Seção 301 já foi usada para pressão, e há espaço para Brasil negociar com EUA, dizem especialistas
A conclusão da investigação comercial aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil elevou a pressão sobre o governo Lula e reacendeu o debate sobre o futuro das relações entre os dois países. Mas, para especialistas ouvidos pela Folha, há espaço para negociar.
Em relatório divulgado nesta terça-feira, o governo americano recomendou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros após uma análise sob a seção 301. O processo dá espaço para comentários do setor privado e do governo brasileiro, além de uma audiência marcada para o dia 6 de julho.
O fim do processo está previsto para o dia 15 de julho e, só então, a proposta que agora será analisada pelo presidente Donald Trump, responsável pela decisão final.
Apesar do endurecimento da posição americana, especialistas ouvidos pela Folha afirmam que é possível negociar antes de uma eventual decisão da Casa Branca.
Para Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, a principal diferença em relação ao episódio do ano passado é que, desta vez, existe um canal de diálogo aberto entre Brasília e Washington. Segundo ele, as conversas entre os dois governos se intensificaram nas últimas semanas e ainda há margem para a construção de um entendimento que evite a implementação das tarifas.
No ano passado, afirma, o anúncio de sobretaxas de 50% sobre produtos do Brasil ocorreu em um contexto de ausência quase total de interlocução entre os dois governos. O diálogo só começou a ser retomado meses depois, a partir de encontros bilaterais realizados à margem da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas).
Agora, segundo o executivo, as negociações já estão em curso e foram reconhecidas pelo próprio governo americano na divulgação do relatório.
Abrão avalia que a possibilidade de um acordo dependerá sobretudo de disposição política dos dois lados. Na visão dele, o processo não se resume a uma negociação tarifária tradicional, mas à construção de uma agenda mais ampla de convergências.
Entre os temas que poderiam ser colocados na mesa estão reduções tarifárias em alguns produtos industriais, medidas ligadas à propriedade intelectual, combate à pirataria, comércio digital e cooperação na área de minerais críticos.
A interpretação de que a investigação funciona como instrumento de pressão também é compartilhada por Bruna Santos, diretora do Brazil Institute. Segundo ela, procedimentos conduzidos sob a seção 301 historicamente servem menos como um fim em si e mais como mecanismos para ampliar o poder de barganha dos Estados Unidos em negociações comerciais.
"O principal ponto é que esse é um mecanismo frequentemente utilizado para criar alavancagem. Você sinaliza um custo potencial e tenta obter algum tipo de concessão do outro lado", afirma.
Na avaliação da especialista, a inclusão do Pix entre os temas abordados na investigação deve ser lida sob essa lógica. Como os Estados Unidos não têm instrumentos para interferir diretamente no funcionamento do sistema de pagamentos brasileiro, a ameaça de tarifas serviria para ampliar a pauta de negociação em temas regulatórios.
"A questão do Pix entra muito mais como uma forma de ampliar a mesa de negociação com o Brasil e ganhar espaço para discutir mudanças regulatórias. Há precedentes de acordos desse tipo", diz.
Para Ryan Cummings, economista-chefe do gabinete do Instituto para Pesquisa de Política Econômica de Stanford, o relatório americano também revela uma série de contradições. Ele argumenta que parte das críticas feitas por Washington reproduz práticas adotadas pelo próprio governo dos Estados Unidos, citando como exemplos as acusações relacionadas ao Pix, à corrupção e até mesmo às questões ambientais.
Na avaliação do economista, o documento parece menos uma análise técnica e mais uma tentativa de ampliar o poder de barganha americano nas negociações com o Brasil.
Cummings afirma que a inclusão do Pix é especialmente reveladora porque o sistema brasileiro se tornou uma alternativa pública eficiente e de baixo custo.
Apesar do tom duro adotado pelo governo americano, o economista avalia que a implementação efetiva das tarifas ainda enfrenta obstáculos políticos e jurídicos. Ele lembra que empresas americanas afetadas pelo aumento dos custos de importação podem contestar as medidas na Justiça e afirma que o relatório carece de evidências robustas para sustentar algumas de suas acusações.
Além disso, observa que Washington ainda não deixou claro quais concessões espera obter do Brasil, o que dificulta o avanço das negociações e aumenta a incerteza sobre os próximos passos da disputa comercial.
Por Isabella Menon/Folhapress
No domingo (31/05) aconteceram mais dois jogos do Campeonato Supermaster (50+) da AABB Ipiau.
No primeiro jogo do dia a Ita Telecom venceu sua primeira partida e pulou para a vice liderança do campeonato no duelo frente a equipe da Consulcred.
Consulcred 1x3 Ita Telecom
Gol: Consulcred: Lindomar
Gols: Ita Telecom: Darinho, Elias e Robson
Na segunda partida do dia a Dancau se recuperou da última derrota e venceu a equipe da Coxinha Real e avançou para a terceira colocação na competição.
Dancau 2x1 Coxinha Real
Gols: Dancau: Nanau e Nelson Marculino
Gol: Coxinha Real: Genésio
Artilharia: Givaldo (03) Gols
Genésio (02) Gols
Caboquinho (02) Gols
Lindomar (02) Gols
No próximo domingo (07/06) mais dois jogos movimentam a tabela de classificação:
07:00 - Dancau x Ita Telecom
08:15 - Consulcred x Hortifruti São Luiz
Fonte: Ascom/AABB_Ipiaú
EUA concluem investigação sobre trabalho forçado e propõem mais uma tarifa contra Brasil
Após a conclusão da investigação da seção 301 que prevê um novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros, o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) divulgou na madrugada desta quarta-feira (3) uma nova análise que também inclui o Brasil. Trata-se do caso investigado sobre o suposto uso de trabalho forçado por 59 países e a União Europeia.
A tarifa aplicada nesse caso será de 12,5%. Não está claro se as penalidades seriam somadas. A proposta será submetida a consulta pública. Interessados poderão solicitar participação nas audiências até 22 de junho e enviar contribuições por escrito até 6 de julho.
As audiências estão marcadas para 7 de julho. A decisão sobre aplicação ou não das tarifas cabe ao presidente dos EUA, Donald Trump.
Segundo o relatório, embora o Brasil afirme proibir importações produzidas com trabalho forçado por meio da implementação de compromissos assumidos em acordos de investimento e de livre comércio, "essas disposições não vedam legalmente a importação, para comercialização no mercado doméstico, de produtos fabricados total ou parcialmente com trabalho forçado em outros países".
Assim, o USTR indica que a conduta do Brasil em relação ao trabalho forçado é injustificável e impõe obstáculos ou restrições ao comércio dos EUA.
Pela decisão desta quarta, o Brasil está na categoria dos países que, segundo o USTR, não proíbem a importação de produtos feitos com trabalho forçado e também não fiscalizam efetivamente esse tipo de importação. Nesta categoria, estão outros 53 países.
Já outras seis economias, como Canadá, União Europeia, Equador, México, Paquistão e Indonésia, estão em uma categoria diferente. Segundo o escritório, eles já possuem algum tipo de proibição ou mecanismo legal contra a importação de produtos produzidos com trabalho forçado, mas não fazem a fiscalização de forma eficaz. O problema, nesse caso, seria a implementação, não a ausência de legislação. Para estes países, eles devem ser taxados em 10%.
Segundo Jamieson Greer, representante dos EUA para o comércio, "a falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável". "Isso força os trabalhadores americanos a competir em um campo desigual. Não toleraremos mais essa disparidade."
O caso para investigar o suposto uso de trabalho forçado foi aberto logo após o uso da IEEPA (Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional), que foi usada pelo governo Trump para taxar dezenas de países, ser considerada ilegal pela Suprema Corte dos EUA, em março.
Como reação à determinação judicial, o republicano impôs uma tarifa global de 10%, que expira no final de julho e o Brasil entrou na mira de outra ação do USTR, iniciada neste ano, para analisar se produtos fabricados com trabalho forçado estão entrando no mercado americano.
Na abertura deste processo, Greer afirmou que "por muito tempo, trabalhadores e empresas americanos foram obrigados a competir com produtores estrangeiros que podem ter uma vantagem de custo artificial obtida pelo flagelo do trabalho forçado".
Normalmente, as investigações sob a seção 301 têm duração de um ano. Porém, os EUA já tinham sinalizado que gostariam que este processo fosse rápido.
Greer sinalizou, em março, que as conclusões aconteceriam "em meses" e poderiam apontar para a necessidade de acordos bilaterais. "Se os países não quiserem negociar, poderemos impor novas tarifas ou multas", afirmou.
O Brasil respondeu contra a abertura do processo. No documento, assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o governo afirmou que eventuais sanções unilaterais seriam desproporcionais e injustas contra um país que considera referência global no combate ao trabalho escravo.
"Esta investigação da Seção 301, e quaisquer ações dos Estados Unidos que possam dela resultar, ameaçam minar o progresso alcançado por tais iniciativas brasileiras e, portanto, comprometer os objetivos do USTR ao iniciar esta investigação", disse o texto.
O governo também sustentou que a Seção 301 é um instrumento unilateral incompatível com as regras da OMC (Organização Mundial do Comércio), que deveria ser o foro adequado para a solução de controvérsias comerciais.
Vieira afirmou ainda que o Brasil possui um sistema jurídico robusto que vai além das normas internacionais. O Código Penal brasileiro faz uso do conceito de "condição análoga à de escravo", que é mais amplo do que a definição de trabalho forçado da OIT (Organização Internacional do Trabalho), incluindo condições degradantes, jornadas exaustivas e restrição de locomoção.
Entre os instrumentos citados está a chamada lista suja do trabalho escravo, que impõe restrições reputacionais e financeiras a empresas flagradas em irregularidades, além da exclusão de infratores de licitações públicas.
O ministro apresentou ainda dados de 2025, como a realização de 1.594 inspeções que resultaram no resgate de 2.772 trabalhadores, argumentando que altos números de detecção são sinais de um sistema de fiscalização proativo e não de uma alta incidência do problema.
O Brasil também alega que suas políticas não prejudicam o comércio americano e que o país não representa risco relevante como destino de produtos barrados pelos Estados Unidos por questões trabalhistas.
Veja a lista dos países:Argélia
- Angola
- Argentina
- Austrália
- Bahamas
- Bahrein
- Bangladesh
- Brasil
- Camboja
- Canadá
- Chile
- China
- Colômbia
- Costa Rica
- República Dominicana
- Equador
- Egito
- El Salvador
- União Europeia
- Guatemala
- Guiana
- Honduras
- Hong Kong, China
- Índia
- Indonésia
- Iraque
- Israel
- Japão
- Jordânia
- Cazaquistão
- Kuwait
- Líbia
- Malásia
- México
- Marrocos
- Nova Zelândia
- Nicarágua
- Nigéria
- Noruega
- Omã
- Paquistão
- Peru
- Filipinas
- Catar
- Rússia
- Arábia Saudita
- Singapura
- África do Sul
- Coreia do Sul
- Sri Lanka
- Suíça
- Taiwan
- Tailândia
- Trinidad e Tobago
- Turquia
- Emirados Árabes Unidos
- Reino Unido
- Uruguai
- Venezuela
- Vietnã
Por Isabella Menon/Folhapress
Senado contesta processo de família de Moraes contra Alessandro Vieira por fala sobre o PCC
Alessandro Vieira
A advocacia do Senado contestou ação de indenização por danos morais movida pela família do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), contra o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) sob acusação de associá-la ao PCC.
O processo foi movido no final de março por Viviane Barci de Moraes e pelos filhos do casal, Giuliana e Alexandre, pedindo que o senador seja condenado a pagar R$ 20 mil a cada um dos coautores, pelas declarações feitas em entrevista concedida em março ao SBT News, sobre irregularidades envolvendo o Banco Master.
Segundo petição, o senador teria dito que há "circulação de recursos entre esse grupo criminoso e familiares dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes".
Documentos da Receita Federal indicam que a empresa de Daniel Vorcaro declarou ter pago R$ 80,2 milhões em dois anos ao escritório de Viviane. O nome da advogada atingiu pico de buscas no Google nesta terça-feira (2), após a contestação do Senado ser noticiada pelo portal Metrópoles, mostram dados do Google Trends.
Segundo a manifestação apresentada pelo Núcleo de Defesa das Prerrogativas Parlamentares do Senado, o pedido foi feito com base em recortes seletivos que levam a erro de interpretação sobre o discurso do senador.
Segundo a contestação, ao mencionar de forma genérica familiares do ministro, ele teria feito um esclarecimento imediato. "Não é razoável dizer agora que essa circulação de recurso é ilícita. Moralmente falando, ela é absolutamente reprovável. Juridicamente falando, a gente vai ter mais passos para constatar."
A defesa diz que a declaração mostra que o senador agiu de boa-fé e não antecipou culpa ou afirmou que houve crime. Também não seria possível, segundo os advogados, falar em dano, uma vez que não houve citação nominal de quem seriam os familiares do ministro.
"Em momento algum, o senador nominou os autores, ou sequer o "cônjuge" e "filhos" do ministro Alexandre de Moraes. O senador contextualizou sua fala na investigação da CPI sobre transferências fundo a fundo, que passava pelo Banco Master via Reag, apresentando suas considerações pessoais sobre o tema, bem como na necessidade de apuração dos fatos com a instalação de nova CPI (do Banco Master)".
Os advogados citam decisões do STF sobre imunidade parlamentar, destacando que ela protege manifestações dentro e fora do Congresso Nacional. Na data da entrevista, Vieira era relator da CPI do Crime Organizado. A defesa também pede a transferência da ação de São Paulo para Brasília, local onde a entrevista foi concedida.
A contestação foi feita no dia 22 de maio. A família de Moraes tem 15 dias para responder. Procurado pela reportagem, o escritório de Viviane Barci de Moraes não quis se manifestar a respeito do caso.
Por Géssica Brandino/Folhapress
Consulta pública para criação do Refúgio de Vida Silvestre Serra da Chapadinha é aberta à participação da sociedade
A iniciativa marca uma nova etapa do processo de criação da unidade e amplia a participação da sociedade na construção da proposta
A Secretaria do Meio Ambiente (Sema) abriu, nesta segunda-feira (1), a consulta pública para a proposta de criação do Refúgio de Vida Silvestre (REVIS) Serra da Chapadinha, Unidade de Conservação (UC) de Proteção Integral planejada para uma área localizada nos municípios de Itaetê, Ibicoara e Mucugê, na Chapada Diamantina/BA. A iniciativa marca uma nova etapa do processo de criação da unidade e amplia a participação da sociedade na construção da proposta.
A consulta pública permite que cidadãos, comunidades locais, proprietários rurais, instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil e demais interessados conheçam os estudos técnicos elaborados para a área e apresentem sugestões, manifestações e contribuições. Os documentos da proposta estão disponíveis em ambiente virtual específico, onde também podem ser enviadas as contribuições da população.
A área proposta para o REVIS Serra da Chapadinha reúne atributos ambientais de elevada relevância ecológica, incluindo remanescentes de vegetação nativa, recursos hídricos estratégicos para a região e habitats importantes para a conservação da fauna e da flora. A criação da unidade busca fortalecer a proteção desses ecossistemas e contribuir para a manutenção dos serviços ambientais prestados à sociedade.
Segundo o secretário do Meio Ambiente da Bahia, Eduardo Sodré Martins, a abertura da consulta pública do Refúgio de Vida Silvestre Serra da Chapadinha representa um marco muito aguardado dentro desse processo de construção coletiva.
"A abertura desta consulta pública representa um momento muito significativo para a política ambiental da Bahia. Estamos falando de uma área extraordinária da Chapada Diamantina, que reúne biodiversidade, recursos hídricos, paisagens únicas e um patrimônio natural que precisa ser preservado para as atuais e futuras gerações. Essa é uma discussão que vem sendo construída há bastante tempo, com estudos, diálogo técnico e escuta dos diferentes atores do território, e que agora chega a uma etapa fundamental: ouvir a sociedade", destacou.
O secretário ressalta que a participação social é fundamental para assegurar transparência e legitimidade ao processo. “Nenhuma Unidade de Conservação se sustenta apenas por um decreto. Ela se fortalece quando nasce do diálogo, da participação e do entendimento coletivo sobre a importância daquele patrimônio natural”, acrescentou.
A proposta de criação do REVIS Serra da Chapadinha foi construída a partir de estudos ambientais, diagnósticos socioeconômicos e levantamentos territoriais realizados pela equipe técnica responsável. Esses trabalhos subsidiaram a definição preliminar da categoria da unidade e da área proposta para conservação.
Para o superintendente de Políticas e Planejamento Ambiental da Sema, Luiz Araújo, a etapa de consulta pública fortalece o diálogo entre o poder público e a sociedade na construção da proposta.
“Trata-se de uma etapa fundamental para que a proposta de criação do Refúgio de Vida Silvestre Serra da Chapadinha incorpore as contribuições das comunidades locais e dos diversos segmentos que vivem e atuam na região. Mesmo depois de ir tantas vezes no território e de conhecer um pouco a realidade local, é extremamente importante ampliar a possibilidade de ouvir as pessoas que estejam no território e até fora dele contribuírem no processo de criação da unidade de conservação. Nesse momento, a gente, enquanto Sema, estabelece a categoria, e as contribuições da consulta pública têm o objetivo de ajudar a definir os limites. Por isso, queremos que moradores, produtores, pesquisadores, representantes do turismo, lideranças comunitárias e todos aqueles que possuem vínculo com a região participem desse processo”, afirmou Luiz.
O superintendente explica que os próximos passos incluem a análise das contribuições recebidas por meio da plataforma digital. A consulta pública permanecerá aberta para recebimento de contribuições da sociedade até o dia 30 de maio de 2026. Após essa etapa, as manifestações serão analisadas pela equipe técnica responsável e poderão subsidiar ajustes e aperfeiçoamentos na proposta antes do encaminhamento das próximas fases do processo de criação da Unidade de Conservação.
O documento técnico, mapa, parecer e demais informações relacionadas à proposta estão disponíveis na página da consulta pública, onde também pode ser realizado o envio das contribuições.
Sobre a Serra da Chapadinha
Localizada na Chapada Diamantina, a Serra da Chapadinha abrange áreas dos municípios de Itaetê, Ibicoara e Mucugê e se destaca por sua riqueza ambiental, paisagística e hídrica. A região reúne ecossistemas associados à Caatinga, Mata Atlântica e campos rupestres, formando um mosaico de habitats que abriga espécies da fauna e da flora de grande importância para a conservação.
Além da biodiversidade, a área possui papel estratégico para a segurança hídrica da Bahia. A serra contribui para a proteção de nascentes e áreas de recarga que alimentam importantes cursos d’água ligados às bacias hidrográficas da região, auxiliando na manutenção dos recursos hídricos utilizados por comunidades locais e por diversos municípios baianos.
A paisagem é marcada por formações geológicas singulares, escarpas, paredões rochosos, cachoeiras e vales que conferem elevado valor cênico, científico e turístico ao território. Essas características fazem da Serra da Chapadinha uma das áreas mais relevantes da Chapada Diamantina para a conservação da natureza e para o desenvolvimento de atividades de pesquisa, educação ambiental e uso público sustentável.
Por Redação
Polícia Civil apreende 37 kg de cocaína em Feira de Santana
Em ação da Polícia Civil, 37 kg de cocaína com elevado teor de pureza foram apreendidos, nesta segunda-feira (1º), em um imóvel no bairro Novo Horizonte, em Feira de Santana. A ação teve início após uma denúncia anônima apontar intensa movimentação de pessoas e veículos em horários atípicos no local.
Diante das informações, equipes da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR/Feira de Santana) realizaram diligências e constataram que o imóvel era utilizado para armazenar o entorpecente. No momento da diligência, não havia ninguém no local, mas foram apreendidos 37 quilos de cocaína armazenados em embalagens lacradas revestidas por papel laminado. No imóvel, também foram apreendidos documentos e grande quantidade de substância branca em pó.
De acordo com o delegado José Marcos Lima, titular da DRFR, a forma de acondicionamento da droga é típica de organizações criminosas que atuam no armazenamento e distribuição de entorpecentes em grande escala.
“A elevada pureza da cocaína apreendida, aliada à forma de acondicionamento e à presença do pó branco utilizado para a mistura, indica que a droga possivelmente seria destinada ao abastecimento de pontos de distribuição e revenda em larga escala. Esse processo aumenta significativamente o volume do entorpecente que seria colocado no mercado ilícito. Os 37 quilos de cocaína confiscados estão avaliados em cerca de um milhão e quatrocentos mil reais”, afirmou o delegado.
Todo o material apreendido foi encaminhado à unidade policial para adoção das medidas legais cabíveis. As investigações seguem com o objetivo de identificar o responsável pelo imóvel e pela droga.
Fonte: Rose Amorim / Ascom-PCBA
Eleições 2026: União já disponibilizou ao TSE recursos do Fundo Eleitoral
Os recursos, no valor de R$ 4,9 bilhões, serão distribuídos aos partidos conforme os critérios previstos na legislação eleitoral
A União cumpriu o prazo previsto na legislação eleitoral (1º de junho) e já disponibilizou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) os R$ 4,9 bilhões destinados ao Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para as Eleições Gerais de 2026. Os recursos serão distribuídos aos partidos conforme os critérios legais. Confira fotos do TSE no Flickr.
Previsto na Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997), o FEFC foi criado em 2017, após a proibição de doações eleitorais por empresas, e passou a ser uma das principais fontes de custeio das campanhas eleitorais no país. O fundo é abastecido com recursos públicos previstos no Orçamento da União e distribuído às legendas conforme parâmetros estabelecidos em lei.
Entre os critérios de divisão dos valores, estão o desempenho dos partidos nas últimas eleições para a Câmara dos Deputados e o número de representantes eleitos no Congresso Nacional. Após o recebimento dos recursos, cabe às direções partidárias definir como será feita a distribuição interna entre candidaturas e federações.
Renúncia
A legislação também garante aos partidos o direito de renunciar ao recebimento do FEFC. Nesses casos, a decisão deve ser comunicada formalmente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 1º de junho, conforme prevê a Resolução TSE nº 23.605/2019.
Uso dos recursos
O uso dos recursos do Fundo Eleitoral deve observar regras específicas de transparência e prestação de contas. Os valores podem ser utilizados para despesas relacionadas à campanha, como produção de material gráfico, impulsionamento de conteúdo na internet, contratação de pessoal, aluguel de espaços para eventos, transporte e serviços de comunicação.
Além disso, a Justiça Eleitoral fiscaliza a aplicação dos recursos e analisa posteriormente as prestações de contas apresentadas por candidatas, candidatos e partidos políticos. O descumprimento das normas pode resultar em devolução de valores ao Tesouro Nacional, desaprovação das contas e outras sanções previstas na legislação eleitoral.
Calendário eleitoral
Os marcos do calendário eleitoral funcionam como etapas preparatórias para a organização das eleições e ajudam a garantir previsibilidade, transparência e segurança no processo eleitoral brasileiro.
Prefeitura de Ibirataia conclui treinamento para implantação do Programa Ovitrampas no combate ao Aedes aegypti
A Prefeitura de Ibirataia, por meio da Secretaria Municipal de Saúde e da equipe da Vigilância Epidemiológica, realizou o treinamento final para a implantação do Programa Ovitrampas no município. A capacitação preparou os profissionais para a utilização da estratégia de monitoramento e controle do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. A iniciativa representa mais um avanço nas ações de saúde preventiva desenvolvidas pela gestão municipal.
O Programa Ovitrampas é uma importante ferramenta de vigilância entomológica que permite identificar a presença e a densidade do mosquito por meio da coleta e análise de ovos do vetor. Com os dados obtidos, a equipe técnica poderá direcionar ações mais eficazes de combate às arboviroses, concentrando esforços em áreas consideradas prioritárias e fortalecendo o planejamento das medidas preventivas.
O prefeito Sandro Futuca destacou a importância do investimento contínuo em saúde pública. “Estamos trabalhando para fortalecer cada vez mais as ações de prevenção e proteção da nossa população. A implantação do Programa Ovitrampas demonstra o compromisso da gestão municipal com o monitoramento eficiente e o combate às doenças transmitidas pelo Aedes aegypti”, afirmou. A iniciativa reforça o empenho da Prefeitura de Ibirataia em promover mais qualidade de vida e segurança para os cidadãos.
FICCO/SE realiza prisão e apreensão de cerca de 52 kg de maconha
Aracaju/SE. A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Sergipe (FICCO/SE) prendeu em flagrante, nesta terça-feira (2/6), um homem que transportava cerca de 52 kg de maconha prensada na capital sergipana.
O veículo suspeito foi localizado e abordado na região central de Aracaju. Durante vistoria, os policiais encontraram a droga escondida em compartimento oculto.
O suspeito foi conduzido à Superintendência Regional da Polícia Federal em Sergipe, onde foi autuado em flagrante pelo crime de tráfico de drogas. Após os procedimentos de polícia judiciária, ele foi encaminhado à 4ª Delegacia Metropolitana, onde permanecerá à disposição da Justiça.
A ação foi realizada de forma conjunta, com apoio da Polícia Militar de Sergipe. Troca de informações possibilitou a prisão, a qual contou com a participação de equipes do BPATI, do BPCaatinga, do BPRv, do GETAM e do 13º BPM.
A FICCO/SE é composta por integrantes da Polícia Federal, da Polícia Civil, da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Militar, da Polícia Penal e da Secretaria Nacional de Políticas Penais.
Comunicação Social da Polícia Federal em Sergipe
Secretário de Trump diz que Brasil não é um país amigável aos EUA, assim como Cuba e Venezuela
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta terça-feira (2), durante uma audiência no Senado, que o Brasil não faz parte do grupo de nações consideradas amigáveis aos interesses dos EUA no hemisfério ocidental e destaca que o país está "no meio de um ciclo eleitoral".
A declaração ocorre um dia após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) propor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos importados do Brasil e poucos dias depois de Rubio anunciar a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Durante a audiência, Rubio afirmou que o Ocidente conta atualmente com uma coalizão de países alinhados aos Estados Unidos, que trabalham em conjunto não apenas em questões de segurança, mas também na promoção da prosperidade econômica.
O secretário não detalhou quais países integrariam essa coalizão. Neste ano, porém, o governo Donald Trump lançou a iniciativa Escudo das Américas, voltada ao combate ao crime organizado transnacional. Diversos líderes da região foram convidados a participar, mas países considerados desalinhados politicamente de Washington, como Brasil, Colômbia e México, ficaram de fora do encontro.
O Departamento de Estado também promoveu, em Washington, um evento voltado à cooperação em minerais críticos, reunindo governos da região para discutir acordos estratégicos com os EUA.
Ao descrever o cenário político regional, Rubio afirmou que, "com exceção da Nicarágua, de Cuba, obviamente da Venezuela, que ainda enfrenta alguns desafios, e do Brasil, embora esteja no meio de um ciclo eleitoral, e, em certa medida, também do atual governo da Colômbia —ou pelo menos de seu presidente, que tem sido problemático—, de modo geral trata-se agora de uma região repleta de aliados dos Estados Unidos, de líderes amistosos aos Estados Unidos e de uma direção favorável aos interesses americanos".
O secretário acrescentou que Washington precisa transformar esse alinhamento em ações concretas após "20 anos de negligência", período em que, segundo ele, China e outras potências ampliaram sua influência na região, prejudicando não apenas os interesses americanos, mas também os próprios países latino-americanos.
A sugestão de novas tarifas contrastam com a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que criticou a nova proposta contra produtos brasileiros e acusou Rubio de hostilidade à América Latina durante evento também nesta terça-feira.
"Ele é anti-América Latina. É inimigo mortal de Cuba e de vários países latino-americanos", afirmou Lula. O presidente também disse já ter manifestado a Donald Trump a percepção de que o republicano não gosta do Brasil. "Eu já disse ao Trump que ele não gosta do Brasil. Ele não estava na reunião que eu fiz com o Trump", declarou.
Por Isabella Menon, Folhapress
FICCO/Ilhéus realiza ações contra tráfico de drogas
lhéus/BA. A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Ilhéus (FICCO/Ilhéus) realizou, nessa quinta-feira (28/5), diligência em um imóvel vinculado a um dos presos da Operação Midas II.
No local, houve apreensão de drogas, munições e materiais utilizados no cultivo de entorpecentes, que foram apreendidos em Itacaré/BA. A apreensão aconteceu no âmbito da operação deflagrada no dia 20/5/2026.
Segundo a apuração, o local estaria abandonado e com sinais de arrombamento. Também foram constatados indícios de funcionamento recente de uma estufa utilizada para o cultivo de entorpecentes. Durante as buscas, foram apreendidos haxixe, 15 munições calibre 9 mm e materiais relacionados à atividade investigada.
No local, os policiais encontraram uma estrutura utilizada para o cultivo de maconha, além de equipamentos utilizados em estufas e materiais destinados ao acondicionamento de entorpecentes. Todo o material apreendido foi encaminhado para a Delegacia da Polícia Civil em Itacaré.
Em outra ação, nessa sexta-feira (29/5), a FICCO/Ilhéus, em execução da Operação de Combate aos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI), recebeu informações de que indivíduos estariam em uma área às margens do Rio Cachoeira, em Itabuna. Durante as buscas, foram localizados 2 kg de cocaína, 2 mil comprimidos de ecstasy, 200 g de maconha e embalagens para acondicionar drogas, materiais destinados ao suporte do tráfico ilícito.
Ao perceberem a movimentação policial, os suspeitos adentraram as águas do rio e não foram identificados nem localizados. Todo o material apreendido foi apresentado à 6ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior em Itabuna para as medidas legais cabíveis.
As ações foram realizadas de forma conjunta, com apoio da Polícia Civil em Itacaré (equipes da 72ª CIPM) e de policiais militares do 15º BPM Itabuna, respectivamente.
A FICCO/Ilhéus é composta pela Polícia Federal, pela Polícia Militar, pela Polícia Civil, pela Polícia Penal da Bahia e pela Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia.
Comunicação Social da Polícia Federal na Bahia
Indicação de novo embaixador dos EUA no Brasil amplia tensão entre Lula e Trump e anima direita brasileira- Por Redação
A indicação do republicano Daniel Perez para a embaixada dos Estados Unidos no Brasil aumentou a tensão diplomática entre os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, além de fortalecer o discurso da direita brasileira no cenário pré-eleitoral de 2026.
Segundo reportagem publicada pela revista Veja, Daniel Perez é aliado político do secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, ligado ao movimento conservador MAGA (“Make America Great Again”) e conhecido por posições anticomunistas e conservadoras em pautas políticas e comportamentais.
Filho de cubanos e ex-deputado estadual da Flórida, Perez ganhou espaço dentro do Partido Republicano e chegou à presidência da Câmara estadual da Flórida em 2024. A indicação é vista como um movimento estratégico do governo Trump em meio ao acirramento das relações diplomáticas entre Brasília e Washington.
A publicação destaca que o novo embaixador pode influenciar diretamente o ambiente político brasileiro, especialmente por sua proximidade ideológica com o bolsonarismo. A medida é considerada positiva por setores da direita ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao senador Flávio Bolsonaro (PL), que vem intensificando interlocuções com o governo norte-americano.
A tensão entre os dois países aumentou após o governo Trump anunciar a classificação das facções criminosas PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, decisão criticada por integrantes do governo Lula. O tema foi incorporado ao discurso político da direita brasileira, especialmente após Flávio Bolsonaro relatar ter solicitado pessoalmente a Trump a adoção da medida durante encontro na Casa Branca.
Outro ponto de desgaste citado pela reportagem envolve o anúncio de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. A medida ampliou o desconforto diplomático entre os dois governos e passou a ter impacto também no debate eleitoral brasileiro.
O nome de Perez ainda precisa ser aprovado pelo Senado dos EUA e pelo próprio presidente Lula.
EUA citam decisão de Toffoli que anulou provas da Odebrecht para justificar tarifaço
A decisão do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), que anulou todas as provas oriundas do acordo de leniência da Odebrecht, de setembro de 2023, foi citada pelo governo Donald Trump como exemplo de que o Brasil falha no combate à corrupção.
O caso de Toffoli é uma das justificativas do USTR, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA, para propor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Além da corrupção, o governo Trump cita queixas sobre o Pix, tarifas consideradas injustas e desmatamento, entre outros.
O documento do governo Trump aponta ainda para uma decisão posterior de Toffoli, que suspendeu o pagamento de multas da empreiteira, e critica a falta de transparência na renegociação do acordo.
O texto afirma que o Brasil "falhou e continua falhando em tomar medidas de aplicação da lei para combater o suborno e a corrupção", e usa como referência um relatório da OCDE que manifesta preocupação com as decisões de Toffoli.
Procurado por meio da assessoria de imprensa do STF, o ministro ainda não se manifestou sobre as afirmações do governo americano.
"Essa decisão, proferida em setembro de 2023 pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, tratou do maior esquema de corrupção transnacional da história e levou à anulação de mais de uma centena de casos no Brasil", diz o documento.
"Em 2024, penalidades impostas pela Operação Lava Jato a empresas que haviam confessado corrupção em larga escala foram suspensas e autorizadas a serem renegociadas. A renegociação desses acordos de leniência tem sido criticada por avançar sem transparência e em meio a graves conflitos de interesse."
A renegociação dos acordos com a União foi concluída em 2025 e validada pelo ministro do STF André Mendonça, mas ainda não foi pautada para apreciação do plenário da corte.
"Sobre essas renegociações, a Organização dos Estados Americanos concluiu que as ações do Brasil 'correm o risco de minar a confiança pública no uso desses acordos e podem contribuir para uma sensação de insegurança jurídica para as pessoas jurídicas', além de levantar questionamentos sobre a equidade desses acordos", afirma o texto dos Estados Unidos.
"Em 2025, a Transparência Internacional caracterizou a anulação desses casos como a mais grave violação do Brasil à Convenção Antissuborno da OCDE."
De acordo com o escritório comercial de Trump, os atos "irrazoáveis" e "insuficientes" do Brasil na área de anticocorrupção "oneram ou restringem o comércio dos Estados Unidos porque permitem que empresas corruptas operem no Brasil com impunidade, enquanto empresas americanas, sujeitas a exigências significativas e à possibilidade de responsabilização por práticas corruptas no exterior, ficam em desvantagem".
A tarifa de 25% é apontada como uma medida corretiva para diversas práticas comerciais brasileiras. A investigação comercial conduzida com base na Seção 301 abrange temas como comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, tarifas consideradas "injustas ou preferenciais", leis anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
Os alvos da investigação vão desde antigas reclamações de Washington, como as tarifas brasileiras sobre a importação de etanol, até o Pix. Empresas americanas de cartão de crédito alegam que o Banco Central concede tratamento preferencial ao sistema de pagamento instantâneo, o que o governo Lula nega.
A decisão de Toffoli de 2023 determinava que as provas oriundas tanto do acordo quanto dos sistemas Drousys e MyWebDay —respectivamente de comunicação interna e de contabilidade e controle de pagamentos de vantagens indevidas— são imprestáveis em qualquer âmbito ou grau de jurisdição.
Na decisão, o ministro disse que a Lava Jato foi "uma armação fruto de um projeto de poder de determinados agentes públicos em seu objetivo de conquista do Estado por meios aparentemente legais, mas com métodos e ações contra legem [a lei]".
"Digo sem medo de errar, foi o verdadeiro ovo da serpente dos ataques à democracia e às instituições que já se prenunciavam em ações e vozes desses agentes contra as instituições e ao próprio STF. Ovo esse chocado por autoridades que fizeram desvio de função, agindo em conluio para atingir instituições, autoridades, empresas e alvos específicos", disse o ministro na ocasião.
Em fevereiro de 2024, o ministro suspendeu os pagamentos da multa da Odebrecht referentes ao acordo feito com o Ministério Público Federal.
Em uma série de decisões, o ministro também vem anulando nos últimos anos os atos de integrantes da Lava Jato contra alvos da operação, como o doleiro Alberto Youssef, o ex-ministro Antonio Palocci e o executivo Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empreiteira.
As decisões têm acontecido sob a justificativa de que houve conluio entre o ex-juiz Sergio Moro e a acusação.
Por José Marques e Ricardo Della Coletta/Folhapress
Governo Trump conclui investigação contra o Brasil e propõe novo tarifaço de 25%
O governo Trump concluiu a investigação da seção 301 contra o Brasil e propôs novo tarifaço de 25% sobre bens importados do país. A investigação acontece por meio do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), que fez a sugestão de um novo tarifaço como resposta ao que vê como práticas comerciais injustas do Brasil. A decisão sobre aplicação ou não cabe ao presidente dos EUA, Donald Trump.
Agora, o USTR vai abrir uma consulta para que o setor privado comente os resultados antes da elaboração do relatório definitivo, que precisa ser publicado até 15 de julho.
Mesmo que preliminar, a decisão negativa para o Brasil acontece na esteira da decisão dos EUA de designar CV e PCC como terroristas e reforça a pressão do governo republicano sob o governo Lula.
Por meio de comunicado, o USTR, que é comandado pelo embaixador Jamieson Greer, afirma que propôs medidas de resposta para consulta pública, enquanto os "Estados Unidos continuam a manter negociações intensas com o Brasil em busca de uma solução para as preocupações americanas".
"Lancei esta investigação sob a Seção 301 por determinação do presidente Trump para tratar de preocupações antigas e persistentes dos Estados Unidos em relação a determinadas políticas e práticas comerciais do Brasil. Ao longo do último ano, o presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus ministros, que se intensificaram nas últimas semanas", afirma Greer.
Segundo o embaixador, os países continuam "tendo divergências substanciais sobre a resolução dos temas identificados nesta investigação. Espero continuar o diálogo com o governo brasileiro antes do prazo legal de 15 de julho de 2026 para a adoção de medidas de resposta."
A sugestão prevê 25% de tarifas sob os produtos brasileiros, mas exclui uma ampla lista de bens considerados estratégicos para a economia dos Estados Unidos ou cuja oferta doméstica é insuficiente. Entre eles estão diversos alimentos e produtos agropecuários, como carne bovina, castanha-do-pará, castanha de caju, coco, banana, manga, mamão, abacaxi, laranja, limão e outras frutas tropicais.
O anexo também preserva matérias-primas e produtos que poderiam causar problemas de abastecimento ou aumento de preços caso fossem taxados. O próprio USTR afirma que as isenções abrangem itens cuja tributação poderia provocar interrupções econômicas mais amplas, além de produtos que não podem ser produzidos nos EUA em quantidade suficiente ou obtidos facilmente de outros fornecedores.
Outro destaque é a exclusão da indústria aeronáutica. O documento poupa aeronaves civis, motores, peças, componentes e simuladores de voo, preservando um dos setores mais integrados entre Brasil e Estados Unidos. Também ficam fora da medida materiais informativos, doações, bagagens acompanhadas e produtos já sujeitos às tarifas impostas por outras legislações comerciais americanas.
Entre os resultados da investigação, o USTR acusa o Brasil de impor restrições a empresas americanas de tecnologia por meio de decisões judiciais que ordenam a remoção de conteúdos, a suspensão de perfis e o sigilo dessas determinações. Também criticam multas e outras punições aplicadas às plataformas que não cumprem essas ordens. Além disso, alegam que políticas brasileiras favorecem empresas nacionais de pagamento eletrônico em detrimento de concorrentes americanas.
O governo americano afirma que o Brasil concede tarifas mais baixas para centenas de produtos vindos do México e da Índia por meio de acordos comerciais preferenciais, sem oferecer tratamento equivalente aos produtos dos Estados Unidos.
Segundo o USTR, o Brasil não faz esforços suficientes para investigar, punir e prevenir casos de suborno e corrupção, o que prejudicaria a concorrência justa e os interesses comerciais americanos.
Por fim, os EUA argumentam que o Brasil falha no combate à falsificação e à pirataria, demora excessivamente para analisar pedidos de patente — especialmente no setor farmacêutico — e não mantém ações consistentes para proteger direitos de propriedade intelectual.
Assim, o escritório diz que, para garantir que seus pedidos sejam considerados, os interessados devem apresentar solicitações para participar da audiência pública, junto com um resumo de seus depoimentos, até 22 de junho de 2026. Comentários por escrito devem ser enviados até 1º de julho de 2026. Uma nova audiência sobre as medidas propostas acontecerão em 6 de julho de 2026.
Greer foi a autoridade que, na reunião entre Lula e Trump no início de maio, mais se queixou da forma como o Brasil conduz seu comércio com os Estados Unidos.
Esta investigação foi instaurada em julho de 2025, como uma das medidas anunciadas por Trump em reação ao que o republicano classificou como uma "caça às bruxas" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O governo americano incluiu no processo a análise de práticas em diferentes frentes: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas consideradas "injustas ou preferenciais"; leis anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal.
Os alvos vão desde queixas antigas de Washington, como as tarifas brasileiras sobre a importação de etanol, até o Pix. Empresas americanas de cartão de crédito alegam que o Banco Central concede tratamento preferencial ao sistema de pagamento instantâneo, o que o governo Lula nega.
Após o encontro entre os presidentes, foi instaurado um grupo de trabalho com integrantes dos dois países para trabalharem juntos em meio à investigação. A expectativa era de que os países trabalhariam por 30 dias —o prazo se encerraria na próxima segunda (7), porém a decisão da Seção 301 veio antes.
No dia 19 de maio, Greer teve uma primeira reunião virtual com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa e, pelos dois lados, foi vista como positiva. Apesar disso, os brasileiros saíram frustrados com a falta de clareza sobre o prazo de um mês que Lula e Trump teriam dado a seus auxiliares para resolver divergências comerciais
Também sob a justificativa de perseguição política a Bolsonaro, o Brasil foi atingido no ano passado por um tarifaço de Trump que elevou a sobretaxa para até 50% sobre uma série de produtos.
Impactos inflacionários nos Estados Unidos e a gradual aproximação entre as gestões Lula e Trump —que culminou em dois encontros entre os presidentes no fim de 2025— levaram à ampliação de exceções ao tarifaço.
Em fevereiro, a Suprema Corte americana considerou ilegal o uso da IEEPA (Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional) para justificar tarifas abrangentes contra parceiros comerciais dos Estados Unidos. Como reação à determinação judicial, o republicano impôs uma tarifa global de 10%, que expira no final de julho.
Além da apuração aberta em 2025, o Brasil entrou na mira de outra ação do USTR, iniciada neste ano, para analisar se produtos fabricados com trabalho forçado estão entrando no mercado americano.
Esse processo avalia práticas em cerca de 60 países e foi lançado poucas semanas após a decisão da Suprema Corte que derrubou o tarifaço. Segundo especialistas, o objetivo dos EUA é mirar o comércio de parceiros com a China.
O plano do governo Trump é que essa segunda investigação tenha tramitação acelerada e as conclusões do USTR sejam publicadas em prazo mais curto do que o tradicional.
Por Isabella Menon e Ricardo Della Coletta/Folhapress
Projeto aumenta poderes da AGU e permite que Messias atue até em matérias do BC
Um projeto de lei proposto pelo governo que avançou na Câmara dos Deputados pode aumentar os poderes da Advocacia-Geral da União, ao incluir procuradorias de outros órgãos na AGU e permitir que o atual chefe da pasta, Jorge Messias, atue em qualquer matéria de interesse deles na justiça.
O texto relatado pelo deputado Lafayette de Andrada (PL-MG) foi aprovado em maio na Comissão de Constituição e Justiça da Casa e altera a Lei Orgânica da AGU ao incluir no órgão os cargos de procuradores federais e também do Banco Central.
Os procuradores federais são aqueles que atuam junto às agências, como a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), a CVM (Comissão de Valores Imobiliários) e até o INSS.
Um trecho do projeto diz que o advogado-geral da União poderá avocar quaisquer matérias de interesse do órgão, dando plenos poderes ao chefe da pasta. O temor é que o poderio dado ao AGU possa ferir a autonomia desses órgãos.
A proposta é discutida no momento em que o Senado Federal se debruça sobre a PEC que dá mais autonomia ao Banco Central, projeto que enfrenta resistência dentro do governo.
A Associação Nacional dos Advogados da União teme impactos negativos com a proposta e diz que mudanças na autonomia das agências deveria ser concretizada por meio de emenda à Constituição.
"É imprescindível que essas entidades sejam chamadas pelo Parlamento para opinarem sobre a conveniência, para o interesse público, da ruptura do modelo atual", disse o presidente da entidade, Niomar Nogueira.
A principal crítica é que o novo modelo abre brecha para que os órgãos que hoje são vinculados à AGU passem a ter uma subordinação hierárquica direta ao titular da pasta.
O texto do governo também não delimita as funções de cada procuradoria. O receio é que sem uma definição clara de atuação cada órgão atue de forma discricionária e haja disputa entre as demandas.
A AGU negou que a proposta retire autonomia das entidades e disse que o texto é uma reivindicação histórica dos membros dessas carreiras porque moderniza a estrutura da instituição.
"Embora possuam autonomia administrativa, técnica e financeira em relação às suas entidades de origem, têm vinculação jurídica na relação com a Advocacia-Geral. Ambas estão sujeitas, portanto, à direção superior, supervisão jurídica e orientação normativa do advogado-geral da União", diz a nota.
Por Gabriela Echenique/Folhapress
Governo brasileiro considera injustificada proposta de tarifa dos EUA sobre produtos nacionais/ Por Redação
O governo federal classificou como sem fundamento técnico a proposta apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para aplicar uma tarifa de 25% sobre parte das exportações brasileiras. Integrantes da equipe econômica argumentam que a medida não se justifica, já que o Brasil registra déficit comercial com os EUA e não adota barreiras que sustentem a aplicação de sanções desse porte.
Entre os pontos que mais geraram críticas por parte do governo brasileiro está a inclusão do Pix no relatório americano. O documento questiona a atuação do Banco Central como regulador e operador do sistema de pagamentos instantâneos, alegando possível favorecimento da plataforma em relação a concorrentes estrangeiros. A avaliação brasileira, no entanto, é de que o sistema ampliou a inclusão financeira e a competitividade no setor.
Apesar da insatisfação com a proposta, integrantes do governo consideram que o cenário poderia ser mais severo, já que havia expectativa de tarifas ainda maiores. O Brasil também vê de forma positiva a possibilidade de negociação aberta pelos Estados Unidos e a criação de um grupo de trabalho bilateral, acordada durante encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, para discutir as relações comerciais entre os dois países.
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