Viagra e vacina contra herpes-zóster apresentam forte potencial para combater Alzheimer; entenda
Três medicamentos passaram por novos testes por pesquisadores para tratar ou prevenir a doença de Alzheimer. Os medicamentos utilizados por cientistas no estudo são indicados para outras condições com o objetivo de verificar a proteção ao cérebro.
Entre os itens testados, estavam o Viagra (sildenafila) e o riluzole, utilizado no tratamento da doença do neurônio motor. Segundo o GLOBO, ambos registraram forte potencial. Além disso, no estudo, financiado pela Alzheimer's Society, liderado pela University of Exeter e publicado na revista Alzheimer's Research and Therapy, a vacina contra o herpes-zóster Zostavax surgiu como uma candidata mais promissora.
Nas constatações efetuadas, foram vistas que a sildenafila (Viagra) pode proteger células nervosas e reduzir o acúmulo de proteína tau, que é depositada de forma “anormal” no Alzheimer. Foi visto ainda, em testes com camundongos, que o medicamento melhorou de forma significativa o raciocínio e a memória, ao aumentar o fluxo sanguíneo para o cérebro.
Além disso, o riluzol, prescrito atualmente para doença do neurônio motor, demonstrou melhoras no desempenho cognitivo e reduziu os níveis de tau em pesquisas feitas com animais.
Com o imunizante contra o herpes-zóster, foi sugerido no levantamento, uma possível conexão entre o vírus e a demência. Conforme a reportagem, alterações no sistema imunológico obtiveram um papel conhecido no Alzheimer, onde a vacina interagiu com o sistema imune de maneira que pode auxiliar a combater e a neutralizar algumas das mudanças prejudiciais da enfermidade.
PRF divulga balanço da Operação Carnaval com redução de mortes nas rodovias federais do RN
Foram flagrados 47 motoristas dirigindo sob efeito de álcool e 281 ultrapassagens em local proibido, infração associada a elevado risco de colisões frontais. Foto: NUCOM-RN
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) divulgou, nesta quinta-feira (19), o balanço da Operação Carnaval 2026, realizada entre os dias 13 e 18 de fevereiro nas rodovias federais. A intensificação da fiscalização contribuiu para a redução dos sinistros graves e, principalmente, do número de mortes durante o período festivo, mesmo com aumento no total de acidentes registrados.
Ao todo, foram registrados 22 acidentes, aumento de 4,8% em relação ao Carnaval anterior. Em contrapartida, os sinistros graves apresentaram redução de 14%, totalizando seis ocorrências. O principal destaque foi a queda no número de óbitos: apenas uma morte registrada, índice 75% inferior ao verificado no ano passado.
No enfrentamento à criminalidade, a PRF prendeu 34 pessoas durante a operação, sendo uma delas por embriaguez ao volante. As ações também resultaram na apreensão de uma arma de fogo, 32 munições e na recuperação de seis veículos com registro de roubo/furto.
Durante fiscalização, os policiais apreenderam ainda 41 quilos de lagosta transportados irregularmente. Parte da carga era composta por exemplares ovados da espécie lagosta-cabo-verde, sendo constatado o transporte durante o período de defeso, quando são proibidos captura, armazenamento e comercialização.
A intensificação das abordagens refletiu no número de autuações por condutas de risco. Foram flagrados 47 motoristas dirigindo sob efeito de álcool e 281 ultrapassagens em local proibido, infração associada a elevado risco de colisões frontais.
O excesso de velocidade permaneceu como a infração mais registrada, com 1.227 flagrados. Também foram contabilizados 180 pessoas sem o uso do cinto de segurança, 151 motociclistas sem capacete, 37 casos de transporte de crianças sem dispositivo de retenção adequado e 11 condutores utilizando telefone celular ao volante.
Segundo a PRF, os resultados operacionais reforçam o impacto das ações preventivas e da presença policial ao longo do feriado, especialmente na redução da letalidade dos sinistros, mesmo diante do aumento do fluxo de veículos característico do período carnavalesco.
Categoria
Justiça e Segurança
Augusto Lima: de vendedor de abadá a banqueiro da Faria Lima
A carreira de Augusto Lima, dono do Banco Pleno, liquidado nesta quarta-feira (18), foi meteórica no setor financeiro. A partir da criação do cartão consignado para servidores públicos, o Credcesta, em 2018, saiu da Bahia, fez parceria com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, e levou seu negócio a 24 estados e 176 municípios. A autorização do Banco Central para ele ter sua própria instituição veio em julho de 2025.
Lima ficou com o Voiter, que fazia parte do grupo Master, quando o conglomerado já era investigado pela suspeita de fraudar carteiras de crédito vendidas para o BRB (Banco Regional de Brasília). Quatro meses depois, o cenário de ascensão mudou.
Em 17 de novembro, ele foi preso na Operação Compliance Zero. O executivo está em casa, com tornozeleira eletrônica. O Pleno passou a ter problemas para fazer captações. Lima buscava um investidor para entrar como sócio. O banco, porém, já não conseguia cumprir suas obrigações, e não foi possível sustentar a operação até uma solução de mercado.
Nascido em uma família de classe média de Salvador, Guga, como é chamado entre amigos, cursou economia em uma universidade particular. Formou-se em 2002 com um trabalho final sobre a indústria do Carnaval.
Trabalhou com venda de abadás e, em 2001, criou a empresa Terra Firme, na Bahia, para atuar como correspondente de instituições financeiras.
Segundo reconstituição da Folha, com base em documentos e relatos de pessoas próximas ao executivo, a trilha que o colocou no centro do maior escândalo financeiro em décadas inclui estruturas empresariais opacas, teias societárias complexas e costuras políticas. A defesa não comentou detalhes da reportagem.
Lima utilizou muitos fundos em seus negócios e criou fortes laços com a Reag, a gestora de recursos que foi alvo, em agosto de 2025, da Operação Carbono Oculto, por suspeita de operar para o PCC, e foi liquidada pelo Banco Central.
A PKL One, por exemplo, empresa dona do Credcesta, recebeu aumento de capital de um fundo chamado Reag 34, depois rebatizado de Diamond. Esse fundo detém o controle da empresa e está sob a gestão da WNT, que depois foi citada na segunda fase da operação Compliance Zero.
A virada com o Credcesta veio com a privatização da Ebal, estatal da Bahia responsável pela rede de supermercados Cesta do Povo, que operava com um cartão de compras. O governador, então, era Rui Costa, hoje ministro da Casa Civil, e o agora senador Jaques Wagner era secretário de Desenvolvimento Econômico.
Wagner conduziu a privatização. Os dois primeiros leilões ficaram vazios, e Lima levou a Wagner a solução para tornar o negócio mais atraente: de mero instrumento para compras, o cartão passaria a agregar um combo de benefícios para os servidores, inclusive de serviços financeiros.
O ministro já disse em mais de uma ocasião que Lima resolveu um problema para o governo do estado da Bahia, e que apesar de terem se conhecido no ambiente profissional, com o tempo, tornaram-se próximos.
Como precisava de uma instituição financeira para colocar o Credcesta na rua, Lima procurou o BMG, referência em consignado. No entanto, não teve sucesso. Bateu na porta da equipe do Master, que gostou do produto e aceitou trabalhar com a marca. A parceria se estreitou quando, em maio de 2020, Lima se tornou sócio do Master.
Em maio de 2024, ele acertou a sua saída da sociedade. O que se conta no mercado é que, como Vorcaro não quitou o combinado, Lima voltou ao Master, sempre cuidando do Credcesta. Só teria efetivamente deixado o dia a dia no Master depois de o BC dar sinal verde para ele ficar com o Voiter. O novo banco, que ele rebatizou de Pleno, também ficou com a operação de consignado para servidores.
Enquanto ainda estava à frente do Master, Lima foi ampliando as relações com o mundo político. Ficou próximo de João Roma, entre 2021 e 2022, ministro da Cidadania de Jair Bolsonaro. Em 2022, emplacou a ideia do crédito consignado para o INSS, o que, por tabela, colocou o Credcesta num negócio com escala nacional. Ele também atraiu a atenção do senador Ciro Nogueira, presidente do PP, e do presidente do União Brasil, Antônio Rueda.
Em dezembro de 2024, junto com Vorcaro, Lima integrava o grupo que representou o Master no encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Vorcaro foi ao Planalto acompanhando o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.
Segundo interlocutores, Lula chamou para conversa os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), além do hoje presidente do Banco Central Gabriel Galípolo, à época diretor da autoridade monetária.
Nesse meio tempo, o empresário conheceu Flávia Péres, deputada federal pelo PP e, então, ministra de Bolsonaro. Pessoas próximas contam que foi um match instantâneo. Lima deixou a esposa em 2023. O casamento com Flávia foi celebrado na Ilha dos Frades (BA), em janeiro de 2024, e os convidados não puderam fazer fotos ou postagens em redes sociais.
Ainda em novembro de 2023, o casal lançou o Instituto Terra Firme. Participaram da cerimônia secretários, deputados, procuradores, conselheiros de contas, empresários e artistas. O governador Jerônimo Rodrigues (PT) anunciou uma parceria com a entidade, e o prefeito Bruno Reis (União Brasil) lembrou que ele e Lima estudaram no mesmo colégio.
O evento foi uma demonstração de poder e prestígio de um banqueiro embalado pelo sucesso de sua sociedade no Master.
Por Alexa Salomão/Folhapress
Ministros de cortes superiores ganharam em média R$ 129 mil no fim do ano inflados por penduricalhos
Ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Tribunal Superior do Trabalho (TST) e Superior Tribunal Militar (STM) tiveram seus salários turbinados por penduricalhos na reta final de 2025 e receberam, em média, R$ 129 mil líquidos, o equivalente a três vezes o teto constitucional.
Esses vencimentos ocorrem graças a artifícios usados para driblar os limites legais por meio do pagamento de verbas indenizatórias além dos salários.
O Estadão analisou os contracheques de todos os membros dos três tribunais em dezembro e identificou que os salários acima dos R$ 100 mil foram viabilizados por uma miríade de penduricalhos, como licença compensatória, licença prêmio, gratificação por tempo de serviço, abono permanência e auxílios variados.
O levantamento não contabilizou o 13º salário ou a venda de férias, pois são benefícios garantidos por lei a funcionários públicos e trabalhadores da iniciativa privada.
Procurado, o STJ afirmou em nota que “foram pagos os seguintes passivos de direitos reconhecidos pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para toda a magistratura nacional: Licença compensatória (acúmulo de acervo) relativa aos períodos aquisitivos de 2015 e 2022, e revisão do cálculo da Parcela Autônoma de Equivalência, conforme decisão do STF”.
“Eventuais variações nos valores observadas ocorrem em razão da diferença no tempo de exercício de cada ministro no Judiciário e no tribunal, bem como no pagamento de parcelas que não são recorrentes, a exemplo de férias.”
Decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, no dia 5 de fevereiro, considerou o pagamento de penduricalhos uma prática ilegal e determinou a suspensão dos pagamentos extratexto no Judiciário, Executivo e Legislativo que não estejam previstos em lei. A partir de março, magistrados e servidores públicos não poderão mais receber os chamados penduricalhos sem violar diretamente a determinação do STF.
Dos cinco tribunais superiores existentes no País, apenas o STF e Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não pagam penduricalhos aos seus membros. O TSE é composto por sete magistrados oriundos do Supremo, STJ e da advocacia que recebem o complemento de R$ 1,3 mil aos seus salários por exercerem as funções na Justiça Eleitoral.
Os ministros do Supremo têm, por sua vez, os salários mais altos do serviço público, atualmente em R$ 46 mil. Essa remuneração é utilizada como base para estabelecer o teto constitucional. No entanto, as distorções causadas pelos penduricalhos na remuneração dos juízes brasileiros é tamanha que faz com que a maioria dos integrantes dessa classe furem o teto e ganhem mais do que membros da mais alta Corte do País.
O TST pagou em média R$ 155 mil líquidos aos seus membros. Desse montante, R$ 44 mil equivalem ao salário. Muitos ministros também receberam benefícios classificados como vantagens eventuais, como abono constitucional de um terço de férias, que ajudaram a inflar os salários com ganhos médios de R$ 70 mil, mas que não foram contabilizados no levantamento por estarem sujeitos a descontos e à regra do abate teto.
Foram descontados em média R$ 61 mil dos salários, entre imposto, abate teto e descontos diversos, ainda assim os ministros conseguiram estourar o teto em mais de três vezes. Os penduricalhos que entraram no cômputo foram os classificados como gratificações, indenizações e as chamadas vantagens individuais, que abarcam penduricalhos como adicional por tempo de serviço e abono permanência. Esses benefícios somados geraram, em média, R$ 100 mil a mais livres de descontos nos contracheques desses magistrados.
No STJ, o maior volume de penduricalhos foi pago em setembro, quando os ministros receberam, em média, R$ 237 mil brutos. Mais de 90% deste valor foi composto por penduricalhos, que são isentos de impostos. Esse artifício, além de aumentar a renda, cria um privilégio tributário para os membros da Justiça. Naquele mês, a tributação média sobre o contracheque dos membros da Corte foi de 9%, um percentual bem inferior aos 27,5%, imposto de renda pago por trabalhadores celetistas.
Em dezembro, eles ganharam R$ 130 mil líquidos. Os vencimentos são compostos por penduricalhos como os auxílios para moradia, transporte, alimentação e saúde. Outras formas de incremento ao salário são os adicionais por tempo de serviço, que aumentam os salários em 5% a cada quinquênio.
Esse crescimento, no entanto, é contabilizado como “vantagem pessoal” e não entra na conta do salário.
No STM, o cenário é igual. Dos 15 ministros da Corte, 13 ganharam R$ 46 mil, praticamente um salário a mais, só de licença prêmio.
Também foram pagos em média R$ 9 mil de vantagens pessoais (abono permanência e adicional por tempo de serviço) e em média R$ 18 mil de indenizações (auxílio alimentação e licença compensatória), ambos sem descontos por terem caráter indenizatório. A média do rendimento líquido dos ministros do tribunal militar foi de R$ 74 mil.
Os ministros também ganharam em média R$ 47 mil com as vantagens eventuais sujeitas a descontos, benefícios estes que não foram contabilizados no levantamento.
Dezembrada
Os últimos e os primeiros meses do ano são os preferidos dos tribunais para pagar penduricalhos. Como revelou o Estadão, a prática é definida por especialistas como “dezembrada” porque os magistrados utilizam as sobras orçamentárias dos tribunais para pagar valores retroativos e criar novos benefícios nesta época do ano.
Por mais que os valores explodam entre novembro e fevereiro, é comum que as Cortes paguem valores acima do teto de forma consistente aos seus membros durante a maior parte do ano. No STJ, os ministros acumularam ganhos acima do teto nos últimos quatro meses do ano passado.
Leia a íntegra da nota do TST
Os valores pagos aos ministros do Tribunal Superior do Trabalho contemplam dentre outras parcelas as seguintes referidas no texto da solicitação:
- Auxílio-alimentação: pago mensalmente a ministros e servidores do Tribunal, com fundamento no art. 22 da Lei nº 8.460/1992, no valor então definido por meio da Portaria Conjunta CNJ nº 3, de 17 de março de 2025;
- Abono de permanência: pago mensalmente a ministros e servidores do Tribunal que cumpriram os requisitos para aposentadoria voluntária previstos na Constituição Federal e optaram por permanecer em atividade, atualmente previsto no § 3º do art. 3º da Emenda Constitucional nº 103/2019;
- Assistência pré-escolar: paga a ministros e servidores com filho até os seis anos de idade, no valor então definido por meio da Portaria Conjunta CNJ nº 2, de 29 de janeiro de 2025;
- Adicional por tempo de serviço: pagamento autorizado pelo Conselho Nacional de Justiça mediante a decisão proferida nos autos do Pedido de Providências nº 0007687-18.2024.2.00.0000.
Importante observar que os valores mencionados na solicitação estão na forma de remuneração bruta, nos quais estão contempladas as parcelas recebidas a título de quitação da gratificação natalina do exercício, adiantamento da gratificação natalina do ano seguinte, adiantamento de remuneração de férias e adicional de 1/3 constitucional de férias, as quais são pagas no mês anterior ao usufruto das férias coletivas (art. 66, § 1º, da Lei Complementar nº 35/1979 – LOMAN), indenização de um mês de licença-prêmio por tempo de serviço, sendo que os adiantamentos de férias são creditados no mês antecedente ao de fruição e compensados na remuneração do mês subsequente ao de fruição. Ainda, além de outros descontos ordinariamente existentes em folha de pagamento, houve no mês de dezembro de 2025 descontos a título de “Retenção por Teto Constitucional” no valor de até R$ 13.787,76, dependendo da situação funcional individual do ministro beneficiário da remuneração.
Leia a íntegra da nota do STJ
Nos termos do art. 37, XI, da CF, da Loman e da Resolução CNJ n. 13/2006, não estão sujeitas ao teto constitucional as seguintes rubricas pagas aos ministros do STJ em 2025:
• 1/3 de férias (se sujeita ao teto em seu valor individual, ou seja, pode ser recebida junto com o subsídio mensal)
• Indenização de férias não usufruídas
• 13º Salário (se sujeita ao teto em seu valor individual, ou seja, pode ser recebida junto com o subsídio mensal)
• Licença compensatória pela cumulação de acervo processual, procedimental ou administrativo, limitando-se a concessão a dez dias por mês
• Licença-prêmio, paga parceladamente nos meses de abril, maio e junho/2025, aos magistrados que tinham o direito adquirido.
Em 2025, foram pagos os seguintes passivos de direitos reconhecidos pelo CNJ para toda a magistratura nacional:
• Licença compensatória (acúmulo de acervo) relativa aos períodos aquisitivos de 2015 e 2022
• Revisão do cálculo da PAE (Parcela Autônoma de Equivalência, conforme decisão do STF no RE 870.947, Tema 810)
Cumpre destacar que os valores pagos mês a mês obedeceram ao teto constitucional e as regras do CNJ.
Eventuais variações nos valores observadas ocorrem em razão da diferença no tempo de exercício de cada ministro no Judiciário e no tribunal, bem como no pagamento de parcelas que não são recorrentes, a exemplo de férias.
Por Weslley Galzo e Gustavo Côrtes/Estadão Conteúdo
Aliados buscam Bolsonaro na Papudinha para destravar disputas eleitorais nos estados
Desde que foi transferido para a Papudinha, Jair Bolsonaro (PL) tem sido procurado por pré-candidatos que buscam a bênção do ex-presidente para se lançarem em seus redutos eleitorais, destravando acordos regionais.
Levantamento feito pela Folha mostra que, desde 15 de janeiro, quando foi transferido para a unidade prisional, Bolsonaro recebeu 27 pedidos de visitas além de advogados de defesa e de seu núcleo familiar direto. Do total, 17 são de nomes que disputarão as eleições de 2026, sendo 12 deles cotados ao governo estadual ou ao Senado, cargos tratados com prioridade pelo bolsonarismo.
O senador Carlos Portinho (PL-RJ), que busca a reeleição à casa legislativa, se encontrou com o ex-presidente nesta quarta-feira (18).
"Quero ouvi-lo. É importante, é fundamental, é o maior líder nosso da direita. Vou fortalecer minha pré-candidatura [ao Senado] e, se ele tiver outros planos, entender que planos são esses, qual é a estratégia e me posicionar depois de refletir", disse ele à reportagem antes da visita.
No Rio, além de Portinho, também são cotados como candidatos dois de seus correligionários: o atual governador Cláudio Castro, que está em seu segundo mandato e não pode mais se reeleger, e o deputado federal Hélio Lopes, que visitou Bolsonaro no último dia 7.
Lopes é próximo do clã Bolsonaro e tem o nome defendido pelo senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro.
O empreiteiro Renato Araújo, que supervisionou a reforma da casa do ex-presidente em Angra dos Reis e que já havia recebido sinalização de apoio de Bolsonaro para concorrer à Câmara, também fez um pedido de visita, além do deputado estadual licenciado Anderson Moraes, que ocupa uma secretaria no governo Cláudio Castro, no Rio de Janeiro, mas deve se descompatibilizar e também tentar se eleger deputado federal.
Cenários de outros oito estados têm sido levados ao ex-presidente, segundo apurou a Folha: Paraíba, Rondônia, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Rio Grande do Sul.
Em 2026, a eleição será para duas das três cadeiras do Senado. Aspirante a uma das vagas pelo Rio Grande do Sul, o deputado federal Ubiratan Sanderson deve discutir a situação com Bolsonaro no sábado (21). No estado, há mais dois nomes da direita cogitados: o deputado Marcel Van Hatten (Novo) e o senador Luis Carlos Heinze (PP).
"Além de dar um abraço e emprestar todo meu apoio a ele, a questão política eleitoral do Rio Grande do Sul certamente será tratada. Sou o candidato ao Senado indicado por ele, em junho do ano passado, e a candidatura deve ser confirmada (ou não) por ele", disse Sanderson à Folha.
Pré-candidato ao Governo de Goiás, o senador Wilder Morais foi à Papudinha no último sábado (14). Mesmo contando com o aval da cúpula do PL para a eleição, ele busca um apoio nominal de Bolsonaro, que possui boas relações com o atual governador, Ronaldo Caiado (PSD), e com o grupo político dele no estado.
O ex-presidente deverá receber ainda o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que tem sido cotado ao governo mineiro por Flávio Bolsonaro.
Em março, será a vez do senador Wellington Fagundes (PL-MT) discutir sua candidatura ao Governo de Mato Grosso, já que, até então, Bolsonaro e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, estavam mais inclinados a apoiar o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos).
"Será um momento de diálogo e alinhamento dos próximos passos para o futuro de Mato Grosso e do Brasil, ao lado do nosso capitão", escreveu Fagundes no Instagram.
Afilhado político do ex-presidente, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é um dos aliados que já esteve com Bolsonaro desde a transferência para a Papudinha.
Na reunião, Tarcísio defendeu o lançamento de uma candidatura de centro para o Senado, já que uma das vagas foi acertada para o deputado federal e ex-secretário estadual de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP).
Segundo aliados, o governador argumentou que, embora Derrite atenda ao eleitorado bolsonarista, é necessário apresentar um nome moderado para não perder votos para a esquerda, que também tem buscado candidatos mais ao centro.
O próprio Derrite pediu uma visita ao ex-presidente. O pedido ocorreu no dia 13, depois da conversa entre Bolsonaro e Tarcísio. O ministro Alexandre de Moraes, relator da trama golpista no STF (Supremo Tribunal Federal), concedeu duas horas de visita ao deputado, das 8h às 10h da próxima quarta-feira (25) .
No mesmo dia da visita de Tarcísio, Bolsonaro também discutiu as eleições de Rondônia com o pecuarista Bruno Scheid, que é pré-candidato a senador pelo estado.
Outro cenário debatido pelo ex-presidente, segundo pessoas próximas, foi o da Paraíba. Líder da oposição na Câmara, o deputado Cabo Gilberto Silva (PL) discutiu com Bolsonaro no último dia 7 a possibilidade de se candidatar ao Senado pelo estado, ainda de acordo com aliados.
"Escutei todas as determinações do presidente Bolsonaro para o nosso comportamento na Câmara Federal, bem como ajuda ao povo brasileiro para sairmos dessa triste situação", disse ele em vídeo divulgado nas redes sociais após o encontro.
Moraes deixou dois pedidos de visita sem resposta: um do empreiteiro Renato de Araújo Corrêa, que quer se candidatar a deputado federal ou estadual pelo PL do Rio de Janeiro, e outro da deputada Julia Zanatta (PL-SC), pré-candidata à reeleição, que alegou uma vistoria institucional para verificar as condições da Papudinha.
O ministro negou, até o momento, dois pedidos: o de Valdemar Costa Neto, por também ser investigado na trama golpista, e o do senador Magno Malta (PL-ES), por ter tentado entrar na prisão sem autorização.
Valdemar, enquanto presidente nacional do PL, depende de terceiros para discutir a situação eleitoral do partido com Bolsonaro. Já Magno Malta passou a ser avaliado por Flávio Bolsonaro como possível candidato ao governo do Espírito Santo.
Por Juliana Arreguy e Bruno Ribeiro/Folhapress
Suspeito de estupro de vulnerável é preso em Bom Jesus da Lapa
Um homem de 71 anos, suspeito do crime de estupro de vulnerável, foi preso em Bom Jesus da Lapa, nesta quarta-feira (18). De acordo com a investigação, a vítima, uma criança de seis anos, foi abordada pelo investigado nas proximidades da residência da família.
O caso foi comunicado às autoridades pelo genitor da criança, que acionou a Polícia Militar após tomar conhecimento dos fatos. As apurações apontam que o suspeito se valeu da relação de proximidade e confiança, por ser padrinho e vizinho da vítima.
A prisão ocorreu em cumprimento a mandado de prisão preventiva expedido pelo Poder Judiciário, executado por equipes do Serviço de Investigação (S.I.) da 24ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin/Bom Jesus da Lapa), em atuação conjunta com o plantão da Delegacia Territorial do município.
Após o cumprimento da ordem judicial, o investigado foi conduzido à unidade policial, onde permanece à disposição da Justiça.
Fonte
Ascom PCBA- Marcela Correia
Mulher é presa em flagrante por estupro de vulnerável em Salvador
Uma mulher de 23 anos foi presa em flagrante, na madrugada desta quarta-feira (8), suspeita do crime de estupro de vulnerável contra uma criança de dois anos, no circuito Osmar, em Salvador.
Após o registro da ocorrência, imagens de câmeras de segurança foram analisadas, o que possibilitou a identificação da suspeita. Com base nas informações levantadas, uma equipe de policiais velados foi acionada e localizou a mulher, efetuando a prisão.
A conduzida foi apresentada ao Serviço Especializado de Respeito a Grupos Vulnerabilizados e Vítimas de Intolerância e Racismo (SERVVIR), onde foram adotadas as medidas legais cabíveis. A investigada está a disposição do Poder Judiciário.
A ação foi realizada pela Polícia Civil da Bahia, por meio de equipes veladas do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic).
OAB-RJ considera desfile em homenagem a Lula como "preconceito religioso"
A Secção do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) afirmou que desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva configurou "prática de preconceito religioso" contra evangélicos.
Em nota divulgada na última terça-feira (17), a OAB-RJ afirma que "qualquer conduta que implique intolerância ou discriminação religiosa representa afronta direta à ordem constitucional e aos compromissos internacionais assumidos pelo país".
A nota faz referência à ala "neoconservadores em conserva", que apresentu uma fantasia em lata de conserva com um desenho de uma família com pai, mãe e duas crianças.
Conforme explicação da escola sobre a ala "o humor segue em voga para caracterizar os chamados 'neoconservadores', um grupo que atua fortemente em oposição a Lula, votando contra a maioria das pautas defendidas por ele, como privatização e o fim da escala de trabalho 6x1". A explicação afirma ainda que os grupos tem representantes do agronegócio, mulher de classe alta, defensores da Ditadura Militar e grupos de religiosos evangélicos.
Ex-sócio de Vorcaro, baiano Augusto Lima gastou R$ 600 mi para tentar salvar Pleno
Banco do banqueiro baiano foi liquidado pelo BC porque ficou sem dinheiro no caixa para pagar CDBs
| Foto: Divulgação/Arquivo |
O banqueiro baiano Augusto Lima teve que gastar cerca de R$ 600 milhões do seu patrimônio para honrar CDBs (Certificado de Depósito Bancário) do Pleno (ex-Voiter) até a liquidação da instituição financeira pelo Banco Central, anunciada nesta quarta-feira (18).
Com os aportes, Lima tentou manter o banco em funcionamento até encontrar um investidor para continuar a operação, o que não aconteceu.
O banco do ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master foi liquidado pelo BC porque ficou sem dinheiro no caixa para pagar os CDBs que estavam vencendo. Lima estava vendendo ativos pessoais e procurando um investidor para tentar manter o banco em pé, mas a sua ligação com o escândalo do Master dificultou a situação. Com a liquidação, seus bens ficaram indisponíveis.
A liquidação do banco já era esperada pelo mercado financeiro e não surpreendeu devido ao volume elevado de CDBs que estavam no Voiter quando ele foi adquirido por Lima.
O empresário assumiu um passivo de R$ 6 bilhões em CDBs ao comprar no ano passado o Voiter, banco que fazia parte do conglomerado de Vorcaro. Na época, o BC exigiu a suspensão da emissão de novos papéis.
A reportagem procurou o Pleno desde a manhã desta quarta, via assessoria de imprensa, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.
Lima chamou atenção do mercado bancário ao comprar o Voiter, movimento que acabou colocando seu patrimônio pessoal em risco no caso de liquidação —o que acabou se concretizando menos de um ano depois da sua saída oficial do Master, em 2024.
Com a compra do Voiter, que foi rebatizado de Banco Pleno, Lima assumiu com seu próprio patrimônio, estimado em R$ 1 bilhão, o pagamento do passivo, que além dos CDBs inclui uma dívida com a família Resende Barbosa, ex-donos do Voiter (antigo Indusval).
A dívida, assumida por Lima com a aquisição do banco, fez parte das negociações de venda do Voiter e passou pelo radar do BC na análise da operação, segundo pessoas a par do tema ouvidas pela reportagem na condição de anonimato. O uso do seu patrimônio pessoal vai diminuir o custo que o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) terá para garantir o ressarcimento aos investidores dos CDBs do Pleno, após a quebra do banco.
O Pleno é mais uma instituição financeira ligada diretamente ou indiretamente ao Master a sofrer liquidação. Além do conglomerado Master, o Will Bank, o Lestbank e a gestora Reag Investimentos foram liquidados desde novembro do ano passado, quando a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero, na qual Vorcaro e Lima foram presos. Ambos foram soltos dias depois, com uso de tornozeleira eletrônica.
O BC aprovou a venda do Voiter para Lima em julho de 2025, no momento em que analisava a venda do Master para o BRB, o banco estatal de Brasília.
O processo de venda da participação de Lima no Master não precisou, na época, passar pelo crivo do BC, seguindo a legislação. Mas, quando Lima decidiu depois comprar o Voiter, uma fatia relevante do conglomerado de Vorcaro, a operação teve que ser analisada pela autoridade que regula o sistema bancário.
Na época da análise, o banqueiro não era investigado por suspeita de envolvimento em fraude contra o sistema financeiro, mas já havia suspeitas no BC de que o Master tinha vendido carteiras falsas de crédito consignado.
O dono do Pleno foi afastado do banco, que passou a ter nova direção, com a presidência de Ronaldo Vieira Bento. Mas sua esposa, Flávia Peres (anteriormente conhecida como Flávia Arruda), estava cuidando, na prática, da gestão do banco, segundo pessoas a par do tema. Ela foi ex-deputada federal e ex-ministra de Jair Bolsonaro.
No plano de negócios submetido à diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, então chefiada por Renato Gomes, o BC exigiu que o banco não mais emitisse novos CDBs para não aumentar a exposição do FGC —ou seja, que não vendesse mais títulos com o seguro do fundo. Também foram exigidos aportes de capital pelo novo controlador para dar sustentação ao patrimônio do Voiter.
O BC nomeou como liquidante do banco José Eduardo Victória.
Augusto Lima é ligado ao PT da Bahia e é apontado como o homem responsável pelo desenho das operações de crédito consignado de servidores do estado, via cartão Credcesta.
Trump acelera preparação de ataque ao Irã
Apesar de negociação sobre programa nuclear prosseguir, sinais de que os EUA poderão atacar a teocracia se acumulam
| (Foto: Reprodução/Instagram) |
Apesar dos relatos de progresso nas negociações para evitar uma nova guerra no Oriente Médio, os Estados Unidos aceleraram nesta semana a mobilização militar ofensiva em preparação para atacar o Irã.
Após enviar dois grupos de porta-aviões e diversos ativos para a região, as forças de Donald Trump estão empreendendo uma movimentação frenética de aeronaves para o teatro de um eventual conflito.
Só de segunda-feira (16) até esta quarta (18), foram ao menos 78 aviões de caça e ataque deslocados, mais que o dobro do que já havia em três principais bases americanas sob a jurisdição do Centcom (Comando Central da Forças Armadas dos EUA) —isso sem contar as 90 aeronaves a bordo do USS Abraham Lincoln.
Esses aviões estão sendo apoiados por uma armada voadora de aviões-tanque. Só na manhã desta quarta, havia 20 modelos KC-135 e KC-46 no ar cruzando o Atlântico vindos dos EUA, e uma fila com dezenas de voos de ida e volta de cargueiros C-17 da região para bases europeias.
Além disso, seis aviões-radar E-3 e pelo menos um raramente usado U-2 já estão na Europa, a poucas horas da ação. São aeronaves essenciais para qualquer ação coordenada, organizando o trabalho de caças, aviões de ataque a solo e bombardeiros. Todos os números são tirados de monitores de tráfego aéreo, e pode haver mais ativos a caminho.
Chama a atenção a composição do contingente, que saiu dos EUA e de bases na Europa: além de 36 caças leves F-16 e mais 12 aviões de ataque F-15, há 12 F-22 e 18 F-35 relatados pelos monitores. Os dois últimos são modelos de quinta geração, furtivos a radar.
O F-22, em particular, é o avião mais poderoso da frota americana. Seu emprego, provavelmente numa base da Jordânia, sugere o potencial uso do bombardeiro "invisível" B-2, numa combinação usada no ataque americano a instalações nucleares do Irã em junho passado.
Nele, os F-22 serviram com F-35 de escolta para os bombardeiros de R$ 11 bilhões, enquanto outros caças abriam o caminho alvejando defesas aéreas iranianas. Nesse cenário, é possível especular um novo ataque mais cirúrgico para decapitar a teocracia islâmica instalada em Teerã desde 1979.
Mas analistas militares observam que o poderio mobilizado insinua uma guerra mais ampla do que bombardear o aiatolá Ali Khamenei e comandantes de sua Guarda Revolucionária. Isso implica vários riscos, dado que o país não é indefeso como a Venezuela, atacada em janeiro.
Para tanto, seguindo a cartilha do Pentágono, tudo começa com o uso intensivo do míssil de cruzeiro Tomahawk. Há cerca de 600 unidades da arma de precisão rondando o Irã. Trump já tem na região o Lincoln e sua escolta de três destróieres, e um total de ao menos 12 navios de guerra.
Na semana que vem eles já sejam apoiados por um segundo grupo de porta-aviões, centrado no maior modelo do tipo no mundo, o USS Gerald R. Ford. O navio e sua escolta estavam no Caribe, onde participaram da operação que capturou o ditador Nicolás Maduro e sua mulher.
Nesta quarta, ele estava perto do estreito de Gibraltar, entrando no Mediterrâneo e podendo estar em posição de apoiar um ataque ao Irã pelo flanco oeste já neste fim de semana se mantiver a velocidade atual de 24 nós (44 km/h).
Por fim, há o fator Israel, aliado central dos EUA na região. O Estado judeu, segundo a imprensa local, elevou seu alerta militar e pode participar do ataque aos arquirrivais iranianos, repetindo a parceria do curto conflito de junho passado. Potência nuclear, o país tem cerca de 300 aviões capazes de alvejar o Irã.
Isso tudo pode sinalizar apenas pressão de Trump para que os aiatolás aceitem um acordo acerca de seu programa nuclear. Na terça, delegações de ambos os países debateram indiretamente o tema, sob a mediação de Omã, em Genebra.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, foi particularmente otimista, falando em progresso e novas reuniões. Os americanos foram mais discretos, apenas relatando anonimamente que esperam uma proposta iraniana em duas semanas.
Talvez este seja o prazo para uma decisão de Trump sobre atacar. Na noite de terça, o vice-presidente J. D. Vance afirmou à Fox News que "ficou bem claro que o presidente tem linhas vermelhas que os iranianos não estão ainda dispostos a aceitar e negociar".
Já nesta quarta, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que "houve um pouco de progresso, mas estamos muito longe em algumas questões". "O Irã seria sábio em fazer um acordo".
PROTESTOS AGRAVARAM CRISE
A crise entre os países remonta à Revolução Iraniana, que nasceu sob o signo da tomada da Embaixada dos EUA em Teerã. Décadas de hostilidade mútua chegaram a um zênite com o ataque do ano passado, em apoio à guerra de 12 dias que Israel travava com seu arqui-inimigo.
Sucedeu um cessar-fogo, mas a situação política da teocracia degenerou devido a uma crise econômica que levou milhares à rua no fim de 2025. Logo, os atos viraram protestos contra o regime em si e foram violentamente reprimidos.
Trump prometeu ajuda os manifestantes e, no começo do ano, quase atacou o Irã. Mas voltou atrás, convencido por Israel a ganhar mais tempo de preparo e pressionado por aliados regionais a não causar caos no comércio de petróleo —20% do produto e do gás mundiais passam pelo estreito de Hormuz, cuja costa norte é controlada por Teerã.
Não por acaso, os iranianos estão fazendo nesta semana exercícios navais por lá e anunciaram manobras conjuntas com russos e chineses, buscando dissuadir os americanos. Uma corveta de Moscou, a Stoiki, já fez manobras com barcos iranianos nesta quarta. Teerã também está reforçando instalações militares, como imagens de satélite mostram.
O republicano acabou abandonando a retórica de apoio aos atos, embora tenha falado que seria bom ver o regime cair. E acelerou o cerco militar enquanto mudava o foco para o programa nuclear, que fora objeto de um acordo que ele mesmo deixou em 2018.
Aquele arranjo suspendia sanções em troca da renúncia à bomba atômica e instalação de mecanismos de verificação da produção pacífica de urânio enriquecido. Teerã quer renovar esse acordo, mas Trump quer o fim total do programa.
Além disso, com apoio de Israel, pede também o fim do programa de mísseis balísticos do país persa, algo que Teerã diz ser inegociável. Na guerra de 2025, apesar de dominada nos ares, a teocracia causou bastante estrago no Estado judeu.
Por Igor Gielow/Folhapress
Veto de Lula a supersalários pode acelerar criação de lei para regulamentar verbas indenizatórias
| Foto: João Valadares/PT/Arquivo |
O veto parcial do presidente Lula a projetos de lei que estabelecem reajustes a funcionários da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e do TCU (Tribunal de Contas da União) pode acelerar a criação de lei para regulamentar verbas indenizatórias, afirma o líder do PT, Pedro Uczai (SC).
"Vamos enfrentar esse tema e vamos regular para todos os poderes da República", defendeu o petista. "Ao invés de discutir derrubada do veto, vamos construir uma legislação unificada para o Brasil inteiro sobre esse tema", afirmou ele à Folha.
O líder da oposição, Cabo Gilberto (PL-PB), aponta que se reunirá na próxima semana com a bancada para definir os próximos passos, mas adiantou que viu o veto de Lula como "natural" e "parte do jogo democrático". "O que eu defendo é que todos os poderes respeitem o teto", afirmou.
A proposta precisará ser debatida por conta de uma decisão liminar do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Flávio Dino, de suspender o pagamento de penduricalhos (verbas indenizatórias) não previstos em lei, tomada em 5 de fevereiro.
A decisão concedeu 60 dias para que todos os órgãos da administração revisem e suspendam pagamentos sem base legal, seja por lei nacional, estadual ou municipal. Além disso, cobrou do Congresso a edição de lei que regulamente, no âmbito nacional, quais verbas indenizatórias poderiam superar o teto.
Segundo o ministro, enquanto isso não é feito, multiplicam-se no país os chamados penduricalhos, que vão em muitos casos contra a jurisprudência do Supremo sobre o assunto. Ele citou como exemplos "auxílio-peru", "auxilio-panetone", "auxílio-saúde" (independentemente da existência ou não de planos de saúde) e "gratificações de acervo processual" (que poderiam premiar quem acumula muitos processos).
O líder do PSB, Jonas Donizetti (SP), acrescenta que o veto do presidente já estava previsto, em razão da repercussão negativa por causa da aprovação dos projetos e da decisão de Dino do início do mês. Ele afirma que aguardará o julgamento da limitar pelo STF, marcado para dia 25, para definir os rumos.
Até agora, o assunto não foi tratado pelos líderes partidários com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), ou com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
No caso da Câmara, uma reunião com os líderes dos partidos foi realizada por Motta na segunda-feira posterior à liminar, dia 9, mas ficou em torno apenas a pauta da semana. O Senado ficou esvaziado, sem sessões deliberativas. A expectativa é de retomada dos trabalhos somente no dia 24, terça-feira.
A Folha mostrou que a decisão de Dino já era vista por parlamentares como embasamento a um provável veto de Lula, que se confirmou nesta quarta-feira (18). Apesar disso, eles aguardam o julgamento da liminar pelo plenário do STF, no dia 25, para saber se haverá apoio da maioria dos ministros ou não.
Líderes ouvidos pela Folha afirmaram que há mais resistência no Judiciário do que nos outros Poderes em relação ao corte de penduricalhos. Dessa forma, caso o STF referende a decisão de Dino, haverá mais abertura para editar uma lei, como defende Uczai.
O Congresso já tentou avançar com a regulamentação dos supersalários em diversas ocasiões, a última dentro da reforma administrativa proposta pela Câmara, mas o projeto travou por resistência dos servidores atingidos, geralmente localizados na cúpula do serviço público e com os melhores salários.
A princípio, a avaliação entre alguns líderes no Congresso era de que um veto de Lula aos projetos poderia desgastar a relação entre Executivo e Legislativo, mas o mal-estar não se confirmou neste primeiro momento, em que os deputados e senadores estão fora de Brasília e até do país por causa do Carnaval.
O caso repete outro projeto que gerou desgaste entre o presidente e parte da Câmara: quando ele vetou o aumento do número de deputados federais dos atuais 513 para 531 no ano passado. Na época, uma decisão gerou uma crise com Motta, mas uma saída foi estabelecida pelo STF, que manteve a atual composição de vagas da Câmara por Estado, sem redistribuí-las de acordo com o aumento populacional.
Os projetos de lei vetados parcialmente pelo presidente nesta quarta foram aprovados no início do ano legislativo e previam a criação de indenizações e verbas extras que poderiam elevar os salários de alguns servidores a mais de R$ 80 mil. Este trecho acabou rejeitado por Lula.
O presidente também barrou a criação de licença compensatória para servidores comissionados. A proposta daria um dia de folga a cada três trabalhados em períodos como feriados, finais de semana e dias de descanso, e o servidor poderia optar por receber uma indenização ao invés da folga.
Lula vetou ainda o escalonamento de reajustes para 2027, 2028 e 2029, sob a justificativa de que a Lei de Responsabilidade Fiscal veda a criação de despesas obrigatórias no fim do mandato que não possam ser cumpridas integralmente dentro dele.
O petista, no entanto, sancionou o reajuste para os servidores da Câmara, do Senado e do TCU para 2026.
Por Laura Scofield e Raphael Di Cunto, Folhapress
PRF apreende fuzil e pistola durante fiscalização na BR-116, em Vitória da Conquista (BA)
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu um fuzil e uma pistola na tarde de domingo (15), durante fiscalização da Operação Carnaval 2026 na BR-116, em Vitória da Conquista (BA). A ação ocorreu por volta das 15h30, no km 814 da rodovia, perímetro urbano do município, quando equipes realizavam fiscalização e deram ordem de parada a um veículo de passeio com três ocupantes.
Durante os procedimentos de abordagem e verificação veicular, os policiais realizaram buscas no interior do automóvel. No assoalho do veículo foi localizado um fuzil desmontado e ocultado de forma a dificultar sua visualização. Também foi encontrada uma pistola na posse de uma das ocupantes.
No total, foram apreendidos 1 fuzil Colt calibre 5.56, 1 pistola Taurus e 273 munições de calibres compatíveis com os armamentos.
Foi verificado que os envolvidos possuíam passagens anteriores por crimes como tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo, ameaça e furto qualificado.
Diante dos fatos, foi constatada, a princípio, a prática do crime de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Os três ocupantes do veículo foram conduzidos à Delegacia da Polícia Civil da Bahia em Vitória da Conquista para os procedimentos cabíveis.
O armamento apreendido foi encaminhado à autoridade policial para perícia e demais providências legais.
Categoria
Justiça e Segurança
Reconhecimento Facial da SSP ultrapassa a marca de 60 foragidos presos no Carnaval 2026
Mais de 60 foragidos da Justiça já foram localizados e presos no Carnaval de 2026, após serem identificados pela tecnologia de reconhecimento facial. O número é superior ao registrado na folia do ano anterior, quando 55 procurados foram capturados.
As últimas prisões aconteceram na tarde desta terça-feira (17), nos circuitos de Salvador. Também houve prisões no pré-carnaval e nas festas de Porto Seguro, Santa Cruz Cabrália e Lapão, no interior do estado.
Homicidas, traficantes, procurados por violência contra a mulher, porte ilegal de arma, roubo, estupro, tráfico de drogas e agressão constam na lista. Homens e mulheres com dívida de pensão alimentícia também foram alcançados pela tecnologia.
Fonte
Marcia Santana
'Ninguém pode me impedir de ser candidato', diz Esperidião Amin sobre disputa ao Senado em SC
O senador Esperidião Amin (PP-SC) reagiu às articulações da direita em Santa Catarina e afirmou que ninguém pode barrar sua candidatura à reeleição ao Senado. A inclusão do ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) na disputa ao cargo embaralhou o cenário no Estado.
O impasse ocorre porque a chapa articulada pelo governador Jorginho Mello (PL) deve lançar Carlos Bolsonaro como candidato ao Senado e já tinha garantido espaço a Amin para concorrer a uma das duas vagas que serão abertas na Casa. O problema é que a deputada Caroline de Toni (PL-SC) também tem a pretensão de disputar o cargo.
"Ninguém pode me impedir de ser candidato. Eu quero o mesmo direito que qualquer cidadão tem de concorrer", disse Amin à revista Veja.
Na entrevista, Amin reconheceu que três nomes estão colocados na disputa, mas ponderou que não há espaço para uma chapa com três candidaturas ao Senado. Ele também afirmou contar com o apoio da federação União Progressista para sustentar o projeto de reeleição.
Conforme mostrou o Estadão Caroline afirmou à imprensa que ouviu do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que não haveria espaço para sua candidatura ao Senado pela sigla em Santa Catarina.
A deputada também comunicou a Valdemar que pretende deixar o PL, embora aliados ainda tentem demovê-la da decisão. Segundo ela, ao menos seis partidos - Avante, Podemos, PRD, MDB, PSD e Novo - fizeram convites. Caroline avalia as propostas, de acordo com interlocutores.
Por Vanessa Araujo, Estadão Conteúdo
Hemodinâmica amplia cuidado com o coração idoso
Procedimentos seguros ajudam a preservar autonomia e qualidade de vida
O envelhecimento traz mudanças naturais ao coração, como o endurecimento das artérias, maior risco de obstruções coronarianas e alterações no funcionamento das válvulas cardíacas. Com o avanço da idade média da população brasileira, essas condições se tornaram cada vez mais frequentes, mantendo as doenças cardiovasculares como a principal causa de morte entre idosos. Nesse contexto, a hemodinâmica tem assumido papel central no cuidado com o coração na terceira idade, oferecendo diagnóstico preciso e tratamentos menos invasivos, mais seguros e com impacto direto na qualidade de vida.
Dados do Ministério da Saúde indicam que mais de 70% das mortes por doenças cardiovasculares no Brasil ocorrem em pessoas com 60 anos ou mais, reflexo direto do envelhecimento populacional. A boa notícia é que os avanços tecnológicos permitiram que procedimentos antes considerados de alto risco em pacientes idosos hoje sejam realizados com segurança crescente, muitas vezes sem necessidade de cirurgia aberta.
Mais segurança - A hemodinâmica reúne exames e procedimentos minimamente invasivos, realizados por meio de cateteres introduzidos pelas artérias, que permitem diagnosticar e tratar obstruções coronarianas, doenças valvares e alterações vasculares. Para o cardiologista intervencionista Sérgio Câmara, a idade cronológica deixou de ser um fator limitante isolado. “Hoje, avaliamos muito mais a condição clínica do paciente do que apenas a idade. Com planejamento adequado e tecnologia, é possível tratar idosos com alto grau de segurança”, afirma.
Segundo o especialista, técnicas modernas reduziram significativamente complicações e tempo de recuperação. “São procedimentos menos agressivos, o que diminui o risco de infecções, sangramentos e longas internações — fatores especialmente relevantes para pacientes mais velhos”, explica.
Diagnóstico preciso - Além do tratamento, a hemodinâmica se destaca pela capacidade de oferecer diagnósticos detalhados. Exames como o cateterismo permitem identificar com precisão o grau de obstrução das artérias e orientar a melhor estratégia terapêutica. “Um diagnóstico bem feito evita intervenções desnecessárias e direciona o tratamento que realmente trará benefício ao paciente”, destaca Sérgio Câmara.
Em muitos casos, a colocação de stents ou procedimentos valvares por cateter substituem cirurgias de grande porte. “Conseguimos aliviar sintomas como dor no peito, falta de ar e cansaço intenso, que limitam o cotidiano do idoso, com recuperação mais rápida e confortável”, pontua.
Mais qualidade de vida - Os benefícios vão além da sobrevida. Os procedimentos hemodinâmicos têm impacto direto na funcionalidade e na autonomia do paciente idoso. “O nosso foco é devolver qualidade de vida. Permitir que o paciente volte a caminhar, viajar, conviver com a família e manter sua independência”, ressalta o cardiologista.
Estudos internacionais mostram que idosos submetidos a intervenções minimamente invasivas apresentam melhora significativa dos sintomas e redução de internações por eventos cardiovasculares. Para Sérgio Câmara, o principal desafio ainda é vencer o medo. “Muitos pacientes convivem com limitações por receio do tratamento. Informação e avaliação adequada ajudam a mudar essa realidade”, afirma.
Cuidar é envelhecer melhor - Com a expectativa de vida do brasileiro ultrapassando os 75 anos, especialistas defendem um cuidado cardiovascular contínuo e individualizado. A hemodinâmica surge como aliada nesse processo. “Envelhecer não significa aceitar limitações impostas pelo coração. Hoje, temos recursos para tratar com segurança e proporcionar mais qualidade de vida mesmo em idades avançadas”, conclui Sérgio Câmara.
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Com Pleno, conta do caso Master para o FGC ultrapassa R$ 50 bi
Com a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, decretada nesta quarta (18) pelo Banco Central, a conta de valores a serem ressarcidos pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito) relacionados ao caso Master sobe para R$ 51,8 bilhões.
Segundo dados do FGC, o Pleno tem uma base estimada de 160 mil clientes com CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) elegíveis ao pagamento da garantia do fundo, totalizando R$ 4,9 bilhões.
O valor se soma aos R$ 40,6 bilhões do Banco Master e aos R$ 6,3 bilhões do Will Bank.
Em setembro do ano passado, último dado disponibilizado pelo Banco Central, o Pleno possuía R$ 5,57 bilhões em CDBs. O montante diminuiu porque, por determinação do BC, a instituição financeira estava proibida de emitir novos certificados para se financiar.
No mercado secundário, os títulos chegaram a ser negociados a 165% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) no final do ano passado.
De acordo com as últimas informações disponibilizadas na base do BC, referentes a junho de 2025, o Pleno tinha um patrimônio líquido de R$ 672,6 milhões e um lucro líquido de R$ 169,3 milhões.
Na outra ponta, o passivo era de R$ 6,68 bilhões. Dessa dívida, a maior parte é de CDBs. A liquidação não é recuperação judicial nem intervenção temporária, mas um encerramento de atividades que coloca o banco em processo de desmontagem.
Com a liquidação, o Pleno deixa de operar normalmente, perde seus administradores e passa a ser conduzido por um liquidante indicado pelo Banco Central, cuja função é vender ativos e pagar credores na ordem prevista em lei.
Por Maeli Prado/Folhapress
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