco Aurélio de Carvalho.

A defesa de Fernando Bittar não foi localizada pela reportagem.

Além das conversas de Roberta com terceiros, há mensagens trocadas com o próprio Lulinha. Em março de 2024, o filho do presidente diz à lobista: "Estamos deixando de tomar decisões colegiadas e tá cada um por si".

Há outras mensagens de Lulinha que tratam de negócios dos três. Numa delas, eles falam sobre almoços com Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, e Swedenberger do Nascimento Barbosa, o Berger, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde.

Tanto Marcola como Berger foram pressionados a fechar contratos de interesse de Roberta com o governo. Ela chegou a pagar mais de R$ 200 mil em despesas pessoais do ex-chefe de gabinete em 2024.

A defesa de Marcola tem dito que ele "jamais intermediou negociações ou encaminhou qualquer documento referente a compras ou licitações no âmbito do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ou de qualquer outro órgão do governo federal". Também diz que os valores são oriundos de um empréstimo pessoal e foram devolvidos. Swedenberger não tem se manifestado.

Há ainda uma mensagem de 2023, divulgada pelo site Metrópoles e confirmada pelo jornal Folha de São Paulo em que o filho do presidente orienta Roberta a emitir uma nota fiscal para um empresário que eles representam após um encontro com políticos.

As viagens de Lulinha também entraram na mira das investigações. Ele viajou em 2024 para a Europa bancado pelo Careca do INSS, que tinha uma empresa de Cannabis medicinal e tinha interesse em fechar contratos com o Ministério da Saúde. O filho de Lula também fez outras viagens pagas por Roberta.

A Polícia Federal também investiga um pagamento de R$ 300 mil feito por ordem do Careca do INSS a Roberta.

Em uma mensagem apreendida pela PF em uma das fases da Operação Sem Desconto, ele pede a um auxiliar que faça o pagamento de uma parcela de R$ 300 mil.

O auxiliar pergunta quem seria o destinatário do dinheiro. Antunes responde que seria "o filho do rapaz" e, em seguida, recebe o comprovante do pagamento para uma empresa da lobista. A PF suspeita que "o filho do rapaz" seja uma referência a Lulinha.

A defesa de Lulinha tem dito que a expressão "filho do rapaz" não é uma referência a Fábio Luís. Também diz que as conclusões da PF nos inquéritos são "quebra-cabeça de ilações, com inferências não conclusivas". Questiona ainda a chamada cadeia de custódia das provas. Ou seja, argumenta que não é possível demonstrar, de maneira confiável, como e em que condições uma prova foi coletada e apresentada à Justiça.

Por José Marques/Folhapress

Como Janja e Fernanda Bolsonaro têm marcado presença na campanha eleitoral dos maridos?

Mulheres de Lula e Flávio Bolsonaro viraram ativo eleitoral para dialogar diretamente com público feminino, cada vez mais disputado por candidatos

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), os dois principais candidatos à Presidência da República, contam com suas mulheres – Rosângela da Silva, a Janja, e Fernanda Bolsonaro, respectivamente – como ativos em suas campanhas para conquistar o apoio do eleitorado feminino.

De um lado, Janja conta com mais liberdade, participa ativamente dos comícios e opina nas estratégias de Lula. Já Fernanda adota tom discreto, mas também já se pronunciou em eventos de Flávio e tem nova agenda com o marido na próxima semana.

Até o momento, Janja discursou em três dos cinco primeiros comícios de Lula desde o início da campanha. Ela costuma se pronunciar imediatamente antes do presidente, com discurso todo voltado ao público feminino. Somados os tempos dos três pronunciamentos, ela falou por cerca de 42 minutos (13 minutos em São Bernardo, 19 minutos em Belo Horizonte e 10 minutos no Rio). Só não participou dos comícios em Natal e Salvador.

Duas semanas antes do começo da campanha, na Convenção Nacional do PT, Lula abriu o discurso com uma autocrítica. Nenhuma mulher estava prevista para falar — Lula pediu, então, que Janja se pronunciasse no evento. Ela gesticulou negativamente três vezes.

“Quero fazer uma crítica a mim. Não é possível que a gente tenha esquecido do principal evento da nossa campanha e não tenha colocado uma mulher para falar”, disse. Após a insistência do presidente, Janja assumiu o microfone. “É difícil porque a gente precisa estar todo dia se reafirmando, né, mulherada”, afirmou.

Em todos os pronunciamentos durante a campanha, Janja disse que as mulheres são as “guardiãs da democracia” e que foram o público decisivo para eleger Lula em 2022.

Ela costuma conclamar as mulheres a conversar com outras mulheres sobre Lula. “Vamos juntas, vamos conversar com nossas amigas, mães, filhas, irmãs, vizinhas, vamos discutir sobre as políticas públicas do presidente Lula e sobre quanto elas já transformaram e irão transformar ainda mais nossa vida e as vidas das nossas famílias”, afirmou.

Para promover o presidente, ela trata de iniciativas do governo federal com o recorte de como essas iniciativas afetam a vida das mulheres. Ela mencionou em todos os comícios, por exemplo, as escolas em tempo integral.

Em discurso no Rio, no último sábado, 22, ela falou da proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, principal iniciativa do governo Lula sobre o tema. “Ele (Lula) sabe da aflição de mães, pais e avós que saem para trabalhar angustiadas sem a certeza de encontrarem seus filhos vivos quando voltam para casa. Queremos nossos meninos e meninas na escola, praticando esporte, fazendo cultura, aprendendo uma profissão, sonhando com um futuro digno, e não sendo atraídos pelo crime”, disse.

Para além dos discursos, Janja surpreendeu Lula em São Bernardo do Campo ao exibir um videoclipe que gravou ao lado do cantor evangélico Kléber Lucas, cantando um dos jingles da campanha. Ela foi ao palco e cantou em playback ao lado de Lucas — algo que fez novamente durante o comício no Rio.

Integrantes da campanha dizem que Janja tem liberdade para atuar na campanha. Ela costuma participar das reuniões, opina e conversa com membros. Até o momento, ela não tem um cargo oficial na campanha.

Esses integrantes destacam o pronunciamento dela em São Bernardo, quando homenageou Marisa Letícia, mulher do petista desde os tempos das greves dos metalúrgicos no final da década de 1970. Dona Marisa, como era conhecida, morreu em 2017.

“A estrela da nossa bandeira, do nosso partido, traz à nossa memória o cuidado e carinho de Dona Marisa. Foi ela quem bordou a primeira bandeira do PT. E é a ela que eu dedico toda a minha admiração”, disse.

Mulher de Flávio Bolsonaro é menos conhecido do público

Fernanda, por sua vez, discursou por quase quatro minutos em dois comícios: 3 minutos e 21 segundos na convenção nacional que lançou a candidatura de Flávio a presidente, em São Paulo, e 30 segundos no ato inaugural de campanha em Copacabana, no Rio.

Mais desconhecida do público (ela tem 459 mil seguidores no Instagram, diante de 2,9 milhões de pessoas que seguem Janja), Fernanda usou parte do tempo no primeiro comício para se apresentar, pediu desculpa por usar uma “colinha” por não estar acostumada com discursos e manifestou apoio ao marido em nome dela e das filhas. Assim como Janja, o discurso foi voltado para as mulheres.

“Eu não quero assistir mais essas notícias de mulheres sendo violentadas, sendo assassinadas todos os dias no nosso País. Isso precisa acabar, ninguém aguenta mais. Ninguém aguenta mais quatro anos de PT”, declarou Fernanda no auditório do estádio do Pacaembu.

No segundo ato, numa manifestação-relâmpago, voltou ao tema: “Boa tarde, Copacabana, boa tarde, mulheres do meu Brasil. Com Flávio Bolsonaro, as mulheres vão ter mais oportunidades, mais segurança. E quando as mulheres vencem, a família inteira vence. E o Brasil inteiro vai vencer com Flávio Bolsonaro 22”.

Fernanda é cirurgiã dentista e faz atendimentos em sua clínica em Brasília durante a semana, o que a impede de viajar com Flávio. Na semana que vem, no entanto, ela estará presente numa agenda em Porto Alegre com o marido e o candidato do PL ao governo, Luciano Zucco.

Quem tem cuidado das redes sociais de Fernanda é a mesma equipe que administra os perfis de Flávio. Ela começou a fazer publicações em dezembro de 2025, dias após o marido se lançar pré-candidato a presidente, mas a frequência de posts disparou após a confirmação da candidatura, em 25 de julho. Antes do evento, foram 16 vezes; desde então, são 33.

Na internet, Fernanda tem compartilhado imagens ao lado do marido em atos políticos, além de versículos bíblicos, conteúdo sobre saúde bucal (sua especialidade profissional) e fotos com a economista Daniella Marques, coordenadora econômica do programa de governo de Flávio e uma das pessoas da campanha mais próximas a ela.
Por Guilherme Caetano/Levy Teles/Estadão

Crítico do PT, candidato do PCB defende estatizar sistema financeiro e extinguir Senado

               Economista Edmilson Costa foi preso pela ditadura e hoje critica governo

Com um programa que propõe extinguir o Senado, revogar o que chama de reformas neoliberais e combater as "investidas imperialistas da Otan, OEA e Cúpula das Américas", o economista e poeta Edmilson Silva Costa (PCB), 76, concorre à Presidência pela primeira vez.

Nascido em Pedreiras (MA), começou na militância aos 17 anos, foi preso pela ditadura militar em 1974, e se mudou para São Paulo, onde atuou como jornalista. Foi candidato a prefeito de São Paulo em 2008 e a vice-presidente em 2010, na chapa de Ivan Pinheiro, sem sucesso nas duas ocasiões.

O fato de que, em 2022, a chapa do partido teve 0,04% dos votos válidos não é um problema para o candidato, que tem como vice a professora aposentada da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Cleusa Santos. Considera que a eleição é também um instrumento de disputa política.

"É importante que as pessoas saibam que existe uma candidatura diferente das tradicionais", diz. "É muito difícil fazer uma disputa onde você não tem o rádio, não tem a televisão, não tem o poder econômico, mas, se você ficar de braços cruzados, dificilmente tem a possibilidade de mudanças. Nossa candidatura tem esse papel de colocar na disputa política um conjunto de temas, independentemente do resultado".

É também essa a razão de o PCB recusar, pela sexta eleição seguida, aliança com o PT no primeiro turno. Para Edmilson, o PT promove "políticas de compensação social" —Bolsa Família, Fies, ProUni—, sem alterar a economia do país. O PCB defende estatizar o sistema financeiro, retomar ao patrimônio público empresas privatizadas e suspender o pagamento da dívida pública.

Aponta como principal erro do governo Lula o não cumprimento de promessas de campanha, como a revisão das reformas trabalhista e previdenciária, e a manutenção do arcabouço fiscal. Como acerto, cita a postura do governo diante de pressões do governo americano de Donald Trump.

"A extrema direita e o bolsonarismo no Brasil são uma espécie de quinta coluna do sistema imperial liderado pelo Trump", afirma.

O programa do partido defende solidariedade a Cuba, Venezuela e Irã. O candidato nega que Cuba tenha problemas de direitos civis apontados por críticos, atribuindo-os ao embargo americano à ilha. Sobre a Venezuela, reconhece que o país "não fez as reformas profundas que Cuba fez", mas defende solidariedade contra o que chama de tentativa americana de tomar os recursos naturais venezuelanos.

O programa propõe ainda extinguir o Senado, substituí-lo por Parlamento unicameral e instituir mandatos revogáveis por referendo popular. Questionado sobre como viabilizar isso sem maioria no Congresso, aposta na mobilização popular como contrapeso, citando os "caras-pintadas" no impeachment de Fernando Collor, em 1992.

"Mesmo no caso em que tenha minoria, tem que contrabalançar isso com a mobilização popular. O Collor tinha todo o Parlamento à sua disposição, mas com as manifestações dos cara-pintadas nas ruas, aos milhões, eles fizeram o Congresso votar o impeachment", argumenta.

Secretário-geral do PCB, Edmilson é doutor em economia, área em que lecionou por cerca de 25 anos, e dirige hoje a área de pesquisa do Instituto Caio Prado Júnior, ligado ao PCB.

Vive com uma companheira, tem dois filhos e três netos. À Justiça Eleitoral declarou um patrimônio de R$ 454.485,68, do qual a maior parte, R$ 350 mil, é metade de um apartamento.

No tempo livre, escreve poesia: soma cinco livros publicados e um sexto pronto, represado até depois da eleição. Também compõe música, com cerca de 60 canções em parceria com outros músicos, afirma. Aos 76 anos, diz caminhar 8 km todos os dias e fazer pilates duas vezes por semana. "Para aguentar essa pauleira”.
Por Luana Lisboa/Folhapress

Consulcred e Hortifruti São Luiz disputam final do Campeonato Super Master AABB 2026

O Campeonato Super Master AABB 2026 chega ao momento mais aguardado da competição. Consulcred e Hortifruti São Luiz são os finalistas e entram em campo para decidir o título do torneio, que ao longo da temporada reuniu atletas e amantes do futebol em Ipiaú.

As duas equipes garantiram presença na decisão após suas campanhas durante a competição e agora se enfrentam em busca do troféu de campeão. A expectativa é de uma partida bastante disputada, reunindo jogadores, familiares, torcedores e associados da AABB.

O Campeonato Super Master já faz parte do calendário esportivo da AABB de Ipiaú e se destaca por promover a prática esportiva, a integração e a confraternização entre os participantes.

Presos, generais do golpe resenham livros, fazem fisioterapia e estudam à distância

Exército diz que condições de custódia são definidas e fiscalizadas conforme orientação do STF

Numa última investida para manterem a patente, os generais de quatro estrelas condenados por tentativa de golpe de Estado mostraram como veem a si próprios nas defesas apresentadas ao STM (Superior Tribunal Militar), que julgará ações de expulsão definitiva da vida militar. É um passo seguinte à condenação no STF (Supremo Tribunal Federal).


Walter Braga Netto, que chefiou o Estado-Maior do Exército, o Comando Militar do Leste e o Ministério da Defesa, é descrito pelos advogados como alguém que tem a admiração dos colegas e "enorme respeito" na Força. Paulo Sérgio de Oliveira, ex-comandante do Exército e ex-titular da Defesa, teria um histórico "impecável e distinto" como militar.

Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, ingressou na Força ainda criança, aos 10 anos, como aluno de uma escola industrial, e sempre se destacou, segundo seus advogados.

Os três militares da reserva, da mais alta patente, cumprem pena em regime fechado após terem sido condenados por crimes de tentativa de golpe de Estado, de abolição violenta do Estado democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

As penas definidas pelo STF variam de 19 a 26 anos de prisão –inferior apenas à do militar apontado como chefe do esquema, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sentenciado a 27 anos e três meses de prisão. A condenação completa um ano no dia 11 de setembro. Os generais estão em celas improvisadas em unidades militares, desde o fim de novembro.

É a primeira vez que a democracia brasileira pune e encarcera militares que alcançaram as quatro estrelas por tentativa de golpe. Entre os condenados está o general Augusto Heleno, 78, que cumpre a pena em casa por sofrer da doença de Alzheimer.

Braga Netto foi condenado por coordenar um "gabinete" golpista após a derrota na eleição e por ter apoiado um plano que incluía o assassinato do presidente Lula (PT) e do vice, Geraldo Alckmin (PSB). A condenação de Garnier foi por ter colocado tropas da Marinha à disposição de um golpe. Paulo Sérgio teria pressionado comandantes a aderirem ao impedimento da posse de eleitos. Heleno foi condenado por chefiar um "gabinete de crise" e orientado discurso contra as urnas.

Os quatro militares encaram as penas com irresignação, segundo o ex-vice de Bolsonaro e senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). Ele visitou Braga Netto e Paulo Sérgio. "Eles manifestam um sentimento de revolta", diz Mourão, que também é general de Exército.

A cela improvisada de Paulo Sérgio, 68, tem quarto, sala e banheiro privativo, segundo quem o visita, e está anexa a gabinetes de generais do Comando Militar do Planalto, em Brasília.

A rotina do general é extensa: ele cadastrou 35 visitantes, todos autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, responsável pelos processos de execução penal e por definir as condições das prisões. Em pelo menos três dias da semana, o militar recebe visitas da mulher, dos filhos oficiais do Exército, de noras, netos ou de amigos de farda.

Para presos comuns no Complexo da Papuda, no Distrito Federal, são permitidos 11 cadastros de visitantes. As visitas regulares devem ocorrer às quartas e quintas-feiras.

Nos banhos de sol, Paulo Sérgio, 68, faz fisioterapia e atividades físicas. Uma vez por semana, recebe atendimento psicológico.

Um plano de trabalho foi desenvolvido pelo comando para o general, de forma a garantir a remição da pena. Ele revisa, cataloga e faz análise de obras da biblioteca do Exército.

À distância, com acesso a computador, Paulo Sérgio cursa administração hospitalar. Moraes atendeu a um pedido do general e permitiu ainda que ele faça o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

Garnier, 65, que cumpre pena nas dependências do gabinete do comandante de Operações Navais, na Estação Rádio da Marinha em Brasília, recebe visitas semanais de dois médicos da Força, faz exames e recebe atendimento odontológico no Hospital Naval.

A Garnier foi permitido ler os livros que já existiam na biblioteca da unidade militar. Ele prefere livros religiosos: resenhou "O agir invisível de Deus" e "Como Deus transforma tristeza em alegria". Os capitães que avaliaram suas resenhas descontaram poucos décimos das resenhas do almirante que já comandou a Marinha, por erros de ortografia.

O comando do lugar queria que um soldado fosse autorizado a cortar o cabelo do general, mas Moraes negou. A Força também quis emplacar uma atividade nobre para o almirante, com análises sobre a capacidade defensiva do país diante do "mutante cenário geopolítico". O ministro negou esse tipo de trabalho. Garnier passou, então, a fazer revisão gramatical e tradução.

Já com a pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência em curso, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, pediu autorização para visitar o almirante. Esses pedidos se deram em julho e agosto. Marinho não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre o teor das visitas.

Na 1ª Divisão do Exército, na Vila Militar, no Rio, Braga Netto – ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro e ex-candidato a vice na chapa derrotada em 2022– também recebeu visitas de bolsonaristas, ex-colegas de Esplanada. Foram autorizados os ex-ministros da Saúde Marcelo Queiroga e Eduardo Pazuello (general da reserva e deputado federal) e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).

Braga Netto, 70, passou praticamente o primeiro semestre inteiro sem trabalhar, sem ler e sem estudar. Fez pouca atividade física, recebeu alguma assistência religiosa e não teve atendimento psicológico.

Em nota, o Exército disse que as condições de custódia são definidas e fiscalizadas conforme orientação do STF, em respeito a "parâmetros de segurança, salubridade e dignidade da pessoa humana".

"Eventuais visitas e atendimentos de saúde, ressalvados os casos emergenciais, dependem de prévia autorização judicial", disse a Força. "A assistência religiosa, o acesso à leitura, as atividades laborais e as demais medidas observam estritamente a legislação e as decisões do juízo da execução penal, sendo aplicadas a todos sob custódia."

A Marinha e as defesas dos quatro militares não responderam aos questionamentos. A reportagem pediu às defesas para entrevistar os quatro generais. O advogado de Garnier disse que não há interesse. O de Heleno afirmou que o general não está disponível para entrevistas. Os demais não responderam.

"Em termos de localização, Braga Netto é o que está em pior condição. É longe e o deslocamento da esposa, que vive em Copacabana, e da família, em Niterói, é inseguro", diz o senador Mourão. O general afirma, no entanto, que as instalações oferecidas aos dois generais de Exército são boas, com quarto e sala e direito a horário de sol.

"Em algum momento, esse processo vai ser anulado, com ou sem anistia", diz o ex-vice-presidente. "Isso vai se dar por revisão no STF ou lei de anistia no Congresso. E diante de um Congresso mais à direita, o próprio presidente da República não vai bloquear isso."

Sem anistia, generais terão direito ao regime semiaberto a partir de 2031 ou 2032.
Por Vinicius Sassine/Folhapress

Com maior patrimônio entre presidenciáveis, Cury defende criar 10 mil 'clubes de empreendedorismo'

    Escritor, que vendeu empresas das áreas editorial e educacional, investe no agronegócio

O escritor Augusto Cury (Avante), 67, cogitou concorrer à Presidência em 2010, mas recuou por reação da família e projetos em andamento. Retomou a ideia agora dizendo acreditar que "pior do que a ação dos maus e dos que se corrompem é a omissão dos bons e daqueles que têm algo a contribuir".

Com 2% das intenções de voto, segundo última pesquisa Datafolha, candidata-se sob o preceito de que o Brasil está "sequestrado" pelas famílias de Lula e Bolsonaro.

"Essa polarização que envenenou a nação brasileira e o mundo também, onde as famílias estão divididas, onde os casais não dialogam sobre política. As pessoas pouco discutem grandes ideias e ficam encasteladas nas suas verdades", diz.

Foi a ausência dos candidatos à frente das pesquisas eleitorais, somada à descoberta de que Lula concederia entrevista à TV Record no mesmo horário, que causou revolta ao escritor, segundo ele, na frente da Band, minutos antes do primeiro debate com presidenciáveis, quando protagonizou um "vai-não vai". Por fim, decidiu participar falando "em respeito à democracia" e aos jornalistas.

Para a televisão, levou, ao estilo dos livros de autoajuda, frases de efeito, ao mencionar que professores "são cozinheiros do conhecimento, que não têm apetite em razão da intoxicação digital" e que "a vida é bela e breve como gota de orvalho".

Entre as suas propostas, destaca-se a defesa da criação de um Ministério do Empreendedorismo, com um "banco do empreendedor" oferecendo crédito de até R$ 20 mil a juros de 5% a 6% ao ano, e a implantação de 10 mil "clubes de empreendedorismo" em escolas, universidades e igrejas pelo país.

O Brasil já tem uma pasta federal com esse enfoque, criada em 2023 no governo Lula, o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, mas o plano de Cury não faz menção a essa estrutura já existente.

Dono de ao menos 14 propriedades rurais, segundo declarou à Justiça Eleitoral, define-se como um defensor do agronegócio. "Eu acho que eu sou o único candidato à Presidência do mundo que planta, que refloresta", afirma, citando plantações próprias de mogno africano, seringueira e eucalipto, além de projetos de citricultura e fruticultura.

O patrimônio total do candidato é de R$ 242.281.162,52, o maior entre os presidenciáveis. É reservado sobre a origem do valor: diz ter vendido, nos anos 2000, uma editora que fundou, por valor "dezenas de vezes" maior do que pagou por ela, negócio cujos recursos, afirma, foram reinvestidos no agronegócio. Diz ter fundado também empresas na área educacional, com mais de 400 mil alunos, depois vendidas.

"São vários projetos que vêm durante os anos. Eu não quero entrar muito detalhe, sou muito discreto nessa área. Eu não amo poder", diz.

Hoje se descreve como "o psiquiatra mais lido do mundo": diz ter vendido mais de 40 milhões de livros, publicados em 70 países. É autor da teoria da inteligência multifocal, método de gestão emocional criado por ele em 1999 — cinco psiquiatras ouvidos pela reportagem, de instituições como USP e Uerj, disseram não haver validação científica para a teoria.

Como prioridades, cita o fim da vitaliciedade de ministros do STF, com mandatos de oito anos; fim do presidencialismo em favor de um sistema com primeiro-ministro; adoção do voto distrital e fim da reeleição, que associa ao risco de perpetuação no poder e à corrupção.

"A reeleição promove a autoperpetuação no poder. Isso é seríssimo demais e flerta com a corrupção", diz.

Cita como urgências sociais o feminicídio e os 6,7 milhões de jovens brasileiros que não estudam nem trabalham — "a era da desesperança", diz. Também alerta para o que chama de "intoxicação digital" das redes sociais, fenômeno que associa à falta de esperança de jovens em todo o mundo.

"Eu quero olhar nos olhos do Mark Zuckerberg serissimamente e conversar com ele sobre o desastre que as redes sociais causaram nos pré-adolescentes".

Em um dos seus maiores sucessos comerciais, "O Vendedor de Sonhos: O Chamado" (2008), criticou o capitalismo e o que chamou de "miseráveis morando em palácios". Hoje, diz manter a crítica, mas defende que o capitalismo "precisa ser distribuído".

"O Brasil é viciado em rentismo, em juros. Deveria ser viciado em produção. É por isso que todo grande empresário deveria investir em bolsa de valores, novas empresas, em tecnologia, que é o que eu sempre fiz", diz.

Cury é casado, pai de três filhas, mora no interior de São Paulo, em cidade que mantém em sigilo por segurança.
Por Luana Lisboa/Folhapress

ACM Neto assina carta de compromisso com evangélicos e faz caminhada em Conquista

ACM Neto assinou uma carta-compromisso em encontro com evangélicos em Vitória da Conquista
Candidato ao Governo da Bahia, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União) está neste sábado (29) em Vitória da Conquista, onde teve uma reunião com evangélicos e assinou uma carta-compromisso com diretrizes que pretende defender e promover, caso seja eleito. Além disso, ele fez uma caminhada pelas ruas do centro ao lado da prefeita do município, Sheila Lemos (União), e de outras lideranças políticas.

A carta é um compromisso de intenções assegurando que os evangélicos serão ouvidos e terão condições de trabalho em um eventual futuro governo de ACM Neto. O ex-prefeito também leu um trecho do programa de governo garantindo que irá assegurar uma participação decisiva ao grupo na construção de políticas públicas em áreas como educação, cultura, direitos humanos, segurança pública e promoção da cidade, fortalecendo os vínculos comunitários e familiares.

Em um dos momentos do discurso, o ex-prefeito ficou com a voz embargada e quase chorou. "Tenho certeza que tudo vai valer a pena. Vai ser por um propósito maior. Que Deus possa abençoar a cada um de vocês, que todos tenhamos um sábado de luz, de paz e de muitas bençãos", declarou o candidato, ao lembrar das dificuldades impostas pela campanha eleitoral.

O encontro, chamado de "Café com Lideranças Evangélicas da Bahia", contou ainda com as presenças dos demais integrantes da chapa. Estiveram presentes o senador Angelo Coronel (Republicanos) e o ex-deputado federal João Roma (PL), postulantes ao Senado, e Zé Cocá (PP), candidato a vice-governador.

O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União), também participou do evento, assim como diversos políticos e lideranças evangélicas da Bahia, inclusive o presidente do Republicanos, deputado federal Márcio Marinho. Também estava presente o candidato a deputado estadual apoiado por Sheila Lemos, Wagner Alves (União), marido da prefeita.

Depois do evento evangélico, ACM Neto e a chapa majoritária participaram de uma caminhada pelas ruas da cidade. Conversou com comerciantes e com a população em geral, posando para fotografias. O ex-prefeito também ouviu palavras de carinho e de apoio.
Por Política Livre

PT de Ubatã oficializa apoio à candidatura de Marcel deputado estadual

Decisão foi anunciada durante encontro com o presidente municipal da legenda, José Mendes, e o vice-presidente Gilson

O Partido dos Trabalhadores de Ubatã oficializou apoio à candidatura de Marcel a deputado estadual. A decisão foi anunciada durante um encontro com o presidente municipal da legenda, José Mendes, e o vice-presidente Gilson, fortalecendo a construção de um projeto político comprometido com a representação regional.

Para as lideranças partidárias, Marcel reúne a experiência, a proximidade com a população e o conhecimento necessários para representar o Médio Rio das Contas na Assembleia Legislativa da Bahia. Filho da terra, ele mantém uma relação construída ao longo de mais de uma década de atuação profissional e empresarial na região.

Sua trajetória é marcada pela presença constante nos municípios, pela participação em eventos, projetos e encontros estratégicos e pela contribuição em iniciativas voltadas ao desenvolvimento do território.

“Marcel conhece de perto a realidade da nossa gente, está presente e já demonstrou empenho e dedicação pela região. É um nome preparado para defender os interesses de Ubatã e de todo o Médio Rio das Contas”, destacaram as lideranças.

Ao agradecer o apoio, Marcel reafirmou o compromisso de realizar uma campanha próxima das pessoas, baseada na escuta e na construção coletiva.

“Recebo esse apoio com muita alegria e responsabilidade. Ubatã faz parte da minha caminhada e terá uma voz presente, acessível e comprometida com o seu desenvolvimento. Vamos juntos trabalhar para que o nosso território tenha a representação que merece”, afirmou Marcel.

Presidente reúne o PIB brasileiro para uma conversa sobre economia

Entre os convidados estão o empresário Joesley Batista, da J&F; e os banqueiros André Esteves, do BTG Pactual; Milton Maluhy, presidente do Itaú Unibanco; e Luiz Carlos Trabuco, presidente do Conselho de Administração do Bradesco.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) marcou, para esta segunda-feira, um encontro com os principais nomes do empresariado e do sistema financeiro brasileiro em um jantar no Palácio da Alvorada. A reunião objetiva a abertura de um canal direto de diálogo entre o governo e representantes de peso do chamado PIB brasileiro.

Entre os convidados estão o empresário Joesley Batista, da J&F; e os banqueiros André Esteves, do BTG Pactual; Milton Maluhy, presidente do Itaú Unibanco; e Luiz Carlos Trabuco, presidente do Conselho de Administração do Bradesco. A conversa ocorre em um momento de intensificação do debate sobre os rumos da economia brasileira e permitirá a Lula apresentar diretamente ao setor privado sua visão para o próximo ciclo de desenvolvimento do país.

Empresariado

A realização do jantar reforça a estratégia de interlocução do presidente com diferentes segmentos da economia. Lula tem defendido uma política econômica baseada na combinação entre responsabilidade fiscal, crescimento, investimentos públicos e privados, reindustrialização e aumento da renda dos trabalhadores.

O presidente também vem afirmando que pretende transformar o Brasil em uma das economias mais ricas e poderosas do mundo, com maior investimento em ciência e tecnologia e agregação de valor aos recursos naturais brasileiros.

Nesse contexto, a participação dos grandes empresários é considerada fundamental para ampliar investimentos e acelerar projetos estratégicos.

Alvorada

A presença de André Esteves, Milton Maluhy e Luiz Carlos Trabuco dará ao encontro um peso especial no diálogo entre o governo e o sistema financeiro, em um momento em que as dívidas tomam a maior parte dos rendimentos de mais de 80% das famílias brasileiras, em um ambiente no qual os juros estratosféricos consomem a sobrevivência das pessoas.

Os três estão entre os nomes mais relevantes do setor bancário brasileiro e deverão ter a oportunidade de discutir diretamente com Lula temas relacionados à conjuntura econômica, crédito, investimentos e perspectivas para o país. Esteves, Maluhy e Trabuco também participaram recentemente de um encontro com Flávio Bolsonaro, ou filho ’01’ como também é conhecido o candidato do PL à Presidência da República.

O jantar no Alvorada, no entanto, integra a interlocução institucional de Lula com líderes empresariais e financeiros e deverá ter como foco as perspectivas econômicas e os desafios do Brasil.

Por Redação, com Reuters – de Brasília

Com mais de 600 mortos, Nepal diz precisar de bilhões de dólares para reconstrução sábado,

O ministro das Finanças do Nepal, Swarnim Wagle, disse neste sábado (29) que o país pode precisar de US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões para se reconstruir após as enchentes desta semana, um custo equivalente a quase um décimo da economia do país.

"Esta é apenas uma estimativa", afirmou Wagle à agência de notícias Reuters. "Precisaremos de muito menos do que foi necessário após o terremoto de 2015. As perdas e os danos estão sendo avaliados."

O número de mortos após o deslizamento de terra no norte do Nepal, na fronteira com a região do Tibete, na China, subiu para 616, informou a polícia nepalesa neste sábado (29). Pequim havia informado anteriormente sobre sete mortes em seu território, elevando o total da catástrofe para pelo menos 623 mortos.

Quase 3.000 pessoas continuam desaparecidas -cerca de 2.426 no Nepal e pelo menos 554 no condado de Gyirong, no Tibete, incluindo pelo menos 540 estrangeiros, muitos deles peregrinos hindus vindos da Índia.

O ministro das Finanças não explicou por que se espera que o custo da reconstrução seja inferior aos US$ 9 bilhões gastos após o terremoto de magnitude 7,8 de 2015, o pior desastre já registrado no Nepal. O terremoto matou quase 9.000 pessoas, destruiu mais de 500 mil residências e causou prejuízos estimados em cerca de um terço da economia nepalesa.

Ainda assim, as enchentes de quarta-feira (29) representarão um prejuízo para uma economia dependente de remessas de trabalhadores no exterior, do turismo e da energia hidrelétrica, ao danificar projetos de geração que respondem por mais de 12% da capacidade nacional.

O Nepal suspendeu as operações de busca e resgate neste sábado devido ao mau tempo e afirmou precisar de ajuda técnica estrangeira para lidar com a enchente devastadora.

"As operações de busca e resgate foram temporariamente interrompidas porque está chovendo e o tempo está com neblina", disse à Reuters Narendra Pariyar, principal autoridade administrativa do distrito de Rasuwa.

Autoridades disseram que alguns corpos recuperados agora estavam em processo de decomposição a ponto de não poderem ser reconhecidos. Eles serão sepultados após o cumprimento das formalidades legais, devido aos riscos à saúde e ao temor de epidemias.

"Serão coletadas amostras de DNA, e os corpos serão sepultados em um espaço aberto", informou a administração do distrito de Chitwan em um comunicado.

O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, disse que o país não precisa de ajuda nas operações de busca e resgate, mas de apoio técnico.

Dentre as necessidades, estão assistência para retirar pessoas presas em túneis, restabelecer as ligações de transporte e comunicação em locais onde pontes foram destruídas, identificar os mortos, realizar testes de DNA e armazenar corpos por períodos mais longos.

"Já fizemos pedidos por esses serviços especializados e por assistência técnica em áreas nas quais não temos experiência e conhecimento técnico suficientes", disse.

Por Folhapress

Lídice critica nudez de jovens em ato de Neto e contrapõe: “Jerônimo trouxe Lula e propostas para a Bahia”

        Mulheres seminuas, com os corpos pintados nas cores da campanha de ACM Neto
A deputada federal Lídice da Mata (PSB) criticou a presença de duas jovens seminuas, com os corpos pintados nas cores da campanha de ACM Neto, em um carro de som que acompanhou a passeata promovida pelo candidato do União Brasil ao Governo da Bahia.

Para a parlamentar, a política precisa ser tratada com seriedade e não cabe a exploração da nudez de jovens como instrumento para chamar a atenção do público. “O povo quer saber de propostas, de projetos e de ações que possam melhorar efetivamente a sua vida”, afirmou.

Lídice ressaltou que o episódio representa também um desrespeito às mulheres e uma redução do seu papel na vida política. “Temos pautas importantes que precisam ser discutidas e resolvidas, como o feminicídio, e ações desta natureza, que apenas sexualizam as mulheres, contribuem para o agravamento do problema”, declarou.

A deputada defendeu que a campanha eleitoral deve ser um espaço de debate sobre os desafios reais da Bahia, com discussão de políticas públicas capazes de promover emprego, renda, educação, saúde, segurança e oportunidades para a população.

Lídice contrapôs o episódio ao que classificou como uma grande demonstração de mobilização política durante a passeata de Jerônimo Rodrigues (PT) no bairro da Liberdade, em Salvador, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo a parlamentar, o ato reuniu uma multidão em torno de um projeto político comprometido com o futuro da Bahia e com propostas concretas para ampliar o desenvolvimento social e econômico do estado.

“A presença de Lula reforça essa parceria com Jerônimo e o compromisso de continuar trabalhando pela Bahia. É com diálogo, propostas e ações concretas que se constrói uma campanha e se responde ao que a população realmente espera dos seus governantes”, concluiu Lídice.

Politica livre

Campanhas miram combate às bets de olho nas pesquisas e com discurso de proteção ao bolso do eleitor

Estratégia aparece em entrevistas e planos de governo de candidatos ao governo de São Paulo e à Presidência da República

Logo no início das campanhas eleitorais, as bets ganharam espaço nos discursos dos candidatos e capítulo nos planos de governo. A estratégia tem servido ao propósito de marcar posição diante de um fenômeno que aparece com destaque negativo em pesquisas de opinião e de confortar as inseguranças financeiras dos eleitores.

As propostas mais radicais, como a de proibição geral das casas de apostas, costumam vir desacompanhadas de explicações sobre viabilidade ou efeito prático, e por isso são consideradas populistas pelo mercado de apostas.

Mas esse tipo de postura eleitoral tem um respaldo técnico. As casas de apostas são mencionadas em pesquisas sobre o eleitorado como nocivas e fortemente associadas ao endividamento, o que obrigou o tema a ganhar prioridade na agenda dos candidatos.

Apontadas como vilãs da renda, as bets retiraram R$ 62,5 bilhões das famílias brasileiras em 2025, segundo o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados (Comsefaz). A PF também tem feito operações que vinculam empresas a crimes como lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Nesta sexta-feira, 28, o Ministério Público Federal e a Receita Federal deflagraram a Operação Jogo de Sombras para desarticular um suposto esquema ligado ao grupo empresarial NSX, responsável por sites de apostas esportivas como Betnacional, Mr. Jackbet e PagBet.

As sondagens eleitorais têm indicado que não demarcar distância das empresas de apostas pode prejudicar na corrida por votos. A pesquisa Latam Pulse Brasil, elaborada pela AtlasIntel, indicou que 86,7% dos brasileiros enxergam as apostas online como nocivas à sociedade. E nesse grupo 63,2% afirmam que a atividade traz “somente prejuízos”, enquanto 23,5% entendem haver “mais prejuízos do que benefícios”.

A percepção negativa em alguma medida se converte para as campanhas. E os eleitores atribuem uma parte das responsabilidades aos candidatos. Uma pesquisa da More in Common em parceria com a Ipsos-Ipec apontou que 33% dos brasileiros acham que o governo Lula e o governo Bolsonaro são igualmente responsáveis pelo aumento das bets.

Já 18% dizem que a culpa é “mais de Lula”, contra 4% que apontam que é “mais de Bolsonaro”. A pesquisa mostrou também que 24% dos entrevistados disseram que teriam mais vontade de votar em um candidato que defende restringir bets.

Uma das conclusões da pesquisa foi a de que, do ponto de vista meramente político-eleitoral, Jair Bolsonaro (PL) acertou ao não encaminhar a regulação das bets. Uma lei de 2018, no governo de Michel Temer (MDB), legalizou as apostas online. A regulamentação só foi aprovada no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2023. Nesse intervalo, as bets se popularizaram sem obrigações e sem recolher impostos.

A disputa de “batata quente” apareceu na campanha de São Paulo. Candidato à reeleição ao Palácio dos Bandeirantes, Tarcísio de Freitas (Republicanos) responsabilizou o adversário, o ex-ministro Fernando Haddad (PT), pelo alastramento das bets.

“As pessoas estão endividadas, estão gastando o seu dinheirinho com as bets, que foram regulamentadas aí no governo Lula, pelo Haddad”, afirmou, em sabatina da Jovem Pan News.

Haddad devolveu a responsabilidade. “O governo Bolsonaro, do qual o atual governador Tarcísio de Freitas fazia parte, não estava nem aí pra saber o que estava acontecendo. Quem botou a mão na ‘cumbuca’ foi eu, como ministro da Fazenda. Quando eu vi o tamanho do buraco, eu já chamei de epidemia e disse: ‘é melhor proibir’. Não tem arrecadação que justifique o estrago que isso faz para a sociedade”, disse na sabatina à mesma emissora.

Para o coordenador do Centro de Estudos de Microfinanças e Inclusão Financeira da FGV, Lauro Gonzalez, as bets entraram firme na agenda eleitoral porque se tornaram um fenômeno com tamanho impossível de ser ignorado.

Além disso, elas têm potencial de impactar a percepção geral sobre índices macroeconômicos que alcançaram patamares positivos, como crescimento real da renda e baixo desemprego.

“Uma série de analistas, eu inclusive, têm se surpreendido com o fato de os bons indicadores macroeconômicos do País não estarem apontando uma aprovação do governo maior do que a que tem. E nesse cenário duas coisas vêm à tona: superendividamento e bets. Não são a única explicação, mas minha percepção é que esses dois fatores jogam areia em dados positivos”, comentou.

Gonzalez destaca que o impacto das bets cresce em complexidade porque o endividamento é pior para as famílias com faixa de renda mais baixa. “Na baixa renda, a renda disponível é muito mais importante do que a renda bruta. E o endividamento e as bets drenam parcela da renda desse segmento”, frisou.

Todos os principais candidatos passaram a defender a proibição total ou pelo menos maiores restrições ao funcionamento das bets. A postura é criticada por representantes do mercado de empresas de apostas por classificarem a proposta como populista, que despreza possíveis efeitos negativos. Seria acabar com a oferta de serviços de empresas regulares, desconsiderando que existe uma sólida demanda, alegam.

O argumento do setor é o de que uma proibição levaria milhões de apostadores para o mercado ilegal, que não segue as regras da regulação e não recolhe impostos. Em 2025, o primeiro ano de funcionamento do mercado regulado de bets, o governo arrecadou delas cerca de R$ 9 bilhões.

O que os principais candidatos falam sobre bets

Com a proximidade do período eleitoral, o presidente Lula, candidato à reeleição, passou a subir o tom contra as bets. O petista tem defendido acabar com as empresas de apostas. “Se ninguém me mostrar uma razão social dessas bets continuarem, nós temos que acabar com elas”, disse, em entrevista no último dia 14.

O senador Flávio Bolsonaro (PL), principal concorrente de Lula, é o único que evita falar abertamente sobre o tema, mas a campanha dele defende restrições.

“Ainda não tem uma posição definida sobre a proibição total, mas tem (posição) sobre a regulamentação ser revisitada e ser realmente uma regulamentação que proteja as famílias brasileiras”, afirmou o candidato a vice, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL). “Eu, pessoalmente, acho que nós temos que dar um freio de arrumação absoluto nisso.”

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que as bets estão “empobrecendo” as pessoas. Ele não fala em proibição das empresas, mas promete “mão pesada” e duras restrições às propagandas. “As pessoas não têm dinheiro nem para cesta básica, tamanha essa dependência do jogo”, declarou durante o evento com o setor comercial, no dia 18.

O candidato Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, tem afirmado que acabar com as bets será seu primeiro ato de governo, se eleito. A medida, entretanto, depende do Congresso.

“É uma praga, é um câncer que nós temos hoje dentro do Brasil”, afirmou o presidenciável, na semana passada.

O candidato Renan Santos (Missão) disse que, embora tenha sido um liberal na forma de ver a economia, pretende interferir nas bets. Ele promete

“Garanto para você, vou acabar com as bets, absolutamente todas. O brasileiro está gastando dinheiro com besteira, e essas empresas estão sendo usadas para lavar dinheiro”, disse em vídeo nas redes sociais gravado em frente a endereço da Pixbet, empresa da Paraíba alvo de operação da Polícia Federal por suspeita de evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
Por Vinícius Valfré/Estadão

EUA firmam acordo com Venezuela e controlarão 65 bilhões de barris de petróleo, afirma Trump

                       Presidente anunciou o acordo em publicação na rede social Truth Socia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (28) que o país firmou um acordo petrolífero com a Venezuela.

"Por minha orientação, o secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário da Guerra, Pete Hegseth, trabalhando em estreita colaboração com a respeitadíssima presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e por meio de uma parceria com a iniciativa privada, garantiram o controle majoritário dos EUA sobre mais de 65 BILHÕES DE BARRIS de reservas comprovadas de petróleo na Venezuela, sem nenhum custo para o contribuinte americano", escreveu Trump na Truth Social.

Trump disse que o acordo mais do que dobraria as reservas de petróleo dos Estados Unidos. Também pelas redes sociais, Rubio afirmou que o acordo demonstra que a política externa do governo Trump serve para garantir reservas estáveis, petróleo de baixo custo no hemisfério e reduzindo "os preços da gasolina aqui em casa".

"Para o povo venezuelano, este acordo trará quase US$ 100 bilhões em investimentos privados, apoiará milhares de empregos bem remunerados e impulsionará a reconstrução da economia da Venezuela", afirmou ele.

Na quinta-feira (27), o site Axios já havia revelado que o governo Trump negociava com a gestão interina de Delcy Rodríguez uma participação americana em campos de petróleo venezuelanos. Segundo a reportagem, as conversas envolviam mais de uma dúzia de campos, com cerca de 90 bilhões de barris em reservas comprovadas, e eram lideradas por Rubio e Delcy.

A dimensão do acordo ganha relevância diante do tamanho das reservas venezuelanas. Segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA, na sigla em inglês), a Venezuela tinha cerca de 303 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo em 2023, o equivalente a aproximadamente 17% das reservas mundiais e o maior volume de qualquer país.

A abundância de petróleo no subsolo, porém, contrasta com a capacidade de produção do país. Apesar de concentrar 17% das reservas globais, a Venezuela respondia por apenas 0,8% da produção mundial em 2023.

Grande parte das reservas está na Faixa do Orinoco e é composta por petróleo extrapesado, cuja extração exige maior capacidade técnica e investimentos. Segundo a EIA, sanções internacionais, restrições orçamentárias da estatal PDVSA, falta de profissionais qualificados e baixo investimento estrangeiro também prejudicaram o desenvolvimento da indústria de petróleo e gás venezuelana.

Desde que os EUA capturaram e retiraram do poder o ditador Nicolás Maduro, em janeiro, Washington vem tentando garantir um fluxo estável de petróleo bruto venezuelano para as refinarias americanas.

Ao mesmo tempo, também promove investimentos dos EUA na deteriorada indústria energética venezuelana, que atualmente produz cerca de 1,25 milhão de barris de petróleo bruto por dia.

O governo Trump está sob pressão diante das eleições de meio de mandato em novembro, por causa da alta dos preços da gasolina, que poderia ser atenuada com o fornecimento de petróleo mais barato e o aumento da produção.

Os EUA também vêm buscando soluções para recompor sua reserva estratégica, incluindo a possibilidade de realizar permutas de petróleo bruto com produtores americanos.
Por Folhapress

Mendonça não vê margem para trégua com PF no caso Lulinha, e Fachin tenta evitar escalada da crise

Ministro se queixa de demora da PF na investigação, e corporação reclama de interferência indevida

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), sinalizou a auxiliares que não vê margem para uma trégua com a Polícia Federal nas tensões que envolvem os inquéritos contra o empresário Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha.

A situação tem preocupado o presidente da corte, Edson Fachin, que articula um modo de evitar o agravamento da crise. A interlocutores ele disse que é seu dever preservar as instituições e, com discrição, tentar dialogar com todos os envolvidos.

O assunto mobilizou os bastidores do Supremo ao longo desta semana, em um cenário classificado por um magistrado aliado de Mendonça como "um corre-corre para baixar a temperatura".

Mendonça se queixa da demora da PF em apurações sobre as fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e vê uma tentativa de impedir que elas avancem sobre aliados e familiares do presidente Lula (PT), candidato à reeleição em 2026.

Já a corporação vê intromissões do relator na sua autonomia para conduzir os trabalhos, ao determinar, por exemplo, que qualquer mudança na equipe de investigadores lhe seja comunicada de antemão.

Integrantes da cúpula da PF afirmam que o pedido de abertura de três frentes de investigação contra Lulinha e uma operação policial contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) —no caso do Banco Master— demonstram que não há uso político das apurações.

Também dizem que Mendonça levou menos tempo para autorizar diligências contra Wagner do que contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, como o presidente do PP Ciro Nogueira e o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro.

Fachin se reuniu na semana passada com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, em reuniões descritas por um interlocutor como "audiências para aparar arestas".

Nos dias seguintes, contudo, cresceu o receio de que Mendonça pudesse proferir decisões drásticas, aptas a ampliar a erosão interna que já predomina no STF pelo menos desde o início do ano.

Um ministro chegou a alertar Fachin sobre a possibilidade de Mendonça estar sendo influenciado pelos delegados da PF que estão lotados em seu gabinete, e que são críticos da postura de Andrei como diretor-geral.

O relator da Operação Sem Desconto, por outro lado, afirma a pessoas próximas que atua com cautela e independência e que seu objetivo principal é garantir a integridade das investigações, respeitando o devido processo legal.

A mobilização de Fachin continuou nesta semana, quando ele se encontrou novamente com Lima e Silva e com o ministro-chefe da AGU (Advocacia-Geral da União), Jorge Messias, para tratar do assunto, mas não houve encaminhamentos concretos.

No início de agosto, Messias intermediou uma audiência entre Mendonça e o ministro da Justiça, que se dispôs a atuar como ponte para a recomposição da relação. Na ocasião, o magistrado do STF se mostrou disposto a isso, mas agora tem dito não ver mais espaço.

O entorno de Messias avalia que, devido ao perfil conciliador e republicano de Fachin, o presidente do Supremo pode ser um bom intermediador na busca de uma solução para esses conflitos.

O filho do presidente Lula (PT) é suspeito de cometer tráfico de influência no âmbito do governo. A defesa dele afirma que setores bolsonaristas da PF apresentaram um "quebra-cabeças de ilações" para tentar prejudicar a campanha do seu pai à reeleição.

Os atritos entre Mendonça e o diretor-geral da PF vêm desde o início das apurações da Operação Sem Desconto. Mendonça reclamou, por exemplo, de mudanças feitas na equipe e na estrutura da investigação sem o seu conhecimento prévio.

Uma troca na coordenação dos inquéritos, que levou a uma mudança dos delegados responsáveis, desagradou o ministro, assim como a saída de um perito e supostos atrasos na juntada de materiais resultantes de ordens de quebra de sigilo.

O magistrado decidiu determinar que todos os atos da investigação sejam imediatamente anexados pela PF ao processo que tramita em seu gabinete, o que incomodou a cúpula da PF.

Os 27 superintendentes lançaram uma nota em apoio ao diretor-geral, afirmando ser "indispensável a preservação da independência técnica das investigações e da autonomia necessária à gestão eficiente de seus recursos e prioridades".

Andrei também pediu que a AGU entre em cena para impedir as medidas ordenadas por Mendonça, por entender que elas representam uma intromissão do magistrado e uma violação à autonomia e à independência da corporação.

Messias, no entanto, resiste a apresentar um recurso formal em nome da PF contra a decisão de Mendonça. O advogado-geral avalia, segundo um auxiliar, que a saída para o atrito não passa por um ato jurídico, mas por uma construção política.

Nesta sexta-feira (28), o diretor-geral da PF disse que "a atuação técnica, imparcial e livre de qualquer viés político é o que nos permite defender a instituição de qualquer ataque, não importa de onde venha". Ele não citou Mendonça.

Em entrevista à TV Globo na quinta (27), Lula disse que as investigações sobre tráfico de influência são "ilações tiradas de telefonemas", mas que Lulinha precisa se defender. Afirmou, ainda, que não haverá interferências do seu governo para blindar o filho.
Por Luísa Martins/Catia Seabra/Ana Pompeu/Folhapress

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