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Terremoto atinge sul do Japão e derruba prédios; há mortos em shopping, diz imprensa
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| Foto: Reuters |
Um terremoto de magnitude 7,1 que atingiu a província de Kumamoto, no sul do Japão, nesta terça-feira (28), deixou dezenas de feridos, interrompeu o fornecimento de energia para milhares de casas, danificou estradas e provocou incêndios e desabamentos de edifícios.
Equipes de resgate atuam para retirar um número ainda desconhecido de pessoas de um shopping da rede Aeon, na cidade de Kashima, onde uma explosão ocorreu após o desabamento do segundo andar do prédio. A TV Asahi, citando a polícia, afirmou o incidente deixou mortos, sem especificar a quantidade exata.
De 20 a 30 trabalhadores do centro comercial estão desaparecidos, de acordo com a emissora japonesa NHK, e provavelmente estão presos nos escombros.
Em declaração a jornalistas, a primeira-ministra Sanae Takaichi disse que a extensão das vítimas e dos danos materiais ainda está sendo avaliada. "Já fomos informados de que há pessoas feridas", afirmou.
"Houve cortes no fornecimento de energia e incêndios em algumas áreas, além de danos em estradas e pontes e desabamentos de edifícios." Takaichi também anunciou o envio de 3.600 militares para auxiliar nas operações de resgate, enquanto réplicas do terremoto continuavam sendo registradas na ilha de Kyushu.
O shopping Aeon de Kashima tinha acabado de ser reinaugurado em junho dez anos depois que outro terremoto, em abril de 2016, destruiu o centro comercial. O tremor de Kumamoto de 2016, o mais letal do Japão entre 2011 e 2024, deixou 277 mortos e outros 2.800 feridos no total.
Imagens do desastre desta terça mostraram que uma das laterais do shopping, que abriga cerca de 200 lojas, foi completamente destruída, expondo vigas de aço e espalhando destroços por um estacionamento.
Um hospital na cidade de Hikawa, ao sul de Kumamoto, registrou mais de 50 feridos. A NHK exibiu imagens de edifícios em chamas ou parcialmente destruídos. O terremoto abriu grandes rachaduras em rodovias, provocou o descarrilamento de um trem de carga e paralisou a circulação ferroviária. Passageiros de um trem-bala também ficaram feridos durante o tremor, informou o jornal Nikkei.
Várias pessoas estavam desaparecidas após o desabamento de uma chaminé em uma fábrica da Nippon Paper Industries, informou a NHK.
O aeroporto de Kumamoto fechou a pista, levando ao cancelamento e ao desvio de voos. Segundo a polícia de Kumamoto, até as 17h no horário local, foram confirmados 12 casos de desabamento de casas e 4 casos de pessoas presas dentro de suas residências. Dois incêndios também foram registrados.
A fabricante de chips TSMC, a maior do mundo, evacuou sua fábrica na região por precaução, mas informou mais tarde que não havia perigo e que as operações voltariam à normalidade gradualmente. As fábricas locais da empresa de eletrônicos Sony e da companhia fotográfica Fujifilm também foram evacuadas.
Cerca de 300 mil pessoas receberam ordem para deixar suas casas e seguir para abrigos. A Agência Meteorológica do Japão alertou para o risco de novos tremores fortes ao longo da próxima semana e para a possibilidade de deslizamentos de terra.
O epicentro do terremoto foi localizado cerca de 20 quilômetros ao sul da cidade de Kumamoto, a maior da ilha de Kyushu, com aproximadamente 700 mil habitantes. A agência meteorológica também emitiu inicialmente um alerta de tsunami, mas posteriormente o cancelou.
A concessionária Kyushu Electric Power informou que cerca de 40 mil residências ficaram sem energia. As operadoras KDDI e Docomo relataram interrupções na telefonia móvel devido à falta de energia e a falhas nas redes de transmissão.
A autoridade de regulação nuclear informou que não houve problemas nas usinas nucleares da região.
O Japão está entre os países com maior atividade sísmica do mundo por estar localizado no Anel de Fogo do Pacífico, faixa que concentra intensa atividade tectônica. Cerca de 20% dos terremotos de magnitude 6 ou superior registrados no planeta ocorrem no país.
Em 2016, outro grande terremoto em Kumamoto matou 275 pessoas, deixou 2.739 feridos e danificou milhares de edifícios, incluindo o castelo da cidade, um dos principais pontos turísticos. Segundo a administração do monumento, partes de suas muralhas de pedra voltaram a desabar após o tremor desta terça-feira.
Por Folhapress
Milei lota rede social com críticas a Lula em meio a crise diplomática
Maioria das mensagens menciona atuação de grupo de publicitários ligados ao PT nas eleições da Argentina, em 2023.
O presidente da Argentina, Javier Milei, lotou o seu perfil no X com publicações críticas a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após chamá-lo de ladrão, presidiário e "lixo socialista" durante o lançamento da candidatura de seu aliado, o senador Flávio Bolsonaro (PL), em São Paulo.
A maioria das mensagens compartilhadas pelo mandatário classifica como uma intervenção a atuação de um grupo de publicitários ligados ao PT que reforçou a equipe de campanha de Sergio Massa, adversário de Milei nas eleições de 2023. Na ocasião, o ultraliberal chegou a acusar Lula, sem apresentar provas, de financiar a campanha do peronista, embora houvesse estrategistas de várias outras partes do mundo atuando.
"Sejamos honestos: Lula apoiou a campanha de 2023 contra Milei. Em 2024, ele o rotulou de nacionalista arcaico e o incluiu na lista de líderes fascistas ao lado de Jair Bolsonaro. (...) E agora os brilhantes progressistas argentinos estão arrancando os cabelos por causa do que Javier Milei disse no Brasil?", afirmou Dario Epstein, analista financeiro e aliado do ultraliberal. A publicação foi compartilhada pelo presidente.
Ao longo de 2023, Milei se referiu ao petista como comunista e corrupto, o que causou distanciamento entre os dois. Em junho de 2024, Lula sugeriu que seu homólogo pedisse desculpas, ao que o argentino respondeu que havia coisas mais importantes do que "o ego inflado de algum esquerdinha".
"O duplo padrão da esquerda. A eterna vitimização", diz um perfil chamado El viejo libertario, também compartilhado pelo presidente. "Quando Milei diz algumas verdades inconvenientes para Lula, todos os esquerdistas se ajoelham de indignação. Enquanto os esquerdistas se fizerem de vítimas, só estarão se expondo".
Outro episódio relembrado pelos seguidores de Milei foi a visita de Lula à sua aliada, a ex-presidente Cristina Kirchner, em prisão domiciliar, em julho do ano passado. O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, chamado de "lixo careca" por Milei no sábado, não permitiu que o presidente argentino visitasse Bolsonaro em Brasília, também em prisão domiciliar.
"Lula é um ex-presidiário e, quando veio à Argentina, visitou um antigo companheiro de cela que também estava na prisão", afirmou Lilia Lemoine, deputada e correligionária de Milei. "Seu governo prendeu e humilhou uma cidadã argentina por um gesto obsceno na rua enquanto ela era agredida por homens", continuou, em referência Agostina Páez, que foi presa no Brasil após imitar um macaco durante uma discussão com homens negros no Rio de Janeiro.
Em outra publicação, também compartilhada pelo presidente, uma seguidora mencionou novamente a notícia falsa de que Lula haveria apoiado Massa com "uma equipe e milhões de dólares investidos em fake news contra Milei".
Com a crise, a convivência protocolar que ambos os líderes vinham mantendo ao longo dos últimos dois anos
Após os comentários de sábado, o Itamaraty convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, e o representante de Brasília em Buenos Aires, Julio Bitelli, para prestar esclarecimentos. Já o ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamou Milei de palhaço ao rebater críticas à economia brasileira.
Autoridades argentinas não reagiram especificamente à fala de Durigan, e a assessoria da Casa Rosada não comentou após questionamento da reportagem. Nesta segunda, porém, o chefe de gabinete argentino, Diego Santilli, tentou minimizar os comentários de Milei.
"Que não façam drama. Eles vieram aqui fazer campanha e disseram barbaridades do presidente", afirmou ao LN+, canal do jornal La Nación. "A Argentina tem uma história, uma tradição de relações econômicas entre empresas, no setor privado, que continua se desenvolvendo a todo vapor”.
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Por Daniela Arcanjo/Folhapress
Netanyahu critica Mamdani por discurso e acusa prefeito de NY de fomentar ódio contra judeus
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acusou o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, de fomentar o ódio contra os judeus da cidade. A fala, feita à Fox News, foi uma resposta às ameaças do prefeito de prendê-lo caso fosse a Nova York para participar da reunião da Organização das Nações Unidas (ONU).
Mamdani, nas últimas semanas, ameaçou cumprir o mandado de prisão contra o israelense, expedido pelo Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra. Mamdani depois recuou e admitiu que o município não tinha autoridade para cumprir o mandado, mas pediu que o governo federal o fizesse.
Netanyahu acusou o prefeito de colocar um grupo contra o outro e de impor medo na cidade. "Eu falo com judeus americanos em Nova York, e eles estão com medo agora", disse. O primeiro-ministro responsabilizou Mamdani pelo atentado contra um judeu nova-iorquino, que foi esfaqueado ao sair de uma sinagoga. A culpa seria do prefeito por seu discurso em que pediu que o governo federal americano prendesse Netanyahu por seus crimes de guerra, o que o israelense classificou como discurso de ódio.
"Depois de ele ter feito esse discurso de ódio contra Israel e contra mim, no dia seguinte, um judeu é esfaqueado ao sair de uma sinagoga e com um grito de Allah Akbar", disse o primeiro-ministro.
Por fim, Netanyahu confirmou que irá à ONU. "Eu pretendo ir e falar a verdade, falar por Israel e pela aliança israelo-americana, do púlpito das Nações Unidas."
Por Vinícius Novais, Estadão Conteúdo
Incêndios florestais forçam saída de 330 mil pessoas na França e Espanha
França enfrenta incêndios considerados sem precedentes, e Macron prepara reunião de emergência com ministros. Na Espanha, governo decreta estado de emergência e alerta para 'horas difíceis'.Cerca de 330 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas e locais de hospedagem por causa dos incêndios florestais que atingem a França e a Espanha desde a última quarta-feira (22).
As chamas, alimentadas por altas temperaturas, ventos fortes e seca prolongada, já consumiram dezenas de milhares de hectares e mobilizam milhares de bombeiros e militares nos dois países.
Na França, os incêndios já queimaram 42 mil hectares, em uma das maiores áreas devastadas por fogo no país desde a Segunda Guerra Mundial.
Em mensagem nas redes sociais, o presidente francês, Emmanuel Macron, prometeu reconstruir as áreas devastadas e afirmou que o governo francês permanecerá ao lado das vítimas "pelo tempo que for necessário".
Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez disse que a prioridade é salvar vidas e alertou que o avanço dos incêndios ainda depende da evolução dos ventos. Confira mais informações abaixo:
Situação na França
Na França, o cenário mais crítico é registrado no sudoeste do país, especialmente nos arredores de Gironde e Landes, onde o fogo avança em direção à região de Bordeaux.
Até o momento, julho registra temperaturas máximas médias de 32,2 °C nas regiões atingidas pelos incêndios. Segundo dados do Reuters Climate Monitor, a média está 7,3 °C acima da marca histórica para o mês entre 1961 e 1990.
Na noite de sábado (25), cerca de 55 mil pessoas foram evacuadas de vilarejos ao sul de Bordeaux, na região de Gironde. Com isso, o número de pessoas retiradas do sudoeste da França ultrapassou 220 mil, segundo informações divulgadas pela BBC.
O prefeito de Bordeaux, Thomas Cazenave, afirmou neste domingo (26) que o incêndio estava a cerca de 15 km dos arredores da região metropolitana da cidade e entre 25 km e 30 km do centro, mas descartou, por enquanto, a possibilidade de uma evacuação de Bordeaux.
As chamas já destruíram pelo menos 42 mil hectares — área equivalente a cerca de quatro vezes o território de Paris — e centenas de imóveis.
O governo francês mobilizou milhares de bombeiros, militares e aeronaves, incluindo um avião cargueiro A400M adaptado para lançar retardante de fogo. Ao todo, 1.500 militares foram deslocados para apoiar as saídas forçadas e proteger residências deixadas para trás.
Segundo a BBC, Macron deve convocar uma reunião de emergência com ministros diante da escalada dos incêndios, que já somam cerca de 30 focos ativos em todo o país e são considerados pelo governo uma crise sem precedentes.
"Reconstruiremos, repararemos e estaremos presentes por todo o tempo que for necessário" nas áreas mais afetadas, afirmou o presidente Emmanuel Macron em publicação neste sábado no X.
Na Espanha, os maiores focos estão concentrados nos arredores de Madri, onde incêndios florestais que começaram separadamente acabaram se unindo.
Desde o início da crise, quase 60 mil pessoas já saíram das regiões de Madri e Ávila, enquanto outras 28 mil permanecem confinadas em suas casas, segundo o Ministério do Interior espanhol.
O governo espanhol decretou, pela primeira vez, estado de emergência nacional por causa dos incêndios florestais.
Em visita ao posto de comando em Ávila, na manhã deste domingo (25), o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que a prioridade do governo é preservar vidas.
Apesar de avaliar que a última noite trouxe avanços no controle das chamas, ele alertou que o país ainda enfrenta "horas difíceis" e que a evolução dos ventos segue sendo um fator de preocupação para as equipes de combate ao fogo.
Sánchez também relacionou os incêndios à emergência climática. Segundo ele, Espanha e Portugal vêm sofrendo os efeitos do fenômeno por meio de eventos extremos, como incêndios florestais, tempestades e fortes nevascas.
"Toda a Península Ibérica está sofrendo os efeitos da emergência climática de uma forma muito específica", afirmou em entrevista ao The Guardian.
Por Redação g1
Trump afirma que venezuelanos 'ainda não estão prontos' para eleição e elogia Delcy Rodríguez
Declaração do presidente americano afasta expectativas de normalidade democrática no país sul-americano
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (24) que a Venezuela ainda não está pronta para eleições, afastando as expectativas de uma normalidade democrática após o ataque de Washington a Caracas para prender o ditador Nicolás Maduro, em janeiro.
"Eles ainda não estão prontos para [as eleições], mas muito progresso foi feito", afirmou o republicano a jornalistas na Casa Branca. Em seguida, elogiou a líder interina, Delcy Rodríguez, número dois do regime que assumiu o poder após a deposição do ditador. "Delcy está fazendo um trabalho fantástico, como vocês sabem".
Depois, elogiou a produção de petróleo da Venezuela. "A quantidade de petróleo que está saindo da Venezuela neste momento, mesmo antes de todas as grandes empresas começarem a operar lá... É um território muito fértil", afirmou.
E continuou: "A quantidade de lucro que os venezuelanos estão tendo, muito mais do que jamais tiveram. E estamos pegando bastante também por nossos esforços. O petróleo está sendo enviado para Houston [cidade no Texas, nos EUA] e para [o estado americano de] Louisiana para ser refinado. [Com isso,] já pagamos pela guerra muitas vezes".
Após a intervenção americana, o regime libertou centenas de presos políticos e anunciou o fechamento do Helicóide, centro de tortura que virou símbolo da repressão no país. Apesar disso, outras centenas de pessoas continuam presas sem julgamento justo, de acordo com organizações de direitos humanos, e dezenas foram presas desde então.
Em março, um relatório da missão de investigação da ONU a respeito da Venezuela apontou que "as estruturas institucionais que facilitam as violações dos direitos humanos não foram desmanteladas" no país.
"Não se pode dizer que a Venezuela esteja verdadeiramente no caminho da reforma dos direitos humanos enquanto esse aparato repressivo não for desmantelado", disse na ocasião a advogada Maria Eloisa Quintero, que representava o grupo.
Se houve algo que mudou, foi o aumento do capital dos EUA no petróleo do país, que tem as maiores reservas da commodity no mundo. Desde a queda de Maduro, a americana Chevron, uma das maiores empresas de energia do mundo, ampliou seu investimento na Venezuela.
"Este não é um investimento passageiro ou temporário", afirmou Delcy em abril, quando anunciou novos acordos com a multinacional. "Este acordo nos permitirá avançar de forma significativa na produção, e a receita gerada por essa produção beneficiará diretamente o povo venezuelano", continuou.
A declaração de Trump é mais um balde de água fria na oposição venezuelana, que, de acordo com instituições independentes, foi vítima de uma fraude nas eleições de 2024, que reconduziram Maduro ao poder pela terceira vez.
Após a captura do ditador, a líder opositora María Corina Machado falou em transferir o poder a Edmundo González, seu aliado e provável vencedor do pleito de dois anos atrás, o que foi desencorajado pelo republicano.
"Seria muito difícil para ela, que não tem o suporte ou respeito do povo. Ela é uma mulher muito legal, mas não tem o respeito", disse Trump —que, mesmo assim, recebeu de presente da venezuelana, dias depois, a medalha do Nobel da Paz que ela havia recebido no ano anterior.
A líder opositora, que deixou o país após o aumento da repressão desencadeada pela eleição de 2024, continua tentando articular a oposição à distância. Após os terremotos que atingiram a Venezuela há um mês, ela chegou a planejar seu retorno, mas recuou.
Nesta sexta, ela se manifestou a respeito da tragédia que matou ao menos 5.398 pessoas, de acordo com números oficiais, mas que pode chegar a dezenas de milhares de mortos.
"Hoje é um momento para nos apoiarmos mutuamente, para cuidarmos uns dos outros, porque há algo que nenhuma tragédia pode tirar: nossa capacidade de nos abraçarmos, de nos acompanharmos, de nos reerguermos juntos", escreveu em suas redes sociais.
Na véspera, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que a líder poderia "ter um papel" na reconciliação do país. "Em última análise, para que a Venezuela alcance a reconciliação necessária para avançar, todos os segmentos da sociedade venezuelana precisam estar representados e, obviamente, María Corina Machado representa um elemento importante", disse.
Por Daniela Arcanjo/Folhapress
Governo dos EUA é processado por 24 estados: "Não sairá impune"
O governo norte-americano foi processado na sexta-feira por 24 estados que contestam o condicionamento de financiamento federal, avaliado em bilhões de dólares, ao cumprimento de condições relacionadas com processos eleitorais e imigração.
Apresentado em Rhode Island, o processo contesta as políticas da Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA) e do Departamento de Segurança Interna (DHS), defendendo que o governo está exigindo que os estados alterem seus sistemas eleitorais e auxiliem o DHS na fiscalização da imigração.
As condições permitiriam também que o DHS cancelasse as verbas a qualquer momento e por qualquer motivo.
O procurador-geral de Rhode Island, Peter Neronha, acusou o governo de Donald Trump de "mais uma vez, ameaçar colocar em risco a segurança pública ao reter ilegalmente bilhões em financiamento essencial", prometendo que "mais uma vez, não sairá impune".
"Este governo está usando a segurança dos americanos como garantia, tentando coagir os estados a abrirem mão do seu direito constitucional de promulgar políticas e leis que melhor sirvam aos seus residentes", declarou Neronha.
Os estados argumentam que a imposição de condições ao financiamento aprovado pelo Congresso viola a Lei de Procedimento Administrativo e a cláusula de despesas da Constituição.
O DHS não se pronunciou sobre a ação judicial.
O processo é um dos muitos contra os esforços do governo Trump para coagir os estados, em sua maioria governados por democratas, a se adaptarem às suas prioridades — especialmente medidas de fiscalização da imigração — para terem acesso a fundos federais. A estratégia tem sido utilizada no financiamento para a educação, combate à violência doméstica e até para as rodovias.
Os tribunais têm considerado essa estratégia ilegal e inconstitucional reiteradas vezes. Uma decisão do ano passado impediu o governo de impor condições a outros financiamentos da FEMA, e uma segunda decisão deste ano impediu o governo de redirecionar fundos do DHS de estados que não sejam considerados favoráveis à sua agenda.
O processo mais recente defende que o governo está tentando aplicar algumas das mesmas condições ao financiamento de 2026, da mesma forma que não conseguiu fazer com o financiamento do ano passado.
Entre as exigências contestadas no processo de quinta-feira está a alteração dos sistemas eleitorais por parte dos estados. Eles devem fazer a transição para sistemas de votação em papel, realizar uma auditoria manual dos sistemas de votação, auditar cadastros de eleitores e verificar a cidadania de todos os eleitores registrados nas bases de dados eleitorais do estado.
Se os estados não cumprirem as exigências, correm o risco de perder pelo menos 20% do financiamento do Programa de Concessão de Verbas para a Segurança Interna. Esses fundos são utilizados para financiar medidas de proteção dos cidadãos contra ciberataques e terrorismo.
Desde sua derrota nas eleições presidenciais de 2020 para o democrata Joe Biden, Trump alega, sem provas, que o voto por correio está repleto de fraudes e iniciou uma investigação federal sobre a votação daquele ano.
Auditorias e investigações repetidas, incluindo algumas conduzidas por republicanos, constataram que não houve fraude generalizada em 2020, mas Trump afirmou que pretende "assumir o controle" da administração eleitoral em áreas governadas por democratas.
hora por Notícias ao Minuto Brasil
EUA e Arábia Saudita anunciam acordo nuclear e preocupam Israel por corrida armamentista
Pacto constitui 'parceria multibilionária de várias décadas' que promove objetivos estratégicos, segundo governo Trump
Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (22) um acordo considerado histórico de cooperação nuclear para fins civis com a Arábia Saudita. O secretário de Energia americano, Chris Wright, assinou o pacto e um texto separado sobre salvaguardas, juntamente com o ministro de Energia saudita, o príncipe Abdulaziz bin Salman."Juntos, esses dois acordos estabelecem a base jurídica para uma parceria multibilionária de várias décadas que promove diversos objetivos econômicos e estratégicos prioritários, incluindo a não proliferação nuclear", escreveu o Departamento de Energia dos EUA em comunicado.
O anúncio desperta preocupações em Israel de que a iniciativa possa desencadear uma corrida armamentista no Oriente Médio. Também evidencia como os EUA estão traçando seu próprio caminho na região, independentemente de Tel Aviv.
O acordo, divulgado pela primeira vez na terça, poderá permitir que a Arábia Saudita enriqueça seu próprio combustível para reatores nucleares. A possibilidade surpreendeu muitos em Israel, que mantém um programa nuclear militar não declarado.
Embora a Arábia Saudita venha há muito tempo pressionando os EUA por acesso à tecnologia nuclear, o governo de Joe Biden havia condicionado isso, em parte, à disposição saudita de estabelecer relações diplomáticas com Israel —um dos principais objetivos do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu.
Em vez disso, o presidente Donald Trump fechou um acordo com os sauditas que parece ignorar Israel por completo. Analistas afirmam que a medida também pode encorajar outros países —incluindo a Turquia, que tem manifestado cada vez mais divergências com Israel— a desenvolver os seus programas de enriquecimento nuclear.
O pacto, com duração prevista de 30 anos, é avaliado em dezenas de bilhões de dólares e dá a empresas americanas papel central no desenvolvimento da infraestrutura nuclear saudita, deixando de fora concorrentes estrangeiros de Rússia e China.
A ideia, segundo autoridades do governo Trump ouvidas sob anonimato, é garantir que qualquer enriquecimento ocorra sob supervisão americana em um arranjo que impediria a transferência de tecnologia sensível a Riad e reduziria o risco de desvio do material para fins militares.
Figuras da oposição israelense e ex-autoridades afirmaram que esse é o mais recente sinal de como a influência de seu país em Washington se deteriorou. Netanyahu pressionou Trump para que lançassem juntos um conflito contra o Irã, o que tem sido impopular nos EUA. O republicano chegou a chamar o premiê de louco por sua busca agressiva pela guerra no Líbano contra o Hezbollah, aliado iraniano.
O presidente excluiu o líder israelense das negociações com o Irã para encerrar a guerra. Ele também persuadiu Netanyahu a conter a retaliação a um grande ataque iraniano no mês passado, temendo que uma ofensiva pudesse prejudicar as negociações de paz.
Netanyahu não havia comentado o acordo nuclear entre os EUA e a Arábia Saudita. Pelo menos um ministro do governo israelense procurou acalmar a preocupação pública, argumentando que o país poderia conviver com um programa nuclear saudita para fins civis.
"Se eles querem isso para fins pacíficos, para necessidades energéticas, podemos lidar com isso", disse Nir Barkat, ministro da Economia de Israel, em entrevista nesta quarta.
Ele acrescentou que a normalização das relações com a Arábia Saudita "ainda está em pauta" e que Netanyahu e Trump não tomariam medidas que colocassem Tel Aviv em risco.
Israel desfruta há anos de um monopólio sobre armas nucleares na região, embora nunca tenha admitido possuir uma bomba.
O Irã, arquirrival de Israel na região, possui um programa nuclear que Tel Aviv e Washington há muito consideram uma ameaça à segurança nacional, o que inclusive abriu caminho para a guerra em curso.
Líderes da oposição israelense descreveram o acordo entre os EUA e a Arábia Saudita como uma ameaça. Naftali Bennett, ex-primeiro-ministro, afirmou que "o enriquecimento de material nuclear em território saudita poderia desencadear uma corrida nuclear na região, levando a um colapso total".
"Todo programa nuclear militar começa com um programa civil", disse Avigdor Liberman, ex-ministro da Defesa de Israel, pedindo que Tel Aviv exerça pressão sobre o Congresso americano para que rejeite o acordo.
Pessoas do governo Trump ouvidas pela agência Reuters afirmam que o projeto deverá ser votado pelos parlamentares nos próximos dias.
Um acordo nuclear anterior dos EUA, com os Emirados Árabes Unidos, impôs inspeções mais rigorosas e não permitiu que o país enriquecesse seu próprio urânio, limitando seu caminho para a fabricação de uma bomba.
O acordo com a Arábia Saudita parece ser diferente e poderá permitir que o país enriqueça seu próprio combustível, disseram autoridades americanas ouvidas sob anonimato.
Para Israel, muito depende de o acordo conter salvaguardas que possam impedir a Arábia Saudita de usar suas capacidades nucleares para fins militares, disse Michael Herzog, que atuou como embaixador israelense em Washington durante o governo Biden.
Na época, autoridades israelenses discutiram restrições ao programa nuclear saudita como parte de um grande acordo sobre a normalização das relações, acrescentou ele, sem dar mais detalhes.
"O fato de não estar vinculado à normalização nem de não estar claro quais medidas de proteção estão em vigor para impedir que a Arábia Saudita se lance em um programa militar: ambos são motivos de preocupação em Israel", disse Herzog, agora pesquisador do Instituto de Washington para a Política do Oriente Próximo.
Como parte do acordo nuclear previsto pelo governo Biden, os EUA teriam firmado um tratado formal de defesa com a Arábia Saudita. Autoridades americanas também haviam buscado concessões de Israel aos palestinos —embora muito aquém de um Estado independente— em troca da normalização.
Essas esperanças diminuíram após o ataque liderado pelo Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023 e a guerra subsequente na Faixa de Gaza. O clima político em Israel tornou-se hostil à ideia de fazer concessões aos palestinos, enquanto a campanha israelense em Gaza motivou críticas na Arábia Saudita.
"Um acordo nuclear com os EUA deveria ser uma das maiores ‘iscas’" para que a Arábia Saudita estabelecesse laços com Israel, disse Michael Koplow, analista político do Israel Policy Forum, um instituto de pesquisa em Nova York. Na visão de Tel Aviv, "agora Trump deu isso a eles de graça", afirmou ele.
Por Folhapress
Ortega, que governa Nicarágua há quase 20 anos, diz que 'não haverá mais eleições' no país
Sem entrar em detalhes, ditador diz que trabalhará com a Assembleia para construir 'um bloqueio contra os golpistas'
O ditador Daniel Ortega reapareceu em uma cerimônia de celebração da Revolução Sandinista neste domingo (19), após mais um período de ausência pública, para afirmar que "não haverá mais eleições" na Nicarágua, país que governa há quase 20 anos.
"Esqueçam! Não haverá mais eleições aqui para que eles possam tentar tomar o governo, tomar o poder", afirmou, em referência ao que chama de "partidos políticos criados pelos ianques".
A estratégia, disse, sem entrar em detalhes, será impor limites aos partidos políticos. Para isso, trabalhará com a Assembleia Nacional, dominada por aliados, "para que ergam um muro, um bloqueio contra os golpistas, os traidores".
"A história de partidos instalados pelos ianques, instalados pelo regime de Somoza, chegando ao poder, acabou. [...] Não importa quanto dinheiro os ianques deem, eles não conseguirão", afirmou, em referência ao ditador Anastasio Somoza Debayle, derrotado pela revolução da qual participou em 1979 antes de se tornar ele mesmo um líder autoritário.
Na prática, a ausência de eleições não seria uma grande mudança. Fraudes nas votações são denunciadas desde 2008, e o último pleito presidencial, em 2021, ocorreu após todos os opositores com chances de derrotar Ortega serem presos. Atualmente, aliás, grande parte dos críticos do regime nem sequer está no país ou tem nacionalidade nicaraguense —uma punição por serem considerados "traidores da pátria".
Mesmo assim, a declaração representa uma nova escalada autoritária, aproximando ainda mais o país de regimes sem eleições, caso de Cuba ou da Coreia do Norte. A ameaça ocorre no momento em que o governo de Donald Trump aumenta seu poder de influência na América Latina.
A última medida dos Estados Unidos contra o regime de Ortega foi anunciada no início de junho: uma restrição de vistos a mais de cem autoridades nicaraguenses dias após a morte sob custódia do líder indígena Brooklyn Rivera. O ativista estava preso desde setembro de 2023.
"Os EUA estão ao lado do povo nicaraguense que, assim como Rivera, aspira a ver uma Nicarágua livre", afirmou Marco Rubio, secretário de Estado americano, na ocasião.
Nos últimos meses, Ortega viu o ditador Nicolás Maduro ser detido após um ataque dos EUA à Venezuela e Cuba ser estrangulada com um bloqueio de combustível, mas passou praticamente ileso por Trump, que parece ter outras prioridades na região.
Ainda não está claro se a declaração de domingo pode mudar esse cenário. As promessas que o ditador faz em seus discursos costumam orientar a aparelhada Assembleia Nacional da Nicarágua —foi assim com a reforma constitucional que deu à sua mulher e vice, Rosario Murillo, o cargo de copresidente.
A mudança, que entrou em vigor em 2025, também estendeu o mandato presidencial de cinco para seis anos e determinou que os dois líderes seriam responsáveis por supervisionar órgãos do Legislativo e do Judiciário, administrações regionais e municipais, e mecanismos de controle e fiscalização (incluindo os relativos às eleições), antes considerados independentes.
Dar o mesmo poder para ambos parece ser uma forma de manter a família de Ortega no poder. Os seguidos períodos de ausência do ditador de 80 anos costumam ser creditados à sua saúde frágil —antes da aparição deste domingo, ele havia sumido por 61 dias, de acordo com a imprensa local.
Por Daniela Arcanjo/Folhapress
Entre avanço da esquerda e desgaste de Trump, democratas buscam caminho em eleições nos EUA
As primeiras eleições primárias para as disputas legislativas nos Estados Unidos começam a delinear o cenário das midterms, mas ainda oferecem sinais mistos sobre a capacidade dos partidos de converter esse desempenho em vitórias em novembro, avaliam cientistas políticos ouvidos pela Folha.
Se, por um lado, candidatos mais progressistas têm obtido vitórias importantes em parte das disputas democratas, por outro, especialistas afirmam que o principal fator que hoje favorece o partido é o desgaste do governo Donald Trump —e não necessariamente uma agenda unificada da oposição.
As eleições ocorrem em um momento em que o presidente voltou a questionar, sem apresentar provas, a confiabilidade do sistema eleitoral americano. Ele pressiona o Congresso a aprovar o Save America Act, projeto que exige documento com foto e comprovante de cidadania para registro eleitoral, além de ampliar o compartilhamento de dados entre os estados e o governo federal.
Críticos afirmam que a fraude eleitoral é extremamente rara e que a proposta poderá restringir votos legítimos.
Historicamente, as eleições de meio de mandato costumam favorecer o partido de oposição ao presidente. Segundo reportagem do New York Times, os democratas aparecem como favoritos para retomar o controle da Câmara dos Representantes. Já o Senado segue em aberto, já que o partido precisaria vencer ao menos dois estados conquistados por Trump por ampla margem.
O avanço da ala mais à esquerda nas primárias também passou a ocupar o centro da estratégia eleitoral de Trump. Levantamento da Reuters mostra que o presidente intensificou nas últimas semanas o uso de discursos que associam adversários ao comunismo após vitórias de candidatos progressistas, especialmente em Nova York.
Segundo a agência, integrantes da equipe republicana avaliam que a retórica mobiliza fortemente a base de Trump e pode aumentar a participação de eleitores republicanos menos frequentes nas urnas, embora tenha desempenho mais limitado entre independentes e jovens.
A estratégia também busca deslocar o foco do debate sobre inflação e custo de vida para retratar os democratas como um partido dominado pela esquerda mais radical.
Os independentes devem ter peso ainda maior neste ciclo. Pesquisa da CNN mostra que 47% dos americanos não se identificam com nenhum dos dois principais partidos, o maior percentual em mais de uma década.
Para Jonathan Hanson, professor de ciência política da Universidade de Michigan, as primárias mostram que o Partido Republicano segue amplamente alinhado ao presidente. "Na maior parte, os candidatos apoiados por Trump estão vencendo ou, no mínimo, fazem campanha defendendo sua agenda. Ninguém está realmente concorrendo contra a ala trumpista do partido neste momento", afirma.
Entre os democratas, Hanson vê uma disputa entre moderados e progressistas. "Estamos vendo candidatos progressistas derrotarem nomes mais moderados ou ligados ao establishment. Em alguns casos, até parlamentares que já ocupavam o cargo estão perdendo."
Robert Shapiro, professor da Universidade Columbia, pondera que ainda é cedo para interpretar esses resultados como uma tendência nacional. Para ele, o comparecimento nas primárias ainda não permite concluir que exista um entusiasmo generalizado do eleitorado democrata.
Ele cita o Colorado como exemplo. Na avaliação do professor, o avanço da esquerda no estado pode ser mais relevante do que o observado em Nova York —onde nomes apoiados pelo prefeito Zohran Mamdani tiveram bom desempenho— justamente por refletir menos as características específicas da política nova-iorquina.
Ao mesmo tempo, Shapiro afirma que esse avanço fortalece um dos principais argumentos republicanos para novembro. "Isso aumenta a percepção de que o Partido Democrata está muito à esquerda e desconectado dos eleitores comuns. É exatamente isso que os republicanos tentarão enfatizar."
Apesar das disputas internas entre moderados e progressistas, os dois especialistas concordam que o principal fator para a oposição continua sendo a avaliação do governo Trump.
Hanson diz estar "razoavelmente otimista" quanto às chances democratas, mas ressalta que isso decorre principalmente da baixa popularidade do presidente devido a inflação, custo de vida, mercado de trabalho e a guerra contra o Irã. "Os números de aprovação de Trump estão muito ruins."
Shapiro faz avaliação semelhante e afirma que o conflito com o Irã pode produzir efeito parecido ao da Guerra do Iraque em 2006, quando os republicanos sofreram forte derrota nas midterms.
Mesmo assim, Hanson afirma que os democratas ainda têm dificuldade para apresentar uma agenda clara ao eleitor. "Uma coisa é dizer: 'Nós somos a oposição, votem em nós porque vocês não gostam de quem está governando'. Outra é dizer: 'Votem em nós e é isso que vamos fazer'. Os democratas ainda não fizeram um bom trabalho ao definir claramente essa agenda."
No Maine, a desistência do candidato democrata ao senado Graham Platner após acusações de agressão sexual embaralhou uma das disputas consideradas mais promissoras para o partido. Hanson avalia que a republicana Susan Collins continua vulnerável, mas resta saber, diz, se os democratas conseguirão lançar outro nome competitivo a tempo.
Shapiro vê o episódio com mais cautela. Para ele, embora a desistência de Platner represente um desafio, também pode abrir espaço para um candidato considerado mais moderado e em melhores condições de derrotar Collins.
Para o professor de Columbia, o Senado continuará sendo o principal desafio democrata, enquanto a Câmara apresenta um cenário mais favorável porque o partido precisa conquistar poucas cadeiras para retomar a maioria.
"O mau desempenho percebido da administração Trump deve levar os democratas a conquistar cadeiras suficientes para assumir o controle da Câmara. Não espero uma maioria muito grande, mas provavelmente será suficiente para fazer diferença."
Por Isabella Menon/Folhapress
Número de mortos em terremotos na Venezuela ultrapassa 5.000
Ao menos 5.069 pessoas morreram, segundo balanço divulgado pela ditadura nesta sexta-feira (17)
O número de mortos nos terremotos que atingiram a Venezuela no mês passado passou de 5.000, segundo um balanço divulgado pela ditadura venezuelana nesta sexta-feira (17).
Ao menos 5.069 pessoas morreram nos letais tremores, de magnitude 7,2 e 7,5, que atingiram o norte do país, especialmente La Guaira, estado vizinho à capital, Caracas. O novo boletim foi divulgado pelo presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, irmão da líder interina do país, Delcy Rodríguez.
Segundo o balanço, o número de feridos permaneceu inalterado, em 16.740, e 17.907 pessoas continuam desabrigadas.
A ditadura venezuelana evita falar em desaparecidos, mas, segundo a ONU, esse número pode chegar a 50 mil, no que já é considerado um dos piores terremotos ocorridos na América Latina. O desastre afetou mais de 800 edifícios, dos quais 190 desabaram.
Em La Guaira, os desabrigados se instalaram em estádios, quadras, praças e até mesmo em calçadas, onde voluntários prestam atendimento médico e doam alimentos.
A resposta do regime ao desastre vem sendo alvo de críticas de parte da população, que considera lentas as ações de emergência. Delcy rejeitou tais afirmações e disse, sem provas, que "laboratórios midiáticos" tentam prejudicar o trabalho das equipes de emergência.
Ela assumiu a liderança da Venezuela depois da captura do ditador Nicolás Maduro em janeiro durante uma operação dos Estados Unidos.
Nesta semana, Jorge Rodríguez anunciou que o regime iniciará, em agosto, uma mesa de trabalho com setores da oposição, incluindo a exilada Dinorah Figuera, para um plano de "fortalecimento da democracia".
O governo de Donald Trump afirmou em nota que a movimentação reflete o compromisso da Venezuela "de fortalecer as instituições democráticas, aprimorar o sistema eleitoral e restaurar as garantias para a participação política". Os EUA também disseram, no mesmo comunicado, que vão continuar apoiando o país "rumo a uma transição eleitoral pacífica.
Por Folhapress
Parlamento de Portugal aprova proibição de burca em público, e críticos à lei apontam xenofobia
Críticos dizem que proposta da ultradireita aprovada com apoio do governo é xenófoba
No final do ano passado, em campanha pela presidência da Câmara Municipal de Sintra, cargo que em Portugal equivale ao de prefeito, a candidata Rita Matias escreveu numa rede social: "Não queremos mais ver mulheres a desfilar de hijabs por Sintra". Ela se referia ao véu que as muçulmanas usam para cobrir a cabeça e o pescoço. Matias concorria pelo Chega, partido que representa a ultradireita em Portugal.
A candidata perdeu a eleição no maior município da Área Metropolitana de Lisboa, mas sua bravata xenófoba ecoou no debate público. Nesta sexta-feira (17), a Assembleia da República Portuguesa aprovou aquela que ficou conhecida como a "Lei das Burcas".
O texto proíbe "a utilização, em espaços públicos, de roupas destinadas a ocultar ou a obstaculizar a exibição do rosto". A proposta foi apresentada pelo Chega e aprovada com os votos da Aliança Democrática, coligação chefiada pelo primeiro-ministro Luís Montenegro, e pelo partido da direita moderada Iniciativa Liberal.
"É um grande retrocesso em termos de direitos das mulheres, que estão sempre na balança", diz a advogada brasileira Érica Acosta, especialista em direito migratório. "Mas é também uma forma de institucionalizar a xenofobia, que deixou de ficar apenas nos discursos para virar lei".
O texto aprovado evita menções a questões religiosas, presentes nas intervenções dos deputados do Chega no Parlamento. "A finalidade inicial da ‘Lei das Burcas’ era essa. Discursos que buscam justificar o texto usando razões de segurança pública são apenas uma cortina de fumaça para uma islamofobia crescente, que atinge especialmente as mulheres", diz a advogada Acosta, que vive e atua em Portugal.
Ela cita pareceres da Ordem dos Advogados de Portugal, da Associação Portuguesa das Mulheres Juristas e do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público. As três entidades consideram a nova legislação inconstitucional.
De acordo com esses pareceres, a "Lei das Burcas" fere o artigo 41 da Constituição portuguesa, que versa sobre liberdade religiosa, e o artigo 21, que garante o direito à identidade pessoal.
Para o advogado Wilson Bicalho, tais pareceres podem influenciar a decisão do presidente António José Seguro, a quem cabe vetar ou sancionar a nova legislação. "Embora não cite burcas nem hijabs, sabemos que a nova lei foi criada por questões religiosas. Além disso, proibir as pessoas de se vestir do jeito que querem é um grande atentado à liberdade individual".
Para Bicalho, a lei tem um significado sobretudo político, independentemente de ser vetada ou não. "É importante para o Chega marcar posição junto a seu eleitorado, e o partido do governo embarcou junto em busca desse mesmo eleitor", diz o especialista brasileiro em direito migratório.
"No meu ponto de vista, a sigla do primeiro-ministro Luís Montenegro comete um erro ao se afastar da história do partido, que sempre teve uma atuação à direita, mas longe de medidas extremas".
Na mesma sessão, a Assembleia da República aprovou duas leis que dificultam a vida dos estrangeiros que vivem em Portugal e buscam regularizar sua situação. Uma delas impede que imigrantes que frequentam cursos profissionalizantes recebam Autorização de Residência.
Não foi uma surpresa. A referida lei já havia sido aprovada no Conselho de Ministros no mês passado, e havia um acordo prévio entre a direita e a ultradireita para homologá-la no Legislativo.
Na mesma situação estava uma lei que proíbe que pais de crianças menores de idade matriculadas em escolas obtenham Autorização de Residência. Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo quando da aprovação no Conselho de Ministros, o advogado Bicalho disse que tal lei também pode ser considerada inconstitucional por ferir o direito à integridade familiar.
Além de vetar ou sancionar as novas leis, o presidente Seguro pode devolvê-las à Assembleia da República para que artigos considerados inconstitucionais sejam reescritos.
Em dezembro do ano passado, Marcelo Rebelo de Sousa, seu antecessor no cargo, usou dessa prerrogativa ao questionar vários pontos de um pacote que ficou conhecido como "Lei dos Estrangeiros" —e que igualmente dificultava a vida dos imigrantes que vivem em Portugal.Por João Gabriel de Lima/Folhapress
Donald Trump anuncia medidas para restringir duração de vistos para jornalistas e estudantes
Medida entra em vigor 60 dias após publicação no Registro Federal, mas está sujeita à revisão do Congresso
Foto: Reprodução/Instagra
O governo de Donald Trump anunciou nesta quinta-feira (16) medidas para restringir a duração dos vistos concedidos a estudantes estrangeiros, participantes de programas de intercâmbio cultural e jornalistas.
Pela nova regra do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês), os vistos F, destinados a estudantes internacionais; os vistos J, que permitem que participantes de programas de intercâmbio cultural trabalhem nos EUA; e os vistos I, concedidos a profissionais da imprensa, passarão a ter prazo fixo de validade.
Hoje, esses documentos permanecem válidos durante toda a duração do curso, do programa de intercâmbio ou do vínculo empregatício. Pela nova regulamentação, a validade dos vistos de estudante e de intercâmbio será limitada a, no máximo, quatro anos.
Já os vistos para jornalistas —que atualmente podem permanecer válidos por vários anos— terão duração de até 240 dias ou, no caso de cidadãos chineses, de até 90 dias.
Pela nova regra, quem desejar permanecer no país após o término desse período terá de solicitar uma prorrogação ao DHS ou deixar os EUA e pedir uma nova admissão ao retornar.
As novas regras proíbem estudantes de pós-graduação de alterar seus "objetivos educacionais" em qualquer momento do curso ou de realizarem transferência para outra instituição de ensino sem autorização.
Além disso, reduzem de 60 para 30 dias o prazo que os estudantes têm para deixar os EUA após concluírem seus estudos. David J. Bier, diretor de estudos sobre imigração do Instituto Cato, afirmou que não há base legal para as restrições relativas aos estudos e às transferências entre instituições previstas na nova regulamentação.
"Estudantes internacionais, muitos dos quais terão passado anos nos EUA, agora terão apenas 30 dias para encontrar um empregador disposto a contratá-los ou serão imediatamente transformados em imigrantes ilegais. Essas pessoas não têm nenhuma compreensão de como a vida funciona?", questionou.
A medida entrará em vigor 60 dias após sua publicação no Registro Federal, sujeita à revisão do Congresso.
Trump, do Partido Republicano, iniciou uma ampla ofensiva contra a imigração desde que retornou à Casa Branca em janeiro de 2025. A medida mais recente cria novos obstáculos para estudantes e jornalistas estrangeiros.
O governo justificou a medida afirmando que houve um aumento expressivo no número de documentos emitidos. Segundo o órgão, foram registradas mais de 1,8 milhão de admissões com vistos de estudante em 2024, um aumento superior a 11% em relação ao ano anterior.
A Casa Branca também informou que os EUA concederam vistos a mais de 500 mil participantes de programas de intercâmbio e a 37.300 profissionais da imprensa no ano fiscal de 2024, iniciado em 1º de outubro de 2023.
De acordo com o DHS, o crescimento significativo no número desses visitantes "representa um desafio para a capacidade do departamento de monitorar e supervisionar" essas pessoas no país.
O órgão afirmou ainda que possui diversos exemplos de estudantes e participantes de programas de intercâmbio que permaneceram no país por décadas utilizando esses vistos.
A administração Trump também intensificou o escrutínio sobre a imigração legal, revogando vistos de estudantes e cartões de residência permanente de universitários em razão de suas posições ideológicas, além de retirar o status legal de centenas de milhares de imigrantes.
Por Folhapress
De virada, Argentina vence a Inglaterra e enfrenta a Espanha na final da Copa do Mundo
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| Foto: Reprodução/Instagram/@afaseleccion |
Lautaro Martínez saiu do banco de reservas para selar a grande virada da Argentina sobre a Inglaterra por 2 a 1 na semifinal da Copa do Mundo de 2026, nesta quarta-feira (15), no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, nos Estados Unidos. Todos os gols saíram no segundo tempo: Gordon abriu o placar para os ingleses, mas a seleção sul-americana buscou uma reação espetacular na reta final do confronto.
O futebol bem jogado foi um detalhe na primeira etapa do aguardado duelo desta tarde. A primeira finalização, sem grande perigo, saiu apenas aos 32 minutos, em um cabeceio para fora do zagueiro Stones, da Inglaterra, após cobrança de falta na área.
Aliás, se faltou emoção com a bola rolando, e até acréscimos, com apenas três minutos concedidos , sobrou rispidez nas divididas. Foram sete faltas cometidas pelos ingleses e 12 pelos argentinos. O árbitro Ismail Elfath, contudo, segurou os cartões, aplicando apenas dois amarelos: um para Elliot Anderson, por falta em Messi, e outro para Lisandro Martínez, por parar Morgan Rogers com falta. O primeiro tempo terminou sem nenhum chute no alvo e com apenas três tentativas de finalização no total (duas da Argentina e uma da Inglaterra).
Toda a emoção reservada para os 45 minutos finais da partida acabou definindo os rumos das duas seleções no Mundial de forma dramática.
Análise: Trump e Irã levam economia global à beira do precipício
EUA anunciam novo bloqueio a portos iranianos enquanto tráfego no estreito cai 50% em uma semana, elevando preços do petróleo
Os Estados Unidos voltaram a atacar o Irã na noite de segunda-feira (13) com o anúncio de um novo bloqueio a portos iranianos. O presidente americano, Donald Trump, ameaçou cobrar uma taxa de 20% sobre o valor da carga de navios que os EUA ajudarem a cruzar o Estreito de Ormuz, acirando ainda mais a disputa pelo controle da passagem estratégica.
A declaração foi feita por Trump nas redes sociais, em que afirmou que os Estados Unidos seriam os "guardiões" do estreito. A CNN questionou o Comando Central dos EUA sobre como funcionaria a cobrança, e um porta-voz respondeu que perguntas sobre possíveis taxas deveriam ser direcionadas à Casa Branca.
Disputa pelo controle do estreito
Estados Unidos e Irã travam uma intensa disputa há uma semana sobre quem, de fato, exerce poder sobre o Estreito de Ormuz. Navios comerciais que tentam atravessar a passagem por uma rota próxima a Omã, apoiada por Washington e sem coordenação com autoridades marítimas iranianas, relatam ataques.
Militares americanos têm realizado operações praticamente diárias contra alvos ao longo da costa sul do Irã, sob a justificativa de reduzir a capacidade de Teerã de interromper o tráfego marítimo.
Do lado iraniano, o ministro das relações exteriores Abbas Araghchi afirmou que o Irã "sempre será o guardião do Estreito" e sugeriu que Teerã, ao propor oficializar um regime de taxas e licenças na passagem, seria mais justa do que Washington.
O analista de Internacional da CNN Lourival Sant'Anna destacou que a proposta de Trump não tem respaldo: "A comunidade internacional não aceita, não importa quem vai cobrar, se é o Irã, se são os Estados Unidos. A lei internacional não permite isso."
Para Lourival, a declaração foi voltada ao público interno americano, "para dar a impressão de que ele está zelando pelos interesses americanos".
Impacto econômico e queda no tráfego
As incertezas geradas pelo conflito já se refletem nos mercados globais. O preço do barril de petróleo tipo Brent subiu quase 10% na segunda-feira (13), a maior alta desde o início de abril. Dados de empresas de rastreamento como Kepler e Marine Traffic indicam que o tráfego de embarcações no estreito caiu cerca de 50% em uma semana.
O economista e professor sobre Oriente Médio Najad Khouri ressaltou a importância estratégica do estreito para o Irã: "As guardas revolucionárias descobriram que o Estreito de Ormuz é muito mais importante para a revolução do que o acordo nuclear, pois por meio dele podem controlar o tráfego de energia mundial e provar que têm força contra os Estados Unidos."
Khouri também apontou uma divisão interna no Irã, com as guardas revolucionárias agindo de forma independente em relação à ala política que negociou o memorando de entendimento.
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