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Brasil diverge dos documentos do G7 e vê textos moldados para não desagradar a Donald Trump

Governo Lula deve aderir a apenas três dos oito documentos negociados pela França, anfitriã da cúpula

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Brasil encerrou o primeiro dia de participação na cúpula do G7 em Évian, na França
O Brasil encerrou o primeiro dia de participação na cúpula do G7 em Évian, na França, com um saldo diplomático que evidencia distância entre Brasília e o grupo das sete principais economias do mundo. Dos oito documentos negociados pela presidência francesa, o Brasil deve aderir a apenas três —e recusou dois dos três já divulgados nesta terça-feira (16).

Na avaliação do governo brasileiro, boa parte dos textos foi deliberadamente moldada para garantir a permanência dos Estados Unidos na cúpula e evitar o veto do presidente Donald Trump. O resultado, na visão de Brasília, foi uma série de documentos que omitem temas centrais, como mudança climática, reforma das instituições multilaterais e o papel da Organização Mundial da Saúde (OMS), para não contrariar Washington.

Dos três textos divulgados nesta terça, o Brasil aderiu apenas à declaração sobre o combate ao câncer —tema que o governo Lula considera prioritário na agenda de saúde pública, com programas de ampliação do atendimento oncológico na rede pública.

A declaração sobre parcerias internacionais para o desenvolvimento, que embasou a sessão da tarde em que Lula discursou, foi rejeitada pelo Brasil. O documento propõe a mobilização de capital privado e mecanismos de garantia para investidores como resposta à queda brutal na ajuda ao desenvolvimento, uma abordagem que Brasília considera insuficiente e despolitizada.

Na visão brasileira, o texto ignora as questões ambientais, de dívida externa e de combate à fome, e não menciona em nenhum momento a mudança climática —ausência que o governo brasileiro atribui diretamente à necessidade de acomodar os Estados Unidos.

A declaração sobre o surto de ebola na República Democrática do Congo e em Uganda também não recebeu o apoio brasileiro. O motivo: o texto não faz qualquer menção à OMS.

Segundo o governo brasileiro, a omissão foi deliberada para não contrariar Washington, que cortou drasticamente seu financiamento ao organismo. O Brasil optou por formalizar sua posição sobre saúde global por meio de uma carta de Lula ao secretário-geral da OMS, Tedros Adhanom, pedindo apoio de países do G20 e do G7 à agência.

Dos cinco textos restantes, que serão discutidos na quarta-feira (17), o Brasil deve aderir a mais dois: a declaração sobre proteção de crianças nas redes sociais —tema em que o Brasil tem legislação própria e experiência a compartilhar— e a declaração sobre combate ao narcotráfico, desde que o texto final se mantenha como o conhecido até agora, que aborda também lavagem de dinheiro sem enquadrar organizações criminosas como grupos terroristas.

O Brasil não deve assinar a declaração sobre desequilíbrios macroeconômicos, que na avaliação brasileira trata o problema como essencialmente ligado à China, sem mencionar os impactos do unilateralismo comercial e dos conflitos internacionais sobre as cadeias produtivas globais.

Brasília também ficará de fora da declaração sobre minerais críticos, cujo enfoque o governo brasileiro considera extrativista e geopolítico —voltado a criar uma coalizão ocidental contra a influência chinesa, sem considerar o direito dos países produtores a agregar valor às suas cadeias produtivas. A declaração sobre migração segue em avaliação de Brasília.

O debate sobre desenvolvimento

Na sessão da tarde, que reuniu os membros do G7 e os países convidados (Brasil, Índia, Coreia do Sul e Quênia), as intervenções evidenciaram diferenças de visão sobre o tema do desenvolvimento.

O anfitrião Emmanuel Macron focou mecanismos de garantia para mobilizar capital privado. Trump defendeu as contribuições americanas à África, sem conectar sua fala ao documento que embasava o debate. Lula argumentou que o problema não é escassez de recursos, mas escolha política sobre como usá-los, posição que diverge da abordagem predominante no texto do G7.

Nenhum líder rebateu diretamente o discurso brasileiro. A intervenção que mais se aproximou da posição de Brasília, segundo relatos de quem acompanhou a sessão, foi a da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que reconheceu que os países ricos cometeram erros nas últimas décadas e contribuíram para criar dependência nos países em desenvolvimento.

Lula e Trump: questão irrelevante

Nas redes sociais e em parte da cobertura jornalística, circulou nesta terça a dúvida sobre se Lula e Trump se cumprimentaram —ou se teriam deliberadamente se evitado. Imagens dos líderes reunidos para a chamada foto de família, retrato oficial do encontro, mostram Trump passando por Lula sem saudá-lo.

A assessoria do presidente brasileiro afirma considerar a questão irrelevante. Não há confirmação de que os dois líderes tenham interagido, mas também não há nenhum elemento que indique evitamento intencional.

Os dois estarão presentes nos mesmos eventos na quarta-feira, e um cumprimento informal não está descartado. O governo brasileiro reitera que não houve pedido de reunião bilateral entre Lula e Trump —e que, por ora, não há o que negociar num encontro formal.

Agenda de quarta-feira

No último dia da cúpula, Lula participará de sessão de trabalho sobre crescimento econômico equilibrado e de almoço com representantes das principais empresas de tecnologia do mundo para debater inteligência artificial.

Está prevista ainda uma possível bilateral com o ditador do Egito, Abdel Fattah Al-Sisi.

Ao fim dos trabalhos em Évian, o presidente segue para Genebra, onde deve se reunir com Valdecy Urquiza, secretário-geral da Interpol e primeiro brasileiro a ocupar o cargo, acompanhado do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues —encontro que ocorre num contexto de tensão com Washington após a designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos.

Também deve entrar na agenda da quarta-feira uma reunião com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, a pedido de Kiev.

Por João Caminoto/Folhapress

Polícia de imigração dos Estados Unidos prende suspeito de ligação com PCC e Comando Vermelho

Felipe Linares de Oliveira Dell Aquilla, conhecido como Don, foi detido após perseguição na Carolina do Norte

Foto: Divulgação/ICE

Felipe Linares de Oliveira Dell Aquilla foi preso nos Estados Unidos
A polícia de imigração dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) anunciou nesta segunda-feira (15) a prisão de homem apontado como suspeito de ligação com as facções criminosas brasileiras PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho), após uma perseguição no estado da Carolina do Norte, no leste do país.


Felipe Linares de Oliveira Dell Aquilla, conhecido como Don, era alvo de um mandado de busca e captura internacional emitido pela Interpol a pedido do Brasil, pelos crimes de associação criminosa e extorsão, informou o órgão em comunicado.

Segundo as autoridades, o foragido tentava fugir de carro em direção ao México quando foi abordado durante uma fiscalização de trânsito na cidade de Mooresville.

De acordo com o ICE, Dell Aquilla mantinha a própria esposa em cárcere privado dentro do veículo.

Ao tentar escapar da abordagem, o ex-líder criminoso sofreu um acidente e acabou sendo preso. No carro, os agentes encontraram uma arma de fogo, dinheiro em espécie e telefones celulares.

Em 28 de maio, os Estados Unidos classificaram o PCC e o CV como organizações terroristas, apesar da oposição do governo brasileiro.

As duas facções surgiram no sistema prisional brasileiro e, ao longo dos anos, expandiram sua atuação para diversas regiões do país e também para o exterior.

Atualmente, as facções são consideradas os grupos mais poderosos do crime organizado e do narcotráfico no Brasil, exercendo influência sobre amplas áreas urbanas.
Por Folhapress

Lula abre agenda no G7 com bilateral com Macron e descarta reunião com Trump

Presidentes brasileiro e francês abordam cooperação em defesa e projeto de supercomputador estratégico para IA

Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou nesta segunda-feira (15) sua agenda em Évian-les-Bains, na França, com uma reunião bilateral com o presidente anfitrião, Emmanuel Macron. Houve ainda encontros à margem da 52ª cúpula do G7 que tocaram em temas que vão da cooperação em defesa à soberania digital —enquanto a delegação brasileira monitorava com cautela o humor de Donald Trump e descartava qualquer encontro formal com o americano durante o encontro.

A agenda bilateral com Macron abordou a cooperação em defesa, a parceria Brasil-França na Unitaid —iniciativa de saúde global que completa 20 anos—, o projeto de supercomputador e a cooperação transfronteiriça entre a Guiana Francesa e o Amapá.

Na pauta do supercomputador, a França se apresenta como possível fornecedora numa licitação que o Ministério da Gestão e Inovação deve abrir em breve, em conjunto com o Ministério da Ciência e Tecnologia. O tema tem dimensão estratégica: capacidade computacional é considerada pelo governo brasileiro uma peça central da soberania digital, sobretudo diante da corrida pela inteligência artificial.

O tema da carne brasileira suspensa pela União Europeia ficou de fora da conversa com Macron. Segundo fontes brasileiras, a questão é tratada diretamente com Bruxelas, não com as capitais europeias individualmente. O acordo Mercosul-UE, aprovado este ano, encerrou o ciclo de negociações país a país.

Para esta terça-feira (16), está prevista uma bilateral de Lula com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa —e a expectativa é que a carne esteja no topo da pauta. Costa, ouvido mais cedo por jornalistas, desviou da pergunta e disse que o tema "é assunto da Comissão".

Antes de chegar a Évian, Lula se reuniu em Genebra com o presidente da Confederação Suíça, Guy Parmelin. O encontro, solicitado pelo lado suíço, girou principalmente em torno do acordo Mercosul-EFTA —que vai a voto no Parlamento suíço na próxima quarta-feira (17).

A EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio, na sigla em inglês) reúne Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, quatro países que não fazem parte da União Europeia.

Quanto a Trump, a delegação brasileira acompanha com cautela o comportamento do presidente americano, que chegou a Évian após um dia agitado: organizou um evento de MMA na Casa Branca no domingo, seu aniversário de 80 anos, e chegou ao resort francês depois de ameaçar tarifas sobre vinhos franceses —tensão que azedou, ao menos momentaneamente, o clima com Macron antes mesmo do jantar de abertura.

Fontes brasileiras descartam qualquer reunião bilateral com Trump durante a cúpula. Não há pedido de nenhum dos dois lados, e a avaliação do Planalto é de que não faria sentido um novo encontro apenas para reiterar posições já apresentadas. Se os dois estiverem na mesma sessão, podem se cumprimentar —mas isso, ponderou uma fonte da delegação brasileira, não seria uma reunião.
Por Folhapress

Trump anuncia acordo com o Irã e reabertura do Estreito de Ormuz

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste domingo a conclusão de um acordo com o Irã para encerrar o conflito iniciado no fim de fevereiro. Segundo o republicano, o entendimento prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio mundial de petróleo, além do fim do bloqueio naval americano aos portos iranianos. A assinatura oficial do memorando está prevista para a próxima semana, na Suíça, com mediação do Paquistão e do Catar. A reportagem é do jornal O Globo.

O governo iraniano confirmou avanços nas negociações e afirmou que o documento contempla pontos considerados essenciais por Teerã, incluindo questões ligadas ao programa nuclear, ao desbloqueio de recursos financeiros e à situação de segurança regional. Apesar disso, autoridades iranianas ressaltaram que ainda analisam os termos finais do acordo e que acompanharão de perto o cumprimento dos compromissos assumidos por Washington.

O anúncio ocorreu em meio a um cenário de forte tensão no Oriente Médio. Horas antes, Israel realizou ataques contra alvos ligados ao Hezbollah em Beirute, provocando críticas de Trump, que afirmou que a ação colocou em risco as negociações. Caso seja formalizado, o acordo poderá representar um passo importante para reduzir os confrontos na região, incluindo possíveis avanços em relação à guerra no Líbano e às disputas envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos.

Brasil sofre, e gol de Vinicius Junior impede derrota para Marrocos em estreia na Copa; veja melhores lances

A promessa de uma estreia difícil para o Brasil na Copa do Mundo de 2026 se concretizou na tarde de sábado (13) em East Rutherford, nos arredores de Nova York. A seleção teve pela frente um adversário duro no MetLife Stadium e sofreu para conseguir um empate por 1 a 1 com Marrocos.

Após um péssimo início, no qual levou bonito gol de Saibari e poderia ter levado mais, a equipe dirigida por Carlo Ancelotti conseguiu equilibrar as ações e igualou o marcador ainda no primeiro tempo, em jogada característica de Vinicius Junior pela esquerda.

A formação marroquina diminuiu o ritmo depois do intervalo, e a seleção brasileira melhorou um pouco com algumas de suas substituições –entraram Danilo e Fabinho, depois Luiz Henrique, Matheus Cunha e Danilo Santos. Mas o placar não voltou a ser movimentado.

Cada um dos times, assim, largou com um ponto no Grupo C. A chave é liderada pela Escócia, que conquistou na noite de sábado sua primeira vitória em Copas em 36 anos, fazendo 1 a 0 no Haiti, em Foxborough, nos arredores de Boston.

"Acho que não começamos bem o jogo. A equipe estava um pouco preocupada, perdemos muitos duelos, muitas bolas. A primeira parte não foi boa. Foi uma partida difícil porque Marrocos é uma boa equipe. Agora, é olhar para o próximo jogo", afirmou Ancelotti.

O confronto em East Rutherford foi acompanhado pelo prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. Ele gravou um vídeo antes do duelo recordando Sócrates e a Democracia Corinthiana, porém não viu em campo nada parecido com o Doutor.

Foi desastroso o início da partida do Brasil, dominado por um adversário que parecia ter mais jogadores em campo. Carlo Ancelotti optou por utilizar Ibañez na lateral direita, colocou Douglas Santos na esquerda e surpreendeu ao escalar Igor Thiago como centroavante. Não funcionou.

Marrocos pressionava no campo de ataque, roubava a bola e enfileirava oportunidades. El Aynaoui e Bouaddi trocavam passes com facilidade na região da intermediária. Na ponta esquerda, El Khannouss levava ampla vantagem sobre Ibañez. Em sete minutos a formação africana já havia tido duas oportunidades de finalizar dentro da área.

A seleção verde-amarela teve sua primeira escapada aos 14 minutos, quando Raphinha fez a bola chegar a Vinicius Junior na ponta esquerda. Igor Thiago, na entrada da pequena área, desperdiçou a grande chance e mal encostou na bola no cabeceio.

O lance não mudou o panorama da disputa, e o gol que o time de vermelho já fazia por merecer saiu aos 21 minutos. Paquetá teve dificuldade para dominar um passe forte de Ibañez e permitiu o contra-ataque. Brahim Díaz recebeu de Mazraoui e achou Saibari nas costas de Marquinhos e Gabriel Magalhães. Na cara de Alisson, o camisa 11 o encobriu.

Veio a calhar para Ancelotti a pausa para hidratação, na qual fez um ajuste: abriu Raphinha na direita, tirando dali Paquetá. Não mudou da água para o vinho, porém o Brasil conseguiu equilibrar as ações e ter mais o domínio da bola no meio-campo.

Disposto a encarar repetidamente a marcação, Vinicius Junior teve sucesso aos 32. Tocou para Bruno Guimarães, recebeu de volta dentro da área e soube iludir El Aynaoui antes de acertar um bom chute no canto esquerdo de Bounou, para empatar.

Foi só a partir daí que explodiram os primeiros gritos de Brasil. Surpresa e impaciente até então, a torcida da equipe pentacampeã ainda viu dois bons momentos antes do intervalo, um voleio de Paquetá e um cabeceio de Marquinhos.

A essa altura, o técnico já havia pedido que Danilo, Fabinho e Matheus Cunha iniciassem o trabalho de aquecimento. No intervalo, acionou os dois primeiros, que substituíram Ibañez e Casemiro –estes dois, muito mal na etapa inicial, estavam pendurados com cartão amarelo.

A partida teve um ritmo mais lento na etapa final, mas os principais lances de ataque foram do Brasil. Após o início avassalador, Marrocos diminuiu a marcha e começou a dar mostras de que estava satisfeito com o empate –o goleiro Bounou pediu atendimento médico mais de uma vez.

Para dar maior mobilidade ao ataque, Ancelotti chamou Luiz Henrique e Matheus Cunha, que substituíram Igor Thiago e Paquetá. Houve rapidamente alguns bons lances com a participação do habilidoso Luiz Henrique.

A melhor oportunidade surgiu aos 33 minutos, quando Vinicius Junior recebeu pela esquerda em contra-ataque e deixou Raphinha em ótima posição para finalizar. O camisa 11 pegou mal na bola, porém, e a partida terminou mesmo empatada.

"A estreia é sempre muito difícil. A gente tem que melhorar, continuar evoluindo, porque a competição está só começando. Isto é Copa do Mundo, não vai ter jogo fácil", disse Vinicius, que deseja ver um maior controle da posse nas próximas partidas.

"A gente tem que segurar mais a bola, ficar mais com ela, mover o jogo de um lado para o outro. Muitas vezes, os adversários vão se defender e sair no contra-ataque. Mas agora não tem muito o que falar. É trabalhar porque o segundo jogo está muito perto", acrescentou.

A partida de estreia mostrou que não era descabido tratá-la previamente como equilibrada. Pode soar estranho àqueles habituados a uma ordem anterior do futebol, mas o confronto da tarde opunha o sexto ao sétimo colocado do ranking da Fifa (Federação Internacional de Futebol).

Após ter alcançado a melhor campanha de um time africano na história do Mundial, com as semifinais de 2022, Marrocos teve um ciclo de bons resultados no caminho para 2026. Conquistou o Campeonato Africano de Nações e a Copa Árabe. Nas Eliminatórias para a Copa, teve oito vitórias em oito jogos, com 22 gols marcados e dois sofridos.

A equipe chegou também à conturbada decisão do mais importante torneio de seu continente, a Copa Africana de Nações. Perdeu em campo para o Senegal, mas, porque o adversário chegou a abandonar o campo em protesto contra a arbitragem, foi declarada campeã.

A derrota nas quatro linhas custou o emprego do técnico Walid Regragui. Mas, como o resultado registrado foi um triunfo por WO, a equipe desembarcou nos Estados Unidos com um retrospecto oficial de 29 partidas de invencibilidade.

O técnico desde março é Mohamed Ouahbi, que assumiu o grupo principal após um ótimo desempenho na formação marroquina sub-20, campeã mundial no ano passado. A troca foi em cima da hora, porém Ouahbi recebeu uma base mais sólida do que a encontrada por Ancelotti no Brasil, há pouco mais de um ano.

O italiano é o quarto comandante da seleção desde o Mundial de 2022. Sucedeu Ramon Menezes –derrotado por Marrocos em amistoso realizado em março de 2023–, Fernando Diniz e Dorival Júnior, com apenas 12 jogos para tentar dar nova cara ao time na preparação para a Copa.

Não foi suficiente para uma vitória na difícil estreia. Agora, ele trabalha por triunfos contra adversários teoricamente mais frágeis na sequência do Grupo C: o Haiti, na próxima sexta (19), na Filadélfia, e a Escócia, na quarta seguinte (24), em Miami Gardens.

Brasil 1 x 1 Marrocos (Copa do Mundo - Grupo C)

Brasil: Alisson, Ibañez (Danilo), Gabriel Magalhães, Marquinhos, Douglas Santos, Casemiro (Fabinho), Bruno Guimarães (Danilo Santos), Lucas Paquetá (Matheus Cunha), Raphinha, Igor Thiago (Luiz Henrique) e Vinicius Junior. Técnico: Carlo Ancelotti

Marrocos: Bono; Hakimi, Diop, Riad e Mazraoui (Salah-Eddine); El Aynaoui, Bouaddi, Brahim Díaz (Talbi), Ounahi (El Mourabet) e El Khannouss (Amaimouni); Saibari (Rahimi). Técnico: Mohammed Ouahbi

Gols: Saibari (21min do 1º tempo, Marrocos) e Vinicius Junior (32min do 1º tempo, Brasil)

Cartões amarelos: Casemiro e Ibañez

Público: 80.663 espectadores

Árbitro: Slavko Vincic (Eslovênia)

Assistentes: Tomaz Klancnik (Eslovênia), Andraz Kovacic (Eslovênia ), Sandro Schaerer (Suíça)

VAR: Bastian Dankert (Alemanha)

Local: estádio MetLife, em East Rutherford, nos Estados Unidos

Por Marcos Guedes, Mayara Paixão e Luciano Trindade/Folhapress

Prefeito de Nova York exalta ex-jogador Sócrates e Democracia Corinthiana

O prefeito democrata de Nova York, Zohran Mamdani, falou sobre o Brasil na Copa do Mundo em vídeo publicado neste sábado (13), dia da estreia da seleção contra Marrocos, às 19h (horário de Brasília). O político exaltou o ex-jogador Sócrates, ídolo do Corinthians e que disputou a Copa de 1982.

"Enquanto aguardamos Brasil contra Marrocos, tenho pensado ultimamente em Sócrates, não o filósofo grego antigo, mas o maestro do meio-campo brasileiro. Sócrates jogou tanto no Brasil quanto na Seleção nas décadas de 1970 e 1980. Incluindo a Copa do Mundo de 1982, onde foi capitão da seleção. Foram anos difíceis no Brasil", disse.

O prefeito, opositor do presidente americano Donald Trump, citou ainda a ditadura no Brasil e a Democracia Corinthiana –um movimento histórico no futebol brasileiro onde jogadores corintianos assumiram o controle das decisões do clube.

"Uma junta militar repressiva governava o país, impondo seu domínio pela força. No Corinthians, o clube que ele capitaneava, Sócrates e seus companheiros de equipe participaram daquilo com que os brasileiros comuns sonhavam: democracia", acrescentou.

Mamdani ainda brincou com as torcidas brasileira e marroquina. "Se você está torcendo pelo Brasil, aproveite uma coxinha no Bar Goiano, e se você está apoiando os Leões do Atlas, vá ao Tatara Kitchen para um prato delicioso".

A seleção brasileira, comandada pelo técnico Carlo Ancelotti, estreia neste sábado em East Rutherford, Nova Jersey. Globo, SBT, SporTV, CazéTV, ge tv e N Sports transmitem a partida.
Por Jorge Abreu/Folhapress

Operação conjunta de EUA e Venezuela mata líder do Tren de Aragua -Por Redação

Donald Trump
Uma operação realizada em conjunto por Estados Unidos e Venezuela resultou na morte de Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como “Niño Guerrero”, apontado como principal líder da organização criminosa Tren de Aragua. A ação ocorreu no estado de Bolívar, na Venezuela, e foi confirmada pelos governos dos dois países. A reportagem é do G1.

Segundo as autoridades venezuelanas, Guerrero foi morto durante confrontos com integrantes de grupos criminosos. O governo informou que a operação contou com intercâmbio de informações de inteligência e apoio tecnológico especializado. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a ação foi conduzida pelo Comando Sul americano em cooperação com autoridades venezuelanas.

Considerado um dos criminosos mais procurados da América Latina, Niño Guerrero era acusado de crimes como tráfico de drogas, extorsão, tráfico de armas e associação criminosa. Fundado em 2014, o Tren de Aragua expandiu sua atuação para diversos países da região e foi classificado pelo governo Trump como organização terrorista.

Trump diz que acordo com Irã está finalizado e cancela novos ataques

Republicano diz que local da assinatura do tratado para encerrar a guerra será anunciado em breve
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quinta-feira (11) que o Irã aprovou um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio, iniciada pelo presidente americano e por Israel em fevereiro. Dessa forma, o republicano afirmou ter cancelado novos ataques contra o país persa que estavam programados para a noite de quinta, madrugada de sexta na região do conflito.

O regime iraniano não comentou a afirmação do presidente. Ao longo da guerra, Trump disse várias vezes que um acordo com o Irã estava próximo. O tratado envolveria uma resolução para o programa nuclear do país persa, a abertura do estreito de Hormuz e a suspensão de sanções contra Teerã.

"Baseado no fato de que discussões com a República Islâmica do Irã foram levadas ao nível mais alto da liderança iraniana e foram aprovadas, eu decidi, como Presidente dos Estados Unidos da América, cancelar os ataques e bombardeios contra o Irã esta noite", escreveu Trump na sua rede social, a Truth Social, em publicação enviada no momento em que começou a abertura da Copa do Mundo, no Estádio Azteca, do México.

"As discussões e os pontos finais foram, de forma geral e detalhadamente, aprovados por todas as partes envolvidas, incluindo os EUA, Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Turquia, Paquistão, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Egito e outros", disse o presidente. "O bloqueio naval [americano] permanecerá de pé até que essa transação seja finalizada. A data e local da assinatura [do acordo] serão anunciadas em breve", concluiu o republicano.

Por Folhapress

Irã ataca dois navios em Hormuz e base de frota americana no Bahrein

Duas embarcações foram atingidas ao tentar atravessar estreito; sede da Quinta Frota americana é alvo
O Irã anunciou na noite desta quarta-feira (10) ter atacado dois navios que navegavam pelo estreito de Hormuz e reiterou que qualquer embarcação que tente atravessar o canal será considerada um alvo. O regime também disse ter atacado a base da Quinta Frota americana, no Bahrein

Trata-se, segundo Teerã, da execução da primeira fase de uma nova ofensiva conduzida pela Guarda Revolucionária, em mais um desdobramento da guerra no Oriente Médio.

A agência iraniana Mehr não informou mais detalhes sobre os alvos nem sobre as fases seguintes das operações. O anúncio ocorreu horas após as forças dos Estados Unidos bombardearem alvos iranianos pela segunda noite consecutiva, cumprindo uma ameaça de Donald Trump.

Em declaração divulgada pela agência Tasnim, o regime iraniano afirmou também que o estreito de Hormuz está agora "completamente fechado para todos os tipos de embarcação". A autoridade acrescentou que qualquer tráfego marítimo na passagem será alvo das forças de Teerã.

De acordo com a Marinha iraniana, dois navios que tentavam atravessar o estreito foram atingidos. As autoridades não informaram a nacionalidade das embarcações nem detalharam os danos provocados.

Segundo Teerã, os navios tentavam passar pela rota marítima de forma considerada ilegal pelo regime. O estreito de Hormuz é uma das passagens marítimas mais estratégicas do mundo e conecta o golfo Pérsico ao oceano Índico. A ameaça de fechamento da via e os ataques contra embarcações aumentam o risco de ampliação do conflito e preocupações relacionadas com a segurança da navegação, além de pressionarem os preços do petróleo.

Por Folhapress

Após barrar juiz somali, Trump diz trabalhar para garantir que 'pessoas certas entrem nos EUA'

Às vésperas da Copa, governo do republicano tem restringido acesso de profissionais envolvidos com a competição
Foto: Reprodução/Instagram
Na véspera da abertura da Copa do Mundo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (10) que o país está "trabalhando para garantir que as pessoas certas entrem" nos EUA.

A declaração foi dada no Salão Oval, após ser questionado sobre os impactos da política migratória americana no torneio.

Na ocasião, Trump assinava um projeto de lei que destina US$ 64 bilhões ao ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândega) e à Patrulha de Fronteira, reforçando o orçamento do Departamento de Segurança Interna e as ações de controle migratório.

Ao comentar a Copa, o republicano voltou a declarar que esta será a edição "mais bem-sucedida da história".

Ele reconheceu que o futebol ainda não ocupa um espaço central na cultura esportiva americana, mas afirmou que o torneio será um sucesso.

As declarações ocorrem em meio a controvérsias relacionadas à realização da Copa nos Estados Unidos, incluindo relatos de árbitros e torcedores barrados na entrada do país, interrogatórios prolongados de jogadores e restrições de acesso às vésperas da competição.

Diante desse cenário, a ONU pediu que o governo americano reavalie suas políticas migratórias durante o Mundial.

"Espero sinceramente que haja uma reflexão sobre como a fiscalização imigratória está impactando os direitos humanos e a dignidade humana e que, especialmente durante a Copa do Mundo, haja uma reavaliação das políticas que infelizmente temos visto prevalecer, particularmente nos Estados Unidos", afirmou o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk.
Por Isabella Menon/Folharess

Congresso da Bolívia autoriza presidente a usar militares para desbloquear vias no país

Rodrigo Paz avalia declarar estado de exceção, o que permitiria uso maior da força militar e restrição de liberdade de mobilização

O Congresso da Bolívia aprovou, neste domingo (7), uma lei que autoriza o presidente Rodrigo Paz, de centro-direita, a recorrer a militares para desobstruir as vias controladas há mais de um mês por manifestantes que pedem sua renúncia.

Após 15 horas de sessão ininterrupta, que terminou de madrugada, a Câmara dos Deputados aprovou o texto, já antes aprovado pelo Senado. "Fica sancionada a presente lei, remeta-se ao Poder Executivo para fins constitucionais", disse o presidente da Câmara, Roberto Castro.

Paz avalia declarar o estado de exceção, o que lhe permitirá um uso maior da força militar e restringir liberdades de reunião e mobilização, essenciais para as manifestações. Até agora, a participação dos militares tem sido limitada, com a tropa de choque da polícia na linha de frente nas operações de desbloqueio.

Camponeses, mineiros, profissionais dos transportes e outros trabalhadores realizam protestos com bloqueios viários em todo o país em meio à pior crise econômica que a Bolívia enfrenta em quatro décadas. Em reação, o líder anunciou o corte de seu próprio salário e de ministros de governo para lidar com a crise.

Os bloqueios provocaram forte escassez de alimentos, medicamentos e combustíveis em La Paz, El Alto e outras cidades. De acordo com a Defensoria Pública, dez pessoas morreram em decorrência dos protestos, incluindo algumas por falta de atendimento médico causada pelas obstruções.

No sábado (6), policiais da tropa de choque enfrentaram manifestantes no povoado de San Julián, na próspera região de Santa Cruz (leste), em operação para desbloquear uma via estratégica para o abastecimento do país. Agentes lançaram bombas de gás lacrimogêneo, e os manifestantes responderam com paus, pedras e pneus em chamas.

O confronto deixou mais de 20 feridos, entre eles seis policiais, quatro deles baleados. Horas depois, a delegacia local foi invadida e incendiada. A via foi parcialmente desobstruída por algumas horas, mas os manifestantes voltaram a bloqueá-la.

Um dos artigos da lei aprovada indica que os militares, durante o estado de exceção, "gozarão de presunção de legalidade" e que o governo deverá assumir sua defesa legal —medida que visa dissipar o temor de julgamentos pelo uso da força em situações de conflito.

O antecedente mais recente é o de vários comandantes militares da ex-presidente de direita Jeanine Añez (2019-2020), julgados e presos por confrontos com civis após a saída do ex-presidente Evo Morales —episódios que deixaram mais de 30 mortos.

Paz, cuja vitória nas urnas em outubro de 2025 pôs fim a décadas de domínio da esquerda na política boliviana, enfrenta pressão em múltiplas frentes. Três ministros —das pastas do Trabalho, da Defesa e da Educação— deixaram o cargo desde o início dos protestos. Ao mesmo tempo, tentativas de diálogo mediadas pela Igreja Católica, pela Defensoria Pública e pelo vice-presidente Edmand Lara Montaño fracassaram até agora.

O governo responsabiliza o ex-presidente Evo Morales (2006-2019) pelas manifestações. Morales, refugiado em seu reduto cocaleiro no Chapare para evitar uma ordem de captura por acusação de suposto tráfico de uma menor —o que nega—, afirmou à AFP que os protestos são uma "rebelião" contra um governo "subordinado" aos Estados Unidos

Por Folhapress

Copa 2026: Jogadores iranianos vão precisar entrar e sair dos EUA no mesmo dia da partida, diz embaixador

           Equipe transferiu base de concentração de Tucson, no Arizona, para Tijuana, no México

Os jogadores da seleção iraniana que disputarão a Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos terão de entrar e sair do país no mesmo dia de cada partida, saindo de sua base de concentração no norte do México. A informação foi dada neste sábado pelo embaixador do Irã.

Por causa da guerra com os Estados Unidos, o Irã transferiu seu acampamento para a cidade mexicana de Tijuana, no lugar da base original em Tucson, no Arizona. A equipe disputará os jogos da fase de grupos em Los Angeles e Seattle.

"Podem entrar de manhã e no mesmo dia têm de sair", afirmou o embaixador iraniano no México, Abolfazl Pasandideh, em entrevista coletiva em Tijuana, sobre as condições do visto para os Estados Unidos. A declaração foi feita em farsi e traduzida oficialmente para o espanhol.

O diplomático acrescentou que 15 membros da delegação iraniana, em sua maioria dirigentes e integrantes da comissão técnica, ainda não têm visto americano, o que representa um "desafio" para a equipe.

Pasandideh disse que os deslocamentos do time de Tijuana aos Estados Unidos poderão ser feitos de avião particular ou por terra, conforme as orientações da Fifa.

"Nós respeitamos todas as decisões que a Fifa tomar", afirmou.
Por Folhapress

China foi o país que mais executou por pena de morte em 2025, segundo Anistia Internacional

                    Pequim afirma que a organização tem preconceito contra o país e não é confiável

O presidente da China, Xi Jinping

A China foi o país que mais executou por pena de morte em 2025, segundo dados da Anistia Internacional. A organização afirma que a nação asiática determinou execuções de milhares de pessoas e utiliza o instrumento como forma de enviar mensagens políticas de que o Estado não tolera ameaças à segurança pública, à estabilidade ou à ordem social.

No relatório "Sentenças de Morte e Execuções", a organização coletou dados relacionados à aplicação da pena capital de janeiro a dezembro de 2025 e identificou que o mundo teve o maior número de execuções desde 1981. No ano passado, ao menos 2.707 pessoas foram executadas judicialmente, um aumento de 78% em relação ao registrado em 2024, segundo a Anistia.

O documento aponta ainda que ao menos 17 países fizeram execuções e que os métodos utilizados incluem injeção letal, enforcamento, decapitação, fuzilamento e asfixia por nitrogênio.

A China aparece à frente do Irã, da Arábia Saudita e do Iraque, que ficaram em segundo, terceiro e quarto lugar, respectivamente. Os Estados Unidos, com 47 execuções, ficaram em sétimo lugar, registrando o maior número de casos desde 2009.

A organização se opõe a todas as formas de pena de morte, sem exceção, "independentemente da natureza ou das circunstâncias do crime; da culpa, inocência ou outras características do indivíduo; ou do método utilizado pelo Estado para realizar a execução".

Em casos como o da China, em que o regime mantém os números de execuções ou sentenças em sigilo sob justificativa de segredo de Estado, o documento se pautou em informações diretas de condenados, familiares ou representantes legais, além de relatórios de mídia e organizações da sociedade civil. Nessas situações, a entidade leva em consideração apenas aqueles que possuem "confirmação razoável".

A Anistia Internacional não aponta um número exato de mortes atribuíveis à China desde 2009. A decisão ocorreu por preocupação dos autores com a forma como as autoridades chinesas estariam deturpando os dados apresentados. A organização afirma que os números divulgados antes daquele ano eram sabidamente inferiores à realidade devido à restrição de acesso à informação no país.

Apesar da ausência de dados oficiais, o relatório afirma que as informações disponíveis indicam que milhares de pessoas continuam sendo sentenciadas à morte e executadas anualmente na China. O documento acrescenta que o total real é provavelmente mais alto.

A falta de registros provenientes do regime fez com que a organização deixasse de fora qualquer pena de morte aplicada no país. A Anistia também não computou dados de Coreia do Norte, Iraque e Vietnã, mas conseguiu determinar que as nações fizeram execuções, têm pessoas no corredor da morte e emitiram sentenças no ano passado.

O documento destaca o uso da pena capital na China para crimes de colarinho branco, no âmbito de campanhas contra a corrupção no setor financeiro e na política. Também foram identificados casos de execução por espionagem e atentado à segurança nacional.

O relatório aponta ainda que as execuções no país se baseiam em condenações por tráfico de drogas, crimes violentos e crimes contra grupos vulneráveis, como assassinato de mulheres por seus maridos, pedofilia e ataques que resultem em múltiplas mortes ou feridos.

O Ministério das Relações Exteriores de Pequim afirmou ao jornal Folha de São Paulo que a Anistia Internacional tem preconceito contra a China e não é confiável.

"A China é um país regido pelo Estado de Direito e adota uma política criminal de manter a pena de morte, aplicar de forma rigorosa e prudente. O país controla rigorosamente e reduz gradualmente a pena de morte, e estabelece padrões e procedimentos estritos para sua aplicação", escreveu a pasta, em nota.

Crimes relacionados ao tráfico de entorpecentes respondem por 46% de todas as execuções conhecidas no mundo em 2025, mas há também casos registrados de repressão política, segurança nacional, espionagem, terrorismo, corrupção e segurança pública, entre outros.

O aumento no número de casos identificado no ano passado foi impulsionado pelo crescimento das execuções no Irã, que registrou ao menos 2.159 mortes no ano, o maior patamar em décadas. A organização aponta que o país condena pessoas após julgamentos injustos sob a justificativa de proteção à segurança nacional.

A Anistia cita como exemplo dois homens mortos por participação nos protestos após a morte de Mahsa Amini e outros 11 executados após a invasão do país por Israel e pelos EUA, sob acusação de espionagem.

Já a alta nas execuções em território americano foi puxada pela Flórida, que aplicou a pena de morte a 19 pessoas, o número mais elevado desde 1972. O documento também destaca a mudança política com a ascensão do presidente Donald Trump.

Enquanto seu antecessor, o democrata Joe Biden, comutou 37 das 40 sentenças de morte federais existentes no fim de seu mandato em 2024, o governo do republicano orientou promotores federais a buscar a pena capital em todos os casos possíveis.

A organização rastreou 2.334 novas sentenças de morte globalmente em 2025, um aumento de 12% em relação ao ano anterior.

"A variação na disponibilidade de informações sobre condenações em alguns países continua sendo um fator significativo na determinação do total global, tornando as comparações ano a ano metodologicamente desafiadoras", diz o documento.
Por Victoria Damasceno/Folhapress

EUA oficializam classificação do PCC e CV como terroristas Por Isabella Menon/Folhapress

O governo dos Estados Unidos oficializou, nesta sexta-feira (5), a classificação das facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como terroristas. A decisão foi divulgada pelo Federal Register, o Diário Oficial dos EUA.

O documento foi assinado por Marco Rubio, secretário do Departamento de Estado. Pelas redes sociais, Rubio já tinha anunciado a decisão na semana passada e afirmado que as organizações criminosas "são as mais perigosas do Brasil".

"Seu alcance se estende por toda a nossa região e ao nosso país. A administração Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e negar o financiamento e recursos narcoterroristas."

A designação de um grupo como terrorista passa por um processo no Departamento do Estado no ano passado, mas aconteceu na mesma semana da visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Washington, onde se encontrou com o presidente Donald Trump, além de Rubio e o vice-presidente Donald Trump.

O governo Lula tentava evitar que esta designação fosse imposta pelos EUA, pelo receio de influenciar nas eleições e interferência americana no Brasil. Lula afirmou que, durante a conversa de mais de três horas que teve com Trump há cerca de 20 dias, o assunto não foi tratado, mas foi entregue a proposta de uma cooperação entre os dois países.

Após a decisão, o governo publicou uma nota em que diz que PCC e CV são tratados pelo Estado como organizações criminosas responsáveis por espalhar terror em comunidades dominadas pelo tráfico de drogas, armas e atuação de milícias.

Sem citar nome, a gestão chamou de "deplorável" a intervenção da família Bolsonaro nos temas internacionais.

"A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros", diz o comunicado.

A partir dessa designação, é criminalizado qualquer tipo de apoio, bloqueio de recursos e isolamento destas organizações. De acordo com o departamento, integrantes destas organizações não podem entrar nos EUA e podem ser expulsos se já estiverem no país.

Além disso, bancos americanos com contas destes membros devem bloquear fundos ligados ao grupo e reportar ao governo. O Brasil, porém, discorda da denominação, uma vez que no território brasileiro a designação de terrorismo é aplicada para atos violentos motivados por xenofobia, discriminação ou preconceito para provocar terror social generalizado.

À Folha a porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos afirma que a decisão foi tomada por Trump e afirmou que, apesar do presidente ouvir pessoas do seu entorno, políticos e personalidade, toma decisões com base no que julga no que é melhor para os EUA.

Ela também afirma que as facções PCC e CV estão presentes em 12 estados nos EUA. Segundo Roberson, há um cálculo da presença de integrantes dos grupos em um em cada 4 estados americanos. Porém, nem todos foram divulgados, apenas Nova York, Nova Jersey, Massaschussets, Flórida e Tennessee.

EUA precisam contribuir com o Brasil prendendo foragidos e bloqueando patrimônios, diz chefe da PF

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, diz que a cooperação entre os Estados Unidos e o Brasil precisa ser uma via de mão dupla ao comentar a decisão do governo Donald Trump de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas.

Em entrevista à Folha, ele afirma que a parceria entre Brasília e Washington é histórica e deve ser mantida e fortalecida. Para Andrei, diversas operações e apreensões realizadas pelos dois países são resultado da troca permanente de informações entre as agências de segurança.

O chefe da PF vê como necessária uma atuação ainda mais efetiva das autoridades americanas na prisão de foragidos, no bloqueio de patrimônios e na recuperação de ativos ilícitos. O novo entendimento dos EUA sobre PCC e CV entra em vigor nesta sexta-feira (5).

Andrei diz que há desafios enfrentados pelo Brasil com origem em atividades criminosas com conexões nos Estados Unidos, como o tráfico de armas e de drogas, e citou que a maior apreensão de armas da PF, realizada no Aeroporto do Galeão (RJ), era proveniente dos EUA. Também mencionou a entrada recorrente no Brasil de carregamentos de haxixe oriundos daquele país.

"Muitas dessas apreensões são fruto dessa troca de informações que nós temos com as agências americanas. Isso nos permitiu, muitas vezes, realizar flagrantes aqui no Brasil e, em outras ocasiões, repassar informações para os Estados Unidos, possibilitando a prisão de traficantes antes mesmo de a droga ser enviada", afirmou.

Segundo ele, a cooperação internacional é fundamental para identificar patrimônios ocultados no exterior, rastrear recursos ilícitos e desarticular estruturas financeiras ligadas ao crime organizado.

"Se de fato essa recíproca é verdadeira, os Estados Unidos precisam contribuir ainda mais com o Brasil, prendendo foragidos, bloqueando e congelando patrimônios, restituindo ao país recursos desviados. São várias ações que precisamos continuar realizando em conjunto", acrescentou.

Para o diretor-geral, a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos não altera a legislação brasileira, as competências de investigação nem os processos em andamento no país.

Atualmente, a Polícia Federal mantém parcerias consolidadas com órgãos americanos como a DEA (Agência de Combate às Drogas), o FBI (a PF americana), a CBP (Alfândega e Proteção de Fronteiras) e a HSI (serviço de segurança interna).

Segundo Andrei, ainda é cedo para avaliar se a nova diretriz do Departamento de Estado americano provocará mudanças na interlocução entre os órgãos de segurança dos dois países.

Um dos pontos que ainda não estão claros é se a CIA (a agência de inteligência e espionagem dos EUA) poderá assumir um papel mais relevante nesse diálogo, já que ela tem atribuições ligadas ao enfrentamento do terrorismo.

"Para nós, no eixo da segurança, não houve ainda nenhuma alteração. E, se não houver, vamos seguir cooperando sem nenhuma mudança", afirmou.

Andrei afirma ainda que a Polícia Federal mantém uma ampla rede de cooperação internacional, com presença em 36 países distribuídos pelos cinco continentes, além de participação ativa em organismos internacionais de polícia.

Ele diz que a corporação pretende ampliar os investimentos no combate ao crime organizado por meio do fortalecimento das 40 Ficcos (Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado) distribuídas pelas 27 unidades da federação.

As estruturas reúnem integrantes da própria Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Penal e de polícias Civis e Militares dos estados. Em alguns locais, também há presença das guardas municipais, para atuação conjunta contra facções criminosas e organizações criminosas.

O governo Trump decidiu classificar o CV e o PCC como organizações terroristas no dia 28.

A decisão aconteceu após a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, a Trump e outros membros do gabinete americano, como Marco Rubio, do secretário de Estado (equivalente ao cargo de ministro de Relações Exteriores), e J. D. Vance, vice-presidente dos EUA.

Nos últimos meses, o governo Trump tem revisado as definições de narcoterrorismo e intensificado operações militares no exterior, sobretudo na América Latina, contra organizações assim classificadas.

Apesar disso, o governo Lula tentava evitar que esta designação fosse imposta pelos EUA, pelo receio de influenciar nas eleições e interferência americana no Brasil.

Lula afirmou que, durante a conversa de mais de três horas que teve com Trump há cerca de 20 dias, o assunto não foi tratado, mas foi entregue a proposta de uma cooperação entre os dois países.

A classificação do que é terrorismo varia em cada país. A versão mais aceita é a que o classifica como uma ação violenta deliberada contra civis que tem por objetivo intimidar a população ou o governo, normalmente em associação a uma causa política e/ou religiosa.

Por Raquel Lopes e José Marques/Folhapress

Seção 301 já foi usada para pressão, e há espaço para Brasil negociar com EUA, dizem especialistas

A conclusão da investigação comercial aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil elevou a pressão sobre o governo Lula e reacendeu o debate sobre o futuro das relações entre os dois países. Mas, para especialistas ouvidos pela Folha, há espaço para negociar.

Em relatório divulgado nesta terça-feira, o governo americano recomendou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros após uma análise sob a seção 301. O processo dá espaço para comentários do setor privado e do governo brasileiro, além de uma audiência marcada para o dia 6 de julho.

O fim do processo está previsto para o dia 15 de julho e, só então, a proposta que agora será analisada pelo presidente Donald Trump, responsável pela decisão final.

Apesar do endurecimento da posição americana, especialistas ouvidos pela Folha afirmam que é possível negociar antes de uma eventual decisão da Casa Branca.

Para Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, a principal diferença em relação ao episódio do ano passado é que, desta vez, existe um canal de diálogo aberto entre Brasília e Washington. Segundo ele, as conversas entre os dois governos se intensificaram nas últimas semanas e ainda há margem para a construção de um entendimento que evite a implementação das tarifas.

No ano passado, afirma, o anúncio de sobretaxas de 50% sobre produtos do Brasil ocorreu em um contexto de ausência quase total de interlocução entre os dois governos. O diálogo só começou a ser retomado meses depois, a partir de encontros bilaterais realizados à margem da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas).

Agora, segundo o executivo, as negociações já estão em curso e foram reconhecidas pelo próprio governo americano na divulgação do relatório.

Abrão avalia que a possibilidade de um acordo dependerá sobretudo de disposição política dos dois lados. Na visão dele, o processo não se resume a uma negociação tarifária tradicional, mas à construção de uma agenda mais ampla de convergências.

Entre os temas que poderiam ser colocados na mesa estão reduções tarifárias em alguns produtos industriais, medidas ligadas à propriedade intelectual, combate à pirataria, comércio digital e cooperação na área de minerais críticos.

A interpretação de que a investigação funciona como instrumento de pressão também é compartilhada por Bruna Santos, diretora do Brazil Institute. Segundo ela, procedimentos conduzidos sob a seção 301 historicamente servem menos como um fim em si e mais como mecanismos para ampliar o poder de barganha dos Estados Unidos em negociações comerciais.

"O principal ponto é que esse é um mecanismo frequentemente utilizado para criar alavancagem. Você sinaliza um custo potencial e tenta obter algum tipo de concessão do outro lado", afirma.

Na avaliação da especialista, a inclusão do Pix entre os temas abordados na investigação deve ser lida sob essa lógica. Como os Estados Unidos não têm instrumentos para interferir diretamente no funcionamento do sistema de pagamentos brasileiro, a ameaça de tarifas serviria para ampliar a pauta de negociação em temas regulatórios.

"A questão do Pix entra muito mais como uma forma de ampliar a mesa de negociação com o Brasil e ganhar espaço para discutir mudanças regulatórias. Há precedentes de acordos desse tipo", diz.

Para Ryan Cummings, economista-chefe do gabinete do Instituto para Pesquisa de Política Econômica de Stanford, o relatório americano também revela uma série de contradições. Ele argumenta que parte das críticas feitas por Washington reproduz práticas adotadas pelo próprio governo dos Estados Unidos, citando como exemplos as acusações relacionadas ao Pix, à corrupção e até mesmo às questões ambientais.

Na avaliação do economista, o documento parece menos uma análise técnica e mais uma tentativa de ampliar o poder de barganha americano nas negociações com o Brasil.

Cummings afirma que a inclusão do Pix é especialmente reveladora porque o sistema brasileiro se tornou uma alternativa pública eficiente e de baixo custo.

Apesar do tom duro adotado pelo governo americano, o economista avalia que a implementação efetiva das tarifas ainda enfrenta obstáculos políticos e jurídicos. Ele lembra que empresas americanas afetadas pelo aumento dos custos de importação podem contestar as medidas na Justiça e afirma que o relatório carece de evidências robustas para sustentar algumas de suas acusações.

Além disso, observa que Washington ainda não deixou claro quais concessões espera obter do Brasil, o que dificulta o avanço das negociações e aumenta a incerteza sobre os próximos passos da disputa comercial.

Por Isabella Menon/Folhapress

Secretário de Trump diz que Brasil não é um país amigável aos EUA, assim como Cuba e Venezuela

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta terça-feira (2), durante uma audiência no Senado, que o Brasil não faz parte do grupo de nações consideradas amigáveis aos interesses dos EUA no hemisfério ocidental e destaca que o país está "no meio de um ciclo eleitoral".

A declaração ocorre um dia após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) propor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos importados do Brasil e poucos dias depois de Rubio anunciar a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Durante a audiência, Rubio afirmou que o Ocidente conta atualmente com uma coalizão de países alinhados aos Estados Unidos, que trabalham em conjunto não apenas em questões de segurança, mas também na promoção da prosperidade econômica.

O secretário não detalhou quais países integrariam essa coalizão. Neste ano, porém, o governo Donald Trump lançou a iniciativa Escudo das Américas, voltada ao combate ao crime organizado transnacional. Diversos líderes da região foram convidados a participar, mas países considerados desalinhados politicamente de Washington, como Brasil, Colômbia e México, ficaram de fora do encontro.

O Departamento de Estado também promoveu, em Washington, um evento voltado à cooperação em minerais críticos, reunindo governos da região para discutir acordos estratégicos com os EUA.

Ao descrever o cenário político regional, Rubio afirmou que, "com exceção da Nicarágua, de Cuba, obviamente da Venezuela, que ainda enfrenta alguns desafios, e do Brasil, embora esteja no meio de um ciclo eleitoral, e, em certa medida, também do atual governo da Colômbia —ou pelo menos de seu presidente, que tem sido problemático—, de modo geral trata-se agora de uma região repleta de aliados dos Estados Unidos, de líderes amistosos aos Estados Unidos e de uma direção favorável aos interesses americanos".

O secretário acrescentou que Washington precisa transformar esse alinhamento em ações concretas após "20 anos de negligência", período em que, segundo ele, China e outras potências ampliaram sua influência na região, prejudicando não apenas os interesses americanos, mas também os próprios países latino-americanos.

A sugestão de novas tarifas contrastam com a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que criticou a nova proposta contra produtos brasileiros e acusou Rubio de hostilidade à América Latina durante evento também nesta terça-feira.

"Ele é anti-América Latina. É inimigo mortal de Cuba e de vários países latino-americanos", afirmou Lula. O presidente também disse já ter manifestado a Donald Trump a percepção de que o republicano não gosta do Brasil. "Eu já disse ao Trump que ele não gosta do Brasil. Ele não estava na reunião que eu fiz com o Trump", declarou.

Por Isabella Menon, Folhapress

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