Justiça do Egito condena apresentadora de TV à morte por tráfico

Khalifa e os demais condenados à pena capital deverão ser executados por enforcamento. Segundo a acusação, o grupo formava uma organização estruturada para obter insumos utilizados na fabricação de narcóticos, com o objetivo de produzir e traficar drogas.

Aapresentadora egípcia Sarah Khalifa, de 39 anos, foi condenada à morte por uma corte do Cairo, no Egito, por fabricação e tráfico de drogas. Além dela, outros 11 réus receberam a mesma sentença, enquanto nove foram condenados à prisão perpétua e sete acabaram absolvidos. As informações foram publicadas pelo jornal The Guardian.

Khalifa e os demais condenados à pena capital deverão ser executados por enforcamento. Segundo a acusação, o grupo formava uma organização estruturada para obter insumos utilizados na fabricação de narcóticos, com o objetivo de produzir e traficar drogas. Os réus também foram acusados de posse e porte de armas e munições sem autorização.

A decisão foi tomada depois de uma consulta ao grão-mufti do Egito, considerado a mais alta autoridade religiosa e jurídica do país. O veredito, porém, ainda pode ser contestado por meio de recurso. A imprensa egípcia passou a chamar o processo de “grande caso de drogas”.

No total, 28 pessoas foram julgadas no processo. Khalifa ficou conhecida no país por apresentar o programa “Missão Impossível”, voltado para assuntos relacionados à segurança e ao crime. Além da carreira na televisão, ela é proprietária de uma clínica de cirurgia estética e de uma produtora especializada na organização de festas e eventos.

De acordo com o jornal egípcio Akhbar el-Yom, os acusados teriam fabricado drogas sintéticas com a intenção de comercializá-las. Para isso, os materiais usados na produção eram importados do exterior. As autoridades afirmaram ter localizado uma grande quantidade de drogas e espaços que funcionavam como laboratórios para a fabricação dos entorpecentes.

Durante a operação, foram apreendidos mais de 750 quilos de narcóticos e matérias-primas. As autoridades também encontraram dois apartamentos que seriam utilizados como laboratórios, além de armas e munições sem licença.

Os promotores apresentaram detalhes sobre a suposta participação de cada integrante na organização. Segundo a denúncia, parte dos acusados tinha a função de conseguir matérias-primas no exterior, enquanto outros eram responsáveis pela fabricação e pela distribuição das drogas.

Ainda conforme a acusação, Sarah Khalifa teria financiado a operação. Os promotores também afirmaram que a apresentadora viajou para o exterior para se encontrar com dois dos supostos líderes do grupo e teria ajudado a coordenar as atividades deles com outros integrantes da organização.

Além da condenação relacionada ao tráfico e à fabricação de drogas, os mesmos réus receberam penas de cinco anos de prisão em outro processo. Nesse caso separado, o tribunal condenou Khalifa e outras pessoas por envolvimento em um episódio que inclui o sequestro e a agressão de um jovem.

A legislação egípcia prevê a pena de morte para determinados crimes, entre eles o tráfico de drogas. A punição também pode ser aplicada em casos de assassinato premeditado, terrorismo e alguns crimes de estupro.

A Comissão Egípcia por Direitos e Liberdades afirmou que 541 condenações à pena capital foram emitidas no Egito ao longo de 2025. A organização de direitos humanos citou o número ao tratar das sentenças de morte aplicadas no país durante o ano passado.
por Guilherme Bernardo

Mundo

Sarah Khalifa


Datafolha: 46% se dizem mais preocupados que em 2022; maioria afirma estar decidida a ir votar

A mais recente pesquisa Datafolha mostra que 46% dos eleitores se dizem mais preocupados do que em 2022 em relação ao resultado da eleição presidencial. Outros 28% afirmam estar tão preocupados quanto naquele ano e 24%, menos preocupados. Não souberam responder 2% dos entrevistados.

O Datafolha ouviu 2.002 eleitores em 125 cidades na terça-feira (1º) e quarta (2). A pesquisa, contratada pela TV Globo e pela Folha, está registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o código BR-03669/2026. A margem de erro geral do levantamento é de dois pontos para mais ou menos, dentro do nível de confiança de 95%.

Entre os segmentos pesquisados, eleitores que declaram voto no senador Flávio Bolsonaro (PL) citam mais preocupação, com 63% deles afirmando que estão mais apreensivos do que em 2022. Estão empatados na margem de erro com os eleitores de Renan Santos (59%), do Missão, de Ronaldo Caiado (56%), do PSD, de Augusto Cury (55%), do Avante, e de Romeu Zema (52%), do Novo.

O eleitor que declara voto no presidente Lula (PT) registra o menor índice no quesito: 30% dizem estar mais preocupados do que em 2022, 33%, menos e 35%, igualmente preocupados.

A maioria dos eleitores (57%) neste ano também se diz mais decidida a votar nas eleições presidenciais do que em 2022. Outros 32% afirmam estar igualmente decididos e 11%, menos. Não soube responder 1% dos entrevistados.

Eleitores de Flávio e Lula estão empatados tecnicamente neste item —68% dos que declaram voto no senador se dizem mais decididos, em comparação com 61% entre os que afirmam que votarão no presidente. A margem de erro nesses recortes é de quatro pontos percentuais, para mais ou para menos.

Já entre a parcela de eleitores não alinhada nem ao petismo nem ao bolsonarismo, 40% estão mais decididos a votar do que em 2022, no mesmo patamar dos que se dizem igualmente decididos (41%). Outros 18% afirmam estar menos decididos.

Cerca de um terço dos eleitores (32%) diz estar menos engajado em fazer campanha para algum candidato, em comparação a 2022. Outros 45% afirmam estar igualmente engajados e 18%, mais. Não souberam responder 5% dos entrevistados.

Eleitores de Flávio e de Lula também estão tecnicamente empatados nessa pergunta. Entre os que declaram voto no senador, 26% afirmam estar mais engajados, 25%, menos e 44%, igualmente engajados. No caso dos que dizem que votarão em Lula, 20% afirmam estar mais engajados, 27%, menos e 48%, igualmente.

Na eleição de 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro (PL) pela menor diferença desde a redemocratização: teve 50,9% dos votos válidos no segundo turno, ante 49,1% do rival.

A nova pesquisa do Datafolha apontou que Lula tem 38% das intenções de voto no primeiro turno, ante 33% de Flávio Bolsonaro. Ela também confirmou a ascensão de Augusto Cury (Avante), que subiu seis pontos e atingiu 8%.

Com isso, a diferença entre o presidente e o filho de Jair Bolsonaro está em cinco pontos.

Depois vêm Ronaldo Caiado, com 4%, Renan Santos, com 3%, e Romeu Zema, com 2%. Samara (UP), Edmilson Costa (PCB) e Rui Costa Pimenta (PCO) têm 1%. Os demais não pontuaram. Declaram voto branco ou nulo 6%, e 3% se dizem indecisos.

Por Ana Luiza Albuquerque/Folhapress

Planalto mobiliza militância para lotar 7 de Setembro, mas proíbe propaganda política

O Palácio do Planalto está coordenando uma mobilização para que movimentos sociais e apoiadores do presidente Lula compareçam em massa ao evento de 7 de Setembro, na Esplanada dos Ministérios.

Mesmo que seja um evento oficial, o governo Lula quer usá-lo como demonstração de força no mesmo dia em que o adversário Flávio Bolsonaro (PL) pretende conclamar apoiadores contra o presidente e, agora, contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

Para evitar problemas com a Justiça Eleitoral, o Planalto está se cercando de cuidados. No convite à militância, tem reforçado que é proibido fazer qualquer tipo de propaganda política.

O ato de 7 de setembro de 2022 foi um dos motivos que levaram Jair Bolsonaro (PL) a ser considerado inelegível pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), após acusação de abuso de poder e campanha com dinheiro público.

A ideia do governo é lotar as arquibancadas, que ficaram esvaziadas no ano passado. Os servidores escalados para o evento foram orientados, inclusive, a usar a camisa do Brasil ou roupas nas cores da bandeira,

Em contexto eleitoral, o governo deixou claro, no entanto, que é proibido usar adesivos, praguinhas ou santinhos e trazer bandeiras, por exemplo.

A coordenação está sendo feita pela Secretaria-Geral da Presidência, comandada por Guilherme Boulos, que atua na mobilização da militância para a campanha de reeleição de Lula, em parceria com a Secretaria de Comunicação da Presidência e com o Gabinete de Segurança Institucional.

Por Gabriela Echenique/Folhapress

Entenda a crise no STF e o que pode acontecer a partir de agora

 

A crise no STF (Supremo Tribunal Federal) se intensificou, na última terça-feira (1º), após o ministro André Mendonça quebrar o sigilo de um relatório da PF (Polícia Federal) que mostra trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do extinto Banco Master.

A tensão institucional ainda atinge o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que são suspeitos de trabalhar para conter o avanço das investigações sobre o banco.

Na última quinta-feira (3), Moraes, através do inquérito das Fake News, acusou Mendonça de praticar improbidade administrativa e abuso de autoridade durante a relatoria do Caso Master. Na decisão, o ministro ainda pediu ao presidente da Suprema Corte, Edson Fachin, a abertura de ação contra o colega de magistratura por ter atuado fora do regimento jurídico.

Fachin, por sua vez, declarou que a resposta institucional à crise da Corte será "firme, proporcional e rigorosa". Segundo ele, as apurações seguirão os procedimentos previstos na Constituição e na legislação.

No pronunciamento, o presidente da Corte disse que nenhuma autoridade está acima da Constituição e nenhum "interesse" pode se sobrepor à defesa do Estado Democrático de Direito. O ministro também afirmou que a gravidade dos fatos não justifica medidas fora das regras jurídicas.

“Não haverá precipitação, mas tampouco omissão. A resposta institucional será firme, proporcional e rigorosa”, disse Fachin.

Ainda na quinta-feira, o presidente do STF deu um prazo de cinco dias para manifestação de Moraes, Mendonça, Andrei Rodrigues e Gonet sobre a crise envolvendo o caso Master.

A partir dessas manifestações, Fachin deverá reunir as explicações dos envolvidos e analisar a regularidade das apurações, para então definir os próximos passos podendo levar a questão ao plenário do Supremo.

Em meio à crise na Corte, o presidente ainda defendeu a adoção de um código de ética dentro do Supremo, além do fim do inquérito das Fake News.

O que mostra o relatório da PF

O documento foi formulado a partir de dados obtidos no celular de Vorcaro, apreendido pela PF na operação Compliance Zero, e revela uma suposta proximidade entre o ministro e o ex-banqueiro.

De acordo com o relatório, em conversas com Moraes às vésperas de sua prisão, Vorcaro chegou a perguntar ao ministro sobre sair do país e expressou "gratidão" ao magistrado. "Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você", disse o ex-dono do Master.

A investigação da PF ainda mapeou uma série de encontros que ocorreram entre fevereiro de 2024 e agosto de 2025.

Paulo Gonet também apareceu nas mensagens do relatório em conversa com Vorcaro, intermediada pelo advogado Ciro Soares. As conversas aconteceram entre abril de 2024 e junho de 2025 e mencionavam viagens, uísque, charutos e até o envio de fotos de Gonet ao lado de Ciro Soares.

Quanto a Andrei Rodrigues, o diretor-geral da PF é citado na conversa entre Daniel Vorcaro e Moraes, na qual o ex-banqueiro questiona ao ministro sobre a possibilidade de reverter as investigações contra o Master pelo intermédio de Andrei.

O que dizem juristas sobre os próximos passos

Em entrevista à CNN, o professor de direito constitucional da UFF (Universidade Federal Fluminense), Gustavo Sampaio, disse acreditar que o plenário do STF tende à não formar maioria pela investigação.

"A tendência toda é de que não se tenha formação de maioria no plenário para autorizar-se a investigação", disse. "Estamos ainda distantes de ação penal, nem sabemos se haverá uma ação penal, uma acusação formal, até porque ela cumpre ao Ministério Público. Mas por conta dessa regra de que ministros são julgados no plenário, qualquer autorização para investigar ministro do Supremo Tribunal Federal precisa vir de onde? Do plenário", explicou.

O professor ainda comenta que, embora tenham sido colhidas provas contra Moraes, qualquer outra investigação precisaria de aval do plenário.

"Embora no caso das provas fortuitamente colhidas em desfavor do ministro Alexandre de Moraes, que são aquelas conversas que ele teria tido com Daniel Vorcaro, essas provas não foram colhidas intencionalmente, elas foram fortuitamente colhidas. E uma grande parte da doutrina do processo penal diz que prova fortuitamente colhida é válida. Agora, daqui em diante qualquer outra investigação precisa do aval do plenário", afirmou Sampaio.

Sobre futuros julgamentos dos casos, o professor de direito do Insper, Luiz Fernando Esteves disse à CNN que o ponto de partida deveria ser a análise sobre a nulidade do relatório da PF solicitado por Mendonça.

"Eu acho que vai ser um julgamento absolutamente sensível pro tribunal. [...] Me parece que o que iniciou a discussão seja a nulidade ou não do relatório da Polícia Federal sobre o ministro Alexandre de Moraes, então faz sentido que inicialmente se analise a nulidade ou não do relatório e só após o STF passe a discutir se André Mendonça extrapolou os poderes", afirmou Esteves.

Fonte: CNNBrasil

Gilmar propõe proibir policiais e militares em gabinetes de ministros do STF -Por Redação

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), formalizou neste sábado (5) uma proposta para impedir que policiais e militares atuem como servidores cedidos nos gabinetes da Corte. A medida, apresentada anteriormente ao presidente do STF, Edson Fachin, amplia a ideia inicial de barrar a presença de delegados da Polícia Federal e inclui integrantes das Forças Armadas, PF, PRF, polícias civis e militares estaduais, bombeiros e polícias penais. A informação é do G1.

A proposta surge em meio ao aumento das tensões internas no Supremo, especialmente envolvendo os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. Atualmente, quatro delegados da PF trabalham nos gabinetes dos dois magistrados, que relatam investigações de grande repercussão, como os casos Master, das fraudes no INSS e envolvendo Lulinha. Segundo interlocutores, Gilmar avalia que os gabinetes do STF estariam assumindo funções próprias de delegacias, com o tribunal passando a interferir diretamente na condução de investigações.

A permanência dos delegados também esteve no centro do conflito entre Mendonça e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. O ministro teria interpretado uma possível retirada dos policiais como tentativa de interferência nas investigações sob sua relatoria. A discussão ocorre paralelamente à crise envolvendo o caso Master, após Mendonça retirar o sigilo de relatório da PF sobre mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Moraes e a PGR questionar a validade do procedimento adotado pelo ministro.

Delegados da PF pedem que Gonet se declare impedido em investigação sobre relatório

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) reagiu à decisão do procurador-geral da República, Paulo Gonet, de abrir uma apuração sobre possível interferência externa na elaboração de um relatório da PF que apontou relações entre o ministro Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro. A entidade pretende pedir que Gonet se declare impedido de atuar no caso, já que seu nome é citado no documento investigado. A reportagem é do jornal O Globo.

Segundo a associação, os delegados e agentes responsáveis pelo relatório apenas cumpriram uma determinação judicial do ministro André Mendonça, então relator do caso Master, sem autonomia para decidir sobre a produção do documento. A ADPF também considera inadequado o procedimento instaurado pela PGR para questionar um ato relacionado ao STF e defende que os fatos revelados pela Operação Compliance Zero sejam investigados sem distinção entre as autoridades envolvidas.

A entidade afirma ainda que a iniciativa de Gonet pode produzir efeito intimidatório sobre os investigadores e sustenta que as regras de impedimento aplicáveis ao Ministério Público deveriam ser observadas, já que o procurador-geral é citado no relatório. A associação anunciou que dará assistência aos delegados eventualmente atingidos pela apuração e afirmou que responsabilizar servidores pelo cumprimento de ordens judiciais comprometeria a autonomia das investigações.
Por Redação

Zanin pede responsabilização após Deltan anexar dados sigilosos em processo eleitoral

Foto: Antonio Augusto/Arquivo/STF
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) providências e a responsabilização dos envolvidos após o ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol anexar ao processo de registro de sua candidatura ao Senado documentos que continham dados fiscais e bancários sigilosos do magistrado. O material ficou disponível publicamente no sistema da Justiça Eleitoral. A reportagem é do Estadão.

Os documentos integravam anteriormente uma reclamação disciplinar apresentada por Zanin ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) contra Deltan e outros procuradores. Segundo o ministro, os dados foram extraídos em 2019 durante uma operação da Lava Jato no Rio e posteriormente anulados pela Justiça. Após o pedido de Zanin, a relatora do processo no TRE-PR determinou que os documentos passassem a tramitar sob sigilo e encaminhou o caso ao Ministério Público para as providências cabíveis.

A defesa de Deltan afirmou que os documentos foram apresentados para responder às impugnações contra sua candidatura e que não houve intenção de expor informações pessoais de Zanin. Segundo os advogados, os procedimentos do CNMP foram anexados integralmente para evitar a omissão de informações relevantes à análise da elegibilidade. O TRE-PR ressaltou que cabe aos advogados atribuir sigilo aos documentos protocolados no sistema da Justiça Eleitoral.

Por Redação

Casal sofre acidente com triciclo motorizado na BR-330, em Ipiaú

Foto: Giro Ipiaú
Um casal sofreu um acidente com um triciclo motorizado na tarde deste sábado (5), na BR-330, na saída de Ipiaú sentido Barra do Rocha. O veículo saiu da pista e foi parar em uma área de matagal às margens da rodovia, nas proximidades do antigo Pouso do Jacu.
Foto: Giro Ipiaú
Conforme informações apuradas pelo GIRO, o condutor, que é morador de Rondônia, queixava-se de dores no peito após o acidente. A esposa dele, grávida de aproximadamente quatro meses, não sofreu ferimentos, mas ficou em estado de choque. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e prestou os primeiros socorros ao condutor, que posteriormente foi encaminhado para uma unidade hospitalar.

Ainda segundo apuração do GIRO, o triciclo utilizado pelo casal pertence a um morador de Ipiaú e havia sido emprestado ao condutor. O homem relatou que perdeu o controle do veículo ao tentar desviar de um carro que, segundo ele, teria realizado uma ultrapassagem em local proibido. As circunstâncias do acidente não foram confirmadas por autoridades de trânsito.

 

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Asteroide "Deus do Caos" está em direção à Terra; saiba quando

O asteroide 99942 Apophis fará uma aproximação histórica da Terra em 13 de abril de 2029, quando passará a cerca de 32 mil quilômetros do planeta. Com diâmetro médio de 340 metros e eixo longitudinal de 450 metros, o corpo celeste tem dimensões comparáveis às da Torre Eiffel. Segundo dados oficiais da NASA, será uma aproximação sem precedentes, já que um objeto desse tamanho nunca chegou tão perto da Terra na história da humanidade.

Apesar de ter sido inicialmente apelidado de “Deus do Caos”, em referência à divindade egípcia Apep, o Apophis não representa risco de colisão. A NASA afirma que não há possibilidade de impacto com a Terra ou com satélites em órbita pelos próximos 100 anos.

Para os cientistas, a passagem representa uma oportunidade excepcional de estudo. Patrick Michel, do Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica, resumiu a importância da aproximação: “Pela primeira vez, a natureza nos traz um asteroide e realiza o experimento para nós.”

O Apophis surgiu há cerca de 4,6 bilhões de anos, no cinturão principal de asteroides localizado entre Marte e Júpiter. A influência gravitacional dos planetas gigantes fez com que o objeto fosse atraído para regiões próximas à Terra.

Classificado como um asteroide do tipo S, o corpo é composto principalmente por silicatos e metais, como níquel e ferro. Durante a passagem de 2029, a gravidade terrestre deverá exercer forças de torção, tração e compressão sobre a rocha. Essas alterações podem modificar sua rotação ou provocar deslizamentos em sua superfície.

O acompanhamento dessas reações será importante para os estudos sobre a estrutura interna do asteroide. A observação das mudanças poderá ajudar os pesquisadores a compreender melhor a composição desses corpos celestes.
Missões vão acompanhar a aproximação

Agências espaciais e cientistas de diferentes países preparam missões para acompanhar o Apophis durante o encontro com a Terra. A NASA utilizará a missão OSIRIS-APEX, que redirecionou a sonda que anteriormente visitou o asteroide Bennu para um encontro com Apophis depois de sua maior aproximação.

A Agência Espacial Europeia (ESA), por sua vez, desenvolve a missão Ramses. O objetivo será acompanhar o asteroide durante sua trajetória e observar em tempo real possíveis mudanças em sua órbita e estrutura.

“Esta missão demonstrará que a humanidade pode lançar uma missão de reconhecimento em apenas alguns anos para se encontrar com um asteroide em seu caminho”, afirmou Richard Moissl, chefe do Escritório de Defesa Planetária da ESA.

Atualmente, o Apophis completa sua órbita ao redor do Sol em 0,9 ano e pertence à categoria dos objetos Aten. Depois da interação gravitacional com a Terra em 2029, sua trajetória deverá se expandir, fazendo com que passe a ser classificado como um objeto Apollo, com período orbital de 1,2 ano.
Observação poderá ser feita da Terra

A aproximação também poderá ser observada diretamente por habitantes do Hemisfério Oriental, desde que as condições climáticas sejam favoráveis. Não será necessário utilizar instrumentos complexos para visualizar o asteroide.

O fenômeno será acompanhado por uma rede internacional de observatórios e radares de alta precisão. Esses equipamentos vão monitorar as variações no brilho e na orientação espacial do Apophis.

Embora o asteroide não represente ameaça à Terra, os especialistas consideram fundamental ampliar a capacidade de detectar e estudar objetos que passam próximos ao planeta. A aproximação de 2029 será considerada um marco técnico e científico por permitir o aprimoramento dos modelos utilizados na defesa planetária contra possíveis riscos futuros.

Luciano pede orações para André Mendonça durante show com Zezé Di Camargo

A dupla Zezé Di Camargo e Luciano manifestou publicamente apoio ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante um show realizado em Blumenau, Santa Catarina. No palco, Luciano pediu que o público fizesse uma oração pelo magistrado e destacou a relação de proximidade entre os dois.

Durante a apresentação, o cantor afirmou que Mendonça é um homem que não teme expor suas convicções e revelou que o ministro é pastor da igreja que frequenta em São Paulo.

“Vamos pedir uma oração para este homem. Um homem que não tem medo de colocar aquilo que ele crê, aquilo que ele acredita. Pastor da igreja que eu congrego em São Paulo e que está, assim, fazendo diferença neste país”, declarou Luciano.

A fala foi recebida com aplausos de Zezé Di Camargo e de parte da plateia. Na sequência, Luciano reforçou o pedido aos espectadores.

“Então, um carinho para ele e as orações de vocês. Se assim vocês puderem”, acrescentou o cantor.


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Empresário Marcelo Medrado e vereador Lucas de Vavá declaram apoio a Robinho para deputado federal

O empresário Marcelo Medrado e o vereador Lucas de Vavá declararam apoio à candidatura de Robinho a deputado federal. As adesões integram as articulações eleitorais em Ipiaú e ampliam a presença do candidato junto a lideranças políticas e empresariais do município.

Marcelo Medrado afirmou que a decisão foi motivada pela busca por maior representação de Ipiaú e dos municípios da região na Câmara dos Deputados. “Meu apoio a Robinho é uma decisão consciente e baseada na confiança. Acredito que Ipiaú e nossa região precisam de uma representação forte, alguém que conheça nossas necessidades e esteja disposto a lutar por elas”, declarou.

O vereador Lucas de Vavá também confirmou apoio ao candidato. Com a adesão do parlamentar, Robinho passa a contar com mais uma liderança do Legislativo municipal em sua articulação política na cidade. “Decidi apoiar Robinho porque acredito que Ipiaú e toda a nossa região precisam fortalecer sua representação em Brasília. Conhecemos de perto as necessidades da população e precisamos de um deputado que mantenha diálogo com os municípios e esteja comprometido em buscar investimentos e oportunidades para a nossa região”, afirmou Lucas de Vavá.

Os apoios ocorrem em meio à formação de alianças para as eleições deste ano. Segundo Marcelo, a intenção é contribuir para ampliar o diálogo da candidatura com diferentes setores da população. “Ipiaú precisa ser ouvida e respeitada. Queremos ajudar a construir uma representação que tenha compromisso com nossa cidade e com toda a região”, afirmou.

Com as novas adesões, Robinho busca ampliar sua base eleitoral em Ipiaú e fortalecer sua presença no Médio Rio das Contas durante a disputa por uma vaga na Câmara Federal.

AGU chama pedido da PF contra medidas de Mendonça de 'intervenção processual' sem precedente

Órgão diz que atuação na esfera criminal foge de atribuição legal e que decisão contrária não é omissão

O advogado-geral da União, Jorge Messias, com o presidente Lula e o presidente do STF, Edson Fachin

A AGU (Advocacia-Geral da União) chamou nesta sexta-feira (4) a tentativa da Polícia Federal de que o órgão entrasse com uma ação contra o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), de intervenção processual e afirmou não ter identificado justificativa para a medida.

"A instituição concluiu que, além da ausência de competência legal para atuar na esfera criminal nos termos solicitados, uma intervenção processual nas condições pretendidas poderia gerar riscos jurídicos e institucionais para as próprias investigações em curso no STF", disse, por meio de nota.

O advogado-geral da União, Jorge Messias, disse, por meio do texto, não haver precedente na medida pedida pela PF. Portanto, a negativa da AGU não foi inércia, mas análise técnica e jurídica, afirma a nota.

Integrantes da cúpula da Polícia Federal dizem ver omissão da AGU na crise que culminou na ordem de Mendonça para elaboração de um relatório que expôs trocas de mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.

O órgão comandado por Messias, por sua vez, já vinha apontando que a PF propôs medidas com potencial de resultar na anulação de investigações sobre o Banco Master e as fraudes do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). O embate começou quando a PF passou a demandar que a AGU atuasse perante o Supremo para tentar reduzir o controle do ministro Dias Toffoli sobre os inquéritos do qual ele era relator.

A AGU, responsável por representar juridicamente a União, tem se manifestado de forma contrária esse tipo de demanda.

Na nota desta sexta, Messias voltou a dizer não ter atribuição legal para atuar em aspectos relacionados à persecução penal nos termos pretendidos pela corporação. O AGU voltou a reafirmar, também a opção pela tentativa de uma conciliação entre os envolvidos.

"Na condição de interlocutor perante o STF, conforme previsto no art. 35, IV, da lei nº 14.600/2023, o advogado-geral da União atuou concretamente na busca de uma solução institucional, procurando viabilizar que as questões apresentadas pela Polícia Federal fossem encaminhadas diretamente ao ministro-relator", disse.

Messias tentou articular uma solução consensual para o conflito e marcou em agosto uma reunião entre Mendonça e o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, não esteve no encontro.

De acordo com a nota, ao longo dos meses de julho e agosto, autoridades e representantes da AGU, do Ministério da Justiça e Segurança Pública e da PF se reuniram várias vezes para identificar mecanismos adequados para o atendimento das demandas da PF.

Interlocutores do MJSP afirmaram, sob reserva, que o trabalho se deu sobre os autos do processo que foram tornados públicos e com o objetivo de observar se Mendonça havia extrapolado os limites da atuação de juiz no caso. A resposta da análise foi negativa.

"Por dever legal e compromisso institucional, a AGU continuará buscando, com responsabilidade e sem precipitações casuísticas, soluções pacíficas e dialogadas para eventuais conflitos, contribuindo, dentro de suas atribuições constitucionais e legais, para a preservação da harmonia entre os Poderes da República", diz a nota.

Os debates entre PF, AGU e o STF vêm desde o início do ano. Em janeiro, a corporação pediu que a AGU acionasse o Supremo para questionar a decisão de Toffoli de definir os peritos que atuariam na análise das provas do caso.

À época, a AGU argumentou não caber a ela tratar de assuntos de competência criminal e que o caso Master não era um tema de governo.

Em fevereiro, Mendonça assumiu o caso Master, além do INSS, já em seu gabinete. Reservadamente, ele passou a manifestar desconfianças sobre investigadores. As resistências com a condução das investigações também se deram em medidas como pela restrição do acesso da cúpula da PF a informações dos inquéritos na medida em que as investigações avançavam sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT).

As medidas foram interpretadas na PF como uma intromissão do magistrado na gestão de suas equipes e uma violação às competências da corporação. A polícia pediu à AGU que encontrasse algum remédio judicial para rebater a determinação do ministro, o que não aconteceu.
Por Ana Pompeu/Folhapress

Fachin conversa com Lula e indica que levará casos de Moraes e Mendonça ao plenário do STF

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Edson Fachin, sinalizou ao presidente Lula (PT) a intenção de dar andamento às acusações levantadas nos últimos dias entre ministros e levar os casos da crise envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça ao plenário da corte.

O chefe do Judiciário demonstrou insatisfação com os meios escolhidos pelos colegas para seguir com as medidas de cada lado e se mostrou disposto a ir em frente com o esclarecimento das condutas e marcar o debate final sobre a crise em sessão plenária.

A conversa ocorreu no Palácio do Planalto nesta sexta-feira (4), com as presenças ainda do procurador-geral da República, Paulo Gonet, do presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Luis Felipe Salomão, do ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, e do advogado-geral da União, Jorge Messias.

Um interlocutor a par do diálogo afirmou ter notado, de início, um clima difícil entre Fachin e Gonet. A leitura foi a de que o PGR já pediu a anulação do relatório da PF que incluiu o nome de Moraes no caso Master, enquanto o presidente do STF tem dito que ainda precisa de informações sobre as circunstâncias e dados levantados.

O grupo esteve reunido antes do início de uma cerimônia de sanção de projetos relacionados ao Judiciário.

Na roda de autoridades, Fachin fez afirmações semelhantes àquelas ditas em seguida, na solenidade. Ele afirmou a Lula e demais presentes que os assuntos são muito sérios e precisam ser tratados com o critério devido.

O presidente do STF disse não pretender deixar de apreciar nenhum dos temas levados a ele, acrescentando que tomará o tempo necessário para isso.

Da mesma forma, Lula também defendeu que respostas sejam dadas e que elas não deixem dúvidas à sociedade sobre as providências tomadas.

A sensação aos demais foi de uma convergência entre Fachin e Lula sobre a necessidade de ação rigorosa e cuidadosa diante da crise estabelecida no STF e os riscos à institucionalidade como um

Por Ana Pompeu, Luísa Martins e Caio Spechoto/Folhapress

União Europeia reage à ameaça do governo Lula e nega discriminar carne do Brasil


“Nossa abordagem é proporcional e não discriminatória”, disse o porta-voz para Comércio da UE, Olof Gill. “Demos tempo suficiente aos nossos parceiros e todas as informações que eles precisam para se ajustar.”

Gill afirmou que as autoridades da Comissão Europeia trabalham de forma construtiva com o País para garantir a conformidade das exportações com as regras sanitárias e fitossanitárias, atualizando os requisitos.

“Uma vez que eles possam mostrar conformidade, as exportações para a União Europeia desses produtos do Brasil poderão retornar”, reiterou Gill.

O porta-voz disse que a UE quer garantir que todo o potencial do acordo comercial com Mercosul seja “desbloqueado”. O tratado, em vigor provisório desde 1º de maio, prevê uma cota para os países do Mercosul de 99 mil toneladas de carne bovina com tarifa reduzida de 7,5%.

Segundo ele, as regras valem para todos - desde ontem para terceiros países (fora da UE) e desde 2022 para os europeus. Gill afirmou que a UE transmitiu informações e ajudou países parceiros a se adaptarem às novas regras.

“Nossas regras sobre resistência antimicrobiana se aplicam igualmente e sem discriminação para todos os produtores europeus e para todos que desejam vender seus produtos no nosso mercado único”, afirmou Gill.
Nesta quinta-feira, dia 3, passou a valer a exclusão do Brasil da lista de países exportadores de carnes e outros produtos de origem animal aceitos no mercado da UE. O motivo é a aplicação da legislação europeia de controle do uso de antimicrobianos, entre eles certos antibióticos, inclusive para melhoria de desempenho e crescimento de animais. O objetivo é combater a resistência bacteriana.


O Brasil reagiu por meio de uma nota conjunta dos ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e do Itamaraty. O governo Lula manifestou “preocupação” e afirmou que está politicamente e tecnicamente engajado com a UE. E se queixou de não ter sido informado antes do embargo ter sido anunciado, em 12 de maio, na UE.

“Caso as tratativas não conduzam tempestivamente a solução satisfatória, o governo brasileiro reserva-se o direito de recorrer aos instrumentos cabíveis para assegurar condições equilibradas de comércio, inclusive às medidas de reciprocidade previstas no ordenamento jurídico nacional, bem como aos mecanismos pertinentes previstos no Acordo Mercosul-União Europeia e no sistema multilateral de comércio”, disse o governo Lula.

O embaixador do Brasil na UE, Pedro Miguel da Costa e Silva, deu entrevistas em tom duro à imprensa europeia. Ele reclamou da campanha contra o agro brasileiro e disse que as coisas não podem ser confundidas.

O embaixador disse ao Estadão que os europeus prometeram acelerar os trâmites das auditorias no terreno que fizeram, concluída nesta sexta-feira, sobre as cadeias de frango e mel no Brasil.

O resultado deve ser informado ao País, para eventual manifestação brasileira, até a primeira quinzena de setembro. O relatório deve ficar pronto e ser apresentado até o fim do mês. Os europeus preveem levar o caso do Brasil ao comitê responsável (Scopaff) em novembro.

A diplomacia brasileira também questiona a decisão de fazer essas auditorias - sob o argumento de que não foram realizadas em outros países - e a previsão de que a cadeia de bovino somente seja avaliada em 2028.

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Mendonça rechaça acusação de tentativa de prejudicar Lula

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), tem rechaçado a acusação de que atuou para tentar prejudicar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.

Em conversas reservadas, o magistrado tem afirmado que não atuou para favorecer ou prejudicar ninguém e que sempre priorizou critérios técnicos.

Um relatório de inteligência da Polícia Federal, obtido pela CNN, sugere que Mendonça favoreceu políticos de direita e atuou contra um grupo majoritário no Supremo.

O entorno do magistrado nega as acusações e críticas. Segundo relatos feitos à CNN, Mendonça fez chegar ao Palácio do Planalto a avaliação de que as acusações contra ele não são verdadeiras.

Pessoas próximas do ministro reconhecem que ele tem passado por um momento difícil. Mas que não
 
vai recuar de sua postura firme e favorável a investigações. O ministro é o relatos dos casos sobre o Banco Master e sobre as fraudes no INSS.

Mendonça já conversou com o presidente do STF, Edson Fachin, e tem tentado buscar apoios dentro da Suprema Corte.

Neste momento, porém, ele está isolado. O único ministro apontado com apoio irrestrito ao magistrado é Luiz Fux.

A expectativa é de que ele converse, em breve, com Lula. O objetivo é refutar qualquer acusação. O advogado-geral da União, Jorge Messias, é hoje a ponte de diálogo entre ambos.

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Leandro de Jesus participa de ato “Fora Moraes” em Salvador e reforça pedido de prisão de ministro do STF

O deputado estadual Leandro de Jesus (PL) participou, nesta sexta-feira (4), de um ato no Jardim de Alah, em Salvador, que pediu o impeachment e a prisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Batizada de “Fora Moraes”, a mobilização reuniu apoiadores da direita e foi marcada por um buzinaço e pela exibição de faixas com críticas ao magistrado e ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Além de Leandro, participaram da manifestação o vereador de Salvador Cézar Leite, candidato a deputado estadual, e os também candidatos à Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) Rocheane Rocha e Davy Jackson.

A participação de Leandro ocorre poucos dias depois de o parlamentar baiano adotar uma medida formal relacionada a Moraes. Na última terça-feira (1º), o deputado protocolou no Supremo uma manifestação solicitando que a Procuradoria-Geral da República (PGR) avalie a possibilidade de requerer a prisão preventiva do ministro. A iniciativa foi tomada após a divulgação de novos elementos das investigações envolvendo o Banco Master.

O documento foi encaminhado ao ministro André Mendonça e solicita que os fatos sejam submetidos à PGR, responsável por analisar eventual abertura de investigação e medidas cautelares. Além da possibilidade de prisão preventiva, Leandro pediu que sejam avaliadas alternativas como afastamento cautelar de Moraes das funções, proibição de contato com investigados, apreensão de dispositivos eletrônicos e suspensão do passaporte.

“Diante da gravidade do que veio a público, esses fatos precisam ser investigados com rigor e transparência. Ninguém pode estar acima da lei”, declarou Leandro na ocasião.

O episódio está inserido em um momento de tensão no STF em torno do caso Master. Nesta sexta-feira (4), foi noticiado que o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, deu prazo de cinco dias úteis para que Moraes, André Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, prestem esclarecimentos em procedimento aberto para apurar possíveis irregularidades relacionadas às investigações.

No ato realizado em Salvador, Leandro voltou a defender o afastamento de Alexandre de Moraes e reforçou a mobilização política para que o Senado analise pedidos de impeachment contra o ministro.

Por Redação

Entenda a escalada da crise no STF, provocada por revelações de elos entre ministros e Vorcaro

Apurações sobre Master evidenciaram contato do banqueiro com Moraes, Mendonça e negócios da família de Toffoli

As investigações sobre o Banco Master por fraudes ao sistema financeiro expuseram conexões entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e figuras públicas, como deputados, senadores e magistrados, e culminaram em uma crise que especialistas apontam como sem precedentes na história do STF (Supremo Tribunal Federal).

O embate coloca frente a frente os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, divide o plenário em alas, reacende a discussão sobre um código de ética para o Supremo e ganha desdobramentos na disputa eleitoral.

A menos de uma semana do ato de 7 de Setembro, aliados de Flávio Bolsonaro (PL) passaram a unir críticas a Lula (PT) e a Moraes sob o mote "fora, Lula; fora, Moraes", e bolsonaristas como Eduardo Bolsonaro, Nikolas Ferreira e o pastor Silas Malafaia intensificaram pedidos de impeachment e prisão de Moraes.

Lula, sem citar os ministros, disse nesta sexta (4) que "ninguém, em nome da democracia, pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal". O petista tenta não sofrer desgaste de imagem por causa da crise do STF, Tribunal com o qual teve proximidade durante os anos de seu atual mandato.

Mendonça retira sigilo de relatório da PF sobre Moraes

O novo capítulo da crise começou na terça-feira (1º), com a revelação de que o dono do Master mantinha contato com uma pessoa apontada como sendo o ministro Alexandre de Moraes. As mensagens vieram à tona depois que Mendonça pediu manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República) sobre um relatório enviado pela Polícia Federal ao STF.

Os diálogos, recuperados do celular do banqueiro, indicam que ele perguntou a Moraes, dois dias antes de ser preso, em 17 de novembro de 2025, se deveria deixar o país. Mostram ainda que o ministro fez edições num contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, e que os dois se encontraram pelo menos seis vezes desde 2024.

Na avaliação de Mendonça, as mensagens comprovam que o banqueiro sabia antecipadamente da decisão de sua prisão e buscava "intervenção junto a autoridades públicas envolvidas nos respectivos processos decisórios".

Gonet pede anulação do relatório

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, reagiu horas depois pedindo a anulação do relatório da PF. Segundo ele, Mendonça "se valeu da polícia" para "impor a investigação" de Moraes, exercendo "atividades que não lhe foram assinaladas".

Um ministro do STF só pode ser investigado após autorização dos próprios colegas da corte. Para Gonet, o relatório produzido pela PF a pedido de Mendonça constitui, por si só, uma investigação, e por isso, deveria ser invalidado.

Gonet, porém, também é citado nas mensagens de Vorcaro —um advogado do banqueiro chegou a encaminhar a ele diálogos atribuídos ao procurador-geral, e o filho de Gonet aparece no material. Ele não comentou publicamente as citações a seu respeito.

Mendonça recebeu Vorcaro para conversa

Na quarta (2), o ICL Notícias revelou que Mendonça recebeu Vorcaro para uma conversa em março de 2025. A aproximação foi articulada pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). Mensagens extraídas do celular do dono do Master mostram que ele recebeu de Ciro uma fotografia ao lado de Mendonça e que o advogado levou o ministro a uma alfaiataria.

"Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno", disse Ciro em áudio enviado em 8 de fevereiro de 2025.

Em nota, Mendonça afirmou que o encontro tratou de um processo sobre precatórios de interesse do Master e que votou contra o empresário no julgamento.

Especialistas ouvidos pela reportagem avaliaram que a conduta de Mendonça de determinar diretamente à PF a identificação do interlocutor de Vorcaro, sem levar o tema ao plenário, também foi problemática, ainda que a maioria reconheça que a apuração sobre Moraes deveria seguir adiante. Não há consenso entre eles sobre se isso torna o relatório da PF nulo.

Moraes pede a Fachin investigação contra Mendonça

Em resposta à ação de Mendonça, Moraes pediu nesta quinta (3) ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, a abertura de uma investigação de Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução dos casos Master e INSS (Institutos Nacional do Seguro Social)

Segundo Moraes, o colega direcionou alvos "por motivos pessoais e políticos" —ele próprio e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, seriam os alvos— e chegou a ameaçar afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e Gonet.

No mesmo dia, o presidente do STF também determinou que Mendonça e Moraes —além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ambos mencionados em trocas de mensagens de Vorcaro— deem informações em até cinco dias sobre o relatório da PF que trata das mensagens que teriam Moraes como interlocutor.

Fachin retira pedido do inquérito das fake news

Nesta sexta (4), Fachin retirou o pedido de Moraes contra Mendonça do inquérito das fake news —onde havia sido protocolado— e o incorporou ao mesmo processo que já tratava do relatório sobre as mensagens.

Abriu também prazo de cinco dias úteis para a PGR se manifestar sobre a admissibilidade do pedido e outros cinco para Mendonça se defender, caso queira. Segundo o despacho, as medidas não antecipam juízo sobre o mérito.

Ao lado de Lula no Palácio do Planalto, Fachin defendeu, como resposta à crise, a aprovação de um código de ética para os ministros e o fim do inquérito das fake news —hoje relatado por Moraes—, além da modernização do sistema de Justiça. "Não haverá precipitação, mas tampouco omissão", disse.

Fachin defende a criação do código, que ainda é centro de uma divergência interna no tribunal e hoje está sob a responsabilidade da ministra Cármen Lúcia, que deve entregar a primeira versão do texto depois das eleições.

Plenário se divide

Segundo apuração do jornal Folha de São Paulo, o único apoio certo a Mendonça no plenário, neste momento, é do ministro Luiz Fux.

Do lado de Moraes estão os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, que propôs a Fachin vetar delegados da PF nos gabinetes de ministros, alegando risco de interferência nas investigações.

As dúvidas recaem sobre o ministro Kassio Nunes Marques, a ministra Cármen Lúcia e o próprio Fachin. Na divisão atual da corte, os três estão no grupo de Mendonça —em defesa, por exemplo, da implementação de um código de conduta. Seus interlocutores, contudo, dizem que o alinhamento ao relator do Master não é irrestrito.

A ala pró-Moraes defende que Fachin afaste Mendonça temporariamente da condução dos casos Master e INSS enquanto durar a apuração sobre ele, para evitar nulidades futuras. Pessoas próximas a Mendonça rejeitam a ideia e cobram que o fim do inquérito das fake news também entre na negociação.

Quando a crise começou

Os questionamentos sobre a corte começaram em dezembro de 2025, quando o ministro Dias Toffoli se tornou relator do caso Master no STF após a defesa de Vorcaro pedir que as investigações sobre o ex-banqueiro fossem levadas ao Supremo devido à ligação com políticos com foro por prerrogativa de função, chamado de foro especial.

A atuação do magistrado acumulou críticas. No mesmo mês em que assumiu a supervisão do inquérito, Toffoli determinou siglo máximo à solicitação da defesa do ex-banqueiro de que as apurações fossem transferidas ao STF sob o argumento de que a ação era necessária para evitar vazamentos.

Com a apreensão do celular de Vorcaro, a PF teve acesso a mensagens em que o dono do Master e seu cunhado, Fabiano Zettel, discutiram pagamentos a uma empresa que tem Toffoli como sócio. A corporação aponta um conflito de interesses direto, embora o ministro afirme que os valores recebidos são lícitos e declarados.

A PF apontou em 11 de fevereiro, após encontrar as menções a Toffoli nos diálogos entre Vorcaro e Zettel, a suspeição do magistrado como relator das investigações sobre o Master.

O ministro deixou a relatoria no dia seguinte, depois de uma reunião fechada de mais de duas horas com os demais colegas do STF, na qual ouviu apelos para que se afastasse do caso em nome da preservação do tribunal, que também passou a ser alvo de questionamentos. A supervisão do inquérito foi atribuída a Mendonça.

Por Luana Lisboa/Marina Costa/Folhapress

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