'Em qualquer país sério, Alexandre de Moraes estaria afastado do cargo', diz presidente da CPI do INSS

Em entrevista ao programa Roda Viva nesta segunda-feira (16), o senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do INSS, defendeu o afastamento do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

"Em qualquer país sério do mundo, o ministro Alexandre de Moraes estaria afastado do cargo até que a investigação terminasse e nós determinássemos se ele tem culpa ou não em toda essa história", disse.

Viana disse que o número de telefone com o qual o ex-banqueiro Daniel Vorcaro trocou mensagens no dia de sua primeira prisão, em 17 de novembro de 2025, é um número funcional do STF. Nos textos armazenados no telefone de Vorcaro e atribuídos a conversas com o ministro Alexandre de Moraes, o banqueiro narra negociações para tentar salvar o Master e pergunta "conseguiu bloquear?", em possível alusão à sua prisão.

Viana disse que cabe ao STF informar com quem estava o número naquele dia. "Pelo poder que [Moraes] tem como ministro, e que tem demonstrado que usa até fora, a meu ver, da própria Constituição, deveria estar fora do cargo para que essa investigação fosse a mais isenta possível", disse.

Moraes negou que tenham sido enviadas a ele as mensagens encontradas no celular de Vorcaro em 17 de novembro com referência a uma tentativa de evitar uma operação policial. O ministro não negou, contudo, que tenha travado outros diálogos com Vorcaro nessa data.

Viana afirmou que a CPI estava analisando os documentos para pedir oficialmente ao STF um esclarecimento sobre a posse do número de telefone na data em que as mensagens foram enviadas, mas que a medida foi interrompida pela decisão do ministro André Mendonça que proibiu nesta segunda-feira (16) o acesso aos documentos decorrentes da quebra de sigilo de Vorcaro que foram enviados à CPI mista do INSS.

Segundo apurou a Folha, a sala cofre onde os dados estão foi trancada por volta das 19h, a pedido de Viana. Ele elogiou a conduta de Mendonça à frente do caso Master, disse que a decisão de bloquear os dados "foi coerente" e que irá analisar como seguir com a CPI sem essas informações a partir desta terça-feira (17).

A CPI do INSS recebeu documentos que mostram novos contatos em celulares de Vorcaro, incluindo de parlamentares, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

Durante a entrevista, Viana admitiu que seu nome constava na agenda de contatos do ex-banqueiro, mas afirmou que nunca trocou mensagens ou se encontrou com ele. "Se encontrasse com ele [Vorcaro] na rua, até o escândalo, não teria a menor noção de quem era essa pessoa. As conversas que tive foram com a defesa quando quis levá-lo à CPMI", disse o parlamentar.

Ele acrescentou que "quer levar Vorcaro de qualquer maneira" à CPI e que espera que o ex-banqueiro faça uma delação premiada que revele quem são os envolvidos no escândalo do Master. Ele também afirmou que acredita que Mendonça homologaria uma delação do ex-banqueiro, mesmo que colegas de corte estivessem citados.

Ainda sobre o caso do banco, Viana complementou que espera receber, em breve, Roberto Campos Neto, ex-presidente do BC (Banco Central) e Gabriel Galípolo, atual dirigente do banco, de forma conjunta na CPI do INSS, para evitar uma divisão política do escândalo. "Os dois têm responsabilidade sobre o Banco Master", afirmou.

A CPI já aprovou a convocação de nomes como a modelo e empresária Martha Graeff, ex-noiva de Vorcaro, Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro, e de Luiz Antonio Bull, que exerceu o cargo de diretor do Master. Eles são investigados por participar da operação das fraudes financeiras do grupo.

Por Helena Schuster / Folha de São Paulo

PF investiga grupo envolvido em tráfico internacional de drogas

Belo Horizonte/MG – A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (17/3), a Operação Caminho das Pedras para cumprir 11 mandados de busca e apreensão (seis em MG: Governador Valadares; dois em SP: São Paulo; dois em GO: Goiânia; e um em ES: São Mateus) e dois mandados de prisão temporária (um em MG: Governador Valadares; e um em SP: São Paulo).

Esta operação visa a aprofundar investigações para identificar os responsáveis pelo envio de 1,2 tonelada de cocaína, apreendida no início de dezembro/2025, no Aeroporto Internacional de Confins.

Em 4/12/2025, a cocaína foi localizada e apreendida em bases de mesas de granito, que estavam prestes a ser despachadas para a Europa.

Os investigados podem responder por tráfico internacional de drogas com pena máxima de até 25 anos de reclusão.

Comunicação Social da Polícia Federal em Minas Gerais

PF aponta fraude em contrato de tablets em Lauro e Justiça determina bloqueio milionário

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (17), a Operação Nota de Conceito, que investiga suspeitas de fraude em licitação, uso de documentos falsos e superfaturamento em um contrato da área de educação em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador. A Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 26,5 milhões em bens dos investigados.

A apuração, realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), tem como foco a contratação de uma solução de ensino a distância, que incluiu a aquisição de tablets para estudantes da rede municipal. O contrato, firmado em dezembro de 2020 pela Secretaria Municipal de Educação (Semed), previa inicialmente duração de quatro meses, mas foi prorrogado e executado até agosto de 2022.

De acordo com a Polícia Federal, há indícios de que o processo licitatório tenha sido direcionado para favorecer uma empresa específica, com restrições à concorrência e inclusão de itens que elevaram o valor final da contratação. As investigações apontam ainda o uso de documentação fraudada em diferentes etapas, desde a licitação até a execução do contrato.

Um dos pontos sob análise é um termo aditivo que, segundo os investigadores, teria sido baseado em cotações manipuladas para justificar o aumento dos valores. Também chamou a atenção o fato de que, embora a empresa vencedora tenha sede em Salvador, os serviços teriam sido executados por outra empresa, de fora do estado.

Ao todo, o município desembolsou cerca de R$ 16,3 milhões no contrato, valor que apresenta indícios de superfaturamento, conforme a PF.

Nesta fase da operação, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em Salvador e Lauro de Freitas, além de medidas de sequestro de bens. Os investigados podem responder por crimes como fraude em licitação, peculato, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A Polícia Federal informou que a análise do material apreendido deve orientar os próximos desdobramentos da investigação.

PF deflagra operação sobre contratos da gestão de Moema Gramacho em Lauro de Freitas

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (17), uma operação que apura possíveis irregularidades em contratos firmados durante a gestão de Moema Gramacho (PT) na Prefeitura de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador.

Segundo informações preliminares, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em endereços ligados a investigados. Entre os alvos está um imóvel comercial no edifício Mundo Plaza, no bairro do Caminho das Árvores, área nobre da capital baiana. Também há medidas judiciais sendo executadas em Lauro de Freitas.

A investigação envolve contratos celebrados na administração da ex-prefeita do PT, que, até o momento, não figura como investigada. As apurações se concentram em pessoas e empresas relacionadas à execução dos serviços contratados pelo município.

Morre Sandoval Sapateiro, um dos últimos representantes do ofício artesanal em Ipiaú

Faleceu às 10 horas desta segunda-feira, 16, no Hospital Geral de Ipiaú, o sapateiro Sandoval Pedro de Oliveira, aos 85 anos. Ele foi vitimado por um câncer no fígado e era um dos últimos representantes dessa categoria profissional em Ipiaú. O sepultamento será às 09h desta terça-feira (17), no Cemitério Novo. Trabalhou no ofício por mais de 70 anos. Seu pai, Salviano Pedro de Oliveira, era canoeiro e se dedicava à extração de areia no leito do Rio das Contas. Sua mãe se chamava Emília Oliveira Jesus.

Sandoval era evangélico da Primeira Igreja Batista (PIB) de Rio Novo e pai de seis filhos, dos quais cinco mulheres: Karine Nascimento, Cátia Nascimento, Carla Nascimento, Catiane Nascimento e Camila Nascimento. O único homem da prole tem o nome de Sandoval Júnior. Nos tempos da juventude, Sandoval destacou-se como veloz ponteiro do time do Vasco da Gama, da Avenida. Disputou muitas partidas pelo Campeonato da Cidade no Estádio Pedro Caetano.

Há mais de uma década, a exemplo de outros sapateiros, deixou de fazer calçados. O avanço da tecnologia foi determinante para que isso acontecesse. As peças originárias das fábricas chegaram com preços mais em conta e variedade de modelos. Tais fatores foram determinantes para o declínio da atividade artesanal.

Aos que resistem em manter suas “tendas”, resta a opção do reparo. “Quando solta um solado, ou coisa parecida, o cliente traz o calçado para a gente dar um jeito”, contou Sandoval, em uma entrevista concedida ao Giro. Ele tinha plena consciência de que o ocaso da profissão se aproxima. “Todo pai quer que seu filho estude e tenha melhor condição de vida; assim sendo, o ofício de sapateiro não vale mais a pena”, assegurava. De natureza pacífica, querido por todos, bom pai de família, cidadão de bem, Sandoval Pedro de Oliveira deixa o plano material e uma história exemplar. A simplicidade lhe deu grandiosidade. *José Américo Castro / Giro Ipiaú

Polícia Federal prende cinco pessoas e apreende meia tonelada de cocaína em São Luís/MA

Operação policial desarticula grupo criminoso envolvido no envio internacional de drogas por via marítima.
São Luís/MA. Nesta segunda-feira (16/3), a Polícia Federal deflagrou uma operação policial que resultou na prisão em flagrante de cinco homens e na apreensão de meia tonelada de cocaína, em São Luís/MA.

A ação é resultado de diligências investigativas que identificaram a atuação de um grupo criminoso responsável pelo transporte, armazenamento e preparo de grande quantidade da droga, que seria enviada ao exterior por meio marítimo.

Os cinco suspeitos foram presos em flagrante e conduzidos à Superintendência da Polícia Federal, onde foram realizados os procedimentos de polícia judiciária.

As investigações prosseguem com o objetivo de identificar outros envolvidos e esclarecer toda a estrutura da organização criminosa responsável pelo envio internacional da substância entorpecente.

Comunicação Social da Polícia Federal no Maranhão

FICCOs registram 26 prisões e mais de 130 kg de drogas apreendidas entre 8 e 15 de março

Balanço semanal reúne ações realizadas por unidades da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em diferentes estados, com prisões, com apreensões de drogas e com cumprimento de mandados.
Brasília/DF. No período de 8 a 15 de março, unidades da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), formadas pela Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN) e por forças de segurança estaduais, realizaram diversas ações de enfrentamento ao crime organizado em diferentes regiões do país.

Balanço da semana:

- 9 estados com ações das FICCOs;
- 26 prisões ou mandados de prisão;
- mais de 130 kg de drogas apreendidas;
- 71 mandados de busca e apreensão cumpridos.

Confira, a seguir, um resumo dos principais acontecimentos no período.

FICCO/RR

No dia 12/3, a Força prendeu em flagrante um homem por suposto tráfico de drogas e por participação em organização criminosa, em Rorainópolis/RR. As investigações identificaram um imóvel utilizado como ponto de armazenamento e de distribuição de entorpecentes. No local, foi constatada intensa movimentação típica do comércio de drogas. Foram apreendidos mais de 1 kg de entorpecentes, entre crack, cocaína em cloridrato e skunk. O suspeito foi preso em flagrante e encaminhado ao sistema prisional.

Ainda em 12/3, foi deflagrada a Operação Trilhos Quebrados, realizada pela Polícia Civil de Roraima em conjunto com a FICCO, para combater o tráfico de drogas comandado por facção criminosa na região sul do estado, principalmente em Rorainópolis e no distrito Nova Colina.

A diligência apontou a existência de uma estrutura criminosa organizada, com divisão de funções na distribuição e na venda de maconha, de cocaína, de crack e de LSD, além do uso de residências como locais de armazenamento de drogas e de armas de fogo.

Ao todo, foram expedidos 9 mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão.

FICCO/GO

Em 8/3, a Operação Contrapreso resultou na prisão de três mulheres no Aeroporto Internacional de Goiânia. Elas transportavam medicamentos para emagrecimento de forma irregular. O material apreendido foi encaminhado para análise, e as diligências seguem em andamento para identificar a origem, o destino dos produtos e outros possíveis envolvidos.

No dia 10/3, FICCO/GO e PM/GO prenderam dois homens com 120 kg de skunk no município de Hidrolândia. Diferentemente da maconha comum, trata-se de uma droga mais agressiva, com maior potencial de dependência e com efeitos mais intensos sobre o sistema nervoso central.

Já em 11/3, foi preso um indivíduo suspeito de tráfico de drogas, em Rio Verde. Durante abordagem, foram encontradas porções de substância análoga à maconha. O suspeito informou que realizava uma entrega de entorpecentes e que mantinha quantidade maior da droga em sua residência.

FICCO/Ilhéus

No dia 9/3, foi cumprido um mandado de prisão na cidade de Ubaitaba/BA. O alvo foi localizado no terminal rodoviário da cidade após levantamentos indicarem que ele embarcaria com destino ao Rio de Janeiro. Foram apreendidos dois celulares e três cigarros de substância análoga à maconha.

FICCO/AC

Em 10/3, a Operação Pax desarticulou parte da estrutura administrativa e financeira de uma organização criminosa com ramificação no Acre. A investigação revelou mecanismos de arrecadação baseados em mensalidades, em rifas e em caixinhas.

Foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão em Rio Branco, em Sena Madureira e em Rodrigues Alves.

FICCO/AL

No dia 11/3 foi deflagrada a Operação Assíncrono, com o objetivo de desarticular esquema de furto qualificado e receptação de equipamentos de informática pertencentes ao patrimônio da União, subtraídos de agências bancárias em Alagoas.

Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em Maceió, com recuperação de bens da União e apreensão de dispositivos eletrônicos.

FICCO/CE

Em 12/3, a força cearense deflagrou a Operação Traditori, voltada ao combate a organização criminosa com atuação no Vale do Jaguaribe, envolvida em lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, financiamento ilícito de campanhas e crimes eleitorais.

Foram cumpridos 16 mandados de prisão preventiva, entre eles cinco contra vereadores, além de 30 mandados de busca e apreensão.

FICCO/PE

No dia 12/3, a FICCO/PE prendeu um foragido da Justiça no município de Jequié/BA. A prisão ocorreu em cumprimento a dois mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça de Pernambuco no âmbito de investigação que apura a atuação de policial em organização criminosa armada envolvida em tráfico de drogas e em homicídios.

FICCO/SP

Em 13/3, a Força paulista prendeu, entre os municípios de Bauru e de Piratininga, um homem por tráfico de drogas. No veículo foram encontrados diversos tabletes de maconha e de dry, substância derivada da cannabis com maior concentração de THC. A pesagem apontou, aproximadamente, 11 kg de droga.

FICCO/ES

No dia 12/3, a FICCO do Espírito Santo, em conjunto com a Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN), deflagrou a Operação Argos, para apurar tentativa de obtenção de informações sobre a vida de uma magistrada responsável por decisões de execução penal relacionadas a um integrante de organização criminosa preso no Sistema Penitenciário Federal.

As investigações indicam que um homem apontado como liderança de um grupo criminoso e atualmente custodiado na Penitenciária Federal de Porto Velho teria utilizado visitas familiares para transmitir orientações à facção e para solicitar levantamentos de dados sobre a magistrada.

Durante a operação, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em endereços ligados a familiares do investigado. Duas pessoas foram conduzidas à PF, e foram apreendidos armamento e aparelhos celulares, que serão submetidos à perícia.

Coordenação-Geral de Comunicação Social da PF

Engavetamento com nove veículos deixa um morto e seis feridos na BR-324

Crédito: PRF-BA
Uma pessoa morreu e outras seis ficaram feridas após um engavetamento envolvendo nove veículos na tarde desta segunda-feira (16), na BR-324. O acidente ocorreu por volta das 12h, no km 551 da rodovia, trecho de Amélia Rodrigues, município a 30 km de Feira de Santana.

Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), a ocorrência foi caracterizada como uma colisão traseira em sequência e envolveu uma carreta e outros veículos. Algumas vítimas ficaram presas às ferragens e precisaram ser resgatadas. Não há detalhes sobre o estado de saúde delas.

Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionadas para prestar socorro às vítimas. O Departamento de Polícia Técnica (DPT) também foi chamado para realizar a remoção do corpo. Devido ao acidente, houve interdição parcial do trecho no sentido Salvador. O tráfego ficou lento na região, com veículos passando pelo acostamento e pela via liberada. No final da tarde, às 17h20, a pista foi totalmente liberada. *Com informações do g1

PRF apreende mais de 5 kg de cocaína e prende três pessoas durante fiscalização na BR-226 no Maranhão

                Grupo afirmou que levaria os entorpecentes de Caxias para Barra do Corda (MA).
Na sexta-feira (13), por volta do km 292 da BR-226, em frente à Unidade Operacional da Polícia Rodoviária Federal (PRF), uma equipe realizava comando de combate ao crime quando visualizou um veículo transitando com iluminação em LED de intensidade excessiva. Diante da irregularidade, os policiais realizaram a abordagem para fiscalização.

Após a ordem de parada, foi constatado que o veículo era ocupado por três pessoas: o condutor, uma passageira e um passageiro. Durante a abordagem, nenhum dos ocupantes portava documentos de identificação e todos demonstraram hesitação e dificuldade em informar seus próprios dados pessoais, além de apresentarem comportamento reticente diante das perguntas feitas pela equipe.

Diante da situação, os policiais solicitaram que os ocupantes desembarcassem do veículo para uma averiguação mais detalhada e durante a busca veicular, realizada diante da fundada suspeita, conforme previsto no art. 244 do Código de Processo Penal, os policiais encontraram diversos papéis utilizados para confecção de cigarros, um dichavador, uma pequena porção de substância análoga à maconha pesando aproximadamente 4 gramas, além de R$ 1.042,00 em dinheiro em espécie.

No interior do veículo, os policiais também encontraram uma caixa de papelão de grande volume e verificaram o conteúdo da caixa, onde foram encontrados aproximadamente 5 kg de substância com características análogas à cocaína.

Após nova indagação, os ocupantes relataram que receberam a caixa na cidade de Caxias (MA), nas proximidades da rodoviária, onde um indivíduo não identificado teria oferecido ao condutor determinada quantia para transportar o volume até a cidade de Barra do Corda (MA). Segundo o relato, a entrega deveria ser realizada em um local conhecido como “Cachimbo”.

Diante dos fatos, foi dada voz de prisão aos três ocupantes do veículo, em tese, pela prática do crime de tráfico de drogas, previsto no art. 33 da Lei nº 11.343/2006.

Os dois homens, a mulher e o veículo, juntamente à substância entorpecente e o dinheiro em espécie foram encaminhados à Delegacia de Polícia Civil de Barra do Corda (MA), para a adoção dos procedimentos legais cabíveis.
Categoria
Justiça e Segurança

PRF apreende agrotóxicos após dupla de menores "mergulharem" com o carro num açude no Paraná

Ao fugir da PRF, o motorista entrou em uma propriedade rural às margens da BR-163 e parou apenas quando o carro afundou nas águas; eles foram apreendidos
A Polícia Rodoviária Federal prendeu uma dupla e apreendeu grande quantidade de agrotóxicos contrabandeados do Paraguai, na manhã desta segunda (16), em Mercedes (PR), na BR-163, região Oeste do Paraná.

Por volta das 6h30, policiais rodoviários federais tentaram abordar um motorista que dirigia um Siena na BR-163, em Guaíra (PR), mas ele fugiu. Por cerca de 40 quilômetros, o motorista realizou diversas manobras perigosas, como ultrapassagens proibidas, forçando outros veículos a saírem da pista de rolamento para evitar colisões, sendo que, já no município de Mercedes, entrou em uma estrada vicinal e invadiu uma propriedade rural. Durante a perseguição, foi acionado o apoio da Polícia Militar.

Ao invadir a propriedade o carro rompeu uma corrente que a cercava, acertando o rosto de um dos policiais, causando ferimentos e obrigando os policiais a procurarem atendimento médico, devido à gravidade do impacto.

Outra equipe da PRF foi acionada e, chegando ao local, visualizaram o carro boiando dentro de um açude da propriedade rural, repleto de pacotes de agrotóxicos importados irregularmente do Paraguai. A prefeitura de Mercedes disponibilizou o maquinário para proceder à retirada do carro das águas.

Populares informaram aos policiais que visualizaram um homem caminhando pelas cercanias sujo e molhado. Ao encontrarem o sujeito, ele mesmo informou que era passageiro do carro que caiu no açude. Em consulta aos sistemas, os policiais o identificaram como menor de idade.

Outro policial rodoviário federal, que se deslocava após cumprir seu plantão, visualizou um homem caminhando às margens da BR-163, todo sujo e molhado, pedindo carona sentido Mato Grosso do Sul. Imediatamente ele abordou o homem e também o identificou como menor de idade. Ele disse ao policial que conduzia o carro que transportava agrotóxicos.

Os dois menores foram apreendidos e encaminhados para a Polícia Civil de Marechal Cândido Rondon (PR), para o registro da ocorrência. O carro foi lacrado e depositado na Receita Federal em Guaíra, para contagem posterior da carga.

O policial foi atendido e em seguida liberado. Ele passa bem.

Senador Paulo Paim vê João Campos como alternativa para suceder Lula em 2030

O senador Paulo Paim (PT-RS)
O senador Paulo Paim (PT-RS), 75, anunciou que não será candidato nas eleições deste ano. Quase 40 anos depois de iniciar sua trajetória no Congresso Nacional, ele afirma que chegou a hora de passar o bastão a uma nova geração, mas admite que o seu partido deveria ter se empenhado mais na produção de novos quadros políticos.

Contrariando alguns de seus pares, ele diz que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tinha o direito de se recusar a ser candidato ao Governo de São Paulo e defende que o prefeito do Recife, João Campos (PSB), seja um nome estudado na sucessão presidencial para as eleições de 2030. Haddad não queria disputar as eleições de 2026, mas, sob pressão de Lula e do PT, acabou decidindo entrar na disputa.

Após quatro mandatos como deputado federal e três como senador, Paim espera deixar o Congresso, ao fim deste ano, com a aprovação do fim da escala 6x1, defendida em uma PEC de sua autoria que tramita no Senado.

Em entrevista à Folha, o senador fez um balanço da vida política e avaliou as mudanças no Legislativo ao longo dos anos recorrendo a uma frase atribuída a Ulysses Guimarães, de que a pior composição do Congresso é sempre a próxima.

O sr. já decidiu se sairá candidato ou se pretende deixar a política?
Na última campanha [para o Senado, em 2018] eu já tinha anunciado que não pretendia mais ser candidato. Completarei 40 anos [no Congresso] ao fim deste último mandato. Sou favorável a fortalecer as novas gerações. Já projetei a minha vida para continuar atendendo vulneráveis no meu escritório, no Rio Grande Sul. Quero continuar com esse trabalho em parceria com universidades e cuidar melhor da minha saúde. Eu só aceitaria concorrer novamente se não houvesse outro nome, mas apareceu o Edegar Pretto para governador, a Manuela [D’Ávila, do PSOL] e o Paulo Pimenta [PT] para o Senado.

Haddad foi pressionado a se candidatar ao Governo de SP e petistas como Camilo Santana disseram que ele não poderia 'se dar ao luxo’ de negar. Há, no PT, clima que lhe permitisse tomar a mesma decisão que o sr.?
O presidente Lula, quando pede que Haddad seja candidato a governador, mostra que ele é um dos principais quadros do PT, em uma campanha que chega muito dura. Nós sabemos que nas redes sociais vamos sofrer muitos ataques, mas ele estará naturalmente preparado para defender o governo à altura, porque fez um belíssimo trabalho enquanto ministro da Fazenda. Mas como eu decidi que não vou concorrer, ele também tem o direito [de negar].

O sr. disse que é a favor de fortalecer as novas gerações. Quem são esses quadros mais jovens do PT?
Acho que nós deveríamos ter trabalhado mais na construção de quadros mais novos. Não quer dizer que não tenha alguns, eu dei o exemplo do Haddad, né? Há uma série de ministros, e comparando com a minha idade, são jovens ainda e com todas as condições de exercer mandatos quando convocados.

Quem seria um bom sucessor do Lula na esquerda em 2030?
Até 2030 podem surgir novos quadros dentro ou fora do PT. Vou citar apenas um nome de exemplo, porque tem sido lembrado por muita gente, e eu era muito amigo do pai dele, que é o prefeito do Recife, João Campos, filho do Eduardo Campos. Ele é um quadro jovem [tem 32 anos], que tem que ser olhado com muito carinho.

A direita apresentou, até o momento, mais definições de candidaturas do que a esquerda. O sr. acha que o PT está devidamente organizado para as eleições do Legislativo?
Estamos trabalhando e caminhando nesse sentido. O PT está numa composição cada vez mais afinada com o PSB, com o PSOL, com o PC do B e o Partido Verde. Estamos tentando fazer a costura nos estados de forma justa e correta. Há alguns debates, como no caso do meu estado [Rio Grande do Sul], no qual falamos do Edegar Pretto, mas há também conversas com a Juliana Brizola [do PDT], que é uma liderança jovem e com potencial.

No Rio Grande do Norte vejo uma vontade muito grande da governadora Fátima Bezerra, que já foi senadora, de vir novamente para o Senado, mas não dá para esquecer da Zenaide Maia [senadora do PSD], que é ligada ao campo progressista.

Como o sr. vê a briga pelas vagas ao Senado pautada pelo impeachment de ministros do STF?
Acho que é uma bandeira que não leva a lugar nenhum. Se você vai fazer uma campanha tendo como meta derrubar ministros do Supremo, acho um desequilíbrio. Não quer dizer que não se possa ter críticas ao Supremo, o Supremo não é Deus.

Nesses 40 anos de Congresso, como o sr. enxerga as mudanças entre o seu primeiro mandato, enquanto deputado, e o último, como senador?
Olha, sei que já é batida, mas concordo com a frase do Ulysses Guimarães, de que o pior Congresso é sempre o próximo. Sou testemunha de que ele tinha razão. Entrei na época da Constituinte e dava para dialogar com o centrão da época. Tivemos nossos embates, mas existia diálogo. Tanto que conseguimos, naquela época, reduzir a jornada de trabalho de 48 para 44 horas semanais. Eu já buscava reduzir para 40 horas, como agora [na discussão da escala 6x1].

O sr. vê o Congresso aprovando, hoje, o fim da escala 6x1?
Acho que o ano eleitoral ajuda nisso. Eu apresentei a PEC 148/2015 [que reduz a jornada para 36 horas semanais, de forma gradual] e há outros bons projetos, como o da Érika [Hilton, na Câmara]. Acho que neste ano daria para aprovar a redução para 40 horas semanais e ir reduzindo uma hora por ano. Há um ganho real para a sociedade e praticamente nenhum impacto para o mercado. São mais pessoas com saúde, sem estresse, com direito a olhar mais para a família, tendo mais tempo para estudar e menos suscetíveis a acidentes no trabalho.

Por que em países de primeiro mundo, como Espanha e Alemanha, já se discute a jornada de 36 horas? 
Não é porque eles são bonzinhos, é porque sabem que aumenta a produtividade, a qualidade de vida e o próprio mercado consumidor melhora. Se reduzir a jornada sem reduzir o salário, pode até precisar empregar alguns trabalhadores a mais, mas vai ter mais gente produzindo, consumindo e tendo dinheiro na mão para gastar.

Vai chegar uma época em que a escala vai ser de 4 por 3. Mas como não sou de vender terreno na Lua, não vou achar que aqui no Brasil vai ter 4 por 3 agora. Isso demora alguns anos. Mas as 40 horas, neste ano, é possível.

RAIO-X | Paulo Paim, 75
Metalúrgico e ex-líder sindical, foi deputado federal do PT pelo Rio Grande do Sul por quatro mandatos e está no terceiro mandato como senador, tendo recebido 1,8 milhão de votos em sua última eleição, em 2018. É autor dos projetos que deram origem aos estatutos do Idoso, da Igualdade Racial e da Pessoa com Deficiência.
Por Juliana Arreguy, Folhapress

MPBA recomenda à Câmara de Vereadores de Correntina que impeça utilização de veículos para fins particulares

O Ministério Público do Estado da Bahia expediu recomendação à Câmara Municipal de Vereadores de Correntina para que não autorize ou tolere a utilização dos veículos locados para fins particulares, pessoais ou alheios ao exercício do mandato parlamentar ou às funções administrativas do Legislativo. Segundo a promotora de Justiça Suelim Braga, o MPBA recebeu denúncia e apura suposta utilização irregular dos 13 veículos locados pela Câmara para fins particulares, em desvio de finalidade.

Documentação apresentada pelo Legislativo Municipal à Promotoria de Justiça revela que, em 2025, houve um gasto mensal com combustível que, em alguns meses, supera R$ 55.000,00. Isso, explica a promotora de Justiça, sem que fosse feito um controle sistematizado da utilização dos veículos para fins de verificação de legalidade dos deslocamentos realizados. Suelim Braga ressalta que a ausência de regulamentação interna específica para o uso da frota veicular locada constitui fator de risco para a ocorrência e reiteração de irregularidades, sendo necessária a adoção de medidas preventivas e de controle por parte da Câmara Municipal.

A promotora de Justiça também recomendou à Câmara que elabore e implemente, no prazo máximo de 60 dias, regulamento interno específico para disciplinar o uso da frota veicular locada. O regulamento deve prever as finalidades exclusivamente institucionais autorizadas para utilização dos veículos, vedar o uso dos veículos para fins particulares e destacar a obrigatoriedade de registro prévio e documentado de cada deslocamento, com indicação de data, horário de saída e retorno, origem, destino, finalidade institucional da viagem.

Dino põe fim à aposentadoria compulsória como punição disciplinar mais grave a juízes

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF)
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu que a aposentadoria compulsória com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço não pode mais ser aplicada como punição disciplinar a magistrados. Ele determinou que infrações graves cometidas por juízes devem resultar na perda do cargo.

"Não faz mais sentido que os magistrados fiquem imunes a um sistema efetivo de responsabilidade disciplinar, com a repudiada e já revogada 'aposentadoria compulsória punitiva'", pontuou Dino na decisão.

A decisão foi tomada enquanto estão em curso procedimentos administrativos contra o ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por assédio sexual supostamente cometido contra duas mulheres. Buzzi enfrenta processos no próprio tribunal e no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A aposentadoria compulsória dos juízes é a pena mais severa prevista em decorrência de um processo administrativo disciplinar. Ela está prevista no artigo 42 da Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman), que entrou em vigor durante a ditadura militar, em 1979.

A punição é aplicada hoje em casos de corrupção, desvios de conduta e venda de sentenças. Magistrados que recebem a pena continuam recebendo vencimentos proporcionais ao tempo de serviço. A decisão de Dino encerra esse privilégio.

Na percepção do ministro, "a aposentadoria é um benefício previdenciário que tem por finalidade garantir ao trabalhador condições dignas de vida quando não mais for possível o desenvolvimento de atividade laboral em virtude de idade-limite, incapacidade permanente para o trabalho ou pela conjugação dos critérios idade mínima e tempo de contribuição".

A decisão foi tomada no julgamento de uma ação apresentada em 2024 por um juiz afastado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Ele recorreu das punições disciplinares impostas, que foram confirmadas pelo CNJ.

O juiz atuava em Mangaratiba (RJ) e foi punido com censura, remoção compulsória e duas aposentadorias compulsórias após uma inspeção realizada pela corregedoria por irregularidades - como morosidade processual deliberada, liberação de bens bloqueados sem manifestação do Ministério Público e decisões que beneficiariam policiais militares.

Dino explicou na decisão que, depois de promulgada a Emenda Constitucional 103, de 2019, a possibilidade de aposentadoria compulsória como punição administrativa foi extinta. Embora a decisão tomada por Dino valha apenas para o caso específico do juiz de Mangaratiba, o entendimento deve ser aplicado a outros magistrados daqui para frente - inclusive Buzzi.

De acordo com a decisão, o Conselho Nacional de Justiça passa a ter três alternativas em casos de infrações na magistratura. Poderá absolver o juiz, aplicar outra sanção administrativa ou encaminhar o caso à Advocacia-Geral da União para que seja proposta ação de perda do cargo do magistrado. A aposentadoria compulsória, portanto, deixa de ser uma forma de punição.

Antes da decisão de Dino, magistrados condenados criminalmente já não tinham direito à aposentadoria compulsória. Nesses casos, a legislação previa a perda do cargo como efeito da condenação, o que na prática resultava na expulsão do juiz da magistratura.

Na avaliação do ministro, a perda do cargo como maior penalidade aplicável a magistrados se justifica pela "impossibilidade de se manter a relação jurídica com servidor a quem tenha sido atribuída conduta que implica alto grau de desmoralização do serviço público e perda da confiança nas instituições públicas".

Por Carolina Brígido e Felipe de Paula, Folhapress

'Campo de guerra' em Caraíva: o instagramável vilarejo da Bahia que sofre com avanço de facções

Assassinatos, toques de recolher, operações policiais foram registrados com grande número de mortos e apreensão de dezenas de armas
Apreensões realizadas pela polícia em Caraíva em julho de 2025

"Sorria você está em Caraíva": a casinha verde com porta e janela vermelhas talvez seja uma das mais fotografadas por blogueiros e influencers de viagem no litoral do Brasil.

É mesmo difícil não sorrir quando se está em um pequeno vilarejo praiano no município de Porto Seguro (BA), no encontro do rio com o mar, onde não entram carros, não há asfalto, o clima é ensolarado e os coqueirais se estendem com a faixa de areia.

Mas esse cenário paradisíaco de uma das praias mais desejadas (e caras) do Brasil, que até 2007 não tinha nem luz elétrica regular, tem sido ofuscado por uma violência até pouco tempo inimaginável por ali.

Em 2025, Caraíva viveu situações que expõem o avanço de facções criminosas pelo Brasil para longe dos centros urbanos, com assassinatos, toques de recolher, operações policiais com grande número de mortos e apreensão de dezenas de armas, como fuzis.

Por trás desse cenário, há uma disputa entre um grupo criminoso que cresceu na região nos últimos anos junto ao avanço do turismo e novos faccionados que tentam ocupar a área, segundo moradores e fonte policial ouvidos pela BBC News Brasil.

"Isso aqui virou um campo de guerra", resume um morador. Os nomes dos entrevistados não serão revelados por questão de segurança.

É um cenário que se repete em outros destinos turísticos badalados no Nordeste brasileiro, como a BBC News Brasil mostrou em relação a Porto de Galinhas (PE), Pipa (RN) e Jericoacoara (CE).

Circulação de turistas com alto poder aquisitivo, festas com consumo de drogas e pouca presença do poder público fazem desses paraísos uma mina de ouro para os grupos criminosos.

"É uma região com o turismo de um poder aquisitivo muito alto, e aí você vê uma disputa para dominar a terra, o espaço e, sobretudo, para poder vender drogas", comenta o delegado Diego Gordilho, da Polícia Federal em Porto Seguro.

Mas em Caraíva ainda há um outro componente: a vila turística é vizinha a uma aldeia indígena, a Xandó, parte da terra indígena Barra Velha, dentro do Parque Nacional do Monte Pascoal, ponto avistado por Pedro Álvares Cabral ao chegar ao Brasil.

Onde há uma terra indígena, há certas limitações de fiscalização e presença policial do Estado, já que a competência é da Polícia Federal ou das forças armadas. E grupos criminosos têm tentado se aproveitar disso, segundo o delegado Gordilho.

Em toda a região, o extremo sul do litoral baiano, os conflitos entre fazendeiros e indígenas pela posse da terra também são históricos e muitas vezes acabam em tiros e morte.

No fim de fevereiro, por exemplo, duas turistas do Rio Grande do Sul foram baleadas ao passar de carro por um local de disputa de terras entre indígenas e fazendeiros em Prado, cidade vizinha a Porto Seguro.

Agora, além da histórica pressão fundiária, a comunidade de Caraíva também vive a ameaça e presença das facções.

"A violência das facções em Caraíva também está cercada dessa outra violência, a de fazendeiros contra nativos e o povo pataxó", explica o professor Paulo Dimas Menezes, da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), em Porto Seguro, que pesquisa gentrificação causada pelo turismo na região.

De forma geral, Caraíva e os outros destinos nordestinos continuam desejados, movimentados, e grande parte dos turistas irá curtir suas férias sem nem perceber a presença de facções, como relatado por moradores de todas as praias. A não ser que a situação saia do controle.

Só em três operações policiais letais conduzidas pela Polícia Federal junto à Polícia da Bahia em 2025 foram 12 mortos em Caraíva - um número que coloca a praia com mais mortes decorrentes de operações da polícia do que o Estado inteiro do Acre ou de Roraima, segundo dados do Ministério da Justiça.

Segundo o censo 2022 do IBGE, o distrito de Caraíva tem 13.214 habitantes. Esse número abrange áreas que vão além da região da praia, que, na prática, tem bem menos pessoas morando.

A Polícia da Bahia é hoje a que mais mata em operações no Brasil, segundo dados do Ministério da Justiça. Foram 1.569 mortes em 2025, muito à frente de São Paulo (835), Estado mais populoso do país, e do Rio de Janeiro (798), onde ocorreu a megaoperação contra o Comando Vermelho em outubro.

Em 2024, Porto Seguro foi a 6ª cidade com a maior taxa de mortes decorrentes de operações policiais no Brasil, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Pela taxa geral de homicídios, a cidade é a 14ª mais violenta do país, junto a outras oito cidades baianas no top 20.

Em uma dessas operações na Bahia, em maio de 2025, a morte de Victor Cerqueira, conhecido como Vitinho, abalou a comunidade de Caraíva e revelou na imprensa a violência e conflitos na praia.

"Todo mundo conhecia ele aqui", diz um outro morador.

As redes sociais foram inundadas por fotos pedindo justiça. A família sempre acusou a polícia de confundir Vitinho, que trabalhava como guia turístico, com um segurança de um traficante.

O inquérito do caso foi concluído no fim de janeiro e remetido à Justiça baiana. Ele corre em sigilo.

Em nota a Polícia Civil da Bahia disse que as investigações não apontaram erro na conduta dos policiais envolvidos na morte de Vitinho.

Na mesma operação, a Polícia matou em confronto o líder do tráfico local, conhecido como Alongado. A ação levou a um toque de recolher e apreensão de armas que, até então, moradores nem sabiam que havia ali.

"Foi um divisor de águas", diz um morador.

'Antes, a gente sabia quem eles eram'

Segundo os moradores, não é de hoje que se convive com facções na região de Caraíva. Há relatos de quase uma década de um grupo organizado atuando no tráfico de drogas ali, mas nos últimos anos foram chegando novos criminosos de grupos distintos.

"Até pouco tempo atrás, todo mundo sabia quem eram os membros do 'corre', cumprimentava na rua. Eles também sabiam quem era a gente", diz um morador.

"Agora ninguém sabe quem é quem. E isso gera muita insegurança".

Esse primeiro grupo formou uma facção local conhecida como Anjos da Morte (ADM), que acabou se aliando à facção carioca Comando Vermelho.

Hoje, segundo moradores, os ADM disputam a região com outra facção aliada ao PCC.

Para o delegado Diego Gordilho, que comandou operações da PF junto à Polícia da Bahia em Caraíva, a aliança entre os grupos locais e nacionais fica evidente com o tipo de armamento apreendido, como armas de grosso calibre e granadas, além de roupas camufladas para fuga em mata.

Entre maio e dezembro de 2025, foram apreendidos 27 fuzis só em Caraíva, segundo a PF.

"São objetos típicos de membros de organizações criminosas que não atuam somente aqui, mas fora da Bahia e até fora do Brasil. Demonstra realmente uma interlocução entre as facções locais com as de outros estados", diz Gordilho.

A Bahia tem sido território bastante disputado, com presença de 21 organizações criminosas, segundo números divulgados pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) com base em dados divulgados pelos Estados. É o maior número do país, que tem 88 grupos mapeados pelo governo em 2024.

Esse cenário de fragmentação na Bahia teve início em 2004, explica o professor Misael França, doutor em Direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e especialista em segurança pública.

Naquele ano, a principal liderança do tráfico na periferia de Salvador, conhecido como Raimundo Ravengar, foi preso, abrindo uma disputa para ocupar seu espaço.

"Nós não víamos a pluralidade de facções criminosas, inclusive que rivalizam entre si, justamente por conta de uma liderança concentrada em uma única pessoa", diz França.

A partir daí, "diversos grupos começaram disputar territórios e o controle desse comércio", continua o professor.

"Várias ramificações foram surgindo, muitas delas a facções de outros estados, como São Paulo e Rio de Janeiro, que viram aqui na Bahia um campo fértil."

Essa pulverização de grupos estimulou justamente a briga por territórios com mortes e tiroteios em várias regiões do Estado, de Salvador a Porto Seguro.

Uma turista mineira que conversou com a BBC News Brasil contou que passou horas sob um toque de recolher em Caraíva, no fim de 2024, trancada em um quarto de pousada com amigas.

Depois de muita expectativa pela viagem, ela chegou a Caraíva às 15h, achando "tudo lindo e cenográfico", até que às 16h, quando se dirigia à praia, escutou um tiroteio.

"Ninguém explicava o que estava acontecendo, mas tudo começou a fechar as portas. Na nossa pousada, o gerente deu orientação para ninguém sair", conta.

Naquele dia, uma operação da polícia terminou em troca de tiros entre policiais e suspeitos. Um foragido da Justiça acabou preso.

O grupo de amigas ficou trancado no quarto, sem alimentação, das 16h30 às 23h, quando elas foram orientadas que podiam sair.

"A gente não acreditava que isso estava acontecendo naquele lugar. No outro dia, estava tudo normal, ninguém falava sobre o assunto. Quando a gente perguntava, se esquivavam", relata.

Nos dias que se seguiram, diz a turista, nada aconteceu e foi possível aproveitar a beleza da região sem preocupação.

Segundo moradores, a violência chegar aos olhos e ouvidos dos turistas ainda é uma exceção.

"Não é interessante para eles que a situação saia do controle, porque afasta turistas", relata um morador.

Outro conta que, em época de alta temporada de verão, há "acordos" para não haver conflitos, já que a vila estará cheia de turistas.

Nos grupos de WhatsApp, é comum o compartilhamento de mensagens supostamente repassadas pela facção orientando o comportamento de moradores.

A BBC News Brasil teve acesso a duas delas, assinadas pelo Comando Vermelho e Anjos da Morte. Em uma direcionada a donos de pousadas, há um alerta para quem aceitar alugar casas para membros de facções de praias vizinhas, como Arraial D'Ajuda.

"Se nois descobrir, vai sofrer as consequências e ser colocado para fora da nossa área", diz a ameaça.

"Vamos fazer visitinhas a qualquer momento e n vai ser legal", continua.

Em outra mensagem, o grupo supostamente diz que é "proibido desrespeito aos moradores e roubos".

"O morador que sofrer qualquer tipo de ameaça pode estar chegando em nois."

Segundo um morador, de fato, na vila "não tem assalto, não tem roubo, não entra ninguém nas casas".

Ao mesmo tempo, conta ele, "não sabemos mais quando está de boa para sair de casa".

Os momentos mais tensos são quando há operações da polícia.

Em maio de 2025, a facção criminosa impôs toque de recolher após a morte de um dos líderes. Em julho, cinco suspeitos foram mortos em outra ação.

Já em novembro, foram apreendidos fuzis, pistolas, submetralhadora e granada em outra operação com mais cinco mortos.

O delegado Diego Gordilho defende que as operações surgiram da necessidade de "proteger os povos originários de criminosos que estavam por ali atuando", além de ser uma resposta a "toques de recolher mandando fechar estabelecimentos".

"Há uma tentativa de criminosos de se esconderem dentro desses territórios indígenas para dificultar a presença do Estado", diz.

Gordilho defende que as operações realizadas em Caraíva foram letais porque os membros da facção atuaram de "forma beligerante" contra os policiais.

"A gente precisa ser mais forte que esses mesmos criminosos", justifica.

Questionada sobre a alta letalidade de suas operações junto à PF, a Secretaria da Segurança Pública da Bahia disse apenas que ampliou o combate às facções no Extremo Sul da Bahia, com a criação de novo comando regional da Polícia Militar e instalação de uma base de inteligência,

"A doutrina do Policiamento Orientado pela Inteligência continuará norteando o trabalho de combate ao crime organizado, com ações firmes e pautadas na legalidade", diz a nota.

O interesse pelo sul da Bahia

A presença ostensiva das facções se concentra especialmente nas áreas imediatamente vizinhas à área mais turística, como a aldeia Xandó e a Nova Caraíva, do outro lado do rio.

"A velha Caraíva é onde atuam, mas não moram", explica um morador.

Essa dinâmica tem a ver com o próprio histórico de ocupação dessa região.

Os indígenas pataxó, originários desse território, sofreram diversas tentativas de expulsão. A mais emblemática é a chamada "Fogo de 51", quando houve repressão armada contra os indígenas e casas da aldeia foram incendiadas.

"O resultado foi a dispersão de várias famílias pataxó", explica o professor Paulo Dimas Menezes, da UFSB.

A disputa aconteceu diante do processo de criação do Parque Nacional do Monte Pascoal, uma área de conservação, mas sem controle indígena.

Em 1991, após muitos anos de pressão, foi homologada a Terra Indígena Barra Velha em parte do parque nacional. Na demarcação, ficou acordado que a ponta de Caraíva, já habitada por pescadores e descendentes que não mais se identificavam como indígenas, ficasse de fora, explica o professor Menezes.

A homologação de 1991, porém, não contemplou toda a reivindicação indígena. Em 2009, uma demarcação revisada, maior, recebeu o nome de TI Barra Velha do Monte Pascoal, hoje um dos territórios marcados por conflitos e que aguarda a definição do Supremo Tribunal Federal (STF) diante da aprovação do marco temporal.

Em Caraíva, a ponta que não faz parte da terra indígena não comporta mais a especulação imobiliária, que avançou sobre a aldeia Xandó com arrendamentos e venda de terrenos de forma irregular.

"Há um racha no povo Pataxó entre esses que fazem venda e os que não querem, que querem a integridade do território", diz o professor Menezes.

A pressão imobiliária, explica o pesquisador, veio com a expansão do turismo, especialmente nos anos 2010, quando turistas de alto poder aquisitivo acabaram descobrindo a região.

"Eles viram um paraíso naquele terreno de difícil acesso, nessa busca de exclusividade", diz o professor. Até hoje, o trajeto desde o centro de Porto Seguro leva mais de 2h em estrada, em boa parte de terra.

Segundo reportagens da imprensa local, lideranças pataxó seguem relatando mortes, venda ilegal de suas terras e, agora, ação de narcotraficantes.

Como diz o professor Misael França, da UFBA, é uma região que hoje convive "com atuação de latifundiários e particulares pela conquista desses territórios para dar vazão aos seus interesses ao agronegócio", além da presença de "grupos criminosos para o controle do tráfico de entorpecentes e de armas de fogo".

A associação local de indígenas não quis conversar com a reportagem.

Além da alta circulação de pessoas, a distância geográfica e do poder público e a disputa por terra, o delegado Diego Gordilho explica que o território também se tornou atrativo a facções por ficar perto da "tríplice fronteira" entre Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo.

"É uma rota rodoviária que serve para escoamento de ilícitos e que também tem saída pela parte marítima", diz o delegado.

Um morador resume que o cenário complexo da região hoje virou como "a guerra entre Rússia e Ucrânia": ninguém sabe o que vai acontecer.

Ele disse esperar um acordo definitivo entre as facções ou que um grupo acabe vencendo o outro de vez.

"Porque acabar com isso [facções], sabemos que não vai acabar nunca".

Por Folhapress

Pesquisa Realtime/Bigdata: Flávio Bolsonaro tem 38% e Lula tem 33% dos votos no Espírito Santo

Pesquisa Realtime/Bigdata realizada com eleitores do Estado do Espírito Santo, sobre a disputa presidencial de outubro deste ano, mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na liderança das intenções de voto, com 38%, contra 33% presidente e pré-candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ratinho Jr. (PSD) pontua 6% e Romeu Zema (Novo) 6%. Brancos e nulos somam 7% e não sabem ou não responderam 8%.

No cenário com Eduardo Leite (PSD), que aparece com 3% das intenções de votos, Flávio pontua 40% e Lula 34% no Estado do Espírito Santo; Romeu Zema soma 6%. Quando o candidato do PSD é Ronaldo Caiado, que aparece com 2% das intenções de voto, Flávio registra 40%, Lula 34% e Zema 6%.

A pesquisa está registrada sob número BR-09011/2026, foram realizadas 2.000 entrevistas com eleitores do Estado do Espírito Santo, entre os dias 13 e 14 de março. A margem de erro é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos e o índice de confiança é de 95%.
Por Folhapress

Prefeitura de Ibirataia realiza patrolamento em estrada rural entre Santa Rita e Dois Tanques

Ação da Secretaria de Infraestrutura aproveita período de estiagem para melhorar condições de tráfego após semanas de chuvas na região
A Prefeitura de Ibirataia, por meio da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, realizou no último fim de semana serviços de patrolamento na estrada vicinal que liga a região da Santa Rita à localidade conhecida como Dois Tanques, importante via de acesso utilizada por moradores e produtores rurais.

A ação foi coordenada pela pasta comandada pelo secretário Weligton Sobrinho e teve como objetivo melhorar as condições de tráfego na estrada, que havia sido bastante afetada pelo longo período de chuvas registrado recentemente no município e em toda a região sul da Bahia. Com o solo encharcado durante várias semanas, trechos da via apresentavam irregularidades, dificultando o deslocamento de veículos e o escoamento da produção agrícola.

Aproveitando o período de estiagem registrado nos últimos dias, a equipe da Secretaria de Infraestrutura mobilizou máquinas e trabalhadores para realizar o patrolamento, serviço essencial para nivelar a estrada, corrigir imperfeições e garantir mais segurança para quem utiliza o trajeto

De acordo com o prefeito Sandro Futuca, a iniciativa busca atender às demandas das comunidades rurais, garantindo melhores condições de mobilidade para moradores, estudantes que utilizam transporte escolar e produtores que dependem da estrada para transportar seus produtos até a sede do município e cidades vizinhas.

O secretário Weligton Sobrinho destacou a importância de aproveitar os períodos de clima favorável para realizar esse tipo de manutenção nas estradas vicinais. Segundo ele, a recuperação das vias rurais é uma das prioridades da pasta, especialmente após o período chuvoso, quando muitas estradas acabam sofrendo desgaste natural.

A Prefeitura reforçou ainda que outras estradas da zona rural também devem receber serviços de manutenção gradativamente, conforme as condições climáticas permitirem a continuidade dos trabalhos. O objetivo é garantir que as comunidades do campo tenham acesso mais seguro e eficiente às principais rotas de ligação com a cidade.

Moradores das localidades beneficiadas destacaram a importância da intervenção, ressaltando que a melhoria na estrada facilita o transporte diário e contribui diretamente para a qualidade de vida das famílias que vivem e trabalham na zona rural de Ibirataia.

Destaques