Tribunais desmentem falta de lanche, auxílio-saúde e carro para juízes e desembargadores
Lanche, vale-alimentação, plano de saúde, auxílio-creche, carro e motorista fazem parte dos benefícios de juízes e desembargadores de diferentes tribunais do país, na contramão do que foi dito, na quarta-feira (25) no STF (Supremo Tribunal Federal), por uma representante de uma associação de magistrados.
Claudia Marcia de Carvalho Soares, que representava a ABMT (Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho), afirmou que "juiz de primeiro grau não tem carro, paga do seu próprio bolso o combustível, não tem apartamento funcional, não tem plano de saúde, não tem refeitório, não tem água e não tem café. Desembargador não tem quase nada, a não ser um carro, mal tem lanche".
A declaração foi dada durante sessão no Supremo que discutiu a restrição de verbas indenizatórias, os chamados penduricalhos, à categoria. O julgamento, adiado para o final de março, vem na esteira de decisões dos ministros do STF Flávio Dino e Gilmar Mendes, que limitaram a autorização para o pagamento das verbas.
Soares é juíza aposentada e, segundo dados do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, recebeu mais de R$ 700 mil em rendimento líquido em 2025. Desse valor, quase R$ 300 mil correspondem aos meses de outubro, novembro e dezembro, período de pagamento de abonos como o décimo terceiro. Nos outros meses, o rendimento líquido ficou, no geral, na casa de R$ 44 mil mensais.
A Folha tentou contato com todos os 27 Tribunais de Justiça dos estados e do Distrito Federal, os seis Tribunais Regionais Federais e os 24 Tribunais Regionais do Trabalho para saber a que benefícios juízes e desembargadores têm acesso.
Os Tribunais Regionais do Trabalho responderam à reportagem de forma conjunta, por meio do CSJT (Conselho Superior da Justiça do Trabalho). O Conselho informou que o padrão é disponibilizar carros para a magistratura de segundo grau, vinculado às atividades funcionais, "sendo que em alguns casos, como nos tribunais de grande porte, o atendimento é individualizado e voltado ao transporte de desembargadores".
Sobre lanches, confirma o oferecimento em alguns casos. "Quando há sessões de manhã e à tarde, alguns regionais disponibilizam lanche aos magistrados e magistradas". Cita, ainda, a oferta de planos de saúde ou ressarcimento de assistência médica.
O TJ-RN (Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte) informou que juízes, desembargadores e servidores recebem vale-alimentação de R$ 2.000 e auxílio-saúde com valores que vão de R$ 1.200 a R$ 1.900. Além disso, desembargadores têm direito a veículos funcionais.
O TJ-RS (Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul) disse que apenas o presidente, os vices e o corregedor-geral têm carro. A corte diz ter auxílio-alimentação, auxílio-saúde, auxílio-creche/babá com limitação de idade da criança e, para os desembargadores, lanche em dias de julgamento.
Magistrados do TJ-MG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais) recebem auxílio-saúde, de alimentação e de creche. Além disso, "os desembargadores podem optar por contar com carro e motorista exclusivamente para o exercício de suas atividades funcionais".
Por meio da assessoria, o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) disse oferecer auxílio-saúde, que contempla reembolso das despesas médicas comprovadas "até determinado limite".
O TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios) e o TJ-AM (Tribunal de Justiça do Amazonas) não nomearam os benefícios dados.
Segundo a assessoria do TJ-SC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina), a corte não paga qualquer benefício além dos determinados pelo CNJ. O tribunal disse disponibilizar aos magistrados veículos oficiais para deslocamentos justificados e a trabalho.
O TJ-MT (Tribunal de Justiça do Mato Grosso) afirmou, de maneira genérica, que "não são pagos os referidos benefícios", como carro e ajuda para combustível. A corte disse pagar apenas a remuneração prevista em lei, assim como o TJ-RR (Tribunal de Justiça de Roraima).
Já o TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) informou que apenas desembargadores têm direito a veículo institucional blindado, e citou plano de saúde a servidores e de autogestão a seus magistrados. Além disso, "o tribunal disponibiliza área para o Sesc treinar profissionais na área de alimentação, através do chamado restaurante-escola, que é aberto a todo o público usuário da instituição e as refeições são pagas pelos próprios."
Para a Transparência Brasil, ainda que existam variações nos benefícios dados a magistrados em diferentes instituições e níveis de carreira, o montante recebido com indenizações e gratificações viola reiteradamente o teto constitucional.
"Alguns magistrados podem receber mais que outros, mas a maioria ganha acima do teto, principalmente nos tribunais de primeira e segunda instâncias. É um fenômeno sistêmico no Judiciário."
Vitor Rhein Schirato, professor de direito administrativo da USP, classifica como "absurda" a manifestação sobre falta de lanche e auxílio a juízes e desembargadores.
"É óbvio que o juiz tem que pagar o combustível e o carro. Por que todas as profissões do mundo pagam o próprio carro e o próprio combustível e o juiz não? Isso não faz o menor sentido, é um absurdo", diz Schirato.
Por Ana Gabriela Oliveira Lima/Folhapress
Petróleo sobe após ataques de EUA e Israel ao Irã
Os preços do petróleo apresentaram forte alta no início das negociações deste domingo (1º), a primeira sessão após os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã que mataram o líder supremo do país, Ali Khamenei.
Por volta das 6h46 (horário de Brasília) desta segunda-feira (2), o barril do tipo Brent, referência mundial, era negociado com alta de 8,%, cotado a cerca de US$ 78,61, após um pico de 13% na abertura, às 20h. É o maior nível desde junho de 2025. Os contratos futuros para índices da Bolsa americana, como o S&P 500 e o Nasdaq 100, caíam por volta de 1% nesta noite, enquanto o ouro subia 1,5%.
O aumento está relacionado às preocupações dos investidores com as restrições de tráfego no estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e que é em grande parte controlado pelos iranianos. Analistas estimam que os preços possam superar a faixa dos US$ 100.
Embora a Opep+, o grupo de grandes produtores de petróleo liderado pela Arábia Saudita, tenha concordado neste domingo em aumentar sua produção em 206 mil barris por dia a partir de abril, analistas alertaram que o petróleo adicional teria pouco impacto no mercado se houver interrupção no fornecimento devido ao conflito. O aumento acordado representa menos de 0,2% da oferta global.
Os riscos para a navegação comercial dispararam nas últimas 24 horas após os ataques. Mais de 200 navios —incluindo petroleiros e embarcações de gás natural liquefeito— se ancoraram nas imediações do estreito de Hormuz e em águas próximas, segundo dados de tráfego marítimo.
Os preços já haviam subido cerca de 2% na última sexta (27), quando o Brent fechou cotado a US$ 72,48, com os investidores se preparando para possíveis interrupções no fornecimento da commodity. A commodity subiu cerca de 19% desde o início do ano.
Enquanto empresas petrolíferas e países exportadores da commodity, como a Petrobras e o Brasil, tendem a se beneficiar de um cenário com o petróleo mais caro por um período maior, a alta também pode acarretar no aumento da inflação no mundo, pressionando governos e bancos centrais.
"Vemos o petróleo Brent sendo negociado no terreno entre US$ 80 e US$ 90 no nosso cenário base ao longo desta semana", disseram analistas do Citigroup em relatório divulgado antes do início das negociações.
No sábado, banco britânico Barclays elevou a previsão para o preço futuro do petróleo Brent de US$ 80 para cerca de US$ 100 por barril.
"Os mercados de petróleo podem ter que enfrentar seus piores temores na segunda-feira. No momento, acreditamos que o Brent pode chegar a US$ 100 (por barril), enquanto o mercado lida com a ameaça de uma potencial interrupção no fornecimento em meio à crescente tensão de segurança no Oriente Médio", afirmou em relatório.
Outro ponto que impulsiona os preços do petróleo é o fato de que seguradoras informaram aos armadores que cancelariam as apólices e aumentariam os preços dos seguros para embarcações que transitassem pelo golfo Pérsico e pelo estreito, segundo o Financial Times.
De acordo com o jornal, seguradoras de risco de guerra enviaram neste sábado (28) avisos de cancelamento para apólices que cobrem navios que transitam pelo estreito, com os preços previstos para subir até 50% nos próximos dias.
Boa parte do petróleo que passa por Hormuz é vendida por países como Arábia Saudita, Emirados Árabes, Irã, Kuwait e Iraque à Ásia, em especial a China, e a países da Europa.
As restrições ao tráfego no estreito são consideradas ainda mais preocupantes que os eventuais impactos do petróleo iraniano sobre o mercado mundial.
O Irã possui a quarta maior reserva provada de petróleo bruto do mundo, mas anos de sanções e falta de investimentos limitaram suas exportações. O país produziu 3,45 milhões de barris por dia (bpd) em janeiro, segundo a Agência Internacional de Energia —menos de 3% da oferta global no período. Quase toda a produção vai para a China.
Para Adriano Pires, diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), o aumento nos preços do petróleo pode beneficiar as exportações brasileiras. No ano passado, o Brasil exportou US$ 44,5 bilhões (R$ 228 bilhões) da commodity, o equivalente a 12,8% de todas as vendas a outros países.
"Dependendo de como a guerra continuar, a commodity vai subir. Mas só ultrapassa os US$ 100 se o estreito for fechado", avalia. Analistas apontam, porém, para o risco de inflação global com a alta dos preços do combustível fóssil.
Ainda neste domingo, o Irã bombardeou ao menos dois petroleiros no estreito. Primeiro, um petroleiro de bandeira de Palau foi atingido por um projetil perto da costa de Omã, deixando quatro feridos e forçando a evacuação da embarcação.
Depois, o site de rastreamento marítimo Marine Traffic anunciou que outro petroleiro, o MKD Vyon, também foi atingido na região. O navio tem bandeira das ilhas Marshall, país que tem uma associação especial com os EUA.
Dados da MarineTraffic mostram que houve uma drástica redução no tráfego de embarcações no fim de semana.
Duas das maiores transportadoras marítimas do mundo, CMA CGM e Hapag-Lloyd, ordenaram a seus navios que não naveguem pela região. "Todos os navios que se encontram atualmente no golfo Pérsico, ou que se dirigem para o golfo Pérsico, receberam instruções, com efeito imediato, de permanecerem em segurança", declarou a CMA CGM, a terceira maior transportadora marítima do mundo, em comunicado.
A alemã Hapag-Lloyd também congelou o trânsito de suas embarcações pelo estreito, assim como as empresas de transporte marítimo Mitsui OSK Lines e NYK Lines. "Estamos priorizando a segurança de nossos marinheiros, cargas e navios", afirmou a Mitsui, acrescentando que vários navios estavam no golfo e no estreito de Hormuz, mas aguardariam por uma passagem segura.
Por Folhapress
Acusado de milícia e grilagem no oeste da Bahia recebeu R$ 15 milhões do agronegócio
Investigação sobre grupos armados no oeste da Bahia, na divisa com Goiás, encontrou repasses de R$ 15 milhões em dois anos e meio para um policial militar aposentado que está preso e é réu por suspeita de comandar uma milícia privada que atuava na grilagem de terras na região.
O Ministério Público identificou que repasses foram feitos por empresas e pessoas ligadas à agropecuária na região.
As transferências aconteceram de agosto de 2021 a abril de 2024 e foram identificadas a partir de relatório de inteligência financeira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) que está sob sigilo e foi obtido pela Folha.
O documento aponta movimentação financeira atípica de Carlos Erlani Gonçalves do Santos, que foi sargento da PM da Bahia.
O dinheiro ia para Erlani ou para a sua empresa de segurança e, depois, era encaminhado a contas suspeitas de serem de laranjas, segundo o Ministério Público.
As transferências de maiores valores feitas a Erlani nesse período são de uma empresa de agropecuária que pertence à família dona do Grupo SEB, conglomerado do ramo da educação.
Em segundo lugar, está uma empresa do suspeito de liderar um esquema de grilagem na região, segundo a Promotoria. Em terceiro, um grupo famoso pelo cultivo de batata inglesa.
"Chama atenção que os principais remetentes de valores para as contas do denunciado sejam empresas de agropecuária atuantes na região de Correntina e arredores, possíveis contratantes dos serviços espúrios da milícia armada", diz a denúncia assinada pelo Gaeco (grupo de combate às organizações criminosas) do Ministério Público da Bahia.
Procurados pela reportagem, todos os empresários que repassaram dinheiro a Erlani disseram que fizeram uma contratação legítima e negam irregularidades.
As investigações sobre o tema estão em andamento e, apesar de serem citados nos relatórios, as empresas não são mencionadas nas denúncias.
O oeste da Bahia é um dos principais polos agropecuários do Brasil, com um histórico de conflitos fundiários. A região também foi palco de uma das maiores operações da Polícia Federal sobre venda de decisões judiciais do Brasil, a Faroeste —que tratava de julgamentos relacionados a disputas de terras.
Erlani é réu em dois processos, sob acusação de constituição de milícia privada, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Além dele, um suspeito de ser seu ajudante está preso. Um representante da sua defesa afirma que o PM aposentado não cometeu irregularidades.
De acordo com duas denúncias que deram origem às ações, Erlani comandava um grupo responsável por suspeitas de ameaças, agressões e sequestros na região.
O primeiro processo contra Erlani trata das ações violentas do grupo, e o segundo da circulação de dinheiro de sua empresa de segurança, que a Promotoria afirma que tinha "movimentação financeira absolutamente incompatível com a sua renda".
A análise financeira mostra que a Agrothathi Ltda. transferiu R$ 2,6 milhões para Erlani no período investigado. A empresa tem como sócia Adriana Baptiston Cefali Zaher, casada com Chaim Zaher. Eles são sócios do Grupo SEB.
Procurada, a Agrothathi afirma que foi fundada em 2020 e que firmou em meados de 2022 uma avença com a empresa de Erlani "com o objeto de prestação de serviços agrícolas e segurança patrimonial. Toda a contraprestação dos serviços foi feita mediante medições, e pagamentos por meio da emissão das respectivas notas fiscais pelo sistema eletrônico".
"A avença foi imediatamente rescindida quando a empresa tomou conhecimento, pela mídia, em abril de 2025, dos fatos relacionadas à Empreiteira & Segurança CE do Corrente e seus sócios", diz a nota da empresa.
O segundo lugar em transferência para Erlani, de quase R$ 1 milhão no período sob investigação, é a Agropecuária Ubatuba, que pertence ao empresário Nestor Hermes. As investigações do Gaeco afirmam que Hermes é "apontado como suposto líder do esquema de grilagem de terras na região de Cocos (BA)".
Como a Folha mostrou em 2023, mais de uma dezena de magistrados se declarou suspeita em um ano e meio e declinou de julgar processos relacionados a ele. Diversos proprietários da região têm ações na Justiça contra Hermes. Um dos exemplos é Inácio Urban, cujo advogado, Wallysson Silva, diz que há "saltos artificiais" de terras relacionadas a ele.
Procurado, o advogado de Hermes, Pablo Domingues, afirma que as suspeitas "não resistem a uma análise documental simples e objetiva" e que o fazendeiro não é denunciado ou réu e não responde a qualquer processo criminal envolvendo contratação de milícia, organização criminosa ou grilagem.
"Os valores atribuídos à Agropecuária Ubatuba Ltda. decorrem de contrato empresarial formal e lícito, com pagamentos realizados mediante emissão regular de notas fiscais, devidamente declaradas à Receita Federal", diz o advogado, em nota.
"O objeto contratual não se limitava à vigilância. No que se refere à segurança, tratava-se expressamente de segurança patrimonial desarmada, além de diversos serviços agro-operacionais regularmente contratados, como manutenção de cercas, limpeza e roçagem de pastagens, preparo de solo com maquinário agrícola e manejo de animais."
A defesa afirma ainda que desde setembro de 2025 se colocou à disposição do Ministério Público para prestar esclarecimentos, "o que demonstra transparência e ausência de qualquer receio quanto à apuração dos fatos". "A afirmação de que teria sido 'líder de organização criminosa' é absolutamente inverídica e não encontra respaldo técnico ou jurídico", diz.
Erlani recebeu mais R$ 1 milhão, no mesmo período, do agricultor José Emilio Rocheto, da Água Santa, especializada no cultivo de batata-inglesa.
Em nota, a Água Santa diz que "o contrato com a Empreiteira & Segurança CE do Corrente Ltda. foi encerrado em fevereiro de 2025, de forma regular, em conformidade com seus protocolos internos de compliance e governança".
"Durante a vigência contratual, todos os pagamentos foram realizados com base em documentação fiscal adequada e declarada", diz a empresa, em nota.
A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Erlani nos processos criminais, mas outro advogado dele em diversas causas, Oswaldo Correia Viana, diz que o PM aposentado tem uma empresa de segurança que trabalha para os fazendeiros da região, e que ele não é um miliciano.
"[Erlani] Nunca matou ninguém, nunca roubou de ninguém, é pastor, trabalha direitinho. Mas é um cara de coragem, coragem ele tem. Ninguém encosta nas fazendas [que ele cuida]", afirma o advogado.
"Erlani é um cara honesto e que ajuda todo mundo, é um cara bom. Estou aqui há muitos anos e nunca ouvi dizer que Erlani bateu num cara."
Por José Marques e João Pedro Pitombo/Folhapress
Em Itagibá, chuva causa deslizamentos, faz rio transbordar, invade casas e derruba muro de estádio
Moradores de Itagibá enfrentaram transtornos neste domingo (1º de março) em decorrência das fortes chuvas que atingem a região desde a última sexta-feira (27). O volume de água provocou a elevação do nível do Rio do Peixe, que transbordou em diversas localidades do município. Em alguns pontos, além da cheia do rio, o acúmulo de água da chuva acabou represado, agravando a situação. Residências e estabelecimentos comerciais foram invadidos pela água. Parte do muro do estádio de futebol da cidade também foi derrubada pela força da enxurrada.
A chuva ainda provocou deslizamentos de terra e queda de árvores nas rodovias que ligam Itagibá a Dário Meira e Itagibá a Ipiaú, causando preocupação entre motoristas que trafegam pelos trechos. Vídeos gravados por moradores mostram os estragos causados pela enchente e pela força da água, que se espalhou rapidamente por ruas e áreas próximas ao rio. A previsão de continuidade das chuvas mantém a população em alerta.
Por: Giro Ipiaú
Aparentando embriaguez, deputado interrompe show de Tayrone em São Gabriel; assista
Um episódio constrangedor marcou a noite deste sábado durante os festejos de São Gabriel, município vizinho a cidade de Irecê. O deputado estadual Ricardo Rodrigues (PSD) protagonizou uma cena de tumulto ao subir ao palco durante a apresentação do cantor Tayrone e interromper o show diante de milhares de pessoas.
Segundo relatos de pessoas que estavam no local, o parlamentar aparentava estar embriagado. Ao tomar o microfone, passou a falar de forma desconexa, sem conseguir manter uma linha clara de raciocínio, o que levou o artista a interromper a apresentação. Parte do público reagiu com vaias e pedidos para que o show tivesse continuidade.
Testemunhas afirmam que, durante o episódio, o deputado segurava o cantor insistentemente, dificultando o andamento da apresentação. O artista tentou retomar o controle do palco e dar sequência ao show, mas a interrupção se estendeu por vários minutos, gerando desconforto entre os presentes.
Ao deixar o palco, o deputado precisou ser amparado por pessoas próximas para evitar uma queda, já que demonstrava dificuldade para se manter em pé. O momento foi registrado por diversos celulares e rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais, com vídeos circulando em grupos e perfis de todo o estado.
Até o momento, não houve manifestação oficial do parlamentar ou de sua assessoria sobre o ocorrido. A organização do evento também não se pronunciou publicamente.
O caso gerou forte repercussão política e social na região de Irecê, reacendendo debates sobre postura pública, responsabilidade institucional e comportamento de agentes políticos em eventos oficiais e festividades populares.
Por Política LivreAtos contra Lula e STF mobilizam capitais pelo país; Rio registra 4,7 mil pessoas e Salvador tem manifestação no Farol
Manifestações convocadas com o mote “Fora Lula, Moraes e Toffoli” foram realizadas neste domingo (1º) em diversas capitais brasileiras, reunindo apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e críticos ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Os atos ocorreram em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Fortaleza, Salvador e outras cidades. A convocação foi liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), com críticas diretas aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
Em São Paulo, o ato ocupou dois quarteirões da Avenida Paulista, nas proximidades do Masp. Estiveram presentes o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como pré-candidato à Presidência com aval do pai, além do pastor Silas Malafaia, do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e dos governadores Ronaldo Caiado (GO) e Romeu Zema (MG).
Discursos defenderam anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, criticaram decisões do STF e pediram o impeachment de ministros da Corte. Flávio Bolsonaro afirmou que o grupo é favorável ao afastamento de ministros que, segundo ele, descumpram a lei, e disse que a prioridade será eleger parlamentares comprometidos com essa pauta.
MENOR PÚBLICO NO RJ
No Rio de Janeiro, o ato ocorreu na Praia de Copacabana e reuniu 4,7 mil pessoas no momento de pico, segundo estimativa do grupo Monitor do Debate Político, do Cebrap, em parceria com a ONG More in Common. A contagem foi feita a partir de imagens aéreas analisadas por software com aplicação do método P2PNet.
De acordo com o levantamento, trata-se da menor manifestação bolsonarista registrada pelo grupo na capital fluminense. Em setembro de 2025, o público estimado foi de 42,7 mil pessoas; em março de 2025, 18,3 mil; e, em abril de 2024, 32,7 mil.
O ato no Rio marcou a primeira aparição pública do deputado estadual Douglas Ruas (PL) após ser anunciado como pré-candidato ao governo do estado pelo campo bolsonarista. Discursos também defenderam a saída de Lula e criticaram ministros do STF.
SALVADOR
Em Salvador, apoiadores realizaram manifestação no Farol da Barra durante a manhã. Os participantes utilizaram camisas da seleção brasileira e carregaram bandeiras do Brasil e de Israel. O ato integrou a mobilização nacional convocada sob o lema “Acorda Brasil”.
A manifestação na capital baiana ocorreu de forma pacífica, com acompanhamento das forças de segurança. Não houve registro de ocorrências graves até o fechamento da matéria.
Por: Bahia noticias
Trump fala em ataque sem precedentes caso haja retaliação do Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irã será atingido com “uma força nunca vista antes” caso leve adiante ameaças de novos ataques. A declaração foi publicada na rede Truth Social na madrugada deste domingo (1º), após Teerã prometer retaliar bombardeios realizados no sábado. A informação é do G1.
Segundo autoridades iranianas, a morte do líder supremo Ali Khamenei — atribuída a uma ação coordenada entre EUA e Israel — é considerada “um grande crime” que não ficará impune. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, prometeram resposta e acusaram Washington e Tel Aviv de cruzar uma “linha vermelha”.
O conflito se intensificou após o Irã lançar centenas de mísseis e drones contra tropas americanas e cidades em Israel e países árabes aliados dos EUA. A escalada eleva a tensão no Oriente Médio e amplia o risco de novos confrontos nos próximos dias.
Por Redação
“Vamos à luta e na missão de tirar o PT de uma vez por todas do nosso estado”, diz João Roma em ato na Barra
O presidente do PL na Bahia e ex-ministro da Cidadania, João Roma, participou na manhã deste domingo (1º) do ato “Acorda Brasil”, realizado no Farol da Barra, em Salvador, e em dezenas de cidades do país. A mobilização reuniu deputados, lideranças políticas, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro e centenas de pessoas que foram às ruas protestar contra o que chamam de perseguição política sofrida pelo ex-presidente, além de criticar o governo Lula e a atuação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
“O que estamos vendo hoje no Brasil é uma onda de mobilização popular que não se esconde mais. O Acorda Brasil está nas ruas de dezenas de cidades, mostrando que o povo está atento, indignado e disposto a lutar por justiça e liberdade. É o Brasil dizendo basta à perseguição política e basta à manipulação que tenta calar milhões de vozes”, afirmou João Roma.
O ato fez parte de uma convocação nacional que ocorre simultaneamente em dezenas de cidades brasileiras. Para Roma, a expressiva adesão popular mostra que a direita tem conseguido mobilizar a população e consolidar um movimento crescente em defesa das liberdades individuais e contra o que ele chamou de “abusos e arbitrariedades do poder”.
João Roma ressaltou que a Bahia tem se destacado pela crescente rejeição ao PT, partido que governa o estado há quase 20 anos.
“A Bahia acordou. O que vimos aqui na Barra mostra que o nosso povo cansou de ser tratado como curral eleitoral. A rejeição ao PT só cresce porque o baiano está vendo que nada mudou, que a violência aumentou, que a pobreza cresce e que os grandes projetos continuam engavetados. Vamos à luta e na missão de tirar o PT de uma vez por todas do nosso estado”, declarou.
Durante o ato, manifestantes carregavam faixas e cartazes contra o governo federal e contra decisões recentes do Supremo Tribunal Federal. Os discursos criticavam a prisão de Jair Bolsonaro. “O que estão fazendo com o presidente Bolsonaro é um ataque sem precedentes ao Estado de Direito. Estão tentando destruir sua imagem, destruir seu legado e destruir o apoio popular que ele tem. Mas o povo está na rua para dizer que ele não está sozinho”, ressaltou.
Para o dirigente do PL, o ato deste domingo demonstra que o campo da direita entra em 2026 mais forte, mais unido e mais organizado. “A direita, que muitos diziam estar enfraquecida, está hoje mais viva do que nunca. Movimentos espontâneos, atos cheios, lideranças mobilizadas e um Brasil que pede mudança. Estamos no caminho certo, e a Bahia fará parte dessa virada”, afirmou.
Por Redação
Relatório dos EUA diz que China tem base militar secreta em Salvador
Um relatório do Congresso dos Estados Unidos afirma que a China mantém uma base classificada como “não oficial” no Brasil, com sede em Salvador
Um relatório do Congresso dos Estados Unidos afirma que a China mantém uma base classificada como “não oficial” no Brasil, com sede em Salvador (BA). Segundo o documento, a chamada Estação Terrestre de Tucano funcionaria nas instalações da empresa brasileira Ayla Space, em parceria com a chinesa Beijing Tianlian Space Technology, com foco na análise de dados de satélites. A informação é do Poder360.
O texto sustenta que a estrutura na capital baiana permitiria à República Popular da China identificar ativos militares estrangeiros e rastrear objetos espaciais em tempo real na América do Sul. Para os autores, a presença em Salvador também poderia influenciar a doutrina espacial militar brasileira e consolidar uma posição estratégica em área considerada sensível para a segurança dos EUA.
O relatório ainda menciona outra cooperação no país: o Laboratório Conjunto China-Brasil para Radioastronomia, na Paraíba. O Congresso norte-americano afirma monitorar essas iniciativas por considerar que tecnologias espaciais podem ter uso duplo, civil e militar, e aponta que a China mantém ao menos dez instalações semelhantes na América do Sul.
Por Redação
Com presença de políticos, atos da direita começam em Brasília, BH e Rio
Pré-candidatos e lideranças da direita participam neste domingo (1º) de manifestações em mais de 20 cidades, sob o lema “Acorda Brasil”. Os atos reúnem críticas ao governo do presidente Luiz Inacio Lula da Silva (PT) e a ministros do Supremo Tribunal Federal, como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, em razão de desdobramentos do caso envolvendo o Banco Master, ligado ao empresário Daniel Vorcaro. A informação é da CNN.
As mobilizações ocorrem pela manhã em Brasilia, Belo Horizonte, Copacabana e Salvador. Em São Paulo, está previsto ato com a presença do deputado Nikolas Ferreira, do senador Flavio Bolsonaro e dos governadores Romeu Zema e Ronaldo Caiado.
Em Brasília, a mobilização é liderada pela deputada Bia Kicis e conta com a participação do senador Rogerio Marinho, líder da oposição no Senado. Já em Belo Horizonte, Nikolas deve discursar ao público.
Ministro do TCU oferece curso, por R$ 4 mil, sobre como não ser condenado no tribunal
O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Benjamin Zymler oferece um curso de dois dias em Brasília, a um custo de R$ 3.997 por inscrição, sobre como não ser condenado na Corte de contas em casos de contratos feitos sem licitação.
As palestras, que têm como público alvo servidores públicos, são ofertadas por meio de um instituto que disponibiliza aos interessados modelos prontos de contrato, pesquisa de preços de mercado e justificativas para a contratação da entidade.
Procurado para esclarecer a participação e como se daria remuneração, o TCU afirmou que o ministro não se manifestaria.
O curso, que tem como título “Contratação direta sem licitação e sem problemas”, está em sua quarta edição, e será realizado nos dias 16 e 17 de março, em Brasília.
Para a divulgação, Zymler gravou um vídeo no seu local de trabalho no qual afirma que decisões mal fundamentadas de gestores públicos “geram condenações aqui no Tribunal de Contas da União e, eventualmente, o desfazimento dos atos”.
Também diz na gravação que o curso servirá para “discutir de forma teórica e prática os requisitos legais para que haja uma boa contratação direta”.
Em um dos materiais publicitários do curso, a promessa é fazer os alunos dominarem “do básico ao avançado” e ensinar “como instruir corretamente um processo, justificar preços, escolher fornecedores e, principalmente, como se defender diante dos órgãos de controle”.
As palestras estão sendo vendidas pelo Instituto Brasil Planeja (IBP), fundado em 2024 e que tem como sócio-administrador Renato Andrade Gonçalves - que tem como negócio principal uma produtora de vídeos.
Os ministros podem ter atividades acadêmicas e de docência, conforme a legislação. Também podem ser sócios de empresas, desde que não tenham posição de administração ou direção sobre elas.
O curso do qual participará Zymler acontecerá na companhia do advogado Jacoby Fernandes, que foi conselheiro do Tribunal de Contas do Distrito Federal e hoje tem escritório de advocacia com atuação especializada em tribunais de contas. O site oficial dele tem como foto principal uma da sede do TCU.
Entre os temas abordados pelo ministro estão “aspectos jurídicos e éticos nas contratações, responsabilidade dos agentes públicos nas contratações diretas, contratações diretas e emergenciais e propostas com preços superiores”. A programação ainda reserva janela para “conselhos adicionais”.
O ingresso de R$ 3.997 é para a participação presencial nas palestras, que serão realizadas em um hotel de Brasília. A participação online custa R$ 2.997.
O IBP enviou nota na qual afirma o ministro cobra do instituto “o mesmo que cobra de outras instituições para as quais ministra cursos” e que ele apenas faz as palestras para as quais é contratado, sem opinar sobre os cursos ou sobre quem o instituto contrata.
Disse também que Zymler não tem qualquer participação na elaboração dos materiais disponibilizados para prefeituras nem sobre os cursos e temas tratados.
Esses documentos são necessários, segundo o IBP, porque “muitos órgãos públicos não sabem instruir um processo de contratação de treinamento” e, com isso, “perdem recursos, por falta orientação”.
“No início do curso, todos os professores dão os avisos para que o limite ético seja observado. Fazem-no para a própria proteção da reputação, elemento essencial à atividade”, ressaltou o IBP.
Contudo, Rafael R. Viegas, pesquisador e professor da pós-graduação da FGV/EAESP e da ENAP, pontua que o problema não é a atividade acadêmica em si, mas o escopo do curso e seu público alvo.
Para Viegas, a promessa implícita de ensinar “como não ser condenado” gera um “evidente desconforto ético e risco reputacional”.
“A presença de advogado que atua em Tribunais de Contas e o uso da imagem do próprio Tribunal na divulgação reforçam a percepção de proximidade excessiva entre quem julga e quem é julgado. Pode não haver ilegalidade formal, mas a prática é institucionalmente imprudente e eticamente questionável, pois afeta a credibilidade do sistema de controle”, afirmou.
Por Vinícius Valfré/Estadão Conteúdo
Nikolas articula bancada própria com candidaturas ao Legislativo para ampliar influência no bolsonarismo
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) tem se movimentado para montar uma rede própria de candidaturas ao Legislativo e ampliar sua influência no bolsonarismo, em meio a cobranças para se engajar na pré-candidatura presidencial do senador Flavio Bolsonaro. A estratégia passa por fortalecer aliados em Minas Gerais e em outros estados, consolidando capital político próprio sem disputar o governo mineiro. A informação é do jornal O Globo.
Em Minas, Nikolas articula o lançamento do pai, o pastor Edésio de Oliveira, ao Senado, embora o partido também avalie nomes como Domingos Savio e Carlos Viana. O deputado tem cumprido agendas ao lado do vice-governador Mateus Simoes (PSD), apoiado por ele ao Palácio Tiradentes, mesmo diante de resistências dentro do PL. Em Juiz de Fora, participou de evento com a vereadora Roberta Lopes (PL), que se apresenta como sua candidata a deputada estadual.
Fora do estado, Nikolas planeja impulsionar candidaturas à Câmara em São Paulo, Ceará e Pernambuco, além de manter aliança com a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC). A movimentação ocorre após atritos com Eduardo Bolsonaro e sinaliza a prioridade do parlamentar em buscar a reeleição para “construir base” e ampliar sua influência interna no campo bolsonarista.
Direita articula sabotagem para não ter que votar fim da escala 6x1
Lideranças da direita intensificaram a ofensiva contra a proposta que prevê dois dias de descanso semanal aos trabalhadores, conhecida como fim da escala 6x1. Presidentes de partidos como Antonio Rueda, Valdemar Costa Neto e Marcos Pereira criticaram publicamente a mudança e alertaram para impactos negativos na economia. A reportagem é do jornal O Globo.
Em encontros com empresários em São Paulo, Rueda e Valdemar defenderam atuar para impedir que o projeto avance no Congresso. Ambos reconheceram que, se a proposta for levada ao plenário, há grande chance de aprovação, o que reforça a estratégia de tentar barrar sua tramitação antes da votação.
Enquanto entidades patronais projetam efeitos como aumento de custos e demissões, defensores da mudança argumentam que a medida atende trabalhadores de baixa renda que atuam em jornadas extensas e buscam mais tempo de descanso. O embate deve se concentrar na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, onde a discussão promete ser acirrada.
Por Redação
Estrada sem fim? Bahia abriga reta de 145 km, uma das maiores do mundo
Segmento no oeste baiano tem cerca de 145 km sem curvas
O investimento total foi de aproximadamente R$ 35,3 milhões.
Quem percorre o oeste da Bahia pode ter a sensação de que o asfalto nunca termina. No trecho da BR-020 entre os povoados de Rosário, em Correntina, e Roda Velha, em São Desidério, o horizonte parece desenhado com régua.
São aproximadamente 145 quilômetros praticamente em linha reta — um feito que coloca a estrada brasileira no mesmo patamar de retas mundialmente conhecidas.
A comparação não é exagero. Com essa extensão, o segmento baiano se aproxima de marcas celebradas internacionalmente, como a Eyre Highway, na Austrália, frequentemente citada como uma das maiores retas contínuas do mundo.
No contexto sul-americano, o trecho direto da BR-020 desponta como um dos mais extensos já registrados em pista pavimentada.
135,9 km revitalizados
Em 2024, o Governo Federal concluiu a revitalização de 135,9 km da BR-020/BA, no segmento que liga Rosário, distrito de Correntina, a Roda Velha, em São Desidério. As intervenções foram executadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
Os serviços incluíram fresagem contínua do pavimento e aplicação de Concreto Asfáltico Usinado a Quente (CAUQ), recuperação de acostamentos e implantação de sinalização horizontal provisória. Ao longo de todo o trecho — do km 0 ao km 135,9 — também foram realizadas roçadas e limpeza da faixa de domínio.
O investimento total foi de aproximadamente R$ 35,3 milhões.
Corredor estratégico do agronegócio
Mais do que um fenômeno geográfico, a reta da BR-020 é um eixo logístico fundamental. A rodovia é classificada como radial e conecta o Distrito Federal ao Nordeste, atravessando Goiás, Bahia, Piauí e Ceará até chegar a Fortaleza.
No oeste baiano, a estrada corta uma das regiões mais produtivas do país. O território integra o Matopiba — área que reúne Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — e concentra forte produção de grãos, especialmente soja, milho e algodão.
A melhoria da malha viária reduz custos de transporte, facilita o escoamento da safra e fortalece cadeias ligadas ao comércio, serviços, agroindústria e logística.
Com a revitalização, a expectativa é ampliar a segurança viária e garantir maior fluidez ao tráfego pesado que domina a região.
Sensação de estrada sem fim
O traçado quase perfeitamente linear atravessa o cerrado baiano, em uma paisagem de planaltos amplos e horizonte aberto. Para motoristas, a experiência pode ser hipnotizante: são quilômetros seguidos sem curvas significativas, interferências urbanas ou mudanças bruscas de direção.
Essa característica, embora impressionante, exige atenção redobrada. A monotonia visual pode provocar fadiga, especialmente em trajetos longos percorridos por caminhoneiros e viajantes que cruzam estados.
Ainda assim, é justamente essa combinação entre extensão, linearidade e importância econômica que transforma o trecho em um símbolo da infraestrutura rodoviária nacional.
No mapa, parece um traço reto cortando o interior do país. No chão, é uma das estradas mais estratégicas do Brasil — e, possivelmente, a reta (não perfeita) mais impressionante da América do Sul.
Maiores estradas em linha reta do mundoHighway 10 – Arábia Saudita - (extensão aproximada: 240–260 km em linha reta): o trecho no deserto entre Haradh e Al Batha. É frequentemente citado como o mais longo do planeta em linha praticamente contínua, cortando paisagem árida sem grandes interferências.
Eyre Highway – Austrália - (Extensão aproximada: 146 km): conhecida como “90 Mile Straight”, fica na planície de Nullarbor. É uma das retas mais famosas do mundo e virou referência quando o assunto é estrada sem curvas.
Ruta Nacional 26 – Argentina - (extensão aproximada: 130–133 km): localizada na Patagônia, atravessa áreas planas e pouco povoadas, com um dos maiores segmentos contínuos em linha reta da América do Sul.
Interstate 80 – Estados Unidos - (extensão aproximada: 120 km): no estado de Utah, cruza os Bonneville Salt Flats. É uma das maiores retas contínuas da América do Norte.
Por Iarla Queiroz/Atarde
Trump cruzou uma "linha vermelha muito perigosa", diz autoridade iraniana
Em entrevista exclusiva à CNN, autoridade do Irã afirmou que irão responder os ataques dos EUA-Israel
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cruzou "uma linha vermelha muito perigosa" ao matar o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, disse o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Saeed Khatibzadeh, à CNN em entrevista exclusiva neste domingo (1º).
Khatibzadeh disse que muitos seguidores xiitas em todo o mundo reagirão ao assassinato de Khamenei.
“É claro que, do ponto de vista religioso, ele foi um grande líder religioso, então muitos seguidores xiitas em toda a região e no mundo vão reagir a isso, e isso é muito óbvio porque o presidente Trump ultrapassou uma linha vermelha muito perigosa”, disse Khatibzadeh.
A fonte oficial afirmou que o Irã comunicou-se com os estados árabes do Golfo para que fechassem as bases americanas que Teerã considera uma ameaça.
“Nós comunicamos a eles: ou fecham essas bases americanas que estão constantemente ameaçando o Irã e que são constantemente usadas para atacar o Irã, ou não temos outra opção a não ser reagir”, disse ele.
O Irã “não consegue alcançar território americano, então não temos outra opção a não ser atacar quaisquer bases que estejam sob jurisdição dos EUA”, acrescentou.
O que está acontecendo?
Trump anunciou no sábado que os EUA iniciaram “grandes operações de combate” no Irã, prometendo aniquilar as forças armadas do país e destruir seu programa nuclear.
Em um vídeo de oito minutos publicado na rede Truth Social, Trump acusa o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares” e afirmou que os EUA “não aguentam mais”. Israel também anunciou ataques contra o Irã.
Diferentemente da última vez em que os EUA e Israel atacaram o Irã, em junho de 2025, estes ataques começaram à luz do dia, na madrugada deste sábado – o primeiro dia da semana no Irã – enquanto milhões de pessoas iam trabalhar ou estudar.
E enquanto os ataques americanos em junho terminaram em poucas horas, fontes disseram à CNN Internacional que, desta vez, as forças armadas norte-americanas estão planejando ataques para vários dias.
A CNN Internacional havia relatado anteriormente que Khamenei era um dos alvos da primeira onda de ataques contra o Irã, juntamente com outros líderes importantes.
Em resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques sem precedentes em todo o Oriente Médio, com explosões ouvidas em diversos países que abrigam bases militares americanas, entre eles: Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
Mostafa Salem e Frederik Pleitgen, da CNN
Desiludida, geração Z de esquerda tem revolta anticapitalista e críticas a Lula e Nikolas
Nos últimos anos, a revolta da geração Z, expressão que faz referência aos nascidos entre o fim dos anos 1990 e 2010, desencadeou protestos em países como Peru, Bangladesh, Indonésia e Quênia
Todos os dias, o pequeno comércio se instala ao redor da estação Vila Madalena, na zona oeste da capital paulista. Em meio à maré humana, um estabelecimento chama a atenção: a Casa Marx, espaço cultural com livraria, sebo, café e brechó, dedicado a difundir o pensamento de esquerda. Funciona ali também a sede do Faísca Revolucionária, coletivo de jovens anticapitalistas, atuante em 15 países.
"O termo ‘anticapitalista’ tenta dar conta de diversos fenômenos relacionados ao sentimento de que o sistema atual não oferece mais esperança para nós", diz Pedro Ferreira, 26, líder do grupo, nos fundos da casa, de paredes cobertas por lambe-lambes, com gravuras de Vladimir Lênin e de Leon Trótski.
A existência do Faísca se relaciona com o surgimento de outros coletivos de jovens que lutam pela mesma causa, dentro e fora das universidades. Em comum, fazem oposição ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e aos integrantes do MBL (Movimento Brasil Livre), hoje apoiados por parte expressiva da juventude. Ao mesmo tempo, criticam o presidente Lula (PT) e não se sentem representados pelos políticos que despontam como candidatos. Na origem, o sentimento anticapitalista é um traço da chamada revolta da geração Z, jovens desiludidos que agora organizam protestos ao redor do mundo.
Ligado ao MRT (Movimento Revolucionário dos Trabalhadores), o Faísa, criado há uma década, tornou-se conhecido por promover oficinas de estudo sobre comunismo nas universidades. Seus integrantes se tratam por "camarada" e, em vez do ChatGPT, utilizam o ChatMarx, aplicativo de inteligência artificial de orientação marxista.
Noah Brandsch, 21, outro líder do Faísca, está à procura de uma alternativa a Lula. "Utopia é a gente acreditar que é possível mudar as coisas por dentro do sistema capitalista", afirma. "É uma tarefa da esquerda superar o que foi a conciliação de classes do PT, que só reforçou a extrema direita."
A insatisfação com o governo também está presente no Movimento Correnteza, organização estudantil criada há oito anos sob o lema "organize a sua revolta" e voltado à luta pela educação. Thaís Rachel, 32, liderança do Correnteza e vice-presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), prefere votar na candidata Samara Martins, do UP (Unidade Popular).
Segundo Rachel, os jovens estão subrepresentados na política. "Até existem novas lideranças, mas o sistema eleitoral é injusto e só favorece os partidos que estão aí há anos", diz.
Nos últimos anos, a revolta da geração Z, expressão que faz referência aos nascidos entre o fim dos anos 1990 e 2010, desencadeou protestos em países como Peru, Bangladesh, Indonésia e Quênia. Cada um deles tinha motivação própria, mas todos ambicionavam a mudança do status quo. Para tanto, apropriaram-se do mesmo símbolo: a bandeira do "One Piece", mangá em que os protagonistas lutam contra o sistema.
Nos Estados Unidos, o democrata Zohran Mamdani, 34, foi eleito prefeito de Nova York graças a uma articulação com a juventude, excitada com a plataforma socialista apresentada na campanha —78% dos eleitores com idade inferior a 30 anos votaram nele. A realidade é bem diferente no Brasil. Por aqui, a esquerda anticapitalista é minoritária entre os jovens.
Pesquisa Atlas Intel, publicada em dezembro, mostrou que 52% da geração Z se diz de direita ou de centro-direita. Deputados como Nikolas Ferreira (PL) e Kim Kataguiri, do MBL, têm especial ligação com esse eleitorado, que absorve e propaga noções de meritocracia, empreendedorismo e até um desprezo pela CLT, tema que ficou em alta em postagens no TikTok.
"As redes do Nikolas são usadas para referenciar a figura dele. Podem até chamar para atos, mas não para uma organização coletiva a longo prazo", afirma Theo Lobato, 30, líder do coletivo Juntos! —assim mesmo, com ponto de exclamação ao final. Ele se angustia com a crise climática, o avanço tecnológico e a precarização do trabalho. Tendo entrado no Juntos! há uma década, ainda sob o impacto das Jornadas de Junho de 2013, Lobato esteve, em novembro, na COP30, em Belém.
Para Julia Andrade Maia, 27, também militante do Juntos!, a direita tem eficiência na internet porque tem mais poder econômico, em um contexto de crise de representatividade na esquerda. Diante da ausência de opções, ela votaria no Lula, mas não "fará o L" — referência ao símbolo do petista, feito com as mãos pelos apoiadores.
A militante critica o arcabouço fiscal, que limita os gastos do governo, a morosidade da discussão sobre a escala 6x1 e a exploração da Foz do Amazonas. "Quando eu era mais nova, os meus pais me falavam que, se eu estudasse, teria um emprego, uma casa e um carro. Estou na segunda graduação e tudo isso está longe de acontecer."
Na noite da quarta-feira (25), o Juntos! organizou um debate, no campus da USP, com o título de "Os Povos do Mundo Contra Os Imperalismos: A Luta Antifascista e Antirracista para Salvar o Planeta". Na mesa, estavam o professor de filosofia da USP, Vladimir Safatle, a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP), revelada pelo Juntos!, a codeputada estadual Ana Laura (PSOL-SP) e o filósofo Douglas Barros.
Na plateia, havia cerca de cem calouros de ciências humanas. Bomfim, 36, diz ser preciso que a esquerda proponha uma alternativa ao capitalismo. "Não tinha extrema direita na minha época de militância estudantil, tudo era mais fácil. Ao mesmo tempo, o peso da extrema direita possibilita a construção de uma unidade."
No evento, ficou evidente a proposta ecossocialista que define o coletivo. Estudantes e palestrantes enfatizaram algumas preocupações urgentes: o avanço da inteligência artificial, a terminalidade do capitalismo, a questão identitária e as formas modernas de colonialismo. Nesse ponto, a Palestina surge como tema prioritário da geração Z anticapitalista, que trata Gaza como um bairro da capital paulista.
"A solidariedade internacional é um elemento fundamental para nós, porque o povo palestino está sendo genocidado, isso não é coisa da esquerda, todo mundo sabe o que está acontecendo", diz Pedro Antônio Chiquitti, 21, organizador do evento.
Safatle, que lança agora o livro "A Ameaça Interna", afirma que os coletivos progressistas têm a missão de criar uma nova linguagem para a esquerda. Ele observa uma grande quantidade de produtos da indústria cultural tematizando realidades distópicas, o que seria sintoma do sofrimento psíquico que acomete a geração Z. "Um jovem de 18 anos não tem condições ambientais de vida asseguradas para quando ele completar 40 anos", afirma Safatle. "Talvez a cidade desse jovem não terá ar limpo para ele respirar. Você tem ideia do que é isso?"
Por Gustavo Zeitel/Folhapress
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