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Fachin suspende decisões de Dino e Mendonça sobre chefia da PF e investigações sobre ministros

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Edson Fachin
                    Troca de liminares dos últimos dias ampliou tensão e expôs disputa inédita na corte

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Edson Fachin, decidiu nesta quarta-feira (9) suspender as decisões dos ministros André Mendonça e Flávio Dino sobre o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Fachin afirmou que Moraes e Mendonça estavam deliberando sobre questões correlatas, com base em provas comuns, o que evidencia "risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual".

A decisão ocorreu depois de Flávio Dino determinar a recondução de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal (PF). Ele foi afastado do cargo por Mendonça na terça (8). Na mesma data, o próprio Fachin havia dado 72 horas para o relator se manifestar, mas Dino o atravessou em outra ação.

Fachin despachou no pedido da AGU (Advocacia-Geral da União), que tenta reverter o afastamento do chefe da PF. Já Dino respondeu a pedido de Andrei na investigação sobre as suspeitas de irregularidades em emendas relacionadas à produção do filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro (PL).

Fachin reuniu auxiliares na tarde de domingo (6) para tratar do conflito. O encontro com assessores mais próximos foi chamado para articular o caminho e a forma com a qual o presidente do Supremo deverá dirigir o momento inédito.

Nos últimos dias, a crise escalou ainda mais, com uma troca de liminares —decisões provisórias— em que os magistrados desautorizam decisões anteriores de colegas e as do próprio presidente.

No fim da manhã, Fachin cancelou a sessão plenária prevista para a tarde, que julgaria processos da pauta ordinária da corte. Na terça (8), Luiz Fux também cancelou a sessão da Segunda Turma da corte, depois de o colegiado começar a julgar remotamente a manutenção de Andrei Rodrigues na chefia da PF.

O Supremo vive a maior crise da sua história recente desde a revelação das mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Moraes, nas quais o ex-dono do Master pede informações sobre o andamento do processo contra o banco, além de encontros e, inclusive, questiona se deveria fugir do país.
Por Luísa Martins/Ana Pompeu/Folhapress

Fachin cancela sessão do STF de forma inédita em meio a crise Por Mônica Bergamo/Folhapress

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, cancelou a sessão desta quarta (9) em meio à profunda crise que atinge a Corte.

A decisão foi tomada depois que o ministro Flávio Dino decidiu pela reintegração de Andrei Rodrigues no cargo de diretor-geral da PF (Polícia Federl). Ele havia sido afastado por André Mendonça.

O cancelamento foi considerado atípico e inédito desde a redemocratização.

Um dos assessores do STF afirmou à coluna que, em 27 anos acompanhando os trabalhos da Corte, nunca tinha visto isso acontecer. Um magistrado também diz que não se recorda de fato semelhante.

As sessões das quartas e quintas-feiras só não ocorrem em feriados ou datas específicas ou nos recessos.

A pauta incluía uma ação que discutiria a contribuição previdenciária do Funrural, que contempla trabalhadores da área rural.

O assunto tinha potencial de divergência, o que poderia gerar uma nova crise no plenário.

Desde que o ministro André Mendonça divulgou um relatório policial que mostrava as relações de Alexandre de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o clima se tornou tenso.

Em represália, Moraes divulgou um relatório de inteligência da PF que mostrava uma suposta parcialidade de Mendonça na condução dos casos do INSS e do Banco Master.

Mendonça reagiu afastando o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues do cargo.

Numa nova reação, o ministro Flávio Dino determinou que o presidente Lula reintegrasse Rodrigues no cargo.

Por Mônica Bergamo/Folhapress

STF valida criação de cargos comissionados para assistência técnica a juízes do TJ-BA Por Redação

O Supremo Tribunal Federal (STF) manteve a validade da lei que criou o cargo comissionado de Assistente Técnico de Juiz no Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). A decisão foi tomada no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 7904, apresentada pela Rede Sustentabilidade contra a Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) e o governador do Estado.

A ação questionava a Lei Estadual nº 14.958/2025, responsável por instituir uma função de livre nomeação e exoneração destinada ao apoio dos magistrados de primeiro grau. Para a Rede, as atividades previstas teriam natureza predominantemente técnica e burocrática, devendo ser desempenhadas por servidores efetivos admitidos por concurso público.

O partido também argumentou que a participação de servidores comissionados na elaboração de minutas poderia comprometer a independência e a imparcialidade do Poder Judiciário, diante da ausência de estabilidade funcional.

Os ministros, entretanto, concluíram que o modelo adotado pela Bahia atende aos critérios constitucionais definidos pelo próprio STF para a criação de cargos em comissão. Com isso, a ação foi julgada improcedente.

Na avaliação da Corte, as atribuições correspondem ao assessoramento direto do magistrado e pressupõem uma relação de confiança. O Tribunal considerou ainda que as funções estão descritas de maneira objetiva na legislação e que existe proporcionalidade entre a quantidade de cargos comissionados criados e o número de servidores efetivos do Judiciário baiano.

Outro ponto analisado foi a elaboração de minutas de decisões. Conforme o entendimento firmado, o documento preparado pelo assistente possui caráter de rascunho e não representa uma decisão judicial. A responsabilidade pelo conteúdo e pela assinatura do ato permanece exclusivamente com o juiz.

O STF também ressaltou que a independência judicial decorre das garantias constitucionais atribuídas aos magistrados, como vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de subsídio, e não da estabilidade dos profissionais que prestam apoio ao exercício da jurisdição.

Instituído em julho de 2025, o cargo de Assistente Técnico de Juiz deve ser ocupado por bacharéis em Direito. A indicação é realizada pelo respectivo magistrado, enquanto a nomeação depende de ato do presidente do TJ-BA.

Entre as atribuições estão a realização de pesquisas sobre legislação, doutrina e jurisprudência; o apoio no uso de sistemas de informação; o acompanhamento de metas de gestão processual; e a verificação dos atos preparatórios para audiências e outros procedimentos.

Os profissionais também podem executar atividades de apoio direto à prestação jurisdicional, inclusive sob o acompanhamento do assessor do magistrado.

Atualmente, o TJ-BA registra 446 servidores ativos designados para a função. A remuneração mensal prevista é de aproximadamente R$ 6.899,22, considerando vencimento básico de R$ 1.547,61, gratificação por Condição Especial de Trabalho no mesmo valor, auxílio-alimentação de R$ 2,2 mil e auxílio-saúde de até R$ 1.604.

OAB-SP e 25 entidades lançam manifesto por reforma do Judiciário

A OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo) e outras 25 entidades lançaram um manifesto em defesa de uma reforma do Judiciário. O documento defende a apuração transparente dos episódios recentes envolvendo o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

As entidades pedem pela criação de um código de conduta para magistrados, mandato para ministros e limites para decisões monocráticas e julgamentos virtuais com o argumento que os recentes episódios "em especial no Supremo Tribunal Federal", colocam as instituições em risco.

O manifesto, intitulado "Em Defesa da Justiça e pela Reforma do Judiciário", afirma que cabe ao plenário do STF, em uma discussão "livre, pública e presencial", examinar suspeitas e acusações existentes. Também defende que autoridades suspeitas, acusadas ou diretamente interessadas sejam afastadas do processo decisório.

"Fortalecer o Supremo significa preservar sua autoridade por meio da transparência e da confiança pública. É disso que o Brasil precisa agora", diz o manifesto.

 

CONFIRA A LISTA DOS SIGNATÁRIOS:

  • Ordem dos Advogados do Brasil Seção São Paulo (OAB SP)
  • Ordem dos Advogados do Brasil Seção Rio de Janeiro (OAB RJ)
  • Ordem dos Advogados do Brasil Seção Paraná (OAB PR)
  • União Nacional dos Estudantes (UNE)
  • Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD)
  • Comissão Arns
  • Transparência Brasil
  • Educafro
  • Associação dos Advogados de São Paulo (AASP)
  • Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP)
  • Sindicato das Sociedades de Advogados de São Paulo e Rio de Janeiro (SINSA)
  • Movimento de Defesa da Advocacia (MDA)
  • Federação Nacional dos Institutos dos Advogados do Brasil (FENIA)
  • Centro de Estudos das Sociedades de Advogados (CESA)
  • Movimento Ninguém Acima da Lei
  • Associação Brasileira de Direito Financeiro (ABDF)
  • Academia Brasileira de Educação
  • Academia Carioca de Letras
  • Centro Acadêmico XVI de Abril – Direito PUC-Campinas
  • Centro Acadêmico João Mendes Júnior - Mackenzie
  • Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT)
  • Centro Acadêmico 22 de Agosto - PUC-SP
  • Associação Comercial de São Paulo (ACSP)
  • Confederação Nacional de Serviços (CNS)
  • Sindicato do Comércio Varejista de Autopeças do Estado de São Paulo (Sincopeças-SP)
  • Confederação das Associações Comerciais do Brasil (CACB)

Crise no STF reflete politização da corte e problema estrutural, dizem especialistas Por Leonardo Fuhrmann/Folhapress

A sequência de desgastes que levou o STF (Supremo Tribunal Federal) a chegar à "mais aguda crise de sua história, conforme dito em carta por ex-presidentes da corte, vem de anos e reflete uma estrutura que ficou disfuncional, na opinião de especialistas ouvidos pela Folha.

A escalada inclui bate-bocas públicos entre ministros, ameaças e uma crescente entrada no campo político, inclusive como uma espécie de poder moderador. Na última semana, pela primeira vez dois ministros —André Mendonça e Alexandre de Moraes— trocaram pedidos de investigações criminais.

Pesquisas de opinião mostram uma perda de credibilidade do tribunal diante da sociedade. Em agosto de 2012, segundo o Datafolha, 51% da população "confiava um pouco" na corte, 16% "confiavam muito" e 32% "não confiavam". Em março deste ano, 43% "não confiavam", 38% "confiavam um pouco" e os mesmos 16% "confiavam muito".

O professor Rubens Glezer, da FGV (Fundação Getúlio Vargas), considera que a crescente politização sujeitou o tribunal a alguns defeitos que eram mais comuns nos outros Poderes. "Foram levados ao STF o patrimonialismo, a informalidade, a desinstitucionalização e, ao que parece, a corrupção", observa.

"Temos um modelo institucional de democracia de consenso, que demanda autoridades com alto poder de coordenação. No modelo de 1988, estes poderes estavam desenhados nas mãos do presidente da República, mas que foram excessivamente fragilizados, o que desorganizou o ambiente político."

Ele considera que a atual crise institucional abre espaço para uma alteração no modelo de indicação dos futuros ministros. "Parece ser o caso de uma reforma mais profunda, porque estamos falando de problemas estruturais, que podem ser acentuados ou mitigados conforme o perfil dos ministros, mas que não vão sumir se ficarmos apenas nas questões pontuais", afirma.

O professor acredita que é o caso de restrinsgir os poderes não só do tribunal em si, mas principalmente individual dos ministros.

Pesquisador da Câmara dos Deputados, com produção voltada às relações entre Legislativo e Judiciário, o advogado e cientista social Julio Benchimol Pinto afirma que a situação atual mostra uma deficiência estrutural.

"O Supremo acumulou, em determinadas investigações, poderes extraordinários no relator: decide diligências, controla sigilo, recebe informações policiais e julga os efeitos das próprias decisões. Enquanto isso atingia terceiros, discutíamos abstratamente os limites do modelo. Agora, como atinge os próprios ministros, ficou impossível esconder o problema", diz.

Benchimol acredita que um código de ética precisa regular conflitos de interesse, deveres de transparência, presentes, viagens, participação em eventos patrocinados, relações com grandes litigantes, atividades econômicas e situações envolvendo escritórios de parentes. "Precisa existir é transparência muito maior e impedimento objetivo quando houver conflito nos casos em que algum familiar advogue na corte", afirma.

Pós-doutora em democracia e direitos humanos pela Universidade de Coimbra (Portugal), a advogada e pesquisadora Damares Medina afirma que o STF é nos últimos anos um Poder chamado para mediar conflitos entre os demais Poderes, mas não tem força nem mesmo para fazer valer as suas decisões.

Ela cita como exemplo as reuniões do ministro Flávio Dino com os presidentes da Câmara e do Senado sobre emendas parlamentares e a criação da comissão de conciliação pelo ministro Gilmar Mendes para discutir o marco temporal na demarcação de terras indígenas, depois de o STF ter considerado a lei inconstitucional, em 2023.

Para o professor de pós-graduação da Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos) Lênio Streck, uma das consequências da crise é a perda de parte do capital institucional do Supremo, principalmente na redução de sua autoridade política e simbólica. Ele vê uma situação preocupante para a institucionalidade.

"Criticar o Supremo virou uma espécie de esporte praticado por grupos políticos dos mais variados gostos. Aqueles que já atacavam o tribunal por sua atuação nos processos relacionados ao 8 de Janeiro agora encontram novos argumentos e elevam o tom", diz.

Streck também vê a crise atual como prejudicial ao governo Lula porque "fornece munição à oposição e desgasta instituições e autoridades associadas ao atual arranjo de poder". "Se esses elementos já existiam desde março e foram divulgados justamente durante o processo eleitoral, o problema se torna ainda mais grave", afirma, embora destaque que não é possível afirmar, sem provas, que a divulgação tenha sido determinada por uma finalidade eleitoral.

Para o professor Álvaro Palma de Jorge, da FGV-RJ, os magistrados precisam estar atentos para a necessidade de mudanças, especialmente em relação a decisões individuais. "Os ministros precisam entender que o tribunal é maior do que eles são individualmente e não podem se fechar em um pacto suicida", diz.

Ele aponta que, em diferentes graus, a crise das cortes supremas se repete em outros países, como os Estados Unidos e a Alemanha. "O México tomou uma solução bastante radical que foi a eleição direta para juízes, inclusive de sua mais alta corte", cita.

Mesmo que os ministros percam alguns poderes, o professor-associado do Insper Ivar Hartmann não acredita que eles terão suas prerrogativas ameaçadas, em especial com relação a decisões monocráticas. "O descrédito não é uma situação inédita dentro do Supremo, já experimentamos outras situações semelhantes com outros personagens nos últimos 20 anos", diz.

"Diferentemente do Congresso e do Executivo, o tribunal não tem uma eleição direta que serve como uma válvula de escape da insatisfação popular com seus integrantes."

Por Leonardo Fuhrmann/Folhapress

STF tem maioria para manter diretor-geral da PF afastado, mas Gilmar suspende julgamento


Em menos de dez minutos após a abertura da sessão virtual, os ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux votaram para acompanhar Mendonça, em um indicativo de que o relator dos casos Master e INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) tem apoio suficiente no colegiado.

O pedido de vista —mais tempo para analisar o processo— de Gilmar tem prazo de 90 dias, mas não muda o efeito prático da decisão de Mendonça. Com isso, segue válida a decisão cautelar que afastou tanto Rodrigues o diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada.

A justificativa principal do afastamento de ambos foi um relatório interno produzido pela PF e utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes para pedir uma investigação contra o próprio Mendonça, por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.

O relatório aponta que Mendonça teria agido para direcionar as investigações contra Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), "com quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos".

A alegação de abuso de autoridade ocorreu depois que Mendonça tornou públicas apurações da PF que identificaram Moraes como interlocutor do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O relator sinalizou disposição para levar ao plenário a possibilidade de abir uma investigação formal contra o colega.

Por Raquel Lopes e Luísa Martins/Folhapress

Mendonça libera para julgamento relatório da PF que aponta elo entre Moraes e Vorcaro

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), liberou para julgamento o relatório da Polícia Federal que aponta elo entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso devido às investigações de fraude à frente do Banco Master. Agora, caberá ao presidente do STF, Edson Fachin, decidir quando o pedido de investigação será analisado.

A decisão de Mendonça de liberar o processo para julgamento foi publicada neste domingo (6), às 15h04. Não há um pedido de data para que o relatório vá a julgamento.

Na terça-feira (1º), André Mendonça, que é relator do caso Master, retirou o sigilo do relatório da PF que mostrava diálogos de Alexandre de Moraes e o banqueiro, incluindo uma mensagem na qual o banqueiro pergunta se deveria deixar o país, às vésperas de ser preso, em 2025. Não há informações sobre qual foi a resposta do ministro do Supremo.

O relatório contra Moraes deflagrou uma crise interna no STF. O ministro contra-atacou e pediu uma investigação contra Mendonça no âmbito do inquérito das fake news, alegando que houve abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade por parte de Mendonça no pedido de investigação.

Fachin na última semana determinou que Mendonça, Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, prestem informações sobre o relatório da Polícia Federal a respeito dos diálogos com Vorcaro.

Ele também retirou o pedido de abertura de investigação feito por Alexandre de Moraes contra André Mendonça do inquérito das fake news, como também defendeu o fim desse inquérito, aberto ainda em 2019 por determinação do então presidente Dias Toffoli.

As informações coletadas pela PF sob posse de Mendonça mostraram também que Moraes fez edições no contrato de R$ 131 milhões firmado entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master, antes de o documento ser assinado.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, já se manifestou pela nulidade do relatório das conversas entre Vorcaro e Moraes. Ele disse que Mendonça "se valeu da polícia" para "impor a investigação" do ministro, exercendo "atividades que não lhe foram assinaladas".

A ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal) pediu no último sábado (5) que Paulo Gonet se declare impedido de atuar nos procedimentos relacionados ao Banco Master, já que ele também é citado nos diálogos entre Vorcaro, Moraes e interlocutores.

Por Luísa Martins e Guilherme Pimenta/Folhapress

Entenda a crise no STF e o que pode acontecer a partir de agora

 

A crise no STF (Supremo Tribunal Federal) se intensificou, na última terça-feira (1º), após o ministro André Mendonça quebrar o sigilo de um relatório da PF (Polícia Federal) que mostra trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do extinto Banco Master.

A tensão institucional ainda atinge o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que são suspeitos de trabalhar para conter o avanço das investigações sobre o banco.

Na última quinta-feira (3), Moraes, através do inquérito das Fake News, acusou Mendonça de praticar improbidade administrativa e abuso de autoridade durante a relatoria do Caso Master. Na decisão, o ministro ainda pediu ao presidente da Suprema Corte, Edson Fachin, a abertura de ação contra o colega de magistratura por ter atuado fora do regimento jurídico.

Fachin, por sua vez, declarou que a resposta institucional à crise da Corte será "firme, proporcional e rigorosa". Segundo ele, as apurações seguirão os procedimentos previstos na Constituição e na legislação.

No pronunciamento, o presidente da Corte disse que nenhuma autoridade está acima da Constituição e nenhum "interesse" pode se sobrepor à defesa do Estado Democrático de Direito. O ministro também afirmou que a gravidade dos fatos não justifica medidas fora das regras jurídicas.

“Não haverá precipitação, mas tampouco omissão. A resposta institucional será firme, proporcional e rigorosa”, disse Fachin.

Ainda na quinta-feira, o presidente do STF deu um prazo de cinco dias para manifestação de Moraes, Mendonça, Andrei Rodrigues e Gonet sobre a crise envolvendo o caso Master.

A partir dessas manifestações, Fachin deverá reunir as explicações dos envolvidos e analisar a regularidade das apurações, para então definir os próximos passos podendo levar a questão ao plenário do Supremo.

Em meio à crise na Corte, o presidente ainda defendeu a adoção de um código de ética dentro do Supremo, além do fim do inquérito das Fake News.

O que mostra o relatório da PF

O documento foi formulado a partir de dados obtidos no celular de Vorcaro, apreendido pela PF na operação Compliance Zero, e revela uma suposta proximidade entre o ministro e o ex-banqueiro.

De acordo com o relatório, em conversas com Moraes às vésperas de sua prisão, Vorcaro chegou a perguntar ao ministro sobre sair do país e expressou "gratidão" ao magistrado. "Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você", disse o ex-dono do Master.

A investigação da PF ainda mapeou uma série de encontros que ocorreram entre fevereiro de 2024 e agosto de 2025.

Paulo Gonet também apareceu nas mensagens do relatório em conversa com Vorcaro, intermediada pelo advogado Ciro Soares. As conversas aconteceram entre abril de 2024 e junho de 2025 e mencionavam viagens, uísque, charutos e até o envio de fotos de Gonet ao lado de Ciro Soares.

Quanto a Andrei Rodrigues, o diretor-geral da PF é citado na conversa entre Daniel Vorcaro e Moraes, na qual o ex-banqueiro questiona ao ministro sobre a possibilidade de reverter as investigações contra o Master pelo intermédio de Andrei.

O que dizem juristas sobre os próximos passos

Em entrevista à CNN, o professor de direito constitucional da UFF (Universidade Federal Fluminense), Gustavo Sampaio, disse acreditar que o plenário do STF tende à não formar maioria pela investigação.

"A tendência toda é de que não se tenha formação de maioria no plenário para autorizar-se a investigação", disse. "Estamos ainda distantes de ação penal, nem sabemos se haverá uma ação penal, uma acusação formal, até porque ela cumpre ao Ministério Público. Mas por conta dessa regra de que ministros são julgados no plenário, qualquer autorização para investigar ministro do Supremo Tribunal Federal precisa vir de onde? Do plenário", explicou.

O professor ainda comenta que, embora tenham sido colhidas provas contra Moraes, qualquer outra investigação precisaria de aval do plenário.

"Embora no caso das provas fortuitamente colhidas em desfavor do ministro Alexandre de Moraes, que são aquelas conversas que ele teria tido com Daniel Vorcaro, essas provas não foram colhidas intencionalmente, elas foram fortuitamente colhidas. E uma grande parte da doutrina do processo penal diz que prova fortuitamente colhida é válida. Agora, daqui em diante qualquer outra investigação precisa do aval do plenário", afirmou Sampaio.

Sobre futuros julgamentos dos casos, o professor de direito do Insper, Luiz Fernando Esteves disse à CNN que o ponto de partida deveria ser a análise sobre a nulidade do relatório da PF solicitado por Mendonça.

"Eu acho que vai ser um julgamento absolutamente sensível pro tribunal. [...] Me parece que o que iniciou a discussão seja a nulidade ou não do relatório da Polícia Federal sobre o ministro Alexandre de Moraes, então faz sentido que inicialmente se analise a nulidade ou não do relatório e só após o STF passe a discutir se André Mendonça extrapolou os poderes", afirmou Esteves.

Fonte: CNNBrasil

Gilmar propõe proibir policiais e militares em gabinetes de ministros do STF -Por Redação

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), formalizou neste sábado (5) uma proposta para impedir que policiais e militares atuem como servidores cedidos nos gabinetes da Corte. A medida, apresentada anteriormente ao presidente do STF, Edson Fachin, amplia a ideia inicial de barrar a presença de delegados da Polícia Federal e inclui integrantes das Forças Armadas, PF, PRF, polícias civis e militares estaduais, bombeiros e polícias penais. A informação é do G1.

A proposta surge em meio ao aumento das tensões internas no Supremo, especialmente envolvendo os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. Atualmente, quatro delegados da PF trabalham nos gabinetes dos dois magistrados, que relatam investigações de grande repercussão, como os casos Master, das fraudes no INSS e envolvendo Lulinha. Segundo interlocutores, Gilmar avalia que os gabinetes do STF estariam assumindo funções próprias de delegacias, com o tribunal passando a interferir diretamente na condução de investigações.

A permanência dos delegados também esteve no centro do conflito entre Mendonça e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. O ministro teria interpretado uma possível retirada dos policiais como tentativa de interferência nas investigações sob sua relatoria. A discussão ocorre paralelamente à crise envolvendo o caso Master, após Mendonça retirar o sigilo de relatório da PF sobre mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Moraes e a PGR questionar a validade do procedimento adotado pelo ministro.

Zanin pede responsabilização após Deltan anexar dados sigilosos em processo eleitoral

Foto: Antonio Augusto/Arquivo/STF
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) providências e a responsabilização dos envolvidos após o ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol anexar ao processo de registro de sua candidatura ao Senado documentos que continham dados fiscais e bancários sigilosos do magistrado. O material ficou disponível publicamente no sistema da Justiça Eleitoral. A reportagem é do Estadão.

Os documentos integravam anteriormente uma reclamação disciplinar apresentada por Zanin ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) contra Deltan e outros procuradores. Segundo o ministro, os dados foram extraídos em 2019 durante uma operação da Lava Jato no Rio e posteriormente anulados pela Justiça. Após o pedido de Zanin, a relatora do processo no TRE-PR determinou que os documentos passassem a tramitar sob sigilo e encaminhou o caso ao Ministério Público para as providências cabíveis.

A defesa de Deltan afirmou que os documentos foram apresentados para responder às impugnações contra sua candidatura e que não houve intenção de expor informações pessoais de Zanin. Segundo os advogados, os procedimentos do CNMP foram anexados integralmente para evitar a omissão de informações relevantes à análise da elegibilidade. O TRE-PR ressaltou que cabe aos advogados atribuir sigilo aos documentos protocolados no sistema da Justiça Eleitoral.

Por Redação

Fachin conversa com Lula e indica que levará casos de Moraes e Mendonça ao plenário do STF

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Edson Fachin, sinalizou ao presidente Lula (PT) a intenção de dar andamento às acusações levantadas nos últimos dias entre ministros e levar os casos da crise envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça ao plenário da corte.

O chefe do Judiciário demonstrou insatisfação com os meios escolhidos pelos colegas para seguir com as medidas de cada lado e se mostrou disposto a ir em frente com o esclarecimento das condutas e marcar o debate final sobre a crise em sessão plenária.

A conversa ocorreu no Palácio do Planalto nesta sexta-feira (4), com as presenças ainda do procurador-geral da República, Paulo Gonet, do presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Luis Felipe Salomão, do ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, e do advogado-geral da União, Jorge Messias.

Um interlocutor a par do diálogo afirmou ter notado, de início, um clima difícil entre Fachin e Gonet. A leitura foi a de que o PGR já pediu a anulação do relatório da PF que incluiu o nome de Moraes no caso Master, enquanto o presidente do STF tem dito que ainda precisa de informações sobre as circunstâncias e dados levantados.

O grupo esteve reunido antes do início de uma cerimônia de sanção de projetos relacionados ao Judiciário.

Na roda de autoridades, Fachin fez afirmações semelhantes àquelas ditas em seguida, na solenidade. Ele afirmou a Lula e demais presentes que os assuntos são muito sérios e precisam ser tratados com o critério devido.

O presidente do STF disse não pretender deixar de apreciar nenhum dos temas levados a ele, acrescentando que tomará o tempo necessário para isso.

Da mesma forma, Lula também defendeu que respostas sejam dadas e que elas não deixem dúvidas à sociedade sobre as providências tomadas.

A sensação aos demais foi de uma convergência entre Fachin e Lula sobre a necessidade de ação rigorosa e cuidadosa diante da crise estabelecida no STF e os riscos à institucionalidade como um

Por Ana Pompeu, Luísa Martins e Caio Spechoto/Folhapress

Mendonça rechaça acusação de tentativa de prejudicar Lula

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), tem rechaçado a acusação de que atuou para tentar prejudicar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.

Em conversas reservadas, o magistrado tem afirmado que não atuou para favorecer ou prejudicar ninguém e que sempre priorizou critérios técnicos.

Um relatório de inteligência da Polícia Federal, obtido pela CNN, sugere que Mendonça favoreceu políticos de direita e atuou contra um grupo majoritário no Supremo.

O entorno do magistrado nega as acusações e críticas. Segundo relatos feitos à CNN, Mendonça fez chegar ao Palácio do Planalto a avaliação de que as acusações contra ele não são verdadeiras.

Pessoas próximas do ministro reconhecem que ele tem passado por um momento difícil. Mas que não
 
vai recuar de sua postura firme e favorável a investigações. O ministro é o relatos dos casos sobre o Banco Master e sobre as fraudes no INSS.

Mendonça já conversou com o presidente do STF, Edson Fachin, e tem tentado buscar apoios dentro da Suprema Corte.

Neste momento, porém, ele está isolado. O único ministro apontado com apoio irrestrito ao magistrado é Luiz Fux.

A expectativa é de que ele converse, em breve, com Lula. O objetivo é refutar qualquer acusação. O advogado-geral da União, Jorge Messias, é hoje a ponte de diálogo entre ambos.

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Entenda a escalada da crise no STF, provocada por revelações de elos entre ministros e Vorcaro

Apurações sobre Master evidenciaram contato do banqueiro com Moraes, Mendonça e negócios da família de Toffoli

As investigações sobre o Banco Master por fraudes ao sistema financeiro expuseram conexões entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e figuras públicas, como deputados, senadores e magistrados, e culminaram em uma crise que especialistas apontam como sem precedentes na história do STF (Supremo Tribunal Federal).

O embate coloca frente a frente os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, divide o plenário em alas, reacende a discussão sobre um código de ética para o Supremo e ganha desdobramentos na disputa eleitoral.

A menos de uma semana do ato de 7 de Setembro, aliados de Flávio Bolsonaro (PL) passaram a unir críticas a Lula (PT) e a Moraes sob o mote "fora, Lula; fora, Moraes", e bolsonaristas como Eduardo Bolsonaro, Nikolas Ferreira e o pastor Silas Malafaia intensificaram pedidos de impeachment e prisão de Moraes.

Lula, sem citar os ministros, disse nesta sexta (4) que "ninguém, em nome da democracia, pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal". O petista tenta não sofrer desgaste de imagem por causa da crise do STF, Tribunal com o qual teve proximidade durante os anos de seu atual mandato.

Mendonça retira sigilo de relatório da PF sobre Moraes

O novo capítulo da crise começou na terça-feira (1º), com a revelação de que o dono do Master mantinha contato com uma pessoa apontada como sendo o ministro Alexandre de Moraes. As mensagens vieram à tona depois que Mendonça pediu manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República) sobre um relatório enviado pela Polícia Federal ao STF.

Os diálogos, recuperados do celular do banqueiro, indicam que ele perguntou a Moraes, dois dias antes de ser preso, em 17 de novembro de 2025, se deveria deixar o país. Mostram ainda que o ministro fez edições num contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, e que os dois se encontraram pelo menos seis vezes desde 2024.

Na avaliação de Mendonça, as mensagens comprovam que o banqueiro sabia antecipadamente da decisão de sua prisão e buscava "intervenção junto a autoridades públicas envolvidas nos respectivos processos decisórios".

Gonet pede anulação do relatório

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, reagiu horas depois pedindo a anulação do relatório da PF. Segundo ele, Mendonça "se valeu da polícia" para "impor a investigação" de Moraes, exercendo "atividades que não lhe foram assinaladas".

Um ministro do STF só pode ser investigado após autorização dos próprios colegas da corte. Para Gonet, o relatório produzido pela PF a pedido de Mendonça constitui, por si só, uma investigação, e por isso, deveria ser invalidado.

Gonet, porém, também é citado nas mensagens de Vorcaro —um advogado do banqueiro chegou a encaminhar a ele diálogos atribuídos ao procurador-geral, e o filho de Gonet aparece no material. Ele não comentou publicamente as citações a seu respeito.

Mendonça recebeu Vorcaro para conversa

Na quarta (2), o ICL Notícias revelou que Mendonça recebeu Vorcaro para uma conversa em março de 2025. A aproximação foi articulada pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). Mensagens extraídas do celular do dono do Master mostram que ele recebeu de Ciro uma fotografia ao lado de Mendonça e que o advogado levou o ministro a uma alfaiataria.

"Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno", disse Ciro em áudio enviado em 8 de fevereiro de 2025.

Em nota, Mendonça afirmou que o encontro tratou de um processo sobre precatórios de interesse do Master e que votou contra o empresário no julgamento.

Especialistas ouvidos pela reportagem avaliaram que a conduta de Mendonça de determinar diretamente à PF a identificação do interlocutor de Vorcaro, sem levar o tema ao plenário, também foi problemática, ainda que a maioria reconheça que a apuração sobre Moraes deveria seguir adiante. Não há consenso entre eles sobre se isso torna o relatório da PF nulo.

Moraes pede a Fachin investigação contra Mendonça

Em resposta à ação de Mendonça, Moraes pediu nesta quinta (3) ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, a abertura de uma investigação de Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução dos casos Master e INSS (Institutos Nacional do Seguro Social)

Segundo Moraes, o colega direcionou alvos "por motivos pessoais e políticos" —ele próprio e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, seriam os alvos— e chegou a ameaçar afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e Gonet.

No mesmo dia, o presidente do STF também determinou que Mendonça e Moraes —além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ambos mencionados em trocas de mensagens de Vorcaro— deem informações em até cinco dias sobre o relatório da PF que trata das mensagens que teriam Moraes como interlocutor.

Fachin retira pedido do inquérito das fake news

Nesta sexta (4), Fachin retirou o pedido de Moraes contra Mendonça do inquérito das fake news —onde havia sido protocolado— e o incorporou ao mesmo processo que já tratava do relatório sobre as mensagens.

Abriu também prazo de cinco dias úteis para a PGR se manifestar sobre a admissibilidade do pedido e outros cinco para Mendonça se defender, caso queira. Segundo o despacho, as medidas não antecipam juízo sobre o mérito.

Ao lado de Lula no Palácio do Planalto, Fachin defendeu, como resposta à crise, a aprovação de um código de ética para os ministros e o fim do inquérito das fake news —hoje relatado por Moraes—, além da modernização do sistema de Justiça. "Não haverá precipitação, mas tampouco omissão", disse.

Fachin defende a criação do código, que ainda é centro de uma divergência interna no tribunal e hoje está sob a responsabilidade da ministra Cármen Lúcia, que deve entregar a primeira versão do texto depois das eleições.

Plenário se divide

Segundo apuração do jornal Folha de São Paulo, o único apoio certo a Mendonça no plenário, neste momento, é do ministro Luiz Fux.

Do lado de Moraes estão os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, que propôs a Fachin vetar delegados da PF nos gabinetes de ministros, alegando risco de interferência nas investigações.

As dúvidas recaem sobre o ministro Kassio Nunes Marques, a ministra Cármen Lúcia e o próprio Fachin. Na divisão atual da corte, os três estão no grupo de Mendonça —em defesa, por exemplo, da implementação de um código de conduta. Seus interlocutores, contudo, dizem que o alinhamento ao relator do Master não é irrestrito.

A ala pró-Moraes defende que Fachin afaste Mendonça temporariamente da condução dos casos Master e INSS enquanto durar a apuração sobre ele, para evitar nulidades futuras. Pessoas próximas a Mendonça rejeitam a ideia e cobram que o fim do inquérito das fake news também entre na negociação.

Quando a crise começou

Os questionamentos sobre a corte começaram em dezembro de 2025, quando o ministro Dias Toffoli se tornou relator do caso Master no STF após a defesa de Vorcaro pedir que as investigações sobre o ex-banqueiro fossem levadas ao Supremo devido à ligação com políticos com foro por prerrogativa de função, chamado de foro especial.

A atuação do magistrado acumulou críticas. No mesmo mês em que assumiu a supervisão do inquérito, Toffoli determinou siglo máximo à solicitação da defesa do ex-banqueiro de que as apurações fossem transferidas ao STF sob o argumento de que a ação era necessária para evitar vazamentos.

Com a apreensão do celular de Vorcaro, a PF teve acesso a mensagens em que o dono do Master e seu cunhado, Fabiano Zettel, discutiram pagamentos a uma empresa que tem Toffoli como sócio. A corporação aponta um conflito de interesses direto, embora o ministro afirme que os valores recebidos são lícitos e declarados.

A PF apontou em 11 de fevereiro, após encontrar as menções a Toffoli nos diálogos entre Vorcaro e Zettel, a suspeição do magistrado como relator das investigações sobre o Master.

O ministro deixou a relatoria no dia seguinte, depois de uma reunião fechada de mais de duas horas com os demais colegas do STF, na qual ouviu apelos para que se afastasse do caso em nome da preservação do tribunal, que também passou a ser alvo de questionamentos. A supervisão do inquérito foi atribuída a Mendonça.

Por Luana Lisboa/Marina Costa/Folhapress

Grupo do STF quer Mendonça fora do caso Master durante apuração sobre abuso de autoridade

A ala do STF (Supremo Tribunal Federal) que apoia o ministro Alexandre de Moraes defende que o presidente da corte, Edson Fachin, tire temporariamente André Mendonça da condução das investigações sobre o Banco Master e o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

A avaliação do grupo é a de que, enquanto houver qualquer tipo de dúvida sobre os métodos de Mendonça à frente dos dois casos, classificados por Moraes como abuso de autoridade, o magistrado não pode seguir autorizando medidas judiciais e acessando provas das investigações.

Pessoas próximas a Mendonça, por outro lado, defendem a integridade das apurações e dos atos do ministro. Elas afirmam que o fim do inquérito das fake news, que tem Moraes como relator, também deve ser colocado na mesa como forma de solucionar as tensões.

Fachin afirmou nesta sexta-feira (4) que a resposta à crise será "firme, proporcional e rigorosa" e que os "acontecimentos recentes" demonstram o acerto das metas de sua gestão, entre elas o encerramento do inquérito das fake news, a adoção de um código de ética e a modernização do Judiciário.

O presidente do STF abriu a instrução do processo que vai analisar a admissibilidade do pedido para que Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. A regularidade do próprio ato de Moraes também será examinada.

Na noite de quinta (3), Fachin também determinou que os dois ministros rivais, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, prestem informações sobre o relatório que aponta um elo entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.

O argumento de aliados de Moraes é que manter Mendonça como responsável pelas investigações do Master e do INSS, sendo que o vice-presidente do STF formalizou um pedido para que se apurem supostas irregularidades, pode gerar nulidades futuras.

A leitura desse grupo é que Fachin precisa "organizar a casa" e que isso passa pelo afastamento temporário de Mendonça dos dois casos. Se eventualmente houver uma deliberação de que não houve abuso ou de que o pedido de Moraes é incabível, o ministro poderia voltar a atuar.

Ainda não está claro, contudo, quais seriam os meios regimentais que o presidente do STF poderia utilizar para tomar uma providência dessa natureza. Fachin tem conversado com todos os integrantes da corte individualmente para medir a temperatura e tentar costurar uma solução.

Desde que Mendonça sinalizou disposição para levar ao plenário a possibilidade de investigar Moraes pelas interlocuções com Vorcaro, o grupo alinhado ao vice-presidente do STF passou a articular uma ofensiva para expor os métodos alegadamente abusivos do relator do Master.

Nessas discussões, esses magistrados citam as interlocuções que o próprio Mendonça ou seus intermediários tiveram com Vorcaro, como o encontro entre ambos no Instituto Iter, em março de 2025, e o depoimento que o ex-banqueiro prestou ao gabinete sem a presença de representante da PF.

O anúncio feito por Mendonça nesta quinta de que deixaria a sociedade do instituto, que ele próprio fundou, foi interpretado por seus opositores como uma tentativa de o ministro se precaver de futuros questionamentos.

Mesmo antes de vir à tona o relatório de inteligência que embasou o pedido de Moraes para que se apure abuso de autoridade por parte de Mendonça, os ministros já manifestavam preocupação com o fato de o relator do Master e do INSS ter determinado à PF o envio dos arquivos brutos das apurações.

A PF diz no relatório de inteligência que, com essa medida, Mendonça ficou apto a explorar a íntegra do acervo de provas, podendo selecionar, suprimir ou manipular as documentações que sustentam os inquéritos. Moraes avalia que Mendonça enviesou as investigações "por motivos pessoais e políticos".

Além disso, a ala pró-Moraes suspeita de vazamentos ilegais e da interferência indevida de delegados da PF lotados no gabinete de Mendonça, e que são críticos da gestão de Rodrigues. Como revelou a Folha, o ministro Gilmar Mendes propôs a Fachin que delegados da PF sejam proibidos de atuar como assessores.

Além de Gilmar, os ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin tendem a apoiar Moraes. Apesar das dúvidas sobre como as alianças do STF serão reconfiguradas em meio à crise, pessoas próximas a Moraes dizem que o ministro confia que convencerá os colegas de que os expedientes de Mendonça são preocupantes.

Esse seria o impasse dos ministros como Kassio Nunes Marques, Cármen Lúcia e Fachin, segundo auxiliares, que veem como graves as mensagens entre Vorcaro e Moraes, mas não ignoram que Mendonça possa ter atropelado os ritos formais.

O entorno de Mendonça nega que tenha havido qualquer ato investigatório por parte do ministro, apenas uma determinação para que a PF identificasse um interlocutor de Vorcaro que até então era desconhecido, e que poderia integrar a rede de influência do banqueiro.

Mendonça afirma a pessoas próximas que atua com cautela e independência e que não está sujeito a pressões. O ministro costuma dizer que sua motivação é "fazer o que é certo" e que quer garantir a integridade das investigações, respeitando o devido processo legal.

Em relação ao encontro com Vorcaro, o ministro afirmou, em nota, que o assunto da reunião foi um julgamento sobre precatórios, e que ele acabou por votar contra a posição defendida pelo dono do Banco Master. Também disse que o depoimento do ex-banqueiro sem a PF não foi ilegal.

A saída da sociedade do Instituto Iter, segundo Mendonça, se deu para "evitar ruídos". Em nota, o ministro disse que a instituição vai virar uma entidade sem fins lucrativos e que "jamais auferiu lucro". O ministro seguirá prestando serviços acadêmicos, como professor.

Por Luísa Martins, Folhapress

Alexandre de Moraes pede a Fachin que André Mendonça seja investigado por abuso de autoridade

Ministro deu decisão no inquérito das fake news e disse que colega agiu por motivos pessoais e políticos

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), pediu que o ministro André Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso Master e INSS (Institutos Nacional do Seguro Social).

A decisão foi tomada no âmbito do inquérito das fake news. Moraes afirma que Mendonça agiu para direcionar as investigações, "com quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos".

De acordo com Moraes, o colega conduziu irregularmente tratativas de delações premiadas e direcionou determinados alvos para a investigação "por motivos pessoais e políticos, inclusive com a indicação prévia de medidas cautelares" a serem apresentadas pela PF (Polícia Federal).

Esses alvos seriam o próprio Moraes e o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP).

A medida é tomada por Moraes dois dias depois de Mendonça retirar o sigilo de um relatório da PF que aponta Moraes como o interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Na decisão, Mendonça sinalizou que levará ao plenário a possibilidade de investigar o colega.

Segundo Moraes, há por parte de Mendonça "indícios crescentes de enviesamento da condução da supervisão judicial, manifestados em direcionamento temático de intensidade progressiva quanto a linha investigativa determinada", além de "quebra da cadeia de custódia das provas apreendidas".

Moraes afirmou que, no curso da investigação, Mendonça ameaçou afastar do cargo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet —este último por "proximidade com o ministro Gilmar Mendes que o tornaria indigno de confiança".
Por Luísa Martins/Folhapres

Fachin manda Mendonça, Moraes, Gonet e chefe da PF prestarem informações sobre diálogos com Vorcaro

           Citados terão que se manifestar no prazo de até três dias sobre relatório de investigação

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, determinou que os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, prestem informações em até três dias sobre o relatório da PF a respeito das mensagens enviadas por Daniel Vorcaro e que apontam Moraes como interlocutor.

A decisão foi divulgada minutos depois de Moraes pedir que a Fachin a investigação de Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso Master e INSS (Institutos Nacional do Seguro Social).

O despacho do presidente questiona, entre outros pontos, o cumprimento da Lei da Magistratura pela PF, eventual acesso a documento particular e informações sob sigilo e as circunstâncias de uma diligência.

"Cabe à presidência do tribunal zelar para que a possível apreciação colegiada seja feita, a tempo e modo, com o elevado senso de responsabilidade que os fatos reclamam, sempre assegurando o respeito às garantias constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório", diz Fachin.

Segundo o ministro, ainda que a PGR tenha apresentado dúvidas, no pedido de anulação do relatório, as informações do material demandam atuação da presidência da corte caso reconhecidas.

A medida de Moraes foi tomada no âmbito do inquérito das fake news. Moraes afirma que Mendonça agiu para direcionar as investigações, "com quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos".

Por Ana Pompeu/Luísa Martins/Folhapress

Mendonça fala em honrar confiança do povo no Judiciário em meio a crise com Moraes

Durante agenda do TSE com religiosos, ministro pediu para que Deus abençoasse representantes do sistema de Justiça brasileiro

Foto: Antonio Augusto/STF

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), fez na manhã desta quinta-feira (3) um discurso em que pede para Deus abençoar os representantes do Poder Judiciário e fala em "honrar" a confiança depositada pela população no sistema de Justiça.

A declaração ocorre dois dias após as revelações de que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, enviou mensagens ao ministro do STF Alexandre de Moraes, o que desencadeou uma crise sem precedentes na corte.

"Que Deus nos abençoe também desse lado da mesa e todos que representam o Poder Judiciário e, de modo especial, o sistema de Justiça como um todo. Que nós possamos honrar a confiança que o principal, que é o povo, o cidadão, deposita", disse Mendonça durante evento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), do qual também faz parte, com líderes religiosos.

Relator do caso Master no tribunal, Mendonça foi o responsável por tornar público relatório da Polícia Federal sobre trocas de mensagens entre Moraes e Vorcaro. Em um dos diálogos revelados, o banqueiro pergunta a Moraes se ele deveria deixar o país dois dias antes de ser preso, em novembro de 2025.

Além de Moraes, o relatório também aponta mensagens encaminhadas a Vorcaro que supostamente seriam do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Depois da divulgação do relatório, Mendonça pediu ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, para que as mensagens sejam debatidas no plenário da corte, com a participação dos demais integrantes.

Um dia depois de a crise ser deflagrada no Supremo, também veio a público um encontro de Mendonça com Vorcaro. Na ocasião, o ministro recebeu o então banqueiro em seu escritório no Instituto Iter, fundado por ele, para falar sobre precatórios. À época, o tema estava sendo discutido no STF e interessava ao Master.

Em nota, o magistrado destacou que votou contra os interesses do empresário no julgamento.

Somado a isso, conforme divulgado pelo site ICL Notícias, mensagens obtidas do celular de Vorcaro mostram que o advogado Ciro Rocha Soares, ligado a ele, teria levado Mendonça para comprar um terno. Em áudio enviado ao banqueiro, Ciro afirmou que havia "balançado" o ministro com os problemas enfrentados pelo Master no Banco Central.
Por Anna Júlia Lopes/Folhapress

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