Padilha afirma que vai mandar equipamentos à Venezuela após EUA destruírem centro médico

Ministro da Saúde afirma que Brasil está preparado para ampliar equipes na fronteira

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse nesta segunda-feira (5) que o Brasil enviará para a Venezuela equipamentos e remédios para pacientes que precisam de diálise, o tratamento para compensar o mau funcionamento dos rins na filtragem do sangue.

Segundo Padilha, a operação dos Estados Unidos ordenada por Donald Trump, que resultou na captura de Nicolás Maduro, também destruiu um centro de distribuição de medicamentos e de tratamento de pacientes renais. O ministro afirmou que a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) pediu o apoio do ministério.

"Estamos buscando mobilizar, com estrutura do SUS e das empresas privadas, insumos para diálise e medicamentos, e vamos dar esse apoio sim ao povo venezuelano, que teve o centro de distribuição atacado", disse Padilha à imprensa.

O ministro afirmou que a Venezuela tem cerca de 16 mil pacientes que necessitam de diálise, número que representaria cerca de 10% dos pacientes que realizam o tratamento no Brasil. "Estamos mobilizando, assim como outros países do continente, para ajudar nessa situação específica".

O ministro da Saúde do governo Lula (PT) lembrou que a Venezuela enviou caminhões com oxigênio ao Brasil no momento em que Manaus (AM) enfrentava o desabastecimento de insumos hospitalares na pandemia da Covid-19. "O Brasil sempre estará à disposição", disse Padilha.

O ministro disse que o país também está preparado para reforçar equipes na fronteira, mas que ainda não há fluxo incomum de pessoas que cruzam da Venezuela ao Brasil.

A fronteira do Brasil em Pacaraima (RR) recebeu nesta segunda (5) o reforço de dois blindados Guaicuru no primeiro dia útil após o ataque dos Estados Unidos. A Operação Acolhida reabre nesta segunda os trabalhos de recebimento e triagem de migrantes venezuelanos.

Por Mateus Vargas/Folhapress

Comerciante de Ubatã aguarda há mais de 50 dias por cirurgia cardíaca no Hospital Prado Valadares

O comerciante ubatense Osvaldo Souza Cachoeira, de 62 anos, conhecido popularmente como Val, enfrenta uma longa espera por uma cirurgia cardíaca considerada essencial para sua sobrevivência. Internado há mais de 50 dias no Hospital Geral Prado Valadares, em Jequié, ele necessita implantar uma ponte de safena devido a um grave problema no coração.

Inicialmente, o procedimento cirúrgico estava agendado para meados de dezembro no Hospital Calixto Midjet Filho, em Itabuna. No entanto, segundo familiares, a cirurgia foi cancelada por falta de material hospitalar. Posteriormente, o procedimento foi remarcado para esta terça-feira, 06 de janeiro, mas acabou sendo novamente suspenso. Desta vez, conforme informado à família pelo setor de cirurgia do Prado Valadares, o motivo seria a falta de sangue no banco do hospital.

Os familiares contestam essa justificativa e afirmam que, desde dezembro, houve uma mobilização solidária que resultou na doação de sangue por mais de 20 pessoas, justamente para garantir a realização da cirurgia.

Além da preocupação com o estado de saúde de Val, a família relata desgaste emocional e financeiro. Os custos aumentaram devido à necessidade de presença constante no hospital e à contratação de um cuidador. Ainda segundo os familiares, o comerciante está emocionalmente abalado, chorando com frequência em razão da demora para a realização do procedimento.

O caso tem gerado apreensão entre amigos e familiares e levanta questionamentos sobre a demora no atendimento e as condições para a realização de cirurgias de alta complexidade na rede pública de saúde da Bahia. “A fila de regulação da Bahia é a fila da morte”, protestou um familiar. *Com informações do Ubatã Notícias

Delcy Rodríguez é empossada como líder interina da Venezuela

Enquanto Nicolás Maduro segue em Nova York, onde compareceu perante um tribunal após ser capturado pelos Estados Unidos, a vice do ditador, Delcy Rodríguez, assumiu nesta segunda-feira (5), como líder interina da Venezuela.

Perante os deputados que acabam de tomar posse, dois dias após a captura de Maduro e de sua mulher, Cilia Flores, pelos Estados Unidos, ela declarou lealdade a Maduro e disse que prestava o juramento "com pesar".

"Venho, como vice-presidente do presidente constitucional da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro Moros, prestar juramento", iniciou ela. "Venho com pesar, pelo sofrimento causado ao povo venezuelano, por uma agressão militar ilegítima contra a nossa pátria. Venho com pesar, pelo sequestro de dois heróis que são reféns nos Estados Unidos."

"Mas devo dizer que tenho a honra de jurar, em nome de todos os venezuelanos, pelo nosso pai libertador, Simón Bolívar, cujo sangue libertador corre pelas veias dos venezuelanos. Juro pelo comandante Hugo Chávez, que devolveu a dignidade de milhões de venezuelanos", seguiu.

Delcy disse que não irá descansar até ver a Venezuela como uma nação livre e independente e garantir a tranquilidade econômica e social do povo venezuelano.

"Juro pelas bases do nosso pai libertador garantir um governo que dê felicidade social, estabilidade política e segurança política", disse ela. "Que juremos como um só país para levar para frente a Venezuela nessas horas terríveis de instabilidade."

O juramento foi tomado pelo irmão de Delcy, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, e acompanhado pelo filho de Nicolás Maduro, o deputado Nicolás Maduro Guerra.
Por Douglas Gavras, Folhapress

Maduro se declara inocente e diz a juiz em audiência ser presidente sequestrado da Venezuela

Ditador deposto vai responder a acusações de narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína e porte ilegal de armas
O julgamento de Nicolás Maduro, ditador deposto da Venezuela após ser capturado pelos Estados Unidos no fim de semana, começou na tarde desta segunda-feira (5) em um tribunal em Nova York. A expectativa é que audiência seja breve e o juiz ordene a prisão preventiva do líder e de sua esposa, Cilia Flores.

Maduro entrou na sala vestindo uma camisa azul marinho por cima do uniforme laranja da prisão e usando um fone de ouvido, provavelmente para tradução. Sua esposa, com trajes semelhantes, estava sentada ao seu lado. Ao se identificar perante a corte, falou em espanhol que é o presidente da Venezuela e está ali sequestrado, além de se declarar inocente, como previsto.

Ao começar a falar que havia sido capturado em sua casa, na Venezuela, o juiz o interrompe, afirmando que "haverá tempo e lugar para abordar tudo isso".

O ditador vai responder a acusações de crimes como narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína e porte ilegal de armas. Segundo a imprensa americana, tanto ele quanto sua esposa devem se declarar inocentes perante Alvin Hellerstein, magistrado responsável pelo caso.

O prazo para o fim do julgamento é incerto, mas a imprensa americana aponta que todo o processo pode demorar mais de um ano.

Manistantes se reuniram em frente ao tribunal, no centro de Manhattan, tanto para protestar contra a invasão americana quando para comemorar a prisão do ditador. Os dois grupos estavam separadaos por uma cerca.

Os promotores afirmam que Maduro é o chefe de um cartel de autoridades políticas e militares venezuelanas que conspiraram durante décadas com grupos de tráfico de drogas e organizações designadas pelos EUA como terroristas para traficar milhares de toneladas de cocaína.

Maduro foi indiciado pela primeira vez em 2020 como parte de um longo processo de tráfico de drogas contra autoridades venezuelanas atuais e antigas e guerrilheiros colombianos.

Na nova acusação, revelada no sábado, os promotores afirmam que Maduro supervisionou pessoalmente uma rede de tráfico de cocaína patrocinada pelo Estado que fez parceria com alguns dos grupos de tráfico de drogas mais violentos do mundo, incluindo os cartéis mexicanos Sinaloa e Zetas, o grupo paramilitar colombiano Farc e a gangue venezuelana Tren de Aragua.

Por Folhapress

Lula conversou com Delcy Rodríguez depois da captura de Maduro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou brevemente com a líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, depois da operação militar dos EUA em Caracas que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro.

De acordo com três pessoas com conhecimento da conversa, o primeiro contato, breve e informal, ocorreu entre sábado (3) e domingo (4).

Há a possibilidade de que os dois voltem a se falar ainda nesta segunda (5), ainda de acordo com essas fontes.

Como mostrou a Folha, no sábado Lula manifestou nos bastidores preocupação com as consequências da operação militar ordenada por Donald Trump à estabilidade na América do Sul.

Em pronunciamento sobre o ataque que realizou contra a Venezuela, o republicano e sua equipe fizeram ameaças também contra Colômbia e Cuba.

Durante uma reunião virtual realizada com auxiliares no sábado, Lula pediu que ministros acompanhem com atenção os desdobramentos da intervenção americana na Venezuela, especialmente possíveis impactos na fronteira com o Brasil.

Segundo participantes da reunião, a conclusão foi a de que Delcy era a presidente de fato da Venezuela. A constatação teria partido não apenas das declarações de Trump sobre a transição no país, mas também pela demonstração de apoio interno que ela obteve horas depois da captura de Maduro.

Lula também determinou posicionamento crítico à operação americana, apontada por integrantes do governo como um precedente perigoso para o continente.
Por Catia Seabra, Folhapress

PRF apreende 172 Kg de skunk em Corumbá (MS)

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu 172 quilos de skunk, neste domingo (4), em Corumbá (MS). Durante fiscalizações na BR-262, os policiais abordaram um caminhão. O motorista viajava com a esposa e um bebê de quatro meses, todos de nacionalidade boliviana.

Quando realizaram a vistoria no veículo, os policiais sentiram forte odor de maconha vindo da cabine do caminhão. Questionado, o motorista confessou que transportava maconha de Corumbá para Três Lagoas.

A ocorrência foi encaminhada à Polícia Federal em Corumbá (MS).
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Justiça e Segurança

PF apreende caminhão com 11 toneladas de sucata de plástico na fronteira com a Argentina

Goiânia/GO. No sábado, 3/1, após compartilhamento de informações entre a Polícia Federal em Roraima, a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Goiás – FICCO/GO e Polícia Militar do Estado de Goiás – PMGO, por meio da Rotam e PM2, foi realizada a prisão de um indivíduo considerado de alta periculosidade, foragido do Estado do Acre por integrar organização criminosa. A captura ocorreu em Goiânia/GO.

A FICCO/GO é composta por integrantes da Polícia Federal (PF), Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN), Polícia Penal de Goiás (PPGO), Polícia Militar do Estado de Goiás (PMGO) e Polícia Civil do Estado de Goiás (PCGO), atuando de forma integrada no combate às organizações criminosas no estado de Goiás.

Comunicação Social da Polícia Federal em Goiás
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Tentativa de assalto a caminhão termina com seis mortos na BR-116, na Grande Curitiba

Caminhão tombou sobre uma van após ser abandonado por assaltantes. Outras pessoas ficaram feridas.
Um acidente envolvendo uma carreta e uma van deixou seis pessoas mortas e outras feridas na madrugada desta segunda-feira (5), na BR-116, em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). A batida aconteceu após a carreta, que havia sido assaltada, descer desgovernada de ré e tombar sobre a van.

Conforme a Polícia Rodoviária Federal (PRF), 21 passageiros de Campo Largo estavam na van e retornavam de um culto em São Paulo. Não há informações sobre o número de feridos.

À RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, o motorista da carreta relatou que trafegava no sentido São Paulo quando foi rendido por assaltantes. Os suspeitos chegaram em outro caminhão, abordaram o condutor e chegaram a efetuar disparos, mas ninguém foi atingido.

Ainda segundo o motorista, após a abordagem, os assaltantes fizeram o retorno para o sentido Curitiba. Durante a ação, o sistema de bloqueio por satélite do veículo foi acionado, fazendo com que o caminhão parasse ainda no trecho de subida.
O condutor relatou ainda que os assaltantes ficaram nervosos e exigiram que ele fizesse o desbloqueio do dispositivo. Como o caminhoneiro não tinha acesso ao sistema, os suspeitos mandaram ele saltar do veículo, sem olhar pra trás. Depois, soltaram o freio de mão da carreta, que desceu de ré pela rodovia e atingiu a van que trafegava no sentido Curitiba.
A versão do caminhoneiro será investigada pela Polícia Civil (PC-PR). O delegado responsável pelo caso disse que está em "diligências iniciais".

https://g1.globo.com/pr/parana/videos-bom-dia-parana/video/prf-confirma-quatro-mortes-em-acidente-na-br-116-apos-tombamento-de-carreta-14226661.ghtml

Segundo a PRF, o acidente aconteceu por volta das 3h45, no quilômetro 4,5 da rodovia, próximo à divisa com o estado de São Paulo. Todas as vítimas estavam na van.

Com o impacto, a carga de queijo da carreta ficou espalhada pela pista. Equipes da concessionária responsável pela rodovia atuam no local para atendimento da ocorrência e limpeza da via.

No sentido São Paulo, o tráfego foi normalizado. No sentido Curitiba, uma pista foi liberada e não há previsão para a liberação total da pista.
Por Douglas Santucci, Manuella Mariani, g1 PR e RPC — Curitiba

Policial militar é baleado durante operação na Mata Escura, em Salvador

Um policial militar foi baleado durante uma operação realizada no bairro de Mata Escura, em Salvador, neste domingo (4). A ocorrência foi confirmada pela Polícia Militar da Bahia.

De acordo com a corporação, o caso ocorreu durante a Operação Alatus. Guarnições da 48ª Companhia Independente da PM ingressavam em uma localidade conhecida como “Inferninho” quando o policial foi atingido na perna. Após efetuarem os disparos, os suspeitos fugiram do local.

A ação contou com o apoio do Batalhão de Policiamento Tático-Central e do Grupamento Aéreo da PM (Graer).

Ainda segundo a PM, o militar foi socorrido rapidamente para uma unidade hospitalar, onde recebeu atendimento médico e segue em acompanhamento.
Por: Bahia noticias.

Ex-conselheiro de Trump xinga Lula após crítica a ataque dos EUA

O ex-conselheiro de Donald Trump Jason Miller xingou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma postagem no X neste domingo (4). Na publicação, o assessor político escreveu "F you, Lula" ("Vai se foder, Lula") ao comentar uma notícia sobre crítica feita pelo petista ao ataque dos Estados Unidos à Venezuela.

"Agora, nós sabemos de que lado você está!", acrescentou o ex-conselheiro na publicação.
Jason Miller foi conselheiro central na campanha eleitoral de 2024 do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

No universo Trump, Miller foi um misto de consultor e marqueteiro, sempre disponível para servir de anteparo ao chefe. Na campanha de 2016, esteve na linha de frente e acabou sendo recompensado com o cargo de diretor de comunicação da Casa Branca após a vitória do republicano.

Mas não chegou a assumir, abatido pela revelação de que teve um caso com uma ex-assessora da campanha, enquanto sua esposa esperava um filho dele.

O presidente Lula repudiou no sábado (3) os ataques dos Estados Unidos contra a Venezuela e escreveu em suas redes sociais que as ações ultrapassam uma "linha inaceitável". Segundo o chefe do Executivo brasileiro, atacar países, em flagrante violação do direito internacional, representa o primeiro passo para um "mundo de violência, caos e instabilidade", em que a "lei do mais forte" prevalece.

"A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões", escreveu Lula no X.

O ataque feito pelos EUA contra a Venezuela neste é considerado a maior intervenção contra a América Latina em décadas. O governo de Donald Trump bombardeou a capital, Caracas, e capturou o ditador Nicolás Maduro e sua esposa, levados para Nova York ainda no sábado.

O ditador deposto comparecerá diante de um juiz de Nova York nesta segunda-feira (5) às 12h no horário local (14h em Brasília), anunciou neste domingo (4) um tribunal federal, que notificará formalmente as acusações apresentadas contra ele. Ele é acusado pela Justiça dos Estados Unidos por crimes de narcotráfico e terrorismo.

Por Ítalo Leite / Folhapress

Governo Lula chega a 2026 com medidas eleitorais pendentes no Congresso

O governo Lula (PT) chega a 2026 com medidas do seu pacote eleitoral pendentes no Congresso após um ano com dificuldade de formar maioria em meio à pressão da disputa que se aproxima.
A base governista conseguiu aprovar em 2025 a principal promessa da campanha anterior, isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5.000, mas outros projetos que serviriam como vitrine na próxima eleição não foram concretizados.

A lista inclui propostas de segurança pública, tema que está no topo das preocupações do eleitor e em que a esquerda busca ganhar terreno -é o caso da PEC (proposta de emenda à Constituição) da Segurança Pública e do projeto de lei Antifacção.

Outras medidas de apelo popular, como a tarifa zero no transporte público, o fim da escala 6x1, a regulamentação dos trabalhadores de app e o programa Gás do Povo, tampouco tiveram desfecho no Legislativo e são prioridades do governo para o primeiro semestre.

A pauta da segurança deve inaugurar o ano com um embate já contratado pelo governo no Parlamento. Em 2026, os trabalhos no Congresso tendem a ser encurtados pelo período eleitoral, que também contamina a pauta legislativa, diminuindo as chances de apoio do centrão à agenda do PT.

Apesar de avistarem obstáculos na aprovação do pacote eleitoral, líderes do PT e do governo se dizem otimistas e avaliam que o saldo de 2025 foi positivo.

"Vamos começar o mês de janeiro com o grande impacto para as pessoas que é a isenção do Imposto de Renda. E vamos entrar com duas pautas muito fortes, o fim da escala 6x1 e a tarifa zero. [...] São pautas que têm a ver com a vida real das pessoas", disse o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ).

Ele afirma, porém, que a estratégia do governo para 2026 é acionar o Congresso o mínimo possível para não repetir a série de derrotas do ano anterior.

"É um ano eleitoral, a gente não vai querer acionar tanto o Parlamento. Mas não temos muita ilusão de que a gente vai ter mais manobra para aprovar projetos de todo tipo. A gente só vai mandar pra cá projetos extremamente necessários, porque o ambiente eleitoral vai estar tomando conta."

De qualquer forma, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), afirma que a relação do Planalto com a Casa termina o ano "muito mais tranquila do que foi nos últimos cinco meses" e diz ter a expectativa de que se costure uma base com ao menos 257 votos.

Para isso, é necessário que partidos do centrão que ocupam ministérios entreguem ao governo os votos de ao menos parte de suas bancadas -essa foi a cobrança do presidente Lula na última reunião ministerial do ano. Guimarães menciona a mudança do ministro do Turismo indicado pelo União Brasil como um sinal de recomposição da base.

O deputado afirmou que, do pacote eleitoral pendente, o governo contava que duas matérias teriam sido aprovadas em 2025: a PEC da Segurança e a MP (medida provisória) do Gás do Povo.

Guimarães minimizou o impacto do adiamento, afirmando que a MP só vence em fevereiro e que a PEC precisa ser discutida. As matérias de segurança se tornaram um campo de batalha entre a esquerda e a direita, e alterações nos textos acabaram atrasando a votação -especialmente no caso do PL Antifacção, cujo relator foi o opositor Guilherme Derrite (PP-SP).

"Ainda que seja prioridade do governo, não tinha acordo sobre o texto [da PEC]. Votar uma medida dessa sem se inteirar não seria aconselhável. [O PL Antifacção] foi deixado para o próximo ano para dar tempo de avaliar", disse.

Ao encerrar 2025, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que o fim da escala 6x1 será tratado no início do ano. Guimarães diz que o tema é central. Já em relação à tarifa zero, faz a ressalva de que é relevante, mas depende do impacto econômico.

Para Lindbergh, essas pendências do governo, caso pautadas ainda em 2025, iriam dominar o debate, o que prejudicaria a votação de pautas econômicas. "A lógica do governo era correr com a aprovação do Orçamento [...]. Agora, esses temas são mais do que prioridade. É voltar na primeira semana de fevereiro já em cima desse debate."

Na reta final do ano legislativo, o governo priorizou, ao pactuar sua agenda com a cúpula da Câmara e do Senado, medidas para fechar o Orçamento, como brechas em regras fiscais, regulamentação da reforma tributária e corte de gastos e de isenções --todas aprovadas. Com isso, as iniciativas de impacto eleitoral ficaram em segundo plano.

Deputados da base lembram que além do Imposto de Renda, o governo conseguiu aprovar a tarifa social de energia elétrica -votar contra algum desses projetos teria um custo político alto, já que cada um beneficia cerca de 15 milhões de brasileiros.

Outra bandeira do governo e do PT é a chamada taxação BBB (bets, bancos e bilionários), que ensejou campanhas a favor da justiça tributária e contra o Congresso, acusado de proteger os ricos e de ser inimigo do povo.

Essa agenda avançou nos últimos dias do ano, para a surpresa até de governistas dado o forte lobby contrário. O aumento de impostos para bets e fintechs foi aprovado no último dia 17. Já a cobrança maior para os chamados super-ricos foi aprovada em novembro, no mesmo projeto da isenção do IR.

Por outro lado, a série de derrotas da gestão petista no Congresso em 2025 incluiu a derrubada do decreto do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), dos vetos ao licenciamento ambiental e da MP de aumento de impostos, e a aprovação da redução de penas aos condenados por golpismo, da PEC da Blindagem e do PL Antifacção desenhado por Derrite.

MEDIDAS ELEITORAIS DE LULA JÁ APROVADAS NO CONGRESSO

- Ampliação da isenção do Imposto de Renda
- Tarifa social de energia elétrica
- Aumento de imposto para super-ricos
- Aumento da taxação das bets

MEDIDAS ELEITORAIS DE LULA PENDENTES NO CONGRESSO

- PEC da Segurança
- PL Antifacção
- Fim da escala 6x1
- Tarifa zero no transporte público
- MP do Gás do Povo
- Regulamentação dos trabalhadores de app
- MP de redução de custos e renovação da CNH
Por Carolina Linhares / Folhapress

Explosão de restaurante deixa seis feridos em Uruçuca; vítima precisam ser transferidas para o HGE

Seis pessoas foram feridas durante um incêndio no restaurante 'Tempero Baiano', localizado no distrito de Serra Grande, em Uruçuca, no sul da Bahia. O incidente ocorreu na noite de sexta-feira (2). Segundo informações da Secretaria de Saúde do município, as vítimas sofreram queimaduras sendo encaminhadas para Salvador.

Após o incidente, as seis vítimas receberam atendimento inicial no Hospital Regional Costa do Cacau (HRCC), em Ilhéus, para estabilização do quadro clínico. No sábado (3), o grupo foi transferido para o Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital Geral do Estado (HGE), na capital baiana.

Uma das vítimas foi transportada pelo helicóptero Fênix 01, do Grupamento de Operações Aéreas (GOA) do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia. A aeronave pousou na sede do Departamento de Polícia Técnica (DPT), de onde o paciente seguiu em ambulância do Samu até o HGE. As demais transferências foram realizadas por via terrestre.

Informações preliminares confirmadas pelo Correio* indicam que o fogo foi provocado pela explosão de um botijão de gás de cozinha. O socorro imediato foi prestado por moradores da região antes da chegada das equipes de emergência.

O 4º Batalhão de Bombeiros Militar (Itabuna) atuou na ocorrência, realizando o rescaldo da estrutura para impedir o surgimento de novos focos de incêndio. A Secretaria de Saúde informou que o estado das seis vítimas é considerado grave.

Homem é espancado e morto a tiros em posto de gasolina em Eunápolis

Um caso com crueldade aconteceu no bairro Juca Rosa, em Eunápolis, na madrugada deste domingo (4). Um corpo, identificado como Cláudio de Moraes Rocha, de 40 anos, foi brutalmente espancado e, em seguida, executado a tiros por um grupo de criminosos no pátio de um posto de combustíveis.

De acordo com informações colhidas no local pelo Radar News, parceiro do Bahia Notícias, a ação ocorreu em duas etapas. Primeiramente, dois homens abordaram a vítima e iniciaram uma sessão de espancamento utilizando uma barra de ferro

Ainda após as agressões, os suspeitos teriam tirado uma fotografia de Cláudio caído no chão antes de fugirem do local. Momentos após a primeira agressão, outros dois criminosos encapuzados chegaram ao posto. Eles efetuaram diversos disparos de arma de fogo contra a vítima, que não resistiu aos ferimentos e morreu no local.

Durante a perícia, a polícia encontrou com a vítima um alvará de soltura relacionado ao crime de homicídio. Cláudio havia deixado o sistema prisional recentemente.

A principal linha de investigação da Polícia Civil é que a vítima tenha sido submetida a um "tribunal do crime", procedimento comum em facções criminosas para punir desafetos ou indivíduos que descumprem regras internas da organização.

Até o momento, ninguém foi preso. A Delegacia Territorial de Eunápolis solicita que qualquer informação que ajude na identificação dos autores seja repassada anonimamente através dos canais de denúncia da Polícia Civil.

EUA vão trabalhar com atuais líderes da Venezuela se tomarem a 'decisão correta', diz Rubio

Os Estados Unidos trabalharão com as atuais lideranças da Venezuela se tomarem "as decisões certas", segundo o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. As declarações foram dadas em entrevista à emissora americana CBS News neste domingo, 4, um dia após a operação americana que capturou o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro.

"Vamos julgar tudo pelo que fizerem, e vamos ver o que fazem", disse Rubio no programa Face the Nation. "Eu sei o seguinte: se não tomarem as decisões certas, os Estados Unidos manterão diversas ferramentas de pressão para garantir a proteção dos nossos interesses", acrescentou.

Ao ser questionado sobre a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, o chefe da diplomacia americana lembrou "os objetivos" dos Estados Unidos e assegurou que Washington irá "ver o que vai acontecer". O Tribunal Supremo da Venezuela determinou que Rodríguez assuma a presidência, após a captura de Maduro.

"Queremos que o narcotráfico cesse. Não queremos ver mais gangues chegando ao nosso território. Queremos que a indústria do petróleo não beneficie piratas e adversários dos Estados Unidos, e sim o povo", insistiu Rubio.

Para o secretário de Estado dos EUA, não era possível trabalhar com Nicolás Maduro. "Trata-se de alguém que nunca respeitou nenhum dos acordos que firmou" e a quem "oferecemos, em várias ocasiões, a possibilidade de deixar o poder", prosseguiu.

Tropas americanas na região

Questionado sobre o envio de tropas americanas em solo venezuelano, o secretário de Estado descreveu isto como uma "obsessão da opinião pública", mas, ao mesmo tempo, disse que o governo Trump não descarta a opção.

O republicano apontou que o governo americano manteria uma "quarentena" militar em torno da Venezuela para impedir que petroleiros sujeitos a sanções dos EUA entrassem e saíssem do país, para exercer pressão sobre a nova liderança local.

"Essa medida permanece em vigor e representa uma enorme pressão que continuará existindo até que vejamos mudanças, não apenas para promover o interesse nacional dos Estados Unidos, que é a prioridade número um, mas também para levar a um futuro melhor para o povo da Venezuela", disse ele durante a entrevista.

O secretário de Estado apontou também que é preciso melhorar a capacidade de extração de petróleo da Venezuela.

"É óbvio que eles não têm capacidade para reativar essa indústria", disse ele. "Eles precisam de investimento de empresas privadas que só investirão sob certas garantias e condições."

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez. que se tornou presidente interina no sábado, 3, impressionou o governo Trump por conta de sua gestão das reservas de petróleo da Venezuela, segundo informações do The New York Times. As pessoas envolvidas nas discussões disseram que intermediários convenceram Washington de que ela protegeria e promoveria futuros investimentos energéticos americanos no país.

Após a economia da Venezuela suportar um terrível colapso de 2013 a 2021, Delcy liderou uma reforma favorável ao mercado que havia proporcionado uma aparência de estabilidade econômica antes da campanha militar dos EUA que resultou na captura de Maduro.

Sua privatização de ativos estatais e a política fiscal relativamente conservadora deixaram a Venezuela melhor preparada para resistir ao bloqueio do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de petroleiros sancionados carregando petróleo, o sustento econômico do país.

Durante a entrevista, Rubio também apontou que as discussões sobre a realização de eleições na Venezuela eram "prematuras", com Washington focado em garantir que a liderança remanescente em Caracas implemente mudanças políticas.

"Tudo isso, eu acho, é prematuro neste momento", destacou Rubio. "O que nos interessa agora são todos os problemas que tínhamos quando Maduro estava no poder. Ainda temos esses problemas que precisam ser resolvidos. Vamos dar às pessoas a oportunidade de lidar com esses desafios e esses problemas", disse ele.
Por Estadão

Ao menos 33 senadores devem tentar reeleição, e 4 sinalizam aposentadoria

Ao menos 33 senadores devem tentar reeleição em outubro de 2026, quando 54 cadeiras do Senado, dois terços do total de 81, estarão em disputa.

Entre os demais senadores em fim de mandato, 12 afirmam estar com o futuro indefinido, 6 dizem que não disputarão as próximas eleições, uma tentará ser deputada estadual, um busca ser governador e um, presidente da República o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A disputa por vagas no Senado, e, consequentemente, pelo controle da Casa, ganhou importância nos últimos anos por causa do plano bolsonarista de aumentar a pressão sobre o STF (Supremo Tribunal Federal).

A corte impôs derrotas importantes para esse grupo político nos últimos anos, como a condenação e prisão de Jair Bolsonaro (PL) e de diversos aliados do ex-presidente nos processos sobre a trama golpista.

O bolsonarismo, porém, poderá promover processos de impeachment contra ministros do Supremo caso eleja senadores em número suficiente no ano que vem o Senado é a Casa que tem o poder de destituir integrantes do STF. O principal alvo do grupo na corte é Alexandre de Moraes, responsável pelo processo que levou à condenação de Bolsonaro.

A Casa também tem dez pré-candidatos a governador, e ao menos quatro integrantes que sinalizam estar próximos de se aposentar das disputas eleitorais. Os números são de levantamento feito pela Folha.
Além disso, foram detectados movimentos de integrantes do Senado para concorrer a cargos menores.

Dos 81 senadores, 22 dizem que não serão candidatos em 2026, 13 dizem que ainda estão indefinidos e Flávio lançou pré-candidatura a presidente da República.

Um dos que não pretende se candidatar na próxima eleição é o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Ele tem mandato como senador até 2031.

A maioria, 9 dos 10 que pretendem disputar governos estaduais, está no meio de mandato. Os mandatos no Senado têm 8 anos, o que estimula candidaturas mais arriscadas: o senador que perde uma eleição para o Executivo nessa situação tem mais quatro anos na Casa independentemente do resultado.

O único desses pré-candidatos a governador que está no fim do mandato como senador é Eduardo Girão (Novo-CE).

Além desses 10 que se assumem pré-candidatos a governos estaduais, outros três afirmaram que poderão ser candidatos a governador, mas que ainda não descartaram a hipótese de concorrer a uma reeleição no Legislativo. Deram essa resposta Izalci Lucas (PL-DF), Jayme Campos (União Brasil-MT) e Marcos Rogério (PL-RO).

Dos 16 senadores que disseram que não serão candidatos, 6 estão em final de mandato. Se mantiveram esses planos, ficarão sem cargo a partir de 2027.

A senadora Daniella Ribeiro (PP-PB), por exemplo, decidiu não tentar reeleição para apoiar a provável candidatura de seu filho, o vice-governador Lucas Ribeiro (PP), ao governo da Paraíba.

José Lacerda (PSD-MT) exerce mandato no Senado como suplente do ministro Carlos Fávaro. Lacerda não disputará a eleição para apoiar Fávaro, que busca se eleger como senador novamente.

Os outros quatro em fim de mandato e que dizem não pretender disputar a próxima eleição indicaram que deverão se aposentar das corridas eleitorais. O grupo é composto por:

- Cid Gomes (PSB-CE), de 62 anos, eleito senador uma vez;
- Jader Barbalho (MDB-PA), de 81 anos, eleito senador três vezes;
- Oriovisto Guimarães (PSDB-PR), de 80 anos, eleito senador uma vez;
- Paulo Paim (PT-RS), de 75 anos, eleito senador três vezes.

A lista de aposentadorias pode aumentar. Confúcio Moura (MDB-RO) ainda não decidiu seu futuro, e um dos cenários cogitados por ele é se retirar da vida pública. Jorge Kajuru (PSB-GO) avalia voltar a trabalhar em programas de televisão.

Duas das atuais integrantes do Senado planejam concorrer a cargos menores do que o que ocupam atualmente. Mara Gabrilli (PSD-SP) é pré-candidata a deputada estadual. Augusta Brito (PT-CE), suplente do ministro Camilo Santana, quer disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.

O levantamento que deu origem a essa reportagem foi feito pela Folha com base em informações oficiais de cada senador. As fontes são as assessorias de imprensa de cada gabinete, os próprios senadores ou declarações públicas proferidas por eles. Os dados coletados se referem a quem estava no exercício do mandato até 12 de dezembro.

Por Caio Spechoto / Folhapress

Como Donald Trump escolheu nome leal a Maduro para liderar a Venezuela

Americanos enxergam em Delcy Rodríguez, vice do ditador, flexibilidade e capacidade para estabilizar a economia do país Ela consolidou controle sobre política econômica e construiu pontes com elites, investidores estrangeiros e diplomatas.
The New York Times: Foi mais um passo de dança também para o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro.

No final de dezembro, Maduro rejeitou um ultimato do presidente Donald Trump para deixar seu cargo e ir para um exílio na Turquia, de acordo com informações reveladas por americanos e venezuelanos envolvidos em negociações de transição.

Na semana passada, Maduro estava de volta ao palco, ignorando a mais recente escalada dos EUA —um ataque a um cais que Washington afirma ser usado para o tráfico de drogas— dançando ao som de uma batida eletrônica na televisão estatal, enquanto sua voz gravada repetia em inglês: "Sem guerra louca."

A dança protagonizada por Maduro e outras demonstrações de falta de preocupação nas últimas semanas ajudaram a convencer alguns membros da equipe de Trump de que o ditador venezuelano estava zombando dos americanos e tentando delinear o que ele chamava de uma mentira, de acordo com pessoas que falaram sob condição de anonimato.

Então, a Casa Branca decidiu seguir com as ameaças militares.

No sábado (3), uma equipe de elite das forças armadas dos EUA entrou em Caracas, a capital venezuelana, em um ataque que, antes do dia amanhecer, levou Maduro e sua esposa, Cilia Flores, para Nova York, onde vão ser julgados por acusações de tráfico de drogas.

Semanas antes, autoridades dos EUA já haviam escolhido um candidato aceitável para substituir Maduro, pelo menos por enquanto: a vice de Maduro, Delcy Rodríguez, que havia impressionado os oficiais de Trump com sua gestão da crucial indústria petrolífera da Venezuela.

As pessoas envolvidas nas discussões disseram que intermediários convenceram o governo de que ela protegeria e defenderia os investimentos energéticos americanos no país. "Eu venho acompanhando a carreira dela há muito tempo, então tenho uma ideia de quem ela é e do que ela representa," disse um alto funcionário dos EUA, referindo-se a Delcy.

"Não estou dizendo que ela seja a solução permanente para os problemas do país, mas é certamente alguém com quem achamos que podemos trabalhar de maneira muito mais profissional do que conseguimos com ele", disse o alto funcionário, referindo-se a Maduro.

Não foi uma escolha difícil, segundo os envolvidos. Trump nunca simpatizou com a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, que organizou uma campanha presidencial vitoriosa em 2024, o que lhe valeu o Prêmio Nobel da Paz no ano passado.

Desde a reeleição de Trump, Corina tem se esforçado para agradá-lo, chamando-o de "campeão da liberdade", imitando seus pontos de vista sobre fraude eleitoral nos EUA e até dedicando seu prêmio a ele

Foi em vão. No sábado, Trump disse que aceitaria Delcy, afirmando que Corina não é respeitada o suficiente para governar a Venezuela.

Autoridades dos EUA dizem que a relação com o governo interino de Delcy será baseada na sua capacidade de seguir as suas regras, acrescentando que reservam o direito de tomar ações militares adicionais se ela não respeitar seus interesses. Apesar da condenação pública de Delcy ao ataque, um alto oficial dos EUA disse que era muito cedo para tirar conclusões sobre qual seria sua abordagem e que o governo americano permanecia otimista de que poderia trabalhar com ela.

Trump declarou no sábado que os Estados Unidos pretendiam "governar" a Venezuela por um período indeterminado e recuperar os interesses petrolíferos dos EUA, uma afirmação de poder unilateral e expansionista, após argumentos também contestados sobre a interrupção do fluxo de drogas.

Com Delcy, a gestão Trump estaria se envolvendo com a líder de um governo que havia com frequência rotulado como ilegítimo, enquanto abandonaria María Corina, cujo movimento venceu uma eleição presidencial em 2024, em uma vitória amplamente reconhecida como roubada por Maduro.

E não estava claro imediatamente se Delcy colaboraria. Em um pronunciamento televisivo, ela acusou os EUA de fazer uma invasão ilegal e afirmou que Maduro continuava sendo o líder legítimo da Venezuela.

Para manter a pressão, altos oficiais dos EUA disseram que as restrições sobre as exportações de petróleo venezuelano permaneceriam em vigor por enquanto.

Mas outros envolvidos nas conversas expressaram a esperança de que o governo parasse de deter petroleiros venezuelanos e emitisse mais permissões para que empresas dos EUA trabalhassem na Venezuela, a fim de reviver a economia e dar à vice de Maduro uma chance de sucesso político.

Delcy, 56, assume o cargo de líder interina da Venezuela com credenciais de solucionadora de problemas econômicos, que orquestrou a transição do país do socialismo com problemas de corrupção para o capitalismo laissez-faire igualmente corrupto.

Ela é filha de um guerrilheiro marxista que ficou famoso por sequestrar um empresário americano. Estudou, em parte, na França, onde se especializou em direito trabalhista.

Ela ocupou cargos intermediários no governo do predecessor de Maduro, Hugo Chávez, antes de ser promovida a papéis maiores com a ajuda de seu irmão mais velho, Jorge Rodríguez, que se tornou o principal estrategista político de Maduro.

Delcy conseguiu estabilizar a economia venezuelana após anos de crise e, lenta mas constantemente, aumentar a produção de petróleo do país, mesmo sob sanções apertadas dos EUA, uma façanha que lhe garantiu até o respeito relutante de alguns oficiais dos EUA.

À medida que Delcy consolidava o controle sobre a política econômica e eliminava rivais, ela construiu pontes com as elites econômicas da Venezuela, investidores estrangeiros e diplomatas, aos quais se apresentou como uma tecnocrata de discurso ameno e um contraste com os robustos oficiais de segurança que formavam a maior parte do círculo íntimo de Maduro.

Essas alianças deram frutos nos últimos meses, conquistando defensores poderosos que ajudaram a cimentar sua ascensão ao poder. No sábado, sua assunção ao poder foi recebida com otimismo cauteloso por alguns dos capitães da indústria da Venezuela, que disseram em particular que ela tinha as habilidades para criar crescimento, se conseguisse convencer os EUA a relaxar seu aperto sobre a economia do país.

Apesar de suas inclinações tecnocráticas, Delcy nunca denunciou a repressão brutal e a corrupção que sustentam o regime de Maduro. Ela já chamou, por exemplo, sua decisão de entrar na gestão de um ato de "vingança pessoal" pela morte de seu pai na prisão em 1976, após ser interrogado por agentes de inteligência de governos pró-EUA.

A capacidade de Delcy para negociar através do abismo ideológico da Venezuela pode ser útil para aliviar tensões. Juan Francisco García, um ex-deputado do partido governante que desde então se separou do regime, disse que tinha algumas apreensões sobre sua capacidade de governar, mas lhe deu o benefício da dúvida.

"A história está cheia de setores e figuras ligados a ditadores que, em algum momento, serviram como ponte para estabilizar o país e fazer a transição para um cenário democrático", disse García.
Anatoly Kurmanaev , Tyler Pager , Simon Romero e Julie Turkewitz

China insta EUA a garantir segurança pessoal e libertar 'imediatamente' Maduro e esposa

A China pediu aos Estados Unidos que libertem "imediatamente" o ditador venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, capturados em um ataque americano contra o país sul-americano neste sábado (2).

"A China apela aos EUA para garantir a segurança pessoal do presidente Maduro e de sua esposa, libertá-los imediatamente, cessar a subversão do governo venezuelano e resolver as divergências por meio do diálogo e da negociação", declarou o Ministério das Relações Exteriores, em nota.

Antes, a pasta já havia afirmado que condena a ação militar americana e que está "profundamente chocada" com o ataque.

"A China se opõe firmemente ao comportamento hegemônico dos EUA, que viola gravemente o direito internacional e a soberania da Venezuela e ameaça a paz e a segurança na América Latina e no Caribe. Instamos os EUA a respeitar o direito internacional e os princípios da Carta da ONU e a parar de violar a soberania e a segurança de outros países", declarou.

Maduro e a esposa desembarcaram na noite de sábado no Aeroporto Internacional Stewart, nos arredores da cidade de Nova York, sob forte escolta de policiais, militares e agentes de segurança.

Em pronunciamento horas após a captura, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o país governará a Venezuela até a transição e que o petróleo da nação sul-americana será explorado por americanos.

A Venezuela tem a maior reserva de petróleo do mundo e tem a China como um dos principais compradores. Questionado por jornalistas sobre como a ação afeta a relação com o país asiático e outros interessados na nação invadida, Trump afirmou que aqueles que querem petróleo, terão.

"Vamos vendê-lo. Provavelmente venderemos em volumes muito maiores, porque eles produziam muito pouco devido à infraestrutura precária. Vamos vender grandes quantidades de petróleo a outros países, muitos dos quais já o utilizam, e muitos outros virão."

Trump disse ainda que, se necessário, enviará militares a solo venezuelano para garantir o controle dos EUA e que está negociando com Delcy Rodríguez, a vice de Maduro, sobre os próximos passos. O Brasil a reconheceu como interina na ausência do ditador.

Há o temor de que a invasão da Venezuela e a captura de Maduro abram brecha para que outros países utilizem a mesma estratégia para agredir vizinhos, como, por exemplo, no caso da China em relação a Taiwan.

Pequim afirma que a ilha, que tem um presidente democraticamente eleito, é parte "inalienável" de seu território e não descarta o uso da força para a reunificação.

Editorial publicado no veículo estatal China Daily, o principal jornal do país, neste domingo (4) afirmou que as ações do governo Trump estabelecem "um precedente perigoso para as relações internacionais".

Sem fazer menção ao próprio país ou a outras nações, o texto afirma que o raciocínio de Washington, se aceito, concederia a "países poderosos uma licença universal para intervenção militar, contrariando diretamente os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas".

"A agressão injustificável dos EUA destrói qualquer autoridade moral que possam ter reivindicado. As regras internacionais aplicam-se a todos, não apenas a alguns. Quando os mais fortes optam por ignorar a lei, a proteção das normas se enfraquece para todos", diz o editorial.

Por Victoria Damasceno / Folhapress
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Cenas de terror: Fortes chuvas destroem estrutura de hotel, árvores e provocam pânico em cidade baiana

As fortes chuvas que assolam a cidade de Jacobina, cidade na região Norte da Bahia, ao longo deste sábado (03), destruíram partes da estrutura do Fiesta Park Hotel, bastante conhecido na região. Além disso, a tempestade também derrubou árvores nas ruas do município e provocou pânico por parte dos moradores.

Em vídeos obtidos pela reportagem do BNews, é possível ver uma espécie de muro do hotel dentro da área da piscina completamente destruído, com resquícios atingindo até carros que estavam no entorno do local.

"O mundo está caindo aqui, as cadeiras estão caindo, meu irmão!", diz um homem que filmava a tempestade de dentro do hotel.

Já em outras imagens, populares que dirigiam pela cidade enquanto a chuva caía, filmavam várias árvores derrubadas no chão, além de outdoors e bastante ventania.

ASSISTA:

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Integrante do núcleo financeiro de organização criminosa é preso na Colômbia no contexto de investigação da FICCO/AM

Manaus/AM. A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Amazonas (FICCO/AM) informa a prisão, em 2/1, de um nacional colombiano identificado como integrante do núcleo financeiro de organização criminosa com atuação no Amazonas, em território colombiano.

O investigado foi alvo da Operação Xeque-Mate, deflagrada pela FICCO/AM em outubro de 2024, cujo principal objetivo foi desarticular a estrutura de liderança da organização criminosa. As investigações indicam que um dos principais líderes do grupo permaneceu por mais de um ano na Colômbia utilizando identidades falsas, período em que teria se submetido a procedimentos estéticos para dificultar sua identificação e escapar da atuação das autoridades.

A captura ocorreu com apoio do Adido da Polícia Federal na Colômbia, a partir de cooperação internacional viabilizada por meio da Interpol, com base em Difusão Vermelha. Após a formalização da prisão, será solicitado o pedido de extradição do investigado para o Brasil, onde deverá responder pelos crimes apurados.

As apurações apontam que o colombiano atuava na lavagem de dinheiro da organização criminosa, utilizando empresas de fachada no setor de marketing, sem atividade econômica efetiva, além do uso de criptomoedas e fintechs para ocultar e dissimular a origem ilícita dos valores.

A ação reforça a eficácia da cooperação internacional e do compartilhamento qualificado de informações no enfrentamento às estruturas financeiras de organizações criminosas com atuação transnacional, evidenciando o compromisso da FICCO/AM no combate à lavagem de dinheiro e ao crime organizado.
Comunicação Social da Polícia Federal no Amazonas

Ação de Trump acirra retórica eleitoral com munição a bolsonaristas e cautela de Lula

O ataque dos Estados Unidos à Venezuela neste sábado (3) acirrou o embate político-eleitoral com representantes do bolsonarismo e da direita usando o episódio para criticar o presidente Lula (PT), enquanto o petista busca um discurso cauteloso diante do tema que já vinha gerando desgaste para a esquerda em disputas passadas.

Políticos ouvidos pela reportagem afirmam que a ação militar de Donald Trump para derrubar o regime do ditador Nicolás Maduro deve ser um assunto explorado na disputa presidencial de outubro, em que Lula buscará se reeleger e que tem o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho de Jair Bolsonaro (PL), como pré-candidato.

Nomes da esquerda e da direita, porém, ponderam que os reflexos eleitorais dependem do desenrolar da situação incerta no comando do país vizinho, com Maduro capturado e Trump anunciando que os EUA governarão a Venezuela até uma transição.

A família Bolsonaro usou o ataque como gancho para ativar a retórica contra o comunismo e o Foro de São Paulo.

Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e outros governadores da direita, como Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) e Ratinho Jr. (PSD-PR), comemoraram a libertação da Venezuela de uma ditadura.

Todos esses são fiéis apoiadores de Bolsonaro, ex-presidente condenado e preso por ter liderado uma tentativa de golpe após a derrota nas eleições de 2022.

Já a esquerda investe em reforçar o discurso em defesa da soberania e da democracia, estratégia utilizada pelo governo Lula contra o tarifaço imposto por Trump. Deputados do campo apontam o interesse do americano pelo petróleo da Venezuela e veem risco de interferência dos EUA na eleição de outubro.

Ao comentar a queda de Maduro, Lula evitou mencionar o nome do ditador, a quem chama de presidente, e tampouco citou os EUA ou Trump diretamente. Deputados da direita afirmam que o petista tenta se desvencilhar de Maduro, mas não terá sucesso.

"Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional", disse o petista no X.

"Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo", completou.

Lula tem mantido boa relação com Maduro e o recebeu no Palácio do Planalto em maio de 2023. Em 2024, porém, o presidente não reconheceu a vitória do ditador venezuelano, que foi proclamado reeleito apesar das acusações de fraude.

Por outro lado, o petista também tem buscado uma boa posição junto a Trump, com quem se encontrou em outubro depois disso, o americano voltou atrás em tarifas e sanções ao Brasil.

A proximidade de Lula com Maduro e a interpretação de que a queda do ditador na Venezuela pode ser um prenúncio do resultado da eleição de 2026 foram explorados por possíveis candidatos da oposição, como Tarcísio e Michelle Bolsonaro (PL).

"A Venezuela agora está vencendo a esquerda e que, no final do ano, o Brasil também vença", publicou o governador em vídeo.

Ao falar sobre os efeitos da ditadura, o post exibe imagens da reunião entre Lula e Maduro. "Tudo isso só foi possível ao longo do tempo porque houve conivência, omissão e até apoio explícito de quem insistiu em chamar um ditador de companheiro", diz.

Em nota, Michelle diz que Lula é amigo de Maduro e que seus governos se parecem ao defenderem

"A operação americana [...] é, também, um aviso para todos os poderosos de outros países da América do Sul que, fazendo parte do mesmo grupo e alinhados ao narcoditador venezuelano, tentam copiar em seus países o modus operandi de Maduro. O recado foi bastante claro: Ditadores disfarçados de democratas e defensores de traficantes, coloquem a Barba de molho", diz.

"A América Latina se cansou da esquerda", afirma o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL), apontando que a tendência é vista na Bolívia, Chile e Argentina. "A esquerda não teve a capacidade de rever conceitos ultrapassados de socialismo e comunismo."

Sóstenes afirma ainda que apontar o flerte da esquerda com a ditadura será uma das prioridades de Flávio na campanha e que, apesar da recente afinidade entre Lula e Trump, o americano "terá um posicionamento claro a favor do candidato da direita" em outubro.

Flávio e os irmãos Carlos e Eduardo reforçaram a munição contra Lula a partir do episódio. O senador afirmou que o comunismo não traz prosperidade e que as ditaduras caem "quando os povos escolhem a liberdade".

Também atacou indiretamente o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), alvo dos bolsonaristas após a derrota de 2022. "Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas..."

Na opinião do deputado Jilmar Tatto (SP), vice-presidente nacional do PT, a direita não vai conseguir desgastar Lula porque a ação americana vai fortalecer a defesa da soberania e da democracia.

"Só o Lula consegue liderar essa frente democrática na América Latina. Então, se os bolsonaristas quiserem fazer esse debate, vão perder mais uma", diz.

Pressionado entre Trump e Maduro, o caminho de Lula será o de pregar soberania. "O presidente Lula, como o PT, tem uma posição histórica pela autodeterminação dos povos e soberania de cada país", afirma Tatto.

Para a presidente do PSOL, Paula Coradi, a soberania será uma questão da eleição de 2026, dado que Trump deixou claro seu plano de intervenção na América Latina. "Devemos nos preparar para a interferência direta de Trump nas eleições do Brasil. A direita não defende a soberania, é subserviente, como foi no tarifaço."

"Não importa o que pensamos do governo Maduro, não tem a ver com o tipo de democracia que existe ou não na Venezuela. O que aconteceu foi um ataque a um país pacífico e soberano", diz Coradi.

Na mesma linha de Lula, o posicionamento do PT não cita Trump e tampouco critica o regime de Maduro.
"O bombardeio em Caracas e o sequestro do presidente configuram a mais grave agressão internacional registrada na América do Sul no século 21", diz.

"A soberania dos povos, a solução pacífica das controvérsias e o respeito ao direito internacional constituem princípios centrais da política externa do PT", completa.

Em resposta à estratégia da esquerda, Flávio ironizou o fato de haver "gente no Brasil preocupada com a soberania da Venezuela".

"Não se trata de soberania. Trata-se de opressão, medo e assassinato de adversários políticos. Quem relativiza isso não está defendendo povos. Está defendendo ditaduras", publicou.

Entre quem se manifestou criticando igualmente a ditadura de Maduro e o ataque de Trump, estão o governador Eduardo Leite (PSD-RS) e os partidos PSB e PSDB.

Por Carolina Linhares / Folhapress

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