Rivais mantêm 'pacto de silêncio' e evitam explorar operação contra Jaques Wagner

Segue uma sugestão de matéria jornalística em formato noticioso:A operação da Polícia Federal que teve como alvo o senador Jaques Wagner (PT), um dos candidatos à reeleição ao Senado na chapa do governador Jerônimo Rodrigues (PT), não provocou ataques públicos por parte do principal grupo de oposição na Bahia, liderado pelo ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil).

Apesar da repercussão da investigação, que apura supostas vantagens indevidas recebidas por Wagner em troca de atuação em favor de interesses do Banco Master no Congresso Nacional, ACM Neto optou por uma postura de cautela e evitou transformar o episódio em instrumento de confronto político.

Nos bastidores, segundo informações reveladas anteriormente, integrantes do PT e do grupo político de ACM Neto teriam firmado um entendimento informal para manter o escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro fora do debate eleitoral baiano. A decisão teria sido motivada pelas conexões de ambos os grupos com o Banco Master.

Questionado por jornalistas durante agenda pública na última sexta-feira, ACM Neto afirmou que o caso deve ser tratado pelas instituições responsáveis.

"Essa é uma questão que cabe ao Judiciário. O que nós esperamos é que a investigação seja completa, isenta, correta e que, ao fim, se há responsáveis e culpados, que sejam punidos. É aguardar para ver os desdobramentos que eventualmente isso pode ter", declarou.

Jaques Wagner é investigado pela Polícia Federal sob suspeita de ter atuado em defesa dos interesses do Banco Master e do empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, em projetos discutidos no Congresso Nacional.

Entre os pontos analisados pelos investigadores está a chamada "emenda Master", que ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Segundo a investigação, o senador teria recebido benefícios como uso de aeronaves, ingressos para eventos internacionais e um apartamento avaliado em R$ 2,4 milhões em Salvador.

O petista nega qualquer irregularidade e afirma não ter recebido recursos da instituição financeira nem atuado para favorecê-la.

Embora tenha evitado explorar politicamente a investigação contra Wagner, ACM Neto também teve seu nome associado ao caso Master após a divulgação de documentos apresentados pelo banqueiro Daniel Vorcaro à Receita Federal.

Os registros apontam pagamentos de R$ 5,4 milhões à empresa de consultoria do ex-prefeito entre os anos de 2023 e 2025.

Segundo ACM Neto, os contratos foram celebrados dentro da legalidade e envolveram serviços de consultoria relacionados à análise da conjuntura política e econômica nacional. O ex-prefeito sustenta que nenhuma das pessoas ligadas ao banco exercia cargo público no momento da contratação.

Quem adotou um tom mais incisivo diante da operação foi o presidente estadual do PL e candidato ao Senado, João Roma.

Aliado de ACM Neto na disputa eleitoral deste ano, Roma classificou as suspeitas contra Wagner como graves e defendeu que as investigações avancem com independência.

Em manifestação nas redes sociais, o ex-ministro da Cidadania também criticou a postura do senador petista ao longo dos últimos anos.

"O que mais espanta nesse caso é a forma debochada que ele sempre tratou do assunto, fazendo ilações a políticos adversários e escondendo suas relações", afirmou.

O episódio ocorre em meio à intensificação da corrida eleitoral na Bahia. O governador Jerônimo Rodrigues buscará a reeleição em uma nova disputa contra ACM Neto, repetindo o confronto de 2022, quando o petista venceu no segundo turno com 52,8% dos votos.

Levantamentos recentes apontam cenário equilibrado entre os dois grupos políticos.

Na disputa pelo Senado, o campo governista deverá contar com as candidaturas de Jaques Wagner e Rui Costa, enquanto a oposição trabalha com os nomes de João Roma e do senador Angelo Coronel (Republicanos).

Enquanto ACM Neto tenta manter o debate focado em pautas estaduais e evita a nacionalização da campanha, o PT aposta na associação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um dos principais trunfos eleitorais.

As investigações também colocaram em evidência a relação entre Jaques Wagner e o empresário Augusto Lima, conhecido como Guga, ex-sócio de Daniel Vorcaro.

A parceria empresarial de Lima com o governo baiano remonta à privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), durante a gestão de Rui Costa. Após adquirir a estatal, o empresário passou a operar o Credcesta, cartão consignado voltado para servidores públicos, posteriormente expandido nacionalmente em parceria com o Banco Master.

De acordo com relatório da Polícia Federal encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), Wagner teria apresentado, em 2022, uma emenda que beneficiaria interesses do banco. O senador contesta a acusação e afirma que sua atuação parlamentar seguiu critérios técnicos e institucionais.

As investigações seguem sob supervisão do ministro André Mendonça, do STF.

Por Política Livre

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