Caiado responde a Lula sobre acordo de minerais críticos: 'Quem vende o Brasil é ele' Por Artur Búrigo/Folhapress
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) respondeu nesta quinta-feira (23) a uma crítica do presidente Lula (PT) sobre ele ter feito um acordo sobre minerais críticos no estado, sem consultar a União.
Pré-candidato à Presidência, Caiado defendeu os memorandos assinados com Estados Unidos e Japão como forma de desenvolver tecnologias em Goiás.
O estado abriga a única mineradora em operação de terras raras no Brasil, a Serra Verde. Nesta semana, a americana USA Rare Earth anunciou a compra da empresa em um negócio avaliado em US$ 2,8 bilhões (R$ 13,8 bilhões), combinando pagamento em dinheiro e ações.
No começo do mês, o presidente afirmou em entrevista que Caiado não poderia ter feito o acordo sem aprovação do governo federal e disse que "essa gente vai vender o Brasil e nós não podemos permitir".
"Quem está vendendo é ele", afirmou Caiado a jornalistas em um evento do agronegócio em Belo Horizonte.
"Ele está entregando tudo, não está desenvolvendo nenhuma tecnologia no Brasil, e nós continuamos a vender pau-brasil, como na época da colônia, ao vender nióbio, terras raras pesadas".
O presidenciável do PSD afirmou que, até o momento, tudo que é exportado da mineradora goiana tem como destino a China, país que concentra o refino dos elementos.
Com os acordos, a intenção é exportar materiais já refinados, que têm maior valor agregado e podem desenvolver a indústria local.
Como a Folha mostrou, o memorando de entendimento sobre minerais críticos que o governo estadual assinou com o Departamento de Estado americano prevê que dados produzidos em levantamentos geológicos para projetos apoiados pelos EUA sejam compartilhados com o governo americano.
Na visão de parte do governo brasileiro, isso representaria um risco porque seria o compartilhamento de informações estratégicas sobre localização de reservas de minerais críticos e potencial de exploração com uma potência estrangeira, em um momento em que ainda não há um marco regulatório para o setor no Brasil.
O ex-governador de Goiás também comentou na última quinta, sem entrar em detalhes, sobre seus planos para a Petrobras caso assuma a Presidência.
Caiado afirmou que a estatal deve deixar "monopólios que atrapalham o país", e citou a concentração da companhia na distribuição de gás natural no território brasileiro.
Ele também afirmou que é favorável à exploração de petróleo na margem equatorial e se disse preocupado com a dependência brasileira dos fertilizantes que vêm de fora.
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