Gilmar Mendes e Guiomar anunciam separação e dizem que amizade segue intacta
Casal emblemático de Brasília, eles se conheceram em 1978 quando estudaram direito na mesma turma na UnB
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes e a advogada Guiomar Feitosa estão se separando.
Casal emblemático de Brasília, com centenas de amigos das mais diversas áreas, os dois encerram uma relação de 18 anos —o que, dizem, não vai alterar uma amizade inabalável, de quase cinco décadas.
"Cansamos de ser casados, mas não cansamos, e jamais cansaremos, de ser amigos", diz Guiomar. "Nada muda em uma relação de muita amizade e respeito", diz o ministro.
Mesmo depois de separados, ambos viajaram juntos a Lisboa e a Roma nesta semana, onde o magistrado participou de eventos jurídicos.
Os dois se conheceram em 1978, quando estudaram direito na mesma turma na Universidade de Brasília (UnB). Tinham as maiores médias gerais acumuladas e chegaram a trabalhar juntos em um projeto no CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).
Guiomar, que se casara aos 18 anos, já era mãe de três de seus cinco filhos. Gilmar era solteiro. Ele passou em um concurso de procurador da República e viajou para a Alemanha, onde fez mestrado, doutorado e formou uma família com um casal de filhos.
Sempre mantiveram a amizade, que acabou virando namoro e casamento em 2007, quando já estavam separados de seus parceiros anteriores.
Formaram o que Guiomar chama de "familião" —integrada pelos cinco filhos e quatro netos dela, e pelos dois filhos e quatro netos dele.
Os netos de Gilmar, por sinal, só a chamam de "vovó Guio", e tanto o ministro como Guiomar afirmam que a convivência familiar deve seguir intacta.
As carreiras profissionais de ambos correram paralelas.
Guiomar fez carreira primeiro no Ministério da Justiça, e depois em tribunais superiores.
Trabalhou com os ministros da Justiça Petrônio Portella e Ibrahim Abi-Ackel. No STF, foi assessora e braço-direito do então ministro Marco Aurélio Mello e, em sua presidência, ocupou o cargo de secretária-geral do Tribunal. Era amiga de praticamente todos os ministros da Corte.
Tinha amplo trânsito também no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Gilmar defendeu mestrado e doutorado da Universidade de Munique, foi consultor jurídico do governo, assessor técnico do Ministério da Justiça e assumiu a advocacia-geral da União no governo de Fernando Henrique Cardoso, que o indicou para o STF.
Foi neste período FHC que Gilmar e Guiomar voltaram a se ver com mais frequência, e começaram a namorar.
Com uma facilidade ímpar de se fazer amizades que leva por toda a vida, Guiomar ficou amiga da primeira-dama Marisa Letícia no primeiro mandato de Lula. As duas iam a apresentações de choro e saíam para jantar independentemente das condições políticas que podiam aproximar ou afastar Lula de ministros do STF.
Divertida, considerada extremamente leal pelos amigos e agregadora, Guiomar celebrou seus 73 anos com uma festa em Brasília cuja fila de cumprimentos dava a volta no quarteirão.
Por Mônica Bergamo/Folhapress
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