ACM Neto, Jaques Wagner e Neto Carletto estão entre os maiores patrimônios declarados ao TSE na Bahia; confira ranking

O atual vereador de Salvador, Duda Sanches (PSDB), e o ex-prefeito da capital baiana, Antônio Carlos Magalhães (ACM) Neto, são os candidatos mais “ricos” registrados no painel de Transparência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na Bahia. Conforme apuração do Bahia Notícias, com base nos dados disponíveis na plataforma da Corte Eleitoral nesta terça-feira (11), apenas três candidatos a cargos eletivos na Bahia possuem um patrimônio acima dos R$ 50 milhões, sendo eles: Duda Sanches, ACM Neto e Nicolau (PL).

O levantamento realizado pelo BN combinou, com auxílio de inteligência artificial, dois grupos de dados disponibilizados pelo TSE: perfil dos candidatos e informações sobre as declarações de bens. As informações foram validadas pelos repórteres. Os dados foram atualizados pelo painel na segunda-feira (10) e podem ser corrigidos pelos candidatos até o fim do prazo para submissão das candidaturas, às 19h do dia 15 de agosto.

Antes de descrever os principais dados encontrados pela reportagem, é importante destacar alguns dados relevantes acerca dos registros de bens dos candidatos registrados na Bahia. Ainda com relação ao patrimônio dos 20 mais ricos, apenas os três mais bem colocados representam 46% do valor, o equivalente a R$ 275,7 milhões.

Por outro lado, a média de valor em patrimônio dos candidatos baianos considerando os 1.104 candidatos registrados até o momento é de R$1,07 milhão por candidato. Confira o ranking completo dos candidatos mais “ricos” da Bahia:

1. Duda Sanches (PSDB) — R$ 140,5 milhões | Candidato a deputado federal:

O postulante mais “rico” da lista é o atual vereador soteropolitano Eduardo Henrique “Duda” Sanches (PSDB). Herdeiro político do ex-deputado estadual Alan Sanches, falecido em janeiro deste ano, Duda busca uma vaga na Câmara dos Deputados, após mais de três mandatos na Câmara Municipal de Salvador (CMS). Segundo a declaração submetida pelo candidato ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), seu patrimônio é de R$ 140,51 milhões em bens registrados.

Esse valor corresponde, quase que na totalidade, a uma área agrícola estimada em R$ 140 milhões, chamada “Sítio Ouro Verde”, sem localização exata. A mesma propriedade teve o valor de R$ 140 mil no último pleito declarado, ou seja, a Justiça Eleitoral deverá confirmar o valor até o fim do prazo. Ainda constam R$ 444 mil relativos a 50% de um imóvel, R$ 30 mil em cotas de participação social e R$ 40 mil em conta corrente.

2. ACM Neto (União) — R$ 84,8 milhões | Candidato ao governo da Bahia:

O ex-prefeito de Salvador e candidato ao governo do estado, Antônio Carlos Magalhães Neto (União), registrou R$ 84,8 milhões em sua declaração de bens no Tribunal Superior Eleitoral. O valor é mais que o dobro do declarado há quatro anos, quando foi candidato ao cargo de governador pela primeira vez. Em seu primeiro pleito para o Palácio de Ondina, Neto registrou uma fortuna de R$ 41,71 milhões.

O patrimônio em bens inclui dois apartamentos — um localizado no bairro da Vitória, em Salvador, no valor de R$ 7,8 milhões, e outro em um condomínio na Península de Maraú, no litoral sul da Bahia, avaliado em R$ 1,04 milhão —, dois veículos que somam R$ 465 mil e dezenas de aplicações e participações em fundos financeiros.

3. Antônio Nicolau Cerqueira (PL) — R$ 50,2 milhões | Candidato a deputado federal:

O candidato a deputado federal Antônio Nicolau Cerqueira, que se apresenta como “Nicolau Agora é Federal” (PL) na urna, é o terceiro candidato mais “rico” do estado. O empresário acumula um patrimônio de R$ 50,2 milhões, sendo que a maior parte, exatamente R$ 50 milhões, é referente a uma área de mineração sem localização divulgada.

Ele ainda declarou um imóvel no valor de R$ 250 mil e um veículo no valor de R$ 30 mil. Esta é a quarta eleição de Nicolau, que já foi candidato a vereador de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, em 2008 pelo PMN; suplente de deputado estadual também pelo PMN em 2010; e candidato a vereador em Camaçari novamente em 2016, pela mesma sigla.

4. Marcos Espinheira (Mobiliza) — R$ 41,1 milhões | 1º suplente de senador:

O candidato à 1ª suplência ao Senado Federal, Marcos Espinheira, aparece em quarto lugar do ranking. O empresário, componente da chapa de Carlos Sodré pelo partido Mobilização Nacional, registrou R$ 41,1 milhões em bens no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O patrimônio inclui quatro terrenos que, juntos, somam R$ 18,967 milhões, além de outras terras nuas, somadas no valor de R$ 6,9 milhões, e quotas ou quinhões de capital que, somadas, equivalem a cerca de R$ 15,2 milhões.

5. Neto Carletto (Avante) — R$ 34,3 milhões | Candidato a deputado federal:

O atual deputado federal e candidato à reeleição, Orlando Sulz de Almeida Neto, conhecido como Neto Carletto (Avante), é o quinto nome da lista, com um patrimônio declarado de R$ 34,3 milhões em bens. O montante representa um crescimento de quase 6.000% em relação ao pleito de 2022, quando o parlamentar, então filiado ao PP, havia informado R$ 591 mil em bens.

O patrimônio é composto por um segmento de participações societárias que ultrapassa R$ 19,2 milhões. Entre elas, chama a atenção uma empresa de participações avaliada em R$ 17,37 milhões. No setor imobiliário, também passou a ter peso relevante no patrimônio do deputado, com a inclusão de um prédio comercial em Porto Seguro avaliado em R$ 7,62 milhões.Ao BN, o deputado Neto Carletto afirmou que todo o aumento patrimonial se deve a uma doação recebida de seus pais nos últimos anos.

6. Dr. Cássio Modesto (MDB) — R$ 30,3 milhões | Candidato a deputado estadual:

O médico Cássio Modesto da Silva, candidato a deputado estadual pelo MDB, registrou R$ 30,3 milhões em bens. O patrimônio é composto, quase em sua totalidade, por uma fazenda orçada em R$ 30 milhões, um terreno de R$ 250 mil em Itabuna e uma casa comercial registrada em R$ 100 mil.

7. Jaques Wagner (PT) — R$ 24,5 milhões | Candidato a senador:

O atual senador e ex-governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), declarou um patrimônio de R$ 24,5 milhões no registro eleitoral deste ano, um valor com aumento expressivo desde o último pleito do senador. O item de maior valor na declaração do senador foi um crédito no montante de R$ 13.834.129, decorrente da venda de um imóvel para o Esporte Clube Bahia e para a empresa Lagoons Empreendimentos SPE Ltda.

8. Juiz Ricardo D'Ávila (PL) — R$ 20,5 milhões | Candidato a deputado estadual:

O servidor público estadual Manoel Ricardo D'Ávila (PL) registrou um patrimônio de R$ 20,5 milhões. O patrimônio inclui aplicações financeiras, imóveis e ações em empresas privadas.

9. Robinho (União) — R$ 19,3 milhões | Candidato a deputado federal:

O ex-prefeito de Nova Viçosa e deputado estadual Carlos Robson da Silva, conhecido como Robinho (União), declarou um patrimônio de R$ 19,3 milhões em bens, incluindo R$ 13 milhões em uma participação societária em uma empresa privada e um apartamento de R$ 1,2 milhão em Patamares. Ele é candidato a deputado federal.

10. João Roma (PL) — R$ 17 milhões | Candidato a senador:

O ex-ministro da Cidadania e presidente do Partido Liberal (PL) na Bahia, João Roma, registrou um patrimônio de R$ 17,01 milhões em bens em sua ficha de candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Candidato ao Senado Federal, Roma declarou propriedades rurais localizadas em diversos municípios baianos. Entre os destaques estão as participações na Fazenda Mirage, avaliadas em R$ 5,1 milhões no total, e na Fazenda Selma Nunes, em Iraquara, avaliada em R$ 1,62 milhão.

11. Ditinho Avivip (União) — R$ 16,98 milhões | Candidato a deputado estadual:

Empresário no interior do estado, concorre como nome pelo União Brasil, com patrimônio de R$ 16,985 milhões em capital de empresas e algumas propriedades, como sítios e fazendas em Santo Antônio de Jesus e Pedra Branca.

12. Coronel França (PL) — R$ 16,96 milhões | Candidato a deputado federal:

Não eleito para a Prefeitura de Teixeira de Freitas nas eleições de 2024, Ancleto Silva concorre como “Coronel França” mais uma vez às eleições gerais, após também não obter a cadeira principal, terminando como suplente em 2022 na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA). O candidato declarou um terreno avaliado em R$ 16 milhões, mais uma casa de R$ 900 mil, um carro e outros bens registrados no TSE.

13. Felipe Duarte (Avante) — R$ 16,1 milhões | Candidato a deputado estadual:

O empresário, conhecido por ser um dos fundadores da UNIFG, concorreu como vice-prefeito de Guanambi, no sudoeste baiano, e não foi eleito, mas foi eleito em 2022 para uma cadeira na AL-BA, com R$ 12 milhões declarados. Em 2026, declarou R$ 16,15 milhões. Declarou R$ 8 milhões em espécie em sua casa, R$ 900 mil em cabeças de gado e uma casa de R$ 4,9 milhões.

14. Dal Barreto (União) — R$ 14,7 milhões | Candidato a deputado federal:

O deputado federal Dal Barreto (União Brasil) declarou patrimônio de R$ 14,73 milhões para as eleições de 2026, quase o dobro dos R$ 7,46 milhões declarados em 2022. Entre os bens, predominam participações societárias em empresas do setor de combustíveis espalhadas por diversos municípios da Bahia

Entre os maiores valores estão R$ 4,018 milhões em quotas da Barreto Participações Societárias Ltda., além de um empréstimo de R$ 1,1 milhão à empresa. A declaração também inclui participações em dezenas de postos e distribuidoras de combustíveis, além de terrenos destinados à construção de postos em municípios como Barreiras, Correntina, Cipó, Conceição da Feira e Nova Itarana. Também aparecem imóveis rurais e urbanos, aplicações financeiras e cerca de R$ 498,9 mil em plano da Brasilprev.

15. Paulo Magalhães (PSD) — R$ 13,5 milhões | Candidato a deputado federal:

Já deputado federal Paulo Magalhães (PSD) declarou patrimônio de R$ 13,58 milhões para a disputa de 2026. Veterano da política baiana, Magalhães está na Câmara dos Deputados desde 1999. A maior parte dos bens declarados está concentrada em imóveis rurais.

O patrimônio declarado em 2026 é inferior ao informado pelo parlamentar na eleição de 2022, segundo os valores apresentados. A declaração atual reúne fazendas, terrenos, imóveis, veículos, aeronaves e recursos bancários, com destaque para a concentração de patrimônio em propriedades rurais

Entre os principais ativos estão a Fazenda Iracema, avaliada em R$ 3,3 milhões; a Fazenda MC – Curral Novo, de R$ 1,75 milhão; uma aquisição da Fazenda MC, de R$ 1,8 milhão; além das fazendas Pindorama, de R$ 1,1 milhão, e Margarida, de R$ 1,5 milhão. A declaração também inclui um terreno em Porto Seguro avaliado em R$ 1,5 milhão, veículos e duas aeronaves.

16. João Carlos Bacelar (PL) — R$ 13,4 milhões | Candidato a deputado federal

Também busca a reeleição como deputado federal pela Bahia, João Carlos Bacelar (PL) declarou R$ 13,47 milhões em patrimônio para a disputa de 2026, ante cerca de R$ 9,9 milhões em 2022, um crescimento de aproximadamente 36%.

Entre os principais bens declarados estão R$ 6,36 milhões em ações, R$ 4,89 milhões em aporte para futuro aumento de capital e R$ 625,1 mil em cotas de sociedade. A relação inclui ainda uma aeronave avaliada em R$ 396 mil, aplicações financeiras, imóveis e terrenos em Salvador e Jandaíra, além de uma fazenda e um sítio.

17. Edvaldo da Reconcavo (PDT) — R$ 13,3 milhões | Candidato a deputado federal:

Edvaldo Souza dos Santos declarou R$ 13,34 milhões em bens em 2026. Empresário, foi candidato a prefeito de Santo Antônio de Jesus pelo O Democrata (na época, Partido da Mulher Brasileira), mas não foi eleito. Ele concentra a maior parte do patrimônio em participações empresariais, reservas para aumento de capital e recursos financeiros.

Em 2022, Edvaldo havia declarado R$ 10,12 milhões. O patrimônio informado em 2026, portanto, representa um aumento de aproximadamente R$ 3,22 milhões, ou 31,8%, em quatro anos.

Entre os principais bens estão R$ 5,7 milhões em quotas da Comercial Recôncavo de Combustíveis Ltda., R$ 2,97 milhões em reserva de crédito para aumento de capital da Distribuidora Recôncavo de Alimentos Ltda., R$ 1,67 milhão em recursos na Caixa Econômica Federal e R$ 1,52 milhão em quotas do Atacadão Recôncavo Ltda.

18. Edvaldo Brito (PSD) — R$ 12,5 milhões | 1º suplente do senador Jaques Wagner:

Ex-prefeito e ex-vereador de Salvador, o jurista Edvaldo Brito (PSD) declarou cerca de R$ 12,5 milhões em patrimônio. Reconhecido como um dos principais intelectuais do direito pela Universidade Federal da Bahia, Brito tem uma declaração concentrada em imóveis, recursos bancários e participações societárias.

Entre os maiores bens estão R$ 3 milhões depositados no Banco do Brasil, uma casa no Jardim Armação, em Salvador, avaliada em R$ 2,87 milhões, e uma casa no Rio Vermelho avaliada em R$ 915,7 mil. A declaração também inclui imóveis em Salvador, Vera Cruz, Lauro de Freitas, São Paulo e Rio de Janeiro.

O patrimônio inclui ainda apartamentos, terrenos, fazendas, veículos e R$ 35 mil em participação na sociedade Edvaldo Brito e Advogados Associados. Entre os veículos, aparece um BYD King GL, avaliado em R$ 149,8 mil.

19. Manuel Rocha (União) — R$ 12,2 milhões | Candidato a deputado federal:

Ex-prefeito de Coribe, advogado de formação e atual deputado estadual pelo União Brasil, Manuel Rocha declarou R$ 12,23 milhões em bens para a disputa de 2026. A declaração chama atenção pela forte concentração em investimentos financeiros, além de dois imóveis de alto valor em Salvador.

Entre os principais ativos estão um apartamento no Corredor da Vitória, avaliado em R$ 3,02 milhões; outro imóvel na Graça, de R$ 1,16 milhão; além de R$ 1,41 milhão em um fundo de investimentos da XP, R$ 1,33 milhão em letra de crédito imobiliário do Bradesco e R$ 1,08 milhão em saldo na XP Investimentos.

A carteira inclui ainda ações de Petrobras, Banco do Brasil, Vale e CVC, cotas de fundos imobiliários, CDBs, CRIs, CRAs, debêntures e previdência privada. Entre os maiores investimentos também aparecem R$ 691 mil em CDB do BTG Pactual e mais de R$ 700 mil somados em VGBLs do Banco do Brasil, XP e Bradesco.

20. Rogério Faedo (PL) — R$ 8,7 milhões | Candidato a deputado federal:

Produtor rural e empresário do setor agropecuário, Rogério Faedo (PL) declarou cerca de R$ 8,7 milhões em patrimônio para a disputa de 2026. Ele concorreu como vice-prefeito de Luís Eduardo Magalhães em 2016, mas foi derrotado. Sua declaração é marcada principalmente por consórcios, investimentos e propriedades rurais.

Entre os principais valores estão R$ 1,25 milhão em outros bens e direitos, uma carta de crédito de consórcio contemplado de R$ 485,6 mil, além de diversos consórcios Sicredi, Randon e New Holland. Entre elas, aparecem cotas de R$ 631,4 mil, R$ 631,1 mil, R$ 420,1 mil e R$ 417,8 mil. Também declarou R$ 259,2 mil em investimento automático no Sicredi e R$ 146,5 mil em conta capital da instituição.

No patrimônio imobiliário, Faedo declarou uma propriedade rural de 1,5 mil hectares em Barreiras, avaliada em R$ 345,3 mil, e outra área rural de 450 hectares no município, além de terrenos no Oeste baiano. O patrimônio é composto de um segmento de participações societárias que ultrapassa R$ 19,2 milhões. Entre elas, chama a atenção uma empresa de participações avaliada em R$ 17,37 milhões.

O levantamento mostra que o patrimônio declarado pelos 20 candidatos mais ricos da Bahia reúne perfis bastante distintos, que vão de empresários e produtores rurais a políticos com longa trajetória na vida pública. Entre os bens aparecem fazendas, terrenos, imóveis, participações societárias, aplicações financeiras, aeronaves, veículos e até recursos em espécie.

A lista elaborada dos vinte candidatos com maior patrimônio registrado em bens é composta totalmente por homens que, juntos, somam um patrimônio de R$ 601,7 milhões. Destaca-se que esses homens são, majoritariamente, brancos ou pardos, e apenas um nome se autodeclarou preto.

Por Eduarda Pinto / Ronne Oliveira

PMBA liberta duas vítimas mantidas reféns durante ocorrência em Ipiaú

A Polícia Militar da Bahia, por meio da 55ª CIPM, com apoio da CIPT-MRC, libertou duas pessoas mantidas como reféns durante uma ocorrência registrada na tarde desta terça-feira (11), no bairro Antônio Lourenço, em Ipiaú.

A situação teve início durante averiguação relacionada ao tráfico de drogas, quando um dos envolvidos invadiu uma residência e manteve duas pessoas sob seu poder. Após negociação, as vítimas foram libertadas ilesas e o autor foi preso.

Durante a ação, foram apreendidos uma pistola calibre 9mm, munições, porções de substâncias análogas a crack e maconha, aparelhos celulares e dinheiro.

Os envolvidos e o material apreendido foram apresentados na Delegacia Territorial de Ipiaú.

Fonte: ASCOM/55ªCIPM. PMBA, uma Força a serviço do cidadão!

Caso INSS: quatro delações seguem sem decisão da PF e da PGR

Quatro personagens considerados importantes nas investigações sobre as fraudes no INSS estão há meses aguardando uma definição sobre propostas de colaboração premiada. Entre os interessados estão o ex-procurador-geral do INSS Virgílio Oliveira, o ex-diretor de benefícios André Fidelis, o filho dele, Eric Douglas Fidelis, e o empresário Maurício Camisotti. As negociações ainda não foram rejeitadas nem homologadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. A reportagem é do jornal O Globo.

Segundo a reportagem, as propostas podem trazer informações sobre o funcionamento do esquema de descontos ilegais em aposentadorias, além de possíveis conexões com políticos e outras pessoas investigadas. Virgílio Oliveira, por exemplo, teria apresentado mais de 120 páginas de anexos e se comprometido a devolver valores desviados. Camisotti, apontado pela PF como operador financeiro do esquema, teve sua primeira proposta refeita após a ausência do Ministério Público Federal nas negociações iniciais.

A demora preocupa as defesas dos possíveis delatores, que temem que as informações fornecidas durante as negociações sejam utilizadas nas investigações antes da formalização dos acordos, reduzindo o interesse em uma colaboração. A PF afirma que as tratativas continuam e que há interesse nos depoimentos, enquanto as investigações avançam em outras frentes. Segundo a apuração citada, o esquema de descontos teria movimentado bilhões de reais entre 2019 e 2024.

Por Redação/Folha

Denunciante de suposta armação acumula mudanças de versão sobre vice de Flávio Bolsonaro

O homem apontado como estopim da acusação de estupro de vulnerável contra o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente do senador Flávio Bolsonaro (PL), adotou versões contraditórias nos últimos cinco meses em contatos com congressistas e com a imprensa.

Luiz Antônio Lopes é apontado como a pessoa que procurou o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) durante a CPI Mista do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) com a versão de que Gaspar, então relator da Comissão Parlamentar de Inquérito, teria estuprado e engravidado uma adolescente e dizendo ter provas e contatos da vítima.

O caso foi explorado politicamente na ocasião pelos parlamentares governistas, que também encaminharam à Polícia Federal uma notícia-crime em 27 de março.

Luiz Antônio procurou o gabinete de Gaspar e, em abril, adotou versão oposta: em depoimento à Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados, disse ter havido uma armação de Lindbergh. Uma semana depois, ele se filiou ao PL.

Em conversa com a Folha na semana passada, Luiz Antônio mudou de versão mais de uma vez, retomando a acusação feita em março contra Gaspar e prometendo provas —mas sem apresentá-las.

Procurado pela reportagem na segunda (10), ele não respondeu. Nesta terça (11), adotou relato divergente da semana anterior, dizendo que "a moça contratada fará um vídeo falando a verdade" e que houve uma armação contra Gaspar, mas negando ter mudado de versão.

O depoimento de Luiz Antônio à Polícia Legislativa foi enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal) em maio, de acordo com a Câmara dos Deputados, sem que o caso fosse efetivamente investigado devido à citação a Lindbergh, que tem foro especial.

A PF pediu a abertura de investigação sobre o suposto crime de estupro de vulnerável ao STF em 15 de abril. O ministro relator, Gilmar Mendes, solicitou uma posição da PGR (Procuradoria-Geral da República), a quem cabe definir se chancela o requerimento da corporação.

Quando foi anunciado candidato a vice de Flávio, na semana passada, Gaspar pediu à PGR e ao STF que acelerem o exame de DNA que afastaria, segundo ele, a acusação e disse que vai até o fim no processo contra Lindbergh e Soraya sob acusação de calúnia, denunciação caluniosa, injúria e coação no curso do processo.

Em nova manifestação nesta terça-feira (11), a campanha do PL reafirmou que o caso é falso e disse que a denúncia surgiu por causa da atuação de Gaspar na CPI do INSS, em que pediu o indiciamento do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT).

"O candidato à Vice-Presidência Alfredo Gaspar é um homem íntegro, com vida limpa, que passou a ser alvo dessa acusação falsa no dia em que ele pediu a prisão de Lulinha por seu envolvimento no roubo dos aposentados do INSS", disse a campanha de Flávio, em nota.

"Não iremos parar até Lulinha responder por todos os seus atos. E sobre as acusações mentirosas, como as feitas por Lindbergh do PT contra Gaspar ou as trazidas agora, lembramos: fake news é crime no Brasil e todos que colaborarem para difusão de notícias falsas serão chamados a responder criminalmente por isso", completou.

Ao ser ouvido pela Polícia Legislativa, Luiz Antônio afirmou que uma mulher foi paga para dizer a uma repórter que havia sido estuprada pelo deputado quando tinha 13 anos. Do estupro, segundo a versão dada à jornalista, teria nascido uma criança, hoje com 8 anos.

No depoimento, Luiz Antônio disse que havia empregado a mulher no quiosque que mantinha em um shopping no estado do Rio de Janeiro e acusou Lindbergh, por meio de pessoas supostamente ligadas a ele, de bancar a farsa para prejudicar Gaspar.

O homem também entrou em contato com o gabinete de Gaspar, segundo o relatório entregue ao Supremo, dando novas informações a respeito dos supostos pagamentos feitos para sustentar a história.

A Folha conversou com Luiz Antônio na semana passada, por meio de mensagens de WhatsApp, quando Gaspar foi anunciado candidato a vice de Flávio. O número por meio do qual ele falou com a reportagem é o mesmo informado por ele à Polícia Legislativa da Câmara como da suposta farsante.

Diferentemente do que disse no depoimento de abril, o homem manteve a acusação contra Gaspar, mas não apresentou provas de suposto crime e disse ter dificuldades para falar com a alegada vítima, inclusive por falta de dinheiro para ir até a casa dela, no interior do Rio.

Luiz Antônio afirmou à reportagem na ocasião que mantinha contato com a suposta vítima, hoje uma mulher de 22 anos, mas deu apenas o primeiro nome dela e da suposta criança, respectivamente Jailma e Eloá, sem qualquer indício da existência das duas.

Soraya foi procurada pela reportagem na segunda, mas não quis se manifestar. A assessoria de imprensa da senadora afirmou que o caso está em segredo de Justiça e que todos os esclarecimentos estão sendo dados às autoridades.

Na segunda, Lindbergh apresentou à reportagem vídeos antigos em que é atacado por Luiz Antônio. Em uma das gravações, o homem diz que o deputado seria um dos mandantes da facada contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2018, o que é falso.

A Câmara disse que o boletim de ocorrência foi feito a pedido de Gaspar e que, "diante da citação de titular de prerrogativa de foro no curso da apuração, encaminhou o caso ao Supremo Tribunal Federal em maio de 2026, não tendo realizado novas diligências desde então".

Por Thaísa Oliveira , Constança Rezende , Catia Seabra e José Marques/Folhapress

Michelle expõe feridas ao aceitar gravar vídeo de campanha com Flávio dois meses após racha público

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) se encontrou com o presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro (PL), para gravar vídeos de propaganda eleitoral nesta terça-feira (11), no primeiro contato presencial entre eles desde que fizeram gestos de reconciliação após uma crise pública no fim de junho.

Michelle afirmou que "uma pedra" foi colocada na situação e que pediu votos para Flávio, mas manifestou descontentamentos que persistem em relação às brigas no clã Bolsonaro, especialmente sobre Carlos e Eduardo.

"Qual família não tem problema? Conversamos e nos unimos em prol de algo muito maior para nossa nação", disse ela a jornalistas, sem detalhar como foi a conversa com o filho mais velho de Jair Bolsonaro (PL).

"Foi normal", declarou apenas. "É meu enteado há 19 anos, nos abraçamos."

Já quando foi questionada sobre os filhos 02 e 03, disse que não iria responder. "Eu não vou polarizar. Um dia de cada vez. [...] Mas não guardo mágoa de ninguém. Até porque, se eu guardar mágoa, eu é que não vou conseguir viver. As coisas vão se ajustando aos poucos."

De manhã até o fim da tarde, Flávio reuniu por volta de 30 candidatos que apoia ao Senado, inclusive Michelle, que vai concorrer no Distrito Federal, na sede de sua campanha, em Brasília, para uma série de gravações com todos eles. Também fez um breve discurso e buscou alinhar pautas da campanha, como a crítica à situação fiscal do governo Lula (PT).

Como mostrou a Folha, Flávio lançou 47 nomes para o Senado, sendo que a maioria é abertamente a favor do impeachment de Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), a quem o senador chamou de articulador político de Lula em entrevista aos jornalistas. Ao redor de Flávio, os candidatos gritaram em coro que apoiam o impeachment do ministro.

Michelle chegou por volta das 13h50 e deixou o local, uma casa à beira do lago Paranoá, depois das 15h30, já com seus vídeos gravados. Na chegada, foi tietada pelos demais candidatos ao Senado, com quem tirou fotos. Foi servido churrasco aos convidados, além de chope —que, de acordo com os presentes foi reservado para o final das gravações.

A ex-primeira-dama falou brevemente com o grupo e quis passar uma mensagem de união, segundo relatos. Em trecho publicado nas redes sociais, ela pede liberdade aos presos do 8 de Janeiro e a Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe.

Questionada sobre viajar o país em campanha para Flávio, ela respondeu que isso seria difícil, já que é a principal responsável pelos cuidados com Bolsonaro, que operou o ombro e tem crises de soluço. Ela afirmou que as líderes regionais do PL Mulher poderiam apoiar o senador em seus estados.

Michelle, Flávio e os demais candidatos também fizeram juntos uma oração, puxada por Alcides Fernandes (PL), pastor e candidato ao Senado no Ceará. Para lançar Fernandes, o PL preteriu a indicada da ex-primeira-dama, Priscila Costa. A disputa no estado foi o ponto central da briga entre Michelle e Flávio.

"Nos abraçamos, desejei boa sorte, oramos juntos e está tudo certo", disse Michelle sobre Alcides Fernandes, logo após ressaltar que segue "de forma visceral" contra a aliança entre o PL e Ciro Gomes (PSDB), a quem atribui culpa pela inelegibilidade de Bolsonaro. Foi o PDT, antigo partido de Ciro, que ingressou com uma ação na Justiça Eleitoral que levou à punição do ex-presidente.

Michelle fez questão de fazer uma retrospectiva da crise, exposta e resolvida por meio de vídeos dela nas redes nas últimas semanas, afirmando que, quando entrou no PL Mulher, tinha autonomia para construir os diretórios estaduais e trabalhar candidaturas. Ao ser contrariada no Ceará, tentou deixar o cargo em novembro, mas a cúpula da sigla não aceitou sua saída, convertida em uma licença.

"Foi um desgaste gerado muito grande, desnecessário. [...] E, querendo ou não, não fui tão respeitada no quesito de autonomia para trazer a mulher para política", disse.

Michelle também foi questionada a respeito do vice de Flávio, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), que acabou sendo escolhido para o posto pelo senador apesar de ele ter dito, em diversas ocasiões, que queria uma mulher em sua chapa.

"É claro que eu, como representante das mulheres de bem do Brasil, gostaria que fosse uma mulher. Mas, se for um vice que vai ter um olhar especial para as mulheres, para as mães atípicas...", disse ela.

Pela manhã, ao falar com jornalistas, Flávio também defendeu Gaspar, chamando de farsa a acusação de que ele teria cometido estupro de vulnerável. "Foi exatamente no momento em que ele estava defendendo os aposentados roubados pelo governo do PT, inclusive pedindo a prisão do Lulinha. [Ele é] uma pessoa do bem, preparada, da área da segurança pública, que tem a nossa confiança", afirmou.

Flávio também afirmou que precisa eleger uma maioria no Senado para implementar medidas mais duras de segurança, como a redução da maioridade penal, e disse que os candidatos serão cobrados pela população a defender impeachment de ministros do STF. Ele chegou a perguntar aos seus apoiadores se eles queriam a saída de Moraes, que responderam com gritos de sim.

"Eu lamento. Você vê [que] Alexandre de Moraes hoje virou o grande articulador político do Lula, promovendo encontro dentro da casa dele com outros políticos. Mas o Alexandre de Moraes veio para a seara política, então todos os políticos estão autorizados a responder dentro da política também", disse.

Flávio se referia à reunião entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), feita na casa de Moraes e da qual o ministro Cristiano Zanin participou. O encontro, na semana passada, foi articulado para reaproximar os chefes do Executivo e do Senado, que estavam rompidos desde a rejeição da indicação de Jorge Messias para o STF, em abril.

"Não adianta querer dar canetada, ameaçar, inventar operações contra nós, os pré-candidatos", afirmou ainda.

Participaram nomes como Guilherme Derrite (PP-SP), Bia Kicis (PL-DF), Marcelo Queiroga (PL-PB), Carlos Jordy (PL-RJ) e Filipe Barros (PL-PR), entre outros.

Por Carolina Linhares/Folhapress

Governo Trump diz que 'domíno dos EUA' nas Américas não será questionado

Departamento de Estado publica vídeo defendendo Doutrina Monroe, usada para justificar intervenção na Venezuela

Foto: Reprodução/Instagram

O Departamento de Estado americano, responsável pela diplomacia dos Estados Unidos, publicou nesta terça-feira (11) um vídeo defendendo a Doutrina Monroe, princípio político que estabelece a hegemonia de Washington nas Américas. A doutrina foi utilizada por Donald Trump para justificar a invasão da Venezuela que terminou na captura do ditador Nicolás Maduro, levado à força para os EUA sob acusações de tráfico de drogas.

No vídeo, o embaixador americano no Panamá, Kevin Marino Cabrera, detalha o surgimento da doutrina em 1823, quando Washington decide apoiar formalmente a independência de muitos países latino-americanos da Espanha e do Brasil de Portugal. O governo americano, naquele momento, promete manter as Américas livres de influência europeia.

Entretanto, como a marinha dos EUA não tinha força para fazer valer a doutrina, tratou-se de uma declaração simbólica nas suas primeiras décadas de existência. Isso mudou na segunda metade do século 19, quando os Estados Unidos vivem um grande crescimento econômico proporcionado pela industrialização, imigração massiva e expansão ao oeste.

Ao longo de cinco minutos, Cabrera defende o histórico imperialista dos EUA na América Latina, relembrando a guerra contra a Espanha que levou à independência de Cuba, que passou a fazer parte da esfera de influência de Washington. O diplomata é cubano-americano de segunda geração, nascido na Flórida. Apoiador de Trump, Cabrera foi vereador de Miami de 2022 a 2025.

A peça foi postada no X pelo Departamento de Estado com a frase "o domínio americano no hemisfério ocidental jamais será questionado novamente". Trata-se de uma fala feita por Trump em seu primeiro pronunciamento após a captura de Maduro, em janeiro de 2026. O ditador era próximo da Rússia e da China.

O vídeo, entretanto, contém imprecisões históricas e omissões importantes. Cabrera diz, por exemplo, que foi graças aos EUA que a França foi expulsa do México depois de tentar instalar uma monarquia no país latino-americano, liderada por Maximiliano de Habsburgo, irmão mais novo do imperador da Áustria.

Na verdade, Maximiliano e as tropas francesas de Napoleão 3º foram derrotadas pelo presidente do México, Benito Juárez, que organizou a resistência à invasão europeia a partir de sua base de apoiadores liberais no norte do país.

Os EUA, envolvidos na época com a Guerra Civil americana, só apoiaram Juárez financeiramente a partir de 1865 e ameaçaram ações militares contra a França em 1867, quando o governo republicano já estava novamente em controle de quase todo o México.

O vídeo, embora mencione a intervenção americana na Nicarágua a favor do ditador Anastasio Somoza, não fala de outras ocasiões em que Washington apoiou ditaduras na América Latina, como no Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil. Também omite tentativas fracassadas de intervenção, como a invasão da Baía dos Porcos em Cuba em 1961.
Por Folhapress

Suspeito de homicídios e tráfico foge da PM, invade casa e faz duas reféns em Ipiaú

Um homem suspeito de envolvimento em homicídios e tráfico de drogas manteve duas pessoas reféns dentro de uma residência na Rua Alexandre Lima, no bairro Antônio Lourenço, na tarde desta terça-feira (11). A ocorrência teve início por volta das 15h e mobilizou equipes da Polícia Militar. Segundo as informações apuradas pelo GIRO no local, o suspeito estava armado com uma pistola e, durante a ocorrência, gravou um vídeo solicitando a presença da imprensa e de uma advogada. A reportagem do GIRO se deslocou até o endereço e acompanhou o desfecho da situação.
A negociação conduzida pela Polícia Militar durou cerca de 40 minutos. Após a chegada da reportagem e da advogada solicitada, o homem libertou inicialmente um idoso e, na sequência, uma mulher que também estava no imóvel. As duas pessoas deixaram a residência sem ferimentos. Após a liberação dos reféns, a ocorrência foi encerrada sem registro de feridos. O suspeito e a pistola apreendida foram apresentados na delegacia local. Fonte: Giro Ipiaú

Juiz determina que Garotinho cumpra sentença que o deixa inelegível

O juiz Ricardo Cyfer, do TJRJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro), determinou o cumprimento da sentença que condenou, em 2018, o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (Republicanos) à perda dos direitos políticos por oito anos.

O juiz citou que o processo transitou em julgado após o STF (Supremo Tribunal Federal) negar seguimento ao recurso de Garotinho. O ex-governador é candidato ao governo do Rio de Janeiro.

Cyfer determinou envio de ofício ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Rio de Janeiro e ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para suspensão dos direitos políticos. Segundo ele, caberá à Justiça Eleitoral declarar elegibilidade ou inelegibilidade do ex-governador.

Na última semana, o Ministério Público do Rio de Janeiro pediu à Justiça a execução da sentença. A promotoria diz que já foram esgotados todos os recursos apresentados pela defesa do ex-governador contra condenação por improbidade administrativa.

Com a execução da sentença, a candidatura de Garotinho ao Palácio Guanabara fica inviabilizada. Em 2024, o MPE (Ministério Público Eleitoral) já havia obtido, em razão da mesma condenação, a impugnação da candidatura de Garotinho ao cargo de vereador na cidade do Rio de Janeiro.

Garotinho foi condenado por desvio de R$ 234,4 milhões da Secretaria de Saúde a ONGs que financiaram sua pré-candidatura à Presidência da República em 2006. Na ocasião, a governadora do Rio de Janeiro era Rosinha Matheus, mulher de Garotinho, que à época estava à frente da Secretaria de Segurança.

O MP do Rio apresentou cálculos atualizados dos valores da condenação. O ressarcimento ao patrimônio público estadual foi atualizado para aproximadamente R$ 2,55 bilhões.

Além disso, a multa civil subiu para cerca de R$ 778 mil, e a indenização por danos morais coletivos alcançou aproximadamente R$ 11,9 milhões. Os valores ainda poderão ser corrigidos até a data do efetivo pagamento, informou o MP.

A defesa do ex-governador disse ao jornal O Globo que "contesta, com veemência" o teor do despacho. O advogado Admar Gonzaga afirmou que Garotinho está em "pleno gozo dos seus direitos políticos, circunstância esta que certamente será reconhecida quando da apreciação do registro de sua candidatura" pela Justiça Eleitoral.

Por UOL/Folhapress

Ibirataia: Prefeitura participa de Fórum Regional de Turismo e fortalece integração na Costa do Cacau

Município esteve representado em encontro que reuniu gestores, empresários e representantes do setor para discutir novas estratégias para o turismo regional

Ibirataia esteve representada no Fórum Regional de Turismo da Costa do Cacau, realizado no Centro de Convenções de Ilhéus. O encontro reuniu gestores públicos, empresários e representantes do trade turístico em um espaço de diálogo, integração e troca de experiências. A participação do município reforça a busca por novas perspectivas para o fortalecimento do turismo regional.
Representando Ibirataia, participaram o secretário Municipal de Cultura e Turismo Silvio Brandão e a Diretora de Turismo Ione Soares Cruz Calheira. Durante o evento, foram discutidas estratégias para ampliar parcerias, fortalecer conexões e promover um turismo mais competitivo, sustentável e integrado entre os municípios da Costa do Cacau.
“Participar de momentos como este é fundamental para ampliar parcerias e buscar novas oportunidades para o turismo de Ibirataia. Nosso município tem riquezas culturais, naturais e ligadas ao cacau que podem contribuir para o desenvolvimento regional”, destacou o secretário Municipal de Cultura e Turismo Silvio Brandão. A iniciativa reafirma o compromisso de Ibirataia com a valorização de seus atrativos e a construção de novas oportunidades para o setor.

Marcel Hohlenwerger participa de Fórum Regional de Turismo e reforça olhar para o interior da Bahia

Encontro reuniu gestores, empresários e profissionais para discutir tendências e estratégias voltadas a fortalecer o turismo no sul da Bahia


Candidato a deputado estadual da Bahia e um dos principais representantes da região do DDD 073 na disputa eleitoral deste ano, Marcel Hohlenwerger participou nesta segunda-feira (10) do Fórum Regional de Turismo da Costa do Cacau – Da Origem ao Destino. O encontro reuniu, no Centro de Convenções de Ilhéus, gestores públicos, empresários, profissionais do setor e representantes da comunidade para discutir os caminhos e as novas tendências do turismo no sul da Bahia.
Ao lado de Carol Hohlenwerger, esposa do candidato e presidente do Conselho de Turismo de Ipiaú, Marcel acompanhou as discussões com o objetivo de ampliar conhecimentos e aprender, em conjunto com representantes de diferentes municípios, sobre as oportunidades e os desafios do setor, especialmente nas cidades que integram o território do Médio Rio das Contas. Para Marcel, fortalecer o turismo regional exige um olhar atento para as potencialidades existentes fora dos grandes centros.
“Precisamos ter um olhar cada vez mais cuidadoso para o turismo no interior da Bahia, principalmente para as cidades do DDD 073. Temos uma região rica em cultura, natureza, gastronomia, história e pessoas que podem transformar essas potencialidades em desenvolvimento. Participar de um fórum como esse é uma oportunidade de aprender, ouvir quem já atua no setor e construir caminhos coletivos para fortalecer o turismo da nossa região”, destacou.

Experiência em ações turísticas e culturais

A experiência na área de eventos e na elaboração de políticas públicas que estimulem o turismo sustentável e a cultura local credenciam Marcel como um candidato com capacidade de tocar iniciativas importantes nessa área. Entre as quais, a campanha RioMar, nascida há cerca de dois anos, durante uma visita da cantora Ivete Sangalo a sua residência em Ipiaú, situada às margens do Rio de Contas.

O papo entre Marcel e Ivete girou em torno da necessidade de preservar o rio e, após sugestão da cantora, Marcel decidiu conceituar a campanha, cujo objetivo é garantir a proteção ambiental do Rio de Contas e estimular vivências de um dos mais importantes cursos d’água da Bahia, por meio de eventos, projetos esportivos e criação de espaços de convivência.

Fórum destaca importância de articular ações no ‘Território 073’

O fórum também reforçou a importância da integração entre os municípios para que os destinos turísticos sejam pensados de maneira regional, valorizando não apenas uma cidade, mas todo o território.

Presidente do Conselho de Turismo de Ipiaú, Carol Hohlenwerger destacou a importância da participação da sociedade e da união entre os diferentes atores que fazem parte da cadeia turística.

“O turismo acontece quando poder público, iniciativa privada, profissionais e comunidade caminham juntos. É muito importante estarmos aqui para trocar experiências, conhecer novas possibilidades e entender como podemos fortalecer Ipiaú e os demais municípios do Médio Rio das Contas. Nosso território tem muito a oferecer e precisamos transformar esse potencial em oportunidades para a nossa população”, afirmou.

Sobre o Fórum

Com o tema “Da Origem ao Destino”, o Fórum Regional de Turismo da Costa do Cacau propõe justamente essa construção conjunta, aproximando municípios e profissionais para pensar estratégias capazes de ampliar a visibilidade dos destinos e estimular o desenvolvimento econômico e social por meio do turismo.

Para Marcel, a participação no encontro também representa o compromisso de conhecer de perto as demandas do setor e defender um turismo cada vez mais integrado no interior baiano.

“Quem acredita no desenvolvimento do nosso interior precisa estar presente, ouvir, aprender e participar. O turismo pode gerar emprego, renda e novas oportunidades para milhares de pessoas. É preciso cuidar e olhar com atenção para as nossas cidades e para tudo aquilo que a nossa região tem de melhor”, concluiu.

INSS amplia lista de doenças que garantem auxílio ou aposentadoria sem pagamento mínimo

O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) ampliou a lista de doenças que dão direito ao auxílio por incapacidade temporária (auxílio-doença) ou à aposentadoria por incapacidade permanente —antiga aposentadoria por invalidez— sem que seja necessário pagar o mínimo de 12 contribuições à Previdência.

O rol passou a incluir gestação de alto risco desde 24 de julho, quando foi publicada a portaria interministerial 15, assinada pelos ministros Wolney Queiroz, da Previdência Social, e Alexandre Padilha, da Saúde. Com isso, o número de doenças que dispensa a carência —pagamento mínimo— subiu para 18.

Em 2022, o rol de enfermidades já havia sido ampliado, quando passaram a integrar o grupo acidente vascular encefálico agudo e abdome agudo cirúrgico, quando considerados graves. A lei que instituiu o rol é a 8.213, de 1991, e só foi modificada, até agora, nessas duas ocasiões.

Segundo a Previdência, nesses casos, o benefício pode ser concedido sem que o pagamento mínimo de 12 contribuições tenha sido feito. No entanto, o cidadão precisa ter a qualidade de segurado, que é ser considerado segurado do INSS, e comprovar que tem a enfermidade há ao menos 15 dias.

Também estão isentos de carências os profissionais —sejam autônomos ou contratados pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho)— que sofrem acidente de qualquer natureza ou causa, ou doença profissional, ou do trabalho.

Nos demais casos, o segurado precisa ter, no mínimo, 12 pagamentos ao INSS para conseguir o benefício por incapacidade temporária ou permanente.

Veja a lista de doenças que garantem benefício por incapacidade sem carência
  1. Tuberculose ativa
  2. Hanseníase
  3. Transtorno mental grave, desde que esteja cursando com alienação mental
  4. Neoplasia maligna
  5. Cegueira
  6. Paralisia irreversível e incapacitante
  7. Cardiopatia grave
  8. Doença de Parkinson
  9. Espondilite anquilosante
  10. Nefropatia grave
  11. Estado avançado da doença de Paget (osteíte deformante)
  12. Síndrome da deficiência imunológica adquirida (Aids)
  13. Contaminação por radiação, com base em conclusão da medicina especializada
  14. Hepatopatia grave
  15. Esclerose múltipla
  16. Acidente vascular encefálico (agudo)
  17. Abdome agudo cirúrgico
  18. Gestação de alto risco
Como conseguir o benefício?

O segurado não faz o pedido da aposentadoria por invalidez ou do auxílio-doença. Ele precisa solicitar uma perícia médica para ter direito aos benefícios. Quem determina se o pagamento será de auxílio ou aposentadoria é o médico.

No caso do auxílio-doença, quando a doença não é permanente, o segurado pode fazer o pedido pelo Atestmed, sistema da Previdência que libera o benefício sem que seja necessária a perícia presencial, apenas com o envio do atestado médico pela internet, no aplicativo ou site Meu INSS.

O pedido de agendamento da perícia também pode ser feito por telefone, pelo 135.

Confira o passo a passo:
  • Acesse o app ou site Meu INSS
  • Informe CPF e senha do portal Gov.br
  • Na página inicial, escolha "Novo pedido" ou vá em "Do que você precisa?", onde há uma lupa; digite a palavra "incapacidade" e selecione a opção "Pedir Benefício por incapacidade"
  • Siga o passo a passo do sistema e envie a documentação solicitada
  • O pedido de auxílio é analisado a distância, sem necessidade de perícia
  • Se for preciso passar por exame médico, ele será marcado e o segurado, informado sobre essa necessidade
  • No dia da perícia, leve toda a documentação que prove a incapacidade
  • Acompanhe todo o andamento de seu pedido pelo Meu INSS, em "Consultar Pedidos"
O que é o auxílio-doença?

É um benefício pago ao segurado incapacitado de forma temporária para o trabalho. Se a doença for permanente, é paga a aposentadoria por invalidez, chamada hoje de benefício por incapacidade permanente.

Como deve ser o atestado para ter o auxílio-doença pela internet?

O atestado médico ou odontológico deve ser em papel sem rasuras, e conter as seguintes informações:
  • Nome completo
  • Data de emissão (que não pode ser igual ou superior a 90 dias da data de entrada do requerimento)
  • Diagnóstico por extenso ou código da CID (Classificação Internacional de Doenças)
  • Assinatura do profissional, que pode ser eletrônica e deve respeitar as regras vigentes
  • Identificação do médico, com nome e registro no conselho de classe (Conselho Regional de Medicina ou Conselho Regional de Odontologia), no Ministério da Saúde (Registro do Ministério da Saúde), ou carimbo
  • Data de início do repouso ou de afastamento das atividades habituais
  • Prazo necessário para a recuperação, de preferência em dias (essa data pode ser uma estimativa)
Por Cristiane Gercina/Folhapress

Brasil tem amigos nos EUA, que não podem tirar os olhos da América Latina, dizem analistas

Na medida em que o governo Donald Trump intensifica uma ofensiva contra o Brasil sem precedentes na história recente, um grupo de lideranças do Partido Democrata, de oposição ao presidente, tem se mobilizado para criticar políticas que, segundo elas, afastam os Estados Unidos de parceiros tradicionais e semeiam desconfiança em relação a processos eleitorais.

Quando o jornal The Washington Post revelou que o Departamento de Estado americano havia tentado enviar ao Brasil emissários para lançar dúvidas sobre a integridade do pleito brasileiro, a ala democrata da Comissão de Relações Exteriores do Senado publicou uma mensagem no X na qual afirmou que a gestão Trump busca "espalhar teorias da conspiração" e que isso não torna os EUA um lugar mais seguro.

No caso mais recente, a senadora Jeanne Shaheen declarou que, ao revogar o visto da embaixadora Maria Luiza Viotti, Trump "jogou fora a diplomacia em detrimento dos povos brasileiro e americano".

Para dois especialistas em política externa dos EUA que ocuparam cargos de assessoramento nos governos Barack Obama e Joe Biden, essas manifestações visam mostrar que "o Brasil ainda tem muitos amigos em Washington".

Nick Zimmerman foi diretor para assuntos de Brasil e Cone Sul no Conselho de Segurança Nacional entre 2014 e 2016, no final do governo Obama. Já Frank Mora foi embaixador dos EUA na OEA (Organização dos Estados Americanos), nomeado por Biden.

Ambos conversaram com a Folha para discutir a política externa de Trump para a América Latina em geral e para o Brasil em particular.

"O que vimos na Comissão de Relações Exteriores do Senado, por parte da senadora Shaheen, é uma condenação das ações de Trump contra o Brasil. É um reconhecimento explícito de que esse comportamento só serve para afastar os EUA de parceiros e amigos históricos. Os democratas veem o Brasil como um parceiro e amigo histórico", afirma Zimmerman.

"Existe uma preocupação com o que Trump está fazendo em relação às eleições em outros países, porque ele está tentando fazer a mesma coisa nos EUA. Os democratas e os americanos estão enfrentando o mesmo ataque às nossas instituições eleitorais."

No âmbito mais amplo, Mora define a política americana para a região como "imprevisível e incoerente". "Trump vê isso sempre num nível muito pessoal: as pessoas estão com ou contra ele. Se as pessoas o elogiam, fazem declarações sobre como Trump é maravilhoso, é provável que recebam algum tratamento preferencial, inclusive apoio em uma eleição", afirma Mora.

Essa abordagem caso a caso se reflete na forma como os EUA abordam a América Latina, onde a gestão Trump privilegia ações bilaterais e medidas de coerção em detrimento de organizações multilaterais —como a própria OEA, onde Mora liderou a missão americana.

Se sobram críticas à condução da política externa por Trump, os especialistas dizem que é importante reconhecer que ele colocou foco inédito sobre a América Latina, num nível superior à ênfase dada pelas últimas administrações do Partido Democrata.

Para Zimmerman, reconhecer a importância das Américas para os EUA é "uma das poucas coisas positivas" da gestão Trump, embora existam divergências profundas sobre como essa política é conduzida.

Frank Mora, por sua vez, diz que o próximo presidente americano não poderá simplesmente "desviar os olhos do Hemisfério Ocidental" —forma como a administração dos EUA se refere às Américas.

"Cabe a nós convencer o próximo governo democrata —ou mesmo um governo republicano que não seja alinhado a Trump— de que a região precisa continuar sendo uma prioridade. De uma forma diferente, completamente diferente, mas precisa continuar sendo uma prioridade, porque disso dependem os interesses nacionais dos EUA."

A atual estratégia de coerção mostra-se ineficiente e ameaça ter efeitos opostos aos desejados pela administração Trump, segundo Zimmerman e Mora, tanto no Brasil quanto no continente.

Mora cita a situação de Cuba, submetida há meses a um bloqueio no fornecimento de combustível por ordem do governo Trump. "Não existe um caso empírico histórico que diga que a adoção dessas medidas punitivas econômicas resulte em uma mudança de regime".

Quando questionado sobre o que seria uma política americana eficiente para a América Latina, Zimmerman diz que o pensamento americano sobre política externa precisa evoluir e adaptar-se às mudanças globais. "Parte do nosso pensamento em política externa não acompanhou essas mudanças. No contexto das Américas, isso está mais evidente do que nunca", diz.

"[A relação dos EUA com o continente] Precisa partir de uma relação de parceria e respeito. Precisa vir acompanhado do reconhecimento de que a prosperidade futura dos EUA, inclusive sua posição geopolítica, depende em grande medida de manter uma relação pragmática e mutuamente produtiva com as Américas".

Já Mora diz que a gestão Trump olha para a América Latina exclusivamente sob um prisma de ameaças.

"Deveríamos adotar uma abordagem baseada em oportunidades, algo que já tentamos fazer no passado. Há enormes oportunidades na região, e podemos trabalhar com os países e nossos parceiros para encontrar maneiras de enfrentar não apenas os problemas. Em vez de recorrer a medidas coercitivas, há muito mais a ganhar por meio da cooperação", afirma.

Por Ricardo Della Coletta/Folhapress

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