Presidente do PT já admite que MDB estará fora da aliança de Lula

Coordenador da campanha do presidente da República, Edinho Silva aposta nas coligações regionais
Defensor da ampliação do palanque do presidente Lula, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, reconheceu, neste sábado (28), que MDB e PSD não integrarão a aliança pela reeleição do petista.

Aliados de Lula empreenderam esforços para contar, ao menos, com o MDB na coligação. O próprio presidente chegou a se reunir com dirigentes do partido, acenando com a possibilidade de ocuparem a vice na chapa. Mas, segundo Edinho, essas alianças se darão apenas nos estados.

"Penso que as alianças com o PSD e MDB serão construídas nos estados. Não creio em aliança nacional com esses partidos, temos que respeitar as contradições", diz Edinho, em alusão às diferenças internas das legendas.

O presidente do PT afirma, porém, que em muitos estados essas alianças acontecerão. "São muitas lideranças desses partidos que sabem o que está em jogo nessas eleições, que a escolha será de futuro, qual o legado que deixaremos para as futuras gerações. O Brasil da família Bolsonaro já sabemos ao que leva", afirma.

Sem novos aliados ao centro, Edinho se dedica à consolidação de alianças com tradicionais parceiros, como o PDT. Mas hoje esbarra em desafios dentro do próprio PT. É o caso do Rio Grande do Sul, onde uma ala petista resiste ao acordo firmado nacionalmente com aval de Lula.

O PDT declarou apoio a Lula. Em retribuição, espera contar com a aliança em favor da candidatura da ex-deputada Juliana Brizola ao Governo do Rio Grande do Sul. O PT gaúcho, porém, defende o lançamento de candidato próprio ao cargo.

Integrantes da cúpula do PT já falam em intervenção no Rio Grande do Sul. Questionado pela Folha sobre essa possibilidade, Edinho disse que esse não seria um bom caminho.

"Prefiro o convencimento político, ele constrói. O PT gaúcho tem tradição de projeto coletivo, sempre foi exemplo para o Brasil. Ainda acredito que vão dimensionar o momento histórico que vivemos e que a tática eleitoral do presidente Lula tem que prevalecer. As decisões do estado não podem colocar em risco a reeleição do projeto nacional. Não dá para errarmos nessa dimensão, a história irá cobrar. E o preço pode ser politicamente caríssimo", alerta.

Edinho defende a prevalência do projeto nacional sobre interesses locais e apela ao espírito coletivo do PT gaúcho.

"Temos uma avaliação política que não há como derrotar o fascismo no Brasil sem a construção de um campo democrático forte. Nesse sentido, a tática para essa vitória é a reeleição do presidente Lula. Não podemos ter essa leitura e decidir em contradição a isso. Não faz sentido", argumenta.

Segundo ele, não há nada mais importante que a vitória de Lula, até pelo significado para o futuro do Brasil, para a mudança da correlação de forças da América Latina. Na opinião de Edinho, sinalizaria para o mundo que é possível fortalecer a democracia.

Na semana que vem, se encerra o prazo legal para que ministros deixem seus cargos para concorrerem em outubro. Segundo auxiliares, Lula espera que esses ministros defendam as ações do governo durante a campanha. "É fundamental que as nossas principais lideranças façam as principais disputas nos seus estados. Ninguém pode se omitir".

Como mostrou a Folha, Lula tem cobrado pressa para estruturação de sua campanha. Escalado para a coordenação-geral, Edinho explica que a coordenação política ficará a cargo do GTE (grupo trabalho eleitoral) do PT.

Ainda de acordo com Edinho, haverá um fórum dos partidos políticos que apoiam o presidente Lula nos estados —incluindo partidos que estarão fora da aliança formal.

"Também quero ouvir os ex-presidentes do PT, ministros, lideranças que já participaram de campanhas eleitorais. O grupo que está trabalhando hoje tem a tarefa de estruturar a campanha."

Segundo Edinho, o ministro da Secom, Sidônio Palmeira, permanecerá no cargo e cuidará da comunicação do governo. O publicitário Raul Rabelo será o responsável pela comunicação da campanha.

Por Catia Seabra, Folhapress

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