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Flávio Bolsonaro critica Lula em TV francesa e chama Macron de incompetente

O principal canal de TV de notícias ligado à ultradireita francesa dedicou meia hora de seu horário nobre nesta segunda (9) a uma entrevista ao vivo com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O pré-candidato à Presidência usou o espaço para atacar o presidente Lula (PT) e o STF (Supremo Tribunal Federal) e chamou de "incompetente" o presidente da França, Emmanuel Macron.

"É muito importante que todos os franceses tenham conhecimento de que o Brasil hoje não vive uma democracia plena. O presidente Bolsonaro foi condenado por seus próprios inimigos", afirmou, citando várias vezes o ministro do Supremo Alexandre de Moraes.

O senador está na Europa para uma agenda de encontros com personalidades da ultradireita do continente. Ele postou foto com a deputada europeia Marion Maréchal, sobrinha da pré-candidata à presidência da França Marine Le Pen, do partido Reunião Nacional (RN).

Na entrevista, Flávio fez referência às suspeitas de desvios no INSS, mencionando Fábio Luís, conhecido como Lulinha, filho do presidente. "O Brasil passa hoje por graves acusações de roubo de aposentados do nosso sistema previdenciário, sendo que é acusado de desviar dinheiro o próprio filho do presidente Lula".

Investigadores apuram se havia alguma ligação de Lulinha com o lobista conhecido como Careca do INSS. Em entrevista ao UOL, na semana passada, Lula afirmou ter dito ao filho, no Palácio do Planalto, que, se tiver algum envolvimento com o escândalo de descontos indevidos de aposentados, ele deve "pagar o preço".

O CNews é atualmente o canal noticioso por assinatura de maior audiência na França, com perfil semelhante ao Fox News, dos Estados Unidos. A emissora francesa é acusada pelos críticos de não respeitar o pluralismo exigido por lei de todos os canais franceses, ao dedicar bem mais espaço a políticos e ideias de ultradireita.

A apresentadora Christine Kelly afirmou em dois momentos que Flávio é "favorito" para a eleição presidencial de outubro, embora tenha ressalvado que ele aparece em segundo lugar nas pesquisas. O senador chegou a afirmar que aparece "inclusive em algumas pesquisas à frente do atual presidente da República". Os mais recentes levantamentos têm apontado Lula como líder em todos os cenários.

Flávio disse esperar novos presidentes nos dois países no ano que vem. "O Brasil não aguenta mais quatro anos de um governo de extrema esquerda. Assim como a França, acredito, não aguenta mais um mandato de um governo de extrema incompetência como o de Emmanuel Macron, que tem feito tanto mal a este país". Na verdade, Macron não pode se candidatar a um terceiro mandato na eleição presidencial francesa, marcada para 2027.

O senador acusou o presidente francês de ter ido ao Brasil "apenas para tirar fotos abraçando árvores na Amazônia". Macron esteve em Belém duas vezes, em 2024, quando foi fotografado de mãos dadas com Lula na floresta, e no ano passado, na COP30, a cúpula ambiental realizada em Belém.

Flávio chegou a afirmar que "a região amazônica foi preservada durante o governo do presidente Bolsonaro, e agora no atual governo do presidente Lula a Amazônia sofreu três anos consecutivos de recorde de queimadas". Ele não apresentou números que corroborassem a afirmação.

Os entrevistadores só pressionaram Flávio em dois momentos. No primeiro, precisaram perguntar duas vezes por que Donald Trump retirou o ministro Alexandre de Moraes da lista de sanções da Lei Magnitsky, em dezembro. "O presidente Trump sabe que o Brasil tem uma posição muito estratégica na geopolítica mundial hoje. Por isso, precisa ter boas relações com o Brasil, independente de quem seja o presidente da República", respondeu o senador.

Em seguida, os jornalistas também fizeram duas perguntas sobre o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, rejeitado quase unanimemente pelos políticos franceses. O senador do PL disse que o acordo foi "um passo adiante importante" que "não vai impactar fortemente os produtores rurais franceses".

Ao falar de política internacional, Flávio Bolsonaro cometeu um erro ao mencionar "a guerra que acontece entre China e Ucrânia, que impacta também a vida de toda a Europa". O conflito envolve a Rússia.

O senador provocou sorrisos dos entrevistadores ao citar, como prova da influência da cultura francesa no Brasil, as "avenidas largas" das grandes cidades brasileiras e palavras como "bufê, sutiã e batom".

Por André Fontenelle/Folhapress

PF cita gestão fraudulenta e diz que aliado de Davi Alcolumbre destinou dinheiro ao Master

Amapá Previdência afirma que se sente lesada; defesa de gestores não foi localizada, e senador diz defender apuração

A PF (Polícia Federal) afirma que a destinação de recursos da Amprev (Amapá Previdência) para o banco Master, em deliberações adotadas em menos de 20 dias, ignorou alertas internos, desprezou riscos relacionados ao investimento e deixou de exigir, previamente, documentação técnica complementar. Ao todo, os aportes somaram R$ 400 milhões.

O então diretor-presidente do instituto e coordenador do comitê de investimentos, Jocildo Silva Lemos, teve "papel central" na condução das reuniões, em julho de 2024, e na execução das decisões aprovadas, segundo a PF.

Jocildo já atuou como tesoureiro da campanha do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e foi indicado ao cargo na Amprev pelo senador, a quem agradeceu publicamente pela indicação. A autarquia é vinculada ao governo do Amapá e é responsável pela gestão do regime próprio de previdência do estado.

Em uma das deliberações sobre compras de letras financeiras do Master, no valor de R$ 100 milhões, a maioria do comitê de investimentos foi favorável à aplicação e a condicionou a uma posterior visita institucional ao banco, sem exigência prévia de documentação, conforme a PF. A polícia diz que isso foi feito de "forma atípica". O fundo previdenciário bancou o aporte nas letras financeiras.

Em 23 de janeiro, a PF no Amapá pediu à Justiça Federal que autorizasse buscas e apreensões nos endereços de três gestores apontados como os responsáveis pelos aportes de dinheiro da previdência no Master. A Justiça concordou com o pedido, e uma operação policial foi deflagrada na última sexta-feira (6), intitulada Zona Cinzenta.

A polícia fez buscas em endereços de Jocildo; José Milton Afonso Gonçalves, conselheiro da Amprev e integrante do comitê de investimentos; e Jackson Rubens de Oliveira, também integrante do comitê de investimentos e participante de reuniões que decidiram por aportes no Master.

Nesta segunda-feira (9), em nota publicada no site do órgão, a Amprev afirmou que "se sente lesada pelos malfeitos do banco Master e não abre mão de ser ressarcida".

Na Justiça, o instituto conseguiu o bloqueio de pagamentos ao banco, disse. Os aportes representariam 4,7% da carteira da Amprev. "A instituição espera que a Justiça seja feita e que os contraventores do banco Master sejam punidos."

A nota não menciona as suspeitas sobre a conduta adotada pelos gestores. A reportagem não conseguiu contato com a assessoria da Amprev nem localizou a defesa dos três investigados.

Alcolumbre não respondeu aos questionamentos. Na sexta, em nota, ele disse defender que tudo seja apurado e esclarecido e que os verdadeiros culpados sejam punidos, com respeito ao devido processo legal.

O Banco Central decretou a liquidação do banco Master em 18 de novembro, um dia depois de o controlador da instituição financeira, Daniel Vorcaro, ser preso pela PF sob a suspeita de tentar fugir do país. O banco enfrentava dificuldades para honrar seus compromissos e há suspeita de crime na gestão de carteiras de crédito.

Segundo a PF, os gestores responsáveis pela aprovação dos aportes da Amprev no Master privilegiaram "critério exclusivamente econômico", sem aprofundar "análise reputacional" e "risco". O crime investigado, conforme a polícia, é o de gestão fraudulenta e temerária de instituição financeira.

"Durante a reunião, foram externados alertas relevantes por outros conselheiros quanto à concentração de recursos da Amprev no Banco Master, à negativa da Caixa Econômica Federal em adquirir títulos da instituição e à existência de notícias sobre procedimentos em órgãos de controle, inclusive TCU e MPF", cita relatório da PF que embasou pedido à Justiça Federal.

"Não obstante tais ponderações, a maioria do comitê deliberou favoravelmente à nova aplicação, condicionando-a, de forma atípica, à realização posterior de visita institucional ao banco Master, sem exigência prévia de documentação técnica complementar", completa o documento.

Jocildo, José Milton e Jackson tiveram participação decisiva para a aplicação dos R$ 400 milhões em letras financeiras do Master, conforme a PF, num "contexto marcado por alertas técnicos, fragilidades de governança, ausência de diligências robustas e crescente concentração de risco".

A hipótese, diz a polícia, é de que houve "violação consciente de normas de governança e de limites prudenciais".

Durante reunião para decisão sobre aporte do dinheiro da previdência estadual, segundo a investigação, Jocildo teria "relativizado" questionamentos técnicos apresentados por outros conselheiros e defendido aprovação das operações com base em fundamentos "genéricos".

"Há registros que sugerem a neutralização de alertas internos e a condução do processo decisório de forma incompatível com os padrões de governança exigidos para a gestão de recursos previdenciários", cita o relatório da PF.

José Milton, segundo a polícia, foi quem apresentou a proposta inicial de aplicação de valores elevados no Master, defendendo a operação com o argumento de maior rentabilidade. Os documentos apontam que ele manteve postura ativa na sustentação dos investimentos mesmo diante de questionamentos técnicos e alertas sobre os riscos envolvidos, diz a PF.

Jackson, por sua vez, não condicionou seu voto à apresentação de documentação complementar, parecer técnico ou aprofundamento de diligências, o que pode configurar-se gestão temerária, segundo a polícia.

Por Vinicius Sassine/Raquel Lopes/Folhapress

Presidente do PT diz a empresários que fim da escala 6x1 deve ser tratado com calma

Edinho Silva disso ainda que Alckmin poderá disputar 'o cargo que quiser' nas eleições de 2026

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou nesta segunda-feira (9) que o fim da escala 6x1 deve ser debatido com cautela no Congresso, ao comentar questionamento de empresários sobre o assunto, em almoço do grupo empresarial Lide.

A pauta, que é alvo de propostas de mudança no Legislativo, tem sido defendida pelo presidente Lula (PT) em discursos e deve ser uma de suas bandeiras de campanha para a disputa à reeleição.

"É um tema que deve ser tratado com calma. O Congresso Nacional é o espaço apropriado para essa discussão", afirmou Edinho, em resposta a pergunta de um empresário, em evento no hotel W. em São Paulo.

Nesta segunda-feira (9), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que iniciou a tramitação de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a jornada de trabalho 6x1, que prevê um dia de descanso para seis de trabalho.

Já o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), disse que procurará Motta para acelerar o processo, defendendo que o Legislativo discuta um PL (Projeto de Lei) em regime de urgência.

No evento do Lide, o tema foi levantado por Paulo Solmucci Júnior, presidente da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes). Segundo ele, uma eventual redução da jornada poderia elevar custos e levar a demissões, sobretudo em setores intensivos em mão de obra, como bares e restaurantes.

Ao responder, Edinho disse ainda que o debate ocorre em vários países do mundo e precisa considerar impactos econômicos e sociais. Defendeu ainda que a pauta esteja associada à distribuição de renda.

"A tecnologia aumentou a produtividade com menor uso de força de trabalho, mas sem criar capacidade de consumo. Em um país como o Brasil, em que 1% da população concentra 25% da renda, esse debate é central", disse.

Após o almoço, em coletiva com jornalistas, Edinho elogiou o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e afirmou que ele poderá disputar "o cargo que quiser" nas eleições de 2026.

"Alckmin é uma pessoa muito querida por todos nós. Eu o admiro pelo trabalho que tem feito. Tenho dito que ele será candidato àquilo que quiser", disse.

Na semana passada, em entrevista ao portal UOL, o presidente Lula afirmou que o PT tinha condições de ganhar as eleições em São Paulo e que tanto Alckmin quanto o ministro da Fazendo, Fernando Haddad, tinham um papel a cumprir no estado. "Eu ainda não conversei com o Haddad, ainda não conversei com o Alckmin, mas eles sabem que têm um papel para cumprir em São Paulo. Eles sabem", disse Lula na ocasião.

Alckmin avisou a dirigentes petistas que não pretende se candidatar a nenhum cargo caso seja retirado da chapa em que Lula tentará reeleição. Haddad também tem dito que não quer se candidatar.

Nesta segunda, Edinho negou a existência de crise entre o presidente Lula e Haddad. Segundo ele, as conversas entre os dois são frequentes e tratam do impacto político de uma eventual saída do ministro da equipe econômica. "O presidente Lula conversa com Haddad cotidianamente. Não existe crise", afirmou.

O dirigente afirmou que o PT trabalha para ampliar alianças, inclusive com partidos de centro e centro-direita. "Temos que construir uma política de alianças para eleger governadores e senadores comprometidos com a democracia e reeleger o presidente Lula. Se partidos de centro-direita quiserem apoiar um programa que deixe legado para as futuras gerações e defendam a democracia, eu não vejo contradição nenhuma", disse.

Segundo Edinho, as definições sobre candidaturas devem avançar até o fim de março, prazo legal de desincompatibilização de cargos públicos.

O dirigente do PT também citou, no evento, a polarização política como fator de desgaste da democracia representativa. "Esse sentimento de insatisfação alimenta um ambiente de polarização que dificulta o diálogo", afirmou.
Por Carolina Faria/Folhapress

Lula reforça discurso voltado a mulheres em evento na Grande São Paulo e fala sobre Tarcísio

Em um discurso repleto de quebras de protocolo, e com uso de palavrões, presidente exaltou políticas contra a violência de gênero.

Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

Em um discurso repleto de quebras de protocolo, com uso de palavrões, o presidente Lula (PT) exaltou políticas contra a violência à mulher, atacou indiretamente o adversário Jair Bolsonaro (PL) e criticou homens com medo de "uma dedada", em referência ao exame de detecção de câncer de próstata.

O petista esteve em Mauá (Grande São Paulo) na tarde desta segunda-feira (9) para evento sobre investimentos em saúde e educação.

Em clima de campanha, o presidente focou em setores considerados cruciais para o resultado das eleições, como os jovens, com quem fala a partir da bandeira da educação, e as mulheres. Lula associou os dois segmentos e focou na necessidade de educação das mulheres, dizendo que " uma menina sem profissão vai se humilhar".

"A mulher não é propriedade do homem. Ela é livre", afirmou. "Uma mulher, quando tem uma profissão, ela vai morar com alguém se ela quiser, ela vai ficar com alguém se ela gostar", disse. "Uma mulher não pode ficar morando com um homem por conta de um prato de comida, por conta do pagamento do aluguel".

Ele falou em mudar o currículo escolar, da creche à universidade, para que os homens aprendam "que não são melhores do que as mulheres" e disse que é preciso intervir em casos de agressão. "Mulher não é saco de pancada de ninguém. Mulher tem que ser respeitada, ela passa o dia inteiro cuidando das crianças, lavando merda, lavando fralda, lavando cama, lavando banheiro, fazendo comida. Chega em casa, tem dois ovos para comer [...] É só ovo? É só ovo! Não comprou carne porque ela não tinha dinheiro, ela não tem culpa. 'Não estou gostando da comida', vai para a cozinha fazer", disse.

No mesmo tom, o presidente afirmou que "nós homens, quando ficamos tomando uma cachaça fora e chegamos em casa tarde, a gente quer que nossa mulher entenda. ‘Não, amor, entenda, eu estava com os meus amigos, eu estava jogando bola’. A gente quer que a mulher compreenda, mas, quando a gente chega em casa, que a mulher não está e ela demora meia hora para chegar, nós já ficamos putos da vida, ficamos nervosos e já ficamos xingando".

Lula ainda criticou homens que, por preconceito, não se submetem ao exame de toque para a detecção precoce do câncer de próstata: "Enquanto a mulher se submete a um monte de exames, o homão tem vergonha de tomar uma dedada".

Além do presidente, os ministros da Saúde, Alexandre Padilha (PT), da Educação, Camilo Santana (PT), e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) fizeram discursos —todos eles em tom eleitoral, comparando a gestão atual com a de Bolsonaro e a de Michel Temer (MDB).

Alckmin, por exemplo, criticou a educação do governo anterior. "A única discussão era homeschooling: estudar fora da escola. Estudar em casa. Proposta racista que nasceu nos EUA, quando a Suprema Corte decidiu que deviam estudar na mesma escola brancos e negros", disse. "Hoje, a prioridade é creche para a mamãe poder ter tranquilidade, escola de tempo integral, Pé-de-meia", afirmou.

Já Padilha alfinetou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao dizer que há governos, como o de Tarcísio, sinalizando que é iniciativa local o programa Agora Tem Especialistas, do governo federal.

"Tem estado que criou a tabela do estado tal. Aqui em São Paulo está acontecendo isso. Vai na TV, fala que criou uma tabela com o nome do estado de São Paulo e não mostra que 70% do recurso dessa tabela é do governo federal, é o presidente Lula que coloca, repassa os recursos para as secretarias estaduais e municipais".

"Eu só quero que se reconheça que o ex-presidente que governou esse país não deu um real para esse estado durante todo o período que governou", afirmou Padilha, em referência a Bolsonaro, padrinho político de Tarcísio.

Ao lado de prefeitos do ABC filiados ao PL, Lula também atacou o antecessor. "Se todo presidente da República e todos os governadores fizessem assim, a gente teria muito menos problemas. Vocês sabem que, no governo passado, os estados do Nordeste que não estavam do lado do presidente não receberam um centavo de ajuda para nada. E podem ter certeza de que eu estou colocando mais dinheiro no estado de São Paulo do que qualquer presidente".

Ele também acenou a prefeitos do PL, dizendo colaborar com as gestões apesar de serem parte da oposição. "Aqui tem dois prefeitos que são do PL. O PL é partido do Bolsonaro. O PL é o maior inimigo nosso da Câmara. Mesmo assim vocês estão recebendo ambulância, porque vocês foram eleitos pelo voto, e eu respeito o voto do povo da cidade de vocês", afirmou aos políticos do ABC.

Ao falar de caravanas para mutirões de exames que seu governo estava entregando, o presidente cometeu um ato falho. Disse que iria a uma caravana com "a Marisa", em referência à primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva, de quem ele é viúvo desde 2017, para depois se corrigir e dizer "Janja" — Rosângela Lula da Silva, 59, com quem é casado desde 2022.

O petista, candidato à reeleição no pleito de 2026, deu a largada para a eleição com estratégia que mira valorizar programas de governo, como o Pé-de-meia, Gás do Povo e Desenrola.

Pela manhã, o presidente participou de ato no Instituto Butantan, em São Paulo, onde anunciou investimento na infraestrutura, produção de vacinas e insumos imunobiológicos. No evento, Esper Kallás, diretor do instituto, se emocionou ao falar da importância da ciência e do SUS (Sistema Único de Saúde) no país.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não compareceu ao ato. Já Lula reforçou o discurso, um dos pilares para a campanha de reeleição, de soberania nacional e cutucou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizendo que se ele "conhecesse o que é a sanguinidade de Lampião num presidente, não ficaria provocando a gente".

Por Bruno Ribeiro/Ana Gabriela Oliveira Lima/Folhapress

Educação de Itagibá inicia 2026 com Selo de Ouro de Alfabetização do MEC

Foto: Divulgação/Prefeitura de Itagibá

O município de Itagibá inicia o ano de 2026 celebrando uma importante conquista na área educacional: o Selo Ouro do Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização, certificação máxima concedida pelo Ministério da Educação (MEC). O reconhecimento destaca os esforços e as iniciativas exitosas das secretarias municipais de Educação na formulação e implementação de políticas públicas que asseguram o direito à alfabetização das crianças.

A conquista do Selo Ouro reafirma, mais uma vez, o compromisso de Itagibá com a alfabetização na idade certa e com a oferta de uma educação pública de qualidade, socialmente referenciada. Mais do que uma certificação, o prêmio simboliza o reconhecimento de um trabalho planejado, contínuo e articulado, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação em parceria com gestores, coordenadores pedagógicos, professores e demais profissionais da rede.

Foto: Divulgação/Prefeitura de Itagibá

Os dados reforçam a relevância da conquista: dos 417 municípios da Bahia, apenas 45 alcançaram o Selo Ouro. No Território Médio Rio das Contas, Itagibá ficou entre mais um município com nota máxima, o que evidencia o destaque regional do trabalho educacional desenvolvido no município.

Essa não é a única boa notícia para a educação de Itagibá neste início de ano. Em janeiro de 2026, o município também se destacou nacionalmente com a premiação de 21 professores no programa Mais Professor, do Governo Federal. Os docentes foram reconhecidos por sua atuação de destaque e cada um receberá o valor de R$ 3.000,00 para a aquisição de equipamentos eletrônicos, como notebooks, computadores ou tablets, contribuindo diretamente para o fortalecimento da prática pedagógica.

Foto: Divulgação/Prefeitura de Itagibá

Com resultados expressivos e reconhecimento em âmbito regional e estadual, Itagibá inicia 2026 consolidando-se como referência em políticas educacionais, reafirmando que investir em educação é investir no presente e no futuro das crianças do município.
Divulgação: Prefeitura de Itagibá

Exploração sexual: Avó teria "vendido" três netas para piloto preso em SP

Mulher de 55 anos recebia pagamentos de piloto de 60 anos, também detido, por estupro de vulneráveis e pornografia infantil.


Uma mulher de 55 anos foi presa em Guararema, na Grande São Paulo, nesta segunda-feira (9), por "vender" suas netas menores de idade a um piloto, que também foi detido dentro de um avião na zona Sul da capital paulista.

De acordo com a Polícia Civil, ela teria recebido pagamento por parte do piloto em troca da exploração sexual das crianças.
Veja o momento da prisão:
Sérgio Antonio Lopes, de 60 anos, o piloto, foi preso dentro de um avião no Aeroporto de Congonhas. Ele é suspeito de exploração de pornografia infantil e estupro de vulnerável há pelo menos oito anos.

Segundo as investigações do DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa), o homem frequentaria móteis com menores de idade usando documento falso. Além disso, ele também é suspeito de armazenar e vender material de pornografia infantil.

Entenda a operação

As diligências foram realizadas durante a Operação Apertem os Cintos, realizada pela 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia do DHPP.

Além dos mandados de prisão temporária, a operação cumpre também cumpre oito mandados de busca e apreensão contra quatro investigados. Ao todo, a ação contou com a participação de 32 policiais civis e 14 viaturas.

A mãe de uma das vítimas também foi presa em flagrante após a investigação descobrir que ela enviava vídeos da filha para o piloto, além de armazenar e transmitir conteúdo.

Segundo a Polícia Civil, o inquérito policial começou em outubro de 2025. Desde então, já foram identificadas três vítimas, com 11, 12 e 15 anos, todas submetidas a graves situações de abuso e exploração sexual. Ainda segundo os policiais, a rede criminosa estruturada era voltada à exploração sexual de crianças e adolescentes.

São investigados crimes de estupro de vulnerável, estupro, favorecimento da prostituição e da exploração sexual de criança e adolescente, uso de documento falso, produção, armazenamento e compartilhamento de material de pornografia infanto-juvenil, perseguição reiterada (stalking), aliciamento de crianças e coação no curso do processo, evidenciando grave violação à dignidade sexual de crianças e adolescentes.

De acordo com a SSP (Secretaria de Segurança Pública), os crimes apurados integram uma estrutura organizada de exploração sexual infantil, com indícios de habitualidade, divisão de funções e atuação coordenada entre os envolvidos.

A CNN Brasil tenta contato com a defesa do piloto. O espaço segue aberto.

Em nota enviada à CNN Brasil, a Latam informou que, após a prisão, o voo operou normalmente e que abriu apuração interna e está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.

Leia a nota:

"A LATAM Airlines Brasil confirma que está ciente do ocorrido na manhã desta segunda-feira (9/2) durante os procedimentos de embarque do voo LA3900 (São Paulo/Congonhas–Rio de Janeiro/Santos Dumont), no qual um de seus tripulantes foi detido pelas autoridades policiais. O voo operou normalmente, decolando e pousando no horário previsto.

A LATAM informa que abriu apuração interna e está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. A companhia repudia veementemente qualquer ação criminosa e reforça que segue os mais elevados padrões de segurança e conduta."

Khauan Wood, da CNN Brasil*, Carolina Figueiredo, da CNN Brasil, em São Paulo

Prefeitura de Ibirataia realiza mutirão no final de semana e aproveita estiagem para recuperar estradas rurais

Ações de patrolamento e encascalhamento beneficiam as regiões do Pati, Mocambinho e Santa Rita, com mutirão realizado no final de semana para recuperar vias danificadas pelas chuvas.

A Prefeitura de Ibirataia segue intensificando as ações de manutenção das estradas vicinais na zona rural do município, com o objetivo de garantir melhores condições de tráfego e assegurar o acesso das comunidades do campo aos serviços essenciais. Aproveitando o período de estiagem, a gestão municipal colocou duas frentes de trabalho atuando simultaneamente e promoveu um mutirão no último final de semana, acelerando os serviços de patrolamento e encascalhamento em diversos trechos.

As ações contemplaram, principalmente, as regiões do Pati, Mocambinho e Santa Rita, localidades que sofreram impactos significativos em decorrência das fortes chuvas registradas nos últimos dias. O grande volume de água provocou danos às estradas, dificultando o deslocamento de moradores, o transporte da produção agrícola e o acesso de estudantes às unidades escolares. Diante desse cenário, a Prefeitura autorizou a execução imediata dos serviços, priorizando os pontos mais críticos.

Na região do Pati, a ladeira do Calçadão recebeu uma atenção especial das equipes da Secretaria Municipal de Infraestrutura. O trecho, considerado estratégico para a mobilidade local, passou por intervenções mais detalhadas, visando oferecer maior segurança aos condutores e pedestres que utilizam diariamente a via.

De acordo com o secretário municipal de Infraestrutura, Weligton Sobrinho, a atuação intensificada reforça o compromisso da gestão com a melhoria da mobilidade no meio rural. Segundo ele, o trabalho contínuo nas estradas vicinais é fundamental para garantir dignidade às famílias do campo, além de fortalecer a economia local, que depende diretamente das boas condições de acesso para o escoamento da produção agrícola.

“O nosso objetivo é assegurar estradas em melhores condições, permitindo que os moradores circulem com mais segurança e tranquilidade. Sabemos da importância dessas vias para o dia a dia das comunidades rurais, por isso estamos aproveitando cada janela de estiagem para avançar com os serviços”, destacou o secretário.

O prefeito Sandro Futuca também ressaltou que a recuperação das estradas vicinais é uma das prioridades da administração municipal. Segundo o gestor, mesmo sendo período de final de semana, as equipes não pouparam esforços para atender as regiões mais afetadas pelas chuvas recentes.

“Assim que o tempo permitiu, mobilizamos nossas equipes e aproveitamos os dias de estiagem para intensificar os trabalhos, inclusive no final de semana. Nosso compromisso é melhorar a qualidade de vida da população rural, que sofreu bastante com os transtornos causados pelas fortes chuvas dos últimos dias”, afirmou o prefeito.

A Prefeitura de Ibirataia segue monitorando as condições das estradas em toda a zona rural e informa que novas frentes de trabalho poderão ser acionadas conforme a necessidade, mantendo o foco na recuperação da infraestrutura e no bem-estar da população.

Fonte: Ascom/Prefeitura de Ibirataia

Senhor do Bonfim: Hospital Dom Antônio Monteiro será estadualizado e terá aumento de 32% no número de leitos

A proposta para estadualização do Hospital Municipal Dom Antônio Monteiro (HMDAM), em Senhor do Bonfim, no norte da Bahia, foi apresentada nesta segunda-feira (9) pela secretária da Saúde do Estado, Roberta Santana, ao lado do secretário de Relações Institucionais, Adolpho Loyola. A apresentação ocorreu em uma coletiva para a imprensa na Câmara de Vereadores do município.
 
Com a estadualização, a unidade passará a integrar a rede da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) e será reformada e ampliada, com investimento total de R$ 21,4 milhões em obras e aquisição de equipamentos. A principal mudança será a ampliação da capacidade assistencial, com um aumento de 32% no número de leitos, saltando dos atuais 87 para 115 leitos, consolidando-se como hospital regional de referência.
A cessão do hospital ao Governo do Estado está prevista para o mês de março, após aprovação pela Câmara de Vereadores, quando a Sesab assumirá integralmente o custeio da unidade. O investimento anual estimado para manutenção e funcionamento do hospital será de aproximadamente R$ 55 milhões, garantindo atendimento contínuo, ampliação da resolutividade e integração plena à regulação estadual.
No novo perfil assistencial, o HMDAM contará com 115 leitos distribuídos entre clínica médica, cirúrgica, pediátrica, obstétrica e saúde mental, além de 10 leitos de UTI Adulto e 10 de UTI Neonatal. A unidade também ofertará atendimento de urgência e emergência 24 horas, ambulatório estruturado e serviços de diagnóstico e terapêutica ampliados, como tomografia, exames laboratoriais e apoio especializado, fortalecendo a assistência de média complexidade na região .

A secretária Roberta Santana destaca que a estadualização permitirá elevar o padrão de atendimento e integrar o hospital à lógica regionalizada do SUS na Bahia. “Estamos falando de uma unidade que passa a operar como hospital regional, com mais leitos, mais serviços e maior capacidade de resposta às necessidades da população do norte do estado. A integração à rede estadual garante escala, qualidade assistencial e segurança no cuidado”, afirmou.

Fotos: Leonardo Rattes / Saúde GovBA

Carnaval eleva risco de intoxicação alimentar

Comida mal armazenada pode acabar com a folia

O Carnaval movimenta multidões, longas horas de festa e altas temperaturas, combinação que acende um alerta importante para a saúde: o aumento dos casos de intoxicação alimentar. Em meio à maratona de blocos, trios elétricos e festas de rua, muitos foliões recorrem a refeições improvisadas, alimentos de procedência duvidosa e bebidas mal armazenadas, o que pode transformar a alegria da folia em mal-estar e atendimento de emergência.

Em eventos de grande porte, como o Carnaval de Salvador, que em 2025 registrou mais de 11 milhões de acessos aos circuitos, a atenção com a alimentação torna-se ainda mais necessária. O calor intenso favorece a proliferação de bactérias, vírus e toxinas, especialmente quando os alimentos ficam expostos por longos períodos sem refrigeração adequada.

Principais causas
Segundo o gastroenterologista Luiz Almeida, coordenador do serviço de Gastroenterologia e Endoscopia Digestiva do Hospital Mater Dei Emec (HMDE), as altas temperaturas são um dos principais fatores de risco para a contaminação alimentar. “O calor facilita a multiplicação de microrganismos quando os alimentos não são armazenados corretamente ou permanecem muito tempo fora da refrigeração. Isso é comum em festas de rua, onde o controle sanitário é mais difícil”, explica.
Carnes mal cozidas, maioneses caseiras, frutos do mar, laticínios, gelo contaminado e água de procedência duvidosa estão entre as causas mais frequentes de intoxicação alimentar. De acordo com o especialista, muitas ocorrências não estão relacionadas ao alimento em si, mas à forma como ele é manipulado, conservado ou reaproveitado ao longo do dia.

Sintomas, diagnóstico e tratamento

Os sintomas costumam surgir poucas horas após a ingestão do alimento contaminado e incluem náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal, febre e mal-estar geral. Em quadros mais graves, o paciente pode apresentar sinais de desidratação, tontura e queda da pressão arterial. “Quando os sintomas persistem por mais de 24 horas, há febre alta, sangue nas fezes ou sinais claros de desidratação, é fundamental procurar atendimento médico”, orienta Luiz Almeida. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas formam o grupo mais vulnerável às complicações.

O diagnóstico da intoxicação alimentar é essencialmente clínico, baseado na avaliação dos sintomas e no histórico recente de alimentação. Em situações específicas, exames laboratoriais podem ser solicitados para identificar o agente causador.

O tratamento, na maioria dos casos, consiste em hidratação adequada, repouso e dieta leve, com acompanhamento médico quando necessário. O gastroenterologista alerta que a automedicação pode agravar o quadro, especialmente com o uso inadequado de antibióticos ou antidiarreicos.

Prevenção é a melhor opção

A prevenção, segundo os especialistas, continua sendo a melhor forma de evitar problemas durante a folia. Priorizar alimentos preparados na hora e bem cozidos, evitar comidas expostas ao sol ou sem refrigeração, observar a higiene do local e dos manipuladores, consumir apenas água mineral lacrada ou filtrada e manter as mãos limpas são medidas simples que reduzem significativamente o risco de intoxicação alimentar.

“Na dúvida, é melhor não consumir. Uma escolha errada pode interromper a festa e gerar complicações que duram dias”, reforça o gastro Luiz Almeida. Ele lembra que os mesmos cuidados devem ser adotados em outros grandes eventos populares ao longo do ano, como micaretas e festas de rua. “Comer com atenção é uma forma de garantir que a festa termine bem”, conclui o especialista do Hospital Mater Dei Emec.

Assessoria de Imprensa: Cinthya Brandão – (71) 99964-5552
Carla Santana – (71) 99926-6898

PF deflagra Operação Rota Marítima contra o tráfico de drogas

Ação visa desarticular organização criminosa responsável por logística de tráfico internacional de drogas pelo litoral maranhense.
São Luís/MA. A Polícia Federal deflagrou, nesta segunda-feira, 9/2, a Operação Rota Marítima, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa investigada por atuar no tráfico internacional de entorpecentes a partir do litoral maranhense.

As investigações apontaram a existência de um grupo estruturado e com divisão de tarefas, responsável pela logística de recebimento, de ocultação, de transporte e de envio de carregamentos de drogas ao exterior, mediante rotas marítimas.

Na ação, foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e um mandado de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Federal no Maranhão.

Os investigados poderão responder pelos crimes de tráfico de drogas, de associação para o tráfico e de organização criminosa.

Comunicação Social da Polícia Federal no Maranhão

PF apura esquema envolvendo sorteios irregulares e prêmios em dinheiro

Operação Aleatorius apura desvirtuamento de títulos de capitalização e indícios de lavagem de dinheiro no Piauí, no Ceará e no Pernambuco.
Teresina/PI. A Polícia Federal deflagrou, nesse domingo (8/2), a Operação Aleatorius, com o objetivo de interromper a atuação fraudulenta de uma empresa que comercializava títulos de capitalização. Há suspeita de desvirtuamento das autorizações concedidas pelo órgão competente do Ministério da Fazenda, diante de indícios de irregularidades na realização de promoções comerciais e na destinação dos recursos arrecadados.

Policiais federais cumpriram sete mandados de busca e apreensão em Teresina/PI, em Juazeiro do Norte/CE, em Garanhuns e em Caruaru/PE, além da suspensão das atividades da empresa envolvida, expedidos pela 1ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Piauí.
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, foram apreendidos cerca de R$ 850 mil em espécie, além de aparelhos celulares e de documentos, que serão analisados e poderão contribuir para o aprofundamento das investigações.

As diligências apontaram que a empresa investigada fora, possivelmente, além dos limites previstos nas autorizações legais, promovendo sorteios frequentes, com prêmios de alto valor, e adotando critérios próprios para apuração e para divulgação dos resultados, em desacordo com o regulamento aprovado. A prática pode ter levado consumidores a acreditarem, de forma equivocada, que a atividade era regular e oficialmente autorizada.

Os levantamentos também identificaram indícios de movimentação de grandes quantias fora do sistema bancário formal, incluindo possível fracionamento de valores e pagamento de prêmios em dinheiro. Esses fatos podem estar relacionados a crimes como lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, falsificação de selo ou sinal público e delitos contra a ordem tributária, entre outras infrações que ainda estão sendo apuradas.

Justiça e Segurança

CPI do INSS cancela audiência que ouviria filho de Camisotti e deputado estadual do MA

O presidente da CPI mista do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), senador Carlos Viana (Podemos-MG), cancelou a audiência do colegiado prevista para esta segunda-feira (9) que ouviria Paulo Camisotti, filho do empresário Maurício Camisotti, e o deputado estadual do Maranhão Edson Araújo (PSB).

Segundo Viana, Camisotti apresentou um atestado médico "de última hora", enquanto Edson Araújo foi orientado pela Junta Médica do Senado a não viajar a Brasília devido a uma cirurgia feita recentemente, apesar da avaliação de que ele estaria apto a depor na CPI.

"O cancelamento ocorre após o senhor Paulo Camisotti apresentar atestado médico de última hora, informando a impossibilidade de comparecimento à oitiva para a qual estava regularmente convocado", escreveu o senador em publicação no X (ex-Twitter).

"A Junta Médica do Senado decidiu que o senhor Edson Queiroz está em condições de prestar depoimento, mas não deve se deslocar até Brasília neste momento, em razão de cirurgia recente. Diante disso, a oitiva será remarcada para data oportuna, em estrito respeito à recomendação médica", afirma outra nota de Viana.

Os depoimentos serão remarcados. A nova data ainda não foi informada pelo presidente do colegiado.

Como mostrou a Folha, relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) apontam que R$ 59,9 milhões foram pagos à Rede Mais Saúde, administrada por Paulo Camisotti. Seu pai, Maurício, é apontado como possível beneficiário do esquema de desvios.

Os documentos também mostram que R$ 16,1 milhões foram repassados à Prospect Consultoria Empresarial, de Antonio Carlos Camilo Antunes, que é apontado como o operador do esquema e que ficou conhecido como "Careca do INSS".

Tanto Antunes quanto Maurício Camisotti estão presos desde 12 de setembro. A Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) validou a prisão, decretada sob o argumento de que os dois tentavam frustrar as investigações sobre os descontos em benefícios previdenciários.

Já Edson Araújo foi convocado a depor na CPI do INSS por ser vice-presidente da CBPA (Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura). A entidade é uma das citadas na Operação Sem Desconto, da PF (Polícia Federal), que investiga as fraudes.

Por Isadora Albernaz/Folhapress

Gasto da Câmara com viagens aumenta 78% no primeiro ano de Motta

O gasto da Câmara dos Deputados com o pagamento de diárias para alimentação e hospedagem de parlamentares em viagens oficiais aumentou 78% no primeiro ano da gestão de Hugo Motta (Republicanos-PB) e passou de R$ 2,1 milhões, em 2024, para R$ 3,8 milhões, em 2025.

A variação não considera a inflação no período, que foi de cerca de 5%. Dados compilados obtidos pela Folha indicam que 202 dos 513 deputados federais pediram o benefício em 2025, ante 153 no ano anterior, fazendo com que o total de diárias também subisse de 876 para 1.482.

Têm em comum, nos dois anos, alguns dos principais cartões postais do mundo, como Londres, Roma, Genebra, Nova York e Buenos Aires. No ranking dos dez principais destinos, nenhum brasileiro.

Palco do "Gilmarpalooza", como ficou conhecido o Fórum Jurídico capitaneado pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes, Lisboa aparece no topo da lista. Em 2024, a Câmara pagou diárias até a capital portuguesa para 33 deputados federais; em 2025, para 42.

No ano passado, uma edição inédita do "Gilmarpalooza" também motivou a ida de parlamentares para a capital da Argentina.

Já Nova York e Londres viraram polos de atração por conta, respectivamente, do roteiro conhecido como Brazil Week e do fórum empresarial Lide, organizado pelo ex-governador de São Paulo João Doria.

No ano anterior, o Fórum Esfera Internacional, promovido pelo grupo Esfera Brasil, colocou a Itália na rota das autoridades brasileiras.

Apesar de milionário, o valor das diárias inclui apenas pequenas despesas de transporte local, como táxis, mas não o gasto com passagens aéreas ou, no caso do presidente Hugo Motta, com o uso de aviões da FAB (Força Aérea Brasileira).

O deputado federal Cláudio Cajado (PP-BA), por exemplo, recebeu R$ 40 mil para pagar as passagens até o Uzbequistão, em abril do ano passado, além de R$ 12 mil em diárias, para participar da assembleia da UIP (União Interparlamentar), organização que reúne 178 Parlamentos.

Cajado diz que integra a Comissão de Relações Exteriores há anos e é hoje vice-presidente do Brasil da UIP, além de membro do comitê executivo mundial. O deputado afirma que os países integrantes precisam participar das atividades "marcando posição, debatendo e votando as matérias".

"Fui eleito para um mandato na UIP por quatro anos e não represento a mim próprio, mas o Brasil e os países que integram o grupo geopolítico [da América Latina e Caribe]", diz, destacando que as missões a que se dedica são sempre institucionais, oficiais e autorizadas.

O presidente da Câmara, recordista de viagens no ano passado, diz que o aumento de despesas com missões oficiais deve ser entendido dentro do contexto "de crescente apelo pela chamada diplomacia parlamentar", além do maior protagonismo do Congresso.

Ele afirma que o estado de tensão e incerteza mundial faz com que seja ainda mais importante que todos estejam mais bem informados e conectados e que, por isso, é natural que os deputados "interajam mais com suas contrapartes estrangeiras".

Motta também destaca que o Congresso exerceu a presidência do P20 (G20 dos Parlamentos) em 2024 e do Fórum Parlamentar do Brics em 2025. "Essa condição de liderança também eleva a atenção de parceiros estrangeiros para os trabalhos do Parlamento brasileiro, com a consequente demanda por contatos", diz.

O valor das diárias foi reajustado em 60% em abril de 2024 pelo então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), subindo para US$ 391 (cerca de R$ 2040) para países da América do Sul, US$ 428 (aproximadamente R$ 2233) para os demais e R$ 842 para viagens nacionais. O presidente ganha um valor maior: US$ 428, US$ 550 (por volta de R$ 2869) e R$ 981, respectivamente.

O deputado federal Murilo Galdino (Republicanos-PB) participou de cinco missões oficiais em 2025 e recebeu R$ 55 mil em diárias —o quarto maior valor pago pela Câmara no ano. Galdino diz que foi a todas as agendas na condição de presidente da Comissão Especial da Nova Lei dos Portos.

"Foram necessárias algumas viagens e deslocamentos para conhecer a realidade portuária de outros países", diz, acrescentando que há total transparência e que a análise de gastos públicos deve sempre observar o propósito e o resultado, não só o valor.

Todos os parlamentares procurados apresentaram diferentes justificativas para a necessidade das missões. O deputado federal Pedro Paulo (PSD-RJ) diz que tem recebido muitos convites por ser o relator da reforma administrativa. No Fórum Jurídico de Lisboa do ano passado, por exemplo, afirma que foi o palestrante do primeiro debate.

"Quando recebo esses convites, eu não aceito que paguem a passagem. Eu prefiro que seja um gasto [da Câmara] do que um patrocínio de empresa, entendeu? É uma escolha de compliance minha", diz.

Recordista de viagens em 2024, Zé Vitor (PL-MG) foi um dos participantes do Fórum Esfera Internacional em Roma. Todas as outras viagens, segundo ele, se deram em razão da Frente Parlamentar do Etanol, da qual é presidente.

O deputado afirma que também foi à 29ª COP (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), em Baku (Azerbaijão), como membro da Comissão de Meio Ambiente.

"Não viajo a passeio nem para participar do ‘Gilmarpalooza’. Quando eu piso fora do Brasil em nome da Câmara, é para trabalhar e poder representar o setor produtivo", diz, acrescentando ter feito visitas técnicas sobre a produção de açúcar a partir de beterraba, por exemplo.

O deputado federal Lucio Mosquini (MDB-RO) teve o terceiro maior gasto de 2024, com R$ 37 mil. Ele participou de três missões oficiais —para Lisboa, onde participou do "Gilmarpalooza", Roma e Guayaramerín (Bolívia).

"O deputado, no ano de 2023/2024, foi membro da Mesa Diretora, e as viagens foram todas a serviço da Câmara dos Deputados. No ano de 2025, não houve viagem", disse, em nota, em referência ao cargo de quarto secretário.

Já a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) recebeu R$ 36 mil em diárias e outros R$ 22 mil em passagens para participar de três missões oficiais em 2024 —dentre elas, a eleição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A deputada diz que o nome dela "é lembrado quando se trata da defesa dos direitos humanos", em uma referência aos casos de bolsonaristas acusados de tentativa de golpe.

Uma das agendas daquele ano foi uma audiência pública intitulada "Brasil: crise da democracia, da liberdade e do Estado de Direito". "Fui convidada a participar de várias missões oficiais e fóruns internacionais pelo reconhecimento do meu trabalho na defesa da liberdade e contra violações de direitos", diz.

O deputado João Carlos Bacelar (PL-BA) foi procurado, mas não quis se manifestar. Bacelar foi o segundo deputado que mais gastou em 2024 e o terceiro em 2025.

Por Thaísa Oliveira/Folhapress

Estratégia de Fachin para código de conduta no STF divide até ministros favoráveis à ideia

A estratégia do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, para avançar com um código de ética para a corte divide até mesmo ministros favoráveis à criação de regras de conduta.

Em avaliações internas, Fachin indicou que conta com o apoio da maior parte dos dez ministros atualmente no tribunal para aprovar a proposta, que se tornou uma bandeira de sua gestão.

Mesmo entre apoiadores, no entanto, há hesitações em relação ao momento escolhido para o debate. A preocupação de um grupo de ministros é que a discussão fragilize a corte e fomente ataques em meio a uma crise de imagem e num momento em que há integrantes vulneráveis por questionamentos sobre suas condutas.

A ideia de um código é bem recebida por grupos diferentes no STF, segundo relatos feitos por ministros e assessores. Além de Fachin, Cármen Lúcia (anunciada como a relatora do projeto), Cristiano Zanin, Luiz Fux, André Mendonça e Flávio Dino comporiam o grupo receptivo à concepção de uma proposta.

Estão nessa ala, portanto, ministros que já divergiram em momentos importantes do tribunal, como na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por golpe de Estado —caso de Zanin e Fux.

Críticos ao projeto já haviam manifestado receio quanto ao momento da discussão, mas Fachin terá de lidar com a resistência também de ministros que concordam com a ideia.

Alguns magistrados passaram a enxergar o risco de a proposta ser vista como resposta a ataques e, assim, dar razão às acusações.

Esse é um dos motivos pelos quais o presidente passou a considerar a possibilidade de deixar a discussão concreta para depois das eleições. Com a articulação, o ministro ganha tempo para tentar consolidar apoios.

Para avançar, Fachin terá de ampliar o debate interno. Com o recesso judiciário, os ministros ficaram mais de 40 dias sem um encontro conjunto. Além disso, um almoço entre os ministros, que ocorreria na quinta (12), foi cancelado.

Na volta do recesso, Fachin avisou aos colegas que havia escolhido Cármen para elaborar o texto do código e teve diálogos individuais com os ministros, mas as conversas ainda não foram aprofundadas.

A hesitação de apoiadores e opositores também passa pela ausência de um texto formal. Ao menos três ministros que têm diferentes visões sobre o tema avaliam estar diante de uma discussão ainda abstrata.

Para uma ala de ministros, mais simpática à ideia, o código de ética é uma resposta importante que o Supremo deve dar à sociedade para fazer frente à crise de imagem agravada por desdobramentos da investigação sobre o Banco Master.

O escritório da esposa de Alexandre de Moraes, a advogada Viviane Barci, firmou um contrato de R$ 3,6 milhões mensais com a instituição financeira para representá-la na Justiça, segundo o jornal O Globo.

Além disso, empresas de parentes do ministro Dias Toffoli fizeram parte de uma sociedade com um fundo de investimentos ligado ao Master no resort Tayayá, no Paraná, como revelou a Folha.

Na primeira sessão plenária de 2026, na quarta-feira (4), Dias Toffoli, relator da investigação sobre o Master, defendeu que juízes podem ser sócios de empresas, desde que não dirigentes.

Alexandre de Moraes também reagiu publicamente. Ele negou que integrantes da corte julguem casos com os quais tenham relação pessoal e disse que a opinião pública "passou a demonizar palestras".

O ministro também afirmou que a Constituição e a Loman (Lei Orgânica da Magistratura Nacional) "bastam para regrar a magistratura", fala que foi compreendida internamente como uma crítica às diretrizes do atual presidente do STF.

A referência à Loman também já foi feita pelo decano, Gilmar Mendes, desde o fim do ano passado. O ministro defende que o país já conta com regras adequadas para balizar a atividade.

Por Ana Pompeu/Folhapress

INSS cria fila nacional, mas doentes graves seguem sem atendimento prioritário

Transplantado, com perda de audição em um dos ouvidos e diagnóstico de câncer de pele em estágio avançado, Eduardo da Costa, 53, solicitou um benefício por incapacidade ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) em 25 de dezembro de 2025, mas teve sua perícia médica agendada apenas para março.

Sem conseguir atendimento presencial nas agências, o motoboy segue sem renda previdenciária, mesmo impossibilitado de exercer a profissão. Ele afirma depender quase exclusivamente dos canais digitais do instituto para tentar resolver a situação e acelerar o processo, mas diz que o aplicativo e os sistemas do INSS apresentam instabilidade frequente.

Eduardo é um dos segurados que devem ser alcançados pela fila nacional de análise de benefícios, criada em meados de janeiro pelo instituto. Com a mudança, os pedidos deixaram de ser organizados apenas de forma regional, e servidores de localidades com menor demanda passaram a atuar em processos de áreas onde o tempo de espera é maior.

Apesar disso, a nova fila começa a operar sob pressão de casos graves, com segurados em situação crítica ainda à espera de perícia e sem acesso ao benefício. Especialistas apontam que a dificuldade em diferenciar casos mais graves ocorre porque a fila do INSS é composta majoritariamente por segurados que já se enquadram em algum tipo de prioridade legal, como idosos, pessoas com deficiência ou com doenças incapacitantes.

Na prática, isso faz com que situações de gravidade distinta sejam tratadas de forma semelhante na marcação da perícia, já que não há determinação para que o sistema classifique os pedidos com base na urgência clínica antes da avaliação médica.

Em nota, o MPS (Ministério da Previdência Social) afirma que a fila de perícias é única e organizada pela data de entrada do requerimento. "A fila respeita a ordem de entrada dos pedidos, não sendo possível distinguir graus de gravidade", diz o órgão. Segundo a pasta, a enfermidade do segurado só é identificada no momento da realização da perícia médica.

O colunista da Folha e advogado previdenciário Rômulo Saraiva diz que a falta de priorização clara ainda é um dos principais problemas do sistema. Segundo ele, apesar de existirem leis que asseguram atendimento preferencial a determinados grupos em situações como o pagamento de precatórios, o fluxo de marcação de perícias do INSS não distingue a gravidade dos casos no momento do agendamento.

O tamanho atual da fila do instituto também representa um desafio adicional para segurados que dependem do benefício. De acordo com o Boletim Estatístico da Previdência Social de dezembro de 2025, o INSS soma hoje mais de 3 milhões de requerimentos de benefícios em análise ou aguardando perícia médica inicial. O número representa um novo recorde e contrasta com a promessa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de zerar a fila.

Desse total, cerca de 982,2 mil estão dentro do prazo de até 45 dias, enquanto quase 1,7 milhão já ultrapassou esse período. Outros 357 mil pedidos permanecem pendentes por falta de cumprimento de exigências documentais por parte dos segurados. A região Nordeste concentra o maior volume de pendências, com mais de 1,08 milhão de requerimentos.

Há ainda casos, de acordo com Saraiva, em que pessoas se machucam e esperam tanto tempo que, quando realizam a perícia, já estão melhores ou até voltaram a trabalhar, o que pode levar à negativa do benefício ou à não concessão dos valores de forma retroativa.

Arianne Liz, 34, por exemplo, é funcionária de uma empresa de logística e está afastada desde o fim de outubro, quando rompeu o ligamento do joelho e lesionou o menisco. Ela passou por cirurgia, apresentou laudos médicos que indicam necessidade de afastamento e tenta desde novembro realizar a perícia.

O agendamento acabou marcado apenas para março, após tentativas frustradas de antecipação por telefone e pelo aplicativo Meu INSS. Segundo Arianne, ela tentou enviar documentos para adiantar o processo, mas o INSS informou que os arquivos estavam corrompidos.

"Como tenho vários laudos, mandei todos, e eles explicam que tenho de ligar no 135 [central telefônica do INSS], mas a espera passa de 30 minutos e, quando atendem, a ligação cai", afirma. Sem renda, Arianne diz que hoje conta com a ajuda da mãe e de outros familiares para se manter. Ela diz que, caso o benefício seja negado, pretende recorrer à Justiça.

O MPS diz que, nos últimos meses, a fila da perícia foi impactada pelo aumento significativo na quantidade de requerimentos de benefícios ao INSS, mudanças legislativas e também pelos processos de revisão de benefícios por incapacidade e BPC (Benefício de Prestação Continuada). "A expectativa é que, nos próximos meses, com a atuação dos 500 novos peritos nomeados recentemente e mudanças administrativas, haja redução na fila de espera."

Rômulo Saraiva diz que o grande contingente de servidores da autarquia em regime de home office também pode estar afetando o atendimento aos beneficiários. Para o especialista, com o retorno de um número maior de funcionários ao trabalho presencial, a fila poderia avançar com mais rapidez.

"A demanda social da Previdência é muito peculiar. São pessoas que não sabem mexer no celular, que não têm internet, que têm dúvidas mesmo", afirma.

O Ministério da Previdência Social diz que as principais ações para enfrentar a fila da perícia médica incluem:A análise documental por meio do atestado médico (Atestmed), realizado de forma remota, com cerca de 400 mil análises por mês;
A modalidade Perícia Conectada, que utiliza a telemedicina para a realização das perícias médicas. Em 2025, segundo o MPS, cerca de 250 mil segurados foram atendidos por meio do sistema;
Os mutirões de perícias, que buscam reduzir o tempo de espera dos segurados por benefícios que dependem da avaliação médica;
A contratação de 500 novos peritos médicos para reforçar o atendimento.

CRIAÇÃO DA FILA NACIONAL

Elimar Mello, advogado especialista em direito previdenciário e sócio do escritório Badaró Almeida & Advogados Associados, afirma que a unificação e criação de uma fila nacional é uma medida urgente e necessária. Segundo ele, com a mudança, o tempo de espera deixa de depender da região onde o pedido foi feito e passa a seguir a ordem cronológica de entrada dos requerimentos, o que tende a equilibrar também o volume de trabalho entre servidores em todo o país.

Ele adiciona que a medida ganha relevância diante da definição de prioridade para pedidos com mais de 45 dias de espera e para os casos considerados mais sensíveis, como o BPC (benefício para idosos e pessoas com deficiência de baixa renda) e os benefícios por incapacidade, que, de acordo com dados do governo, representam mais de 80% dos processos represados.

Apesar disso, Mello ressalta que, nos casos que exigem exame médico presencial, o andamento continua condicionado à disponibilidade de peritos em cada localidade. "A fila nacional agiliza a concessão do direito, mas não multiplica o número de médicos nas agências", afirma.

Rômulo Saraiva também aponta que, apesar de importante, a redistribuição da fila pode esbarrar em diferenças regionais. Segundo ele, servidores de uma região podem não ter domínio sobre as peculiaridades de outra, como em casos de análise de trabalhadores rurais ou extrativistas. Nessas situações, diz, a tendência é a negativa do benefício em caso de dúvida, o que apenas desloca o problema para a fila de recursos administrativos ou para a Justiça, que são ainda mais lentas.

De acordo com INSS, com a nacionalização da fila, em uma semana, mais de 118 mil tarefas foram puxadas para análise de pedidos de benefícios que aguardavam havia mais de 45 dias. Desse total, o instituto diz que 60 mil já tiveram a análise concluída.

TEMPO DE ESPERA E JUDICIALIZAÇÃO

A lei 9.784, de 1999, determina que, após a entrega da documentação, a administração pública —e consequentemente o INSS— tem o prazo legal de até 30 dias para decidir sobre o pedido, prorrogável por igual período, desde que a extensão seja expressamente justificada no processo administrativo.

"Isso significa que a demora indefinida não é apenas um incômodo, é uma ilegalidade. O silêncio do INSS por meses viola diretamente essa norma federal", diz o advogado Elimar Mello. Ele acrescenta que a Constituição prevê que o serviço público deve ser prestado com qualidade e rapidez. "Não adianta a lei prometer um benefício se o Estado demora tanto para concedê-lo que o cidadão chega a passar necessidade."

Segundo Mello, após cerca de 60 dias (quando o prazo legal já foi extrapolado), insistir por vias administrativas, seja pela Central 135, seja presencialmente nas agências, costuma ter pouco efeito prático. Nesses casos, afirma, o caminho mais eficaz tende a ser a Justiça.

A judicialização, porém, também pode se arrastar. Uma segurada que conversou com a reportagem e preferiu não se identificar diz que foi afastada em janeiro de 2025 por um médico do trabalho em decorrência de um caso de depressão. Ela afirma que entrou com pedido de benefício em março pelo sistema digital, mas enfrentou falhas na plataforma e precisou ir presencialmente a uma agência em abril. A perícia foi marcada apenas para julho, quando o benefício acabou negado.

Ela entrou com recurso administrativo e, desde então, aguarda nova análise. Sem renda há cerca de um ano, ela diz que deixou de pagar o cartão de crédito, o que faz com que sua dívida aumente cada vez mais.

Segundo Rômulo Saraiva, quando um benefício é negado e o segurado recorre administrativamente, o tempo médio de espera supera 460 dias. Com isso, a demora inicial empurra parte dos segurados para a Justiça e amplia ainda mais o tempo de espera.
Por Júlia Galvão/Folhapress

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