Prisão domiciliar de Bolsonaro inflama volta dos trabalhos no Congresso

A prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), determinada na segunda-feira (4) pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, inflamou a oposição para a volta dos trabalhos do Congresso após o recesso, nesta terça-feira (5).

No domingo (3), durante atos por anistia a réus da trama golpista, Bolsonaro apareceu em vídeos exibidos por apoiadores. Ele, que é um dos réus nesse processo, estava proibido de usar redes sociais, mesmo que por intermédio de outras pessoas.

A volta dos trabalhos do Legislativo é importante para a oposição porque fornece palcos para discursos e outras formas de protesto. Na metade de julho, quando Bolsonaro foi alvo da primeira restrição de liberdade, seus apoiadores no Congresso tentaram suspender o recesso, mas não tiveram sucesso.

Aliados de Bolsonaro prometem aumentar a pressão por um processo de impeachment contra Moraes. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), descarta a hipótese. A Casa é a responsável por aprovar ou rejeitar ministros do STF, e por eventual processo de impeachment contra eles.

“A luta agora é pelas cinco assinaturas que faltam para o pedido de impeachment [de Moraes] protocolado no final do ano passado. Nunca estivemos tão próximos”, declarou o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ).

“Não aceitaremos mais esse Estado de exceção. Conclamamos todos os senadores da República a honrarem seus mandatos. Basta de arbítrio. Fora, Alexandre de Moraes. Impeachment já!”, escreveu o líder da oposição na Casa, senador Rogério Marinho (PL-RN).

Bolsonaristas devem vocalizar seus protestos durante a sessão do plenário do Senado, marcada para as 14h. Será a primeira sessão deliberativa após o encerramento do recesso do Legislativo, que vai da segunda quinzena de julho até o começo de agosto.

Alguns dos deputados mais importantes da oposição deram pistas de qual será o tom dos bolsonaristas da Câmara na retomada dos trabalhos.

“Agora o trancam dentro da própria casa, como um criminoso. Sem crime. Sem julgamento. Sem defesa. Isso não é justiça, é vingança política! Hoje, a história registrou: acabou a democracia no Brasil. Não há mais instituições, há tiranos com toga”, escreveu o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), nas redes sociais.

Para o líder da oposição na Câmara, deputado Zucco (PL-RS), a prisão domiciliar “é um ato político, não jurídico”. “A democracia está em risco. O Brasil vive um estado de exceção”, publicou.

A sessão do plenário da Câmara está marcada para às 13h55. Também será a primeira sessão deliberativa após o recesso. Na Casa, a principal pauta do bolsonarismo é a anistia aos processados pela trama golpista que está em julgamento pelo Supremo.

A bancada bolsonarista pressiona pela aprovação do que chamam de “anistia ampla, geral e irrestrita”, ou seja, perdão não apenas aos presos do 8 de janeiro, mas também a Bolsonaro.

A anistia, porém, não foi encampada pelo centrão e perdeu força na Câmara. Agora, após os atos realizados por bolsonaristas nas ruas no domingo e a prisão domiciliar de Bolsonaro, a expectativa de seus aliados é que o tema seja levado para a votação.

Segundo integrantes do PL, há uma sensibilização da classe política com a situação de Bolsonaro e uma avaliação de que há abuso por parte de Moraes.

Caio Spechoto e Carolina Linhares/Folhapress

Polícia Militar apreende drogas e arma de fogo em poder de menor Ipiaú

Na tarde desta segunda-feira (04), policiais militares da 55ª CIPM realizaram uma ação que resultou na apreensão de drogas, dinheiro e uma arma de fogo no bairro Irmã Dulce, em Ipiaú.

A ocorrência aconteceu por volta das 16h30, quando uma guarnição do PETO realizava rondas de rotina na região e avistou um indivíduo em atitude suspeita, portando uma mochila. Ao perceber a presença da polícia, o suspeito tentou fugir pelo matagal, abandonando o material que carregava.

Durante as buscas, os policiais localizaram a mochila, que continha porções de crack embaladas para venda, dinheiro em espécie, cartuchos de munição e uma arma de fogo de fabricação artesanal, além de outros objetos.

Todo o material apreendido foi apresentado na delegacia de Jequié, onde as medidas legais foram adotadas.

Material apreendido:

  • 47 pedras de crack
  • 20 cartuchos de 9mm
  • R$ 270,00 em espécie
  • 01 arma de fogo artesanal

Fonte: Asccom/55ª CIPM

Após mais um final de semana violento, Sandro Régis critica indiferença do governador com a segurança pública

Foto: Divulgação/Agência ALBA

O deputado estadual Sandro Régis (União Brasil) usou as redes socais para criticar a indiferença do governador do Estado com a segurança pública, diante de mais um final de semana marcado pela violência em Salvador.

Ele registra que a situação só não é pior graças ao esforço das polícias Civil e Militar, que, mesmo sem a estrutura necessária, fazem um trabalho destacado para proteger a população.

“Mais um fim de semana violento em Salvador. Tiroteios, mortes, sequestro e até corpo largado nas ruas: um verdadeiro filme de terror. Engenho Velho da Federação, Cosme de Farias, Brotas e até a Graça, bairro nobre, estão nas páginas policiais com essa violência desenfreada”, escreveu o deputado na rede social X, antigo Twitter.

Por causa de um intenso tiroteio durante a madrugada, os ônibus deixaram de circular no final do Engenho Velho da Federação nas primeiras horas da manhã desta segunda-feira (4). Em Cosme de Farias, neste domingo (3), criminosos ligados a uma facção criminosa atacaram guarnições da Polícia Militar e, em Brotas, um homem foi encontrado morto, com marcas de disparos de arma de fogo e as mãos amarradas, na madrugada do último sábado (2).

“Enquanto isso, a gente não vê uma palavra do governador, nenhuma medida pra mudar esse quadro. É um silêncio que mostra indiferença”, afirmou Régis.

“A Bahia precisa de um líder que enfrente essa questão com coragem e responsabilidade. Não dá pra normalizar a violência. A Bahia clama por segurança”, completou.

Conselheiro de Trump publica foto de Moraes com algemas

Foto: Ton Molina/STF/Arquivo
Jason Miller, conselheiro central na campanha eleitoral de 2024 do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou neste domingo (3) no X (antigo Twitter) uma imagem em que um manifestante posa com algemas nas mãos e usa uma máscara em alusão ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

Miller afirmou nas redes que a imagem é um registro de cenas da manifestação bolsonarista em Fortaleza a favor do impeachment do juiz. A manifestação do conselheiro ocorreu horas antes de Moraes decretar a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nesta segunda-feira (4).

No domingo, políticos aliados do ex-mandatário fizeram protestos em cidades do país contra Moraes. A oposição também pressiona o Senado pelo andamento de um pedido de impeachment contra o magistrado, considerado o principal alvo do bolsonarismo.

O cerco contra Moraes aumentou depois que Trump anunciou uma sanção econômica ao ministro via Lei Magnitsky alegando violação à liberdade de expressão e perseguição política contra Bolsonaro e aliados.

O ato foi usado pela oposição ao governo Lula (PT) como combustível para aumentar a pressão contra o magistrado, que é relator na ação penal no STF que investiga a tentativa de golpe de 2022. Segundo a PGR (Procuradoria-Geral da República), Jair Bolsonaro teria liderado a intentona golpista.

Miller também fez uma postagem dizendo que Trump “está certo sobre o Brasil” e que o STF se tornou a mais poderosa instituição no país. “Ela investiga, acusa, censura e legisla. Agora está agindo como juiz, júri e executor”, afirmou nas redes.

Ele também fez postagens com cenas de manifestações bolsonaristas fazendo apologia ao governo Trump e pedindo aos Estados Unidos ajuda para intervir no país.

Em outro momento, Miller repostou publicação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sobre os protestos a favor do impeachment de Lula e de Moraes.

As imagens publicadas por Miller trazem cenas de manifestações identificadas como sendo de Minas Gerais, Bahia, Ceará, Rio de Janeiro, Goiás e São Paulo, bem como homenagem a Clezão, réu pelos ataques do 8 de Janeiro morto na Papuda.

Em outra publicação, Miller postou a foto de um manifestante com um cartão de crédito identificado como “cartão Magnitsky”. O cartão tem a foto de Moraes e tem escrito as frases “Fora, Lula” e “Xandão do Império Supremo”.

Ana Gabriela Oliveira Lima/Folhapress

Pessimismo cresce, e 45% dos brasileiros dizem que situação econômica do país vai piorar, afirma pesquisa Datafolha

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo
Pesquisa Datafolha realizada após o anúncio do tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil mostra piora na percepção dos brasileiros com a situação econômica do país nos últimos meses e um patamar de pessimismo com o futuro que não se via desde a pandemia.

A pesquisa foi realizada na quarta (29) e na quinta-feira (30), dia em que o governo Donald Trump divulgou a lista de produtos brasileiros que terão tarifa extra de 50% para entrar nos Estados Unidos a partir do dia 6 de agosto —confirmando as sanções anunciadas no início de julho, mas abrindo exceções para alguns produtos.

O percentual daqueles que avaliam que a situação econômica do país vai piorar nos próximos meses subiu de 33% para 45% na comparação entre as pesquisas realizadas em meados de junho e no final de julho.

Esse é o segundo pior resultado verificado na série histórica iniciada em 2019. O maior índice negativo foram os 65% de março de 2021, quando houve a chamada segunda onda da Pandemia de Covid-19.

O patamar atual é mais que o dobro do verificado em dezembro de 2023 (22%), melhor resultado apurado na gestão atual do presidente Lula (PT).

A pesquisa também mostra que 28% avaliam que a situação econômica irá melhorar —eram 32% em junho. O percentual dos que acham que vai ficar como está caiu de 31% para 22%.

Entre os que tomaram conhecimento sobre o tarifaço, 50% estão pessimistas em relação aos próximos meses. Entre os que dizem desconhecer o assunto, 25% avaliam que a economia irá piorar —apenas 18% dos brasileiros desconhecem as sanções americanas, segundo o Datafolha.

O percentual de pessoas pessimistas sobe de acordo com o nível de escolaridade: 34% entre os que têm curso fundamental, praticamente metade (49%) dos entrevistados com ensino médio e maioria (54%) entre aqueles com superior completo. Está em 38% entre as pessoas na faixa de menor renda (até dois salários mínimos) e 58% para quem ganha mais de dez salários mínimos.

A expectativa de piora é majoritária entre empresários (70%), assalariados com registro (52%), moradores do sul (53%) e sudeste (51%) e evangélicos (55%).

O Brasil ficou com a maior tarifa entre os países que foram taxados pelos Estados Unidos. Entre os argumentos do presidente americano está o pedido para que a Justiça brasileira interrompa o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Entre os autodeclarados bolsonaristas, 71% estão pessimistas com o futuro da economia.

Outro recorte da pesquisa mostra que 89% dos brasileiros acreditam que tarifaço de Trump vai prejudicar a economia e a maioria (77%) também vê impacto negativo na situação econômica pessoal.

O Datafolha entrevistou 2.004 pessoas com mais de 16 anos em 130 municípios. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.

PIORA NOS ÚLTIMOS MESES

Para 51% dos brasileiros com 16 anos ou mais, a economia já piorou nos últimos meses. Na pesquisa feita em junho, essa era a percepção de 47% dos entrevistados. No início do governo Lula, 35% faziam a mesma avaliação.

A percepção de melhora na questão econômica oscilou de 22% para 23%. Outros 25% acreditam que a situação permaneceu igual. Eram 28% em junho.

A avaliação de que houve piora na situação recente do país está em 54% entre os que tomaram conhecimento sobre o tarifaço e 40% entre os que dizem desconhecer o assunto.

Essa percepção também cresce de acordo com o nível de escolaridade: 41% para quem tem ensino fundamental, 55% no médio e 60% no superior. Está em 46% entre as pessoas na faixa de menor renda (até dois salários mínimos) e 66% para quem ganha mais de dez salários mínimos.

O número também é mais elevado entre empresários (82%), moradores da região Sul (63%) e evangélicos (60%).

SITUAÇÃO PESSOAL

Para 22% dos entrevistados, a sua situação econômica pessoal irá piorar nos próximos meses, número que também é o maior registrado desde março de 2021 (38%). Em junho deste ano, eram 14%.

Caiu de 53% para 45% o percentual dos que avaliam que haverá melhora. Para 31%, sua situação ficará como está, mesmo resultado da pesquisa anterior.

Para 37% das pessoas ouvidas, a situação econômica pessoal já piorou. Esse é o maior valor desde setembro de 2022, no governo Jair Bolsonaro (PL), quando eram 39%. Em junho deste ano, eram 33%. Em julho do ano passado, 24%.

O percentual dos que viram melhora nos últimos meses passou de 28% em junho para 26% em julho, enquanto a parcela dos que apontaram estabilidade foi de 38% para 36%.

Segundo o Datafolha, a percepção de piora na situação pessoal, pela primeira vez no atual mandato presidencial, empata na margem de erro com o percentual dos que veem estabilidade. Em relação à ocupação, o percentual é mais alto entre empresários (56%).

Eduardo Cucolo/Folhapress

Governo faz operação-abafa para não restituir aposentados, diz deputado

Relator de um projeto de lei que impede descontos indevidos em benefícios de aposentados, o deputado federal Danilo Forte (União-CE) diz que o governo federal promove uma “operação abafa” para não indenizar pessoas prejudicadas.

“O número de aposentados que pediram restituição de valores descontados está muito baixo. O pessoal não tem acesso à informação, e o governo tem dificuldade de liberar os extratos. Existe uma operação abafa para não pagar”, declarou Forte

Ele diz que é preciso haver busca ativa de pessoas que foram lesadas em descontos irregulares e não tomaram a iniciativa de buscar ressarcimento. “De 9 milhões de pessoas que tiveram as contas manipuladas, menos de 700 mil se cadastraram para a indenização”, afirma.

Para Forte, o governo tem condições de buscar os aposentados por meio do cadastro do Dataprev, empresa de tecnologia vinculada à Previdência.

Fábio Zanini/Folhapress

Oposição no Senado pressiona Alcolumbre a defender Marcos do Val após tornozeleira

Líderes de partidos de oposição no Senado pressionam o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), a defender o senador Marcos do Val (Podemos-ES), que teve a liberdade restrita por decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes segunda-feira (4).

Do Val viajou aos Estados Unidos contrariando decisão expedida pelo magistrado. Moraes havia determinado a apreensão do passaporte do senador, mas ele viajou com o documento diplomático, que continuava em sua posse.

Nesta segunda, ao desembarcar em Brasília, do Val foi recebido pela Polícia Federal. O senador terá de usar tornozeleira eletrônica e ficar recolhido em casa das 19h às 6h e nos finais de semana. Ele também perdeu o passaporte diplomático.

De acordo com a manifestação da oposição, a medida de Moraes compromete o exercício do mandato de Marcos do Val, o que afetaria “a autoridade do Senado como instituição democrática”. O comunicado defende que eventuais excessos de congressistas sejam analisados pelo Conselho de Ética da Casa.

“O senador sequer foi denunciado pela PGR [Procuradoria-Geral da República] e é alvo de investigação sigilosa, aparentemente motivada por críticas e opiniões —direitos resguardados pela imunidade parlamentar prevista na Constituição”, afirma o texto.

A nota é assinada pelos senadores Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição; Tereza Cristina (PP-MS) líder do PP; Plínio Valério (PSDB-AM), líder do PSDB; Carlos Portinho (PL-RJ), líder do PL; Mecias de Jesus (Republicanos-RR), líder do Republicanos; e Eduardo Girão (Novo-CE), líder do Novo.

O líder do partido de Marcos do Val, Carlos Viana (Podemos-MG), não consta dos signatários da nota. Rogério Marinho disse que não o procurou para assinar o documento.

Viana disse à Folha que o Podemos se posicionará, em nota, contra a decisão que afetou o senador. Segundo ele, uma análise mais profunda será feita na terça-feira (5).

“Sob o pretexto de defender a democracia, decisões como essa contribuem para corroê-la. É dever do Senado reagir com firmeza para preservar sua legitimidade”, escreveram os líderes da oposição. O grupo afirma que procurará Alcolumbre “solicitando posicionamento institucional acerca dos reiterados abusos de autoridade cometidos pelo ministro [Moraes]”, afirma a nota divulgada à imprensa pelos líderes de oposição.

O pano de fundo do protesto dos integrantes da oposição é a crítica a Alexandre de Moraes. Ele é responsável pelos processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), principal líder da direita. Aliados de Bolsonaro no Senado querem aumentar a pressão sobre o ministro e, no limite, obter apoio suficiente para cassar o cargo de ministro do STF.

Mais cedo, Alcolumbre ordenou à Advocacia-Geral do Senado que acompanhasse o caso e desse assistência jurídica a Marcos do Val. O ofício que informava a decisão contra o senador chegou à Casa por volta das 11h. Os advogados o Senado estão analisando a situação. Alcolumbre não deve se manifestar enquanto a avaliação não estiver completa.

Além das restrições à liberdade de Marcos do Val, Moraes também determinou o bloqueio do salário do senador, de seus bens, contas bancárias, chaves Pix e cartões de crédito. Também foi congelada a verba de gabinete do senador, de acordo com a decisão de Moraes.

Na decisão que ordenou o uso da tornozeleira eletrônica, Moraes afirmou que a conduta do senador “demonstra uma absoluta afronta à determinação do Poder Judiciário” e que o congressista “burlou as medidas cautelares impostas”.

Marcos do Val é investigado por ter feito campanha nas redes sociais contra os policiais federais que atuavam na investigação da trama golpista. Foi por conta dessa investigação que houve decisão para apreensão do passaporte dele em agosto de 2024, quando passou a ser investigado e teve as redes sociais bloqueadas.

A defesa do congressista divulgou nota em que “repudia a narrativa de que teria havido descumprimento de medida cautelar” e argumenta que em nenhum momento ele esteve proibido de se ausentar do país. Ela argumenta que Do Val comunicou às autoridades sobre sua viagem e não representava risco de fuga.

Caio Spechoto, Folhapress

Acidente em rodovia de Guaxupé (MG) deixa oito mortos e dois feridos

Colisão entre carros e moto na saída para Muzambinho (MG) foi registrada por câmera de segurança. Vítimas incluem pais, filhos e casal de namorados.
Um acidente envolvendo dois carros e uma moto deixou oito mortos e dois feridos na noite deste domingo (3) entre as rodovias BR-491 e BR-146 em Guaxupé (MG).

Segundo o boletim de ocorrência da Polícia Militar, a colisão foi por volta de 22h30 e envolveu uma motocicleta, um Fiat Palio Weekend e um GM Vectra. Câmeras de segurança registraram o momento da batida entre os três veículos na saída para Muzambinho (MG).

Conforme relatos colhidos pelo Corpo de Bombeiros, o Vectra, com cinco ocupantes e que seguia no sentido de Guaxupé, bateu de frente com uma motocicleta com dois ocupantes - que trafegava em sentido oposto, rumo a Muzambinho (MG). Após o impacto, o Vectra perdeu o controle e atingiu um terceiro veículo, um Palio Weekend, que transportava duas pessoas.

Quando a viatura da Polícia Militar chegou, a moto estava caída às margens da pista com vários danos. Um dos carros foi encontrado atravessado na via com a frente totalmente destruída e o outro automóvel, bastante danificado, estava metros à frente.

De acordo com o registro policial, dois ocupantes do Palio foram localizados nos bancos de trás, sem vida. No Vectra, estavam cinco ocupantes: quatro mortos e uma criança ferida em estado de aflição. Já os corpos de um homem e uma mulher encontrados no chão, próximos ao segundo veículo, eram os ocupantes da motocicleta envolvida no acidente.

Durante o atendimento da ocorrência, segundo os bombeiros, uma van que trafegava pela via colidiu com o Vectra e atingiu pessoas que prestavam socorro às vítimas. Uma mulher ficou ferida nesse segundo acidente e foi socorrida. Não há informação se o motorista da van foi detido, nem se estava em alta velocidade.

Vítimas
Ao todo, dez pessoas se envolveram na ocorrência. Oito morreram e duas ficaram feridas. De acordo com os bombeiros, foram constatados óbitos dos dois ocupantes da motocicleta, dos dois passageiros do Palio e de quatro ocupantes do Vectra.

A perícia esteve no local para os trabalhos de praxe. Segundo a Polícia Civil, os corpos foram encaminhados ao Posto Médico-Legal, onde passam por exames de necropsia. A polícia informou que atua de forma integrada com outras unidades para garantir a liberação às famílias o quanto antes.


Por g1 Sul de Minas

Netanyahu decidiu tomar o controle total de Gaza, diz TV israelense

Segundo canal i12, primeiro-ministro vai expandir ofensiva na Faixa de Gaza até controlar a totalidade do território palestino. Plano será comunicado ao gabinete de Netanyahu na terça (5). Governo israelense ainda não se pronunciou oficialmente.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, decidiu tomar o controle total da Faixa de Gaza, segundo uma reportagem da rede de TV israelense i12, com base em fontes do governo do país.

Segundo a reportagem, Netanyahu pretende expandir a ofensiva que Israel trava atualmente em Gaza até se apossar da totalidade do território palestino.

Ainda de acordo com o canal, o premiê se reuniará com seu gabinete para comunicar a decisão na terça-feira (5).

O governo israelense ainda não havia confirmado oficialmente o novo plano até a última atualização desta reportagem, mas Netanyahu anunciou nesta segunda que se reunirá na terça com seu gabinete. Embora não tenha revelado o conteúdo do encontro, confirmou que o objetivo será discutir objetivos na Faixa de Gaza.

"Devemos continuar unidos e lutar juntos para alcançar todos os nossos objetivos de guerra: a derrota do inimigo, a libertação de nossos reféns e a garantia de que Gaza não representará mais uma ameaça a Israel", disse.

A decisão, disseram as fontes consultadas pela reportagem, foi feita após as negociações por um acordo de cessar-fogo que devolvesse os reféns israelenses ainda sob poder do Hamas terem fracassado.

O plano envolve ainda a entrada das Forças Armadas de israelense em áreas onde o serviço de inteligência do país identificou que estão os cativeiros dos reféns, dentro da Faixa de Gaza.

A ideia de tomada do controle de Gaza — um território palestino estabelecido no mapa traçado pela ONU na criação do Estado de Israel, em 1948 — não é nova. Em maio, ao autorizar a retomada da entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, Netanyahu chegou a revelar que controlar o território fazia parte de um "plano de vitória" da guerra.

Antes, durante uma visita do premiê israelense à Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou planos de que os EUA controlem Gaza, remanejem os moradores do território para países vizinhos e crie resorts de luxo no local.
Por Gg1

Níquel baiano exportado para três continentes no 1º semestre de 2025

Atlantic Nickel destina 51 mil toneladas do metal para América do Norte, Europa e Ásia.
Mina Santa Rita registra cinco embarques internacionais entre janeiro e junho de 2025
Produção abastece setores ligados à transição energética, como o de baterias elétricas

  O níquel extraído no subsolo de Itagibá segue ganhando espaço nos principais mercados do mundo. No primeiro semestre de 2025, cinco embarques de concentrado de níquel sulfetado saíram da Mina Santa Rita, totalizando 51.256 toneladas secas exportadas para a Finlândia, China e Canadá. Países que hoje lideram o desenvolvimento de tecnologias voltadas à energia limpa.

Com operação estável e planejada, a Atlantic Nickel manteve a regularidade dos embarques ao longo do semestre, com duas remessas destinadas à Finlândia, duas à China e uma ao Canadá. A continuidade das exportações demonstra o papel estratégico da produção local no fornecimento global de metais essenciais para a indústria moderna. Novas cargas já estão previstas para o segundo semestre.

O níquel sulfetado produzido na região tem um papel importante no cenário global, sendo matéria-prima essencial para indústrias que lideram a transição energética. Ele é utilizado, por exemplo, na fabricação de baterias para veículos elétricos — um mercado que cresce rapidamente com a busca por fontes de energia mais limpas e eficientes em todo o mundo.

“Manter o ritmo das exportações reforça o papel da operação de Itagibá no cenário internacional e também na economia regional. Cada embarque envolve dezenas de profissionais e movimenta uma cadeia de valor efetiva, que inclui transportadoras, prestadores de serviço e comércio local”, afirma 
Renata Lamas, gerente comercial e de logística outbound da Atlantic Nickel. 

Além do impacto econômico, a atividade mineradora tem reflexo direto na vida da comunidade. Cerca de 70% da força de trabalho da Mina Santa Rita é formada por moradores da região, reforçando o compromisso com o desenvolvimento local. A empresa também mantém iniciativas voltadas para a sociedade, como o Edital Social e programas que apoiam projetos nas áreas de educação, cultura, esporte e geração de renda nas comunidades anfitriãs.

Sobre a Appian Capital Brazil 

A Appian Capital Brazil, fundo de investimentos privados especializado em mineração e metalurgia, é a representante no país do grupo Appian Capital Advisory. Fundada em 2011 em Londres com investimentos em diversos países, a empresa é referência no setor, com seu modelo diferenciado de mineração inteligente, respeitando o meio ambiente, trabalhando de forma integrada com as comunidades onde atua e apoiando o desenvolvimento destas regiões. Com seis anos de atuação no mercado brasileiro e presente em dois estados (Minas Gerais e Bahia), o fundo se estabeleceu no país em 2018. Atualmente, o grupo possui três ativos no país: Atlantic Nickel, Graphcoa e a subsidiária Omnigen Energy.

Com sólido compromisso e missão de transformar recursos naturais em prosperidade e desenvolvimento sustentável, o grupo trabalha alinhada às melhores práticas ESG. Transformando regiões onde atua, aliado à Integração Social, o grupo Appian tem como prioridade o profundo respeito com as pessoas e com a segurança nas operações.

Thárcio Mesquita Mendonça/Assessor de Comunicação – Atlantic Nickel

Gonet cita indícios de crime de Rui Costa em contrato na Bahia e pede retomada de inquérito no STJ

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, apontou a existência de indícios de envolvimento do ministro da Casa Civil, Rui Costa, em crimes praticados na compra de respiradores durante sua gestão como governador da Bahia.

Gonet escreveu que o ex-governador “assinou contrato com previsão de pagamento antecipado integral e sem garantias ao ente público”. Por isso, o procurador-geral da República pediu ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, que envie o inquérito sobre esse caso para a retomada das investigações no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Procurado, o gabinete de Dino informou que a petição ainda será analisada.

Procurada, a assessoria de Rui Costa afirmou que a manifestação de Gonet “não agrega nenhum elemento acusatório” e disse que não existem fatos que o vinculem a irregularidades no contrato. A assessoria afirmou ainda que a defesa do ex-governador também opinou que o processo deveria tramitar no STJ.

“Cabe destacar que a nova peça da PGR não agrega nenhum elemento acusatório quanto à conduta do então governador da Bahia e que o próprio Ministério Público já tinha manifestado, em parecer emitido no decorrer do processo, que não existe nenhum fato que vincule Rui Costa a qualquer irregularidade na compra dos respiradores”, diz a nota da assessoria do ministro. Ele também já afirmou anteriormente que determinou a abertura de investigação da Polícia Civil após os respiradores não terem sido entregues.

Prejuízo de R$ 48 milhões
A manifestação sigilosa da PGR foi enviada no final de junho ao ministro Flávio Dino. O Estadão teve acesso com exclusividade ao documento apresentado por Gonet. Trata-se da primeira manifestação do atual procurador-geral da República no inquérito.

O caso envolve um prejuízo de R$ 48 milhões na compra de respiradores pulmonares pelo Consórcio Nordeste em 2020, no início da pandemia da covid-19. Na época, Rui Costa era governador da Bahia e presidente do consórcio. Ele assinou um contrato com uma empresa sem capacidade técnica e autorizou o pagamento adiantado, mas os respiradores nunca foram entregues.

A investigação tramitou no STJ quando Rui Costa era governador, mas foi declinada para a primeira instância da Justiça Federal da Bahia após o fim do seu mandato na gestão estadual. Mais recentemente, o caso foi enviado ao STF por causa das mudanças no entendimento do foro privilegiado.

A investigação está parada desde que foi remetida ao STF, em maio deste ano. Por isso, Gonet solicitou a retomada das apurações. “A manifestação é pelo declínio de competência do presente inquérito e das cautelares a ele correlatas para o Superior Tribunal de Justiça, órgão competente para a continuidade das apurações dos fatos que teriam sido praticados no exercício do cargo de governador do Estado da Bahia”, escreveu.

Em sua manifestação, Gonet apontou que existem suspeitas do envolvimento de Rui Costa e outros agentes públicos em crimes envolvendo essa contratação e citou, entre os delitos investigados, o de dispensa irregular de licitação.

“As investigações, iniciadas pela Polícia Civil da Bahia, revelaram indícios de irregularidades na contratação da Hempcare Pharma, empresa com capital social ínfimo, reduzido número de empregados e sem experiência no ramo médico/hospitalar, mas que logrou firmar um contrato milionário com o Consórcio Nordeste”, escreveu.

O procurador-geral da República afirmou que o inquérito apura a participação de agentes públicos nos crimes investigados, citando a possível atuação de Rui Costa. De acordo com a manifestação da PGR, ele “assinou contrato com previsão de pagamento antecipado integral e sem garantias ao ente público”.

Gonet afirmou ao STF que a nova regra estabelecida para o foro privilegiado indica que o caso deveria voltar a tramitar no STJ, porque envolve fatos da época em que Rui Costa era governador da Bahia.

“No presente caso, os fatos investigados ocorreram durante o período em que Rui Costa exercia o cargo de governador do Estado da Bahia. A prerrogativa de foro, portanto, está diretamente vinculada ao cargo ocupado à época dos fatos e à natureza das funções então desempenhadas”, escreveu.

Prosseguiu o procurador-geral da República: “Ainda que o investigado Rui Costa atualmente ocupe o cargo de Ministro de Estado, o novo entendimento firmado pelo plenário do Supremo Tribunal Federal indica que a competência para processar e julgar os crimes que lhe são imputados, por terem sido supostamente praticados no exercício do mandato de governador e em razão dele, permanece no Superior Tribunal de Justiça”.

Delatora diz que pagou ‘comissão’
O inquérito sobre a compra de respiradores foi aberto pela Polícia Civil da Bahia em 2020, mas enviado ao STJ depois que surgiram os primeiros indícios da participação de Rui Costa nos fatos.
Desde então, o caso é investigado pela Polícia Federal, que já deflagrou duas operações para rastrear o caminho do dinheiro desviado.

A dona da empresa Hempcare, Cristiana Taddeo, fechou uma delação premiada e afirmou ter pagado uma “comissão” de R$ 1,6 milhão a um intermediário do governo da Bahia. Segundo ela, esse intermediário, o empresário Cleber Isaac Soares, se apresentou como amigo de Rui Costa e da então primeira-dama Aline Peixoto e disse ter sido o responsável por sugerir a possibilidade de contratação da Hempcare para fornecimento dos respiradores. Ela também admitiu não ter os documentos necessários para obter o contrato, dentre outras irregularidades.

A defesa da empresária não se manifestou. Já a defesa de Cleber Isaac disse que sua inocência será comprovada no processo. “A defesa de Cleber Isaac Soares Ferraz informa que confia na Justiça e acredita que a situação será resolvida em breve. O advogado criminalista Vinícius Assumpção reitera a convicção de que a inocência de Cleber será comprovada ao longo do processo. A defesa destaca que Cleber Isaac já depôes na CPI dos Respiradores da Assembleia do Rio Grande do Norte para esclarecer o assunto e que está colaborando com a Justiça”, afirmou, em nota.

Leia a íntegra da nota divulgada pela assessoria do ministro da Casa Civil
“Na manifestação citada, a Procuradoria Geral da República mostra-se em acordo com a tese apresentada pela defesa de Rui Costa, na medida em que concorda com a manutenção do processo no Superior Tribunal de Justiça. Essa continuidade do foro decorre de decisões e de jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, consolidadas anteriormente a esse caso concreto, e colabora com a maior celeridade possível para o andamento do processo, como é desejo manifestado publicamente por Rui Costa e pela sua defesa desde o início.

Cabe destacar que a nova peça da PGR não agrega nenhum elemento acusatório quanto à conduta do então governador da Bahia e que o próprio Ministério Público já tinha manifestado, em parecer emitido no decorrer do processo, que não existe nenhum fato que vincule Rui Costa a qualquer irregularidade na compra dos respiradores”.

Aguirre Talento/Estadão Conteúdo

Homem não aceita fim de relacionamento e mata ex-companheira a facadas no distrito de Córrego de Pedras

Cláudia dos Santos Conceição, de 34 anos, foi assassinada a facadas na tarde deste domingo (03), no distrito de Córrego de Pedras, zona rural de Ipiaú. Segundo relatos de moradores ao GIRO, o crime foi cometido pelo ex-companheiro da vítima, identificado como Luciano dos Santos de Jesus, que não aceitava o fim do relacionamento.

Testemunhas relataram que o suspeito estava em um bar consumindo bebida alcoólica quando viu Cláudia passar pela rua. “Ele foi atrás dela e a esfaqueou. Depois tentou se esfaquear também”, contou um morador. A quantidade de golpes e os locais atingidos ainda não foram confirmados oficialmente. O casal tinha três filhos.
Após o crime, Luciano teria tentado tirar a própria vida se esfaqueando. Ainda não há informações precisas sobre o estado de saúde dele. Ele foi preso em flagrante pela Polícia Militar e socorrido por uma ambulância e levado para o Hospital Geral Prado Valadares, em Jequié.

O caso está sendo investigado e deverá ser tratado como feminicídio, já que envolve a motivação por inconformismo com o fim do relacionamento. O corpo de Cláudia será removido pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT) e encaminhado ao Instituto Médico Legal de Jequié. (Giro Ipiaú)

Proprietário de bar é morto a tiros em estabelecimento próximo ao CETEP

Um homem identificado como Flávio Oliveira, 54 anos, foi morto a tiros na noite deste domingo (3), dentro do bar de sua propriedade, localizado na zona rural de Ipiaú, nas proximidades do Campus da UNEB e do CETEP Médio Rio das Contas.

Segundo informações apuradas pelo GIRO, o crime ocorreu por volta das 19h, quando dois indivíduos chegaram ao local. Um deles entrou no estabelecimento, pediu uma cerveja e, no momento em que Flávio entregava a bebida, foi surpreendido por quatro disparos. A vítima não resistiu e morreu no local, antes de receber qualquer socorro.

O homicídio foi presenciado pela filha de Flávio, uma criança de cerca de 6 anos. Após o crime, os suspeitos fugiram em direção à BR-330. A Polícia Militar foi acionada, isolou a área e aguardou a chegada do Departamento de Polícia Técnica (DPT), responsável pela perícia no local.

Moradores da região informaram que Flávio morava na cidade de Ipiaú e mantinha o bar nas proximidades da universidade. Ele também atuou por alguns anos como agente do Juizado da Infância da Comarca de Ipiaú e gerente do edifício Jorge Montanha.

A autoria e motivação do crime ainda são desconhecidas e serão investigadas pela Polícia Civil. (Giro Ipiaú)

Pauta-bomba não explica aumento de gastos, dizem especialistas

Apesar da narrativa de que o gasto público cresce por força da chamada pauta-bomba —o aumento das despesas da União feito pelo Legislativo à revelia do Executivo—, economistas que acompanham as contas públicas identificam que o avanço da despesa pode até receber eventual ajuda do Congresso, mas segue puxado pelo governo.

O sócio e diretor da gestora de recursos Rio Bravo Investimentos, Evandro Buccini, sintetiza essa percepção fazendo uma comparação. Volta no tempo e lembra que o uso do termo pauta-bomba se popularizou durante o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff por causa da agressiva atuação do Legislativo.

Para recordar: em valores de 2015, o Congresso aprovou um adicional de R$ 22 bilhões em despesas, que praticamente limavam o corte de gastos proposto pelo governo para 2016, na época de R$ 26 bilhões. Dilma teve de vetar medidas como o reajuste de até 78,5% a servidores do Judiciário.

Buccini afirma não ver nada similar no atual mandado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A oposição mais ostensiva do Congresso, exemplifica ele, mirou o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Nesse caso, argumenta, chega a ser compreensível que ocorra uma reação ao aumento de tributos durante uma gestão que insiste em cobrar mais impostos

“Não tem isso de que o governo é vítima de pauta-bomba, só se for bomba suicida —desde o começo, ainda na transição, o governo é o seu maior inimigo quando se trata de gastar”, diz Buccini.

Os especialistas afirmam que a tendência está nos números. Olhando para trás, a maior parte do aumento de gasto recente deriva essencialmente de decisões do governo federal, afirma o economista Alexandre Schwartsman, consultor da Pinotti & Schwartsman.

Comparando o valor ao final de 2022 e o montante nos 12 meses encerrados em maio de 2025, já corrigida a inflação, houve uma expansão de R$ 210 bilhões no gasto. Mais de 90% desse valor, explica Schwartsman, veio de quatro rubricas. Cerca de R$ 75 bilhões são despesas com INSS, R$ 70 bilhões, com Bolsa Família, outros R$ 30 bilhões, com BPC (Benefício de Prestação Continuada), e também por volta de R$ 30 bilhões, com abono salarial.

“O novo Bolsa Família é uma decisão direta do governo federal. Por sua vez, INSS, BPC e abono sofrem pressão demográfica, mas o aumento decorre principalmente da decisão do governo de elevar o salário mínimo —parece muito claro que o gasto vem de ações do governo”, afirma o economista.

Schwartsman lembra que muito se fala sobre o peso das emendas parlamentares, mas pondera que são questões diferentes.

“O gasto do governo é um animal de R$ 2,3 trilhões por ano, e as emendas são da ordem de R$ 50 bilhões —a disparidade de magnitude é muito grande. Ou seja, as emendas são uma vergonha, precisam ser revistas, mas são um problema de outra natureza.”

O economista-sênior da LCA e colunista da Folha, Bráulio Borges, recomenda o meio-termo nessa discussão. De um lado, avalia que o Congresso prejudica, sim, o equilíbrio das contas públicas, se não elevando gastos, comprometendo receitas.

“O Congresso não indicou até hoje compensação para desoneração da folha, cerca de R$ 20 bilhões. Insistiu no Perse [Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos], que no ano passado custou R$ 18 bilhões em renúncia de receita. À revelia da equipe econômica e do Ministério do Planejamento, veio com o Propag [Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados], que pode reduzir a zero o juro real da dívida dos estados com a União”, afirma Borges.

“O Propag não tem impacto sobre receita primária, mas impacta a receita financeira do governo federal e, portanto, a dinâmica da dívida líquida do setor público. Vai piorar.”

Tem também um terceiro elemento na discussão que anda meio esquecido, diz o economista: a herança do governo anterior. A política do salário mínimo pode afetar BPC e Bolsa Família atualmente, mas o grande impacto ocorreu no governo anterior.

A trajetória do BCP, lembra ele, mudou em 2022 com a explosão do número de beneficiários. A despesa seria cerca de R$ 30 bilhões a menos sem aquele salto.

“No caso do Bolsa Família, vamos lembrar que, em 2022, quando era Auxílio Brasil, subiu para R$ 600 reais”, diz ele, lembrando que todos os candidatos na eleição presidencial, Simone Tebet, Ciro Gomes, Bolsonaro e Lula, disseram que iam manter o valor porque não tinham como falar em redução.

“Hoje, o custo anual do Bolsa Família fica entre R$ 150 bilhões e R$ 160 bilhões, mas antes era um terço disso. O governo atual adicionou alguns benefícios, e elevou de R$ 600 para R$ 720. A responsabilidade é compartilhada.”

No entanto, Borges concorda que também que não dá para isentar de responsabilidades o atual governo. “Não podemos atribuir ao Executivo e à ala política uma postura associada à responsabilidade fiscal, e muito gasto está ficando fora do Orçamento”, diz Borges.

Olhando para a frente, há quem veja um cenário de pressão fiscal justamente nesse item. O economista-chefe da ARX Investimentos, Gabriel Leal de Barros, tem publicado análises sobre como a expansão da política parafiscal e de crédito comprometem a eficácia da política monetária do BC (Banco Central) —mantêm a economia aquecida, alimentando a inflação, enquanto os juros altos tentam fazer o trabalho oposto.

Na última quarta-feira, 30 de agosto, o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC interrompeu o ciclo de alta da Selic, a taxa básica de juros, mantendo-a a 15% ao ano —maior patamar em 19 anos. No entanto, as projeções de Barros mostram que o montante de estímulos à economia somam R$ 238 bilhões neste ano, o equivalente a 2% do PIB, e R$ 376 bilhões no ano que vem, 2,9% do PIB.

Barros estima que esse volume de recursos na economia tende a comprometer a queda da inflação. Para o final de 2027, por exemplo, enquanto o cenário básico do BC estima inflação a 3%, Barros projeta 3,8%, incluindo os estímulos.

O pacote desses estímulos considerado pelo economista inclui as medidas que estão fora do controle do arcabouço fiscal, o mecanismo instituído para limitar o crescimento da despesa. Entre elas estão o uso de recursos de fundos, investimentos de estatais, especialmente Petrobras, o avanço do crédito, seja pelo consignado privado para o trabalhador ou via banco público, como BNDES. Inclui ainda o efeito futuro do Propag.

Para Barros, governo e Congresso estão muito mais em sintonia do que em contraposição quando se trata do uso do dinheiro público. “Vejo Executivo e Legislativo de mãos dados quando o assunto é ampliar despesa e promover expansão fiscal”, afirma.

Barros cita dois exemplos recentes dessa associação: a isenção do IRPF (Imposto sobre a Renda da Pessoa Física) e a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 66.

A medida do governo que amplia a isenção do Imposto de Renda, a partir de 2026, para quem ganha até R$ 5.000 mensais já tinha forte impacto. Na tramitação, a Comissão Especial da Câmara dos Deputados criada para tratar do tema, sob a relatoria do deputado Arthur Lira (PP-AL), fez várias mudanças. Entre elas, aumentar a faixa de renda que terá redução parcial do imposto, de R$ 7.000 para R$ 7.350.

A PEC 66/2023 basicamente exclui precatórios do teto de gastos a partir de 2026 e estabelece limites para o seu pagamento. Traz também novas regras para o parcelamento de dívidas previdenciárias de estados, municípios e do Distrito Federal em até 25 anos. Em coluna à Folha, o economista Marcos Mendes qualificou a PEC 66 como um “pacotão de leniência”.

Alexa Salomão/Folhapress

Congresso volta com polarização turbinada e lista de votações de interesse do governo

O Congresso volta na terça-feira (5) com uma lista de projetos de interesse do governo e ainda mais polarizado após as medidas de Alexandre de Moraes contra Jair Bolsonaro, a sanção dos Estados Unidos ao ministro do STF e a efetivação da sobretaxa aos produtos brasileiros.

O PT de Lula promete priorizar a pressão para imediata cassação do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), com pedido de afastamento cautelar do mandato já nas mãos de Moraes.

O PL de Bolsonaro vai insistir na anistia aos golpistas do 8 de Janeiro e na agenda anti-STF, ações que foram o foco dos protestos deste domingo (3).

Após deputados e senadores terem entrado em recesso em alto grau de litígio com a gestão Lula, os acontecimentos das últimas semanas sinalizaram um bolsonarismo por ora isolado no Congresso, com o centrão não encampando as reivindicações do grupo.

Os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil- AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), por exemplo, se negaram a suspender o recesso após Moraes determinar a Bolsonaro o uso de tornozeleira eletrônica, e divulgaram nota em defesa do ministro após a sanção de Trump.

Para o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), a votação da anistia deveria ser precedida da aprovação da proposta de emenda constitucional que tira do STF a prerrogativa de julgar deputados que tenham cometido crimes.

“Isso iria acabar com a chantagem do Judiciário sobre os parlamentares, tirar a faca do pescoço do centrão, acabar com o medo de Alexandre de Moraes, para poder votar a anistia depois”, diz.

“O posicionamento do Trump, presidente do país mais democrático do mundo, só vai fortalecer a pauta da direita. Estamos repletos de razão”, afirma o deputado Bibo Nunes (PL-RS), que protocolou um novo pedido de impeachment após o gesto obsceno do ministro em um jogo de futebol.

O líder da bancada do PT, Lindbergh Farias (RJ), diz que a direita está isolada e que a prioridade será cassar Eduardo, que comanda a partir dos EUA medidas contra o STF. “O espírito é chegar com uma ofensiva grande para pautar a cassação de Eduardo Bolsonaro, um traidor do Brasil, que não pode continuar atuando como deputado nos Estados Unidos”, diz.

Além de representações por quebra de decoro no Conselho de Ética, Lindbergh entrou com ação no STF que inclui pedido de afastamento cautelar de Eduardo do mandato. Como mostrou a Folha, uma possível cassação de Eduardo por faltas só seria avaliada pela Câmara a partir de 2026.

A Câmara vai discutir também a perda de mandato de Carla Zambelli (PL-SP). Sóstenes diz que há votos para salvá-la, mas outros deputados do PL afirmam que ela deve perder o mandato porque, mesmo se não for extraditada, estará em outro país, sem condições de ir à Câmara.

A parlamentar foi condenada a dez anos de prisão e à perda do mandato, em maio, por invasão ao sistema do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Depois disso, fugiu para a Itália, onde foi presa na última terça-feira (29).

Caberá ao relator do caso na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara, o oposicionista Diego Garcia (Republicanos-PR), anunciar se pretende adotar alguma diligência, como ouvir testemunhas e a própria deputada licenciada, antes de apresentar parecer. Seja qual for a decisão da CCJ, a palavra final será do plenário da Câmara.

Bolsonaristas defendem também a cassação de Glauber Braga (PSOL-RJ), que tem recomendação nesse sentido do Conselho de Ética da Casa por agressão a um militante do MBL (Movimento Brasil Livre).

Outro tema que pode deslanchar é a CPMI para investigar a fraude no INSS. Alcolumbre já disse querer indicar o senador Omar Aziz (AM), líder do PSD, para presidir a comissão. Motta, por sua vez, ainda não bateu o martelo sobre a relatoria, que deverá ser feita por um deputado federal.

No campo das propostas, a prioridade do governo é o projeto de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 7.350 mensais. Já aprovado na comissão especial, ele está pronto para votação no plenário da Câmara.

Outro importante tema é a análise do veto de Lula ao projeto que aumenta o número de deputados de 513 para 531. Mesmo com alta reprovação popular, o projeto passou como forma de evitar que estados perdessem deputados devido aos novos números do censo populacional.

Parlamentares afirmam que hoje não há apoio no Senado para validar o aumento de deputados, revertendo o veto do petista —medida que depende do voto de ao menos 257 dos 513 deputados e de 41 dos 81 senadores.

“O Congresso vai manter o veto. Não tem cabimento, em um momento desses do país, a gente querer gastar R$ 65 milhões por ano com aumento de deputado. Isso é um tapa na cara da sociedade”, diz o senador Jorge Kajuru (PSB-GO).

No Senado, outros dois temas serão a conclusão da votação da PEC (proposta de emenda à Constituição) que cria novas regras para precatórios, como são chamadas as dívidas judiciais do poder público, além das sabatinas de agências reguladoras, tribunais superiores e conselhos.

A sabatina de autoridades foi lembrada em uma reunião entre Bolsonaro e parlamentares do PL na terça-feira. Diante da tentativa de aprovar a anistia, parte do grupo colocou na mesa a possibilidade de segurar a aprovação de autoridades.

Hoje, a maioria dos indicados pelo governo para as agências depende de sabatina e aprovação pela Comissão de Infraestrutura do Senado, cujo presidente é o bolsonarista Marcos Rogério (PL-RO).

Diferentemente dos presidentes das outras duas comissões em que haverá sabatinas (a de Constituição e Justiça e a de Assuntos Sociais), o senador ainda não escolheu os relatores das indicações. A reportagem procurou Marcos Rogério, mas não conseguiu contato.

Ranier Bragon, Carolina Linhares e Thaísa Oliveira/Folhapress

Resultado do Campeonato de Futebol Adulto 2025 da AABB Ipiaú;

A rodada do Campeonato Adulto teve dois jogos no domingo (03/08). No primeiro jogo do dia a Jr Modas enfrentou a Pão e & Cia, e a Jr Modas conseguiu a primeira vitória no campeonato.

Pão & Cia 1x3 Jr Modas

GOLS. Pão & Cia: Antonnioni: Jr Modas: Macaco (2) e Dominguinho (1)
Na segunda partida da rodada, a Lazaro Auto Peças enfrentou a equipe que lidera o campeonato, a Hortifruti São Luiz, e com gol único a Lázaro vendeu a líder e ainda entrou no G4 com a vitória.

Lázaro Auto Peças 1x0 Hortifruti São Luiz: GOL, Lázaro Auto Peças: Cleriston

Próxima rodada

Quarta-feira (06/08)

19:15 - Ed Telecom x Farmácia Pague Pouco

20:30 - Pão & Cia x Jr Modas
Fonte: Ascom/AABB-Ipiaú

Tarcísio foi submetido a procedimento de radioablação sem intercorrências, diz nota oficial

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi submetido na tarde deste domingo, 3, a um procedimento de radioablação na tireoide por ultrassonografia. A intervenção aconteceu sem intercorrências, afirma nota oficial do governo de São Paulo divulgada neste domingo. Segundo especialistas, este tipo de procedimento é feito para destruir nódulos na tireoide.

Tarcísio cumprirá na segunda-feira, 4, agenda interna no gabinete no Palácio dos Bandeirantes.

Ele não foi à manifestação bolsonarista realizada neste domingo na Avenida Paulista por causa do procedimento.

Daniel Galvão, Estadão Conteúdo

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