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Fachin conversa com Lula e indica que levará casos de Moraes e Mendonça ao plenário do STF

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Edson Fachin, sinalizou ao presidente Lula (PT) a intenção de dar andamento às acusações levantadas nos últimos dias entre ministros e levar os casos da crise envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça ao plenário da corte.

O chefe do Judiciário demonstrou insatisfação com os meios escolhidos pelos colegas para seguir com as medidas de cada lado e se mostrou disposto a ir em frente com o esclarecimento das condutas e marcar o debate final sobre a crise em sessão plenária.

A conversa ocorreu no Palácio do Planalto nesta sexta-feira (4), com as presenças ainda do procurador-geral da República, Paulo Gonet, do presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Luis Felipe Salomão, do ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, e do advogado-geral da União, Jorge Messias.

Um interlocutor a par do diálogo afirmou ter notado, de início, um clima difícil entre Fachin e Gonet. A leitura foi a de que o PGR já pediu a anulação do relatório da PF que incluiu o nome de Moraes no caso Master, enquanto o presidente do STF tem dito que ainda precisa de informações sobre as circunstâncias e dados levantados.

O grupo esteve reunido antes do início de uma cerimônia de sanção de projetos relacionados ao Judiciário.

Na roda de autoridades, Fachin fez afirmações semelhantes àquelas ditas em seguida, na solenidade. Ele afirmou a Lula e demais presentes que os assuntos são muito sérios e precisam ser tratados com o critério devido.

O presidente do STF disse não pretender deixar de apreciar nenhum dos temas levados a ele, acrescentando que tomará o tempo necessário para isso.

Da mesma forma, Lula também defendeu que respostas sejam dadas e que elas não deixem dúvidas à sociedade sobre as providências tomadas.

A sensação aos demais foi de uma convergência entre Fachin e Lula sobre a necessidade de ação rigorosa e cuidadosa diante da crise estabelecida no STF e os riscos à institucionalidade como um

Por Ana Pompeu, Luísa Martins e Caio Spechoto/Folhapress

Mendonça rechaça acusação de tentativa de prejudicar Lula

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), tem rechaçado a acusação de que atuou para tentar prejudicar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.

Em conversas reservadas, o magistrado tem afirmado que não atuou para favorecer ou prejudicar ninguém e que sempre priorizou critérios técnicos.

Um relatório de inteligência da Polícia Federal, obtido pela CNN, sugere que Mendonça favoreceu políticos de direita e atuou contra um grupo majoritário no Supremo.

O entorno do magistrado nega as acusações e críticas. Segundo relatos feitos à CNN, Mendonça fez chegar ao Palácio do Planalto a avaliação de que as acusações contra ele não são verdadeiras.

Pessoas próximas do ministro reconhecem que ele tem passado por um momento difícil. Mas que não
 
vai recuar de sua postura firme e favorável a investigações. O ministro é o relatos dos casos sobre o Banco Master e sobre as fraudes no INSS.

Mendonça já conversou com o presidente do STF, Edson Fachin, e tem tentado buscar apoios dentro da Suprema Corte.

Neste momento, porém, ele está isolado. O único ministro apontado com apoio irrestrito ao magistrado é Luiz Fux.

A expectativa é de que ele converse, em breve, com Lula. O objetivo é refutar qualquer acusação. O advogado-geral da União, Jorge Messias, é hoje a ponte de diálogo entre ambos.

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Entenda a escalada da crise no STF, provocada por revelações de elos entre ministros e Vorcaro

Apurações sobre Master evidenciaram contato do banqueiro com Moraes, Mendonça e negócios da família de Toffoli

As investigações sobre o Banco Master por fraudes ao sistema financeiro expuseram conexões entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e figuras públicas, como deputados, senadores e magistrados, e culminaram em uma crise que especialistas apontam como sem precedentes na história do STF (Supremo Tribunal Federal).

O embate coloca frente a frente os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, divide o plenário em alas, reacende a discussão sobre um código de ética para o Supremo e ganha desdobramentos na disputa eleitoral.

A menos de uma semana do ato de 7 de Setembro, aliados de Flávio Bolsonaro (PL) passaram a unir críticas a Lula (PT) e a Moraes sob o mote "fora, Lula; fora, Moraes", e bolsonaristas como Eduardo Bolsonaro, Nikolas Ferreira e o pastor Silas Malafaia intensificaram pedidos de impeachment e prisão de Moraes.

Lula, sem citar os ministros, disse nesta sexta (4) que "ninguém, em nome da democracia, pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal". O petista tenta não sofrer desgaste de imagem por causa da crise do STF, Tribunal com o qual teve proximidade durante os anos de seu atual mandato.

Mendonça retira sigilo de relatório da PF sobre Moraes

O novo capítulo da crise começou na terça-feira (1º), com a revelação de que o dono do Master mantinha contato com uma pessoa apontada como sendo o ministro Alexandre de Moraes. As mensagens vieram à tona depois que Mendonça pediu manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República) sobre um relatório enviado pela Polícia Federal ao STF.

Os diálogos, recuperados do celular do banqueiro, indicam que ele perguntou a Moraes, dois dias antes de ser preso, em 17 de novembro de 2025, se deveria deixar o país. Mostram ainda que o ministro fez edições num contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, e que os dois se encontraram pelo menos seis vezes desde 2024.

Na avaliação de Mendonça, as mensagens comprovam que o banqueiro sabia antecipadamente da decisão de sua prisão e buscava "intervenção junto a autoridades públicas envolvidas nos respectivos processos decisórios".

Gonet pede anulação do relatório

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, reagiu horas depois pedindo a anulação do relatório da PF. Segundo ele, Mendonça "se valeu da polícia" para "impor a investigação" de Moraes, exercendo "atividades que não lhe foram assinaladas".

Um ministro do STF só pode ser investigado após autorização dos próprios colegas da corte. Para Gonet, o relatório produzido pela PF a pedido de Mendonça constitui, por si só, uma investigação, e por isso, deveria ser invalidado.

Gonet, porém, também é citado nas mensagens de Vorcaro —um advogado do banqueiro chegou a encaminhar a ele diálogos atribuídos ao procurador-geral, e o filho de Gonet aparece no material. Ele não comentou publicamente as citações a seu respeito.

Mendonça recebeu Vorcaro para conversa

Na quarta (2), o ICL Notícias revelou que Mendonça recebeu Vorcaro para uma conversa em março de 2025. A aproximação foi articulada pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). Mensagens extraídas do celular do dono do Master mostram que ele recebeu de Ciro uma fotografia ao lado de Mendonça e que o advogado levou o ministro a uma alfaiataria.

"Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno", disse Ciro em áudio enviado em 8 de fevereiro de 2025.

Em nota, Mendonça afirmou que o encontro tratou de um processo sobre precatórios de interesse do Master e que votou contra o empresário no julgamento.

Especialistas ouvidos pela reportagem avaliaram que a conduta de Mendonça de determinar diretamente à PF a identificação do interlocutor de Vorcaro, sem levar o tema ao plenário, também foi problemática, ainda que a maioria reconheça que a apuração sobre Moraes deveria seguir adiante. Não há consenso entre eles sobre se isso torna o relatório da PF nulo.

Moraes pede a Fachin investigação contra Mendonça

Em resposta à ação de Mendonça, Moraes pediu nesta quinta (3) ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, a abertura de uma investigação de Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução dos casos Master e INSS (Institutos Nacional do Seguro Social)

Segundo Moraes, o colega direcionou alvos "por motivos pessoais e políticos" —ele próprio e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, seriam os alvos— e chegou a ameaçar afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e Gonet.

No mesmo dia, o presidente do STF também determinou que Mendonça e Moraes —além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ambos mencionados em trocas de mensagens de Vorcaro— deem informações em até cinco dias sobre o relatório da PF que trata das mensagens que teriam Moraes como interlocutor.

Fachin retira pedido do inquérito das fake news

Nesta sexta (4), Fachin retirou o pedido de Moraes contra Mendonça do inquérito das fake news —onde havia sido protocolado— e o incorporou ao mesmo processo que já tratava do relatório sobre as mensagens.

Abriu também prazo de cinco dias úteis para a PGR se manifestar sobre a admissibilidade do pedido e outros cinco para Mendonça se defender, caso queira. Segundo o despacho, as medidas não antecipam juízo sobre o mérito.

Ao lado de Lula no Palácio do Planalto, Fachin defendeu, como resposta à crise, a aprovação de um código de ética para os ministros e o fim do inquérito das fake news —hoje relatado por Moraes—, além da modernização do sistema de Justiça. "Não haverá precipitação, mas tampouco omissão", disse.

Fachin defende a criação do código, que ainda é centro de uma divergência interna no tribunal e hoje está sob a responsabilidade da ministra Cármen Lúcia, que deve entregar a primeira versão do texto depois das eleições.

Plenário se divide

Segundo apuração do jornal Folha de São Paulo, o único apoio certo a Mendonça no plenário, neste momento, é do ministro Luiz Fux.

Do lado de Moraes estão os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, que propôs a Fachin vetar delegados da PF nos gabinetes de ministros, alegando risco de interferência nas investigações.

As dúvidas recaem sobre o ministro Kassio Nunes Marques, a ministra Cármen Lúcia e o próprio Fachin. Na divisão atual da corte, os três estão no grupo de Mendonça —em defesa, por exemplo, da implementação de um código de conduta. Seus interlocutores, contudo, dizem que o alinhamento ao relator do Master não é irrestrito.

A ala pró-Moraes defende que Fachin afaste Mendonça temporariamente da condução dos casos Master e INSS enquanto durar a apuração sobre ele, para evitar nulidades futuras. Pessoas próximas a Mendonça rejeitam a ideia e cobram que o fim do inquérito das fake news também entre na negociação.

Quando a crise começou

Os questionamentos sobre a corte começaram em dezembro de 2025, quando o ministro Dias Toffoli se tornou relator do caso Master no STF após a defesa de Vorcaro pedir que as investigações sobre o ex-banqueiro fossem levadas ao Supremo devido à ligação com políticos com foro por prerrogativa de função, chamado de foro especial.

A atuação do magistrado acumulou críticas. No mesmo mês em que assumiu a supervisão do inquérito, Toffoli determinou siglo máximo à solicitação da defesa do ex-banqueiro de que as apurações fossem transferidas ao STF sob o argumento de que a ação era necessária para evitar vazamentos.

Com a apreensão do celular de Vorcaro, a PF teve acesso a mensagens em que o dono do Master e seu cunhado, Fabiano Zettel, discutiram pagamentos a uma empresa que tem Toffoli como sócio. A corporação aponta um conflito de interesses direto, embora o ministro afirme que os valores recebidos são lícitos e declarados.

A PF apontou em 11 de fevereiro, após encontrar as menções a Toffoli nos diálogos entre Vorcaro e Zettel, a suspeição do magistrado como relator das investigações sobre o Master.

O ministro deixou a relatoria no dia seguinte, depois de uma reunião fechada de mais de duas horas com os demais colegas do STF, na qual ouviu apelos para que se afastasse do caso em nome da preservação do tribunal, que também passou a ser alvo de questionamentos. A supervisão do inquérito foi atribuída a Mendonça.

Por Luana Lisboa/Marina Costa/Folhapress

Grupo do STF quer Mendonça fora do caso Master durante apuração sobre abuso de autoridade

A ala do STF (Supremo Tribunal Federal) que apoia o ministro Alexandre de Moraes defende que o presidente da corte, Edson Fachin, tire temporariamente André Mendonça da condução das investigações sobre o Banco Master e o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

A avaliação do grupo é a de que, enquanto houver qualquer tipo de dúvida sobre os métodos de Mendonça à frente dos dois casos, classificados por Moraes como abuso de autoridade, o magistrado não pode seguir autorizando medidas judiciais e acessando provas das investigações.

Pessoas próximas a Mendonça, por outro lado, defendem a integridade das apurações e dos atos do ministro. Elas afirmam que o fim do inquérito das fake news, que tem Moraes como relator, também deve ser colocado na mesa como forma de solucionar as tensões.

Fachin afirmou nesta sexta-feira (4) que a resposta à crise será "firme, proporcional e rigorosa" e que os "acontecimentos recentes" demonstram o acerto das metas de sua gestão, entre elas o encerramento do inquérito das fake news, a adoção de um código de ética e a modernização do Judiciário.

O presidente do STF abriu a instrução do processo que vai analisar a admissibilidade do pedido para que Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. A regularidade do próprio ato de Moraes também será examinada.

Na noite de quinta (3), Fachin também determinou que os dois ministros rivais, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, prestem informações sobre o relatório que aponta um elo entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.

O argumento de aliados de Moraes é que manter Mendonça como responsável pelas investigações do Master e do INSS, sendo que o vice-presidente do STF formalizou um pedido para que se apurem supostas irregularidades, pode gerar nulidades futuras.

A leitura desse grupo é que Fachin precisa "organizar a casa" e que isso passa pelo afastamento temporário de Mendonça dos dois casos. Se eventualmente houver uma deliberação de que não houve abuso ou de que o pedido de Moraes é incabível, o ministro poderia voltar a atuar.

Ainda não está claro, contudo, quais seriam os meios regimentais que o presidente do STF poderia utilizar para tomar uma providência dessa natureza. Fachin tem conversado com todos os integrantes da corte individualmente para medir a temperatura e tentar costurar uma solução.

Desde que Mendonça sinalizou disposição para levar ao plenário a possibilidade de investigar Moraes pelas interlocuções com Vorcaro, o grupo alinhado ao vice-presidente do STF passou a articular uma ofensiva para expor os métodos alegadamente abusivos do relator do Master.

Nessas discussões, esses magistrados citam as interlocuções que o próprio Mendonça ou seus intermediários tiveram com Vorcaro, como o encontro entre ambos no Instituto Iter, em março de 2025, e o depoimento que o ex-banqueiro prestou ao gabinete sem a presença de representante da PF.

O anúncio feito por Mendonça nesta quinta de que deixaria a sociedade do instituto, que ele próprio fundou, foi interpretado por seus opositores como uma tentativa de o ministro se precaver de futuros questionamentos.

Mesmo antes de vir à tona o relatório de inteligência que embasou o pedido de Moraes para que se apure abuso de autoridade por parte de Mendonça, os ministros já manifestavam preocupação com o fato de o relator do Master e do INSS ter determinado à PF o envio dos arquivos brutos das apurações.

A PF diz no relatório de inteligência que, com essa medida, Mendonça ficou apto a explorar a íntegra do acervo de provas, podendo selecionar, suprimir ou manipular as documentações que sustentam os inquéritos. Moraes avalia que Mendonça enviesou as investigações "por motivos pessoais e políticos".

Além disso, a ala pró-Moraes suspeita de vazamentos ilegais e da interferência indevida de delegados da PF lotados no gabinete de Mendonça, e que são críticos da gestão de Rodrigues. Como revelou a Folha, o ministro Gilmar Mendes propôs a Fachin que delegados da PF sejam proibidos de atuar como assessores.

Além de Gilmar, os ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin tendem a apoiar Moraes. Apesar das dúvidas sobre como as alianças do STF serão reconfiguradas em meio à crise, pessoas próximas a Moraes dizem que o ministro confia que convencerá os colegas de que os expedientes de Mendonça são preocupantes.

Esse seria o impasse dos ministros como Kassio Nunes Marques, Cármen Lúcia e Fachin, segundo auxiliares, que veem como graves as mensagens entre Vorcaro e Moraes, mas não ignoram que Mendonça possa ter atropelado os ritos formais.

O entorno de Mendonça nega que tenha havido qualquer ato investigatório por parte do ministro, apenas uma determinação para que a PF identificasse um interlocutor de Vorcaro que até então era desconhecido, e que poderia integrar a rede de influência do banqueiro.

Mendonça afirma a pessoas próximas que atua com cautela e independência e que não está sujeito a pressões. O ministro costuma dizer que sua motivação é "fazer o que é certo" e que quer garantir a integridade das investigações, respeitando o devido processo legal.

Em relação ao encontro com Vorcaro, o ministro afirmou, em nota, que o assunto da reunião foi um julgamento sobre precatórios, e que ele acabou por votar contra a posição defendida pelo dono do Banco Master. Também disse que o depoimento do ex-banqueiro sem a PF não foi ilegal.

A saída da sociedade do Instituto Iter, segundo Mendonça, se deu para "evitar ruídos". Em nota, o ministro disse que a instituição vai virar uma entidade sem fins lucrativos e que "jamais auferiu lucro". O ministro seguirá prestando serviços acadêmicos, como professor.

Por Luísa Martins, Folhapress

Alexandre de Moraes pede a Fachin que André Mendonça seja investigado por abuso de autoridade

Ministro deu decisão no inquérito das fake news e disse que colega agiu por motivos pessoais e políticos

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), pediu que o ministro André Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso Master e INSS (Institutos Nacional do Seguro Social).

A decisão foi tomada no âmbito do inquérito das fake news. Moraes afirma que Mendonça agiu para direcionar as investigações, "com quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos".

De acordo com Moraes, o colega conduziu irregularmente tratativas de delações premiadas e direcionou determinados alvos para a investigação "por motivos pessoais e políticos, inclusive com a indicação prévia de medidas cautelares" a serem apresentadas pela PF (Polícia Federal).

Esses alvos seriam o próprio Moraes e o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP).

A medida é tomada por Moraes dois dias depois de Mendonça retirar o sigilo de um relatório da PF que aponta Moraes como o interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Na decisão, Mendonça sinalizou que levará ao plenário a possibilidade de investigar o colega.

Segundo Moraes, há por parte de Mendonça "indícios crescentes de enviesamento da condução da supervisão judicial, manifestados em direcionamento temático de intensidade progressiva quanto a linha investigativa determinada", além de "quebra da cadeia de custódia das provas apreendidas".

Moraes afirmou que, no curso da investigação, Mendonça ameaçou afastar do cargo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet —este último por "proximidade com o ministro Gilmar Mendes que o tornaria indigno de confiança".
Por Luísa Martins/Folhapres

Fachin manda Mendonça, Moraes, Gonet e chefe da PF prestarem informações sobre diálogos com Vorcaro

           Citados terão que se manifestar no prazo de até três dias sobre relatório de investigação

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, determinou que os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, prestem informações em até três dias sobre o relatório da PF a respeito das mensagens enviadas por Daniel Vorcaro e que apontam Moraes como interlocutor.

A decisão foi divulgada minutos depois de Moraes pedir que a Fachin a investigação de Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso Master e INSS (Institutos Nacional do Seguro Social).

O despacho do presidente questiona, entre outros pontos, o cumprimento da Lei da Magistratura pela PF, eventual acesso a documento particular e informações sob sigilo e as circunstâncias de uma diligência.

"Cabe à presidência do tribunal zelar para que a possível apreciação colegiada seja feita, a tempo e modo, com o elevado senso de responsabilidade que os fatos reclamam, sempre assegurando o respeito às garantias constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório", diz Fachin.

Segundo o ministro, ainda que a PGR tenha apresentado dúvidas, no pedido de anulação do relatório, as informações do material demandam atuação da presidência da corte caso reconhecidas.

A medida de Moraes foi tomada no âmbito do inquérito das fake news. Moraes afirma que Mendonça agiu para direcionar as investigações, "com quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos".

Por Ana Pompeu/Luísa Martins/Folhapress

Mendonça fala em honrar confiança do povo no Judiciário em meio a crise com Moraes

Durante agenda do TSE com religiosos, ministro pediu para que Deus abençoasse representantes do sistema de Justiça brasileiro

Foto: Antonio Augusto/STF

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), fez na manhã desta quinta-feira (3) um discurso em que pede para Deus abençoar os representantes do Poder Judiciário e fala em "honrar" a confiança depositada pela população no sistema de Justiça.

A declaração ocorre dois dias após as revelações de que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, enviou mensagens ao ministro do STF Alexandre de Moraes, o que desencadeou uma crise sem precedentes na corte.

"Que Deus nos abençoe também desse lado da mesa e todos que representam o Poder Judiciário e, de modo especial, o sistema de Justiça como um todo. Que nós possamos honrar a confiança que o principal, que é o povo, o cidadão, deposita", disse Mendonça durante evento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), do qual também faz parte, com líderes religiosos.

Relator do caso Master no tribunal, Mendonça foi o responsável por tornar público relatório da Polícia Federal sobre trocas de mensagens entre Moraes e Vorcaro. Em um dos diálogos revelados, o banqueiro pergunta a Moraes se ele deveria deixar o país dois dias antes de ser preso, em novembro de 2025.

Além de Moraes, o relatório também aponta mensagens encaminhadas a Vorcaro que supostamente seriam do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Depois da divulgação do relatório, Mendonça pediu ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, para que as mensagens sejam debatidas no plenário da corte, com a participação dos demais integrantes.

Um dia depois de a crise ser deflagrada no Supremo, também veio a público um encontro de Mendonça com Vorcaro. Na ocasião, o ministro recebeu o então banqueiro em seu escritório no Instituto Iter, fundado por ele, para falar sobre precatórios. À época, o tema estava sendo discutido no STF e interessava ao Master.

Em nota, o magistrado destacou que votou contra os interesses do empresário no julgamento.

Somado a isso, conforme divulgado pelo site ICL Notícias, mensagens obtidas do celular de Vorcaro mostram que o advogado Ciro Rocha Soares, ligado a ele, teria levado Mendonça para comprar um terno. Em áudio enviado ao banqueiro, Ciro afirmou que havia "balançado" o ministro com os problemas enfrentados pelo Master no Banco Central.
Por Anna Júlia Lopes/Folhapress

Mensagens em poder da PF expõem elos e indicam atuação de Moraes a favor de Vorcaro

Mensagens recuperadas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, indicaram a atuação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), a favor do ex-banqueiro e colocaram os órgãos da cúpula do Judiciário em uma crise inédita.

A retirada de sigilo da investigação nesta terça-feira (1º) , por decisão do ministro André Mendonça, aponta que, dias antes de ser preso pela PF, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o país. O conteúdo revela ainda que o dono do Master, atualmente preso, pediu encontros com o magistrado para tratar dos negócios que o tornaram alvo de investigação por fraude bancária bilionária —e que eles se encontraram pelo menos seis vezes.

As informações em poder da PF mostram também que Moraes fez edições no contrato de R$ 131 milhões firmado entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o Master, antes de o documento ser assinado. Procurado pela reportagem, o ministro não se manifestou.

Além de acirrar uma guerra interna dentro do STF e de mobilizar a oposição pelo impeachment de Moraes, as revelações geraram reação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, também citado nas conversas. Ele pediu a anulação do relatório da PF e disse que Mendonça "se valeu da polícia" para "impor a investigação" de Moraes, exercendo "atividades que não lhe foram assinaladas".

Mendonça solicitou ao presidente do STF, Edson Fachin, para que seja marcada sessão presencial do plenário do STF para debater as mensagens. Ele havia pedido que a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestasse sobre o caso, no qual aparecem também mensagens em que Vorcaro pede a um interlocutor a atuação de "Andrei e Paulo" a seu favor —as referências seriam a Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e Paulo Gonet.

Vorcaro foi preso pela PF no dia 17 de novembro de 2025, quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta. Documentos mostram que no dia 14 ele pergunta a Moraes se está "marcado amanhã lá em casa" ou se "prefere deixar para semana que vem". Minutos depois, confirma: "Vou chegar 14:30 ok! La em casa marcado".

Na noite do dia 15 de novembro, dois dias antes de ser preso, o ex-banqueiro pede um encontro com Moraes que "pode ser bem rápido". "As 14 então. Passo na sua casa ou na minha?", completa.

Na ocasião, um sábado, Vorcaro envia a Moraes a mensagem: "Acha que segunda já tenho que estar fora?", questionando sobre a necessidade de sair do país. No dia seguinte, 16, um domingo, avisa: "Já estou em voo, vou pousar 14:20 e irei direto praí, tudo bem?"

As trocas de mensagem sobre os encontros aconteceram simultaneamente a outras mensagens, nas quais Vorcaro questionava Moraes sobre o andamento do processo contra ele e o Master.

Durante as trocas, o dono do Master pergunta diversas vezes sobre as apurações contra ele, se mostra indignado e diz que está tentando resolver todas as pendências para evitar problemas.

As conversas entre Vorcaro e Moraes constam de material apreendido no celular do ex-banqueiro. Vorcaro costumava mandar mensagens em visualização única, que somem logo após serem lidas, e fazia isso enviando prints de textos anotados no bloco de notas do celular. A PF foi capaz de recuperar o conteúdo.

O relatório produzido mostra ainda que Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações de Jair Bolsonaro (PL), intermediou o contato entre Vorcaro e Moraes. De acordo com o material, Faria repassou os números de telefone de Moraes a Vorcaro, no final de 2023, por meio do aplicativo WhatsApp, que foi salvo logo em seguida em sua agenda.

Logo em seguida, Faria encaminhou mensagem ao dono do Master mencionando "Alex" e "almoço no dia 30". A PF registrou também que, no mês seguinte, o ex-ministro de Bolsonaro perguntou a Vorcaro se ele poderia falar, pois iria conversar com interlocutor não nominado no diálogo, ao qual se refere por meio do emoji de "homem careca".

No mesmo dia, ele perguntou se Vorcaro "respondeu a Vivi". Dois dias depois, em 17 de janeiro de 2024, o contato "Vivi Moraes" retornou com a versão final do contrato firmado entre o escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, com o dono do Master.

O acordo teve a sua última modificação feita pelo usuário "Ministro Alexandre de Moraes", em 15 de janeiro de 2024, conforme metadados do documento.

Em outra mensagem, Faria enviou mensagem a Vorcaro informando que havia confirmado jantar com "o Careca" para o início de fevereiro. Já em março de 2024, foi pedido um outro encontro por ele a Moraes, que respondeu que não conseguia jantar, mas teria tempo "de tomar um whisky".

Em nota, Faria disse que sugeriu o escritório Barci de Moraes para atuação em um caso na Justiça de São Paulo, que não se reuniu em nenhum momento com a banca e "sequer tomou conhecimento dos valores contratados entre as partes".

Entenda a relação Moraes-Vorcaro, segundo a PF
  • Prisão
Vorcaro perguntou a Moraes, duas vezes, se tinha chance de ser preso. Dois dias antes da prisão, que aconteceu em 17 de novembro de 2025, ele pergunta: "Acha que segunda já tenho que estar fora?" No dia anterior, já tinha perguntado: "Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?"
  • Contrato
Moraes editou o contrato de R$ 131 milhões de Vorcaro com o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes
  • Avião
Vorcaro negociou a transferência de cotas de um jatinho e de um helicóptero como pagamento por um segundo contrato, no valor de R$ 50 milhões, com o escritório de Viviane Barci de Moraes
  • Encontros
Moraes e Vorcaro teriam se encontrado pelo menos seis vezes
  • Pressão
Vorcaro afirmou ao ex-diretor de Fiscalização do BC Paulo Sérgio Neves de Souza que o ministro Moraes "vai chamar o Paulo para dar um aperto". Em outros diálogos, o banqueiro pede a um interlocutor a atuação de "Andrei e Paulo" a seu favor. As referências seriam a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República
  • Eventos
Moraes deu palpites e vetou convidados de duas edições de um Fórum Jurídico em Londres que tiveram entre os organizadores o ex-banqueiro

A investigação da PF mostra que a transferência de cotas de um jatinho e de um helicóptero como pagamento por um segundo contrato com o escritório de Viviane Barci de Moraes.

O contrato de R$ 50 milhões previa quitar R$ 40 milhões com a transferência de cotas das duas aeronaves. Outros R$ 10 milhões seriam acertados como reembolso das despesas envolvidas nos voos, segundo uma minuta de contrato.

Em nota, o escritório de Viviane Barci de Moraes disse que assinou apenas um primeiro contrato, de cerca de R$ 130 milhões, com o Master e nega "transferência ou substituição do contrato". Diz ainda que a proposta de Vorcaro não foi aceita e que "nada foi assinado e o contrato original foi extinto com a liquidação do banco, o que encerrou qualquer vínculo com a instituição".

Senado e campanha eleitoral

No Senado, responsável por sabatinar e votar a indicação de nomes ao Supremo, a oposição subiu o tom nas cobranças pelo impeachment de Moraes, embora admita poucos efeitos práticos, diante da falta de votos e de apoio do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Reservadamente, dois aliados de Alcolumbre dizem não ver qualquer mudança de postura por parte dele, a partir das novas informações sobre a relação entre o ministro e o ex-banqueiro.

O candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL) defendeu que o ministro renuncie ao cargo e cobrou explicações —apesar de, ele próprio, evitar responder sobre sua relação com Vorcaro. O ex-banqueiro financiou o filme "Dark Horse", que contará a história de seu pai.

Aliados de Lula (PT), por sua vez, minimizaram o risco de abalos à candidatura à reeleição do petista, afirmando que Flávio, seu principal oponente, é quem será afetado pelos avanços das investigações do caso Master, especialmente em decorrência do escândalo "Dark Horse".

Por José Marques , Luísa Martins , João Gabriel , Raquel Lopes , Constança Rezende , Ana Pompeu e Mateus Vargas/Folhapress

Aliados de Moraes reclamam de Mendonça ter divulgado relatório da PF contra colega; veja bastidor

BRASÍLIA – Aliados de Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF) se incomodaram mais com a divulgação do relatório da Polícia Federal por André Mendonça do que com o conteúdo das investigações. Para essa ala da Corte, Mendonça poderia ter segurado o que chamaram de “indícios” contra o colega e apresentado ao presidente, Edson Fachin, para debater a providência cabível de forma privada.

Integrantes do tribunal compararam o caso atual com o relatório da PF que encontrou relações do ministro Dias Toffoli com Daniel Vorcaro. Na época, Toffoli era relator das investigações. Fachin convocou os ministros para discutir o assunto na presidência. Ao fim, o relatório foi arquivado sem divulgação e Toffoli deixou a relatoria do processo.

Além de ter retirado o sigilo do relatório, Mendonça indicou que o caso deveria ser julgado em plenário, em sessão presencial e pública. A decisão se isso vai ou não acontecer caberá a Fachin. Segundo uma fonte do STF, a forma como Mendonça conduziu o caso indicaria que ele tem interesse em “atacar” Moraes.

Mesmo com críticas à postura de Mendonça, há entre aliados de Moraes quem considere os “indícios” graves e passíveis de apuração. No entanto, a atitude de relator pode colaborar para que ele tenha menos votos em um possível julgamento do caso em plenário.

Hoje, o único voto garantido para Mendonça é o de Luiz Fux. Moraes conta com o apoio de Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Outros ministros do STF vão precisar ponderar entre a importância de se investigar desvios de um dos membros e a vulnerabilidade que isso traz para o tribunal.

Em caráter reservado, um ministro afirmou que não há como prever um placar hoje. Mas, na avaliação dele, uma coisa é certa: o tribunal sai derrotado com a exposição do caso.

Fonte: Estadão

Mendonça envia à PGR mensagem em que Vorcaro pediria proteção de Gonet e de chefe da PF

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), pediu que a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifeste sobre um documento da Polícia Federal no qual há mensagens em que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pede a um interlocutor a proteção de "Andrei e Paulo".

As referências seriam a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, o procurador-geral da República.

A pessoa para quem tinha sido enviada essa mensagem não havia sido identificada inicialmente, mas a PF aponta suspeita de que o interlocutor seja o ministro Alexandre de Moraes. A informação foi divulgada inicialmente pelo site Metrópoles e confirmada pela reportagem.

A reportagem procurou, por mensagem às assessorias às 9h40 desta terça-feira (1º), Andrei, Gonet e Moraes, mas eles ainda não se manifestaram.

Mendonça deu um prazo de cinco dias para que a PGR se manifeste a respeito do documento da PF.

Por José Marques | Folhapress

Moraes editou contrato de R$ 131 milhões de Vorcaro com escritório de esposa

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), fez edições em contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master, de Daniel Vorcaro, antes de o documento ser assinado.

As informações constam em análise da Polícia Federal sobre metadados de documento do contrato que estava no celular do ex-banqueiro. A investigação foi divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Folha.

Em nota, o escritório Barci de Moraes diz que, "em virtude da abrangência do pedido de contratação de prestação de serviços advocatícios pelo Banco Master ao [escritório] Barci de Moraes, o setor de compliance do escritório, como faz em outros casos semelhantes, solicitou informações ao ministro Alexandre de Moraes, na condição de marido da sócia diretora do referido escritório".

Essas informações, diz a nota, tratavam de "eventual existência de impedimentos legais para a contratação nos termos propostos na minuta contratual, tais como ações no STF sobre sua relatoria ou mesmo participação em julgamentos de interesse do possível cliente".

"Diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal, uma vez que o ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios devidamente prestados", diz o escritório.

O escritório de Viviane já tinha admitido ter ter mantido um contrato com o Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, mês em que houve a liquidação do banco —o que equivale a 11 meses de serviços prestados em cada um dos anos.

No começo desta semana, o ministro André Mendonça, relator do inquérito do Master no Supremo, pediu que a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifeste sobre um documento da Polícia Federal no qual há mensagens em que Vorcaro pede a um interlocutor a atuação de "Andrei e Paulo" a seu favor.

A pessoa para quem tinha sido enviada essa mensagem não havia sido identificada inicialmente, mas a PF aponta suspeita que o interlocutor seja Moraes.

As referências seriam a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, o procurador-geral da República.

A reportagem procurou, por mensagem às assessorias às 9h40 desta terça-feira (1º), Andrei, Gonet e Moraes, mas eles ainda não se manifestaram.

Mendonça deu um prazo de cinco dias para que a PGR se manifeste a respeito do documento da PF.

Em março, o jornal O Globo revelou que Vorcaro trocou mensagens de WhatsApp com Moraes ao longo do dia em que foi preso pela primeira vez. A informação foi confirmada pela Folha.

Nas conversas, reveladas a partir de dados obtidos do celular de Vorcaro, o então banqueiro narra negociações para tentar salvar o Master. Ele faz referência a trativas com a financeira Fictor, cujo acordo seria anunciado na tarde daquele dia. "Estou tentando antecipar os investidores e tenho chances de conseguir assinar e anunciar ainda hoje uma parte", disse Vorcaro em um dos textos enviados.

Depois, durante a tarde, Vorcaro confirmou o suposto acordo com a Fictor, às 17h22. "Fiz uma correria aqui pra tentar salvar. Fiz o que deu, vou anunciar parte da transação", disse. Naquele momento, um comunicado sobre a transação foi à imprensa.

À época, Moraes disse que ele "não recebeu essas mensagens" que foram citadas em reportagens. "Trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal", completa.

Por Luísa Martins e José Marques, Folhapress

Mendonça não vê margem para trégua com PF no caso Lulinha, e Fachin tenta evitar escalada da crise

Ministro se queixa de demora da PF na investigação, e corporação reclama de interferência indevida

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), sinalizou a auxiliares que não vê margem para uma trégua com a Polícia Federal nas tensões que envolvem os inquéritos contra o empresário Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha.

A situação tem preocupado o presidente da corte, Edson Fachin, que articula um modo de evitar o agravamento da crise. A interlocutores ele disse que é seu dever preservar as instituições e, com discrição, tentar dialogar com todos os envolvidos.

O assunto mobilizou os bastidores do Supremo ao longo desta semana, em um cenário classificado por um magistrado aliado de Mendonça como "um corre-corre para baixar a temperatura".

Mendonça se queixa da demora da PF em apurações sobre as fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e vê uma tentativa de impedir que elas avancem sobre aliados e familiares do presidente Lula (PT), candidato à reeleição em 2026.

Já a corporação vê intromissões do relator na sua autonomia para conduzir os trabalhos, ao determinar, por exemplo, que qualquer mudança na equipe de investigadores lhe seja comunicada de antemão.

Integrantes da cúpula da PF afirmam que o pedido de abertura de três frentes de investigação contra Lulinha e uma operação policial contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) —no caso do Banco Master— demonstram que não há uso político das apurações.

Também dizem que Mendonça levou menos tempo para autorizar diligências contra Wagner do que contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, como o presidente do PP Ciro Nogueira e o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro.

Fachin se reuniu na semana passada com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, em reuniões descritas por um interlocutor como "audiências para aparar arestas".

Nos dias seguintes, contudo, cresceu o receio de que Mendonça pudesse proferir decisões drásticas, aptas a ampliar a erosão interna que já predomina no STF pelo menos desde o início do ano.

Um ministro chegou a alertar Fachin sobre a possibilidade de Mendonça estar sendo influenciado pelos delegados da PF que estão lotados em seu gabinete, e que são críticos da postura de Andrei como diretor-geral.

O relator da Operação Sem Desconto, por outro lado, afirma a pessoas próximas que atua com cautela e independência e que seu objetivo principal é garantir a integridade das investigações, respeitando o devido processo legal.

A mobilização de Fachin continuou nesta semana, quando ele se encontrou novamente com Lima e Silva e com o ministro-chefe da AGU (Advocacia-Geral da União), Jorge Messias, para tratar do assunto, mas não houve encaminhamentos concretos.

No início de agosto, Messias intermediou uma audiência entre Mendonça e o ministro da Justiça, que se dispôs a atuar como ponte para a recomposição da relação. Na ocasião, o magistrado do STF se mostrou disposto a isso, mas agora tem dito não ver mais espaço.

O entorno de Messias avalia que, devido ao perfil conciliador e republicano de Fachin, o presidente do Supremo pode ser um bom intermediador na busca de uma solução para esses conflitos.

O filho do presidente Lula (PT) é suspeito de cometer tráfico de influência no âmbito do governo. A defesa dele afirma que setores bolsonaristas da PF apresentaram um "quebra-cabeças de ilações" para tentar prejudicar a campanha do seu pai à reeleição.

Os atritos entre Mendonça e o diretor-geral da PF vêm desde o início das apurações da Operação Sem Desconto. Mendonça reclamou, por exemplo, de mudanças feitas na equipe e na estrutura da investigação sem o seu conhecimento prévio.

Uma troca na coordenação dos inquéritos, que levou a uma mudança dos delegados responsáveis, desagradou o ministro, assim como a saída de um perito e supostos atrasos na juntada de materiais resultantes de ordens de quebra de sigilo.

O magistrado decidiu determinar que todos os atos da investigação sejam imediatamente anexados pela PF ao processo que tramita em seu gabinete, o que incomodou a cúpula da PF.

Os 27 superintendentes lançaram uma nota em apoio ao diretor-geral, afirmando ser "indispensável a preservação da independência técnica das investigações e da autonomia necessária à gestão eficiente de seus recursos e prioridades".

Andrei também pediu que a AGU entre em cena para impedir as medidas ordenadas por Mendonça, por entender que elas representam uma intromissão do magistrado e uma violação à autonomia e à independência da corporação.

Messias, no entanto, resiste a apresentar um recurso formal em nome da PF contra a decisão de Mendonça. O advogado-geral avalia, segundo um auxiliar, que a saída para o atrito não passa por um ato jurídico, mas por uma construção política.

Nesta sexta-feira (28), o diretor-geral da PF disse que "a atuação técnica, imparcial e livre de qualquer viés político é o que nos permite defender a instituição de qualquer ataque, não importa de onde venha". Ele não citou Mendonça.

Em entrevista à TV Globo na quinta (27), Lula disse que as investigações sobre tráfico de influência são "ilações tiradas de telefonemas", mas que Lulinha precisa se defender. Afirmou, ainda, que não haverá interferências do seu governo para blindar o filho.
Por Luísa Martins/Catia Seabra/Ana Pompeu/Folhapress

Lulinha e 'Dark Horse' colocam Dino e Mendonça como principais antagonistas em racha interno do STF

                          Ministros Flávio Dino e André Mendonça em solenidade no STF
As investigações sobre a produção do filme "Dark Horse", que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro, e os inquéritos contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, colocaram os ministros Flávio Dino e André Mendonça como os principais antagonistas na divisão interna do STF (Supremo Tribunal Federal).

Ambos têm em seus gabinetes processos tramitando sobre os dois assuntos, considerados as principais armas das campanhas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do presidente Lula (PT). Um interlocutor dos ministros chegou a classificá-los como os atuais "cabeças de chave" de suas respectivas alas na corte.

Na cúpula do Supremo, a leitura é a de que são altas as chances de Dino e Mendonça terem entendimentos jurídicos distintos sobre uma mesma matéria. Com isso, o ritmo e os métodos adotados por um podem interferir no andamento dos processos do outro, agravando os pontos de atrito.

Ambos colecionam divergências em julgamentos no Supremo. Nas ações penais sobre os ataques de 8 de Janeiro, por exemplo, Mendonça votou para absolver acusados ou aplicar penas menores, enquanto Dino foi um dos magistrados mais firmes em defesa das condenações.

O antagonismo entre eles ganha ainda mais peso no contexto eleitoral, uma vez que as eventuais decisões dos ministros nos casos Lulinha e "Dark Horse" podem ter impactos positivos ou negativos para as campanhas de Lula ou de Flávio. Mendonça foi indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, enquanto Dino chegou à corte nomeado pelo petista.

Na sexta-feira (21), por exemplo, Dino autorizou o acesso da Polícia Federal às provas coletadas pela Polícia Civil de São Paulo sobre a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme sobre Bolsonaro. O material vai turbinar a investigação sobre a destinação de emendas parlamentares ao longa-metragem, que está sob sua relatoria.

A PF ainda não fez o mesmo pedido a Mendonça, responsável pelo inquérito que apura repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao filme. A investigação foi aberta após vir à tona um áudio em que Flávio pede R$ 61 milhões ao empresário para finalizar a obra.

Segundo uma pessoa a par das duas investigações, o compartilhamento de dados autorizado por Dino eleva a possibilidade de que o processo que está sob a sua relatoria, sobre as emendas supostamente enviadas ao filme, seja concluído mais rápido que o de Mendonça.

O fato de os dois ministros terem sob a sua responsabilidade inquéritos que apuram um suposto tráfico de influência por parte de Lulinha também tem gerado um impasse sobre o destino desses processos —se ficam no Supremo ou se serão enviados à primeira instância.

A PGR (Procuradoria-Geral da República) fez o pedido a Mendonça, responsável por duas investigações contra o filho de Lula. Não há informações sobre um requerimento semelhante feito ao gabinete de Dino, que é relator de um terceiro inquérito sobre Lulinha. Mas a expectativa é a de que a decisão do primeiro influencie na do segundo.

Mendonça sinalizou a pessoas próximas que planeja negar o pedido da PGR e manter os inquéritos sob a sua relatoria. Ele entende que as conversas interceptadas pela PF ainda podem apontar para a participação de pessoas com foro especial, o que justifica a tramitação do caso no Supremo.

Já Dino, segundo um auxiliar, inicialmente seria a favor de enviar ao primeiro grau por não ver envolvimento de autoridades com foro. Porém, como os casos são parecidos, ele se preocupa com uma possível falta de uniformidade no tratamento. Por isso, se Mendonça mantiver seus processos na corte, Dino também pretende fazê-lo.

O senador nega irregularidades quanto ao financiamento do filme, diz que o assunto é uma "página virada" na campanha e que a produtora já demonstrou que "estava tudo certinho". A defesa de Lulinha afirma que as suspeitas de tráfico de influência são "um quebra-cabeças de ilações". Em entrevista à Record, Lula disse que seu filho não está acima da lei e que a PF tem liberdade para investigá-lo.

A relação entre Dino e Mendonça é classificada por interlocutores de ambos como cordial na convivência pessoal, mas conflituosa em termos jurídicos. No ano passado, ambos tiveram uma discussão acalorada em plenário ao discutir se as penalidades deveriam ser mais duras em caso de crimes contra a honra de servidores públicos.

Mendonça disse que chamar alguém de ladrão é expressar uma opinião e afirmou que servidores públicos, como ministros do STF, não são distintos dos demais cidadãos. Dino rebateu: "Se um advogado subisse nessa tribuna e dissesse que Vossa Excelência é ladrão, ficaria curioso sobre a reação de Vossa Excelência". Prevaleceu o voto de Dino.

Ambos também discordaram em julgamentos como o do marco temporal da demarcação de terras indígenas (Mendonça a favor; Dino contra) e o da responsabilização das plataformas digitais. Mendonça disse ver um "forte efeito inibidor sobre a liberdade de manifestação", e Dino divergiu, chamando a atenção para os crimes que são cometidos pelas redes sociais.

O episódio mais recente do atrito foi na semana passada, mas ficou limitado às entrelinhas. Ao determinar que o vazamento de informações sobre o inquérito contra Lulinha fosse apurado, Mendonça defendeu a "irrestrita observância à garantia constitucional da preservação do sigilo da fonte".

A frase foi compreendida por ministros do STF como um recado a Dino e ao ministro Alexandre de Moraes, que dias antes, em sessão da Primeira Turma, haviam dito que o sigilo da fonte não era um direito absoluto e não poderia ser utilizado como escudo para a prática de crimes.

As discussões sobre o sigilo da fonte têm mobilizado os bastidores do Supremo desde a operação autorizada por Moraes contra informantes de um jornalista do Maranhão que publicou textos sobre Dino. Pablo Luís Conceição Almeida é suspeito de monitorar Dino ilegalmente. À Folha, ele negou irregularidades e defendeu o livre exercício profissional.

Por Luísa Martins e José Marques, Folhapress

Novo corregedor nacional de Justiça toma posse e pede a juízes resistência a pressões e conveniências

Benedito Gonçalves evita abordar temas como supersalários e regras para magistratura em discurso de posse no CNJ

O novo corregedor nacional de Justiça, Benedito Gonçalves, 72, defendeu nesta terça-feira (25), durante discurso na posse do cargo, que magistrados devem "resistir às pressões e não permitir que o poder, o medo e as conveniências se sobreponham ao dever de realizar a justiça".

Ele deu a declaração ao fazer referência ao trecho da obra "Oração aos Moços", discurso escrito por Rui Barbosa para formandos de direito, em que o jurista afirma que "todo o bom magistrado tem muito de heroico em si mesmo, na pureza imaculada e na plácida rigidez".

"Nessas palavras, não encontro apenas um elogio à magistratura, mas uma exigência dirigida a cada julgador: preservar a consciência, resistir às pressões e não permitir que o poder, o medo e as conveniências se sobreponham ao dever de realizar a justiça", disse.

Benedito Gonçalves, que é ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça), ficará à frente da Corregedoria até 2028. Ele substituiu Mauro Campbell Marques, que tomou posse como vice-presidente do STJ na última quarta (19).

O órgão no CNJ é responsável, por exemplo, por receber reclamações e denúncias de irregularidades por parte de juízes e também realizar sindicâncias, inspeções e correições, quando houver suspeitas de infrações graves.

Em seu discurso, Benedito Gonçalves evitou abordar temas considerados espinhosos para o Poder Judiciário, como desvios de condutas na magistratura, o pagamento de supersalários ou a proposta de criar regras para a participação de juízes em eventos.

Ele defendeu que "orientar antes de sancionar" e "prevenir antes de reprimir" não significa tolerar o descumprimento das regras da magistratura e afirmou que, no cargo, pretende unir rigor técnico com diálogo.

"Nosso CNJ foi criado após muitos debates sobre um controle de gestão do Judiciário. O exercício desta Corregedoria também deve estar orientado pela clareza e pela atenção à realidade concreta. Mais do que fiscalizar procedimentos, cabe à Corregedoria contribuir para que a Justiça seja acessível, eficiente e verdadeiramente comprometida com a sociedade", disse.

O novo corregedor também afirmou que a transformação tecnológica é um "desafio incontornável" dos dias atuais. Segundo ele, a ferramenta pode contribuir para tornar o trabalho mais eficiente, mas nunca poderá substituir a presença e nem afastar o juiz da realidade local.

"Lugar de juiz é na comarca, na jurisdição, no foro, na unidade judiciária e próximo à sociedade que depende do serviço", disse.

"Os recursos devem reduzir tempos improdutivos, revelar gargalos e qualificar a gestão, mas a tecnologia é instrumento, não substituto da responsabilidade humana. A inovação deve estar sempre subordinada à transparência, às garantias processuais e aos direitos fundamentais. A justiça do futuro não será apenas mais digital, terá que ser mais clara, acessível, simples, confiável e humana", completou.

A cerimônia de posse do novo corregedor reuniu diversas autoridades em Brasília, como os presidentes do CNJ e do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, do STJ, Luis Felipe Salomão, e do TST (Tribunal Superior do Trabalho), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), o ministro do STF Alexandre de Moraes, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também estiveram presentes.

Em sua fala, Edson Fachin voltou a repetir uma de suas principais bandeiras à frente do Supremo ao declarar que "não há verdadeira independência judicial sem ética" e fez elogios a Benedito Gonçalves.

Segundo o presidente do STF, "poucas trajetórias na magistratura brasileira contemporânea ilustram tão bem a defesa da democracia" quanto a do ministro.

"Como corregedor-geral da Justiça Eleitoral, coube-lhe atuar diante da desinformação e de inaceitáveis tentativas de se questionar o processo eleitoral brasileiro. E sua excelência o fez como devem agir os magistrados: por meio dos autos, das provas, da Constituição e da lei", declarou.

Em 2022, Benedito Gonçalves se tornou peça-chave da eleição por decisões que atingiram suposta rede de desinformação ligada ao então presidente Jair Bolsonaro (PL) e limitaram ganhos políticos do chefe do Executivo com o uso da máquina pública.

Na corte eleitoral, o magistrado também foi o relator da ação que tornou o ex-presidente inelegível por oito anos.

"Há muitas maneiras de se defender a democracia. Há aqueles que a defendem no plano das ideias, dos livros, dos discursos. E há aqueles a quem as circunstâncias da vida pública impõem uma tarefa diferente, por vezes muito mais complexa: defender a democracia quando a sua ameaça deixa de ser uma abstração, quando as instituições são tensionadas, quando a verdade dos fatos é confundida e a desinformação pretende ocupar espaço", disse Fachin.
Por Isadora Albernaz/Folhapress

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