Inflação fecha primeiro semestre com maior taxa desde 2022 no Brasil

                        Variação havia sido de 5,49% no período de janeiro a junho de 2022

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) fechou o primeiro semestre de 2026 com inflação acumulada de 3,36%, apontam dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

É a maior alta para o período de janeiro a junho em quatro anos, desde 2022. À época, também um ano presidencial, o acumulado alcançou 5,49%.

Tradicionalmente, os preços de parte dos alimentos costumam subir no início do ano devido à redução da oferta de mercadorias. Em 2026, segundo o IBGE, houve a pressão adicional da guerra no Irã.

O conflito provocou a disparada das cotações do petróleo, que encareceu combustíveis no Brasil. O óleo diesel, insumo usado nos fretes rodoviários, fechou o primeiro semestre com alta de 15,68%.

Os dados do IPCA significam que este ano teve o primeiro semestre com a maior inflação do atual governo Lula (PT). Em 2022, o Brasil ainda era governado por Jair Bolsonaro (PL), e a alta dos preços era apontada como um dos desafios para sua reeleição. Ele foi derrotado por Lula em outubro daquele ano.

Segundo o IBGE, o grupo alimentação e bebidas acumulou inflação de 4,56% no primeiro semestre de 2026.

Com isso, respondeu por 0,98 ponto percentual do IPCA do período. Foi o maior impacto entre os nove grupos de bens e serviços pesquisados no índice.

Entre os alimentos, o IBGE chamou a atenção para o tomate. O produto acumulou alta de 82,41% de janeiro a junho. Assim, gerou uma contribuição de 0,16 p.p. para o IPCA. Foi a principal pressão entre os alimentos, ao lado das carnes (5,6% e 0,16 p.p.).

O governo Lula adotou um pacote de medidas para mitigar os impactos da guerra sobre os preços dos combustíveis às vésperas das eleições.

Como mostrou reportagem da Folha, a aprovação do petista no seu terceiro mandato é a mais afetada pelo comportamento da inflação e do desemprego entre os presidentes da República nos últimos 30 anos, segundo estudo do economista Sergio Vale, da MB Associados.

No outro extremo, está Bolsonaro, o mandatário menos sensível às flutuações dos preços e do mercado de trabalho, apesar da brusca piora desses indicadores na pandemia.

Para cientistas políticos, os dados mostram que o bem-estar econômico tende a ser mais importante do que nunca na eleição presidencial deste ano.

O levantamento de Vale cruzou dados do chamado índice da miséria —soma do IPCA e da taxa de desemprego— com os números de aprovação mensal dos presidentes mostrados pelo agregador de pesquisas do site Jota.

No mês de junho, a inflação medida pelo IPCA desacelerou a 0,16%, após marcar 0,58% em maio, disse nesta sexta o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O resultado surpreendeu o mercado financeiro ao ficar bem abaixo das projeções de analistas. A redução dos preços de alimentos, após forte sequência de altas mensais, puxou o índice para um patamar menor.

Por Leonardo Vieceli, Folhapress

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente esta matéria.