Lula afirma que Trump não ameaçaria o Brasil se soubesse 'o que é nordestino nervoso'

Presidente afirma que o americano ameaça o mundo e que brasileiro quer paz

O presidente Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (10) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está ameaçando o mundo e que, se ele conhecesse "um nordestino nervoso", não o faria com o Brasil.
A declaração foi feita em discurso em Sorocaba, no interior de São Paulo, onde Lula inaugurou um campus do IFSP (Instituto Federal de São Paulo).

"Trump não sabe o que é pernambucano, senão ele não fazia ameaça nunca aqui. Se ele soubesse o que é um nordestino nervoso, ele não brincaria com o Brasil. Se ele quiser guerra, que vá para outro lado do planeta, porque aqui nós queremos paz", disse Lula ao final do discurso.

A fala ocorre em um momento em que o governo brasileiro acompanha com atenção movimentos recentes de Donald Trump no cenário internacional. Nesta sexta, o americano afirmou que pode usar o poder econômico dos Estados Unidos para apoiar o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, que disputa uma eleição considerada acirrada neste fim de semana.

A atuação de Trump em favor de Orbán é vista por integrantes do governo Lula como um teste de interferência externa em processos eleitorais, com potencial impacto sobre estratégias brasileiras para as eleições de 2026. A gestão petista também observa eleições em outros países da América Latina sob essa perspectiva.

A declaração também ocorre em meio à escalada de tensões globais, com conflitos envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel no Oriente Médio, além da guerra entre Rússia e Ucrânia. O avanço dos confrontos preocupa o governo brasileiro, inclusive pelo impacto econômico — como a alta no preço do petróleo e seus efeitos sobre inflação e combustíveis.

O cenário internacional também tem afetado a relação bilateral. Um encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, discutido desde o início do ano, ainda não tem data definida e pode não ocorrer em 2026 caso não seja viabilizado até o meio do ano, diante do calendário eleitoral brasileiro.

Interlocutores do Planalto apontam que o agravamento da guerra no Oriente Médio dificultou o avanço da agenda entre os dois países. Lula, por sua vez, tem adotado posição crítica à atuação americana no conflito e defendido soluções negociadas.

Apesar do tom desafiador ao mencionar Trump, o presidente voltou a defender no discurso em Sorocaba uma agenda de paz e cooperação internacional. "Nós não queremos guerra, nós queremos paz", afirmou, ao dizer que o Brasil busca desenvolvimento, acesso à educação e bem-estar.
Por Aléxia Sousa/Nicole Bonentti/Folhapress

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente esta matéria.