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Congresso da Bolívia autoriza presidente a usar militares para desbloquear vias no país

Rodrigo Paz avalia declarar estado de exceção, o que permitiria uso maior da força militar e restrição de liberdade de mobilização

O Congresso da Bolívia aprovou, neste domingo (7), uma lei que autoriza o presidente Rodrigo Paz, de centro-direita, a recorrer a militares para desobstruir as vias controladas há mais de um mês por manifestantes que pedem sua renúncia.

Após 15 horas de sessão ininterrupta, que terminou de madrugada, a Câmara dos Deputados aprovou o texto, já antes aprovado pelo Senado. "Fica sancionada a presente lei, remeta-se ao Poder Executivo para fins constitucionais", disse o presidente da Câmara, Roberto Castro.

Paz avalia declarar o estado de exceção, o que lhe permitirá um uso maior da força militar e restringir liberdades de reunião e mobilização, essenciais para as manifestações. Até agora, a participação dos militares tem sido limitada, com a tropa de choque da polícia na linha de frente nas operações de desbloqueio.

Camponeses, mineiros, profissionais dos transportes e outros trabalhadores realizam protestos com bloqueios viários em todo o país em meio à pior crise econômica que a Bolívia enfrenta em quatro décadas. Em reação, o líder anunciou o corte de seu próprio salário e de ministros de governo para lidar com a crise.

Os bloqueios provocaram forte escassez de alimentos, medicamentos e combustíveis em La Paz, El Alto e outras cidades. De acordo com a Defensoria Pública, dez pessoas morreram em decorrência dos protestos, incluindo algumas por falta de atendimento médico causada pelas obstruções.

No sábado (6), policiais da tropa de choque enfrentaram manifestantes no povoado de San Julián, na próspera região de Santa Cruz (leste), em operação para desbloquear uma via estratégica para o abastecimento do país. Agentes lançaram bombas de gás lacrimogêneo, e os manifestantes responderam com paus, pedras e pneus em chamas.

O confronto deixou mais de 20 feridos, entre eles seis policiais, quatro deles baleados. Horas depois, a delegacia local foi invadida e incendiada. A via foi parcialmente desobstruída por algumas horas, mas os manifestantes voltaram a bloqueá-la.

Um dos artigos da lei aprovada indica que os militares, durante o estado de exceção, "gozarão de presunção de legalidade" e que o governo deverá assumir sua defesa legal —medida que visa dissipar o temor de julgamentos pelo uso da força em situações de conflito.

O antecedente mais recente é o de vários comandantes militares da ex-presidente de direita Jeanine Añez (2019-2020), julgados e presos por confrontos com civis após a saída do ex-presidente Evo Morales —episódios que deixaram mais de 30 mortos.

Paz, cuja vitória nas urnas em outubro de 2025 pôs fim a décadas de domínio da esquerda na política boliviana, enfrenta pressão em múltiplas frentes. Três ministros —das pastas do Trabalho, da Defesa e da Educação— deixaram o cargo desde o início dos protestos. Ao mesmo tempo, tentativas de diálogo mediadas pela Igreja Católica, pela Defensoria Pública e pelo vice-presidente Edmand Lara Montaño fracassaram até agora.

O governo responsabiliza o ex-presidente Evo Morales (2006-2019) pelas manifestações. Morales, refugiado em seu reduto cocaleiro no Chapare para evitar uma ordem de captura por acusação de suposto tráfico de uma menor —o que nega—, afirmou à AFP que os protestos são uma "rebelião" contra um governo "subordinado" aos Estados Unidos

Por Folhapress

Copa 2026: Jogadores iranianos vão precisar entrar e sair dos EUA no mesmo dia da partida, diz embaixador

           Equipe transferiu base de concentração de Tucson, no Arizona, para Tijuana, no México

Os jogadores da seleção iraniana que disputarão a Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos terão de entrar e sair do país no mesmo dia de cada partida, saindo de sua base de concentração no norte do México. A informação foi dada neste sábado pelo embaixador do Irã.

Por causa da guerra com os Estados Unidos, o Irã transferiu seu acampamento para a cidade mexicana de Tijuana, no lugar da base original em Tucson, no Arizona. A equipe disputará os jogos da fase de grupos em Los Angeles e Seattle.

"Podem entrar de manhã e no mesmo dia têm de sair", afirmou o embaixador iraniano no México, Abolfazl Pasandideh, em entrevista coletiva em Tijuana, sobre as condições do visto para os Estados Unidos. A declaração foi feita em farsi e traduzida oficialmente para o espanhol.

O diplomático acrescentou que 15 membros da delegação iraniana, em sua maioria dirigentes e integrantes da comissão técnica, ainda não têm visto americano, o que representa um "desafio" para a equipe.

Pasandideh disse que os deslocamentos do time de Tijuana aos Estados Unidos poderão ser feitos de avião particular ou por terra, conforme as orientações da Fifa.

"Nós respeitamos todas as decisões que a Fifa tomar", afirmou.
Por Folhapress

China foi o país que mais executou por pena de morte em 2025, segundo Anistia Internacional

                    Pequim afirma que a organização tem preconceito contra o país e não é confiável

O presidente da China, Xi Jinping

A China foi o país que mais executou por pena de morte em 2025, segundo dados da Anistia Internacional. A organização afirma que a nação asiática determinou execuções de milhares de pessoas e utiliza o instrumento como forma de enviar mensagens políticas de que o Estado não tolera ameaças à segurança pública, à estabilidade ou à ordem social.

No relatório "Sentenças de Morte e Execuções", a organização coletou dados relacionados à aplicação da pena capital de janeiro a dezembro de 2025 e identificou que o mundo teve o maior número de execuções desde 1981. No ano passado, ao menos 2.707 pessoas foram executadas judicialmente, um aumento de 78% em relação ao registrado em 2024, segundo a Anistia.

O documento aponta ainda que ao menos 17 países fizeram execuções e que os métodos utilizados incluem injeção letal, enforcamento, decapitação, fuzilamento e asfixia por nitrogênio.

A China aparece à frente do Irã, da Arábia Saudita e do Iraque, que ficaram em segundo, terceiro e quarto lugar, respectivamente. Os Estados Unidos, com 47 execuções, ficaram em sétimo lugar, registrando o maior número de casos desde 2009.

A organização se opõe a todas as formas de pena de morte, sem exceção, "independentemente da natureza ou das circunstâncias do crime; da culpa, inocência ou outras características do indivíduo; ou do método utilizado pelo Estado para realizar a execução".

Em casos como o da China, em que o regime mantém os números de execuções ou sentenças em sigilo sob justificativa de segredo de Estado, o documento se pautou em informações diretas de condenados, familiares ou representantes legais, além de relatórios de mídia e organizações da sociedade civil. Nessas situações, a entidade leva em consideração apenas aqueles que possuem "confirmação razoável".

A Anistia Internacional não aponta um número exato de mortes atribuíveis à China desde 2009. A decisão ocorreu por preocupação dos autores com a forma como as autoridades chinesas estariam deturpando os dados apresentados. A organização afirma que os números divulgados antes daquele ano eram sabidamente inferiores à realidade devido à restrição de acesso à informação no país.

Apesar da ausência de dados oficiais, o relatório afirma que as informações disponíveis indicam que milhares de pessoas continuam sendo sentenciadas à morte e executadas anualmente na China. O documento acrescenta que o total real é provavelmente mais alto.

A falta de registros provenientes do regime fez com que a organização deixasse de fora qualquer pena de morte aplicada no país. A Anistia também não computou dados de Coreia do Norte, Iraque e Vietnã, mas conseguiu determinar que as nações fizeram execuções, têm pessoas no corredor da morte e emitiram sentenças no ano passado.

O documento destaca o uso da pena capital na China para crimes de colarinho branco, no âmbito de campanhas contra a corrupção no setor financeiro e na política. Também foram identificados casos de execução por espionagem e atentado à segurança nacional.

O relatório aponta ainda que as execuções no país se baseiam em condenações por tráfico de drogas, crimes violentos e crimes contra grupos vulneráveis, como assassinato de mulheres por seus maridos, pedofilia e ataques que resultem em múltiplas mortes ou feridos.

O Ministério das Relações Exteriores de Pequim afirmou ao jornal Folha de São Paulo que a Anistia Internacional tem preconceito contra a China e não é confiável.

"A China é um país regido pelo Estado de Direito e adota uma política criminal de manter a pena de morte, aplicar de forma rigorosa e prudente. O país controla rigorosamente e reduz gradualmente a pena de morte, e estabelece padrões e procedimentos estritos para sua aplicação", escreveu a pasta, em nota.

Crimes relacionados ao tráfico de entorpecentes respondem por 46% de todas as execuções conhecidas no mundo em 2025, mas há também casos registrados de repressão política, segurança nacional, espionagem, terrorismo, corrupção e segurança pública, entre outros.

O aumento no número de casos identificado no ano passado foi impulsionado pelo crescimento das execuções no Irã, que registrou ao menos 2.159 mortes no ano, o maior patamar em décadas. A organização aponta que o país condena pessoas após julgamentos injustos sob a justificativa de proteção à segurança nacional.

A Anistia cita como exemplo dois homens mortos por participação nos protestos após a morte de Mahsa Amini e outros 11 executados após a invasão do país por Israel e pelos EUA, sob acusação de espionagem.

Já a alta nas execuções em território americano foi puxada pela Flórida, que aplicou a pena de morte a 19 pessoas, o número mais elevado desde 1972. O documento também destaca a mudança política com a ascensão do presidente Donald Trump.

Enquanto seu antecessor, o democrata Joe Biden, comutou 37 das 40 sentenças de morte federais existentes no fim de seu mandato em 2024, o governo do republicano orientou promotores federais a buscar a pena capital em todos os casos possíveis.

A organização rastreou 2.334 novas sentenças de morte globalmente em 2025, um aumento de 12% em relação ao ano anterior.

"A variação na disponibilidade de informações sobre condenações em alguns países continua sendo um fator significativo na determinação do total global, tornando as comparações ano a ano metodologicamente desafiadoras", diz o documento.
Por Victoria Damasceno/Folhapress

EUA oficializam classificação do PCC e CV como terroristas Por Isabella Menon/Folhapress

O governo dos Estados Unidos oficializou, nesta sexta-feira (5), a classificação das facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como terroristas. A decisão foi divulgada pelo Federal Register, o Diário Oficial dos EUA.

O documento foi assinado por Marco Rubio, secretário do Departamento de Estado. Pelas redes sociais, Rubio já tinha anunciado a decisão na semana passada e afirmado que as organizações criminosas "são as mais perigosas do Brasil".

"Seu alcance se estende por toda a nossa região e ao nosso país. A administração Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e negar o financiamento e recursos narcoterroristas."

A designação de um grupo como terrorista passa por um processo no Departamento do Estado no ano passado, mas aconteceu na mesma semana da visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Washington, onde se encontrou com o presidente Donald Trump, além de Rubio e o vice-presidente Donald Trump.

O governo Lula tentava evitar que esta designação fosse imposta pelos EUA, pelo receio de influenciar nas eleições e interferência americana no Brasil. Lula afirmou que, durante a conversa de mais de três horas que teve com Trump há cerca de 20 dias, o assunto não foi tratado, mas foi entregue a proposta de uma cooperação entre os dois países.

Após a decisão, o governo publicou uma nota em que diz que PCC e CV são tratados pelo Estado como organizações criminosas responsáveis por espalhar terror em comunidades dominadas pelo tráfico de drogas, armas e atuação de milícias.

Sem citar nome, a gestão chamou de "deplorável" a intervenção da família Bolsonaro nos temas internacionais.

"A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros", diz o comunicado.

A partir dessa designação, é criminalizado qualquer tipo de apoio, bloqueio de recursos e isolamento destas organizações. De acordo com o departamento, integrantes destas organizações não podem entrar nos EUA e podem ser expulsos se já estiverem no país.

Além disso, bancos americanos com contas destes membros devem bloquear fundos ligados ao grupo e reportar ao governo. O Brasil, porém, discorda da denominação, uma vez que no território brasileiro a designação de terrorismo é aplicada para atos violentos motivados por xenofobia, discriminação ou preconceito para provocar terror social generalizado.

À Folha a porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos afirma que a decisão foi tomada por Trump e afirmou que, apesar do presidente ouvir pessoas do seu entorno, políticos e personalidade, toma decisões com base no que julga no que é melhor para os EUA.

Ela também afirma que as facções PCC e CV estão presentes em 12 estados nos EUA. Segundo Roberson, há um cálculo da presença de integrantes dos grupos em um em cada 4 estados americanos. Porém, nem todos foram divulgados, apenas Nova York, Nova Jersey, Massaschussets, Flórida e Tennessee.

EUA precisam contribuir com o Brasil prendendo foragidos e bloqueando patrimônios, diz chefe da PF

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, diz que a cooperação entre os Estados Unidos e o Brasil precisa ser uma via de mão dupla ao comentar a decisão do governo Donald Trump de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas.

Em entrevista à Folha, ele afirma que a parceria entre Brasília e Washington é histórica e deve ser mantida e fortalecida. Para Andrei, diversas operações e apreensões realizadas pelos dois países são resultado da troca permanente de informações entre as agências de segurança.

O chefe da PF vê como necessária uma atuação ainda mais efetiva das autoridades americanas na prisão de foragidos, no bloqueio de patrimônios e na recuperação de ativos ilícitos. O novo entendimento dos EUA sobre PCC e CV entra em vigor nesta sexta-feira (5).

Andrei diz que há desafios enfrentados pelo Brasil com origem em atividades criminosas com conexões nos Estados Unidos, como o tráfico de armas e de drogas, e citou que a maior apreensão de armas da PF, realizada no Aeroporto do Galeão (RJ), era proveniente dos EUA. Também mencionou a entrada recorrente no Brasil de carregamentos de haxixe oriundos daquele país.

"Muitas dessas apreensões são fruto dessa troca de informações que nós temos com as agências americanas. Isso nos permitiu, muitas vezes, realizar flagrantes aqui no Brasil e, em outras ocasiões, repassar informações para os Estados Unidos, possibilitando a prisão de traficantes antes mesmo de a droga ser enviada", afirmou.

Segundo ele, a cooperação internacional é fundamental para identificar patrimônios ocultados no exterior, rastrear recursos ilícitos e desarticular estruturas financeiras ligadas ao crime organizado.

"Se de fato essa recíproca é verdadeira, os Estados Unidos precisam contribuir ainda mais com o Brasil, prendendo foragidos, bloqueando e congelando patrimônios, restituindo ao país recursos desviados. São várias ações que precisamos continuar realizando em conjunto", acrescentou.

Para o diretor-geral, a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos não altera a legislação brasileira, as competências de investigação nem os processos em andamento no país.

Atualmente, a Polícia Federal mantém parcerias consolidadas com órgãos americanos como a DEA (Agência de Combate às Drogas), o FBI (a PF americana), a CBP (Alfândega e Proteção de Fronteiras) e a HSI (serviço de segurança interna).

Segundo Andrei, ainda é cedo para avaliar se a nova diretriz do Departamento de Estado americano provocará mudanças na interlocução entre os órgãos de segurança dos dois países.

Um dos pontos que ainda não estão claros é se a CIA (a agência de inteligência e espionagem dos EUA) poderá assumir um papel mais relevante nesse diálogo, já que ela tem atribuições ligadas ao enfrentamento do terrorismo.

"Para nós, no eixo da segurança, não houve ainda nenhuma alteração. E, se não houver, vamos seguir cooperando sem nenhuma mudança", afirmou.

Andrei afirma ainda que a Polícia Federal mantém uma ampla rede de cooperação internacional, com presença em 36 países distribuídos pelos cinco continentes, além de participação ativa em organismos internacionais de polícia.

Ele diz que a corporação pretende ampliar os investimentos no combate ao crime organizado por meio do fortalecimento das 40 Ficcos (Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado) distribuídas pelas 27 unidades da federação.

As estruturas reúnem integrantes da própria Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Penal e de polícias Civis e Militares dos estados. Em alguns locais, também há presença das guardas municipais, para atuação conjunta contra facções criminosas e organizações criminosas.

O governo Trump decidiu classificar o CV e o PCC como organizações terroristas no dia 28.

A decisão aconteceu após a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, a Trump e outros membros do gabinete americano, como Marco Rubio, do secretário de Estado (equivalente ao cargo de ministro de Relações Exteriores), e J. D. Vance, vice-presidente dos EUA.

Nos últimos meses, o governo Trump tem revisado as definições de narcoterrorismo e intensificado operações militares no exterior, sobretudo na América Latina, contra organizações assim classificadas.

Apesar disso, o governo Lula tentava evitar que esta designação fosse imposta pelos EUA, pelo receio de influenciar nas eleições e interferência americana no Brasil.

Lula afirmou que, durante a conversa de mais de três horas que teve com Trump há cerca de 20 dias, o assunto não foi tratado, mas foi entregue a proposta de uma cooperação entre os dois países.

A classificação do que é terrorismo varia em cada país. A versão mais aceita é a que o classifica como uma ação violenta deliberada contra civis que tem por objetivo intimidar a população ou o governo, normalmente em associação a uma causa política e/ou religiosa.

Por Raquel Lopes e José Marques/Folhapress

Seção 301 já foi usada para pressão, e há espaço para Brasil negociar com EUA, dizem especialistas

A conclusão da investigação comercial aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil elevou a pressão sobre o governo Lula e reacendeu o debate sobre o futuro das relações entre os dois países. Mas, para especialistas ouvidos pela Folha, há espaço para negociar.

Em relatório divulgado nesta terça-feira, o governo americano recomendou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros após uma análise sob a seção 301. O processo dá espaço para comentários do setor privado e do governo brasileiro, além de uma audiência marcada para o dia 6 de julho.

O fim do processo está previsto para o dia 15 de julho e, só então, a proposta que agora será analisada pelo presidente Donald Trump, responsável pela decisão final.

Apesar do endurecimento da posição americana, especialistas ouvidos pela Folha afirmam que é possível negociar antes de uma eventual decisão da Casa Branca.

Para Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, a principal diferença em relação ao episódio do ano passado é que, desta vez, existe um canal de diálogo aberto entre Brasília e Washington. Segundo ele, as conversas entre os dois governos se intensificaram nas últimas semanas e ainda há margem para a construção de um entendimento que evite a implementação das tarifas.

No ano passado, afirma, o anúncio de sobretaxas de 50% sobre produtos do Brasil ocorreu em um contexto de ausência quase total de interlocução entre os dois governos. O diálogo só começou a ser retomado meses depois, a partir de encontros bilaterais realizados à margem da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas).

Agora, segundo o executivo, as negociações já estão em curso e foram reconhecidas pelo próprio governo americano na divulgação do relatório.

Abrão avalia que a possibilidade de um acordo dependerá sobretudo de disposição política dos dois lados. Na visão dele, o processo não se resume a uma negociação tarifária tradicional, mas à construção de uma agenda mais ampla de convergências.

Entre os temas que poderiam ser colocados na mesa estão reduções tarifárias em alguns produtos industriais, medidas ligadas à propriedade intelectual, combate à pirataria, comércio digital e cooperação na área de minerais críticos.

A interpretação de que a investigação funciona como instrumento de pressão também é compartilhada por Bruna Santos, diretora do Brazil Institute. Segundo ela, procedimentos conduzidos sob a seção 301 historicamente servem menos como um fim em si e mais como mecanismos para ampliar o poder de barganha dos Estados Unidos em negociações comerciais.

"O principal ponto é que esse é um mecanismo frequentemente utilizado para criar alavancagem. Você sinaliza um custo potencial e tenta obter algum tipo de concessão do outro lado", afirma.

Na avaliação da especialista, a inclusão do Pix entre os temas abordados na investigação deve ser lida sob essa lógica. Como os Estados Unidos não têm instrumentos para interferir diretamente no funcionamento do sistema de pagamentos brasileiro, a ameaça de tarifas serviria para ampliar a pauta de negociação em temas regulatórios.

"A questão do Pix entra muito mais como uma forma de ampliar a mesa de negociação com o Brasil e ganhar espaço para discutir mudanças regulatórias. Há precedentes de acordos desse tipo", diz.

Para Ryan Cummings, economista-chefe do gabinete do Instituto para Pesquisa de Política Econômica de Stanford, o relatório americano também revela uma série de contradições. Ele argumenta que parte das críticas feitas por Washington reproduz práticas adotadas pelo próprio governo dos Estados Unidos, citando como exemplos as acusações relacionadas ao Pix, à corrupção e até mesmo às questões ambientais.

Na avaliação do economista, o documento parece menos uma análise técnica e mais uma tentativa de ampliar o poder de barganha americano nas negociações com o Brasil.

Cummings afirma que a inclusão do Pix é especialmente reveladora porque o sistema brasileiro se tornou uma alternativa pública eficiente e de baixo custo.

Apesar do tom duro adotado pelo governo americano, o economista avalia que a implementação efetiva das tarifas ainda enfrenta obstáculos políticos e jurídicos. Ele lembra que empresas americanas afetadas pelo aumento dos custos de importação podem contestar as medidas na Justiça e afirma que o relatório carece de evidências robustas para sustentar algumas de suas acusações.

Além disso, observa que Washington ainda não deixou claro quais concessões espera obter do Brasil, o que dificulta o avanço das negociações e aumenta a incerteza sobre os próximos passos da disputa comercial.

Por Isabella Menon/Folhapress

Secretário de Trump diz que Brasil não é um país amigável aos EUA, assim como Cuba e Venezuela

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta terça-feira (2), durante uma audiência no Senado, que o Brasil não faz parte do grupo de nações consideradas amigáveis aos interesses dos EUA no hemisfério ocidental e destaca que o país está "no meio de um ciclo eleitoral".

A declaração ocorre um dia após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) propor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos importados do Brasil e poucos dias depois de Rubio anunciar a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Durante a audiência, Rubio afirmou que o Ocidente conta atualmente com uma coalizão de países alinhados aos Estados Unidos, que trabalham em conjunto não apenas em questões de segurança, mas também na promoção da prosperidade econômica.

O secretário não detalhou quais países integrariam essa coalizão. Neste ano, porém, o governo Donald Trump lançou a iniciativa Escudo das Américas, voltada ao combate ao crime organizado transnacional. Diversos líderes da região foram convidados a participar, mas países considerados desalinhados politicamente de Washington, como Brasil, Colômbia e México, ficaram de fora do encontro.

O Departamento de Estado também promoveu, em Washington, um evento voltado à cooperação em minerais críticos, reunindo governos da região para discutir acordos estratégicos com os EUA.

Ao descrever o cenário político regional, Rubio afirmou que, "com exceção da Nicarágua, de Cuba, obviamente da Venezuela, que ainda enfrenta alguns desafios, e do Brasil, embora esteja no meio de um ciclo eleitoral, e, em certa medida, também do atual governo da Colômbia —ou pelo menos de seu presidente, que tem sido problemático—, de modo geral trata-se agora de uma região repleta de aliados dos Estados Unidos, de líderes amistosos aos Estados Unidos e de uma direção favorável aos interesses americanos".

O secretário acrescentou que Washington precisa transformar esse alinhamento em ações concretas após "20 anos de negligência", período em que, segundo ele, China e outras potências ampliaram sua influência na região, prejudicando não apenas os interesses americanos, mas também os próprios países latino-americanos.

A sugestão de novas tarifas contrastam com a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que criticou a nova proposta contra produtos brasileiros e acusou Rubio de hostilidade à América Latina durante evento também nesta terça-feira.

"Ele é anti-América Latina. É inimigo mortal de Cuba e de vários países latino-americanos", afirmou Lula. O presidente também disse já ter manifestado a Donald Trump a percepção de que o republicano não gosta do Brasil. "Eu já disse ao Trump que ele não gosta do Brasil. Ele não estava na reunião que eu fiz com o Trump", declarou.

Por Isabella Menon, Folhapress

Flávio Bolsonaro se encontra com Trump na Casa Branca

                    Foto deles foi divulgada por aliados do pré-candidato à Presidência do PL
Foto: Arquivo pessoal
O senador Flávio Bolsonaro se reuniu com o presidente dos EUA, Donald Trump, nesta terça-feira (26)
O senador Flávio Bolsonaro (PL) se encontrou nesta terça-feira (26) com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca.

Imagens deles foram divulgadas por aliados do pré-candidato à Presidência do PL. Em uma delas, Trump aparece sentado ao lado de Flávio. Em outra, posam juntos o empresário bolsonarista Paulo Figueiredo e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.

O governo dos EUA não havia confirmado oficialmente nenhuma reunião de Trump com Flávio.

Mais cedo, Flávio havia divulgado que estava a caminho da Casa Branca, local de trabalho do presidente dos EUA, e depois publicado vídeo em rede social dizendo que estava entrando para ter uma "conversa muito bacana", mas sem revelar com quem ("daqui a pouquinho vocês vão saber", afirmou).

O pré-candidato do PL à Presidência chegou em Washington na segunda-feira (25) e está hospedado no hotel cuja diária custa a partir de US$ 500 (cerca de R$ 2.500).
Foto: Arquivo pessoal
Figueiredo afirmou que Flávio estava na cidade para uma série de reuniões e que um dos principais temas apresentados era o pedido para que o CV (Comando Vermelho) e o PCC (Primeiro Comando da Capital) sejam classificados pelos EUA como "organizações terroristas estrangeiras".

Ele disse que já existe documentação entregue às autoridades americanas e afirmou que o grupo de políticos, que inclui Eduardo Bolsonaro, tenta "reverter" uma suposta atuação do Lula (PT) sobre o tema.

Lula esteve nos EUA com Trump há três semanas. Ele afirmou que a designação de facções como terroristas não esteve presente no encontro entre eles em 7 de maio, mas que foi apresentada uma proposta de cooperação entre os EUA e Brasil para combate ao crime organizado.

Embora incomum, esta não é a primeira vez que Trump recebe na Casa Branca um político estrangeiro que não ocupa o cargo de chefe de Estado.

No ano passado, o republicano recebeu Karol Nawrocki, então candidato à Presidência da Polônia, antes do primeiro turno da eleição no país. Após o encontro, Nawrocki afirmou que Trump lhe disse: "Você vai ganhar". A reunião provocou críticas na Polônia e acusações de interferência americana no processo eleitoral.

O encontro realizado neste mês de Trump com Lula na Casa Branca durou três horas e, segundo relatos de ambos os governos, teve saldo positivo. Foram discutidas tarifas comerciais, criada uma mesa de trabalho bilateral e apresentada, pelo Brasil, uma proposta de cooperação na área de segurança pública.

Após a visita, Lula afirmou não acreditar em uma interferência de Trump no processo eleitoral brasileiro e confiar no respeito mútuo entre os dois países nesse tema.

Crise do 'Dark Horse'

O encontro entre Flávio e Trump foi alimentado por aliados de Flávio em meio a um momento delicado da pré-campanha do PL.

Como revelou o site The Intercept Brasil, Flávio pediu recursos a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme "Dark Horse", sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O empresário chegou a investir R$ 61 milhões na produção. Desde então, o senador tenta conter os danos políticos do episódio e enfrenta uma crise de confiança entre aliados.

Na primeira pesquisa Datafolha divulgada após a repercussão do caso, Lula ampliou de 3 para 9 pontos percentuais sua vantagem sobre Flávio em uma simulação de primeiro turno: 40% a 31%.
Por Mônica Bergamo/Diego Alejandro/Folhapress

EUA bombardeiam sul do Irã durante acordo de cessar-fogo

             Pentágono diz que objetivo era proteger militares de 'ameaças das forças iranianas'

As Forças Armadas dos Estados Unidos bombardearam o sul do Irã nesta segunda-feira (25), em meio ao cessar-fogo e a negociações para encerrar a guerra entre os países. Segundo o Pentágono, os ataques foram preventivos com o objetivo de proteger soldados.

"Os bombardeios tiveram como alvo lançadores de mísseis e barcos que tentavam depositar minas no mar", disse o Comando Militar Central dos EUA, responsável pelas operações no Oriente Médio. "Continuamos a defender nossas tropas com ataques moderados durante o cessar-fogo em vigor", afirmou em nota.

Uma autoridade americana, sob anonimato, disse à emissora Fox News que uma base de mísseis iraniana tentou atingir caças dos EUA, o que teria provocado a reação. Barcos que se dirigiam ao estreito de Hormuz com o objetivo de miná-lo também foram avistados e destruídos, disse essa autoridade.

O Irã não se pronunciou até a última atualização deste texto, e não é possível saber como o caso impacta as negociações de paz em curso entre Washington e Teerã.

O presidente americano, Donald Trump, disse mais cedo que o acordo com o Irã será excelente e significativo ou não haverá acordo algum, sinalizando que o fim da guerra pode estar mais distante do que se esperava.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou também nesta segunda que os EUA chegarão a um bom acordo com o Irã ou lidarão com o país "de outra forma".

Os EUA darão à diplomacia todas as chances de sucesso antes de explorar as "alternativas", disse Rubio. Há "algo bastante sólido em jogo no que diz respeito à capacidade deles de abrir o estreito, conseguir que o estreito seja aberto, entrar em uma negociação muito real, significativa e com prazo determinado sobre a questão nuclear, e esperamos conseguir isso", declarou.

O regime persa também alertou nesta segunda que, embora tenham havido avanços nas negociações, ambos os lados ainda não estão perto de chegar a um acordo para o fim do conflito.

A guerra, desencadeada pelos ataques dos EUA e de Israel contra a República Islâmica em 28 de fevereiro, levou ao fechamento quase completo do estreito de Hormuz e a bombardeios do Irã contra outros países da região, bem como ao aumento dos preços da energia.
Por Folhapress

Explosão em mina de carvão na China deixa mais de 80 mortos

Ao menos 82 pessoas morreram após uma explosão em uma mina de carvão na China na manhã deste sábado, 23, no maior acidente da história da mineração no país em 17 anos. Outros 148 sobreviveram, sendo que 123 foram hospitalizados.

O presidente Xi Jinping pediu que a missão de resgate no norte da China fosse intensificada ontem porque ainda existiam pessoas presas. Xi "destacou a necessidade de fazer todos os esforços para tratar os feridos, organizar as operações de busca e resgate de forma científica e adequada e lidar corretamente com as consequências do acidente", informou a agência chinesa Xinhua

O presidente também pediu uma investigação sobre a explosão, que ocorreu na mina de carvão Liushenyu, localizada na cidade de Changzhi, província de Shanxi, e enfatizou a necessidade de "responsabilizar os culpados". Um dos responsáveis pela empresa foi detido.

A decisão de Xi de emitir rapidamente e pessoalmente uma declaração foi significativa e pode indicar que as autoridades chinesas esperavam um agravamento da situação. Pequim frequentemente omite detalhes de acidentes enquanto reúne informações e prepara uma resposta oficial.

Segundo a Xinhua, 247 funcionários trabalhavam no momento da explosão.

Shanxi é a principal província de mineração de carvão da China. No ano passado, a região, aproximadamente do tamanho do Ceará e com uma população de cerca de 34 milhões pessoas, foi responsável pelo fornecimento quase ? do total do produto.

O prefeito Chen Xiangyang afirmou ontem pela noite que uma "avaliação preliminar indica que a empresa de mineração cometeu graves violações". Ele não especificou quais.

Um dos mineiros que estava na mina no momento do acidente, disse que de repente o local foi tomado por uma nuvem de fumaça e por um forte cheiro de enxofre. Segundo ele, os trabalhadores sufocaram com o cheiro e desmaiaram. "Fiquei no chão por cerca de uma hora e acordei sozinho. Gritei para as pessoas ao meu lado e saímos da mina juntos", detalhou Wang Yong à rede estatal chinesa CCTV.

Esse já é o pior acidente de mineração na China desde 2009, quando outra explosão matou 108 trabalhadores na província de Heilongjiang, no nordeste do país. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

Por O Estado de S. Paulo

Homem atira contra policiais e é morto por agentes perto da Casa Branca

Um homem foi abatido e morto após atirar contra policiais perto da Casa Branca. A informação foi confirmada pelo Serviço Secreto americano.
Um homem foi abatido após se aproximar de um posto de controle e atirar contra policiais. Ele chegou a ser levado para o Hospital George Washington, mas não resistiu e morreu.

Um oficial disse que o homem tinha 'distúrbios emocionais'. Segundo a Reuters, uma ordem de restrição já havia sido emitida contra ele anteriormente.

Um pedestre também foi baleado, mas ainda não se sabe quem disparou o tiro que o feriu informou o Serviço Secreto. O estado de saúde da pessoa não foi divulgado.

Repórteres que estavam na Casa Branca ouviram os tiros. Após o ocorrido, houve um bloqueio do Serviço Secreto dos EUA no local. A imprensa, que estava no gramado da Casa Branca, foi levada às pressas para uma sala. Segundo a CNN, os repórteres ouviram agentes do Serviço Secreto gritar "abaixem-se" e alertar sobre "tiros disparados". Uma repórter da ABC News, Selina Wang, gravou o momento.

"Eu estava no meio da gravação de um vídeo no meu iPhone no gramado norte da Casa Branca quando ouvimos os tiros. Parecia dezenas de disparos de arma. Fomos orientados a correr para a sala de briefings da imprensa, onde estamos agora", declarou Selina Wang, da ABC News.

A situação ocorreu próximo ao cruzamento da Avenida Pensilvânia com a Rua 17 Noroeste. Segundo a CNN, agentes do Serviço Secreto atendiam a uma denúncia de disparos de arma de fogo. As circunstâncias do incidente ainda não estão claras.

Trump estava na Casa Branca durante o ocorrido. Ele anunciou que estava no local mais cedo, pelo Truth Social, quando deu atualizações sobre o acordo de paz com o Irã. Segundo o Serviço Secreto, o presidente está seguro e não foi afetado pelo incidente.
Por Folhapress

Justiça da Itália recusa extradição de Carla Zambelli para o Brasil

Juízes da última instância anularam decisão da Corte de Apelação, que havia autorizado o envio da ex-deputada ao país

A ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP)
A Corte Suprema de Cassação, última instância da Justiça italiana, negou autorização para que a ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP) seja extraditada para o Brasil. Os juízes da última instância anularam a decisão da Corte de Apelação, em resolução comunicada pouco depois das 21h (16h em Brasília) aos advogados. Ainda é incerto quando ela poderá ser liberada da prisão em que está desde o fim de julho em Roma.

Na audiência realizada pela manhã, em Roma, seis juízes analisaram, em cerca de uma hora, recurso apresentado pela defesa contra a decisão da Corte de Apelação. A instância anterior havia sido favorável ao envio de Zambelli ao Brasil, para cumprir pena de prisão. As justificativas para a rejeição devem ser publicadas nos próximos dias.

Segundo o advogado Pieremilio Sammarco, que defende a ex-deputada na Itália, foram apresentados como argumentos contra a extradição supostos "vícios processuais" no julgamento feito pelo STF (Supremo Tribunal Federal), as condições carcerárias no presídio no Brasil para onde ela iria e o estado de saúde de Zambelli.

"Há várias contradições e omissões na sentença da Corte de Apelação, como o fato de não ter se pronunciado sobre a averiguação das condições da Colmeia (presídio ao qual a ex-deputada seria enviada), como o tamanho das celas e a existência de serviço sanitário adequado", disse o advogado, ao fim da audiência.

Sammarco disse ainda que Zambelli teria tido piora em seu estado de saúde recentemente, mas não deu detalhes. A defesa voltou a pedir que ela deixe o complexo penitenciário de Rebibbia, em Roma. A solicitação será avaliada pela Justiça na próxima terça-feira (26).

O governo brasileiro foi representado na audiência pelo advogado Enrico Giarda, contratado por meio da AGU (Advocacia-Geral da União). "Pedimos a rejeição do recurso e evidenciamos que o processo brasileiro não pode ser refeito na Itália. O procedimento de extradição se baseia em argumentos técnicos e específicos, os quais a Corte de Apelação examinou integralmente", afirmou.

Antes da audiência, a defesa de Zambelli tentou adiar o julgamento, pedindo que os dois processos de extradição fossem analisados juntos em uma nova data, a ser definida. Os juízes da Corte de Cassação negaram o pedido. Um dos motivos é que, por a ex-deputada estar presa, as decisões referentes ao seu caso não poderiam esperar uma nova data, que provavelmente seria daqui a meses.

Zambelli tem duas penas de prisão para cumprir no Brasil, o que gerou dois pedidos diferentes de extradição. O primeiro processo é referente aos dez anos de prisão pela invasão do sistema do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e a emissão de um mandado falso de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Quando já estava na Itália, após fugir do Brasil, Zambelli foi condenada a outros cinco anos por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, no episódio em que apontou uma arma para um homem em São Paulo.

A Corte de Apelação, instância anterior, analisou os dois processos juntos nas audiências, mas produziu duas sentenças diferentes —uma no fim de março e outra no meio de abril. Em ambas, se manifestou a favor da extradição. Logo após a primeira sentença, a defesa entrou com recurso, alvo de análise nesta sexta-feira. O segundo recurso será avaliado em outra data.
Por Michele Oliveira/Folhapress

Xi ofereceu auxílio para reabrir Hormuz e negou ajuda militar para o Irã, diz Trump após encontro

Falas do americano, não confirmadas por Pequim, vão além do comunicado oficial da Casa Branca sobre o encontro
                         Os presidentes Donald Trump (EUA) e Xi Jinping (China)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quinta-feira (14) que o presidente Xi Jinping ofereceu ajuda da China para abrir o estreito de Hormuz e prometeu não enviar equipamentos militares para auxiliar o Irã em sua guerra contra os EUA e Israel.

"Ele gostaria de ver o estreito de Hormuz aberto e disse: 'Se eu puder ajudar de alguma forma, gostaria de ajudar'", acrescentou. "Ele disse que não vai fornecer equipamentos militares... ele disse isso enfaticamente", declarou Trump ao programa "Hannity" da Fox News, após o encontro entre os dois líderes em Pequim.

As falas de Trump —não confirmadas por Pequim— vão além do comunicado oficial da Casa Branca, que afirmou que o americano e Xi concordaram que o estreito de Hormuz, uma das principais rotas de petróleo do mundo, deve permanecer aberto e que o Irã não deve ter posse de armas nucleares.

Ainda durante o encontro desta quinta, o chinês fez questão de reiterar que a relação entre os países deve ser baseada em ganhos mútuos e que, se a questão Taiwan for lidada por Washington de forma inadequada, haverá conflitos.

Os mandatários se encontraram em Pequim para reunião bilateral e outros compromissos oficiais da visita de Estado do americano à capital chinesa.

Em seguida, visitaram o Templo do Céu, um cartão-postal da cidade, que tem simbolismo especial em visitas de Estado por ser conhecido como o local onde imperadores pediam a bênção dos deuses para boas colheitas. Os líderes também jantaram juntos em um banquete de Estado, momento em que Trump convidou Xi para visitar Washington em setembro.

O dia começou uma recepção amigável, marcada por risos e pequenos cochichos entre os líderes. Em pronunciamento na abertura da reunião bilateral, Trump afirmou que os países terão um futuro fantástico juntos.

"Nós construímos uma relação fantástica. Nós nos demos bem. Quando houve dificuldades, nós as resolvemos. Eu ligava para você, e você ligava para mim, e sempre que tínhamos um problema —as pessoas não sabem disso—, nós o resolvíamos muito rapidamente", disse o americano.

Uma das principais falas de Xi veio depois, durante a reunião de portas fechadas, que durou cerca de duas horas e 15 minutos. Segundo a imprensa estatal Xinhua, o líder teria repetido a Trump que a questão Taiwan é a mais importante nas relações entre as nações.

O chinês teria dito que "se mal administrada, os dois países entrarão em conflito, levando toda a relação China-EUA a uma situação muito perigosa". "A independência de Taiwan e a paz no estreito de Taiwan são incompatíveis. Manter a paz e a estabilidade no estreito de Taiwan é o maior denominador comum entre a China e os EUA", afirmou, segundo a Xinhua.

A fórmula é a mesma que sua diplomacia usou nos dias que antecederam a visita. O chanceler chinês, Wang Yi, por exemplo, afirmou ao secretário de Estado, Marco Rubio, que o ponto é o mais sensível das trocas bilaterais.
Por Folhapress

'Armadilha de Tucídides': Xi usa alegoria de guerra para questionar Trump se EUA e China podem evitar conflito

Presidente chinês afirmou que o mundo vive uma 'nova encruzilhada' e disse que o planeta acompanha encontro desta quinta-feira (14). Xi e Trump se reuniram em Pequim

O presidente chinês, Xi Jinping, citou nesta quinta-feira (14) a chamada “armadilha de Tucídides” ao questionar se China e Estados Unidos conseguirão evitar um confronto entre grandes potências. A declaração foi feita durante encontro com o presidente norte-americano, Donald Trump, em Pequim.

Segundo Xi, o mundo inteiro acompanha a reunião entre os dois líderes em um momento de mudanças profundas no cenário internacional. Em seguida, ele fez uma série de questionamentos a Trump.

“China e Estados Unidos conseguem superar a armadilha de Tucídides e criar um novo modelo de relações entre grandes potências? Podemos enfrentar juntos os desafios globais e oferecer mais estabilidade ao mundo?”, afirmou.

“Podemos, em nome do bem-estar dos nossos dois povos e do futuro da humanidade, construir juntos um futuro mais brilhante para nossas relações bilaterais?”

A expressão “armadilha de Tucídides” é usada para descrever o risco de guerra quando uma potência emergente desafia uma potência dominante.

O conceito foi inspirado nos escritos do historiador grego Tucídides, que analisou a Guerra do Peloponeso, travada entre Atenas e Esparta no século V a.C.
Segundo essa interpretação, o crescimento do poder de Atenas gerou medo em Esparta, tornando o conflito praticamente inevitável.
O termo se popularizou com o cientista político norte-americano Graham T. Allison, ao ser aplicado à rivalidade entre Estados Unidos e China.

Trump chama Xi de amigo

Após o discurso de Xi, Trump afirmou que vê um “futuro fantástico” para a relação entre Estados Unidos e China. Ele também chamou o líder chinês de amigo.

Trump disse ter uma “relação fantástica” com Xi e afirmou que os laços entre os dois países “vão ser melhores do que nunca”.

“Vamos ter um futuro fantástico juntos. Tenho muito respeito pela China e pelo trabalho que você fez”, afirmou Trump, dirigindo-se a Xi.

“Você é um grande líder. Digo isso a todo mundo. Às vezes as pessoas não gostam que eu diga isso, mas digo mesmo assim porque é verdade. Eu só digo a verdade.”

O presidente americano classificou o encontro como “uma honra como poucas” já vividas e disse acreditar em um futuro positivo para a cooperação entre as duas potências.

Trump elogiou recepção na China e afirmou ter ficado impressionado com a participação de crianças nas cerimônias oficiais. Por Redação g1

Trump publica imagem de mapa que mostra a Venezuela como o 51º estado norte-americano

                 "Publicação de Donald Trump nas redes sociais em que ameaça anexar a Venezuela"
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou nesta terça-feira (12) uma imagem em sua rede Truth Social mostrando a Venezuela como um estado americano, um dia após a líder interina do país sul-americano, Delcy Rodríguez, rejeitar a ideia em entrevista. A publicação foi compartilhada pelo perfil oficial da Casa Branca no X.

Na segunda-feira (11), após uma audiência na Corte Internacional de Justiça (CIJ) em Haia, na Holanda, Delcy disse que essa possibilidade jamais seria considerada.

"Continuaremos defendendo a nossa integridade, soberania e independência. Nossa história é de homens e mulheres que deram suas vidas para nos tornar não uma colônia, mas um país livre", afirmou a venezuelana.

Trump havia ventilado essa possibilidade em março ao publicar nas redes sociais após a vitória da Venezuela na Copa do Mundo de beisebol, justamente conta a seleção dos EUA.

Delcy era vice na ditadura de Nicolás Maduro até a captura do autocrata pelo governo Trump, em janeiro deste ano. Desde então, Washington tutela o regime sobre a líder interina, que disse trabalhar em uma agenda de cooperação com o governo do republicano, após o restabelecimento das relações diplomáticas em março. Maduro havia rompido relações com os EUA em 2019.

A Venezuela não é o primeiro alvo de publicação semelhante do presidente americano, que usa as redes sociais para fazer ameaças de anexação a outros países e territórios.

Em janeiro, Trump publicou imagem em que mostrava os EUA e o Canadá como um único território, sem fronteiras, pintado com a bandeira americana.

O republicano já havia sugerido anexar o vizinho ao norte, também seu aliado na Otan, a aliança militar ocidental liderada por Washington, hoje em crise aberta ante as investidas do americano contra Ottawa e a Groenlândia, território dinamarquês também alvo de sua cobiça. Trump chegou a chamar mais de uma vez o premiê canadense, Mark Carney, de governador, como se o país fosse um estado americano.
Por Folhapress

Líder interina rejeita ideia de Trump de tornar Venezuela o 51º estado dos Estados Unidos

                         Declaração foi dada em Haia durante audiência sobre disputa de Essequibo
A líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez
A líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, declarou nesta segunda-feira (11), em Haia, que Caracas nunca considerou se tornar o 51º estado dos Estados Unidos, como sugerido pelo presidente americano, Donald Trump.

Delcy assumiu o comando do regime após a captura do ditador Nicolás Maduro, em janeiro.

Delcy foi questionada por uma jornalista da emissora estatal venezuelana Telesur após uma audiência sobre a disputa do território de Essequibo na Corte Internacional de Justiça (CIJ), principal instância jurídica da ONU. A Venezuela reivindica a região hoje controlada pela Guiana. A crise entre os países se intensificou após a descoberta de campos de petróleo em alto-mar pela americana ExxonMobil em 2015.

"Isso jamais seria considerado porque se há algo que nós, venezuelanos, temos em comum, é o amor pelo nosso processo de independência", respondeu a líder interina sobre a declaração de Trump.

"Continuaremos defendendo a nossa integridade, soberania e independência. Nossa história é de homens e mulheres que deram suas vidas para nos tornar não uma colônia, mas um país livre", afirmou.

Delcy também disse que trabalha em uma agenda de cooperação com o governo Trump, após o restabelecimento das relações diplomáticas em março. Maduro havia rompido relações com os EUA em 2019.

O presidente americano publicou uma mensagem em suas redes sociais em março sobre a possibilidade da Venezuela se tornar o 51º estado. A postagem ocorreu após a vitória da nação caribenha na Copa do Mundo de beisebol contra a seleção americana.

Nesta segunda, John Roberts, jornalista da Fox News, afirmou que Trump reiterou seus planos de anexar a Venezuela aos EUA. "Acabei de falar por telefone com Donald Trump... Ele me disse que está seriamente considerando tornar a Venezuela o 51º estado", declarou Roberts em uma rede social.
Por Folhapress

Trump rejeita proposta do Irã para encerrar guerra, e tensão aumenta no Oriente Médio

Resposta iraniana priorizava o fim do conflito e garantias da segurança no Golfo e no estreito de Hormuz
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou neste domingo (10) a resposta enviada pelo Irã à proposta americana para encerrar a guerra no Oriente Médio, o que aumenta as incertezas sobre as negociações por um acordo de paz.

"Acabei de ler a resposta dos chamados ‘representantes’ do Irã. Não gostei —TOTALMENTE INACEITÁVEL", escreveu Trump na plataforma Truth Social, com as habituais maiúsculas, sem informar detalhes sobre o conteúdo rejeitado.

Mais cedo, a Irna, agência estatal iraniana, havia informado que Teerã enviou uma resposta aos EUA pelo Paquistão, que atua como mediador nas conversas. Segundo a imprensa local, a proposta previa o estabelecimento de uma "paz regional", com o fim imediato da guerra em todas as frentes, incluindo no Líbano; a suspensão do bloqueio naval imposto pelas forças americanas; garantias de que não haveria mais ataques contra o Irã; e o fim de sanções, incluindo restrições à venda de petróleo do país.

O jornal The Wall Street Journal informou, com base em autoridades não identificadas, que o Irã também teria proposto diluir parte de seu urânio altamente enriquecido e transferir o restante para um terceiro país. A proposta dos EUA, por sua vez, previa uma trégua inicial, seguida pela abertura de negociações sobre temas mais sensíveis, entre eles o fim do programa nuclear iraniano.

As negociações ocorreram num contexto de pressão sobre Donald Trump para conter a crise no Oriente Médio de sua viagem à China, prevista para esta semana. O republicano deve chegar na quinta-feira (14) ao país asiático, onde irá se reuniu com o líder Xi Jinping.

Os EUA enfrentam dificuldades para ampliar apoio externo. Países da Otan, a aliança militar ocidental, rejeitaram pedidos de Washington para enviar navios e ajudar na reabertura do estreito de Hormuz sem que haja antes um acordo de paz abrangente e uma missão internacional formalizada.

O Reino Unido informou no sábado (9) que enviará um navio de guerra ao Oriente Médio como preparação para eventual operação multinacional futura, em coordenação com a França.

Neste domingo, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, advertiu que qualquer presença de navios britânicos, franceses ou de outros países na região sob o pretexto de "proteger a navegação" seria considerada uma escalada e enfrentaria resposta militar iraniana.

O conflito já provocou instabilidade nos mercados de energia e ampliou temores sobre os impactos na economia global, além de causar milhares de mortes, principalmente no Irã e no Líbano.

Mesmo com um cessar-fogo em vigor desde abril, a região continua instável. Neste domingo, drones foram detectados sobre diferentes países do Golfo.

Os Emirados Árabes Unidos disseram ter interceptado dois drones vindos do Irã. O Catar informou que um cargueiro vindo de Abu Dhabi foi atingido por um drone em suas águas territoriais. Já o Kuwait afirmou ter acionado suas defesas aéreas contra aeronaves não identificadas que entraram em seu espaço aéreo.

O estreito tornou-se um dos principais focos de tensão da guerra. Antes do conflito, iniciado em 28 de fevereiro, a passagem concentrava cerca de 20% do comércio global de petróleo. Desde o início dos confrontos, o Irã restringiu fortemente a circulação de embarcações estrangeiras.

Apesar disso, alguns navios voltaram a cruzar a rota. Segundo dados da consultoria Kpler, o navio Al Kharaitiyat, operado pela QatarEnergy, atravessou o estreito em segurança com destino ao porto de Qasim, no Paquistão. Foi a primeira embarcação catariana transportando gás natural liquefeito a fazer o trajeto desde o início da guerra.

Também neste domingo, a agência semioficial Tasnim informou que um navio graneleiro de bandeira panamenha, com destino ao Brasil, conseguiu passar pela via marítima após utilizar uma rota designada pelas Forças Armadas iranianas.
Por Folhapress

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