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Messi se despede do pai, relembra drama na Copa e coloca futuro em dúvida: "Não sei como seguir"

Foto: Instagram / @leomessi
A bola levou Lionel Messi ao mundo, mas foi o pai quem esteve ao lado dele desde os primeiros passos. Dias após a morte de Jorge Messi, o camisa 10 da Argentina publicou uma longa despedida nas redes sociais, nesta quarta-feira (12), e expôs a dor pela perda de uma das figuras mais importantes de sua vida e carreira.

Jorge Messi morreu aos 68 anos, em Rosário, na Argentina, após enfrentar uma doença. Além de pai, ele também atuava como agente do jogador e acompanhou de perto a trajetória que levou Lionel de promessa nas categorias de base do Newell’s Old Boys a um dos maiores nomes da história do futebol.

Na mensagem, Messi disse ainda não conseguir assimilar a partida do pai e lamentou não ter tido mais tempo ao lado dele.

"Pai, ainda não consigo acreditar que você se foi. Não consigo assimilar, ou melhor, não quero assimilar. É muito difícil imaginar que não vou mais te ver, que não vamos mais conversar", escreveu.

O texto também passou pela Copa do Mundo de 2026. Messi revelou que disputou o torneio enquanto o pai estava internado e que carregava a esperança de chegar à final para que Jorge pudesse se recuperar a tempo de vê-lo no estádio.

A Argentina chegou à decisão, mas perdeu para a Espanha na prorrogação. O camisa 10 afirmou que tentou ultrapassar os próprios limites físicos para entregar mais uma taça ao pai, mas não conseguiu.

"Eu queria ganhá-la para levá-la para você e mostrar uma nova [Copa]. Não consegui, minhas pernas não aguentavam mais", desabafou.

Messi também contou que sentia falta das mensagens do pai ao fim de cada partida, algo que fez perceber a gravidade do quadro de saúde de Jorge. Ao retornar à Argentina, o jogador disse que o pai chegou a pensar que a final havia sido perdida nos pênaltis, e que os dois não conseguiram conversar sobre o que havia acontecido no Mundial.

Em outro trecho, o craque colocou em dúvida a continuidade da carreira. Aos 39 anos, Messi afirmou não saber como seguir sem Jorge, justamente quando se aproximava da reta final como jogador profissional.

"Não sei o que vou fazer sem você, não sei como seguir. Eu só jogava futebol e agora tenho muitas dúvidas se vou continuar fazendo isso por muito mais tempo", escreveu.

Jorge Horacio Messi era uma presença constante nos bastidores da carreira do filho. Foi ele quem conduziu negociações importantes, acompanhou a ida de Lionel ainda jovem para o Barcelona e participou da gestão dos negócios do jogador ao longo dos anos.

A despedida de Messi também teve agradecimento pelas mensagens recebidas. Clubes, jogadores, entidades e torcedores prestaram homenagens nos últimos dias, após a confirmação da morte de Jorge.

"Quero agradecer de coração todo o carinho, respeito e enorme consideração que tiveram comigo e minha família neste momento tão doloroso pela partida de meu pai", publicou o argentino.

A cerimônia de despedida de Jorge Messi foi restrita a familiares e amigos próximos, em um cemitério de Pérez, localidade vizinha a Rosário. O encontro ocorreu sob sigilo e forte esquema de segurança.

A família já havia informado, durante a Copa do Mundo, que Jorge enfrentava um quadro clínico complexo. Na estreia da Argentina no Mundial, quando Messi marcou três gols contra a Argélia, o jogador chorou após o apito final. Mais tarde, ficou claro que a emoção estava ligada ao momento delicado vivido pelo pai.

Governo Trump diz que 'domíno dos EUA' nas Américas não será questionado

Departamento de Estado publica vídeo defendendo Doutrina Monroe, usada para justificar intervenção na Venezuela

Foto: Reprodução/Instagram

O Departamento de Estado americano, responsável pela diplomacia dos Estados Unidos, publicou nesta terça-feira (11) um vídeo defendendo a Doutrina Monroe, princípio político que estabelece a hegemonia de Washington nas Américas. A doutrina foi utilizada por Donald Trump para justificar a invasão da Venezuela que terminou na captura do ditador Nicolás Maduro, levado à força para os EUA sob acusações de tráfico de drogas.

No vídeo, o embaixador americano no Panamá, Kevin Marino Cabrera, detalha o surgimento da doutrina em 1823, quando Washington decide apoiar formalmente a independência de muitos países latino-americanos da Espanha e do Brasil de Portugal. O governo americano, naquele momento, promete manter as Américas livres de influência europeia.

Entretanto, como a marinha dos EUA não tinha força para fazer valer a doutrina, tratou-se de uma declaração simbólica nas suas primeiras décadas de existência. Isso mudou na segunda metade do século 19, quando os Estados Unidos vivem um grande crescimento econômico proporcionado pela industrialização, imigração massiva e expansão ao oeste.

Ao longo de cinco minutos, Cabrera defende o histórico imperialista dos EUA na América Latina, relembrando a guerra contra a Espanha que levou à independência de Cuba, que passou a fazer parte da esfera de influência de Washington. O diplomata é cubano-americano de segunda geração, nascido na Flórida. Apoiador de Trump, Cabrera foi vereador de Miami de 2022 a 2025.

A peça foi postada no X pelo Departamento de Estado com a frase "o domínio americano no hemisfério ocidental jamais será questionado novamente". Trata-se de uma fala feita por Trump em seu primeiro pronunciamento após a captura de Maduro, em janeiro de 2026. O ditador era próximo da Rússia e da China.

O vídeo, entretanto, contém imprecisões históricas e omissões importantes. Cabrera diz, por exemplo, que foi graças aos EUA que a França foi expulsa do México depois de tentar instalar uma monarquia no país latino-americano, liderada por Maximiliano de Habsburgo, irmão mais novo do imperador da Áustria.

Na verdade, Maximiliano e as tropas francesas de Napoleão 3º foram derrotadas pelo presidente do México, Benito Juárez, que organizou a resistência à invasão europeia a partir de sua base de apoiadores liberais no norte do país.

Os EUA, envolvidos na época com a Guerra Civil americana, só apoiaram Juárez financeiramente a partir de 1865 e ameaçaram ações militares contra a França em 1867, quando o governo republicano já estava novamente em controle de quase todo o México.

O vídeo, embora mencione a intervenção americana na Nicarágua a favor do ditador Anastasio Somoza, não fala de outras ocasiões em que Washington apoiou ditaduras na América Latina, como no Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil. Também omite tentativas fracassadas de intervenção, como a invasão da Baía dos Porcos em Cuba em 1961.
Por Folhapress

Brasil tem amigos nos EUA, que não podem tirar os olhos da América Latina, dizem analistas

Na medida em que o governo Donald Trump intensifica uma ofensiva contra o Brasil sem precedentes na história recente, um grupo de lideranças do Partido Democrata, de oposição ao presidente, tem se mobilizado para criticar políticas que, segundo elas, afastam os Estados Unidos de parceiros tradicionais e semeiam desconfiança em relação a processos eleitorais.

Quando o jornal The Washington Post revelou que o Departamento de Estado americano havia tentado enviar ao Brasil emissários para lançar dúvidas sobre a integridade do pleito brasileiro, a ala democrata da Comissão de Relações Exteriores do Senado publicou uma mensagem no X na qual afirmou que a gestão Trump busca "espalhar teorias da conspiração" e que isso não torna os EUA um lugar mais seguro.

No caso mais recente, a senadora Jeanne Shaheen declarou que, ao revogar o visto da embaixadora Maria Luiza Viotti, Trump "jogou fora a diplomacia em detrimento dos povos brasileiro e americano".

Para dois especialistas em política externa dos EUA que ocuparam cargos de assessoramento nos governos Barack Obama e Joe Biden, essas manifestações visam mostrar que "o Brasil ainda tem muitos amigos em Washington".

Nick Zimmerman foi diretor para assuntos de Brasil e Cone Sul no Conselho de Segurança Nacional entre 2014 e 2016, no final do governo Obama. Já Frank Mora foi embaixador dos EUA na OEA (Organização dos Estados Americanos), nomeado por Biden.

Ambos conversaram com a Folha para discutir a política externa de Trump para a América Latina em geral e para o Brasil em particular.

"O que vimos na Comissão de Relações Exteriores do Senado, por parte da senadora Shaheen, é uma condenação das ações de Trump contra o Brasil. É um reconhecimento explícito de que esse comportamento só serve para afastar os EUA de parceiros e amigos históricos. Os democratas veem o Brasil como um parceiro e amigo histórico", afirma Zimmerman.

"Existe uma preocupação com o que Trump está fazendo em relação às eleições em outros países, porque ele está tentando fazer a mesma coisa nos EUA. Os democratas e os americanos estão enfrentando o mesmo ataque às nossas instituições eleitorais."

No âmbito mais amplo, Mora define a política americana para a região como "imprevisível e incoerente". "Trump vê isso sempre num nível muito pessoal: as pessoas estão com ou contra ele. Se as pessoas o elogiam, fazem declarações sobre como Trump é maravilhoso, é provável que recebam algum tratamento preferencial, inclusive apoio em uma eleição", afirma Mora.

Essa abordagem caso a caso se reflete na forma como os EUA abordam a América Latina, onde a gestão Trump privilegia ações bilaterais e medidas de coerção em detrimento de organizações multilaterais —como a própria OEA, onde Mora liderou a missão americana.

Se sobram críticas à condução da política externa por Trump, os especialistas dizem que é importante reconhecer que ele colocou foco inédito sobre a América Latina, num nível superior à ênfase dada pelas últimas administrações do Partido Democrata.

Para Zimmerman, reconhecer a importância das Américas para os EUA é "uma das poucas coisas positivas" da gestão Trump, embora existam divergências profundas sobre como essa política é conduzida.

Frank Mora, por sua vez, diz que o próximo presidente americano não poderá simplesmente "desviar os olhos do Hemisfério Ocidental" —forma como a administração dos EUA se refere às Américas.

"Cabe a nós convencer o próximo governo democrata —ou mesmo um governo republicano que não seja alinhado a Trump— de que a região precisa continuar sendo uma prioridade. De uma forma diferente, completamente diferente, mas precisa continuar sendo uma prioridade, porque disso dependem os interesses nacionais dos EUA."

A atual estratégia de coerção mostra-se ineficiente e ameaça ter efeitos opostos aos desejados pela administração Trump, segundo Zimmerman e Mora, tanto no Brasil quanto no continente.

Mora cita a situação de Cuba, submetida há meses a um bloqueio no fornecimento de combustível por ordem do governo Trump. "Não existe um caso empírico histórico que diga que a adoção dessas medidas punitivas econômicas resulte em uma mudança de regime".

Quando questionado sobre o que seria uma política americana eficiente para a América Latina, Zimmerman diz que o pensamento americano sobre política externa precisa evoluir e adaptar-se às mudanças globais. "Parte do nosso pensamento em política externa não acompanhou essas mudanças. No contexto das Américas, isso está mais evidente do que nunca", diz.

"[A relação dos EUA com o continente] Precisa partir de uma relação de parceria e respeito. Precisa vir acompanhado do reconhecimento de que a prosperidade futura dos EUA, inclusive sua posição geopolítica, depende em grande medida de manter uma relação pragmática e mutuamente produtiva com as Américas".

Já Mora diz que a gestão Trump olha para a América Latina exclusivamente sob um prisma de ameaças.

"Deveríamos adotar uma abordagem baseada em oportunidades, algo que já tentamos fazer no passado. Há enormes oportunidades na região, e podemos trabalhar com os países e nossos parceiros para encontrar maneiras de enfrentar não apenas os problemas. Em vez de recorrer a medidas coercitivas, há muito mais a ganhar por meio da cooperação", afirma.

Por Ricardo Della Coletta/Folhapress

Sobe para 111 número de mortos em terremoto na Colômbia

Tremor de magnitude 7,4 deixou ao menos 87 feridos e 61 prédios desabados

O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, informou que houve pelo menos 111 mortos e 87 feridos no terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o país nesta segunda-feira (10).

O presidente explicou que o número corresponde ao saldo até às 12h30 no horário local, 14h30 no horário de Brasília, e afirmou que atualmente a prioridade é “o resgate das pessoas que se encontram abaixo dos escombros” dos edifícios afetados.

Nesse sentido, detalhou que 1.575 moradias sofreram danos, 37 moradias foram completamente destruídas e 61 edifícios colapsaram. Entre a infraestrutura danificada, detalhou: 18 centros de saúde afetados, 52 centros educativos danificados, 17 centros comunitários e 18 vias. Espriella também mencionou seis aeroportos afetados em infraestrutura e sem operação para voos comerciais, e um afetado em pista de aterrissagem.
                             
Gonzalo Zegarra, da CNN em Espanhol

Trump compartilha artigo de Hillary no FT que diz não haver alternativa a plano para Gaza

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compartilhou neste domingo, 9, no Truth Social um artigo de opinião da ex-secretária de Estado Hillary Rodham Clinton, publicado no Financial Times. No texto, ela afirma que, embora "o mundo talvez não goste" do plano de Trump para Gaza, "não há alternativa" viável no momento.

Hillary diz haver "paralisia diplomática" quando governos deixam "o perfeito ser inimigo do possível" e afirma que Europa e parceiros tradicionais tratam com ceticismo o Board of Peace e o plano de 20 pontos para Gaza. "Mas não podemos. Nenhum de nós pode", escreveu.

Segundo ela, "não existe um arcabouço alternativo esperando nos bastidores" nem "uma coalizão rival" com proposta mais factível. Por isso, embora não seja o plano que muitos "teriam redigido", ela o descreve como "o único" com alavancagem, engajamento político e potencial de recursos para levar as partes à implementação.

A ex-chefe da diplomacia americana sustenta que, sem esse tipo de iniciativa, a crise tende a piorar e a reconstrução continuará paralisada. Clinton afirma que, sem desmilitarização e transição para fora do governo do Hamas, não haverá reconstrução significativa, nem perspectiva de retirada de Israel de áreas que, segundo ela, hoje somam 60% da Faixa de Gaza, tampouco um caminho para a autodeterminação palestina.

Hillary reconhece resistências a pontos do plano, incluindo a sequência política e disposições sobre governança e representação palestina, e a rejeição a um arranjo liderado pelos EUA e associado a Trump. Ainda assim, escreveu que "se até eu, uma oponente implacável do presidente Trump, posso aceitar que esta é a melhor opção em uma situação terrível, então certamente outros também podem".
Por Estadão Conteúdo

Netanyahu diz que Irã não terá arma nuclear, e houthis atacam refinaria saudita na costa do Mar Vermelho

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou neste domingo (9) que impedirá o Irã de obter armas nucleares, independentemente do rumo das negociações diplomáticas com Washington e os países do Golfo.

"Quero enfatizar mais uma vez: com um acordo ou sem um acordo, enquanto eu for primeiro-ministro, o Irã não terá armas nucleares", disse Netanyahu durante uma reunião do gabinete. A declaração ocorre em meio a uma escalada regional da guerra após o fracasso de um cessar-fogo temporário.

Os houthis, alinhados a Teerã no Iêmen, disseram ter atacado neste domingo a refinaria de Jazan, da Saudi Aramco, na costa do Mar Vermelho. A ofensiva ocorreu dois dias depois de Riad assinar um pacto de defesa com Turquia e Paquistão, em resposta à crescente instabilidade regional provocada pelo conflito.

O Ministério da Energia saudita informou que houve um incêndio na refinaria, posteriormente controlado, sem registro de feridos. As autoridades disseram estar lidando com o incidente, mas não informaram sua causa.

Segundo Yahya Saree, porta-voz militar dos houthis, o grupo utilizou um drone para atacar a instalação. A refinaria de Jazan tem capacidade para processar cerca de 400 mil barris de petróleo bruto por dia, mas havia sido fechada no fim de julho, segundo uma nota de uma consultoria vista pela Reuters.

Os houthis já haviam atacado instalações da Aramco na região e também atingido a área de Yanbu, no litoral do Mar Vermelho. O grupo afirmou ainda ter realizado ataques com mísseis e drones contra a cidade portuária de Mocha, no Mar Vermelho. Segundo Saree, os alvos incluíam tropas sauditas e um depósito de armas na região.

Um porta-voz militar iemenita afirmou que sete pessoas morreram na ofensiva. A cidade de Mocha é controlada pelo governo iemenita sediado em Áden, reconhecido internacionalmente e apoiado por Riad. A Arábia Saudita não comentou os ataques.

Enquanto Irã e Estados Unidos ainda discutem os parâmetros para um possível acordo de paz, os houthis declararam no mês passado um bloqueio naval contra a Arábia Saudita no Mar Vermelho. O Irã e grupos armados xiitas aliados passaram a intensificar ataques contra outros países do Golfo, além de ações contra carregamentos de energia, desde o início do conflito.

No sábado (8), um funcionário iraniano de alto escalão da área de segurança nacional apresentou uma lista de exigências que, segundo ele, os EUA terão de cumprir antes que o estreito de Hormuz possa ser reaberto ao tráfego marítimo. A iniciativa lança dúvidas sobre o destino dessa rota comercial.

Mohammad Bagher Zolghadr, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, divulgou um comunicado veiculado pela mídia estatal no qual enumera várias condições para a reabertura da via marítima.

Ele exigiu que os EUA suspendam o bloqueio naval e as sanções contra o Irã, retirem as forças militares americanas das proximidades do país, paguem reparações devido à guerra e liberem ativos iranianos congelados, além de encerrarem os ataques aos aliados do Irã na região e as ameaças contra o país.

A mídia estatal iraniana também informou neste domingo que o presidente do país, Masoud Pezeshkian, reuniu-se com o líder supremo, Mojtaba Khamenei, no fim de julho. Um comandante de uma força paramilitar também prometeu que imagens de Mojtaba serão divulgadas futuramente.
Pezeshkian apresentou versões diferentes nas últimas semanas sobre seu acesso a Khamenei, que não é visto em público desde que sucedeu o pai no cargo, em março.

Em 21 de julho, o presidente afirmou que suas interações com o líder supremo estavam "aumentando dia após dia", mas, no início de agosto, disse que se comunicar com Mojtaba era "muito difícil".

Segundo a mídia estatal, a reunião do fim de julho tratou de questões militares e econômicas.
Mojtaba teria ficado gravemente ferido no ataque de 28 de fevereiro que matou seu pai e antecessor, Ali Khamenei, no primeiro dia da guerra.

Por Folhapress

Filho de Joe Biden diz que câncer do ex-presidente dos EUA se espalhou e é 'muito doloroso'

O advogado Hunter Biden, filho do ex-presidente dos Estados Unidos Joe Biden, afirmou que o câncer de próstata do pai se espalhou para além dos ossos. "O câncer se espalhou, produziu metástases nos ossos e em outras partes do corpo", disse à BBC, em entrevista publicada na sexta-feira, 7. "É muito doloroso e, sob vários aspectos, extremamente debilitante", acrescentou Hunter.

Em maio de 2025, apenas quatro meses após deixar o cargo como o presidente em exercício mais velho dos EUA, Biden revelou que havia sido diagnosticado com uma forma agressiva de câncer de próstata com metástase nos ossos. Pouco depois, ele começou a radioterapia. Biden tem 83 anos.

Neste sábado, 8, um porta-voz do ex-presidente se recusou a comentar a entrevista de Hunter, de acordo com a agência de notícias Reuters.

Em julho, Biden anunciou a publicação nos próximos meses de um livro de memórias sobre seu mandato na Casa Branca (2021-2025) e afirmou que o tratamento contra o câncer vai "muito bem".

"Tenho passado muito tempo com a minha família. Estou lidando com um diagnóstico de câncer, tenho recebido tratamento, e tudo está indo muito bem", afirmou o democrata em vídeo publicado no X, agradecendo às mensagens de apoio.

Por Estadão Conteúdo

Jorge, pai de Lionel Messi, morre aos 68 anos

Jorge Messi, pai e empresário de Lionel Messi, morreu na noite desta sexta-feira (7). Ele, que estava com 68 anos, lutava contra problemas de saúde há algum tempo e estava internado em um hospital na cidade de Rosario, na Argentina.

Ainda durante a Copa do Mundo, a família do atleta já havia emitido um comunicado sobre seu estado de saúde. Na ocasião, no dia 16 de julho, ele apresentava "uma recuperação constante, apesar da complexidade de seu quadro clínico atual". O anúncio veio logo após a estreia da Argentina no Mundial, quando Messi fez três gols contra a Argélia.
Como Jorge se tornou empresário por trás do sucesso de Lionel

"Ambos são discretos, igualmente reservados. Feitos do mesmo molde para tantas coisas". Foi dessa forma que o jornalista Guillem Balagué descreveu Jorge Messi e Lionel Messi, pai e filho.

Jorge, mesmo sem aparecer tanto publicamente, é uma figura central na formação de Lionel como profisional. O astro argentino foi blindado e protegido pelo pai de diferentes formas desde os primeiros passos como jogador

A vida do pai do atleta mudou completamente após o sucesso do filho. De chefe de seção em uma fábrica siderúrgica, se tornou agente de um dos maiores jogadores de futebol da história. Ele também foi o responsável por comandar a "empresa" que Lionel Messi se tornou, blindando o camisa 10 de todas as burocracias extracampo, incluindo a parte financeira.

"Quem está preparado para tudo isso? Talvez ninguém. Tentei ver como outros jogadores de futebol administram as coisas. Não é tão difícil assim", chegou a dizer Jorge Messi, em entrevistas, segundo o El Mundo.

Foi também graças a Jorge Messi que o Barcelona improvisou, em um guardanapo, o primeiro contrato com Lionel. O então diretor esportivo do clube, Carles Rexach, encontrou pai e filho, além do empresário Horacio Gaggioli, e o papel foi assinado como uma garantia da contratação. Jorge havia ligado furioso para Rexach ameaçando levar Lionel de volta a Argentina caso algo não fosse feito..

Jorge Messi seguiu controlando a carreira do astro e participando ativamente, mesmo sem grande destaque público. Esteve em negociações na saída do Barcelona para o PSG e na ida do argentino para o Inter Miami, dos Estados Unidos.

O pai, que buscou proteger o filho desde a infância, foi fundamental para que a imagem de Messi se mantivesse concentrada somente no futebol.

Jorge se casou com Celia Cuccittini em 1978. Além de Lionel, tiveram outros filhos, como Rodrigo, Matías e María Sol. Eles moravam de forma modesta em Rosário, na Argentina, antes de a carreira de Messi decolar e mudar a vida da família.

Espriella toma posse na Colômbia e ordena diante de militares 'combate definitivo' contra grupos armados

Sucessor de Gustavo Petro discursa em batalhão após cerimônia repleta de símbolos religiosos em Cali

Aos trancos, o novo presidente da Colômbia conseguiu a imagem que queria em sua cerimônia de posse: nesta sexta-feira (7), Abelardo de la Espriella fez seu primeiro discurso diante de dezenas de militares que ouviram uma ordem de "combate definitivo" contra grupos criminosos acompanhada da promessa de "todas as garantias jurídicas".

"Ordeno às forças militares e policiais o combate definitivo a todas as estruturas criminosas e seus membros", afirmou o ultradireitista no Batalhão Pichincha, em Cali. "Militares e policiais da pátria: este governo os protegerá. Vocês terão todas as garantias jurídicas para que não sejam perseguidos pelo cumprimento de seus deveres".

Diferentemente das cerimônias de posse anteriores, que ocorreram no Congresso, em Bogotá, a de Espriella foi em um auditório da Universidade Santiago de Cali, na terceira maior cidade do país. O evento se deu ali após semanas de conflito com o agora ex-presidente Gustavo Petro.

A princípio, o novo líder queria iniciar seu mandato em uma instalação militar fora de Bogotá. O plano, no entanto, foi barrado por Petro, então comandante em chefe das Forças Armadas —o que não impediu Espriella de se deslocar até um batalhão da cidade para fazer seu primeiro discurso.

Em seu usual tom grandioso, o líder afirmou que vai "fechar um grande capítulo de resignação" do país para começar o "tempo da recuperação da ordem, da autoridade e da liberdade". "Reafirmo a minha intenção de derrotar, sem trégua, o narcoterrorismo e todas as organizações criminosas que ameaçam a liberdade da Colômbia", disse, prometendo uma lista de "grupos narcoterroristas".

Em discurso voltado para a questão da segurança pública, principal tema de sua campanha, o novo presidente também reforçou suas promessas: acabar com qualquer negociação com grupos armados, construir megaprisões e retomar a fumigação aérea em plantações de coca.

"A segurança não se constrói com concessões ao crime, mas com autoridade e constância", afirmou Espriella. "O Estado historicamente foi suficientemente nobre, o Estado, sob o regime que terminou, foi suficientemente cúmplice. O Estado, sob o Tigre, será certeiro e contundente contra o crime", continuou, na maneira com que se refere ao governo de Petro e com o apelido que se deu nas eleições.

Em matéria de relações exteriores, o novo presidente afirmou que acabará com o que chama de ideologização e que a Colômbia "deixará de ser um pária que contemporiza com o delito transnacional".

"Assumiremos um papel de liderança no combate contra o crime global", afirmou, antes de anunciar um dos primeiros atos de seu governo: "Entrar no Escudo das Américas, uma iniciativa que permitirá unir capacidades, compartilhar informação estratégica e fortalecer a ação conjunta das nações livres diante das ameaças que afetam a segurança nacional e regional". A coalizão, impulsionada pelo presidente americano, Donald Trump, reúne líderes de direita da região para combater cartéis de drogas.

Dezenas de legisladores viajaram para Cali para assistir à cerimônia —com a exceção mais notável sendo a dos congressistas do Pacto Histórico, partido de Petro.

Parte deles também estava na cidade, mas participavam de protestos contra o novo presidente. Outros se manifestavam em Barranquilla, sob a liderança do candidato derrotado, Iván Cepeda. O apadrinhado de Petro, que fez um chamado à desobediência civil contra o novo governo, afirmou no ato que a esquerda organizará um gabinete paralelo.

"Vamos criar o Gabinete pela Vida, que, com a participação dos ministros atuais, nos permitirá contestar as políticas do governo Espriella com argumentos sólidos. Não responderemos ao ódio com ódio nem ao autoritarismo com violência; responderemos com a força consciente e organizada do povo", afirmou o filósofo.

Petro, por sua vez, estava em Bogotá, onde deixou a Casa de Nariño acompanhado de sua filha Antonella e dos membros de seu gabinete. "Tudo que fizemos aqui foi pelo povo", afirmou. "Adeus, liberdade e vida".

O evento teve forte carga religiosa, assim como a campanha de Espriella. No palco em que o ultradireitista tomou posse havia uma escultura da Virgem de Fátima, e, antes e depois da cerimônia, uma cantora entoou um cântico religioso.

Por fim, um rabino, um pastor e um padre conduziram orações com comentários sobre a conjuntura do país, citando, por exemplo, insegurança pública, polarização política e problemas no sistema de saúde —uma das principais preocupações dos colombianos.

Além disso, o avião presidencial foi benzido por um padre nos últimos dias, e todo o gabinete passou o fim de semana em um retiro em Barranquilla. "Sabemos que a batalha também é espiritual", disse Jaime Beltrán, novo ministro de Habitação da Colômbia, ao compartilhar imagens do retiro no início da semana.

A posse reuniu em Cali os novos nomes da nova onda de direita na região: estavam no evento os presidentes José Antonio Kast (Chile), Javier Milei (Argentina), Daniel Noboa (Equador) e Santiago Peña (Paraguai), por exemplo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não foi e enviou seu chanceler, Mauro Vieira.

Presenças menos óbvias eram as do presidente da Federação Colombiana de Futebol, Ramón Jesurún, e da Fifa (Federação Internacional de Futebol), Gianni Infantino, cuja permanência na liderança da entidade está em xeque após a proposta de criar uma empresa para administrar a Copa do Mundo com participação de investidores externos.
Por Daniela Arcanjo/Folhapress

Pela 1ª vez em 70 anos Cuba tem como derrubar ditadura, diz líder da diáspora nos EUA

Rosa María Payá, filha do ativista Oswaldo Payá, fala em Miami sobre a pressão americana e a crise humanitária na ilha

Foto: Reprodução/Instagram

Há uma figura para ser acompanhada com atenção diante do agravamento da crise humanitária em Cuba e da possibilidade de que alguma mudança ocorra na ilha: Rosa María Payá, 37, líder da diáspora cubana nos Estados Unidos, desde 2013 em Miami, na Flórida.

Apoiadora de Donald Trump e próxima ao secretário de Estado, Marco Rúbio, Rosa María carrega na história da família a luta pela abertura política. Seu pai era Oswaldo Payá Sardiñas, quiçá o maior opositor do regime castrista que vivia na ilha, não no exílio, como tornou-se comum. Ele morreu em 2012 em um acidente de trânsito, aos 60 anos.

Um ano depois, Rosa María e a família se exilaram em Miami, o bastião da comunidade cubana nos EUA. As circunstâncias da morte de seu pai são nebulosas. A família acusa o regime de ter provocado o acidente, e um relatório da CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos) indicou responsabilidade do Estado.

Hoje Rosa María faz parte da mesma comissão. Por indicação de Rubio, ela assumiu em janeiro passado uma das sete cadeiras de comissários da CIDH. Uma das figuras mais jovens entre as vozes protagonistas da diáspora cubana, e uma das poucas que nasceu de fato na ilha (em vez de ter nascido nos EUA de pais exilados), ela é uma —se não a— das mais próximas à Casa Branca.

Seu pai liderou o que ficou conhecido como Projeto Varela, um pedido popular com mais de 35 mil assinaturas no início dos anos 2000. A iniciativa queria um referendo para transformar em lei direitos que são previstos na Constituição, mas não exercidos, como o direito à liberdade de expressão, de imprensa e de associação. A repressão silenciou a mobilização.

Oswaldo ganhou prêmios internacionais e se tornou mundialmente conhecido. Ele dizia não apoiar o embargo exercido sobre Cuba. Rosa María tem posição distinta. Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, ela refuta a ideia de que a crise humanitária arrasadora na ilha seja intensificada pelas sanções americanas.

Neste ano, ela liderou a assinatura de um acordo entre diferentes grupos da diáspora para tentar chegar a um consenso para uma transição democrática na ilha em caso de queda do regime. Algo raro, dado que a oposição cubana fracassou diversas vezes em se unificar.

A senhora acha que a pressão que os EUA exercem afeta apenas o regime ou também as pessoas? Temos muitos relatos de fome. Há contradição nesta pressão econômica?

O que essencialmente afeta a vida dos cubanos e o que levou nossas famílias a viver a catástrofe humanitária que está acontecendo em Cuba é o regime cubano. Essa crise não começou em 3 de janeiro com as restrições ao petróleo.

Até 3 de janeiro [dia da captura do ditador Nicolás Maduro], o regime cubano estava recebendo centenas de milhares de barris de petróleo da Venezuela, que foram usados para enriquecer o conglomerado militar da Gaesa [Grupo de Administração Empresarial S.A., liderado pelos militares, com controle de empresas de turismo, estações de gás, supermercado, transferência de dinheiro e outros], que hoje possui bilhões de dólares.

Não podemos cair em dissonâncias cognitivas quando sabemos que há um regime cujas empresas, que são praticamente privadas, têm bilhões de dólares, e o povo está passando fome, não tem medicamentos, não tem energia e, além disso, está sob os níveis de repressão mais altos que já viveu ou tão altos quanto os vividos nesses 67 anos.

A resposta mais clara a essa realidade foi dada pelo próprio povo, que sai para protestar todos os dias, embora não vejamos protestos massivos porque cortam a eletricidade e porque o regime sai para prender e bater nos manifestantes. E o povo não está gritando "abaixo o embargo", está gritando "abaixo a ditadura".

Como fazer a mudança? Com uma invasão militar, com uma revolta social?

Vimos os cubanos saírem às ruas de forma épica em julho de 2021 e sofrerem os níveis repressivos mais elevados da história, com milhares de prisioneiros políticos e praticamente nenhuma solidariedade internacional.

O que está acontecendo hoje, que é qualitativamente diferente, é o que nós identificamos como os três elementos que se combinam e que podem provocar a mudança de sistema.

O primeiro é a demanda por mudança sistêmica. Os cubanos não têm eleições livres há mais de 70 anos. Se há algo que neste momento é eloquente e inegável é que a população está exigindo uma mudança e deve ser protagonista dela.

Há um segundo elemento que é fundamental, porque vivemos um regime totalitário que tem as armas e que as usa todos os dias contra os corpos dos cubanos, que é a pressão internacional. E, pela primeira vez em décadas, o governo dos Estados Unidos está disposto a exercer essa pressão sobre quem precisa ser pressionado, que são os criminosos que estão no poder: os generais, a família Castro, os donos da Gaesa, os donos dessas empresas bilionárias.

E o terceiro, a alternativa democrática. Em março, assinamos o acordo de libertação que reúne a maior parte das forças democráticas cubanas dentro e fora da ilha. Alguns desses líderes estão presos hoje na ilha e fazem parte deste acordo que desenha um plano de transição em fases: libertação, estabilização e reconstrução, e democratização, ou seja, eleições livres, a devolução da soberania ao povo cubano.

Tenho que insistir. Vê como possibilidade uma invasão, como ocorreu na Venezuela?

Não existe, nem é necessária, uma Delcy Rodríguez em Cuba. O cenário venezuelano e o cenário cubano são bem distintos. Nossos destinos estiveram ligados porque o regime cubano praticamente colonizou a Venezuela e foi um elemento fundamental no colapso da democracia e na manutenção do regime de Chávez e de Maduro.

A última gota que fará o copo transbordar e provocará a fratura no poder em Cuba pode variar. Definitivamente, é necessária a pressão que o governo dos EUA está fazendo, e tomara que isso se transforme em um movimento de solidariedade do Ocidente, incluindo as democracias latino-americanas, porque a América Latina foi uma das mais afetadas pela ditadura cubana.

A maneira pela qual a família Castro sairá do poder neste momento depende sobretudo deles.

A senhora falou da América Latina. Como vê o papel do Brasil?

O Brasil, junto com México e Espanha, fez declarações que, sobretudo, parecem apoiar a ditadura, mas que terminam defendendo o direito da soberania para o povo cubano. Bom, isso é precisamente o que nós estamos exigindo.

Então, gostaríamos de ver do governo do Brasil, do governo do senhor Lula, coerência com relação a essa declaração.

E isso significaria apoiar eleições livres em Cuba, que requerem um processo de transição que nós estamos preparando. O Brasil, que aliás teve a experiência do que significa lidar economicamente com uma ditadura como a cubana —o porto de Mariel foi construído com dinheiro brasileiro, e o regime cubano deve mais de US$ 600 milhões—, para poder ter uma relação normal, inclusive uma relação comercial mutuamente benéfica, precisa apoiar uma mudança.

Alguns cubanos dizem que muitas gerações não têm uma cultura democrática, porque não foram acostumadas a isso. A senhora concorda? Uma parte dos cubanos poderia aceitar que os EUA exerçam uma tutela em Cuba, como fazem na Venezuela?

Os cubanos vêm de 67 anos de comunismo. E isso é traumatizante, claro.

Mas os cubanos, em qualquer lugar do mundo democrático ao qual chegaram, foram comunidades bem-sucedidas, desde na política até nas artes e no mundo empresarial. A única coisa que os cubanos precisam para prosperar é serem livres.

A ação americana na Venezuela é ligada ao interesse muito amplo no petróleo. Em Cuba, é diferente. Não pergunto somente pelo interesse dos EUA, mas, para ter de novo uma economia funcional, o que é preciso fazer na ilha?

Recapitalizar o povo cubano. A economia cubana foi sistematicamente destruída pelo comunismo. Agora, nós, cubanos, temos dois elementos importantes: primeiro, o talento e capacidade de empreendedorismo que o cubano tem mesmo no meio do comunismo.

Segundo, um exílio que é quase 40% da população, que está organizado, que é poderoso economicamente e nunca se desconectou da ilha, e que está chamado a fazer parte do processo de recuperação econômica.

Em caso de eleições, quer tentar um cargo?

Isso é prematuro. Neste momento, nosso esforço é para que os cubanos escolham os nomes que vão ocupar os cargos. Se meu nome estará aí ou não, será decidido no devido tempo.
Por Mayara Paixão/Folhapress

Governo Trump revoga visto de embaixadora do Brasil nos Estados Unidos

Em movimento raro na diplomacia, EUA anunciaram nome de novo embaixador sem aval do governo Lula
O governo Trump anunciou nesta terça-feira (3) a revogação do visto da embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Viotti, em retaliação à demora do Brasil de conceder aval para que Daniel Perez assuma suas funções como novo embaixador dos EUA em Brasília. A medida equivale à expulsão da diplomata do território americano.

Auxiliares de Trump destacaram que o visto de Viotti só será reestabelecido caso o governo Lula dê a luz verde para Perez —um procedimento conhecido como agrément.

O chefe do Departamento de Estado, Marco Rubio, é um forte crítico da esquerda latino-americana e já confrontou o governo Lula em diferentes ocasiões. Logo após o anúncio do USTR (Escritório do Comércio dos EUA) de um novo tarifaço contra o Brasil, ele publicou nas redes sociais que "o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé".

"Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso", diz Rubio.

Meses antes, ele havia classificado o Brasil num rol de países que não são amigáveis aos Estados Unidos.

Os Estados Unidos solicitaram autorização ao Brasil para nomear Perez —no jargão diplomática chamado agrément— um mês depois de a Casa Branca tornar pública sua indicação. Ao agir dessa forma, romperam com a prática tradicional, segundo a qual o país que envia o embaixador consulta previamente a nação anfitriã e aguarda sua manifestação antes de oficializar a indicação.

O gesto provocou incômodo no Palácio do Planalto. Integrantes do governo Lula afirmam que não há pressa para conceder o agrément, já que, na avaliação deles, Washington optou por divulgar o nome antes de cumprir os trâmites normalmente observados nesses casos.

Por trás da justificativa de aliados de Lula está o receio de que Perez tenha uma atuação política durante as eleições presidenciais de outubro.

Perez teve sua indicação aprovada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado e deve ser submetido ao plenário ainda nesta semana.

No fim de julho, o Departamento de Estado tentou enviar ao Brasil dois integrantes de sua equipe para discutir temas como liberdade de expressão e o processo eleitoral. O caso foi revelado pelo jornal The Washington Post.

A visita foi interpretada pelo Planalto como uma tentativa de interferência nas eleições, sobretudo por ocorrer poucos dias depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, voltar a fazer críticas ao sistema de urnas eletrônicas durante um encontro com embaixadores —mais recentemente, Flávio disse acreditar que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) agirá de forma imparcial no pleito.

A interpretação do governo brasileiro foi criticada pelo Departamento do Estado. Em nota, o governo Trump afirmou que tratava-se uma visita programada a Brasília entre os dias 27 e 30 de julho para reuniões com autoridades do governo, líderes religiosos e representantes da sociedade civil "a fim de discutir integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão".

"Qualquer insinuação de que essa viagem seria uma 'manobra' para minar a eleição de uma nação democrática é uma mentira sem qualquer fundamento."

Por Isabella Menon, Folhapress

Javier Milei faz novos ataques a Lula e o chama de ladrão e corrupto

O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a atacar o presidente Lula (PT) e o chamou de ladrão e corrupto. As declarações foram feitas em entrevista ao jornal argentino La Nación, no domingo (2).

O argentino afirmou que Lula "não é inocente" das condenações na Operação Lava Jato. "Ele foi solto por causa de uma falha processual. Ele não é inocente."

As condenações de Lula foram anuladas em 2021 pelo STF (Supremo Tribunal Federal), que entendeu que os processos não tramitaram na devida jurisdição e que o então juiz Sergio Moro foi parcial ao conduzir os casos.

Ao La Nación, Milei defendeu suas declarações feitas na convenção de Flávio Bolsonaro e rejeitou as críticas de Brasília. "É muito menos grave chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar", argumentou ao rebater a reação do governo brasileiro aos seus ataques.

Ele ainda acusou, sem provas, Lula de interferir politicamente nos países da América Latina. Para o argentino, "se há alguém que interfere politicamente na região, é Lula, contaminando por completo com as ideias imundas do socialismo."

Também houve queixas de uma suposta assimetria no tratamento dado às ofensas feitas por líderes de esquerda. "Ele fica bravo porque eu disse algo verdadeiro para o Lula. Mas eles omitem os insultos do Lula e dos ministros dele, do Petro, do Evo Morales, do Correa, do Pedro Sánchez e da turma dele. Quando me insultam, tudo bem", afirmou.

A suposta articulação contaria com o apoio de governos estrangeiros e da oposição argentina. Conforme a acusação sem provas, o grupo contava com a ajuda do México, da ala progressista dos EUA, da Espanha e de kirchneristas.

Os ataques de Javier Milei a Lula começaram durante a convenção partidária no dia 25 de julho em São Paulo. O evento lançou oficialmente a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Na ocasião o argentino também afirmou que confia no filho de Jair Bolsonaro (PL) para "deter o lixo socialista".

As ofensas também se estenderam ao ministro do STF Alexandre de Moraes, que proibiu uma visita do argentino ao ex-presidente brasileiro. Milei chamou o magistrado de "lixo careca".

"Sei que Lula se cansou de receber dirigentes do exterior quando estava preso. Entre eles, o nefasto ex-presidente argentino Alberto Fernández", afirmou Milei.

O episódio detonou uma crise diplomática inédita entre os dois países. Após o episódio, o Itamaraty convocou o embaixador argentino no Brasil para prestar esclarecimentos.

A resposta de Lula veio pela imprensa. Ao ser questionado sobre os ataques de julho, Lula declarou de forma irônica: "Quem é esse cara?"

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) classificou os ataques do presidente argentino ao Brasil como "lamentáveis". Ele afirmou também que Milei presta um desserviço ao próprio país ao se envolver de forma grosseira em assuntos internos brasileiros.

Em outras reações às falas feitas no encontro partidário, os ministros Dario Durigan (Fazenda) e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) também criticaram Milei. O atual chefe da pasta econômica chamou o argentino de "palhaço", e Boulos acusou Milei de ser submisso ao presidente dos EUA Donald Trump. "Caricatura patética", escreveu nas redes.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, elogiou o discurso de Milei, na convenção do partido em São Paulo. "Milei, parabéns", afirmou ele em entrevista ao programa Canal Livre, da Band.

"Você falou tudo o que muito brasileiro queria falar ali: que o comunismo é esse mal mesmo", declarou. "Ele fez um discurso que não atacou o Brasil. Atacou o comunismo."

Por UOL/Folhapress

VÍDEO: Helicópteros militares colidem no ar durante combate a incêndios na Grécia e deixam dois mortos

Fotos: Reprodução / Redes Sociais
Dois helicópteros militares colidiram no ar neste domingo (2) durante uma operação de combate a incêndios florestais na Grécia, segundo informações de autoridades locais. As duas aeronaves transportavam quatro tripulantes no total. De acordo com o Corpo de Bombeiros da Grécia, os dois tripulantes de uma das aeronaves morreram no acidente. Já os dois ocupantes do outro helicóptero foram resgatados com vida.

 

Veja em forma de vídeo:

 A colisão ocorreu em uma área de floresta na região costeira de Psatha, na Ática, localizada a cerca de 40 quilômetros a oeste da capital, Atenas. O acidente mobilizou equipes de busca e resgate.


Em comunicado oficial, o órgão informou que as aeronaves, do tipo Bell, eram contratadas pelo Corpo de Bombeiros para apoiar o combate aéreo ao fogo, contando com dois integrantes cada.

Itamaraty veta cônsul-geral de Israel em SP e aponta dupla nacionalidade como obstáculo

Tel Aviv deve ficar sem cônsul na capital paulista e sem embaixador em Brasília, em reflexo da crise entre governos Lula e Netanyahu
O Itamaraty vetou a designação de uma nova cônsul-geral de Israel em São Paulo sob a justificativa de que o nome escolhido possui dupla nacionalidade —israelense e brasileira. Trata-se de mais um episódio da crise entre os governos Lula (PT) e Binyamin Netanyahu.

Tel Aviv pretendia nomear a diplomata Vivian Aisen como cônsul-geral na capital paulista. Mas o governo Lula não concordou com a indicação e apontou a nacionalidade brasileira de Vivian como o principal obstáculo.

De acordo com pessoas a par do tema, Vivian nasceu no Brasil e se mudou ainda jovem para Israel, onde iniciou carreira na diplomacia.

Procurada pela reportagem, ela disse que não se manifestaria.

O Itamaraty afirmou que processos de concessão de autorização a agentes consulares —chamados exequatur— são "rotineiros e sigilosos". "O governo brasileiro não comenta assuntos sigilosos", disse a chancelaria, em nota.

A embaixada de Israel não respondeu até a publicação desta reportagem.

O consulado-geral em São Paulo é um dos mais importantes postos diplomáticos israelenses no Brasil. Sem a indicação de Vivian, o cargo deve ficar vago em breve, após o fim da missão de Rafael Erdreich.

Trata-se da segunda negativa do governo Lula à atuação de um diplomata israelense no Brasil.

Em março de 2025, o jornal Folha de São Paulo revelou que o Itamaraty estava segurando o aval necessário para que Gali Dagan assumisse a embaixada de Israel em Brasília.

Dagan era embaixador em Bogotá e havia deixado a posição depois que o então presidente, Gustavo Petro, rompeu relações com Israel em decorrência da guerra na Faixa de Gaza.

O aval nunca foi concedido, e Israel permanece sem embaixador no Brasil.

Sem poder chefiar o consulado em São Paulo, Vivian foi nomeada na semana passada embaixadora de Israel em Bogotá.

O país latino-americano passará a ser governado em agosto pelo ultradireitista Abelardo de la Espriella, que já prometeu reabrir a representação colombiana em Israel, em Jerusalém, e suspender a instalação de uma missão do tipo na Palestina.

Para pessoas que acompanharam a tentativa de indicação de Vivian, embora a dupla nacionalidade tenha sido a justificativa oficial para o veto, o péssimo momento das relações bilaterais certamente contribuiu para o desfecho.

Esses interlocutores destacam que Vivian chegou a sinalizar estar disposta a renunciar à cidadania brasileira, mas isso não foi suficiente para destravar o impasse.

Os governos Lula e Netanyahu trocaram críticas desde o início da ofensiva militar israelense em Gaza.

O momento mais agudo da crise ocorreu durante a visita de Lula à Etiópia, em fevereiro de 2024. Na ocasião, o petista comparou as incursões militares de Israel em Gaza à perseguição aos judeus pela Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial, o que desatou fortes queixas do governo de Israel e da comunidade judaica no Brasil.

Em resposta, Netanyahu disse que Lula tinha cruzado uma linha vermelha. O então embaixador do Brasil em Israel, Frederico Meyer, foi chamado para uma represália pública no Yad Vashem, o mais importante memorial sobre o Holocausto.

Depois, o então chanceler israelense e hoje ministro da Defesa, Israel Katz, declarou que Lula era "persona non grata" no país. O governo brasileiro viu na forma como a reprimenda foi organizada —em hebraico, idioma que Meyer não domina— uma provocação. O Planalto decidiu retirar o diplomata de Tel Aviv, sem substituí-lo. Hoje, a missão brasileira não conta com um embaixador.

O capítulo mais recente da crise ocorreu durante a convenção nacional do PL que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto.

Netanyahu gravou uma mensagem de apoio que foi exibida no evento. Ele chamou Flávio de amigo. "Você é um grande defensor do Brasil, um grande defensor da amizade entre nossos povos. E eu sei que você levará o Brasil a patamares cada vez mais elevados", disse.
Por Ricardo Della Coletta/Folhapress

Entenda a crise migratória causada pela entrada de 60 mil pessoas em Ceuta, na Espanha

                       Analistas apontam que Marrocos usa migração como pressão diplomática

Chegada de migrantes procedentes do Marrocos ao exclave espanhol de Ceuta
A chegada em massa, nos últimos dias, de cerca de 60 mil migrantes procedentes do Marrocos ao exclave espanhol de Ceuta, no norte da África, desencadeou uma crise migratória e política para o governo da Espanha. Veja abaixo o que se sabe sobre o tema.

Quantos migrantes chegaram a Ceuta?

Segundo Juan Jesús Vivas, presidente da cidade autônoma de Ceuta, "cerca de 60 mil pessoas" entraram na cidade. Ele também anunciou a morte de 34 pessoas em uma "avalanche humana". Esse número representa 70% dos cerca de 84 mil habitantes desse pequeno território de 18,5 km².

Citando fontes da cúpula da Guarda Civil, o jornalista Ignacio Cembrero, especialista em política do Magrebe, afirmou que, na quinta-feira, "estavam entrando ao ritmo de 200 pessoas por minuto". Por sua vez, o governo espanhol assegurou que a grande maioria delas (cerca de 48 mil) já havia retornado ao Marrocos até o fim da sexta-feira (31).

Trata-se de um número muito superior ao de maio de 2021, quando cerca de 12 mil pessoas chegaram a Ceuta em apenas dois dias, segundo o Observatório.

O Marrocos facilitou a entrada dos migrantes?

Segundo Cembrero, desde quarta-feira (29), as forças de segurança marroquinas "estão de braços cruzados".

"Para chegar ao quebra-mar que marca a fronteira entre Ceuta e Marrocos há barreiras policiais e de forças auxiliares, e é evidente que elas deixaram as pessoas passar. Caso contrário, isso não teria acontecido", afirma.

Carlos Echeverría, diretor do Observatório de Ceuta e Melilla, reconhece que o termo invasão é controverso, mas ressalta que ele pode ser aplicado à situação atual, na qual "milhares de pessoas cruzam ilegalmente uma fronteira internacional e exercem pressão sobre um país vizinho".

Em uma declaração nesta sexta, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, falou em "violação e ataque à integridade territorial".

Por que crise explodiu?

Segundo os especialistas consultados pela AFP, há várias explicações possíveis. Uma delas seria a decisão do Supremo Tribunal da Espanha, de 8 de julho, segundo a qual as chamadas "devoluções imediatas" —devolver instantaneamente um migrante que cruza irregularmente a fronteira sem instaurar um procedimento administrativo de expulsão— não se aplicam aos casos de chegada por via marítima.

Sánchez afirmou que as "máfias que traficam seres humanos" fizeram uma "interpretação interessada" dessa decisão. Segundo a sentença, essa "devolução expressa" só pode ser aplicada às pessoas que ultrapassem "os elementos físicos de contenção da fronteira, como as cercas", mas não àquelas que chegam pelo mar, como ocorreu com muitas das pessoas que chegaram a Ceuta nos últimos dias.

"Sem dúvida, a decisão de 8 de julho desempenhou um papel. Mas isso não explica o nível de mobilização, que é muito elevado", observa Cembrero.

A chegada em massa também pode ter sido incentivada pela regularização de migrantes anunciada recentemente pelo governo socialista de Sánchez ou pela perspectiva de uma futura mudança de governo menos favorável ao acolhimento de migrantes —hipóteses que, segundo os analistas, são difíceis de confirmar.

A crise é uma arma de negociação do Marrocos?

Os especialistas também apontam que as recorrentes crises migratórias e a suposta postura permissiva das forças de segurança marroquinas ao "abrir as portas" seriam um instrumento de pressão diplomática. O Marrocos reivindica a soberania sobre Ceuta e Melilla desde sua independência, em 1956, mas a Espanha rejeita categoricamente qualquer negociação sobre as duas cidades.

Segundo Cembrero, "as autoridades marroquinas viram uma oportunidade de forçar a Espanha a negociar o futuro dessas cidades". Diante dessa reivindicação territorial considerada inaceitável, Echeverría defende a "europeização" da questão. "É preciso conseguir da União Europeia, da qual fazemos parte como Estado-membro, medidas de retaliação", afirma.

Repercussão diplomática

Vários países europeus reagiram com firmeza à crise migratória. A Itália anunciou a suspensão temporária do acordo de livre circulação (Tratado de Schengen) com a Espanha, com o apoio da Finlândia e da Dinamarca.

A decisão foi duramente criticada por Madri, e ainda não está claro qual será seu alcance. Especialistas em direito consultados pela AFP insistem que sua aplicação é impossível dentro do atual marco jurídico.

O presidente francês, Emmanuel Macron, manifestou sua "solidariedade" à Espanha, juntamente com o Reino Unido. No entanto, posteriormente, a França anunciou que quintuplicaria, no sábado, o número de policiais e gendarmes na fronteira franco-espanhola, chegando a 334 agentes.

O primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, também anunciou o reforço dos controles nas fronteiras terrestres e marítimas do sul do país.
Por Folhapress

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