Ainda não terminamos com a guerra em Gaza, diz Netanyahu na ONU; comitivas se retiram em boicote
Netanyahu também reafirmou que não aceitará um Estado Palestino e criticou 'onda de reconhecimentos' por parte de países ocidentais. Maioria das comitivas que estavam no plenário, como a do Brasil, se retirou antes do discurso como protesto.
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| O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, mostra um cartaz durante discurso na Assembleia Geral da ONU, em 26 de setembro de 2025. |
Sob protestos dentro e fora da ONU, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta sexta-feira (26), durante discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas que seu país seguirá atacando a Faixa de Gaza até que "termine o trabalho" no território palestino.
Em uma fala desafiadora, Netanyahu criticou a pressão crescente da comunidade internacional sobre Israel, rejeitou um Estado Palestino, negou que seu Exército esteja matando civis ou causando fome em Gaza e afirmou que está "lutando uma batalha" pelo Ocidente.
Netanyahu entrou no plenário da ONU sob vaias, e a maioria das comitivas se retirou antes mesmo de ele começar a falar, como gesto de repúdio (veja no vídeo acima). A comitiva do Brasil também deixou o local, como ocorreu no ano passado (leia mais abaixo).
Ficaram no plenário apenas as delegações dos seguintes países: Estados Unidos, Reino Unido, Noruega, França, Itália, Espanha, Finlândia e Suíça, além de uma comitiva da União Europeia. Ao longo do discurso, houve aplausos por parte de pessoas que estavam na plateia, local reservado a convidados dos países membros da ONU.
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| O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, risca um mapa do Oriente Médio durante discurso na Assembleia Geral da ONU, em 26 de setembro de 2025. |
Em discurso de mais de 40 minutos — a ONU recomenda que os líderes não passem de 15 minutos —, Netanyahu afirmou que já conseguiu "eliminar" a maior parte da "ameaça do Oriente Médio". Como no ano passado, mostrou um mapa da região com a inscrição "A maldição" e ressaltando o Irã, o Iraque, a Síria, a Faixa de Gaza e o sul do Iêmen, base do grupo extremista Houthis.
Desta vez, no entanto, ele riscou com um marcador as áreas com ameaças que disse ter conseguido combater. Era uma referência a ações que Israel conduziu no último ano, como a guerra contra o Hezbollah no Líbano, os ataques ao Irã e incursões a bases de grupos armados no Iêmen e na Síria.
"Nós incapacitamos o Hezbollah, derrubamos milhares de terroristas na Síria e no Iêmen. Também devastamos as armas atômicas do Irã, que eram feitas não apenas para destruir Israel, mas também para ameaçar os Estados Unidos e chantagear nações em toda parte, disse. "
"Lembram dos pagers (em referência aos dispositivos de membros do Hezbollah explodidos em uma operação do serviço secreto de Israel)? Eles entenderam a mensagem".
No entanto, disse que o "trabalho ainda não acabou". Afirmou que seguirá bombardeando Gaza até destruir totalmente o Hamas e sugeriu também novas ofensivas pelo Oriente Médio.
"Devemos permanecer vigilantes. Ainda não terminamos o trabalho".
O discurso do premiê israelense ocorreu em meio à "onda de reconhecimentos" do Estado Palestino, nas últimas semanas, por parte de países ocidentais e aliados dos Estados Unidos, como o Reino Unido e a França. Como era esperado, ele criticou os gestos.
"A decisão vergonhosa de vocês irá encorajar o terrorismo contra os judeus, contra pessoas inocentes em todo lugar (...). Como já fizemos antes, Israel tem de lutar uma luta contra a barbárie por vocês, com muitos de vocês se opondo a nós", disse.
"O antissemitismo nunca morre. Pelo contrário, sempre volta".
Apesar do movimento crescente de países que reconhecem a Palestina como um Estado — atualmente, 144 dos 193 países da ONU —, o premiê voltou a negar a existência de um Estado Palestino.
"Dar um Estado à Palestina a um quilômetro de Israel é como dar um Estado à Al-Qaeda a um quilômetro de Nova York depois do 11 de setembro (de 2001, quando o grupo terrorista Al-Qaeda fez um atentado na cidade norte-americano, derrubando as Torres Gêmeas com aviões). É pura insanidade, e não vamos fazer isso".
E, cada vez mais isolado, voltou a agradecer Donald Trump, um dos poucos aliados. "Quero agradecer ao presidente Trump por sua ação corajosa e decisiva. Trump e eu prometemos impedir o Irã de desenvolver armas nucleares, e cumprimos essa promessa. Eliminamos uma ameaça existencial ao Irã, a Israel — na verdade, uma ameaça mortal ao mundo civilizado".
Veja, no vídeo abaixo, a íntegra do discurso de Netanyahu na Assembleia Geral da ONU:
https://g1.globo.com/globonews/conexao-globonews/video/benjamin-netanyahu-discursa-na-assembleia-geral-da-onu-13963015.ghtml
No momento em que Netanyahu falava, milhares de pessoas protestavam contra os ataques de Israel em Gaza nas ruas de Nova York, onde fica a sede da ONU (veja imagem abaixo).
No momento em que Netanyahu falava, milhares de pessoas protestavam contra os ataques de Israel em Gaza nas ruas de Nova York, onde fica a sede da ONU (veja imagem abaixo).
https://g1.globo.com/mundo/video/alto-falantes-na-fronteira-com-gaza-transmitem-discurso-de-netanyahu-na-onu-13962846.ghtml
Durante o discurso, Netanyahu disse que suas tropas instalaram megafones na Cidade de Gaza que, segundo ele, estavam transmitindo a sessão da Assembleia Geral da ONU. O premiê afirmou então que falaria diretamente com os reféns e, em hebraico, disse:
"Nossos heróis, aqui é Netanyahu, falando com vocês ao vivo direto da ONU. Nós não esquecemos vocês. Nós traremos vocês de volta para casa", disse.
O premiê israelense também exigiu que o Hamas entregue as armas. "Se vocês não fizerem isso, Israel caçará vocês".
E negou que Israel esteja alvejando civis e causando fome na Faixa de Gaza, onde mais de 65 mil pessoas já morreram desde o início da guerra. "Se a população de Gaza está passando fome, é por culpa do Hamas, que está roubando os alimentos".
A guerra na Faixa de Gaza começou em 7 de outubro de 2023, após o Hamas invadir o sul de Israel e matar 1.200 pessoas, além de sequestrar centenas de outras.
A comitiva brasileira que estava no plenário da ONU foi uma das que se retiraram do local quando Benjamin Netanyahu subiu ao palco para discursar.
A comitiva do Brasil, naquele momento, era composta por sete diplomatas, entre eles representantes do Brasil na ONU. No ano passado, a delegação brasileira fez o mesmo gesto, por determinação do Itamaraty.
Neste ano, os diplomatas brasileiros que estavam no plenário trajavam um keffiyeh, como é chamado o lenço típico palestino.
Ibirataia: Prefeitura através da SEMUS realiza entrega de 33 próteses dentárias e leva mais saúde e autoestima à população
A Prefeitura Municipal de Ibirataia realizou, nesta semana, mais uma entrega significativa de próteses dentárias à população, beneficiando 33 moradores do município. A ação faz parte de um programa contínuo de promoção à saúde bucal, desenvolvido pela gestão municipal com o objetivo de garantir mais qualidade de vida, dignidade e bem-estar à comunidade.
A cerimônia de entrega ocorreu em clima de emoção e gratidão, refletindo o impacto que a iniciativa tem gerado na vida dos pacientes atendidos. Segundo a coordenação da ação, a entrega das próteses vai além da estética: é um gesto de valorização humana, devolvendo aos beneficiários a autoestima, a confiança e a possibilidade de sorrir novamente com tranquilidade.
“É com grande alegria e satisfação que realizamos mais uma entrega de próteses dentárias para a nossa comunidade de Ibirataia. Este momento representa mais do que um simples ato de saúde: é a devolução da autoestima, da confiança e da qualidade de vida para cada pessoa atendida. Ver os sorrisos transformados é a maior recompensa do nosso trabalho”, destacou o Secretário de Saúde Héber Câncio.
A iniciativa é fruto do compromisso da Prefeitura em investir em saúde pública de forma ampla e humanizada. Por meio da Secretaria Municipal de Saúde, o serviço de prótese dentária vem sendo ofertado de forma gratuita, proporcionando atendimento a pessoas que, em muitos casos, esperavam há anos por essa oportunidade.
A entrega de próteses faz parte de um conjunto de ações da política de saúde bucal do município, que inclui ainda atendimentos odontológicos regulares nas unidades básicas de saúde, palestras educativas, prevenção de doenças bucais e acompanhamento clínico de pacientes em situação de vulnerabilidade.
Com mais essa entrega, a gestão reafirma o compromisso com a promoção da saúde integral e o cuidado com as pessoas, especialmente com aquelas que mais precisam.
Reuniões secretas entre autoridades dos EUA e Brasil ‘selaram’ encontro de Trump e Lula
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| Geraldo Alckmin |
Os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump mantiveram contatos secretos e realizaram reuniões de trabalho prévias ao primeiro encontro presencial entre os presidentes na Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU), na manhã de terça-feira, dia 23, em Nova York.
Essas interações, sigilosas até agora, envolveram autoridades de alto escalão dos governos brasileiro e americano. Os emissários agiram com aval dos presidentes Lula e Trump e mantiveram canais abertos para indicar a “boa disposição” de ambos a um possível encontro que se concretizaria nos bastidores da ONU.
O encontro, portanto, não foi “sem querer” como fizeram crer os dois governos, que agiram nos bastidores muito antes da Assembleia-Geral da ONU para pavimentar o caminho da conversa entre os dois. Até o último minuto pairou a incerteza se aconteceria, mas a interação estava o tempo todo no horizonte das autoridades.
A operação diplomática envolveu, sobretudo, quatro autoridades políticas. O vice-presidente Geraldo Alckmin, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, conversou por videoconferência com o embaixador Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos (USTR), em 11 de setembro.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, recebeu no Brasil, em 15 de setembro, uma visita de Richard Grenell, enviado especial para missões especiais – coube a ele dialogar e selar acordos em Caracas com a ditadura venezuelana de Nicolás Maduro.
Não houve documentos divulgados, notas oficias, nem registros públicos em agendas das autoridades de nenhum de Brasil e EUA. Tampouco fotos. Os dois lados tomaram cautela e agiram com discrição para evitar que agentes contrários ao estreitamento de laços implodissem a operação. Procurados, Itamaraty não comentou, Ministério da Indústria não quis comentar, e Representante Comercial dos Estados Unidos e Casa Branca não responderam.
O Estadão agora reconstitui com exclusividade detalhes dessas reuniões, que se adensaram nos últimos quinze dias, com base em documentos e relatos de autoridades de governo com conhecimento e participação direta nas tratativas. Elas falaram sob condição de anonimato.
As conversas entre representantes dos dois países passaram a ser sabotadas por bolsonaristas liderados nos EUA pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, junto a representantes do movimento MAGA (Make America Great Again). Por isso autoridades públicas e privadas procuram operar nos bastidores.
A “química” entre Lula e Trump não “pintou” ao acaso, tampouco tão espontânea quanto as versões públicas de Trump e Lula parecem fazer crer, ao circularem a versão de “surpresa”.
Na manhã de terça-feira, horas antes da conversa entre Lula e Trump, o Estadão ouviu de um diplomata que eles dividiriam a mesma sala reservada a chefes de Estado e que os cerimoniais não haviam tomado qualquer medida para evitar o encontro. Pelo contrário.
Trump chegou mais cedo, assistiu ao discurso de Lula e deixou-se fotografar pela equipe da ONU com os olhos na TV, enquanto o petista reagia em defesa da soberania nacional.
Lula, por sua vez, manteve a rota que levava à sala para “buscar suas papeletas com anotações”, em vez de sair direto para o plenário do Debate Geral, o que era uma opção. Nenhum dos dois criou obstáculos para que não se cruzassem na sala.
Os contatos de bastidores ocorrem há meses entre os dois governos, mas se intensificaram após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. Esse foi o indicativo de que a “maré estava virando”.
A reação de Trump nos jardins da Casa Branca deu a senha. Ele lamentou, comparou-se a Bolsonaro, mas não fez de imediato ataques ao Brasil, a Lula ou ao STF.
Não houve pedidos prévios de uma reunião bilateral formal, como os dois presidentes ficaram de marcar. Mas Lula, por sua vez, faria circular que, se trombasse com Trump no corredor da ONU, pretendia cumprimentá-lo. O petista repetiu a tese em entrevistas a TVs estrangeiras.
A chamada entre Brasília e Washington
Toda a coreografia estava ancorada em contatos reservados. Alckmin e Greer deram o primeiro passo. Enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) julgava o ex-presidente Jair Bolsonaro, eles agendaram uma chamada de vídeo por meio do sistema WebEx, para as 15h do dia 11 de setembro. Naquela tarde, o Supremo selou o destino de condenação do ex-presidente (27 anos e 3 meses de prisão) por tentar um golpe de Estado.
Seria a 12ª reunião de contato das equipes comerciais dos dois países, lideradas pelos seus chefes máximos. Alckmin estava acompanhado de assessores próximos, entre eles a secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres. Houve preparação de documentos internos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), que descrevem “elementos para negociações comerciais” e traçam estratégias para os contatos com os EUA.
Mas, segundo relato colhido pelo Estadão, eles trataram também de sondar as possíveis reações da Casa Branca à condenação – o maior temor do Brasil era uma nova leva de tarifas – e de dizer que em qualquer cenário precisariam manter os canais abertos para o futuro.
Um documento recomenda: “Gerenciar o timing da negociação – julgamento do ex-presidente deve agravar tensões e poderá levar a novas sanções sobretudo aos membros do STF. Ao mesmo tempo, processos sob Seção 301 e 232 seguem em curso, podendo levar a tarifas adicionais ao Brasil. Priorizar setores, se for o caso (para exclusões do tarifaço, para investigações sob 232 etc)“.
Procurados, o vice-presidente e o Mdic não quiseram comentar. O Itamaraty não se pronunciou.
Até então, havia um congelamento de contatos de alto nível, por causa de um impasse político e do tarifaço de 50%. A reunião foi mantida em sigilo, fora da agenda de Alckmin. Também não houve transparência ativa pelo USTR. O escritório não respondeu a perguntas enviadas pelo Estadão.
A escala do emissário de Trump no Rio
Na semana de 12 de setembro, no momento crucial do julgamento de Bolsonaro, o Itamaraty recebeu mensagens diretas ao ministro Mauro Vieira, indicando que Richard Grenell, enviado especial para missões especiais, viajaria ao Paraguai. Ele de fato foi recebido pelo presidente Santiago Peña, em Assunção, no dia 16 de setembro.
Grenell sondava se haveria disposição a um encontro, como havia indicado antes. O chanceler brasileiro confirmou e indicou que estaria no Rio de Janeiro, para a assinatura no dia seguinte do Acordo Comercial entre os blocos Mercosul e Efta.
Também de forma reservada, o enviado de Trump fez uma escala no Rio e, na manhã de 15 de setembro, uma segunda-feira, encontrou-se com Vieira em um hotel na zona sul carioca.
O conselheiro de Trump chegou acompanhado de dois americanos. Vieira, de dois embaixadores brasileiros. Neste encontro no Rio, o segundo em alto nível num intervalo de cinco dias, citaram que Lula e Trump estariam ao mesmo tempo em Nova York, na ONU, o que abriria uma janela para a primeira interação, como quase ocorreu no G-7. Mas nenhum dos lados garantiu que ocorreria.
Já Grenell reforçou uma mensagem de que deveriam “manter os canais de contato abertos” para isso. O teor é similar ao que Marco Rubio, o secretário de Estado dos EUA, indicou ao chanceler brasileiro em 30 de julho.
Naquela viagem, o ministro também procurou Rubio e sinalizou que estaria em NY para reuniões sobre a Palestina e que, “se houvesse disposição”, esticaria a passagem até Washington.
O encontro ocorreu fora do Departamento de Estado. Eles se reuniram em um escritório de advocacia a poucos metros da Casa Branca e do Capitólio. Não houve fotos, tampouco registro em agendas, embora tenha sido confirmada depois pelos dois países.
Nessas conversas, o ministro teria explicitado gestos que indicam não haver intenção na gestão Lula de rivalizar ou desafiar os EUA. O chanceler brasileiro teria reforçado que, dentro do Brics, o Itamaraty atuou para balancear e minimizar o viés anti-ocidental; Lula afastou-se de Maduro (e não reconheceu a eleição fraudada em 2024); o País não aderiu à Nova Rota da Seda, mesmo sob pressão da China. Por isso, Lula tem dito que Trump tomou decisões por estar mal informado.
Vieira também deu a versão do governo sobre a tentativa de golpe após as eleições de 2022 e sobre o julgamento de 2025.
Embaixadora e empresários agiram nos EUA
Além das duas conversas secretas que serviram para pavimentar a aproximação presidencial, houve nos últimos meses uma série de contatos em Washington DC. Desses diálogos, os americanos mandaram o recado de que faltava presença brasileira fazendo lobby no país.
Uma autoridade do governo que falou sob condição de anonimato e participou da costura disse que várias frentes foram colocadas em marcha. Empresários, parlamentares e associações do setor privado fizeram missões aos EUA e participaram de debates e apelaram junto ao USTR.
Mas houve ainda contatos reservados de Joesley Batista, da JBS, empresa que tem negócios bilionários no setor de proteínas em solo americano e foi doadora da cerimônia de posse do republicano. Ele conversou com Trump na Casa Branca. O setor privado agiu em linha e contato com Mdic, Itamaraty e Fazenda. Procurado, o empresário não se manifestou.
O momento mais crítico foi em 18 de julho, quando Moraes determinou a prisão domiciliar de Bolsonaro, com uso de tornozeleira eletrônica. A versão no governo americano era de que o ministro havia “desafiado” Trump. O governo brasileiro costurou junto a ministros do STF para que não “mordessem a isca” e não “reagissem” ao cancelamento de vistos.
Americanos fizeram chegar a “irritação” ao governo brasileiro. E os contatos ficaram congelados – “silêncio no rádio”, descreveu uma fonte. Trump confirmaria o tarifaço anunciado em 9 de julho, no fim daquele mês.
Desde o início da crise diplomática, Mauro Vieira autorizou um assessor de confiança a viajar quatro vezes à capital americana. Ele manteve reuniões com lobistas, setor privado, acadêmicos e meios de comunicação.
O embaixador Mauricio Lyrio, secretário de Clima e Meio Ambiente do Itamaraty, viajou com delegação em missão exploratória ainda em março. Lula o descreveu como “negociador de todas as causas difíceis”.
A embaixadora Maria Luiza Viotti, há cerca de 15 dias, jantou ao lado de embaixadores sul-americanos com Michael Jensen, um ex-oficial da Força Aérea, indicado por Trump diretor de Assuntos das Américas (Hemisfério Ocidental) no Conselho de Segurança Nacional.
Desde a campanha de 2024, ela havia se aproximado de Susie Wiles, chefe de gabinete de Trump. Na transição do governo Joe Biden para Trump estabeleceu um canal com Mike Waltz, que foi o conselheiro de Segurança Nacional e agora é o embaixador representante dos EUA na ONU. Também vinha mantendo diálogo com o vice-secretário de Estado, Christopher Landau.
Felipe Frazão/Estadão Conteúdo
Operação Barút prende em flagrante policial militar suspeito de comercializar armas com integrantes de facção
Um policial militar, que teve mandados de busca e apreensão cumpridos, em Vitória da Conquista, por suspeita de comércio de armas com organizações criminosas, acabou preso em flagrante por posse ilegal de munições, durante a Operação Barút, nesta quinta-feira (25).
Nas residências do militar foram apreendidos pelas equipes da Força Correicional Especial Integrada (FORCE) da Secretaria da Segurança Pública (SSP) e da Corregedoria da Polícia Militar (Correg) 160 munições calibres 9mm, 380, 30 e 40, além de celulares e documentos.
O preso e todo material recolhido foram apresentados no Distrito Integrado de Segurança Pública (Disep).
Fonte: Jeferson Silva / Ascom SSP
Moraes veta participação de bispo com histórico político em grupo de oração na casa de Bolsonaro
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| O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal) |
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes barrou a inclusão do bispo Robson Rodovalho, da Igreja Sara Nossa Terra, no grupo religioso autorizado a visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar há mais de um mês. Bolsonaro permanece detido enquanto aguarda os próximos desdobramentos da condenação imposta pelo STF, que o sentenciou a 27 anos e 3 meses de prisão.
Robson Rodovalho integra o grupo de orações de Michelle Bolsonaro. O pedido de inclusão foi enviado na última sexta-feira, 19, informando que a reunião de oração aconteceria na quarta-feira, 24.
A solicitação da defesa baseou-se na Lei nº 7.210/1984, que garante assistência religiosa a pessoas privadas de liberdade em instituições civis e militares.
Na decisão, Moraes destacou que o grupo não pode desviar de sua finalidade principal, criticando a tentativa de incluir pessoas com o objetivo de realizar visitas que não foram formalmente solicitadas ou desvio da pauta prevista na proposta de visita.
“O ‘Grupo de Orações’, entretanto, não pode ser usado como desvio de finalidade, acrescentando diversas e distintas pessoas como integrantes somente para a realização de visitas não especificamente requeridas”, pontou Moares.
A resposta foi divulgada no dia 23, e o nome de Robson Rodovalho foi oficialmente vetado. Além de líder religioso e fundador da Igreja Sara Nossa Terra, Robson tem trajetória na política, ele foi deputado federal pelo Distrito Federal entre 2006 e 2010. No entanto, em 2010, teve o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por infidelidade partidária, ao trocar o DEM pelo PP.
Esta é a segunda visita de religiosos autorizada por Moraes. A primeira foi liberada no dia 15 de setembro, quando o ministro autorizou a realização de um culto.
Durante a última manifestação da direita, realizada no dia 7 de setembro, Michelle Bolsonaro criticou a decisão de Moraes por não permitir que o grupo realizasse uma oração com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Eu não posso fazer um culto religioso porque ele [Moraes] não permitiu, e eu pedi. Libera a petição. Libera os meus irmãos para estarem comigo nesse momento”, disse a ex-primeira-dama durante o ato na Avenida Paulista, em São Paulo.
Bruna Rocha/Estadão
Operação Faroeste: STJ intensifica oitivas e julgamentos nos próximos meses
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| A desembargadora Lígia Maria Ramos Cunha Lima é investigada na Operação |
A Operação Faroeste, investigação que revelou um suposto esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), volta ao centro das atenções em outubro e novembro. O ministro Og Fernandes, relator das ações no Superior Tribunal de Justiça (STJ), marcou para os próximos dois meses a oitiva de testemunhas ligadas às desembargadoras rés na ação penal 985.
O processo, que já se encontra em fase de coleta de depoimentos e de apresentação das defesas, teve movimentações significativas em setembro. Para o Ministério Público Federal (MPF), as provas reunidas até aqui sustentam a denúncia recebida pelo STJ. Já as defesas buscam consolidar sua estratégia com novos documentos e testemunhos.
A ex-presidente do TJ-BA, Maria do Socorro Barreto Santiago, teve negado o pedido para que suas testemunhas fossem ouvidas em datas específicas, entre 24 e 28 de novembro. Og Fernandes manteve as audiências programadas para o período de 1º a 5 de dezembro, ressaltando que a magistrada possui mais de um advogado em sua defesa. Ainda assim, o ministro sinalizou que poderá reavaliar a solicitação durante as sessões.
O relator também autorizou a substituição de testemunhas, homologando a desistência de algumas e a inclusão de outras. Já em relação ao juiz Sérgio Humberto de Quadros Sampaio, foi rejeitado o pedido de devolução de prazo, sob o argumento de que a ação penal segue de maneira regular.
Outro ponto de destaque foi a autuação, em processo apartado, de uma petição apresentada por Amanda Santiago Andrade Sousa. Além disso, os recursos interpostos por Maria do Socorro e Sérgio Humberto foram enviados ao MPF para manifestação, sem alteração nas decisões anteriores do relator.
Durante as movimentações, também foi registrada a morte do réu João Carlos Santos Novaes, advogado próximo ao “quase-cônsul” da Guiné Bissau, Adailton Maturino. A certidão de óbito, no entanto, ainda não foi anexada aos autos.
Outro processo de grande repercussão é a Ação Penal 987, que será analisada pela Corte Especial do STJ em sessão virtual entre 15 e 21 de outubro de 2025. A ação envolve a desembargadora Lígia Maria Ramos Cunha Lima e seus filhos, os advogados Arthur Gabriel Ramos Barata Lima e Rui Carlos Barata Lima Filho, além do servidor Julio Cesar Cavalcanti Ferreira, primeiro a delatar o esquema.
Em fevereiro, a Corte Especial já havia aceitado a denúncia do MPF, transformando-os em réus pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. De forma paralela, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) puniu a desembargadora com aposentadoria compulsória, por infrações contra a administração pública.
O inquérito nº 1657, relatado por Og Fernandes, reúne parte dos crimes apurados pela Operação Faroeste e segue em fase de oitivas e defesas prévias. Já a Ação Penal 940, instaurada na primeira fase da operação, encontra-se conclusa e pronta para receber sentença do ministro.
Fachin abre mão da Lava Jato e prioriza pautas trabalhista e prisional na presidência do STF
O ministro Edson Fachin decidiu deixar a relatoria de mais de cem processos ligados à Operação Lava Jato ao assumir a presidência do STF (Supremo Tribunal Federal), na próxima segunda-feira (29).
A chegada ao principal cargo do Judiciário marca o fim de uma trajetória de oito anos de Fachin à frente da principal investigação que mirou políticos e empresários. A operação acabou enterrada, sob o argumento da existência de vícios processuais e de nulidade de colaborações premiadas.
Fachin assumiu a relatoria dos casos em fevereiro de 2017, por sorteio, após o responsável pela Lava Jato no Supremo, ministro Teori Zavascki, morrer em um acidente aéreo.
Os processos que estão no gabinete de Fachin são, em geral, os resquícios da operação. São petições do ex-senador Delcídio do Amaral para trocar a prestação de serviços à comunidade por multa, um processo de alienação de bens do doleiro Alberto Youssef e o acompanhamento de processos contra o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, que desceram à primeira instância.
O ministro tomará posse como presidente do Supremo em cerimônia que contará com a presença de autoridades dos Três Poderes e representantes da sociedade civil. Ele assume o cargo após dois anos de gestão de Luís Roberto Barroso —seu antecessor que, por regra do tribunal, ficará responsável por todo o acervo de processos deixado pelo novo presidente.
Fachin fica na presidência do Supremo até setembro de 2027. Seu vice-presidente será Alexandre de Moraes, reeditando a dobradinha do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de 2022.
Tradicionalmente, o presidente do tribunal fica com menos processos em seu gabinete e deixa de receber novos casos. Após anos de desgaste e reviravoltas na Lava Jato, Fachin decidiu deixar o comando do caso para trás —agora, todos ficarão com Barroso, que passará a integrar a Segunda Turma do STF.
No auge da operação, Fachin se movimentou para ficar com os processos. Ele pediu para mudar de turma depois da morte de Teori para participar do sorteio que definiria o novo relator. A estratégia foi costurada entre a então presidente Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Celso de Mello, além do próprio Fachin.
Após assumir os casos, ele teve uma conduta alinhada ao Ministério Público Federal e ao então juiz titular 13ª Vara Federal de Curitiba Sergio Moro. Foi favorável, por exemplo, à manutenção da condução coercitiva e da prisão após condenação em segunda instância, dois mecanismos depois declarados inconstitucionais pelo STF.
Indicado por Dilma Rousseff para o STF em 2015, Fachin passou a ser criticado por petistas por negar diversos pedidos da defesa de Lula para reverter decisões de Moro. Em abril de 2018, foi um dos seis ministros contrários ao habeas corpus pedido pelo então advogado e hoje colega de corte Cristiano Zanin para Lula. A decisão abriu caminho para a prisão do petista.
O desgaste da Lava Jato começou em 2019, quando mensagens obtidas por hackers revelaram conversas entre procuradores e Moro sobre procedimentos a serem tomados pelos investigadores. Mesmo com críticas de outros ministros às condutas, Fachin manteve a posição pró-Lava Jato no STF.
Em 8 de março de 2021, o ministro deu uma virada e surpreendeu o mundo político ao anular as condenações de Lula depois de decretar a incompetência da Justiça de Curitiba para julgar o petista.
A decisão também extinguiu os processos que poderiam decretar a parcialidade de Moro na Segunda Turma do Supremo. Um dia depois, no entanto, o colegiado retomou o processo sobre a conduta do ex-juiz e concluiu, por 3 votos a 2, que Moro não foi imparcial —Fachin ficou vencido, junto com Kassio Nunes Marques. Posteriormente, o plenário do Supremo confirmou a decisão.
Nos últimos quatro anos, os reveses da Lava Jato se acumularam no STF, incluindo a derrubada de condenações e atos da força-tarefa sob o argumento de irregularidades na condução de investigações e processos. Restaram poucos processos e decisões de destaque a serem tomadas.
Como uma prestação de contas, Fachin pediu ao Supremo a criação de um painel virtual para divulgar as delações premiadas firmadas no período e os valores recebidos por meio desses acordos.
Sob relatoria do ministro, foram 172 acordos de colaboração fechados. Desses, 152 delatores pagaram multas ou perderam bens obtidos por meio de crimes, devolvidos ao patrimônio público. Em valores totais, foram recuperados à administração pública R$ 2,9 bilhões.
Cézar Feitoza, Ana Pompeu e José Matheus Santos/Folhapress
INSS abre pré-inscrições para estágio em todo o país; prazo vai até 21 de outubro
O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) iniciou nesta quinta-feira (25) a fase de pré-inscrição para processo seletivo de estagiários de níveis médio, técnico e superior, oferecendo vagas em diversas unidades do país.
Os estudantes interessados têm até as 12h do dia 21 de outubro de 2025 para realizar o cadastro, que pode ser feito no site do CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola).
O edital estabelece que o processo é destinado à formação de cadastro de reserva, ou seja, não há número fixo de vagas já abertas. Os candidatos serão chamados à medida que houver necessidade de estagiários nas agências do INSS espalhadas pelo território nacional.
Para participar, os concorrentes devem ter, no mínimo, 16 anos completos, estar com a matrícula ativa e ter as obrigações eleitorais e militares (se for o caso, para maiores de 18 anos) regularizadas.
Os estagiários selecionados cumprirão jornadas de quatro ou seis horas diárias, de segunda a sexta-feira, o que corresponde a 20 ou 30 horas semanais, conforme a definição do supervisor da unidade.
A bolsa-auxílio varia conforme o nível de ensino e a carga horária definida:
Nível Carga horária (4 horas diárias) Carga horária (6 horas diárias)
Médio e técnico R$ 486,05 R$ 694,36
Superior R$ 787,98 R$ 1.125,69
Além da bolsa, o INSS oferece auxílio-transporte de R$ 10 por dia estagiado presencialmente.
Processo seletivo e política de cotas
O processo seletivo tem duas fases. A primeira é a pré-inscrição no portal do CIEE, que termina em 21 de outubro de 2025. A segunda é o processo seletivo realizado no instituto, conforme a disponibilidade de vagas.
A lista de habilitados na primeira fase será publicada no dia 30 de outubro, com nome completo e data da pré-inscrição, acessando o link do processo no site do CIEE, na seção de resultados.
A habilitação na primeira etapa não garante a convocação ou contratação.
Pessoas com deficiência (PcD) terão reserva de 10% das vagas oferecidas, conforme a lei 11.788/2008. A contratação do candidato não o impede de receber o BPC (Benefício de Prestação Continuada).
O candidato com deficiência no momento da convocação deverá apresentar o laudo médico (documento original ou cópia legível), atestando a espécie e o grau ou nível da deficiência, com a perda da função e a expressa referência ao código correspondente à CID (Classificação Internacional de Doenças), assinatura e carimbo contendo o CRM do(a) médico(a) responsável por sua emissão, bem como a provável causa da deficiência.
Não sendo comprovada a situação descrita, o candidato perderá o direito a ser admitido para as vagas reservadas e permanecerá na lista de ampla concorrência.
Também fica assegurado aos negros (pretos ou pardos) 30% das vagas. O candidato deve optar pela cota e se autodeclarar negro (preto ou pardo) no ato da pré-inscrição.
Alessandro da Conceição/Folhapress
Donald Trump pode visitar Bolsonaro no Brasil, de acordo com apoiadores do ex-presidente
Apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) afirmam que o presidente dos EUA, Donald Trump, pode vir ao Brasil para visitar o ex-presidente
Apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) afirmam que o presidente dos EUA, Donald Trump, pode vir ao Brasil para visitar o ex-presidente.
A viagem estaria sendo articulada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e pelo aliado dele nos EUA, o apresentador Paulo Figueiredo, que tem amplas conexões com setores do governo Trump.
Sobre a possibilidade, Figueiredo afirmou que não tem comentários a fazer.
Fábio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação do governo Bolsonaro e próximo de Eduardo, postou uma mensagem em seu perfil no X falando sobre a hipótese de um encontro de Trump com Bolsonaro no Brasil.
“Nada vence o próprio testemunho. Que tal uma visita do Donald Trump ao Presidente @jairbolsonaro na sua casa para que ambos evidenciem uma ‘Química Perfeita’ atualizando a prosa? Obviamente a Corte e os advogados do Presidente seriam consultados com antecedência. Fica a dica”, escreveu.
Wajngarten afirmou depois que, tendo em vista que Bolsonaro está preso, uma visita de Trump a ele seria oportuna.
“O [ex] presidente [Bolsonaro] atualizaria o Trump sobre o seu estado de saúde. Trump teria a oportunidade de ver as recorrentes crises de soluço que ele tem, os vômitos, decorrentes do atentado à faca que sofreu em 2018”, afirma.
Wajngarten diz, no entanto, que colocou o texto no X como uma ideia particular, e que não sabe de nenhuma articulação concreta em andamento.
Nesta semana, Trump teve um rápido encontro com Lula na Assembleia Geral da ONU. Em seu discurso, disse que teve “uma química excelente” com o petista, e que os dois poderiam se encontrar na próxima semana.
Lula confirmou. Mas disse que a data da conversa entre os dois ainda não foi marcada.
Líderes do PCC frequentaram casa de empresário alvo da Operação Spare, diz MP-SP
Dinheiro encontrado pela Receita Federal durante mandados de busca e apreensão na Operação
A investigação que resultou na Operação Spare nesta quinta-feira (25) —que aponta um esquema de lavagem de dinheiro em postos de combustíveis, casas de apostais e no setor hoteleiro— encontrou indícios de que o empresário Flávio Silvério Siqueira se encontrou com integrantes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).
Há registros de que os traficantes Wagner Ferreira da Silva, o Cabelo Duro, e Rafael Maeda Pires, o Japa, já teriam frequentado uma casa de Silvério em Itu, no interior paulista, segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público de São Paulo.
A defesa de Silvério afirmou que seu cliente não tem qualquer envolvimento com o crime organizado. Também disse que ele é alvo de uma perseguição dos órgãos de investigação e que está à disposição da Justiça para todos os esclarecimentos necessários.
O advogado Marco Antonio Gonçalves lembrou que seu cliente foi vítima de extorsão de policiais civis em 2006 —o caso foi denunciado pelo Ministério Público—, e afirmou que desde então ele é alvo das mesmas acusações, das quais ele inclusive já foi absolvido no passado.
Silva foi assassinado com tiros de fuzil em frente a um hotel na zona leste de São Paulo, em fevereiro de 2018. Ele era apontado como principal liderança do tráfico de drogas no litoral paulista e teria participado, segundo o Ministério Público do Ceará, da morte de dois líderes do PCC: Gegê do Mangue e Paca, assassinados numa área de mata em Aquiraz (CE).
Japa, por sua vez, foi encontrado morto com um tiro na cabeça dentro de um carro, no estacionamento de um prédio no Tatuapé, na zona leste da capital paulista, em agosto de 2023. Ele já foi apontado como participante de um esquema de lavagem de dinheiro do PCC em empresas agenciadoras de jogadores de futebol.
Segundo a delação premiada de Antônio Vinícius Gritzbach —assassinado no aeroporto internacional de São Paulo, em Guarulhos—, Japa participou de um tribunal do crime, no qual Gritzbach foi julgado pelo assassinato de outro líder do PCC.
Já Silvério, também conhecido como Flavinho, é apontado pela investigação do Ministério Público paulista e da Receita Federal como líder no esquema de lavagem de dinheiro que envolvia postos de combustível, empreendimentos imobiliários, motéis e lojas de franquia.
A casa frequentada por Cabelo Duro e Japa em Itu foi vendida por Silvério no ano de 2018. Esse caso seria apenas um exemplo de conexão do empresário com o PCC, segundo o MPSP.
Além disso, também de acordo com a Promotoria, o grupo ligado a Silvério seria sócio de José Carlos Gonçalves, o Alemão, que também é alvo na Justiça por suspeitas de ligação com o PCC.
Alemão foi citado na investigação da Carbono Oculto e, em setembro de 2020, preso na Operação Rei do Crime por suspeita de que lavava dinheiro para a facção criminosa. Na ocasião, a Polícia Federal apontou vínculos dele com o líder máximo da facção, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola.
Segundo a investigação à época, uma tia de Marcola foi proprietária de uma das empresas de Alemão. O MPSP aponta que ele divide a propriedade de uma aeronave e de empreendimentos imobiliários com o grupo ligado a Silvério.
A investigação que resultou na Operação Spare teve início a partir da apreensão de máquinas de cartão de crédito em duas casas de jogos de azar localizadas em Santos, no litoral paulista —uma na rua da Paz, no bairro Boqueirão, e outra na Euclides da Cunha, no Gonzaga.
Nos dois casos, os equipamentos estavam registrados em nome de postos de gasolina, o que levantou a suspeita dos investigadores. As contas bancárias inscritas nas máquinas estavam vinculadas à fintech BK Bank, apontada por investigadores como peça central na engrenagem de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis descoberta na Carbono Oculto. Deflagrada no fim de agosto, a operação mostrou a infiltração do PCC na cadeia produtiva do setor de combustíveis e do mercado financeiro.
Ao menos 267 postos ainda ativos movimentaram mais de R$ 4,5 bilhões entre 2020 e 2024, mas recolheram apenas R$ 4,5 milhões em tributos federais, segundo a Receita.
A ação desencadeada hoje, que cumpriu 25 mandados de busca e apreensão em sete municípios paulistas, é um desdobramento da Carbono Oculto.
A investigação aponta que parte do lucro da organização criminosa é proveniente de crimes de adulteração de combustíveis, com postos vinculados a Silvério.
Segundo a Receita Federal, recursos de origem ilícita eram inseridos no setor formal por meio de empresas operacionais. Esse movimento acontecia por maquininhas via fintechs, e posteriormente os recursos lavados eram reinvestidos em negócios, imóveis e outros ativos, por meio de Sociedades em Conta de Participação (SCP).
Responsável pela defesa do BK Bank, o escritório Fernando José da Costa Advogados afirmou que não foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços vinculados à instituição de pagamento.
Bolsonaro pede a Eduardo que ‘feche a boca’, mas filho intensifica ataques
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| Foto: Ton Molina/STF/Arquivo |
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu a interlocutores que conversam com seu filho Eduardo Bolsonaro para que ele “feche a boca” e não atrapalhe as negociações políticas em torno da anistia e da redução de penas para o pai.
Os dois não podem se falar diretamente, por determinação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes. Ambos são investigados no inquérito que apura coação à Justiça desde que Eduardo foi para os EUA advogar por sanções contra o Brasil e os magistrados que julgam o ex-presidente na Corte.
Um dos mensageiros, que deve se encontrar com o deputado federal nos EUA é o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-SP), que visitou Bolsonaro na semana passada. Ele nega que se reunirá com o parlamentar.
As tentativas até agora foram em vão e só irritaram ainda mais o filho do presidente, que segue no ataque.
Ele diz a interlocutores acreditar firmemente que Bolsonaro não está conseguindo avaliar direito o quadro político por estar hoje na condição de “refém”. Ou, como disse mensagem respostada por seu maior aliado nos EUA, Paulo Figueiredo, “é uma vítima presa, doente e incapaz de decidir”, que não pode negociar “os termos da própria soltura”.
Eduardo escreveu nesta quinta (25) em seu perfil no X que a “PGR [Procuradoria-Geral da República] me denuncia [por] coação, mas quem está sob coação é o meu pai”.
Além de limitado para decidir, Jair Bolsonaro, na visão dele, não estaria percebendo que querem enfiar um acordo goela abaixo de sua garganta, apoiando outro candidato para disputar a Presidência e dando de bandeja ao elegido os votos bolsonaristas —que podem nunca mais voltar para a família.
“Existe um movimento para exterminar com a direita. Quem ignorar isso é um verdadeiro negacionista, apenas um peão no tabuleiro prestes a ser tirado do jogo”, afirma.
Nas últimas semanas, o deputado federal partiu para o ataque ao Centrão e até mesmo ao PL, partido dele e do pai.
Se lançou candidato a Presidente da República sem o aval de Bolsonaro, disse que disputará até mesmo contra Tarcísio de Freitas, comemorou as sanções à mulher de Alexandre de Moraes e manteve os ataques ao STF na temperatura máxima, chamando os ministros de “mafiosos”.
Em um dos ataques mais virulentos, repostou mensagem crítica ao presidente do PL, Valdemar da Costa Netto, e disse que não tinha abdicado “de tudo” para “trocar afagos mentirosos com víboras” nem se “sujeitar aos esquemas espúrios dos batedores de carteira da ocasião”.
Mônica Bergamo/Folhapress
Polícia prende acusado de ser mandante de chacinas de ciganos em Feira de Santana e Jequié
Um homem, identificado como Diego Cigano, foi preso nesta quarta-feira (24) acusado de ser mandante de duas chacinas ocorridas em Feira de Santana e Jequié, no Sudoeste. Ambos os casos ocorreram em 2023 com vítimas da mesma família e também da comunidade cigana.
Diego, que integrava o Baralho do Crime da Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA), foi detido no estado de Alagoas.
Ao Acorda Cidade, parceiro do Bahia Notícias, o delegado Roberto Leal, coordenador da 9ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin/Jequié), informou que a prisão de Diego Cigano ocorreu após perseguição a uma caminhonete. O motorista do veículo tentou fugir de uma abordagem da Polícia Militar, mas acabou interceptado.
Já haviam sido presos um policial militar acusado de intermediar a contratação dos executores, além do próprio atirador e do motorista do veículo usado nos crimes. As investigações apontam que os homicídios foram motivados por vingança, após um conflito entre membros da comunidade cigana em Alagoinhas, no Agreste baiano, desencadeado por uma denúncia de furto de gado. A partir desse episódio, pelo menos 11 mortes foram atribuídas a Diego Cigano.
“Temos registros que apontam o envolvimento dele em 11 homicídios: seis em Jequié, quatro em Feira de Santana e um em Rafael Jambeiro, ocorrido três dias antes da chacina em Jequié”, disse o delegado Roberto Leal. Segundo ele, armas apreendidas em uma fazenda pertencente ao acusado, em Itapicuru, também no Agreste baiano, foram periciadas e apresentaram relação com crimes ocorridos nos três municípios.
“Temos registros que apontam o envolvimento dele em 11 homicídios: seis em Jequié, quatro em Feira de Santana e um em Rafael Jambeiro, ocorrido três dias antes da chacina em Jequié”, disse o delegado Roberto Leal. Segundo ele, armas apreendidas em uma fazenda pertencente ao acusado, em Itapicuru, também no Agreste baiano, foram periciadas e apresentaram relação com crimes ocorridos nos três municípios.
A vítima do homicídio em Rafael Jambeiro foi identificada como Iomar Barreto Cabral, natural de Feira de Santana e integrante da comunidade cigana. Ele foi encontrado morto no km 493 da BR-116 Sul, dentro de um veículo Corsa, com marcas de disparos no braço e no rosto.
Tiroteio em escola deixa dois alunos mortos no Ceará
Um ataque a tiros em uma escola do Ceará deixou duas pessoas mortas e três feridas, na manhã desta quinta-feira (25). A situação ocorreu na Escola Estadual Luiz Felipe, em Sobral.
Segundo o Metrópoles, ainda não se sabe a causa do tiroteio. Informações preliminares apontaram que os corpos dos estudantes ficaram no pátio da escola. Tiros foram ouvidos por testemunhas que passavam do lado de fora do colégio.
“Os suspeitos efetuaram os disparos de arma de fogo pela calçada da escola, atingindo as vítimas no estacionamento da instituição. Na ocorrência, uma quantidade de droga, balança de precisão e embalagens foram apreendidas com uma das vítimas”, disse a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE).
O órgão informou ainda que “equipes da Polícia Militar do Ceará (PMCE), da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) e da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) foram acionadas e estão no local realizando os primeiros levantamentos sobre o fato que está em andamento”
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