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Após um mês, EUA lançam novos ataques contra o Irã; Guarda Revolucionária promete ‘represálias’

País asiático fala em mortos e feridos após Estados Unidos avançarem sobre dois lançadores iranianos em Larak, no Estreito de Ormuz

Os Estados Unidos realizaram neste domingo, 30, ataques na ilha iraniana de Larak, localizada no estratégico estreito de Ormuz, informou o Comando Central americano (Centcom), nos primeiros ataques contra o Irã desde o fim de julho.

“Mais cedo, as forças americanas atacaram dois lançadores iranianos na ilha de Larak”, onde “foi observado que membros da Guarda Revolucionária Islâmica se preparavam para lançar foguetes com minas navais”, disse Tim Hawkins, porta-voz do Centcom, em um comunicado enviado à AFP.

Já o governo do Irã, por meio da Guarda Revolucionária, afirma que há mortos e feridos no país por conta do ataque dos EUA e adverte sobre “represálias”.
Por Estadão

Mortes no Nepal e na China chegam a quase 800, e autoridades fazem alertas sobre mudanças climáticas domingo, Por Folhapress

O número de mortos no deslizamento de terra na fronteira entre o Nepal e a China chegou a 797 neste domingo (30), segundo autoridades locais

Mais de 3.000 pessoas continuam desaparecidas, enquanto equipes de emergência trabalham para encontrar vítimas quatro dias após a tragédia, apesar das interrupções nas buscas provocadas pelo mau tempo.

Foram recuperados 781 corpos no Nepal, onde ao menos 2.502 pessoas estão desaparecidas. Outros 16 corpos foram encontrados no Tibete, e 546 continuam desaparecidos.

As vítimas foram encontradas sob uma espessa camada de lama e entre os escombros de edifícios, estradas, pontes e instalações arrasadas pelas enchentes do último dia 26.

As operações de resgate foram suspensas várias vezes desde sexta-feira (28) por causa do mau tempo e do receio de que um lago formado pelo desastre pudesse provocar novas inundações, depois de começar a transbordar para os rios Lhende Khola e Trishuli, no Nepal.

A polícia local no Nepal disse à Reuters que moradores e equipes de resgate haviam se deslocado para áreas mais elevadas após a subida do nível do rio Trishuli entre sábado (29) e domingo.

Embora a causa exata do colapso ainda não esteja clara, o ministro das Relações Exteriores do Nepal alertou no sábado para a ameaça crescente representada pelas mudanças climáticas no Himalaia.

"O Nepal emite menos de 0,01% dos gases de efeito estufa, mas o povo nepalês está entre as principais vítimas das mudanças climáticas", lamentou o chanceler Shisir Khanal.

Cientistas alertaram que não se deve descrever a mudança climática como a única causa imediata do colapso da geleira, mas disseram que o aumento das temperaturas e o derretimento do gelo provavelmente contribuíram para o desastre.

"As mudanças climáticas estão criando condições capazes de desestabilizar rochas e gelo em regiões de alta montanha", disse Simon Cox, cientista-chefe do programa Mountains to Sea, do Earth Sciences New Zealand.

O aquecimento pode reduzir a sustentação fornecida pelo gelo, aumentar a quantidade de água de degelo e alterar os padrões de congelamento, descongelamento e chuva, tornando grandes desabamentos mais prováveis em alguns locais, afirmou Cox.

"O súbito colapso glacial e a enxurrada são um lembrete devastador de como esses ambientes montanhosos podem ser frágeis", afirmou em comunicado o chefe da ONU para o clima, Simon Stiell. "O aquecimento global provocado pela queima em massa de carvão, petróleo e gás torna tragédias como esta, e tantas outras em todo o mundo, muito mais prováveis, frequentes e graves."

De acordo com a mídia estatal chinesa, a enchente foi "causada pela instabilidade das geleiras sob os efeitos de longo prazo do aquecimento global", acrescentando que se tratava de uma "nova e relevante característica dos desastres da criosfera" no planalto tibetano.

Segundo a CCTV, cientistas chineses constataram que o deslizamento de lama vindo do lado nepalês levou de seis a sete minutos para chegar ao posto de fronteira de Gyirong.

Inicialmente, chegou-se a cogitar que o fenômeno tivesse sido provocado por um terremoto de magnitude 4,4. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, porém, o tremor foi resultado da energia sísmica gerada pelo desmoronamento.

Além da dimensão da tragédia, equipes de resgate enfrentam riscos devido a estradas intransitáveis, comunicações interrompidas e à ameaça de novos desastres naturais. As autoridades nepalesas voltaram a pedir neste domingo que os socorristas atuem com "prudência", diante do aumento do nível do rio Bhotekoshi, no distrito de Rasuwa.

Utilizando equipamentos de perfuração, os socorristas conseguiram avançar no domingo até a entrada de um túnel das obras da usina hidrelétrica de Trishuli-3, onde as autoridades acreditam que cerca de cem trabalhadores estejam presos desde a catástrofe.

As autoridades nepalesas também começaram a enterrar alguns das centenas de corpos recuperados após a catástrofe. "Ficamos sem outra opção e tivemos que tomar essa medida. Nossa preocupação era o risco à saúde pública causado pela rápida decomposição dos corpos", disse Ganesh Arya, chefe da administração distrital de Bharatpur, em Chitwan.

Ao menos 96 corpos não identificados foram enterrados na floresta de Devghat, em Chitwan, no sábado (29) e planejavam sepultar mais de 100 neste domingo. Antes do sepultamento, equipes médicas coletaram amostras de DNA de cada corpo e registraram sua localização para que as famílias possam identificá-los e exumá-los posteriormente para realizar os ritos funerários tradicionais

Com mais de 600 mortos, Nepal diz precisar de bilhões de dólares para reconstrução sábado,

O ministro das Finanças do Nepal, Swarnim Wagle, disse neste sábado (29) que o país pode precisar de US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões para se reconstruir após as enchentes desta semana, um custo equivalente a quase um décimo da economia do país.

"Esta é apenas uma estimativa", afirmou Wagle à agência de notícias Reuters. "Precisaremos de muito menos do que foi necessário após o terremoto de 2015. As perdas e os danos estão sendo avaliados."

O número de mortos após o deslizamento de terra no norte do Nepal, na fronteira com a região do Tibete, na China, subiu para 616, informou a polícia nepalesa neste sábado (29). Pequim havia informado anteriormente sobre sete mortes em seu território, elevando o total da catástrofe para pelo menos 623 mortos.

Quase 3.000 pessoas continuam desaparecidas -cerca de 2.426 no Nepal e pelo menos 554 no condado de Gyirong, no Tibete, incluindo pelo menos 540 estrangeiros, muitos deles peregrinos hindus vindos da Índia.

O ministro das Finanças não explicou por que se espera que o custo da reconstrução seja inferior aos US$ 9 bilhões gastos após o terremoto de magnitude 7,8 de 2015, o pior desastre já registrado no Nepal. O terremoto matou quase 9.000 pessoas, destruiu mais de 500 mil residências e causou prejuízos estimados em cerca de um terço da economia nepalesa.

Ainda assim, as enchentes de quarta-feira (29) representarão um prejuízo para uma economia dependente de remessas de trabalhadores no exterior, do turismo e da energia hidrelétrica, ao danificar projetos de geração que respondem por mais de 12% da capacidade nacional.

O Nepal suspendeu as operações de busca e resgate neste sábado devido ao mau tempo e afirmou precisar de ajuda técnica estrangeira para lidar com a enchente devastadora.

"As operações de busca e resgate foram temporariamente interrompidas porque está chovendo e o tempo está com neblina", disse à Reuters Narendra Pariyar, principal autoridade administrativa do distrito de Rasuwa.

Autoridades disseram que alguns corpos recuperados agora estavam em processo de decomposição a ponto de não poderem ser reconhecidos. Eles serão sepultados após o cumprimento das formalidades legais, devido aos riscos à saúde e ao temor de epidemias.

"Serão coletadas amostras de DNA, e os corpos serão sepultados em um espaço aberto", informou a administração do distrito de Chitwan em um comunicado.

O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, disse que o país não precisa de ajuda nas operações de busca e resgate, mas de apoio técnico.

Dentre as necessidades, estão assistência para retirar pessoas presas em túneis, restabelecer as ligações de transporte e comunicação em locais onde pontes foram destruídas, identificar os mortos, realizar testes de DNA e armazenar corpos por períodos mais longos.

"Já fizemos pedidos por esses serviços especializados e por assistência técnica em áreas nas quais não temos experiência e conhecimento técnico suficientes", disse.

Por Folhapress

EUA firmam acordo com Venezuela e controlarão 65 bilhões de barris de petróleo, afirma Trump

                       Presidente anunciou o acordo em publicação na rede social Truth Socia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (28) que o país firmou um acordo petrolífero com a Venezuela.

"Por minha orientação, o secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário da Guerra, Pete Hegseth, trabalhando em estreita colaboração com a respeitadíssima presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e por meio de uma parceria com a iniciativa privada, garantiram o controle majoritário dos EUA sobre mais de 65 BILHÕES DE BARRIS de reservas comprovadas de petróleo na Venezuela, sem nenhum custo para o contribuinte americano", escreveu Trump na Truth Social.

Trump disse que o acordo mais do que dobraria as reservas de petróleo dos Estados Unidos. Também pelas redes sociais, Rubio afirmou que o acordo demonstra que a política externa do governo Trump serve para garantir reservas estáveis, petróleo de baixo custo no hemisfério e reduzindo "os preços da gasolina aqui em casa".

"Para o povo venezuelano, este acordo trará quase US$ 100 bilhões em investimentos privados, apoiará milhares de empregos bem remunerados e impulsionará a reconstrução da economia da Venezuela", afirmou ele.

Na quinta-feira (27), o site Axios já havia revelado que o governo Trump negociava com a gestão interina de Delcy Rodríguez uma participação americana em campos de petróleo venezuelanos. Segundo a reportagem, as conversas envolviam mais de uma dúzia de campos, com cerca de 90 bilhões de barris em reservas comprovadas, e eram lideradas por Rubio e Delcy.

A dimensão do acordo ganha relevância diante do tamanho das reservas venezuelanas. Segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA, na sigla em inglês), a Venezuela tinha cerca de 303 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo em 2023, o equivalente a aproximadamente 17% das reservas mundiais e o maior volume de qualquer país.

A abundância de petróleo no subsolo, porém, contrasta com a capacidade de produção do país. Apesar de concentrar 17% das reservas globais, a Venezuela respondia por apenas 0,8% da produção mundial em 2023.

Grande parte das reservas está na Faixa do Orinoco e é composta por petróleo extrapesado, cuja extração exige maior capacidade técnica e investimentos. Segundo a EIA, sanções internacionais, restrições orçamentárias da estatal PDVSA, falta de profissionais qualificados e baixo investimento estrangeiro também prejudicaram o desenvolvimento da indústria de petróleo e gás venezuelana.

Desde que os EUA capturaram e retiraram do poder o ditador Nicolás Maduro, em janeiro, Washington vem tentando garantir um fluxo estável de petróleo bruto venezuelano para as refinarias americanas.

Ao mesmo tempo, também promove investimentos dos EUA na deteriorada indústria energética venezuelana, que atualmente produz cerca de 1,25 milhão de barris de petróleo bruto por dia.

O governo Trump está sob pressão diante das eleições de meio de mandato em novembro, por causa da alta dos preços da gasolina, que poderia ser atenuada com o fornecimento de petróleo mais barato e o aumento da produção.

Os EUA também vêm buscando soluções para recompor sua reserva estratégica, incluindo a possibilidade de realizar permutas de petróleo bruto com produtores americanos.
Por Folhapress

Trump ameaça grandes frigoríficos em meio à alta da carne nos EUA; JBS e Marfrig podem ser afetadas

Quatro grandes processadoras de carne tornam a vida dos produtores americanos 'miserável', disse Trump em sua rede social
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira, 28, que está preparando uma ordem para permitir que agricultores e pecuaristas tenham o direito de processar os próprios alimentos. O Estadão entrou em contato com a JBS e a Marfrig, duas das maiores empresas de frigoríficos do mundo, que podem ser afetadas pela medida: a Marfrig afirmou que não vai comentar e a JBS não respondeu até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

Segundo a Reuters, quatro empresas são responsáveis por 85% do processamento de carne dos EUA: Cargill, Tyson Foods, JBS USA e a subsidiária da Marfrig, National Beef Packing Co.

Sem citar as empresas, Trump afirmou que quatro grandes processadoras tornam a vida dos produtores americanos “miserável”. “Há anos ouço que enfrentam um enorme problema com as grandes processadoras, que muitos consideram um monopólio nefasto”, escreveu o presidente em sua rede social, Truth Social.

Trump ainda afirmou que pretende quebrar esse “monopólio poderoso, cuja maior parte está baseada fora dos EUA”, autorizando a elaboração de documentos legais que devem permitir que agricultores e pecuaristas tenham o direito de processar os próprios alimentos. Trump não informou quando a ordem será anunciada, mas afirmou que isso deve acontecer rapidamente.

Em resposta, a secretária de Agricultura, Brooke Rollins, publicou no X que está trabalhando em sete pontos para tornar o mercado norte-americano mais competitivo e prometeu novos anúncios a partir de segunda-feira.

“Nossos excelentes pecuaristas AMERICANOS produzem a carne bovina da mais alta qualidade e mais incrível do mundo, e é uma questão de segurança nacional que possamos nos alimentar e abastecer”, escreveu.

Entre as medidas anunciadas por Brooke estão o apoio a pequenos processadores, a desburocratização do processamento e a revogação de diretrizes.

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Nepal e Tibete estão sob risco de novas enchentes e rompimento de lago

Reservatórios podem transbordar em decorrência de colapso glacial que provocou tragédia e de chuvas previstas

Equipes reparam uma estrada danificada que leva ao porto de Gyirong, na China

Nepal e China alertaram nesta quinta-feira (27) para novos riscos de inundações no Himalaia. Dois lagos que se formaram em lados opostos da fronteira entre os dois países ameaçam romper um dia após a região ser atingida por enchentes catastróficas que mataram centenas de pessoas e deixaram um rastro de destruição.

Os lagos se formaram após detritos bloquearem o curso de um rio. O nível da água continua subindo, e há risco de transbordamento, enquanto equipes de resgate atuam nos vales e vilarejos cobertos de destroços e lama. Mais de 1.300 pessoas seguem desaparecidas.

As enchentes repentinas de quarta ocorreram após o colapso de uma geleira, que lançou rochas, gelo, lama e detritos nos sistemas fluviais das montanhas. O fenômeno, chamado de colapso glacial, causou um abalo sísmico equivalente a um tremor de magnitude 5,2. Inicialmente, por isso, as autoridades pensaram que um terremoto havia causado a tragédia.

A autoridade de gestão de desastres do Nepal emitiu um alerta nesta quinta-feira. Em um comunicado, o governo pede que moradores de áreas mais baixa e membros das equipes de resgate redobrem a cautela e permaneça em locais seguros, longe das margens dos rios e de áreas de risco.

A China alertou que 3 milhões de metros cúbicos de água — o equivalente a cerca de 1.200 piscinas olímpicas — devem chegar, nos próximos três dias, ao lago do lado chinês da fronteira, criando um alto risco de rompimento. O pico do fluxo é esperado por volta de 1º de setembro.

A previsão de chuva para a próxima semana pode agravar a situação, informou a mídia estatal chinesa, citando o Ministério dos Recursos Hídricos.

"O volume de água continua aumentando, e o risco também", disse Zhu Jinfeng, pesquisador do departamento de hidrologia do ministério, à emissora estatal CCTV.

A formação de um lago de barragem foi registrada em imagens aéreas por uma equipe chinesa de resgate nesta quinta, informou CGTN. As imagens mostravam grandes volumes de água barrenta se acumulando em uma bacia sem saída visível. A água já havia submerso arbustos e árvores e parecia pressionar uma barreira formada por destroços e pedras.

Diante do alerta, parte das equipes de resgate no Nepal começou a se deslocar para áreas mais altas nesta quinta-feira.

Pawan Koirala foi um deles. Ele e sua equipe, formada por outras 13 pessoas, deixaram o leito do rio após o aviso. "Estamos aqui para fazer o resgate e não queremos ficar perto da zona de perigo", disse.

O número de mortos chegou a 362 nesta quinta, segundo balanços ainda preliminares.

A tragédia deixou povoados inteiros devastados e submersos em lama. Do total de mortos, 359 foram registrados no Nepal, segundo as autoridades, e três no lado chinês, de acordo com informações da imprensa estatal. As informações sobre as vítimas não são centralizadas em uma única fonte e são divulgadas separadamente pelas autoridades e pela imprensa dos dois lados da fronteira.

A enxurrada de água e lama, semelhante a um tsunami, foi provocada pelo colapso de uma geleira e teve uma intensidade equivalente a um "evento sísmico" de magnitude 5,2, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
Por Folhapress

Avalanche de lama no Nepal e Tibete deixa centenas de turistas desaparecidos

Uma avalanche de lama devastadora deixou dezenas de mortos, centenas de desaparecidos e muita destruição na região da fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China, nesta quarta-feira (26).

Por volta de 13h (horário de Brasília), o número de mortos estava em 98 - sendo 95 no Nepal e 3 no Tibete. Outras 844 pessoas estão desaparecidas (579 no Nepal e 265 no Tibete).

Segundo o último balanço do Conselho de Turismo do Nepal, divulgado na manhã desta quarta, 384 turistas estavam desaparecidos - 291 deles são estrangeiros.

Já a rede britânica BBC fala em 579 turistas desaparecidos, citando a polícia local.

O Itamaraty ainda não informou se há brasileiros entre os desaparecidos.

Países de origem dos desaparecidosCoreia do Sul: 8
  • Nepal: 93 pessoas
  • Índia: 105 pessoas (além de 37 indianos não residentes, totalizando 142 de origem indiana)
  • Malásia: 17 pessoas
  • Reino Unido: 12 pessoas
  • África do Sul: 4 pessoas
  • Estados Unidos: 3 pessoas
  • Austrália: 1 pessoa
  • Holanda: 1 pessoa
Nacionalidades a confirmar: 111 pessoas estrangeiras (viajantes cujas nacionalidades ainda não foram especificadas pelas agências de turismo)
China: país anunciou 265 desaparecidos (mas não atualizou as nacionalidades deles)

As informações acima foram divulgadas pelo Conselho de Turismo do Nepal e pelo Ministério de Relações Exteriores da Coreia do Sul.

No condado de Gyirong, no Tibete, um deslizamento atingiu uma passagem de terra entre os dois países. Há vários desaparecidos, entre eles oito sul-coreanos que trabalhavam em uma usina hidrelétrica.

Segundo a agência de notícias oficial chinesa Xinhua, ele ocorreu no lado nepalês e atingiu o porto local, interrompendo estradas, comunicações e fornecimento de energia na região de Shigatse.

O distrito montanhoso de Rasuwa, no Nepal, que tem uma população de cerca de 50 mil habitantes, foi um dos locais mais atingidos. Helicópteros de resgate não conseguiram pousar nas áreas afetadas.

O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, afirmou que policiais e militares estão se unindo aos esforços de resgate.

A causa da inundação ainda não está clara, mas uma enchente similar no mesmo rio, no ano passado, foi posteriormente atribuída ao esvaziamento de um lago glacial.

Mistério genético na Indonésia: “Povo dos olhos azuis hipnotizantes” intriga cientistas do mundo todo!

Em uma remota ilha da Indonésia, um fenômeno raro virou obsessão mundial: moradores de pele escura e olhos azul-elétrico, tão intensos que parecem brilhar. As imagens, vindas da ilha de Buton, viralizaram e despertaram fascínio — e muita especulação. Para a ciência, no entanto, há uma explicação surpreendente.

Pesquisadores identificam o caso como resultado da síndrome de Waardenburg, um distúrbio genético incomum que altera a pigmentação dos olhos, cabelos e pele. Embora registrada no mundo todo, é extremamente rara em populações do Sudeste Asiático, o que torna o grupo de Buton uma verdadeira exceção biológica.
A condição pode provocar um conjunto de características marcantes: olhos azul-claros quase translúcidos, heterocromia, mechas de cabelo brancas e até perda auditiva em alguns casos. O contraste entre a pele escura e os olhos luminosos cria retratos tão impressionantes que fotógrafos internacionais passaram a viajar até Buton apenas para documentar o fenômeno.

As fotos viralizadas transformaram a comunidade em um símbolo global de diversidade genética. Muitos moradores passaram a ser destaque em reportagens e estudos científicos, enquanto especialistas revisitam teorias sobre mutações espontâneas e heranças recessivas que desafiam padrões populacionais tradicionais.

A repercussão também levantou debates sobre preservação cultural e ética no registro dessas populações. Apesar da curiosidade mundial, líderes locais pedem respeito e cuidado para evitar exploração ou distorções sobre sua identidade.
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O caso de Buton mostra, mais uma vez, como a genética humana pode produzir combinações únicas, raras e visualmente extraordinárias. E mesmo num planeta tão estudado, mistérios como este seguem provando que a natureza ainda guarda segredos capazes de hipnotizar o mundo inteiro.

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Turquia pede alerta vermelho da Interpol contra Netanyahu por flotilha em Gaza / Por Redação

Foto: Daniel Torok / White House
A Turquia solicitou à Interpol a emissão de um alerta vermelho contra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em uma investigação relacionada à interceptação de uma flotilha de ativistas que seguia para a Faixa de Gaza. O pedido foi anunciado nesta sexta-feira (21) pelo ministro da Justiça turco, Akin Gürlek

Segundo ele, a medida também envolve o israelense Afek Moskovitch e está relacionada a mandados de prisão expedidos pela Justiça turca em julho de 2026. As acusações citadas pelas autoridades turcas incluem crimes contra a humanidade, genocídio, privação de liberdade, agressão física, tortura, destruição de propriedade, saque e sequestro de veículos de transporte.

O caso envolve a ação das forças israelenses contra uma flotilha humanitária que tentou chegar a Gaza. Participantes da missão relataram maus-tratos durante a detenção, enquanto Israel rejeita as acusações. A Turquia já havia emitido anteriormente mandados contra Netanyahu e outras autoridades israelenses por acusações relacionadas à guerra em Gaza.

O primeiro-ministro também é alvo de um mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, por supostos crimes de guerra e contra a humanidade. O governo israelense reagiu ao novo pedido e acusou o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, de tentar desestabilizar a região. Tel Aviv afirmou que continuará adotando medidas contra iniciativas do governo turco.

Governo Trump troca comando diplomático para América Latina em meio a tensão com Brasil

Juan Pablo Segura elenca 'narcoterroristas', contenção da China e transição na Venezuela como prioridades

O Departamento de Estado dos Estados Unidos mudou o comando do escritório responsável pelas relações com o Brasil e demais países da América Latina em meio a um período de tensão entre Washington e Brasília.

Juan Pablo Segura tomou posse na última sexta-feira (14) como secretário-assistente de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental, substituindo Michael Kozak, que exercia a função de forma interina.

"Vamos promover a visão do presidente [Donald] Trump para a nossa região: uma região protegida de cartéis e narcoterroristas, que gere prosperidade para os americanos e nossos parceiros e garanta a segurança de nossas fronteiras. Pronto para começar a trabalhar!", afirmou Segura.

A troca tem significado particular para o Brasil. Kozak esteve diretamente envolvido em alguns dos principais episódios da recente deterioração da relação entre os dois países, incluindo a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti. Ele manteve conversas com a diplomata e comunicou a decisão americana de retirar o documento.

Segura havia sido anunciado pelo governo Donald Trump para o cargo em abril e passou por uma audiência de confirmação na Comissão de Relações Exteriores do Senado em 18 de junho. Sua indicação foi posteriormente aprovada pelo Senado no mesmo pacote que incluiu Daniel Perez, escolhido por Trump para assumir a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília.

Na sabatina, Segura apresentou como prioridades para o hemisfério o combate aos cartéis e ao narcotráfico, a contenção da influência chinesa e a pressão por mudanças políticas na Venezuela.

Questionado sobre o combate aos chamados "narcoterroristas", afirmou que o tema estaria entre suas maiores prioridades e defendeu uma atuação coordenada com outros órgãos do governo americano para direcionar recursos ao enfrentamento dessas organizações.

Segura também endossou o uso de "todas as ferramentas disponíveis" contra os cartéis. Ele citou a decisão do governo Trump de classificar organizações criminosas como Organizações Terroristas Estrangeiras como uma mudança na forma como Washington pode enfrentar esses grupos.

O novo secretário-assistente também indicou que pretende dar atenção especial à segurança de portos de entrada na região para impedir a circulação de substâncias utilizadas na fabricação de fentanil. Durante a audiência, mencionou como exemplo da nova cooperação regional a mobilização de mais de 10 mil integrantes da Guarda Nacional mexicana na fronteira com os Estados Unidos.

China e Venezuela

Outro eixo destacado por Segura foi a disputa de influência com a China na América Latina. Questionado pela senadora democrata Jeanne Shaheen sobre como os EUA poderiam recuperar espaço na região, ele acusou Pequim de recorrer a "empréstimos predatórios" e de buscar o controle de infraestruturas críticas.

Segura afirmou que pretende usar a diplomacia comercial para identificar projetos e licitações na América Latina nos quais empresas americanas possam competir, numa tentativa de ampliar a presença econômica dos EUA diante do avanço chinês.

Sobre a Venezuela, afirmou apoiar a estratégia defendida pelo secretário de Estado, Marco Rubio, de dividir o processo político no país em três etapas: estabilização, recuperação e reconciliação e, por fim, transição. Segundo Segura, Washington está atualmente na segunda fase e deve continuar pressionando pela libertação de presos políticos antes de avançar para eleições.

O indicado também foi questionado sobre direitos humanos em El Salvador. Segura reconheceu a cooperação do governo salvadorenho com Washington na área de segurança, mas se comprometeu a trabalhar com o Congresso americano em relação às denúncias de abusos cometidos durante o estado de exceção no país.

Empresário antes de entrar no governo

Antes de ingressar no Departamento de Estado, Segura foi secretário de Comércio e Negócios da Virgínia durante o governo do republicano Glenn Youngkin, onde comandou a política de desenvolvimento econômico e comércio internacional do estado.

Sua trajetória anterior foi principalmente no setor privado. Em 2014, fundou a Babyscripts, empresa de tecnologia voltada ao acompanhamento de mulheres durante a gravidez e o pós-parto. Segura é formado pela Universidade de Notre Dame e contador certificado.
Por Isabella Menon/Folhapress

Indonésia: buscas por vítimas de tremor seguem no Dia da Independência

Moradores de vilarejos no leste da Indonésia, atingidos por um terremoto que matou pelo menos 68 pessoas, aguardavam ajuda nesta segunda-feira (17), enquanto equipes de resgate vasculhavam prédios desabados em busca de pessoas presas sob os escombros.

O número de mortos subiu de 54 para 68, informou Berton SP Panjaitan, funcionário da Agência de Mitigação de Desastres da Indonésia, acrescentando que mais de 200 pessoas ficaram feridas.

Milhares de pessoas foram retiradas após o desastre mais mortal do país desde que um terremoto, em 2022, matou centenas de pessoas em Java Ocidental. Muitas delas estão se abrigando em barracas ao ar livre e com medo de voltar para suas casas devido a réplicas do terremoto.

O tremor deixou sombrias as comemorações do Dia da Independência da Indonésia, e os moradores de Nusa Tenggara Oriental foram abalados por quase 1.600 réplicas na província até esta segunda-feira, disse Panjaitan. A agência de geofísica do país registrou um terremoto de magnitude 5,6 na região na manhã de hoje.

O terremoto também causou deslizamentos de terra e bloqueou estradas em toda a província mais ao sul da Indonésia, incluindo as regiões de Sikka e Manggarai.

No estacionamento de um centro de saúde danificado, repleto de barracas e leitos hospitalares, em um vilarejo próximo à região de Ende, afetada pelo terremoto, Firmus Woge, um agricultor de 64 anos, recebia tratamento para asma, agravada pelo pânico causado pelo terremoto.

Ele contou que teve dificuldade para respirar durante a noite, “e está piorando novamente após o terremoto desta manhã”.

Fathur Rahman, chefe do Escritório de Resgate em Maumere, capital de Sikka, afirmou à Reuters que as buscas se concentrariam no monitoramento aéreo de possíveis desaparecidos, utilizando um helicóptero e um equipamento de resgate.

As autoridades prepararam aeronaves para entregar ajuda, como alimentos e barracas, disse Panjaitan. O terremoto danificou cerca de 500 casas, informou a agência.
Ananda Teresia e Stanley Widianto - Repórteres da Reuters*

Solicitações de certidão brasileira para menores nascidos nos EUA disparam

Nunca antes os 11 consulados-gerais do Brasil nos Estados Unidos registraram tantas solicitações de certidão de nascimento para crianças que nasceram no país filhas de ao menos um genitor brasileiro e que, portanto, também têm direito à nacionalidade brasileira.

Os números mais atualizados, obtidos junto ao Itamaraty, mostram que houve mais de 21 mil pedidos de certidão de nascimento no ano passado. Quatro anos antes, eram 5.660. O aumento foi registrado em todos os postos em 2025 de maneira vertiginosa.

Não há apenas uma causa para o crescimento das cifras, mas pessoas que lidam com o tema consular e brasileiros que vivem no país relatam que o principal motivo tem sido a política imigratória do governo de Donald Trump. Depois, a obrigatoriedade de vistos para viajar ao Brasil, que passou a valer no primeiro semestre do ano passado.

O caso de A, que tem o nome aqui omitido, a seu pedido, por temer estigmatização, exemplifica a primeira possibilidade. Mãe de trigêmeas que nasceram em Boston, um dos bastiões da comunidade brasileira nos EUA, ela retornou ao Brasil há um mês, após o marido ser detido pela imigração em janeiro e, posteriormente, deportado.

Ela possuía um pedido de visto de trabalho pendente de aprovação no país, enquanto o marido estava com o visto de turista vencido. Para se mudar com as meninas ao Brasil e, assim, não separar a família, ela recorreu ao consulado do Brasil na região e, em regime de urgência, conseguiu as certidões de nascimento das filhas e seus passaportes.

Em muitos outros casos, os pais buscaram a certidão para os filhos porque acreditavam que, caso fossem detidos pelo ICE, a agência de imigração, e seus filhos não possuíssem a nacionalidade brasileira, eles seriam deportados, e as crianças permaneceriam em um abrigo para menores nos EUA, separando a família.

Essa foi uma prática comum no governo Trump 1 (2017-2021). Durante sua primeira incursão na Casa Branca, o republicano separou milhares de famílias, enviando crianças para centros de detenção separados dos pais, que ou ficavam presos ou eram deportados.

Neste segundo mandato, também há relatos de casos semelhantes, ainda que em menor escala e ainda que o governo não assuma que essa é uma política oficial, como o fez antes. O Brasil, no entanto, não recebeu nenhum relato de casos envolvendo brasileiros.

Existem, ainda, os casos nos quais a certidão é solicitada para poder viajar com a criança para o Brasil. Isso porque, desde abril de 2025, cidadãos americanos precisam de visto de turista para ir ao Brasil. Quando as crianças são filhas de pais brasileiros, muitas vezes eles tiram sua certidão e passaporte no consulado para que elas possam viajar sem a necessidade do documento.

Os consulados que mais receberam solicitações são, respectivamente, os de Boston, Nova York e Miami, não por coincidência os que prestam serviços consulares às maiores comunidades de brasileiros nos EUA, também segundo o Itamaraty (440 mil, 500 mil e 400 mil, respectivamente). As unidades tiveram de se organizar para acomodar todos os pedidos, muito superiores aos de anos anteriores.

Nestas mesmas unidades consulares, o número de pedidos cresceu, respectivamente, 551%, 339% e 119% de 2021 a 2025. Se considerados todos os consulados, o crescimento foi de 271% no mesmo período.

Para solicitar certidão de nascimento para uma criança menor de 12 anos nascida nos EUA (ou em outra parte do mundo) com ao menos um genitor brasileiro, a família deve apresentar a certidão de nascimento do menor; a certidão brasileira do pai ou mãe brasileiro, e, caso se aplique, a certidão do genitor estrangeiro. Para maiores de 12 há exigências adicionais, como a declaração de duas testemunhas.

Muitos pais, por suas razões, não solicitam a certidão brasileira dos filhos nascidos nos EUA. O próprio governo brasileiro, porém, indica que esse processo é mais fácil e menos oneroso. Solicitar o documento em um consulado local é um processo gratuito.

Quando se tira a certidão em um cartório no Brasil, além de custos com apostilamento de documentos e traduções juramentadas, há um fator adicional: ao completar 18 anos, a pessoa terá de confirmar perante a Justiça a nacionalidade brasileira. É um processo simples, mas que muitas vezes é esquecido e que demanda algum tempo.

Ao menos 5.000 brasileiros foram deportados pelos EUA desde janeiro de 2025 em 63 voos que saem do Aeroporto de Alexandria, no estado de Louisiana, fazem escala em Bogotá e seguem para Confins, em Minas Gerais. A maioria é formada por homens solteiros. Nesses voos, no entanto, também chegaram 164 menores de idade, de acordo com os dados oficiais mais atualizados.

A maioria é formada por crianças que retornaram no voo do ICE junto com um dos (ou os dois) pais que foram deportados. Em geral, explicou o Ministério de Direitos Humanos e Cidadania à reportagem, as crianças chegam apenas com documentos americanos, e logo são encaminhadas para tirar os documentos brasileiros.

Houve também o caso de ao menos nove menores de idade, todos adolescentes, que foram deportados sozinhos e, ao chegar ao Brasil, encaminhados para a casa de algum familiar.

Por Mayara Paixão/Folhapress

EUA preparam ofensiva terrestre contra traficantes em países aliados da América Latina

Em visita ao Panamá, Secretário de Defesa, Pete Hegseth, cita cooperação com Colômbia e Equador nas operações

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, conversa com militar americano durante viagem ao Panamá

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou nesta quinta-feira (13) que as Forças Armadas americanas se preparam para realizar operações no território de países aliados com o objetivo de combater organizações de narcotráfico na América Latina.

Trata-se de uma sinalização de que Washington pretende aplicar na região métodos desenvolvidos ao longo de décadas de combate a grupos terroristas no Oriente Médio e em outras partes do mundo —que, em muitos casos, levaram à morte de civis.

Em viagem ao Panamá, Hegseth afirmou que o objetivo é produzir em terra o "mesmo efeito" dos ataques realizados contra embarcações acusadas de transportar drogas no Caribe e no Pacífico. A oposição e grupos de direitos humanos criticaram essas ações como ilegais.

Hegseth disse ainda que os EUA trabalham com Equador, Colômbia e outros parceiros para "levar a luta" contra organizações de narcotráfico ao território terrestre.

Nesse contexto, o chefe do Pentágono citou apenas países nos quais os EUA já anunciaram operações conjuntas, como a Colômbia, ou já realizaram incursões, como o Equador. E disse que "organizações designadas como terroristas, em conjunto com governos parceiros, serão alvos legítimos do governo dos Estados Unidos".

A princípio, isso deixaria de fora o Brasil, que não concordou com a designação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas feita pelo governo Trump. A reportagem questionou o Departamento de Defesa se essas operações militares poderiam acontecer em países que não possuem parceria com os Estados Unidos, mas não obteve retorno.

Hegseth, em entrevista a jornalistas, disse que "em qualquer lugar em que vocês [grupos terroristas] trafiquem drogas, em que ameacem o povo americano ou nossos parceiros, vocês são um alvo, assim como o Estado Islâmico ou a Al Qaeda".

O secretário de Defesa disse ainda que Washington pretende aproveitar no Hemisfério Ocidental a experiência militar acumulada durante a chamada Guerra ao Terror. Segundo Hegseth, os EUA passaram os últimos 25 anos aperfeiçoando a chamada "kill chain" —expressão militar que descreve o processo de identificar, localizar, acompanhar e atacar um alvo— para atingir redes terroristas a milhares de quilômetros do território americano.

"Por que não pegamos essas capacidades, com os melhores americanos, e as aplicamos aqui?", disse.

As declarações representam uma escalada na retórica do governo Donald Trump contra o narcotráfico na região ao tratar facções criminosas segundo uma lógica semelhante à empregada contra grupos terroristas e ao defender o uso de capacidades militares desenvolvidas para conflitos em outras regiões.

Hegseth disse que a estratégia envolverá uma atuação conjunta do Comando Sul, responsável pelas operações militares americanas na América Latina e no Caribe, e do Comando Norte, cuja área de responsabilidade inclui México, Estados Unidos e Canadá.

"Esta é uma luta em rede, para a qual estamos dando poder ao Comando Sul e ao Comando Norte, juntos, no Hemisfério Ocidental, para agir de maneira implacável", disse. "Vamos nos aproximar e destruir essas redes usando todas as capacidades do governo americano."

A declaração ocorre um dia após o presidente Donald Trump ampliar outro instrumento de atuação dos EUA contra organizações criminosas transnacionais. Na quarta-feira (12), o republicano assinou um decreto que abre caminho para empresas privadas americanas realizarem, sob supervisão federal, operações cibernéticas contra grupos que atuam fora do país.

A medida permite ações capazes de interromper, degradar ou até destruir sistemas e redes controlados por essas organizações. Apesar de não ser citado nominalmente, PCC e CV poderiam ser alcançados caso se enquadrem nos critérios do programa, voltado a grupos que pratiquem crimes cibernéticos contra cidadãos, o governo ou interesses americanos.
Por Isabella Menon/Folhapress

Messi se despede do pai, relembra drama na Copa e coloca futuro em dúvida: "Não sei como seguir"

Foto: Instagram / @leomessi
A bola levou Lionel Messi ao mundo, mas foi o pai quem esteve ao lado dele desde os primeiros passos. Dias após a morte de Jorge Messi, o camisa 10 da Argentina publicou uma longa despedida nas redes sociais, nesta quarta-feira (12), e expôs a dor pela perda de uma das figuras mais importantes de sua vida e carreira.

Jorge Messi morreu aos 68 anos, em Rosário, na Argentina, após enfrentar uma doença. Além de pai, ele também atuava como agente do jogador e acompanhou de perto a trajetória que levou Lionel de promessa nas categorias de base do Newell’s Old Boys a um dos maiores nomes da história do futebol.

Na mensagem, Messi disse ainda não conseguir assimilar a partida do pai e lamentou não ter tido mais tempo ao lado dele.

"Pai, ainda não consigo acreditar que você se foi. Não consigo assimilar, ou melhor, não quero assimilar. É muito difícil imaginar que não vou mais te ver, que não vamos mais conversar", escreveu.

O texto também passou pela Copa do Mundo de 2026. Messi revelou que disputou o torneio enquanto o pai estava internado e que carregava a esperança de chegar à final para que Jorge pudesse se recuperar a tempo de vê-lo no estádio.

A Argentina chegou à decisão, mas perdeu para a Espanha na prorrogação. O camisa 10 afirmou que tentou ultrapassar os próprios limites físicos para entregar mais uma taça ao pai, mas não conseguiu.

"Eu queria ganhá-la para levá-la para você e mostrar uma nova [Copa]. Não consegui, minhas pernas não aguentavam mais", desabafou.

Messi também contou que sentia falta das mensagens do pai ao fim de cada partida, algo que fez perceber a gravidade do quadro de saúde de Jorge. Ao retornar à Argentina, o jogador disse que o pai chegou a pensar que a final havia sido perdida nos pênaltis, e que os dois não conseguiram conversar sobre o que havia acontecido no Mundial.

Em outro trecho, o craque colocou em dúvida a continuidade da carreira. Aos 39 anos, Messi afirmou não saber como seguir sem Jorge, justamente quando se aproximava da reta final como jogador profissional.

"Não sei o que vou fazer sem você, não sei como seguir. Eu só jogava futebol e agora tenho muitas dúvidas se vou continuar fazendo isso por muito mais tempo", escreveu.

Jorge Horacio Messi era uma presença constante nos bastidores da carreira do filho. Foi ele quem conduziu negociações importantes, acompanhou a ida de Lionel ainda jovem para o Barcelona e participou da gestão dos negócios do jogador ao longo dos anos.

A despedida de Messi também teve agradecimento pelas mensagens recebidas. Clubes, jogadores, entidades e torcedores prestaram homenagens nos últimos dias, após a confirmação da morte de Jorge.

"Quero agradecer de coração todo o carinho, respeito e enorme consideração que tiveram comigo e minha família neste momento tão doloroso pela partida de meu pai", publicou o argentino.

A cerimônia de despedida de Jorge Messi foi restrita a familiares e amigos próximos, em um cemitério de Pérez, localidade vizinha a Rosário. O encontro ocorreu sob sigilo e forte esquema de segurança.

A família já havia informado, durante a Copa do Mundo, que Jorge enfrentava um quadro clínico complexo. Na estreia da Argentina no Mundial, quando Messi marcou três gols contra a Argélia, o jogador chorou após o apito final. Mais tarde, ficou claro que a emoção estava ligada ao momento delicado vivido pelo pai.

Governo Trump diz que 'domíno dos EUA' nas Américas não será questionado

Departamento de Estado publica vídeo defendendo Doutrina Monroe, usada para justificar intervenção na Venezuela

Foto: Reprodução/Instagram

O Departamento de Estado americano, responsável pela diplomacia dos Estados Unidos, publicou nesta terça-feira (11) um vídeo defendendo a Doutrina Monroe, princípio político que estabelece a hegemonia de Washington nas Américas. A doutrina foi utilizada por Donald Trump para justificar a invasão da Venezuela que terminou na captura do ditador Nicolás Maduro, levado à força para os EUA sob acusações de tráfico de drogas.

No vídeo, o embaixador americano no Panamá, Kevin Marino Cabrera, detalha o surgimento da doutrina em 1823, quando Washington decide apoiar formalmente a independência de muitos países latino-americanos da Espanha e do Brasil de Portugal. O governo americano, naquele momento, promete manter as Américas livres de influência europeia.

Entretanto, como a marinha dos EUA não tinha força para fazer valer a doutrina, tratou-se de uma declaração simbólica nas suas primeiras décadas de existência. Isso mudou na segunda metade do século 19, quando os Estados Unidos vivem um grande crescimento econômico proporcionado pela industrialização, imigração massiva e expansão ao oeste.

Ao longo de cinco minutos, Cabrera defende o histórico imperialista dos EUA na América Latina, relembrando a guerra contra a Espanha que levou à independência de Cuba, que passou a fazer parte da esfera de influência de Washington. O diplomata é cubano-americano de segunda geração, nascido na Flórida. Apoiador de Trump, Cabrera foi vereador de Miami de 2022 a 2025.

A peça foi postada no X pelo Departamento de Estado com a frase "o domínio americano no hemisfério ocidental jamais será questionado novamente". Trata-se de uma fala feita por Trump em seu primeiro pronunciamento após a captura de Maduro, em janeiro de 2026. O ditador era próximo da Rússia e da China.

O vídeo, entretanto, contém imprecisões históricas e omissões importantes. Cabrera diz, por exemplo, que foi graças aos EUA que a França foi expulsa do México depois de tentar instalar uma monarquia no país latino-americano, liderada por Maximiliano de Habsburgo, irmão mais novo do imperador da Áustria.

Na verdade, Maximiliano e as tropas francesas de Napoleão 3º foram derrotadas pelo presidente do México, Benito Juárez, que organizou a resistência à invasão europeia a partir de sua base de apoiadores liberais no norte do país.

Os EUA, envolvidos na época com a Guerra Civil americana, só apoiaram Juárez financeiramente a partir de 1865 e ameaçaram ações militares contra a França em 1867, quando o governo republicano já estava novamente em controle de quase todo o México.

O vídeo, embora mencione a intervenção americana na Nicarágua a favor do ditador Anastasio Somoza, não fala de outras ocasiões em que Washington apoiou ditaduras na América Latina, como no Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil. Também omite tentativas fracassadas de intervenção, como a invasão da Baía dos Porcos em Cuba em 1961.
Por Folhapress

Brasil tem amigos nos EUA, que não podem tirar os olhos da América Latina, dizem analistas

Na medida em que o governo Donald Trump intensifica uma ofensiva contra o Brasil sem precedentes na história recente, um grupo de lideranças do Partido Democrata, de oposição ao presidente, tem se mobilizado para criticar políticas que, segundo elas, afastam os Estados Unidos de parceiros tradicionais e semeiam desconfiança em relação a processos eleitorais.

Quando o jornal The Washington Post revelou que o Departamento de Estado americano havia tentado enviar ao Brasil emissários para lançar dúvidas sobre a integridade do pleito brasileiro, a ala democrata da Comissão de Relações Exteriores do Senado publicou uma mensagem no X na qual afirmou que a gestão Trump busca "espalhar teorias da conspiração" e que isso não torna os EUA um lugar mais seguro.

No caso mais recente, a senadora Jeanne Shaheen declarou que, ao revogar o visto da embaixadora Maria Luiza Viotti, Trump "jogou fora a diplomacia em detrimento dos povos brasileiro e americano".

Para dois especialistas em política externa dos EUA que ocuparam cargos de assessoramento nos governos Barack Obama e Joe Biden, essas manifestações visam mostrar que "o Brasil ainda tem muitos amigos em Washington".

Nick Zimmerman foi diretor para assuntos de Brasil e Cone Sul no Conselho de Segurança Nacional entre 2014 e 2016, no final do governo Obama. Já Frank Mora foi embaixador dos EUA na OEA (Organização dos Estados Americanos), nomeado por Biden.

Ambos conversaram com a Folha para discutir a política externa de Trump para a América Latina em geral e para o Brasil em particular.

"O que vimos na Comissão de Relações Exteriores do Senado, por parte da senadora Shaheen, é uma condenação das ações de Trump contra o Brasil. É um reconhecimento explícito de que esse comportamento só serve para afastar os EUA de parceiros e amigos históricos. Os democratas veem o Brasil como um parceiro e amigo histórico", afirma Zimmerman.

"Existe uma preocupação com o que Trump está fazendo em relação às eleições em outros países, porque ele está tentando fazer a mesma coisa nos EUA. Os democratas e os americanos estão enfrentando o mesmo ataque às nossas instituições eleitorais."

No âmbito mais amplo, Mora define a política americana para a região como "imprevisível e incoerente". "Trump vê isso sempre num nível muito pessoal: as pessoas estão com ou contra ele. Se as pessoas o elogiam, fazem declarações sobre como Trump é maravilhoso, é provável que recebam algum tratamento preferencial, inclusive apoio em uma eleição", afirma Mora.

Essa abordagem caso a caso se reflete na forma como os EUA abordam a América Latina, onde a gestão Trump privilegia ações bilaterais e medidas de coerção em detrimento de organizações multilaterais —como a própria OEA, onde Mora liderou a missão americana.

Se sobram críticas à condução da política externa por Trump, os especialistas dizem que é importante reconhecer que ele colocou foco inédito sobre a América Latina, num nível superior à ênfase dada pelas últimas administrações do Partido Democrata.

Para Zimmerman, reconhecer a importância das Américas para os EUA é "uma das poucas coisas positivas" da gestão Trump, embora existam divergências profundas sobre como essa política é conduzida.

Frank Mora, por sua vez, diz que o próximo presidente americano não poderá simplesmente "desviar os olhos do Hemisfério Ocidental" —forma como a administração dos EUA se refere às Américas.

"Cabe a nós convencer o próximo governo democrata —ou mesmo um governo republicano que não seja alinhado a Trump— de que a região precisa continuar sendo uma prioridade. De uma forma diferente, completamente diferente, mas precisa continuar sendo uma prioridade, porque disso dependem os interesses nacionais dos EUA."

A atual estratégia de coerção mostra-se ineficiente e ameaça ter efeitos opostos aos desejados pela administração Trump, segundo Zimmerman e Mora, tanto no Brasil quanto no continente.

Mora cita a situação de Cuba, submetida há meses a um bloqueio no fornecimento de combustível por ordem do governo Trump. "Não existe um caso empírico histórico que diga que a adoção dessas medidas punitivas econômicas resulte em uma mudança de regime".

Quando questionado sobre o que seria uma política americana eficiente para a América Latina, Zimmerman diz que o pensamento americano sobre política externa precisa evoluir e adaptar-se às mudanças globais. "Parte do nosso pensamento em política externa não acompanhou essas mudanças. No contexto das Américas, isso está mais evidente do que nunca", diz.

"[A relação dos EUA com o continente] Precisa partir de uma relação de parceria e respeito. Precisa vir acompanhado do reconhecimento de que a prosperidade futura dos EUA, inclusive sua posição geopolítica, depende em grande medida de manter uma relação pragmática e mutuamente produtiva com as Américas".

Já Mora diz que a gestão Trump olha para a América Latina exclusivamente sob um prisma de ameaças.

"Deveríamos adotar uma abordagem baseada em oportunidades, algo que já tentamos fazer no passado. Há enormes oportunidades na região, e podemos trabalhar com os países e nossos parceiros para encontrar maneiras de enfrentar não apenas os problemas. Em vez de recorrer a medidas coercitivas, há muito mais a ganhar por meio da cooperação", afirma.

Por Ricardo Della Coletta/Folhapress

Sobe para 111 número de mortos em terremoto na Colômbia

Tremor de magnitude 7,4 deixou ao menos 87 feridos e 61 prédios desabados

O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, informou que houve pelo menos 111 mortos e 87 feridos no terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o país nesta segunda-feira (10).

O presidente explicou que o número corresponde ao saldo até às 12h30 no horário local, 14h30 no horário de Brasília, e afirmou que atualmente a prioridade é “o resgate das pessoas que se encontram abaixo dos escombros” dos edifícios afetados.

Nesse sentido, detalhou que 1.575 moradias sofreram danos, 37 moradias foram completamente destruídas e 61 edifícios colapsaram. Entre a infraestrutura danificada, detalhou: 18 centros de saúde afetados, 52 centros educativos danificados, 17 centros comunitários e 18 vias. Espriella também mencionou seis aeroportos afetados em infraestrutura e sem operação para voos comerciais, e um afetado em pista de aterrissagem.
                             
Gonzalo Zegarra, da CNN em Espanhol

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