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Trump afirma que venezuelanos 'ainda não estão prontos' para eleição e elogia Delcy Rodríguez

Declaração do presidente americano afasta expectativas de normalidade democrática no país sul-americano

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (24) que a Venezuela ainda não está pronta para eleições, afastando as expectativas de uma normalidade democrática após o ataque de Washington a Caracas para prender o ditador Nicolás Maduro, em janeiro.

"Eles ainda não estão prontos para [as eleições], mas muito progresso foi feito", afirmou o republicano a jornalistas na Casa Branca. Em seguida, elogiou a líder interina, Delcy Rodríguez, número dois do regime que assumiu o poder após a deposição do ditador. "Delcy está fazendo um trabalho fantástico, como vocês sabem".

Depois, elogiou a produção de petróleo da Venezuela. "A quantidade de petróleo que está saindo da Venezuela neste momento, mesmo antes de todas as grandes empresas começarem a operar lá... É um território muito fértil", afirmou.

E continuou: "A quantidade de lucro que os venezuelanos estão tendo, muito mais do que jamais tiveram. E estamos pegando bastante também por nossos esforços. O petróleo está sendo enviado para Houston [cidade no Texas, nos EUA] e para [o estado americano de] Louisiana para ser refinado. [Com isso,] já pagamos pela guerra muitas vezes".

Após a intervenção americana, o regime libertou centenas de presos políticos e anunciou o fechamento do Helicóide, centro de tortura que virou símbolo da repressão no país. Apesar disso, outras centenas de pessoas continuam presas sem julgamento justo, de acordo com organizações de direitos humanos, e dezenas foram presas desde então.

Em março, um relatório da missão de investigação da ONU a respeito da Venezuela apontou que "as estruturas institucionais que facilitam as violações dos direitos humanos não foram desmanteladas" no país.

"Não se pode dizer que a Venezuela esteja verdadeiramente no caminho da reforma dos direitos humanos enquanto esse aparato repressivo não for desmantelado", disse na ocasião a advogada Maria Eloisa Quintero, que representava o grupo.

Se houve algo que mudou, foi o aumento do capital dos EUA no petróleo do país, que tem as maiores reservas da commodity no mundo. Desde a queda de Maduro, a americana Chevron, uma das maiores empresas de energia do mundo, ampliou seu investimento na Venezuela.

"Este não é um investimento passageiro ou temporário", afirmou Delcy em abril, quando anunciou novos acordos com a multinacional. "Este acordo nos permitirá avançar de forma significativa na produção, e a receita gerada por essa produção beneficiará diretamente o povo venezuelano", continuou.

A declaração de Trump é mais um balde de água fria na oposição venezuelana, que, de acordo com instituições independentes, foi vítima de uma fraude nas eleições de 2024, que reconduziram Maduro ao poder pela terceira vez.

Após a captura do ditador, a líder opositora María Corina Machado falou em transferir o poder a Edmundo González, seu aliado e provável vencedor do pleito de dois anos atrás, o que foi desencorajado pelo republicano.

"Seria muito difícil para ela, que não tem o suporte ou respeito do povo. Ela é uma mulher muito legal, mas não tem o respeito", disse Trump —que, mesmo assim, recebeu de presente da venezuelana, dias depois, a medalha do Nobel da Paz que ela havia recebido no ano anterior.

A líder opositora, que deixou o país após o aumento da repressão desencadeada pela eleição de 2024, continua tentando articular a oposição à distância. Após os terremotos que atingiram a Venezuela há um mês, ela chegou a planejar seu retorno, mas recuou.

Nesta sexta, ela se manifestou a respeito da tragédia que matou ao menos 5.398 pessoas, de acordo com números oficiais, mas que pode chegar a dezenas de milhares de mortos.

"Hoje é um momento para nos apoiarmos mutuamente, para cuidarmos uns dos outros, porque há algo que nenhuma tragédia pode tirar: nossa capacidade de nos abraçarmos, de nos acompanharmos, de nos reerguermos juntos", escreveu em suas redes sociais.

Na véspera, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que a líder poderia "ter um papel" na reconciliação do país. "Em última análise, para que a Venezuela alcance a reconciliação necessária para avançar, todos os segmentos da sociedade venezuelana precisam estar representados e, obviamente, María Corina Machado representa um elemento importante", disse.
Por Daniela Arcanjo/Folhapress

Governo dos EUA é processado por 24 estados: "Não sairá impune"

O governo norte-americano foi processado na sexta-feira por 24 estados que contestam o condicionamento de financiamento federal, avaliado em bilhões de dólares, ao cumprimento de condições relacionadas com processos eleitorais e imigração.
Apresentado em Rhode Island, o processo contesta as políticas da Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA) e do Departamento de Segurança Interna (DHS), defendendo que o governo está exigindo que os estados alterem seus sistemas eleitorais e auxiliem o DHS na fiscalização da imigração.

As condições permitiriam também que o DHS cancelasse as verbas a qualquer momento e por qualquer motivo.

O procurador-geral de Rhode Island, Peter Neronha, acusou o governo de Donald Trump de "mais uma vez, ameaçar colocar em risco a segurança pública ao reter ilegalmente bilhões em financiamento essencial", prometendo que "mais uma vez, não sairá impune".

"Este governo está usando a segurança dos americanos como garantia, tentando coagir os estados a abrirem mão do seu direito constitucional de promulgar políticas e leis que melhor sirvam aos seus residentes", declarou Neronha.

Os estados argumentam que a imposição de condições ao financiamento aprovado pelo Congresso viola a Lei de Procedimento Administrativo e a cláusula de despesas da Constituição.

O DHS não se pronunciou sobre a ação judicial.

O processo é um dos muitos contra os esforços do governo Trump para coagir os estados, em sua maioria governados por democratas, a se adaptarem às suas prioridades — especialmente medidas de fiscalização da imigração — para terem acesso a fundos federais. A estratégia tem sido utilizada no financiamento para a educação, combate à violência doméstica e até para as rodovias.

Os tribunais têm considerado essa estratégia ilegal e inconstitucional reiteradas vezes. Uma decisão do ano passado impediu o governo de impor condições a outros financiamentos da FEMA, e uma segunda decisão deste ano impediu o governo de redirecionar fundos do DHS de estados que não sejam considerados favoráveis à sua agenda.

O processo mais recente defende que o governo está tentando aplicar algumas das mesmas condições ao financiamento de 2026, da mesma forma que não conseguiu fazer com o financiamento do ano passado.

Entre as exigências contestadas no processo de quinta-feira está a alteração dos sistemas eleitorais por parte dos estados. Eles devem fazer a transição para sistemas de votação em papel, realizar uma auditoria manual dos sistemas de votação, auditar cadastros de eleitores e verificar a cidadania de todos os eleitores registrados nas bases de dados eleitorais do estado.

Se os estados não cumprirem as exigências, correm o risco de perder pelo menos 20% do financiamento do Programa de Concessão de Verbas para a Segurança Interna. Esses fundos são utilizados para financiar medidas de proteção dos cidadãos contra ciberataques e terrorismo.

Desde sua derrota nas eleições presidenciais de 2020 para o democrata Joe Biden, Trump alega, sem provas, que o voto por correio está repleto de fraudes e iniciou uma investigação federal sobre a votação daquele ano.

Auditorias e investigações repetidas, incluindo algumas conduzidas por republicanos, constataram que não houve fraude generalizada em 2020, mas Trump afirmou que pretende "assumir o controle" da administração eleitoral em áreas governadas por democratas.
hora por Notícias ao Minuto Brasil

EUA e Arábia Saudita anunciam acordo nuclear e preocupam Israel por corrida armamentista

Pacto constitui 'parceria multibilionária de várias décadas' que promove objetivos estratégicos, segundo governo Trump

Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (22) um acordo considerado histórico de cooperação nuclear para fins civis com a Arábia Saudita. O secretário de Energia americano, Chris Wright, assinou o pacto e um texto separado sobre salvaguardas, juntamente com o ministro de Energia saudita, o príncipe Abdulaziz bin Salman.

"Juntos, esses dois acordos estabelecem a base jurídica para uma parceria multibilionária de várias décadas que promove diversos objetivos econômicos e estratégicos prioritários, incluindo a não proliferação nuclear", escreveu o Departamento de Energia dos EUA em comunicado.

O anúncio desperta preocupações em Israel de que a iniciativa possa desencadear uma corrida armamentista no Oriente Médio. Também evidencia como os EUA estão traçando seu próprio caminho na região, independentemente de Tel Aviv.

O acordo, divulgado pela primeira vez na terça, poderá permitir que a Arábia Saudita enriqueça seu próprio combustível para reatores nucleares. A possibilidade surpreendeu muitos em Israel, que mantém um programa nuclear militar não declarado.

Embora a Arábia Saudita venha há muito tempo pressionando os EUA por acesso à tecnologia nuclear, o governo de Joe Biden havia condicionado isso, em parte, à disposição saudita de estabelecer relações diplomáticas com Israel —um dos principais objetivos do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu.

Em vez disso, o presidente Donald Trump fechou um acordo com os sauditas que parece ignorar Israel por completo. Analistas afirmam que a medida também pode encorajar outros países —incluindo a Turquia, que tem manifestado cada vez mais divergências com Israel— a desenvolver os seus programas de enriquecimento nuclear.

O pacto, com duração prevista de 30 anos, é avaliado em dezenas de bilhões de dólares e dá a empresas americanas papel central no desenvolvimento da infraestrutura nuclear saudita, deixando de fora concorrentes estrangeiros de Rússia e China.

A ideia, segundo autoridades do governo Trump ouvidas sob anonimato, é garantir que qualquer enriquecimento ocorra sob supervisão americana em um arranjo que impediria a transferência de tecnologia sensível a Riad e reduziria o risco de desvio do material para fins militares.

Figuras da oposição israelense e ex-autoridades afirmaram que esse é o mais recente sinal de como a influência de seu país em Washington se deteriorou. Netanyahu pressionou Trump para que lançassem juntos um conflito contra o Irã, o que tem sido impopular nos EUA. O republicano chegou a chamar o premiê de louco por sua busca agressiva pela guerra no Líbano contra o Hezbollah, aliado iraniano.

O presidente excluiu o líder israelense das negociações com o Irã para encerrar a guerra. Ele também persuadiu Netanyahu a conter a retaliação a um grande ataque iraniano no mês passado, temendo que uma ofensiva pudesse prejudicar as negociações de paz.

Netanyahu não havia comentado o acordo nuclear entre os EUA e a Arábia Saudita. Pelo menos um ministro do governo israelense procurou acalmar a preocupação pública, argumentando que o país poderia conviver com um programa nuclear saudita para fins civis.

"Se eles querem isso para fins pacíficos, para necessidades energéticas, podemos lidar com isso", disse Nir Barkat, ministro da Economia de Israel, em entrevista nesta quarta.

Ele acrescentou que a normalização das relações com a Arábia Saudita "ainda está em pauta" e que Netanyahu e Trump não tomariam medidas que colocassem Tel Aviv em risco.

Israel desfruta há anos de um monopólio sobre armas nucleares na região, embora nunca tenha admitido possuir uma bomba.

O Irã, arquirrival de Israel na região, possui um programa nuclear que Tel Aviv e Washington há muito consideram uma ameaça à segurança nacional, o que inclusive abriu caminho para a guerra em curso.

Líderes da oposição israelense descreveram o acordo entre os EUA e a Arábia Saudita como uma ameaça. Naftali Bennett, ex-primeiro-ministro, afirmou que "o enriquecimento de material nuclear em território saudita poderia desencadear uma corrida nuclear na região, levando a um colapso total".

"Todo programa nuclear militar começa com um programa civil", disse Avigdor Liberman, ex-ministro da Defesa de Israel, pedindo que Tel Aviv exerça pressão sobre o Congresso americano para que rejeite o acordo.

Pessoas do governo Trump ouvidas pela agência Reuters afirmam que o projeto deverá ser votado pelos parlamentares nos próximos dias.

Um acordo nuclear anterior dos EUA, com os Emirados Árabes Unidos, impôs inspeções mais rigorosas e não permitiu que o país enriquecesse seu próprio urânio, limitando seu caminho para a fabricação de uma bomba.

O acordo com a Arábia Saudita parece ser diferente e poderá permitir que o país enriqueça seu próprio combustível, disseram autoridades americanas ouvidas sob anonimato.

Para Israel, muito depende de o acordo conter salvaguardas que possam impedir a Arábia Saudita de usar suas capacidades nucleares para fins militares, disse Michael Herzog, que atuou como embaixador israelense em Washington durante o governo Biden.

Na época, autoridades israelenses discutiram restrições ao programa nuclear saudita como parte de um grande acordo sobre a normalização das relações, acrescentou ele, sem dar mais detalhes.

"O fato de não estar vinculado à normalização nem de não estar claro quais medidas de proteção estão em vigor para impedir que a Arábia Saudita se lance em um programa militar: ambos são motivos de preocupação em Israel", disse Herzog, agora pesquisador do Instituto de Washington para a Política do Oriente Próximo.

Como parte do acordo nuclear previsto pelo governo Biden, os EUA teriam firmado um tratado formal de defesa com a Arábia Saudita. Autoridades americanas também haviam buscado concessões de Israel aos palestinos —embora muito aquém de um Estado independente— em troca da normalização.

Essas esperanças diminuíram após o ataque liderado pelo Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023 e a guerra subsequente na Faixa de Gaza. O clima político em Israel tornou-se hostil à ideia de fazer concessões aos palestinos, enquanto a campanha israelense em Gaza motivou críticas na Arábia Saudita.

"Um acordo nuclear com os EUA deveria ser uma das maiores ‘iscas’" para que a Arábia Saudita estabelecesse laços com Israel, disse Michael Koplow, analista político do Israel Policy Forum, um instituto de pesquisa em Nova York. Na visão de Tel Aviv, "agora Trump deu isso a eles de graça", afirmou ele.
Por Folhapress

Ortega, que governa Nicarágua há quase 20 anos, diz que 'não haverá mais eleições' no país

Sem entrar em detalhes, ditador diz que trabalhará com a Assembleia para construir 'um bloqueio contra os golpistas'
O ditador Daniel Ortega reapareceu em uma cerimônia de celebração da Revolução Sandinista neste domingo (19), após mais um período de ausência pública, para afirmar que "não haverá mais eleições" na Nicarágua, país que governa há quase 20 anos.

"Esqueçam! Não haverá mais eleições aqui para que eles possam tentar tomar o governo, tomar o poder", afirmou, em referência ao que chama de "partidos políticos criados pelos ianques".

A estratégia, disse, sem entrar em detalhes, será impor limites aos partidos políticos. Para isso, trabalhará com a Assembleia Nacional, dominada por aliados, "para que ergam um muro, um bloqueio contra os golpistas, os traidores".

"A história de partidos instalados pelos ianques, instalados pelo regime de Somoza, chegando ao poder, acabou. [...] Não importa quanto dinheiro os ianques deem, eles não conseguirão", afirmou, em referência ao ditador Anastasio Somoza Debayle, derrotado pela revolução da qual participou em 1979 antes de se tornar ele mesmo um líder autoritário.

Na prática, a ausência de eleições não seria uma grande mudança. Fraudes nas votações são denunciadas desde 2008, e o último pleito presidencial, em 2021, ocorreu após todos os opositores com chances de derrotar Ortega serem presos. Atualmente, aliás, grande parte dos críticos do regime nem sequer está no país ou tem nacionalidade nicaraguense —uma punição por serem considerados "traidores da pátria".

Mesmo assim, a declaração representa uma nova escalada autoritária, aproximando ainda mais o país de regimes sem eleições, caso de Cuba ou da Coreia do Norte. A ameaça ocorre no momento em que o governo de Donald Trump aumenta seu poder de influência na América Latina.

A última medida dos Estados Unidos contra o regime de Ortega foi anunciada no início de junho: uma restrição de vistos a mais de cem autoridades nicaraguenses dias após a morte sob custódia do líder indígena Brooklyn Rivera. O ativista estava preso desde setembro de 2023.

"Os EUA estão ao lado do povo nicaraguense que, assim como Rivera, aspira a ver uma Nicarágua livre", afirmou Marco Rubio, secretário de Estado americano, na ocasião.

Nos últimos meses, Ortega viu o ditador Nicolás Maduro ser detido após um ataque dos EUA à Venezuela e Cuba ser estrangulada com um bloqueio de combustível, mas passou praticamente ileso por Trump, que parece ter outras prioridades na região.

Ainda não está claro se a declaração de domingo pode mudar esse cenário. As promessas que o ditador faz em seus discursos costumam orientar a aparelhada Assembleia Nacional da Nicarágua —foi assim com a reforma constitucional que deu à sua mulher e vice, Rosario Murillo, o cargo de copresidente.

A mudança, que entrou em vigor em 2025, também estendeu o mandato presidencial de cinco para seis anos e determinou que os dois líderes seriam responsáveis por supervisionar órgãos do Legislativo e do Judiciário, administrações regionais e municipais, e mecanismos de controle e fiscalização (incluindo os relativos às eleições), antes considerados independentes.

Dar o mesmo poder para ambos parece ser uma forma de manter a família de Ortega no poder. Os seguidos períodos de ausência do ditador de 80 anos costumam ser creditados à sua saúde frágil —antes da aparição deste domingo, ele havia sumido por 61 dias, de acordo com a imprensa local.
Por Daniela Arcanjo/Folhapress

Entre avanço da esquerda e desgaste de Trump, democratas buscam caminho em eleições nos EUA


As primeiras eleições primárias para as disputas legislativas nos Estados Unidos começam a delinear o cenário das midterms, mas ainda oferecem sinais mistos sobre a capacidade dos partidos de converter esse desempenho em vitórias em novembro, avaliam cientistas políticos ouvidos pela Folha.

Se, por um lado, candidatos mais progressistas têm obtido vitórias importantes em parte das disputas democratas, por outro, especialistas afirmam que o principal fator que hoje favorece o partido é o desgaste do governo Donald Trump —e não necessariamente uma agenda unificada da oposição.

As eleições ocorrem em um momento em que o presidente voltou a questionar, sem apresentar provas, a confiabilidade do sistema eleitoral americano. Ele pressiona o Congresso a aprovar o Save America Act, projeto que exige documento com foto e comprovante de cidadania para registro eleitoral, além de ampliar o compartilhamento de dados entre os estados e o governo federal.

Críticos afirmam que a fraude eleitoral é extremamente rara e que a proposta poderá restringir votos legítimos.

Historicamente, as eleições de meio de mandato costumam favorecer o partido de oposição ao presidente. Segundo reportagem do New York Times, os democratas aparecem como favoritos para retomar o controle da Câmara dos Representantes. Já o Senado segue em aberto, já que o partido precisaria vencer ao menos dois estados conquistados por Trump por ampla margem.

O avanço da ala mais à esquerda nas primárias também passou a ocupar o centro da estratégia eleitoral de Trump. Levantamento da Reuters mostra que o presidente intensificou nas últimas semanas o uso de discursos que associam adversários ao comunismo após vitórias de candidatos progressistas, especialmente em Nova York.

Segundo a agência, integrantes da equipe republicana avaliam que a retórica mobiliza fortemente a base de Trump e pode aumentar a participação de eleitores republicanos menos frequentes nas urnas, embora tenha desempenho mais limitado entre independentes e jovens.

A estratégia também busca deslocar o foco do debate sobre inflação e custo de vida para retratar os democratas como um partido dominado pela esquerda mais radical.

Os independentes devem ter peso ainda maior neste ciclo. Pesquisa da CNN mostra que 47% dos americanos não se identificam com nenhum dos dois principais partidos, o maior percentual em mais de uma década.

Para Jonathan Hanson, professor de ciência política da Universidade de Michigan, as primárias mostram que o Partido Republicano segue amplamente alinhado ao presidente. "Na maior parte, os candidatos apoiados por Trump estão vencendo ou, no mínimo, fazem campanha defendendo sua agenda. Ninguém está realmente concorrendo contra a ala trumpista do partido neste momento", afirma.

Entre os democratas, Hanson vê uma disputa entre moderados e progressistas. "Estamos vendo candidatos progressistas derrotarem nomes mais moderados ou ligados ao establishment. Em alguns casos, até parlamentares que já ocupavam o cargo estão perdendo."

Robert Shapiro, professor da Universidade Columbia, pondera que ainda é cedo para interpretar esses resultados como uma tendência nacional. Para ele, o comparecimento nas primárias ainda não permite concluir que exista um entusiasmo generalizado do eleitorado democrata.

Ele cita o Colorado como exemplo. Na avaliação do professor, o avanço da esquerda no estado pode ser mais relevante do que o observado em Nova York —onde nomes apoiados pelo prefeito Zohran Mamdani tiveram bom desempenho— justamente por refletir menos as características específicas da política nova-iorquina.

Ao mesmo tempo, Shapiro afirma que esse avanço fortalece um dos principais argumentos republicanos para novembro. "Isso aumenta a percepção de que o Partido Democrata está muito à esquerda e desconectado dos eleitores comuns. É exatamente isso que os republicanos tentarão enfatizar."

Apesar das disputas internas entre moderados e progressistas, os dois especialistas concordam que o principal fator para a oposição continua sendo a avaliação do governo Trump.

Hanson diz estar "razoavelmente otimista" quanto às chances democratas, mas ressalta que isso decorre principalmente da baixa popularidade do presidente devido a inflação, custo de vida, mercado de trabalho e a guerra contra o Irã. "Os números de aprovação de Trump estão muito ruins."

Shapiro faz avaliação semelhante e afirma que o conflito com o Irã pode produzir efeito parecido ao da Guerra do Iraque em 2006, quando os republicanos sofreram forte derrota nas midterms.

Mesmo assim, Hanson afirma que os democratas ainda têm dificuldade para apresentar uma agenda clara ao eleitor. "Uma coisa é dizer: 'Nós somos a oposição, votem em nós porque vocês não gostam de quem está governando'. Outra é dizer: 'Votem em nós e é isso que vamos fazer'. Os democratas ainda não fizeram um bom trabalho ao definir claramente essa agenda."

No Maine, a desistência do candidato democrata ao senado Graham Platner após acusações de agressão sexual embaralhou uma das disputas consideradas mais promissoras para o partido. Hanson avalia que a republicana Susan Collins continua vulnerável, mas resta saber, diz, se os democratas conseguirão lançar outro nome competitivo a tempo.

Shapiro vê o episódio com mais cautela. Para ele, embora a desistência de Platner represente um desafio, também pode abrir espaço para um candidato considerado mais moderado e em melhores condições de derrotar Collins.

Para o professor de Columbia, o Senado continuará sendo o principal desafio democrata, enquanto a Câmara apresenta um cenário mais favorável porque o partido precisa conquistar poucas cadeiras para retomar a maioria.

"O mau desempenho percebido da administração Trump deve levar os democratas a conquistar cadeiras suficientes para assumir o controle da Câmara. Não espero uma maioria muito grande, mas provavelmente será suficiente para fazer diferença."

Por Isabella Menon/Folhapress

Número de mortos em terremotos na Venezuela ultrapassa 5.000

Ao menos 5.069 pessoas morreram, segundo balanço divulgado pela ditadura nesta sexta-feira (17)
O número de mortos nos terremotos que atingiram a Venezuela no mês passado passou de 5.000, segundo um balanço divulgado pela ditadura venezuelana nesta sexta-feira (17).

Ao menos 5.069 pessoas morreram nos letais tremores, de magnitude 7,2 e 7,5, que atingiram o norte do país, especialmente La Guaira, estado vizinho à capital, Caracas. O novo boletim foi divulgado pelo presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, irmão da líder interina do país, Delcy Rodríguez.

Segundo o balanço, o número de feridos permaneceu inalterado, em 16.740, e 17.907 pessoas continuam desabrigadas.

A ditadura venezuelana evita falar em desaparecidos, mas, segundo a ONU, esse número pode chegar a 50 mil, no que já é considerado um dos piores terremotos ocorridos na América Latina. O desastre afetou mais de 800 edifícios, dos quais 190 desabaram.

Em La Guaira, os desabrigados se instalaram em estádios, quadras, praças e até mesmo em calçadas, onde voluntários prestam atendimento médico e doam alimentos.

A resposta do regime ao desastre vem sendo alvo de críticas de parte da população, que considera lentas as ações de emergência. Delcy rejeitou tais afirmações e disse, sem provas, que "laboratórios midiáticos" tentam prejudicar o trabalho das equipes de emergência.

Ela assumiu a liderança da Venezuela depois da captura do ditador Nicolás Maduro em janeiro durante uma operação dos Estados Unidos.

Nesta semana, Jorge Rodríguez anunciou que o regime iniciará, em agosto, uma mesa de trabalho com setores da oposição, incluindo a exilada Dinorah Figuera, para um plano de "fortalecimento da democracia".

O governo de Donald Trump afirmou em nota que a movimentação reflete o compromisso da Venezuela "de fortalecer as instituições democráticas, aprimorar o sistema eleitoral e restaurar as garantias para a participação política". Os EUA também disseram, no mesmo comunicado, que vão continuar apoiando o país "rumo a uma transição eleitoral pacífica.
Por Folhapress
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Parlamento de Portugal aprova proibição de burca em público, e críticos à lei apontam xenofobia

Críticos dizem que proposta da ultradireita aprovada com apoio do governo é xenófoba

No final do ano passado, em campanha pela presidência da Câmara Municipal de Sintra, cargo que em Portugal equivale ao de prefeito, a candidata Rita Matias escreveu numa rede social: "Não queremos mais ver mulheres a desfilar de hijabs por Sintra". Ela se referia ao véu que as muçulmanas usam para cobrir a cabeça e o pescoço. Matias concorria pelo Chega, partido que representa a ultradireita em Portugal.

A candidata perdeu a eleição no maior município da Área Metropolitana de Lisboa, mas sua bravata xenófoba ecoou no debate público. Nesta sexta-feira (17), a Assembleia da República Portuguesa aprovou aquela que ficou conhecida como a "Lei das Burcas".

O texto proíbe "a utilização, em espaços públicos, de roupas destinadas a ocultar ou a obstaculizar a exibição do rosto". A proposta foi apresentada pelo Chega e aprovada com os votos da Aliança Democrática, coligação chefiada pelo primeiro-ministro Luís Montenegro, e pelo partido da direita moderada Iniciativa Liberal.

"É um grande retrocesso em termos de direitos das mulheres, que estão sempre na balança", diz a advogada brasileira Érica Acosta, especialista em direito migratório. "Mas é também uma forma de institucionalizar a xenofobia, que deixou de ficar apenas nos discursos para virar lei".

O texto aprovado evita menções a questões religiosas, presentes nas intervenções dos deputados do Chega no Parlamento. "A finalidade inicial da ‘Lei das Burcas’ era essa. Discursos que buscam justificar o texto usando razões de segurança pública são apenas uma cortina de fumaça para uma islamofobia crescente, que atinge especialmente as mulheres", diz a advogada Acosta, que vive e atua em Portugal.

Ela cita pareceres da Ordem dos Advogados de Portugal, da Associação Portuguesa das Mulheres Juristas e do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público. As três entidades consideram a nova legislação inconstitucional.

De acordo com esses pareceres, a "Lei das Burcas" fere o artigo 41 da Constituição portuguesa, que versa sobre liberdade religiosa, e o artigo 21, que garante o direito à identidade pessoal.

Para o advogado Wilson Bicalho, tais pareceres podem influenciar a decisão do presidente António José Seguro, a quem cabe vetar ou sancionar a nova legislação. "Embora não cite burcas nem hijabs, sabemos que a nova lei foi criada por questões religiosas. Além disso, proibir as pessoas de se vestir do jeito que querem é um grande atentado à liberdade individual".

Para Bicalho, a lei tem um significado sobretudo político, independentemente de ser vetada ou não. "É importante para o Chega marcar posição junto a seu eleitorado, e o partido do governo embarcou junto em busca desse mesmo eleitor", diz o especialista brasileiro em direito migratório.

"No meu ponto de vista, a sigla do primeiro-ministro Luís Montenegro comete um erro ao se afastar da história do partido, que sempre teve uma atuação à direita, mas longe de medidas extremas".

Na mesma sessão, a Assembleia da República aprovou duas leis que dificultam a vida dos estrangeiros que vivem em Portugal e buscam regularizar sua situação. Uma delas impede que imigrantes que frequentam cursos profissionalizantes recebam Autorização de Residência.

Não foi uma surpresa. A referida lei já havia sido aprovada no Conselho de Ministros no mês passado, e havia um acordo prévio entre a direita e a ultradireita para homologá-la no Legislativo.

Na mesma situação estava uma lei que proíbe que pais de crianças menores de idade matriculadas em escolas obtenham Autorização de Residência. Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo quando da aprovação no Conselho de Ministros, o advogado Bicalho disse que tal lei também pode ser considerada inconstitucional por ferir o direito à integridade familiar.

Além de vetar ou sancionar as novas leis, o presidente Seguro pode devolvê-las à Assembleia da República para que artigos considerados inconstitucionais sejam reescritos.

Em dezembro do ano passado, Marcelo Rebelo de Sousa, seu antecessor no cargo, usou dessa prerrogativa ao questionar vários pontos de um pacote que ficou conhecido como "Lei dos Estrangeiros" —e que igualmente dificultava a vida dos imigrantes que vivem em Portugal.Por João Gabriel de Lima/Folhapress

Donald Trump anuncia medidas para restringir duração de vistos para jornalistas e estudantes

Medida entra em vigor 60 dias após publicação no Registro Federal, mas está sujeita à revisão do Congresso

Foto: Reprodução/Instagra

O governo de Donald Trump anunciou nesta quinta-feira (16) medidas para restringir a duração dos vistos concedidos a estudantes estrangeiros, participantes de programas de intercâmbio cultural e jornalistas.

Pela nova regra do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês), os vistos F, destinados a estudantes internacionais; os vistos J, que permitem que participantes de programas de intercâmbio cultural trabalhem nos EUA; e os vistos I, concedidos a profissionais da imprensa, passarão a ter prazo fixo de validade.

Hoje, esses documentos permanecem válidos durante toda a duração do curso, do programa de intercâmbio ou do vínculo empregatício. Pela nova regulamentação, a validade dos vistos de estudante e de intercâmbio será limitada a, no máximo, quatro anos.

Já os vistos para jornalistas —que atualmente podem permanecer válidos por vários anos— terão duração de até 240 dias ou, no caso de cidadãos chineses, de até 90 dias.

Pela nova regra, quem desejar permanecer no país após o término desse período terá de solicitar uma prorrogação ao DHS ou deixar os EUA e pedir uma nova admissão ao retornar.

As novas regras proíbem estudantes de pós-graduação de alterar seus "objetivos educacionais" em qualquer momento do curso ou de realizarem transferência para outra instituição de ensino sem autorização.

Além disso, reduzem de 60 para 30 dias o prazo que os estudantes têm para deixar os EUA após concluírem seus estudos. David J. Bier, diretor de estudos sobre imigração do Instituto Cato, afirmou que não há base legal para as restrições relativas aos estudos e às transferências entre instituições previstas na nova regulamentação.

"Estudantes internacionais, muitos dos quais terão passado anos nos EUA, agora terão apenas 30 dias para encontrar um empregador disposto a contratá-los ou serão imediatamente transformados em imigrantes ilegais. Essas pessoas não têm nenhuma compreensão de como a vida funciona?", questionou.

A medida entrará em vigor 60 dias após sua publicação no Registro Federal, sujeita à revisão do Congresso.

Trump, do Partido Republicano, iniciou uma ampla ofensiva contra a imigração desde que retornou à Casa Branca em janeiro de 2025. A medida mais recente cria novos obstáculos para estudantes e jornalistas estrangeiros.

O governo justificou a medida afirmando que houve um aumento expressivo no número de documentos emitidos. Segundo o órgão, foram registradas mais de 1,8 milhão de admissões com vistos de estudante em 2024, um aumento superior a 11% em relação ao ano anterior.

A Casa Branca também informou que os EUA concederam vistos a mais de 500 mil participantes de programas de intercâmbio e a 37.300 profissionais da imprensa no ano fiscal de 2024, iniciado em 1º de outubro de 2023.

De acordo com o DHS, o crescimento significativo no número desses visitantes "representa um desafio para a capacidade do departamento de monitorar e supervisionar" essas pessoas no país.

O órgão afirmou ainda que possui diversos exemplos de estudantes e participantes de programas de intercâmbio que permaneceram no país por décadas utilizando esses vistos.

A administração Trump também intensificou o escrutínio sobre a imigração legal, revogando vistos de estudantes e cartões de residência permanente de universitários em razão de suas posições ideológicas, além de retirar o status legal de centenas de milhares de imigrantes.
Por Folhapress

De virada, Argentina vence a Inglaterra e enfrenta a Espanha na final da Copa do Mundo

Foto: Reprodução/Instagram/@afaseleccion
Lautaro Martínez saiu do banco de reservas para selar a grande virada da Argentina sobre a Inglaterra por 2 a 1 na semifinal da Copa do Mundo de 2026, nesta quarta-feira (15), no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, nos Estados Unidos. Todos os gols saíram no segundo tempo: Gordon abriu o placar para os ingleses, mas a seleção sul-americana buscou uma reação espetacular na reta final do confronto.

O futebol bem jogado foi um detalhe na primeira etapa do aguardado duelo desta tarde. A primeira finalização, sem grande perigo, saiu apenas aos 32 minutos, em um cabeceio para fora do zagueiro Stones, da Inglaterra, após cobrança de falta na área.

Aliás, se faltou emoção com a bola rolando, e até acréscimos, com apenas três minutos concedidos , sobrou rispidez nas divididas. Foram sete faltas cometidas pelos ingleses e 12 pelos argentinos. O árbitro Ismail Elfath, contudo, segurou os cartões, aplicando apenas dois amarelos: um para Elliot Anderson, por falta em Messi, e outro para Lisandro Martínez, por parar Morgan Rogers com falta. O primeiro tempo terminou sem nenhum chute no alvo e com apenas três tentativas de finalização no total (duas da Argentina e uma da Inglaterra).

Toda a emoção reservada para os 45 minutos finais da partida acabou definindo os rumos das duas seleções no Mundial de forma dramática.

Análise: Trump e Irã levam economia global à beira do precipício

 EUA anunciam novo bloqueio a portos iranianos enquanto tráfego no estreito cai 50% em uma semana, elevando preços do petróleo

Os Estados Unidos voltaram a atacar o Irã na noite de segunda-feira (13) com o anúncio de um novo bloqueio a portos iranianos. O presidente americano, Donald Trump, ameaçou cobrar uma taxa de 20% sobre o valor da carga de navios que os EUA ajudarem a cruzar o Estreito de Ormuz, acirando ainda mais a disputa pelo controle da passagem estratégica.
A declaração foi feita por Trump nas redes sociais, em que afirmou que os Estados Unidos seriam os "guardiões" do estreito. A CNN questionou o Comando Central dos EUA sobre como funcionaria a cobrança, e um porta-voz respondeu que perguntas sobre possíveis taxas deveriam ser direcionadas à Casa Branca.

Disputa pelo controle do estreito

Estados Unidos e Irã travam uma intensa disputa há uma semana sobre quem, de fato, exerce poder sobre o Estreito de Ormuz. Navios comerciais que tentam atravessar a passagem por uma rota próxima a Omã, apoiada por Washington e sem coordenação com autoridades marítimas iranianas, relatam ataques.

Militares americanos têm realizado operações praticamente diárias contra alvos ao longo da costa sul do Irã, sob a justificativa de reduzir a capacidade de Teerã de interromper o tráfego marítimo.

Do lado iraniano, o ministro das relações exteriores Abbas Araghchi afirmou que o Irã "sempre será o guardião do Estreito" e sugeriu que Teerã, ao propor oficializar um regime de taxas e licenças na passagem, seria mais justa do que Washington.

O analista de Internacional da CNN Lourival Sant'Anna destacou que a proposta de Trump não tem respaldo: "A comunidade internacional não aceita, não importa quem vai cobrar, se é o Irã, se são os Estados Unidos. A lei internacional não permite isso."

Para Lourival, a declaração foi voltada ao público interno americano, "para dar a impressão de que ele está zelando pelos interesses americanos".
Impacto econômico e queda no tráfego

As incertezas geradas pelo conflito já se refletem nos mercados globais. O preço do barril de petróleo tipo Brent subiu quase 10% na segunda-feira (13), a maior alta desde o início de abril. Dados de empresas de rastreamento como Kepler e Marine Traffic indicam que o tráfego de embarcações no estreito caiu cerca de 50% em uma semana.

O economista e professor sobre Oriente Médio Najad Khouri ressaltou a importância estratégica do estreito para o Irã: "As guardas revolucionárias descobriram que o Estreito de Ormuz é muito mais importante para a revolução do que o acordo nuclear, pois por meio dele podem controlar o tráfego de energia mundial e provar que têm força contra os Estados Unidos."

Khouri também apontou uma divisão interna no Irã, com as guardas revolucionárias agindo de forma independente em relação à ala política que negociou o memorando de entendimento.

Projeto que pune denúncias sexuais falsas com até seis anos de prisão avança na Argentina sob Milei

Um projeto de lei que avançou no Senado da Argentina propõe aumentar as penas para falsas denúncias em casos de violência de gênero, abuso sexual e crimes contra menores. Se aprovado, o texto poderá levar a punições de até seis anos de prisão —uma pena superior à prevista hoje para alguns delitos sexuais no país.

A proposta provocou reação de organizações de direitos humanos, que veem a iniciativa como parte da ofensiva contra políticas de gênero durante o governo de Javier Milei.

Apresentado pela senadora Carolina Losada, o projeto modifica trechos do Código Penal. Pela proposta, a pena para quem denunciar falsamente um crime passaria da faixa de dois meses a um ano para a de um a três anos de prisão.

Nos casos envolvendo violência de gênero, crimes sexuais ou delitos contra menores, haveria um agravante, e a punição poderia chegar a seis anos. O texto também prevê o aumento das penas para falso testemunho e outros delitos relacionados quando vinculados a esse tipo de acusação.
A proposta já recebeu parecer favorável da Comissão de Assuntos Penais do Senado.

Entidades de direitos humanos afirmam que não há evidências de que denúncias falsas em casos de violência sexual ou de gênero constituam um problema relevante no país —pelo contrário.

Um levantamento do Observatório de Violência de Gênero dos Ministérios Públicos Fiscais da Argentina, que analisou mais de 8 milhões de processos penais registrados de 2023 a 2025, mostrou que investigações por denúncias falsas e falso testemunho representam apenas 0,09% do total.

Nesse universo já reduzido, 86% dos casos estavam relacionados a conflitos de tipo patrimonial, trabalhista ou de vizinhança. Apenas 8% envolviam violência de gênero ou violência intrafamiliar.

Para organizações de direitos humanos, a principal consequência da proposta seria ampliar o medo de denunciar crimes que já apresentam níveis altos de subnotificação.

"A ameaça de uma possível perseguição penal contra quem denuncia agrava essa sensação de desproteção e pode condenar as vítimas ao silêncio", afirma Lucila Galkin, diretora de gênero e diversidade da Anistia Internacional Argentina.

Segundo dados oficiais, a Argentina registrou 200 feminicídios em 2025. Em 44% dos casos havia antecedentes documentados de violência de gênero, mas apenas 18% das vítimas tinham denunciado seus agressores anteriormente.

Além disso, somente 15 vítimas possuíam medidas de proteção em vigor quando foram assassinadas. "O principal problema não é a proliferação de denúncias falsas. O problema é que a maioria das vítimas não denuncia ou não consegue obter proteção efetiva do Estado", acrescenta Galkin.

Segundo ela, a proposta cria uma distorção de proporcionalidade ao prever punições mais severas para determinadas denúncias consideradas falsas do que para alguns crimes sexuais já tipificados na legislação argentina.

Hoje, o chamado abuso sexual simples, categoria que inclui condutas como apalpamentos sem consentimento, toques em partes íntimas ou beijos forçados, sem penetração, prevê pena máxima de quatro anos de prisão. "A proposta é tão extrema que acaba reagindo com mais severidade à suposta falsidade da denúncia do que às próprias condutas de violência sexual", diz.

O debate ocorre em um contexto de recuo das políticas de gênero no país. A Argentina vive desde a chegada de Milei à Presidência um processo de desmonte dessas estruturas.

Logo após assumir o cargo, em dezembro de 2023, o presidente extinguiu o Ministério das Mulheres, ao mesmo tempo em que programas voltados ao combate à desigualdade de gênero perderam orçamento, equipes e capacidade operacional.

A Anistia denunciou a questão ao Comitê para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher da ONU. Segundo a entidade, o comitê recomendou que o governo argentino retirasse a proposta, argumentando que ela pode contrariar compromissos internacionais assumidos pelo país no combate à violência de gênero.

Galkin diz acreditar que o projeto encontrará resistência para ser aprovado, mas afirma que o seu recente avanço na comissão do Senado já é considerado algo preocupante. "Faz parte do que eles chamam de ‘batalha cultural’ e da luta contra o reconhecimento dos direitos das mulheres. Isso é extremamente grave."

Por Manoella Smith e Angela Boldrini / Folhapress

Lindsey Graham, aliado de Trump, morre após doença repentina

Senador republicano pela Carolina do Sul desde 2003, Graham era uma das principais vozes do partido em temas de defesa e política externa e disputaria um quinto mandato nas eleições de novembro
O senador republicano Lindsey Graham, um dos principais aliados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, morreu neste sábado, 11, aos 71 anos. A informação foi divulgada pelo gabinete do parlamentar e confirmada pela Associated Press.Segundo o comunicado publicado nas redes sociais, Graham enfrentou uma “doença breve e repentina”. Não foram divulgados outros detalhes sobre o problema de saúde.“A família agradece as orações, mas pede privacidade neste momento incrivelmente difícil”, afirmou o gabinete.

Equipes de emergência foram chamadas à residência do senador, em Capitol Hill, após uma ocorrência de parada cardíaca, de acordo com comunicações policiais obtidas pela NBC News.

Representante da Carolina do Sul no Senado desde 2003, Graham estava em seu quarto mandato e se preparava para disputar a reeleição em novembro. Ele presidia a Comissão de Orçamento do Senado e era uma das figuras mais conhecidas do Partido Republicano no Congresso.

O parlamentar também exercia forte influência nos debates sobre defesa e política externa. Graham defendia a presença militar dos Estados Unidos no exterior e era um dos principais apoiadores de Israel no Senado.

Durante as eleições presidenciais de 2016, o republicano chegou a fazer duras críticas a Trump. Posteriormente, porém, aproximou-se do presidente e tornou-se um de seus aliados mais fiéis no Congresso.

Em março deste ano, Graham comparou Trump ao ex-presidente Ronald Reagan ao elogiar sua atuação internacional.

“Sou um grande admirador de Ronald Reagan, mas preciso dizer que Donald Trump é o padrão de excelência para os republicanos, talvez para qualquer presidente, quando se trata de política externa”, declarou na ocasião.

Poucas semanas antes da morte do senador, Trump havia anunciado apoio à sua campanha por um quinto mandato. As eleições legislativas de novembro renovarão todas as cadeiras da Câmara dos Representantes e um terço do Senado, com potencial para alterar o equilíbrio de forças políticas em Washington.

Guarda Revolucionária anunciou o bloqueio por tempo indeterminado após abordar um navio em rota considerada irregular. Medida amplia a tensão com Washington e afeta uma das principais passagens mundiais de petróleo e gás
 por Notícias ao Minuto

Marco Rubio assume controle político e financeiro de Caracas, diz jornal

Seis meses após a captura do presidente Nicolás Maduro por forças especiais dos Estados Unidos, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, assumiu o controle das finanças, da distribuição de recursos naturais e da gestão governamental da Venezuela a partir de Washington, informa reportagem do jornal The New York Times. De acordo com relatos de mais de uma dúzia de funcionários de ambos os países consultados pelo jornal, Rubio atua como administrador da Venezuela, mantendo coordenação com a presidente interina Delcy Rodríguez por meio de mensagens de texto. O arranjo político consolidou-se após Rodríguez aceitar colaborar com as diretrizes da Casa Branca em troca da preservação da infraestrutura nacional.

A reportagem detalha que o Departamento do Tesouro dos EUA arrecada diretamente as receitas provenientes das exportações de petróleo venezuelano - comercializadas por intermédio das empresas Trafigura e Vitol - e as libera de forma gradual por meio de bancos privados locais. Esse mecanismo permite à equipe de Rubio ditar as condições de aplicação das verbas públicas e conter desvios de fundos, oferecendo em contrapartida proteção legal contra credores internacionais da dívida externa da Venezuela. Além do monitoramento orçamentário, o secretário de Estado gerencia a concessão de licenças de exceção a sanções econômicas, priorizando a entrada de companhias norte-americanas no setor de energia em detrimento de operadoras europeias.

Na área de segurança e relações externas, a administração interina submete nomeações de alto escalão, como a do ministro da Defesa, ao aval de Washington, e encerrou projetos conjuntos com aliados históricos, resultando na assunção das operações antes divididas com a estatal russa Rosneft. A cooperação incluiu a detenção e o aval para a extradição do empresário Alex Saab para responder a processos por tráfico de drogas em Nova York. No mês passado, informações de inteligência fornecidas por Caracas sinalizaram um ataque de míssil norte-americano que matou Niño Guerrero, uma das lideranças da organização criminosa Trem de Aragua, no sul do território venezuelano, destaca o New York Times.

O controle operacional, diz o jornal, estendeu-se às ações de reconstrução após a ocorrência de dois terremotos na Venezuela no mês passado. Os EUA mobilizaram 900 militares, destinaram cerca de US$ 400 milhões em assistência emergencial e enviaram remessas de dinheiro físico para estabilizar a moeda local. A reportagem pontua que, embora Rubio aponte que o planejamento prevê uma posterior transição democrática, analistas políticos ponderam que a data para a realização de eleições livres permanece indefinida. O presidente Donald Trump, que manifestou apoio público a Rodríguez em redes sociais, sugeriu de forma informal a integração da Venezuela como o 51º estado norte-americano, alinhado à sua premissa de expansão territorial

Por Guilherme Nannini / Estadão Conteúdo

Trump ameaça dizimar o Irã com mil mísseis se sofrer tentativa de atentado Por Estadão Conteúdo

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou neste sábado (11) ter ordenado que as Forças Armadas se preparem para atacar o Irã caso o país tente assassiná-lo.

Donald Trump declarou que mil mísseis estão prontos para serem lançados contra o Irã. A ameaça foi publicada pelo presidente americano em sua rede social, aTruth Social.

O ataque ocorreria se o governo iraniano tentar assassinar o presidente americano. "Mil mísseis estão travados e carregados, apontados para a República Islâmica do Irã, com milhares de outros a serem lançados imediatamente em seguida", escreveu Trump.

As Forças Armadas dos EUA já receberam ordens para agir, segundo o republicano. Trump afirmou que os militares estão prontos para "dizimar e destruir completamente todas as áreas do Irã" por um período de um ano, que pode ser prorrogado.

ISRAEL INFORMOU EUA SOBRE SUPOSTO PLANO

Israel compartilhou com os Estados Unidos (EUA) novas informações de inteligência sobre um plano iraniano para assassinar Donald Trump. As informações são do jornal americano Wall Street Journal.

Trump fez declarações sobre o suposto plano do Irã na quarta-feira (8), em Ancara, durante a cúpula da Otan. "Eles querem eliminar o líder dos EUA, eu", disse Trump a repórteres a bordo do Air Force One.

O presidente dos EUA disse que se vê como alvo recorrente dos iranianos. "Estou em todas as listas deles. Vi hoje de manhã que estou em cada uma delas", afirmou o americano na última quarta.

A embaixada de Israel em Washington recusou-se a comentar o caso. A missão iraniana na Organização das Nações Unidas (ONU) também não respondeu ao Wall Street Journal.

Na quinta-feira, em Mashhad, no Irã, pessoas que aguardavam o cortejo fúnebre do ex-líder supremo Ali Khamenei entoaram palavras de ordem por vingança contra Trump. "Juro pelo sangue do líder supremo, Trump, nós vamos matar você!", gritaram.

TENSÃO NO GOLFO

A denúncia surgiu após uma nova rodada de ataques entre EUA e Irã na região do Estreito de Ormuz. A informação veio a público em meio à escalada militar entre os dois países.
Trump e Benjamin Netanyahu falaram por telefone na noite de quinta-feira, de acordo com o Jerusalem Post.

Trump atualizou o premiê sobre ações dos EUA no Golfo e ataques a alvos iranianos. Netanyahu alertou Trump contra a aprovação de um acordo sobre caças F-35 com a Turquia.

Jornal diz que EUA receberam alerta sobre suposto plano do Irã para assassinar Trump/Por Redação

O governo dos Estados Unidos foi informado por Israel sobre indícios de um suposto plano do Irã para assassinar o presidente Donald Trump, segundo reportagem do The Wall Street Journal. De acordo com a publicação, o sistema de inteligência israelense compartilhou as informações com a Casa Branca, em meio à escalada das tensões entre Washington e Teerã após o rompimento do cessar-fogo firmado no mês passado.

Na quarta-feira (7), Trump afirmou publicamente que estaria entre os alvos do governo iraniano, dizendo que sua vida corre risco. Enquanto isso, as divergências entre o presidente americano e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, vêm aumentando. Netanyahu defende a intensificação da ofensiva contra o Irã, enquanto Trump tem sinalizado a busca por alternativas para evitar o agravamento do conflito e seus impactos sobre a economia mundial, especialmente no mercado de petróleo.

Segundo a reportagem, os Estados Unidos realizaram ataques contra mais de 90 instalações militares iranianas nesta semana, deixando mortos e feridos, conforme autoridades do Irã. Após os bombardeios, Trump e Netanyahu conversaram e concordaram em manter a coordenação entre os dois países. Até o momento, Israel e Irã não comentaram oficialmente a informação sobre o suposto plano para assassinar o presidente americano.

Forças americanas dizem que ação de Teerã contra navios comerciais no estreito foi 'clara violação do cessar-fogo' -Por Folhapress

As Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram uma nova série de ataques contra o Irã, informou o Comando Central dos EUA nesta terça-feira (7), acrescentando que a ação foi uma resposta ao que descreveu como ataques iranianos a três navios comerciais que transitavam pelo estreito de Hormuz.

As três embarcações foram atingidas no estreito também nesta terça, em paralelo a uma declaração do Irã de que não haverá novas negociações de paz enquanto o presidente Donald Trump não interromper suas repetidas ameaças de reiniciar a guerra.

"As forças do Comando Central dos EUA iniciaram uma série de ataques contundentes contra o Irã para impor um preço elevado por terem visado e atacado embarcações comerciais", afirmou o comunicado das forças americanas. "A agressão demonstrada pelo Irã foi injustificada, perigosa e uma clara violação do cessar-fogo", acrescentou.

A mídia estatal iraniana afirmou que seis projéteis atingiram a área do píer de Taheroui, em Sirik, no sul do Irã, mas não confirmou a origem dos ataques.

Estes são os primeiros ataques militares conhecidos dos EUA contra o Irã desde o final de junho, quando houve vários dias de ataques e contra-ataques entre as duas partes. As atuais tensões ocorrem em meio às cerimônias fúnebres de Ali Khamenei, ex-líder supremo do Irã, morto no início do conflito no Oriente Médio.

Além da frente bélica, o Ministério das Relações Exteriores do Irã ainda condenou nesta terça a decisão do Departamento do Tesouro dos EUA de revogar a suspensão temporária das sanções sobre as vendas de petróleo iraniano, afirmando que a medida viola o memorando de Islamabad sobre o fim da guerra e responsabilizando Washington pelas possíveis consequências.

A chancelaria declarou que o Irã adotará quaisquer medidas que considerar necessárias para proteger seus interesses e sua segurança nacional.

Os EUA reimpuseram sanções ao petróleo iraniano nesta terça depois de uma autoridade americana ouvida sob anonimato pela agência Reuters ter alertado que os ataques do Irã a embarcações no estreito de Hormuz eram "totalmente inaceitáveis" e acarretariam consequências.

Antes dos ataques desta terça, a guerra estava suspensa em razão de um acordo de paz provisório firmado no mês passado, que prevê um período de 60 dias para negociações de um pacto permanente.

Desde então, Trump ameaçou repetidamente retomar os bombardeios. "Ou vamos fazer um acordo ou vamos terminar o serviço", afirmou o presidente americano nesta segunda.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que, nos termos do memorando de cessar-fogo provisório, as negociações para um acordo definitivo "não terão início enquanto as ameaças continuarem". "Honre sua assinatura", escreveu o chanceler na plataforma X.

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