Quem é Ricardo Magro, alvo de operação da Polícia Federal

O empresário Ricardo Magro, dono da refinaria Refit, no Rio, voltou a ser alvo de operação sobre fraudes no setor de combustíveis nesta sexta-feira (15). Magro vive em Miami e foi determinada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a inclusão de seu nome na lista vermelha da Interpol.

Na ação desta sexta, a PF (Polícia Federal) apura suspeitas de fraudes fiscais, ocultação patrimonial e inconsistências relacionadas à operação de refinaria. Em novembro de 2025, o Grupo Refit já havia entrado na mira de uma das maiores operações de combate à sonegação realizadas contra uma única empresa no setor, com a investigação de uma teia de pessoas físicas e empresas direta ou indiretamente ligadas aos negócios de Magro.

Em entrevista à Folha no início de setembro, logo após a megaoperação Carbono Oculto intensificar o combate ao crime organizado no setor de combustíveis, Magro declarou que trabalhava na legalidade e que é perseguido. Magro disse que não era sonegador contumaz, apenas tinha discussões sobre o pagamento de impostos com o Fisco.

O empresário conduz seus negócios a partir de Miami, nos Estados Unidos, onde fixou residência em 2016.

Na vida privada, Magro segue tradições africanas. É adepto da umbanda, jogou capoeira e, na cena musical, atua como o DJ de afro house Orgam —um anagrama de seu nome. Admira esportes e a cultura, por causa disso, a Refit já fez doação para escola de samba, parceria com o UFC e patrocínio oficial para a NFL no Brasil.

Na cidade praiana americana, Magro vive com conforto. A Folha teve acesso ao seu processo de separação. A discussão ocorreu entre 2019, quando ele saiu de casa, e 2021, com a assinatura de um acordo, mas dá uma ideia do padrão de vida no exterior.

A residência do casal era um imóvel com mais de 9.000 metros quadrados e o valor tributável, então, superava US$ 3,5 milhões (R$ 18,7 milhões em valores de hoje). Na época, a então esposa dirigia um Range Rover, e Magro, um Maserati.

Eles ainda precisaram discutir a partilha de um barco Azimut de 60 pés, marca de luxo italiana. O processo destacava que vários outros imóveis tinham sido adquiridos durante o casamento, em áreas nobres da Flórida, como Sunny Isles, Park Grove, Coconut Grove e Key Biscayne, uma linda ilha na região.

Quando saiu de casa, Magro se mudou para uma propriedade alugada. Pelo que a esposa contou no processo, antes de vencer o contrato de locação, ele alugou uma casa, também em Miami, que pertencia ao jogador americano de basquete LeBron James —uma mansão luxuosa com cozinha de chef, adega de sommelier, cinema personalizado e muitos outros recursos, que custava entre US$ 35 mil e US$ 40 mil (R$ 187 mil e R$ 213 mil) por mês.

Apesar de conhecido na cena carioca, Magro é nascido e criado em São Paulo. Ele conta que o pai foi dono da antiga rede de postos Tigrão, então da bandeira Esso, e que usava aquele macacão da marca. Diz que o negócio praticamente quebrou depois de a petroleira mudar o modelo e apostar em revendas menores. Entre 1997 e 2004, a família, então, passou a atuar na distribuição, quando sofreu novo revés, e decidiu se mudar para o Rio de Janeiro.

Não muito tempo depois, Magro inicia uma relação comercial com Manguinhos. Em 2008, adquiriu a refinaria, por R$ 7 milhões na época, quando estava à beira da falência. Dali para frente foi só controvérsia, com Magro imerso em discussões judiciais, tributárias e policiais.

Em 2012, por exemplo, o governo de Sergio Cabral chegou a decretar a desapropriação devido a denúncias de sonegação e inadimplência de impostos, forçando a interrupção das atividades.

Na política, é conhecido por transitar bem seja qual for a ideologia. No passado, era lembrado como alguém à esquerda. No final da década de 2000, o ex-secretário de Comunicação do PT e assessor da Casa Civil durante a gestão do ex-ministro José Dirceu, Marcelo Sereno, teve cargos em Manguinhos.

Agora, é associado à direita, por causa da proximidade com o senador Ciro Nogueira (Progressistas) e políticos do PL —especialmente no Rio de Janeiro—, mas nega conhecer a família Bolsonaro.

Em nota enviada em novembro, a Refit afirma que os débitos tributários apontados pela Secretaria da Fazenda de São Paulo são alvo de questionamento judicial, "exatamente como fazem inúmeras empresas brasileiras". Por isso, a empresa nega tentativa de ocultar receitas ou fraudar o recolhimento de tributos.

Por Alexa Salomão e Nicola Pamplona/Folhapress

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