‘Antigamente havia muita pobreza, mas éramos ricos na honestidade’, diz Riachão

Foto: Tiago Cruz/bahiaba

Símbolo do samba de roda da Bahia, o malandro Riachão, 97 anos, participa de mais um ano da tradicional Mudança do Garcia, na manhã desta segunda-feira (5). Em entrevista ao bahia.ba, ele falou sobre a história da festa.
“Aqui foi onde nasci e eu lembro que antigamente a pobreza era de uma maneira que eu não tenho nem como explicar. A gente não tinha o que comer e nem onde morar, mas a alegria do pobre era imensa. Por isso veio a Mudança do Garcia. As pessoas não tinham dinheiro para pagar mais um mês de aluguel e todo mundo se mudava para não dar prejuízo ao dono do imóvel. Antigamente havia muita pobreza, mas éramos ricos na honestidade[..] Meu pai, que era carroceiro, vivia fazendo mudança”, contou o sambista.
Riachão também falou sobre a carreira. Ele afirmou que reduziu o número de shows devido a uma doença que atingiu suas pernas. “O malandro precisa de perna para sambar e as minhas não estão muito boas, mas a cabeça continua funcionando muito bem”, disse o sambista.
Autor de mais de 500 sambas, o compositor declarou que sua música predileta é “Somente ela”. A canção, segundo ele, foi feita para homenagear sua primeira esposa.
“Deus e minha ex-mulher são as razões de eu estar vivo. Por isso, essa música me acompanha”, afirmou.  Veja o samba: