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Projeto que pune denúncias sexuais falsas com até seis anos de prisão avança na Argentina sob Milei

Um projeto de lei que avançou no Senado da Argentina propõe aumentar as penas para falsas denúncias em casos de violência de gênero, abuso sexual e crimes contra menores. Se aprovado, o texto poderá levar a punições de até seis anos de prisão —uma pena superior à prevista hoje para alguns delitos sexuais no país.

A proposta provocou reação de organizações de direitos humanos, que veem a iniciativa como parte da ofensiva contra políticas de gênero durante o governo de Javier Milei.

Apresentado pela senadora Carolina Losada, o projeto modifica trechos do Código Penal. Pela proposta, a pena para quem denunciar falsamente um crime passaria da faixa de dois meses a um ano para a de um a três anos de prisão.

Nos casos envolvendo violência de gênero, crimes sexuais ou delitos contra menores, haveria um agravante, e a punição poderia chegar a seis anos. O texto também prevê o aumento das penas para falso testemunho e outros delitos relacionados quando vinculados a esse tipo de acusação.
A proposta já recebeu parecer favorável da Comissão de Assuntos Penais do Senado.

Entidades de direitos humanos afirmam que não há evidências de que denúncias falsas em casos de violência sexual ou de gênero constituam um problema relevante no país —pelo contrário.

Um levantamento do Observatório de Violência de Gênero dos Ministérios Públicos Fiscais da Argentina, que analisou mais de 8 milhões de processos penais registrados de 2023 a 2025, mostrou que investigações por denúncias falsas e falso testemunho representam apenas 0,09% do total.

Nesse universo já reduzido, 86% dos casos estavam relacionados a conflitos de tipo patrimonial, trabalhista ou de vizinhança. Apenas 8% envolviam violência de gênero ou violência intrafamiliar.

Para organizações de direitos humanos, a principal consequência da proposta seria ampliar o medo de denunciar crimes que já apresentam níveis altos de subnotificação.

"A ameaça de uma possível perseguição penal contra quem denuncia agrava essa sensação de desproteção e pode condenar as vítimas ao silêncio", afirma Lucila Galkin, diretora de gênero e diversidade da Anistia Internacional Argentina.

Segundo dados oficiais, a Argentina registrou 200 feminicídios em 2025. Em 44% dos casos havia antecedentes documentados de violência de gênero, mas apenas 18% das vítimas tinham denunciado seus agressores anteriormente.

Além disso, somente 15 vítimas possuíam medidas de proteção em vigor quando foram assassinadas. "O principal problema não é a proliferação de denúncias falsas. O problema é que a maioria das vítimas não denuncia ou não consegue obter proteção efetiva do Estado", acrescenta Galkin.

Segundo ela, a proposta cria uma distorção de proporcionalidade ao prever punições mais severas para determinadas denúncias consideradas falsas do que para alguns crimes sexuais já tipificados na legislação argentina.

Hoje, o chamado abuso sexual simples, categoria que inclui condutas como apalpamentos sem consentimento, toques em partes íntimas ou beijos forçados, sem penetração, prevê pena máxima de quatro anos de prisão. "A proposta é tão extrema que acaba reagindo com mais severidade à suposta falsidade da denúncia do que às próprias condutas de violência sexual", diz.

O debate ocorre em um contexto de recuo das políticas de gênero no país. A Argentina vive desde a chegada de Milei à Presidência um processo de desmonte dessas estruturas.

Logo após assumir o cargo, em dezembro de 2023, o presidente extinguiu o Ministério das Mulheres, ao mesmo tempo em que programas voltados ao combate à desigualdade de gênero perderam orçamento, equipes e capacidade operacional.

A Anistia denunciou a questão ao Comitê para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher da ONU. Segundo a entidade, o comitê recomendou que o governo argentino retirasse a proposta, argumentando que ela pode contrariar compromissos internacionais assumidos pelo país no combate à violência de gênero.

Galkin diz acreditar que o projeto encontrará resistência para ser aprovado, mas afirma que o seu recente avanço na comissão do Senado já é considerado algo preocupante. "Faz parte do que eles chamam de ‘batalha cultural’ e da luta contra o reconhecimento dos direitos das mulheres. Isso é extremamente grave."

Por Manoella Smith e Angela Boldrini / Folhapress

Lindsey Graham, aliado de Trump, morre após doença repentina

Senador republicano pela Carolina do Sul desde 2003, Graham era uma das principais vozes do partido em temas de defesa e política externa e disputaria um quinto mandato nas eleições de novembro
O senador republicano Lindsey Graham, um dos principais aliados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, morreu neste sábado, 11, aos 71 anos. A informação foi divulgada pelo gabinete do parlamentar e confirmada pela Associated Press.Segundo o comunicado publicado nas redes sociais, Graham enfrentou uma “doença breve e repentina”. Não foram divulgados outros detalhes sobre o problema de saúde.“A família agradece as orações, mas pede privacidade neste momento incrivelmente difícil”, afirmou o gabinete.

Equipes de emergência foram chamadas à residência do senador, em Capitol Hill, após uma ocorrência de parada cardíaca, de acordo com comunicações policiais obtidas pela NBC News.

Representante da Carolina do Sul no Senado desde 2003, Graham estava em seu quarto mandato e se preparava para disputar a reeleição em novembro. Ele presidia a Comissão de Orçamento do Senado e era uma das figuras mais conhecidas do Partido Republicano no Congresso.

O parlamentar também exercia forte influência nos debates sobre defesa e política externa. Graham defendia a presença militar dos Estados Unidos no exterior e era um dos principais apoiadores de Israel no Senado.

Durante as eleições presidenciais de 2016, o republicano chegou a fazer duras críticas a Trump. Posteriormente, porém, aproximou-se do presidente e tornou-se um de seus aliados mais fiéis no Congresso.

Em março deste ano, Graham comparou Trump ao ex-presidente Ronald Reagan ao elogiar sua atuação internacional.

“Sou um grande admirador de Ronald Reagan, mas preciso dizer que Donald Trump é o padrão de excelência para os republicanos, talvez para qualquer presidente, quando se trata de política externa”, declarou na ocasião.

Poucas semanas antes da morte do senador, Trump havia anunciado apoio à sua campanha por um quinto mandato. As eleições legislativas de novembro renovarão todas as cadeiras da Câmara dos Representantes e um terço do Senado, com potencial para alterar o equilíbrio de forças políticas em Washington.

Guarda Revolucionária anunciou o bloqueio por tempo indeterminado após abordar um navio em rota considerada irregular. Medida amplia a tensão com Washington e afeta uma das principais passagens mundiais de petróleo e gás
 por Notícias ao Minuto

Marco Rubio assume controle político e financeiro de Caracas, diz jornal

Seis meses após a captura do presidente Nicolás Maduro por forças especiais dos Estados Unidos, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, assumiu o controle das finanças, da distribuição de recursos naturais e da gestão governamental da Venezuela a partir de Washington, informa reportagem do jornal The New York Times. De acordo com relatos de mais de uma dúzia de funcionários de ambos os países consultados pelo jornal, Rubio atua como administrador da Venezuela, mantendo coordenação com a presidente interina Delcy Rodríguez por meio de mensagens de texto. O arranjo político consolidou-se após Rodríguez aceitar colaborar com as diretrizes da Casa Branca em troca da preservação da infraestrutura nacional.

A reportagem detalha que o Departamento do Tesouro dos EUA arrecada diretamente as receitas provenientes das exportações de petróleo venezuelano - comercializadas por intermédio das empresas Trafigura e Vitol - e as libera de forma gradual por meio de bancos privados locais. Esse mecanismo permite à equipe de Rubio ditar as condições de aplicação das verbas públicas e conter desvios de fundos, oferecendo em contrapartida proteção legal contra credores internacionais da dívida externa da Venezuela. Além do monitoramento orçamentário, o secretário de Estado gerencia a concessão de licenças de exceção a sanções econômicas, priorizando a entrada de companhias norte-americanas no setor de energia em detrimento de operadoras europeias.

Na área de segurança e relações externas, a administração interina submete nomeações de alto escalão, como a do ministro da Defesa, ao aval de Washington, e encerrou projetos conjuntos com aliados históricos, resultando na assunção das operações antes divididas com a estatal russa Rosneft. A cooperação incluiu a detenção e o aval para a extradição do empresário Alex Saab para responder a processos por tráfico de drogas em Nova York. No mês passado, informações de inteligência fornecidas por Caracas sinalizaram um ataque de míssil norte-americano que matou Niño Guerrero, uma das lideranças da organização criminosa Trem de Aragua, no sul do território venezuelano, destaca o New York Times.

O controle operacional, diz o jornal, estendeu-se às ações de reconstrução após a ocorrência de dois terremotos na Venezuela no mês passado. Os EUA mobilizaram 900 militares, destinaram cerca de US$ 400 milhões em assistência emergencial e enviaram remessas de dinheiro físico para estabilizar a moeda local. A reportagem pontua que, embora Rubio aponte que o planejamento prevê uma posterior transição democrática, analistas políticos ponderam que a data para a realização de eleições livres permanece indefinida. O presidente Donald Trump, que manifestou apoio público a Rodríguez em redes sociais, sugeriu de forma informal a integração da Venezuela como o 51º estado norte-americano, alinhado à sua premissa de expansão territorial

Por Guilherme Nannini / Estadão Conteúdo

Trump ameaça dizimar o Irã com mil mísseis se sofrer tentativa de atentado Por Estadão Conteúdo

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou neste sábado (11) ter ordenado que as Forças Armadas se preparem para atacar o Irã caso o país tente assassiná-lo.

Donald Trump declarou que mil mísseis estão prontos para serem lançados contra o Irã. A ameaça foi publicada pelo presidente americano em sua rede social, aTruth Social.

O ataque ocorreria se o governo iraniano tentar assassinar o presidente americano. "Mil mísseis estão travados e carregados, apontados para a República Islâmica do Irã, com milhares de outros a serem lançados imediatamente em seguida", escreveu Trump.

As Forças Armadas dos EUA já receberam ordens para agir, segundo o republicano. Trump afirmou que os militares estão prontos para "dizimar e destruir completamente todas as áreas do Irã" por um período de um ano, que pode ser prorrogado.

ISRAEL INFORMOU EUA SOBRE SUPOSTO PLANO

Israel compartilhou com os Estados Unidos (EUA) novas informações de inteligência sobre um plano iraniano para assassinar Donald Trump. As informações são do jornal americano Wall Street Journal.

Trump fez declarações sobre o suposto plano do Irã na quarta-feira (8), em Ancara, durante a cúpula da Otan. "Eles querem eliminar o líder dos EUA, eu", disse Trump a repórteres a bordo do Air Force One.

O presidente dos EUA disse que se vê como alvo recorrente dos iranianos. "Estou em todas as listas deles. Vi hoje de manhã que estou em cada uma delas", afirmou o americano na última quarta.

A embaixada de Israel em Washington recusou-se a comentar o caso. A missão iraniana na Organização das Nações Unidas (ONU) também não respondeu ao Wall Street Journal.

Na quinta-feira, em Mashhad, no Irã, pessoas que aguardavam o cortejo fúnebre do ex-líder supremo Ali Khamenei entoaram palavras de ordem por vingança contra Trump. "Juro pelo sangue do líder supremo, Trump, nós vamos matar você!", gritaram.

TENSÃO NO GOLFO

A denúncia surgiu após uma nova rodada de ataques entre EUA e Irã na região do Estreito de Ormuz. A informação veio a público em meio à escalada militar entre os dois países.
Trump e Benjamin Netanyahu falaram por telefone na noite de quinta-feira, de acordo com o Jerusalem Post.

Trump atualizou o premiê sobre ações dos EUA no Golfo e ataques a alvos iranianos. Netanyahu alertou Trump contra a aprovação de um acordo sobre caças F-35 com a Turquia.

Jornal diz que EUA receberam alerta sobre suposto plano do Irã para assassinar Trump/Por Redação

O governo dos Estados Unidos foi informado por Israel sobre indícios de um suposto plano do Irã para assassinar o presidente Donald Trump, segundo reportagem do The Wall Street Journal. De acordo com a publicação, o sistema de inteligência israelense compartilhou as informações com a Casa Branca, em meio à escalada das tensões entre Washington e Teerã após o rompimento do cessar-fogo firmado no mês passado.

Na quarta-feira (7), Trump afirmou publicamente que estaria entre os alvos do governo iraniano, dizendo que sua vida corre risco. Enquanto isso, as divergências entre o presidente americano e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, vêm aumentando. Netanyahu defende a intensificação da ofensiva contra o Irã, enquanto Trump tem sinalizado a busca por alternativas para evitar o agravamento do conflito e seus impactos sobre a economia mundial, especialmente no mercado de petróleo.

Segundo a reportagem, os Estados Unidos realizaram ataques contra mais de 90 instalações militares iranianas nesta semana, deixando mortos e feridos, conforme autoridades do Irã. Após os bombardeios, Trump e Netanyahu conversaram e concordaram em manter a coordenação entre os dois países. Até o momento, Israel e Irã não comentaram oficialmente a informação sobre o suposto plano para assassinar o presidente americano.

Forças americanas dizem que ação de Teerã contra navios comerciais no estreito foi 'clara violação do cessar-fogo' -Por Folhapress

As Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram uma nova série de ataques contra o Irã, informou o Comando Central dos EUA nesta terça-feira (7), acrescentando que a ação foi uma resposta ao que descreveu como ataques iranianos a três navios comerciais que transitavam pelo estreito de Hormuz.

As três embarcações foram atingidas no estreito também nesta terça, em paralelo a uma declaração do Irã de que não haverá novas negociações de paz enquanto o presidente Donald Trump não interromper suas repetidas ameaças de reiniciar a guerra.

"As forças do Comando Central dos EUA iniciaram uma série de ataques contundentes contra o Irã para impor um preço elevado por terem visado e atacado embarcações comerciais", afirmou o comunicado das forças americanas. "A agressão demonstrada pelo Irã foi injustificada, perigosa e uma clara violação do cessar-fogo", acrescentou.

A mídia estatal iraniana afirmou que seis projéteis atingiram a área do píer de Taheroui, em Sirik, no sul do Irã, mas não confirmou a origem dos ataques.

Estes são os primeiros ataques militares conhecidos dos EUA contra o Irã desde o final de junho, quando houve vários dias de ataques e contra-ataques entre as duas partes. As atuais tensões ocorrem em meio às cerimônias fúnebres de Ali Khamenei, ex-líder supremo do Irã, morto no início do conflito no Oriente Médio.

Além da frente bélica, o Ministério das Relações Exteriores do Irã ainda condenou nesta terça a decisão do Departamento do Tesouro dos EUA de revogar a suspensão temporária das sanções sobre as vendas de petróleo iraniano, afirmando que a medida viola o memorando de Islamabad sobre o fim da guerra e responsabilizando Washington pelas possíveis consequências.

A chancelaria declarou que o Irã adotará quaisquer medidas que considerar necessárias para proteger seus interesses e sua segurança nacional.

Os EUA reimpuseram sanções ao petróleo iraniano nesta terça depois de uma autoridade americana ouvida sob anonimato pela agência Reuters ter alertado que os ataques do Irã a embarcações no estreito de Hormuz eram "totalmente inaceitáveis" e acarretariam consequências.

Antes dos ataques desta terça, a guerra estava suspensa em razão de um acordo de paz provisório firmado no mês passado, que prevê um período de 60 dias para negociações de um pacto permanente.

Desde então, Trump ameaçou repetidamente retomar os bombardeios. "Ou vamos fazer um acordo ou vamos terminar o serviço", afirmou o presidente americano nesta segunda.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que, nos termos do memorando de cessar-fogo provisório, as negociações para um acordo definitivo "não terão início enquanto as ameaças continuarem". "Honre sua assinatura", escreveu o chanceler na plataforma X.

EUA dizem ser 'absurda' fala de chanceler brasileiro sobre risco de uso da força contra PCC e CV

Governo Trump classifica falas do ministro Mauro Vieira como 'alegações vagas' e afirma que as facções brasileiras operam em solo americano

O governo do presidente americano Donald Trump classificou nesta terça-feira (7) como "absurda" a fala do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que afirmou que existe a possibilidade de os Estados Unidos utilizarem forças militares em território brasileiro.

A fala de Vieira ocorreu depois do governo americano classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas.

Em resposta a um pedido de informações enviado pela Câmara dos Deputados pelo deputado Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES), o chanceler afirmou haver uma "possibilidade de o uso de força militar dos Estados Unidos em território brasileiro". A mensagem do brasileiro veio a público na segunda-feira (6).

Um porta-voz do Departamento de Estado americano rebateu a declaração, afirmando que os EUA "estão adotando medidas decisivas, com base em suas próprias prerrogativas soberanas, para combater narcoterroristas".

Segundo ele, "essas facções brasileiras agora atuam nos Estados Unidos, e nós defenderemos nosso povo contra elas".

Para Washington, "alegações vagas sobre uma suposta intervenção costumam servir de pretexto para ajudar e dar suporte a alguns dos grupos mais violentos do mundo".

O governo Trump reconheceu PCC e CV como terroristas há um mês. A decisão contrariou o governo Lula e ocorreu dias após uma visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao presidente dos EUA. O pré-candidato à Presidência é um defensor da medida.

Segundo Mauro Vieira, em momento algum o Brasil foi consultado formalmente pelos EUA para a decisão do governo Trump. O chefe do Itamaraty declarou, na resposta ao deputado, que se trata de um ato unilateral e enfatizou que o governo brasileiro tem se manifestado contra a medida.

O requerimento de informações do deputado também questiona se o governo tem adotado medidas de cooperação internacional para "o enfrentamento de organizações criminosas de atuação transnacional".

Vieira afirmou que o ministério "tem buscado traduzir no plano diplomático a prioridade atribuída pelo governo brasileiro à segurança pública e ao combate ao crime organizado".

O ministro escreveu que esse esforço "baseia-se no reconhecimento da dimensão transnacional do crime organizado" e que será impossível superar o problema "sem cooperação" com outros países.

Na resposta de Vieira ao deputado, o chanceler afirmou ainda que o reconhecimento das facções como terroristas pode ter "impactos relevantes tanto no plano econômico quanto no da soberania nacional".

O diplomata ainda diz que a designação "não trará benefícios concretos para a cooperação internacional" entre os países.
Por Isabella Menon/Folhapress

China condena funcionário à morte por receber propina de R$ 1,6 bilhão

Um tribunal da China condenou à morte o ex-funcionário Yang Youlin, ex-dirigente da Zona de Desenvolvimento de Nanjing, por receber mais de 2,21 bilhões de yuans (cerca de R$ 1,6 bilhão) em propinas entre 1993 e 2023. Segundo a Justiça, ele favoreceu projetos, operações comerciais, concessões de terras e obtenção de financiamentos em troca de vantagens indevidas.

Além da corrupção, Yang foi condenado por desvio de recursos, oferta de suborno, apropriação de fundos públicos, abuso de poder e lavagem de dinheiro. A sentença também determinou o confisco de todo o seu patrimônio e a perda dos direitos políticos de forma vitalícia, além da recuperação dos valores desviados.

Embora tenha confessado os crimes, demonstrado arrependimento e colaborado com as investigações, a Justiça considerou que a gravidade dos delitos, o elevado valor das propinas e os prejuízos causados ao Estado impediram a aplicação de uma pena mais branda. O processo teve audiências públicas realizadas entre março e abril.

O caso faz parte da campanha anticorrupção conduzida pelo presidente Xi Jinping. Apesar de a pena de morte para crimes de corrupção ser incomum, ela já foi aplicada em outros casos envolvendo desvios bilionários, reforçando a postura rigorosa das autoridades chinesas contra crimes de colarinho branco.

Trump ataca Meloni às vésperas de cúpula da Otan e diz precisar de medida protetiva contra ela

Relação entre os dois se deteriorou após italiana criticar ataques feitos pelo americano ao papa Leão 14

Foto: Reprodução/Truth Social
O presidente dos EUA, Donald Trump, e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni

Ministros da Itália saíram em defesa da líder do país, Giorgia Meloni, nesta segunda-feira (6), depois de um novo ataque feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra ela, às vésperas da cúpula da Otan, a aliança militar liderada por Washington, que será realizada na Turquia nesta terça (7) e na quarta.

Trump publicou no domingo (5), na plataforma Truth Social, uma imagem em que Meloni aparece olhando para ele acompanhada da legenda: "Ordem de Restrição Necessária". Nos EUA, tal ordem equivale a uma medida protetiva. A primeira-ministra não comentou.

O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, afirmou em entrevista ao canal Sky TG24 que a mensagem, reproduzida na capa dos principais jornais italianos, "não precisa de comentários". Segundo ele, o governo não pretende responder a esse tipo de provocação.

Na mesma linha, o ministro da Defesa, Guido Crosetto, disse que o mais importante é preservar as relações com Washington, descrito por ele como um aliado-chave de Roma. "As pessoas passam, mas as relações permanecem", afirmou à Sky TV. A prioridade, acrescentou, também é estimular a união da Otan e do mundo ocidental.

Mesmo políticos da oposição italiana reagiram ao novo ataque. Carlo Calenda, líder do partido Azione, classificou Trump de "valentão desprezível e mesquinho" e manifestou apoio a Meloni.

A publicação representou um novo capítulo no desgaste da relação entre Trump e Meloni. Em junho, a líder italiana acusou o presidente americano de inventar uma história após ele afirmar, sem apresentar provas, que ela tinha implorado para tirar uma foto com ele durante a cúpula do G7, realizada na França.

Na ocasião, a italiana publicou um vídeo na plataforma X para rebater a declaração. Visivelmente irritada, Meloni afirmou que estava surpresa com a atitude do presidente americano. "Francamente, estou consternada", disse. "Não sei por que o presidente dos EUA se comporta assim com seus aliados. E não é a primeira vez." Tajani, por sua vez, chegou a cancelar uma viagem oficial que faria aos EUA.

A relação entre Trump e Meloni já foi de proximidade. A italiana foi uma das principais apoiadoras do americano na Europa e a única líder europeia presente em sua posse, em 2025. Neste ano, porém, ela passou a criticá-lo após ataques feitos por ele ao papa Leão 14 devido à condenação do sumo pontífice ao conflito com o Irã. Em resposta, o republicano disse que a primeira-ministra italiana não tinha coragem.

Por Folhapress

Quem é Isabel Johansen, namorada de Haaland e ex-jogadora

 Companheira de Haaland desde 2021, Isabel Haugseng Johansen é ex-jogadora de futebol, conheceu o atacante ainda na base do Bryne FK e mantém vida discreta ao lado do norueguês, com quem teve um filho em 2024.

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) Depois de marcar dois gols na vitória da Noruega por 2 a 1 sobre o Brasil, neste domingo (5), no MetLife Stadium, Erling Haaland virou o grande nome da classificação norueguesa às quartas de final da Copa do Mundo de 2026. Fora de campo, quem também desperta curiosidade é Isabel Haugseng Johansen, companheira do atacante desde 2021.


Isabel, 22, é ex-jogadora de futebol e atuou nas categorias de base do Bryne FK, o mesmo clube onde Haaland iniciou a carreira. Em um vídeo publicado nas redes sociais, ela contou que deixou o esporte profissional, mas ainda sente falta da rotina nos gramados. "Para ser honesta, eu não era a melhor nos dribles. Eu era mais da velocidade, de correr", afirmou.

Os dois cresceram na cidade de Bryne, no sul da Noruega, e se conheceram ainda adolescentes, quando defendiam as equipes de base do clube local.

Em um vídeo publicado no canal do atacante no YouTube, Isabel relembrou um episódio da infância e contou que costumava observar Haaland durante encontros entre amigos e familiares. Em tom descontraído, ela lembrou que chegou a espiá-lo pelo buraco da fechadura quando ele estava em outro cômodo da casa.

Apesar de se conhecerem desde jovens, o relacionamento começou apenas em 2021. Em entrevista à emissora norueguesa NRK, Haaland revelou que foi Isabel quem tomou a iniciativa, enviou a primeira mensagem e marcou um encontro.
Notíciasde desporto

O casal teve o primeiro filho em dezembro de 2024. Desde então, Haaland afirmou que a paternidade trouxe reflexos positivos também para a carreira. Os dois mantêm a vida familiar longe da exposição pública e não divulgaram o nome nem imagens do rosto da criança.

Hamas anuncia que deixará governo de Gaza e abre caminho para liderança civil

Grupo anunciou a dissolução do órgão que administrava Gaza e abriu caminho para um comitê tecnocrático assumir o governo civil do território, mas a questão do desarmamento ainda segue sem solução.

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O grupo terrorista Hamas anunciou nesta segunda-feira (6) a dissolução do órgão que governou na Faixa de Gaza por quase duas décadas. A medida abre caminho para que um comitê tecnocrático implemente um governo civil no território.

A movimentação do Hamas pressiona Israel a cumprir outras partes de um acordo de paz costurado pelos Estados Unidos que está paralisado. A promessa do grupo terrorista de extinguir o órgão responsável pela supervisão dos ministérios palestinos era uma parte central do plano para a Gaza do pós-guerra apresentado pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

A Faixa de Gaza tem sido administrada pelo grupo terrorista desde 2007, quando seus combatentes tomaram o controle do território do movimento rival palestino Fatah, após vencer as eleições legislativas no ano anterior.

A medida, portanto, representa uma mudança política significativa para o grupo. Desde que um cessar-fogo entrou em vigor, o Hamas tem afirmado estar disposto a deixar a administração cotidiana do território. No entanto, a delicada questão de seu desarmamento continua sem solução.

"O chefe do comitê de emergência do governo, Mohammed al-Farra, apresentou oficialmente sua renúncia", disse à agência AFP Ismail al-Thawabta, chefe do escritório de imprensa do governo do Hamas.

"Ele também decidiu dissolver o comitê para facilitar a transição administrativa e governamental para o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG)", acrescentou.

O comitê, atualmente sediado no Cairo, foi criado pela Junta da Paz estabelecida por Trump quando intermediou o cessar-fogo. "O Hamas deu um novo passo ao deixar de ser responsável pela Faixa de Gaza, com o objetivo de eliminar quaisquer pretextos para a ocupação, que continua sua agressão e guerra de extermínio", declarou à AFP o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem.

Ainda assim, o Hamas afirmou que os funcionários nomeados pelo grupo permanecerão em seus cargos e que continuará responsável pela segurança e pelo policiamento nas áreas do território que seguem sob seu controle.

O NCAG afirmou estar pronto para governar Gaza.

"Reafirmamos que o Comitê Nacional para a Administração de Gaza está totalmente preparado para assumir suas responsabilidades nacionais assim que os recursos e capacidades necessários estiverem disponíveis", escreveu o palestino Ali Shaath, chefe do órgão, no X.

"Os requisitos fundamentais para o sucesso do comitê são uma única autoridade, uma única lei com mandato claro e uma única força armada sob a autoridade dessa única entidade", acrescentou. Shaath é ex-ministro dos Transportes da Autoridade Palestina, entidade que governa parcialmente a Cisjordânia ocupada.

A Junta da Paz informou que tomou conhecimento do anúncio do Hamas e defendeu que todas as armas em Gaza passem a estar sob o controle do NCAG. "O princípio fundamental continua sendo: uma única autoridade, uma única lei e uma única arma", escreveu a entidade no X.

Israel não comentou imediatamente a decisão. O Hamas acusa o governo de Binyamin Netanyahu de violar repetidamente o cessar-fogo e de não cumprir outras partes do plano, que prevê a retirada das forças israelenses de Gaza à medida que o Hamas entregue suas armas.

O pequeno enclave costeiro permanece em ruínas mais de dois anos e meio após o conflito mais recente em Gaza, desencadeado pelos ataques do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023.

Pelo plano apoiado por Trump, o Hamas deve transferir a supervisão do governo para esse Comitê Nacional para a Administração de Gaza, formado por tecnocratas palestinos com apoio dos EUA.

O presidente do comitê, Ali Shaath, afirmou que o grupo, composto por 15 integrantes, está pronto para assumir suas responsabilidades em Gaza assim que "os recursos necessários e as condições adequadas para seu funcionamento estiverem disponíveis".

"Os requisitos fundamentais para o sucesso da comissão são a existência de uma única autoridade, uma única legislação sob um marco institucional claro e um único aparato armado subordinado a essa autoridade", escreveu Shaath em publicação no Facebook.

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As tropas israelenses controlam mais de 60% da Faixa de Gaza e patrulham o que Tel Aviv descreve como uma zona de segurança destinada a impedir ataques do Hamas. O governo de Netanyahu afirma que Israel não pretende se retirar do território.

A campanha militar de Israel devastou Gaza e deslocou praticamente toda a população de 2 milhões de habitantes, a maioria dos quais vive hoje em tendas ou edifícios danificados em uma estreita faixa costeira governada pelo Hamas.

Autoridades de saúde de Gaza informaram que um ataque aéreo israelense matou um casal dentro de um apartamento no bairro de Tel al-Hawa, na Cidade de Gaza, nesta segunda-feira.

Outros dois ataques -um contra uma tenda que abrigava deslocados e outro contra um veículo em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza- mataram três pessoas e deixaram pelo menos outras 20 feridas, segundo médicos. As Forças Armadas de Israel não comentaram imediatamente os incidentes.

Celebração dos 250 anos dos EUA começa com calor e forte segurança em ares de comício de Trump

Protetores solares em aerossol foram proibidos na festa em Washington, e cada pessoa pode levar apenas uma garrafa de água

Em janeiro de 2025, o frio extremo atrapalhou a cerimônia de posse de Donald Trump. O evento teve de ser transferido às pressas para um espaço fechado, e o tradicional desfile foi cancelado.

Neste sábado (4), o mau tempo pode voltar a dificultar os planos do presidente. A celebração dos 250 anos da independência dos Estados Unidos, que Trump trata como uma espécie de comício, coincide com uma previsão de calor de 38°C, que impactou o horário de abertura do evento.

Antes, autoridades recomendaram que o público chegasse às 13h (14h pelo horário de Brasília) para a abertura dos portões. Com a forte onda de calor, o horário foi mudado para às 17h (18h no Brasil).

As temperaturas tórridas não são os únicos desafios para quem quer assistir ao evento, que culmina, no fim do dia, com uma apresentação de fogos de artifício que promete bater o recorde mundial.

Para chegar à área do evento, será preciso passar por uma estrutura de segurança que a imprensa local compara à dos aeroportos do país.

O governo classificou as festas da independência como um "evento nacional de segurança especial", a mesma categoria usada para as cerimônias de posse e para a competição esportiva Super Bowl.

Isso significa que haverá mais medidas de segurança do que o comum, incluindo o bloqueio de vias por veículos policiais, cercas e barreiras de concreto. O público terá de passar por detectores magnéticos.

As autoridades também proibiram a entrada de itens como geladeiras térmicas e cadeiras. São coisas que os americanos estão habituados a levar ao National Mall —um enorme gramado que vai do Capitólio ao Lincoln Memorial— durante as celebrações da independência.

Os americanos costumam celebrar o famoso 4 de Julho com churrascos e piqueniques, no que é tido como uma festa típica dos espaços públicos. Todas essas medidas, no entanto, transformaram o cenário na capital.

Gerou ainda mais críticas o fato de que os agentes federais proibiram a entrada de protetores solares em aerossol e só deixaram que cada pessoa trouxesse uma garrafa de água.

Além disso, o cerco de segurança também reduziu a área útil do parque.

Como o discurso do presidente está previsto para as 21h45 (22h45 no Brasil) e os fogos só serão disparados por volta das 22h30 (23h30 no Brasil), quem quiser garantir um lugar na grama terá de encarar horas de confinamento sob o sol escaldante. Os serviços de emergência já se preparam para atender às vítimas de desidratação.

As celebrações da independência vêm sendo planejadas há uma década. Ao voltar ao governo, porém, Trump criou uma comissão paralela e alterou a narrativa dos eventos.

Seus críticos o acusam de ter se apropriado da data para fins políticos e partidários. Ele próprio se referiu às comemorações como um "comício" em uma postagem na rede Truth Social.

A politização afastou governadores da oposição e esvaziou os pavilhões. Diversos estados governados por democratas decidiram não enviar representantes oficiais à Great American Fair (grande feira estadual americana). A exposição, montada ao longo do Mall, tem atraído um público menor do que o esperado, segundo a imprensa.

Com todo esse cenário em mente, os moradores de Washington têm ido às redes sociais reclamar —ou simplesmente dizer que não iriam comparecer à festa. Há outros pontos ao redor da cidade para ver os fogos sem precisar entrar no espaço oficial, como bares com vista para o parque.

O espectro de um evento despovoado preocupa Trump, cuja obsessão por recordes de público é conhecida. O presidente chegou a pedir aos seus seguidores que viessem e, assim, evitassem que a imprensa dissesse que estava vazio.

Por Diogo Bercito/Isabella Menon/Folhapress

Cidade de Caracas vive dividida entre normalidade e vidas arruinadas por terremotos

Vários setores da capital operam com regularidade; exceto pelos milhares de desalojados vivendo em parques

Hotel destruído por terremoto na Venezuela

À primeira vista, Caracas, a capital da Venezuela localizada entre as montanhas e transformada nos anos 1950 em uma metrópole, opera em normalidade. Não há desabastecimento. Transporte e comércios funcionam como antes. O sinal de internet foi restabelecido.

Mas há pontos onde o impacto brutal dos terremotos que atingiram o país no último dia 24 ficam visíveis, e as vidas impactadas pela tragédia ocupam a capital. Há milhares de pessoas desalojadas pelos tremores morando em parques e nas ruas.

A placa diz: camping. Mas o acampamento no extenso Parque del Este, com 82 hectares e projetado pelo artista e paisagista brasileiro Roberto Burle Marx, virou abrigo para os que perderam suas casas ou parte delas em Caracas.

Ainda na sexta (3), ao redor de 2.000 pessoas, entre elas 300 crianças e adolescentes, ainda moravam ali. Recebiam comida, roupas e atendimento de saúde. Há uma clínica móvel prestando atendimento e exames variados —entre eles, o oftalmológico, para os que perderam seus óculos nos terremotos.

O que não há é uma data para voltar à normalidade. "O que precisamos agora é uma casa", diz Kimberlly Paola Torres López, 19, da região caraquenha de El Junquito, enquanto nina a bebê Valentina, filha de uma mulher que está vivendo na barraca ao lado.

As paredes da casa de Kimberlly caíram. Ela, seu bebê de 8 meses e sua mãe conseguiram sair a tempo. "Já recolheram todos os nossos dados, mas ainda não sabemos de nada".

As famílias foram desalojadas pelo impacto dos terremotos em Caracas e correram para o parque, onde receberam barracas para morar. Muitas estão ali há nove dias. Outras demoraram a chegar e foram para o Parque del Este depois de ouvir no boca a boca que havia famílias morando ali.

A zona mais afetada da capital venezuelana foi a região de Chacao, especialmente os bairros de classe média alta de Los Palos Grandes e Altamira, zonas de maior atividade sísmica. Três edifícios colapsaram. Ao menos 62 pessoas morreram na região, e 28 foram resgatadas vivas, segundo as autoridades locais.

As brigadas de ajuda internacional enviadas ao país com socorristas (como as de Brasil, Chile, El Salvador, Costa Rica e de mais dezenas de países) não atuam na capital, onde os trabalhos são feitos por equipes locais, dado o menor volume de destruição. Essas equipes estão concentradas em La Guaira.

É um cenário de impacto, claro, mas muito distante do encontrado em La Guaira, a "praia dos caraquenhos", a região mais afetada pelos terremotos. Ali, a cifra de mortos é de milhares; a de desaparecidos, de dezenas de milhares. Os dados mais atualizados a nível nacional contabilizam 2.645 mortos.

Cartazes de desaparecidos, mesmo os de La Guaira, estampam algumas das paredes de Caracas. Familiares colam fotos com seus números de contato ou mesmo as cédulas de identidade dos desaparecidos, para o caso de eles serem identificados vivos em algum dos parques de Caracas.

As pessoas não param de chegar para fixar mais cartazes de busca no chamado "Muro da Esperança". Desde o dia após o terremoto, no entanto, nenhuma das pessoas buscadas naquele mural foi encontrada, diz a responsável por atender à imprensa no local.

Muitos ali no parque são crianças. E o tema da infância tem despertado preocupação. O regime liderado por Delcy Rodríguez não diz quantos dos desaparecidos são crianças, e tampouco diz à reportagem quantos menores de idade estão órfãos após os terremotos, ainda que diga que este é um número baixo.

A reportagem foi informada que, somente em Caracas, quatro menores de idade estariam sob custódia do Estado após terem perdido seus responsáveis diretos nos terremotos e ainda não terem sido reunidos com nenhum outro familiar. Esse número, porém, tende a ser muito superior em La Guaira, onde milhares ainda são buscados sob os escombros. Mas a cifra é desconhecida.

Na capital, orfanatos se organizam para acolher essas crianças, mesmo que ainda não tenham sido informados de quantas elas são e de onde estão.

Alguns foram reprimidos pela ditadura por estarem fazendo campanhas online para pedir doações que lhes permitissem comprar mais colchões e outros itens de necessidade dos órfãos. Outros foram reprimidos por terem feito campanhas para encontrar crianças que supostamente teriam sido resgatadas dos escombros, mas que nunca foram entregues a seus pais.

As estatísticas oficiais dizem que há 15 mil pessoas sem moradia no país; a ONU estimou que são mais de 50 mil. Além das que de fato viram suas casas ruirem, porém, há aquelas que tiveram a estrutura de seus lares comprometida, como com profundas rachaduras, e temem voltar aos imóveis.

Até aqui houve mais de 800 réplicas dos terremotos gêmeos do último dia 24, nenhuma delas com intensidade semelhante à daqueles tremores. Mas os tremores secundários assustam às pessoas. O impacto não somente físico e financeiro, mas também psicológico, ainda não tem prazo para acabar.

Por Mayara Paixão/Folhapress

Trump e Lula levaram atual relação entre Brasil e EUA ao pior momento em 200 anos, dizem diplomatas

Depoimentos ao Museu da Pessoa mostram a perplexidade de embaixadores com o estado atual das relações do Planalto com a Casa Branca

Esse é o momento mais grave das relações entre o Brasil e os Estados Unidos em mais de 200 anos. O assombro e a perplexidade com a aparente falta de diálogo, a aposta no unilateralismo e as mudanças provocadas pela presidência de Donald Trump, além do comportamento do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, estão entre os ingredientes dessa situação e são descritos por diplomatas entrevistados para o projeto Memórias da Diplomacia da Brasileira, uma parceira do Museu da Pessoa e da Associação dos Diplomatas Brasileiros (ADB).

O jornal O Estado de São Paulo consultou uma dezena dessas entrevistas, feitas sob a curadoria do jornalista e historiador Mauro Malin. Os entrevistados, como o embaixador Rubens Ricupero, serviram nos EUA e contaram a sua experiência, bem como avaliaram a atual situação da relação entre os dois países após o tarifaço de Trump. “Em Washington, o êxito ou não do teu trabalho depende das condições do país que você representa e eu, quando era embaixador lá, já tinha começado no Brasil a investigação do impeachment do (presidente Fernando) Collor. E depois houve o agravamento da inflação; o Brasil estava muito mal”, disse Ricupero


Na época, segundo o diplomata, o país latino-americano mais festejado nos EUA era o México, em razão do acordo de livre comércio. “Depois, admiravam muito o Chile. A própria Argentina de (Carlos) Menem. O Brasil era visto como um país muito complicado”, contou. A solução para lidar com essa imagem foi procurar think tanks e organizar seminários na embaixada brasileira, em Washington.

“E foi uma experiência boa. Agora, eu acho que não, com esse presidente que eles têm hoje, o Trump, é o momento mais grave do relacionamento com o Brasil. Nunca vi nada parecido em 200 anos de relação”, afirmou. Para ele, não há nada que se assemelhe ao momento atual. “Porque mesmo no golpe de 1964, que eles participaram da conspiração, mas não eram ostensivos, eles faziam isso clandestinamente. Dessa vez, é público, notório, ostensivo, com declarações de apoio a (Jair) Bolsonaro. Se isso continuar, é muito grave, porque nós vamos chegar às eleições e eles vão querer influir sobre as eleições”, disse Ricupero.

Para ele, no entanto, o tiro vai sair pela culatra. “Porque vai ajudar mais o presidente Lula do que o Bolsonaro, mas é uma tensão muito grande na relação com o Brasil.” O embaixador lembrou outro momento grave das relações entre os dois países: os meses que antecederam o golpe de estado de 1964. Em dezembro de 1962, ele testemunhou a visita inesperada ao Brasil de Robert Kennedy. Irmão do presidente americano John Kennedy, Robert era o chefe do Departamento de Justiça.

“Ele veio para dar um aperto no (presidente João) Goulart, porque os americanos já estavam conspirando no Brasil contra o governo Goulart, que era um governo de esquerda.” Ricupero contou que já estava deitado, quando o ministrondas Relações Exteriores, Hermes Lima, que estava no Rio, telefonou e disse: “Olha, vai chegar o Robert Kennedy, você convoca aí os automóveis da garagem e vai recebê-lo na base militar (de Brasília)".

Ricupero disse: “Mas, ministro, como é que eu vou? Eu sou terceiro-secretário, é a função mais modesta da carreira”. Lima respondeu: “Não, você diz que é o representante do governo brasileiro. Porque eu não posso, estou no Rio de Janeiro e não vou chegar a tempo”. Ricupero foi lá. Robert Kennedy chegou às 2 horas. O embaixador americano em Brasília, Lincoln Gordon, estava ali. De manhã, às 11 horas, Robert foi recebido por Goulart no Palácio da Alvorada.

“Eu nunca soube, aliás nunca ninguém soube o que aconteceu. Apenas agora, 50 anos depois, os americanos publicaram um memorando de 11 páginas em que o Lincoln Gordon conta a conversa, porque na conversa só estava o João Goulart, do nosso lado não tinha ninguém, nem intérprete. E do lado americano tinha o Robert Kennedy, o Lincoln Gordon e o intérprete americano (José de Seabra), que eu conheci até por acaso. Então ele conta, é um aperto enorme, que ele vem dizer: ‘Olha, se isso continuar, você não conta com a nossa ajuda’. Ele diz claramente, ele só não diz que iam dar o golpe, mas é bem próximo disso. É uma entrevista dramática. Eu estava do lado de fora, eu não assisti”.

A dramaticidade dos eventos lembrados por Ricupero foi traduzida para o presente pelo também embaixador Paulo Sérgio Traballi Bozzi. “Estamos enfrentando o leão da montanha. O cara (Trump) é muito poderoso, um homem que tem um porta-aviões que leva 6 mil sujeitos embarcados, e tem 160 aviões de todo tipo e tamanho e sai de casa com uma força-tarefa, um submarino nuclear. Não se pode brincar com esse cara, não dá para brincar com esse cara. Não estou dizendo que temos que nos submeter à vontade dele. Não é isso”.

O papel de Lula e as Malvinas

Além do período que antecedeu a derrubada de Goulart, os diplomatas entrevistados para o registro da memória do Itamaraty lembraram outros momentos das relações entre o Brasil e os Estados Unidos e apontaram também o papel do Brasil nesses episódios. A embaixadora Débora Vainer Barenboim-Salej trabalhou em Washington no tempo em que a embaixador do Brasil na capital americana era Marcílio Marques Moreira. “A simpatia pelo Brasil era tanta que o diplomata do Departamento de Estado coava cafezinho, na mesa dele, para me servir um café quando eu chegava. Não é porque eu sou bonitinha, é porque o Brasil tinha um peso, que em algum momento deixou de ter nos EUA”.

Baremboim-Salej atribuiu essa situação ao que chamou de a “politização, a ‘petização’ da diplomacia, em particular da embaixada em Washington”. Para ela, houve muita “pisada de bola” do governo Lula, como o apoio à candidata democrata Kamala Harris nas eleições presidenciais de 2024, quando ela foi derrotada por Trump. Para ela, “não tinha nada que dizer que queria que a Kamala ganhasse as eleições". “Isso é um tipo de ingerência em outros países, que não faz parte da diplomacia brasileira, não podia ter falado e pesou; é um dos fatores que criou o começo do mal-estar com o atual governo Trump”.

O embaixador Sérgio Eduardo Moreira Lima trabalhava em Washington em outro momento importante da história do hemisfério: quando a Argentina decidiu invadir as Ilhas Malvinas, em 1982. “Essa questão do conflito das Malvinas foi muito importante, porque o Brasil tinha um acordo, que se chamava Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR). Isso significava que se você tivesse uma potência de fora do hemisfério, de fora das Américas, atacando algum país (das Américas), como aconteceu, todos os países das Américas deveriam se apoiar por esse tratado”, contou.

Mas os americanos não fizeram isso. Os EUA decidiram apoiar o Reino Unido e cederam a base da Ilha de Ascensão, no Atlântico Sul, para os britânicos. O Brasil não apoiou os argentinos, mas, de acordo com o diplomata, a decisão de Washington “abalou a confiança na própria liderança americana”. “E mostrou que nós teríamos que buscar um entendimento a respeito da segurança hemisférica”.

Moreira Lima conta que o episódio ajuda a “entender o funcionamento dos poderes, entender o jogo”. “Perceber que, de repente, existe um tratado, acredita-se naquilo e que os americanos iriam apoiar os países da região, mas eles concedem todo o apoio à Inglaterra. Foi interessante. Para o Brasil foi um enorme desafio”, concluiu.

Na época, o Itamaraty adotou uma postura equidistante e conseguiu se credenciar para cuidar dos interesses dos dois beligerantes. Quatro décadas depois, o diplomata se espanta com a situação atual da diplomacia. “Nunca imaginei que fosse viver esse momento, um momento em que estamos nos afastando de uma ordem que tinha seu fundamento no direito.” Segundo ele, de repente, o mundo entrou em um terreno do unilateralismo, que significa uma desconstrução de séculos de tudo que o Brasil contribuiu – até com ajuda dos americanos – para construir.

O real e o acordo nuclear

Mário Vilalva, que foi cônsul-geral em Boston (EUA) entre 1996 e 1999, realçou a importância da “facilidade de acesso” para o trabalho dos diplomatas. “Se você não tiver essa facilidade, não consegue nada. Veja hoje o que está se passando aí, que ninguém consegue conversar com o governo norte-americano no momento, não tem facilidade de acesso neste momento”, disse.

O embaixador comparou a crise a partir da chegada ao poder de Trump ao momento em que viveu nos Estados Unidos. Também, naquela época, era preciso levar aos atores políticos e econômicos dos EUA “o conhecimento sobre o que era o Brasil” com o objetivo de evitar que legislações americanas comprometessem as exportações brasileiras. “Hoje, passamos por uma situação muito parecida, em que há um presidente nos Estados Unidos (Trump) que conhece pouco o Brasil e, quando você conhece pouco, você se arrisca a tomar medidas que não são justas”.

O diálogo e a estratégia de levar conhecimento do Brasil aos EUA foi o que fez o embaixador Carlos Alberto Lazary Teixeira. “Fui diretor da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos da Flórida. Ali desenvolvemos um trabalho importante de projeção do Brasil, de participação em feiras, toda a área comercial”. Esse interesse depende não apenas da diplomacia, mas do momento do País.

Teixeira conta que, após o Plano Real (1994), o interesse dos americanos pelo Brasil cresceu. “Eu fazia oito palestras por ano. No momento em que houve o lançamento do Plano Real, eu fui convidado, no ano seguinte, a fazer mais de 50 palestras. O Brasil entrou no radar com o Plano Real.”

Além da economia, temas como a proliferação de armas atômicas no hemisfério também despertavam a atenção dos americanos. E foram motivo de atritos entre os países. O embaixador Paulo Roberto Almeida, que trabalhou entre 1999 e 2003 nos EUA, contou que, naquela época, o “grande inimigo do Brasil era John Bolton”, descrito por ele como o homem forte do Departamento de Estado. Era Bolton, segundo Almeida, quem proibia a exportação de qualquer material sensível ao Brasil.

“Não estou falando de materiais militares, mas sim de supercomputadores, por exemplo, que você usa para definir clima, ambiente. Você precisa de supercomputadores para fazer a previsão de chuvas. E o John Bolton achava que os supercomputadores seriam usados para simulações de explosões nucleares clandestinas. Então, vetava tudo.” Isso ocorrido, de acordo com Almeida, porque o Brasil não havia assinado o Tratado de Não Proliferação de armas nucleares.

A reação americana aos programas nuclear e aeroespacial brasileiros começou ainda nos anos 1970, quando, durante o regime militar, o País assinou um acordo de cooperação espacial com a França para o lançamento de foguetes, mas que, para os americanos, podia significar mísseis. A mesma oposição ocorreu quando o Brasil firmou o acordo nuclear com a Alemanha Federal, em 1975, para a construção de reatores nucleares, além das pesquisas sobre a tecnologia de enriquecimento de urânio.

“Os americanos fizeram enormes pressões sobre o Brasil em 1975, 1976 e 1977, sendo contrários a esse acordo Brasil e República Federal Alemã”, disse o diplomata. Essa foi uma das causas que levou o presidente Ernesto Geisel cancelar o acordo de cooperação militar que o Brasil mantinha com os Estados Unidos. “Era uma cooperação antiga, vinha da Segunda Guerra Mundial”, lembrou.

Para ele, é preciso que o Brasil se lembre que é uma potência média, que deveria manter uma posição “imparcial, neutra, autônoma, em relação aos conflitos entre grandes potências”. Mas, segundo ele, não é o que Lula fez. Primeiro com os Brics, quando se uniu à China e à Rússia. Depois, ao apoiar “todas as eleições dos seus colegas esquerdistas na América Latina, desde 2003″. “Ou seja, interferiu nos assuntos internos de outros Estados.”

Ele citou ainda a declaração de Lula de apoio à candidata democrata Kamala Harris. Tudo isso aumentaria os desafios da atual situação. “E o Brasil, como potência média, devia estar unido a outras potências médias contra as violações do direito internacional pelas grandes potências. Infelizmente, não é o que está acontecendo hoje”, afirmou.

Seu colega, Tadeu Nascimento Valadares, afirmou que os desafios estão além dos desencontros entre a gestão de Trump e a de Lula. “Os desafios são muito claros: o que nós estamos vivendo não é só um momento; estamos vivendo uma época de grandes riscos. E por quê? Simplificando a mais não poder, vivemos uma época que os historiadores da longa duração chamam de um momento de mudança de paradigmas ou de mudança de transição de hegemonias.”

E como esse processo atinge a América Latina? Para ele, a região continua sendo dominada pelos EUA na área militar, por meio da projeção de sua força, como ocorreu na Venezuela, mas, ao mesmo tempo a “hegemonia comercial de cooperação hoje, apesar das diferenças de regime, já é chinesa”. O diplomata lembrou que “transições de hegemonia foram sempre resultantes de enormes conflitos bélicos”. “Esse é o quadro geral dos grandes desafios da diplomacia brasileira”, concluiu.
Por Felipe Frazão/Marcelo Godoy/Estadão

Número de mortos em terremotos na Venezuela sobe para 1.719

As autoridades venezuelanas atualizaram, nesta segunda-feira (29), o balanço oficial dos terremotos que atingiram o país no dia 24 de junho. Segundo o governo, o desastre já deixou 1.719 mortos, além de 5.034 feridos e 15.866 pessoas desabrigadas.

Os números foram apresentados pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, durante a divulgação do mais recente relatório sobre os impactos da tragédia. Ele é irmão da vice-presidente executiva da Venezuela, Delcy Rodríguez.

Enquanto as equipes de resgate continuam as buscas em áreas afetadas, a expectativa é de que o número de vítimas aumente. De acordo com estimativas das Nações Unidas, cerca de 50 mil pessoas ainda permanecem desaparecidas sob escombros ou sem contato com familiares, o que mantém o cenário de preocupação no país.
Por: Bahia.ba

Mortes após terremotos na Venezuela sobem para 1.430 Por Agência Brasil

Dois brasileiros estão entre as vítimas
O número de mortes em razão dos terremotos que atingiram a Venezuela na quarta-feira (24) subiu para 1.430. O balanço foi divulgado neste sábado (27) pelo governo venezuelano.

Os números mostram ainda 3.238 feridos pelos tremores, que registraram magnitude de 7,5 e 7,2 graus na escala Richter. Segundo o governo venezuelano, foram contabilizadas pelo menos 430 réplicas de menor intensidade.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que dois brasileiros – uma mulher e um homem – morreram em decorrência dos terremotos. Uma das vítimas é a brasiliense Vanessa Zacarias da Silva, 44 anos.

Na tarde de sexta-feira (26), um novo terremoto, de magnitude 4,9, atingiu a costa norte da Venezuela. O tremor foi sentido na capital Caracas e na cidade vizinha de Maracay.

Venezuela registra 920 mortes, e sismos abalam a Caracas de construções vulneráveis devido à crise

Capital tem estrutura antiga, e país convive com interrupção constante de rede elétrica, o que pode dificultar buscas

Terremoto foi o maior a atingir Caracas em mais de um século
O maior terremoto a atingir Caracas em mais de um século encontrou a capital da Venezuela com uma infraestrutura precária, em parte resultado de uma crise econômica que abate o país há mais de uma década.

Na manhã desta sexta-feira (26), cerca de 36 horas após tremores de magnitude 7,2 e 7,5, as autoridades do regime comandado pela líder interina, Delcy Rodríguez, tinham confirmado 920 mortos. A tendência, no entanto, é que o número cresça —o Serviço Geológico dos Estados Unidos calcula, com base em uma escala técnica previamente estabelecida, que há 42% de chances de que o número total de óbitos fique entre 10 mil e 100 mil.


O órgão cita a precariedade da área atingida. "De modo geral, a população desta região reside em estruturas vulneráveis a tremores sísmicos, embora existam construções resistentes. Os tipos de construção vulneráveis predominantes são alvenaria de tijolos sem reforço e blocos de adobe", afirma o serviço.

A situação se dá em parte pela situação econômica da população. De acordo com a Encovi (Pesquisa Nacional de Condições de Vida, na sigla em espanhol), feita pela Universidade Católica Andrés Bello, 55% dos venezuelanos estavam em situação de pobreza multidimensional, que se calcula a partir de índices como renda, emprego, moradia e serviços, em maio de 2025.

Pesquisas sobre a distribuição urbana de Caracas são escassas, mas, em 2016, quando a crise econômica ainda estava em seu início, um programa social do regime estimava que cerca de 60% da população vivia em favelas na capital.

Nos últimos anos, diversos estudos demonstram como a fragilidade das construções poderia ser perigosa durante a ocorrência de um terremoto. Um deles, publicado em 2014 na Revista da Faculdade de Engenharia da UCV (Universidade Central de Venezuela), calcula os riscos em Guarenas e Guatire —naquele momento, as principais áreas de expansão da região metropolitana de Caracas.

De acordo com o estudo, o número de mortos em um terremoto de magnitude moderada a grande que ocorresse às 2h da madrugada e atingisse os dois locais poderia matar quase 20 mil pessoas. Os autores afirmam no artigo que apenas 40% da população dos municípios estudados viviam em edifícios formais. Todas as construções informais e mais da metade das formais eram de alta vulnerabilidade em uma situação de sismo.

"Caracas é uma cidade de estruturas antigas", afirma Valentina Páez Hernández, mestre em engenharia sísmica pela UCV, à reportagem. Ela calcula que cerca de 80% dos edifícios são anteriores à principal norma para construções resistentes a terremotos, elaborada em 1982. Frisa, porém, que a situação foi excepcional —o tremor foi o mais forte registrado no país desde 1900.

O texto é um marco por ter sido o primeiro elaborado com uma base científica mais robusta, com a ajuda da Fundação Venezuelana de Investigações Sismológicas, no rescaldo do terremoto de 1967. O sismo daquele ano foi de magnitude 6,3 e matou mais de 200 pessoas.

Para além da precariedade dos prédios, a Venezuela está em uma situação frágil em relação à infraestrutura de serviços básicos em geral.

Nesta quinta, a rede elétrica estava funcionando na maior parte do país, mas partes de Caracas e de outras cidades atingidas, como Catia la Mar e La Guaira, estão sem energia elétrica —uma situação que não chega a ser novidade para os venezuelanos.

A maior parte do país, inclusive a capital, sofre apagões diariamente. De acordo com a Encovi, somente 10% da população disse nunca sofrer cortes de energia em maio de 2025, período no qual foi feito o último levantamento. Do restante, 39% disseram ficar sem luz várias horas por dia —número que chegou a uma mínima de 8% em 2016, mas que desde então só cresceu até chegar ao seu pior patamar em onze anos, em 2025.

Em relação à água encanada, a situação também é preocupante. Chega a 78% a porcentagem de pessoas que têm acesso ao serviço, índice que era de 85% em 2016. A frequência em que ele funciona, no entanto, é irregular: apenas 19% dizem ter água encanada diariamente e de forma contínua, e 11% dizem ter apenas uma vez por semana.

O cenário de falta de energia e água deve afetar o uso de equipamentos e a comunicação, prejudicando as buscas nas 48 horas seguintes ao evento, essenciais para resgatar sobreviventes sobre os escombros.

Por Daniela Arcanjo/Folhapress

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