Centrão repensaaliança com Flávio Bolsonaro após áudios que mostram proximidade com Vorcaro

Grupo reconhece desgaste para pré-candidato e quer aguardar pesquisas antes de decisão
          O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República
A ala do centrão que caminhava para uma aliança com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) agora prega cautela e quer postergar ao máximo a decisão sobre formar ou não uma coalizão em torno do oposicionista. O grupo ligou alertas após a divulgação de áudios do pré-candidato do PL pedindo dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.

É consenso no centrão que a revelação prejudicará o filho de Jair Bolsonaro (PL). Há ceticismo, porém, sobre o tamanho do impacto na intenção de votos do pré-candidato.

Dessa forma, lideranças de partidos do centrão, como União Brasil, PP e Republicanos, avaliam que é a hora de esperar —primeiro as pesquisas e, depois, se novas revelações virão à tona.

A federação União Brasil-PP estava em forte negociação com Flávio Bolsonaro e tendia a uma aliança formal, com liberação de filiados em estados onde a associação ao presidente Lula (PT) é mais conveniente. No Republicanos, diversos diretórios pressionavam por apoio ao filho de Bolsonaro, mas nessa sigla o senador encontra mais dificuldade de diálogo.

Neste momento, Flávio Bolsonaro enfrenta uma crise de confiança interna. Integrantes do PL dizem que em mais de uma ocasião o senador afirmou, internamente, que não teria esqueletos no armário sobre o caso Master. Dessa forma, aliados que fazem parte da campanha reclamam que foram pegos de surpresa, sem qualquer tipo de plano estabelecido.

Longe de condenar moralmente a relação de Flávio com o Master, o centrão —que também tem integrantes na mira da investigação da fraude— quer esperar para não ser ainda mais tragado para a crise ou morrer abraçado a um candidato que pode enfraquecer. Seus integrantes também preferem observar de longe o desenrolar da crise no PL.

Lideranças do centrão perceberam o clima de "barata voa" após a divulgação do áudio e acompanharam com atenção as repercussões. Há relatos de discussões e suspeitas de vazamentos internos. Ninguém quer ser convidado para a casa de uma família em conflito, brincou uma dessas lideranças sobre a situação.

Trata-se de uma mudança de postura num curto intervalo de tempo. No fim de abril, aliados de Flávio Bolsonaro e uma ala expressiva do centrão avaliavam que o senador havia se tornado o favorito para vencer a eleição. As pesquisas de intenção de voto e a rejeição histórica do Senado à indicação de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal) colaboraram para o clima.

Uma série de fatores, porém, mudou o panorama do petista nas últimas duas semanas. Lula emendou um encontro bem-sucedido com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o anúncio de um pacote de bondades que enfrenta o endividamento do eleitorado, contém o preço da gasolina e derruba a "taxa das blusinhas". Além disso, viu um princípio de recuperação na última pesquisa Quaest.

Aliados do presidente Lula em partidos de centro afirmam ser cedo para celebrar, mesmo com o esperado desgaste de Flávio. Eles dizem que a eleição será apertada de qualquer maneira, partindo do pressuposto que o adversário conseguiu incorporar rapidamente o eleitorado do pai, cujo piso é alto.

O ÁUDIO

De acordo com informações reveladas pelo site The Intercept Brasil e confirmadas pela Folha de São Paulo com duas pessoas ligadas à investigação, Flávio Bolsonaro pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O ex-banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões para a produção de "Dark Horse" (que significa "azarão"). Após a divulgação do áudio, Flávio disse a aliados que não haveria mais conteúdo para ser vazado sobre o assunto.

A Go Up Entertainment, produtora do filme, no entanto, afirma que não recebeu verbas de Vorcaro para o projeto. O deputado federal Mario Frias (PL), produtor executivo do filme, disse que Flávio "não tem qualquer sociedade no filme ou na produtora".

À reportagem interlocutores de Flávio relatam desconfiança com a garantia do pré-candidato e apontam que será difícil desfazer a imagem de mentiroso perante o eleitorado. Internamente, consideram que a quebra de confiança também é irreversível. A mensagem que fica, segundo descreve um correligionário, é que, se ele escondeu isso, pode ter escondido muito mais.Por Augusto Tenório/Folhapress

Ministério Público da Bahia faz recomendação para aplicar Lei Antibaixaria no interior baiano

O São João de Euclides da Cunha entrou na mira do Ministério Público da Bahia (MP-BA). O órgão voltou os olhos para a apresentação do cantor Robyssão durante os festejos juninos, dentro de uma recomendação para cumprimento da chamada Lei Antibaixaria.

O MP-BA recomendou à Prefeitura, que organiza o Arraiá do Cumbe, a adoção de medidas de fiscalização durante os festejos juninos para garantir o cumprimento da legislação. A recomendação prevê monitoramento das apresentações artísticas e possibilidade de interrupção de shows caso sejam identificadas músicas, coreografias ou performances consideradas incompatíveis com a legislação estadual.

No documento, o MP-BA cita o cantor Robyssão, afirmando que o artista é conhecido por repertório com letras e coreografias que, segundo o órgão, “banalizam a agressão e a violência contra a mulher”. As promotoras Sabrina Bruna Rigaud e Lissa Aguiar Rosal afirmam que esse tipo de conteúdo pode incentivar a inferiorização feminina e, em determinadas situações, configurar apologia ao crime.

A Lei Estadual nº 12.573/2012, conhecida como Lei Antibaixaria, proíbe o uso de recursos públicos para contratação de artistas que promovam músicas com conteúdo que desvalorize mulheres, incentive a violência, contenha manifestações discriminatórias ou faça apologia ao uso de drogas ilícitas.
Por Política Livre

PF apreende R$ 580 mil em espécie na casa de um policial civil em operação sobre Refi

Outros alvos das buscas são o ex-governador Cláudio Castro (PL) e Ricardo Magro, dono da Refit
A Polícia Federal apreendeu cerca de R$ 580 mil em dinheiro nesta sexta-feira (15) na casa do policial civil do Rio de Janeiro Maxwell Fernandes, um dos alvos da operação Sem Refino, que tem como principal alvo a refinaria Refit.

Maxwell é um dos alvos de mandados busca e apreensão, que foram ordenados pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). A defesa dele não foi localizada pela reportagem.

Outros alvos das buscas são o ex-governador Cláudio Castro (PL) e Ricardo Magro, dono da Refit.

Moraes expediu mandado de prisão contra Magro. Como o empresário vive no exterior, o ministro determinou a inclusão de seu nome na lista vermelha da Interpol.

A Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros, além da suspensão das atividades das empresas investigadas.

Em nota, a defesa de Castro diz que foi surpreendida com a operação e que o ex-governador "está à disposição da Justiça para dar todas as explicações convicto de sua lisura".

"Todos os procedimentos praticados durante a sua gestão obedeceram aos critérios técnicos e legais previstos na legislação vigente, inclusive aqueles relacionados à política de incentivos fiscais do Estado, que seguem normas próprias, análises técnicas e deliberação dos órgãos competentes", diz a nota.

A Refit e Magro, também em nota, negam ter falsificado declarações fiscais para ter vantagens fiscais ou ter fornecido combustível para o crime organizado

Por José Marques/Folhapress

Polícia Federal troca delegado que pediu investigação contra Lulinha e chefiava inquérito de desvios no INSS

Procurada, Polícia Federal não respondeu se a troca foi uma decisão da direção da corporação ou se foi um pedido do próprio delegado

Fachada da sede da Polícia Federal

A Polícia Federal substituiu o delegado que chefiava o inquérito sobre desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e pediu a realização de investigação contra Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Lula. Procurada, a direção da PF não respondeu se a troca ocorreu a pedido do próprio delegado ou se foi por uma definição do comando da corporação.

O delegado Guilherme Figueiredo Silva era chefe da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários da Polícia Federal e foi o responsável por coordenar e conduzir as investigações sobre o INSS depois que o caso foi remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF). Foi ele quem pediu, por exemplo, a prisão do empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, suspeito de liderar o esquema de desvios de aposentadorias.

Essa troca no caso motivou uma reunião do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça com a equipe da PF nesta sexta-feira, 15. O ministro pediu esclarecimentos sobre o assunto.

Guilherme deixou o caso no início do mês e redistribuiu os inquéritos para outros delegados. Ele não participou, por exemplo, da rodada de depoimentos dos investigados realizada nas últimas semanas.

A condução do caso do INSS vinha gerando críticas da defesa de Lulinha, que afirmava em declarações públicas que não havia fundamentos para que a investigação tomasse medidas contra o filho do presidente.

A PF solicitou, por exemplo, a quebra do sigilo bancário de Lulinha, que foi autorizado por André Mendonça, e produziu relatórios apontando suspeitas em movimentações financeiras de uma amiga dele, a empresário Roberta Luchsinger. As defesas deles negam o envolvimento com irregularidades.
Por Aguirre Talento/Carolina Brígido/Estadão

Sidney Oliveira, da Ultrafarma, e ex-auditor são acusados de organização criminosa pelo MP-SP

O MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo) denunciou, nesta sexta-feira (15), 11 pessoas sob acusação de integrar uma organização criminosa para um esquema bilionário de manipulação de créditos de ICMS na Sefaz-SP (Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo). São empresários, executivos, doleiros e fiscais implicados na fraude.

Entre os denunciados estão Sidney Oliveira, fundador da Ultrafarma, e o ex-auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, apontado pelos promotores como o principal articulador da estrutura que teria movimentado cerca de R$ 1 bilhão em propinas para liberar créditos tributários fraudulentos de ICMS a grandes empresas do varejo.

O Ministério Público pede a adoção de medidas cautelares contra o empresário, como uso de tornozeleira eletrônica, apreensão do passaporte, comparecimento mensal à Justiça e proibição de deixar a comarca onde reside. Se a acusação for aceita pela Justiça, os empresários viram réus no caso da fraude do ICMS.

As defesas do empresário e do ex-auditor fiscal foram procuradas às 6h30 por email.

Esta é a segunda denúncia criminal apresentada neste ano contra Oliveira no âmbito da Ícaro. Desde fevereiro, ele responde por crime de corrupção. Procurada à época, a defesa do empresário não se manifestou sobre essa acusação.

A denúncia foi apresentada no âmbito da Operação Ícaro, conduzida pelo Gedec (Grupo de Atuação Especial de Combate aos Delitos Econômicos).

Segundo os promotores, Sidney Oliveira integrava o núcleo empresarial da organização criminosa. Para os promotores, a atuação do empresário não foi pontual, mas uma adesão "estável e permanente" ao esquema entre 2021 e 2025, período em que, segundo a investigação, a Ultrafarma teria pago propinas para obter vantagens na liberação de créditos tributários de ICMS.

De acordo com o MP-SP, o dono da Ultrafarma era responsável por autorizar os pagamentos destinados aos auditores fiscais envolvidos no esquema e mantinha contato direto com Silva Neto. Em mensagens interceptadas pela investigação, o ex-auditor aparece identificado como "amigo" ou "king".

A Promotoria afirma ainda que o empresário coordenava a logística das entregas de dinheiro vivo por meio de uma assistente pessoal. Conversas extraídas de celulares mostram, segundo os investigadores, ordens diretas para separação e entrega de valores aos fiscais.

Nas mensagens, a propina era tratada pelo codinome "vinho". Em um dos diálogos citados na denúncia, de maio de 2024, após ser avisado de que o "amigo" precisava de recursos, Sidney teria autorizado a entrega de "50" —valor interpretado pelo MP-SP como referência a R$ 50 mil em espécie.

Segundo a investigação, os pagamentos costumavam ocorrer na própria sede administrativa da Ultrafarma, em Santa Isabel, na Grande São Paulo. Dados de geolocalização do celular de Silva Neto, analisados pelos investigadores, indicariam a presença frequente do ex-auditor no local nas datas mencionadas nas conversas.

Em um dos episódios citados na denúncia, Silva Neto teria recebido R$ 250 mil em espécie dentro da sede da Ultrafarma.

Preso temporariamente em agosto de 2025 na deflagração da Operação Ícaro, Oliveira foi solto dias depois e teve todas as medidas cautelares revogadas pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, porque ainda não havia acusação formal apresentada contra ele naquele momento.

A nova denúncia amplia o alcance da investigação. Segundo os promotores, o grupo atuava dentro e fora da máquina pública, conectando auditores fiscais, consultorias tributárias, empresários e operadores financeiros especializados em lavagem de dinheiro.

De acordo com a investigação do Gedec, o articulador central do esquema de corrupção e da organização criminosa era Silva Neto, enquanto ocupava o cargo de supervisor fiscal da Diretoria de Fiscalização (Difis) na Sefaz-SP, que permitia que ele supervisionasse o deferimento de créditos tributários e a cessão desses créditos a terceiros. Ele foi exonerado em agosto do ano passado e segue preso preventivamente no interior de São Paulo. O MP-SP pede a manutenção da prisão preventiva.

A nova defesa do ex-fiscal nunca se manifestou sobre o tema à reportagem.

Silva Neto era o responsável por manter contato direto com as varejistas, apresentar as ofertas de serviços ilícitos e ajustar os valores das propinas. Além disso, ele gerenciava a alocação de demandas entre os demais auditores fiscais do grupo criminoso.

Segundo a denúncia, Silva Neto mantinha planilhas com a relação completa das empresas atendidas, identificando inspetores e agentes fiscais vinculados a cada caso. Ele próprio se referia aos demais denunciados como a "sua equipe", de acordo com documentos obtidos pela Ícaro.

Silva Neto utilizaria a empresa Smart Tax Consultoria e Auditoria Tributária Ltda., registrada em nome de sua mãe, Kimio Mizukami da Silva, como base operacional e financeira para recebimento e circulação das propinas.

A evolução patrimonial de Kimio é tratada pela Promotoria como um dos principais indícios de lavagem de dinheiro. Professora aposentada e sem atuação conhecida na área tributária, ela declarou patrimônio de R$ 411 mil em 2021. Dois anos depois, os bens vinculados a ela ultrapassavam R$ 2 bilhões.

O MP-SP sustenta que Kimio não era apenas uma "laranja" passiva, mas participava ativamente das movimentações financeiras e operações de lavagem de dinheiro sob orientação do filho. Os promotores pedem a adoção de medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica e retenção de passaporte. A reportagem não localizou a defesa de Kimio.

Uma funcionária de Silva Neto, apontada como responsável por receber o material das varejistas e pagar parte das propinas, também foi denunciada.

Também foi denunciado o casal Celso Eder Gonzaga de Araújo e sua mulher, Tatiane da Conceição Lopes de Araújo, integravam o núcleo financeiro e de lavagem de dinheiro da organização criminosa. Os promotores descrevem o casal como "lavadores profissionais" a serviço do grupo liderado pelo ex-auditor

Diante do risco de fuga e da existência de ativos de fácil ocultação e transporte, como joias e criptomoedas, o MP-SP pediu a prisão preventiva do casal. No momento da denúncia, ambos já estavam em prisão domiciliar em razão de outras frentes da investigação. .

Segundo a denúncia, a organização era dividida em quatro núcleos: agentes públicos, técnico-operacional, empresarial e financeiro. Entre os denunciados estão também os auditores fiscais Marcelo de Almeida Gouveia, solto na última quarta-feira (13), e Alberto Toshio Murakami —considerado foragido nos Estados Unidos, vivendo em uma casa no Tennessee avaliada em R$ 7 milhões, segundo os investigadores. Sua prisão foi decretada e ele está na Difusão Vermelha da Interpol. O Ministério Público pede a decretação de nova prisão preventiva.

Segundo o MP-SP, ambos usavam cargos estratégicos na Sefaz-SP nos postos fiscais de Osasco e Butantã para facilitar a tramitação dos créditos tributários suspeitos. Há registro documental apresentado na denúncia de que Murakami acompanhou Silva Neto pessoalmente à sede da Ultrafarma para o recebimento de propina em dinheiro vivo.

Segundo a Promotoria, parte da estrutura continuou operando mesmo após a primeira fase da Operação Ícaro, em 2025. Em março deste ano, segundo os investigadores, a contadora Maria Hermínia de Jesus Santa Clara foi encontrada com computadores da Sefaz-SP e certificados digitais vinculados a auditores fiscais.

Ela está presa. A reportagem não localizou a defesa de Maria Hermínia.

A crise provocada pela Operação Ícaro também atingiu a estrutura interna da Secretaria da Fazenda paulista. Segundo a Sefaz-SP, estão em aberto 61 procedimentos administrativos para investigar envolvimento nas irregularidades citadas na Ícaro, entre eles 11 disciplinares em andamento, 37 apurações preliminares para investigar desvios de conduta e cinco processos estão em fase avançada e podem resultar em demissões.

No dia 29 do mês passado, a Sefaz-SP anunciou a demissão de cinco auditores fiscais envolvidos em irregularidades. A secretaria diz ainda que novas apurações podem ser instaladas conforme o avanço das investigações.

Além da Ultrafarma, aparecem na investigação empresas como a Fast Shop e a Rede 28, rede de postos de combustíveis. Apenas no caso da Fast Shop, o prejuízo estimado aos cofres paulistas chega a R$ 1,04 bilhão, segundo a Promotoria.

EMPRESAS CONFESSARAM PARTICIPAÇÃO NA FRAUDE

Em acordos firmados com o MP-SP para evitar ações penais, sócios-proprietários e um diretor da Fast Shop admitiram participação no esquema e se comprometeram a devolver R$ 100 milhões aos cofres públicos.

Em paralelo, na última segunda-feira (11), a varejista de eletrônicos foi condenada pelo governo de São Paulo a pagar R$ 1,04 bilhão por corrupção, fraude tributária do ICMS, a maior penalidade já aplicada no país com base na Lei Anticorrupção.

A Fast Shop está recorrendo da multa e, por meio de nota, diz que "o processo administrativo mencionado está em curso e que não há decisão definitiva sobre o caso".

A Rede 28 Postos de Combustíveis, que atua em São Paulo e no Paraná, também confessou ter participado do esquema, pagando mais de R$ 6,6 milhões em propinas para obter vantagens em créditos indevidos do ICMS. A rede firmou um acordo de não persecução penal com o MP, em 2025, no valor de R$ 5 milhões, para livrar os executivos da denúncia criminal.

Por Ana Paula Branco/Folhapress

Quem é Ricardo Magro, alvo de operação da Polícia Federal

O empresário Ricardo Magro, dono da refinaria Refit, no Rio, voltou a ser alvo de operação sobre fraudes no setor de combustíveis nesta sexta-feira (15). Magro vive em Miami e foi determinada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a inclusão de seu nome na lista vermelha da Interpol.

Na ação desta sexta, a PF (Polícia Federal) apura suspeitas de fraudes fiscais, ocultação patrimonial e inconsistências relacionadas à operação de refinaria. Em novembro de 2025, o Grupo Refit já havia entrado na mira de uma das maiores operações de combate à sonegação realizadas contra uma única empresa no setor, com a investigação de uma teia de pessoas físicas e empresas direta ou indiretamente ligadas aos negócios de Magro.

Em entrevista à Folha no início de setembro, logo após a megaoperação Carbono Oculto intensificar o combate ao crime organizado no setor de combustíveis, Magro declarou que trabalhava na legalidade e que é perseguido. Magro disse que não era sonegador contumaz, apenas tinha discussões sobre o pagamento de impostos com o Fisco.

O empresário conduz seus negócios a partir de Miami, nos Estados Unidos, onde fixou residência em 2016.

Na vida privada, Magro segue tradições africanas. É adepto da umbanda, jogou capoeira e, na cena musical, atua como o DJ de afro house Orgam —um anagrama de seu nome. Admira esportes e a cultura, por causa disso, a Refit já fez doação para escola de samba, parceria com o UFC e patrocínio oficial para a NFL no Brasil.

Na cidade praiana americana, Magro vive com conforto. A Folha teve acesso ao seu processo de separação. A discussão ocorreu entre 2019, quando ele saiu de casa, e 2021, com a assinatura de um acordo, mas dá uma ideia do padrão de vida no exterior.

A residência do casal era um imóvel com mais de 9.000 metros quadrados e o valor tributável, então, superava US$ 3,5 milhões (R$ 18,7 milhões em valores de hoje). Na época, a então esposa dirigia um Range Rover, e Magro, um Maserati.

Eles ainda precisaram discutir a partilha de um barco Azimut de 60 pés, marca de luxo italiana. O processo destacava que vários outros imóveis tinham sido adquiridos durante o casamento, em áreas nobres da Flórida, como Sunny Isles, Park Grove, Coconut Grove e Key Biscayne, uma linda ilha na região.

Quando saiu de casa, Magro se mudou para uma propriedade alugada. Pelo que a esposa contou no processo, antes de vencer o contrato de locação, ele alugou uma casa, também em Miami, que pertencia ao jogador americano de basquete LeBron James —uma mansão luxuosa com cozinha de chef, adega de sommelier, cinema personalizado e muitos outros recursos, que custava entre US$ 35 mil e US$ 40 mil (R$ 187 mil e R$ 213 mil) por mês.

Apesar de conhecido na cena carioca, Magro é nascido e criado em São Paulo. Ele conta que o pai foi dono da antiga rede de postos Tigrão, então da bandeira Esso, e que usava aquele macacão da marca. Diz que o negócio praticamente quebrou depois de a petroleira mudar o modelo e apostar em revendas menores. Entre 1997 e 2004, a família, então, passou a atuar na distribuição, quando sofreu novo revés, e decidiu se mudar para o Rio de Janeiro.

Não muito tempo depois, Magro inicia uma relação comercial com Manguinhos. Em 2008, adquiriu a refinaria, por R$ 7 milhões na época, quando estava à beira da falência. Dali para frente foi só controvérsia, com Magro imerso em discussões judiciais, tributárias e policiais.

Em 2012, por exemplo, o governo de Sergio Cabral chegou a decretar a desapropriação devido a denúncias de sonegação e inadimplência de impostos, forçando a interrupção das atividades.

Na política, é conhecido por transitar bem seja qual for a ideologia. No passado, era lembrado como alguém à esquerda. No final da década de 2000, o ex-secretário de Comunicação do PT e assessor da Casa Civil durante a gestão do ex-ministro José Dirceu, Marcelo Sereno, teve cargos em Manguinhos.

Agora, é associado à direita, por causa da proximidade com o senador Ciro Nogueira (Progressistas) e políticos do PL —especialmente no Rio de Janeiro—, mas nega conhecer a família Bolsonaro.

Em nota enviada em novembro, a Refit afirma que os débitos tributários apontados pela Secretaria da Fazenda de São Paulo são alvo de questionamento judicial, "exatamente como fazem inúmeras empresas brasileiras". Por isso, a empresa nega tentativa de ocultar receitas ou fraudar o recolhimento de tributos.

Por Alexa Salomão e Nicola Pamplona/Folhapress

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