Haddad vira aposta do mercado financeiro para substituir Lula na eleição

Fernando Haddad
A possibilidade de Fernando Haddad (PT-SP) substituir Lula como candidato a presidente da República anima integrantes do mercado financeiro. Banqueiros e executivos já chegaram a abordar lideranças do PT e o próprio ex-ministro para falar sobre o tema.

As declarações dúbias de Lula sobre a própria candidatura estimulam a movimentação. Na quarta (8), por exemplo, o presidente disse em entrevista ao portal ICL Notícias que "ainda" não decidiu se vai "ser candidato".

Na sequência, afirmou que tem "o acúmulo de experiência que ninguém tem nesse país", sinalizando que a maior probabilidade é a de que ele concorra à reeleição.

As lideranças do PT que já foram abordadas e o próprio Haddad descartam a possibilidade de Lula desistir da candidatura, mesmo diante de números eleitorais que mostram que deve enfrentar uma campanha dura contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Lideranças do setor financeiro, no entanto, ainda mantêm o que pode ser definido como esperança, já que preferem um governo de Haddad a uma continuidade de Lula na presidência.

Como revelou a coluna no começo de março, Haddad empata tecnicamente com o Flávio em um cenário de disputa de segundo turno nas eleições presidenciais. Ele tem 41% dos votos, contra 43% do filho de Bolsonaro.

O fato de o ex-ministro ser competitivo como candidato a presidente levou lideranças do partido a enxergarem nele um plano B viável caso Lula, em um cenário considerado improvável, mas não impossível, desista de concorrer à Presidência.

Lula é considerado o mais forte candidato que a legenda poderia apresentar ao eleitorado. Uma eventual candidatura de Haddad, por outro lado, representaria uma grande novidade nas eleições, enquanto o presidente estaria disputando o seu quarto mandato.

A rejeição a Lula é de 46%, enquanto a de Haddad é de 27%.

O tema é considerado tabu no PT e foi sempre discutido de forma mais do que reservada —e, segundo um dirigente, em voz baixa.

Por Mônica Bergamo/Folhapress

Ipiaú: Suspeito de ameaçar moradores do distrito de Córrego de Pedras morre em confronto com a PM

Um homem identificado até o momento pelo apelido de “Gordo” morreu após um confronto com policiais militares no distrito de Córrego de Pedras, município de Ipiaú, no início da manhã desta quinta-feira (9). De acordo com informações apuradas pelo GIRO, o suspeito estaria ameaçando moradores da localidade com o uso de arma de fogo e, inclusive, teria agredido algumas pessoas antes da chegada da polícia.

Ainda conforme as informações, a Polícia Militar foi acionada após denúncias de que o indivíduo, juntamente com outros comparsas, estaria se preparando para realizar um roubo em uma fazenda da região. Com a chegada da guarnição, o plano criminoso foi frustrado.
Durante a tentativa de abordagem, o suspeito teria resistido e efetuado disparos contra os policiais, que reagiram. O homem acabou sendo baleado durante o confronto. Ele foi socorrido pelos próprios policiais e encaminhado ao Hospital Geral de Ipiaú, mas não resistiu aos ferimentos. Mais detalhes da operação devem ser divulgados ainda na manhã desta quinta-feira pela 55ª CIPM. A Polícia Militar reforçou a importância da colaboração da população por meio de denúncias, destacando que o anonimato do denunciante é garantido. Fonte: Giro Ipiaú

Brasil ganhou 9 milhões de novos inadimplentes desde o fim do Desenrola

O governo agora debate a reedição de um programa voltado para endividados
O alívio foi temporário. Quase dois anos após o fim do Desenrola, programa de renegociação de dívidas criado pelo governo federal em julho de 2023, o Brasil ganhou 9 milhões de novos inadimplentes, e convive com um calote do consumidor no maior patamar desde 2012. Hoje há um contingente de 81,7 milhões de pessoas que estão com contas atrasadas.

O governo agora debate a reedição de um programa voltado para endividados que, para especialistas, foi pensado desde o início para atacar os sintomas e não a raiz do superendividamento.

Promessa de campanha do governo Lula, o Desenrola foi lançado com o objetivo de combater a inadimplência crescente do pós-pandemia. Na época, o número de inadimplentes estava no patamar recorde de 71,4 milhões, segundo dados da Serasa, e a inadimplência era de 4,14% (índice de contas com mais de 90 dias em atraso).

O programa durou cerca de 10 meses e conseguiu reduzir o número de inadimplentes que ganhavam até dois salários mínimos ou eram inscritos no Cadastro Único de 25,2 milhões para 23,1 milhões quando terminou, em maio de 2024. Esse era o público-alvo do Desenrola.

O número total de devedores, de todas as faixas de renda, subiu a 72,5 milhões, enquanto o calote acima de 90 dias se reduziu a 3,69%.

Segundo especialistas, o programa ajudou a controlar um crescimento que poderia ser ainda maior do superendividamento. Passado esse efeito pontual, a inadimplência voltou a crescer com força, impulsionada pelos juros cada vez maiores, pela oferta agressiva de crédito pelas instituições financeiras e pela explosão das bets.

Esse cenário levou o número de inadimplentes a alcançar quase 82 milhões de indivíduos em fevereiro deste ano, enquanto a inadimplência da carteira de crédito total das pessoas físicas (incluindo os empréstimos imobiliários) alcançou 5,24%, a maior em 14 anos.

"O governo tomou uma medida paliativa, que não interrompeu o ciclo que promove o endividamento", diz a economista Ione Amorim, consultora de serviços financeiros do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor). "Parte dos consumidores saiu temporariamente das estatísticas, mas isso não quer dizer que não estavam mais endividados."

Para ela, a proposta do Desenrola foi reabilitar a situação financeira dos brasileiros para que voltassem a consumir. Ela lembra que a primeira medida do programa foi excluir os negativados com dívidas de até R$ 100 dos cadastros dos birôs de crédito.

"Quem teve o nome limpo foi pegar crédito, mas houve um rebote, com a inadimplência voltando a crescer de forma acelerada", afirma a economista.

Atualmente, a maior parte das dívidas são com bancos, principalmente de cartão de crédito (26,7% do total), seguidos por contas de consumo, como água e luz (21,3%) e dívidas com financeiras (20,3%), segundo dados da Serasa.

DIFICULDADE DE ACESSO À PLATAFORMA

Quando foi encerrado, o Desenrola havia atendido 15 milhões de pessoas com dívidas de R$ 53,2 bilhões. O Ministério da Fazenda afirmou, por meio da sua assessoria de imprensa, que a pasta avalia que o Desenrola atingiu seu objetivo. "O valor negociado corresponde a 0,5% do Produto Interno Bruto", afirmou.

Um número preliminar previa alcançar até 30 milhões de indivíduos. O resultado ficou abaixo do esperado, na avaliação de especialistas, por erros de implementação principalmente na segunda fase do programa.

A primeira se concentrou nos devedores com renda até R$ 20 mil, que renegociaram dívidas diretamente com as instituições financeiras. Já a segunda etapa, com foco na população de baixa renda, exigia que os inadimplentes entrassem na plataforma digital criada para o programa.

Isso se revelou uma barreira, já que a plataforma demandava que o devedor possuísse contas ouro e prata no portal Gov.br para acesso. Posteriormente, a exigência foi reduzida para contas do nível bronze.

"Isso deixou a adesão mais lenta", aponta Lauro Gonzalez, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira da FGV. Entre os pontos positivos do programa ele cita a limitação da taxa de juros do crédito renegociado e a construção da plataforma do governo para renegociação de dívidas, que pode ser usada futuramente.

"Não me parece que houve uma preocupação com as causas estruturais do superendividamento", afirma.

O salto do número de endividados nos últimos anos pode ser explicado, segundo ele, por uma oferta agressiva de crédito. "Hoje há uma combinação de mais atores atuando no mercado de crédito digital, oferecendo empréstimos de forma quase automática. Os juros altos são a cereja do bolo", diz.

É a mesma avaliação de André Sacconato, economista da FecomercioSP. "Isso, somado à baixa educação financeira e altas taxas de juros, levou ao crescimento do endividamento."

Para Fabio Bentes, economista-chefe da CNC (Confederação Nacional do Comércio), o pano de fundo da elevação do superendividamento é a alta na taxa básica de juros, que subiu de 10,50% ao ano, patamar de quando o Desenrola foi encerrado, a 14,75% ao ano hoje.

"O Desenrola teve boas intenções, mas não resolveu o problema nem de longe. Quando o paciente tem uma doença grave e você dá uma aspirina para ele, não vai resolver", diz.

O Ministério da Fazenda estuda hoje um novo programa, cujo objetivo é renegociar principalmente dívidas de modalidades mais caras, como cartão, cheque especial e crédito pessoal sem garantia, oferecendo abatimentos de até 80% e refinanciamento do restante.

Os especialistas avaliam que a nova renegociação corre o risco de cometer os mesmos erros se o foco for em uma solução apenas emergencial.

O governo avalia estipular contrapartidas para quem acessar a ajuda federal —entre elas uma restrição a apostas em bets e a necessidade de se fazer um curso de educação financeira, como mostrou a Folha.

Gonzalez, da FGV, acredita que é preciso aprimorar a regulação da oferta do crédito digital. "Quando um imóvel vai ser financiado, por exemplo, existe uma limitação do quanto o crédito vai representar da renda da pessoa. Essa limitação poderia ser pensada para outras modalidades."
Por Maeli Prado/Folhapress

Sandro Futuca lidera transformação na educação com entrega histórica em Ibirataia

Investimentos incluem kits, mochilas, fardamentos e novos mobiliários para toda a rede
A manhã desta terça-feira (08) foi marcada por um importante avanço na educação de Ibirataia. A quadra da Escola Mariane Andrade Meira sediou uma das maiores entregas já realizadas pela gestão municipal voltadas à rede pública de ensino.
O prefeito Sandro Futuca, ao lado do vice-prefeito e secretário de Educação, Caio Pina, conduziu a entrega de 3.800 fardamentos, 3.000 kits escolares e 2.000 mochilas, beneficiando milhares de alunos em todo o município. A ação reforça o compromisso da gestão com a valorização da educação e com a garantia de melhores condições de aprendizagem para os estudantes.

A entrega dos fardamentos acontece pelo segundo ano consecutivo na atual gestão, consolidando uma política pública que tem contribuído para a padronização dos alunos e para o alívio financeiro das famílias.
Além dos materiais destinados diretamente aos estudantes, também foram entregues novos mobiliários para as unidades escolares, incluindo mesas, cadeiras e armários. Os itens irão contribuir para a melhoria da estrutura física das escolas, proporcionando ambientes mais organizados, confortáveis e adequados ao desenvolvimento das atividades pedagógicas.
O evento reuniu secretários municipais, vereadores, profissionais da educação e membros da comunidade escolar, consolidando um momento de grande importância para o município. A iniciativa representa um investimento significativo na educação, garantindo mais dignidade aos alunos e melhores condições de trabalho para professores e servidores.
Durante a solenidade, o secretário de Educação, Caio Pina, destacou os avanços obtidos na área, especialmente no índice de alfabetização das crianças.

“O nosso município deu um salto histórico na alfabetização. Em 2024, tínhamos pouco mais de 33% das nossas crianças alfabetizadas na idade certa. Em 2025, avançamos para mais de 63,5%, alcançando um crescimento superior a 69% em um ano”, afirmou.

A ação tem como objetivo ampliar o acesso a recursos essenciais, promover mais organização no ambiente escolar e assegurar que os estudantes estejam devidamente equipados para o ano letivo. A entrega dos kits e fardamentos também contribui para a padronização e fortalecimento da identidade estudantil na rede municipal.
Fotos: Ascom/Prefeitura Municipal de Ibirataia.
Fonte: Ascom/Prefeitura Municipal de Ibirataia.

Ibirataia é reconhecida nacionalmente com o Selo FNAS 2025

O município de Ibirataia foi contemplado com o Selo FNAS – Edição 2025, concedido pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, por meio da Secretaria Nacional de Assistência Social e do Fundo Nacional de Assistência Social.

O reconhecimento destaca a qualidade da gestão municipal dos recursos da assistência social, evidenciando transparência, organização e eficiência na execução das ações do Sistema Único de Assistência Social (SUAS).

A certificação reafirma o compromisso da gestão municipal, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania (SEDESC), com a condução responsável dos recursos públicos e o fortalecimento contínuo da política de Assistência Social no município.
“Receber o Selo FNAS é motivo de grande orgulho para o nosso município. Esse reconhecimento demonstra que Ibirataia tem conduzido a política de assistência social com responsabilidade, planejamento e transparência. É uma conquista coletiva que reforça nosso compromisso em continuar aprimorando os serviços e garantindo mais dignidade e proteção social para a nossa população”, destacou a secretária.

O Selo FNAS é concedido a municípios que demonstram boas práticas na gestão dos recursos do fundo, sendo um importante indicador de responsabilidade administrativa e alinhamento às normativas nacionais do SUAS.

Lula faz cobrança pública a integrantes do STF e diz que ministro não pode querer ser milionário

Presidente mostra afastamento do tribunal em meio a investigações do caso Master
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou publicamente ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) nesta quarta-feira (8) e disse que integrantes da corte não podem ficar milionários. A fala mostra um afastamento do tribunal, do qual o petista foi próximo ao longo do atual mandato.

A declaração do petista foi dada em um contexto de desgaste da corte causado pelo caso do Banco Master. Os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli são citados no escândalo.

"Quando se vai para a Suprema Corte, tem que fazer um compromisso quase religioso. Ele não está lá para ganhar dinheiro", disse o presidente da República. "Se o cara quer ficar milionário, não pode ser ministro do Supremo", afirmou Lula.

O chefe do governo também defendeu que os ministros expliquem quando são publicamente ligados a irregularidades. O petista deu as declarações em entrevista ao ICL Notícias.

"É preciso uma explicação convincente para a população. Se tem algum membro do Supremo que cometeu um desvio, que esse cidadão pague. Não a instituição", declarou Lula.

O chefe do governo defende que a Constituição determine as exigências de conduta para os integrantes do Supremo, em vez de um código com regras internas. O presidente do tribunal, Edson Fachin, tem defendido a criação de um código de conduta para os ministros.

"Você tem que ter na Constituição melhor quais exigências se faz para ser ministro do Supremo", declarou o chefe do governo.

Lula está irritado há meses com o desgaste político causado pelo Banco Master. O chefe do governo avalia que tem arcado com a perda de popularidade mesmo sem ter nada a ver com o escândalo.

O presidente cultivou uma relação próxima com o Supremo Tribunal Federal ao longo do seu atual mandato, e teve na corte uma de suas principais fontes de apoio. Por isso a exposição de seu descontentamento tem significado político amplificado.

Na entrevista desta quarta-feira, ele também criticou as frequentes viagens de ministros da corte para participar de eventos no exterior. E afirmou ter conversado com Alexandre de Moraes sobre o caso Master.

Lula, de acordo com o próprio relato, disse a Moraes que ele teve um papel importante no processo da trama golpista e que ele precisa preservar a própria biografia.

Como mostrou a Folha em janeiro, a irritação do petista com as ligações expostas entre ministros do Supremo e o Banco Master é tamanha que ele chegou a afirmar, em conversas reservadas, que Dias Toffoli deveria deixar o supremo.

Moraes passou a ser citado no escândalo do Banco Master depois de um contrato entre a empresa e o escritório da advogada Vivane Barci, mulher do ministro, chegar ao conhecimento público. No caso de Toffoli, o elo seria o resort Tayayá.

Por Caio Spechoto, Folhapress

Comissão do Senado aprova fim da aposentadoria compulsória para juízes

A senadora Eliziane Gama (PSD-MA), relatora do texto na CCJ do Senado
A CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) do Senado aprovou nesta quarta-feira (8) uma PEC (proposta de emenda à Constituição) que determina o fim da aposentadoria compulsória como punição para juízes, desembargadores e membros do Ministério Público que cometerem crimes.

A PEC é de autoria do então senador Flávio Dino, que hoje é ministro do STF. A proposta foi aprovada em votação simbólica, sem contagem de votos, e agora segue para o plenário.

O texto, relatado pela senadora Eliziane Gama (PSD-MA), acatou emendas que estabelecem que o magistrado passará por uma ação cível, para julgar a suposta infração e determinar a demissão. Nesse período da ação, que terá um prazo de até 30 dias para ser proposta, o servidor será afastado do cargo e terá remuneração suspensa.

O texto original obrigava ainda militares que cometessem infrações a serem demitidos. No entanto, após destaque de emenda do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), os membros das Forças Armadas ficaram de fora da proposta.

Hoje, a aposentadoria compulsória é a punição máxima mais comum aplicada a membros de Poder que cometerem infrações. A demissão também pode ocorrer, mas apenas após decisão judicial transitada em julgado —no geral, referente a crime comum. Isso porque magistrados e membros do Ministério Público têm direito a vitaliciedade, adquirida após dois anos de exercício.

Com a aposentadoria, esses membros de Poder têm direito a receber salário proporcional ao período em que atuaram. Como mostrou reportagem da Folha, juízes que sofrem com essa punição recebem, em média, R$ 54.441. Apenas 1% das punições a juízes resultam em demissão.

Segundo a justificativa da PEC, essa punição é um desvio da finalidade da aposentadoria.

"A aposentadoria, portanto, assume caráter de sanção, o que corresponde ao desvio de finalidade dessa espécie de benefício previdenciário que visa assegurar ao trabalhador condições dignas de vida quando não mais for possível o desenvolvimento de atividade laboral."

Uma das preocupações da categoria era a inserção de texto que possibilitaria o fim da garantia da vitaliciedade para esses servidores. O tema também repercutiu entre associações de juízes, desembargadores e membros do MP, que tentaram frear o avanço da proposta.

A ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) afirmou, em nota pública, que sugestões de adendos à proposta podem avançar "sobre o núcleo da garantia constitucional da vitaliciedade dos membros do Ministério Público e da magistratura".

Na terça-feira (7), entidades da categoria estiveram na CCJ para se posicionar contra o fim da aposentadoria compulsória.

O texto foi debatido pela relatora Eliziane Gama e o senador Sergio Moro (PL-PR). Na última sessão, em março, Moro havia pedido vista para avaliar a matéria.

No STF, o ministro Flávio Dino também tomou a decisão de dar fim à aposentadoria compulsória como punição a magistrados. A PGR recorreu da determinação do ministro no fim de março.

Em tese, a determinação se aplica apenas ao caso concreto do processo em que ele proferiu a ordem, segundo especialistas consultados pela Folha. Mas o despacho de Dino pode abrir precedente para outros órgãos, deixando de aplicar esse tipo de punição. Como não passou pelo plenário, a decisão é menos robusta.

Por Luany Galdeano, Folhapress

Master declarou pagamentos a Temer, Rueda, Mantega, Lewandowski e ACM Neto

Sede do Banco Master, em São Paulo
Documentos enviados pela Receita Federal à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado apontam repasses milionários do Banco Master, de Daniel Vorcaro, a escritórios de advocacia e empresas ligadas a Michel Temer (MDB), Antônio Rueda (União Brasil), Ratinho Junior (PSD), ACM Neto (União Brasil) e os ex-ministros Guido Mantega, Fabio Wajngarten, Henrique Meirelles e Ricardo Lewandowski.

Os dados obtidos pela Folha indicam que, de 2024 a 2025, o Master pagou R$ 18,5 milhões a Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central nos primeiros mandatos de Lula (PT) e ex-titular da Fazenda de Temer, e R$ 14 milhões à Pollaris Consultoria, empresa de Guido Mantega, ex-ministro na pasta econômica em gestões petistas.

O banco também informou pagamento de R$ 10 milhões ao escritório de advocacia de Temer em 2025 e R$ 6,4 milhões, desde 2023, a dois escritórios de Rueda, presidente nacional do União Brasil.

Duas empresas da família Massa, do apresentador Ratinho e do governador do Paraná, Ratinho Junior, também aparecem nos dados do Master produzidos pela Receita. A Gralha Azul Empreendimentos e Participações, ligada ao governador, recebeu R$ 3 milhões em 2022, segundo o Master. Já a Massa Intermediação, de Ratinho, recebeu R$ 21 milhões de 2022 até 2025. O apresentador era um dos garotos propaganda do cartão de consignado do banco, o CredCesta.

Em nota, a assessoria de imprensa do Grupo Massa afirmou que "construiu uma trajetória pautada por práticas amplamente reconhecidas pelo mercado com rendimentos declarados à Receita Federal, incluindo campanhas publicitárias e parcerias com diversas marcas e empresas". "Sua atuação não
se confunde com a conduta de terceiros com os quais manteve relações contratuais", acrescentou. Ratinho Junior não respondeu aos contatos feitos pela Folha.

Já Meirelles afirmou que prestou consultoria ao Master e encerrou seu contrato em julho de 2025. Temer afirmou ter recebido uma quantia menor por serviços prestados, e Rueda não respondeu. A reportagem enviou mensagens ao telefone de Mantega no final da manhã desta quarta-feira (8) e também tentou contato por ligação, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.

Constam ainda nos documentos da Receita pagamentos de 2022 a 2025 no valor de R$ 12 milhões à BN Financeira, empresa de Bonnie Bonilha, nora do líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

O senador também aparece na lista com o pagamento de uma quantia menor, de R$ 289 mil, como pessoa física. Wagner afirma que o valor é referente a rendimento de aplicação em conta de pessoa física, que não possui CNPJ e que nunca recebeu qualquer pagamento do Master. A BN Financeira diz que prestou serviços ao Banco Master mediante emissão de nota fiscal, entre 2022 e 2025.

Os dados da Receita mostram valores pagos pelo Master desde 2022, sem correção pela inflação, incluindo cerca de R$ 80 milhões em 2024 e 2025 para o escritório da mulher do ministro do STF Alexandre de Moraes, o Barci de Moraes Sociedade de Advogados, como revelou a Folha. Parte dos valores repassados pelo Master às empresas e políticos ficou retido por cobrança de impostos retidos na fonte.

A defesa de Vorcaro foi procurada, mas não se manifestou até a publicação deste texto.

A Lewandowski Advocacia recebeu ao menos R$ 6,1 milhões em pagamentos, que começaram em novembro de 2023. O escritório tem como sócios um filho e a mulher de Ricardo Lewandowski, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal e da Justiça do governo Lula. Ele deixou a sociedade em janeiro de 2024, dias antes de entrar no governo. O ex-ministro diz que o escritório prestou serviços de consultoria jurídica ao Master.

O banco de Vorcaro pagou ainda R$ 5,45 milhões para a A&M Consultoria Ltda, empresa do ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao Governo da Bahia ACM Neto, de 2023 até o último ano. A consultoria afirma que os serviços foram devidamente prestados e que não pode validar os valores mencionados.

A WF Comunicação, que pertence ao ex-secretário de Comunicação Social do governo de Jair Bolsonaro (PL), Fabio Wajngarten, recebeu ao menos R$ 3,8 milhões do banco de Vorcaro em 2025. Ele também é considerado por Aldo Rebelo (DC) como possível vice em uma chapa à Presidência. Wajngarten diz que integra a equipe de defesa de Vorcaro e que presta serviços para o ex-banqueiro.

A Folha procurou todos os nomes citados na reportagem como beneficiários de pagamentos declarados pelo Master. Temer afirmou que prestou serviços de mediação ao ser contratado pelo banco e que recebeu dois pagamentos, de R$ 5 milhões e de R$ 2,5 milhões.

A assessoria de Rueda foi contatada por meio de mensagens às 7h30 e às 9h39. O presidente do União Brasil também foi procurado por ligações entre 9h30 e 10h, mas não respondeu.

Meirelles afirmou que seu contrato tinha o objetivo de prestar consultoria em assuntos de macroeconomia e de mercado financeiro. "Eu não tinha o menor conhecimento das operações do banco, fiquei sabendo pelos jornais. No começo, eles demandavam mais meus serviços, depois passaram a demandar pouco e eu rescindi o contrato em julho de 2025", disse.

Em nota, a assessoria do ex-ministro Lewandowski diz que ele retornou à advocacia após deixar o STF, em abril de 2023, e se retirou do escritório ao assumir o Ministério da Justiça no ano seguinte. O escritório passou a ser controlado por sua família e manteve contrato com o Master.

"Além de vários outros clientes, prestava serviços de consultoria jurídica ao Banco Master. Ao ser convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir o Ministério da Justiça de Segurança Pública, em janeiro de 2024, Lewandowski retirou-se de seu escritório de advocacia e suspendeu o seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil, como determina a legislação vigente", afirma.

A assessoria da empresa de ACM Neto, a A&M Consultoria, afirma que "os serviços mencionados pelo jornal foram contratados de maneira lícita, transparente, e devidamente prestados" e que não pode confirmar os valores "supostamente declarados à Receita Federal por não ter tido acesso a esses dados".

A nota afirma ainda que o contrato foi firmado quando os sócios da A&M não ocupavam cargos públicos. "Foi apresentada petição à PGR (Procuradoria-Geral da República) e ao STF na qual a A&M se coloca à disposição para prestar eventuais esclarecimentos e detalhes dos serviços prestados, assim como requereu que se apurasse o vazamento de dados fiscais sigilosos", diz.

Wajngarten afirmou à Folha que foi apresentado a Vorcaro no primeiro semestre de 2025 por meio dos advogados do ex-banqueiro dele e passou a integrar a equipe de defesa, da qual faz parte até o momento. O contrato tem cláusula de confidencialidade e, por isso, não foi tornado público.

A empresa de Bonnie Bonilha, BN Financeira, afirma que os serviços ao Master "tiveram por objetivo a prospecção e indicação de operações e convênios de crédito público e privado", mediante prestação de nota, e que os dois únicos sócios são Moisés Dantas e Bonnie Bonilha.

"Não existe qualquer investigação ou apuração policial quanto ao tema, pois não existe qualquer irregularidade. ⁠⁠Todos os recursos recebidos pela BN Financeira se deram de forma oficial, contabilizada e mediante emissão de nota fiscal, distribuídos formalmente aos sócios e declarados à Receita Federal", afirma em nota.

Vorcaro foi preso pela segunda vez no começo de março pela Polícia Federal sob suspeita de comandar um esquema de fraude e ameaças. Ele negocia um acordo de delação premiada

Por Folhapress

Operação Vento Norte avança e prende liderança política investigada por ligação com tráfico

           Na Bahia, a ação foi realizada nos municípios de Eunápolis, Guaratinga e Itagimirim

O avanço das investigações da Operação Vento Norte resultou, nesta quarta-feira (8), no cumprimento de 12 mandados de prisão e oito mandados de busca e apreensão nos municípios de Eunápolis, Guaratinga e Itagimirim, no sul da Bahia. Foram sete prisões temporárias realizadas nos bairros Pequi, Juca Rosa e Sapucaieira, em Eunápolis, e nos bairros Centro e Novo Horizonte, em Guaratinga. Outros cinco mandados de prisão foram cumpridos no sistema prisional, sendo dois no estado do Espírito Santo, um em Minas Gerais, um no Rio de Janeiro e um na Bahia, onde os investigados já se encontravam custodiados.
Entre os presos está um vereador de 38 anos, do município de Guaratinga, que também foi autuado em flagrante por posse ilegal de arma de fogo. O investigado é apontado como integrante de organização criminosa ligada ao tráfico de drogas, com atuação na região sul do estado.

As diligências também resultaram no cumprimento de oito mandados de busca e apreensão domiciliar, ocasião em que foram apreendidos uma pistola, aparelhos celulares e documentos que irão subsidiar o aprofundamento das investigações.

A ação é um desdobramento da operação deflagrada pela Polícia Civil da Bahia, em atuação integrada com o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), que também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 3,8 milhões distribuídos em 26 contas bancárias vinculadas aos investigados.

As apurações tiveram início na Delegacia Territorial de Belmonte e identificaram a atuação estruturada do grupo criminoso, com indícios de envolvimento nos crimes de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e associação criminosa, além da utilização de contas bancárias para movimentação de recursos de origem ilícita.

De acordo com o delegado Evy Paternosto, diretor da Diretoria Regional de Polícia do Interior Sul (DIRPIN/Sul), a operação representa um avanço significativo no enfrentamento à criminalidade organizada na região. “As investigações permitiram identificar o modo de atuação do grupo e alcançar alvos relevantes da estrutura criminosa. As diligências continuam para aprofundar a apuração, identificar outros envolvidos e fortalecer a responsabilização penal de todos os integrantes”, destacou.

A Operação Vento Norte contou com a participação de cerca de 70 policiais civis da 23ª Coorpin, equipes do Gaeco, além de equipes que atuaram no cumprimento das medidas judiciais nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
Fonte: Pedro Moraes / Ascom-PCBA

Presidente da Câmara de cidade baiana é preso em operação contra facção criminosa

O presidente da Câmara Municipal de Guaratinga, Paulo Silva de Oliveira, de 38 anos, conhecido como Paulo Chiclete (PSD), foi preso na manhã desta quarta-feira (8) durante a Operação Vento Norte, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas. Outras seis pessoas também foram detidas na ação. Eleito em 2024 para o primeiro mandato, Paulo Chiclete foi o segundo vereador mais votado do município. À época da candidatura, não declarou bens à Justiça Eleitoral.

A operação foi deflagrada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), em conjunto com a Polícia Civil, e tem como foco a atuação de um grupo criminoso com suposta ligação à facção Comando Vermelho, originária do Rio de Janeiro. Segundo as investigações, a organização utilizava plataformas financeiras digitais (fintechs) para movimentar recursos ilícitos.
Além dos mandados de prisão, a Justiça autorizou o cumprimento de dez mandados de busca e apreensão, bem como o bloqueio de aproximadamente R$ 3,8 milhões em contas bancárias dos investigados. As apurações apontam que o volume financeiro movimentado pelo grupo pode ultrapassar R$ 500 milhões nos últimos cinco anos.

Os mandados foram cumpridos nos municípios baianos de Eunápolis, Itagimirim e Guaratinga, além de ações realizadas nos estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. De acordo com o MP-BA, apenas uma das plataformas investigadas registrou movimentações superiores a R$ 20 milhões, reforçando a complexidade do esquema financeiro.

As investigações seguem em andamento com o objetivo de identificar outros envolvidos e aprofundar o rastreamento das operações financeiras atribuídas à organização criminosa.
Informações: Giro Ipiaú.

Vaca é resgatada após cair em galeria de esgoto em Ipiaú

Uma vaca foi resgatada na manhã desta quarta-feira (8) após cair em uma galeria da rede de esgoto na Rua Amâncio Félix, no bairro Euclides Neto, em Ipiaú. De acordo com moradores, o animal pode ter caído no local durante a madrugada. A suspeita é de que a estrutura da laje que cobre a rede de esgotamento sanitário tenha sido comprometida após as fortes chuvas registradas no município nas últimas semanas, abrindo um buraco na via.
O Corpo de Bombeiros foi acionado e realizou a retirada do animal, com o apoio de equipes da Prefeitura. Após o resgate, a vaca foi encaminhada para um curral. Apesar do susto, não há informações sobre ferimentos graves no animal. Moradores da localidade cobram a recuperação da estrutura para evitar novos acidentes, Por Giro Ipiaú.

Trump reivindica "vitória total e completa" após cessar-fogo com Irã

Em entrevista à agência AFP, após anúncio do acordo, presidente dos EUA não detalhou se ameaças à infraestrutura civil iraniana serão mantidas

“Vitória total e completa. 100%. Sem dúvida”, disse ele em entrevista à agência de notícias AFP na noite de terça-feira (8).

Trump não quis dizer se planeja cumprir suas ameaças anteriores de destruir a infraestrutura civil do Irã caso Teerã descumpra o acordo.
“Vocês terão que esperar para ver”, continuou ele à AFP.

O presidente também insistiu que o material nuclear iraniano estaria coberto por qualquer acordo de paz, segundo a reportagem.

"Isso será perfeitamente resolvido, ou eu não teria aceitado o acordo", afirmou ele à agência, sem dar detalhes sobre o que aconteceria com o urânio.

Trump, que tem apresentado objetivos e cronogramas variáveis ​​para a guerra, reiterou que considerava que os objetivos de Washington foram alcançados.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, também classificou o cessar-fogo de duas semanas como “uma vitória para os Estados Unidos”, ao elogiar os esforços militares americanos na guerra contra o Irã.

“Alcançamos e superamos nossos principais objetivos militares em 38 dias”, disse ela nas redes sociais. “O sucesso de nossas forças armadas criou a máxima influência, permitindo que o presidente Trump e sua equipe se envolvessem em negociações difíceis que agora abriram caminho para uma solução diplomática e uma paz duradoura. Além disso, o presidente Trump conseguiu a reabertura do Estreito de Ormuz.”

“Nunca subestime a capacidade do presidente Trump de promover com sucesso os interesses dos Estados Unidos e mediar a paz”, acrescentou Leavitt.

*Com informações da agência de notícias Reuters
Lex Harvey, da CNN

PM prende suspeito por tráfico de drogas em Camaçari

Na manhã de terça-feira (7), militares do 12º BPM prenderam um suspeito por tráfico de drogas, no município de Camaçari.

A guarnição realizava patrulhamento na Rua C, localidade de Sítio Verde, quando receberam informações de populares sobre indivíduos que estariam realizando a comercialização de entorpecentes. Ao avistar a guarnição, um indivíduo tentou fugir, sendo alcançado.

Durante a abordagem, foi encontrado mais de um quilo e meio de maconha, além de sete porções de cocaína. Também foram apreendidos uma balança de precisão digital e um aparelho celular.

O suspeito e todo o material apreendido foram encaminhados à delegacia, onde a ocorrência foi registrada para adoção das medidas legais cabíveis.

Fonte: PMBA – DCS

PM apreende mais de 50 kg de drogas, arma e munições em Itabuna

Na tarde de terça-feira (7), militares do 15º BPM apreenderam drogas, arma de fogo e munições, no município de Itabuna.

Os policiais realizavam patrulhamaneto no bairro Jardim Alamar, quando receberam informações indicando que um imóvel aberto e não habitado estaria sendo utilizado como depósito de materiais ilícitos. No local, os policiais encontraram mais de 50 quilos de drogas, entre maconha e cocaína, além um revólver calibre .32 municiado e duas balanças de precisão.

Todo o material foi apreendido e apresentado à autoridade policial competente para adoção das medidas legais cabíveis. Não houve prisão durante a ação.
Fonte: PMBA – DCS

Documentos da Receita indicam pagamento de R$ 40 mi do Master a escritório de mulher de Moraes

Alexandre de Moraes
Documentos da Receita Federal enviados à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Senado que investiga o crime organizado indicam que o Banco Master, de Daniel Vorcaro, pagou R$ 40,11 milhões ao escritório da mulher do ministro Alexandre de Moraes, o Barci de Moraes Sociedade de Advogados, em 2024.

Procurado, o Barci de Moraes disse que "não confirma essas informações incorretas e vazadas ilicitamente, lembrando que todos os dados fiscais são sigilosos". O escritório não quis informar qual seria o valor correto dos pagamentos. Moraes foi procurado, mas não se manifestou até a publicação deste texto.

Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), é uma das sócias do escritório, e admitiu que manteve contrato com o Master.

Os pagamentos aparecem em uma declaração de Imposto de Renda do Master, que teve seu sigilo fiscal quebrado pela CPI do Crime Organizado.

O contrato do Master com o escritório Barci de Moraes foi assinado em 2024. Previa o pagamento mensal de R$ 3,5 milhões, num total de R$ 129 milhões em três anos, segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo.

Os dados da Receita obtidos pela Folha mostram que o banco declarou 11 pagamentos mensais de R$ 3.646.529,72 ao escritório em 2024, totalizando R$ 40.111.826,92. Sobre esses pagamentos, o Master informou ter recolhido R$ 2.466.877,38 em impostos retidos na fonte.

Nesta terça-feira (7), durante a sessão plenária do Senado, o relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), anunciou que os dados haviam sido entregues à comissão. Ele afirmou que a Receita Federal teria enviado dados incompletos sobre o banco e que a complementação das informações chegou apenas na segunda (6).

"Mesmo com a quebra de sigilo aprovada pela Comissão Parlamentar de Inquérito e não suspensa pela Justiça, a Receita Federal do Brasil mandou os dados incompletos. Foi preciso solicitar a reiteração, a complementação, para que chegasse o dado bancário que comprova o recebimento e a dedução de impostos pelo escritório da doutora Viviane Barci. Só em um ano, R$ 40 milhões recebidos. Contraprestação de serviço? A própria doutora Viviane já publicizou: nada que justifique esse valor", disse o senador.

O contrato do Master com o escritório previa 36 pagamentos, mas foi interrompido em novembro de 2025, quando a instituição de Daniel Vorcaro foi liquidada pelo BC (Banco Central) e o ex-banqueiro foi preso.

A defesa de Vorcaro também foi procurada pela reportagem, mas não se manifestou.

No mês passado, o Barci de Moraes confirmou que prestou serviços de consultoria e atuação jurídica ao banco entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, período em que realizou 94 reuniões de trabalho. De acordo com o escritório, 79 delas foram presenciais, na sede do Master.

O Barci de Moraes diz ainda que produziu 36 pareceres e opiniões legais sobre compliance, regulação, questões trabalhistas e previdenciárias, entre outros temas.

Afirmou também que a contratação pelo banco envolveu o trabalho de 15 advogados e ainda serviços de outros três escritórios especializados em consultoria.

Disse que a equipe jurídica ajudou a implementar o novo código de ética e conduta do banco e que nunca conduziu nenhuma causa no âmbito do STF.

Também nesta terça-feira, Vieira teve uma reunião com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para pedir a prorrogação da CPI do Crime Organizado, mas a resposta foi negativa. Com isso, a comissão será encerrada na próxima terça-feira (14), com a votação do relatório final.

Segundo Vieira afirmou à imprensa, Alcolumbre preferiu não estender a CPI em meio ao período eleitoral, o que o senador classificou como um "desserviço para o Brasil".

Em dezembro, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, determinou o arquivamento de um pedido de investigação sobre a possível atuação de Moraes no caso Master. O autor era o advogado Enio Martins Murad.

Na ocasião, Gonet disse não ter vislumbrado "qualquer ilicitude" que justificasse a intervenção da Procuradoria-Geral. Disse que não seria de sua competência "a ingerência em negócios jurídicos firmados entre particulares".

Por Thaísa Oliveira, Carolina Linhares e Mateus Vargas/Folhapress

Flávio empata com Lula no 2º turno, e 51,4% dizem que podem mudar de voto, aponta Meio Ideia

Lula e Flávio Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está em empate técnico com o presidente Lula (PT) em simulação de segundo turno para a eleição presidencial de 2026, e 51,4% dos eleitores brasileiros afirmam que ainda podem mudar de candidato até outubro, segundo pesquisa Meio Ideia divulgada nesta quarta (8).

No confronto direto, Flávio marca 45,8%, ante 45,5% de Lula —o senador aparece numericamente à frente, mas a diferença de 0,3 ponto está dentro da margem de erro de 2,5 pontos percentuais. Brancos, nulos e indecisos somam 8,7%.

A pesquisa ouviu 1.500 pessoas em todo o Brasil de sexta (3) até esta terça (7), por meio de entrevistas telefônicas. O intervalo de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-00605/2026.

Nos demais cenários de segundo turno testados, Lula aparece à frente dos adversários. Ele marca 45% contra 39% de Ronaldo Caiado (PSD); 44,7% contra 38,7% de Romeu Zema (Novo); 45% contra 26,4% de Renan Santos (Missão) e 46% contra 22,6% de Aldo Rebelo (DC).

A pesquisa é a primeira divulgada após o fim da janela partidária e o período de desincompatibilização. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que aparecia em empate técnico com Lula em rodadas anteriores, não foi mais testado nos cenários estimulados. Nas respostas espontâneas, ele aparece com 2,3%.

No cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 40,4%, e Flávio Bolsonaro tem 37%. Ronaldo Caiado aparece em terceiro, com 6,5%. Renan Santos e Romeu Zema empatam com 3% cada, e Aldo Rebelo marca 0,6%. Brancos e nulos somam 1%, e o eleitorado indeciso é de 8,5%.

Na pergunta espontânea —em que nenhum nome é apresentado ao entrevistado—, Lula tem 32,6% das intenções de voto, e Flávio Bolsonaro aparece em segundo, com 19,4%. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), inelegível, ainda soma 6% das menções, o que indica que parte do eleitorado bolsonarista não migrou para o filho. Zema vem a seguir, com 4,1%, e Caiado, com 2,6%. São 25,3% os que não sabem ou não citam ninguém.

A volatilidade do eleitorado é o dado que mais cresceu ao longo da série. Em janeiro, 64,5% dos entrevistados diziam estar decididos e 35,5% admitiam que poderiam mudar de candidato. Em abril, a proporção mudou: 48,6% se dizem decididos e 51,4% afirmam que ainda podem trocar de voto.

Na avaliação geral do governo Lula, 46,4% classificam a gestão como ruim ou péssima, e 32,2% como ótima ou boa. Outros 19% a avaliam como regular. No recorte da segurança pública, ruim e péssimo somam 53,9%, com 18,9% de ótimo ou bom.

Questionados se Lula merece continuar no cargo após o fim do mandato, 51,5% disseram que não, contra 45% que responderam sim.

Sete em cada dez brasileiros (70,4%) dizem que o custo de vida aumentou no último ano, e 4 em cada 10 afirmam estar mais endividados. Na decisão eleitoral, 74,7% consideram custo de vida e endividamento muito importantes ou importantes.

A pesquisa perguntou também sobre ameaças à democracia. A concentração de poder no Judiciário foi apontada como o maior risco por 42,5% dos entrevistados —acima da corrupção política (16,5%), da polarização (13%), da desinformação (9,7%) e da influência de outros países nas eleições. Consideram que a democracia brasileira não está ameaçada 4,3%.

Sobre a anistia aos condenados pelos atos do 8 de Janeiro, 41% são contra qualquer tipo de perdão. A soma dos favoráveis chega a 53% —32% defendem anistia ampla, incluindo Bolsonaro e militares, e 21% aceitam anistiar apenas manifestantes, excluindo líderes.

A maioria dos entrevistados (52%) afirma que as eleições devem ser decididas apenas por brasileiros, sem pressão estrangeira.

Por Laura Intrieri/Folhapress

Além do estreito de Hormuz, veja outros gargalos cruciais para o transporte de petróleo

Sonda da Petrobras
Desde que a guerra no Irã começou, em 28 de fevereiro, o estreito de Hormuz virou parte central do conflito. A interrupção do tráfego de navios pelo local, por onde passa 20% do fornecimento mundial de petróleo e gás, fez os preços das commodities dispararem e pressionou o abastecimento de diversas regiões.

O fechamento da passagem evidenciou que Hormuz é um dos grandes gargalos do transporte marítimo, mas ele não é o único.

Esses pontos de estrangulamento são passagens estreitas ao longo de rotas marítimas muito utilizadas, fundamentais para o comércio e a segurança energética mundial devido ao grande volume de insumos que passam por eles.

Os mercados internacionais de energia dependem de rotas confiáveis. O bloqueio do trânsito de petróleo por um grande gargalo, como Hormuz, pode causar atrasos substanciais no abastecimento e custos de frete mais elevados, elevando preços de energia no mundo todo.

A EIA (Administração de Informação de Energia dos EUA) elenca, além do estreito de Hormuz, outros gargalos cujas interrupções poderiam acrescentar milhares de quilômetros às rotas alternativas e afetar os preços do petróleo e do gás natural, pressionando a inflação no mundo todo.

Veja outros pontos de estrangulamento marítimoEstreito de Málaca
  • Cabo da Boa Esperança
  • Canal de Suez
  • Estreitos dinamarqueses
  • Estreito de Bab al-Mandeb
  • Estreitos turcos
  • Canal do Panamá
ESTREITO DE MÁLACA

A passagem conecta o Oceano Índico ao Oceano Pacífico, sendo a rota marítima mais curta entre os fornecedores de petróleo e gás natural do Oriente Médio e os mercados no leste e sudeste asiáticos. É o maior ponto de estrangulamento do mundo em termos de volume de trânsito de petróleo.

No primeiro semestre de 2025, foram transportados 23,2 milhões de barris por dia através do estreito —quase 60% desse volume pertencia aos principais produtores da Opep no golfo Pérsico (Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque).

Como rotas alternativas, há outros dois pontos de estrangulamento menores no Oceano Pacífico: o estreito de Sunda e o estreito de Lombok.

CABO DA BOA ESPERANÇA

O Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África do Sul, não é tecnicamente considerado um ponto de estrangulamento, mas é uma rota importante para o comércio global e um ponto de trânsito significativo para petroleiros e cargas de GNL.

A EIA estima que 9,1 milhões de barris de petróleo por dia e derivados tenham passado pelo local na primeira metade de 2025. A passagem é uma rota marítima alternativa para embarcações que viajam para o oeste e desejam contornar o golfo de Áden, o estreito de Bab el-Mandeb e o Canal de Suez. No entanto, desviar embarcações pelo cabo aumenta significativamente os custos e o tempo de transporte.

CANAL DE SUEZ

O Canal de Suez é uma rota estratégica para o transporte de petróleo e gás natural do golfo Pérsico. A passagem fica no Egito e conecta o mar Vermelho ao mar Mediterrâneo.

Antes de 2024, grande parte das exportações de petróleo e gás natural do golfo Pérsico para a Europa passava pelo canal. No entanto, após ataques da milícia Houthi a navios comerciais que transitavam pelo mar Vermelho, em novembro de 2023, algumas embarcações começaram a fazer rotas mais longas e custosas ao redor do Cabo da Boa Esperança para evitar a passagem.

O fluxo de barris de petróleo caiu pela metade de 2023 para 2024 por causa de preocupações com a segurança no local. Desde 2023, os fluxos de GNL pelo Canal de Suez destinam-se quase inteiramente ao Egito ou à Jordânia.

ESTREITOS DINAMARQUESES

Os estreitos dinamarqueses são formados por uma série de canais que conectam o mar Báltico ao mar do Norte. Historicamente, a rota era importante para as exportações de petróleo russo para a Europa, antes do início da guerra na Ucrânia em 2022 e as subsequentes sanções da UE às exportações de petróleo da Rússia.

Na primeira metade de 2025, estima-se que 4,9 milhões de barris de petróleo por dia passaram pelos estreitos. O Canal de Kiel, no norte da Alemanha, oferece uma rota alternativa para o petróleo em relação aos estreitos dinamarqueses, mas atende apenas navios-tanque de pequeno porte.

A Rússia foi a maior exportadora de petróleo pelos estreitos em 2025, com a maior parte do volume enviado para Ásia e Turquia.

ESTREITO DE BAB AL-MANDEB

O estreito de Bab al-Mandeb liga o mar Vermelho ao golfo de Áden e ao mar da Arábia, sendo um ponto estratégico para o transporte de petróleo e gás natural do golfo Pérsico.

Assim como o Canal de Suez, o Bab al-Mandeb sofreu com ataques da milícia Houthi a navios comerciais a partir de novembro de 2023. Os volumes de petróleo bruto e condensado saudita que passaram pelo local caíram mais de 50% de 2023 para 2024. Os fluxos de GNL foram próximos de zero em 2024 e na primeira metade de 2025 em função da preocupação com a segurança e com as altas taxas de seguro no local.

ESTREITOS TURCOS

Os estreitos turcos estão entre as rotas mais difíceis de navegar do mundo e incluem as vias do Bósforo e dos Dardanelos (também conhecidas como estreito de Istambul e estreito de Çanakkale, respectivamente).

O Bósforo conecta o mar Negro ao mar de Mármara. O estreito dos Dardanelos liga o mar de Mármara aos mares Egeu e Mediterrâneo. Ambas as vias estão na Turquia e abastecem a Ásia, a Europa Ocidental e a Europa Meridional com petróleo da Rússia e da região do mar Cáspio.

Mais de 45 mil embarcações transitaram pelos estreitos em 2024, tornando a passagem um dos pontos de estrangulamento marítimo mais movimentados do mundo. A estimativa da agência dos EUA é de que 3,7 milhões de barris por dia de petróleo bruto e derivados de petróleo passaram pelo local na primeira metade de 2025.

Alternativas ao trânsito pela rota turca são o oleoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan, do Azerbaijão no mar Cáspio até o porto de Ceyhan na Turquia, e o oleoduto Iraque-Turquia, da região do Curdistão no norte do Iraque.

CANAL DO PANAMÁ

O Canal do Panamá conecta o Oceano Pacífico ao mar do Caribe e ao Oceano Atlântico. Apenas 3% do fluxo marítimo global total de petróleo passou pelo local entre 1º de outubro de 2024 e 30 de setembro de 2025, mas a hidrovia é uma rota importante para derivados de petróleo —que, diferentemente do petróleo bruto, são transportados em embarcações menores capazes de navegar pelo canal estreito.

A seca no lago Gatún, que fornece água para operar as eclusas do canal, já interrompeu fluxos pelo local no passado. As restrições levaram a longos atrasos e taxas de frete mais altas para embarcações que transportam GLP.

As alternativas ao Canal do Panamá incluem o estreito de Magalhães, o cabo Horn e a passagem de Drake, mas essas rotas acrescentam até 12.800 quilômetros de viagem ou envolvem a travessia de hidrovias perigosas.

Outras opções incluem seguir para o leste contornando o Cabo da Boa Esperança, na África do Sul, ou atravessar o Canal de Suez. O Oleoduto Trans-Panamá é outra rota alternativa para o transporte de petróleo bruto.
Por Folhapress

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