Alcolumbre diz que quantidade de pedidos de impeachment do STF não é normal e não responde sobre Moraes

       Presidente do Senado afirma que há 109 pedidos de afastamento de ministros da Corte

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou, nesta terça-feira (1º), que não é normal haver 109 pedidos de impeachment contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) em resposta às novas mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, do banco Master.

A oposição bolsonarista do Congresso e o presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro, voltaram a pressionar pelo impeachment de Moraes. Mas aliados de Alcolumbre consideram que a chance de um processo como esse avançar é zero —até porque o presidente do Senado tem uma relação próxima com o ministro.

Ao deixar o Senado, Alcolumbre afirmou a jornalistas que vem sendo pressionado com pedidos de impeachment há muito tempo.

"A minha percepção é que tem 109 pedidos, isso não é normal. [São] 109 solicitações no Congresso, [a respeito] dos 10 ministros, de pedido de impeachment de ministros do Supremo", disse.

Questionado a respeito da relação entre Moraes e Vorcaro revelada pelas mensagens, Alcolumbre respondeu: "Eu não achei nada, eu não devo achar nada".

Alcolumbre, Moraes e o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) jantam juntos frequentemente e têm uma relação de bastante proximidade. Na presidência, os dois senadores sempre se colocaram como anteparo do afastamento de Moraes.

Investigação da Polícia Federal tornada pública nesta terça indica que Vorcaro perguntou a Moraes se deveria fugir do país, dois dias antes da operação em que acabou preso, em novembro do ano passado.

Moraes também editou o contrato de R$ 131 milhões firmado pelo Banco Master com o escritório da mulher dele, Viviane Barci de Moraes.

Além do pedido de impeachment de Moraes, a oposição apresentou uma queixa-crime contra ele na PGR (Procuradoria-Geral da República) e um ofício ao presidente do STF, Edson Fachin, em que pede a abertura de uma investigação.

A oposição afirmou que também vai enviar um ofício ao presidente Lula (PT) pedindo o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e acionar a PGR contra ele —mas não por meio do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que acusam de estar contaminado.

Em mensagens enviadas a Moraes, Vorcaro pergunta se o ministro poderia intervir a favor dele junto a Andrei ou a Gonet. Relatório da PF aponta que um filho de Gonet pediu a Vorcaro para ir a um evento custeado pelo então banqueiro em Londres, com despesas pagas.

Congressistas afirmam que as revelações sobre Moraes e Vorcaro devem incendiar ainda mais as eleições, tanto a de presidente da República como a de senadores. O caso também estará no centro da manifestação bolsonarista marcada para o feriado de 7 de Setembro, em São Paulo.
Por Carolina Linhares/Folhapress


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