Delegados reagem a fala de Lula e dizem que aumento do efetivo não vencerá crime organizado

Presidente disse ter convocado delegados cedidos que estariam 'fingindo que estão trabalhando'
Agentes da Polícia Federal
Delegados da Polícia Federal reagiram quase que imediatamente à declaração do presidente Lula de que policiais cedidos a outros órgãos fingem que estão trabalhando. A categoria manifestou preocupação com a fala e diz que não é a convocação de 53 delegados que vai vencer o crime organizado.

Em agenda pública nesta quinta-feira (23), Lula disse que convidou todos os delegados da PF que estão cedidos "em outro lugar fingindo que estão trabalhando" e que todos teriam que voltar para "combater o crime organizado".

A Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) reagiu e disse que os policiais cedidos exercem funções estratégicas e de alta relevância e que não há que se fazer questionamento generalizado sobre o desempenho deles.

Além disso, afirmou que apenas 53 delegados estão cedidos a outros órgãos, o que representa menos de 3% do total.

"Não basta ampliar o efetivo. É indispensável implementar políticas consistentes de valorização, retenção de talentos e financiamento adequado da instituição", afirma a nota.

Nos bastidores, policiais classificaram a fala do presidente de "infeliz" e dizem que ela é uma ofensa à categoria, que tem trabalhado incessantemente no combate ao crime.

O posicionamento é uma resposta da categoria, que está insatisfeita porque o governo federal não deu seguimento à criação do Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas. Além disso, os policiais reclamam que a profissão tem sido desvalorizada e muitos têm mudado de carreira.

"A associação reafirma que o enfrentamento ao crime organizado exige menos propaganda e mais ações concretas. Declarações que desqualificam policiais não contribuem para esse objetivo e fragilizam o debate público sobre segurança", afirmou a entidade.
Por Gabriela Echenique/Folhapress

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