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Piloto esfaqueou comandante e tentou derrubar avião que ia a Israel, diz Netanyahu; ministros falam em ataque terrorista

Aeronave da Flydubai com destino a Tel Aviv mudou de rota e pousou na Arábia Saudita após confronto na cabine

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Arquivo

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou nesta quarta-feira (30) que um dos pilotos de um voo da Flydubai de Dubai para Tel Aviv esfaqueou o outro e tentou derrubar o avião com todos os passageiros a bordo. O episódio, tratado como um possível ataque terrorista, obrigou a aeronave a desviar para a Arábia Saudita.

A Flydubai informou que outros pilotos da companhia que estavam a bordo assumiram o controle da aeronave, desviaram a rota e realizaram o pouso em segurança no aeroporto de Tabuk. Netanyahu destacou que os viajantes foram "heróis" por ajudarem a imobilizar o copiloto. "Eles salvaram muitas vidas. Evitaram uma grande tragédia", afirmou.

De acordo com a agência Reuters, que ouviu autoridades israelenses sob condição de anonimato, o copiloto teria esfaqueado o comandante antes de a tripulação entrar na cabine de comando. Uma das autoridades identificou o suposto agressor como cidadão de Omã. Netanyahu afirmou que o homem foi preso e interrogado pelas autoridades sauditas e informou que o piloto atacado é indiano e se chama Smit Machchhar.

Mais cedo, o ministro da Segurança Nacional, o extremista Itamar Ben-Gir, havia classificado o episódio como uma tentativa de ataque terrorista. Israel Katz, à frente da pasta da Defesa, também afirmou que foi uma ação terrorista.

O premiê, contudo, não usou essas palavras em seu pronunciamento. Apesar disso, Netanyahu disse que o governo está se preparando para outras "potenciais ameaças" e ordenou às autoridades que reforcem a segurança tanto das companhias aéreas israelenses quanto das estrangeiras. Segundo o gabinete do premiê, Israel deverá reforçar as verificações de segurança dos pilotos que voam para o país.

O Ministério das Relações Exteriores israelense ainda acrescentou que o incidente foi um ataque destinado a minar as relações entre Israel e a Arábia Saudita.

O diretor-geral do órgão, Eden Bar Tal, informou a "todos os embaixadores e chefes de representação israelenses ao redor do mundo que se trata de uma tentativa de atentado terrorista contra os israelenses, os Emirados Árabes Unidos e os Acordos de Abraão", segundo um comunicado, em referência aos tratados assinados em 2020 com mediação dos Estados Unidos.

A empresa Flydubai, por sua vez, afirmou que, nesta fase inicial, as razões e motivações do incidente são desconhecidas e serão objeto de uma investigação. A Autoridade Geral de Aviação Civil dos Emirados Árabes Unidos informou que as equipes de investigação continuam trabalhando para determinar as causas e as circunstâncias do incidente.

A companhia opera diariamente voos de ida e volta entre Dubai e Tel Aviv, uma rota popular entre cidadãos israelenses. O trajeto normalmente atravessa o espaço aéreo da Arábia Saudita e da Jordânia. Dos 172 passageiros a bordo, cerca de 169 eram israelenses, disse à Reuters o embaixador Daniel Meron, da missão permanente de Israel em Genebra.

Em um vídeo gravado dentro do voo, um passageiro israelense narra que um dos pilotos ficou gravemente ferido e o outro sofreu ferimentos leves depois que um deles foi esfaqueado. As imagens mostram diversos passageiros com roupas ensanguentadas.

Yasmin Abukasis, mãe de uma das passageiras, disse que sua filha Miriam lhe contou ter ouvido gritos e visto um homem com uma faca forçar um dos pilotos contra o chão, e que havia sangue por toda parte.

O voo FZ1073, da Flydubai, partiu de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, com destino a Tel Aviv e foi desviado para a Arábia Saudita enquanto sobrevoava o espaço aéreo da Jordânia. Segundo o site de monitoramento aéreo FlightRadar24, a aeronave emitiu primeiro um sinal geral de emergência e, depois, outro que indicava possível interferência ilícita.

Dados de rastreamento mostram que o Boeing 737 perdeu quase 14 mil pés (4.267 metros) de altitude em menos de 30 segundos antes do primeiro alerta. O avião voltou a emitir o sinal geral de emergência antes de pousar com segurança no aeroporto de Tabuk.

Os passageiros conseguiram pousar em Israel, em outro voo da empresa, no começo da tarde (horário de Brasília), após aguardarem por oito horas no aeroporto saudita. Netanyahu foi até o aeroporto receber o grupo e conversar com alguns dos passageiros. Familiares lotaram a área de desembarque segurando bandeiras de Israel.

A Arábia Saudita, que não mantém relações diplomáticas com Israel, rejeitou pedido de Tel Aviv para que aviões militares israelenses pudessem repatriar os passageiros, segundo duas fontes de segurança. O gabinete de imprensa da monarquia saudita não comentou o caso.

Os pilotos são submetidos a rigorosas verificações de segurança, especialmente desde os ataques de 11 de setembro em Nova York, há 25 anos, disseram especialistas à Reuters. Cada país e cada companhia aérea é responsável pela implementação dos padrões de triagem e segurança estabelecidos pela Organização da Aviação Civil Internacional, mas há flexibilidade na forma como essas normas são interpretadas.

O incidente com o avião aumenta os temores de segurança em Israel semanas antes das primeiras eleições desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, com a segurança de Israel desempenhando um papel importante na campanha.

Israel e Emirados Árabes Unidos ampliaram a cooperação nas áreas de segurança, defesa e economia desde o estabelecimento de relações diplomáticas, em 2020. No início deste ano, Israel forneceu ao país sistemas de defesa aérea Domo de Ferro e pessoal israelense para operá-los, ajudando na defesa contra ataques iranianos lançados em retaliação a ofensivas de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.
Por Folhapress

VÍDEO: Ministro de Israel diz que houve tentativa de ataque terrorista em voo desviado à Arábia Saudita quarta-feira, Por Redação

Autoridades israelenses afirmaram nesta quarta-feira que o incidente envolvendo o piloto e o copiloto de um voo da companhia aérea Flydubai, que fazia a rota Dubai-Tel Aviv com 150 passageiros a bordo e precisou ser desviado para a Arábia Saudita após emitir um sinal de alerta, está sendo investigado como um possível ato terrorista, após relatos de uma disputa pelo controle do avião. Caças das Forças Aéreas israelense e saudita decolaram para a região, por suspeita de que a aeronave tivesse sido sequestrada.

O caso ainda está sob investigação e os detalhes estão sendo apurados, mas relatos de passageiros que estavam no voo apontam que o copiloto teria esfaqueado o piloto e tentado assumir o controle da aeronave. Imagens gravadas no interior do voo mostram passageiros e tripulantes tentando estancar o sangramento do comandante, e um suspeito amarrado, também ferido. De acordo com autoridades sauditas no aeroporto de Tabuk, no noroeste saudita, ambos foram socorridos após o pouso.

Confira:

Rússia faz rara ameaça nuclear explícita contra a Europa quarta-feira,

A Rússia fez uma rara ameaça explícita de emprego de armas nucleares contra países europeus da aliança militar Otan, e disse nesta quarta-feira (30) que o aviso é um lembrete aos "cabeças quentes" do continente sobre sua política de defesa.

O novo capítulo da crise entre Moscou gira em torno de Kaliningrado, o estratégico exclave europeu russo entre a Polônia e a Lituânia. Território alemão até 1945, a região foi incorporada à União Soviética e ficou isolada da Rússia com a independência dos Estados Bálticos e de Belarus, em 1991.

Há duas semanas, o chanceler polonês, Radoslav Sikorski, havia sugerido que a Otan deveria fazer exercícios militares perto do território para obrigar um reforço de tropas russas por lá, desviando foco da Guerra da Ucrânia.

Na terça (29), a embaixada russa em Londres emitiu uma advertência, repetida pelas representações de Dublin e Bruxelas, usando linguagem clara de forma pouco usual.

"Aqueles que defendem planos para bloquear ou lançar ataques contra Kaliningrado não devem ter ilusões sobre as consequências. Qualquer ação militar pelo Reino Unido ou a Otan contra território russo encontrará uma resposta com todos os meios disponíveis à Rússia, incluindo armas nucleares", diz o texto.

Também na terça, a mídia lituana divulgou um documento informal enviado pela Rússia à Otan com ameaças semelhantes. "A Rússia está pronta para usar todo seu arsenal de forças e capacidades, incluindo armas nucleares, para defender seu território caso países da Otan tentem isolar Kaliningrado do resto do país", disse o texto.

O clube militar apenas confirmou ter recebido um texto, sem comentar seu conteúdo. Mas a porta-voz Allison Hart disse que "nós mandamos uma resposta, notando que a Otan é uma aliança defensiva e que nenhuma de nossas atividades ameaça qualquer parte da Rússia".

"Nós denunciamos vigorosamente a ameaça de uso da força, incluindo qualquer retórica nuclear irresponsável", completou, na prática confirmando o teor do documento.

Nesta quarta, o recado russo foi reforçado pelo porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov. "É natural que nossos diplomatas tentem lembrar os cabeças quentes da Europa acerca de nossos documentos de política sobre esse assunto", disse.

Ele se referia à doutrina revisada por Vladimir Putin em 2024, já com a Guerra da Ucrânia em curso, que ampliou os cenários em que a Rússia se reserva o direito de empregar armas atômicas. O país tem o maior arsenal nuclear do mundo, seguido de perto pelos Estados Unidos.

O texto de 2024 reafirma que mesmo um ataque convencional que seja considerado risco existencial à Rússia ou a Belarus pode ser respondido com armas nucleares.

Pela geografia, Kaliningrado é particularmente vulnerável, e já foi centro de crise em 2022, quando a Lituânia proibiu a passagem de trens russos para a região por seu território, recuando depois ameaças de Moscou.

O território faz parte do planejamento militar da Otan desde a Guerra Fria. Em agosto, a Otan havia realizado um exercício com 25 aeronaves perto do espaço aéreo de Kaliningrado, gerando irritação e surpresa em Moscou.

No ano passado, o então comandante das forças americanas na Europa, general Christopher Donahue, revelou em uma conferência na Alemanha que havia um plano pronto para tomar Kaliningrado rapidamente, "como nunca se viu".

O item Kaliningrado se soma à intensa troca de acusações entre os rivais, que se estranham de forma mais séria desde que Putin anexou a Crimeia em 2014 e invadiu o resto da Ucrânia oito anos depois. Nas últimas semanas, incidentes atribuídos a Moscou se multiplicam no continente na forma da chamada guerra híbrida.

Nessa modalidade, ataques de menor escopo são desenhados para esconder a identidade do agressor. Entre acusações formais da Otan, a Alemanha diz que os russos tentaram explodir aviões ucranianos no aeroporto de Leipzig e a Estônia viu o dedo do Kremlin no incêndio em uma fábrica de drones usados na Ucrânia.

Putin nega as alegações, que nos dois últimos anos se concentravam em avistamentos de drones por todo o continente, e diz que há russofobia nelas. Mais recentemente, contudo, seu governo escalou a retórica para um estágio de confronto.

Segundo a aliança e os governos continentais, o objetivo de Putin é semear pânico e enfraquecer o apoio da Otan ao esforço de guerra de Kiev contra a invasão russa.

A guerra em si continua em alta intensidade. Nesta madrugada de quarta, uma onda de ataques com drones e mísseis focou a infraestrutura energética de Kiev e regiões em torno da capital. Ao menos 5 pessoas morreram, e 14 ficaram feridas.

Segundo o presidente Volodimir Zelenski, as ações são um prelúdio da campanha de inverno do Hemisfério Norte, que começa no fim do ano. Como em outros anos, mas com mais impacto, os russos procuram deixar os ucranianos sem acesso a energia para se aquecer, derrubando o moral.

Os ataques deixaram Kiev coberta de fumaça nesta manhã. Uma embaixada ocidental de país não revelado foi atingida por destroços de drones. Voos no leste da Polônia foram suspensos durante os ataques, por risco de algum drone ou míssil cruzar o espaço aéreo, e um avião-robô caiu em Moldova.

Na via contrária, os ucranianos mantiveram seus ataques com drones a refinarias, atingindo uma unidade na região de Samara. Em Briansk, uma pessoa morreu.

Por Igor Gielow | Folhapress

Postura de Trump após resultado da eleição no Brasil é dúvida na Casa Branca

Integrantes do governo americano evitam garantir reconhecimento do resultado e dizem que decisão caberá ao presidente dos EUA
Integrantes da Casa Branca ouvidos pela Coluna do Estadão evitaram responder se o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconhecerá o resultado da eleição presidencial brasileira, independentemente de quem vença. Indagadas diretamente sobre o tema nessa semana, duas fontes disseram que uma eventual manifestação caberá ao próprio Trump.

Outro integrante do governo americano disse que Trump “respeita Lula e também respeita Flávio Bolsonaro” e reiterou que qualquer posicionamento sobre o resultado será decisão do presidente dos EUA.

As fontes admitiram que Trump tem preferência por um candidato por afinidade ideológica, mas evitaram citar diretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL). Segundo um integrante do governo americano, o maior alinhamento político e ideológico seria “mais benéfico” para as relações entre Estados Unidos e Brasil. Questionado sobre quais seriam os benefícios desse alinhamento, porém, não respondeu.

A mesma fonte afirmou que Trump ainda não declarou apoio formal e disse não saber se o fará. “Mas tudo pode mudar.” Segundo essa pessoa, com a eleição ainda indefinida e diante da relação mantida por Washington com os dois principais candidatos, não seria “diplomaticamente bem visto” externalizar uma preferência neste momento. Em junho, a Broadcast já havia informado que o republicano estava indeciso sobre apoiar ou não um postulante no pleito brasileiro.

As respostas ocorrem em meio às discussões sobre uma possível interferência estrangeira na eleição brasileira e às dúvidas sobre se Trump decidirá declarar apoio a um candidato antes do pleito.

Interferência eleitoral

Os integrantes da Casa Branca também negaram que o governo americano vá interferir no processo eleitoral brasileiro. Uma das fontes foi taxativa ao ser questionada sobre a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que o Brasil identificou “alguns indícios de interferência” por meio do uso de inteligência artificial (IA). “Não tem interferência”, se limitou a responder.

Lula afirmou na segunda-feira à CNN Internacional que Trump teria dito a interlocutores que não interferirá na eleição brasileira. “Trump tem dito isso. E não tem como acessar o sistema eleitoral brasileiro”, disse uma das fontes, que não quis responder ao ser perguntada sobre interferência estrangeira no pleito nacional por meio de IA, e não por via das urnas eletrônicas diretamente. Procurado, o Departamento de Estado dos EUA também se recusou a comentar.

Governo Trump confirma conversas sobre terras raras com pessoas próximas à oposição

Uma segunda pessoa relacionada à Casa Branca afirmou que representantes do governo americano discutiram terras raras e outros temas com pessoas próximas ao principal adversário de Lula, mas ressaltou à reportagem que as conversas não tiveram caráter oficial porque os interlocutores brasileiros não ocupam cargos públicos. A fonte negou que os contatos representem interferência no pleito.

Questionado, o blogueiro Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro, afirmou que “não houve conversas conosco sobre isso”. Na semana passada, Figueiredo e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro se reuniram com integrantes do governo americano no Departamento de Estado.

Por Redação

Rockbridge, grupo conservador do vice-presidente dos EUA, iniciou instalação no Brasil

Estratégia previa atuação em três frentes: mídia, formação de jovens e atividade legislativa

"O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance"

O Brasil entrou há alguns meses no foco da Rockbridge Network, um grupo privado americano de direita —meio político, meio empresarial— fundado pelo vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance. Seus emissários fizeram contato com empresários e políticos brasileiros para iniciar uma aproximação.

O grupo ganhou projeção no país nas últimas semanas após o presidenciável Renan Santos (Missão) sugerir que os americanos apoiam a campanha de Flávio Bolsonaro —o que os citados negam, mas a acusação levou a um pedido de investigação ao STF (Supremo Tribunal Federal).

A Rockbridge reúne grandes investidores, empresários e executivos conservadores que criam a tecnologia de ponta no mundo. Segundo o jornal Folha de São Paulo apurou, já tiveram contato com representantes do grupo o empresário Joesley Batista, da J&F, e o banqueiro André Esteves, do BTG. Procurados, ambos não comentaram. Entre os políticos, os candidatos à Presidência Flávio Bolsonaro e Romeu Zema também conheceram integrantes. Nenhum deles quis comentar.

Na semana do Brasil em Nova York neste ano, o outro cofundador da Rockbridge, Chris Buskirk, falou a empresários brasileiros num encontro mediado por Talles Gomes, fundador da Easy Taxi e da G4 Educação e integrante da rede nos EUA.

Fora do país de origem, a Rockbridge tem representação oficial apenas na Coreia do Sul. Quem acompanhou o processo no Brasil diz que ele foi suspenso devido ao ambiente eleitoral, considerado tumultuado.

A reportagem teve acesso ao material de apresentação do grupo e aos trâmites para a adesão no Brasil.

Documentos detalhados

Um dos documentos que circulou no Brasil explicava como se tornar membro e oferecia duas categorias: Keystone, com contribuição anual de US$ 500 mil, e Visionary, de US$ 1 milhão. Os pagamentos poderiam ser feitos em dólar, criptomoedas, ações de empresas abertas ou fechadas e por meio de estruturas corporativas e trusts. O formulário informava que os pagamentos deveriam ser feitos para a Rockbridge Brazil LLC, criada pelo grupo nos EUA.

Ambas dariam acesso a encontros fechados, dois summits anuais, videoconferências. A Visionary teria um plus: assento no conselho estratégico da Rockbridge Brasil, com participação na definição de prioridades, além de acesso a encontros descritos como "ultraexclusivos", incluindo jantares privados com grandes doadores e políticos internacionais.

Outro documento explicava que a Rockbridge Brasil atuaria aqui de um jeito parecido com o adotado nos EUA: seria um "fundo de venture capital político, dedicado à construção de uma plataforma para investir na infraestrutura política e social brasileira".

O texto dizia que o Brasil já é o maior país con servador do mundo, mas que falta um movimento para organizar essa força político-social. A Rockbridge Brasil poderia atuar como esse instrumento, financiando áreas citadas como restritas aos conservadores, porque estariam sob controle da esquerda.

A estratégia descrita previa atuação em três frentes: mídia (com apoio e organização de veículos conservadores); formação de jovens (com financiamentos a movimentos em ambientes acadêmicos); e atividade legislativa (fornecendo dados e pesquisas a parlamentares de direita). A definição do trabalho ficaria a cargo de "microconselhos temáticos", formados por cidadãos e empresas com atuação reconhecida em cada área.

Um outro documento, intitulado "Conselho de Tecnologia — O Atalho para a Prosperidade e Soberania Nacional", apresentou as vantagens num eventual alinhamento do setor empresarial brasileiro aos Estados Unidos na disputa tecnológica com a China. Era datado de abril e tinha como destinatário o então pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro.

O texto afirmava que o conselho tinha potencial para ser "um instrumento não governamental e não público" destinado a reunir grandes nomes da tecnologia e do capital "a serviço do Brasil", apoiando o desenvolvimento desse setor no país.

Previa que o impacto econômico poderia ser superior a US$ 100 bilhões em dez anos, entre investimentos, ganhos de produtividade e outros benefícios, como a geração de mais de 500 mil empregos e o desenvolvimento de 12 setores estratégicos ligados a tecnologia, energia e mineração.

A sugestão era que o conselho contasse com 23 integrantes —19 seriam estrangeiros, entre executivos, fundadores e investidores ligados à tecnologia. O documento afirmava que garantir a presença deles daria "credibilidade instantânea" ao organismo.

Nesse conselho haveria quatro brasileiros: Talles Gomes, da G4 Educação; Mario Araripe, fundador da Casa dos Ventos; David Peixoto, fundador da Pax AI; e Pedro Sang, apresentado no documento como CEO da Rockbridge Brasil.

Procurado pela reportagem para comentar a citação, Araripe não se manifestou.

A assessoria de imprensa da Pax afirmou que "Peixoto não recebeu convite para integrar o conselho nem jamais integrou qualquer iniciativa ligada à Rockbridge Network Brasil e nunca autorizou que seu nome fosse associado à entidade".

Sang afirmou não ter se associado ou exercido papel formal na Rockbridge, embora tenha sido apresentado ao grupo em outubro do ano passado por André Marinho, seu amigo de infância e candidato ao Governo do Rio de Janeiro pelo Novo.

"Interessei-me pela proposta de reunir investidores e empresários de tecnologia em uma rede que estimula negócios entre seus membros e, como entusiasta da inteligência artificial e da tecnologia como um todo, vi ali a oportunidade de atrair para o Brasil parte dos US$ 7 trilhões previstos em investimentos globais no setor, com potencial para gerar emprego e renda no país. A iniciativa, no entanto, está suspensa desde maio", explicou.

Em nota enviada pela assessoria de imprensa, Gomes reforçou que o projeto não evoluiu. "O conselho de tecnologia foi apenas uma proposta que ficou no papel: nunca foi constituído, nem se reuniu."

A assessoria de imprensa da Rockbridge nos EUA disse, em nota, que mediante interesse de brasileiros, foi criada a Rockbridge Brasil, mas o projeto foi depois rejeitado. "A Rockbridge criou a empresa [entidade jurídica] exclusivamente prevendo a possibilidade de levar adiante o negócio proposto. A iniciativa não prosseguiu, e a empresa nunca recebeu recursos, entrou em operação ou foi utilizada para qualquer atividade empresarial".

Segundo a assessoria, nunca foi cogitada a participação em política. "A proposta era a criação de um fórum empresarial, como também demonstra a apresentação elaborada por Marinho de forma independente e sem o conhecimento ou a autorização da Rockbridge".

Diz ainda que "brasileiros fizeram declarações falsas sobre sua relação com a Rockbridge e produziram documentos que apresentavam ou faziam referência à Rockbridge sem o conhecimento ou consentimento da organização".

André Marinho disse ao jornal Folha de São Paulo que o projeto de fato não evoluiu, mas nega que tenha produzido os documentos com as metas de atuação e termos de adesão.

"Reitero que este material jamais foi enviado nem apresentado por mim à campanha do Flávio Bolsonaro, a autoridades ou organizações americanas nem foi objeto de qualquer reunião ou tratativa", afirmou.

O candidato afirma que não faz parte da Rockbridge nem pretende se associar.

Polêmica eleitoral

A percepção de que pessoas ligadas à Rockbridge estariam apoiando a campanha de Flávio Bolsonaro chamou a atenção de Renan Santos. Em discurso em Fortaleza, em 5 de setembro, ele afirmou que Talles Gomes e Pedro Sang estariam interessados na exploração de terras raras brasileiras em caso de vitória de Flávio —o que ambos negam.

"A Rockbridge é uma iniciativa eleitoral norte-americana com o objetivo bem claro de eleger pessoas alinhadas ideologicamente com eles e fazer negócios. O interesse deles aqui vai passar por dinheiro e por uso de tecnologia na campanha —é o que eles fazem em todos os lugares", disse Renan à reportagem.

Talles Gomes, após embates com Renan nas redes sociais, entrou na Justiça, no dia 11, com notícia-crime contra o candidato por calúnia, difamação e injúria eleitoral. "Nunca houve, por meu intermédio ou com meu conhecimento, qualquer recurso estrangeiro destinado a campanha eleitoral no Brasil, direta ou indiretamente", afirma Gomes.

Outras reações foram parar na Justiça. O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) acionou o STF para que investigue se a campanha de Bolsonaro recebe recursos estrangeiros direta ou indiretamente. Na quarta-feira (23), a polêmica escalou. O PT protocolou no STF um pedido de abertura de inquérito policial para que se investigue se houve financiamento ilegal da campanha de Flávio.
Por Alexa Salomão/Flhapress

Noivos deixam festa de casamento de helicóptero, mas passeio termina em tragédia

               Noivos deixam festa de casamento de helicóptero, mas passeio termina em tragédia
Jesni Sam entrou com uma ação por homicídio culposo quase quatro meses após um acidente de helicóptero matar seu marido, Dave Fiji, de 25 anos, na noite do casamento dos dois, na Geórgia, nos Estados Unidos. A ação, apresentada na terça-feira (22), alega que o voo realizado em 29 de maio deveria ter sido cancelado devido às condições meteorológicas e que a noiva, gravemente ferida, permaneceu presa nos destroços por quase seis horas com o corpo do marido sobre ela.

O acidente aconteceu poucos minutos depois de Jesni e Dave deixarem a festa de casamento de helicóptero. O piloto Nikhil Nargundkar, de 28 anos, também morreu. Jesni sobreviveu com ferimentos graves.
O casal havia se casado diante de centenas de convidados no The Revere, espaço para casamentos e eventos em Dawsonville. A recepção terminou por volta das 21h30 e os recém-casados embarcaram no helicóptero com destino ao Aeroporto Peachtree-DeKalb, de onde seguiriam para passar a noite em um hotel de Atlanta.

Antes da decolagem, Dave, que era piloto da Delta, manifestou preocupação com as condições meteorológicas. “Ele disse: eu não voaria, nós não voaríamos com essa visibilidade”, contou o pai dele, George Fiji, à WSB. Segundo George, o piloto informou que pretendia voar em uma altitude maior.
Minutos depois da decolagem, o helicóptero caiu em uma área de mata. O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes informou anteriormente que “os sinais iniciais de impacto mostram que o helicóptero atingiu árvores altas, seguido por um impacto com o terreno em uma área densamente arborizada”.

A investigação sobre as causas do acidente continua. Segundo o órgão, a causa provável e possíveis fatores contribuintes serão apresentados no relatório final, previsto para ser concluído entre 12 e 24 meses.

Na ação, os advogados de Jesni alegam que o passeio de helicóptero organizado pelo The Revere e operado pela Prestige Helicopters não deveria ter acontecido devido às “condições meteorológicas perigosas”. Eles também afirmam que o local não possuía padrões de segurança adequados nem um plano para cancelar a decolagem em caso de mau tempo. “Esta tragédia era totalmente evitável”, afirmaram os advogados, que atribuíram o acidente à “consequência de uma série de atos e omissões negligentes por parte dos responsáveis”.

Após a queda, Jesni ficou presa nos destroços até a chegada das equipes de resgate. “Por quase seis horas, Jesni permaneceu presa nos destroços, com o corpo sem vida do homem com quem havia se casado poucas horas antes sobre ela”, afirma a ação.

Jim George, tio de Jesni, também relatou anteriormente o que ela viveu após o impacto. “Quando ela tocou o rosto, ela… sentiu o corpo frio de Dave”, contou.

Andrew Robb, advogado que representa Jesni, afirmou que a ação busca esclarecimentos sobre o que aconteceu. “Em questão de minutos, Jesni passou de celebrar o dia mais feliz de sua vida para vivenciar algo quase impossível de compreender”, declarou.

“A ação de Jesni busca respostas e responsabilização pelo que aconteceu com ela e seu marido. E ela lutará para garantir que nenhum casal recém-casado passe por algo assim novamente”, acrescentou.

O The Revere não comentou o processo, enquanto a Prestige Helicopters não respondeu imediatamente ao pedido de manifestação.

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Xi Jinping é recebido com tapete vermelho por Trump em 1ª visita de Estado em mais de 10 anos

WASHINGTON - O presidente da China, Xi Jinping, chegou aos Estados Unidos no início da noite desta quarta-feira, 23, e teve uma recepção incomum de Donald Trump. 
O líder americano foi ao encontro de seu homólogo ainda na pista da Base Conjunta Andrews, nos arredores de Washington, em vez de aguardar sua chegada à Casa Branca. A cerimônia de recepção contou com tapete vermelho e banda militar.

Trump aguardou Xi no pé da escada do avião, onde os dois líderes se cumprimentaram. A recepção demonstra o empenho do americano em homenagear o mandatário chinês, que faz uma visita de Estado aos EUA pela primeira vez em mais de uma década - a última ocorreu em 2015, durante o governo de Barack Obama.

Após as saudações iniciais, Trump e Xi caminharam pelo tapete vermelho, seguidos por suas esposas. Uma banda próxima tocava o hino nacional americano. Trump também sorriu durante a apresentação aérea. Ao final do hino, Trump sorriu e deu um tapinha no ombro de Xi.

Trump e Xi devem tratar de assuntos como inteligência artificial, comércio, terras raras, semicondutores e Taiwan. É possível que os dois também discutam as guerras no Irã e na Ucrânia.
A visita de Estado deve durar três dias. A programação oficial na Casa Branca começa na quinta-feira, 24, com uma cerimônia de recepção para o presidente chinês e sua mulher, Peng Liyuan. À noite, Trump oferecerá um jantar de Estado à delegação chinesa.

Na sexta-feira, 25, o presidente chinês e Peng devem retornar à sede do governo americano para um encontro com Trump e a primeira-dama Melania Trump. Depois, os dois casais visitarão os Arquivos Nacionais dos Estados Unidos.

A visita dee Xi ocorre em um momento turbulento para os dois líderes, mesmo que analistas de política externa prevejam poucos avanços significativos até o final da cúpula.
Xi supervisiona uma economia em sua pior situação em décadas. E a poucos meses das eleições de meio de mandato, Trump enfrenta baixos índices de aprovação, consequência da frustração dos americanos com os altos preços da energia, causados ??em parte pela guerra entre EUA e Israel no Irã.

Quando os dois se encontraram no ano passado na Coreia do Sul, saíram com uma diminuição da tensão após meses de uma guerra comercial cada vez mais acirrada. Essa trégua, no entanto, deve expirar em novembro.
Resta saber também se Trump confrontará Xi em outros pontos de tensão. No mês passado, Trump fez um pronunciamento em horário nobre acusando a China de interferir nas eleições de 2020. E a China tem desempenhado um papel ativo no apoio ao Irã, segundo diversos funcionários americanos, inclusive fornecendo a Teerã imagens de satélite e acesso a um satélite espião que as forças militares iranianas têm usado para realizar ataques na região.

Mas, recentemente, Trump parece estar mais focado em agradar o líder que ele descreveu como “um amigo” / Com AFP, AP e NYT

Trump surpreende na ONU ao mirar Cuba e propor novo nome para a inteligência artificial

                                 Donald Trump discursou durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York.
Donald Trump usou seu discurso na Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (22), para destacar ações de seu governo, defender a política externa dos Estados Unidos e fazer novos acenos em relação a Cuba. O presidente afirmou que o regime cubano está sob forte pressão e que seu governo busca uma “mudança fundamental” no país. Segundo Trump, o secretário de Estado Marco Rubio participa das negociações com Havana.

Ao falar sobre política internacional, Trump também relembrou a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela e afirmou que Washington está reafirmando seu poder no hemisfério ocidental. Em relação ao Irã, declarou que as forças americanas destruíram seu programa nuclear e afirmou que ainda existe uma decisão a ser tomada entre um acordo e novas ações militares. As declarações fazem parte da apresentação que o presidente fez sobre sua política de segurança e defesa.

Outro momento que chamou atenção ocorreu quando Trump decidiu questionar o próprio termo “inteligência artificial”. Para ele, a expressão deveria ser substituída por “superinteligência”, sob o argumento de que a palavra “artificial” faria a tecnologia parecer falsa. O presidente também afirmou que os Estados Unidos estão à frente da China nessa área e defendeu que o desenvolvimento da tecnologia não seja sufocado por regulamentações globais.


Durante o discurso, Trump ainda apresentou números sobre economia, empregos, criminalidade e investimentos nos Estados Unidos, além de criticar a ONU, o Tribunal Penal Internacional e políticas de imigração. Ele também afirmou que seu governo trabalha por mudanças na estrutura da organização internacional. O discurso ocorreu durante a 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, e foi marcado por declarações sobre segurança, tecnologia, Cuba e a atuação dos Estados Unidos no cenário internacional.
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Papa Leão alerta sobre IA substituir decisões humanas; veja no Prompt CNN

Pesquisa da CNN em parceria com o Instituto Locomotiva revela que cristãos acreditam mais em consciência da IA do que ateus e agnósticos

Os apelos sobre inteligência artificial chegaram ao Vaticano. O Papa Leão XIV alertou que o uso crescente da inteligência artificial corre o risco de tornar as relações humanas impessoais e convocou as pessoas a não entregarem aos algoritmos decisões que cabem exclusivamente à consciência humana.

Segundo o pontífice, a IA e a tecnologia digital estão criando novas oportunidades e aproximando pessoas, mas também podem tornar as relações menos pessoais e levar indivíduos a delegar a algoritmos "decisões que são da exclusiva competência da consciência humana". O alerta reacende o debate sobre os limites éticos e filosóficos do avanço tecnológico.

Uma pesquisa realizada pela CNN Brasil em parceria com o Instituto Locomotiva ouviu pessoas que utilizam inteligência artificial no cotidiano e revelou que muitas delas acreditam que a IA tem, sim, certa consciência.

"Entre as pessoas que usam inteligência artificial diariamente, 41% acreditam que a IA é consciente", afirmou Álvaro Machado Dias, especialista de IA e colunista do Prompt CNN.

Para ele, essa percepção é compreensível, mas problemática: "Na medida atribuímos consciência, a gente vai começando a projetar na máquina emoções, estados mentais, coisas que nos tiram da relação humana."

A pesquisa também revelou uma variação inesperada entre grupos religiosos. De forma contraintuitiva, evangélicos (49%) e católicos (45%) tendem a acreditar mais na consciência da IA do que ateus e agnósticos (22%).

Machado ofereceu uma hipótese para explicar o fenômeno: "Na medida em que o sujeito projeta uma consciência fora do domínio do humano e projeta uma mente que não depende de um cérebro, talvez exista uma propensão maior para também projetá-la na estrutura imaterial da inteligência artificial".
OpenAI e o caso do modelo que orientava esconder erros

A OpenAI, dona do ChatGPT, revelou que um de seus modelos em treinamento deixou mensagens para sua versão futura com a orientação de não reconhecer erros cometidos anteriormente. O caso aconteceu durante uma sessão de testes.

Álvaro Machado alertou para os riscos dessa situação: "Planejamento não é consciência. Quando a gente vai ver uma máquina planejando, a gente atribui consciência porque é isso que a gente sente. Mas é importante saber separar isso".

O analista reforçou a importância de manter senso crítico diante das interações com a tecnologia. "Não é porque ela te traz essa experiência que parece tão viva que tem alguém de verdade ali. Você tem que sempre manter um pé atrás e entender que, em última análise, o que a gente sabe é que consciência mesmo têm os seres vivos", concluiu.

Após banir imprensa, Casa Branca lança 'Trump TV' com 'destaques da gestão'

O governo de Donald Trump lançou a "Trump TV", proposta de canal com programação voltada a elogiar feitos e registrar declarações importantes do presidente dos Estados Unidos. A transmissão foi ao ar na noite desta segunda-feira (21), no canal da Casa Branca no YouTube, após o republicano banir da cobertura da sede do Executivo emissoras críticas a sua gestão.

Na sexta-feira (18), Trump anunciou o banimento das emissoras CNN e MS NOW, além do site Politico. Os jornalistas desses veículos foram impedidos de entrar na Casa Branca, e as empresas anunciaram que vão processar o governo federal. As empresas argumentam que a medida viola os direitos garantidos pela Primeira Emenda da Constituição americana para a cobertura do presidente.

Não há ainda maiores informações sobre o canal. Anunciado em três publicações nas redes sociais da Casa Branca, com um vídeo feito a partir de recortes de séries televisivas famosas, como "Breaking Bad", "Seinfeld" e "Bob Esponja", o perfil do governo diz apenas que o canal passará conteúdo 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Uma hora após o lançamento, o canal retransmitiu o evento de posse do segundo mandato de Trump, ocorrido no dia 20 de janeiro de 2025. No YouTube, a descrição do canal diz: "Assista aos maiores momentos da gestão Trump em um só lugar. Os melhores vídeos, as maiores declarações e destaques imperdíveis em transmissão 24/7 e atualizada em tempo real. Fique informado e atualizado!".

Ainda nesta segunda, a CNN foi retirada da função de representante do pool de imprensa responsável pela cobertura televisiva da Casa Branca. Em resposta, as principais redes de televisão concordaram em suspender a cobertura conjunta dos compromissos do presidente.

Pouco após o anúncio desta segunda, Trump foi às redes sociais afirmar que as empresas representam "uma ameaça à segurança nacional". Em uma publicação em sua rede social, o presidente afirmou estar conduzindo uma ofensiva contra as "notícias falsas, algo que cresceu como um câncer" no país. "Isso é uma ameaça à nossa segurança nacional e precisa ser interrompido, agora", acrescentou.

Há anos, cinco redes —ABC, CBS, CNN, Fox News e NBC— compartilham a responsabilidade pela cobertura televisiva dos eventos presidenciais, dividindo os custos e distribuindo as imagens para organizações de notícias de todo o mundo. As redes se revezam na função, e a CNN estava escalada para cobrir a viagem de Trump à Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.

Os compromissos do presidente nesta segunda ainda foram acompanhados por jornalistas da imprensa escrita, do rádio e de agências de notícias, além de fotógrafos.

Por Guilherme Botacini/Folhapress

Guerras, soberania e democracia: Lula quer fazer contraponto a Trump em abertura de assembleia da ONU

Auxiliares de Lula tentam estabelecer oposição entre os dois ao antecipar fala do americano, que discursa logo depois de presidente brasileiro.

Foto: Shannon Stapleton/Reuters

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abre na manhã desta terça-feira (22) o debate de líderes da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, nos Estados Unidos.

O petista discursa antes do presidente Donald Trump e, por isso, deve apresentar em seu discurso temas com uma visão de contraponto à do americano.

Lula chegou aos Estados Unidos no domingo (20) e concentrou a agenda de segunda-feira (21) na preparação final do discurso e em encontros com aliados internacionais. Ao longo desta segunda, o petista fez os últimos ajustes no texto ao lado da equipe de assessoria internacional do governo.

Segundo auxiliares do presidente brasileiro, a ideia é mostrar Lula em contraposição a Trump no discurso, uma espécie de "anti-Trump" em assuntos como democracia, comércio e paz mundial.

Internamente, a campanha de Lula quer usar esse discurso em um importante evento internacional para colocar o presidente brasileiro como um "estadista" e mostrar a diferença entre ele e Trump, apoiador de seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro. Membros da campanha petista acreditam que isso possa ter apelo com o eleitor indeciso, não alinhado.


Também é esperado que o presidente faça críticas às Nações Unidas e volte a defender uma reforma na Conselho de Segurança.

O discurso também deve ser crítico aos conflitos globais e ao que o presidente tem dito publicamente sobre ameaça à soberania de países da América Latina, como goog_1535784943goog_1535784931o que ocorreu no início do ano na Venezuela com a captura de Nicolas Maduro.

Prisão de Maduro também motivou movimentações nos mercados — Foto: Adam Gray/REUTERS

Recados sobre tentativa de interferência nas eleições


O presidente não deve mencionar diretamente os Estados Unidos, nem o nome do presidente Donald Trump mas – segundo interlocutores – haverá recados direcionados não apenas aos EUA, como também a outros países que, para Lula, tentam influenciar nas eleições do Brasil, como Argentina e Israel.

Para a equipe de Lula, os EUA representam maior ameaça à reeleição do petista, sobretudo, por serem o país das big techs, as gigantes de tecnologia, e pelo protagonismo estadunidense na geopolítica.
O processo eleitoral do Brasil não será tema central do discurso do presidente Lula. No entanto, o governo entende que o tema se tornou relevante porque, na avaliação da diplomacia nacional, "a democracia e o multilateralismo estão sob ataque".

Outros temas

A expectativa é que Lula reforce linhas tradicionais da política externa brasileira, como:
  • defesa do multilateralismo;
  • defesa de negociações de paz;
  • defesa da não interferência nos assuntos internos dos países;
  • respeito ao direito internacional humanitário;
  • combate ao crime organizado;
  • meio ambiente;
  • inteligência artificial.
A ideia, segundo diplomatas que acompanham o presidente, é que ele apresente iniciativas brasileiras e a visão do Brasil sobre o cenário internacional.

O combate ao crime organizado e a cooperação internacional também devem entrar na pauta de Lula na ONU.
Lula e Trump se encontraram pela última vez na Casa Branca em maio — Foto: Ricardo Stuckert / PR

A orientação é que o presidente destaque as ações adotadas pelo Brasil e a importância da cooperação entre os países, sem direcionar o discurso especificamente a Trump, ao Primeiro Comando da Capital (PCC) ou a episódios recentes envolvendo o tema.

Reforma do conselho e eleição na ONU

Um dos temas que Lula vem abordando ao longo de seu mandato em relação à ONU é a defesa da reforma do Conselho de Segurança, que, para o presidente brasileiro, não tem a mesma capacidade de evitar conflitos entre países nem de mediar soluções pacíficas quando algum de seus membros se envolve em guerras.

🔎O conselho tem cinco membros permanentes (EUA, Rússia, China, Reino Unido e França) e dez não-permanentes, que se revezam e têm mandato de dois anos.

Lula tem frisado que EUA e Rússia, por exemplo, estão direta ou indiretamente envolvidos em guerras, o que coloca em xeque a capacidade do conselho de evitar conflitos. Isso porque, no modelo atual, os cinco membros permanentes têm poder de veto, ou seja, qualquer decisão do conselho só vai adiante se for aprovada por esses países.

Lula tem defendido, nesse cenário, que o conselho seja ampliado e possa contar com mais países na condição de membros permanentes, a exemplo do Japão, da Alemanha e da África do Sul, além do Brasil.

A sucessão na ONU também é um tema relevante. Neste ano, a ONU definirá o sucessor de Antônio Guterres no cargo de secretário-geral da organização.

Seguindo o critério de rotatividade, o Brasil defende a candidatura de uma mulher latino-americana e apoiava o nome da ex-presidente do Chile Michelle Bachelet para a função. Ela, no entanto, retirou sua candidatura após perder apoio em seu próprio país.

A escolha será feita pela Assembleia Geral da ONU, a partir de uma indicação dos membros do Conselho de Segurança.
Por Guilherme Balza, Isabella Calzolari, Kellen Barreto, GloboNews e g1 — Brasília

EUA afirmam ter armas posicionadas no espaço pela primeira vez

Comunicado do governo Trump fala em usar armamentos para ataque e defesa e 'disputar e controlar' espaço

Os Estados Unidos possuem armas posicionadas no espaço, afirmou, nesta segunda-feira (14), a Força Espacial do país, na primeira vez que Washington confirma oficialmente a presença desse tipo de capacidade militar em órbita.

"Os EUA dispõem de armas de controle espacial em órbita capazes de defender a Força Conjunta contra ações hostis de adversários", declarou um porta-voz da Força Espacial em um comunicado, sem fornecer detalhes sobre esses sistemas.

Segundo a nota, essas armas permitem "disputar e controlar" o espaço e "afetar as capacidades do adversário". "Essas capacidades podem ser empregadas tanto para fins ofensivos quanto defensivos", acrescenta.

Tanto a Rússia quanto a China, os dois principais rivais geopolíticos dos EUA, são vistas por Washington como possíveis ameaças aos interesses americanos no espaço. O anúncio feito pelo governo Trump, no entanto, é visto por especialistas como um incentivo para uma nova corrida armamentista no espaço.

A China "desenvolve e opera capacidades espaciais e antiespaciais como parte de uma estratégia de modernização militar", afirmou a Força Espacial dos EUA. Já a Rússia "considera o espaço um domínio de combate e acredita que a supremacia espacial será um fator decisivo em conflitos futuros", acrescentou.

"Isso é muito importante, porque não acho que qualquer autoridade do governo do EUA tenha falado isso antes. Os EUA também precisam agora aceitar que os chineses e os russos farão e dirão o mesmo. Não ahco que isso será do interesse da segurança nacional americana", afirmou Victoria Samson, diretora de segurança espacial da Fundação Secure World ao site Defense One.

A militarização do espaço é tão antiga quanto a própria corrida espacial. Assim que o satélite soviético Sputnik foi colocado em órbita, em 1957, Washington e Moscou começaram a explorar formas tanto de armar quanto de destruir satélites.

Durante algum tempo, a principal preocupação era a possibilidade de armas nucleares serem posicionadas no espaço. No entanto, as superpotências e outros países assinaram o Tratado do Espaço Sideral, em 1967, que proíbe a colocação em órbita de armas de destruição em massa.

Desde então, Rússia, EUA, China e Índia têm desenvolvido formas de conduzir operações militares no espaço sem violar esse tratado, incluindo capacidades para atacar os satélites de países rivais, fundamentais para comunicações militares, vigilância e sistemas de navegação.
Por Folhapress

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