Mostrando postagens com marcador Economia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Economia. Mostrar todas as postagens

Feirão Semana Minha Casa, Minha Vida anuncia nova edição em Salvador com cerca de 3 mil imóveis e descontos de até R$ 90 mil

Quem pretende conquistar a casa própria em Salvador e Região Metropolitana terá uma nova oportunidade entre os dias 5 e 9 de agosto, durante a 7ª edição do Feirão Semana Minha Casa, Minha Vida, promovido pela IMOB – Inteligência Imobiliária. O evento será realizado na sede da empresa, na Avenida Paralela, e reunirá cerca de três mil unidades habitacionais disponíveis para venda, com condições especiais de financiamento, descontos exclusivos e análise de crédito realizada no próprio local.

Os imóveis contemplam diferentes perfis de compradores e estão distribuídos por bairros de Salvador, como Sussuarana, Cajazeiras, Patamares, Piatã, Pirajá e Paralela, além de empreendimentos localizados em Lauro de Freitas e Camaçari. A expectativa da organização é reunir milhares de interessados ao longo da programação.

Entre os diferenciais do feirão estão descontos de até R$ 90 mil no valor final dos imóveis, subsídios do programa Minha Casa, Minha Vida, entrada a partir de R$ 300 e parcelamento da entrada em até 90 vezes, mediante condições das construtoras participantes. Outra facilidade oferecida pela organização será o transporte por aplicativo gratuito para ida e volta ao feirão, ampliando o acesso dos interessados ao evento.

Os visitantes também poderão conhecer diferentes modalidades de financiamento e negociar diretamente com as empresas expositoras. Serão cerca de 12 construtoras participantes, como Gráfico, Concreta, Direcional, Tenda, Stanza, Sertenge, Pejota, MRV, 3i, Sensia e L Marquezzo.

Entre os empreendimentos, que em sua maioria contam com condomínio fechado e áreas de lazer, está o Arbo Patamares, da Stanza, com unidades de até R$ 470 mil. Já uma das opções mais acessíveis é o residencial Farol da Barra, da Tenda, com apartamentos a partir de R$ 190 mil. O evento também contará com ofertas dos empreendimentos Veneza Prime e Vila Santiago, também da Tenda, voltados ao público que busca o primeiro imóvel dentro das condições do Minha Casa, Minha Vida.

Por Redação

Previdência perde 56% de arrecadação com benefícios fiscais e sonegação

Mais da metade do valor que poderia ser arrecadado pela Previdência Social é perdido por meio de benefícios tributários, sonegação, inadimplência e litígios, de acordo com estudo elaborado por três auditores da Receita Federal.

A cada R$ 100 que poderiam ser arrecadados, apenas R$ 44 são de fato recolhidos. Imunidades constitucionais, regimes especiais, como o MEI (Microempreendedor Individual), e demais tratamentos especiais previstos na legislação correspondem a R$ 28 que deixam de entrar nos cofres do governo. A sonegação responde por R$ 22, enquanto as contestações de cobrança e valores lançados, mas não recolhidos, representam R$ 6.

"A fragilidade do financiamento da Seguridade não pode ser atribuída exclusivamente à evasão fiscal", afirmam os autores. "Parte significativa das lacunas decorre de escolhas institucionais incorporadas ao próprio desenho legal do sistema."

Com a redução dessas lacunas seria possível redistribuir a carga sobre os demais contribuintes e reduzir o déficit da Previdência Social, que superou a marca de R$ 320 bilhões em 2025 (2,6% do PIB).

O trabalho "Quem Financia a Previdência Social? Evidências Setoriais e Distributivas das Lacunas Tributárias no Brasil" foi elaborado pelos auditores Marcelo de Sousa Silva, Juliana Lemos Martins Casagrande e Guilherme Dal Pizzol, que fazem parte da Equipe Tax Gap da Receita Federal. "Tax Gap" é a expressão utilizada para identificar a lacuna na arrecadação devido aos fatores listados.

MERCADO DE TRABALHO EM TRANSFORMAÇÃO

Segundo os autores, a previdência brasileira é sustentada principalmente pelo trabalho formal de renda intermediária. Entre os mais pobres, a arrecadação é prejudicada pela informalidade.

Os extratos de maior renda, por outro lado, são os mais beneficiados pelas exceções legais que abrem espaço para a pejotização, muitas vezes com o uso do MEI ou de um CNPJ do Simples Nacional para reduzir a carga tributária.

Um incentivo para a informalidade e a pejotização citado no estudo é a tributação do emprego formal com alíquota de 28,5% a 37%, considerando apenas encargos previdenciários. A carga pode chegar a 77,7%, somados também impostos e outras contribuições sobre a folha de salários.

Os auditores destacam que a previdência depende de um mercado de trabalho baseado no emprego assalariado formal. Nas últimas décadas, essa base foi corroída por fatores como expansão do trabalho por plataformas digitais, terceirização, pejotização e a difusão de regimes tributários especiais, como o MEI e o Simples.

MICROEMPREENDEDOR

O MEI, regime cuja ampliação está em discussão, é apontado como uma das principais fontes de corrosão da arrecadação previdenciária.

Para os pesquisadores, o MEI exerce importante papel como instrumento de formalização de pequenos empreendedores e trabalhadores de baixa renda. Por outro lado, o regime também é utilizado por profissionais que deixam relações tradicionais de emprego para prestar serviços como pessoas jurídicas.

Eles afirmam que essa transformação não deve ser interpretada como irregularidade ou evasão fiscal, mas como uma resposta aos diferentes incentivos entre os diversos regimes tributários previstos na legislação.

Estudo do Banco Mundial com base em dados de 2019, citado pelos auditores, identificou que 51% dos registros como microempreendedores são feitos por trabalhadores que antes estavam no mercado formal, ou seja, que eram contratados como empregados celetistas. Cerca de um terço era composto por trabalhadores provenientes da informalidade.

PERDA POR SETOR

O trabalho também traz uma análise sobre 20 atividades e mostra que os setores de educação e saúde concentram elevado "gap de política", o que pode ser traduzido em amplos benefícios fiscais, devido à existência de muitas entidades imunes.

Indústria, comércio, serviços financeiros e os setores de informação e comunicação, por outro lado, estão entre aqueles em que a arrecadação efetiva mais se aproxima do potencial sob a legislação vigente.

Serviços domésticos e novamente educação e saúde estão entre os mais atingidos pela informalidade e sonegação. Uma hipótese citada por um dos autores é a existência de empresas privadas nos dois setores que sonegam para poder concorrer com as filantrópicas.

Uma terceira parte do estudo faz o mesmo recorte por faixa de renda e aponta que a alíquota efetiva média das contribuições previdenciárias é mais elevada nos estratos intermediários de renda. Ela cai abruptamente entre os 5% mais ricos, onde predomina a pejotização.

Os dados mostram que a redução da carga efetiva nos estratos superiores não se explica por evasão. "Ao contrário do gap de conformidade nas faixas inferiores, aqui a lacuna decorre predominantemente de
escolhas institucionais previstas na legislação", dizem os autores.

SUSTENTABILIDADE DA PREVIDÊNCIA

Diante dos dados, os especialistas propõem algumas frentes de discussão. Primeiro, o aprofundamento da avaliação de regimes diferenciados diante de seus efeitos fiscais e distributivos. Neste momento, o Congresso Nacional avalia justamente o contrário, a ampliação do MEI e do Simples.

Eles também apontam a necessidade de discussões sobre a interação entre mercado de trabalho e estrutura contributiva, a progressividade do sistema e as formas de financiamento da Seguridade.

LEGADO

Para evitar distorções na construção da metodologia, os auditores utilizaram informações das Contas Nacionais do IBGE e registros do fisco para 2019, o último ano antes da pandemia.

As próximas etapas do trabalho envolvem ampliação da série histórica até 2025, aumento do detalhamento setorial, estimativas por regime previdenciário e estudo específico sobre o MEI.

À Folha os pesquisadores afirmam que o principal legado deste primeiro estudo não é apenas estimar um indicador para 2019, mas estabelecer uma metodologia estatística que permitirá acompanhar, ao longo do tempo, a evolução das lacunas tributárias previdenciárias e subsidiar o debate público com evidências empíricas.

"Mais do que estimar perdas de arrecadação, o estudo inaugura uma forma de compreender o financiamento da Previdência Social brasileira, oferecendo evidências capazes de qualificar o debate sobre sua sustentabilidade e subsidiar futuras políticas públicas."

O trabalho é parte da Revista de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal de 2026. O acesso público ao documento está temporariamente bloqueado devido às restrições de divulgação de informações da legislação eleitoral. Também está entre os contemplados com o 1º Prêmio de Políticas Públicas de Previdência Social.

À Folha, Marcelo de Sousa Silva, um dos autores, afirma que o estudo representa a primeira etapa de um projeto mais amplo, a divulgação do Tax Gap Previdenciário pela Receita, um relatório oficial da Receita nos moldes dos já publicados sobre tributos sobre consumo (PIS/Cofins) e lucro das empresas (IRPJ/CSLL).

TCU aponta baixa execução de metas do governo Lula em saúde e PAC durante 2025 /Por Redação

Relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) concluiu que o governo federal não cumpriu boa parte das metas previstas para 2025 em programas prioritários, apesar do elevado volume de recursos investidos. Segundo a auditoria, apenas 50,1% dos objetivos específicos e 45,1% das entregas programadas foram totalmente alcançados. As áreas de saúde e o Novo PAC tiveram os piores desempenhos, enquanto educação básica e combate ao desmatamento apresentaram resultados acima da média. A reportagem é do Estadão.

Na saúde, o TCU apontou baixo avanço na atenção básica e especializada. Das 1,8 mil unidades básicas de saúde previstas para entrega em 2025, apenas sete foram concluídas, e nenhuma das 2,5 mil unidades programadas para receber equipamentos estratégicos foi contemplada. O Novo PAC também apresentou baixa execução física, com apenas 23,1% das entregas previstas concluídas, segundo a metodologia adotada pelo tribunal.

O governo contestou parte das conclusões. A Casa Civil afirmou que o PAC possui indicadores próprios e que 82% das obras previstas para 2025 foram concluídas. Já o Ministério da Saúde argumentou que as metas serão cumpridas até o fim do Plano Plurianual, em 2027, destacando recordes de cirurgias eletivas, expansão das equipes de Saúde da Família e ampliação dos serviços de saúde mental.

Reforma tributária provoca corrida para doação de imóveis antes de mudança no imposto

A expectativa de aumento da tributação sobre heranças e doações após a reforma tributária tem levado famílias brasileiras a antecipar a transferência de imóveis para filhos e herdeiros
A expectativa de aumento da tributação sobre heranças e doações após a reforma tributária tem levado famílias brasileiras a antecipar a transferência de imóveis para filhos e herdeiros. O movimento fez as escrituras públicas de doação baterem recorde em 2025, segundo levantamento do Colégio Notarial do Brasil (CNB).

Foram registradas 185.861 escrituras de doação de imóveis no ano passado, alta de 59% em relação a 2020, quando houve 116.225 atos. O número supera também os registrados em 2023 (160.860) e 2024 (174.493), indicando aceleração da procura.

A corrida ocorre porque a regulamentação da reforma tributária abre caminho para mudanças na cobrança do ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação), de competência dos estados. Embora a adoção das novas regras dependa de leis estaduais, elas poderão entrar em vigor a partir de 2027.

Nos estados que ainda cobram alíquota fixa —caso de São Paulo, Minas Gerais e Paraná— a reforma passa a exigir um modelo progressivo.

Na prática, isso significa que a alíquota aumenta conforme cresce o valor do imóvel ou do patrimônio transmitido.

No estados que já usam esse sistema, a principal novidade deve vir da base de cálculo: em vez de considerar valores defasados, a cobrança tende a passar a usar o preço de mercado dos bens, o que pode elevar o imposto final.

Segundo o CNB, essa combinação de alíquotas mais altas e cálculo sobre valores maiores levou muitas famílias a antecipar doações enquanto ainda valem as regras atuais. A forma mais comum é a doação com reserva de usufruto: os pais passam o imóvel aos filhos, mas continuam com o direito de morar, usar, administrar e até receber renda do bem enquanto viverem.

O movimento também ocorre em meio ao crescimento da arrecadação do ITCMD. Nos estados do Sudeste, a receita com o recolhimento do tributo passou de R$ 6,1 bilhões em 2020 para R$ 10,6 bilhões em 2025, alta de 73%.

Por Diego Alejandro/Folhapress

Febraban reforça apoio ao BC e condena dossiê de Vorcaro contra CEO do Itaú: 'Extrema gravidade'

Entidade afirma que condutas que ameaçam sistema financeiro nacional devem ser punidas

A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) afirmou que considera "de extrema gravidade" a descoberta da Polícia Federal sobre dossiês encomendados pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, contra o CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, e a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo.

Em nota divulgada nesta sexta-feira (10), a entidade reforçou seu apoio ao Banco Central na adoção de medidas para preservar o sistema financeiro nacional e afirmou que qualquer conduta que ameace a integridade do sistema deve ser apurada e, quando comprovada, ter seus responsáveis punidos.

"Mais do que atingir indivíduos específicos, essas investidas, voltadas à intimidação de executivos, jornalistas, especialistas e lideranças de instituições, representam uma tentativa de enfraquecer o ambiente de confiança, transparência e segurança no setor financeiro", diz a manifestação.

Segundo a PF, Vorcaro encomendou ao publicitário Thiago Miranda, alvo de operação policial nesta quinta-feira (9), o dossiê sobre o executivo do Itaú por ele estar "causando muito problema", segundo troca de mensagens entre eles.

A investigação aponta que, dentre os materiais compartilhados pelos dois interlocutores, "destaca-se um documento contendo informações pessoais e patrimoniais de Milton Maluhy Filho e de Camila Moretti Maluhy".

Diálogos entre o ex-banqueiro e Miranda entre março e abril de 2025 também mostraram que os dois queriam "frear" o trabalho da jornalista Malu Gaspar, realizando uma busca por seus dados privados.

A defesa de Thiago Miranda afirmou, em nota de quinta-feira (9), que o publicitário "refuta de forma categórica" a prática de qualquer ilegalidade e sustenta que sua atuação profissional sempre foi pautada pela legalidade, transparência, respeito às instituições e à liberdade de expressão.

Segundo os advogados, ele não praticou qualquer ato criminoso nem participou de condutas destinadas a intimidar, coagir, constranger ou violar direitos de terceiros.

A PF apreendeu celulares e demais equipamentos eletrônicos utilizados pelo publicitário em sua residência. Segundo as autoridades, a ação apura a atuação coordenada em redes sociais voltada, em tese, a comprometer a credibilidade da atuação do Banco Central do Brasil.

As investigações apuram, ainda, a atuação de possível organização criminosa dedicada à intimidação de jornalistas, ao monitoramento ilícito de pessoas ligadas a autoridades públicas, à obtenção indevida de informações sigilosas e à adoção de medidas destinadas a interferir em investigações criminais.

Segundo a PF, os fatos investigados podem, em tese, configurar crimes contra o sistema financeiro nacional, organização criminosa, embaraço à investigação de organização criminosa, além de outros delitos correlatos, incluindo possíveis violações de dados e de dispositivos informáticos.

Para a Febraban, esses fatos "geram indignação" por ocorrerem em contexto em que "autoridades, associações setoriais e agentes do mercado atuaram, com firmeza, para proteger a estabilidade do sistema financeiro, incluindo medidas relacionadas à governança e ao funcionamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)".

Por Helena Schuster/Folhapress

Volkswagen anuncia que cortará pela metade produção de carros, sem impacto imediato no Brasil

Iniciativa não tem impacto imediato no Brasil, onde a montadora mantém plano de investir R$ 16 bi até 2028

Foto: Diulgação/Volkswagen

Fábrica da Volkswagen no Brasil
A Volkswagen informou nesta quinta-feira (9) que reduzirá até pela metade o número de modelos da montadora para cortar custos e aumentar sua competitividade com empresas chinesas. A empresa alemã não disse o que essas mudanças significariam para os trabalhadores, que já vêm se preparando para grandes cortes de empregos e fechamento de fábricas há algum tempo.

A montadora afirmou, em nota, que a iniciativa não tem impacto imediato nas operações no Brasil, onde as atividades seguem normalmente. A empresa disse também que segue com o plano de investir R$ 16 bilhões até 2028 no Brasil e o desenvolvimento de 17 novos carros para o mercado nacional, com nove deles já lançados.

"Como uma próxima etapa, trabalharemos junto à nossa matriz, na Alemanha, para avaliar se haverá necessidade de ajustes em nível local", acrescentou a Volkswagen. O Brasil é o 3º maior mercado em volume de vendas para a marca no mundo, atrás apenas da China e Alemanha. Em 2025, a Volkswagen do Brasil produziu 538.657 veículos em suas três fábricas no país.

O plano global, divulgado após uma reunião do conselho, pareceu reconhecer que a empresa ficou grande e complicada demais e precisa enxugar para sobreviver à transição global dos carros a combustível fóssil para veículos elétricos, mudança que abalou muitas montadoras consolidadas e permitiu a ascensão das fabricantes chinesas.

Nos últimos dias, vários veículos de mídia afirmaram que a empresa estava se preparando para demitir 100 mil trabalhadores até o final da década e fechar quatro fábricas na Alemanha.

Cortes tão drásticos seriam atípicos para a Volkswagen e para a indústria alemã, que tendem a preferir mudanças graduais. Representantes dos trabalhadores e líderes políticos do estado alemão da Baixa Saxônia têm maioria no conselho de supervisão da empresa e haviam sinalizado que não apoiavam cortes profundos.

Mesmo assim, uma redução parece inevitável. A empresa disse que buscaria produzir 9 milhões de carros por ano, em comparação com uma meta de 12 milhões antes da pandemia e 10 milhões mais recentemente. Em um comunicado em vídeo, o CEO Oliver Blume declarou que havia necessidade de "eliminar o excesso de capacidade", sugerindo que a empresa ainda poderia fechar fábricas.

"A situação geopolítica se tornou mais crítica nos últimos 12 meses", comentou Blume. "Os próximos anos decidirão quem terá um papel decisivo na indústria automotiva", destacou.

Mas ele forneceu poucos detalhes, incluindo se ou como a empresa pretenderia continuar sendo a segunda maior montadora do mundo depois da Toyota, medida pelo número de carros vendidos. "As questões urgentes não foram respondidas pelo conselho de supervisão hoje", disse Ferdinand Dudenhöffer, diretor do Center Automotive Research em Bochum, na Alemanha.

A Volkswagen tem 111 instalações de produção em todos os continentes, exceto Austrália e Antártida, de acordo com o site da empresa. Suas marcas incluem Audi, Porsche, Skoda, Lamborghini e Bentley. A Volkswagen também possui 88% da Traton, que fabrica caminhões MAN, Scania e International.

Algumas das marcas da Volkswagen oferecem carros muito semelhantes com designs e recursos ligeiramente diferentes, uma prática que pode aumentar custos e complexidade. A General Motors e a Ford aposentaram marcas como Pontiac, Oldsmobile, Saturn e Mercury anos atrás para simplificar a produção e o marketing.

Em Neckarsulm, no sudoeste da Alemanha, onde cerca de 15 mil trabalhadores montam modelos para a marca de luxo Audi da Volkswagen, os moradores temem o impacto que o fechamento de uma fábrica teria para a economia local, construída em torno dos ritmos dos turnos da fábrica.

"Se a Audi morrer, tudo aqui morre", lamentou Cayli Halin, 54, que trabalha no centro de testes da fábrica.

O anúncio desta quinta deixou em aberto quantos dos 657 mil funcionários da Volkswagen em todo o mundo poderiam perder seus empregos à medida que a empresa reduz a produção. O lucro caiu 28% no primeiro trimestre para 1,6 bilhão de euros (R$ 9,33 bilhões), e suas vendas caíram 2%.

A unidade Porsche da Volkswagen, que geralmente fornece uma grande parcela dos lucros, sofreu com as tarifas de 25% do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre carros importados. Os modelos esportivos e utilitários esportivos da Porsche são fabricados na Alemanha e exportados para os EUA, um dos mercados mais importantes da marca.

Os problemas da Volkswagen são um sinal preocupante para montadoras ocidentais e japonesas. Em graus variados, todas elas estão lidando com mudanças tecnológicas e concorrência de fabricantes chinesas como BYD e Geely, que estão vendendo carros repletos de recursos de luxo por preços relativamente baixos.

Na União Europeia e no Reino Unido, as montadoras chinesas coletivamente venderam mais veículos em maio do que as fabricantes japonesas, de acordo com dados da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis.

Incentivadas por subsídios governamentais, as montadoras chinesas começaram a focar em veículos elétricos anos atrás, investimentos que lhes deram uma forte vantagem à medida que mais europeus compram esses modelos. Cerca de 1 em cada 5 veículos novos vendidos na Europa é elétrico, e as vendas dispararam este ano por causa do aumento nos preços dos combustíveis causado pela guerra com o Irã.

A Volkswagen é particularmente vulnerável porque, por muitos anos, grande parte de seu lucro veio da venda de carros na China, onde já foi a principal montadora. As vendas da empresa na China despencaram 20% no primeiro trimestre, após quedas significativas por vários anos.

Os temores de fechamento de fábricas abalaram a Alemanha, onde a indústria automobilística —e a Volkswagen em particular— ocupam espaços sagrados na consciência nacional e são um pilar da economia nacional.

O governo do chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, tentou impulsionar a indústria com novos subsídios e pressionando autoridades da UE em Bruxelas para flexibilizar algumas regulamentações automotivas, entre outras medidas, na esperança de ajudar as montadoras alemãs a competir melhor com as rivais chinesas.

Merz não abordou os rumores de demissões na Volkswagen antes da reunião do conselho desta quinta, mas o porta-voz, Stefan Kornelius, disse a repórteres na semana passada que "nosso objetivo é evitar o fechamento de fábricas na Alemanha".

Ali Alp Cagan, 31, trabalha com tecnologia da informação na Audi há quase dois anos e não está pessoalmente preocupado com demissões, porque considera suas perspectivas de emprego fortes. "No geral, porém, a situação já está tensa", afirmou.

Cagan e outros trabalhadores que saíam da fábrica em uma recente troca de turno culparam a empresa, dizendo que ela falhou em inovar e que a China agora fabrica carros mais baratos e melhores.
Por Folhapress

Inflação fecha primeiro semestre com maior taxa desde 2022 no Brasil

                        Variação havia sido de 5,49% no período de janeiro a junho de 2022

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) fechou o primeiro semestre de 2026 com inflação acumulada de 3,36%, apontam dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

É a maior alta para o período de janeiro a junho em quatro anos, desde 2022. À época, também um ano presidencial, o acumulado alcançou 5,49%.

Tradicionalmente, os preços de parte dos alimentos costumam subir no início do ano devido à redução da oferta de mercadorias. Em 2026, segundo o IBGE, houve a pressão adicional da guerra no Irã.

O conflito provocou a disparada das cotações do petróleo, que encareceu combustíveis no Brasil. O óleo diesel, insumo usado nos fretes rodoviários, fechou o primeiro semestre com alta de 15,68%.

Os dados do IPCA significam que este ano teve o primeiro semestre com a maior inflação do atual governo Lula (PT). Em 2022, o Brasil ainda era governado por Jair Bolsonaro (PL), e a alta dos preços era apontada como um dos desafios para sua reeleição. Ele foi derrotado por Lula em outubro daquele ano.

Segundo o IBGE, o grupo alimentação e bebidas acumulou inflação de 4,56% no primeiro semestre de 2026.

Com isso, respondeu por 0,98 ponto percentual do IPCA do período. Foi o maior impacto entre os nove grupos de bens e serviços pesquisados no índice.

Entre os alimentos, o IBGE chamou a atenção para o tomate. O produto acumulou alta de 82,41% de janeiro a junho. Assim, gerou uma contribuição de 0,16 p.p. para o IPCA. Foi a principal pressão entre os alimentos, ao lado das carnes (5,6% e 0,16 p.p.).

O governo Lula adotou um pacote de medidas para mitigar os impactos da guerra sobre os preços dos combustíveis às vésperas das eleições.

Como mostrou reportagem da Folha, a aprovação do petista no seu terceiro mandato é a mais afetada pelo comportamento da inflação e do desemprego entre os presidentes da República nos últimos 30 anos, segundo estudo do economista Sergio Vale, da MB Associados.

No outro extremo, está Bolsonaro, o mandatário menos sensível às flutuações dos preços e do mercado de trabalho, apesar da brusca piora desses indicadores na pandemia.

Para cientistas políticos, os dados mostram que o bem-estar econômico tende a ser mais importante do que nunca na eleição presidencial deste ano.

O levantamento de Vale cruzou dados do chamado índice da miséria —soma do IPCA e da taxa de desemprego— com os números de aprovação mensal dos presidentes mostrados pelo agregador de pesquisas do site Jota.

No mês de junho, a inflação medida pelo IPCA desacelerou a 0,16%, após marcar 0,58% em maio, disse nesta sexta o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O resultado surpreendeu o mercado financeiro ao ficar bem abaixo das projeções de analistas. A redução dos preços de alimentos, após forte sequência de altas mensais, puxou o índice para um patamar menor.

Por Leonardo Vieceli, Folhapress

Governo vai restringir publicidade de bets e obrigar exibição de alerta de perda de dinheiro

Apostar pode causar dependência, não é investimento e faz você perder dinheiro são os alertas da Fazenda

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou nesta quinta-feira (9) que o governo vai endurecer regras de publicidade das apostas esportivas. Entre as medidas, as empresas autorizadas serão obrigadas a exibir alertas como "MF adverte: apostar faz você perder dinheiro", "MF adverte: apostar pode causar dependência" e "MF adverte: aposta não é investimento".

As normas também restringem estratégias de marketing das bets, como a promoção de ganhos financeiros e o uso de comentaristas para induzir apostas. o governo já estudava uma nova regra para evitar anúncios que exaltem apostas urgentes, o lucro que pode ser obtido ou incentivem jogadas de risco, após as transmissões da Copa do Mundo serem invadidas por esse tipo de publicidade.

As medidas foram detalhadas nesta quinta e passarão a valer a partir do dia 17 de julho. Segundo ele, uma portaria da Fazenda instituirá as advertências obrigatórias nas campanhas publicitárias, enquanto uma segunda portaria, editada em conjunto com o Ministério da Justiça, estabelecerá novas restrições para a propaganda das empresas autorizadas a operar no país. Elas serão publicadas nesta sexta-feira (10), o que na prática dá uma semana para que as empresas se adaptem às novas regras.

As campanhas não poderão criar senso de urgência para estimular apostas, com chamadas que incentivem o consumidor a apostar imediatamente. Segundo o ministro, o governo já vinha recomendando essa prática ao setor e observou melhora nas peças publicitárias, mas decidiu transformar a orientação em regra para garantir sua continuidade.

Outra proibição atinge o uso de comentaristas, especialistas ou influenciadores para induzir o apostador a acreditar que determinada aposta é a mais indicada ou conta com respaldo técnico. "Não é lícito nem regular induzir o consumidor a erro misturando o comentário de um especialista, dizendo que a melhor aposta é uma ou que o caminho é aquele, dando um verniz de respaldo técnico", disse Durigan.

O olhar do governo para endurecer as regras contra as bets cresceu após o início da Copa do Mundo de 2026, marcada pela forte presença das casas de apostas nas transmissões esportivas e pelo aumento da preocupação do governo com a exposição do público a esse tipo de publicidade.

Um dos casos que chamou a atenção das autoridades foi o da CazéTV, cujas transmissões no Youtuber passaram a incluir recomendações de apostas feitas pelos próprios narradores durante as partidas, com indicação de odds específicas e destaque para as possibilidades de ganho. As novas normas proíbem justamente campanhas que utilizem especialistas ou comentaristas para induzir consumidores a apostar, com recomendações sobre qual palpite pode ser mais lucrativo. Quando entrou na mira, a CazéTV afirmou, em nota, que segue a legislação brasileira, as diretrizes do Conar e as boas práticas do setor, além de trabalhar exclusivamente com operadoras autorizadas pela Fazenda.

As empresas também ficarão impedidas de utilizar ganhos financeiros como chamariz para atrair consumidores. As novas regras proíbem a divulgação de apostas como forma de dinheiro fácil, investimento ou solução para dificuldades financeiras. Da mesma forma, não será permitido exibir históricos de premiações ou resultados passados capazes de induzir o consumidor a acreditar que determinados eventos oferecem maiores chances de ganho. "Quando se mostra o histórico de premiação, se oculta o histórico de perdas", afirmou.

Segundo Durigan, as normas também reforçam a proteção de crianças e adolescentes. "Há tolerância zero à publicidade que, de alguma maneira, busque atingir criança e adolescente", disse.

Durigan afirmou que o governo mantém "tolerância zero" com as plataformas de apostas ilegais, que continuam proibidas de atuar e de veicular qualquer tipo de publicidade no país. Segundo ele, as novas regras de propaganda se destinam apenas às empresas autorizadas pelo Ministério da Fazenda.

Desde o início da regulamentação do setor, o governo já determinou a derrubada de cerca de 56 mil sites, aplicativos e outras plataformas de apostas irregulares. Além disso, aproximadamente mil perfis de influenciadores digitais foram removidos por promoverem operadores ilegais, de acordo com a Fazenda. "Bets ilegais, em nenhuma medida, estão autorizadas e são proibidas de veicular qualquer publicidade", afirmou o ministro.
Por Guilherme Pimenta/Folhapress

Controladoria do governo aponta falhas na gestão de fundo bilionário da aviação/ Por Redação

A CGU (Controladoria-Geral da União) apontou uma série de falhas na gestão do Fnac (Fundo Nacional de Aviação Civil), usado pelo governo para financiar a infraestrutura aeroportuária federal e as companhias aéreas.

A Folha teve acesso a um relatório preliminar de auditoria que acaba de ser concluído pelo órgão. O documento aponta que a administração do fundo tem deficiências de governança, planejamento, transparência e controle que comprometem a aplicação dos recursos públicos.

Segundo a CGU, o governo não possui critérios claros para definir as prioridades de investimento, além de falhar no acompanhamento das obras e deixar de medir resultados produzidos pelos bilhões aplicados com uso do fundo. Outra queixa são as fragilidades na gestão do novo programa de empréstimos às companhias aéreas.

O relatório analisou a execução do fundo entre 2023 e 2025. O Fnac foi criado em 2011 para concentrar recursos destinados à ampliação da aviação civil e da infraestrutura aeroportuária.

O fundo foi financiado com as outorgas pagas pelas concessionárias de aeroportos privatizados, substituindo antigos mecanismos que existiam no setor. Ao longo dos anos, tornou-se a principal fonte federal para ampliar os aeroportos e a aviação regional.

"A avaliação indicou que a gestão do Fnac apresenta fragilidades que comprometem, em alguma medida, a efetividade, a regularidade e a transparência na aplicação dos recursos, especialmente quanto ao acompanhamento dos investimentos, à definição de critérios de priorização, à mensuração de resultados e à evidenciação das informações", afirma o relatório.

Questionada sobre o assunto, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) disse que não vai comentar o assunto. O Ministério de Portos e Aeroportos declarou que a utilização dos recursos do Fnac segue critérios técnicos estabelecidos pelo Plano Aeroviário Nacional, instrumento tido como referência pelo TCU (Tribunal de Contas da União) no planejamento do setor de transportes no país.

"Apesar de não ser ainda um relatório conclusivo, a Secretaria Nacional de Aviação Civil, do Ministério de Portos e Aeroportos, reconhece a relevância da contribuição apresentada no relatório preliminar da CGU para a padronização e normatização da gestão do Fnac", declarou a pasta.

O ministério disse ainda que apoia as medidas sugeridas, "que se somam a iniciativas já em curso por representarem um avanço na coordenação, na governança e no monitoramento dos recursos do fundo".

A normatização sugerida no relatório preliminar da CGU, de acordo com o ministério, deverá seguir o encaminhamento já adotado pela SAC, "tomando-o como referência para orientar estados e municípios na aplicação dos recursos do Fnac".


Entre 2011 e 2022, 59 aeroportos passaram para a iniciativa privada, respondendo por mais de 90% do tráfego de passageiros e 98% do transporte de cargas do país. O Fnac então passou a ser peça central do financiamento público remanescente do setor.

Em 2020, o fundo chegou a registrar um caixa de aproximadamente R$ 26,2 bilhões. Esse recurso, porém, passou por uma mudança brusca a partir de uma emenda constitucional em 2021 que permitiu o recolhimento de seus valores para os cofres do Tesouro Nacional.

Segundo a CGU, foram transferidos todos os R$ 26,2 bilhões ao Tesouro em março de 2021 e outros R$ 4,5 bilhões em julho de 2022, totalizando aproximadamente R$ 30,7 bilhões.

A Controladoria diz que essa mudança reduziu significativamente a musculatura financeira do fundo para financiar projetos, tornando sua capacidade de investimento mais dependente da arrecadação anual das concessões de aeroportos.

Em 2024, sob pressão das companhias aéreas, o governo passou a autorizar o uso do fundo para concessão de empréstimos às empresas, como financiamento de projetos para uso de combustível sustentável de aviação (SAF) e cobertura de despesas ligadas a aeroportos concedidos.

"Não se encontrou referências normativas acerca de critérios de priorização de beneficiários em eventual limitação de recursos para atendimento às empresas pleiteantes do crédito", afirma a CGU, acrescentando que essa "situação pode comprometer a isonomia para a destinação dos recursos".

A análise também aponta ausência de monitoramento adequado de obras em aeroportos, o que pode resultar em aceitação de construções com qualidade baixa, liberação de parcelas sem verificação de execução física e falhas no atendimento ao que se previa na licitação.

Inscrições para 8.238 vagas temporárias do IBGE se encerram nesta quinta

As inscrições do processo seletivo para 8.238 vagas temporárias do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) se encerram nesta quinta-feira
As inscrições do processo seletivo para 8.238 vagas temporárias do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) se encerram nesta quinta-feira (9). Os selecionados trabalharão no 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola, com previsão de início para janeiro de 2027.

O edital é organizado pelo IBFC (Instituto Brasileiro de Formação e Capacitação) e as inscrições são realizadas no site da instituição, com taxa única de R$ 53.

Inscritos no CadÚnico (cadastro único para programas sociais do governo federal) e doadores de medula óssea que atendam aos critérios estabelecidos podem pedir isenção.

Os salários previstos vão de R$ 2.128 a R$ 4.008, a depender do cargo.

Vagas para agentes censitários administrativo e de informática exigem ensino médio completo. Para agente censitário supervisor e para agentes censitários regional e operacional é necessário ter ensino superior completo e carteira de habilitação categoria B (para carros) válida.

Quem for contratado terá direito aos auxílios pré-escolar, transporte e alimentação, este no valor de R$ 1.192. Haverá pagamento de comissão variável, conforme a produtividade de cada censitário. Os contratados também receberão férias e 13º salário proporcionais.

A seleção será realizada em etapa única, composta por prova com 60 questões objetivas distribuídas entre língua portuguesa, raciocínio lógico, geografia e conhecimentos específicos de cada cargo. O exame acontece em 27 de setembro e o resultado vai a público em 18 de dezembro.

Há reserva de 25% das vagas para pessoas pretas e pardas, 5% para pessoas com deficiência, 3% para indígenas e 2% para quilombolas.

A duração inicial dos contratos de trabalho será de um ano, com possibilidade de prorrogação caso seja necessário. A administração do IBGE prevê mais vagas até o início do próximo ano, com seleção por processo seletivo simplificado.

O Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola é realizado a cada dez anos com objetivo de dimensionar áreas cultiváveis, níveis de produção de alimentos e criação animal, avaliar subsistência comunitária e quantificar trabalhadores rurais por idade, gênero e escolaridade.

ENTENDA FUNÇÕES E VEJA SALÁRIOS 
  • ACA (Agente Censitário Administrativo): executa tarefas de apoio às atividades administrativas necessárias para a realização do censo; o salário é R$ 2.128
  • ACI (Agente Censitário de Informática): trabalha apoiando as atividades de tecnologia de informação necessárias para realizar os levantamentos; o salário é R$ 2.128
  • ACS (Agente Censitário Supervisor): supervisiona e apoia o trabalho dos recenseadores, além de realizar a coleta especial e descentralizada; o salário é R$ 3.480
  • ACR (Agente Censitário Regional): faz a gestão do trabalho de coleta do posto censitário em que é responsável; o salário é R$ 3.858
  • AOR (Agente Operacional Regional): planeja a logística da coleta das informações de determinado posto e atua como responsável do grupo perante a superintendência estadual e parcerias locais; o salário é R$ 4.008.
O IBGE também oferece 1.414 vagas em um segundo edital, que recruta pessoas para o censo agro e o da população em situação de rua. As inscrições vão até 15 de julho, pelo site do Instituto Avalia. Há vagas para os mesmos cargos, além de oportunidades como agente censitário de qualidade e analista censitário, que exigem nível superior.

EDITAL VOLTADO AO CENSO AGROPECUÁRIO, FLORESTAL E AQUÍCOL
  • AInscrições: até 9 de julho, pelo site do IBFC (Instituto Brasileiro de Formação e Capacitação).
  • Valor da Inscrição: R$ 53
  • Prova objetiva: 27 de setembro
  • Divulgação do resultado: 18 de dezembro
  • Vagas: 8.238, divididas entre as 27 capitais e algumas cidades do interior dos estados
Por Folhapress

MP-BA investiga empresa de empréstimos consignados por práticas que violam o Código de Defesa do Consumidor

A empresa PARATI – Crédito, Financiamento e Investimento S.A. está sendo investigada por, supostamente, apresentar um conjunto de condutas sistemáticas que violam o Código de Defesa do Consumidor (CDC) e a legislação do superendividamento. O inquérito civil, instaurado por meio de portaria assinada pela Promotora de Justiça Joseane Suzart Lopes da Silva, titular da 5ª Promotoria de Justiça do Consumidor da Capital, apura denúncias de cobranças indevidas, juros abusivos e falta de transparência.

Segundo dados divulgados pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), ainda no início do ano a empresa já totalizava 4.722 reclamações no site Reclame Aqui, além de inúmeras denúncias na Superintendência de Proteção e Defesa do Consumidor (PROCON-BA). Entre as principais queixas, constam a realização de empréstimos consignados, renegociações ou refinanciamentos sem autorização prévia e expressa do cliente, bem como a manutenção de descontos em salários ou benefícios previdenciários mesmo após a quitação e o encerramento dos contratos.

Além do atendimento precário, com canais de contato falhos, dificuldade para o exercício do direito de arrependimento (desistência) e retenção de cópias contratuais, o MP-BA também investiga a lentidão ou recusa no estorno de valores. Somam-se a isso a criação de obstáculos injustificados para impedir a portabilidade da dívida para outras instituições financeiras e a aplicação de taxas desproporcionais que comprometem o "mínimo existencial" de trabalhadores e aposentados, desrespeitando as diretrizes do crédito responsável.

A portaria estabeleceu o prazo de 10 dias úteis para que a empresa se manifeste nos autos e apresente seus atos constitutivos. O mesmo prazo foi concedido ao Banco Central (BACEN) para que informe se existem reclamações ou procedimentos em trâmite contra a instituição financeira sobre os mesmos temas.
Por Lizzy Maria

Exportação de carne bovina do Brasil bate recorde e gera quase US$ 10 bi no 1º semestre, diz Abiec -Por Folhapress

Fazenda de gado-Foto: Agência Brasil/Arquivo
As exportações brasileiras de carne bovina atingiram níveis recordes no primeiro semestre de 2026, totalizando 1,705 milhão de toneladas embarcadas e US$ 9,85 bilhões em receita, informou nesta segunda-feira (6) a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), citando dados oficiais do governo.

Na primeira metade deste ano, as exportações cresceram 15,5% e a receita aumentou 36,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. A média mensal de embarques atingiu cerca de 284 mil toneladas, informou a Abiec.

A China liderou os destinos no período, com 794,7 mil toneladas e US$ 4,9 bilhões em compras, um aumento de 24% em volume e 49,4% em valor em relação ao ano anterior. Os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, com 205 mil toneladas e US$ 1,4 bilhão, um aumento de 13% em volume e 29,8% em valor.

Os embarques de junho aumentaram 16,6% em relação ao ano anterior, para 317,3 mil toneladas, estabelecendo um recorde mensal, enquanto a receita cresceu 38,1%, para US$ 1,9 bilhão.

Estudo aponta falhas em estimativas de riscos fiscais usadas pelo governo

AGU afirma que informações eram levadas ao Poder Judiciário como se fossem confissão de dívida, e que isso influenciava as decisões dos magistrados.


Todos os anos, o governo envia ao Congresso, junto com a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), um Anexo de Riscos Fiscais que estima o impacto potencial de ações judiciais e outros passivos capazes de afetar as contas públicas.

Um estudo do núcleo de tributação do Insper aponta falta de transparência e inconsistências metodológicas nas estimativas que impedem avaliar a real dimensão dos riscos para a União. A pesquisa foi coordenada por Vanessa Rahal Canado e também é assinada por Maria Raphaela Matthiesen e Breno Vasconcelos.

Os pesquisadores analisaram dez anos dos Anexos de Riscos Fiscais (ARF). Na LDO de 2025, o documento registra R$ 729,9 bilhões em passivos potenciais —cerca de 6% do PIB—, mas o levantamento afirma que esse número está incompleto.

Segundo Canado, não é possível sequer afirmar se a estimativa está superdimensionada ou subdimensionada porque nove disputas tributárias relevantes em tramitação no STF (Supremo Tribunal Federal) e no STJ (Superior Tribunal de Justiça) aparecem no anexo sem qualquer estimativa de impacto financeiro.

"Talvez uma bomba fiscal esteja aí e ninguém consegue ter a dimensão do tamanho dessa bomba", disse.

Procurada para comentar as conclusões do estudo, a Receita Federal não respondeu aos questionamentos da reportagem. O Ministério do Planejamento afirmou que não tem responsabilidade pelo relatório.

A AGU (Advocacia-Geral da União) fez considerações sobre um novo formato do anexo e afirmou que a LDO tem o documento para avaliar os passivos contingentes capazes de afetar as contas públicas, e que produz as informações que subsidiam o relatório exclusivamente com essa finalidade.

A pesquisa começou ainda em 2016, durante as discussões da chamada Tese do Século, quando o STF analisava se o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços) deveria integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins. Na época, falava-se que uma derrota da União poderia custar R$ 250 bilhões aos cofres públicos.

Intrigados com a origem da estimativa, os pesquisadores passaram a solicitar à Receita Federal o cálculo utilizado pelo governo. Segundo Breno Vasconcelos, os documentos só foram liberados após intervenção da Controladoria-Geral da União. A resposta foi que eles não encontraram a origem daquela estimativa.

"Desde então, estamos fazendo a análise e, agora, encerramos com uma visão global dos Anexos de Riscos Fiscais dos últimos dez anos", diz Breno.

Ao longo da pesquisa, os autores encontraram casos em que o próprio governo ainda dizia estar definindo a metodologia de cálculo de determinado risco, embora o impacto financeiro correspondente já estivesse publicado no Anexo de Riscos Fiscais.

Além disso, os três pesquisadores apontam que há problemas nos métodos para elaborar as estimativas. Há casos em que as premissas dos cálculos não refletem a repercussão financeira de eventuais decisões desfavoráveis ao governo.

O relatório também aponta que há um problema de questão jurídica. Em teoria, os contribuintes que estão em litígio com a União deveriam ter acesso aos cálculos que o órgão elabora —afinal, eles são parte diretamente interessada.

Neste ano, porém, uma portaria da AGU estabeleceu que os dados individualizados deixarão de ser divulgados. "O ministro vai se basear num número ao qual ele terá acesso, mas que a sociedade não teve como verificar e, por isso, nem mesmo conseguiria contestar", afirmou Vasconcelos.

Em nota, a AGU afirmou que o formato de divulgação das informações foi revisto para "afastar a possibilidade de utilização indevida de informações a respeito da exposição da União à riscos fiscais judiciais, o que vinha ocorrendo em prejuízo da defesa da União, suas autarquias e fundações".

Segundo o órgão, o antigo formato possibilitava a individualização de ações judiciais ou temas específicos, e isso prejudicava "a paridade de armas entre as partes, na medida em que poderia revelar a expectativa de eventual condenação e suas repercussões financeiras".

A AGU também afirma que as informações eram levadas ao Poder Judiciário como se fossem confissão de dívida, e que isso influenciava as decisões dos magistrados.

O novo formato atende ao princípio da publicidade "na medida em que evidencia a exposição da União a riscos fiscais decorrentes de processos judiciais, ao mesmo tempo que resguarda informações protegidas por sigilo profissional estabelecidos", afirma a entidade.

Para os pesquisadores, a mudança reduz a possibilidade de escrutínio justamente porque as estimativas são utilizadas pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional em processos no STF e no STJ.

Para Vasconcellos, os dados do ARF viram um "argumento de autoridade", como se os valores em discussão fossem aqueles que são apontados porque assim diz a Procuradoria da Fazenda Nacional, segundo os pesquisadores.

Segundo o estudo, as estimativas do ARF passaram a aparecer com frequência crescente nos votos dos ministros do STF desde 2017.
Por Felipe Gutierrez/Folhapress

Com meios digitais de pagamento, queda na produção de cédulas acumula prejuízo de R$ 63,5 milhões

Trabalhadores da Casa da Moeda acusam gestão de enfraquecer empresa e falam em risco institucional e financeiro.

Do ano passado para cá, a Casa da Moeda do Brasil (CMB) perdeu cerca de R$ 63 milhões devido à queda da produção do papel-moeda. A redução é referente ao contrato com o Banco Central, o que significa uma média de 7,5%.

Em meio à redução, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da empresa pública cobra uma atuação mais firme da direção em defesa de projetos estratégicos. O vice-presidente da entidade, Roni Oliveira, disse que existe um processo de desarticulação de iniciativas que ampliariam receitas.

A grande preocupação é a redução da principal atividade da empresa, que é a produção de cédulas para o BC, impulsionada pela expansão dos meios digitais de pagamento, como o Pix.

Por isso, o sindicato defende que a empresa amplie a atuação em novos mercados e fortaleça contratos no Brasil e no exterior. Mas, para a entidade, a atual gestão tem desperdiçado oportunidades.

Um dos exemplos é a perda do contrato com a Argentina. Segundo Roni, a atual direção tem deixado de lado discussões e projetos capazes de ampliar o alcance da estatal em áreas como rastreabilidade, certificação e controle fiscal.

Em junho, os trabalhadores da Casa da Moeda aprovaram greve por tempo indeterminado em protesto contra medidas adotadas pela direção da estatal.

O sindicato quer que o governo federal cobre da atual administração uma estratégia clara de fortalecimento da empresa, com foco na geração de receitas e na conquista de novos mercados.
Por Gabriela Echenique/Folhapress

Medida que derruba ‘taxa das blusinhas’ está parada há 2 meses no Congresso e pode caducar

Tema está parado em Brasília e proximidade do recesso parlamentar preocupa empresas de varejo, que temem não haver tempo hábil para apreciar Medida Provisória, que vence no dia 8 de setembro

Presidente Lula durante assinatura da MP para zerar imposto federal da Taxa das Blusinhas

A Medida Provisória (MP) que acaba com a “taxa das blusinhas”, tributo federal sobre mercadorias importadas de até US$ 50, completa dois meses parada no Congresso Nacional no próximo dia 12 de julho e corre o risco de caducar.

Ainda não foram indicados relator nem os integrantes da comissão mista - composta por deputados e senadores -, para tratar do assunto. A demora em apreciar o tema preocupa integrantes do varejo e de sites de e-commerce no Brasil.

O temor do setor é de que, em meio à Copa do Mundo e às vésperas do início do recesso parlamentar, entre 18 e 31 de julho, não haja tempo hábil para apreciar a proposta. Uma MP tem validade de 120 dias e se não for aprovada na Câmara e no Senado a medida perde a validade. O período de férias não conta prazo

André Porto, diretor-executivo da Amobitec (Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia), representante de sites de e-commerce como Amazo, Alibaba e Shein, cobra prioridade ao tema.

“Esperamos que o Congresso priorize o tema e avance em um debate técnico, equilibrado e aprove o fim definitivo da taxa das blusinhas antes do prazo limite”, afirmou à Coluna do Estadão.

“Dados comprovam que a taxa das blusinhas prejudicou especialmente o brasileiro das classes C, D e E, sem gerar qualquer efeito positivo na economia”, completou.

Fim da ‘taxa das blusinhas’ é apoiado pela população

A proposta que zerou o imposto de importação cobrado sobre remessas internacionais tem amplo apoio popular. Pesquisa realizada em maio mostrou que 56% dos entrevistados afirmou que votaria em um candidato que defendesse o fim da chamada “taxa das blusinhas”.

Entenda o vaivém da ‘taxa das blusinhas’

A cobrança da “taxa das blusinhas” começou em agosto de 2024, após a aprovação de uma lei pelo Congresso. O governo vinha se mostrando dividido em relação ao tributo, com alguns ministros defendendo o seu fim, e com medo de que a medida impactasse negativamente a popularidade do presidente Lula.

O tema vinha gerando um racha dentro do governo nos últimos meses. Ministros do Palácio do Planalto, como José Guimarães (Relações Institucionais), defendiam o fim da taxa, enquanto o vice-presidente e ministro da Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) Geraldo Alckmin, por exemplo, defendia a manutenção do imposto.

Segundo dados da Receita Federal, no acumulado do ano até abril, a taxa rendeu R$ 1,78 bilhão aos cofres públicos - uma alta de 25% na comparação com o mesmo período do ano passado. Em 2025, a arrecadação foi de R$ 5 bilhões.
Por Leticia Fernandes/Estadão

De Cachorro Crente a sex shop gospel, marcas evangélicas disputam mercado bilionário

Impulsionado pela Geração Z, comércio cristão deixa a informalidade dos fundos dos templos

Loja Cachorro Crente, na zona norte do Rio, funde fé e negócios
Leandro Lima trabalhava com produção de shows, gente como Jorge Vercillo e Péricles, mas confessa que "já estava desanimado com o ego e a vaidade desse mercado". Foi aí que ele se voltou à sua fé. "Pedi a Deus que me desse um projeto fora da área".

Em 2019, saía de um culto na Assembleia de Deus Vitória em Cristo, na zona norte do Rio, quando viu uma barraca de cachorro-quente do outro lado da rua. "Na hora pensei: cachorro crente." O trocadilho lhe pareceu inevitável: "A palavra ‘crente’ é muito falada na igreja, acaba sendo algo marcante".

Começou a Cachorro Crente com carrocinhas na rua. Em abril deste ano, inaugurou a 50 metros da igreja a primeira loja do que chama de "fast food cristão". Sob o lema "gostoso e abençoado", vende pão com salsicha e variações como cupim e costela, com preços a partir de R$ 17.

A receita em si não é diferente daquela de um cachorro-quente qualquer. O que muda é a atmosfera, como uma fachada que faz referência ao versículo 1 Coríntios 10:31: "Assim, quer vocês comam, quer bebam, quer façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus".

A marca faz parte de uma onda de empreendimentos que incorporam referências do universo evangélico para disputar um mercado em expansão. Nos últimos anos, proliferaram negócios como a hamburgueria Gospel Burger, a marca de roupas Senhorita Moda Modesta e o transporte por aplicativo Com Deus (o bordão é "vá Com Deus").

A aposta é na identificação imediata com um público que cresce em número e relevância econômica: os evangélicos representavam, no Censo 2022, 26,9% dos brasileiros de dez anos ou mais e, segundo estimativas do setor, movimentam mais de R$ 20 bilhões anuais.

O que antes se concentrava em livrarias, gravadoras e editoras gospel passou a incluir todo tipo de investimento. Em comum, a promessa de um ambiente familiar para consumidores cristãos.

São frentes que filtram interesses seculares para o paladar evangélico. Caso da brasiliense Gospel Drinks, que se diz "o primeiro open bar gospel do Brasil", uma "diversão zero álcool" com releituras de drinques clássicos —sai a cachaça, por exemplo, e entra refrigerante de limão.

Vale até sex shop. A Bem Amada, de São Paulo, se propõe a ser um "lugar seguro onde ajudamos a acender o fogo no parquinho sem apagar os valores". Adriana Araujo abriu a partir das dúvidas que surgiram após se converter.

"Eu queria viver minha fé de forma íntegra, mas também entender como Deus enxergava a intimidade no casamento", afirma. "Estudei bastante e percebi que muitas mulheres cristãs tinham exatamente as mesmas inseguranças que eu havia vivido".

Ela diz que primeiro só aconselhava as fiéis. Depois, decidiu empreender. O propósito, segundo Adriana, é o mesmo: "Fortalecer casamentos e ajudar mulheres a viver sua sexualidade sem culpa, mas com responsabilidade, amor e respeito aos seus valores, sem vulgaridade e também sem vergonha".

Lubrificante e gel excitante, os itens mais populares, saem sobretudo nos sabores morango e menta.

Só não pode, diz a dona da Bem Amada, comercializar produtos "que entendemos não estarem alinhados com os princípios que defendemos para o casamento". Ficam de fora aqueles "voltados ao prazer individual ou que substituam o cônjuge na relação".

Presidente do Instituto Locomotiva, que pesquisa tendências de mercado e consumo, Renato Meirelles afirma que a multiplicação de grifes evangélicas traduz para a linguagem do varejo contemporâneo um fluxo econômico que já existia informalmente dentro das igrejas.

"Estão dando rótulo de marca a uma coisa que sempre rolou nos fundos do templo: o irmão que vendia churrasco depois do culto, a irmã que fazia bolo para a quermesse, o casal que tinha pizzaria e contratava só gente da congregação. Isso é antigo. O que mudou foi a escala, o canal e a geração que opera".

A transformação maior, para Meirelles, é estética e geracional. A geração Z crente não tem vergonha de sua identidade, ao contrário dos seus pais, que muitas vezes "escondiam o crachá evangélico no ambiente de trabalho para não sofrer estigma".

Hoje tem bem menos disso. "O jovem cristão posta o look pro culto, e o pai dele, 20 anos atrás, escondia a bíblia na mochila para não virar piada no escritório. É essa virada de pertencimento sem constrangimento que abre espaço comercial para a marca explícita."

Levantamento feito pelo instituto em março revela que 47% dos evangélicos transformam afinidade religiosa em consumo, isto é, compram mais de fornecedores que compartilham a mesma crença, enquanto 38% dos católicos fazem o mesmo.

Embute-se aí, também, a ideia de que empresários evangélicos não querem apenas lucrar, mas usar seu negócio como instrumento de evangelização.

Tom Dias encara seu Coletivo de Emaús como uma "ferramenta missionária". Na Bíblia, Emaús é um povoado próximo a Jerusalém, conhecido por ser o cenário de uma das aparições mais importantes de Jesus após sua ressurreição. No Brasil, dá o nome de uma marca de camisetas com estética moderna.

Um dos modelos, batizado Vila Nazaré Futebol Clube, custa R$ 188 e emula a seleção brasileira, mas é "um time com gente comum, gente simples, gente que talvez ninguém escolheria primeiro, mas que Ele chamaria pelo nome". O time "que Jesus montaria".

A antropóloga Livia Reis, do Iser (Instituto de Estudos da Religião), destaca que a segmentação religiosa do mercado não é um fenômeno isolado. Ela compara o movimento a outros direcionados a grupos sociais específicos, como o "black money" (voltado à comunidade negra) e o "pink money" (LGBTQIA+).

Daí a importância de não analisar essa circulação de bens e serviços apenas do ponto de vista moral. "A gente não pode esquecer que, no neoliberalismo, tudo vira produto, e o mercado gospel é muito bem estabelecido".

Esse nicho hoje abrange do turismo religioso ao condomínio temático —caso do Residencial Clube Manancial da Fé, previsto para Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Meirelles, do Locomotiva, traça o perfil médio desse consumidor: tem carteira assinada na maior parte do tempo da vida adulta, ensino médio completo, às vezes técnico, raramente superior, mas o filho está fazendo faculdade. Renda entre dois e cinco salários mínimos. Casa própria comprada com Minha Casa, Minha Vida ou financiada pelo banco. Moto na garagem, carro às vezes.

O consumo é regrado. "Aqui está um ponto que a Faria Lima e a esquerda acadêmica não enxergam: ele é regrado porque a igreja regulou. Não gasta com cerveja, cigarro, balada, jogo, prostituta, festa de empresa. Esse dinheiro que em outras casas evapora em consumo de impulso, na casa dele fica".

Sobra renda, portanto, e esse, segundo Meirelles, é "o segredo da força do consumo evangélico".
Por Anna Virginia Balloussier/Folhapress

Destaques