Patrimônio declarado de Mansur, ex-dono da Reag, dobrou em 1 ano e chegou a R$ 1,49 bi

O patrimônio declarado de João Carlos Mansur, ex-dono da Reag, duplicou em um ano e chegou a R$ 1,49 bilhão em 2024, como mostram as declarações de Imposto de Renda do empresário, que teve o sigilo fiscal quebrado pela CPI do Crime Organizado no Senado.

Em 2023, os bens declarados à Receita Federal somavam R$ 748,7 milhões. Um ano depois, esse valor dobrou, principalmente em razão da evolução de ações em uma empresa chamada Lurix Participações.

Mansur declarou ao Fisco que, em 2023, tinha R$ 696,8 milhões em ações na Lurix, cuja principal atividade econômica é atuar como holding de instituições financeiras. Em 2024, essas ações declaradas somavam R$ 1,46 bilhão.

As declarações de Imposto de Renda de Mansur mostram a rápida evolução do patrimônio e dos rendimentos declarados do empresário em um curto espaço de tempo.

Em 2020, ele recebeu lucros e dividendos que somaram R$ 31,1 milhões, de três empresas, conforme a declaração à Receita: RPN Partners, Copaca Consultoria Imobiliária e Lumabe Participações. Quatro anos depois, os ganhos somaram R$ 773,8 milhões.

A mesma evolução expressiva se deu com bens e direitos declarados no Imposto de Renda: R$ 41,5 milhões em 2020 e R$ 1,49 bilhão em 2024.

Na lista de bens estão as ações da Lurix Participações; cotas da Lumabe, no valor de R$ 27,6 milhões; aplicações financeiras; e depósitos em conta, inclusive no Reag Bank, no valor de R$ 500,2 mil.

A Reag era uma gestora e administradora de fundos de investimento. A unidade de administração, responsável pela tesourraria, controle de ativos, escrituração de cotas e auditoria independente de fundos, acabou liquidada pelo Banco Central, em 15 de janeiro, quase dois meses depois da liquidação do Banco Master, de Daniel Vorcaro, em novembro do ano passado. O braço de gestão de recursos foi vendido antes da liquidação da Reag.

A liquidação se deu por "comprometimento da situação econômico-financeira da corretora, bem como por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN [Sistema Financeiro Nacional]", conforme o Banco Central.

Com a liquidação, o BC tornou indisponíveis os bens de controladores da Reag. Na lista, o órgão incluiu a Lurix, a empresa que responde pela maior parte do patrimônio declarado de Mansur.

Pelos dados da Receita, a Lurix é uma sociedade anônima fechada, sediada na avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo. São sócios Mansur e familiares, e o capital social informado é de R$ 1,58 bilhão.

As ações na Lurix passaram a ser informadas na declaração de Imposto de Renda de 2023, ano em que foi constituída. O início das atividades se deu em 30 de novembro de 2023, conforme dados da Junta Comercial de São Paulo. Entre as atividades da empresa, conforme documentos da Junta Comercial, está a outorga de garantias fidejussórias a outras companhias.

Sem a empresa, o patrimônio de Mansur em 2022, por exemplo, foi de R$ 174,8 milhões.

No fim de 2025, a Reag tinha R$ 352 bilhões sob sua administração, na 11ª posição no país, segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

A instituição foi decisiva na ciranda financeira organizada pelo Master para fraudes em carteiras de crédito, segundo investigações da PF (Polícia Federal) e do MPF (Ministério Público Federal). Ainda em 2024, fundos da Reag foram usados para aumento de capital do BRB (Banco de Brasília). As operações foram consideradas suspeitas pela PF.

A Reag é investigada também na Operação Carbono Oculto, que apura a atuação da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) no mercado financeiro, inclusive na Faria Lima.

Segundo as investigações, a Reag é suspeita de participação em esquema de ocultação de lucros ilícitos por meio de investimentos feitos. Fundos teriam sido usados para esquentar dinheiro do crime organizado, conforme a PF.

Em janeiro, a polícia cumpriu mandado de busca e apreensão em endereços de Mansur, num desdobramento das investigações sobre o caso Master.

Em 11 de março, convocado pela CPI do Crime Organizado, o ex-dono da Reag compareceu ao Senado para um depoimento –embora tenha falado pouco. Mansur negocia uma delação premiada no âmbito da Carbono Oculto; as tratativas são feitas com o Ministério Público de São Paulo.

Questionada pela reportagem, a defesa do empresário disse que não irá se manifestar.

Na CPI, Mansur disse que a Reag não era de fachada, não tinha investidores ocultos e foi penalizada por ser "grande e independente". Ele negou ter relações com o crime organizado e disse que a Reag de fundos passou por um "rolo compressor".

Até agosto, a Reag tinha 800 funcionários e quase 700 fundos, distribuídos em cerca de 350 grupos empresariais, conforme Mansur afirmou na CPI.

"Nosso departamento de compliance era muito forte, tinha 12 pessoas, o que não é normal numa companhia do mesmo segmento, e 18 pessoas no departamento jurídico", afirmou.

Reportagem publicada pelo portal UOL, em 24 de fevereiro, mostrou a evolução do patrimônio declarado de Mansur entre 2019 e 2023 e uma análise da Receita sobre os bens do empresário.

Conforme a reportagem, Mansur pode ter sido laranja para operações criminosas. Existe ainda a suspeita de que ele tenha inflado o valor de lucros aferidos com suas empresas, que apresentaram ganhos presumidos bem inferiores, conforme as informações fiscais analisadas e reproduzidas na reportagem.

"O valor declarado como lucros e dividendos recebidos por João Carlos Mansur é uma fantasia, não possui origem nos rendimentos das suas empresas, supostas pagadoras dos rendimentos", diz o relatório de análise fiscal, conforme a reportagem do UOL.

Por Vinicius Sassine e Thaísa Oliveira/Folhapress

Empresário diz ter perdido R$ 60 milhões com promessas de Vorcaro e do ‘arquiteto’ do Master

O empresário Yan Hirano, de 51 anos, diz ter sido vítima de um golpe no que seria uma espécie de “laboratório inicial” das operações do Banco Master, oito anos antes de Daniel Vorcaro criar a instituição financeira. Segundo as alegações feitas pelo construtor em um processo judicial que corre no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, ao qual o Estadão teve acesso, a fraude teria envolvido uma dobradinha de Vorcaro com Benjamin Botelho, dono da gestora Sefer. Botelho é investigado pela Polícia Federal como um dos cérebros por trás da arquitetura de criação do Master.

De acordo com o processo judicial movido por Hirano, a operação envolve negócios em torno da obra do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro. Velha promessa de governo, o Arco é um cinturão viário na região da Baixada Fluminense. Em investigações paralelas, foi alvo de denúncias na Operação Lava Jato e hoje virou uma espécie de corredor fantasma, sem iluminação, pelo qual poucos se aventuram a passar à noite, por medo de assaltos.

Na ação movida na Justiça do Rio contra Botelho, Vorcaro, Master e Sefer, além de outras instituições que seriam do mesmo grupo econômico, Hirano diz que o negócio envolveu terrenos de cerca de 1,5 milhão de metros quadrados. Ele afirma que levou um calote estimado em R$ 60 milhões (o valor corrigido pela taxa CDI seria de R$ 180 milhões). E o modo de atuação seria muito parecido com o que se investiga hoje no Master.

Procurada, a Sefer, de Benjamim Botelho, afirmou que todas as operações que envolvem os fundos de investimento da empresa seguem rigorosamente a legislação do mercado de capitais e são lícitas. A defesa de Vorcaro não se manifestou.

A história contada por Hirano começa em 2008, quando os primeiros contratos da estrada foram fechados. Dono de uma construtora com empreendimentos por todo o Rio, Hirano costumava sobrevoar de helicóptero a região. Dessa forma, acabava tendo uma vista privilegiada do futuro traçado e conseguia achar pontos para investir em uma região sem ruas ou avenidas. “Era tudo mato”, disse ao Estadão. “Aquilo era uma área de desova de cadáver, ninguém pisava.”

Ainda segundo Hirano, Benjamin Botelho, dono da gestora Sefer, soube que ele havia comprado os terrenos e enviou emissários para se aproximar. As primeiras conversas aconteceram em 2010, quatro anos antes da inauguração do primeiro trecho da obra. Botelho fez então uma oferta: os terrenos de Hirano poderiam ser incorporados em fundos imobiliários da Sefer, como o Aquilla — ou seja, Hirano cederia os terrenos para virarem ativos do fundo e, em troca, viraria um cotista importante do fundo.

O ponto de partida do plano era que, na medida em que a obra avançasse, a região atrairia empresários interessados na construção de galpões para aproveitar a facilidade logística no entorno da cidade do Rio de Janeiro. Com a ocupação da região, os terrenos ficariam mais valorizados. Como cotista do fundo, Hirano seria beneficiado com a valorização de sua cota e com os pagamentos dos aluguéis dos galpões.

Segundo ele, após Botelho assumir a gestão dos ativos, os terrenos foram revendidos pelo fundo em uma série de operações que inflaram artificialmente seu valor. Ao final das operações, as áreas foram parar dentro do Banco Máxima, a instituição que deu origem ao Master, elevando artificialmente os resultados e o balanço financeiro do banco. Um terreno incorporado pelo Aquilla FII por R$ 3,1 milhões em 2013, por exemplo, foi repassado à empresa Queimados Negócios Imobiliários S/A, gerida por Botelho, e, em 2015, foi alienado ao Máxima por R$ 9,1 milhões, quantia três vezes maior.

Hirano cobrava o retorno prometido do investimento, mas diz que passou a ser ignorado, até ouvir a seguinte proposta: seria ressarcido via firmas ligadas a Vorcaro, como a Milo Investimentos S/A e a Vicking Participações Ltda.

A operação, entre outras coisas, previa o pagamento com unidades em empreendimentos que estavam em construção em Belo Horizonte. Entre eles estavam o hotel Royal Tulip e o complexo Bossa Nova Residence, todos relacionados com empreiteiras ligadas a Vorcaro. Posteriormente, essas empreiteiras tiveram as obras interrompidas por problemas diversos.

O processo judicial que trata da cobrança, ainda sem sentença, aponta que, em uma nova rodada de negociações, Botelho e Vorcaro ofereceram outros imóveis, desta vez, tirados de dentro do Banco Máxima. Tais unidades foram colocadas à disposição para o pagamento — embora, em tese, seja uma dívida anterior e pessoal dos devedores, sem relação com o banco. Pior: tais transferências geraram valores inferiores na suposta permuta, em um indício de que também estavam inflados dentro do balanço da instituição financeira.

Os advogados de Hirano apontam que tais elementos mostrariam que a prática “pode ter sido utilizada para ‘justificar’ ganhos ou investimentos irreais”. Dizem ainda que todo o patrimônio “se esfarelou sob comando de Benjamin Botelho de Almeida”, sendo que “aparentemente, os ativos imobiliários de Hirano foram diluídos e ‘misturados’ com ativos ruins (ou podres) para cobrir valores inexistentes de sociedades em situação de crise, que se encontravam precificadas a preços exorbitantes.”

Hirano se diz vítima de um golpe, mas foi enredado na Operação Fundo Fake, que investigou fraudes em institutos de previdência públicos em 2020, na origem do Master, porque o fundo Aquilla estava sob suspeita de fraudes contra fundos de pensão.

Segundo a investigação, que acabou sendo arquivada, institutos de previdência públicos investiram pelo menos R$ 60 milhões no fundo Aquilla entre 2010 e 2016, mas não tiveram retorno algum. Depois dos aportes, diz o inquérito, o fundo transferia parte dos recursos captados para empresas e pessoas físicas ligadas a Botelho - entre elas, Hirano, que teria recebido pelo menos R$ 1 milhão.

O empresário afirma que todo pagamento que recebeu do Aquilla foi referente a terrenos vendidos ao fundo. Contudo, em vez de dinheiro, ele teria recebido boa parte desses pagamentos em cotas, ou seja, em aumento de participação no fundo Aquilla. “É o valor dessas cotas que eu fui roubado”, diz o empresário.

Na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Hirano é citado em dois inquéritos relacionados ao Aquilla como um dos principais investidores envolvidos em transações imobiliárias com o fundo. Em uma dessas transações, segundo processos do órgão, ele e um espanhol, chamado Oliver Ortiz, teriam adquirido um terreno por R$ 610 mil e, posteriormente, feito a transferência do empreendimento para o fundo, mas sob a avaliação de R$ 12,4 milhões. A existência da participação de Ortiz no negócio foi revelada pelo portal ICL.

De acordo com documentos do setor de inteligência da Delegacia de Repressão a Entorpecentes do Rio de Janeiro, aos quais o Estadão teve acesso, o espanhol Ortiz se “passava por investidor” e tinha relação com o colombiano Alexander Pareja, apontado como narcotraficante e tido como homem forte no chamado cartel do Vale do Norte, considerado sucessor do grupo de Pablo Escobar. O Estadão entrou em contato com advogados elencados como defensores de Ortiz e Pareja em processos recentes, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.

“Na época em que essas transações foram feitas, em 2012, o Oliver conhecia o Rio de Janeiro inteiro, era dono de vários empreendimentos”, diz Hirano, que nunca foi acusado formalmente pela CVM por irregularidades. “Ele era visto como um empresário gringo rico, fazia parte do pool de investidores convidados pela (gestora) Foco DTVM (posteriormente rebatizada como Sefer) para aplicar nos fundos e detinha uma participação minoritária que correspondia a menos de 2% dos ativos administrados. Ninguém na cidade, nem a PF, sabia que ele fazia coisa errada. E a participação dele no negócio foi ínfima. Como ele estava aplicando no pool de investidores, as diligências sobre as origens do dinheiro dele eram de obrigação das instituições financeiras que o atendiam.”

Ele também afirma que toda a avaliação de terrenos, como a citada pela CVM na transação com Ortiz, era feita pela Foco DTVM e representava apenas valores contábeis, sem ganho real. “Eles diziam que eu avaliava por metro quadrado e que não sabia fazer o valuation (cálculo do valor do terreno levando em consideração, também, ganhos futuros), mas essa projeção de ganho nunca se materializou. No final das contas, entrei em um castelo de cartas. Achava que iria ficar rico e ainda fiquei sem o meu investimento inicial.”

Agora, Hirano terá de lidar com o caso novamente, porque foi convocado pela CPI do Crime Organizado em razão de sua relação com Botelho, também alvo da CPI, e com o narcotraficante espanhol.

Por Jenne Andrade, Luiz Vassallo e Arthur Guimarães/Estadão Conteúdo

Governo vai travar alta de gastos com pessoal e novos benefícios tributários em 2027

O governo Lula (PT) vai prever a implementação de uma trava no aumento de gastos com pessoal e na criação de novos benefícios tributários em 2027, primeiro ano do próximo mandato de presidente da República.

Os gatilhos são previstos no arcabouço fiscal, regra que disciplina a condução das contas públicas, e serão regulamentados pela primeira vez no PLDO (projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2027, a ser enviado ao Congresso Nacional na próxima quarta-feira (15).

O acionamento decorre do déficit apurado nas finanças públicas em 2025. Naquele ano, as contas do governo central, que reúne Tesouro Nacional, Previdência e Banco Central, tiveram saldo negativo de R$ 61,7 bilhões.

A lei prevê que, em caso de déficit, o governo precisará respeitar os dois gatilhos de contenção a partir do ano seguinte à apuração desse resultado. Como a divulgação dos números ocorreu em 2026, a restrição vale a partir de 2027 —e vai perdurar até que o governo volte a fazer superávit, isto é, arrecadar mais do que gasta.

Os gatilhos estão previstos em lei complementar e serão regulamentados na LDO, uma lei ordinária. Qualquer que seja o governo eleito, será preciso seguir essas regras —ou então assumir o desgaste de pedir ao Congresso uma flexibilização das restrições. A única hipótese já prevista de alívio é eventual situação de calamidade pública.

Pela regra, os gastos com a folha de pagamento em 2027 não poderão subir acima da inflação mais uma parcela real de 0,6%, equivalente ao piso de expansão de despesas do arcabouço. Na prática, a despesa com pessoal vai crescer menos do que o limite total de gastos, cuja correção máxima é de 2,5% em termos reais.

A trava vai funcionar como uma espécie de subteto, que precisará ser observado pelo Executivo e também pelos demais Poderes na discussão de eventuais reajustes salariais para as categorias do funcionalismo e na realização de novos concursos públicos.

Se houver risco de estouro desse limite, a SOF (Secretaria de Orçamento Federal), do Ministério do Planejamento, não poderá dar sinal verde aos pedidos que forem apresentados —inclusive pelos demais Poderes, como Judiciário, ou órgãos autônomos, como o Ministério Público Federal, protagonistas das discussões em torno dos penduricalhos que inflam as remunerações e a despesa com folha.

Na avaliação de um integrante da equipe econômica, a regra vai efetivamente impor uma restrição, dado o comportamento histórico dos gastos com pessoal nos últimos anos.

Em 2025, essa despesa fechou em R$ 412,1 bilhões, alta real de 4,3% em relação ao ano anterior, em números já corrigidos pela inflação. Para este ano, a previsão do governo é que essa obrigação alcance R$ 457,6 bilhões, em valores nominais.

O outro dispositivo veda a promulgação de lei que conceda novos incentivos ou benefícios de natureza tributária. A ampliação de políticas já existentes ou a prorrogação daquelas que eventualmente estejam para expirar também ficarão proibidas.

Os gatilhos de contenção de despesas com pessoal e benefícios tributários foram incluídos pelo governo Lula no arcabouço fiscal por meio de uma lei complementar aprovada no fim de 2024. Na ocasião, a equipe do então ministro Fernando Haddad (Fazenda) apresentou um pacote de medidas para segurar gastos e tentar restabelecer no mercado financeiro a confiança de que as contas públicas seguem uma trajetória sustentável.

Na época, o alcance do pacote frustrou as expectativas do mercado, que aguardava medidas mais potentes.

Os gatilhos foram aprovados, mas sua implementação virou alvo de controvérsia entre economistas, que entendiam que seu acionamento deveria se dar ainda em 2026, exercício imediatamente seguinte ao déficit e também ano eleitoral. A interpretação foi rejeitada pelo governo.

Um integrante da equipe econômica afirma que a regulamentação dos gatilhos vai impor limitações que ajudarão na gestão orçamentária de 2027. O primeiro ano de um mandato é quando um novo governo tenta aproveitar seu capital político e a maior distância em relação às eleições para aprovar ajustes, geralmente impopulares.

As medidas também devem ser usadas para tentar minimizar o ceticismo do mercado financeiro com a sustentabilidade do arcabouço fiscal e transmitir a mensagem de que a regra é viável ao longo do tempo.

A expectativa dos técnicos é que o limite ao crescimento de gastos com pessoal e à criação de novos benefícios tributários valha também para exercícios futuros. Embora as metas fiscais perseguidas pelo governo permitam descontar uma série de despesas, o resultado das contas que vale para o acionamento dos gatilhos é o consolidado, sem qualquer exclusão.

O Executivo persegue um superávit de 0,25% do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano e de 0,5% no ano que vem, mas a própria equipe econômica prevê a continuidade de resultados efetivos negativos.

Em 2026, a projeção mais recente aponta um déficit de R$ 59,8 bilhões. Já o dado de 2027 será divulgado oficialmente no PLDO, mas o Tesouro Nacional já estimou um resultado negativo em R$ 28 bilhões. Se esses números se concretizarem, as restrições valerão também para 2028 e 2029.

Por Idiana Tomazelli/Folhapress

Moraes, Dino, Gilmar e Zanin formam aliança contra agenda de Edson Fachin no STF

Grupo tem cobrado de presidente da corte defesa mais enfática de colegas em meio à crise do Master
O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin
Os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), formaram uma espécie de aliança para fazer frente à agenda de Edson Fachin na presidência da corte em meio às repercussões negativas da investigação sobre o Banco Master.

O quarteto tem se articulado para cobrar de Fachin uma defesa mais enfática dos colegas, para tentar emplacar pautas de grande repercussão —a exemplo das restrições aos penduricalhos— e para se contrapor às iniciativas do presidente do Supremo para lidar com a crise de imagem do tribunal, como a implementação de um código de conduta.

A união dessa ala se dá em torno da forma de agir de Fachin, embora os motivos de cada um sejam diferentes. Moraes tem reclamado de falta de apoio público, enquanto Gilmar lamenta que declarações do presidente do STF, como a de que "juízes precisam responder pelos seus erros", acabem alimentando a vulnerabilidade do tribunal.

Já Dino entende que os reais problemas éticos do Judiciário estão passando ao largo das decisões de Fachin, especialmente no CNJ (Conselho Nacional de Justiça). O ministro proferiu decisões que teriam forçado o presidente a enfrentar certos temas, como os limites das verbas pagas acima do teto a juízes e o fim da aposentadoria compulsória como punição para magistrados infratores.

Avesso a eventos públicos e a palestras remuneradas, Zanin avalia que as regras éticas de Fachin teriam pouco impacto no seu cotidiano. Ainda assim, está insatisfeito com a condução desse tema pelo presidente. A leitura é que a insistência no assunto está expondo a corte a críticas.

Os escândalos do Master reconfiguraram os grupos que atuam no tribunal. O quarteto de Moraes se contrapõe a outro, formado por Fachin e pelos ministros André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia, relatora do código de conduta. O ministro Kassio Nunes Marques atua como um pêndulo entre os dois núcleos.

O ministro Dias Toffoli não tem participado das interlocuções do grupo liderado por Moraes, embora esteja igualmente implicado nos desdobramentos do Master e também discorde da postura de Fachin à frente do STF. Hoje, Toffoli é considerado um magistrado isolado na engrenagem do tribunal.

Recai sobre Toffoli a desconfiança de que ele ou algum de seus auxiliares tenha vazado a reunião secreta de fevereiro em que ficou decidida a saída do magistrado da relatoria do caso Master e o arquivamento de uma suspeição levantada pela PF (Polícia Federal). Toffoli nega ter sido o responsável pela divulgação das conversas ocorridas naquela ocasião.

Moraes, Dino, Gilmar e Zanin entendem que Fachin, como presidente, deveria fazer uma defesa pública e irrestrita da integridade de seus ministros em meio às críticas que se acumulam na sociedade sobre negócios familiares, viagens de jatinho, contratos de parentes e menções no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.

A percepção do grupo é que Fachin aparenta não acreditar na palavra dos magistrados que negam irregularidades, o que gera uma fissura interna. Também há um incômodo com o fato de o presidente do STF ter defendido o fim do inquérito das fake news justo em um ano eleitoral, em que os ataques tendem a crescer.

Um dos quatro chegou a sugerir que Fachin fizesse pronunciamento em rede nacional de rádio e TV para afastar a percepção da sociedade de que o tribunal estaria sob suspeita. O presidente do Supremo não gostou da ideia. Ele entende que não pode se precipitar, pois não sabe o teor do que está sendo investigado.

Enquanto o inquérito sigiloso avança e Vorcaro negocia um acordo de delação premiada que pode atingir magistrados da corte, Fachin tem reiterado a importância do código de conduta para ministros e feito declarações que mostram um presidente do Supremo intransigente com eventuais desvios éticos.

Fachin disse a jornalistas que "quem age em desacordo com uma regra ética precisa se sentir constrangido a repensar o seu comportamento". Afirmou em evento no STF que juízes devem atuar com "distanciamento das partes e dos interesses em jogo". Também falou em palestra que "não há legitimidade" no Judiciário sem a confiança da população.

O presidente do STF afirma a auxiliares que nunca deixou de fazer a defesa institucional do tribunal e que discordâncias fazem parte da rotina de um colegiado. Fachin também diz manter diálogo periódico com todos os membros da corte para mapear os principais desafios, elaborar a pauta do plenário de forma igualitária entre os relatores e buscar soluções conjuntas para temas espinhosos, como o dos penduricalhos.
Por Luísa Martins/Folhapress

Caminhão transportando gado tomba na BA-120, entre Ibirataia e Algodão

Uma carreta que transportava gado se envolveu em um acidente na tarde deste domingo (12), na BA-120, no trecho entre Ibirataia e o distrito de Algodão. Segundo informações iniciais, o condutor teria tentado evitar uma colisão com uma motocicleta que seguia no sentido oposto da rodovia. Durante a manobra, acabou perdendo o controle da direção, fazendo com que o veículo tombasse às margens da pista, nas proximidades de um lago, em uma área conhecida por uma fazenda pertencente ao espólio de Júlio Sandes. Com o impacto, parte dos animais foi arremessada para fora da carreta, e alguns chegaram a cair dentro da água. Pessoas que estavam nas imediações prestaram auxílio imediato e ajudaram no resgate do gado, minimizando possíveis perdas. Segundo informou o Blog Tesouras Notícias, o motorista não sofreu ferimentos graves e passa bem.

Petróleo fica sob risco com fracasso das negociações entre Estados Unidos e Irã

Negociações fracassam, Trump ameaça Ormuz e fluxo global de petróleo volta a preocupar

O presidente dos EUA, Donald Trump
Os mercados globais devem iniciar a semana sob renovada cautela, após a piora do quadro entre Estados Unidos e Irã, que voltou a lançar dúvidas sobre o cessar-fogo e elevou os riscos no Estreito de Ormuz, ponto sensível para o fluxo global de energia.

O fim de semana foi marcado pelo fracasso das negociações em Islamabad, encerradas sem acordo após cerca de 21 horas. Enquanto o vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou que Teerã foi “inflexível” sobre seu programa nuclear, autoridades iranianas disseram que Washington não conseguiu “conquistar a confiança” da delegação. Na sequência, o presidente Donald Trump anunciou que pretende bloquear o Estreito e ameaçou interceptar embarcações, ao passo que a Guarda Revolucionária (IRGC) alertou para “redemoinhos mortais” na região, caso americanos e israelenses cometam “erros” na via marítima.

Dados de rastreamento divulgados pela Bloomberg mostram que petroleiros desistiram de atravessar Ormuz após o colapso das conversas, evidenciando o risco operacional na rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial. O episódio ocorre em um momento em que a via já operava de forma limitada, com relatos de minas marítimas e presença ampliada de forças navais na região, incluindo embarcações americanas e de aliados.

A retomada de tensões contrasta com o alívio observado nos ativos ao longo da semana passada. Com o anúncio da trégua e a expectativa de avanço diplomático, o petróleo acumulou queda superior a 12% – de 13,4% no WTI e 12,7% no Brent -, enquanto as bolsas em Nova York subiram, com ganhos de até 4,7%, no caso do Nasdaq, em meio também ao suporte de resultados corporativos no setor de tecnologia. Aqui no Brasil, o Ibovespa renovou recordes históricos e o dólar à vista caiu ao menor nível em dois anos, a R$ 5,01.

Parte relevante desse rali esteve ligada à percepção de que o conflito permaneceria contido. Nesse contexto, moedas de países exportadores de commodities também ganharam tração. Para Robin Brooks, do Brookings Institution, o real brasileiro pode se beneficiar desse ambiente e, apesar de estar “muito depreciado”, tem espaço para se valorizar, com o dólar podendo cair abaixo de R$ 4,50 nos próximos meses.

Ainda assim, o pano de fundo permanece instável. Analistas do ING alertam que, mesmo com eventual reabertura de Ormuz, a normalização da oferta de energia pode levar “semanas, ou mais”, diante de danos já causados à produção e ao refino, além de gargalos logísticos. O impacto já se espalha por cadeias globais, com interrupções no transporte marítimo, na energia e em insumos industriais.

No campo macroeconômico, o CEO do JPMorgan, Jamie Dimon, afirmou, em carta a investidores, que a guerra pode reacender a inflação global e manter juros elevados por mais tempo, ao pressionar custos de energia e cadeias de suprimento. O próprio Trump reconheceu a dificuldade de leitura recente dos mercados, ao afirmar que o petróleo “não subiu tanto quanto esperava”, nem as bolsas caíram de forma mais intensa durante o conflito.
Por Pedro Lima/Estadão

Governo do Estado realiza entrega unidade de beneficiamento de frutas e autoriza pavimentação de estrada em Gongogi

Dando sequência a série de agendas no interior do estado, o governador Jerônimo Rodrigues chegou até o município de Gongogi, na manhã deste domingo (12). Na cidade, que celebrou 64 anos de emancipação, o chefe do Executivo baiano inaugurou a requalificação da unidade de beneficiamento de frutas e realizou entregas de ambulância e carro administrativo. Na ocasião, o governador ainda assinou ordem de serviço de pavimentação de um trecho da BA-120.

Durante o ato, Jerônimo destacou a importância dos investimentos para a população. “A proximidade com o povo permite que a população expresse suas necessidades e cobranças. A celebração dos 64 anos é uma oportunidade para refletir sobre essa evolução e reafirmar meu compromisso com o progresso e o bem-estar de todos”, afirmou o governador.

Um dos principais momentos da agenda foi inauguração da requalificação da unidade de beneficiamento de frutas do Assentamento Santa Irene. A iniciativa fortalece a produção local e amplia as condições de trabalho das famílias da comunidade, contribuindo para o desenvolvimento da agricultura familiar, como explica a secretária de Desenvolvimento Rural, Elisabete Costa. "São 32 famílias que são beneficiadas com essa unidade de beneficiamento de frutas. Hoje elas já produzem frutas e entregam principalmente para os programas PAA e PNAE. Essa ação, além de gerar renda e trabalho para essas famílias, com certeza vai também beneficiar a comunidade”, afirmou.

Na área de infraestrutura, foi assinada a ordem de serviço para pavimentação em Tratamento Superficial Duplo (TSD) na rodovia BA-120, no trecho de acesso ao assentamento. A obra deve melhorar a mobilidade dos moradores e facilitar o deslocamento na região.

O prefeito da cidade, Adriano Mendonça, destacou também a importância dessas entregas para o município na data especial. "Hoje é um dia de celebração para o nosso município, com a entrega de importantes conquistas que fortalecem o atendimento à nossa gente", explicou o gestor.

O impacto positivo sai da teoria e se torna realidade quando modifica e melhora a vida da população, como exemplificou a moradora do município, Laiz Queiroz, que costuma utilizar bastante a via que será pavimentada. "Vai ter um grande benefício porque a comunidade necessita dessas entregas. Vai melhorar a vida dos alunos, a questão da produção e também tem a questão da ambulância. É um conjunto muito importante e tudo vai melhorar”, relatou a moradora.

Mais investimentos

Além das entregas, o governador ainda assinou a autorização para a entrega de um ônibus escolar e instrumentos musicais para a fanfarra do município e a reforma e ampliação do Estádio Municipal Osmar Fernando de Oliveira, o "Osmardão".

Repórter: Leo Moreira/GOVBA


Netanyahu diz ter evitado que Israel fosse invadido ao invadir o Líbano

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu
O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, cruzou a fronteira neste domingo (12) e visitou tropas israelenses que ocupam militarmente o Líbano desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã. Tel Aviv diz ter invadido o país vizinho para combater o Hezbollah, milícia libanesa aliada de Teerã, e o premiê afirmou que essa invasão evitou uma incursão do grupo armado.

"Nós evitamos uma invasão vinda do Líbano graças a essa zona de segurança", disse Netanyahu aos soldados. "Ainda há mais a ser feito, e estamos fazendo. Estamos repelindo o perigo das munições antitanque e estamos lidando com foguetes", afirmou o primeiro-ministro, que esteve no território libanês acompanhado do ministro da Defesa, Israel Katz, e de altos comandantes militares.

Desde que o Hezbollah reagiu ao início da guerra e lançou foguetes contra Israel, bombardeios israelenses já mataram mais de 2.000 pessoas no Líbano e feriram outras 6.000, de acordo com o Ministério da Saúde. Mais de 1 milhão de libaneses precisaram deixar suas casas. O governo em Beirute busca negociações diretas com Tel Aviv para interromper os ataques e discutir a retirada de soldados do sul do país.

Netanyahu, entretanto, já disse que não conversará com o Hezbollah, jogando incerteza na eficácia de discussões paralelas com Beirute. Especialistas afirmam que a estratégia israelense parece ser pressionar o governo libanês para que este declare guerra à milícia xiita —decisão que poderia causar uma nova guerra civil.

Também neste domingo, as tropas das Nações Unidas no Líbano disseram que um tanque israelense investiu contra veículos da força de paz no país. "Em duas ocasiões, soldados das Forças de Defesa de Israel atropelaram veículos da Unifil [Força Interina das Nações Unidas no Líbano] com um tanque Merkava, causando dano significativo", disse a ONU em nota.

A Unifil afirma ainda ter sido alvo de "tiros de alerta" na região —um desses tiros teria acertado um local a um metro de distância de um membro da Força da ONU— e que as tropas israelenses atuam para "restringir a liberdade de movimento" dos capacetes azuis. Três soldados da Unifil, de cidadania indonésia, já morreram desde o início da guerra, e uma investigação aponta que eles foram mortos por tiros israelenses e bombas do Hezbollah.

O papa Leão 14 voltou a pedir um cessar-fogo na região. O pontífice, que se prepara para uma viagem à África, disse neste domingo que se sente "mais próximo do que nunca do querido povo libanês nestes dias de dor, medo e esperança invencível em Deus".

"O princípio da humanidade, incrustado na consciência de cada pessoa e reconhecido no direito internacional, levanta a obrigação moral de proteger a população civil dos efeitos atrozes da guerra", afirmou o papa, sem citar Israel. "Insto as partes do conflito a cessar fogo e buscar urgentemente uma resolução pacífica". Por Folhapress

Jitaúna: Suspeito de tráfico morre após confronto com a PM e menor é apreendido

Uma ação policial registrada na madrugada deste domingo (12) terminou com um suspeito morto e um adolescente apreendido no município de Jitaúna. De acordo com informações da polícia, por volta das 4h, equipes do 19º Batalhão da Polícia Militar receberam denúncias de que indivíduos estariam circulando armados no bairro Adelino Henrique. Diante da situação, foi solicitado o apoio da RONDESP MRC.

Conforme as informações divulgadas, ao chegarem ao local indicado, os policiais teriam sido recebidos a tiros. Após o confronto, um dos suspeitos, identificado pelo apelido de Gabriel “GB”, foi encontrado ferido ao solo, portando uma pistola calibre .380. O homem foi socorrido e encaminhado ao Hospital Nossa Senhora de Fátima, mas não resistiu aos ferimentos e morreu após dar entrada na unidade de saúde. Durante a ação, um adolescente, que possuía mandado de busca e apreensão em aberto, foi detido e conduzido à 9ª COORPIN, em Jequié, onde foram adotadas as medidas cabíveis.

Com os suspeitos, os policiais apreenderam uma pistola calibre .380 com cinco cartuchos intactos, além de entorpecentes e dinheiro em espécie. Entre o material estavam 83 buchas de substância análoga à maconha, 23 trouxas semelhantes à cocaína, 25 porções aparentando ser crack e R$ 272 em dinheiro. Todo o material apreendido foi apresentado na delegacia responsável pelo caso, que seguirá com as investigações.
Inf: Giro Ipiaú

Delegado revisa inquérito e conclui pela segunda vez que não houve interferência de Bolsonaro na PF

Reabertura do caso havia sido determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, que agora encaminhou o processo à PGR

O ex-presidente Jair Bolsonaro
A atual gestão da Polícia Federal revisou a conclusão do inquérito que tinha apurado interferências indevidas do então presidente da República Jair Bolsonaro na corporação e concluiu, pela segunda vez, que não há provas do cometimento de crimes no caso.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes havia determinado a reabertura do caso, que tinha sido instaurado após o pedido de demissão de Sergio Moro do Ministério da Justiça, quando ele disse ter sofrido pressão do presidente para trocar cargos de comando da corporação. Um dos motivos seria um receio de Bolsonaro com o avanço do inquérito das fake news contra seus aliados. A PF sob Bolsonaro concluiu que não houve interferência indevida e o então procurador-geral da República Augusto Aras havia pedido o arquivamento da investigação.

Agora, sob o governo Lula, a PF fez uma revisão das provas colhidas e reiterou a conclusão de que não há provas para justificar uma imputação penal no inquérito.

“Merece ser mencionado que o IPL 2021.0031208 –CCINT/CGCINT/DIP/PF apurou objeto específico, que, sob a ótica das diligências tomadas em contemporaneidade com os fatos, não revelou informações capazes de justificar imputações penais", escreveu o delegado Carlos Henrique Pinheiro de Melo, vinculado à Diretoria de Inteligência Policial (DIP).

O delegado cita, por exemplo, que a PF solicitou compartilhamento de provas do inquérito das fake news com o ministro Alexandre de Moraes que indicassem a ocorrência de interferências indevidas, mas que o ministro havia respondido que não havia provas disso naquele inquérito.

A conclusão diz ainda que eventuais atos de interferência detectados nos inquéritos de relatoria do ministro Alexandre de Moraes podem ser apurados diretamente nesses procedimentos de investigação.

Após receber esse relatório complementar, Moraes enviou o processo para análise do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Ele pode indicar novas diligências a ser tomadas ou requisitar o arquivamento definitivo do caso.
Por Aguirre Talento/Estadão

Documentos da Receita Federal mostram pagamentos do Banco Master a empresa de filho de Otto Alencar

Um levantamento obtido pelo O Globo junto à Receita Federal aprofunda as conexões entre o Banco Master, instituição financeira de Daniel Vorcaro, e figuras influentes da política baiana. Entre os nomes que surgem nos registros de pagamento está o de Otto Alencar Filho, filho do senador Otto Alencar (PSD-BA), um dos principais aliados do PT no estado.

Segundo os documentos, a empresa Mollitiam Financeira, da qual Otto Filho é sócio por meio da M&A Participação, recebeu R$ 12 milhões do Banco Master entre 2022 e 2025.

Ex-deputado federal e atualmente conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA), Otto Alencar Filho afirmou, em nota, que a M&A Participação detém ações em diversas empresas de diferentes setores e que todos os serviços foram devidamente faturados, contabilizados e tiveram os impostos pagos, respeitando a legislação e as boas práticas de mercado. Ele ressaltou ainda que sua empresa não exerce função de administradora de nenhuma das companhias nas quais possui participação acionária.

Os documentos da Receita Federal também revelam pagamentos a outros políticos e assessores ligados a diferentes espectros partidários na Bahia, evidenciando uma capilaridade do banco que atravessa governo, Centrão e oposição. Entre os beneficiários está o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), pré-candidato ao governo do estado, cuja empresa de consultoria recebeu R$ 5,4 milhões entre 2023 e 2025.

Em nota, ACM Neto disse não poder validar os valores por não ter tido acesso direto aos dados, mas afirmou que a relação com o Master foi firmada em momento em que nenhum dos sócios de sua empresa ocupava cargo público. Ele disse que prestava análise da agenda político-econômica nacional e se colocou à disposição do Supremo Tribunal Federal e da Procuradoria-Geral da República para esclarecimentos, ao mesmo tempo em que pediu apuração sobre o vazamento de dados fiscais sigilosos.

Outro vínculo expressivo identificado na documentação envolve a BN Financeira, empresa cuja sócia Bonnie Toaldo Bonilha é casada com um enteado do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. A empresa recebeu R$ 14 milhões do Banco Master entre 2022 e 2025, sendo R$ 7 milhões apenas no último ano. O contrato foi firmado em 2021.

Procurada, a BN Financeira negou qualquer ligação com o senador, afirmou que foi fundada em 2021 e que prestou serviços de prospecção e indicação de operações e convênios de crédito público e privado ao Master entre 2022 e 2025. A empresa destacou que todos os recursos foram recebidos de forma oficial, contabilizados, com emissão de notas fiscais e declaração à Receita Federal, e que não há qualquer investigação ou apuração policial sobre o tema.

Os registros incluem ainda pagamentos à Meta Consultoria, empresa do ex-ministro da Cidadania Ronaldo Bento, que atuou no governo Jair Bolsonaro como principal auxiliar do então ministro João Roma — este último pré-candidato ao Senado. Segundo os documentos, a empresa recebeu R$ 6,2 milhões do Banco Master somente em 2025. Bento chegou a ter convocação aprovada pela CPI do Crime Organizado por sua atuação como diretor no Banco Pleno, instituição ligada a Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro no Master.

A origem da relação do Banco Master com a Bahia remonta à entrada de Augusto Ferreira Lima no quadro societário da instituição. Empresário preso durante a Operação Compliance Zero, em novembro do ano passado, Lima viu seus negócios dispararem após a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), durante o governo de Rui Costa, atual ministro da Casa Civil de Lula.

Na ocasião, Lima adquiriu o Credcesta, um cartão de benefícios inicialmente voltado para servidores públicos da Bahia, cuja operação se expandiu nacionalmente em parceria com o Banco Master. Lima também circula com desenvoltura em Brasília: em janeiro do ano passado, casou-se com Flávia Peres, ex-ministra do governo Bolsonaro, ex-deputada federal e ex-esposa do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda.

Diante da exposição, interlocutores políticos de ambos os campos na Bahia avaliaram que explorar o caso Master na campanha eleitoral poderia render desgastes tanto a ACM Neto quanto ao grupo do governador Jerônimo Rodrigues (PT), apoiado por Jaques Wagner. A avaliação levou os dois grupos adversários a costurar um acordo nos bastidores para que o assunto não seja utilizado como arma política nas eleições.

Procurado para comentar o negócio envolvendo a Ebal, o ministro Rui Costa defendeu, em fevereiro, a decisão tomada à época em que era governador, argumentando que a operação de cartão de crédito consignado foi o que viabilizou o negócio
Informações: Bahia noticias

Trabalhador poderá sacar até 20% do FGTS para pagar dívidas, afirma ministro da Fazenda

Dario Durigan diz que pacote inclui ainda linhas para caminhões, motoristas de aplicativo e taxistas.
O ministro Dario Durigan (Fazenda)
No comando do Ministério da Fazenda há menos de um mês, Dario Durigan disse em entrevista ao jornal Folha de São Paulo que trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105) poderão sacar até 20% de seu saldo no FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) para quitar dívidas.

A medida deve liberar mais R$ 7 bilhões e será um dos elementos de um programa de renegociação que prevê também um desconto mínimo concedido pelos bancos e uma garantia do governo para refinanciar o saldo restante, com taxa de juros pactuada ou limitada.

O pacote, uma demanda do presidente Lula (PT), deve contar também com linhas para caminhoneiros, motoristas de aplicativos e taxistas, e apoio a setores como construção civil e fertilizantes. Ele nega que as medidas sejam eleitoreiras. "A gente está lidando com os problemas concretos."

Durigan afirma que o atual governo deixa uma situação equilibrada na economia e nas finanças públicas, quadro distinto do "descalabro" ocorrido em 2022, quando Jair Bolsonaro (PL) tentou a reeleição. "Não estamos deixando nenhuma bomba amarrada".

A pauta do governo no momento são as medidas para reduzir o endividamento. O cenário é preocupante?

Depois do primeiro Desenrola, teve o começo de corte da Selic, em agosto de 2023, e uma queda do endividamento. No fim de 2024 e durante 2025, a relação é diretamente proporcional entre o aumento da taxa de juros e o endividamento das famílias, dos informais, das pequenas empresas e das grandes.

O importante para as pessoas é que elas tomem crédito sustentável. A expectativa é que a gente dê um estímulo agora nessa virada de chave e deixe medidas estruturantes. Vai ter uma limitação na possibilidade de essa pessoa continuar jogando nas bets, uma espécie de quarentena para quem aderir.

Por quanto tempo?

O presidente vai arbitrar. A gente tem trabalhado com um prazo de seis meses.

Quais serão as ferramentas de estímulo?

Não há gasto público direto. A ideia é que as próprias instituições financeiras façam uma redução da dívida e haja um refinanciamento com uma taxa de juros menor. E aí entra o governo garantindo a inadimplência eventual nessa segunda operação.

O governo não vai pagar a dívida das pessoas, mas vai garantir [o crédito] de modo que os bancos façam uma taxa de juros menor. E a gente vai usar o FGO [Fundo de Garantia de Operações] para isso.

As pessoas também vão poder fazer um saque extraordinário no FGTS para pagar dívidas mais caras. Como vai funcionar?

Tem duas discussões. O ministro [do Trabalho, Luiz] Marinho identificou uma interpretação inconsistente da Caixa em relação à devolução que já foi feita para as pessoas demitidas e que fizeram a opção do saque-aniversário com consignado. Para corrigir essa interpretação, seria uma devolução de R$ 7 bilhões.

A segunda medida envolve um saque limitado do FGTS. O que estamos discutindo? Quanto a gente pode limitar esse saque sem comprometer a sustentabilidade do fundo.

Esse 'quanto' está em que faixa?

A gente tem trabalhado com um limite de 20% de saque da conta individual. É o número que está sendo discutido e que tem um impacto contido no fundo.

Todos os trabalhadores terão acesso?

Os trabalhadores que ganhem até cinco salários mínimos e que fizerem jus às demais regras. Quem ganha até cinco salários mínimos representa 92% dos brasileiros. Acima disso, tem muito menos gente e dívidas maiores. Não deveríamos mobilizar fundos ou opções de saque para esses casos, o que não impede as instituições de oferecerem refinanciamento.

O desconto vai ser de quanto?

Espero que de até 90%. Um exemplo: tem uma dívida de R$ 10 mil a juros de 8% ao mês. É impagável. Dá-se um desconto de 90%, fica com uma dívida de R$ 1.000. E, com a garantia da FGO, essa dívida pode ser rolada a 2% ou 2,5% ao mês. Muito menor e pagável.

Vamos ter que exigir um desconto mínimo. Estamos calibrando, mas espero que chegue a 90%.

Vai ter limite de juros?

Como vai ter garantia pública, acho importante ter um juro pactuado ou limitado.

Seriam esses 2,5%?

É um exemplo do que a gente tem perseguido, mas em diálogo com o sistema financeiro.

Quantas pessoas serão atendidas?

Temos uma expectativa de atender a mais de 30 milhões de pessoas.

Quanto vai tirar do fundo? Setores de habitação e de infraestrutura veem os saques com preocupação.

A gente não vai comprometer a sustentabilidade nem as políticas financiadas pelo fundo. Vamos fazer de maneira bem limitada e opcional.

Falam em saque entre R$ 7 bilhões e R$ 10 bilhões.

Nossa estimativa é por aí. Mais para R$ 7 [bilhões].

Após o Desenrola, houve aumento de 9 milhões de pessoas inadimplentes. O programa fracassou?

Não, ao contrário. O Desenrola cumpriu seu papel. Havia uma expectativa no começo de 2024 de que houvesse cortes na taxa de juros, a gente não viu isso. O que a gente viu foi um novo endividamento a partir de 2025.

Como de novo estamos na expectativa de um corte da taxa de juros, é preciso que as famílias também possam viver com uma taxa de juros mais razoável nas dívidas pessoais.

E para as empresas?

O programa tem três grandes frentes. Estamos falando das famílias. Os trabalhadores informais devem ter uma linha garantida também, porque tomam dívida mais cara. E as empresas vão poder tomar créditos, mas é uma coisa menor, focalizada para pequenas e MEIs [microempreendedores individuais].

Como será a linha para informais?

Vamos refinanciar dívidas dos informais, que não têm garantia de salário, muitas vezes não têm patrimônio, um faturamento sólido e recorrente. O FGO também vai entrar para diminuir a taxa de juros.

O FGI [Fundo Garantidor para Investimentos] pode ter aumento para as linhas do Peac [programa de crédito para micro, pequenas e médias empresas]?

Estamos discutindo outras medidas na economia, que não são de estímulo ao consumo. Visam a endereçar questões pontuais de alguns setores. Depende de um aporte do governo para capitalizar o FGI.

As linhas que já são previstas dentro do Fundo Clima, do Fundo Social, podem também ser mobilizadas. Pode ter uma linha de estímulo à construção civil. Podemos ter uma linha como foi a de financiamento de caminhões no fim do ano, estendida para motoristas de aplicativos e taxistas.

Qual é a bússola nessas discussões? É o temor de desaceleração da economia, ou um cenário eleitoral mais desafiador para o presidente Lula?

É uma avaliação econômica do que pode estar disfuncional no país. O endividamento das famílias é preocupante, e estamos endereçando isso. No caso dos setores específicos, existem alguns que sofrem mais com os juros ou com a questão geopolítica. O tema dos fertilizantes, por exemplo, pode ser objeto de uma dessas linhas.

Há receio no mercado de que seja o início de um saco de bondades do presidente em ano eleitoral.

Não se trata de uma questão eleitoral. A gente está lidando com problemas concretos. Não vamos deixar de atender à questão da guerra nos combustíveis e o endividamento das pessoas, questões fundamentais para a economia do país.

Nos combustíveis, preveem alguma nova medida?

Não. Vamos aguardar até o fim de maio para uma reavaliação.

O imposto de exportação foi suspenso. Era a fonte de compensação de todas as medidas. Como vão fazer?

O juiz que deferiu a liminar cita supostos dispositivos da medida provisória que não existem. É uma medida absurda. A gente recorreu ao Tribunal de Justiça do Rio, que negou o efeito que a União pediu, mas sem entrar na discussão. É inadmissível.

Vão ao Supremo Tribunal Federal?

Até onde for preciso. Se isso não for corrigido, tem que buscar outras receitas.

O Congresso avançou na discussão de projetos considerados pautas-bomba. A questão dos agentes comunitários, o novo mínimo da assistência social. Vê ímpeto eleitoral?

Tenho dito a todos os líderes, ao presidente Hugo [Motta, da Câmara], ao presidente Davi [Alcolumbre, do Senado], que estamos enfrentando uma situação de guerra. Estamos fazendo um esforço fiscal para proteger o país. Esse esforço não pode ser desvirtuado ou desviado em outras questões que não nos interessam agora.

Tenho pedido a sensibilidade do Congresso. Reforço aqui o pedido para que a gente não avance nessas pautas problemáticas.

A guerra é um fator de incerteza, e o Banco Central diminuiu o ritmo de corte dos juros. Como vê a decisão?

A parte da Fazenda, a gente vem fazendo. Adotar medidas que garantam a neutralidade fiscal e que minimizem o aumento de preço no país ajuda a tomada de direção do BC.

O BC fala em cautela.

Eu falo também. Não vamos deixar pauta-bomba do Executivo para as próximas gestões, como aconteceu em 2022. Não vamos repetir esse cenário para 2027.

Não estamos empurrando para frente o tema dos precatórios, um [aumento no] Fundeb [fundo da educação básica]. Eu não estou tirando IPI ou IOF do próximo governo. Nós recompusemos a estrutura fiscal do país. Tudo isso colabora com a política monetária.

Mas como avalia a política do presidente do BC, Gabriel Galípolo?

Eu não vou comentar o papel do BC porque tem a sua competência. O que estou dizendo é, do lado da Fazenda, com todas as dificuldades políticas, são várias decisões que a gente está colocando na mesa. Reforma tributária, rever o Perse [programa de benefícios para o setor de eventos], corte linear de 10% nos benefícios tributários. Isso tudo fortalece o fiscal.

O fiscal não seria um motivo para o BC colocar o pé no freio?

O fiscal não é motivo.

Há duas indicações abertas na diretoria do BC. Já levou algum nome para o presidente?

Não tive a oportunidade de tratar com o presidente Lula sobre isso.

O governo pode fazer algum ajuste para o BRB não quebrar?

A orientação é que não deve haver ajuda federal. Os bancos federais, atuando como bancos, podem avaliar o interesse em comprar carteira, operação, imóvel. Os bancos privados estão avaliando. O que a gente não pode perder de vista é que a responsabilidade é do governo do Distrito Federal, acionista do BRB.

O governo encaminhará o PLDO [Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias] de 2027, primeiro ano do próximo presidente. Qual será a sinalização?

De estabilidade. Isso vale para além da questão orçamentária e econômica, vale para a questão política. O ano de 2022 é um exemplo negativo para o país.

Digo para quem me procura do mercado: é estranho o mercado apoiar tanto as forças políticas que estavam governando em 2022, porque foi um ano de descalabro nas contas públicas. Estou falando seja do ponto de vista econômico, seja da mensagem de falta de respeito institucional, de se namorar com o golpe de Estado.

O ano de 2026 vai ser diferente. Vamos deixar as contas públicas em ordem, para que em 2027 não haja sustos como a gente tomou em 2023.

Vai ter um escrutínio de comparação. A oposição está catalogando números, o próprio ex-ministro Paulo Guedes vai lançar um livro.

É bem-vinda a comparação. Não estamos deixando nenhuma bomba amarrada dentro do governo para o próximo. Vamos respeitar as instituições. É um trabalho muito diferente. Não teve populismo em conta pública. A gente tem um limite de gasto que controlou as despesas e tivemos uma recomposição da receita.

Há ceticismo em relação ao arcabouço, e a Fazenda já reconheceu que precisará reforçá-lo.

Se o próximo governo fizer um ajuste de 2% do PIB, como a gente fez, vai chegar no fim do próximo ciclo com uma situação muito melhor.

É preciso limitar as despesas obrigatórias. Isso vai precisar avançar, sem ficar empurrando o problema para frente, com discurso que divide o país, mas trazendo todo mundo para a mesa, chegando a acordos.

É limitar o BPC [Benefício de Prestação Continuada], ou mexer nos pisos de saúde e educação?

Vários debates têm que ser enfrentados, como a gente fez no fim de 2024. As alterações feitas pelo governo Bolsonaro em 2021 [flexibilização das regras] tiraram o BPC de uma boa política eficiente. É preciso rever isso. Estamos agora discutindo o seguro-defeso [benefício para pescadores artesanais] no Congresso.

Na hipótese de reeleição do presidente Lula, há chance de discutir a unificação dos programas sociais?

Existe essa possibilidade, sim, de racionalizar, trazer eficiência, diminuir a burocracia. Quando a gente discute biometria, acompanhamento dos cadastros, mais filtros, isso só não basta. Mas isso precisa ser feito. Não dá para acontecer como no governo passado, de repente desliga a máquina pública, desliga os controles e olha só para a questão eleitoral. Isso não será feito.
Por Adriana Fernandes/Idiana Tomazelli/Folhapress

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