Prefeito de Capim Grosso diz que ações para o El Niño “têm que ser imediatas” e cita negacionismo climático

O prefeito de Capim Grosso, Sivaldo Rios (PSD), compareceu, nesta terça-feira (1º), à reunião temática da União dos Municípios da Bahia (UPB), em parceria com o Governo da Bahia, sobre os possíveis efeitos do El Niño no Nordeste do Brasil. Em entrevista ao Bahia Notícias, o gestor destacou que, apesar da importância das ações de prevenção, o planejamento atual dos municípios precisa considerar medidas imediatas para conter os impactos das mudanças climáticas.

“Agora a ação tem que ser mais imediata, principalmente a questão do alimento dos animais e da água, porque é a dificuldade maior que a gente vê no campo. Então, essa reunião com o governador Jerônimo aqui na UPB, com a gente representando os consórcios públicos do estado, busca exatamente saídas emergenciais para que possamos resolver esse problema”, destaca.

O prefeito, que preside a Federação dos Consórcios Públicos da Bahia (FECBAHIA), destacou ainda que os riscos são generalizados. “A gente percebe, com o atraso das chuvas, [o impacto no] milho, no feijão e também nas pastagens, e percebemos exatamente que vai ser um sofrimento maior”, diz.

Ele relata, no entanto, que o “homem do campo” já sente os impactos. “Já começou um sofrimento maior, principalmente para o homem do campo. Hoje, na maioria das cidades, os povoados já têm água na torneira, a gente já se livrou desse problema. Muitas zonas rurais também já têm água e luz no campo, mas os animais são quem mais sofre”, garante.

Segundo ele, ainda é necessário superar o “negacionismo climático”. “As pessoas estão negando a existência desses fenômenos da natureza. O El Niño é fruto também da irresponsabilidade humana. Acho que o capitalismo é selvagem, quer o lucro a todo custo, o dinheiro a todo custo, e esquece que tudo precisa de convivência com a natureza. Se você não tem isso, o efeito chega.”

O evento da UPB nesta terça ocorreu em parceria com a Secretaria Especial de Assuntos Federativos da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República (SEAF/SRI/PR). Para Sivaldo, é importante manter a ação conjunta entre as entidades para lidar com o problema.

“Esse apoio do governo federal, do governo do estado e dos órgãos governamentais vai ser muito importante para poder ajudar, principalmente, o pequeno e o médio agricultor”, resume.

“Todo mundo precisa fazer o dever de casa; acho que a população também tem que ter consciência ambiental. O papel não é só do prefeito. O prefeito, logicamente, guia essa locomotiva, e acho que a gente tem que dar o exemplo: o plantio de árvores, preservar a natureza, preservar as nascentes. Acho que tudo isso faz parte desse processo, mas cada um tem que fazer a sua parte para que a gente possa ter um ambiente e um clima mais saudáveis e apropriados para a convivência”, completa

Por Francis Juliano / Eduarda Pinto


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