União Brasil-PP sinaliza apoio a Flávio Bolsonaro no 2º turno

A cúpula da federação União Brasil-PP sinaliza apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no 2º turno da disputa presidencial por considerar que a eleição já está definida. A expectativa é de que outros partidos do chamado centrão sigam o mesmo caminho a partir desta segunda-feira (5).

A performance de Flávio Bolsonaro surpreendeu lideranças desse grupo político, que esperavam vantagem de Lula (PT) no 1º turno, ainda que apertada. Com 99,93% das urnas apuradas, o senador conquistou 47,05% dos votos válidos, enquanto o petista teve 45,14%.

Eventuais apoios do centrão a Flávio Bolsonaro apontam uma expectativa de poder no novo governo. Tradicionalmente, partidos que chegam primeiro às alianças tendem a ser privilegiados na partilha de espaços, como ministérios e outras fatias da máquina pública.

Para o candidato, receber o apoio fortalece a candidatura e pavimenta uma futura aliança para a governabilidade. União Brasil e PP, que estão federados e funcionam como um só partido, projetam eleger cerca de 115 deputados e poderiam oferecer a um eventual governo bolsonarista maioria na Câmara.

A federação convocou uma reunião em Brasília para a próxima terça-feira (6), às 16h, com as bancadas de deputados e senadores eleitos. A ideia é ouvir as lideranças regionais, com tendência a apoiar Flávio Bolsonaro e liberar, sem punição, diretórios estaduais para apoiar Lula.

Os presidentes do União Brasil, Antônio Rueda, e do PP, Ciro Nogueira devem participar. Ambos estão propensos a apoiar Flávio Bolsonaro, especialmente Nogueira. Senador pelo Piauí, ele foi derrotado neste domingo graças a uma participação direta de Lula no estado, que tem tendência petista.

Nogueira tinha um pacto de não agressão com Lula no Piauí. O acordo, revelado pela Folha, foi rompido quando o petista foi ao estado, chamou o presidente do PP indiretamente de "vira-lata" e apoiou os agora senadores eleitos Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD).

Segundo aliados, Rueda e caciques do União Brasil têm mantido mais cautela. O grupo quer condicionar eventual aliança com Flávio Bolsonaro a um apoio do PL à reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) na presidência do Senado, em fevereiro de 2027. Nogueira, a partir de fevereiro sem mandato, também precisa de um espaço e pode negociar a participação num ministério, dizem aliados.

Enquanto isso, o cenário no MDB é incerto. O partido tendia à neutralidade, mantida graças ao poder da ala ligada ao presidente Lula. As urnas, porém, enfraqueceram esse grupo: o senador Renan Calheiros (AL) perdeu a reeleição, Renan Filho foi derrotado na disputa ao governo de Alagoas e o ex-governador do Pará, Helder Barbalho, não conseguiu eleger um sucessor, apesar de ter vencido a disputa pelo Senado.

O grupo lulista contou com algumas vitórias, porém, com as reeleições dos senadores Veneziano Vital do Rêgo (PB), Marcelo Castro (PI) e Eduardo Braga (MDB). A ala bolsonarista é liderada pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, que já pediu votos por Flávio no primeiro turno.

Já o Republicanos vive uma encruzilhada. Flávio Bolsonaro tem uma relação fria com o presidente do partido, o deputado Marcos Pereira (SP). O candidato sequer procurou o dirigente nas semanas que antecederam o primeiro turno, segundo pessoas próximas.

O partido abriga uma forte ala bolsonarista, como o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Ao mesmo tempo, tem o presidente da Câmara, Hugo Motta, que fez campanha para Lula na Paraíba. O pai de Motta, Nabor Wanderley (Republicanos), não teve apoio de Lula e foi derrotado para o Senado.

A tendência é a neutralidade, com a liberação para cada diretório apoiar qualquer um dos candidatos. A ideia é proteger o presidente da Câmara, que enfrentou dificuldades com os bolsonaristas e se aproximou de Lula para fortalecer sua base de apoio na Casa.

O Solidariedade e o PRD, que estão numa federação e disputaram juntos a eleição, se reuniram nesta semana para decidir se continuam neutros ou declaram apoio a Flávio.

Um apoio formal dos partidos no segundo turno tem efeitos mais simbólicos que práticos. No primeiro turno, o tamanho da chapa influencia no tempo de TV e rádio. Na disputa direta, essa divisão é feita de maneira igualitária entre os dois candidatos.

Por Augusto Tenório e Raphael Di Cunto/Folhapress

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