Suspeitos de envolvimento em homicídios em Ipiaú são presos com drogas em Barra Grande

Uma operação integrada das forças de segurança resultou na prisão de suspeitos e na apreensão de drogas na tarde desta quarta-feira (28), no distrito de Barra Grande, na Península de Maraú. A ação contou com a participação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO/BA), da 72ª e da 55ª Companhias Independentes da Polícia Militar (CIPM), do Comando de Policiamento da Região Sul (CPR-S) e da 9ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin).

De acordo com as informações da polícia, a intervenção foi desencadeada após a identificação de um indivíduo suspeito de envolvimento direto nos últimos homicídios em Ipiaú, que estava com mandado de prisão em aberto e hospedado em uma pousada na localidade da Ponta do Mutá. Durante o deslocamento das equipes para o cumprimento da ordem judicial, foi repassado que alguns ocupantes haviam deixado o estabelecimento em um veículo.

O automóvel foi localizado e abordado. Na verificação, os policiais constataram que um dos ocupantes possuía mandado de prisão em aberto e havia saído da penitenciária por meio de indulto, sem retornar à unidade prisional. No interior do carro, foi encontrada uma mochila contendo cerca de um quilo de skank, porções de cocaína prontas para comercialização, aproximadamente 300 gramas da mesma substância ainda acondicionada, trouxas de maconha, comprimidos de ecstasy e aparelhos celulares.

Um terceiro suspeito, que se encontrava nas proximidades da pousada, tentou fugir ao perceber a presença policial, mas foi alcançado e detido pelas guarnições. Ainda segundo a polícia, durante a ocorrência, um dos presos tentou corromper os agentes oferecendo a quantia de R$ 300 mil para evitar a prisão, proposta que foi recusada e registrada na ocorrência.

Os três envolvidos, juntamente com todo o material apreendido, foram apresentados à autoridade policial competente, onde foram adotadas as medidas legais cabíveis.

Residência usada como bunker do tráfico é desarticulada em Feira de Santana

A ação policial ocorreu no bairro Santa Mônica II e teve confronto com grupo criminoso armado.

Uma operação policial realizada na manhã desta quarta-feira (28), no bairro Santa Mônica II, em Feira de Santana, resultou na apreensão de aproximadamente 20 quilos de cocaína, armamento e outros materiais utilizados no tráfico de drogas. A ação foi conduzida por equipes da Coordenação do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em atuação integrada com o Departamento Especializado de Investigações Criminais (DEIC).

Durante as diligências, os policiais visualizaram dois homens em uma motocicleta, sendo que um deles portava uma arma de fogo longa. Ao perceberem a aproximação das equipes, os suspeitos fugiram. Em seguida, outros integrantes do grupo criminoso surgiram no local e efetuaram disparos contra os policiais, que revidaram. Durante o confronto, os suspeitos conseguiram escapar, sendo que parte do grupo entrou em uma residência e fugiu pelos fundos do imóvel.

No local, os policiais constataram que a residência era utilizada como um ponto estratégico de armazenamento, funcionando como um bunker do grupo criminoso. No interior do imóvel foram apreendidos cerca de 20 quilos de cocaína, distribuídos em 20 tabletes, além de porções de maconha e crack, balanças de precisão, embalagens para acondicionamento de drogas, rádios comunicadores, câmeras de monitoramento, aparelhos celulares, roupas e equipamentos de uso tático. Também foram encontrados uma pistola calibre .45, carregadores e munições.

Todo o material apreendido foi encaminhado à sede do DHPP, onde será submetido à perícia. As investigações seguem em andamento para identificar e responsabilizar os integrantes do grupo criminoso, bem como desarticular a estrutura utilizada para o tráfico de drogas e para o enfrentamento armado às forças de segurança.
Fonte
Camila Souza / Ascom-PCBA

Com Ratinho e Eduardo Leite, Caiado diz que PSD quer alianças e que Kassab soltará 'fumacinha branca'

Governadores afirmam que buscarão apoio de MDB, Republicanos e PP para disputa eleitoral
O PSD buscará alianças com outros partidos de centro-direita para derrotar Lula (PT) nas eleições de 2026 e deixará a cargo do presidente da sigla, Gilberto Kassab, a escolha do nome que liderará a chapa. A informação foi passada nesta quarta-feira (28) pelos três presidenciáveis do partido, os governadores Ratinho Jr. (Paraná), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ronaldo Caiado (Goiás).

Os três participaram de um evento do banco de investimentos UBS em um hotel da zona sul de São Paulo. Caiado havia anunciado sua saída do União Brasil e filiação ao PSD na noite anterior e se dirigiu pela primeira vez à Faria Lima como integrante da sigla comandada por Kassab.

"Eu sou aqui o calouro dessa filiação, desse partido, e esse assunto, sem dúvida nenhuma, será colocado. Buscaremos, dentro do momento em que tivermos aquele indicado para ser o candidato do PSD, essa aliança. E temos o prazo até julho de 2026 e um espaço até iniciarem as convenções partidárias", disse Caiado.

"Mas tem toda razão, vamos buscar todos os partidos. O MDB, o Republicanos. Eu tenho tentado também ver se eu consigo sensibilizar o pessoal do PP. Mas, no União Brasil, você vê que foi uma saída em que todos entenderam e até disseram que eu tenho toda a prerrogativa de procurar uma alternativa", complementou.

O trio estava acompanhado do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Tarcísio de Freitas (Republicanos), cuja candidatura presidencial perdeu força após Jair Bolsonaro (PL) indicar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato, não esteve presente.

Caiado já teve divergências com Kassab e, em 2015, durante articulações que envolviam a recriação do PL, o governador goiano —que na época era senador— chamou o presidente do PSD de "cafetão do Planalto". Questionado sobre o tema, ele preferiu fazer ataques a Lula.

"Nós estamos dentro de um partido que tem uma preocupação muito grande, que é de poder mostrar que não tem nenhuma candidatura individual", disse o governador. "Quem for indicado terá o apoio dos demais. Agora, nós estamos discutindo um problema muito sério, a eleição de 2026. Não é só ganhar a eleição, é saber como governar o país diante desse colapso instalado de governabilidade pelo Lula", complementou.

"Será possível que, até hoje, ele [Lula] fala que vai combater a fome e não consegue? Há 40 anos que ele fala isso e não consegue até hoje? Qualquer um de nós resolve isso aí em dois anos de mandato", afirmou Caiado. "O que nós temos que esperar agora é o Kassab, está certo? É ele soltar a fumacinha branca [referência à fumaça após consenso em conclave para definição do papa] pra saber quem é que vai ser aqui o ungido para poder ser o candidato a presidente pelo PSD".

Caiado disse ainda que chegou a conversar com Flávio Bolsonaro na casa do senador. "Nós detalhamos esse assunto [lançar candidaturas separadas], mostrando que um número maior [de candidatos] no primeiro turno dá condição de viabilizar o segundo turno. Uma candidatura única no primeiro turno é o que o Lula quer", afirmou. "Não tem nenhum desentendimento em relação a essa postura da centro-direita."

As críticas ao governo Lula foram os pontos que mais atraíram aplausos durante a palestra dos quatro pré-candidatos. Zema reforçou as críticas ao falar aos jornalistas.

"Já manifestei publicamente que estarei apoiando qualquer um deles [do PSD] e também o Flávio no segundo turno contra o PT. Nós temos de lembrar que as propostas nossas com relação às da esquerda são as propostas que vão levar o Brasil para o futuro. Os programas sociais são importantíssimos, mas precisamos ter porta de saída. Não dá para conviver com essa gastança que faz com que o investimento no Brasil seja proibido", disse o mineiro.

Secretário do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo, o presidente do PSD já afirmou que a legenda deve ter candidatura própria, caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) mantenha seu nome até o final na corrida eleitoral.

Por Bruno Ribeiro/Folhapress

‘Em 2018, Lídice foi correta, não saiu do grupo’, afirma Otto, ao comparar postura de Coronel

O senador Otto Alencar (PSD) fez menção à retirada de Lídice da Mata (PSB) da chapa majoritária de 2018 como forma de sensibilizar o correligionário Angelo Coronel (PSD) a não romper com o governo do Estado caso fique fora da composição este ano.

“Eu digo a você que cada um tem um jeito de pensar. Em 2018, a senadora Lídice da Mata, brilhante, de grupo, correta, ela não saiu do grupo, ela saiu para deputada federal. Ela entendeu que o grupo era maior, que o projeto era maior, que a causa de Lula e a nossa causa aqui era maior e não rompeu com o governo, foi ser candidata a deputada federal”, disse o senador pessedista em entrevista ao programa Boa Tarde Bahia, na TV Band, nesta quarta-feira (28).

“Cada um tem uma maneira de ser, estou citando o caso da Lídice, mas o Coronel pensa diferente e ele tem o direito de pensar diferente”, contornou.

Em 2018 Lídice foi rifada da chapa na sua tentativa de reeleição para dar lugar a Angelo Coronel, então presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA). A articulação, a propósito, passou pelas mãos do próprio Otto, alegando a força do PSD de mais de uma centena de prefeitos.
Por Política Livre

HGCA alerta para impacto da violência no trânsito, com internações que podem custar até R$ 5 mil por dia

Fotos: Ascom / HGCA e Edimário Duplat / Saúde GovBA
Além das perdas humanas, o crescimento da violência no trânsito tem gerado impactos significativos para a saúde pública, especialmente pelo alto custo do atendimento a vítimas de acidentes graves, que pode chegar a até R$ 5 mil por dia. Internações prolongadas, uso intensivo de tecnologia e equipes especializadas pressionam o orçamento do Sistema Único de Saúde (SUS) e comprometem a capacidade assistencial das unidades hospitalares. Esse cenário foi debatido, nesta semana, durante uma coletiva de imprensa realizada no Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), em Feira de Santana, com a presença de jornalistas, autoridades da saúde, do trânsito e representantes da sociedade civil.
Fotos: Ascom / HGCA e Edimário Duplat / Saúde GovBA
Referência no atendimento a vítimas de traumas em toda a região Centro-Leste da Bahia, o Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA) sediou, nesta semana, uma coletiva de imprensa com o tema violência no trânsito, reunindo autoridades da saúde, trânsito e representantes da sociedade civil. Durante o encontro, foram apresentados dados que reforçam a gravidade do cenário: 3.339 atendimentos a vítimas de acidentes de trânsito em 2025, o que representa um aumento de quase 7% em relação ao ano anterior.

De acordo com a diretora-geral do HGCA, Cristiana França, os acidentes de trânsito seguem como a principal causa de entrada de pacientes politraumatizados na unidade. “Hoje, cerca de 80% dos pacientes politraumatizados atendidos no Clériston Andrade são vítimas de acidentes de trânsito, com predominância absoluta dos acidentes envolvendo motocicletas. É uma demanda que cresce a cada ano e que impacta diretamente a capacidade assistencial do hospital”, afirmou.

Segundo a diretora, em média 80% dos atendimentos por acidentes de trânsito estão relacionados a motociclistas, sendo a maioria homens, com idade entre 16 e 35 anos, faixa etária considerada economicamente ativa. “Quando esses jovens não vão a óbito, muitos ficam com sequelas graves e permanentes, como perda de mobilidade. Isso gera um impacto profundo não apenas para a família, mas para toda a sociedade”, destacou Cristiana França.

Outro dado que chama atenção é o perfil das vítimas oriundas de municípios vizinhos e distritos rurais. “Observamos que muitos pacientes que chegam de outras cidades apresentam traumas cranianos graves, em grande parte pela não utilização do capacete. Esse é um ponto que precisa ser amplamente debatido, porque o uso do equipamento de proteção individual salva vidas”, reforçou.

Além do impacto humano, a gestora ressaltou os custos elevados para o Sistema Único de Saúde. “Um paciente politraumatizado internado na UTI custa, em média, quase R$ 5 mil por dia. Nas enfermarias, um paciente ortopédico custa cerca de R$ 1 mil por dia, enquanto na neurocirurgia esse valor pode chegar a R$ 2 mil diários, devido à complexidade e à tecnologia envolvida. Recursos que poderiam estar sendo direcionados para outras melhorias na assistência à população”, explicou.

Para Cristiana França, o hospital representa a última ponta de um problema que começa no trânsito. “O Clériston é a última porta dessa cadeia. Por mais que o Estado invista em tecnologia, equipamentos e estrutura hospitalar, não queremos corredores cheios. Queremos menos acidentes, menos vítimas e mais qualidade de vida. Isso só será possível com educação e fiscalização efetiva no trânsito”, pontuou.

O superintendente municipal de Trânsito de Feira de Santana, Ricardo Cunha, destacou a importância do envolvimento da imprensa no enfrentamento à violência viária. “A imprensa é uma aliada fundamental nas ações de fiscalização e educação no trânsito. Informar, conscientizar e dar visibilidade a esses dados ajuda a sensibilizar a população e fortalece o trabalho dos órgãos de fiscalização”, afirmou.

Durante a coletiva, Ricardo Cunha também anunciou a realização de um Congresso de Trânsito em Feira de Santana, que dará início a uma discussão ampliada sobre mobilidade e segurança viária no Nordeste. “Feira de Santana será o ponto de partida desse debate regional, reunindo especialistas e autoridades para pensar soluções integradas”, disse.

Representando o setor produtivo, a coordenadora da Câmara de Mulheres Empreendedoras de Feira de Santana, Leidiane Queiroz, reforçou o compromisso dos empresários com a redução dos acidentes. “O empresariado da cidade está empenhado em colaborar com as autoridades e apoiar ações que visem diminuir os acidentes de trânsito. Segurança viária também é desenvolvimento, porque impacta diretamente a economia e a vida das pessoas”, afirmou.

O debate realizado no HGCA contou ainda com a participação de forças de segurança e órgãos de emergência, como a Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Secretaria Municipal de Trânsito, reforçando a necessidade de ações integradas, contínuas e preventivas para enfrentar a violência no trânsito em Feira de Santana e região.

Fotos: Ascom / HGCA e Edimário Duplat / Saúde GovBA

TRE-BA inicia 2026 com reinauguração do edifício-sede

O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) reinaugura, na sexta-feira (30), às 10h, o seu prédio-sede, Edifício Desembargador Jatahy Fonseca, após a conclusão das obras de reforma e modernização. A intervenção resultou em avanços significativos em conforto, segurança, acessibilidade e preservação do patrimônio arquitetônico e artístico de relevância histórica, proporcionando melhores condições de trabalho ao corpo funcional e de atendimento ao público.

De acordo com o presidente do TRE-BA, desembargador Abelardo Paulo da Matta Neto, será um prazer receber os servidores(as), magistrados(as), advogados(as) e demais autoridades públicas para a solenidade que marca a retomada da Alta Administração do Tribunal ao edifício-sede. “Depois de três reinaugurações de cartórios eleitorais, vamos celebrar, no primeiro mês de 2026, a reinauguração do edifício-sede. Estou muito feliz por esse momento que marca a entrega de um novo equipamento aos principais públicos do Órgão”, disse.

Modificações

No edifício principal, a reforma durou mais de 800 dias e contemplou a substituição de acabamentos externos e forros por materiais em alumínio, mais resistentes e duráveis, além da recuperação e pintura de estruturas metálicas e fachadas. As esquadrias dos sheds (galpões) receberam novos perfis e vidros laminados ou temperados, garantindo maior segurança e conforto térmico.

A marquise do acesso principal foi recuperada e a recepção ganhou um novo balcão com atendimento acessível. A área de segurança e controle de acesso foi reestruturada para instalação de catracas e equipamentos de raio-X, além da implantação de vídeoporteiro.

O Painel de Athos Bulcão passou por tratamento e proteção, e as jardineiras internas foram restauradas. No auditório, que conta com 266 assentos, houve revisão dos sistemas de ar-condicionado e incêndio. Já a Sala de Sessões, com 125 lugares, recebeu nova infraestrutura elétrica e lógica, novo sistema de climatização, plataforma elevatória, rampa de acesso e readequação da mesa do Pleno, garantindo mais comodidade e visibilidade.

Foram instalados dois sanitários acessíveis no Bloco 4, do primeiro pavimento, espaço onde foi criada a Sala da Ordem dos Advogados do Brasil Seção Bahia (OAB-BA).

No bloco de serviços, a cobertura foi modernizada com telhas de alumínio. O restaurante foi ampliado e modernizado, com mais espaço para mesas, ilhas de exposição de alimentos, mobiliário novo e reorganização da cozinha, conforme normas sanitárias. O refeitório também foi ampliado, assim como os vestiários, que passaram a contar com equipamentos voltados à economia de água e acessibilidade.
Por: Politica Livre

Ibirataia: Representantes do município integram capacitação da Seades com foco na Agenda SUAS Fortalecido

A Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania de Ibirataia participou do apoio técnico promovido pela Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social da Bahia (Seades), realizado nos dias 26 e 27 de janeiro, na Universidade do Estado da Bahia (UNEB), em Salvador. A ação reuniu gestores e técnicos municipais com o objetivo de qualificar a gestão da política pública de assistência social no estado.
A iniciativa integrou a temática “Agenda SUAS Fortalecido” e teve como foco principal a execução de recursos, o cofinanciamento estadual e o aprimoramento dos processos administrativos do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Durante o encontro, foram apresentados conteúdos técnicos voltados ao fortalecimento da gestão, planejamento e organização dos serviços socioassistenciais.
Representaram o município de Ibirataia a Secretária de Desenvolvimento Social e Cidadania, Luanna Figueiredo, e a Diretora do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), Flávia Lopes. A participação reforça o compromisso da gestão municipal com a qualificação contínua das equipes e com o fortalecimento das políticas públicas de assistência social no município.

Ademir Ismerim explica regras da fidelidade e da janela partidária para as eleições de 2026

O advogado eleitoral Ademir Ismerim detalhou os principais aspectos legais que envolvem a fidelidade partidária e a janela partidária, temas que ganham relevância com a proximidade das eleições de 2026. Segundo ele, a legislação brasileira é clara ao definir os limites para a troca de legenda, especialmente nos cargos eleitos pelo sistema proporcional.

“A fidelidade partidária determina que o mandato nas eleições proporcionais pertence ao partido, e não ao candidato eleito”, explicou Ismerim. De acordo com o advogado, essa regra está prevista na Resolução do TSE nº 22.610/2007 e tem como base o artigo 22-A da Lei dos Partidos Políticos, que prevê a perda do mandato em caso de desfiliação sem justa causa.

Ismerim ressaltou que a própria legislação criou mecanismos para flexibilizar essa regra. “A Reforma Eleitoral de 2015 e a emenda constitucional aprovada em 2016 consolidaram a janela partidária como uma alternativa legal para a troca de legenda, garantindo segurança jurídica aos parlamentares”, afirmou.

Segundo o especialista, a janela partidária tem prazo definido e regras específicas. “O período é de 30 dias e só é aberto em anos eleitorais. Além disso, a justa causa por janela partidária se aplica exclusivamente aos parlamentares que estão no fim do mandato vigente”, destacou.

Para as eleições de 2026, Ismerim explicou que a janela beneficiará apenas deputados federais, estaduais e distritais. “Os vereadores eleitos em 2024 não estão no término do mandato e, por isso, não podem se beneficiar da janela partidária em 2026”, alertou.

Ao tratar dos cargos majoritários, o advogado esclareceu que a regra da fidelidade partidária não se aplica. “A jurisprudência do STF e do TSE é pacífica ao afirmar que senadores, governadores e prefeitos podem mudar de partido a qualquer momento, sem perder o mandato”, disse. Ele ponderou, no entanto, que esses agentes políticos devem observar o prazo mínimo de seis meses de filiação antes da eleição para disputar um novo cargo.

Ismerim também chamou atenção para as hipóteses de justa causa fora do período da janela. “Mesmo após o encerramento da janela partidária, é possível mudar de partido, desde que haja justa causa devidamente comprovada”, explicou. Entre as situações previstas em lei, ele citou a mudança substancial do programa partidário e a grave discriminação política pessoal.

“A comprovação da justa causa é fundamental. É preciso reunir provas e documentos que demonstrem claramente a situação que levou à desfiliação, para evitar questionamentos e o risco de perda do mandato”, completou.

Por fim, o advogado destacou a importância da carta de anuência do partido de origem. “A Emenda Constitucional nº 111/2021 passou a reconhecer a anuência do partido como uma justa causa autônoma para a desfiliação, o que ampliou significativamente as possibilidades legais de mudança de legenda”, concluiu.
Por Política Livre

Lula cobra união de países da América Latina contra 'intervenções militares ilegais' na região

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta quarta-feira (28) que os países latino-americanos e caribenhos se integrem e criticou o uso da força nas relações internacionais. As declarações ocorreram em discurso proferido durante sua viagem ao Panamá, onde participa do Fórum Econômico Internacional da América Latina.

A fala se refere ao contexto de tensão no continente. Liderados por Donald Trump, os Estados Unidos capturaram o agora ex-ditador da Venezuela Nicolás Maduro e o levaram para ser julgado em solo americano. Washington também tem pressionado para reduzir o acesso da China canal do Panamá, ligação entre os oceanos Pacífico e Atlântico fundamental para o trânsito de mercadorias vendidas no mercado internacional.

"Não há nenhuma possibilidade de qualquer país da América Latina sozinho achar que vai resolver os problemas", disse. "Guiados pelo pragmatismo, podemos superar divergências ideológicas e construir parcerias sólidas e positivas dentro e fora da região. Essa é a única doutrina que nos convém. Seguir divididos nos torna todos mais frágeis."

O presidente tem manifestado preocupação com o esvaziamento de espaços de discussão e deliberação entre países da região. Diversos países da região elegeram governos à direita e que dão menos ênfase às relações com os vizinhos –o principal exemplo é a Argentina de Javier Milei.

No Panamá, Lula citou como exemplo da falta de integração a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos. "A Celac não consegue produzir nem mesmo uma única declaração contra intervenções militares ilegais que abalam nossa região", disse.

"A história mostra que o uso da força jamais pavimentará o caminho para superar as mazelas que afligem esse hemisfério que é de todos nós. A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos, constituem gestos anacrônicos e retrocessos históricos."

Lula também mencionou "corolários e doutrinas", em referência à Doutrina Monroe e ao Corolário Roosevelt, ideias propostas pelos ex-presidentes americanos James Monroe e Theodore Roosevelt que foram determinantes para os americanos imporem suas vontades sobre o resto do continente.

O presidente Donald Trump tenta, inclusive, emplacar uma nova versão da doutrina, rebatizando-a com uma mistura que inclui seu próprio nome —Doutrina Donroe.

Lula fez em seu discurso, porém, uma ressalva sobre épocas em que Washington foi parceira dos vizinhos latino-americanos e caribenhos. A referência foi ao governo de Franklin Delano Roosevelt, época em que os EUA adotaram uma política de "boa vizinhança" com os países próximos.

O presidente brasileiro terá uma série de compromissos no Panamá antes de voltar ao Brasil, ainda nesta quarta. Lula já teve uma reunião com o presidente eleito do Chile, o direitista José Antonio Kast. Também terá reunião bilateral com o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz.

O novo chefe de governo boliviano era um opositor dos movimentos de esquerda, próximos a Lula, que ganharam força na Bolívia no início deste século. Além disso, Lula conversará com o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, entre outros compromissos.

Por Caio Spechoto, Folhapress

Reviravolta na Bahia: Ida de Caiado para PSD transforma Coronel em cisne, enfraquece Otto, fortalece Neto e coloca PT na defensiva

Virada
A entrada de Ronaldo Caiado, governador de Goiás, no PSD, onde deve ganhar a disputa com Eduardo Leite (RS) e Ratinho Jr. (PR) para concorrer à presidência da República, promoverá provavelmente uma grande reviravolta política na Bahia, onde o senador Angelo Coronel (PSD) pode deixar a condição de patinho feio excluído pelo PT da chapa do governador Jerônimo Rodrigues (PT) para dar as cartas na sucessão estadual.

Concessão

Com Caiado como candidato a presidente, o PSD pode até fazer uma concessão, permitindo que o senador Otto Alencar vote em Lula na Bahia, mas certamente não negará a Coronel o direito de concorrer à reeleição. Pelo contrário, deve estimular a candidatura do senador numa coligação com o candidato das oposições ao governo, ACM Neto, que já assumira o compromisso de apoiar Caiado à Presidência quando ele ainda estava no União Brasil.

Poder

Para aliados próximos, Neto também pode condicionar apoio ao nome de Caiado ou eventualmente ao de outro candidato do PSD a uma coligação com o partido de Kassab na Bahia que inclua a candidatura à reeleição de Coronel em sua chapa. "Neto pode muito bem dizer que vota no candidato do PSD a presidente desde que Coronel seja candidato a senador em sua chapa numa coligação com o PSD na Bahia com ele", diz importante apoiador do ex-prefeito de Salvador.

Três no páreo

A Operação Caiado-PSD aponta, a priori, para a consolidação de três candidaturas no campo da oposição ao presidente Lula em outubro - a do PSD, que pode ser encabeçada por ele, por Ratinho ou Leite, a do Novo, a ser liderada por Romeu Zema, governador de Minas Gerais, e a do PL, com Flávio Bolsonaro - com igual impacto na Bahia e repercussão favorável à candidatura de Neto ao governo.

Sem força

Pelos cálculos dos netistas, com Zema apoiado pelo candidato a governador José Carlos Aleluia, o nome do PSD respaldado por Neto e Flávio concorrendo em articulação com João Roma, um dos candidatos ao Senado na chapa do ex-prefeito, dificilmente Lula terá forças para catapultar a candidatura de Jerônimo à reeleição, como fez na sucessão de 2022. Naquela eleição, Neto, inclusive, teve 20% dos votos lulistas no Estado.
Risco sim

Sob o impacto da filiação de Caiado, Otto tem buscado dizer a correligionários e aos petistas, que não corre o risco de perder o comando do PSD no Estado, mas não consegue negar que o movimento fortaleceu a posição de Coronel em detrimento da dele, restando-lhe apenas, até agora, o direito de apoiar Lula e Jerônimo. Para reforçar que sua posição não é mais a de senhor da legenda na Bahia, está o histórico de cinco intervenções feitas por Kassab em estados nos últimos meses.

Saída desenhada

Antes do movimento de Caiado, aliados de Coronel traçavam cenário em que ele poderia deixar o PSD até março e migrar para a oposição. Se o movimento se confirmasse, o destino estaria praticamente definido: o União Brasil. A discussão acontecera com Neto, diante da avaliação dos riscos de concorrer em um partido que caminhava para seguir aliado ao PT. Uma vez na oposição, seria eleitoralmente mais interessante para Coronel vestir a camisa do 44. Mas veio o destino e...

Banco de reserva

Quem acompanha com apreensão as discussões sobre a montagem da chapa de Neto é o Republicanos, que pode novamente ficar de fora. Em 2022, a vice da chapa do ex-prefeito ao Palácio de Ondina foi ocupada pela empresária Ana Coelho, filiada ao partido, sem relação orgânica com a legenda, numa estratégia conhecida como “barriga de aluguel”. Agora, os bispos do partido esperavam espaço para o deputado federal Márcio Marinho ou ao menos para o ex-deputado Marcelo Nilo, mas...
Racha bolsonarista

O rompimento do presidente do PL de Ilhéus, Thiago Martins, com o prefeito Valderico Júnior (União) seria mais um sinal do mal-estar do bolsonarismo raiz com Neto. Thiago, que preside a Fundação Maramata, órgão municipal, é ligado ao deputado federal Capitão Alden (PL), que tem apontado o descumprimento de acordos firmados em 2024 por prefeitos do União. A insatisfação se repete em cidades como Feira de Santana, com José Ronaldo de Carvalho, e até Salvador, sob a gestão de Bruno Reis.

Conta alta

Nos bastidores, o estopim do rompimento em Ilhéus foi a falta de espaço político do PL na gestão municipal. Segundo aliados, compromissos envolvendo cargos e um alegado 'conteúdo programático' não foram cumpridos lá e nas outras cidades, o que levou Capitão Alden a colocar em xeque o apoio dos bolsonaristas à candidatura de Neto ao governo, independentemente da vontade de João Roma.

Pitacos

* Auxiliares de Jerônimo analisam pesquisas internas que medem o impacto da saída de Angelo Coronel da base. Bem situado no centro e até na direita, Coronel também tira votos do senador Jaques Wagner (PT) e do ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT).

* Em cenários com João Roma candidato pela oposição, cresce o risco de Jaques Wagner não se reeleger. Rui segue bem posicionado na briga pela primeira vaga.

*Tem muita gente no PT aguardando o impacto de eventuais futuras revelações envolvendo Roma e o banqueiro baiano Guga Lima.

* Alden também está em choque com Roma. Esta semana, em entrevista à CBN, Alden disse que não tirava o “chapéu” para Roma como dirigente partidário, apenas como pessoa.

Roma, no mesmo veículo, rebateu: “Eu fico até agradecido que ele tira o chapéu para mim como pessoa, que eu acho que é o que importa. Cada um pode ter a sua discordância”, disse Roma.
* O vereador Sandro Filho (PP) ainda estuda se lançar a deputado federal, mesmo com todo desgaste que teve nos últimos meses com a sua expulsão do MBL. O edil entende que conseguiu manter a sua base eleitoral mesmo fora do grupo.

* O site Política Livre noticiou que Sandro estaria “paquerando” o Bolsonarismo, mas, ao que tudo indica, uma possível aproximação com a extrema direita vai ficar para depois.

* Um deputado estadual do PP que pode estar desembarcando no PSB confessou a este Política Livre estar preocupado com as eleições 2026. Para ele, “nunca foi tão caro fazer campanha na Bahia”.

* Segundo o parlamentar, apesar de haver uma tendência para sua ida para o PSB, o martelo não está totalmente batido devido a “contas que precisam ser feitas para garantir a reeleição”.

* Um político aliado do PT confidenciou a este Política Livre que não gostou do filme "O Agente Secreto", que já rendeu vários prêmios e indicação ao Oscar ao baiano Wagner Moura. Segundo ele, o filme não condiz com o título, é muito demorado e tem história fraca.

Por Política Livre

Ibirataia: Prefeitura através da Secretaria de Administração realiza visita técnica ao Centro Comercial para levantamento de demandas

A Secretaria Municipal de Administração de Ibirataia realizou, nesta ultima terça-feira, 27, uma visita técnica ao Centro Comercial do município com o objetivo de avaliar as condições estruturais e logísticas do espaço. A iniciativa permitiu o levantamento de informações diretamente com os comerciantes locais, contribuindo para um diagnóstico mais preciso da realidade do centro comercial. A ação reforça o compromisso da gestão com o planejamento e a escuta ativa da população.

Durante a visita, foram observados aspectos relacionados à infraestrutura, circulação, acessibilidade e organização dos ambientes. Também foram coletadas sugestões dos comerciantes, que auxiliarão no mapeamento de demandas e na definição de possíveis melhorias. O objetivo é promover um espaço mais funcional, seguro e organizado para trabalhadores e usuários do local.

De acordo com a Secretário de Administração Heber Câncio, a proposta é construir soluções de forma participativa, alinhadas às necessidades do comércio e às possibilidades do município. A ação integra as diretrizes da gestão municipal voltadas ao desenvolvimento econômico e urbano. A Prefeitura de Ibirataia segue atuando com responsabilidade e planejamento, reafirmando o compromisso com uma cidade em constante avanço.

Fonte: Decom/Prefeitura de Ibirataia

PF e CGU combatem desvio de recursos do SUS em Juazeiro/BA

                  Operação investiga fraudes em contratos de R$ 13 milhões na área de saúde
Juazeiro/BA. A Polícia Federal, em ação conjunta com a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou, na manhã desta quarta-feira (28/1), a Operação Litíase. O objetivo é desarticular um esquema criminoso de direcionamento de contratações e de desvio de recursos públicos do Sistema Único de Saúde (SUS) no município, especificamente na área de prestação de serviços médico-hospitalares.

As investigações apontam irregularidades no direcionamento da locação de um imóvel durante o período da pandemia, prática que se estendeu até o ano de 2023. Foi verificado que a locação foi realizada sem a definição de como os atendimentos seriam prestados e que o endereço do imóvel coincidia com a sede do próprio instituto contratado.

Além disso, foram identificados indícios de fraude nos processos licitatórios e realização de pagamentos sem a devida comprovação da execução dos serviços (ausência de detalhamento sobre exames e atendimentos realizados).

Essas contratações resultaram no pagamento de mais de R$ 13 milhões às empresas envolvidas, sendo aproximadamente R$ 7 milhões custeados com recursos federais do SUS.

Estão sendo cumpridos seis mandados de busca e apreensão na cidade de Juazeiro/BA, a fim de colher provas para robustecer as evidências das fraudes e identificar outros envolvidos no esquema.

Comunicação Social da Polícia Federal na Bahia

Senador que relata CPI do Crime Organizado quer apurar ligação entre Master e ministros do STF

Senador Alessandro Vieira (MDB-SE) diz que vai pedir quebra de sigilo de empresas de familiares dos ministros.
O relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirma que vai apresentar pedidos de quebra de sigilo de empresas ligadas aos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli para identificar possíveis movimentações financeiras ligadas ao Banco Master.

"Vamos aproveitar a CPI que já está em andamento, considerando que o caso do Banco Master é crime organizado com reflexo nos três Poderes", disse ao jornal Folha de São Paulo.

Vieira pretende apresentar os requerimentos nesta semana para que os membros da CPI possam deliberar sobre as quebras de sigilo na próxima reunião da comissão, que deve ocorrer na terça-feira (3). A CPI foi instaurada em novembro do ano passado e tem duração prevista até abril.

Entre os alvos de pedidos de quebra de sigilo, estará o escritório de advocacia da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, que foi contratado pelo Banco Master por R$ 3,6 milhões mensais para auxiliar na defesa dos interesses da instituição.

O senador também quer investigar potenciais conflitos de interesse de Toffoli com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Dois irmãos e um primo do ministro foram sócios do cunhado de Vorcaro no Resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR).

"Caso se confirme que houve movimentação de altos volumes de dinheiro do Banco Master para familiares dos ministros da Suprema Corte, vamos apurar se houve alguma contrapartida irregular. E, se não houve, vamos ouvir as pessoas para identificar o real objetivo dessas transferências", disse ainda.

Na avaliação do relator, a maioria dos membros da CPI será favorável à inclusão do caso Master no escopo da apuração. "Me parece ser um caso que exige apuração. Há indícios veementes de, no mínimo, compra de influência e acesso".
Por Folhapress

Motta reúne líderes sob pressão para pautar propostas anti-STF e bandeiras do governo

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem nesta quarta-feira (28) a primeira reunião com os líderes de bancadas para definir as prioridades de votação deste ano. Enquanto tenta estabelecer um novo marco para evitar em 2026 a repetição das crises do ano passado, o chefe da Casa terá de lidar com demandas conflitantes de governo e oposição, que querem usar suas pautas na eleição de outubro.

O encontro acontece menos de uma semana antes da volta das atividades legislativas e demonstra o interesse dos parlamentares de dar celeridade a votações importantes. Os deputados ressaltam que as principais pautas devem ser votadas até junho, por causa das eleições.

De acordo com líderes ouvidos pela Folha, a oposição chega para a primeira reunião do ano visando pressionar Motta a instaurar a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Abuso de Autoridade. A criação do colegiado ganhou força com as reportagens que mostraram elos dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com o caso Banco Master.

Além disso, o grupo deve cobrar explicações sobre as cassações dos deputados Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ), que ocorreram durante o recesso. Eduardo foi cassado por excesso de faltas e Ramagem, em função da condenação por tentativa de golpe de Estado.

A oposição também deve pedir a Motta para interceder, junto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), por duas pautas.

A primeira é a derrubada do veto do presidente Lula (PT) ao projeto da Dosimetria, que diminuiria a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e demais envolvidos na trama golpista. A segunda é a instauração da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) sobre o Banco Master.

Já o governo Lula chega com interesses divergentes. Um dos responsáveis pela articulação afirma que a base vai lutar para manter o veto de Lula à Dosimetria e para impedir a instalação de CPIs. O cálculo é que esse instrumento serve à oposição e atrapalha o ritmo de votações do Congresso, principalmente em um calendário curto.

A ideia do Planalto é conseguir pautar para terça-feira (3) a MP (Medida Provisória) do Gás do Povo, que precisa ser aprovada até o Carnaval para não perder validade. O programa oferece gratuidade na compra de gás de cozinha ou custeará parte dos gastos com o produto por famílias de baixa renda.

O governo também defende a votação ainda em fevereiro da MP do Piso dos Professores, também considerada uma prioridade da base para o início do ano legislativo.

Outro ponto de discórdia que Motta precisará mediar envolve o Projeto de Lei Antifacção e a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública. Os temas são considerados "espinhosos" por parlamentares. Ambas são propostas do governo que foram desconfiguradas pela oposição ao longo de sua tramitação, e os dois grupos prometem briga pela versão que irá à votação.

Na PEC da Segurança, o governo mapeou pontos do relatório do deputado Mendonça Filho (União Brasil-PE) para serem derrubados ou alterados. No PL Antifacção, a luta do Planalto será para manter o relatório do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), aprovado pelo Senado em dezembro.

A oposição insistirá em manter a maior parte do relatório do deputado Guilherme Derrite (PP-SP), que deixou o cargo de secretário da Segurança Pública do governo de Tarcísio de Freitas, de São Paulo, para relatar o texto. O projeto havia sido aprovado na Câmara em novembro, mas, em função das mudanças de Vieira, precisará ser reanalisado pelo plenário.

A regulação da inteligência artificial também deve ser discutida na reunião com Motta, apontou um líder ouvido pela reportagem. Ele avalia que a Câmara tem sido pressionada pelo STF a abordar o tema, que também está em debate no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Aprovado pelo Senado no fim de 2024 após compromisso pessoal do então presidente, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), de pautar o tema, o projeto de IA está em tramitação na Comissão Especial sobre Inteligência Artificial da Câmara, presidida pela deputada Luísa Canziani (PSD-PR).

O governo ainda deve levar para avaliação dos líderes a discussão sobre a implementação da tarifa zero no transporte público e o fim da escala de trabalho 6x1. A última proposta reduz a jornada de trabalho máxima e foi incluída nas prioridades do PT ainda no ano passado.

A discussão sobre a redução da escala de trabalho começou com uma PEC da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), mas o Planalto decidiu apoiar a proposição com maior possibilidade de um andamento rápido no Congresso –neste caso, um projeto de lei. A proposta selecionada é do deputado Léo Prates (PDT-BA), que assumiu a relatoria do projeto.

Por Augusto Tenório e Laura Scofield/Folhapres

Caiado se filia ao PSD e passa a disputar candidatura presidencial com Ratinho Jr. e Leite

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, anunciou, nesta terça-feira (27), que deixou o União Brasil e se filiou ao PSD, sigla presidida por Gilberto Kassab. Caiado quer ser candidato à Presidência da República em 2026.

Sem espaço no União Brasil para lançar sua candidatura, ele vinha negociando se filiar ao Podemos ou ao Solidariedade, mas acabou optando pelo PSD.

Kassab, por sua vez, já tem dois governadores como opções para lançar ao Palácio do Planalto —Ratinho Junior, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul.

Ao se filiar, Caiado falou em "total desprendimento" e disse que qualquer um dos três poderá ser o presidenciável do partido. A declaração foi dada em um vídeo gravado ao lado dos outros dois governadores na casa de Kassab.

"Ao lado desses dois colegas, governadores muito bem avaliados, nós iremos disputar essa eleição em 2026. O que sair daqui candidato terá o apoio dos demais", disse.

"Busco neste momento uma oportunidade para poder também contribuir com a discussão nacional de uma eleição em 2026. [...] Para que nós possamos mostrar ao Brasil que este é um gesto de total desprendimento. Aqui não tem o interesse pessoal de cada um. Aquele que for escolhido, levará essa bandeira de um projeto de esperança", afirmou ainda.

Leite e Ratinho deram declarações de boas vindas ao colega. "Antes da nossa aspiração individual como agentes políticos vem a nossa aspiração como brasileiros. O Brasil precisa encontrar um rumo que devolva esperança para as pessoas", disse o governador gaúcho.

O presidente do PSD chegou a declarar que apoiaria uma candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), à Presidência, mas o cenário mudou quando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) indicou seu filho Flávio Bolsonaro (PL), e não seu ex-ministro, para a eleição.

Na última pesquisa Datafolha, divulgada em dezembro passado, Caiado varia entre 6% e 7% em intenção de votos no primeiro turno a depender de quem sejam os concorrentes. Já Ratinho marca entre 10% e 12%.

Caiado também publicou uma carta ao presidente do União Brasil, Antonio Rueda, em que se despede do partido, mas pede apoio dos membros da legenda em sua "caminhada para endireitar nosso país".

"Tenho grande estima pelo nosso partido, mas minha determinação de devolver o Brasil aos brasileiros fala mais alto", escreveu.

Em resposta, Rueda divulgou nota em que diz respeitar a decisão de Caiado e lhe deseja sucesso. "A política é feita de ciclos, escolhas e convergências. Desejamos do governador sucesso nessa nova etapa, com votos de boa sorte nos desafios que se apresentam", declarou.

Como mostrou a Folha, Caiado avisou a aliados nesta terça que deixaria o União Brasil devido à resistência do PP, com quem a legenda está federada, à sua pré-candidatura.

Caiado tem dito a aliados que não abrirá mão da sua pré-candidatura. Correligionários dizem que ele vai para o "tudo ou nada" na corrida pelo Planalto visando encerrar sua carreira política numa disputa nacional.

O governador de Goiás é originário do antigo DEM, partido que se fundiu com o PSL para formar o União Brasil em 2022. Essas alas constantemente disputam poder na legenda, que adicionou elementos de cisão ao anunciar no ano passado uma federação com o PP, comandado por Ciro Nogueira.

Como mostrou a Folha, uma ala da cúpula do União chegou a defender a manutenção da pré-candidatura, mas menos por expectativa de vitória e mais porque isso desobrigaria a sigla a apoiar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro contra o presidente Lula (PT).

Outra ala da sigla, porém, defende que não há necessidade de investir tempo e dinheiro numa candidatura presidencial. Esse grupo entende que o partido poderia liberar filiados para apoiarem Lula ou Flávio, "facilitando" a vida de quem disputa cargos em estados que possuem tendência clara lulista ou bolsonarista.

Na cúpula do União, predominou a máxima de "não escolher hoje o que se pode decidir amanhã", o que irritou Caiado. Apesar de dividida, a cúpula do partido entende ser necessário aguardar mais um pouco para cravar uma posição sobre a disputa nacional.

Por Folhapress

Banco Pleno, de ex-Master, usa Credcesta para atrair investidor

Ganhou força no mercado nos últimos dias a informação de que o Banco Pleno, ex-banco Voiter, busca um comprador. A instituição financeira pertence a Augusto Lima, investigado no caso do Banco Master e ex-sócio de Daniel Vorcaro. À Folha a assessoria de imprensa do banco informou que a busca é por um parceiro.

"O Banco Pleno segue rigorosamente o plano de negócios aprovado pelo Banco Central e avalia oportunidades de parcerias estratégicas para o fortalecimento de sua operação", informou em nota.

Executivos do setor de crédito consignado afirmaram à reportagem, na condição de não terem o nome citado, que, para tornar o ativo mais atraente, a proposta é fazer um negócio casado. Quem eventualmente investir no Pleno também poderá atuar na operação do Credcesta, o cartão de benefício consignado.

O investidor teria de aportar ao menos R$ 1 bilhão. Pessoas que acompanham o setor estimam que o Pleno precisaria ainda de outros R$ 2 bilhões para operar com mais tranquilidade. O FGC (Fundo Garantidor de Créditos) também poderia ajudar no processo, por meio de uma linha emergencial de crédito ou subsidiando o negócio, de acordo com pessoas ouvidas pelas reportagem.

O BC (Banco Central) autorizou a venda da instituição para Lima em julho do ano passado. Quatro meses depois, o banqueiro foi preso na Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeita de fraudes na venda de carteiras do Master ao BRB (Banco Regional de Brasília). Ele foi solto e passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica.

Profissionais que acompanham a movimentação no segmento de crédito consignado afirmam que o negócio tem sido oferecido a muitos investidores, incluindo a J&F, holding da família Batista, dona da JBS.

Os irmãos Joesley e Wesley Batista têm interesse em crescer no crédito consignado. O grupo contratou um dos maiores especialistas da área, Márcio Alaor, ex-BMG, e avalia aquisições. Com presença em 24 estados e 176 municípios, o Credcesta é visto como uma vantagem e seria um atalho nesta almejada expansão.

No entanto, o mesmo não se aplica ao Pleno, que é avaliado no mercado como problemático. Por determinação do BC, o Pleno está proibido de emitir novos CDBs (Certificados de Depósito Bancário) para se financiar, conforme mostrou a Folha. No mercado secundário, os títulos chegaram a ser negociados a 165% do CDI ao fim de 2025.

Segundo as últimas informações disponibilizadas na base do BC, referentes a junho de 2025, o ex-Voiter tinha um patrimônio líquido de R$ 672,6 milhões e um lucro líquido de R$ 169,3 milhões. Na outra ponta, porém, o passivo era de R$ 6,68 bilhões. Dessa dívida, a maior parte é de CDBs , que correspondiam a R$ 5,4 bilhões.

Sem se financiar pela emissão de novos CDBs, o pagamento de compromissos do banco fica mais difícil.

A J&F, porém, prefere se concentrar no IPO (oferta inicial de ações) do PicPay antes de avaliar qualquer outro ativo. À reportagem a assessoria de imprensa enviou nota afirmando que "o grupo J&F não tem interesse em nenhum dos ativos mencionados".

Os problemas do Pleno o acompanham há anos, desde a época em que o nome era Indusval e tinha outros controladores. Voltado ao financiamento de empresas e do agronegócio, o banco passou por várias reestruturações em meio a prejuízos. Em 2019, passou a se chamar Voiter, num plano de transformação digital.

Sem sucesso, a Capital Consig fez uma oferta para adquirir o Voiter em 2023. A operação não foi para frente e, em fevereiro de 2024, o Master levou a instituição.

Em julho de 2025, o BC aprovou a transferência do Voiter para Lima, que mudou o nome da instituição para Pleno.

A assessoria de imprensa do Pleno também reforçou à reportagem que a instituição é devidamente autorizada a funcionar pelo BC, cumpre integralmente todos os requisitos do CMN (Conselho Monetário Nacional (CMN), comprovando capacidade técnica e financeira, reputação ilibada de seus controladores e origem lícita dos recursos.

"Desde o início de suas atividades, a exposição do Banco Pleno ao FGC vem sendo reduzida, em linha com a evolução de sua estrutura operacional e de capital", disse a nota. O texto ainda destaca que o Pleno não é alvo de qualquer investigação, processo ou questionamento de órgãos reguladores, e atua dentro da legislação vigente.

Por Alexa Salomão e Júlia Moura/Folhapress

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