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Trump manda alerta para Cuba: ‘Melhor fazer um acordo antes que seja tarde’
Mensagem do republicano vem uma semana depois das forças norte-americanas terem invadido a Venezuela e capturado o ditador Nicolás Maduro, que está detido nos Estados Unidos acusado de narcotráfico
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mandou um alerta, neste domingo (11), para Cuba, e solicitou que eles façam um acordo antes que seja tarde demais. A Venezuela agora tem os Estados Unidos, o maior poder militar do mundo (de longe), para protegê-los. Não vai ter mais petróleo e dinheiro indo para Cuba – zero! Eu sugiro fortemente que eles façam um acordo, antes que seja tarde demais”, escreveu Trump em sua conta no Truth Social.
Segundo o republicano, Cuba viveu, por muito anos, com grandes quantidades de petróleo e dinheiro da Venezuela, em retorno, Havana promoveu serviço de segurança para os últimos dois ditadores venezuelanos. “Muitos desses cubanos foram mortos na última semana do ataque dos EUA, e Venezuela não precisa mais de proteção de bandidos e extorsionários que os mantiveram reféns por tantos anos”, disse Trump.
O alerta de Trump vem uma semana depois das forças norte-americanas terem invadido a Venezuela e capturado o ditador Nicolás Maduro, que está detido nos Estados Unidos acusado de narcotráfico, acusação da qual se declarou inocente em sua primeira audiência, realizada na segunda-feira (5). A próxima está marcada para o dia 17 de março.
Pouco depois de realizar a publicação, Trump compartilho uma publicação de um usuário dizendo que o secretário de Estados nos Estados Unidos, Marco Rubio, deveria ser o presidente de Cuba. Em resposta, o republicado escreveu: “Parece bom”. Desentende de cubanos, Rubio tem sido peça central do governo Trump nos ataques aos países latino-americanos.
Primeiro secretário de Estado hispânico dos Estados Unidos, ele vive um momento crucial em sua carreira política desde a prisão do líder venezuelano deposto Nicolás Maduro: administrar os assuntos de um dos países mais complexos da região à distância. O político de 54 anos que, além de chefiar a diplomacia americana, também é conselheiro de Segurança Nacional na Casa Branca. Uma das coisas que ele não cede é a exigência de uma transição política em Cuba, país que seus pais deixaram antes da Revolução de 1959, justamente para fugir da ausência de democracia.
Por Sarah Américo/Jovem Pan
EUA realizam ataques em grande escala contra o Estado Islâmico na Síria
O Exército dos EUA informou neste sábado (10) ter realizado múltiplos ataques na Síria contra o Estado Islâmico, como parte de uma operação lançada em dezembro após um ataque a militares americanos.
Uma coalizão liderada pelos EUA tem realizado ataques aéreos e operações terrestres na Síria visando suspeitos do Estado Islâmico nos últimos meses, frequentemente com o envolvimento das forças de segurança da Síria.
"Os ataques de hoje visaram o ISIS [sigla para Estado Islâmico, em inglês] em toda a Síria", disse o Comando Central dos EUA em um comunicado, que não informou se houve mortos ou feridos.
O Pentágono não comentou, e o Departamento de Estado também não respondeu.
Os ataques deste sábado são parte de uma operação lançada no mês passado após militantes do Estado Islâmico terem matado militares dos EUA na Síria, segundo informações do Comando Central dos EUA. O Exército americano disse que dois soldados e um intérprete civil foram mortos nesse incidente de 13 de dezembro. Cerca de 1.000 soldados americanos permanecem na Síria.
O governo da Síria é liderado por ex-rebeldes que derrubaram o ditador Bashar al-Assad em 2024, após uma guerra civil de 13 anos, e inclui membros da antiga filial da Al Qaeda na Síria que romperam com o grupo e entraram em conflito com o Estado Islâmico.
A Síria tem cooperado com a coalizão liderada pelos EUA, chegando a um acordo no final do ano passado quando o presidente Ahmed al-Sharaa visitou a Casa Branca. Ligado à Al Qaeda no passado, o atual líder sírio tentava encerrar o isolamento internacional de seu país.
Por Kanishka Singh, Folhapress
Em regime reciclado sob a tutela dos EUA, Delcy Rodríguez envia sinais contraditórios na Venezuela
Presidente interina anuncia libertação de prisioneiros políticos, mas sustenta o aparato repressor nas ruas.
Nos seis dias que se seguiram à operação dos EUA que retirou Nicolás Maduro do poder na Venezuela, o governo liderado por Delcy Rodríguez, sob a tutela norte-americana, tem enviado sinais contraditórios para assegurar o controle do país.
O anúncio da libertação de presos políticos se mistura à manutenção do habitual aparelho repressor nas ruas e às medidas decretadas pelo governo para coibir, por exemplo, quem comemora a intervenção militar americana
Irmão mais velho de Delcy, o presidente da Assembleia Legislativa, Jorge Rodríguez, justificou a decisão de libertar o que considerou um número significativo de prisioneiros como “um gesto para consolidar a paz e a convivência pacífica”. Fez questão de ressaltar ter sido esta uma medida unilateral do atual governo e não fruto da pressão dos EUA.
A madrugada, contudo, foi tensa para os parentes dos presos, sem informações sobre nomes, e resultou na soltura de apenas cinco, com passaporte espanhol. Entre eles, o ex-candidato Enrique Márquez e a respeitada advogada de direitos humanos Rocío San Miguel, presa há 23 meses sob a falsa acusação de conspiração, traição e terrorismo.
“Três da manhã na Venezuela. Uma noite absolutamente dramática com centenas de famílias esperando. No plano político, a não liberação nesta noite, depois de mais de cinco horas desde o anúncio, só deixou de lado a fragilidade do poder do Rodrigato. O que ou quem está impedindo que os presos políticos saiam?”, relatou o cientista político Luis Peche em suas redes sociais.
A confusa e lenta libertação de presos políticos parece ser a primeira concessão dos irmãos Rodríguez, que agora detêm o poder na Venezuela. Segundo a ONG Foro Penal, o governo mantém 820 encarcerados por razões políticas e as mais variadas e fantasiosas acusações. Cerca de uma centena se encontra na temida prisão conhecida como El Helicoide, considerado um centro de tortura gerido pelo Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin).
O regime chavista, agora reprocessado sob a insígnia de Trump, tem sido ambíguo em suas declarações. De um lado, fornece tímidas demonstrações de abertura e de colaboração; de outro, mantém paramilitares e milicianos para patrulhar ruas e assegurar a ordem pela força, em mais um indício de que o aparato repressor está intacto.
Para o público interno, a presidente interina tenta passar a imagem de que o regime resistiu à intervenção dos EUA na deposição de Maduro e Cília Flores. “Ninguém aqui se rendeu. Houve uma luta e uma luta por esta pátria. Temos dignidade histórica, compromisso e lealdade ao presidente Maduro, que foi sequestrado”, assegurou ela na cerimônia em homenagem aos cem mortos da operação americana do dia 3.
A veemência que a presidente interina tenta passar aos venezuelanos, contudo, perde força nas medidas ditadas pelo governo Trump, como o controle do petróleo do país, mas ainda se sustenta pela brutalidade no cotidiano das ruas.
Por: G1
Senado dos EUA aprova resolução para limitar ações de Trump na Venezuela
O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta quinta (8) uma resolução que busca impedir o presidente Donald Trump de determinar novas ações militares contra a Venezuela sem autorização do Congresso. A iniciativa abre caminho para uma análise mais aprofundada da proposta na Casa, composta por cem senadores.
A votação, de caráter processual e necessária para dar continuidade à resolução, terminou com 52 votos a favor, e 47 contrários. Alguns senadores republicanos romperam com o presidente e se juntaram a todos os democratas para permitir o avanço do texto.
O movimento ocorreu poucos dias depois de forças americanas capturarem o ditador Nicolás Maduro em uma operação militar sem precedentes em Caracas. A ação reacendeu o debate no Congresso sobre os limites da autoridade presidencial para o uso da força militar sem aval legislativo.
Minutos após a votação, Trump escreveu em sua plataforma, a Truth Social, que os republicanos que votaram a favor da iniciativa deveriam ficar envergonhados e nunca mais serem eleitos. Ainda escreveu os nomes dos correligionários que endossaram o texto. "Essa votação prejudica a autodefesa e a segurança nacional americanas, impedindo a autoridade do presidente", publicou ele.
Duas tentativas anteriores de aprovar resoluções semelhantes tinham sido bloqueadas no Senado, no ano passado, por parlamentares republicanos alinhados a Trump. Naquele período, o governo dos EUA já aumentava a pressão sobre a Venezuela com ataques contra embarcações no Caribe e no Pacífico.
As ofensivas motivaram parlamentares a apresentarem uma série de projetos com base na Lei de Poderes de Guerra, de 1973 e aprovada após a Guerra do Vietnã, que limita ações militares unilaterais do Executivo.
A gestão Trump, assim como gestões passadas, democratas e republicanas, sustenta que essa lei é inconstitucional. A questão nunca passou por um julgamento definitivo da Suprema Corte.
Com a aprovação da medida processual nesta quinta, o Senado agora abre espaço para uma análise mais detalhada da resolução num contexto de tensão crescente entre o Legislativo e a Casa Branca sobre a condução da política externa e o uso do poder militar.
No fim do ano passado, integrantes do governo Trump afirmaram que não planejavam uma mudança de regime nem ataques ao território venezuelano. Após a captura de Maduro, alguns parlamentares passaram a acusar a gestão de ter enganado o Congresso.
"Falei hoje com pelo menos dois republicanos que não votaram a favor dessa resolução anteriormente e que agora estão considerando fazê-lo", afirmou o senador Rand Paul, republicano do Kentucky e um dos coautores da proposta, em entrevista coletiva antes da votação.
Atualmente, o partido do presidente controla o Senado com 53 cadeiras, enquanto os democratas e senadores independentes que votam com a oposição têm 47 assentos. A aprovação da medida representa uma vitória para os parlamentares que defendem maior controle do Congresso sobre decisões de guerra. Ainda assim, o caminho para que se torne lei é considerado difícil.
O texto ainda precisa ser aprovado pela Câmara dos Representantes, também controlada pelos republicanos, e superar um veto presidencial, o que exigiria maioria de dois terços na Câmara e no Senado.
Apesar dos obstáculos, os defensores da proposta dizem que parte dos republicanos pode se mostrar reticente diante da perspectiva de uma campanha prolongada e custosa de mudança de regime na Venezuela. Na quarta (7), Trump escreveu na Truth Social que deseja aumentar o orçamento militar americano de US$ 1 trilhão para US$ 1,5 trilhão.
Atualmente, o partido do presidente controla o Senado com 53 cadeiras, enquanto os democratas e senadores independentes que votam com a oposição têm 47 assentos. A aprovação da medida representa uma vitória para os parlamentares que defendem maior controle do Congresso sobre decisões de guerra. Ainda assim, o caminho para que se torne lei é considerado difícil.
O texto ainda precisa ser aprovado pela Câmara dos Representantes, também controlada pelos republicanos, e superar um veto presidencial, o que exigiria maioria de dois terços na Câmara e no Senado.
Apesar dos obstáculos, os defensores da proposta dizem que parte dos republicanos pode se mostrar reticente diante da perspectiva de uma campanha prolongada e custosa de mudança de regime na Venezuela. Na quarta (7), Trump escreveu na Truth Social que deseja aumentar o orçamento militar americano de US$ 1 trilhão para US$ 1,5 trilhão.
Por Folhapress
Colômbia: em conversa com Trump, Petro sugeriu a exploração de energia limpa
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, deu mais detalhes, em publicação no X, sobre a ligação telefônica com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizada na quarta-feira, 7.
Segundo Petro, que havia confirmado o contato mais cedo, a conversa tratou sobre o "desencontro" de visões sobre a relação dos Estados Unidos com a América Latina. A publicação traz uma imagem, gerada por inteligência artificial, de uma águia (símbolo americano) ao lado de uma onça pintada, uma espécie típica da América do Sul.
Diante do apetite de Trump pelo petróleo venezuelano, o colombiano defendeu uma aliança em torno do potencial de geração de energia limpa da América do Sul. "Um uso da América Latina apenas para petróleo levaria à destruição do direito internacional e, portanto, à barbárie e a uma terceira guerra mundial", disse Petro.
"A América do Sul produz 1400 GW, enquanto a demanda dos EUA por energia que substitui o petróleo e o carvão é de 840 GW anuais, ou seja, a América Latina pode fazer com que 100% da matriz energética dos EUA seja limpa, e isso seria o maior passo na luta para deter a crise climática em favor da vida", afirmou o presidente colombiano, que calculou em US$ 500 bilhões o investimento necessário para a exploração da energia limpa no continente.
Por Vinícius Novais / Estadão Conteúdo
EUA apreendem petroleiro com bandeira russa ligado à Venezuela
Os Estados Unidos interceptaram e apreenderam nesta quarta-feira (7) um petroleiro com bandeira russa que transportava óleo venezuelano no Oceano Atlântico, numa potencial escalada da crise iniciada pela captura do ditador Nicolás Maduro e de sua mulher pelos americanos, no sábado (3).
A interceptação foi confirmada à agência Reuters e pela rede estatal russa RT, que veiculou um vídeo no qual um helicóptero americano circula a embarcação em águas internacionais. Não há detalhes da ação ainda.
A perseguição ao navio Marinera começou há duas semanas. Antes, em 10 de dezembro, um outro petroleiro venezuelano havia sido interceptado e capturado pelos EUA. O governo de Donald Trump determinou então um embargo a todo o transporte de petróleo e derivados para dentro e fora do país caribenho.
Diversos petroleiros que já estavam no mar desligaram seus sistemas de comunicação e começaram a fugir das forças americanas. O Bella-1, que navegava com bandeira da Guiana, mudou então de nome para Marinera e passou usar registro estatal russo, baseado em Sochi (mar Negro).
A mudança presumivelmente poderia dar mais proteção à embarcação, mas não foi isso que aconteceu. Na terça (6), quando ficou claro que as forças americanas estavam se aproximando do navio, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia emitiu um alerta, dizendo que era preciso respeitar a liberdade de navegação garantida no direito internacional.
Nesta quarta, o Ministério dos Transportes russo disse que o caso violava leis marítimas, e parlamentares acusaram os EUA de pirataria.
Segundo o americano Wall Street Journal, os russos chegaram a mobilizar um submarino no Atlântico para ir escoltar o agora Marinera. Autoridades americanas falaram o mesmo à agência Reuters, mas Moscou não comentou.
Para um analista militar em Moscou, ouvido pela reportagem, isso seria muito difícil por motivos políticos, já que ensejaria um confronto com Trump que Vladimir Putin não deseja, e técnicos, uma vez que a embarcação demoraria dias para chegar ao petroleiro.
O Marinera passava por uma tempestade segundo o vídeo da rede RT. Nele, é possível ver um navio da Guarda Costeira ameicana e um helicóptero de pequeno porte tentando se aproximar do navio.
A Rússia é, ao lado da China, a maior fiadora do regime chavista da Venezuela. Moscou forneceu o equivalente hoje a R$ 80 bilhões em armas de 2005 a 2013, e até 2020 manteve operações petrolíferas extensas no país —devido a sanções a Caracas, elas são limitadas.
O Kremlin também apoia a ditadura cubana, um dos esteios do chavismo, que está sob pressão nesta crise: o embargo petrolífero de Trump pode asfixiar economicamente a ilha, dependente do produto de Caracas, e levar a instabilidade social ainda maior.
Ao longo do cerco militar de Trump contra Maduro, Moscou prometeu apoio, mas na prática não podia fazer muita coisa, não menos porque Putin tratava com o americano os termos de um acordo para encerrar a Guerra da Ucrânia em termos favoráveis ao Kremlin.
Isso tudo está em suspenso agora, com a captura de Maduro e o endurecimento aparente da posição de Trump nas negociações que se desenrolam nesta semana em Paris.
Os EUA não parecem ter colocado óbice à proposta europeia de envio de uma força de paz para garantir a segurança de Kiev em caso de trégua, algo que os russos nunca aceitaram.
Por ora, o governo Putin demonstrou apoio à líder interina do país, Delcy Rodríguez, que alterna abertura a Trump com críticas à ação que levou Maduro ao banco dos réus em Nova York, sob uma acusação algo mutante de narcoterrorismo.
O foco central de Trump na ação contra a Venezuela é, além de se livrar de um governante hostil, ter acesso às maiores reservas de petróleo do mundo. O óleo de lá não é de boa qualidade, mas o americano já anunciou um esquema em que receberá 50 milhões de barris e ficará com os lucros de sua venda, algo ainda incerto.
Após a interceptação do Marinera, o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, disse que o bloqueio dos EUA ao petróleo venezuelano alvo de sanções permanece em pleno vigor "em qualquer lugar do mundo".
Por Igor Gielow, Folhapress
Trump manda Venezuela parar de fornecer petróleo à Rússia e China, diz TV
O Governo Trump pediu que a Venezuela cortasse o fornecimento de petróleo para a Rússia, China, Irã e Cuba, afirmou o canal de TV ABC News.Demanda foi feita durante conversa com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, após a prisão de Maduro. Nesta terça-feira (6), Trump já tinha informado que o governo venezuelano entregaria "entre 30 e 50 milhões de barris" aos EUA" a preço de mercado".
Além de cortar os laços com os países, os EUA também exigiram que a Venezuela tivesse "uma parceria exclusiva" para fornecer petróleo ao país. Na venda de petróleo bruto, por sua vez, os Estados Unidos devem ser favorecidos em relação a outras nações, afirmou o canal.
Caracas só conseguirá passar "algumas semanas" independente antes de precisar vender reservas, estimou Rubio. O secretário de Estado se reuniu com legisladores nesta terça-feira (6) e disse, segundo fontes do canal, que os EUA têm condições de forçar a venda do petróleo já extraído por causa das condições financeiras do país latino.
China reagiu ao pedido de exclusividade, afirmando que os EUA estão intimidando a Venezuela. "O uso da força contra a Venezuela e a exigência de que o país favoreça os Estados Unidos na gestão de seus próprios recursos constituem um típico ato de intimidação, violam o direito internacional e a soberania", afirmou Mao Ning, porta-voz das Relações Exteriores do país.
EXPORTAÇÃO DO PETRÓLEO PARA OUTROS PAÍSES ESTÁ BLOQUEADA
EUA manterão exportação em "quarentena" até que a situação política seja resolvida, afirmou Marco Rubio. "Esse bloqueio permanecerá em vigor até que vejamos mudanças que não apenas promovam o interesse nacional dos Estados Unidos, que é o número um, mas que também levem a um futuro melhor para o povo venezuelano", disse, ao canal CBS.
Rubio projeta demanda por petróleo pesado de empresas "não russas" e "não chinesas". Segundo ele, há escassez global de petróleo bruto pesado, fator que deve favorecer o interesse de petroleiras pela atuação na Venezuela.
Petroleiras americanas vão entrar na Venezuela, disse Trump após ataque e prisão de Maduro. Ao comentar sobre a prisão do ditador, Trump disse que as companhias investiriam bilhões para "atuar para elevar a produção da indústria petrolífera venezuelana".
Petróleo venezuelano é diferente do americano. Os Estados Unidos produzem, em sua maioria, petróleo leve e doce, com baixo teor de enxofre, que exige menos etapas no refino e é utilizado principalmente para a fabricação de gasolina. Já a Venezuela possui petróleo pesado e extrapesado, mais usados para produção de diesel, com alta viscosidade e maior acidez, o que torna sua extração e processamento mais complexos e caros.
Dona da maior reserva de petróleo do mundo, a Venezuela enfrenta dificuldades para ampliar sua produção e refino do combustível. País detém 17,5% da reserva de petróleo do mundo, com 303,8 bilhões de barris do combustível, segundo relatório do Instituto de Estatística de Energia, mas produção caiu mais de 70% desde a estatização do setor, em 2007, para 960 mil barris diariamente em 2024.
Por Folhapress
Delcy Rodríguez é empossada como líder interina da Venezuela
Enquanto Nicolás Maduro segue em Nova York, onde compareceu perante um tribunal após ser capturado pelos Estados Unidos, a vice do ditador, Delcy Rodríguez, assumiu nesta segunda-feira (5), como líder interina da Venezuela.
Perante os deputados que acabam de tomar posse, dois dias após a captura de Maduro e de sua mulher, Cilia Flores, pelos Estados Unidos, ela declarou lealdade a Maduro e disse que prestava o juramento "com pesar".
"Venho, como vice-presidente do presidente constitucional da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro Moros, prestar juramento", iniciou ela. "Venho com pesar, pelo sofrimento causado ao povo venezuelano, por uma agressão militar ilegítima contra a nossa pátria. Venho com pesar, pelo sequestro de dois heróis que são reféns nos Estados Unidos."
"Mas devo dizer que tenho a honra de jurar, em nome de todos os venezuelanos, pelo nosso pai libertador, Simón Bolívar, cujo sangue libertador corre pelas veias dos venezuelanos. Juro pelo comandante Hugo Chávez, que devolveu a dignidade de milhões de venezuelanos", seguiu.
Delcy disse que não irá descansar até ver a Venezuela como uma nação livre e independente e garantir a tranquilidade econômica e social do povo venezuelano.
"Juro pelas bases do nosso pai libertador garantir um governo que dê felicidade social, estabilidade política e segurança política", disse ela. "Que juremos como um só país para levar para frente a Venezuela nessas horas terríveis de instabilidade."
O juramento foi tomado pelo irmão de Delcy, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, e acompanhado pelo filho de Nicolás Maduro, o deputado Nicolás Maduro Guerra.
Por Douglas Gavras, Folhapress
Maduro se declara inocente e diz a juiz em audiência ser presidente sequestrado da Venezuela
Ditador deposto vai responder a acusações de narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína e porte ilegal de armas
O julgamento de Nicolás Maduro, ditador deposto da Venezuela após ser capturado pelos Estados Unidos no fim de semana, começou na tarde desta segunda-feira (5) em um tribunal em Nova York. A expectativa é que audiência seja breve e o juiz ordene a prisão preventiva do líder e de sua esposa, Cilia Flores.
Maduro entrou na sala vestindo uma camisa azul marinho por cima do uniforme laranja da prisão e usando um fone de ouvido, provavelmente para tradução. Sua esposa, com trajes semelhantes, estava sentada ao seu lado. Ao se identificar perante a corte, falou em espanhol que é o presidente da Venezuela e está ali sequestrado, além de se declarar inocente, como previsto.
Ao começar a falar que havia sido capturado em sua casa, na Venezuela, o juiz o interrompe, afirmando que "haverá tempo e lugar para abordar tudo isso".
O ditador vai responder a acusações de crimes como narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína e porte ilegal de armas. Segundo a imprensa americana, tanto ele quanto sua esposa devem se declarar inocentes perante Alvin Hellerstein, magistrado responsável pelo caso.
O prazo para o fim do julgamento é incerto, mas a imprensa americana aponta que todo o processo pode demorar mais de um ano.
Manistantes se reuniram em frente ao tribunal, no centro de Manhattan, tanto para protestar contra a invasão americana quando para comemorar a prisão do ditador. Os dois grupos estavam separadaos por uma cerca.
Os promotores afirmam que Maduro é o chefe de um cartel de autoridades políticas e militares venezuelanas que conspiraram durante décadas com grupos de tráfico de drogas e organizações designadas pelos EUA como terroristas para traficar milhares de toneladas de cocaína.
Maduro foi indiciado pela primeira vez em 2020 como parte de um longo processo de tráfico de drogas contra autoridades venezuelanas atuais e antigas e guerrilheiros colombianos.
Na nova acusação, revelada no sábado, os promotores afirmam que Maduro supervisionou pessoalmente uma rede de tráfico de cocaína patrocinada pelo Estado que fez parceria com alguns dos grupos de tráfico de drogas mais violentos do mundo, incluindo os cartéis mexicanos Sinaloa e Zetas, o grupo paramilitar colombiano Farc e a gangue venezuelana Tren de Aragua.
Por Folhapress
EUA vão trabalhar com atuais líderes da Venezuela se tomarem a 'decisão correta', diz Rubio
Os Estados Unidos trabalharão com as atuais lideranças da Venezuela se tomarem "as decisões certas", segundo o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. As declarações foram dadas em entrevista à emissora americana CBS News neste domingo, 4, um dia após a operação americana que capturou o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro.
"Vamos julgar tudo pelo que fizerem, e vamos ver o que fazem", disse Rubio no programa Face the Nation. "Eu sei o seguinte: se não tomarem as decisões certas, os Estados Unidos manterão diversas ferramentas de pressão para garantir a proteção dos nossos interesses", acrescentou.
Ao ser questionado sobre a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, o chefe da diplomacia americana lembrou "os objetivos" dos Estados Unidos e assegurou que Washington irá "ver o que vai acontecer". O Tribunal Supremo da Venezuela determinou que Rodríguez assuma a presidência, após a captura de Maduro.
"Queremos que o narcotráfico cesse. Não queremos ver mais gangues chegando ao nosso território. Queremos que a indústria do petróleo não beneficie piratas e adversários dos Estados Unidos, e sim o povo", insistiu Rubio.
Para o secretário de Estado dos EUA, não era possível trabalhar com Nicolás Maduro. "Trata-se de alguém que nunca respeitou nenhum dos acordos que firmou" e a quem "oferecemos, em várias ocasiões, a possibilidade de deixar o poder", prosseguiu.
Tropas americanas na região
Questionado sobre o envio de tropas americanas em solo venezuelano, o secretário de Estado descreveu isto como uma "obsessão da opinião pública", mas, ao mesmo tempo, disse que o governo Trump não descarta a opção.
O republicano apontou que o governo americano manteria uma "quarentena" militar em torno da Venezuela para impedir que petroleiros sujeitos a sanções dos EUA entrassem e saíssem do país, para exercer pressão sobre a nova liderança local.
"Essa medida permanece em vigor e representa uma enorme pressão que continuará existindo até que vejamos mudanças, não apenas para promover o interesse nacional dos Estados Unidos, que é a prioridade número um, mas também para levar a um futuro melhor para o povo da Venezuela", disse ele durante a entrevista.
O secretário de Estado apontou também que é preciso melhorar a capacidade de extração de petróleo da Venezuela.
"É óbvio que eles não têm capacidade para reativar essa indústria", disse ele. "Eles precisam de investimento de empresas privadas que só investirão sob certas garantias e condições."
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez. que se tornou presidente interina no sábado, 3, impressionou o governo Trump por conta de sua gestão das reservas de petróleo da Venezuela, segundo informações do The New York Times. As pessoas envolvidas nas discussões disseram que intermediários convenceram Washington de que ela protegeria e promoveria futuros investimentos energéticos americanos no país.
Após a economia da Venezuela suportar um terrível colapso de 2013 a 2021, Delcy liderou uma reforma favorável ao mercado que havia proporcionado uma aparência de estabilidade econômica antes da campanha militar dos EUA que resultou na captura de Maduro.
Sua privatização de ativos estatais e a política fiscal relativamente conservadora deixaram a Venezuela melhor preparada para resistir ao bloqueio do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de petroleiros sancionados carregando petróleo, o sustento econômico do país.
Durante a entrevista, Rubio também apontou que as discussões sobre a realização de eleições na Venezuela eram "prematuras", com Washington focado em garantir que a liderança remanescente em Caracas implemente mudanças políticas.
"Tudo isso, eu acho, é prematuro neste momento", destacou Rubio. "O que nos interessa agora são todos os problemas que tínhamos quando Maduro estava no poder. Ainda temos esses problemas que precisam ser resolvidos. Vamos dar às pessoas a oportunidade de lidar com esses desafios e esses problemas", disse ele.
Por Estadão
Como Donald Trump escolheu nome leal a Maduro para liderar a Venezuela
Americanos enxergam em Delcy Rodríguez, vice do ditador, flexibilidade e capacidade para estabilizar a economia do país Ela consolidou controle sobre política econômica e construiu pontes com elites, investidores estrangeiros e diplomatas.
The New York Times: Foi mais um passo de dança também para o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro.
No final de dezembro, Maduro rejeitou um ultimato do presidente Donald Trump para deixar seu cargo e ir para um exílio na Turquia, de acordo com informações reveladas por americanos e venezuelanos envolvidos em negociações de transição.
Na semana passada, Maduro estava de volta ao palco, ignorando a mais recente escalada dos EUA —um ataque a um cais que Washington afirma ser usado para o tráfico de drogas— dançando ao som de uma batida eletrônica na televisão estatal, enquanto sua voz gravada repetia em inglês: "Sem guerra louca."
A dança protagonizada por Maduro e outras demonstrações de falta de preocupação nas últimas semanas ajudaram a convencer alguns membros da equipe de Trump de que o ditador venezuelano estava zombando dos americanos e tentando delinear o que ele chamava de uma mentira, de acordo com pessoas que falaram sob condição de anonimato.
Então, a Casa Branca decidiu seguir com as ameaças militares.
No sábado (3), uma equipe de elite das forças armadas dos EUA entrou em Caracas, a capital venezuelana, em um ataque que, antes do dia amanhecer, levou Maduro e sua esposa, Cilia Flores, para Nova York, onde vão ser julgados por acusações de tráfico de drogas.
Semanas antes, autoridades dos EUA já haviam escolhido um candidato aceitável para substituir Maduro, pelo menos por enquanto: a vice de Maduro, Delcy Rodríguez, que havia impressionado os oficiais de Trump com sua gestão da crucial indústria petrolífera da Venezuela.
As pessoas envolvidas nas discussões disseram que intermediários convenceram o governo de que ela protegeria e defenderia os investimentos energéticos americanos no país. "Eu venho acompanhando a carreira dela há muito tempo, então tenho uma ideia de quem ela é e do que ela representa," disse um alto funcionário dos EUA, referindo-se a Delcy.
"Não estou dizendo que ela seja a solução permanente para os problemas do país, mas é certamente alguém com quem achamos que podemos trabalhar de maneira muito mais profissional do que conseguimos com ele", disse o alto funcionário, referindo-se a Maduro.
Não foi uma escolha difícil, segundo os envolvidos. Trump nunca simpatizou com a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, que organizou uma campanha presidencial vitoriosa em 2024, o que lhe valeu o Prêmio Nobel da Paz no ano passado.
Desde a reeleição de Trump, Corina tem se esforçado para agradá-lo, chamando-o de "campeão da liberdade", imitando seus pontos de vista sobre fraude eleitoral nos EUA e até dedicando seu prêmio a ele
Foi em vão. No sábado, Trump disse que aceitaria Delcy, afirmando que Corina não é respeitada o suficiente para governar a Venezuela.
Autoridades dos EUA dizem que a relação com o governo interino de Delcy será baseada na sua capacidade de seguir as suas regras, acrescentando que reservam o direito de tomar ações militares adicionais se ela não respeitar seus interesses. Apesar da condenação pública de Delcy ao ataque, um alto oficial dos EUA disse que era muito cedo para tirar conclusões sobre qual seria sua abordagem e que o governo americano permanecia otimista de que poderia trabalhar com ela.
Trump declarou no sábado que os Estados Unidos pretendiam "governar" a Venezuela por um período indeterminado e recuperar os interesses petrolíferos dos EUA, uma afirmação de poder unilateral e expansionista, após argumentos também contestados sobre a interrupção do fluxo de drogas.
Com Delcy, a gestão Trump estaria se envolvendo com a líder de um governo que havia com frequência rotulado como ilegítimo, enquanto abandonaria María Corina, cujo movimento venceu uma eleição presidencial em 2024, em uma vitória amplamente reconhecida como roubada por Maduro.
E não estava claro imediatamente se Delcy colaboraria. Em um pronunciamento televisivo, ela acusou os EUA de fazer uma invasão ilegal e afirmou que Maduro continuava sendo o líder legítimo da Venezuela.
Para manter a pressão, altos oficiais dos EUA disseram que as restrições sobre as exportações de petróleo venezuelano permaneceriam em vigor por enquanto.
Mas outros envolvidos nas conversas expressaram a esperança de que o governo parasse de deter petroleiros venezuelanos e emitisse mais permissões para que empresas dos EUA trabalhassem na Venezuela, a fim de reviver a economia e dar à vice de Maduro uma chance de sucesso político.
Delcy, 56, assume o cargo de líder interina da Venezuela com credenciais de solucionadora de problemas econômicos, que orquestrou a transição do país do socialismo com problemas de corrupção para o capitalismo laissez-faire igualmente corrupto.
Ela é filha de um guerrilheiro marxista que ficou famoso por sequestrar um empresário americano. Estudou, em parte, na França, onde se especializou em direito trabalhista.
Ela ocupou cargos intermediários no governo do predecessor de Maduro, Hugo Chávez, antes de ser promovida a papéis maiores com a ajuda de seu irmão mais velho, Jorge Rodríguez, que se tornou o principal estrategista político de Maduro.
Delcy conseguiu estabilizar a economia venezuelana após anos de crise e, lenta mas constantemente, aumentar a produção de petróleo do país, mesmo sob sanções apertadas dos EUA, uma façanha que lhe garantiu até o respeito relutante de alguns oficiais dos EUA.
À medida que Delcy consolidava o controle sobre a política econômica e eliminava rivais, ela construiu pontes com as elites econômicas da Venezuela, investidores estrangeiros e diplomatas, aos quais se apresentou como uma tecnocrata de discurso ameno e um contraste com os robustos oficiais de segurança que formavam a maior parte do círculo íntimo de Maduro.
Essas alianças deram frutos nos últimos meses, conquistando defensores poderosos que ajudaram a cimentar sua ascensão ao poder. No sábado, sua assunção ao poder foi recebida com otimismo cauteloso por alguns dos capitães da indústria da Venezuela, que disseram em particular que ela tinha as habilidades para criar crescimento, se conseguisse convencer os EUA a relaxar seu aperto sobre a economia do país.
Apesar de suas inclinações tecnocráticas, Delcy nunca denunciou a repressão brutal e a corrupção que sustentam o regime de Maduro. Ela já chamou, por exemplo, sua decisão de entrar na gestão de um ato de "vingança pessoal" pela morte de seu pai na prisão em 1976, após ser interrogado por agentes de inteligência de governos pró-EUA.
A capacidade de Delcy para negociar através do abismo ideológico da Venezuela pode ser útil para aliviar tensões. Juan Francisco García, um ex-deputado do partido governante que desde então se separou do regime, disse que tinha algumas apreensões sobre sua capacidade de governar, mas lhe deu o benefício da dúvida.
"A história está cheia de setores e figuras ligados a ditadores que, em algum momento, serviram como ponte para estabilizar o país e fazer a transição para um cenário democrático", disse García.
Anatoly Kurmanaev , Tyler Pager , Simon Romero e Julie Turkewitz
China insta EUA a garantir segurança pessoal e libertar 'imediatamente' Maduro e esposa
A China pediu aos Estados Unidos que libertem "imediatamente" o ditador venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, capturados em um ataque americano contra o país sul-americano neste sábado (2).
"A China apela aos EUA para garantir a segurança pessoal do presidente Maduro e de sua esposa, libertá-los imediatamente, cessar a subversão do governo venezuelano e resolver as divergências por meio do diálogo e da negociação", declarou o Ministério das Relações Exteriores, em nota.
Antes, a pasta já havia afirmado que condena a ação militar americana e que está "profundamente chocada" com o ataque.
"A China se opõe firmemente ao comportamento hegemônico dos EUA, que viola gravemente o direito internacional e a soberania da Venezuela e ameaça a paz e a segurança na América Latina e no Caribe. Instamos os EUA a respeitar o direito internacional e os princípios da Carta da ONU e a parar de violar a soberania e a segurança de outros países", declarou.
Maduro e a esposa desembarcaram na noite de sábado no Aeroporto Internacional Stewart, nos arredores da cidade de Nova York, sob forte escolta de policiais, militares e agentes de segurança.
Em pronunciamento horas após a captura, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o país governará a Venezuela até a transição e que o petróleo da nação sul-americana será explorado por americanos.
A Venezuela tem a maior reserva de petróleo do mundo e tem a China como um dos principais compradores. Questionado por jornalistas sobre como a ação afeta a relação com o país asiático e outros interessados na nação invadida, Trump afirmou que aqueles que querem petróleo, terão.
"Vamos vendê-lo. Provavelmente venderemos em volumes muito maiores, porque eles produziam muito pouco devido à infraestrutura precária. Vamos vender grandes quantidades de petróleo a outros países, muitos dos quais já o utilizam, e muitos outros virão."
Trump disse ainda que, se necessário, enviará militares a solo venezuelano para garantir o controle dos EUA e que está negociando com Delcy Rodríguez, a vice de Maduro, sobre os próximos passos. O Brasil a reconheceu como interina na ausência do ditador.
Há o temor de que a invasão da Venezuela e a captura de Maduro abram brecha para que outros países utilizem a mesma estratégia para agredir vizinhos, como, por exemplo, no caso da China em relação a Taiwan.
Pequim afirma que a ilha, que tem um presidente democraticamente eleito, é parte "inalienável" de seu território e não descarta o uso da força para a reunificação.
Editorial publicado no veículo estatal China Daily, o principal jornal do país, neste domingo (4) afirmou que as ações do governo Trump estabelecem "um precedente perigoso para as relações internacionais".
Sem fazer menção ao próprio país ou a outras nações, o texto afirma que o raciocínio de Washington, se aceito, concederia a "países poderosos uma licença universal para intervenção militar, contrariando diretamente os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas".
"A agressão injustificável dos EUA destrói qualquer autoridade moral que possam ter reivindicado. As regras internacionais aplicam-se a todos, não apenas a alguns. Quando os mais fortes optam por ignorar a lei, a proteção das normas se enfraquece para todos", diz o editorial.
Por Victoria Damasceno / Folhapress
Moradores de Caracas relatam ruas vazias e destruição após ataque dos EUA
Moradores de Caracas, capital da Venezuela, relatam barulho, instalações destruídas, ruas vazias, comércio fechado e a expectativa de que manifestações --sobretudo chavistas-- ganhem tamanho após o governo de Donald Trump, dos Estados Unidos, atacar o país e capturar Nicolás Maduro.
No final da tarde deste sábado (3), mesmo dia da ofensiva militar, a Folha conversou com uma brasileira e um jornalista venezuelano, ambos residentes da cidade e que pediram para não serem identificados.
Essa foi a primeira ofensiva dos EUA na América do Sul em décadas, e mirou a Venezuela, país com a maior reserva de petróleo do mundo e berço do chavismo, movimento político que se opõe à influência estadunidense na região.
"Vamos governar a Venezuela até que haja uma transição adequada e justa", disse o presidente dos EUA, Donald Trump, após a operação. Segundo ele, a partir de agora serão as empresas dos Estados Unidos que vão controlar o petróleo da Venezuela.
"Vamos ficar pelo tempo que for adequado para uma transição. Vamos governar neste tempo, vamos ter empresas americanas que vão entrar, vão injetar bilhões de dólares, vão consertar a péssima infraestrutura", completou.
Segundo o governo Trump, o ataque foi autorizado pelo presidente no final da noite de sexta-feira (2). Maduro foi levado por Forças Espeicais americanas e, ao final deste sábado (3), desembarcou em Nova York, onde será julgado por crimes como narcoterrorismo e tráfico de cocaína.
A brasileira ouvida pela reportagem relata que não houve caos durante a madrugada, mas que a cidade inteira ouviu os estrondos dos ataques dos Estados Unidos.
Ela diz ainda que as ruas ficaram muito mais vazias do que de costume para um sábado, e que as pessoas saíam de casa apenas para fazer compras nos poucos supermercados ou farmácias que abriram, mas que preferem ficar em segurança.
As forças de segurança venezuelana passaram o dia em rondas nas ruas da capital.
Ainda não foi divulgado um número oficial de vítimas da ofensiva militar (seja de civis ou de militares), mas nas redes sociais circulam imagens de sangues entre escombros e de corpos cobertos por cobertor, além de caminhões e prédios, inclusive residenciais, destruídos. Segundo a imprensa americana, pelo menos 40 venezuelanos morreram nos bombardeios.
O jornalista venezuelano ouvido pela Folha ressalta que, dado o histórico recente de muitos conflitos no país, os moradores de Caracas estão minimamente habituados a situações onde precisam ficar reclusos em casa, apenas realizando saídas rápidas para compra de itens essenciais.
Ele conversou com a reportagem após passar o dia transitando pela capital e relata que os bombardeios atingiram principalmente três pontos da cidade. Um deles é a base aérea de Carlota, ao leste. Ele viu carros, ônibus e um hangar queimado, mas não pôde se aproximar, porque o local foi evacuado pelos militares.
A maior parte dos danos, segundo ele, se concentrou na região do Forte Tiuna, uma enorme base militar venezuelana. No extremo leste de Caracas, a ofensiva dos Estados Unidos atingiu antenas de transmissão que ficam em um morro, relata o jornalista.
Ele conta ainda que se presume que a maior quantidade de vítimas esteja concentrada na área do aeroporto internacional da cidade, na região de Miranda. No entorno de todos esses locais, há vidros quebrados e outros destroços decorrentes dos bombardeios, afirma.
Ele diz ainda que o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), de Maduro, vem convocando uma vigília permanente na cidade, e que já há concentração de pessoas na avenida Urdaneta, uma das principais de Caracas.
A vice-líder do regime venezuelano, Delcy Rodríguez, exigiu a libertação de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, também capturada. Ela reiterou que Maduro é "o único presidente" da Venezuela, e disse que o país jamais será colônia de qualquer outro.
Por João Gabriel / Folhapress
Maduro desembarca em NY sob forte escolta policial e é levado para centro de detenção
O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, desembarcou neste sábado (3) no Aeroporto Internacional Stewart, nos arredores da cidade de Nova York, sob forte escolta de policiais, militares e agentes de segurança após ser capturado durante ataque dos Estados Unidos contra Caracas horas antes.
Mais tarde, um dos perfis oficiais da Casa Branca publicou no X um vídeo em que Maduro caminha, algemado, na sede da agência antidrogas do país, em Nova York. Na filmagem, ele carrega uma garrafa de água, veste roupas de inverno e é escolado por três agentes. Segundo o jornal The New York Times, ele foi levado para um centro de detenção no bairro do Brooklyn.
Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram levados para um navio militar americano no Caribe e, então, transportados até Nova York, onde responderão a acusações feitas pelo Departamento de Justiça do governo Donald Trump de crimes como narcoterrorismo, tráfico de drogas e porte ilegal de armas.
Nas imagens captadas por emissoras dos EUA, Maduro aparece caminhando de forma lenta, aparentemente algemado nas mãos e nos pés, rodeado de dezenas de policiais fortemente armados. Não é possível identificar Flores no vídeo. Mais tarde, Maduro foi levado à ilha de Manhattan de helicóptero.
Os bombardeios contra Caracas que fizeram parte da operação para capturar Maduro deixaram pelo menos 40 venezuelanos mortos, entre civis e militares, disse neste sábado o jornal americano The New York Times, que ouviu uma autoridade da Venezuela sob condição de anonimato.
Trump disse mais cedo que vai governar a Venezuela "até que haja uma transição adequada e justa".
Segundo ele, o petróleo venezuelano será explorado por empresas americanas e "voltará a fluir" com petroleiras dos EUA à frente das operações e da infraestrutura do país.
A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo.
Maduro e Flores serão julgados em Nova York, onde o Departamento de Justiça abriu um novo indiciamento contra os dois que inclui também o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e Nicolás Ernesto, filho de Maduro. A acusação diz que os réus conspiraram em conjunto com organizações como as Farc, na Colômbia, e o cartel de Sinaloa, no México, para traficar cocaína.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, uma das principais vozes na Casa Branca por trás da intervenção na Venezuela, disse neste sábado que Maduro era um "fugitivo da Justiça americana". Embora Washington acuse o ditador de comandar o chamado cartel dos sóis, especialistas negam a existência do grupo.
De acordo com a acusação, enquanto esteve no poder, Maduro buscou "enriquecer a si mesmo e aos membros [do cartel], ampliar seu próprio poder e inundar os Estados Unidos com cocaína com o objetivo de aplicar os efeitos danosos e viciantes da droga contra americanos". A Venezuela não é uma grande produtora de cocaína, e as rotas de tráfico que saem do país costumam ter como destino portos europeus, não os EUA.
Na acusação, o governo Trump diz ainda que Maduro utilizou a cocaína como "arma contra a América", retórica que se assemelha a outras ações recentes do republicano como quando classificou o fentanil, principal responsável pela crise de opioides nos EUA, de uma arma de destruição em massa.
O vice-presidente, J. D. Vance, disse que o ditador venezuelano "não pode esperar que iria fugir da Justiça americana só porque vive em um palácio em Caracas". Vance afirmou ainda que Washington ofereceu "uma série de alternativas" a Maduro, sem entrar em detalhes, e que a Venezuela precisa "devolver o petróleo roubado" dos EUA, afirmação já feita por Trump no passado.
Não está claro a que roubo o governo Trump se refere.
O governo americano indiciou Maduro por tráfico de drogas pela primeira vez em 2020, no primeiro governo Trump, acusando o ditador de "conspiração narcoterrorista" e colaboração com as Farc, da Colômbia.
Os EUA, principal mercado consumidor de cocaína nas Américas, têm longo histórico de buscar a extradição de líderes de facções criminosas latino-americanas para julgamento e prisão em solo americano.
Washington já julgou inclusive líderes de países da América Central por acusações de tráfico, como o panamenho Manuel Noriega, alvo da última intervenção armada americana na América Latina, e o hondurenho Juan Orlando Hernández este último, perdoado por Trump em dezembro de 2025 sob a justificativa de que foi alvo de "perseguição política".
Por Victor Lacombe / Folhapress
EUA estão trabalhando com vice do regime da Venezuela, diz Trump
Presidente americano disse que secretário de Estado conversou com Delcy Rodríguez e que ela está disposta a fazer o que consideram necessário
O presidente Donald Trump afirmou neste sábado (3) que os Estados Unidos estão trabalhando com a vice do regime venezuelano, Delcy Rodríguez, após a captura de Nicolás Maduro.
Questionado por repórteres sobre sua disposição em trabalhar com Rodríguez, Trump disse que ela tomou posse, mas que foi “escolhida por Maduro”
O americano destacou que o secretário de Estado Marco Rubio “acabou de conversar com ela, e ela está essencialmente disposta a fazer o que consideramos necessário para tornar a Venezuela grande novamente”.
Ele acrescentou mais tarde que Rodríguez “teve uma longa conversa com Marco, e ela disse: ‘Faremos o que for preciso’. … Acho que ela foi bastante gentil, mas na verdade não tem escolha”.
Nicolás Maduro foi capturado por forças especiais dos Estados Unidos neste sábado (3). Ele deve realizar uma breve escala na base militar de Guantánamo, em Cuba, antes de ser transferido para Nova York.
Trump afirmou que os EUA governarão o país sul-americano até que possam "fazer uma transição segura, adequada e sensata".
Ele também publicou uma foto de Maduro a bordo do navio de guerra que está levando o ditador para Nova York.
Alejandra Jaramillo, da CNN
Captura de Maduro durou 47 segundos, diz Donald Trump
As forças dos Estados Unidos demoraram 47 segundos para capturar o ditador Nicolás Maduro e sua mulher em um complexo na capital da Venezuela, Caracas, segundo disse o presidente Donald Trump.
Chamada de Operação Determinação Absoluta, a ação foi o ponto culminante de uma operação de guerra sem precedentes que vinha sendo montada havia meses no Caribe. Os poucos detalhes disponíveis foram dados por Trump e pelo chefe do Estado-Maior Conjunto americano, general Dan Caine.
Segundo o militar, há semanas as forças americanas esperavam uma janela no tempo caribenho para empreender o ataque. Ela veio na sexta (2), quando Trump deu a ordem para a ação. Eram 22h46 no horário da Flórida, onde o presidente estava —23h46 em Caracas e 0h46 em Brasília.
Um contingente de 150 aeronaves foi mobilizado a partir de 20 pontos, incluindo o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald Ford, e o navio de assalto anfíbio USS Iwo Jima, um dos pontos centrais da operação.
Segundo Caine, caças F/A-18 do Ford e F-22 vindos dos EUA participaram da primeira onda de ataque, ao lado de bombardeiros estratégicos B-1B, também saídos de bases americanas. Sua função era formar um corredor de ataque direto do Caribe até Caracas.
A reação venezuelana foi mínima, elevando as suspeitas de que possa ter havido algum acordo entre os militares do país e o governo Trump para entregar Maduro. Ainda assim, houve ataques coordenados a pelo menos cinco pontos em três estados do país caribenho.
"O objetivo era abrir caminho e proteger os helicópteros", disse, em referência aos modelos MH-60 Seahawk e CH-47 Chinook que foram filmados por moradores voando impunemente enquanto as bombas caíam sobre a capital venezuelana.
Aberto o corredor, o que segundo Caine ocorreu com a supressão de defesas aéreas com o uso de drones e de caças de guerra eletrônica EA-18G Growler, uma fila de helicópteros com os soldados da Delta Force, unidade de elite do Exército, entrou em Caracas. Eles voaram a 30 metros de altura sobre o mar e o solo.
Às 2h01 no horário local (3h01 em Brasília), os soldados que haviam formado um perímetro em torno do bunker de Maduro entraram no local. Trump disse ter assistido tudo em tempo real. "Parecia um programa de TV, inacreditável", afirmou.
Maduro tentou alcançar um quarto seguro com portas de aço, mas em 47 segundos foi rendido. Caine disse que "houve muito tiroteio", mas que nenhum americano foi ferido. Venezuelanos, não se sabe ainda.
Logo o ditador e sua esposa estavam em um dos helicópteros rumo ao Iwo Jima. Ele vestia um abrigo esportivo e, em foto divulgada por Trump, estava algemado, com um óculos escuro e abafador de sons nos ouvidos.
Segundo Caine, ele pousou no Iwo Jima às 3h29 já no horário americano, ou 5h29 em Brasília. "Nós achávamos que seria necessária uma segunda onda [de ataques], mas não foi. Estamos prontos se for preciso", disse o presidente.
A ação foi o que se chama em jargão militar de exfiltração de alvos, no caso o casal Maduro. Ela foi combinada com uma ação de supressão de defesa antiaérea e não configurou uma invasão, como temiam alguns analistas dado o risco de perdas maiores.
"Poderia ter dado errado", disse Trump. Segundo Caine, apenas um helicóptero americano foi atingido por tiros quando se aproximou do esconderijo de Maduro, mas permaneceu em condições de voar. Não se sabe ainda quantos militares e civis venezuelanos morreram ou foram ferido
A mobilização militar, iniciada em agosto, foi a maior da história americana na América Latina. Houve outras ações grandes, como a captura do líder panamenho Manoel Noriega para julgamento nos EUA em 1989, mas nunca com tanto poder de fogo envolvido.
O centro logístico da ação foi Porto Rico. No território americano fica a antiga base de Roosevelt Roads, que estava desativada havia duas décadas. Ela rapidamente se transformou em ponto de encontro de caças, helicópteros, aviões de transporte, espionagem e reabastecimento.
Os bombardeios B1-B, voando a partir dos EUA, treinaram diversas incursões nos meses que precederam o ataque deste sábado. Segundo o relato de Caine, não foram empregados mísseis Tomahawk, armas de primeiro ataque presentes em pelo menos nove embarcações na região.
Houve pouca ou nenhuma resistência local. Em Higuerote (norte), uma enorme explosão seguida por estouros secundários no aeroporto local sugere que foi atingido um sistema de mísseis antiaéreos da Venezuela, provavelmente os mais capazes deles, S-300 de fabricação russa.
Em Caracas, uma das imagens mais impressionantes era a do que parecia ser um helicóptero de ataque AH-64 Apache disparando mísseis Hellfire contra o Forte Tiuna, o comando central das Forças Armadas do país.
O aparelho tem um alcance de menos de 500 km, o que sugere que ele chegou lá a partir de algum dos navios e não da vizinha Trinidad e Tobago, que sediou exercícios de forças especiais americanas em novembro mas fica a 650 km da capital venezuelana.
Helicópteros são a marca registrada de assaltos de forças especiais, que segundo Trump já operavam infiltradas na Venezuela havia meses.
Sua base de operações é o navio M/V Ocean Trader, na prática um porta-helicópteros e centro de comando. Mas no ataque deste sábado, o papel central foi do USS Iwo Jima, bem mais capaz de coordenar ações.
O transporte dos soldados é feito pelo 160º Regimento de Aviação de Operações Especiais, unidade do Exército que dá apoio a missões de fuzileiros navais e outros pelo mundo.
As forças venezuelanas prometeram resistir, mas sem soldados americanos em solo após a captura de Maduro, seus recursos para causar danos são bastante limitados. Pode haver tentativas de atacar navios americanos com mísseis russos ou chineses à disposição do regime.
Isso parece remoto agora, dada a decapitação da ditadura e a demonstração de força contra suas unidades militares. Há também um fator vital: os gritos de celebração ouvidos em Caracas quando Trump anunciou a captura de Maduro.
Por Igor Gielow | Folhapress
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