Homem é preso por estupro de vulnerável em Ibirapitanga
O investigado é acusado de praticar o crime contra uma criança de 11 anos
Um homem de 62 anos foi preso, na tarde desta terça-feira (14), por equipes da Delegacia Territorial (DT/Ibirapitanga), em cumprimento ao mandado de prisão preventiva em decorrência do crime de estupro de vulnerável contra uma criança de 11 anos.
De acordo com as investigações, os pais da criança tomaram conhecimento dos fatos por meio de um familiar que leu, no diário da vítima, relatos sobre os abusos. O Conselho Tutelar do município foi acionado, o que possibilitou a formalização da denúncia e o início das investigações para a localização do suspeito.
Após ser alcançado, o homem foi encaminhado à unidade policial, onde foi submetido aos exames de praxe e prestou depoimento. Ele permanece custodiado à disposição do Poder Judiciário.
Desde 2024, tramita uma acusação de um crime semelhante contra o mesmo homem, que teria abusado de uma adolescente de 13 anos. Os indícios de reiteração criminosa corroboraram a representação policial pela prisão preventiva, expedida pela Comarca local e cumprida pela Polícia Civil.
Fonte
Oscar Paris / Ascom PCBA
Homem é preso em Camaçari por estupro
A Polícia Civil da Bahia, por meio da 18ª Delegacia Territorial (DT/Camaçari), cumpriu, nesta terça-feira (14), no distrito de Vila de Abrantes, um mandado de prisão preventiva contra um homem de 61 anos, pelos crimes de estupro e aborto provocado por terceiro. A ação foi realizada em conjunto com a DT/Santa Terezinha, no bojo da Operação Camaçari Segura.
Com o cumprimento da ordem judicial, expedida pela Vara de Jurisdição Plena da Comarca de Santa Terezinha, o suspeito foi conduzido à Coordenação de Polícia Interestadual (Polinter), em Salvador, passou por exames de praxe no Departamento de Polícia Técnica (DPT) e segue custodiado à disposição da Justiça.
Fonte
Matheus Nogueira / Estagiário, sob supervisão de Priscila Carvalho / Ascom-PCBA
Ação da Polícia Civil prende homem com drogas, arma de fogo e veículos utilizados no tráfico em Irecê
Um homem, de 22 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Civil da Bahia, na manhã desta terça-feira (14), durante a Operação Recomeço, deflagrada no bairro Coopirecê, no município de Irecê. A ação resultou na apreensão de entorpecentes, arma de fogo, munições e dois veículos utilizados na distribuição de drogas.
As diligências foram iniciadas após denúncia anônima apontando que um imóvel estaria sendo utilizado como ponto de armazenamento e distribuição de entorpecentes. Durante o monitoramento do local, os policiais constataram movimentação suspeita compatível com a prática criminosa, o que motivou a intervenção tática. No interior do imóvel, o investigado foi localizado em situação de flagrante, mantendo em sua posse substâncias entorpecentes e uma arma de fogo.
Ao todo, foram apreendidas 110 porções de cocaína, meio tablete da mesma substância, um invólucro de maconha pesando aproximadamente meio quilo, uma balança de precisão, uma pistola calibre .380, dois carregadores e dois veículos automotores, um carro modelo Corolla e uma moto Honda Bross utilizados na logística de distribuição dos entorpecentes na sede da cidade.
O suspeito foi conduzido à unidade policial, onde foi autuado em flagrante pelos crimes de tráfico de drogas e posse ilegal de arma de fogo, permanecendo custodiado à disposição do Poder Judiciário. As investigações seguem em andamento para identificar outros envolvidos na atividade criminosa.
A operação foi realizada por equipes do Grupo de Apoio Técnico e Tático à Investigação (GATTI/Chapada), vinculado à 14ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (COOPIN/Irecê), e da 5ª Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (DTE/Irecê), vinculada ao Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (DENARC).
Fonte
Pedro Moraes / Ascom-PCBA
Causa espécie que relator da CPI tenha se esquecido de indiciar seus colegas de milícia, diz Gilmar
O ministro do STF Gilmar Mendes
O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), criticou nesta terça-feira (14) a decisão do relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), de não pedir o indiciamento de congressistas no relatório do grupo, mas ter proposto a investigação de ministros da corte.
"Causa espécie que o relator tenha se esquecido de indiciar seus colegas de milícia", afirmou à Folha o decano do Supremo. Ele foi incluído na lista que propôs indiciamentos junto com os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
O relatório final da CPI do Crime Organizado foi apresentado nesta terça, último dia de funcionamento do colegiado, após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não ter atendido a Vieira e ter ignorado o pedido para prorrogar as atividades da comissão.
No documento, Vieira escreveu que Moraes e Toffoli agiram "de modo incompatível" com a honra, a dignidade e o decoro de suas funções devido à relação mantida com o Banco Master. No caso de Gilmar, ele apontou que o ministro teria suspendido quebras de sigilo da CPI para proteger os colegas.
No texto, o relator também pediu o indiciamento do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por crimes de responsabilidade, que podem fundamentar pedidos de impeachment.
Ele justificou que o crime de responsabilidade só pode ser processado, investigado e julgado pelo próprio Senado e não depende da atuação da PGR (Procuradoria-Geral da República), já que não é considerado um crime no sentido penal.
Vieira deixou de fora, porém, imputações de crimes ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e a políticos como Antônio Rueda, do União Brasil, e Ciro Nogueira, do PP, que confirmaram ter relações pessoais com o ex-banqueiro.
Por Folhapress
Relator deixa facções, políticos e crimes comuns fora de indiciamento de CPI
Relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), apresentou relatório nesta terça-feira (14)
O relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), deixou de fora o indiciamento de facções, congressistas, empresários e crimes comuns no relatório da comissão, apresentado nesta terça-feira (14). Ele afirmou se tratar de uma escolha técnica.
Não há, por exemplo, imputações de crimes a Daniel Vorcaro, ex-dono do Master, e a políticos como Antônio Rueda, do União Brasil, e Ciro Nogueira, do PP, que confirmaram ter relações pessoais com o ex-banqueiro.
Vieira propôs o indiciamento dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por crimes de responsabilidade, que podem fundamentar pedidos de impeachment.
Ele justificou que o crime de responsabilidade só pode ser processado, investigado e julgado pelo próprio Senado e não depende da atuação da PGR, já que não é considerado um crime no sentido penal.
Além disso, afirmou que ele exige um conjunto de provas menos robusto do que os crimes comuns, que podem ser investigados por qualquer outra instituição.
Vieira ainda apontou dificuldades da comissão, como decisões sucessivas e negativas do STF para obter quebras de sigilo e depoimentos, boicotes e falta de pessoal e de tempo para investigar.
"Mesmo assim, conseguimos colocar de pé um relatório que tem suas provas, evidências e que no início concentrou no crime de responsabilidade."
O senador também defendeu a necessidade de novas investigações e a instalação de uma CPI própria para tratar do Banco Master e de sua infiltração no poder público.
"Tenho a absoluta certeza de que as investigações vão apontar para o cometimento de diversos crimes comuns, com figuras absolutamente relevantes na República. Mas a CPI não teve essa capacidade de investigação", afirmou.
Ele afirmou que o relatório não teve caráter ideológico ou partidário e que o trabalho é a constatação de que, na República, "ninguém pode estar acima da lei".
No documento, Vieira escreveu que Moraes e Toffoli agiram "de modo incompatível" com a honra, a dignidade e o decoro de suas funções devido à relação mantida com o Banco Master.
No caso de Gilmar, ele apontou que o ministro teria suspendido quebras de sigilo da CPI para proteger os colegas.
O indiciamento é a atribuição da prática de crimes a determinadas pessoas. Em caso de aprovação, ele será enviado à presidência do Senado, que pode determinar ou não a abertura de um processo de afastamento por crime de responsabilidade contra os ministros e o procurador-geral.
O chefe da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sempre deu sinais de que é contra esse tipo de caminho.
O STF e a PGR foram procurados na manhã desta terça para comentar as afirmações apresentadas no relatório, mas não responderam até a publicação da última versão deste texto.
A CPI foi criada originalmente para investigar o crime organizado e a atuação de facções no país, especialmente ligadas ao narcotráfico.
No entanto, os senadores passaram a usar a comissão para driblar as resistências à criação de uma CPI para investigar o Banco Master e suas relações com autoridades, em especial ministros do STF.Por Constança Rezende, Folhapre
Canetas de emagrecimento ilegais e iPhones são apreendidos pela PRF em ônibus na BR-116 em Jequié (BA)
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu, na tarde desta segunda-feira (13), uma carga irregular de eletrônicos e produtos proibidos durante fiscalização no km 677 da BR-116, no município de Jequié (BA). A ação ocorreu durante abordagem a um ônibus interestadual que fazia a linha São Paulo (SP) x Patos (PB).
Durante vistoria no compartimento de bagagens, os policiais localizaram caixas contendo diversos aparelhos eletrônicos, entre eles 41 celulares iPhone, três celulares da marca Redmi/Xiaomi, um aparelho da marca Pacco, além de três tablets Redmi e quatro tablets iPad. Ao ser questionado, o motorista informou não possuir notas fiscais da mercadoria.
Na mesma carga, também foram encontrados 30 cigarros eletrônicos (vapers), cuja comercialização é proibida no Brasil, além de 15 ampolas de medicamentos para emagrecimento de origem estrangeira, com importação não autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O motorista informou que os volumes seriam entregues no município de São José do Belmonte (PE). Diante dos fatos, toda a mercadoria foi apreendida e encaminhada à Delegacia da Receita Federal em Vitória da Conquista (BA), para adoção das medidas cabíveis.
Justiça e Segurança
Polícia da Bahia aumenta em 50% as apreensões de armas e aparece no “Top 3” dos estados que mais localizaram armamentos no Brasil
A Polícia da Bahia aumentou em 50% o número de armas de fogo apreendidas em 2025 e aparece no “Top 3” do estados que mais localizaram armamentos no Brasil. O levantamento comparou os dados registrados pelos estados nos anos de 2022 e 2025.
Com o reforço do efetivo, através da contratação de 9.500 policiais, peritos e bombeiros, além da ampliação das ações de inteligência contra as facções, as Forças da Segurança Pública da Bahia apreenderam 7.633 no ano passado. Em 2022 a Polícia alcançou 5.097 armas.
Entre os armamentos retirados das ruas em 2025, destaque para o número recorde de 138 fuzis apreendidos.
“Com o reforço do efetivo e seguindo a doutrina do Policiamento Orientado pela Inteligência, as Forças Estaduais e Federais intensificaram a repressão qualificada contra o crime organizado, alcançando esse excelente resultado”, destacou o secretário da Segurança Pública da Bahia, Marcelo Werner.
Acrescentou ainda que a retirada das armas resultou em três anos (2023, 2024 e 2025) consecutivos com redução das mortes violentas. “Seguiremos trabalhando com integração, inteligência e investimentos, promovendo ações cada vez mais qualificadas contra a criminalidade”, completou Werner.
Fonte: Ascom SSP
Irmãos Batista travam disputa com Petrobras e Eneva em leilão de energia de R$ 515 bi
Joesley Batista
O recente leilão de reserva de energia do governo federal gerou uma disputa entre a J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, a Petrobras e a Eneva, que tem o Banco BTG Pactual, de André Esteves, como maior acionista individual.
Isso porque a Âmbar –braço de energia da família Batista— tenta anular parte do leilão, alegando falhas no sistema após não conseguir fazer os lances que queria, o que frustrou a expectativa da empresa de ganhar uma receita potencial de R$ 12 bilhões com a venda de energia.
Após a J&F apresentar um recurso à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) contestando os resultados, Petrobras e Eneva se posicionaram contra a oposição do concorrente. A Eneva diz, no processo que corre na Aneel, que a concorrente tenta reconstituir a "realidade factual".
Até aqui, a comissão de leilões da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) se posicionou contra a empresa dos irmãos Batista e disse que o alegado erro foi da própria empresa. O caso ainda precisa ser julgado pela diretoria do órgão.
Procuradas desde a tarde de quinta (9), Âmbar e Aneel não se manifestaram. Petrobras e Eneva informaram que vão se pronunciar no processo.
Mesmo com problemas, o grupo J&F foi um dos maiores vencedores do leilão, junto com a Eneva, a Petrobras e a Copel, que abocanharam a maior parte dos contratos ofertados.
Representantes do setor alegam, sob reserva, que o caso pode acabar na Justiça, o que poderia gerar insegurança jurídica aos leilões do governo.
O receio é que uma liminar que suspenda o resultado ou adie a assinatura dos contratos, o que pode gerar atraso nos investimentos, aumentar os custos da operação, exigir gastos da União e até trazer um risco de apagão por desabastecimento de energia.
A reserva de energia é uma capacidade de geração que o governo contrata para garantir a segurança energética do país. Neste leilão, os contratos somaram valor superior a R$ 500 bilhões.
Essas usinas contratadas não funcionam todo o tempo, mas ficam de prontidão para serem acionadas em caso de necessidade, evitando apagões.
O leilão foi dividido em diversos produtos, separados basicamente pelo ano do início do contrato de geração de energia, e cada rodada de oferta poderia ter mais de um vencedor, para o fornecimento da capacidade energética pretendida pelo governo.
A Âmbar pede a anulação de três rodadas do leilão, por motivos diferentes.
Um dos recursos apresentados à Aneel envolve a usina de termelétrica Santa Cruz, antiga Furnas e Eletrobras, que tem capacidade para produzir 456 MW (megawatts).
A empresa do grupo J&F venceu um dos lances para a rodada de 2026, que prevê o início da geração já neste ano, com a contratação de cerca de 130 MW.
Em linhas gerais, a Âmbar reclama que quando foi fazer o lance com essa mesma usina para a rodada de 2027, não estava habilitada como acreditava que deveria estar.
O problema, diz a companhia, é que com apenas 130 MW contratados dos 456 MW que a Santa Cruz tem capacidade para gerar, operação da Âmbar se torna um prejuízo para o grupo J&F.
Por isso, pede a anulação das duas rodadas ou o rompimento do contrato de 2026, sem multas.
Representantes do setor admitem que a operação da usina desta forma seria desastrosa, mas reiteram que o erro foi da Âmbar —que por sua vez alega que o edital previa a possibilidade de ela participar das duas rodadas.
A comissão de leilões avaliou que o entendimento da J&F está errado e que ela não tinha sido habilitada para isso (as duas rodadas) desde o início.
"É importante salientar que a recorrente [Âmbar] não participou, em 17 de março de 2026, da confirmação de dados", momento em que ela poderia perceber que não estava apta a fazer os dois lances como desejava, disse o comitê da Aneel, em nota técnica.
Em sua resposta no processo do grupo J&F, a Eneva diz que a concorrente "transparece o desconhecimento de uma regra basilar, escrita, simples e objetiva, amplamente divulgada".
"Se a proponente não leu os documentos oficiais da licitação ou não compreendeu a sistemática do leilão —para a qual foi disponibilizado treinamento formal—, não é razoável que tal comissão se converta em ônus para os demais participantes e para a administração pública", afirma a Eneva.
No segundo caso, a Âmbar reclama que a sua usina termelétrica de Araucária II foi habilitada como um projeto já existente, quando na verdade ela é uma nova usina.
A diferença é que o valor dos contratos para novos empreendimentos é maior, por prever o investimento necessário em sua construção, e sua duração também é mais longa.
A Araucária 2 foi contratada na rodada de 2028, mas, como projeto já existente, o que segundo a J&F faz a operação ser deficitária —ela apresenta os mesmos pedidos.
A comissão da Aneel voltou a reclamar que a Âmbar não participou da confirmação de dados e acrescentou que o enquadramento como usina nova ou existente foi uma "escolha exercida pela recorrente, na fase de inscrição".
Representantes do setor alegam que o resultado no leilão causou bate-boca entre integrantes da empresa e causou a demissão do CEO da Âmbar, Marcelo Zanatta, e do diretor de novos negócios, Cristiano Wujastyk. A empresa não comentou o caso.
A realização do leilão foi tumultuada. Previsto para os primeiros anos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ele passou por várias alterações desde que começou a ser elaborado, ainda em 2023.
Originalmente o objetivo era que ele servisse apenas para contratação de usinas a gás e a biodiesel, mas modificações foram feitas para incluir carvão e óleo dentre as fontes de energia elegíveis.
Depois, o setor reclamou que o preço pago pela energia estava muito baixo e não era atrativo para as empresas.
O governo alterou as regras (praticamente dobrou o valor dos contratos), o que gerou questionamento do TCU (Tribunal de Contas da União).
Enfim, o tribunal autorizou o leilão e ele aconteceu em março deste ano, em duas fases, a primeira para usinas de gás, carvão e hidrelétricas e a segunda, de óleo e biodiesel.
Na primeira etapa, o governo contratou 19 GW (gigawatts) de energia —o equivalente a mais do que a usina de Itaipu— com um custo de R$ 515,7 bilhões —a estimativa é de um aumento de até 10% na conta de luz.
Na segunda, foram contratados 501 MW (megawatts), por menos de R$ 1 bilhão.
Representantes do setor de energia renovável reclamam da contratação de grandes quantidades de combustíveis fósseis (inclusive carvão importado, que é mais caro) no lugar de favorecer fontes limpas e alternativas do mercado de energia.
Por João Gabriel/Folhapress
Datafolha: 55% dizem acreditar que ministros do STF estão envolvidos no caso do Banco Master
Plenário do STF
Segundo a mais recente rodada do Datafolha, 55% dos brasileiros tiveram conhecimento das suspeitas de ligação de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) com o caso do Banco Master e acreditam que haja magistrados da corte envolvidos no episódio.
Outros 4%, por outro lado, dizem não acreditar que exista algum nível de participação dos membros do tribunal no caso, enquanto uma parcela de 10% diz não saber se há ou não envolvimento dos ministros.
Esses três grupos somados totalizam quase 70% dos entrevistados que dizem ter tomado conhecimento, ao menos de ouvir falar, das suspeitas de envolvimento de membros do STF neste que tem sido um dos principais motivos de desgaste da corte nos últimos meses.
Já os que responderam não ter tido nenhum conhecimento sobre o tema correspondem a 30% da população. Não foi questionada a opinião desde grupo quanto a se acreditavam haver ou não ligação dos ministros com o caso.
Ao todo, foram ouvidas 2.004 pessoas pelo instituto de 7 a 9 de abril, em 137 municípios pelo Brasil. A margem de erro para a amostra total é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-03770/2026.
Desde o fim do ano passado, revelações sobre os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, aproximando-os do escândalo do Banco Master e do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, têm sido um dos principais combustíveis da crise pública em que a corte se vê implicada.
Em meio a isso, ocorre a pressão pela aprovação de um código de ética mais detalhado e aplicável aos membros do tribunal, bem como movimentações em defesa de que os ministros sejam investigados.
A pesquisa Datafolha mostra ainda que a opinião sobre a existência ou não de elos de integrantes da corte com o episódio varia quando se olha para intenção de voto declarada pelo respondente.
Enquanto 42% daqueles que dizem que pretendem votar em Lula (PT) na eleição deste ano acreditam no envolvimento de ministros no caso Master, esse índice salta para 70% entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL). Entre aqueles que declaram voto em branco, nulo ou em nenhum candidato, esse percentual é de 48%.
Se, na amostra geral, 30% dizem não conhecer os relatos das suspeitas que pairam sobre os ministros, entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, esse percentual chega a 48%. Também tem patamar mais alto, na casa dos 42%, entre os que têm apenas o ensino fundamental e também entre quem diz que vai votar em branco ou nulo.
Como mostrou a Folha, críticas recentes vocalizadas tanto pelo presidente Lula contra o tribunal quanto por alguns de seus aliados foram uma forma de tentar conter o desgaste político causado pelo escândalo do Banco Master. A intenção é impedir que a direita tenha vantagem eleitoral com o caso.
Em entrevista na última semana, Lula relatou ter dito a Moraes para que não deixasse que o "caso do Vorcaro" jogasse fora sua biografia como ministro, destacando sua condução do julgamento do 8 de Janeiro.
Entre os questionamentos ao ministro estão o contrato do Master com o escritório de sua esposa, Viviane Barci. Documentos da Receita Federal divulgados na semana passada indicam transferências que chegaram a R$ 80,2 milhões em dois anos. O escritório admitiu publicamente em março, pela primeira vez, que prestou serviços ao banco e, sobre os valores, se restringiu a dizer que não confirmava "informações incorretas e vazadas ilicitamente".
Outro motivo de desgaste a Moraes foi a relevação de que ele teria trocado mensagens com Vorcaro, inclusive no dia em que o ex-banqueiro foi preso pela primeira vez. O ministro nega.
Toffoli, por sua vez, que foi o primeiro relator do caso Master na corte e tomou uma série de decisões controversas nesse período, só deixou o caso após intenso desgaste. Mesmo sua saída se deu de modo bastante atípico, após uma reunião a portas fechadas com seus pares, da qual saiu uma nota declarando apoio ao ministro. Naquela semana, a Polícia Federal tinha encaminhado um relatório ao presidente da corte, Edson Fachin, relatando suspeitas sobre o caso.
Pesam contra Toffoli a indicação de pagamentos feitos à empresa Maridt, que tem o ministro entre os sócios, e que vendeu participação no resort Tayayá, no Paraná, a um fundo de investimentos usado na engrenagem de fraudes do Master. O magistrado diz que a transação foi devidamente declarada e nega ser amigo ou ter recebido dinheiro de Vorcaro.
Outro ministro que foi atingido pelo caso Master é Kassio Nunes Marques. Documentos indicam que ele viajou em um avião da Prime Aviation, empresa que tinha Daniel Vorcaro como um dos sócios, de Brasília para Maceió, em novembro. A viagem foi organizada e paga pela advogada Camilla Ewerton Ramos, de acordo com o próprio ministro. Ela atua para o banco.
Também Gilmar Mendes pegou carona em um avião dessa mesma empresa, em voo oferecido ao magistrado pelo maior acionista da MBRF, Marcos Molina. O ministro afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que não sabia das relações de Vorcaro com a Prime Aviation.
Conforme revelou a Folha, documentos indicam que Moraes e Toffoli também usaram aviões da Prime Aviation.
Os termos do acordo de delação de Vorcaro estão sendo negociados em conjunto pela PGR (Procuradoria-Geral da República) e pela Polícia Federal. Em etapas iniciais, advogados que representavam o ex-banqueiro chegaram a sugerir aos investigadores que não fossem mencionados ministros do Supremo. A ideia teria sido rechaçada, porém, dado que não se poderia dar ao delator a prerrogativa de selecionar quem seria acusado ou poupado.
Por Renata Galf/Folhapress
PF, MPPB e CGU atuam contra esquema de desvio de recursos públicos na Paraíba
Operação Cítrico cumpre 21 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares pessoais
Paraíba/PB. A Polícia Federal, em ação conjunta com o Ministério Público da Paraíba, por meio do Gaeco, e com a Controladoria-Geral da União, deflagrou, nesta terça-feira (14/4), a Operação Cítrico, com o objetivo de cumprir medidas cautelares expedidas no âmbito de investigação que apura a suposta atuação de organização criminosa voltada à fraude em licitações, a desvio de recursos públicos, à lavagem de dinheiro e a possível financiamento de facção criminosa com atuação no município de Cabedelo/PB.
Conforme apurado, o esquema investigado teria se valido da contratação fraudulenta de empresas fornecedoras de mão de obra vinculadas a grupo criminoso, com infiltração de faccionados em estruturas da Prefeitura de Cabedelo, além de circulação de valores de origem pública em favor do crime organizado e de utilização de contratos administrativos como instrumento de manutenção de poder, de influência territorial e de blindagem institucional.
A investigação revelou um consórcio entre os suspeitos, voltado à perpetuação de contratos milionários e à distribuição de vantagens ilícitas.
Estão sendo cumpridos 21 mandados de busca e apreensão, além de outras cautelares pessoais determinadas pelo Poder Judiciário.
Os suspeitos poderão responder pelos crimes de frustração do caráter competitivo de licitação, de desvio de recursos públicos, de lavagem de dinheiro e de financiamento de organização criminosa, sem prejuízo de outros ilícitos eventualmente identificados no curso da apuração.
Comunicação Social da Polícia Federal na Paraíba
CPI do Crime Organizado: Relator pede indiciamento de ministros do STF
Parecer inclui Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral Paulo Gonet.
O senador Alessandro Vieira apresentou, nesta terça-feira (14), o relatório final da CPI do Crime Organizado com pedidos de indiciamento dos ministros do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República Paulo Gonet, por crimes de responsabilidade.
Segundo o relatório, os pedidos de indiciamento se baseiam em condutas consideradas incompatíveis com o exercício das funções, como suspeição em julgamentos, possíveis conflitos de interesse e decisões que teriam impactado investigações. No caso do procurador-geral, o texto aponta omissão diante de indícios considerados relevantes.
Entre os pontos abordados, o documento cita o caso Banco Master, com referência a indícios de irregularidades financeiras e possível relação com esquemas de lavagem de dinheiro. O tema, segundo o relator, deve ser aprofundado em investigação específica.
O documento, com mais de 200 páginas, consolida os trabalhos da comissão ao longo de 120 dias, com 18 reuniões realizadas, 312 requerimentos apresentados e análise de 134 documentos. A CPI investigou a atuação, estrutura e expansão de organizações criminosas no país.
O relatório também registra decisões judiciais que suspenderam medidas aprovadas pela comissão, converteram convocações em convites e restringiram o acesso a informações financeiras.
O texto apresenta ainda propostas legislativas voltadas ao combate ao crime organizado, como ampliação de instrumentos de bloqueio de ativos, aumento de penas para lavagem de dinheiro e medidas de transparência financeira.
O relatório será encaminhado aos órgãos competentes para análise e eventuais providências.
Fonte: CNN
Demitido do INSS culpa ministério por fila no órgão
Agência do INSS
O agora ex-presidente do INSS Gilberto Waller Junior, exonerado nesta segunda-feira (13), diz que o Ministério da Previdência deveria ser responsabilizado pelo tamanho da fila atual de beneficiários do órgão.
"Se for a fila, quem teria quer ser exonerado não era ninguém do INSS. A maioria dos que esperam há mais de 45 dias depende de perícia médica, que é de responsabilidade do ministério", disse ao Painel.
A fala é uma resposta ao Ministério da Previdência Social, que diz que a troca no comando do órgão vai "acelerar a análise de benefícios".
Waller discorda e afirma que quase zerou a fila das pessoas que esperam há mais de 45 dias por um benefício.
Segundo dados do INSS, a maior parte das pessoas nesta situação ainda depende de perícia médica, que é de responsabilidade do ministério. São mais de 821 mil pessoas.
Atualmente, 2,7 milhões de pessoas aguardam por um benefício. O presidente Lula prometeu zerar a fila ainda neste mandato, mas ainda sem sucesso.
Agora fora do órgão, Waller fez um balanço da gestão, disse que reduziu a fila desde quando chegou e que fez uma "limpeza" no órgão em meio às fraudes.
"Estou tranquilo, saio de consciência tranquila. Hoje, a fila é menor do que quando assumi, em abril de 2025, mesmo com aumento de requerimentos por mês. E deixo o órgão sem problemas no sistema", afirmou ao Painel.
Waller disse que o órgão bateu um recorde histórico de concessões num único mês, com 890 mil benefícios em março.
Além disso, no mesmo mês, foram concluídas as análises de 1,6 milhão de benefícios.
Como antecipou o Painel, Waller foi comunicado da demissão pelo secretário-executivo do ministério da Previdência, Felipe Cavalcante.
Nem o ministro, Wolney Queiroz (PDT-PE), nem o presidente Lula entraram em contato com ele. Apenas o advogado-geral da União, Jorge Messias, que o indicou no ano passado.
Em nota, o Ministério da Previdência afirmou que a redução da fila, em março, é reflexo do trabalho que vem sendo feito pela pasta e citou ações como mutirões, a contratação de 500 peritos, perícia por telemedicina e o novo Atestmed.
Por Gabriela Echenique/Folhapress
Datafolha: Moraes é ministro do STF mais conhecido; Mendonça e Cármen têm melhor avaliação
Alexandre de Moraes
O ministro Alexandre de Moraes é, de longe, o mais conhecido membro do STF (Supremo Tribunal Federal), aponta pesquisa Datafolha.
Aqueles que têm melhor índice de avaliação, por sua vez, segundo cálculo do instituto, são os ministros André Mendonça, Cármen Lúcia e, na sequência Luiz Fux. Enquanto os que pontuam pior, neste quesito, são Dias Toffoli e Gilmar Mendes, seguidos pelo próprio Moraes.
Foram entrevistadas pelo instituto 2.004 pessoas de 7 a 9 de abril, em 137 municípios pelo Brasil. A margem de erro para a amostra total é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no TSE sob o número BR-03770/2026.
Relator de diversos inquéritos que miram o bolsonarismo, alvo preferencial do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e agora também dono de um dos principais tetos de vidro da corte diante do caso do Banco Master, Moraes, que está no tribunal desde 2017, é conhecido por 89% da população, segundo o levantamento.
Cármen Lúcia vem na sequência. No STF por quase o dobro de tempo de Moraes, desde 2006, a ministra é conhecida por 68% dos entrevistados. Ela é seguida pelo decano, o ministro Gilmar Mendes, que tomou posse em 2002 e é conhecido por 62%.
Seis dos 10 ministros são conhecidos, ao menos só de ouvir falar, pela maioria da população.
Como essas perguntas foram realizadas pela primeira vez pelo instituto, não há dados comparativos anteriores.
Entre os menos conhecidos estão também, de modo geral, aqueles com menos tempo no Supremo.
Os indicados pelo ex-presidente Bolsonaro, Kassio Nunes Marques, no STF desde o fim de 2020, e André Mendonça, desde o fim de 2021, são conhecidos por 30% e 42% da população, respectivamente. Enquanto Cristiano Zanin, penúltimo indicado por Lula (PT) a tomar posse, em 2023, marca 37%.
Todos esses são os percentuais medidos nas respostas estimuladas, em que os nomes dos integrantes do tribunal foram citados um a um. Na pergunta espontânea, em que os entrevistados eram instados a dizer quais nomes de ministros vinham à mente, 49% lembraram o nome de pelo menos um membro da corte.
Na pergunta espontânea, de modo semelhante ao que foi medido na questão estimulada, Moraes foi disparado o mais lembrado. No agregado, ele foi citado por 39% dos respondentes, seguido por Cármen, com 10%, e Flávio Dino, com 8%.
Aqueles que disseram conhecer determinado ministro também foram questionados sobre como avaliavam seu desempenho. Como as amostras para cada pergunta foram distintas, a depender do nível de conhecimento de cada magistrado, também variam as margens de erro.
A partir de conta que considera a taxa de menções positivas menos a taxa de menções negativas, o Datafolha calculou um índice de avaliação dos magistrados.
André Mendonça, apesar de não ser tão conhecido, é quem tem o melhor índice de avaliação, com 26. Para 39% dos que o conhecem, ele é ótimo ou bom, enquanto apenas 13% o classificam como ruim ou péssimo.
Sorteado em fevereiro para assumir a relatoria do processo sobre o Banco Master, após semanas de desgaste que culminaram na saída de Dias Toffoli da condução do caso, Mendonça foi quem ordenou que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro fosse preso novamente.
Seu antecessor no posto, Toffoli é avaliado como ótimo ou bom por apenas 19% e como ruim ou péssimo por 35%, tendo o pior índice de avaliação, de -16.
Apesar de ter sido um dos principais motivos de críticas contra a corte recentemente, devido às suspeitas de suas ligações com o Master e que colocaram em dúvida sua parcialidade para estar à frente do processo, Toffoli é conhecido por pouco mais da metade da população, 54% —patamar bastante inferior ao de Moraes.
Também sob pressão no caso Master, especialmente depois da revelação de que o escritório de sua esposa tinha um contrato milionário com banco e de mensagens suas com Vorcaro, o que o ministro nega, Moraes ainda sustenta um nível de avaliação melhor do que o de Toffoli: com 33% de ótimo ou bom e 41% de ruim ou péssimo, tem um índice de -8.
No STF desde 2017, Moraes passou a ter grande relevo público com o protagonismo assumido em medidas em defesa do tribunal e de seus membros e em investigações mirando o bolsonarismo.
Entre os entrevistados que declaram intenção de votar em Lula nas eleições deste ano, o percentual de ótimo ou bom de Moraes vai para 66%, enquanto o de ruim ou péssimo cai para 7%.
Cenário invertido se dá entre os que dizem que votarão em Flávio Bolsonaro (PL): nesse grupo, a avaliação positiva de Moraes é de 7%, enquanto a negativa atinge 74%. Entre quem afirma que vai votar em branco, nulo ou em nenhum candidato, o índice de ruim ou péssimo é de 37%, contra 21% de bom ou ótimo.
Entre os que declaram voto em Flávio, os ministros mais bem avaliados são Mendonça, com 50% de ótimo ou bom, seguido por Luiz Fux, que chega a 32%, e que foi o único a votar a favor do pai dele em julgamento da trama golpista na Primeira Turma do STF. Kassio Nunes Marques, por sua vez, tem 18% de avaliação positiva neste grupo.
Única mulher na corte e no final de seu mandato com presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Cármen Lúcia tem o segundo melhor índice de aprovação geral, com 42% de avaliação positiva, e 25% de ruim ou péssimo, formando um índice de 17. Entre os que votam em Flávio, sua avaliação positiva cai para 13%, enquanto é de 72% entre os que preferem Lula.
Por Renata Galf/Folhapress
José Guimarães vai buscar aproximar Lula do centrão e deve ser contraponto a Boulos no Planalto
José Guimarães
José Guimarães (PT-CE) assume nesta terça-feira (14) a Secretaria de Relações Institucionais com o desafio de azeitar a articulação política do governo Lula (PT) e rearranjar as forças no Planalto. O novo ministro deve levar o aconselhamento ao presidente para o centro, em contraponto ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), de perfil mais à esquerda e combativo.
Deputado federal em quinto mandato, Guimarães é próximo ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que validou o novo ministro. Líderes do centrão elogiaram a escolha, pois consideram que o novo articulador político é conhecido no Congresso, cumpre acordos e não dá "cavalo de pau", nas palavras de um integrante do grupo. Guimarães assume o posto no lugar de Gleisi Hoffmann (PT).
Lideranças partidárias destacam, também, que a ausência no Planalto de Rui Costa (PT), que deixou a Casa Civil para concorrer ao Senado pela Bahia, dará mais força a Guimarães. Eles lembram que, por vezes, acordos costurados pelo líder do governo eram desfeitos ao passarem pela Casa Civil.
A avaliação entre lideranças do PT e do Congresso é que, após a saída de Rui Costa e Gleisi Hoffmann, Boulos ficou sem concorrentes de outras linhas ideológicas no Planalto. Ele rapidamente assumiu uma posição de prestígio, integrando até o grupo da pré-campanha eleitoral, que se reúne semanalmente no Alvorada.
Auxiliares do governo apontam que duas decisões recentes do governo tiveram a digital de Boulos e geraram um conflito com o Legislativo: a posição contrária à última versão do projeto de regulamentação dos aplicativos e o envio de um projeto com urgência constitucional para acabar com a escala de trabalho 6x1.
Lula confirmou na última semana o envio do projeto para acabar com a escala 6x1. A decisão tinha sido anunciada por Boulos, mas contestada por parlamentares e até mesmo integrantes do governo. O presidente da Câmara decidiu fazer a tramitação do tema via PEC (Proposta de Emenda à Constituição), que tem trâmite mais lento.
A regulamentação dos trabalhos por app foi uma iniciativa da esquerda, mas mudanças feitas pelo relator, Augusto Coutinho (Republicanos-PE), fizeram o governo bater cabeça e recuar no apoio. O parecer derruba a taxa mínima por viagem para motoristas e cria, para entregadores, dois modelos: um com remuneração básica de R$ 8,50 e outro com um pagamento por hora trabalhada.
O Planalto entendeu que essa versão atraiu rejeição e poderia furar a aproximação de Lula com os entregadores, tendo deixado de fora demandas originais do governo no tema. O centrão entende que o governo, que defendia uma taxa mínima de R$ 10, desistiu da ideia porque poderia encarecer o serviço e quis deixar o ônus com a Câmara.
Guimarães indicou a aliados ter uma posição contrária em ambos os casos. Sobre a 6x1, segundo aliados, ele defendeu que o governo não enviasse o projeto com urgência constitucional ou que, pelo menos, aguardasse uma conversa com Motta antes de oficializar o envio.
Na questão dos aplicativos, Guimarães fez sua primeira articulação após ser anunciado ministro. Articulou com o relator a retirada pauta da proposta, que seria votada nesta terça-feira (14) na comissão especial. Se fosse à análise, a expectativa era que a oposição e o centrão somassem forças para desgastar o governo e colocar no Planalto a conta de um eventual aumento de custo de entregas e corridas.
Aliados afirmam que Guimarães, além de oferecer a Lula um contraponto a Boulos, terá também como desafio inicial estabelecer um canal de diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O senador teria simpatia pelo deputado, de quem foi colega na Câmara, mas algo longe da relação próxima como a que o petista tem com Motta.
O governo tem encontrado dificuldades na relação com Alcolumbre desde que o presidente do Senado rompeu relações com o líder do governo na Casa, Jaques Wagner (PT-BA). Caberá a Guimarães, nesse caso, reaproximar o senador do Planalto, principalmente às vésperas da votação da indicação de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal).
Lula inverteu sua estratégia de articulação política no fim deste terceiro mandato. Quando escolheu Alexandre Padilha (PT) e Gleisi para as Relações Institucionais, o presidente demonstrou que preferia ter um ministro "linha dura" e menos amigo do Congresso no Planalto.
Agora, Lula coloca Guimarães no Planalto e escolheu para a liderança do governo na Câmara o deputado Paulo Pimenta (PT-RS). O gaúcho é visto como um petista mais "linha dura", com tendência ao embate em plenário.
Por Augusto Tenório e Caio Spechoto/Folhapress
Caso Master: Cezar Leite chama Rui Costa de "cínico" e "covarde"
O vereador Cezar Leite (PL)
Em entrevista à imprensa após a sessão ordinária desta segunda-feira (13) da Câmara Municipal de Salvador (CMS), o vereador Cezar Leite (PL) rebateu o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa (PT), após ele atribuir o escândalo do Banco Master ao ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL).
Na oportunidade, o edil chamou o petista de “covarde” e o responsabilizou pelo escândalo envolvendo o caso.
“Vou falar sobre o cinismo do Rui Costa e também a covardia dele. Cinismo porque todo mundo sabe que o caso do Master começou com o CredCesta, quando ele era governador. Ele facilitou toda a entrada dessa corja que roubou o servidor público aqui na Bahia”, declarou.
Declaradamente bolsonarista, Leite reiterou que a culpa é do ex-chefe do Palácio de Ondina e seus aliados. “Então, tudo isso é culpa do Rui e da equipe dele. E covarde porque ele coloca a culpa no Bolsonaro, que ele sabe que não pode falar nada. Desonesto, cínico e covarde”, concluiu.
Por Reinaldo Oliveira, Política Livre
‘Rui Costa trocou um supermercado que ajudava o povo pobre por um cartão que superendividou o servidor’, diz deputado
O deputado estadual Luciano Ribeiro (União Brasil)
O deputado estadual Luciano Ribeiro (União Brasil) criticou as declarações do ex-governador da Bahia e ex-ministro da Casa Civil Rui Costa (PT), que defendeu a privatização da rede Cesta do Povo ao classificá-la como um “supermercado falido”.
Rui afirmou que a estatal acumulou cerca de R$ 1 bilhão em prejuízo e justificou a venda como uma necessidade fiscal. A fala provocou reação do parlamentar da oposição, que questionou a lógica da decisão. “A Cesta do Povo não nasceu para ter lucro, nasceu para ajudar o povo pobre. Sempre foi assim, para que as pessoas pudessem comprar produtos mais baratos”, afirmou Luciano Ribeiro.
O deputado ressaltou ainda o papel social e econômico da rede ao longo dos anos. “A Cesta do Povo era um regulador de preços, ajudava a controlar a ganância dos grandes supermercados, oferecia produtos de qualidade e ainda gerava milhares de empregos no Estado”, disse.
Ele também criticou o histórico da gestão petista em relação ao programa e disse que a decisão de extinguir a rede não condiz com o discurso social adotado pelo ex-governador. “É inacreditável que um ex-ministro que diz que gosta de cuidar de gente, que gosta do povo, dê uma declaração como essa, depois de ter sucateado e acabado com a Cesta do Povo”, afirmou.
Luciano Ribeiro ainda associou a privatização ao surgimento de mecanismos como o Credcesta, cartão de crédito consignado voltado para servidores públicos, e fez críticas ao modelo. “Então ele está dizendo que a solução que encontrou foi essa? Superendividar os servidores do Estado com esse negócio de Credcesta, com Banco Master?”, questionou.
Na avaliação do parlamentar, há uma contradição entre o fim de um programa social e a criação de alternativas que, segundo ele, prejudicam os servidores. “Na cabeça dele, acabar com um supermercado que vendia produtos mais baratos para as pessoas mais pobres era ruim, e bom foi superendividar o servidor do Estado? Essa conta não está fechando”, concluiu.
Por Redação/Politica Livre
Oposição tenta unificar candidaturas de direita ao TCU e Motta pressiona por voto em petista
Reuniões contam com participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, e buscam aglutinar indicações para apoiar parlamentar de direita “melhor posicionado”
Plenário da Câmara dos Deputados
Faltando um dia para os deputados federais escolherem o próximo ministro do Tribunal de Contas da União, a oposição tenta unificar os seis nomes de direita que disputam a vaga para impor uma derrota ao petista Odair Cunha (MG), apoiado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Motta tenta impedir traições ao petista e cumprir acordo feito com o PT em 2024 em troca de apoio à sua candidatura à Presidência da Câmara. Nos últimos dias, Motta ligou para parlamentares para pedir voto em Odair, segundo deputados ouvidos pelo jornal O Estado de São Paulo.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o influenciador Pablo Marçal, recém-filiado ao União, entraram em campo para tentar convencer os deputados menos competitivos a desistirem de suas candidaturas. Enquanto a sigla de Flávio apoia Soraya Santos (PL-RJ), a de Marçal está com Elmar Nascimento (União Brasil).
Flávio deve se reunir com os deputados na noite desta segunda-feira, 13, para articular o movimento. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), disse que mapeia os deputados indicados que teriam disposição para abrir mão da candidatura em nome daquele que estiver “melhor posicionado”.
“Alguns já concordaram em se juntar e vão se submeter à decisão do Flávio Bolsonaro”, afirmou, sem citar nomes. “Mas hoje faremos novas reuniões.”
Elmar Nascimento defendeu a unificação das candidaturas: “Senta o líder do PL, o líder do meu partido, do PSDB, do Podemos, do Novo, de todos os que estão divergindo desse acordo. E eu acato o que decidirem para que a gente se una em torno de apenas uma candidatura, para dar ao Brasil uma candidatura independente de verdade".
Já Marçal telefonou para um dos candidatos nos últimos dias, segundo relato feito à reportagem, para pressionar pela desistência. O movimento aconteceu dias após ele vir a Brasília para uma reunião com a bancada e os dirigentes de seu novo partido.
O influenciador entrou com tudo na campanha. Ele publicou no fim de semana um vídeo para cobrar os parlamentares a impedirem que o governo Lula consiga emplacar Odair. A publicação atingiu 35 milhões de visualizações nesta segunda-feira.
“Você que é líder de partido, de bancada, de maioria, você precisa se posicionar porque se não vai ficar aí sobre as suas costas. O voto é secreto, mas a gente nunca vai esquecer da sua covardia, tá?”, diz no vídeo.
A eleição no plenário está marcada para esta terça-feira, 14. Nesta segunda, a Comissão de Finanças e Tributação sabatinou os sete indicados à vaga aberta com a aposentadoria do ministro Aroldo Cedraz.
Além de Odair e Elmar, concorrem Danilo Forte (PP-CE), Hugo Leal (PSD-RJ), Gilson Daniel (Podemos-ES), Soraya Santos (PL-RJ) e Adriana Ventura (Novo-SP). As candidaturas foram aprovadas por unanimidade pelos parlamentares que participaram da sabatina, em votação que ocorreu em bloco. Foram 37 votos a favor e nenhum contrário.
Em seu discurso, Odair, apoiado por 12 partidos, tentou se distanciar da polarização e afirmou que sua candidatura “não pertence ao governo, não pertence ao meu partido, não pertence à oposição”.
“Não podemos fazer falsos dilemas quando estamos tratando de um órgão técnico e sério, como o Tribunal de Contas da União. Esta candidatura pertence ao conjunto dos senhores deputados e deputadas que eu espero que votem majoritariamente em mim amanhã”, afirmou.
O acordo firmado por Motta foi atacado por candidatos. Danilo Forte reconheceu que acordos políticos são importantes e necessários para a vida pública, mas ressaltou que “precisam passar pelo universo das instituições”. “As próprias instituições estão em jogo, enfraquecidas diante de uma disputa de poder que é presente no Brasil de hoje”, disse.
Elmar Nascimento, por sua vez, afirmou entender o posicionamento de Motta e disse entender que ele “está cumprindo esse acordo de empenhar o seu apoio. “Mas eu não concordo. Nós estamos tratando de um cargo que é vitalício", afirmou.
Soraya Santos fez menção ao acordo ao questionar se as mulheres participaram da negociação.
“A representatividade feminina é uma exigência da justiça, porque ela qualifica a avaliação de impactos sociais nas decisões de controle”, disse. “Ela fortalece a capacidade constitucional e aprimora o diálogo do colegiado. A diversidade, portanto, contribui para um controle externo mais abrangente, responsivo e alinhado com as demandas contemporâneas da sociedade”.
Gilson Daniel, do Podemos, buscou se apresentar como um candidato independente. “Nós temos hoje um grande conflito ideológico no nosso País. Eu me apresento como candidato fora das questões ideológicas, capaz de atender à esquerda, à direita e ao centro”, afirmou.
Candidata do Novo, Adriana Ventura também ressaltou sua eventual independência no cargo. “Aqui eu quero também frisar que, na fiscalização, não se escolhe governo. A gente fiscalizou tanto o governo passado, que foi o meu primeiro mandato, como este governo”, disse.
O histórico do PT nas últimas eleições ao TCU é desfavorável a Odair. O próprio Cedraz (PFL) foi eleito em 2006 em uma disputa que tinha um petista como candidato do governo – Paulo Delgado (PT-MG). Ele obteve 172 votos, ante 148 do adversário.
Em 2005, Augusto Nardes (PP-RS) recebeu 203 votos, enquanto José Pimentel (PT-CE) obteve 137.
Como não há segundo turno na eleição e a vitória se dá por maioria simples, a leitura é que muitas candidaturas de direita contra uma do PT poderiam pulverizar os votos e sacramentar a vitória de Odair Cunha.
O Tribunal de Contas da União é composto por nove ministros. Seis deles são indicados pelo Congresso Nacional; os outros três são nomeados pelo Palácio do Planalto. A Corte é responsável, entre outras coisas, por analisar a prestação de contas do presidente da República e realizar inspeções e auditorias das contas da Câmara e do Senado.
Por Danielle Brant/Guilherme Caetano/Estadão
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