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Ligado ao Master, Credcesta chegou a 2,7 mi de contratos de consignado e tem padrão de falhas, aponta INSS

Banco diz ter seguido normas, e Pleno, de criador do cartão de benefícios, afirma que liquidantes do Master devem tratar do assunto
"O dono do banco Master, Daniel Vorcaro (à direita), e o então sócio e responsável pelo varejo, Augusto Lima"

Documentos do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) apontam uma explosão do benefício consignado do Banco Master, que era distribuído pelo Credcesta –um cartão especializado nessa modalidade que, antes de chegar à esfera federal, já havia se espalhado por estados e municípios.

As operações, conforme os registros do INSS, saltaram de 104,8 mil contratos em 2022 para 2,75 milhões de contratos em 2024, um aumento de mais de 2.500% num intervalo de dois anos.

Os números foram consolidados pelo Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social), e o INSS apura se as contratações são regulares.

Segundo os documentos a que o jornal Folha de São Paulo teve acesso, o órgão identificou um padrão reiterado de "desconformidades nas operações de crédito consignado associadas ao produto Credcesta", o que eleva risco de danos aos beneficiários e demanda uma "intervenção preventiva" até que se conclua uma apuração completa sobre os contratos assinados.

Os dados descritos nos documentos, referentes ao Credcesta, não especificam se a abrangência dos contratos se refere a servidores e aposentados em níveis federal, estaduais e municipais. No entanto, especialistas consultados pela reportagem afirmam que não há como o INSS acessar as bases de dados de estados e municípios.

O INSS também diz que não é possível confirmar nem se a bandeira do Credcesta era exclusiva do Master ou se havia outros bancos operando essa bandeira. Pessoas próximas ao banco afirmam que o Credcesta sempre foi um produto exclusivo da instituição.

Segundo dois executivos muito experientes do setor de consignado, ouvidos com a condição de não terem os nomes citados, o Master, por meio do Credcesta, teve uma participação pequena nos produtos do INSS.

Sem agência e dependente de correspondentes bancários, não tinha musculatura para concorrer com grandes bancos, que atuam no segmento, e gerar quase 3 milhões de contratos dentro da modalidade de benefício consignado.

À reportagem o INSS disse que o Master encerrou o ano de 2025 com 324.849 contratos ativos relacionados a crédito e benefício consignado, sem ser possível especificar o valor total dos descontos, uma vez que isso varia conforme os valores contratados.

O INSS afirmou ainda que não trabalha com o Credcesta e não deu explicações para a discrepância das quantidades de contratos do benefício consignado ao longo dos anos no Master.

Os dados foram extraídos pela Dataprev e utilizados pela Divisão de Consignação em Benefícios do INSS. Para que exista mais clareza sobre os contratos, novos dados foram solicitados à Dataprev pelo instituto.

O consignado do Credcesta passou a ser um assunto dos liquidantes do Master, segundo a assessoria do banco. É a mesma posição do banco Pleno, antigo Voiter, instituição que Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, assumiu e passou a abrigar o Credcesta, focado em estados e municípios.

"As questões relativas aos consignados do banco Master durante o período mencionado são tratadas pelo liquidante da instituição", disse o Pleno, em nota.

"O Master sempre atuou em estrita observância às normas e aos procedimentos estabelecidos pelo INSS para a concessão de crédito consignado, incluindo os requisitos de formalização, identificação do contratante e comprovação de consentimento", afirmou a defesa de Vorcaro, em nota.

O Banco Central, que conduz a liquidação do Master, decretada em novembro, não respondeu aos questionamentos da reportagem.

O INSS permite três modalidades de crédito que podem ser descontadas nas aposentadorias.

O mais antigo é o empréstimo consignado tradicional, que tem valor e prazo definidos, com descontos de parcelas fixas. Também autoriza o cartão de crédito consignado, em que o cliente pode fazer saques em dinheiro, e o valor mínimo é descontado mensalmente da aposentadoria, mas o restante da dívida cai no rotativo, e aumenta, se não for quitado.

Benefício consignado, a opção mais recente, vai além. Permite os saques, cai no rotativo, mas prevê taxas de juros menores e conta com serviços adicionais, como cartão de compras, desconto em farmácia e auxílio-funeral, por exemplo.

O benefício consignado foi criado por meio do Credcesta, em 2018, por Augusto Lima. A partir de um contrato de exclusividade de 15 anos, firmado com o Governo da Bahia na gestão de Rui Costa (PT), estabeleceu parceria com o Master, de Vorcaro, e se expandiu pelo país, chegando a 24 estados e 176 municípios no final de 2024.

O produto, no entanto, era acessível apenas a servidores de estados e municípios. Em 2022, Lima apresentou o modelo ao INSS, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), e emplacou a ideia em nível federal.

Foi feita toda uma nova legislação, por meio de MP (medida Provisória), levando a modalidade para aposentados e pensionistas do INSS, e em alguns casos, beneficiários do BPC (Benefício de Prestação Continuada).

Entre setembro de 2020 e setembro de 2025, o Master operou em todas as linhas de consignados do INSS, por meio de um acordo de cooperação técnica com o órgão federal.

Quando surgiram as denúncias de que havia uma quadrilha simulando consignados no INSS, o Master foi uma das primeiras instituições a ter o registro suspenso.

Em 17 de novembro, Daniel Vorcaro e Augusto Lima foram presos pela PF (Polícia Federal) dentro da investigação que apura fraudes na venda de carteiras de crédito para o BRB (Banco Regional de Brasília). A suspeita é que haviam organizado um esquema para simular a criação de carteiras sem lastro.

No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação do Master. O acordo de cooperação para consignados com o INSS já havia deixado de ser renovado, em setembro. Foi, na prática, um descredenciamento do Master.
A Diretoria de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão do instituto considerou, em outubro, existir um "ponto de atenção" na operação do Credcesta pelo Master. "Em dois anos houve acréscimo significativo em relação ao referido cartão", afirmou, num documento, a diretora Márcia Eliza de Souza.

"Não é possível aferir, com base nas informações apresentadas pela instituição financeira, se há efetiva observância a limites normativos", cita o documento, em referência a limite do benefício, taxa de juros e cobranças abusivas.

Também não é possível saber, segundo o INSS, se há efetivação de benefícios como seguro de vida e auxílio-funeral, além de vedação a custos adicionais.

Entre 2020 e 2024, conforme dados compilados pelo instituto, houve 3.378 reclamações de beneficiários contra o Master, registradas pela Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.

"As manifestações de ouvidoria, dados da Senacon e registros em plataformas públicas indicam padrão reiterado de dificuldades na quitação por parte dos aposentados e pensionistas, na solicitação de cancelamento de produtos contratados, cobranças indevidas e reclamações sobre empréstimos não reconhecidos, sugerindo falhas estruturais no cumprimento de normas", afirmou o INSS.

O quadro exige "cautela e ampla apuração" em relação à concessão de crédito consignado, em especial o Credcesta, conforme o instituto.

Há um descompasso entre práticas adotadas e os parâmetros previstos em normas relacionadas à autorização expressa do beneficiário, autenticação biométrica e guarda de documentos, segundo o instituto.

No começo deste mês, o MPF (Ministério Público Federal) recomendou, em documentos enviados aos liquidantes do Master e ao INSS, que eles priorizem, no pagamento de recursos, aposentados e pensionistas vítimas de descontos indevidos em crédito consignado. Um inquérito civil público, instaurado pela Procuradoria da República no DF, investiga supostas fraudes nesse crédito.

Países ricos devem temer 'brasileirização' da economia, alerta revista The Economist

Revista britânica afirma que juros elevados e dívida pública do Brasil são alerta para outras nações
A situação da economia brasileira representa o alerta mais importante para as grandes economias do mundo, disse a revista britânica The Economist em artigo publicado nesta quinta-feira (12).

A publicação diz que a relação de juros elevados e dívida pública do Brasil oferece uma lição mais importante para o mundo do que a inflação argentina, a estagnação da Itália e os problemas comerciais do Reino Unido pós-Brexit.

A revista diz que, por um lado, o país apresenta dados aparentemente positivos, como um "crescimento econômico razoável, um banco central independente, um resultado primário quase equilibrado" e "uma dívida líquida alta para padrões de mercados emergentes mas baixa em comparação com países ricos".

O problema, diz o texto, são os juros altos necessários para financiar a dívida. O resultado da Selic —a taxa básica de juros— em 15% ao ano é que "o governo provavelmente pegará emprestado cerca de 8% do PIB por ano apenas para pagar a conta de juros".

A publicação diz que fechar o déficit com austeridade é improvável e que autoridades do Ocidente deveriam se perguntar por que os juros são tão altos no Brasil.

A revista aponta uma combinação de fatores como resposta, citando a "fragilidade das instituições financeiras", "o comportamento volátil da inflação" e a "trajetória sombria de longa data do orçamento federal"—com destaque para o gasto de 20% do PIB com aposentadorias.

A estimativa da revista The Economist é que, se não houver reformas, o governo brasileiro gastará mais com aposentadorias até 2050 do que países mais ricos e mais envelhecidos.

Para a revista, a situação fiscal brasileira serve de alerta para orçamentos do mundo rico, e que países já apresentam sintomas de uma "brasileirização" nesse sentido e devem se preocupar com isso.

Os Estados Unidos são um exemplo citado, especialmente por causa da pressão sofrida por instituições americanas, como o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) e o Departamento de Justiça.

A revista diz que a aposentadoria por lá pode não ser tão protegida quanto no Brasil, mas os gastos crescem com o envelhecimento da população, e o tema agrada eleitores mais velhos. A situação, diz a Economist, pode pressionar juros para cima e fazer os dilemas orçamentários de hoje parecerem simples.

"Pode parecer dolorosamente difícil, num mundo populista, prometer inflação baixa e ao mesmo tempo reduzir gastos com os idosos. Mas isso não é nada comparado à escolha angustiante que se desenha para o Brasil: entre uma austeridade profunda e uma aterradora espiral de dívida e juros", encerra o artigo.

Por Folhapress

Ministério vê risco de colapso no setor de carne e defende controlar exportação para a China

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) identificou risco de colapso de preços e emprego no setor da carne bovina como consequência das salvaguardas impostas pela China para a importação de proteína animal.

Para mitigar esses efeitos, o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) defendeu, segundo ofício obtido pela Folha, a criação de um sistema de cotas de exportação que regule a quantidade de carne que os agentes privados podem vender ao país asiático.

A lista de exportadores para a China inclui gigantes como a JBS, Minerva e Marfrig.

No final de dezembro, o Ministério do Comércio da China anunciou tarifas de 55% sobre as importações de carne bovina de países como Brasil, Argentina, Uruguai e Estados Unidos que excedam uma determinada quantidade.


No caso do Brasil, a cota para 2026 é de cerca de 1,1 milhão de toneladas. Isso significa que o que superar esse patamar estará sujeito a uma tarifa de 55% —o que mina a competitividade do produto nacional.

Com base em dados de 2025, a análise do Mapa estima que deve haver uma redução na demanda chinesa por esse tipo de proteína de cerca de 35%, o equivalente a 600 mil toneladas.

"Em cenário de ausência de resposta coordenada do governo brasileiro, a tendência é de forte desorganização dos fluxos comerciais, com impactos relevantes sobre toda a cadeia produtiva", diz o ofício, assinado por Luis Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa.

No ofício, Rua lista diferentes consequências que a falta de controle para as vendas à China pode provocar.

São elas: corrida desordenada de exportadores, com antecipação de embarques e contratos para ocupar a maior fatia da cota chinesa; queda dos preços em razão da competição entre frigoríficos nacionais; excesso de oferta em outros mercados caso a produção inicialmente destinada à China seja redirecionada a outros países; efeito em cascata sobre produtores rurais em áreas dependentes da pecuária; e possibilidade de as cotas chinesas serem preenchidas apenas por grupos empresariais de grande porte.

"Em síntese, a ausência de qualquer mecanismo nacional de administração das exportações em face do teto imposto pelo importador [China] cria incentivos à competição desordenada entre empresas brasileiras, amplifica o choque negativo de demanda e aumenta o risco de colapso de preços e de emprego no setor", diz o documento.

De acordo com interlocutores no setor, não é possível estimar com precisão quanto do limite de 1,1 milhão de toneladas já foi usado por exportadores brasileiros, uma vez que os dados de janeiro são de carne embarcada ainda no final de 2025. O governo Lula argumenta que a carga embarcada antes do anúncio das salvaguardas deve ficar fora do cálculo das sobretaxas.


De acordo com dados do Mdic compilados pela Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), houve aumento de compra de carne bovina pelos chineses em janeiro. Foram 123,2 mil toneladas importadas por Pequim, um valor cerca de 35% maior do que o mesmo mês do ano passado.

O ofício do Mapa é destinado à secretaria-executiva da Camex (Câmara de Comércio Exterior), vinculada ao Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).

A recomendação do Ministério da Agricultura é que o sistema de cotas de exportação seja deliberado já na próxima reunião do Gecex (Comitê Executivo de Gestão da Camex), para que os efeitos das limitações chinesas sejam reduzidos ainda em 2026.

O próximo encontro do Gecex está previsto para esta quinta-feira (12).

Procurado, o Mdic disse que "eventual debate e deliberação sobre o tema poderão ser feitos no âmbito do Gecex, colegiado de 10 ministérios, em data ainda a ser definida". A pasta destacou que a proposta do Mapa ainda está sob análise técnica.


"O governo brasileiro, por intermédio do Mdic e do Mapa, tem mantido diálogo permanente com o governo chinês sobre o tema. O vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin conversou, no dia 28 de janeiro, por ligação telefônica, com o vice-presidente da China, Han Zheng, quando manifestou preocupação em relação às salvaguardas aplicadas; e o tema continua em negociação com o governo chinês", disse o Mdic.

O Mapa não responde a pedido de comentário feito pela Folha.

Entre os requisitos que o sistema de cotas deveria observar, ainda de acordo com o documento, o Ministério da Agricultura propõe que haja uma distribuição proporcional entre os exportadores privados de acordo com o histórico recente de vendas à China.

A pasta também sugere que haja um mecanismo para a inclusão de novos e pequenos exportadores, com uma reserva técnica para essas empresas. Para o controle das cotas, propõe o uso de licenças de exportação, com bloqueio automático de embarques que excedam os limites autorizados.

Rua recomenda, ainda, que as cotas dos exportadores sejam corrigidas de acordo com o pequeno reajuste dos limites da China previstos para o próximo ano e para 2028.


"À vista do exposto, e considerando a iminência de impactos significativos já em 2026, o Mapa propõe que a resolução Gecex que institui o sistema brasileiro de cotas de exportação de carne bovina para a China seja apreciada e votada na próxima reunião do Comitê Executivo de Gestão da Camex, de forma a permitir que a medida entre em vigor com a antecedência necessária para orientar contratos e embarques ao longo do ano corrente", conclui o ofício.

O governo da China anunciou a sobretaxa sob a justificativa de proteção do seu mercado interno. Os preços da carne bovina na China têm apresentado tendência de queda nos últimos anos devido ao excesso de oferta e à fraca demanda decorrente da desaceleração da segunda maior economia do mundo, segundo analistas.

Ao mesmo tempo, as importações dispararam, tornando o gigante asiático um mercado crucial para países produtores de carne bovina, como os da América Latina e a Austrália.

No início de fevereiro, a China negou o pedido do governo brasileiro de que as cotas para carne bovina remanescentes de outros países fossem redistribuídas entre aqueles que já haviam estourado o próprio limite.

Por Ricardo Della Coletta, Folhapress

PF cita gestão fraudulenta e diz que aliado de Davi Alcolumbre destinou dinheiro ao Master

Amapá Previdência afirma que se sente lesada; defesa de gestores não foi localizada, e senador diz defender apuração

A PF (Polícia Federal) afirma que a destinação de recursos da Amprev (Amapá Previdência) para o banco Master, em deliberações adotadas em menos de 20 dias, ignorou alertas internos, desprezou riscos relacionados ao investimento e deixou de exigir, previamente, documentação técnica complementar. Ao todo, os aportes somaram R$ 400 milhões.

O então diretor-presidente do instituto e coordenador do comitê de investimentos, Jocildo Silva Lemos, teve "papel central" na condução das reuniões, em julho de 2024, e na execução das decisões aprovadas, segundo a PF.

Jocildo já atuou como tesoureiro da campanha do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e foi indicado ao cargo na Amprev pelo senador, a quem agradeceu publicamente pela indicação. A autarquia é vinculada ao governo do Amapá e é responsável pela gestão do regime próprio de previdência do estado.

Em uma das deliberações sobre compras de letras financeiras do Master, no valor de R$ 100 milhões, a maioria do comitê de investimentos foi favorável à aplicação e a condicionou a uma posterior visita institucional ao banco, sem exigência prévia de documentação, conforme a PF. A polícia diz que isso foi feito de "forma atípica". O fundo previdenciário bancou o aporte nas letras financeiras.

Em 23 de janeiro, a PF no Amapá pediu à Justiça Federal que autorizasse buscas e apreensões nos endereços de três gestores apontados como os responsáveis pelos aportes de dinheiro da previdência no Master. A Justiça concordou com o pedido, e uma operação policial foi deflagrada na última sexta-feira (6), intitulada Zona Cinzenta.

A polícia fez buscas em endereços de Jocildo; José Milton Afonso Gonçalves, conselheiro da Amprev e integrante do comitê de investimentos; e Jackson Rubens de Oliveira, também integrante do comitê de investimentos e participante de reuniões que decidiram por aportes no Master.

Nesta segunda-feira (9), em nota publicada no site do órgão, a Amprev afirmou que "se sente lesada pelos malfeitos do banco Master e não abre mão de ser ressarcida".

Na Justiça, o instituto conseguiu o bloqueio de pagamentos ao banco, disse. Os aportes representariam 4,7% da carteira da Amprev. "A instituição espera que a Justiça seja feita e que os contraventores do banco Master sejam punidos."

A nota não menciona as suspeitas sobre a conduta adotada pelos gestores. A reportagem não conseguiu contato com a assessoria da Amprev nem localizou a defesa dos três investigados.

Alcolumbre não respondeu aos questionamentos. Na sexta, em nota, ele disse defender que tudo seja apurado e esclarecido e que os verdadeiros culpados sejam punidos, com respeito ao devido processo legal.

O Banco Central decretou a liquidação do banco Master em 18 de novembro, um dia depois de o controlador da instituição financeira, Daniel Vorcaro, ser preso pela PF sob a suspeita de tentar fugir do país. O banco enfrentava dificuldades para honrar seus compromissos e há suspeita de crime na gestão de carteiras de crédito.

Segundo a PF, os gestores responsáveis pela aprovação dos aportes da Amprev no Master privilegiaram "critério exclusivamente econômico", sem aprofundar "análise reputacional" e "risco". O crime investigado, conforme a polícia, é o de gestão fraudulenta e temerária de instituição financeira.

"Durante a reunião, foram externados alertas relevantes por outros conselheiros quanto à concentração de recursos da Amprev no Banco Master, à negativa da Caixa Econômica Federal em adquirir títulos da instituição e à existência de notícias sobre procedimentos em órgãos de controle, inclusive TCU e MPF", cita relatório da PF que embasou pedido à Justiça Federal.

"Não obstante tais ponderações, a maioria do comitê deliberou favoravelmente à nova aplicação, condicionando-a, de forma atípica, à realização posterior de visita institucional ao banco Master, sem exigência prévia de documentação técnica complementar", completa o documento.

Jocildo, José Milton e Jackson tiveram participação decisiva para a aplicação dos R$ 400 milhões em letras financeiras do Master, conforme a PF, num "contexto marcado por alertas técnicos, fragilidades de governança, ausência de diligências robustas e crescente concentração de risco".

A hipótese, diz a polícia, é de que houve "violação consciente de normas de governança e de limites prudenciais".

Durante reunião para decisão sobre aporte do dinheiro da previdência estadual, segundo a investigação, Jocildo teria "relativizado" questionamentos técnicos apresentados por outros conselheiros e defendido aprovação das operações com base em fundamentos "genéricos".

"Há registros que sugerem a neutralização de alertas internos e a condução do processo decisório de forma incompatível com os padrões de governança exigidos para a gestão de recursos previdenciários", cita o relatório da PF.

José Milton, segundo a polícia, foi quem apresentou a proposta inicial de aplicação de valores elevados no Master, defendendo a operação com o argumento de maior rentabilidade. Os documentos apontam que ele manteve postura ativa na sustentação dos investimentos mesmo diante de questionamentos técnicos e alertas sobre os riscos envolvidos, diz a PF.

Jackson, por sua vez, não condicionou seu voto à apresentação de documentação complementar, parecer técnico ou aprofundamento de diligências, o que pode configurar-se gestão temerária, segundo a polícia.

Por Vinicius Sassine/Raquel Lopes/Folhapress

Presidente do PT diz a empresários que fim da escala 6x1 deve ser tratado com calma

Edinho Silva disso ainda que Alckmin poderá disputar 'o cargo que quiser' nas eleições de 2026

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou nesta segunda-feira (9) que o fim da escala 6x1 deve ser debatido com cautela no Congresso, ao comentar questionamento de empresários sobre o assunto, em almoço do grupo empresarial Lide.

A pauta, que é alvo de propostas de mudança no Legislativo, tem sido defendida pelo presidente Lula (PT) em discursos e deve ser uma de suas bandeiras de campanha para a disputa à reeleição.

"É um tema que deve ser tratado com calma. O Congresso Nacional é o espaço apropriado para essa discussão", afirmou Edinho, em resposta a pergunta de um empresário, em evento no hotel W. em São Paulo.

Nesta segunda-feira (9), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que iniciou a tramitação de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a jornada de trabalho 6x1, que prevê um dia de descanso para seis de trabalho.

Já o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), disse que procurará Motta para acelerar o processo, defendendo que o Legislativo discuta um PL (Projeto de Lei) em regime de urgência.

No evento do Lide, o tema foi levantado por Paulo Solmucci Júnior, presidente da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes). Segundo ele, uma eventual redução da jornada poderia elevar custos e levar a demissões, sobretudo em setores intensivos em mão de obra, como bares e restaurantes.

Ao responder, Edinho disse ainda que o debate ocorre em vários países do mundo e precisa considerar impactos econômicos e sociais. Defendeu ainda que a pauta esteja associada à distribuição de renda.

"A tecnologia aumentou a produtividade com menor uso de força de trabalho, mas sem criar capacidade de consumo. Em um país como o Brasil, em que 1% da população concentra 25% da renda, esse debate é central", disse.

Após o almoço, em coletiva com jornalistas, Edinho elogiou o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e afirmou que ele poderá disputar "o cargo que quiser" nas eleições de 2026.

"Alckmin é uma pessoa muito querida por todos nós. Eu o admiro pelo trabalho que tem feito. Tenho dito que ele será candidato àquilo que quiser", disse.

Na semana passada, em entrevista ao portal UOL, o presidente Lula afirmou que o PT tinha condições de ganhar as eleições em São Paulo e que tanto Alckmin quanto o ministro da Fazendo, Fernando Haddad, tinham um papel a cumprir no estado. "Eu ainda não conversei com o Haddad, ainda não conversei com o Alckmin, mas eles sabem que têm um papel para cumprir em São Paulo. Eles sabem", disse Lula na ocasião.

Alckmin avisou a dirigentes petistas que não pretende se candidatar a nenhum cargo caso seja retirado da chapa em que Lula tentará reeleição. Haddad também tem dito que não quer se candidatar.

Nesta segunda, Edinho negou a existência de crise entre o presidente Lula e Haddad. Segundo ele, as conversas entre os dois são frequentes e tratam do impacto político de uma eventual saída do ministro da equipe econômica. "O presidente Lula conversa com Haddad cotidianamente. Não existe crise", afirmou.

O dirigente afirmou que o PT trabalha para ampliar alianças, inclusive com partidos de centro e centro-direita. "Temos que construir uma política de alianças para eleger governadores e senadores comprometidos com a democracia e reeleger o presidente Lula. Se partidos de centro-direita quiserem apoiar um programa que deixe legado para as futuras gerações e defendam a democracia, eu não vejo contradição nenhuma", disse.

Segundo Edinho, as definições sobre candidaturas devem avançar até o fim de março, prazo legal de desincompatibilização de cargos públicos.

O dirigente do PT também citou, no evento, a polarização política como fator de desgaste da democracia representativa. "Esse sentimento de insatisfação alimenta um ambiente de polarização que dificulta o diálogo", afirmou.
Por Carolina Faria/Folhapress

INSS cria fila nacional, mas doentes graves seguem sem atendimento prioritário

Transplantado, com perda de audição em um dos ouvidos e diagnóstico de câncer de pele em estágio avançado, Eduardo da Costa, 53, solicitou um benefício por incapacidade ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) em 25 de dezembro de 2025, mas teve sua perícia médica agendada apenas para março.

Sem conseguir atendimento presencial nas agências, o motoboy segue sem renda previdenciária, mesmo impossibilitado de exercer a profissão. Ele afirma depender quase exclusivamente dos canais digitais do instituto para tentar resolver a situação e acelerar o processo, mas diz que o aplicativo e os sistemas do INSS apresentam instabilidade frequente.

Eduardo é um dos segurados que devem ser alcançados pela fila nacional de análise de benefícios, criada em meados de janeiro pelo instituto. Com a mudança, os pedidos deixaram de ser organizados apenas de forma regional, e servidores de localidades com menor demanda passaram a atuar em processos de áreas onde o tempo de espera é maior.

Apesar disso, a nova fila começa a operar sob pressão de casos graves, com segurados em situação crítica ainda à espera de perícia e sem acesso ao benefício. Especialistas apontam que a dificuldade em diferenciar casos mais graves ocorre porque a fila do INSS é composta majoritariamente por segurados que já se enquadram em algum tipo de prioridade legal, como idosos, pessoas com deficiência ou com doenças incapacitantes.

Na prática, isso faz com que situações de gravidade distinta sejam tratadas de forma semelhante na marcação da perícia, já que não há determinação para que o sistema classifique os pedidos com base na urgência clínica antes da avaliação médica.

Em nota, o MPS (Ministério da Previdência Social) afirma que a fila de perícias é única e organizada pela data de entrada do requerimento. "A fila respeita a ordem de entrada dos pedidos, não sendo possível distinguir graus de gravidade", diz o órgão. Segundo a pasta, a enfermidade do segurado só é identificada no momento da realização da perícia médica.

O colunista da Folha e advogado previdenciário Rômulo Saraiva diz que a falta de priorização clara ainda é um dos principais problemas do sistema. Segundo ele, apesar de existirem leis que asseguram atendimento preferencial a determinados grupos em situações como o pagamento de precatórios, o fluxo de marcação de perícias do INSS não distingue a gravidade dos casos no momento do agendamento.

O tamanho atual da fila do instituto também representa um desafio adicional para segurados que dependem do benefício. De acordo com o Boletim Estatístico da Previdência Social de dezembro de 2025, o INSS soma hoje mais de 3 milhões de requerimentos de benefícios em análise ou aguardando perícia médica inicial. O número representa um novo recorde e contrasta com a promessa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de zerar a fila.

Desse total, cerca de 982,2 mil estão dentro do prazo de até 45 dias, enquanto quase 1,7 milhão já ultrapassou esse período. Outros 357 mil pedidos permanecem pendentes por falta de cumprimento de exigências documentais por parte dos segurados. A região Nordeste concentra o maior volume de pendências, com mais de 1,08 milhão de requerimentos.

Há ainda casos, de acordo com Saraiva, em que pessoas se machucam e esperam tanto tempo que, quando realizam a perícia, já estão melhores ou até voltaram a trabalhar, o que pode levar à negativa do benefício ou à não concessão dos valores de forma retroativa.

Arianne Liz, 34, por exemplo, é funcionária de uma empresa de logística e está afastada desde o fim de outubro, quando rompeu o ligamento do joelho e lesionou o menisco. Ela passou por cirurgia, apresentou laudos médicos que indicam necessidade de afastamento e tenta desde novembro realizar a perícia.

O agendamento acabou marcado apenas para março, após tentativas frustradas de antecipação por telefone e pelo aplicativo Meu INSS. Segundo Arianne, ela tentou enviar documentos para adiantar o processo, mas o INSS informou que os arquivos estavam corrompidos.

"Como tenho vários laudos, mandei todos, e eles explicam que tenho de ligar no 135 [central telefônica do INSS], mas a espera passa de 30 minutos e, quando atendem, a ligação cai", afirma. Sem renda, Arianne diz que hoje conta com a ajuda da mãe e de outros familiares para se manter. Ela diz que, caso o benefício seja negado, pretende recorrer à Justiça.

O MPS diz que, nos últimos meses, a fila da perícia foi impactada pelo aumento significativo na quantidade de requerimentos de benefícios ao INSS, mudanças legislativas e também pelos processos de revisão de benefícios por incapacidade e BPC (Benefício de Prestação Continuada). "A expectativa é que, nos próximos meses, com a atuação dos 500 novos peritos nomeados recentemente e mudanças administrativas, haja redução na fila de espera."

Rômulo Saraiva diz que o grande contingente de servidores da autarquia em regime de home office também pode estar afetando o atendimento aos beneficiários. Para o especialista, com o retorno de um número maior de funcionários ao trabalho presencial, a fila poderia avançar com mais rapidez.

"A demanda social da Previdência é muito peculiar. São pessoas que não sabem mexer no celular, que não têm internet, que têm dúvidas mesmo", afirma.

O Ministério da Previdência Social diz que as principais ações para enfrentar a fila da perícia médica incluem:A análise documental por meio do atestado médico (Atestmed), realizado de forma remota, com cerca de 400 mil análises por mês;
A modalidade Perícia Conectada, que utiliza a telemedicina para a realização das perícias médicas. Em 2025, segundo o MPS, cerca de 250 mil segurados foram atendidos por meio do sistema;
Os mutirões de perícias, que buscam reduzir o tempo de espera dos segurados por benefícios que dependem da avaliação médica;
A contratação de 500 novos peritos médicos para reforçar o atendimento.

CRIAÇÃO DA FILA NACIONAL

Elimar Mello, advogado especialista em direito previdenciário e sócio do escritório Badaró Almeida & Advogados Associados, afirma que a unificação e criação de uma fila nacional é uma medida urgente e necessária. Segundo ele, com a mudança, o tempo de espera deixa de depender da região onde o pedido foi feito e passa a seguir a ordem cronológica de entrada dos requerimentos, o que tende a equilibrar também o volume de trabalho entre servidores em todo o país.

Ele adiciona que a medida ganha relevância diante da definição de prioridade para pedidos com mais de 45 dias de espera e para os casos considerados mais sensíveis, como o BPC (benefício para idosos e pessoas com deficiência de baixa renda) e os benefícios por incapacidade, que, de acordo com dados do governo, representam mais de 80% dos processos represados.

Apesar disso, Mello ressalta que, nos casos que exigem exame médico presencial, o andamento continua condicionado à disponibilidade de peritos em cada localidade. "A fila nacional agiliza a concessão do direito, mas não multiplica o número de médicos nas agências", afirma.

Rômulo Saraiva também aponta que, apesar de importante, a redistribuição da fila pode esbarrar em diferenças regionais. Segundo ele, servidores de uma região podem não ter domínio sobre as peculiaridades de outra, como em casos de análise de trabalhadores rurais ou extrativistas. Nessas situações, diz, a tendência é a negativa do benefício em caso de dúvida, o que apenas desloca o problema para a fila de recursos administrativos ou para a Justiça, que são ainda mais lentas.

De acordo com INSS, com a nacionalização da fila, em uma semana, mais de 118 mil tarefas foram puxadas para análise de pedidos de benefícios que aguardavam havia mais de 45 dias. Desse total, o instituto diz que 60 mil já tiveram a análise concluída.

TEMPO DE ESPERA E JUDICIALIZAÇÃO

A lei 9.784, de 1999, determina que, após a entrega da documentação, a administração pública —e consequentemente o INSS— tem o prazo legal de até 30 dias para decidir sobre o pedido, prorrogável por igual período, desde que a extensão seja expressamente justificada no processo administrativo.

"Isso significa que a demora indefinida não é apenas um incômodo, é uma ilegalidade. O silêncio do INSS por meses viola diretamente essa norma federal", diz o advogado Elimar Mello. Ele acrescenta que a Constituição prevê que o serviço público deve ser prestado com qualidade e rapidez. "Não adianta a lei prometer um benefício se o Estado demora tanto para concedê-lo que o cidadão chega a passar necessidade."

Segundo Mello, após cerca de 60 dias (quando o prazo legal já foi extrapolado), insistir por vias administrativas, seja pela Central 135, seja presencialmente nas agências, costuma ter pouco efeito prático. Nesses casos, afirma, o caminho mais eficaz tende a ser a Justiça.

A judicialização, porém, também pode se arrastar. Uma segurada que conversou com a reportagem e preferiu não se identificar diz que foi afastada em janeiro de 2025 por um médico do trabalho em decorrência de um caso de depressão. Ela afirma que entrou com pedido de benefício em março pelo sistema digital, mas enfrentou falhas na plataforma e precisou ir presencialmente a uma agência em abril. A perícia foi marcada apenas para julho, quando o benefício acabou negado.

Ela entrou com recurso administrativo e, desde então, aguarda nova análise. Sem renda há cerca de um ano, ela diz que deixou de pagar o cartão de crédito, o que faz com que sua dívida aumente cada vez mais.

Segundo Rômulo Saraiva, quando um benefício é negado e o segurado recorre administrativamente, o tempo médio de espera supera 460 dias. Com isso, a demora inicial empurra parte dos segurados para a Justiça e amplia ainda mais o tempo de espera.
Por Júlia Galvão/Folhapress

Aumento da carga tributária pode levar a sonegação e sentimento de injustiça, diz advogado

O advogado Sergio Rosenthal, especializado em crimes financeiros, diz que a criação de um imposto de 10% sobre rendas acima de R$ 50 mil, aprovada para compensar a isenção para ganhos até R$ 5.000, pode gerar "sentimento de injustiça", especialmente se não vier acompanhada de contrapartida do poder público em termo de serviços.

A medida, aprovada no ano passado, é vista pelo governo Lula como uma de suas principais realizações e será bandeira da campanha de reeleição.

"O aumento da carga tributária, quando não acompanhado de uma contrapartida efetiva ao cidadão, gera um sentimento de injustiça naqueles sobre quem recai o ônus do pagamento dos tributos", diz Rosenthal.

Grandes escritórios de advocacia estarão entre os afetados pela alíquota extra. Segundo Rosenthal, o aumento da carga tributária pode gerar como efeito colateral indesejado o estímulo à sonegação.

"A sonegação, no contexto brasileiro, muitas vezes não é percebida como um delito ou como uma conduta socialmente reprovável, mas sim como um instrumento de autodefesa do contribuinte", declara.

Por Fábio Zanini, Folhapress

Busca por novas reservas de petróleo no Brasil patina e completa uma década de estagnação

O Brasil chegou ao fim de 2025 confirmando uma década de estagnação na busca por novas fronteiras para a exploração de petróleo, fruto de uma combinação da queda nas cotações internacionais da commodity e das dificuldades na obtenção de licenças ambientais.

Apesar dos esforços do setor energético do governo para conceder áreas em bacias ainda sem produção, a perspectiva é que a atividade permaneça em ritmo lento nos próximos anos, principalmente por causa da expectativa de petróleo barato.

A exploração é a etapa em que as petroleiras tentam confirmar a existência de petróleo embaixo da terra. Para isso, dependem primeiro de pesquisas sísmicas, uma espécie de ultrassonografia do subsolo para identificar estruturas que podem servir como reservatórios.

Depois, precisam perfurar poços até atingir esses alvos, confirmando se têm ou não petróleo ou gás. É o que a Petrobras está fazendo neste momento na bacia da Foz do Amazonas, por exemplo, após conturbado processo de licenciamento ambiental.

Dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) apontam que a atividade patina no país desde a crise do petróleo de 2014, quando as cotações bateram a casa dos US$ 40 por barril. Piorou nos últimos anos, apesar da recuperação dos preços.

No auge da busca por reservas do pré-sal, o país chegou a registrar mais de cem poços exploratórios por ano —o recorde, de 2011, foi de 150. Em 2025, foram 19. Em 2024, o pior ano da atividade no século 21, apenas dez.

Considerando apenas a atividade em áreas marítimas, onde está o maior potencial brasileiro, foram dez em 2025 e sete em 2024. Em 2011, quando o país bateu o recorde, foram perfurados 150 poços marítimos, mais do que todos os 63 registrados na última década.

Analistas do Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo, Gás e Biocombustíveis) apontam que, historicamente, havia uma correlação entre o número de poços e o preço da commodity. Petróleo caro tendia a estimular as petroleiras a buscar novas reservas.

A partir do final da década passada, essa correlação deixa de existir no Brasil.

"A redução expressiva do número de poços perfurados não decorre, fundamentalmente, da dinâmica de preços, mas reflete, sobretudo, a retração dos investimentos exploratórios no país, indicando uma mudança estrutural no padrão de alocação de capital no setor", diz o instituto.

Principal motor da exploração no país, a Petrobras decidiu focar esforços em desenvolver as reservas do pré-sal descobertas nos anos 2010. Mirou seu plano estratégico para investimentos em plataformas e equipamentos submarinos que levaram o Brasil a se tornar um grande exportador de petróleo.

Tem conseguido bons resultados em ampliar suas reservas já conhecidas: em 2025, por exemplo, descobriu 1,7 barril para cada barril que produziu, com acréscimos principalmente na região do pré-sal. O crescimento de reservas se deu mesmo com produção de petróleo recorde durante o ano.

Mas, em seus boletins da exploração de petróleo, a ANP destaca que apenas três bacias marítimas tiveram descobertas relevantes nos últimos anos: Santos, Campos e Sergipe-Alagoas.

"Os entraves ambientais associados às bacias de fronteira exploratória marítima se configuram em razão relevante para que as campanhas exploratórias nessas bacias não prosperem", afirma a agência no anuário da exploração de 2024. Procurada, a ANP não respondeu ao pedido de entrevista.

Sob críticas de organizações ambientalistas, diferentes governos brasileiros defenderam nos últimos anos que o Brasil precisa de mais investimento exploratório para descobrir novas reservas e compensar o esgotamento do pré-sal a partir da próxima década.

Nesse sentido, o país realizou uma série de leilões de áreas exploratórias, que levaram ao número recorde de 420 contratos em vigor no ano de 2024 —hoje são 400. Mas os investimentos seguem em marcha lenta.

Com base nesses contratos, a ANP prevê 19 poços exploratórios em 2026, sete em 2027 e aoito em 2028. Os números, porém, podem variar de acordo com a evolução das atividades de pesquisa, principalmente nas novas fronteiras exploratórias.

Com petróleo novamente em queda, a própria Petrobras reduziu de 51 para 40 a previsão de poços exploratórios em seu plano de investimentos para os próximos cinco anos. O orçamento dedicado à busca por novas reservas caiu de US$ 7,9 bilhões para US$ 7,1 bilhões.

A diretora de exploração e produção da estatal, Sylvia Anjos, diz que a empresa segue comprometida com a busca por novas reservas, mas que o ritmo das atividades exploratórias no Brasil é determinado atualmente pelo licenciamento ambiental.

"Especialmente em novas fronteiras, o processo é complexo, envolve múltiplas etapas e exige análises técnicas detalhadas por parte dos órgãos reguladores", afirma. "Os prazos e exigências podem variar conforme o projeto, o que impacta diretamente o início das operações."

Outras petroleiras com grande número de blocos exploratórios no Brasil também são reticentes em relação à retomada da atividade. A inglesa Shell, por exemplo, perfurou apenas um poço em 2025 e diz que uma nova campanha no país ainda está em fase de estudos.

A empresa participa de 59 concessões exploratórias no litoral brasileiro, muitas delas em duas das apostas do setor para a renovação das reservas brasileiras, a margem equatorial e a bacia de Pelotas, no litoral da região Sul.

Na primeira, o setor aguarda com expectativa o resultado do primeiro poço da Petrobras para definir os próximos passos. A segunda ainda está em estágio muito inicial de exploração, com a contratação de dados de pesquisa sísmica.

A diretora da Petrobras diz que a expectativa é concluir a análise desses dados apenas em 2028, quando a estatal e seus sócios decidirão se há alvos que justifiquem a perfuração de poços na bacia de Pelotas. As concessões vão até 2031.

Apostando na retomada dos investimentos, a empresa de pesquisa sísmica TGS iniciou em novembro coleta de dados na porção norte da bacia. A empresa também trabalhou recentemente em duas bacias da margem equatorial: Barreirinhas e Pará-Maranhão.

O gerente da companhia para o Brasil, João Correa, diz que a sísmica é um sinal de que a atividade pode voltar a crescer. "Quando você olha estratégia das empresas de sísmica, você vê o futuro da exploração", afirma. "Se a sísmica não está acontecendo, não vai acontecer exploração."

Por Nicola Pamplona, Folhapress

Musk cria empresa privada mais valiosa do mundo com fusão entre SpaceX e sua startup de IA

Movimento une ambições do bilionário em tecnologia e espaço
A SpaceX, fabricante de foguetes e satélites de Elon Musk, adquiriu a xAI, empresa de inteligência artificial controlada pelo bilionário. A transação cria a empresa de capital fechado mais valiosa do mundo ao combinar um portfólio que inclui foguetes, o chatbot Grok, da xAI, e a rede social X.

"A SpaceX adquiriu a xAI para formar o mais ambicioso motor de inovação verticalmente integrado da Terra [e fora dela], reunindo IA, foguetes, internet espacial, comunicações diretas para dispositivos móveis e a principal plataforma mundial de informação em tempo real e de liberdade de expressão", escreveu Musk em um memorando enviado a alguns funcionários.

O bilionário citou a necessidade de construir data centers no espaço como um dos principais motivadores da transação.

A empresa combinada deve precificar ações em torno de US$ 527 cada e teria uma avaliação de US$ 1,25 trilhão, segundo reportagem da Bloomberg News. Pelos termos do acordo de fusão, a xAI se tornaria uma subsidiária integral da SpaceX, segundo uma fonte familiarizada com o assunto e ouvida pela Reuters, que pediu anonimato.

"Isso marca não apenas o próximo capítulo, mas o próximo livro da missão da SpaceX e da xAI: escalar para criar um sol senciente que compreenda o Universo e estenda a luz da consciência até as estrelas!", disse Musk.

O acordo, noticiado inicialmente pela Reuters na semana passada, representa uma das alianças mais ambiciosas já vistas no setor de tecnologia, ao reunir uma contratada de espaço e defesa com uma desenvolvedora de IA em rápido crescimento, cujos custos são impulsionados sobretudo por chips, data centers e energia.

O arranjo incomum ilustra como Musk, o homem mais rico do mundo, transita entre diferentes partes de seu império empresarial. Ele fez um movimento semelhante em 2016, quando usou ações de sua montadora de veículos elétricos, a Tesla, para comprar a SolarCity, empresa de energia limpa da qual era o maior acionista e cujo presidente-executivo era seu primo Lyndon Rive.

No ano passado, Musk utilizou a xAI para adquirir sua plataforma de mídia social, o X (ex-Twitter), em um acordo que avaliou a entidade combinada em US$ 113 bilhões.

O acordo pode atrair a atenção de reguladores e investidores em relação a governança, avaliação e potenciais conflitos de interesse, dada a sobreposição de papéis de liderança de Musk em várias empresas, bem como a possível circulação de engenheiros, tecnologia e contratos entre as entidades.

A SpaceX também mantém contratos federais de bilhões de dólares com a Nasa, o Departamento de Defesa e agências de inteligência dos EUA, todos com alguma autoridade para revisar transações de fusões e aquisições por razões de segurança nacional e outros riscos.

A SpaceX confirmou a aquisição em seu site e divulgou o memorando de Musk. Representantes da SpaceX, da xAI e do X não responderam imediatamente a pedidos de comentário da Reuters e do New York Times. Musk também não respondeu prontamente a um pedido enviado por e-mail.

Enquanto a Tesla, montadora de Musk, é uma empresa de capital aberto e obrigada a divulgar suas finanças e outras informações a acionistas, a maioria das companhias do bilionário é privada e mais opaca. Entre elas estão a xAI; a SpaceX; a Boring Company, startup de túneis; e a Neuralink, empresa de interfaces cerebrais. Musk frequentemente transfere recursos e funcionários entre suas empresas, desafiando normas tradicionais de gestão e operando seus negócios como um grande conglomerado sob seu controle.

"No fim das contas, é provável que exista uma única Musk Inc.", avaliou Peter Diamandis, fundador da XPrize Foundation, organização sem fins lucrativos voltada ao fomento do desenvolvimento tecnológico, que também é investidor da SpaceX e da xAI. Segundo Diamandis, ele sempre acreditou que a visão de Musk era unir suas empresas.

Em dezembro, a SpaceX afirmou que permitiria que funcionários vendessem ações a um preço que avaliaria a empresa em cerca de US$ 800 bilhões, antes de uma possível oferta pública ainda neste ano. Em janeiro, a xAI anunciou ter levantado US$ 20 bilhões, o que avaliou a empresa em mais de US$ 230 bilhões.

A SpaceX investiu US$ 2 bilhões na xAI no ano passado, o mesmo valor que a Tesla disse ter concordado em investir no mês passado.

Por Folhapress

OFERTAS DA SEMANA – SUPERMERCADO DI MAINHA

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Petrobras reduz preço da gasolina em 5,2% a partir desta terça

A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (26) que vai reduzir em 5,2% o preço da gasolina A vendida às distribuidoras. O novo preço passa a valer a partir desta terça-feira (27).

A gasolina A é o combustível puro que sai das refinarias e é misturado ao etanol pelas distribuidoras, para que possa ser vendido ao consumidor final nos postos.

Com a redução, o preço médio de venda da Petrobras para as distribuidoras passará a ser, em média, de R$ 2,57 por litro, uma redução de R$ 0,14.

No comunicado que anunciou a mudança de valores, a empresa informa que, desde dezembro de 2022, a queda no preço da gasolina chega a R$ 0,50 ─ um recuo de 26,9%, já considerando a inflação do período.

A última mudança no preço do combustível havia sido em 21 de outubro de 2025, quando ficou 4,9% mais barata.

Preço nas bombas

O movimento da Petrobras deve representar alívio na inflação do país, uma vez que a gasolina é o produto com maior peso no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador que apura a inflação oficial.

Apesar de a Petrobras ser a maior produtora do combustível no país, o preço da gasolina nas bombas não depende apenas da estatal. Após o produto ser vendido às distribuidoras, sofre influências de outros custos, como o frete, mistura com o etanol, cobrança de impostos e a margem de lucro dos postos.

Confira mais informações sobre o assunto no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil
Diesel
A Petrobras informou que o preço do diesel vendido às distribuidoras não sofrerá alteração. Desde dezembro de 2022, a redução acumulada no preço do óleo combustível vendido às distribuidoras é de 36,3%, considerando a inflação do período.
Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil

Agências do INSS fecham de quarta a sexta-feira desta semana

As agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em todo o país estarão fechadas de quarta (28) a sexta-feira (30) para atendimento presencial em razão de melhorias programadas nos sistemas previdenciários da Dataprev, empresa responsável pela tecnologia da informação da Previdência Social.

Vale lembrar que os canais remotos de atendimento, como o Meu INSS (site e aplicativo ) e a central telefônica 135, funcionarão normalmente até o dia 27, com mais de 100 serviços disponíveis.

O INSS alerta ainda que, a partir das 19h do dia 27 até o dia 31 de janeiro, o Meu INSS (site e aplicativo) e a central telefônica 135 ficarão indisponíveis.

A medida, segundo o instituto, é necessária para a modernização dos sistemas, de modo a assegurar maior estabilidade, segurança e eficiência dos serviços.

Para reduzir os impactos aos cidadãos, o INSS realizou atendimento extra no último final de semana, “com o objetivo de antecipar agendamentos e compensar a suspensão temporária do serviço presencial”.

O instituto informou ainda que garantiu o reencaixe nos casos em que o beneficiário preferiu receber atendimento presencial em dia útil.
Por Luciano Nascimento/Agência Brasil

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