Datafolha: Castro tem maior aprovação após operação mais letal da história do país

A gestão Cláudio Castro (PL) chegou ao seu maior índice de aprovação desde 2022, com 40% dos moradores do Rio de Janeiro e da região metropolitana da capital achando o trabalho ótimo ou bom, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (1º).

A proporção de quem desaprova o governo também chegou ao patamar mais alto, com 34% na soma de ruim e péssimo.

Já 23% consideraram o governo regular, índice mais baixo no período do levantamento.

A atuação da gestão Castro na segurança pública após a Contenção, operação policial mais letal da história do país, com 121 mortos, é aprovada por 37%, que a consideram ótima ou boa. O trabalho é regular para 25% e péssimo para 37%.

A pesquisa ouviu 626 pessoas com 16 anos ou mais de idade por telefone na cidade do Rio de Janeiro e na região metropolitana da capital, nos dias 30 e 31 de outubro. A margem de erro da pesquisa para o total da amostra é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos.

Na capital, a aprovação do governador cai a 30%, considerando margem de erro de cinco pontos percentuais para mais ou para menos, e sobe a 51% entre os moradores de outras cidades da região metropolitana, com margem de erro de seis pontos percentuais. A reprovação, com ruim ou péssimo, fica em 39%, e no Grande Rio, em 28%.

A aprovação da gestão Castro é maior entre a população masculina (49%) do que a feminina (32%), considerando margem de erro de seis pontos percentuais para mais ou para menos. Entre os que votaram em Jair Bolsonaro (PL) na última eleição, a aprovação sobe para 67%, com margem de erro de seis pontos percentuais para mais ou para menos. O ex-presidente é aliado do governador.

Já entre eleitores de Lula (PT), cai para 17%, com margem de erro de sete pontos percentuais. O governo é considerado ruim ou péssimo para 61% dos eleitores do petista, e para 12% dos que votaram em Bolsonaro.

O governador tem se empenhado nos últimos dias para aproveitar o saldo político da operação. Logo após a ação, queixou-se de falta de apoio do governo federal, iniciando uma troca de acusações.

Na última quinta (30), recebeu apoio de governadores aliados, como Tarcísio de Freitas (Republicanos), que elogiou a ação com mais de uma centena de mortes, e se reuniu com alguns deles no Rio, incluindo os presidenciáveis Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) e Romeu Zema (Novo-MG). Na ocasião, foi lançado o Consórcio da Paz.

A operação foi considerada muito bem executada para 48% da população, e teve execução regular, com falhas, para 21%. A ação foi considerada mal executada para 24%. Já 57% concordam com Castro sobre a operação ter sido um sucesso, e outros 39% discordam totalmente.

Embora nenhum dos mortos segundo lista divulgada na tarde de sexta-feira (31) estivesse entre os denunciados pelo Ministério Público na operação, o governo divulgou que 78 dos 99 identificados tinham antecedentes. Para 50% da população do Rio e região metropolitana, a maioria dos mortos eram criminosos, e para 31%, todos eram. Metade também concorda com a frase "bandido bom é bandido morto".

Mas 77% acham que investigar crimes e prender criminosos é mais importante do que matar, segundo o levantamento. E 88% da população concordam que todos os policiais em serviço devem usar câmeras corporais.

Por Lucas Lacerda/Folhapress

Itagibá celebra o sucesso do primeiro dia do Dia do Evangélico 2025 com momentos de fé e adoração

A primeira noite do Dia do Evangélico 2025, realizada nesta sexta-feira (31), foi marcada por momentos intensos de fé, louvor e adoração na praça principal de Itagibá.

A programação contou com apresentações de diferentes ministérios e artistas locais, como Lainá, vencedora do Show de Calouros, a Banda Adoração Yeshua, Marcos Alcântara e o grupo Som e Adoração, que conduziram o público em verdadeiros momentos de comunhão e exaltação a Deus.

A pastora Naiana Carvalho também participou da noite de celebração, trazendo uma mensagem de fé e reflexão que tocou profundamente o coração dos presentes.

Entre os destaques, o cantor Felipe Brito, de Acaraci, emocionou o público com um repertório repleto de canções de adoração, levando a plateia a cantar e se conectar espiritualmente em um ambiente de profunda entrega.

Encerrando a noite, o cantor oficial do evento, Lukas Agostinho, apresentou um show vibrante, repleto de energia, louvor e adoração. Sua performance envolvente cativou o público do início ao fim, transformando a praça em um grande altar de adoração e celebração.
O prefeito Marquinhos destacou a importância do evento para o município e para a comunidade evangélica local.

“O Dia do Evangélico é um momento de fé e gratidão. É bonito ver a cidade reunida, louvando a Deus e compartilhando esse sentimento de esperança e união. Nosso compromisso é continuar apoiando eventos que fortalecem a fé e trazem alegria ao nosso povo”, afirmou o prefeito.

A programação continua neste sábado, 1º de novembro, com novas apresentações que prometem mais uma noite inesquecível de fé e louvor em Itagibá.

PMBA apreende armas de fogo e prende suspeitos envolvidos na morte de um adolescente na cidade de Ibirataia

Durante a Operação Sentinela do Sol neste sábado (01.11), guarnições da CIPE Central, CIPE Sudoeste e da 55ª CIPM localizaram suspeitos nos bairros José Firmino da Silva e João Paulo, em Ibirataia, que segundo Informações indicam que os suspeitos estavam envolvidos na morte de um adolescente, no dia 25 de outubro.

Durante a operação, a intervenção policial, dois indivíduos identificados pelos apelidos de “Bafo” e “Da Síria” entraram em confronto com as guarnições. Ambos foram atingidos, socorridos e encaminhados ao hospital local, mas não resistiram aos ferimentos. 

As armas, munições de calibre restrito e drogas ilícitas utilizadas pelos suspeitos foram recolhidas e apresentadas à Delegacia Territorial de Jequié

PMBA, uma Força a serviço do cidadão.

Exército dá férias a Cid para evitar volta ao quartel na próxima semana

 Tenente-coronel tem retorno ao trabalho marcado para terça (5) Mauro Cid não tira férias desde 2020 e ficará de folga por 60 dias

Brasília: O tenente-coronel Mauro Cid volta ao serviço no Exército na próxima terça-feira (5), primeiro dia após o início definitivo do cumprimento de sua pena de dois anos de reclusão por participação na trama golpista.

Para evitar constrangimentos, o Exército decidiu que Cid precisará tirar 60 dias de férias —período correspondente às folgas não tiradas durante sua atuação como ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Mauro Cid não deve voltar ao QG do Exército este ano. A expectativa na Força é que o comandante do Exército, general Tomás Paiva, conceda até o início de janeiro o direito de o tenente-coronel ir para a reserva.

O tenente-coronel não tira férias desde 2020. Ele recebeu uma autorização excepcional do Comando do Exército na época, para permanecer no serviço como chefe da Ajudância de Ordens da Presidência.

Os regimentos internos da Força estabelecem que o militar que não tirou férias, por motivos excepcionais, deve se retirar do serviço na primeira oportunidade que tiver. Para a cúpula do Exército, essa é a situação de Mauro Cid.

O assunto foi tratado com o próprio tenente-coronel nos últimos dias, segundo duas pessoas com conhecimento das tratativas. Mesmo com cinco férias a tirar, a decisão provisória é de apenas 60 dias de folga. Cid não se opôs à determinação.

A avaliação de oficiais do Exército ouvidos nos últimos meses pela Folha é que não há clima para o retorno de Cid aos trabalhos nos quartéis. Esse é um dos motivos pelos quais o pedido de aposentadoria antecipada do militar é visto com bons olhos no quartel-general de Brasília.

O Exército recebeu em agosto um pedido de Mauro Cid para ir à reserva antes de completar o tempo mínimo de serviço. A Força criou uma comissão para analisar a documentação do militar antes de tomar uma decisão —esperada para o fim de dezembro ou início de janeiro.

O pedido é conhecido como cota compulsória —mecanismo pelo qual um militar pode passar à reserva do Exército e receber como aposentadoria um valor proporcional ao tempo de serviço.

Mauro Cid tem 29 anos e 6 meses de serviços prestados pelo Exército. Ele teria o direito de deixar o serviço ativo, com todos os benefícios, somente após 31 anos de trabalho. Na prática, no entanto, uma redução salarial na reserva seria pequena.

O pedido de cota compulsória não é automático. Uma comissão do Exército vai analisar toda a documentação entregue por Cid —que inclui seu histórico militar e os motivos do pedido— e vai sugerir ao Comando do Exército uma decisão para o caso.

O Exército sugeriu a Mauro Cid que fosse para a reserva ainda em 2023, por meio da cota compulsória, segundo três generais ouvidos pela reportagem. O argumento era de que o militar pudesse focar seus esforços em sua defesa diante do avanço das investigações sobre a trama golpista.

O tenente-coronel negou a sugestão na época. Ele acreditava que era possível reverter o cenário, ainda confiante de que nem sequer seria denunciado pela tentativa de golpe de Estado. A avaliação de aliados de Cid é que a situação acabou se tornando insustentável, e o melhor caminho era deixar o Exército.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou na quinta (3) o início do cumprimento da pena de Cid pela participação na trama golpista. Ele foi condenado a dois anos de reclusão, em regime aberto.

O militar passará na segunda (3) por uma audiência no Supremo para dar início efetivo à pena. Ele ainda poderá retirar a tornozeleira eletrônica, que utiliza desde setembro de 2023.

Moraes também determinou que se prepare um atestado de pena a cumprir por Cid e que seja calculado o "período em que o réu permaneceu preso provisoriamente para fins de detração penal".

A decisão de Moraes não cita o retorno ao trabalho do tenente-coronel.

Como a Folha mostrou, Cid tem feito planos para seu futuro. Ele espera conseguir até o início de 2026 a autorização do Exército para ir à reserva remunerada, mantendo seus benefícios como militar. Ele avalia se mudar para os Estados Unidos, onde mora um de seus irmãos.

Ele também avalia se capacitar para dar aulas e prestar consultorias sobre as Forças Armadas. Segundo um de seus interlocutores, o militar diz não ter nenhuma experiência no mundo civil e segue com o futuro incerto após o fim de seu processo no Supremo.
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Argentina prende três brasileiros suspeitos de integrar o Comando Vermelho

Os agentes argentinos acreditam que os três tenham fugido do cerco ao Comando Vermelho realizado pela polícia do Rio de Janeiro nos últimos dias. O Exército argentino se prepara para militarizar a região.

Três homens do estado do Rio de Janeiro foram detidos por policiais argentinos quando atravessavam a fronteira do Brasil com a Argentina por uma passagem clandestina, segundo informações da polícia de fronteira da Argentina na madrugada deste sábado (1°). Dois deles têm antecedentes por tráfico de drogas.

Os cidadãos brasileiros foram presos na província argentina de Misiones nesta sexta-feira (31), acusados de entrar ilegalmente no país por uma passagem clandestina próxima à cidade de Alba Posse, fronteira com o município de Porto Mauá, no Rio Grande do Sul.

Segundo os agentes argentinos, os três são suspeitos de fugir do cerco ao Comando Vermelho, no Rio de Janeiro. Uma megaoperação das polícias Civil e Militar do Rio na última semana nos complexos da Penha e Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, a Operação Contenção, terminou com 121 mortos e 113 presos.

"Até que informações oficiais sejam recebidas do Brasil, os três homens permanecerão sob custódia à disposição das autoridades judiciais", afirmou, em nota, a polícia de Misiones.


Os suspeitos foram identificados como Ednei Carlos dos Santos, 25 anos, Luís Eduardo Teixeira de Souza, 23, e Jackson Santos de Jesus, 35, todos naturais de Rio das Ostras, norte do Rio de Janeiro. Segundo o boletim de ocorrência, dois deles já possuíam antecedentes criminais por tráfico de drogas, enquanto o terceiro já havia sido processado por agressões.
A operação foi realizada pela Brigada de Inteligência Criminal de Fronteira, subordinada à sede provincial. Os agentes interceptaram os três homens quando tentavam atravessar uma área de mata próxima ao rio Uruguai.

Os policiais de fronteira, que estavam à paisana, notaram a presença incomum dos três homens, já que a localidade argentina de Alba Posse tem apenas 6.800 habitantes, enquanto do lado brasileiro, Porto Mauá contabiliza 2.300 habitantes. Logo, o grupo chamou a atenção dos policiais que resolveram abordá-los do lado argentino.
Nenhum deles foi capaz de justificar a entrada no país nem explicar o motivo de estarem na Argentina. Levados à delegacia, sob forte esquema de segurança, admitiram ter entrado na Argentina de forma ilegal usando uma canoa.

Ligação com o Comando Vermelho

As autoridades locais estão em contato direto com as polícias do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Sul, do Paraná e de Santa Catarina, para confirmar se os detidos realmente pertencem ao Comando Vermelho e se existem mandados de prisão internacionais. Foram enviadas fotografias e impressões digitais.

A principal suspeita é que os detidos sejam parte do chamado “efeito de debandada”, isto é, a fuga a outras regiões a partir da ação policial na "Operação Contenção", no Rio de Janeiro. Os investigadores trabalham com a hipótese de que os três brasileiros tenham cruzado a fronteira com a Argentina para escapar da repressão e que esperavam na localidade algum contato local para continuar viagem a outro ponto da Argentina.

Controles e Exército na fronteira

Na terça-feira (28), a ministra argentina da Segurança, Patricia Bullrich, emitiu um “alerta máximo” aos postos de fronteira para aumentarem os controles nas passagens entre a Argentina e o Brasil, dada a possibilidade de membros do Comando Vermelho tentarem entrar no país após as operações no Rio de Janeiro.

Na província de Misiones, a medida incluiu patrulhas fluviais, drones de vigilância e aumento do efetivo em áreas rurais, especialmente em Alba Posse, El Soberbio e San Javier, pontos críticos onde normalmente operam redes de contrabando e tráfico de drogas transfronteiriças. Nenhuma dessas três passagens é usada por turistas.

As passagens usadas por turistas brasileiros na província de Misiones são Foz do Iguaçu (Brasil) - Puerto Iguazú (Argentina) e Dionísio Cerqueira (Brasil) - Bernardo de Irigoyen (Argentina). Essas são as duas passagens por onde automóveis e ônibus podem atravessar.

Por outro lado, o Ministério da Defesa da Argentina anunciou que vai enviar na próxima semana o Exército à província argentina de Misiones, fronteira com os estados brasileiros Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A equipe de combate a ser enviada consiste em tropas, carros blindados, caminhões militares e helicópteros para tarefas de vigilância, apoio logístico, obtenção de informações, engenharia e construções, comunicações e ciberdefesa, além de apoio aéreo.

Dois suspeitos de homicídios morrem em ação da Polícia Militar em Ibirataia

Dois suspeitos morreram em uma ação da Polícia Militar no início da manhã deste sábado (1º), na cidade de Ibirataia. Um adolescente também foi apreendido durante a operação. Segundo apurou o GIRO, os homens são apontados por um comparsa como autores do homicídio de Kauã Santos Gurunga, de 17 anos, assassinado em frente a um colégio na manhã do último sábado (25 de outubro). A dupla também é suspeita de outro homicídios e tentativa de homicídios na cidade (veja aqui e aqui alguns dos casos ligados aos suspeitos).

De acordo com as informações preliminares, os suspeitos apelidados de “Bafo” e “Da Síria” foram localizados em ações conjuntas das guarnições da CIPE Central, CIPE Sudoeste e do 2º Pelotão da 55ª CIPM, nos bairros José Firmino da Silva e João Paulo. Durante o confronto, ambos foram baleados. Eles chegaram a ser socorridos e encaminhados ao hospital local, mas não resistiram aos ferimentos.

O adolescente apreendido foi encontrado com drogas, e as armas utilizadas pelos dois suspeitos mortos foram recolhidas e serão apresentadas à delegacia de plantão, onde o caso será formalmente registrado. A Polícia Militar deve divulgar mais detalhes da operação e a identificação dos envolvidos nas próximas horas. (Giro Ipiaú)

Sob facções e operações, população de favelas vive traumas e adoece

Uma pesquisa conduzida pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec) tenta descrever esse cenário

"Uma bomba invisível". É assim que o professor José Claudio Sousa Alves, do departamento de ciências sociais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), descreve as consequências para a população de operações policiais como a Operação Contenção, considerada a maior e mais letal dos últimos anos no Rio de Janeiro.

A operação, realizada na última terça-feira (28), nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, deixou ao menos 121 pessoas mortas, gerou pânico com tiroteios, fechamento de comércio, escolas e postos de saúde, com interdição das principais vias da cidade, rotas de transporte público alteradas e ônibus queimados. Corpos foram estendidos no meio da rua em meio a parentes e a toda uma comunidade horrorizada e em luto. As consequências seguirão sendo sentidas, adverte Alves.

“As pessoas ficam com diabetes, hipertensão, distúrbios emocionais, distúrbios mentais, não dormem, têm AVCs [acidente vascular cerebral], inúmeras complicações de saúde, problemas de visão, glaucoma. É uma bomba invisível”, diz o professor, que é referência em violência urbana e segurança pública.

Uma pesquisa conduzida pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec) tenta descrever esse cenário. O estudo comparou a situação de saúde de moradores de favelas expostas a um número maior de tiroteios envolvendo agentes do Estado com a de pessoas que vivem em comunidades mais tranquilas, com número menor de confrontos armados.

A pesquisa mostrou, por exemplo, que o risco de moradores de favelas mais expostas a tiroteios desenvolverem depressão e ansiedade é mais que duas vezes maior que o daqueles de outras comunidades. A probabilidade também é maior de apresentar quadros de insônia (73%) e hipertensão arterial (42%). Um terço dos moradores dessas comunidades também relatou sudorese, falta de sono, tremor e falta de ar durante os tiroteios.

A dirigente sindical Raimunda de Jesus foi uma das pessoas que participou da manifestação contra a Operação Contenção, realizada no Complexo da Penha na última sexta-feira (31).

“A forma que aconteceu aqui não acontece na Zona Sul, nas áreas mais ricas, mas lá também tem bandidos. Nós, que moramos na periferia, somos discriminados. Mas o Estado não pode nos ver como inimigos. O Estado tem que tratar e cuidar do seu povo, de toda a sua população”, afirmou.

Liliane Santos Rodrigues, moradora do Complexo do Alemão, também compareceu ao ato. Ela perdeu o filho Gabriel Santos Vieira, de 17 anos, há apenas seis meses. O jovem estava na garupa de uma moto por aplicativo, a caminho do trabalho, quando foi baleado com cinco tiros durante uma perseguição policial.

“Eu estou sentindo a dor dessas mães. Foi um baque muito grande ver que um rapaz foi morto no mesmo lugar em que o meu filho morreu. Tem três dias que eu não sei o que é dormir direito".

Por Mariana Tokarnia/Agência Brasil

Lula gasta mais de R$ 300 mil em propaganda nas redes sobre combate ao crime organizado

As cifras são divulgadas pela própria Meta em uma página de transparência sobre a publicidade em suas redes
O governo Lula (PT) gastou ao menos R$ 337 mil para divulgar em redes sociais peças de propaganda sobre ações de combate ao crime organizado depois da operação no Rio que deixou 121 mortos.

O valor foi pago à Meta, dona de plataformas como Facebook e Instagram, para ampliar o alcance de publicações sobre o tema.

A campanha do governo tem duas postagens: uma delas defende a aprovação da PEC da Segurança, proposta pelo Ministério da Justiça como um dos principais planos da gestão Lula para enfrentar o crime organizado; outra afirma que só é possível agir nessa área com inteligência e faz críticas indiretas à operação do governo do Rio.

O valor de R$ 337 mil foi gasto em apenas três dias, de quarta-feira (29) até a noite de sexta (31). O pagamento aumentou a circulação das peças nas redes controladas pela Meta. As publicações foram vistas por milhões de usuários desde então.

As cifras são divulgadas pela própria Meta em uma página de transparência sobre a publicidade em suas redes. Os números são uma estimativa de despesas feitas pelos anunciantes para cada postagem.

O patrocínio de postagens em redes sociais é conhecido como impulsionamento. Usuários pagam para que determinado conteúdo chegue a mais usuários. No caso do Facebook e do Instagram, as publicações pagas aparecem na página de anúncios da Meta, dona das duas plataformas.

O governo tenta reagir à uma pressão recorrente sobre a gestão petista em torno da pauta da segurança pública. O tema deu um novo gás à direita, que voltou a se unir em apoio a Cláudio Castro (PL), governador do Rio.

O movimento tem como pano de fundo a disputa eleitoral do próximo ano e o receio do impacto do episódio à imagem do governoa gestão petista, que vinha em uma maré positiva.

O vídeo divulgado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência e impulsionado nas redes da Meta faz queixas indiretas ao governo fluminense e defendendo a aprovação da PEC.

O vídeo diz que para atacar o crime é preciso mirar na cabeça, "mas não de pessoas", e que o crime organizado é um dos maiores problemas do Brasil e "destrói famílias, oprime moradores e espalha drogas e violências nas cidades".

A campanha também diz que matar criminosos não é a solução e defende que é preciso atacar o cérebro e o coração de grupos criminosos, citando como exemplo operação realizada em agosto pelo Ministério Público, com participação da Receita Federal, contra o PCC (Primeiro Comando da Capital) no setor de combustíveis e do mercado financeiro.

A PEC da Segurança, enviada ao Congresso em abril deste ano, está atualmente em análise na Comissão Especial da Câmara. A avaliação é que a tramitação tem avançado em ritmo lento. A expectativa é que o texto seja levado ao plenário até o fim do ano

A ideia do governo é constitucionalizar o Susp (Sistema Único de Segurança Pública), estabelecendo diretrizes mínimas a serem seguidas por órgãos de segurança de todo o país.
Por Bruno Boghossian/Folhapress

PF prende homem com cerca de 170kg de drogas na Rodovia Presidente Dutra

Rio de Janeiro/RJ. Nesta sexta-feira (31/10) a Polícia Federal prendeu em flagrante um caminhoneiro que transportava cerca de 30 kg de cocaína e 140 kg de maconha. A droga estava oculta em meio à carga do caminhão, que foi interceptado na Rodovia Presidente Dutra.

A abordagem foi realizada na altura do município de Piraí/RJ, durante uma barreira policial montada pela Delegacia de Repressão a Drogas (DRE/RJ). A ação faz parte de uma estratégia de combate permanente ao tráfico interestadual de armas e drogas com destino ao estado do Rio de Janeiro e contou com a ajuda dos cães de faro do Canil da DRE.

De acordo com as investigações, o caminhão vinha de São Paulo e a carga ilícita seria distribuída em comunidades da capital fluminense dominadas por uma das maiores facções criminosas do estado..

O motorista, o caminhão e a droga foram levados à Superintendência Regional da PF no Rio de Janeiro para a lavratura do auto de prisão em flagrante. O homem será encaminhado ao sistema penitenciário estadual, onde permanecerá à disposição da Justiça.

Comunicação Social da Polícia Federal no Rio de Janeiro

Governadores de esquerda evitam embate com direita, e Jerônimo minimiza 'consórcio da paz'

Os gestores da esquerda, todos de estados do Nordeste, não foram convidados para participar da iniciativa

Um dia após governadores da direita anunciarem a criação de um "Consórcio da Paz" para articular o combate ao crime organizado, chefes dos Executivos estaduais de partidos de esquerda evitaram embates com os colegas e defenderam uma união de forças no combate ao crime organizado.

Os gestores da esquerda, todos de estados do Nordeste, não foram convidados para participar da iniciativa, lançada nesta quinta-feira (30) no Rio de Janeiro como um ato de apoio ao governador Cláudio Castro (PL), após a operação policial mais letal da história do Brasil, que deixou 121 mortos.

Os discursos tiveram tom eleitoral, com críticas ao governo Lula e a participação de governadores que são potenciais presidenciáveis, caso de Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás.

Alvo de críticas de Caiado por sua gestão na segurança pública, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), criticou o debate guiado por interesses político-partidários.

"O momento é de cooperação e não de divisão entre estados, ataques ou conflitos. Só unindo forças de maneira sincera e sem interesses políticos menores derrotaremos o crime", afirmou o petista, que defendeu a aprovação PEC da segurança pública pelo Congresso Nacional.

Jerônimo ainda afirmou que não entraria no mérito de utilizar um momento de consternação como elemento partidário e eleitoral e defendeu a união dos 27 governadores em torno de uma pauta única de enfrentamento do crime organizado.

"Bandido bom é bandido preso e entregue à Justiça. Essa é minha máxima: prender, entregar à Justiça e oferecer dentro dos presídios a capacidade de ressocialização", disse o governador da Bahia.

O governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), que tem adotado um discurso linha-dura no combate ao crime organizado, celebrou em uma rede social uma operação policial que deixou sete pessoas mortas pela polícia em Canindé, cidade do interior do estado a 115 km de Fortaleza.

"Nenhum policial morto. Nenhum inocente alvejado. A população protegida", afirmou o governador, celebrando a operação.

Castro correu às redes sociais e exaltou o petista: "Parabenizo os policiais do Ceará e o governador Elmano de Freitas pela coragem e determinação no enfrentamento ao crime organizado".

A Folha procurou os governadores Carlos Brandão (sem partido), do Maranhão, Fátima Bezerra (PT), do Rio Grande do Norte, Rafael Fonteles (PT), do Piauí, e Fábio Mitidieri (PSD), de Sergipe, mas nenhum quis se pronunciar.

Em Brasília, a iniciativa foi criticada por integrantes do governo Lula (PT), que classificaram a criação do grupo dos governadores de direita como uma tentativa de dividir politicamente o país.

A ministra Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais) afirmou que os governadores que agora se unem foram contra a PEC (proposta de emenda à Constituição) da Segurança, enviada pelo Executivo ao Congresso, que prevê constitucionalizar o Susp (Sistema Único de Segurança Pública), estabelecendo diretrizes mínimas a serem seguidas por órgãos de segurança de todo o país.

"Ao invés de somar forças no combate ao crime organizado, como propõe a PEC da Segurança enviada pelo presidente Lula ao Congresso, os governadores da direita, vocalizados por Ronaldo Caiado, investem na divisão política e querem colocar o Brasil no radar do intervencionismo militar de Donald Trump na América Latina", afirmou a ministra em publicação nas redes sociais.

Nos últimos meses, os Estados Unidos reforçaram a presença militar na América Latina com o envio de caças, navios de guerra e soldados sob o argumento de atuar contra o narcotráfico, principalmente na Venezuela.

A megaoperação gerou tensão entre o governo estadual do Rio e o Executivo federal numa disputa de narrativas acerca da ação e seus desdobramentos, com troca de acusações e críticas de um lado ao outro, tendo como pano de fundo a disputa eleitoral em 2026. A pauta da segurança pública deve ser um dos principais temas do pleito do próximo ano.

Também participam do "Consórcio pela Paz" os governadores Jorginho Mello (PL), Santa Catarina, Eduardo Riedel (PP), de Mato Grosso do Sul, e Celina Leão (PP), vice-governadora do Distrito Federal.

O encontro reuniu governadores se movimentam para herdar o espólio eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está inelegível. Antecipando a disputa eleitoral de 2026, a pauta da segurança pública serviu para engajar os governadores num contraponto a governo Lula.

O grupo fez críticas à tentativa do Palácio do Planalto de acelerar a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública no Congresso.

Jorginho Mello, governador de Santa Catarina, disse esperar que todas as 27 unidades da federação se unam ao Consórcio da Paz.

Por João Pedro Pitombo/Folhapress

Baiano é o mais cotado para assumir AGU para lugar de Jorge Messias

                            O advogado-geral da Petrobras, Wellington César Lima e Silva
O advogado-geral da Petrobras, Wellington César Lima e Silva, é o nome mais cotado para assumir a Advocacia-Geral da União (AGU) caso o atual titular, Jorge Messias, seja indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a vaga deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF).

Baiano, Wellington César, hoje, está em um dos cargos estratégicos mais influentes da estatal, com atuação direta em todas as decisões e discussões jurídicas da companhia.

Ex-procurador-geral de Justiça da Bahia, ele também teve uma breve passagem pelo Ministério da Justiça, no governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), onde permaneceu por 11 dias em março de 2016.

Por Política Livre

EUA decidem não enviar representantes para a COP30, diz Casa Branca

Os Estados Unidos não enviarão nenhuma autoridade de alto nível para a COP30, cúpula climática da ONU no Brasil, disse uma autoridade da Casa Branca à Reuters. O anúncio alivia a preocupação entre líderes mundiais de que Washington pudesse enviar uma equipe para atrapalhar as negociações.

O Brasil vai sediar uma cúpula de líderes de alto nível na próxima semana, antes do início das negociações climáticas da ONU com duração de duas semanas na cidade de Belém.

No início deste mês, os EUA ameaçaram usar restrições de vistos e sanções para retaliar as nações que votassem a favor de um plano apresentado pela agência de navegação das Nações Unidas, a Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês), para reduzir as emissões de gases de efeito estufa provenientes da navegação oceânica.

Essas táticas levaram a maioria dos países da IMO a votar pelo adiamento, por um ano, da decisão sobre a implementação de um preço global de carbono para o transporte marítimo internacional.

Segundo a autoridade da Casa Branca, o presidente Donald Trump já deixou claro o ponto de vista de seu governo em seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas no mês passado, quando ele chamou a mudança climática de "o maior golpe do mundo" e repreendeu as nações por estabelecerem políticas climáticas que, segundo ele, "custaram fortunas a seus países".

"O presidente está se envolvendo diretamente com líderes de todo o mundo em questões energéticas, o que pode ser visto nos históricos acordos comerciais e acordos de paz que têm um foco significativo em parcerias energéticas", disse a autoridade da Casa Branca à Reuters em um email.

O governo Trump tem buscado acordos bilaterais de energia em suas negociações comerciais para impulsionar as exportações de gás natural liquefeito (GNL) dos EUA com países como a Coreia do Sul e a União Europeia.

Nesta sexta-feira (31), o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse que há "espaço para um grande comércio de energia entre a China e os Estados Unidos", dada a necessidade de gás natural por parte dos chineses, enquanto os dois gigantes econômicos negociam sobre tarifas.

Trump anunciou em seu primeiro dia no cargo que os EUA iriam sair do Acordo de Paris, que já dura dez anos. A retirada entrará em vigor em janeiro de 2026, por isso o país ainda poderia participar da COP30. O Departamento de Estado tem analisado o envolvimento dos EUA em acordos ambientais multilaterais.

No início deste ano, os EUA também pressionaram os países que negociam um tratado global para reduzir a poluição plástica a não apoiar um acordo que estabeleceria limites para a produção de plástico.

A autoridade da Casa Branca disse à Reuters que "a maré está mudando" na priorização da mudança climática, apontando para um memorando nesta semana do bilionário e filantropo e investidor de longa data Bill Gates, para quem é hora de deixar de se concentrar no cumprimento das metas de temperatura global e que a mudança climática "não levará à extinção da humanidade".

Delegado baleado em operação no Rio tem a perna amputada

Tiro atingiu veia femoral de Bernardo Leal Annes Dias

O delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro Bernardo Leal Annes Dias teve uma das pernas amputadas após ser baleado na Operação Contenção, nos complexos da Penha e do Alemão na terça-feira (28).

Quatro policiais morreram na ação, dois PMs e dois civis. Outros 13 ficaram feridos.

O tiro atingiu a veia femoral de uma das pernas de Dias, que foi levado ao hospital estadual Getúlio Vargas e depois transferido para uma unidade de saúde particular.

Nas redes sociais, colegas de Dias têm publicado pedidos de oração e de doações de sangue no Hemorio. A Polícia Civil divulgou os nomes completos dos quatro policiais civis baleados, com pedidos de doação de sangue.

Entre os policiais civis, ficaram feridos e seguem internados Leandro Oliveira dos Santos, Rodrigo Vasconcelos Nascimento e Rodrigo da Silva Ferreira Soares, além de Dias.

O policial civil Rodrigo Velloso Cabral, 34, foi morto na terça. Ele tinha sido nomeado para o cargo de inspetor havia apenas 63 dias. Outro policial civil morto foi Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, 51, conhecido como Maskara. Ele havia sido promovido a chefe de investigação de uma delegacia na Baixada Fluminense na véspera da operação.

Outros cinco policiais militares seguem internados no hospital central da Polícia Militar, no Estácio, no centro. Ao todo nove PMs ficaram feridos, e cinco foram liberados.

Dois policiais militares foram mortos, ambos do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais). Cleiton Serafim Gonçalves, 42, tinha 16 anos de corporação, e Heber Carvalho da Fonseca, 39, estava na PM havia 14 anos. Ambos eram terceiro-sargento.

Por Folhapress

Ibirataia: PMBA prende homem por porte ilegal de arma de fogo

Na tarde desta sexta-feira (31), por volta das 14h45, uma guarnição da 55ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM), pertencente ao 2º Pelotão de Ibirataia, foi acionada após receber informação de que um homem teria ameaçado funcionários em uma propriedade rural localizada na região da Fazenda Lagoa do Lagedo, fugindo logo em seguida.

De acordo com o relato, o suspeito foi posteriormente visto em um estabelecimento comercial na Avenida Lourival Dias Lima, onde estaria portando uma arma de fogo. A guarnição se deslocou até o local indicado e, após abordagem, encontrou dentro de uma mochila uma arma artesanal do tipo garrucha.

O indivíduo foi conduzido à Delegacia de Polícia de Ibirataia para a adoção das medidas legais cabíveis.

PMBA, uma Força a serviço do cidadão.

Governo Lula envia ao Congresso PL Antifacção, três dias após operação no Rio

           Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou nesta sexta-feira (31) o PL Antifacção para a Câmara dos Deputados como uma resposta ao crime organizado no país. A apresentação da proposta foi acelerada após a megaoperação do Governo do Rio de Janeiro contra a facção Comando Vermelho, que matou 121 pessoas.

A crise mobilizou integrantes do Palácio do Planalto e o próprio presidente a agilizar a análise na Casa Civil. O movimento tem como pano de fundo a disputa eleitoral do próximo ano, tendo em vista que essa crise poderá afetar a imagem da gestão petista.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública enviou no dia 22 deste mês ao Palácio do Planalto o projeto de lei. Ele institui o tipo penal de "organização criminosa qualificada", com pena que pode chegar a 30 anos de prisão.

O anúncio do envio ocorreu após reunião entre o presidente e os ministros Ricardo Lewandowski (Justiça), José Múcio (Defesa) e Jorge Messias (Advocacia-Geral da União). A agenda entre eles só foi divulgada no início da tarde, pouco antes da reunião.

O texto, inicialmente chamado de Lei Antimáfia, também endurece a punição para líderes dessas organizações e institui o Banco Nacional de Organizações Criminosas, destinado a reunir informações estratégicas para facilitar a investigação e o rastreamento das facções.

Apesar de o projeto antifacção ser aposta do governo Lula para ajudar no combate ao crime organizado, alguns pontos já sofrem resistência dentro do Congresso. O senador Sergio Moro (União-PR) disse nas redes sociais que dois pontos vão na direção contrária do bom combate ao crime.

Além disso, o presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara, Paulo Bilynskyj (PL-SP), afirma que o texto ignora pontos centrais que dificultam a prisão efetiva dos criminosos.

Na ocasião, ele cita a audiência de custódia e a progressão de pena, além da necessidade de tipificar e punir com mais rigor novas modalidades de crime, como o roubo de celulares em escala industrial.

Há ainda deputados que defendem outros projetos, como o deputado Cabo Gilberto (PL-PB) que quer tratar organizações criminosas como terroristas. A proposta ganhou força em meio à crise no Rio de Janeiro, equiparando facções criminosas a grupos terroristas.

Especialistas afirmam que projeto é um avanço no combate ao crime organizado, mas não será uma "bala de prata".

Outra aposta do governo federal é a PEC da Segurança, que tramita em uma comissão especial na Câmara. A expectativa é que o texto seja levado ao plenário até o fim do ano.

A ideia do Executivo é constitucionalizar o Susp (Sistema Único de Segurança Pública), estabelecendo diretrizes mínimas a serem seguidas por órgãos de segurança de todo o país.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já mencionou a PEC como um dos textos que terão atenção especial nessa legislatura.

Ele indicou que pretende investir na aprovação de projetos sobre segurança pública e que quer tornar o tema um dos legados de sua gestão. A ideia dele é pautar projetos sobre o assunto toda semana.
Por Raquel Lopes, Mariana Brasil e Victoria Azevedo, Folhapress

INSS fecha acordo com Banco BMG para devolver R$ 7 mi a aposentados

Medida faz parte da fiscalização do INSS sobre instituições financeiras que oferecem crédito consignado

Foto: Divulgação/INSS

O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e o Banco BMG firmaram um termo de compromisso nas operações de empréstimo consignado para aposentados e pensionistas. O banco irá devolver mais de R$ 7 milhões cobrados de forma indevida a 100 mil beneficiários da Previdência Social.

O valor será restituído por meio de desconto direto nas faturas dos clientes. Segundo o INSS, os beneficiários poderão identificar os valores na próxima fatura do cartão.

O banco, no entanto, ainda não foi liberado para voltar a fazer novas operações de crédito consignado. Isso só ocorrerá após a assinatura do ACT (Acordo de Cooperação Técnica), prevista para os próximos dias.

O instituto afirma que a medida reforça o compromisso da autarquia com a defesa dos direitos dos segurados e com o estrito cumprimento da legislação que rege o crédito consignado.

Em nota, o Banco BMG confirmou a assinatura do termo de compromisso e disse que reforça o compromisso com transparência, governança e aprimoramento contínuo da

experiência do cliente. A instituição destacou a ampliação do uso de videochamadas.

Além do ressarcimento financeiro, o Banco BMG assumiu uma série de obrigações para adequar suas práticas e prevenir novos abusos.

Veja as obrigações assumidas:

Videochamada obrigatória: Todas as contratações presenciais de empréstimos e cartões consignados, seja em agências próprias ou correspondentes, deverão ser formalizadas por videochamada. O prazo para implementação dessa medida é de 90 dias. O objetivo é registrar o consentimento explícito do beneficiário e garantir que todas as condições do contrato tenham sido esclarecidas.

Fim da venda casada de seguros:
 O banco foi obrigado a suspender a comercialização de seguros prestamistas ou qualquer outro produto securitário vinculado ao empréstimo consignado para clientes do INSS.

Limite de crédito: O BMG comprometeu-se a respeitar o limite máximo de endividamento de 1,60 vezes o valor da renda mensal do benefício, conforme determina a legislação. A instituição tem 90 dias para adequar seus sistemas, devendo realizar o controle manualmente até então.

Proteção de dados: O banco se comprometeu a não compartilhar, ceder ou transferir dados pessoais dos clientes a terceiros ou correspondentes, exceto quando houver autorização expressa do titular ou previsão legal.

O termo também estabelece que o BMG deve adotar mecanismos para reduzir o número de reclamações registradas em todos os canais de atendimento, incluindo SAC, Ouvidoria, Banco Central e plataformas como Consumidor.gov e Reclame Aqui. A meta é melhorar os índices de resolução de problemas e a satisfação geral dos clientes.

O descumprimento de qualquer uma das cláusulas do acordo poderá acarretar a aplicação de sanções ao banco.

O acordo com o BMG ocorre em um momento de intensificação da fiscalização do INSS sobre as instituições financeiras. Recentemente, a autarquia suspendeu a possibilidade de novas operações de consignado de outras quatro instituições –Banco Inter, Paraná Banco, Facta Financeira e Cobuccio Sociedade de Crédito Direto– após denúncias de irregularidades e em decorrência de investigações da CGU (Controladoria-Geral da União).

Essas ações, consideradas "preventivas e necessárias" pelo INSS, visam cessar irregularidades e proteger o interesse público até a conclusão das apurações. No início de agosto, o instituto também havia cancelado a autorização de oito financeiras que não implementaram o sistema "Não Perturbe", criado para coibir o assédio telefônico a aposentados.

Por Alessandro da Conceição/Folhapress

Motta defende voto distrital misto em 2030 para evitar parlamentares financiados por facções

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que vai impulsionar a mudança do sistema eleitoral para o voto distrital misto nas eleições de 2030 como forma de evitar a eleição de deputados financiados pelo crime organizado.

"Vamos enfrentar a discussão sobre a mudança de sistema eleitoral do nosso país, principalmente para as eleições proporcionais. Essa será uma pauta que eu irei colocar na ordem do dia a partir de agora. [...] Penso que é plenamente possível, para as eleições de 2030, nós pensarmos a mudança do sistema eleitoral", disse Motta, nesta sexta-feira (31), em entrevista à GloboNews.

"Se não nós vamos ter parlamentares sendo eleitos financiados pelo crime organizado, que é quem tem acesso a dinheiro vivo, que é quem tem dominado muitos territórios nas comunidades mais populosas do país, interferindo diretamente nas eleições", completou ele.

Com o voto distrital misto, ele argumenta, a política seria "preservada desse financiamento proveniente de atividades ilícitas". "O crime organizado se infiltrou em várias camadas da sociedade brasileira, é natural que na política essas organizações tentem camuflar seus interesses."

"Se isso não for feito, vamos ter amanhã, quem sabe, o presidente da Câmara e do Senado tendo sido financiados pelo crime organizado e matérias sendo relatadas com esse interesse. Nós vamos estar perdendo o país para essas facções", afirmou Motta.

Ele disse ainda que esperou passar a data de um ano antes das eleições de 2026 para começar a tratar desse assunto no intuito de deixar claro que a mudança não seria para o próximo pleito. A legislação determina que mudanças nas regras eleitorais devem ser aprovadas até um ano antes da data da votação para valerem já naquela próxima eleição.

"Nós já vimos que isso não dá certo no Parlamento. Nenhum parlamentar gosta de mudar o sistema eleitoral no qual ele se elegeu", disse.

Motta citou como alternativas o voto distrital misto e o voto em lista, modelos que, segundo ele, poderiam "preservar a política do financiamento criminoso."

Segundo o presidente da Câmara, o modelo que tem mais apoio entre os parlamentares e os principais partidos, além da sociedade civil, é o voto distrital misto.

O sistema distrital misto divide os estados em distritos geográficos e reserva metade das cadeiras para os mais votados em cada distrito. A outra metade das cadeiras é preenchida com o sistema proporcional, que é o que vigora hoje nas eleições de deputados e vereadores —o eleitor escolhe entre uma lista fechada de candidatos elaborada pelos partidos.

Na entrevista, Motta ainda defendeu medidas para combater o crime organizado e destacou projetos aprovados na Câmara na área da segurança pública.
Por Carolina Linhares/Folhapress

Só 70% dos municípios atingidos por chuvas no RS executaram plano de contingência em 2024, diz IBGE

Uma parcela de 84,5% dos municípios gaúchos atingidos pelo desastre das chuvas de 2024 informou ter Plano de Contingência de Proteção e Defesa Civil, mas só 70,4% o executaram durante o evento climático de proporções históricas.

É o que aponta o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) a partir de uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira (31), a Munic (Pesquisa de Informações Básicas Municipais).

O levantamento considera questionários respondidos pelas próprias prefeituras sobre diferentes temas da administração.

Em 2024, o instituto incluiu um bloco específico sobre a tragédia do Rio Grande do Sul, que deixou pelo menos 184 mortos e 25 desaparecidos na virada de abril para maio, segundo a contagem do governo estadual.

Dos 497 municípios gaúchos, 459 (92,4%) informaram ter sido atingidos pelo evento climático, conforme o IBGE. Dessas 459 cidades, 388 (84,5%) declararam existir plano de contingência, mas somente 323 (70,4%) o executaram durante a crise, diz o instituto.

De acordo com a Munic, diferentes motivos impediram que o documento fosse colocado em prática.

Nos 65 locais com plano não executado, as razões apontadas foram as seguintes: dificuldades em recursos materiais, como equipamentos e viaturas (11), treinamento do setor responsável pela implementação (10), recursos humanos (9), recursos financeiros (8), sistema de alerta (7) e mapeamento de área de risco (6).

Outros motivos foram indicados por 51 desses municípios. Três não souberam informar.

A soma das respostas supera 65 porque o quesito permitia que mais de um item fosse assinalado. Ou seja, o plano pode não ter sido executado por mais de uma razão em cada local.

"O plano de contingência é um documento em que o município descreve o que deve ser feito numa situação de desastre e tenta planejar atividades, funções e meios para minimizar os efeitos desse evento", afirmou Vânia Pacheco, pesquisadora do IBGE.

Na Munic, o instituto diz que ações do tipo são fundamentadas na análise de vulnerabilidades, no mapeamento de riscos e na identificação de recursos disponíveis para resposta e recuperação.

O levantamento lembra que o Rio Grande do Sul enfrenta desafios recorrentes como enchentes e secas.

Em 2024, o instituto incluiu um bloco específico sobre a tragédia do Rio Grande do Sul, que deixou pelo menos 184 mortos e 25 desaparecidos na virada de abril para maio, segundo a contagem do governo estadual.

Dos 497 municípios gaúchos, 459 (92,4%) informaram ter sido atingidos pelo evento climático, conforme o IBGE. Dessas 459 cidades, 388 (84,5%) declararam existir plano de contingência, mas somente 323 (70,4%) o executaram durante a crise, diz o instituto.

De acordo com a Munic, diferentes motivos impediram que o documento fosse colocado em prática.

Nos 65 locais com plano não executado, as razões apontadas foram as seguintes: dificuldades em recursos materiais, como equipamentos e viaturas (11), treinamento do setor responsável pela implementação (10), recursos humanos (9), recursos financeiros (8), sistema de alerta (7) e mapeamento de área de risco (6).

Outros motivos foram indicados por 51 desses municípios. Três não souberam informar.

A soma das respostas supera 65 porque o quesito permitia que mais de um item fosse assinalado. Ou seja, o plano pode não ter sido executado por mais de uma razão em cada local.

"O plano de contingência é um documento em que o município descreve o que deve ser feito numa situação de desastre e tenta planejar atividades, funções e meios para minimizar os efeitos desse evento", afirmou Vânia Pacheco, pesquisadora do IBGE.

Na Munic, o instituto diz que ações do tipo são fundamentadas na análise de vulnerabilidades, no mapeamento de riscos e na identificação de recursos disponíveis para resposta e recuperação.

O levantamento lembra que o Rio Grande do Sul enfrenta desafios recorrentes como enchentes e secas.

A pesquisa de 2024 indica quais foram os eventos climáticos registrados nos municípios gaúchos.

Enchentes e enxurradas atingiram 406 cidades, seguidas por alagamentos (336), inundações (316) e erosões (296). Outras ocorrências completam a lista.

De acordo com o IBGE, apenas 1 dos 497 municípios gaúchos não respondeu à pesquisa até a data de encerramento da coleta das informações. Trata-se de Bagé, que fica próxima ao Uruguai e a cerca de 380 km de Porto Alegre.

Em entrevista à Folha em abril de 2025, um ano após as enchentes, o governador Eduardo Leite (PSD) afirmou que o Rio Grande do Sul vinha implementando ações para mitigar os possíveis impactos de novas cheias, mas disse que a formação de sistemas de proteção "robustos" demandaria mais tempo.

Segundo ele, os gaúchos ainda levariam alguns anos para fortalecer a estrutura contra desastres, assim como em outros locais que viveram situações semelhantes.

"Não significa que nada se faça neste período. Pelo contrário, é a etapa de preparação para termos os projetos, os estudos ambientais e a execução de obras bilionárias", afirmou Leite na ocasião.

Por Leonardo Vieceli/Folhapress

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