Mostrando postagens com marcador Mundo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mundo. Mostrar todas as postagens

Pela 1ª vez em 70 anos Cuba tem como derrubar ditadura, diz líder da diáspora nos EUA

Rosa María Payá, filha do ativista Oswaldo Payá, fala em Miami sobre a pressão americana e a crise humanitária na ilha

Foto: Reprodução/Instagram

Há uma figura para ser acompanhada com atenção diante do agravamento da crise humanitária em Cuba e da possibilidade de que alguma mudança ocorra na ilha: Rosa María Payá, 37, líder da diáspora cubana nos Estados Unidos, desde 2013 em Miami, na Flórida.

Apoiadora de Donald Trump e próxima ao secretário de Estado, Marco Rúbio, Rosa María carrega na história da família a luta pela abertura política. Seu pai era Oswaldo Payá Sardiñas, quiçá o maior opositor do regime castrista que vivia na ilha, não no exílio, como tornou-se comum. Ele morreu em 2012 em um acidente de trânsito, aos 60 anos.

Um ano depois, Rosa María e a família se exilaram em Miami, o bastião da comunidade cubana nos EUA. As circunstâncias da morte de seu pai são nebulosas. A família acusa o regime de ter provocado o acidente, e um relatório da CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos) indicou responsabilidade do Estado.

Hoje Rosa María faz parte da mesma comissão. Por indicação de Rubio, ela assumiu em janeiro passado uma das sete cadeiras de comissários da CIDH. Uma das figuras mais jovens entre as vozes protagonistas da diáspora cubana, e uma das poucas que nasceu de fato na ilha (em vez de ter nascido nos EUA de pais exilados), ela é uma —se não a— das mais próximas à Casa Branca.

Seu pai liderou o que ficou conhecido como Projeto Varela, um pedido popular com mais de 35 mil assinaturas no início dos anos 2000. A iniciativa queria um referendo para transformar em lei direitos que são previstos na Constituição, mas não exercidos, como o direito à liberdade de expressão, de imprensa e de associação. A repressão silenciou a mobilização.

Oswaldo ganhou prêmios internacionais e se tornou mundialmente conhecido. Ele dizia não apoiar o embargo exercido sobre Cuba. Rosa María tem posição distinta. Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, ela refuta a ideia de que a crise humanitária arrasadora na ilha seja intensificada pelas sanções americanas.

Neste ano, ela liderou a assinatura de um acordo entre diferentes grupos da diáspora para tentar chegar a um consenso para uma transição democrática na ilha em caso de queda do regime. Algo raro, dado que a oposição cubana fracassou diversas vezes em se unificar.

A senhora acha que a pressão que os EUA exercem afeta apenas o regime ou também as pessoas? Temos muitos relatos de fome. Há contradição nesta pressão econômica?

O que essencialmente afeta a vida dos cubanos e o que levou nossas famílias a viver a catástrofe humanitária que está acontecendo em Cuba é o regime cubano. Essa crise não começou em 3 de janeiro com as restrições ao petróleo.

Até 3 de janeiro [dia da captura do ditador Nicolás Maduro], o regime cubano estava recebendo centenas de milhares de barris de petróleo da Venezuela, que foram usados para enriquecer o conglomerado militar da Gaesa [Grupo de Administração Empresarial S.A., liderado pelos militares, com controle de empresas de turismo, estações de gás, supermercado, transferência de dinheiro e outros], que hoje possui bilhões de dólares.

Não podemos cair em dissonâncias cognitivas quando sabemos que há um regime cujas empresas, que são praticamente privadas, têm bilhões de dólares, e o povo está passando fome, não tem medicamentos, não tem energia e, além disso, está sob os níveis de repressão mais altos que já viveu ou tão altos quanto os vividos nesses 67 anos.

A resposta mais clara a essa realidade foi dada pelo próprio povo, que sai para protestar todos os dias, embora não vejamos protestos massivos porque cortam a eletricidade e porque o regime sai para prender e bater nos manifestantes. E o povo não está gritando "abaixo o embargo", está gritando "abaixo a ditadura".

Como fazer a mudança? Com uma invasão militar, com uma revolta social?

Vimos os cubanos saírem às ruas de forma épica em julho de 2021 e sofrerem os níveis repressivos mais elevados da história, com milhares de prisioneiros políticos e praticamente nenhuma solidariedade internacional.

O que está acontecendo hoje, que é qualitativamente diferente, é o que nós identificamos como os três elementos que se combinam e que podem provocar a mudança de sistema.

O primeiro é a demanda por mudança sistêmica. Os cubanos não têm eleições livres há mais de 70 anos. Se há algo que neste momento é eloquente e inegável é que a população está exigindo uma mudança e deve ser protagonista dela.

Há um segundo elemento que é fundamental, porque vivemos um regime totalitário que tem as armas e que as usa todos os dias contra os corpos dos cubanos, que é a pressão internacional. E, pela primeira vez em décadas, o governo dos Estados Unidos está disposto a exercer essa pressão sobre quem precisa ser pressionado, que são os criminosos que estão no poder: os generais, a família Castro, os donos da Gaesa, os donos dessas empresas bilionárias.

E o terceiro, a alternativa democrática. Em março, assinamos o acordo de libertação que reúne a maior parte das forças democráticas cubanas dentro e fora da ilha. Alguns desses líderes estão presos hoje na ilha e fazem parte deste acordo que desenha um plano de transição em fases: libertação, estabilização e reconstrução, e democratização, ou seja, eleições livres, a devolução da soberania ao povo cubano.

Tenho que insistir. Vê como possibilidade uma invasão, como ocorreu na Venezuela?

Não existe, nem é necessária, uma Delcy Rodríguez em Cuba. O cenário venezuelano e o cenário cubano são bem distintos. Nossos destinos estiveram ligados porque o regime cubano praticamente colonizou a Venezuela e foi um elemento fundamental no colapso da democracia e na manutenção do regime de Chávez e de Maduro.

A última gota que fará o copo transbordar e provocará a fratura no poder em Cuba pode variar. Definitivamente, é necessária a pressão que o governo dos EUA está fazendo, e tomara que isso se transforme em um movimento de solidariedade do Ocidente, incluindo as democracias latino-americanas, porque a América Latina foi uma das mais afetadas pela ditadura cubana.

A maneira pela qual a família Castro sairá do poder neste momento depende sobretudo deles.

A senhora falou da América Latina. Como vê o papel do Brasil?

O Brasil, junto com México e Espanha, fez declarações que, sobretudo, parecem apoiar a ditadura, mas que terminam defendendo o direito da soberania para o povo cubano. Bom, isso é precisamente o que nós estamos exigindo.

Então, gostaríamos de ver do governo do Brasil, do governo do senhor Lula, coerência com relação a essa declaração.

E isso significaria apoiar eleições livres em Cuba, que requerem um processo de transição que nós estamos preparando. O Brasil, que aliás teve a experiência do que significa lidar economicamente com uma ditadura como a cubana —o porto de Mariel foi construído com dinheiro brasileiro, e o regime cubano deve mais de US$ 600 milhões—, para poder ter uma relação normal, inclusive uma relação comercial mutuamente benéfica, precisa apoiar uma mudança.

Alguns cubanos dizem que muitas gerações não têm uma cultura democrática, porque não foram acostumadas a isso. A senhora concorda? Uma parte dos cubanos poderia aceitar que os EUA exerçam uma tutela em Cuba, como fazem na Venezuela?

Os cubanos vêm de 67 anos de comunismo. E isso é traumatizante, claro.

Mas os cubanos, em qualquer lugar do mundo democrático ao qual chegaram, foram comunidades bem-sucedidas, desde na política até nas artes e no mundo empresarial. A única coisa que os cubanos precisam para prosperar é serem livres.

A ação americana na Venezuela é ligada ao interesse muito amplo no petróleo. Em Cuba, é diferente. Não pergunto somente pelo interesse dos EUA, mas, para ter de novo uma economia funcional, o que é preciso fazer na ilha?

Recapitalizar o povo cubano. A economia cubana foi sistematicamente destruída pelo comunismo. Agora, nós, cubanos, temos dois elementos importantes: primeiro, o talento e capacidade de empreendedorismo que o cubano tem mesmo no meio do comunismo.

Segundo, um exílio que é quase 40% da população, que está organizado, que é poderoso economicamente e nunca se desconectou da ilha, e que está chamado a fazer parte do processo de recuperação econômica.

Em caso de eleições, quer tentar um cargo?

Isso é prematuro. Neste momento, nosso esforço é para que os cubanos escolham os nomes que vão ocupar os cargos. Se meu nome estará aí ou não, será decidido no devido tempo.
Por Mayara Paixão/Folhapress

Governo Trump revoga visto de embaixadora do Brasil nos Estados Unidos

Em movimento raro na diplomacia, EUA anunciaram nome de novo embaixador sem aval do governo Lula
O governo Trump anunciou nesta terça-feira (3) a revogação do visto da embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Viotti, em retaliação à demora do Brasil de conceder aval para que Daniel Perez assuma suas funções como novo embaixador dos EUA em Brasília. A medida equivale à expulsão da diplomata do território americano.

Auxiliares de Trump destacaram que o visto de Viotti só será reestabelecido caso o governo Lula dê a luz verde para Perez —um procedimento conhecido como agrément.

O chefe do Departamento de Estado, Marco Rubio, é um forte crítico da esquerda latino-americana e já confrontou o governo Lula em diferentes ocasiões. Logo após o anúncio do USTR (Escritório do Comércio dos EUA) de um novo tarifaço contra o Brasil, ele publicou nas redes sociais que "o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé".

"Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso", diz Rubio.

Meses antes, ele havia classificado o Brasil num rol de países que não são amigáveis aos Estados Unidos.

Os Estados Unidos solicitaram autorização ao Brasil para nomear Perez —no jargão diplomática chamado agrément— um mês depois de a Casa Branca tornar pública sua indicação. Ao agir dessa forma, romperam com a prática tradicional, segundo a qual o país que envia o embaixador consulta previamente a nação anfitriã e aguarda sua manifestação antes de oficializar a indicação.

O gesto provocou incômodo no Palácio do Planalto. Integrantes do governo Lula afirmam que não há pressa para conceder o agrément, já que, na avaliação deles, Washington optou por divulgar o nome antes de cumprir os trâmites normalmente observados nesses casos.

Por trás da justificativa de aliados de Lula está o receio de que Perez tenha uma atuação política durante as eleições presidenciais de outubro.

Perez teve sua indicação aprovada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado e deve ser submetido ao plenário ainda nesta semana.

No fim de julho, o Departamento de Estado tentou enviar ao Brasil dois integrantes de sua equipe para discutir temas como liberdade de expressão e o processo eleitoral. O caso foi revelado pelo jornal The Washington Post.

A visita foi interpretada pelo Planalto como uma tentativa de interferência nas eleições, sobretudo por ocorrer poucos dias depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, voltar a fazer críticas ao sistema de urnas eletrônicas durante um encontro com embaixadores —mais recentemente, Flávio disse acreditar que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) agirá de forma imparcial no pleito.

A interpretação do governo brasileiro foi criticada pelo Departamento do Estado. Em nota, o governo Trump afirmou que tratava-se uma visita programada a Brasília entre os dias 27 e 30 de julho para reuniões com autoridades do governo, líderes religiosos e representantes da sociedade civil "a fim de discutir integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão".

"Qualquer insinuação de que essa viagem seria uma 'manobra' para minar a eleição de uma nação democrática é uma mentira sem qualquer fundamento."

Por Isabella Menon, Folhapress

Javier Milei faz novos ataques a Lula e o chama de ladrão e corrupto

O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a atacar o presidente Lula (PT) e o chamou de ladrão e corrupto. As declarações foram feitas em entrevista ao jornal argentino La Nación, no domingo (2).

O argentino afirmou que Lula "não é inocente" das condenações na Operação Lava Jato. "Ele foi solto por causa de uma falha processual. Ele não é inocente."

As condenações de Lula foram anuladas em 2021 pelo STF (Supremo Tribunal Federal), que entendeu que os processos não tramitaram na devida jurisdição e que o então juiz Sergio Moro foi parcial ao conduzir os casos.

Ao La Nación, Milei defendeu suas declarações feitas na convenção de Flávio Bolsonaro e rejeitou as críticas de Brasília. "É muito menos grave chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar", argumentou ao rebater a reação do governo brasileiro aos seus ataques.

Ele ainda acusou, sem provas, Lula de interferir politicamente nos países da América Latina. Para o argentino, "se há alguém que interfere politicamente na região, é Lula, contaminando por completo com as ideias imundas do socialismo."

Também houve queixas de uma suposta assimetria no tratamento dado às ofensas feitas por líderes de esquerda. "Ele fica bravo porque eu disse algo verdadeiro para o Lula. Mas eles omitem os insultos do Lula e dos ministros dele, do Petro, do Evo Morales, do Correa, do Pedro Sánchez e da turma dele. Quando me insultam, tudo bem", afirmou.

A suposta articulação contaria com o apoio de governos estrangeiros e da oposição argentina. Conforme a acusação sem provas, o grupo contava com a ajuda do México, da ala progressista dos EUA, da Espanha e de kirchneristas.

Os ataques de Javier Milei a Lula começaram durante a convenção partidária no dia 25 de julho em São Paulo. O evento lançou oficialmente a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Na ocasião o argentino também afirmou que confia no filho de Jair Bolsonaro (PL) para "deter o lixo socialista".

As ofensas também se estenderam ao ministro do STF Alexandre de Moraes, que proibiu uma visita do argentino ao ex-presidente brasileiro. Milei chamou o magistrado de "lixo careca".

"Sei que Lula se cansou de receber dirigentes do exterior quando estava preso. Entre eles, o nefasto ex-presidente argentino Alberto Fernández", afirmou Milei.

O episódio detonou uma crise diplomática inédita entre os dois países. Após o episódio, o Itamaraty convocou o embaixador argentino no Brasil para prestar esclarecimentos.

A resposta de Lula veio pela imprensa. Ao ser questionado sobre os ataques de julho, Lula declarou de forma irônica: "Quem é esse cara?"

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) classificou os ataques do presidente argentino ao Brasil como "lamentáveis". Ele afirmou também que Milei presta um desserviço ao próprio país ao se envolver de forma grosseira em assuntos internos brasileiros.

Em outras reações às falas feitas no encontro partidário, os ministros Dario Durigan (Fazenda) e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) também criticaram Milei. O atual chefe da pasta econômica chamou o argentino de "palhaço", e Boulos acusou Milei de ser submisso ao presidente dos EUA Donald Trump. "Caricatura patética", escreveu nas redes.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, elogiou o discurso de Milei, na convenção do partido em São Paulo. "Milei, parabéns", afirmou ele em entrevista ao programa Canal Livre, da Band.

"Você falou tudo o que muito brasileiro queria falar ali: que o comunismo é esse mal mesmo", declarou. "Ele fez um discurso que não atacou o Brasil. Atacou o comunismo."

Por UOL/Folhapress

VÍDEO: Helicópteros militares colidem no ar durante combate a incêndios na Grécia e deixam dois mortos

Fotos: Reprodução / Redes Sociais
Dois helicópteros militares colidiram no ar neste domingo (2) durante uma operação de combate a incêndios florestais na Grécia, segundo informações de autoridades locais. As duas aeronaves transportavam quatro tripulantes no total. De acordo com o Corpo de Bombeiros da Grécia, os dois tripulantes de uma das aeronaves morreram no acidente. Já os dois ocupantes do outro helicóptero foram resgatados com vida.

 

Veja em forma de vídeo:

 A colisão ocorreu em uma área de floresta na região costeira de Psatha, na Ática, localizada a cerca de 40 quilômetros a oeste da capital, Atenas. O acidente mobilizou equipes de busca e resgate.


Em comunicado oficial, o órgão informou que as aeronaves, do tipo Bell, eram contratadas pelo Corpo de Bombeiros para apoiar o combate aéreo ao fogo, contando com dois integrantes cada.

Itamaraty veta cônsul-geral de Israel em SP e aponta dupla nacionalidade como obstáculo

Tel Aviv deve ficar sem cônsul na capital paulista e sem embaixador em Brasília, em reflexo da crise entre governos Lula e Netanyahu
O Itamaraty vetou a designação de uma nova cônsul-geral de Israel em São Paulo sob a justificativa de que o nome escolhido possui dupla nacionalidade —israelense e brasileira. Trata-se de mais um episódio da crise entre os governos Lula (PT) e Binyamin Netanyahu.

Tel Aviv pretendia nomear a diplomata Vivian Aisen como cônsul-geral na capital paulista. Mas o governo Lula não concordou com a indicação e apontou a nacionalidade brasileira de Vivian como o principal obstáculo.

De acordo com pessoas a par do tema, Vivian nasceu no Brasil e se mudou ainda jovem para Israel, onde iniciou carreira na diplomacia.

Procurada pela reportagem, ela disse que não se manifestaria.

O Itamaraty afirmou que processos de concessão de autorização a agentes consulares —chamados exequatur— são "rotineiros e sigilosos". "O governo brasileiro não comenta assuntos sigilosos", disse a chancelaria, em nota.

A embaixada de Israel não respondeu até a publicação desta reportagem.

O consulado-geral em São Paulo é um dos mais importantes postos diplomáticos israelenses no Brasil. Sem a indicação de Vivian, o cargo deve ficar vago em breve, após o fim da missão de Rafael Erdreich.

Trata-se da segunda negativa do governo Lula à atuação de um diplomata israelense no Brasil.

Em março de 2025, o jornal Folha de São Paulo revelou que o Itamaraty estava segurando o aval necessário para que Gali Dagan assumisse a embaixada de Israel em Brasília.

Dagan era embaixador em Bogotá e havia deixado a posição depois que o então presidente, Gustavo Petro, rompeu relações com Israel em decorrência da guerra na Faixa de Gaza.

O aval nunca foi concedido, e Israel permanece sem embaixador no Brasil.

Sem poder chefiar o consulado em São Paulo, Vivian foi nomeada na semana passada embaixadora de Israel em Bogotá.

O país latino-americano passará a ser governado em agosto pelo ultradireitista Abelardo de la Espriella, que já prometeu reabrir a representação colombiana em Israel, em Jerusalém, e suspender a instalação de uma missão do tipo na Palestina.

Para pessoas que acompanharam a tentativa de indicação de Vivian, embora a dupla nacionalidade tenha sido a justificativa oficial para o veto, o péssimo momento das relações bilaterais certamente contribuiu para o desfecho.

Esses interlocutores destacam que Vivian chegou a sinalizar estar disposta a renunciar à cidadania brasileira, mas isso não foi suficiente para destravar o impasse.

Os governos Lula e Netanyahu trocaram críticas desde o início da ofensiva militar israelense em Gaza.

O momento mais agudo da crise ocorreu durante a visita de Lula à Etiópia, em fevereiro de 2024. Na ocasião, o petista comparou as incursões militares de Israel em Gaza à perseguição aos judeus pela Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial, o que desatou fortes queixas do governo de Israel e da comunidade judaica no Brasil.

Em resposta, Netanyahu disse que Lula tinha cruzado uma linha vermelha. O então embaixador do Brasil em Israel, Frederico Meyer, foi chamado para uma represália pública no Yad Vashem, o mais importante memorial sobre o Holocausto.

Depois, o então chanceler israelense e hoje ministro da Defesa, Israel Katz, declarou que Lula era "persona non grata" no país. O governo brasileiro viu na forma como a reprimenda foi organizada —em hebraico, idioma que Meyer não domina— uma provocação. O Planalto decidiu retirar o diplomata de Tel Aviv, sem substituí-lo. Hoje, a missão brasileira não conta com um embaixador.

O capítulo mais recente da crise ocorreu durante a convenção nacional do PL que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto.

Netanyahu gravou uma mensagem de apoio que foi exibida no evento. Ele chamou Flávio de amigo. "Você é um grande defensor do Brasil, um grande defensor da amizade entre nossos povos. E eu sei que você levará o Brasil a patamares cada vez mais elevados", disse.
Por Ricardo Della Coletta/Folhapress

Entenda a crise migratória causada pela entrada de 60 mil pessoas em Ceuta, na Espanha

                       Analistas apontam que Marrocos usa migração como pressão diplomática

Chegada de migrantes procedentes do Marrocos ao exclave espanhol de Ceuta
A chegada em massa, nos últimos dias, de cerca de 60 mil migrantes procedentes do Marrocos ao exclave espanhol de Ceuta, no norte da África, desencadeou uma crise migratória e política para o governo da Espanha. Veja abaixo o que se sabe sobre o tema.

Quantos migrantes chegaram a Ceuta?

Segundo Juan Jesús Vivas, presidente da cidade autônoma de Ceuta, "cerca de 60 mil pessoas" entraram na cidade. Ele também anunciou a morte de 34 pessoas em uma "avalanche humana". Esse número representa 70% dos cerca de 84 mil habitantes desse pequeno território de 18,5 km².

Citando fontes da cúpula da Guarda Civil, o jornalista Ignacio Cembrero, especialista em política do Magrebe, afirmou que, na quinta-feira, "estavam entrando ao ritmo de 200 pessoas por minuto". Por sua vez, o governo espanhol assegurou que a grande maioria delas (cerca de 48 mil) já havia retornado ao Marrocos até o fim da sexta-feira (31).

Trata-se de um número muito superior ao de maio de 2021, quando cerca de 12 mil pessoas chegaram a Ceuta em apenas dois dias, segundo o Observatório.

O Marrocos facilitou a entrada dos migrantes?

Segundo Cembrero, desde quarta-feira (29), as forças de segurança marroquinas "estão de braços cruzados".

"Para chegar ao quebra-mar que marca a fronteira entre Ceuta e Marrocos há barreiras policiais e de forças auxiliares, e é evidente que elas deixaram as pessoas passar. Caso contrário, isso não teria acontecido", afirma.

Carlos Echeverría, diretor do Observatório de Ceuta e Melilla, reconhece que o termo invasão é controverso, mas ressalta que ele pode ser aplicado à situação atual, na qual "milhares de pessoas cruzam ilegalmente uma fronteira internacional e exercem pressão sobre um país vizinho".

Em uma declaração nesta sexta, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, falou em "violação e ataque à integridade territorial".

Por que crise explodiu?

Segundo os especialistas consultados pela AFP, há várias explicações possíveis. Uma delas seria a decisão do Supremo Tribunal da Espanha, de 8 de julho, segundo a qual as chamadas "devoluções imediatas" —devolver instantaneamente um migrante que cruza irregularmente a fronteira sem instaurar um procedimento administrativo de expulsão— não se aplicam aos casos de chegada por via marítima.

Sánchez afirmou que as "máfias que traficam seres humanos" fizeram uma "interpretação interessada" dessa decisão. Segundo a sentença, essa "devolução expressa" só pode ser aplicada às pessoas que ultrapassem "os elementos físicos de contenção da fronteira, como as cercas", mas não àquelas que chegam pelo mar, como ocorreu com muitas das pessoas que chegaram a Ceuta nos últimos dias.

"Sem dúvida, a decisão de 8 de julho desempenhou um papel. Mas isso não explica o nível de mobilização, que é muito elevado", observa Cembrero.

A chegada em massa também pode ter sido incentivada pela regularização de migrantes anunciada recentemente pelo governo socialista de Sánchez ou pela perspectiva de uma futura mudança de governo menos favorável ao acolhimento de migrantes —hipóteses que, segundo os analistas, são difíceis de confirmar.

A crise é uma arma de negociação do Marrocos?

Os especialistas também apontam que as recorrentes crises migratórias e a suposta postura permissiva das forças de segurança marroquinas ao "abrir as portas" seriam um instrumento de pressão diplomática. O Marrocos reivindica a soberania sobre Ceuta e Melilla desde sua independência, em 1956, mas a Espanha rejeita categoricamente qualquer negociação sobre as duas cidades.

Segundo Cembrero, "as autoridades marroquinas viram uma oportunidade de forçar a Espanha a negociar o futuro dessas cidades". Diante dessa reivindicação territorial considerada inaceitável, Echeverría defende a "europeização" da questão. "É preciso conseguir da União Europeia, da qual fazemos parte como Estado-membro, medidas de retaliação", afirma.

Repercussão diplomática

Vários países europeus reagiram com firmeza à crise migratória. A Itália anunciou a suspensão temporária do acordo de livre circulação (Tratado de Schengen) com a Espanha, com o apoio da Finlândia e da Dinamarca.

A decisão foi duramente criticada por Madri, e ainda não está claro qual será seu alcance. Especialistas em direito consultados pela AFP insistem que sua aplicação é impossível dentro do atual marco jurídico.

O presidente francês, Emmanuel Macron, manifestou sua "solidariedade" à Espanha, juntamente com o Reino Unido. No entanto, posteriormente, a França anunciou que quintuplicaria, no sábado, o número de policiais e gendarmes na fronteira franco-espanhola, chegando a 334 agentes.

O primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, também anunciou o reforço dos controles nas fronteiras terrestres e marítimas do sul do país.
Por Folhapress

Terremoto arrasa Kumamoto: veja as imagens da destruição no Japão

Abalo atingiu a província de Kumamoto, provocou desabamentos, incêndios e interrupções no transporte. Equipes procuram pessoas presas sob os escombros, enquanto milhares de moradores enfrentam cortes de energia elétrica

Fotos:  Reuters

Subiu para 13 o número de mortos após o forte terremoto que atingiu a província de Kumamoto, no sudoeste do Japão, na terça-feira (28). As operações de busca continuavam nesta quarta-feira (29), com equipes concentradas em imóveis que desabaram e locais onde ainda havia pessoas desaparecidas.

A primeira-ministra Sanae Takaichi lamentou as mortes e afirmou que o trabalho de resgate precisa avançar com rapidez diante da possibilidade de vítimas permanecerem sob os escombros.

“Há pessoas que ainda estão esperando por ajuda. Todos os segundos contam”, declarou.

O terremoto ocorreu às 16h27 no horário local, com epicentro na região de Kumamoto e profundidade estimada em 10 quilômetros. A Agência Meteorológica do Japão registrou magnitude 7,1, enquanto o Serviço Geológico dos Estados Unidos revisou sua medição inicial para 6,8.

O tremor alcançou o nível máximo da escala japonesa de intensidade sísmica, que avalia os efeitos do abalo na superfície e seu potencial de destruição. Uma advertência de tsunami chegou a ser emitida, mas foi retirada pouco depois.

Prédios desabaram parcialmente, incêndios foram registrados e estruturas como pontes, torres de transmissão e trechos das muralhas do Castelo de Kumamoto sofreram danos. Um shopping center e uma fábrica estavam entre os pontos mais afetados, com trabalhadores e frequentadores presos nos escombros.

Na fábrica da Nippon Paper Industries, equipes de emergência procuravam funcionários desaparecidos após o colapso de parte da estrutura. Outros trabalhadores foram retirados em estado grave. As autoridades também mantinham buscas no shopping Aeon Mall, atingido por uma explosão e por desabamentos.

Dezenas de pessoas ficaram feridas e milhares precisaram deixar suas casas. Mais de 36 mil imóveis permaneciam sem eletricidade nesta quarta-feira, enquanto moradores eram encaminhados para abrigos instalados na região.

O terremoto também afetou estradas, aeroportos e linhas ferroviárias. O serviço dos trens-bala foi suspenso, voos foram cancelados ou desviados e diferentes trechos rodoviários ficaram bloqueados para inspeções e reparos.

Kumamoto já havia sido atingida por uma sequência destrutiva de terremotos em 2016. Na ocasião, dois fortes abalos, de magnitudes 6,5 e 7,3, deixaram centenas de mortos e milhares de feridos.

Veja as imagens na galeria acima.


Terremoto de magnitude 7,1 atinge o Japão e gera alerta de tsunami

Tremor foi registrado na província de Kumamoto, no sul do país, às 4h29 pelo horário de Brasília. Autoridades emitiram avisos para áreas costeiras de Kyushu e recomendaram que a população permaneça afastada do mar
por Notícias ao Minuto

Terremoto atinge sul do Japão e derruba prédios; há mortos em shopping, diz imprensa

Foto: Reuters
Um terremoto de magnitude 7,1 que atingiu a província de Kumamoto, no sul do Japão, nesta terça-feira (28), deixou dezenas de feridos, interrompeu o fornecimento de energia para milhares de casas, danificou estradas e provocou incêndios e desabamentos de edifícios.

Equipes de resgate atuam para retirar um número ainda desconhecido de pessoas de um shopping da rede Aeon, na cidade de Kashima, onde uma explosão ocorreu após o desabamento do segundo andar do prédio. A TV Asahi, citando a polícia, afirmou o incidente deixou mortos, sem especificar a quantidade exata.

De 20 a 30 trabalhadores do centro comercial estão desaparecidos, de acordo com a emissora japonesa NHK, e provavelmente estão presos nos escombros.

Em declaração a jornalistas, a primeira-ministra Sanae Takaichi disse que a extensão das vítimas e dos danos materiais ainda está sendo avaliada. "Já fomos informados de que há pessoas feridas", afirmou.

"Houve cortes no fornecimento de energia e incêndios em algumas áreas, além de danos em estradas e pontes e desabamentos de edifícios." Takaichi também anunciou o envio de 3.600 militares para auxiliar nas operações de resgate, enquanto réplicas do terremoto continuavam sendo registradas na ilha de Kyushu.

O shopping Aeon de Kashima tinha acabado de ser reinaugurado em junho dez anos depois que outro terremoto, em abril de 2016, destruiu o centro comercial. O tremor de Kumamoto de 2016, o mais letal do Japão entre 2011 e 2024, deixou 277 mortos e outros 2.800 feridos no total.

Imagens do desastre desta terça mostraram que uma das laterais do shopping, que abriga cerca de 200 lojas, foi completamente destruída, expondo vigas de aço e espalhando destroços por um estacionamento.

Um hospital na cidade de Hikawa, ao sul de Kumamoto, registrou mais de 50 feridos. A NHK exibiu imagens de edifícios em chamas ou parcialmente destruídos. O terremoto abriu grandes rachaduras em rodovias, provocou o descarrilamento de um trem de carga e paralisou a circulação ferroviária. Passageiros de um trem-bala também ficaram feridos durante o tremor, informou o jornal Nikkei.

Várias pessoas estavam desaparecidas após o desabamento de uma chaminé em uma fábrica da Nippon Paper Industries, informou a NHK.

O aeroporto de Kumamoto fechou a pista, levando ao cancelamento e ao desvio de voos. Segundo a polícia de Kumamoto, até as 17h no horário local, foram confirmados 12 casos de desabamento de casas e 4 casos de pessoas presas dentro de suas residências. Dois incêndios também foram registrados.

A fabricante de chips TSMC, a maior do mundo, evacuou sua fábrica na região por precaução, mas informou mais tarde que não havia perigo e que as operações voltariam à normalidade gradualmente. As fábricas locais da empresa de eletrônicos Sony e da companhia fotográfica Fujifilm também foram evacuadas.

Cerca de 300 mil pessoas receberam ordem para deixar suas casas e seguir para abrigos. A Agência Meteorológica do Japão alertou para o risco de novos tremores fortes ao longo da próxima semana e para a possibilidade de deslizamentos de terra.

O epicentro do terremoto foi localizado cerca de 20 quilômetros ao sul da cidade de Kumamoto, a maior da ilha de Kyushu, com aproximadamente 700 mil habitantes. A agência meteorológica também emitiu inicialmente um alerta de tsunami, mas posteriormente o cancelou.

A concessionária Kyushu Electric Power informou que cerca de 40 mil residências ficaram sem energia. As operadoras KDDI e Docomo relataram interrupções na telefonia móvel devido à falta de energia e a falhas nas redes de transmissão.

A autoridade de regulação nuclear informou que não houve problemas nas usinas nucleares da região.

O Japão está entre os países com maior atividade sísmica do mundo por estar localizado no Anel de Fogo do Pacífico, faixa que concentra intensa atividade tectônica. Cerca de 20% dos terremotos de magnitude 6 ou superior registrados no planeta ocorrem no país.

Em 2016, outro grande terremoto em Kumamoto matou 275 pessoas, deixou 2.739 feridos e danificou milhares de edifícios, incluindo o castelo da cidade, um dos principais pontos turísticos. Segundo a administração do monumento, partes de suas muralhas de pedra voltaram a desabar após o tremor desta terça-feira.
Por Folhapress

Milei lota rede social com críticas a Lula em meio a crise diplomática

Maioria das mensagens menciona atuação de grupo de publicitários ligados ao PT nas eleições da Argentina, em 2023.
O presidente da Argentina, Javier Milei, lotou o seu perfil no X com publicações críticas a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após chamá-lo de ladrão, presidiário e "lixo socialista" durante o lançamento da candidatura de seu aliado, o senador Flávio Bolsonaro (PL), em São Paulo.

A maioria das mensagens compartilhadas pelo mandatário classifica como uma intervenção a atuação de um grupo de publicitários ligados ao PT que reforçou a equipe de campanha de Sergio Massa, adversário de Milei nas eleições de 2023. Na ocasião, o ultraliberal chegou a acusar Lula, sem apresentar provas, de financiar a campanha do peronista, embora houvesse estrategistas de várias outras partes do mundo atuando.

"Sejamos honestos: Lula apoiou a campanha de 2023 contra Milei. Em 2024, ele o rotulou de nacionalista arcaico e o incluiu na lista de líderes fascistas ao lado de Jair Bolsonaro. (...) E agora os brilhantes progressistas argentinos estão arrancando os cabelos por causa do que Javier Milei disse no Brasil?", afirmou Dario Epstein, analista financeiro e aliado do ultraliberal. A publicação foi compartilhada pelo presidente.

Ao longo de 2023, Milei se referiu ao petista como comunista e corrupto, o que causou distanciamento entre os dois. Em junho de 2024, Lula sugeriu que seu homólogo pedisse desculpas, ao que o argentino respondeu que havia coisas mais importantes do que "o ego inflado de algum esquerdinha".

"O duplo padrão da esquerda. A eterna vitimização", diz um perfil chamado El viejo libertario, também compartilhado pelo presidente. "Quando Milei diz algumas verdades inconvenientes para Lula, todos os esquerdistas se ajoelham de indignação. Enquanto os esquerdistas se fizerem de vítimas, só estarão se expondo".

Outro episódio relembrado pelos seguidores de Milei foi a visita de Lula à sua aliada, a ex-presidente Cristina Kirchner, em prisão domiciliar, em julho do ano passado. O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, chamado de "lixo careca" por Milei no sábado, não permitiu que o presidente argentino visitasse Bolsonaro em Brasília, também em prisão domiciliar.

"Lula é um ex-presidiário e, quando veio à Argentina, visitou um antigo companheiro de cela que também estava na prisão", afirmou Lilia Lemoine, deputada e correligionária de Milei. "Seu governo prendeu e humilhou uma cidadã argentina por um gesto obsceno na rua enquanto ela era agredida por homens", continuou, em referência Agostina Páez, que foi presa no Brasil após imitar um macaco durante uma discussão com homens negros no Rio de Janeiro.

Em outra publicação, também compartilhada pelo presidente, uma seguidora mencionou novamente a notícia falsa de que Lula haveria apoiado Massa com "uma equipe e milhões de dólares investidos em fake news contra Milei".

Com a crise, a convivência protocolar que ambos os líderes vinham mantendo ao longo dos últimos dois anos
Após os comentários de sábado, o Itamaraty convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, e o representante de Brasília em Buenos Aires, Julio Bitelli, para prestar esclarecimentos. Já o ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamou Milei de palhaço ao rebater críticas à economia brasileira.

Autoridades argentinas não reagiram especificamente à fala de Durigan, e a assessoria da Casa Rosada não comentou após questionamento da reportagem. Nesta segunda, porém, o chefe de gabinete argentino, Diego Santilli, tentou minimizar os comentários de Milei.

"Que não façam drama. Eles vieram aqui fazer campanha e disseram barbaridades do presidente", afirmou ao LN+, canal do jornal La Nación. "A Argentina tem uma história, uma tradição de relações econômicas entre empresas, no setor privado, que continua se desenvolvendo a todo vapor”.

Leia também:
Por Daniela Arcanjo/Folhapress

Netanyahu critica Mamdani por discurso e acusa prefeito de NY de fomentar ódio contra judeus

                                 O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acusou o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, de fomentar o ódio contra os judeus da cidade. A fala, feita à Fox News, foi uma resposta às ameaças do prefeito de prendê-lo caso fosse a Nova York para participar da reunião da Organização das Nações Unidas (ONU).

Mamdani, nas últimas semanas, ameaçou cumprir o mandado de prisão contra o israelense, expedido pelo Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra. Mamdani depois recuou e admitiu que o município não tinha autoridade para cumprir o mandado, mas pediu que o governo federal o fizesse.

Netanyahu acusou o prefeito de colocar um grupo contra o outro e de impor medo na cidade. "Eu falo com judeus americanos em Nova York, e eles estão com medo agora", disse. O primeiro-ministro responsabilizou Mamdani pelo atentado contra um judeu nova-iorquino, que foi esfaqueado ao sair de uma sinagoga. A culpa seria do prefeito por seu discurso em que pediu que o governo federal americano prendesse Netanyahu por seus crimes de guerra, o que o israelense classificou como discurso de ódio.

"Depois de ele ter feito esse discurso de ódio contra Israel e contra mim, no dia seguinte, um judeu é esfaqueado ao sair de uma sinagoga e com um grito de Allah Akbar", disse o primeiro-ministro.

Por fim, Netanyahu confirmou que irá à ONU. "Eu pretendo ir e falar a verdade, falar por Israel e pela aliança israelo-americana, do púlpito das Nações Unidas."

Por Vinícius Novais, Estadão Conteúdo

Incêndios florestais forçam saída de 330 mil pessoas na França e Espanha

França enfrenta incêndios considerados sem precedentes, e Macron prepara reunião de emergência com ministros. Na Espanha, governo decreta estado de emergência e alerta para 'horas difíceis'.
Cerca de 330 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas e locais de hospedagem por causa dos incêndios florestais que atingem a França e a Espanha desde a última quarta-feira (22).

As chamas, alimentadas por altas temperaturas, ventos fortes e seca prolongada, já consumiram dezenas de milhares de hectares e mobilizam milhares de bombeiros e militares nos dois países.

Na França, os incêndios já queimaram 42 mil hectares, em uma das maiores áreas devastadas por fogo no país desde a Segunda Guerra Mundial.

Em mensagem nas redes sociais, o presidente francês, Emmanuel Macron, prometeu reconstruir as áreas devastadas e afirmou que o governo francês permanecerá ao lado das vítimas "pelo tempo que for necessário".

Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez disse que a prioridade é salvar vidas e alertou que o avanço dos incêndios ainda depende da evolução dos ventos. Confira mais informações abaixo:

Situação na França

Na França, o cenário mais crítico é registrado no sudoeste do país, especialmente nos arredores de Gironde e Landes, onde o fogo avança em direção à região de Bordeaux.

Até o momento, julho registra temperaturas máximas médias de 32,2 °C nas regiões atingidas pelos incêndios. Segundo dados do Reuters Climate Monitor, a média está 7,3 °C acima da marca histórica para o mês entre 1961 e 1990.

Na noite de sábado (25), cerca de 55 mil pessoas foram evacuadas de vilarejos ao sul de Bordeaux, na região de Gironde. Com isso, o número de pessoas retiradas do sudoeste da França ultrapassou 220 mil, segundo informações divulgadas pela BBC.

O prefeito de Bordeaux, Thomas Cazenave, afirmou neste domingo (26) que o incêndio estava a cerca de 15 km dos arredores da região metropolitana da cidade e entre 25 km e 30 km do centro, mas descartou, por enquanto, a possibilidade de uma evacuação de Bordeaux.
As chamas já destruíram pelo menos 42 mil hectares — área equivalente a cerca de quatro vezes o território de Paris — e centenas de imóveis.

O governo francês mobilizou milhares de bombeiros, militares e aeronaves, incluindo um avião cargueiro A400M adaptado para lançar retardante de fogo. Ao todo, 1.500 militares foram deslocados para apoiar as saídas forçadas e proteger residências deixadas para trás.

Segundo a BBC, Macron deve convocar uma reunião de emergência com ministros diante da escalada dos incêndios, que já somam cerca de 30 focos ativos em todo o país e são considerados pelo governo uma crise sem precedentes.

"Reconstruiremos, repararemos e estaremos presentes por todo o tempo que for necessário" nas áreas mais afetadas, afirmou o presidente Emmanuel Macron em publicação neste sábado no X.
Na Espanha, os maiores focos estão concentrados nos arredores de Madri, onde incêndios florestais que começaram separadamente acabaram se unindo.

Desde o início da crise, quase 60 mil pessoas já saíram das regiões de Madri e Ávila, enquanto outras 28 mil permanecem confinadas em suas casas, segundo o Ministério do Interior espanhol.

O governo espanhol decretou, pela primeira vez, estado de emergência nacional por causa dos incêndios florestais.
Em visita ao posto de comando em Ávila, na manhã deste domingo (25), o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que a prioridade do governo é preservar vidas.

Apesar de avaliar que a última noite trouxe avanços no controle das chamas, ele alertou que o país ainda enfrenta "horas difíceis" e que a evolução dos ventos segue sendo um fator de preocupação para as equipes de combate ao fogo.

Sánchez também relacionou os incêndios à emergência climática. Segundo ele, Espanha e Portugal vêm sofrendo os efeitos do fenômeno por meio de eventos extremos, como incêndios florestais, tempestades e fortes nevascas.

"Toda a Península Ibérica está sofrendo os efeitos da emergência climática de uma forma muito específica", afirmou em entrevista ao The Guardian.

Trump afirma que venezuelanos 'ainda não estão prontos' para eleição e elogia Delcy Rodríguez

Declaração do presidente americano afasta expectativas de normalidade democrática no país sul-americano

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (24) que a Venezuela ainda não está pronta para eleições, afastando as expectativas de uma normalidade democrática após o ataque de Washington a Caracas para prender o ditador Nicolás Maduro, em janeiro.

"Eles ainda não estão prontos para [as eleições], mas muito progresso foi feito", afirmou o republicano a jornalistas na Casa Branca. Em seguida, elogiou a líder interina, Delcy Rodríguez, número dois do regime que assumiu o poder após a deposição do ditador. "Delcy está fazendo um trabalho fantástico, como vocês sabem".

Depois, elogiou a produção de petróleo da Venezuela. "A quantidade de petróleo que está saindo da Venezuela neste momento, mesmo antes de todas as grandes empresas começarem a operar lá... É um território muito fértil", afirmou.

E continuou: "A quantidade de lucro que os venezuelanos estão tendo, muito mais do que jamais tiveram. E estamos pegando bastante também por nossos esforços. O petróleo está sendo enviado para Houston [cidade no Texas, nos EUA] e para [o estado americano de] Louisiana para ser refinado. [Com isso,] já pagamos pela guerra muitas vezes".

Após a intervenção americana, o regime libertou centenas de presos políticos e anunciou o fechamento do Helicóide, centro de tortura que virou símbolo da repressão no país. Apesar disso, outras centenas de pessoas continuam presas sem julgamento justo, de acordo com organizações de direitos humanos, e dezenas foram presas desde então.

Em março, um relatório da missão de investigação da ONU a respeito da Venezuela apontou que "as estruturas institucionais que facilitam as violações dos direitos humanos não foram desmanteladas" no país.

"Não se pode dizer que a Venezuela esteja verdadeiramente no caminho da reforma dos direitos humanos enquanto esse aparato repressivo não for desmantelado", disse na ocasião a advogada Maria Eloisa Quintero, que representava o grupo.

Se houve algo que mudou, foi o aumento do capital dos EUA no petróleo do país, que tem as maiores reservas da commodity no mundo. Desde a queda de Maduro, a americana Chevron, uma das maiores empresas de energia do mundo, ampliou seu investimento na Venezuela.

"Este não é um investimento passageiro ou temporário", afirmou Delcy em abril, quando anunciou novos acordos com a multinacional. "Este acordo nos permitirá avançar de forma significativa na produção, e a receita gerada por essa produção beneficiará diretamente o povo venezuelano", continuou.

A declaração de Trump é mais um balde de água fria na oposição venezuelana, que, de acordo com instituições independentes, foi vítima de uma fraude nas eleições de 2024, que reconduziram Maduro ao poder pela terceira vez.

Após a captura do ditador, a líder opositora María Corina Machado falou em transferir o poder a Edmundo González, seu aliado e provável vencedor do pleito de dois anos atrás, o que foi desencorajado pelo republicano.

"Seria muito difícil para ela, que não tem o suporte ou respeito do povo. Ela é uma mulher muito legal, mas não tem o respeito", disse Trump —que, mesmo assim, recebeu de presente da venezuelana, dias depois, a medalha do Nobel da Paz que ela havia recebido no ano anterior.

A líder opositora, que deixou o país após o aumento da repressão desencadeada pela eleição de 2024, continua tentando articular a oposição à distância. Após os terremotos que atingiram a Venezuela há um mês, ela chegou a planejar seu retorno, mas recuou.

Nesta sexta, ela se manifestou a respeito da tragédia que matou ao menos 5.398 pessoas, de acordo com números oficiais, mas que pode chegar a dezenas de milhares de mortos.

"Hoje é um momento para nos apoiarmos mutuamente, para cuidarmos uns dos outros, porque há algo que nenhuma tragédia pode tirar: nossa capacidade de nos abraçarmos, de nos acompanharmos, de nos reerguermos juntos", escreveu em suas redes sociais.

Na véspera, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que a líder poderia "ter um papel" na reconciliação do país. "Em última análise, para que a Venezuela alcance a reconciliação necessária para avançar, todos os segmentos da sociedade venezuelana precisam estar representados e, obviamente, María Corina Machado representa um elemento importante", disse.
Por Daniela Arcanjo/Folhapress

Governo dos EUA é processado por 24 estados: "Não sairá impune"

O governo norte-americano foi processado na sexta-feira por 24 estados que contestam o condicionamento de financiamento federal, avaliado em bilhões de dólares, ao cumprimento de condições relacionadas com processos eleitorais e imigração.
Apresentado em Rhode Island, o processo contesta as políticas da Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA) e do Departamento de Segurança Interna (DHS), defendendo que o governo está exigindo que os estados alterem seus sistemas eleitorais e auxiliem o DHS na fiscalização da imigração.

As condições permitiriam também que o DHS cancelasse as verbas a qualquer momento e por qualquer motivo.

O procurador-geral de Rhode Island, Peter Neronha, acusou o governo de Donald Trump de "mais uma vez, ameaçar colocar em risco a segurança pública ao reter ilegalmente bilhões em financiamento essencial", prometendo que "mais uma vez, não sairá impune".

"Este governo está usando a segurança dos americanos como garantia, tentando coagir os estados a abrirem mão do seu direito constitucional de promulgar políticas e leis que melhor sirvam aos seus residentes", declarou Neronha.

Os estados argumentam que a imposição de condições ao financiamento aprovado pelo Congresso viola a Lei de Procedimento Administrativo e a cláusula de despesas da Constituição.

O DHS não se pronunciou sobre a ação judicial.

O processo é um dos muitos contra os esforços do governo Trump para coagir os estados, em sua maioria governados por democratas, a se adaptarem às suas prioridades — especialmente medidas de fiscalização da imigração — para terem acesso a fundos federais. A estratégia tem sido utilizada no financiamento para a educação, combate à violência doméstica e até para as rodovias.

Os tribunais têm considerado essa estratégia ilegal e inconstitucional reiteradas vezes. Uma decisão do ano passado impediu o governo de impor condições a outros financiamentos da FEMA, e uma segunda decisão deste ano impediu o governo de redirecionar fundos do DHS de estados que não sejam considerados favoráveis à sua agenda.

O processo mais recente defende que o governo está tentando aplicar algumas das mesmas condições ao financiamento de 2026, da mesma forma que não conseguiu fazer com o financiamento do ano passado.

Entre as exigências contestadas no processo de quinta-feira está a alteração dos sistemas eleitorais por parte dos estados. Eles devem fazer a transição para sistemas de votação em papel, realizar uma auditoria manual dos sistemas de votação, auditar cadastros de eleitores e verificar a cidadania de todos os eleitores registrados nas bases de dados eleitorais do estado.

Se os estados não cumprirem as exigências, correm o risco de perder pelo menos 20% do financiamento do Programa de Concessão de Verbas para a Segurança Interna. Esses fundos são utilizados para financiar medidas de proteção dos cidadãos contra ciberataques e terrorismo.

Desde sua derrota nas eleições presidenciais de 2020 para o democrata Joe Biden, Trump alega, sem provas, que o voto por correio está repleto de fraudes e iniciou uma investigação federal sobre a votação daquele ano.

Auditorias e investigações repetidas, incluindo algumas conduzidas por republicanos, constataram que não houve fraude generalizada em 2020, mas Trump afirmou que pretende "assumir o controle" da administração eleitoral em áreas governadas por democratas.
hora por Notícias ao Minuto Brasil

Postagem em destaque

Postagens mais visitadas