Campanha de deputados é interrompida para encontro fluido com Jerônimo,

As pesquisas estão mostrando que o presidente Lula (PT) é a principal vítima da escalada da crise no Supremo Tribunal Federal, deflagrada com a decisão do ministro André Mendonça de publicizar os diálogos impertinentes entre o colega Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, à qual se seguiram um conjunto de ofensivas e contraofensivas que colocaram o STF no patamar de uma frente de guerra aberta entre facções políticas. De fato, se Moraes virou sinônimo, no STF, de defensor do petista, e os ataques contra ele partem agora de um colega com base em suas alegadas relações pouco republicanas com um fraudador do sistema financeiro, o desgaste de um rebate no outro, turbinado pelos interesses eleitorais em jogo.

A tentativa do presidente da Corte, Edson Fachin, de avocar para si a solução do conflito, suspendendo ontem as últimas decisões que transformaram o STF numa seara de disputa sem regras em torno das investigações contra Vorcaro e Lulinha, filho do presidente, pode, se for bem sucedida, encerrar o foco dos conflitos, mas o estrago certamente já está feito sobre a imagem do líder petista. A pergunta agora é saber se Lula poderá se recuperar até a eleição de 4 de outubro do efeito da crise sobre seu projeto reeleitoral, para o qual o eleitor de centro, que lhe foi imensamente útil em 2022, ampliou sua resistência, dada a identificação entre o petista e Moraes e a balbúrdia em que os ministros transformaram o Supremo nos últimos dias.

Se, entre as candidaturas ao governo, a do petista Jerônimo Rodrigues é considerada uma das mais dependentes do desempenho de Lula no Estado, seria natural que os articuladores do governador estivessem preocupados com sua repercussão em território baiano e articulando formas de enfrentá-la o quanto antes. Era o que se esperava, por exemplo, de um encontro marcado ontem entre o governador, deputados e candidatos a uma vaga na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal. Mas não foi, para espanto geral, o que se viu no evento, em que o assunto predominante foi a crise no Supremo, depositada, naturalmente, pelos líderes esquerdistas, nas costas de Mendonça em discursos que se alongaram para além do esperado.

Mas este não foi o único assunto do encontro, para o qual deputados foram obrigados a comparecer interrompendo suas campanhas no interior. Conduzida pelo assessor de comunicação da campanha, Bruno Monteiro, eles também tiveram que assistir a uma palestra a respeito das programações para o próximo dia 13, em que se pretende promover uma homenagem ao presidente da República aproveitando o mote da data com que o PT e seus candidatos são identificados, utilizando-se, basicamente, das redes sociais, as quais devem ser usadas pelos políticos que apoiam Jerônimo para defender o presidente e o governador. Não é preciso dizer que parte dos deputados saiu do evento frustrado, dada a complexidade da dificuldade que a campanha estadual começa a enfrentar.

Com uma disputa acirradíssima entre Jerônimo e seu opositor, ACM Neto (União Brasil), especialmente os mandatários tinham em mente que deixariam o encontro com missões definidas para alavancar o nome do governador. Mas saíram de lá com o mesmo sentimento com que entraram. Falta uma coordenação que dê eixo efetivo à campanha do PT na Bahia num momento em que Lula, principal alavanca que elegeu todos os petistas ao governo baiano, começa ele próprio a enfrentar problemas para enfrentar os adversários ao seu projeto de se reeleger. Pelo menos uma promessa foi ouvida para quem reclamou da falta de propósito do encontro: o clima vai melhorar quando os prefeitos vestirem a camisa do governo a partir desta semana. A conferir!

*Artigo do Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.

por Raul Monteiro Por Raul Monteiro*

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