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União Europeia prepara tarifas de 93 bi de euros para retaliar Trump após ameaça à Groenlândia

                             Europa também pode restringir acesso de empresas americanas ao seu mercado

As capitais da União Europeia estão considerando impor tarifas no valor de 93 bilhões de euros aos EUA (cerca de R$ 580 bilhões) ou restringir empresas americanas do mercado do bloco em resposta às ameaças de Donald Trump aos aliados da Otan que se opõem à sua campanha para assumir o controle da Groenlândia. A medida marca a crise mais grave nas relações transatlânticas em décadas.


As medidas de retaliação estão sendo elaboradas para dar aos líderes europeus poder de negociação em reuniões cruciais com o presidente dos EUA no Fórum Econômico Mundial em Davos esta semana, disseram autoridades envolvidas nos preparativos.

Eles estão buscando encontrar um compromisso que evite uma ruptura profunda na aliança militar ocidental, o que representaria uma ameaça existencial à segurança da Europa.

A lista de tarifas foi preparada no ano passado, mas suspensa até 6 de fevereiro para evitar uma guerra comercial total. Sua reativação foi discutida no domingo pelos 27 embaixadores da União Europeia, juntamente com o chamado instrumento anti-coerção (ACI), que pode limitar o acesso de empresas americanas ao mercado interno, enquanto o bloco debatia como responder à ameaça do presidente dos EUA com tarifas punitivas.

Trump, que exigiu permissão da Dinamarca para assumir o controle da Groenlândia, prometeu no sábado à noite impor tarifas de 10% até 1º de fevereiro sobre mercadorias do Reino Unido, Noruega e seis países da UE que enviaram tropas para a ilha ártica para um exercício militar esta semana.

"Existem instrumentos claros de retaliação à disposição se isso continuar... [Trump] está usando métodos puramente mafiosos", disse um diplomata europeu informado sobre a discussão. "Ao mesmo tempo, queremos pedir publicamente calma e dar a ele uma oportunidade de recuar".

"A mensagem é... cenoura e chicote", acrescentaram.

A França pediu que o bloco retalie com o ACI, que nunca foi usado desde sua adoção em 2023. A ferramenta inclui restrições de investimento e pode estrangular exportações de serviços como os fornecidos por grandes empresas de tecnologia dos EUA na UE.

Paris e Berlim estão coordenando uma resposta conjunta, com seus respectivos ministros das finanças devendo se reunir em Berlim na segunda-feira antes de viajarem para Bruxelas para um encontro com seus colegas europeus, disse um assessor do ministério francês.

"A questão também terá que ser abordada com todos os parceiros do G7 sob a presidência da França", acrescentou a pessoa.

Embora muitos outros estados-membros da UE tenham manifestado apoio à exploração de como o ACI poderia ser implantado contra os EUA, a maioria pediu diálogo com Trump antes de emitir ameaças diretas de retaliação, disseram diplomatas informados sobre as discussões ao Financial Times. "Precisamos baixar a temperatura", disse um segundo diplomata da UE.

Em um passo em direção à retaliação, os maiores partidos do parlamento europeu disseram neste fim de semana que atrasariam uma votação planejada sobre medidas que teriam reduzido as tarifas da UE sobre produtos americanos como parte de um acordo comercial firmado no ano passado.

Trump, que estará no fórum suíço na quarta e quinta-feira, deve realizar conversas privadas com líderes europeus, incluindo a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, além de participar de uma discussão mais ampla entre países ocidentais que apoiam a Ucrânia.

"Queremos cooperar, e não somos nós que estamos buscando conflito", disse Mette Frederiksen, primeira-ministra da Dinamarca.

Conselheiros de segurança nacional de países ocidentais se reunirão em Davos na tarde de segunda-feira.

As conversas foram inicialmente definidas para se concentrar na Ucrânia e nas negociações de paz em andamento para encerrar a invasão russa do país, mas foram reformuladas para dar tempo para discutir a crise sobre a Groenlândia, disseram dois funcionários informados sobre os preparativos.

O ministério das relações exteriores da Suíça, que está hospedando o encontro, disse que "não comentará sobre participantes ou tópicos".

As ameaças de Trump "certamente justificam o ACI, pois seria coerção exemplar", disse um terceiro funcionário europeu. "Mas precisamos usar o tempo até 1º de fevereiro para ver se Trump está interessado em uma saída", disseram, acrescentando que muito dependerá do resultado das conversas em Davos.

Autoridades europeias disseram que esperam que suas ameaças de retaliação aumentem a pressão bipartidária nos EUA contra as ações de Trump e resultem em seu recuo da promessa de tarifas.

"Já é uma situação que não permite mais compromissos, porque não podemos entregar a Groenlândia", disse um quarto funcionário europeu. "Os americanos razoáveis também sabem que ele acabou de abrir a Caixa de Pandora."

Mas no domingo, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que a Europa estava muito fraca para garantir a segurança da Groenlândia e se recusou a recuar na exigência dos EUA de assumir o controle da ilha estrategicamente importante.

"O presidente acredita que uma segurança aprimorada não é possível sem a Groenlândia fazer parte dos EUA", disse ele à NBC News.

Os líderes da UE estão se preparando para se reunir em uma reunião de emergência para discutir a crise na quinta-feira, de acordo com um funcionário informado sobre os planos.

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, que convoca tais cúpulas, disse no domingo à noite: "Dada a importância dos desenvolvimentos recentes e para coordenar ainda mais, decidi convocar uma reunião extraordinária do Conselho Europeu nos próximos dias.

A UE estava pronta "para nos defender contra qualquer forma de coerção", acrescentou Costa.
Por Folhapress

Ataque dos EUA à Venezuela é preocupante e traz instabilidade e violência, afirma Lula ao NYT

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escreveu em um artigo publicado no jornal americano The New York Times que a captura de Nicolás Maduro e o ataque dos Estados Unidos à Venezuela representam "um capítulo lamentável na contínua erosão do direito internacional e da ordem multilateral".

O texto também diz que o futuro do país latino-americano, assim como o de qualquer outro, "deve permanecer nas mãos de seu povo" e que a América Latina e o Caribe têm "próprios interesses e sonhos a defender".

Intitulado "Esse Hemisfério pertence a todos nós", o artigo foi publicado neste domingo (18) pelo veículo americano. Numa provável referência ao ditador chavista, Lula diz que líderes de países "podem ser responsabilizados por ações que minam a democracia e os direitos fundamentais".

"Nenhum líder detém monopólio sobre o sofrimento de seu povo. Mas não é legítimo que outro Estado arrogue para si o direito de fazer justiça", afirma, acrescentando que "ações unilaterais" ameaçam a estabilidade do mundo.

"É particularmente preocupante que tais práticas estejam sendo aplicadas à América Latina e ao Caribe. Elas trazem violência e instabilidade a uma parte do mundo que busca a paz por meio da igualdade soberana das nações, da rejeição ao uso da força e da defesa da autodeterminação dos povos", continua o petista.

Citando a Venezuela especificamente, Lula diz que "somente um processo político inclusivo, liderado por venezuelanos, conduzirá a um futuro democrático e sustentável".

"Esta é uma condição essencial para que os milhões de cidadãos venezuelanos, muitos dos quais estão temporariamente acolhidos no Brasil, possam retornar com segurança ao seu país".

Ferramenta nunca foi usada antes e permite restringir importações de bens e serviços

O governo da França afirmou neste domingo, 18, que o presidente Emmanuel Macron deve solicitar que a União Europeia acione o chamado “instrumento anti-coerção”, mecanismo comercial considerado a ferramenta mais dura do bloco, caso os Estados Unidos confirmem a imposição de tarifas anunciadas pelo presidente Donald Trump.

Apelidado de “bazuca” comercial da União Europeia, o instrumento nunca foi usado desde a criação.

O dispositivo permite ao bloco adotar medidas severas de retaliação, incluindo restrições à importação de bens e serviços, bloqueios a investimentos e limitações ao acesso de empresas estrangeiras ao mercado europeu.

Tarifaço

Donald Trump prometeu no sábado, 17, implementar uma escalada de tarifas contra países europeus até que o governo dos Estados Unidos obtenha autorização para comprar a Groenlândia, território pertencente à Dinamarca.

Em publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou que tarifas adicionais de 10% sobre produtos da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido entrariam em vigor em 1º de fevereiro.

Segundo ele, as alíquotas aumentariam para 25% em 1º de junho e seriam mantidas até que um acordo para a aquisição da Groenlândia fosse alcançado.
Por que Trump quer a Groenlândia?

Trump tem afirmado que a Groenlândia é estratégica para a segurança dos Estados Unidos, devido à localização geopolítica e à presença de grandes reservas minerais.

O presidente norte-americano não descartou o uso da força para assumir o controle da ilha, que pertence à Dinamarca.

Segundo ele, as alíquotas aumentariam para 25% em 1º de junho e seriam mantidas até que um acordo para a aquisição da Groenlândia fosse alcançado.

Por Ane Catarine


EUA mantiveram conversas com ministro da Venezuela antes e depois de capturar Maduro

Funcionários do governo Donald Trump mantiveram conversas com o ministro do Interior linha-dura da Venezuela, Diosdado Cabello, meses antes da operação dos Estados Unidos para capturar o ditador Nicolás Maduro, segundo relatos feitos à agência Reuters.

A comunicação entre o venezuelano e membros do governo americano continua desde então.

Os funcionários advertiram Cabello, 62, contra o uso de serviços de segurança ou dos grupos paramilitares que tem sob seu comando para atacar a oposição do país, disseram quatro pessoas familiarizadas com o assunto.

Esse aparato de segurança, que inclui os serviços de inteligência, polícia e Forças Armadas, permanece amplamente intacto após a operação americana de 3 de janeiro.

Cabello é citado na mesma acusação de narcotráfico apresentada pelos EUA que o governo Trump usou como justificativa para prender Maduro, mas não foi capturado como parte da operação.

As comunicações com Cabello —que também abordaram as sanções impostas pelos EUA contra ele e a acusação que enfrenta— remontam aos primeiros dias do governo Trump e continuaram nas semanas imediatamente anteriores à destituição de Maduro pelos EUA, disseram duas pessoas familiarizadas com as discussões.

O governo também manteve contato com Cabello desde a queda de Maduro.

Essas conversas, que não haviam sido relatadas anteriormente, são fundamentais para os esforços do governo Trump de controlar a situação dentro da Venezuela. Caso Cabello decida mobilizar as forças sob seu controle, isso poderia fomentar o tipo de caos que o presidente americano quer evitar e ameaçar o controle do poder da líder interina Delcy Rodríguez.

Não está claro se as conversas do governo Trump com Cabello se estenderam a questões sobre a futura governança da Venezuela. Também não está claro se Cabello acatou os alertas dos EUA. Ele prometeu publicamente unidade com Delcy, a quem Trump tem elogiado até o momento.

Enquanto Delcy tem sido vista pelos EUA como a peça-chave da estratégia de Trump para a Venezuela no pós-Maduro, acredita-se amplamente que Cabello detém o poder de manter esses planos no rumo certo ou de sabotá-los.

O ministro venezuelano manteve contato com o governo Trump tanto diretamente quanto por meio de intermediários, disse uma pessoa familiarizada com as conversas. Todas as pessoas ouvidas pediram anonimato para falar livremente sobre comunicações governamentais internas sensíveis com Cabello.

A Casa Branca e o governo da Venezuela não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

Cabello é visto há muito tempo como a segunda figura mais poderosa da Venezuela. Aliado próximo do ex-presidente Hugo Chávez, mentor de Maduro, tornou-se posteriormente um aliado de longa data de Maduro, temido como seu principal executor da repressão.

Delcy e Cabello atuaram durante anos no centro do governo, do Legislativo e do partido socialista no poder, mas nunca foram considerados aliados próximos entre si.

Ex-oficial militar, Cabello exerceu influência sobre as agências de contrainteligência militares e civis do país, que realizam ampla espionagem doméstica. Ele também esteve intimamente associado aos grupos paramlitares pró-governo, os chamados coletivos.

Cabello é um dos poucos funcionários leais de Maduro nos quais Washington tem confiado como governantes temporários para manter a estabilidade enquanto acessa as reservas de petróleo do país durante um período de transição não especificado.

Mas autoridades dos EUA estão preocupadas que Cabello, dado seu histórico de repressão e rivalidade com Delcy, possa agir como um sabotador.

Delcy vem trabalhando para consolidar seu próprio poder, instalando aliados em cargos-chave para se proteger de ameaças internas, ao mesmo tempo em que atende às exigências dos EUA para aumentar a produção de petróleo.

Elliott Abrams, que atuou como representante especial de Trump para a Venezuela em seu primeiro mandato, disse que muitos venezuelanos esperariam que Cabello fosse removido em algum momento caso uma transição democrática avance.

"Se e quando ele sair, os venezuelanos saberão que o regime realmente começou a mudar", disse Abrams, atualmente no think tank Council on Foreign Relations.

SANÇÕES E ACUSAÇÃO DOS EUA

Cabello está há muito tempo sob sanções dos EUA por suposto envolvimento com o narcotráfico.

Em 2020, os EUA ofereceram uma recompensa de US$ 10 milhões (R$ 53,7 milhões) por Cabello e o acusaram como figura-chave do "Cartel de los Soles", grupo que os EUA afirmam ser uma rede venezuelana de tráfico de drogas liderada por membros do governo do país.

Desde então, os EUA elevaram a recompensa para US$ 25 milhões (R$ 134,25 milhões). Cabello negou publicamente qualquer ligação com o tráfico de drogas.

Nas horas seguintes à destituição de Maduro, alguns analistas e políticos em Washington questionaram por que os EUA não capturaram também Cabello —listado em segundo lugar na acusação do Departamento de Justiça contra Maduro.

"Eu sei que só o Diosdado provavelmente é pior que Maduro e pior que a Delcy", disse a deputada republicana Maria Elvira Salazar em entrevista à emissora CBS, em 11 de janeiro. Nos dias seguintes, Cabello denunciou a intervenção americana no país, dizendo em um discurso que "a Venezuela não vai se render".

Mas relatos da mídia sobre moradores sendo revistados em postos de controle, às vezes por membros uniformizados das forças de segurança e às vezes por membros dos coletivos, tornaram-se menos frequentes nos últimos dias.

Tanto Trump quanto o governo venezuelano afirmaram que muitos detidos considerados pela oposição e por grupos de direitos humanos como presos políticos serão libertados.O governo afirmou que Cabello, em seu papel de ministro do Interior, está supervisionando esse esforço.

Grupos de direitos humanos dizem que as libertações avançam de forma extremamente lenta e que centenas continuam detidos injustamente.

Por Folhapress

Putin oferece ajuda à Israel para mediar conversas com Irã

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, conversou com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, nesta sexta-feira, 16, sobre a situação no Oriente Médio e no Irã, de acordo com nota divulgada pelo Kremlin. Segundo o texto, Moscou demonstrou disposição para prosseguir com esforços de mediação e promover um diálogo construtivo envolvendo todos os Estados interessados.

"Vladimir Putin delineou suas abordagens fundamentais para intensificar os esforços políticos e diplomáticos visando garantir a estabilidade e a segurança na região. Ficou acordado manter os contatos em diversos níveis", acrescenta o comunicado

Paralelamente, o diretor da agência de espionagem israelense Mossad, David Barnea, chegou aos EUA na manhã desta sexta para uma reunião em Miami com o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, para conversas sobre a situação no Irã e uma possível ação militar americana em resposta à repressão do regime de Teerã, disseram pessoas familiarizadas com o assunto para a Axios.

Segundo as informações, a viagem de Barnea acontece após um telefonema na quarta-feira (14) entre o presidente americano, Donald Trump, e Netanyahu. Na ocasião, o premiê israelense pediu ao republicano que adiasse a ação militar contra o Irã para dar a Israel mais tempo para se preparar para uma possível retaliação iraniana.

Witkoff é responsável por manter contato direto com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, e ainda não está claro se Barnea se encontrará com Trump em Mar-a-Lago no fim de semana.

Por Isabella Pugliese Vellani / Estadão Conteúdo

Lula é o único chefe de governo do Mercosul que não participará da assinatura do acordo com UE

Brasil será representado por Mauro Vieira, segundo Itamaraty; Crítico do bloco, Javier Milei confirma presen

Foto: Ricardo Stuckert/PR/Arquivo
O presidente Lula (PT) será o único chefe de governo dos países membros do Mercosul que não participará da cerimônia de assinatura do acordo de livre comércio do bloco com a União Europeia, no próximo sábado (17), no Paraguai. O Itamaraty afirmou à reportagem que o Brasil será representado pelo chefe da pasta, o chanceler Mauro Vieira.

A assinatura ocorrerá a nível ministerial. Entretanto, o presidente paraguaio, Santiago Peña, convidou seus homólogos para participarem do evento, dada a importância do acordo, que vinha sendo negociado há mais de 25 anos.

O argentino Javier Milei, que sempre foi crítico do Mercosul, já tendo comparado o bloco a uma "cortina de ferro", confirmou presença. Depois que o tratado recebeu luz verde dos países europeus, o ultraliberal celebrou o avanço como uma vitória pessoal.

Lula, por sua vez, deverá reunir-se na sexta, véspera do evento, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, no Rio de Janeiro. Os dois europeus depois seguirão viagem ao Paraguai, e o petista ficará de fora.

A relação de líderes confirmados foi enviada à reportagem pelo governo paraguaio. Completam a lista Yamandú Orsi (Uruguai), Rodrigo Paz (Bolívia) e José Raúl Mulino (Panamá).

A ausência de Lula, que sempre defendeu fortalecimento do Mercosul, e a presença de Milei refletem o distanciamento cada vez maior dos dois líderes. Na semana passada, por exemplo, o governo do petista decidiu devolver à Argentina a responsabilidade pela representação diplomática do país na Venezuela.

A custódia da embaixada em Caracas estava sob os cuidados do Itamaraty desde agosto de 2024, em meio a uma crise entre Caracas e Buenos Aires. Houve ainda divergências entre Lula e Milei em relação à operação americana que tirou o ditador Nicolás Maduro do poder.

Ao mesmo tempo, Milei e Peña têm afinidades no campo ideológico. Os dois têm se posicionado de maneira mais firme em oposição a governos de esquerda e aprofundado seus laços com os Estados Unidos de Donald Trump.

No caso do argentino, as rusgas com o presidente brasileiro existem desde antes da chegada de Milei à Presidência. Em entrevista recente, o ultraliberal disse preferir a eleição de um integrante da família Bolsonaro no Brasil a "uma solução com o socialismo do século 21", em referência a Lula.

Milei vem fortalecendo sua aliança com o clã do ex-presidente e a oposição ao petista conforme as eleições no Brasil se aproximam e pleitos recentes, na Bolívia e no Chile, marcaram a derrota de governos de esquerda.

O presidente brasileiro buscou a assinatura final do pacto ainda em 2025, durante a presidência rotativa do Brasil no Mercosul. Em meio a disputas dentro do bloco sul-americano, o Planalto chegou a mudar o local do encontro do bloco do Rio de Janeiro para Foz do Iguaçu, na tríplice fronteira com Argentina e Paraguai, para evitar seu esvaziamento.

Já as resistências dentro do bloco europeu acabaram por postergar a assinatura do acordo para este ano, já sob a presidência do Paraguai, frustrando os planos do governo Lula.

Na ocasião, a poucos dias da cúpula, ocorrida no dia 20 de dezembro, o presidente brasileiro chegou a dizer que, se o pacto não fosse assinado naquele momento, não seria mais.

"Eu agora estou sabendo que eles não vão conseguir aprovar [no Conselho Europeu]. Está difícil, porque a Itália e a França não querem fazer por problemas políticos internos", disse Lula. "E eu já avisei para eles, se a gente não fizer agora, o Brasil não fará mais acordo enquanto eu for presidente. É bom saber. Faz 26 anos que a gente espera esse acordo. 26 anos."

O trato, que começou a ser negociado em 1999, mas permaneceu engavetado por longos períodos, ganhou tração no fim de 2024, com especial empenho do governo Lula e de países europeus com pauta exportadora, como Alemanha e Espanha.

Países da União Europeia aprovaram no último dia 9, no Conselho da UE, o pacto com o Mercosul. "Em um cenário internacional de crescente protecionismo e unilateralismo, o acordo é uma sinalização em favor do comércio internacional como fator para o crescimento econômico", escreveu Lula nas redes sociais.

Segundo relatos colhidos pela imprensa europeia com diplomatas, França, Polônia, Hungria, Irlanda e Áustria votaram contra. A Bélgica se absteve. A Itália se uniu à maioria favorável ao pacto.

Enquanto os embaixadores europeus davam o aval ao pacto em Bruxelas, agricultores franceses repetiam a invasão de tratores em Paris, aumentando a crise política enfrentada pelo primeiro-ministro do país, Sébastian Lecornu.

Segundo o acordo, tarifas de importação sobre 91% das mercadorias comercializadas entre os dois blocos serão eliminadas. Estimativas europeias mostram que as exportações para o Mercosul poderão aumentar até 39% e garantir 440 mil postos de trabalho no continente.
Por Manoella Smith/Guilherme Botacini/Folhapress

EUA suspendem a emissão de vistos do Brasil e mais 74 países, diz 'Fox News'

O Departamento de Estado dos Estados Unidos suspendeu o processamento de solicitação de vistos para 75 países, incluindo o Brasil. A informação foi publicada pela Fox News Digital. Segundo o jornal, a suspensão terá início na próxima quarta-feira, 21, e continuará por tempo indeterminado. O objetivo é coibir solicitantes aos vistos considerados propensos a se tornarem um gasto público.

Um memorando do Departamento de Estado, ao qual a Fox News teve acesso, orienta os funcionários consulares a recusarem vistos de acordo com a legislação vigente, enquanto a pasta reavalia os procedimentos de triagem e verificação.

O jornal não divulgou todos os países afetados pela medida, mas afirmou que, além do Brasil, Somália, Rússia, Afeganistão, Irã, Iraque, Egito, Nigéria, Tailândia e Iêmen também estão na lista

A Fox News já havia divulgado, em novembro do ano passado, que o Departamento de Estado orientou os consulados a aplicarem novas regras de triagem baseadas na disposição de "encargo público" da lei da imigração. Com isso, os funcionários foram instruídos a negarem vistos a candidatos que provavelmente dependerão de benefícios públicos, com base em fatores variados, como saúde, idade, proficiência em inglês, situação financeira e possível necessidade de cuidados médicos de longo prazo.

Ainda segundo o jornal, candidatos idosos ou com sobrepeso tinham chances de ter seus pedidos negados.

"O Departamento de Estado usará sua autoridade de longa data para considerar inelegíveis potenciais imigrantes que se tornariam um fardo para os Estados Unidos e explorariam a generosidade do povo americano", disse o porta-voz da pasta, Tommy Piggott, em comunicado divulgado pela Fox News.

"A imigração desses 75 países será suspensa enquanto o Departamento de Estado reavalia os procedimentos de processamento de imigração para impedir a entrada de estrangeiros que se beneficiariam de programas de assistência social e benefícios públicos."

Por Estadão Conteúdo

Irã acusa Donald Trump de incitar violência e incentivar desestabilização política

Embaixador envia carta ao Conselho de Segurança da ONU em que responsabiliza EUA e Israel por 'perda de vidas civis'

O Irã acusou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta terça-feira (13), de incentivar a desestabilização política, incitar a violência e ameaçar a soberania, a integridade territorial e a segurança nacional do país, escreveu o embaixador iraniano na ONU, Amir Saeid Iravani, ao Conselho de Segurança da organização.

"Os Estados Unidos e o regime israelense têm responsabilidade legal direta e inegável pela consequente perda de vidas civis inocentes, particularmente entre os jovens", escreveu ele na carta, que também foi enviada ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

Homem de cabelos grisalhos e óculos fala em púlpito com símbolo da ONU. Fundo azul exibe logotipos do Conselho de Segurança em inglês e francês.Homem de cabelos grisalhos e óculos fala em púlpito com símbolo da ONU. Fundo azul exibe logotipos do Conselho de Segurança em inglês e francês.
Embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, em evento na sede da organização, em Nova York - Eduardo Munoz/Reuters

Ele escreveu a carta em resposta a uma publicação de Trump nas redes sociais feita no início desta terça.

O americano afirmou que cancelou qualquer diálogo com autoridades iranianas e incentivou manifestantes iranianos a "tomarem as instituições", em mais um sinal de apoio americano aos grandes protestos que tomaram as ruas de diversas cidades do país persa e já somam 2.000 mortes, pelas contas da ONG de direitos humanos Hrana.

"Patriotas iranianos, CONTINUEM A PROTESTAR —TOMEM SUAS INSTITUIÇÕES!!! Guardem os nomes dos assassinos e abusadores. Eles pagarão um grande preço. Eu cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que essa matança sem sentido de manifestantes ACABE. AJUDA ESTÁ A CAMINHO. MIGA!!! [Make Iran Great Again]", escreveu Trump na rede Truth Social, com as habituais letras maiúsculas.

Em outro indicador de que os protestos são reprimidos de forma brutal, entidades afirmaram que Teerã deverá executar, nesta quarta-feira (14), um manifestante preso. Se concretizada, essa será a primeira execução desde o início dos atos.

Em entrevista à CBS News, Trump também comentou essa possibilidade e prometeu retaliação. "Se eles os enforcarem, vocês vão ver algumas coisas… Tomaremos medidas muito duras se fizerem algo assim", disse o presidente americano, sem dar mais detalhes.

A contagem de ao menos 2.000 mortos expõe um aumento significativo nos últimos dias da repressão ao movimento iniciado em 28 de dezembro, quando então era apenas uma insatisfação de comerciantes do Bazar de Teerã com a desvalorização do rial, a moeda local, e a inflação crescente. No começo do domingo (11), as estimativas ainda estavam entre 100 a 200 vítimas, subindo para 500 ao fim da noite. Agora, a cifra já é o quádruplo de dois dias atrás.

Teerã não divulga balanço oficial de mortos, sejam manifestantes ou membros das forças de segurança, mas o mesmo número de 2.000 vítimas já havia sido passado à agência Reuters por um funcionário do próprio regime, culpando o que chamou de terroristas pela escalada da violência.

Por Folhapress

Irã marca para amanhã primeira execução de manifestante, diz ONG

Erfan Soltani, de 26 anos, foi preso na última quinta (8) em conexão com os protestos na cidade de Karaj. ONU se disse 'horrorizada' com repressão a manifestações no país do Oriente Médio que pedem o fim do regime dos aiatolás.

O manifestante Erfan Soltani, de 26 anos, preso por sua conexão com protestos contra o regime dos aiatolás na cidade de Karaj, deverá ser executado na quarta (14) pelas autoridades iranianas. A informação foi divulgada pela organização humanitária curdo-iraniana Hengaw nesta terça-feira (13).

Segundo a Fox News, Erfan será enforcado - método mais comum nas execuções no Irã.

As autoridades informaram à família que a sentença de morte era definitiva, relatou a Hengaw. De acordo com a família, ele foi preso em sua casa na última quinta-feira (8).

Seus parentes afirmam também que Soltani não teve permissão para acessar um advogado, nem houve qualquer audiência em um tribunal para julgar seu caso.

"O tratamento apressado e pouco transparente deste caso aumentou as preocupações sobre o uso da pena de morte como instrumento para reprimir protestos públicos", disse a Hengaw.

O chefe do Judiciário iraniano, subordinado aos aiatolás e ao líder supremo, Ali Khamenei, já havia dito que que tribunais especializados foram designados para lidar com os protestos.

A ONG Iran Human Rights (IHRNGO) diz estar "extremamente preocupada com a situação no país e alerta para "o risco de execuções em massa de manifestantes"

2.000 mortos
A repressão aos protestos que ocorrem no Irã já deixaram cerca de 2.000 pessoas mortas, afirmou nesta terça um membro do governo iraniano à agência de notícias Reuters.

A fonte ouvida pela Reuters culpou os manifestantes, que chamou de "terroristas", por mortes de cidadãos e agentes de segurança durante os protestos.

As manifestações, que começaram em dezembro, tinham como foco a má situação econômica do país, mas a repressão violenta a elas levou os manifestantes a pedir o fim do regime dos aiatolás, que goveram o Irã desde a Revolução de 1979.

Também nesta terça, o alto comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Volker Türk, se disse "horrorizado" com o que chamou de repressão das forças de segurança iranianas aos protestos pacíficos.

Oficialmente, o Irã não havia confirmado o novo balanço até a última atualização desta reportagem. Na segunda-feira (12), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, declarou que a situação o país estava "sob controle total" após o aumento da violência ligada aos protestos durante o fim de semana.

O chanceler iraniano acrescentou que a ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de uma nova ofensiva contra Teerã caso a repressão violenta aos protestos continuasse, motivou "terroristas" a atacar manifestantes e forças de segurança, para justificar essa intervenção.
"Vamos atingi-los com muita força onde mais dói", disse Trump, em relação ao Irã, na semana passada.

O presidente norte-americano já havia dito que faria uma intervenção anteriormente. Em 2 de janeiro, ele declarou que os EUA estavam “prontos para agir” se pessoas que protestam de forma pacífica forem mortas.

No sábado (10), Trump renovou as ameaças ao dizer que o Irã está "buscando a liberdade" e que os norte-americanos estão "prontos para ajudar".

O grupo de direitos humanos HRANA, com sede nos EUA, afirmou às agências de notícias Reuters e Associated Press que o número de mortos subiu para 538, entre eles 490 manifestantes e 48 policiais. Além disso, mais de 10.670 pessoas teriam sido presas, segundo a organização neste domingo (11).

Outras ONGs de direitos humanos que monitoram a situação no Irã também têm reportado nas mortes dos protestos. O país está isolado do resto do mundo após Khamenei ter cortado a internet, então não se sabe ao certo quantas pessoas realmente morreram, porém, as organizações têm recebido relatos de que as forças de segurança iranianas dispararam contra os manifestantes.

O governo iraniano não está divulgando regularmente números oficiais da atuação policial nos protestos e acusa os EUA e Israel de se infiltrarem nos protestos e os culpam pelas mortes ocorridas nos movimentos.

O chefe da polícia do Irã, Ahmad-Reza Radan, afirmou neste domingo que as forças de segurança "escalaram o nível de confronto contra os manifestantes". A Guarda Revolucionária do Irã, um importante ator militar no país, afirmou que proteger a segurança nacional é um ponto inegociável.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, pediu neste domingo que a população iraniana mantenha distância do que chamou de "terroristas e badernistas" e tentou buscar uma via de diálogo com os manifestantes. Ao mesmo tempo, Pezeshkian acusou os Estados Unidos e Israel de "semear caos e desordem" no país.
Por Reuters

Representantes da Dinamarca e Groenlândia se reunirão com Rubio e JD Vance em Washington

Os ministros das Relações Exteriores da Dinamarca e da Groenlândia serão recebidos na Casa Branca, nesta quarta-feira, 14, pelo vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, e pelo secretário de Estado, Marco Rubio, anunciou o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca.
"O vice-presidente dos EUA, JD Vance, também quis participar desta reunião e será o anfitrião. Ela acontecerá na Casa Branca", disse o chanceler dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, à imprensa.

O ministro da Defesa Dinamarquês, Troels Lund Poulsen, por sua vez, anunciou que se reunirá com o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, na segunda-feira, para discutir a segurança do Ártico.

No ano passado, JD Vance visitou a base aérea americana de Pituffik, no noroeste da Groenlândia, por algumas horas e chamou a Dinamarca de "mau aliado" por não fazer o suficiente, em sua opinião, para garantir a segurança da região.

Nos últimos dias, o presidente americano, Donald Trump, aumentou a pressão sobre a Groenlândia, afirmando que assumirá o controle da ilha ártica "de um jeito ou de outro".

Na segunda-feira, Otan e Groenlândia anunciaram a intenção de cooperar para fortalecer a defesa do território independente dinamarquês, com o objetivo de dissuadir Donald Trump.
Por Redação

Trump diz que "Irã ligou para negociar"

Afirmação acontece dias após o presidente americano afirmar que os EUA "interviriam" em caso de violência contra manifestantes em Teerã

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou neste domingo (11) que o Irã, que atualmente enfrenta protestos violentos e tensões com os EUA, ligou para ele no sábado (10) para negociar.

"Eles ligaram ontem [...] O Irã ligou para negociar", disse Trump.

"Os líderes do Irã querem negociar [...] Acho que eles estão cansados ​​de apanhar dos Estados Unidos. O Irã quer negociar conosco.", acrescentou o presidente americano.

Os comentários de Trump vêm dias depois dele ter dito a repórteres que, se Teerã se envolvesse em violência contra manifestantes, os EUA "interviriam".

A CNN noticiou no domingo que Trump está considerando várias opções de intervenção, desde ataques militares a novas sanções contra figuras do regime ou setores da economia iraniana, como energia ou o setor bancário.

Trump manda alerta para Cuba: ‘Melhor fazer um acordo antes que seja tarde’

Mensagem do republicano vem uma semana depois das forças norte-americanas terem invadido a Venezuela e capturado o ditador Nicolás Maduro, que está detido nos Estados Unidos acusado de narcotráfico
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mandou um alerta, neste domingo (11), para Cuba, e solicitou que eles façam um acordo antes que seja tarde demais. A Venezuela agora tem os Estados Unidos, o maior poder militar do mundo (de longe), para protegê-los. Não vai ter mais petróleo e dinheiro indo para Cuba – zero! Eu sugiro fortemente que eles façam um acordo, antes que seja tarde demais”, escreveu Trump em sua conta no Truth Social.

Segundo o republicano, Cuba viveu, por muito anos, com grandes quantidades de petróleo e dinheiro da Venezuela, em retorno, Havana promoveu serviço de segurança para os últimos dois ditadores venezuelanos. “Muitos desses cubanos foram mortos na última semana do ataque dos EUA, e Venezuela não precisa mais de proteção de bandidos e extorsionários que os mantiveram reféns por tantos anos”, disse Trump.
O alerta de Trump vem uma semana depois das forças norte-americanas terem invadido a Venezuela e capturado o ditador Nicolás Maduro, que está detido nos Estados Unidos acusado de narcotráfico, acusação da qual se declarou inocente em sua primeira audiência, realizada na segunda-feira (5). A próxima está marcada para o dia 17 de março.

Pouco depois de realizar a publicação, Trump compartilho uma publicação de um usuário dizendo que o secretário de Estados nos Estados Unidos, Marco Rubio, deveria ser o presidente de Cuba. Em resposta, o republicado escreveu: “Parece bom”. Desentende de cubanos, Rubio tem sido peça central do governo Trump nos ataques aos países latino-americanos.

Primeiro secretário de Estado hispânico dos Estados Unidos, ele vive um momento crucial em sua carreira política desde a prisão do líder venezuelano deposto Nicolás Maduro: administrar os assuntos de um dos países mais complexos da região à distância. O político de 54 anos que, além de chefiar a diplomacia americana, também é conselheiro de Segurança Nacional na Casa Branca. Uma das coisas que ele não cede é a exigência de uma transição política em Cuba, país que seus pais deixaram antes da Revolução de 1959, justamente para fugir da ausência de democracia.
Por Sarah Américo/Jovem Pan

EUA realizam ataques em grande escala contra o Estado Islâmico na Síria

O Exército dos EUA informou neste sábado (10) ter realizado múltiplos ataques na Síria contra o Estado Islâmico, como parte de uma operação lançada em dezembro após um ataque a militares americanos.

Uma coalizão liderada pelos EUA tem realizado ataques aéreos e operações terrestres na Síria visando suspeitos do Estado Islâmico nos últimos meses, frequentemente com o envolvimento das forças de segurança da Síria.

"Os ataques de hoje visaram o ISIS [sigla para Estado Islâmico, em inglês] em toda a Síria", disse o Comando Central dos EUA em um comunicado, que não informou se houve mortos ou feridos.

O Pentágono não comentou, e o Departamento de Estado também não respondeu.

Os ataques deste sábado são parte de uma operação lançada no mês passado após militantes do Estado Islâmico terem matado militares dos EUA na Síria, segundo informações do Comando Central dos EUA. O Exército americano disse que dois soldados e um intérprete civil foram mortos nesse incidente de 13 de dezembro. Cerca de 1.000 soldados americanos permanecem na Síria.

O governo da Síria é liderado por ex-rebeldes que derrubaram o ditador Bashar al-Assad em 2024, após uma guerra civil de 13 anos, e inclui membros da antiga filial da Al Qaeda na Síria que romperam com o grupo e entraram em conflito com o Estado Islâmico.

A Síria tem cooperado com a coalizão liderada pelos EUA, chegando a um acordo no final do ano passado quando o presidente Ahmed al-Sharaa visitou a Casa Branca. Ligado à Al Qaeda no passado, o atual líder sírio tentava encerrar o isolamento internacional de seu país.

Por Kanishka Singh, Folhapress

Em regime reciclado sob a tutela dos EUA, Delcy Rodríguez envia sinais contraditórios na Venezuela

Presidente interina anuncia libertação de prisioneiros políticos, mas sustenta o aparato repressor nas ruas.

Nos seis dias que se seguiram à operação dos EUA que retirou Nicolás Maduro do poder na Venezuela, o governo liderado por Delcy Rodríguez, sob a tutela norte-americana, tem enviado sinais contraditórios para assegurar o controle do país.

O anúncio da libertação de presos políticos se mistura à manutenção do habitual aparelho repressor nas ruas e às medidas decretadas pelo governo para coibir, por exemplo, quem comemora a intervenção militar americana

Irmão mais velho de Delcy, o presidente da Assembleia Legislativa, Jorge Rodríguez, justificou a decisão de libertar o que considerou um número significativo de prisioneiros como “um gesto para consolidar a paz e a convivência pacífica”. Fez questão de ressaltar ter sido esta uma medida unilateral do atual governo e não fruto da pressão dos EUA.

A madrugada, contudo, foi tensa para os parentes dos presos, sem informações sobre nomes, e resultou na soltura de apenas cinco, com passaporte espanhol. Entre eles, o ex-candidato Enrique Márquez e a respeitada advogada de direitos humanos Rocío San Miguel, presa há 23 meses sob a falsa acusação de conspiração, traição e terrorismo.
“Três da manhã na Venezuela. Uma noite absolutamente dramática com centenas de famílias esperando. No plano político, a não liberação nesta noite, depois de mais de cinco horas desde o anúncio, só deixou de lado a fragilidade do poder do Rodrigato. O que ou quem está impedindo que os presos políticos saiam?”, relatou o cientista político Luis Peche em suas redes sociais.

A confusa e lenta libertação de presos políticos parece ser a primeira concessão dos irmãos Rodríguez, que agora detêm o poder na Venezuela. Segundo a ONG Foro Penal, o governo mantém 820 encarcerados por razões políticas e as mais variadas e fantasiosas acusações. Cerca de uma centena se encontra na temida prisão conhecida como El Helicoide, considerado um centro de tortura gerido pelo Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin).

O regime chavista, agora reprocessado sob a insígnia de Trump, tem sido ambíguo em suas declarações. De um lado, fornece tímidas demonstrações de abertura e de colaboração; de outro, mantém paramilitares e milicianos para patrulhar ruas e assegurar a ordem pela força, em mais um indício de que o aparato repressor está intacto.

Para o público interno, a presidente interina tenta passar a imagem de que o regime resistiu à intervenção dos EUA na deposição de Maduro e Cília Flores. “Ninguém aqui se rendeu. Houve uma luta e uma luta por esta pátria. Temos dignidade histórica, compromisso e lealdade ao presidente Maduro, que foi sequestrado”, assegurou ela na cerimônia em homenagem aos cem mortos da operação americana do dia 3.

A veemência que a presidente interina tenta passar aos venezuelanos, contudo, perde força nas medidas ditadas pelo governo Trump, como o controle do petróleo do país, mas ainda se sustenta pela brutalidade no cotidiano das ruas.
Por: G1

Senado dos EUA aprova resolução para limitar ações de Trump na Venezuela

O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta quinta (8) uma resolução que busca impedir o presidente Donald Trump de determinar novas ações militares contra a Venezuela sem autorização do Congresso. A iniciativa abre caminho para uma análise mais aprofundada da proposta na Casa, composta por cem senadores.

A votação, de caráter processual e necessária para dar continuidade à resolução, terminou com 52 votos a favor, e 47 contrários. Alguns senadores republicanos romperam com o presidente e se juntaram a todos os democratas para permitir o avanço do texto.

O movimento ocorreu poucos dias depois de forças americanas capturarem o ditador Nicolás Maduro em uma operação militar sem precedentes em Caracas. A ação reacendeu o debate no Congresso sobre os limites da autoridade presidencial para o uso da força militar sem aval legislativo.

Minutos após a votação, Trump escreveu em sua plataforma, a Truth Social, que os republicanos que votaram a favor da iniciativa deveriam ficar envergonhados e nunca mais serem eleitos. Ainda escreveu os nomes dos correligionários que endossaram o texto. "Essa votação prejudica a autodefesa e a segurança nacional americanas, impedindo a autoridade do presidente", publicou ele.

Duas tentativas anteriores de aprovar resoluções semelhantes tinham sido bloqueadas no Senado, no ano passado, por parlamentares republicanos alinhados a Trump. Naquele período, o governo dos EUA já aumentava a pressão sobre a Venezuela com ataques contra embarcações no Caribe e no Pacífico.

As ofensivas motivaram parlamentares a apresentarem uma série de projetos com base na Lei de Poderes de Guerra, de 1973 e aprovada após a Guerra do Vietnã, que limita ações militares unilaterais do Executivo.

A gestão Trump, assim como gestões passadas, democratas e republicanas, sustenta que essa lei é inconstitucional. A questão nunca passou por um julgamento definitivo da Suprema Corte.

Com a aprovação da medida processual nesta quinta, o Senado agora abre espaço para uma análise mais detalhada da resolução num contexto de tensão crescente entre o Legislativo e a Casa Branca sobre a condução da política externa e o uso do poder militar.

No fim do ano passado, integrantes do governo Trump afirmaram que não planejavam uma mudança de regime nem ataques ao território venezuelano. Após a captura de Maduro, alguns parlamentares passaram a acusar a gestão de ter enganado o Congresso.

"Falei hoje com pelo menos dois republicanos que não votaram a favor dessa resolução anteriormente e que agora estão considerando fazê-lo", afirmou o senador Rand Paul, republicano do Kentucky e um dos coautores da proposta, em entrevista coletiva antes da votação.

Atualmente, o partido do presidente controla o Senado com 53 cadeiras, enquanto os democratas e senadores independentes que votam com a oposição têm 47 assentos. A aprovação da medida representa uma vitória para os parlamentares que defendem maior controle do Congresso sobre decisões de guerra. Ainda assim, o caminho para que se torne lei é considerado difícil.

O texto ainda precisa ser aprovado pela Câmara dos Representantes, também controlada pelos republicanos, e superar um veto presidencial, o que exigiria maioria de dois terços na Câmara e no Senado.

Apesar dos obstáculos, os defensores da proposta dizem que parte dos republicanos pode se mostrar reticente diante da perspectiva de uma campanha prolongada e custosa de mudança de regime na Venezuela. Na quarta (7), Trump escreveu na Truth Social que deseja aumentar o orçamento militar americano de US$ 1 trilhão para US$ 1,5 trilhão.

Atualmente, o partido do presidente controla o Senado com 53 cadeiras, enquanto os democratas e senadores independentes que votam com a oposição têm 47 assentos. A aprovação da medida representa uma vitória para os parlamentares que defendem maior controle do Congresso sobre decisões de guerra. Ainda assim, o caminho para que se torne lei é considerado difícil.

O texto ainda precisa ser aprovado pela Câmara dos Representantes, também controlada pelos republicanos, e superar um veto presidencial, o que exigiria maioria de dois terços na Câmara e no Senado.

Apesar dos obstáculos, os defensores da proposta dizem que parte dos republicanos pode se mostrar reticente diante da perspectiva de uma campanha prolongada e custosa de mudança de regime na Venezuela. Na quarta (7), Trump escreveu na Truth Social que deseja aumentar o orçamento militar americano de US$ 1 trilhão para US$ 1,5 trilhão.
Por Folhapress

Colômbia: em conversa com Trump, Petro sugeriu a exploração de energia limpa

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, deu mais detalhes, em publicação no X, sobre a ligação telefônica com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizada na quarta-feira, 7.

Segundo Petro, que havia confirmado o contato mais cedo, a conversa tratou sobre o "desencontro" de visões sobre a relação dos Estados Unidos com a América Latina. A publicação traz uma imagem, gerada por inteligência artificial, de uma águia (símbolo americano) ao lado de uma onça pintada, uma espécie típica da América do Sul.

Diante do apetite de Trump pelo petróleo venezuelano, o colombiano defendeu uma aliança em torno do potencial de geração de energia limpa da América do Sul. "Um uso da América Latina apenas para petróleo levaria à destruição do direito internacional e, portanto, à barbárie e a uma terceira guerra mundial", disse Petro.

"A América do Sul produz 1400 GW, enquanto a demanda dos EUA por energia que substitui o petróleo e o carvão é de 840 GW anuais, ou seja, a América Latina pode fazer com que 100% da matriz energética dos EUA seja limpa, e isso seria o maior passo na luta para deter a crise climática em favor da vida", afirmou o presidente colombiano, que calculou em US$ 500 bilhões o investimento necessário para a exploração da energia limpa no continente.

Por Vinícius Novais / Estadão Conteúdo

EUA apreendem petroleiro com bandeira russa ligado à Venezuela

Os Estados Unidos interceptaram e apreenderam nesta quarta-feira (7) um petroleiro com bandeira russa que transportava óleo venezuelano no Oceano Atlântico, numa potencial escalada da crise iniciada pela captura do ditador Nicolás Maduro e de sua mulher pelos americanos, no sábado (3).

A interceptação foi confirmada à agência Reuters e pela rede estatal russa RT, que veiculou um vídeo no qual um helicóptero americano circula a embarcação em águas internacionais. Não há detalhes da ação ainda.

A perseguição ao navio Marinera começou há duas semanas. Antes, em 10 de dezembro, um outro petroleiro venezuelano havia sido interceptado e capturado pelos EUA. O governo de Donald Trump determinou então um embargo a todo o transporte de petróleo e derivados para dentro e fora do país caribenho.

Diversos petroleiros que já estavam no mar desligaram seus sistemas de comunicação e começaram a fugir das forças americanas. O Bella-1, que navegava com bandeira da Guiana, mudou então de nome para Marinera e passou usar registro estatal russo, baseado em Sochi (mar Negro).

A mudança presumivelmente poderia dar mais proteção à embarcação, mas não foi isso que aconteceu. Na terça (6), quando ficou claro que as forças americanas estavam se aproximando do navio, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia emitiu um alerta, dizendo que era preciso respeitar a liberdade de navegação garantida no direito internacional.

Nesta quarta, o Ministério dos Transportes russo disse que o caso violava leis marítimas, e parlamentares acusaram os EUA de pirataria.

Segundo o americano Wall Street Journal, os russos chegaram a mobilizar um submarino no Atlântico para ir escoltar o agora Marinera. Autoridades americanas falaram o mesmo à agência Reuters, mas Moscou não comentou.

Para um analista militar em Moscou, ouvido pela reportagem, isso seria muito difícil por motivos políticos, já que ensejaria um confronto com Trump que Vladimir Putin não deseja, e técnicos, uma vez que a embarcação demoraria dias para chegar ao petroleiro.

O Marinera passava por uma tempestade segundo o vídeo da rede RT. Nele, é possível ver um navio da Guarda Costeira ameicana e um helicóptero de pequeno porte tentando se aproximar do navio.

A Rússia é, ao lado da China, a maior fiadora do regime chavista da Venezuela. Moscou forneceu o equivalente hoje a R$ 80 bilhões em armas de 2005 a 2013, e até 2020 manteve operações petrolíferas extensas no país —devido a sanções a Caracas, elas são limitadas.

O Kremlin também apoia a ditadura cubana, um dos esteios do chavismo, que está sob pressão nesta crise: o embargo petrolífero de Trump pode asfixiar economicamente a ilha, dependente do produto de Caracas, e levar a instabilidade social ainda maior.

Ao longo do cerco militar de Trump contra Maduro, Moscou prometeu apoio, mas na prática não podia fazer muita coisa, não menos porque Putin tratava com o americano os termos de um acordo para encerrar a Guerra da Ucrânia em termos favoráveis ao Kremlin.

Isso tudo está em suspenso agora, com a captura de Maduro e o endurecimento aparente da posição de Trump nas negociações que se desenrolam nesta semana em Paris.

Os EUA não parecem ter colocado óbice à proposta europeia de envio de uma força de paz para garantir a segurança de Kiev em caso de trégua, algo que os russos nunca aceitaram.

Por ora, o governo Putin demonstrou apoio à líder interina do país, Delcy Rodríguez, que alterna abertura a Trump com críticas à ação que levou Maduro ao banco dos réus em Nova York, sob uma acusação algo mutante de narcoterrorismo.

O foco central de Trump na ação contra a Venezuela é, além de se livrar de um governante hostil, ter acesso às maiores reservas de petróleo do mundo. O óleo de lá não é de boa qualidade, mas o americano já anunciou um esquema em que receberá 50 milhões de barris e ficará com os lucros de sua venda, algo ainda incerto.

Após a interceptação do Marinera, o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, disse que o bloqueio dos EUA ao petróleo venezuelano alvo de sanções permanece em pleno vigor "em qualquer lugar do mundo".

Por Igor Gielow, Folhapress

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