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De olho em 2028, Ana Paula Matos e Léo Prates ficam fora de ato de Flávio Bolsonaro em Salvador- Por Política Livre

       A vice-prefeita Ana Paula Matos (PDT) e o deputado federal Léo Prates (Republicanos)
Dois nomes que disputam espaço no grupo político de ACM Neto (União) e do prefeito Bruno Reis (União) de olho na Prefeitura de Salvador em 2028 não foram vistos no ato de campanha de Flávio Bolsonaro (PL), realizado neste sábado (17), na Barra. O deputado federal Léo Prates (Republicanos) e a vice-prefeita Ana Paula Matos (PDT) ficaram de fora dos registros públicos da mobilização, diferentemente dos seus liderados, respectivamente o antecessor e o atual gestor, de secretários municipais e de dirigentes ligados à administração da capital.

A ausência dos dois chama atenção pelo contexto eleitoral. Tanto Ana Paula quanto Léo alimentam o desejo de disputar a sucessão de Bruno Reis, mas precisam considerar o perfil do eleitorado soteropolitano, que deu maioria dos votos ao presidente Lula (PT). Nesse cenário, uma associação direta à campanha de Flávio Bolsonaro poderia representar um desgaste junto a setores do eleitorado que poderão ser decisivos na eleição municipal de 2028.

No caso de Ana Paula, a situação é ainda mais delicada por ocupar a vice-prefeitura e integrar diretamente a administração de Bruno Reis. Embora faça parte do mesmo grupo político de ACM Neto, a pedetista não acompanhou publicamente o movimento de aproximação com o candidato do PL. A ausência no evento permite a interpretação de que ela busca preservar sua identidade política e evitar uma vinculação mais explícita ao bolsonarismo.

Léo Prates também adotou uma postura diferente da de seu principal líder político. Enquanto ACM Neto declarou apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno e participou ativamente da organização do ato, o deputado do Republicanos não anunciou adesão pública à candidatura presidencial. O silêncio pode ser interpretado como uma tentativa de manter abertas diferentes possibilidades políticas para 2028, sem comprometer sua relação com eleitores que não se identificam com o bolsonarismo. Valeu lembrar que o presidente da sigla, deputado federal Márcio Marinho, esteve no evento.

Léo, aliás, não esconde a disposição de disputar a Prefeitura de Salvador, mesmo que isso signifique contrariar os planos de ACM Neto e Bruno Reis. Em diferentes momentos, ele já sinalizou que poderia seguir um caminho próprio caso não fosse escolhido pelo grupo. Até agora, entretanto, nunca levou essa possibilidade às últimas consequências, preferindo tensionar a relação com seus padrinhos políticos sem efetivamente romper com eles.

A rivalidade entre Léo e Ana Paula voltou a aparecer nas eleições deste ano. A vice-prefeita apoiou a candidatura de Cacá Leão (PP) à Câmara dos Deputados, deixando de caminhar com Léo Prates, que também disputou e conquistou a reeleição. O episódio reforçou a existência de projetos políticos distintos dentro de um mesmo grupo, apesar da aliança administrativa na Prefeitura.

A ausência dos dois no ato deste sábado, portanto, pode ter ido além de uma simples questão de agenda. Enquanto ACM Neto e Bruno Reis assumiram publicamente a campanha de Flávio Bolsonaro, Ana Paula e Léo evitaram, ao menos naquele evento, uma exposição que poderia cobrar seu preço político daqui a dois anos. Resta saber até quando conseguirão manter essa distância sem provocar novos atritos com as principais lideranças do grupo.
Por Política Livre

Com apoio de Geraldo Júnior, deputado tenta tomar MDB dos Vieira Lima na Bahia Por Política Livre

Uma articulação nacional que teve início de forma tímida após o primeiro turno das eleições visa tirar o MDB das mãos dos irmãos Vieira Lima e assegurar o controle do partido na Bahia ao deputado federal Ricardo Maia, único representante baiano da sigla no Congresso Nacional. O objetivo é assumir os cargos no âmbito estadual indicados pelo comando da legenda, sobretudo as secretarias de Infraestrutura Hídrica e Saneamento (SIHS), capitaneada por Marise Chastinet, e de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), chefiada por José Castro.

As conversas, ainda em caráter embrionário, acontecem entre Ricardo Maia e lideranças do partido na Câmara Federal e já teriam chegado ao presidente nacional, deputado federal Baleia Rossi (MDB). Na Bahia, contariam com o aval do vice-governador reeleito Geraldo Júnior (MDB), que sempre se colocou como aliado fiel dos Vieira Lima, mas agora almeja voos mais altos.

Procurada pelo site, o comando do MDB disse desconhecer a articulação e afirmou estar empenhada na reeleição do presidente Lula (PT) no segundo turno. O mesmo informou a assessoria do governador Jerônimo Rodrigues (PT), que só vai tratar de cargos e espaços no segundo governo após o pleito. Ricardo Maia não respondeu às mensagens do site.

Esta não seria a primeira vez que Ricardo Maia tenta assumir o comando do MDB na Bahia. Logo após ser eleito deputado federal, ele teria feito incursões dentro da legenda com o objetivo de sondar lideranças nacionais sobre uma eventual mudança, mas a ideia naufragou. Agora, diante da fragilidade de Geddel e Lúcio Vieira Lima, que não conseguiram eleger o primo Jayme Vieira Lima para a Câmara Federal, o parlamentar decidiu fazer novas sondagens.

O apoio de Geraldo Júnior teria como objetivo facilitar uma articulação com o governador. O vice também busca um espaço para o filho, o deputado estadual Matheus Ferreira (MDB), na próxima gestão. O parlamentar não conseguiu se reeleger.

Nacionalmente, Ricardo Maia indicou, no governo Lula, o presidente do DNIT na Bahia, Roberto Alcântara, ex-vereador de Ribeira do Pombal, cidade da qual o deputado já foi prefeito. Caso Flávio Bolsonaro (PL) vença a eleição presidencial, deverá promover mudanças no órgão baiano. Daí a necessidade de o parlamentar, que declarou apoio à reeleição do presidente, buscar alternativas no governo de Jerônimo.

Além das duas secretarias, o MDB da Bahia, que segue com dois deputados estaduais, comanda também a Companhia de Engenharia Hídrica e de Saneamento (Cerb), que antes da eleição era chefiada por Jayme e agora está sob o comando de Larissa Moraes, e a Junta Comercial do Estado da Bahia (Juceb), presidida por Ramon de Almeida Bagano Guimarães.

Fim da escala 6x1 volta ao Senado nesta terça (13), com disputa entre governo e oposição; veja o que pode mudar

O Senado Federal retoma nesta terça-feira (13) as sessões de análise da PEC (proposta de emenda à Constituição) 221, que acaba com a escala 6x1, na qual se trabalha por cinco dias com um de folga. Ao todo, são cinco sessões ordinárias antes que a proposta seja votada. Já houve três.

A votação está prevista para ocorrer em primeira sessão nesta quarta-feira (14), a partir das 14h. A oposição tenta evitar que ocorram duas votações no mesmo dia, com obstruções, seja impedindo o quórum mínimo ou apresentando emendas para tentar fazer com que o texto volte para a Câmara dos Deputados.

A PEC pelo fim da escala 6x1 reduz a jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40 horas 14 meses após sua promulgação e publicação, e cria a escala 5x2, sem redução de salário. A proposta foi aprovada na Câmara em maio. Para passar no Senado, precisa de 49 votos dos 81 senadores em duas votações.

As sessões de discussões da PEC começaram na terça-feira (6), logo após o primeiro turno das eleições de 2026, conforme havia sido acordado entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O PL, de Flávio Bolsonaro, é o principal partido que trabalha contra a aprovação nos bastidores. O motivo é que, na avaliação da legenda, a medida daria vantagem a Lula, que saiu do primeiro turno das eleições em desvantagem, em segundo lugar.

As sessões de discussão da PEC precisavam de ao menos cinco senadores para debate, mas chegaram a ter cerca de 50. O primeiro a falar na tribuna foi o senador Paulo Paim (PT-RS), que está se aposentando do Senado, e sempre defendeu a redução da carga horária de trabalho.

Paim teve uma de suas PECs de diminuição da jornada aprovada no final de 2025, na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. Ele foi deputado constituinte e, ao lado do presidente Lula, conseguiu aprovar a redução da jornada de 48 horas semanais para 44 horas semanais no texto da Constituição.

PEC das horas trabalhadas

Paralela à PEC 2221, há uma proposta da oposição. É a PEC 12, do senador Rogério Marinho (PL-RN), que propõe mudar a escala para implantar o sistema de horas trabalhadas. Chamada de PEC da Liberdade por quem a defende ou de PEC da Escala 7x0 pelos seus críticos, a medida cria o regime por horas trabalhadas.

O projeto do parlamentar do PL altera parte do artigo 7º da Constituição Federal para dar ao trabalhador a possibilidade de escolher entre a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e o trabalho por hora, por meio de um regime flexível. O pagamento seria feito com base nas horas trabalhadas.

Com esse modelo, o próprio profissional poderia escolher um contrato em que folga dois dias por semana, mas não recebe pelos dias que não trabalha. A jornada por hora poderia ter contratos inclusive em que se trabalha todos os dias, respeitado o limite de horas semanais, ou com uma folga na semana.


Na PEC apoiada por Flávio Bolsonaro, salário, FGTS, férias e 13º seriam proporcionais às horas trabalhadas.

O que pode mudar com o fim da escala 6x1?

  • A jornada de trabalho hoje é limitada a oito horas por dia e 44 horas semanais, conforme prevê a Constituição
  • Pela PEC 221, a jornada será limitada a oito horas diárias e 40 horas semanais, com dois descansos semanais remunerados, sendo um deles preferencialmente aos domingos
  • No primeiro ano, o limite será de 42 horas semanais e só começará a valer 60 dias após a promulgação da medida; 12 meses depois, haveria a redução para 40 horas

Como fica o descanso semanal remunerado?

  • Hoje, há apenas um repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos
  • A PEC 221 cria a escala 5x2, com dois dias de repouso semanal remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos
  • Mas isso não significa que todo mundo vai folgar aos sábados e domingos, pois vai depender da escala e da profissão
  • Categorias e atividades que podem atuar em domingos e feriados, conforme prevê a lei, por serem consideradas essenciais, continuam com outras escalas, mas a folga deve ser compensada

Como ficam as horas extras?

  • As horas extras continuam existindo. Hoje, o salário deve ser acrescido em 50% a cada hora a mais trabalhada no dia, com limite de duas horas extras por dia
  • Com a PEC, no período em que a jornada for de 42 horas, acordos e convenções coletivas poderão prever que a jornada diária possa ter mais de oito horas para compensar a escala 5x2, sem que essas horas sejam pagas como extra
  • Isso ocorrerá para acomodar a jornada de 42 horas dentro da escala de cinco dias

Será proibido trabalhar aos domingos?

  • O trabalho aos domingos não é proibido e é, inclusive, permitido para algumas categorias consideradas essenciais
  • Se houver trabalho nesse dia sem compensação prevista em lei, norma, convenção ou acordo coletivo, a hora de trabalho deverá ser paga em dobro
  • A PEC 221 mantém o domingo como um dia preferencial de descanso, mas não veta o trabalho neste dia, garantindo que categorias que precisem funcionar possam organizar suas escalas; vale a regra atual de compensação, que pode contar, inclusive, com banco de horas

Como fica o banco de horas?

  • Hoje, o trabalho em domingos e feriados pode ser compensado por meio de banco de horas se houver acordo ou convenção coletiva prevendo a medida
  • Não há nova regra prevista e o banco de horas poderá ser adotado conforme as negociações entre empregadores e trabalhadores

Os acordos e convenções coletivas vão mudar? Eles podem prever jornada maior?

  • A Constituição e a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) garantem que acordos e convenções coletivas podem prever arranjos diferentes de leis e normas, desde que respeitem a Constituição; é o acordado sobre o legislado, reforçado na reforma trabalhista de 2017
  • A PEC 221 mantém que acordo ou convenção coletiva de trabalho pode prever compensação de horários e outros arranjos de jornada, desde que respeitados os limites reforçando o acordado sobre o legislado; não é possível, no entanto, aumentar a jornada máxima semanal nem acabar com os dois dias de descanso previstos
  • A PEC prevê ainda que cláusulas que tratem sobre a jornada antiga deixam de valer dentro de 60 dias

O que é o 'superempregado'?

  • A reforma trabalhista de 2017 criou a figura do trabalhador hipersuficiente, que é o profissional com diploma de nível superior e salário acima de dois tetos da Previdência Social; ele pode negociar diretamente com o empregador
  • A PEC 221 coloca na Constituição a figura do 'superempregado', que é o trabalhador com diploma de nível superior e com salário acima de dois tetos e meio da Previdência, o que dá R$ 21.888,88 hoje. Neste caso, o profissional não terá controle de jornada e terá direito somente aos dois descansos semanais remunerados

Por Cristiane Gercina

Bolsa Família vira bandeira eleitoral, com promessas já existentes e obrigação de trabalhar

              Nesta eleição, Lula amplificou o debate ao anunciar um reajuste inesperado de 15%
Desde o primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, o Bolsa Família é tema recorrente das eleições presidenciais em razão do número de pessoas atendidas —são cerca de 20 milhões de famílias - e pelos efeitos na renda, no trabalho e no voto das camadas mais pobres da população.

Nesta eleição, Lula amplificou o debate ao anunciar um reajuste inesperado de 15% nos benefícios no programa social a 17 dias do pleito, em um momento de fragilidade de sua campanha frente ao avanço de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), nas pesquisas. O repasse do programa mínimo subiu de R$ 600 para R$ 691 por família.

A Folha pesquisou os programas e as falas dos candidatos para saber quais são os planos para o programa. Quase nenhum dos presidenciáveis traz novas propostas que tratem dos principais desafios do Bolsa Família, como medidas para ampliar o benefício para a população em extrema pobreza ou mudanças no desenho que eliminem incentivos à informalidade.

Lula promete "manter e aperfeiçoar" a política de transferência de renda, mas não aponta os caminhos para cumprir essa meta num eventual Lula 4.

Entre os opositores, todos falam de incentivar que beneficiários deixem o Bolsa Família para ingressar no mercado de trabalho ou se tornarem empreendedores. O programa é alvo de críticas por ser associado à ideia de que gera dependência e prejudica a empregabilidade.

Diferentes estudos mostram que o Bolsa Família é eficaz em promover mobilidade social. Uma pesquisa da FGV, por exemplo, apontou que 60,68% dos beneficiários de 2014 deixaram o programa até 2025.

"O Bolsa Família ainda é um programa que gera mobilidade social porque impede um nível de pobreza extrema," afirma Daniel Duque, pesquisador do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

Sergio Firpo, professor do Insper, diz que o desenho tem fragilidades. Para ele, o reajuste de Lula deveria priorizar famílias com crianças, mais pobres, evitando repasses proporcionalmente maiores a adultos em famílias unipessoais.

Sem verificação rígida da renda, beneficiários evitam a formalização para não perder o auxílio. O desenho poderia ajudá-los a buscar emprego com carteira assinada.

"O Bolsa Família gera incentivo para permanecer na informalidade. A informalidade gera volatilidade, e a volatilidade te leva ao programa. Você fica nessa armadilha da informalidade", afirmou Firpo, que foi secretário de Revisão de Gastos do Ministério do Planejamento.

Candidatos adversários do presidente Lula (PT) propõem medidas que já existem para o Bolsa Família, como manuteção do auxílio por um período de transição, em caso de aumento de renda.

Flávio Bolsonaro se pronunciou a favor da manutenção do benefício, caso seja eleito, mas criticou o reajuste concedido por Lula.

"Está achando que vai comprar o voto do pobre dando mais R$ 90 por mês? Além de manter esse reajuste, vou fazer muito mais", afirmou, durante transmissão ao vivo em suas redes sociais.

No passado, Flávio Bolsonaro foi crítico da política social e chegou a chamá-la de "bolsa-farelo". Ele mudou de discurso, mas o seu plano de governo não há uma sequer citação ao nome "Bolsa Família".

O plano fala em criar trilhas de capacitação que facilitem a entrada no mercado de trabalho, além de dar prioridade aos beneficiários em programas de primeiro emprego.

Diferentes versões desse tipo de ação já foram implementadas ao longo dos anos. Hoje, existe o programa "Acredita no Primeiro Passo", que oferece oportunidades de trabalho, estudo e empreendedorismo para quem está no CadÚnico, incluindo o microcrédito.

O progama já teve 393 mil pessoas beneficiadas nas acões de empreendedrorismo, segundo dados do secretaria de Inclusão Socioeconômica. Para Daniel Duque, apesar da proposta de Flávio, é difícil aprimorar o que já está implementado.

Os planos de Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) falam em propor uma regra de transição para quem sair do programa por aumento de renda. Pela proposta dos candidatos do PSD e do Avante, o valor do auxílio seria mantido, com uma redução gradual enquanto a pessoa se estabelece no emprego.

Em 2023, uma regra foi criada para o programa e prevê que, mesmo se a renda familiar ultrapassar os R$ 218 por pessoa, ela pode continuar recebendo 50% do valor do benefício que recebia antes, por um período de até 18 meses.

O plano de governo de Caiado fala ainda em integrar dados de CadÚnico, Suas (Sistema Único de Assistência Social), saúde, educação e habitação para melhorar o diagnóstico e plano de acompanhamento das políticas públicas. Isso também ajudaria a atualizar cadastros e combater fraudes, segundo o candidato.

O CadÚnico já usa de dados do Suas, além do sistema de presença do Ministério da Educação e dados da RNDS (Rede Nacional de Dados em Saúde). No entanto, ainda existe uma série de informações que podem ser mais bem aproveitadas, de acordo com Firpo.

"Não é totalmente integrado. Tem várias barreiras legais que justificam isso. Mas ao mesmo tempo, pela própria LGPD [Lei Geral de Proteção de Dados], você pode ter acesso aos dados, desde que seja para formulação de políticas públicas", afirma.

Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) são os presidenciáveis mais críticos ao programa. Zema disse considerar ilegal o reajuste às vésperas da eleição.

Os planos de governo de ambos os candidatos defendem que os beneficiários precisem trabalhar para manter o auxílio.

Em um evento promovido pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), Zema afirmou que o Bolsa Família estaria criando uma "criando uma geração de imprestáveis" e que empresários estariam enfrentando dificuldade para contratar mão-de-obra devido ao programa.

O plano de governo do candidato do Novo afirma que, no caso de adultos saudáveis e aptos ao trabalho, o auxílio só será dado se estiverem trabalhando, estudando ou se qualificando. Se recusarem ofertas formais de trabalho sem justificativa, o beneficio seria suspenso.

Zema propõe ainda um prêmio de R$ 5.000 para as famílias que superarem o limite de renda e deixarem voluntariamente o programa. Carlos da Costa, assessor econômico do candidato, afirmou em entrevista ao programa C-Level da Folha, que o candidato vai unificar o Bolsa Família ao BPC (Benefício de Prestação Continuada), Pé-de-Meia, Gás do Povo, abono salarial e outros programas sociais, se for eleito.

Já Renan Santos fala em substituir o Bolsa Família por frentes de trabalho. A população em idade ativa receberia remuneração em troca de atuar em projetos de trabalho voltados ao bem público. Apenas quem não conseguir trabalhar terá direito ao benefício.

Em entrevista ao C-Level, o deputado federal Kim Kataguiri (Missão), representante econômico de Renan, afirmou que os CRAS (Centros de Referência de Assistência Social) fariam essa peneira.

"[Falas de candidatos] revelam um pouco de ignorância sobre o que o programa faz e também um certo preconceito, como se o beneficiário do Bolsa Família fosse alguém que não está a fim de trabalhar, o que não é verdade", afirma Firpo.

O QUE CADA CANDIDATO PROPÕE PARA O BOLSA FAMÍLIA

Lula (PT):
  • Reajuste de 15% do benefício (já concedido)
  • Manter e ampliar o Bolsa Família, sem detalhar como
Flávio Bolsonaro (PL)
  • Ampliar capacitação de beneficiários e acesso ao primeiro emprego
  • Proibir uso do benefício em apostas (já existe)
Ronaldo Caiado (PSD)
  • Criar regra de transição que mantém o benefício após aumento de renda (já existe)
  • Integrar dados sociais, de saúde e educação para melhorar o acompanhamento e combater fraudes
Augusto Cury (Avante)
  • Criar regra de transição que mantém o benefício após aumento de renda (já existe)
  • Usar o programa para estimular o empreendedorismo (já existe)
Romeu Zema (Novo
  • Condicionar o benefício de adultos aptos a trabalho, estudo ou qualificação
  • Dar R$ 5.000 a famílias que deixarem voluntariamente o programa após aumento de renda
  • Unificar Bolsa Família, BPC, Pé-de-Meia, Gás do Povo e outros benefícios
Renan Santos (Missão)
  • Substituir o Bolsa Família por frentes de trabalho e manter o benefício apenas para quem não puder trabalhar
  • Usar os CRAS para avaliar a capacidade de trabalho de cada pessoa
Por Luany Galdeano/Folhapress

Guerra entre 'dinistas' no Maranhão reacende debate sobre atuação política de Dino como juiz Por Fabio Victor, Folhapress

Assessoria diz que ministro 'não trata e não responde sobre assuntos de política, da qual está afastado desde fevereiro de 2024'
Na sabatina a que se submeteu na Comissão de Constituição e Justiça do Senado como requisito para assumir a cadeira de ministro do Supremo Tribunal Federal, em dezembro de 2023, Flávio Dino respondeu a certa altura: "Gosto muito da atividade política [...], respeito muito a política, a vivo muito intensamente há 17 anos, mas sei que, em merecendo a aprovação aqui na CCJ e no plenário, é claro que eu deixo a vida política em todas as dimensões, inclusive nas redes sociais".

Não era a primeira vez que Dino enfrentava esse questionamento, até porque a alternância entre as atividades de magistrado e a de político marca a sua trajetória. Iniciou a militância como líder estudantil, fez carreira no direito —sobretudo como juiz federal, por 12 anos—, largou a toga para disputar sua primeira eleição em 2006 (elegendo-se deputado federal pelo PC do B) e permaneceu na política por 18 anos, até ser nomeado por Lula ministro do Supremo.

A transferência do governo Lula (do qual foi ministro da Justiça) direto para a cadeira do STF instaurou uma questão inevitável: ele seria um magistrado com passado político, como prometeu na sabatina, ou um político atuando na magistratura? A dúvida ressurge em momentos agudos, como na sessão da última terça (15) para analisar se o ministro Alexandre de Moraes deve ser investigado pela relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Enquanto analistas como Conrado Hübner Mendes criticaram a atuação de Dino por "pitadas de agressão a Fachin", "citações de algibeira" e "contradição performativa", para o bolsonarismo o papel dele como líder da ala pró-Moraes e autor do pedido de vista que suspendeu a análise o transformou em alvo, e nas hostes esquerdistas o ministro foi saudado como combativo —nas redes sociais espocaram palpites de que ele seria o candidato ideal desse campo à Presidência em 2030.

Um futuro novo retorno de Dino à política é desejado também por seus admiradores no lugar onde esse anfíbio de juiz e político foi forjado. À Folha o vice-governador Felipe Camarão (PT), pupilo de Dino e candidato ao Governo do Maranhão, disse que "o Brasil merece ter ele como presidente um dia, depois que acabar a missão dele no Supremo".

Camarão é uma aposta de Dino, que o alçou à política. O procurador federal e professor de direito virou uma espécie de curinga nos governos do hoje ministro do STF (chefiou quatro secretarias). Foi lançado informalmente candidato por Dino, que, numa aula no ano passado, brincou que Camarão formaria uma "chapa imbatível" tendo a professora Teresa Helena Barros de vice.

Hoje o grupo político outrora liderado por Dino no Maranhão —estado que ele governou por dois mandatos, de 2015 a 2022— vive uma guerra com o do governador Carlos Brandão (MDB), ex-vice de Dino e que lançou o sobrinho Orleans Brandão (MDB) para o governo.

Como a disputa tem ramificações no Judiciário, com vários processos decisivos para a política maranhense sob julgamento do próprio Dino no STF, seus adversários reclamam que ele tem usado a toga para influir nos rumos do poder no estado.

Algumas das ações relativas ao Maranhão sob a relatoria de Dino têm entre os investigados o clã Brandão e aliados do governador, como o dos desdobramentos de um assassinato à luz do dia num centro comercial numa área nobre de São Luís ou o sobre as normas para indicações ao TCE (Tribunal de Contas do Estado).

Já o caso da quebra do sigilo da fonte de um jornalista que publicou reportagens sobre o uso de carros oficiais pela família de Dino —o blogueiro em questão é réu num processo de 2017 acusado de integrar uma rede de extorsão a políticos e empresários do estado— está sob a relatoria de Moraes, aliado do ministro.

Decisões recentes de Dino no caso afetaram os Brandão, como o afastamento de Daniel Brandão, sobrinho do governador, da presidência do TCE e a prisão domiciliar e afastamento do cargo do secretário Raimundo Cutrim, delegado aposentado e aliado dos Brandão.

Dino afirma que não há motivos para se declarar impedido de julgar os casos. Em nota, sua assessoria afirmou que "as hipóteses legais de impedimento estão previstas no Código de Processo Penal e não se aplicam ao ministro no caso em questão".

Desde que Dino assumiu como ministro do STF, no último movimento da porta giratória entre palanques e tribunais, paira a desconfiança de que ele continuaria mantendo articulações políticas no estado.

Alguns episódios alimentam esse pé atrás. Num dos mais rumorosos, um adversário divulgou, em outubro de 2025, áudios de "dinistas" falando aparentemente em nome do ministro (um deles chega a mencionar ter conversado pessoalmente com Dino) em diálogos para negociar a pacificação com Brandão e a reunificação do grupo.

Nas conversas, os "dinistas" condicionavam a retomada das indicações para o TCE-MA (processo sob relatoria de Dino no STF) à escolha de candidatos a prefeito em alguns municípios, sobretudo Colinas, reduto dos Brandão mas também do deputado federal Márcio Jerry (PC do B-MA), um dos principais aliados de Dino em seu período na política.

Os emissários "dinistas", segundo o vazamento, seriam Jerry, o também deputado federal Rubens Junior (PT-MA), um dos vice-presidentes nacionais do PT, e Diego Galdino, ex-chefe da Casa Civil do governo Dino e à época secretário-executivo do Ministério do Esporte (foi Galdino quem teria mencionado expressamente que Dino lhe passou coordenadas para o acordo).

Quando acabou a presidência do [Nelson] Jobim [no STF; Dino foi seu juiz auxiliar], eu disse: já sei o que vem de novo, o vazio – uma certa inconformidade com a rotina inerente à função de juiz. Foi aí que tomei a decisão difícil, que levou tempos de reflexão, de deixar o Judiciário e voltar para a política partidária.
Flávio Dino

Em entrevista à revista piauí em 2023, sobre a decisão de 2006

Os "dinistas" nunca negaram ter dito o que está nos áudios. Na tribuna da Câmara, Rubens Junior se queixou de ter sido gravado ilegalmente pelo grupo de Brandão e contou que foi conversar com Dino a pedido do governador, em busca da pacificação entre os brigões.

Relatou que nessa reunião estavam Dino e o juiz federal Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), amigo do ministro desde a juventude, aos quais anunciou a missão de paz. "O ministro responde: ‘Junior, não estou mais na política. Esse assunto tem que ser resolvido por vocês. Desde que assumi esta cadeira como ministro do STF, tive que sair das conduções políticas’", descreveu o deputado.


Segundo o relato de Junior, ele ainda teria perguntado a Dino: "’Flávio, e essa questão do TCE, tem um processo judicial aqui’. A resposta dele para mim foi: Processo judicial se trata nos autos, nunca em uma mesa de discussão política".

O deputado conta que então pediu um conselho a Dino, que teria lhe dito: "Não para esse caso, mas como regra da vida, é melhor buscar a paz e a unidade do que a guerra".

O vazamento dos áudios provocou o pedido de demissão do secretário Rubens Pereira, pai de Junior, do governo e aprofundou o racha no grupo.

Em outro áudio, que não vazou à época, mas ao qual a reportagem teve acesso, uma voz parecida com a de Rubens afirma que, na negociação com os Brandão, Dino não abriria mão da indicação de Camarão como candidato ao governo, pois "hoje o Felipe é como se fosse um filho pro Flávio".

Procurado, Rubens Junior declarou: "Fiz um pronunciamento na tribuna [da Câmara] sobre o assunto e dei como encerrado. Esse é um caso que está sendo investigado pela Polícia Federal desde então". Jerry –que na época também foi à tribuna dar sua versão– reafirmou o que disse então, que "os áudios são criminosos, não são da política, são coisa de bandido".


Galdino não se manifestou nem na ocasião nem agora.

A assessoria de Dino informou que o ministro "não trata e não responde sobre assuntos de política, da qual está afastado desde fevereiro de 2024". Disse ainda que não responderia "por supostas ‘críticas políticas’, que não têm relevância para processos judiciais".

O nome de Ney Bello também apareceu nos vazamentos. Em prints de mensagens que teriam sido encaminhadas por ele a Rubens Pereira, o magistrado supostamente lista cinco atitudes a serem tomadas por Brandão sob a pena de "não chegar em abril [de 2026]" e teria dito que "há alguns inquéritos para estourar e isso vai jogar ele [Brandão] na lama".

Procurado via assessoria do TRF-1, Bello não respondeu. Na época, não negou o teor das mensagens, mas criticou que "conversas deste tipo estejam sendo citadas por terceiros, com distorções e uso político" e disse que não possuía atividade política partidária nem era relator de qualquer processo envolvendo políticos maranhenses.

Quando acabou a presidência do [Nelson] Jobim [no STF, do qual era juiz auxiliar], eu disse: já sei o que vem de novo, o vazio – uma certa inconformidade com a rotina inerente à função de juiz. Foi aí que tomei a decisão difícil, que levou tempos de reflexão, de deixar o Judiciário e voltar para a política partidária

Flávio Dino

Em entrevista à revista piauí em 2023, sobre a decisão em 2006, aos 38 anos

O trânsito de Dino entre política e direito já confundiu Lula. Numa entrevista em outubro de 2025, respondendo a uma questão sobre a briga no grupo político nas eleições de 2026, o presidente cometeu um ato falho.

"Eu tenho uma relação com o ex-governador Flávio Dino muito boa", afirmou. "Temos que fazer com que a aliança política que ganhou a última eleição se mantenha. O Brandão tem responsabilidade, o Flávio Dino tem responsabilidade, os deputados têm responsabilidade, os senadores têm responsabilidade, o vice-governador tem responsabilidade". Quando Lula disse isso, Dino já era ministro do STF havia um ano e oito meses.

Por Fabio Victor, Folhapress

Alcolumbre diz que quantidade de pedidos de impeachment do STF não é normal e não responde sobre Moraes

       Presidente do Senado afirma que há 109 pedidos de afastamento de ministros da Corte

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou, nesta terça-feira (1º), que não é normal haver 109 pedidos de impeachment contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) em resposta às novas mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, do banco Master.

A oposição bolsonarista do Congresso e o presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro, voltaram a pressionar pelo impeachment de Moraes. Mas aliados de Alcolumbre consideram que a chance de um processo como esse avançar é zero —até porque o presidente do Senado tem uma relação próxima com o ministro.

Ao deixar o Senado, Alcolumbre afirmou a jornalistas que vem sendo pressionado com pedidos de impeachment há muito tempo.

"A minha percepção é que tem 109 pedidos, isso não é normal. [São] 109 solicitações no Congresso, [a respeito] dos 10 ministros, de pedido de impeachment de ministros do Supremo", disse.

Questionado a respeito da relação entre Moraes e Vorcaro revelada pelas mensagens, Alcolumbre respondeu: "Eu não achei nada, eu não devo achar nada".

Alcolumbre, Moraes e o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) jantam juntos frequentemente e têm uma relação de bastante proximidade. Na presidência, os dois senadores sempre se colocaram como anteparo do afastamento de Moraes.

Investigação da Polícia Federal tornada pública nesta terça indica que Vorcaro perguntou a Moraes se deveria fugir do país, dois dias antes da operação em que acabou preso, em novembro do ano passado.

Moraes também editou o contrato de R$ 131 milhões firmado pelo Banco Master com o escritório da mulher dele, Viviane Barci de Moraes.

Além do pedido de impeachment de Moraes, a oposição apresentou uma queixa-crime contra ele na PGR (Procuradoria-Geral da República) e um ofício ao presidente do STF, Edson Fachin, em que pede a abertura de uma investigação.

A oposição afirmou que também vai enviar um ofício ao presidente Lula (PT) pedindo o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e acionar a PGR contra ele —mas não por meio do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que acusam de estar contaminado.

Em mensagens enviadas a Moraes, Vorcaro pergunta se o ministro poderia intervir a favor dele junto a Andrei ou a Gonet. Relatório da PF aponta que um filho de Gonet pediu a Vorcaro para ir a um evento custeado pelo então banqueiro em Londres, com despesas pagas.

Congressistas afirmam que as revelações sobre Moraes e Vorcaro devem incendiar ainda mais as eleições, tanto a de presidente da República como a de senadores. O caso também estará no centro da manifestação bolsonarista marcada para o feriado de 7 de Setembro, em São Paulo.
Por Carolina Linhares/Folhapress


Caso Lulinha é usado como munição contra indicação de Jorge Messias ao STF

O caso envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, passou a ser explorado nos bastidores de Brasília como argumento contra a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a Coluna do Estadão, Messias tem sido alvo de críticas em grupos de WhatsApp de servidores da AGU, da Polícia Federal e da magistratura após rejeitar um pedido da PF para que a AGU contestasse decisões do ministro André Mendonça, relator do inquérito sobre fraudes no INSS. A reportagem é do Estadão.

A Polícia Federal havia solicitado que a AGU questionasse determinações de Mendonça, entre elas a exigência de envio ao STF de todas as peças da investigação da Operação Sem Desconto e a comunicação prévia ao ministro sobre eventual afastamento ou substituição de delegados responsáveis pelo caso. Messias recusou o pedido por considerar a medida sem precedentes, já que envolveria a AGU em uma questão de natureza criminal. O episódio provocou um conflito entre Mendonça e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e passou a ser utilizado por adversários para desgastar a candidatura de Messias ao Supremo.

A situação ganhou ainda mais repercussão após a investigação revelar relações de Lulinha com a lobista Roberta Luchsinger e o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Aliados de Messias argumentam que aceitar o pedido da PF poderia abrir espaço para acusações de obstrução da Justiça, especialmente porque o advogado-geral da União representa juridicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nos bastidores, interlocutores do ministro avaliam que a solicitação da PF acabou criando uma situação delicada para o governo e poderia atingir diretamente o presidente.

Câmara aprova posse de arma para oficiais de Justiça com apoio de governo Lula e bancada da bala

A Câmara dos Deputados aprovou, em sessão esvaziada nesta quinta-feira (13), a posse de armas para oficiais de Justiça. O projeto de lei foi patrocinado pela bancada da bala e aprovado de maneira simbólica, com apoio também do governo Lula (PT). A proposta agora vai ao Senado.

O texto permite a todos os oficiais de Justiça o porte de arma de fogo para defesa pessoal. A avaliação é que esses profissionais enfrentam riscos inerentes ao exercício da profissão. A regra vale tanto para a esfera federal quanto para os estados.

"Estamos falando de um segmento que precisa ser entendido como parte do nosso sistema de Justiça e Segurança Pública. É esse segmento que vai bater na porta das pessoas, entregar um ofício não tão agradável", afirmou o deputado Airton Faleiro (PT-PA), que representou a liderança do governo.

O projeto não prevê autorização automática de posse de armas para os oficiais de Justiça. Os profissionais vão precisar cumprir os requisitos operacionais básicos do Estatuto do Desarmamento, como comprovação de aptidão psicológico, atestar capacidade técnica para o manuseio e passar por treinamento.

O deputado Coronel Meira (PL-PE), que leu o parecer favorável, afirmou que o oficial de Justiça enfrenta "risco concreto à própria vida" para efetivar ordens judiciais. O congressista afirmou que não trata-se de privilégio para a categoria, mas "segurança e reconhecimento das peculiaridades da função indispensável para a Justiça".

Integrantes da bancada da bala chegaram a apresentar emendas para ampliar o escopo do projeto, prevendo que mais categorias tenham posse e posse de arma, como auditores rurais. As emendas foram rejeitadas em cumprimento ao acordo que levou o texto a votação.

Agora, o texto precisa ser aprovado no Senado para entrar em vigor. A expectativa é que os senadores analisem o projeto na primeira semana de setembro.

Segundo parlamentares, houve acordo com o governo para que o presidente Lula não vete o projeto, se ele for de fato aprovado pelos senadores. A expectativa é que a proposta também conte com amplo apoio na Casa.

A votação do projeto na Câmara foi simbólica, em sessão semipresidencial. Nesse modelo, não é possível checar como votou cada parlamentar. O Congresso está funcionando em regime virtual e continuará com atividades reduzidas até a eleição de outubro.

Após esta semana, o Congresso só funcionará para votações na semana de 31 de agosto a 4 de setembro. Ou seja, qualquer proposta que não for aprovada até lá só poderá ser analisada a partir de novembro.
Por Augusto Tenório, Folhapress

Paulinho da Força reage a crítica de Lula e diz que ele 'está gagá'

Em convenção do PT, Lula acusou deputado federal de ter apoiado Reforma Trabalhista e enfraquecido sindicatos
O deputado federal e presidente do Solidariedade, Paulinho da Força, reagiu à fala do presidente Lula (PT) que o acusou de ter apoiado a Reforma Trabalhista aprovada no governo Temer e disse à coluna que o presidente "deve estar gagá".

"Acho que ele tá ficando gagá ou, depois de velho, passou a ser mentiroso", disse o deputado.

Durante a convenção do PT, em São Paulo, Lula saiu em defesa dos direitos trabalhistas e disse que os sindicatos enfraqueceram nos últimos anos.

"O Temer teve coragem de enfraquecer ainda mais com o apoio do Paulinho, da Força Sindical, que vai pedir voto para vocês agora. Então vocês tomem cuidado", disse o presidente.

Como presidente do Solidariedade, Paulinho da Força foi procurado pelo PT para lançar candidatura própria ao governo de São Paulo e embaralhar a disputa. A avaliação é que um novo nome facilitaria a Fernando Haddad (PT) levar a disputa contra Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao 2º turno.

À coluna Painel, do jornal Folha de São Paulo, o deputado federal descartou a possibilidade e disse que apoiará a reeleição do governador. Questionado se sairá ao Senado, como chegou anunciar no início do ano, Paulinho da Força também disse que o martelo já foi batido.

"Não serei candidato", disse à coluna.
Por Gabriela Echenique/Folhapress

Se quiser vir Trump, que venha. Se quiser vir Milei, que venha. Não quero ajuda de fora’, diz Lula

Presidente ainda pediu investimentos em educação para ‘acabar com a arrogância’ do presidente americano

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a citar o presidente americano Donald Trump e o congênere argentino Javier Milei, ao questionar uma possível interferência de governantes de outros países nas eleições brasileiras. As falas de Lula foram na convenção do PT que confirmou a candidatura à reeleição de Elmano de Freitas ao governo do Ceará.

“Enquanto eu viver, a extrema direita não voltará a governar esse país. E vou dizer mais: que venha ajudá-los quem quiser. Se quiser vir o Trump, que venha. Se quiser vir o Milei, que venha. Venha quem quiser. Eu não quero ajuda de fora. A única ajuda que eu quero é a ajuda do povo brasileiro para que a gente possa manter a democracia nesse país”, disse Lula na reta final de seu discurso.

Antes, ele já havia citado Trump ao falar de investimentos em educação.

“Nós precisamos fazer mais universidades, fazer mais institutos federais. Ensinar mais matemática, mais engenharia. Não é preciso formar mais tantos advogados como formamos hoje. Nós precisamos apostar na nossa meninada, estudar engenharia, estudar inteligência artificial, estudar matemática para que a gente possa competir com a China, para que a gente possa acabar com a arrogância do Trump e dizer: ‘Nós somos o país que mais temos investimentos’. Nós poderemos passar eles. Porque o brasileiro não deve inteligência a ninguém”, disse.

Lula ainda afirmou, nesse contexto, que “ninguém fará eu baixar a cabeça para ninguém” e que “o Brasil não vai baixar a cabeça”.

Na última quarta-feira (29), Lula já havia citado Trump e Milei. Em convenção do PSB para oficializar Geraldo Alckmin como seu vice, o presidente brasileiro disse que não quer briga com Trump “nem a porrete” e que Milei fez “pataquada” no Brasil.

As falas de Lula direcionadas a Milei ocorrem após o presidente argentino participar da convenção do PL que lançou Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Na ocasião, Milei chamou Lula de “presidiário” e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de “careca lixo”. O Brasil chegou a convocar seu embaixador no país após as declarações.

Por Fabrícia Braga/Estadão

ACM Neto diz que Rui Costa precisa procurar terapia

Durante participação no programa "Sua Voz é Nossa Voz", no bairro do Cabula, em Salvador, na noite desta segunda-feira(27), o ex-prefeito de Salvador e candidato a governador da Bahia, ACM Neto (União Brasil), rechaçou as declarações do ex-ministro da Casa Civil e pré-candidato a senador, Rui Costa (PT), que o chamou, juntamente com o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), de "um bando de Zé Mané" ao comentar críticas da oposição a projetos como o VLT do Subúrbio, a Ponte Salvador-Itaparica e a segurança pública.

Em entrevista à imprensa, o postulante ao Palácio de Ondina disse que o petista extrapola o debate político e voltou a dizer que Rui deveria buscar ajuda profissional.

"Primeiro, já disse que o problema do ex-ministro é um problema de terapia, não é de debate político, porque ele não se cansa de me agredir, de me ofender, não guarda o respeito à convivência civilizada e democrática que faz parte de um processo eleitoral. Eu posso sugerir mais uma vez que ele procure uma terapia para se acalmar. Eu vou continuar discutindo a Bahia, trazendo ideias para o futuro da Bahia, ideias que são transformadoras", declarou.

O ex-chefe do Executivo soteropolitano ainda ressaltou que pretende conduzir a campanha priorizando o debate sobre soluções para os problemas do estado. De acordo com ele, as propostas apresentadas por sua equipe começaram a ser divulgadas após um período de discussão com especialistas e com a população.

Dentre essas propostas, Neto citou o PIX Saúde, programa anunciado recentemente por sua pré-campanha, que prevê a concessão de um benefício financeiro para que pacientes da rede pública possam realizar procedimentos na rede privada quando não houver atendimento pelo SUS dentro do prazo estabelecido.

Vale ressaltar que esta proposta do PIX Saúde já está sendo criticada pelos aliados do governador e pré-candidato a reeleição, Jerônimo Rodrigues (PT). Durante o encerramento do Programa de Governo Participativo (PGP), em Santo Antônio de Jesus, no último domingo (26), o senador e pré-candidato à reeleição, Jaques Wagner (PT), criticou a proposta e afirmou que a medida não cria hospital.

"A gente vem pautando o debate eleitoral. Eu guardei para o momento certo a apresentação das nossas propostas. Elas estavam sendo discutidas com a população, com a nossa equipe. E agora a gente consegue pautar o debate com propostas como o PIX Saúde, propostas inovadoras que certamente vão ajudar a enfrentar os graves problemas vividos hoje pela população baiana", concluiu.

Por Reinaldo Oliveira, Política Livre

Jovem Liderança Marcel Hohlenwerger desponta como aposta para fortalecer o interior baiano

Nome promissor e pré-candidato a deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores, (PT) Marcel Hohlenwerger surge como uma nova liderança política do interior da Bahia, com foco no fortalecimento dos municípios do Território do Médio Rio de Contas e Litoral Sul.

O cenário político regional começa a ganhar um novo protagonista. Natural de Ipiaú, o empresário, jornalista e publicitário Marcel Hohlenwerger foi lançado pelo Governador Jerônimo Rodrigues, como pré-candidato a deputado estadual, consolidando seu nome como uma das lideranças de expressão no sul do estado.

Filho do interior, Marcel representa uma geração que acredita no diálogo, na inovação, na construção de políticas públicas voltadas para quem vive e produz nos municípios baianos.

Marcel defende também a maior presença dos cidadãos no processo eleitoral, para estimular o voto consciente e levar o eleitor a escolher melhor seus representantes políticos. 

Sua trajetória empresarial, aliada ao trabalho desenvolvido ao longo dos anos em comunicação, desenvolvimento regional e fortalecimento de iniciativas locais, reforçam um perfil voltado para resultados e compromisso com as pessoas.

Entre as prioridades defendidas por Marcel estão o incentivo à comunicação, cultura, a preservação do meio ambiente, o fortalecimento da educação, o apoio ao esporte como ferramenta de inclusão social, o estímulo à economia criativa para que o interior saiba aproveitar bem os avanços tecnológicos e a promoção do empreendedorismo como vetor para geração de emprego e renda.

Com um discurso voltado para a valorização do interior, Marcel Hohlenwerger defende que o desenvolvimento da Bahia passe, necessariamente, pelo fortalecimento dos municípios, ouvindo as demandas da população e construindo soluções em parceria com lideranças locais, entidades e a sociedade civil.

“O diálogo sempre será  o melhor meio de transformação social. É ouvindo quem vive a realidade de cada comunidade que surgem as melhores ideias, as decisões mais justas e os caminhos capazes de construir um interior cada vez mais forte, desenvolvido e cheio de oportunidades.”

Jovem, pai de família e profundamente ligado às raízes do Médio Rio de Contas, Marcel apresenta um perfil de proximidade com a população. Sua atuação é marcada pela defesa de um mandato participativo, que tenha como principal compromisso transformar as necessidades das comunidades em políticas públicas concretas.

A chegada de um novo nome ao cenário político regional amplia a representação no debate sobre o futuro dos Territórios de Identidade e reforça a expectativa sobre as soluções de demandas dos municípios. 

Marcel Hohlenwerger inicia sua caminhada política levando consigo a identidade de quem conhece os desafios do interior e acredita no potencial transformador da região.

O lançamento de sua pré-candidatura representa o surgimento de uma nova voz com experiência, capacidade de diálogo e a disposição de contribuir para a construção de uma Bahia mais justa, desenvolvida e com mais oportunidades para todos.

Flávio Bolsonaro enfrenta perda de apoio de partidos do Centrão e adota discurso mais radical

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, enfrenta dificuldades para ampliar sua aliança política após o PP anunciar que não deverá apoiar sua candidatura nacionalmente. Como o partido integra uma federação com o União Brasil, a decisão também pode levar a legenda a adotar uma posição de neutralidade na disputa presidencial. O Republicanos, que poderia se tornar um novo aliado, também estaria resistente a uma aproximação no primeiro turno. A reportagem é do jornal O Globo.

Em meio às dificuldades políticas, Flávio tem reforçado um discurso mais alinhado ao do pai, Jair Bolsonaro, com críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e questionamentos sobre as urnas eletrônicas. A estratégia busca consolidar o eleitorado bolsonarista, mas tem provocado críticas dentro do próprio PL e entre possíveis aliados. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou confiar no sistema eleitoral e defendeu que o debate seja concentrado em projetos para o país.

A mudança de estratégia também inclui maior presença de Jair Bolsonaro nas redes sociais do filho, transmissões ao vivo e mobilizações de apoiadores em aeroportos, reproduzindo práticas associadas às campanhas do ex-presidente. Apesar do maior engajamento entre a base, dirigentes partidários avaliam que a radicalização pode dificultar a aproximação com setores do Centrão e ampliar o isolamento político de Flávio na corrida presidencial de 2026
Por Redação


Marido de prefeita de Conquista faz vídeo com acusações contra ex-presidente da UPB

O pré-candidato a deputado estadual Wagner Alves, marido da prefeita de Vitória da Conquista, no Sudoeste, Sheila Lemos (União), divulgou um vídeo nas redes sociais com críticas ao ex-prefeito de Belo Campo, na mesma região, e ex-presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Quinho Tigre (PSD).

As declarações, feitas nesta terça-feira (21), tencionaram o clima de disputa nos bastidores da política conquistense.

Segundo informações, o vídeo foi publicado após críticas atribuídas a Quinho em relação à gestão da prefeita Sheila Lemos.


Na gravação, Wagner Alves faz declarações direcionadas ao ex-prefeito e relembra uma operação da Polícia Federal (PF) realizada em 2014, ocasião em que Quinho foi preso e houve apreensão de veículos e computadores durante as investigações.

Quinho Tigre é marido da vereadora Leia (PSD), a segunda candidata mais votada para a Câmara Municipal de Vitória da Conquista nas eleições de 2024.

Alves disse ainda que estaria disposto a apresentar mais detalhes sobre acusações contra Quinho caso as críticas do ex-presidente da UPB continuassem. Ao final do vídeo, o marido da prefeita de Conquista citou um trecho bíblico do Evangelho de Mateus:

"Por que você vê o cisco que está no olho do seu irmão, mas não repara na trave que está no seu próprio? Ou como dirá a seu irmão: ‘Deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando você tem uma trave no seu? Hipócrita! Tire primeiro a trave do seu próprio olho, e então verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão," declarou.
Informações: Bahia noticias

Michelle reacende crise com Flávio por aliança com Ciro: ‘Direita do Ceará está vendida’

Negociação de aliança do PL com Ciro Gomes no Ceará foi principal queixa que levou Michelle a gravar um vídeo acusando enteado de maltratá-la

Foto: Divulgação/Arqivo

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a criticar a negociação de uma aliança do PL com Ciro Gomes (PSDB) na disputa pelo governo do Ceará e mostrou que a crise com o enteado, o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), não está superada. O imbróglio foi a principal queixa que levou Michelle a gravar um vídeo no mês passado acusando o enteado de maltratá-la.

“A direita do Ceará está vendida”, disse Michelle ao comentar nesse domingo, 19, uma declaração de Ciro de que votaria em Ronaldo Caiado (PSD) ou Renan Santos (Missão), ignorando Flávio.

“Choca? Não! Só não viu quem não quis, por causa do velho ‘toma lá, dá cá’. Eu alertei que esse senhor, cujo partido contribuiu para deixar o meu marido inelegível, não daria o seu apoio. Ainda assim, queria os votos dos bolsonaristas. Infelizmente, a direita do Ceará está vendida”, escreveu Michelle nesse domingo, 19, ao comentar uma publicação que dizia: “Ciro Gomes afirma que apoiará Caiado ou Renan Santos”.

No sábado, 18, Ciro Gomes apontou Caiado e Santos como opções de voto. O pré-candidato ao governo cearense ignorou Flávio Bolsonaro, que costura uma aliança com os tucanos no Estado governado por Elmano de Freitas (PT), que tenta a reeleição.

Ciro Gomes foge de associação com Flávio Bolsonaro, que tenta aliança

Ciro tem dito a aliados que não quer a imagem associada a Flávio Bolsonaro. Flávio participou, no último dia 10, de um evento em Fortaleza para oficializar Alcides Fernandes como pré-candidato ao Senado. Fernandes é pai do deputado André Fernandes, presidente do PL cearense e principal articulador da aliança entre PL e PSDB no Estado. Ciro Gomes estava em São Paulo e não encontrou o senador.

O entorno de Ciro alega que a associação entre o tucano e Flávio Bolsonaro é uma tentativa do PT de enfraquecer a campanha do pré-candidato ao governo do Ceará. E que o tucano não quer aparecer ao lado do senador, o que poderia “queimar o filme” do tucano, especialmente depois de vir a público a ligação de Flávio com Daniel Vorcaro.

Michelle diz que foi humilhada por Flávio Bolsonaro: ‘Uma punhalada’

No vídeo publicado no mês passado, a ex-primeira-dama reclamou da aliança do PL com o PSDB no primeiro turno e defendeu o nome da vereadora Priscila Costa (PL-CE) para o Senado, uma das escolhas pessoais de Michelle. Michelle disse ter sido “maltratada, humilhada e desrespeitada” pelo enteado.

“Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone. E eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”, afirmou Michelle. E completou:

“Disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”, relatou Michelle no vídeo, falando em “uma punhalada”.

Na última semana, Flávio disse não ter mais relação com a madrasta. “Eu não tenho mais relação com ela, ainda mais agora que eu tô proibido de falar com o meu pai, eu ia lá na casa de vez em quando. Eu nunca pressionei pra entrar pra campanha ou pra não entrar, vem a hora que quer, vem se quiser também”.
Por Eduardo Barretto/Estadão