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Lula diz estar 'indignado' com captura de Maduro pelos EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou nesta sexta-feira, 23, forte insatisfação com a operação militar conduzida pelos Estados Unidos que resultou na captura do líder venezuelano Nicolás Maduro. A declaração foi feita durante o 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), realizado em Salvador.

"Sinceramente, eu fico toda noite indignado com o que aconteceu na Venezuela. Eu não consigo acreditar. O Maduro sabia que tinha 15 mil soldados americanos no Mar do Caribe. Ele sabia que todo dia tinha uma ameaça. Ou seja, os caras entram à noite na Venezuela, foram até um forte, que é um quartel, onde morava o Maduro, e levaram o Maduro embora", afirmou o presidente brasileiro. O evento foi transmitido ao vivo pela internet.

Lula questionou o que classificou como desrespeito à integridade territorial venezuelana e defendeu a América do Sul como região pacífica. "Como é possível a falta de respeito à integridade territorial de um país? Não existe isso na América do Sul. Aqui é um território de paz", disse o petista, acrescentando que os países latino-americanos podem não ter armas nucleares, mas possuem "caráter e dignidade" e não vão "abaixar a cabeça para ninguém".

No início do evento, militantes do MST leram carta condenando o que chamaram de "sequestro" de Maduro e sua esposa Cilia Flores, classificando a ação como "mensagem atroz para os povos de todo o mundo". O documento sugere que os interesses norte-americanos estariam voltados ao controle de recursos naturais da região, como petróleo, minérios e águas.

A captura de Maduro

Nicolás Maduro e Cilia Flores foram capturados por forças militares norte-americanas em 3 de janeiro, durante uma operação noturna em Caracas. O casal foi levado para Nova York, onde o líder venezuelano está preso e responde a processos na Justiça americana.

As acusações apresentadas pelas autoridades dos Estados Unidos incluem narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro. Inicialmente, Maduro foi acusado de liderar o chamado Cartel de los Soles, organização classificada como terrorista pelos EUA. O governo americano, contudo, recuou dessa acusação específica e passou a considerá-lo culpado de "participar, proteger e perpetuar uma cultura de corrupção de enriquecimento a partir do tráfico de drogas".

As penalidades para os crimes dos quais é acusado variam de 20 anos de prisão a prisão perpétua. Em audiência realizada em 5 de janeiro em Nova York, Maduro declarou-se inocente de todas as acusações. "Sou inocente, não sou culpado", afirmou o venezuelano, acrescentando que foi detido dentro de sua residência em Caracas e que continua sendo o presidente de seu país.

Nos dias seguintes à captura, o governo Trump passou a apoiar a vice de Maduro, Delcy Rodríguez, na presidência da Venezuela.

Por Estadão Conteúdo

'Deixem nossos patriotas do ICE fazerem seu trabalho', diz Trump após nova morte em ação anti-imigração em Minneapolis

Presidente americano defendeu o trabalho dos agentes federais de imigração e acusou o governador e o prefeito da cidade de incitarem insurreição.

Após um homem morrer baleado numa operação contra imigrantes ilegais em Minneapolis, neste sábado (24), o presidente americano, Donald Trump, foi às redes sociais defender o trabalho dos agentes federais e acusar as autoridades locais de "incitarem insurreição".

https://g1.globo.com/globonews/jornal-globonews/video/homem-e-baleado-e-morre-durante-operacao-do-ice-em-minneapolis-14284103.ghtml
Trump fez o post na Truth Social junto com a foto de uma arma, uma pistola 9 milímetros (veja abaixo). De acordo com o Departamento de Segurança Interna dos EUA, essa arma estava com o homem que se aproximou da patrulha de fronteira durante uma operação contra um imigrante ilegal. Os patrulheiros reagiram e fizeram "tiros defensivos", disse o departamento.

Num vídeo feito por testemunha e analisado pelo jornal The New York Times, o homem se aproximou da patrulha com um celular em mãos.
De acordo com a polícia de Minneapolis, o homem era cidadão americano, morador da cidade e possuía permissão para porte de arma. Segundo o governo Trump, ele portava uma pistola e dois carregadores.

Patrulheiros de fronteira tem atuado junto com agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE, na sigla em inglês). No post deste sábado, Trump questionou: "Onde estava a polícia local? Por que eles não foram autorizados a proteger os oficiais do ICE? O prefeito e o governador mandaram esses policiais embora?"

"Deixem nossos patriotas do ICE fazerem seu trabalho! Doze mil criminosos ilegais, muitos deles violentos, foram presos e retirados de Minnesota. Se eles ainda estivessem lá, vocês veriam algo muito pior do que estão presenciando hoje", escreveu o presidente americano.

Para ele, prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, e o governador do estado, Tim Walz, "estão incitando insurreição com sua retórica pomposa, perigosa e arrogante!"
O governador de Minnesota, Tim Walz, classificou o caso como “mais um ataque a tiros atroz” por parte de agentes federais dos EUA, duas semanas depois que um policial de imigração matou a disparos uma cidadã americana em Minneapolis. "Acabei de falar com a Casa Branca após mais um ataque a tiros atroz por agentes federais esta manhã. Minnesota não aguenta mais. Isso é repugnante", disse Walz em uma rede social.

Em entrevista à imprensa, o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, pediu que Donald Trump encerre as operações da polícia de imigração na cidade. “Presidente Trump: este é um momento que exige liderança. Coloque Minneapolis em primeiro lugar, coloque os Estados Unidos em primeiro lugar. Vamos restaurar a paz. Vamos encerrar esta operação”, declarou.

Tensão em Minnesota

Nos últimos meses, o governo Trump tem ampliado drasticamente as prisões relacionadas à imigração em todo o país, o que causou uma escalada de tensões entre os agentes do ICE e a população dos EUA.

A escalada recente se deu principalmente por conta da operação em Minneapolis, que resultou na morte de uma mulher em 7 de janeiro, confrontos entre agentes de Trump e manifestantes e denúncias de uso de crianças como "isca" para prender imigrantes.
Por: G1

Brasil considera preocupantes pontos do Conselho de Paz e deve recusar convite de Trump

O presidente Donald Trump durante conversa com Lula na Malásia, no ano passado
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) observa com preocupação trechos da proposta do Conselho de Paz de Donald Trump, e a tendência é que o Brasil recuse fazer parte do grupo.

Alguns fatores considerados mais críticos para o governo brasileiro são a falta de menção específica ao conflito na Faixa de Gaza e a concentração de poderes de Trump frente às deliberações do Conselho.

O texto original prevê o direito dos países de proporem alterações, mas destaca a necessidade de aprovação do presidente —que será Trump por ao menos três anos— assim como o poder de veto a decisões dos Estados-membro.

A tendência de que o governo recusaria a proposta foi manifestada pelo assessor especial da Presidência, Celso Amorim, ao jornal O Globo na quinta-feira (22), e reiterada por auxiliares do governo à Folha de São Paulo.

Apesar de ter sido criado sob o pretexto de monitorar os conflitos em Gaza, a região não é mencionada na proposta de Trump. O documento se refere a "áreas afetadas ou ameaçadas por conflitos", sem especificar o escopo de atuação do Conselho.

Dois interlocutores a par das discussões internas sobre o convite indicam que se a região fosse citada no texto, haveria um estímulo para que o Brasil aderisse ao grupo, o que não ocorreu.

Há, ainda, uma avaliação de que aspectos como esse colocam o texto do Conselho na contramão de propostas consideradas mais adequadas pelo Brasil para lidar com os conflitos, o que torna a adesão brasileira mais difícil.

Nesta sexta-feira (23), durante evento em Salvador, Lula referiu-se ao Conselho como uma iniciativa de Trump de criar uma nova ONU (Organização das Nações Unidas). A sobreposição às forças de segurança da ONU é uma preocupação do governo e possível empecilho à adesão ao grupo.

"O presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU e que ele sozinho é o dono da ONU", disse. "Já falei com muitos outros presidentes tentando ver se é possível a gente encontrar uma forma de se reunir e não permitir que o multilateralismo seja jogado pro chão e para que predomine a força da arma, da intolerância de qualquer país do mundo".

Desde que recebeu o convite na última sexta-feira (16), Lula já travou conversas por telefone com diversos líderes mundiais, nas quais tratou da questão da paz. Entre eles, Xi Jinping, da China, Narendra Modi, da Índia, e Recep Tayyip Erdogan, da Turquia.

As ligações visam, além da discussão do tema, uma coleta de perspectivas mundiais e não uma elaboração de resposta negativa conjunta. Segundo os interlocutores ouvidos pela reportagem, a resposta ao convite deverá ser feita de forma direta.

De acordo com um auxiliar do Planalto, uma possível retaliação americana ao Brasil, em caso de não-adesão ao Conselho, não está entre as preocupações principais. A postura até o momento segue a de observação e consulta à reação dos demais países convidados.

O brasileiro também conversou com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, sobre a paz na região, que compartilha parte do território da Faixa de Gaza e é palco da guerra entre Israel Hamas.

Das nações chamadas por Trump para integrar o grupo 70% são autocracias ou ditaduras.

Um integrante do Itamaraty diz que o órgão continua buscando informações mais claras sobre o nível de relevância em Gaza e outros aspectos considerados preocupantes para o Brasil. De acordo com ele estão sendo feitos questionamentos jurídicos, consultas a países parceiros até eventualmente haver o retorno direto a Trump — que ainda não tem data para acontecer.

Trump já declarou publicamente querer a participação de Lula no Conselho, no mesmo dia em que o brasileiro o acusou de querer "governar o mundo pelo Twitter".

Por Mariana Brasil/Folhapress

Após convite para Conselho de Trump, Lula e Xi Jinping falam por telefone sobre manutenção da ONU

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone com o líder do regime chinês, Xi Jinping, na noite de quinta-feira (22), no horário de Brasília sobre a importância da manutenção da ONU (Organização das Nações Unidas), dando indícios de que não farão parte do Conselho de Paz criado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Sem mencionar Trump, Xi afirmou, segundo a emissora estatal CCTV, que, diante da situação internacional turbulenta e instável, os países, como importantes membros do "Sul Global", são forças construtivas para a estabilidade mundial e a manutenção da paz.

"China e Brasil devem posicionar-se firmemente ao lado correto da história, proteger melhor os interesses comuns de ambos os países e do Sul Global e salvaguardar conjuntamente o papel central das Nações Unidas, bem como a equidade e a justiça internacionais", afirmou, segundo a mídia estatal.

Lula, por sua vez, teria dito que os países são forças importantes na defesa do multilateralismo e na promoção do livre comércio, e que devem salvaguardar o papel da ONU. As relações sino-brasileiras também foram tema de discussão, com o lado chinês afirmando que oferecerá mais oportunidades de cooperação econômica ao Brasil.

Tanto China como Brasil foram convidados por Trump para integrar o conselho, que inicialmente foi pensado como instrumento para governar a Faixa de Gaza como parte do cessar-fogo na região, mas tem ganhado contornos mais amplos.

Embora o americano negue, é esperado que o órgão atue de forma paralela às Nações Unidas, que sofrem críticas recorrentes do presidente dos EUA. A assinatura do novo conselho ocorreu às margens do Fórum Econômico de Davos, na Suíça.

"Eu sempre disse que as Nações Unidas têm um potencial tremendo, mas não o usaram", afirmou. "Eu acho que a combinação do Conselho da Paz, com o tipo de gente que temos aqui, junto com a ONU, pode ser algo muito único para o mundo. Isso é para o mundo, não é para os EUA."

Até agora, a maioria dos países que aceitaram o convite são ditaduras ou autocracias, como Arábia Saudita, Belarus, Emirados Árabes, Cazaquistão, Qatar e Turquia. Dentre os que recusaram estão França, Itália, Noruega, Suécia e Reino Unido. China e Brasil fazem parte do bloco de países que ainda não responderam.

Há dúvidas sobre quais países terão condições de manter um assento no conselho, uma vez que será necessário pagar uma taxa de US$ 1 bilhão.

Desde que Lula recebeu o convite, o trabalho da diplomacia brasileira tem sido conversar com outros países que também foram convidados.

O brasileiro conversou por telefone na quarta-feira (21) com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, que já aceitou participar do grupo. O Planalto afirma que os líderes não mencionaram o conselho.

Nesta quinta, Lula também conversou por telefone com o líder da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, sobre Gaza.

Por Victoria Damasceno/Folhapress
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Musk diz que robôs da Tesla serão vendidos a partir de 2027 e que todos terão um robô humanoide no futuro

Bilionário falou sobre o robô Optimus, da Tesla, durante o Fórum Econômio Mundial, em Davos. Para ele, bilhões de humanoides estarão em atividade no futuro

O bilionário Elon Musk disse nesta quinta-feira (22) que a Tesla deve começar a vender seus robôs para o público até o final de 2027 e avaliou que, no futuro, todas as pessoas terão um humanoide como assistente.

"Provavelmente em algum momento do próximo ano, até o final do próximo ano, acho que estaremos vendendo robôs humanoides ao público", disse Musk durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos.

"É quando teremos confiança de que há altíssima confiabilidade, altíssima segurança, que o leque de funcionalidades também é muito amplo e que, basicamente, você pode pedir que ele faça quase qualquer coisa que quiser".

O robô da Tesla é batizado de Optimus e teve o primeiro protótipo revelado em 2022. Na época, Musk disse que a divisão de humanoides da empresa poderia faturar mais do que a de veículos.

Em sua fala em Davos nesta quinta, o bilionário disse que algumas unidades do robô Optimus já são usadas para realizar tarefas simples na fábrica da Tesla. Segundo ele, os dispositivos farão coisas mais complexas até o final de 2026.

Musk aposta em bilhões de robôs

Musk disse esperar que, no futuro, bilhões de robôs humanoides estejam em atividade e sejam capazes de saturar todas as necessidades dos seres humanos.

"Acho que todos na Terra terão um e vão querer um. Quem não gostaria de um robô, supondo que seja muito seguro, para cuidar dos seus filhos, do seu animal de estimação?", continuou.

"Muitos amigos meus têm pais idosos e dizem que é muito difícil cuidar deles. Se existisse um robô que pudesse cuidar e proteger um parente idoso, acho que seria ótimo, seria algo incrível".

O bilionário afirmou ainda que a solução para a pobreza passa pelo uso da robótica e da inteligência artificial, mas disse que elas não estão isentas de problemas.

"Precisamos ter muito cuidado com a IA e com a robótica. Não queremos nos ver em um filme de James Cameron, não queremos estar em um 'O Exterminador do Futuro'", disse Musk.

Trump se reúne com Zelenski e pede fim da guerra a Putin

Após ter dito que Volodimir Zelenski era o principal fator impedindo um acordo de paz, Donald Trump jogou a bola para Vladimir Putin após se encontrar com o presidente ucraniano em Davos (Suíça) nesta quinta-feira (22).

"O encontro foi muito bom. A mensagem para Putin é: a guerra tem de acabar", disse brevemente a repórteres o americano, que participava do Fórum Econômico Mundial. Zelenski voou para a Suíça só para encontrá-lo.

Trump em pavilhão do Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça)Denis BalibouseReutersHomem de cabelos brancos e terno preto desce escada interna de pedra clara, com expressão séria. Ao fundo, homem de cabelo castanho claro observa, e placa branca com texto desfocado está pendurada na parede verde.Imagem pequena****

Ainda nesta quinta, o enviado especial do presidente para a guerra, Steve Witkoff, e seu genro Jared Kushner irão a Moscou para um encontro com Putin. Em Davos, ambos se encontraram com uma delegação ucraniana e com o negociador russo Kirill Dmitriev.

O embate mais sangrento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, iniciado pela invasão por três lados promovida por Vladimir Putin, completará quatro anos daqui a um mês e dois dias. O momento é de violentos ataques russos durante o pior inverno da história recente, deixando milhares sem aquecimento e energia.

Mais cedo, Trump havia dito que "logo acabaremos com outra guerra" ao fantasiar a ideia de que o Oriente Médio está livre de conflitos com o lançamento de seu Conselho da Paz, destinado a tratar do futuro da arruinada Faixa de Gaza.

O americano falou que a região estava pacificada, mas ao mesmo tempo monta uma grande força militar para ameaçar e talvez atacar o Irã, cujo regime está pressionado por protestos de rua. Ainda em Davos, prometeu não invadir a Groenlândia e abriu negociações que prometem se tensas sobre o controle da ilha dinamarquesa.

Nas discussões ocorridas em Davos, estava na mesa a versão a ser levada ao Kremlin do acodo de paz proposto por Trump. Ele nasceu na terceira tentativa do americano de mediar a paz no conflito, a partir de um texto desenhado por Witkoff e Dmitriev que adotava praticamente todos os pontos desejados por Putin.

No centro das demandas, colocadas no papel pela Rússia em junho do ano passado, está a tomada dos territórios que anexou ilegalmente em 2022 mas ainda não controla totalmente e a neutralidade total da Ucrânia —proibida de ingressar na Otan e com forças limitadas.

Com apoio europeu, Zelenski reagiu e fez uma proposta mais aceitável para Kiev, que foi rejeitada pelos russos. O texto voltou para mãos ucranianas e americanas, com propostas da Europa. Ele estava travado porque o ucraniano não topava as perdas territoriais sem uma consulta à população de seu país.

Esse mesmo texto inclui um item que Moscou já rejeitou de cara: a criação de uma força de paz europeia, apoiada pelos EUA, para monitorar o eventual cessar-fogo. O Kremlin já disse que tais tropas seriam alvos legítimos.

No mais recente encontro da dupla americana com Putin, em dezembro, o russo manteve a inflexibilidade em relação a seus termos para acabar com o conflito, empoderado que estava pelo bom momento militar da Rússia em campo.

Por Igor Gielow/Folhapress

União Europeia prepara tarifas de 93 bi de euros para retaliar Trump após ameaça à Groenlândia

                             Europa também pode restringir acesso de empresas americanas ao seu mercado

As capitais da União Europeia estão considerando impor tarifas no valor de 93 bilhões de euros aos EUA (cerca de R$ 580 bilhões) ou restringir empresas americanas do mercado do bloco em resposta às ameaças de Donald Trump aos aliados da Otan que se opõem à sua campanha para assumir o controle da Groenlândia. A medida marca a crise mais grave nas relações transatlânticas em décadas.


As medidas de retaliação estão sendo elaboradas para dar aos líderes europeus poder de negociação em reuniões cruciais com o presidente dos EUA no Fórum Econômico Mundial em Davos esta semana, disseram autoridades envolvidas nos preparativos.

Eles estão buscando encontrar um compromisso que evite uma ruptura profunda na aliança militar ocidental, o que representaria uma ameaça existencial à segurança da Europa.

A lista de tarifas foi preparada no ano passado, mas suspensa até 6 de fevereiro para evitar uma guerra comercial total. Sua reativação foi discutida no domingo pelos 27 embaixadores da União Europeia, juntamente com o chamado instrumento anti-coerção (ACI), que pode limitar o acesso de empresas americanas ao mercado interno, enquanto o bloco debatia como responder à ameaça do presidente dos EUA com tarifas punitivas.

Trump, que exigiu permissão da Dinamarca para assumir o controle da Groenlândia, prometeu no sábado à noite impor tarifas de 10% até 1º de fevereiro sobre mercadorias do Reino Unido, Noruega e seis países da UE que enviaram tropas para a ilha ártica para um exercício militar esta semana.

"Existem instrumentos claros de retaliação à disposição se isso continuar... [Trump] está usando métodos puramente mafiosos", disse um diplomata europeu informado sobre a discussão. "Ao mesmo tempo, queremos pedir publicamente calma e dar a ele uma oportunidade de recuar".

"A mensagem é... cenoura e chicote", acrescentaram.

A França pediu que o bloco retalie com o ACI, que nunca foi usado desde sua adoção em 2023. A ferramenta inclui restrições de investimento e pode estrangular exportações de serviços como os fornecidos por grandes empresas de tecnologia dos EUA na UE.

Paris e Berlim estão coordenando uma resposta conjunta, com seus respectivos ministros das finanças devendo se reunir em Berlim na segunda-feira antes de viajarem para Bruxelas para um encontro com seus colegas europeus, disse um assessor do ministério francês.

"A questão também terá que ser abordada com todos os parceiros do G7 sob a presidência da França", acrescentou a pessoa.

Embora muitos outros estados-membros da UE tenham manifestado apoio à exploração de como o ACI poderia ser implantado contra os EUA, a maioria pediu diálogo com Trump antes de emitir ameaças diretas de retaliação, disseram diplomatas informados sobre as discussões ao Financial Times. "Precisamos baixar a temperatura", disse um segundo diplomata da UE.

Em um passo em direção à retaliação, os maiores partidos do parlamento europeu disseram neste fim de semana que atrasariam uma votação planejada sobre medidas que teriam reduzido as tarifas da UE sobre produtos americanos como parte de um acordo comercial firmado no ano passado.

Trump, que estará no fórum suíço na quarta e quinta-feira, deve realizar conversas privadas com líderes europeus, incluindo a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, além de participar de uma discussão mais ampla entre países ocidentais que apoiam a Ucrânia.

"Queremos cooperar, e não somos nós que estamos buscando conflito", disse Mette Frederiksen, primeira-ministra da Dinamarca.

Conselheiros de segurança nacional de países ocidentais se reunirão em Davos na tarde de segunda-feira.

As conversas foram inicialmente definidas para se concentrar na Ucrânia e nas negociações de paz em andamento para encerrar a invasão russa do país, mas foram reformuladas para dar tempo para discutir a crise sobre a Groenlândia, disseram dois funcionários informados sobre os preparativos.

O ministério das relações exteriores da Suíça, que está hospedando o encontro, disse que "não comentará sobre participantes ou tópicos".

As ameaças de Trump "certamente justificam o ACI, pois seria coerção exemplar", disse um terceiro funcionário europeu. "Mas precisamos usar o tempo até 1º de fevereiro para ver se Trump está interessado em uma saída", disseram, acrescentando que muito dependerá do resultado das conversas em Davos.

Autoridades europeias disseram que esperam que suas ameaças de retaliação aumentem a pressão bipartidária nos EUA contra as ações de Trump e resultem em seu recuo da promessa de tarifas.

"Já é uma situação que não permite mais compromissos, porque não podemos entregar a Groenlândia", disse um quarto funcionário europeu. "Os americanos razoáveis também sabem que ele acabou de abrir a Caixa de Pandora."

Mas no domingo, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que a Europa estava muito fraca para garantir a segurança da Groenlândia e se recusou a recuar na exigência dos EUA de assumir o controle da ilha estrategicamente importante.

"O presidente acredita que uma segurança aprimorada não é possível sem a Groenlândia fazer parte dos EUA", disse ele à NBC News.

Os líderes da UE estão se preparando para se reunir em uma reunião de emergência para discutir a crise na quinta-feira, de acordo com um funcionário informado sobre os planos.

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, que convoca tais cúpulas, disse no domingo à noite: "Dada a importância dos desenvolvimentos recentes e para coordenar ainda mais, decidi convocar uma reunião extraordinária do Conselho Europeu nos próximos dias.

A UE estava pronta "para nos defender contra qualquer forma de coerção", acrescentou Costa.
Por Folhapress

Ataque dos EUA à Venezuela é preocupante e traz instabilidade e violência, afirma Lula ao NYT

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escreveu em um artigo publicado no jornal americano The New York Times que a captura de Nicolás Maduro e o ataque dos Estados Unidos à Venezuela representam "um capítulo lamentável na contínua erosão do direito internacional e da ordem multilateral".

O texto também diz que o futuro do país latino-americano, assim como o de qualquer outro, "deve permanecer nas mãos de seu povo" e que a América Latina e o Caribe têm "próprios interesses e sonhos a defender".

Intitulado "Esse Hemisfério pertence a todos nós", o artigo foi publicado neste domingo (18) pelo veículo americano. Numa provável referência ao ditador chavista, Lula diz que líderes de países "podem ser responsabilizados por ações que minam a democracia e os direitos fundamentais".

"Nenhum líder detém monopólio sobre o sofrimento de seu povo. Mas não é legítimo que outro Estado arrogue para si o direito de fazer justiça", afirma, acrescentando que "ações unilaterais" ameaçam a estabilidade do mundo.

"É particularmente preocupante que tais práticas estejam sendo aplicadas à América Latina e ao Caribe. Elas trazem violência e instabilidade a uma parte do mundo que busca a paz por meio da igualdade soberana das nações, da rejeição ao uso da força e da defesa da autodeterminação dos povos", continua o petista.

Citando a Venezuela especificamente, Lula diz que "somente um processo político inclusivo, liderado por venezuelanos, conduzirá a um futuro democrático e sustentável".

"Esta é uma condição essencial para que os milhões de cidadãos venezuelanos, muitos dos quais estão temporariamente acolhidos no Brasil, possam retornar com segurança ao seu país".

Ferramenta nunca foi usada antes e permite restringir importações de bens e serviços

O governo da França afirmou neste domingo, 18, que o presidente Emmanuel Macron deve solicitar que a União Europeia acione o chamado “instrumento anti-coerção”, mecanismo comercial considerado a ferramenta mais dura do bloco, caso os Estados Unidos confirmem a imposição de tarifas anunciadas pelo presidente Donald Trump.

Apelidado de “bazuca” comercial da União Europeia, o instrumento nunca foi usado desde a criação.

O dispositivo permite ao bloco adotar medidas severas de retaliação, incluindo restrições à importação de bens e serviços, bloqueios a investimentos e limitações ao acesso de empresas estrangeiras ao mercado europeu.

Tarifaço

Donald Trump prometeu no sábado, 17, implementar uma escalada de tarifas contra países europeus até que o governo dos Estados Unidos obtenha autorização para comprar a Groenlândia, território pertencente à Dinamarca.

Em publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou que tarifas adicionais de 10% sobre produtos da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido entrariam em vigor em 1º de fevereiro.

Segundo ele, as alíquotas aumentariam para 25% em 1º de junho e seriam mantidas até que um acordo para a aquisição da Groenlândia fosse alcançado.
Por que Trump quer a Groenlândia?

Trump tem afirmado que a Groenlândia é estratégica para a segurança dos Estados Unidos, devido à localização geopolítica e à presença de grandes reservas minerais.

O presidente norte-americano não descartou o uso da força para assumir o controle da ilha, que pertence à Dinamarca.

Segundo ele, as alíquotas aumentariam para 25% em 1º de junho e seriam mantidas até que um acordo para a aquisição da Groenlândia fosse alcançado.

Por Ane Catarine


EUA mantiveram conversas com ministro da Venezuela antes e depois de capturar Maduro

Funcionários do governo Donald Trump mantiveram conversas com o ministro do Interior linha-dura da Venezuela, Diosdado Cabello, meses antes da operação dos Estados Unidos para capturar o ditador Nicolás Maduro, segundo relatos feitos à agência Reuters.

A comunicação entre o venezuelano e membros do governo americano continua desde então.

Os funcionários advertiram Cabello, 62, contra o uso de serviços de segurança ou dos grupos paramilitares que tem sob seu comando para atacar a oposição do país, disseram quatro pessoas familiarizadas com o assunto.

Esse aparato de segurança, que inclui os serviços de inteligência, polícia e Forças Armadas, permanece amplamente intacto após a operação americana de 3 de janeiro.

Cabello é citado na mesma acusação de narcotráfico apresentada pelos EUA que o governo Trump usou como justificativa para prender Maduro, mas não foi capturado como parte da operação.

As comunicações com Cabello —que também abordaram as sanções impostas pelos EUA contra ele e a acusação que enfrenta— remontam aos primeiros dias do governo Trump e continuaram nas semanas imediatamente anteriores à destituição de Maduro pelos EUA, disseram duas pessoas familiarizadas com as discussões.

O governo também manteve contato com Cabello desde a queda de Maduro.

Essas conversas, que não haviam sido relatadas anteriormente, são fundamentais para os esforços do governo Trump de controlar a situação dentro da Venezuela. Caso Cabello decida mobilizar as forças sob seu controle, isso poderia fomentar o tipo de caos que o presidente americano quer evitar e ameaçar o controle do poder da líder interina Delcy Rodríguez.

Não está claro se as conversas do governo Trump com Cabello se estenderam a questões sobre a futura governança da Venezuela. Também não está claro se Cabello acatou os alertas dos EUA. Ele prometeu publicamente unidade com Delcy, a quem Trump tem elogiado até o momento.

Enquanto Delcy tem sido vista pelos EUA como a peça-chave da estratégia de Trump para a Venezuela no pós-Maduro, acredita-se amplamente que Cabello detém o poder de manter esses planos no rumo certo ou de sabotá-los.

O ministro venezuelano manteve contato com o governo Trump tanto diretamente quanto por meio de intermediários, disse uma pessoa familiarizada com as conversas. Todas as pessoas ouvidas pediram anonimato para falar livremente sobre comunicações governamentais internas sensíveis com Cabello.

A Casa Branca e o governo da Venezuela não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

Cabello é visto há muito tempo como a segunda figura mais poderosa da Venezuela. Aliado próximo do ex-presidente Hugo Chávez, mentor de Maduro, tornou-se posteriormente um aliado de longa data de Maduro, temido como seu principal executor da repressão.

Delcy e Cabello atuaram durante anos no centro do governo, do Legislativo e do partido socialista no poder, mas nunca foram considerados aliados próximos entre si.

Ex-oficial militar, Cabello exerceu influência sobre as agências de contrainteligência militares e civis do país, que realizam ampla espionagem doméstica. Ele também esteve intimamente associado aos grupos paramlitares pró-governo, os chamados coletivos.

Cabello é um dos poucos funcionários leais de Maduro nos quais Washington tem confiado como governantes temporários para manter a estabilidade enquanto acessa as reservas de petróleo do país durante um período de transição não especificado.

Mas autoridades dos EUA estão preocupadas que Cabello, dado seu histórico de repressão e rivalidade com Delcy, possa agir como um sabotador.

Delcy vem trabalhando para consolidar seu próprio poder, instalando aliados em cargos-chave para se proteger de ameaças internas, ao mesmo tempo em que atende às exigências dos EUA para aumentar a produção de petróleo.

Elliott Abrams, que atuou como representante especial de Trump para a Venezuela em seu primeiro mandato, disse que muitos venezuelanos esperariam que Cabello fosse removido em algum momento caso uma transição democrática avance.

"Se e quando ele sair, os venezuelanos saberão que o regime realmente começou a mudar", disse Abrams, atualmente no think tank Council on Foreign Relations.

SANÇÕES E ACUSAÇÃO DOS EUA

Cabello está há muito tempo sob sanções dos EUA por suposto envolvimento com o narcotráfico.

Em 2020, os EUA ofereceram uma recompensa de US$ 10 milhões (R$ 53,7 milhões) por Cabello e o acusaram como figura-chave do "Cartel de los Soles", grupo que os EUA afirmam ser uma rede venezuelana de tráfico de drogas liderada por membros do governo do país.

Desde então, os EUA elevaram a recompensa para US$ 25 milhões (R$ 134,25 milhões). Cabello negou publicamente qualquer ligação com o tráfico de drogas.

Nas horas seguintes à destituição de Maduro, alguns analistas e políticos em Washington questionaram por que os EUA não capturaram também Cabello —listado em segundo lugar na acusação do Departamento de Justiça contra Maduro.

"Eu sei que só o Diosdado provavelmente é pior que Maduro e pior que a Delcy", disse a deputada republicana Maria Elvira Salazar em entrevista à emissora CBS, em 11 de janeiro. Nos dias seguintes, Cabello denunciou a intervenção americana no país, dizendo em um discurso que "a Venezuela não vai se render".

Mas relatos da mídia sobre moradores sendo revistados em postos de controle, às vezes por membros uniformizados das forças de segurança e às vezes por membros dos coletivos, tornaram-se menos frequentes nos últimos dias.

Tanto Trump quanto o governo venezuelano afirmaram que muitos detidos considerados pela oposição e por grupos de direitos humanos como presos políticos serão libertados.O governo afirmou que Cabello, em seu papel de ministro do Interior, está supervisionando esse esforço.

Grupos de direitos humanos dizem que as libertações avançam de forma extremamente lenta e que centenas continuam detidos injustamente.

Por Folhapress

Putin oferece ajuda à Israel para mediar conversas com Irã

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, conversou com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, nesta sexta-feira, 16, sobre a situação no Oriente Médio e no Irã, de acordo com nota divulgada pelo Kremlin. Segundo o texto, Moscou demonstrou disposição para prosseguir com esforços de mediação e promover um diálogo construtivo envolvendo todos os Estados interessados.

"Vladimir Putin delineou suas abordagens fundamentais para intensificar os esforços políticos e diplomáticos visando garantir a estabilidade e a segurança na região. Ficou acordado manter os contatos em diversos níveis", acrescenta o comunicado

Paralelamente, o diretor da agência de espionagem israelense Mossad, David Barnea, chegou aos EUA na manhã desta sexta para uma reunião em Miami com o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, para conversas sobre a situação no Irã e uma possível ação militar americana em resposta à repressão do regime de Teerã, disseram pessoas familiarizadas com o assunto para a Axios.

Segundo as informações, a viagem de Barnea acontece após um telefonema na quarta-feira (14) entre o presidente americano, Donald Trump, e Netanyahu. Na ocasião, o premiê israelense pediu ao republicano que adiasse a ação militar contra o Irã para dar a Israel mais tempo para se preparar para uma possível retaliação iraniana.

Witkoff é responsável por manter contato direto com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, e ainda não está claro se Barnea se encontrará com Trump em Mar-a-Lago no fim de semana.

Por Isabella Pugliese Vellani / Estadão Conteúdo

Lula é o único chefe de governo do Mercosul que não participará da assinatura do acordo com UE

Brasil será representado por Mauro Vieira, segundo Itamaraty; Crítico do bloco, Javier Milei confirma presen

Foto: Ricardo Stuckert/PR/Arquivo
O presidente Lula (PT) será o único chefe de governo dos países membros do Mercosul que não participará da cerimônia de assinatura do acordo de livre comércio do bloco com a União Europeia, no próximo sábado (17), no Paraguai. O Itamaraty afirmou à reportagem que o Brasil será representado pelo chefe da pasta, o chanceler Mauro Vieira.

A assinatura ocorrerá a nível ministerial. Entretanto, o presidente paraguaio, Santiago Peña, convidou seus homólogos para participarem do evento, dada a importância do acordo, que vinha sendo negociado há mais de 25 anos.

O argentino Javier Milei, que sempre foi crítico do Mercosul, já tendo comparado o bloco a uma "cortina de ferro", confirmou presença. Depois que o tratado recebeu luz verde dos países europeus, o ultraliberal celebrou o avanço como uma vitória pessoal.

Lula, por sua vez, deverá reunir-se na sexta, véspera do evento, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, no Rio de Janeiro. Os dois europeus depois seguirão viagem ao Paraguai, e o petista ficará de fora.

A relação de líderes confirmados foi enviada à reportagem pelo governo paraguaio. Completam a lista Yamandú Orsi (Uruguai), Rodrigo Paz (Bolívia) e José Raúl Mulino (Panamá).

A ausência de Lula, que sempre defendeu fortalecimento do Mercosul, e a presença de Milei refletem o distanciamento cada vez maior dos dois líderes. Na semana passada, por exemplo, o governo do petista decidiu devolver à Argentina a responsabilidade pela representação diplomática do país na Venezuela.

A custódia da embaixada em Caracas estava sob os cuidados do Itamaraty desde agosto de 2024, em meio a uma crise entre Caracas e Buenos Aires. Houve ainda divergências entre Lula e Milei em relação à operação americana que tirou o ditador Nicolás Maduro do poder.

Ao mesmo tempo, Milei e Peña têm afinidades no campo ideológico. Os dois têm se posicionado de maneira mais firme em oposição a governos de esquerda e aprofundado seus laços com os Estados Unidos de Donald Trump.

No caso do argentino, as rusgas com o presidente brasileiro existem desde antes da chegada de Milei à Presidência. Em entrevista recente, o ultraliberal disse preferir a eleição de um integrante da família Bolsonaro no Brasil a "uma solução com o socialismo do século 21", em referência a Lula.

Milei vem fortalecendo sua aliança com o clã do ex-presidente e a oposição ao petista conforme as eleições no Brasil se aproximam e pleitos recentes, na Bolívia e no Chile, marcaram a derrota de governos de esquerda.

O presidente brasileiro buscou a assinatura final do pacto ainda em 2025, durante a presidência rotativa do Brasil no Mercosul. Em meio a disputas dentro do bloco sul-americano, o Planalto chegou a mudar o local do encontro do bloco do Rio de Janeiro para Foz do Iguaçu, na tríplice fronteira com Argentina e Paraguai, para evitar seu esvaziamento.

Já as resistências dentro do bloco europeu acabaram por postergar a assinatura do acordo para este ano, já sob a presidência do Paraguai, frustrando os planos do governo Lula.

Na ocasião, a poucos dias da cúpula, ocorrida no dia 20 de dezembro, o presidente brasileiro chegou a dizer que, se o pacto não fosse assinado naquele momento, não seria mais.

"Eu agora estou sabendo que eles não vão conseguir aprovar [no Conselho Europeu]. Está difícil, porque a Itália e a França não querem fazer por problemas políticos internos", disse Lula. "E eu já avisei para eles, se a gente não fizer agora, o Brasil não fará mais acordo enquanto eu for presidente. É bom saber. Faz 26 anos que a gente espera esse acordo. 26 anos."

O trato, que começou a ser negociado em 1999, mas permaneceu engavetado por longos períodos, ganhou tração no fim de 2024, com especial empenho do governo Lula e de países europeus com pauta exportadora, como Alemanha e Espanha.

Países da União Europeia aprovaram no último dia 9, no Conselho da UE, o pacto com o Mercosul. "Em um cenário internacional de crescente protecionismo e unilateralismo, o acordo é uma sinalização em favor do comércio internacional como fator para o crescimento econômico", escreveu Lula nas redes sociais.

Segundo relatos colhidos pela imprensa europeia com diplomatas, França, Polônia, Hungria, Irlanda e Áustria votaram contra. A Bélgica se absteve. A Itália se uniu à maioria favorável ao pacto.

Enquanto os embaixadores europeus davam o aval ao pacto em Bruxelas, agricultores franceses repetiam a invasão de tratores em Paris, aumentando a crise política enfrentada pelo primeiro-ministro do país, Sébastian Lecornu.

Segundo o acordo, tarifas de importação sobre 91% das mercadorias comercializadas entre os dois blocos serão eliminadas. Estimativas europeias mostram que as exportações para o Mercosul poderão aumentar até 39% e garantir 440 mil postos de trabalho no continente.
Por Manoella Smith/Guilherme Botacini/Folhapress

EUA suspendem a emissão de vistos do Brasil e mais 74 países, diz 'Fox News'

O Departamento de Estado dos Estados Unidos suspendeu o processamento de solicitação de vistos para 75 países, incluindo o Brasil. A informação foi publicada pela Fox News Digital. Segundo o jornal, a suspensão terá início na próxima quarta-feira, 21, e continuará por tempo indeterminado. O objetivo é coibir solicitantes aos vistos considerados propensos a se tornarem um gasto público.

Um memorando do Departamento de Estado, ao qual a Fox News teve acesso, orienta os funcionários consulares a recusarem vistos de acordo com a legislação vigente, enquanto a pasta reavalia os procedimentos de triagem e verificação.

O jornal não divulgou todos os países afetados pela medida, mas afirmou que, além do Brasil, Somália, Rússia, Afeganistão, Irã, Iraque, Egito, Nigéria, Tailândia e Iêmen também estão na lista

A Fox News já havia divulgado, em novembro do ano passado, que o Departamento de Estado orientou os consulados a aplicarem novas regras de triagem baseadas na disposição de "encargo público" da lei da imigração. Com isso, os funcionários foram instruídos a negarem vistos a candidatos que provavelmente dependerão de benefícios públicos, com base em fatores variados, como saúde, idade, proficiência em inglês, situação financeira e possível necessidade de cuidados médicos de longo prazo.

Ainda segundo o jornal, candidatos idosos ou com sobrepeso tinham chances de ter seus pedidos negados.

"O Departamento de Estado usará sua autoridade de longa data para considerar inelegíveis potenciais imigrantes que se tornariam um fardo para os Estados Unidos e explorariam a generosidade do povo americano", disse o porta-voz da pasta, Tommy Piggott, em comunicado divulgado pela Fox News.

"A imigração desses 75 países será suspensa enquanto o Departamento de Estado reavalia os procedimentos de processamento de imigração para impedir a entrada de estrangeiros que se beneficiariam de programas de assistência social e benefícios públicos."

Por Estadão Conteúdo

Irã acusa Donald Trump de incitar violência e incentivar desestabilização política

Embaixador envia carta ao Conselho de Segurança da ONU em que responsabiliza EUA e Israel por 'perda de vidas civis'

O Irã acusou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta terça-feira (13), de incentivar a desestabilização política, incitar a violência e ameaçar a soberania, a integridade territorial e a segurança nacional do país, escreveu o embaixador iraniano na ONU, Amir Saeid Iravani, ao Conselho de Segurança da organização.

"Os Estados Unidos e o regime israelense têm responsabilidade legal direta e inegável pela consequente perda de vidas civis inocentes, particularmente entre os jovens", escreveu ele na carta, que também foi enviada ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

Homem de cabelos grisalhos e óculos fala em púlpito com símbolo da ONU. Fundo azul exibe logotipos do Conselho de Segurança em inglês e francês.Homem de cabelos grisalhos e óculos fala em púlpito com símbolo da ONU. Fundo azul exibe logotipos do Conselho de Segurança em inglês e francês.
Embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, em evento na sede da organização, em Nova York - Eduardo Munoz/Reuters

Ele escreveu a carta em resposta a uma publicação de Trump nas redes sociais feita no início desta terça.

O americano afirmou que cancelou qualquer diálogo com autoridades iranianas e incentivou manifestantes iranianos a "tomarem as instituições", em mais um sinal de apoio americano aos grandes protestos que tomaram as ruas de diversas cidades do país persa e já somam 2.000 mortes, pelas contas da ONG de direitos humanos Hrana.

"Patriotas iranianos, CONTINUEM A PROTESTAR —TOMEM SUAS INSTITUIÇÕES!!! Guardem os nomes dos assassinos e abusadores. Eles pagarão um grande preço. Eu cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que essa matança sem sentido de manifestantes ACABE. AJUDA ESTÁ A CAMINHO. MIGA!!! [Make Iran Great Again]", escreveu Trump na rede Truth Social, com as habituais letras maiúsculas.

Em outro indicador de que os protestos são reprimidos de forma brutal, entidades afirmaram que Teerã deverá executar, nesta quarta-feira (14), um manifestante preso. Se concretizada, essa será a primeira execução desde o início dos atos.

Em entrevista à CBS News, Trump também comentou essa possibilidade e prometeu retaliação. "Se eles os enforcarem, vocês vão ver algumas coisas… Tomaremos medidas muito duras se fizerem algo assim", disse o presidente americano, sem dar mais detalhes.

A contagem de ao menos 2.000 mortos expõe um aumento significativo nos últimos dias da repressão ao movimento iniciado em 28 de dezembro, quando então era apenas uma insatisfação de comerciantes do Bazar de Teerã com a desvalorização do rial, a moeda local, e a inflação crescente. No começo do domingo (11), as estimativas ainda estavam entre 100 a 200 vítimas, subindo para 500 ao fim da noite. Agora, a cifra já é o quádruplo de dois dias atrás.

Teerã não divulga balanço oficial de mortos, sejam manifestantes ou membros das forças de segurança, mas o mesmo número de 2.000 vítimas já havia sido passado à agência Reuters por um funcionário do próprio regime, culpando o que chamou de terroristas pela escalada da violência.

Por Folhapress

Irã marca para amanhã primeira execução de manifestante, diz ONG

Erfan Soltani, de 26 anos, foi preso na última quinta (8) em conexão com os protestos na cidade de Karaj. ONU se disse 'horrorizada' com repressão a manifestações no país do Oriente Médio que pedem o fim do regime dos aiatolás.

O manifestante Erfan Soltani, de 26 anos, preso por sua conexão com protestos contra o regime dos aiatolás na cidade de Karaj, deverá ser executado na quarta (14) pelas autoridades iranianas. A informação foi divulgada pela organização humanitária curdo-iraniana Hengaw nesta terça-feira (13).

Segundo a Fox News, Erfan será enforcado - método mais comum nas execuções no Irã.

As autoridades informaram à família que a sentença de morte era definitiva, relatou a Hengaw. De acordo com a família, ele foi preso em sua casa na última quinta-feira (8).

Seus parentes afirmam também que Soltani não teve permissão para acessar um advogado, nem houve qualquer audiência em um tribunal para julgar seu caso.

"O tratamento apressado e pouco transparente deste caso aumentou as preocupações sobre o uso da pena de morte como instrumento para reprimir protestos públicos", disse a Hengaw.

O chefe do Judiciário iraniano, subordinado aos aiatolás e ao líder supremo, Ali Khamenei, já havia dito que que tribunais especializados foram designados para lidar com os protestos.

A ONG Iran Human Rights (IHRNGO) diz estar "extremamente preocupada com a situação no país e alerta para "o risco de execuções em massa de manifestantes"

2.000 mortos
A repressão aos protestos que ocorrem no Irã já deixaram cerca de 2.000 pessoas mortas, afirmou nesta terça um membro do governo iraniano à agência de notícias Reuters.

A fonte ouvida pela Reuters culpou os manifestantes, que chamou de "terroristas", por mortes de cidadãos e agentes de segurança durante os protestos.

As manifestações, que começaram em dezembro, tinham como foco a má situação econômica do país, mas a repressão violenta a elas levou os manifestantes a pedir o fim do regime dos aiatolás, que goveram o Irã desde a Revolução de 1979.

Também nesta terça, o alto comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Volker Türk, se disse "horrorizado" com o que chamou de repressão das forças de segurança iranianas aos protestos pacíficos.

Oficialmente, o Irã não havia confirmado o novo balanço até a última atualização desta reportagem. Na segunda-feira (12), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, declarou que a situação o país estava "sob controle total" após o aumento da violência ligada aos protestos durante o fim de semana.

O chanceler iraniano acrescentou que a ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de uma nova ofensiva contra Teerã caso a repressão violenta aos protestos continuasse, motivou "terroristas" a atacar manifestantes e forças de segurança, para justificar essa intervenção.
"Vamos atingi-los com muita força onde mais dói", disse Trump, em relação ao Irã, na semana passada.

O presidente norte-americano já havia dito que faria uma intervenção anteriormente. Em 2 de janeiro, ele declarou que os EUA estavam “prontos para agir” se pessoas que protestam de forma pacífica forem mortas.

No sábado (10), Trump renovou as ameaças ao dizer que o Irã está "buscando a liberdade" e que os norte-americanos estão "prontos para ajudar".

O grupo de direitos humanos HRANA, com sede nos EUA, afirmou às agências de notícias Reuters e Associated Press que o número de mortos subiu para 538, entre eles 490 manifestantes e 48 policiais. Além disso, mais de 10.670 pessoas teriam sido presas, segundo a organização neste domingo (11).

Outras ONGs de direitos humanos que monitoram a situação no Irã também têm reportado nas mortes dos protestos. O país está isolado do resto do mundo após Khamenei ter cortado a internet, então não se sabe ao certo quantas pessoas realmente morreram, porém, as organizações têm recebido relatos de que as forças de segurança iranianas dispararam contra os manifestantes.

O governo iraniano não está divulgando regularmente números oficiais da atuação policial nos protestos e acusa os EUA e Israel de se infiltrarem nos protestos e os culpam pelas mortes ocorridas nos movimentos.

O chefe da polícia do Irã, Ahmad-Reza Radan, afirmou neste domingo que as forças de segurança "escalaram o nível de confronto contra os manifestantes". A Guarda Revolucionária do Irã, um importante ator militar no país, afirmou que proteger a segurança nacional é um ponto inegociável.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, pediu neste domingo que a população iraniana mantenha distância do que chamou de "terroristas e badernistas" e tentou buscar uma via de diálogo com os manifestantes. Ao mesmo tempo, Pezeshkian acusou os Estados Unidos e Israel de "semear caos e desordem" no país.
Por Reuters

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