Quebra de sigilo de documentos do caso Master pode atrapalhar investigação, dizem procuradores

Procuradores diretamente envolvidos nas investigações do escândalo do Banco Master ficaram contrariados com a suspensão do sigilo de documentos sobre o caso determinada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça.

Relator do processo, o magistrado decidiu dar publicidade a relatórios da PF (Polícia Federal) horas antes de o ministro Gilmar Mendes levar para votação o pedido de liberdade de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O STF manteve a prisão.

Integrantes da PGR (Procuradoria-Geral da República) manifestaram a interlocutores que a publicidade pode atrapalhar investigações ainda em andamento. Na opinião deles, Mendonça poderia ter aguardado mais tempo antes de tomar a medida.

Os relatórios mostram, entre outras coisas, Henrique Vorcaro dialogando com integrantes do grupo que, segundo a PF, era pago por ele para intimidar e ameaçar desafetos do filho.

Os diálogos revelados mostram Henrique Vorcaro, por exemplo, sendo pressionado por Joana Mourão, irmã de Luiz Phillipi Mourão, o "Sicário", para fazer pagamentos a ela. Ele morreu depois de ser preso e, segundo a PF, cometeu suicídio na cela.

Nas conversas, Joana ameaça "acabar com a família" de Vorcaro, já que teria perdido o irmão e as condições financeiras de sobrevivência, enquanto o ex-dono do Master e seus parentes viveriam, nas palavras dela, "como reis".

Por Mônica Bergamo/Folhapress

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