Quem acredita que Jerônimo será substituído por Rui?, por Raul Monteiro*

Enquanto setores da oposição ainda continuam acreditando em histórias da carochinha, como a de que o ex-governador Rui Costa (PT) pode substituir Jerônimo Rodrigues (PT) na disputa estadual, alimentando a ilusória expectativa sobre a eclosão de uma crise no ambiente governista provocada pela troca das peças do tabuleiro sucessório, o governador, o ministro da Casa Civil e Jaques Wagner avançam na organização das tarefas políticas que cada um deles assumirá para assegurar a reeleição do chefe do Executivo estadual e do senador petista, além da vitória do hoje principal auxiliar do presidente Lula em sua corrida ao Senado.

Indiferentes às pesquisas que continuam apontando o favoritismo de ACM Neto (União Brasil) ao Palácio de Ondina, à dificuldade do governador, reconhecida pelos próprios parceiros, de se concentrar mais na gestão do que nas atividades políticas, assim como à alegada fadiga de material decorrente do extenso tempo de duas décadas que o grupo comanda o Estado, as três lideranças petistas já traçaram o plano no qual devem se basear para percorrer o Estado, levando a mensagem de que o PT, e em especial Jerônimo, merecem a oportunidade de continuarem guiando os destinos da Bahia e dos baianos.

Pelas informações a que este colunista teve acesso, enquanto Jerônimo e Wagner se dedicarão à campanha no interior, dando particular atenção aos municípios menores, nos quais a última campanha mostrou que reside a força petista estadual e nacional, Rui vai investir pesado em Salvador, berço político de Neto e reduto eleitoral de seu grupo, onde o prefeito Bruno Reis (União Brasil) permanece dando as cartas depois de uma reeleição que o consagrou como segunda liderança do netismo no Estado. As escolhas obedecem ao princípio de que é preciso potencializar o envolvimento de cada um nas áreas onde são considerados melhores.

Com histórico de atenção especial à capital baiana, a qual muitos diziam, durante o período em que comandou a Bahia, que tinha interesse em governar, Rui pretende resgatar seu passado de investimentos na cidade, sobretudo nas áreas periféricas, valendo-se, ainda, dos novos empreendimentos como o VLT do Subúrbio e de muitos outros capitaneados pela Conder, onde alocou o competente ex-vereador José Trindade, para reforçar a narrativa de que Jerônimo precisa permanecer na cadeira de governador para dar continuidade às ações que visam atender as populações historicamente marginalizadas da cidade.

A contrapartida ao trabalho na capital será liderada por Jerônimo e Wagner no interior, mobilizando os prefeitos alinhados há mais tempo e os que foram incorporados mais recentemente, depois das eleições municipais, no que, na visão dos três, pode pôr fim às especulações de que, além da polêmica envolvendo a exclusão do senador Angelo Coronel em favor de uma chapa exageradamente petista, haveria uma desconfiança forte no grupo quanto à capacidade de Jerônimo conseguir se reeleger no mês de outubro próximo, cuja origem está, na verdade, na insatisfação de grande parte do PT quanto à predominância do grupo de Wagner no governo estadual.

*Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.

Por Raul Monteiro*

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