Secretário de Defesa americano demite o chefe do Estado-Maior do Exército, sem dizer o motivo

Randy George tinha mais de um ano restante em seu mandato de quatro anos e será substituído por número dois do órgão

O chefe do Estado-Maior do Exército dos Estados Unidos, Randy George

O chefe do Estado-Maior do Exército dos Estados Unidos, Randy George, foi demitido nesta quinta-feira (2) pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, segundo duas autoridades de defesa americanas e uma pessoa familiarizada com o assunto ouvidas pela agência Reuters.

Hegseth, ex-apresentador da Fox News, tem agido para reformular o departamento, demitindo generais e almirantes em sua busca por implementar a agenda de segurança nacional do presidente Donald Trump.

O Pentágono confirmou que George, que tinha mais de um ano restante em seu mandato, "se aposentará do cargo de 41º chefe do Estado-Maior do Exército com efeito imediato". Em um comunicado, o departamento afirmou estar grato pelas décadas de serviço de George. "Desejamos-lhe tudo de bom em sua aposentadoria", disse.

O órgão não informou o motivo da demissão, que ocorre em um momento em que as Forças Armadas dos EUA reforçam suas tropas no Oriente Médio enquanto realizam operações contra o Irã.

Os ataques na região estão sendo realizados principalmente pela Marinha e pela Força Aérea do país, embora soldados do Exército dos EUA também tenham sido enviados ao Oriente Médio para operar sistemas de defesa aérea. O Exército é o maior ramo das Forças Armadas dos EUA, com cerca de 450 mil soldados da ativa.

Milhares de soldados da elite da 82ª Divisão Aerotransportada do Exército dos EUA também começaram a chegar ao Oriente Médio, possivelmente para operações terrestres no Irã.

Não havia sinais públicos de atrito entre Hegseth e George, mesmo enquanto o secretário tomava medidas controversas, como demitir o principal advogado do Exército e organizar um enorme desfile militar para comemorar o 250º aniversário da corporação, que coincidiu com o aniversário de Trump.

No início desta semana, no entanto, Hegseth reverteu uma decisão do Exército de investigar pilotos que sobrevoaram a casa do cantor Kid Rock com helicópteros de ataque, em uma aparente demonstração de apoio ao declarado defensor de Trump.

A CBS News, que noticiou primeiro a demissão de George, afirmou que sua dispensa não está relacionada ao incidente com Kid Rock. Um oficial disse que o ex-assessor militar de Hegseth e vice-chefe do Estado-Maior do Exército, general Christopher LaNeve, assumirá o cargo interinamente.

George, um oficial de infantaria que serviu no Iraque e no Afeganistão, foi confirmado para o cargo máximo do Exército em 2023. Os mandatos nesse cargo geralmente têm duração de quatro anos.

Antes de ocupar o cargo máximo, George foi vice-chefe do Exército e, antes disso, conselheiro militar sênior do então secretário de Defesa Lloyd Austin.

Ele era considerado próximo do secretário do Exército, Dan Driscoll. Os dois trabalharam juntos para enfrentar grandes empresas de defesa, no esforço da corporação para acelerar o desenvolvimento de armamentos e reduzir custos.

A remoção de George se soma à recente turbulência em todos os níveis de liderança no Pentágono, incluindo a demissão, no ano passado, do então chefe do Estado-Maior Conjunto, general da Força Aérea Charles Q. Brown, assim como o chefe de operações navais e o vice-chefe do Estado-Maior da Força Aérea.
Por Folhapress

BRB tem lista com nomes de responsáveis por fraudes com Master e governadora determina afastamento

Foto: Paulo H. Carvalho/Agencia Brasília
O Banco de Brasília (BRB) tem uma lista com nomes de pessoas responsáveis pelas fraudes praticadas com o Banco Master na instituição. A relação faz parte de uma auditoria contratada pelo banco estatal para identificar o rombo e os culpados pelas operações.

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), que assumiu o cargo na segunda-feira, 30, após a renúncia de Ibaneis Rocha (MDB), determinou ao BRB o afastamento de todos os envolvidos com as irregularidades.

Em nota, Celina disse que a medida é necessária para garantir transparência nas apurações. Procurado pela reportagem, o BRB não comentou até o momento.

O BRB comprou R$ 12 bilhões em créditos podres do Master entre 2024 e 2025 e tentou comprar o banco de Daniel Vorcaro, mas foi impedido pelo Banco Central e agora é investigado. O Banco de Brasília corre o risco de ser liquidado se não receber um aporte do governo distrital.

Uma lista com 41 nomes circulou em grupos de WhatsApp de funcionários do BRB ao longo desta semana. Entre os citados, estão pessoas que teriam ordenado a operação com o Master, participado ativamente das fraudes, se omitido ou influenciado no Conselho de Administração.

Do total, 30 pessoas continuam nos cargos e deveriam ser afastadas. A determinação no banco é demitir quem não é funcionário concursado e instalar um processo disciplinar para servidores efetivos envolvidos, afastando-os de cargos de confiança.

O BRB mandou uma mensagem interna para os servidores negando a veracidade da lista, citando uma relação de 31 nomes extraídos dessa lista maior.

“O BRB tem compromisso com a verdade, com as instituições e com as pessoas que fazem parte deste Banco. O processo ainda está em andamento e antecipar quaisquer conclusões ou atribuir responsabilidades neste momento é inadequado”, diz a mensagem.

Na terça-feira, 31, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, se reuniu com a governadora Celina Leão para discutir a crise. Celina determinou que todos os envolvidos sejam afastados. Após a nota do BRB negando a veracidade da lista, a governadora procurou novamente o dirigente do banco, que reforçou o compromisso em demitir os responsáveis pelas fraudes.

Em novembro de 2025, com a operação da Polícia Federal que prendeu o banqueiro Daniel Vorcaro e realizou buscas no BRB, três pessoas foram afastadas e submetidas a um processo de investigação interna: o ex-presidente da instituição Paulo Henrique Costa, o ex-diretor financeiro Dario Oswaldo Garcia Júnior e o ex-superintendente Robério César Bonfim Mangueira.

Depois, o banco contratou uma auditoria externa independente para investigar o que e quem levou o BRB a negociar com o Master. Com isso, a lista de responsáveis identificados aumentou.

Em nota, a governadora afirmou que a determinação é uma medida necessária para garantir transparência nas apurações. “A decisão não antecipa qualquer julgamento e respeita o direito ao contraditório, mas assegura que as investigações ocorram com independência e responsabilidade. O compromisso do governo do Distrito Federal é com a verdade dos fatos, a proteção das instituições e a confiança da população”, disse a chefe do Executivo distrital.
Por Daniel Weterman/Estadão

Ministério critica leilão da Petrobras e pede ação contra 'práticas abusivas' no gás de cozinha

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil/Arquivo
O MME (Ministério de Minas e Energia) pediu na quarta-feira (1º) que a Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor), órgão ligado ao Ministério da Justiça, adote medidas para monitorar e combater "práticas abusivas" no preço do gás de cozinha (GLP), um dos itens mais sensíveis para o orçamento das famílias.

Em ofício enviado também ao Ministério da Fazenda, o secretário-executivo Gustavo Ataide afirma que leilões em áreas de elevada demanda têm ocasionado encarecimento substancial do combustível e preocupam a pasta.

O documento não cita diretamente o certame realizado pela Petrobras, mas menciona que "há registros, nos leilões mais recentes, de representatividade em mais de 10% do mercado brasileiro de GLP e com ágios que superam os 100% do preço normalmente praticado nos contratos de fornecimento".

"Considerando a importância do setor de GLP para o combate à pobreza energética nacional e a necessária avaliação de abusividade em preços e de prática de infração à ordem econômica, solicito os bons préstimos da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, para que sejam adotadas as medidas cabíveis", diz o MME.

O governo federal pretende anunciar um conjunto de medidas específicas para reduzir os efeitos da crise internacional do petróleo sobre o preço do gás de cozinha. Entre as ações em análise estão a possibilidade de concessão de subsídios ao produto, o aumento de fiscalização da cadeia de abastecimento e um monitoramento mais rigoroso dos preços ao consumidor.

A intenção é evitar aumentos abruptos e garantir o acesso ao botijão, especialmente para famílias de baixa renda.

O GLP preocupa o governo porque cerca de 20% do produto consumido no país depende de importações, o que o torna diretamente exposto à volatilidade internacional do petróleo, em meio à guerra no Oriente Médio.

Nesta quinta (2), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o governo vai anular o leilão de gás de cozinha da Petrobras para evitar que a população de baixa renda arque com os efeitos de conflitos internacionais.

O petista afirmou que o processo teria gerado margens excessivas e que o Estado atuará para impedir que o botijão chegue a preços abusivos ao consumidor.

"As pessoas sabiam da orientação do governo, da orientação da Petrobras: não vamos leiloar o GLP, não vamos leiloar. Pois, se houver um leilão contra a vontade da direção da Petrobras, nós vamos rever esse leilão, vamos anular esse leilão, porque o povo pobre não pagará, em hipótese alguma, o preço dessa guerra", disse.

Por Isadora Albernaz/Folhapress

Descarte de resíduos em terreno na região da Água Branquinha gera reclamação de moradores; prefeitura nega irregularidade

Moradores da região da Água Branquinha, nas proximidades de um hotel fazenda, denunciaram o descarte de resíduos retirados do canal de drenagem do bairro ACM em um terreno particular da localidade. Segundo relatos enviados à reportagem, o material teria sido depositado pela prefeitura após ações de limpeza no canal. Um morador afirmou que a situação tem causado preocupação entre os residentes da área. “Estão cometendo um crime ambiental descartando os dejetos do esgoto”, disse. Ele ainda acrescentou que o descarte provocará prejuízos à comunidade e pode representar risco ambiental.
Diante da denúncia, a reportagem do GIRO entrou em contato com a Prefeitura de Ipiaú, que se manifestou sobre o caso. O município informou que o material depositado é composto por resíduos orgânicos provenientes da limpeza do canal de drenagem do bairro ACM e que não se trata de esgoto nem de material contaminado. A gestão também esclareceu que o descarte foi autorizado pelo proprietário do terreno, que pretende utilizar o material como adubo.

A prefeitura iniciou na última terça-feira (01), a limpeza do canal de drenagem do bairro que no último domingo (29) foi alagado após uma forte chuva. A medida visa garantir um melhor escoamento das águas pluviais, prevenindo assim possibilidades de novos alagamentos. *Por Giro Ipiaú

'Marca do governo de Jerônimo é a presença das facções criminosas na Bahia', diz ACM Neto

        O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil),
O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), afirmou nesta quinta-feira (2) que a principal marca da gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT) é o avanço das facções criminosas no estado. Segundo ele, a Bahia vive hoje um cenário de expansão do crime organizado e perda de controle territorial por parte do poder público.

“A presença das facções criminosas na Bahia, a presença do crime organizado na Bahia… eu acho que essa é a marca fundamental do governo de Jerônimo Rodrigues”, afirmou em entrevista à rádio CBN.

Neto destacou que o cenário atual da violência no estado já se assemelha a situações historicamente registradas em grandes centros como Rio de Janeiro e São Paulo, com domínio territorial por parte de organizações criminosas. “Às vezes, o morador de um bairro não pode entrar no outro, o morador de uma rua não pode entrar na outra. Isso é a inversão, é o poder público se rendendo ao crime organizado”, disse.

Ao tratar de possíveis soluções, o pré-candidato defendeu a adoção de medidas já testadas em outros estados, citando Goiás como exemplo de sucesso no enfrentamento à criminalidade.

Ele afirmou que a valorização das forças policiais deve ser o primeiro passo. “Você tem que conquistar a polícia, enxergar o policial como o grande agente de transformação e o grande responsável pela solução”, declarou, defendendo melhores salários, estrutura, equipamentos, treinamento e apoio psicossocial.

Neto também ressaltou a importância do investimento em tecnologia e inteligência policial para desarticular o crime organizado. “Não adianta você ter um trabalho na ponta se não vai atrás da rede criminosa, para cortar a cabeça e chegar lá em cima”, afirmou.

Outro ponto citado foi a necessidade de reforço na atuação da Polícia Civil e de integração entre diferentes forças de segurança, como Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e guardas municipais.

O pré-candidato também criticou o atual sistema prisional da Bahia, afirmando que as unidades têm servido como centros de comando do crime. “Mais da metade dos crimes são ordenados a partir dos presídios. O presídio hoje, ao invés de servir para punir, serve para multiplicar o crime”, disse.

Como proposta, defendeu a criação de presídios de segurança máxima no estado, com maior rigor no tratamento de líderes de facções e medidas para impedir a comunicação com o mundo externo.

Em resposta a Trump, Irã diz que guerra continuará até 'rendição do inimigo' e promete ataques 'mais devastadores' contra EUA e Israel

Declaração das Forças Armadas iranianas ocorreu após discurso do presidente dos Estados Unidos desta quarta-feira (1). Trump afirmou que vai continuar atacando até concluir seus 'objetivos'.
O Irã prometeu nesta quinta-feira (2) que continuará a guerra contra os EUA e Israel "até a rendição e o arrependimento permanente do inimigo", e que fará "ataques devastadores" contra os dois rivais.

"Com a confiança em Deus Todo-Poderoso, esta guerra continuará até sua humilhação, desonra, arrependimento permanente e seguro, e rendição. (...) Aguardem nossos ataques mais devastadores, amplos e mais destrutivos", afirmou o porta-voz das Forças Armadas do Irã, Ebrahim Zolfaqari, em comunicado divulgado pela TV estatal.

A fala de Zolfaqari foi uma resposta a ameaças feitas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em discurso televisionado na noite anterior. Trump prometeu retornar o Irã "para a Idade da Pedra" com ataques mais fortes nas próximas "duas a três semanas", e ameaçou também atacar a infraestrutura energética iraniana.
No discurso, Trump voltou a ameaçar o Irã, inclusive com ataques a usinas de eletricidade caso o país não houver acordo. O porta-voz respondeu que as avaliações dos EUA e de Israel sobre as capacidades militares do Irã eram "incompletas". Também ameaçou Israel e os EUA com 'ações mais esmagadoras, amplas e destrutivas'.

Presidente do Irã manda carta para americanos

Em um carta endereçada "ao povo norte-americano" antes do pronunciamento de Trump, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que seu país não "nutre inimizade com as pessoas comuns dos Estados Unidos", disse não ser uma ameaça e acusou o governo de Donald Trump de enganar seus próprios cidadãos.

Na carta, divulgada pela imprensa estatal iraniana, Pezeshkian pede ainda que os norte-americanos questionem "se Washington está realmente colocando os interesses dos Estados Unidos em primeiro lugar ou se está apenas agindo como um representante de Israel" e afirma que Trump está disposto a lutar "até o último soldado americano". A carta foi a primeira comunicação direta do governo iraniano direcionada à população dos EUA desde o início do conflito no Oriente Médio.

No documento, o presidente iraniano faz uma separação entre o país Estados Unidos e o povo americano: "O povo iraniano não nutre qualquer inimizade contra outras nações, incluindo os povos da América, da Europa ou dos países vizinhos", diz a carta. "O que o Irã fez – e continua a fazer – é uma resposta ponderada, baseada na legítima defesa, e de forma alguma uma iniciação de guerra ou agressão", ela afirma.

A carta afirma que as hostilidades entre Irã e Ocidente começaram em 1953, com o golpe de Estado que depôs o primeiro-ministro Mohammad Mossadegh, arquitetado pela CIA e pelo MI6, o serviço secreto inglês. Pezeshkian classificou o episódio como “uma intervenção ilegal dos Estados Unidos” que “interrompeu o processo democrático do Irã, reinstaurou a ditadura e semeou profunda desconfiança entre os iranianos em relação às políticas dos EUA”.

Trump volta a ameaçar Irã

O presidente dos EUA, Donald Trump, fez um pronunciamento em rede de TV nesta quarta-feira (1º) sobre a Guerra do Irã, dizendo que os objetivos militares do país estão perto de serem atingidos.
"Tenho o prazer de informar que esses objetivos estratégicos fundamentais estão quase concluídos. Nós vamos terminar o trabalho, e vamos terminar logo", ele declarou, de pé em frente a um púlpito na Casa Branca.
Veja os principais pontos do discurso de Trump:

Segundo o presidente dos EUA, os objetivos eram destruir a capacidade de Teerã realizar um ataque contra os EUA e impossibilitar que o regime exercesse seu poderio militar fora de seu território.

Ele declarou explicitamente que a troca de regime não era o objetivo da operação militar e que ele nunca disse que esse era o plano. O presidente afirmou, porém, que a troca de regime ocorreu de fato com a morte dos antigos líderes, e que a nova liderança é "menos radical e muito mais razoável".

Trump também ameaçou atacar alvos da infraestrutura de energia iraniana, caso não haja um acordo com Teerã: "Vamos atacá-los com extrema força nas próximas duas ou três semanas. Vamos trazê-los de volta à Idade da Pedra, de onde vieram". 

Ao comentar sobre o Estreito de Ormuz, importante corredor que escoa o petróleo do Golfo Pérsico e fechado pelo Irã, Trump sugeriu que a reabertura interessa mais aos países europeus do que a Washington.

Lavou as mãos sobre Ormuz

Trump abordou o fechamento do Estreito de Ormuz durante seu discurso. Segundo ele, os EUA não dependem mais do petróleo do Oriente Médio que passa pelo canal marítimo.

O presidente norte-americano afirmou que seu país se tornou o maior produtor de petróleo e gás do mundo, especialmente com a ajuda da produção na Venezuela, e por isso "não precisa" da produção que vem do Oriente Médio.

"Os Estados Unidos praticamente não importam petróleo pelo Estreito de Ormuz, e não vamos importar nada no futuro. Não precisamos disso. Os países do mundo que recebem riqueza pelo Estreito de Ormuz devem cuidar dessa passagem", disse o presidente americano.

Trump também voltou a instar outros países a tomarem ações para reabrir o estreito.

"Tenho uma sugestão. Primeiro, comprem petróleo dos Estados Unidos. Nós temos bastante. Temos muito. E segundo, criem um pouco de coragem, ainda que tardia. [...] Vão até o estreito e simplesmente tomem conta dele, protejam-no e usem-no para vocês mesmos".

Contexto: Trump vem criticando os líderes europeus por se recusarem a enviar navios militares para reabrir o Estreito de Ormuz. Na avaliação dos europeus, no entanto, esse problema foi criado por EUA e Israel, e não compete a eles colocar seus soldados dentro do teatro de operações.

Guerra impopular

Trump enfrenta um eleitor norte-americano cauteloso com a guerra e índices de aprovação em queda.

Em uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada de sexta-feira (27) a domingo (29), 60% dos eleitores disseram que desaprovavam a guerra, enquanto 35% a aprovavam. Cerca de 66% dos entrevistados disseram que os EUA deveriam trabalhar para encerrar rapidamente seu envolvimento na guerra, mesmo que isso signifique não atingir as metas estabelecidas pelo governo.

As pesquisas de opinião pública mostram que a guerra é amplamente impopular, principalmente entre os eleitores independentes, e aliados de Trump têm pedido que o governo apresente aos eleitores uma justificativa mais clara e consistente para o conflito.

Trump e seus assessores vêm oferecendo explicações e cronogramas variáveis para o conflito, agora em sua quinta semana.

Se ele convencer os eleitores de que a guerra tem prazo limitado e está perto do fim, isso poderá ajudar a aliviar as preocupações crescentes entre os norte-americanos, a maioria dos quais se opõe ao conflito e muitos dos quais estão frustrados com o aumento dos preços da gasolina devido a interrupções no fornecimento global de petróleo.

Criticas à OTAN

Em entrevista à Reuters mais cedo, Trump expressou seu descontentamento com a OTAN pelo que ele considera a falta de apoio da aliança aos objetivos dos EUA no Irã.

Um racha transatlântico durante o segundo mandato de Trump se aprofundou depois que os aliados europeus rejeitaram seu pedido para ajudar a manter a passagem segura do tráfego de petróleo pelo Estreito de Ormuz. Ele disse que estava "absolutamente" considerando retirar os EUA da Otan, uma organização cujo tratado foi ratificado pelo Senado dos EUA em 1949.

Trump acrescentou que, embora os EUA saíssem do Irã "muito rapidamente", os militares poderiam retornar para "ataques pontuais", conforme necessário.
Por Redação g1

PF prende passageira em flagrante por tráfico de drogas no Aeroporto de Manaus

Foram apreendidos 36,5 kg de entorpecentes ocultados em malas despachadas
Manaus/AM. A Polícia Federal realizou, nesta quinta-feira (2/4), a prisão em flagrante de uma passageira por tráfico de drogas durante fiscalização de rotina no Aeroporto Internacional de Manaus/AM.

A ação ocorreu durante inspeção de passageiros que embarcariam em voo comercial com destino a Recife/PE e posterior conexão para Fortaleza/CE.

Na verificação das bagagens despachadas, foram encontrados 36,5 kg de substância entorpecente com características de maconha do tipo skunk.

A suspeita foi conduzida à unidade da PF no aeroporto e, posteriormente, encaminhada à Superintendência Regional da Polícia Federal no Amazonas, onde foram adotadas as medidas legais cabíveis.
Comunicação Social da Polícia Federal no Amazonas

Em semana decisiva, Geraldo Júnior não comparece a agenda com Lula em Salvador

A ausência do vice-governador Geraldo Júnior (MDB) na agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Salvador chamou atenção
Em meio a uma semana considerada decisiva para os rumos da chapa majoritária na Bahia, a ausência do vice-governador Geraldo Júnior (MDB) na agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Salvador chamou atenção.

Diferentemente de outras visitas do chefe do Palácio do Planalto ao Estado, quando costumava aparecer ao lado de lideranças petistas e da base aliada, Geraldo não publicou fotos com o mandatário da República ampliando o clima de incerteza em torno da sua confirmação na posição de vice na chapa governista.

Na quarta-feira (1º), o emedebista já havia sido ausência notada durante a recepção ao presidente na base aérea de Salvador. O cenário se repetiu nesta quinta-feira (2), quando Lula esteve nas obras de implantação do VLT de Salvador, no bairro da Calçada.

Nas redes sociais, as publicações mais recentes do vice-governador mostram sua participação no ato de filiação da ex-prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho, que deixou o PT para se filiar ao MDB, legenda pela qual deve disputar uma vaga na Câmara dos Deputados em outubro.
Por Carine Andrade

Veja os elos de ministros do STF e seus parentes com caso do Banco Master

Plenário do STF
Os elos entre ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e o Banco Master têm marcado a condução do caso na corte. As relações pessoais e profissionais do dono da instituição financeira, Daniel Vorcaro, com membros do tribunal e seus parentes levataram suspeitas e culminaram em troca na relatoria do processo.

O cerne do escândalo financeiro, que levou a decretação da liquidação do banco em novembro de 2025, envolve a oferta de investimentos com redimentos acima do praticado pelo mercado. O esquema tinha como objetivo inflar os ativos da instituição e, para isso, recorria a mecanismos como emissão de títulos falsos.

O processo corre no STF após decisão do ministro Dias Toffoli, então relator do caso. O motivo foi uma negociação imobiliária entre Vorcaro e o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), que possui foro privilegiado.

Quem é quem
  • Alexandre de Moraes
  • Arleen
  • Banco Master
  • Consult
  • Daniel Vorcaro
  • Dias Toffoli
  • Fabiano Zettel
  • Kevin de Carvalho Marques
  • Kassio Nunes Marques
  • Maridt
  • Viviane Barci de Moraes
Alexandre de Moraes

Ele é citado em mensagens vazadas do celular de Vorcaro. O ministro e o dono do Master podem ter coversado no dia da primeira prisão do ex-banqueiro, 17 de novembro de 2025. Segundo informações do jornal O Globo, Vorcaro teria perguntado, na manhã em que foi detido, se o ministro tinha "alguma novidade". "Conseguiu bloquear?", questiona o dono do Master.

Alexandre de Moraes teria respondido com mensagens de texto covertidas em imagens com vizualiação única. O ministro, entretanto, nega a comunicação e afirma se tratar de "ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal".

Também pesam contra ele um contrato no valor de R$ 129 milhões firmado entre o Master e o escritório de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes.

A Folha ainda revelou que o ministro e a mulher dele, Viviane Barci de Moraes, viajaram em jatos executivos de empresas de Vorcaro ou ligadas a ele entre maio e outubro de 2025.

Arleen

Fundo de investimento que comprou uma parte das cotas da Maridt Participações S.A. no resort Tayayá, em Ribeirão Claro (SC). O Arleen era administrado pela financeira Reag, investigada na operação Carbono Oculto por suspeita de envolvimento com o PCC.

A ligação com o Master teria origem na teia usada para inflar artificialmente os ativos do banco. Além disso, as ações da Arleen pertenciam ao fundo Leal. De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, esse outro fundo pertence a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.

Banco Master

Instituição financeira de Daniel Vorcaro liquidada pelo BC (Banco Central) após serem constatados problemas de liquidez. A fraude é estimada em R$ 12 bilhões.

O rendimento oferecido pelo banco era maior do que o praticado pelo mercado, e os valores captados iam para investimentos pouco rentáveis. O esquema dependia da entrada constante de recursos. Emissões de títulos sem lastro e aumento artificial nos ativos do banco também são algumas das operações investigadas pela Polícia Federal.

A relação do Master com instituições financeiras públicas também é focalizada nas investigações. A tentativa de venda para o BRB (Banco de Brasília) e o uso de dinheiro proveniente de fundos de pensão de servidores em aplicações são os principais pontos.

Consult

Empresa de consultoria tributária recebeu R$ 6,6 milhões do Master entre agosto de 2024 e julho de 2025. Desses, R$ 281,6 mil foram repassados a Kevin de Cravalho Marques, que também é sócio do filho do fundados da Consult em outro empreendimento.

Daniel Vorcaro

Sócio e presidente do Master. Foi preso em 17 novembro de 2025, quando tentava embarcar em um vôo internacional. Ele seria solto no dia 29 daquele mês, mas preso, novamente, em maço de 2026. O ex-banqueiro assinou acordo de colaboração premiada e deve fazer delação.

Dias Toffoli

Ministro do STF e sócio da Maridt, foi o primeiro relator do Master na corte. Ele teve sua atuação posta sob suspeita após uma série de decisões consideradas incomuns. Entre elas, o reconhecimento da competência do Supremo para o caso, a convocação de acareação com um diretor do BC, decretação de alto nível de sigilo e a nomeção pelo seu gabinete dos peritos. O ministro chegou a voltar atrás e criticou publicamente o trabalho da Polícia Federal.

Deixou a condução do caso depois da PF encaminhar um relatório ao presidente da corte, Edson Fcahin, detalhando as transferências financeiras entre a empresa de sua família e os fundos ligados ao Master, também dilgadas pela Folha. A decisão de afastar o então relator foi tomada em reunião secreta com os ministros. Toffoli chegou a se defender no plenário do Supremo, dizendo que "vários magistrados são donos de empresas".

O ministro também voou em um avião de empresa que tinha Vorcaro como sócio em julho de 2025, segundo documentos obtidos pela Folha.

Fabiano Zettel

Pastor, cunhado de Vorcaro e ex-diretor do Master. Ele é apontado como principal operador financeiro do ex-banqueiro e aparece em mensagens combinando pagamentos à empresa dos irmãos Toffoli. Zettel também era o principal acionista do fundo dono do Arleen.

Kevin de Carvalho Marques

Filho do ministro Nunes Marques, tem 25 anos e é advogado. Ele foi subcontratado pela Consult e recebeu 11 parcelas no valor de R$ 25 mil. Ao todo, os repasses a ele somaram R$ 281,6 mil. Kevin é sócio do filho do fundador da Consult, Gabriel Campelo de Carvalho, em uma empresa chamada IPGT (Instituto de Pesquisa e Gestão Tributária). As companhias têm o mesmo endereço de email.

Em site posteriormente retirado do ar, Kevin afirmava que, com um ano de profissão, possuia mais de 500 clientes e 1000 casos concluídos, segundo informações do jornal O Estado de São Paulo. A assessoria informou que a postagem da página era uma versão preliminar.

Kássio Nunes Marques

Antes da designação de Toffoli, a defesa de Vorcaro pediu para que Marques fosse escolhido relator. O argumento usado foi possível relação do caso Master com a Operação Overclean, relatada por ele.

Maridt

Empresa de Toffoli com os irmãos José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli que possuia participações no resort Tayayá. O nome é um acrônimo feito a partir da palavra "Marília", terra natal da família, e das iniciais de Dias Toffoli.

Por ser uma sociedade anônima, o nome do ministro não aparecia publicamente no quadro societário. Seus irmãos, por serem sócios-administradores, tinham os nomes divulgados nos regitros públicos da empresa. Toffoli adimitiu sua participação na companhia após a divulgação do relatório da PF.

Assim como no caso do Arleen, a CPI do Crime Organizado havia decretado a quebra de sigilo fiscal da empresa, o que foi revertido por decisão do ministro Gilmar Mendes.

Viviane Barci de Moraes

Esposa do ministro Alexandre de Moraes e sócia de um escritório que mantinha contrato de R$ 129 milhões com o Master. Os repasses eram mensais no valor de R$ 3,6 milhões e durariam cerca de três anos, segundo o jornal O Globo. O escopo do contrato era abrangente e não previa a prestação de nenhum serviço em específico.

Após a divulgação das possível conversa entre Moraes e Vorcaro no dia da prisão do ex-banqueiro, Viviane falou publicamente sobre o contrato. Segundo a advogada, entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, seu escritório relizou 94 reuniões de trabalho, produziu 36 pareceres e mobilizou 15 advogados.

Por João Pedro Abdo/Folhapress
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Saiba quais são as principais datas do calendário eleitoral de 2026

Deputados federais, estaduais e distritais que desejam mudar de legenda para disputar as eleições de 2026 sem o risco de perda do mandato têm até esta sexta-feira (3) para oficializar a troca, prazo final para a chamada janela partidária.

Já os atuais mandatários do Executivo como prefeitos, governadores e presidente da República têm até o sábado (4) para renunciar aos mandatos caso queriam concorrer a cargos diferentes.

Eleitores também precisam ficar atentos aos prazos para estarem aptos à votação em outubro.

Confira as principais datas do calendário de 2026, conforme a Justiça Eleitoral:

Abril

Janela partidária

3 de abril - Fim da janela partidária, período em que deputados federais, estaduais e distritais podem trocar de partido sem perder o mandato atual.

Desincompatibilização

4 de abril - Data limite para presidente, governadores e prefeitos que quiserem concorrer a outros cargos em 2026 renunciem aos mandatos.

Domicílio eleitoral e filiação

4 de abril - Candidatos devem estar com domicílio eleitoral na circunscrição em que desejam disputar as eleições. Até esta data também devem estar com a filiação partidária deferida na agremiação pela qual pretendem concorrer.

Cadastro biométrico

6 de abril - Último dia para eleitores sem cadastro biométrico válido na Justiça Eleitoral solicitarem as operações de alistamento, transferência e revisão por meio do serviço de autoatendimento eleitoral online.

Maio

Título de eleitor, transferência e regularização

6 de maio - Data final para requisição do título de eleitor, transferência do local de votação, regularização de multas e revisão de qualquer informação constante do cadastro eleitoral. O voto é obrigatório a partir dos 18 anos e facultativo aos jovens de 16 e 17 anos, aos maiores de 70 anos e às pessoas analfabetas.

Teste de urna

13 a 15 de maio - Será realizado o teste público de confirmação de segurança dos sistemas eleitorais e das urnas eletrônicas, na sede do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em Brasília.

Financiamento coletivo

15 de maio - Pré-candidatos podem iniciar a campanha de arrecadação prévia de recursos na modalidade de financiamento coletivo, desde que não façam pedidos de voto e obedeçam às demais regras relativas à propaganda eleitoral na internet.

Junho

Fundo eleitoral

16 de junho - Data-limite para o TSE divulgar o montante de recursos disponíveis no fundo eleitoral, que é abastecido com dinheiro público e é usado para financiar campanhas pelo país.

Emissoras e pré-candidatos

30 de junho - A partir desta data, emissoras de rádio e de televisão não podem transmitir programa apresentado ou comentado por pré-candidato.

Julho

Condutas vedadas a agentes públicos

4 de julho - Agentes públicos ficam impedidos de realizar nomeações, exonerações e contratações, assim como participação em inauguração de obras públicas.

Agosto

Vedação às emissoras de rádio e TV 

4 de agosto - A partir desta data, as emissoras de rádio e de televisão não podem, em sua programação normal e em seu noticiário, ainda que sob a forma de entrevista jornalística:
  • veicular propaganda política;
  • dar tratamento privilegiado a candidato, partido, federação ou coligação, inclusive sob a forma de retransmissão de live eleitoral;
  • veicular ou divulgar filmes, novelas ou qualquer outro programa com alusão ou crítica voltada especificamente a candidato, partido, federação ou coligação, mesmo que dissimuladamente, exceto programas jornalísticos ou debates políticos;
Convenções partidárias

De 20 de julho a 5 de agosto - Partidos e federações realizam convenções para deliberar sobre coligações e escolher os candidatos que concorrerão.

Registro de candidaturas 

15 de agosto - Prazo máximo para os partidos apresentarem os pedidos de registro de candidatura à Justiça Eleitoral.

Começo da propaganda eleitoral

16 de agosto - Início da propaganda eleitoral nas ruas e na internet.

Horário gratuito

28 de agosto a 1º de outubro - Horário eleitoral gratuito nas emissoras de rádio e TV relativo ao primeiro turno das eleições.

Setembro

Lacração dos sistemas 

14 de setembro - Os sistemas eleitorais e os programas de verificação desenvolvidos pelas entidades fiscalizadoras deverão estar lacrados, com apresentação das mídias pelo TSE em cerimônia.

Prisão

19 de setembro - A partir desta data, candidatos não poderão ser presos, exceto no caso de flagrante delito.

29 de setembro a 6 de outubro - Eleitores não poderão ser presos, a não ser em caso de flagrante delito, em cumprimento de sentença judicial por crime inafiançável ou em razão de desrespeito a salvo-conduto. 

Outubro

Verificação dos sistemas

3 de outubro - O TSE promove cerimônia de verificação dos sistemas de totalização dos votos e de arquivos de urna.

Transporte de armas e munições 

3 a 5 de outubro - fica proibido a colecionadores, atiradores e caçadores transportar armas e munições em todo o território nacional.

Votação do primeiro turno

4 de outubro - Dia da votação do primeiro turno. As seções abrem às 8h e fecham às 17h, pelo horário de Brasília.

Em caso de segundo turno

Se houver segundo turno, será veiculada propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão de 9 a 23 de outubro.

A partir do dia 10, nenhum candidato que participará do segundo turno poderá ser detido ou preso, salvo no caso de flagrante delito.

A partir do dia 19, nenhum eleitor poderá ser preso ou detido, salvo em flagrante delito, ou em virtude de sentença criminal por crime inafiançável, ou por desrespeito a salvo-conduto.

Votação do segundo turno

25 de outubro - A votação nos locais com segundo turno será realizada também das 8h às 17h, pelo horário de Brasília.

Dezembro

Diplomação

18 de dezembro - Eleitos serão diplomados pela Justiça Eleitoral.

Janeiro de 2027

Posses

5 e 6 de janeiro - Pela primeira vez, a posse para o cargo de presidente da República acontecerá no dia 5 de janeiro e, a dos governadores, no dia seguinte. Anteriormente, a posse ocorria em 1º de janeiro.

Por Folhapress

Mensagens mostram que Vorcaro tentou vender testes de Covid na pandemia

Daniel Vorcaro
Mensagens obtidas pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do INSS mostram que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tentou vender testes da Covid-19 em março de 2020, quando ainda era um empresário distante dos holofotes.

O ex-banqueiro conversou com um integrante da Casa Civil da Presidência à época sobre a importação do produto. No diálogo registrado em uma captura de tela armazenada no celular de Vorcaro, o funcionário perguntou como o governo federal poderia ajudá-lo.

Na sequência, Vorcaro diz que teve um "empecilho" por causa de uma "intervenção" do governo coreano. O ex-banqueiro afirma que a compra havia sido dificultada, mas que estava trabalhando para "fechar com outro fornecedor".

Naquele momento, Vorcaro era um empresário com atuação principal no ramo imobiliário. Declarações de Imposto de Renda do ex-banqueiro que também chegaram à CPI apontam R$ 469,7 milhões em bens em 2020, valor que alcança R$ 2,64 bilhões em 2024.

Ele havia assumido o controle do Banco Máxima em 2019, meses antes do diálogo sobre a venda de testes. A instituição foi rebatizada para Master em 2021.

A conversa não permite concluir se o ex-banqueiro fez alguma compra de testes, efetivamente, ou desejava vender diretamente ao governo Jair Bolsonaro (PL). Também não menciona nomes de empresas ou modelos de testes.

A Folha apurou com integrantes da Casa Civil e do Ministério da Saúde que atuaram no comitê de crise do governo Bolsonaro que diversos empresários pediram ajuda para tentar importar testes, mas poucas tratativas avançaram.

Os mesmos funcionários afirmam que diversos países, incluindo a Coreia do Sul, restringiram exportações naquele momento para garantir estoque de produtos usados no controle da Covid-19.

Procurada, a assessoria de Vorcaro não quis se manifestar sobre os diálogos.

Nos primeiros meses da pandemia, o governo distribuiu principalmente testes rápidos recebidos por doações de empresas. No mesmo período, o Ministério da Saúde chegou a pedir ofertas de empresas interessadas em entregar os produtos para diagnóstico rápido, mas cancelou a compra.

Mais tarde, o governo comprou testes de uma farmacêutica coreana. A aquisição do exame do modelo RT-PCR, considerado padrão-ouro para diagnóstico, foi feita por meio da Opas (Organização Pan-Americana de Saúde).

O Ministério da Saúde, porém, estocou por meses a maior parte dos exames, pois não havia comprado o kit completo para diagnóstico. Ao menos 1,2 milhão de exames perderam validade ainda no armazém da pasta.

Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro, quando tentava embarcar para o exterior, no Aeroporto de Guarulhos. Ele foi solto dez dias depois e voltou a ser preso em 4 de março em nova fase da operação policial Compliance Zero.

Vorcaro negocia com a PF e a PGR (Procuradoria-Geral da República) um acordo de delação premiada. Ele foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília para a superintendência da PF na capital federal para discutir os termos do acordo.

Nas últimas semanas, a CPI do INSS recebeu milhares de documentos de Vorcaro. No último dia 16, porém, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça proibiu o acesso aos documentos decorrentes da quebra de sigilo do ex-banqueiro.

Entre as informações estão desde dados financeiros, como declarações de Imposto de Renda, até conversas com a ex-noiva Martha Graeff em que relata encontro com autoridades, como o ministro Alexandre de Moraes e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Por Thaísa Oliveira, Mateus Vargas e Augusto Tenório/Folhapress

Grandes distribuidoras de combustíveis decidem ficar fora de programa de subvenção ao diesel

Segundo pessoas com conhecimento das discussões, o prazo de inscrição para receber subvenção pelas vendas em março se encerrou na terça-feira (31)
As maiores distribuidoras de combustíveis do país decidiram não participar da primeira fase do programa de subvenção ao preço do diesel criado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para enfrentar os efeitos da guerra no Irã.

Segundo pessoas com conhecimento das discussões, o prazo de inscrição para receber subvenção pelas vendas em março se encerrou na terça-feira (31) sem participação das três gigantes do setor, responsáveis por metade das importações privadas do combustível: Vibra, Ipiranga e Raízen.

Na mira de operações do governo contra aumentos abusivos, as três distribuidoras não comentam oficialmente o assunto, mas fontes dizem que incertezas nas regras do programa e percepção de insegurança jurídica com a onda de autuações afastaram empresas privadas do programa.

As empresas ausentes questionam também os preços máximos definidos para a venda do diesel. Para o diesel importado, o governo limitou o socorro a quem vender o produto a distribuidoras abaixo de um valor que varia entre R$ 5,28 e R$ 5,51 por litro, dependendo da região.

Com o preço do diesel importado acima de R$ 6 por litro nas semanas de vigência da subvenção, algumas empresas consideraram que as importações só eram viáveis se vendessem o produto acima dos preços máximos do governo.

Elas preferiram em março vender diesel importado ao preço internacional, sem o desconto de R$ 0,32 por litro prometido pelo governo. Maior fornecedora brasileira, responsável por 77% das vendas em 2025, a Petrobras aderiu à subvenção.

O governo negocia com estados uma ampliação do programa, com subvenção adicional de R$ 1,20 para o litro de diesel importado. O maior desconto pode tornar o programa mais atrativo, segundo fontes ouvidas pela reportagem.

Lista prévia de adesões à qual a Folha teve acesso mostra ainda que outras importadoras e distribuidoras de médio porte, como Royal FIC, Sul Plata Trading, Petro Energia e Midas, todas filiadas à Abicom (Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis), decidiram aderir.

A lista oficial ainda não foi divulgada pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis). Questionada sobre a ausência das maiores distribuidoras do país e as críticas sobre incertezas, a ANP não respondeu.

Mas há também importadoras independentes que decidiram ficar de fora nesse primeiro momento, como a Nimofast, que cresceu na esteira do diesel russo nos últimos anos. "O preço importado estava muito alto e o preço de referência [para receber o subsídio], muito baixo", diz Ramon Reis, sócio da empresa.

A ausência de importadoras relevantes reduz a eficácia do programa, cujo objetivo é impedir repasses da escalada das cotações internacionais ao preço final do combustível, que já subiu 24% nas bombas desde o início da guerra.

O Brasil importa cerca de 30% de seu consumo de diesel. A Petrobras é responsável por 40% deste total, e o restante é privado. As distribuidoras respondem tradicionalmente por metade das importações privadas.

As pessoas ouvidas pela Folha dizem que uma revisão da decisão de não aderir ao programa vai depender de análises sobre os preços da segunda fase da subvenção, que vai até o fim de abril, e da entrada dos estados no programa, ampliando o benefício.

INCERTEZAS

A fórmula de reajuste dos preços máximos de venda do diesel só foi divulgada na última sexta (27), dois dias úteis antes do fim do prazo para a adesão, o que ampliou a sensação de incerteza.

Fontes do setor têm dúvidas sobre o modelo de pagamento da subvenção. Até hoje, as maiores distribuidoras de combustíveis do país tentam reaver na Justiça valores que consideram devidos pelo governo na subvenção de 2018.

Questionam também a ofensiva do governo contra repasses de aumentos de custos às bombas, alvos de operações da PF, ANP e a órgãos de defesa do consumidor. Acreditam que a adesão à subvenção ampliará a cobrança sobre a revenda por cortes de preços em um momento de alta de custos.

Procurado, o MME (Ministério de Minas e Energia), responsável pela definição dos preços para março, disse que questões sobre a subvenção deveriam ser direcionadas ao Ministério da Fazenda. Esta pasta não respondeu ao pedido de entrevista feito por e-mail.
Por Nicola Pamplona/Folhapress

Suspeito morre em confronto com a Polícia Civil e carga roubada é recuperada em Ibirapitanga

Reprodução / Ubatã Notícias

A Polícia Civil da Bahia, por meio da Delegacia Territorial (DT) de Ibirapitanga, recuperou uma carga roubada na tarde desta terça-feira (1º) após perseguição e confronto nas proximidades da BR-101. De acordo com a polícia, agentes interceptaram um veículo Fiat Fiorino branco com dois ocupantes. Ao perceberem a aproximação policial, os suspeitos tentaram fugir, dando início a uma perseguição que terminou quando o veículo desceu uma ribanceira.

— Crédito: Reprodução/Ubatã Notícias

Ainda conforme a Polícia, o passageiro desceu do carro, desobedeceu à ordem de parada e efetuou disparos contra os policiais, que reagiram. O suspeito foi atingido, socorrido ao Hospital de Ibirapitanga, mas não resistiu aos ferimentos. Ele foi identificado como Fernando Santos de Santana, 19 anos, que possuía mandado de prisão preventiva em aberto por roubo, expedido pela Vara de Jurisdição Plena de Ubatã. Segundo a Polícia Civil, o jovem também era investigado por envolvimento em crimes de tráfico de drogas, roubos e furtos na região.

— Crédito: Reprodução/Ubatã Notícias

O motorista do veículo foi preso em flagrante. De acordo com a polícia, ele não possui antecedentes criminais e responderá por participação no roubo de carga. Com o suspeito que morreu, foi apreendido um revólver calibre .32 com numeração suprimida e seis munições, sendo duas deflagradas.

— Crédito: Reprodução/Ubatã Notícias

Dentro da Fiorino, os policiais recuperaram parte da carga roubada: um iPhone 14, um iPhone 11, um aparelho Redmi, três bicicletas, três freezers e uma geladeira. Os eletrodomésticos haviam sido levados de um caminhão-baú com mercadorias da empresa Gazin Eletrodomésticos, roubado por cinco homens armados por volta das 14h, entre Travessão e Camamu. O caminhão e as mercadorias foram recuperadas. O motorista foi liberado pelos criminosos às 17h, no trevo de Ubatã. Todo o material recuperado foi encaminhado à Delegacia Territorial de Ibirapitanga, onde permanece à disposição para identificação dos proprietários. *Com informações do Ubatã Notícias

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