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Kassab coloca baiano Antonio Brito entre presidenciáveis do PSD para 2030

O deputado federal baiano Antonio Brito entrou na lista de possíveis candidatos à Presidência da República em 2030 pelo PSD. O nome do parlamentar, atual líder da legenda na Câmara dos Deputados, foi citado pelo presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, durante entrevista ao programa Canal Livre, da Band, exibida neste domingo (1º).

Ao avaliar os possíveis caminhos do PSD para a sucessão presidencial, Kassab destacou que a legenda possui diversos quadros com projeção nacional. Além de Antonio Brito, mencionou a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, os governadores Ratinho Júnior, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.

“Felizmente, o PSD tem muitos. Temos aí a Raquel Lyra, o Ratinho Júnior, o Eduardo Paes, o Eduardo Leite, o Antônio Brito”, afirmou.

A inclusão do deputado baiano na relação de presidenciáveis representa um reconhecimento de sua atuação no Congresso Nacional e de sua influência dentro do PSD. Antonio Brito, que conquistou mais um mandato nas eleições de outubro, é uma das principais lideranças da bancada federal da legenda e mantém interlocução com diferentes forças políticas em Brasília.

Na Bahia, o parlamentar integra o grupo comandado pelo senador Otto Alencar, presidente estadual do PSD, partido que compõe a base do governador reeleito Jerônimo Rodrigues (PT). A legenda também ocupa espaços importantes na política estadual, incluindo a presidência da Assembleia Legislativa, exercida pela deputada Ivana Bastos.

A sinalização de Kassab ocorre em um momento de fortalecimento do PSD no cenário nacional e amplia a projeção política de Antonio Brito, que já havia participado das articulações para a sucessão na presidência da Câmara dos Deputados.

Apesar da menção, não existe, por enquanto, qualquer definição sobre uma candidatura presidencial do deputado em 2030. A declaração de Kassab indica apenas que Brito está entre as alternativas consideradas pelo comando nacional do partido.

Durante a entrevista, Kassab também mencionou Antonio Brito e Otto Alencar como possíveis interlocutores do PSD com o quarto governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que terá início em janeiro de 2027.

A avaliação reforça o peso da representação baiana nas articulações nacionais da legenda, que deverá participar das negociações sobre a composição do novo governo federal.

Em 2026, o PSD teve como candidato à Presidência o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado.

Por Política Livre
Pulicidade:



Com aval de Lula, presidente do PT atua para expulsar grupo apelidado de 'centrão' do partido

O presidente nacional do PT, Edinho Silva-Foto: Divulgação/Arquivo
O presidente do PT, Edinho Silva, está prestes a entrar em guerra com uma ala do partido internamente apelidada de "centrão petista". O embate pode culminar na tentativa de expulsão de integrantes considerados desalinhados com a proposta de renovação partidária defendida por Lula.

Com aval do presidente da República, Edinho tem pregado o que chama de divórcio com esses integrantes do partido, também acusados de omissão na campanha presidencial.

Na quinta-feira (29), durante reunião da Executiva Nacional do PT, Edinho propôs essa saída voluntária de dirigentes do partido que se omitiram na eleição, chegando a tirar férias no segundo turno, enquanto Lula precisava de uma virada inédita para derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida presidencial.

Em seu discurso de encerramento, Edinho falou em divórcio litigioso, ou seja: expulsão da sigla. Ao encerrar a reunião da Executiva, contou ter saído de um café com Lula, além de ter conversado na véspera com o presidente sobre o futuro do PT.

Repetindo uma avaliação atribuída a Lula, Edinho afirmou que o partido não deve ser instrumento de projeção e enriquecimento pessoais, mas um projeto coletivo. O presidente do PT citou ainda uma manifestação pública de Lula em agradecimento à sua atuação na coordenação da campanha e propôs a constituição de uma nova maioria dentro da sigla.

A partir desse recado, os participantes da reunião chegaram à conclusão de que Edinho recebeu de Lula a incumbência de expulsar seus opositores, sendo Washington Quaquá o primeiro alvo.

Ele é prefeito de Maricá (RJ), cidade onde Lula perdeu nos dois turnos das eleições. Presidente do PT do Rio, o filho de Quaquá, Diego Zeidan, viajou para a Bahia após o primeiro turno, o que exigiu uma intervenção na coordenação de campanha no estado do Rio.

Procurado, o prefeito de Maricá afirmou que toda a campanha de Lula no Rio foi feita por ele e que seu filho teve que se afastar por quatro dias seguindo orientação médica após um pico de pressão. Vice-presidente do PT, ele chamou Edinho de mentiroso, incompetente e fofoqueiro, um crítico do fascismo que não tolera a crítica e estaria com medo de disputar a sigla com ele.

"Eu tenho tanto ou mais tempo de PT que ele. Com a diferença que sou de favela. Se alguém tem que tem que sair do PT e ir para PSOL é ele. Eu sou PT raiz".

Por seus posicionamentos controversos —como a defesa de Domingos Brazão, apontado como mandante do assassinato de Marielle Franco, e de operação policial que deixou 120 mortos no Rio—, Quaquá já é alvo de pedidos de expulsão na comissão de ética do partido. Mas essas solicitações não avançaram.

Na quinta-feira, ele não assistiu ao discurso de Edinho, tendo boicotado a reunião da Executiva Nacional do PT, instância decisória mais restrita, sob o argumento de que aquele não era o fórum adequado para avaliação da campanha de Lula.

Em mensagens de grupo, Quaquá se opôs à reunião, na tentativa de abrir uma dissidência contra Edinho. Mas, segundo petistas, o prefeito de Maricá não é o único na mira de Lula. De acordo com relatos, o presidente mantém arquivados panfletos de campanha de petistas sem o seu nome e quer que esses correligionários sejam enquadrados.

Em setembro, Edinho cobrou a inclusão do nome do presidente e de candidatos majoritários apoiados pelo partido no material de campanha distribuído pelos petistas que concorreram a deputado.

Ele ameaçou exigir a devolução de dinheiro do fundo eleitoral, em caso de descumprimento da orientação partidária. A cobrança se deu em meio à troca de acusações de infidelidade em grupos de conversas compostos por petistas, nos quais foram reproduzidos panfletos sem o nome de candidatos a governos estaduais e ao Senado e, em alguns casos, até do próprio presidente.

Após a vitória impulsionada por forte mobilização popular, Lula tem repetido que o PT precisa responder ao recado das ruas. Do contrário, os jovens que se manifestaram em prol de sua reeleição fundarão outro partido, segundo ele.

Ainda de acordo com esses relatos, o presidente defende que a sigla esteja afinada com as propostas de campanha, que incluem a redução do papel das emendas parlamentares no Orçamento. No Congresso, petistas que se adaptaram a essas práticas e outras da dinâmica parlamentar foram apelidados pelos colegas de partido de "centrão do PT".

Por outro lado, a possibilidade de expulsão desses petistas pode reabrir o racha na própria corrente do presidente Lula, a CNB (Construindo um Novo Brasil). Maior força do partido, a CNB abriga Edinho e seus desafetos, sendo que os dois grupos compuseram na disputa pela presidência do partido. Após um acordo alinhavado por Lula, Quaquá apoiou Edinho para o comando do PT.

Por Catia Seabra, Folhapress
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Rogério Marinho vai defender que direita divulgue voto em estratégia para derrotar Alcolumbre

Foto: Andressa Anholete / Agência Senado
Líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN) afirmou que defenderá que os senadores de direita divulguem seus votos publicamente na eleição para a presidência da Casa em 1º de fevereiro de 2027, numa estratégia para evitar que integrantes do grupo votem secretamente pela reeleição do presidente Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

"Vou defender. É difícil justificar em público o voto no Alcolumbre, né?", disse à reportagem.
A intenção de Marinho é garantir que os votos dos senadores eleitos pela direita sejam de fato direcionados para a candidatura de oposição. Além dele, Tereza Cristina, do PP, quer concorrer. O voto é secreto e Alcolumbre aposta neste sigilo para obter o apoio de parte da direita.

Os senadores do PL vão se reunir na quarta-feira (4) para definir a estratégia contra Alcolumbre e devem lançar a candidatura de Marinho à Presidência.

Parte da sigla argumenta que é melhor abrir negociações com o atual presidente após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para evitar que a legenda fique sem espaços no Senado. Outro grupo prefere desafiá-lo, com a tese de que há votos suficientes para vencer.

A direita cresceu no Senado e será maioria na Casa. A oposição somará 29 senadores do PL e mais três do partido Novo. Além disso, Republicanos, PP, Podemos e PSDB terão mais 15 parlamentares, a maioria eleita com apoio do bolsonarismo. Para eleger o presidente do Senado, é preciso o voto de 41 dos 81 senadores.

Alcolumbre e Marinho dizem ter 48 votos cada, o que significa que as duas contagens incluem alguns dos mesmos senadores. O presidente do Senado tem uma extensa lista de favores e relação de amizade com os atuais parlamentares, e aposta nisso para obter o apoio de parte da direita.

O voto aberto, na visão de bolsonaristas, pode ajudar a evitar traições e garantir a vitória. Os eleitos pela direita disputaram a eleição com discurso baseado em críticas ao STF (Supremo Tribunal Federal), e Alcolumbre é contrário ao impeachment de ministros, o que o tornou alvo de ataques.

O próprio presidente do Senado apostou nessa estratégia do voto aberto quando foi eleito pela primeira vez, em 2019, com apoio do então presidente Jair Bolsonaro (PL). À época, ele tentava se aproveitar do desgaste de Renan Calheiros (MDB-AL) e da chegada de novos senadores eleitos na onda contrária à política tradicional.

A manobra de Alcolumbre para que o voto fosse aberto daquela vez foi derrubada pelo STF, numa liminar do ministro Dias Toffoli proferida no meio da madrugada, mas senadores declararam seus votos de forma voluntária e mostraram a cédula de votação antes de levá-la à urna.

Parte dos aliados de Alcolumbre nos partidos de direita deve enfrentar agora o mesmo problema que outros políticos sofreram naquela ocasião. Esses parlamentares admitem que, publicamente, é difícil declarar voto no atual presidente do Senado devido à pressão dos eleitores.

Na última terça-feira (27), a federação formada por União Brasil -partido de Alcolumbre- e PP lançou sua candidatura à reeleição, mas a maioria dos senadores ou senadores eleitos desses partidos não se manifestou. Alguns, como Tereza e Guilherme Derrite (PP-SP), criticaram o anúncio nas redes sociais.

Em 2023, Marinho foi candidato e acabou derrotado pelo então presidente Rodrigo Pacheco (PSB-MG). O vencedor obteve 49 votos contra 32 do candidato de oposição. Com isso, o PL ficou sem a presidência de comissões relevantes e sem cargos na mesa diretora por dois anos. Em 2025, a sigla decidiu apoiar Alcolumbre em troca de postos mais relevantes, como a vice-presidência do Senado.

No entanto, os bolsonaristas afirmam que Alcolumbre atendeu mais ao governo Lula (PT) do que à oposição em sua gestão. Eles o criticam especialmente por atenuar as articulações por uma anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro de 2023, trocando-a por uma redução de penas que até hoje não se efetivou.

Outro motivo de críticas da direita ao presidente do Senado é por travar a abertura de impeachment de ministros do Supremo, o que se transformou numa das principais bandeiras do grupo na eleição.

Durante a campanha, Alcolumbre ainda ajudou Lula ao colocar em votação a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acabou com a jornada de seis dias de trabalho para um de folga, a jornada 6x1. A pauta foi uma das principais bandeiras do petista e deu fôlego a ele no segundo turno.
Por Raphael Di Cunto / Folhapress

PT trava disputa interna e abre debate sobre futuro do partido no pós-Lula

A cúpula do PT enfrenta disputa interna motivada por insatisfações acumuladas ao longo da eleição e já debate sobre o futuro do partido após a aposentadoria do presidente Lula.

Diante de críticas à condução da campanha, petistas se articularam, na última semana, pela convocação de uma reunião presencial do Diretório Nacional, instância máxima do partido. O objetivo é fazer uma avaliação da disputa e articular a realização de um congresso no ano que vem sobre renovação partidária e outros temas.

Na quinta-feira (29), uma ala do partido chegou a boicotar uma reunião da Executiva Nacional do PT, instância decisória anterior do partido, sob o argumento de que aquele não era o fórum adequado para avaliação da campanha. Sob pressão, o presidente do partido, Edinho Silva, convocou o diretório para o dia 13 de novembro.

No PT, a expectativa é que ele ouça críticas à condução da campanha eleitoral, da qual foi coordenador. Dirigentes do partido se queixam de concentração de decisões. Líderes estaduais cobram mais autonomia para decidir sobre o destino de recursos da legenda.

O próprio Lula externou crítica ao presidente do partido em fala à militância divulgada acidentalmente em canal da sigla. "Eu acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Acho que a gente poderia ter feito mais. Eu disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que eu participei desde 1989. E normalmente a gente colhe aquilo que a gente planta", declarou.

Edinho também contrariou aliados ao se lançar à Câmara dos Deputados, valendo-se do protagonismo à frente do partido para atrair eleitores em detrimento de candidatos de São Paulo.

Reclamando de desorganização, candidatos contam que tiveram que redimensionar seus gastos após uma revisão do valor de recursos repassados já no curso da disputa.

Parlamentares eleitos também reivindicam maior controle sobre recursos do PT, o que provoca grande reação de dirigentes locais e defensores do rejuvenescimento partidário.

A discussão sobre o funcionamento da sigla poderá influenciar no médio prazo a ascensão de novos nomes. Um dos argumentos usados pelos dirigentes locais para cobrar mais poder sobre os recursos da sigla é que são eles que conhecem as conjunturas estaduais. Por isso, teriam mais condições para identificar candidatos com potencial que devem receber mais dinheiro para fazer campanha.

Um exemplo seria a campanha de Cadu de Lula ao governo do Rio Grande do Norte. Ele era um candidato forte e foi eleito, mas teve apenas R$ 1,5 milhão do Diretório Nacional do partido para fazer campanha nos dois turnos. Diversos candidatos a deputado federal receberam da direção nacional do PT mais recursos de campanha que Cadu.

Mesmo que haja uma alteração na forma como o partido planeja suas candidaturas para a maioria dos cargos, é consenso que Lula é quem conduzirá sua própria sucessão. A vitória na eleição da semana passada deu a ele ainda mais força para controlar esse processo, reduzindo o risco de rachas entre grupos petistas na disputa pelo posto de candidato a presidente em 2030.

Aliados do presidente listam o senador Camilo Santana (PT-CE), o governador Rafael Fonteles (PT-PI) e o ex-ministro Fernando Haddad (PT-SP) como possíveis herdeiros do chefe do governo. Mas ressalvam que ele não deve antecipar essa discussão. Sinalizar um sucessor imediatamente deslocaria a perspectiva de poder para um novo nome e diminuiria a autoridade do atual chefe de governo.

Camilo e Fonteles fizeram suas carreiras no Nordeste. Caso um dos dois seja escolhido, a região ganhará poder dentro do PT. Lula nasceu em Pernambuco, mas entrou na política em São Paulo.

O atual chefe de governo foi o candidato petista em 7 das 10 eleições presidenciais disputadas pelo partido e participou das articulações das outras 3. Ele terá 85 anos quando seu próximo mandato, que começa em 5 de janeiro, acabar. Não deverá mais disputar eleições.

Apesar de já haver nomes considerados favoritos, aliados de Lula afirmam que esse quadro pode mudar até o momento de escolher um candidato para a próxima eleição. O exemplo, citado por diversos petistas, é a eleição de 2010. Os ministros José Dirceu e Antonio Palocci eram apontados como prováveis sucessores de Lula em seus primeiros mandatos. Os dois foram atingidos por escândalos, e Lula lançou Dilma Rousseff (PT).

Há anos petistas do Nordeste reclamam do poder de políticos paulistas sobre o partido, que tem em estados como Bahia, Ceará e Piauí seus melhores resultados eleitorais. Mas o número de filiados do partido em São Paulo desequilibra as votações internas em favor dos paulistas.

Em conversas com dirigentes do partido, Edinho Silva tem dito que a legenda precisa mudar sua organização interna, renovar quadros e reformular sua maneira de se comunicar.

Diretriz política aprovada pela Executiva petista na quinta-feira toca nesses assuntos.

"O PT precisa abrir suas portas, renovar suas formas de participação e construir, com os jovens, novos caminhos de organização política. Orientamos a realização de uma ampla campanha de filiação de jovens ao Partido dos Trabalhadores", afirma o texto.

"O partido deve incorporar novas formas de organização e mobilização, renovar sua comunicação e ampliar sua presença nos territórios, transformando o apoio eleitoral em força social organizada", afirma o texto.
Por Catia Seabra e Caio Spechoto | Folhapress

Bancada evangélica cresce puxada por influenciadores como Nikolas e Pavanato Por Anna Virginia Balloussier, Folhapress

Levantamento do Iser mostra mostra pequeno salto, de 15,8% para 18,9% dos deputados eleitos

Foto: Vittor Sales/Divulgação/PL/Arquivo
Com três dos cinco deputados mais votados do país, mais um filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a bancada evangélica na Câmara vai aumentar a partir de 2027.

A próxima legislatura tem 97 parlamentares que se declaram evangélicos, 16 a mais do que os eleitos em 2022. O grupo passou de 15,8% para pelo menos 18,9% das 513 cadeiras, segundo levantamento do Iser (Instituto de Estudos da Religião) que mapeou a identidade religiosa do novo Parlamento.

Católicos tiveram a maior expansão absoluta: de 237 deputados em 2022 (46,2%) para 270 em 2026 (52,6%). Houve também uma redução de parlamentares classificados como cristãos sem denominação, de 81 para 64, e daqueles cuja identidade religiosa não foi identificada, de 96 para 68. Os deputados sem religião caíram de 12 para 6.

A representação evangélica pode ter dilatado, mas permanece aquém da proporção desse segmento no país. No Censo de 2022, crentes eram 26,9% da população com 10 anos ou mais. A percepção entre membros da bancada é a de que há espaço para avançar ainda mais.

"Continuamos subrepresentados no Congresso", diz Sóstenes Cavalcante, ex-presidente desse bloco e líder do PL na Câmara. "Espero que, com a renovação, a gente consiga uma bancada ainda mais aguerrida e eficaz, para que possamos trazer bons resultados das nossas lutas por valores morais no Parlamento."

A repaginada foi marcada pelo desgaste da velha guarda tradicional das igrejas. Dos cinco deputados que se revezaram no comando do bloco evangélico desde 2018, apenas um se reelegeu: Sóstenes, respaldado no pleito por seu pastor, Silas Malafaia.

A nova composição vem impulsionada por uma juventude com altíssimo engajamento digital. Os dois deputados mais votados do Brasil são evangélicos: Nikolas Ferreira (PL-MG), 30, e Lucas Pavanato (PL-SP), 28. O quarto melhor colocado, André Fernandes (PL-CE), 28, também é.

Jair Renan Bolsonaro (PL-SC), caçula dos filhos homens do ex-presidente e batizado em 2024 na igreja Sara Nossa Terra, estreia em Brasília. Novos nomes surgiram apoiados por pautas de costumes e redes virtuais, a exemplo de Guilherme Kilter (Novo-PR), 24. Líder de jovens na Primeira Igreja Batista de Curitiba, ele disse à Folha que a bancada evangélica "parou no tempo" e "não consegue mais se comunicar de forma clara", com "um posicionamento meio simplista". Quer ajudar a modernizar essa turma que é hoje liderada pelo decano Gilberto Nascimento (Pode-SP), 70 —não reeleito.

Também ficaram de fora ou na suplência os ex-presidentes da bancada Cezinha de Madureira (PL-SP), Silas Câmara (Republicanos-AM) e Eli Borges (PL-TO), que tentou vaga no Senado. Pastor Eurico (PSDB-PE), capelão de muitos dos cultos semanais da bancada no Congresso, foi outro barrado nas urnas.

Herdeiros de grandes denominações saíram derrotados das urnas. Nenhum dos filhos do missionário R.R. Soares foi eleito.

A Universal do Reino de Deus reelegeu alguns quadros, entre eles Marcos Pereira, presidente do Republicanos, costela partidária da igreja. Já parentes do bispo Edir Macedo malograram na missão: nem o sobrinho Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), que concorria a senador, nem a irmã Edna Macedo (Republicanos-SP). Ela disputou um sexto mandato na Assembleia Legislativa de São Paulo e pediu "a todos que caminharam" ao seu lado para que "não fiquem tristes", pois confia "nos propósitos de Deus".

Entre os 97 evangélicos mapeados, 55 foram reeleitos, o equivalente a 56,7% do grupo. O número está abaixo do percentual de reeleição geral, de 60,62%, conforme levantamento da Secretaria-Geral da Mesa da Câmara.

O PL de Flávio Bolsonaro, que disputa o segundo turno presidencial contra Lula (PT), concentra a maior parcela, com 42 deputados crentes. Em seguida aparecem Republicanos, com 14, e União Brasil, PSD e PP, 7 cada, e Podemos, com 6 eleitos.

São sete parlamentares de partidos à esquerda: três no PT, dois no PSB, o pastor Henrique Vieira pelo PSOL e André Janones, que comanda uma tropa digital com seu "Exército do Lula", na Rede. Aos 31 anos, a petista Camila Jara, que militava nas pastorais da Igreja Católica até se converter ao evangelicalismo, foi a deputada mais bem votada em Mato Grosso do Sul.

O Sudeste reúne o maior contingente evangélico: 39 deputados evangélicos, o equivalente a 21,8% da bancada da região. O Centro-Oeste tem o maior peso proporcional entre o total de deputados eleitos (24,4%), e o Nordeste, a menor (12,6%).

A antropóloga Livia Reis, que coordenou a pesquisa, aponta uma mudança significativa na forma como a identidade cristã foi instrumentalizada pelos candidatos, "de uma forma mais difusa, sem necessidade de vinculação a igrejas específicas". Entram aí influenciadores digitais cristãos, aceleradores da renovação política —Nikolas ajudou a eleger vários, como Pavanato em São Paulo e Julia de Castro (PL) no Rio.

Reis também vê uma sobreposição da chamada bancada BBB: Boi (agro), Bala (segurança pública) e Bíblia (evangélica, que pode se associar com católicos conservadores). "A quase totalidade dos deputados militares ou vinculados às polícias é cristã, revelando o sucesso eleitoral da articulação entre pautas punitivistas e cristãs conservadoras."

Os dados congregados pelo Iser não devem ser confundidos com a composição oficial da futura FPE (Frente Parlamentar Evangélica). A classificação considera a religião declarada dos deputados, enquanto a participação na bancada depende de inscrição voluntária e conta, inclusive, com colegas de outras crenças —que não necessariamente atuam no bloco, mas ajudam a viabilizá-lo, já que é preciso um mínimo de 171 signatários para que uma frente parlamentar seja formalizada.

A primeira FPE coincidiu com o primeiro ano de Lula na Presidência, 2003, embora informalmente a bancada evangélica exista desde a Assembleia Nacional Constituinte, que pariu a Constituição de 1988.
Senado 95% cristão

A cartografia religiosa traçada pelo Iser revelou um Senado 95% cristão. A maioria é católica: 58 de 81 senadores (71,6%). Há 15 autodeclarados evangélicos (18,5%), além de quatro parlamentares que se apresentam com um genérico "cristão".

O PL, a principal morada partidária do bolsonarismo, concentra mais da metade do grupo, com 8 evangélicos. Os demais dividem-se entre Republicanos (2), Novo (2), União Brasil (1), PP (1). A representante solo da esquerda é Samanda Alves de Freitas (PT-RN), a Samanda de Lula.

Entre os estreantes na Casa há nomes como Michelle Bolsonaro (PL-DF) e Deltan Dallagnol (Novo-PR). A minoria não cristã tem dois senadores com filiação religiosa não identificada, Romário (PL-RJ) e Styvenson Valentim (Pode-RN), além dos judeus Davi Alcolumbre (União-AP), atual presidente do Senado, e Jaques Wagner (PT-BA).

Por Anna Virginia Balloussier, Folhapress

Deputada do PL cobra registros de acesso de empresário ligado a Lulinha ao Planalto e órgãos federais

Deputada Júlia Zanatta (PL-SC) discursa durante debate sobre fim da escala 6x1 na Câmara dos Deputados
A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) apresentou três requerimentos ao governo em que cobra informações sobre o acesso do empresário da Mota-Engil, ligado ao filho do presidente Lula, o Lulinha, ao Palácio do Planalto e outros órgãos públicos.

O pedido é feito após a lobista Roberta Luchsinger afirmar em entrevista à CNN Brasil que a empresa conseguiu fechar contratos bilionários com o governo federal pela proximidade do empresário com o filho do presidente.

Ela pede os registros de entrada e saída de Amauri Rodrigues Pinha aos órgãos federais, a lista das autoridades que o receberam, as agendas de reuniões e os detalhes dos contratos celebrados entre o governo e a empresa.

Zanatta quer saber ainda se existem credenciais especiais ou encontros não registrados em agendas públicas.

Os documentos foram encaminhados ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República e aos ministérios dos Transportes e de Minas e Energia.

Na entrevista, Luchsinger diz que o grupo empresarial teria acumulado R$ 2 bilhões em contratos, mas não comprovou as informações.

Além disso, o requerimento cita contratos expressivos da Mota-Engil com a Petrobras que somam mais de R$ 5 bilhões. A parlamentar quer esclarecer os procedimentos licitatórios, os critérios de seleção, os valores efetivamente pagos, além de eventuais interferências nas contratações.

O governo tem 30 dias para responder às informações solicitadas pela deputada.
Por Gabriela Echenique, Folhapress

De olho em 2028, Ana Paula Matos e Léo Prates ficam fora de ato de Flávio Bolsonaro em Salvador- Por Política Livre

       A vice-prefeita Ana Paula Matos (PDT) e o deputado federal Léo Prates (Republicanos)
Dois nomes que disputam espaço no grupo político de ACM Neto (União) e do prefeito Bruno Reis (União) de olho na Prefeitura de Salvador em 2028 não foram vistos no ato de campanha de Flávio Bolsonaro (PL), realizado neste sábado (17), na Barra. O deputado federal Léo Prates (Republicanos) e a vice-prefeita Ana Paula Matos (PDT) ficaram de fora dos registros públicos da mobilização, diferentemente dos seus liderados, respectivamente o antecessor e o atual gestor, de secretários municipais e de dirigentes ligados à administração da capital.

A ausência dos dois chama atenção pelo contexto eleitoral. Tanto Ana Paula quanto Léo alimentam o desejo de disputar a sucessão de Bruno Reis, mas precisam considerar o perfil do eleitorado soteropolitano, que deu maioria dos votos ao presidente Lula (PT). Nesse cenário, uma associação direta à campanha de Flávio Bolsonaro poderia representar um desgaste junto a setores do eleitorado que poderão ser decisivos na eleição municipal de 2028.

No caso de Ana Paula, a situação é ainda mais delicada por ocupar a vice-prefeitura e integrar diretamente a administração de Bruno Reis. Embora faça parte do mesmo grupo político de ACM Neto, a pedetista não acompanhou publicamente o movimento de aproximação com o candidato do PL. A ausência no evento permite a interpretação de que ela busca preservar sua identidade política e evitar uma vinculação mais explícita ao bolsonarismo.

Léo Prates também adotou uma postura diferente da de seu principal líder político. Enquanto ACM Neto declarou apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno e participou ativamente da organização do ato, o deputado do Republicanos não anunciou adesão pública à candidatura presidencial. O silêncio pode ser interpretado como uma tentativa de manter abertas diferentes possibilidades políticas para 2028, sem comprometer sua relação com eleitores que não se identificam com o bolsonarismo. Valeu lembrar que o presidente da sigla, deputado federal Márcio Marinho, esteve no evento.

Léo, aliás, não esconde a disposição de disputar a Prefeitura de Salvador, mesmo que isso signifique contrariar os planos de ACM Neto e Bruno Reis. Em diferentes momentos, ele já sinalizou que poderia seguir um caminho próprio caso não fosse escolhido pelo grupo. Até agora, entretanto, nunca levou essa possibilidade às últimas consequências, preferindo tensionar a relação com seus padrinhos políticos sem efetivamente romper com eles.

A rivalidade entre Léo e Ana Paula voltou a aparecer nas eleições deste ano. A vice-prefeita apoiou a candidatura de Cacá Leão (PP) à Câmara dos Deputados, deixando de caminhar com Léo Prates, que também disputou e conquistou a reeleição. O episódio reforçou a existência de projetos políticos distintos dentro de um mesmo grupo, apesar da aliança administrativa na Prefeitura.

A ausência dos dois no ato deste sábado, portanto, pode ter ido além de uma simples questão de agenda. Enquanto ACM Neto e Bruno Reis assumiram publicamente a campanha de Flávio Bolsonaro, Ana Paula e Léo evitaram, ao menos naquele evento, uma exposição que poderia cobrar seu preço político daqui a dois anos. Resta saber até quando conseguirão manter essa distância sem provocar novos atritos com as principais lideranças do grupo.
Por Política Livre

Com apoio de Geraldo Júnior, deputado tenta tomar MDB dos Vieira Lima na Bahia Por Política Livre

Uma articulação nacional que teve início de forma tímida após o primeiro turno das eleições visa tirar o MDB das mãos dos irmãos Vieira Lima e assegurar o controle do partido na Bahia ao deputado federal Ricardo Maia, único representante baiano da sigla no Congresso Nacional. O objetivo é assumir os cargos no âmbito estadual indicados pelo comando da legenda, sobretudo as secretarias de Infraestrutura Hídrica e Saneamento (SIHS), capitaneada por Marise Chastinet, e de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), chefiada por José Castro.

As conversas, ainda em caráter embrionário, acontecem entre Ricardo Maia e lideranças do partido na Câmara Federal e já teriam chegado ao presidente nacional, deputado federal Baleia Rossi (MDB). Na Bahia, contariam com o aval do vice-governador reeleito Geraldo Júnior (MDB), que sempre se colocou como aliado fiel dos Vieira Lima, mas agora almeja voos mais altos.

Procurada pelo site, o comando do MDB disse desconhecer a articulação e afirmou estar empenhada na reeleição do presidente Lula (PT) no segundo turno. O mesmo informou a assessoria do governador Jerônimo Rodrigues (PT), que só vai tratar de cargos e espaços no segundo governo após o pleito. Ricardo Maia não respondeu às mensagens do site.

Esta não seria a primeira vez que Ricardo Maia tenta assumir o comando do MDB na Bahia. Logo após ser eleito deputado federal, ele teria feito incursões dentro da legenda com o objetivo de sondar lideranças nacionais sobre uma eventual mudança, mas a ideia naufragou. Agora, diante da fragilidade de Geddel e Lúcio Vieira Lima, que não conseguiram eleger o primo Jayme Vieira Lima para a Câmara Federal, o parlamentar decidiu fazer novas sondagens.

O apoio de Geraldo Júnior teria como objetivo facilitar uma articulação com o governador. O vice também busca um espaço para o filho, o deputado estadual Matheus Ferreira (MDB), na próxima gestão. O parlamentar não conseguiu se reeleger.

Nacionalmente, Ricardo Maia indicou, no governo Lula, o presidente do DNIT na Bahia, Roberto Alcântara, ex-vereador de Ribeira do Pombal, cidade da qual o deputado já foi prefeito. Caso Flávio Bolsonaro (PL) vença a eleição presidencial, deverá promover mudanças no órgão baiano. Daí a necessidade de o parlamentar, que declarou apoio à reeleição do presidente, buscar alternativas no governo de Jerônimo.

Além das duas secretarias, o MDB da Bahia, que segue com dois deputados estaduais, comanda também a Companhia de Engenharia Hídrica e de Saneamento (Cerb), que antes da eleição era chefiada por Jayme e agora está sob o comando de Larissa Moraes, e a Junta Comercial do Estado da Bahia (Juceb), presidida por Ramon de Almeida Bagano Guimarães.

Fim da escala 6x1 volta ao Senado nesta terça (13), com disputa entre governo e oposição; veja o que pode mudar

O Senado Federal retoma nesta terça-feira (13) as sessões de análise da PEC (proposta de emenda à Constituição) 221, que acaba com a escala 6x1, na qual se trabalha por cinco dias com um de folga. Ao todo, são cinco sessões ordinárias antes que a proposta seja votada. Já houve três.

A votação está prevista para ocorrer em primeira sessão nesta quarta-feira (14), a partir das 14h. A oposição tenta evitar que ocorram duas votações no mesmo dia, com obstruções, seja impedindo o quórum mínimo ou apresentando emendas para tentar fazer com que o texto volte para a Câmara dos Deputados.

A PEC pelo fim da escala 6x1 reduz a jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40 horas 14 meses após sua promulgação e publicação, e cria a escala 5x2, sem redução de salário. A proposta foi aprovada na Câmara em maio. Para passar no Senado, precisa de 49 votos dos 81 senadores em duas votações.

As sessões de discussões da PEC começaram na terça-feira (6), logo após o primeiro turno das eleições de 2026, conforme havia sido acordado entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O PL, de Flávio Bolsonaro, é o principal partido que trabalha contra a aprovação nos bastidores. O motivo é que, na avaliação da legenda, a medida daria vantagem a Lula, que saiu do primeiro turno das eleições em desvantagem, em segundo lugar.

As sessões de discussão da PEC precisavam de ao menos cinco senadores para debate, mas chegaram a ter cerca de 50. O primeiro a falar na tribuna foi o senador Paulo Paim (PT-RS), que está se aposentando do Senado, e sempre defendeu a redução da carga horária de trabalho.

Paim teve uma de suas PECs de diminuição da jornada aprovada no final de 2025, na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. Ele foi deputado constituinte e, ao lado do presidente Lula, conseguiu aprovar a redução da jornada de 48 horas semanais para 44 horas semanais no texto da Constituição.

PEC das horas trabalhadas

Paralela à PEC 2221, há uma proposta da oposição. É a PEC 12, do senador Rogério Marinho (PL-RN), que propõe mudar a escala para implantar o sistema de horas trabalhadas. Chamada de PEC da Liberdade por quem a defende ou de PEC da Escala 7x0 pelos seus críticos, a medida cria o regime por horas trabalhadas.

O projeto do parlamentar do PL altera parte do artigo 7º da Constituição Federal para dar ao trabalhador a possibilidade de escolher entre a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e o trabalho por hora, por meio de um regime flexível. O pagamento seria feito com base nas horas trabalhadas.

Com esse modelo, o próprio profissional poderia escolher um contrato em que folga dois dias por semana, mas não recebe pelos dias que não trabalha. A jornada por hora poderia ter contratos inclusive em que se trabalha todos os dias, respeitado o limite de horas semanais, ou com uma folga na semana.


Na PEC apoiada por Flávio Bolsonaro, salário, FGTS, férias e 13º seriam proporcionais às horas trabalhadas.

O que pode mudar com o fim da escala 6x1?

  • A jornada de trabalho hoje é limitada a oito horas por dia e 44 horas semanais, conforme prevê a Constituição
  • Pela PEC 221, a jornada será limitada a oito horas diárias e 40 horas semanais, com dois descansos semanais remunerados, sendo um deles preferencialmente aos domingos
  • No primeiro ano, o limite será de 42 horas semanais e só começará a valer 60 dias após a promulgação da medida; 12 meses depois, haveria a redução para 40 horas

Como fica o descanso semanal remunerado?

  • Hoje, há apenas um repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos
  • A PEC 221 cria a escala 5x2, com dois dias de repouso semanal remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos
  • Mas isso não significa que todo mundo vai folgar aos sábados e domingos, pois vai depender da escala e da profissão
  • Categorias e atividades que podem atuar em domingos e feriados, conforme prevê a lei, por serem consideradas essenciais, continuam com outras escalas, mas a folga deve ser compensada

Como ficam as horas extras?

  • As horas extras continuam existindo. Hoje, o salário deve ser acrescido em 50% a cada hora a mais trabalhada no dia, com limite de duas horas extras por dia
  • Com a PEC, no período em que a jornada for de 42 horas, acordos e convenções coletivas poderão prever que a jornada diária possa ter mais de oito horas para compensar a escala 5x2, sem que essas horas sejam pagas como extra
  • Isso ocorrerá para acomodar a jornada de 42 horas dentro da escala de cinco dias

Será proibido trabalhar aos domingos?

  • O trabalho aos domingos não é proibido e é, inclusive, permitido para algumas categorias consideradas essenciais
  • Se houver trabalho nesse dia sem compensação prevista em lei, norma, convenção ou acordo coletivo, a hora de trabalho deverá ser paga em dobro
  • A PEC 221 mantém o domingo como um dia preferencial de descanso, mas não veta o trabalho neste dia, garantindo que categorias que precisem funcionar possam organizar suas escalas; vale a regra atual de compensação, que pode contar, inclusive, com banco de horas

Como fica o banco de horas?

  • Hoje, o trabalho em domingos e feriados pode ser compensado por meio de banco de horas se houver acordo ou convenção coletiva prevendo a medida
  • Não há nova regra prevista e o banco de horas poderá ser adotado conforme as negociações entre empregadores e trabalhadores

Os acordos e convenções coletivas vão mudar? Eles podem prever jornada maior?

  • A Constituição e a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) garantem que acordos e convenções coletivas podem prever arranjos diferentes de leis e normas, desde que respeitem a Constituição; é o acordado sobre o legislado, reforçado na reforma trabalhista de 2017
  • A PEC 221 mantém que acordo ou convenção coletiva de trabalho pode prever compensação de horários e outros arranjos de jornada, desde que respeitados os limites reforçando o acordado sobre o legislado; não é possível, no entanto, aumentar a jornada máxima semanal nem acabar com os dois dias de descanso previstos
  • A PEC prevê ainda que cláusulas que tratem sobre a jornada antiga deixam de valer dentro de 60 dias

O que é o 'superempregado'?

  • A reforma trabalhista de 2017 criou a figura do trabalhador hipersuficiente, que é o profissional com diploma de nível superior e salário acima de dois tetos da Previdência Social; ele pode negociar diretamente com o empregador
  • A PEC 221 coloca na Constituição a figura do 'superempregado', que é o trabalhador com diploma de nível superior e com salário acima de dois tetos e meio da Previdência, o que dá R$ 21.888,88 hoje. Neste caso, o profissional não terá controle de jornada e terá direito somente aos dois descansos semanais remunerados

Por Cristiane Gercina

Bolsa Família vira bandeira eleitoral, com promessas já existentes e obrigação de trabalhar

              Nesta eleição, Lula amplificou o debate ao anunciar um reajuste inesperado de 15%
Desde o primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, o Bolsa Família é tema recorrente das eleições presidenciais em razão do número de pessoas atendidas —são cerca de 20 milhões de famílias - e pelos efeitos na renda, no trabalho e no voto das camadas mais pobres da população.

Nesta eleição, Lula amplificou o debate ao anunciar um reajuste inesperado de 15% nos benefícios no programa social a 17 dias do pleito, em um momento de fragilidade de sua campanha frente ao avanço de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), nas pesquisas. O repasse do programa mínimo subiu de R$ 600 para R$ 691 por família.

A Folha pesquisou os programas e as falas dos candidatos para saber quais são os planos para o programa. Quase nenhum dos presidenciáveis traz novas propostas que tratem dos principais desafios do Bolsa Família, como medidas para ampliar o benefício para a população em extrema pobreza ou mudanças no desenho que eliminem incentivos à informalidade.

Lula promete "manter e aperfeiçoar" a política de transferência de renda, mas não aponta os caminhos para cumprir essa meta num eventual Lula 4.

Entre os opositores, todos falam de incentivar que beneficiários deixem o Bolsa Família para ingressar no mercado de trabalho ou se tornarem empreendedores. O programa é alvo de críticas por ser associado à ideia de que gera dependência e prejudica a empregabilidade.

Diferentes estudos mostram que o Bolsa Família é eficaz em promover mobilidade social. Uma pesquisa da FGV, por exemplo, apontou que 60,68% dos beneficiários de 2014 deixaram o programa até 2025.

"O Bolsa Família ainda é um programa que gera mobilidade social porque impede um nível de pobreza extrema," afirma Daniel Duque, pesquisador do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

Sergio Firpo, professor do Insper, diz que o desenho tem fragilidades. Para ele, o reajuste de Lula deveria priorizar famílias com crianças, mais pobres, evitando repasses proporcionalmente maiores a adultos em famílias unipessoais.

Sem verificação rígida da renda, beneficiários evitam a formalização para não perder o auxílio. O desenho poderia ajudá-los a buscar emprego com carteira assinada.

"O Bolsa Família gera incentivo para permanecer na informalidade. A informalidade gera volatilidade, e a volatilidade te leva ao programa. Você fica nessa armadilha da informalidade", afirmou Firpo, que foi secretário de Revisão de Gastos do Ministério do Planejamento.

Candidatos adversários do presidente Lula (PT) propõem medidas que já existem para o Bolsa Família, como manuteção do auxílio por um período de transição, em caso de aumento de renda.

Flávio Bolsonaro se pronunciou a favor da manutenção do benefício, caso seja eleito, mas criticou o reajuste concedido por Lula.

"Está achando que vai comprar o voto do pobre dando mais R$ 90 por mês? Além de manter esse reajuste, vou fazer muito mais", afirmou, durante transmissão ao vivo em suas redes sociais.

No passado, Flávio Bolsonaro foi crítico da política social e chegou a chamá-la de "bolsa-farelo". Ele mudou de discurso, mas o seu plano de governo não há uma sequer citação ao nome "Bolsa Família".

O plano fala em criar trilhas de capacitação que facilitem a entrada no mercado de trabalho, além de dar prioridade aos beneficiários em programas de primeiro emprego.

Diferentes versões desse tipo de ação já foram implementadas ao longo dos anos. Hoje, existe o programa "Acredita no Primeiro Passo", que oferece oportunidades de trabalho, estudo e empreendedorismo para quem está no CadÚnico, incluindo o microcrédito.

O progama já teve 393 mil pessoas beneficiadas nas acões de empreendedrorismo, segundo dados do secretaria de Inclusão Socioeconômica. Para Daniel Duque, apesar da proposta de Flávio, é difícil aprimorar o que já está implementado.

Os planos de Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) falam em propor uma regra de transição para quem sair do programa por aumento de renda. Pela proposta dos candidatos do PSD e do Avante, o valor do auxílio seria mantido, com uma redução gradual enquanto a pessoa se estabelece no emprego.

Em 2023, uma regra foi criada para o programa e prevê que, mesmo se a renda familiar ultrapassar os R$ 218 por pessoa, ela pode continuar recebendo 50% do valor do benefício que recebia antes, por um período de até 18 meses.

O plano de governo de Caiado fala ainda em integrar dados de CadÚnico, Suas (Sistema Único de Assistência Social), saúde, educação e habitação para melhorar o diagnóstico e plano de acompanhamento das políticas públicas. Isso também ajudaria a atualizar cadastros e combater fraudes, segundo o candidato.

O CadÚnico já usa de dados do Suas, além do sistema de presença do Ministério da Educação e dados da RNDS (Rede Nacional de Dados em Saúde). No entanto, ainda existe uma série de informações que podem ser mais bem aproveitadas, de acordo com Firpo.

"Não é totalmente integrado. Tem várias barreiras legais que justificam isso. Mas ao mesmo tempo, pela própria LGPD [Lei Geral de Proteção de Dados], você pode ter acesso aos dados, desde que seja para formulação de políticas públicas", afirma.

Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) são os presidenciáveis mais críticos ao programa. Zema disse considerar ilegal o reajuste às vésperas da eleição.

Os planos de governo de ambos os candidatos defendem que os beneficiários precisem trabalhar para manter o auxílio.

Em um evento promovido pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), Zema afirmou que o Bolsa Família estaria criando uma "criando uma geração de imprestáveis" e que empresários estariam enfrentando dificuldade para contratar mão-de-obra devido ao programa.

O plano de governo do candidato do Novo afirma que, no caso de adultos saudáveis e aptos ao trabalho, o auxílio só será dado se estiverem trabalhando, estudando ou se qualificando. Se recusarem ofertas formais de trabalho sem justificativa, o beneficio seria suspenso.

Zema propõe ainda um prêmio de R$ 5.000 para as famílias que superarem o limite de renda e deixarem voluntariamente o programa. Carlos da Costa, assessor econômico do candidato, afirmou em entrevista ao programa C-Level da Folha, que o candidato vai unificar o Bolsa Família ao BPC (Benefício de Prestação Continuada), Pé-de-Meia, Gás do Povo, abono salarial e outros programas sociais, se for eleito.

Já Renan Santos fala em substituir o Bolsa Família por frentes de trabalho. A população em idade ativa receberia remuneração em troca de atuar em projetos de trabalho voltados ao bem público. Apenas quem não conseguir trabalhar terá direito ao benefício.

Em entrevista ao C-Level, o deputado federal Kim Kataguiri (Missão), representante econômico de Renan, afirmou que os CRAS (Centros de Referência de Assistência Social) fariam essa peneira.

"[Falas de candidatos] revelam um pouco de ignorância sobre o que o programa faz e também um certo preconceito, como se o beneficiário do Bolsa Família fosse alguém que não está a fim de trabalhar, o que não é verdade", afirma Firpo.

O QUE CADA CANDIDATO PROPÕE PARA O BOLSA FAMÍLIA

Lula (PT):
  • Reajuste de 15% do benefício (já concedido)
  • Manter e ampliar o Bolsa Família, sem detalhar como
Flávio Bolsonaro (PL)
  • Ampliar capacitação de beneficiários e acesso ao primeiro emprego
  • Proibir uso do benefício em apostas (já existe)
Ronaldo Caiado (PSD)
  • Criar regra de transição que mantém o benefício após aumento de renda (já existe)
  • Integrar dados sociais, de saúde e educação para melhorar o acompanhamento e combater fraudes
Augusto Cury (Avante)
  • Criar regra de transição que mantém o benefício após aumento de renda (já existe)
  • Usar o programa para estimular o empreendedorismo (já existe)
Romeu Zema (Novo
  • Condicionar o benefício de adultos aptos a trabalho, estudo ou qualificação
  • Dar R$ 5.000 a famílias que deixarem voluntariamente o programa após aumento de renda
  • Unificar Bolsa Família, BPC, Pé-de-Meia, Gás do Povo e outros benefícios
Renan Santos (Missão)
  • Substituir o Bolsa Família por frentes de trabalho e manter o benefício apenas para quem não puder trabalhar
  • Usar os CRAS para avaliar a capacidade de trabalho de cada pessoa
Por Luany Galdeano/Folhapress

Guerra entre 'dinistas' no Maranhão reacende debate sobre atuação política de Dino como juiz Por Fabio Victor, Folhapress

Assessoria diz que ministro 'não trata e não responde sobre assuntos de política, da qual está afastado desde fevereiro de 2024'
Na sabatina a que se submeteu na Comissão de Constituição e Justiça do Senado como requisito para assumir a cadeira de ministro do Supremo Tribunal Federal, em dezembro de 2023, Flávio Dino respondeu a certa altura: "Gosto muito da atividade política [...], respeito muito a política, a vivo muito intensamente há 17 anos, mas sei que, em merecendo a aprovação aqui na CCJ e no plenário, é claro que eu deixo a vida política em todas as dimensões, inclusive nas redes sociais".

Não era a primeira vez que Dino enfrentava esse questionamento, até porque a alternância entre as atividades de magistrado e a de político marca a sua trajetória. Iniciou a militância como líder estudantil, fez carreira no direito —sobretudo como juiz federal, por 12 anos—, largou a toga para disputar sua primeira eleição em 2006 (elegendo-se deputado federal pelo PC do B) e permaneceu na política por 18 anos, até ser nomeado por Lula ministro do Supremo.

A transferência do governo Lula (do qual foi ministro da Justiça) direto para a cadeira do STF instaurou uma questão inevitável: ele seria um magistrado com passado político, como prometeu na sabatina, ou um político atuando na magistratura? A dúvida ressurge em momentos agudos, como na sessão da última terça (15) para analisar se o ministro Alexandre de Moraes deve ser investigado pela relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Enquanto analistas como Conrado Hübner Mendes criticaram a atuação de Dino por "pitadas de agressão a Fachin", "citações de algibeira" e "contradição performativa", para o bolsonarismo o papel dele como líder da ala pró-Moraes e autor do pedido de vista que suspendeu a análise o transformou em alvo, e nas hostes esquerdistas o ministro foi saudado como combativo —nas redes sociais espocaram palpites de que ele seria o candidato ideal desse campo à Presidência em 2030.

Um futuro novo retorno de Dino à política é desejado também por seus admiradores no lugar onde esse anfíbio de juiz e político foi forjado. À Folha o vice-governador Felipe Camarão (PT), pupilo de Dino e candidato ao Governo do Maranhão, disse que "o Brasil merece ter ele como presidente um dia, depois que acabar a missão dele no Supremo".

Camarão é uma aposta de Dino, que o alçou à política. O procurador federal e professor de direito virou uma espécie de curinga nos governos do hoje ministro do STF (chefiou quatro secretarias). Foi lançado informalmente candidato por Dino, que, numa aula no ano passado, brincou que Camarão formaria uma "chapa imbatível" tendo a professora Teresa Helena Barros de vice.

Hoje o grupo político outrora liderado por Dino no Maranhão —estado que ele governou por dois mandatos, de 2015 a 2022— vive uma guerra com o do governador Carlos Brandão (MDB), ex-vice de Dino e que lançou o sobrinho Orleans Brandão (MDB) para o governo.

Como a disputa tem ramificações no Judiciário, com vários processos decisivos para a política maranhense sob julgamento do próprio Dino no STF, seus adversários reclamam que ele tem usado a toga para influir nos rumos do poder no estado.

Algumas das ações relativas ao Maranhão sob a relatoria de Dino têm entre os investigados o clã Brandão e aliados do governador, como o dos desdobramentos de um assassinato à luz do dia num centro comercial numa área nobre de São Luís ou o sobre as normas para indicações ao TCE (Tribunal de Contas do Estado).

Já o caso da quebra do sigilo da fonte de um jornalista que publicou reportagens sobre o uso de carros oficiais pela família de Dino —o blogueiro em questão é réu num processo de 2017 acusado de integrar uma rede de extorsão a políticos e empresários do estado— está sob a relatoria de Moraes, aliado do ministro.

Decisões recentes de Dino no caso afetaram os Brandão, como o afastamento de Daniel Brandão, sobrinho do governador, da presidência do TCE e a prisão domiciliar e afastamento do cargo do secretário Raimundo Cutrim, delegado aposentado e aliado dos Brandão.

Dino afirma que não há motivos para se declarar impedido de julgar os casos. Em nota, sua assessoria afirmou que "as hipóteses legais de impedimento estão previstas no Código de Processo Penal e não se aplicam ao ministro no caso em questão".

Desde que Dino assumiu como ministro do STF, no último movimento da porta giratória entre palanques e tribunais, paira a desconfiança de que ele continuaria mantendo articulações políticas no estado.

Alguns episódios alimentam esse pé atrás. Num dos mais rumorosos, um adversário divulgou, em outubro de 2025, áudios de "dinistas" falando aparentemente em nome do ministro (um deles chega a mencionar ter conversado pessoalmente com Dino) em diálogos para negociar a pacificação com Brandão e a reunificação do grupo.

Nas conversas, os "dinistas" condicionavam a retomada das indicações para o TCE-MA (processo sob relatoria de Dino no STF) à escolha de candidatos a prefeito em alguns municípios, sobretudo Colinas, reduto dos Brandão mas também do deputado federal Márcio Jerry (PC do B-MA), um dos principais aliados de Dino em seu período na política.

Os emissários "dinistas", segundo o vazamento, seriam Jerry, o também deputado federal Rubens Junior (PT-MA), um dos vice-presidentes nacionais do PT, e Diego Galdino, ex-chefe da Casa Civil do governo Dino e à época secretário-executivo do Ministério do Esporte (foi Galdino quem teria mencionado expressamente que Dino lhe passou coordenadas para o acordo).

Quando acabou a presidência do [Nelson] Jobim [no STF; Dino foi seu juiz auxiliar], eu disse: já sei o que vem de novo, o vazio – uma certa inconformidade com a rotina inerente à função de juiz. Foi aí que tomei a decisão difícil, que levou tempos de reflexão, de deixar o Judiciário e voltar para a política partidária.
Flávio Dino

Em entrevista à revista piauí em 2023, sobre a decisão de 2006

Os "dinistas" nunca negaram ter dito o que está nos áudios. Na tribuna da Câmara, Rubens Junior se queixou de ter sido gravado ilegalmente pelo grupo de Brandão e contou que foi conversar com Dino a pedido do governador, em busca da pacificação entre os brigões.

Relatou que nessa reunião estavam Dino e o juiz federal Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), amigo do ministro desde a juventude, aos quais anunciou a missão de paz. "O ministro responde: ‘Junior, não estou mais na política. Esse assunto tem que ser resolvido por vocês. Desde que assumi esta cadeira como ministro do STF, tive que sair das conduções políticas’", descreveu o deputado.


Segundo o relato de Junior, ele ainda teria perguntado a Dino: "’Flávio, e essa questão do TCE, tem um processo judicial aqui’. A resposta dele para mim foi: Processo judicial se trata nos autos, nunca em uma mesa de discussão política".

O deputado conta que então pediu um conselho a Dino, que teria lhe dito: "Não para esse caso, mas como regra da vida, é melhor buscar a paz e a unidade do que a guerra".

O vazamento dos áudios provocou o pedido de demissão do secretário Rubens Pereira, pai de Junior, do governo e aprofundou o racha no grupo.

Em outro áudio, que não vazou à época, mas ao qual a reportagem teve acesso, uma voz parecida com a de Rubens afirma que, na negociação com os Brandão, Dino não abriria mão da indicação de Camarão como candidato ao governo, pois "hoje o Felipe é como se fosse um filho pro Flávio".

Procurado, Rubens Junior declarou: "Fiz um pronunciamento na tribuna [da Câmara] sobre o assunto e dei como encerrado. Esse é um caso que está sendo investigado pela Polícia Federal desde então". Jerry –que na época também foi à tribuna dar sua versão– reafirmou o que disse então, que "os áudios são criminosos, não são da política, são coisa de bandido".


Galdino não se manifestou nem na ocasião nem agora.

A assessoria de Dino informou que o ministro "não trata e não responde sobre assuntos de política, da qual está afastado desde fevereiro de 2024". Disse ainda que não responderia "por supostas ‘críticas políticas’, que não têm relevância para processos judiciais".

O nome de Ney Bello também apareceu nos vazamentos. Em prints de mensagens que teriam sido encaminhadas por ele a Rubens Pereira, o magistrado supostamente lista cinco atitudes a serem tomadas por Brandão sob a pena de "não chegar em abril [de 2026]" e teria dito que "há alguns inquéritos para estourar e isso vai jogar ele [Brandão] na lama".

Procurado via assessoria do TRF-1, Bello não respondeu. Na época, não negou o teor das mensagens, mas criticou que "conversas deste tipo estejam sendo citadas por terceiros, com distorções e uso político" e disse que não possuía atividade política partidária nem era relator de qualquer processo envolvendo políticos maranhenses.

Quando acabou a presidência do [Nelson] Jobim [no STF, do qual era juiz auxiliar], eu disse: já sei o que vem de novo, o vazio – uma certa inconformidade com a rotina inerente à função de juiz. Foi aí que tomei a decisão difícil, que levou tempos de reflexão, de deixar o Judiciário e voltar para a política partidária

Flávio Dino

Em entrevista à revista piauí em 2023, sobre a decisão em 2006, aos 38 anos

O trânsito de Dino entre política e direito já confundiu Lula. Numa entrevista em outubro de 2025, respondendo a uma questão sobre a briga no grupo político nas eleições de 2026, o presidente cometeu um ato falho.

"Eu tenho uma relação com o ex-governador Flávio Dino muito boa", afirmou. "Temos que fazer com que a aliança política que ganhou a última eleição se mantenha. O Brandão tem responsabilidade, o Flávio Dino tem responsabilidade, os deputados têm responsabilidade, os senadores têm responsabilidade, o vice-governador tem responsabilidade". Quando Lula disse isso, Dino já era ministro do STF havia um ano e oito meses.

Por Fabio Victor, Folhapress