Mostrando postagens com marcador Mundo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mundo. Mostrar todas as postagens

Venezuela busca vítimas soterradas de terremoto que já matou 164; VÍDEO mostra comemoração com resgates

Mais de 500 equipes de emergência estão trabalhando para tirar sobreviventes dos escombros. Dezenas de chefes de estado e de governo se solidarizaram e se colocaram à disposição para enviar ajuda humanitária e mais especialistas em resgate para acelerar as buscas.


A busca por vítimas dos terremotos que devastaram a Venezuela na noite desta quarta-feira (24) - e deixaram 164 mortos e 971 feridos até o momento - continua nesta quinta-feira (25) e, segundo informações, mais de 500 equipes de emergência estão trabalhando para tirar sobreviventes dos escombros.
AO VIVO: Veja as últimas atualizações do terremoto

Imagens da imprensa e das redes sociais mostram a comemoração dos venezuelanos a cada sobrevivente encontrado com vida após os tremores (veja no vídeo acima), considerado o pior do país em 100 anos.

Até a manhã desta quinta, 164 mortes haviam sido confirmadas, mas o serviço geológico dos Estados Unidos estima que o número de mortos possa ficar entre 10 mil e 100 mil.

Dezenas de chefes de estado e de governo se solidarizaram e se colocaram à disposição para enviar tanto ajuda humanitária, como produtos médicos, quanto equipes de resgates. Além do Brasil, a lista inclui vários países que já sofreram terremotos devastadores, como os Estados Unidos, a Turquia, o México e Portugal.

Segundo a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, que agradeceu à comunidade internacional pelo apoio recebido, os primeiros socorristas estrangeiros devem chegar nas próximas horas.

O governo venezuelano cancelou aulas e suspendeu serviços não essenciais.

O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou solidariedade e disse ter mandado todas as agências do governo americano ajudarem.

A China, que era a principal compradora do petróleo venezuelano antes da captura e prisão de Nicolás Maduro por militares americanos, afirmou que vai fazer o que for possível para ajudar.

O que se sabe sobre o terremoto devastador na Venezuela

Dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira (24) e provocaram pelo menos 20 réplicas nas horas seguintes, segundo o governo venezuelano. Os tremores foram sentidos em cidades do Norte do Brasil.

Prédios e casas desabaram em Caracas e outras cidades do país. Até a última atualização desta reportagem, o governo não havia divulgado um balanço nacional de mortos e feridos. No entanto, autoridades venezuelanas confirmaram a existência de vítimas.

Os dois abalos ocorreram com menos de um minuto de diferença. O epicentro do terremoto principal foi localizado próximo à cidade de El Guayabo, a cerca de 160 quilômetros de Caracas.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, decretou estado de emergência após os terremotos. Em pronunciamento na televisão estatal, ela afirmou que equipes de resgate, segurança e assistência civil foram mobilizadas para atender as áreas afetadas.

Rodríguez também anunciou a suspensão de aulas e todos os serviços não essenciais para que as autoridades que se concentrem no resgate das pessoas que estão sob os escombros. Redes de gás e eletricidade foram desligadas para evitar uma tragédia maior.

👉 Veja, abaixo, o que se sabe sobre o terremoto até agora.
Como foram os terremotos?
Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), um terremoto de magnitude 7,2 atingiu a região às 19h no horário de Brasília. Menos de um minuto depois, um segundo tremor, de magnitude 7,5, foi registrado na mesma área.

O terremoto principal ocorreu a cerca de 13 quilômetros de profundidade. A distância é considerada próxima da superfície, o que pode intensificar os efeitos dos tremores em edifícios.

Há vítimas?

Durante a madrugada desta quinta (25), a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, comunicou a morte de 32 duas e 70 feridos.

O prefeito de Chacao, município da região metropolitana de Caracas, informou que houve mortes e que ao menos 16 pessoas ficaram feridas após o desabamento de duas estruturas.

Delcy Rodríguez, prestou solidariedade às famílias das vítimas ao anunciar medidas emergenciais.

Relatos de autoridades e moradores indicam que prédios e casas desabaram em Caracas e em outras cidades.

Imagens mostraram equipes de resgate trabalhando nos escombros de um edifício que desabou na capital venezuelana. Familiares também procuravam informações sobre pessoas que poderiam estar presas sob os destroços.

No litoral, um hotel de pelo menos oito andares desabou. Imagens que circulam nas redes sociais mostram o edifício completamente destruído. Não há informações de mortos ou feridos.

O Aeroporto Internacional Simón Bolívar, principal terminal aéreo do país, foi fechado após sofrer danos provocados pelos tremores, segundo o governo.

Hospitais da capital foram mobilizados para atender feridos. Em uma unidade de saúde, funcionários foram convocados para reforçar o plantão da noite.

LEIA TAMBÉM

Sim. A Rede Sismográfica Brasileira informou que os terremotos foram registrados por estações de monitoramento no país e sentidos por moradores de cidades da Região Norte.

Houve relatos de tremores em Belém, Manaus, Boa Vista e Macapá, além de outros municípios desses estados.

Segundo o sismólogo Bruno Collaço, do Centro de Sismologia da USP, é relativamente comum que terremotos dessa magnitude sejam percebidos a grandes distâncias.

"Apesar do susto que podem causar nas pessoas por aqui, a distâncias como essa não há chance de danos para as cidades brasileiras", afirmou.

Há risco de tsunami?

Inicialmente, o Sistema de Alerta de Tsunamis dos Estados Unidos emitiu um aviso para Porto Rico e para as Ilhas Virgens americanas e britânicas. O alerta também mencionava a possibilidade de ondas perigosas em Aruba, Curaçao e Bonaire.

O aviso foi cancelado retirada cerca de uma hora depois.

Por que há terremotos na Venezuela? Os tremores foram sentidos no Brasil?Quais foram os danos? 
A Venezuela está localizada em uma área de intensa atividade sísmica, na região de encontro entre as placas tectônicas do Caribe e da América do Sul.

Segundo o USGS, cerca de 30 mil pessoas morreram em um terremoto que atingiu Caracas e Mérida em 1812.

VÍDEOS: agora no g1

China amplia retaliação aos EUA e endurece restrições comerciais

A China anunciou uma nova rodada de medidas de retaliação contra os Estados Unidos, ampliando as tensões entre as duas maiores economias do mundo. O governo chinês impôs controles de exportação a dez empresas americanas e proibiu órgãos públicos de adquirir produtos de outras 46 companhias dos EUA, incluindo gigantes do setor de defesa como Lockheed Martin, Raytheon e a divisão de defesa da Boeing. A reportagem é do Estadão.

As medidas foram anunciadas após o Pentágono incluir as empresas chinesas Alibaba e Baidu em uma lista de companhias supostamente ligadas às Forças Armadas chinesas. Em resposta, o Ministério do Comércio chinês classificou a decisão americana como um “ato flagrante” e afirmou que as restrições têm como objetivo proteger a segurança nacional do país.

A nova escalada reforça a disputa estratégica entre Washington e Pequim nos campos da tecnologia, defesa e comércio internacional. Embora as restrições passem a valer imediatamente, o governo chinês informou que empresas instaladas na China com participação de capital americano não serão afetadas pelas novas regras. O episódio evidencia o aprofundamento da rivalidade entre as duas potências e pode gerar impactos relevantes nas cadeias globais de produção e nos mercados internacionais.

Por Redação

Trump sugere que EUA podem cobrar pedágio no estreito de Hormuz- Por Redação

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu neste sábado (20) que o governo americano pode cobrar um pedágio de passagem no estreito de Hormuz se não houver acordo com o Irã nas negociações de paz em curso.
Em publicação nas redes sociais, o republicano disse que a rota permanecerá livre de cobranças -a menos que os EUA decidam impor uma taxa caso o acordo não seja concluído, "como forma de reembolso de custos passados, presentes e futuros".

"Não haverá cobrança de pedágio no estreito de Hormuz durante os 60 dias de cessar-fogo. E também não haverá cobrança após esse período, a menos que sejam impostas pelos Estados Unidos da América como forma de reembolso de custos passados, presentes e futuros, caso o acordo não seja concluído", escreveu na rede Truth Social.

A publicação ocorreu horas depois de a Guarda Revolucionária do Irã e o comando militar iraniano anunciarem um novo fechamento do estreito de Hormuz ao tráfego de embarcações. Segundo Teerã, a medida foi adotada em resposta a violações do acordo de cessar-fogo firmado nesta semana entre Irã, Estados Unidos e seus aliados.

Em comunicado, as autoridades iranianas orientaram embarcações a evitarem a passagem, alegando riscos à segurança. O governo iraniano atribuiu a decisão aos recentes ataques israelenses no sul do Líbano, que deixaram dezenas de mortos e aprofundaram a instabilidade regional.

Apesar do anúncio iraniano, autoridades americanas contestaram a versão. O Exército dos EUA informou que o tráfego marítimo permaneceu ativo ao longo do sábado. Segundo Washington, 55 embarcações atravessaram o estreito transportando cerca de 17 milhões de barris de petróleo.

O vice-presidente americano, J. D. Vance, declarou à emissora Fox News que não havia evidências de interrupção efetiva da navegação.

O estreito de Hormuz é considerado uma das passagens marítimas mais importantes do mundo. Localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, o corredor é responsável pelo escoamento de uma parcela significativa do petróleo exportado por países produtores da região.

Desde o início da atual escalada militar, a possibilidade de interrupções no tráfego marítimo tem sido acompanhada com atenção por governos e mercados financeiros devido ao potencial impacto sobre os preços da energia.

Irã anuncia fechamento do Estreito de Hormuz após ataques de Israel ao Líbano -

O Irã anunciou neste sábado (20) o fechamento do Estreito de Ormuz, segundo agências de notícias do país. A decisão ocorreu após ataques de Israel ao Líbano, um dos pontos do acordo entre EUA e Teerã.
Irã citou violação do compromisso firmado entre os dois países para justificar a decisão. "Diante da clara violação dos compromissos dos Estados Unidos em relação ao primeiro artigo do memorando de entendimento sobre o fim da guerra, e em resposta às contínuas e implacáveis violações do cessar-fogo pelo regime sionista no sul do Líbano, as quais resultaram no assassinato brutal e no deslocamento de centenas de milhares de pessoas inocentes naquele território, bem como considerando a falha das forças de ocupação sionistas em se retirarem do sul do Líbano, anuncia-se que o Estreito de Ormuz será fechado ao tráfego de embarcações", declarou o Quartel-General Central Khatam al-Anbiya do Irã.

Primeiro artigo do documento prevê a interrupção imediata e permanente das operações militares entre o Irã, os EUA e aliados em todas as frentes, incluindo o Líbano, disse a agência iraniana. Acordo prevê que as partes se abstenham de futuras ações militares ou ameaças de uso da força. "O memorando também destaca o respeito à integridade territorial e à soberania do Líbano, enquanto as negociações para um acordo final estão programadas para serem concluídas em um prazo máximo de 60 dias", mencionou o comunicado oficial do Comando militar iraniano.

Comando militar do Irã afirmou que "este é o primeiro passo de resposta à quebra de confiança do inimigo". O comunicado informou ainda que, "caso a agressão continue, novas medidas serão planejadas e adotadas para forçar o inimigo a cumprir seus compromissos".

A passagem marítima entre o Irã e Omã, por onde passava cerca de 20% do abastecimento global de petróleo, estava em processo de reabertura. Com a assinatura do protocolo do acordo para pôr fim à guerra entre Estados Unidos e Irã, o estreito seria reaberto "instantaneamente" e o bloqueio americano dos portos iranianos seria suspenso, segundo afirmou o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, país que media as conversas.

Anúncio sobre a reabertura chegou a ser divulgada pelo primeiro-ministro paquistanês nas redes sociais. O protocolo "entrará em vigor com efeito imediato e, como primeiro passo, a República Islâmica do Irã reabrirá o Estreito de Ormuz sem demora e os Estados Unidos suspenderão imediatamente o bloqueio naval", escreveu Sharif no X.

Com o anúncio da abertura na quinta-feira, Irã chegou a impor novas regras para os navios. A autoridade marítima iraniana responsável pelo estreito exigiu hoje que todos os navios que desejem atravessá-lo apresentassem um pedido de trânsito com 48 horas de antecedência, apesar da reabertura até aquele momento.

Ataques ao Líbano matam 10

Horas antes do anúncio do fechamento, aviões de guerra e drones israelenses atingiram locais no sul do Líbano, informou a agência de notícias do país. Entre as vítimas, há mulheres e crianças.

Segundo a agência Reuters, um oficial militar israelense disse que os ataques foram uma resposta aos mais de 50 projéteis que teriam sido disparados pelo grupo Hezbollah contra alvos das forças israelenses. O grupo extremista, porém, não assumiu a autoria dos ataques até o momento.

Um dos ataques israelenses atingiu um prédio residencial de três andares na cidade de Barish, no sul, no distrito de Tiro. Ainda segundo a Reuters, o exército libanês informou que um ataque israelense matou um soldado na estrada Kfarrumman-Nabatieh e acusou Israel de minar os esforços para restaurar a estabilidade.

Ministério da saúde do Líbano afirma que 3.912 pessoas foram mortas, incluindo mulheres e crianças, desde o início do conflito. As autoridades israelenses dizem que pelo menos 32 soldados e quatro civis foram mortos nos últimos ataques.
Por Folhapress

Depois do Irã, a terceira guerra mundial vem aí, mas não envolve quem você pensa

Quer se manter informado, ter acesso a mais de 60 colunistas e reportagens exclusivas?Assine o Estadão aqui!
Governo americano proibiu o acesso ao modelo de IA da Anthropic Fable Foto: Marissa Leshnov/The New York Times
O governo Trump passou a última semana tentando pôr fim a uma guerra enquanto se envolvia cada vez mais em outra. A primeira guerra, a guerra contra o Irã, parece o epílogo de uma era; parece improvável que os Estados Unidos empreendam outra guerra para promover uma mudança de regime no Oriente Médio em um futuro próximo. Já a segunda guerra, a batalha em torno dos modelos de inteligência artificial de ponta da Anthropic, é o início de um novo tipo de conflito, com potências privadas e governos nacionais lutando para determinar quem realmente governa um mundo dominado pela IA.

A natureza do conflito envolvendo a Anthropic pode ser rapidamente resumida, mesmo que os detalhes estejam em disputa. Há dois meses, a empresa se recusou a divulgar publicamente seu modelo mais recente, o Mythos, alegando várias preocupações com a segurança (e exaltando o poder revolucionário do modelo). Após apresentar uma prévia do Mythos ao governo dos EUA e a certas empresas, a Anthropic lançou então o Fable, uma versão do modelo com várias barreiras de segurança. A Amazon, investidora e cliente da Anthropic, descobriu uma maneira de contornar algumas dessas proteções. Isso foi relatado à Casa Branca; a resposta da Anthropic foi considerada insatisfatória, e o governo utilizou seu poder de controle de exportações para proibir o uso do Fable por qualquer cidadão estrangeiro dentro dos Estados Unidos e por qualquer pessoa fora do país — uma regra que a Anthropic interpretou como uma exigência para desativar o novo modelo de IA.

É nesse ponto que nos encontramos agora, com a empresa e o governo negociando sobre como trazer o Fable de volta, enquanto vazamentos contínuos para a imprensa retratam um ou outro lado como irracional, imprudente ou ideológico e sem noção sobre tecnologia.

É um conflito repleto de ironias. Uma Casa Branca que se considera defensora de uma abordagem de livre mercado em relação à IA já utilizou, por duas vezes, medidas regulatórias severas contra a principal empresa de IA dos Estados Unidos. (No primeiro caso, no início deste ano, o Pentágono basicamente tentou excluir a Anthropic de todas as cadeias de suprimentos do governo devido a disputas sobre o uso de seus modelos em tempo de guerra.) Enquanto isso, a Anthropic se considera a empresa de IA mais atenta às questões de segurança e ávida por supervisão democrática, mas cada medida do governo Trump levou a empresa a gritar: “Não, não é assim!”

É claro que é assim que as guerras costumam se apresentar, com várias hipocrisias, choques culturais e mal-entendidos alimentando o conflito tanto quanto avaliações razoáveis do que está em jogo. Mas, além dos detalhes específicos sobre por que, digamos, os profissionais de tecnologia libertários do governo Trump desconfiam dos profissionais de tecnologia altruístas eficazes que dirigem a Anthropic, o tipo de conflito que estamos vendo aqui é determinado em grande parte pela trajetória dos modelos de IA: há poder potencial demais aqui para que não haja lutas contínuas e crescentes sobre quem realmente vai mandar.

A disputa em torno do Fable antecipa as duas formas gerais que esse conflito assumirá. Primeiro, há uma luta entre os setores público e privado, na qual os governos buscam um equilíbrio regulatório que lhes permita manter um veto significativo sobre os gigantes da IA sem aniquilar seu poder de inovação, enquanto as empresas de IA tentam manter o controle sobre seus próprios modelos e influência sobre como os governos utilizam suas inovações.

Há aqui um caminho que leva à nacionalização em tudo, menos no nome, e um caminho que leva a uma espécie de tomada de controle corporativa de fato do governo, ou pelo menos a uma simbiose do tipo “grande demais para falir”. E, ao longo desse caminho, pode haver não apenas conflitos entre presidentes e executivos de IA, mas também ações cada vez mais implacáveis entre empresas, por medo de que o cenário da IA se torne um “o vencedor leva tudo” em uma escala que nunca vimos antes no capitalismo. (Não estou dizendo que seja por isso que a Amazon trairia seu querido parceiro de negócios na Anthropic; estou apenas dizendo que existem trajetórias potenciais para as empresas de IA que poderiam ameaçar seus parceiros atuais com servidão ou irrelevância.)

Então, paralelamente à luta para controlar o poder da IA dentro das fronteiras americanas, há a luta geopolítica para maximizar o poder global (onde os únicos atores reais provavelmente são os Estados Unidos e a China) e manter a soberania (onde todos os demais provavelmente estarão se esforçando para manter alguma independência). O uso de controles de exportação para desativar o Fable provavelmente refletiu os temores dos EUA de que a China tivesse acesso a uma versão desbloqueada do modelo, mas também foi um aviso a todos os outros países do mundo: se acabarmos tendo modelos de IA que permeiam a economia, criados e regulamentados nos Estados Unidos, o governo americano controlará o botão de ligar e desligar.

Uma possibilidade do que isso significa é explorada em “Europa 2031”, um cenário futurista escrito por pesquisadores e investidores europeus em IA, no qual a União Europeia acaba optando pela vassalagem política e econômica aos Estados Unidos ou à China, por não dispor de modelos de IA suficientemente poderosos que estejam sob seu próprio controle.

Isso pode ser um exagero: as regras normais do comércio e da vantagem comparativa podem continuar a se aplicar; a Europa poderia manter sua influência geopolítica por meio de outras formas de conhecimento tecnológico; os modelos de código aberto podem permanecer competitivos (em vez de serem deixados para trás por IAs de ponta proprietárias que criam outras IAs de ponta em um ciclo acelerado).

Mas, no mínimo, o domínio americano e chinês em IA criará novos problemas para a soberania, novas formas de dependência e coerção, que pesarão fortemente sobre as potências médias à medida que suas economias se tornarem cada vez mais dependentes de modelos específicos e do acesso ao poder de computação.

Por fim, devo observar que, do ponto de vista de muitos analistas de IA, esse esboço de conflito futuro representa o cenário otimista, pois pressupõe que os atores humanos e as instituições humanas — Estados-nação, impérios, executivos, presidentes — ainda são os que lutam pelo controle. Essas guerras humanas serão travadas à sombra de um cenário mais sombrio — em que a guerra que realmente importa é contra nossa própria criação, e o que está em jogo não é se a Anthropic, o Pentágono ou Pequim detêm mais poder, mas se os seres humanos têm alguma influência alguma.
Fonte: Estadão

Israel desafia acordo de paz dos EUA com Irã e posta mapa com território ocupado no Líbano

             Ataque atribuído a Tel Aviv mata três pessoas, segundo agência estatal libanesa
O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu
Israel publicou nesta quinta-feira (18) um mapa mostrando uma zona ampliada de controle militar no sul do Líbano e afirmou que não descarta realizar ataques além dessa área, desafiando os termos de um pacto entre os Estados Unidos e o Irã que prevê o respeito à soberania libanesa.

A chamada "zona de segurança" quase 10 km dentro do território libanês. O Exército de Israel informou que suas tropas permanecerão na região "para eliminar ameaças do grupo Hezbollah, aliado de Teerã.

Um alto israelense de alto escalão disse à agência Reuters que Israel está conduzindo "negociações difíceis" com o governo do presidente Donald Trump para manter a área ocupada.

O novo mapa mostra uma expansão significativa da área sob controle israelense. Em abril, as Forças Armadas haviam divulgado uma versão anterior delimitando a chamada zona de segurança no sul do Líbano. Agora, a atualização indica que as tropas operam vários quilômetros mais ao norte, incluindo áreas próximas a Nabatieh, um dos principais redutos do Hezbollah, localizado ao norte do rio Litani.

Embora militares israelenses já atuassem em parte dessas regiões há várias semanas, esta é a primeira vez que o Exército reconhece publicamente a ampliação da zona de controle, destacada em vermelho escuro no mapa divulgado nesta quinta-feira.

Em discurso televisionado na quarta-feira, o líder do Hezbollah, Naim Qassem, rejeitou a ideia de zonas de segurança israelenses em território libanês. "Não há zonas amarelas, vermelhas ou verdes. Israel deve sair, e sairá", afirmou.

Um acordo provisório assinado na quarta-feira para encerrar a guerra no Oriente Médio prevê o fim dos combates em todas as frentes, incluindo no Líbano, e exige que as partes garantam "a integridade territorial e a soberania" do país.

Israel vem rejeitando os apelos para retirar suas tropas do território do país vizinho. A invasão israelense causou a deslocamento de mais de um milhão de pessoas na região, segundo as autoridades, e ao menos 1.530 mortos.

Desde o anúncio do acordo entre Teerã e Washington, a intensidade da violência no sul libanês caiu, mas não cessou. Segundo a agência libanesa NNA, três pessoas morreram nesta quinta em várias ofensivas atribuídas a Tel Aviv. Um dos episódios envolveu um ataque de drone contra um carro na região de KfarTebnit.

O Hezbollah também mirou tropas israelenses no sul do país nesta semana, inclusive com drones explosivos que mataram e feriram soldados.

O grupo extremista arrastou o Líbano ao atacar Israel em solidariedade ao Irã. Israel respondeu com bombardeios e uma invasão terrestre no sul.

Aliados, o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, e Trump entraram em choque repetidas vezes nas últimas semanas devido à questão do Líbano. Dentro do Estado judeu,membros do governo e da oposição criticaram o acordo costurado pelos EUA, alegando que ele não atende suficientemente às preocupações de Israel.

Trump não esconde sua frustração com Netanyahu e criticou as ações militares israelenses no Líbano, dizendo que não era necessário bombardear prédios inteiros para perseguir membros do Hezbollah. No entanto, não há sinais de que essas críticas se traduzirão em medidas concretas que possam forçar Israel a rever suas táticas militares.

Israel descreve os territórios que ocupou no Líbano, em Gaza e na Síria como "zonas de amortecimento" entre o país e seus inimigos, um elemento central de sua política de segurança recente.

A divulgação do mapa ocorre antes de uma nova rodada de negociações entre Israel e Líbano mediadas pelos EUA, marcada para a próxima semana em Washington.

Autoridades israelenses, falando sob anonimato, afirmam que Israel deixou aberta a possibilidade de se retirar do sul do Líbano caso as negociações avancem. Tel Aviv busca o desarmamento do Hezbollah como resultado dessas conversas, enquanto o Líbano exige a retirada das tropas israelenses.
Por Folhapress

Brasil diverge dos documentos do G7 e vê textos moldados para não desagradar a Donald Trump

Governo Lula deve aderir a apenas três dos oito documentos negociados pela França, anfitriã da cúpula

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Brasil encerrou o primeiro dia de participação na cúpula do G7 em Évian, na França
O Brasil encerrou o primeiro dia de participação na cúpula do G7 em Évian, na França, com um saldo diplomático que evidencia distância entre Brasília e o grupo das sete principais economias do mundo. Dos oito documentos negociados pela presidência francesa, o Brasil deve aderir a apenas três —e recusou dois dos três já divulgados nesta terça-feira (16).

Na avaliação do governo brasileiro, boa parte dos textos foi deliberadamente moldada para garantir a permanência dos Estados Unidos na cúpula e evitar o veto do presidente Donald Trump. O resultado, na visão de Brasília, foi uma série de documentos que omitem temas centrais, como mudança climática, reforma das instituições multilaterais e o papel da Organização Mundial da Saúde (OMS), para não contrariar Washington.

Dos três textos divulgados nesta terça, o Brasil aderiu apenas à declaração sobre o combate ao câncer —tema que o governo Lula considera prioritário na agenda de saúde pública, com programas de ampliação do atendimento oncológico na rede pública.

A declaração sobre parcerias internacionais para o desenvolvimento, que embasou a sessão da tarde em que Lula discursou, foi rejeitada pelo Brasil. O documento propõe a mobilização de capital privado e mecanismos de garantia para investidores como resposta à queda brutal na ajuda ao desenvolvimento, uma abordagem que Brasília considera insuficiente e despolitizada.

Na visão brasileira, o texto ignora as questões ambientais, de dívida externa e de combate à fome, e não menciona em nenhum momento a mudança climática —ausência que o governo brasileiro atribui diretamente à necessidade de acomodar os Estados Unidos.

A declaração sobre o surto de ebola na República Democrática do Congo e em Uganda também não recebeu o apoio brasileiro. O motivo: o texto não faz qualquer menção à OMS.

Segundo o governo brasileiro, a omissão foi deliberada para não contrariar Washington, que cortou drasticamente seu financiamento ao organismo. O Brasil optou por formalizar sua posição sobre saúde global por meio de uma carta de Lula ao secretário-geral da OMS, Tedros Adhanom, pedindo apoio de países do G20 e do G7 à agência.

Dos cinco textos restantes, que serão discutidos na quarta-feira (17), o Brasil deve aderir a mais dois: a declaração sobre proteção de crianças nas redes sociais —tema em que o Brasil tem legislação própria e experiência a compartilhar— e a declaração sobre combate ao narcotráfico, desde que o texto final se mantenha como o conhecido até agora, que aborda também lavagem de dinheiro sem enquadrar organizações criminosas como grupos terroristas.

O Brasil não deve assinar a declaração sobre desequilíbrios macroeconômicos, que na avaliação brasileira trata o problema como essencialmente ligado à China, sem mencionar os impactos do unilateralismo comercial e dos conflitos internacionais sobre as cadeias produtivas globais.

Brasília também ficará de fora da declaração sobre minerais críticos, cujo enfoque o governo brasileiro considera extrativista e geopolítico —voltado a criar uma coalizão ocidental contra a influência chinesa, sem considerar o direito dos países produtores a agregar valor às suas cadeias produtivas. A declaração sobre migração segue em avaliação de Brasília.

O debate sobre desenvolvimento

Na sessão da tarde, que reuniu os membros do G7 e os países convidados (Brasil, Índia, Coreia do Sul e Quênia), as intervenções evidenciaram diferenças de visão sobre o tema do desenvolvimento.

O anfitrião Emmanuel Macron focou mecanismos de garantia para mobilizar capital privado. Trump defendeu as contribuições americanas à África, sem conectar sua fala ao documento que embasava o debate. Lula argumentou que o problema não é escassez de recursos, mas escolha política sobre como usá-los, posição que diverge da abordagem predominante no texto do G7.

Nenhum líder rebateu diretamente o discurso brasileiro. A intervenção que mais se aproximou da posição de Brasília, segundo relatos de quem acompanhou a sessão, foi a da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que reconheceu que os países ricos cometeram erros nas últimas décadas e contribuíram para criar dependência nos países em desenvolvimento.

Lula e Trump: questão irrelevante

Nas redes sociais e em parte da cobertura jornalística, circulou nesta terça a dúvida sobre se Lula e Trump se cumprimentaram —ou se teriam deliberadamente se evitado. Imagens dos líderes reunidos para a chamada foto de família, retrato oficial do encontro, mostram Trump passando por Lula sem saudá-lo.

A assessoria do presidente brasileiro afirma considerar a questão irrelevante. Não há confirmação de que os dois líderes tenham interagido, mas também não há nenhum elemento que indique evitamento intencional.

Os dois estarão presentes nos mesmos eventos na quarta-feira, e um cumprimento informal não está descartado. O governo brasileiro reitera que não houve pedido de reunião bilateral entre Lula e Trump —e que, por ora, não há o que negociar num encontro formal.

Agenda de quarta-feira

No último dia da cúpula, Lula participará de sessão de trabalho sobre crescimento econômico equilibrado e de almoço com representantes das principais empresas de tecnologia do mundo para debater inteligência artificial.

Está prevista ainda uma possível bilateral com o ditador do Egito, Abdel Fattah Al-Sisi.

Ao fim dos trabalhos em Évian, o presidente segue para Genebra, onde deve se reunir com Valdecy Urquiza, secretário-geral da Interpol e primeiro brasileiro a ocupar o cargo, acompanhado do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues —encontro que ocorre num contexto de tensão com Washington após a designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos.

Também deve entrar na agenda da quarta-feira uma reunião com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, a pedido de Kiev.

Por João Caminoto/Folhapress

Polícia de imigração dos Estados Unidos prende suspeito de ligação com PCC e Comando Vermelho

Felipe Linares de Oliveira Dell Aquilla, conhecido como Don, foi detido após perseguição na Carolina do Norte

Foto: Divulgação/ICE

Felipe Linares de Oliveira Dell Aquilla foi preso nos Estados Unidos
A polícia de imigração dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) anunciou nesta segunda-feira (15) a prisão de homem apontado como suspeito de ligação com as facções criminosas brasileiras PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho), após uma perseguição no estado da Carolina do Norte, no leste do país.


Felipe Linares de Oliveira Dell Aquilla, conhecido como Don, era alvo de um mandado de busca e captura internacional emitido pela Interpol a pedido do Brasil, pelos crimes de associação criminosa e extorsão, informou o órgão em comunicado.

Segundo as autoridades, o foragido tentava fugir de carro em direção ao México quando foi abordado durante uma fiscalização de trânsito na cidade de Mooresville.

De acordo com o ICE, Dell Aquilla mantinha a própria esposa em cárcere privado dentro do veículo.

Ao tentar escapar da abordagem, o ex-líder criminoso sofreu um acidente e acabou sendo preso. No carro, os agentes encontraram uma arma de fogo, dinheiro em espécie e telefones celulares.

Em 28 de maio, os Estados Unidos classificaram o PCC e o CV como organizações terroristas, apesar da oposição do governo brasileiro.

As duas facções surgiram no sistema prisional brasileiro e, ao longo dos anos, expandiram sua atuação para diversas regiões do país e também para o exterior.

Atualmente, as facções são consideradas os grupos mais poderosos do crime organizado e do narcotráfico no Brasil, exercendo influência sobre amplas áreas urbanas.
Por Folhapress

Lula abre agenda no G7 com bilateral com Macron e descarta reunião com Trump

Presidentes brasileiro e francês abordam cooperação em defesa e projeto de supercomputador estratégico para IA

Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou nesta segunda-feira (15) sua agenda em Évian-les-Bains, na França, com uma reunião bilateral com o presidente anfitrião, Emmanuel Macron. Houve ainda encontros à margem da 52ª cúpula do G7 que tocaram em temas que vão da cooperação em defesa à soberania digital —enquanto a delegação brasileira monitorava com cautela o humor de Donald Trump e descartava qualquer encontro formal com o americano durante o encontro.

A agenda bilateral com Macron abordou a cooperação em defesa, a parceria Brasil-França na Unitaid —iniciativa de saúde global que completa 20 anos—, o projeto de supercomputador e a cooperação transfronteiriça entre a Guiana Francesa e o Amapá.

Na pauta do supercomputador, a França se apresenta como possível fornecedora numa licitação que o Ministério da Gestão e Inovação deve abrir em breve, em conjunto com o Ministério da Ciência e Tecnologia. O tema tem dimensão estratégica: capacidade computacional é considerada pelo governo brasileiro uma peça central da soberania digital, sobretudo diante da corrida pela inteligência artificial.

O tema da carne brasileira suspensa pela União Europeia ficou de fora da conversa com Macron. Segundo fontes brasileiras, a questão é tratada diretamente com Bruxelas, não com as capitais europeias individualmente. O acordo Mercosul-UE, aprovado este ano, encerrou o ciclo de negociações país a país.

Para esta terça-feira (16), está prevista uma bilateral de Lula com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa —e a expectativa é que a carne esteja no topo da pauta. Costa, ouvido mais cedo por jornalistas, desviou da pergunta e disse que o tema "é assunto da Comissão".

Antes de chegar a Évian, Lula se reuniu em Genebra com o presidente da Confederação Suíça, Guy Parmelin. O encontro, solicitado pelo lado suíço, girou principalmente em torno do acordo Mercosul-EFTA —que vai a voto no Parlamento suíço na próxima quarta-feira (17).

A EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio, na sigla em inglês) reúne Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, quatro países que não fazem parte da União Europeia.

Quanto a Trump, a delegação brasileira acompanha com cautela o comportamento do presidente americano, que chegou a Évian após um dia agitado: organizou um evento de MMA na Casa Branca no domingo, seu aniversário de 80 anos, e chegou ao resort francês depois de ameaçar tarifas sobre vinhos franceses —tensão que azedou, ao menos momentaneamente, o clima com Macron antes mesmo do jantar de abertura.

Fontes brasileiras descartam qualquer reunião bilateral com Trump durante a cúpula. Não há pedido de nenhum dos dois lados, e a avaliação do Planalto é de que não faria sentido um novo encontro apenas para reiterar posições já apresentadas. Se os dois estiverem na mesma sessão, podem se cumprimentar —mas isso, ponderou uma fonte da delegação brasileira, não seria uma reunião.
Por Folhapress

Trump anuncia acordo com o Irã e reabertura do Estreito de Ormuz

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste domingo a conclusão de um acordo com o Irã para encerrar o conflito iniciado no fim de fevereiro. Segundo o republicano, o entendimento prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio mundial de petróleo, além do fim do bloqueio naval americano aos portos iranianos. A assinatura oficial do memorando está prevista para a próxima semana, na Suíça, com mediação do Paquistão e do Catar. A reportagem é do jornal O Globo.

O governo iraniano confirmou avanços nas negociações e afirmou que o documento contempla pontos considerados essenciais por Teerã, incluindo questões ligadas ao programa nuclear, ao desbloqueio de recursos financeiros e à situação de segurança regional. Apesar disso, autoridades iranianas ressaltaram que ainda analisam os termos finais do acordo e que acompanharão de perto o cumprimento dos compromissos assumidos por Washington.

O anúncio ocorreu em meio a um cenário de forte tensão no Oriente Médio. Horas antes, Israel realizou ataques contra alvos ligados ao Hezbollah em Beirute, provocando críticas de Trump, que afirmou que a ação colocou em risco as negociações. Caso seja formalizado, o acordo poderá representar um passo importante para reduzir os confrontos na região, incluindo possíveis avanços em relação à guerra no Líbano e às disputas envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos.

Brasil sofre, e gol de Vinicius Junior impede derrota para Marrocos em estreia na Copa; veja melhores lances

A promessa de uma estreia difícil para o Brasil na Copa do Mundo de 2026 se concretizou na tarde de sábado (13) em East Rutherford, nos arredores de Nova York. A seleção teve pela frente um adversário duro no MetLife Stadium e sofreu para conseguir um empate por 1 a 1 com Marrocos.

Após um péssimo início, no qual levou bonito gol de Saibari e poderia ter levado mais, a equipe dirigida por Carlo Ancelotti conseguiu equilibrar as ações e igualou o marcador ainda no primeiro tempo, em jogada característica de Vinicius Junior pela esquerda.

A formação marroquina diminuiu o ritmo depois do intervalo, e a seleção brasileira melhorou um pouco com algumas de suas substituições –entraram Danilo e Fabinho, depois Luiz Henrique, Matheus Cunha e Danilo Santos. Mas o placar não voltou a ser movimentado.

Cada um dos times, assim, largou com um ponto no Grupo C. A chave é liderada pela Escócia, que conquistou na noite de sábado sua primeira vitória em Copas em 36 anos, fazendo 1 a 0 no Haiti, em Foxborough, nos arredores de Boston.

"Acho que não começamos bem o jogo. A equipe estava um pouco preocupada, perdemos muitos duelos, muitas bolas. A primeira parte não foi boa. Foi uma partida difícil porque Marrocos é uma boa equipe. Agora, é olhar para o próximo jogo", afirmou Ancelotti.

O confronto em East Rutherford foi acompanhado pelo prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. Ele gravou um vídeo antes do duelo recordando Sócrates e a Democracia Corinthiana, porém não viu em campo nada parecido com o Doutor.

Foi desastroso o início da partida do Brasil, dominado por um adversário que parecia ter mais jogadores em campo. Carlo Ancelotti optou por utilizar Ibañez na lateral direita, colocou Douglas Santos na esquerda e surpreendeu ao escalar Igor Thiago como centroavante. Não funcionou.

Marrocos pressionava no campo de ataque, roubava a bola e enfileirava oportunidades. El Aynaoui e Bouaddi trocavam passes com facilidade na região da intermediária. Na ponta esquerda, El Khannouss levava ampla vantagem sobre Ibañez. Em sete minutos a formação africana já havia tido duas oportunidades de finalizar dentro da área.

A seleção verde-amarela teve sua primeira escapada aos 14 minutos, quando Raphinha fez a bola chegar a Vinicius Junior na ponta esquerda. Igor Thiago, na entrada da pequena área, desperdiçou a grande chance e mal encostou na bola no cabeceio.

O lance não mudou o panorama da disputa, e o gol que o time de vermelho já fazia por merecer saiu aos 21 minutos. Paquetá teve dificuldade para dominar um passe forte de Ibañez e permitiu o contra-ataque. Brahim Díaz recebeu de Mazraoui e achou Saibari nas costas de Marquinhos e Gabriel Magalhães. Na cara de Alisson, o camisa 11 o encobriu.

Veio a calhar para Ancelotti a pausa para hidratação, na qual fez um ajuste: abriu Raphinha na direita, tirando dali Paquetá. Não mudou da água para o vinho, porém o Brasil conseguiu equilibrar as ações e ter mais o domínio da bola no meio-campo.

Disposto a encarar repetidamente a marcação, Vinicius Junior teve sucesso aos 32. Tocou para Bruno Guimarães, recebeu de volta dentro da área e soube iludir El Aynaoui antes de acertar um bom chute no canto esquerdo de Bounou, para empatar.

Foi só a partir daí que explodiram os primeiros gritos de Brasil. Surpresa e impaciente até então, a torcida da equipe pentacampeã ainda viu dois bons momentos antes do intervalo, um voleio de Paquetá e um cabeceio de Marquinhos.

A essa altura, o técnico já havia pedido que Danilo, Fabinho e Matheus Cunha iniciassem o trabalho de aquecimento. No intervalo, acionou os dois primeiros, que substituíram Ibañez e Casemiro –estes dois, muito mal na etapa inicial, estavam pendurados com cartão amarelo.

A partida teve um ritmo mais lento na etapa final, mas os principais lances de ataque foram do Brasil. Após o início avassalador, Marrocos diminuiu a marcha e começou a dar mostras de que estava satisfeito com o empate –o goleiro Bounou pediu atendimento médico mais de uma vez.

Para dar maior mobilidade ao ataque, Ancelotti chamou Luiz Henrique e Matheus Cunha, que substituíram Igor Thiago e Paquetá. Houve rapidamente alguns bons lances com a participação do habilidoso Luiz Henrique.

A melhor oportunidade surgiu aos 33 minutos, quando Vinicius Junior recebeu pela esquerda em contra-ataque e deixou Raphinha em ótima posição para finalizar. O camisa 11 pegou mal na bola, porém, e a partida terminou mesmo empatada.

"A estreia é sempre muito difícil. A gente tem que melhorar, continuar evoluindo, porque a competição está só começando. Isto é Copa do Mundo, não vai ter jogo fácil", disse Vinicius, que deseja ver um maior controle da posse nas próximas partidas.

"A gente tem que segurar mais a bola, ficar mais com ela, mover o jogo de um lado para o outro. Muitas vezes, os adversários vão se defender e sair no contra-ataque. Mas agora não tem muito o que falar. É trabalhar porque o segundo jogo está muito perto", acrescentou.

A partida de estreia mostrou que não era descabido tratá-la previamente como equilibrada. Pode soar estranho àqueles habituados a uma ordem anterior do futebol, mas o confronto da tarde opunha o sexto ao sétimo colocado do ranking da Fifa (Federação Internacional de Futebol).

Após ter alcançado a melhor campanha de um time africano na história do Mundial, com as semifinais de 2022, Marrocos teve um ciclo de bons resultados no caminho para 2026. Conquistou o Campeonato Africano de Nações e a Copa Árabe. Nas Eliminatórias para a Copa, teve oito vitórias em oito jogos, com 22 gols marcados e dois sofridos.

A equipe chegou também à conturbada decisão do mais importante torneio de seu continente, a Copa Africana de Nações. Perdeu em campo para o Senegal, mas, porque o adversário chegou a abandonar o campo em protesto contra a arbitragem, foi declarada campeã.

A derrota nas quatro linhas custou o emprego do técnico Walid Regragui. Mas, como o resultado registrado foi um triunfo por WO, a equipe desembarcou nos Estados Unidos com um retrospecto oficial de 29 partidas de invencibilidade.

O técnico desde março é Mohamed Ouahbi, que assumiu o grupo principal após um ótimo desempenho na formação marroquina sub-20, campeã mundial no ano passado. A troca foi em cima da hora, porém Ouahbi recebeu uma base mais sólida do que a encontrada por Ancelotti no Brasil, há pouco mais de um ano.

O italiano é o quarto comandante da seleção desde o Mundial de 2022. Sucedeu Ramon Menezes –derrotado por Marrocos em amistoso realizado em março de 2023–, Fernando Diniz e Dorival Júnior, com apenas 12 jogos para tentar dar nova cara ao time na preparação para a Copa.

Não foi suficiente para uma vitória na difícil estreia. Agora, ele trabalha por triunfos contra adversários teoricamente mais frágeis na sequência do Grupo C: o Haiti, na próxima sexta (19), na Filadélfia, e a Escócia, na quarta seguinte (24), em Miami Gardens.

Brasil 1 x 1 Marrocos (Copa do Mundo - Grupo C)

Brasil: Alisson, Ibañez (Danilo), Gabriel Magalhães, Marquinhos, Douglas Santos, Casemiro (Fabinho), Bruno Guimarães (Danilo Santos), Lucas Paquetá (Matheus Cunha), Raphinha, Igor Thiago (Luiz Henrique) e Vinicius Junior. Técnico: Carlo Ancelotti

Marrocos: Bono; Hakimi, Diop, Riad e Mazraoui (Salah-Eddine); El Aynaoui, Bouaddi, Brahim Díaz (Talbi), Ounahi (El Mourabet) e El Khannouss (Amaimouni); Saibari (Rahimi). Técnico: Mohammed Ouahbi

Gols: Saibari (21min do 1º tempo, Marrocos) e Vinicius Junior (32min do 1º tempo, Brasil)

Cartões amarelos: Casemiro e Ibañez

Público: 80.663 espectadores

Árbitro: Slavko Vincic (Eslovênia)

Assistentes: Tomaz Klancnik (Eslovênia), Andraz Kovacic (Eslovênia ), Sandro Schaerer (Suíça)

VAR: Bastian Dankert (Alemanha)

Local: estádio MetLife, em East Rutherford, nos Estados Unidos

Por Marcos Guedes, Mayara Paixão e Luciano Trindade/Folhapress

Prefeito de Nova York exalta ex-jogador Sócrates e Democracia Corinthiana

O prefeito democrata de Nova York, Zohran Mamdani, falou sobre o Brasil na Copa do Mundo em vídeo publicado neste sábado (13), dia da estreia da seleção contra Marrocos, às 19h (horário de Brasília). O político exaltou o ex-jogador Sócrates, ídolo do Corinthians e que disputou a Copa de 1982.

"Enquanto aguardamos Brasil contra Marrocos, tenho pensado ultimamente em Sócrates, não o filósofo grego antigo, mas o maestro do meio-campo brasileiro. Sócrates jogou tanto no Brasil quanto na Seleção nas décadas de 1970 e 1980. Incluindo a Copa do Mundo de 1982, onde foi capitão da seleção. Foram anos difíceis no Brasil", disse.

O prefeito, opositor do presidente americano Donald Trump, citou ainda a ditadura no Brasil e a Democracia Corinthiana –um movimento histórico no futebol brasileiro onde jogadores corintianos assumiram o controle das decisões do clube.

"Uma junta militar repressiva governava o país, impondo seu domínio pela força. No Corinthians, o clube que ele capitaneava, Sócrates e seus companheiros de equipe participaram daquilo com que os brasileiros comuns sonhavam: democracia", acrescentou.

Mamdani ainda brincou com as torcidas brasileira e marroquina. "Se você está torcendo pelo Brasil, aproveite uma coxinha no Bar Goiano, e se você está apoiando os Leões do Atlas, vá ao Tatara Kitchen para um prato delicioso".

A seleção brasileira, comandada pelo técnico Carlo Ancelotti, estreia neste sábado em East Rutherford, Nova Jersey. Globo, SBT, SporTV, CazéTV, ge tv e N Sports transmitem a partida.
Por Jorge Abreu/Folhapress

Operação conjunta de EUA e Venezuela mata líder do Tren de Aragua -Por Redação

Donald Trump
Uma operação realizada em conjunto por Estados Unidos e Venezuela resultou na morte de Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como “Niño Guerrero”, apontado como principal líder da organização criminosa Tren de Aragua. A ação ocorreu no estado de Bolívar, na Venezuela, e foi confirmada pelos governos dos dois países. A reportagem é do G1.

Segundo as autoridades venezuelanas, Guerrero foi morto durante confrontos com integrantes de grupos criminosos. O governo informou que a operação contou com intercâmbio de informações de inteligência e apoio tecnológico especializado. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a ação foi conduzida pelo Comando Sul americano em cooperação com autoridades venezuelanas.

Considerado um dos criminosos mais procurados da América Latina, Niño Guerrero era acusado de crimes como tráfico de drogas, extorsão, tráfico de armas e associação criminosa. Fundado em 2014, o Tren de Aragua expandiu sua atuação para diversos países da região e foi classificado pelo governo Trump como organização terrorista.

Trump diz que acordo com Irã está finalizado e cancela novos ataques

Republicano diz que local da assinatura do tratado para encerrar a guerra será anunciado em breve
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quinta-feira (11) que o Irã aprovou um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio, iniciada pelo presidente americano e por Israel em fevereiro. Dessa forma, o republicano afirmou ter cancelado novos ataques contra o país persa que estavam programados para a noite de quinta, madrugada de sexta na região do conflito.

O regime iraniano não comentou a afirmação do presidente. Ao longo da guerra, Trump disse várias vezes que um acordo com o Irã estava próximo. O tratado envolveria uma resolução para o programa nuclear do país persa, a abertura do estreito de Hormuz e a suspensão de sanções contra Teerã.

"Baseado no fato de que discussões com a República Islâmica do Irã foram levadas ao nível mais alto da liderança iraniana e foram aprovadas, eu decidi, como Presidente dos Estados Unidos da América, cancelar os ataques e bombardeios contra o Irã esta noite", escreveu Trump na sua rede social, a Truth Social, em publicação enviada no momento em que começou a abertura da Copa do Mundo, no Estádio Azteca, do México.

"As discussões e os pontos finais foram, de forma geral e detalhadamente, aprovados por todas as partes envolvidas, incluindo os EUA, Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Turquia, Paquistão, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Egito e outros", disse o presidente. "O bloqueio naval [americano] permanecerá de pé até que essa transação seja finalizada. A data e local da assinatura [do acordo] serão anunciadas em breve", concluiu o republicano.

Por Folhapress

Irã ataca dois navios em Hormuz e base de frota americana no Bahrein

Duas embarcações foram atingidas ao tentar atravessar estreito; sede da Quinta Frota americana é alvo
O Irã anunciou na noite desta quarta-feira (10) ter atacado dois navios que navegavam pelo estreito de Hormuz e reiterou que qualquer embarcação que tente atravessar o canal será considerada um alvo. O regime também disse ter atacado a base da Quinta Frota americana, no Bahrein

Trata-se, segundo Teerã, da execução da primeira fase de uma nova ofensiva conduzida pela Guarda Revolucionária, em mais um desdobramento da guerra no Oriente Médio.

A agência iraniana Mehr não informou mais detalhes sobre os alvos nem sobre as fases seguintes das operações. O anúncio ocorreu horas após as forças dos Estados Unidos bombardearem alvos iranianos pela segunda noite consecutiva, cumprindo uma ameaça de Donald Trump.

Em declaração divulgada pela agência Tasnim, o regime iraniano afirmou também que o estreito de Hormuz está agora "completamente fechado para todos os tipos de embarcação". A autoridade acrescentou que qualquer tráfego marítimo na passagem será alvo das forças de Teerã.

De acordo com a Marinha iraniana, dois navios que tentavam atravessar o estreito foram atingidos. As autoridades não informaram a nacionalidade das embarcações nem detalharam os danos provocados.

Segundo Teerã, os navios tentavam passar pela rota marítima de forma considerada ilegal pelo regime. O estreito de Hormuz é uma das passagens marítimas mais estratégicas do mundo e conecta o golfo Pérsico ao oceano Índico. A ameaça de fechamento da via e os ataques contra embarcações aumentam o risco de ampliação do conflito e preocupações relacionadas com a segurança da navegação, além de pressionarem os preços do petróleo.

Por Folhapress

Destaques