Primeiro supermercado de Salvador foi inaugurado em 1959

 

(Foto: Fernando Amorim/Arquivo CORREIO)
Loja 2 do Paes Mendonça, no Edifício Oceania, na Barra, em 23 de dezembro de 1989

O ano era 1959. E, na Bahia, não existiam supermercados. Alimentos eram vendidos em feiras ou armazéns, mas nada de um lugar só onde o cliente encontrasse de tudo. A ideia de montar o primeiro supermercado da Bahia nasceu da cabeça de um sergipano, durante uma viagem à Argentina, para comprar alpiste. A figura visionária era Mamede Paes Mendonça e seu sobrenome seria pronunciado por décadas a fio como sinônimo de supermercado na Bahia.

Precisa de alguma coisa? Vai no Paes Mendonça. Aliás, se você viveu em Salvador entre os anos 1960 e meados dos anos 1990 provavelmente ainda chama assim muitos dos grandes supermercados espalhados pela cidade, ou pelo menos conhece alguém que chame. A rede foi vendida pelo menos duas vezes a grandes empresas multinacionais, mas o pessoal demorou a tirar o Paes Mendonça da cabeça.

Esta foto, por exemplo, foi feita em 23 de dezembro de 1989, quando a loja 2, no térreo do Edifício Oceania, na Barra, já caminhava para completar 30 anos de inaugurada. A primeira loja do Paes Mendonça, marcada como o primeiro supermercado de Salvador, ficava em Nazaré. Antes, Mamede manteve, na Baixa dos Sapateiros, a Casa Sergipana – um armazém.

“Instalamos logo um pequeno supermercado no bairro de Nazaré, à Rua Jogo do Carneiro. Depois de adequar o térreo do prédio para supermercado, promovemos a inauguração no dia 2 de dezembro de 1959. Os resultados positivos da primeira loja de supermercados nos animaram a continuar expandindo o setor. Menos de um ano depois, inauguramos a loja 02, no Edifício Oceania, na Barra. Isso foi em 27 de agosto de 1960”, contou o próprio Mamede Paes Mendonça, em 1988.

O depoimento foi feito a alunos, professores e convidados da Faculdade de Economia e Administração da USP como parte do Programa História Empresarial Vivida, coordenado pelo professor Cléber Aquino. Na ocasião, o Paes Mendonça tinha 86 lojas em Salvador e buscava chegar, em breve, à centésima.

O grupo se expandiu e alcançou a marca de 150 lojas não só na Bahia, mas também em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em Itapuã, a loja foi instalada num lugar ermo, contou Pedro Bispo da Cunha, ex-supervisor de vendas do Paes Mendonça, num depoimento para o livro ‘A História em Depoimentos’, lançado em 2015 por Raymundo Dantas. Ele contou que, quando passava por algum lugar ou sítio, Mamede dizia: “Aqui é um lugar bom para mercado”.

“O lugar em que foi erguida [a loja de Itapuã] era totalmente inóspito, sem nada ao redor. Sr. Mamede, com muita ousadia, investiu rapidamente. O cenário se transformou, formando um novo bairro, e a implantação do mercado foi ótima para a circunvizinhança”, disse.

A loja de Pirajá, com direito a uma propaganda de quase três minutos na televisão, tinha 40 mil metros quadrados de área construída, com um foco: vender no atacado e no varejo para Salvador e também para o Recôncavo. Em 2005, dez anos após a morte de Mamede, o caderno Correio Repórter publicou uma reportagem sobre o empresário. O texto foi de Luciana Barreto, e falava do já lendário trato do empresário nos negócios:

“Driblava a presença incômoda dos seus próprios guarda-costas, e dizia que não via nenhum problema em ser sequestrado. ‘A gente faz negócio com o sequestrador’”.
Por: Correio

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