Infarto exige corrida contra o tempo para salvar o coração
Protocolo “porta-balão” reduz mortes, mas demora para chegar ao hospital ainda compromete tratamento
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Dor forte no peito, suor frio, falta de ar e mal-estar súbito podem marcar o início de uma corrida contra o tempo. Nos casos de infarto agudo do miocárdio, cada minuto de demora até o atendimento aumenta o risco de morte e de sequelas permanentes no coração. Para tentar reduzir esse impacto, hospitais de emergência adotam o chamado protocolo “porta-balão”, estratégia considerada padrão-ouro no tratamento dos infartos mais graves e que tem como objetivo desobstruir rapidamente a artéria coronária entupida por meio de uma angioplastia de emergência.
O protocolo é acionado principalmente nos casos de infarto com supradesnivelamento do segmento ST (IAM com supra), considerado o tipo mais grave da doença. Nessa situação, o ideal é que o tempo entre a chegada do paciente ao hospital e a abertura da artéria na hemodinâmica — o chamado “tempo porta-balão” — seja inferior a 90 minutos, conforme diretrizes cardiológicas nacionais e internacionais.
“Não adianta ter hemodinâmica moderna e equipes treinadas se o paciente chega tarde. O sucesso do tratamento começa no reconhecimento rápido dos sintomas pela população”, alerta o cardiologista intervencionista baiano Sérgio Câmara.
Segundo o Ministério da Saúde, o infarto agudo do miocárdio é a principal causa de mortes no Brasil. A estimativa é de que ocorram entre 300 mil e 400 mil casos por ano no país, com um óbito a cada cinco a sete ocorrências. Dados do Cardiômetro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) apontam que as doenças cardiovasculares seguem como as que mais matam no país, com mais de mil mortes por dia.
Operação de guerra - Na prática, o protocolo “porta-balão” funciona como uma operação de guerra dentro do hospital. Assim que o paciente chega à emergência com suspeita de infarto, a equipe realiza rapidamente eletrocardiograma, exames laboratoriais e avaliação clínica. Confirmado o diagnóstico, o setor de hemodinâmica é acionado para a realização imediata da angioplastia coronariana primária — procedimento minimamente invasivo em que um cateter é introduzido pela artéria do braço ou da virilha até alcançar a coronária obstruída.
Na ponta do cateter, um pequeno balão é inflado para reabrir o vaso sanguíneo e restabelecer a circulação do coração. Em muitos casos, também é implantado um stent, espécie de mola metálica que ajuda a manter a artéria aberta.
Tempo é músculo - “O infarto é uma emergência absoluta. Existe uma frase clássica na cardiologia que resume bem isso: t’empo é músculo’. Quanto mais tempo o coração fica sem circulação adequada, maior é a área de necrose e maior também o risco de insuficiência cardíaca, arritmias graves e morte”, explica Sérgio Câmara.
O especialista chama atenção para um comportamento comum e perigoso: pacientes que recorrem primeiro à automedicação ou tentam dirigir até o hospital por conta própria. “Ao menor sinal de suspeita de infarto, a recomendação é acionar imediatamente o SAMU ou outro serviço de emergência com estrutura cardiológica. O transporte adequado também salva vidas”, reforça.
Além da dor intensa no peito, que pode irradiar para braço esquerdo, mandíbula ou costas, o infarto também pode provocar sintomas menos clássicos, especialmente em mulheres, idosos e diabéticos. Náuseas, tontura, sensação de indigestão, cansaço extremo e suor excessivo também podem indicar emergência cardíaca.
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