Wagner pressiona por antecipação de chapa a fim de sepultar Coronel e assegurar candidatura à reeleição

O senador Jaques Wagner (PT) estaria pressionando o governador Jerônimo Rodrigues (PT) para antecipar para este mês a apresentação da chapa com que ele pretende disputar a reeleição, segundo relataram ontem fontes petistas a este Política Livre. O objetivo do senador seria fazer com que o governador possa informar diretamente ao presidente Lula os nomes dos seus companheiros de chapa por ocasião de sua passagem por Salvador, no próximo dia 7 de fevereiro.

Com isso, Wagner pretenderia dar como fato consumado sua candidatura à reeleição, evitando eventuais pressões do próprio Lula para que a formação da chapa seja revista ou mesmo que a presença do PSD no time de candidatos, por meio do senador Angelo Coronel, continue em discussão. Rejeitado pelo PT e as esquerdas baianas, Coronel enfrenta a concorrência de Wagner para disputar a reeleição, motivo porque pode romper com o governo e apoiar a candidatura de ACM Neto (UB) ao Palácio de Ondina.

O senador do PSD também cogita sair candidato avulso, com o apoio do grupo netista, o que poderia gerar dificuldades para a eleição dos candidatos de Jerônimo ao Senado, em especial Wagner. O político petista, considerado a cabeça política do grupo governista e seu principal articulador, aproveitou o desgaste de Coronel no grupo governista, por causa de suas posições independentes no Senado, para sair candidato, rompendo o pacto firmado em 2022 de não disputar a reeleição este ano.

Com isso, impôs a candidatura de três petistas numa chapa de quatro vagas, a chamada 'chapa dos governadores', como ele próprio a chama, provocando uma desavença com a ala do PSD que apóia Coronel, um desentendimento entre o senador e seu compadre, o presidente regional do partido, Otto Alencar, além de desgastes entre os partidos da base que viam, assim como analistas políticos, a necessidade de o PT abrir mais espaço para os aliados na chapa majoritária na campanha deste ano.

O maior risco, entretanto, continua sendo o de Coronel abandonar o barco petista, causando desgastes na campanha de Jerônimo, razão porque algumas propostas de compensação têm sido feitas ao senador, a exemplo da indicação de seu filho, o deputado federal Diego Coronel (PSD), a vice-governador e o compromisso de eleger o outro herdeiro, o deputado Angelo Filho, à presidência da Assembleia, e até a entrega a ele da vaga de suplente do próprio Wagner, todas rejeitadas até agora.

Apesar de buscar manter a relação com Wagner e o PT baiano em alto nível, Otto chegou a chamar a chapa com três petistas de "carniça", o que desmentiu depois, confirmando, entretanto, em entrevista a este Política Livre, que Wagner se tornou o pivô das dificuldades para acomodar Coronel no time governista. A ideia do senador petista de antecipar o anúncio da chapa não contaria com o apoio explícito de Jerônimo, que já aventou pela imprensa a possibilidade de isso acontecer em março.

O ministro Rui Costa (Casa Civil) é outro que não fecharia com Wagner na proposta de antecipar a data do anúncio, preferindo aguardar o curso dos acontecimentos e, inclusive, eventuais manifestações de Lula sobre o que deve acontecer na Bahia, onde já assegurou sua candidatura ao Senado ao lado de Jerônimo.

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Por Política Livre

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