Vice-presidente dos EUA alerta Irã a ‘não brincar’ durante negociações no Paquistão
Às vésperas das negociações para encerrar a guerra, o presidente dos EUA, Donald Trump, elevou o tom contra o Irã dizendo que eles "só estão vivos hoje para negociar" e ameaçou reagir caso as conversas fracassem, enquanto o Irã impôs condições para avançar no diálogo.
Representantes dos dois países se reúnem a partir deste sábado (11), no Paquistão, em meio a um cessar-fogo frágil — que Teerã afirma já ter sido violado por seus rivais, incluindo Israel.
Trump afirmou nesta sexta-feira (10) que o Irã não tem poder de negociação real e disse que o país só continua existindo para negociar.
"Os iranianos parecem não perceber que não têm cartas na manga, além de uma extorsão de curto prazo ao mundo por meio do uso de vias navegáveis internacionais. A única razão de ainda estarem vivos hoje é para negociar!", afirmou na rede social Truth Social.
O presidente dos EUA também disse que o Exército do país está "carregando os navios com as melhores munições" caso as negociações de paz com o Irã fracassem. A fala aconteceu em uma entrevista ao jornal norte-americano "The New York Post".
“Vamos descobrir em breve, em cerca de 24 horas”, disse ao ser questionado pelo jornal se acreditava que as negociações seriam bem-sucedidas.
“Estamos reiniciando tudo, carregando os navios com as melhores munições, as melhores armas já feitas —ainda melhores do que as que usamos antes, e com as quais os destruímos completamente. (...) E, se não tivermos um acordo, vamos usá-las de forma muito eficaz”, afirmou.
Trump afirmou também que os iranianos "são melhores em lidar com a imprensa de fake news e com 'relações públicas' do que em lutar".
Ao "NY Post", ele disse que negociar com o regime iraniano é "lidar com pessoas sobre as quais não sabemos se dizem a verdade". Ele também acusou Teerã de contradizer alegações sobre enriquecimento de urânio e armas nucleares nos âmbitos público e privado.
Já o Irã impôs condições para negociar.
Nesta sexta (10), o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, disse que os EUA devem cumprir os compromissos, incluir o Líbano no cessar-fogo e interromper os ataques israelenses contra o país, segundo a mídia estatal iraniana.
A agência de notícias semioficial iraniana Tasnim, próxima à Guarda Revolucionária, afirmou que as conversas marcadas para sábado não aconteceriam a menos que Israel interrompesse seus ataques no Líbano.
Além disso, um alto representante do Irã afirmou nesta sexta-feira (10) que as negociações com os EUA não podem começar enquanto ativos iranianos bloqueados no exterior não forem liberados.
"Duas das medidas acordadas entre as partes ainda não foram implementadas: um cessar-fogo no Líbano e a liberação dos ativos iranianos bloqueados antes do início das negociações. Essas duas questões precisam ser cumpridas antes que as negociações comecem", disse o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, em uma publicação no X.
Mais cedo nesta sexta, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, que vai participar das conversas em Islamabad, no Paquistão, falou sobre o encontro em um tom um pouco mais positivo.
"Estamos ansiosos pela negociação. Acho que será positiva. Veremos, é claro, como disse o presidente dos Estados Unidos, se os iranianos estiverem dispostos a negociar de boa fé, e certamente estaremos dispostos a estender a mão. Se eles tentarem nos enganar, descobrirão que a equipe de negociação não é tão receptiva", declarou Vance.
Vance disse ainda que Donald Trump passou aos negociadores "diretrizes bem claras" para as tratativas, mas não especificou quais.
Cartaz em rua de Islamabad, no Paquistão, anuncia as conversas entre Estados Unidos e Irã, que serão sediadas na cidade, em 10 de abril de 2026.
Mesmo em meio a um cessar-fogo cambaleante, integrantes do alto escalão dos governos dos Estados Unidos e do Irã sentarão à mesa para começar a travar negociações pelo fim definitivo da guerra.
As negociações estão previstas para começar de forma oficial no sábado (11), com os integrantes das duas partes.
Do lado dos Estados Unidos, estarão:
- O vice-presidente norte-americano, JD Vance;
- O enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff;
- O conselheiro e genro de Trump Jared Kushne
Já do lado iraniano, participarão das tratativas:
- O chanceler do Irã, Abbas Araghchi;
- O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf.
As conversas ocorrerão em um hotel de luxo em Islamabad, a capital do Paquistão, país que media o diálogo entre EUA e Irã. E começarão já em meio à guerra de versões sobre o cessar-fogo, o passo inicial para o sucesso das conversas.
Por Redação g1
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