Apoio de ACM Neto não impede Lula de ampliar vantagem sobre Flávio em 654 mil votos na Bahia - Por Política Livre

Foto: Divulgação/Arquivo
O apoio do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União) a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial não foi suficiente para reduzir a vantagem do presidente Lula (PT) na Bahia. Pelo contrário. Apesar da participação ativa do ex-candidato a governador na campanha bolsonarista, a diferença entre os dois presidenciáveis aumentou em mais de 654 mil votos no estado. O resultado coloca em discussão o peso político do líder oposicionista e sobretudo, sua capacidade de transferir votos para aliados.

No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro recebeu 2.442.585 votos na Bahia, o equivalente a 28,53% dos válidos. Lula, por sua vez, conquistou 5.664.771 votos (66,17%), estabelecendo uma vantagem de 3.222.186 votos sobre o adversário.

Três semanas depois, com ACM Neto engajado na campanha do candidato do PL, Flávio chegou a 2.608.761 votos (28,69%), enquanto Lula alcançou 6.485.258 (71,31%). Isso significa que o bolsonarista ganhou 166.176 votos entre os dois turnos, enquanto o petista ampliou sua votação em 820.487 votos. A diferença entre os dois candidatos saltou para 3.876.497 votos, um crescimento de 654.311 votos favorável ao presidente reeleito.

Os números mostram que o crescimento de Flávio foi modesto diante da mobilização realizada por ACM Neto e seus aliados. Embora não seja possível determinar quantos votos o ex-prefeito efetivamente transferiu ao candidato do PL, o resultado demonstra que sua participação não conseguiu alterar a correlação de forças no estado.

Aposta em Brasília - ACM Neto anunciou apoio a Flávio Bolsonaro logo após sofrer sua segunda derrota consecutiva na disputa pelo governo da Bahia. No primeiro turno, o ex-prefeito recebeu 3.625.227 votos (43,72%), contra 4.626.509 (55,80%) do governador Jerônimo Rodrigues (PT), reeleito com uma vantagem superior a um milhão de votos.

A adesão à candidatura presidencial do PL foi oficializada em Brasília, no dia 7 de outubro. Além de tentar fortalecer o campo oposicionista na Bahia, a decisão também alimentou especulações sobre uma eventual participação de ACM Neto no primeiro escalão de um governo Flávio Bolsonaro. Sem ocupar cargo público desde que deixou a Prefeitura de Salvador, em dezembro de 2020, o ex-prefeito era apontado por aliados como possível ministro, caso o senador vencesse a disputa presidencial.

ACM Neto, entretanto, negou ter negociado cargos. Neste domingo (25), ao votar em Salvador, afirmou que não havia tratado da possibilidade de assumir um ministério e que caberia exclusivamente a Flávio definir a composição de um eventual governo.

A postura adotada no segundo turno contrastou com a campanha do primeiro. Na ocasião, ACM Neto declarou apoio ao ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), mas não realizou uma mobilização ostensiva em favor do presidenciável na Bahia. Não houve, por exemplo, um grande ato de campanha com Caiado em Salvador.

Durante a disputa pelo governo estadual,  ACM Neto também evitou confrontos diretos com Lula, enquanto parte de seus apoiadores estimulava o chamado voto cruzado, combinando o apoio ao petista para presidente e ao candidato do União Brasil para governador. No segundo turno, o ex-prefeito mudou radicalmente, participando, inclusive, de atos de campanha ao lado de Flávio. 

Campanha nas ruas - ACM Neto não se limitou a declarar apoio ao candidato do PL. Participou de atos de campanha em Salvador e em municípios do interior, mobilizando prefeitos, deputados e lideranças políticas que integraram sua campanha ao governo estadual.

Em Salvador, esteve ao lado de Flávio Bolsonaro no ato realizado no Farol da Barra, no dia 17 de outubro. O evento reuniu o prefeito Bruno Reis (União), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), além de parlamentares e outras lideranças da oposição baiana.

Na véspera, ACM Neto havia participado de uma caminhada em Campo Formoso, no norte do estado, ao lado do candidato a vice-presidente Alfredo Gaspar (PL), do deputado federal Elmar Nascimento (União), do deputado estadual Júnior Nascimento (União) e de prefeitos da região. O ex-prefeito liderou ainda atos bolsonaristas em Feira de Santana, Porto Seguro e Itapetinga. Flávio não ganhou em nenhuma dessas cidades. 

Mais eleitores - Outro dado que chama a atenção é a redução da abstenção no segundo turno. Enquanto aproximadamente 2,26 milhões de baianos deixaram de votar no primeiro turno, o número caiu para cerca de 1,89 milhão na votação deste domingo.

A diferença representa aproximadamente 368 mil eleitores a menos ausentes das urnas. Também houve redução dos votos brancos e nulos, que passaram de cerca de 493 mil para 328 mil. O aumento da participação eleitoral ampliou o universo de votos válidos, mas beneficiou principalmente Lula, que conquistou quase cinco vezes mais votos adicionais do que Flávio Bolsonaro.

O desempenho representa também uma vitória política para o governador Jerônimo Rodrigues, que mobilizou prefeitos, deputados e lideranças de sua base com o objetivo declarado de ampliar a vantagem do presidente na Bahia.

Nenhum comentário: