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Master tentou repassar R$ 15,8 bi ao BRB para compensar fraude em carteiras de crédito, diz relatório
O Banco Master tentou repassar R$ 15,8 bilhões em créditos ao BRB (Banco Regional de Brasília) entre setembro de 2024 e novembro de 2025 para substituir os R$ 12 bilhões em carteiras supostamente fraudulentas vendidas pela instituição financeira de Daniel Vorcaro ao banco do Distrito Federal.
Os dados estão em Relatório de Inteligência Financeira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) que analisa as relações entre o BRB e o Master.
O documento, ao qual a Folha teve acesso, foi entregue à CPI do Crime Organizado. Ele se baseia em comunicação feita pelo banco estatal ao Coaf em 18 de novembro de 2025, no dia da deflagração da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes no banco de Vorcaro.
O Master disse que não comentaria o assunto. Procurado por email às 15h30 desta quinta (12), o BRB não respondeu aos questionamentos da reportagem.
A operação contra Vorcaro aconteceu após o BC (Banco Central) identificar uma série de operações suspeitas entre BRB e Master e repassar as informações à PF (Polícia Federal). Assim, a notificação feita pelo BRB ao Coaf aconteceu só depois de a PF ter prendido Vorcaro pela primeira vez, na noite de 17 de novembro.
Entre as 47 operações de crédito listadas no relatório que foram repassadas pelo Master ao BRB estão empréstimos suspeitos feitos pelo Master para 36 empresas. Uma dessas operações envolveu empréstimos de R$ 1,9 bilhão para cinco dessas empresas.
As operações chamaram a atenção do BC (Banco Central) porque o dinheiro obtido pelas empresas em empréstimos do Master era injetado nos fundos DMais e Bravo, ambos administrados pela gestora Reag e, segundo as investigações, suspeitos de repassarem recursos a outros fundos que eram inflados pelo Master por meio do uso de ativos financeiros podres. Essa valorização artificial permitia que o dinheiro fosse ao final desviado para Vorcaro, parentes e aliados.
A suspeita do BC é ainda maior porque os empréstimos não eram pagos de volta ao Master.
Segundo os investigadores, ao repassar essa carteira de empréstimos, muitos deles fraudulentos, ao BRB, o Master se livrava dos indicadores que elevavam a inadimplência e limpava o seu balanço, repassando o problema de conseguir o ressarcimento ao banco estatal de Brasília.
O relatório do Coaf não deixa claro quais dentre os créditos foram aceitos pelo banco controlado pelo governo do Distrito Federal, mas na lista estão operações que foram incorporadas ao balanço do banco.
Entre os ativos repassados ao BRB estão recursos do fundo Jeitto, focado em crédito, com uma carteira de mais de R$ 1 bilhão. Desse total, R$ 952 milhões estavam inadimplentes em dezembro de 2025, o que levou a um provisionamento de R$ 873 milhões (reserva de capital para arcar com potenciais perdas).
Os valores vêm de empréstimos concedidos pelo Banco Master com uma cláusula de que, se houvesse inadimplência superior a 90 dias, o fundo arcaria com o prejuízo, mas parou de cobrir as perdas no primeiro semestre de 2025.
O relatório do Coaf aponta que a proposta de entrega do Jeitto para o BRB ocorreu em julho de 2025 pelo valor de R$ 532,2 milhões.
O BRB informou ao Coaf que fazia operações de compra de carteiras de crédito desde 2021, o que teria envolvido nove instituições financeiras, não apenas o Master.
Nesse tipo de operação, um banco vende dívidas a receber. O banco que compra os empréstimos paga menos do que o valor devido pelos tomadores de empréstimo. Com isso, tem um lucro quando os empréstimos são pagos.
"A partir do terceiro trimestre de 2024, o BRB passou também a adquirir carteiras de crédito consignado parcelado, cartão consignado e cartão consignado benefício do Banco Master", prossegue o informe do banco brasiliense ao Coaf.
A compra de carteiras de crédito falsificadas deixou um rombo significativo no banco público, que agora busca recursos para recompor seu capital e evitar uma liquidação.
Por Lucas Marchesini, Catia Seabra e João Gabriel/Folhapress
Setor de combustíveis diz que medidas do governo para conter alta do diesel são insuficientes
Executivos do setor de combustíveis afirmam que descontos não cobrem defasagem atual
As medidas anunciadas pelo governo para conter a alta do preço do diesel foram consideradas insuficientes pelo setor de combustíveis e por segmentos do transporte que vinham cobrando ação emergencial diante da crise.
Fontes do setor destacaram que a diferença entre o preço cobrado pela Petrobras e as cotações internacionais está hoje bem superior ao desconto de R$ 0,64 por litro concedido pelo governo com isenção de PIS/Cofins e subvenção a produtores e importadores.
Na abertura do mercado desta quinta-feira (12), por exemplo, o litro do diesel nas refinarias da estatal custava R$ 1,61 a menos do que a paridade de importação medida pela Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis).
"A medida resolve parcialmente, mas é necessário chamar os governadores para que o governo federal possa discutir a questão da isenção também do ICMS dos estados, como foi feito no governo anterior referente à pandemia", disse Wallace Landim, um dos líderes dos caminhoneiros.
O ICMS é hoje o principal item de custos no preço final do diesel, fora o próprio combustível. O imposto representa R$ 1,17 por litro, o equivalente a 19% do valor pago, em média, pelo consumidor.
Landim é presidente da (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores), entidade que ameaça convocar greve dos caminhoneiros caso o governo não tomasse medidas para enfrentar o aumento do preço dos combustíveis.
"A gente observou que, principalmente no Centro-Oeste, um aumento no diesel de mais de 25% nas últimas semanas. O que as distribuidores e os revendedores estão fazendo com essa manobra é inadmissível, porque não teve um aumento na Petrobras", afirmou à Folha.
De fato, distribuidoras e importadores privadas repassaram a escalada das cotações internacionais aos volumes de diesel que trazem do exterior. Dona da maior refinaria privada do país, a Acelen já promoveu três reajustes no preço do diesel desde o início do mês.
Segundo a Edenred TicketLog, o preço médio do diesel subiu 7,7% no Brasil após o início da guerra. As maiores altas foram verificadas nas regiões Nordeste (8,79%) e Centro Oeste (7,11%).
A Petrobras, por sua vez, não mexe nos preços do diesel há mais de 300 dias, embora venha repassando parte da alta do produto importado em leilões, segundo fontes. Na semana passada, a presidente da estatal, Magda Chambriard, alegou que ainda era cedo para determinar em qual patamar ficariam as cotações do petróleo.
Distribuidoras e importadores alertam que a elevada defasagem dos preços da Petrobras dificulta importações privadas e pode afetar o abastecimento nacional, principalmente de diesel, produto mais pressionado pela guerra.
O país importa cerca de um quarto de seu consumo de diesel. Metade das importações é feita pela Petrobras, e a outra metade, por empresas privadas, que têm menor disposição para segurar preços.
Com as medidas anunciadas nesta quinta, elas podem importar o diesel com desconto de R$ 0,64, mas ainda assim com preço bem acima do praticado pela Petrobra
"Em princípio, a medida é boa e necessária, considerando o preço do petróleo nesse patamar", disse o presidente da Abicom, Sérgio Araújo. "Mas ainda precisamos analisar melhor como vai funcionar a subvenção".
Por Nicola Pamplona e Felipe Mendes, Folhapress
Durigan planeja bloqueio de despesas para lidar com pressões por redução na fila do INSS perto da eleição
Dario Durigan
A estratégia fiscal do Ministério da Fazenda para o Orçamento do último ano do governo Lula 3 é fazer uma poupança agora para administrar pressões de alta de despesas obrigatórias advindas do programa de redução da fila do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) até o fim de 2026.
A orientação dada pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, à equipe é antecipar um bloqueio mais duro de despesas no primeiro relatório de avaliação de receitas e despesas do Orçamento de 2026 para sinalizar um gerenciamento realista das contas do governo federal neste ano, de acordo com pessoas a par do tema ouvidas pela Folha.
Analistas do mercado financeiro estimam que o governo deverá fazer um bloqueio entre R$ 6 bilhões e R$ 10 bilhões para cumprir a meta fiscal.
Nº 2 da Fazenda, Durigan deve assumir o lugar de Fernando Haddad (PT). Nesta terça-feira (10), Haddad confirmou em entrevista que deixa o cargo na semana que vem para se candidatar nas eleições de outubro e que Durigan deverá sucedê-lo.
O bloqueio de despesas é o instrumento que o governo tem para congelar temporariamente os gastos discricionários (custeio e investimentos) para administrar os riscos de descumprimento do teto de gastos quando despesas obrigatórias crescem acima do esperado.
De acordo com técnicos da Fazenda, não se enxerga até o momento a necessidade de um contingenciamento de despesas —o congelamento temporário que é realizado quando a receita prevista na lei orçamentária não se concretiza para o cumprimento das metas fiscais.
O envio ao Congresso do primeiro relatório bimestral tem que ser feito até o dia 24 de março, de acordo com a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2026.
Em ano de eleições, o presidente Lula, que vai disputar o seu quarto mandato ao Palácio do Planalto, já cobrou a diminuição da fila do INSS. Em janeiro, havia 3,07 milhões de requerimentos de benefícios em análise ou aguardando perícia médica inicial.
O problema maior para a equipe econômica é lidar ao mesmo tempo com o fluxo de novos benefícios, que aumenta todos os meses, e com o estoque dos benefícios represados.
A avaliação na secretaria-executiva da Fazenda repassada a auxiliares é que o governo precisa antecipar o bloqueio das despesas discricionárias e com isso abrir espaço para administrar a pressão adicional que pode vir do INSS para não correr riscos até o final do ano.
O diagnóstico feito é que, além dos ministérios, parlamentares e prefeitos, que pressionam pela liberação de emendas parlamentares, precisam se acostumar a essa realidade da execução orçamentária de 2026. Neste ano, de acordo com a LDO, 65% das emendas de execução obrigatória têm que ser pagas até o fim do primeiro semestre. Essas são as emendas individuais e de bancada.
Em janeiro passado, o INSS publicou portaria que traz mudanças no Programa de Gerenciamento de Benefícios e no pagamento extraordinário. A norma trouxe como principal mudança a nacionalização da fila, para reduzir o número de pedidos aguardando conclusão em todo o país.
Com a mudança, a fila do INSS deixou de ser regional e passou a ser única em nível nacional, permitindo que servidores de regiões com menor tempo de espera atuem nos processos de locais onde a demanda é maior.
A estratégia do INSS é priorizar, na análise dos pedidos previdenciários, as pessoas que estão esperando há mais tempo pela resposta do INSS. Além disso, dá atenção especial aos benefícios que têm maior demanda, como o BPC (Benefício de Prestação Continuada) e os benefícios por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença). Zerar a fila foi uma promessa de campanha feita pelo presidente Lula em 2022.
Como mostrou a Folha, a fila de novos pedidos de aposentadoria, pensão e demais benefícios ao INSS tem crescido em torno de 10% ao mês desde maio do ano passado. O governo avalia o custo para o Orçamento dada a maior velocidade do ritmo de redução do estoque, segundo informações repassadas pelo INSS à equipe econômica.
Desde o início do governo Lula, o máximo de redução mensal da fila que o INSS conseguiu num único mês foi de 156 mil, em agosto de 2023. Ao longo de todo o ano de 2025, a fila ficou acima de 2 milhões de pessoas em espera todos os meses.
Em fevereiro, o governo anunciou um decreto de programação orçamentária e financeira deste ano que, na prática, prevê uma poupança de mais de R$ 40 bilhões em gastos para garantir que o governo cumpra a meta fiscal de superávit de 0,25% do PIB, o correspondente a R$ 34,3 bilhões.
Para ajudar no Orçamento, o governo conta, do lado das receitas, com a redução de 10% dos benefícios tributários, medida aprovada no ano passado pelo Congresso. Mas por outro lado terá que lidar com pressões extras no governo e no Congresso para expansão de despesas em ano eleitoral.
ENTENDA A DIFERENÇA ENTRE BLOQUEIO E CONTINGENCIAMENTO
O novo arcabouço fiscal determina que o governo observe duas regras: um limite de gastos e uma meta de resultado primário (verificada a partir da diferença entre receitas e despesas, descontado o serviço da dívida pública).
Ao longo do ano, conforme mudam as projeções para atividade econômica, inflação ou das próprias necessidades dos ministérios para honrar despesas obrigatórias, o governo pode precisar fazer ajustes para garantir o cumprimento das duas regras.
Se o cenário é de aumento das despesas obrigatórias, é necessário fazer um bloqueio.
Se as estimativas apontam uma perda de arrecadação, o instrumento adequado é o contingenciamento.
Como funciona o bloqueio
O governo segue um limite de despesas, distribuído entre gastos obrigatórios (benefícios previdenciários, salários do funcionalismo, pisos de saúde e educação) e discricionários (investimentos e custeio de atividades administrativas).
Quando a projeção de uma despesa obrigatória sobe, o governo precisa fazer um bloqueio proporcional nas discricionárias para honrar todas as obrigações sem descumprir o limite global de gastos.
Como funciona o contingenciamento
O governo segue uma meta fiscal, que mostra se há compromisso de arrecadar mais do que gastar (superávit) ou previsão de que as despesas superem as receitas (déficit). Neste ano, o governo estipulou uma meta zero, que pressupõe equilíbrio entre receitas e despesas, com margem de tolerância de 0,25% do PIB para mais ou menos.
Como a despesa não pode subir para além do limite, o principal risco ao cumprimento da meta vem das flutuações na arrecadação. Se as projeções indicam uma receita menos pujante, o governo pode repor o valor com outras medidas, desde que tecnicamente fundamentadas, ou efetuar um contingenciamento sobre as despesas.
Pode haver situação de bloqueio e contingenciamento juntos?
Sim. É possível que, numa situação de piora da arrecadação e alta nas despesas obrigatórias, o governo precise aplicar tanto o bloqueio quanto o contingenciamento. Nesse caso, o impacto sobre as despesas discricionárias é a soma dos dois valores.
Por Adriana Fernandes/Folhapress
Silveira defende manter preço da gasolina e ameaça acionar PF contra 'especulação criminosa'
Ministro afirmou que vai acionar Cade, Senacon, ANP e PF contra aumentos abusivos nos postos
| Foto: Lula Marques/Agencia Brasil/Arquivo |
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, negou haver necessidade de elevar o preço da gasolina no Brasil em razão da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã e ameaçou multar e acionar a Polícia Federal (PF) contra distribuidoras e revendedoras que aumentem o valor cobrado por combustíveis.
"É naturalmente um momento de apreensão do mundo inteiro, não só do Brasil, porque nós vivemos um caos geopolítico, mas não tem risco ao abastecimento [de combustível] e, muito pelo contrário, há toda condição de se manter o preço dos combustíveis", disse nesta quarta-feira (11) a jornalistas.
Nos últimos dias, entidades do setor pressionaram o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a Petrobras a reajustar o preço dos combustíveis.
Silveira disse que são abusos cometidos por distribuidoras e revendedoras de combustível, e que vai acionar a Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor), a ANP (Agência Nacional de Petróleo e Gás), o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e a PF contra esse tipo de situação.
"O que há é uma criminosa especulação por parte dessas distribuidoras e dos revendedores. Por isso, nós vamos aplicar as multas devidas, vamos fiscalizar, vamos fazer operações", disse.
Ele lembrou que o Brasil é um país exportador de petróleo (produz mais do que consome) e importa apenas uma parte do diesel e da gasolina que usa.
Nesta quarta, o Irã atacou mais três navios no golfo Pérsico e voltou a enfatizar que pretende manter fechado o estreito de Hormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial. "Se preparem para o petróleo a US$ 200 o barril", disse o porta-voz militar iraniano Ebrahim Zolfaqari.
Nesta quarta, o preço do petróleo —o barril Brent, o referencial do mercado— iniciou o dia em queda, mas depois subiu 6%.
Em resposta a alta dos preços, a AIE (Agência Internacional de Energia) anunciou a liberação de 400 milhões de barris no mercado, em um movimento inédito em sua história.
A postura da Petrobras até aqui, que detém o controle majoritário do produto no país, é de tratar o aumento como uma volatilidade de momento, mas ainda incipiente para levar a decisão de aumentar o valor comercializado no mercado.
O mesmo é avaliado por integrantes do governo, que lembram que subir o preço da gasolina é uma medida impopular e que deve ser tratada com cautela diante do crescimento de Flávio Bolsonaro (PL) na corrida contra Lula para as eleições de 2026.
A alta do preço, porém, vem aumentando a defasagem do preço da gasolina e do diesel no mercado internacional com relação ao nacional —ou seja, reduzindo a margem de lucro para o mercado interno e beneficiando a exportação.
Por isso, postos de combustíveis e entidades do setor vêm pressionando a Petrobras e já anunciam aumento no valor cobrado pelos dois combustíveis nas bombas, o que encarece o custo para o consumidor.
Por João Gabriel, Folhapress
Produtores de arroz interrompem colheita por falta de diesel
Colheita de arroz orgânico em São Jerônimo (RS)
Os produtores de arroz do Rio Grande do Sul estão desde a última quinta-feira (5) sem receber diesel em suas fazendas, segundo a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul). O estado é responsável por 70% da produção do grão no país e está no auge do período de colheita.
O diesel é importante porque é o combustível usado pelos produtores para operar os maquinários usados na plantação, como tratores. Sem ele, os produtores não conseguem colher o grão.
"O produtor está tendo que ir aos postos de gasolina para pegar diesel, mas isso dá para no máximo um dia; não é possível operacionalizar dessa forma", diz Domingos Velho Lopes, presidente da Farsul. "Os produtores têm estoque em geral de quatro dias a uma semana, e o problema vai ser muito grave se não receber até o meio desta semana, até porque se o produtor demorar mais de três dias, ele perde a colheita."
De acordo com ele, as dficuldades começaram na última terça (3), em meio aos ataques dos Estados Unidos ao Irã e a redução na produção de petróleo por alguns países países do Oriente Médio. Nos últimos cinco dias, o preço do barril de petróleo Brent, referência mundial, subiu 14,65%, desestabilizando o mercado internacional do combustível.
Hoje, cerca de 70% do mercado de petróleo do Brasil é atendido pela Petrobras, sendo o restante atendido por refinarias privadas ou importadoras –no caso do diesel, cerca de 30% é importado. A estatal tem uma política de preços de não conversão imediata dos preços internacionais para o mercado nacional, mas especialistas apontam que os impactos são inevitáveis no médio prazo.
Ainda são incertas as causas na suspensão do fornecimento de diesel para os produtores do Rio Grande do Sul. Geralmente, a entrega do combustível na região se dá por meio dos chamados TRR, sigla para Transportador Revendedor Retalhista –empresas autorizadas pelo governo federal a adquirir grandes quantidades de combustível e em sequência vender no varejo.
De acordo com Lopes, no entanto, esses transportadores têm avisado aos produtores que as distribuidoras reduziram a entrega do combustível nos últimos dias. "Começou um jogo de empurra-empurra; as distribuidoras estão dizendo que a culpa é da refinaria e os TRR culpam as distribuidoras", afirma.
A suspeita é que algum elo da cadeia possa estar travando o fornecimento de diesel, à espera de os preços crescerem ainda mais nos próximos dias. Analistas internacionais temem que o barril de petróleo Brent chegue próximo aos US$ 100 (hoje, está sendo vendido a US$ 87,44).
Neste domingo (8), a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) publicou uma nota, dizendo estar ciente da situação no Rio Grande do Sul. Segundo o órgão regulador, o estado conta com estoques suficientes para assegurar o abastecimento regular de diesel. "A produção e a entrega do combustível seguem em ritmo regular pelo principal fornecedor da região (Refinaria Alberto Pasqualini -Refap)", afirmou.
Ainda de acordo com a agência, as distribuidoras serão notificadas para prestar esclarecimentos sobre o volume de diesel em estoque e os pedidos recebidos. "Caso seja necessário, a agência está preparada para adotar todas as medidas cabíveis a fim de assegurar a continuidade e a normalidade da oferta de diesel no país", completou.
Procurada, a Petrobras disse que não houve qualquer alteração em relação às entregas de diesel por parte de suas refinarias e que elas estão ocorrendo conforme o planejado. "Especificamente em relação ao estado do Rio Grande do Sul, ratificamos que as entregas de diesel estão sendo realizadas dentro do volume programado", afirmou. A empresa é a responsável pela refinaria que atende o Rio Grande do Sul.
Para Francisco Neves, diretor-executivo da Associação Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis, não há dúvidas que a guerra no Irã impacta o mercado nacional de petróleo e derivados. "Mas isso não quer dizer que vai faltar produto. O que há é uma tensão na oferta e restabelecimento dos preços, que a médio prazo vão se ajustar", diz.
Por Pedro Lovisi, Folhapress
Aneel está com atividades sob risco de paralisação
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) encaminhou nesta semana ao Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO) um ofício pedindo a antecipação da disponibilização de recursos orçamentários para cobrir despesas internas pressionadas. "Caso não ocorra a antecipação solicitada, há sério risco de comprometimento crítico das atividades da Aneel inviabilizando o pleno cumprimento de suas atribuições legais", diz o pedido do diretor-geral, Sandoval Feitosa, direcionado à ministra Simone Tebet.
Foi solicitada, especificamente, a antecipação dos limites de empenho da Aneel para R$ 43,3 milhões até março e R$ 152,2 milhões até novembro. Há o faseamento dos limites de empenho de recursos (ou seja, os órgãos recebem o orçamento de forma gradual ao longo do exercício) a cada bimestre. No ano todo, o limite da Aneel é de R$ 177,8 milhões.
"As despesas estão sendo maiores neste exercício. Em parte, pelo aumento dos preços dos serviços ... Mas, além disso, porque algumas novas contratações foram imprescindíveis, a fim de atender aos padrões mínimos de segurança da informação e de disponibilidade de ambiente tecnológico e dos dados, necessários para o bom funcionamento do setor regulado", diz o ofício.
As atividades da Aneel, sob alerta de impacto, incluem contratações relacionadas à Tecnologia da Informação (TI), manutenção e conservação de imóveis, despesas com deslocamento para as equipes de fiscalização e possível impacto nos sistemas de informações gerenciais internos, por exemplo.
No ano de 2024, com o orçamento reduzido, a Aneel precisou retirar recursos da fiscalização para evitar a paralisação do sistema que monitora as principais linhas de transmissão do País O movimento foi necessário para evitar a interrupção da ferramenta responsável pelo acompanhamento do desempenho de 43 mil quilômetros em linhas de transmissão.
Por Renan Monteiro, Estadão Conteúdo
Guerra já começa a impactar preço dos combustíveis no país
Postos em vários estados relatam reajustes sob o argumento de que cotações internacionais dispararam
| Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil/Arquivo |
Embora a Petrobras ainda não tenha anunciado reajustes, os preços dos combustíveis no país já começam a ser impactados pela guerra no Irã. Distribuidoras e a maior refinaria privada brasileira começaram a repassar a alta de custos aos clientes.
As distribuidoras dizem que a escalada das cotações internacionais do produto encareceu as importações e vêm elevando os preços de venda aos postos. Com mercado concentrado no Nordeste, a refinaria de Mataripe promoveu dois reajustes no diesel e um na gasolina após o início do conflito.
A reportagem apurou que postos de ao menos quatro estados —Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Paraná— estão pagando mais caros pelos combustíveis e, como consequência, subirão o preço ao consumidor final.
Sindicatos de revendedores evitam falar em valores, mas um dono de postos na capital paulista disse que tem recebido diesel R$ 0,26 por litro mais caro desde o início da semana. O Paranapetro, que representa os postos do Paraná, fala em "alta expressiva".
"As atacadistas argumentam que também adquirem o derivado de importadoras", disse em nota o sindicato de postos do Rio de Janeiro. "Estas, segundo as companhias, já estão aumentando os preços em razão da guerra em curso no Oriente Médio", completa.
Em um comunicado recebido por um revendedor mineiro, a Ipiranga diz que, "devido à escalada dos eventos externos que acarretaram em alta nos preços do petróleo e derivados, informamos que haverá reajuste no diesel e na gasolina a partir de 4 de março".
Em nota, a Ipiranga diz que os custos do setor de combustíveis são influenciados por diversos fatores.
"No caso do diesel, por exemplo, uma dessas influências é que cerca de 30% do volume consumido no país é importado", afirmou. "Diante desse contexto, a empresa acompanha continuamente as condições de mercado e pode realizar ajustes comerciais".
"As distribuidoras costumam repassar as altas com grande agilidade para os postos. Já no caso das baixas, demoram ou não repassam na íntegra", questionou o Paranapetro. Raízen e Vibra, as outras duas grandes empresas do setor, não quiseram comentar o assunto.
A Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis) alertou nesta quinta que as defasagens dos preços dos combustíveis em relação ao mercado internacional atingiram níveis recordes e defendeu repasses ao consumidor interno.
Na abertura do mercado, o preço do diesel nas refinarias brasileiras estava R$ 1,51 por litro mais barato do que a paridade de importação medida pela entidade. No caso da gasolina, a diferença era de R$ 0,42 por litro em média no mercado e de R$ 0,47 por litro nas refinarias da Petrobras.
"O acompanhamento dos preços dos combustíveis no mercado nacional aos preços do mercado internacional é recomendável para mitigar riscos de desabastecimento e desalinhamento dos fluxos logísticos existentes na cadeia de suprimentos", afirmou.
A Petrobras diz que segue avaliando o cenário e que só promove reajustes quando os preços do petróleo se estabilizam em novos patamares. Nesta quinta, o petróleo segue em alta. Por volta das 15h, a cotação do Brent subia cerca de 4% e se aproximava dos US$ 85 por barril.
Segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), o diesel importado correspondeu a 27,35% das vendas do combustível no país em 2025. A Petrobras foi responsável por 47,7% das importações, enquanto empresas privadas compraram o restante.
Por Nicola Pamplona/Folhapress
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Supremo não foi escolhido para legislar sobre aplicativos, diz deputado relator de projeto de apps
Augusto Coutinho afirmou que prioridade da Câmara é votar a proposta sobre aplicativos em comissão na primeira quinzena de abril
O deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PSB), relator do projeto que regulamenta o trabalho por meio de aplicativos, afirmou que a Câmara dos Deputados deverá dar prioridade à votação do projeto de lei sobre o tema para evitar que o STF (Supremo Tribunal Federal) legisle.
Para ele, é preciso que o Congresso assuma o protagonismo na discussão. "A gente tem que querer legislar para que ninguém venha legislar por nós", disse o deputado em evento que debate o trabalho em plataformas e a pejotização no TST (Tribunal Superior do Trabalho) nesta quarta-feira (4).
Tramita no STF ação sob o tema 1.291, sobre se há ou não subordinação entre trabalhadores e apps.
"Pedi a interferência porque a gente sabia que tramitava no STF [ação] para que o Supremo se posicionasse sobre isso porque entendo que isso não é matéria para o Supremo estar legislando, eles não foram eleitos para isso."
Relator da proposta em análise na Câmara, o deputado afirmou que a comissão especial criada pelo presidente da Casa, Hugo Motta, deve votar o projeto na primeira quinzena de abril. Segundo ele, trata-se de uma matéria "sensível e polêmica", que exige debate presencial.
Coutinho afirmou que a comissão ouviu representantes de trabalhadores, empresas, do Ministério Público e do TST, além de dialogar com o governo, incorporando sugestões do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) ao relatório. O MTE apresentou, no início de 2024, um projeto de lei após passar oito meses debatendo com empresas e trabalhadores de plataformas como Uber e iFood.
Valor mínimo para entregadores é motivo de divergência
Segundo Coutinho houve divergências entre ele e o hoje ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presdiência, autor de um projeto sobre o tema quando era deputado pelo PSOL-SP, sobre o valor mínimo pago a entregadores de delivery.
Ele citou proposta apresentada por Boulos que fixava taxa mínima de R$ 10 para entregadores de aplicativos. No relatório de sua relatoria, o valor foi estabelecido em R$ 8,50. De acordo com o parlamentar, a redução considera as diferenças regionais do país. "R$ 10 em São Paulo, Brasília ou Rio de Janeiro não é o mesmo que R$ 10 no interior de Pernambuco ou em Macapá."
"Por mim, eu gostaria de colocar R$ 20, mas inviabilizaria o serviço", disse.
Boulos, que também participou do evento, afirmou que o valor proposto por ele tem a ver com o quanto já é pago a entregadores como preço mínimo por plataformas como o iFood. O ministro disse que as empresas praticam terrorismo econômico quando valores são discutidos.
Percentual em corridas da Uber também foi motivo de polêmica
Segundo Coutinho, houve consenso em boa parte do relatório, citando como exemplo as regras previdenciárias, mas o limite de cobrança das plataformas sobre as corridas é outro ponto sensível. Motoristas relatam descontos que chegam a 50% ou 55% do valor da viagem.
A proposta discute a fixação de um teto, mencionando como referência a média internacional de 30%, observada em visitas técnicas realizadas a Portugal e Espanha. O deputado reconheceu que o tema envolve o funcionamento dos algoritmos das plataformas, que justificam percentuais maiores em determinadas corridas para compensar outras com menor rentabilidade.
Para ele, a regulamentação não é fácil porque o Brasil é um país continental com muitas diferenças regionais e com realidades econômicas distintas, o que exige cuidado ao se fixar regras. "É um assunto sensível. A gente precisa ter cuidado."
Por Cristiane Gercina, Folhapress
Petróleo dispara 8% após Irã anunciar fechamento do estreito de Hormuz
Os preços do petróleo disparam nesta terça-feira (3) em meio à guerra no Irã e após o anúncio do fechamento do estreito de Hormuz para navegação. Às 8h10 desta terça (3), o preço do barril do Brent, referência global da commodity, era negociado acima de US$ 84,33, numa alta diária de 8%.
A Guarda Revolucionária do Irã ameaçou incendiar qualquer navio que tentar passar pelo trecho que separa o país persa da península Arábica. A decisão ameaça parar de vez o fluxo de petroleiros e embarcações que transportam por lá 20% do óleo e do gás natural liquefeito consumidos diariamente pelo mundo. O destino da maior parte desse volume são grandes consumidores asiáticos, como China e Índia. A largura do estreito é de meros 40 km em seu ponto mais apertado.
O barril já havia disparado 13% na abertura do mercado no domingo (8), o primeiro dia de negócios após os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã que mataram o líder supremo do país, Ali Khamenei.
Desde a segunda-feira (2) empresas em todo Oriente Médio interromperam suas atividades no setor de petróleo e gás com o confronto entre EUA e Israel contra o Irã, que vem atingindo vários países na região.
O Irã produz cerca de 3,3 milhões de barris por dia, ou 3% da produção mundial, mas exerce influência ainda maior sobre o fornecimento de energia devido à sua posição às margens do estreito de Hormuz.
A escalada das cotações internacionais do petróleo joga pressão sobre os preços dos combustíveis no Brasil e pode atrasar o ciclo de queda da taxa de juros, mas especialistas não veem risco de desabastecimento.
Analistas brasileiros e internacionais dizem que o impacto sobre os preços vai depender da duração e da intensidade do conflito, principalmente em relação ao fechamento do estreito de Hormuz por um prazo mais longo.
Especialistas já contam com muita volatilidade nas cotações internacionais, mas há expectativa de que o preço do barril seja contido pela sobra de óleo no mundo, resultado de a demanda crescer menos que a oferta.
Por Folhapress
Petróleo sobe após ataques de EUA e Israel ao Irã
Os preços do petróleo apresentaram forte alta no início das negociações deste domingo (1º), a primeira sessão após os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã que mataram o líder supremo do país, Ali Khamenei.
Por volta das 6h46 (horário de Brasília) desta segunda-feira (2), o barril do tipo Brent, referência mundial, era negociado com alta de 8,%, cotado a cerca de US$ 78,61, após um pico de 13% na abertura, às 20h. É o maior nível desde junho de 2025. Os contratos futuros para índices da Bolsa americana, como o S&P 500 e o Nasdaq 100, caíam por volta de 1% nesta noite, enquanto o ouro subia 1,5%.
O aumento está relacionado às preocupações dos investidores com as restrições de tráfego no estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e que é em grande parte controlado pelos iranianos. Analistas estimam que os preços possam superar a faixa dos US$ 100.
Embora a Opep+, o grupo de grandes produtores de petróleo liderado pela Arábia Saudita, tenha concordado neste domingo em aumentar sua produção em 206 mil barris por dia a partir de abril, analistas alertaram que o petróleo adicional teria pouco impacto no mercado se houver interrupção no fornecimento devido ao conflito. O aumento acordado representa menos de 0,2% da oferta global.
Os riscos para a navegação comercial dispararam nas últimas 24 horas após os ataques. Mais de 200 navios —incluindo petroleiros e embarcações de gás natural liquefeito— se ancoraram nas imediações do estreito de Hormuz e em águas próximas, segundo dados de tráfego marítimo.
Os preços já haviam subido cerca de 2% na última sexta (27), quando o Brent fechou cotado a US$ 72,48, com os investidores se preparando para possíveis interrupções no fornecimento da commodity. A commodity subiu cerca de 19% desde o início do ano.
Enquanto empresas petrolíferas e países exportadores da commodity, como a Petrobras e o Brasil, tendem a se beneficiar de um cenário com o petróleo mais caro por um período maior, a alta também pode acarretar no aumento da inflação no mundo, pressionando governos e bancos centrais.
"Vemos o petróleo Brent sendo negociado no terreno entre US$ 80 e US$ 90 no nosso cenário base ao longo desta semana", disseram analistas do Citigroup em relatório divulgado antes do início das negociações.
No sábado, banco britânico Barclays elevou a previsão para o preço futuro do petróleo Brent de US$ 80 para cerca de US$ 100 por barril.
"Os mercados de petróleo podem ter que enfrentar seus piores temores na segunda-feira. No momento, acreditamos que o Brent pode chegar a US$ 100 (por barril), enquanto o mercado lida com a ameaça de uma potencial interrupção no fornecimento em meio à crescente tensão de segurança no Oriente Médio", afirmou em relatório.
Outro ponto que impulsiona os preços do petróleo é o fato de que seguradoras informaram aos armadores que cancelariam as apólices e aumentariam os preços dos seguros para embarcações que transitassem pelo golfo Pérsico e pelo estreito, segundo o Financial Times.
De acordo com o jornal, seguradoras de risco de guerra enviaram neste sábado (28) avisos de cancelamento para apólices que cobrem navios que transitam pelo estreito, com os preços previstos para subir até 50% nos próximos dias.
Boa parte do petróleo que passa por Hormuz é vendida por países como Arábia Saudita, Emirados Árabes, Irã, Kuwait e Iraque à Ásia, em especial a China, e a países da Europa.
As restrições ao tráfego no estreito são consideradas ainda mais preocupantes que os eventuais impactos do petróleo iraniano sobre o mercado mundial.
O Irã possui a quarta maior reserva provada de petróleo bruto do mundo, mas anos de sanções e falta de investimentos limitaram suas exportações. O país produziu 3,45 milhões de barris por dia (bpd) em janeiro, segundo a Agência Internacional de Energia —menos de 3% da oferta global no período. Quase toda a produção vai para a China.
Para Adriano Pires, diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), o aumento nos preços do petróleo pode beneficiar as exportações brasileiras. No ano passado, o Brasil exportou US$ 44,5 bilhões (R$ 228 bilhões) da commodity, o equivalente a 12,8% de todas as vendas a outros países.
"Dependendo de como a guerra continuar, a commodity vai subir. Mas só ultrapassa os US$ 100 se o estreito for fechado", avalia. Analistas apontam, porém, para o risco de inflação global com a alta dos preços do combustível fóssil.
Ainda neste domingo, o Irã bombardeou ao menos dois petroleiros no estreito. Primeiro, um petroleiro de bandeira de Palau foi atingido por um projetil perto da costa de Omã, deixando quatro feridos e forçando a evacuação da embarcação.
Depois, o site de rastreamento marítimo Marine Traffic anunciou que outro petroleiro, o MKD Vyon, também foi atingido na região. O navio tem bandeira das ilhas Marshall, país que tem uma associação especial com os EUA.
Dados da MarineTraffic mostram que houve uma drástica redução no tráfego de embarcações no fim de semana.
Duas das maiores transportadoras marítimas do mundo, CMA CGM e Hapag-Lloyd, ordenaram a seus navios que não naveguem pela região. "Todos os navios que se encontram atualmente no golfo Pérsico, ou que se dirigem para o golfo Pérsico, receberam instruções, com efeito imediato, de permanecerem em segurança", declarou a CMA CGM, a terceira maior transportadora marítima do mundo, em comunicado.
A alemã Hapag-Lloyd também congelou o trânsito de suas embarcações pelo estreito, assim como as empresas de transporte marítimo Mitsui OSK Lines e NYK Lines. "Estamos priorizando a segurança de nossos marinheiros, cargas e navios", afirmou a Mitsui, acrescentando que vários navios estavam no golfo e no estreito de Hormuz, mas aguardariam por uma passagem segura.
Por Folhapress
Brasil deve adotar cautela entre EUA e Irã, parceiro do Brics
O Brasil deve adotar postura cautelosa em relação aos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, neste sábado (28). Esse comportamento é explicado por um cenário em que o governo brasileiro conduz negociações tarifárias com os americanos e tem nos iranianos um aliado que forma o Brics, grupo de nações do chamado Sul Global.
A avaliação é de especialistas em relações internacionais ouvidos pela Agência Brasil. Na manhã deste sábado, o governo brasileiro emitiu um comunicado em que condena a ofensiva e defende negociações como caminho para a paz.
Negociação é a “posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região”, diz a nota do governo, divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores.
“O Brasil apela a todas as partes que respeitem o direito internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil”, completa o comunicado.
Mesmo em meio a negociações sobre o futuro do programa nuclear iraniano, os Estados Unidos realizaram uma ofensiva militar contra alvos no território iraniano. Israel também executou ataques.
O Irã retaliou com o lançamento de mísseis a países vizinhos que ostentam bases americanas. O país do Oriente Médio sustenta que o desenvolvimento de tecnologia nuclear tem fins pacíficos.
Por Bruno de Freitas Moura/Agência Brasil
Governo federal suspende importação de amêndoas de cacau da Costa do Marfim após reivindicação de produtores baianos
| .Plantação de cacau/Foto: Divulgação |
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou nesta terça-feira (24) a suspensão das importações de amêndoas fermentadas e secas de cacau provenientes da Costa do Marfim. A decisão é recebida como um avanço pelo Governo da Bahia, que vem articulando com a Comissão do Cacau um conjunto de medidas junto ao governo federal para proteger a competitividade e a segurança do cacau baiano.
O secretário da Agricultura da Bahia, Pablo Barrozo, avaliou a decisão como um avanço concreto para o setor. "Nosso trabalho continua ouvindo os produtores e construindo bases sólidas no curto, médio e longo prazo para garantir competitividade, segurança fitossanitária e sustentabilidade econômica ao cacau baiano", afirmou.
Pelo Despacho nº 456/2026, o MAPA determinou à Secretaria de Comércio e Relações Internacionais e à Secretaria de Defesa Agropecuária que investiguem possível reexportação de amêndoas de terceiros países disfarçada de produto marfinense. A suspensão só será levantada após manifestação formal do governo da Costa do Marfim, com garantias de que os envios não contêm amêndoas de países vizinhos.
Bahia debate crise na cacauicultura em Brasília
Na segunda-feira (23), a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri) participou de reunião da Comissão do Cacau do Estado da Bahia, no Palácio do Planalto. O encontro reuniu prefeitos, agricultores e representantes dos governos estadual e federal para debater medidas emergenciais em defesa da lavoura cacaueira.
Representando a Seagri, o diretor de Desenvolvimento da Agricultura, Assis Pinheiro Filho, destacou a necessidade de garantir "preço justo, previsibilidade de safra e assistência técnica fortalecida". A pauta incluiu a revisão do regime de drawback, a regulamentação fitossanitária e o fortalecimento da política de preço mínimo para o setor.
Por Redação/Politica Livre
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Brasileiro trabalha menos que a média mundial, aponta pesquisa
Em comparação com o resto do mundo, o brasileiro não trabalha muito. Nem pode ser considerado particularmente esforçado.
Uma pesquisa com dados de 160 países, cobrindo 97% da população global, revela que trabalhadores de todo o mundo destinaram em média 42,7 horas semanais a atividades remuneradas em 2022 e 2023. Os brasileiros ocupados em empregos formais e informais dedicaram, nesse mesmo período, 40,1 horas semanais em média ao trabalho.
O levantamento é do economista Daniel Duque, pesquisador do FGV Ibre, a partir de um novo banco de dados global de horas trabalhadas organizado pelos economistas Amory Gethin, do Banco Mundial, e Emmanuel Saez, da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA).
Os pesquisadores utilizam dados domiciliares reunidos pela OIT (Organização Internacional do Trabalho), pelo Banco Mundial e pela União Europeia, entre outras fontes de informação.
Disponível desde novembro do ano passado, o banco de dados organizado por Gethin e Saez --o mais amplo do tipo já construído-- confirma relações esperadas entre características demográficas, de renda per capita, de impostos e transferências realizados por cada país, de um lado, e a quantidade de horas trabalhadas por seus cidadãos, de outro.
Sob qualquer desses critérios, o brasileiro trabalha menos do que seria esperado. Para Duque, o que provavelmente explica o desvio brasileiro é uma questão cultural, uma preferência por maior quantidade de lazer.
Na comparação direta com outros 86 países para os quais há dados por mais de duas décadas, o Brasil ocupa a 38ª posição em horas trabalhadas. Quando se leva em consideração a quantidade de horas trabalhadas esperada de cada país a partir do seu nível de produtividade e de sua estrutura demográfica, o Brasil cai para o terço de menor esforço global: ocupa a 60ª posição entre 85 países, para trabalhadores com 15 anos ou mais.
A situação não melhora quando impostos e transferências, como aposentadorias e benefícios de renda mínima, são incorporados à análise. No ranking a partir da tendência esperada considerando produtividade, demografia, impostos e transferências, o Brasil ocupa a 53ª posição entre 76 países, novamente no terço inferior, de pior desempenho.
De modo geral, a característica que melhor explica a quantidade de horas trabalhadas mundo afora é a produtividade dos trabalhadores. Mas de uma maneira que não é direta, linear. A relação entre a produtividade e as horas trabalhadas segue, grosso modo, a forma de uma montanha, com subida, pico e descida.
À medida que cresce a produtividade da economia nacional, quando os países deixam de ser pobres e se tornam países de renda média, aumenta o número de horas trabalhadas. É a subida. Compensa, nesse caso, trabalhar mais e, afinal, poder consumir mais.
A partir de certo ponto, contudo, a produtividade já é tão alta, e o consumo também, que os trabalhadores passam a dar mais valor para o lazer. Começa, então, a descida da serra: enquanto a produtividade continua a aumentar, o número de horas trabalhadas diminui. Quem é rico pode se dar ao luxo de trabalhar menos. Na França, por exemplo, trabalha-se em média 31 horas por semana (78º lugar, entre 87 países).
O que Duque descobriu é que os trabalhadores brasileiros escolheram "descer a serra" e trabalhar menos antes de ficarem ricos. No Brasil, segundo o levantamento, trabalha-se 1 hora e 12 minutos a menos por semana do que seria esperado dado o seu nível de produtividade e o seu perfil demográfico.
Um dos rankings montados organiza os países dos que mais desviam positivamente, em horas trabalhadas, daquilo que seria esperado dado o seu nível de produtividade e estrutura demográfica --são os que estão nos primeiros lugares do ranking-- aos que mais desviam negativamente em relação a essa tendência geral --como o Brasil, que ocupa a 60ª posição.
Nesse caso, os trabalhadores que mais se "esforçam", para além do que seria esperado, são os dos Emirados Árabes Unidos. Os trabalhadores da Moldávia, país do Leste Europeu, ocupam o último lugar.
Em outro ranking, o esforço extra dos trabalhadores de cada país é medido também em relação ao que seria esperado (em horas trabalhadas) considerando os impostos sobre o trabalho e as transferências recebidas pelos trabalhadores. Quanto maiores os impostos e maiores as transferências, menor é o número de horas trabalhadas, em média. Aqui é o Japão que se destaca, positivamente, enquanto em Moçambique, no último lugar, trabalha-se quase 14 horas a menos do que seria esperado.
Segundo Duque, ele imaginava que os incentivos contabilizados nesse ranking ajudassem a explicar o número de horas trabalhadas abaixo da média pelos brasileiros. Altos encargos trabalhistas e transferências significativas (para o nível de renda do país) estariam diminuindo a oferta de trabalho. Era a expectativa.
É o que acontece, por exemplo, na Alemanha, onde se trabalha 1 hora e 48 minutos a menos do que seria esperado dado o nível de produtividade local. Toda essa diferença desaparece, contudo, quando se considera a carga tributária: nesse caso, os alemães passam a trabalhar 6 minutos a mais do que seria esperado, por semana.
"Eu imaginei que a gente fosse ver, talvez, uma redução da diferença do Brasil" para o resto do mundo, quando se contabilizasse o impacto do Estado no mercado de trabalho, disse Duque. "Porque eu achei que a gente tivesse uma estrutura tributária e de transferências que desincentivasse o trabalho. O que eu descobri foi o contrário." No ranking que leva em consideração impostos e transferências, o brasileiro ainda trabalha 1 hora e 18 minutos a menos do que seria esperado.
O economista Samuel Pessôa, colega de Duque no FGV Ibre e seu interlocutor durante a exploração do novo banco de dados, diz que a escolha por uma quantidade menor de trabalho e maior de lazer é legítima. "Parece ser um sinal de que lazer, no Brasil, vale mais do que em outros lugares --e está tudo certo." Pessôa lembra, contudo, que pode ser que as muitas horas despendidas em trânsito de casa ao trabalho, pelos brasileiros, tenham algum impacto sobre a oferta de trabalho.
Seja qual for a razão da menor oferta relativa de trabalho pelos brasileiros, o resultado é certo, afirmam os dois: uma menor renda per capita. "Tem um impacto direto", observa Duque. Mesmo que aumente a produtividade das horas trabalhadas que restam, "a compensação não vai ser de 100%".
Pessôa, que também é colunista da Folha, observa que uma parte da diferença de renda per capita entre o Brasil e países asiáticos, como Coreia e Taiwan, se deve não só à produtividade, mas à quantidade de horas trabalhadas. No seu levantamento, Duque descobriu que os homens coreanos trabalham 5 horas e 18 minutos a mais do que seria esperado dada a sua produtividade, enquanto os brasileiros homens trabalham meia hora a menos. Uma diferença de quase 6 horas por semana. No caso das mulheres, a diferença é de 11 horas semanais.
"Se a gente trabalha 25% a menos, mesmo que a produtividade por hora seja a mesma, nosso PIB per capita vai ser 25% menor", resume Pessôa.
O economista considera que faz sentido ter esse impacto em mente no momento em que se discute o fim da escala 6x1. "A gente está discutindo uma lei de redução da jornada porque quem trabalha 44 horas gostaria de trabalhar menos. Essas pessoas vão trabalhar menos e vai reduzir a jornada média. A medida não vai ser inócua. E a justificativa para poder reduzir as horas de trabalho é que supostamente já se trabalha muito. Bom, agora a gente está vendo que, na média, a gente não trabalha tanto."
Por Rafael Cariello / Folhapress
Mendonça decide que Vorcaro não é obrigado a depor à CPI do INSS, e ex-banqueiro avalia não ir
Decisão do ministro do STF ocorre após comissão antecipar interrogatório para segunda-feira (23)
O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu nesta quinta-feira (19) que Daniel Vorcaro, dono do banco Master, não é o obrigado a comparecer à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do INSS.
O colegiado adiantou o depoimento dele para segunda-feira (23), garantindo à comissão a primazia na oitiva do ex-banqueiro diante de outras comissões no Congresso Nacional também interessadas em ouvi-lo. Vorcaro disse a pessoas próximas que avalia não ir ao interrogatório.
O presidente da CPI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), ainda conta com a presença de Vorcaro na segunda-feira. Depois da decisão de Mendonça, Viana parabenizou o ministro por autorizar o deslocamento de Vorcaro a Brasília.
Vorcaro está em prisão domiciliar desde o fim de novembro do ano passado. Ele havia sido preso no aeroporto de Guarulhos (SP), quando embarcava para Dubai, no âmbito da operação Compliance Zero da Polícia Federal.
"O ministro demonstrou compromisso institucional diante da gravidade do que está em jogo. Estamos tratando de viúvas, órfãos e aposentados que foram lesados", escreveu Viana em suas redes.
Mendonça, porém, vetou um pedido da defesa de Vorcaro de que ele fosse a Brasília em jato particular. os advogados do ex-banqueiro afirmaram à CPI que o transporte do depoente em uma aeronave particular seria necessário por questões de segurança, para preservar a sua imagem e evitar tumultos em aeroportos.
Segundo a decisão de Mendonça, Vorcaro poderia se deslocar em voo comercial ou em avião da Polícia Federal.
Por Folhapress
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