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Lula diz que vai discutir com Trump minerais críticos e terras raras e que não aceitará imposições
Presidente falou que pretende discutir o assunto com o norte-americano de uma posição de soberania. Combate ao crime organizado e revogação do tarifaço também estarão em pauta.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (20) que pretende conversar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre uma negociação soberana para a venda e exploração de minerais críticos e terras raras.
🔎Minerais críticos e estratégicos são aqueles que desempenham papel central na economia do presente e do futuro. São usados, por exemplo, na tecnologia de ponta, em chips para celulares e computadores e na transição energética.
Grande parte desses minerais são as chamadas "terras raras", que são tão importantes na geopolítica mundial que, nos últimos meses, os Estados Unidos fecharam acordos sobre elas com Ucrânia e China.
🌍O Brasil, de acordo com o Serviço Geológico Americano, tem a segunda maior reserva de terras raras do planeta. A maior fica na China. Atualmente, a produção nacional corresponde a apenas 1% da produção mundial.
Lula já defendeu esse posicionamento em viagens internacionais, inclusive durante discurso no G20. Mas, desta vez, destacou que o assunto será uma das principais pautas a serem debatidas com o chefe da Casa Branca.
"Quero negociar com ele a questão dos minerais críticos e das terras raras. O Brasil tem muitos minerais críticos e terras raras, mas não queremos transformar o território brasileiro em um santuário da humanidade", disse o presidente.
Prefiro negociar de forma soberana para que o processo de transformação desses minerais críticos seja feito e explorado em nosso país, dentro do nosso país, e não fora. E venderemos para quem quisermos vender. Não aceitamos que nos imponham nada, prosseguiu
Lula deu a declaração a uma TV local na Índia, onde está em viagem. A agenda foi transmitida com tradução para o inglês. O Planalto não divulgou uma transcrição oficial da entrevista em português.
Segundo interlocutores do governo brasileiro, os Estados Unidos chegaram a apresentar para alguns países um modelo de cooperação para exploração de recursos estratégicos.
O Brasil estava com representante para ouvir a proposta, na ocasião. No entanto, já decidiu que não fará parte da iniciativa.
A avaliação do governo brasileiro é que a exploração desses recursos deve ocorrer sob controle nacional e com parcerias que garantam transferência de tecnologia e desenvolvimento da indústria brasileira e principalmente, soberania nacional.
Viagem para Washington
Lula e Trump acertaram uma visita oficial do brasileiro à Casa Branca durante uma ligação telefônica no ano passado. A previsão é que a reunião presencial ocorra no mês de março, após viagem do petista para a Coreia do Sul.
Além da questão dos minerais críticos, Lula também disse que pretende discutir com Trump o fim do tarifaço – ainda em vigor para alguns setores, especialmente da indústria – e o combate ao crime organizado e ao tráfico internacional.
"Agora, quero ir aos Estados Unidos porque, desde que ele começou na Venezuela dizendo que queria combater o crime organizado e o tráfico de drogas, muito bem. Eu também quero combater isso aqui no Brasil".
O petista também reclamou da forma de Trump de anunciar as medidas por meio de redes sociais, e disse que levará até a Casa Branca um documento por escrito, para garantir que o "vento não distorça palavras".
"Essa proposta, quero levá-la por escrito ao presidente Trump, porque tenho receio de que o vento possa distorcer as palavras. Então, vou levá-la por escrito. Tudo o que vou tratar com o presidente Trump, levarei por escrito. Estou otimista com essa conversa com o presidente Trump".Por Kellen Barreto, g1 — Brasília
Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço imposto por Trump
Decisão define os limites do poder do republicano para impor tarifas sem o aval do Congresso e pode afetar medidas aplicadas contra o Brasil.
A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta sexta-feira (20) que o presidente Donald Trump extrapolou sua autoridade ao impor um aumento amplo de tarifas sobre importações de quase todos os parceiros comerciais dos EUA, incluindo o Brasil.
A decisão foi tomada por 6 votos a 3. O presidente do tribunal, John Roberts, redigiu o parecer da maioria, enquanto os juízes Clarence Thomas, Samuel Alito e Brett Kavanaugh registraram votos divergentes. Roberts destacou que Trump deveria “apontar para uma autorização clara do Congresso” para justificar o chamado tarifaço.
A decisão da Corte surgiu a partir de uma ação movida por empresas afetadas pelas tarifas e 12 estados americanos, a maioria governados por democratas, que contestavam o uso sem precedentes da Lei de Poderes Econômicos em Emergência Internacional (IEEPA).
A IEEPA havia sido usada para impor tarifas sobre importações sem a aprovação do Congresso, algo que nunca havia ocorrido antes. O processo judicial se arrastava desde meados de 2025.
O que acontece agora?
Na prática, a decisão da Suprema Corte derruba as tarifas de 10% ou mais que vinham sendo aplicadas desde abril de 2025 à maioria dos parceiros comerciais dos Estados Unidos.
No entanto, não são afetadas as tarifas específicas sobre importações de aço e alumínio, que também incluem produtos brasileiros, aplicadas com base na "Seção 232 do Trade Expansion Act de 1962", uma lei voltada exclusivamente à segurança nacional.
Com a decisão, a estratégia comercial de Donald Trump pode sofrer mudanças significativas.
Além disso, além da derrubada de tarifas, o governo americano pode ser obrigado a devolver parte dos bilhões arrecadados com os impostos de importação. De acordo com economistas do Penn-Wharton Budget Model, esse valor pode ultrapassar US$ 175 bilhões (aproximadamente R$ 912,5 bilhões).
A decisão da Suprema Corte
A Constituição dos Estados Unidos estabelece que o poder de criar impostos e tarifas é exclusivo do Congresso, e não do presidente.
Mesmo assim, Donald Trump utilizou a Lei de Poderes Econômicos em Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) para impor tarifas a quase todos os parceiros comerciais dos EUA, incluindo o Brasil, sem a aprovação do Legislativo.
Além disso, o presidente também aplicou tarifas adicionais com base em outras leis, que não foram objeto da análise da Suprema Corte neste caso.
🔎 A IEEPA (International Emergency Economic Powers Act, ou Lei de Poderes Econômicos em Emergência Internacional) permite ao presidente regular o comércio em situações de emergência nacional. Donald Trump foi o primeiro a usar essa lei para criar tarifas, expandindo de maneira inédita os limites da autoridade presidencial em diversas áreas, incluindo imigração, demissão de funcionários federais, envio de tropas e operações militares no exterior.
Entre as medidas aplicadas com base na IEEPA estavam as tarifas “recíprocas” quase globais e outras taxas relacionadas ao combate ao tráfico de drogas letais nos EUA.
No entanto, a Suprema Corte destacou que a IEEPA não menciona explicitamente a criação de tarifas. A lei apenas permite que o presidente “regule a importação” de bens estrangeiros após declarar uma emergência nacional para enfrentar ameaças consideradas “incomuns e extraordinárias”.
O governo Trump havia argumentado que essa linguagem conferia ao presidente o poder de impor tarifas sobre produtos estrangeiros.
A Corte reafirmou que, de acordo com o Artigo I, Seção 8 da Constituição, apenas o Congresso pode criar e cobrar impostos e tarifas alfandegárias. Os juízes concluíram que seria inconcebível delegar ao presidente, de forma ambígua, poderes com impacto econômico e político tão grande.
Embora a decisão limite o uso da IEEPA, os juízes dissidentes observaram que o presidente ainda poderia tentar impor tarifas por meio de outras leis específicas, como a Lei de Expansão Comercial de 1962 ou a Lei de Comércio de 1974.
No entanto, a partir de agora, a IEEPA não poderá mais ser usada como uma “caixa de ferramentas” para criar impostos de forma unilateral e imediata.
A briga judicial
A Suprema Corte dos EUA decidiu em setembro passado analisar a legalidade do tarifaço imposto por Donald Trump, após o governo recorrer da decisão de um tribunal de apelações, que concluiu que a maioria das tarifas não tem respaldo legal.
As ações contra as taxas foram apresentadas por empresas impactadas pelo tarifaço e por 12 estados americanos, a maioria administrada por democratas.
Além dos limites do poder de decisão de Trump, estão em jogo trilhões de dólares em tarifas alfandegárias ao longo da próxima década. O presidente americano já defendeu que as cobranças são um "remédio" necessário para a economia americana.
Em 5 de novembro, durante as sustentações orais do caso, os juízes da Suprema Corte levantaram dúvidas sobre a legalidade das tarifas impostas por Trump. O debate durou mais de 2h30.
O principal ponto das discussões foi avaliar se o presidente havia ultrapassado a competência do Congresso americano ao impor tarifas com base em uma lei de 1977, originalmente prevista para ser aplicada em situações de emergência nacional.
Segundo a agência Reuters, alguns juízes conservadores afirmaram que a Corte estava debatendo o poder "inerente" dos presidentes ao lidar com outros países — na prática, isso indica uma possível divisão sobre o resultado do caso. O tribunal possui maioria conservadora de 6 a 3.
Críticas de Trump
Em agosto de 2025, Donald Trump criticou a decisão do tribunal de apelações, que declarou ilegais a maior parte das tarifas impostas por ele.
Na ocasião, o tribunal determinou que as tarifas continuassem em vigor até 14 de outubro, concedendo ao governo Trump a oportunidade de recorrer à Suprema Corte. Ao levar o caso à instância superior, o tarifaço permaneceu em vigor.
O republicano afirmou que o tribunal de apelações — que classificou como “altamente partidário” — errou ao determinar a suspensão das tarifas. Ele acrescentou que, “com a ajuda da Suprema Corte dos EUA”, pretende manter a taxação.
“Se essa decisão fosse mantida, ela literalmente destruiria os Estados Unidos. (...) Todos devemos lembrar que as TARIFAS são a melhor ferramenta para ajudar nossos trabalhadores e apoiar empresas que produzem excelentes produtos FEITOS NOS EUA”, publicou ele na Truth Social.
Na prática, Trump fez das tarifas um eixo de sua política externa no segundo mandato, usando-as para pressionar e renegociar acordos com países exportadores aos EUA. A estratégia permitiu obter concessões econômicas, mas aumentou a instabilidade nos mercados financeiros.
Tarifas sobre produtos brasileiros
Em abril de 2025, ao anunciar as chamadas tarifas recíprocas, Trump aplicou uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA. Em julho, o republicano impôs um novo aumento de 40%, elevando a alíquota total para 50%.
A medida, no entanto, veio acompanhada de uma extensa lista de exceções, que deixou de fora da alíquota adicional de 40% itens como suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, veículos e autopeças, fertilizantes e produtos do setor energético. A taxação entrou em vigor em 6 de agosto.
Já em novembro, após Trump iniciar negociações diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os EUA retiraram a tarifa de 40% de novos itens, incluindo café, carnes e frutas. Meses antes da decisão, em discurso na ONU, o republicano afirmou ter tido uma “química excelente” com Lula.
Por André Catto, Micaela Santos, g1 — São Paulo
Sob pressão dos EUA, Parlamento da Venezuela aprova lei de anistia por unanimidade
Delcy disse que medida trará paz ao país; presidente da Assembleia, seu irmão, pediu perdão a presos políticos
Após semanas de negociação, a lei de anistia para presos políticos na Venezuela foi aprovada nesta quinta-feira (19) pela Assembleia do país por unanimidade. Os deputados estavam pressionados por ONGs, familiares de presos e, decisivamente, pelos Estados Unidos de Donald Trump.
São beneficiados acusados de "traição à pátria", "terrorismo" e "incitação ao ódio". "Um acontecimento muito importante ocorreu para a Venezuela", disse Delcy na semana passada, após os parlamentares darem o primeiro sinal verde à proposta.
A votação da lei foi adiada duas vezes antes de receber aprovação do Parlamento. A iniciativa, promovida pela líder interina Delcy Rodríguez, já havia sido chancelada em uma primeira leitura, e os parlamentares passaram a discutir a proposta ponto a ponto no dia 12 de fevereiro.
Na sessão anterior, a oposição travou debate no artigo 7º, que afirmava que a anistia cobre "toda pessoa que esteja ou possa ser processada ou condenada por delitos ou infrações ocorridos" nos 27 anos de chavismo.
A oposição questionou o trecho que pede que o cidadão "esteja à disposição da Justiça ou se apresente à Justiça", o que implica que tenham que ir aos tribunais na Venezuela para verificar se a anistia se aplica.
A sessão desta quinta-feira (19) atrasou por causa de negociações de conteúdo, que foram realizadas a portas fechadas em uma comissão de deputados. Embora possua maioria no Legislativo, o chavismo negociou com a oposição para conseguir aprovar o texto sem nenhum voto contrário.
A votação começou por volta das 19h30 (horário de Brasília). Os deputados adicionaram dois artigos à lei e modificaram outros. Nesta sessão, o artigo 7º foi aprovado por unanimidade após modificação que permitiu que pessoas que não estejam no país, como exilados, fossem representadas por advogados.
Em seguida, os deputados debateram os fatos específicos passíveis de anistia. Eles vão desde a tentativa de golpe de Estado contra Hugo Chávez em 2002 até "manifestações e atos violentos" nas eleições regionais e para a Assembleia Nacional em 2025. A oposição foi contra a inclusão da palavra "violentos" na lei, mas terminou vencida pelos governistas, que mantêm maioria.
Além disso, deputados oposicionistas também pleitearam a inclusão de um dispositivo para permitir que a concessão de anistia seja debatida caso a caso para aqueles que não se encaixem nos fatos listados. Ela será administrada por uma comissão parlamentar especial que foi criada pela própria legislação.
O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, que é irmão de Delcy, afirmou que a lei de anistia é "sobre fatos, não pode ser sobre pessoas". Por isso, disse, não é possível incluir dispositivos que ampliem a concessão para casos fora da lista. Apesar disso, ele prometeu à oposição que a comissão especial poderia discutir como resolver a questão.
Os deputados aprovaram a exclusão da lei daqueles que tenham cometido "homicídio intencional e lesões graves", "crimes de guerra" e participantes de "ações armadas ou de força contra o povo ou a soberania".
"Também serão excluídas da anistia as pessoas que estão ou possam vir a ser processadas ou condenadas por terem promovido, instigado, solicitado, invocado, favorecido, facilitado, financiado ou participado de ações armadas ou de força contra o povo, a soberania e a integridade territorial da Venezuela por parte de Estados, empresas ou pessoas estrangeiras", dispõe o artigo 9º da lei. Não está claro como este artigo pode afetar membros da oposição como a ativista María Corina Machado.
Foi adicionado um artigo que explicita que os libertados podem voltar a ser processados por atos cometidos depois da aprovação da lei.
A lei passa a valer, segundo o texto aprovado pelos deputados, quando for publicada no Diário Oficial do país. As autoridades venezuelanas se comprometeram a, uma vez aprovada a lei, libertar imediatamente os detidos por motivos políticos.
O gesto de libertar os detidos é fruto da pressão sobre Delcy, que assumiu o poder após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar americana no dia 3 de janeiro. Sua gestão tem sido marcada por cobranças de Washington em relação à política interna e, principalmente, ao setor de petróleo.
Após fazer seu juramento na Assembleia Nacional, Delcy anunciou um processo que concedeu liberdade condicional a mais de 400 presos políticos.
"A adoção unânime por todas as forças políticas presentes na Assembleia, em sua primeira leitura, da lei de anistia, que é uma lei para a paz e a reconciliação nacional", afirmou ela.
Jorge Rodríguez chegou a pedir perdão aos presos políticos durante a primeira sessão que debateu o tema, no início do mês. "O caminho dessa lei será cheio de obstáculos, cheio de momentos amargos", disse.
"Não só teremos que engolir coisas difíceis... como também engolir sapos", afirmou Jorge. "Pedimos perdão porque, para que fique claro, eu não gosto de prisioneiros", afirmou, segurando uma fotografia do falecido Hugo Chávez com um crucifixo na mão.
A anistia abrange eventos ocorridos durante os governos chavistas, mas um dos artigos limita essa cobertura a dez períodos políticos distintos, até os protestos após as eleições de 2024.
A expectativa é de que a lei leve à libertação incondicional de mais presos, embora especialistas alertem que o texto atual faça com que muitos permaneçam excluídos da anistia, incluindo defensores de direitos humanos que já foram libertados.
A questão de militares que também são prisioneiros políticos, por exemplo, é complexa na Venezuela. Apesar da contagem oficial de liberações de detentos, a Foro Penal não registrou libertações de militares, que seriam 182.
As vozes dos familiares de presos políticos continuam a ecoar, enquanto aguardam as libertações. Eles se reúnem em vigilâncias e protestos pedindo justiça e liberdade, enquanto o debate sobre a anistia avança.
Por Douglas Gavras/Angela Boldrini/Folhapress
Trump acelera preparação de ataque ao Irã
Apesar de negociação sobre programa nuclear prosseguir, sinais de que os EUA poderão atacar a teocracia se acumulam
| (Foto: Reprodução/Instagram) |
Apesar dos relatos de progresso nas negociações para evitar uma nova guerra no Oriente Médio, os Estados Unidos aceleraram nesta semana a mobilização militar ofensiva em preparação para atacar o Irã.
Após enviar dois grupos de porta-aviões e diversos ativos para a região, as forças de Donald Trump estão empreendendo uma movimentação frenética de aeronaves para o teatro de um eventual conflito.
Só de segunda-feira (16) até esta quarta (18), foram ao menos 78 aviões de caça e ataque deslocados, mais que o dobro do que já havia em três principais bases americanas sob a jurisdição do Centcom (Comando Central da Forças Armadas dos EUA) —isso sem contar as 90 aeronaves a bordo do USS Abraham Lincoln.
Esses aviões estão sendo apoiados por uma armada voadora de aviões-tanque. Só na manhã desta quarta, havia 20 modelos KC-135 e KC-46 no ar cruzando o Atlântico vindos dos EUA, e uma fila com dezenas de voos de ida e volta de cargueiros C-17 da região para bases europeias.
Além disso, seis aviões-radar E-3 e pelo menos um raramente usado U-2 já estão na Europa, a poucas horas da ação. São aeronaves essenciais para qualquer ação coordenada, organizando o trabalho de caças, aviões de ataque a solo e bombardeiros. Todos os números são tirados de monitores de tráfego aéreo, e pode haver mais ativos a caminho.
Chama a atenção a composição do contingente, que saiu dos EUA e de bases na Europa: além de 36 caças leves F-16 e mais 12 aviões de ataque F-15, há 12 F-22 e 18 F-35 relatados pelos monitores. Os dois últimos são modelos de quinta geração, furtivos a radar.
O F-22, em particular, é o avião mais poderoso da frota americana. Seu emprego, provavelmente numa base da Jordânia, sugere o potencial uso do bombardeiro "invisível" B-2, numa combinação usada no ataque americano a instalações nucleares do Irã em junho passado.
Nele, os F-22 serviram com F-35 de escolta para os bombardeiros de R$ 11 bilhões, enquanto outros caças abriam o caminho alvejando defesas aéreas iranianas. Nesse cenário, é possível especular um novo ataque mais cirúrgico para decapitar a teocracia islâmica instalada em Teerã desde 1979.
Mas analistas militares observam que o poderio mobilizado insinua uma guerra mais ampla do que bombardear o aiatolá Ali Khamenei e comandantes de sua Guarda Revolucionária. Isso implica vários riscos, dado que o país não é indefeso como a Venezuela, atacada em janeiro.
Para tanto, seguindo a cartilha do Pentágono, tudo começa com o uso intensivo do míssil de cruzeiro Tomahawk. Há cerca de 600 unidades da arma de precisão rondando o Irã. Trump já tem na região o Lincoln e sua escolta de três destróieres, e um total de ao menos 12 navios de guerra.
Na semana que vem eles já sejam apoiados por um segundo grupo de porta-aviões, centrado no maior modelo do tipo no mundo, o USS Gerald R. Ford. O navio e sua escolta estavam no Caribe, onde participaram da operação que capturou o ditador Nicolás Maduro e sua mulher.
Nesta quarta, ele estava perto do estreito de Gibraltar, entrando no Mediterrâneo e podendo estar em posição de apoiar um ataque ao Irã pelo flanco oeste já neste fim de semana se mantiver a velocidade atual de 24 nós (44 km/h).
Por fim, há o fator Israel, aliado central dos EUA na região. O Estado judeu, segundo a imprensa local, elevou seu alerta militar e pode participar do ataque aos arquirrivais iranianos, repetindo a parceria do curto conflito de junho passado. Potência nuclear, o país tem cerca de 300 aviões capazes de alvejar o Irã.
Isso tudo pode sinalizar apenas pressão de Trump para que os aiatolás aceitem um acordo acerca de seu programa nuclear. Na terça, delegações de ambos os países debateram indiretamente o tema, sob a mediação de Omã, em Genebra.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, foi particularmente otimista, falando em progresso e novas reuniões. Os americanos foram mais discretos, apenas relatando anonimamente que esperam uma proposta iraniana em duas semanas.
Talvez este seja o prazo para uma decisão de Trump sobre atacar. Na noite de terça, o vice-presidente J. D. Vance afirmou à Fox News que "ficou bem claro que o presidente tem linhas vermelhas que os iranianos não estão ainda dispostos a aceitar e negociar".
Já nesta quarta, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que "houve um pouco de progresso, mas estamos muito longe em algumas questões". "O Irã seria sábio em fazer um acordo".
PROTESTOS AGRAVARAM CRISE
A crise entre os países remonta à Revolução Iraniana, que nasceu sob o signo da tomada da Embaixada dos EUA em Teerã. Décadas de hostilidade mútua chegaram a um zênite com o ataque do ano passado, em apoio à guerra de 12 dias que Israel travava com seu arqui-inimigo.
Sucedeu um cessar-fogo, mas a situação política da teocracia degenerou devido a uma crise econômica que levou milhares à rua no fim de 2025. Logo, os atos viraram protestos contra o regime em si e foram violentamente reprimidos.
Trump prometeu ajuda os manifestantes e, no começo do ano, quase atacou o Irã. Mas voltou atrás, convencido por Israel a ganhar mais tempo de preparo e pressionado por aliados regionais a não causar caos no comércio de petróleo —20% do produto e do gás mundiais passam pelo estreito de Hormuz, cuja costa norte é controlada por Teerã.
Não por acaso, os iranianos estão fazendo nesta semana exercícios navais por lá e anunciaram manobras conjuntas com russos e chineses, buscando dissuadir os americanos. Uma corveta de Moscou, a Stoiki, já fez manobras com barcos iranianos nesta quarta. Teerã também está reforçando instalações militares, como imagens de satélite mostram.
O republicano acabou abandonando a retórica de apoio aos atos, embora tenha falado que seria bom ver o regime cair. E acelerou o cerco militar enquanto mudava o foco para o programa nuclear, que fora objeto de um acordo que ele mesmo deixou em 2018.
Aquele arranjo suspendia sanções em troca da renúncia à bomba atômica e instalação de mecanismos de verificação da produção pacífica de urânio enriquecido. Teerã quer renovar esse acordo, mas Trump quer o fim total do programa.
Além disso, com apoio de Israel, pede também o fim do programa de mísseis balísticos do país persa, algo que Teerã diz ser inegociável. Na guerra de 2025, apesar de dominada nos ares, a teocracia causou bastante estrago no Estado judeu.
Por Igor Gielow/Folhapress
Obama garante que extraterrestres "são reais", mas "não estão na Área 51"
O ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, garantiu que os extraterrestres "são reais". No entanto, assegurou "não há nenhuma instalação subterrânea" na famosa Área 51 e que nunca os viu.
O ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que extraterrestres “são reais”, mas ressaltou que “não há nenhuma instalação subterrânea” na famosa Área 51.
“Eles são reais, mas eu não os vi. Não estão na Área 51. Não há nenhuma instalação subterrânea — a menos que exista uma grande conspiração e tenham escondido isso do presidente dos Estados Unidos”, disse o ex-chefe de Estado em entrevista ao youtuber e podcaster Brian Tyler Cohen.
Questionado sobre qual foi a primeira pergunta que fez ao assumir o cargo, Obama brincou: “Onde estão os extraterrestres?”
Vale lembrar que a Área 51 é uma instalação militar da Força Aérea dos Estados Unidos localizada em Groom Lake, no sul do estado de Nevada.
O complexo “não é acessível ao público e é monitorado 24 horas por dia”. Segundo a Enciclopédia Britânica, os funcionários chegam ao local de avião, partindo de um terminal restrito no antigo Aeroporto Internacional McCarran, em voos não identificados autorizados a circular pelo espaço aéreo da região. Para manter o sigilo, imagens de satélite da instalação foram censuradas até 2018.
Atualmente, a Área 51 pode ser vista no Google Maps. Ainda assim, seu único uso oficialmente confirmado é como centro de testes de voo.
A associação do local com extraterrestres remonta a 1989, quando Robert Lazar afirmou ter trabalhado com tecnologia alienígena no complexo. Ele declarou ao jornalista George Knapp ter visto fotografias de autópsias de alienígenas nas instalações e alegou que o governo dos Estados Unidos utilizava o local para examinar naves extraterrestres recuperadas.
Apesar de Lazar ter sido desmentido, suas declarações alimentaram diversas teorias da conspiração envolvendo o governo americano e vida extraterrestre.
“De acordo com a CIA, os voos de teste do U-2 e de outras aeronaves militares são responsáveis por muitos dos relatos de OVNIs na região. Não há evidências de contato extraterrestre na Área 51 ou em qualquer outro lugar”, destaca a mesma fonte.
Obama reage a vídeo racista compartilhado por Trump
Na mesma entrevista, divulgada no sábado, Obama também comentou o vídeo de teor racista compartilhado pelo atual presidente, Donald Trump, classificando o comportamento como “profundamente preocupante” e afirmando que “não parece haver vergonha”.
Nas imagens, tanto o ex-presidente quanto sua esposa, Michelle Obama, aparecem retratados como macacos. Questionado por Brian Tyler Cohen, o democrata disse ser “importante reconhecer que a maioria do povo americano considera esse comportamento profundamente preocupante”.
“É verdade que isso chama atenção. É verdade que é uma distração, mas, quando viajo pelo país, encontro pessoas que ainda acreditam na decência, na cortesia e na gentileza”, afirmou.
Embora não tenha citado Trump diretamente, Obama declarou que “há uma espécie de palhaçada acontecendo nas redes sociais e na televisão” e que, em sua visão, “não parece haver qualquer vergonha nisso entre pessoas que antes achavam necessário manter algum tipo de decoro, senso de respeito e consideração pelo cargo”.
“Isso se perdeu”, concluiu.
O vídeo foi publicado em 6 de fevereiro na rede social Truth Social e removido algumas horas depois, após uma onda de críticas. A maior parte do conteúdo era atribuída ao portal ultraconservador Patriot News Outlet e tratava de alegações de fraude nas eleições de 2020 — quando o democrata Joe Biden derrotou Trump, que buscava a reeleição — acusações que o republicano vem fazendo sem apresentar provas.
Aos 59 segundos, o vídeo é interrompido por uma animação que mostra os rostos dos Obama — o primeiro casal afro-americano a ocupar a presidência dos Estados Unidos — estampados em dois macacos, antes de retomar o conteúdo original.
Governo Trump acusa cartéis de drogas de invadir espaço aéreo e fecha aeroporto no Texas temporariamente
Aviso de bloqueio por dez dias do tráfego de aeronaves em El Paso foi retirado poucas horas depois
| Foto: Reprodução/Instagram |
Autoridades do governo de Donald Trump afirmam que o fechamento nesta quarta-feira (11) do aeroporto de El Paso, na fronteira dos Estados Unidos com o México, foi provocado pela incursão de drones pertencentes a cartéis.
"A FAA [agência federal de aviação] e o DOW [Departamento de Defesa] agiram rapidamente para lidar com uma incursão de drones de cartéis. A ameaça foi neutralizada, e não há perigo para a aviação comercial na região. As restrições foram retiradas e voos estão sendo normalizados", publicou o secretário de Transporte, Sean Duffy, no X.
Autoridades locais, congressistas e pessoas informadas sobre a realização de um teste de uma nova tecnologia antidrones rejeitam, no entanto, a versão do secretário.
Segundo a agência Associated Press, que falou com três pessoas com conhecimento do assunto, sob anonimato, o fechamento do espaço aéreo se deveu ao teste de um laser para derrubar drones utilizados por cartéis mexicanos.
O Pentágono teria pressionado para avançar com os testes a despeito de ressalvas da FAA de que queria assegurar segurança aérea durante os testes, o que resultou no fechamento. Não está claro se o teste foi de fato realizado, segundo a AP.
A deputada democrata Veronica Escobar, que representa o distrito eleitoral onde fica El Paso, também contestou a explicação dada por autoridades do governo Trump, afirmando em uma entrevista coletiva que a suposta incursão de drones "não é a informação que nós recebemos no Congresso".
"Não havia uma ameaça, e é por isso que a FAA suspendeu essa restrição tão rapidamente. As informações vindas do governo não fazem sentido", disse ela.
Renard Johnson, prefeito de El Paso, disse que muitas autoridades locais ainda não entendiam por que a agência tomou uma medida tão drástica e a retirou tão rapidamente. Para ele, a "falha na comunicação é inaceitável".
Johnson afirmou ainda que o incidente resultou em uma série de eventos caóticos em El Paso, incluindo voos de evacuação médica forçados a desviar para Las Cruces, no estado de Novo México, uma cidade a cerca de 72 quilômetros.
"Essa decisão desnecessária provocou caos e confusão na comunidade de El Paso", disse Johnson. "Quero deixar muito, muito claro que isso nunca deveria ter acontecido. Não se pode restringir o espaço aéreo em uma grande cidade sem coordenar com a prefeitura, o aeroporto, os hospitais e as lideranças comunitárias", afirmou.
As companhias aéreas que operam em El Paso foram pegas de surpresa pelo anúncio de fechamento do espaço aéreo local, feito na madrugada desta quarta, que também suspendeu voos de helicópteros médicos. A Southwest Airlines afirmou que os impactos devem ser mínimos para suas 23 partidas diárias programadas.
"A FAA não demonstrou exatamente credibilidade, objetividade ou profissionalismo", disse Bob Mann, consultor do setor aéreo. "A pergunta que deveria ser feita é: vamos receber uma explicação?"
Trump ameaçou repetidamente usar forças militares dos EUA contra cartéis de drogas mexicanos, que têm utilizado drones para realizar vigilância e ataques contra infraestruturas civis e governamentais, segundo fontes de segurança americanas e mexicanas.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, disse em sua entrevista coletiva diária que seu governo tentaria descobrir o que exatamente aconteceu, mas não tinha informações sobre tráfego de drones pela fronteira.
As tensões entre os EUA e líderes regionais aumentaram desde que o governo Trump realizou sua grande mobilização militar no sul do Caribe, atacou a Venezuela e capturou Nicolás Maduro. A FAA restringiu voos em todo o Caribe após o ataque, forçando o cancelamento de centenas de voos.
Por Folhapress
Ataque a tiros em escola no Canadá deixa 10 mortos e dezenas de feridos
Dez pessoas morreram, incluindo a autora do ataque, após uma mulher abrir fogo em uma escola de ensino médio em Tumbler Ridge, no oeste do Canadá, nesta terça-feira (10). Seis corpos foram encontrados dentro da escola e outros dois em uma residência ligada ao caso. Uma vítima morreu a caminho do hospital. A suspeita foi localizada sem vida no local, com indícios de ferimento autoinfligido, e a polícia informou não haver outras ameaças à população. A informação é da Reuters.
Além das mortes, ao menos duas pessoas foram hospitalizadas em estado grave, enquanto cerca de 25 receberam atendimento por ferimentos sem risco de morte. A escola, que atende cerca de 160 alunos entre 12 e 18 anos, foi fechada pelo restante da semana, e apoio psicológico está sendo oferecido à comunidade. A polícia isolou a área e segue investigando as circunstâncias do ataque e as armas utilizadas.
Autoridades locais e nacionais manifestaram pesar pelas vítimas. O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, declarou estar devastado com o ocorrido e suspendeu compromissos internacionais após o ataque. O caso reacende o debate sobre violência armada no país, lembrando outros episódios trágicos da história canadense, como o massacre da Escola Politécnica de Montreal, em 1989.
Rússia lamenta fim do tratado de armas nucleares com os EUA: 'vemos de forma negativa'
Da parte dos EUA, o presidente Donald Trump defende que qualquer negociação nuclear deveria incluir a China, a terceira maior potência nuclear.
Em uma declaração nesta quinta-feira (5), o governo da Rússia afirmou que lamenta o final do tratado de armas nucleares entre o país e os Estados Unidos. A afirmação foi do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
'Vemos isso de forma negativa. Expressamos nosso pesar a respeito', declarou.
O acordo Novo START, assinado em 2010 entre os dois países, teve o seu final adiado na busca de uma nova definição. Entretanto, essa não veio por algumas divergências entre os países.
Da parte dos EUA, o presidente Donald Trump defende que qualquer negociação nuclear deveria incluir a China, a terceira maior potência nuclear, mesmo que esteja muito atrás de Moscou e Washington em termos de número de ogivas nucleares operacionais.
Mas Pequim continua se recusando a participar de qualquer negociação cujo objetivo final seja limitar seu arsenal nuclear. No mês passado, em entrevista ao New York Times, quando questionado sobre o Novo START, Trump se mostrou fatalista: 'Se expirar, expira, o que significa que faremos um melhor'.
Trump sempre foi muito crítico do acordo Novo Start, sobre o fim das proliferações nucleares entre os países. Isso vem especialmente por sua recorrente crítica a tudo que foi realizado dentro do governo Obama.
O secretário de Estado Marco Rubio afirmou na quarta-feira (4) que é 'impossível' chegar a um acordo sem a China 'devido ao seu vasto arsenal, que cresce rapidamente'. O Pentágono estima que a China terá mais de mil armas nucleares até 2035, um aumento significativo em relação às cerca de 200 existentes em 2019.Exercício nuclear na Rússia. — Foto: Reprodução
O tratado atual é um acordo bilateral entre os EUA e a Rússia, que possuem cerca de 4,3 e 3,7 mil ogivas nucleares, respectivamente, de acordo com a Federação de Cientistas Americanos .
Na terça (3), a Rússia afirmou que está pronta para um mundo aonde não se tenha acordos nucleares e sem controle dos armamentos. A afirmação, feita pelo vice-ministro das Relações Exteriores, Sergei Ryabkov, ocorre dias antes do final do acordo com os Estados Unidos sobre não proliferação nuclear, assinado em 2010.
Ryabkov, citado pela agência de notícias estatal TASS, disse que 'a falta de resposta também é uma resposta'. Ele também comentou que apoia a posição da China sobre o armamento nuclear.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já rejeitou em algumas ocasiões a proposta russa de adiar por um ano para ter mais tempo a negociações. Do outro lado, o governo da Rússia vê com receio esse final.
Aliado de Putin e principal membro do Conselho de Segurança do país, Dmitry Medvedev, disse que o fim do acordo não significa uma 'guerra nuclear', mas 'isso deve nos colocar a todos em alerta'.
Medvedev era presidente do país e assinou o acordo com Barack Obama, então presidente americano, há 16 anos.
'O relógio [do apocalipse] está correndo, e agora obviamente vai acelerar. Não estamos interessados em um conflito global. Não somos loucos', afirmou em entrevista à agência de notícias russa TASS, a Reuters e o blog de guerra WarGonzo.
Trump tomará decisão sobre novo acordo de armas nucleares quando julgar apropriado
Com o fim do acordo de armas nucleares com a Rússia, há uma tensão crescente sobre o que ocorrerá agora entre o país e os Estados Unidos. Apesar disso, por parte do governo americano, não há pressa sobre o que ocorrerá.
O presidente Donald Trump já definiu que tomará uma decisão sobre novas medidas para controlar as armas nucleares quando considerar apropriado. A informação está uma reportagem da Bloomberg, citando fontes.
Um representante da Casa Branca afirmou à agência de notícias que o cronograma para a implementação das medidas de controle de armas também será definido quando Trump considerar oportuno. Não há uma definição de quando isso ocorrerá.
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Moscou acredita que, nas condições atuais, as partes não estão mais vinculadas a quaisquer obrigações previstas no tratado e são livres para escolher seus próximos passos.
A Rússia pretende agir 'de forma responsável e equilibrada', moldando sua abordagem à redução de armas estratégicas com base em uma análise minuciosa da política militar dos EUA e da situação estratégica geral, acrescentou o ministério.
https://cbn.globo.com/mundo/noticia
Homem que tentou assassinar Trump antes das eleições é condenado à prisão perpétua
Ryan Routh, de 59 anos, lamentou não ter recebido a pena de morte e chamou a si mesmo de 'um fracasso'
O homem que se escondeu em uma mata com um fuzil para tentar matar Donald Trump na Flórida meses antes das eleições de 2024 foi condenado à prisão perpétua nesta quarta-feira (4). Ryan Routh, 59, foi considerado culpado por um júri popular em setembro do ano passado de cinco acusações criminais, incluindo tentativa de assassinato.
Routh recusou ser representado por um advogado e defendeu a si próprio no julgamento, apesar de não ter formação em direito. A juíza federal Aileen Cannon, indicada ao cargo por Trump, proferiu a sentença em Fort Pierce, na Flórida.
"Está claro para mim que você se envolveu em um complô premeditado e calculado para tirar uma vida humana", disse Cannon. Algemado nas mãos e vestindo uniforme prisional bege, Routh fez um discurso confuso na audiência de sentença que não abordou nenhum fato do caso, mas se concentrou em guerras estrangeiras iniciadas pelos Estados Unidos e no desejo de Routh de ser trocado por prisioneiros políticos no exterior.
Os promotores haviam recomendado prisão perpétua, enquanto Routh havia pedido à juíza que impusesse uma pena de 27 anos. Em sua fala, o homem chamou a si mesmo de fracasso, disse que sua sentença era "totalmente sem importância" e lamentou que "infelizmente, a pena de morte não é uma opção".
A secretária de Justiça do governo Trump, Pam Bondi, escreveu em comunicado que Routh nunca mais voltará à sociedade. "A hedionda tentativa de assassinato do presidente Trump por Ryan Routh não foi apenas um ataque ao nosso presidente —foi um ataque direto contra todo o nosso sistema democrático", disse Bondi.
Em documento judicial anterior, Routh negou que pretendia matar Trump e disse que estava disposto a se submeter a tratamento psicológico para um transtorno de personalidade na prisão. Routh sugeriu que os jurados foram enganados sobre os fatos do caso devido à sua incapacidade de montar uma defesa legal adequada no julgamento.
O promotor John Shipley disse durante a audiência que os crimes de Routh visavam "subverter a democracia americana" e pediu a Cannon que enviasse uma mensagem de que a violência política é inaceitável.
Ao proferir a sentença, Cannon observou a "extrema gravidade" dos crimes de Routh e disse que sua ficha criminal com pelo menos 36 condenações anteriores —incluindo posse de um dispositivo de destruição em massa, posse ilegal de arma de fogo e furto— mostrava que Routh tinha um longo histórico de ignorar as normas sociais.
Routh, que na época de sua prisão residia no Havaí depois de ter vivido anteriormente na Carolina do Norte, também foi condenado por três acusações de posse ilegal de armas de fogo e uma acusação de obstruir um agente federal durante sua prisão.
Agentes do Serviço Secreto avistaram Routh escondido em arbustos a algumas centenas de metros de onde Trump jogava golfe no Trump International Golf Club em West Palm Beach em 15 de setembro de 2024. Routh fugiu do local e deixou para trás um rifle semiautomático, mas foi preso posteriormente.
O caso ocorreu em um contexto de escalada da violência política nos EUA. Em 2024, Trump sofreu dois atentados durante a campanha à Casa Branca. Um deles deixou o republicano ferido na orelha.
Políticos democratas também foram alvos: em abril de 2025, a casa do governador da Pensilvânia, Josh Shapiro, foi incendiada enquanto sua família estava dentro; em junho do ano passado, uma deputada estadual de Minnesota, Melissa Hortman, e seu marido foram assassinados, e um senador estadual e sua esposa baleados.
Por Folhapress
72% da população mundial vive sob regimes autoritários, indica Human Rights Watch
ONG defende aliança global para conter avanço autoritário e destaca, além do presidente americano Donald Trump, a "pressão implacável" de China e Rússia contra os direitos humanos em todo o mundo.
Relatório da ONG internacional Human Rights Watch, divulgado nesta quarta-feira (4), indica que 72% da população mundial vive sob regimes autoritários e que o mundo enfrenta um "avanço autoritário" impulsionado pelo governo do presidente americano Donald Trump.
A análise faz parte do relatório mundial de 2026 no qual a ONG analisa a situação dos direitos humanos em mais de cem países.
"A democracia está agora de volta aos níveis de 1985, de acordo com alguns estudos, com 72% da população mundial vivendo atualmente sob regimes autoritários. A Rússia e a China são menos livres hoje do que há 20 anos. E também os Estados Unidos", diz a ONG.
Um dos documentos citados pela HRW é o estudo "25 Anos de Autocratização – A Democracia Triunfa?", feito pela Universidade de Gotemburgo, na Suécia, em 2025, e que analisa a situação dos países desde 1974.
O documento classifica quase 200 países em cinco escalas: autocracia fechada (35 casos), autocracia eleitoral (51), autocracia zona cinzenta (4), democracia zona cinzenta (13), democracia eleitoral (46) e democracia liberal (29).
As divisões são feitas da seguinte forma:
Autocracia fechada: não há eleições multipartidárias para o Poder Executivo; inexistência de componentes democráticos fundamentais, como liberdade de expressão, liberdade de associação e eleições livres e justas;
Autocracia eleitoral: ocorrem eleições multipartidárias ao Executivo; porém, com níveis insuficientes de liberdade de expressão e de associação, e eleições livres e justas;
Autocracia zona cinzenta/democracia zona cinzenta: países onde os intervalos de confiança se sobrepõem e a classificação fica incerta e menos precisa;
Democracia eleitoral: Existem eleições multipartidárias para o Poder Executivo que são livres e justas; níveis satisfatórios de sufrágio, liberdade de expressão e liberdade de associação;
Democracia liberal: Além dos requisitos da democracia eleitoral, restrições judiciais e legislativas limitam o Executivo, há proteção das liberdades civis e igualdade perante a lei.
O Brasil é colocado como uma "democracia eleitoral", por exemplo, enquanto Estados Unidos, França e Espanha, como "democracias liberais".
Já a Rússia é identificada como uma "autocracia eleitoral" e a China, como "autocracia fechada".
Veja o regime dos países abaixo:
Afeganistão Autocracia fechada
África do Sul Democracia liberal
Albânia Democracia zona cinzenta
Alemanha Democracia liberal
Albânia Democracia zona cinzenta
Alemanha Democracia liberal
Angola Autocracia eleitoral
Arábia Saudita Autocracia fechada
Argélia Autocracia eleitoral
Argentina Democracia eleitoral
Arábia Saudita Autocracia fechada
Argélia Autocracia eleitoral
Argentina Democracia eleitoral
Armênia Democracia eleitoral
Austrália Democracia liberal
Austrália Democracia liberal
Áustria Democracia eleitoral
Azerbaijão Autocracia eleitoral
Bahrein Autocracia fechada
Bangladesh Autocracia eleitoral
Barbados Democracia liberal
Belarus Autocracia fechada
Bélgica Democracia liberal
Benim Autocracia zona cinzenta
Bolívia Democracia eleitoral
Bósnia e Herzegovina Democracia zona cinzenta
Botsuana Democracia eleitoral
Brasil Democracia eleitoral
Bulgária Democracia eleitoral
Burkina Faso Autocracia fechada
Burundi Autocracia eleitoral
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Mundo sofre 'avanço autoritário'O primeiro ano do novo mandato de Trump à frente dos Estados Unidos representou, de acordo com a ONG, um "avanço autoritário" ao mundo. O documento destaca que o americano "encorajou líderes autoritários e minou aliados democráticos".
"Ao mesmo tempo em que repreendeu alguns líderes eleitos da Europa Ocidental, ele e funcionários de alto escalão expressaram admiração pela extrema direita nativista da Europa", cita a Human Rights Watch.
Além de Trump, a ONG destaca a "pressão implacável" de China e Rússia contra os direitos humanos em todo o mundo.
Trump coloca 'em perigo' sistema global de direitos humanos
A HRW questiona se "os direitos humanos sobreviverão à era Trump" e afirma que o mandato do presidente dos Estados Unidos se destaca por um “flagrante desrespeito” e por “graves violações” desses direitos.
O relatório elenca ações do segundo governo Trump que colocam "em perigo" o sistema global de direitos humanos. São citados:
ataque à Venezuela e captura de Nicolas Maduro;
deportação e envio de imigrantes para prisões em El Salvador, com ataques de agentes federais de imigração, o ICE;
ataque a independência judicial nos próprios Estados Unidos;
minar a confiança no processo eleitoral;
"corroer a privacidade" e usar o poder do governo para "intimidar oponentes políticos"
retirar os EUA do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas;
"destruir" programas de assistência alimentar e subsídios à saúde;
retirar proteções à pessoas trans e intersexuais, entre outras ações.
"A política externa de Trump abalou os alicerces da ordem internacional regida por leis que busca promover a democracia e os direitos humanos, mesmo que de forma imperfeita", afirma a ONG no relatório.‹
Como os países devem reagir?
Uma resposta possível, de acordo com o documento, seria o mundo se opor à postura de Trump e dos líderes de Rússia e China para "preservar a ordem internacional regida por leis".
"Para enfrentar essa tendência, os governos que ainda valorizam os direitos humanos, juntamente com movimentos sociais, sociedade civil e instituições internacionais, precisam formar uma aliança estratégica para conter retrocessos", afirma o diretor-executivo da HRW, Philippe Bolopion.
Brasil: enfrentamento a facções e preocupação com segurança
No capítulo sobre o Brasil, a HRW defende uma reformulação nas políticas de segurança pública do país de forma geral, com destaque para as facções criminosas e sua entrada, direta ou indireta, no Estado.
A ONG sugere que as autoridades brasileiras conduzam "investigações aprofundadas e baseadas na inteligência" para identificar vínculos entre criminosos e pessoas que fazem parte do poder público.
"As facções cooptam agentes públicos para proteger as suas atividades ilícitas. Essa infiltração no poder público às vezes também envolve políticos, principalmente a nível local. Essa é uma face muito perigosa do crime organizado, pois pode corromper as instituições por dentro", afirma o diretor da ONG.
O relatório destaca ainda que a segurança será "questão importante" na eleição para presidente do Brasil, em outubro. O assunto lidera os temas de maior preocupação dos brasileiros, segundo pesquisas de opinião mais recentes.De acordo com levantamento da Ipsos-Ipec desta segunda-feira (2), 41% dos brasileiros consideram crime e violência as principais preocupações no país.
Por Arthur Stabile, g1 — São Paulo
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