Postura de Trump após resultado da eleição no Brasil é dúvida na Casa Branca

Integrantes do governo americano evitam garantir reconhecimento do resultado e dizem que decisão caberá ao presidente dos EUA
Integrantes da Casa Branca ouvidos pela Coluna do Estadão evitaram responder se o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconhecerá o resultado da eleição presidencial brasileira, independentemente de quem vença. Indagadas diretamente sobre o tema nessa semana, duas fontes disseram que uma eventual manifestação caberá ao próprio Trump.

Outro integrante do governo americano disse que Trump “respeita Lula e também respeita Flávio Bolsonaro” e reiterou que qualquer posicionamento sobre o resultado será decisão do presidente dos EUA.

As fontes admitiram que Trump tem preferência por um candidato por afinidade ideológica, mas evitaram citar diretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL). Segundo um integrante do governo americano, o maior alinhamento político e ideológico seria “mais benéfico” para as relações entre Estados Unidos e Brasil. Questionado sobre quais seriam os benefícios desse alinhamento, porém, não respondeu.

A mesma fonte afirmou que Trump ainda não declarou apoio formal e disse não saber se o fará. “Mas tudo pode mudar.” Segundo essa pessoa, com a eleição ainda indefinida e diante da relação mantida por Washington com os dois principais candidatos, não seria “diplomaticamente bem visto” externalizar uma preferência neste momento. Em junho, a Broadcast já havia informado que o republicano estava indeciso sobre apoiar ou não um postulante no pleito brasileiro.

As respostas ocorrem em meio às discussões sobre uma possível interferência estrangeira na eleição brasileira e às dúvidas sobre se Trump decidirá declarar apoio a um candidato antes do pleito.

Interferência eleitoral

Os integrantes da Casa Branca também negaram que o governo americano vá interferir no processo eleitoral brasileiro. Uma das fontes foi taxativa ao ser questionada sobre a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que o Brasil identificou “alguns indícios de interferência” por meio do uso de inteligência artificial (IA). “Não tem interferência”, se limitou a responder.

Lula afirmou na segunda-feira à CNN Internacional que Trump teria dito a interlocutores que não interferirá na eleição brasileira. “Trump tem dito isso. E não tem como acessar o sistema eleitoral brasileiro”, disse uma das fontes, que não quis responder ao ser perguntada sobre interferência estrangeira no pleito nacional por meio de IA, e não por via das urnas eletrônicas diretamente. Procurado, o Departamento de Estado dos EUA também se recusou a comentar.

Governo Trump confirma conversas sobre terras raras com pessoas próximas à oposição

Uma segunda pessoa relacionada à Casa Branca afirmou que representantes do governo americano discutiram terras raras e outros temas com pessoas próximas ao principal adversário de Lula, mas ressaltou à reportagem que as conversas não tiveram caráter oficial porque os interlocutores brasileiros não ocupam cargos públicos. A fonte negou que os contatos representem interferência no pleito.

Questionado, o blogueiro Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro, afirmou que “não houve conversas conosco sobre isso”. Na semana passada, Figueiredo e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro se reuniram com integrantes do governo americano no Departamento de Estado.

Por Redação

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