Mandetta deixará legado em defesa da racionalidade contra o populismo manipulador

Foto: Reprodução/Fantastico
Os militares e outros correligionários que confundem hierarquia com submissão e se apressam em defender Jair Bolsonaro das “provocações” de seu ministro da Saúde deveriam ter a mesma agilidade para convencer o presidente da República de que, ante sua indiferença em relação aos riscos, quanto mais tempo ele leva para demitir Henrique Mandetta, maior é o custo para o país.

De fato, não há mais a menor condição de que o ministro da Saúde permaneça neste governo, curiosamente, apesar de sua inegável contribuição em defesa da racionalidade e de sua manifesta responsabilidade com o Brasil e sua população, atributos que, infelizmente, não fazem parte da agenda do presidente da República.

Depois dos panos quentes colocados sobre as prosaicas divergências de Bolsonaro com Mandetta e dos avisos que o ministro lhe deu de que não toleraria mais seu desrespeito ao trabalho que realiza para enfrentar uma doença devastadora, era inaceitável que o presidente agisse ainda de forma infantil e rebelde.

A explicitação do cansaço e contrariedade do ministro, em entrevista ao Fantástico, aconteceu no limite a que foi levado por um chefe que tentou, primeiro, esvaziá-lo, depois humilhá-lo e, enfim, desautorizá-lo em público, de forma acintosa, exclusivamente por inveja da visibilidade que a função lhe deu e que cumpriu até hoje a contento.

Por isso, Mandetta vai, mas fica seu legado em defesa da consciência, permitida pela ciência e os fatos, de que o novo coronavírus é uma doença perigosa e traiçoeira em relação à qual, infelizmente, o único modo de enfrentamento eficiente disponível hoje para a humanidade é o isolamento social.

Os números exorbitantes no mundo inteiro não deixam mentir, embora tenha chamado a atenção a situação a que chegaram os Estados Unidos, onde ontem foram registrados, no total, 25.575 mortes, num universo de quase 700 mil contaminados, exatamente em decorrência da dubiedade presidencial em enfrentar a pandemia.

Aqui, a saída do ministro torna mais claro também que, ao investir contra a medida, Bolsonaro se revela um manipulador barato do desespero pela sobrevivência de grande parte da sociedade brasileira, acossada entre o desafio de aceitar a quarentena ou o risco da morte, por falta de sua liderança clara em defesa da economia.

Por: Politica Livre

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