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Putin alerta Trump ao telefone a respeito de 'consequências prejudiciais' de nova ação no Irã

Líderes da Rússia e dos EUA falaram por telefone nesta quarta-feira, segundo o Kremlin, após Irã buscar Moscou
Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e dos Estados Unidos, Donald Trump
Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e dos Estados Unidos, Donald Trump, conversaram por telefone nesta quarta-feira (29). O líder russo apresentou ideias para resolver a disputa em torno do programa nuclear do Irã, segundo o conselheiro do Kremlin para política externa, Iuri Ushakov.

A ligação telefônica foi a primeira conversa anunciada publicamente entre os dois líderes desde 9 de março, nove dias após os EUA e Israel iniciarem a guerra atual contra o Irã, atualmente sob uma frágil trégua em meio à continuação dos bloqueios iranianos e americanos a navios no estreito de Hormuz e à dificuldade de avanços nas negociações para o fim do conflito.

Ushakov não deu detalhes sobre as propostas de Putin sobre o Irã, mas disse que qualquer retomada das hostilidades no Oriente Médio "inevitavelmente teria consequências extremamente prejudiciais" e não seria do interesse de ninguém.

"A Rússia está firmemente comprometida em fornecer total apoio aos esforços diplomáticos para buscar uma resolução pacífica da crise e ofereceu uma série de considerações destinadas a resolver as divergências sobre o programa nuclear do Irã", afirmou ele a jornalistas após a conversa entre os dois líderes.

A Rússia havia oferecido anteriormente retirar do país persa o estoque de urânio enriquecido em posse da República Islâmica.

Ushakov disse ainda que a Rússia manteria contato com o Irã, com o qual tem uma "parceria estratégica", bem como com os estados do golfo Pérsico e Israel para garantir que não haveria uma retomada das hostilidades na região.

Ele disse que a ligação telefônica durou mais de uma hora e meia e foi "conduzida de maneira amigável, franca e objetiva".

Na segunda-feira (27), o Irã indicou mudança em sua estratégia de negociação após novo fracasso de uma segunda rodada de conversas com Washington e enviou seu chanceler, Abbas Araghchi, a Moscou. Ele foi recebido por Putin, que afirmou que faria de tudo para ajudar o Oriente Médio a alcançar a paz.

Durante a conversa com Trump nesta quarta, o líder russo também propôs uma repetição do cessar-fogo temporário ocorrido na Ucrânia, no ano passado, para marcar o aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial no próximo mês, disse Ushakov. No ano passado, Kiev não concordou com a trégua, que do lado russo durou três dias.

"Trump apoiou ativamente essa iniciativa, observando que o feriado marca nossa vitória comum sobre o nazismo na Segunda Guerra Mundial. Trump acredita que um acordo para pôr fim ao conflito na Ucrânia já está próximo", disse o conselheiro.
Por Folhapress

Governo Trump aprova pelotão de fuzilamento para pena de morte e a volta da injeção letal

Relatório do Departamento de Justiça expande métodos de aplicação da sentença e critica restrições da gestão Biden
O governo de Donald Trump anunciou nesta sexta-feira (24) que permitirá pelotões de fuzilamento e voltará a adotar a injeção letal como parte de um esforço mais amplo para restabelecer a pena de morte nos Estados Unidos.

Em um relatório, Todd Blanche, o secretário de Justiça interino, afirmou que as decisões do ex-presidente democrata Joe Biden de recuar da pena de morte "causaram danos incalculáveis às vítimas de crimes e, em última instância, ao próprio Estado de Direito".

O Departamento de Justiça, disse ele, voltou a autorizou o uso de pentobarbital para executar presos do sistema federal e também permitirá métodos adicionais de execução, como o uso de pelotões de fuzilamento.

O relatório de 48 páginas acrescentou que o Escritório Federal de Prisões (BOP, na sigla em inglês) deveria seguir o exemplo de estados que expandiram seus protocolos de execução em meio a disputas sobre a legalidade e disponibilidade de drogas para injeção letal.

"Os métodos adicionais de execução que o BOP deveria considerar adotar incluem o pelotão de fuzilamento, a eletrocussão e o gás letal —todos considerados consistentes com a Oitava Emenda pela Suprema Corte", disse o relatório, referindo-se à parte da declaração de direitos que proíbe "punições cruéis e incomuns".

O senador democrata Dick Durbin, de Illinois, chamou as medidas de "uma mancha na história da nossa nação".

Durbin acusou o Departamento de Justiça de "voltar no tempo ao fortalecer a prática bárbara da pena de morte federal —uma forma de punição cruel, imoral e frequentemente discriminatória".

Trump havia sinalizado as medidas em seu primeiro dia no cargo, assinando um decreto para reinstituir a pena capital no sistema prisional federal. Durante o primeiro mandato de Trump, 13 pessoas foram executadas no corredor da morte nacional.

Em 2021, o então secretário de Justiça, Merrick Garland, emitiu uma moratória sobre execuções de presos federais e suspendeu o uso de um protocolo de uso de droga letal para o pentobarbital. Em seus últimos dias no cargo, Biden comutou as sentenças de morte de 37 dos 40 condenados no corredor da morte federal.

O governo Trump enfrenta um obstáculo significativo. Segundo a lei, o governo federal só pode realizar execuções em estados que permitem a pena capital e executá-las de acordo com os protocolos estaduais. Por anos, as execuções federais ocorreram em Indiana, que só permite a pena capital por injeção letal.

O Departamento de Justiça, reconhecendo essa limitação em seu relatório, recomenda que o governo federal encontre um novo local para realizar execuções, em um estado que permita outros métodos. O Mississippi, afirma o relatório, permite execuções por eletrocussão ou pelotão de fuzilamento se a injeção letal ou outros métodos não estiverem disponíveis.

O texto pediu que o Escritório de Prisões apresente um relatório "detalhando as opções para realocar ou expandir o corredor da morte federal, ou para construir uma segunda instalação de execução federal em um estado que permita métodos adicionais de execução".

O pelotão de fuzilamento raramente foi usado nos EUA, mas recentemente foi autorizado por vários estados como método alternativo caso caso as unidades federativas não consigam obter as substâncias usadas na injeção letal. Antes do ano passado, as únicas execuções por pelotão de fuzilamento no país em tempos modernos haviam sido realizadas por Utah, em 1977, 1996 e 2010, de acordo com o Centro de Informações sobre Pena de Morte, um grupo de pesquisa.

Mas em 2025, a Carolina do Sul, que havia autorizado o pelotão de fuzilamento em 2021, executou três prisioneiros usando esse método.

Em seu anúncio nesta sexta-feira, o governo Trump disse que estava trabalhando em uma regulamentação destinada a reduzir o processo de apelação federal para casos de pena de morte estaduais, embora, em última instância, os tribunais tenham a palavra final.

O departamento também afirmou que planejava emitir uma regulamentação que imporia novos limites à capacidade de presos condenados à morte de buscar clemência ou indultos do governo federal.

O relatório sugeriu, ainda, expandir os tipos de crimes e os tipos de criminosos elegíveis para a pena de morte federal a fim de "corrigir lacunas e deficiências" na lei atual. O Congresso teria que aprovar qualquer mudança desse tipo com nova proposta legislativa.

Segundo o relatório, o governo federal deveria considerar propor legislação que tornaria elegíveis para a pena de morte "assassinatos de policiais; assassinatos por estrangeiros ilegalmente nos EUA; e assassinatos constituídos ou cometidos na prática de crimes de ódio, perseguição, apoio material ou violência doméstica".

Robin Maher, diretora do Centro de Informações sobre Pena de Morte, disse que o relatório parecia mais focado em queixas contra o governo Biden do que em uma análise direta do protocolo de injeção letal.

"Pareceu-me bastante desonesto no que se refere a refletir a realidade dos problemas" com o uso de pentobarbital em execuções, disse Maher.

O pentobarbital foi usado pela primeira vez em uma execução em 2010, em Oklahoma, e logo se tornou um método comum para executar prisioneiros.

Assim como outras drogas usadas em injeções letais, ela enfrentou contestações na Justiça de prisioneiros e seus advogados, que disseram que ela causava sofrimento aos prisioneiros, mas os tribunais permitiram seu uso, e vários estados a usam como método principal para execução da pena. Ainda assim, alguns estados tiveram dificuldade em obter a droga devido à pressão de grupos médicos e de defesa sobre os fabricantes de medicamentos.

Em janeiro de 2025, o Departamento de Justiça sob Garland, pouco antes de Trump assumir para seu segundo mandato, emitiu um memorando dizendo que "ainda há uma incerteza significativa sobre se o uso de pentobarbital como injeção letal causa dor e sofrimento desnecessários".
Por Folhapress

Atirador enviou mensagens à família pouco antes do ataque, dizem investigadores /Por Estadão Conteúdo

Foto: Divulgação
O homem acusado de abrir fogo no Jantar dos Correspondentes da Casa Branca - já identificado por autoridades de segurança como Cole Thomas Allen - enviou mensagens para membros da família minutos antes do ataque, ocorrido Washington Hilton, na noite deste sábado.
Nelas, referiu-se a si mesmo como um "Assassino do Governo", e criticou a administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Com isso, autoridades locais acreditam cada vez mais na tese de que as motivações para os tiros tenham sido políticas.

As mensagens faziam referências repetidas ao republicano, sem nomeá-lo diretamente, e aludiam a queixas sobre uma série de ações de sua gestão e eventos recentes, incluindo ataques dos EUA a barcos que seriam usados no contrabando de drogas na região do Pacífico oriental, disseram fontes envolvidas nas investigações.

Além dos textos enviados aos familiares, estão sendo avaliadas postagens em redes sociais feitas antes pelo atirador, além de entrevistas com membros da família, na busca por evidências mais claras em torno das possíveis motivações do suspeito.

A irmã de Allen disse aos investigadores que seu irmão havia comprado legalmente várias armas em uma loja da Califórnia e as armazenado na casa dos pais em Torrance sem o conhecimento deles Ela o descreveu ainda como propenso a tomar atitudes radicais, disseram oficiais envolvidos no tema.

Paquistão saúda prorrogação do cessar-fogo entre EUA e Irã

Primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, havia feito o pedido a Trump para permitir que os esforços diplomáticos continuassem
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, agradeceu ao presidente dos EUA, Donald Trump, por aceitar o novo pedido do país para estender o cessar-fogo na guerra contra o Irã, permitindo que os esforços diplomáticos em curso prossigam.

"Espero sinceramente que ambos os lados continuem a observar o cessar-fogo e consigam concluir um 'Acordo de Paz' abrangente durante a segunda rodada de negociações agendada para Islamabad, visando o fim permanente do conflito", disse Sharif em uma publicação no Facebook.

Trump anunciou a extensão do cessar-fogo para dar mais tempo às negociações, até que o Irã apresente uma proposta.

Apesar da extensão do prazo, o presidente americano afirmou que ordenou as Forças Americanas a continuarem o bloqueio naval no Estreito de Ormuz e que "permanecessem prontas e aptas".
Gursimran Kaur, da Reuters

Atirador mata oito crianças em ataques a casas nos EUA, diz polícia

Tiroteios ocorreram em três locais diferentes na madrugada de domingo (19). Suspeito morreu após perseguição policial; parte das vítimas era da família do atirador.
Um atirador matou oito crianças em tiroteios em diferentes casas na madrugada de domingo (19), nos Estados Unidos, informou a polícia local. O caso aconteceu no estado da Louisiana.

As vítimas tinham idades entre 1 e cerca de 14 anos, disse o porta-voz da polícia de Shreveport, Chris Bordelon. Ao todo, 10 pessoas foram baleadas.
O atirador morreu após uma perseguição com policiais, que atiraram no suspeito, disse Bordelon. O suspeito roubou um carro ao deixar o local dos tiroteios e foi seguido pela polícia. O nome dele não foi divulgado.

As autoridades disseram que ainda estavam reunindo detalhes nas cenas do crime, que se estendiam por três locais. Algumas das crianças baleadas eram parentes do suspeito, disse Bordelon.
Este foi o tiroteio em massa mais letal nos Estados Unidos desde que oito pessoas foram mortas em um subúrbio de Chicago, em janeiro de 2024, segundo um banco de dados mantido pela agência Associated Press e pelo USA Today em parceria com a Universidade Northeastern.

Em uma coletiva de imprensa em frente à casa onde ocorreu um dos tiroteios, autoridades pareciam atônitas, pedindo paciência enquanto organizavam as múltiplas cenas de crime.

“Esta é uma situação trágica — talvez a pior situação trágica que já tivemos”, disse Tom Arceneaux, prefeito da cidade no noroeste da Louisiana com cerca de 180 mil habitantes. “É uma manhã terrível.”
A Polícia Estadual da Louisiana informou que seus detetives foram solicitados pela polícia de Shreveport para investigar o caso

Sem incluir o incidente ocorrido neste fim de semana em Shreveport, o Arquivo da Violência Armada registra ao menos 119 tiroteios em massa nos Estados Unidos neste ano, que resultaram em 117 mortes, incluindo 79 crianças, e 458 feridos.

O arquivo define tiroteio em massa como um incidente em que pelo menos quatro pessoas, excluindo o atirador, são feridas ou mortas por disparos de arma de fogo. Os Estados Unidos tiveram 407 tiroteios em massa no ano passado, segundo dados do arquivo.
Por Associated Press/G1

Libaneses deslocados pela guerra voltam para casa e festejam cessar-fogo

Um dia após o anúncio de uma trégua de 10 dias, muitas famílias resolveram retornar para suas cidades no sul do país, maior alvo dos ataques israelenses contra o Hezbollah.

Famílias desabrigadas pela guerra no Líbano começaram a retornar para suas casas nesta sexta-feira (17), um dia após o anúncio de um cessar-fogo nos conflitos entre Israel e o grupo extremista Hezbollah.

Nos subúrbios ao sul da capital, Beirute, alvo de vários ataques aéreos israelenses, em meio ao entulho de vários prédios destruídos, o clima era de festa.

"Se Deus quiser, tudo terminará bem. Este cessar-fogo é uma vitória para nós. Houve resiliência por parte dos deslocados, resiliência de toda a população e apoio à resistência (Hezbollah)", afirmou um morador, Iyad Jamal Eddine, à agência de notícias Reuters.

Apesar das comemorações, muitos libaneses que saíram de casa e estão acampados pelas ruas de Beirute, no entanto, ainda estão apreensivos em voltar para suas cidades. Têm medo que a frágil trégua não seja respeitada ou prorrogada.

Sayyed Akram Atoun, da cidade de Markaba, optou por esperar antes de levar as filhas novamente para casa: "Não voltaremos até que a guerra termine e eles se retirem de todo o território libanês".
Em Sidon, uma grande cidade no litoral libanês, a rodovia que leva ao sul do país registrou um fluxo intenso de tráfego.

Em Qasmiyeh, já no sul do Líbano , uma longa fila de veículos se formou para atravessar uma passagem improvisada sobre o rio Litani, erguida às pressas após o cessar-fogo entrar em vigor, já que Israel destruiu váriass pontes durante a guerra, entre elas a da cidade.

Na cidade de Nabatieh, no sul do país, em grande parte destruída, alguns moradores que retornavam afirmavam, em tom de desafio, que ficariam. Outros diziam que não havia nada para o que voltar.

"Há destruição e é inabitável. Estamos pegando nossas coisas e indo embora novamente. Que Deus nos dê alívio e acabe com tudo isso de vez - não temporariamente - para que possamos retornar às nossas casas e terras", disse Fadel Badreddine, que estava com o filho pequeno e a esposa.
Israel vem atacando o Líbano desde março, na esteira da guerra no Oriente Médio e diz alvejar o Hezbollah, que é financiado pelo Irã e voltou a atacar o norte de Israel em retaliação. O Exército libanês não se envolveu diretamente no conflito.

Em um comunicado após o anúncio da trégua, o Hezbollah disse que qualquer cessar-fogo deve impedir a presença de soldados israelenses. Mas Netanayhu afirmou que o acordo não prevê a retirada de seus soldados, que ocupam partes do sul do Líbano atualmente, o que pode fazer a trégua ruir.

Antes, o grupo terrorista já havia dito que não cumpriria nenhum acordo entre os dois governos.

Pouco antes do anúncio de Trump, o deputado libanês Hassan Fadlallah, integrante do braço político do Hezbollah, afirmou à agência de notícias Reuters que o cumprimento do cessar-fogo por parte do grupo terrorista dependeria de Israel interromper os ataques que vem fazendo ao Líbano.

As relações entre os dois países do Oriente Médio, vizinhos, são estremecidas desde a década de 1970. Israel atacou o sul do Líbano em 1978 e novamente em 1982 para combater ofensivas constantes de milícias pró-Palestina.

Trump bloqueia estreito de Hormuz; Irã desafia a medida

Donald Trump
A confusa ordem do presidente Donald Trump para o bloqueio naval do estreito de Hormuz fez cessar o tráfego que já era mínimo na via que, antes da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, escoava 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mercado.

O bloqueio começou às 11h desta segunda-feira (13), no horário de Brasília. Antes dele, segundo monitores de tráfego marítimo, apenas 2 navios ligados ao Irã tentaram fazer o trânsito na região, ante 4 na véspera e até 140 antes do conflito que vive um incerto cessar-fogo desde a terça passada (7).

No domingo (12), o presidente americano determinou a medida para qualquer navio que tenha pagado o pedágio imposto pelo Irã na semana passada. Em vez de reabrir a passagem como havia sido combinado na trégua, Teerã estabeleceu uma rota que diz evitar minas colocadas pela teocracia e passa por suas águas territoriais.

Com isso, um petroleiro precisa pagar em criptomoedas US$ 1 por barril de óleo transportado, por exemplo. Diante do fracasso da rodada de negociações diretas entre EUA e Irã no Paquistão no fim de semana, Trump então anunciou o bloqueio.

Já quem irá executá-lo, a Marinha sob o Comando Central das Forças Armadas dos EUA, disse que irá interceptar navios de quaisquer países que estejam vindo ou indo a portos iranianos, que é algo diferente de um hipotético petroleiro de bandeira panamenha com produto do Kuwait que tenha aceitado pagar a taxa do Irã.

Em uma segunda postagem sobre o tema nesta madrugada de segunda, Trump falou em bloqueio envolvendo portos iranianos. Nesta manhã, nota da Marinha a navegadores disse que "o bloqueio não vai impedir o trânsito neutro pelo estreito para ou de destinações não iranianas".

Segundo os EUA, navios neutros ora em portos iranianos poderão deixar a área "por um período limitado" sem serem importunados.

Na prática, navios de guerra dos EUA patrulham áreas de trânsito e avisam, por rádio, que estão interditadas. Se a embarcação comercial não parar ou der meia-volta, ela pode ser abordada por lanchas e helicópteros e apreendida. Em casos extremos, uso da força pode ocorrer.

Trump escreveu nesta manhã, sempre em sua rede Truth Social, que se alguma lancha de ataque iraniana que tenha sobrevivido às cinco semanas de combate tentar atacar um navio americano, será "eliminada".

Do ponto de vista legal, o bloqueio é previsto em caso de conflitos caso não puna a população civil. A questão é que os EUA estão em uma trégua com o Irã, o que torna nebulosa sua ação sob o direito internacional.

Em tempos de paz, cerca de 90% da produção de petróleo iraniana é destinada à China, que tem no país seu terceiro maior fornecedor por meio de esquemas para driblar sanções internacionais, intermediando as compras pela Malásia e outros. É incerto quanto óleo iraniano conseguiu deixar a região desde o início da guerra.

Trump disse que teria ajuda de outros países em seu bloqueio, sem os nominar. O Reino Unido e a França farão uma reunião para debater a situação, mas o premiê britânico, Keir Starmer, voltou a dizer "esta não é nossa guerra" e que não irá participar de missões ofensivas.

O republicano, que busca deixar a impopular guerra que iniciou em 28 de fevereiro, disse que o cessar-fogo está valendo, exceto que os iranianos ataquem algum navio "pacífico" ou americano. Ele disse que "não se importa" se haverá ou não novas negociações com o Irã, abrindo uma janela para deixar o conflito congelado.

Já a Marinha de Teerã disse, em comunicado, considerar o bloqueio ridículo e que manterá o esquema com sua rota ilegal com pedágio. A Força reafirmou que irá considerar qualquer movimentação militar em Hormuz uma violação do cessar-fogo.

E assim segue a disputa narrativa, com ambos os lados buscando dizer estar em vantagem. O controle de Hormuz é a principal ficha de barganha de Teerã no conflito, devido ao impacto nos preços globais de energia.

Na vizinhança imediata de Hormuz há pelo menos dois navios de guerra americanos, os destróieres USS Frank E. Peterson e o USS Michael Murphy.

No sábado, os EUA disseram que ambos os navios navegaram por Hormuz com apoio de drones subaquáticos, visando identificar e destruir minas. O Irã não comentou a afirmação, e o fato é que não se sabe quais as atuais capacidades costeiras do país após os intensos bombardeios a que foi submetido.

Há pelo menos outros seis navios deste tipo, armados com sistemas antimísseis, na região próxima do lado "de fora" de Hormuz, o golfo de Omã, que leva ao oceano Índico. A Marinha iraniana em si parece ter sido dizimada pelos EUA, que afirmaram ter destruído cerca de 160 de suas embarcações.

Mas o perigo para navios está nas minas e no emprego de drones e mísseis pelos iranianos. Os aviões robôs podem fazer grandes danos em petroleiros e cargueiros civis, mas são os modelos de cruzeiro antinavios que preocupam os rivais: eles mal foram vistos em ação na guerra, o que faz supor que Teerã os guardou.

O alcance máximo dos modelos iranianos do tipo é 700 km, e em médio atingem alvos a 300 km. Isso levou o grupo do porta-aviões USS Abraham Lincoln, operando na guerra, a se proteger mais ao sul da costa de Omã, por exemplo.

Enquanto a novela naval se desenrola, a guerra continua na frente libanesa, onde Israel não incluiu o combate ao Hezbollah no cessar-fogo. Nesta segunda, houve bombardeios que mataram ao menos nove pessoas no país vizinho, e as forças de Binyamin Netanyahu anunciaram que irão tomar controle da cidade de Bint Jbeil, perto da fronteira.

Por Igor Gielow/Folhapress

Petróleo fica sob risco com fracasso das negociações entre Estados Unidos e Irã

Negociações fracassam, Trump ameaça Ormuz e fluxo global de petróleo volta a preocupar

O presidente dos EUA, Donald Trump
Os mercados globais devem iniciar a semana sob renovada cautela, após a piora do quadro entre Estados Unidos e Irã, que voltou a lançar dúvidas sobre o cessar-fogo e elevou os riscos no Estreito de Ormuz, ponto sensível para o fluxo global de energia.

O fim de semana foi marcado pelo fracasso das negociações em Islamabad, encerradas sem acordo após cerca de 21 horas. Enquanto o vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou que Teerã foi “inflexível” sobre seu programa nuclear, autoridades iranianas disseram que Washington não conseguiu “conquistar a confiança” da delegação. Na sequência, o presidente Donald Trump anunciou que pretende bloquear o Estreito e ameaçou interceptar embarcações, ao passo que a Guarda Revolucionária (IRGC) alertou para “redemoinhos mortais” na região, caso americanos e israelenses cometam “erros” na via marítima.

Dados de rastreamento divulgados pela Bloomberg mostram que petroleiros desistiram de atravessar Ormuz após o colapso das conversas, evidenciando o risco operacional na rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial. O episódio ocorre em um momento em que a via já operava de forma limitada, com relatos de minas marítimas e presença ampliada de forças navais na região, incluindo embarcações americanas e de aliados.

A retomada de tensões contrasta com o alívio observado nos ativos ao longo da semana passada. Com o anúncio da trégua e a expectativa de avanço diplomático, o petróleo acumulou queda superior a 12% – de 13,4% no WTI e 12,7% no Brent -, enquanto as bolsas em Nova York subiram, com ganhos de até 4,7%, no caso do Nasdaq, em meio também ao suporte de resultados corporativos no setor de tecnologia. Aqui no Brasil, o Ibovespa renovou recordes históricos e o dólar à vista caiu ao menor nível em dois anos, a R$ 5,01.

Parte relevante desse rali esteve ligada à percepção de que o conflito permaneceria contido. Nesse contexto, moedas de países exportadores de commodities também ganharam tração. Para Robin Brooks, do Brookings Institution, o real brasileiro pode se beneficiar desse ambiente e, apesar de estar “muito depreciado”, tem espaço para se valorizar, com o dólar podendo cair abaixo de R$ 4,50 nos próximos meses.

Ainda assim, o pano de fundo permanece instável. Analistas do ING alertam que, mesmo com eventual reabertura de Ormuz, a normalização da oferta de energia pode levar “semanas, ou mais”, diante de danos já causados à produção e ao refino, além de gargalos logísticos. O impacto já se espalha por cadeias globais, com interrupções no transporte marítimo, na energia e em insumos industriais.

No campo macroeconômico, o CEO do JPMorgan, Jamie Dimon, afirmou, em carta a investidores, que a guerra pode reacender a inflação global e manter juros elevados por mais tempo, ao pressionar custos de energia e cadeias de suprimento. O próprio Trump reconheceu a dificuldade de leitura recente dos mercados, ao afirmar que o petróleo “não subiu tanto quanto esperava”, nem as bolsas caíram de forma mais intensa durante o conflito.
Por Pedro Lima/Estadão

Netanyahu diz ter evitado que Israel fosse invadido ao invadir o Líbano

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu
O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, cruzou a fronteira neste domingo (12) e visitou tropas israelenses que ocupam militarmente o Líbano desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã. Tel Aviv diz ter invadido o país vizinho para combater o Hezbollah, milícia libanesa aliada de Teerã, e o premiê afirmou que essa invasão evitou uma incursão do grupo armado.

"Nós evitamos uma invasão vinda do Líbano graças a essa zona de segurança", disse Netanyahu aos soldados. "Ainda há mais a ser feito, e estamos fazendo. Estamos repelindo o perigo das munições antitanque e estamos lidando com foguetes", afirmou o primeiro-ministro, que esteve no território libanês acompanhado do ministro da Defesa, Israel Katz, e de altos comandantes militares.

Desde que o Hezbollah reagiu ao início da guerra e lançou foguetes contra Israel, bombardeios israelenses já mataram mais de 2.000 pessoas no Líbano e feriram outras 6.000, de acordo com o Ministério da Saúde. Mais de 1 milhão de libaneses precisaram deixar suas casas. O governo em Beirute busca negociações diretas com Tel Aviv para interromper os ataques e discutir a retirada de soldados do sul do país.

Netanyahu, entretanto, já disse que não conversará com o Hezbollah, jogando incerteza na eficácia de discussões paralelas com Beirute. Especialistas afirmam que a estratégia israelense parece ser pressionar o governo libanês para que este declare guerra à milícia xiita —decisão que poderia causar uma nova guerra civil.

Também neste domingo, as tropas das Nações Unidas no Líbano disseram que um tanque israelense investiu contra veículos da força de paz no país. "Em duas ocasiões, soldados das Forças de Defesa de Israel atropelaram veículos da Unifil [Força Interina das Nações Unidas no Líbano] com um tanque Merkava, causando dano significativo", disse a ONU em nota.

A Unifil afirma ainda ter sido alvo de "tiros de alerta" na região —um desses tiros teria acertado um local a um metro de distância de um membro da Força da ONU— e que as tropas israelenses atuam para "restringir a liberdade de movimento" dos capacetes azuis. Três soldados da Unifil, de cidadania indonésia, já morreram desde o início da guerra, e uma investigação aponta que eles foram mortos por tiros israelenses e bombas do Hezbollah.

O papa Leão 14 voltou a pedir um cessar-fogo na região. O pontífice, que se prepara para uma viagem à África, disse neste domingo que se sente "mais próximo do que nunca do querido povo libanês nestes dias de dor, medo e esperança invencível em Deus".

"O princípio da humanidade, incrustado na consciência de cada pessoa e reconhecido no direito internacional, levanta a obrigação moral de proteger a população civil dos efeitos atrozes da guerra", afirmou o papa, sem citar Israel. "Insto as partes do conflito a cessar fogo e buscar urgentemente uma resolução pacífica". Por Folhapress

Ex-modelo brasileira ameaça expor 'sistema' de Melania e chama Trump de 'pedófilo'

Amanda Ungaro foi esposa de Paolo Zampolli, hoje enviado especial dos EUA para parcerias globais.

A primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump
Após a primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, negar qualquer relação com o abusador sexual Jeffrey Epstein na quinta-feira (9), um perfil no X atribuído à ex-modelo brasileira Amanda Ungaro, 41, ameaçou "expor tudo" sobre ela e o presidente americano, Donald Trump —a quem chamou de "pedófilo", ameaçando tomar medidas legais contra o casal.

"Vou destruir seu sistema corrupto, mesmo que seja a última coisa que eu faça na minha vida. Vou até o fim —não tenho medo. Talvez você devesse ter medo do que eu sei sobre quem você é e quem é o seu marido. Não tenho mais nada a perder na minha vida. [...] Tome cuidado comigo", escreveu a conta atribuída a Ungaro, da qual todos os posts foram apagados após as acusações.

Amanda Ungaro foi esposa de Paolo Zampolli, ex-agente de modelos e aliado de Trump que, segundo o jornal americano The New York Times, teria descoberto que a ex-mulher estava presa em Miami sob acusações de fraude e entrado em contato com David Venturella, alto funcionário do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega), para denunciar que ela estava ilegalmente nos EUA.

Após a interferência do ex-marido italiano, que hoje é enviado especial de Trump para parcerias globais, Ungaro foi deportada em outubro de 2025. Ao New York Times, Zampolli negou ter pedido ao ICE qualquer favor relacionado a ela e disse ter conversado com Venturella para entender o caso.

O Departamento de Segurança Interna, responsável pelo ICE, emitiu nota afirmando que Ungaro foi deportada por estar com o visto vencido há muito tempo. "Qualquer sugestão de que ela foi presa e removida por razões políticas ou favoritismo é falsa".

"Eu te conheço há 20 anos", escreveu Ungaro nas publicações, se dirigindo a Melania. "Você sabia que eu estava detida no ICE. Você esteve presente na minha vida —todos os anos no aniversário do meu filho, inclusive mandando o Serviço Secreto e sendo a primeira a parabenizá-lo, lá em 2016. Claramente havia algo errado, mas não faço parte de nenhuma missão maligna envolvendo crianças. Então o que você fez, Melania? Você tentou me envolver, mas falhou —porque eu tenho caráter", acusou o perfil no X atribuído à ex-modelo.

O presidente americano e a primeira-dama eram amigos de Zampolli e Ungaro, de acordo com o jornal americano. Em nota, um porta-voz de Melania afirmou que ela "não tem conhecimento nem envolvimento nos assuntos pessoais de Zampolli e de Ungaro" e "não teve nenhum contato ou envolvimento" com o ICE.

A ex-modelo brasileira contou em entrevista ao jornal O Globo que viajou no avião de Jeffrey Epstein em 2002, aos 17 anos, ocasião em que teria visto cerca de 30 meninas que classificou de "bonitas e bem novinhas", mas "mais parecidas com estudantes do que com modelos", com o bilionário e sua então companheira, Ghislaine Maxwell.

O relacionamento com Zampolli começou pouco tempo depois da viagem e durou quase duas décadas. Hoje, ela acusa o italiano de abuso sexual e violência doméstica, e o ex-casal disputa a guarda do filho, um adolescente de 15 anos, na Justiça americana.
Por Folhapress

Negociações entre EUA e Irã fracassam; futuro do cessar-fogo é incerto

Vice de Trump, J. D. Vance diz que voltará ao seu país sem acordo e tendo feito uma 'oferta final' aos iranianos.

O vice-presidente dos EUA, J. D. Vance
As negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã chegaram ao fim sem um acordo, jogando na incerteza o futuro do frágil cessar-fogo entre os dois países adversários na guerra no Oriente Médio.

O vice-presidente americano, J. D. Vance, disse em entrevista coletiva neste sábado (11), já manhã de domingo (12) no Paquistão, ter feito uma oferta final ao Irã nas conversas —e afirmou que voltará ao seu país.

"Conversamos por 21 horas", disse o vice de Donald Trump em breve declaração à imprensa em um hotel de Islamabad, capital paquistanesa, país que serve de mediador no conflito. "Voltaremos aos EUA sem um acordo. Deixamos muito claro quais são nossos limites, no que poderíamos ceder e no que não poderíamos, e eles escolheram não aceitar nossos termos".

A fala contradiz declarações anteriores da delegação iraniana, que dizia esperar mais discussões no domingo. Após a entrevista de Vance, entretanto, a TV estatal do país persa confirmou o fim das negociações, colocando a culpa do fracasso em "exigências excessivas" dos EUA.

"A boa notícia é que tivemos discussões significativas com os iranianos. A má notícia é que não chegamos a um acordo, e acho que é uma notícia muito pior para o Irã do que para os EUA", disse o vice-presidente americano. Não está claro se haverá nova rodada de discussões em outro momento ou se os países retomarão os bombardeios na guerra, que já matou milhares de pessoas em toda a região.

"Precisamos ver um compromisso [do Irã] de que não buscarão uma arma nuclear e de que não buscarão ferramentas que tornem possível o desenvolvimento de uma arma nuclear", afirmou Vance —o Irã sempre negou desejar a bomba, embora tenha enriquecido urânio a níveis muito superiores do necessário para usos civis.

"Fomos muito flexíveis, mas, infelizmente, não tivemos progresso", disse o vice de Trump. "Vamos embora daqui com uma proposta muito simples, um método de entendimento que é a nossa melhor e última oferta. Veremos se os iranianos aceitam", concluiu Vance, que falou à imprensa ao lado do enviado de Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e do genro do presidente, Jared Kushner.

No sábado, naquele que foi o encontro de mais alto nível entre Washington e Teerã desde a Revolução Islâmica de 1979, as delegações realizaram três rodadas de conversas —a terceira só terminou na madrugada de domingo (12), noite de sábado no Brasil.

A delegação iraniana era composta por mais de 70 membros e encabeçada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Ghalibaf, e pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi. Os iranianos chegaram no Paquistão ainda na sexta-feira (10) com vestes pretas em sinal de luto pela morte do aiatolá Ali Khamenei. Eles levaram sapatos e bolsas de estudantes mortas durante o bombardeio dos EUA a uma escola para meninas próxima a um complexo militar.

As conversas aconteceram no hotel cinco estrelas Serena, com jardins e arquitetura mourisca, que é um dos edifícios mais fortificados de Islamabad e tem o próprio esquema de segurança. O endereço fica nas proximidades do hotel Marriott, palco de um dos piores ataques terroristas do Paquistão, em 2008, quando um caminhão que carregava 600 kg de explosivos abriu um buraco de sete metros de profundidade e deixou, entre os mortos, o embaixador da República Tcheca.

Islamabad reforçou o esquema de segurança com milhares de agentes na cidade, incluindo tropas paramilitares e do Exército, que montaram postos de controle e bloqueios por toda a capital. Lojas e escritórios foram fechados.

Também no sábado, a emissora estatal iraniana afirmou que a delegação de Teerã apresentou demandas relacionadas ao estreito de Hormuz, à liberação de ativos iranianos bloqueados, ao pagamento de reparações para cobrir danos causados pela guerra e um cessar-fogo que alcance toda a região.

A última vez em que EUA e Irã negociaram olho no olho foi na costura do acordo nuclear de 2015, que trocou o fim de sanções à teocracia por um intrincado esquema de verificações segundo o qual seria restringida a capacidade de enriquecimento de urânio do país por 15 anos, visando coibir a busca pela bomba atômica.

Trump cancelou o acordo nuclear em 2018, durante seu primeiro mandato. Naquele ano, Khamenei proibiu novas conversas diretas entre autoridades dos EUA e do Irã.

Na sexta, o americano publicou nas redes sociais que a única razão pela qual os iranianos ainda estavam vivos era para negociar um acordo. "Os iranianos parecem não perceber que não têm cartas na manga, a não ser a extorquir o mundo por meio de vias navegáveis internacionais. A única razão pela qual eles ainda estão vivos hoje é para negociar!"
Por Victor Lacombe/Folhapress

Navios da Marinha dos EUA começam a retirar minas do Estreito de Ormuz

Comando Central americano fala em estabelecer nova passagem para incentivar o livre comércio

O Comando Central dos EUA disse neste sábado (11) que dois navios contratorpedeiros guiados da Marinha começaram a remover minas no Estreito de Ormuz, já que alguns navios ainda não conseguem passar pela via crítica apesar do cessar-fogo.

O USS Frank E. Peterson e o USS Michael Murphy "atravessaram o Estreito de Ormuz e operaram no golfo Pérsico como parte de uma missão mais ampla para garantir que o estreito esteja totalmente livre de minas marítimas anteriormente colocadas pelo Corpo dos Guardas Revolucionários Islâmicos do Irã", disse o CENTCOM em um post sobre X.

"Hoje, iniciamos o processo de estabelecimento de uma nova passagem e em breve compartilharemos esse caminho seguro com a indústria marítima para incentivar o livre fluxo do comércio", disse o almirante Brad Cooper, comandante do CENTCOM

Enquanto o esforço tenta resolver a ameaça das minas, o Irã ainda poderia lançar mísseis, que combinados com as minas tornaram mais difícil para os Estados Unidos ou outros defenderem navios ou protegerem o estreito militarmente.

O presidente Donald Trump disse no início deste sábado (11), em uma postagem na Truth Social, que os Estados Unidos estão "iniciando o processo de limpeza do estreito de Ormuz como um favor a países de todo o mundo".

CNN informou que, desde que o cessar-fogo foi alcançado no início desta semana, apenas cerca de 30 navios passaram pelo estreito.

.Kaanita Iyer, da CNN

J. D. Vance chega ao Paquistão para negociações com o Irã

Conversa, se bem sucedida, pode encerrar a guerra travada entre os dois países que já tem duração de seis semanas.
O vice-presidente dos EUA, J. D. Vance
Líderes dos EUA e do Irã se reúnem na capital paquistanesa, Islamabad, neste sábado (11), para negociações que podem encerrar a guerra de seis semanas travada entre os dois países.

A delegação dos EUA, que é liderada pelo vice-presidente J. D. Vance e inclui o enviado especial do presidente Donald Trump, Steve Witkoff, e o genro do mandatário americano, Jared Kushner, chegou em dois aviões da Força Aérea dos EUA a uma base aérea em Islamabad na manhã de sábado.

Ali, eles foram recebidos pelo chefe do Exército do Paquistão, marechal de campo Asim Munir, e pelo ministro das Relações Exteriores, Ishaq Dar.

A delegação iraniana, encabeçada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, e pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, chegou na sexta-feira (10) com vestes pretas em sinal de luto pela morte do líder supremo aiatolá Ali Khamenei e outros iranianos. Eles carregavam sapatos e bolsas de estudantes mortas durante o bombardeio dos EUA a uma escola próxima a um complexo militar, afirmou o governo iraniano na plataforma X.

De acordo com o jornal The New York Times, as delegações americanas e iranianas se reuniram separadamente com mediadores paquistaneses, dando início a rodadas que têm o objetivo de pôr fim à guerra no Oriente Médio.

Ainda está incerto se as negociações serão conduzidas frente a frente ou mediadas por meio de paquistaneses. Nas rodadas do começo do ano, um ritual bizantino era adotado: os americanos passavam suas demandas ao chanceler omani, que as repassava aos iranianos, e vice-versa.

O encontro ocorre em um momento de um frágil cessar-fogo entre os Estados Unidos, Israel e Irã, quando Teerã, havia lançado dúvidas sobre as conversas, afirmando que qualquer acordo teria de incluir ataques ao Líbano e fim de sanções.

O diálogo será o de maior escalão entre EUA e Irã desde a Revolução Islâmica de 1979. A última vez em que EUA e Irã negociaram olho no olho foi na costura do acordo nuclear de 2015, que trocou o fim de sanções à teocracia por um intrincado esquema de verificações segundo o qual seria restringida a capacidade de enriquecimento de urânio do país por 15 anos, visando coibir a busca pela bomba atômica.

Trump cancelou o acordo nuclear em 2018, durante seu primeiro mandato. Naquele ano, Khamenei proibiu novas conversas diretas entre autoridades dos EUA e do Irã.
Por Folhapress
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Vice-presidente dos EUA alerta Irã a ‘não brincar’ durante negociações no Paquistão

Às vésperas das negociações para encerrar a guerra, o presidente dos EUA, Donald Trump, elevou o tom contra o Irã dizendo que eles "só estão vivos hoje para negociar" e ameaçou reagir caso as conversas fracassem, enquanto o Irã impôs condições para avançar no diálogo.

Representantes dos dois países se reúnem a partir deste sábado (11), no Paquistão, em meio a um cessar-fogo frágil — que Teerã afirma já ter sido violado por seus rivais, incluindo Israel.
Trump afirmou nesta sexta-feira (10) que o Irã não tem poder de negociação real e disse que o país só continua existindo para negociar.

"Os iranianos parecem não perceber que não têm cartas na manga, além de uma extorsão de curto prazo ao mundo por meio do uso de vias navegáveis internacionais. A única razão de ainda estarem vivos hoje é para negociar!", afirmou na rede social Truth Social.

O presidente dos EUA também disse que o Exército do país está "carregando os navios com as melhores munições" caso as negociações de paz com o Irã fracassem. A fala aconteceu em uma entrevista ao jornal norte-americano "The New York Post".

“Vamos descobrir em breve, em cerca de 24 horas”, disse ao ser questionado pelo jornal se acreditava que as negociações seriam bem-sucedidas.

“Estamos reiniciando tudo, carregando os navios com as melhores munições, as melhores armas já feitas —ainda melhores do que as que usamos antes, e com as quais os destruímos completamente. (...) E, se não tivermos um acordo, vamos usá-las de forma muito eficaz”, afirmou.

Trump afirmou também que os iranianos "são melhores em lidar com a imprensa de fake news e com 'relações públicas' do que em lutar".

Ao "NY Post", ele disse que negociar com o regime iraniano é "lidar com pessoas sobre as quais não sabemos se dizem a verdade". Ele também acusou Teerã de contradizer alegações sobre enriquecimento de urânio e armas nucleares nos âmbitos público e privado.

Já o Irã impôs condições para negociar.

Nesta sexta (10), o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, disse que os EUA devem cumprir os compromissos, incluir o Líbano no cessar-fogo e interromper os ataques israelenses contra o país, segundo a mídia estatal iraniana.

A agência de notícias semioficial iraniana Tasnim, próxima à Guarda Revolucionária, afirmou que as conversas marcadas para sábado não aconteceriam a menos que Israel interrompesse seus ataques no Líbano.

Além disso, um alto representante do Irã afirmou nesta sexta-feira (10) que as negociações com os EUA não podem começar enquanto ativos iranianos bloqueados no exterior não forem liberados.

"Duas das medidas acordadas entre as partes ainda não foram implementadas: um cessar-fogo no Líbano e a liberação dos ativos iranianos bloqueados antes do início das negociações. Essas duas questões precisam ser cumpridas antes que as negociações comecem", disse o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, em uma publicação no X.

Mais cedo nesta sexta, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, que vai participar das conversas em Islamabad, no Paquistão, falou sobre o encontro em um tom um pouco mais positivo.

"Estamos ansiosos pela negociação. Acho que será positiva. Veremos, é claro, como disse o presidente dos Estados Unidos, se os iranianos estiverem dispostos a negociar de boa fé, e certamente estaremos dispostos a estender a mão. Se eles tentarem nos enganar, descobrirão que a equipe de negociação não é tão receptiva", declarou Vance.

Vance disse ainda que Donald Trump passou aos negociadores "diretrizes bem claras" para as tratativas, mas não especificou quais.

Negociações
Cartaz em rua de Islamabad, no Paquistão, anuncia as conversas entre Estados Unidos e Irã, que serão sediadas na cidade, em 10 de abril de 2026.
Mesmo em meio a um cessar-fogo cambaleante, integrantes do alto escalão dos governos dos Estados Unidos e do Irã sentarão à mesa para começar a travar negociações pelo fim definitivo da guerra.

As negociações estão previstas para começar de forma oficial no sábado (11), com os integrantes das duas partes.

Do lado dos Estados Unidos, estarão:
  • O vice-presidente norte-americano, JD Vance;
  • O enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff;
  • O conselheiro e genro de Trump Jared Kushne
Já do lado iraniano, participarão das tratativas:
  • O chanceler do Irã, Abbas Araghchi;
  • O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf.

    As conversas ocorrerão em um hotel de luxo em Islamabad, a capital do Paquistão, país que media o diálogo entre EUA e Irã. E começarão já em meio à guerra de versões sobre o cessar-fogo, o passo inicial para o sucesso das conversas.

Trump reivindica "vitória total e completa" após cessar-fogo com Irã

Em entrevista à agência AFP, após anúncio do acordo, presidente dos EUA não detalhou se ameaças à infraestrutura civil iraniana serão mantidas

“Vitória total e completa. 100%. Sem dúvida”, disse ele em entrevista à agência de notícias AFP na noite de terça-feira (8).

Trump não quis dizer se planeja cumprir suas ameaças anteriores de destruir a infraestrutura civil do Irã caso Teerã descumpra o acordo.
“Vocês terão que esperar para ver”, continuou ele à AFP.

O presidente também insistiu que o material nuclear iraniano estaria coberto por qualquer acordo de paz, segundo a reportagem.

"Isso será perfeitamente resolvido, ou eu não teria aceitado o acordo", afirmou ele à agência, sem dar detalhes sobre o que aconteceria com o urânio.

Trump, que tem apresentado objetivos e cronogramas variáveis ​​para a guerra, reiterou que considerava que os objetivos de Washington foram alcançados.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, também classificou o cessar-fogo de duas semanas como “uma vitória para os Estados Unidos”, ao elogiar os esforços militares americanos na guerra contra o Irã.

“Alcançamos e superamos nossos principais objetivos militares em 38 dias”, disse ela nas redes sociais. “O sucesso de nossas forças armadas criou a máxima influência, permitindo que o presidente Trump e sua equipe se envolvessem em negociações difíceis que agora abriram caminho para uma solução diplomática e uma paz duradoura. Além disso, o presidente Trump conseguiu a reabertura do Estreito de Ormuz.”

“Nunca subestime a capacidade do presidente Trump de promover com sucesso os interesses dos Estados Unidos e mediar a paz”, acrescentou Leavitt.

*Com informações da agência de notícias Reuters
Lex Harvey, da CNN

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