Investigados por morte de empresário de Ipiaú são presos em operação policial

A Polícia Civil da Bahia, com apoio da Polícia Militar, deflagrou na manhã desta quinta-feira (24) a Operação Sete Voltas, como parte das investigações sobre a morte do empresário de Ipiaú Valdiney Fernandes Santos, de 51 anos. A ação cumpre medidas de prisão temporária e de busca e apreensão contra investigados apontados pela polícia como envolvidos no crime. Duas pessoas investigadas foram presas e apresentadas na delegacia de Ibirapitanga.

Valdiney desapareceu no dia 2 de junho de 2026, após sair de sua residência, em Ipiaú, informando que iria tratar da negociação de uma propriedade rural localizada na região da Jaguarana, em Itagi. Três dias depois, em 5 de junho, o veículo do empresário foi encontrado trancado em uma estrada vicinal na zona rural de Ibirapitanga, nas proximidades da BA-650, em uma área conhecida como Sete Voltas. No interior do automóvel estava o corpo da vítima, já em avançado estado de decomposição.

Investigação reconstruiu últimos passos da vítima

Segundo informações da Polícia Civil, a perícia constatou lesões provocadas por instrumento perfurocortante, indicando morte violenta. A investigação também apurou que o automóvel já havia sido visto no local onde foi encontrado desde a tarde do dia 2 de junho.

A partir de levantamentos investigativos e de inteligência, os policiais reconstruíram parte do trajeto percorrido por Valdiney. Conforme a apuração, ele teria percorrido aproximadamente 41,4 quilômetros, saindo de Ipiaú e seguindo pela BA-650, passando por Ibirataia até chegar à estrada vicinal onde posteriormente foi localizado. A polícia trabalha com a estimativa de que o empresário tenha sido morto entre 14h e 15h daquele dia.

A apuração passou a analisar pessoas próximas à vítima, registros de ameaças, dados telefônicos e deslocamentos realizados no período do crime. Conforme a Polícia Civil, Valdiney manteve no passado um relacionamento extraconjugal com Sheila de Araújo Barbosa, com quem teve um filho. Os investigadores afirmam que havia histórico de conflitos entre os dois e relatos de ameaças anteriores.

Ainda segundo a investigação, vídeos e conversas que estavam em poder da vítima indicariam que Valdiney temia sofrer um atentado e atribuía supostas ameaças à ex-companheira. Essas informações integram o conjunto de elementos reunidos no inquérito e ainda estão sob apuração.

Dados telefônicos estão entre os indícios

Carro foi encontrado com o corpo numa roça

A Polícia Civil informou que análises de dados relacionados ao aparelho celular atribuído a Sheila apontaram deslocamentos que coincidem, em determinados horários, com parte do trajeto realizado pela vítima no dia do crime. Segundo os investigadores, o aparelho saiu da região de Ipiaú, passou por Ibirataia e registrou movimentação em Gandu antes de retornar a Ipiaú.

No dia seguinte ao crime, conforme a investigação, novos registros indicaram deslocamento pela região de Ibirapitanga. Para a Polícia Civil, os dados levantados apresentam divergências em relação ao relato prestado pela investigada durante o procedimento policial.

A investigação também apura acontecimentos registrados depois da morte do empresário envolvendo a disputa e a tentativa de ocupação de bens deixados por Valdiney.

Outro investigado identificado pela polícia é Fábio Santos Cruz, conhecido como “Ralado”. Conforme os investigadores, levantamentos de inteligência também teriam identificado deslocamentos do aparelho telefônico atribuído a ele compatíveis com parte do trajeto investigado. A polícia apura a possível participação do homem no crime.

Operação Sete Voltas

Operação foi realizada pela Polícia Civil

Com base nos elementos reunidos durante a investigação, a Polícia Civil, por meio da unidade de Ibirapitanga, solicitou à Justiça prisões temporárias e mandados de busca e apreensão contra os investigados. As medidas foram autorizadas pelo Poder Judiciário e começaram a ser cumpridas nesta quinta-feira.

A operação conta com equipes da Polícia Civil de Ibirapitanga e do CATI da 7ª Coorpin de Ilhéus, além do apoio de policiais militares da 61ª CIPM/Ubaitaba e 55ª CIPM/Ipiaú.

A Polícia Civil considera que o cumprimento das medidas cautelares poderá produzir novos elementos para esclarecer a dinâmica do homicídio, identificar as responsabilidades individuais e concluir o inquérito. Os investigados terão direito à defesa, e as suspeitas levantadas durante a investigação ainda deverão ser submetidas à apreciação da Justiça.

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