Itagibá: Polícia cumpre mandados de busca e apreensão contra investigados por tráfico de drogas

Na manhã deste sábado (11), uma operação policial foi deflagrada no município de Itagibá com o objetivo de combater crimes relacionados ao tráfico de drogas. Ao todo, foram cumpridos dez mandados judiciais contra investigados envolvidos com a atividade criminosa na cidade.

De acordo com as informações preliminares divulgadas pela Polícia Civil, os mandados foram solicitados pelo delegado Dr. Jefferson Almeida Ribeiro, e expedidos pela Justiça por meio da Comarca de Itagibá. A operação foi coordenada pelo próprio delegado e contou com o apoio de guarnições da CIPE/Central, da RONDESP e da 55ª CIPM.

As equipes atuaram de forma integrada, realizando diligências em diferentes pontos do município com o objetivo de localizar suspeitos, apreender entorpecentes e reunir provas que possam fortalecer as investigações em andamento. Até o momento, a polícia não divulgou detalhes da ação policial. Novas informações devem ser repassadas à imprensa após a conclusão dos trabalhos.
Informações: Giro Ipiaú

PRF apreende 60 Kg de skunk em Miranda (MS)

Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu 60 quilos de skunk, nesta sexta-feira (10), em Miranda (MS).

Durante fiscalizações na BR-262, os policiais deram ordem de parada a um Chevrolet/Prisma, porém o condutor não parou e iniciou fuga. Foi realizado o acompanhamento tático, até que o condutor desistiu e foi detido. Ele confessou que transportava drogas.

No veículo foram encontrados 59,9 quilos de skunk. Segundo o condutor, ele deveria levar a droga até Campo Grande.

A ocorrência foi encaminhada à Polícia Civil em Miranda (MS).

Justiça e Segurança

Em ação conjunta, PRF e PMAC descobrem cultivo de cannabis em Cruzeiro do Sul

Cruzeiro do Sul/AC - Na última quarta-feira, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Polícia Militar do Estado do Acre (PMAC) localizaram um cultivo de plantas análogas à Cannabis sativa (maconha) em uma propriedade rural às margens da BR-364, no município de Cruzeiro do Sul. A ação foi resultado de uma denúncia anônima e reforça a integração entre as instituições no combate ao tráfico de drogas na região do Juruá.

A Ocorrência
A equipe da PRF realizava um comando de fiscalização no km 752 da rodovia, quando foi acionada por uma guarnição da Polícia Militar para prestar apoio em uma averiguação de denúncia. Segundo as informações recebidas, um terreno nas proximidades do km 751 estaria sendo utilizado para o cultivo ilícito de entorpecentes.

Localização e Prisão
Ao chegarem ao local indicado, os policiais foram recebidos pelo proprietário da residência. Durante as buscas no entorno do imóvel, as equipes localizaram quatro mudas de plantas com características idênticas à Cannabis sativa.

Diante do flagrante, o homem recebeu voz de prisão. Ele foi conduzido, juntamente com as mudas apreendidas, à Delegacia de Polícia Civil em Cruzeiro do Sul para a formalização dos procedimentos cabíveis. O suspeito responderá, em tese, pelo crime de tráfico de drogas, conforme previsto na Lei 11.343/2006.

Integração Operacional
A PRF destaca que o apoio mútuo entre as forças de segurança é fundamental para a eficácia do policiamento em áreas de difícil acesso e para o pronto atendimento a denúncias da população. A presença constante nas rodovias federais visa não apenas a segurança viária, mas também o enfrentamento firme aos crimes contra a saúde pública.
Categoria
Crimes

Nelson Leal ironiza anúncio de duas mil entregas e diz que Jerônimo se apropria de obras “desde a chegada de Dom João VI”

O deputado estadual Nelson Leal (PP), coordenador da pré-campanha de ACM Neto ao Governo da Bahia
O deputado estadual Nelson Leal (PP), coordenador da pré-campanha de ACM Neto ao Governo da Bahia, ironizou a declaração recente do governador Jerônimo Rodrigues (PT) de que existem duas mil obras prontas a serem entregues por sua gestão.

“O que nós percebemos é que desde a chegada de Dom João VI [rei português ao Brasil, em 1808], todas as obras realizadas de lá pra cá Jerônimo está dizendo que é dele. Então, é em função desse espaço de tempo tão gigantesco que essas obras estão sendo apropriadas como da administração”, disse em entrevista a este Política Livre nesta sexta-feira (10)

“O governador escolheu o dia errado, deveria ter anunciado isso no 1° de abril, porque isso na realidade é uma grande piada”, emendou.

Segundo ele, o anúncio feito pelo governador não encontra amparo na realidade vista pelos baianos em diferentes regiões do Estado.

“Eu queria ver dos baianos que moram nos quatro recantos desse Estado para saber deles se lá estão chegando alguma obra do governo ou só promessas. A realidade é que ele se apropria de obras realizadas por administrações anteriores, obras que já estavam quase concluídas quando iniciou o seu mandato e obras que sem sombra de dúvida não sairão do papel porque hoje nós temos o governo da promessa, da enganação”.

Leal se referiu ainda a um levantamento que ele diz ter sido elaborado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-BA) apontando “927 obras paralisadas aqui na Bahia”.

Por Política Livre

Governo gasta R$ 2 milhões com cachês para influenciadores

Dira Paes (R$ 470 mil) e Milton Cunha (R$ 310 mil) lideram; influenciadores ganham de R$ 1.000 a R$ 125 mil.
O presidente Lula
O governo Lula (PT) pagou cerca de R$ 2 milhões para influenciadores digitais e artistas participarem de campanhas publicitárias desde 2025, quando Sidônio Palmeira assumiu o comando da Secom (Secretaria de Comunicação Social).

Os maiores cachês foram desembolsados para a atriz Dira Paes, que recebeu R$ 470 mil por ação de publicidade do programa Celular Seguro, e para o carnavalesco Milton Cunha, contratado por R$ 310 mil para divulgar o Agora Tem Especialistas, do Ministério da Saúde.

O governo ainda pagou de R$ 1.000 a R$ 124,9 mil em cachês para ao menos 55 influenciadores digitais divulgarem vídeos sobre bandeiras e ações do governo ou para protagonizarem propagandas produzidas pelas agências de comunicação que têm contratos com a Secom.

Outros 12 nomes participaram das ações sem receber pagamentos federais ou por meio de parceria com big techs contratadas pela Secom, lista que inclui o apresentador João Kleber. Ele protagonizou propaganda do governo sobre "Teste de Fidelidade ao Brasil".

A participação de João Kleber foi oferecida pelo Kwai, empresa que recebeu ao menos R$ 19,5 milhões em anúncios da Secom e ministérios no último ano.

A Secom afirma que a contratação dos influenciadores reflete os novos hábitos de consumo de mídia dos brasileiros na hora de buscar informações, "com aumento significativo do tempo dedicado à navegação nas redes sociais e do engajamento da audiência nas publicações desse perfil".

A pasta diz ainda que eles são remunerados com a verba de produção das campanhas e por meio das agências que foram licitadas pelo governo.

O governo Jair Bolsonaro (PL) também contratou influenciadores de 2019 a 2021, pagando ao menos R$ 670 mil, considerando valores corrigidos pela inflação. A gestão passada interrompeu a prática após ser questionada, entre outros pontos, pela produção de conteúdo defendendo o "cuidado precoce" sobre a Covid-19, ou seja, um discurso que integrava a abordagem negacionista e antivacina de Bolsonaro sobre a pandemia.

Outra forma de explorar nomes com projeção da mídia que é adotada por diferentes governos se dá por merchandising em programas de TV e rádio. A gestão passada adotou esse formato para pagar o apresentador bolsonarista Sikêra Jr., por exemplo, enquanto a Secom de Lula contratou Ratinho para defender bandeiras do governo petista.

A aposta nos influenciadores contrasta com a do antecessor de Sidônio, Paulo Pimenta (PT), que chegou a afirmar em reunião na Câmara dos Deputados de 2023 que o governo não trabalhava com "influenciadores pagos".

Sob Sidônio, a Secom também passou a direcionar mais de 30% da verba publicitária para sites e plataformas digitais, contra cerca de 20% na gestão anterior. Com a mudança, os canais digitais receberam ao menos R$ 234,8 milhões dos cerca de R$ 681 milhões distribuídos em anúncios pela secretaria e ministérios no último ano.

Os cachês foram apresentados à reportagem por meio de pedido baseado na Lei de Acesso à Informação. Nas primeiras etapas do processo a Secom mostrou apenas nomes dos influenciadores. Após ordem da CGU (Controladoria-Geral da União), dada em recurso de terceira instância, a secretaria divulgou os pagamentos.

A atriz Dira Paes protagonizou, no ano passado, a campanha sobre o aplicativo Celular Seguro, que permite o bloqueio dos aparelhos de vítimas de furto ou extravio. Atriz da TV Globo, ela integra o CDESS (Conselho do Desenvolvimento Econômico Social Sustentável) do governo Lula, conhecido como "Conselhão". Também atuou como a mãe do presidente da República, dona Lindu, no desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval 2026.

Em nota, a assessoria da atriz confirmou o valor e disse que a campanha teve veiculação nacional durante um ano na TV, rádio e na internet.

Já Milton Cunha gravou dois vídeos voltadas ao público do Rio de Janeiro e exaltando o aumento de cirurgias no SUS. A Globo retirou o carnavalesco da apresentação do quadro Enredo e Samba, exibido no RJ1, telejornal local da emissora na capital fluminense, depois da gravação. A assessoria de Cunha foi procurada, mas não se manifestou.

A Secom também permitiu, em 2025, que produtores de conteúdo em plataformas digitais se cadastrem no Midiacad, que é um sistema da pasta que centraliza veículos de comunicação que podem receber publicidade federal.

Para entrar no sistema, os influenciadores devem apresentar dados sobre volume de seguidores e acessos das suas redes, além de um relatório de entregas de mídia. A Secom orienta que o produtor, "ao retratar uma experiência pessoal, seja genuíno e contenha apresentação verdadeira do produto ou serviço anunciado".

Segundo os valores divulgados pela Secom, o professor de história e comediante Matheus Buente recebeu a maior soma em pagamentos (R$ 124,9 mil) entre os influenciadores. Ele foi o protagonista de vídeos sobre a saída do Brasil do Mapa da Fome e sobre o Pix.

O governo também pagou para os influenciadores Morgana Camila (R$ 119,25 mil), Vitor DiCastro (R$ 90 mil), Anaterra Oliveira (R$ 50 mil) e Rodrigo Góes (R$ 50 mil) atuarem em campanhas publicitárias. Gabriela Ferreira, Giovana Fagundes e Matheus Sodré receberam R$ 40 mil cada, segundo a Secom.

Matheus Buente disse que o valor foi pago para a produção e divulgação de dois vídeos e que os conteúdos tiveram como objetivo "explicar, de forma acessível" as políticas públicas. Ele disse que recebeu "total liberdade criativa" na elaboração do material.

O influenciador Rodrigo Góes afirmou que participou de campanhas do Ministério da Saúde sobre vacinação e doação de sangue, sendo que a última foi feita sem remuneração. Disse que o pagamento está alinhado com as práticas do mercado e que a campanha foi construída com base na linguagem que ele utiliza nas redes, sem perder o caráter informativo.

A atriz e comediante Giovana Fagundes afirmou que segue as boas práticas do mercado e identifica conteúdos patrocinados. Também disse que seleciona trabalhos alinhados com seus princípios e com instituições e marcas que conhece e acredita.

A Secom afirma que a influenciadora Laura Sabino recebeu R$ 40 mil para produção de quatro vídeos. Procurada, ela disse que o valor está incorreto, mas não informou quanto recebeu. Laura disse que os trabalhos realizados não tinham o objetivo de promover o presidente Lula ou defender o governo, mas de orientar e contribuir para que os direitos cheguem a quem precisa.

Os demais influenciadores mencionados foram procurados, mas não se manifestaram.

Influenciadores e atores com maiores cachês desde 2025

Valores divulgados pela Secom por meio da Lei de Acesso à Informação

Dira Paes: R$ 470 mil

Milton Cunha: R$ 310 mil

Matheus Buente: R$ 124,98 mil

Morgana Camila: R$ 119,25 mil

Vitor diCastro: R$ 90 mil

Anaterra Oliveira: R$ 50 mil

Rodrigo Góes: R$ 50 mil

Gabriela de Oliveira Ferreira: R$ 40 mil

Giovana Fagundes: R$ 40 mil

Matheus Sodré: R$ 40 mil

*Secom informa que a influenciadora Laura Sabino recebeu R$ 40 mil por 4 vídeos. Ela disse que o valor está incorreto, mas não confirmou quanto recebeu. Outros 46 influenciadores receberam de R$ 1.000 a R$ 35 mil.
Por Mateus Vargas/Folhapress

Eleições 2026: Após janela partidária, federação União-PP e PL têm maiores bancadas na Câmara

Federação Brasil da Esperança, com PT, PCdoB e PV, é a terceira maior bancada na Casa
Plenário da Câmara dos Deputados
Com o fim da chamada janela partidária, a federação União Progressista – formada pelo União Brasil e pelo PP – e o PL têm, respectivamente, as maiores bancadas da Câmara. Em seguida, está a federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV). A janela partidária foi o período entre 5 de março e 3 de abril em que, sob a permissão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os parlamentares puderam mudar de partido sem perder o mandato.

O levantamento foi feito pelo jornal O Estado de São Paulo com dados repassados pelos próprios partidos. O União Brasil, informou ter 51 deputados, e o PP, 47 deputados, formando assim a maior bancada enquanto federação União Progressista, com 98 parlamentares. A federação foi formada em 26 de março deste ano e é composta por boa parte dos deputados do Centrão. O União Brasil e o PP têm ministérios no governo, mas parte de suas bancadas frequentemente diverge do Palácio do Planalto nas votações.

O PL disse que a sua bancada aumentou de 87 para 97 deputados com a janela partidária. Trata-se, portanto, do partido com mais integrantes na Câmara. O partido do ex-presidente Jair Bolsonaro já tinha a maior bancada, mas perdeu o posto de primeiro lugar após a formação da federação União Progressista.

Já o PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva relatou ter mantido 67 deputados na bancada e é o segundo maior partido na Câmara. O PCdoB, parceiro na federação Brasil da Esperança, disse ter saído de nove deputados para 10 com a janela partidária. O PV, também integrante da federação, informou que passou de quatro para sete deputados. As legendas somam, portanto, 84 deputados, formando a segunda maior bancada da Câmara enquanto federação.

Apesar de ter a terceira maior bancada, a federação liderada pelo PT precisa mobilizar votos de outros partidos, especialmente no Centrão, para aprovar matérias de interesse do governo na Casa.

Criadas pela reforma eleitoral em 2021, as federações atuam como um único partido e, com isso, as siglas que as integram são parte de uma mesma bancada. Também atuam como federações o PSOL com a Rede Sustentabilidade e o PSDB com o Cidadania. A federação atua por pelo menos quatro anos do mandato.

Na Câmara, cada federação tem um só parlamentar na condição de líder, para orientar as votações aos seus membros e falar no plenário pela bancada. Além disso, as federações atuam em unidade na indicação de presidências e de integrantes das comissões.

Janela movimenta partidos

O PSD, de Gilberto Kassab, disse ter passado de 47 para 49 deputados. Já o Republicanos, partido do presidente da Câmara, Hugo Motta (PB), declarou ter decrescido de 45 para 43. Por sua vez, o MDB informou ter diminuído o número de integrantes de 40 para 38.

O Podemos declarou ter ganhado 12 deputados e passado de 15 para 27 membros. Trata-se do partido que mais recebeu integrantes. O PSDB também celebrou por ter subido de 15 para 18 deputados. No entanto, o seu parceiro de federação, o Cidadania, disse ter perdido dois deputados e agora só tem outros dois.

O União Brasil, ao perder oito deputados, e o PDT, com sete a menos, são os partidos com as principais baixas. O PDT disse ter passado de 16 deputados para nove.

O partido Missão, do Movimento Brasil Livre (MBL), passou a ser representado na Câmara pelo deputado Kim Kataguiri (SP) e tem apenas um integrante.

Os números coletados pela reportagem consideram somente as informações repassadas pelos próprios partidos. Há informações divergentes, no entanto, com dados divulgados no site da Câmara dos Deputados. A Câmara informou, por exemplo, que o União Brasil tem 44 deputados, em vez de 51, e que o Podemos tem 21 deputados, e não 27.

Os partidos alegam que os deputados ainda estão fornecendo as suas documentações e sendo homologados, por isso a discrepância. Procurada, a Câmara disse que é comunicada da troca de partido pelo parlamentar e que não há prazo para que essa mudança seja informada.

A tabela abaixo contém os números fornecidos pelas bancadas, porém, a soma de todos os dados chega a 517 deputados, número superior às 513 vagas da Câmara. A margem de erro pode estar associada ao fato de as informações ainda estarem sendo atualizadas pelos partidos e a contagens que misturam deputados titulares e suplentes. Diferentemente dos titulares, que foram eleitos e têm mandatos próprios, os suplentes podem ser de um partido e ocupar um cargo pertencente a outro partido, provisoriamente.

No Senado, 11 mudam de partido; PL e PSB têm maior saldo positivo

Ao menos onze senadores trocaram de partido neste ano, a maioria de olho nas eleições de outubro. Considerando entradas e saídas, PL e PSB foram os partidos que mais ganharam nomes, com saldo positivo de dois, cada. Podemos (-3), União Brasil (-2) e MDB (-2) registraram as maiores baixas na bancada.

Pela regra eleitoral, senadores podem trocar de partido a qualquer momento, independentemente da janela partidária que se aplica aos deputados. Senadores que queiram buscar a reeleição, no entanto, precisam estar filiados ao partido pelo menos seis meses antes do pleito, o que fez com que eles intensificassem as mudanças neste começo de ano.

Eis a lista completa de trocas:Angelo Coronel (PSD para o Republicanos);
Carlos Viana (Podemos para o PSD);
Efraim Filho (União Brasil para o PL);
Eliziane Gama (PSD para o PT);
Eudócia (PL para o PSDB);
Fernando Dueire (MDB para o PSD);
Giordano (MDB para o Podemos);
Marcos do Val (Podemos para o Avante);
Rodrigo Pacheco (PSD para o PSB);
Sérgio Moro (União Brasil para o PL);
Soraya Thronicke (Podemos para o PSB).

Com exceção de Moro e Efraim Filho, todos terão seus mandatos finalizados neste ano. Da lista, seis disputarão a reeleição ao Senado (Angelo Coronel, Carlos Viana, Eliziane Gama, Fernando Dueire, Marcos do Val e Soraya Thronicke), três devem tentar governos estaduais (Efraim Filho, Rodrigo Pacheco e Sérgio Moro), uma não deve tentar a reeleição (Eudócia) e um ainda não decidiu (Giodano).

Ao todo, 54 das 81 cadeiras do Senado estarão em disputa em outubro. Levantamento do Estadão/Broadcast mostrou que pelo menos 13 senadores pretendem concorrer a governos estaduais em 2026, incluindo os que permanecem em suas siglas. O Senado também terá pré-candidatos à Presidência, com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e a postos na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
Por Victor Ohana/Naomi Matsui/Estadão

Lula afirma que Trump não ameaçaria o Brasil se soubesse 'o que é nordestino nervoso'

Presidente afirma que o americano ameaça o mundo e que brasileiro quer paz

O presidente Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (10) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está ameaçando o mundo e que, se ele conhecesse "um nordestino nervoso", não o faria com o Brasil.
A declaração foi feita em discurso em Sorocaba, no interior de São Paulo, onde Lula inaugurou um campus do IFSP (Instituto Federal de São Paulo).

"Trump não sabe o que é pernambucano, senão ele não fazia ameaça nunca aqui. Se ele soubesse o que é um nordestino nervoso, ele não brincaria com o Brasil. Se ele quiser guerra, que vá para outro lado do planeta, porque aqui nós queremos paz", disse Lula ao final do discurso.

A fala ocorre em um momento em que o governo brasileiro acompanha com atenção movimentos recentes de Donald Trump no cenário internacional. Nesta sexta, o americano afirmou que pode usar o poder econômico dos Estados Unidos para apoiar o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, que disputa uma eleição considerada acirrada neste fim de semana.

A atuação de Trump em favor de Orbán é vista por integrantes do governo Lula como um teste de interferência externa em processos eleitorais, com potencial impacto sobre estratégias brasileiras para as eleições de 2026. A gestão petista também observa eleições em outros países da América Latina sob essa perspectiva.

A declaração também ocorre em meio à escalada de tensões globais, com conflitos envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel no Oriente Médio, além da guerra entre Rússia e Ucrânia. O avanço dos confrontos preocupa o governo brasileiro, inclusive pelo impacto econômico — como a alta no preço do petróleo e seus efeitos sobre inflação e combustíveis.

O cenário internacional também tem afetado a relação bilateral. Um encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, discutido desde o início do ano, ainda não tem data definida e pode não ocorrer em 2026 caso não seja viabilizado até o meio do ano, diante do calendário eleitoral brasileiro.

Interlocutores do Planalto apontam que o agravamento da guerra no Oriente Médio dificultou o avanço da agenda entre os dois países. Lula, por sua vez, tem adotado posição crítica à atuação americana no conflito e defendido soluções negociadas.

Apesar do tom desafiador ao mencionar Trump, o presidente voltou a defender no discurso em Sorocaba uma agenda de paz e cooperação internacional. "Nós não queremos guerra, nós queremos paz", afirmou, ao dizer que o Brasil busca desenvolvimento, acesso à educação e bem-estar.
Por Aléxia Sousa/Nicole Bonentti/Folhapress

Vice-presidente dos EUA alerta Irã a ‘não brincar’ durante negociações no Paquistão

Às vésperas das negociações para encerrar a guerra, o presidente dos EUA, Donald Trump, elevou o tom contra o Irã dizendo que eles "só estão vivos hoje para negociar" e ameaçou reagir caso as conversas fracassem, enquanto o Irã impôs condições para avançar no diálogo.

Representantes dos dois países se reúnem a partir deste sábado (11), no Paquistão, em meio a um cessar-fogo frágil — que Teerã afirma já ter sido violado por seus rivais, incluindo Israel.
Trump afirmou nesta sexta-feira (10) que o Irã não tem poder de negociação real e disse que o país só continua existindo para negociar.

"Os iranianos parecem não perceber que não têm cartas na manga, além de uma extorsão de curto prazo ao mundo por meio do uso de vias navegáveis internacionais. A única razão de ainda estarem vivos hoje é para negociar!", afirmou na rede social Truth Social.

O presidente dos EUA também disse que o Exército do país está "carregando os navios com as melhores munições" caso as negociações de paz com o Irã fracassem. A fala aconteceu em uma entrevista ao jornal norte-americano "The New York Post".

“Vamos descobrir em breve, em cerca de 24 horas”, disse ao ser questionado pelo jornal se acreditava que as negociações seriam bem-sucedidas.

“Estamos reiniciando tudo, carregando os navios com as melhores munições, as melhores armas já feitas —ainda melhores do que as que usamos antes, e com as quais os destruímos completamente. (...) E, se não tivermos um acordo, vamos usá-las de forma muito eficaz”, afirmou.

Trump afirmou também que os iranianos "são melhores em lidar com a imprensa de fake news e com 'relações públicas' do que em lutar".

Ao "NY Post", ele disse que negociar com o regime iraniano é "lidar com pessoas sobre as quais não sabemos se dizem a verdade". Ele também acusou Teerã de contradizer alegações sobre enriquecimento de urânio e armas nucleares nos âmbitos público e privado.

Já o Irã impôs condições para negociar.

Nesta sexta (10), o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, disse que os EUA devem cumprir os compromissos, incluir o Líbano no cessar-fogo e interromper os ataques israelenses contra o país, segundo a mídia estatal iraniana.

A agência de notícias semioficial iraniana Tasnim, próxima à Guarda Revolucionária, afirmou que as conversas marcadas para sábado não aconteceriam a menos que Israel interrompesse seus ataques no Líbano.

Além disso, um alto representante do Irã afirmou nesta sexta-feira (10) que as negociações com os EUA não podem começar enquanto ativos iranianos bloqueados no exterior não forem liberados.

"Duas das medidas acordadas entre as partes ainda não foram implementadas: um cessar-fogo no Líbano e a liberação dos ativos iranianos bloqueados antes do início das negociações. Essas duas questões precisam ser cumpridas antes que as negociações comecem", disse o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, em uma publicação no X.

Mais cedo nesta sexta, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, que vai participar das conversas em Islamabad, no Paquistão, falou sobre o encontro em um tom um pouco mais positivo.

"Estamos ansiosos pela negociação. Acho que será positiva. Veremos, é claro, como disse o presidente dos Estados Unidos, se os iranianos estiverem dispostos a negociar de boa fé, e certamente estaremos dispostos a estender a mão. Se eles tentarem nos enganar, descobrirão que a equipe de negociação não é tão receptiva", declarou Vance.

Vance disse ainda que Donald Trump passou aos negociadores "diretrizes bem claras" para as tratativas, mas não especificou quais.

Negociações
Cartaz em rua de Islamabad, no Paquistão, anuncia as conversas entre Estados Unidos e Irã, que serão sediadas na cidade, em 10 de abril de 2026.
Mesmo em meio a um cessar-fogo cambaleante, integrantes do alto escalão dos governos dos Estados Unidos e do Irã sentarão à mesa para começar a travar negociações pelo fim definitivo da guerra.

As negociações estão previstas para começar de forma oficial no sábado (11), com os integrantes das duas partes.

Do lado dos Estados Unidos, estarão:
  • O vice-presidente norte-americano, JD Vance;
  • O enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff;
  • O conselheiro e genro de Trump Jared Kushne
Já do lado iraniano, participarão das tratativas:
  • O chanceler do Irã, Abbas Araghchi;
  • O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf.

    As conversas ocorrerão em um hotel de luxo em Islamabad, a capital do Paquistão, país que media o diálogo entre EUA e Irã. E começarão já em meio à guerra de versões sobre o cessar-fogo, o passo inicial para o sucesso das conversas.

Exército prende militares condenados por trama golpista após ordem de Moraes

Alexandre de Moraes
O Exército cumpre nesta sexta-feira (10) quatro mandados de prisão contra membros da corporação condenados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) pela trama golpista.

As prisões foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes.

Já foram presos Ângelo Denicoli, major da reserva do Exército; Giancarlo Rodrigues, subtenente da ativa; e Guilherme Almeida, tenente-coronel da ativa.

O primeiro foi preso em Vila Velha, no Espírito Santo, e os dois últimos foram presos em Brasília, no Distrito Federal.

Além disso, estão foragidos Reginaldo Abreu, coronel da reseva do Exército, e Carlos César Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal.

O STF oficializou em novembro do ano passado o fim do processo e o início do cumprimento da pena dos condenados da trama golpista.

Os presos dessa operação foram condenados por participar do núcleo da desinformação da trama golpista.

O grupo foi acusado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) de difundir informações falsas sobre as urnas eletrônicas e promover ataques contra os chefes das Forças Armadas contrários ao golpe de Estado.

Além dos cinco com mandados de prisão, fazem parte do núcleo Ailton Barros (major expulso do Exército), e Marcelo Bormevet (policial federal).

O núcleo é formado por ex-integrantes do governo Bolsonaro de escalões inferiores, militares do Exército e acusados de disseminar desinformação sobre as eleições.

Segundo a denúncia, os ex-integrantes da Abin Giancarlo Rodrigues e Marcelo Bormevet participaram de uma estrutura paralela da agência para a produção e disseminação de notícias falsas e ataques contra opositores políticos de Bolsonaro.

Gonet diz que o major e ex-assessor do Ministério da Saúde Ângelo Denicoli atuou com o ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem nos "ataques sistemáticos de Jair Bolsonaro ao processo eleitoral".

Já o tenente-coronel Guilherme Almeida é acusado de difundir o material falso sobre fraude nas eleições presidenciais, e o coronel Reginaldo Vieira de Abreu teria tentado interferir no relatório das Forças Armadas sobre o sistema eletrônico de votação.

Carlos Cesar Rocha teria sido o responsável por produzir um "relatório técnico maliciosamente manipulado" pelo Instituto Voto Legal para o Partido Liberal.

Segundo Moraes, Rocha fraudou o documento técnico para viabilizar uma representação eleitoral do PL para pedir a anulação de votos e declarar a vitória de Bolsonaro na disputa eleitoral de 2022.

Na ocasião, Moraes disse que a acusação demonstrou a participação de Rocha nos ataques à Justiça Eleitoral, configurando os crimes de abolição do Estado Democrático de Direito e organização criminosa. O ministro, porém, votou pela absolvição do réu pelos crimes de golpe de Estado, dano qualificado ao patrimônio público e deterioração do patrimônio tombado.

O major da reserva Ailton Barros, por fim, é acusado de promover ataques virtuais contra os chefes das Forças Armadas que foram contrários à tentativa de golpe. Os alvos teriam sido determinados pelo ex-ministro Braga Netto, como mostram mensagens obtidas pela investigação.

Veja as penas estipuladas para o núcleo:

Ângelo Denicoli (major da reserva do Exército): 17 anos de prisão, em regime inicial fechado, além de 120 dias-multa, sendo um salário mínimo cada dia-multa.

Reginaldo Vieira de Abreu (coronel do Exército): 15 anos e seis meses de prisão, em regime inicial fechado, além de 120 dias-multa, sendo um salário mínimo cada dia-multa.

Marcelo Bormevet (policial federal): 14 anos e seis meses de prisão, em regime inicial fechado, além de 120 dias-multa, sendo um salário mínimo cada dia-multa.

Giancarlo Gomes Rodrigues (sargento do Exército): 14 anos de prisão em regime inicial fechado, além de 120 dias-multa, sendo um salário mínimo cada dia-multa.

Ailton Barros (major expulso do Exército): 13 anos e seis meses de prisão, em regime inicial fechado, além de 120 dias-multa, sendo um salário mínimo cada dia-multa.

Guilherme Marques de Almeida (tenente-coronel do Exército): 13 anos e seis meses de prisão, em regime inicial fechado, além de 120 dias-multa, sendo um salário mínimo cada dia-multa.

Carlos Cesar Rocha (presidente do Instituto Voto Legal): 7 anos e seis meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, além de 40 dias-multa, sendo um salário mínimo cada dia-multa.

Por Folhapress

PRF apreende mais de 350kg de cocaína e comprimidos de anfetamina na BR060

Carga saiu de Cuiabá (MT) e teria como destino Rio Verde (GO), segundo o motorista
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu, na manhã desta quinta-feira (9), cerca de 352 kg de cocaína e comprimidos de anfetamina durante fiscalização no km 467 da BR-060, em Jataí (GO).

A ação ocorreu por volta das 5h30, quando uma equipe da PRF recebeu informações oriundas de análise de risco, indicando um conjunto veicular sob suspeita de transporte de ilícitos.

Durante a abordagem, os policiais localizaram um caminhão-trator, de cor preta, acoplado a três semirreboques.
O motorista, de 33 anos, apresentou sinais de nervosismo e informações contraditórias. Questionado, ele afirmou que havia algo de ilícito no veículo, mas que não sabia exatamente o que era. Também confessou portar comprimidos de anfetamina, conhecidos como “rebite”.

Diante dos indícios e das informações previamente levantadas, os policiais realizaram buscas na cabine do veículo e encontraram 32 fardos de substância com características de cloridrato de cocaína, cada um com cerca de 11 kg, totalizando aproximadamente 352 kg. Além disso, foram apreendidas quatro cartelas contendo 60 comprimidos de anfetamina.

O condutor informou que recebeu a carga em Cuiabá (MT) e tinha como destino o município de Rio Verde (GO).

O homem foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil em Jataí, ele responderá pelos crimes de tráfico de drogas e porte de droga para consumo pessoal. O veículo e o materiais apreendidos também foram encaminhados à Polícia Civil.
Categoria
Crimes

Subiu a cabeça: Vereador perde a linha e espalha fake news sobre transporte universitário em Ibirataia

A polêmica do transporte universitário em Ibirataia ganhou um novo capítulo e com tom ainda mais grave. O vereador Lucas Grandão parece ter perdido a linha ao espalhar fake news e disseminar informações FALSAS sobre a lei que trata do serviço no município.

Mesmo sendo autor do projeto, o parlamentar ignora o que está no próprio texto da legislação: não existe obrigação para a Prefeitura oferecer o transporte, apenas a possibilidade, condicionada à realidade financeira da gestão. Ainda assim, o vereador insiste em propagar uma narrativa que não condiz com os fatos.

A tentativa de confundir a população fica ainda mais evidente diante de um ponto simples: o transporte universitário já era ofertado antes mesmo da aprovação da lei. Ou seja, não foi uma criação do vereador, apesar das insinuações.

Outro dado desmonta o discurso: todas as vagas foram devidamente preenchidas. Assentos vazios registrados em alguns dias ocorreram por ausência de estudantes, e não por falta de oferta por parte do município.

O episódio escancara um cenário preocupante, onde a desinformação é usada como ferramenta política. A pergunta que fica é: faltou responsabilidade ou subiu à cabeça? Enquanto isso, quem mais perde é a população, especialmente os estudantes que dependem do serviço.

Fonte: Ascom/PMI

Ex-sócio do Master estrutura fundo para manter operação do Credcesta

O empresário Augusto Ferreira Lima durante sessão da Assembleia Legislativa da Bahia
Sem conseguir parceiro no sistema financeiro para manter o Credcesta com escala nacional, Augusto Lima, criador desse cartão consignado com benefícios para servidores e ex-sócio do Banco Master, está estruturando um fundo para continuar com a operação na Bahia, único estado onde mantém a exclusividade para trabalhar com esse tipo de produto até 2033.

O Credcesta oferece vários produtos e serviços, entre eles crédito com desconto em folha de pagamento. Pelo último balanço do Master, referente ao ano de 2024, chegou a operar em 24 estados e 176 municípios.

Profissionais com experiência no setor de consignado explicaram à reportagem que, apesar dessa abrangência e de a marca ser consolidada e bem-sucedida, neste momento nenhuma instituição quer enfrentar o risco de reputação e fazer parceria ou mesmo comprar um produto que foi ligado ao Master e seus acionistas.

Nesse tipo de negócio, o giro de recursos precisa ser constante e ter parceria com banco ou fintech faz parte da estratégia. Sem uma instituição financeira para dar suporte, fica difícil manter a escala na renovação da oferta de crédito aos antigos clientes e, mais ainda, captar novos. A operação míngua.

Boa parte das carteiras do Credcesta já tinha sido revendida a outras instituições. À medida que o financiamento original está sendo pago, a própria instituição que detém a carteira oferece algum produto e serviço para reter o cliente do Credcesta. Nesse movimento, o mercado vive uma reconfiguração nacional.

Na Bahia, porém, o Credcesta tem exclusividade até 2033, e a percepção de quem acompanha o produto é que o uso de um fundo pode manter o negócio funcionando.

Executivos que acompanham a criação do novo instrumento contaram à Folha, na condição de não terem os nomes divulgados, que a proposta é montar um Fidc (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios), que começaria a operar com aporte de R$ 500 milhões captados junto a investidores institucionais. Para manter a operação em nível nacional seria necessário fazer uma largada bem mais robusta, aportando, por baixo, R$ 2 bilhões.

A estratégia é ganhar tempo para que, passada a fase aguda de investigações do caso Master, mais à frente, será possível retomar a prospecção de parcerias.

Procurada pela Folha, a assessoria de imprensa dos advogados de Augusto Lima disse que ele não iria comentar a operação.

Lima criou o Credcesta a partir de um cartão de compras da rede de supermercados Cesta do Povo, da estatal Ebal, que foi privatizada em 2018, ampliando os benefícios que ele já oferecia. Na época, o governador da Bahia era Rui Costa (PT), que acaba de deixar o ministério da Casa Civil, e o secretário de Desenvolvimento Econômico era Jaques Wagner, atual líder do governo Lula no Senado.

O contrato de privatização manteve a exclusividade por 15 anos para a operação do cartão benefício consignado para servidores do governo do estado. Depois, outras mudanças, aprovadas pelo Legislativo baiano, limitaram a portabilidade.

Naquele mesmo 2018, Lima firmou acordo com o banco de Daniel Vorcaro para colocar o Credcesta de pé e, depois, expandir o produto por diferentes estados e municípios. Em julho de 2025, Lima teve aprovação do Banco Central para ficar com o banco Voiter, instituição ligada ao Master, que ele transformou em Banco Pleno, e manteve nele a operação do Credcesta.

Em 17 de novembro do ano passado, Lima foi preso na Operação Compliance Zero, junto com Vorcaro e outros executivos do Master, deflagrando uma crise de confiança em relação à sua instituição. Em fevereiro deste ano, o Pleno foi liquidado.

O governo do Rio de Janeiro suspendeu a exclusividade do Credcesta no estado no final do ano passado, após as prisões e a liquidação do Master. A Bahia manteve a exclusividade mesmo após a liquidação do Pleno, que cortou a oferta de recursos para o Credcesta.

Entre os executivos do setor de consignado, a percepção é que o governo da Bahia está dando tempo para Lima se organizar, por causa dos laços que o empresário desenvolveu com políticos. Apesar de ser próximo de expoentes do centrão e casado com Flavia Lima, ex-ministra do governo de Jair Bolsonaro e ex-deputada federal pelo PL, o empresário também mantém contato com quadros históricos do PT.

Algumas conexões chamaram a atenção. Documentos enviados pela Receita Federal à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado, por exemplo, apontam repasses de R$ 12 milhões do Master, entre 2022 e 2025, à BN Financeira, empresa de Bonnie Bonilha, nora de Jaques Wagner. O senador também aparece na lista com o pagamento de uma quantia menor, de R$ 289 mil, como pessoa física.

Wagner afirma que o valor é referente a rendimento de aplicação em conta de pessoa física, que não possui CNPJ e que nunca recebeu qualquer pagamento do Master. A BN Financeira diz que prestou serviços ao Master mediante emissão de nota fiscal, entre 2022 e 2025.

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), afirmou à Folha que não descarta a suspensão do contrato de operação do Credcesta, caso exista o entendimento de que não há como manter a operação, e diz que aguarda um parecer da PGE (Procuradoria-Geral do Estado).

"A PGE está analisando o que significa para a gente ter um banco nessa situação. Se o banco não tem condições de operar, a lógica é rever contrato e tomar decisões", afirmou.

Em nota, a Procuradoria-Geral do Estado informou que os aspectos jurídicos relacionados ao contrato firmado pelo Estado para operação do Credcesta estão em fase de análise.

O ex-ministro Rui Costa evitou opinar sobre o assunto e disse que cabe ao governo estadual avaliar a pertinência econômica, técnica e jurídica de manter o contrato.

O petista afirmou ainda que o Banco Central pode definir se os entes públicos devem encerrar seus contratos com o Credcesta.
Por Aexa Salomão João Pedro Pitombo, Folhapress

Beto Louco entrega proposta de delação e denuncia magistrados na Carbono Oculto

A delação não envolve pessoas com foro privilegiado em Brasília
O empresário Roberto Leme, conhecido como "Beto Louco", já finalizou e entregou ao Ministério Público de SP os anexos de sua proposta de delação premiada.

Nos documentos, ele se propõe a revelar inclusive a participação de servidores e magistrados do Estado no esquema bilionário de fraudes fiscais, sonegação e lavagem de dinheiro descobertos pela megaoperação Carbono Oculto no ano passado.

Junto com os documentos, Beto Louco entregou dados de corroboração e dezenas de celulares que usava, e de onde, garantiram seus advogados, os investigadores poderão extrair dados para comprovar os crimes que relata.

A delação não envolve pessoas com foro privilegiado em Brasília.

No ano passado, a PGR (Procuradoria-Geral da República), comandada por Paulo Gonet, rejeitou a delação de Beto Louco, que citava, entre outros políticos, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Na época, o noticiário mostrava o envolvimento dele com o parlamentar, a quem teria presenteado com canetas mounjaro e com um show de Roberto Carlos no estado do Amapá.

Os mimos teriam sido dados em troca do apoio do presidente do Senado para reverter decisões da ANP (Agência Nacional de Petróleo) contra a empresa de petróleo do empresário, a Copape —o que Alcolumbre nega.

Deflagrada em agosto de 2025, a Carbono Oculto investiga a infiltração do crime organizado em negócios regulares da economia formal, como postos de gasolina, padarias e fintechs.

Foragido, Beto Louco passou as últimas semanas, de domingo a domingo, segundo disse a interlocutores, conversando com seus advogados no Brasil para preparar os anexos —documentos preliminares que são apresentados para a promotoria com uma espécie de rascunho sobre o que pode ser a delação.

Concordou também com o que é considerado o mais difícil em uma negociação de colaboração: o pagamento de milhões como ressarcimento ao Estado pelos crimes que cometeu.

É neste ponto que as delações costumam empacar.

Advogados familiarizados com a negociação afirmam que a delação pode ser um jogo de ganha-ganha: Beto Louco garante os benefícios da Justiça, e em troca o Estado recebe de volta recursos milionários e mantém os empregos dos setores em que as empresas seguiriam atuando, agora de forma regular.

A decisão final sobre a delação será do procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sergio de Oliveira e Costa, que deve ser reconduzido nesta sexta (10) ao cargo.
Por Mônica Bergamo/Folhapress

Ricardo Almeida propõe atendimento humanizado e prioritário para pessoas com autismo em exames laboratoriais em Salvador

Um projeto de lei apresentado na Câmara Municipal de Salvador propõe a criação de diretrizes para garantir atendimento mais humanizado e prioritário a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) durante a realização de exames laboratoriais na rede pública de saúde.

A iniciativa é de autoria do vereador Ricardo Almeida (DC) e tem como foco principal reduzir as dificuldades enfrentadas por pacientes com TEA em procedimentos como coleta de sangue, frequentemente marcados por estímulos sensoriais intensos e situações de estresse.

De acordo com o texto, a proposta estabelece que pessoas com autismo tenham prioridade no atendimento e possam contar, sempre que possível, com coleta domiciliar ou em ambientes adaptados. Entre as diretrizes previstas estão a redução do tempo de espera, a organização de fluxos diferenciados e a garantia de acompanhamento por familiares durante todo o procedimento.

O projeto também prevê a adoção de práticas de abordagem humanizada, com estratégias voltadas à preparação prévia do paciente e à diminuição de estímulos que possam causar desconforto. Além disso, sugere a capacitação de profissionais de saúde para lidar de forma adequada com as especificidades desse público.

Na justificativa, o vereador destaca que a medida busca assegurar o acesso digno aos serviços de saúde. “A coleta de exames laboratoriais representa um dos momentos de maior dificuldade para pessoas com TEA e suas famílias, em razão de fatores como hipersensibilidade sensorial, ansiedade e ambientes inadequados”, aponta o texto.

A proposta também se baseia em legislações federais, como a Lei nº 12.764/2012, que reconhece pessoas com autismo como pessoas com deficiência, e a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015), que trata da acessibilidade e do atendimento humanizado.

Caso seja aprovada, a execução das diretrizes ficará a cargo da rede pública municipal de saúde, respeitando a estrutura existente, a disponibilidade orçamentária e os protocolos do Sistema Único de Saúde (SUS). O texto ainda prevê que o Poder Executivo poderá regulamentar a aplicação da lei.

Segundo o autor, a iniciativa não cria novas estruturas administrativas, mas busca aperfeiçoar o atendimento já existente, promovendo inclusão e melhor acompanhamento da saúde de pessoas com TEA na capital baiana.

Por Redação

Investigadores avisaram a Vorcaro que delação deve trazer novas provas além de mensagens do celular

Daniel Vorcaro
Os investigadores da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR) avisaram à defesa do banqueiro Daniel Vorcaro que sua proposta de delação premiada deve apresentar um conjunto de provas inédito, além do que já foi encontrado no celular dele, e têm dito que a negociação vai durar o tempo que for necessário.

O acordo de Vorcaro tem sido visto com ceticismo por investigadores e ainda há dúvidas se ele conseguirá apresentar novas informações relevantes, diante da grande quantidade de provas já colhidas até o momento.

Preso no dia 4 de março, ele começou a desenhar seu acordo de delação premiada no dia 19, quando foi transferido para a Superintendência da PF em Brasília. Vorcaro assinou um termo de confidencialidade, que dá início ao processo, mas ainda tem que apresentar os anexos da delação para começar a negociar o acordo propriamente dito.

Como mostrou o Estadão, de acordo com pessoas com acesso às tratativas, três tópicos hoje são considerados mais problemáticos para fechar o acordo: o tempo de prisão que Vorcaro terá que cumprir, o valor total do ressarcimento e a inclusão de informações sobre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no cardápio da delação.

Nas últimas semanas, os advogados do banqueiro têm ido diariamente ao local para colher seu relato e construir esses anexos — uma espécie de cardápio dos assuntos a serem abordados nos depoimentos.

A extração de diálogos do celular de Vorcaro, apreendido pela PF em novembro na primeira fase da Operação Compliance Zero, tem sido um dos pontos de partida para a delação. Mas, nas conversas iniciais que tiveram com a defesa, os investigadores disseram que apenas explicar os diálogos do celular não seria suficiente para justificar a assinatura do acordo.

Na avaliação deles, o celular de Vorcaro é o “piso” da delação — a partir dele, a defesa do banqueiro deve apresentar informações e provas novas, com informações até agora desconhecidas e que não fazem parte do acervo dos celulares e documentos apreendidos.

Interlocutores da família de Vorcaro avaliam que será difícil cumprir o prazo inicial estipulado pela defesa, de 45 dias para apresentar os anexos e colher formalmente os depoimentos dele. Os advogados têm pressa para entregar esses anexos porque isso abriria a negociação do acordo propriamente dito, com a definição do tempo de pena e ressarcimento de dinheiro. É nesse momento que a defesa deve pedir que Vorcaro seja liberado para retornar à sua casa — o que é considerado improvável para integrantes da PF e da PGR.

Mas os investigadores avaliam que a negociação deve demorar mais tempo do que isso e dizem não ter pressa com esse processo. O prazo a ser seguido, afirmam, será aquele que for necessário para fechar um conjunto de provas relevante e robusto. Por isso, a estimativa é que o processo se arraste ainda por alguns meses.

Um dos pontos considerados problemáticos ainda nem começou a ser negociado: os valores que Vorcaro terá que ressarcir aos cofres públicos.

Os investigadores avaliam que o banqueiro precisará indicar o tamanho de seu patrimônio atual, incluindo contas ocultas no exterior, para um cálculo eficiente dessa devolução. A PF e a PGR entendem, por exemplo, que não pode ser estipulado um valor excessivamente alto e impossível de ser pago, mas o ressarcimento deve ser compatível com os danos causados ao patrimônio do Banco Regional de Brasília (BRB), que ainda está sendo estimado, e também ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que gastou mais de R$ 50 bilhões para pagar os credores do Master.

Por Aguirre Talento/Estadão Conteúdo

Edinho Silva diz que Judiciário precisa de reformas e que sistema eleitoral está falido

Edinho Silva
O presidente do PT, Edinho Silva, defendeu, nesta quinta-feira (9), reformas no Poder Judiciário em jantar com Gilberto Kassab, presidente do PSD. O evento foi organizado pelo grupo de empresários Esfera Brasil e aconteceu no Jardim Europa, zona oeste de São Paulo.

"Fulanizar é muito fácil. As pessoas são falíveis. O importante é você ter instituições fortes", disse o presidente do PT.

Segundo ele, "deveríamos estar debatendo reforma do Poder Judiciário para que as falhas deixem de acontecer".

O dirigente petista ponderou, entretanto, que mudanças devem fortalecer a Justiça: "Não adianta nós enfraquecermos o Judiciário se não há democracia sem Judiciário".

Kassab, por sua vez, defendeu a idade mínima para ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Segundo ele, seria bom que membros pudessem entrar na corte após os seus 60 anos, o que garantiria um mandato de 15 anos tendo em vista a idade máxima de 75.

Edinho Silva é a terceira liderança petista nacional a fazer comentários críticos ao Judiciário na última semana, em meio à crise do caso Banco Master. Integrantes do governo Lula (PT) têm avaliado que o desgaste de ministros do Supremo com o escândalo financeiro pode atingir eleitoralmente a candidatura petista.

Em entrevista ao ICL Notícias, na quarta (8), o presidente Lula já havia comentado os recentes desgastes do STF. Ele afirmou que sugeriu ao ministro Alexandre de Moraes que se declarasse impedido nos casos envolvendo o banco para não "jogar fora sua biografia".

No último fim de semana, o ex-ministro e pré-candidato ao Congresso José Dirceu também defendeu mudanças no Poder Judiciário. Em entrevista à Folha, ele afirmou que o STF precisa se autorreformar pois "o rei está nu".

O presidente do PT foi questionado também sobre a ação judicial do partido que discute reformas nos acordos de delação premiada e que voltou a ter andamento por decisão de Moraes nesta semana. A medida ocorre em meio à negociação de colaboração do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Edinho afirmou não saber por que o ministro colocou o caso em pauta neste momento, mas disse que "aprimorar a legislação da delação não é ruim". "Vivenciamos uma tragédia no Brasil —muitos aqui vivenciaram de perto— quando empresários foram presos, e a prisão foi utilizada como instrumento de delação. Isso não é correto. Você não pode prender alguém para que essa pessoa delate", disse.

Além da Justiça, as lideranças partidárias comentaram no evento desta quinta os projetos de reforma para outras áreas e teceram críticas ao Legislativo. Ambos convergiram em alguns pontos, como a defesa do voto em lista para discussões no Congresso.

Edinho defendeu mudanças e disse que o "atual modelo político eleitoral do Brasil está falido, não responde mais as necessidades da sociedade brasileira".

O apoio eleitoral do PSD na corrida ao governo paulista foi abordado em entrevista ao final do evento. Kassab reafirmou o apoio à reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e disse que o governador faz parte do "nosso campo na política de São Paulo".

O apoio envergonhado do PSD a Tarcísio se dá em virtude de desgastes entre o governador e Kassab, que deixou a Secretaria de Governo e Relações Institucionais no final de março. Na mesma semana, o vice do Executivo estadual, Felício Ramuth, trocou o PSD pelo MDB.

O desgaste entre Kassab e Tarcísio aconteceu também pelo interesse que o presidente do PSD tinha em disputar a vaga de governador em 2030. Na outra ponta, o presidente do PT paulista, Kiko Celeguim, chegou a defender publicamente o nome do chefe do partido como vice de Lula.

Nesta quinta, Edinho foi questionado sobre a definição das vagas para o Senado na chapa encabeçada pelo pré-candidato a governador Fernando Haddad (PT) em São Paulo. Disputam a indicação Márcio França (PSB) e Marina Silva (Rede), além de Simone Tebet (PSB), a quem Lula pediu que deixasse o Ministério do Planejamento para concorrer.

"O apoio não é só chapa. Uma vaga é da Simone. Quem não ocupar a segunda vaga, certamente, terá outro papel no processo eleitoral", afirmou.

Edinho disse que Haddad vai "abrir diálogo" com todos os partidos que queiram se aliar. Neste ano, cada estado vai eleger dois senadores.

Por João Pedro Abdo/Folhapress

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