Governo amplia a R$ 200 mil teto de financiamento para motoristas de apps de olho em eleição Por Fernanda Brigatti, Folhapress

Baixa adesão leva Planalto a rever critérios; somente 11% do valor destinado ao programa foi concedido
O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu aumentar o teto de preço dos veículos que podem ser financiados por motoristas de aplicativos e táxis. Dos atuais R$ 150 mil, o valor passa a R$ 200 mil e inclui também veículos híbridos elétricos.

A mudança busca aumentar a abrangência do programa, em um aceno de Lula em meio à campanha eleitoral. A portaria dos ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) com as alterações nas regras foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União desta quarta (19).

Como mostrou a Folha, até agora apenas 11% dos R$ 30 bilhões disponível para o Move Aplicativos foi liberado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), o que levou o governo a criticar os grandes bancos, que estariam superdimensionando o risco de crédito dos motoristas de aplicativo.

O anúncio do crédito para a categirua é parte de uma série de ações de Lula para aumentar sua popularidade em ano eleitoral. Desde o início de seu terceiro mandato, o petista vem tentando atrair esses profissionais, que são vistos como mais afeitos ao campo bolsonarista, para sua base de apoio.

As mudanças no programa devem ampliar de 63% para 88% o alcance no mercado. Internamente, o Mdic considerou que a elevação do teto aumentará a ofertas de modelos, a concorrência e as opções disponíveis.

Com isso, espera chegar a categorias, dentro dos aplicativos, de padrão superior, como Uber Comfort, Uber Black e 99Plus.

Podem buscar financiamento por meio do Move taxistas e motoristas de aplicativos com cadastro ativo há pelo menos um ano e, no mínimo, cem corridas no período na plataforma.

O veículo a ser financiado precisa ser de montadora habilitada no programa Mover (Volks, Fiat, Renault, GM, Honda, Hyundai, Nissan, Peugeot, Toyota, BMW, BYD e GWM). Ele também ser enquadrado como sustentável, ser flex, híbrido ou híbrido a etanol.

Além da elevação do teto para R$ 200 mil, o goveno também mudou redação da norma para o conceito de veículo híbrido, o que deve garantir também a inclusão de carros que usem eletricidade e algum outro combustível, como gasolina ou etanol.

A medida provisória que criou o programa foi publicada em junho e vale até 15 de setembro.

Um dos pontos de resistência pelo setor bancário ao programa foi a fixação de uma taxa de juros abaixo da praticada no mercado em financiamentos automotivos.

O Move Brasil tem taxa fixada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) em 12,6% ao ano para homens e 11,5% para mulheres. No mercado, a taxa média para financiamento de automóveis é de 28% ao ano, segundo informações monitoradas pelo próprio governo.

Desde que o programa foi lançado, o presidente Lula vinha cobrando que bancos públicos federais destravassem a concessão de crédito no âmbito do Move.

Motoristas de plataformas como Uber e 99 enfrentam dificuldade para acessar o programa. Eles relatam negativas na concessão do crédito e redução na pontuação do Serasa após múltiplas consultas em diferentes bancos.

Por Fernanda Brigatti, Folhapress

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