Fadiga, perda de aliados e falta de renovação desafiam novo ciclo eleitoral de Lula e do PT na Bahia

Depois de 20 anos ininterruptos governando o Estado, o PT da Bahia caminha para as urnas em 2026 acompanhado do mesmo fenômeno que ronda e desafia a pretensão de reeleição do presidente Lula (PT): a fadiga política.

A tarefa de convencer o eleitorado a renovar o contrato social do voto por mais quatro anos com o governador Jerônimo Rodrigues (PT) encontra resistência tanto na dificuldade de apresentar um horizonte efetivamente novo para o futuro do Estado quanto no desgaste acumulado em temas que lideram as preocupações dos baianos, como segurança pública e saúde.

Este ano, mais uma vez o Atlas da Violência mostrou que a Bahia manteve a posição inglória de líder nacional em número absoluto de homicídios, com 6.061 mortes violentas. Na saúde, o drama da famigerada fila da regulação se acentuou, elevando em 213% o tempo de espera por atendimento, segundo relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE-BA).

Ancorada por Lula, a vitória de Jerônimo em 2022 se deu, todavia, em bases atípicas para um grupo que nutria até então uma sensação de hegemonia serena constituída com quatro disputas anteriores liquidadas em primeiro turno por Jaques Wagner e Rui Costa de 2006 a 2018.
Naquele pleito a soma dos votos de Neto e João Roma (PL) - agora unidos numa única chapa - foi maior que o total recebido por Jerônimo no primeiro turno. Foi justamente a fragmentação da oposição que levou a disputa para o segundo turno, o que tende a não se repetir.

Nos últimos anos, o arco de alianças que sustentou a longevidade do projeto petista começou a apresentar fissuras relevantes. Em 22, o então vice-governador João Leão rompeu uma parceria de mais de uma década e levou o PP para a oposição. Agora, em 2026, foi a vez do senador Angelo Coronel (ex-PSD, atualmente no Republicanos) ser excluído da chapa majoritária diante da decisão do PT de lançar uma composição puro-sangue, com Jerônimo disputando a reeleição e os ex-governadores Rui e Wagner concorrendo às duas vagas ao Senado.

Para o professor e cientista político Paulo Fábio Dantas, esse processo reflete o esgotamento de um modelo político que marcou a ascensão do PT ao poder no Estado.

“Na Bahia há um arranjo de poder que evidentemente se desgastou e caducou. O que não quer dizer que ele não tenha sido importante”, assinala o professor e cientista político Paulo Fábio Dantas em entrevista ao Política Livre.

Segundo ele, o modelo político erguido por Wagner em 2007 tinha potencial para proporcionar ao grupo uma longevidade semelhante à experimentada pelo carlismo, mas deixou de ser renovado a partir da chegada de Rui Costa ao governo.

“Eu acho que Rui cumpriu muito bem a tarefa de manter o esquema que estava ali dentro do possível. O que ele não foi capaz foi de encontrar um Rui Costa para ele, como Wagner encontrou ele. Ele tinha que preparar alguém que pudesse renovar, e não foi feito. Jerônimo foi um improviso. Porque justamente a visão da política de Rui foi a visão da política imediata, da política pequena. Da obra, da correria, de responder à conjuntura. Não houve ali uma visão larga de montagem de um esquema político que pudesse apontar a perspectiva de futuro. Então, eu acho que o arranjo político perdeu densidade, perdeu discurso, perdeu efetividade. Ele está, de fato, desgastado”, observa.

Sequelas nacionais

Na avaliação do cientista político, esse desgaste também dialoga com mudanças ocorridas no cenário nacional desde o segundo governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), quando o ambiente político brasileiro passou a deslocar-se para a centro-direita, ainda que o PT baiano tenha conseguido preservar alianças locais com partidos que se tornaram adversários em Brasília.

“Na eleição de Rui Costa em 2014, você passa a ter esse arranjo já na defensiva. Eles estão há 12 anos na defensiva, tentando se manter […] No momento da eleição de 2018, quando o Rui se reelegeu, já era um momento do PT começar a pensar num outro arranjo político porque aquele já tinha feito água no país”.

Mas diferente disso, Rui passou a criar arestas e “entrou num processo até de emulação, de competição com a figura do Wagner, e isso reduziu as possibilidades. Esse grupo, em vez de se ampliar, ele começa a diminuir”.

“Portanto, você tem já desde 2018, a meu ver, mas principalmente a partir de 2022, que esse sistema governista baiano precisa se renovar no sentido de voltar a jogar expectativas de renovação, de futuro, de horizonte para o Estado. Isso não está acontecendo”, prossegue Paulo Fábio.

Se por um lado o desgaste acumulado ao longo de duas décadas cria dificuldades para o PT renovar seu mandato junto ao eleitorado, por outro abre uma janela de oportunidade para a oposição voltar a disputar o governo em condições mais competitivas, desde que não cometa o pecado de se abraçar às querelas nacionais do bolsonarismo.

“Acho que o grande desafio para ele [ACM Neto] é conseguir fazer isso sem ceder à polarização nacional e não se enganchar com Flávio Bolsonaro. Porque se ele fizer isso num estado como a Bahia é um presente que o PT pediu aos céus para a ganhar a eleição”, afirma Paulo Fábio.

“Se aproximar do bolsonarismo na Bahia é um suicídio eleitoral”, frisa.

Embora não tenha anunciado oficialmente seu presidenciável, ACM Neto já afirmou que não ficará no “tanto faz” do qual foi acusado na eleição passada. A tendência mais provável é apoiar o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que chegou a lançar sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto em Salvador ao lado de Neto e Bruno Reis, quando ainda estava no União Brasil.

Fadiga e interdependência de Lula

Lula e o PT da Bahia nutrem uma relação de interdependência de voto no Estado de modo mais marcante a partir de 2007 com a eleição de Wagner, fazendo do solo baiano um dos principais redutos petistas do país, garantindo votações expressivas nas eleições presidenciais, enquanto Lula, por sua vez, demonstrou elevada capacidade de transferência de votos para candidatos aliados nas disputas locais, como ocorreu com a eleição de Jerônimo.

Essa conexão ajuda a explicar por que o desempenho do presidente em 2026 será decisivo para as pretensões do PT baiano de permanecer no Palácio de Ondina.

Mas a despeito do passivo temporal que também desafia o Lula 3, o cientista Paulo Fábio diz que o principal problema enfrentado por ele decorre do distanciamento entre as expectativas criadas durante a campanha de 2022 e a forma como conduziu seu terceiro mandato.

Com 12 anos na presidência, Lula é o terceiro governante com mais tempo no poder no Brasil, atrás apenas de Dom Pedro II (49 anos) e Getúlio Vargas (18).

“Eu duvido é que isso tenha o peso decisivo, como o pessoal da área de marketing costuma atribuir. Claro que existe a fadiga, eu não vou negar o óbvio. Mas na minha interpretação, o que está fazendo o governo Lula e a própria reeleição dele patinar é o fato dele ter tido na mão um mandato para pacificar o país […] e ele não conseguiu realizar a missão para a qual foi eleito, que era a de virar a página daquilo que tinha acontecido no Brasil do impeachment até 2022. Ele não conseguiu fazer isso, ficou no pântano”, destaca o professor.

Nesse sentido, abre-se espaço para a hipótese de que o próprio Lula teria procedido de tal forma a fim de que seu adversário fosse novamente o bolsonarismo, sob pena de dar de ombros de pacificar o país.

“É uma promessa não cumprida. E isso tem um custo eleitoral”, salienta Dantas.

“A verdade é que Lula não governou o país nesses três anos e meio como um presidente de uma grande frente cívica nacional para tentar pacificar o país. Ele governou o país como um petista em luta contra o bolsonarismo, como alguém do campo da esquerda enfrentando uma luta contra a direita. Evidentemente que isso entra em colisão com uma expectativa geral que foi criada numa parte do eleitorado que o elegeu. Quer dizer que ele vai perder a eleição? Não, ele pode se reeleger dentro daquele jogo das rejeições”, completa.

Por Política Livre

PRF apreende Haxixe “Ice” escondido dentro de para-choque de veículo na BR-381 em Betim (MG)

Droga apreendida durante Operação Cerco Fechado seguia para região central de BH (MG)
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) prendeu um homem por tráfico de drogas, na madrugada deste sábado (13), após localizar cerca de 16,8 quilos de haxixe do tipo “Ice” escondidos em um veículo na BR-381, em Betim (MG).

A ocorrência foi registrada durante patrulhamento tático realizado pela PRF na altura do km 499 da rodovia, quando os policiais deram ordem de parada a um automóvel VW Nivus.

Durante a abordagem, o condutor apresentou nervosismo excessivo e forneceu informações contraditórias sobre a viagem, o que motivou uma fiscalização mais detalhada do veículo.

Utilizando técnicas avançadas de fiscalização, os policiais localizaram aproximadamente 16,8 quilos de Haxixe na modalidade conhecida como “Ice”, um derivado concentrado da cannabis com elevado valor no mercado ilícito. A droga estava escondida no interior do para-choque do automóvel.

Questionado sobre o transporte do entorpecente, o homem, de 44 anos, afirmou que iria entregar o veículo na região central de Belo Horizonte (MG).

Diante dos fatos, ele foi preso em flagrante pelo crime de tráfico de drogas e encaminhado à Central Estadual do Plantão Digital da Polícia Judiciária em Betim (MG), juntamente com o veículo e a droga apreendida.
Categoria
Justiça e Segurança

Lula no G7 gera expectativa por tarifa dos EUA e veto à carne pela UE

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (13) para a cidade de Évian-les-Bains
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (13) para a cidade de Évian-les-Bains, na França, onde participará, como convidado, da Cúpula do G7, o fórum que reúne sete das maiores economias industrializadas do planeta.

É a 10ª vez que Lula participa deste encontro, ao longo de seus três mandatos. São membros plenos do grupo: Canadá, Estados Unidos (EUA), Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Japão. A União Europeia (UE) também participa como membro institucional.

A ida de Lula acende a expectativa para possíveis interações com o presidente dos EUA, Donald Trump, em um momento de novo tensionamento entre os dois países, duas semanas após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) indicar a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras.

O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano pelo governo de Trump contra supostas "práticas desleais" do Brasil no comércio com os EUA. Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar "injustamente" empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o WhatsApp Pay.

Até o momento, não houve confirmação sobre uma possível reunião bilateral entre Lula e Trump. Se algum encontro entre os dois líderes ocorrer na França, será pouco mais de um mês da última reunião de ambos, na Casa Branca, em Washington, no início de maio.

Na ocasião, segundo Lula, equipes dos dois governos foram orientadas a apresentar uma proposta para resolver o impasse sobre tarifas de exportação e da investigação comercial do USTR, o que efetivamente ainda não aconteceu.

"Isso [encontro entre Lula e Trump] não está definido. Com os Estados Unidos os contatos seguem, por enquanto é o que eu posso dizer, e que estão em andamento de uma forma intensa, desde sempre, e isso continua acontecendo", afirmou o embaixador Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores (MRE), em entrevista a jornalistas nesta quarta-feira (10).

Este também vai ser o primeiro contato entre Lula e Trump após o governo norte-americano passar a designar formalmente as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês).

O governo brasileiro vinha tentando, nos últimos meses, evitar essa designação por avaliar que isso poderia abrir caminho para uma ação militar dos EUA no Brasil ou para a aplicação de sanções severas em setores econômicos e financeiros.

Veto à carne brasileira
Outro foco de atenção na viagem de Lula ao G7 passa pela relação com a União Europeia. Há uma semana, o bloco oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.

Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial do dia 5 de junho.

Também não há definição sobre um possível encontro de Lula com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

"Obviamente que eu acho que o recado principal que nós queremos passar aos europeus é que ficamos assim um pouco surpresos da maneira como foi. Nós estamos vendo algumas medidas da União Europeia que nos causam alguma preocupação. E o tom da discussão, se houver, ou em outros momentos, não necessariamente no G7, vai ser esse, com uma certa preocupação por esses últimos desdobramentos e ver o que a gente pode fazer para resolver as questões", apontou o embaixador Philip Fox-Drummond Gough, que acompanha diretamente as tratativas.

Brasil e Japão
Enquanto não se confirmam as reuniões bilaterais de Lula durante a cúpula do G7, um encontro que já está certo na agenda será com a primeira-ministra do Japão é Sanae Takaichi. Ela fez história ao se tornar a primeira mulher a assumir o principal cargo do Executivo no país asiático, tomando posse em outubro de 2025.

Este será o primeiro encontro oficial entre ambos e há uma expectativa de se abrir negociações em torno de um futuro acordo do Japão com o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai).

A cúpula do G7 deste ano, presidida pela França, ocorre de 15 a 17 de junho. Além do Brasil, o grupo convidou líderes de outros países importantes, como Índia, Quênia, Coreia do Sul e Egito. Outra provável reunião bilateral de Lula deverá ser com o anfitrião do evento, o presidente francês Emmanuel Macron.

Sessões deliberativas
O Itamaraty confirmou que Lula participará de três eventos durante o G7.

O primeiro, no dia 16, é uma sessão de líderes em que o presidente brasileiro discursará sobre parcerias internacionais para o desenvolvimento. A expectativa é que Lula cobre a ampliação da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD). A chamada AOD, que no inglês é Official Development Assistance (ODA), refere-se a repasses financeiros realizados pelos países mais industrializados do mundo para promover o bem-estar e o desenvolvimento econômico de países em situação de mais vulnerabilidade.

No dia 17, em outra sessão de líderes, Lula vai abordar o tema do crescimento econômico equilibrado, ocasião em que falará com ênfase sobre a necessidade de reforma da governança global, especialmente instituições como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a própria Organização das Nações Unidas (ONU).

Ainda no dia 17, a comitiva brasileira participará de um almoço que terá como tema central a Inteligência Artificial (IA).

Por Pedro Rafael Vilela/Agência Brasil

Ibirataia Prefeito Sandro Futuca participa de procissão em homenagem ao padroeiro do Distrito de Algodão

Presença da gestão municipal reforça apoio às tradições religiosas e culturais de Ibirataia
No último sábado (13), o prefeito Sandro Futuca participou da tradicional procissão em homenagem a Santo Antônio, padroeiro do Distrito de Algodão, em Ibirataia. O evento reuniu fiéis, autoridades e lideranças locais em um momento de fé, devoção e valorização das tradições religiosas que fazem parte da história do município.
Também estiveram presentes o presidente da Cerb, Jayme Vieira, a primeira-dama Luanna Figueiredo, o presidente da Câmara Municipal, Peruca, vereadores da base governista, secretários municipais e diversas lideranças políticas. A participação das autoridades reforçou o compromisso da administração municipal com o fortalecimento dos laços entre o poder público e a população, valorizando eventos que preservam os costumes e a memória da comunidade.
O prefeito Sandro Futuca ressaltou a relevância de manter vivas as tradições que unem as famílias e fortalecem os valores culturais do povo ibirataense. “Participar deste momento é reafirmar nosso respeito pela fé do nosso povo e pelas tradições que unem as famílias e fortalecem nossa identidade cultural. Seguiremos presentes e trabalhando sempre ao lado da população”, afirmou. A presença da Prefeitura de Ibirataia na festividade reafirma o incentivo às manifestações culturais e religiosas, reconhecendo seu papel na preservação da história, dos costumes e dos valores da comunidade.

Passageiro é detido em terminal de Salvador após praticar importunação sexual dentro de ônibus

Episódio ocorreu na noite de sexta-feira e teve a confirmação oficial divulgada pela Polícia Civil na tarde deste sábado

Um homem de 54 anos foi preso em flagrante sob a acusação de importunação sexual após constranger e assediar um passageiro no interior de um ônibus do sistema de transporte público de Salvador. O episódio ocorreu na noite de sexta-feira (12) e teve a confirmação oficial divulgada pela Polícia Civil na tarde deste sábado (13).

Segundo o registro da ocorrência policial, o suspeito abordou a vítima de forma agressiva durante a viagem, passando a exibir vídeos com conteúdo pornográfico explícito em um aparelho celular e exigindo que o passageiro retirasse a roupa no meio do coletivo.

Diante da investida e do constrangimento imposto no veículo, a vítima conseguiu se desvencilhar assim que o ônibus se aproximou de uma área de integração e buscou o auxílio imediato das equipes de vigilância patrimonial que atuam no terminal de transbordo localizado na região do Acesso Norte.

Os funcionários de segurança privada do terminal agiram prontamente, interceptando e contendo o suspeito dentro do complexo até a chegada de guarnições da Polícia Militar da Bahia que realizavam o patrulhamento na área. Os policiais efetuaram a prisão do indivíduo e o conduziram para a Central de Flagrantes.

Na unidade da Polícia Civil, após a coleta dos depoimentos da vítima, das testemunhas e dos agentes envolvidos na captura, a autoridade policial ratificou a prisão em flagrante com base na legislação que criminaliza a importunação sexual.

O homem passou pelos exames periciais de praxe, permaneceu custodiado nas carceragens da instituição e agora se encontra formalmente à disposição da audiência de custódia do Poder Judiciário baiano.

Justiça converte em preventiva prisão de homem suspeito de importunação sexual no metrô

O suspeito de ejacular em uma passageira no metrô de Salvador teve a sua prisão em flagrante convertida em prisão preventiva durante audiência de custódia realizada pelo Poder Judiciário da Bahia. O homem, identificado formalmente nos autos do processo como Swan Tales de Assis Santos, foi autuado pelo crime de importunação sexual e permanecerá custodiado preventivamente no sistema prisional do estado, sem prazo determinado para responder aos desdobramentos da ação penal.

De acordo com as informações e documentos processuais acessados pela reportagem, a defesa do acusado ingressou com um pedido de relaxamento da prisão em flagrante, sob a alegação de supostas irregularidades no ato da detenção. Contudo, o juiz Marcus Vinícius da Costa Paiva rejeitou a tese defensiva.

O magistrado fundamentou que o auto de prisão preencheu todos os requisitos formais de legalidade exigidos pelo Código de Processo Penal e atestou que não houve qualquer indício de tortura, maus-tratos ou emprego de violência ilegal por parte dos agentes estatais encarregados da captura e da custódia do preso, chancelando a higidez do procedimento policial.

Ao decretar a prisão preventiva como forma de resguardar a ordem pública e garantir a instrução do processo, o magistrado também fixou diretrizes rígidas no mandado para assegurar a dignidade humana do interno no ambiente prisional. O juiz determinou que a direção da unidade penitenciária adote um conjunto de precauções especiais destinadas a salvaguardar a vida e a integridade de Swan Tales, de modo a evitar possíveis retaliações ou agressões por parte de outros detentos devido à natureza do crime imputado.
Por: Otávio Queiroz

Brasil sofre, e gol de Vinicius Junior impede derrota para Marrocos em estreia na Copa; veja melhores lances

A promessa de uma estreia difícil para o Brasil na Copa do Mundo de 2026 se concretizou na tarde de sábado (13) em East Rutherford, nos arredores de Nova York. A seleção teve pela frente um adversário duro no MetLife Stadium e sofreu para conseguir um empate por 1 a 1 com Marrocos.

Após um péssimo início, no qual levou bonito gol de Saibari e poderia ter levado mais, a equipe dirigida por Carlo Ancelotti conseguiu equilibrar as ações e igualou o marcador ainda no primeiro tempo, em jogada característica de Vinicius Junior pela esquerda.

A formação marroquina diminuiu o ritmo depois do intervalo, e a seleção brasileira melhorou um pouco com algumas de suas substituições –entraram Danilo e Fabinho, depois Luiz Henrique, Matheus Cunha e Danilo Santos. Mas o placar não voltou a ser movimentado.

Cada um dos times, assim, largou com um ponto no Grupo C. A chave é liderada pela Escócia, que conquistou na noite de sábado sua primeira vitória em Copas em 36 anos, fazendo 1 a 0 no Haiti, em Foxborough, nos arredores de Boston.

"Acho que não começamos bem o jogo. A equipe estava um pouco preocupada, perdemos muitos duelos, muitas bolas. A primeira parte não foi boa. Foi uma partida difícil porque Marrocos é uma boa equipe. Agora, é olhar para o próximo jogo", afirmou Ancelotti.

O confronto em East Rutherford foi acompanhado pelo prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. Ele gravou um vídeo antes do duelo recordando Sócrates e a Democracia Corinthiana, porém não viu em campo nada parecido com o Doutor.

Foi desastroso o início da partida do Brasil, dominado por um adversário que parecia ter mais jogadores em campo. Carlo Ancelotti optou por utilizar Ibañez na lateral direita, colocou Douglas Santos na esquerda e surpreendeu ao escalar Igor Thiago como centroavante. Não funcionou.

Marrocos pressionava no campo de ataque, roubava a bola e enfileirava oportunidades. El Aynaoui e Bouaddi trocavam passes com facilidade na região da intermediária. Na ponta esquerda, El Khannouss levava ampla vantagem sobre Ibañez. Em sete minutos a formação africana já havia tido duas oportunidades de finalizar dentro da área.

A seleção verde-amarela teve sua primeira escapada aos 14 minutos, quando Raphinha fez a bola chegar a Vinicius Junior na ponta esquerda. Igor Thiago, na entrada da pequena área, desperdiçou a grande chance e mal encostou na bola no cabeceio.

O lance não mudou o panorama da disputa, e o gol que o time de vermelho já fazia por merecer saiu aos 21 minutos. Paquetá teve dificuldade para dominar um passe forte de Ibañez e permitiu o contra-ataque. Brahim Díaz recebeu de Mazraoui e achou Saibari nas costas de Marquinhos e Gabriel Magalhães. Na cara de Alisson, o camisa 11 o encobriu.

Veio a calhar para Ancelotti a pausa para hidratação, na qual fez um ajuste: abriu Raphinha na direita, tirando dali Paquetá. Não mudou da água para o vinho, porém o Brasil conseguiu equilibrar as ações e ter mais o domínio da bola no meio-campo.

Disposto a encarar repetidamente a marcação, Vinicius Junior teve sucesso aos 32. Tocou para Bruno Guimarães, recebeu de volta dentro da área e soube iludir El Aynaoui antes de acertar um bom chute no canto esquerdo de Bounou, para empatar.

Foi só a partir daí que explodiram os primeiros gritos de Brasil. Surpresa e impaciente até então, a torcida da equipe pentacampeã ainda viu dois bons momentos antes do intervalo, um voleio de Paquetá e um cabeceio de Marquinhos.

A essa altura, o técnico já havia pedido que Danilo, Fabinho e Matheus Cunha iniciassem o trabalho de aquecimento. No intervalo, acionou os dois primeiros, que substituíram Ibañez e Casemiro –estes dois, muito mal na etapa inicial, estavam pendurados com cartão amarelo.

A partida teve um ritmo mais lento na etapa final, mas os principais lances de ataque foram do Brasil. Após o início avassalador, Marrocos diminuiu a marcha e começou a dar mostras de que estava satisfeito com o empate –o goleiro Bounou pediu atendimento médico mais de uma vez.

Para dar maior mobilidade ao ataque, Ancelotti chamou Luiz Henrique e Matheus Cunha, que substituíram Igor Thiago e Paquetá. Houve rapidamente alguns bons lances com a participação do habilidoso Luiz Henrique.

A melhor oportunidade surgiu aos 33 minutos, quando Vinicius Junior recebeu pela esquerda em contra-ataque e deixou Raphinha em ótima posição para finalizar. O camisa 11 pegou mal na bola, porém, e a partida terminou mesmo empatada.

"A estreia é sempre muito difícil. A gente tem que melhorar, continuar evoluindo, porque a competição está só começando. Isto é Copa do Mundo, não vai ter jogo fácil", disse Vinicius, que deseja ver um maior controle da posse nas próximas partidas.

"A gente tem que segurar mais a bola, ficar mais com ela, mover o jogo de um lado para o outro. Muitas vezes, os adversários vão se defender e sair no contra-ataque. Mas agora não tem muito o que falar. É trabalhar porque o segundo jogo está muito perto", acrescentou.

A partida de estreia mostrou que não era descabido tratá-la previamente como equilibrada. Pode soar estranho àqueles habituados a uma ordem anterior do futebol, mas o confronto da tarde opunha o sexto ao sétimo colocado do ranking da Fifa (Federação Internacional de Futebol).

Após ter alcançado a melhor campanha de um time africano na história do Mundial, com as semifinais de 2022, Marrocos teve um ciclo de bons resultados no caminho para 2026. Conquistou o Campeonato Africano de Nações e a Copa Árabe. Nas Eliminatórias para a Copa, teve oito vitórias em oito jogos, com 22 gols marcados e dois sofridos.

A equipe chegou também à conturbada decisão do mais importante torneio de seu continente, a Copa Africana de Nações. Perdeu em campo para o Senegal, mas, porque o adversário chegou a abandonar o campo em protesto contra a arbitragem, foi declarada campeã.

A derrota nas quatro linhas custou o emprego do técnico Walid Regragui. Mas, como o resultado registrado foi um triunfo por WO, a equipe desembarcou nos Estados Unidos com um retrospecto oficial de 29 partidas de invencibilidade.

O técnico desde março é Mohamed Ouahbi, que assumiu o grupo principal após um ótimo desempenho na formação marroquina sub-20, campeã mundial no ano passado. A troca foi em cima da hora, porém Ouahbi recebeu uma base mais sólida do que a encontrada por Ancelotti no Brasil, há pouco mais de um ano.

O italiano é o quarto comandante da seleção desde o Mundial de 2022. Sucedeu Ramon Menezes –derrotado por Marrocos em amistoso realizado em março de 2023–, Fernando Diniz e Dorival Júnior, com apenas 12 jogos para tentar dar nova cara ao time na preparação para a Copa.

Não foi suficiente para uma vitória na difícil estreia. Agora, ele trabalha por triunfos contra adversários teoricamente mais frágeis na sequência do Grupo C: o Haiti, na próxima sexta (19), na Filadélfia, e a Escócia, na quarta seguinte (24), em Miami Gardens.

Brasil 1 x 1 Marrocos (Copa do Mundo - Grupo C)

Brasil: Alisson, Ibañez (Danilo), Gabriel Magalhães, Marquinhos, Douglas Santos, Casemiro (Fabinho), Bruno Guimarães (Danilo Santos), Lucas Paquetá (Matheus Cunha), Raphinha, Igor Thiago (Luiz Henrique) e Vinicius Junior. Técnico: Carlo Ancelotti

Marrocos: Bono; Hakimi, Diop, Riad e Mazraoui (Salah-Eddine); El Aynaoui, Bouaddi, Brahim Díaz (Talbi), Ounahi (El Mourabet) e El Khannouss (Amaimouni); Saibari (Rahimi). Técnico: Mohammed Ouahbi

Gols: Saibari (21min do 1º tempo, Marrocos) e Vinicius Junior (32min do 1º tempo, Brasil)

Cartões amarelos: Casemiro e Ibañez

Público: 80.663 espectadores

Árbitro: Slavko Vincic (Eslovênia)

Assistentes: Tomaz Klancnik (Eslovênia), Andraz Kovacic (Eslovênia ), Sandro Schaerer (Suíça)

VAR: Bastian Dankert (Alemanha)

Local: estádio MetLife, em East Rutherford, nos Estados Unidos

Por Marcos Guedes, Mayara Paixão e Luciano Trindade/Folhapress

Prefeito de Nova York exalta ex-jogador Sócrates e Democracia Corinthiana

O prefeito democrata de Nova York, Zohran Mamdani, falou sobre o Brasil na Copa do Mundo em vídeo publicado neste sábado (13), dia da estreia da seleção contra Marrocos, às 19h (horário de Brasília). O político exaltou o ex-jogador Sócrates, ídolo do Corinthians e que disputou a Copa de 1982.

"Enquanto aguardamos Brasil contra Marrocos, tenho pensado ultimamente em Sócrates, não o filósofo grego antigo, mas o maestro do meio-campo brasileiro. Sócrates jogou tanto no Brasil quanto na Seleção nas décadas de 1970 e 1980. Incluindo a Copa do Mundo de 1982, onde foi capitão da seleção. Foram anos difíceis no Brasil", disse.

O prefeito, opositor do presidente americano Donald Trump, citou ainda a ditadura no Brasil e a Democracia Corinthiana –um movimento histórico no futebol brasileiro onde jogadores corintianos assumiram o controle das decisões do clube.

"Uma junta militar repressiva governava o país, impondo seu domínio pela força. No Corinthians, o clube que ele capitaneava, Sócrates e seus companheiros de equipe participaram daquilo com que os brasileiros comuns sonhavam: democracia", acrescentou.

Mamdani ainda brincou com as torcidas brasileira e marroquina. "Se você está torcendo pelo Brasil, aproveite uma coxinha no Bar Goiano, e se você está apoiando os Leões do Atlas, vá ao Tatara Kitchen para um prato delicioso".

A seleção brasileira, comandada pelo técnico Carlo Ancelotti, estreia neste sábado em East Rutherford, Nova Jersey. Globo, SBT, SporTV, CazéTV, ge tv e N Sports transmitem a partida.
Por Jorge Abreu/Folhapress

Partidos chegam às eleições sem filtros para barrar candidato de facção criminosa

Urna eletrônica
Apesar de alertas de autoridades de todo o país sobre o avanço do crime organizado na política brasileira, a maioria dos grandes partidos se prepara para as próximas convenções sem ter adotado medidas específicas para evitar que integrantes de facções criminosas cheguem às urnas.

Segundo o calendário do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), os partidos tiveram até 4 de abril para filiar quem pretende disputar as eleições e, entre 20 de julho e 5 de agosto, precisam realizar as convenções para definição de chapas, que serão registradas até 15 de agosto.

Levantamento feito pela Folha nos registros atualizados no TSE dos oito partidos com mais assentos na Câmara dos Deputados (PL, PT, União Brasil, PSD, PP, Republicanos, MDB e Podemos), que representam 80% da Casa, aponta que apenas um, o MDB, oficializou uma norma complementar específica, válida para 2026, para coibir a filiação de membros de organizações criminosas.

No documento, publicado em março, o partido veda a filiação e a candidatura de "pessoas vinculadas a facções criminosas, milícias, grupos paramilitares ou organizações criminosas congêneres", atribuindo à própria sigla a checagem de antecedentes, origem de recursos e vínculos de filiados e pré-candidatos.

Entre os sete partidos restantes, há possibilidades de desligamento de filiados, mas nenhum prevê triagem antes da filiação —que já dá acesso à estrutura partidária.

PT e Republicanos preveem expulsão automática ou discricionária após condenação criminal com trânsito em julgado. Podemos e PP punem casos de improbidade administrativa. PSD e União Brasil limitam-se a reproduzir a legislação eleitoral. O PL prevê impugnação da filiação de quem "assumir conduta pessoal reprovável", sem critérios objetivos.

Em dezembro passado, em um relatório em que traçou os riscos ao Estado brasileiro para 2026, a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) afirmou que "a crescente simbiose entre a criminalização da política e a politização do crime evidencia a capacidade de milícias e de facções de influenciar o processo eleitoral".

O Rio de Janeiro foi um dos principais exemplos de infiltração das facções. Uma investigação da Polícia Federal apontou que, em setembro de 2025, o então presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), Rodrigo Bacellar (União Brasil), avisou o então deputado estadual TH Joias (hoje sem partido, na época MDB), suspeito de ligações com o CV (Comando Vermelho), sobre uma operação policial.

TH Joias já tinha uma pena de 14 anos e 11 meses de prisão por tráfico de drogas e associação para o tráfico, condenação da qual ainda recorria quando se candidatou pelo MDB. Segundo dados do TSE, o partido repassou R$ 300 mil para sua campanha, em 2022.

As defesas de Bacellar e TH Joias negam as acusações.

O MDB afirma que a norma não tem relação com o caso TH Joias, e sim com o aumento dos alertas sobre o tema. Ele foi expulso da sigla.

O cenário não é restrito ao Rio. Em São Paulo, a Polícia Civil e o MP-SP (Ministério Público de São Paulo) deflagraram ao menos quatro operações (Munditia, Decurio, Contaminatio e TAC) entre 2024 e 2026 contra crimes como fraude em licitação, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro. Sete políticos, de cidades da Grande São Paulo e da Baixada Santista, dos partidos MDB, PSD e Podemos, foram presos ou receberam medidas restritivas em meio a acusações de ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital). Os esquemas envolveram principalmente prefeituras.

Uma diferença apontada por especialistas ouvidos pela reportagem é que deputados e senadores têm acesso a emendas parlamentares —recursos que podem ser pagos até sem projetos prévios para organizações sociais contratadas com dispensa de licitação, com sistemas de rastreamento frágeis, questionados pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
Crime organizado e mercados ilícitos

Nas operações de São Paulo, o MP-SP encontrou uma série de indícios de que os grupos sob investigação já se valiam de emendas federais. Segundo a Folha apurou, o material foi enviado à Procuradoria-Geral da República e segue sob investigação.

O professor da Fundação Getulio Vargas Rafael Alcadipani, membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, critica a passividade dos partidos em lidar com a questão, destacando que as legendas são financiadas por recursos públicos e teriam verba suficiente para investigar a vida pregressa dos candidatos.

Alcadipani, que há 20 anos pesquisa o crime organizado e o trabalho das polícias, supõe que as siglas desviam do assunto diante do poder econômico do crime organizado. "Não vejo interesse dos partidos em afastar essas pessoas, muitas delas capazes de trazer recursos financeiros", afirma.

Membros dos partidos procurados pela reportagem destacam que, nas definições das chapas, as siglas adotam medidas para checar a vida pregressa dos eventuais candidatos, citando estruturas jurídicas e áreas de compliance dedicadas à função, e afirmam que, em casos de suspeitas, os diretórios podem rejeitar candidatos.

Essa busca, contudo, prioriza o cumprimento de requisitos da Lei da Ficha Lima, que não impede a eleição de uma pessoa condenada em primeira instância.

A advogada eleitoral Tailaine Costa destaca os limites objetivos. "Como classificar a pessoa como integrante de facção sem uma condenação prévia?", questiona, alertando que uma ferramenta sem critérios objetivos poderia até ser utilizada por candidatos que queiram barrar rivais.

Outra advogada da área, Leticia Maestra destaca que, em um acórdão do ano passado, o TSE referendou uma decisão da Justiça Eleitoral do Rio que indeferiu a candidatura de um vereador de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, por envolvimento com uma milícia, mesmo sem uma condenação em segunda instância.

A advogada avalia que "essa decisão seria pelo menos um indicativo de como o TSE abordaria essa questão caso os partidos viessem a criar esse tipo de regra". O TSE já teve outras duas decisões similares.

Sob reserva, um dos promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de São Paulo, encarregado das investigações, disse que, desde que os Estados Unidos passaram a se mover para classificar PCC e CV como organizações terroristas, instituições financeiras começaram a pedir orientações sobre o assunto e a solicitar a elaboração de listas de integrantes de facções —para indicar pessoas de quem deveriam manter distância.

O promotor ressaltou que os partidos nunca procuraram o grupo para tratar de tema parecido.

A criação de um Cadastro Nacional de Indivíduos Afiliados a Facções Criminosas é discutida no Conselho Nacional do Ministério Público desde o ano passado, mas esbarra em questões como a presunção de inocência de indivíduos sem condenação criminal.

A Folha procurou o TSE, que não se manifestou. Todos os partidos citados foram procurados e questionados se algum filiado foi barrado neste ano por suspeita de ligação com facções e sobre quais medidas preventivas adotam.

O PSD afirmou adotar "todas as medidas ao seu alcance" para apresentar candidatos idôneos e disse que seu diretório de São Paulo analisa previamente os pré-candidatos com base nas certidões exigidas para o registro. Em caso de denúncias, diz tomar providências.

O Podemos afirmou que tem "um programa de compliance estruturado e com canais disponíveis para comunicação de qualquer irregularidade em relação aos seus filiados" e que pode expulsar o eventual denunciado a depender da gravidade dos fatos comprovados.

Os dois partidos, que tiveram membros presos nas operações de São Paulo, não informaram em suas notas por que os instrumentos internos não levantaram alertas em relação a esses filiados.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse à Folha que o partido nunca discutiu medidas para evitar a contaminação por facções.

"Nunca discutimos esse assunto no partido e fico curioso de ver matérias dessas facções, que não imagino tão grandes como parecem. O que existe é muito bandido. Por que nunca discutimos esse assunto? Porque bandido só convive com bandido", disse.

Os demais partidos não responderam ao pedido de contato da reportagem.

Por Bruno Ribeiro/Folhapress

Talita Oliveira defende unidade da direita baiana em torno de ACM Neto: “para tirar o PT só tem uma via”


A ex-deputada estadual Talita Oliveira (Republicanos) encabeça um movimento de defesa para que as forças da direita baiana marchem unidas em torno da pré-candidatura de ACM Neto (União Brasil) ao Governo do Estado, que hoje é, segundo ela, o único nome capaz de encerrar o ciclo de 20 anos ininterruptos do PT na Bahia.

“Não acredito numa direita dividida, não acredito numa direita que quer utilizar isso para lacrar, para conseguir voto pessoal. Eu digo sempre, quem está fazendo isso é um projeto pessoal, não é um projeto de direita para uma eleição da Bahia”, disse Talita em um vídeo compartilhado em suas redes sociais.

“Porque a gente sabe que para hoje tirar o PT só tem uma via, que é ACM Neto. A gente não pode cometer o mesmo erro que aconteceu na outra eleição”, emendou.

Ela sinaliza que a fragmentação da oposição pode repetir o cenário de 2022 e favorecer a permanência do PT no comando do Estado. Naquele ano, os votos obtidos por ACM Neto e João Roma (então candidato do PL) no primeiro turno, somados, superaram a votação de Jerônimo Rodrigues, mas como foram distribuídos entre candidaturas distintas levaram a disputa ao segundo turno, favorecendo eleição do petista.

“Não soa sensato a gente querer tirar o PT do Brasil e deixar o PT governando a Bahia, que hoje é o principal braço de apoio a Lula. A mudança que nós queremos no Brasil começa com pela Bahia com ACM Neto”, frisou Talita Oliveira.

Em 2018, ela foi a primeira mulher declaradamente bolsonarista a se eleger deputada estadual na Bahia. Ela cumpriu o mandato até 2022 e em 2026 será pré-candidata a deputada federal pelo Republicanos.

Por Redação

Bahia Farm Show encerra edição histórica e anuncia data da feira de 2027

Evento registra crescimento de público, expositores e marcas representadas e confirma próxima edição para junho do próximo ano

A 20ª edição da Bahia Farm Show foi encerrada neste sábado (13) com números recordes e a confirmação da data da próxima feira. Segundo o presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (AIBA), Moisés Schmidt, a edição de 2027 será realizada entre os dias 7 e 12 de junho, mantendo o calendário já consolidado do evento.

Durante o balanço apresentado à imprensa, Schmidt destacou que a feira ultrapassou os resultados do ano passado e reforçou o posicionamento do evento como a principal vitrine do agronegócio do Norte e Nordeste do país. “Ela passou de uma conotação estadual, passou de uma conotação de Matopiba. É a maior feira do Norte e Nordeste do país, é a feira que mais cresce a nível de Brasil e já é uma feira com representações internacionais“, afirmou.

Os dados consolidados apontam que a Bahia Farm Show recebeu 172.328 visitantes, crescimento de 6% em relação aos 162.370 registrados em 2025. O número de expositores também aumentou, passando para 554 empresas participantes, além de 1.421 marcas representadas durante os seis dias de programação.

A edição deste ano também registrou crescimento na participação da agricultura familiar, com 34 estandes, além da presença de 24 patrocinadores, 201 profissionais de imprensa e 179 produtores de conteúdo digital credenciados. Quatro veículos internacionais acompanharam o evento.

Entre as novidades da feira, Schmidt destacou a criação do Espaço das Startups, o fortalecimento do programa Vozes do Agro, a realização do primeiro leilão da Bahia Farm Show, a implantação de um espaço dedicado às rádios e as mudanças na estrutura de acesso e estacionamento do parque.

O presidente da AIBA também ressaltou a presença de autoridades nacionais e estaduais, incluindo o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, durante a abertura do evento.

Ao final da apresentação, Schmidt convidou produtores, empresas e visitantes a reservarem a data da próxima edição. “Já aproveitar aqui e pedir que coloquem nas suas agendas e salvem essas datas de 7 a 12 de junho de 2027. Será a 21ª edição da Bahia Farm Show“, declarou.

Juliano Franca / Neison Cerqueira

Artigo: Ainda há juízes em Berlim (ou melhor, em Roma): o caso Zambelli e o escrutínio internacional do STF

INTRODUÇÃO
Em uma decisão de profundo impacto geopolítico e doutrinário, a Corte Suprema de Cassação da italiana entendeu que o processo conduzido pelo STF teria incorrido em uma "violação macroscópica ao princípio da imparcialidade e neutralidade do juiz". Ao centralizar suas críticas na figura do ministro Alexandre de Moraes — que acumulou as condições de vítima, investigador e julgador no caso —, o tribunal de Roma não apenas barrou a entrega da cidadã ítalo-brasileira, mas submeteu o rito processual do STF a um inédito escrutínio internacional.

Este episódio expõe uma fratura conceitual entre duas visões de justiça: de um lado, o garantismo consolidado pela jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH), que exige a estrita separação de funções para salvaguardar a imparcialidade objetiva; de outro, a doutrina brasileira da autodefesa institucional, que justifica a concentração de poderes como mecanismo excepcional e necessário para a preservação do Estado de Direito contra-ataques sistêmicos.

Longe de se restringir a uma disputa partidária, o impasse tensiona a eficácia dos tratados de cooperação internacional e estabelece um precedente incômodo para a credibilidade externa do Judiciário brasileiro.

Diante desse cenário, este artigo analisa o choque entre a ortodoxia processual europeia e o pragmatismo de exceção do STF, investigando os reflexos dessa assimetria jurídica para o futuro das extradições e para a imagem institucional do Brasil no exterior.

Adota-se, como referencial analítico, a perspectiva do garantismo processual — corrente que, à luz da jurisprudência do TEDH, considera que a concentração de funções de vítima, investigador e julgador em um mesmo magistrado representa violação estrutural ao princípio da imparcialidade objetiva e, portanto, compromete a legitimidade do processo.

A DOUTRINA DA IMPARCIALIDADE OBJETIVA E O RIGOR PROCESSUAL EUROPEU

O cerne do rechaço italiano à extradição repousa sobre o conceito de imparcialidade objetiva, um dos pilares do devido processo legal na Europa Ocidental. Conforme sedimentado pela jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH) — notadamente a partir do célebre princípio anglo-saxão de que "a justiça não deve apenas ser feita, mas manifestamente vista como feita" —, a neutralidade de um magistrado não é aferida apenas por sua disposição interna ou intenção subjetiva de ser justo. Ela exige uma configuração institucional que elimine qualquer dúvida legítima ou aparência de parcialidade perante um observador externo.

Sob a ótica da Corte de Cassação de Roma, o desenho processual adotado pelo Supremo Tribunal Federal brasileiro falhou justamente nesse teste de aparência e estrutura. Ao analisar os autos, os juízes italianos apontaram uma disfunção orgânica intransponível: o ministro relator figurava simultaneamente como vítima direta da infração (a inserção de um mandado de prisão falso contra si mesmo no sistema do CNJ), autoridade ordenadora das investigações e julgador final da causa.

Para a tradição jurídica europeia, essa hipertrofia funcional viola o Artigo 6º da Convenção Europeia dos Direitos Humanos. A cumulação de papéis rompe a necessária distância que o Estado-Juiz deve manter em relação ao fato punível.

Quando o magistrado se torna o próprio objeto da ofensa jurídica, sua capacidade de julgar com isenção fica comprometida na origem. Portanto, a decisão italiana sinaliza que, independentemente da gravidade da conduta atribuída à ré, a pureza das formas processuais e a separação rígida entre acusação, defesa e julgamento são garantias inegociáveis, cuja inobservância contamina a própria legitimidade internacional da sentença.

O CERNE DO ARGUMENTO ITALIANO: ACÚMULO DE FUNÇÕES

O ponto nevrálgico apontado pela corte italiana é a incompatibilidade de funções exercidas por Moraes no processo que condenou Zambelli a 10 anos e 8 meses de prisão pela invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Com acesso à decisão, a imprensa brasileira reportou os seguintes elementos centrais do acórdão:

A invasão incluiu a inserção de um mandado de prisão forjado contra o próprio ministro — além de ordens de quebra de sigilo bancário e bloqueio de bens do magistrado —, o que, segundo a corte de Roma, o coloca na posição de vítima direta, com danos à própria reputação.

O Tratado de Extradição entre Brasil e Itália prevê a recusa quando o Estado requerido identifica que o processo original não forneceu as garantias processuais mínimas — e é precisamente esse o fundamento que a Cassação italiana aplicou, expondo uma fratura na confiança mútua entre os dois sistemas judiciais.

A decisão afirma expressamente haver "insuficiência e ilogicidade da fundamentação em relação ao acúmulo das funções de vítima, juiz de primeira instância, juiz de segunda instância e juiz da execução na pessoa de M.A.D.M." — referência direta a Alexandre de Moraes. A corte ainda apontou que Moraes, já na condição de vítima-julgador, participou da condenação de Zambelli, cassou seu mandato parlamentar, redigiu o pedido de extradição e forneceu as informações sobre o estabelecimento prisional onde ela deveria ser recolhida.

A Corte italiana concluiu que: a acumulação dessas funções constituiu "violação ao princípio da imparcialidade e da independência do juiz", comprometendo o direito a um julgamento justo nos termos do art. 6º da Convenção Europeia dos Direitos Humanos (CEDH) e do art. 111 da Constituição italiana.

A DOUTRINA DA AUTODEFESA INSTITUCIONAL E A BLINDAGEM COLEGIAL DO STF

A resposta do Supremo Tribunal Federal parte de uma lógica distinta — moldada por uma suposta crise democrática e pela necessidade de autodefesa institucional. Em nota oficial emitida pela Presidência da Corte em 12 de junho de 2026, o ministro Edson Fachin rejeitou a tese de parcialidade ao afirmar que a Ação Penal nº 2.428/DF tramitou em estrita observância à Constituição Federal e ao devido processo legal (art. 5º, LIV e LV, CF/88). O argumento central do STF é o da colegialidade como garantia de imparcialidade: embora Moraes tenha atuado como relator monocrático nas principais medidas instrutórias, tanto o recebimento da denúncia quanto a condenação foram decididos por unanimidade pela Primeira Turma — o que, na visão do tribunal, dissolveria qualquer vício subjetivo de parcialidade.

Para entender a lógica interna desse modelo — que claramente desafia a ortodoxia internacional —, é preciso considerar a jurisprudência de necessidade que o STF foi construindo nos últimos anos.

Os inquéritos concentrados no Supremo se apoiam na doutrina dos poderes implícitos: diante de ataques híbridos, cibernéticos e coordenados contra a cúpula do Poder Judiciário, o tribunal avocou a tutela penal como medida de autopreservação da ordem constitucional.

A diferença de perspectiva é, portanto, estrutural: enquanto a corte italiana analisa o caso pela ótica das garantias individuais do réu, o STF parte da premissa de que a sobrevivência das próprias instituições democráticas justificaria a flexibilização de certas formas processuais.

Na mesma nota, Fachin elencou três pilares de defesa: que as decisões monocráticas de Moraes foram referendadas por unanimidade pela Primeira Turma, inclusive com a rejeição formal dos pedidos de suspeição; que a denúncia partiu da Procuradoria-Geral da República (PGR), e não do próprio ministro; e que o processo observou o contraditório e os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil.

O PRECEDENTE DE ROMA E O EFEITO DOMINÓ NA COOPERAÇÃO INTERNACIONAL

Ao classificar o rito adotado pelo STF como uma violação aos direitos fundamentais de defesa, a decisão italiana cria um forte precedente político e jurídico para outros brasileiros processados em inquéritos semelhantes que se encontram no exterior.

Para além do debate teórico entre garantismo e autodefesa, a decisão da Corte de Cassação da Itália projeta efeitos práticos imediatos sobre a diplomacia jurídica e a eficácia de tratados bilaterais. Ao fundamentar formalmente a recusa da extradição na violação de direitos humanos e na quebra de neutralidade do julgador, o tribunal europeu retirou a discussão do campo da mera conveniência política e a inseriu no âmbito da validade técnica dos atos processuais brasileiros. Esse movimento estabelece um precedente internacional de alto impacto, funcionando como um roteiro jurídico para as defesas de outros cidadãos brasileiros processados sob o escopo de inquéritos concentrados no STF que hoje se encontram foragidos no exterior.

A decisão fornece precedente argumentativo relevante, com um potencial "efeito dominó". Países com tradições jurídicas fortemente alinhadas ao garantismo europeu ou à Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica) — como o Uruguai e a Argentina, destinos frequentes de investigados pelos eventos de 8 de janeiro e atos correlatos — passam a contar com um substrato jurisprudencial de peso para embasar suas próprias negativas de extradição.

A cooperação jurídica internacional baseia-se no princípio da confiança mútua e na premissa de que os Estados signatários operam sob padrões equivalentes de justiça distributiva e devido processo. Quando uma das principais cortes do continente europeu declara publicamente que o principal tribunal de um país parceiro operou com "violação macroscópica", essa confiança é severamente fraturada.

O resultado de longo prazo é o isolamento processual das sentenças do STF no cenário internacional, onde a força coercitiva das decisões domésticas passa a esbarrar nas fronteiras geográficas da soberania alheia.

CONCLUSÃO

O caso Zambelli expõe, com clareza pouco usual, os limites do pragmatismo de exceção adotado pelo STF quando posto à prova fora das fronteiras nacionais. A "razão de Estado" que internamente legitima a concentração de funções investigativas e judicantes não encontra equivalente no vocabulário jurídico europeu — e é exatamente esse descompasso que a Corte de Cassação tornou explícito ao rejeitar a extradição. Ao designar o procedimento como uma "violação macroscópica" da imparcialidade, a magistratura italiana não estava fazendo política: estava aplicando, com rigor, um parâmetro processual que o Brasil assinou e que, em tese, diz observar.

O julgamento em Roma cobra um preço reputacional concreto do Judiciário brasileiro. A colegialidade da Primeira Turma pode funcionar como blindagem política interna, mas se revelou insuficiente para sanar o vício estrutural da imparcialidade objetiva perante um tribunal estrangeiro. Enquanto o Brasil não endereçar essa assimetria — entre o que pratica internamente e o que os tratados internacionais exigem —, as sentenças do STF continuarão encontrando fronteiras onde sua força coercitiva simplesmente para. A democracia não se sustenta pela concentração de poderes em nome de sua própria defesa, mas pelo rigor das formas que a distinguem do arbítrio que pretende combater.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília: Assembleia Nacional Constituinte, 1988. Art. 5º, LIV e LV (princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa).

BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Ação Penal nº 2.428/DF. Relator: Ministro Alexandre de Moraes. Primeira Turma. Condenação proferida em 14 de maio de 2025.

Brasília: STF, 2025.

BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Presidência. Nota Oficial da Presidência do STF sobre a decisão da Justiça italiana referente à Ação Penal nº 2.428/DF. Ministro Edson Fachin (Presidente). Brasília, 12 de junho de 2026. Íntegra reportada por: MIGALHAS. Fachin sai em defesa de Moraes e critica decisão da Itália sobre Zambelli. Migalhas, 12 jun. 2026. Disponível em: https://www.migalhas.com.br/quentes/458054/fachin-defendemoraes-e-critica-decisao-da-italia-sobre-zambelli. Acesso em: 12 jun. 2026. Também reportado por: BASSI, Fernanda; CESAR, Janaina. STF diz ver com preocupação decisão da Justiça italiana no caso Zambelli. UOL Notícias, São Paulo, 12 jun. 2026. Disponível em: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2026/06/12/stf-decisao-italiaextradicao-zambelli.ghtm. Acesso em: 12 jun. 2026.

CONSELHO DA EUROPA. Convenção Europeia dos Direitos Humanos (CEDH). Roma, 4 de novembro de 1950. Art. 6º (direito a um processo equitativo). Estrasburgo: Conselho da Europa, 1950. Disponível em: https://www.echr.coe.int. Acesso em: jun. 2026.

ITÁLIA. Corte Suprema di Cassazione. 6ª Sezione Penale. Acórdão proferido em 22 de maio de 2026 (dispositivo) e publicado em 12 de junho de 2026. Decisão que nega pedido de extradição da República Federativa do Brasil referente à ex-deputada Carla Zambelli. Roma: Corte di Cassazione, 2026. Conteúdo reportado por: AREAL, Pedro. "Vítima e juiz": o que a Justiça italiana diz de Moraes no caso Zambelli. Metrópoles, Brasília, 12 jun. 2026. Disponível em: https://www.metropoles.com/mundo/vitima-e-juiz-o-quejustica-italiana-diz-de-moraes-no-caso-zambelli. Acesso em: 12 jun. 2026. Também:

PATRIOLINO, Luana. Justiça da Itália cita Moraes e fala em parcialidade com Zambelli.

Metrópoles, Brasília, 12 jun. 2026. Disponível em:

https://www.metropoles.com/mundo/justica-da-italia-cita-moraes-e-fala-emparcialidade-com-zambelli. Acesso em: 12 jun. 2026.

ITÁLIA; BRASIL. Tratado de Extradição entre a República Italiana e a República Federativa do Brasil. Roma, 17 de outubro de 1989. Promulgado no Brasil pelo Decreto nº 863, de 9 de julho de 1993. Brasília: Presidência da República, 1993.

TRIBUNAL EUROPEU DOS DIREITOS HUMANOS. Case of Piersack v. Belgium. Application nº 8692/79. Judgment of 1 October 1982. Estrasburgo: TEDH, 1982.

(Precedente fundamental sobre imparcialidade objetiva do julgador — origem do princípio "justice must not only be done, but must be seen to be done".)

TRIBUNAL EUROPEU DOS DIREITOS HUMANOS. Case of De Cubber v. Belgium. Application nº 9186/80. Judgment of 26 October 1984. Estrasburgo: TEDH, 1984. (Sobre a proibição de acumulação de funções investigativas e decisórias pelo mesmo magistrado.)

Por Daniela Caldas Rosa Alves Coelho e Renato Gustavo Alves Coelho

Destaques