Varejo físico recua 5,4% no 1º trimestre com Carnaval e juros altos --Por Folhapress
As intenções de compra no varejo físico encerraram o primeiro trimestre de 2026 com retração de 5,4% na comparação com o mesmo período de 2025
As intenções de compra no varejo físico encerraram o primeiro trimestre de 2026 com retração de 5,4% na comparação com o mesmo período de 2025. Relatório da consultoria Seed Digital mostra que os dados refletem um ambiente de consumo mais cauteloso e volátil.
Apesar do forte desempenho das lojas em janeiro, quando houve um crescimento de 6,1% nas intenções de compras, impulsionadas por buscas de liquidações, em fevereiro houve uma queda expressiva de 10,2%, impactado principalmente pelo Carnaval. Em março, o varejo chegou a respirar um pouco mais, porém o mês fechou negativo em 0,7%.
Segundo a Seed, o cenário é explicado por um conjunto de fatores: a persistência da taxa de juros entre 14,75% e 15%, que mantém o crédito mais restrito; e as pressões externas, com o avanço de tensões geopolíticas contribuindo para o aumento de custos logísticos e, por consequência, reduzindo o poder de compra das famílias.
"Nesse contexto, o consumidor brasileiro tem adotado uma postura mais racional, priorizando compras com maior percepção de valor e respondendo com mais intensidade a estímulos promocionais", diz a consultoria em nota.
A única região com índice positivo no levantamento foi o Nordeste, com crescimento de 0,3% neste início de ano. O Sul ficou com o pior desempenho, com recuo de 15,4%, seguido pelo Sudeste (-4,7%), Centro-Oeste (-2,1%) e Norte (-0,5%).
Segundo a consultoria, o resultado do Sudeste foi pressionado pela migração de tráfego dos consumidores para os canais digitais e pelo fortalecimento do Carnaval na região, além do impacto das chuvas em Minas Gerais entre fevereiro e março. Já no Centro-Oeste, o reflexo foi a acomodação dos preços das commodities agrícolas, que impactam diretamente na renda disponível das famílias.
Os dados coincidem com as informações de crescimento da receita de vendas, feita pela Cielo. Em janeiro, enquanto a intenção de compra subiu 6,1%, as receitas de vendas subiram 2,1%. Em fevereiro, as receitas retraíram em 3% e, em março, subiram 0,6% —no trimestre, o crescimento das vendas retraiu 0,4%.
A intenção de compra em shopping centers cresceu entre a população, com avanço de 2,6% no trimestre, porém o varejo de rua recuou 6,5%
"Esse comportamento reflete características estruturais distintas: enquanto o varejo de rua é mais dependente do fluxo orgânico e mais exposto à cautela do consumidor, os shopping centers se beneficiam de sua proposta de conveniência, lazer e experiência, além de maior capacidade de ativação comercial em momentos estratégicos, como durante o Dia do Consumidor", diz a Seed.
A perspectiva para o segundo trimestre de 2026 é de melhora, com a Páscoa, Dia das Mães e Dia dos Namorados, além de eventos sazonais e com forte apelo popular, como a Copa do Mundo, no início de junho.
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