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Com proximidade de navios, Maduro diz que não tem como os EUA 'entrarem na Venezuela'

Os EUA se recusam a falar sobre o que farão. Questionados sobre uma possível invasão, não deixaram claro o que irá acontecer, apenas informando que pretendem usar 'toda a força possível'.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou que não tem como os Estados Unidos entrarem no país. A fala ocorreu em uma mobilização para militares nessa quinta-feira (28), no mesmo dia em que as frotas de guerra americanas se aproximaram do território venezuelano.

Os EUA se recusam a falar sobre o que farão. Questionados sobre uma possível invasão, não deixaram claro o que irá acontecer, apenas informando que pretendem usar 'toda a força possível'.

'Após 20 dias contínuos de anúncios, ameaças, guerra psicológica, após 20 dias de cerco à nação venezuelana, hoje estamos mais fortes do que ontem, hoje estamos mais bem preparados para defender a paz, a soberania e a integridade territorial', afirmou Maduro.

O presidente da Venezuela completou dizendo que eles [EUA] 'não conseguiram, nem conseguirão. Não há como entrar na Venezuela'.

Maduro convocou uma segunda rodada de alistamento para esta sexta-feira (29) e sábado (30) para a Milícia Bolivariana, um componente militar formado por civis com forte foco ideológico, com objetivo de enfrentar uma ameaça externa.

A expectativa é que esses convocados entrem no número de 4,5 milhões de milicianos pedidos por Maduro em resposta as 'ameaças' dos Estados Unidos.

Nos últimos dias, o Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgou as primeiras imagens do navio de guerra a caminho da costa da América do Sul. O objetivo, de acordo com as informações oficiais, é o combate ao narcotráfico na região. Trump vem chamando as organizações como terroristas globais.
O grupo é liderado pelo navio USS Iwo Jima, que teve mais imagens reveladas. Eles partiram do porto de Norfolk, Virgínia, depois de retornarem por conta de um furacão que atingia a região.

Os navios que compõem o grupo são o de assalto USS Iwo Jima, o de transporte USS San Antonio e o de desembarque USS Fort Lauderdale. Eles transportam cerca de 4,5 mil militares, além de 2,2 mil fuzileiros navais.
O Pentágono ainda não anunciou que tipo de exercícios ou ações planeja realizar com a implantação.

Os EUA anunciaram uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem a uma prisão ou condenação de Maduro.
Antes mesmo de Trump assumir o poder, o governo Biden já havia revelado um cartaz de Maduro em janeiro, oferecendo uma recompensa de US$ 25 milhões na época.

Ainda sob o governo de Joe Biden, em janeiro, os EUA divulgaram um cartaz com a foto de Maduro, oferecendo uma recompensa de US$ 25 milhões.

Depois do anúncio de Trump, o ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino Lopez, rebateu todas as acusações. Ele classificou tudo que foi falado pelo governo americano, através dos departamentos de Estado e Justiça, como 'tolas'.

Ele comparou as tentativas de 'ataque' aos venezuelanos a um 'filme de faroeste hollywoodiano'.

'O cinismo do governo americano não tem limites, querem nos dar lições de democracia quando seu próprio governo desrespeita sistematicamente suas próprias leis, governando arbitrária e caprichosamente', disse na época.
Por 

Milei é retirado às pressas de ato de campanha após ser alvo de pedradas

A caravana de Javier Milei em Lomas de Zamora, na Grande Buenos Aires, terminou abruptamente, depois que opositores arremessaram pedras contra o presidente da Argentina e entraram em confronto com seus apoiadores.

Durante a passagem do caminhão onde Milei estava, pedras e objetos foram lançados contra a comitiva. O evento contou com a presença de Maximiliano Bondarenko, candidato do partido de Milei, que teria sido atingido. O motorista do caminhão, sob proteção policial, acelerou para escapar da área.

Os militantes de Milei culpam peronistas pelo ataque. A caravana começou 15 quarteirões antes, e o ponto de encontro em Lomas de Zamora foi estabelecido perto da praça Grigera.

De acordo com o porta-voz da Presidência, Manuel Adorni, Milei não se feriu. “As pedras nada mais são do que o exemplo mais fiel do fim do kirchnerismo”, escreveu no X.

“Em Olivos [residência oficial da Presidência], depois da ida a Lomas de Zamora, onde os Kukas [kirchneristas], sem ideias, atiraram pedras, eles recorreram novamente à violência”, publicou Milei no X.

Pouco antes da confusão, Javier Milei falou pela primeira vez diretamente sobre o escândalo de vazamento de áudios que apontariam uma suposta corrupção na Agência Nacional para Pessoas com Deficiência.

Foto: Reuters/Folhapress
Milei disse que são mentiras as afirmações atribuídas ao ex-diretor do órgão, Diego Spagnuolo, que trata de subornos na compra de medicamentos que envolvem a irmã do presidente, Karina Milei, secretária-geral da Presidência.

“Tudo o que ele diz é mentira, vamos levá-lo ao tribunal e provar que ele mentiu”, disse o chefe de Estado em uma caravana de campanha aos ser consultado por um jornalista.

As gravações são atribuídas a Spagnuolo, que relata a existência de um sistema de cobrança de propinas na compra de remédios e próteses que favoreceria Karina Milei, irmã do presidente e secretária-geral da Presidência argentina, e seu assessor mais próximo, Eduardo Lule Menem.

Douglas Gavras, Folhapress

Atirador abre fogo em escola nos EUA e mata ao menos 2 crianças

Policiais se reúnem do lado de fora da Igreja da Anunciação após um tiroteio em massa, em Minneapolis, no Minnesota
Um atirador invadiu uma missa matinal de uma escola católica na zona sul de Minneapolis, no norte dos Estados Unidos e matou ao menos duas crianças de 8 e 10 anos nesta quarta-feira (27). O suspeito, que ainda fez 20 feridos, também está morto, segundo autoridades locais.

O tiroteio ocorreu dois dias após o início das aulas na Escola Católica Annunciation, uma instituição de ensino particular com cerca de 395 alunos da pré-escola até a oitava serie. A escola é ligada à Igreja Católica Annunciation, e ambas estão localizadas em uma área residencial no sudeste da maior cidade de Minnesota.

Carros de polícia cercavam da instituição durante a manhã enquanto familiares chegavam para ter notícias de seus filhos. De acordo com o Departamento de Polícia de Minneapolis, uma base de informações foi montada para as famílias nos arredores do prédio.

Imagens de uma TV local mostraram pessoas ultrapassando a fita amarela colocada pela polícia para tirar seus filhos do local rapidamente, enquanto outras se abraçavam à espera de notícias. O Hennepin Healthcare, um sistema de saúde que atua na região, informou que está cuidando das vítimas

A polícia de Richfield, um bairro próximo, informou que um homem vestido todo de preto com um rifle foi visto no local. Vizinho da escola, o morador Bill Bienemann afirmou à emissora americana CNN que ouviu de 30 a 50 disparos em um intervalo de minutos. “Eu estava em uma ligação, todas as janelas da nossa casa estavam abertas. Eu conheço som de tiros e percebi. Fiquei chocado”, afirmou.

Não estão claras as motivações do ataque nem as circunstâncias da morte do suspeito. A Secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, disse em uma publicação que o Departamento de Segurança Interna dos EUA está monitorando a situação e se comunicando com as autoridades locais.

“Fui informado sobre um ataque a tiros na escola católica Annunciation e continuarei trazendo atualizações à medida que obtivermos mais informações”, escreveu o governador de Minnesota, Tim Walz, na rede social X.

A confirmação do ataque ocorre após uma onda de denúncias falsas sobre ataques armados em várias universidades do país, no retorno dos estudantes das férias de verão. “Estou rezando por nossas crianças e professores, cuja primeira semana de aula foi arruinada por este horrível ato de violência”, continuou o político, que foi candidato à Vice-Presidência pelo Partido Democrata no ano passado.

O presidente americano, Donald Trump, declarou que foi informado do “ataque trágico”. “O FBI respondeu rapidamente e está no local. A Casa Branca continuará monitorando esta terrível situação. Por favor, juntem-se a mim em orações por todas as pessoas envolvidas!”, acrescentou o republicano em sua plataforma, a Truth Social.

Folhapress

Trump mostra interesse em dialogar ao evitar citar Lula, diz analista

A conferência anual do Americas Society/Council of the Americas estava marcada há alguns meses para, a exemplo de outros anos, discutir a importância do comércio bilateral de Brasil e Estados Unidos. Neste ano, com as relações abaladas pela sobretaxa de 50% do segundo sobre o primeiro, o encontro ganhou outro peso.

“É um momento delicado na relação bilateral, está difícil mesmo. Mas acho que tem um forte interesse em explorar como seria um plano de saída, uma estratégia para tentar, se não resolver, talvez melhorar as condições de negócios entre os dois países”, diz Brian Winter, vice-presidente executivo da entidade que representa empresas com atuação em toda a América Latina.

Na avaliação dele, apesar do tensionamento causado pela imposição do tarifaço, o presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, dá sinais de estar aberto ao diálogo com o Brasil. Um desses indicativos vem do fato de o americano não citar nominalmente o brasileiro ao ser referir ao país.

“Em todas as postagens do presidente Trump, ao longo dos últimos meses, ele praticamente não mencionou o presidente Lula. O foco dele tem sido o ministro Alexandre de Moraes. Eu acho que isso é intencional e mostra o interesse em dialogar, em poupar talvez esse canal para eventualmente dialogar”, afirma.

“Acho que essa omissão [em citar] o presidente Lula, de poupar ele da retórica, indica a possibilidade de algum tipo de diálogo.”

A leitura sobre as intenções de Trump deve ser vistas com ressalva, diz Winter. “Todos nós viramos psicanalistas de Donald Trump ao longo dos últimos dez anos tentando interpretar as mensagens do presidente”, avalia. “Eu posso afirmar que tem interesse, em Washington, de dialogar com o governo brasileiro. Pode não ser hoje, mas eles querem ver algum tipo de diálogo.”

Winter vê como possível um caminho de diálogo que tenha outros pontos de partida, trazendo à conversa temas que também são de interesse dos Estados Unidos, como o tratamento dispensado às big techs, a exploração de minerais críticos e terras raras e uma ajuda do Brasil no enfrentamento do que ele considera ser um desafio imigratório envolvendo cidadãos venezuelanos e haitianos.

Esse diálogo esteve muito perto de começar, mas foi prejudicado pela prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e deve ser novamente contaminado caso ele seja preso, algo que pode acontecer já no mês de setembro.

Se isso se confirmar, avalia Winter, outras medidas sancionadoras podem afetar o Brasil. Trump citou a situação judicial de Bolsonaro e citou mais de uma vez em entrevistas e publicações em redes sociais o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, está nos Estados Unidos e tem trabalhado por sanções ao país como forma de pressionar o judiciário brasileiro por uma anistia no processo que julga a participação de Bolsonaro nos atos golpistas de 8 de janeiro.

Essa atenção dedicada, por Trump, ao ministro Moraes diferencia o Brasil e outros parceiros comerciais cujas relações com os Estados Unidos estão abaladas por tarifas protecionistas. Ainda assim, o vice-presidente do Council of the Americas, o caso do México merece observação.

“Nós achávamos, em algum momento, também que a relação entre a Claudia Sheinbaum, a presidente do México, e Donald Trump seria quase impossível”, diz.

Os problemas nas relações entre ambos eram muitos. As questões imigratórias, o déficit comercial. Trump chegou a ameaçar o país vizinho de uma ação militar para enfrentar cartéis de drogas. “Ela fez um equilíbrio difícil entre uma clara mensagem sobre a soberania nacional mexicana, mas também de entender os interesses dos Estados Unidos e tentar atender onde foi possível.”

Volodimir Zelenski, presidente da Ucrânia, é outro lembrado por ele, depois da desastrosa reunião na Casa Branca em fevereiro. “Parecia que a relação tinha acabado. Mas não acabou.”

“Ela [Claudia Sheinbaum] conseguiu e acho que outros líderes do mundo também conseguiram. E é um caminho. Pelo amor de Deus, não é fácil, mas também não é impossível.”

Winter será, nesta terça (26), o anfitrião da conferência do Council of The Americas em São Paulo, realizado com a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e da qual participarão representantes de grandes empresas brasileiras e americanas com negócios lá e cá.

“Em tempos difíceis, o setor privado sempre precisa fazer o papel para dar ênfase na importância da relação bilateral”, diz o jornalista e analista político. Ele lembra que pelo menos 7.000 empresas brasileiras exportam para os Estados Unidos. As multinacionais e empresas americanas têm US$ 90 milhões em estoque de investimentos diretos. “É muito dinheiro, inclusive para a economia americana.”

Na avaliação dele, é importante também que fique clara a importância do Brasil para o Sul Global, não apenas no sentido comercial. “Acho que o governo [americano], a Casa Branca, reconhece essa importância e por isso a preocupação sobre temas como as big techs, por exemplo. Não é só o mercado brasileiro que tem peso aí. Eles sabem que o Brasil tem essa capacidade de ser um trendsetter em várias coisas.”

Nas discussões na Fiesp nesta terça estão previstas as participações do ministro Mauro Viera, das Relações Exteriores, e de Tatiana Prazeres, secretária de Comércio Exterior do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços). O ministro Fernando Haddad, da Fazenda, deve participar por videoconferência.

Da iniciativa privada, participarão de uma mesa sobre investimentos e integração Landon Loomis, presidente da Boeing para América Latina e Caribe, Jennifer Prescott, diretora de Políticas Públicas da AWS (Amazon Web Services), Alejandro Anderlic, direitor de Relações Governamentais e Exteriores para América Latina na Salesforce, Juliana Villano, diretora de Relações Institucionais da Embraer e Gilberto Tomazoni, CEO Global da JBS.

Brian Winter discutirá as perspectivas dos Estados Unidos sobre a Relação Bilateral com o diplomata Tom A. Shannon Jr, ex-embaixador dos EUA no Brasil e ex-subsecretário de Estado para Assuntos Políticos.

Fernanda Brigatti/Folhapress

Ataque de Israel a hospital em Gaza mata jornalista da Reuters

Informação foi dada pelas autoridades de saúde palestinas; ao menos 20 pessoas foram mortas no total, outros três profissionais de comunicação estão entre as vítimas

Ataques de Israel contra um hospital no sul da Faixa de Gaza deixou pelo menos 20 palestinos mortos nesta segunda-feira (25), informou o Complexo Médico Nasser, incluindo jornalistas de diversos veículos de comunicação.

Autoridades de saúde informaram que Israel disparou dois ataques contra o local, entre as vítimas estão pelo menos cinco jornalistas, afirmando também que muitas pessoas ficaram feridas.

Os jornalistas mortos são Mohammad Salama, um cinegrafista da Al Jazeera, Hussam Al-Masri, que era contratado da Reuters, Mariam Abu Dagga, que trabalhou com a Associated Press (AP) e outros meios de comunicação durante a guerra, e os jornalistas freelancers Moath Abu Taha e Ahmed Abu Aziz.

A Defesa Civil de Gaza informou que um de seus tripulantes também morreu no ataque.

O primeiro ataque ao hospital atingiu o quarto andar do Complexo Médico Nasser na manhã desta segunda-feira, informou o Ministério da Saúde palestino, seguido por um segundo pouco tempo depois, que atingiu equipes de ambulância e socorristas.

O exército israelense informou que investiga o caso e afirmou lamentar qualquer dano causado a civis, acrescentando que não tem jornalistas como alvo.

Um vídeo do local mostra o dr. Mohammad Saqer, porta-voz do hospital e chefe de enfermagem, segurando um pano encharcado de sangue após o primeiro ataque, quando outra explosão sacode o prédio, enchendo o ar de fumaça e fazendo as pessoas correrem para se proteger.

Uma câmera ao vivo da Al Ghad TV mostra socorristas em uma escada danificada do hospital quando o segundo ataque atinge o prédio.
Entenda a guerra na Faixa de Gaza

A guerra na Faixa de Gaza começou em 7 outubro de 2023, depois que o Hamas lançou um ataque terrorista contra Israel.

Combatentes do grupo radical palestino mataram 1.200 pessoas e sequestraram 251 reféns naquele dia.

Então, tropas israelenses deram início a uma grande ofensiva com bombardeios e por terra para tentar recuperar os reféns e acabar com o comando do Hamas.

Os combates resultaram na devastação do território palestino e no deslocamento de cerca de 1,9 milhão de pessoas, o equivalente a mais de 80% da população total da Faixa de Gaza, segundo a UNRWA (Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos).

Desde o início da guerra, pelo menos 61 mil palestinos foram mortos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza.

O ministério, controlado pelo Hamas, não distingue entre civis e combatentes do grupo na contagem, mas afirma que mais da metade dos mortos são mulheres e crianças. Israel afirma que pelo menos 20 mil são combatentes do grupo radical.

Parte dos reféns foi recuperada por meio de dois acordos de cessar-fogo, enquanto uma minoria foi recuperada por meio das ações militares.

Autoridades acreditam que cerca de 50 reféns ainda estejam em Gaza, sendo que cerca de 20 deles estariam vivos.

Enquanto a guerra avança, a situação humanitária se agrava a cada dia no território palestino.

Segundo a ONU, passa de mil o número de pessoas que foram mortas tentando conseguir alimentos, desde o mês de maio, quando Israel mudou o sistema de distribuição de suprimentos na Faixa de Gaza.

Com a fome generalizada pela falta da entrada de assistência na Faixa de Gaza, os relatos de pessoas morrendo por inanição são diários.

Israel afirma que a guerra pode parar assim que o Hamas se render, e o grupo radical demanda melhora na situação em Gaza para que o diálogo seja retomado.
https://www.cnnbrasil.com.br/

Ucrânia faz série de ataques com drones e atinge usina nuclear da Rússia no Dia da Independência

A Ucrânia lançou uma série de ataques com drones contra a Rússia neste domingo (24), dia em que Kiev completa 34 anos de independência da União Soviética e no momento em que os esforços diplomáticos para encerrar a guerra parecem estar perdendo força após uma cúpula no Alasca terminar sem acordos.

Segundo o Ministério da Defesa da Rússia, pelo menos 95 drones ucranianos foram abatidos neste domingo, e um deles atingiu a Usina Nuclear de Kursk após ser interceptado, provocando um incêndio já extinto por bombeiros. Não houve registro de vítimas, e, segundo o órgão de fiscalização nuclear da ONU, os níveis de radiação perto da usina estão normais.

“É assim que a Ucrânia ataca quando seus apelos por paz são ignorados”, disse o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski. “Hoje, tanto os Estados Unidos quanto a Europa concordam: a Ucrânia ainda não venceu completamente, mas certamente não perderá. A Ucrânia garantiu sua independência. A Ucrânia não é uma vítima, é uma lutadora.”

Enquanto isso, a Ucrânia informou que a Rússia a atacou durante a manhã com um míssil balístico e 72 drones Shahed de fabricação iraniana, dos quais a força aérea abateu 48. Um drone russo matou uma mulher de 47 anos na região leste de Dnipropetrovsk, afirmou o governador local.

As expectativas de alcançar paz no conflito, que já eram baixas, diminuíram ainda mais na sexta-feira (22), quando o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, descartou qualquer reunião imediata entre Zelenski e o presidente Vladimir Putin.

Em uma entrevista transmitida neste domingo pela emissora pública Rossia, o chanceler acusou as potências ocidentais de “buscarem um pretexto para impedir negociações” e chamou Zelenski de teimoso por querer “impor condições e exigir uma reunião imediata” com Putin a todo custo.

A guerra de três anos e meio, que deixou dezenas de milhares de mortos, está atualmente em um impasse. Nos últimos dias, a Rússia, que agora controla cerca de um quinto da Ucrânia, fez alguns progressos no leste do país, incluindo a captura de duas vilas na região de Donetsk no sábado (23). Já a Ucrânia, menor e menos armada que o adversário, depende do apoio de aliados, especialmente após o retorno de Trump, um crítico da ajuda militar a outros países.

Neste domingo, a Noruega anunciou que contribuirá com aproximadamente 7 bilhões de coroas norueguesas (quase R$ 3,8 bilhões) ajuda.

“Juntamente com a Alemanha, estamos garantindo que a Ucrânia receba poderosos sistemas de defesa aérea”, afirmou o primeiro-ministro Jonas Gahr Støre em um comunicado. “A Alemanha e a Noruega estão trabalhando em estreita colaboração para apoiar a Ucrânia em sua luta pela defesa do país e pela proteção da população civil contra ataques aéreos russos.”

Os países estão financiando dois sistemas Patriot, incluindo mísseis. Além disso, a Noruega está contribuindo para a aquisição de radares de defesa aérea do fabricante alemão Hensoldt e sistemas de defesa aérea da Kongsberg.

Kiev depende de drones para responder à invasão e usa os equipamentos principalmente contra a infraestrutura petrolífera da Rússia, uma fonte fundamental de receita para Moscou na guerra. Também neste domingo, por exemplo, 10 drones foram interceptados no porto de Ust-Luga, perto de São Petersburgo, na costa do Mar Báltico, causando um incêndio em um terminal petrolífero pertencente ao grupo russo Novatec, informou o governador do local, Alexander Drozdenko no Telegram.

Como parte das comemorações pela independência da Ucrânia, o enviado dos EUA, Keith Kellogg, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, estiveram em Kiev neste domingo pediram “uma paz justa e duradoura para a Ucrânia”. Zelenski agradeceu a outros líderes mundiais, incluindo Trump, o presidente da China, Xi Jinping, o rei Charles 3º, do Reino Unido, e o papa Leão 14, por suas mensagens.

Folhapress

Chanceler de Lula e ministro de Maduro discutem deslocamento de navios dos EUA na Venezuela

O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, e o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, fizeram uma reunião nesta quinta-feira (21) em Bogotá, na Colômbia, na qual discutiram o deslocamento de navios de guerra dos Estados Unidos para áreas próximas à costa do país caribenho.

O encontro ocorreu no âmbito dos preparativos para a cúpula da OTCA (Organização do Tratado de Cooperação Amazônica), que ocorrerá na capital colombiana nesta sexta (22).

De acordo com pessoas a par da reunião, os dois ministros debateram principalmente assuntos comerciais entre Brasil e Venezuela, mas a segurança regional também entrou na pauta.

Na terça (19), em reação ao deslocamento dos três navios militares, o ditador venezuelano, Nicolás Maduro, afirmou que “nenhum império tocará o solo sagrado da Venezuela”.

Já o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vê o movimento americano como uma estratégia para aumentar a pressão sobre Maduro.

O Planalto também considera que a ação está dentro da lógica adotada pelo governo de Donald Trump de militarização do combate a organizações criminosas transnacionais e ao tráfico de drogas, algo que impacta outros países, como o México.

Existe forte incômodo entre aliados de Lula com a proximidade das embarcações e com declarações agressivas de autoridades de Washington, mas a avaliação, no momento, é a de que qualquer resposta sobre o caso deve ser dada com extrema cautela —entre outras razões pelo fato de o Brasil estar na mira do governo Trump com a imposição de tarifas e sanções.

Três destróieres americanos da classe Arleigh Burke, armados com sistemas de mísseis de ataque, devem se aproximar da costa da Venezuela como parte de um esforço para combater os cartéis de drogas da América Latina, segundo autoridades dos Estados Unidos mencionadas pela agência de notícias Reuters.

Em paralelo à movimentação, a porta-voz do governo americano, Karoline Leavitt, afirmou na terça que o país usará “toda a força” contra o regime de Maduro.

No fim da última semana, a imprensa americana já havia informado que os EUA deslocariam mais de 4.000 fuzileiros navais e marinheiros para as águas da América Latina e do Caribe.

De acordo com um integrante do governo Lula que acompanha o tema, a avaliação no momento é a de que a movimentação americana não indica disposição para uma atitude extrema, como uma invasão.

Ele lembra que os EUA recentemente renovaram uma licença para que empresas americanas explorem petróleo na Venezuela. Mas o cenário é considerado delicado.

Na quarta-feira (20), o assessor internacional da Presidência da República, Celso Amorim, disse em audiência na Câmara dos Deputados que a proximidade dos navios causa preocupação. Ele ainda defendeu o princípio da não intervenção.

O diagnóstico atual é o de que há poucas medidas que o Brasil possa tomar, a não ser manifestações de oposição à presença dos navios caso surjam fatos novos —como a hipotética incursão de embarcações em águas territoriais venezuelanas, por exemplo.

Em outra frente, a expectativa de aliados de Lula é que o tema seja discutido em conversas durante a cúpula da OTCA. O presidente brasileiro participará do evento.

A organização tem entre seus membros países que seriam diretamente afetados pelo aprofundamento da crise na Venezuela, caso de Colômbia e Peru, o que deve motivar que o assunto entre na pauta de discussão dos líderes.

De acordo com uma pessoa a par das tratativas, o Brasil atua para que os países da OTCA destaquem na declaração os esforços que estão sendo feitos no combate ao crime organizado na região amazônica.

A mensagem, de caráter simbólico, visaria fortalecer a ideia de que cabe às nações que compartilham o bioma a responsabilidade pelas ações de enfrentamento ao crime e ao tráfico na região —e não a potências extrarregionais, como os EUA.

Ricardo Della Coletta/Folhapress

Lançadores de mísseis e proteção contra armas químicas: como são os navios de guerra dos EUA mandados para a costa da Venezuela

Movimentação militar acontece sob a alegação de conter ameaças de cartéis de tráfico de drogas. Durante o primeiro mandato de Trump, Maduro foi oficialmente acusado por Washington de narcoterrorismo.

Os Estados Unidos estão deslocando três navios destróier de sua Marinha para o mar do Sul do Caribe, perto da costa da Venezuela, segundo as agências de notícias Reuters e Associated Press.


A movimentação naval teria como objetivo o combate a organizações que operam o tráfico de drogas da América do Sul para os EUA, classificadas por Washington como organizações terroristas. Maduro também foi formalmente acusado durante o primeiro mandato de Donald Trump por tráfico.

De acordo com a Reuters e a AP, os navios deslocados são destróiers com sistemas de combate Aegis: USS Gravely, USS Jason Dunham e USS Sampson. As agências dizem que mais de 4.000 militares serão posicionados na região.

Não está clara a localização exata dos destróiers, nem qual será a posição final deles na região. De acordo com a Reuters, a manobra foi iniciada na segunda-feira (18) e duraria cerca de 36 horas.

Os três navios pertencem à classe Arleigh Burke, capazes de operar em diferentes tipos de missões, conduzindo ataques contra aeronaves, submarinos e disparando também contra alvos terrestres. Entre os recursos embarcados estão sistemas de proteção contra armas químicas, biológicas e nucleares.

Conheça, a seguir, as principais características dos navios enviados à costa da Venezuela pelos EUA.

Sistema Aegis

Os destróiers americanos da classe Arleigh Burke foram projetados em torno do sistema de combate Aegis, que utiliza artilharia guiada por computadores e radares de ponta.

Originalmente pensado para cruzadores, que são navios maiores, o Aegis passou a ser embarcado nos destróiers a partir da construção da classe Arleigh Burke, iniciada nos anos 1990. Um dos principais desafios foi incorporar ao desenho dos navios um sistema de lançamento vertical capaz de lançar mísseis Tomahawk de longa distância.

O monitoramento é feito por meio de um radar passivo de escaneamento eletrônico (PESA, na sigla em inglês), o AN/SPY-1, capaz de monitorar e controlar simultaneamente mais de 100 alvos, mísseis e ameaças em um raio de mais de 190 km.

Hangar e helicópteros

Os três navios deslocados para o sul do Caribe contam com dois hangares para helicópteros MH-60 Seahawk, desenvolvidos especialmente para a Marinha.

Apesar de os navios não serem capazes de acomodar permanentemente as aeronaves, os helicópteros podem expandir o leque de missões realizadas pelos destróiers. Os helicópteros também cumprem funções como abastecer as unidades com suprimentos, realizar buscas e resgates e remoções de pessoal.

Os hangares permitem ainda a operação de drones.

Proteção contra armas químicas e nucleares

A classe Arleigh Burke é a primeira dotada de um sistema de filtragem de ar para proteção contra ataques químicos, biológicos e radioativos. Há compartimentos pressurizados, escotilhas duplas com câmaras de ar e até sistemas de lavagem para descontaminação de indivíduos eventualmente expostos.

Outros sistemas de proteção do navio incluem até a proteção dos equipamentos eletrônicos contra pulsos eletromagnéticos empregados por inimigos para danificar os navios.

Recompensa contra Maduro

No último dia 7, os EUA anunciaram que irão pagar até US$ 50 milhões (cerca de R$ 270 milhões) por informações que levem à prisão ou condenação de Maduro. O valor é maior do que o oferecido por detalhes do paradeiro de Osama Bin Laden após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

Segundo a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, Maduro é um dos "maiores narcotraficantes do mundo" e representa uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos.

Os EUA acusam formalmente Maduro de narcoterrorismo desde março de 2020, durante o primeiro mandato de Donald Trump. Na época, o governo passou a oferecer uma recompensa de US$ 15 milhões (cerca de R$ 75 milhões).

Já Maduro anunciou a mobilização de milicianos ante as ameaças dos EUA. "Vou ativar nesta semana um plano especial para garantir a cobertura, com mais de 4,5 milhões de milicianos, de todo o território nacional, milícias preparadas, ativadas e armadas", anunciou.

A milícia é composta por reservistas e foi criada pelo ex-presidente Hugo Chávez, que governou entre 1999 e 2013. O grupo atua como um apoio às Forças Armadas na "defesa da nação".

Estados Unidos vão considerar ‘ideologias antiamericanas’ e ‘evidência antissemita’ em visto

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira (12) que levará em consideração “ideologias antiamericanas” ao analisar pedidos de visto e outros benefícios para imigrantes.

A decisão foi anunciada pela Casa Branca em uma publicação na plataforma X. O Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS, na sigla em inglês) está atualizando o manual que reúne critérios que devem ser considerados na hora de analisar as candidaturas.

A pasta afirma que o documento será negado a pessoas com “envolvimento em organizações antiamericanas ou terroristas”, sem exemplificar ou especificar, com evidência de “atividade antissemita”.

O USCIS disse ainda que “expandiu os tipos de solicitações de benefícios que passam por verificação nas redes sociais”.

“Os benefícios dos EUA não devem ser concedidos àqueles que desprezam o país e promovem ideologias antiamericanas. O USCIS está comprometido em implementar políticas e procedimentos que eliminem o antiamericanismo, além de apoiar a aplicação de medidas rigorosas de triagem e verificação na maior extensão possível”, afirmou o porta-voz da pasta, Matthew Tragesser.

Ele reforçou que os “benefícios de imigração” são “um privilégio, não um direito”.

O governo de Donald Trump anunciou neste ano que vai apertar a verificação de redes sociais dos postulantes à autorização de entrada no país. Funcionários consulares vão passar a exigir, por exemplo, que os candidatos a um visto estudantil concedam acesso a perfis em redes sociais que estejam no modo privado, ou seja, sem acesso para usuários que não sejam autorizados.

Um dia antes, na segunda-feira (18), os EUA anunciaram que revogaram 6.000 vistos de estudantes desde que o secretário de Estado, Marco Rubio, assumiu o cargo há sete meses.

Rubio, para agradar a base de apoiadores do presidente, tem encabeçado uma ofensiva contra estudantes estrangeiros, utilizando uma lei que lhe permite rescindir vistos de pessoas que considera irem contra os interesses da política externa dos EUA.

A gestão do republicano também adotou uma política anti-imigração de deportação em massa de pessoas em situação ilegal no país.

Folhapress

Junto a Zelenski e líderes europeus, Trump promete impedir nova invasão e volta a defender partilha da Ucrânia

Foto: Reprodução/Instagram

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira que “em uma ou duas semanas” será possível dizer se o esforço liderado por ele para acabar com a Guerra da Ucrânia vai funcionar.

Se der certo, afirmou estar pronto para ajudar a Europa a dar garantias para que a Rússia não volte a invadir o vizinho. Por outro lado, voltou a dizer que haverá trocas territoriais, ou seja, perda para Kiev.

“Pode dar certo ou não, mas temos de dar nosso melhor”, afirmou em frente do ucraniano Volodimir Zelenski e de seis líderes europeus convocados à Casa Branca para uma cúpula em miniatura, três dias após o republicano receber Vladimir Putin para uma cúpula no Alasca.

O encontro marcou a volta de Zelenski à Casa Branca quase seis meses depois do humilhante episódio em que ele foi pressionado publicamente por Trump e o vice-presidente J. D. Vance, que o acusavam de não querer a paz com a Rússia, país que invadiu a Ucrânia em 2022.

Desta vez, o clima foi calculadamente amistoso, com Zelenski todo sorrisos e palavras gentis na abertura do evento, quando falou diretamente com o americano. Alguém descobriu que Trump não gosta de ser contraditado.

O ucraniano levou consigo uma tropa de choque da Europa, temerosa do fato de que o republicano voltou a repetir a retórica do Kremlin para o fim da guerra. Mas todos foram recebidos em uma reunião ampliada, cerca de uma hora depois que Trump e Zelenski conversaram a portas fechadas, ao contrário do que queria o ucraniano.

Foram à Casa Branca os líderes Friedrich Merz (Alemanha), Emmanuel Macron (França), Keir Starmer (Reino Unido), Giorgia Meloni (Itália) e Alexander Stubb (Finlândia), acompanhados pelo secretário-geral da Otan, Mark Rutte, e da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Das declarações do americano foram tiradas confirmações do que circulou desde o Alasca. Trump reiterou que Putin aceitou pela primeira vez que os EUA deem algum tipo de garantia de segurança para a Ucrânia após o fatiamento do país, talvez de forma análoga ao artigo 5 da carta da Otan, que prevê defesa mútua em caso de ataque a qualquer 1 dos 32 membros da aliança militar.

Turmp disse que os EUA iriam “dar boa proteção” a Kiev e, questionado se isso incluiria o envio de tropas, disse genericamente que nada está descartado. Pelo sim, pelo não, o Kremlin reafirmou que não aceitará tropas ocidentais em solo ucraniano, como já é sabido. Depois, afirmou que “a Europa será a primeira linha de defesa da Ucrânia, mas nós estaremos envolvidos”.

A Zelenski foi apresentado um prato feito de perdas territoriais, mas ele insistiu que discutir o tema só pode ser debatido nas propostas conversas trilaterais entre ele, Trump e Putin. Resta combinar com o russo, claro, que já descartou isso antes.

O americano disse, aí na parte aberta do encontro já ampliado, que buscaria a reunião trilateral com Putin, com quem conversaria após a discussões dessa segunda. “É uma questão de quando, não de se”, afirmou, sobre a realização do encontro.

Macron foi enfático ao dizer que apenas com os três à mesa será possível avançar. Defensor de uma inviável, do ponto de vista de Moscou, força de paz europeia na Ucrânia, ele se limitou a dizer que é necessário haver “um Exército crível” no país, rejeitando assim a ideia de limitar as forças de Kiev.

Desde sexta, Trump vem sendo criticado por ter adotado os termos do russo acerca não só das inevitáveis perdas da Ucrânia, que já tem 20% de seu território ocupado por Moscou, mas também por abandonar a ideia de um cessar-fogo imediato.

“Estrategicamente pode não ser bom para os dois lados. Eu não acho que seja necessário um cessar-fogo”, disse, repetindo a retórica de Putin —até aqui, Zelenski defendia a trégua primeiro, para depois conversar.

Ainda assim, o alemão Merz colocou o dedo na ferida, num raro momento de dissonância. “Os passos mais complicados vêm agora. Para ser honesto, gostaria de ver um cessar-fogo já a partir do próximo encontro. Vamos colocar pressão na Rússia. A credibilidade do nosso esforço depende disso”, afirmou.

O encontro foi precedido de grande apreensão por parte dos ucranianos e seus aliados europeus, cientes de que Trump voltou a se alinhar a Putin acerca do conflito.

Antes da reunião, os alertas foram acesos a partir de uma postagem de Trump na rede Truth Social. “O presidente Zelenski pode acabar a guerra com a Rússia quase imediatamente, se ele quiser, ou pode continuar a lutar. Lembre como ela começou. Não ganhará de volta a Crimeia dada por Obama (12 anos atrás, sem um tiro dado!), e SEM ENTRADA NA OTAN DA UCRÂNIA”, escreveu.

A postagem trouxe à tona a memória de quando Trump recebeu Zelenski na Casa Branca pela primeira vez, em fevereiro. Ao lado de auxiliares e de Vance, ele armou uma armadilha para o ucraniano, acusando-o de ter causado a invasão russa de 2022 e de não querer acabar com a guerra.

O bate-boca público, um desastre para Kiev, foi depois remendado aos poucos, com o americano adotando uma crescente posição de neutralidade e passando a pressionar Putin, com o paroxismo de um ultimato que venceu no dia 8 passado e foi esquecido.

Só que, a julgar pelas entrevistas posteriores de Trump, era tudo teatro. Ele disse no fim de semana que não pretendia implementar as sanções que havia ameaçado se o russo não parasse a guerra até aquela data, porque isso determinaria seu fracasso em lograr uma trégua.

O mais importante, do ponto de vista da possibilidade de uma acomodação, é que o encontro parece ter corrido bem, ao menos por sua faceta pública.

“Nós vamos parar essa guerra. A guerra vai acabar, esse senhor [Zelenski] quer, Vladimir Putin quer”, afirmou o republicano na abertura do encontro, pouco antes das 13h20 (14h20 em Brasília).

O clima era de muita cordialidade, nada parecido com o bate-boca de 28 de fevereiro. “Muito obrigado pelos seus esforços”, disse Zelenski, entre algumas brincadeiras sobre desta vez estar de paletó, e não a roupa militar criticada antes por Trump.

O ucraniano também agradeceu à primeira-dama Melania Trump por ter entregado uma carta a Putin durante a cúpula realizada na sexta-feira passada (15) no Alasca, no qual ela pedia o fim da guerra em nome das crianças afetadas. E deu ao americano uma mensagem escrita por sua mulher, Olena.

Do outro lado da sala, contudo um correspondente da rede BBC notou a presença de um mapa da Ucrânia com as áreas ocupadas pela Rússia, cerca de 20% do país, destacadas. Zelenski depois viria a brincar com o fato: “Obrigado pelo mapa, aliás”, disse a Trump em frente dos aliados.

Putin sugeriu que aceitaria trocar o congelamento das linhas de batalha nas duas regiões do sul ucraniano nas quais controla 70% do território, Kherson e Zaporíjia, em troca da entrega definitiva de Donetsk (leste), onde também tem 70% de domínio e está em ofensiva.

A quarta região anexada ilegalmente e que faz parte do pacote colocado por escrito pelo Kremlin, Lugansk (leste), já está totalmente controlada por Moscou. Pela proposta de Putin, ele ganharia 6.600 km2 remanescentes no leste em troca de desocupar 440 km2 que tomou das regiões de Sumi e Kharkiv, no norte, que não estão na sua lista de desejos.

No domingo, Zelenski admitiu discutir a situação a partir das linhas atuais da frente de batalha, que tem mais de 1.000 km. Mas voltou a dizer que não poderia ceder território constitucionalmente, o que joga dúvidas sobre o destino da negociação.

A neutralidade militar da Ucrânia e o destino da península russófona da Crimeia, que Putin anexou na verdade há 11 anos após ver seu aliado derrubado da Presidência em Kiev, pelas palavras de Trump, já são um fato consumado na proposta à mesa.


Igor Gielow/Folhapress

Todos querem o fim da guerra, diz Trump ao lado de Zelenski


Quase seis meses depois de ser humilhado publicamente no Salão Oval, o presidente Volodimir Zelenski voltou nesta segunda-feira (18) à Casa Branca para ser recebido pelo presidente Donald Trump.

“Nós vamos parar essa guerra. A guerra vai acabar, esse senhor [Zelenski] quer, Vladimir Putin quer”, afirmou o republicano na abertura do encontro, pouco antes das 13h20 (14h20 em Brasília).

Ao menos na sessão aberta a repórteres, no início da conversa, o clima era de muita cordialidade, nada parecido com o bate-boca de 28 de fevereiro. “Muito obrigado pelos seus esforços”, disse Zelenski, entre algumas brincadeiras sobre desta vez estar de terno, e não a roupa militar criticada antes por Trump.

O ucraniano também agradeceu à primeira-dama Melania Trump por ter entregado uma carta a Putin durante a cúpula realizada na sexta-feira passada (15) no Alasca, no qual ela pedia o fim da guerra em nome das crianças afetadas. E deu ao americano uma mensagem escrita por sua mulher, Olena.

Trump e Zelenski não entraram, em público, a fundo nas questões complexas à frente. O ucraniano só disse que precisava acabar com a guerra ao ser questionado sobre o fatiamento de seu país, proposto por Putin e já abraçado por Trump.

O americano, por sua vez, voltou a se defender de ter recebido Putin em solo americano, objeto de diversas críticas. Questionado se havia abandonado mesmo a ideia de uma trégua imediata, como ficou evidente em Anchorage com Putin, Trump confirmou.

“Estrategicamente pode não ser bom para os dois lados. Eu não acho que seja necessário um cessar-fogo”, disse, repetindo a retórica de Putin —até aqui, Zelenski defendia a trégua para depois conversar. Trump também voltou a dizer que, se tudo der certo nas conversas, pretende um encontro a três com os dois rivais.

Acerca do tema central das garantias de que Putin não atacará de novo se houver paz, Trump disse que “os EUA irão dar boa proteção” aos ucranianos.

Do outro lado da sala, um correspondente da rede BBC notou a presença de um mapa da Ucrânia com as áreas ocupadas pela Rússia, cerca de 20% do país, destacadas. Isso dá a medida da pressão que aguarda Zelenski.

No Salão Oval estavam presentes os mesmos personagens de 172 dias atrás: o vice-presidente J. D. Vance, que foi ainda mais incisivo com Zelenski na outra ocasião; o secretário de Estado, Marco Rubio, e o negociador Steve Witkoff. Todos, exceto o vice, estiveram com Putin na sexta.

REUNIÃO FOI PRECEDIDA POR TENSÃO

O encontro foi precedido de grande apreensão por parte dos ucranianos e seus aliados europeus, cientes de que Trump voltou a se alinhar a Putin acerca do conflito.

Na sequência da reunião, os dois receberão os líderes da Alemanha, França, Itália e Finlândia, além dos chefes da Otan e da Comissão Europeia, que já estavam na Casa Branca quando Zelenski chegou. O ucraniano queria que eles estivessem juntos desde o começo, para reforçar sua posição de tentar evitar ver seu país rifado pelo republicano, mas o americano rejeitou a ideia.

Antes da reunião, os alertas foram acesos a partir de uma postagem de Trump na rede Truth Social. “O presidente Zelenski pode acabar a guerra com a Rússia quase imediatamente, se ele quiser, ou pode continuar a lutar. Lembre como ela começou. Não ganhará de volta a Crimeia dada por Obama (12 anos atrás, sem um tiro dado!), e SEM ENTRADA NA OTAN DA UCRÂNIA”, escreveu.

A postagem trouxe à tona a memória de quando Trump recebeu Zelenski na Casa Branca pela primeira vez, em fevereiro. Ao lado de auxiliares e do vice J. D. Vance, ele armou uma armadilha para o ucraniano, acusando-o de ter causado a invasão russa de 2022 e de não querer acabar com a guerra.

O bate-boca público, um desastre para Kiev, foi depois remendado aos poucos, com o americano adotando uma crescente posição de neutralidade e passando a pressionar Putin, com o paroxismo de um ultimato que venceu no dia 8 passado.

Só que, a julgar pelas entrevistas posteriores de Trump, era tudo teatro. Ele disse no fim de semana que não pretendia implementar as sanções que havia ameaçado se o russo não parasse a guerra até aquela data, porque isso determinaria seu fracasso em lograr uma trégua.

Em vez de punições aos parceiros comerciais da Rússia, como China e Brasil, Trump promoveu a cúpula no Alasca. Não houve menção à trégua, mas tudo o que transpareceu do encontro sugere um encaminhamento novo para um cenário em que os termos de Putin prevalecem.

O russo fez uma concessão conhecida até aqui, segundo o negociador Steve Witkoff: aceitou pela primeira vez que os EUA deem algum tipo de garantia de segurança para a Ucrânia após o fatiamento do país, talvez de forma análoga ao artigo 5 da carta da Otan, que prevê defesa mútua em caso de ataque a qualquer 1 dos 32 membros da aliança militar.

Foi disso que Trump falava quando citou a questão da proteção a Kiev. O Kremlin voltou a dizer que não aceitará tropas ocidentais em solo ucraniano.

Nada de força de paz, como querem Kiev e os europeus, contudo. E Putin sugeriu que aceitaria trocar o congelamento das linhas de batalha nas duas regiões do sul ucraniano nas quais controla 70% do território, Kherson e Zaporíjia, em troca da entrega definitiva de Donetsk (leste), onde também tem 70% de domínio e está em ofensiva.

A quarta região anexada ilegalmente e que faz parte do pacote colocado por escrito pelo Kremlin, Lugansk (leste), já está totalmente controlada por Moscou. Pela proposta de Putin, ele ganharia 6.600 km2 remanescentes no leste em troca de desocupar 440 km2 que tomou das regiões de Sumi e Kharkiv, no norte, que não estão na sua lista de desejos.

É um bom negócio para o russo, ainda que não seja o domínio sobre o vizinho que planejava ao invadi-lo. As áreas remanescentes de Zaporíjia e Kherson são de difícil acesso pela barreira natural do rio Dniepr, e o que Putin tem lá já é suficiente para manter sua ponte terrestre entre a Crimeia e a Rússia.

No domingo, Zelenski admitiu discutir a situação a partir das linhas atuais da frente de batalha, que tem mais de 1.000 km. Mas voltou a dizer que não poderia ceder território constitucionalmente, o que joga dúvidas sobre o destino da negociação.

A neutralidade militar da Ucrânia e o destino da península russófona da Crimeia, que Putin anexou na verdade há 11 anos após ver seu aliado derrubado da Presidência em Kiev, pelas palavras de Trump, já são um fato consumado na proposta à mesa.

Igor Gielow/Folhapress

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