Por que Jayme Vieira Lima ficou sem mandato mesmo com 115 mil votos? Entenda a conta que faltou ao MDB Por Política Livre
A derrota de Jayme Vieira Lima (MDB) na disputa pela Câmara dos Deputados, apesar dos 115.292 votos recebidos nas eleições do último dia 4, tem uma explicação matemática. O partido precisaria de apenas 10.192 votos a mais para conquistar uma segunda cadeira e assegurar a eleição do primo dos irmãos Geddel e Lúcio Vieira Lima. O resultado chama ainda mais atenção quando comparado ao do deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT), que garantiu o quinto mandato com cerca de 60 mil votos, praticamente metade da votação de Jayme.
O que explica essa diferença é o sistema proporcional, no qual não basta o candidato receber uma votação expressiva. O desempenho coletivo do partido também determina quantas cadeiras serão conquistadas. E foi justamente nesse ponto que o MDB ficou para trás.
Segundo levantamento sobre o resultado eleitoral na Bahia, o MDB somou 365.965 votos, suficientes para assegurar uma cadeira pelo quociente eleitoral, ocupada pelo deputado federal Ricardo Maia, que recebeu 147.981 sufrágios. Jayme, segundo mais votado da legenda, acabou na primeira suplência.
Para entender o resultado, é preciso considerar que a Bahia tem direito a 39 deputados federais. Nas eleições deste ano, o quociente eleitoral foi de 212.354 votos. Isso significa que, para conquistar uma cadeira diretamente, cada partido ou federação precisava alcançar essa votação. O MDB ultrapassou o patamar uma vez, mas não conseguiu votos suficientes para garantir uma segunda vaga pelo mesmo critério.
Depois da distribuição das cadeiras pelo quociente eleitoral, restaram seis vagas, conhecidas como sobras eleitorais. Elas foram distribuídas por um sistema de médias que considera a votação total de cada partido e o número de cadeiras já conquistadas.
Como o MDB havia assegurado uma vaga, seus 365.965 votos foram divididos por dois, resultando em uma média de 182.982,5. O número ficou abaixo da média de 188.078 registrada na disputa pela última cadeira, conquistada pela Federação União Progressista.
Na prática, a diferença foi de pouco mais de cinco mil pontos na média. Como a votação do MDB era dividida por dois, seriam necessários aproximadamente 10,2 mil votos adicionais para superar a concorrente, conforme a simulação apresentada no levantamento.
Isso significa que um candidato adicional com votação próxima de 11 mil votos, ou um desempenho um pouco melhor dos demais integrantes da chapa, poderia ter mudado o resultado e assegurado a eleição de Jayme.
Comparação - A comparação com Félix Mendonça Júnior ajuda a compreender o funcionamento do sistema eleitoral. Embora o parlamentar do PDT tenha recebido cerca de 60 mil votos, seu partido somou 200.981, quantidade que permitiu disputar as sobras com uma média superior à do MDB.
A diferença é que o PDT não havia conquistado nenhuma cadeira pelo quociente eleitoral. Por isso, entrou na disputa das sobras com sua votação integral, enquanto o MDB, que já tinha uma vaga, precisou dividir seus votos por dois.
Assim, o PDT alcançou média de 200.981, superior aos 182.982,5 do MDB. O resultado garantiu a eleição de Félix, mesmo com votação individual bem inferior à de Jayme.
Há, no entanto, um detalhe importante: ao contrário do que uma comparação direta entre os dois candidatos poderia sugerir, não foi Félix quem tirou a vaga de Jayme. Pela simulação, se o MDB tivesse conseguido os votos necessários, a cadeira perdida seria a da Federação União Progressista, ocupada por Manuel Rocha (União), que recebeu 104.969 votos.
Chapa concentrada - Outro fator que ajuda a explicar o desempenho do MDB foi a concentração de votos em apenas dois candidatos. Ricardo Maia e Jayme Vieira Lima somaram 263.273 votos, o equivalente a quase 72% de toda a votação do partido.
O terceiro mais votado, Danilo Henrique, recebeu 38.136 votos. Nenhum dos demais candidatos conseguiu ultrapassar a marca de 14 mil votos. Nem mesmo a ex-prefeita de Lauro de Freitas Moema Gramacho, que recebeu pouco mais de 5 mil votos.
O desempenho contrasta com o do PDT, que teve uma distribuição menos concentrada de votos entre os integrantes da chapa. O partido também se beneficiou de uma votação expressiva na legenda, quando o eleitor digita apenas o número da sigla na urna.
Enquanto o MDB recebeu 5.943 votos de legenda, o PDT alcançou 23.818, praticamente quatro vezes mais. A diferença de 17.875 votos entre as duas siglas nesse quesito, sozinha, já supera a quantidade que faltou ao MDB para conquistar a segunda cadeira.
Os números mostram que, embora tenha conseguido reunir dois candidatos com votações expressivas, o MDB não obteve o desempenho coletivo necessário para ampliar sua representação na Câmara. A eleição proporcional acaba premiando não apenas os candidatos mais votados, mas também os partidos que conseguem distribuir melhor sua força eleitoral.
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