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Convenção republicana reúne ex-rivais e dá força a Trump

O segundo dia da convenção do Partido Republicano em Milwaukee, no estado de Wisconsin, serviu como uma vitrine da transformação radical pela qual a sigla passou desde que foi completamente tomada pela figura e ideologia do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump.

A relação de nomes que estavam previstos para discursar nesta terça-feira (16) está repleta de ex-rivais e detratores de Trump dentro do partido que agora correm para apoia-lo: o governador da Flórida, Ron DeSantis, que já disse que o ex-presidente prejudica os republicanos; a ex-governadora da Carolina do Sul Nikki Haley, que já chamou Trump de incapaz de ser presidente; o senador Marco Rubio, que já disse que o candidato à Casa Branca era um vigarista e acaba de ser preterido como vice da chapa, entre outras figuras de maior ou menor relevância no partido.

Entretanto, tão reveladora quanto a fila de adversários que agora asseguram a base republicana que estão com Trump é a lista dos ausentes. Não vão comparecer à convenção em Wisconsin políticos que já foram o centro de gravidade do partido e que, diferente dos presentes, seguem criticando fortemente Trump —uma posição que, hoje, significa suicídio político para republicanos e garante o ostracismo dentro do partido.

Não estará em Milwaukee o senador Mitt Romney, que em 2012 conquistou a nomeação do partido para disputar a Casa Branca contra Barack Obama, perdendo por apenas dois estados. Romney sustenta que Trump é uma ameaça à democracia americana e votou com democratas a favor do impeachment do ex-presidente após a invasão do Capitólio em janeiro de 2021 —o Senado, controlado por republicanos, barrou o afastamento de Trump na época.

A distância entre Romney e seu partido foi tanta que o político anunciou no ano passado que não vai tentar a reeleição ao Senado este ano.

Também não comparecerão à convenção o ex-presidente George W. Bush, eleito para dois mandatos, e o ex-vice-presidente Mike Pence, que se afastou de Trump depois de ter recusado o pedido do então presidente de adiar a certificação da vitória de Joe Biden nas eleições de 2020. Por essa decisão, o republicano chegou a defender manifestantes que gritaram “enforque Mike Pence” durante a invasão do Capitólio, quando apoiadores de Trump tentaram impedir justamente essa certificação.

Analistas ouvidos pela imprensa americana apontam que essa experiência pode ter ajudado Trump a escolher seu candidato a vice desta vez: o senador J.D. Vance já disse que faria o que Mike Pence não fez e não certificaria os resultados da eleição de 2020. Vance defende a narrativa de Trump de que o pleito foi fraudado, uma afirmação feita sem provas.

A escolha de Vance como vice também reforça a percepção de que o controle de Trump sobre o Partido Republicano é tanto que ele não está mais preocupado em ampliar sua base interna. Os dois outros cotados, Marco Rubio e o governador da Dakota do Norte, Doug Burgrum, dialogavam com outras alas da sigla —Rubio tem ascendência latina e fala espanhol, podendo ser uma ponte com esse eleitorado, enquanto Burgrum é um nome tradicional do empresariado republicano e poderia acalmar possíveis preocupações de investidores sobre Trump.

Ao invés disso, o ex-presidente escolheu Vance, representante da classe operária branca do Cinturão da Ferrugem dos EUA e com posições à direita até mesmo de Trump em questões como a do aborto —o senador é a favor de uma lei federal que proíba a interrupção da gravidez em todo o país, derrubando a proteção ao procedimento em estados mais progressistas.

Em outras áreas, Vance ecoa as posições de Trump, inclusive neste que vem sendo um dos temas-chave das eleições presidenciais dos EUA: imigração. O senador já enfatizou que “as fronteiras abertas de Joe Biden” significam que “mais drogas ilegais e mais eleitores democratas estão invadindo o país”.

A fala é uma alusão à ideia de que a entrada de imigrantes é tolerada pelo partido adversário porque essas pessoas, em tese, tendem a apoiar democratas, mas também conversa com a teoria da conspiração racista da “grande substituição”, que coloca a imigração desenfreada como parte de um plano para erradicar pessoas brancas nos EUA e na Europa.

Não por acaso, o tema do segundo dia da convenção republicana é “Make America Safe Again”, torne a América segura de novo, uma variação do slogan de campanha de Trump “torne a América grande de novo”. O foco dos discursos de candidatos ao senado e outros palestrantes é a criminalidade nos EUA, atrelada tanto por Trump quanto por seus apoiadores à imigração ilegal e à suposta ação de criminosos vindos da América Latina.

Estão previstas falas que destaquem crimes violentos cometidos por imigrantes em situação irregular, como a morte da estudante de enfermagem Laken Riley em fevereiro. De acordo com a polícia, Riley foi assassinada por um imigrante venezuelano que havia recebido permissão de ficar nos EUA enquanto esperava uma decisão da Justiça sobre sua permanência.

Os palestrantes devem relacionar este e outros crimes ao governo Biden, que enfrenta um número recorde de imigrantes entrando nos EUA por dia, e apoiar as propostas de Trump para a questão. O ex-presidente pretende aumentar operações contra pessoas em situação irregular, realizar deportações em massa e até construir campos de detenção para imigrantes.

Na segunda (15), Trump fez uma breve aparição no evento, a primeira desde a tentativa de assassinato contra ele no sábado (13). O ex-presidente estava com um curativo na orelha direita, onde foi atingido de raspão por uma bala durante um comício na Pensilvânia, e foi recebido por apoiadores com fortes aplausos.

Victor Lacombe/Folhapress

Eleições EUA: Elon Musk vai doar cerca de US$ 45 milhões por mês para comitê pró-Trump mundo

Elon Musk disse que planeja comprometer cerca de US$ 45 milhões por mês para um novo supercomitê de ação política que apoia a candidatura presidencial do ex-presidente Donald Trump, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Outros apoiadores do grupo, chamado America PAC, incluem o cofundador da Palantir Technologies, Joe Lonsdale, os gêmeos Winklevoss, a ex-embaixadora dos EUA no Canadá Kelly Craft e seu marido, Joe Craft, que é CEO da produtora de carvão Alliance Resource Partners.

Formado em junho, o America PAC está focado em registrar eleitores e convencer os constituintes a votarem antecipadamente e solicitarem cédulas pelo correio em estados indecisos, de acordo com uma das pessoas. A coligação avaliou que os Democratas têm historicamente tido campanhas muito robustas para “conseguir o voto” em lugares chave. Fonte: Dow Jones Newswires.

Estadão Conteúdo

Trump anuncia J.D. Vance, senador por Ohio, como vice na disputa pela Casa Branca

Donald Trump escolheu J.D. Vance como vice de chapa na disputa pela Presidência dos EUA.

O anúncio, feito nesta segunda (15) na rede social Truth em paralelo à convenção republicana, encerra um mistério que vinha sendo feito há meses. A demora é atribuída tanto a um cálculo político —estender o suspense ao máximo para impulsionar o impacto da notícia— quando a uma indecisão de Trump sobre seu companheiro de chapa.

Vance, 39, é senador por Ohio. Originalmente um investidor de risco, ele ganhou projeção nacional em 2016 com o livro best-seller “Hillbilly Elegy” (“Era uma Vez um Sonho”, na tradução para o português), adaptado para o cinema em 2020. Na obra, Vance faz um retrato da classe trabalhadora branca americana ao contar sua própria origem pobre no Cinturão da Ferrugem.

O senador foi eleito pela primeira vez em 2022, endossado por Trump. A relação entre os dois, no entanto, começou conflituosa: Vance era um duro crítico do republicano. Ele já chegou a comparar Trump com Hitler, chamar o trumpismo de “ópio das massas” e afirmar que o empresário “não está apto para o mais alto cargo de nossa nação” em 2016.

Anos depois, quando decidiu lançar-se ao Senado, ele procurou Trump e ganhou o endosso do ex-presidente. Em entrevistas, Vance justificou a mudança radical de posição dizendo que mudou de opinião ao longo da presidência do empresário, que avalia como positiva.

Sua curta carreira no Congresso, porém, é vista como um dos pontos negativos da escolha. Outra questão é a posição de Vance sobre aborto —enquanto Trump tem defendido uma postura moderada, para não alienar eleitores, o senador já apoiou a proibição do procedimento adotada no Texas e criticou exceções feitas para casos de estupro e incesto. Recentemente, ele tem suavizado seu discurso para se aproximar de Trump.

Já os pontos fortes de Vance são sua idade —em uma corrida em que o tema ganhou centralidade— e sua eloquência. Ele é um convidado frequente em programas de TV, e sua performance é elogiada por Trump.

A convenção republicana, que ocorre em Milwaukee, no Wisconsin, vai oficializar a chapa do partido à Presidência. Na quarta, o vice deve fazer um discurso e, na quinta, Trump aceitará a nomeação.

O evento, que atrai ampla cobertura da imprensa, serve como uma oportunidade de projeção da candidatura para um eleitorado mais amplo, e está atraindo ainda mais atenção após a tentativa de assassinato sofrida por Trump durante um comício no sábado na Pensilvânia.

O republicano lidera das pesquisas de intenção de voto e, desde que perdeu a Casa Branca, ampliou ainda mais seu domínio sobre o partido. Diferentemente de 2016, quando o empresário precisava de um vice que fosse uma ponte com o establishment do partido e o eleitorado evangélico, encontrada em Mike Pence, dessa vez um vice importa muito pouco para ele em termos eleitorais.

Assim, pesou mais no cálculo de Trump a lealdade, reflexo do conflito vivido entre ele e Pence. A tensão atingiu o ápice no 6 de Janeiro, quando o ex-presidente o pressionou para rejeitar a confirmação da vitória de Joe Biden pelo Congresso —nos EUA, o vice preside o Senado e a sessão conjunta das duas Casas.

Pence se negou a fazer isso, afirmando que não teria poder constitucional para tal. Apoiadores do ex-presidente invadiram o Capitólio nesse dia, interrompendo o procedimento pela força. Desde então, os dois romperam relações, e Pence se tornou um dos principais críticos de Trump no partido, chegando a concorrer contra o empresário pela nomeação republicana.

Vance, por sua vez, já afirmou que não teria certificado o resultado da eleição imediatamente se estivesse na posição de Pence.

Fernanda Perrin/Folhapress

Juíza arquiva processo contra Trump sobre documentos sigilosos em decisão surpresa

                 O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump
A juíza Aileen Cannon, indicada por Donald Trump, arquivou nesta segunda (15) o processo criminal contra o ex-presidente no qual ele é acusado de posse ilegal de documentos sigilosos que tratam da segurança nacional dos Estados Unidos.

O processo federal foi apresentado por Jack Smith, conselheiro especial do Departamento de Justiça. Na decisão, o argumento usado pela juíza é que a indicação de Smith para o cargo violou a Constituição porque ele não foi apontado pelo presidente ou confirmado pelo Senado.

O conselheiro especial pode recorrer da decisão.

A acusação havia sido apresentada pelo procurador em junho do ano passado, e se arrastava na Justiça desde então. A decisão da juíza de arquivar o processo agora é uma surpresa, e acontece dois dias após o ex-presidente ser alvo de uma tentativa de assassinato em um comício na Pensilvânia.

O arquivamento também ocorre no mesmo dia em que começa a convenção republicana, em que Trump será oficializado o candidato do partido.

“A moção para arquivamento do ex-presidente Donald Trump com base na indicação e financiamento ilegal do conselheiro especial Jack Smith é concedida de acordo com essa ordem. A acusação é arquivada porque a indicação do conselheiro especial Smith viola a cláusula de indicações da Constituição dos Estados Unidos”, escreveu Cannon na decisão.

Trump comemorou a decisão em sua rede social, a Truth, afirmando que o arquivamento confirma sua alegação, sem provas, de que o processo é fruto de perseguição política por Joe Biden.

“Enquanto avançamos na unificação da nossa nação após os eventos horríveis de sábado, essa anulação da acusação ilegal na Flórida deve ser apenas o primeiro passo, seguido rapidamente pela anulação de TODAS as Caças às Bruxas”, afirmou, listando em seguida os outros dois processos pendentes contra ele e a condenação em Nova York.

“O Departamento de Justiça democrata coordenou TODOS esses ataques políticos, que são uma conspiração de interferência eleitoral contra o oponente político de Joe Biden, EU. Vamos nos unir para ACABAR com toda a armação do nosso sistema de Justiça e tornar a América grande novamente!”, completou.

Fotos obtidas na investigação mostram caixas de papéis empilhadas até em um banheiro do resort Mar-a-Lago, na Flórida. Além do ex-presidente, havia mais dois réus nesse caso: Walt Nauta, ajudante de Trump, e o português Carlos De Oliveira, gerente da propriedade.

Eram 40 acusações, referentes a retenção intencional de informação de defesa nacional e conspiração para obstrução da Justiça. Desse total, 32 preveem reclusão de até 10 anos cada, 6 de até 20 anos, e 2 de até 5 anos.

O julgamento chegou a ser marcado para começar em 20 de maio, mas foi adiado indefinidamente pela juíza, de um circuito da Justiça federal na Flórida, enquanto questões pré-julgamento não eram resolvidas. Cannon já vinha sendo criticada, sobretudo por democratas, pela demora.

Segundo a investigação que embasou o processo, agora arquivado, três meses após Trump deixar a Casa Branca, assessores moveram para o banheiro do resort de Mar-a-Lago, na Flórida, caixas com papéis do governo que não deveriam ter deixado Washington.

Em maio, essas caixas foram levadas a um depósito. De janeiro de 2021 a agosto de 2022, quando houve operação do FBI no local, os documentos foram manuseados várias vezes e chegaram a ser armazenados em um banheiro e em um salão de festas.

Segundo a denúncia, os documentos “incluíam informações sobre as capacidades de defesa e armamentos tanto dos EUA quanto de países estrangeiros; programas nucleares, vulnerabilidades potenciais do país e de seus aliados a ataques militares; e planos para possíveis retaliações em resposta a ataques estrangeiros”.

A acusação dizia ainda que Trump abriu os documentos secretos a pessoas sem credenciais de segurança em pelo menos duas ocasiões. Em julho de 2021, no Trump National Golf Club, em Nova Jersey, deu entrevista a um escritor, um editor e dois funcionários em que mostrou e detalhou um plano de ataque ao Irã que disse ter sido preparado pela Defesa americana.

Em outra conversa, que a denúncia diz ter ocorrido em agosto ou setembro de 2021 no mesmo clube, ele mostrou a um apoiador político um mapa de uma operação militar e disse que não deveria compartilhar aquela informação.

Há ainda outros dois processos criminais em aberto contra ele, um na Geórgia por tentativa de reverter a derrota na eleição no estado e outro federal, também liderado por Smith, em que ele é acusado de tentar reverter a derrota nacionalmente.

Fernanda Perrin/Folhapress

Trump lamenta morte de apoiador em comício; eleitores se juntam em ato em NY

O ex-presidente americano Donald Trump publicou neste domingo (14) sua segunda mensagem desde que foi alvo de um atentado a tiros na véspera, durante comício no estado da Pensilvânia.

O texto, divulgado na plataforma criada pelo próprio líder, Truth Social, tem forte componente religioso, e pede que os apoiadores do republicano sigam “resilientes na nossa Fé e desafiadores diante da Maldade”.

Também presta solidariedade às demais vítimas do tiroteio —um participante do comício foi morto, e outros dois estão feridos em estado grave.

“Nosso amor vai para as demais vítimas e seus familiares. Rezamos para a recuperação daqueles que foram feridos, e guardamos nos nossos corações a memória do cidadão que foi morto de forma tão horrível”, escreveu Trump.

Ainda no texto, Trump disse que foi “só Deus que impediu que o inimaginável acontecesse”. O candidato à Presidência pelo Partido Republicano foi ferido na orelha, mas foi retirado do palco por agentes do Serviço Secreto e passa bem. O suposto atirador foi morto por agentes de segurança naquele mesmo instante.

O líder conservador ainda confirmou que pretende participar nos próximos dias de um evento de campanha no estado de Wisconsin, o que seus assessores já tinham antecipado.

“Neste momento, é mais importante do que nunca que permaneçamos Unidos e que mostremos nosso Verdadeiro Caráter enquanto americanos, permanecendo Fortes e Determinados e não permitindo que o Mal Vença. Eu amo verdadeiramente nosso País, e amo todos vocês, e estou ansioso pela oportunidade de falar à nossa Grande Nação nesta semana em Wisconsin”, escrevem.

APOIADORES SE REÚNEM EM FRENTE À TRUMP TOWER
Um a um, do sábado para o domingo, eles encheram a Quinta Avenida em Nova York —moradores locais, turistas, curiosos e fãs— confiantes de que, naquela noite, teriam companhia na Trump Tower.

Christine Randall, 59, estava assistindo de sua casa em Manhattan o comício do ex-presidente Donald Trump, realizado em Butler, na Pensilvânia, quando soaram os tiros.

“Eu achei que talvez ele estivesse morto. Comecei a chorar”, disse Randall pouco antes das 22h do sábado (13). “Quando ele se levantou, fiquei tão feliz.”

Ela conta que em seguida pegou seu boné “Make America Great Again” (Faça a América Grande de Novo, em português) e uma bandeira com a inscrição “Take America Back” (Retome a América) e começou a caminhar em direção ao edifício do ex-presidente.

Ela não estava sozinha.

Com uma muralha de policiais guardando a entrada dourada da torre e um punhado de câmeras de TV próximas, cerca de duas dezenas de pessoas se reuniram, mesmo horas depois dos disparos, para demonstrar seu apoio a Trump e e para buscar algum consolo entre os abalados.

Eles trocavam históricas sobre onde estavam no momento do tiroteio e tiravam fotos dos enfeites e adereços vermelhos pró-Trump uns dos outros.

Acenavam para os motoristas e motociclistas que buzinavam ou levantavam o punho ao passarem pela rua ao lado —”Nós te amamos, Trump! Nós te amamos”, alguém gritou da rua.

“Eu vou ficar aqui a noite inteira”, disse Lynda Andrews, 51, vestindo um boné pró-Trump, uma blusa vermelho brilhante e segurando uma bandeira americana.

Andrews disse que é originária da Pensilvânia, o estado onde o comício ocorreu. Ela afirmou ter “entrado em choque” enquanto assistia, de sua casa no Harlem, o evento com Trump.

“Eu vi ele [Trump] levantar sua mão”, Andrews disse. “Fiquei pensando: esse é o meu cara”.

Ela então trocou de roupa e partiu em direção ao centro da cidade.

Folhapress

Eleições EUA: Trump pode explorar imagem de força em contraste à de Biden, dizem especialistas

Ao permanecer vivo após sofrer uma tentativa de assassinato durante um comício na Pensilvânia, no sábado, 13, o ex-presidente americano Donald Trump deve trabalhar a sua imagem como um homem “resiliente e viril”, o que pode reforçar um contraste com o seu adversário, Joe Biden, segundo especialistas ouvidos pelo Broadcast Político.

Tiros interromperam no sábado um evento do candidato republicano, que foi retirado às pressas com um ferimento na orelha. Ensanguentado, saiu em fotos com o punho erguido. O caso é investigado como tentativa de assassinato, segundo o FBI.

Para Rafael Cortez, sócio da Tendências Consultoria e professor do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), o acontecimento não deve revolucionar o quadro eleitoral, mas dá oportunidades de uma campanha mais favorável aos republicanos.

Primeiramente, aponta o especialista, o evento abre espaço a vitimização de Trump, uma vez que ocorreu na presença de um grande público, foi amplamente registrado por imagens e deve gerar desdobramentos devido às apurações policiais.

Na análise de Cortez, o ex-presidente poderá enfatizar atributos que reforcem diferenças físicas com relação a Biden. Ambos têm idades elevadas, mas o adversário tem sido alvo de questionamentos sobre as suas condições físicas para uma reeleição.

“O evento deve propiciar imagens de um Trump resiliente, reforçando uma força do Trump e uma fraqueza do Biden”, projeta Cortez. “As redes sociais já mostram isso, com a circulação de imagens de forte apelo nessa ótica.”

Para Cortez, porém, ainda é preciso verificar como os eleitores vão interpretar os acontecimentos. Por um lado, segundo ele, o atentado a Trump pode aumentar a presença dos republicanos nas urnas, em um sistema eleitoral cujo voto não é obrigatório. Por outro, parte dos americanos pode se posicionar com desconfiança e crer que houve manipulação. Ou seja, o mesmo evento será passível de opiniões muito distintas.

Roberto Goulart Menezes, pesquisador do Instituto Nacional de Estudos sobre os Estados Unidos, também avalia que a exploração dessa imagem de “virilidade” é uma possibilidade para Trump, mas pondera que o sucesso dessa estratégia depende das investigações

Para Menezes, Trump deve sustentar a ideia de que é perseguido e de que estão tentando tirá-lo da competição à força. Por outro lado, os democratas provavelmente argumentarão que a maior circulação de armas é nociva à população, inclusive aos presidentes.

“Um Trump inabalável é uma imagem possível de ser explorada por eles. A imagem auto-atribuída de um Trump viril”, aponta o especialista, que também é professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília. “No entanto, é preciso aguardar a investigação e saber as conexões com a candidatura em si do Trump.”

O Serviço Secreto dos EUA informou que o atirador começou o tiroteio por volta de 18h15 (horário local), disparando múltiplos tiros de uma posição elevada fora do local onde aconteceu o comício, e foi morto logo em seguida pelas forças de segurança.

Diante de comparações do atentado a Trump com a facada em Jair Bolsonaro (PL) na campanha eleitoral de 2018, os professores veem situações divergentes.

Embora a vitória de Bolsonaro naquele ano sugira que Trump trilhe o mesmo caminho, Cortez e Menezes destacam que, na época, o candidato brasileiro era mais desconhecido. Com curto espaço na televisão, Bolsonaro cresceu nas pesquisas após o atentado. De 19% no Datafolha de agosto, passou do 1º turno com 46%. Na disputa, também houve uma troca do principal candidato adversário, devido à prisão de Luiz Inácio Lula da Silva.

Trump, por sua vez, já foi presidente dos Estados Unidos e tem espaço na mídia, portanto, sua imagem está mais estabelecida para seus eleitores e seus opositores. O quadro, portanto, é de uma polarização ainda maior.

“No caso do Trump, o cenário já está polarizado. Com Bolsonaro, em 2018, ainda não estava polarizado tal como nos tempos de agora nos Estados Unidos”, pontua Menezes.

A campanha da candidatura republicana diz que Trump irá à convenção do partido entre os dias 15 e 18 de julho, em Milwaukee, onde será anunciado oficialmente como o nome da legenda para a Casa Branca. Os assessores do ex-presidente dizem que ele está “bem”. As eleições estão marcadas para novembro deste ano.

Em pronunciamento à imprensa, Biden condenou a violência política no País. “A ideia de que existe violência política ou violência como esta na América é simplesmente inédita. Simplesmente não é apropriado. Todos devem condená-la”, disse o presidente.

Victor Ohana/Estadão Conteúdo

Veja o que se sabe sobre atentado contra o ex-presidente Donald Trump

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi alvo de tiros enquanto discursava em um comício em Butler, no estado da Pensilvânia, neste sábado (13).

Após o ataque, era possível ver sangue escorrendo no rosto de Trump. Seus assessores afirmaram que ele passa bem.

Saiba o que já se sabe sobre o ataque sofrido por Trump.

QUANDO E EM QUE CONTEXTO ELE OCORREU?
Em campanha para retornar à Casa Branca, Trump fazia comício neste sábado em Butler, cidade a cerca de uma hora de Pittsburgh, segunda cidade mais populosa da Pensilvânia. O estado é um dos que são considerados decisivos para o pleito americano por seu eleitorado não ser fiel a nenhum partido.

O discurso do ex-presidente foi interrompido pelo som de tiros.

Vídeos mostram Trump colocar as mãos no rosto e se abaixar em busca de proteção, assim como os seus apoiadores.

Após ser protegido por sua equipe, o ex-presidente fechou e levantou o punho direito, aos gritos de “USA” (sigla para Estados Unidos da América, em inglês).

TRUMP FOI ATINGIDO?
Segundo o próprio Trump, ele foi atingido por uma bala que perfurou a parte superior da sua orelha direita.

Seus assessores afirmaram que ele passa bem.

O esquema de segurança em torno de Donald Trump tornou-se alvo de questionamentos após o ex-presidente ser ferido. O principal alvo é o Serviço Secreto, responsável pela avaliação prévia de segurança, organização do esquema e supervisão da área.

Houve outras vítimas além dele?

O Serviço Secreto dos EUA informou em nota que um participante do comício foi morto e outros dois estão feridos em estado grave.

Além deles, o suposto atirador também foi morto, por agentes de segurança.

QUEM ERA O SUPOSTO ATIRADOR E O QUE MOTIVOU O ATAQUE?
O FBI, a polícia federal americana, revelou, no início deste domingo (14), a identidade do atirador de Butler.

Trata-se de Thomas Matthew Crooks, um jovem de 20 anos,

Eles também declararam que a motivação por trás do ataque não foi determinada.

O incidente está sendo investigado como uma tentativa de homicídio.

Segundo o New York Times, um fuzil tipo do AR semiautomático foi encontrado na cena do crime.

QUAIS OS IMPACTOS DO ATENTADO PARA AS ELEIÇÕES À PRESIDÊNCIA DOS EUA?
O acontecimento embaralha ainda mais a corrida eleitoral pela Casa Branca. Trump lidera a corrida por uma margem apertada, segundo pesquisas de intenção de voto. Apostas em uma vitória do ex-presidente na eleição cresceram no site Polymarket em US$ 0,10 (R$ 0,54), para 70%.

A convenção republicana, em que ele será oficializado como o candidato do partido, está programada para começar nesta segunda (15). Segundo sua campanha, ele vai participar do evento.

COMO LÍDERES MUNDIAIS E OUTRAS FIGURAS INFLUENTES REAGIRAM AO EPISÓDIO?
O principal adversário de Donald Trump na corrida eleitoral, o presidente Joe Biden, condenou o atentado. Em pronunciamento, o democrata chamou de doentia a violência por trás dos disparos.

Segundo a Casa Branca, o líder chegou a falar com Trump na noite de sábado, mas o conteúdo da conversa não foi detalhado.

No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o episódio era inaceitável e “deveria ser repudiado veementemente por todos os defensores da democracia e do diálogo na política”.

Enquanto isso, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros políticos do campo da direita no país publicaram mensagens em apoio e solidariedade ao candidato. Parte deles também está usando o atentado para criticar a esquerda e retomar o episódio da facada em Bolsonaro na campanha brasileira.

Ainda entre os líderes internacionais, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, disse “condenar fortemente o ataque” e afirmou que “violência não tem espaço na política e em democracias”.

Já na seara empresarial, uma das primeiras declarações de apoio a Trump foi a do bilionário Elon Musk, presidente da SpaceX e da Tesla, que rapidamente usou a rede social de que é dono, X, para afirmar que “endossa totalmente o presidente [sic] Trump”. “Espero sua rápida recuperação”, escreveu.

Outro bilionário americano, Bill Ackman —que ganhou projeção ao fazer críticas contra a primeira mulher negra a ocupar o posto de reitora da Universidade Harvard—, também apoiou a candidatura do republicano após o episódio deste sábado. “Acabei de endossá-lo”, escreveu ele no X.

O fundador da Amazon, Jeff Bezos, elogiou a coragem de Trump durante o ocorrido. “Estou muito grato por sua segurança e triste pelas vítimas e suas famílias”, publicou.

Tim Cook, CEO da Apple, disse estar rezando por Trump e pelas vítimas do atentado. “Condeno fortemente essa violência”, disse ele.

Folhapress

Trump cai do palco durante comício na Pensilvânia com sangue no rosto; tiros são ouvidos

Neste sábado (13), durante um comício na Pensilvânia, o ex-presidente Donald Trump caiu no palco. O incidente ocorreu em meio a sons confusos, que pareciam tiros, captados pela transmissão ao vivo do evento. A informação é do jornal “O Globo”.

De acordo com o Times, Trump foi rapidamente escoltado para sua comitiva em Butler, uma cidade rural cerca de uma hora ao norte de Pittsburgh. O Serviço Secreto retirou Trump do palco com urgência após a sequência de disparos. O público está sendo evacuado do local neste momento.

Biden tenta salvar campanha, enquanto Trump se prepara para convenção republicana mundo

Os partidos Democrata e Republicano dos Estados Unidos intensificaram neste fim de semana campanhas no Estado da Pensilvânia, considerado uma das regiões-chave para garantir vantagem na corrida presidencial. De um lado, a equipe do presidente Joe Biden – liderada pela vice-presidente Kamala Harris e pela primeira-dama Jill Biden – participa de eventos pelo lado democrata, apesar da crescente pressão para sua substituição no pleito. Do outro, o ex-presidente Donald Trump se prepara para a convenção republicana e amplia suspense quanto ao nome escolhido para concorrer como seu vice-presidente.

Ontem (12), Biden reforçou em um comício sua promessa de continuar na disputa. Desde o péssimo desempenho no debate contra Trump, o número de democratas pedindo por sua saída tem aumentado e a lista inclui aliados políticos, doadores e celebridades.

Espera-se que Biden tenha uma nova reunião virtual hoje com os membros das duas maiores bancadas democratas no Capitólio, conforme tenta recuperar o ímpeto de sua campanha de reeleição. Ainda neste sábado, a vice Kamala Harris discursará para a comunidade de eleitores asiáticos americanos, em busca de mobilizá-los a favor de Biden e do partido democrata, durante evento presencial na Pensilvânia.

Já o ex-presidente Donald Trump participará de um comício no Butler Farm Show, próximo da cidade de Pittsburgh. Essa será uma das últimas chances para que o republicano anuncie publicamente o nome do seu vice-presidente antes da convenção republicana, que começa na segunda-feira (15), em Milwaukee.

Nas últimas semanas, o republicano deixou claro que pretende fazer uma revelação surpresa e “dramática” sobre o escolhido para concorrer ao seu lado na eleição presidencial americana, de preferência durante a convenção do partido ou logo antes.

Entre os nomes especulados estão o governador de Dakota do Norte, Doug Burgum, o senador de Ohio, JD Vance, e o senador da Florida, Marco Rubio. Nenhum deles, entretanto, deve comparecer ao comício deste sábado, revelaram duas fontes com conhecimento do assunto à Associated Press e que, assim como outras, pediram anonimato para falar sobre os planos. (Com informações da Associated Press)

Estadão Conteúdo

Após chamar Zelensky de Putin, Biden confunde Kamala com Trump

O presidente Joe Biden confundiu o nome da vice-presidente, Kamala Harris, com o adversário Donald Trump em uma entrevista coletiva a jornalistas nesta quinta (11). A confusão ocorreu quando ele respondia à primeira pergunta que recebeu, sobre como ele avaliaria o desempenho da companheira de chapa na hipótese de ela se tornar a candidata à Presidência.

“Eu não teria escolhido o vice-presidente Trump para ser vice-presidente se não acreditasse que ele fosse qualificado para ser presidente”, disse, quando na verdade se referia a Kamala.

Logo antes da coletiva, o presidente cometeu uma gafe semelhante, introduzindo o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, como “Putin” durante o encerramento da cúpula da Otan. Nesse caso, porém, ele se corrigiu rapidamente, mas a cena já correu o noticiário dos principais jornais americanos.

Questionado sobre a troca de nomes dos presidentes em guerra, Biden deu risada e afirmou que ele se corrigiu rapidamente e que em seguida citou outros cinco nomes corretamente.

“Você viu algum dano à nossa reputação por eu estar liderando esta conferência [da Otan]? Você viu alguma conferência mais bem-sucedida? O que você acha?”, respondeu o presidente ao repórter, em tom confrontativo.

A coletiva, que acontece agora, é um momento raro de interação do presidente com a imprensa, e está sendo alvo de amplo escrutínio após o debate desastroso no mês passado colocar em dúvida sua capacidade cognitiva e física de exercer um novo mandato.

“Eu não estou fazendo isso pelo meu legado, estou fazendo para terminar o trabalho que comecei”, disse Biden. “Eu acho que sou a pessoa mais qualificada para concorrer à Presidência. Eu ganhei dele uma vez e vou ganhar de novo.”

Biden adotou uma postura mais incisiva, na tentativa de demonstrar força e recuperar sua imagem. Ainda assim, ele cometeu alguns deslizes, demonstrando dificuldade para formular algumas frases e trocando palavras, mas nada comparável ao desastre observado no debate contra Trump no mês passado.

O democrata voltou a culpar sua agenda cheia nas últimas semanas, com viagens a Europa para o encontro do G7 e eventos de campanha pelo país, pelo cansaço que teria contribuído para seu mal desempenho em Atlanta.

O presidente ainda aproveitou o início do discurso para defender o que vê como conquistas de seu mandato, destacando o fortalecimento da Otan e o apoio dos EUA a aliados, a inflação desacelerando, conforme dados divulgados na manhã desta quinta, e a costura de um acordo para encerrar o conflito entre Israel e Hamas em Gaza.

Tossindo um pouco, como no debate, o presidente acusou seu “predecessor”, sem citar Trump, de não estar comprometido com a Otan. Questionado sobre o temor entre aliados do que um retorno do empresário significaria, Biden disse que não ouviu de líderes europeus pedidos para desistir, mas sim que tem que vencer.

Até agora, 14 deputados e um senador fizeram um apelo para que o presidente saia da disputa —cerca de metade das declarações foram feitas nas últimas 24 horas. Só nesta quinta, somaram-se à lista os deputados Hillary Scholten, Brad Schneider, Greg Stanton, Ed Case e Marie Gluesenkamp Perez.

A expectativa é que o ritmo acelere ainda mais após o fim da cúpula da Otan, que ocorre em Washington até esta quinta. Por respeito ao evento e ao tema de segurança nacional, muitos preferiram permanecer em silêncio nos últimos dias.

Além do temor de o partido perder a Casa Branca para Donald Trump em novembro, pesam no cálculo de deputados e senadores sua própria sobrevivência. O raciocínio é que um candidato fraco à Presidência contamina todos os nomes do partido abaixo dele na cédula.

“Eu entendo por que o presidente Biden quer concorrer. Ele nos salvou de Donald Trump uma vez e quer fazer isso novamente. Mas ele precisa reavaliar se é o melhor candidato para isso. Na minha opinião, ele não é. Pelo bem do país, estou pedindo ao presidente Biden que se retire da corrida”, escreveu Peter Welch, o primeiro senador a defender a saída do presidente da corrida, em artigo publicado no Washington Post.

O texto foi ao ar poucas horas depois de George Clooney, um importante apoiador democrata, fazer pedido semelhante em um artigo publicado no New York Times. O ator participou no mês passado de um evento de arrecadação de fundos para a campanha que levantou US$ 28 milhões.

“É devastador dizer isso, mas o Joe Biden com quem estive há três semanas no evento de arrecadação de fundos não era o Joe Biden do ‘isso é do c.’ de 2010 [elogio feito ao ex-presidente Barack Obama ao promulgar a reforma do sistema de saúde]. Ele nem era o Joe Biden de 2020. Ele era o mesmo homem que todos testemunhamos no debate”, escreveu Clooney.

As declarações seguiram uma entrevista dada pela ex-presidente da Câmara, Nancy Pelosi, uma das principais lideranças do partido, em que ela afirmou que o tempo para o presidente tomar uma decisão sobre sua candidatura está acabando —algo que foi lido nas entrelinhas como um pedido para ele repensar sua continuidade na corrida.

Outro senador do partido, o representante do Colorado Michael Bennet, não pediu explicitamente a desistência do presidente, mas afirmou que teme uma derrota de lavada em novembro.

Segundo o New York Times, a campanha de Biden encomendou uma pesquisa de intenção de voto simulando o nome da vice-presidente, Kamala Harris, no lugar de Biden. Não está clara, porém, o que motivou essa decisão –se servir de argumento contra ou a favor da continuidade do presidente na corrida.

A campanha democrata já havia antecipado que essa semana seria sensível, com o retorno de congressistas a Washington após o feriado de 4 de julho e a retomada das articulações partidárias. Por isso, Biden partiu para o ataque na segunda e enviou uma carta à sua base para dar a um basta nas especulações sobre sua substituição.

Na terça, as bancadas democratas na Câmara e no Senado tiveram reuniões a portas fechadas separadamente. Congressistas não esconderam suas frustrações com o presidente, mas a mensagem oficial após os encontros foi de apoio ao mandatário, o que deu um alívio momentâneo à Casa Branca.

As novas defecções nesta quarta, porém, mostram que a turbulência está longe de ter sido superada.

Seguindo a estratégia de expor mais o presidente publicamente, para que ele prove ser capaz de cumprir a função sem o auxílio de assessores ou teleprompters, a campanha anunciou uma nova entrevista a um canal de TV, a rede NBC, para a segunda-feira (15), a segunda em duas semanas.

Fernanda Perrin/Folhapress

Pneu de avião da Boeing explode durante decolagem na Flórida, e voo é cancelado

O pneu de um avião da American Airlines, um Boeing 737-800, estourou durante a decolagem no aeroporto de Tampa, no estado americano da Flórida, na quarta-feira (10). Nas imagens do incidente, é possível ver em seguida fumaça no trem de pouso. A aeronave tinha como destino Phoenix, no Arizona.

O voo tinha 174 passageiros e seis membros da tripulação. Não há relatos de feridos. Assim que saíram do avião, eles foram transportados de ônibus para uma área do aeroporto de Tampa.

O voo 590 “teve um problema mecânico na pista antes de decolar”, disse a American Airlines em comunicado. O Aeroporto Internacional de Tampa disse que o incidente ocorreu pouco antes das 8h (horário local).

Um dos pneus traseiros aparentemente se desintegra e começa a soltar fumaça enquanto o avião acelera na pista. A aeronave desacelera imediatamente. Os pilotos decidiram cancelar a decolagem mesmo em alta velocidade. Eles frearam bruscamente, acionando os reversores de motor e os freios aerodinâmicos que ficam em cima das asas, de acordo com o site Aeroin, especializado em aviação.

Assim que o avião parou, teve início um incêndio nos pneus e as chamas se alastraram. Os bombeiros do aeroporto chegaram poucos minutos depois para apagar o fogo.

O incidente foi gravado por um entusiasta da aviação, Steven Markovich, e postado em sua rede social. As imagens dele mostram mais detalhes do American Airlines taxiando na pista quando o pneu direito pega fogo e a fumaça enche o ar. O vídeo mostra pneus soltando faíscas e fragmentos de pneus deixados na pista.

Markovich pode ser ouvido no vídeo dizendo que o avião teve um motor explodido e, depois, que um pneu estourou.

No último ano ocorreram vários acidentes envolvendo aviões Boeing. Em janeiro de 2023, o Boeing 737-500, da Sriwijaya Air, caiu no mar de Java pouco após decolar de Jacarta, matando todas as 62 pessoas a bordo. Falhas técnicas e erros humanos foram apontados como causas prováveis do acidente.

Em fevereiro daquele ano, um voo de teste na China, o Boeing 737 MAX 8, sofreu uma falha no motor, levando a um pouso de emergência. Não houve vítimas, mas o incidente levou a uma nova revisão de segurança dos motores.

Em janeiro deste ano, um avião da Alaska Airlines, o Boeing 737 MAX 9, teve um painel da saída de emergência solto logo após a decolagem. Não houve feridos.

Em maio, o motor de um Boeing 747-400 da companhia Terra Avia, de Moldova, que partia da Indonésia rumo a Medina, na Arábia Saudita, pegou fogo durante a decolagem e precisou retornar à pista para fazer um pouso de emergência no Aeroporto Internacional Sultan Hasanuddin. Ninguém ficou ferido.

Folhapress

Avião com 297 pessoas a bordo pega fogo ao pousar em aeroporto no Paquistão

Um avião com 276 passageiros e 21 tripulantes pegou fogo ao pousar em um aeroporto no Paquistão na manhã desta quinta-feira (11), devido a um problema com o trem de pouso do Airbus A330.

O voo SV793 da Saudia havia decolado de Riad, na Arábia Saudita, às 4h47 do horário local (22h47 da quarta-feira no Brasil) antes de pousar em Peshawar às 10h25.

Imagens mostram bombeiros no Aeroporto Internacional Peshawar Bacha Khan apagando as chamas antes que os passageiros, que entraram em pânico, usassem o escorregador inflável para escapar da aeronave.

A companhia aérea Saudia, anteriormente Saudi Arabian Airlines, afirmou que uma fumaça foi vista saindo de uma das rodas. Eles disseram que todos os passageiros 276 e 21 tripulantes foram retirados com segurança e sem nenhum ferimento.

Um porta-voz da companhia aérea disse: “A Saudia esclarece que sua aeronave, voando de Riad para Peshawar no voo SV792, teve fumaça saindo de um dos pneus ao pousar no Aeroporto Internacional de Peshawar, no Paquistão.”

Autoridades disseram que os controladores de tráfego rapidamente alertaram os pilotos e informaram os serviços de combate a incêndios e resgate do aeroporto. O avião foi retirado de serviço enquanto o incidente é investigado.

Há 43 anos, a Saudia sofreu um dos piores desastres de aviação da história moderna quando todos os 301 passageiros e tripulantes morreram depois que seu Lockheed L-1011 Tristar pegou fogo logo após a decolagem de Riad.

A causa desse incêndio de agosto de 1980 nunca foi totalmente estabelecida, mas acredita-se que os tanques de gás butano transportados no porão de carga pegaram fogo, iniciando um incêndio que logo rompeu o piso da cabine. A evidência do gravador de voz da cabine destacou como os comissários de bordo tentaram corajosamente suprimir as chamas com extintores de incêndio, mas sem sucesso.

Em 2010, um avião de passageiros caiu perto de Islamabad, no Paquistão, matando todas as 152 pessoas a bordo, em um dos piores acidentes aéreos do país.

Folhapress

Cresce coro pela desistência de Biden, que encara momento crucial nesta quinta

A tentativa feita por Joe Biden de enquadrar democratas parece não ter funcionado. Desde segunda-feira (8), quando o presidente confrontou o partido em defesa de sua candidatura, mais nomes vieram a público pedir que ele se retire da corrida.

Pesam no cálculo de deputados e senadores sua própria sobrevivência: muitos temem perder seus mandatos para adversários republicanos caso Biden seja o candidato à Presidência. O raciocínio segue a máxima de que um nome fraco para o cargo mais importante da eleição contamina o desempenho de todos os que vêm abaixo.

As defecções se avolumam às vésperas de um momento visto como crucial para a campanha: às 18h30 (horário de Brasília) desta quinta, Biden deve participar de uma entrevista coletiva com jornalistas, algo raro em seu mandato.

A agenda está sendo encarada como uma oportunidade de escrutinar suas condições físicas e cognitivas. Em meio à crescente pressão para que desista, o presidente de 81 anos precisa provar estar apto para exercer o cargo e que o debate foi apenas uma noite ruim, como tem afirmado.

Questionamentos sobre a viabilidade eleitoral devem dominar a “coletiva de menino grande”, como foi chamada pela secretária de imprensa da Casa Branca, Karine Jean-Pierre, em alusão ao momento solo entre Biden e imprensa.

Essa tarefa fica ainda mais espinhosa diante dos apelos feitos por aliados na quarta para que ele desista, ou ao menos reflita melhor se sua permanência na chapa do partido é o melhor para os EUA.

O nome mais recente a se juntar a esse grupo foi Peter Welch, o primeiro senador a pedir publicamente que Biden saia da corrida.

“Eu entendo por que o presidente Biden quer concorrer. Ele nos salvou de Donald Trump uma vez e quer fazer isso novamente. Mas ele precisa reavaliar se é o melhor candidato para isso. Na minha opinião, ele não é. Pelo bem do país, estou pedindo ao presidente Biden que se retire da corrida”, escreveu Welch em artigo publicado no Washington Post.

O texto foi ao ar poucas horas depois de George Clooney, um importante apoiador democrata, fazer pedido semelhante em um artigo publicado no New York Times. O ator participou no mês passado de um evento de arrecadação de fundos para a campanha que levantou US$ 28 milhões.

“É devastador dizer isso, mas o Joe Biden com quem estive há três semanas no evento de arrecadação de fundos não era o Joe Biden do ‘isso é do c.’ de 2010 [elogio feito ao ex-presidente Barack Obama ao promulgar a reforma do sistema de saúde]. Ele nem era o Joe Biden de 2020. Ele era o mesmo homem que todos testemunhamos no debate”, escreveu Clooney.

Completam a debandada desta quarta os deputados Pat Ryan e Earl Blumenauer. No total, nove democratas da Câmara já pediram publicamente a saída de Biden da corrida.

As declarações seguiram uma entrevista dada pela ex-presidente da Câmara, Nancy Pelosi, uma das principais lideranças do partido, em que ela afirmou que o tempo para o presidente tomar uma decisão sobre sua candidatura está acabando —algo que foi lido nas entrelinhas como um pedido para ele repensar sua continuidade na corrida.

Outro senador do partido, o representante do Colorado Michael Bennet, não pediu explicitamente a desistência do presidente, mas afirmou que teme uma derrota de lavada em novembro.

A campanha democrata já havia antecipado que essa semana seria sensível, com o retorno de congressistas a Washington após o feriado de 4 de julho e a retomada das articulações partidárias. Por isso, Biden partiu para o ataque na segunda e enviou uma carta à sua base para dar a um basta nas especulações sobre sua substituição.

Na terça, as bancadas democratas na Câmara e no Senado tiveram reuniões a portas fechadas separadamente. Congressistas não esconderam suas frustrações com o presidente, mas a mensagem oficial após os encontros foi de apoio ao mandatário, o que deu um alívio momentâneo à Casa Branca.

As novas defecções nesta quarta, porém, mostram que a turbulência está longe de ter sido superada.

Seguindo a estratégia de expor mais o presidente publicamente, para que ele prove ser capaz de cumprir a função sem o auxílio de assessores ou teleprompters, a campanha anunciou uma nova entrevista a um canal de TV, a rede NBC, para a segunda-feira (15), a segunda em duas semanas.

Fernanda Perrin/Folhapress

Kamala ganha força como substituta de Biden em eleição contra Trump

Ela preocupa os doadores republicanos, tem nome reconhecido e pesos pesados do Partido Democrata estão começando a apoiá-la. A vice-presidente Kamala Harris seria a sucessora natural do presidente Joe Biden, caso ele cedesse à crescente pressão e desistisse de ser o candidato democrata nas eleições de 2024. A informação é da Reuters.

Agora, doadores do partido, ativistas e autoridades estão se perguntando: Kamala tem mais chances do que Biden de vencer Donald Trump?

Kamala, de 59 anos, ex-senadora dos EUA e ex-procuradora-geral da Califórnia, seria a primeira mulher a se tornar presidente dos Estados Unidos se fosse a indicada do partido e vencesse a eleição de 5 de novembro. Ela é a primeira mulher afro-americana e a primeira pessoa de ascendência asiática a ocupar o cargo de vice-presidente.

Seu mandato na Casa Branca teve um começo sem brilho. Até o ano passado, parte da Casa Branca e da equipe de campanha de Biden temia que a vice fosse um fator negativo para a campanha. A situação mudou à medida que ela se destacou em questões de direitos ao aborto e conquistou eleitores jovens.

Kamala “está orgulhosa de ser companheira de chapa [de Biden] e espera servir ao seu lado por mais quatro anos”, disse a campanha à agência de notícias Reuters.

Cúpula do Mercosul expõe tensão política com briga Lula-Milei e marca ingresso da Bolívia

Os líderes do Mercosul se reúnem no Paraguai, neste fim de semana, e realizam na segunda-feira, dia 8, a cúpula de chefes de Estado, em Assunção, em um momento de tensão política no bloco, principalmente entre os líderes das duas principais economias, Brasil e Argentina. A reunião de chefes de Estado vai oficializar o ingresso da Bolívia no Mercosul, mas pode ficar ofuscada pelos efeitos da briga pública, com ofensas e provocações, entre o petista Luiz Inácio Lula da Silva e o libertário Javier Milei.

O argentino declinou do que seria sua estreia no bloco. É a primeira vez que um presidente argentino deixa de comparecer, segundo o Itamaraty. Aliado dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro também ausentou-se da cúpula, dois anos atrás.

A decisão de Milei esvazia a reunião do Mercosul e expõe uma recente guinada ideológica na política externa argentina. Nos primeiros meses de sua gestão, a chancelaria argentina tentou preservar pontes, atenuar esses conflitos e vendia a ideia de pragmatismo e de que o presidente poderia ser “controlado”.

Mas agora o ministério sofreu intervenção de Karina Millei, irmã do presidente, secretária-geral da Presidência e sua principal conselheira. Ela assumiu protagonismo na formação de comitivas, como a que foi ao G-7, na Itália, deslocando Mondino ou apontando pessoas de sua confiança concentrar e para exercer poder.

Milei tem sido um fator de tensionamento político na região. Ele travou embates recentemente com Bolívia e Venezuela, países do bloco, além da Colômbia, um Estado associado, por insultos reiterados ao presidente Gustavo Petro, similares aos que proferiu contra Lula. As crises diplomáticas motivaram convocação de embaixadores, expulsão de diplomatas, confisco de avião e proibição de sobrevoos.

Além disso, Milei agendou uma viagem privada ao Brasil para discursar “contra o socialismo” em evento promovido pelo principal rival interno do governo Lula, o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu grupo político. Foi recebido com status de estrela entre a direita.

O governo brasileiro “lamentou” a ausência de Milei no Mercosul, e evitou comentar a primeira visita de Milei ao Brasil. Mas a delegação de Lula no Paraguai acompanha eventuais provocações e avalia medidas diplomáticas imediatas de retaliação, a depender do teor das falas de Milei em Santa Catarina.

Estarão presentes os presidentes de Brasil, Bolívia, Paraguai, Uruguai e Panamá – o recém-empossado José Raúl Mulino, convidado especial.

Bolívia e Venezuela

Em Assunção, as discussões entre os líderes serão de perfil essencialmente político, influenciadas pelas divergências entre os presidentes Lula e Milei e por dois fatores de instabilidade interna relacionados aos países que buscaram adesão mais recentemente – Bolívia e Venezuela.

Suspensa do Mercosul desde 2017 por abusos autoritários do regime chavista, a Venezuela passará por eleições presidenciais no dia 28 de julho, em processo conturbado marcado por restrições à participação de opositores ao ditador Nicolás Maduro – alguns foram impugnados, e outros, presos. Parte refugiou-se na embaixada argentina em Caracas, com aval do governo Milei.

O governo Lula afirma que apoia a reinserção plena da Venezuela no Mercosul, mas o Itamaraty diz que o tema não é pauta oficial da cúpula. Embora a realização de eleições transparentes, livres e aceitas por todos os lados seja vista como um passo para a reintegração venezuelana ao bloco, ainda faltariam pendências porque Caracas descumpriu etapas do protocolo de adesão. Em sua última reunião, no Rio, os presidentes reforçaram compromisso em defender a democracia, o Estado de Direito e os direitos humanos.

O presidente boliviano, Luis Arce, virá a Assunção depositar formalmente o instrumento de ingresso, aprovado pelo Legislativo do país na semana passada. Em 30 dias, a Bolívia passa à condição de membro pleno e terá um prazo de quatro anos para incorporar a sua legislação o arcabouço normativo do Mercosul.

“É um grande momento o para o Mercosul ver ampliada a participação com o ingresso de um país tão relevante para o Brasil, como a Bolívia”, disse a embaixadora Gisela Padovan, secretária de América Latina e Caribe. Segundo o diretor do Departamento de Mercosul, embaixador Francisco Cannabrava, os países menores do continente veem no bloco uma “oportunidade para aumentar as suas exportações de produtos com valor agregado”.

O tema mais quente, no entanto, será uma quartelada que o governo boliviano denunciou como tentativa de golpe de Estado, em La Paz. Arce recebeu apoio imediato do Mercosul.

Depois, o general preso por liderar a intentona acusou Arce de ter encomendado um autogolpe. O líder boliviano nega. O governo Milei, no entanto, diz que o movimento era falso.

O ingresso da Bolívia de poderá equilibrar o jogo de forças interno. Atualmente, Lula é o único presidente de esquerda e vem sendo pressionado pelos demais. Após comparecer à cúpula no Paraguai, Lula visitará Arce em Santa Cruz de La Sierra para prestar solidariedade e tentar mediar a disputa interna entre ele e seu antigo padrinho, o ex-presidente Evo Morales.

Além do entrevero com Milei, o petista enfrenta queixas recorrentes dos uruguaios, que assumem a presidência temporária na sequência. O presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, deseja levar adiante um acordo comercial com a China, mesmo que unilateralmente, e Lula tenta segurar esse ímpeto.

“A gente não tem problema nenhum em abrir negociações com a China, se forem os cinco países juntos, com todas as dificuldades que isso implicará”, disse Padovan. “Se houver interesse, estamos preparados para discutir”, completou o embaixador Francisco Cannabrava, diretor do Departamento de Mercosul.

Embora a Casa Rosada negue uma relação de causa e efeito, a briga pública entre Lula e Milei poderia ter novo capítulo caso eles se encontrassem pessoalmente na capital paraguaia. A ausência do argentino também levanta novas dúvidas sobre a falta de prioridade política e as intenções de seu governo com o bloco.

Em campanha eleitoral, Milei ameaçou retirar a Argentina do Mercosul. Ele acusou o agrupamento de prejudicar seus membros e de criar distorções comerciais. Nos primeiros meses de seu governo, porém, os representantes da Argentina deram sinais de que apostariam em negociações de acordos comerciais com outros países e blocos, de forma conjunta, que pudessem modernizar o Mercosul.

Anfitrião paraguaio, Santiago Penã, chegou a indicar que tentaria fazer um meio de campo entre Lula e Milei. A despeito de sua visão ideológica de direita, ele costuma ser o mais pragmático e simpático a Lula entre os atuais presidentes do Cone Sul, o que é atribuído à profunda relevância da relação econômica e energética, via usina de Itaipu Binacional. Os países renegociam parte do tratado relativo às condições de venda e aproveitamento da energia elétrica gerada.

“Quero estar na lista dos que desejam trabalhar pela integração”, afirmou o paraguaio. Os anfitriões estenderam convite também a representantes da Venezuela. A chancelaria paraguaia, no entanto, informou que não havia representantes de Caracas credenciados para as atividades no Porto de Assunção, que foi renovado para receber as atividades do Mercosul.

Os países discutem ainda áreas de controle integrado nas fronteiras e entraves ao comércio intrabloco. Os ministros das Relações Exteriores assinam um acordo de coprodução cinematográfica e audiovisual, além de um acordo de complementação financeira e técnica do Mercosul com o Fonplata (Fundo Financeiro para Desenvolvimento da Bacia do Prata). A cooperação se dará por meio do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), que tem US$ 160 milhões em caixa para projetos.

Felipe Frazão/Estadão

Vulcão Etna entra em erupção e voos são suspensos em aeroporto da Itália

O aeroporto de Catânia, na ilha italiana da Sicília, foi hoje encerrado devido à erupção do Etna, o maior vulcão ativo da Europa, cujas cinzas estão se espalhando pelo espaço aéreo.

 A pista não pode ser utilizada devido à precipitação significativa de cinzas vulcânicas. Consequentemente, as chegadas e partidas estão suspensas", anunciou a empresa gestora do aeroporto da Catânia num comunicado.

Com 3.324 metros de altura, o Etna tem entrado em erupção com frequência nos últimos 500.000 anos. Nos últimos dias, a sua cratera central tem expelido fluxos de lava e nuvens de cinzas que afetam o aeroporto de Catânia, nas proximidades.

As cinzas atingiram uma altura de 4,5 quilômetros, disse na quinta-feira o Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (INGV) de Itália na rede social X.

Imagens divulgadas hoje nas redes sociais mostraram ruas do centro de Catânia cobertas por espessas camadas de cinza negra, o que provocou engarrafamentos no trânsito.

As autoridades italianas emitiram também um alerta vermelho para outro vulcão, o Stromboli, que se situa na ilha homónima do arquipélago das Eólias (a norte da Sicília), cuja erupção provocou significativas nuvens de cinzas.

Este vulcão, cujo cume atinge os 920 metros e a base se encontra a 2.000 metros abaixo do nível do mar, é um dos poucos no mundo que apresenta atividade quase contínua, segundo o INGV.

Milhões de passageiros passam anualmente pelo aeroporto internacional da Catânia, que serve a parte oriental da Sicília, um dos destinos turísticos mais populares da Itália.
por Notícias ao Minuto Brasil
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‘A lei está violando a lei’, diz Musk em nova reação a decisão de Moraes

O empresário Elon Musk, dono da rede social X (ex-Twitter), fez novas críticas a ordens do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), em razão de ordens de retirada de conteúdos da plataforma.

“A lei está violando a lei”, afirmou empresário no X neste domingo (30). Ele comentava uma publicação do perfil de assuntos governamentais globais da própria rede social que citava decisões de Moraes sobre a retirada de conteúdo.

A conta do X não chegou a detalhar os processos, mas fez referências a ordens de Moraes para excluir publicações críticas ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

“O X cumpriu a legislação brasileira ao reter as postagens em questão no Brasil e pagar a multa de R$ 100 mil, enquanto aguarda recurso para o plenário do Supremo Tribunal Federal. A tentativa de Moraes de aumentar a multa para R$ 700 mil ex post facto e em contradição com sua própria ordem anterior representa uma clara negação do devido processo legal e deve ser anulada em recurso”, disse a publicação do X.

Moraes chegou a censurar, no último dia 18, conteúdos jornalísticos com afirmações de Jullyene Lins, ex-mulher de Lira, de que ela teria sido agredida pelo parlamentar. A decisão abrangia vídeo de uma entrevista feita pela Folha em 2021 com Jullyene, mas Moraes mandou retirar a censura no dia seguinte.

O jornal O Globo noticiou que Moraes também acolheu pedido de Lira para retirar do ar perfil do X que chamava o presidente da Câmara de “estuprador” e fazia referência às acusações de Jullyene.

Segundo o jornal, o ministro do STF fixou prazo de duas horas para o X excluir o perfil, sob pena de multa diária de R$ 100 mil. Em outra decisão, Moraes teria aplicado multa de R$ 700 mil à rede social, ainda de acordo com O Globo.

Musk passou a criticar publicamente Moraes em abril sob o argumento de que suas decisões feriam a liberdade de expressão.

O ministro reagiu e incluiu o empresário no inquérito das milícias digitais. Após Musk ameaçar não cumprir as decisões de Moraes, o braço brasileiro do X negou que isso tivesse ocorrido.

Uma comissão do Congresso dos EUA, presidida por um aliado de Donald Trump, também divulgou relatório com uma série de decisões e ofícios de Moraes direcionadas ao X.

Folhapress

 

Eleitores comparecem em números recordes em pleito legislativo crucial na França

As primeiras estimativas de participação no primeiro turno das eleições legislativas francesas indicam a menor abstenção dos últimos 40 anos.

Às 17h de Paris (meio-dia em Brasília), 59,4% dos eleitores já tinham comparecido às urnas, contra apenas 39,4% no mesmo horário na eleição anterior, em 2022. Este é o maior índice de participação até 17h desde 1978.

Diante disso, prevê-se que 68,5% votem até o fechamento das urnas deste domingo (30), às 20h locais (15h em Brasília). A última vez que um índice de comparecimento foi tão alto (67,9%) remonta a 1997.

Esse índice é uma demonstração do enorme interesse despertado pelo pleito entre os 49 milhões de eleitores franceses. Existe, pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, a possibilidade de que a ultradireita seja o bloco com maior número de assentos na Assembleia Nacional.

Caso isso ocorra, o presidente do Reunião Nacional (RN), maior partido de ultradireita, Jordan Bardella, 28, teria grande probabilidade de se tornar primeiro-ministro. Bardella afirmou, durante a campanha, que só aceitará o cargo se seu partido tiver a maioria absoluta das 577 cadeiras da Assembleia. Ele poderia, porém, atingir essa maioria por meio de alianças com outros partidos de ultradireita, de direita e até do centro.

Bardella votou às 10h (5h em Brasília) em Garches, subúrbio rico da periferia oeste de Paris. Saiu sem dar declarações, porque, por lei, no dia da votação os políticos não podem se pronunciar antes do fechamento das urnas.

O presidente Emmanuel Macron, 46, votou às 12h45 (7h45 em Brasília) no balneário de Le Touquet, no norte da França, onde ele e a mulher, Brigitte, 71, têm uma residência de veraneio, herança do pai da primeira-dama. Depois de votar, Macron passou mais de meia hora conversando e tirando selfies com eleitores e crianças.

Macron anunciou a dissolução da Assembleia Nacional no dia 9 de junho, assim que saíram os primeiros resultados das eleições para o Parlamento Europeu. Nelas, seu partido, Renascimento, ficou em segundo lugar, com apenas 14,6% dos votos, menos da metade dos 31,4% do RN.

A decisão de Macron causou perplexidade até mesmo entre seus aliados. As pesquisas apontam o risco de seu grupo político, hoje dono de quase metade dos assentos, tornar-se apenas a terceira força do parlamento, atrás da ultradireita e dos partidos de esquerda unidos sob a coalizão batizada de Nova Frente Popular (NFP).

Na França, o sistema eleitoral é distrital, majoritário e em dois turnos. O segundo turno está marcado para o próximo domingo, 7 de julho.

O aumento da participação pode fazer com que mais de 80 deputados sejam eleitos já no primeiro turno. A condição para isso é obter um total de votos superior a 50% dos inscritos naquele distrito. Cinco anos atrás, apenas cinco deputados, menos de 1% do total, se elegeram dessa forma.

Outro indicador de uma queda da abstenção é o elevado número de eleitores que pediram para votar por procuração: 2,6 milhões, contra 1 milhão em 2022. Na França, é possível entregar um documento autorizando outra pessoa a votar em seu nome. É provável, porém, que grande parte desse aumento se deva à data dessa eleição fora de época, que coincide com o início das férias de verão na Europa. Nesse período, milhões de franceses tiram férias e deixam as cidades onde votam.

Agência Brasil

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