Renan Calheiros diz que Jhonatan de Jesus, do TCU, foi pressionado pelo centrão a 'desliquidar' Master

Senador e colegas se reuniram nesta quarta (11) com o presidente do STF para discutir o caso
O senador Renan Calheiros (MDB-AL) disse nesta quarta-feira (11) que o ministro Jhonatan de Jesus, do TCU (Tribunal de Contas da União), foi pressionado pelo centrão para que revertesse a liquidação do Banco Master. O procedimento determinado pelo Banco Central em novembro de 2025 é alvo de inspeção na corte de contas a pedido do ministro Jhonatan.

Renan e outros senadores da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado se reuniram com o ministro Edson Fachin, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), para falar da criação de um grupo de trabalho parlamentar para acompanhar as investigações do caso Master.

"Contei para o ministro Fachin o clima de constrangimento no Tribunal de Contas da União", disse Renan. "O centrão chantageou o ministro do Tribunal de Contas para que ele acabasse com a liquidação do Banco Central. Ele hoje decretou sigilo das informações para o Banco Central e para os próprios ministros do Tribunal de Contas da União", afirmou o senador.


O movimento foi recebido com preocupação por membros da autoridade monetária, que temem que a falta de transparência abra espaço para manobras do relator em seu voto. A tendência, segundo pessoas a par da investigação, é de que o ministro dê parecer favorável à conduta do Banco Central.

Em nota, Jhonatan de Jesus disse que o processo teve a classificação de confidencialidade alterada de "sigiloso" para "sigiloso com exigência de autorização específica de leitura" com o objetivo de evitar vazamentos, inclusive de informações classificadas como sigilosas pelo próprio BC.

"Tal procedimento não é inédito, pois já foi aplicado em outros processos no TCU. A solicitação [feita pela Secretaria-Geral de Controle Externo] foi deferida pelo relator do processo e contou com a ciência do Banco Central. O TCU esclarece que o Banco Central terá acesso a todas as peças processuais sempre que necessário, não havendo qualquer prejuízo ao órgão jurisdicionado", disse.

Renan Calheiros preside a CAE e montou, dentro da comissão, esse grupo de trabalho para acompanhar as investigações. O senador tem dito que apoia as propostas de instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), mas que o trabalho da comissão é permanente.

No início da semana, o grupo aprovou 19 requerimentos de informações e de comparecimento. Receberão convites o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e seu ex-sócio, Augusto Lima. O presidente da comissão diz que gostaria de começar as oitivas por eles. Como o GT não tem prerrogativas de CPI, nenhum dos convidados é obrigado a comparecer.

No STF, os senadores teriam ouvidos do ministro Fachin a concordância com críticas ao sigilo do inquérito do Master. "O presidente [do STF] não apenas concordou,como exaltou essa diretriz", disse Renan.

Além do presidente da CAE, estiveram com Fachin os senadores Damares Alves (Republicanos-DF), Soraya Thronicke (Podemos-MS), Leila Barros (PDT-DF), Esperidião Amim (PP-SC), Izalci Lucas (PL-DF) e Fernando Farias (MDB-AL).

Antes, eles estiveram com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, a quem também entregaram um convite para falar no grupo de trabalho. O mesmo convite deverá ser levado ao procurador-geral da República Paulo Gonet, que está viajando.

Segundo Renan Calheiros, a conversa com Rodrigues também serviu para demonstrar apoio ao trabalho da PF, que estaria sujeita à pressões. "Não é fácil, essa gente tinha ramificações em todos os poderes da República e isso precisa ser investigado."

O grupo de trabalho pediu à PF acesso às operações ligadas ao caso, como a Compliance, mas também à Carbono Oculto, que investiga laços do crime organizado com fundos de investimentos, e a apurações em estados.

O presidente da Comissão de Assunto Econômicos quer, ao fim dos trabalhos do grupo, propor mudanças na legislação. "Ao fim e ao cabo, nosso papel é fazer o aprimoramento da regulação, da fiscalização, compreender o papel da CVM [Comissão de Valores Mobiliários], o que a CVM significou nesse processo como um todo."

Renan já disse que um desses aprimoramentos poderá ser a expansão do perímetro de fiscalização que cabe ao BC, que poderia passar a ser responsável também por fundos. Esse trabalho cabe hoje à CVM.

Por Fernanda Brigatti/Folhapress

PF pede suspeição de Toffoli no caso Master após encontrar menções a ministro em celular de Vorcaro

Toffoli diz a pessoas próximas estar tranquilo e que diálogo não teria sido entre ele e o investigado
A Polícia Federal pediu ao presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, a suspeição do ministro Dias Toffoli como relator das investigações sobre o Banco Master. Fachin já intimou Toffoli a se manifestar sobre o requerimento.

A solicitação da PF tem como base conversas apreendidas no celular do empresário Daniel Vorcaro, dono do Master, que mencionam Toffoli. A informação sobre os achados da polícia foram reveladas pelo portal UOL.

A auxiliares, o ministro segue afirmando não ver razão para se afastar do caso.

Um pedido semelhante já havia sido feito pela PF à PGR (Procuradoria-Geral da República), mas o procurador-geral, Paulo Gonet, não deu andamento porque já havia negado o afestamento de Toffoli em requerimento semelhante feito por parlamentares de oposição.

Gonet afirmou na ocasião que o caso da instituição financeira "já é objeto de apuração perante o Supremo Tribunal Federal, com atuação regular da Procuradoria-Geral da República". Sendo assim, prossegue ele, "não há qualquer providência a ser adotada no momento".

No Supremo, ministros avaliam que a arguição de suspeição é uma prerrogativa exclusiva da PGR —sendo assim, a PF não teria legitimidade para entrar com esse tipo de processo. Ainda assim, Fachin cumpriu o rito de notificar Toffoli a responder.

Na ocasião da negativa da PGR, o ministro Gilmar Mendes classificou como madura a decisão de Gonet e prestou solidariedade a Toffoli.

"A rigor, ele atendeu a todas as considerações da PF e da Procuradoria-Geral [da República]. Não há razão para qualquer questionamento sobre sua conduta", disse Gilmar ao jornal Folha de São Paulo.

Em uma rede social, o decano do STF afirmou que "em um Estado de Direito, a preservação do devido processo legal e a observância das garantias institucionais constituem condições essenciais para a estabilidade democrática e para a confiança da sociedade nas instituições".

Toffoli está sob pressão interna devido à sua postura na supervisão do inquérito do Master. As críticas começaram com o severo regime de sigilo imposto ao caso, seguido pela viagem de jatinho com um dos advogados da causa e por negócios como o do resort Tayayá, que associam seus familiares a um fundo de investimentos ligado ao Master.

Além disso, a conduta do ministro à frente do caso tem sido questionada publicamente pela PF e interpretada como incomum por integrantes do BC (Banco Central), da PGR (Procuradoria-Geral da República) e do próprio Supremo, que já admite internamente viver uma crise de imagem.

Para contornar a situação, integrantes da corte passaram a defender o envio da investigação à primeira instância como uma "saída honrosa" para Toffoli. Ele, no entanto, resiste a deixar a condução das apurações.

Toffoli sinalizou que essas variáveis não estão em jogo e argumentou que a sua imparcialidade não está comprometida. O ministro também tem afirmado que, na primeira instância, as informações estariam mais sujeitas a vazamentos, o que deve ser evitado a todo custo em uma investigação dessa natureza.

Ao mesmo tempo, Toffoli indica a auxiliares que só com novos avanços das apurações será possível definir com clareza se o caso fica no Supremo, se volta à primeira instância ou se o caminho é um meio-termo —um desmembramento da investigação, em que o ministro fica responsável por autoridades com foro e a Justiça Federal, pelos demais investigados.

O Código de Processo Penal prevê que um juiz está impedido de atuar nas ações em que seu cônjuge ou parente tenha participado; em que ele próprio tenha atuado no passado (como advogado ou juiz de instância inferior); ou em que ele ou seus familiares forem "diretamente interessados".

Já a suspeição tem caráter subjetivo e diz respeito a situações, por exemplo, em que o ministro é amigo íntimo das partes ou dos advogados, recebe presentes de pessoas interessadas na causa ou aconselha as partes. Se houver motivo de foro íntimo, ele não é obrigado a detalhá-lo.

Se Toffoli se declarasse suspeito ou impedido, todas as decisões assinadas até aqui seriam automaticamente anuladas, e a investigação voltaria à estaca zero. Os depoimentos já colhidos, a acareação entre banqueiros e os mandados de busca cumpridos na semana passada não teriam mais validade.

Por Luísa Martins/Folhapress

Governo Trump acusa cartéis de drogas de invadir espaço aéreo e fecha aeroporto no Texas temporariamente

Aviso de bloqueio por dez dias do tráfego de aeronaves em El Paso foi retirado poucas horas depois

Foto: Reprodução/Instagram

Autoridades do governo de Donald Trump afirmam que o fechamento nesta quarta-feira (11) do aeroporto de El Paso, na fronteira dos Estados Unidos com o México, foi provocado pela incursão de drones pertencentes a cartéis.

"A FAA [agência federal de aviação] e o DOW [Departamento de Defesa] agiram rapidamente para lidar com uma incursão de drones de cartéis. A ameaça foi neutralizada, e não há perigo para a aviação comercial na região. As restrições foram retiradas e voos estão sendo normalizados", publicou o secretário de Transporte, Sean Duffy, no X.

Autoridades locais, congressistas e pessoas informadas sobre a realização de um teste de uma nova tecnologia antidrones rejeitam, no entanto, a versão do secretário.

Segundo a agência Associated Press, que falou com três pessoas com conhecimento do assunto, sob anonimato, o fechamento do espaço aéreo se deveu ao teste de um laser para derrubar drones utilizados por cartéis mexicanos.

O Pentágono teria pressionado para avançar com os testes a despeito de ressalvas da FAA de que queria assegurar segurança aérea durante os testes, o que resultou no fechamento. Não está claro se o teste foi de fato realizado, segundo a AP.

A deputada democrata Veronica Escobar, que representa o distrito eleitoral onde fica El Paso, também contestou a explicação dada por autoridades do governo Trump, afirmando em uma entrevista coletiva que a suposta incursão de drones "não é a informação que nós recebemos no Congresso".

"Não havia uma ameaça, e é por isso que a FAA suspendeu essa restrição tão rapidamente. As informações vindas do governo não fazem sentido", disse ela.

Renard Johnson, prefeito de El Paso, disse que muitas autoridades locais ainda não entendiam por que a agência tomou uma medida tão drástica e a retirou tão rapidamente. Para ele, a "falha na comunicação é inaceitável".

Johnson afirmou ainda que o incidente resultou em uma série de eventos caóticos em El Paso, incluindo voos de evacuação médica forçados a desviar para Las Cruces, no estado de Novo México, uma cidade a cerca de 72 quilômetros.

"Essa decisão desnecessária provocou caos e confusão na comunidade de El Paso", disse Johnson. "Quero deixar muito, muito claro que isso nunca deveria ter acontecido. Não se pode restringir o espaço aéreo em uma grande cidade sem coordenar com a prefeitura, o aeroporto, os hospitais e as lideranças comunitárias", afirmou.

As companhias aéreas que operam em El Paso foram pegas de surpresa pelo anúncio de fechamento do espaço aéreo local, feito na madrugada desta quarta, que também suspendeu voos de helicópteros médicos. A Southwest Airlines afirmou que os impactos devem ser mínimos para suas 23 partidas diárias programadas.

"A FAA não demonstrou exatamente credibilidade, objetividade ou profissionalismo", disse Bob Mann, consultor do setor aéreo. "A pergunta que deveria ser feita é: vamos receber uma explicação?"

Trump ameaçou repetidamente usar forças militares dos EUA contra cartéis de drogas mexicanos, que têm utilizado drones para realizar vigilância e ataques contra infraestruturas civis e governamentais, segundo fontes de segurança americanas e mexicanas.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, disse em sua entrevista coletiva diária que seu governo tentaria descobrir o que exatamente aconteceu, mas não tinha informações sobre tráfego de drones pela fronteira.

As tensões entre os EUA e líderes regionais aumentaram desde que o governo Trump realizou sua grande mobilização militar no sul do Caribe, atacou a Venezuela e capturou Nicolás Maduro. A FAA restringiu voos em todo o Caribe após o ataque, forçando o cancelamento de centenas de voos.
Por Folhapress

Itagibá é contemplada com 20 novas casas populares por meio do PAC

O município de Itagibá foi contemplado com a construção de 20 novas unidades habitacionais por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), iniciativa do Governo Federal do Brasil voltada para investimentos em infraestrutura e melhoria da qualidade de vida da população.

As moradias fazem parte das ações do eixo habitacional do programa e têm como objetivo atender famílias em situação de vulnerabilidade social, garantindo mais segurança, dignidade e melhores condições de moradia.

Segundo a gestão municipal, a conquista é resultado de articulação institucional e do empenho contínuo na busca por recursos que promovam o desenvolvimento de Itagibá. A iniciativa representa um avanço importante na política habitacional do município e contribui diretamente para a redução do déficit de moradias.

Mais do que obras físicas, o investimento simboliza transformação social. Vinte famílias terão a oportunidade de iniciar um novo ciclo em um lar digno, com estrutura adequada e melhores perspectivas de qualidade de vida.

A Prefeitura destacou ainda que seguirá trabalhando para viabilizar novas parcerias e investimentos, com foco no crescimento sustentável e no fortalecimento das políticas públicas voltadas à população.

Flávio Bolsonaro se consolida como principal adversário de Lula, mostra Genial/Quaest

Levantamento não testou nome de Tarcísio em nenhum cenário

Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se consolidou como principal opositor do presidente Lula (PT) para as eleições de 2026, segundo nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (11).

O petista segue na liderança em todos os cenários de primeiro turno testados pelo levantamento, com intenções de voto entre 35% e 39%. Em todos eles, Flávio assegura, com folga, o segundo lugar, com percentuais que variam de 29% a 33%.

A pesquisa foi feita de 5 a 9 de fevereiro. Foram 2.004 entrevistas com brasileiros de 16 anos ou mais. A margem de erro estimada é de 2 pontos percentuais, e o nível de confiança é de 95%. Ela está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-00249/2026.

A pesquisa testou sete cenários, com os nomes dos governadores do Paraná, Ratinho Jr (PSD); de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo); e de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil) e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD). Em todos, Lula fica à frente.

Além deles, foram ventilados como candidatos os nomes do ex-ministro Aldo Rebelo (Democracia Cristã) e de Renan Santos (Missão). O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ficou de fora. Ele declara que não vai se candidatar à Presidência.

No primeiro turno, Ratinho aparece em dois cenários, com 8% e 7%, e Zema registra 4% nos quatro cenários em que está. Já Caiado figura em dois cenários, com 4% das intenções. Leite é listado em dois cenários, com 3% e 4%.

A diferença de Flávio para Lula no segundo turno é de 5 pontos, com o filho do ex-presidente com 38% e o petista com 43%. Este é o mesmo percentual que o atual presidente tem contra Ratinho, que pontua com 35%, marcando uma diferença de 8 pontos percentuais.

Contra Caiado, a distância entre os dois é de 10 pontos: ele com 32%, e Lula com 42%. Zema é de 11 pontos. O governador mineiro registra 32% contra os 43% do petista. Eduardo Leite marca 28% ante 42% do petista —14 pontos.

Já em relação a Aldo Rebelo, Lula tem 44%, e o ex-ministro, 25%. A diferença soma 19 pontos, a mesma que existe em eventual embate com o presidente do MBL (Movimento Brasil Livre), Renan Santos. Ele tem os mesmos 25% contra os 44% do petista.

Flávio e Lula têm as maiores rejeições, segundo a pesquisa. 55% dos brasileiros conhecem e não votariam no filho do ex-presidente, mesmo percentual de janeiro. O petista anotou o percentual de 54%, também o mesmo índice do mês anterior.

A pesquisa mostra Ratinho com rejeição de 40% (antes 41%), Caiado com 35% (depois de 36%), Zema com 34% (eram 36%), Eduardo Leite, que não tinha sido testado em janeiro, com 35%, Aldo Rebelo com 26% (ante 27%) e Renan Santos com 19% (21%).

Por Arthur Guimarães de Oliveira/Folhapress

Ministério vê risco de colapso no setor de carne e defende controlar exportação para a China

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) identificou risco de colapso de preços e emprego no setor da carne bovina como consequência das salvaguardas impostas pela China para a importação de proteína animal.

Para mitigar esses efeitos, o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) defendeu, segundo ofício obtido pela Folha, a criação de um sistema de cotas de exportação que regule a quantidade de carne que os agentes privados podem vender ao país asiático.

A lista de exportadores para a China inclui gigantes como a JBS, Minerva e Marfrig.

No final de dezembro, o Ministério do Comércio da China anunciou tarifas de 55% sobre as importações de carne bovina de países como Brasil, Argentina, Uruguai e Estados Unidos que excedam uma determinada quantidade.


No caso do Brasil, a cota para 2026 é de cerca de 1,1 milhão de toneladas. Isso significa que o que superar esse patamar estará sujeito a uma tarifa de 55% —o que mina a competitividade do produto nacional.

Com base em dados de 2025, a análise do Mapa estima que deve haver uma redução na demanda chinesa por esse tipo de proteína de cerca de 35%, o equivalente a 600 mil toneladas.

"Em cenário de ausência de resposta coordenada do governo brasileiro, a tendência é de forte desorganização dos fluxos comerciais, com impactos relevantes sobre toda a cadeia produtiva", diz o ofício, assinado por Luis Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa.

No ofício, Rua lista diferentes consequências que a falta de controle para as vendas à China pode provocar.

São elas: corrida desordenada de exportadores, com antecipação de embarques e contratos para ocupar a maior fatia da cota chinesa; queda dos preços em razão da competição entre frigoríficos nacionais; excesso de oferta em outros mercados caso a produção inicialmente destinada à China seja redirecionada a outros países; efeito em cascata sobre produtores rurais em áreas dependentes da pecuária; e possibilidade de as cotas chinesas serem preenchidas apenas por grupos empresariais de grande porte.

"Em síntese, a ausência de qualquer mecanismo nacional de administração das exportações em face do teto imposto pelo importador [China] cria incentivos à competição desordenada entre empresas brasileiras, amplifica o choque negativo de demanda e aumenta o risco de colapso de preços e de emprego no setor", diz o documento.

De acordo com interlocutores no setor, não é possível estimar com precisão quanto do limite de 1,1 milhão de toneladas já foi usado por exportadores brasileiros, uma vez que os dados de janeiro são de carne embarcada ainda no final de 2025. O governo Lula argumenta que a carga embarcada antes do anúncio das salvaguardas deve ficar fora do cálculo das sobretaxas.


De acordo com dados do Mdic compilados pela Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), houve aumento de compra de carne bovina pelos chineses em janeiro. Foram 123,2 mil toneladas importadas por Pequim, um valor cerca de 35% maior do que o mesmo mês do ano passado.

O ofício do Mapa é destinado à secretaria-executiva da Camex (Câmara de Comércio Exterior), vinculada ao Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).

A recomendação do Ministério da Agricultura é que o sistema de cotas de exportação seja deliberado já na próxima reunião do Gecex (Comitê Executivo de Gestão da Camex), para que os efeitos das limitações chinesas sejam reduzidos ainda em 2026.

O próximo encontro do Gecex está previsto para esta quinta-feira (12).

Procurado, o Mdic disse que "eventual debate e deliberação sobre o tema poderão ser feitos no âmbito do Gecex, colegiado de 10 ministérios, em data ainda a ser definida". A pasta destacou que a proposta do Mapa ainda está sob análise técnica.


"O governo brasileiro, por intermédio do Mdic e do Mapa, tem mantido diálogo permanente com o governo chinês sobre o tema. O vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin conversou, no dia 28 de janeiro, por ligação telefônica, com o vice-presidente da China, Han Zheng, quando manifestou preocupação em relação às salvaguardas aplicadas; e o tema continua em negociação com o governo chinês", disse o Mdic.

O Mapa não responde a pedido de comentário feito pela Folha.

Entre os requisitos que o sistema de cotas deveria observar, ainda de acordo com o documento, o Ministério da Agricultura propõe que haja uma distribuição proporcional entre os exportadores privados de acordo com o histórico recente de vendas à China.

A pasta também sugere que haja um mecanismo para a inclusão de novos e pequenos exportadores, com uma reserva técnica para essas empresas. Para o controle das cotas, propõe o uso de licenças de exportação, com bloqueio automático de embarques que excedam os limites autorizados.

Rua recomenda, ainda, que as cotas dos exportadores sejam corrigidas de acordo com o pequeno reajuste dos limites da China previstos para o próximo ano e para 2028.


"À vista do exposto, e considerando a iminência de impactos significativos já em 2026, o Mapa propõe que a resolução Gecex que institui o sistema brasileiro de cotas de exportação de carne bovina para a China seja apreciada e votada na próxima reunião do Comitê Executivo de Gestão da Camex, de forma a permitir que a medida entre em vigor com a antecedência necessária para orientar contratos e embarques ao longo do ano corrente", conclui o ofício.

O governo da China anunciou a sobretaxa sob a justificativa de proteção do seu mercado interno. Os preços da carne bovina na China têm apresentado tendência de queda nos últimos anos devido ao excesso de oferta e à fraca demanda decorrente da desaceleração da segunda maior economia do mundo, segundo analistas.

Ao mesmo tempo, as importações dispararam, tornando o gigante asiático um mercado crucial para países produtores de carne bovina, como os da América Latina e a Austrália.

No início de fevereiro, a China negou o pedido do governo brasileiro de que as cotas para carne bovina remanescentes de outros países fossem redistribuídas entre aqueles que já haviam estourado o próprio limite.

Por Ricardo Della Coletta, Folhapress

Encontro de Jerônimo com bispo da Universal reforça indicativos da aproximação do governo com o Republicanos após saída de Coronel

Um encontro do governador Jerônimo Rodrigues (PT) com o bispo da Igreja Universal na Bahia, Guaracy Santos, nesta quarta-feira (11), confirma o movimento antecipado pela coluna Radar do Poder, deste Política Livre sobre uma aproximação do núcleo político do governo com o Republicanos, partido que funciona como braço político da igreja, após a saída do senador Angelo Coronel do PSD e da base governista.

A reunião foi registrada nas redes sociais do governador e do secretário de Relações Institucionais, Adolpho Loyola, com caráter institucional, mas de pronto ganhou uma leitura política com contorno eleitoral.

“Dialogamos sobre o fortalecimento de projetos sociais e ações de cuidado com quem mais precisa. Seguimos juntos, trabalhando por uma Bahia de paz, respeito e mais oportunidades para todas e todos”, escreveu o governador no Instagram.

O Republicanos entrou no radar da articulação do Palácio de Ondina como uma das alternativas para contrapor ao ingresso de Coronel na oposição, que foi rifado da chapa governista para dar lugar à composição puro-sangue com Jerônimo, Rui Costa e Jaques Wagner.

Hoje o Republicanos tem três deputados federais, dentre os quais está Márcio Marinho - presidente da legenda na Bahia - e três estaduais, além de quatro vereadores em Salvador.

Participou do encontro nesta quarta o deputado estadual Jurailton Santos (Republicanos), que integra a bancada de oposição da Assembleia Legislativa, o que reforçou a interpretação de que o diálogo vai além da agenda institucional.

No campo da oposição, o Republicanos pleiteava uma das vagas ao Senado na chapa de ACM Neto, mas com a chegada de Coronel, a ambição deve ser remanejada para a vaga de vice.

Por Política Livre

TRE julga ação que pode determinar a perda do mandato de Nikolas Ferreira

Deputado federal é acusado de promover ataques contra as urnas eletrônicas e o sistema eleitoral em 2022

O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) julga, nesta quarta-feira (11), uma ação que pode causar a cassação do mandato do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). O parlamentar é réu em uma ação, após ter feito postagens com ataques às urnas eletrônicas e difundindo informações falsas sobre o sistema eleitoral.

As acusações remontam a 2022 quando Nikolas, então vereador de Belo Horizonte, concorria como deputado federal. As ações contra ele foram protocoladas pela ex-candidata ao Senado do PSOL Sara Azevedo e da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV).

Os autores pedem a condenação por uso indevido das redes sociais e dos meios de comunicação, além de abuso de poder político e econômico.

Segundo Sara Azevedo, as postagens de Nikolas, que na época já tinham grande repercussão nas redes sociais, colocaram em dúvida a integridade do processo eleitoral, com conteúdos sabidamente inverídicos. A ex-candidata ainda apontou que, devido às postagens, movimentos anti-democráticos ocorreram.

A defesa do parlamentar argumentou que as postagens foram espontâneas e sem intenções de disseminar informações falsas ou atacar o sistema eleitoral. A defesa ainda afirmou que Nikolas apenas defendeu uma investigação sobre as urnas eletrônicas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com base em supostas denúncias.

Sandro Regis rebate declarações de Eden sobre Coronel e diz que PT está de salto alto: “A soberba precede a ruína”

O deputado estadual Sandro Regis (União Brasil) rebateu nesta quarta-feira (11) as críticas feitas pelo secretário-geral nacional de comunicação do PT, Eden Valadares, ao senador ­Ângelo Coronel. As declarações de Eden, contidas em entrevista recente, criticam a aproximação de Coronel com a oposição após sua saída da base petista na Bahia, movimento decorrente da imposição de uma chapa “puro sangue” petista para 2026, que deixou o senador sem espaço na composição majoritária do PT.

Para Regis, a fala expõe a arrogância e o desprezo do PT por aliados que não mais lhes servem. “As declarações de Eden Valadares revelam uma postura arrogante e autoritária que parece estar entranhada na cultura política do PT na Bahia. É como se os aliados só tivessem valor enquanto servem aos interesses do partido. Quando deixam de ser úteis, simplesmente são descartados. Foi isso que aconteceu com o senador Ângelo Coronel. Agora, quando ele busca um caminho diferente, é tratado como ‘coisa do passado’ por quem insiste em se achar dono da Bahia”, afirmou o deputado.

Regis destacou que, ao longo de décadas de governo, o PT consolidou uma percepção de que a Bahia “só existe” graças a ele, e que isso alimenta uma arrogância política que acaba por ignorar a relevância de outras lideranças e a diversidade de forças políticas no estado.

“Esse tipo de discurso mostra que o PT não tolera divergir ou compartilhar protagonismo. O PT está de salto alto, arrogante, soberbo. Mas, como diz o ditado, a soberba precede a queda. Eles já estão tendo a resposta, com a crescente rejeição tanto a Jerônimo quanto ao grupo deles, e terão o julgamento do povo da Bahia nas urnas”, declarou.

“Eles querem controlar tudo, decidir tudo e, quando não conseguem, tratam seus antigos companheiros como ‘notícia velha’ ou ‘assunto superado’. Isso não é apenas desrespeitoso com o senador Ângelo Coronel, mas com qualquer liderança que tenha, em algum momento, acreditado em um projeto comum e dedicado tempo e esforço a ele”, acrescentou.

O parlamentar ainda criticou a visão centralizadora do PT, que segundo ele se manifesta na imposição de chapas e na exclusão de interlocutores que não se alinham mais com o projeto partidário. “O PT atua como se fosse o dono da Bahia. Como se nenhuma outra liderança tivesse contribuído para sua história política. O PT, com essa postura, só reafirma que seu maior compromisso não é com o povo da Bahia, mas com seus próprios interesses e com a manutenção de um poder que já perdeu a capacidade de diálogo e construção ampla”, disse.

Por Redação/Politica Livre

Bairro Aloísio Conrado ganha calçadão, iluminação em LED e novos investimentos


A prefeita Laryssa Dias anunciou novos investimentos para a obra de requalificação do bairro Aloísio Conrado. Trata-se de uma obra estruturante, que promove desenvolvimento urbano e mais qualidade de vida para a população.

Com investimento total de R$ 1.442.784,93, a intervenção contempla importantes melhorias em mobilidade urbana, drenagem e segurança viária, garantindo mais durabilidade às vias e melhores condições de tráfego para moradores e visitantes.

Entre os serviços executados estão a pavimentação em paralelepípedo, a implantação do sistema de drenagem e a realização de obras de contenção, assegurando infraestrutura adequada e funcional para o bairro.

As intervenções beneficiam diretamente as seguintes vias: Rua B, Rua Noel Bonfim (Trecho 02), Rua K e Rua Zezito Amaral, promovendo valorização urbana e melhor acessibilidade.

Além das ações previstas no projeto principal, a Prefeitura também executa serviços complementares, como o manilhamento do canal da Rua M, a construção de um calçadão com bancos em alvenaria e a implantação de iluminação em LED, ampliando o conforto, a segurança e os espaços de convivência para a comunidade local.

Com mais essa obra, a gestão municipal reafirma seu compromisso com o progresso da cidade, investindo em infraestrutura que transforma espaços e melhora o dia a dia da população.

Ipiaú segue avançando com trabalho e desenvolvimento.

Fonte: DECOM/PMI

Policial militar é baleado por esposa em Cajazeiras 11

Mulher foi conduzia à delegacia, juntamente com a arma utilizada no crime

Um policial militar foi baleado pela própria esposa na manhã desta quarta-feira, 11, dentro da casa em que moram, no bairro Cajazeiras 11, em Salvador.

Em nota enviada ao Portal A TARDE, a Polícia Militar confirmou o caso e relatou que uma guarnição do 22º BPM foi acionada para verificar a ocorrência.

Tudo sobre Polícia em primeira mão!

A vítima foi socorrida a uma unidade hospital e encontra-se sob cuidados médicos. Não há detalhes sobre o estado de saúde. Já a suspeita foi conduzia à delegacia, juntamente com a arma.
O que motivou o disparo?
Informações preliminares apontam que o disparo não foi acidental e teria ocorrido após uma briga do casal. No entanto, a polícia não explicou a motivação do crime.
Por: Atarde.

'Território Livre': Operação combate facção criminosa que domina serviços de internet em Dias D'Ávila

Ação integrada do MPBA e das Polícias Civil e Militar cumpre mandados de busca na RMS
O Ministério Público do Estado da Bahia deflagrou, nesta quarta-feira, 11 de fevereiro, em atuação integrada com as Polícias Civil e Militar da Bahia, a 'Operação Território Livre', para cumprimento de sete mandados de busca e apreensão nos municípios de Dias D’Ávila, Lauro de Freitas e Camaçari. As medidas têm como objetivo aprofundar as apurações acerca de uma organização criminosa vinculada ao Comando Vermelho (CV), estruturada para exercer controle territorial e econômico sobre a prestação do serviço de internet em Dias D’Ávila.

Segundo as investigações conduzidas de forma integrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e Investigações Criminais (Gaeco), do MPBA, e pelo Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), da PCBA, o grupo atuava mediante ameaças, intimidações e cobranças ilícitas impostas a provedores locais, restringindo a livre concorrência e interferindo no funcionamento regular de serviço essencial à população.

De acordo com a investigação, a organização criminosa operava com estrutura hierarquizada e divisão definida de tarefas. O núcleo de liderança, exercido por indivíduo que se encontra foragido da Justiça e possui mandados de prisão em aberto, seria responsável por determinar as diretrizes gerais da atividade ilícita, impor regras aos provedores e autorizar o uso de violência e intimidação como forma de coerção. Mesmo sem localização conhecida, o dirigente mantinha influência direta sobre a execução das ordens por intermédio de integrantes que atuavam como operadores do esquema.

Os demais níveis hierárquicos identificados desempenhavam funções operacionais e financeiras, incluindo a coordenação das cobranças ilegais, o contato com as vítimas para transmissão de ameaças, a coleta e o repasse de valores obtidos e a manutenção da engrenagem econômica necessária à continuidade das atividades ilícitas. A investigação apura ainda o envolvimento de pessoas ligadas ao setor de prestação de serviços de internet que repassariam parte dos lucros à organização criminosa, contribuindo para sua manutenção e fortalecimento.

A operação contou ainda com a participação da Polícia Militar da Bahia, por meio do Batalhão de Policiamento de Prevenção a Furtos e Roubos de Veículos/Apolo, do Batalhão de Policiamento de Prevenção a Furtos e Roubos a Coletivos/Gêmeos e do Batalhão Independente de Policiamento Tático da Região Metropolitana de Salvador (Rondesp RMS).

Por Redação/Politica Livre

Ataque a tiros em escola no Canadá deixa 10 mortos e dezenas de feridos

Dez pessoas morreram, incluindo a autora do ataque, após uma mulher abrir fogo em uma escola de ensino médio em Tumbler Ridge, no oeste do Canadá, nesta terça-feira (10). Seis corpos foram encontrados dentro da escola e outros dois em uma residência ligada ao caso. Uma vítima morreu a caminho do hospital. A suspeita foi localizada sem vida no local, com indícios de ferimento autoinfligido, e a polícia informou não haver outras ameaças à população. A informação é da Reuters.

Além das mortes, ao menos duas pessoas foram hospitalizadas em estado grave, enquanto cerca de 25 receberam atendimento por ferimentos sem risco de morte. A escola, que atende cerca de 160 alunos entre 12 e 18 anos, foi fechada pelo restante da semana, e apoio psicológico está sendo oferecido à comunidade. A polícia isolou a área e segue investigando as circunstâncias do ataque e as armas utilizadas.

Autoridades locais e nacionais manifestaram pesar pelas vítimas. O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, declarou estar devastado com o ocorrido e suspendeu compromissos internacionais após o ataque. O caso reacende o debate sobre violência armada no país, lembrando outros episódios trágicos da história canadense, como o massacre da Escola Politécnica de Montreal, em 1989.

Desfile de Carnaval em homenagem a Lula gera risco de condenação eleitoral, dizem especialistas

O desfile de Carnaval em homenagem ao presidente Lula (PT), feito pela escola de samba Acadêmicos de Niterói, tem potencial de gerar condenação na Justiça Eleitoral a depender do que acontecer no dia do evento, na opinião de especialistas ouvidos pela Folha.

Embora achem que o samba-enredo não tem elementos suficientes para configurar propaganda eleitoral antecipada, parte deles cita trechos da canção que ficariam no limite da legalidade e fala na possibilidade da configuração de abuso de poder —o que poderia gerar a inelegibilidade e, caso reeleito, a perda do novo mandato do presidente. Outra parte não vê qualquer ilegalidade no tema do desfile, que ocorrerá no domingo (15).

O tema é alvo da oposição, que acionou o Ministério Público Eleitoral e o procurador-geral da República alegando, entre outros pontos, propaganda antecipada e violação do princípio de igualdade de oportunidades entre os futuros candidatos à Presidência nas eleições de 2026.

Lula, que já confirmou tentar a reeleição, vai ser homenageado pela Acadêmicos de Niterói, estreante do Grupo Especial de escolas de samba do Rio de Janeiro. O enredo "Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil" exalta a trajetória do mandatário e traz trechos como o grito de guerra "olê, olê, olá, Lula! Lula!", o mote "o amor venceu o medo" e referência ao número do PT nas urnas ("por ironia, 13 noites, 13 dias").

Deputados do Novo fizeram uma representação ao TCU (Tribunal de Contas da União) pedindo a devolução de dinheiro público entregue à escola ou que o desfile fosse impedido. Um técnico do tribunal recomendou a suspensão do repasse da verba, negado pelo ministro relator Aroldo Cedraz. O magistrado, entretanto, aceitou a representação, que está em andamento.

O recurso questionado vem de verba de R$ 12 milhões da Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo) entregues à Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro) para repasse de R$ 1 milhão para cada uma das escolas do Grupo Especial, dentre elas a Acadêmicos de Niterói.

Lula deve ver o evento na Sapucaí. Segundo especialistas ouvidos pela Folha, o contexto é inédito e tem brecha para contestação da oposição.

Segundo Raquel Cavalcanti Machado, professora de direito eleitoral da UFC (Universidade Federal do Ceará), são considerados propaganda eleitoral antecipada o pedido explícito de voto e o uso de "palavras mágicas", expressões semanticamente similares ao pedido expresso, como "apoie" ou "ele é o melhor para o cargo".

Para Machado, a letra do samba-enredo não resvala em nenhum dos casos, embora o trecho que faz referência ao número da sigla possa comprometê-la. Outro problema, afirma, pode vir de manifestação mais contundente no dia do desfile.

"Pode ser que frases mais apelativas terminem sendo ditas [na Sapucaí]. Isso por si só já traz um risco. As pessoas vão ter que se conter ". A multa por propaganda eleitoral antecipada é de até R$ 25 mil ou correspondente ao custo da propaganda, se mais caro.

Também poderia derivar do desfile a acusação de abuso de poder, caso o ato fosse entendido como promoção de candidato, custeada pelo poder público. A pena é de inelegibilidade e, em caso de candidato eleito, perda do mandato.

Ela acha pouco provável a classificação do evento como abuso de poder, mas diz que o argumento é "carta na mesa que pode ser usada pela oposição, diante de uma situação tão cinzenta".

Segundo Fernandes Neto, especialista em direito eleitoral e coordenador acadêmico da Abradep (Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político), o enredo não é propaganda antecipada porque não tem pedido explícito de voto, mas tem trecho no "limiar da legalidade" ao reproduzir o grito de guerra de Lula.

Para ele, há a possibilidade de se classificar o ato como abuso de poder, avaliação subjetiva que passaria pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e precisa considerar se o ato é "grave, com repercussão reprovável".

"Há uma destinação de valores públicos que pode ser interpretada como violando o princípio da impessoalidade e que pode gerar consequências de um abuso de poder político, econômico e de meios de comunicação, porque poderia, em tese, significar uma desigualdade no pleito", diz Fernandes Neto.

"Nesse sentido, eu considero muito preocupante para a candidatura e para o Lula, porque de fato colocaria o TSE em uma saia muito justa. Acho que nunca tivemos um problema desse em relação ao presidente da República".

Fernando Neisser, professor de direito eleitoral da FGV São Paulo, não identifica qualquer ilegalidade no samba-enredo. Ele tampouco vê problemas na verba concedida à escola, já que não há indícios de qualquer movimento por parte do presidente "para que essa homenagem acontecesse".

Vitor Rhein Schirato, professor de direito administrativo da USP, afirma que o valor idêntico entregue às escolas do Grupo Especial é compatível com o princípio da impessoalidade na administração pública. O que não pode acontecer, diz, é uma escola ser beneficiada, ou penalizada, pelo enredo que escolher. Por isso, ele não vê ilegalidade no uso do recurso público.

Secom nega ingerência na escolha de enredo

A Secretaria de Comunicação da Presidência da República negou "qualquer irregularidade ou caráter eleitoral" no desfile. Por meio de nota à Folha, afirmou que a verba é a mesma do ano anterior, distribuída de maneira igualitária, e que "não houve qualquer ingerência na escolha do enredo".

"A Secom-PR respeita a autonomia artística das escolas e entende que questionar o tema de um samba-enredo carece de base legal e pode refletir preconceito contra manifestações culturais."

A Embratur reforçou a destinação igualitária do valor às escolas do Grupo Especial e disse que "não interfere na escolha de sambas-enredo, respeitando a autonomia artística e a liberdade de expressão das agremiações".

A Acadêmicos de Niterói não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre como se deu a escolha do tema e os planos para evitar a propaganda eleitoral antecipada no dia do desfile.

Por Ana Gabriela Oliveira Lima/Folhapress

PM prende suspeito de tráfico em Águas Claras

Policiais militares do 22º BPM prenderam um suspeito de tráfico na localidade conhecida como Condor, em Águas Claras, na noite de segunda-feira (10).

Durante reforço de patrulhamento na região, os militares receberam informações sobre indivíduos armados traficando drogas nas imediações. No decorrer das diligências, as guarnições visualizaram os suspeitos que, ao perceberem a aproximação policial, dispararam contra os agentes e fugiram.

No percurso da varredura, um dos indivíduos foi identificado, alcançado e imediatamente preso. Com ele, foram apreendidos 117 pedras de crack e 43 frascos contendo cocaína.

O detido e todo o material apreendido foram encaminhados para a Polícia Civil, onde a ocorrência foi registrada.

📸 Imagens: 22º BPM

Operação Martelo prende sete pessoas e bloqueia R$ 270 milhões de organização criminosa

Ação policial ocorre em municípios da Bahia e em quatro estados e resulta na apreensão de drogas, veículos, celulares, dinheiro e material ilícito

A Polícia Civil da Bahia prendeu sete pessoas durante a Operação Martelo, deflagrada de forma simultânea nos municípios de Santo Antônio de Jesus, Laje, São Miguel das Matas e Feira de Santana, na Bahia, além de ações nos estados de Alagoas, Paraíba, Paraná e Sergipe.

As prisões ocorreram em cumprimento a mandados judiciais, ainda em andamento, expedidos no curso de investigação contra uma organização criminosa com atuação interestadual. Durante a ação, também foi apreendida uma maleta contendo dinheiro falso, além de celulares, porções de drogas, veículos e documentos.

Das sete prisões realizadas, quatro ocorreram em Santo Antônio de Jesus, duas no estado de Sergipe, sendo um casal, e uma em Alagoas, onde foi capturada a companheira de uma liderança criminosa atualmente custodiada em presídio de segurança máxima naquele estado.

Bloqueio de ativos financeiros

No âmbito das medidas determinadas pela Justiça, foi realizado o bloqueio de R$ 270 milhões em ativos financeiros mantidos em contas bancárias e aplicações. As apurações identificaram movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada pelos investigados, conforme apontado em relatórios policiais além de antecedentes criminais da maioria dos envolvidos.

A atuação integrada das unidades policiais tem como objetivo a responsabilização penal dos investigados e a desestruturação econômica e operacional da organização criminosa, especialmente por meio da interrupção de fluxos financeiros ilícitos e da apreensão de bens vinculados às atividades criminosas.

Cerca de 120 policiais civis participam da operação, por meio de equipes da 4ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin/Santo Antônio de Jesus), da Diretoria Regional de Polícia do Interior (Dirpin/Leste), do Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (Draco-LD) e da Coordenação de Operações e Recursos Especiais (Core).
Fonte
Marcela Correia-AscomPCBA

Mansão do lobby: como a Fictor tentou gerir recursos de Itaipu e fraudar depoimento na CPI do INSS

Casa de 500 metros quadrados alugada por ex-sócio da Fictor no Lago Sul, em Brasília, foi palco de encontros com ministros do governo Lula e de montagem de dossiê fraudulento contra testemunha em CPI
Foto: Reprodução/X
Investigada pela Polícia Federal e com dívidas de R$ 4 bilhões, a empresa de investimentos Fictor alugou uma mansão no Lago Sul, em Brasília, que foi usada para aproximação com o governo federal e abrigou pelo menos um evento com a presença de ministros do governo Lula. O local também foi palco de uma reunião para montar um dossiê contra uma testemunha da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e abastecer a bancada governista no colegiado.

A Fictor era uma relativamente desconhecida empresa do mercado financeiro que ganhou algum holofote por patrocinar o Palmeiras. Mas ficou famosa, mesmo, em novembro de 2025, quando anunciou um acordo para a compra do Master em consórcio com investidores dos Emirados Árabes - até hoje desconhecidos. No dia seguinte a esse anúncio, porém, o Master foi liquidado, o dono do banco, Daniel Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal e investigadores entraram no rastro da Fictor.

Antes disso tudo, a empresa vinha tentando se aproximar de políticos em Brasília para fazer negócios. Em um dos episódios descobertos pelo jornal O Estado de São Paulo, um consultor da Fictor, Felipe Alcântara, reuniu o deputado federal Paulo Pimenta (PT), líder da bancada do PT na CPMI, e o ex-policial civil Rogério Giglio, que havia gravado o advogado Eli Cohen e o acusou, na CPMI, de cobrar dinheiro da bancada bolsonarista para prestar um depoimento, também na comissão, contra o governo federal.

Giglio se retratou posteriormente, em cartório, do depoimento sobre Cohen. Em entrevista ao Estadão, disse ter sido pago por representantes da Fictor para mentir sobre Cohen e gravá-lo para abastecer o PT na CPMI. Pimenta disse que não sabia que a casa era da Fictor e se disse desconfiado do depoimento do policial que incriminava Cohen (leia mais abaixo).

Em outra ocasião, o mesmo consultor da Fictor tentou aproximar a empresa de Itaipu, para gerir recursos da hidrelétrica - o que acabou não acontecendo. A casa chegou a ser emprestada a petistas para a realização de um evento. O diretor-geral de Itaipu, Ênio Verri, esteve presente ao lado de próceres do partido, como a então presidente da legenda, Gleisi Hoffmann, e o então ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha. Gleisi disse ter participado do encontro, mas negou ter recebido proposta. Padilha negou ter ido a eventos nos quais recebesse propostas da Fictor. Procurado pela reportagem, Verri não quis se pronunciar.

A mansão

A casa de 497 metros quadrados fica na quadra 22 do Lago Sul, bairro de residências de alto padrão de Brasília. Ela foi alugada pelo ex-sócio da Fictor, Luis Phillippi Rubini, até dezembro de 2025. Hoje, Rubini é credor da Fictor em R$ 35 milhões em contratos de mútuo com a própria empresa. A casa era usada pela empresa e teve seu portão pintado de verde, cor usada pela Fictor em sua identidade visual. O próprio wi-fi, para quem adentrasse e quisesse usar internet, era batizado de “Piscina Fictor”.

Além dele, quem frequentava a mansão e tentou captar investidores para a empresa foi o consultor Felipe Alcântara. Ele afirmou ao Estadão que recebia um valor simbólico da empresa, de R$ 2,5 mil mensais, com a promessa de participação porcentual em contratos fechados.

Alcântara diz ter levado clientes privados à Fictor. Também afirma ter usado a casa para aproximação com políticos. “O Rubini me falou: Pô, olha, Você conhece bastante gente, pode trazer captação e você ganha aqui, acho que é 0,20% ou 0,30% sobre rendimento, pode ser uma boa para você. Ele me colocou lá”, disse Alcântara. Por meio de nota, Rubini respondeu que deixou a Fictor em dezembro de 2024 e negou “veementemente qualquer envolvimento com os fatos mencionados”.

A testemunha da CPMI

Em um dos episódios apurados pelo Estadão, a casa foi usada para uma articulação relacionada à CPMI do INSS. O objetivo era fazer um dossiê contra o advogado Eli Cohen, que foi um dos denunciantes da atuação de associações ligadas a um mesmo empresário que foi preso pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto, que investiga as fraudes bilionárias no INSS.

Além de expor o caso específico do empresário preso pela PF, Cohen criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), teve altercações com petistas e foi tido por eles como uma testemunha alinhada a bolsonaristas na comissão. Passou, então, a ser duramente questionado por governistas, que acusaram-no de mentir à CPMI e pediram uma nova convocação ao colegiado.

A reunião com Pimenta

No dia 24 de setembro de 2025, Alcântara reuniu o deputado federal Paulo Pimenta com o ex-policial civil de São Paulo Rogério Giglio, que havia trabalhado para Eli Cohen no passado.

Àquela altura, Giglio havia gravado Eli Cohen sem sua autorização em uma conversa informal em seu escritório. Também produziu um vídeo no qual acusa o advogado de pedir R$ 5 milhões para a bancada da oposição para depor de maneira desfavorável ao governo Lula na CPMI. Hoje, Giglio afirma que suas declarações eram mentirosas, que nunca houve extorsão, e assume ter feito o material falso sob encomenda da Fictor.

No encontro, segundo Giglio e Alcântara, Paulo Pimenta afirmou que suas declarações eram fortes, mas que não tinham boa corroboração em provas. Isso não impediria, porém, que Pimenta usasse o áudio gravado por Giglio para pedir uma nova convocação de Eli Cohen no mês seguinte, em outubro de 2025. Outros petistas também torpedearam Cohen na CPMI com uso da gravação, que foi publicada em veículos de imprensa, e com o uso de um depoimento de Giglio em cartório.

Ao Estadão, Alcântara afirma que foi apresentado a Giglio por um advogado de Rubini, ex-sócio da Fictor, e que tentou usar a situação para oferecê-la aos petistas. “Cara, eu conheço todo mundo, não tenho amizade com todo mundo, mas consigo chegar. Só que tinha que realmente comprovar irregularidade. Aí eu consegui através de relação que eu tinha, marquei esse encontro lá nessa casa mesmo e aí esse policial foi lá, chegou lá, ele relatou diversas coisas”, afirma Alcântara. Ele diz que Pimenta reclamou da falta de provas que confirmassem seu depoimento - o que o próprio petista confirmou em entrevista ao Estadão.

O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) afirmou ter participado do encontro, mas disse não ter sido informado que o imóvel era alugado por um executivo da Fictor. Ele afirma que foi levado à casa por um advogado de sua proximidade, que prometeu apresentá-lo a uma pessoa que “tinha interesse em apressar informações” que seriam relevantes sobre o depoimento que Cohen havia prestado à CPMI. Ele afirma preferir não expor o advogado que o levou à casa.

Também afirmou que Alcântara, o consultor, não se apresentou como representante do grupo. “Em nenhum momento esse senhor Felipe (Alcântara) se apresentou como sendo da Fictor. Estou sabendo agora dessa informação”, disse.

O parlamentar teria sido levado à reunião por um amigo com o objetivo de se reunir com Giglio. Na ocasião, pediu ao policial que oficializasse seu relato em depoimento à Polícia Federal e opinou que o vídeo da conversa com Cohen não tinha valor legal.

“Esse Rogério (Giglio) apresentou para mim um vídeo. Eu disse para ele que aquilo ali, sem um depoimento formal, não tinha qualquer valor. Um vídeo gravado com falas de uma pessoa não tem nenhum valor jurídico. Para nós, só teria interesse se houvesse uma formalização através de um depoimento na Polícia Federal”, disse.

À reportagem, Rogério Giglio afirmou que, no dia 4 de setembro de 2025, três dias após o depoimento de Cohen à CPMI, foi chamado pelo advogado Renato de Matteo Reginatto, a quem conhecia havia anos, ao seu escritório, no Itaim Bibi, em São Paulo. O advogado teria lhe oferecido um emprego para fazer trabalho de inteligência para a Fictor. Parte do trabalho seria de reunir informações sobre Cohen. Giglio afirma que receberia até R$ 30 mil mensais por um período de dois anos.

Gigilio relata que foi pressionado para prestar um depoimento mentiroso. “Foi totalmente direcionado. Eu assinei um depoimento com a versão que eles queriam. Ditaram, falaram para eu dizer que o Eli pediu dinheiro. Ele nunca pediu”, disse. Ele disse ter recebido de Alcântara a passagem para se encontrar com Pimenta em Brasília.

Reginatto, o advogado citado como contratante, nega a história. Diz que é advogado de Luiz Philippe Rubini, ex-sócio da Fictor, e também do próprio Giglio. Afirmou que não pode falar sobre o caso porque envolve clientes e qualquer declaração implicaria em ferir seu sigilo profissional, mas rechaçou que tenha oferecido emprego a Giglio. Ele afirma que “não tem interesse em Eli Cohen e suas disputas com Rogério Giglio Gomes”.

Por meio de nota, o ex-sócio da Fictor Luiz Philippe Rubini afirmou nunca ter conhecido Giglio e, quanto a Reginatto, seu advogado, disse que ele “prestou apenas serviços de consultoria a uma das empresas investidas da Fictor, sem qualquer relação com agendas políticas”.

Foi o consultor da Fictor, Felipe Alcântara, quem disse ao Estadão ter falado em cifras com o ex-policial. “Eu sabia que ele não tinha provas. E aí eu blefei, falei: ‘Olha, me entrega todos os fatos realmente que o Eli é um cara que tá em conluio com a direita, falsificando informação, que eu te garanto R$ 50 mil por mês. Se você fizer isso, tá garantido’. Essa foi a minha fala, entendeu?”, relatou.

Reginatto tem uma história antiga com Cohen. Ele foi alvo da Operação Encilhamento, da Polícia Federal, que investigou desvios em fundos de pensão municipais. Cohen era denunciante. A Justiça, em 2019, chegou a expedir mandado de prisão contra Reginatto, que acabou absolvido em novembro de 2025, por falta de provas.

Evento com petistas e Itaipu

Foi Alcântara que consultou a Usina Hidrelétrica de Itaipu sobre a possibilidade de a Fictor indicar uma gestora para gerir um fundo de reserva da empresa binacional. Pessoas que conhecem a negociação afirmam ao Estadão, em condição de anonimato, que a ideia seria a Fictor gerir até R$ 1 bilhão de Itaipu e partiu de Rubini.

A empreitada não andou porque havia impedimentos legais. Itaipu alegou que somente poderia aplicar esses recursos em bancos públicos, como a Caixa e o Banco do Brasil. “Foi feito um agendamento técnico. Tem e-mail trocado sobre isso. Foi tratado com o jurídico de Itaipu”, disse Alcântara.

O ex-deputado pelo PT e hoje dirigente de Itaipu indicado pelo governo federal, Ênio Verri, esteve presente mais de uma vez na mansão. Em uma delas, foi em um evento recheado de correligionários. Entre eles, o então ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e a então deputada federal e presidente do PT, Gleisi Hoffmann - hoje, sucessora de Padilha na pasta. Alcântara relatou ao Estadão que petistas ficaram desconfortáveis, depois, com o uso da casa da Fictor, e cortaram relações.

O presidente de Itaipu não quis se manifestar. Pessoas próximas afirmaram ao Estadão que ele de fato esteve na casa. A ministra Gleisi Hoffmann afirmou que “se recorda de ter sido convidada para um encontro com pessoas do Fictor, juntamente com outros parlamentares, durante o qual não ouviu, não discutiu nem encaminhou qualquer proposta de interesse do grupo”.

Alexandre Padilha afirma que “nunca participou de reuniões ou encontros em que este tema foi tratado, incluindo o período em que foi ministro de Relações Institucionais”.

Eli Cohen afirmou ao Estadão que “se forem confirmadas essas narrativas, os fatos revelam um quadro de extrema gravidade institucional, envolvendo fabricação de versões e provas, indevida provocação da Polícia Federal contra um advogado no exercício regular da advocacia, coação de depoentes, obstrução da Justiça e uso de estruturas políticas e econômicas para promover o linchamento reputacional de quem teve a coragem de denunciar o esquema de fraude contra os aposentados”. “Devemos exigir a apuração rigorosa e a responsabilização de todos os envolvidos”, diz.

Por Luiz Vassallo/Gustavo Côrtes/Carlos Eduardo Valim/Estadão

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