Comando Vermelho é alvo de megaoperação; bandidos reagem com drones

A ação visa capturar lideranças criminosas do Rio de Janeiro e de outros estados e combater a expansão territorial de facções criminosas
O governo do Rio de Janeiro deflagrou, nesta terça-feira (28/10), a Operação Contenção, uma ação conjunta das forças estaduais de segurança nos complexos do Alemão e da Penha. Logo na entrada dos agentes, dois homens foram presos e um fuzil apreendido na Rua Uranos.
A operação, que também conta com promotores do Ministério Público Estadual, foi deflagrada a partir de mais de um ano de investigação. A ação visa capturar lideranças criminosas do Rio e de outros estados e combater a expansão territorial do Comando Vermelho. Os dois complexos abrigam 26 comunidades. Ao todo, são 100 mandados de prisão. Até o momento, 55 pessoas foram presas.
Além de aparato tecnológico, como drones, a Operação Contenção conta com dois helicópteros, 32 blindados terrestres e 12 veículos de demolição do Núcleo de Apoio às Operações Especiais da PM, além de ambulâncias do Grupamento de Salvamento e Resgate. Em represália, criminosos usaram drones para atacar policiais no Complexo da Penha.
Participam da Operação Contenção policiais militares do Comando de Operações Especiais e das unidades operacionais da PM da capital e região metropolitana. A Polícia Civil mobilizou agentes de todas as delegacias especializadas, distritais, da CORE, do Departamento de Combate à Lavagem de Dinheiro e da Subsecretaria de Inteligência.

"Estamos atuando com força máxima e de forma integrada, para deixar bem claro que quem exerce o poder é o Estado. Os verdadeiros donos desses territórios são os cidadãos de bem, trabalhadores. Seguiremos firmes na luta contra o crime organizado", disse o governador Cláudio Castro.

https://www.correiobraziliense.com.br/brasi

Crise climática e aumento no consumo podem exigir 60% a mais de água no Brasil em 2050

Estudo do Instituto Trata Brasil aponta que volume perdido em 2023 poderia cobrir abastecimento futuro Cada grau de temperatura leva a aumento de 25% no consumo, afirma levantamento


São Paulo: No ritmo atual de aumento de consumo e de perdas na distribuição, o Brasil pode precisar de um acréscimo de aproximadamente 60% no volume de água tratada em 2050. Por outro lado, o impacto das mudanças climáticas nas chuvas pode levar a restrições, com 12 dias de racionamento por ano em média no país —problema que pode chegar a 30 dias em regiões como Norte e Nordeste.

As projeções são de um estudo encomendado pelo Instituto Trata Brasil e feito pela Ex Ante Consultoria Econômica, divulgado nesta terça-feira (28).

Os cálculos também estimam como o aumento da tempera pode impactar no uso de água tratada. Para cada 1°C a mais nas cidades, o consumo pode crescer 24,9% até 2050. O levantamento usa como base de comparação o ano de 2023.


Além disso, o instituto projeta que as alterações na frequência e no volume de chuvas causem uma redução anual de 3,4% na oferta de água. Este é o fator usado para calcular os dias de racionamento.

O volume de água consumido em 2023, segundo o estudo, que usa dados do Sinisa (Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico), foi de 9,9 bilhões de metros cúbicos de água. Para 2050, é esperado um incremento de 30% no consumo, que pode chegar a 13 bilhões de metros cúbicos.

Consumo total de água

Em milhões de m³, por unidade da federação

AC
2.858,54
SP
1.086,43
MG
942,42
RJ
602,28
PR
588,98
RS
513,96
BA
403,86
SC
342,27
GO
331,74
PE
312,01
CE
213,97
ES
209,28
MA
191,61
MT
166,94
DF
166,72
PA
147,55
AM
146,24
MS
138,1
PI
130,27
PB
122,87
RN
90,65
SE
86,93
AL
65,09
TO
43,89
RO
26,02
AP
23,57
RR
22,14
AC
Fonte: Instituto Trata Brasil

Consumo diário de água

Litros por pessoa

PA
173,32
SP
157,77
DF
155,29
RJ
147,83
ES
145,97
RS
142,23
MG
141,85
PR
141,65
MS
141,3
SC
140,14
MT
130,21
GO
115,51
TO
113,86
PI
110,39
SE
99,78
RN
98,41
AM
97,77
PE
97,17
BA
95,60
RR
94,86
CE
92,88
AP
87,93
PB
83,18
MA
75,04
AL
72,37
RO
70,95
AC
54,46
PA
Fonte: Instituto Trata Brasil

Em 2023, São Paulo liderou no consumo diário per capita, com 173,3 litros por pessoa. No outro extremo estava o Pará, com 54,5 litros. Em 2050, a previsão é que o Amapá dê um salto de 150% e chegue ao topo da lista com 238,4 litros, seguido pelo Rio de Janeiro.

No recorte por regiões, o Sudeste teve 161,2 litros de água por dia, o topo da lista, seguido pelo Centro-Oeste, com 139,2. Já em 2050, as posições se mantêm, com o Sudeste atingindo 195,2 litros por dia por pessoa, e o Centro-Oeste com 169 litros.

A conta do volume adicional necessário em 2050, de 59,3% —ou 10,7 bilhões de metros cúbicos de água— também considera as perdas no sistema de distribuição.

Os dados apontam que esse índice estava em 40% em 2023. Ou seja, quatro de cada dez litros de água tratada são perdidos antes de chegarem à casa do consumidor. O levantamento do instituto prevê uma redução média anual de 0,6% nas perdas.

Até o biênio 2033-2034, o país precisa baixar o índice, segundo norma do Ministério do Desenvolvimento Regional (atualmente das Cidades) de 2021, para 25%. Cálculo do estudo indica que o volume perdido em 2023, de 7 bilhões de metros cúbicos de água, seria suficiente para garantir o adicional de abastecimento em 2050, sem exigir mais dos mananciais.

O instituto também projeta um incremento de 0,96% no consumo a cada 1% no aumento da população. Segundo o IBGE, o país deve atingir o pico de crescimento em 2041, com 217,6 milhões de habitantes, antes de iniciar a queda.

O estudo aponta ainda que o crescimento econômico também pode levar a um aumento da demanda, já que o consumo de água tende a crescer com a renda. A própria universalização do saneamento, com distribuição regularizada de água e tratamento de esgoto, também indica um aumento.

Segundo a presidente do Trata Brasil, Luana Pretto, o principal desafio é equilibrar o aumento do consumo com a redução da oferta. Uma forma de ajudar na tarefa é reduzir as perdas. "E se tenho perda nesse processo, isso afeta todo o equilíbrio. Então, é uma forma de a gente conseguir melhorar a eficiência e conseguir melhorar essa oferta. Se sou mais eficiente na agricultura usando menos água, isso melhora o equilíbrio naquela bacia hidrográfica. Se estou utilizando água de reúso, consigo recarregar aquífero e diminuo um pouco o consumo."

Para além de obras para redução de perdas e melhorias na eficiência de sistemas e do reuso de água, a executiva também vê uma necessidade de políticas mais integradas nas cidades, de obras de infraestrutura à conservação de florestas e à ocupação nas cidades.

"Se nós chegarmos a esse cenário crítico [em 2050], teremos regiões sem água suficiente para as atividades diárias. É claro que regiões como São Paulo, que têm feito obras e buscado interligação entre diferentes bacias, conseguem mitigar os impactos", diz a executiva. "Mas há regiões no Brasil em que a população não tem acesso a água tratada. Isso exige investimentos e planejamento, o que, em grande parte das regiões brasileiras acaba não acontecendo."

EUA e Japão assinam acordo para garantir fornecimento de terras raras, diz Casa Branca

Acordo foi firmado durante a visita de Trump a países da Ásia China tem controle sobre cadeia de suprimento crítica para diversos setores

São Paulo: O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, assinaram nesta segunda-feira (27, manhã de terça, 28, em Tóquio) um acordo-quadro para garantir o fornecimento de minerais críticos e terras raras por meio de mineração e processamento, informou a Casa Branca em um comunicado.

O acordo foi firmado durante a visita de Trump ao Japão, parte de sua viagem pela Ásia, enquanto os dois países buscam fortalecer suas cadeias de suprimento de terras raras, utilizadas em tudo, desde energia renovável até eletrônicos e automóveis.

Segundo o comunicado, EUA e Japão planejam cooperar por meio de ferramentas de política econômica e investimentos coordenados para acelerar o desenvolvimento de mercados diversificados e justos para minerais críticos e terras raras.

A China processa mais de 90% das terras raras do mundo e recentemente ampliou suas restrições de exportação, incluindo novos elementos em sua lista de controle e fiscalização mais rigorosa de produtores estrangeiros que dependem de matérias-primas chinesas.

Em contraste, os EUA têm apenas uma mina de terras raras em operação e estão correndo para garantir minerais vitais para veículos elétricos, sistemas de defesa e manufatura avançada. Trump planeja se reunir com o líder chinês Xi Jinping na quinta-feira (30).

No domingo (26), autoridades econômicas da China e dos EUA elaboraram a estrutura de um acordo comercial para que Trump e Xi finalizem.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que as negociações eliminaram a ameaça de tarifas de 100% impostas por Trump sobre as importações chinesas a partir de 1º de novembro. As autoridades chinesas foram mais cautelosas com relação às negociações e não forneceram detalhes.

Como parte do acordo, EUA e Japão concordaram em simplificar e desburocratizar os prazos e processos de licenciamento para minerais críticos e terras raras, além de tratar de políticas não comerciais e práticas comerciais injustas.

Os dois países também avaliarão um arranjo complementar de estoque estratégico e cooperarão com outros parceiros internacionais para garantir a segurança da cadeia de suprimentos, acrescentou a Casa Branca.

Conheça 8 minerais críticos
Nesta terça (28), Trump elogiou a primeira líder feminina do Japão, saudando seu compromisso de acelerar o fortalecimento militar e assinando acordos sobre comércio e terras raras.

Takaichi, por sua vez, aplaudiu os esforços de Trump para resolver conflitos globais, prometendo nomeá-lo para o Prêmio Nobel da Paz, segundo a porta-voz de Trump, Karoline Leavitt.

Os dois governos divulgaram uma lista de projetos nas áreas de energia, inteligência artificial e minerais críticos nos quais empresas japonesas estão considerando investimentos de até US$ 400 bilhões.

Tóquio prometeu fornecer US$ 550 bilhões em investimentos estratégicos, empréstimos e garantias aos EUA no início deste ano como parte de um acordo para obter alívio das punitivas tarifas de importação de Trump.

Esses gestos podem amenizar exigências de Trump para que Tóquio gaste mais com sua segurança diante de uma China cada vez mais assertiva, apelos que Takaichi procurou antecipar ao prometer acelerar os planos para aumentar os gastos com defesa para 2% do PIB.

"Por tudo que sei de Shinzo e outros, você será uma das grandes primeiras-ministras", disse Trump a Takaichi enquanto se sentavam para discussões, acompanhados por suas delegações, no Palácio Akasaka em Tóquio. "Também gostaria de parabenizá-la por ser a primeira mulher primeira-ministra. É algo muito importante", acrescentou.
Com Reuters

Líder de facção da Bahia morre durante operação da polícia no Rio de Janeiro

Uma liderança de uma facção da Bahia foi morta durante uma operação da polícia no Rio de Janeiro, nesta terça-feira (28). A Operação Contenção desta terça visa prender cerca de 100 suspeitos de tráficos do Comando Vermelho (CV). Segundo o G1, até a última atualização, quatro suspeitos morreram no confronto.

A ação acontece nos complexos do Alemão e da Penha, um conjunto de 26 comunidades na Zona Norte do Rio de Janeiro. Nas localidades, os criminosos do CV se refugiam, conforme as investigações, via G1. Entre os identificados, dois eram da Bahia, outro do Espírito Santo. 23 homens foram presos e 4 foram baleados e levadossob custódia no Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha.

O líder do tráfico baino que morreu foi identificado como Júlio Souza Silva, que seria do Nordeste de Amaralina, em Salvador. Ele já cumpriu pena no Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador e estava em regime semiaberto, de acordo com o Informe Baiano.

Ainda não se sabe a identidade do outro suspeito. Foram apreendidos também um fuzil 5.56 com bandeira da Bahia e nove motocicletas.

Segundo a publicação, os suspeitos Buel e Tio Chico, indicados como chefões do CV em Salvador e Recôncavo baiano, também estão sendo procurados na ação.

PRF e PMMA apreendem mais de 41 kg de maconha em Grajaú (MA)

Em uma ação conjunta, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) prestou apoio à Polícia Militar do Maranhão (PMMA), resultando na apreensão de 41,87 kg de maconha e na detenção de suspeitos por tráfico de drogas, em Barra do Corda (MA).

A ação ocorreu após um trabalho de análise de riscos indicar que indivíduos oriundos do Piauí estariam na região em busca de entorpecentes. As equipes da PMMA contaram com o suporte da PRF em barreiras montadas na BR-226.

Na noite do dia 26 de outubro, as guarnições interceptaram dois veículos que viajavam em conjunto. Durante a abordagem, foram encontrados 41 tabletes de maconha prensada no interior de um dos automóveis, totalizando mais de 41 quilos da droga.

Os ocupantes detidos, assim como os veículos apreendidos, foram encaminhados à Delegacia de Polícia Civil de Grajaú, onde foram adotadas as medidas legais cabíveis.

A ação reforça o compromisso da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Militar do Maranhão em combater o tráfico de drogas e garantir a segurança da sociedade, por meio da integração entre as forças de segurança pública.
Justiça e Segurança

Maiores poluidores se omitem, e principal relatório da ONU para COP30 acaba inconclusivo

O resultado foi que o órgão não foi capaz de calcular uma temperatura para a qual o mundo caminha

As discussões da COP30, a conferência sobre clima da ONU (Organização das Nações Unidas), vão começar sem ter clareza sobre quanto o mundo está chegando mais perto, ou mais longe, do ponto de colapso do aquecimento global.

Isso porque 134 dos 198 membros que integram a UNFCCC —o braço das Nações Unidas que cuida deste tema— não cumpriram com a obrigação de entregar, até o final de setembro, suas NDCs, as metas nacionais para redução de emissão dos gases que causam o efeito estufa.

O resultado foi que o órgão não foi capaz de calcular uma temperatura para a qual o mundo caminha, equação que mostraria o quão próximo a Terra está de atingir ou evitar o aquecimento de 1,5°C acima da era pré-industrial —limite estabelecido no Acordo de Paris, necessário, segundo cientistas, para evitar o colapso global.

Esse diagnóstico deveria constar no relatório-síntese das NDCs, publicado pela UNFCCC nesta terça-feira (28), mas que, diante da falta de informações fornecidas pela maioria dos países, não traz considerações sobre esse ponto.

O relatório analisou os dados apenas dos 64 países que submeteram suas metas climáticas dentro do prazo, um universo que compreende menos de um terço das emissões de gases-estufa do mundo.

"Não é possível desenhar conclusões amplas e de nível global ou inferências a partir desta base de dados limitada. Mesmo assim, este relatório destaca lições-chave sobre o progresso feito e os desafios adiante", admite o documento.

A situação ilustra uma situação mais ampla de incerteza quanto às ações de combate ao aquecimento global, postas em xeque diante da crise do multilateralismo, o que pode impactar os rumos da COP30.

Na última quarta-feira (22), o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que a meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C em relação à era pré-industrial não será alcançada. "Ultrapassar o limite agora é inevitável", disse.

Nos últimos meses, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) repetiu apelos para que os países entregassem suas NDCs, inclusive na Assembleia-Geral da ONU, e chegou a sugerir punições a quem não cumprisse suas obrigações climáticas.

A COP de Belém marca os dez anos do Acordo de Paris e, por isso, este relatório deveria ser um marco importante para saber em que ponto o planeta se encontra nesta trajetória e, a partir das conclusões, guiar as negociações da conferência.

Dada a omissão dos principais poluidores do mundo, porém, o documento fica fragilizado.
Entre os que não entregaram suas NDCs no prazo estão China, Índia e União Europeia, três das quatro nações que mais emitem gases de efeito estufa.

Já os Estados Unidos, o maior emissor de todos os tempos, entregaram suas metas ainda sob o governo de Joe Biden, mas a expectativa é que elas sejam ignoradas com a volta de Donald Trump à Casa Branca.

O atual presidente já anunciou a saída dos EUA do Acordo de Paris.

Diante deste cenário, a UNFCCC trabalhou também em estimativas paralelas ao relatório-síntese, que consideram, por exemplo, NDCs publicadas depois do prazo, promessas feitas pela União Europeia (que até agora, oficialmente ainda não terminou seu documento) ou então os objetivos que a China anunciou que cumprirá.

"Esse retrato mais amplo, mesmo que ainda incompleto, mostra que as emissões globais vão cair cerca de 10% até 2035", afirma o secretário-executivo do órgão, Simon Stiell.

A estimativa considera um rol de países que representam por volta de 2/3 das emissões globais.

O IPCC (painel científico da ONU), por sua vez, calcula que, para evitar que o mundo ultrapasse o aquecimento global de 1,5°C em comparação com os níveis anteriores à Revolução Industrial, essa redução teria que ser por volta de 60%.

De toda forma, a afirmação que a UNFCCC faz categoricamente é que, independentemente dos cenários, o mundo virou a curva das emissões, que agora começam a cair pela primeira vez.

O objetivo do órgão é publicar atualizações do relatório-síntese para embasar as discussões da COP30, que começa no próximo dia 10 em Belém.

A expectativa é que, até a cúpula de líderes (marcada para 6 e 7 de novembro, com chefes de Estado e de goveno, justamente para afinar as discussões da conferência principal), a maior parte dos países tenha entregado suas NDCs.

Se isso acontecer, a UNFCCC fará uma nova versão do relatório ainda no início da COP30 —mas não há garantia de que isso será possível.

"Ainda estamos na corrida, mas, para garantir um planeta habitável para os atuais oito bilhões de pessoas, temos que urgentemente acelerar o ritmo [das medidas de combate ao aquecimento global], na COP30 e em todos os anos subsequentes", completa Stiell.

O relatório-síntese desta terça compara apenas o escopo das 64 NDCs registradas com suas versões anteriores. Ele apresenta, nas palavras dele mesmo, "valiosos novos insights" sobre a situação.

Ele conclui, por exemplo, que se essas metas forem cumpridas, a redução das emissões seria de 17%, dentro deste universo.

Em termos de financiamento climático —tema que se tornou o calcanhar de aquiles das negociações—, este grupo de países calcula que o custo para atingir essas metas seria de mais de US$ 1,9 trilhão (mais de R$ 10 trilhões).

"Ainda, 41% das partes [dentro deste universo de 64 países] garantem que suas NDCs estão alinhadas com os objetivos a longo prazo do Acordo de Paris ou com os caminhos de mitigação para limitar o aquecimento global bem abaixo de 2°C ou 1,5°C", diz o relatório.

A avaliação do documento é que as NDCs estão ficando mais complexas e abarcando cada vez mais diversos setores e aspectos da economia, o que faz também com que, apesar da demora, elas sejam mais sólidas do que simples metas.

Segundo o relatório, 47% países apresentaram metas específicas para redução do uso de combustíveis fósseis na geração de energia —um dos principais entraves das discussões climáticas. Este escopo representa 9% da parcela total desta fonte na produção de eletricidade.
Por João Gabriel/Folhapress

Taxa das blusinhas não gera emprego, onera pobres e reduz arrecadação de estados, diz estudo da LCA

Dados de comércio exterior apontam que houve retração nas encomendas de baixo valo

Passado mais de um ano desde sua criação, em junho de 2024, a chamada taxa das blusinhas cumpriu as projeções mais pessimistas. Levantamento da LCA Consultoria Econômica mostra que a medida não mexeu na oferta de emprego nos setores mais protegidos, onerou, como esperado, as compras dos mais pobres e levou à perda de arrecadação nos estados.


Dados de comércio exterior apontam que houve retração nas encomendas de baixo valor, "equilibrando o jogo", com reivindicaram setores que reclamavam da concorrência desleal do importado. Imediatamente após a instituição do imposto, a tendência de aumento nessas aquisições foi interrompida. Houve uma queda de 43%. Mas não o suficiente para impactar a demanda interna a ponto de gerar empregos.

"Era evidente que o imposto reduziria a importação, aumentaria o custo dos produtos, especialmente para as famílias de classe média e baixa, mas esperava-se alguma contrapartida na geração de emprego —e o que mais surpreendeu é que a gente não consegue enxergar esse impacto positivo", afirma o diretor da LCA e coordenador do estudo, Eric Brasil

Segundo o consultor, nos 12 meses seguintes à criação da taxa, o emprego na indústria e no varejo cresceu 0,9%, enquanto avançou 3% no conjunto da economia brasileira. Na avaliação dele, a estatística demonstra que o mercado de trabalho não reage a mudanças pontuais de tributo —nem para mais nem para menos, até pelas características da legislação trabalhista local.

"O custo de contratação e de demissão é alto, e a burocracia trava um ajuste rápido. Aumentar imposto em um setor não faz o empresário sair contratando no dia seguinte", explica.

Também é preciso levar em consideração os produtos afetados. O imposto de 20% sobre importações de até US$ 50 (R$ 270) feitas diretamente pelo consumidor, via internet, foi instituído pela Lei 14.902/2024.

Embora o apelido tenha sido inspirado no setor têxtil, que era o mais atingido, a cobrança recaiu sobre produtos variados de baixo valor, como cosméticos, eletrônicos e ferramentas, que não são automaticamente substituídos.

Na prática, o que ocorreu foi uma redução no acesso dos pobres a produtos mais diversificados. "O consumidor não pensa: ‘Ficou mais caro comprar lá de fora, então vou comprar na lojinha da esquina’. Muitos produtos vendidos nessas plataformas simplesmente não têm similar nacional", afirma o autor do estudo.

A partir de dados de outro levantamento, realizado pelo Plano CDE, especializado em baixa renda, a LCA mostra que as encomendas internacionais virtuais ainda estão concentradas. Cerca de 68% são realizadas por consumidores das classes C e D, e outros 5% pela classe E.

O estudo aponta ainda que, por causa disso, 70% do total arrecadado pela taxa das blusinhas é pago por famílias das classes C, D e E, que ainda recorrem a sites internacionais em busca de preços acessíveis.

"Não tem novidade aí, apenas uma constatação: qualquer imposto sobre consumo é regressivo. Pesa mais na renda dos mais pobres", diz Brasil.

O estudo indica que o impacto médio da taxa é inferior a 0,5% na renda das famílias mais ricas, mas ultrapassa 1% para a classe E.

"Para uma família rica, aquele imposto de 20% não faz cosquinha. Já para as mais pobres, qualquer aumento no preço pesa na decisão de consumo —é o tipo de família que está sempre contando moeda."

O levantamento mostra ainda que, entre os consumidores de menor renda, a taxa elevou o número de desistências de compra de 35% para 45% desde sua implementação, mas um bom número de consumidores persiste na aquisição, pagando mais caro.

O impacto nas contas públicas também foi errático e marginal. Considerando a União, houve um ganho médio de R$ 265 milhões por mês, o que representa apenas 0,08% do total da arrecadação federal.

Por outro lado, reduziu a arrecadação de ICMS dos estados em R$ 258 milhões mensais. Em termos líquidos, a diferença a mais é de apenas R$ 7 milhões.

A LCA lembra que a popularização do ecommerce é um processo generalizado, que mexeu com a tributação mundo afora. Normalmente, os países optaram por fazer um mix, equilibrando imposto de consumo e imposto de importação. A União Europeia, por exemplo, passou a cobrar imposto de consumo para remessas internacionais de baixo valor, mas não aplicou imposto de importação.

Segundo a Global Express Association, que representa as principais empresas de entrega expressa internacional, mais de 90 países têm regras para isentar imposto de importação das remessas de baixo valor.

Na América Latina, o Brasil adotou os 20% de imposto de importação e manteve o imposto de consumo entre 17% e 20%, somando praticamente 40% e destoando dos vizinhos. Muitos aplicam alíquota zero de imposto de importação, e diferentes alíquotas para o imposto de consumo: Argentina, 21%, Chile, 19%.

Enquanto o Peru tem tudo zerado.

Diante desses dados, a LCA defende que seria mais adequado decretar o fim da taxa das blusinhas e manter apenas o ICMS ou o futuro IVA previsto na reforma tributária. Segundo a consultoria, a revisão alinharia o Brasil com as economias mais organizadas, simplificando a cobrança do comércio eletrônico sem punir o consumidor de baixa renda.

Por Alexa Salomão/Folhapress

'Pesquisa que coloca Lula à frente na corrida presidencial em 2026 precisa ser lida com cautela', diz Alden

Vice-líder da oposição na Câmara Federal, o deputado Capitão Alden (PL-BA) questionou, nesta segunda-feira (27), uma pesquisa divulgada pelo Instituto Paraná, que aponta o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), liderando todos os cenários da corrida presidencial de 2026. Em entrevista exclusiva ao Política Livre, o parlamentar bolsonarista afirmou que esses dados precisam ser avaliados com cautela.

“A pesquisa divulgada pelo Instituto Paraná Pesquisas, que coloca Lula à frente na corrida presidencial de 2026, precisa ser lida com cautela. O que vemos não é força real de governo, mas sim o resultado de uma estratégia populista sustentada pelo uso da máquina pública. Hoje, quase metade da população brasileira depende exclusivamente de benefícios e programas sociais federais. Em vez de promover autonomia, geração de empregos e crescimento econômico, Lula mantém milhões de brasileiros reféns da dependência do Estado. Isso não é política social, é projeto de poder!”, afirmou.

De acordo com o parlamentar, o chefe do Palácio do Planalto “utiliza sem pudor os recursos da União, aprova programas e amplia gastos a qualquer custo, sem responsabilidade com as contas públicas e sem preocupação com as consequências futuras. A história nos mostra que essa prática sempre termina em inflação, desemprego e crise, e quem paga a conta é o trabalhador brasileiro”.

Ainda segundo Alden, o mandatário do Brasil “segue repetindo as promessas que já fez em outras ocasiões”.

“As mesmas promessas vazias já foram feitas: ‘picanha e cerveja’ para todos. O resultado foi o aumento da violência, a piora nos serviços públicos e o enfraquecimento da economia. O povo brasileiro já começa a perceber essa realidade”, acrescentou.

Alden finalizou defendendo que, no ano que vem, os eleitores brasileiros terão a opção de permanecer “na situação precária” ou promover mudanças para a nação.

“Em 2026, o Brasil terá a oportunidade de escolher entre dois caminhos: continuar refém de um projeto populista que mantém a miséria para garantir votos, ou avançar para um país com liberdade econômica, segurança e desenvolvimento real”, concluiu.

Por Reinaldo Oliveira, Política Livre

Polícia Civil apreende 250 quilos de drogas que saíram de São Paulo com destino a Vitória da Conquista

Dois homens foram presos em flagrante pelo transporte interestadual de substâncias ilícitas, associação criminosa armada e posse ilegal de munições

Meses de trabalho de Investigação da Polícia Civil da Bahia levaram a desmobilização financeira superior a 10 milhões de reais para o tráfico de drogas, com a apreensão de 250 quilos de entorpecentes realizada nesta segunda-feira (27), em Vitória da Conquista, no sudoeste baiano. A ação foi conduzida pela equipe do Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (DENARC), com apoio da 8ª Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes de Conquista, no âmbito da operação “Rota Proibida”.

Na ação, dois homens foram presos em flagrante pelo transporte interestadual de substâncias ilícitas, associação criminosa armada e posse ilegal de munições de uso restrito.

Foram apreendidos 248 tabletes de drogas, em sua maioria cocaína, pasta base e crack, além de centenas de munições calibres 9 mm, .40 e .380. O caminhão utilizado na atividade ilícita também foi apreendido, com previsão de perdimento e leilão pela justiça.
As investigações da Polícia Civil levaram à descoberta de um esquema de transporte de cocaína que partia de São Paulo com destino a Vitória da Conquista. Após a identificação do motorista e do caminhão usado por uma facção criminosa, os agentes realizaram o acompanhamento e a abordagem do veículo nas proximidades de um posto de combustível na Avenida Integração, local onde seria efetuada a entrega e distribuição da droga.

Os dois homens presos foram autuados em flagrante. A Polícia Civil instaurou inquérito policial na delegacia especializada, e a investigação prosseguirá para o indiciamento de outros integrantes do grupo criminoso, com representação de prisões preventivas à justiça.
Fonte
Andrei Sansil / Ascom PCBA

Relator de CPMI quer intimar dois parlamentares envolvidos em caso do INSS

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado/Arquivo
O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), disse que quer ouvir o depoimento do deputado Euclydes Pettersen (PSD-MG) e do senador Weverton Rocha (PDT-MA) Gaspar disse esperar que os dois não sejam "blindados".

"Espero que não haja nenhuma blindagem. Esses esclarecimentos são bons para o deputado e para o senador", afirmou. Os dois congressistas ainda não se manifestaram.

Conforme revelou o Estadão, Weverton mantém como administrador de uma de suas empresas o empresário Rodrigo Martins Correa, que também figura como sócio da Voga, firma que fazia a contabilidade dos negócios do "Careca do INSS", inclusive das offshores.

Já Euclydes Pettersen vendeu um avião a uma ONG que serve como braço da Conafer, uma das entidades que procedeu descontos ilegais em aposentadorias e pensões. "Eu fiquei sem entender como essa aeronave foi negociada", afirmou o relator.

O nome de Pettersen foi mencionado pelo depoente da sessão da CPI desta segunda-feira, 27. O ex-diretor de governança do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) Alexandre Guimarães afirmou que conseguiu entrar no INSS após apresentar currículos para Pettersen e para o ex-deputado André Moura - ambos à época no PSC. Guimarães negou que os conhecia previamente.

Até o momento foi protocolado apenas um requerimento de convocação contra Weverton Rocha. O documento, submetido pelo deputado federal Kim Kataguiri (União-SP), menciona que Weverton já recebeu o Careca do INSS em seu gabinete.

Trump deseja feliz aniversário a Lula e adota cautela sobre possível acordo com Brasil

Lula completa 80 anos nesta segunda-feira (27). Trump, que fez 79 em junho, deu as declarações enquanto voava ao Japão, onde tem encontro com o imperador
Foto: Divulgação
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desejou feliz aniversário ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enquanto falava sobre a chance de ser feito um acordo pela redução das tarifas do Brasil.

O republicano não antecipou se será possível fazer um acerto, mas voltou a elogiar a reunião que teve com o petista na Malásia e o chamou de "vigoroso".

"Tivemos uma boa reunião. Vamos ver o que acontece. Não sei se alguma coisa vai acontecer, mas vamos ver. Eles gostariam de fazer um acordo. Vamos ver —agora eles estão pagando acho que 50% de tarifa. Mas tivemos uma ótima reunião", disse Trump, durante entrevista a jornalistas a bordo do seu avião presidencial.

"E feliz aniversário. Quero desejar um feliz aniversário ao presidente, certo? Hoje é o aniversário dele. Ele é um cara muito vigoroso, na verdade, e foi muito impressionante, mas hoje é o aniversário dele, então feliz aniversário", completou o presidente americano.

Lula completa 80 anos nesta segunda-feira (27). Trump, que fez 79 em junho, deu as declarações enquanto voava ao Japão, onde tem encontro com o imperador.

Os dois líderes tiveram uma reunião de cerca de 45 minutos no domingo (26), à margem da cúpula da Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático).

Depois do encontro, a Casa Branca publicou uma foto de ambos com a legenda "é uma grande honra estar com o presidente do Brasil". A foto e o gesto são inflexões em relação ao tom agressivo usado pelos EUA ao mencionar o Brasil neste ano.

Lula contou que, no encontro, pediu que Trump pause as tarifas de 50% aplicadas a produtos brasileiros, assim como suspenda as punições implementadas contra autoridades.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), recebeu uma sanção financeira pela Lei Magnistky, e outros magistrados e integrantes da corte perderam o visto ao país.

As medidas foram impostas sob a justificativa dos EUA de que o STF tomou decisões que censuram cidadãos americanos e porque avaliam haver uma perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em entrevista a jornalistas nesta segunda no horário da Malásia, Lula afirmou que está convencido de que nos próximos dias o Brasil terá uma solução em relação às tarifas impostas por Trump.

O petista disse ainda que o encontro serviu para esclarecer equívocos. "Ele garantiu que vai ter acordo", declarou, referindo-se a Trump.

O presidente também afirmou que Bolsonaro é passado na política brasileira.

"E eu ainda disse para ele: com três reuniões que você fizer comigo, você vai perceber que o Bolsonaro era nada, praticamente. Era porque eu não converso em tom pessoal, eu converso em tom político, de interesse do meu país", afirmou.

O brasileiro ainda adicionou "rei morto, rei posto".

"Eu disse pra ele que o julgamento foi um julgamento muito sério, com provas muito contundentes, nenhuma prova da oposição. A prova é tudo de relato das pessoas que estão sendo julgadas", declarou Lula aos jornalistas da imprensa brasileira e internacional.
Por Julia Chaib/Folhapressoto

Paulo Azi destaca alta rejeição de Jerônimo e reforça sentimento de mudança na Bahia: “Está tomando conta das ruas”

O deputado federal Paulo Azi, presidente estadual do União Brasil, comentou nesta segunda-feira (27) o resultado de nova pesquisa sobre o cenário eleitoral na Bahia que revela o aumento da rejeição ao governo de Jerônimo Rodrigues (PT). Segundo o levantamento, realizado pelo instituto Real Time Big Data, quase metade do eleitorado baiano já desaprova a atual gestão estadual.

Para o deputado, os números são claros ao retratar “o recado das ruas”. “Essa não é apenas mais uma pesquisa. É a confirmação de que o desejo de mudança na Bahia já é uma realidade e está tomando conta das ruas. A população cansou de tanta promessa não cumprida, de índices que permanecem entre os piores do país e de um governo que, depois de quase duas décadas do PT, não mostra resultado”, salientou.

Os números apontam que 48% dos entrevistados disseram que não votariam em Jerônimo de jeito nenhum. O percentual pode até superar os 50%, visto que a margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

O parlamentar criticou o legado da gestão petista no Estado, lembrando que a Bahia acumula resultados negativos em diversas áreas. “Violência em níveis alarmantes, educação entre as piores do país, Estado líder em desemprego e com o maior número de pessoas vivendo na extrema pobreza: esse é o retrato do que sobra após quase 20 anos dos governos do PT. A pesquisa mostra que a população não quer repetir esse ciclo de fracasso”, frisou.

O deputado também ressaltou que a liderança da oposição se fortalece à medida que cresce a insatisfação com o governo. “Enquanto o PT tenta manter o discurso de continuidade, a realidade mostra que o povo quer novo rumo. A pesquisa reflete esse movimento e reforça que o momento da mudança se consolidou e só aumenta na Bahia”, frisou.

Ele finalizou afirmando que o União Brasil está pronto para representar essa nova etapa. “Estamos preparadas para construir um projeto de transformação. A Bahia já mostrou que quer virar a página, e quem melhor representa esse sentimento é ACM Neto, que lidera o nosso projeto para resgatar a Bahia e iniciar um novo ciclo de desenvolvimento”, concluiu.
Por Redação/Politica livre

Moraes marca julgamento sobre denúncia da PGR contra Tagliaferro para 7 de novembro

O ministro Alexandre de Moraes pautou para a próxima semana o julgamento na Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) do recebimento da denúncia contra seu antigo assessor Eduardo Tagliaferro.

O julgamento terá início no dia 7 de novembro, com prazo final para a inclusão dos votos no dia 14. A Turma é composta pelos ministros Alexandre de Moraes (relator), Cármen Lúcia, Cristiano Zanin e Flávio Dino.

A PGR (Procuradoria-Geral da República) acusou Tagliaferro de cometer os crimes de violação do sigilo funcional, coação no curso do processo, obstrução de investigação e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

A denúncia leva em conta o vazamento de mensagens de integrantes do gabinete de Moraes ao longo de 2022. Como a Folha revelou, as conversas mostram que o ministro usou o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) fora do rito tradicional para produção de relatórios e abertura de investigações contra bolsonaristas.

Eduardo Tagliaferro está na Itália e, nos últimos meses, participou de lives com apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), prometeu fazer novas revelações sobre Moraes e elaborou um dossiê para denunciar o ministro do Supremo no Parlamento europeu.

Segundo o procurador Paulo Gonet, Tagliaferro "revelou informações confidenciais que obteve em razão do cargo ocupado, com o fim de obstruir investigações e favorecer interesse próprio e alheio".

A PGR ainda diz que a saída do Brasil demonstra o alinhamento do ex-assessor do TSE com a organização criminosa responsável pelos atos antidemocráticos.

"O anúncio público recente (30.07.2025), em Estado estrangeiro, da intenção de revelar novas informações funcionais sigilosas, lançando, inclusive, campanha de arrecadação de recursos para financiar o seu intento criminoso, atende ao propósito da organização criminosa de tentar impedir e restringir o livre exercício do Poder Judiciário", consta na denúncia.

"Está clara a adesão ao objetivo de incitar novos atos antidemocráticos e provocar disseminação de notícias falsas contra a Suprema Corte", acrescenta.

A defesa de Tagliaferro diz que a denúncia é inepta por não descrever qual organização criminosa o ex-assessor teria integrado. "Para o crime de coação no curso do processo, não se narra uma conduta concreta que se amolde ao conceito jurídico de ‘grave ameaça’, elementar do tipo penal atribuído ao Defendente", afirma o advogado Eduardo Kuntz.
Por Cézar Feitosa, Folhapress

Destaques