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Rússia lamenta fim do tratado de armas nucleares com os EUA: 'vemos de forma negativa'

Da parte dos EUA, o presidente Donald Trump defende que qualquer negociação nuclear deveria incluir a China, a terceira maior potência nuclear.
Em uma declaração nesta quinta-feira (5), o governo da Rússia afirmou que lamenta o final do tratado de armas nucleares entre o país e os Estados Unidos. A afirmação foi do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

'Vemos isso de forma negativa. Expressamos nosso pesar a respeito', declarou.

O acordo Novo START, assinado em 2010 entre os dois países, teve o seu final adiado na busca de uma nova definição. Entretanto, essa não veio por algumas divergências entre os países.

Da parte dos EUA, o presidente Donald Trump defende que qualquer negociação nuclear deveria incluir a China, a terceira maior potência nuclear, mesmo que esteja muito atrás de Moscou e Washington em termos de número de ogivas nucleares operacionais.

Mas Pequim continua se recusando a participar de qualquer negociação cujo objetivo final seja limitar seu arsenal nuclear. No mês passado, em entrevista ao New York Times, quando questionado sobre o Novo START, Trump se mostrou fatalista: 'Se expirar, expira, o que significa que faremos um melhor'.

Trump sempre foi muito crítico do acordo Novo Start, sobre o fim das proliferações nucleares entre os países. Isso vem especialmente por sua recorrente crítica a tudo que foi realizado dentro do governo Obama.

O secretário de Estado Marco Rubio afirmou na quarta-feira (4) que é 'impossível' chegar a um acordo sem a China 'devido ao seu vasto arsenal, que cresce rapidamente'. O Pentágono estima que a China terá mais de mil armas nucleares até 2035, um aumento significativo em relação às cerca de 200 existentes em 2019.
Exercício nuclear na Rússia. — Foto: Reprodução
O tratado atual é um acordo bilateral entre os EUA e a Rússia, que possuem cerca de 4,3 e 3,7 mil ogivas nucleares, respectivamente, de acordo com a Federação de Cientistas Americanos .

Na terça (3), a Rússia afirmou que está pronta para um mundo aonde não se tenha acordos nucleares e sem controle dos armamentos. A afirmação, feita pelo vice-ministro das Relações Exteriores, Sergei Ryabkov, ocorre dias antes do final do acordo com os Estados Unidos sobre não proliferação nuclear, assinado em 2010.

Ryabkov, citado pela agência de notícias estatal TASS, disse que 'a falta de resposta também é uma resposta'. Ele também comentou que apoia a posição da China sobre o armamento nuclear.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já rejeitou em algumas ocasiões a proposta russa de adiar por um ano para ter mais tempo a negociações. Do outro lado, o governo da Rússia vê com receio esse final.

Aliado de Putin e principal membro do Conselho de Segurança do país, Dmitry Medvedev, disse que o fim do acordo não significa uma 'guerra nuclear', mas 'isso deve nos colocar a todos em alerta'.

Medvedev era presidente do país e assinou o acordo com Barack Obama, então presidente americano, há 16 anos.

'O relógio [do apocalipse] está correndo, e agora obviamente vai acelerar. Não estamos interessados ​​em um conflito global. Não somos loucos', afirmou em entrevista à agência de notícias russa TASS, a Reuters e o blog de guerra WarGonzo.

Trump tomará decisão sobre novo acordo de armas nucleares quando julgar apropriado
Com o fim do acordo de armas nucleares com a Rússia, há uma tensão crescente sobre o que ocorrerá agora entre o país e os Estados Unidos. Apesar disso, por parte do governo americano, não há pressa sobre o que ocorrerá.

O presidente Donald Trump já definiu que tomará uma decisão sobre novas medidas para controlar as armas nucleares quando considerar apropriado. A informação está uma reportagem da Bloomberg, citando fontes.

Um representante da Casa Branca afirmou à agência de notícias que o cronograma para a implementação das medidas de controle de armas também será definido quando Trump considerar oportuno. Não há uma definição de quando isso ocorrerá.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Moscou acredita que, nas condições atuais, as partes não estão mais vinculadas a quaisquer obrigações previstas no tratado e são livres para escolher seus próximos passos.

A Rússia pretende agir 'de forma responsável e equilibrada', moldando sua abordagem à redução de armas estratégicas com base em uma análise minuciosa da política militar dos EUA e da situação estratégica geral, acrescentou o ministério.
https://cbn.globo.com/mundo/noticia

Homem que tentou assassinar Trump antes das eleições é condenado à prisão perpétua

Ryan Routh, de 59 anos, lamentou não ter recebido a pena de morte e chamou a si mesmo de 'um fracasso'

O homem que se escondeu em uma mata com um fuzil para tentar matar Donald Trump na Flórida meses antes das eleições de 2024 foi condenado à prisão perpétua nesta quarta-feira (4). Ryan Routh, 59, foi considerado culpado por um júri popular em setembro do ano passado de cinco acusações criminais, incluindo tentativa de assassinato.

Routh recusou ser representado por um advogado e defendeu a si próprio no julgamento, apesar de não ter formação em direito. A juíza federal Aileen Cannon, indicada ao cargo por Trump, proferiu a sentença em Fort Pierce, na Flórida.

"Está claro para mim que você se envolveu em um complô premeditado e calculado para tirar uma vida humana", disse Cannon. Algemado nas mãos e vestindo uniforme prisional bege, Routh fez um discurso confuso na audiência de sentença que não abordou nenhum fato do caso, mas se concentrou em guerras estrangeiras iniciadas pelos Estados Unidos e no desejo de Routh de ser trocado por prisioneiros políticos no exterior.

Os promotores haviam recomendado prisão perpétua, enquanto Routh havia pedido à juíza que impusesse uma pena de 27 anos. Em sua fala, o homem chamou a si mesmo de fracasso, disse que sua sentença era "totalmente sem importância" e lamentou que "infelizmente, a pena de morte não é uma opção".

A secretária de Justiça do governo Trump, Pam Bondi, escreveu em comunicado que Routh nunca mais voltará à sociedade. "A hedionda tentativa de assassinato do presidente Trump por Ryan Routh não foi apenas um ataque ao nosso presidente —foi um ataque direto contra todo o nosso sistema democrático", disse Bondi.

Em documento judicial anterior, Routh negou que pretendia matar Trump e disse que estava disposto a se submeter a tratamento psicológico para um transtorno de personalidade na prisão. Routh sugeriu que os jurados foram enganados sobre os fatos do caso devido à sua incapacidade de montar uma defesa legal adequada no julgamento.

O promotor John Shipley disse durante a audiência que os crimes de Routh visavam "subverter a democracia americana" e pediu a Cannon que enviasse uma mensagem de que a violência política é inaceitável.

Ao proferir a sentença, Cannon observou a "extrema gravidade" dos crimes de Routh e disse que sua ficha criminal com pelo menos 36 condenações anteriores —incluindo posse de um dispositivo de destruição em massa, posse ilegal de arma de fogo e furto— mostrava que Routh tinha um longo histórico de ignorar as normas sociais.

Routh, que na época de sua prisão residia no Havaí depois de ter vivido anteriormente na Carolina do Norte, também foi condenado por três acusações de posse ilegal de armas de fogo e uma acusação de obstruir um agente federal durante sua prisão.

Agentes do Serviço Secreto avistaram Routh escondido em arbustos a algumas centenas de metros de onde Trump jogava golfe no Trump International Golf Club em West Palm Beach em 15 de setembro de 2024. Routh fugiu do local e deixou para trás um rifle semiautomático, mas foi preso posteriormente.

O caso ocorreu em um contexto de escalada da violência política nos EUA. Em 2024, Trump sofreu dois atentados durante a campanha à Casa Branca. Um deles deixou o republicano ferido na orelha.

Políticos democratas também foram alvos: em abril de 2025, a casa do governador da Pensilvânia, Josh Shapiro, foi incendiada enquanto sua família estava dentro; em junho do ano passado, uma deputada estadual de Minnesota, Melissa Hortman, e seu marido foram assassinados, e um senador estadual e sua esposa baleados.
Por Folhapress

72% da população mundial vive sob regimes autoritários, indica Human Rights Watch

ONG defende aliança global para conter avanço autoritário e destaca, além do presidente americano Donald Trump, a "pressão implacável" de China e Rússia contra os direitos humanos em todo o mundo.
Relatório da ONG internacional Human Rights Watch, divulgado nesta quarta-feira (4), indica que 72% da população mundial vive sob regimes autoritários e que o mundo enfrenta um "avanço autoritário" impulsionado pelo governo do presidente americano Donald Trump.

A análise faz parte do relatório mundial de 2026 no qual a ONG analisa a situação dos direitos humanos em mais de cem países.

"A democracia está agora de volta aos níveis de 1985, de acordo com alguns estudos, com 72% da população mundial vivendo atualmente sob regimes autoritários. A Rússia e a China são menos livres hoje do que há 20 anos. E também os Estados Unidos", diz a ONG.

Um dos documentos citados pela HRW é o estudo "25 Anos de Autocratização – A Democracia Triunfa?", feito pela Universidade de Gotemburgo, na Suécia, em 2025, e que analisa a situação dos países desde 1974.
O documento classifica quase 200 países em cinco escalas: autocracia fechada (35 casos), autocracia eleitoral (51), autocracia zona cinzenta (4), democracia zona cinzenta (13), democracia eleitoral (46) e democracia liberal (29).

As divisões são feitas da seguinte forma:

Autocracia fechada: não há eleições multipartidárias para o Poder Executivo; inexistência de componentes democráticos fundamentais, como liberdade de expressão, liberdade de associação e eleições livres e justas;

Autocracia eleitoral: ocorrem eleições multipartidárias ao Executivo; porém, com níveis insuficientes de liberdade de expressão e de associação, e eleições livres e justas;

Autocracia zona cinzenta/democracia zona cinzenta: países onde os intervalos de confiança se sobrepõem e a classificação fica incerta e menos precisa;

Democracia eleitoral: Existem eleições multipartidárias para o Poder Executivo que são livres e justas; níveis satisfatórios de sufrágio, liberdade de expressão e liberdade de associação;

Democracia liberal: Além dos requisitos da democracia eleitoral, restrições judiciais e legislativas limitam o Executivo, há proteção das liberdades civis e igualdade perante a lei.

O Brasil é colocado como uma "democracia eleitoral", por exemplo, enquanto Estados Unidos, França e Espanha, como "democracias liberais".

Já a Rússia é identificada como uma "autocracia eleitoral" e a China, como "autocracia fechada".

Veja o regime dos países abaixo:

País                                         Regime político

Afeganistão                            Autocracia fechada

África do Sul                          Democracia liberal

Albânia                                   Democracia zona cinzenta

Alemanha                               Democracia liberal

Angola                                    Autocracia eleitoral

Arábia Saudita                        Autocracia fechada

Argélia                                    Autocracia eleitoral

Argentina                                Democracia eleitoral

Armênia                                  Democracia eleitoral

Austrália                                 Democracia liberal  
                                              
Áustria                                    Democracia eleitoral

Azerbaijão                              Autocracia eleitoral

Bahrein                                  Autocracia fechada

Bangladesh                            Autocracia eleitoral

Barbados                                Democracia liberal

Belarus                                   Autocracia fechada

Bélgica                                  Democracia liberal

Benim                                    Autocracia zona cinzenta

Bolívia                                   Democracia eleitoral

Bósnia e Herzegovina           Democracia zona cinzenta

Botsuana                                Democracia eleitoral

Brasil                                     Democracia eleitoral

Bulgária                                 Democracia eleitoral

Burkina Faso                          Autocracia fechada

Burundi                                  Autocracia eleitoral
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Mundo sofre 'avanço autoritário'

O primeiro ano do novo mandato de Trump à frente dos Estados Unidos representou, de acordo com a ONG, um "avanço autoritário" ao mundo. O documento destaca que o americano "encorajou líderes autoritários e minou aliados democráticos".

"Ao mesmo tempo em que repreendeu alguns líderes eleitos da Europa Ocidental, ele e funcionários de alto escalão expressaram admiração pela extrema direita nativista da Europa", cita a Human Rights Watch.

Além de Trump, a ONG destaca a "pressão implacável" de China e Rússia contra os direitos humanos em todo o mundo.

Trump coloca 'em perigo' sistema global de direitos humanos

A HRW questiona se "os direitos humanos sobreviverão à era Trump" e afirma que o mandato do presidente dos Estados Unidos se destaca por um “flagrante desrespeito” e por “graves violações” desses direitos.

O relatório elenca ações do segundo governo Trump que colocam "em perigo" o sistema global de direitos humanos. São citados:

ataque à Venezuela e captura de Nicolas Maduro;
deportação e envio de imigrantes para prisões em El Salvador, com ataques de agentes federais de imigração, o ICE;
ataque a independência judicial nos próprios Estados Unidos;
minar a confiança no processo eleitoral;
"corroer a privacidade" e usar o poder do governo para "intimidar oponentes políticos"
retirar os EUA do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas;
"destruir" programas de assistência alimentar e subsídios à saúde;
retirar proteções à pessoas trans e intersexuais, entre outras ações.

"A política externa de Trump abalou os alicerces da ordem internacional regida por leis que busca promover a democracia e os direitos humanos, mesmo que de forma imperfeita", afirma a ONG no relatório.‹

Como os países devem reagir?

Uma resposta possível, de acordo com o documento, seria o mundo se opor à postura de Trump e dos líderes de Rússia e China para "preservar a ordem internacional regida por leis".

"Para enfrentar essa tendência, os governos que ainda valorizam os direitos humanos, juntamente com movimentos sociais, sociedade civil e instituições internacionais, precisam formar uma aliança estratégica para conter retrocessos", afirma o diretor-executivo da HRW, Philippe Bolopion.

Brasil: enfrentamento a facções e preocupação com segurança

No capítulo sobre o Brasil, a HRW defende uma reformulação nas políticas de segurança pública do país de forma geral, com destaque para as facções criminosas e sua entrada, direta ou indireta, no Estado.

A ONG sugere que as autoridades brasileiras conduzam "investigações aprofundadas e baseadas na inteligência" para identificar vínculos entre criminosos e pessoas que fazem parte do poder público.

"As facções cooptam agentes públicos para proteger as suas atividades ilícitas. Essa infiltração no poder público às vezes também envolve políticos, principalmente a nível local. Essa é uma face muito perigosa do crime organizado, pois pode corromper as instituições por dentro", afirma o diretor da ONG.

O relatório destaca ainda que a segurança será "questão importante" na eleição para presidente do Brasil, em outubro. O assunto lidera os temas de maior preocupação dos brasileiros, segundo pesquisas de opinião mais recentes.De acordo com levantamento da Ipsos-Ipec desta segunda-feira (2), 41% dos brasileiros consideram crime e violência as principais preocupações no país.

Por Arthur Stabile, g1 — São Paulo

Letal e sem tratamento: Vírus Nipah se espalha pela Ásia

O vírus Nipah (NiV) tem como principal reservatório morcegos frugívoros do gênero Pteropus, podendo ser transmitido a humanos por alimentos contaminados ou pelo contato direto entre pessoas. A infecção pode provocar desde quadros respiratórios até encefalites fatais.

Um vírus pouco conhecido do grande público voltou a chamar atenção internacional após a confirmação de dois casos na Índia: o Nipah. Embora não seja uma descoberta recente — ele foi identificado pela primeira vez em 1998 —, o patógeno preocupa especialistas por combinar alta letalidade, que pode atingir até 75% dos infectados, ausência de vacinas ou tratamentos específicos e maior risco de disseminação em um mundo cada vez mais interconectado. O vírus Nipah (NiV) tem como principal reservatório morcegos frugívoros do gênero Pteropus, podendo ser transmitido a humanos por alimentos contaminados ou pelo contato direto entre pessoas. A infecção pode provocar desde quadros respiratórios até encefalites fatais.

Um estudo conduzido por pesquisadores do Japão e de Bangladesh, publicado na revista IJID Regions, aponta que, entre 1998 e maio de 2024, foram registrados 754 casos humanos em Bangladesh, Índia, Malásia, Filipinas e Singapura, resultando em 435 mortes — uma taxa média de letalidade de 58%. Esse índice, porém, varia conforme o país. Na Índia, por exemplo, 73% dos pacientes não sobreviveram. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a letalidade fique entre 40% e 75%, dependendo das condições locais de vigilância e atendimento médico.

“Os desfechos clínicos do vírus continuam a evidenciar uma ameaça constante à saúde pública global, uma vez que não há terapias ou vacinas eficazes disponíveis. É necessária uma compreensão global mais robusta, com foco no desenvolvimento de vacinas e tratamentos, para reduzir os desfechos clínicos e as ameaças futuras associadas ao Nipah”, afirmam os autores do estudo.

O surto atual foi registrado em Bengala Ocidental, estado indiano que já enfrentou episódios anteriores da doença. Os dois casos confirmados envolvem um homem e uma mulher, ambos enfermeiros do mesmo hospital, que começaram a apresentar sintomas no fim de dezembro, com rápida evolução para complicações neurológicas. Na atualização mais recente, o homem apresentava melhora, enquanto a mulher permanecia em estado crítico. No dia 27, o Ministério da Saúde da Índia informou que houve uma “contenção oportuna” do surto, após medidas como o rastreamento de 196 contatos próximos, sem registro de novos casos.

A OMS avaliou que, neste momento, “a probabilidade de disseminação para outros estados indianos ou internacionalmente é considerada baixa” e não recomendou restrições a viagens ou ao comércio. Segundo Leonardo Weissmann, infectologista e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, “os casos estão localizados, e as autoridades de saúde indianas atuaram rapidamente com isolamento dos pacientes e rastreamento de contatos”. Ele ressalta, porém, que o Nipah preocupa pela combinação de alta letalidade, ausência de tratamentos e potencial de transmissão entre humanos.

Em Bengala Ocidental, o risco atual foi classificado como “moderado” pela OMS devido à presença de morcegos que atuam como reservatórios naturais do vírus. Este é o sétimo surto documentado na Índia desde 2001 e o terceiro no estado.

Mesmo com baixo risco imediato, especialistas alertam para a necessidade de vigilância constante. A professora Ludhmila Hajjar, da Faculdade de Medicina da USP, destacou que o Nipah pertence à família Paramyxoviridae e possui genoma de RNA, característica associada a maior capacidade de mutação. Para ela, a transmissão entre pessoas observada em surtos recentes é um sinal de alerta semelhante ao visto em crises como Sars, MERS, Ebola e Covid-19.

O vírus Nipah integra atualmente a lista de nove patógenos prioritários da OMS para pesquisa e desenvolvimento. Em 2024, a organização publicou orientações técnicas para que países, mesmo sem casos registrados, reforcem a vigilância epidemiológica e elaborem planos de resposta a zoonoses de alto risco.  por Notícias ao Minuto Brasil

Leia Também: Operação da polícia do Ceará cumpre mandados contra o PCC em São Paulo

Lula diz estar 'indignado' com captura de Maduro pelos EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou nesta sexta-feira, 23, forte insatisfação com a operação militar conduzida pelos Estados Unidos que resultou na captura do líder venezuelano Nicolás Maduro. A declaração foi feita durante o 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), realizado em Salvador.

"Sinceramente, eu fico toda noite indignado com o que aconteceu na Venezuela. Eu não consigo acreditar. O Maduro sabia que tinha 15 mil soldados americanos no Mar do Caribe. Ele sabia que todo dia tinha uma ameaça. Ou seja, os caras entram à noite na Venezuela, foram até um forte, que é um quartel, onde morava o Maduro, e levaram o Maduro embora", afirmou o presidente brasileiro. O evento foi transmitido ao vivo pela internet.

Lula questionou o que classificou como desrespeito à integridade territorial venezuelana e defendeu a América do Sul como região pacífica. "Como é possível a falta de respeito à integridade territorial de um país? Não existe isso na América do Sul. Aqui é um território de paz", disse o petista, acrescentando que os países latino-americanos podem não ter armas nucleares, mas possuem "caráter e dignidade" e não vão "abaixar a cabeça para ninguém".

No início do evento, militantes do MST leram carta condenando o que chamaram de "sequestro" de Maduro e sua esposa Cilia Flores, classificando a ação como "mensagem atroz para os povos de todo o mundo". O documento sugere que os interesses norte-americanos estariam voltados ao controle de recursos naturais da região, como petróleo, minérios e águas.

A captura de Maduro

Nicolás Maduro e Cilia Flores foram capturados por forças militares norte-americanas em 3 de janeiro, durante uma operação noturna em Caracas. O casal foi levado para Nova York, onde o líder venezuelano está preso e responde a processos na Justiça americana.

As acusações apresentadas pelas autoridades dos Estados Unidos incluem narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro. Inicialmente, Maduro foi acusado de liderar o chamado Cartel de los Soles, organização classificada como terrorista pelos EUA. O governo americano, contudo, recuou dessa acusação específica e passou a considerá-lo culpado de "participar, proteger e perpetuar uma cultura de corrupção de enriquecimento a partir do tráfico de drogas".

As penalidades para os crimes dos quais é acusado variam de 20 anos de prisão a prisão perpétua. Em audiência realizada em 5 de janeiro em Nova York, Maduro declarou-se inocente de todas as acusações. "Sou inocente, não sou culpado", afirmou o venezuelano, acrescentando que foi detido dentro de sua residência em Caracas e que continua sendo o presidente de seu país.

Nos dias seguintes à captura, o governo Trump passou a apoiar a vice de Maduro, Delcy Rodríguez, na presidência da Venezuela.

Por Estadão Conteúdo

'Deixem nossos patriotas do ICE fazerem seu trabalho', diz Trump após nova morte em ação anti-imigração em Minneapolis

Presidente americano defendeu o trabalho dos agentes federais de imigração e acusou o governador e o prefeito da cidade de incitarem insurreição.

Após um homem morrer baleado numa operação contra imigrantes ilegais em Minneapolis, neste sábado (24), o presidente americano, Donald Trump, foi às redes sociais defender o trabalho dos agentes federais e acusar as autoridades locais de "incitarem insurreição".

https://g1.globo.com/globonews/jornal-globonews/video/homem-e-baleado-e-morre-durante-operacao-do-ice-em-minneapolis-14284103.ghtml
Trump fez o post na Truth Social junto com a foto de uma arma, uma pistola 9 milímetros (veja abaixo). De acordo com o Departamento de Segurança Interna dos EUA, essa arma estava com o homem que se aproximou da patrulha de fronteira durante uma operação contra um imigrante ilegal. Os patrulheiros reagiram e fizeram "tiros defensivos", disse o departamento.

Num vídeo feito por testemunha e analisado pelo jornal The New York Times, o homem se aproximou da patrulha com um celular em mãos.
De acordo com a polícia de Minneapolis, o homem era cidadão americano, morador da cidade e possuía permissão para porte de arma. Segundo o governo Trump, ele portava uma pistola e dois carregadores.

Patrulheiros de fronteira tem atuado junto com agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE, na sigla em inglês). No post deste sábado, Trump questionou: "Onde estava a polícia local? Por que eles não foram autorizados a proteger os oficiais do ICE? O prefeito e o governador mandaram esses policiais embora?"

"Deixem nossos patriotas do ICE fazerem seu trabalho! Doze mil criminosos ilegais, muitos deles violentos, foram presos e retirados de Minnesota. Se eles ainda estivessem lá, vocês veriam algo muito pior do que estão presenciando hoje", escreveu o presidente americano.

Para ele, prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, e o governador do estado, Tim Walz, "estão incitando insurreição com sua retórica pomposa, perigosa e arrogante!"
O governador de Minnesota, Tim Walz, classificou o caso como “mais um ataque a tiros atroz” por parte de agentes federais dos EUA, duas semanas depois que um policial de imigração matou a disparos uma cidadã americana em Minneapolis. "Acabei de falar com a Casa Branca após mais um ataque a tiros atroz por agentes federais esta manhã. Minnesota não aguenta mais. Isso é repugnante", disse Walz em uma rede social.

Em entrevista à imprensa, o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, pediu que Donald Trump encerre as operações da polícia de imigração na cidade. “Presidente Trump: este é um momento que exige liderança. Coloque Minneapolis em primeiro lugar, coloque os Estados Unidos em primeiro lugar. Vamos restaurar a paz. Vamos encerrar esta operação”, declarou.

Tensão em Minnesota

Nos últimos meses, o governo Trump tem ampliado drasticamente as prisões relacionadas à imigração em todo o país, o que causou uma escalada de tensões entre os agentes do ICE e a população dos EUA.

A escalada recente se deu principalmente por conta da operação em Minneapolis, que resultou na morte de uma mulher em 7 de janeiro, confrontos entre agentes de Trump e manifestantes e denúncias de uso de crianças como "isca" para prender imigrantes.
Por: G1

Brasil considera preocupantes pontos do Conselho de Paz e deve recusar convite de Trump

O presidente Donald Trump durante conversa com Lula na Malásia, no ano passado
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) observa com preocupação trechos da proposta do Conselho de Paz de Donald Trump, e a tendência é que o Brasil recuse fazer parte do grupo.

Alguns fatores considerados mais críticos para o governo brasileiro são a falta de menção específica ao conflito na Faixa de Gaza e a concentração de poderes de Trump frente às deliberações do Conselho.

O texto original prevê o direito dos países de proporem alterações, mas destaca a necessidade de aprovação do presidente —que será Trump por ao menos três anos— assim como o poder de veto a decisões dos Estados-membro.

A tendência de que o governo recusaria a proposta foi manifestada pelo assessor especial da Presidência, Celso Amorim, ao jornal O Globo na quinta-feira (22), e reiterada por auxiliares do governo à Folha de São Paulo.

Apesar de ter sido criado sob o pretexto de monitorar os conflitos em Gaza, a região não é mencionada na proposta de Trump. O documento se refere a "áreas afetadas ou ameaçadas por conflitos", sem especificar o escopo de atuação do Conselho.

Dois interlocutores a par das discussões internas sobre o convite indicam que se a região fosse citada no texto, haveria um estímulo para que o Brasil aderisse ao grupo, o que não ocorreu.

Há, ainda, uma avaliação de que aspectos como esse colocam o texto do Conselho na contramão de propostas consideradas mais adequadas pelo Brasil para lidar com os conflitos, o que torna a adesão brasileira mais difícil.

Nesta sexta-feira (23), durante evento em Salvador, Lula referiu-se ao Conselho como uma iniciativa de Trump de criar uma nova ONU (Organização das Nações Unidas). A sobreposição às forças de segurança da ONU é uma preocupação do governo e possível empecilho à adesão ao grupo.

"O presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU e que ele sozinho é o dono da ONU", disse. "Já falei com muitos outros presidentes tentando ver se é possível a gente encontrar uma forma de se reunir e não permitir que o multilateralismo seja jogado pro chão e para que predomine a força da arma, da intolerância de qualquer país do mundo".

Desde que recebeu o convite na última sexta-feira (16), Lula já travou conversas por telefone com diversos líderes mundiais, nas quais tratou da questão da paz. Entre eles, Xi Jinping, da China, Narendra Modi, da Índia, e Recep Tayyip Erdogan, da Turquia.

As ligações visam, além da discussão do tema, uma coleta de perspectivas mundiais e não uma elaboração de resposta negativa conjunta. Segundo os interlocutores ouvidos pela reportagem, a resposta ao convite deverá ser feita de forma direta.

De acordo com um auxiliar do Planalto, uma possível retaliação americana ao Brasil, em caso de não-adesão ao Conselho, não está entre as preocupações principais. A postura até o momento segue a de observação e consulta à reação dos demais países convidados.

O brasileiro também conversou com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, sobre a paz na região, que compartilha parte do território da Faixa de Gaza e é palco da guerra entre Israel Hamas.

Das nações chamadas por Trump para integrar o grupo 70% são autocracias ou ditaduras.

Um integrante do Itamaraty diz que o órgão continua buscando informações mais claras sobre o nível de relevância em Gaza e outros aspectos considerados preocupantes para o Brasil. De acordo com ele estão sendo feitos questionamentos jurídicos, consultas a países parceiros até eventualmente haver o retorno direto a Trump — que ainda não tem data para acontecer.

Trump já declarou publicamente querer a participação de Lula no Conselho, no mesmo dia em que o brasileiro o acusou de querer "governar o mundo pelo Twitter".

Por Mariana Brasil/Folhapress

Após convite para Conselho de Trump, Lula e Xi Jinping falam por telefone sobre manutenção da ONU

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone com o líder do regime chinês, Xi Jinping, na noite de quinta-feira (22), no horário de Brasília sobre a importância da manutenção da ONU (Organização das Nações Unidas), dando indícios de que não farão parte do Conselho de Paz criado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Sem mencionar Trump, Xi afirmou, segundo a emissora estatal CCTV, que, diante da situação internacional turbulenta e instável, os países, como importantes membros do "Sul Global", são forças construtivas para a estabilidade mundial e a manutenção da paz.

"China e Brasil devem posicionar-se firmemente ao lado correto da história, proteger melhor os interesses comuns de ambos os países e do Sul Global e salvaguardar conjuntamente o papel central das Nações Unidas, bem como a equidade e a justiça internacionais", afirmou, segundo a mídia estatal.

Lula, por sua vez, teria dito que os países são forças importantes na defesa do multilateralismo e na promoção do livre comércio, e que devem salvaguardar o papel da ONU. As relações sino-brasileiras também foram tema de discussão, com o lado chinês afirmando que oferecerá mais oportunidades de cooperação econômica ao Brasil.

Tanto China como Brasil foram convidados por Trump para integrar o conselho, que inicialmente foi pensado como instrumento para governar a Faixa de Gaza como parte do cessar-fogo na região, mas tem ganhado contornos mais amplos.

Embora o americano negue, é esperado que o órgão atue de forma paralela às Nações Unidas, que sofrem críticas recorrentes do presidente dos EUA. A assinatura do novo conselho ocorreu às margens do Fórum Econômico de Davos, na Suíça.

"Eu sempre disse que as Nações Unidas têm um potencial tremendo, mas não o usaram", afirmou. "Eu acho que a combinação do Conselho da Paz, com o tipo de gente que temos aqui, junto com a ONU, pode ser algo muito único para o mundo. Isso é para o mundo, não é para os EUA."

Até agora, a maioria dos países que aceitaram o convite são ditaduras ou autocracias, como Arábia Saudita, Belarus, Emirados Árabes, Cazaquistão, Qatar e Turquia. Dentre os que recusaram estão França, Itália, Noruega, Suécia e Reino Unido. China e Brasil fazem parte do bloco de países que ainda não responderam.

Há dúvidas sobre quais países terão condições de manter um assento no conselho, uma vez que será necessário pagar uma taxa de US$ 1 bilhão.

Desde que Lula recebeu o convite, o trabalho da diplomacia brasileira tem sido conversar com outros países que também foram convidados.

O brasileiro conversou por telefone na quarta-feira (21) com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, que já aceitou participar do grupo. O Planalto afirma que os líderes não mencionaram o conselho.

Nesta quinta, Lula também conversou por telefone com o líder da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, sobre Gaza.

Por Victoria Damasceno/Folhapress
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Musk diz que robôs da Tesla serão vendidos a partir de 2027 e que todos terão um robô humanoide no futuro

Bilionário falou sobre o robô Optimus, da Tesla, durante o Fórum Econômio Mundial, em Davos. Para ele, bilhões de humanoides estarão em atividade no futuro

O bilionário Elon Musk disse nesta quinta-feira (22) que a Tesla deve começar a vender seus robôs para o público até o final de 2027 e avaliou que, no futuro, todas as pessoas terão um humanoide como assistente.

"Provavelmente em algum momento do próximo ano, até o final do próximo ano, acho que estaremos vendendo robôs humanoides ao público", disse Musk durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos.

"É quando teremos confiança de que há altíssima confiabilidade, altíssima segurança, que o leque de funcionalidades também é muito amplo e que, basicamente, você pode pedir que ele faça quase qualquer coisa que quiser".

O robô da Tesla é batizado de Optimus e teve o primeiro protótipo revelado em 2022. Na época, Musk disse que a divisão de humanoides da empresa poderia faturar mais do que a de veículos.

Em sua fala em Davos nesta quinta, o bilionário disse que algumas unidades do robô Optimus já são usadas para realizar tarefas simples na fábrica da Tesla. Segundo ele, os dispositivos farão coisas mais complexas até o final de 2026.

Musk aposta em bilhões de robôs

Musk disse esperar que, no futuro, bilhões de robôs humanoides estejam em atividade e sejam capazes de saturar todas as necessidades dos seres humanos.

"Acho que todos na Terra terão um e vão querer um. Quem não gostaria de um robô, supondo que seja muito seguro, para cuidar dos seus filhos, do seu animal de estimação?", continuou.

"Muitos amigos meus têm pais idosos e dizem que é muito difícil cuidar deles. Se existisse um robô que pudesse cuidar e proteger um parente idoso, acho que seria ótimo, seria algo incrível".

O bilionário afirmou ainda que a solução para a pobreza passa pelo uso da robótica e da inteligência artificial, mas disse que elas não estão isentas de problemas.

"Precisamos ter muito cuidado com a IA e com a robótica. Não queremos nos ver em um filme de James Cameron, não queremos estar em um 'O Exterminador do Futuro'", disse Musk.

Trump se reúne com Zelenski e pede fim da guerra a Putin

Após ter dito que Volodimir Zelenski era o principal fator impedindo um acordo de paz, Donald Trump jogou a bola para Vladimir Putin após se encontrar com o presidente ucraniano em Davos (Suíça) nesta quinta-feira (22).

"O encontro foi muito bom. A mensagem para Putin é: a guerra tem de acabar", disse brevemente a repórteres o americano, que participava do Fórum Econômico Mundial. Zelenski voou para a Suíça só para encontrá-lo.

Trump em pavilhão do Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça)Denis BalibouseReutersHomem de cabelos brancos e terno preto desce escada interna de pedra clara, com expressão séria. Ao fundo, homem de cabelo castanho claro observa, e placa branca com texto desfocado está pendurada na parede verde.Imagem pequena****

Ainda nesta quinta, o enviado especial do presidente para a guerra, Steve Witkoff, e seu genro Jared Kushner irão a Moscou para um encontro com Putin. Em Davos, ambos se encontraram com uma delegação ucraniana e com o negociador russo Kirill Dmitriev.

O embate mais sangrento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, iniciado pela invasão por três lados promovida por Vladimir Putin, completará quatro anos daqui a um mês e dois dias. O momento é de violentos ataques russos durante o pior inverno da história recente, deixando milhares sem aquecimento e energia.

Mais cedo, Trump havia dito que "logo acabaremos com outra guerra" ao fantasiar a ideia de que o Oriente Médio está livre de conflitos com o lançamento de seu Conselho da Paz, destinado a tratar do futuro da arruinada Faixa de Gaza.

O americano falou que a região estava pacificada, mas ao mesmo tempo monta uma grande força militar para ameaçar e talvez atacar o Irã, cujo regime está pressionado por protestos de rua. Ainda em Davos, prometeu não invadir a Groenlândia e abriu negociações que prometem se tensas sobre o controle da ilha dinamarquesa.

Nas discussões ocorridas em Davos, estava na mesa a versão a ser levada ao Kremlin do acodo de paz proposto por Trump. Ele nasceu na terceira tentativa do americano de mediar a paz no conflito, a partir de um texto desenhado por Witkoff e Dmitriev que adotava praticamente todos os pontos desejados por Putin.

No centro das demandas, colocadas no papel pela Rússia em junho do ano passado, está a tomada dos territórios que anexou ilegalmente em 2022 mas ainda não controla totalmente e a neutralidade total da Ucrânia —proibida de ingressar na Otan e com forças limitadas.

Com apoio europeu, Zelenski reagiu e fez uma proposta mais aceitável para Kiev, que foi rejeitada pelos russos. O texto voltou para mãos ucranianas e americanas, com propostas da Europa. Ele estava travado porque o ucraniano não topava as perdas territoriais sem uma consulta à população de seu país.

Esse mesmo texto inclui um item que Moscou já rejeitou de cara: a criação de uma força de paz europeia, apoiada pelos EUA, para monitorar o eventual cessar-fogo. O Kremlin já disse que tais tropas seriam alvos legítimos.

No mais recente encontro da dupla americana com Putin, em dezembro, o russo manteve a inflexibilidade em relação a seus termos para acabar com o conflito, empoderado que estava pelo bom momento militar da Rússia em campo.

Por Igor Gielow/Folhapress

União Europeia prepara tarifas de 93 bi de euros para retaliar Trump após ameaça à Groenlândia

                             Europa também pode restringir acesso de empresas americanas ao seu mercado

As capitais da União Europeia estão considerando impor tarifas no valor de 93 bilhões de euros aos EUA (cerca de R$ 580 bilhões) ou restringir empresas americanas do mercado do bloco em resposta às ameaças de Donald Trump aos aliados da Otan que se opõem à sua campanha para assumir o controle da Groenlândia. A medida marca a crise mais grave nas relações transatlânticas em décadas.


As medidas de retaliação estão sendo elaboradas para dar aos líderes europeus poder de negociação em reuniões cruciais com o presidente dos EUA no Fórum Econômico Mundial em Davos esta semana, disseram autoridades envolvidas nos preparativos.

Eles estão buscando encontrar um compromisso que evite uma ruptura profunda na aliança militar ocidental, o que representaria uma ameaça existencial à segurança da Europa.

A lista de tarifas foi preparada no ano passado, mas suspensa até 6 de fevereiro para evitar uma guerra comercial total. Sua reativação foi discutida no domingo pelos 27 embaixadores da União Europeia, juntamente com o chamado instrumento anti-coerção (ACI), que pode limitar o acesso de empresas americanas ao mercado interno, enquanto o bloco debatia como responder à ameaça do presidente dos EUA com tarifas punitivas.

Trump, que exigiu permissão da Dinamarca para assumir o controle da Groenlândia, prometeu no sábado à noite impor tarifas de 10% até 1º de fevereiro sobre mercadorias do Reino Unido, Noruega e seis países da UE que enviaram tropas para a ilha ártica para um exercício militar esta semana.

"Existem instrumentos claros de retaliação à disposição se isso continuar... [Trump] está usando métodos puramente mafiosos", disse um diplomata europeu informado sobre a discussão. "Ao mesmo tempo, queremos pedir publicamente calma e dar a ele uma oportunidade de recuar".

"A mensagem é... cenoura e chicote", acrescentaram.

A França pediu que o bloco retalie com o ACI, que nunca foi usado desde sua adoção em 2023. A ferramenta inclui restrições de investimento e pode estrangular exportações de serviços como os fornecidos por grandes empresas de tecnologia dos EUA na UE.

Paris e Berlim estão coordenando uma resposta conjunta, com seus respectivos ministros das finanças devendo se reunir em Berlim na segunda-feira antes de viajarem para Bruxelas para um encontro com seus colegas europeus, disse um assessor do ministério francês.

"A questão também terá que ser abordada com todos os parceiros do G7 sob a presidência da França", acrescentou a pessoa.

Embora muitos outros estados-membros da UE tenham manifestado apoio à exploração de como o ACI poderia ser implantado contra os EUA, a maioria pediu diálogo com Trump antes de emitir ameaças diretas de retaliação, disseram diplomatas informados sobre as discussões ao Financial Times. "Precisamos baixar a temperatura", disse um segundo diplomata da UE.

Em um passo em direção à retaliação, os maiores partidos do parlamento europeu disseram neste fim de semana que atrasariam uma votação planejada sobre medidas que teriam reduzido as tarifas da UE sobre produtos americanos como parte de um acordo comercial firmado no ano passado.

Trump, que estará no fórum suíço na quarta e quinta-feira, deve realizar conversas privadas com líderes europeus, incluindo a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, além de participar de uma discussão mais ampla entre países ocidentais que apoiam a Ucrânia.

"Queremos cooperar, e não somos nós que estamos buscando conflito", disse Mette Frederiksen, primeira-ministra da Dinamarca.

Conselheiros de segurança nacional de países ocidentais se reunirão em Davos na tarde de segunda-feira.

As conversas foram inicialmente definidas para se concentrar na Ucrânia e nas negociações de paz em andamento para encerrar a invasão russa do país, mas foram reformuladas para dar tempo para discutir a crise sobre a Groenlândia, disseram dois funcionários informados sobre os preparativos.

O ministério das relações exteriores da Suíça, que está hospedando o encontro, disse que "não comentará sobre participantes ou tópicos".

As ameaças de Trump "certamente justificam o ACI, pois seria coerção exemplar", disse um terceiro funcionário europeu. "Mas precisamos usar o tempo até 1º de fevereiro para ver se Trump está interessado em uma saída", disseram, acrescentando que muito dependerá do resultado das conversas em Davos.

Autoridades europeias disseram que esperam que suas ameaças de retaliação aumentem a pressão bipartidária nos EUA contra as ações de Trump e resultem em seu recuo da promessa de tarifas.

"Já é uma situação que não permite mais compromissos, porque não podemos entregar a Groenlândia", disse um quarto funcionário europeu. "Os americanos razoáveis também sabem que ele acabou de abrir a Caixa de Pandora."

Mas no domingo, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que a Europa estava muito fraca para garantir a segurança da Groenlândia e se recusou a recuar na exigência dos EUA de assumir o controle da ilha estrategicamente importante.

"O presidente acredita que uma segurança aprimorada não é possível sem a Groenlândia fazer parte dos EUA", disse ele à NBC News.

Os líderes da UE estão se preparando para se reunir em uma reunião de emergência para discutir a crise na quinta-feira, de acordo com um funcionário informado sobre os planos.

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, que convoca tais cúpulas, disse no domingo à noite: "Dada a importância dos desenvolvimentos recentes e para coordenar ainda mais, decidi convocar uma reunião extraordinária do Conselho Europeu nos próximos dias.

A UE estava pronta "para nos defender contra qualquer forma de coerção", acrescentou Costa.
Por Folhapress

Ataque dos EUA à Venezuela é preocupante e traz instabilidade e violência, afirma Lula ao NYT

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escreveu em um artigo publicado no jornal americano The New York Times que a captura de Nicolás Maduro e o ataque dos Estados Unidos à Venezuela representam "um capítulo lamentável na contínua erosão do direito internacional e da ordem multilateral".

O texto também diz que o futuro do país latino-americano, assim como o de qualquer outro, "deve permanecer nas mãos de seu povo" e que a América Latina e o Caribe têm "próprios interesses e sonhos a defender".

Intitulado "Esse Hemisfério pertence a todos nós", o artigo foi publicado neste domingo (18) pelo veículo americano. Numa provável referência ao ditador chavista, Lula diz que líderes de países "podem ser responsabilizados por ações que minam a democracia e os direitos fundamentais".

"Nenhum líder detém monopólio sobre o sofrimento de seu povo. Mas não é legítimo que outro Estado arrogue para si o direito de fazer justiça", afirma, acrescentando que "ações unilaterais" ameaçam a estabilidade do mundo.

"É particularmente preocupante que tais práticas estejam sendo aplicadas à América Latina e ao Caribe. Elas trazem violência e instabilidade a uma parte do mundo que busca a paz por meio da igualdade soberana das nações, da rejeição ao uso da força e da defesa da autodeterminação dos povos", continua o petista.

Citando a Venezuela especificamente, Lula diz que "somente um processo político inclusivo, liderado por venezuelanos, conduzirá a um futuro democrático e sustentável".

"Esta é uma condição essencial para que os milhões de cidadãos venezuelanos, muitos dos quais estão temporariamente acolhidos no Brasil, possam retornar com segurança ao seu país".

Ferramenta nunca foi usada antes e permite restringir importações de bens e serviços

O governo da França afirmou neste domingo, 18, que o presidente Emmanuel Macron deve solicitar que a União Europeia acione o chamado “instrumento anti-coerção”, mecanismo comercial considerado a ferramenta mais dura do bloco, caso os Estados Unidos confirmem a imposição de tarifas anunciadas pelo presidente Donald Trump.

Apelidado de “bazuca” comercial da União Europeia, o instrumento nunca foi usado desde a criação.

O dispositivo permite ao bloco adotar medidas severas de retaliação, incluindo restrições à importação de bens e serviços, bloqueios a investimentos e limitações ao acesso de empresas estrangeiras ao mercado europeu.

Tarifaço

Donald Trump prometeu no sábado, 17, implementar uma escalada de tarifas contra países europeus até que o governo dos Estados Unidos obtenha autorização para comprar a Groenlândia, território pertencente à Dinamarca.

Em publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou que tarifas adicionais de 10% sobre produtos da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido entrariam em vigor em 1º de fevereiro.

Segundo ele, as alíquotas aumentariam para 25% em 1º de junho e seriam mantidas até que um acordo para a aquisição da Groenlândia fosse alcançado.
Por que Trump quer a Groenlândia?

Trump tem afirmado que a Groenlândia é estratégica para a segurança dos Estados Unidos, devido à localização geopolítica e à presença de grandes reservas minerais.

O presidente norte-americano não descartou o uso da força para assumir o controle da ilha, que pertence à Dinamarca.

Segundo ele, as alíquotas aumentariam para 25% em 1º de junho e seriam mantidas até que um acordo para a aquisição da Groenlândia fosse alcançado.

Por Ane Catarine


EUA mantiveram conversas com ministro da Venezuela antes e depois de capturar Maduro

Funcionários do governo Donald Trump mantiveram conversas com o ministro do Interior linha-dura da Venezuela, Diosdado Cabello, meses antes da operação dos Estados Unidos para capturar o ditador Nicolás Maduro, segundo relatos feitos à agência Reuters.

A comunicação entre o venezuelano e membros do governo americano continua desde então.

Os funcionários advertiram Cabello, 62, contra o uso de serviços de segurança ou dos grupos paramilitares que tem sob seu comando para atacar a oposição do país, disseram quatro pessoas familiarizadas com o assunto.

Esse aparato de segurança, que inclui os serviços de inteligência, polícia e Forças Armadas, permanece amplamente intacto após a operação americana de 3 de janeiro.

Cabello é citado na mesma acusação de narcotráfico apresentada pelos EUA que o governo Trump usou como justificativa para prender Maduro, mas não foi capturado como parte da operação.

As comunicações com Cabello —que também abordaram as sanções impostas pelos EUA contra ele e a acusação que enfrenta— remontam aos primeiros dias do governo Trump e continuaram nas semanas imediatamente anteriores à destituição de Maduro pelos EUA, disseram duas pessoas familiarizadas com as discussões.

O governo também manteve contato com Cabello desde a queda de Maduro.

Essas conversas, que não haviam sido relatadas anteriormente, são fundamentais para os esforços do governo Trump de controlar a situação dentro da Venezuela. Caso Cabello decida mobilizar as forças sob seu controle, isso poderia fomentar o tipo de caos que o presidente americano quer evitar e ameaçar o controle do poder da líder interina Delcy Rodríguez.

Não está claro se as conversas do governo Trump com Cabello se estenderam a questões sobre a futura governança da Venezuela. Também não está claro se Cabello acatou os alertas dos EUA. Ele prometeu publicamente unidade com Delcy, a quem Trump tem elogiado até o momento.

Enquanto Delcy tem sido vista pelos EUA como a peça-chave da estratégia de Trump para a Venezuela no pós-Maduro, acredita-se amplamente que Cabello detém o poder de manter esses planos no rumo certo ou de sabotá-los.

O ministro venezuelano manteve contato com o governo Trump tanto diretamente quanto por meio de intermediários, disse uma pessoa familiarizada com as conversas. Todas as pessoas ouvidas pediram anonimato para falar livremente sobre comunicações governamentais internas sensíveis com Cabello.

A Casa Branca e o governo da Venezuela não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

Cabello é visto há muito tempo como a segunda figura mais poderosa da Venezuela. Aliado próximo do ex-presidente Hugo Chávez, mentor de Maduro, tornou-se posteriormente um aliado de longa data de Maduro, temido como seu principal executor da repressão.

Delcy e Cabello atuaram durante anos no centro do governo, do Legislativo e do partido socialista no poder, mas nunca foram considerados aliados próximos entre si.

Ex-oficial militar, Cabello exerceu influência sobre as agências de contrainteligência militares e civis do país, que realizam ampla espionagem doméstica. Ele também esteve intimamente associado aos grupos paramlitares pró-governo, os chamados coletivos.

Cabello é um dos poucos funcionários leais de Maduro nos quais Washington tem confiado como governantes temporários para manter a estabilidade enquanto acessa as reservas de petróleo do país durante um período de transição não especificado.

Mas autoridades dos EUA estão preocupadas que Cabello, dado seu histórico de repressão e rivalidade com Delcy, possa agir como um sabotador.

Delcy vem trabalhando para consolidar seu próprio poder, instalando aliados em cargos-chave para se proteger de ameaças internas, ao mesmo tempo em que atende às exigências dos EUA para aumentar a produção de petróleo.

Elliott Abrams, que atuou como representante especial de Trump para a Venezuela em seu primeiro mandato, disse que muitos venezuelanos esperariam que Cabello fosse removido em algum momento caso uma transição democrática avance.

"Se e quando ele sair, os venezuelanos saberão que o regime realmente começou a mudar", disse Abrams, atualmente no think tank Council on Foreign Relations.

SANÇÕES E ACUSAÇÃO DOS EUA

Cabello está há muito tempo sob sanções dos EUA por suposto envolvimento com o narcotráfico.

Em 2020, os EUA ofereceram uma recompensa de US$ 10 milhões (R$ 53,7 milhões) por Cabello e o acusaram como figura-chave do "Cartel de los Soles", grupo que os EUA afirmam ser uma rede venezuelana de tráfico de drogas liderada por membros do governo do país.

Desde então, os EUA elevaram a recompensa para US$ 25 milhões (R$ 134,25 milhões). Cabello negou publicamente qualquer ligação com o tráfico de drogas.

Nas horas seguintes à destituição de Maduro, alguns analistas e políticos em Washington questionaram por que os EUA não capturaram também Cabello —listado em segundo lugar na acusação do Departamento de Justiça contra Maduro.

"Eu sei que só o Diosdado provavelmente é pior que Maduro e pior que a Delcy", disse a deputada republicana Maria Elvira Salazar em entrevista à emissora CBS, em 11 de janeiro. Nos dias seguintes, Cabello denunciou a intervenção americana no país, dizendo em um discurso que "a Venezuela não vai se render".

Mas relatos da mídia sobre moradores sendo revistados em postos de controle, às vezes por membros uniformizados das forças de segurança e às vezes por membros dos coletivos, tornaram-se menos frequentes nos últimos dias.

Tanto Trump quanto o governo venezuelano afirmaram que muitos detidos considerados pela oposição e por grupos de direitos humanos como presos políticos serão libertados.O governo afirmou que Cabello, em seu papel de ministro do Interior, está supervisionando esse esforço.

Grupos de direitos humanos dizem que as libertações avançam de forma extremamente lenta e que centenas continuam detidos injustamente.

Por Folhapress

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