PF combate tráfico internacional de drogas no Aeroporto de Guarulhos/SP

Investigação apura atuação de funcionários terceirizados no envio de cocaína para a Alemanha
Guarulhos/SP. A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (12/5), a operação Doppelte Dosis, com o objetivo de identificar e de prender envolvidos em esquema de tráfico transnacional de drogas que utilizavam funcionários terceirizados do Aeroporto Internacional de Guarulhos/SP para burlar os sistemas de fiscalização.

A investigação teve início após cooperação policial entre Brasil e Alemanha, que resultou na prisão em flagrante de uma brasileira no Aeroporto de Frankfurt, em 28/1. As apurações identificaram que dois funcionários terceirizados do Aeroporto de Guarulhos introduziram uma mochila contendo 15 kg de cocaína na área restrita do terminal, posteriormente entregue à passageira.

Na ação desta terça-feira, foram cumpridos dois mandados de prisão e apreendidos aparelhos celulares que serão submetidos à análise pericial para aprofundamento das investigações e para identificação de outros integrantes do grupo criminoso.

Os investigados poderão responder pelos crimes de tráfico internacional de drogas e de associação para o tráfico.

Comunicação Social da Polícia Federal em São Paulo

Alden apresenta PEC que reduz maioridade penal para envolvidos em crimes hediondos e de crueldade extrema

Com apoio de 175 parlamentares, o deputado federal Capitão Alden (PL-BA), vice-líder da Oposição na Câmara, protocolou na tarde desta segunda-feira (11) uma proposta de emenda à Constituição que tem como objetivo reduzir a maioridade penal em crimes hediondos e atos de crueldade extrema contra pessoas e animais que envolvam menores de idade. A proposta ultrapassou o mínimo exigido de 171 assinaturas.

O texto da PEC prevê que pessoas menores de 18 anos podem ser consideradas como maiores em casos de crimes como estupro, estupro de vulnerável, homicídio qualificado com crueldade extrema, latrocínio, tortura, maus-tratos extremos contra pessoas e animais, entre outros.

Na justificativa do seu projeto, o deputado baiano afirma que crimes praticados com sadismo, sofrimento prolongado ou violência extrema revelam desvio grave de conduta incompatível com respostas estatais meramente simbólicas.

“A proposta não extingue a inimputabilidade penal, não generaliza a redução da maioridade penal e não criminaliza a infância”, diz o parlamentar, afirmando que a proposta cria uma brecha estritamente limitada, ‘aplicável apenas aos casos definidos em lei complementar”.

Capitão Alden afirma no texto que a sua proposta garante a preservação do devido processo legal e da ampla defesa do acusado. O deputado baiano diz que o projeto também assegura as proteções inerentes à condição de pessoa em desenvolvimento.

“A PEC busca, portanto, proteger a sociedade, interromper ciclos precoces de violência e impedir que a idade seja utilizada como escudo absoluto para a barbárie, sem abdicar dos princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana, da proporcionalidade, da proteção integral e da responsabilização conforme a gravidade do fato”, explica Capitão Alden.

O parlamentar também cita em seu projeto estudos criminológicos que apontam a crueldade extrema contra animais como marcador de risco associado à escalada de violência contra pessoas.

“No que se refere à crueldade contra animais, registre-se que tais condutas já são reconhecidas como crime pelo ordenamento jurídico brasileiro. Sua prática em grau extremo constitui importante marcador de risco, frequentemente associado à escalada de violência contra pessoas, conforme amplamente reconhecido pela criminologia contemporânea”, argumenta Capitão Alden.

Entre os 175 deputados que apoiaram a apresentação da proposta de emenda constitucional estão os baianos Leo Prates (Republicanos), Roberta Roma (PL), Elmar Nascimento (União) e Pastor Sargento Isidório (Avante).

Advogado se pronuncia após operação na Mansão Wildberger e nega caso de pedofilia: “A suposta vítima é maior de idade”

O advogado Nei Viana Costa Pinto, dono do apartamento que foi alvo de uma operação da Polícia Civil na Mansão Wildberger, nesta terça-feira (12), se pronunciou sobre o caso. Conforme o jurista, a família foi “surpreendida” pelo mandado judicial de busca e apreensão de informações telemáticas do seu filho, que não teve a identidade divulgada.

Em imagens feitas pela PC, é possível ver policiais chegando até o local para realizar a ação, na manhã desta terça-feira (12). Os policiais acessaram a parte interna do prédio, um dos mais famosos da capital baiana. A ação da Civil faz parte da Operação Nacional Caminhos Seguros, de combate a crimes praticados contra crianças e adolescentes em Salvador e Serrinha.

Em nota, Nei Costa Pinto afirma que “nossa família encontra-se atualmente fora do país, em viagem de férias pela Europa, ocasião em que fomos surpreendidos com o comparecimento da Polícia Civil ao nosso prédio residencial, munida de mandado judicial de busca e apreensão de dados telemáticos vinculados ao nosso filho”.

Segundo o comunicado, a suposta vítima de aliciamento de menor seria a namorada do filho de Nei, que seria maior de idade. “Contudo, a pessoa apontada como suposta vítima é maior de idade, mantém relacionamento afetivo com nosso filho e, inclusive, encontra-se viajando com nossa família pela Europa neste momento”, afirma Costa Pinto.

O advogado alega que a família liberou o acesso das autoridades ao apartamento da família, mas nenhum objeto foi apreendido no local. “Mantivemos contato telefônico direto com o Delegado responsável, oportunidade em que esclarecemos os fatos, franqueamos integralmente o acesso ao apartamento e nos colocamos à inteira disposição das autoridades para todos os esclarecimentos necessários”, relata.

Por fim, Nei Costa Pinto ressaltou que “confiamos plenamente no adequado esclarecimento da situação pelas autoridades competentes e reiteramos nosso respeito às instituições e ao devido processo legal”.

Confira o pronunciamento na íntegra:
“NOTA DE ESCLARECIMENTO

Em razão de informações que passaram a circular, esclarecemos que nossa família encontra-se atualmente fora do país, em viagem de férias pela Europa, ocasião em que fomos surpreendidos com o comparecimento da Polícia Civil ao nosso prédio residencial, munida de mandado judicial de busca e apreensão de dados telemáticos vinculados ao nosso filho.

Segundo fomos informados, a medida estaria relacionada à apuração de suposto aliciamento de menor. Contudo, a pessoa apontada como suposta vítima é maior de idade, mantém relacionamento afetivo com nosso filho e, inclusive, encontra-se viajando com nossa família pela Europa neste momento.

Assim que tomamos conhecimento da diligência, mantivemos contato telefônico direto com o Delegado responsável, oportunidade em que esclarecemos os fatos, franqueamos integralmente o acesso ao apartamento e nos colocamos à inteira disposição das autoridades para todos os esclarecimentos necessários.

Importa registrar que absolutamente nada foi apreendido ou levado do imóvel.

Recebemos toda essa situação com profunda surpresa e já estamos adotando todas as providências legais cabíveis para o devido esclarecimento dos fatos.

Confiamos plenamente no adequado esclarecimento da situação pelas autoridades competentes e reiteramos nosso respeito às instituições e ao devido processo legal.”


Operação Força Integrada II mobiliza FICCO's em todo o país contra o crime organizado

Brasília/DF. A Polícia Federal deflagra, nesta terça-feira (12/5), em 16 estados, a Operação Força Integrada II, ação coordenada que mobiliza as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCO's) de Segurança Pública no combate ao tráfico de drogas e de armas, à atuação de facções criminosas, à lavagem de dinheiro, entre outros crimes.

Durante as ações, busca-se cumprir 165 mandados de busca e apreensão e 71 mandados de prisão nos estados do Espírito Santo, Ceará, Amapá, Minas Gerais, Rondônia, Acre, Sergipe, Tocantins, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio Grande do Norte, Paraná, Paraíba, Alagoas, Maranhão e Rio de Janeiro.
Criadas com base no conceito de força-tarefa, as FICCO's têm como objetivo fortalecer o enfrentamento às organizações criminosas por meio da integração entre instituições de Segurança Pública. Participam da iniciativa polícias civis, militares e penais, guardas municipais, Polícia Rodoviária Federal, SENAPPEN e secretarias de segurança pública estaduais, em atuação conjunta e coordenada pela Polícia Federal, sem hierarquia entre as instituições participantes.
As FICCO's estão presentes em todos os estados da federação e no Distrito Federal. Atualmente, 39 unidades atuam em diferentes regiões do país.

A seguir, conheça as ações realizadas pelas FICCO's no contexto da Operação Força Integrada II:

FICCO/MA – São Luís/MA
Operação Descenso III. Ação contra organização criminosa, realizada na cidade de Chapadinha/MA, com foco no financiamento da organização. Estão sendo cumpridos 17 mandados de busca e apreensão.

FICCO/AL – Maceió/AL
Operação Assíncrono II. Combate à receptação de equipamentos da Caixa Econômica Federal, falsificação de documentos e notas fiscais, crimes ambientais, além da disponibilização e do armazenamento de conteúdo de abuso sexual infantojuvenil. Estão sendo cumpridos um mandado de prisão e dois mandados de busca e apreensão, em Maceió/AL.

FICCO/AP – Macapá/AP
Operação Reincidência. Ação contra tráfico de drogas. Está sendo cumprido um mandado de busca e apreensão em Macapá/AP.

FICCO/SE – Aracaju/SE
Operação Occultum. Ação de combate ao tráfico de drogas, que resultou na identificação de um dos responsáveis pela carga de uma tonelada de maconha apreendida em fevereiro de 2026. Estão sendo cumpridos um mandado de prisão e um de busca e apreensão em Aracaju/SE.

FICCO/RN – Natal/RN
Operação Barba II. Desarticulação de organização criminosa interestadual que atua no tráfico de drogas e na lavagem de dinheiro. Estão sendo cumpridos três mandados de prisão e oito mandados de busca e apreensão, nas cidades de Natal/RN e de João Pessoa/PB, além do bloqueio do sequestro de bens móveis e imóveis, totalizando R$ cerca de 13 milhões.

FICCO/RO – Porto Velho/RO
Operação Espectro. Ação contra organização criminosa atuante no controle territorial e na prática de crimes graves em Porto Velho/RO. Estão sendo cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em Porto Velho/RO.

FICCO/RJ – Rio de Janeiro/RJ
Operação Rota Final. Ação de combate ao roubo de uma carga dos Correios. A ação conta com o apoio direto da SEPOL/RJ por meio do 9º BPM. Estão sendo cumpridos seis mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro/RJ.

FICCO/PB – João Pessoa/PB
Operação Trapiche. Ação contra organização criminosa voltada ao tráfico de drogas, ao comércio ilegal de armas e à lavagem de capitais, liderada por homem que mantinha o comando das atividades criminosas recolhido em sistema prisional. Estão sendo cumpridos 20 mandados de prisão e 40 mandados de busca e apreensão, na Paraíba e em Minas Gerais. Além disso, estão sendo cumpridas medidas cautelares, como o sequestro de carros, valores e imóveis.

FICCO/MG – Belo Horizonte/MG
Operação Guardiões do Fogo. Ação de combate à obtenção ilegal de Certificado de Registro (CR) na categoria de Colecionador, Atirador Desportivo ou Caçador (CAC). Estão sendo cumpridos três mandados de busca e apreensão em Poços de Caldas/MG.

FICCO/UDI – Uberlândia/MG
Operações Paper Stone e Rota Andina. Ações de combate ao tráfico interestadual e internacional de drogas e à lavagem de dinheiro praticados por organizações criminosas com atuação em Minas Gerais e outros estados. As investigações apontam o uso de logística aérea sofisticada, empresas de fachada e interpostas pessoas para ocultação patrimonial e movimentação de ativos ilícitos.

Estão sendo cumpridos 41 mandados de busca e apreensão, 22 mandados de prisão e 26 mandados de busca e apreensão de veículos nas cidades de Uberlândia/MG, Ituiutaba/MG, São João Del Rey/MG, Goiânia/GO, São Paulo/SP, Poá/SP, Manaus/AM e São Luís/MA. Também foi determinado o sequestro patrimonial de aproximadamente R$ 98 milhões.

FICCO/PR - Curitiba/PR
Operação Blue Sky II. Combate ao tráfico de drogas, sendo esta fase um desdobramento da primeira ação deflagrada em março de 2026, com o objetivo de prender integrantes do núcleo de tráfico de entorpecentes de uma facção criminosa. Estão sendo cumpridos 13 mandados de busca e apreensão e sete mandados de prisão, nas cidades de Vera Cruz do Oeste/PR, Cascavel/PR, Guaraniaçu/PR e Céu Azul/PR.

FICCO/SC – Florianópolis/SC
Operação Impedimento. Ação para desarticular grupo criminoso suspeito de atuar no tráfico de drogas na região da Grande Florianópolis. Estão sendo cumpridos quatro mandados de prisão preventiva nas cidades de Criciúma/SC, Lages/SC e São José/SC, além de seis mandados de busca e apreensão em Imbituba/SC, Palhoça/SC e São José/SC. Também houve bloqueio de valores de cinco investigados.

FICCO/RS – Porto Alegre/RS
Operação Cerco Integrado. Desdobramento de investigações relacionadas ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro, com foco na desarticulação e descapitalização de estruturas criminosas atuantes no Rio Grande do Sul. Estão sendo cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão nos municípios de Novo Hamburgo/RS, São Leopoldo/RS, Sapiranga/RS, Nova Hartz/RS, Charqueadas/RS, Alvorada/RS, Montenegro/RS, Triunfo/RS, São Pedro do Sul/RS, Santana do Livramento/RS e Florianópolis/SC.

FICCO/BH – Belo Horizonte/MG
Operação Terminus II. Ação voltada ao cumprimento de mandados de prisão contra investigados e condenados por tráfico de drogas, organização criminosa e crimes violentos. Estão sendo cumpridos dois mandados de prisão em Belo Horizonte/MG.

FICCO/CE – Fortaleza/CE
Operação Custos Legis. Ação destinada ao cumprimento de medidas cautelares em investigação relacionada a ameaças dirigidas a autoridade pública da área de segurança pública no Ceará. Estão sendo cumpridos um mandado de prisão temporária e um mandado de busca e apreensão em Fortaleza/CE, além de medidas de quebra de sigilo telemático e telefônico.

FICCO/AC – Rio Branco/AC
Operação Alerta. Ação voltada ao monitoramento e à localização de foragidos da Justiça investigados ou condenados por crimes violentos, tráfico de drogas e organização criminosa. Estão sendo cumpridos quatro mandados de prisão preventiva nas cidades de Rio Branco/AC e Feijó/AC.

FICCO/TO – Palmas/TO
Operação Estoque Oculto. Ação destinada a neutralizar estrutura logística utilizada no apoio ao tráfico internacional de drogas, incluindo reabastecimento clandestino de aeronaves ligadas a organizações criminosas. Está sendo cumprido um mandado de busca e apreensão em Pedro Afonso/TO.

FICCO/ES – Vitória/ES
Operação Alçapão. Ação voltada ao combate à estrutura logística de armamentos de facção criminosa atuante no Espírito Santo. Estão sendo cumpridos dois mandados de busca e apreensão em imóveis supostamente utilizados para armazenamento de armas, munições e explosivos em Cariacica/ES.

FICCO/GVS e BEMIG/MG – Governador Valadares/MG
Operação Rota Paralela. Ação conjunta voltada ao cumprimento de mandados de busca e apreensão em investigação relacionada à promoção de migração ilegal e crimes conexos. A apuração teve origem em análise compartilhada pela FICCO/MG, sendo posteriormente aprofundada pela Base de Enfrentamento à Promoção de Migração Ilegal e Crimes Conexos em Minas Gerais. Estão sendo cumpridos quatro mandados de busca e apreensão nas cidades de Água Boa/MG e Contagem/MG. Também foi determinado o sequestro de veículos, imóveis e valores, podendo alcançar até R$ 6,8 milhões por investigado.

Coordenação-Geral de Comunicação Social

Um em cada cinco brasileiros diz já ter recebido oferta para compra de voto, diz pesquisa

Levantamento mostra que a maioria da população não se sente confortável para denunciar o crime eleitoral
Um em cada cinco brasileiros (22%) afirma já ter recebido oferta para vender o voto em alguma eleição, segundo pesquisa Ipsos-Ipec realizada em conjunto com o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) e divulgada nesta segunda-feira, 11.

O levantamento faz parte da campanha “Voto não tem preço, tem consequências” e mostrou que a maioria dos entrevistados, ou seja, 62% da população, não se sente segura para denunciar o crime eleitoral, tampouco sabe como fazê-lo.

A pesquisa mostra que três quartos da população consideram a oferta de dinheiro uma forma de compra de voto. Segundo a socióloga Adelia Franceschini, consultora do levantamento, porém, essa não é a única maneira de abordar os eleitores.

“Há muitas outras formas de compra de voto que não chegam nem a 30%, como oferecer consultas médicas, facilitar o acesso a benefícios sociais, oferecer churrasco ou festa, entre outras”, explica.

“Temos dois problemas: um é a compra de votos em si, porque 22% já é muita gente. O outro é que cerca de 70% não entendem muitas moedas de troca como compra de voto, mas sim como um ‘favorzinho’”, afirma a socióloga.

A pesquisa também mostra que candidatos a cargos municipais são os que mais motivam tentativas de coação de eleitores. Vereadores correspondem a 59% dos relatos de pessoas que afirmam já ter sido abordadas por candidatos ou cabos eleitorais com esse tipo de proposta. Prefeitos aparecem em seguida, com 43%.

Além disso, mesmo entre os que não foram diretamente abordados para vender o voto, 39% relatam que essa prática ocorre “sempre” onde moram. A soma dos que dizem que isso acontece “frequentemente” ou “às vezes” chega a 30%.

O levantamento mostra que o Nordeste é a região com maior incidência de entrevistados que apontaram ter recebido abordagens para vender o voto: 32%, dez pontos a mais que a média nacional e bem acima dos 18% do Sudeste, a mais populosa do país.

“Quanto menor a cidade, mais compra de votos. Mais gente depende de emprego na prefeitura, por exemplo. O dinheiro também é mais ‘útil’, ao permitir mais facilmente a satisfação de necessidades. Já nas cidades maiores, as cestas básicas são mais ‘práticas’ para os candidatos”, diz o cofundador do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, Chico Whitaker.

Como denunciar

Um dos objetivos da campanha do MCCE é incentivar denúncias de compra de votos ao Ministério Público e à Justiça Eleitoral. A pesquisa mostra, porém, que 62% dos brasileiros não sabem como denunciar o crime, enquanto 52% afirmam não se sentir seguros para fazer a denúncia.

A compra de votos, chamada pela legislação de “captação ilícita de sufrágio”, pode ser denunciada por meio do aplicativo Pardal, da Justiça Eleitoral e do Ministério Público, além de delegacias, promotorias, e-mails e ouvidorias. O crime inclui oferecer dinheiro, benefícios ou vantagens em troca de votos e pode levar a até quatro anos de prisão.

A pesquisa foi feita pelo Ipsos-Ipec entre 4 e 8 de dezembro do ano passado, com 2000 entrevistas em 131 municípios. O nível de confiança utilizado é de 95%. A margem de erro para as perguntas que englobam toda a amostra é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Por Maria Magnabosco/Estadão

Messias sai de férias após derrota e é aconselhado a atuar nos bastidores até decidir futuro no governo

Depois de ter o nome rejeitado para o STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Jorge Messias se afastou das atividades públicas da AGU (Advocacia-Geral da União), da qual é chefe, e tem sido aconselhado a transferir as tarefas rotineiras a integrantes mais próximos da equipe para tomar fôlego e decidir com calma sobre seu futuro no governo Lula (PT).

Messias deve sair de férias a partir de quarta-feira (13), segundo informações obtidas pela Folha. O período deve durar duas semanas e o retorno está previsto para 25 de maio. Aliados defendem que o atual titular da AGU siga no posto.

A interlocutores o ministro diz estar em "período de silêncio". Para ele, ainda é um momento de paciência, como outros que já teve de enfrentar ao longo de sua trajetória.

Aliados de Messias afirmam que ele tem a confiança plena do presidente Lula e é bem quisto na carreira. Internamente, ele seria tido como alguém que tem ajudado a estruturar o órgão e um bom gestor.

Um dos argumentos usados com o AGU é o entendimento de que ele foi vítima do momento histórico na votação do último dia 29. A rejeição não teria sido a ele próprio, mas fruto da correlação de forças no Congresso e das disputas políticas postas quando a indicação e a votação foram feitas.

Dessa forma, o conselho dessas pessoas a Messias é sair dos holofotes por ora, e, em seguida, retomar a coordenação das atividades.

A ideia parte do princípio que o AGU ainda está no centro do noticiário e não gostaria que a derrota na nomeação "contaminasse" julgamentos importantes. Isso porque, se ele for à tribuna do Supremo se manifestar em um caso neste momento, por exemplo, haveria o risco de desviar o foco da questão jurídica para a sua presença no plenário.

Outro pressuposto é o de que há várias formas de chefiar a AGU e a atuação pública no STF não resume a tarefa. Messias pode executar o trabalho gerenciando o órgão, direcionando entendimentos jurídicos, alinhando estratégias de atuação, definindo prioridades e conduzindo as equipes.

Ainda, o ministro teria um time diretamente ligado a ele considerado qualificado e de confiança.

Como chefe da AGU, Messias dirige a instituição, representa os interesses da União e da Presidência da República, incluindo assessoramento jurídico direto de Lula.

O ministro admitiu a aliados cogitar entregar o cargo após a rejeição de seu nome para o STF no fim da noite em que o resultado foi consolidado, ainda sob impacto da derrota.

Abalado com a derrota, sinalizou essa possibilidade ao próprio presidente no Palácio da Alvorada. Mas, segundo relatos, o petista insistiu em sua permanência na gestão e sugeriu que Messias não tome qualquer decisão precipitada.

Na primeira semana após o resultado imposto pelo Senado, o STF começou a julgar o modelo de distribuição dos royalties do petróleo. O tema é de interesse de todos os entes da República e envolve a partilha de bilhões de reais dos recursos conseguidos com a exploração.

Ao contrário de outros casos de destaque em análise no Supremo, Messias não participou. Na véspera do início do julgamento, a AGU pediu a manutenção das regras em vigor para a distribuição dos royalties. O memorial é assinado por Flávio José Roman, como advogado-geral da União substituto. Na sessão de quarta (6), a sustentação oral foi feita por Andrea Dantas.

Segundo o documento, eventual mudança do entendimento em vigor representaria uma perda de receita de R$ 9 bilhões por ano à União. O documento manifesta ainda a preocupação de que uma decisão leve os governos federal, estaduais e municipais sejam obrigados a restituir valores recebidos.

A situação foi diferente de outros processos de destaque, nos quais Messias participou diretamente da defesa da tese da União. Um dos casos foi quando ele fez a sustentação no processo que trata da uberização, defendendo que os trabalhadores de aplicativos não se enquadram nos modelos tradicionais, mas precisam de proteção. A proposta formulada estava em termos semelhantes à apresentada pelo governo Lula ao Congresso.

Por Ana Pompeu e Luísa Martins/Folhapress

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