Em telefonema a presidente nacional do PSB, Nilo manifesta indignação e admite deixar a legenda

Foto: Divulgação/Arquivo

Num telefonema ontem ao presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, o deputado federal Marcelo Nilo manifestou sua indignação com a decisão da legenda na Bahia de impedir a candidatura a prefeito de Poções do vice-prefeito do município, o socialista Jorge Luis.

Luis é apoiado por Nilo e aparece com 25% das intenções de voto à Prefeitura do município. No entanto, a direção do PSB na cidade preferiu entregar a legenda ao vereador Leordino Oliveira da Silva, que não pontua e ainda votou em candidatos de outras legendas nas eleições estaduais passadas.

A manobra facilitará a vida do prefeito local, que é filiado ao PTB e candidato à reeleição. O relato foi feito a Siqueira por Nilo, que protagonizou seu primeiro desentendimento público com a colega Lídice da Mata desde que ingressou na legenda. Lídice ficou ao lado da direção do PSB em Poções.

O deputado ficou tão irritado com a situação que antecipou que, na primeira oportunidade, poderá deixar o PSB. “O partido não cumpriu critérios e este negócio de Poções foi a gota-d´água para ver que não há interesse no crescimento do PSB na Bahia”, disse Nilo a Siqueira, insinuando que o partido seria cartorial.

Ele também decidiu que irá recorrer contra a decisão. Segundo o deputado, ele cumpriu os três critérios estabelecidos pela executiva para a definição de candidaturas pelo partido: é o parlamentar mais votado no município, pediu em fevereiro por escrito pela candidatura de Jorge Luis e confirmou a candidatura à Prefeitura.

“Deixar de ter um candidato competivivo, com 25% nas pesquisas em Poções para não ter candidato e ser sublegenda do prefeito, que é do PTB, é um absurdo”, reforçou o parlamentar. Colegas de Nilo na Câmara consideraram a decisão do PSB um golpe no parlamentar, além de uma tentativa de impedir que cresça no partido.

Há alguns meses, setores ligados à deputada Lídice teriam manifestado desconforto com o perfil politicamente agressivo de Nilo, o qual, para eles, representaria um risco de o parlamentar tentar tomar o controle do PSB das mãos dela, que, no entanto, tem ampla maioria na direção estadual da legenda.

O que mais teria indignado o parlamentar, entretanto, foi o vazamento da reunião da executiva marcada para tratar do tema, que foi transmitida diretamente para o diretório de Poções sem a sua autorização. O caso levou o parlamentar a chamar o secretário-geral do PSB, Rodrigo Hita, de “moleque”.

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