Esquema criminoso usa credenciais de juízes para fraudar sistema judicial

A divisão de inteligência do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) está em alerta após a descoberta de um esquema de furto de senhas e logins que possibilitam o acesso a sistemas judiciais. Segundo informações do tribunal, credenciais de servidores e magistrados foram utilizadas para manipular dados, permitindo ações como inserção, alteração e exclusão de informações.

A investigação do programa Fantástico acompanhou, por um mês, grupos de conversa e fóruns clandestinos na internet, onde logins e senhas são comercializados. A polícia prendeu um casal suspeito de envolvimento nas invasões, mas ambos respondem ao processo em liberdade.

Um porta-voz do tribunal revelou que as credenciais subtraídas foram empregadas em fraudes, incluindo a modificação de ordens de prisão em bancos de dados nacionais. Durante a operação, foram identificadas cerca de 140 alterações no Banco Nacional de Mandados de Prisão, com dados incorretos que poderiam resultar na prisão de pessoas inocentes. No total, o tribunal contabilizou 350 acessos fraudulentos.

Os criminosos oferecem uma gama de serviços, desde consultas de dados até alterações em sistemas judiciais. Em uma negociação, um dos envolvidos chegou a afirmar que poderia cancelar um mandado de prisão por um valor específico.

Além disso, são vendidos “painéis”, sistemas que agregam informações obtidas de forma ilegal, abrangendo dados de imposto de renda, compras online, saúde e vacinas. O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) recebeu informações sobre esses acessos e, após testes autorizados, confirmou que algumas credenciais ainda eram funcionais. As investigações em Goiás também revelaram conexões entre os grupos que comercializam esses acessos e organizações criminosas.

Um investigador destacou que esses grupos começaram a lucrar com serviços voltados ao crime organizado, alterando ou excluindo informações nos bancos de dados da Justiça. Quando questionado sobre a relação com facções criminosas, ele confirmou a ligação com organizações como o Comando Vermelho.

O mercado de credenciais não se limita à venda de informações; os dados também podem ser utilizados para atacar indivíduos, como em casos de chantagem e sextorsão. Uma jovem relatou que, em conflitos pessoais, buscava conhecidos com acesso a painéis para obter informações sobre a outra parte.

Esse caso evidencia como o roubo de credenciais de acesso a sistemas protegidos pode ter repercussões significativas na vida das pessoas, resultando em bloqueios financeiros e ordens judiciais fraudulentas.

Cleitin Mil Graus

Recentemente, um mandado de prisão preventiva foi emitido contra um comediante e candidato a deputado estadual de Goiás, baseado em uma decisão inexistente, utilizando a conta de um juiz de Alagoas. O mandado, que alegava um crime contra crianças e adolescentes, foi considerado falso.

 

Candidato Cleitin Mil Graus | Foto: Reprodução / Redes Sociais

A juíza responsável, ao perceber a inexistência do processo, emitiu um contramandado de prisão e notificou as autoridades competentes. O mandado ilegal foi gerado com o nome e login de um juiz, que afirmou nunca ter solicitado tal prisão.

A juíza também requisitou suporte técnico ao Conselho Nacional de Justiça para investigar o caso, que ainda não esclareceu se houve invasão da conta do magistrado ou falhas de segurança.

Além de comediante e candidato, o acusado é suplente de vereador em Goiânia e relatou estar sendo perseguido. Ele tomou conhecimento do mandado ao tentar embarcar de Fortaleza para Goiânia, mas não foi preso.
Por Redação

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