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Após impeachment, Santiago Peña é preso em sua casa no Paraguai

Ex-presidente foi acionista do Ueno Bank, que teve funcionamento suspenso por indícios de irregularidades
O ex-presidente do Paraguai foi preso nesta sexta-feira (6), horas depois da aprovação do impeachment no Congresso que o removeu do cargo. De acordo com a imprensa paraguaia, que mostrou imagens de presença policial em frente à residência de Peña, o político do Partido Colorado foi informado da ordem e ficará detido em prisão domiciliar até se apresentar à Procuradoria —segundo fiscais afirmaram à imprensa local, Peña deve se apresentar às 11h.

Agentes que ingressaram na residência de Peña afirmaram à imprensa paraguaia na frente da residência que o ex-presidente ficará em prisão domiciliar porque assim determinava a ordem de detenção emitida minutos após a aprovação do impeachment. A ordem de detenção também determina prisão do ex-diretor do Banco Central, Carlos Carvallo.

Opositores de Peña questionaram, durante o processo de impeachment, se Peña ainda estava no país. Até a ação dos agentes judiciais nesta sexta, que confirmou sua presença em Assunção, ele só havia se manifestado pelas redes sociais.

A presença de policiais em frente à residência de Peña foi simultânea à chegada de seu vice, Pedro Alliana, ao Congresso do país para sessão extraordinária convocada para que Alliana fizesse seu juramento e assumisse a Presidência. Em seguida, o deputado Antonio Barrios foi aprovado pelo Congresso como novo vice-presidente.

O Senado do Paraguai aprovou por unanimidade o impeachment de Peña, nesta sexta-feira (6), ao fim de um processo tenso, marcado por embates e protestos às portas do Congresso. Após a votação, Peña foi imediatamente afastado do cargo.

Com a decisão, o líder conservador se torna o terceiro presidente paraguaio a deixar o poder antes do prazo desde o fim da ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989). Alliana, que teve pedido de impeachment rejeitado pelo Congresso na quinta, assumiu a Presidência ainda na noite desta sexta —manifestantes nas ruas do lado de fora do Congresso protestam contra o juramento de Alliana sob o argumento de que ele está envolvido no escândalo que derrubou Peña.

"O que venho prometer é concreto: os compatriotas que hoje atravessam um momento difícil em consequência de um descalabro financeiro, serão compensados plenamente", afirmou Alliana em discurso no Congresso. Ele, contudo, não deu detalhes de como fará isso. O agora presidente também prometeu enviar rapidamente um projeto de lei para racionalização de recursos do Estado.

Peña tomou posse em agosto de 2023, com mandato até 2028. Sua chegada ao poder garantiu mais anos de hegemonia ao Partido Colorado, que governa o país há quase 70 anos, desde a ditadura de Stroessner. A única interrupção foi o governo do ex-bispo de esquerda Fernando Lugo, derrubado também por impeachment em 2012. A legenda domina a vida política do país desde 1947.

Peña foi representado pelos seus advogados e não comareceu ao Congresso. Sua saída coroa uma semana turbulenta, marcada pelo escândalo de fraudes envolvendo o Ueno Bank, principal banco digital do país, com 2,9 milhões de clientes —o país tem cerca de 7 milhões de habitantes.

O colapso da instituição financeira congelou os depósitos de milhões de clientes e provocou uma onda de protestos. Agora, Peña perde a imunidade e poderá ser processado criminalmente.

A investigação respingou em Peña, ex-investidor da holding do banco e responsável por, em 2023, nomear Carlos Carvallo, então presidente-executivo da companhia, para a presidência do Banco Central do Paraguai. Carvallo renunciou ao cargo nesta semana e também teve ordem de prisão emitida nesta sexta.
Por Victor Lacombe e Guilherme Botacini, Folhapress

Rubio avalia renunciar e abandonar governo Trump após midterms, diz agência Por Folhapress

A agência de notícias Bloomberg e o portal britânico The Independent afirmaram nesta quinta-feira (5), com base em conversas sob reserva com membros do governo dos Estados Unidos, que o secretário de Estado Marco Rubio avalia renunciar ao cargo.

Segundo ambas as publicações, o republicano faz os cálculos após a derrocada do Partido Republicano nas midterms, as eleições de meio de mandato de terça-feira (3), quando os democratas conquistaram maioria expressiva na Câmara dos Deputados e no Senado.

Rubio avaliaria, assim, que deixar o governo e se afastar do presidente Donald Trump poderiam ser ações valiosas para poder se candidatar a candidato à Presidência pelo partido em 2028, algo que, no mais, já é uma possibilidade amplamente cogitada no país.

Também pesaria na avaliação do secretário de Estado que, com maioria na Câmara, a oposição democrata deve aprovar investigações de membros do governo Trump, o que o incluiria, em especial, pelas ações militares no Caribe, como a explosão de embarcações.

Não haveria uma data para a renúncia, e porta-vozes do governo negaram essas afirmações. No X, o vice-secretário de Estado Dylan Johnson disse que as notícias são falsas, "totalmente inventadas".

À Bloomberg ele disse que "o secretário não discutiu deixar seu cargo e continuará a servir orgulhosamente na administração Trump" e que "essa notícia falsa será revelada como mais uma farsa infundada".

A hipótese estaria sendo considerada, dizem as publicações, também pelo fato de o principal motivo que parece ter levado à derrota republicana, a guerra do Irã e as suas consequências econômicas, estar no guarda-chuva de Rubio, o Departamento de Estado, que cuida da diplomacia americana.

No entanto, ainda que tenha apoiado os ataques ao país do Oriente Médio, Rubio não é a figura que mais participa do tema.

Sua atuação está muito mais voltada para a América Latina, tema que prioriza mesmo em sua época de legislador na Flórida e de senador em Washington. Filho de cubanos, Rubio tem o tema como central em sua carreira política. É ele quem cuida da tutela que os EUA exercem sob o regime de Delcy Rodríguez na Venezuela, por exemplo, e é ele quem trata dos diálogos com a diáspora cubana que cobra uma ação de Washington contra a ilha comunista.

Em 2016, quando Trump se elegeu para o seu primeiro mandato, Marco Rubio chegou a disputar as primárias pela indicação republicana para o cargo, mas abandonou a corrida quando Trump conseguiu vencer as primárias na Flórida.

O secretário de Estado é um dos nomes mais cotados como possível sucessor de Trump, que devido às regras da Constituição americana não poderia concorrer novamente à Presidência, dado que já terá cumprido dois mandatos em 2028. O outro nome aventado é o do vice-presidente, J.D. Vance.

Logo após o resultado das midterms, Vance veio a público criticar a guerra no Irã e dizer que ela foi a culpada pelos democratas conseguirem maioria acachapante no Congresso. É uma sinalização importante para um eleitorado que se mostrou insatisfeito com Trump. Rubio, por sua vez, não se pronunciou ainda.

Por Folhapress

Congresso do Paraguai suspende sessão que julgava renúncia de presidente

Deputados governistas do Paraguai deixaram a sessão conjunta do Legislativo nacional nesta quinta-feira (5), deixando o plenário sem quórum para continuar a votação que decidiria se o Congresso aceita a renúncia do presidente Santiago Peña.

Durante a votação, nominal, deputados começaram a deixar o salão em que o debate ocorria. O presidente do Senado, Basilio Núñez, passou então a fazer uma contagem também nominal que não chegou ao mínimo de 41 legisladores, enquanto congressistas da oposição se concentravam em frente à mesa diretora da Casa. Assim, a votação foi suspensa.

Após o fim da sessão, congressistas falaram à imprensa local sem saber qual a situação do Executivo nacional. Em seguida, o Senado confirmou abertura de sessão para poucos minutos depois para seguir com a discussão sobre a abertura do processo de impeachment.

Ainda na noite desta quinta-feira, Peña publicou no X afirmando que iria apresentar sua defesa.

A senadora Blanca Ovelar, da dissidência do Partido Colorado, o mesmo de Peña, questionou a manobra dos governistas e afirmou que solicitaria uma nova sessão conjunta urgente das duas Casas do Legislativo para que se defina a situação do Executivo do país.

O senador colorado Gustavo Leite, por sua vez, embora também tenha afirmado que os trâmites constitucionais de impeachment deva continuar, colocou em dúvida o processo. "O julgamento político continua, mas não acho que alguém que já tenha renunciado apareça para julgamento", afirmou, antes de Peña dizer que se defenderia.

Do lado de fora do Congresso, depois da suspensão da sessão, manifestantes entraram em confronto com policiais.

O presidente paraguaio, Santiago Peña, renunciou nesta quinta-feira em meio a denúncias de fraude envolvendo o Ueno Bank, um dos principais bancos digitais do país, com 2,9 milhões de clientes —o país tem cerca de 7 milhões de habitantes.

A crise abalou o país. "Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas", disse Peña em um pronunciamento em vídeo publicado na rede X.

"Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai. Também quero pedir desculpas ao povo se algum dia falhei. Nunca foi minha intenção trair a confiança que depositaram em mim", acrescentou. Peña foi investidor da holding do banco e acabou envolvido no escândalo.

Caso a renúncia fosse aceita pela sessão do Congresso nesta quinta, Peña se tornaria senador vitalício, cargo que o faria manter imunidade parlamentar.

Nesta semana, as denúncias de fraude envolvendo o Ueno Bank levaram à prisão de oito pessoas ligadas à instituição financeira, protestos em frente às agências bancárias e o anúncio de fechamento do banco e do início do processo de recuperação judicial.

A crise também levou à renúncia do presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, nomeado ao cargo por Peña, que foi investidor da holding do Ueno Bank até março de 2025. A oposição acusa Peña de tomar "decisões regulatórias supostamente favoráveis ao Ueno Bank" e de concentrar recursos previdenciários na instituição, em meio a um possível conflito de interesses decorrente de seus vínculos passados com o banco.

Na madrugada de quarta, o Banco Central decretou o fechamento do Ueno Bank e informou que garantirá depósitos de até o equivalente a cerca de US$ 38 mil (R$ 208,48 mil) por cliente, mas que terá prazo de 15 dias para entregar a quantia.

Na véspera, o Banco Central já havia dado início a um procedimento de resolução bancária, que bloqueia todos os ativos e passivos da instituição. A decisão levou à suspensão imediata de todos os serviços. Clientes relataram não conseguir operar em caixas eletrônicos nem acessar o banco pela internet, e milhares ficaram sem acesso ao próprio dinheiro.

O Ueno Bank passava por uma deterioração de sua saúde financeira. O índice de solvência do Ueno, que mede a capacidade de uma instituição absorver perdas, caiu para 5,56%, menos da metade do mínimo regulatório do país (12%).

Por Guilherme Botacini, Folhapress

Santiago Peña, presidente do Paraguai, renuncia após escândalo financeiro Por Manoella Smith, Folhapress

                            "Presidente do Paraguai, Santiago Peña, anuncia renúncia"
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou nesta quinta-feira (5) em meio a denúncias de fraude envolvendo o Ueno Bank, um dos principais bancos digitais do país, com 2,9 milhões de clientes.

A crise abalou o país. O anúncio de sua saída ocorreu enquanto a Câmara dos Deputados analisava a abertura de um processo de impeachment. Até mesmo a base governista anunciou que votaria a favor da medida, abrindo caminho para que a acusação fosse aprovada por unanimidade.

O vice de Peña, Pedro Alliana, deve assumir o governo no país sul-americano também sob ameaça de destituição pelo mesmo escândalo que provocou a queda de seu correligionário.

"Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas", disse Peña em um pronunciamento em vídeo publicado na rede X. "Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai. Também quero pedir desculpas ao povo se algum dia falhei. Nunca foi minha intenção trair a confiança que depositaram em mim", acrescentou.

O presidente conservador tomou posse em março de 2023 e tinha mandato até 2028. Sua chegada ao poder garantiu mais anos de hegemonia ao Partido Colorado, que governa o país há quase 70 anos, desde a ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989). A única exceção foi o governo do ex-bispo de esquerda Fernando Lugo, que sofreu impeachment e deixou o cargo a poucos meses do fim do mandato, em 2012.

Peña é o terceiro presidente paraguaio a deixar o poder antes do previsto. O outro caso foi o de Raúl Cubas Grau, que renunciou em 1999, antes da votação de seu impeachment, em meio à acusação de que aliados seus estavam envolvidos na morte do vice-presidente, Luis María Argaña, seu rival político dentro do próprio Partido Colorado.

Nesta semana, as denúncias de fraude envolvendo o Ueno Bank levaram à prisão de oito pessoas ligadas à instituição financeira, protestos em frente às agências bancárias e o anúncio de fechamento do banco e do início do processo de recuperação judicial.

A crise também levou à renúncia do presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, nomeado ao cargo por Peña, que foi investidor da holding do Ueno Bank até março de 2025. A oposição acusa Peña de tomar "decisões regulatórias supostamente favoráveis ao Ueno Bank" e de concentrar recursos previdenciários na instituição, em meio a um possível conflito de interesses decorrente de seus vínculos passados com o banco.

Centenas de manifestantes protestaram em Assunção na noite desta quarta (4), pedindo a devolução do seu dinheiro e o julgamento do presidente. Mais cedo, longas filas se formaram nas agências do Ueno Bank, por clientes querendo sacar seu dinheiro.

Na madrugada de quarta, o Banco Central decretou o fechamento do Ueno Bank e informou que garantirá depósitos de até o equivalente a cerca de US$ 38 mil (R$ 208,48 mil) por cliente, mas que terá prazo de 15 dias para entregar a quantia.

Na véspera, o Banco Central já havia dado início a um procedimento de resolução bancária, que bloqueia todos os ativos e passivos da instituição. A decisão levou à suspensão imediata de todos os serviços. Clientes relataram não conseguir operar em caixas eletrônicos nem acessar o banco pela internet, e milhares ficaram sem acesso ao próprio dinheiro.

O Ueno Bank passava por uma deterioração de sua saúde financeira. O índice de solvência do Ueno, que mede a capacidade de uma instituição absorver perdas, caiu para 5,56%, menos da metade do mínimo regulatório do país (12%).

Uma série de investigações encontrou problemas na avaliação de risco de crédito, inconsistências nas informações financeiras usadas para aprovar empréstimos e operações com empresas relacionadas aos acionistas do banco. Segundo o Banco Central, também foram identificados empréstimos concedidos a empresas ligadas ao grupo proprietário do banco.

O governo anunciou que vai devolver parte dos depósitos das pessoas afetadas.

O Ueno Bank pertence ao Grupo Vázquez, liderado pelo empresário paraguaio Federico Miguel Vázquez, que é o principal acionista do grupo e figura como fundador e controlador da instituição. Um dos principais bancos do Paraguai, ele administra mais de US$ 850 milhões (cerca de R$ 4,7 bilhões) em recursos públicos, incluindo do Instituto de Previdência Social, responsável pelo sistema estatal de aposentadorias.

O caso envolvendo o banco testa a reputação que ajudou o Paraguai a se tornar um dos destinos emergentes da América do Sul para capital estrangeiro, grande parte dele do Brasil. De acordo com o Financial Times, embora a economia do país tenha crescido rapidamente e obtido grau de investimento nos últimos anos, críticos afirmam que a corrupção e a influência política sobre o Judiciário e o mundo empresarial continuam a complicar as operações.

Por Manoella Smith, Folhapress

Cristiano Ronaldo anuncia aposentadoria da seleção portuguesa após 23 anos

Foto: Instagram / @cristiano
Cristiano Ronaldo anunciou nesta quinta-feira (5) sua aposentadoria da seleção de Portugal, encerrando uma trajetória de 23 anos com a camisa da equipe nacional. Aos 41 anos, o atacante do Al-Nassr comunicou a decisão por meio de um vídeo e de uma mensagem publicados nas redes sociais, um dia antes da convocação portuguesa para os próximos compromissos da Liga das Nações.

Em derrota para Trump, democratas conquistam maioria na Câmara e no Senado, apontam projeções

O Partido Democrata conquistou a maioria nas duas Casas do Congresso americano nas eleições de meio de mandato desta terça-feira (3) nos Estados Unidos, segundo projeções da imprensa local. Com a contagem dos votos em andamento, a oposição ao presidente Donald Trump obteve 228 das 435 cadeiras da Câmara, contra 139 dos republicanos. No Senado, os democratas já garantiram ao menos 54 dos 100 assentos.

Milhões de eleitores votaram nestas midterms, as eleições de meio de mandato, que devem mudar o equilíbrio de forças legislativas pelo resto do governo Trump. Com o indício de uma grande derrota para os republicanos, o presidente afirmou em sua rede social que seu nome não estava nas cédulas, mas que, se estivesse, seu partido teria vencido "de lavada".

Ainda na noite desta terça, Trump declarou ao The New York Times estar "absolutamente disposto a aceitar esses resultados" e preparado para trabalhar com a oposição. "Vamos trabalhar com os democratas e, sabe, estamos ansiosos para trabalhar com eles", afirmou. "Provavelmente chegaremos a um entendimento."

No Senado, a margem para a vantagem dos democratas era pequena. O partido precisava defender todas as cadeiras que já ocupava antes da eleição e conquistar pelo menos dois estados que votaram massivamente em Trump em 2024: Alasca, Iowa, Kansas, Nebraska, Ohio, Carolina do Sul e Texas foram cotados como os mais decisivos.

No Texas, houve sucesso: o democrata James Talarico, 37, conquistou uma cadeira pelo estado tradicionalmente republicano, após décadas de derrotas. Seu adversário, o procurador-geral republicano Ken Paxton, 63, recebeu centenas de milhões de dólares em doações do empresário Elon Musk.

Em Ohio e no Kansas, as disputas também favoreceram os democratas, com Sherrod Brown derrotando Jon Husted, e Adam Hamilton vencendo Roger Marshall, respectivamente. Em ambos os casos, os republicanos derrotados tentavam a reeleição.

Em Iowa, o democrata Josh Turek venceu a republicana Ashley Hinson e conquistou a cadeira até então ocupada pela também republicana Joni Ernst, que não tentou a reeleição.

Na Carolina do Sul, outra surpresa confirmada. O estado, ao longo da campanha, passou de "republicano sólido" para "tendência republicana", segundo pesquisas. Um democrata não era eleito para o Senado no estado desde 1998 e, neste pleito, a democrata Annie Andrews venceu a cadeira que disputava com a republicana Darline Graham.

Não somente entre os previsivelmente acirrados, os democratas ainda angariaram desfechos inesperados. O partido conquistou uma vitória importante na Carolina do Norte, onde o ex-governador Roy Cooper derrotou o republicano Michael Whatley, apoiado por Trump, e garantiu ao partido uma cadeira no Senado até então ocupada pelos republicanos.

Em New Hampshire, o deputado Chris Pappas venceu o ex-senador republicano John Sununu e manteve com os democratas a cadeira deixada por Jeanne Shaheen, que decidiu se aposentar. Pappas será o primeiro homem abertamente gay a integrar o Senado americano.

O histórico das midterms joga contra os republicanos de Trump: o partido do presidente em exercício perdeu espaço no Congresso em todas as eleições de meio de mandato desde a Segunda Guerra Mundial, com exceção de duas ocasiões. A aprovação de Trump está próxima de seus piores índices, em meio à insatisfação dos eleitores com a guerra contra o Irã, a alta dos combustíveis e o aumento do custo de vida.

As pesquisas realizadas nas últimas semanas não deixaram dúvida de que a eleição gira em torno da popularidade de Trump. Em declarações nesta terça, aparentemente destinadas a conquistar eleitores insatisfeitos com o apoio americano a Israel, o presidente afirmou que pretende interromper o repasse anual de US$ 3,8 bilhões ao país. Não ficou claro, no entanto, como fará isso, visto que a assistência é prevista por lei que só expira em 2028.

A estreita aliança entre os países é um dos principais temas da disputa em Michigan. O democrata Abdul El-Sayed, 42, que, se eleito, se tornará o primeiro senador muçulmano dos EUA, faz duras críticas a Israel. Liderados por Trump, republicanos têm retratado Sayed e outros candidatos democratas como radicais, antiamericanos e comunistas. Os candidatos rejeitam as acusações, que classificam de exageros típicos do presidente.

Trump tentou mobilizar sua base com mais de 20 de comícios desde o início de outubro, a maioria em estados que venceu com facilidade em 2024.

Pesquisas de opinião mostram que a principal preocupação dos eleitores é o custo de vida, tema em que a avaliação do presidente é negativa. As tarifas impostas por Trump sobre produtos importados, muitas posteriormente derrubadas pela Justiça, e a decisão de atacar o Irã, em fevereiro, contribuíram para elevar os preços.

Problemas em máquinas de leitura de cédulas de papel foram registrados em diferentes regiões do país, incluindo condados da Geórgia, Iowa, Mississippi e Nova York. As falhas atrasaram a votação e a apuração.

Falhas isoladas em equipamentos de votação não são incomuns, e especialistas eleitorais afirmam que sistemas de reserva e outras medidas de segurança fazem com que essas ocorrências raramente afetem os resultados.

O Departamento de Justiça do país informou ter mobilizado 1.000 fiscais e observadores eleitorais nos 50 estados, no que classificou como a maior operação de monitoramento de um dia de votação da história do país.

Democratas criticaram a iniciativa, afirmando que ela pode intimidar votantes. Uma análise da agência Reuters identificou que, em cerca de dois terços das jurisdições listadas pelo departamento, os eleitores haviam votado na democrata Kamala Harris contra Trump na eleição presidencial de 2024.

Por Isabella Menon, Mayara Paixão e Gabriel Barnabé/Folhapress

Trump admite indultos preventivos a aliados e promete vetos se democratas vencerem eleição

Foto: Reprodução
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira, 2, que poderá conceder ""indultos preventivos" a integrantes de seu governo se considerar necessário protegê-los de eventuais ações de democratas. Em entrevista ao podcast Pod Force One, ele também prometeu vetar propostas da oposição caso os republicanos percam o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato (midterms) desta terça-feira, 3.

Questionado sobre a possibilidade de perdoar antecipadamente aliados diante de ameaças de investigações, Trump citou o antecessor Joe Biden. "Foi o que Biden fez. Ele concedeu indultos a todo mundo", disse. Ao ser questionado se adotaria a mesma estratégia, respondeu: "Eu faria, se fosse necessário. Claro".

Sobre a possibilidade de estender a medida a todos que trabalharam para ele, Trump acrescentou: "Nem pensaria duas vezes. Eu faria. Fiz isso pelos envolvidos no 6 de janeiro", disse em referência à invasão do Capitólio em 2021.

Na véspera da votação que renovará a Câmara dos Representantes e parte do Senado, Trump pediu votos para preservar as maiorias republicanas. Pesquisas apontam risco de avanço democrata, sobretudo na Câmara.

Em outro momento da entrevista, o republicano afirmou que, diante de um Congresso sob comando democrata, se tornaria o "Sr. Veto". "Não vou deixar que eles governem. E, em algum momento, provavelmente faremos acordos", declarou. Na visão do presidente, uma sequência de vetos acabaria obrigando a oposição a negociar com a Casa Branca.

Ele mencionou o trilionário Elon Musk, alegando que democratas discutem prendê-lo, confiscar as suas fábricas ou nacionalizar a SpaceX. "Teremos de proteger essas pessoas", disse.

Por Pedro Lima / Estadão Conteúdo

Filha de brasileiros era copilota de avião que caiu na Flórida e deixou 9 mortos

 Nathalia Gadelha Filgueiras, de 20 anos, ganhou destaque na imprensa americana em 2023, quando conquistou sua licença de piloto aos 17 anos. Jovem sonhava em trabalhar na aviação comercial.

A jovem iniciou seus estudos teóricos sobre pilotagem em 2020, quando estava prestes a entrar no segundo ano do ensino médio. — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Nathalia Gadelha Filgueiras, de 20 anos, filha de brasileiros, era copilota do avião particular que caiu no domingo (1º) em Palm Beach, na Flórida, nos Estados Unidos, matando as nove pessoas que estavam a bordo. A informação foi confirmada ao g1 por familiares da jovem.

A aeronave, um Learjet 60, havia decolado de Austin, no Texas, com destino às Bahamas. O avião caiu em uma área residencial e explodiu após atingir o solo. Todas as nove pessoas que estavam a bordo morreram, segundo o secretário de Transportes dos EUA, Sean Duffy.

Nathalia ganhou destaque na imprensa americana em 2023, quando conquistou sua licença de piloto particular aos 17 anos, antes mesmo de obter a habilitação para dirigir.

Na época, ela cursava o último ano do ensino médio na West Boca Raton High School, na Flórida, e foi entrevistada pela emissora americana CBS12 News sobre sua trajetória na aviação.
Filha de brasileiros, a jovem começou a estudar aviação em 2020 e tinha o sonho de trabalhar como piloto de aviões comerciais ou jatos particulares. — Foto: Reprodução/Redes sociais
Segundo a reportagem, enquanto outros adolescentes de sua idade praticavam esportes ou aproveitavam os fins de semana com amigos, Nathalia dedicava boa parte do tempo a pilotar aviões.

“Eu até me gabo disso, porque as pessoas dizem: ‘Ah, você não sabe dirigir’, e eu respondo: ‘É, mas sei pilotar’”, contou à emissora.

O interesse pela aviação começou cedo. Segundo a reportagem, Nathalia iniciou seus estudos teóricos sobre pilotagem em 2020, quando estava prestes a entrar no segundo ano do ensino médio.

Ela também foi influenciada pelo pai, que havia começado a pilotar por lazer em 2018 e compartilhava seus conhecimentos sobre aviação com a filha.

A formação incluiu aulas teóricas, simuladores de voo, exercícios práticos e provas de conhecimentos técnicos. Em setembro de 2023, Nathalia conquistou sua licença de piloto particular.
Nathalia Filgueiras aparece nos controles de uma aeronave durante voo, em imagem compartilhada nas redes sociais. — Foto: Reprodução/Redes sociais
Na época da entrevista, já havia acumulado 88 horas de voo e podia pilotar aeronaves particulares sozinha ou transportar passageiros, desde que não recebesse pagamento pelo serviço.

A formação foi custeada pelo distrito escolar de Palm Beach County, por meio de sua academia de aviação, que oferecia aulas e treinamentos a estudantes do ensino médio.

Em entrevista à CBS12 News, Nathalia contou que gostava de fazer algo diferente dos colegas e considerava mais interessante pilotar um avião do que dirigir um carro.

“Algumas pessoas acham estranho que eu consiga pilotar aviões, mas não saiba dirigir um carro. Acho engraçado e agora quero muito tirar minha carteira de motorista”, disse.

Na ocasião, ela tinha previsão de obter a habilitação para dirigir em novembro daquele ano.
Nathalia Filgueiras aparece na cabine de um avião Learjet 60, em foto compartilhada nas redes sociais em março de 2026 — Foto: Reprodução/Threads
🔎 Nos EUA, a idade mínima para obter uma licença de piloto particular é de 17 anos, segundo a Administração Federal de Aviação (FAA). Para isso, o candidato precisa cumprir os requisitos de treinamento, acumular pelo menos 40 horas de voo na modalidade regular de formação e ser aprovado em exames teóricos e práticos.

Já a licença de piloto comercial pode ser obtida a partir dos 18 anos e exige, em regra, pelo menos 250 horas de voo.

Para atuar como copilota de jatos executivos, também são necessárias habilitações e qualificações específicas, que variam conforme a aeronave e o tipo de operação.

Segundo Nathalia, seu objetivo profissional era se tornar piloto de uma companhia aérea comercial ou trabalhar na aviação executiva, pilotando jatos particulares.

Nas redes sociais, Nathalia também compartilhava momentos de sua rotina na aviação e comemorava conquistas profissionais.

Em uma publicação de março de 2026, a jovem apareceu na cabine de comando de uma aeronave, segurando um documento.


“Piloto em comando do Learjet 60! Toda a glória a Deus! Amém!”, escreveu na legenda.
Por Redação g1 — São Paulo

Flávio Bolsonaro participa de culto evangélico nos EUA em primeira aparição pública após deixar o Brasil

      O senador Flávio Bolsonaro (PL) participou de um culto evangélico neste domingo
Foto: Reprodução
O senador Flávio Bolsonaro (PL) participou de um culto evangélico neste domingo (1º), na Flórida, em sua primeira aparição pública desde que deixou o Brasil. Ele estava acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, do irmão Eduardo Bolsonaro e da cunhada, Heloísa. O parlamentar também posou ao lado dos pastores Alice Fernandes, conhecida como Mãezona, e José Maurício Fernandes, o Paizão, responsáveis pela igreja.

Durante a celebração, o pastor José Maurício fez uma referência à derrota eleitoral do senador, sem mencionar diretamente a disputa. “Não ganhou ou perdeu porque com Jesus você não perde. E se perder, você está ganhando”, afirmou. A igreja integra o Ministério Celeiro, fundado no Brasil pelo pastor André Fernandes, que deixou a liderança da Igreja Lagoinha Alphaville em 2025, após desentendimentos com André Valadão.

Flávio deixou o Brasil na quarta-feira (28), após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega de seus passaportes. Segundo a reportagem de O Globo, o senador passou pela Argentina e pelo Equador antes de seguir para os Estados Unidos. A viagem teria sido feita em uma aeronave fretada por Jason Miller, assessor do presidente americano Donald Trump, conforme informações publicadas pelos jornais The New York Times e The Wall Street Journal. O parlamentar é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Destino procurado por bolsonaristas, Paraguai abre mutirão de migração nesta segunda Por Folhapress

O governo do Paraguai fará, a partir da próxima segunda-feira (2), um mutirão para atender estrangeiros interessados em obter residência no país. O serviço será oferecido em Ciudad del Este, na fronteira com Foz do Iguaçu (PR), em um contexto de aumento da procura de brasileiros por informações sobre como se mudar para a nação vizinha após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no último dia 25.

A iniciativa, chamada MigraMóvil, será realizada pela Direção Nacional de Migrações (DNM) até 6 de novembro, das 8h às 16h. A equipe receberá pedidos de residência temporária e permanente, inclusive pelo acordo do Mercosul, além de solicitações de certidões, renovações e prorrogações de documentos. É a primeira edição do mutirão após o segundo turno da eleição brasileira.

Elogiado por apoiadores do candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL), o Paraguai é governado desde 2023 por Santiago Peña, de direita. Mais de 263 mil brasileiros vivem em território paraguaio, o que faz do país a terceira maior comunidade brasileira no exterior, atrás apenas dos Estados Unidos e de Portugal, de acordo com o governo brasileiro.

Nas horas seguintes à vitória de Lula, as buscas por "como morar no Paraguai" cresceram 1.700%, segundo dados do Google Trends. Nas redes, influenciadores apresentam o país vizinho como alternativa para quem busca impostos menores e custo de vida mais baixo. O mutirão poderá ajudar a dimensionar se esse interesse se traduzirá em pedidos formais de residência.

Em março, uma única rodada do serviço em Ciudad del Este recebeu 1.487 pedidos de residência, a maioria de brasileiros, conforme dados do governo. Outra edição está prevista para Pedro Juan Caballero, de 16 a 20 de novembro, também na fronteira com o Brasil.

Neste ano, o país recebeu quase 50 mil pedidos de residência, um recorde, disse o diretor da DNM, Jorge Kronawetter ao jornal paraguaio ABC Color. Mais de 70% das solicitações foram feitas por brasileiros.

O diretor atribui o movimento à situação econômica do Paraguai e afirma que os interessados têm perfis variados, de empresários e empreendedores a estudantes. Kronawetter evitou relacionar a procura pela residência de seu país ao resultado das urnas e classificou como especulativas as versões que associam a migração à eleição brasileira.

A procura já vinha em alta antes da eleição. Em 2025, a DNM recebeu 47.687 solicitações, crescimento de 63% em relação ao ano anterior, e concedeu 40,6 mil autorizações, de acordo com dados do governo paraguaio. Desse total, 23.526 foram destinadas a brasileiros.

Escritórios que trabalham com cidadania e migração para outros países também registraram aumento na procura após a reeleição de Lula.

A empresa Espanha Fácil, especializada em assessoria para imigração e nacionalidade, registrou 418 contatos em 24 horas no dia seguinte à votação, uma alta de 345% ante uma média de 94 por dia no período anterior à eleição.

Segundo levantamento da própria empresa, as consultas sobre cidadania e nacionalidade foram as que mais cresceram, com avanço de 743%. Também aumentou a procura pelo visto de nômade digital, destinado a trabalhadores remotos (350%), pelo visto de trabalho (273%) e pelo de estudante (135%).

De acordo com Renata Barbalho, CEO e fundadora da Espanha Fácil, 79% dos contatos eram de pessoas que ainda não tinham procurado a empresa; os outros 21% já mantinham algum relacionamento com a assessoria. Em dois dias, 55 solicitações foram concluídas, e a empresa estima que novos negócios sejam fechados nos dias seguintes.

Nos Estados Unidos, escritórios de advocacia especializados em imigração também relataram à Folha aumento na procura de brasileiros interessados em emigrar.

A Piquet Law Firm, uma das mais conhecidas de Miami, na Flórida, recebeu 700 consultas de potenciais novos clientes ao longo da segunda-feira (26), segundo seu fundador, Alexandre Piquet. Em um mês normal, o escritório recebe de 500 a 600 consultas.

Trump diz não ter plano de encontrar Flávio Bolsonaro, mas que senador pode ficar quanto quiser nos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (31) não ter planos de se encontrar com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas que o senador brasileiro pode permanecer no país "o tempo que quiser".

O republicano falou a jornalistas em Mar-a-Lago, sua residência em Palm Beach, na Flórida. Um repórter perguntou se ele tinha planos de se encontrar com Flávio enquanto estivesse no estado. "Sem planos de encontrar, mas acho que ele foi tratado muito mal. Muito mal. Então ele pode ficar aqui o tempo que quiser", respondeu.

Questionado em seguida se havia conversado com o senador, Trump repetiu a declaração. "Bolsonaro? Ele pode ficar aqui o tempo que quiser. Foi tratado muito mal. Na minha opinião, a eleição foi uma vergonha. Ele foi tratado muito mal, e pode ficar aqui o tempo que quiser", disse, repetindo adjetivo sobre a eleição brasileira dito por ele anteriormente.

Flávio chegou a Miami, também na Flórida, na quarta-feira (28), após descumprir decisão de entregar o passaporte no Brasil. Ele e a família receberam autorização condicional para permanecer nos EUA.

O secretário de Estado, Marco Rubio, também tratou do assunto no sábado, em entrevista coletiva em Atlanta, durante a reunião de chanceleres do G20.

"Não facilitamos nada", disse em relação a possível ajuda para a fuga do senador brasileiro. "Ele já tinha um visto anteriormente, e o presidente tomou a decisão de permitir que ele entrasse no país", afirmou Rubio, acrescentando que o governo americano não esteve "diretamente envolvido" nos arranjos feitos pelo senador para deixar o Brasil.

Por Folhapress

Mauro Vieira e Marco Rubio evitam tratar de fuga de Flávio Bolsonaro em reunião pré-G20

Conversa breve entre chefes da diplomacia de Brasil e EUA ocorre em coquetel com delegações no aquário da cidade

"O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio"

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, conversaram brevemente nesta sexta-feira (30), em Atlanta, nos Estados Unidos, mas não trataram de eleições ou da saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil após sua derrota nas eleições presidenciais.

Os dois se encontraram durante um coquetel oferecido às delegações no aquário da cidade e combinaram uma reunião bilateral antes da cúpula do G20, prevista para meados de dezembro, na Flórida. Segundo o Itamaraty, Vieira e Rubio pretendem aproveitar o encontro para discutir a agenda bilateral entre Brasil e EUA. A data e o local da reunião ainda serão definidos.

A conversa ocorre em meio às tensões diplomáticas provocadas pelas declarações do presidente Donald Trump sobre a eleição brasileira e pela concessão de vistos a Flávio Bolsonaro e seus familiares.

Os chanceleres não abordaram questões específicas durante o breve encontro em Atlanta, de acordo com o Itamaraty. Apesar das críticas do presidente Donald Trump as eleições brasileiras, o secretário de Estado, Marco Rubio, não comentou sobre a reeleição do presidente Lula (PT).

Neste ano, Rubio já criticou o presidente brasileiro e culpou o ego do petista pelo fato de os Estados Unidos terem tarifado em 25% os produtos brasileiros no meio do ano.

Durante o evento que acontece nesta sexta e sábado (31), o ministro brasileiro recebeu cumprimentos de ao menos dez chanceleres no G20, entre eles representantes de Turquia, China, União Europeia, Alemanha, França, Canadá, México, Índia, Reino Unido e Polônia.
Por Isabella Menon/Folhapress

Itamaraty diz ter convocado diplomata após fuga de Flávio pela Argentina; Milei nega

Encarregada de negócios da nação vizinha em Brasília teria comparecido à chancelaria nesta quinta

O senador, derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais do último domingo (25) e investigado por lavagem de dinheiro, fugiu para os Estados Unidos na madrugada de quarta (28), dois dias após ser notificado do cancelamento de seus passaportes pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

A convocação, revelada pelo UOL e confirmada à reportagem por um funcionário do Ministério das Relações Exteriores brasileiro, ocorreu pela participação do governo ultraliberal na fuga. Na linguagem da diplomacia, a medida é uma forma de demonstrar descontentamento com outra nação.

O chanceler argentino, Pablo Quirno, nega a convocação. "Falso. Não houve nenhum pedido de explicação", afirmou o ministro de Milei em sua conta no X ao compartilhar uma reportagem do jornal La Nacion. Em seguida, o próprio Milei compartilhou a publicação de Quirno dizendo que o jornal argentino mente.

O membro do Itamaraty com quem a reportagem falou, porém, afirma que o embaixador brasileiro João Marcelo Galvão de Queiroz recebeu a funcionária de Milei para falar sobre a passagem do senador pelo território argentino, algo que também está sendo alvo de questionamentos internos no país vizinho.

De acordo com a imprensa argentina, Santiago Caputo, estrategista político e braço direito de Milei, esteve em Puerto Iguazú para ajudar Flávio, e o transporte do senador teria sido auxiliado por uma camionete com chapa diplomática. Ao chegar aos EUA, o senador divulgou uma carta agradecendo o aliado pela "coragem, justiça e senso de legalidade".

Na quarta, quando a fuga foi confirmada, o órgão de migrações argentino afirmou que Flávio e sua família ingressaram "com documentação de viagem válida e sem qualquer impedimento legal para a entrada no país". O senador não entregou seus passaportes brasileiros à Justiça brasileira no prazo e usou seu documento italiano para entrar em Puerto Iguazú pela ponte internacional Tancredo Neves.

Questionado pela imprensa sobre o assunto nesta quinta, o chefe de gabinete de Milei, Diego Santilli, repetiu a argumentação da entidade: "Não havia impedimento da Interpol", afirmou em um evento em Rosario, em referência à Organização Internacional de Polícia Criminal.

As digitais do governo Milei na fuga, no entanto, levou deputados e senadores da oposição a apresentarem diversas iniciativas para pressionar o presidente, incluindo pedidos de esclarecimentos, convocações de ministros e até mesmo uma denúncia penal contra o ultraliberal, seu chanceler, a ministra de Segurança, Alejandra Monteoliva, e Caputo.

Uma dessas iniciativas foi de autoria de Marcela Pagano, ex-correligionária de Milei. Na quarta, a deputada apresentou uma denúncia à justiça de Puerto Iguazú pelos supostos delitos de tráfico ilegal de pessoas, abuso de autoridade e descumprimento dos deveres do funcionário público durante o ingresso de Flávio à Argentina.

O Tribunal Federal de Misiones, província onde fica Puerto Iguazu, arquivou a denúncia nesta sexta, em menos de 48 horas. O procurador federal Fabián Ramírez concluiu que não havia delito após receber relatórios da Interpol e do órgão de migrações argentino, e sua decisão foi seguida por uma colega, levando ao arquivamento definitivo da denúncia.

Uma denúncia paralela que tramita em um Tribunal Federal de Buenos Aires, porém, ainda apura se houve mobilização de recursos públicos na fuga de Flávio, incluindo possível uso de veículos do Estado para transportar o senador ou pessoas que o auxiliaram.

Independentemente do resultado das investigações, o embate entre Brasil e Argentina ganha novos contornos. A crise entre as duas nações já dura anos —desde a vitoriosa campanha à Presidência de Milei no país vizinho, em 2023—, mas chegaram ao ponto mais grave nas eleições brasileiras deste ano, quando o ultraliberal chamou Lula de ladrão e "lixo socialista" no lançamento da candidatura de Flávio, em São Paulo.

As declarações do ultraliberal, proferidas no final de julho, desembocaram semanas depois na dispensa do embaixador argentino em Brasília, Guillermo Daniel Raimondi, e no retorno de seu homólogo brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli. Desde então, os funcionários número dois das respectivas embaixadas assumiram a representação de cada país —no caso da Argentina, María Emilia, convocada nesta quinta.

Também há evidências de que o senador teve ajuda direta do governo Trump para entrar no país, segundo a imprensa americana. O Itamaraty, porém, até o momento decidiu não agir com relação a Washington, sob o risco de aprofundar tensões diplomáticas com a Casa Branca.
Por Daniela Arcanjo/Folhapress

Trump diz que conversará com Lula e que petista lhe pediu para não tomar lado

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (29) que pretende conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas voltou a criticar o processo eleitoral brasileiro. É a quinta vez que o republicano questiona a condução da eleição presidencial no país.

"Vou conversar com ele, mas acho que a eleição foi uma vergonha no Brasil", disse Trump, ao ser questionado se pretendia telefonar para Lula e parabenizá-lo pela vitória.

Perguntado sobre quem considera o legítimo vencedor da disputa presidencial brasileira, Trump evitou responder diretamente.

"Não quero comentar, mas achei que a eleição foi um grande constrangimento para o povo brasileiro. O atual presidente me pediu para não tomar partido, e eu não tomei. Mas, quando vi o que aconteceu no Brasil, achei uma vergonha", afirmou. "Bem, o mercado respondeu a isso".

Trump fez referência à forte reação negativa do mercado financeiro brasileiro à reeleição de Lula. Na segunda-feira (26), primeiro pregão após o segundo turno, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, despencou 13,88%, na maior queda diária desde março de 2020.

O dólar disparou 8,21%, fechando a R$ 5,40, enquanto a Bolsa chegou a suspender temporariamente as negociações diante das perdas acentuadas.

A declaração ocorre em meio aos questionamentos feitos pelo presidente americano sobre o resultado das eleições brasileiras, vencidas por Lula contra Flávio Bolsonaro (PL). Esta é a quinta vez que o presidente comenta sobre o resultado do segundo turno das eleições.

Na segunda-feira (26), Trump já havia afirmado, sem apresentar provas, que a eleição brasileira parecia ter sido fraudada. Na ocasião, disse que gostava de Lula e mantinha uma boa relação com o petista, mas criticou a prorrogação do horário de votação.

Apesar das críticas, Trump não afirmou que reconhece Flávio como vencedor nem respondeu diretamente à pergunta sobre a legitimidade do resultado. Também não informou quando pretende conversar com Lula.
Por Isabella Menon | Folhapreess

Flávio Bolsonaro chega aos Estados Unidos

Senador e 3 familiares viajaram ao país em jatinho particular que saiu da Argentina e fez parada no Equador. O voo não cruzou o espaço aéreo brasileiro.

O senador Flávio Bolsonaro (PL), sua esposa e as filhas do casal chegaram aos Estados Unidos na manhã desta quarta-feira (28).
Em uma operação secreta, o senador, que descumpriu ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) para entregar seus passaportes, viajou aos EUA após entrar por terra na Argentina, embarcar em um avião particular, contornar o espaço aéreo brasileiro e fazer escala no Equador, de acordo com as fon

Segundo dados do site de monitoramento de voos Flight Aware, o avião, um jatinho particular Gulfstream G400, aterrisou no aeroporto executivo Opa-locka, em Miami.

Voo LV-JQW aterrissa em Miami, nos Estados Unidos, em 28 de outubro de 2026. — Foto: NBC

Flávio Bolsonaro ainda não havia se manifestado após a fuga até a última atualização desta reportagem.
Voo

O governo da Argentina confirmou que a família embarcou em um avião particular que partiu da Argentina na noite de terça-feira (27).

O comunicado do governo argentino, divulgado na madrugada desta quarta, afirmou que Flávio Bolsonaro entrou na Argentina junto da família na noite de terça — foi a primeira confirmação oficial de que o senador deixou o Brasil, após um dia de rumores.

O voo de Flávio decolou às 6h22, no horário de Brasília, e segue rumo aos EUA, onde está previsto para chegar ao aeroporto Opa-locka Executive, em Miami, por volta das 10h40, segundo o site de monitoramento aéreo FlightAware.
 
A aeronave LV-JQW, um jatinho particular Gulfstream G400 que leva Flávio e três familiares, partiu de Puerto Iguazú, na Argentina, próximo à tríplice fronteira, e fez uma escala em Guayaquil, no Equador, antes de seguir para os EUA.

O voo não cruzou espaço aéreo brasileiro — sobrevoou o Paraguai, Bolívia e Peru, segundo o FlightAware.

Flávio Bolsonaro fugiu do Brasil à revelia de ordem do STF que o proibiu de deixar o país e determinou a entrega de seu passaporte. O senador, derrotado nas eleições presidenciais no último domingo (25), e sua família cruzaram a fronteira com a Argentina na noite de terça-feira (27), pouco antes das 23h, segundo informou a Direção Nacional de Migrações argentina (leia mais abaixo).