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Febraban reforça apoio ao BC e condena dossiê de Vorcaro contra CEO do Itaú: 'Extrema gravidade'

Entidade afirma que condutas que ameaçam sistema financeiro nacional devem ser punidas

A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) afirmou que considera "de extrema gravidade" a descoberta da Polícia Federal sobre dossiês encomendados pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, contra o CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, e a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo.

Em nota divulgada nesta sexta-feira (10), a entidade reforçou seu apoio ao Banco Central na adoção de medidas para preservar o sistema financeiro nacional e afirmou que qualquer conduta que ameace a integridade do sistema deve ser apurada e, quando comprovada, ter seus responsáveis punidos.

"Mais do que atingir indivíduos específicos, essas investidas, voltadas à intimidação de executivos, jornalistas, especialistas e lideranças de instituições, representam uma tentativa de enfraquecer o ambiente de confiança, transparência e segurança no setor financeiro", diz a manifestação.

Segundo a PF, Vorcaro encomendou ao publicitário Thiago Miranda, alvo de operação policial nesta quinta-feira (9), o dossiê sobre o executivo do Itaú por ele estar "causando muito problema", segundo troca de mensagens entre eles.

A investigação aponta que, dentre os materiais compartilhados pelos dois interlocutores, "destaca-se um documento contendo informações pessoais e patrimoniais de Milton Maluhy Filho e de Camila Moretti Maluhy".

Diálogos entre o ex-banqueiro e Miranda entre março e abril de 2025 também mostraram que os dois queriam "frear" o trabalho da jornalista Malu Gaspar, realizando uma busca por seus dados privados.

A defesa de Thiago Miranda afirmou, em nota de quinta-feira (9), que o publicitário "refuta de forma categórica" a prática de qualquer ilegalidade e sustenta que sua atuação profissional sempre foi pautada pela legalidade, transparência, respeito às instituições e à liberdade de expressão.

Segundo os advogados, ele não praticou qualquer ato criminoso nem participou de condutas destinadas a intimidar, coagir, constranger ou violar direitos de terceiros.

A PF apreendeu celulares e demais equipamentos eletrônicos utilizados pelo publicitário em sua residência. Segundo as autoridades, a ação apura a atuação coordenada em redes sociais voltada, em tese, a comprometer a credibilidade da atuação do Banco Central do Brasil.

As investigações apuram, ainda, a atuação de possível organização criminosa dedicada à intimidação de jornalistas, ao monitoramento ilícito de pessoas ligadas a autoridades públicas, à obtenção indevida de informações sigilosas e à adoção de medidas destinadas a interferir em investigações criminais.

Segundo a PF, os fatos investigados podem, em tese, configurar crimes contra o sistema financeiro nacional, organização criminosa, embaraço à investigação de organização criminosa, além de outros delitos correlatos, incluindo possíveis violações de dados e de dispositivos informáticos.

Para a Febraban, esses fatos "geram indignação" por ocorrerem em contexto em que "autoridades, associações setoriais e agentes do mercado atuaram, com firmeza, para proteger a estabilidade do sistema financeiro, incluindo medidas relacionadas à governança e ao funcionamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)".

Por Helena Schuster/Folhapress

Volkswagen anuncia que cortará pela metade produção de carros, sem impacto imediato no Brasil

Iniciativa não tem impacto imediato no Brasil, onde a montadora mantém plano de investir R$ 16 bi até 2028

Foto: Diulgação/Volkswagen

Fábrica da Volkswagen no Brasil
A Volkswagen informou nesta quinta-feira (9) que reduzirá até pela metade o número de modelos da montadora para cortar custos e aumentar sua competitividade com empresas chinesas. A empresa alemã não disse o que essas mudanças significariam para os trabalhadores, que já vêm se preparando para grandes cortes de empregos e fechamento de fábricas há algum tempo.

A montadora afirmou, em nota, que a iniciativa não tem impacto imediato nas operações no Brasil, onde as atividades seguem normalmente. A empresa disse também que segue com o plano de investir R$ 16 bilhões até 2028 no Brasil e o desenvolvimento de 17 novos carros para o mercado nacional, com nove deles já lançados.

"Como uma próxima etapa, trabalharemos junto à nossa matriz, na Alemanha, para avaliar se haverá necessidade de ajustes em nível local", acrescentou a Volkswagen. O Brasil é o 3º maior mercado em volume de vendas para a marca no mundo, atrás apenas da China e Alemanha. Em 2025, a Volkswagen do Brasil produziu 538.657 veículos em suas três fábricas no país.

O plano global, divulgado após uma reunião do conselho, pareceu reconhecer que a empresa ficou grande e complicada demais e precisa enxugar para sobreviver à transição global dos carros a combustível fóssil para veículos elétricos, mudança que abalou muitas montadoras consolidadas e permitiu a ascensão das fabricantes chinesas.

Nos últimos dias, vários veículos de mídia afirmaram que a empresa estava se preparando para demitir 100 mil trabalhadores até o final da década e fechar quatro fábricas na Alemanha.

Cortes tão drásticos seriam atípicos para a Volkswagen e para a indústria alemã, que tendem a preferir mudanças graduais. Representantes dos trabalhadores e líderes políticos do estado alemão da Baixa Saxônia têm maioria no conselho de supervisão da empresa e haviam sinalizado que não apoiavam cortes profundos.

Mesmo assim, uma redução parece inevitável. A empresa disse que buscaria produzir 9 milhões de carros por ano, em comparação com uma meta de 12 milhões antes da pandemia e 10 milhões mais recentemente. Em um comunicado em vídeo, o CEO Oliver Blume declarou que havia necessidade de "eliminar o excesso de capacidade", sugerindo que a empresa ainda poderia fechar fábricas.

"A situação geopolítica se tornou mais crítica nos últimos 12 meses", comentou Blume. "Os próximos anos decidirão quem terá um papel decisivo na indústria automotiva", destacou.

Mas ele forneceu poucos detalhes, incluindo se ou como a empresa pretenderia continuar sendo a segunda maior montadora do mundo depois da Toyota, medida pelo número de carros vendidos. "As questões urgentes não foram respondidas pelo conselho de supervisão hoje", disse Ferdinand Dudenhöffer, diretor do Center Automotive Research em Bochum, na Alemanha.

A Volkswagen tem 111 instalações de produção em todos os continentes, exceto Austrália e Antártida, de acordo com o site da empresa. Suas marcas incluem Audi, Porsche, Skoda, Lamborghini e Bentley. A Volkswagen também possui 88% da Traton, que fabrica caminhões MAN, Scania e International.

Algumas das marcas da Volkswagen oferecem carros muito semelhantes com designs e recursos ligeiramente diferentes, uma prática que pode aumentar custos e complexidade. A General Motors e a Ford aposentaram marcas como Pontiac, Oldsmobile, Saturn e Mercury anos atrás para simplificar a produção e o marketing.

Em Neckarsulm, no sudoeste da Alemanha, onde cerca de 15 mil trabalhadores montam modelos para a marca de luxo Audi da Volkswagen, os moradores temem o impacto que o fechamento de uma fábrica teria para a economia local, construída em torno dos ritmos dos turnos da fábrica.

"Se a Audi morrer, tudo aqui morre", lamentou Cayli Halin, 54, que trabalha no centro de testes da fábrica.

O anúncio desta quinta deixou em aberto quantos dos 657 mil funcionários da Volkswagen em todo o mundo poderiam perder seus empregos à medida que a empresa reduz a produção. O lucro caiu 28% no primeiro trimestre para 1,6 bilhão de euros (R$ 9,33 bilhões), e suas vendas caíram 2%.

A unidade Porsche da Volkswagen, que geralmente fornece uma grande parcela dos lucros, sofreu com as tarifas de 25% do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre carros importados. Os modelos esportivos e utilitários esportivos da Porsche são fabricados na Alemanha e exportados para os EUA, um dos mercados mais importantes da marca.

Os problemas da Volkswagen são um sinal preocupante para montadoras ocidentais e japonesas. Em graus variados, todas elas estão lidando com mudanças tecnológicas e concorrência de fabricantes chinesas como BYD e Geely, que estão vendendo carros repletos de recursos de luxo por preços relativamente baixos.

Na União Europeia e no Reino Unido, as montadoras chinesas coletivamente venderam mais veículos em maio do que as fabricantes japonesas, de acordo com dados da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis.

Incentivadas por subsídios governamentais, as montadoras chinesas começaram a focar em veículos elétricos anos atrás, investimentos que lhes deram uma forte vantagem à medida que mais europeus compram esses modelos. Cerca de 1 em cada 5 veículos novos vendidos na Europa é elétrico, e as vendas dispararam este ano por causa do aumento nos preços dos combustíveis causado pela guerra com o Irã.

A Volkswagen é particularmente vulnerável porque, por muitos anos, grande parte de seu lucro veio da venda de carros na China, onde já foi a principal montadora. As vendas da empresa na China despencaram 20% no primeiro trimestre, após quedas significativas por vários anos.

Os temores de fechamento de fábricas abalaram a Alemanha, onde a indústria automobilística —e a Volkswagen em particular— ocupam espaços sagrados na consciência nacional e são um pilar da economia nacional.

O governo do chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, tentou impulsionar a indústria com novos subsídios e pressionando autoridades da UE em Bruxelas para flexibilizar algumas regulamentações automotivas, entre outras medidas, na esperança de ajudar as montadoras alemãs a competir melhor com as rivais chinesas.

Merz não abordou os rumores de demissões na Volkswagen antes da reunião do conselho desta quinta, mas o porta-voz, Stefan Kornelius, disse a repórteres na semana passada que "nosso objetivo é evitar o fechamento de fábricas na Alemanha".

Ali Alp Cagan, 31, trabalha com tecnologia da informação na Audi há quase dois anos e não está pessoalmente preocupado com demissões, porque considera suas perspectivas de emprego fortes. "No geral, porém, a situação já está tensa", afirmou.

Cagan e outros trabalhadores que saíam da fábrica em uma recente troca de turno culparam a empresa, dizendo que ela falhou em inovar e que a China agora fabrica carros mais baratos e melhores.
Por Folhapress

Inflação fecha primeiro semestre com maior taxa desde 2022 no Brasil

                        Variação havia sido de 5,49% no período de janeiro a junho de 2022

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) fechou o primeiro semestre de 2026 com inflação acumulada de 3,36%, apontam dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

É a maior alta para o período de janeiro a junho em quatro anos, desde 2022. À época, também um ano presidencial, o acumulado alcançou 5,49%.

Tradicionalmente, os preços de parte dos alimentos costumam subir no início do ano devido à redução da oferta de mercadorias. Em 2026, segundo o IBGE, houve a pressão adicional da guerra no Irã.

O conflito provocou a disparada das cotações do petróleo, que encareceu combustíveis no Brasil. O óleo diesel, insumo usado nos fretes rodoviários, fechou o primeiro semestre com alta de 15,68%.

Os dados do IPCA significam que este ano teve o primeiro semestre com a maior inflação do atual governo Lula (PT). Em 2022, o Brasil ainda era governado por Jair Bolsonaro (PL), e a alta dos preços era apontada como um dos desafios para sua reeleição. Ele foi derrotado por Lula em outubro daquele ano.

Segundo o IBGE, o grupo alimentação e bebidas acumulou inflação de 4,56% no primeiro semestre de 2026.

Com isso, respondeu por 0,98 ponto percentual do IPCA do período. Foi o maior impacto entre os nove grupos de bens e serviços pesquisados no índice.

Entre os alimentos, o IBGE chamou a atenção para o tomate. O produto acumulou alta de 82,41% de janeiro a junho. Assim, gerou uma contribuição de 0,16 p.p. para o IPCA. Foi a principal pressão entre os alimentos, ao lado das carnes (5,6% e 0,16 p.p.).

O governo Lula adotou um pacote de medidas para mitigar os impactos da guerra sobre os preços dos combustíveis às vésperas das eleições.

Como mostrou reportagem da Folha, a aprovação do petista no seu terceiro mandato é a mais afetada pelo comportamento da inflação e do desemprego entre os presidentes da República nos últimos 30 anos, segundo estudo do economista Sergio Vale, da MB Associados.

No outro extremo, está Bolsonaro, o mandatário menos sensível às flutuações dos preços e do mercado de trabalho, apesar da brusca piora desses indicadores na pandemia.

Para cientistas políticos, os dados mostram que o bem-estar econômico tende a ser mais importante do que nunca na eleição presidencial deste ano.

O levantamento de Vale cruzou dados do chamado índice da miséria —soma do IPCA e da taxa de desemprego— com os números de aprovação mensal dos presidentes mostrados pelo agregador de pesquisas do site Jota.

No mês de junho, a inflação medida pelo IPCA desacelerou a 0,16%, após marcar 0,58% em maio, disse nesta sexta o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O resultado surpreendeu o mercado financeiro ao ficar bem abaixo das projeções de analistas. A redução dos preços de alimentos, após forte sequência de altas mensais, puxou o índice para um patamar menor.

Por Leonardo Vieceli, Folhapress

Governo vai restringir publicidade de bets e obrigar exibição de alerta de perda de dinheiro

Apostar pode causar dependência, não é investimento e faz você perder dinheiro são os alertas da Fazenda

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou nesta quinta-feira (9) que o governo vai endurecer regras de publicidade das apostas esportivas. Entre as medidas, as empresas autorizadas serão obrigadas a exibir alertas como "MF adverte: apostar faz você perder dinheiro", "MF adverte: apostar pode causar dependência" e "MF adverte: aposta não é investimento".

As normas também restringem estratégias de marketing das bets, como a promoção de ganhos financeiros e o uso de comentaristas para induzir apostas. o governo já estudava uma nova regra para evitar anúncios que exaltem apostas urgentes, o lucro que pode ser obtido ou incentivem jogadas de risco, após as transmissões da Copa do Mundo serem invadidas por esse tipo de publicidade.

As medidas foram detalhadas nesta quinta e passarão a valer a partir do dia 17 de julho. Segundo ele, uma portaria da Fazenda instituirá as advertências obrigatórias nas campanhas publicitárias, enquanto uma segunda portaria, editada em conjunto com o Ministério da Justiça, estabelecerá novas restrições para a propaganda das empresas autorizadas a operar no país. Elas serão publicadas nesta sexta-feira (10), o que na prática dá uma semana para que as empresas se adaptem às novas regras.

As campanhas não poderão criar senso de urgência para estimular apostas, com chamadas que incentivem o consumidor a apostar imediatamente. Segundo o ministro, o governo já vinha recomendando essa prática ao setor e observou melhora nas peças publicitárias, mas decidiu transformar a orientação em regra para garantir sua continuidade.

Outra proibição atinge o uso de comentaristas, especialistas ou influenciadores para induzir o apostador a acreditar que determinada aposta é a mais indicada ou conta com respaldo técnico. "Não é lícito nem regular induzir o consumidor a erro misturando o comentário de um especialista, dizendo que a melhor aposta é uma ou que o caminho é aquele, dando um verniz de respaldo técnico", disse Durigan.

O olhar do governo para endurecer as regras contra as bets cresceu após o início da Copa do Mundo de 2026, marcada pela forte presença das casas de apostas nas transmissões esportivas e pelo aumento da preocupação do governo com a exposição do público a esse tipo de publicidade.

Um dos casos que chamou a atenção das autoridades foi o da CazéTV, cujas transmissões no Youtuber passaram a incluir recomendações de apostas feitas pelos próprios narradores durante as partidas, com indicação de odds específicas e destaque para as possibilidades de ganho. As novas normas proíbem justamente campanhas que utilizem especialistas ou comentaristas para induzir consumidores a apostar, com recomendações sobre qual palpite pode ser mais lucrativo. Quando entrou na mira, a CazéTV afirmou, em nota, que segue a legislação brasileira, as diretrizes do Conar e as boas práticas do setor, além de trabalhar exclusivamente com operadoras autorizadas pela Fazenda.

As empresas também ficarão impedidas de utilizar ganhos financeiros como chamariz para atrair consumidores. As novas regras proíbem a divulgação de apostas como forma de dinheiro fácil, investimento ou solução para dificuldades financeiras. Da mesma forma, não será permitido exibir históricos de premiações ou resultados passados capazes de induzir o consumidor a acreditar que determinados eventos oferecem maiores chances de ganho. "Quando se mostra o histórico de premiação, se oculta o histórico de perdas", afirmou.

Segundo Durigan, as normas também reforçam a proteção de crianças e adolescentes. "Há tolerância zero à publicidade que, de alguma maneira, busque atingir criança e adolescente", disse.

Durigan afirmou que o governo mantém "tolerância zero" com as plataformas de apostas ilegais, que continuam proibidas de atuar e de veicular qualquer tipo de publicidade no país. Segundo ele, as novas regras de propaganda se destinam apenas às empresas autorizadas pelo Ministério da Fazenda.

Desde o início da regulamentação do setor, o governo já determinou a derrubada de cerca de 56 mil sites, aplicativos e outras plataformas de apostas irregulares. Além disso, aproximadamente mil perfis de influenciadores digitais foram removidos por promoverem operadores ilegais, de acordo com a Fazenda. "Bets ilegais, em nenhuma medida, estão autorizadas e são proibidas de veicular qualquer publicidade", afirmou o ministro.
Por Guilherme Pimenta/Folhapress

Controladoria do governo aponta falhas na gestão de fundo bilionário da aviação/ Por Redação

A CGU (Controladoria-Geral da União) apontou uma série de falhas na gestão do Fnac (Fundo Nacional de Aviação Civil), usado pelo governo para financiar a infraestrutura aeroportuária federal e as companhias aéreas.

A Folha teve acesso a um relatório preliminar de auditoria que acaba de ser concluído pelo órgão. O documento aponta que a administração do fundo tem deficiências de governança, planejamento, transparência e controle que comprometem a aplicação dos recursos públicos.

Segundo a CGU, o governo não possui critérios claros para definir as prioridades de investimento, além de falhar no acompanhamento das obras e deixar de medir resultados produzidos pelos bilhões aplicados com uso do fundo. Outra queixa são as fragilidades na gestão do novo programa de empréstimos às companhias aéreas.

O relatório analisou a execução do fundo entre 2023 e 2025. O Fnac foi criado em 2011 para concentrar recursos destinados à ampliação da aviação civil e da infraestrutura aeroportuária.

O fundo foi financiado com as outorgas pagas pelas concessionárias de aeroportos privatizados, substituindo antigos mecanismos que existiam no setor. Ao longo dos anos, tornou-se a principal fonte federal para ampliar os aeroportos e a aviação regional.

"A avaliação indicou que a gestão do Fnac apresenta fragilidades que comprometem, em alguma medida, a efetividade, a regularidade e a transparência na aplicação dos recursos, especialmente quanto ao acompanhamento dos investimentos, à definição de critérios de priorização, à mensuração de resultados e à evidenciação das informações", afirma o relatório.

Questionada sobre o assunto, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) disse que não vai comentar o assunto. O Ministério de Portos e Aeroportos declarou que a utilização dos recursos do Fnac segue critérios técnicos estabelecidos pelo Plano Aeroviário Nacional, instrumento tido como referência pelo TCU (Tribunal de Contas da União) no planejamento do setor de transportes no país.

"Apesar de não ser ainda um relatório conclusivo, a Secretaria Nacional de Aviação Civil, do Ministério de Portos e Aeroportos, reconhece a relevância da contribuição apresentada no relatório preliminar da CGU para a padronização e normatização da gestão do Fnac", declarou a pasta.

O ministério disse ainda que apoia as medidas sugeridas, "que se somam a iniciativas já em curso por representarem um avanço na coordenação, na governança e no monitoramento dos recursos do fundo".

A normatização sugerida no relatório preliminar da CGU, de acordo com o ministério, deverá seguir o encaminhamento já adotado pela SAC, "tomando-o como referência para orientar estados e municípios na aplicação dos recursos do Fnac".


Entre 2011 e 2022, 59 aeroportos passaram para a iniciativa privada, respondendo por mais de 90% do tráfego de passageiros e 98% do transporte de cargas do país. O Fnac então passou a ser peça central do financiamento público remanescente do setor.

Em 2020, o fundo chegou a registrar um caixa de aproximadamente R$ 26,2 bilhões. Esse recurso, porém, passou por uma mudança brusca a partir de uma emenda constitucional em 2021 que permitiu o recolhimento de seus valores para os cofres do Tesouro Nacional.

Segundo a CGU, foram transferidos todos os R$ 26,2 bilhões ao Tesouro em março de 2021 e outros R$ 4,5 bilhões em julho de 2022, totalizando aproximadamente R$ 30,7 bilhões.

A Controladoria diz que essa mudança reduziu significativamente a musculatura financeira do fundo para financiar projetos, tornando sua capacidade de investimento mais dependente da arrecadação anual das concessões de aeroportos.

Em 2024, sob pressão das companhias aéreas, o governo passou a autorizar o uso do fundo para concessão de empréstimos às empresas, como financiamento de projetos para uso de combustível sustentável de aviação (SAF) e cobertura de despesas ligadas a aeroportos concedidos.

"Não se encontrou referências normativas acerca de critérios de priorização de beneficiários em eventual limitação de recursos para atendimento às empresas pleiteantes do crédito", afirma a CGU, acrescentando que essa "situação pode comprometer a isonomia para a destinação dos recursos".

A análise também aponta ausência de monitoramento adequado de obras em aeroportos, o que pode resultar em aceitação de construções com qualidade baixa, liberação de parcelas sem verificação de execução física e falhas no atendimento ao que se previa na licitação.

Inscrições para 8.238 vagas temporárias do IBGE se encerram nesta quinta

As inscrições do processo seletivo para 8.238 vagas temporárias do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) se encerram nesta quinta-feira
As inscrições do processo seletivo para 8.238 vagas temporárias do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) se encerram nesta quinta-feira (9). Os selecionados trabalharão no 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola, com previsão de início para janeiro de 2027.

O edital é organizado pelo IBFC (Instituto Brasileiro de Formação e Capacitação) e as inscrições são realizadas no site da instituição, com taxa única de R$ 53.

Inscritos no CadÚnico (cadastro único para programas sociais do governo federal) e doadores de medula óssea que atendam aos critérios estabelecidos podem pedir isenção.

Os salários previstos vão de R$ 2.128 a R$ 4.008, a depender do cargo.

Vagas para agentes censitários administrativo e de informática exigem ensino médio completo. Para agente censitário supervisor e para agentes censitários regional e operacional é necessário ter ensino superior completo e carteira de habilitação categoria B (para carros) válida.

Quem for contratado terá direito aos auxílios pré-escolar, transporte e alimentação, este no valor de R$ 1.192. Haverá pagamento de comissão variável, conforme a produtividade de cada censitário. Os contratados também receberão férias e 13º salário proporcionais.

A seleção será realizada em etapa única, composta por prova com 60 questões objetivas distribuídas entre língua portuguesa, raciocínio lógico, geografia e conhecimentos específicos de cada cargo. O exame acontece em 27 de setembro e o resultado vai a público em 18 de dezembro.

Há reserva de 25% das vagas para pessoas pretas e pardas, 5% para pessoas com deficiência, 3% para indígenas e 2% para quilombolas.

A duração inicial dos contratos de trabalho será de um ano, com possibilidade de prorrogação caso seja necessário. A administração do IBGE prevê mais vagas até o início do próximo ano, com seleção por processo seletivo simplificado.

O Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola é realizado a cada dez anos com objetivo de dimensionar áreas cultiváveis, níveis de produção de alimentos e criação animal, avaliar subsistência comunitária e quantificar trabalhadores rurais por idade, gênero e escolaridade.

ENTENDA FUNÇÕES E VEJA SALÁRIOS 
  • ACA (Agente Censitário Administrativo): executa tarefas de apoio às atividades administrativas necessárias para a realização do censo; o salário é R$ 2.128
  • ACI (Agente Censitário de Informática): trabalha apoiando as atividades de tecnologia de informação necessárias para realizar os levantamentos; o salário é R$ 2.128
  • ACS (Agente Censitário Supervisor): supervisiona e apoia o trabalho dos recenseadores, além de realizar a coleta especial e descentralizada; o salário é R$ 3.480
  • ACR (Agente Censitário Regional): faz a gestão do trabalho de coleta do posto censitário em que é responsável; o salário é R$ 3.858
  • AOR (Agente Operacional Regional): planeja a logística da coleta das informações de determinado posto e atua como responsável do grupo perante a superintendência estadual e parcerias locais; o salário é R$ 4.008.
O IBGE também oferece 1.414 vagas em um segundo edital, que recruta pessoas para o censo agro e o da população em situação de rua. As inscrições vão até 15 de julho, pelo site do Instituto Avalia. Há vagas para os mesmos cargos, além de oportunidades como agente censitário de qualidade e analista censitário, que exigem nível superior.

EDITAL VOLTADO AO CENSO AGROPECUÁRIO, FLORESTAL E AQUÍCOL
  • AInscrições: até 9 de julho, pelo site do IBFC (Instituto Brasileiro de Formação e Capacitação).
  • Valor da Inscrição: R$ 53
  • Prova objetiva: 27 de setembro
  • Divulgação do resultado: 18 de dezembro
  • Vagas: 8.238, divididas entre as 27 capitais e algumas cidades do interior dos estados
Por Folhapress

MP-BA investiga empresa de empréstimos consignados por práticas que violam o Código de Defesa do Consumidor

A empresa PARATI – Crédito, Financiamento e Investimento S.A. está sendo investigada por, supostamente, apresentar um conjunto de condutas sistemáticas que violam o Código de Defesa do Consumidor (CDC) e a legislação do superendividamento. O inquérito civil, instaurado por meio de portaria assinada pela Promotora de Justiça Joseane Suzart Lopes da Silva, titular da 5ª Promotoria de Justiça do Consumidor da Capital, apura denúncias de cobranças indevidas, juros abusivos e falta de transparência.

Segundo dados divulgados pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), ainda no início do ano a empresa já totalizava 4.722 reclamações no site Reclame Aqui, além de inúmeras denúncias na Superintendência de Proteção e Defesa do Consumidor (PROCON-BA). Entre as principais queixas, constam a realização de empréstimos consignados, renegociações ou refinanciamentos sem autorização prévia e expressa do cliente, bem como a manutenção de descontos em salários ou benefícios previdenciários mesmo após a quitação e o encerramento dos contratos.

Além do atendimento precário, com canais de contato falhos, dificuldade para o exercício do direito de arrependimento (desistência) e retenção de cópias contratuais, o MP-BA também investiga a lentidão ou recusa no estorno de valores. Somam-se a isso a criação de obstáculos injustificados para impedir a portabilidade da dívida para outras instituições financeiras e a aplicação de taxas desproporcionais que comprometem o "mínimo existencial" de trabalhadores e aposentados, desrespeitando as diretrizes do crédito responsável.

A portaria estabeleceu o prazo de 10 dias úteis para que a empresa se manifeste nos autos e apresente seus atos constitutivos. O mesmo prazo foi concedido ao Banco Central (BACEN) para que informe se existem reclamações ou procedimentos em trâmite contra a instituição financeira sobre os mesmos temas.
Por Lizzy Maria

Exportação de carne bovina do Brasil bate recorde e gera quase US$ 10 bi no 1º semestre, diz Abiec -Por Folhapress

Fazenda de gado-Foto: Agência Brasil/Arquivo
As exportações brasileiras de carne bovina atingiram níveis recordes no primeiro semestre de 2026, totalizando 1,705 milhão de toneladas embarcadas e US$ 9,85 bilhões em receita, informou nesta segunda-feira (6) a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), citando dados oficiais do governo.

Na primeira metade deste ano, as exportações cresceram 15,5% e a receita aumentou 36,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. A média mensal de embarques atingiu cerca de 284 mil toneladas, informou a Abiec.

A China liderou os destinos no período, com 794,7 mil toneladas e US$ 4,9 bilhões em compras, um aumento de 24% em volume e 49,4% em valor em relação ao ano anterior. Os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, com 205 mil toneladas e US$ 1,4 bilhão, um aumento de 13% em volume e 29,8% em valor.

Os embarques de junho aumentaram 16,6% em relação ao ano anterior, para 317,3 mil toneladas, estabelecendo um recorde mensal, enquanto a receita cresceu 38,1%, para US$ 1,9 bilhão.

Estudo aponta falhas em estimativas de riscos fiscais usadas pelo governo

AGU afirma que informações eram levadas ao Poder Judiciário como se fossem confissão de dívida, e que isso influenciava as decisões dos magistrados.


Todos os anos, o governo envia ao Congresso, junto com a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), um Anexo de Riscos Fiscais que estima o impacto potencial de ações judiciais e outros passivos capazes de afetar as contas públicas.

Um estudo do núcleo de tributação do Insper aponta falta de transparência e inconsistências metodológicas nas estimativas que impedem avaliar a real dimensão dos riscos para a União. A pesquisa foi coordenada por Vanessa Rahal Canado e também é assinada por Maria Raphaela Matthiesen e Breno Vasconcelos.

Os pesquisadores analisaram dez anos dos Anexos de Riscos Fiscais (ARF). Na LDO de 2025, o documento registra R$ 729,9 bilhões em passivos potenciais —cerca de 6% do PIB—, mas o levantamento afirma que esse número está incompleto.

Segundo Canado, não é possível sequer afirmar se a estimativa está superdimensionada ou subdimensionada porque nove disputas tributárias relevantes em tramitação no STF (Supremo Tribunal Federal) e no STJ (Superior Tribunal de Justiça) aparecem no anexo sem qualquer estimativa de impacto financeiro.

"Talvez uma bomba fiscal esteja aí e ninguém consegue ter a dimensão do tamanho dessa bomba", disse.

Procurada para comentar as conclusões do estudo, a Receita Federal não respondeu aos questionamentos da reportagem. O Ministério do Planejamento afirmou que não tem responsabilidade pelo relatório.

A AGU (Advocacia-Geral da União) fez considerações sobre um novo formato do anexo e afirmou que a LDO tem o documento para avaliar os passivos contingentes capazes de afetar as contas públicas, e que produz as informações que subsidiam o relatório exclusivamente com essa finalidade.

A pesquisa começou ainda em 2016, durante as discussões da chamada Tese do Século, quando o STF analisava se o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços) deveria integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins. Na época, falava-se que uma derrota da União poderia custar R$ 250 bilhões aos cofres públicos.

Intrigados com a origem da estimativa, os pesquisadores passaram a solicitar à Receita Federal o cálculo utilizado pelo governo. Segundo Breno Vasconcelos, os documentos só foram liberados após intervenção da Controladoria-Geral da União. A resposta foi que eles não encontraram a origem daquela estimativa.

"Desde então, estamos fazendo a análise e, agora, encerramos com uma visão global dos Anexos de Riscos Fiscais dos últimos dez anos", diz Breno.

Ao longo da pesquisa, os autores encontraram casos em que o próprio governo ainda dizia estar definindo a metodologia de cálculo de determinado risco, embora o impacto financeiro correspondente já estivesse publicado no Anexo de Riscos Fiscais.

Além disso, os três pesquisadores apontam que há problemas nos métodos para elaborar as estimativas. Há casos em que as premissas dos cálculos não refletem a repercussão financeira de eventuais decisões desfavoráveis ao governo.

O relatório também aponta que há um problema de questão jurídica. Em teoria, os contribuintes que estão em litígio com a União deveriam ter acesso aos cálculos que o órgão elabora —afinal, eles são parte diretamente interessada.

Neste ano, porém, uma portaria da AGU estabeleceu que os dados individualizados deixarão de ser divulgados. "O ministro vai se basear num número ao qual ele terá acesso, mas que a sociedade não teve como verificar e, por isso, nem mesmo conseguiria contestar", afirmou Vasconcelos.

Em nota, a AGU afirmou que o formato de divulgação das informações foi revisto para "afastar a possibilidade de utilização indevida de informações a respeito da exposição da União à riscos fiscais judiciais, o que vinha ocorrendo em prejuízo da defesa da União, suas autarquias e fundações".

Segundo o órgão, o antigo formato possibilitava a individualização de ações judiciais ou temas específicos, e isso prejudicava "a paridade de armas entre as partes, na medida em que poderia revelar a expectativa de eventual condenação e suas repercussões financeiras".

A AGU também afirma que as informações eram levadas ao Poder Judiciário como se fossem confissão de dívida, e que isso influenciava as decisões dos magistrados.

O novo formato atende ao princípio da publicidade "na medida em que evidencia a exposição da União a riscos fiscais decorrentes de processos judiciais, ao mesmo tempo que resguarda informações protegidas por sigilo profissional estabelecidos", afirma a entidade.

Para os pesquisadores, a mudança reduz a possibilidade de escrutínio justamente porque as estimativas são utilizadas pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional em processos no STF e no STJ.

Para Vasconcellos, os dados do ARF viram um "argumento de autoridade", como se os valores em discussão fossem aqueles que são apontados porque assim diz a Procuradoria da Fazenda Nacional, segundo os pesquisadores.

Segundo o estudo, as estimativas do ARF passaram a aparecer com frequência crescente nos votos dos ministros do STF desde 2017.
Por Felipe Gutierrez/Folhapress

Com meios digitais de pagamento, queda na produção de cédulas acumula prejuízo de R$ 63,5 milhões

Trabalhadores da Casa da Moeda acusam gestão de enfraquecer empresa e falam em risco institucional e financeiro.

Do ano passado para cá, a Casa da Moeda do Brasil (CMB) perdeu cerca de R$ 63 milhões devido à queda da produção do papel-moeda. A redução é referente ao contrato com o Banco Central, o que significa uma média de 7,5%.

Em meio à redução, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da empresa pública cobra uma atuação mais firme da direção em defesa de projetos estratégicos. O vice-presidente da entidade, Roni Oliveira, disse que existe um processo de desarticulação de iniciativas que ampliariam receitas.

A grande preocupação é a redução da principal atividade da empresa, que é a produção de cédulas para o BC, impulsionada pela expansão dos meios digitais de pagamento, como o Pix.

Por isso, o sindicato defende que a empresa amplie a atuação em novos mercados e fortaleça contratos no Brasil e no exterior. Mas, para a entidade, a atual gestão tem desperdiçado oportunidades.

Um dos exemplos é a perda do contrato com a Argentina. Segundo Roni, a atual direção tem deixado de lado discussões e projetos capazes de ampliar o alcance da estatal em áreas como rastreabilidade, certificação e controle fiscal.

Em junho, os trabalhadores da Casa da Moeda aprovaram greve por tempo indeterminado em protesto contra medidas adotadas pela direção da estatal.

O sindicato quer que o governo federal cobre da atual administração uma estratégia clara de fortalecimento da empresa, com foco na geração de receitas e na conquista de novos mercados.
Por Gabriela Echenique/Folhapress

Medida que derruba ‘taxa das blusinhas’ está parada há 2 meses no Congresso e pode caducar

Tema está parado em Brasília e proximidade do recesso parlamentar preocupa empresas de varejo, que temem não haver tempo hábil para apreciar Medida Provisória, que vence no dia 8 de setembro

Presidente Lula durante assinatura da MP para zerar imposto federal da Taxa das Blusinhas

A Medida Provisória (MP) que acaba com a “taxa das blusinhas”, tributo federal sobre mercadorias importadas de até US$ 50, completa dois meses parada no Congresso Nacional no próximo dia 12 de julho e corre o risco de caducar.

Ainda não foram indicados relator nem os integrantes da comissão mista - composta por deputados e senadores -, para tratar do assunto. A demora em apreciar o tema preocupa integrantes do varejo e de sites de e-commerce no Brasil.

O temor do setor é de que, em meio à Copa do Mundo e às vésperas do início do recesso parlamentar, entre 18 e 31 de julho, não haja tempo hábil para apreciar a proposta. Uma MP tem validade de 120 dias e se não for aprovada na Câmara e no Senado a medida perde a validade. O período de férias não conta prazo

André Porto, diretor-executivo da Amobitec (Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia), representante de sites de e-commerce como Amazo, Alibaba e Shein, cobra prioridade ao tema.

“Esperamos que o Congresso priorize o tema e avance em um debate técnico, equilibrado e aprove o fim definitivo da taxa das blusinhas antes do prazo limite”, afirmou à Coluna do Estadão.

“Dados comprovam que a taxa das blusinhas prejudicou especialmente o brasileiro das classes C, D e E, sem gerar qualquer efeito positivo na economia”, completou.

Fim da ‘taxa das blusinhas’ é apoiado pela população

A proposta que zerou o imposto de importação cobrado sobre remessas internacionais tem amplo apoio popular. Pesquisa realizada em maio mostrou que 56% dos entrevistados afirmou que votaria em um candidato que defendesse o fim da chamada “taxa das blusinhas”.

Entenda o vaivém da ‘taxa das blusinhas’

A cobrança da “taxa das blusinhas” começou em agosto de 2024, após a aprovação de uma lei pelo Congresso. O governo vinha se mostrando dividido em relação ao tributo, com alguns ministros defendendo o seu fim, e com medo de que a medida impactasse negativamente a popularidade do presidente Lula.

O tema vinha gerando um racha dentro do governo nos últimos meses. Ministros do Palácio do Planalto, como José Guimarães (Relações Institucionais), defendiam o fim da taxa, enquanto o vice-presidente e ministro da Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) Geraldo Alckmin, por exemplo, defendia a manutenção do imposto.

Segundo dados da Receita Federal, no acumulado do ano até abril, a taxa rendeu R$ 1,78 bilhão aos cofres públicos - uma alta de 25% na comparação com o mesmo período do ano passado. Em 2025, a arrecadação foi de R$ 5 bilhões.
Por Leticia Fernandes/Estadão

De Cachorro Crente a sex shop gospel, marcas evangélicas disputam mercado bilionário

Impulsionado pela Geração Z, comércio cristão deixa a informalidade dos fundos dos templos

Loja Cachorro Crente, na zona norte do Rio, funde fé e negócios
Leandro Lima trabalhava com produção de shows, gente como Jorge Vercillo e Péricles, mas confessa que "já estava desanimado com o ego e a vaidade desse mercado". Foi aí que ele se voltou à sua fé. "Pedi a Deus que me desse um projeto fora da área".

Em 2019, saía de um culto na Assembleia de Deus Vitória em Cristo, na zona norte do Rio, quando viu uma barraca de cachorro-quente do outro lado da rua. "Na hora pensei: cachorro crente." O trocadilho lhe pareceu inevitável: "A palavra ‘crente’ é muito falada na igreja, acaba sendo algo marcante".

Começou a Cachorro Crente com carrocinhas na rua. Em abril deste ano, inaugurou a 50 metros da igreja a primeira loja do que chama de "fast food cristão". Sob o lema "gostoso e abençoado", vende pão com salsicha e variações como cupim e costela, com preços a partir de R$ 17.

A receita em si não é diferente daquela de um cachorro-quente qualquer. O que muda é a atmosfera, como uma fachada que faz referência ao versículo 1 Coríntios 10:31: "Assim, quer vocês comam, quer bebam, quer façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus".

A marca faz parte de uma onda de empreendimentos que incorporam referências do universo evangélico para disputar um mercado em expansão. Nos últimos anos, proliferaram negócios como a hamburgueria Gospel Burger, a marca de roupas Senhorita Moda Modesta e o transporte por aplicativo Com Deus (o bordão é "vá Com Deus").

A aposta é na identificação imediata com um público que cresce em número e relevância econômica: os evangélicos representavam, no Censo 2022, 26,9% dos brasileiros de dez anos ou mais e, segundo estimativas do setor, movimentam mais de R$ 20 bilhões anuais.

O que antes se concentrava em livrarias, gravadoras e editoras gospel passou a incluir todo tipo de investimento. Em comum, a promessa de um ambiente familiar para consumidores cristãos.

São frentes que filtram interesses seculares para o paladar evangélico. Caso da brasiliense Gospel Drinks, que se diz "o primeiro open bar gospel do Brasil", uma "diversão zero álcool" com releituras de drinques clássicos —sai a cachaça, por exemplo, e entra refrigerante de limão.

Vale até sex shop. A Bem Amada, de São Paulo, se propõe a ser um "lugar seguro onde ajudamos a acender o fogo no parquinho sem apagar os valores". Adriana Araujo abriu a partir das dúvidas que surgiram após se converter.

"Eu queria viver minha fé de forma íntegra, mas também entender como Deus enxergava a intimidade no casamento", afirma. "Estudei bastante e percebi que muitas mulheres cristãs tinham exatamente as mesmas inseguranças que eu havia vivido".

Ela diz que primeiro só aconselhava as fiéis. Depois, decidiu empreender. O propósito, segundo Adriana, é o mesmo: "Fortalecer casamentos e ajudar mulheres a viver sua sexualidade sem culpa, mas com responsabilidade, amor e respeito aos seus valores, sem vulgaridade e também sem vergonha".

Lubrificante e gel excitante, os itens mais populares, saem sobretudo nos sabores morango e menta.

Só não pode, diz a dona da Bem Amada, comercializar produtos "que entendemos não estarem alinhados com os princípios que defendemos para o casamento". Ficam de fora aqueles "voltados ao prazer individual ou que substituam o cônjuge na relação".

Presidente do Instituto Locomotiva, que pesquisa tendências de mercado e consumo, Renato Meirelles afirma que a multiplicação de grifes evangélicas traduz para a linguagem do varejo contemporâneo um fluxo econômico que já existia informalmente dentro das igrejas.

"Estão dando rótulo de marca a uma coisa que sempre rolou nos fundos do templo: o irmão que vendia churrasco depois do culto, a irmã que fazia bolo para a quermesse, o casal que tinha pizzaria e contratava só gente da congregação. Isso é antigo. O que mudou foi a escala, o canal e a geração que opera".

A transformação maior, para Meirelles, é estética e geracional. A geração Z crente não tem vergonha de sua identidade, ao contrário dos seus pais, que muitas vezes "escondiam o crachá evangélico no ambiente de trabalho para não sofrer estigma".

Hoje tem bem menos disso. "O jovem cristão posta o look pro culto, e o pai dele, 20 anos atrás, escondia a bíblia na mochila para não virar piada no escritório. É essa virada de pertencimento sem constrangimento que abre espaço comercial para a marca explícita."

Levantamento feito pelo instituto em março revela que 47% dos evangélicos transformam afinidade religiosa em consumo, isto é, compram mais de fornecedores que compartilham a mesma crença, enquanto 38% dos católicos fazem o mesmo.

Embute-se aí, também, a ideia de que empresários evangélicos não querem apenas lucrar, mas usar seu negócio como instrumento de evangelização.

Tom Dias encara seu Coletivo de Emaús como uma "ferramenta missionária". Na Bíblia, Emaús é um povoado próximo a Jerusalém, conhecido por ser o cenário de uma das aparições mais importantes de Jesus após sua ressurreição. No Brasil, dá o nome de uma marca de camisetas com estética moderna.

Um dos modelos, batizado Vila Nazaré Futebol Clube, custa R$ 188 e emula a seleção brasileira, mas é "um time com gente comum, gente simples, gente que talvez ninguém escolheria primeiro, mas que Ele chamaria pelo nome". O time "que Jesus montaria".

A antropóloga Livia Reis, do Iser (Instituto de Estudos da Religião), destaca que a segmentação religiosa do mercado não é um fenômeno isolado. Ela compara o movimento a outros direcionados a grupos sociais específicos, como o "black money" (voltado à comunidade negra) e o "pink money" (LGBTQIA+).

Daí a importância de não analisar essa circulação de bens e serviços apenas do ponto de vista moral. "A gente não pode esquecer que, no neoliberalismo, tudo vira produto, e o mercado gospel é muito bem estabelecido".

Esse nicho hoje abrange do turismo religioso ao condomínio temático —caso do Residencial Clube Manancial da Fé, previsto para Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Meirelles, do Locomotiva, traça o perfil médio desse consumidor: tem carteira assinada na maior parte do tempo da vida adulta, ensino médio completo, às vezes técnico, raramente superior, mas o filho está fazendo faculdade. Renda entre dois e cinco salários mínimos. Casa própria comprada com Minha Casa, Minha Vida ou financiada pelo banco. Moto na garagem, carro às vezes.

O consumo é regrado. "Aqui está um ponto que a Faria Lima e a esquerda acadêmica não enxergam: ele é regrado porque a igreja regulou. Não gasta com cerveja, cigarro, balada, jogo, prostituta, festa de empresa. Esse dinheiro que em outras casas evapora em consumo de impulso, na casa dele fica".

Sobra renda, portanto, e esse, segundo Meirelles, é "o segredo da força do consumo evangélico".
Por Anna Virginia Balloussier/Folhapress

Parcela de brasileiros que associa pobreza a preguiça quase dobra em quatro anos, diz Datafolha

                                   Prevalência da percepção entre empresários chega a 56%

Ao todo, 40% da população diz acreditar que pobreza ocorre porque 'as pessoas não querem trabalhar'


A parcela de brasileiros que associam a pobreza à "preguiça de pessoas que não querem trabalhar" foi de 22% em 2022 para 40% em 2026, segundo a matriz ideológica do Datafolha.

A alternativa de que a pobreza está ligada à falta de oportunidades iguais para que todos possam subir na vida ainda é majoritária, mas foi de 76% para 58%. Outros 3% não souberam responder.

O percentual dos que ligam pobreza à preguiça é o maior da série histórica da pergunta. Em 2013, eram 32%; em 2014, 37%; em 2017, 21%; e, em 2022, 22%.

A mudança é uma das mais expressivas entre as perguntas de comportamento que compõem a matriz ideológica.

O recorte de pessoas com renda familiar mensal de até dois salários mínimos espelha as mesmas porcentagens que o total da amostra. Para os que têm de dois a cinco salários mínimos, são 43% os que ligam a pobreza à preguiça, e 55% que acreditam no contrário. A maior parcela dos que acreditam que a pobreza está ligada à falta de oportunidades é a de pessoas com renda familiar superior a dez salários mínimos: 63%.

O Datafolha também coleta e classifica a ocupação econômica de seus entrevistados. Entre empresários, 56% acreditam que boa parte da pobreza está ligada à preguiça de pessoas que não querem trabalhar. O valor é o maior entre todas as ocupações. A menor fatia que acredita na mesma suposição é a de funcionários públicos, com 28%.

O recorte por eleitorado presidencial também mostra diferenças. Entre eleitores de Lula (PT) no primeiro turno estimulado, 28% ligam pobreza à preguiça, e 70%, à falta de oportunidades. Entre eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), os percentuais são 52% e 44%, respectivamente.

Há diferença também por idade. Entre os eleitores de 16 a 24 anos, 22% associam pobreza à preguiça, enquanto 74% citam falta de oportunidades. Entre os de 60 anos ou mais, os percentuais são de 49% e 48%, em empate técnico.

A pergunta faz parte do eixo de comportamento da matriz ideológica. Esse bloco reúne dez temas, entre eles armas, pobreza, migração de pessoas pobres, criminalidade, pena de morte, drogas, homossexualidade, crença em Deus, sindicatos e punição de adolescentes que cometem crimes.

O Datafolha ouviu presencialmente 2.004 eleitores de 16 anos ou mais em 139 municípios, nos dias 17 e 18 de junho de 2026. A margem de erro máxima para o total da amostra é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%. Nos estratos, a margem varia conforme a base. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-09956/2026.
Por Laura Intrieri/Folhapress
Vagas de empregos:

Pacote de bondades do governo Lula em ano eleitoral mobiliza mais de R$ 180 bilhões

Governo fica vedado de fazer eventos para anunciar programas a partir deste sábado, devido à lei eleitoral

O pacote de bondades anunciado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste ano já supera R$ 180 bilhões e deverá produzir efeitos sobre a economia e as contas públicas que se estendem para o próximo mandato presidencial, a partir de 2027, segundo levantamento do jornal Folha de São Paulo.

Lula, que busca a reeleição este ano, acelerou os anúncios e as inaugurações nas últimas semanas. A partir deste sábado (4) tem início o chamado "defeso eleitoral", período de três meses antes das eleições em que o governo não pode fazer eventos, inaugurações ou campanhas de divulgação.

As medidas anunciadas têm como alvo principal os brasileiros de faixas intermediárias de renda, estratos sociais que representam cerca de um terço do eleitorado e nos quais Lula enfrenta resistência, segundo números do Datafolha.

O presidente está à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no cômputo geral, mas o congressista ganha fôlego entre os com renda familiar de 2 a 5 salários mínimos (entre R$ 3,2 mil e R$ 8,1 mil mensais).

O levantamento reúne 16 medidas anunciadas pelo governo e foi feito a partir da avaliação de economistas e especialistas em contas públicas. No começo de maio, elas somavam R$ 144 bilhões em recursos envolvidos. O aumento significativo em junho demonstra a corrida do governo Lula para colocar de pé todo o pacote de bondades antes do início do calendário eleitoral.

Das 16 medidas, seis podem ter impactos primários, seja por renúncia de receitas ou por despesas diretas da União — neste caso, o governo tentou buscar fontes de compensação, com aumento de tributos ou remanejamentos orçamentários. As outras dez se referem majoritariamente a linhas de crédito com juros mais baixos do que os de mercado, usando como instrumento fundos estatais de garantia ao sistema bancário.

Uma das primeiras medidas do ano foi o aporte de até R$ 15 bilhões no FGO (Fundo de Garantia de Operações), operado pelo Banco do Brasil, para o programa Desenrola 2.0. O FGO é administrado pelo Banco do Brasil que garante o pagamento das dívidas renegociadas pelos bancos em caso de calote.

Depois, em abril, o governo anunciou uma linha de crédito de R$ 21,2 bilhões para o financiamento da compra de caminhões e ônibus, como também uma linha de R$ 10 bilhões para compra de máquinas agrícolas aos produtores rurais.

A nova linha de crédito para aquisição de motos por entregadores de apps deve prever cerca de R$ 4 bilhões em novos empréstimos. Recentemente, o governo também anunciou uma linha de R$ 30 bilhões voltada à renovação de frota para taxistas e motoristas de apps.

Nesta semana, quando anunciou uma redução no subsídio para o diesel, o governo informou que desembolsou até R$ 16 bilhões nessa etapa para conter os impactos da guerra do Irã no preço dos combustíveis.

O governo também enviou ao Congresso Nacional o projeto de lei que amplia o teto de faturamento para quem é (MEI) Microempreendedor individual para até R$ 140 mil em 2028, de forma faseada. Caso a proposta seja aprovada nos moldes enviados, o Executivo estima uma renúncia de receita de R$ 4 bilhões — R$ 2 bilhões anuais entre 2027 e 2028. Ainda sobre os MEIs, o governo também prevê um programa de renegociação de dívidas para os microempreendedores, com descontos que chegam a até 70%.

Outras medidas também foram tomadas pelo governo este ano, mas não são listadas no levantamento por falta de estimativa de impacto fiscal. Um exemplo é a revogação da tributação sobre as compras de até US$ 50, a chamada "taxa das blusinhas", medida tomada no início de maio. Para todo o ano de 2026, a equipe econômica previa uma arrecadação de R$ 1,2 bilhão com a tributação.

Procurado, o Ministério da Fazenda enviou nota listando o número de projetos de perfil econômico aprovados desde o início do mandato de Lula, afirmou que "o governo trabalha e produz de forma consistente desde o primeiro dia" e disse que os projetos têm "impacto direto sobre o cotidiano de milhões de brasileiros".

A magnitude do pacote provoca comentários críticos de especialistas e do próprio Banco Central sobre os possíveis impactos inflacionários que elas podem gerar. Entre os desafios estão a dificuldade de reduzir a taxa básica de juros, alvo de reclamações do presidente Lula.

No mais recente Relatório de Política Monetária, divulgado na semana passada, o BC avaliou que o pacote de medidas do governo Lula representa um fator de risco para o cenário prospectivo e informou que seus efeitos serão monitorados ao longo dos próximos meses. A instituição ressaltou ainda que o comportamento da demanda doméstica continuará sendo um dos elementos considerados nas decisões sobre os juros.

À reportagem o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, negou que o pacote de bondades tenha potencial para pressionar a inflação ou dificultar a condução da política monetária. Segundo ele, a avaliação da equipe econômica é a de que as iniciativas terão efeito "neutro" ou "levemente positivo" sobre a atividade e não representam um estímulo suficiente para gerar pressões sobre os preços.

Para Jeferson Bittencourt, ex-secretário do Tesouro Nacional e head de macroeconomia do ASA Investments, o conjunto de medidas de estímulo ao crédito anunciado pelo governo tende a produzir efeitos tanto sobre a atividade econômica quanto sobre a percepção de risco fiscal.

Bittencourt afirma ainda que o BC já reconheceu esse risco, na última decisão do Copom. Este cenário, diz ele, deve levar a autoridade monetária a interromper em breve o ciclo de flexibilização da política monetária, reforçando a dinâmica de expansão da dívida pública.

Alexandre Andrade, economista da Instituição Fiscal Independente (IFI), compartilha desta visão e avalia que o principal efeito macroeconômico do pacote será exigir uma Selic mais alta do que seria necessário na ausência dessas medidas.

Na perspectiva dele, parte das medidas também compromete a eficiência da política monetária ao ampliar o peso do crédito direcionado, cujas taxas não seguem as condições de mercado.

Já para Felipe Salto, ex-diretor-executivo da IFI (Instituição Fiscal Independente) e sócio da corretora de investimentos Warren Rena, há exagero nas críticas ao pacote do governo. Segundo ele, embora o conjunto de medidas tenha uma motivação eleitoral e represente um impulso à demanda em um momento de juros elevados, isso não o torna comparável às iniciativas adotadas em governos anteriores.

O economista afirma que, no caso das medidas relacionadas aos combustíveis, "qualquer governo teria feito algo em resposta a uma guerra" e avalia que o fato de o governo ter apresentado compensações fiscais para esse pacote é um mérito da equipe econômica.

Salto pondera, porém, que o estímulo à demanda ocorre justamente quando o BC mantém a política monetária restritiva, o que contribui para pressionar os juros futuros e aumentar o custo da dívida pública. Ele lembra ainda que o governo não conseguiu cumprir o objetivo traçado com a aprovação do arcabouço fiscal de encerrar o mandato com superávit primário, mas ressalta que isso não configura uma crise das contas públicas. "Não acho que há descontrole nem crise fiscal", afirmou.
Por Guilherme Pimenta/Folhapress

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