Doações financeiras e gestos de fidelidade: veja quem esteve ao lado dos candidatos vitoriosos na Bahia

                                 "Jaques Wagner, Jerônimo Rodrigues e Rui Costa"
Com o encerramento do prazo para prestação de contas das eleições de 2026, na última terça-feira (3), os registros da Justiça Eleitoral permitem traçar um retrato de quem contribuiu para as campanhas dos principais vencedores da disputa na Bahia: o governador reeleito Jerônimo Rodrigues e os senadores eleitos Rui Costa e Jaques Wagner, todos do Partido dos Trabalhadores (PT). Se as doações representam uma demonstração concreta de apoio, a presença ao lado dos candidatos no momento da votação carrega um simbolismo próprio. Em política, estar junto na hora decisiva também é uma forma de sinalizar proximidade, confiança e lealdade.

Na campanha do governador reeleito Jerônimo Rodrigues, integrantes do primeiro escalão do Governo do Estado figuram entre os doadores identificados pela Justiça Eleitoral. O secretário de Justiça e Direitos Humanos, Felipe Freitas, contribuiu com R$ 36 mil, enquanto o secretário da Administração Penitenciária, José Castro Filho, doou R$ 20 mil. Na sequência aparecem os secretários Manoel Vitório, da Fazenda, com R$ 15 mil; Rodrigo Pimentel, da Administração, com R$ 13 mil; Claudio Peixoto, do Planejamento, com R$ 2 mil; Marcius Gomes, da Educação, com R$ 1,8 mil; e Augusto Vasconcelos, do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, com R$ 1 mil. Somadas às transferências partidárias e às demais contribuições, as receitas da campanha alcançaram R$ 7,98 milhões, provenientes de 46 fontes.

O apoio de integrantes do governo registrado nas doações também se refletiu na movimentação política em torno de Jerônimo no dia da votação. Como governador e principal nome da chapa estadual, ele reuniu uma comitiva numerosa, com Rui Costa, o vice-governador Geraldo Júnior (MDB) e diversos candidatos, eleitos e não eleitos. Entre os presentes estavam o deputado estadual reeleito Robinson Almeida (PT), a deputada estadual Olívia Santana (PCdoB), que ocupará uma cadeira na Câmara dos Deputados a partir de 2027, e Valmir Assunção, deputado federal reeleito pelo PT. A movimentação deu à votação do governador um caráter de encontro político, reunindo aliados que participaram da campanha e da disputa eleitoral em diferentes posições.

Rui Costa, que esteve ao lado de Jerônimo no momento da votação, recebeu doações de pessoas diretamente ligadas a sua candidatura. Carlete de Oliveira Carletto, esposa de Ronaldo Carletto (Avante), primeiro suplente de Rui, contribuiu com R$ 500 mil, enquanto João Batista Dantas Gama, ligado a Jailma Dantas (PT), segunda suplente, doou R$ 25 mil. Nos registros apresentados, o ex-ministro da Casa Civil e ex-governador da Bahia contabiliza R$ 4,28 milhões em receitas, distribuídas entre 29 fontes de recursos.

O único gestor de secretaria ou órgão do Governo do Estado a compor a lista de doadores de Rui Costa é José Trindade, presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), que destinou R$ 50 mil à campanha logo nos primeiros dias após a oficialização da candidatura. O gesto foi acompanhado por todos os diretores da Conder, que contribuíram com valores entre R$ 45 mil e R$ 16 mil ao longo do período eleitoral, em uma demonstração clara de alinhamento e parceria entre Trindade e Rui Costa. No dia da votação do segundo turno, Trindade foi o único executivo do Estado a acompanhar Rui Costa no Colégio Estadual Duque de Caxias, na Liberdade, onde também estava o governador Jerônimo. O gesto de Trindade reuniu duas manifestações distintas de apoio: a participação financeira e a presença pessoal em um momento decisivo.

Diferentemente de Jerônimo e Rui, que estiveram juntos no momento da votação, Jaques Wagner compareceu às urnas acompanhado de um grupo próprio de lideranças, sem a presença dos dois companheiros de chapa. Estiveram ao seu lado o presidente estadual do PT, Tássio Brito, a deputada estadual eleita Rowena Brito (PT), o deputado federal eleito Lucas Reis (PT) e a deputada federal Lídice da Mata (PSB), que não conseguiu a reeleição. Na prestação de contas de Wagner, aparecem contribuições expressivas, como os R$ 533 mil doados por Edvaldo Pereira de Brito, ex-prefeito de Salvador e seu suplente pelo PSD. Ao todo, a campanha arrecadou R$ 3,96 milhões, em 13 lançamentos provenientes de oito fontes de recursos.

As prestações de contas mostram quem ajudou financeiramente as campanhas. Já as imagens do dia da votação acrescentam outra dimensão a esse mapa de apoios: a de quem fez questão de aparecer publicamente ao lado dos eleitos. São gestos de naturezas diferentes, mas que, observados em conjunto, ajudam a compreender as relações políticas que cercaram a vitória do grupo governista na Bahia.

Por Política Livre

Nenhum comentário: